Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10950.722535/2011-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2008
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
Tratando-se de crédito bancários cujo histórico (cobrança) identifica cabalmente a origem dos recursos depositados (vendas a prazo), aplica-se ao caso o tratamento previsto no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Relatora Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Redator Designado
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2008 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal. Tratando-se de crédito bancários cujo histórico (cobrança) identifica cabalmente a origem dos recursos depositados (vendas a prazo), aplica-se ao caso o tratamento previsto no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10950.722535/2011-11
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5418774
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1803-002.465
nome_arquivo_s : Decisao_10950722535201111.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10950722535201111_5418774.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Relatora Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Redator Designado Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5786137
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476659814400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2365; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 677 1 676 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.722535/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.465 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de novembro de 2014 Matéria SIMPLES Recorrente I. CAMPOS ANACLETO COUROS EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2008 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Tratandose de crédito bancários cujo histórico (“cobrança”) identifica cabalmente a origem dos recursos depositados (vendas a prazo), aplicase ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 25 35 /2 01 1- 11 Fl. 677DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 678 2 caso o tratamento previsto no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Relatora Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 480488, com a exigência do crédito tributário no valor de R$17.802,87, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), referente ao período de janeiro a junho do anocalendário de 2007. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Falta/insuficiência de recolhimento apurada, com base em depósitos bancários de origem não comprovada [...]. Art. 5º da Lei n°9.317/96 c/c art. 3º da Lei n° 9.732/98.; Art. 42 da Lei n° 9.430/96; Arts. 186 e 188 do RIR/99. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 679 3 Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 489492 com a exigência do crédito tributário no valor de R$12.849,52 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Falta/insuficiência de recolhimento apurada, com base em depósitos bancários de origem não comprovada [...] Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar n° 7/70 c/c art.1º, parágrafo único da Lei Complementar n° 17/73 e arts. 2° , inciso I, 3° e 9º, da Medida Provisória n° l.249/95 e suas reedições; art. 5° da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96; art. 3° da Lei n° 9.732/98. III – O Auto de Infração às fls. 494500 com a exigência do crédito tributário no valor de R$17.802,87a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Falta/insuficiência de recolhimento apurada, com base em depósitos bancários de origem não comprovada, [...] Art. 1º da Lei n°7.689/88; art. 5º da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96; art. 3º da Lei n° 9.732/98. IV – O Auto de Infração às fls. 501507 com a exigência do crédito tributário no valor de R$53.324,02 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Falta/insuficiência de recolhimento apurada, com base em depósitos bancários de origem não comprovada, [...] Art. 1º da Lei Complementar n° 70/91; art. 5º da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96; art. 3º da Lei n° 9.732/98. V O Auto de Infração às fls. 508514 com a exigência do crédito tributário no valor de R$152.669,21 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Falta/insuficiência de recolhimento apurada, com base em depósitos bancários de origem não comprovada, [...] Fl. 679DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 680 4 Art. 5º da Lei n° 9.317/96; Art. 42 da Lei n° 9.430/96; Art. 3º da Lei n° 9.732/98. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 524530, com as alegações abaixo sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre a ação fiscal e suscita que: 01. A Impugnante é contribuinte que prima pelo rigoroso cumprimento de todos os seus deveres legais, sobremodo aqueles relacionados às questões fiscais. 02. Devido ao estreito relacionamento pessoal que o titular da Impugnante mantinha com os titulares de outras empresas, estas, aproveitandose da reputação e do crédito que a Impugnante tinha junto a instituições financeiras, procediam o desconto de suas duplicatas por intermédio da Impugnante que, depois do desconto, realizava o repasse dos valores líquidos descontados àquelas empresas. 03. Embora a Impugnante tenha colaborado com a fiscalização da melhor forma possível, apresentando todos os esclarecimentos solicitados e cópias de contratos, extratos bancários, borderôs de desconto de duplicatas, e demais documentos que comprovavam a licitude de seus atos, a d. Fiscalização, precipitadamente, interpretou que os créditos em conta bancária da Impugnante, advindo dos referidos descontos de duplicatas, caracterizaria omissão de receitas, com base no art. 42 da Lei nº 9430/1996. 04. Destarte, foram lavrados Autos de Infração exigindo o pagamento da importância de R$254.448,48 (duzentos e cinquenta e quatro mil, quatrocentos e quarenta e oito reais e quarenta e oito centavos), a título de Impostos e Contribuições da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte SIMPLES, cujos Autos de Infração integram o presente Processo Administrativo Fiscal; e a importância de R$86.744,05 (oitenta e seis mil, setecentos e quarenta e quatro reais, e cinco centavos), a título de IRPJ, CSLL, COFINS, e PIS, cujos Autos de Infração constante do Processo Administrativo Fiscal n9 10950.722534/201176. 05. Assim, sem se despir da venia devida à atividade fiscal, a Impugnante ousa discordar das conclusões vazadas na presente medida, razão pela qual pretende demonstrar nas linhas seguintes, em homenagem ao princípio do contraditório e à máxima da justiça, que a referida exação fiscal, além de se revestir da incontornável arbitrariedade, distanciase da realidade fática e jurídica aplicável ao caso, o que lhe conferiu ensejo à interposição da presente impugnação, pautadas nas razões a seguir colacionadas. 06. Como já mencionado, a d. Fiscalização adotou como argumento basilar para a lavratura dos Autos de Infração, ora combatidos, a presunção prescrita no art. 42 da Lei 9.430/96, [...]. 07. Conforme se denota, a presunção iuris tantum introduzida pelo permissivo citado aplicase tãosomente nos casos em que o Contribuinte, após regularmente intimado, deixar de esclarecer e comprovar a origem dos recursos financeiros mantidos em instituições financeiras. 08. Ocorre que, ao contrário do que pretende fazer parecer a d. Fiscalização, no caso em tela, a Impugnante não se absteve de esclarecer e comprovar as origens dos recursos financeiros em comento, tendo, para tanto, apresentado todos os documentos pertinentes, não sendo, portanto, aplicável a presunção legal supracitada. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 681 5 09. Como mencionado anteriormente, a Impugnante apresentou borderôs e cópias das duplicatas emitidas por outras empresas, cujos proprietários eram ou poderiam vir a ser parceiros comerciais. Tais documentos comprovam efetivamente as operações por ela realizadas, no entanto, a d. Fiscalização os desconsiderou, levantando hipóteses que não prosperam, conforme os esclarecimentos adiante descortinados. 10. Primeiramente, a d. Fiscalização aduz que os "borderôs de descontos" apresentados contêm apenas o nome dos sacados e não dos emitentes das duplicatas. No entanto, isto não ensejaria óbice para a comprovação da operação, pois o nome do emitente pode ser extraído das cópias das respectivas duplicatas apresentadas durante a fiscalização. 11. Da mesma maneira não deve prosperar a argumentação do Fisco a respeito da possível inidoneidade da documentação apresentada, lastreada na alegação de que não restou comprovado o efetivo fornecimento desses documentos pelo Banco do Brasil S/A. 12. É de bom alvitre lembrar que em momento algum a d. Fiscalização colocou em dúvida a autenticidade das duplicatas descontadas, bem como das respectivas notas fiscais, documentos estes entregues para análise, após a sua obtenção junto ao Banco do Brasil. 13. Cumpre salientar que a Impugnante apresentou, de boafé, toda a documentação solicitada (borderôs, cópia de duplicatas, cópia de notas fiscais), que foi obtida junto ao Banco do Brasil, em decorrência da relação comercial mantida com a citada instituição financeira. 14. O fato de os borderôs não conterem todas as informações, que a d. Fiscalização julgou necessárias, não pode ser utilizada para desconsiderar a efetividade das operações de descontos de duplicatas de terceiros. 15. Cabe ressaltar que em resposta à intimação da d. Fiscalização, a Impugnante, em homenagem ao princípio da transparência e lealdade perante o fisco, abriu mão do sigilo bancário, sugerindo que a própria fiscalização efetuasse os pedidos de esclarecimentos, em relação à documentação fornecida, diretamente ao Banco do Brasil. 16. Outro ponto que merece ser questionado, dentre as conclusões da d. Fiscalização, é a suposta inocorrência de repasse dos valores líquidos, objeto dos descontos de duplicatas, aos verdadeiros proprietários. 17. Tal prática era realizada pela Impugnante como espécie de "favor", a fim de fortalecer o seu ramo de atuação, promover o desenvolvimento de seus parceiros comerciais, bem como fomentar os negócios destes, que no final das contas, tudo isso acabava por refletir no sucesso dos negócios da própria/ impugnante. 18. Assim, como já demonstrado, o aludido bom relacionamento entre os titulares das empresas permite a dispensa de formalidades, de sorte que os valores advindos das duplicatas descontadas eram sempre restituídos integralmente às empresas a que eram devidos, de uma forma ou de outra, conforme conveniência da interessada, ora por pagamento em pecúnia, ora por quitação de obrigações destas para com a Impugnante. 19. Insta dizer, que a Impugnante não auferiu receitas financeiras com estas operações, pois em todos os casos a restituição se deu por meio de transferências Fl. 681DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 682 6 diretas ou por quitação de obrigações das empresas detentoras do direito, cujas quitações previamente autorizadas e indicadas por estas. A vantagem que a Impugnante pode considerar como conseguida seria a da manutenção do bom relacionamento, visando operações futuras envolvendo a própria Impugnante e as empresas para as quais prestou o favor. 20. Neste diapasão, os valores considerados como receitas omitidas neste processo, já sofreram o rigor da tributação na empresa emitente das respectivas duplicatas. Logo, tributar tais valores novamente configurase na situação de "bis in idem" vedado pelo ordenamento jurídico pátrio. 21. Por outro lado, a d. Fiscalização tenta caracterizar a omissão de receitas, utilizandose para tanto a argumentação de que as cláusulas do contrato de descontos de duplicatas, firmado entre o Banco do Brasil e a Impugnante, não permitiria o desconto de títulos de terceiros, concluindo erroneamente que as operações seriam da própria Impugnante. 22. É verdade que consta do citado contrato estas vedações. Contudo, se houve quebra do acordado, tendo em vista que todos os títulos descontados não são de origem da Impugnante, este fato não é suficiente para se determinar a incidência de tributos sobre tais valores. 23. Poderia até alegar que houve transgressão a norma de caráter financeiro, cuja competência é do Banco Central do Brasil, mas jamais que houve infração a leis tributárias. 24. Por fim, cumpre salientar que as operações realizadas pela Impugnante, em favor de inumas empresas parceiras, como forma de desenvolver seu ramo de atuação comercial, não encontram quaisquer óbices, mormente quando respeitados todos os permissivos legais, em especial os tributários. 25. A Impugnante comprova por intermédio da documentação, ora acostada ao autos, a origem de cada crédito de cobrança, fazendo a correlação entre o borderô de desconto e a respectiva duplicata, permitindo, desta forma, a identificação segura da empresa emitente e do valor do respectivo crédito. 26. Assim, restando plenamente comprovada as origens de todos os recursos financeiros apontados pela d. Fiscalização, concluise que, além de afastar a presunção de omissão de receitas, os mesmos não se enquadram no rol de receitas tributáveis. III DO PEDIDO 27. Diante do exposto, REQUERSE de Vossa Senhoria seja reconhecida, pelos fatos e fundamentos trazidos à colação, a total IMPROCEDÊNCIA da medida fiscal impugnada, uma vez que foram cabalmente esclarecidas e comprovadas as origens dos recursos financeiros apontados pelo d. Fisco, afastando por completo a presunção de omissão de receitas prescrita pelo art. 42 da Lei 9.430/96. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 06 41.607, de 21.06.2013, fls. 635654: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 682DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 683 7 Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007 SIMPLES FEDERAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. A falta de apresentação da declaração ou a apresentação (extemporânea) com valores zerados e a existência de movimentação bancária não devidamente justificada, autorizam a presunção de omissão de receitas e o respectivo lançamento para a exigência dos valores devidos a título de Simples. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Tratandose de exigência fundamentada em irregularidade apurada em ação fiscal realizada na esfera do Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples, o decidido quanto àquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos decorrentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 13.08.2013, fl. 661, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.09.2013, fls. 663669, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: I SÍNTESE DOS FATOS [...] 04. Contudo, a r. decisão ora recorrida amparase em fundamentos equivocados e dissociados da realidade fática, razão pela qual merece ser reformada, in totum, conforme restará cabalmente demonstrado adiante. II DO DIREITO A DA ORIGEM DOS CRÉDITOS 05. Como já mencionado, a d. Fiscalização adotou como argumento basilar para a lavratura dos Autos de Infração, ora combatidos, a presunção prescrita no art. 42 da Lei 9.430/96, [...]. 06. Conforme se denota, a presunção iuris tantum introduzida pelo permissivo citado aplicase tãosomente nos casos em que o Contribuinte, após regularmente intimado, deixar de esclarecer e comprovar a origem dos recursos financeiros mantidos em instituições financeiras. 07. Contudo, ao contrário do que pretende fazer parecer a d. Fiscalização, no caso em tela, a Recorrente não se absteve de esclarecer e comprovar as origens dos recursos financeiros em comento, tendo, para tanto, apresentado todos os documentos pertinentes, não sendo, portanto, aplicável a presunção legal supracitada. 08. Ocorre que a Recorrente apresentou borderôs e cópias das duplicatas emitidas por outras empresas, cujos proprietários eram ou poderiam vir a ser parceiros comerciais. Tais documentos comprovam efetivamente as operações por ela realizadas, no entanto, a d. Fiscalização os desconsiderou, levantando hipóteses que não prosperam, conforme os esclarecimentos adiante descortinados. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 684 8 09. Primeiramente, a d. Fiscalização aduz que os "borderôs de descontos" apresentados contêm apenas o nome dos sacados e não dos emitentes das duplicatas. No entanto, isto não ensejaria óbice para a comprovação da operação, pois o nome do emitente pode ser extraído das cópias das respectivas duplicatas apresentadas durante a fiscalização. 10. Da mesma maneira não deve prosperar a argumentação do Fisco a respeito da possível inidoneidade da documentação apresentada, lastreada na alegação de que não restou comprovado o efetivo fornecimento desses documentos pelo Banco do Brasil S.A. 11. É de bom alvitre lembrar que em momento algum a d. Fiscalização colocou em dúvida a autenticidade das duplicatas descontadas, bem como das respectivas notas fiscais, documentos estes entregues para análise, após a sua obtenção junto ao Banco do Brasil. 12. Cumpre salientar que a Recorrente apresentou, de boafé, toda a documentação solicitada (borderôs, cópia de duplicatas, cópia de notas fiscais), que foi obtida junto ao Banco do Brasil, em decorrência da relação comercial mantida com a citada instituição financeira. 13. O fato de os borderôs não conterem todas as informações, que a d. Fiscalização julgou necessárias, não pode ser utilizada para desconsiderar a efetividade das operações de descontos de duplicatas de terceiros. 14. Cabe ressaltar que em resposta à intimação da d. Fiscalização, a Recorrente, em homenagem ao princípio da transparência e lealdade perante o fisco, abriu mão do sigilo bancário, sugerindo que a própria fiscalização efetuasse os pedidos de esclarecimentos, em relação à documentação fornecida, diretamente ao Banco do Brasil. 15. Outro ponto que merece ser questionado, dentre as conclusões da d. Fiscalização, é a suposta inocorrência de repasse dos valores líquidos, objeto dos descontos de duplicatas, aos verdadeiros proprietários. 16. Tal prática era realizada pela Recorrente como espécie de "favor", a fim de fortalecer o seu ramo de atuação, promover o desenvolvimento de seus parceiros comerciais, bem como fomentar os negócios destes, que no final das contas, tudo isso acabava por refletir no sucesso dos negócios da própria Recorrente. 17. Assim, como já demonstrado, o aludido bom relacionamento entre os titulares das empresas permite a dispensa de formalidades, de sorte que os valores advindos das duplicatas descontadas eram sempre restituídos integralmente às empresas a que eram devidos, de uma forma ou de outra, conforme conveniência da interessada, ora por pagamento em pecúnia, ora por quitação de obrigações destas para com a Recorrente. 18. Insta dizer, que a Recorrente não auferiu receitas financeiras com estas operações, pois em todos os casos a restituição se deu por meio de transferências diretas ou por quitação de obrigações das empresas detentoras do direito, cujas quitações previamente autorizadas e indicadas por estas. A vantagem que a Recorrente pôde considerar como conseguida seria única e exclusivamente a da manutenção do bom relacionamento, visando operações futuras envolvendo a própria Recorrente e as empresas para as quais prestou o favor. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 685 9 19. Neste diapasão, os valores considerados como receitas omitidas neste processo, já sofreram o rigor da tributação na empresa emitente das respectivas duplicatas. Logo, tributar tais valores novamente configurase na situação de "bis in idem" vedado pelo ordenamento jurídico pátrio. 20. Por outro lado, a d. Fiscalização tenta caracterizar a omissão de receitas, utilizandose para tanto a argumentação de que as cláusulas do contrato de descontos de duplicatas, firmado entre o Banco do Brasil e a Recorrente, não permitiria o desconto de títulos de terceiros, concluindo erroneamente que as operações seriam da própria Recorrente. 21. É verdade que consta do citado contrato estas vedações. Contudo, se houve quebra do acordado, tendo em vista que todos os títulos descontados não são de origem da Recorrente, este fato não é suficiente para se determinar a incidência de tributos sobre tais valores. 22. Poderia até alegar que houve transgressão a norma de caráter financeiro, cuja competência é do Banco Central do Brasil, mas jamais que houve infração a leis tributárias. 23. Por fim, cumpre salientar que as operações realizadas pela Recorrente, em favor de algumas empresas parceiras, como forma de desenvolver seu ramo de atuação comercial, não encontram quaisquer óbices, mormente quando respeitados todos os permissivos legais, em especial os tributários. 24. A Recorrente comprova por intermédio da documentação, ora acostada aos autos, a origem de cada crédito de cobrança, fazendo a correlação entre o borderô de desconto e a respectiva duplicata, permitindo, desta forma, a identificação segura da empresa emitente e do valor do respectivo crédito. 25. Assim, restando plenamente comprovada as origens de todos os recursos financeiros apontados pela d. Fiscalização, concluise que, além de afastar a presunção de omissão de receitas, os mesmos não se enquadram no rol de receitas tributáveis. III DO PEDIDO 26. Em face de todo o exposto e do mais que consta dos autos em discussão, REQUERSE a Vossas Senhorias seja o presente Recurso Voluntário conhecido e integralmente provido, com a reforma a reforma in totum do v. acórdão n° 0641.607 da 2ª Turma da DRJ/CTA, uma vez que foram cabalmente esclarecidas e comprovadas as origens dos recursos financeiros apontados pelo d. Fisco, afastando por completo a presunção de omissão de receitas prescrita pelo art. 42 da Lei 9.430/96. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Fl. 685DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 686 10 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 687 11 exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 480514 e o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 0641.607, de 21.06.2013, fls. 635654, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 688 12 desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração6. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes, em conformidade com as Súmulas CARF nºs 26 e 30. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram 6 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 689 13 evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada7. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo8. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade9, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. A matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) é objeto de recuso extraordinário com repercussão geral em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), tema de nº 225, sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil CPC) 10 e por essa razão não se pode aplicar o art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Está registrado no Termo de Verificação e Encerramento de Procedimento Fiscal , fls. 449471, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 7 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 8 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 9 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. 10 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2689108&numero Processo=601314&classeProcesso=RE&numeroTema=225>. Acesso em 16 ago. 2014. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 690 14 No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº 09.1.05.00 2010004087, e de acordo com o disposto nos artigos 841, 844, 845, 849, 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), procedeuse a fiscalização no contribuinte acima identificado, doravante denominado "Sujeito Passivo", iniciada a fim de se verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas aos impostos e contribuições inclusos no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte SIMPLES, referente aos fatos geradores ocorridos no primeiro semestre de 2007, e ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no que se refere ao 2o semestre de 2007. Durante o procedimento fiscal, foram constatadas infrações à legislação tributária que culminaram na lavratura de autos de infração para a constituição dos impostos e contribuições incluídos no sistema Simples, referentes aos meses do 1º semestre de 2007, bem como autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, e reflexos na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e na Contribuição para a Integração Social PIS/Pasep, no que se refere aos períodos de apuração compreendidos no 2º semestre de 2007. 1. DO SUJEITO PASSIVO Consoante Declaração de Firma Mercantil Individual [...], o Sujeito Passivo qualificado em epígrafe (com registro de constituição na Junta Comercial do Paraná em 23/04/2002, sob o n° NIRE 41105381938 Escritório Regional de Ivaiporã, como Empresa de Pequeno Porte), tem como (único) titular o Sr. ITAMAR CAMPOS ANACLETO (inscrito no CPF sob o n° 973.114.56991), tendo declarado como atividade principal o "Comércio Atacadista de Couros, Peles, Chifres, Ossos, Cascos, Crinas, Lã, Pelos e Cerdas em Bruto" (Código de Atividade Econômica n° "51.225/06"). Mediante Requerimento de Empresário (alteração registrada em 14/06/2005; [...], alterou determinados dados, entre os quais o acréscimo da expressão "EPP" ao nome empresarial, e a inclusão do comércio de penas e plumas entre suas atividades (objeto). De acordo com as informações contidas nas bases de dados informatizadas da Receita Federal do Brasil RFB, o Sujeito Passivo foi optante do Simples Federal (Lei n° 9.317/96) no período compreendido entre 01/01/2007 e 30/06/2007 (1º Semestre de 2007). Apresentou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES (PJSI) n° 8048069 [...] como EPP, referente aos citados períodos (entre 01/01/2007 e 30/06/2007), porém de forma intempestiva, em 15/12/2010, e declarando (Ficha 04A Demonstração das Receitas e Simples a Pagar) não ter auferido qualquer receita bruta ("0,00") e inexistir Simples devido/a pagar. Verificouse, entretanto, a existência de registro de dois recolhimentos sob o código (6106) do sistema Simples relativos aos períodos de apuração de março (R$780,00) e abril (R$978,75, de principal) de 2007 (efetuados em 20/04/2007 e 25/06/2007, respectivamente; fls.). No que concerne aos períodos de apuração compreendidos no 2° Semestre de 2007, consta que o Sujeito Passivo não optou pelo regime de tributação do Simples Nacional (LC n° 123/2006; fls.), não apresentou Declaração DIPJ (fls.), nem Demonstrativo Dacon (fls.), e tampouco Declaração DCTF (fls.). Também não efetuou qualquer recolhimento (fls.). Fl. 690DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 691 15 Cabe mencionar que o Sujeito Passivo foi representado durante o procedimento fiscal pelos seus procuradores, com poderes, entre outros, de representação perante a Receita Federal do Brasil, conforme instrumento de mandato incluso (fls.). A entrega das manifestações (e respectivos anexos) do Sujeito Passivo deuse, como regra, por encaminhamento por via postal. 2. DO PROCEDIMENTO FISCAL O presente procedimento fiscal teve início em 14/07/2010, com o recebimento (via postal, conforme "AR" , no endereço constante do cadastro CNPJ) do Termo de Início de Fiscalização, mediante o qual o Sujeito Passivo foi intimado a apresentar os documentos e esclarecimentos nele consignados, sobretudo no que se refere à movimentação financeira no anocalendário de 2007. No dia 04/08/2010, o procurador Dr. José Aderlei de Souza (OAB/PR n° 37.226) compareceu na Seção de Fiscalização desta Delegacia da Receita Federal do Brasil em MaringáPR (DRF/MGA) apresentando manifestação (datada de 03/08/2010; fls.), requerendo prorrogação de prazo (30 dias) para apresentação dos elementos solicitados, e o instrumento de mandato mencionado. A fiscalização concedeu o prazo requerido, cientificando o procurador do despacho na própria petição. Por meio da manifestação datada de 31/08/2010 (recebida no dia 01/09/2010; por via postal; fls.), o Sujeito Passivo, por seus procuradores, apresentou os extratos referentes à contacorrente n° 12.1452, da agência n° 06335, do Banco do Brasil S.A, relativos aos meses de janeiro a dezembro de 2007 (fls.), além de cópia (simples) dos mencionados atos de constituição e de alteração da firma individual. No que se refere aos demais itens da intimação constantes do Termo de Início de Fiscalização (Livros Diário, Razão, Caixa, Registro de Inventário, Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração de ICMS, e demais elementos), informou que "... não dispõe dos demais documentos, considerando que a empresa encontrase com inscrição baixada no CADICMS junto a Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná" (g.n.). Conforme descrito no Termo de Intimação Fiscal (TIF) de 21/09/2010 (fls.), a fiscalização elaborou, a partir da análise dos citados extratos bancários da conta de depósito mantida no Banco do Brasil S.A, o "Demonstrativo dos Depósitos e Créditos a Comprovar" (Anexo I ao termo fiscal; fls.), intimando o Sujeito Passivo a (no prazo de 20 dias do recebimento): (1) comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem individualizada dos recursos depositados na conta bancária, conforme créditos relacionados e individualizados no demonstrativo anexo (Anexo I); (2) indicar e comprovar, dentre os créditos listados no demonstrativos citado (Anexo I): a) possíveis transferências interbancárias (entre contas da mesma titularidade); e b) empréstimos contraídos no período; (3) apontar cheques devolvidos e outros estornos de créditos, ocorridos no período, em suas contascorrentes, além dos já considerados no Anexo I. Em resposta ao referido TIF (de 21/09/2010), o Sujeito Passivo apresentou manifestação (subscrita por seus procuradores, com data de 13/10/2010, recebida em 14/10/2010; por via postal; [...]) acompanhada de determinados extratos [...] reputados como "comprovantes" relativos a "desconto de duplicatas descontadas junto à instituição financeira". Alegou que os "créditos abaixo relacionados" (relacionados aos citados extratos) teriam "como origem o favor financeiro a outra empresa que, sem crédito junto aos bancos, solicitou a Requerente que efetuasse os Fl. 691DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 692 16 referidos descontos e restituísse os valores líquidos, conforme consta dos respectivos extratos [...]". (destaques na transcrição). Ademais, requereu "dilação do prazo para a apresentação dos demais comprovante em decorrência da greve geral dos bancários, iniciada em 29/09/2010, que impossibilitou a obtenção dos demais comprovantes". Mediante o Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo, de 25/10/2010 [...], e considerando a alegação acima mencionada e os extratos apresentados, o Sujeito Passivo foi intimado a (no prazo de 20 (vinte) dias): a) apresentar cópia fornecida pela instituição financeira dos borderôs e das respectivas duplicatas referentes aos créditos relacionados em sua manifestação (histórico "Cobrança"); b) indicar, de forma precisa e completa, e demonstrar qual seria a "outra empresa " referida que teria sido beneficiária do "favor financeiro" prestado pela fiscalizada; c) esclarecer em que termos e condições as supostas operações de "favor financeiro" teriam ocorrido, e apresentar documentos comprobatórios dos créditos e de sua cessão; d) demonstrar, de forma pormenorizada, e mediante documentação hábil e idônea, a alegação de que houve restituição, à beneficiária do "favor financeiro", dos "valores líquidos" pertinentes aos descontos de duplicatas correlacionando cada crédito à respectiva restituição. Outrossim, o Sujeito Passivo foi intimado a (no prazo de 20 (vinte) dias): e) apresentar cópia da ficha cadastral, do cartão de autógrafos e de procuração (em havendo) referentes à(s) conta(s)corrente bancária(s) de sua titularidade. No que se refere ao pedido de dilação de prazo, "para apresentação dos demais comprovantes", embora não especificados os "demais comprovantes" que pretendia apresentar, sua finalidade, e tampouco o prazo pretendido, mas considerando que é cediço o fato da ocorrência de "greve geral dos bancários", concedeuse prazo adicional de 20 (vinte) dias (contados a partir da ciência do termo fiscal de 25/10/2010, de forma que este e os prazos acima referidos tivessem o mesmo termo final) para cumprimento integral da intimação para comprovar a origem dos recursos depositados em conta(s) bancária(s) de sua titularidade, bem como para as demais providências, objeto do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 21/09/2010. A título de atendimento dos esclarecimentos, demonstrações e documentos requeridos mediante o Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo lavrado em 25/10/2010, o Sujeito Passivo encaminhou manifestação (subscrita por seus procuradores; fls.) datada de 16/11/2010, recebida pela fiscalização em 22/11/2010, acompanhada de determinados elementos [...]. Apresentou cópia (simples) de: borderôs acompanhados das respectivas duplicatas descontadas no anocalendário de 2007, junto ao Banco do Brasil" (sem mencionar se foi fornecida pela instituição financeira); ficha cadastral, acompanhado do respectivo cartão de autógrafos, relativa a conta corrente da intimada junto ao Banco do Brasil S/A " (declarando não existir procuração "bancária"). Afirmou esclarecer que o motivo do 'favor financeiro' residiria no fato das empresas favorecidas não terem limite de crédito e, que "dado ao estreito relacionamento entre os titulares das empresas envolvidas e, é bom que se frise, com a aquiescência e instrução da própria, instituição financeira, houveram por bem efetuarem os referidos descontos dos títulos em nome da Intimada, que em face do seu retrospecto possuía os referidos limites creditícios. " [...]". (g.n.). Fl. 692DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 693 17 Afirmou, ainda, que as devoluções dos valores "às favorecidas operavam de maneira aleatória, mediante a sua solicitação, muitas vezes verbal, ou quitando compromissos conforme a situação". Outrossim, asseverou que as empresas favorecidas pelo favor financeiro seriam "Master Comércio de Couros LTDA., e Memory Comércio de Couros LTDA ", conforme se depreenderia das "cópias " de duplicatas apresentadas. Constou, no Termo de Reintimação Fiscal (TRF) de 17/12/2010 (fls.), no que se refere à intimação descrita na alínea "d" do Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo de 25/10/2010 (para demonstrar, analiticamente, a restituição), que o Sujeito Passivo, em sua manifestação, limitouse a apresentar a alegação acima descrita, ou seja, que "... as devoluções dos valores às favorecidas operavam de maneira aleatória, mediante a sua solicitação, muitas vezes verbal, ou quitando compromissos conforme a situação " (g.n.). Por conseguinte, como descrito no termo fiscal, considerando a vagueza dessa alegação, aliada à completa ausência de comprovação das "devoluções" relativas ao "favor financeiro" que teria sido prestado a determinadas empresas, o Sujeito Passivo foi reintimado a, no prazo de 20 (vinte) dias, atender a citada intimação (alínea "d" do termo fiscal de 25/10/2010), ou seja: "I) demonstrar, de forma pormenorizada, e mediante documentação hábil e idônea, a alegação de que houve restituição, à beneficiária do "favor financeiro", dos "valores líquidos"pertinentes aos descontos de duplicatas correlacionando cada crédito à respectiva restituição. " (destaques no original). O Sujeito Passivo (por seus procuradores), em manifestação (sem data) recebida no dia 11/01/2011 [...], e fazendo menção a esclarecimentos prestados, asseverou que "a restituição dos valores às favorecidas não seguiam um padrão ou formalidade, ora eram devolvidos em dinheiro, ora eram utilizados como crédito a ser abatido de operações comerciais entre as favorecidas e a Fiscalizada " (g.n.). Salientou que, devido ao "estreito relacionamento entre os titulares das empresas envolvidas", e à "informalidade" como teria se operado "as movimentações financeiras" "não permite neste momento a arrecadação de documentos que pudessem de forma cabal comprovar tais operações". Disse, contudo, que "está diligenciando no sentido de reunir o maior número possível de documentos relativos às diversas operações". Constou, ainda, a "título de informação", que em contato "com as empresas emitentes das notas fiscais e respectivas duplicatas, objetos dos descontos bancários, houve a manifestação de que todos os valores realmente foram devolvidos e, se necessitarem de declaração neste sentido, estão dispostas a fornecerem tais documentos " (g.n.). Mediante o Termo de Intimação Fiscal de 04/02/2011 (fls.), o Sujeito Passivo foi intimado a apresentar: I) cópia autenticada do Contrato para Desconto de Títulos (Clausulas Gerais, Cláusulas Especiais, Comunicação de Alterações e quaisquer outros documentos relativos ao Contrato n° 063.302.819), firmado entre o sujeito passivo e o Banco do Brasil S.A. (Agência de IvaiporãPR, n° 06335); II) extratos/relatórios fornecidos pelo Banco do Brasil S.A. especificando os títulos descontados (durante o ano de 2007) por borderô/remessa ("Consulta Títulos/Remessa"); III) cópia autenticada de todas as propostas de adesão ("Proposta de Contratação" ou documento equivalente) referentes aos débitos de "BrasilPrev" discriminados (efetivados na conta n° 12.1452 da Agência n° 06335 do Banco do Fl. 693DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 694 18 Brasil S.A.); IV) cópia autenticada de todas as propostas de adesão ("Proposta/Ficha de Cadastro de Título de Capitalização" ou documento equivalente) referentes aos débitos de "Ourocap" discriminados (efetivados na conta n° 12.1452 da Agência n° 06335 do Banco do Brasil S.A.). No dia 25/02/2011, foi recebida a resposta datada de 22/02/2011 [...], acompanhada, no que se refere ao Contrato para Desconto de Títulos, apenas de cópia (simples) das Cláusulas Especiais (fls.) parte do Contrato. Em razão do atendimento parcial do TIF de 04/02/2011, lavrouse o Termo de Reintimação Fiscal de 04/03/2011 [...], mediante o qual o Sujeito Passivo foi reintimado a cumprir integralmente os elementos requeridos no mencionado TIF, e intimado a comprovar que as cópias de borderôs e de duplicatas apresentadas como anexo da manifestação datada de 16 de novembro de 2010 (recebida no dia 22/11/2010) foram fornecidas pelo Banco do Brasil S.A. ou seja, demonstrar que atendeu, na forma como especificado, a intimação constante da alínea "a" do Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo de 25/10/2010, ou esclarecer a origem das referidas cópias. Em resposta, datada de 31/03/2011 (recebida em 04/04/2011; [...]), o Sujeito Passivo, limitouse a apresentar cópias (simples; inclusive com cópias de verso e anverso em folhas distintas; fls.) de borderôs e duplicatas, e afirmar "esclarecer" que "todos os borderôs e duplicatas, apresentados anteriormente, foram igualmente fornecidos pelo Banco do Brasil provavelmente obtidos diretamente do sistema informatizado da citada instituição bancária". (gn.). Assim, conforme descrito no Termo de Reintimação Fiscal (TRF) de 02/05/2011 [...], não tendo apresentado qualquer comprovante que as cópias foram fornecidas pelo Banco do Brasil S.A., o Sujeito Passivo foi reintimado a demonstrar que atendeu, na forma como especificado, a intimação constante da alínea "a" do Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo de 25/10/2010, abaixo reproduzida , ou esclarecer a origem das referidas cópias: Alínea "a" do termo fiscal de 25/10/2010: "[...] 1. apresentar cópia fornecida pela instituição financeira dos borderôs e das respectivas duplicatas referentes aos créditos relacionados em sua manifestação (histórico "Cobrança"); b) [...]"Foi, outrossim, reintimado, por meio do mesmo TRF, a cumprir integralmente os elementos requeridos nos itens I a IV do TIF de 04/02/2011. Em resposta, datada de 16/05/2011 (recebida em 17/05/2011; [...]), restringiu se a encaminhar cópia (simples) das Cláusulas Gerais do Contrato para Desconto de Títulos (fls.). Por fim, no Termo de Ciência e Intimação Fiscal de 08/06/2011 [...], foi descrito que o Sujeito Passivo, não optante por qualquer regime/sistema de tributação em relação aos períodos de apuração compreendidos no 2° Semestre de 2007, sujeitarseia ao recolhimento do IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) pelo regime do Lucro Real. Contudo, constou, para a tributação da pessoa jurídica com base no Lucro Real, é obrigatória a escrituração do Livro Diário e do Livro Razão, conforme estabelecido nos artigos 258 e 259 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), livros que não foram apresentados, ainda que desde o início da ação fiscal tenha sido objeto de intimação nesse sentido. Em resposta à referida intimação (em manifestação datada de Fl. 694DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 695 19 31/08/2010; fls.), o sujeito passivo limitouse a informar que "...não dispõe dos demais documentos, considerando que a empresa encontrase com inscrição baixada no CADICMS junto a Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná" (destacamos). Constou, no termo fiscal, que o efeito da ausência de apresentação dos Livros Diário e Razão, no que se refere ao interregno entre 01/07/2007 e 31/12/2007, seria a apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime do lucro arbitrado, conforme estabelecido no art. 530, inciso III, do RIR/99. Em decorrência, o Sujeito Passivo foi intimado a manifestar se iria apresentar ou recompor sua escrituração, de acordo com o estabelecido para o regime do Lucro Real, referente aos períodos de apuração compreendidos no 2º Semestre de 2007, bem como foi cientificado de que a ausência de manifestação, no prazo estabelecido, ou a apresentação da escrituração sem atendimento dos requisitos estabelecidos na legislação (de forma a permitir a correta determinação do lucro real ou a efetiva movimentação financeira, conforme o caso), implicaria a tributação, do IRPJ e da CSLL (referentes ao 2o Semestre de 2007), com base no lucro arbitrado (art. 530, inc. III, do RIR/99). O Sujeito Passivo, contudo, cientificado em 13/06/2011 (conforme "AR"), mantevese silente e inerte. Finalmente, por meio do Termo de Ciência Fiscal de 01/08/2011, o Sujeito Passivo foi cientificado de que a fiscalização considerou não comprovada a origem dos recursos utilizados nos créditos/depósitos efetuados em sua contacorrente bancária, "pelas razões que serão analiticamente expostas em termo fiscal próprio (do qual será cientificado oportunamente)" (referência efetuada ao presente Termo), e que, "por conseguinte, os respectivos saldos bancários (totais líquidos creditados) restaram caracterizados como receitas omitidas (art. 42 da Lei n° 9.430/96), consoante demonstrativo em anexo (Demonstrativo Sintético dos Depósitos e Créditos Não Comprovados)". 3. DAS INFRAÇÕES; Da análise dos elementos colocados à disposição da fiscalização em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização e demais intimações lavradas, e das demais informações constantes dos sistemas informatizados da RFB, foram constatadas as seguintes irregularidades: 3.1 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A Lei n° 9.430/96 determina, em seu artigo 42, a obrigatoriedade de comprovação da origem dos recursos transacionados em conta bancária, caracterizando como omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida em instituição financeira, nos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Neste diapasão, com fulcro no artigo 11, § 2°, da Lei n° 9.311/96, identificou se a existência de ativos financeiros em instituições bancárias nacionais de titularidade do Sujeito Passivo no anocalendário de 2007 não informados em declarações, nem tampouco levados à tributação. Com efeito, a fiscalização solicitou ao Sujeito Passivo que apresentasse os extratos bancários de todas as contas correntes de sua titularidade com o escopo de Fl. 695DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 696 20 se obter a comprovação da origem dos recursos transacionados no período, desde que embasadas por documentação hábil e idônea. Por configurarem contas de titularidade de uma empresa, os valores nelas depositados envolvem, ressalvada a produção de prova irrefutável que permita elidir a presunção legal, recursos provenientes de sua atividade, ou seja, receita oriunda da venda de mercadorias, produtos e serviços, passível, portanto, de tributação. Ao se efetuar a conciliação bancária, procedeuse ao levantamento dos registros representativos de movimentações financeiras que, em tese, não são suscetíveis de incidência pelo Imposto de Renda, tais como empréstimos bancários, resgate de aplicações financeiras, estorno e cheques devolvidos. Nesta linha, mediante o Termo de Intimação Fiscal de 21/09/2010, o Sujeito Passivo foi intimado a comprovar, com fulcro em documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contacorrente de sua titularidade, cujos créditos foram individualizados no "Demonstrativo de Depósitos e Créditos a Comprovar" Anexo I do citado Termo. Os valores identificados, a partir dos dados contidos no campo "Histórico" e/ou "Documento" dos extratos bancários, como estornos de créditos e devoluções de cheques depositados foram consignados na coluna "Débito" (servindo de dedução na apuração dos saldos mensais). Não foram identificados créditos decorrentes de empréstimos contraídos no período, bem como transferências entre contas de mesma titularidade (conta única). Ainda assim, o Sujeito Passivo foi intimado a apontar cheques devolvidos e outros estornos de créditos além dos considerados no Demonstrativo anexo, assim como indicar e comprovar, dentre os créditos listados no referido Demonstrativo, possíveis transferências interbancárias (entre contas de mesma titularidade) e empréstimos contraídos no período, porém não apontou qualquer operação adicional. Conforme será adiante declinado, a fiscalização considera que o Sujeito Passivo não comprovou a origem dos recursos relativos a qualquer dos créditos e depósitos relacionados no Demonstrativo dos Depósitos e Créditos a Comprovar, anexo do Termo de Intimação Fiscal de 21/09/2010. Os créditos e depósitos (cuja origem dos recursos são) considerados não comprovados, sintetizados a cada mês do ano de 2007, e os respectivos saldos mensais, são, portanto, os seguintes: Banco do Brasil S/A C/C 12.1452 2007 Valores Debitados Valores Creditados Saldos Mensais Janeiro 0,00 334.643,54 334.643,54 Fevereiro 0,00 386.259,79 386.259,79 Março 0,00 420.416,00 420.416,00 Abril 0,00 120.673,16 120.673,16 Maio 0,00 141.026,10 141.026,10 Junho 0,00 96.627,31 96.627,31 Julho 0,00 5.000,00 5.000,00 Agosto 0,00 100.000,00 100.000,00 Setembro 0,00 117.487,36 117.487,36 Outubro 0,00 216.725,19 216.725,19 Novembro 1.507,00 206.296,79 204.789,79 Dezembro 0,00 17.217,66 17.217,66 Total 1.507,00 2.162.372,90 2.160.865,90 Fl. 696DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 697 21 3.1.1 DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS EM CRÉDITOS EM CONTA DE DEPÓSITO 3.1.1.1 INEXISTÊNCIA DE CONTROVÉRSIA CRÉDITOS EM RELAÇÃO AOS QUAIS O SUJEITO PASSIVO NÃO TENTOU JUSTIFICAR A ORIGEM DOS RECURSOS Ressaltese que o Sujeito Passivo, intimado a comprovar a origem individualizada dos recursos creditados em sua contacorrente bancária, limitouse, durante todo o procedimento fiscal, a buscar justificar a origem dos recursos relativos a determinados créditos com o histórico "Cobrança" discriminados em sua manifestação datada de 13/10/2010 (recebida em 14/10/2010). Portanto, sequer foram objeto de tentativa de justificar a origem (dos recursos) os demais créditos/depósitos relacionados no Demonstrativo anexo ao TIF de 21/09/2010 (e não discriminados na citada manifestação do Sujeito Passivo, tais como: lançamentos com o histórico Transferência on line; Depósito Cheque BB Liquidado; Depósito em dinheiro; Desbloqueio de depósito; DOC Crédito em Conta Corrente; e o lançamento, com o histórico "Cobrança", efetuado em 14/12/2007, no valor de R$6.898,83), passível, destarte, de tributação como omissão de receitas, de acordo com o estabelecido no art. 42 da Lei n° 9.430/96. 3.1.1.2 CRÉDITOS EM RELAÇÃO AOS QUAIS O SUJEITO PASSIVO BUSCOU (SEM ÊXITO) JUSTIFICAR A ORIGEM DOS RECURSOS SOB ALEGAÇÃO DE "FAVOR FINANCEIRO" O Sujeito Passivo, conforme relatado anteriormente (item 2. Do Procedimento Fiscal), fazendo menção aos "créditos abaixo relacionados", na manifestação de 13/10/2010 (recebida em 14/10/2010), sustenta que os referidos créditos, decorrentes de desconto de duplicatas junto ao Banco do Brasil S.A, teriam como origem (dos recursos) "o favor financeiro a outra empresa que, sem crédito junto aos bancos, solicitou a Requerente que efetuasse os referidos descontos e restituísse os valores líquidos, conforme consta dos respectivos extratos: [...]". (destaques na transcrição)". Passase, pois, a analisar a procedência da alegação da origem dos recursos (relativos aos créditos bancários em que paira controvérsia determinados créditos sob o histórico "Cobrança") decorrentes de "favor financeiro" prestado a terceiro(s), em conjunto com os elementos que acompanharam as manifestações do Sujeito Passivo, a fim de verificar se tem o condão de afastar a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96. 3.1.1.2.1 Da Falta de Comprovação da Alegada Restituição/Devolução A primeira questão que deve ser apreciada, inclusive pela relevância, é a relativa à comprovação da restituição/devolução dos valores líquidos pertinentes aos referidos descontos de duplicatas. Por meio do Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo de 25/10/2010, o Sujeito Passivo foi intimado (alínea "d") a demonstrar, de forma pormenorizada, e mediante documentação hábil e idônea, a alegação de que houve restituição à beneficiária do "favor financeiro", dos "valores líquidos" pertinentes aos descontos de duplicatas correlacionando cada crédito à respectiva restituição. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 698 22 Antes de prosseguir, uma breve observação: na primeira oportunidade em que foi apresentada a alegação de "favor financeiro" (manifestação de 13/10/2010, recebida em 14/10/2010), o Sujeito Passivo deu a entender que uma única empresa seria beneficiária do "favor", senão vejamos: "... tendo como origem o favor financeiro a outra empresa que, sem crédito junto aos bancos, solicitou a Requerente que efetuasse os referidos descontos e restituísse os valores líquidos, ..." (destaques na transcrição). Contudo, em manifestações posteriores (p.ex., na manifestação de 16/11/2010, itens 4 e 5) passou a expressarse no plural "... o motivo do favor financeiro" reside no fato das empresas favorecidas "... as devoluções dos valores às favorecidas..." (destaques na transcrição). Pois bem, retomando a questão inicial (comprovação da restituição), na manifestação datada de 16/11/2010 (item 5), o Sujeito Passivo (por seus procuradores) afirmou que as "devoluções dos valores às favorecidas operavam de maneira aleatória, mediante a sua solicitação, muitas vezes verbal, ou quitando compromissos conforme a situação ". (g.n.) Notase, pois, além da inusual alegação, que o Sujeito Passivo não apontou (muito menos demonstrou) sequer uma restituição/devolução que tivesse efetuado, seja de que modo fosse. Não obstante, a fiscalização proporcionou ao Sujeito Passivo nova oportunidade para a demonstração das alegadas restituições/devoluções, reintimandoo para esse fim, por meio do Termo de Reintimação Fiscal de 17/12/2010. Em resposta, o Sujeito Passivo (por seus procuradores), em manifestação (sem data) recebida no dia 11/01/2011, e fazendo menção a esclarecimentos prestados, asseverou que "a restituição dos valores às favorecidas não seguiam um padrão ou formalidade, ora eram devolvidos em dinheiro, ora eram utilizados como crédito a ser abatido de operações comerciais entre as favorecidas e a Fiscalizada " (g.n.) Salientou que, "em decorrência do estreito relacionamento entre os titulares das empresas envolvidas" e a "informalidade" como teria se operado "as movimentações financeiras entre as empresas não permite neste momento a arrecadação de documentos que pudessem de forma cabal comprovar tais operações" (destaques na transcrição). Aqui é imperioso notar que nem neste (naquele) momento e tampouco em momento algum durante o procedimento fiscal o Sujeito Passivo apresentou documentos que pudessem de forma cabal comprovar tais operações" ainda que tenha dito que estava "diligenciando no sentido de reunir o maior número possível de documentos relativos às diversas operações ". Ressaltese, ainda, que aqui não se está tratando de documentação relativa aos créditos em sua contacorrente, mas de documentos relativos à alegação de restituição de valores aos supostos beneficiários de incomprovado "favor financeiro", decorrentes de mencionados descontos de títulos. Ressaltese, outrossim, e novamente (para fixação de questão) que sequer tentou indicar, apontar, mencionar uma restituição que pudesse ter havido, para corroborar sua alegação. Neste ponto, cabe mencionar que os Livros Caixa, Diário e Razão (requeridos) poderiam, em tese (e se fosse o caso), prestaremse ao Sujeito Passivo na tentativa de provar o que alega (escriturados, por óbvio, de forma regular e Fl. 698DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 699 23 respaldados em documentos hábeis, idôneos, e à disposição para apresentação e aferição pela autoridade fiscal). Contudo, como ele próprio asseverou, "a informalidade" teria sido a conduta adotada, e, por coincidência (?), referidos livros não foram apresentados sob a injustificável alegação de que "não dispõe dos demais documentos" em razão de a empresa encontrarse com a "inscrição baixada no CADICMS". O máximo esforço despendido no sentido de evidenciar as ditas restituições foi dizer que em contato "com as empresas emitentes das notas fiscais e respectivas duplicatas, objetos dos descontos bancários, houve a manifestação de que todos os valores realmente foram devolvidos e, se necessitarem de declaração neste sentido, estão dispostas a fornecerem tais documentos". Ora, perguntase, por qual motivo já não obteve e apresentou referidas declarações? E qual valor probante o Sujeito Passivo entende que teriam estas declarações, ainda mais com a sua assertiva do "estreito relacionamento entre os titulares das empresas envolvidas"? E, por sua vez, a sua afirmação de que havia "operações comerciais entre as favorecidas e a Fiscalizada" (g.n.), não reforçaria ainda mais a conclusão de que exerceu suas atividades habituais e obteve receitas não oferecidas à tributação? Tampouco é razoável supor que tivesse pretendido se desincumbir de seu ônus (decorrente da presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96) de comprovar a origem dos recursos utilizados em seus créditos bancários, transferindoo para o fisco. Assim, o fato de o Sujeito Passivo não ter comprovado as ditas restituições à(s) suposta(s) beneficiária(s), de per si, já é mais do que suficiente para infirmar, de modo absoluto, a (exótica) alegação de "favor financeiro" que pressupõe, naturalmente (se passasse pelo crivo da razoabilidade de sua existência) a devolução, restituição, reembolso, ressarcimento etc, do exato valor correspondente ao entregue ao prestador da graça ou benesse. 3.1.1.2.2 Do Contrato para Desconto de Títulos Títulos Provenientes de Vendas ou Serviços Realizados pelo Financiado Decorrentes do Exercício de sua Atividade O Sujeito Passivo apresentou, como anexo à manifestação datada de 13/10/2010, determinados extratos referentes a operações de descontos de duplicatas, emitidos por sistema do Banco do Brasil S.A., cujas liberações corresponderiam aos créditos com histórico "Cobrança" relacionados em sua resposta. De início, há que se observar que em todos os extratos apresentados ("Detalhamento de titulo") consta o mesmo número de operação ("Operação: 063.302.819") e linha de crédito ("Linha de credito: 0065 DESCONTO DE TÍTULOS"). Assim, cediço que as operações de financiamento bancário são condicionadas a uma série de requisitos, especialmente em relação à destinação do crédito, a fiscalização, intimou (TIF de 04/02/2011) e reintimou (TRF de 04/03/2011 e de 02/05/2011) o Sujeito Passivo a apresentar o pertinente Contrato para Desconto de Títulos tanto as Cláusulas Especiais como as Cláusulas Gerais (partes integrantes e indissociáveis do Contrato), como eventuais outros documentos relativos ao Contrato n° 063.302.819, firmado entre o Sujeito Passivo e o Ba m do Brasil S.A (agência de IvaiporãPR, n° 06335). Importa transcrever excerto das Cláusulas Especiais do Contrato (de 04/10/2006, e em que constam os dados da operação de crédito, entre os quais o limite de R$700.000,00) relativo à declaração do Sujeito Passivo (denominado Fl. 699DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 700 24 Financiado) de possuir o pleno conhecimento e estar de acordo com o teor com as condições constantes das Cláusulas Gerais, integrantes do contrato: "O Banco do Brasil S.A., por sua agência supra, doravante denominado apenas FINANCIADOR, neste ato representado pelos Senhores abaixo assinados, concede ao FINANCIADO acima um crédito rotativo, até o valor supra indicado, sujeito ao vencimento acima estipulado e aos encargos pactuados em cada BORDERO emitido pelo FINANCIADO, na forma e condições estabelecidas nas CLAUSULAS GERAIS de que o FINANCIADO DECLARA. AO ASSINAR ESTE INSTRUMENTO, TER PLENO CONHECIMENTO, ESTAR DE ACORDO COM SEU TEOR, TER RECEBIDO COPIA DAS REFERIDAS CLAUSULAS GERAIS. QUE INTEGRAM O PRESENTE CONTRATO. FORMANDO COM ELE UM TODO ÚNICO E INDIVISÍVEL PARA TODOS OS FINS DE DIREITO REGISTRADAS NO CARTÓRIO (...) " (g.n.). Pois bem, estabelecida a relação de unicidade e indivisibilidade entre as Cláusulas Especiais e as Cláusulas Gerais (cujas cópias foram apresentadas pelo Sujeito Passivo; fls.), podese apresentar informação de grande relevo para a apreciação da alegação do "favor financeiro", senão vejamos, mediante transcrição da primeira das Cláusulas Gerais: "PRIMEIRA ABERTURA DE CRÉDITO O FINANCIADOR concede ao FINANCIADO, e este aceita, um crédito disponibilizado mediante solicitação, até o limite indicado nas Cláusulas Especiais do Contrato, exclusivamente destinado ao desconto de títulos registrados em cobrança junto ao FINANCIADOR, provenientes das vendas ou serviços realizados pelo FINANCIADO em decorrência do exercício de sua atividade comercial ou empresarial. [...]" (destacamos) O Contrato (pactuado entre o Sujeito Passivo e o Banco do Brasil S.A.) para Desconto de Títulos, pois, é taxativo e translúcido no sentido de condicionar a abertura de crédito tãosomente ao desconto de títulos provenientes de vendas ou serviços, e que estas vendas (ou serviços) sejam decorrentes do exercício de sua atividade comercial ou empresarial. Assim, o Contrato do qual decorre as mencionadas operações de desconto de duplicatas não permite operações da natureza da alegada pelo Sujeito Passivo — do incomum "favor financeiro", e não subsiste, também, a alegação de "...aquiescência e instrução da própria instituição financeira...". Ao contrário, inferese do Contrato que o Banco do Brasil S.A. pressupôs que as informações prestadas (por meio eletrônico), pelo Sujeito Passivo, eram relativas a duplicatas de vendas decorrentes da atividade empresarial de seu cliente (financiado). Ademais, é notório que as instituições financeiras têm como pressuposto da abertura de (qualquer) crédito a análise da capacidade de pagamento de seu cliente, que, no caso de uma empresa, passa pela análise de suas demonstrações contábeis, incluindo a verificação da natureza, espécie e volume de suas receitas, bem como da continuidade do exercício da atividade empresarial. No caso, o limite de crédito aprovado foi de valor bastante significativo, de R$700.000,00 (setecentos mil reais), pressupondo, pois, que o Banco do Brasil S.A., por seus dirigentes, tenha se subsidiado de elementos seguros acerca da atividade e das receitas operacionais de seu cliente. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 701 25 Como, pois, pretender justificar (e sem qualquer demonstração) que os créditos com histórico "Cobrança" não sejam decorrentes de sua atividade empresarial, mas sim de um excêntrico "favor financeiro " entre empresas? 3.1.1.2.3 Dos Extratos e Cópias de Duplicatas e Borderôs Retomando a análise dos extratos de processamento apresentados em 14/10/2010 (relativos aos descontos de duplicatas, tomados individualmente), deve ser observado, inicialmente, que o Sujeito Passivo, embora intimado e reintimado (TIF de 04/02/2011 e TRF de 04/03/2011 e de 02/05/2011), não apresentou extrato geral especificando os títulos descontados por borderô. Em decorrência, não se pode identificar, pelos extratos apresentados (analíticos; "Detalhamento de título"), o nome do emitente da respectiva duplicata, pois consta tãosomente o nome do sacado. Aliás, também cabe observar que os nomes dos sacados constantes do quadro inserto na manifestação de 13/10/2010 representam tãosomente o nome do sacado constante de um dos extratos referentes a cada liberação diária (na ordem em que apresentados pelos procuradores). Assim, os valores discriminados não representam que teria havido uma única operação de desconto e com um único sacado em cada dia de liberação. No que se refere às cópias (simples) de borderôs e duplicatas apresentadas como anexo das manifestações datadas de 16/11/2010 e 31/03/2011 (recebimento em 22/11/2010 e 04/04/2011, respectivamente), deve ser destacado que o Sujeito Passivo, embora intimado e reintimado (TIF de 04/03/2011 e TRF de 02/05/2011), não produziu qualquer prova no sentido de que as cópias (simples) teriam sido fornecidas pelo Banco do Brasil S.A. Restringiuse a afirmar "esclarecer que todos os borderôs e duplicatas, apresentados anteriormente, foram igualmente fornecidos pelo Banco do Brasil, [...] obtidos diretamente do sistema informatizado da citada instituição bancária" (destaque na transcrição). Interessante notar, a respeito, o teor do requerimento impresso nas cópias de todos os borderôs entregues: "Com base no contrato acima indicado, solicitamos proceder ao desconto dois) titulo(s) relacionados abaixo, encaminhados por meio eletrônico" (destaques na transcrição). Relevante, neste aspecto, verificar o que foi estabelecido na cláusula Terceira do Contrato para Desconto de Títulos (Cláusulas Gerais): que caberá ao Financiado, quando se utilizar de sistemática de envio dos dados dos títulos por meio eletrônico, a responsabilidade pela inclusão de todas as informações necessárias, bem como pela legitimidade e correção dos dados desses títulos. E, no parágrafo único, que o Financiado "ASSUME O ENCARGO DE FIEL DEPOSITÁRIO DOS TÍTULOS, DOS BORDERÔS" e demais documentos que deu causa à emissão dos títulos e do borderô, obrigandose a guardar esses documentos até a quitação do crédito disponibilizado e a entregálos ao Financiador, devidamente endossados (os títulos), "QUANDO" (se) solicitados. Ora, a disposição contratual acima, em conjunto com o requerimento de solicitação de desconto dos títulos encaminhados por meio eletrônico, a apresentação de cópias simples (e não de cópias de microfilmes etc), e falta de qualquer demonstração de que os elementos reprográfícos teriam sido fornecidos pelo Banco do Brasil S.A., convergem no sentido de que se tratam de cópias produzidas pelo (ou do arquivo do) próprio Sujeito Passivo. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 702 26 Também interessante notar nenhuma das duplicatas (cópias) contêm assinatura dos sacados (compradores) aposta no local apropriado do título de crédito {aceite ordinário), e tampouco foram apresentados elementos alternativos pertinentes às outras categorias de aceite —como comprovante do recebimento das mercadorias {aceite por presunção), ou comunicação do aceite, pelo comprador ao vendedor {aceite por comunicação). Aliás, há duplicatas (cópias) que sequer possuem assinatura dos emitentes (p.ex., emitente: Master Couros; sacado: BCB Ind Com de Couros Ltda.; emissão: 20/04/2007; vencimento: 15/05/2007 (n° 0654/01) e 20/05/2007 (n° 0654/02); valor: R$11.733,84), um dos requisitos da duplicata mercantil. Importa observar do que foi acima exposto, que não se está afirmando que não tenha havido descontos de duplicatas no Banco do Brasil S.A., e que não tenha havido créditos na contacorrente do Sujeito Passivo em decorrência de operações de desconto dessa espécie de título de crédito. O que se considera aqui demonstrado é que não há como se assegurar que os créditos com histórico "Cobrança", ainda que decorrentes de operações de desconto de duplicatas, sejam pertinentes às duplicatas (cópias simples) apresentadas pelo Sujeito Passivo. Contudo, e também deve ser destacado, ainda que as duplicatas descontadas correspondam às cópias apresentadas, e tenham como emitentes as empresas nelas consignadas, melhor sorte não restaria ao Sujeito Passivo na tentativa de comprovar a origem dos recursos, utilizados nos créditos objeto da intimação fiscal nesse sentido seja pelas razões já expostas ou pelas que se seguirão. 3.1.1.2.4 Da Alegação do "favor financeiro" e do Ônus de Comprovar a Origem dos Recursos Antes de prosseguir, é oportuna uma pequena digressão acerca da natureza jurídica das duplicatas mercantis. Estabelece o art. 1º da Lei n° 5.474, de 1968, que nas vendas mercantis (entre partes domiciliadas no território brasileiro), com prazo de pagamento não inferior a 30 dias, é obrigatória a emissão, pelo vendedor, de uma fatura para apresentação ao comprador (a partir de 1970, possibilitouse a adoção da "nota fiscalfatura"). Por sua vez, o art. 2ºdo mesmo diploma legal, faculta ao vendedor a extração (a partir da fatura/nota fiscalfatura) de um título de crédito denominado duplicata, "para circulação como efeito comercial". Como todo título de crédito, representa uma obrigação pecuniária, e obedece aos princípios gerais do direito cambiário: cartularidade, literalidade e autonomia. Pelo princípio da cartularidade, para que o credor de um título de crédito exerça os direitos por ele representados é indispensável que se encontre na posse do documento (cártula). E, constando do título de crédito, cláusula "à ordem", significa que o seu credor pode negociar o crédito por ele representado mediante um ato jurídico, trasladador da titularidade do crédito, de efeitos cambiais, denominado endosso. E o possuidor de título de crédito endossado ("em branco ", sem identificação do endossatário; ou "em preto ", com indicação de seu nome) é tido como detentor do crédito nele representado. Assim, com o endosso, o endossatário adquire o crédito expressado no título de crédito ("à ordem"), crédito que é transferido do endossante (alienante) que, naturalmente, deixa de ser credor do título. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 703 27 Portanto, diante da legislação, finalidade, e do que sói ocorrer (inclusive no ramo de comercialização de couros), a única conclusão razoável no caso (e considerando, para efeito de argumentação, que as cópias de duplicatas representem as que foram objeto das operações de desconto relativas aos extratos apresentados), é que clientes do Sujeito Passivo, como forma de pagamento de mercadorias adquiridas, tenham entregue duplicatas por eles emitidas em face de terceiros, as quais foram descontadas pelo Sujeito Passivo junto ao Banco do Brasil S A. Contudo, não se pode perder de vista que descabe ao fisco, ante a presunção legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, provar a origem dos recursos utilizados nos créditos bancários. O ônus de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, como estabelecido na legislação, é do Sujeito Passivo. E não se pode olvidar que não se trata (simplesmente) de provar a origem dos créditos, mas a origem dos recursos relativos a determinados créditos (com o histórico "Cobrança"). E a alegação do "favor financeiro", acompanhada dos elementos apresentados pelo Sujeito Passivo, a título de comprovar a origem dos recursos utilizados nos mencionados créditos bancários, por todas as razões acima externadas, não se sustenta, não tem como prosperar. Resultando, pois, não comprovada a origem dos recursos utilizados nos aludidos créditos, os valores creditados caracterizamse omissão de receitas, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430/96. 4. DA TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS OMITIDAS 4.1 SIMPLES PERÍODOS: 01/2007 A 06/2007 Nos termos do artigo 18 da Lei n° 9.317, de 1996, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, aplicamse aos impostos e contribuições inclusos neste sistema de tributação favorecida as mesmas presunções de omissão de receitas previstas nas leis de regência destes tributos, conquanto apuráveis com base nos livros e documentos a que estejam obrigados a manter as ME e EPP. Considerando que o Sujeito Passivo foi optante do Simples Federal no período compreendido entre 01/01/2007 e 30/06/2007 (1º semestre de 2007), porém apresentou a respectiva Declaração Simplificada (PJSI) somente após o início da ação fiscal, e ainda assim constando "0,00" nos campos relativos à receita bruta e Simples devido/a pagar (Ficha 04A Demonstração das Receitas e Simples a Pagar), e que não tentou ou não logrou êxito (conforme exposto anteriormente) em comprovar a origem dos recursos utilizados nos depósitos e créditos havidos em sua contacorrente bancária (no Banco do Brasil), então os saldos bancários mensais (totais líquidos mensais) referentes aos meses de janeiro a junho de 2007 (compendiados no Demonstrativo Sintético dos Depósitos e Créditos Não Comprovados; item 2.1), caracterizamse, por presunção legal (art. 42 da Lei n° 9.430/96), receitas omitidas,passíveis de tributação pelo sistema Simples, e relacionadas abaixo: Banco do Brasil S/A C/C 12.1452 1º Semestre 2007 Valores Debitados Valores Creditados Saldos Mensais Receitas Omitidas Fl. 703DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 704 28 Janeiro 0,00 334.643,54 334.643,54 334.643,54 Fevereiro 0,00 386.259,79 386.259,79 386.259,79 Março 0,00 420.416,00 420.416,00 420.416,00 Abril 0,00 120.673,16 120.673,16 120.673,16 Maio 0,00 141.026,10 141.026,10 141.026,10 Junho 0,00 96.627,31 96.627,31 96.627,31 Total 0,00 1.499.645,90 1.499.645,90 1.499.645,90 Cabe registrar que os recolhimentos, de Simples (cód. 6106), identificados nos sistemas da RFB (relativos aos períodos de apuração de março (R$780,00) e abril (R$978,75, de principal) de 2007 (efetuados em 20/04/2007 e 25/06/2007, respectivamente), estão sendo considerados como dedução dos respectivos tributos e períodos de apuração objeto de lançamento de ofício relativo ao Simples motivo pelo qual a infração foi identificada, em cada Auto de Infração, como insuficiência/falta de recolhimento (com apuração a partir dos descritos valores de saldos de depósitos bancários de origem não comprovada). [...] 6. CONCLUSÃO E ENCERRAMENTO DO PROCEDIMENTO Diante da constatação das infrações acima descritas, e em observância à legislação tributária, formalizouse o correspondente crédito tributário (inclusive relativo à multa de ofício e aos juros de mora). No que se refere aos períodos de apuração do 1º Semestre de 2007, mediante autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep, e da Contribuição para a Seguridade Nacional INSS, todos pertencentes à sistemática de tributação favorecida do SIMPLES, e exigidos no Processo Administrativo Fiscal (digital) n° 10950722.535/201111. A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A Recorrente foi cientificada do Termo de Início de Fiscalização, fls. 0406 em 14.07.2010, fl. 07, e apresenta a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) em 15.12.2010, fl. 429. O enunciado as Súmula CARF nº 33 prevê que “a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”, cujas decisões reiteradas e uniformes do CARF ali consubstanciadas são de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Anexo II da Portaria MF 256, de 22 de junho e 2009, que aprova o Regimento Interno do CARF. Portanto, a DSPJ entregue em 15.12.2010, fl. 429, não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Além disso, a Recorrente, optante pelo Simples no período objeto do procedimento fiscal, apresentou a DSPJ com valores zerados nos campos relativos à receita bruta e aos tributos devidos na Ficha 04A Demonstração das Receitas e Simples a Pagar), e que não logrou êxito em comprovar a origem dos recursos utilizados nos depósitos conta corrente mantida junto ao Banco do Brasil S/A, e por essa razão caracterizamse, por presunção Fl. 704DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 705 29 legal, receita omitida passível de tributação pela sistemática do Simples (art. 7º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro 1996). O motivo destacado pela defendente, por conseqüência, não pode ser verificado. Sobre o “desconto de duplicatas” temse que a Recorrente não comprovou essas operações bancárias, limitandose a apresentar cópias de borderôs e duplicatas, e afirmar que “a restituição dos valores às favorecidas não seguiam um padrão ou formalidade, ora eram devolvidos em dinheiro, ora eram utilizados como crédito a ser abatido de operações comerciais”. Nesse sentido, não foram apresentados documentos que comprovassem de forma clara, precisa e congruente, coincidentes em datas e valores que de fato essas operações bancárias foram realizadas Ademais, os valores discriminados pela Recorrente não representam que teria havido uma única operação de desconto e com um único sacado em cada dia de liberação. Assim, não se produziu nos autos um conjunto probatório robusto de forma clara, explícita e congruente que afaste a caracterização de omissão de receitas no sentido em que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O arrazoado estabelecido pela defendente, contudo, não se prova como verídico. Desse modo, os elementos constantes nos autos evidenciam que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 11. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 11 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 706 30 Carmen Ferreira Saraiva Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado. Se se trata, no caso, de créditos bancários com histórico “cobrança”, não se trata, na realidade, de “depósito bancário de origem não comprovada”, eis que cabalmente identificada a origem dos recursos depositados (vendas a prazo). Irrelevante, por outro lado, serem da própria Recorrente ou de terceiros os correspondentes títulos objeto de cobrança. Aplicase, no caso, o tratamento previsto no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de seguinte teor: Art. 42. [...]. [...]. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Assim sendo, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da exigência fiscal os créditos bancários com o histórico “cobrança” (Anexo I, de fls. 60 e 61 – ND). Por decorrência, devem ser recalculados os percentuais do Simples aplicáveis sobre a receita bruta, em face da alteração acima procedida. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 706DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 707 31 Fl. 707DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000260/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE VARIAÇÃO CAMBIAL.
Não integra a base de cálculo da Cofins o valor da variação cambial ativa contabilizada como receita financeira. Lei 9.718/98.
BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES.
São dedutíveis da base de cálculo da Cofins, no período objeto da autuação, o valor dos repasses ao FESR e as despesas de co-seguro e resseguro cedidos, contabilizadas pela Recorrente na conta "despesas com retenções diversas".
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano keramidas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam o relator pelas conclusões. O conselheiro José Antonio Francisco apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator.
EDITADO EM: 27/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE VARIAÇÃO CAMBIAL. Não integra a base de cálculo da Cofins o valor da variação cambial ativa contabilizada como receita financeira. Lei 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. São dedutíveis da base de cálculo da Cofins, no período objeto da autuação, o valor dos repasses ao FESR e as despesas de co-seguro e resseguro cedidos, contabilizadas pela Recorrente na conta "despesas com retenções diversas". Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19740.000260/2007-24
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5421238
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3302-002.071
nome_arquivo_s : Decisao_19740000260200724.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : GILENO GURJAO BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 19740000260200724_5421238.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano keramidas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam o relator pelas conclusões. O conselheiro José Antonio Francisco apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 27/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
id : 5795020
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476672397312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.000260/200724 Recurso nº 153.767 Voluntário Acórdão nº 3302002.071 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2013 Matéria COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente IRB BRASIL RESSEGUROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE VARIAÇÃO CAMBIAL. Não integra a base de cálculo da Cofins o valor da variação cambial ativa contabilizada como receita financeira. Lei 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. São dedutíveis da base de cálculo da Cofins, no período objeto da autuação, o valor dos repasses ao FESR e as despesas de coseguro e resseguro cedidos, contabilizadas pela Recorrente na conta "despesas com retenções diversas". Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano keramidas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam o relator pelas conclusões. O conselheiro José Antonio Francisco apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 02 60 /2 00 7- 24 Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator. EDITADO EM: 27/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem descrever os fatos aludidos no presente recurso voluntário transcrevi na íntegra o relatório da decisão recorrida. Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados os autos de infração de fls. 358/367 e 368/377 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS e da Cofins, respectivamente, relativamente aos meses de 01/2005 a 12/2005. Em relação ao PIS foram constituídos créditos no valor total de R$ 2.100.269,91, incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 29/06/2007. Quanto à Cofins o auto lavrado perfaz R$ 12.924.738,95 também incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 29/06/2007. O enquadramento legal foi consignado às folhas 361 e 371 e também no Termo de Verificação Fiscal de folhas 347 a 357, integrante do Auto de Infração. No referido Termo o fiscal autuante detalha as razões da autuação: ... procedemos à análise das planilhas mensais de apuração da base de cálculo da COFINS do anocalendário de 2005 (fls. 38 a 97), especificamente em relação às exclusões e deduções permitidas pela legislação tributária. Em decorrência dessa análise verificamos que durante o período em tela o contribuinte havia excluído da apuração da base de cálculo de PIS e COFINS algumas despesas que, em princípio, não estariam previstas na legislação. Desta forma, em 31/05/2007, intimamos o contribuinte (fls. 98 e 99), em relação aos grupos de contas 5.3.5.59 (Contribuição s/ Excesso do Lucro Máximo FESR), 5.5.6.61 (Despesas com Retenções Diversas) e 5.5.8.81 (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais), a descrever as operações registradas nas contas, expondo o motivo, de acordo com a legislação vigente, de terem sido deduzidas na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS do anocalendário de 2005 e apresentar cópia das folhas do livro Razão das referidas contas de despesas. Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 4 3 Em resposta de fis. 102 e 103, encaminhada a esta Fiscalização em 15/06/2007, o contribuinte descreve as operações registradas contabilmente nas contas de resultado: a)5.3.5.59 (Contribuiç. s/ Excesso do Lucro Máximo FESR) — Registra contribuições do IRB e/ou retrocessionárias do país, correspondentes ao excedente do lucro máximo admissível nas operações de seguro rural, creditadas no Fundo de Estabilidade do Seguro Rural. b)5.5.6.61 (Despesas com Retenções Diversas) — Registra as despesas realizadas com a atribuição de rendimentos aos fundos, consórcios, reservas de sinistros e depósitos em moedas estrangeiras, bem como a despesa pela atribuição de rendimentos (juros e atualização monetária) ao saldo das retenções de importâncias devidas pelo IRB a seguradoras nacionais, retidas em função de condições de financiamento de empréstimos concedidos, cujo contrato prevê a retenção desses créditos. c)5.5.8.81 (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais) — Registra mensalmente os ajustes monetários e cambiais oriundos das atualizações de saldos das contas patrimoniais ligadas à área operacional (resseguros indexados). No entender desta Fiscalização inexiste amparo legal que dê suporte ao procedimento adotado pelo IRB, em relação às operações registradas contabilmente nos grupos de contas 5.3.5.59 e 5.5.6.61, cujos valores foram excluídos da apuração da base de cálculo de PIS e COFINS e, de acordo com a descrição das operações registradas nas referidas contas, não existe qualquer semelhança com àquelas elencadas no anexo II da IN SRF 247/2002 que possam ser consideradas passíveis de exclusão. Em relação aos ajustes cambiais e monetários, contabilizados pelo IRB no grupo de contas 5.5.8.81, a legislação tributária é clara quando define que, a partir de 1º de fevereiro de 1999, na condição de receitas financeiras, as variações monetárias ativas, calculadas em função da taxa de câmbio, integram a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, ocorrendo o respectivo fato gerador, mensalmente, segundo o regime de competência, sendo incabível a compensação das variações monetárias passivas. Entretanto, a partir de 1° de janeiro de 2000, de acordo com o disposto no artigo 30 da Medida Provisória n° 1.99114, de 11/02/2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, quando da liquidação da correspondente operação (regime de Caixa). Por opção do contribuinte, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo segundo o regime de competência. Desta forma, em 28/06/2007, fis. 230, intimamos o contribuinte a informar se as variações monetárias apuradas durante o ano calendário de 2005, em função da taxa de câmbio, foram Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 5 4 consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS, quando da liquidação de cada operação ou segundo o regime de competência. Na mesma intimação solicitamos a apresentação de cópia das folhas do livro Razão das contas que integram o grupo 6.6.8.81 (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais), referentes ao anocalendário de 2005. Em resposta encaminhada em 03/07/2007 (fis. 231) o contribuinte informa que as variações monetárias, referentes ao anocalendário de 2005, foram consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS segundo o regime de competência. Da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte (fls. 102 a 344), observamos em seu razão contábil do grupo de contas 6.6.8.81 (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais) lançamentos efetuados a débito nas contas de receita, relativamente à variação monetária passiva, oriundos de lançamentos automáticos realizados pelo IRB, em decorrência da desvalorização das taxas de câmbio ou de qualquer outro índice indexador. Já em relação ao razão contábil do grupo de contas 5.5.8.81 (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais), o efeito da desvalorização das taxas de câmbio ou de qualquer outro índice indexador, em relação à variação monetária ativa é verificado nos lançamentos contábeis efetuados a crédito das contas de despesas do referido grupo. 4DO LANÇAMENTO Com base no razão contábil (fis. 104 a 229 e 232 a 344), encaminhado pelo contribuinte a esta Fiscalização, referente ao anocalendário de 2005, e considerando as observações descritas no parágrafo anterior, efetuamos o presente lançamento de ofício com a finalidade de glosar os valores relativos à variação monetária passiva, de acordo com o disposto no art. 13 da IN SRF 247/2002, excluídos indevidamente da apuração da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS, os quais estão demonstrados em planilha de fis. 345 e 346, relativamente aos grupos de contas 5.5.8.81 e 6.6.8.81 (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais). Na mesma planilha constam valores registrados nos grupos de contas 5.3.5.59 e 5.5.6.61, excluídos indevidamente pelo contribuinte da apuração da base de cálculo das contribuições, ressaltandose que, de acordo com o art. 28 e anexo II da mesma Instrução Normativa, não existe previsão legal para essas exclusões. Cientificada em 31/07/2007, a interessada apresentou em 30/08/2007 a impugnação de fls. 380/429, na qual alegou que as exigências fiscais ora contestadas são manifestamente descabidas e arbitrárias, na medida em que o Impugnante, em realidade, submeteu à tributação todas as receitas que integram as bases de cálculo das referidas contribuições, inclusive em montantes superiores aos efetivamente devidos, sendo, portanto, titular de créditos contra a União Federal e não devedor desta, na medida em que: Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 6 5 (i) as variações cambiais passivas deduzidas das bases de cálculo mensais das contribuições em tela, em nenhuma das competências, superaram o montante das variações cambiais ativas oferecidas à tributação; (ii) as variações cambiais ativas não constituem fato gerador das contribuições ao PIS e da COFINS, na medida em que não representam receita auferida; mas, ao contrário, constituem, mera expectativa de ganhos futuros, que podem ou não ocorrer; (iii) o Supremo Tribunal Federal já reconheceu, de forma inequívoca, a inconstitucionalidade da exigência da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, prevista no § 1°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/98; (iv) as exclusões efetuadas pelo Impugnante a título de: (a) contribuições sobre o excesso do lucro máximo tecnicamente admitido, cedidas ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural FESR, no valor de R$ 16.468.953,25 (dezesseis milhões, quatrocentos e sessenta e oito mil, novecentos e cinqüenta e três reais e vinte e cinco centavos); e de (b) quantias contabilizadas na conta contábil 5.5.6.61 “despesas com retenções diversas”, no valor de R$ 3.425.086,09 (três milhões, quatrocentos e vinte e cinco mil, oitenta e seis reais e nove centavos), estão em perfeita consonância com a legislação que rege as contribuições objeto da presente autuação; (v) as quantias repassadas ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural – FESR, nos termos do art. 17 do DecretoLei nº 73/66 e Resoluções CNSP nº 46 e 50/01, dos excedentes ao máximo admissível tecnicamente como lucro nas operações de seguros de crédito rural, seus resseguros e suas retrocessões foram excluídas da base de cálculo das contribuições ora questionadas com amparo no disposto no art. 1º, inciso IV, item “c”, da Lei nº 9.701/98 e IN SRF nº 247/02, em seu art. 28, inciso III. A legitimidade desta exclusão resta ainda mais evidente ao se analisar o anexo II da citada Instrução Normativa, invocado, de forma completamente inócua, pela própria fiscalização para alicerçar o lançamento efetuado; (vi) a conta contábil 5.5.6.61 “Despesas com retenções diversas” tem por função, na contabilidade do Impugnante, registrar as despesas realizadas com a atribuição de rendimentos aos fundos, consórcios, reservas de sinistros, depósitos em moeda estrangeira, e, ainda, ao saldo das retenções de importâncias devidas pelo Impugnante a seguradoras nacionais indenizações por sinistros de que é responsável na qualidade de retrocessionária, por exemplo , retidas para fins, dentre outros, de constituir consórcios destinados à pulverização de riscos relevantes. (vii) ainda que se entenda como devidas as glosas dos valores excluídos pelo Impugnante a título de: (a) contribuições sobre o excesso do lucro máximo tecnicamente admitido, cedidas ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural FESR e de (b) quantias contabilizadas na conta contábil 5.5.6.61 – “despesas com retenções diversas”, acabouse por fazer incidir as referidas contribuições sobre receitas que na verdade não são próprias, mas de terceiros, por força, Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 7 6 inclusive, de disposição de lei, o que ilegalmente desvirtua as hipóteses de incidência das respectivas contribuições. Tais receitas pertencem ao fundo ou às seguradoras consorciadas e não ao Impugnante e da mesma forma que ingressam são integralmente repassadas. Como se vê, tais quantias não integram o patrimônio do Impugnante e em conseqüência, o Impugnante é credor e não devedor de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. (viii) considerandose que o Impugnante tributou indevidamente as receitas de terceiros ingressadas em seu patrimônio, no momento do respectivo ingresso, e só procedeu sua exclusão quando do seu repasse aos seus efetivos titulares, há que se reconhecer o seu direito de recuperar, via compensação ou restituição, o montante correspondente aos juros de mora devidos no período compreendido entre o pagamento (indevido) das contribuições calculadas sobre receitas de terceiros e a efetiva exclusão de tais quantias, quando de seu repasse aos seus efetivos titulares. O acórdão nº 13.18803 da 4ª Turma da DRJ Rio de Janeiro II de 23 de novembro de 2007 decidiu no sentido de negar provimento às pretensões da recorrente in totum, no qual consta a seguinte ementa.: VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. Até dezembro de 1999, o regime de competência era utilizado como regra de tributação para a Cofins e para o PIS sobre as receitas provenientes de variações monetárias, seja em função da taxa de câmbio, seja em função de outros índices aplicáveis por disposição legal ou contratual. VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE CAIXA. A partir de 01 de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações em função da taxa de câmbio serão consideradas para efeito de determinação da base de cálculo da Cofins segundo o regime de caixa ou, à opção do contribuinte, segundo o regime de competência. O regime de apuração da variação cambial (caixa ou competência) deve ser aplicado igualmente ao IRPJ, à CSLL, à Cofins e à contribuição para o PIS em todo o anocalendário. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. BASE DE CÁLCULO COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES. Na apuração da base de cálculo da Cofins devem ser consideradas somente as exclusões e deduções permitidas na legislação tributária. COMPENSAÇÃO COMPETÊNCIA Não compete às DRJ manifestarse acerca de pedidos de compensação, exceto nos casos de inconformidade do contribuinte quanto à decisão da autoridade competente, quando instaurado o litígio no prazo legal. A contribuinte protocolou recurso voluntário, tempestivamente, o qual ao ser submetido à apreciação do colegiado, seus membros, por unanimidade de votos, converteram o julgamento em diligência. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 8 7 Prestadas as informações requeridas, os autos tornaram a esse E. Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, por isso dele o conheço, e passo a apreciálo. Apreciáloei em ordem inversa daquela apontada no acórdão recorrido, para facilitar o raciocínio desse julgador, iniciando, entretanto, a partir dos resultados da diligência efetuada. A diligência requerida resumiuse a três aspectos em específicos, a saber: Primeiramente, intimar a Recorrente para comprovar o valor líquido mensal repassado ao FESR passível de exclusão/inclusão na base de cálculo das exações: Nesse sentido, a recorrente informa que jamais promoveu em 2005, a exclusão dos valores repassados ao fundo na apuração das bases tributáveis das referidas contribuições sociais (juntou planilha de apuração demonstrando que o repasse 16 milhões, aproximadamente, não reproduz impacto no cálculo do saldo da conta contábil). Alega que esse valor é meramente descritivo, não exercendo qualquer influência na operação da base tributável de PIS/COFINS. Concluiu que os valores repassados ao FESR sequer foram excluídos da base de cálculo do PIS/COFINS, portanto, que seria improcedente qualquer alegação nesse sentido. Em sequência, foi intimada a recorrente a comprovar a natureza econômica de cada lançamento efetuado no grupo de contas 5.5.6.61: Em sua resposta, alega que a conta 5.5.6.6 alberga os lançamentos relativos aos repasses dos rendimentos auferidos pela aplicação de duas espécies de recursos: (i) valores retidos dos prêmios devidos aos retrocessionários pelo requerente que são usados na constituição da Reserva de Sinistro a Liquidar (RSL) e; (ii) valores oriundos de provisões técnicas do Consórcio Brasileiro de Recursos Nucleares CBRN, o qual é gerido pelo Requerente, nos termos do art. 10 §2º da Resolução CNSP 32/00; Explicou o que são essas despesas referentes à RSL e as despesas referente ao CBRN. Finalmente, intimou a recorrente a identificar detalhadamente cada receita integrante da base de cálculo do PIS e da COFINS por ela apurada no ano de 2005, bem como Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 9 8 as exclusões efetuadas. Ainda, para informar também se incluiu na base de cálculo das receitas acrescidas pela Lei 9718/98 Apresentou documentos (doc.11) com a identificação das receitas que integraram a base de cálculo do PIS e da COFINS em 2005, bem como as deduções e exclusões realizadas na referida base. Alegou, também que houve inclusão indevida de receitas decorrentes de variação cambial ativa a teor da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9718/98 Concluído esse resumo, passo a decidir. 1. Exclusões e deduções da base cálculo 1.1. Das quantias repassadas ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural No que se refere à exclusão das quantias repassadas ao Fundo de Estabilidade de Seguro Rural, a impugnante fundamentaa invocando o art. 28, inciso III, da IN SRF nº 247/02, abaixo transcrito, e no seu anexo de nº II. Art. 28. As empresas de seguros privados, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor: I – do coseguro e resseguro cedidos; II – referente a cancelamentos e restituições de prêmios que houverem sido computados como receitas; III – da parcela dos prêmios destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; e IV – referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de coseguros e resseguros, salvados e outros ressarcimentos. Parágrafo único. A dedução de que trata o inciso IV aplicase somente às indenizações referentes a seguros de ramos elementares e a seguros de vida sem cláusula de cobertura por sobrevivência. Restanos avaliar se as quantias repassadas ao Fundo de Estabilidade de Seguro Rural enquadramse na qualificação de “parcela dos prêmios destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas” . Argumenta a recorrente que o art. 17 do DecretoLei nº 73/66; art. 10 da Resolução CNSP nº 46/01 e art. 3º da Resolução CNSP nº 50/01, in verbis, fundamenta sua pretensão à exclusão: DecretoLei nº 73/66. Art 17. O Fundo de Estabilidade do Seguro Rural será constituído: Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 10 9 a) dos excedentes do máximo admissível tecnicamente como lucro nas operações de seguros de crédito rural, seus resseguros e suas retrocessões, segundo os limites fixados pelo CNSP; b) dos recursos previstos no artigo 23, parágrafo 3º, dêste Decretolei; (Redação dada pelo Decretolei nº 296, de 1967) c) por dotações orçamentárias anuais, durante dez anos, a partir do presente Decretolei ou mediante o crédito especial necessário para cobrir a deficiência operacional do exercício anterior. (Redação dada pelo Decretolei nº 296, de 1967). RESOLUÇÃO CNSP Nº 46, DE 2001. Art. 10. As sociedades seguradoras efetuarão contribuições ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural FESR em função do resultado positivo em cada exercício nas modalidades garantidas pelo Fundo, de acordo com os seguintes percentuais: I seguros agrícola, pecuário, aqüícola e de florestas 30% ( trinta por cento); e II seguro de penhor rural instituições financeiras públicas e instituições financeiras privadas 50% (cinqüenta por cento). Art. 11. As sociedades seguradoras poderão recuperar do Fundo de Estabilidade do Seguro Rural FESR, a cada trimestre, a partir do início do exercício, a parcela de seus sinistros retidos, nos seguros agrícola, pecuário, aqüícola e de florestas, que exceder a (1CCDA) x prêmios ganhos, limitada a 50% (cinqüenta por cento) x (1CCDA) x prêmios ganhos, considerando sempre os últimos três meses de sinistros, prêmios e recuperações do exercício em curso. Parágrafo único. As siglas CC e DA designam, respectivamente, a parcela correspondente às comissões de corretagem, incluída a despesa de angariação, quando houver, e despesas administrativas, por unidade de prêmio emitido. RESOLUÇÃO CNSP Nº 50, de 2001. Art. 3º O IRBBrasil Resseguros efetuará contribuições e recuperações ao FESR em função de seu resultado, nas mesmas bases estabelecidas para as sociedades seguradoras na Seção II do Capítulo IV da Resolução CNSP nº 46, de 2001, exclusivamente, para o resseguro proporcional, quota parte e/ou excedente de responsabilidade, das operações de seguro habilitadas à garantia do FESR. A douta autoridade argumenta que “o repasse ao FESR é função do resultado obtido nas operações de seguro nas modalidades garantidas pelo fundo, quando este excede a um limite máximo que veio a ser definido pela Resolução CNSP Nº 46, de 2001”, e que portanto, não se trataria de repasse de parcela dos prêmios recebidos para fins de constituição de provisão ou reserva técnica, mas de repasse a fundo cuja contribuição ou recuperação fica na dependência de posterior apuração de resultados. Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 11 10 A douta fiscalização, no entender desse julgador, não logrou comprovar o contrário, mas apenas concluiu que, em se tratando de resultado, não poderia ser deduzido da base de cálculo das contribuições em comento. Mais ainda, este julgador entende de forma distinta. Quanto há repasse de resultado, a legislação regulatória determina a que base de cálculo desse repasse é o resultado. Não impede que haja resultado, mas que esse será a base do repasse para o fundo, que aliás cumpre função econômica específica, qual seja a de garantir a segurança do seguro rural, e a entidade, como sociedade de economia mista, cujo principal acionista é a União, é utilizada como instrumento para a consecução de políticas econômicas. O legislador ao determinar modo específico de apuração das bases das contribuições para as instituições financeiras e seguradoras não poderia fazêlo restrita ao resultado apurado. Fosse assim, muito mais fácil seria tributar pelas contribuições o próprio lucro contábil ao final do ano. Esse sim, seria o resultado real. Não. Pretendeu tributar as receitas correntes mas, no caso dessas instituições, por não serem esses resultados realizáveis imediatamente, mereceram atenção especial para excluir da base de cálculo determinadas receitas não realizadas e despesas necessárias à consecução ou correlatas a outras receitas. Por isso, esse repasse de valores ao dito Fundo, muito embora não esteja prevista ipsi litteris na IN nº 247/2002, pode sim enquadrarse nas receitas ou rendas não realizadas, posto que obviamente repassadas, até o seu retorno ao Instituto, quando não ocorrer a materialização do risco do fundo. Nesse momento, tributada seria. Finalmente, não foi observado pelo douto auditor o Decretolei nº 73/66, que “dispõe sobre o Sistema Nacional de Seguros Privados, regula as Operações de Seguros e Resseguros e dá outras providências.” Estabelece a lei em capítulo específico que: “Art. 16. É criado o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, com a finalidade de garantir a estabilidade dessas operações e atender à cobertura suplementar dos riscos de catástrofe. Parágrafo único. O Fundo será administrado pelo IRB e seus recursos aplicados segundo o estabelecido pelo CNSP. Art. 17. O Fundo de Estabilidade do Seguro Rural será constituído: a) dos excedentes do máximo admissível tecnicamente como lucro nas operações de seguros de crédito rural, seus resseguros e suas retrocessões, segundo os limites fixados pelo CNSP; b) dos recursos previstos no art. 123, § 3º, deste DecretoLei; c) por dotações orçamentárias anuais, durante dez anos, a partir do presente DecretoLei, ou mediante o crédito especial necessário para cobrir a deficiência operacional do exercício anterior. Art. 18 (Revogado pela Lei Complementar nº 126, de 15/01/2007). Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 12 11 Art. 19. As operações de Seguro Rural gozam de isenção tributária irrestrita de quaisquer impostos ou tributos federais.”(grifo nosso) Pelo exposto, incorreta a autuação no tocante à glosa das deduções relativas às quantias repassadas ao Fundo de Estabilidade de Seguro Rural. 1.2. Das “despesas com retenções diversas” A impugnante fundamenta a possibilidade de dedução/exclusão das despesas contabilizadas na conta em referência nos mesmos dispositivos legais que fundamentaram sua pretensão em deduzir as contribuições ao Fundo de Estabilidade de Seguro Rural. Destaca ainda a impugnante que o anexo II da Instrução Normativa SRF nº 247/02 prevê a possibilidade de se deduzir das bases de cálculo do PIS e da Cofins os “prêmios de coseguros cedidos a congêneres” e os “prêmios de resseguros cedidos”, hipótese em que se enquadram as exclusões indevidamente glosadas pela fiscalização. De fato, com bem entendeu a douta fiscalização, a legislação de regência prevê a possibilidade de dedução/exclusão dos “coseguros e resseguros cedidos”. Menciona contra a contribuinte sua própria explicação da conta contábil: “a conta contábil em referência tem por função, na contabilidade do Impugnante, registrar as despesas realizadas com a atribuição de rendimentos aos fundos, consórcios, reservas de sinistros, depósitos em moeda estrangeira, e, ainda, ao saldo das retenções de importâncias devidas pelo Impugnante a seguradoras nacionais indenizações por sinistros de que é responsável na qualidade de retrocessionária, por exemplo , retidas para fins, dentre outros, de constituir consórcios destinados à pulverização de riscos relevantes.” Para ele, essa conta seria utilizada para o lançamento de “despesas de naturezas diversas”, aliás expressão que não a vi, “não sendo possível afirmar, a partir da descrição apresentada, que todas estas despesas pertencem à categoria “coseguro e resseguro cedidos”. Ora, se essa conta é utilizada para despesas de natureza variada dentro da contabilidade, e que não se poderia afirmar que todas elas pertencessem à categoria de co seguro e resseguro cedidos, o fiscalização não deveria simplesmente atribuir a todas as despesas a respectiva indedutibilidade. Como não pode haver tributação sem base de cálculo, e restando incerteza quanto a este caso, concluo que não poderia a fiscalização requerer crédito tributário sem a adequada segregação da natureza das despesas durante o curso do procedimento. 1.3. Das receitas de variação cambial No que se refere às receitas de variação cambial é necessário esclarecer, as variações monetárias passaram a ser tratadas, sendo o caso, como receitas financeiras e tributadas pelo PIS e pela Cofins, por força dos artigos 2o, 3o e 9o da Lei 9.718/98,: Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 13 12 “Art 9º As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso.” (grifouse) Assim, nos termos do artigo 9º acima transcrito, a variação monetária dos direitos de crédito, seja em função da taxa de câmbio ou de outros índices ou coeficientes legais ou contratuais têm a natureza de receita financeira, devendo compor a base de cálculo dos impostos e contribuições. Entendo que três fatores devem ser aqui considerados antes de imputar a tributação sobre tais valores. Primeiro, que a IN nº 247/2002 é regime especial de apuração tributária, e considerou que as instituições financeiras e seguradoras naturalmente, pela sua atividade, teriam resultados financeiros não realizados, apenas isso acontecendo na liquidação das operações que se lhes deram causa. E mais, no Anexo II, sequer separa as variações cambiais, tratandoas todas como receitas financeiras. Ora, e as receitas financeiras são tratadas por regime de caixa pelo Anexo II da referida IN, independente da sua espécie, se em reais ou se decorrentes da variação de moeda estrangeira, aliás como claramente demonstrado pelo acórdão recorrido o foi pela Lei nº 9.718/98. Logo, tributálas da forma como pretende a douta fiscalização é impossível. O segundo fato é o de que pesquisando o Poder Judiciário, não pude perceber contestação da Lei nº 9.718/98 pelo Instituto. Em verdade, ironia que uma entidade pertencente à União tenha se abstido de contestar a Lei, e a mesma União agora exija tributo sob a égide dessa lei. Outrossim, claramente o dispositivo no qual inserirseia tais receitas, caso ainda se pretendesse tributálas fora declarado inconstitucional. Diante do disposto no art. 23 da MP nº 449/2009, que acresce o art. 26A ao DL nº 70.23572, convertida na Lei nº 11.941/2009, litteris: “art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § único. O dispositivo no caput não se aplica ao caso de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (...)” Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 14 13 O terceiro fato referese à inconstitucionalidade posterior do § 3º da Lei nº 9.718/98. Nesse sentido, conquanto ainda reste controvérsia acerca do tema acerca da tributação das receitas financeiras, reconheçoa no caso da contribuinte, como sendo de natureza diversa da sua finalidade, ou seja, de outra receita. E tendo o STF julgado tal dispositivo inconstitucional, estando essas rendas ai enquadradas, entendo que não deve ser exigido tal tributo. Finalmente, para afastar qualquer dúvida quanto os argumentos utilizados pela douta utilização quanto à necessidade de acompanhamento do regime de competência, assumido pela contribuinte, pelo PIS e COFINS, vejamos a IN nº 345, ainda em vigor: Art. 1º Para fins de apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep, a pessoa jurídica optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido ou pela tributação na forma do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas à medida do recebimento e, por opção ou obrigatoriedade, passar a adotar o critério de reconhecimento de suas receitas segundo o regime de competência, deverá reconhecer no mês de dezembro do ano calendário anterior àquele em que ocorrer a mudança de regime, as receitas auferidas e ainda não recebidas. Omissis” Nesse dispositivo, menciona o caso de quem está no lucro presumido ou no Simples. Não é o caso de uma seguradora, ou resseguradora. Ai vem o artigo 2º: Art. 2º As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o caput poderão ser consideradas, na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, segundo o regime de competência. § 2º A opção prevista no § 1º aplicarseá a todo o ano calendário. § 3º Na hipótese de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias previsto no caput para o regime de competência, deverão ser computadas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em 31 de dezembro do período de encerramento do ano precedente ao da opção, as variações monetárias incorridas até essa data, inclusive as de períodos anteriores. Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 15 14 § 4º Na hipótese de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias pelo regime de competência para o regime previsto no caput, no período de apuração em que ocorrer a liquidação da operação, deverão ser computadas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL as variações monetárias relativas ao período de 1º de janeiro do anocalendário da opção até a data da liquidação. § 5º As variações monetárias relativas a anoscalendário anteriores ainda não computadas em virtude de mudança de critério de reconhecimento em data anterior à da publicação desta Instrução Normativa deverão ser computadas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL até 31 de dezembro de 2003. Como se vê, regulou a IN a mudança de opção para o IRPJ e a CSLL. Aliás para o que há campo específico na DIPJ. E não o fez para o PIS e a COFINS. Ainda que haja previsão legal para a opção conjunta, ela é aplicável para aquelas pessoas jurídicas que têm a tributação pela nãocumulatividade atrelada ao lucro real. Não é o caso das instituições financeiras ou seguradoras, pois são as únicas instituições que estão no lucro real e no regime cumulativo ao mesmo tempo. Nesse sentido, o lançamento invocou erroneamente tal dispositivo. 2. Do pedido de restituição / compensação Isso posto, voto no sentido de dar provimento parcial, no mérito, às pretensões da contribuinte, exceto quanto ao requerimento de restituição ou de compensação constante do seu pedido Sala das Sessões, em 24 de abril de 2013 (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. Declaração de Voto Transcorrido o prazo regimental de 15 (quinze) dias do julgamento, o Conselheiro José Antonio Francisco não apresentou sua declaração de voto, razão pela qual o acórdão foi formalizado sem a referida declaração de voto, conforme autoriza os §§ 7º e 8º, do art. 63, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/09, com alteração da Portaria MF nº 586/10). Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 18329.000047/2007-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2007
REMUNERAÇÕES CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO RECOLHIDA.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado no prazo legal.
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE TODOS OS DOCUMENTOS.
A empresa deve escriturar em títulos próprios de sua escrituração contábil todos os fatos geradores de contribuições sociais.
A escrita contábil, quando comprovada irregularidade por falta de escrituração de documentos, não faz prova suficiente para desconstituição de lançamento fiscal amparado em documentos e fatos relatados pela fiscalização.
AFERIÇÃO INDIRETA.
Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos valores pagos a segurados pode ser obtido mediante aferição indireta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-004.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2007 REMUNERAÇÕES CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO RECOLHIDA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado no prazo legal. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE TODOS OS DOCUMENTOS. A empresa deve escriturar em títulos próprios de sua escrituração contábil todos os fatos geradores de contribuições sociais. A escrita contábil, quando comprovada irregularidade por falta de escrituração de documentos, não faz prova suficiente para desconstituição de lançamento fiscal amparado em documentos e fatos relatados pela fiscalização. AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos valores pagos a segurados pode ser obtido mediante aferição indireta. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 18329.000047/2007-11
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5419724
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-004.003
nome_arquivo_s : Decisao_18329000047200711.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 18329000047200711_5419724.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
id : 5791233
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476689174528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1938; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 469 1 468 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18329.000047/200711 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803004.003 – 3ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2015 Matéria REMUNERAÇÃO INDIRETA: PROLABORE Recorrente RENAL CLÍNICA SOCIEDADE SIMPLES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2007 REMUNERAÇÕES CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO RECOLHIDA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado no prazo legal. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE TODOS OS DOCUMENTOS. A empresa deve escriturar em títulos próprios de sua escrituração contábil todos os fatos geradores de contribuições sociais. A escrita contábil, quando comprovada irregularidade por falta de escrituração de documentos, não faz prova suficiente para desconstituição de lançamento fiscal amparado em documentos e fatos relatados pela fiscalização. AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos valores pagos a segurados pode ser obtido mediante aferição indireta. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 32 9. 00 00 47 /2 00 7- 11 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 470 2 Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 471 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de lançamento das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos sócios gerentes e dos sócios cotistas, referentes à cota patronal de 15% ou de 20% devida pela empresa nas competências 01/1997 a 03/2007, e à contribuição de 11% devida pelo segurado contribuinte individual nas competências 04/2003 a 03/2007, cuja obrigação de arrecadar e recolher é do sujeito passivo. A fiscalização relata que foram apreendidos documentos como recibos de depósitos bancários, recibos de pagamento de salários e horas extras, recibo de pagamento a autônomos, cópia de cheques emitidos e cópias de faturas de prestação de serviços, todos sem o correspondente lançamento contábil e, quando de empregados, sem o registro em Livros da empresa. A contabilidade foi desconsiderada, em razão de não registrar a total utilização da mãodeobra a seu serviço, sendo as contribuições apuradas por aferição indireta, com base no artigo 33, § 6º da Lei nº 8.212/1991. Os valores de prólabores dos sócios Ruth Lílian Dias de Ávila, no período de 01/1997 a 03/2007, de João José Adreuchetti de Freitas, no período de 01/1997 a 05/2000, e 11/2004 a 03/2007, e de Odilon da Rosa Régio e Sandro Ivan Ritter, no período de 11/2004 a 03/2007, foram aferidos, conforme esclarece a fiscalização no Relatório Fiscal de fls. 153 a 161. Em razão da determinação do artigo 67 da Instrução Normativa INSS/DC nº 70/2002, no período de 01/1997 até 09/2003 foi considerado o maior salário da empresa, o do médico Odilon Rosa Régio, para fins de aferição dos prólabores dos sócios Ruth Lílian Dias de Ávila e João José Adreuchetti de Freitas. No período de 10/2003 a 03/2007 a fiscalização tomou como base, em relação à sócia Ruth Lílian Dias de Ávila, as notas fiscais da empresa Centro Cirúrgico Livramento. Para o sócio João José Adreuchetti de Freitas foram considerados como prólabore as retiradas que fez a título de adiantamento do capital investido, no período de 11/2004 a 03/2007. Para este sócio, no período de 06/2000 a 10/2004, não houve lançamento porque não houve retirada ou recebimento de valores. A fiscalização constatou a existência e considerou os recolhimentos efetuados ao INSS a título de prólabores dos sócios Ruth Lílian Dias de Ávila e João José Adreuchetti de Freitas. Os sócios cotistas Odilon da Rosa Régio e Sandro Ivan Ritter não foram considerados como segurados de qualquer espécie pela empresa, que não os incluiu em folha de pagamento nem os declarou em GFIP, e também não fez nenhum recolhimento relacionado à sua prestação de serviços no período de 03/1997 a 03/2007. Para estes sócios, foi estabelecido como prólabore os valores mais costumeiros que recebiam anteriormente como empregados da empresa. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 472 4 DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado da notificação, apresentando impugnação. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal (6a Turma da DRJ/POA) foi pela procedência parcial, reconhecendo a decadência até a competência 11/2001, inclusive. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: Em Preliminar: a nulidade por erro formal, sobretudo pelo cerceamento de defesa e contraditório. O lançamento fiscal deixou de fornecer: a) a descrição do fato gerador e b) a disposição legal infringida; No Mérito: a nulidade por inexistência de fato gerador do tributo lançado: I Do sócio João José Andreuchetti de Freitas: os valores a título de "retorno de capital investido" se refere a distribuição de lucros paga e contabilizada pela empresa no período e não há incidência de contribuição social conforme art. 28, § 9o, alínea “j” da Lei 8.212/91. A distribuição de lucros pode ocorrer a qualquer tempo em razão de expresso dispositivo contratual. Não há dispositivo legal que obrigue ao pagamento de prólabore, o que fica a critério do sócio; a NFLD afirma que os sócios Ruth e João realizaram retirada de capital em desacordo com as normas da RFB. Segundo o agente fiscal as retiradas se deram "sem observância das normas estabelecidas pela Receita Federal, que são emissão de relatórios e demonstrativos de valores e rendimentos do capital aplicado". As normas da RFB não estão indicadas, não podendo o contribuinte se defender; quanto aos relatórios e demonstrativos de valores de rendimentos do capital aplicado parece haver confusão na medida em que tais retiradas não refletem propriamente uma espécie de "juros sobre capital próprio" incidente sobre o capital social integralizado pelo sócio. Tratase da distribuição dos resultados contábeis produzidos pela empresa através do exercício de seu objeto social, o qual a rigor não guarda, necessariamente, proporcionalidade com o capital integralizado; ademais a comparação entre o valor da distribuição de lucros e o valor do capital social é descabida, mormente em se tratando de sociedade dedicada à prestação de serviços médicos. É perfeitamente normal que uma sociedade dedicada a prestação de serviços médicos distribua lucros superiores ao valor do capital social nela aportado. Não há nisso qualquer disfarce ou fraude como alega o fiscal. Ademais o debate quanto a matéria fica esvaziado pela absoluta ausência de menção aos dispositivos legais supostamente infringidos pelo contribuinte; Fl. 472DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 473 5 tendo havido no período que embasa a NFLD a contabilização como distribuição de lucros quanto aos pagamentos realizados ao sócio João a titulo de prólabores, e havendo determinação legal excluindo da incidência do imposto estas verbas, somente poderia subsistir a NFLD pela alegada incompatibilidade entre o valor do prólabore pago e o padrão de vida social do sócio, o que é de difícil compreensão e mensuração pelo contribuinte; II Da sócia Ruth Lilian Dias de Freitas: a fiscalização informa que a sócia Ruth teria no período de 01/2003 a 04/2003, em que não houve distribuição de lucros, teria efetuado retirada de honorários no valor de R$ 9.000,00 mensais, sem emissão pela empresa de recibo de pagamento e sem contabilização em contas próprias. como a fiscalização chegou a conclusão de que a sócia percebeu tais valores? A fiscalização não demonstra o alegado; no período de 10/2003 a 01/2004 a fiscalização alega que a sócia Ruth teria recebido "honorários" mediante a emissão de notas fiscais da empresa Centro Cirúrgico Livramento S/C Ltda, da qual também é sócia. Alega que a sócia disfarçava através da emissão destas notas a remuneração devida em decorrência da administração da sociedade. O fisco não esclarece como chegou a tal conclusão. Nada de ilícito há na relação entre as duas empresas; nos demais períodos a fiscalização equiparou os supostos prólabores percebidos pela sócia Ruth aos valores pagos a outros médicos ou aos valores pagos a ela mesmo em outros períodos. Mas em tais hipóteses não há qualquer indício que autoriza a conclusão da ocorrência da materialidade do fato gerador; III Do sócio Odilon da Rosa Régio: alega a fiscalização que referido sócio, a partir de 11/2004, passou a prestar serviços remunerado: a recorrente. Aduz que ele participava ativamente da sociedade. A fiscalização arguiu ainda que pelo fato de o sócio ter realizado pagamentos de despesas da empresa com recursos próprios, nem todos os valores por ele retirados teriam a natureza de prólabore, arbitrando para todo o período da NFLD a ele relativa o valor de R$ 7.000,00 retirado em 10/2004. Entretanto, não há prova do alegado nos autos; IV Do sócio Sandro Ivan Ritter; segundo a fiscalização a situação do sócio Sandro é bastante similar a do sócio Odilon. Ele participaria ativamente da sociedade e executava pagamentos de despesas da empresa com recursos pessoais. Não há prova ou indicio de que ele de fato trabalhasse na empresa ou que lhe pagasse despesas com recursos pessoais; por fim, requer a insubsistência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 474 6 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. DO RELATÓRIO FISCAL Consta do relatório fiscal, fls. 153/161, que o lançamento fiscal se refere a contribuições previdenciárias devidas e não repassadas à Seguridade Social, constituída da contribuição cota patronal (alíquota 15% de 01/1997 a 02/2000 e 20% de 03/2000 a 03/2007), incidente sobre os prólabores (aferidos) dos sócios gerentes e sócios cotistas. Foram apreendidos documentos de recibos de depósitos bancários, recibos de pagamento de salários e horas extras, recibo de pagamento a autônomos, cópia de cheques emitidos, cópias de faturas de prestação de serviços, todos sem o correspondente lançamento contábil e quando de empregados, sem o registro em Livros da empresa. No exame da documentação apreendida e na contabilidade da empresa, dentre outros itens apontados (1 a 32), concluiuse que nos itens 33, 34 e 35 da relação de documentos apreendidos (fls. 149/151), período de 01/2003 a 04/2003, os sócios Ruth e João fizeram retiradas de honorários, não emitiram recibos, não contabilizaram em despesas e a empresa no período não distribuiu lucros. 33. Cópia de cheques 157591, 157592 de 01/2003 de Dr. Ruth e Dr. Freitas 34. Cópia de cheques 008410 e 850258 de 04/2003 da Dr. Ruth 35. Recibo de pagamentos e cópia de cheques 008411 de 04/2003 Dr. Freitas No item 39, de 06/2003 Dr. Odilon, retirou honorários, emitiu nota fiscal em nome da empresa Régio e Ritter Médicos Associados S/C Ltda e recebeu seus honorários na conta particular n° 286028 da agência 1449. 39. Copia cheque 185758, recibo bancário Odilon, NF 090 Regio e Riter, 06/03. Nos itens 40 e 41, de 10/2003 a 01/2004, Dra. Ruth, sócia gerente da empresa, retirou honorários com emissão de notas fiscais 315, 316, 319, 320, 323, 324 e 329 da empresa Centro Cirúrgico Livramento S/C Ltda e recebeu na conta particular 0000140 da agencia Unicred, e estão contabilizados. 40. NF 328 Centro Cirurgico e depósito bcario para Dr Ruth, 01/2004 41. Cópia cheque 196721, 196764, NF 329 Centro Cirurg, com rec bco Ruth 01/0 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 475 7 Nos itens 42, 44, 48, 49 e 50 do período 09/2004, 01/2006 a 03/2007, a empresa pagou e contabilizou despesas de terceiros, tais como telefone celular da Irmandade Santa Casa Caridade de Alegrete, Guia de Arrecadação do Detran/RS, por exames prestados, no Órgão, por Laura Graciele Ortiz de Lima e faturas da empresa Cardio Nefroclinica Delta. 42. Fatura telefone Santa Casa Alegrete, paga pela Renal em 09/2004 44. Cópia cheque 0024 para pgto fatura Cardio Nefroclinica Delta em 11/2005 48. Cópia cheque 296, com recibo pagto Cardio N Delta, em 01/2006 49. Faturas da Cardio N Delta 01, 10,11,12/2006 e 01/2007 paga pela Renal 50. Guia Detran de Laura G 0 Lima paga pela Renal em 03/2007 No item 43 e 47, de 04/2005 a 06/2005 e 01/2006, a empresa pagou através dos cheques 206039, 206047, 219099 e 000098, despesas que não foram localizadas nas contas de despesas e também não foram localizados os recibos. 43. Cópia cheques 206039, 206047 e 219099, de 04, 05 e 06/2005 47. Cópia cheque 0098 de 01 12006 No item 45, de 03 a 06/2005, demonstra que os sócios Ruth e João retiravam honorários por serviços prestados em plantões médicos, por despesas particulares e a titulo de retorno de capital investido e está contabilizado. 45. Cópia cheque 219001, 219008, 219003, 219002, 206016 e dep bco Ruth No item 46, de 07/2005, demonstra que a empresa ao tratar Daniela Fertile, nutricionista como uma segurada autônoma, ao mesmo tempo, pagava despesas de curso de especialização. 46 Cópia cheques 0077 e 205835 de 11/2005 Também foi localizado pagamento de despesas da empresa, sem o correspondente recibo de pagamento e ou lançamento contábil nas contas de despesas, como: 12/2005 — R$ 750,00 — Fátima Melo, RPA 01; 11/2005 — R$ 520,00 — Nivea T. de Souza, plantões médicos; 10/2005 — R$ 520,00 — Nivea T. de Souza, plantões médicos; 09/2005 — R$ 520,00 — Nívea T. de Souza, plantões médicos; 12/2004 —R$ 133,46 — Carem C. A. Biscuby; 08/2004 — R$ 750,00 — Adriana Melogno, honorários; Fl. 475DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 476 8 08/2004 — R$ 300,00 — Valdemir Giriboni, pedreiro; 10/2003 — R$ 1.260,34 — Liziane Dias Josende, horas extras; 09/2000 — R$ 3.500,00 — Delmar Girardi, pedreiro; 05/2000 — R$ 3.378,00 — Delmar Girardi, pedreiro. A fiscalização considerou o ato fraudulento e os documentos apreendidos integraram processo de fraude fiscal, por se tratar de pagamento "por fora", aos seus empregados, despesas que não foram registradas na contabilidade e nem em folhas de pagamento, o que caracteriza o não oferecimento à tributação como salário contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados. A empresa foi autuada através do Auto de Infração n° 37.048.6960 por deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço e AI n° 37.048.6978 por deixar de inscrever segurado empregado, AI n° 37.048.6951 por deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço e AI n° 37.048.6994 por apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Desse modo, a empresa apresentou folhas de pagamentos e GFIP de forma deficiente, que de acordo com o art. 33, parágrafo 3°, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 233, parágrafo único do Decreto 3.048/99, considerase deficiente o documento ou a informação apresentada que não preencha as formalidades legais e que omita informação verdadeira. A contabilidade foi desconsiderada pela fiscalização porque não registrava a total utilização da mão de obra a seu serviço, passando a ser aferida conforme determina o art 33, parágrafo 6o da Lei 8.212/91 e art. 235 do Decreto 3.048/99 "Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas, por aferição indireta e lançadas de oficio as contribuições devidas, cabendo á empresa o ônus da prova em contrário". Foram aferidos os prólabores dos sócios Ruth Lilian Dias de Avila, no período de 01/1997 a 03/2007, de João José Andreuchetti de Freitas, no período de 01/1997 a 05/2000, 11/2004 a 03/2007, de Odilon da Rosa Régio e Sandro Ivan Ritter, no período de 11/2004 a 03/2007, porque os valores retirados como tal, não correspondem a realidade da vida social dos sócios. Primeiramente que um salário mínimo que foi retirado pelos sócios Ruth e João no período de 03/1997 a 05/2000 é inferior ao salário de contribuição dos sócios como contribuintes individuais e inferior a qualquer salário de empregado da própria empresa. Que no período de 06/2000 a 10/2004 o sócio João não teve aferição de prólabores, porque não retirou e não recebeu nenhum valor, subentendendo que no período não participou da administração da empresa. Que para Odilon e Sandro a empresa nunca considerou como segurados seja empregado, autônomos ou empregadores, sempre excluiu da relação de contribuintes obrigatórios, em não incluindo em folhas de pagamento e GFIP, conseqüentemente não fez nenhum recolhimento na prestação de serviço do período de 03/1997 a 03/2007. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 477 9 Na aferição dos prólabores dos sócios Ruth Lilian e João Jose Freitas, para o período de 01/1997 a 09/2003, tomouse como base o maior salário da empresa, do médico Odilon Rosa Régio, sendo o que determina a Instrução Normativa INSS/DC 70, de 10/05/2002 em seu Art. 67. Já no período de 10/2003 a 03/2007 para Ruth, tomouse como base as notas Fiscais da empresa Centro Cirúrgico Livramento, que foram emitidas para comprovar a retirada de honorários da sócia e burlar a fiscalização. Para o sócio João no período de 11/2004 a 03/2007, foi estabelecido as retiradas que fez a titulo de adiantamento do capital investido. Para os sócios Odilon e Sandro, foi estabelecido como prólabores, os valores mais costumeiros que recebiam anteriormente como empregados da empresa, conforme Demonstrativo de Aferição de Pró Labores, anexo. Os sócios Ruth e João fizeram diversas retiradas, a titulo de retorno do capital investido, valores que superaram muitas vezes o próprio capital subscrito na constituição da empresa que é de R$ 10.000,00 para cada sócio. Os valores foram retirados da empresa, sem observância das normas estabelecidas pela Receita Federal, que são emissão de relatórios e demonstrativos de valores e rendimentos do capital aplicado. Foi constatado na ação fiscal que nas competências acima citadas, a empresa efetuou recolhimentos ao INSS, a titulo de prólabores dos sócios Ruth e João, o que foi visto e considerados por esta fiscalização, conforme demonstrativo, anexo. A presente notificação, está fundamentada na Lei 8.212/91 e no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, cujo enquadramento encontrase anexo, no relatório de fundamentos legais do débito. Consta dos autos, fls. 125/127, relação de documentos apreendidos, não contabilizados e alguns contabilizados, e Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos – AGD (fls. 143/145). Demonstrativo de prólabores aferidos e pagos em guia GPS, fls. 129/141, por competência e beneficiário. DA INFORMAÇÃO FISCAL EMITIDA Após impugnação do contribuinte os autos foram convertidos em diligência para que a autoridade fiscal lançadora se pronunciasse. Em resposta foi emitida Informação Fiscal (fls. 387/395) onde consta, dentre outras informações, que a defesa, anexou cópia, as fls. 182 a 184 do Contrato Social (alteração), onde estabelece em sua Cláusula Quinta, que são Sócios Administradores da sociedade os Srs. João Jose Andreuchetti de Freitas e Ruth Lilian Dias de Avila e em sua Cláusula Primeira, são admitidos como novos Sócios Cotistas os Srs. Odilon da Rosa Régio e Sandro Ivan Ritter, situação esta já constante no, Relatório Fiscal da NFLD, em seus itens 10 e 11, anexo as fls. 79, não bem relatada, como agora pelo fiscal, porem com conhecimento indiscutível da empresa. Informo ainda que aos dois sócios João Jose e Ruth Lilian, foram nomeados administradores desde a constituição da empresa em 1995 e aos dois sócios Odilon e Sangro, nomeados sócios cotistas quando da integração a sociedade em 21/10/2004. A Lei 8.212/91 em seu art. 12, inciso V, alínea “f” e o Regulamento da Previdência Social em seu Decreto 3.048/99, art. 9, inciso V, alínea “h”, estabelecem que são Segurados Obrigatórios da Previdência Social, como Contribuinte Individual, os Sócios Gerentes e os Sócios Cotistas que recebam remuneração decorrentes de seu trabalho e o Fl. 477DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 478 10 administrador não empregado na sociedade por cotas de responsabilidade limitada, urbana ou rural. A empresa contesta o débito, alegando em sua defesa no item 2 “O FEITO FISCAL”. Quanto ao FEITO FISCAL e o que foi relatado no Relatório Fiscal da NFLD, nos itens 4,5,6,7, a fiscalização informa que não fazem parte do fato gerador desta notificação, o ali relatado constou para demonstrar que a empresa usou de meios e práticas ilícitas quando da admissão e pagamento de um empregado, de um contribuinte individual ou até mesmo quando da contabilização de despesas efetuadas, o ali relatado, a fiscalização demonstra que a empresa pagava salário por fora a determinados empregados, fazia pagamentos a pessoas físicas, sem considerálas contribuintes obrigatórios da Previdência Social, usava formas de pagamento de despesas distorcendo a sua real natureza, com o objetivo único de evitar a incidência tributária. Este levantamento, que trata de contribuições previdenciárias sobre os pró labores dos sócios Ruth Lilian, João Jose, Odilon e Sandro, todos eles contribuintes obrigatórios na qualidade de contribuinte individual. A empresa sempre pagou honorários a estes profissionais, pelos serviços prestados que eram serviços médicos, prestados dentro da empresa em muitas vezes em forma de plantões, porem a empresa distorcia a forma de pagamento e de contabilização destas despesas para tentar dissimular a contribuição previdenciária incidente. No item 5 do Relatório Fiscal, anexo às fls. 76 e 77, procurou demonstrar estas situações: a) Para Ruth Lilian Dias de Freitas, demonstrou que a segurada no período de 01/2003 a 04/2003, fez retirada de honorários no valor de R$ 9.000,00 mensais, porem a empresa ao fazer tais pagamentos, não emitiu recibo de pagamento; não contabilizou em contas próprias estas despesas, portanto a fiscalização para se certificar de que também não se tratava de uma distribuição de lucros, verificou que a empresa não distribuiu lucros no período. No período de 10/2003 a 01/2004 a Sócia Gerente, fez retirada de honorários da empresa e para contabilização destes honorários, emitiu notas fiscais da empresa Centro Cirúrgico Livramento S/C Ltda, onde a Sra. Ruth também é sócia, porem a empresa fazia os pagamentos para a sócia em sua conta particular. Também demonstramos que a Sócia Ruth, fazia retiradas por serviços praticados na administração da sociedade e utilizava notas fiscais de prestação de serviços. da sua empresa (Centro Cirúrgico), para disfarçar a real retirada de prólabores da empresa Renal. As retiradas da empresa eram feitas como honorários médicos, assim demonstrado no Relatório de Retiradas dos Sócios, anexo. A Sra. Ruth, aparece como a principal sócia, seja na integralização do capital ou na administração da sociedade, composta de Matriz e duas filiais de Rosário e Alegrete, mais presente na administração da filial de Rosário. Ao estabelecer os seus prólabores, a fiscalização adotou dois parâmetros, conforme já citado no item 11 do Relatório Fiscal, por entender ser mais justo, mais parecido com o que se hora apresentava e menos prejudicial para a empresa quanto aos valores a serem tributáveis. Primeiro parâmetro estabelecido para o período de 01/1997 a 09/2003, foi estabelecer valores iguais de retiradas, para trabalhos semelhantes, visto que Odilon Rosa Régio, exerce as mesmas funções da sócia e no segundo parâmetro estabeleceuse as próprias retiradas da sócia, feitas até 09/2004 e partir de 10/2004 a 03/2007, mantevese o valor de R$ 9.000,00 retirado em 10/2004. Notase no Relatório de Retiradas dos Sócios, anexo, que se tivesse ,sido adotado o primeiro parâmetro para todo o período, teria sido mais prejudicial à empresa, visto as retiradas do sócio Odilon, Fl. 478DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 479 11 em média, a partir de 12/2004, .serem superiores às da sócia e as retiradas da sócia, a partir de 02/2005 também se mantiveram em média acima do estabelecido. b) Para João Jose Andreuchetti de Freitas, demonstrouse que o segurado a partir de 11/2004 passou a fazer retiradas a titulo de RETORNO DO CAPITAL INVESTIDO, situação criada para a contabilidade disfarçar a real retirada de prólabores da empresa, assim entendido pela fiscalização, já que o capital investido pelo sócio e contabilizado pela empresa é de R$ 10.000,00 e suas retiradas foram muito além do próprio capital, assim demonstrado no Relatório de Retirada dos Sócios. c) Para Odilon da Rosa Régio, a que se relata que começou em 03/1997 a prestar serviços na qualidade de medico aos pacientes da empresa, mais especificamente na filial de Alegrete, onde lá sempre residiu. A NFLD 37.048.7001 lavrada. Quando da mesma ação fiscal, relacionouo como segurado obrigatório da previdência social, na qualidade de empregado até 08/2000. Em 09/2000 a 10/2004, o médico Odilon prestou serviços à empresa, nas mesmas condições que vinha prestando desde 03/1997, porém na forma de pessoa jurídica, quando da constituição em 08/2000 da empresa Régio e Ritter Médicos Associados S/C Ltda. A NFLD 37.048.6935 também lavrada quando da mesma ação fiscal, relacionouo como segurado obrigatório da previdência social, na qualidade de empregado, aferindo como salários o valor da nota fiscal emitida. A partir de 11/2004 a 03/2007, o médico Odilon continua a prestar serviços à empresa, nas mesmas condições anteriores, agora segurado obrigatório da previdência social, na qualidade de sócio cotista que presta serviço remunerado à empresa. Esta NFLD foi lavrada para corrigir também este período, não fosse a ação fiscalizadora, o trabalhador não teria contemplado o seu tempo de serviço, já que a empresa em nenhum período o considerou como Segurado obrigatório da Previdência Social. O sócio cotista Odilon se difere dos demais sócios cotistas de outras empresas, que fazem retiradas uma ou duas vezes ao ano quando a empresa distribui dividendos a todos os sócios. O sócio Odilon participa ativamente da sociedade seja com suas retiradas mensais, seja com seu trabalho de administração da filial em Alegrete, ou seu trabalho médico aos pacientes da empresa. A fiscalização ao estabelecer os valores dos prólabores ao sócio Odilon, levou em consideração, que no exercício do cargo de responsável pela empresa, muitas vezes executou pagamentos de despesas próprias da empresa, com dinheiro próprio, que nem todo valor tido como retiradas mensais se referia a honorários médicos, segundo informações do próprio escritório de contabilidade, quando da fiscalização, motivo pelo qual, a fiscalização não estabeleceu como prólabores, as próprias retiradas mensais do sócio, vindo desta forma em favor da empresa, quando aferiu valores de prólabores para todo o período 11/2004 a 03/2007, no valor de R$ 7.000,00 valor recebido pelo sócio em 10/2004 e que em 12/2004 recebeu R$ 14.000,00 parecendo ser também uma retirada disfarçada e muito semelhante ao décimo terceiro salário. Veja que no decorrer do período de 11/2004 a 03/2007 o sócio fez retiradas, em média, bem mais expressivas que o valor estipulado como prólabores. d) Para Sandro Ivan Ritter, a que se relatar que começou em 11/1998, a prestar serviços na qualidade de médico, aos pacientes da empresa, mais especificamente na filial de Rosário do Sul, onde lá reside. A NFLD 37:048.7001 lavrada quando da mesma ação fiscal, o relacionou como segurado obrigatório da previdência social, na qualidade de empregado até 08/2000. Em 09/2000, o médico Sandro prestou serviços à empresa, nas mesmas condições que vinha prestando desde 11/1998, porém na forma de pessoa jurídica, quando da constituição em 08/2000 da empresa Régio e Ritter Médicos Associados S/C Ltda. A NFLD 37.048.6935 também lavrada quando da mesma ação fiscal, o relacionou como segurado obrigatório da previdência social, na qualidade de empregado, até 10/2004, aferindo Fl. 479DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 480 12 como salários o valor da nota fiscal emitida. A partir de 11/2004, o médico Sandro continua a prestar serviços à empresa, nas mesmas condições anteriores, agora segurado obrigatório da previdência social, na qualidade de sócio cotista que presta serviço remunerado à empresa, até 03/2007. Esta NFLD foi lavrada para corrigir também este período, não fosse a ação fiscalizadora, o trabalhador não teria contemplado o seu tempo de serviço, já que a empresa em nenhum período o considerou como segurado obrigatório da previdência social. O sócio cotista Sandro, se difere dos demais sócios cotistas de outras empresas, que fazem retiradas uma ou duas vezes ao ano quando a empresa distribui dividendos a todos os sócios. O sócio Sandro participa ativamente da sociedade, seja com suas retiradas mensais, seja com seu trabalho na filial em Rosário. A fiscalização ao estabelecer os valores dos prólabores ao sócio Sandro, levou em consideração, que no exercício do cargo, muitas vezes executou pagamentos de despesas próprias da empresa, com dinheiro próprio, que nem todo valor tido como retiradas mensais se referia a honorários médicos, segundo informações do próprio escritório de contabilidade, quando da fiscalização, motivo pelo qual, esta fiscalização não estabeleceu como prólabores, as próprias retiradas mensais do sócio, vindo desta forma em favor da empresa, quando aferiu valores de prólabores para todo o período 11/2004 a 03/2007, no valor de R$ 3.500,00, valor recebido pelo sócio em 10/2004 e que em 12/2004 recebeu R$ 7.000,00 parecendo ser também uma retirada disfarçada e muito semelhante ao décimo terceiro salário. Veja que no decorrer do período de 11/2004 a 03/2007 o sócio fez retiradas, em média, bem mais expressivas que o valor estipulado como prólabores. Diante do exposto, entendeu pela manutenção do lançamento fiscal. Consta dos autos relatório de retiradas de valores dos sócios, por competência, valor beneficiário e conta do livro razão (fls. 377/385). OBRIGAÇÃO LEGAL DE REGISTRAR TODOS OS DOCUMENTOS NOS LIVROS CONTÁBEIS O livro diário é obrigatório para a empresa e deve conter os registros individualizados, com clareza, dia a dia, de todas as operações relativas ao exercício da empresa, admitindose a escrituração resumida com totais das operações das contas desde que utilizados livros auxiliares (Razão e outros) regularmente autenticados, nos termos dos §§ 1o e 2o do art. 1.184 do Código Civil Brasileiro, instituído pela Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. A contabilidade da empresa deve demonstrar todos os seus movimentos de ativo (bens e direitos), obrigações (deveres) e seu patrimônio líquido. Assim, os documentos apresentados como base de cálculo das contribuições sócias previdenciárias (GFIP/SEFIP, folha de pagamento de empregados, de prólabore, serviços prestados, outros) devem ser conferidos por intermédio dos livros contábeis da empresa, de escrituração obrigatória como é o caso dos livros Diário e Razão, que devem estar de acordo com as formalidades legais. Mesmo entendimento se aplica ao “livro Caixa”, que deve permitir a conferência, pela autoridade fiscal, da base de cálculo e dos valores recolhidos dos tributos federais, em especial, as contribuições previdenciárias. A autenticação de instrumentos de escrituração dos empresários e das sociedades empresárias é disciplinada pela Instrução Normativa nº 102, de 25 de abril de 2006, do Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC, sem prejuízo da legislação específica aplicável à matéria. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 481 13 A retificação de lançamento feito com erro, em livro já autenticado pela Junta Comercial, deverá ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência, observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade, não podendo o livro já autenticado ser substituído por outro, de mesmo número ou não, e deve conter a escrituração retificada (artigo 5º, da Instrução Normativa DNRC nº 102/2006). Portanto, eventuais erros cometidos no livro diário já autenticado pelo Registro do Comércio podem ser corrigidos, bem como, a correção do livro Razão que é livro obrigatório fiscal (RIR/1999, art. 259, que incorporou as Leis nº 8.218, de 1991, art. 14, e nº 8.383, de 1991, art. 62). Ademais, o contribuinte não apresentou os livros contábeis (Livros Diário e Razão) de acordo com as exigências legais e com as correções da falta (registro dos documentos apreendidos pela fiscalização que não foram contabilizados) que resultou no lançamento fiscal por arbitramento de valores pagos a título de prólabores dos sócios da empresa autuada. Está desobrigada da apresentação de escrituração contábil a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, desde que escriture Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário. Entretanto, se o contribuinte apresentar contabilidade regular, mesmo estando dela desobrigada, e esta contabilidade apresentar incorreções, o Auto de Infração será lavrado por descumprimento das regras aplicáveis à contabilidade regular, não sendo válido ao contribuinte argüir que estava dela desobrigado. A empresa deve manter escrituração contábil regular, a qual deve sujeitarse às normas e princípios gerais da Contabilidade e ao previsto no inciso II do § 13 do art. 225 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Art.225. A empresa é também obrigada a: II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 482 14 A autoridade fiscal tem liberdade para querer documentos e examinar a escrituração no exercício da fiscalização do pagamento de tributos, nos termos estritos das respectivas leis especiais, consoante art. 1.193 da Lei 10.406/2002. O sócio e a empresa são obrigados a seguir sistema de contabilidade com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico, nos termos do art. 1.179 da Lei 10.406/2002. Comprovada a irregularidade da contabilidade apresentada pela empresa, não faz prova suficiente para desconstituição de lançamento fiscal amparado em documentos e fatos relatados pela fiscalização. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Como se pode notar do relatório fiscal, da diligência que analisou a impugnação do contribuinte e da decisão recorrida que se trata de lançamento fiscal por aferição de valores a título de prólabore dos sócios da empresa autuada. O arbitramento se deu em razão da fiscalização encontrar diversos documentos relativos a pagamento de segurados empregados e contribuintes individuais (sócios) não registrados na contabilidade e sem registro nos documentos legais, como Livro de Registro de Empregado, GFIP. Assim sendo, rejeitase a preliminar de nulidade por erro formal e de violação ao direito de defesa e contraditório, por todos os argumentos constantes do voto. Demonstrado que a empresa não registrou vários documentos de pagamento de valores a segurados empregados e contribuinte individuais na contabilidade, em GFIP e em Livro de Registro de Empregados, informadas as razões e fundamentação legal, não há que se falar em lançamento fiscal desprovido de fatos geradores e da disposição legal, como quer o contribuinte. No mérito, não há que se falar em nulidade por inexistência de fato gerador do tributo lançado. Informa a fiscalização que a empresa sempre pagou honorários aos sócios Ruth Lilian, João Jose, Odilon e Sandro pelos serviços prestados de médicos à empresa, muitas vezes em forma de plantões. Todavia, a empresa distorcia a forma de pagamento e de contabilização das despesas para reduzir o valor da contribuição previdenciária. Não havia registro na empresa dos segurados Odilon e Sandro como empregado, autônomos ou empregadores. Sempre foram excluídos da relação de contribuintes obrigatórios e não eram incluídos em folhas de pagamento. Consta relatado nos autos que alguns sócios (Odilon e Sandro) anteriormente prestavam serviços como empregado, passando a prestador de serviço pessoa jurídica e por fim se tornando sócio da empresa autuada, e com retirada mensal de prólabore de forma direta ou indireta como comprovado nos autos. O sócio João Jose Andreuchetti de Freitas passou a fazer retiradas a titulo de retorno do capital investido com frequência e superior ao capital investido, apresentando Fl. 482DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 483 15 situação criada para a contabilidade com intuito de disfarçar a real retirada de prólabores da empresa, segundo a fiscalização, e demonstrado no Relatório de Retirada dos Sócios. A inobservância das normas estabelecidas pela Receita Federal são as relativas a emissão de relatórios e demonstrativos de valores e rendimentos do capital aplicado, informadas nas declarações de imposto de renda, constante dos autos. O contribuinte deve demonstrar que os valores repassados ao sócio João José se referem a distribuição de lucros paga e contabilizada, na forma que requer a norma legal. A sócia Ruth Lilian Dias de Freitas fez retirada de honorários mensais e sem emissão de recibo de pagamento. Não contabilizou em contas próprias tais despesas. A fiscalização se certificou de que não se tratava de uma distribuição de lucros, pois a empresa não distribuiu lucros no período, demonstrando os fatos. O contribuinte deve demonstrar de forma inequívoca que a sócia Ruth não teria recebido "honorários" mediante a emissão de notas fiscais da empresa Centro Cirúrgico Livramento S/C Ltda, da qual é sócia. Deve demonstrar os serviços prestados pelo Centro Cirúrgico, como data, quantificação, valores. Todavia, a contabilidade da recorrente com falta de registro de vários documentos não é suficiente para a desconstituição dos fatos apresentados pela fiscalização. Ficou demonstrado pela fiscalização que a empresa usou de meios e práticas não convencionais e destoantes das normas legais quando da admissão e pagamento de empregados e contribuintes individuais (sócios), bem como, da falta de contabilização de vários documentos de despesas efetuadas pela empresa. Estão demonstrados nos autos todos os fatos geradores, por competência, valor e beneficiário, a forma de apuração por aferição indireta, as razões que levaram a fiscalização ao procedimento e a fundamentação legal. Todos os atos da fiscalização foram cientificados ao contribuinte que teve prazo legal para apresentação de contestação. Diante dos fatos constantes dos autos, rejeito a preliminar de nulidade por erro formal. Não houve cerceamento ao direito de defesa e contraditório. No mérito, o lançamento fiscal demonstrou a descrição do fatos geradores, os motivos e a fundamentação legal do lançamento fiscal. Se no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas por aferição indireta, as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, nos termos do art. 33, § 3o da Lei 8.212/91. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, contendo a competência, a base de cálculo, a discriminação dos fatos, os valores das contribuições previdenciárias devidas e os valores dos créditos considerados em planilhas, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91 e demais dispositivos mencionados nos autos. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 484 16 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 484DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10435.720554/2010-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009
GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo.
Possível o lançamento de ofício de valores já declarados pelo contribuinte.
CONTRIBUIÇÕES DE ELETIVOS. COMPENSAÇÃO. SÚMULA 91 CARF. TEORIA DOS 5+5.
Em casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que o pedido de restituição foi pleiteado administrativamente após 9 de junho de 2005, aplica-se o prazo prescricional de 05 anos, tendo em vista a súmula nº 91 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto á questão da nulidade. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto (relator), Ivacir Julio de Souza e Jhonatas Ribeiro da Silva. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. No Mérito: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Redator Designado
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009 GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo. Possível o lançamento de ofício de valores já declarados pelo contribuinte. CONTRIBUIÇÕES DE ELETIVOS. COMPENSAÇÃO. SÚMULA 91 CARF. TEORIA DOS 5+5. Em casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que o pedido de restituição foi pleiteado administrativamente após 9 de junho de 2005, aplica-se o prazo prescricional de 05 anos, tendo em vista a súmula nº 91 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10435.720554/2010-51
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5425724
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.784
nome_arquivo_s : Decisao_10435720554201051.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 10435720554201051_5425724.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto á questão da nulidade. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto (relator), Ivacir Julio de Souza e Jhonatas Ribeiro da Silva. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. No Mérito: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Redator Designado Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5812768
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476695465984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1594; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10435.720554/201051 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.784 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 04 de novembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente MUNICÍPIO DE ITAPETIM PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009 GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo. Possível o lançamento de ofício de valores já declarados pelo contribuinte. CONTRIBUIÇÕES DE ELETIVOS. COMPENSAÇÃO. SÚMULA 91 CARF. TEORIA DOS 5+5. Em casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que o pedido de restituição foi pleiteado administrativamente após 9 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de 05 anos, tendo em vista a súmula nº 91 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 05 54 /2 01 0- 51 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto á questão da nulidade. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto (relator), Ivacir Julio de Souza e Jhonatas Ribeiro da Silva. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. No Mérito: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Redator Designado Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão Nº 1131.616 proferido pela DRJ/REC, que manteve crédito tributário realizado por meio do Auto de Infração 37.249.6032, no valor de R$ 666.747,82 (seiscentos e sessenta e seis mil, setecentos e quarenta e sete reais e oitenta e dois centavos). A autuação se deu por ter a prefeitura, segundo a fiscalização, fls. 21/24 (Relatório Fiscal), realizado compensações indevidas na GFIP, decorrentes da contribuição previdenciária incidente sobre os subsídios recebidos pelos agentes políticos, titulares de mandatos eletivos do período de 02/98 a 09/04 e compensados no período de 06/08 a 12/09. Uma vez que o período de 02/98 até 05/03 está prescrito, o agente procedeu devidamente, e quanto ao período remanescente, o recorrente apenas comprovou pagamento de subsídio do prefeito no valor de R$ 23,020,51, os quais foram devidamente apropriados entre as competências 06/08 a 09/08, esta última, apenas parcialmente em razão do valor. Os fatos e fundamentos para apuração do crédito previdenciário foram especificados pelo auditor autuante que os descreveu da seguinte maneira, fls. 21: (...) 3. Foi verificado que está extinto o direito a compensação dos valores lançados nas GFIP’S de 06/08 a 13/09, vinculados aos pagamentos indevidos do período de 02/98 a 05/2003, de acordo com o art. 168, I da Lei 5.172 de 25.10.66 (CTN) c/ art. 3 da Lei Complementar 118 de 09.02.05. 4. Foram somente comprovados, os pagamentos indevidos da parte patronal (21%), incidentes sobre os subsídios do Prefeito: José Lopes da Silva Sobrinho e do Vice Prefeito: Antonio Herculano de Siqueira, nas competências 06/03 a 12/03, 01/04 a 04/04 e 06/04 a 09/04 (período não decadencial), sendo atualizados seus valores com data de cálculo de 10.07.08 (data de entrega da GFIP 06/08 – anterior a vigência da MP 449/08), com juros calculados sobre o valor originário, mediante a aplicação dos seguintes percentuais: a) 1% (um por cento) no mês subseqüente ao da competência; b) taxa média mensal de captação do tesouro nacional relativa a dívida mobiliária federal / taxa referencial do sistema especial de liquidação e de custódia – SELIC, nos respectivos períodos; c) 1% (um por cento) no mês de pagamento. (...) DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 86/102 DA DECISÃO DA DRJ Fl. 215DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) – 7ª Turma DRJ/REC, prolatou Acórdão Nº 1131.616 de fls. 118/121, julgando procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES DE ELETIVO. COMPENSAÇÃO. PRAZO. É de 5 anos o prazo para compensação de contribuição de natureza previdenciária recolhidas indevidamente, contados a partir do âmbito do recolhimento. INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIMENTO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento de Inconstitucionalidade de Lei nas decisões administrativas só pode ser feito após manifestação, nesse sentido, do STF, do Senado Federal, ou da Justiça Federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Inconformada, a recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 127/145, requerendo a reforma do Acórdão, com argumento sobre o prazo para a realização de compensação em relação a pagamentos indevidos realizados em tributos sujeitos a lançamento por homologação e inconstitucionalidade da constituição do crédito tributário em questão. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl. 189, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA COMPENSAÇÃO EM GFIP Conforme já abordado no Relatório Fiscal, trata o presente caso de glosa compensações declaradas em GFIP, que gerou a lavratura de auto de infração para cobrança do valor principal mais juros e multa. Compulsados os autos, verificase que os débitos objeto de lançamento de ofício haviam sido confessados pelo contribuinte em suas GFIP atinentes aos períodos de apuração em tela. Em vista disso, cabe perquirir se é dado ao Fisco promover lançamento de ofício em se tratando de débitos já informados nas GFIP.t A GFIP é obrigação acessória cujo lastro legal encontrase no artigo 32, inciso IV, da Lei n. 8.212/91, in verbis: “Art. 32.A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS;” Tratase de redação atribuída a tal inciso, inicialmente, pela Medida Provisória n. 449, publicada em 03.12.2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/09. Pela leitura do texto legal, notase que, por meio da GFIP, o contribuinte declara ao Fisco a ocorrência dos fatos geradores atinentes às contribuições previdenciárias. Deveras, em citado documento, constam informações que permitem identificar perfeitamente todos os elementos essenciais da obrigação tributária, quais sejam, sujeitos ativo e passivo, base de cálculo e o quantum debeatur. Vale observar que a redação original de aludido inciso, atribuída pelo artigo 1º da Lei n. 9.528/97, não difere em essência do quanto acima transcrito, confirase: “IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de Fl. 217DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS”. Isto é, desde os idos de 11.12.1997, dia seguinte à publicação da Lei n. 9.528/97, que a GFIP consiste em obrigação acessória pela qual os contribuintes declaram ao Fisco os fatos geradores em que incorreram quanto às contribuições previdenciárias. Nesse ponto, cabe breve digressão acerca das modalidades de lançamento tributário previstas no CTN. O Código Tributário Nacional prevê três modalidades distintas para a constituição do crédito tributário: o lançamento de ofício, por declaração e o “autolançamento”. No lançamento de ofício, previsto no artigo 149 do CTN1, a autoridade lançadora verifica a ocorrência do fato gerador, estabelece a base de cálculo, identifica o sujeito passivo, calcula o tributo devido e propõe as penalidades aplicáveis à espécie. Nas palavras de Rubens Gomes de Souza2, “é o lançamento feito unilateralmente pela autoridade fiscal, sem intervenção do contribuinte”. O lançamento por declaração, previsto no artigo 147 do CTN, pode ser considerado espécie do gênero lançamento de ofício. Sua diferença reside no fato de que o contribuinte participa do procedimento constitutivo do crédito mediante o cumprimento de deveres instrumentais consistentes na apresentação de informações ao Fisco acerca dos elementos da obrigação tributária. A constituição do crédito tributário, todavia, é realizada, ao final, pela Administração Pública. Por sua vez, o “autolançamento”, disciplinado pelo artigo 150 do CTN3, é aquele que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de constituir o crédito tributário e realizar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, como se dá hoje com a maioria dos tributos. Cabe à autoridade fiscal, dentro deste contexto, verificar a correção da atividade realizada pelo sujeito passivo, homologandoa. Este ato confirmatório levado a efeito pela Administração Pública é denominado, pelo CTN, de lançamento por homologação. 1 “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” 2 Compêndio de Legislação Tributária. São Paulo, Resenha Tributária, 1981, p. 110. 3 “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” Fl. 218DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 5 7 Nesse sentido, a lição de Paulo de Barros Carvalho: “A conhecida figura do lançamento por homologação é um ato administrativo de natureza confirmatória, em que o agente público, verificado o exato implemento das prestações tributárias de determinado contribuinte, declara, de modo expresso, que obrigações houve, mas que se encontram devidamente quitadas até aquela data, na estrita consonância dos termos da lei. Não é preciso despender muita energia mental para notar que a natureza do ato homologatório difere da do lançamento tributário. Enquanto aquele primeiro anuncia a extinção da obrigação, liberando o sujeito passivo, estoutro declara o nascimento do vínculo, em virtude da ocorrência do fato jurídico. Um certifica a quitação, outro certifica a dívida. Transportando a dualidade para outro setor, no bojo de uma analogia, poderíamos dizer que o lançamento é a certidão de nascimento da obrigação tributária, ao passo que a homologação é a certidão de óbito.”4 Tendo em vista que o lançamento é ato privativo da autoridade administrativa, como prevê o artigo 142 do CTN5, o denominado “autolançamento”, por configurar atividade específica do contribuinte, não se confunde com o ato administrativo de lançamento. Para Gilberto de Ulhôa Canto6, o lançamento por homologação deve ser compreendido como exceção à regra do artigo 142 do CTN, já que a atividade de verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo fica a cargo do próprio sujeito passivo, quando a lei o obriga a efetuar o pagamento por iniciativa própria e sem qualquer interferência da Fazenda Pública. Prescinde da prévia atuação do Fisco, podendo ela até mesmo inexistir no caso da homologação tácita (art. 150, § 4º, do CTN). Assim, nessa modalidade, o que ocorre não é a homologação do “lançamento” efetuado pelo contribuinte, mas a confirmação da atividade por ele efetuada e tendente à satisfação do crédito tributário. No “autolançamento”, é o próprio contribuinte quem realiza a atividade consistente em subsumir o evento tributário à regramatriz de incidência, instalando, por conseguinte, a relação jurídicotributária, contexto dentro do qual o Fisco tem o direito subjetivo de exigir a prestação (crédito tributário) e o contribuinte, o dever de cumprila. Tal tarefa, no entanto, para que cumpra a finalidade específica de constituição do crédito tributário, deve revestirse da linguagem jurídica adequada, o que, no caso de grande maioria dos tributos federais, é cumprido pela DCTF, ao passo que, quanto às contribuições previdenciárias, isso se dá pelo preenchimento da GFIP. 4 Curso de Direito Tributário. 6ª Ed., São Paulo, Saraiva, p. 282. 5 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” 6 A Função do Lançamento Tributário. Do Lançamento. São Paulo, Resenha Tributária, Caderno de Pesquisa Tributárias v. 12. (Coord.) Ives Gandra da Silva Martins, 1987, p. 382383. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 O artigo 225, §1º, do Decreto n. 3.048/99 (“Regulamento da Previdência”), é categórico ao confirmar a natureza constitutiva do crédito tributário que caracteriza a GFIP, confirase: §1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento.” (grifo nosso) A leitura desse dispositivo do Regulamento da Previdência, revela que a GFIP é dever instrumental que tem o condão de constituir o crédito tributário, já que representa “termo de confissão de dívida”. Posteriormente, a introdução do §2º ao artigo 32 da Lei n. 8.212/91, por meio da Medida Provisória n. 449/08 (convertida na Lei n. 11.941/09), veio a confirmar o ditame retrotranscrito, ipsis litteris: “§ 2º A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários.” No mesmo diapasão é o quanto disposto no §7º do artigo 33 da Lei n. 8.212/91, que assim dita: “§7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte.” Em outras palavras, comanda o legislador que a confissão de valores devidos e não recolhidos constitui o crédito da seguridade social, da mesma forma como o fazem a notificação de lançamento e o auto de infração, modalidades distintas de constituição do crédito tributário. A própria RFB atribui tal efeito à GFIP, conforme se pode aferir pela leitura dos seguintes artigos da Instrução Normativa RFB n. 971/09, vigentes quando da lavratura dos autos de infração em análise, in verbis: “Art. 456.O crédito tributário relativo às contribuições de que tratam os arts. 2ºe3º da Lei nº 11.457, de 2007, será constituído nas seguintes formas: (...) II por meio de confissão de dívida tributária, quando o sujeito passivo: a) apresentar a GFIP e não efetuar o pagamento integral do valor confessado;” “Art. 460.São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como Fl. 220DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 6 9 instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário;” Estando claro que a GFIP tem o condão de constituir o crédito tributário, forçoso verificar que, à época da lavratura dos autos de infração, a Lei n. 8.212/91, em seu artigo 37, estipulava que a lavratura de auto de infração deveria ocorrer apenas se o crédito tributário ainda não tivesse sido confessado pelo contribuinte. Vejase: “Art. 37.Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento.” Depreendese desse comando legal que, na hipótese de não recolhimento, apenas aquelas contribuições previdenciárias que não foram objeto de declaração em GFIP é que serão lançadas de ofício em auto de infração. Nada mais lógico, pois, como visto, ao consignar os valores em GFIP, o contribuinte informa ao Fisco que já adotou os procedimentos tendentes ao lançamento por homologação e que este já pode exigir o crédito tributário, inscrevendoo em dívida ativa da União e demais providências cabíveis, como, aliás, determina o artigo 39, parágrafo 3º, da mesma lei: “§ 3º Serão inscritas como dívida ativa da União as contribuições que não tenham sido recolhidas ou parceladas resultantes das informações prestadas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32 desta Lei.” Isto é, a leitura conjunta dos diversos dispositivos sobre o tema constantes na Lei n. 8.212/91 não permite outra conclusão: a informação dos débitos em GFIP constitui o crédito tributário, permite sua imediata cobrança no caso de nãorecolhimento e afasta a possibilidade de lavratura de auto de infração. De forma sistemática, e para que fique mais claro, é possível extrair as seguintes normas jurídicas, pertinentes à GFIP, do texto da Lei n. 8.212/91: Art. 32, inciso IV: é obrigatória a transmissão da GFIP, a qual contém todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias; Art. 32, §2º: a GFIP é instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos; Art. 33, §7º: a confissão de valores devidos constitui o crédito da previdência social, da mesma forma que o auto de infração e a notificação de lançamento; Art. 37: deve ser lavrado auto de infração apenas se os débitos não recolhidos não tiverem sido objeto de declaração em GFIP; e Art. 39, §3º: os débitos informados na GFIP e não recolhidos devem ser encaminhados para inscrição na dívida ativa da União. O regime jurídico da GFIP emanado por estas normas legais é inequívoco no sentido de que esta obrigação acessória constitui o crédito tributário e obriga sua imediata cobrança sendo devida a lavratura de auto de infração apenas se e tão somente se não houver a declaração dos débitos em GFIP. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Forçoso ainda asseverar que as normas jurídicas acima listadas já eram vigentes na data da lavratura dos autos de infração, sendo de observância obrigatória pelas Autoridades Fiscais. Com efeito, todas estas normas, com exceção daquela constante do item “e” acima, que entrou em vigor em 01.05.2007, entraram em vigor em 04.12.2008, dia seguinte à publicação da Medida Provisória n.º 449/2008. Ora, as normas em questão, ao estipularem regras aplicáveis à GFIP, documento no qual, como foi visto, se apuram as contribuições previdenciárias e que permite à RFB fiscalizar os procedimentos adotados pelos contribuintes, trouxeram novos critérios de apuração e fiscalização dos débitos, gozando, portanto, de aplicação retroativa. O STJ, analisando o artigo 144, §1º, do CTN, manifestou firme posição de que as leis tributárias formais ou procedimentais devem ser aplicadas de imediato e atingir os fatos geradores anteriores, ainda não decaídos. Confirase a ementa do julgado: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 7 11 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021∕90 e a Lei Complementar 105∕2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória∕investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753∕RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778∕PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053∕RS, Fl. 223DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos∕mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105∕2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702∕RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650∕SP, Rel. Ministro Fl. 224DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 8 13 Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194∕SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223∕RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637∕MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580∕RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum, configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” (REsp 1134665/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009, grifos nossos) Esse decisum do STJ é claro: as leis tributárias formais ou procedimentais, que conduzem ao lançamento tributário, são imediatamente aplicáveis, inclusive quanto a fatos geradores passados, ainda não decaídos. E, tratandose de acórdão proferido pelo rito do artigo 543C do Código de Processo Civil (“CPC”), deve ser obrigatoriamente observado nos julgados do CARF, conforme determina o artigo 62A de seu regimento interno, o qual será mais adiante novamente citado e transcrito. A Câmara Superior de Recursos Fiscais já manifestou posicionamento nesse mesmo sentido: “IRPJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE TRIBUTOS FORMALIZADA A PARTIR DA OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES RELATIVAS À ARRECADAÇÃO DA CPMF LEIS N° 9.311, DE 1996 E 10.174, DE 2001. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ARTIGO 144, § 1°, DO CTN. A teor do que dispõe o artigo 144, §1°, do CTN, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, alcançando fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição, enquanto não alcançados pela decadência.” (Acórdão nº 910100.198, de 27.07.2009) É insofismável, assim, que normas tributárias formais ou procedimentais, tais como aquelas introduzidas pela Medida Provisória n. 449/2008 quanto à GFIP, são plenamente aplicáveis aos fatos geradores ocorridos e deveriam ter sido observadas pelos Agentes Fiscais quando lavraram os autos de infração em tela, sob pena de inquestionável vício material do lançamento. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 De qualquer modo, além da eficácia retroativa de ditas regras, deve ser notado que a regra insculpida no artigo 39, §3º, da Lei n. 8.212/91 já estava posta no sistema jurídico desde 2007 e reconhecia que os débitos confessados em GFIP deviam ser encaminhados para a dívida ativa da União. E mais: a redação anterior do artigo 33, §7º, da mesma lei, introduzida pela Lei n. 9.528/97, vigia desde 11.12.1997, dia seguinte à sua publicação. Esta redação anterior era praticamente idêntica à atual e, igualmente, reconhecia que o documento declaratório de valores devidos constituía o crédito da seguridade social. Confirase, in verbis: “§ 7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte.” Em outras palavras, o sistema jurídico, antes mesmo da introdução das regras trazidas pela Medida Provisória n.º 449/2008 já determinava que a GFIP era instrumento hábil para a constituição dos débitos e que estes, no caso de nãorecolhimento, deviam ser enviados para inscrição em dívida ativa da União. Essa conclusão é confirmada e reforçada pelo disposto no artigo 242, §1º, do Regulamento da Previdência, vigente desde 07.05.1999, confirase: §1º Os valores das contribuições incluídos na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, não recolhidos ou não parcelados, serão inscritos na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social, dispensandose o processo administrativo de natureza contenciosa.” (grifo nosso) E vale mencionar que este dispositivo é meramente regulamentar e presta apenas para trazer concretude aos dispositivos legais, não podendo inovar no ordenamento jurídico. Isto significa que, à época, como já demonstrado, havia arcabouço legal que reconhecia o caráter constitutivo da GFIP e a desnecessidade de lançamento de ofício. Dessa feita, independentemente da retroação das regras introduzidas pela Medida Provisória n.º 449/2008 nos termos do artigo 144, §1º, do CTN, fato é que, ao menos desde 1997, o ordenamento jurídico pátrio atribui à GFIP a natureza de confissão de dívida, afastando qualquer providência do Fisco para o lançamento dos débitos. Não por outro motivo que a própria RFB, por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n. 3, publicada em 25 de fevereiro de 2013, decidiu que, em se verificando compensações indevidas em GFIP, o débito decorrente já é exigível e não se deve lavrar auto de infração. Confirase abaixo sua ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Constitui a GFIP, a exemplo da DCTF, instrumento de confissão de dívida, podendose proceder à imediata inscrição do débito nela confessado em Dívida Ativa da União, em caso de não pagamento no prazo estipulado na legislação. Nos casos em que não houve informação de dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária em GFIP, ou seja, quando não se formalizou a constituição do crédito tributário por meio desta Fl. 226DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 9 15 declaração, mostrase necessária a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento, ressalvada a confissão do débito mediante Lançamento do Débito Confessado (LDC) ou parcelamento. A determinação de inscrição do débito confessado em GFIP em Dívida Ativa da União é mera conseqüência de reputarse o crédito constituído sem pendências de discussão. No caso de ser a compensação considerada indevida, pode a autoridade fiscal, por ocasião de auditoria interna dos valores nela informados, glosálos total ou parcialmente, sem prejuízo da manutenção dos débitos confessados. Aplicase à compensação de contribuições previdenciárias declaradas em GFIP o rito previsto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com esteio nas disposições do § 11 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que confere tal rito aos processos de restituição dessas contribuições. A aplicação do rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, ao contencioso decorrente de compensação indevida de contribuições previdenciárias em GFIP tem como marco temporal a data da publicação da MP nº 449 (3 de dezembro de 2008), posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Dispositivos Legais: Art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN); art. 5º do Decreto Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; arts. 32, 33, 37, 39, 89 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 225 e 242 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999; art. 26 da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; arts. 56 a 59 e arts. 77 a 80 IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; arts. 47, 456, 460 e 467 da IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009; art. 8º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; arts. 241 e 243 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012.” Ao se examinar o inteiro teor da Solução de Consulta Interna Cosit em questão, constatase que o caso apreciado é análogo ao presente, isto é, o contribuinte declarou seus débitos de contribuições previdenciárias em GFIP e, nesta mesma obrigação acessória, promoveu compensações tidas por indevidas. A Autoridade Fiscal que formulou a Consulta Interna à Cosit entendeu necessário esclarecer se, em referida situação, deve ou não ser aplicado o mesmo procedimento que é feito nos casos de compensação indevida informada em DCTF, qual seja, encaminhar o débito declarado para imediata cobrança e inscrição na dívida ativa da União. A Cosit, examinando o caso e a legislação aplicável, exarou o entendimento de que, ao se verificar compensações indevidas em GFIP, os débitos nela confessados podem ser cobrados de imediato não se devendo proceder ao seu lançamento de ofício. Trazemse à baila os trechos pertinentes: Fl. 227DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 10.1. Resta cristalino que a entrega da GFIP tanto formaliza o cumprimento de obrigação acessória, quanto comunica a existência de crédito tributário, enquadrandose perfeitamente nas prescrições dos §§ 1º e 2º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984 (transcritos acima). O descumprimento da obrigação de apresentála no prazo fixado ou sua apresentação com incorreções ou omissões enseja a aplicação de multa isolada: (...) 10.2. Desta feita, tratase de documento que registra a concordância ou qualquer outra manifestação do contribuinte quanto aos elementos necessários à constituição do crédito tributário, quais sejam, os fatos geradores de contribuição previdenciária, sua base de cálculo, alíquota, competência, identificação do sujeito passivo e outras ocorrências que podem afastar seu pagamento ou diminuirlhe o valor devido, dispensando o lançamento de ofício. 11. Reforçando esse entendimento, a Lei nº 8.212, de 1991, e a IN RFB nº 971, de 2009, determinam que, nos casos em que não houve informação de dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária em GFIP, ou seja, quando não se formalizou a constituição do crédito tributário por meio desta declaração, mostrase necessária a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento, ressalvada a confissão do débito mediante Lançamento do Débito Confessado (LDC) ou parcelamento: (...) 12. Em suma, quando a lei ordinária reconhece como constituído o crédito tributário pela informação, declaração ou confissão do montante devido, fruto de apuração pelo próprio sujeito passivo, nada mais faz que confirmar uma situação de fato, concedendo ao crédito o status de liquidez e certeza, sem prejuízo de eventual discordância por parte do Fisco. 12.1. Por este motivo, fica a Administração Tributária dispensada dos esforços administrativos de lançar o crédito, notificar o sujeito passivo e garantirlhe o contraditório, como determinam os arts. 142 e 149 do da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional –CTN), e o Decreto nº 70.235,de 1972. Caso não discorde do montante do débito confessado, cabe ao Fisco proceder à cobrança administrativa do crédito tributário até o montante do valor declarado e, se não liquidado, enviálo para inscrição em DAU.“ A posição da RFB, externada nos trechos acima transcritos, é bastante clara: não deve ser promovido lançamento de ofício pelos Agentes Fiscais da RFB quando se tratar de débitos já confessados em GFIP, a exemplo do que ocorre com a DCTF. Visto isso, cabe recordar que as Soluções de Consulta proferidas pela Cosit são vinculantes para toda a administração tributária federal, inclusive os agentes fiscais, e resguardam os contribuintes que as seguirem, independentemente de terem sido formuladas por terceiros. É o que dispõe o artigo 9º da Instrução Normativa RFB n. 1.396/2013, ipsis litteris: Fl. 228DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 10 17 “Art. 9ºA Solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da RFB, respaldam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser o consulente, desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento.” E nem poderia ser diferente, já que a função da Cosit (Coordenação Geral do Sistema de Tributação), como se verifica de seu próprio nome, é orientar todos os Agentes Fiscais da RFB acerca da correta aplicação da legislação tributária, bem como os contribuintes que a consultarem. Deveras, de acordo com Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n. 203/2012, cabe à Cosit estudar e analisar a legislação tributária, bem como propor as regulamentações necessárias. Confirase, in verbis: “Art. 82. À CoordenaçãoGeral de Tributação Cosit compete: (Redação dada pela Portaria MF nº 512, de 2 de outubro de 2013) I gerenciar a elaboração, o aperfeiçoamento, a regulamentação, a consolidação, a simplificação e a disseminação da legislação tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 512, de 2 de outubro de 2013) II gerenciar, em colaboração com a Suari, a elaboração, o aperfeiçoamento, a regulamentação, a consolidação, a simplificação e a disseminação da legislação aduaneira e correlata; (Redação dada pela Portaria MF nº 512, de 2 de outubro de 2013) III analisar projetos de emenda à Constituição, projetos de lei e medidas provisórias, em todas as fases do processo legislativo, bem como minutas de decretos e outros atos complementares de iniciativa de órgãos do Poder Executivo, sem prejuízo da realização de idênticas atividades pelas demais Subsecretarias no que diz respeito às matérias de suas competências; (Redação dada pela Portaria MF nº 512, de 2 de outubro de 2013) IV analisar as proposições e estudos de natureza tributária, aduaneira e correlata apresentados por entidades governamentais, sociais e empresariais, sem prejuízo da realização de idênticas atividades pelas demais Subsecretarias no que diz respeito às matérias de suas competências; e (Redação dada pela Portaria MF nº 512, de 2 de outubro de 2013)” Mais especificamente, compete ao CoordenadorGeral da Cosit, exatamente o servidor que assinou a Solução de Consulta Interna acima analisada, esclarecer as dúvidas quanto à legislação tributária. Vejase o quanto disposto no citado Regimento Interno da RFB, ipsis litteris: “Art. 293. Ao CoordenadorGeral da Cosit incumbe: Fl. 229DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 18 I propor medidas para a adequação e aperfeiçoamento do Sistema Tributário Nacional; II dirimir dúvidas quanto à interpretação da legislação tributária; III aprovar regimes especiais de tributação; e (Redação dada pela Portaria MF nº 512, de 2 de outubro de 2013) IV divulgar taxas de câmbio para fins tributários. (Redação dada pela Portaria MF nº 512, de 2 de outubro de 2013)” Resta claro, portanto, que a Cosit e seu CoordenadorGeral, ao exercerem as tarefas que lhes são atribuídas pelo Regimento Interno da RFB, estabelecem qual a correta e adequada interpretação da legislação tributária, a ser seguida por todas as Autoridades Fiscais da RFB e os contribuintes. Não por outra razão que referido artigo 9º da Instrução Normativa RFB n. 1.396/2013 estabelece o efeito vinculante das Soluções de Consulta proferidas pela Cosit. Em outras palavras, ao formularem as Soluções de Consulta, a Cosit e seu CoordenadorGeral não levam em conta apenas a situação concreta exposta pelos Consulentes, mas sim o efeito que o entendimento exarado terá sobre toda a atuação da RFB e o comportamento dos contribuintes. Inclusive, importa dizer que a Cosit é órgão composto por diversos servidores, os quais estão acostumados a lidar diariamente com a legislação tributária, sua interpretação, aplicação e os seus reflexos na arrecadação. Nesse órgão são decididas questões estratégicas do Fisco, com a participação da alta cúpula da RFB, inclusive seu Secretário. De fato, compulsandose o inteiro teor da Solução de Consulta Interna n.º 3/2013, de plano já se vê que são 4 os servidores envolvidos em sua formulação. É dizer, trata se de ato administrativo muito bem refletido e ponderado, no qual são levados em conta todos os aspectos envolvidos na questão posta à consulta. Assim, repitase, diferentemente da atividade jurisdicional administrativa exercida no âmbito do CARF e demais órgãos julgadores administrativos, na qual os julgadores avaliam um único caso concreto colocado nos autos, os servidores da Cosit emitem as Soluções de Consulta com vistas a toda uma gama de contribuintes que potencialmente serão afetados pelo seu teor. Realmente, a atividade do julgador, que grande parte das vezes redige sozinho o teor dos acórdãos (exceção nos casos de voto vencido e declarações de voto), é muito mais solitária do que aquela dos servidores da Cosit, que redigem as Soluções de Consulta a quatro ou mais mãos e ainda submetem seu teor à total revisão dos superiores hierárquicos, sem pressa quanto a prazos para conclusão de seus trabalhos. Tudo isso para dizer que, indubitavelmente, o teor do quanto decidido nas Soluções de Consulta Interna reflete o fiel e acabado entendimento da RFB sobre o tema, no qual foram avaliadas todas as repercussões e reflexos possíveis, sendo válido e vinculante para todos os seus servidores e para os contribuintes. Logo, ao examinar a legislação tributária e decidir que, uma vez confessados em GFIP, os débitos não podem ser objeto de lançamento de ofício, a Cosit e seu Coordenador Geral estão reconhecendo a ilegalidade de tal procedimento e determinando a todos os Agentes Fiscais que não mais o realizem. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 11 19 Aliás, não se trata de entendimento inovador, uma vez que, no que tange à DCTF, obrigação acessória de mesma natureza que a GFIP, isto é, que consiste em confissão de dívida e constitui o crédito tributário, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já firmou a seguinte posição: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1998 a 31/03/1999, 01/11/1999 a 30/06/2000 COMPENSAÇÃO. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO E, POR CONSEQUÊNCIA, DA MULTA DE OFÍCIO. Após a edição da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, o lançamento de ofício que versasse sobre débito de tributo informado em DCTF passou a restringirse à multa isolada, aplicável nas hipóteses relacionadas no caput do art. 18 daquele diploma legal. Sendo assim, tornouse incabível a realização de lançamento de ofício, formalizado em auto de infração, para constituição e cobrança de crédito tributário relativo a valores que estavam declarados anteriormente em DCTF e, da mesma forma, para exigência de multa de ofício. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso especial e, na parte conhecida, negarlhe provimento. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Valmar Fonseca de Menezes votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral o Dr. Edson Ferreira Rosa, OAB/GO nº 16.778, advogado do sujeito passivo. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto).” (Acórdão 9303 002.215, sessão de 13.03.2013) A ementa do julgado é de nitidez cristalina e prescinde de maiores explicações: não se admite lançamento de ofício de débitos já confessados em DCTF. A 2ª Turma do mesmo órgão também já se pronunciou nesse mesmo sentido, confirase: “NORMAS PROCESSUAIS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROCEDÊNCIA RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO Confirmada a contradição existente entre a ementa e os textos da fundamentação da conclusão do acórdão embargado, deve o Colegiado acolher os embargos, para retificar esse decisum, no sentido de adequálo à realidade dos autos. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 20 NORMAS PROCESSUAIS DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF, CONFESSADOS E PARCELADOS. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO FISCAL. O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União e posterior cobrança executiva. A constituição desses créditos por meio de lançamento fiscal representa ônus desnecessário para o sujeito passivo e para a administração, sendo completamente injustificável. Embargos acolhidos Recurso especial improvido. (Câmara Superior de Recursos Fiscais Segunda Turma Processo 10845.004844/9847, Recurso n. 201112827 Embargos de Declaração, sessão de 04 de julho de 2005, Acórdão CSRF/0201.967)” Já há, inclusive, Súmula do CARF nesse exato sentido, vejase, in verbis: “Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício.” (Súmula CARF n. 52) Resulta disso que, em verdade, a Cosit, homenageando a coerência que se espera do sistema jurídico, bem como aplicando a literalidade da lei que regula a matéria (lei esta que provavelmente deve ter sido elaborada por sugestão da própria Cosit), apenas reconheceu que à GFIP deve ser dado o mesmo tratamento jurídicotributário que é atribuído à DCTF, não cabendo realizar lançamento de ofício para débitos já constituídos e confessados nessas obrigações acessórias. De fato, essa coerência sistêmica é reforçada pela constatação de que o Poder Judiciário também já decidiu que, na hipótese de os débitos estarem confessados em DCTF e em GFIP, não cabe o lançamento de ofício. De fato, vale conferir a seguinte decisão da 1ª Seção do STJ, em recurso julgado sob a sistemática prevista no artigo 543C do CPC: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERIFICAÇÃO DE DIVERGÊNCIAS ENTRE VALORES DECLARADOS NA GFIP E VALORES RECOLHIDOS (PAGAMENTO A MENOR). TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA). DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO SUPLETIVO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR ATO DE FORMALIZAÇÃO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE (DECLARAÇÃO). RECUSA AO FORNECIMENTO DE CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND) OU DE CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA (CPEN). POSSIBILIDADE. 1.A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando a Fl. 232DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 12 21 Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 962.379∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 2. A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) foi definida pelo Decreto 2.803∕98 (revogado pelo Decreto 3.048∕99), consistindo em declaração que compreende os dados da empresa e dos trabalhadores, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido a título de FGTS. As informações prestadas na GFIP servem como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo INSS. 3. Portanto, a GFIP é um dos modos de constituição do créditos devidos à Seguridade Social, consoante se dessume da leitura do artigo 33, § 7º, da Lei 8.212∕91 (com a redação dada pela Lei 9.528∕97), segundo o qual "o crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte". 4. Deveras, a relação jurídica tributária inaugurase com a ocorrência do fato jurídico tributário, sendo certo que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a exigibilidade do crédito tributário se perfectibiliza com a mera declaração efetuada pelo contribuinte, não se condicionando a ato prévio de lançamento administrativo, razão pela qual, em caso de não pagamento ou pagamento parcial do tributo declarado, afigura se legítima a recusa de expedição da Certidão Negativa ou Positiva com Efeitos de Negativa (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1.123.557∕RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25.11.2009). 5. Doutrina abalizada preleciona que: " GFIP. Apresentada declaração sobre as contribuições previdenciárias devidas, resta formalizada a existência do crédito tributário, não tendo mais, o contribuinte inadimplente, direito à certidão negativa. Divergências de GFIP. Ocorre a chamada 'divergência de GFIP∕GPS' quando o montante pago através de GPS não corresponde ao montante declarado na GFIP. Valores declarados como devidos nas GFIPs e impagos ou pagos apenas parcialmente, ensejam a certificação da existência do débito quanto ao saldo. Há o que certificar. Efetivamente, remanescendo saldo devedor, consideraseo em aberto, impedindo a obtenção de certidão negativa de débito. Em tendo ocorrido compensação de valores retidos em notas fiscais, impende que o contribuinte faça constar tal informação da GFIP, que tem campo próprio para retenção sobre nota fiscal∕fatura. Não informando, o débito estará declarado e em Fl. 233DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 22 aberto, não ensejando a obtenção de certidão negativa." (Leandro Paulsen, in"Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência", Ed. Livraria do Advogado e Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul, 10ª ed., 2008, Porto Alegre, pág. 1.264). 6. In casu, restou assente, no Tribunal de origem, que: No caso dos autos, a negativa da autoridade coatora decorreu da existência de divergência de GFIP’s, o que, ao contrário do afirmado pela impetrante, caracteriza a existência de crédito tributário da Fazenda Pública, fator impeditivo à expedição da Certidão Negativa de Débitos. (...) Nessa esteira, depreendese que o crédito tributário derivado de documento declaratório prescinde de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte para que se considere constituído, uma vez que a declaração do sujeito passivo equivale ao lançamento, tornando o crédito tributário formalizado e imediatamente exigível. A Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP é documento fiscal declaratório, do qual devem constar todos os dados essenciais à identificação do valor do tributo relativo ao exercício competente. Assim, a GFIP é suficiente à constituição do crédito tributário e, na hipótese de ausência de pagamento do tributo declarado ou pagamento a menor, enseja a inscrição em dívida ativa, independentemente de prévia notificação ou instauração de procedimento administrativo fiscal. (...) Também não faz jus o apelado à Certidão Positiva de Débito com efeitos de Negativa prevista no artigo 206 do CTN, considerando que embora cabível nos casos em que há crédito tributário constituído e exigível, este deverá estar com a exigibilidade suspensa de acordo com qualquer das hipóteses elencadas nos artigos 151 e 155 do CTN, ou em cobrança executiva, devidamente garantido por penhora, o que não restou demonstrado no presente caso." 7.Conseqüentemente, revelase legítima a recusa da autoridade impetrada em expedir certidão negativa de débito (CND) ou de certidão positiva com efeitos de negativa (CPEN) quando a autoridade tributária verifica a ocorrência de pagamento a menor, em virtude da existência de divergências entre os valores declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) e os valores efetivamente recolhidos mediante guia de pagamento (GP) (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 1.179.233∕SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 03.11.2009, DJe 13.11.2009; AgRg no REsp 1.070.969∕SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 12.05.2009, DJe 25.05.2009; REsp 842.444∕PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 09.09.2008, DJe 07.10.2008; AgRg no Ag Fl. 234DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 13 23 937.706∕MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 06.03.2008, DJe 04.03.2009; e AgRg nos EAg 670.326∕PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki,Primeira Seção, julgado em 14.06.2006, DJ 01.08.2006). 8. Hipótese que não se identifica com a alegação de mero descumprimento da obrigação acessória de informar, mensalmente, ao INSS, dados relacionados aos fatos geradores da contribuição previdenciária (artigo 32, IV e § 10, da Lei 8.212∕91). 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” (REsp n. 1.143.094, 1ª Seção, julgado em 09/12/2009 – grifos nossos) A leitura da ementa acima transcrita revela a posição pacífica do STJ no sentido de que, estando os débitos constituídos em GFIP, não cabe à Fazenda Nacional nenhuma outra providência para cobrálo, devendo de imediato inscrever o débito em dívida ativa da União e propor a respectiva execução fiscal. Digase de passagem que, como se nota, o fundamento legal utilizado pelo STJ na decisão acima é o artigo 33, §7º, da Lei n. 8.212/91, vigente desde 11.12.1997, como já observado anteriormente. Deveras, tal Corte Judicial sumulou referido entendimento, conforme plasmado em sua Súmula n. 436, confirase: “A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco.” Observese que, ao ser julgado em conformidade com o artigo 543C do CPC, o seu resultado deve ser observado de forma obrigatória pelo CARF, nos termos do artigo 62A de seu Regimento Interno, a saber: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” É dizer, devem os Conselheiros deste CARF curvarse ao julgado do STJ e reconhecer a eficácia constitutiva da GFIP, com o que reputase indevido o lançamento de ofício de débitos já confessados pelo contribuinte. Com efeito, ao proferir a Solução de Consulta Interna n. 3/2013, a Cosit nada mais fez do que repisar o posicionamento do STJ, deixando claro a todas as Autoridades Fiscais da RFB que a GFIP constitui o crédito tributário, sendo descabido promover o lançamento de ofício. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 24 Nada mais prudente por parte da Cosit, já que a atividade de lançamento é vinculada (art. 142 do CTN), devendo ser exercida nos estritos limites da lei. E o STJ, guardião máximo da legislação infraconstitucional e uniformizador da jurisprudência a ela relativa, determinou, como visto, que a lei atribui à GFIP caráter de confissão de dívida e que não cabe outra providência ao Fisco. Nesse ponto, impende analisar, ainda que brevemente, o termo “dispensa”, que é utilizado tanto na decisão do STJ supratranscrita (“dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado”), na súmula acima (“dispensada qualquer outra providência por parte do fisco”), quanto na Solução de Consulta Interna n. 3/2013 (“Por este motivo, fica a Administração Tributária dispensada dos esforços administrativos de lançar o crédito, notificar o sujeito passivo e garantirlhe o contraditório”). De acordo com o Vocabulário Jurídico do Prof. De Plácido e Silva (27ª Ed., Forense, Rio de Janeiro, 2007, p. 480), o termo “dispensa” tem o seguinte significado: “Derivado de dispensar, do latim dispensare (distribuir), é tomado, modernamente, na acepção de isenção de encargo ou da prática de ato a que se estava obrigado (...)”. Extraise desta definição que, ao se dizer que alguém está “dispensado” de realizar algo, significa afirmar que esta pessoa estava obrigada a ter certa conduta e agora já não está mais. Ou seja, a pessoa desincumbiuse de uma obrigação. Ora, como se sabe, as Autoridades Fiscais estão obrigadas a realizar o lançamento tributário ao se depararem com a ocorrência de fatos geradores. O parágrafo único do artigo 142 do CTN, já transcrito alhures, é expresso nesse sentido. Isto é, a atividade de lançamento é vinculada (deve ser feita nos termos da lei) e obrigatória (não há opção por parte das Autoridades Fiscais), sob pena de responsabilidade funcional. E mais: é princípio básico de Direito Público, seara na qual se insere o Direito Tributário, que à Administração Pública apenas é dado fazer aquilo que a lei determina seja feito. Vale conferir os ensinamentos do mestre Celso Antônio Bandeira de Mello (Cf. Curso de Direito Administrativo, 17ª Ed., Malheiros, São Paulo, 2004, p. 95), in verbis: “O princípio da legalidade, no Brasil, significa que a Administração nada pode fazer senão o que a lei determina”. Em outras palavras, as Autoridades Fiscais devem realizar o lançamento quando a lei assim o determinar. Havendo comando legal determinando que haja a prática do lançamento, é obrigatório que as Autoridades Fiscais o façam. De outro lado, se não houver lei que determine a realização do lançamento, este NÃO pode ser feito. Em suma, não existe discricionariedade na atividade de lançamento; não podem as Autoridades Fiscais “optar ou não por lançar”. Ou bem há obrigação de lançar por parte do Fisco, ou esta conduta está proibida, sob pena de violação do princípio da legalidade, que pauta toda a atividade administrativa. Transplantando todas estas considerações ao presente caso, ao se verificar que, pelo atual arcabouço normativo tributário, tanto o STJ quanto a Cosit ao afirmarem que as Autoridades Fiscais estão “dispensadas” de realizar o lançamento de ofício quando há declaração dos débitos em GFIP, chegase à conclusão de que inexiste comando legal para que o lançamento de ofício seja feito em tal hipótese. Caso o seja, temse clara hipótese de nulidade do lançamento, uma vez que ausente o suporte legal. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 14 25 Dito de outra forma, só existem duas possibilidades: ou o lançamento de ofício é obrigatório, mesmo já existindo a declaração em GFIP; ou o lançamento de ofício é proibido ao já haver declaração em GFIP. Parece claro que esta última alternativa é aquela eleita pelo legislador tributário. Em que pese este julgador já ter claro para si que os autos de infração em análise não merecem prosperar, já que feitos na contramão da legislação tributária e sem qualquer comando legal que determinasse sua realização, cabe ponderar mais uma razão pela qual não devem prevalecer. Tratase do princípio da eficiência da Administração Pública, estampado no artigo 37 da CF, ipsis litteris: “Art. 37.A Administração Pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...)” Ensina o Prof. Hely Lopes acerca do princípio da eficiência da administração o seguinte, in verbis: “O princípio da eficiência exige que a atividade administrativa seja exercida com presteza, perfeição e rendimento funcional. É o mais moderno princípio da função administrativa, que já não contenta em ser desempenhada apenas com legalidade, exigindo resultados positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros. (...) A eficiência funcional é, pois, considerada em sentido amplo, abrangendo não só a produtividade do exequente do cargo ou da função como a perfeição do trabalho e sua adequação técnica aos fins visados pela Administração, para o quê se avaliam os resultados, confrontamse os desempenhos e se aperfeiçoa o pessoal através de seleção e treinamento. Assim, a verificação da eficiência atinge os aspectos quantitativo e qualitativo do serviço, para aquilatar do seu rendimento efetivo, do seu custo operacional e da sua real utilidade para os administrados e para a Administração. Tal controle desenvolvese, portanto, na triplica linha administrativa, econômica e técnica.”7 Depreendese desta lição que a atividade administrativa deve ser exercida da forma mais ágil e menos custosa possível, visando o bem da sociedade. Oportuno, outrossim, trazer a lição de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López sobre o assunto, nos seguintes termos, ipsis litteris: Diante de tais observações, é possível se inferir a ligação entre o princípio da eficiência e o princípio da economia processual, eis que este último ‘preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais’. (...) Portanto, se a exigência puder ser efetuada por 7 Direito Administrativo Brasileiro. 25ª ed. atual., São Paulo: Malheiros, 2000, p. 99. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 26 mais de um meio processual, a Administração deve optar pelo menos oneroso. A eficiência surge como parâmetro objetivo de medição da finalidade pública no exercício da atividade administrativa”. Inferese desse excerto doutrinário que o princípio da eficiência da Administração Pública ligase ao princípio da economia processual, pelo qual a administração deve pautar sua atuação em processos administrativos e judiciais pela forma que for mais rápida e simples. Ou seja, na exigência de créditos tributários, o Fisco deve atuar da forma mais ágil, simples e barata possível. Decorre daí que a Solução de Consulta Interna n. 3/2013, ao esclarecer que os débitos já confessados em GFIP não devem ser lançados de ofício, presta clara homenagem ao princípio da eficiência da Administração Pública, uma vez que poupa o Fisco de dispender importantes recursos financeiros e humanos na realização de lançamentos de ofício, permitindo que os débitos sejam encaminhados direto da GFIP para cobrança. Inclusive, a aplicação do entendimento exarado na Solução de Consulta Interna n. 3/2013 traz ainda maior eficiência da Administração Pública quando se tem em mente o já aludido posicionamento do STJ sobre o assunto. Ora, a manutenção de lançamentos de ofício de débitos já declarados em GFIP, ou mesmo a lavratura de novos lançamentos dessa estirpe, implicará o ajuizamento de execuções fiscais, as quais têm longo curso no Poder Judiciário e demandam recursos públicos para o seu patrocínio (inclusive a própria movimentação dos órgãos judiciários), sendo que, em virtude do referido entendimento do STJ, estarão fadadas ao insucesso, gerando a obrigação de o Erário ainda pagar a sucumbência ao sujeito passivo. É dizer, a manutenção de autos de infração como os que são objeto do presente caso atenta contra o princípio da eficiência e, por que não, o próprio interesse público, já que apenas trará custos desnecessários ao Tesouro. O cancelamento do lançamento, portanto, além de medida de direito, é benéfico ao Erário e traz eficiência à Administração Pública. E mais: a manutenção de autos de infração cuja lavratura não é mais permitida aos Agentes Fiscais e que estão fadados ao cancelamento no Poder Judiciário afronta o princípio da Moralidade, também orientador da Administração Pública, conforme o já citado artigo 37 da CF. De acordo com este princípio, novamente nas palavras de Celso Antônio Bandeira de Mello, “a Administração e seus agentes têm de atuar na conformidade de princípios éticos. Violálos implicará violar o próprio Direito, configurando ilicitude que assujeita a conduta viciada a invalidação, porquanto tal princípio assumiu foros de pauta jurídica, na conformidade do art. 37 da Constituição. Compreendemse em seu âmbito, como é evidente, os chamados princípios da lealdade e boafé, tão oportunamente encarecidos pelo mestre espanhol Jesús Gonzáles Peres em monografia preciosa. Segundo os cânones da lealdade e da boafé, a Administração haverá de proceder em relação aos administrados com sinceridade e lhaneza, sendolhe interdito qualquer comportamento astucioso, eivado de malícia, produzido de maneira a confundir, dificultar ou minimizar o exercício de direitos por parte dos cidadãos.”. (MELLO, Celso Antônio Bandeira de, Curso de direito administrativo. 17ª. ed. rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2004, pág. 109) Temse assim que a Administração Pública deve agir com lealdade, transparência e boafé com os administrados, evitando quaisquer sinais de conduta maliciosa ou Fl. 238DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 15 27 malandra. Ou seja, deve a Administração Pública absterse de práticas que afrontem o senso moral comum do cidadão. Ora, se o próprio Fisco já reconheceu que não cabe a lavratura de auto de infração quando os débitos já estão confessados em GFIP, de tal modo que os Agentes Fiscais não mais devem lavrálos; e se o Poder Judiciário já formou jurisprudência pacífica, de observância obrigatória pelo CARF, no sentido que estes lançamentos de ofício são inócuos; então é atentatório à moral e à boafé que os autos de infração sejam mantidos hígidos. Há de se questionar: é correto, justo e sensato que autos de infração que já não podem mais ser lavrados e que estão destinados ao cancelamento pelo Poder Judiciário sejam mantidos no âmbito do CARF? A resposta moral é que não. E a resposta jurídica já foi amplamente demonstrada nas linhas anteriores. Em sendo assim, afigurase de direito o cancelamento dos autos de infração, não apenas pela ausência de supedâneo legal, mas também pela afronta aos princípios da Eficiência da Administração Pública e da Moralidade. Nesse particular, e por fim, cumpre deixar claro que a Fazenda Nacional poderá, por óbvio, se valer da GFIP e realizar a cobrança dos débitos cujo lançamento de ofício ora se propõe cancelar. Isto porque, como dito à exaustão, a GFIP é instrumento de confissão de dívida e suficiente à cobrança dos débitos nela informados. De fato, examinandose o documento em que se consubstancia a GFIP, constatase que tanto o valor do débito apurado, como as compensações realizadas e o valor devido ao final, estão perfeitamente identificados. Para que fique claro, trazse abaixo uma imagem exemplificativa de GFIP: Mirandose essa tela da GFIP, queda claro que é informado ao Fisco o montante do débito apurado antes e após as eventuais compensações. Destarte, em caso de glosa de compensações, basta enviar para cobrança os valores consignados na coluna “total” antes da linha de “recolhimento comp ant – valor inss”. Isto é, na GFIP consta o valor do débito de contribuições previdenciárias antes e após as compensações, de modo que, da mesma forma que é indevido o lançamento de ofício para exigir a diferença atinente às compensações glosadas (o débito sem as compensações já está informado), pode o Fisco proceder à sua imediata cobrança após constatada a improcedência das compensações. Importante deixar claro que o fato do Fisco poder proceder à imediata cobrança dos débitos declarados em GFIP na hipótese de compensação indevida, sendo vedado Fl. 239DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 28 o lançamento de ofício, não significa dizer que não se deve dar oportunidade ao contribuinte de insurgirse contra a exigência, com a instauração do devido processo administrativo fiscal. Muito ao contrário, é de rigor que se permita ao contribuinte apresentar manifestação de inconformidade contra o despacho que realizar a cobrança dos débitos declarados em GFIP e indevidamente compensados, no rito previsto no Decreto n.º 70.235/72. Deveras, determina o §11 do art. 89 da Lei n.º 8.212/91 que à restituição e compensação de contribuições previdenciárias aplicase o rito do Decreto n.º 70.235/72, confirase: “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e salário maternidade o rito do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972.” E a retrocitada Solução de Consulta Interna Cosit n. 3 deixa isto bem claro, in verbis: “17.No caso de insurgência do sujeito passivo contra a decisão de considerar a compensação indevida, seguese o rito processual previsto no Decreto n 70.235, de 1972, com esteio nas disposições expressas do já reproduzido § 11 do art. 89 da Lei n 8.212, de 1991, que confere tal rito à restituição das contribuições de que se trata. 17.1. Ora, não faria sentido dispensar tratamento diverso ao contencioso decorrente de compensação em GFIP considerada indevida, tendo em vista que esta modalidade de extinção do crédito tributário está condicionada à existência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública que seja passível de restituição ou de reembolso, nos termos do caput do art.56 da IN RFB nº 1.300, de 2012 (cuja transcrição abaixo se repete), devendo ser submetida a rito específico. Tal inferência poderia ser extraída mesmo de uma interpretação lógica do caput do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991.” Em outras palavras, se o contribuinte declara compensação em GFIP tida por indevida pelo Fisco, descabido é o lançamento de ofício, devendo o contribuinte ser intimado da exigência dos débitos incorretamente compensados. Se desejar, poderá o contribuinte apresentar manifestação de inconformidade, instaurando o litígio administrativo no rito do Decreto n. 70.235/72, consoante o art. 89, §11, da Lei n.º 8.212/91, e de acordo com a orientação vinculante da Cosit, acima transcrita. À guisa de conclusão, e resumindo o quanto já exposto, entendese pela improcedência do lançamento em tela pelos seguintes motivos: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 16 29 a) As normas jurídicas legais e infralegais, já vigentes à época da lavratura dos autos de infração, são claras ao determinar que a GFIP representa confissão de dívida e instrumento suficiente à exigência do crédito tributário; b) As normas jurídicas trazidas pela Medida Provisória n. 449/2008, as quais reforçaram ainda mais o caráter constitutivo da GFIP e a impossibilidade de se realizar o lançamento de ofício quanto aos débitos lá informados; c) Citadas normas veiculadas pela Medida Provisória n. 449/2008 são procedimentais e, portanto, aplicamse de imediato, inclusive quanto a fatos geradores passados, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN, conforme reconhecido pelo STJ e pela CSRF; d) Independentemente da retroação das normas da Medida Provisória n. 449/2008, desde 1997 havia regras jurídicas que davam à GFIP o condão de constituir o crédito tributário e de ser instrumento bastante para sua exigência, afastando o lançamento de ofício; e) A Cosit, órgão responsável pela interpretação da legislação tributária no âmbito da RFB, proferiu a Solução de Consulta Interna n. 3/2013, na qual se manifesta no sentido de que, no caso de glosa de compensações relativas a débitos confessados em GFIP, as Autoridades Fiscais estão proibidas de lavrar auto de infração e os valores devem ser enviados de imediato para cobrança mediante a inscrição em dívida ativa da União dos montantes não recolhidos; f) As Soluções de Consulta proferidas pela Cosit são vinculantes para toda a administração tributária e representam o entendimento da RFB sobre o assunto, já tendo sido ponderados todos os aspectos jurídicos e práticos do assunto. Inclusive, este órgão é formado por diversos servidores e é responsável por questões estratégicas da RFB, contando com membros da alta cúpula do Fisco; g) O STJ, por meio de sua primeira Seção e em caso julgado pelo rito do artigo 543C do CPC, já pacificou o entendimento de que a GFIP constitui o crédito tributário, ficando proibidas as Autoridades Fiscais de procederem ao lançamento de ofício dos débitos declarados em mencionada obrigação acessória; h) Os casos julgados no STJ pelo rito do artigo 543C do CPC são de observância obrigatória no âmbito do CARF; i) O cancelamento do lançamento de ofício lavrado sem lei que o sustente atende ao princípio da eficiência da Administração Pública, pois evita gastos desnecessários do Poder Público com a realização e manutenção de lançamentos fadados ao insucesso no Poder Judiciário, bem como ao princípio da Moralidade da Administração Pública, já que seria destituída de lealdade e boafé a conduta de manter autuações que os Agentes Fiscais já não podem mais lavrar e que serão anuladas no Poder Judiciário; e j) A GFIP informa ao Fisco o montante do débito apurado originalmente, o valor das compensações e o valor final do débito a pagar. Com isso, assim como é indevido o lançamento de ofício em virtude da glosa de compensações, o Fisco pode proceder à imediata cobrança dos débitos confessados em GFIP e cujo lançamento de ofício se cancela. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 30 l) No caso de compensação indevida em GFIP, deverá o contribuinte ser intimado da exigência dos débitos declarados e incorretamente compensados, podendo apresentar manifestação de inconformidade, de acordo com o rito do Decreto n. 70.235/72. Diante disso, dou integral provimento ao recurso voluntário, para cancelar os autos de infração. DO PRAZO PRESCRICIONAL Acaso ultrapassada a preliminar acima, adentro ao mérito da questão. Tendo em vista o que foi levantado no Relatório Fiscal, os pagamentos indevidos realizados durante o período de 02/98 a 05/03 encontramse extintos, tendo em vista o prazo prescricional. No que tange ao período restante, transcrevo os artigos do Código Tributário que regem o assunto: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no §4º do art. 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II – erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado: I – nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário; II – na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar de recorrente discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados, julgou o Supremo Tribunal Federal – STF, no dia 11 de outubro de 2011, o Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, que trata da inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei complementar nº 118, de 2005, mas instituiu que a nova lei poderia ser aplicada para as ações aplicadas para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 17 31 Quanto ao advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos art. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 12 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomasse ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Como a decisão acima foi tomada na sistemática do art. 543B, §3º, do CPC, os julgamentos do CARF devem adotar esse entendimento, por determinação do art. 62A do Fl. 243DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 32 Regimento Interno do CARF. Outrossim, além de o provimento judicial determinar a manutenção da “teoria do 5+5” para ações ajuizadas antes de 9 de junho de 2005, que não é o caso destes autos, a súmula nº 91 deste conselho diz que: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Logo, uma vez que os pagamentos indevidos se deram em 02/98 a 05/03 e o pedido se deu entre 06/08 e 12/09, posterior a 09/06/05, temse por prescrito o direito de o recorrente pleitear a compensação destes valores, já que resta provada apenas parte dos valores , e não há contraprova do contrário, há de ser mantida a autuação pelos seus fundamentos. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do Recurso Voluntário para declarar a nulidade do auto de infração, nos termos do voto. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 18 33 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Redator Designado A tese apresentada pelo relator, à qual me oponho, é a da nulidade do lançamento em decorrência da impossibilidade/proibição de se proceder ao lançamento de ofício acerca de valores declarados em GFIP. Inicio minha divergência apoiado em jurisprudência que estabelece que a declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não foi verificado. REsp 1440298 / RS RECURSO ESPECIAL2014/00502676 Data do Julgamento 07/10/2014 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE DE ANÁLISE, NA VIA ESPECIAL, POR ESTA CORTE. INDEFERIMENTO DE PROVA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO MAGISTRADO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. PIS. COFINS. DESONERAÇÃO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. SÚMULA 284/STF. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE, EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA, NO CASO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO, POR SUJEITO INTEGRANTE DA CADEIA ECONÔMICA, QUE NÃO ESTÁ SUBMETIDO AO PAGAMENTO NÃO CUMULATIVO DO PIS E DA COFINS, NOS TERMOS DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. PRECEDENTES. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO NÃO RESTRITA AO REPORTO. PRECEDENTES. INCOMPATIBILIDADE ENTRE A APURAÇÃO DE CRÉDITO E A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRECEDENTES DO STJ. ... III. O STJ consolidou o entendimento no sentido de que a declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não ocorreu, na hipótese, em observância ao princípio pas de nullité sans grief. Precedentes: STJ, AgRg no REsp 1.294.465/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 26/08/2014; AgRg no REsp 1.434.880/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de Fl. 245DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 34 06/08/2014; EREsp 1.121.718/SP, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, CORTE ESPECIAL, DJe de 01/08/2012. Outro ponto de divergência é quanto à tese da impossibilidade/proibição de se proceder ao lançamento de ofício acerca de valores declarados em GFIP. Entendo aqui presente, por parte do relator, uma inversão de valores. Entendo que cabe ao fisco cobrar os valores devidos pelos contribuintes e responsáveis. Proibir o fisco de cumprir tal missão é a inversão de valores à qual me referi acima. Concordo com o entendimento esposado pelo relator de que a GFIP representa confissão de dívida e instrumento suficiente à exigência do crédito tributário. Ocorre que existe a possibilidade material de, por algum evento, o fisco não dispor das declarações entregues ou dispor das declarações com alguma incorreção (exemplos: incêndio nos computadores que acabaram de receber as declarações; algum problema relacionado ao processamento das declarações). Entendo em harmonia com o acima apresentado as decisões e a súmula do STJ. Súmula 436: "A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providencia por parte do Fisco". Os termos utilizados na súmula e nas decisões são “dispensada qualquer providência”, “desnecessidade de lançamento de ofício”, isto é, a proibição ao lançamento de ofício não está presente. Entendo que no caso presente o que se está cobrando é o devido tributo, em benefício da sociedade e sem prejuízo a qualquer parte. Concluo divergindo, pelas razões acima expostas, tanto da nulidade quanto da proibição ao lançamento de ofício. Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13888.904185/2009-83
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO.
Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1802-002.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO. Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13888.904185/2009-83
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5426612
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1802-002.472
nome_arquivo_s : Decisao_13888904185200983.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 13888904185200983_5426612.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
id : 5812859
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476707000320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 336 1 335 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.904185/200983 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802002.472 – 2ª Turma Especial Sessão de 05 de fevereiro de 2015 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente C P A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RADIOLÓGICOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO. Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 41 85 /2 00 9- 83 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 337 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1430.288, às fls. 86 a 89: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 77/82, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de PIS/PASEP (código de receita: 8109), Cofins (código de receita: 2172), CSLL (código de receita: 5987) e IRRF (código de receita: 1708) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2089). Por intermédio do despacho decisório de fl. 73, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/Dcomp de n° 00677.03068.221205.1.3.049879, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/72, na qual alega, em síntese, que certamente havia o crédito a ser compensado, conforme informado na PER/Dcomp supra, porém, o despacho decisório não homologou a compensação declarada por erro de fato na DCTF do 2° trimestre de 2002. A par disso, a contribuinte encaminha em anexo a respectiva DCTF retificadora, relativa ao 2° trimestre de 2002, DIPJ/2003 e compensações com o DARF em epígrafe, para requerer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 338 3 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 24/09/2010 (sextafeira), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 25/10/2010, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o crédito utilizado na compensação é referente a pagamento indevido/a maior realizado pela Recorrente por meio de guia DARF, recolhida no código 2089, haja Vista apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo; PRELIMINARMENTE DA COMPROVAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE RADIOLOGIA PELA RECORRENTE de início, cumpre expor que a Recorrente é sociedade empresária limitada, fornada da reunião de profissionais da medicina, todos inscritos no CRM/SP, tendo por objeto a “prestação de serviços radiológicos em geral” enquadrados na “ATRIBUIÇÃO 4: PRESTAÇÃO DE ATENDIMENTO DE APOIO AO DIAGNÓSTICO E TERAPIA” da Resolução RDC 50/2002 da ANVISA, prestação que depende de qualificação pessoal e maquinário especializado e de alto custo para seu desenvolvimento, envolvendo maquinário tecnológico e específico para consecução de seu objeto social; em síntese, a Recorrente presta os seguintes serviços, com discriminação arrolada nos documentos anexos, extraídos do site da empresa (www.cparadiologia.combr): 1) Radiologia Digital; 2) UltraSonografia — 3D; 3) Doppler Color; 4) Mamografia Digital; 5) Densitometria Óssea; 6) Tomografia Computadorizada Multi Slice. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 339 4 atualmente, exerce as atividades em seus estabelecimentos localizados na cidade de Piracicaba/SP, sendo a matriz inscrita no CNPJ nº 55.361.117/000192, com endereço na Avenida Independência, nº 940, 12° andar, e sua filial, inscrita no CNPJ n° 55.361.117/000435, localizada no Hospital — Clínica Amalfi, na Rua Saldanha Marinho, n° 817; conforme documentos anexos, o estabelecimento matriz possui inscrição perante a Receita Federal do Brasil sob o CNAE principal 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia” e CNAE'S secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, bem como licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária nesta atividade econômica; no mesmo sentido, sua filial encontrase devidamente inscrita junto à Receita Federal sob o CNAE principal n° 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante — exceto tomografia” e CNAE's secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, e licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária, com atividade econômica — CNAE n° 86305/02 — “atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares”; consoante anteriormente explicitado, o exercício do objeto social da Recorrente requer maquinário de alto custo, tecnologia e de uso específico que deve ser renovado e atualizado periodicamente, que fazem parte de seu ativo imobilizado, conforme se comprova com a relação de bens da empresa, relativa ao patrimônio adquirido no transcorrer de suas atividades no período de apuração de 01/1999 a 12/2003, que engloba a competência discutida nos presentes autos; ainda, corroborando tal assertiva, demonstrase que a Recorrente detém todas as licenças emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária para utilização do maquinário supramencionado, conforme documentos anexos; não obstante, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; desta feita, transparente por toda documentação anexa, bem como a já existente nos arquivos da Receita Federal e em toda sua contabilização, que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos em geral, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas, o que se demonstrará relevante pelos argumentos que seguem adiante; DO DIREITO IMPOSTO DE RENDA — LUCRO PRESUMIDO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES — APLICAÇÃO OBJETIVA DO BENEFICIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI 9.249/95 — 1) IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 — 2) ILEGALIDADE DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 RECONHECIDA PELA 1ª SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO RESP N° 951.251/PR E RATIFICADA NO RESP 1.116.399/BA, REPRESENTATIVO DA Fl. 339DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 340 5 CONTROVÉRSIA E SOB O REGIME VINCULATIVO DO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL pela execução de serviços de Radiologia, ainda que não prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas sim em clínica especializada para tanto, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, a Recorrente exerce atribuição que a princípio é de competência do Poder Público, que por não cumprila eficazmente, concede benefícios tributários ao particular para sua satisfação perante a sociedade; este é o caso do beneficio fiscal trazido pela Lei 9.249 em seu artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a”, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, que de forma objetiva aliviou a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; prestadora de serviços hospitalares desde sua instituição, a Recorrente sempre fez jus ao beneficio conferido legalmente, entretanto, de forma equivocada apurou a base de cálculo do lucro presumido utilizandose da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) em diversos períodos de apuração, inclusive na competência objeto destes autos, ocasionando num recolhimento a maior do IRPJ que por conseqüência enseja em direito a ser ressarcida do indébito; como de praxe, a Receita Federal editou diversas normas objetivando regulamentar a quem se destinaria o benefício concedido, mas na realidade legislou ao seu bel prazer, com a imposição de diversas restrições de intuito meramente arrecadatório; desde a edição da Lei 9.249/95, até o inicio de 2003, não existiu qualquer regulamentação da Receita Federal acerca do tema, o que veio a ocorrer em março do citado ano, com a publicação da IN 306/2003; nessa primeira regulamentação, não houve nenhuma referência à internação de pacientes como condição para fazer jus ao benefício. Nos termos da lei, a IN 306/2003 limitouse a focar a análise do benefício a partir, primordialmente, da natureza dos serviços prestados, e não das características dos contribuintes que os realizam; todavia, em 15 de dezembro de 2004, foi editada a IN 480, que revogou a norma precedente, passando a exigirse, para a configuração da prestação de um “serviço hospitalar”, que o contribuinte tivesse, ao menos, cinco leitos para a internação de pacientes. Na realidade, a IN 480/2004, a pretexto de regulamentála, deixou em segundo plano as atividades a serem realizadas e preocupouse em estabelecer condições a serem preenchidas pelos contribuintes; posteriormente, em 25 de abril de 2005, foi editada a IN 539/2005, atualmente em vigor, a qual fez uma mescla entre as regulamentações previstas nas IN's 306/2003 e 480/2004. Quanto aos serviços a serem executados, foram expandidos, abarcando uma gama de atividades, a teor do que constava da IN 306. Entretanto, exigiuse que a realização dessas atividades fosse feita por contribuinte que possuísse estrutura física capaz de internar pacientes; Fl. 340DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 341 6 por primeiro, cumpre asseverar acerca da inaplicabilidade das referidas instruções normativas, por vedação expressa do artigo 150, inciso III, “a”, da Constituição Federal, haja vista que a competência do recolhimento indevido é anterior à edição destas normas. a irretroatividade das normas tributárias apresentase como instrumento de concretização do principio da segurança jurídica, garantindo ao contribuinte em face do arbítrio estatal o conhecimento prévio da carga tributária a que estará sujeito; no sentido da irretroatividade de instrução normativa restringindo direito dos contribuintes, colacionase julgados do Conselho de Contribuintes (ementas transcritas no recurso); afora a violação da Carta Maior em eventual aplicação pretérita das Instruções Normativas 480/04 e 539/05 ao caso da Recorrente, ainda que aplicáveis, verificase a impossibilidade das imposições restritivas em desacordo com o contido na Lei 9.249/95; isto porque é de fácil visualização que o disposto no artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, veio de forma objetiva aliviar a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; o Poder Legislativo, no exercício de sua competência e autonomia, decidiu manter o beneficio destinado aos “serviços hospitalares” e não especificamente aos “hospitais”, senão assim o faria, como sempre pretendeu a Receita Federal; é obvio que a intenção era prestigiar de forma objetiva os serviços destinados à saúde e não o contribuinte e suas especificações quanto a custos, estrutura física para internação e dimensionamento, conforme restrições contidas nas IN's 480/04 e 539/05; o objetivo da lei sempre foi fornecer aos necessitados de prestação de serviços médicos, o livre arbítrio de buscar seu atendimento necessário seja em hospitais e/ou clínicas especializadas para tanto; se houvesse diferença de tributação entre hospitais e clinicas/consultórios especializadas, no exercício de atividade idêntica, notoriamente os hospitais ficariam ainda mais abarrotados, pois diante de um menor custo pela carga tributária reduzida, teriam condições mais chamativas com preços menores, afora a violação do princípio constitucional da isonomia e não obstante a concorrência desleal em face de outros estabelecimentos prestadores dos serviços; a jurisprudência administrativa deste Conselho já solidificou entendimento acerca do tema (ementas transcritas); ao decidir o Resp 951251/PR, a 1ª Seção do STJ pacificou o tema, no sentido da aplicação objetiva do beneficio da Lei 9.249/95, ou seja, para todos os prestadores de serviços destinados à saúde, não incluídas apenas as simples consultas, declarando ainda a ilegalidade das Instruções Normativas de n° 480/04 e 539/05; Fl. 341DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 342 7 para efeito vinculativo, a questão foi levada novamente à análise do C. STJ, que nomeou o Recurso Especial n° 1.116.339/BA como representativo da controvérsia, e o julgou sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ, que ratificou o posicionamento adotado no Resp 951.251/PR, vinculando todos os demais processos acerca da matéria; verificase perfeitamente que diante do enquadramento da Recorrente, impõese a apuração da base de cálculo para o lucro presumido com a alíquota de 8% (oito por cento), nos termos do artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, sendo que os valores excedentes recolhidos a título do IRPJ sob a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) devem ser ressarcidos na forma pleiteada, devidamente atualizados desde o indevido desembolso, ensejando na homologação da compensação realizada em sua integralidade; DA COMPROVAÇÃO DO CARÁTER EMPRESARIAL DA RECORRENTE de plano, verificase a caracterização de sociedade empresária da Recorrente, que exerce atividades de profissionais empresários, organizada e para prestação de serviços radiológicos, com fins lucrativos, constituída sob o regime de Sociedade Limitada, consoante artigo 1.052 do Código Civil; conforme se extrai do próprio contrato social da Recorrente, a empresa não se. figura como uma simples reunião de profissionais da medicina para prestação de serviços de caráter pessoal, pois detém capital social integralizado no importe de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), filiais para consecução de suas atividades, divisão de prólabore para os sócios, não obstante a existência de ativo imobilizado de alto custo para o exercício de sua atividade; a contabilização da Recorrente é toda apurada como sociedade empresarial, sendo que todos os serviços prestados são realizados em nome da pessoa jurídica, que responde com seu patrimônio integral por eventual perdas e danos em face dos clientes. Inexiste prestação de serviços pessoais por conta dos sócios, somente pela empresa, sendo óbvio que por intermédio de pessoas naturais; o fato de que a prestação de serviços realizada pela Recorrente se perfaz por intermédio de profissionais da medicina não afasta seu caráter empresarial, nos termos do parágrafo único do artigo 966 do Código Civil; no caso em exame, o exercício da medicina, especificamente na prestação de serviços radiológicos, constitui elemento essencial da empresa ora Recorrente, pois confundese com seu próprio objeto social, sendo pressuposto de sua existência; não obstante, conforme já arrolado na comprovação dos serviços prestados pela Recorrente, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para a consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO DA RECORRENTE QUANTO À COMPENSAÇÃO REALIZADA Fl. 342DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 343 8 o recolhimento do DARF mencionado fora reconhecido no próprio despacho decisório da Receita Federal, e sequer levado à dúvida no teor da decisão recorrida, portanto insuscetível de discussão, ou seja, a prova do recolhimento sempre foi de ciência tanto do Contribuinte quanto da Receita Federal, restando somente a análise quanto a ser pagamento indevido/a maior ou não; quanto ao ponto relativo a existir pagamento indevido ou a maior, a Recorrente sempre deteve direito líquido e certo, haja vista que fazia jus ao benefício concedido objetivamente pela Lei 9.249/95, cabendolhe compensar na forma da legislação em vigor os valores recolhidos em apuração da base de cálculo do IRPJ, no lucro presumido, sob a alíquota de 32%, conforme corretamente procedeu; DOS PEDIDOS de todo o exposto, requer deste Conselho a total procedência do presente recurso voluntário para: 1) que seja reformada a decisão recorrida, com o conseqüente reconhecimento do crédito em exame, haja vista o enquadramento da Recorrente no artigo 15, §1º, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que concede beneficio fiscal de caráter objetivo em virtude da prestação de serviços hospitalares, nos quais se enquadram os serviços de radiologia prestados, procedendose com a homologação integral da compensação realizada, diante de toda documentação anexa e nos termos amplamente fundamentados; 2) caso se entenda necessário, que seja determinada a conversão do julgamento em diligência nos estabelecimentos da Recorrente, para que sejam corroboradas todas as assertivas constantes desta peça recursal; RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXOS 1. Cópia autenticada do contrato social da empresa; 2. Cópia da DIPJ e DCTF retificadoras; . 3. Discriminação dos serviços prestados pela Recorrente extraída do site da empresa (www.cparadiologia.com.br); 4. Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral da Recorrente (matriz e filial) perante a Receita Federal do Brasil, com os devidos CNAE's principal e secundários; 5. Cópia das licenças de funcionamento emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde Vigilância Sanitária, com os respectivos CNAE's; 6. Relação de bens do ativo imobilizado da Recorrente, adquiridos no período de 01/1999 a 12/2003; 7. Licenças de utilização dos mencionados bens; 8. Cópias do livro razão e planilha de insumos utilizados na competência de 01/1999 a 12/2003, para consecução das atividades da Recorrente, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como Mão de Obra de Terceiros; Fl. 343DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 344 9 9. Cópia do despacho decisório da RFB em Piracicaba; 10. Cópia da decisão recorrida. Na sessão realizada em 06/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.398 (fls. 267 a 284), solicitando realização de diligência à DRF Piracicaba/SP, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 313 a 326, e com a manifestação da Contribuinte às fls. 330 a 332. Este é o Relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 345 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 22/12/2005 (fls. 79 a 84), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente ao IRPJ/Lucro Presumido do 2º trimestre de 2002. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 31/07/2002 e possui o valor total de R$ 36.291,36. A compensação abrange débitos de PIS, COFINS, CSRF e IRRF, no montante de R$ 686,84 (principal mais acréscimos). A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 36.291,36 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 75. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que havia erro no preenchimento da DCTF, no que se refere à apuração do IRPJ; que a DIPJ tinha sido retificada (em 2005) para a correção do problema, mas que a DCTF continuou errada até a elaboração do despacho decisório (em 2009). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, entendendo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, nos seguintes termos: [...] A contribuinte, portanto, pretende que o indébito fiscal se exteriorize tão somente com os dados declarados em sua DCTF retificadora do 2° trimestre de 2002. Malgrado o intento da contribuinte, importa assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente. por ocasião do presente contencioso, a declaração de compensação sob exame deveria estar Fl. 345DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 346 11 necessariamente instruída com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamenta, sob pena de indeferimento. Assim, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. O artigo 45 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, dispõe: [...] No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose a apresentar a DIPJ/2003 (fls. 18/56) e a DCTF retificadora (fls. 02/17). na qual se destaca o novo valor declarado. De se lembrar que, por regra, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] Nessa linha, salientese que tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de urna série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. [...] Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Nesse sentido, a declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de certeza e liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública. Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. A Contribuinte, então, apresentou recurso voluntário ao CARF, procurando esclarecer que o crédito utilizado na compensação era referente a pagamento indevido/a maior realizado por meio de DARF, recolhido no código 2089, ocasionado por apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados por ela se enquadravam como serviços hospitalares, Fl. 346DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 347 12 impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo. O recurso voluntário começou a ser examinado em 06/11/2013, e sua análise resultou na mencionada Resolução nº 1802000.398. Naquela ocasião, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF teceu vários comentários sobre os aspectos abordados na decisão de primeira instância administrativa, sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, e sobre a evolução da jurisprudência relativa à tributação dos serviços hospitalares no regime de presunção dos lucros, para, então, demandar prestação de informações à Delegacia de origem, nos seguintes termos: Primeiramente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio do PER/DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP (22/12/2005), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado em valor maior que o devido, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 348 13 Não há, portanto, que se pensar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou à Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado o PER/DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu erro na apuração e recolhimento do IRPJ, e que a DIPJ retificadora (apresentada bem antes do despacho decisório) havia corrigido o problema, evidenciando o alegado direito creditório. Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, também é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 349 14 Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário os documentos mencionados no final do relatório acima. Tais documentos indicam que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja Fl. 349DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 350 15 organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/0006481 0) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam Fl. 350DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 351 16 exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme mencionado acima. Também é interessante transcrever a ementa desta decisão: Fl. 351DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 352 17 RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃO OBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃOPROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 353 18 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 354 19 (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Como mencionado anteriormente, os documentos apresentados com o recurso voluntário indicam em uma primeira análise que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. Mas ainda faltam elementos para embasar a conclusão sobre a ocorrência de pagamento indevido ou a maior causado pela utilização equivocada do coeficiente de 32%. Em primeiro lugar, não há como confrontar a DIPJ/retificadora com a DIPJ/original, porque esta não foi juntada aos autos. Aparentemente, a redução no valor do IRPJ não decorreu apenas da modificação do coeficiente de 32% para 8%, e isto precisa ser esclarecido. É que partindo da receita bruta constante da DIPJ/retificadora, e refazendo o cálculo com o coeficiente de 32%, com a devida variação do adicional do IRPJ e mantendo os mesmos valores para as demais rubricas constantes da DIPJ/retificadora (outras receitas, retenções, etc.), não se obtém o valor do IRPJ original, que foi pago através de DARF. Outro aspecto relevante, é que a Contribuinte pretendeu quitar o próprio IRPJ do 2º trimestre de 2002, no valor que ela entende devido, com crédito do ano de 2000, mediante apresentação do PER/DCOMP nº 27657.06153.06050.91304.0074, conforme informado em DCTF/retificadora apresentada em 2009 (fls. 7). Fl. 354DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 355 20 Com isso, ela pretendeu deixar como disponível para compensação todo o valor do DARF referente à quitação do IRPJ do 2º trimestre de 2002, parte dele utilizado no PER/DCOMP objeto destes autos, e o remanescente em outros PER/DCOMP, como indica o Demonstrativo de fls. 59. Assim, a decisão sobre o montante do crédito debatido neste processo depende do resultado deste outro PER/DCOMP, porque se aquela compensação não restar homologada, parte do valor do DARF ficará mesmo vinculado ao débito do 2º trimestre de 2002, e não disponível para compensação. Por tudo isso, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos apresentados pela Recorrente, de sua escrituração contábil e fiscal, das declarações e informações constantes dos sistemas de informação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e de outros que se entenda necessários: 1) junte aos autos cópia da DIPJ original referente ao ano calendário de 2002; 2) acrescente, se entender oportuno, outras informações a respeito da atividade da Recorrente, no intuito de subsidiar a decisão sobre a definição do coeficiente para a presunção do lucro; 3) verifique e informe: a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ do 2º trimestre de 2002; e o valor a ser considerado como saldo a pagar, após as deduções legais; 4) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, intimando a Contribuinte para tanto, se entender necessário; 5) informe a situação do referido PER/DCOMP 27657.06153.06050.91304.0074, que também é objeto de diligência determinada nesta mesma sessão do CARF – processo nº 13888.910975/200906, e pelo qual a Contribuinte pretendeu quitar o IRPJ do 2º trimestre de 2002, no valor que entende devido; 6) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo se há crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ, e qual o seu valor; 7) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 356 21 Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Piracicaba/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Piracicaba/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 313 a 326. Essa informação abrangeu vários processos de compensação com créditos de mesma origem, ou seja, fundados em recolhimento indevido ou a maior de IRPJ ocasionado por equivocada aplicação do coeficiente para presunção do lucro (32% em vez de 8%). Foram apresentados vários quadros demonstrativos para o IRPJ referente aos trimestres dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002. Especificamente em relação ao IRPJ do 2º trimestre de 2002, que dá origem ao crédito objeto deste processo, a Delegacia de origem informou: que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta; que na DIPJ/retificadora, a Contribuinte deixou de deduzir o IR retido na fonte informado na declaração original, e que se ela tivesse utilizado estas retenções teria apurado “saldo negativo” de IRPJ; que por se tratar do anocalendário de 2002, não era mais possível retificar novamente a declaração para fins de aproveitamento destas retenções; que se for reconhecido o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, prevalece o IRPJ apurado nas declarações retificadoras; que para o período em questão, a Contribuinte apurou IRPJ a pagar na declaração retificadora, e que, sendo assim, o recolhimento feito pela declaração original seria considerado recolhimento a maior (na parte que excede o IRPJ a pagar informado na DIPJ/retificadora); que pelo PER/DCOMP nº 27657.06153.06050.91304.0074 (objeto do processo nº 13888.910975/200906) a empresa pretende compensar débitos dos trimestres de 2002 (1º, 2º e 4º) com direito creditório de IRPJ referente ao 4º trimestre de 2000, e que a repercussão desse PER/DCOMP sobre o presente processo depende do que o CARF vai decidir sobre a questão que está presente em todos os processos mencionados na informação fiscal (entre eles o de nº 13888.910975/200906), relativamente à definição do coeficiente para a presunção dos lucros (8% ou 32%). Intimada do resultado da diligência fiscal, a Contribuinte apresentou a manifestação de fls. 330 a 332, alegando que o Relatório Circunstanciado de diligência legitima integralmente as informações prestadas pela Recorrente durante o deslinde processual, sobretudo quanto à origem e valores do direito creditório informado; que a análise realizada pela Autoridade Administrativa confirma que o debate travado se limita exclusivamente à matéria de direito envolvida, qual seja, a aplicação do percentual reduzido na hipótese de prestação de serviços hospitalares; e que a Recorrente confirma a total pertinência das informações constantes do referido relatório circunstanciado, o qual traduz e confirma Fl. 356DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 357 22 exatamente a origem e o valor do direito creditório pleiteado, bem como confere pleno subsídio para o exato julgamento da matéria sob exame. A farta documentação apresentada com o recurso voluntário já indicava que a Contribuinte possuía o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, como já havíamos registrado na elaboração da Resolução nº 1802000.398. E a diligência fiscal não trouxe nenhum dado que pudesse apontar para uma conclusão diferente. Os documentos apresentados juntamente com o recurso voluntário, e que estão expressamente citados no relatório que antecede este voto, indicam que a Contribuinte presta efetivamente serviços na área da radiologia (diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, tomografia, radioterapia, etc.), que estão submetidos ao coeficiente de 8%, nos termos da jurisprudência do STJ, acima transcrita. A informação fiscal prestada pela DRF de origem informou que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta. Os dados trazidos pela diligência esclareceram a razão pela qual a apuração a partir da receita declarada na DIPJ/retificadora não resultava no IRPJ recolhido em DARF (que havia sido apurado na DIPJ/original). Tal problema foi ocasionado pela diferença no cômputo das retenções de IR, entre a declaração original e a retificadora. Contudo, quando se computa os mesmos valores de retenção para as duas declarações, percebese que a controvérsia em relação ao valor do crédito se resume apenas ao coeficiente para presunção do lucro. Quanto às retenções na fonte, é importante registrar que elas configuram antecipação de pagamento do imposto, e que seu cômputo deve ser dar até mesmo de ofício, conforme determina o art. 837 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda: Art.837. No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração (DecretoLei nº94, de 30 de dezembro de 1966, art. 9º). Não é preciso uma nova retificação da DIPJ para que a Contribuinte tenha o direito de ver deduzidas as retenções que restaram reconhecidas pela própria Fiscalização. Os demonstrativos trazidos pela diligência fiscal indicam que as retenções de IR superam o valor do IRPJ apurado a partir do coeficiente de 8%, de modo que todo o recolhimento realizado por DARF, com base na declaração DIPJ original, mostrase indevido e passível, portanto, de compensação. Isso já é suficiente para o reconhecimento integral do crédito pleiteado nestes autos. De todo modo, vale registrar que nesta mesma sessão de julgamento está sendo homologada a compensação contida no referido processo nº 13888.910975/200906, que Fl. 357DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 358 23 também contribui para a quitação do IRPJ do 2º trimestre de 2002. Essa outra compensação, somadas às mencionadas retenções na fonte, reforçam ainda mais o entendimento de que foi indevido o recolhimento realizado por DARF, com base na declaração DIPJ original. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 358DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.003508/00-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ,
Ano-calendário: 1999
Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁC1TA.
Os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01.10.2002
convertem-se em declaração de compensação, conforme o § 4º, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, e se consideram homologados tacitamente, nos termos do § 5 0, após o decurso do prazo de cinco anos de sua protocolização sem manifestação da autoridade competente.
Numero da decisão: 9101-000.728
Decisão: ACORDAM os membros da 1° turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Viviane Vidal Wagner
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201011
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ, Ano-calendário: 1999 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁC1TA. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01.10.2002 convertem-se em declaração de compensação, conforme o § 4º, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, e se consideram homologados tacitamente, nos termos do § 5 0, após o decurso do prazo de cinco anos de sua protocolização sem manifestação da autoridade competente.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10880.003508/00-56
conteudo_id_s : 5406852
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-000.728
nome_arquivo_s : Decisao_108800035080056.pdf
nome_relator_s : Viviane Vidal Wagner
nome_arquivo_pdf_s : 108800035080056_5406852.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 1° turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
id : 5759945
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476741603328
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-09T14:14:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-09T14:14:00Z; Last-Modified: 2011-09-09T14:14:00Z; dcterms:modified: 2011-09-09T14:14:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:cf4c4a1d-3850-4ec1-bf58-caf9edd23a76; Last-Save-Date: 2011-09-09T14:14:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-09T14:14:00Z; meta:save-date: 2011-09-09T14:14:00Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-09T14:14:00Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-09T14:14:00Z; created: 2011-09-09T14:14:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-09-09T14:14:00Z; pdf:charsPerPage: 1487; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-09T14:14:00Z | Conteúdo => Ff 1 :11 • MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10880.003508100-56 Recurso n° 157.352 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-00.728 — 1° Turma Sessão de 8 de novembro de 2010 Matéria Compensação Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BWU VIDEO SA Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica- IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÃC1TA. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01.10.2002 convertem-se ern declaração de compensação, conforme o § 40, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, e se consideram homologados tacitamente, nos termos do § 5 0, após o decurso do prazo de cinco anos de sua protocolização sem manifestação da autoridade competente. relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 1° turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCUS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalnzente) Viviane Vidal Wagner - Relatora EDITADO EM: 30/11/2010 CSRF-T1 Ft I Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, er te !:.!.[ C.AP.10 S ALBERTO FREITAS ;JARRETO 073:12/2010 r Vi'v!A;qE VIDAL ii! ̀...T-IIAN E. VIAL 1201I r:eal ?In 1:1. 2 nardo de Andrade Couto, Karen Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio los Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffman Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Ional em face de acórdão proferido pela Quinta Câmara do Primeiro Conselho de tTibuintes que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, siderando homologado pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos os pedido de compensação a izados entre 01.03.2000 a 14,07.2000,. 0 ilustre relator consignou em seu voto que "o termo inicial para contagem se deu em 09/03/2000, para o primeiro Pedido de Compensação, e em :14/07/2000, para o último Por conseqüência, o termo final foi ern 09/03/2005 e em 14/07/2005, respectivamente, O Despacho Decisório Os 139/141) que indeferiu o pedido de restituição foi lavrado em 06/04/2005 No entanto, a ciência do contribuinte somente se deu em 20/1012005". Diante disso, concluiu pela homologação tácita, tendo restado a decisão PEDIDO DE COMPENSAÇÃO — HOMOLOGAÇÃO TÃ CITA — DiC011 idos cinco anos do pedido de compensação formalizado pelo contribuinte e convertido em declaração de compensação, nos termos das §§ e e 5° da Lei n° 9 430/1996, com as alterações inu aduzidas pelos al t49 da Lei n° 10 637/2002 e art 17 da Lei n° 1083312003, consideram-se tacitamente homologadas as compensações declaradas, e extinto o crédito tributário, A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência com amento no art. 7°, 11, do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais vado pela Portaria n° 147, de 25 06 2007, apresentando paradigma que, em caso análogo, diu que a previsão legal de homologação tácita não se aplica a pedidos de compensação entados antes de 30,10.2003, pela impossibilidade de retroatividade da legislação . rvemente à entrega do pedido Em contrarrazões, a interessada aduz que deve ser aplicada a legislação ificada aos pedidos de compensação pendentes de apreciação à época e que a autoridade inistrativa teria reconhecido a retroatividade dos efeitos da norma com a edição da çâo Normativa SRF n° 460/2004. o relatório Az I loslci ,W Au ent r, Err tr.10.enl 7, '1 eere em 11'12120 10 pCti LC; .AI3ERTO FpErcAS 0,c ETO 0.:,i2 0 C.A. au .ente em C:?.¡"12/20 I 0 IVIANE VII)1--',L WAGNER 2 V2011 cab 1-Znrsti:/io di4 Processo n° 10880.003508/00-56 Acór18o n.° 9101-00,728 F $ CSRF-11 Fl 2 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, relatora Constatada a divergência jurisprudencial, o recurso merece ser conhecido e apreciado. A discussão cinge-se ao alcance da norma que prevê a homologação tácita da compensação informada em pedido de compensação posteriormente convertido em declaração' de compensação, como é o caso dos autos. 0 art. 49 da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, deu nova redação ao art, 74 da Lei n° 9.430/96, 1 instituindo a Declaração de Compensação (PER/DCONfP), em que a compensação procedida pelo próprio contribuinte tem o efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória l de sua ulterior homologação pela autoridade administrativa competente 0 artigo alterado teve l a seguinte configuração: Art 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passivel de restitui cão ou de ressarcimento, poderá na compensação de dibitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuigile.s administrados por aquele Órglio.(Redacão dada pela Lei n° 10.637. de 2002) Wide Decreto n°7.212, de 2010) § JC A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilkados e aos respectivos débitos compensados fincluido pela Lei n° 10.637, de 2002) ,f 2" A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutórict de sua ulterior homologação.(7nchlido pela Lei n° 10,637, de 2002) -.I .§ 4' Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo (Indada pela Lei n° 10.637, de 2002) A vigência da referida norma a partir de 10 de outubro de 2002 foi estabelecida no art. 68 da lei modificativa. Assim, a partir dessa data, os pedidos pendentes converteram-se automaticamente em declaração de compensação. Após essa alteração, novas disposições surgiram com a edição da MP no 135, ,:,:)..1.0.13,949,1319Kincilte..cns,t.M1:‘?,-_PPYI-RoargAIARTieic1P?:496c.10rec99PFWORO eelareda, como se vê: enl:r:?.. 122010 por VIDAL VIA (2,14,7..R t :2%21'; r,Io cr 3 1.3 § 52 0 prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (Redacão dada pela Lei n°10.833, de 2003) j 62 A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suliciente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei n° 10.833. de 2003) § 72 Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados fincluido pela Lei n°10.833, de 2003) 82 Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 72, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União. ressalvado o disposto no § (Inchtido pela Lei n°10.833, de 2003) Alega o recorrente que não se submeteriam os pedidos de compensação vertidos em declaração de compensação à regra do §5 0 do art_ 74 da Lei n° 9.430/96, com a ção dada pela MP n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, ern face do principio da xiatividade da legislação tributária. Para o deslinde da questão, faz-se mister examinar todo o sistema jurídico. A Constituição Federal, em seu art. 50, inciso XXXVI, estabelece que "a lei prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada", O principio da inça jurídica aqui consubstanciado visa manter a estabilidade das relações jurídicas. Dele decorrem os princípios previstos no capitulo destinado ao Sistema , utario, dentre eles o princif4o da irretroatividade, que reza que aos entes tributantes é o cobrar tributos "em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência que os houver instituído ou aumentado" (destaquei) (art. 150, inciso Ill , alínea a, da CF) Nesse diapasão, o Código Tributário Nacional prevê, em seus arts. 105 e 106, gra de irretroatividade da legislação tributária e suas exceções A legislação tributária -se, imediatamente, somente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, nos moldes 105 do CIN, As hipóteses excepcionais de retroatividade, em beneficio do contribuinte, previstas no art. 106 e englobam a lei expressamente interpretativa e o ato não livamente julgado quando não importe mais ern in fração, não contrarie exigência de ação missão ou comine penalidade menos severa. A questão ora posta, contudo, não se submete ao principio da irretroatividade, rip se trata de instituição de tributo sobre fatos geradores já ocorridos e sim de forma de tituição e extinção do crédito tributário . , ebte i 112'2O ALBERTO FRE:TAS"JARRETO, D3 , 121201D p,of ,.'1%.r!Aird VIDAL ahnerite. 2t Vn!AG1.:ER 4 /2011 pc; f. n° 10880 003508100-56 rdiío n..° 9101-00.728 Fl. 5 CSRF-11 FL 3 ,N1F I I Onde antes se previa a mera suspensão da exigibilidade do crédito pela entrega de Pedido de Compensação, a partir da vigência do §5 0 do art 74 da Lei no 9.430/96, insorido pelo art. 17 da MP n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, passou-se a prever a extinção do crédito tributário pelo decurso do lapso temporal de cinco anos da data da entrega da declaração de compensação (PER/DCOMP), considerada confissão de divida No momento em que estabelecido o prazo de homologação, considerando a linha cronológica das alterações legislativas, não havia mais que se falar em pedido I de compensação convertido, mas apenas em PER/DCOMP, já que aqueles, a partir de 01.10.2002, 1 deixaram de existir como tal e passaram a ser considerados declaração de compensação, desde a data do seu protocolo, para os efeitos previstos no art, 74 da Lei n° 9 430/96, nos termos do seu §4°. O estabelecimento de prazo para homologação tácita somente se tornou possível pela atribuição à PER/DCOMP do poder de confissão de divida, necessário para exigência dos débitos indevidamente compensados. Até a edição desse dispositivo, não havia prazo para que a Administração Tributária homologasse os pedidos de compensação, os quais não representavam confissão de divida. A constituição de crédito tributário pela declaração de compensação, dessa forma, equivale ao lançamento por homologação, o qual também se extingue pelo decurso do' prazo de homologação tácita. Assim, os pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação (PER/DCOMP) não apreciados até 0110.2002, representam confissão de dividal- . e o crédito tributário compensado é extinto, sob ulterior homologação da Administração no prazo de cinco anos de seu.protpcolo, Cabe registrar, por fim, que a própria Administração Tributária, através da instrução Normativa SRF no 460/2004, reconheceu o alcance daquela norma sobre os pedidos antigos, nos termos seguintes: II Art. 29. A autoridade da SRF qua não-homologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intinui-lo-ti a efetuar, no prazo de trino dias, contados da ciência do despacho de não-homologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados § IE Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no p>a:o previsto no caput, o débito deveici ser encaminhado à PG1W, para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no art 48. •, ! • 7 , ,Vt.! 1,(3144TNI ' Ao Cy: § 2 O prazo para homologação da compensa cão declarada pelo sujello passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensa ção. [- Art. 64, Serão considerados Declamação de Compensação, paro os efeitos previstos no art 74 da Lei 129 9.430, de 1996. com .E redação determinada peto art 49 da Lei n2 10637, de 2002, e lera- Pff.1.95 lii03, 1 -bef, `.) MT,. de ri3n..:420 I 1 pe4c F1 &A compensação que, em 1 2 de outubro de 2002, encontravam-se pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF: (destaquei) 1 6 11 t1 F Pelo exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional, erando tacitamente homologados os pedidos de compensação relacionados na decisão rr da.. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner hr. , II ' „ Aa itiadq GWER 4t.it nO6zidli j Em tidri • rxm CARCCS ALE>IIRTO FREITAS BARRET°. 0'3 , 12 1 2 ,-J1 0 pot VIVIANE Al.re.r.7!: fl'31 I Ir) por V1V17-,Nr. v15,41, i2011 Fazend:',_ 6
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000173/2010-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
PRINCIPAL. EXTINÇÃO POR COMPENSAÇÃO. ART. 8º DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.158-35/2001.
Conforme se depreende do art. 8º da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, o contribuinte tem o direito de extinguir, mediante compensação, o principal da CSLL lançada de ofício. Referido direito, entretanto, não se estende à multa de ofício e aos juros de mora exigidos em conjunto com a contribuição.
Numero da decisão: 1201-001.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e Henrique Heiji Erbano (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 PRINCIPAL. EXTINÇÃO POR COMPENSAÇÃO. ART. 8º DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.158-35/2001. Conforme se depreende do art. 8º da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, o contribuinte tem o direito de extinguir, mediante compensação, o principal da CSLL lançada de ofício. Referido direito, entretanto, não se estende à multa de ofício e aos juros de mora exigidos em conjunto com a contribuição.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16327.000173/2010-65
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414610
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1201-001.067
nome_arquivo_s : Decisao_16327000173201065.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCELO CUBA NETTO
nome_arquivo_pdf_s : 16327000173201065_5414610.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e Henrique Heiji Erbano (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
id : 5778923
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476744749056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1974; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000173/201065 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.067 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de julho de 2014 Matéria CSLL COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS Recorrente ITAU UNIBANCO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 PRINCIPAL. EXTINÇÃO POR COMPENSAÇÃO. ART. 8º DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835/2001. Conforme se depreende do art. 8º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, o contribuinte tem o direito de extinguir, mediante compensação, o principal da CSLL lançada de ofício. Referido direito, entretanto, não se estende à multa de ofício e aos juros de mora exigidos em conjunto com a contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e Henrique Heiji Erbano (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1634.080, exarado pela 10ª Turma da DRJ 1 em São Paulo – SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 73 /2 01 0- 65 Fl. 728DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.000173/201065 Acórdão n.º 1201001.067 S1C2T1 Fl. 3 2 Por bem descrever os fatos litigiosos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 287 e ss.): Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em procedimento de fiscalização, para a constituição de créditos tributários de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL do ano calendário de 2006, relativamente à falta de adição de juros sobre tributos com exigibilidade suspensa provisionados. No Termo de Verificação de Infração – IRPJ e CSLL reflexa (fls. 126 a 133), relata a fiscalização que a contribuinte em epígrafe, no ano de 2006, efetuou provisões a título de juros calculados sobre os valores dos tributos suspensos, tendo como contrapartidas contas de despesas, que reduziram o montante do lucro líquido antes do IRPJ e da CSLL. Acrescenta que tais provisões não foram adicionadas às bases de cálculo desses tributos. Sustenta a fiscalização que essas provisões são indedutíveis, a teor do disposto no art. 41, §1º, da Lei nº 8.981/95, no art. 13, I, da Lei nº 9.249/95 e nos artigos 3º e 50 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004. Ante os fatos acima expostos, foram lavrados autos de infração (fls. 113 a 125) para a exigência de R$ 38.070.064,40 a título de IRPJ e de R$ 13.713.863,18 a título de CSLL, acompanhados de multa proporcional e de juros de mora, totalizando R$ 107.270.405,97. Cientificada das autuações em 23/02/2010, a contribuinte apresentou em 01/03/2010, a petição de fls. 135 a 137 dirigida ao Sr. Delegado da Deinf/SPO, na qual alega que efetuou o recolhimento do IRPJ e da CSLL com os benefícios concedidos pela Lei nº 11.941/2009. Em relação à CSLL, alega que recolheu montante inferior ao lançado, pois tem direito à compensação de 30% nos termos do art. 8º da Medida Provisória nº 1.858/99. Ressalta que o cálculo e o pagamento consideraram o referido direito à compensação. Caso a Deinf/SPO não reconheça a compensação efetuada, a contribuinte requer que a petição seja recebida como impugnação, pois o direito à compensação está expressamente previsto em lei, sendo que a autoridade autuante tinha o dever de ofício de considerar a compensação no cômputo do valor lançado nos termos do art. 142 do CTN. Em 27/06/2011, a Deinf/SPO/Dicat proferiu o despacho de fls. 238 e 239, pelo qual a parcela do crédito tributário objeto do parcelamento foi transferido para o processo nº 16327.720707/201154 (fls. 240), apensado ao presente processo. Assim, neste processo, foi mantido apenas o crédito tributário relativo à CSLL no montante de R$ 4.114.158,95, com a Fl. 729DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.000173/201065 Acórdão n.º 1201001.067 S1C2T1 Fl. 4 3 respectiva multa proporcional de R$ 3.085.619,21, além dos juros moratórios. Ao apreciar os argumentos de defesa a DRJ de origem decidiu pela improcedência da impugnação, conforme trecho do voto a seguir transcrito (fl. 290 e ss.): Assim, dado o caráter excepcional do crédito compensável criado pelo legislador, calculado pela aplicação do percentual de 18% sobre o valor da base de cálculo negativa e das adições temporárias havidas em 31/12/1998, resta evidente que o gozo do benefício fiscal há de se efetivar dentro dos estritos termos da lei, sendo incabível interpretála de forma extensiva. O texto legal, acima reproduzido, indica que ao contribuinte que desejar gozar do benefício fiscal – que é facultativo – cumpre escriturar o crédito em seu ativo e utilizálo por ocasião da sua compensação com a CSLL em cada período de apuração. Neste diapasão, é de se concluir que o crédito compensável em questão somente pode ser utilizado para a apuração e o recolhimento tempestivo do débito de CSLL, jamais para liquidar débitos posteriormente lançados em procedimento de ofício. Destarte, é de se concluir que a compensação do crédito de 18% calculado sobre a base de cálculo negativa de CSLL e sobre os valores adicionados temporariamente, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31/12/1998, constitui faculdade a ser tempestivamente exercida pelo contribuinte por ocasião da apuração, escrituração e recolhimento do débito da CSLL, não sendo admitida a referida compensação para liquidar o débito de CSLL lançado de ofício. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as seguintes alegações, em síntese (fl. 295 e ss.): a) ao contrário do afirmado pela DRJ, o art. 8º da Medida Provisória nº 1.858/99 não veda a compensação do direito creditório ali estabelecido, com débito da CSLL lançado de ofício; b) a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes vai ao encontro do acima afirmado, conforme acórdão 10196.869, exarado pela 1ª Câmara em 14/08/2008, e acórdão 10515.872, lavrado pela 5ª Câmara em 27/07/2006. Ao apreciar o voluntário, esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que a autoridade local verificasse tanto a existência do direito creditório alegado pela interessada quanto a observância dos requisitos estabelecidos em lei para a realização da compensação. Elaborado o relatório de diligência e regularmente cientificada a interessada, os autos retornaram ao CARF para julgamento. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.000173/201065 Acórdão n.º 1201001.067 S1C2T1 Fl. 5 4 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Compensação Pretendida De início, importante esclarecer que a Medida Provisória nº 1.85899, base normativa do direito alegado pela recorrente, foi reeditada sucessivamente até a Medida Provisória nº 2.15835/2001, a qual permanece em vigor por força do disposto no art. 2º da Emenda Constitucional nº 32/2001. A interessada exerce atividade de instituição financeira, conforme art. 22, § 1º, da Lei nº 8.212, de 24/07/91, cumprindo assim um dos requisitos impostos pelo art. 8º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que assim estabelece: Art. 8º As pessoas jurídicas referidas no art. 1º, que tiverem base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro líquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 1998, poderão optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas. § 1º A pessoa jurídica que optar pela forma prevista neste artigo não poderá computar os valores que serviram de base de cálculo do referido crédito na determinação da base de cálculo da CSLL correspondente a qualquer período de apuração posterior a 31 de dezembro de 1998. § 2º A compensação do crédito a que se refere este artigo somente poderá ser efetuada com até trinta por cento do saldo da CSLL remanescente, em cada período de apuração, após a compensação de que trata o art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998, não sendo admitida, em qualquer hipótese, a restituição de seu valor ou sua compensação com outros tributos ou contribuições, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. § 3º O direito à compensação de que trata o § 2º limitase, exclusivamente, ao valor original do crédito, não sendo admitido o acréscimo de qualquer valor a título de atualização monetária ou de juros. Pois bem, conforme alegado pela defesa, a norma acima transcrita não veda a compensação do crédito ali descrito com a CSLL lançada de ofício, daí porque a autuada tem direito a promovêla, desde que existente o crédito e observadas as condições estabelecidas na Medida Provisória em comento. No que concerne à existência do alegado direito creditório, bem como a observância dos requisitos estabelecidos para a realização da compensação, a autoridade que realizou a diligência assim se manifestou: Fl. 731DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.000173/201065 Acórdão n.º 1201001.067 S1C2T1 Fl. 6 5 11. Pois bem, dos elementos trazidos aos autos, o crédito correspondente a 18% da base negativa da CSLL e/ou adições temporárias acumuladas até 31/12/98, seria de R$ 447.907.892,90, como, aliás, registrado no SAPLI – Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL, da RFB, sem que tenha a autoridade fiscal, mesmo após o encerramento do procedimento a que se refere o item precedente, promovido qualquer alteração (folhas 328 a 348); 12. No mesmo sentido, dos documentos ora anexados, particularmente o mencionado SAPLI, salta evidente inexistir em 31/12/98 qualquer valor registrado a título de base negativa da CSLL, não havendo como o interessado, com fulcro no art. 16 da Lei nº 9.065/95, dele terse aproveitado para compensar a base de cálculo da CSLL apurada em períodos posteriores; 13. De outro giro, quanto aos valores adicionados temporariamente ao lucro líquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL dos períodos encerrados até 31/12/98, dos quais decorreu o crédito apontado no item 11, podese também afirmar, a partir da resposta ao “Termo de Intimação”, não ter sido eles, para os propósitos da presente análise, excluídos do lucro líquido apurado no encerramento de períodos seguintes; 14. Dessa forma, com base no princípio da verdade material, dúvida não pode remanescer acerca da certeza do indigitado crédito da CSLL; 15. Por outro lado, no que diz respeito ao registro contábil do crédito em questão, a cópia do Balancete entregue ao Banco Central do Brasil para o período Jan/2013 comprova sua escrituração em conta ativa (conta COSIF nº 1899.901.000.000 1), fato esse, ademais daqueles apontados nos itens 12 e 13, suficientes, no nosso entender, para atestar a sua liquidez, embora não para convalidar os fatos decorrentes dos lançamentos contábeis reflexos em conta credora, o que, no entanto, foge ao escopo da Resolução do CARF (folha 703); 16. No tocante ao aproveitamento do crédito para compensação da CSLL dos anoscalendário 99 e seguintes, inclusive o objeto do Auto de Infração, o demonstrativo apresentado pelo interessado convalida as informações prestadas em DIPJ, assim como aquelas constantes do SAPLI, exceto pela revisão a ser procedida, caso acolhido o Recurso Voluntário em discussão (folhas 349 a 392 e 702). (...) Registrese que em razão do disposto no art. 8º, § 3º, acima transcrito, o direito à compensação limitase “ao valor original do crédito”, não alcançando a multa de ofício e os juros de mora lançados. Não custa lembrar que a multa de ofício e os juros de mora foram lançados em razão de a compensação ter sido realizada após iniciado o procedimento de ofício. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.000173/201065 Acórdão n.º 1201001.067 S1C2T1 Fl. 7 6 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir a exigência do valor principal da CSLL lançada, mantendose todavia a exigência da multa de ofício e dos juros de mora. Deverá a autoridade local registrar no SAPLI o ajuste na conta “Saldo Crédito CSLL Decorrente BC Neg. e Adições Temp. até 31/12/1998”. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 733DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.005389/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003, 2004
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONFIGURAÇÃO. INTERESSE COMUM NA CAUSA.
As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado.
As provas trazidas nos autos demonstram que o Sr. Daniel Pedro Morando possuía interesse no negócio e ficou com a maior parte dos bens após o esvaziamento patrimonial da empresa.
Embargos conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos e, no mérito, em NEGAR-LHES provimento. Ausente para tratamento de saúde o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), tendo sido substituído pela Conselheira Maria Eliza Bruzzi Boechat.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Eliza Bruzzi Boechat, Luiz Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003, 2004 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONFIGURAÇÃO. INTERESSE COMUM NA CAUSA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. As provas trazidas nos autos demonstram que o Sr. Daniel Pedro Morando possuía interesse no negócio e ficou com a maior parte dos bens após o esvaziamento patrimonial da empresa. Embargos conhecido e não provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11516.005389/2007-71
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5404943
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1201-000.917
nome_arquivo_s : Decisao_11516005389200771.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RAFAEL CORREIA FUSO
nome_arquivo_pdf_s : 11516005389200771_5404943.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos e, no mérito, em NEGAR-LHES provimento. Ausente para tratamento de saúde o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), tendo sido substituído pela Conselheira Maria Eliza Bruzzi Boechat. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Eliza Bruzzi Boechat, Luiz Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
id : 5752339
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476773060608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1862; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.005389/200771 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201000.917 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de novembro de 2013 Matéria EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL Recorrente CB DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONFIGURAÇÃO. INTERESSE COMUM NA CAUSA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. As provas trazidas nos autos demonstram que o Sr. Daniel Pedro Morando possuía interesse no negócio e ficou com a maior parte dos bens após o esvaziamento patrimonial da empresa. Embargos conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos e, no mérito, em NEGARLHES provimento. Ausente para tratamento de saúde o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), tendo sido substituído pela Conselheira Maria Eliza Bruzzi Boechat. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente Substituto. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 53 89 /2 00 7- 71 Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Eliza Bruzzi Boechat, Luiz Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo Sr. Daniel Pedro Morando, responsável solidário nos autos do processo administrativo em julgamento, que busca anular o julgamento já realizado do Recurso Voluntário por essa mesma Colenda Turma, sob o entendimento de que não havia sido intimado pelo Diário Oficial quanto à data do julgamento. Por meio de despacho foi proposto por esse Relator que se anulasse o acórdão proferido em julgamento do Recurso Voluntário, devendo ser refeito o julgamento com a devida intimação do responsável solidário, sendo devidamente acolhido pelo ilustre Presidente desta Turma Julgadora. Refeita a intimação do julgamento do Recurso Voluntário com a inclusão do nome do responsável solidário na publicação da pauta por Diário Oficial, sendo dado a palavra no julgamento ao patrono do responsável solidário, que se manifestou realizando a devida sustentação oral, não há mais nos autos nenhuma nulidade de intimação. Nestes termos, passemos à descrição dos fatos tomando como parte do presente relatório os enunciados trazidos na decisão de primeira instância administrativa proferida pela DRJ: A pessoa jurídica acima qualificada foi submetida a procedimento fiscal do qual resultou formalizada sua exclusão do Simples Federal (fl. 122), bem assim a exigência de IRPJ (fls. 432/441) e da CSLL (fls. 458/468) segundo as regras do Lucro Arbitrado, e ainda, da Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 442/449 e 471/480) e da Cofins (fls. 450/457 e 483/492), todas relativas a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2003 e 2004, conforme demonstrativo abaixo: (...) Conforme as DSPJ apresentadas (fls. 41 a 76), a pessoa jurídica era optante pelo Simples Federal nos anos de 2003 e 2004. O crédito tributário foi determinado a partir de base de cálculo composta da receita declarada em Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — DSPJ, e de receita omitida apurada em observância ao disposto no art. 287 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Foram arrolados como responsáveis solidários pela exigência fiscal formalizada no presente processo, os Srs. Pedro Luiz da Silva Filho e Daniel Pedro Morando. Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 4 3 Registrese, a pessoa jurídica, ao tempo da fiscalização, a pessoa jurídica não mais se encontrava no endereço cadastrado junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Destarte, a comunicação à fiscalizada acerca do inicio do procedimento somente se deu quatro meses após a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, com a localização do único sócio remanescente, Sr. Pedro Luiz da Silva Filho (conforme a Nona Alteração Contratual — fls. 02 a 06 do Anexo I). Paralelamente às diligências para localizar a empresa e o representante legal perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, a fiscalização expediu Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF (fls. 150 a 155 e 211 a 222) aos bancos Unibanco, Real, Bradesco, Itaú, HSBC e Banco do Brasil. Em atendimento às RMF, foram encaminhados à RFB extratos bancários e outros documentos (Anexos II e III). A fiscalização intimou diversos supermercados a apresentar cópias de notas fiscais de mercadorias adquiridas junto a CB Distribuidora, e do Livro Razão onde foram registradas as referidas compras (fls. 164 a 187). Os documentos obtidos em resposta às referidas intimações encontramse nos Anexos IV. Também foi expedida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF a OPA Factoring e Fomento Mercantil Ltda (fls. 208 a 210). Os documentos obtidos em resposta às referidas intimações encontramse às fls. 02 a 60 do Anexo IV. DA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO No Termo de Inicio da Fiscalização (fls. 161 e 162), do qual teve ciência em 09 de maio de 2007, a contribuinte, na pessoa do Sr. Pedro Luiz da Silva Filho, foi intimada a apresentar, dentre outros documentos: a) Atos Constitutivos e Alterações posteriores; b) Livros Diário e Razão; c) Livro Caixa; d) extratos de contas bancárias de todas as instituições financeiras onde mantinha movimentação. Em 24 de maio de 2007, o Sr. Pedro Luiz da Silva Filho respondeu ao Termo de Inicio da Fiscalização (fls. 188 e 189), declarando que não dispunha da documentação contábil e fiscal da pessoa jurídica, e que nem mesmo havia conseguido obter os extratos bancários. Alegou que a partir de 24 de setembro de 2004 teve seu acesso à empresa impedido pelo Sr. Daniel Pedro Morando, que afirmou ser o proprietário de fato da pessoa jurídica. De posse dos extratos bancários, obtidos através das já referidas RMF, em 27 de agosto de 2007 (fls. 226 a 254) a fiscalização Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 5 4 intimou a contribuinte, na pessoa do Sr. Pedro Luiz da Silva Filho, a comprovar, com documentos hábeis e idôneos nos termos do art. 287 do RIR/99, a origem dos recursos utilizados nas operações lançadas a crédito nas contas bancárias de sua titularidade, mantidas nos bancos Unibanco, Real, Bradesco, Itaú e HSBC. Na intimação acima referida, a fiscalização deu ciência à contribuinte de que havia requisitado os extratos bancários diretamente as instituições financeiras, e anexou demonstrativos contendo, de forma individualizada, os lançamentos a crédito nas contas bancárias de sua titularidade, mantidas nos bancos Real, Unibanco, Bradesco, hall e HSBC. A fiscalização também informou que nos referidos demonstrativos não foram incluídos os lançamentos que correspondem a estornos, transferências entre contas da própria contribuinte, empréstimos e financiamentos, resgates de aplicações, devoluções de cheques e coberturas de saldo devedor. Em 31 de agosto de 2007 (fls. 271 a 300), o Sr. Daniel Pedro Morando foi informado acerca do procedimento fiscal, das constatações e dos atos até então praticados pela fiscalização. Destacase a seguir, pela relevância, trecho do Termo de Intimação: Neste ato, o Senhor Daniel Pedro Morando, CPF n° 003.511.75911, toma ciência do Mandado de Procedimento Fiscal que determina a presente fiscalização em empresa na qual se CONSTATA ser sócio de fato, com poderes de gestão, utilizando seu filho, Matias Morando, CPF n° 006.193.55905, como sócio de direito, até a quinta alteração contratual, quando restou no quadro societário apenas o Sr. Pedro Luiz da Silva Filho, que declarou ter deixado a empresa com a respectiva contabilidade em mãos do ora intimado, proprietário do imóvel onde a empresa então operava, conjuntamente com outra empresa, também de propriedade do intimado — "Meat Plus Alimentos Ltda.". No mesmo Termo de Intimação em que foi comunicada a ação fiscal que se encontrava em andamento, o Sr. Daniel Pedro Morando foi intimado a: a) apresentar a escrituração contábil e fiscal da pessoa jurídica; b) apresentar notas fiscais de saídas e entradas; c) comprovar, com documentos hábeis e idôneos nos termos do art. 287 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR199), a origem dos recursos utilizados nas operações relacionadas em demonstrativos anexos, lançadas a crédito nas contas bancárias de titularidade da pessoa jurídica, mantidas nos bancos Unibanco, Real, Bradesco, Itaú e HSBC. Em 14 de setembro de 2007, em resposta A intimação acima mencionada (fls. 339 e 340), o Sr. Daniel Pedro Morando afirmou que em nenhum momento era ou é sócio de direito ou de Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 6 5 fato da empresa CB DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA, bem assim que esta providenciando a juntada de diversos documentos que corroboram a afirmativa acima. Em 24 de outubro de 2007, o Sr. Pedro Luiz da Silva Filho solicitou cópia dos extratos bancários da empresa (fl. 357). No atendimento da solicitação, a fiscalização concedeu novo prazo para apresentação de esclarecimentos acerca da movimentação bancária (fls. 358 e 359). Nada foi apresentado. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Em 09 de novembro de 2007, a fiscalização apresentou Representação Fiscal para Exclusão da CB Distribuidora do Simples Federal (fls. 01 a 07), com efeitos a partir de janeiro de 2003, com base no inciso V do art. 15 da Lei n° 9.317, de 1996, por negarse a exibir livros e documentos a que está obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre sua movimentação financeira, pela utilização de interpostas pessoas no seu quadro societário e pela pratica reiterada de infrações a legislação tributária, consoante o estabelecido no artigo 14, incisos II, IV e V, da Lei n° 9.317, 05 de dezembro de 1996. Sobre a interposição de pessoas, segundo a fiscalização: [..] a despeito do que retratam formalmente os contratos sociais, constatouse que o verdadeiro adquirente da empresa "CB" (/unto com a "Chapolin') não foram, efetivamente, Pedro Luiz da Silva Filho e Matias Morando, mas Daniel Pedro Morando, pai deste. Assim comprovam as escrituras de imóveis anexas, através da quais fica evidenciada a triangulação que simulou a aquisição de empresas por interposta pessoa, como se demonstra: [...] A seguir, com base em escrituras públicas lavradas em 14 de agosto de 2003 (fls. 18 a 30), a fiscalização explica que: a) Daniel Pedro e esposa vendem a Pedro Luiz da Silva Filho e esposa, uma residência localizada no Loteamento Praia do Jurerê II pelo preço de R$ 350.000,00; b) Pedro Luiz da Silva Filho e esposa permutam a residência citada no item "a" com dois terrenos localizados no Condomínio Puerto Madero, no Cacupé, em Florianópolis, de propriedade de DGV — Empreendimentos Imobiliários Ltda, cujo sócio majoritário é o próprio Sr. Daniel Pedro Morando. Na escritura, a residência foi dada em permuta pelo valor de R$ 350.000,00 e cada terreno foi recebido em permuta por R$ 175.000,00. Aqui a fiscalização destaca que a casa retorna, indiretamente, ao patrimônio de Daniel Pedro Morando; c) Pedro Luiz da Silva Filho e esposa vendem os terrenos, cada um por R$ 175.000,00, para Arnaldo Venicio de Souza e para a empresa T&A Assessoria Financeira e Cobrança Ltda, que tinha como sócio o próprio Arnaldo Venicio de Souza. Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 7 6 A fiscalização destaca que, à época, Arnaldo Venicio de Souza, cotista da empresa CHAPOLIN Distribuidora de Alimentos Ltda, marido de uma cotista da CB Distribuidora (Carmem Beatriz Menezes de Souza), e pai do outro sócio da CB (André Menezes de Souza). Segundo consta da Sexta Alteração e Consolidação do Contrato Social da CB Distribuidora (fls. 08 a 15), de 1° de agosto de 2003, Carmem Beatriz Menezes de Souza e André Menezes de Souza cedem e transferem a totalidade de suas cotas a Pedro Luiz da Silva Filho e a Matias Morando, filho de Daniel Pedro Morando. Pela transferência das quotas, ao que consta do referido documento, Carmem Beatriz Menezes de Souza recebeu, no ato, em moeda corrente, R$ 74.000,00 de Pedro Luiz da Silva Filho e R$ 21.000,00 de Matias Morando; e André Menezes de Souza recebeu, no ato, em moeda corrente, R$ 5.000,00 de Matias Morando. Em resumo, a fiscalização entendeu que as operações imobiliárias não ocorreram da forma como apresentada nos documentados, e as empresas CB e Chapolin foram, na verdade, adquiridas pelo Sr. Daniel Pedro Morando que, para esse fim, teria transferido ao Sr. Arnaldo Venicio de Souza dois terrenos de propriedade de sua empresa (DGV — Empreendimentos Imobiliários Ltda). Essa conclusão é evidenciada ao final da descrição dos fatos. Nas palavras da fiscalização (fl. 05): Indubitavelmente, quem adquiriu as participações societárias foi Daniel Pedro Morando, utilizando como interpostas pessoas Pedro Luiz da Silva Filho e seu próprio filho, Matias Morando. Para corroborar a conclusão inescapável de que o Sr. Daniel Pedro Morando era o verdadeiro sócio, constatouse que o imóvel onde funcionavam todas essas empresas (Rod. SC 401 Km 5,5, n. 5.309 — Cacupé — Florianópolis/SC) foi adquirido pelo Sr. Daniel Pedro Morando em 28/11/2003, em parte com recursos da Meat Plus, e, ainda, que esta pessoa também adquiriu da CB Distribuidora, em 19/01/2004, equipamentos utilizados por ambas, Meat Plus e CB, a saber, das câmaras frias e 156 freezers horizontais, conforme contrato de compra e venda de equipamentos, móveis e utensílios em anexo. Cabe esclarecer que, conforme destaca a fiscalização (fl. 400), a pessoa jurídica interessada no presente processo (CB Distribuidora de alimentos Ltda) e a empresa acima mencionada, denominada Meat Plus Alimentos Ltda, à época dos fatos, tinham os mesmos sócios, funcionavam no mesmo endereço, no mesmo ramo de atividade e com os mesmos produtos, compartilhando instalações, equipamentos e funcionários. O lançamento tributário contra Meat Plus Alimentos Ltda, resultante de procedimento fiscal conduzido simultaneamente com o discutido no presente processo, encontrase nos autos do processo administrativo n° 11516.005429/200784, também nesta DRJ em fase de julgamento de impugnação ao lançamento. Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 8 7 Quanto à prática reiterada de infrações i legislação tributária, a fiscalização afirma que a contribuinte movimentou, no período fiscalizado, mais do que o dobro das receitas declaradas. Segundo a fiscalização, a continua movimentação financeira ocultada da fiscalização e a declaração de valores muito abaixo dos devidos constituem evidente intuito de fraude. Ressalta ainda a fiscalização que a contribuinte não apresentou quaisquer documentos relativos a sua escrituração contábil ou Livro Caixa. A exclusão do Simples Federal, com efeitos retroativos a 1° de janeiro de 2003, foi operada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 63, de 12 de novembro de 2007, do qual Pedro Luiz da Silva Filho teve ciência em 21 de novembro de 2007, e Daniel Pedro Morando, por meio de seu procurador, em 19 de novembro de 2007 (fl. 122). DA RECEITA TRIBUTÁVEL Não tendo sido apresentadas quaisquer justificativas acerca da movimentação bancária da contribuinte, a fiscalização considerou como não comprovada a origem dos depósitos bancários relacionados nos demonstrativos de fls. 228 a 254. A partir dos depósitos considerados não justificados, e após deduzir os valores declarados pela contribuinte nas DIPJ, a fiscalização considerou as diferenças como sendo receita omitida, com base no art. 287 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). A demonstração da receita tributável encontrase à fl. 422. DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Considerando a exclusão de oficio do Simples, a contribuinte passou a se sujeitar às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos do art. 16 da Lei n° 9.317, de 1996. Conforme relatado acima, a contribuinte não apresentou a escrituração contábil e fiscal relativa aos anos de 2003 e 2004. Diante desse fato, a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro da contribuinte com base no art. 530, inciso III, do RIR199. Na determinação dos montantes devidos, a fiscalização considerou os pagamentos efetuados pela contribuinte segundo as regras do Simples Federal (fls. 419 e 420). DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA A fiscalização entendeu estarem presentes as circunstâncias previstas no art. 957 do RIR199, que ensejam a aplicação da multa de oficio qualificada de 150%. Nas palavras da fiscalização (fl. 418): Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 9 8 A contribuinte movimentou de forma continuada recursos muito superiores aos montantes declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem comprovação de origem, nos dois anos fiscalizados, em diversas instituições financeiras. Tal comportamento caracteriza o evidente intuito de fraude, conforme art. 957 do Regulamento do Imposto de Renda. Mas, há, ainda, a utilização de interpostas pessoas, práticas operacionais ilícitas, flagrante confusão patrimonial entre empresas e seus dirigentes, falsidades nas informações prestadas ao fisco, dissolução irregular das empresas e tantos outros subterfúgios conforme histórico que ora se apresenta. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A fiscalização relata ter constatado a ocorrência de infrações à lei, a utilização de interpostas pessoas e dissolução irregular da pessoa jurídica, além do abuso da personalidade jurídica em razão de desvio de finalidade e de confusão patrimonial. Diante de sua constatação, a fiscalização atribui a condição de responsáveis solidários a PEDRO LUIZ DA SILVA FILHO (único sócio remanescente, com poderes de administração) e a DANIEL PEDRO MORANDO, que entende tratarse de sócio de fato. A conclusão da fiscalização está demonstrada nas seguintes passagens do Termo de Verificação Fiscal (fls. 410 e 412): Sabido é que o mero inadimplemento tributário não é hábil para justificar, de per si, a responsabilização dos sócios — administradores. Mas, repitase, o inadimplemento da obrigação tributária está acompanhado, no caso sob exame, da comprovação dos poderes dos administradores, do abuso da personalidade jurídica, da dissolução irregular das empresas e de infrações à lei. No presente caso, os atos abusivos sobejam, conforme exaustivamente se historiou e comprovou, bem como a participação de Daniel Pedro Morando na "vida" das duas empresas. DO INTERESSE E DOS PODERES DO SR. DANIEL PEDRO MORANDO Para demonstrar o interesse comum e os poderes de gestão do Sr. Daniel Pedro Morando na CB Distribuidora, a fiscalização elaborou extensa argumentação, relacionando, em síntese, os seguintes documentos, atos ou fatos: a) a interposição de pessoas já descrita neste relatório, quando foram relatados os motivos para a exclusão do Simples; b) o Sr. Daniel Pedro Morando era proprietário desde janeiro de 2004 dos equipamentos utilizados por ambas, como câmaras frias e freezers horizontais, conforme contrato de compra e venda de equipamentos, móveis e utensílios de fls. 307 a 312; Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 10 9 c) em 25 de março de 2004, o Sr. Daniel Pedro Morando transferiu, de sua própria conta bancária, R$ 5.000,00 para AP MARTINS (distribuidora da GELOKO) e R$ 10.000,00 diretamente para a GELOKO Marketing e Promoções Ltda, ambas fornecedoras da MEAT PLUS e da CB Distribuidora (fl. 316); d) os caminhões de propriedade da CB Distribuidora foram localizados posteriormente na FLORIGEL, pessoa jurídica na qual figurava como sócio o Sr. Daniel Pedro Morando, com 94% do capital, constituída em 20 de setembro de 2004 no mesmo endereço onde funcionavam MEAT PLUS e CB Distribuidora, com mesmo objeto social e distribuição dos mesmos produtos (GELOKO). Os demais argumentos utilizados pela fiscalização, e que dizem respeito a fatos relacionados exclusivamente à MEAT PLUS, não serão relatados. DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS Além do Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda, foram também lavrados Autos de Infração em que são exigidas a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, relativas a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2003 e 2004. No caso das receitas declaradas, a fiscalização explica que não há lançamentos reflexos, tendo, por essa razão, constituído de oficio os créditos tributários em autos de infração apartados. DA IMPUGNAÇÃO AO LANÇAMENTO FISCAL No primeiro item de sua petição (I — DOS AUTOS DE INFRAÇÃO, fl. 534), a impugnante referese a crédito tributário apurado com base em fatos geradores ocorridos em 2003, 2004 e 2005, quando, em verdade, o lançamento não abrange fatos ocorridos em 2005. No item II — Dos FATOS SUPERVENIENTES (fls. 535 a 537), a impugnante alega que não raras vezes quantias migravam de uma conta bancária para outra, entre as empresas MEAT PLUS, CB DISTRIBUIDORA e as pessoas físicas Pedro Luiz da Silva Filho, Daniel Pedro Morando e Matias Morando, razão pela qual a movimentação financeira não guarda relação com base de cálculo apurada pela fiscalização. Ainda no item II, a impugnante faz menção a planilhas que teriam sido protocoladas em 26 de novembro de 2007 — após, portanto, a ciência do lançamento — contendo informações sobre movimentações financeiras realizadas sucessivas vezes entre as empresas. PRELIMINARES O item III da petição é destinado a questões preliminares. Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 11 10 No item III., a impugnante alega que o lançamento é nulo porque não foi fixado prazo máximo para conclusão dos trabalhos de fiscalização, conforme o disposto no art. 196 do Código Tributário Nacional. E, segundo a impugnante, mesmo que tivesse fixado prazo máximo, deixou a autoridade administrativa de lavrar Termo de Prorrogação. A preliminar contida no item III.II diz respeito à responsabilidade solidária de Pedro Luiz da Silva Filho, e será relatada em momento próprio. Na preliminar III.III — DA IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DE MULTA/VÍCIO DO LANÇAMENTO (fls. 542 e 543), em razão de a autoridade fiscal ter aplicado multa de oficio, quando, no entendimento da impugnante, deveria ter apenas proposto sua aplicação, alega a nulidade do lançamento ou, ao menos, pugna que seja declarada indevida a aplicação da multa. No seu entender, o fisco deveria se limitar a elaborar um relatório da ocorrência e leválo ao conhecimento da autoridade julgadora, quando então poderia ser efetivamente imposta a penalidade. Ainda no item III.III, citando Ruy Barbosa Nogueira, alega que as leis ordinárias e os regulamentos que atribuem aos agentes fiscais a lavratura de autos de infração com imposição de multas violam o CTN. Na preliminar III.IV, a impugnante alega que a forma de calcular os juros de mora, encargos e atualização monetária não é explicada detalhadamente nos Autos de Infração, nos demonstrativos de multa e juros e nem no Termo de Verificação Fiscal, o que representaria um erro grave. Fundamenta sua afirmação na exigência da necessária observância do aspecto formal do ato administrativo, que viabilize o exercício do contraditório e da ampla defesa. Ainda no mesmo item, a impugnante afirma que deve estar expresso no lançamento o valor originário, os juros que incidem sobre o valor originário (com indicação da data a partir da qual devem ser computados e a forma de calcular), os encargos previstos na lei, a atualização monetária, e o fundamento legal dos elementos acima citados. Para a impugnante, não basta apenas mencionar a legislação e lançar números. Questiona se não haveria, no caso, a incidência de juros sobre juros, ou de multa sobre multa. No item III.V, a impugnante expõe seu entendimento sobre o instituto do lançamento tributário, para então afirmar que, no presente caso, os aspectos da hipótese de incidência não estão identificados, o que ensejaria sua nulidade. Alega que as razões legais que determinam o lançamento estão postas de forma confusa, o que acarreta cerceamento do seu direito de defesa, Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 12 11 tornando difícil a averiguação dos números lançados pelo fisco em seus cálculos matemáticos. No mesmo item, afirma que o Fisco não apresentou elementos que pudessem ensejar o referido ato fiscal e arremata, citando Paulo de Barros Carvalho, dizendo que "0 ato jurídico administrativo de lançamento será nulo, de pleno direito, se o motivo nele declarado — a ocorrência de determinado fato jurídico tributário por exemplo — inexistiu." Por fim, em item não numerado denominado DO LANÇAMENTO INSANÁVEL (fls. 546 a 548), a impugnante ataca o fato gerador e a base de cálculo do lançamento, alegando que inexistiu um levantamento correto. Afirma que não são infreqüentes as ocasiões em que o profissional do Direito Tributário se depara com autuações nas quais os fatos alegados pelas autoridades fiscais não se enquadram em hipóteses abstratamente escolhidas pelo legislador para a exigência de um tributo. Citando o art. 333 do Código de Processo Civil e ementa de julgado do Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo, de 18/12/1985, afirma que, para a configuração do fato gerador, compete ao poder público, de modo privativo e obrigatório, a comprovação da existência de todos os elementos componentes do fato, sob pena de mera presunção. Para a impugnante, o contribuinte não pode em hipótese alguma ser apenado por alegações decorrentes de mera presunção simples, sem provas que venham a materializar o dito lançamento tributário. QUESTÕES DE MÉRITO No mérito, a impugnante primeiramente afirma que nada deve ao Fisco, tendo sido registradas e declaradas todas as movimentações financeiras, e comerciais da(s) pessoa(s) jurÍdicas(s), conforme restará evidenciado no decorrer do presente procedimento administrativo, somado a matéria indicada nos fatos supervenientes, e nas preliminares arguidas. No item IV.I, intitulado DA ILEGALIDADE DO ARBITRAMENTO DO LUCRO, E DO CERCEAMENTO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO (fls. 549 a 551), a impugnante alega que não apresentou a escrituração contábil e fiscal à autoridade fiscal porque a contabilidade era controlada pelo sócio administrador de fato DANIEL MORANDO. A impugnante alega, ainda, que os extratos bancários que foram requeridos pelo Fisco, somados às notas fiscais obtidas junto a clientes, seriam suficientes para ilidir o arbitramento. A impugnante defende que o arbitramento alcançou valores muito elevados porque o "mesmo dinheiro" acabava circulando na conta das pessoas físicas e jurídicas apontadas [..] o que gerava grande vulto. Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 13 12 Citando o disposto no art. 148 do CTN, afirma que a legislação tributária nacional é clara ao dispor que somente será realizado o arbitramento quanto [sic] forem omissos, ou não mereçam fé os documentos prestados pelo sujeito passivo o que tornaria inviável o arbitramento em exame, pois os documentos colhidos de terceiros [...] são fidedignos. Ainda no item IV.I, novamente afirma que não estando indicados [...] todos os dados e documentos utilizados para aferição dos valores arbitrados, o lançamento coloca também os Impugnantes em evidente hipótese de cerceamento do exercício da ampla defesa e do contraditório. O item IV.II (fls. 551 a 558) destinase a atacar a constitucionalidade e a legalidade da aplicação da taxa SELIC ao caso. Por motivos que serão explicadas no voto, deixo de relatar essa parte da argumentação da impugnante. No item IV.III (fls. 551 a 558), alegando que à época dos fatos geradores era optante do Simples, a impugnante se insurge contra o lançamento fiscal efetuado segundo as regras aplicáveis aos não optantes. O item IV.IV (fls. 561 a 564) destinase a atacar a constitucionalidade das normas legais que cominam as multas fiscais em 150% ou 75%. Por motivos que serão explicadas no voto, deixo também de relatar essa parte da argumentação da impugnante. No item IV.V a impugnante contesta a qualificação da multa de oficio alegando que não existem elementos probatórios acostados nos autos administrativos capazes de ensejar a aplicação furiosa de percentuais astronômicos. Entende que, caso seja admitida a procedência do crédito em discussão, seria o caso de aplicação da multa de 75%, prevista para a falta ou insuficiência de pagamento. PEDIDOS Por fim, no item V — DOS PEDIDOS, a impugnante requer o acatamento das preliminares arguidas, além de toda a matéria de mérito; pugna pela produção de todos os gêneros de provas admitidas em direito; requer que sejam acostados todos os documentos que constituíram o procedimento que originou o lançamento, dentre eles, os termos de abertura, prorrogação, diligências etc; e requer ajuntada de novos documentos tendo em vista as buscas incessantes realizadas pelo Segundo Impugnante/PEDRO LUIZ para comprovar as teses apresentadas. DA IMPUGNAÇÃO Á RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ATRIBUÍDA A PEDRO LUIZ DA SILVA FILHO A impugnação à responsabilidade tributária solidária do Sr. Pedro Luiz da Silva Filho foi apresentada em conjunto com a impugnação da pessoa jurídica ao lançamento. Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 14 13 A seguir, portanto, serão relatadas apenas as alegações relativas à responsabilidade tributária. No item II — DOS FATOS SUPERVENIENTES (fls. 535 a 537), o impugnante alega que: embora conste como sócio administrador da CB Distribuidora, não possuía plenos poderes como indicam formalmente os contratos sociais; era responsável apenas pelas atividades comerciais da CB Distribuidora; atuava subordinado aos comandos do sócio de fato Daniel Pedro Morando; deixou de apresentar a escrituração contábil e os documentos que lhe dão suporte porque teve obstada sua entrada no imóvel onde funcionava a CB Distribuidora; sua ilegitimidade passiva é evidente, tendo sido posto para figurar nos contratos sociais como proprietário e administrador, mas efetuava atos apenas por subordinação aos comandos de Daniel Pedro Morando. No item III.II (fls. 539 a 541) o impugnante aprofundase nas alegações de ilegitimidade passiva decorrente da inexistência de solidariedade, aduzindo que: foi inserido nos contratos sociais como proprietário a administrador, mas nunca ocupou, ou teve proveitos correspondentes às prerrogativas que lhe foram atribuídas formalmente; sua responsabilidade com base no inciso III do art. 135 do CTN exige a evidente prática de atos de direção ou gerência, que, de sua parte, não estiveram presentes; a simples condição de sócio não implica a responsabilidade tributária prevista no inciso III do art. 135 do CTN; o inadimplemento da obrigação tributária não configura violação à lei apta a ensejar a responsabilidade dos sócios. No mais, o impugnante reiteradamente alega que a responsabilidade tributária deveria recair, exclusivamente, sobre Daniel Pedro Morando. DA IMPUGNAÇÃO À RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ATRIBUÍDA A DANIEL PEDRO MORANDO Conforme já mencionado, em 19 de dezembro de 2007, o Sr. Daniel Pedro Morando apresenta impugnação de fls. 502 a 514. O impugnante inicia sua petição afirmando que a fiscalização não foi contundente e investigativa a ponto de demonstrar que era sócio de fato da CB Distribuidora, que praticava atos de Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 15 14 gestão na mesma, ou que teria se beneficiado com a movimentação financeira da empresa. Alega que a fiscalização manipulou as informações e datas sobre a saída de Matias Morando, seu filho, numa clara tentativa de induzir a idéia de que Matias Morando preparou de forma pré meditada a dissolução irregular da mesma. Passando para outro aspecto do relato fiscal, o impugnante afirma que a fiscalização, numa clara tentativa de caracterizar uma continuidade, uma sucessão da CB Distribuidora, relata que ao mesmo tempo em que Matias Morando saia das sociedades, seu pai Daniel Pedro Morando criava a FLORIGEL, da qual era sócio com 94% do capital e com o mesmo objeto da CB Distribuidora. No entanto, a fiscalização teria omitido o fato de que a FLORIGEL, no período em que Daniel Pedro era detentor de cotas dessa sociedade, não efetuou qualquer movimentação, não atuou no mercado, não tinha inscrição estadual, não tinha talonário de notas fiscais, e que essa informação foi prestada na declaração de inatividade à Receita Federal do Brasil. Fazendo referência a processos criminais, a que teve acesso a fiscalização, em que a suspeita dos juizes é de que Pedro Luiz da Silva Filho roubou da Perdigão e agora usa Daniel Pedro Morando como seu "laranja", o impugnante alega que para a fiscalização é justamente o contrário: Pedro Luiz da Silva Filho é "laranja" de Daniel Pedro Morando. Ou seja, a fiscalizado se apóia em processos que até agora apuraram justamente o oposto do que o apurado pela fiscalização. O impugnante alega cerceamento de seu direito de defesa em razão de não lhe terem sido disponibilizados os processos criminais citados pela fiscalização. Contesta a conclusão da fiscalização de que é o verdadeiro proprietário da empresa. Alega que a tese da fiscalização é baseada em declaração de Pedro Luiz da Silva Filho, desconsiderando documentos, particulares e públicos, atos jurídicos perfeitos e distorcendo a realidade para que ela se adequasse a sua tese. O impugnante afirma que durante todo trabalho a fiscalização não se preocupou em apurar a verdade material. Afirma que o fato de ser proprietário e locador de imóvel no qual está estabelecida a sociedade empresarial não o torna sócio da empresa locatária. Faz considerações sobre o que denominou "triangulação" de terrenos imaginada pela fiscalização, relativa ao que, segundo a autoridade autuante, seriam operações imobiliárias com real objetivo de aquisição, por Daniel Pedro Morando, de participação nas empresas CB Distribuidora e CHAPOLIN Distribuidora, utilizandose de interpostas pessoas: Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 16 15 43. A "triangulação" de terrenos imaginada pela fiscalização nas folhas 14 e 18 são [sic] de uma enorme capacidade criativa e de um total desconhecimento das práticas imobiliárias e registrais [sic] fiscalização alega que se trata de negócio simulado e que tudo ocorreu num único dia (14 de agosto de 2003). 44. Senhores, as escrituras e os respectivos registros foram feitos na mesma data, no entanto há contrato particular lastreando tais documentos públicos. Por exemplo, o contrato de promessa de compra e venda de imóvel, datado de 05 de março de 2003 e com reconhecimento de firma datada de 04 de abril de 2003. 45. 0 que ocorre é que geralmente se procura os cartórios quando há a necessidade de se formalizar tais operações, isto pelos custos envolvidos e pelo fato de o registro público não ser obrigatório. Afirma que nunca realizou qualquer ato de administração, gestão, representação ou comércio na CB Distribuidora, não havendo nenhum documento que provasse o contrário. O impugnante afirma que não há prova de que havia confusão patrimonial entre as empresas MEAT PLUS, CB e CHAPOLIN, e seu patrimônio pessoal. Alega, por fim, que a fiscalização não comprovou o uso de recursos da CB Distribuidora para mutação de seu patrimônio. As demais alegações, que dizem respeito a fatos relacionados exclusivamente A. MEAT PLUS, não serão relatadas. A DRJ de Florianópolis entendeu pela manutenção da exclusão do Simples e pela manutenção dos lançamentos fiscais, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Nos casos de constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas e de prática reiterada de infração à legislação tributária, a exclusão do Simples surte efeitos a partir do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 17 16 Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade Fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Se as circunstâncias apuradas pelo Fisco, evidenciam a intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA. São responsáveis pelos tributos exigidos da pessoa jurídica, os diretores, gerentes ou representantes que tenham praticado atos com infração de lei, tais como a dissolução irregular da empresa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 PRORROGAÇÃO DE PRAZO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA FORMAL DO SUJEITO PASSIVO. DESNECESSIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal possui código de acesso à Internet, permitindo que o sujeito passivo, sempre que necessitar, acesse o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação. Eventual não fornecimento do demonstrativo de prorrogação à Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 18 17 fiscalizada não tem o condão de tornar nulo o procedimento fiscal e, consequentemente, o auto de infração, haja vista que o contribuinte pode acessar a situação do MPF na interne, por meio do código de acesso (indicado no MPF), quantas vezes necessitar, inclusive após o encerramento da ação fiscal. CERCEAMENTO DO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. Tendo sido pela fiscalização abordadas detalhadamente as razões que levaram ao arbitramento dos lucros, não há que se falar em cerceamento do exercício da ampla defesa e do contraditório. Também descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa quando todos os documentos referidos pela fiscalização encontramse devidamente juntados ao processo. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições especificas ou elementos de prova novos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi intimada em 14/06/2010 da decisão da DRJ. Apenas o responsável solidário Daniel Pedro Morando interpôs Recurso Voluntário em 10/07/2010, alegando em síntese que: a) Inicia seu Recurso afirmando que é um homem de bem empresário que nunca teve autuações fiscais em suas empresas; b) No final de 2002, decididos a se separarem de fato, o Recorrente e sua então esposa (Ana Elena Rosario Pieruccioni de Morando) colocaram à venda a casa em que moravam em Jurerê. O Recorrente foi apresentado a PEDRO, interessado na compra da casa, por intermédio de imobiliária da região; c) Em 05/03/2003, o Recorrente e PEDRO firmaram Contrato de Promessa de Compra e Venda (fls. 518/520) da casa pelo valor total de R$ 350.000,00 (trezentos e cinqüenta mil reais), no qual restou consignado a seguinte forma de pagamento (...); Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 19 18 d) A RF afirma que a venda da casa de Jurerê é simulada (transação fictícia parte de suposta "triangulação" de imóveis) e, portanto, não haveria comprovação da movimentação financeira relativa ao pagamento da mesma. Ou seja, saída de capital do patrimônio de PEDRO e entrada no patrimônio do Recorrente; e) Efetivamente houve a venda e a transferência de valores entre os patrimônios do vendedor e do comprador. Além disso, houve a transmissão da posse, passando PEDRO e sua esposa realmente a residir na casa comprada a partir do contrato; f) Conforme a DIRPF de 2004 de PEDRO, ele inclusive fez benfeitorias na casa! Ora, é o que se passa a explicar e comprovar! g) Dentre as quantias explicitadas no contrato de promessa de compra e venda está, primeiramente, o valor de R$ 105.000,00. Uma semana após a assinatura do contrato (em 12/03/2003), PEDRO pagou a quantia referida através de 3 (três) depósitos bancários no valor de R$ 35.000,00 cada. Os depósitos saíram da conta bancária do Bradesco em nome de MEAT PLUS e foram recebidas por Max, Helga e Friedrich Blaschke; h) Explicase: PEDRO era verdadeiro sócio de fato e gestor da empresa MEAT PLUS desde julho/2002, ou seja, antes mesmo de constar no contrato social como sócioadministrador (a sua entrada formal na empresa se deu apenas em 05/05/2003, conforme 28 alteração do contrato social da MEAT PLUS — fls. 18/26, do Anexo V), conforme apurou a RF. Por outro lado, o Recorrente estava comprando um terreno de Max, Helga e Friedrich Blaschke (escritura fls. 521/523). i) Portanto, PEDRO (através da MEAT PLUS) pagou ao Recorrente os R$ 105.000,00 através de depósito direto na conta de Max, Helga e Friedrich Blaschke. Assim, houve movimentação financeira e restou quitada a primeira parte do pagamento da casa. j) O Recorrente deveria receber até 10 de março a quantia de R$ 35.000,00, o que se efetivou com o pagamento em dinheiro. Portanto, houve movimentação financeira e transferência de patrimônio; k) Além disso, o Recorrente deveria receber a quantia de R$ 90.000,00, em 15 parcelas mensais de R$ 6.000,00 cada, das quais algumas foram pagas pontualmente por PEDRO (doc. 02 — extrato bancário do Recorrente) e algumas restaram inadimplidas. Mais movimentação financeira; l) Há que se esclarecer, ainda, o "saldo de R$ 120.000,00.. com pagamento do contrato n. 1500012289 do Banco Daimler Chrysler, correspondentes a 22 parcelas de R$ 5.469,25...". Explicase: na negociação da venda da casa, PEDRO queria que o Recorrente aceitasse como parte do pagamento um veiculo Mercedes Benz ML 320 (parcialmente financiado — leasing — fl. 259). m) O Recorrente, não tendo interesse no veículo mas querendo viabilizar o negócio, propôs que PEDRO trocasse o veiculo por dois de seu interesse (uma Mercedes Benz C180 e uma Mercedes Benz classe A160), que então compraria os bens, assumindo os respectivos financiamentos, o que realmente ocorreu (fls. 260/261 e doc. 03). n) A obrigação constante do contrato era a de PEDRO pagar 22 parcelas de R$ 5.469,25, que correspondiam as quitações dos contratos de financiamento dos veículos. E Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 20 19 PEDRO efetivamente depositou mensalmente na conta corrente do Recorrente os valores avençados até começo de 2004. Ou seja, o Recorrente comprou os veículos de PEDRO assumindo os financiamentos respectivos, mas constou no contrato de compra e venda da casa de Jurerê o recebimento de valores que permitiriam ao mesmo quitar os contratos. Logo, movimentação financeira e transferência de patrimônio! o) Por fim, para que não restem dúvidas de que: a) a venda da casa de Jurerê pelo Recorrente a PEDRO não foi fictícia: b) o negócio foi realizado em 05/03/2003 e não apenas em 08/2003 (conforme afirma erroneamente a RF); colacionase o Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital do Recorrente em relação à referida venda do imóvel dos anos de 2003 e 2004 doc. 04) e a prova da quitação do imposto (doc. 05), inclusive da primeira parcela do imposto paga em 29/05/2003. Ou seja, não há que se falar em negócio fictício e ausência de prova de movimentação financeira ! p) Repitase: PEDRO efetivamente se mudou para a casa comprada com sua esposa, onde passaram a residir! q) Tratando do relacionamento do Recorrente com Pedro, argumento que possui 2 filhos: Matias Morando (MATIAS) e Santiago Morando. MATIAS cursava, à época, a faculdade de administração de empresas (conforme certidão em anexo — doc. 07), contando com 20 anos. PEDRO informou ao Recorrente que estava para sair da Perdigão para assumir empresa própria e sugeriu que MATIAS fosse seu sócio no pretenso "novo" negócio. r) Argumentou que: i) seria bom para MATIAS ter uma rotina de trabalho e poder ganhar experiência; ii) dominava o assunto e o mercado, de modo a ser um investimento relativamente seguro, até porque a empresa já estava em atividade e já contava com receita própria; iii) a inexperiência de MATIAS não seria problema porque toda a administração da empresa estaria sob a sua responsabilidade; iv) seria uma fonte de renda para MATIAS, que estava iniciando a sua vida profissional. s) O Recorrente ressaltou que nada conhecia do ramo alimentício, ao que PEDRO respondeu que não era necessário, já que assumiria toda a gestão do negócio e já contava com as portas abertas do mercado. t) O Recorrente levou a proposta de PEDRO a MATIAS e incentivou o filho a trilhar seus primeiros passos como empresário. Em 05/05/2003, MATIAS adquire, com recursos próprios (conforme DIRPF 2002/2004 — doc. 08), 26% das cotas sociais da empresa MEAT PLUS e passa a ser sócio cotista da mesma. Na mesma data, PEDRO formaliza a sua condição de sócio da empresa (anteriormente se utilizava de interpostas pessoas) e, mais, resta formalizada a sua condição de sócio administrador exclusivo (2ª alteração de contrato social da MEAT PLUS fls. 18/26, do Anexo V). u) Deveras, PEDRO já era o administrador de fato da empresa, inclusive com poderes nos bancos os quais a MEAT PLUS era correntista e exercendo a negociação perante os clientes. Nada mudou com a entrada de MATIAS, apenas o fato deste ser sócio cotista. Todas as decisões e atos de administração continuaram a ser exercidas exclusivamente por PEDRO! v) MATIAS não buscava resultado econômico imediato, mas aplicação prática do conhecimento adquirido na faculdade. A atividade de MATIAS, durante todo o Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 21 20 período em que esteve na sociedade, foi de controlador de estoque da câmara fria da empresa, conforme sabem todos os funcionários que trabalhavam na MEAT PLUS A. época. z) Ou seja, de janeiro de 2003 até 05 de maio de 2003, sequer MATIAS era sócio cotista da empresa MEAT PLUS, período este no qual o Recorrente apenas sabia da existência da empresa e sabia do interesse de PEDRO em ter MATIAS como sócio, nada mais! Ainda que se desconsiderasse o fato de não ter atuado em nenhum momento como gestor/administrador da sociedade e não ser sócio de fato, NO MÍNIMO, há de se reconhecer que o Recorrente não pode ser responsabilizado pelos créditos tributários em face da MEAT PLUS apurados nesse período (01/2003 05/2003)! E mais, o certo é que não fosse responsável perante terceiros (caso da RF), mas apenas junto aos antigos sócios, até o registro da alteração contratual na Junta Comercial, que apenas se deu em 09/09/2003. z.1) Tratando da questão da aquisição da CD Distribuidora, o Recorrente aponta em seu recurso a seguinte história: PEDRO, já tendo a confiança do Recorrente, informouo de uma oportunidade de negócio incrível que havia aparecido para si. Segundo palavras de PEDRO: "é o negócio da minha vida". Tratavase da aquisição da empresa CB, distribuidora da marca de sorvetes "GELOKO". Porém, havia um empecilho facilmente contornável pela boa vontade do Recorrente, segundo asseverou PEDRO. z.2) Explicase: a empresa CB era de propriedade de Carmem Beatriz Menezes de Souza e André Menezes de Souza (respectivamente, esposa e filho de Arnaldo Venicio de Souza). PEDRO não possuía dinheiro para a aquisição. Por outro lado, Arnaldo Venicio de Souza demonstrou interesse na aquisição de 2 terrenos de propriedade de DGV Empreendimentos Imobiliários Ltda. (cujo sócio majoritário era o Recorrente) que estavam à venda. Ora, PEDRO pediu ao Recorrente, seu então amigo intimo, que permutasse a casa de Jurerê pelos 2 terrenos de propriedade da DGV para que pudesse vender a Arnaldo Venicio de Souza e com o produto da venda comprar a empresa CB; z.3) Como se tratava de uma expansão do negócio, PEDRO convidou MATIAS a se juntar a ele na compra da empresa CB com o mesmo percentual que já tinha na MEAT PLUS, como sócio cotista (portanto, sem participação na gestão/administração da nova empresa adquirida). MATIAS aceitou e adquiriu as cotas representativas de 26% do capital social (DIRPF 2002/2004 — doc. 08); z.4) Resta evidente pela análise dos fatos que quem adquiriu a empresa CB foi PEDRO, não como interposta pessoa do Recorrente, mas com recursos próprios e com o intuito de administrar e fazer render o negócio. O Recorrente em NADA influenciou na compra da empresa CB, muito menos era sócio de fato da mesma, quem dirá gestor/administrador. z.5) Além disso, provase que não houve qualquer suposta "triangulação" com a venda da casa de Jurerê, que já havia sido negociada 5 meses antes de ter sido registrada através de transação real e comprovada através: a) de contrato de promessa de compra e venda com firma reconhecida; b) da movimentação financeira entre PEDRO e o Recorrente; c) do fato de PEDRO ter ido morar na casa comprada imediatamente e feito benfeitorias; z.6) Por fim, cabe esclarecer qual a relação da empresa CHAPOLIN Distribuidora de Alimentos Ltda. com a CB e a MEAT PLUS. Em 28/01/2004 (registro em 21/06/2004, conforme 58 alteração de contrato social da CHAPOLIN), PEDRO adquiriu, sem Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 22 21 o conhecimento do Recorrente ou de seu filho MATIAS, através de interposta pessoa (seu pai PEDRO LUIZ DA SILVA), as cotas da empresa CHAPOLIN, então pertencentes a Arnaldo Venicio de Souza. lid fortes indícios de que PEDRO utilizava a empresa CHAPOLIN para simular negócios com as empresas CB e MEAT PLUS, principalmente forjando títulos (duplicatas) utilizados para levantar dinheiro junto a instituições financeiras (inclusive existem processos criminais em segredo de justiça que tratam do assunto contra PEDRO). Ou seja, tratavase de mais um artificio de PEDRO para aplicar golpes em terceiros, no caso, os bancos. z.7) A verdade incontestável é que PEDRO demonstra ser um foradalei, sendo necessário separar o trigo do joio no presente caso, sob pena de préjulgamentos e violação aos princípios constitucionais da igualdade, ampla defesa e contraditório (art. 5°, CF); z.8) Portanto, manifestamente equivocada a tese aventada pela RF no sentido de que o Recorrente seria o pretenso "sócio de fato" e "gestor/administrador" das empresas fiscalizadas; z.9) Não obstante, ainda que por hipótese se admitisse como verdadeira a referida tese, o Recorrente apenas poderia ser tributariamente responsabilizado a partir da compra da CB por sua pretensa interposta pessoa (no caso, PEDRO), algo ocorrido em 19/08/2003 (registro Junta Comercial — fl. 15, Volume I). Ou seja, absolutamente impossível e descabido responsabilizar o Recorrente pelos débitos tributários de 01/2003 até 19/08/2003. z.10) Afirma ainda que o relacionamento entre PEDRO e o Recorrente se estreitou desde que se conheceram. PEDRO era muito envolvente e sabia como conduzir o Recorrente. Assim, paralelamente negociação da casa de Jurerê, outros negócios foram concretizados entre os dois: i) conforme esclarecimento prestado pelo Recorrente as fls.. 360/363, este efetuou vários empréstimos a PEDRO, todos constantes da sua DIRPF de 2004 (...) e devoluções, com saldo consolidado em 13/08/2003: divida de R$ 235.000,00. z.11) Além disso, o Recorrente adquiriu um imóvel de PEDRO (fls. 262/264) no valor de R$ 105.000,00 pagos com cheque endossado de terceiro (n° OP — 446865, Ag. 440, do Banco ltaú — fl. 263 e doc. 13) — prova de movimentação financeira. PEDRO alegou que o imóvel estava quitado, mas restou ao Recorrente uma divida junto à Caixa Econômica Federal de R$ 60.816,72 (total apurado em 13/08/2003). O Recorrente pagou à CEF para liberar o imóvel doc. 14). O mesmo golpe sofreu o adquirente do imóvel vizinho a este, que comprou de PEDRO e, igualmente, saiu no prejuízo (fls. 265/267 e doc. 28). z.12) PEDRO recebia parcelas mensais de R$ 6.000,00 (seis mil reais) referentes A. venda do imóvel referido e repassava ao Recorrente, muitas vezes em dinheiro, como pagamento da parcela (de mesmo montante) que devia referente à compra da casa de Jurerê. z.13) Por fim, restavam serem pagas as parcelas do contrato de compra e venda da casa de Jurerê ainda não vencidas até 13/08/2003: i) 11 parcelas de R$ 6.000,00; ii) 18 parcelas de R$ 5.469,25; cujo total atualizado em 13/08/2003 era de R$ 164.124,00; z.14) O contrato de confissão de divida abarca todas essas três dividas acima especificadas, corrigidas até 13/08/2003. z.15) Com isso, a sua tese se resume em alegar que a gestão/administração e a representação da empresa CD era ÚNICA e EXCLUSIVAMENTE exercida por PEDRO; Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 23 22 z.16) Afirma que em 2005, PEDRO recebeu a contabilidade das empresas CB e MEAT PLUS das mãos do contador Rogério Lino Silveira, representante da empresa CONTASSC, conforme declaração do contador constante das fl. 62, do Vol. I, do processo administrativo preparatório para Ação Cautelar relativo ao processo 11516.004656/200792 (doc. 01) e se negou a apresentála no presente procedimento fiscal quando intimado! Tratase de prática espúria que visa confundir o fisco e imputar falsa responsabilidade ao Recorrente; z.17) Ficou claro por todo o exposto que PEDRO sempre agiu conforme seus próprios interesses (inclusive na invenção que o Recorrente era sócio de fato das empresas fiscalizadas) e não segundo os interesses do Recorrente; z.18) Afirma ainda que por volta de março de 2004, PEDRO pediu emprestado ao Recorrente o montante de R$ 15.000,00 para o pagamento de fornecedores da MEAT PLUS e CB, pois, segundo alegou, estava com "problemas de caixa" no curto prazo e não queria atrasar os compromissos assumidos perante seus fornecedores. 0 Recorrente novamente anuiu, depositando R$ 10.000,00 na conta de Geloko Mark. e Prom. Ltda. (fl. 316) e R$ 5.000,00 na conta de AP Martins Fabr. Rec. Maq. (fl. 316). Nada além disso; z.19) Afirmou que necessitava de um "último" favor. Já que os fornecedores não confiavam mais nele, precisava de um aval. A muito custo e já com receio de não receber o que lhe era devido (apesar de ainda nem desconfiar das falcatruas praticadas por PEDRO), o Recorrente avalizou 5 cheques emitidos por PEDRO no valor de R$ 5.000,00 cada, os quais foram utilizados para o pagamento do fornecedor "TERRE Alimentos" (fl. 100, Anexo VII); z.20) Posteriormente, para pagamento da divida acima, PEDRO emitiu duplicatas da MEAT PLUS. A empresa credora (TERRE), que tinha a garantia do aval do Recorrente nos cheques, apenas aceitouas com a condição de que também contassem com a mesma garantia, razão pela qual o Recorrente avalizou as referidas duplicatas, que, posteriormente, se revelaram sem lastro; z.21) O Recorrente não possuía qualquer controle sobre as operações da MEAT PLUS ou CB, não era sócio de fato e nunca agiu como administrador/gestor ou representante das empresas fiscalizadas, portanto, avalizou as duplicatas SEM TER A MENOR NOÇÃO de que careciam de lastro! O Recorrente apenas queria que PEDRO ou a MEAT PLUS adimplissem a divida e o livrassem da responsabilidade subsidiária decorrente dos avais prestados. Atos de gestão foram praticados única e exclusivamente por PEDRO. z.22) Já temeroso no que toca ao recebimento dos valores devidos por PEDRO, o Recorrente aceitou firmar, em 19/01/2004, contrato de compra de venda de bens móveis com a CB, por meio do qual adquiriu os bens móveis ali discriminados (fls. 82/87) em troca de parte da divida que PEDRO possuía consigo. Na verdade, referido negócio jurídico aproximouse de uma compra e venda com reserva de domínio, na medida em que a CB continuou com a posse direta dos bens e restou ao Recorrente a posse indireta. Tratavase de uma forma de o Recorrente se garantir do montante que PEDRO lhe devia; z.23) Como dito acima, PEDRO ficou como depositário dos bens para que as atividades da sociedade não fossem paralisadas. Contudo, utilizandose da máfé que lhe é peculiar, PEDRO entregou em garantia ao Banco Itaú (em 07/01/2004 —doc. 24) parte dos bens outrora vendidos ao Recorrente antes de alterar o endereço da sede das empresas e abandonar os bens móveis que ainda restavam em operação (o que_prova, mais uma vez, que é um criminoso e que o Recorrente em nada gerenciava/administrava as empresas fiscalizadas). Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 24 23 z.24) Segundo a fiscalização, 2 caminhões da CB foram encontrados sendo utilizados pela FLORIGEL. z.25) Por fim, em seu longo arrazoado advogada a tese da exclusão da responsabilidade frente ao artigo 135 do CTN, que Matias não foi administrador, que ele não era sócio de fato da CD, que a culpa e responsabilidade era do estelionatário Pedro; z.26) Em seus pedidos, requereu: (a) desconstituir a situação imposta ao Recorrente de sujeito passivo solidário dos autos de infração resultantes do presente procedimento fiscal e, na seqüência, cancelar o arrolamento de bens imposto ao patrimônio do mesmo, bem como o lançamento fiscal em face de sua pessoa; (b) alternativamente, cancelar parcialmente o lançamento fiscal e excluir a responsabilidade do Recorrente em relação aos valores dos tributos apurados entre 01/2003 e 19/08/2003, data registro da alteração do contrato social da CB, já que, segundo a tese da RF, o Recorrente apenas passou a ser sócio de fato das empresas fiscalizadas a partir da aquisição por PEDRO da CB; ou ainda, no mínimo do período de 01/2003 a 01/08/2003 (data da assinatura da referida alteração do contrato social); (c) alternativamente e cumulativamente ao pedido "b" supra, cancelar parcialmente o lançamento fiscal e excluir a responsabilidade do Recorrente em relação aos valores dos tributos apurados entre 01/2003 e 09/09/2003, data do registro da alteração do contrato social da MEAT PLUS, já que, segundo a tese da RF, o Recorrente apenas passou a ser sócio de fato dessa empresa a partir da aquisição por MATIAS das cotas sociais; ou ainda, no mínimo do período de 01/2003 a 05/05/2003 (data da assinatura da referida alteração do contrato social); Juntou aos autos os seguintes documentos: 1) cópia da declaração do contador da MEAT PLUS e CB que entregou a PEDRO, em mãos, os documentos contábeis das empresas em 2005, constante das fl. 62, do Vol. I, do processo administrativo preparatório para Ação Cautelar relativo ao processo 11516.004656/200792; 2) cópia dos extratos bancários do Recorrente de 2003 no qual constam pagamentos de PEDRO referente ao contrato da compra da casa de Jurerê; 3) cópia do contrato de cessão de direitos e assunção de obrigações no qual PEDRO passa ao Recorrente o financiamento (Banco Daimler Chrysler) dos dois veículos da Mercedez Benz; 4) cópia do demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital do Recorrente em relação venda da casa de Jurerê dos anos de 2003 e 2004; Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 25 24 5) cópia dos comprovantes do pagamento do imposto decorrente da Apuração dos Ganhos de Capital referente à venda da casa de Jurerê; 6) cópia da sentença de 1° grau da Ação Penal de n° 064.02.0151784, da 1ª Vara Criminal de São José/SC, na qual consta a condenação de PEDRO por crime de apropriação indébita; 7) cópia da certidão que prova que MATIAS cursou a faculdade de administração de empresas; 8) cópia da DIRPF dos anos de 2002, 2003 e 2004 de MATIAS; 9) cópia do contrato de obrigação de fazer firmado entre o Recorrente e PEDRO em 14/08/2003; 10) cópia da retificação do contrato de obrigação de fazer referido no doc. 9; 11) cópia do cheque do Banco do Brasil n° 850255, referente a empréstimo do Recorrente a PEDRO no valor de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais); 12) cópia do cheque do Banco do Brasil no 850346, referente a empréstimo do Recorrente a PEDRO no valor de R$ 70.000,00 (setenta mil reais); 13) cópia dos documentos que comprovam que o Recorrente recebeu em negócio realizado com terceiro o cheque (n° OP — 446865, Ag. 440, do Banco Itaú) utilizado para o pagamento a PEDRO da compra da casa de Itaguaçu; 14) cópia do comprovante do pagamento pelo Recorrente de saldo de financiamento junto a CEF referente ao imóvel adquirido de PEDRO (casa de Itaguaçu); 15) cópia da nota promissória no valor de R$ 449.415,00 do qual consta como devedor PEDRO e avalista sua esposa, datada de 17/03/2003; 16) cópia do contrato particular de confissão de divida de 04/04/2003, no qual PEDRO confessa dever ao Recorrente a quantia de R$ 525.000,00; 17) distrato do contrato particular de confissão de divida firmado em 04/04/2003 referido no doc. 16; 18) cópias de mais de 70 cheques sem fundos recebidos pelo Recorrente de PEDRO; 19) cópia do distrato do contrato de comodato datado de 14/08/2003 firmado entre o Recorrente e PEDRO referente à casa de Jurerê; 20) cópia do contrato de aluguel firmado entre o Recorrente e PEDRO referente à casa de Jurerê; Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 26 25 21) cópia da notificação efetuada pelo Recorrente referente ao inadimplemento do contrato de aluguel firmado com PEDRO referente à. casa de Jurerê; 22) cópia da carta de apresentação que a empresa MEAT PLUS utilizava junto aos clientes assinada por PEDRO em julho de 2002; 23) cópia da carta de arrematação pelo Recorrente do imóvel sede da CB e MEAT PLUS; 24) cópia de documentos nos quais PEDRO entrega em garantia ao Banco Itaú bens vendidos ao Recorrente em razão de dividas da MEAT PLUS e CB; 25) cópia de documentos que comprovam a compra pelo Recorrente de imóvel de GILDOMAR; 26) cópia da rescisão do contrato de locação firmado entre o Recorrente e FLORIGEL, datada de 30/10/2006; 27) cópia da consulta de viabilidade feita pelo Recorrente à PMF referente ao imóvel que havia sido sede da CB e MEAT PLUS; 28) cópia do contrato particular de promessa de compra e venda entre PEDRO e Arnaldo Bigolin, no qual PEDRO afirma não constar dividas no imóvel (sendo que o mesmo tinha financiamento não quitado junto a CEF). O Recurso Voluntário interposto por Daniel Pedro Morando foi julgado por essa Colenda Turma, tendo como resultado por maioria de votos, vencido o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, por adotar critérios diversos do Relator, especialmente quanto à falta de competência tributária dessa Corte em analisar a responsabilidade da matéria, entendemos pelo reconhecimento da responsabilidade do único recorrente. Repitase, foram opostos Embargos de Declaração pelo Sr. Daniel Pedro Morando, que entendeu pela nulidade do julgamento, pois o nome dele não constou da publicação no diário oficial da União quanto à data da realização da sessão de julgamento. Como forma de evitar qualquer nulidade ou cerceamento do direito de defesa, entendeu este Relator por realizar novamente o julgamento do Recurso Voluntário, intimando o Sr. Daniel Pedro Morando por Diário Oficial da União a comparecer em sessão de julgamento datada de 7 de novembro de 2013. Não havendo mais nenhum prejuízo ao Recorrente, visto inclusive que seu patrono constituído nos autos também está ciente do julgamento na presente data, passemos ao voto. Este é o relatório! Voto Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 27 26 Conselheiro Rafael Correia Fuso Antes de adentrar a qualquer análise do mérito dos Embargos de Declaração opostos pelo responsável tributário, cumpre deixar consignado que analisei novamente os autos e todas as provas trazidas no mesmo. A despeito do esforço semântico do ilustre e renomado patrono do Recorrente, que enalteceu em sua sustentação oral argumentos relativos à exclusão da responsabilidade do Recorrente, entendo que não vislumbro argumentos que possam modificar minha opinião já exarada nestes autos. Inicialmente, cumpre a esse Relator tratar de questão preliminar que envolve o julgamento ou o sobrestamento do presente processo, visto que a matéria sobre a quebra de sigilo bancário encontrase pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal. Muito se discute se seria o caso de sobrestar o julgamento, considerando o disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste E. Tribunal, ou se seria o caso de julgar o Recurso Voluntário do contribuinte atendendo o disposto na Portaria n° 1/2012, do Ministro da Fazenda, que traz os seguintes enunciados sobre o tema: Art. 1º(...) Parágrafo único – O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos a matéria recorrida, independente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Entendo, na minha modesta opinião, que a Portaria do Ministro da Fazenda interpreta a questão da repercussão geral de forma parcial, analisando apenas os primeiros casos em que o Supremo Tribunal Federal procedeu com o sobrestamento dos processos, quando estava demonstrando a forma de se realizar o sobrestamento aos Tribunais de Justiça e aos Tribunais Regionais Federais, considerando ainda os casos que já haviam sido enviados àquele Tribunal. Tanto foi assim que os procedimentos de sobrestamento, conforme dispõe o artigo 543 – B, § 1°, do Código de Processo Civil, é uma norma dirigida aos Presidentes dos Tribunais de origem, ou seja, a norma não determina o sobrestamento ao STF: § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (destaquei) Desta forma, considerar como sobrestado para fins de aplicação do disposto no artigo 62A, § 1°, do Regimento Interno do Carf apenas os processos em que o STF sobrestou por decisão expressa a matéria de forma ampla é um exagero, pois limita inclusive o próprio procedimento de processamento trazido no artigo 543B do CPC, sendo muito aquém do anseio do legislador quando dispõe: Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 28 27 Art. 62A As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta feita, o entendimento desse Relator é pelo sobrestamento do presente processo, visto que a matéria que fundou o lançamento fiscal está sob repercussão geral do STF, a despeito de não existir uma decisão do próprio STF sobrestando expressamente todos os demais processos, o que vem sendo feito pelos Presidentes dos Tribunais de origem. Foi feito despacho no sentido de sobrestar por esse Relator, sendo rejeitado pelo Presidente dessa Colenda Câmara que colocou em votação o processo, se julga ou não pelo colegiado, atendendo o disposto na Portaria CARF n° 1 de 3 de janeiro de 2012. Vencido o relator, curvome ao entendimento dos meus pares, visto que estamos num Estado Democrático de Direito, fundado no princípio da legalidade, e passo ao julgamento. Em razão da interposição de Recurso Voluntário apenas pelo responsável solidário Daniel Morando, que defendeu também a exclusão de seu filho Matias da responsabilidade solidária, a análise do mérito percorrerá o caminho dos fatos e do direito, adentrando aos argumentos da exclusão da solidariedade trazido nos autos. Não está em discussão nestes autos a questão da materialidade do lançamento, visto que a empresa não apresentou Recurso, e o Embargante também nada alegou sobre os lançamentos fiscais. Estamos diante apenas da análise da Responsabilidade Solidária de Daniel Pedro Morando, que busca a reforma da decisão nessa parte. A responsabilidade tributária solidária atribuída a Daniel Pedro Morando encontrase no Termo de Verificação Fiscal. Nos termos dos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, a dissolução irregular da sociedade, a ocorrência de infrações à lei, e a utilização de interpostas pessoas justificam a responsabilidade solidária: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 29 28 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas e direito privado. O art. 50 do Código Civil é aplicado quando se evidencia abuso de personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, hipótese em que os bens dos administradores ou sócios podem ser atingidos pelas obrigações da pessoa jurídica: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. É fato incontroverso nesses autos que a responsabilidade tributária de Pedro Luiz da Silva Filho foi confirmada, tanto é que não recorreu da decisão de primeira instância administrativa. Contudo, quando tratou da questão, imputou a responsabilidade pela administração da empresa a Daniel Pedro Morando. Vejamos: Em sua impugnação à responsabilidade tributária solidária, o Sr. Pedro Luiz da Silva Filho alega que embora conste como sócio administrador da CB Distribuidora, não possuía plenos poderes como indicam formalmente os contratos sociais, sendo apenas responsável pelas atividades comerciais da empresa. Afirma que atuava subordinado aos comandos do sócio de fato, Sr. Daniel Pedro Morando. Alega, portanto, ilegitimidade passiva. Na decisão da DRJ, quando analisou os fatos e provas dos autos, ficou consignado: Ao contrário do que alega, são vários os elementos trazidos aos autos pela fiscalização que evidenciam um papel do Sr. Pedro Luiz da Silva Filho na administração da CB Distribuidora muito mais ativo do que a mera gerência de suas atividades comerciais. Nesse sentido, podem ser citados os seguintes atos e fatos: a) a abertura de contas bancárias da CB Distribuidora (fls. 107 e 108 do Anexo III); b) os amplos poderes para movimentar contas bancárias da empresa (fls. 65 a 71 e 103 a 105 do Anexo III); c) a assinatura de contrato de promessa de cessão de direitos da empresa ao Unibanco (fls. 84 a 88 do Anexo III); Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 30 29 d) a retirada de valores expressivos de conta corrente da empresa, mantida no Banco Bradesco, comprovada pela assinatura em recibo (fl. 114 do Anexo II); e) a assinatura de cheques da empresa, a exemplo dos cheques cujas cópias se encontram às fls. 139 a 152 do Anexo II; f) a transferência de recursos mantidos em conta da empresa, comprovada pelos documentos acostados às fls. 164 a 167 do Anexo II; g) a assinatura de duplicatas da empresa (fls. 36 a 60 do Anexo IV). Se por um lado é ponto pacífico que Pedro gerenciava a empresa, também é fato que o Sr. Daniel possuía interesse comum na empresa, visto que ao analisarmos o filme e o resultado das transações com o patrimônio, o Recorrente possuía relação jurídica e interesse jurídico e econômico nas atividades realizadas pela empresa autuada. Vejamos: Para demonstrar o interesse comum e os poderes de gestão do Sr. Daniel Pedro Morando na CB Distribuidora, a fiscalização elaborou extensa argumentação, relacionando, em síntese, os seguintes documentos, atos ou fatos: a) a interposição de pessoas já descrita neste voto, viabilizada a partir de uma sequência de operações imobiliárias que teriam como real objetivo a aquisição, por Daniel Pedro Morando, de cotas das empresas CB Distribuidora e CHAPOLIN Distribuidoras de Alimentos; b) o Sr. Daniel Pedro Morando era proprietário desde janeiro de 2004 dos equipamentos utilizados por ambas, como câmaras frias e freezers horizontais, conforme contrato de compra e venda de equipamentos, móveis e utensílios de fls. 307 a 312; c) em 25 de março de 2004, o Sr. Daniel Pedro Morando transferiu, de sua própria conta bancária, R$ 5.000,00 para AP Martins (distribuidora da GELOKO) e R$ 10.000,00 diretamente para a GELOKO Marketing e Promoções Ltda, ambas fornecedoras da MEAT PLUS e da CB Distribuidora (fl. 316); d) os caminhões de propriedade da CB Distribuidora foram localizados posteriormente na FLORIGEL, pessoa jurídica na qual figurava como sócio o Sr. Daniel Pedro Morando, com 94% do capital, constituída em 20 de setembro de 2004 no mesmo endereço onde funcionavam MEAT PLUS e CB Distribuidora, com mesmo objeto social e distribuição dos mesmos produtos (GELOKO). Do que dos autos consta, restou demonstrado mais do que o interesse comum nos negócios da CB Distribuidora, refletido na interposição de pessoas e na confusão entre seu patrimônio e o da empresa. Considerando que o Sr. Daniel Pedro Morando era o verdadeiro proprietário da logística e de equipamentos essenciais à atividade exercida pela empresa, evidente é o seu poder de determinar e influenciar seus rumos. Assim, mais do Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 31 30 que sócio de fato, a fiscalização demonstrou que Daniel Pedro Morando era proprietário de fato da CB Distribuidora, senão vejamos. Como se afirmou acima, o interesse e os poderes do Sr. Daniel Pedro Morando nos negócios da CB Distribuidora é evidenciado pela propriedade de importantes equipamentos utilizados na atividade da empresa, como câmaras frias e freezers horizontais, conforme contrato de compra e venda de equipamentos, móveis e utensílios de fls. 173 a 179, fato citado pela fiscalização e que não foi contestado na impugnação. Pesa ainda contra o Sr. Daniel Pedro Morando o fato de ter transferido, de sua própria conta bancária, recursos para fornecedoras da CB Distribuidora. O fato de a FLORIGEL não ter realizado qualquer operação no período em que o Sr. Daniel Pedro era detentor de 94% de seu capital em nada altera a constatação da fiscalização de que caminhões ali encontrados eram os mesmos utilizados nas operações comerciais da CB Distribuidora. A conclusão lógica que decorre dessa constatação também não restou prejudicada: caminhões de propriedade (de fato) do Sr. Daniel Pedro eram utilizados nas operações comerciais da CB Distribuidora. No entanto, mais importante é a análise do que seriam operações imobiliárias com real objetivo de aquisição, por Daniel Pedro Morando, de participação nas empresas CB Distribuidora e CHAPOLIN Distribuidora. Com base nas escrituras públicas lavradas em 14 de agosto de 2003 (fls. 18 a 30), percebese que: a) Daniel Pedro e esposa vendem a Pedro Luiz da Silva Filho e esposa, uma residência localizada no Loteamento Praia do Jurerê II pelo preço de R$ 350.000,00, em moeda corrente, recebido do outorgado comprador, antes deste ato; b) Pedro Luiz da Silva Filho e esposa permutam a residência citada noite item "a" com dois terrenos localizados no Condomínio Puerto Madero, no Cacupé, em Florianópolis, de propriedade de DGV — Empreendimentos Imobiliários Ltda, cujo sócio majoritário é o próprio Sr. Daniel Pedro Morando. Na escritura, a residência foi dada em permuta pelo valor de R$ 350.000,00, e cada terreno foi recebido em permuta por R$ 175.000,00. Aqui a fiscalização destaca que a casa retorna, indiretamente, ao patrimônio de Daniel Pedro Morando; c) Pedro Luiz da Silva Filho e esposa vendem os terrenos, cada um por R$ 175.000,00, para Arnaldo Venicio de Souza e para a empresa T&A Assessoria Financeira e Cobrança Ltda, que tinha como sócio o próprio Arnaldo Venicio de Souza. Segundo consta da Sexta Alteração e Consolidação do Contrato Social da CB Distribuidora (fls. 08 a 15), de 1° de agosto de 2003, Carmem Beatriz Menezes de Souza e André Menezes de Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 32 31 Souza cedem e transferem a totalidade de suas cotas a Pedro Luiz da Silva Filho e a Matias Morando, filho de Daniel Pedro Morando. Pela transferência das cotas, ao que consta do referido documento, Carmem Beatriz Menezes de Souza recebeu, no ato, em moeda corrente, R$ 74.000,00 de Pedro Luiz da Silva Filho e R$ 21.000,00 de Matias Morando; e André Menezes de Souza recebeu, no ato, em moeda corrente, R$ 5.000,00 de Matias Morando. A fiscalização, após destacar que, à época dos fatos, Arnaldo Venicio de Souza era cotista da empresa CHAPOLIN Distribuidora de Alimentos Ltda, marido de uma cotista da CB Distribuidora (Carmem Beatriz Menezes de Souza), e pai do outro sócio da CB (André Menezes de Souza), conclui que quem adquiriu as participações societárias [das empresas CB Distribuidora e CHAPOL1N Distribuidora] foi Daniel Pedro Morando, utilizando como interpostas pessoas Pedro Luiz da Silva Filho e seu próprio filho, Matias Morando. Sobre o fato o impugnante afirma que a "triangulação" de terrenos imaginada pela fiscalização é de uma enorme capacidade criativa e de um total desconhecimento das práticas imobiliárias e registrais, e tenta desqualificar as conclusões da fiscalização apenas defendendo que não há nada de incomum no fato de que o registro de todas essas operações tenha ocorrido num único dia (14 de agosto de 2003). Portanto, são quatro as operações imobiliárias a serem analisadas (venda da casa; permuta da casa pelos terrenos, e duas vendas de terrenos). Embora tenham a aparência de atos isolados, os documentos acostados ao processo, e as coincidências neles reveladas, permitem concluir que não se trata de atos isolados. As escrituras comprovam que a formalização das operações ocorreu no mesmo dia, no mesmo cartório, e mais ainda, como as operações são registradas em folhas sequenciais do mesmo livro, é licito supor que as pessoas envolvidas juntas se dirigiram ao cartório. Comparando as situações individuais no inicio e ao final dessas operações, é inegável que terrenos de propriedade da empresa do Sr. Daniel Pedro Morando migraram para o patrimônio do Sr. Arnaldo Venicio de Souza. Também é inegável que cotas da empresa "CB" foram adquiridas pela mesma pessoa (Pedro Luiz) que vendeu os terrenos, que eram da empresa do Sr. Daniel Pedro Morando, para Arnaldo Venicio de Souza. Notase que a conclusão da fiscalização é muito convincente, e não foi suficientemente afastada pelo impugnante. Lembro que o impugnante apenas alegou que não haveria qualquer problema no fato de a formalização das operações ter ocorrido no mesmo dia. No entanto, não há nos autos, além das escrituras, qualquer comprovação de que as operações imobiliárias tenham ocorrido, efetivamente, da forma como o impugnante pretende nos fazer crer. Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 33 32 Nos autos, não há nenhuma prova do pagamento que Pedro Luiz da Silva Filho teria feito a Daniel Pedro Morando pela compra da casa localizada no Loteamento Praia do Jurerê II, segundo consta da escritura, em moeda corrente, recebido do outorgado comprador, antes deste ato. Não há nos autos nenhuma prova de que o pagamento pelas cotas da CB, aos parentes do Sr. Venicio, tenha efetivamente ocorrido em moeda corrente como consta da Sexta Alteração e Consolidação do Contrato Social da CB Distribuidora (fls. 106 a 211 do Anexo VI). Ao contrário, tudo leva a crer que o pagamento pelas cotas se deu mediante a entrega dos terrenos da empresa do Sr. Daniel Pedro Morando. Também não há nos autos nenhuma prova do pagamento feito pelo Sr. Arnaldo Venicio de Souza, e pela sua empresa, em razão da compra dos terrenos. Diante de todas essas coincidências e inconsistências, permanece incólume a conclusão da fiscalização de que Daniel Pedro Morando é o real adquirente da participação societária das empresas CB Distribuidora e CHAPOLIN Distribuidora, utilizandose de seu filho, Matias Morando, e de Pedro Luiz da Silva Filho como interpostas pessoas. Quanto às alegações de que a fiscalização teria manipulado informações, de se dizer apenas que, neste voto, procedeuse a uma análise objetiva dos fatos e dos documentos trazidos aos autos. Portanto, tendo sido demonstrado o interesse comum do Sr. Daniel Pedro Morando sobre os negócios da CB Distribuidora, de ser mantido o impugnante no pólo passivo da obrigação tributária, à luz do que dispõe o art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Outra circunstância contrária A lei, fartamente comprovada pela fiscalização, é a confusão patrimonial entre a empresa e os sócios (de direito e de fato), presente quando se confundem os negócios pessoais dos sócios com os da sociedade, a exemplo, no presente caso: a) do pagamento de dividas junto a fornecedores (Sorvepan e Terre Alimentos) com cheques de conta bancária (pessoa física) do sócio (fls 101 e 102 do Anexo VII); b) dos equipamentos utilizados pela CB Distribuidora, como câmaras frias e freezers horizontais, de propriedade de Daniel Morando, conforme contrato de compra e venda de equipamentos, móveis e utensílios de fls. 307 a 312; c) caminhões de propriedade (de fato) do Sr. Daniel Pedro eram utilizados nas operações comerciais da CB Distribuidora; d) do pagamento efetuado pelo Sr. Daniel Pedro Morando a fornecedoras da CB Distribuidora (fl. 316). Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 34 33 Com base no art. 50 do Código Civil, anteriormente reproduzido neste voto, podese afirmar que a confusão patrimonial é contrária à lei e ao principio da autonomia patrimonial, e sua comprovação é elemento fundamental para imputação da responsabilidade tributária prevista no art. 135, inciso III do CTN. De se registrar também que no próprio estatuto civil, em havendo confusão patrimonial, os bens dos administradores ou sócios podem ser atingidos pelas obrigações da pessoa jurídica. Nestes termos, analisando as provas trazidas pelo contribuinte, conforme descritas no relatório, a despeito de buscar esclarecer e realizar um nexo com aquilo que entendeu como confusão patrimonial com a empresa e interesse comum na causa, entendo os argumentos e a retórica trazida pelo recorrente são frágeis, o que não afasta a imputação de sua responsabilidade fiscal, pois o mesmo tem interesse comum na causa. Para se chegar a essa opinião valhome do completo e profundo trabalho fiscal, enaltecido pela decisão da DRJ, conforme transcrições acima, para fins de valoração de provas trazidas nos autos. Diante do exposto, CONHEÇO dos Embargos, e, no mérito, NEGOLHES provimento. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 2332DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000247/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 12585.000247/2010-61
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5406966
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3301-002.339
nome_arquivo_s : Decisao_12585000247201061.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FABIA REGINA FREITAS
nome_arquivo_pdf_s : 12585000247201061_5406966.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Fábia Regina Freitas - Relatora. Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal.
dt_sessao_tdt : Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5760006
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476788789248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2006; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 114 1 113 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.000247/201061 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.339 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria Ressarcimento Combustíveis Cofins Recorrente FLAG DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 47 /2 01 0- 61 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 115 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 116 3 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de COFINS Não Cumulativa decorrentes da aquisição, no mercado interno, de Gasolina A e Óleo Diesel, cujo PER/DCOMP n° 21622.87358.131008.1.1.111041, foi transmitido pelo interessado em 13/10/2008 (fls. 05 a 07). O Pedido de Ressarcimento da COFINS referese ao crédito atinente ao 3º trimestre de 2006, no montante de R$ 11.573.923,04 (onze milhões quinhentos e setenta e três mil e novecentos e vinte e três reais e quatro centavos). Por bem resumir os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir (fl. 82/87): 4. O processo em exame versa sobre pedido eletrônico de ressarcimento de supostos créditos de Cofins nãocumulativa apurados no 3° trimestre de 2006, acompanhado de uma declaração de compensação. 5. Em despacho decisório exarado nas fls. 20/24, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO indeferiu o pedido de ressarcimento, devido à falta de apresentação dos documentos comprobatórios solicitados pela autoridade fiscal. 6. Em 09/11/2011 apresentou o contribuinte a manifestação de inconformidade anexa às fls. 30/69, na qual alega em síntese que: 6.1 “todo o tratamento legal aqui abordado cingese apenas a creditamento na aquisição de Gasolina A e Óleo Diesel, doravante englobados apenas pelo termo combustível”; 6.2 foi desejo do legislador que, no regime nãocumulativo, não houvesse qualquer vedação ao creditamento; 6.3 existe nítida distinção entre os conceitos de “produtor” e “distribuidor”; 6.4 os distribuidores que apurem o IRPJ pelo lucro real “foram postos compulsoriamente na nãocumulatividade”; 6.5 o art. 3°, I, alínea “b” da lei n° 10.833/2003 referese apenas a produtores e importadores, de modo que não há lei vedando o aproveitamento de crédito pelos distribuidores de combustíveis. 6.6 a tributação com alíquota zero não se confunde com tributação monofásica; 6.7 o art. 17 da lei n° 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes sujeitos ao regime da nãocumulatividade, ainda que faturem com alíquota zero, têm direito a creditarse de Pis e Cofins; 6.8 o regime nãocumulativo do Pis e da Cofins diverge em vários aspectos daqueles adotados no âmbito do IPI e do ICMS. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 117 4 7. Concluindo, requer o deferimento do creditamento pleiteado, bem como a homologação da compensação a ele vinculada. A Delegacia de Julgamento em São Paulo desproveu integralmente o apelo do contribuinte (fls. 82/87) por entender que a vedação ao creditamento pretendido encontrase prevista no art. 3º, I, “b” c/c art. 2º, § 1º., I da Lei n. 10.833/2003. Tal vedação, no entender da Delegacia, aplicavase ao contribuinte em análise, distribuidor dos produtos listados nos mencionados dispositivos, sobre os quais a incidência da COFINS é monofásica. A decisão possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO Averiguada a inexistência do direito creditório pleiteado, deve se Indeferir o pedido de ressarcimento. AQUISIÇÃO DE DERIVADOS DE PETRÓLEO PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE LEGAL DO CREDITAMENTO A aquisição para revenda de derivados de petróleo — particularmente gasolina A e óleo diesel — produtos sujeitos ao regime de incidência monofásica, não gera créditos por força de vedação expressa contida na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, Recurso Voluntário (fls. 95/111), em que essencialmente, conclui o seu recurso afirmando os seguintes pontos: afirma que a empresa é tributada pelo Lucro Real, e, portanto havia sido posta compulsoriamente na incidência do regime nãocumulativo para o PIS/COFINS (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03); afirma que para solucionar o caso, o julgamento deve se ater ao Principio da Legalidade, portanto, o único instrumento, com poderes para criar restrições a direitos como vedação a creditamento, é a lei, havendo um momento histórico em que realmente era negado o creditamento; afirma que é inegável a existência de uma norma que previu, expressamente, que a Contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com a alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica, substituição tributária ou nãoincidência; afirma que houve a introdução no universo jurídico do art. 17 da Lei nº 11.033/04, prevendo expressamente que, para todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, ainda assim poderiam creditarse de PIS/COFINS; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 118 5 afirma que a Lei nº 11.033/04 não é monotemática, mas norma geral do arcabouço tributário, alcançando todos que se enquadrassem em cada uma das situações previstas, ainda que de diversas matérias; afirma que o art. 16 da Lei 11.116/05 que, ao invés de restringir direito de creditamento, fez foi dotar de mais garantias a previsão do art. 17 da Lei nº 11.033/04, sem nenhuma preocupação em estabelecer exceções e vedações; afirma que sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, principalmente quando se pretende restringir direitos; o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a Contribuinte; sendo certo que normas infralegais não têm tal condão; afirma que o direito de creditamento é coerente com a técnica de não cumulatividade empregada no PIS/COFINS; e em consonância com a prescrição constitucional, que permite à lei escolher quais setores serão incluídos na nãocumulatividade, só não permitindo esvaziar sua característica básica, que é a tomada de créditos, sob pena de se estar, de fato, em um regime cumulativo ou de substituição; afirma que o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é justamente norma geral para os casos específicos que estavam vedados, pois obviamente seria desnecessário para os outros casos que não estavam vedados, até porque ninguém, nem o fisco, nunca restringiu o creditamento para os casos não vedados; afirma que o Poder Executivo, via Medida Provisória nº 413/08, tentar restringir creditamento baseados no art. 17 da Lei 11.033/04, mas que, até por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; e, apesar de ensaiar nova tentativa vedatória na Medida Provisória nº 451/08, esta também não foi convertida em lei; mas já provando que, quando quer, o Poder Executivo dá direito de creditamento, e expressamente também quando não quer, cria norma vedando a tomada de crédito. conclui arguindo que viola o arcabouço jurídico ser indeferido o direito da Contribuinte, de tomar os créditos aqui discutidos, pois amparada legal e constitucionalmente. E o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 119 6 Voto Vencido Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de COFINS NãoCumulativa (fls. 05 a 07), referente ao 3º Trimestre de 2006, no valor de R$ 11.573.923,04. O v. acórdão recorrido negou o direito ao crédito da contribuinte por entender que o art. 3º, I, “b”, da Lei n. 10.833/2003, redação está abaixo transcrita, seria aplicável ao caso concreto e conteria vedação expressa ao creditamento pretendido pela contribuinte, reza o mencionado dispositivo: “Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1° do art. 2° desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Já o § 1° do art. 2º, I, referido expressamente pela r. decisão, tem a seguinte redação: “Art. 2° Para determinação do valor da COFINS aplicarseá sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1°, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1° Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I nos incisos I a III do art. 4° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004)“ O aresto recorrido embasou seu entendimento no fato de que o combustível revendido pela contribuinte no caso concreto teria tributação monofásica e, portanto, sujeita às alíquotas dispostas nos incisos I a III do art. 4º. da Lei n. 9.718/98. Em que pese o respeito pelo Ilmo. Julgador a quo, a interpretação por ele outorgada não é a que melhor se aplica ao caso em análise. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 120 7 A priori é de se destacar que no caso concreto, como bem ressalvado inclusive no relatório do aresto recorrido, trata de pedido de creditamento, por DISTRIBUIDOR, de supostos créditos decorrentes de aquisição, para revenda, de GASOLINA A e ÓLEO DIESEL. Sob esse enfoque é de se ressaltar que a vedação do art. 3º. destaca que a pessoa jurídica que apurar o tributo COFINS, na forma do que determina o caput do art. 2º da Lei n. 10.833/2003, não poderá descontar do valor a ser recolhido crédito decorrente de bens para a revenda descritos no § 1° do art. 2º, dentre os quais estão relacionados a gasolina A e o óleo diesel. Analisando a Exposição de Motivos da MP 164/2004, que foi convertida na Lei n. 10.865/2004, a qual introduziu a exceção descrita no famigerado art. 3º., I, “b”, extraise o seguinte excerto, especificamente sobre a norma mencionada: “3. Considerando a existência de modalidades distintas de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS cumulativa e nãocumulativa no mercado interno, nos casos dos bens ou serviços importados para revenda ou para serem empregados na produção de outros bens ou na prestação de serviços, será possibilitado, também, o desconto de créditos pelas empresas sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/PASEP e da COFINS, nos casos que especifica. 4. A proposta, portanto, conduz a um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados: tributação às mesmas alíquotas e possibilidade de desconto de crédito para as empresas sujeitas à incidência nãocumulativa. As hipóteses de vedação de créditos vigentes para o mercado interno foram estendidas para os bens e serviços importados sujeitos às contribuições instituídas por esta Medida Provisória.” Notese que a preocupação do legislador, desde o início da instituição dessas vedações introduzidas pela Lei n. 10.685/2004, era outorgar ao produto importado o mesmo tratamento do produto produzido no Brasil. Isso porque, para esse efeito, o importador, quando adquiria produto destinado a revenda no mercado interno, não possuía o mesmo tratamento do produtor nacional, vez que não havia previsão expressa para o seu aproveitamento de crédito. Tanto esse objetivo é verdadeiro que, para dirimir essa diferenciação, a Lei n. 10.685/2004, fazia constar crédito específico para o importador, em seus arts. 15 e 17: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 121 8 (...) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. (...) § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta Lei: (...) II – produtos do § 8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; (...) Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º a 3º e 5º a 10 do art. 8º desta Lei poderão descontar crédito, para fins de determinação da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: (...) II do § 8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; (...) Art. 8º. – (...) § 8º A importação de gasolinas e suas correntes, exceto de aviação, e óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação fica sujeita à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fixadas por unidade de volume do produto, às alíquotas previstas no art. 23 desta Lei, independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido Já o produtor nacional, como era sabido, já tinha o crédito garantido pelo que determinava o art. 3º, II da Lei n. 10.833/2003, em sua redação original, litteris: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao Fl. 121DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 122 9 concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Diante dessa nova inserção – do crédito para o importador – por meio de dispositivo legal específico e regulado de forma igualmente específica, faziase necessário vedar, PARA O IMPORTADOR, por já haver previsão legal, o crédito descrito no art. 3º. quando se destinasse à aquisição de gasolina e seus derivados para revenda. Assim, tanto pela exposição de motivos da norma que introduziu a vedação contida no inciso I, “b”do art. 3º. da Lei n. 10.833/2003, como pela lógica legislativa empregada na interpretação das normas, concluise que a vedação não poderia atingir, de forma alguma, o DISTRIBUIDOR dos derivados de petróleo, que continuava a deter os créditos normalmente atribuídos pelo regime nãocumulativo da COFINS. Nesse ponto, tenho por bem fazer uma colocação no tocante ao regime aplicável à relação jurídicotributária estabelecida nesses autos, pois entendo que, nessa hipótese, o regime adotado não é o monofásico, mas o plurifásico, em que há incidência de imposto em todas as fases, mas apenas na primeira há uma alíquota positiva e, nas demais, a alíquota é zero. Também entendo se tratar de um sistema plurifásico regido pela não cumulatividade, em que os créditos decorrentes desse sistema devem ser reconhecidos. De toda a forma, ainda que meus pares não concordem com essas colocações, tal diferenciação passou a não fazer qualquer diferença para o caso concreto a partir da edição do art. 17 da Lei n. 11.033/2004 que veio a explicitar o direito ao crédito de PIS e COFINS em situações como a presente, considerando tratarse de sistema monofásico ou não. De fato, é o que se extrai do seu conteúdo, in litteris: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Como se verifica, pelo que se extrai do teor da norma, a possibilidade de aproveitamento dos créditos autorizada pelo art. 17 aplicase para os casos que eventualmente tinham vedação expressa. Isso porque, para os demais casos, não havia necessidade dessa expressa autorização, na medida em que não estavam vedados, decorrendo da própria norma da nãocumulatividade. Nesse toada, após toda essa evolução legislativa, foi publicada a MP 413/2008, que expressamente buscava coibir o aproveitamento desses créditos de PIS e COFINS nos produtos sujeitos ao chamado regime monofásico (assim tratados pela legislação) a partir da regulamentação pela Secretaria da Receita Federal dos dispositivos que seriam por ela alterados (arts. 14 e 15 da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/200). A tentativa de alteração das normas pela MP deixava evidente que os mencionados créditos sempre existiram, já que não se pode extinguir o que antes não existia. Ocorre que essa norma foi afastada pelo Congresso Nacional, por ocasião da conversão da MP 413 na Lei n. 11.727/2008, na qual os dispositivos mencionados não foram aproveitados. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 123 10 Após essa tentativa, o Poder Executivo buscou novamente afastar esse crédito por meio da MP 451/08, que continha dispositivos com a mesma finalidade da MP anterior, os quais foram igualmente rechaçados pelo Congresso, sendo a mencionada MP convertida na Lei n. 11.945/2009 sem tais disposições. Tais tentativas, por parte do Poder Executivo, só deixa ainda mais evidenciado que o direito ao crédito pleiteado nesses autos sempre existiu. O fato de o Poder Legislativo sempre ter repugnado essas investidas, deixa ainda mais evidenciada a legitimidade desses créditos, donde decorre que, esse Eg. CARF, como órgão aplicador das normas vigentes, também deve reconhecêlo. Por fim, importa registrar que, a despeito das diversas tentativas do Poder Executivo, todas frustradas, em tentar obstar o aproveitamento desses créditos, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhece ser possível à convivência do direito de crédito para as pessoas jurídicas que esteja submetidas à alíquota zero. Tal conclusão é possível de se extrair da ementa da Solução de Consulta n. 18, de 25 de abril de 2013, que abaixo se transcreve, litteris: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 18 de 25 de Abril de 2013 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Observadas as limitações legais ao creditamento, o comerciante varejista de combustíveis pode manter os créditos da não cumulatividade da Cofins que sejam vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero em virtude do regime monofásico, quando apurados em decorrência de gastos com energia elétrica consumida no estabelecimento da pessoa jurídica, de pagamentos a pessoa jurídica referentes a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa e de encargos de depreciação de edificações e benfeitorias em imóveis utilizados nas atividades da empresa. É possível o ressarcimento de tais créditos ou sua compensação com outros tributos administrados pela RFB, por meio do sistema PER/DCOMP, desde que cumpridos os requisitos estabelecidos pela IN RFB nº 1.300, de 2012, e que o Pedido de Ressarcimento, obrigatório também no caso de compensação, seja efetuado dentro do prazo de cinco anos do encerramento do trimestrecalendário. Nos períodos compreendidos entre 01/05/2008 a 23/06/2008 e 01/04/2009 a 04/06/2009, esteve em vigor vedação expressa à manutenção de quaisquer créditos da Cofins nãocumulativa relacionados às vendas dos produtos sujeitos à tributação concentrada constantes no § 1º do art. 2º das Leis nº 10.833, de 2003, e nº 10.637, de 2002, por parte de distribuidores ou comerciantes atacadistas e varejistas, em decorrência das Medidas Provisórias nº 413, de 2008, e nº 451, de 2008. No mesmo sentido, a resposta dada pela Administração da Receita no “Perguntão” perguntas e Respostas Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídica, publicado no site da SRFB, sobre a possibilidade de creditamento no chamado regime monofásico, verbis: 16. Em que consiste o sistema de tributação monofásica? Fl. 123DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 124 11 É um tratamento tributário próprio e específico que a legislação veio dar à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de determinados produtos. O objetivo é concentrar a tributação nas etapas de produção e importação, desonerando as etapas subsequentes de comercialização. A concentração da tributação ocorre com a aplicação de alíquotas maiores que as usualmente aplicadas na tributação das demais receitas, unicamente na pessoa jurídica do produtor, fabricante ou importador, e a conseqüente desoneração de tributação das etapas posteriores de comercialização no atacado e no varejo dos referidos produtos. O sistema de tributação monofásica não se confunde com os regimes de apuração cumulativa e não cumulativa das contribuições. O enquadramento de uma pessoa jurídica e de suas receitas, que se dedique à venda de produtos sujeitos à tributação monofásica, ao regime de apuração cumulativa ou não cumulativa segue as mesmas regras de enquadramento a que se sujeitam pessoas jurídicas que não comercializem produtos monofásicos. Caso a pessoa jurídica venha a estar submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, a tributação monofásica também tem natureza não cumulativa, permitindo à pessoa jurídica o aproveitamento de créditos. (fonte:http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj 2013/Capitulo_XXI_DisposicoesGerais_PISPasep_Cofins_2013) Diante de todo o exposto só se pode constatar que o direito ao crédito ora pleiteado é, de fato, indubitável e decorrente não apenas da Lei, mas da mais adequada interpretação das normas. Assim, sendo inegável tal direito, não cabe a esse Conselho restringir e limitar os créditos onde a lei não o fez, sendo de rigor o provimento do recurso da contribuinte. Fábia Regina Freitas – Relatora Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 125 12 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. A matéria discutida no presente processo já foi objeto de análise e julgamento em outras turmas da 3ª Seção de Julgamento. Neste sentido invoco o § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, para utilizar o voto do Conselheiro José Luiz Bordignon, abaixo transcrito, como razão de decidir. O voto foi retirado do Acórdão nº 3801001381, processo nº 10315.720434/200986, proferido na Sessão de 19/07/2012. “Em seu recurso voluntário a recorrente embasa sua defesa, da mesma forma que procedeu quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, nas questões relacionadas com a interpretação e aplicação da legislação à situação em concreto. Assim, a questão central para a solução da controvérsia reside na análise da possibilidade da interessada, uma vez que se ocupa do comércio varejista de combustível, utilizar como crédito os dispêndios realizados com a compra de gasolina e óleo diesel. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 , e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) X no art. 23 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 126 13 § 1ºA Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores, importadores ou distribuidores com a venda de álcool, inclusive para fins carburantes, à qual se aplicam as alíquotas previstas no caput e no § 4º do art. 5º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. ( Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; ( Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008 ) Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Art. 4o Os arts. 2º, 5ºA e 11 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 2º .............................................................. § 1º ................................................................... I nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) Art. 16. É vedada a utilização do crédito de que trata o art. 15 desta Lei nas hipóteses referidas nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 8o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 127 14 calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) Como é de conhecimento, o regime de nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS foram instituídos pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, sendo que a Lei nº 10.865/04 introduziu alteração no citado regime (nos artigos 3º, inciso I, alínea "b", das referidas leis), vedando a possibilidade de creditamento nas operações de venda de gasolina e óleo diesel. Posteriormente foi editada a Lei nº 11.033/04, cujo artigo 17 estabeleceu que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, originando a contenda aqui presente. Argui a recorrente que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04). Em razão disso, entende ser de direito o crédito sobre as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), sujeitos a tributação concentrada/monofásica. Quanto à controvérsia especificamente estabelecida nesse processo, fazse necessário tecer algumas considerações. Em linhas gerais, ressaltamse, a seguir, os regimes de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. 1. Regime de Incidência Cumulativa. Nesse regime de apuração, a base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, conforme Lei nº 9.715, de 1998 e LC nº 70/91, cujas alíquotas são 0,65% e 3%, respectivamente. 2. Regime de Incidência NãoCumulativa. O regime da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, introduzido pela EC (Emenda Constitucional) nº 42, de 2003, foi instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) e Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), respectivamente, permitindo, nos exatos termos definidos em lei, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Seu fundamento constitucional está gravado no art. 195, §12 da CF/1988: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 128 15 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003). Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são, respectivamente, de 1,65% e de 7,6%. 3. Regime Diferenciado. Caracterizase pela incidência especial sobre algum tipo de receita e não sobre pessoas jurídicas, devendo as mesmas calcular as contribuições sobre as demais receitas, em existindo, na sistemática cumulativa ou não cumulativa. Tem seu fundamento constitucional no art. 149, §4º, abaixo colacionado: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001). O regime diferenciado de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pode ser assim especificado, resumidamente em: (i) base de cálculo e alíquota diferenciada; (ii) base de cálculo diferenciada; (iii) alíquota reduzida; (iv) substituição tributária e (v) monofásico ou concentrado. Fazse referência, a seguir, por se tratar do caso em análise, do sistema de apuração das contribuições intitulado de regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou produtor/fabricante tem suas alíquotas majoradas, incidindo uma única vez na cadeia de distribuição dos produtos, ficando os demais elos da referida cadeia desonerados das referidas contribuições. Quanto ao regime de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins a legislação não previa, de início, a inclusão das receitas sujeitas ao modelo monofásico. Somente a partir da edição da Lei nº 10.865, de 2004, permitiuse para o produtor e importador que o regime nãocumulativo do PIS e da Cofins abrangesse as receitas referente às vendas de produtos tributados com base em alíquotas diferenciadas (modelo concentrado/monofásico) e, com isso, abriuse a possibilidade destes contribuintes descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 129 16 Podese dizer, em remate, que o regime de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na sistemática da nãocumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação diferenciado na sistemática de apuração concentrada/monofásica é específico e apurado paralelamente àquele. Feitas as considerações acima, convém retornar à análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, abaixo colacionado, bem como o entendimento da empresa no sentido de que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04), verdadeira razão da controvérsia submetida a esse colegiado. Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Relativamente à revogação tácita invocada pela recorrente, de acordo com o artigo 2º, §§ 1° e 2º, do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” e “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Assim, como é incontroverso que não houve revogação expressa, nem tão pouco é possível se admitir que o referido artigo regulou inteiramente a matéria, resta tão somente a possibilidade do novo texto ser incompatível com o anterior. Quanto a esse aspecto, como visto na abordagem dos regimes de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, a sistemática de apuração nas modalidades nãocumulativa e concentrada/monofásica tem fundamentos constitucionais diferentes, o que leva a concluir que são sistemas distintos, que não se misturam mesmo quando apurados paralelamente. Assim, da análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é manifesto que sua aplicação se limita a apuração das contribuições sob a sistemática da não cumulatividade. Portanto, no caso de receita sujeita a tributação concentrada, caso dos autos, referido comando legal é inaplicável. Desse modo, em razão do comando normativo expresso nos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação às aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido no artigo 4º da Lei nº 9.718, de 1998. Por fim, uma vez que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais definidas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 têm natureza específica e o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é um dispositivo de caráter genérico, cujo comando não previu expressamente a revogação dos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b” das referidas leis, predomina o princípio da especialidade na resolução do aparente conflito das leis no tempo. Significa dizer que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não foram atingidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/04, inexistindo o direito da contribuinte ao ressarcimento buscado através do PER/DCOMP de fls. 02/04. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 130 17 Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente.” Do meu ponto de vista, por qualquer ângulo que se observe esta questão, a conclusão a que se chega é que o aproveitamento de crédito é totalmente incompatível com o regime monofásico de apuração das contribuições do PIS e da Cofins. Somente a título ilustrativo, caso fosse acatado o entendimento defendido pela recorrente de que se pudesse aproveitar o crédito nas vendas com alíquota zero de combustíveis e óleo diesel, temos que lembrar que tanto às distribuidoras e varejistas teriam direito a este aproveitamento. Nesta situação houve a incidência do PIS e da Cofins somente na refinaria e teria que ser ressarcido o mesmo valor para os dois elos da cadeia de distribuição. Nesta hipótese, chegaríamos ao absurdo de ter uma tributação negativa, tendo a Fazenda Nacional recolhido um valor, para em seguida devolvêlo em dobro. Desta forma, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal – Redator Designado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720024/2006-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
COMPETÊNCIA PARA JULGAR. Em razão do disposto no inciso II do art. 2º do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009), compete à Primeira Seção de Julgamento apreciar recurso cujos fatos referentes às exigências contidas no Auto de Infração estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Declinada a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF.
Numero da decisão: 3202-000.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago de Moura Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migyama.
Nome do relator: Irene Souza da Trindade Torres
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 COMPETÊNCIA PARA JULGAR. Em razão do disposto no inciso II do art. 2º do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009), compete à Primeira Seção de Julgamento apreciar recurso cujos fatos referentes às exigências contidas no Auto de Infração estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Declinada a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13609.720024/2006-85
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5427166
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3202-000.928
nome_arquivo_s : Decisao_13609720024200685.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Irene Souza da Trindade Torres
nome_arquivo_pdf_s : 13609720024200685_5427166.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago de Moura Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migyama.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5817960
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476797177856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1919; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 2.818 1 2.817 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13609.720024/200685 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.928 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2013 Matéria IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente DISTRIBUIDORA PEQUI E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002, 2003, 2004 COMPETÊNCIA PARA JULGAR. Em razão do disposto no inciso II do art. 2º do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009), compete à Primeira Seção de Julgamento apreciar recurso cujos fatos referentes às exigências contidas no Auto de Infração estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Declinada a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago de Moura Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 00 24 /2 00 6- 85 Fl. 2909DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 “ Foi lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal de Sete Lagoas/MG, em 14/12/2006, Auto de Infração (fls. 1.342 a 1.369) para exigir da empresa supra identificada o Imposto sobre Produtos Industrializados, no valor de R$ 812.621,66, ao qual foram acrescidos multa de ofício, agravada e qualificada, e, juros de mora com base na SELIC, calculados até 30/11/2006, totalizando o crédito tributário de R$ 3.119.916,24 Foram constatadas as seguintes irregularidades: 1) Falta de destaque e recolhimento do IPI incidente na nota fiscal de saída nº 008352, datada de 26/06/2003; 2) O contribuinte, equiparado a industrial, promoveu venda de refrigerantes, recebidos diretamente da empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, que os industrializou sob encomenda, sem lançamento do IPI correspondente, no período de abril de 2002 a dezembro de 2004. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 1370 a 1508 a fiscalização descreveu os procedimentos adotados, a constituição das diversas empresas que formariam o grupo intitulado “Del Rey”, a forma de operacionalização delas e as infrações constatadas. Especificamente quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI relata que “apesar de escrituração obrigatória e de várias intimações não recebemos do contribuinte o Livro de Registro de Inventário”..., o RAIPI, bem como os livros contábeis – Diário e Razão, ou alternativamente o livro Caixa (empresa optante pela sistemática do Lucro Presumido). “...O ‘modus operandi’ das empresas do ‘Grupo Del Rey’ funciona da seguinte maneira: a Distribuidora Pequi (matriz) adquire insumos para produzir refrigerantes e remeteos para industrialização na fábrica em Ribeirão das Neves, da empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda com suspensão do IPI. Após industrialização, a Belo Horizonte Refrigerantes Ltda emite duas notas fiscais: 1) para a Distribuidora Pequi matriz relativa à industrialização efetuada e 2) outra nota para a Distribuidora Pequi – filial, relativa à remessa dos refrigerantes já industrializados por conta e ordem do remetente dos insumos, ou seja, a matriz da Distribuidora Pequi”. Em nenhuma dessas notas referidas há destaque de IPI. Em algumas operações a Belo Horizonte Refrigerantes enviou diretamente os produtos finais para o estabelecimento filial da Distribuidora Pequi.” “Ocorre que o estabelecimento da DISTRIBUIDORA PEQUI – FILIAL, não destacou o IPI nas saídas dos refrigerantes recebidos diretamente do estabelecimento que os industrializou na modalidade de encomenda. Portanto, o IPI é devido nas saídas dos refrigerantes industrializados sob encomenda, com remessa de insumos, recebidos diretamente do estabelecimento industrial por força do art. 33 da Medida Provisória 2.158/35, que alterou a redação do art. 4º da Lei 7798 de 1989 (e, por conseguinte, os artigos 130 do RIPI/98 e 143 do RIPI/2002). Observese que a filial é equiparada a industrial quando promove a saída de refrigerantes recebidos diretamente da indústria, que os produziu sob encomenda.” “Portanto, tendo ocorrido o fato gerador do IPI nas saídas de refrigerantes industrializados por encomenda recebidos diretamente do estabelecimento industrial e considerando que o contribuinte não destacou, nem recolheu o IPI devido nessas operações, constituímos o crédito tributário neste procedimento fiscal, conforme ‘Demonstrativo Sintético das Entradas de Refrigerantes no Período de Janeiro de 2002 a Dezembro de 2004’ (fls. 1335 a 1340), que resume os demonstrativos analíticos retro mencionados” Fl. 2910DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13609.720024/200685 Acórdão n.º 3202000.928 S3C2T2 Fl. 2.819 3 Esclarece ainda o fisco que “como a Distribuidora Pequi não possui estoque e também porque não comprovou a existência de qualquer estoque, embora intimada a fazêlo, pois não apresentou escrituração contábil, nem o livro Registro de Inventário, é de se concluir que todo o refrigerante industrializado pela Belo Horizonte Refrigerantes que entrou na Distribuidora Pequi também saiu do estabelecimento, ocorrendo, assim, o fato gerador do IPI.” (grifo nosso) Ressalta que o contribuinte foi reiteradamente intimado a comprovar os créditos, não logrando fazêlo. Foram relatados diversos procedimentos adotados na circularização com fornecedores e com pessoas ligadas ao denominado “Grupo Del Rey”, assim como os processos judiciais trabalhistas envolvendo esse mesmo grupo de pessoas físicas e jurídicas Com fulcro nos arts. 124, I, e 135 do Código Tributário Nacional (CTN) foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária de n.ºs 007 a 12 (fls. 1513 a 1524), que arrolam como responsáveis, solidária e pessoalmente, pelo crédito tributário lançado de ofício as seguintes pessoas: ROSEANA DE FÁTIMA BICALHO LOURENÇO, CPF 491.102.09620; ROSILENE BICALHO, CPF 806.436.80659; MARIA TORRES DE FREITAS BICALHO, CPF 023.781.97675; VANEI AFONSO DE SOUZA, CPF 525.737.02634; WANDERLEI CARDOSO DE SOUZA, CPF 053.368.18631; ROGÉRIO LUIZ BICALHO, CPF 761.465.706 30. Cientificados da autuação, os responsabilizados apresentaram impugnações constantes do volume X, às fls. 1.801 a 1.831, 1.838 a 1.868 e 1.873 a 1.959, nas quais, após aduzirem seus argumentos, ao final pedem a exclusão de suas responsabilidades tributárias ou a anulação dos autos de infração, bem como a juntada de novos documentos e aditamentos às impugnações. O contribuinte autuado também entregou impugnação, às fls. 2.125 a 2.200 (volume XI), com juntada de documentos até a fl. 2.441, na qual ao final requer: “provar o alegado pelos meios em direito admitidos, especialmente documentos e perícia, e para tanto apresenta desde já os seguintes quesitos, indicando desde já , como assistente técnico o Sr. Frederico Ferreira Pedrosa, auditor contábil do escritório Pedrosa Orsini Auditores Independentes, brasileiro, casado, contador, com escritório sito na Rua Rio Grande do Norte nº 160, sala 605, Bairro dos Funcionários, Belo Horizonte MG” Requer ainda seja anulado o lançamento ou reduzido o valor do crédito tributário, “devido a abusividade nos valores das multas.” A vista das alegações expendidas nos autos, o presente processo retornou à DRF responsável pelo lançamento, em diligência, para esclarecessem o seguinte: a) notas fiscais que não representem saídas tributadas, por ventura existentes, no Demonstrativo Analítico das Saídas de Refrigerantes no Período de Janeiro/2002 a Dezembro/2004, constante do Anexo I, b)caso haja, fazse necessário que se refaça o Demonstrativo Sintético das Saídas de Refrigerantes desse mesmo período, reconstituindose a apuração do IPI devido em cada período base (Débito/Crédito). c) tendo em vista os argumentos do impugnante e com intuito de evitarse qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa, solicitase pronunciamento Fl. 2911DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 pormenorizado do Fisco a respeito dos créditos de IPI, previstos no § 2º do art. 143 do RIPI. Em resposta a esta solicitação a Fiscalização informou às fls. 2485/2489 que: “A filial da Distribuidora Pequi somente foi autuada em virtude das saídas de refrigerantes que ingressaram diretamente em seu estabelecimento, oriundos da fabricante Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, ou seja, foi autuada somente nas operações em que é equiparada a industrial – quando promoveu saída de refrigerantes recebidos diretamente da indústria, que os produziu sob encomenda (art. 33 da Medida Provisória 2.15835 que alterou a redação do art. 4º da Lei 7798, de 1989; art. 130 do RIPI/98 e 143 do RIPI/2002). Quando a filial recebeu refrigerantes industrializados por encomenda, em transferência da matriz e promoveu a saída desses refrigerantes, não ocorreu o fato gerador do IPI...” Afirma mais adiante que “não estão arroladas no demonstrativo quaisquer notas fiscais que não representem saídas tributadas. Todas as notas fiscais (fls. 1291/1334) referemse a entradas de refrigerantes RECEBIDOS DIRETAMENTE do estabelecimento industrializados situado em Ribeirão das Neves/MG, ou seja, da Belo Horizonte Refrigerantes Ltda e que posteriormente saíram, uma vez que o estabelecimento da Distribuidora Pequi não possui estoques de mercadorias.” Portanto, concluem que não há retificações a fazer nos demonstrativos das notas fiscais objeto do lançamento da mesma forma que não encontraram créditos de IPI na forma permitida em lei . Dado ciência à empresa ela apresentou em 22/10/2007 às fls. 2.493/2.500 razões adicionais de defesa, quais sejam: que Laudo Pericial aponta erros grosseiros, como transferência simbólica como a realizada pela NF 000724, ou a devolução de produtos impróprios para consumo da NF 6610, etc. reafirmando os termos da impugnação em sua íntegra e requerendo a nulidade do auto de infração ou quando muito a redução do crédito tributário.” A DRJJuiz de Fora/MG julgou procedente o lançamento (fls. 2.549/2.595 – vol. XIII), nos termos da ementa adiante transcrita: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 2002, 2003, 2004 REFRIGERANTES FABRICADOS SOB ENCOMENDA. Quando a industrialização se der por encomenda, o imposto será devido na saída do produto tanto do estabelecimento que o industrializar; como do estabelecimento encomendante, se industrial ou equiparado a industrial, ainda que para estabelecimento filial. CRÉDITO BÁSICO. O Princípio da nãocumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem e no caso específico, na entrada de refrigerantes fabricados sob encomenda. Não havendo exação de IPI nessas entradas, não há valor algum a ser creditado. Fl. 2912DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13609.720024/200685 Acórdão n.º 3202000.928 S3C2T2 Fl. 2.820 5 SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE PESSOAL. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A constituição e o uso de pessoas jurídicas para ocultar valores tributáveis, com prática de simulação absoluta e utilização de pessoas interpostas, denotam que o não recolhimento de tributos resultou de ação dolosa, caracterizando, assim, o elemento fático (“atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”) para a responsabilização pessoal versada no art. 135 do CTN. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. Sendo os elementos contidos nos autos suficientes para o deslinde da questão, é prescindível a realização de perícia ou diligência. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando nos autos as causas apontadas no art. 59 do Decreto 70.235/72, não há que se cogitar em nulidade do lançamento, Às fls. 2.629/2.716 (vol.XIII), consta o recurso voluntário apresentado pela contribuinte. A contribuinte, preliminarmente, alega que o Termo de Perempção lavrado nos autos é infundado, visto o seu recurso ter sido apresentado tempestivamente. Afirma que, não obstante estar regularmente inscrita junto à Receita Federal, sem ter havido qualquer alteração do endereço no qual sempre recebeu suas intimações, a intimação da ciência do Acórdão proferido pela DRJ foi encaminhado por AR no endereço residencial do responsável pela empresa, Sr. Valdez Antônio Maciel, tendo sido a correspondência destinada a ele, razão pela qual a recebeu como se lhe tivesse sido endereçada, e não à empresa, haja vista que ele também é parte neste processo. Além disso, o AR foi recebido por terceira pessoa, que não compõe o quadro societário da empresa, nem é seu preposto ou empregado. Em razão da ausência da intimação pessoal da recorrente, requer a nulidade da decisão recorrida. Após tais considerações acerca da tempestividade de seu recurso, a contribuinte passa todo tempo a apresentar argumentos de defesa para firmar a inexistência do “grupo Del Rey”, bem como para negar o envolvimento da família Bicalho nas operações irregulares apontadas pela autoridade autuante. Alega, em síntese: que os principais indícios utilizados pela Fiscalização para caracterizar o suposto “Grupo Del Rey” foram os depoimentos colacionados no Auto de Infração lavrado. Afirma que tais depoimentos foram manipulados pela Fiscalização, que retirou as partes que não lhe interessava, violando o princípio da impessoalidade e moralidade administrativa; Fl. 2913DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 que, mesmo após a contribuinte ter apresentado as contradeclarações feitas pelos declarantes, a DRJ,sme quaisquer argumentos válidos, preferiu manter o auto de infração e a solidariedade, negando a aplicação do art 112 do CTN; que em nenhum momento o órgão julgador apresenta os fatos que motivaram o lançamento, nem demonstra outras provas que teriam sido utilizadas para manter a exigência tributária que não os preditos depoimentos, os quais foram desconstituídos pela defesa por meio de contradeclarações firmadas em cartório ; que os Sr. Rogério Luiz Bicalho e a Sra. Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, ao contrário do afirmado pela Fiscalização, não possuem sala no galpão ocupado pela empresa Maxdrink, nem mesmo a Sra. Rosilene Bicalho trabalha na empresa T.A. Afirma que o Sr. Rogério e a Sra. Roseana freqüentam a Maxdrink vez ou outra, em razão de serem eles sócios da empresa detentora das marcas comercializadas pela Maxdrink. Informa que “quando o Sr. Rogério se dirigia ao estabelecimento da Maxdrink, era no intuito de fazer levantamentos sobre números comercializados, uma vez que o contrato de Royalty pelo uso das marcas, permite que, além de receber relatórios com quantidades vendidas e estocadas, o cedente da marca pode obter tais informações diretamente na empresa e nos seus distribuidores, tendo assim, livre acesso as dependências de estocagem para conferência de notas fiscais de entrada e saída, nunca exercendo funções administrativas.” De forma que “a finalidade pela qual os referidos senhores freqüentam a empresa que distribui os refrigerantes da marca de sua propriedade é para conferência de vendas e conseqüente apuração de valores a serem pagos para sua empresa”; que se o Sr. Rogério e a Sra. Roseana fossem sócios de fato da Maxdrink, certamente a freqüentariam com assiduidade e a Fiscalização, que tantas vezes esteve no local, os teria lá encontrado; que, “quanto ao fato levantado pela 1ª Turma Julgadora, no sentido de que em relação aos processos de marcas junto ao INPI de n° 820948535 (titular no INPI Belo Refrigerantes) e 825762022 (titular no INPI Reizinho Consultoria) teriam especificação do produto (refrigerantes) e nome do procurador (Carlos José do Santos Linhares) comuns em nada reforça a existência de grupo econômico, até mesmo porque o produto, obviamente, é o mesmo (refrigerantes) e o procurador, certamente em virtude de o mesmo ser especialista nesta área, atuando para clientes distintos”; que, quanto ao cartaz afixado na empresa Maxdrink referente à seleção de pessoal para o grupo Refrigerante Del Rey, a DRJ não fundamentou o seu entendimento; que é praxe que as pessoas e setores de empresas se coloquem como parte da marca mais conhecida que o estabelecimento comercializa, sendo assim, não há que se falar em existência de Grupo Del Rey; que o Sr. Rogério é conhecido dos funcionários da Distribuidora Pequi porque ele “efetivamente participou indiretamente, via RV Participações, do capital social da Belo Horizonte Refrigerantes. Contudo, o mesmo, à época, vislumbrou haver uma boa oportunidade na área de desenvolvimento, criação e gestão de marcas. Assim sendo, resolveu franquear as marcas por ele adquirida,s cobrando royalty pela utilização das mesmas, tendo em vista que o mercado possuía muitas indústrias de refrigerantes e produzir não era um diferencial competitivo. Desta feita, o Sr. Rogério fez por bem deixar de trabalhar com as unidades industriais, passando apenas a ceder o direito de uso de suas marcas, constituindo, juntamente com sua irmã, Roseana da Fátima Bicalho Lourenço, a empresa Reizinho Consultoria e Empreendimentos Ltda”. Afirma que, “mesmo não sendo mais proprietário da Fl. 2914DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13609.720024/200685 Acórdão n.º 3202000.928 S3C2T2 Fl. 2.821 7 fabrica de refrigerantes, o Sr. Rogério Luiz Bicalho freqüentava suas instalações pelo simples fato de ser a empresa Reizinho Consultoria e Empreendimentos Ltda. proprietária das marcas, e de poucas máquinas utilizadas pela Belo Horizonte Refrigerantes” que “é mais do que normal o sócio diretor da empresa que detém as marcas e as cede para terceiros explorar (industrializando e comercializando), freqüentar as instalações para verificar a quantidade de refrigerantes produzidas, a fim de receber os valores devidos a titulo de Royalty, bem como o estado de conservação das máquinas utilizadas na produção” que a Turma Julgadora, na mesma linha da fiscalização autuante, utilizase dos depoimentos apenas quando lhe convém, desprezando as contradeclarações, que com muito mais propriedade (declarações registradas em cartório) derrubam os fracos indícios fiscais da existência de "Grupo Del Rey"; que, “em momento algum, os declarantes apontaram o Sr. Rogério Luiz Bicalho ou qualquer outro membro da "Família Bicalho" como administradores de qualquer das empresas autuadas”. Afirma que “os declarantes, cujos depoimentos foram coletados ou obtidos em processos trabalhistas [...] apontam como "donos", mas não como administradores.” que não é estranho que o Sr. Rogério Luiz Bicalho seja devedor solidário no contrato de abertura de crédito fixo, com garantia de alienação fiduciária, firmado entre o Banco Volkswagem e a Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, na compra de cewículos efetuada pela Belo Horizonte Refrigetantes. Afirma que sabendo o Sr. Rogério que a compra dos veículos aumentaria a venda de refrigerantes e, consequentemente ,o recebimento de Royalties, “[...] nada mais lógico que prestar fiança numa operação que indiretamente o beneficiaria, o que comprova não se tratar de um grupo econômico, mas sim de empresas negociando normalmente entre si”; que a habitualidade com que a Maxdrink efetuava pagamento das despesas de passagens aéreas do Sr. Rogério Luiz Bicalho também é absolutamente normal, pois a Maxdrink “ é devedora de Royalties para a Reizinho, empresa de que [o Sr. Rogério Luiz Bicalho] é sócio e administrador, e mais, este [o Sr. Rogério] tem interesse na divulgação da sua marca para possibilitar o aumento de vendas pela Maxdrink e, conseqüentemente, aumento no pagamento dos Royalties (...)” Enfim, a recorrente procura desconstituir as declarações obtidas pela Fiscalização de várias pessoas ligadas às empresas, alegando, inclusive, motivos de interesse pessoal dos declarantes para vincular o Sr. Rogério Luiz Bicalho à empresa Maxdrink e prejudicálo. Afirma a todo o tempo que as três empresas (Distribuidora Pequi Ltda, Belo Horizontes Refrigerantes Ltda e Maxdrink Empreendimentos e Participações Ltda) são empresas completamente distintas, não havendo que se falar em grupo econômico, e que as questões apontadas pela Fiscalização, no sentido de demonstrar a estreita e incomum correlação entre as três empresas, são, na verdade, condutas absolutamente normais na prática do comércio, tendo em vista que o Sr. Rogério Luiz Bicalho tem interesse no aumento das vendas dos refrigerantes que comercializa, pois sobre ele recebe pagamento de royalties. Justifica, ainda, a estreita relação entre a Maxdrink e a Distribuidora Pequi em razão de o Sr. Vaney Afonso de Souza ser sócio administrador da Maxdrink e também sócio majoritário da Distribuidora Pequi e, de forma que, no seu entendimento, “nada mais normal, pois, que a Maxdrink, como forma de acerto com a Distribuidora Pequi, efetue o Fl. 2915DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 pagamento do seu débito diretamente aos credores da Distribuidora Pequi(...)”. Afirma, ainda, que, sendo o Sr. Vaney padrinho de casamento da Srª Rosilene Bicalho, nada mais normal que presenteála com uma viagem de luademel, a qual foi paga com cheque da empresa Maxdrink, tendo sido este o motivo da emissão do cheque nº. 850.098, do Banco do Brasil. Aduz ser evidente a fragilidade dos fatos alegados pela Fiscalização e que inexiste qualquer grupo econômico. Afirma ser incabível a responsabilidade solidária das pessoas físicas de Rogério Luiz Bicalho, Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, Roseana Bicalho e Maria Torres de Freitas Bicalho. Quanto à exigência do IPI, alega, em síntese: que é incabível a exigência do IPI, vez que faz jus ao benefício fiscal de redução em 50% da alíquota referente aos refrigerantes de Guaraná, Uva, limão, tangerina e demais que utilizam extrato de frutas, consoante a Nota Complementar da TIPI n° 221; que os únicos requisitos exigidos pela NC TIPI 221 são: (i) atender aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e; (ii) estarem os produtos registrados no órgão competente daquele Ministério. Deste modo, entende que a concessão do Ato Declaratório por parte da Receita Federal é ato vinculado, eis que a empresa preenche os requisitos para a sua concessão, sendo imperiosa a necessidade de fazer jus ao beneficio previsto na NC TIPI 221; que os requisitos necessários à concessão do referido Ato Declaratório foram efetivamente comprovados pela Belo Horizonte Refrigerantes Ltda., consoante, consoante expressamente reconhecido no Termo de Verificação Fiscal, à fl. 57 dos autos; que a atuação da Fiscalização foi arbitrária ao utilizar, como base de cálculo do IPI, o valor de todas as Notas Fiscais emitidas, tenham sido elas de venda, devolução simbólica ou retorno de industrialização, e que não se sustenta a argumentação da DRJ de que a contribuinte foi intimada a apontar algum erro no cálculo e não o fez. Afirma que comprovou as alegações constantes da impugnação por meio de laudo pericial devidamente juntado aos autos e que não foi objeto de análise pela Turma julgadora, contrariando, assim, o princípio da verdade material;. que “é clarividente a inconstitucionalidade do artigo 15 da Lei 7.789/89 e artigo 131, §3º do Decreto 4.544/02, na medida em que ambos desrespeitam a definição da base de cálculo do IPI prevista no artigo 47, inciso II, alínea a do Código Tributário Nacional, que, por força do artigo 146, inciso III, alínea a daConstituição da República, detém a competência para definir a base de cálculo do IPI, sendo, hialino, pois, que o acórdão recorrido carece de revisão também neste mister.”; que a Fiscalização simplesmente desconsiderou as determinações do §2° do artigo 143, que garante o creditamento, por parte do encomendante, do valor pago pelo estabelecimento industrializador; que a utilização de pautas fiscais para cobrança de tributo se mostra indubitavelmente inconstitucional e ilegal, à vista do ordenamento jurídico vigente. Afirma que utilização de pautas fiscais somente é cabível quando não for possível a identificação da base de cálculo real as operações; Fl. 2916DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13609.720024/200685 Acórdão n.º 3202000.928 S3C2T2 Fl. 2.822 9 que encomenda a industrialização de refrigerantes à empresa Belo Horizontes Refrigerantes e que, assim, remete ao industrializador as matérias primas, os produtos intermediários e as embalagens necessárias à industrialização. Por força o artigo 42, inciso VI do RIPI, essas remessas, desde que os produtos industrializados sejam enviados ao remetente dos insumos, são suspensos de tributação pelo IPI. Da mesma forma, o retorno dos produtos industrializados ao estabelecimento encomendante, com destino ao comércio ou emprego em outra industrialização, também é suspenso de tributação pelo IPI; que, ao realizar o envio das préformas para sopro, com a subsequente saída das garrafas PET sopradas, não há que se falar em cobrança do IPI, uma vez que este se encontrava com a sua incidência suspensa, dada a determinação dos incisos VI e VII do artigo 42 do RIPI. Logo, o responsável pelo recolhimento do imposto é o destinatário, autor da encomenda, tão logo ele efetue a saída do produto então industrializado por encomenda, sendo improcedente o auto de infração lavrado também neste mister; que houve cerceamento de defesa em razão do indeferimento do pedido de perícia pela DRJ; que a multas aplicada tem caráter confiscatório; que é incabível a aplicação da multa ao patamar de 225%, em face da falta dos elementos de tipificação das irregularidades pretendidas pela Fiscalização; que, em momento algum, ficou comprovado nos autos o intuito do contribuinte de fraudar o fisco, nem mesmo a ocorrência de qualquer divergência entre a vontade real e a vontade declarada nos contratos sociais, de prestação de serviços, alterações contratuais, etc., relativo às empresas Belo Horizonte Refrigerantes, Maxidrink e Distribuidora Pequi, o que descarta por si só a ocorrência de simulação, sendo inaplicável a majoração das multas; que as empresas autuadas não deixaram de atender às intimações e que não se pode exigir a apresentação de documentos que as intimadas não possuem, de forma que, bem ou mal, foram prestados os esclarecimentos requeridos pela Fiscalização; e que também não há qualquer irregularidade no contrato de aluguel do galpão de propriedade da Sra. Maria Torres, onde se encontra sediada a empresa Belo Horizonte Refrigerantes. Afirma que não há registro de pagamento de aluguel de 2002 a dezembro de 2006 porque foi dado prazo de carência para empresa realizar obras no local e que o valor da locação é baixo é razão da realização de benfeitorias no imóvel, pela locatária. Neste ponto, retoma a recorrente a intenção de desconstituir as provas trazidas pela Fiscalização para configurar a existência do grupo econômico, a simulação e o envolvimento da família Bicalho. Ao final, requer a anulação do lançamento de ofício e, subsidiariamente, a redução ou exclusão das multas e juros aplicados. Às fls. 2.720/2.795 consta o recurso voluntário apresentado, de forma conjunta, pelos responsáveis solidários ROGÉRIO LUIZ BICALHO, ROSEANA DE FÁTIMA BICALHO, ROSILENE BICALHO e MARIA TORRES DE FREITAS BICALHO. Fl. 2917DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 Em linhas gerais, o recurso repete os mesmos argumentos apresentados pela contribuinte quanto à inexistência do Grupo Del Rey. Procura desconstituir os depoimentos colhidos pela Fiscalização em razão dos novos depoimentos prestados em cartório pelos mesmos depoentes. Tenta demonstrar que as relações entre os responsáveis solidários e as empresas fiscalizadas se restringiam aos aspectos comerciais, não havendo qualquer envolvimento pessoal que identifique a vinculação entre as recorrentes e a autuada, não se configurando a hipótese prevista no art. 174 do CTN. Afirma que, mesmo que ficasse provada a existência de uma sociedade de fato “os Recorrentes não poderiam ser responsabilizados pessoalmente pelos débitos, eis que, em momento algum, em nenhum dos depoimentos tomados como base pela fiscalização autuante, restou consignado que o Sr. Rogério Luiz Bicalho ou qualquer outro membro da "Família Bicalho" SERIAM OS ADMINISTRADORES de qualquer das empresas autuadas”.Alega que somente os sóciosgerentes podem ser responsabilizados pelos débitos da empresa e, mesmo assim, apenas quando os atos são praticados em infração à lei ou ao contrato social, razão pela qual não haveria base legal para a responsabilização de pessoas físicas que sequer figuram como sócios quotistas da empresa autuada. Repete os mesmos argumentos da contribuinte autuada em relação à aplicação da multa. Ao final, requer a exclusão dos recorrentes do pólo passivo. Por fim, temse que, em cumprimento da diligência requerida por esta Turma julgadora, foram intimados da decisão da DRJ os responsáveis solidários VANEI AFONSO DE SOUZA e WANDERLEY CARDOSO DE SOUZA, que não apresentaram recurso. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Trata a lide de Auto de Infração lavrado contra a empresa DISTRIBUIDORA PEQUI LTDA, para constituição de crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados –IPI, bem como acréscimos legais (multa proporcional e juros de mora), no valor total de R$ 3.119.916,24 (fls.1.342/1.369). Afirma a autoridade autuante que as empresas Distribuidora Pequi Ltda e Maxdrink Empreendimentos e Participações Ltda eram utilizadas pela empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda para simular operações de industrialização sob encomenda e comercialização dos refrigerantes por ela mesma produzidos, com evidente intuito de fraude contra a ordem tributária. Alega a autoridade autuante que a Distribuidora Pequi Ltda, juntamente com as empresas Belo Horizonte Refrigerantes Ltda e Maxdrink Empreendimentos e Participações Ltda, seriam empresas do mesmo grupo econômico, ao qual denominou de “Grupo Del Rey”. Afirma a Fiscalização que as três empresas possuem comunhão de interesses e pertencem aos mesmos proprietários, além de efetuarem atividades complementares. Aduz que, por meio do artifício antes realizado pela empresa “Refribelô”, e, atualmente, pela Distribuidora Pequi, esta (Distribuidora Pequi) "adquiria" e enviava insumos com o IPI e ICMS suspensos para a Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, para a fabricação de refrigerantes "sob encomenda". Encomenda dela própria, pois a Distribuidora Pequi, Refribelô, Maxdrink e Belo Horizonte Refrigerantes pertenceriam aos mesmos proprietários: a família Bicalho. A operação de industrialização sob Fl. 2918DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13609.720024/200685 Acórdão n.º 3202000.928 S3C2T2 Fl. 2.823 11 encomenda proporcionava à Belo Horizonte Refrigerantes aparência de ser apenas prestadora de serviços, quando, na realidade, seria uma empresa industrial, sujeita aos impostos pertinentes na operação. Assim, o IPI [seria] devido tanto pelo estabelecimento que industrializou os refrigerantes, no caso, a Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, quanto pela Distribuidora Pequi, o estabelecimento encomendante. Ambas jamais poderiam utilizarse do instituto da suspensão, pois [estariam] impedidas por lei. Apesar disso, as empresas valeram se da suspensão e não recolheram qualquer IPI na saída dos produtos industrializados, conforme estratégia das três empresas envolvidas na operação mercantil: o estabelecimento industrial, o encomendante e o distribuidor. Esses emitiram várias notas fiscais para acobertar, basicamente, a mesma operação: industrialização e comercialização de refrigerantes. Ainda segundo a Fiscalização, a atuação das três empresas seria a seguinte: “ ...a Distribuidora Pequi (matriz) adquire insumos para produzir refrigerantes e remeteos para industrialização na fábrica, em Ribeirão das Neves, da empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda com suspensão do IPI. Após industrializados, a Belo Horizonte Refrigerantes emite duas notas fiscais: 1) para a Distribuidora Pequi (matriz) relativa à remessa simbólica dos insumos utilizados na industrialização por encomenda e à industrialização efetuada e 2) para a Distribuidora Pequi Ltda (filial, CNPJ 03.743.779/000204), relativa à remessa do refrigerante já industrializado por conta e ordem do remetente dos insumos, ou seja, a matriz da Distribuidora Pequi. Em nenhuma das notas fiscais referidas há destaque do IPI. Em poucos casos, a Belo Horizonte Refrigerantes remeteu os refrigerantes diretamente para a filial da Distribuidora Pequi Ltda. Por sua vez, a Distribuidora Pequi Ltda (matriz) emite uma nota fiscal de remessa dos refrigerantes para sua filial COM DESTAQUE DO IPI, mas sem nunca ter recolhido o imposto, e a filial emite uma nota fiscal de saída para a empresa distribuidora de refrigerante, em geral, para a Maxdrink Empreendimentos e Participações Ltda, SEM DESTAQUE DO IPI” Afirma ainda que “Na prática, a estratégia visou a criar aparência de que o IPI estaria suspenso e a diminuir a base de cálculo dos impostos e contribuições ali gerados, uma vez que o faturamento estaria dividido entre ela, a Maxdrink e a Pequi. Estas duas últimas não possuem bens para garantir a execução dos créditos tributários. É na fábrica de refrigerantes que estão os ativos do "Grupo Del Rey". Diante desse quadro, foi, ainda, aplicada multa agravada em 225% em razão de a contribuinte não haver atendido às intimações e pela utilização de interpostas pessoas na administração da empresa autuada, tendo sido também autuados, na condição de responsáveis solidários, as seguintes pessoas físicas: Rogério Luiz Bicalho, Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, Rosilene Bicalho, Maria Torres de Freitas Bicalho, Vanei Afonso de Souza e Wanderley Cardoso de Souza, conforme se vê dos Termos de Sujeição Passiva Solidária nºs. 007 a 012, constantes às fls. 1.513 a 1.524 (volume IX). Observase que os fatos narrados pela Fiscalização, relacionados à formação e atuação do denominado Grupo Del Rey, fundamentaram a configuração de infração à legislação referente ao IRPJ, visto que serviram de base para autuação da empresa Distribuidora Pequi Ltda referentes ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, formando o processo Fl. 2919DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 12 administrativo 13603.720076/200610, o qual já foi objeto de julgamento pela Primeira Seção de Julgamento do CARF (Acórdão nº. 10323.409). Naqueles autos, inclusive, foram analisadas as questões relativas à existência do referido grupo econômico e à responsabilidade solidária dos sócios das três empresas. Por outro lado, dispõe o art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF: Art. 2º. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: ......................................................................................................... IV – demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (grifo não constante do original) Tendo em visto ser este o caso dos autos, visto o Auto de Infração do IPI encontrarse lastreado em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação do IRPJ, voto no sentido de DECLINAR DA COMPETÊNCIA, em favor da Primeira Seção de Julgamento deste CARF. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 2920DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
