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Numero do processo: 10540.000895/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009
Ementa:
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA
As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998.
A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991..
LIEGE LACROIX THOMASI
Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão)
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 22/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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APROPRIAÇÃO INDÉBITA As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. 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A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 22/08/2013 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.000895/201017 Acórdão n.º 2302001.934 S2C3T2 Fl. 17 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio. Relatório Tratase ação fiscalizatória levada a eleito contra o sujeito passivo acima identificado em epígrafe, relativa à Operação Especial Órgãos Públicos, conforme se observa do Relatório Fiscal da Ação Fiscal [fls. 63/66]: [...]tem como propósito conduzir investigações atinentes a verificações da obrigatoriedade dc declarar e recolher as Contribuições Sociais devidas à Seguridade Social, previstas no art. 11, parágrafo único, da Lei 8.212 de 27/07/1991, decorrentes da prestação dc serviços executados por segurados empregados pertencentes ao quadro de pessoal da Prefeitura Municipal sob fiscalização, não amparados por Regime Próprio de Previdência Social. O presente procedimento fiscal abrange os anoscalendários de 2006 a 2008, com execução de procedimentos de auditoria sobre dados disponíveis pela Fiscalização da Receita Federal doBrasil e sobre informações prestadas pelo fiscalizado no curso da ação fiscal. Em 19/03/2010 tiveram início as atividades fiscalizatórias com a lavratura do Termo de Iníciode Procedimento Fiscal com intimação para apresentação dos documentos lá discriminados,cuja ciência deuse por via postal, em 26/03/2010, mediante Aviso de Recebimento AR n° SS72122423 2 BR, Em resposta ao Termo de Intimação, o sujeito passivo entregou em12/04/2010 os documentos relacionados nos Termos de Recebimento. Dentre asdocumentações entregues constam as Listagens de Processos Pagos relativas aos anoscalendáriosem comento. Em 16/04/2010 foram entregues as fotocópias simples das Folhas dePagamentos Avulsas dos meses 01/2007, 04/2007, 07/2007 e 09/2007. A partir destas novas documentações, a Fiscalização elaborou em 10/05/2010 o Termo deConstatação e de Intimação Fiscal n° 01 e planilha 01, encaminhando ao sujeito passivojuntamente com fotocópias simples das Listagens de Processos Pagos, objetivando cientificar oautuado dos novos fatos levantados, bem como, intimálo a manifestar sobre as divergênciasapuradas, informar a base de cálculo e a quantidade de segurados empregados relativo ao 13°salário, a apresentar os Demonstrativos Contábeis Mensais cias Contas Específicas de Despesacom Pessoal, bem como a prestar outros esclarecimentos. A resposta ao presente Termo foi encaminhada via postal, mediante Aviso de Recebimento AR n° SO 38339710 4 BR, com entrega em 04/06/2010, conforme informação extraída do sítio dos Correios. O fiscalizado justifica a impossibilidade em prestar os esclarecimentos acerca das Fl. 120DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 divergências constatadas pela Fiscalização em virtude de não dispor de todos os documentos cuja guarda e arquivamento são de responsabilidade da gestão anterior. Comunica que o município não possui Regime Próprio de Previdência.Por fim, afirma que o quadro atual da Prefeitura é composto de 972 funcionários. De posse destes elementos, elaboramos o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 02 e planilhas 1, I I , I I I e IV nas quais contemplam os valores de Remuneração/Base de Cálculo e de Contribuição Previdenciária declarados em GF1P, os valores de Base de Cálculo extraídos das Listagens de Processos Pagos entregues pelo fiscalizado, os valores de Base de Cálculo constantes dos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia TCM c os valores de Base de Cálculo e de Contribuição Previdenciária indicados nas Folhas de Pagamento Avulsas. Considerando que o fiscalizado alegou dificuldade em encaminhar os dados referentes ao 13° salário, a Fiscalização calculou a media anual da base de cálculo informados nas Listagens de Processos Pagos, nas competências janeiro a dezembro, de 2006 a 2008 e definiu estes valores para a competência 13 de cada ano calendário. O mencionado Termo e planilhas foram enviados ao fiscalizado através de Aviso de Recebimento AR n° SK 11082935 5 BR, cuja ciência deuse em 06/07/2010. Salientese que o sujeito passivo até a presente data não se manifestou acerca das considerações contidas no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 02 e nas planilhas anexas. Com efeito, para fins de quantificar os valores que deixaram de ser declarados nas GFIPs correspondentes às contribuições previdenciárias devidas sobre pagamento efetuados a segurados empregados amparados pelo Regime Geral de Previdência nos meses sob fiscalização, utilizamos os dados constantes nas Listagens de Processos Pagos, nas Folhas de Pagamentos Avulsas. Do mesmo modo, utilizouse, também, os dados constantes dos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia TCM, informações estas prestadas pelo sujeito passivo as quais foram auditadas e publicadas pelo citado Órgão. Foram, então, elaboradas as planilhas I a VIII as quais contemplam os dados c informações verificados no transcorrer da ação fiscal em referência. Constam abaixo a denominação e descrição dos levantamentos e lançamentos constituídos no curso deste procedimento fiscal. Os fatos geradores das obrigações principais e acessórias das contribuições previdenciárias apuradas no curso desta fiscalização foram distribuídos em levantamentos próprios, assim identificados: 1. Obrigação principal: a) GF DECLARADO EM GFIP: Constam neste levantamento os valores das remunerações pagas a segurados, das contribuições retidas de segurados e das contribuições patronais, declarados nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da Receita Federal do Brasil, inclusive a Fl. 121DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.000895/201017 Acórdão n.º 2302001.934 S2C3T2 Fl. 18 5 contribuição GILRAT/SAT. Este levantamento não participa da apuração dos débitos, sendo criado somente para fins de apropriação das guias de recolhimento e demais créditos. Registrese que tal levantamento retrata as GFIPs conforme declaradas pelo fiscalizado. b) LP LISTAGEM DE PAGAMENTO; Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos e valores de base de cálculo de segurados empregados declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados calculada a partir da aplicação da alíquota mínima de 8% sobre a base de cálculo extraída das Listagens de Processo Pagos e valores de contribuições segurados empregados declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior; c) LP1 LISTAGEM DE PAGAMENTO: Constam neste levantamento os lançamentos devalores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as basesde cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos evalores de base de cálculo de segurados empregados declaradas nas GFIPs arquivadasnos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente ascontribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentosprovenientes das diferenças de contribuições segurados empregados calculada a partir daaplicação da alíquota mínima de 8% sobre a base de cálculo extraída das Listagens deProcesso Pagos e valores de contribuições segurados empregados declarados em GFIP(código do lançamento CS). Contemplam as competências que entram no comparativo damulta mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual; d) LP2 LISTAGEM DE PAGAMENTO: Constam neste levantamento os lançamentos devalores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as basesde cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos evalores de base de cálculo de segurados empregados declaradas nas GFIPs arquivadasnos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente ascontribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentosprovenientes das diferenças de contribuições segurados empregados calculada a partir daaplicação da alíquota mínima de 8% sobre a base de cálculo extraída das Listagens deProcesso Pagos e valores de contribuições segurados empregados declarados em GFIP(código do Fl. 122DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 lançamento CS). Contemplam as competências que não participaram docomparativo da multa mais benéfica, sendo cobrada a multa de ofício de 75%; e) FP1 LISTAGEM DE PAGAMENTO: Constam neste levantamento os lançamentos devalores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as basesde cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Folhas de Pagamentos Avulsas,dos meses de abril e junho de 2007 e valores de base de cálculo de seguradosempregados declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (códigodo lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluída aGILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças decontribuições segurados empregados indicadas nas Folhas de Pagamentos Avulsas, dosmeses de abril e junho de 2007 e valores de contribuições segurados empregadosdeclarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências queentram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual; f)TC REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento oslançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as basesde cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as basesde cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informadano Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nas Listagens deProcessos Pagos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída aGILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentosprovenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de serdeclarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases decálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos doTCMBA e a base de cálculo constante nas Listagens de Processos Pagos (código dolançamento CS). Contemplam as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior; g) TC1 REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento oslançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as basesde cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as basesde cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informadano Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nas Listagens deProcessos Pagos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída aGILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentosprovenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de serdeclarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases decálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos doTCMBA e a base de cálculo constante nas Listagens de Processos Pagos (código dolançamento CS). Contemplam as competências que entram no comparativo da multa maisbenéfica e está sendo cobrada a multa atual; Fl. 123DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.000895/201017 Acórdão n.º 2302001.934 S2C3T2 Fl. 19 7 h) TC2 REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento oslançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as basesde cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as basesde cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informadano Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nas Listagens deProcessos Pagos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída aGILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentosprovenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de serdeclarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases decálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos doTCMBA e a base de cálculo constante nas Listagens de Processos Pagos (código dolançamento CS). Contemplam as competências que não participaram do comparativo damulta mais benéfica, sendo cobrada a multa de ofício de 75%; i) Gl GILRAT SOBRE REMUNERAÇÃO GFIP: Constam neste levantamento oslançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT que deixaram de ser informadas,calculados sobre remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT). Contempla as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multaanterior; j) GI1 GILRAT SOBRE REMUNERAÇÃO GFIP: Constam neste levantamento oslançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT que deixaram de ser informadas,calculados sobre remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT).Contemplam as competências que entram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual; I) GI2 GILRAT SOBRE REMUNERAÇÃO GFIP: Constam neste levantamento oslançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT que deixaram de ser informadas,calculados sobre remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT).Contemplam as competências que não participaram do comparativo da multa maisbenéfica, sendo cobrada a multa de ofício de 75%; m) DAL DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS: No curso da fiscalização é feita aconferência dos acréscimos legais calculados pelo fiscalizado quando dopagamento/recolhimento efetuado após a data de vencimento, através das Guias daPrevidência Social GPS. É, então, emitido um relatório denominado DAL Diferenças deAcréscimos Legais, que discrimina as diferenças decorrentes de recolhimento a menor dejuros e/ou multa mora, com indicação dos valores que seriam devidos e dos recolhidos.Constam neste levantamento os valores dos acréscimos legais cobrados Ouros e multa demora), em virtude de recolhimento a menor e após a data de vencimento. Para fins delançamento destes acréscimos legais, embora o pagamento/recolhimento seja decontribuição previdenciária pertinentes aos anoscalendários sob fiscalização, a data Fl. 124DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 daocorrência do fato gerador é o mês em que o autuado procedeu aopagamento/recolhimento incorreto; 2. Obrigação Acessória: a) AIOA CFL 68 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em decorrência de o sujeito passivo não prestar as informações à Receita Federal do Brasil em conformidade com as disposições estabelecidas pela legislação regulamentadora da materia; b) AIOA CFL 78 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em virtude de o sujeito passivo não prestar as informações à Receita Federal do Brasil em conformidade com as disposições estabelecidas pela legislação regulamentadora da materia; c) AIOA CFL 77 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em virtude de o sujeito passivo ter entregue as GFIPs após o prazo estabelecido pela legislação regulamentadora da matéria; ou seja, com atraso. O presente processo tratase de crédito lançado através do Auto de Infração (AI) DEBCAD n° 37.297.1890, por descumprimento de obrigação acessória, em nome do órgão público em epígrafe, foi constatado pelafiscalização que o órgão público apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia doTempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ouomissas, nas competências 01/06 a 01/07, 06/07, 01/08, 11/08 e 13/08. O autuado deixou dedeclarar a totalidade das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregadosamparados pelo Regime Geral de Previdência Social, a totalidade das contribuiçõesprevidenciárias de responsabilidade dos segurados empregados, como ainda não declarar oudeclarar com incorreção a alíquota GILRAT/SAT. Constatado o não cumprimento da referidaobrigação acessória, lavrouse o presente auto de infração.Foi elaborado quadro comparativo de multas, com o somatório das multas aplicadas nos AIOP e AIOA. Inconformado o Sujeito Passivo apresentou impugnação tempestiva que, por meio do Acórdão n. 1526.031 – 6ª Turma da DRJ/SDR, foi julgada improcedente: Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. ARBITRAMENTO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.000895/201017 Acórdão n.º 2302001.934 S2C3T2 Fl. 20 9 A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimada do decisum, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário que alegou, em síntese: (i) Em 04/06/2010, em resposta ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 01 e planilha 01, o Município justificou a impossibilidade em prestar os esclarecimentos acerca das divergências constatadas pela fiscalização em virtude de não dispor de todos os documentos cuja guarda e arquivamento são de responsabilidade da gestão anterior. (ii) Informa ainda que não possui regime próprio de previdência. 4.3. Equivocouse o senhor AuditorFiscal, quando da tentativa de demonstração da ocorrência do fato gerador, ao deixar de esmiuçar e individualizar as bases de cálculo utilizadas para encontrar o valor atualizado demonstrado na consolidação do débito; (iii) o auto de infração é nulo, pois sua narração é confusa e dificulta o direito de defesa; (iv) Cita os arts. 2 o e 50 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e afirma que os autos de infração aplicados ao Município não possuem motivação, apenas se limitam a dar o enquadramento da conduta. Não resta sombra de dúvida que o ato administrativo vinculado em apreço está eivado de vício pela falta de motivação, devendo o mesmo ser desconstituído através da sanção de nulidade; (v) A multa cominada no AI é inconstitucional, já que se caracteriza absolutamente como confiscatória. Cita o art. 5ºda Constituição Federal e diz que, para que seja aplicada uma multa, é necessário que haja um processo administrativo em que seja garantido o contraditório e a ampla defesa, para que, depois, a multa seja mensurada e aplicada; (vi) Verificase do auto de infração em epígrafe e dos demais consequ ̈entes que o AuditorFiscal de pronto se enveredou a calcular montantes de contribuição e multas, e, ainda, notificou para pagamento em 30 dias. Diz que a multa só se torna exigível após todo o processo administrativo, onde é assegurado o contraditório e a ampla defesa, pois, caso contrário, estáse aplicando uma sanção sem o devido processo legal; (vii) Afirma que os valores de contribuições levantados e as multas aplicadas nos referidos autos de infração são nulas, por afronta aos princípios da legalidade, motivação, contraditório e ampla defesa; (viii) No mérito, afirma que o Município autuado, no decorrer da ação fiscal, procurou em todo momento cumprir as exigências demonstradas nas intimações emitidas pelo Sr. AuditorFiscal; (ix) Para apuração do crédito tributário devido, foram confrontados os valores totais da massa salarial correspondentes a segurados empregados informados nas GFIP com os valores constantes nas Listagens de Processos Pagos, nas folhas de pagamento avulsas e nos Fl. 126DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA, sem proceder à individualização dos segurados empregados, resultando ainda na aplicação de multas acessórias. Como é visto, trata se de um procedimento que deixa margens a dúvidas, pois não há exatidão nas fontes de informações.Cita o art. 12 do CTN; (x) Argumenta que o arbitramento tem caráter excepcionalíssimo, na medida em que deve sempre prevalecer a base de cálculo originária, regramatriz de incidência tributária. O exercício desse mecanismo encontrase ancorado nos princípios da razoabilidade, da finalidade da lei e proporcionalidade, podendo ser utilizado quando realmente mostrese impossível utilização da base de cálculo originária; e (xi) Requer que sejam acolhidas as preliminares arguidas e, em sendo estas ultrapassadas, seja julgado improcedente o lançamento realizado, em razão dos argumentos de fato e de direito preconizados, desconstituindose o crédito tributário lançado através do AI, por se tratar de medida de mais lídima Justiça e Direito. Pede o apensamento dos demais AI DEBCAD n°s 37.297.1954, 37.297.1920, 37.297.1911, 37.297.1946, 37.297.1938, 37.297.1881, 37.297.1890 e 37.297.1903, por tratarse de resultado da mesma ação fiscal e, em sendo assim, devem ser julgados no conjunto e não em separado. É o relatório. Voto Conselheira Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. 1PRELIMINAR DE NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.000895/201017 Acórdão n.º 2302001.934 S2C3T2 Fl. 21 11 I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas Fl. 128DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. 2MÉRITO 2.1Obrigatoriedade Do Recolhimento O lançamento teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores constantes das folhas de pagamento e recolhidos em GPS, de forma que se tornam inócuas as alegações de que não há razão para a cobrança do tributo As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização, que foram arrecadadas dos segurados. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Ademais, o lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, suas folhas de pagamento e informações prestadas pela mesma em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Foram realizados os confrontos entre os valores declarados cm GFIP c os extraídos das Listagens de Processos Pagos, das Folhas de Pagamentos Avulsas e dos Demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA correspondentes ao Regime Geral dc Previdência, entregues pelo sujeito passivo supra qualificado, conforme planilhas 1 a V I I ! , constatouse o cometimento da infração à legislação tributária, razão por que lavramos os Autos de Infração específicos, identificados no presente Relatório Fiscal, para exigir do autuado o crédito tributário correspondente. Salientese que, para fins de apuração do crédito tributário devido, as diferenças apuradas foram obtidas pelo confronto entre os valores totais da massa salarial correspondentes a segurados empregados informadas nas GFIPs com os valores constantes nas Listagens de Processos Pagos, nas Folhas de Pagamentos Avulsas e nos Demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA, sem proceder à individualização dos segurados empregados; ou seja, são valores não oferecidos à tributação, haja vista ter o fiscalizado deixado de declarar em GFIP. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.000895/201017 Acórdão n.º 2302001.934 S2C3T2 Fl. 22 13 Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. O relatório fiscal traz explicitamente que a notificação se refere às contribuições previdenciárias que foram descontadas dos segurados, cujos recolhimentos totais não foram comprovados, referentes às folhas de pagamento elaboradas pela recorrente, documentos de fls. 40 a 85 e o resumo das informações constantes do arquivo SEFIP, fls. 87/98, sendo assim, tais valores incontroversos e, conseqüentemente, inafastável é sua cobrança. Por todo o exposto não merece reparo o lançamento do débito, já que por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Também, se refere o crédito à alíquota de 11%, relativa a parte do segurado contribuinte individual que deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003, a partir da competência 04/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 O valor retido da remuneração dos segurados e seu não repasse à Seguridade Social, configura, em tese, a prática de crime previsto no art. 168A do Código Penal Brasileiro, com redação da Lei n.º 9.983/2000, para as competências a partir de 10/2000. À área administrativa não discute a conduta criminosa do contribuinte, mas lhe cumpre informar à autoridade competente, o Ministério Público Federal, o que não pode ser desconsiderado. Todavia, tal fato não tem influência na aplicação da multa moratória e de ofício. 2.2Da multa QUANTO À MULTA, tenho o entendimento que à luz da legislação vigente, devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10540.000895/201017 Acórdão n.º 2302001.934 S2C3T2 Fl. 23 15 Pelo exposto, constatase que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas por descumprimento de obrigação principal e acessória devem ser aplicadas isoladamente e da forma menos onerosa ao contribuinte. 2.3SELIC No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições Fl. 132DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3CONCLUSÃO Pelo exposto, Voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, devendo a multa ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 133DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720809/2010-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DECORRENTES DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. DESPESAS DE FRETE. AMPLITUDE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA ZERO.
Embora o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, refira-se à frete nas operações de venda, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, que decorre dos incisos I e II. O creditamento ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou do bem adquirido para revenda, sendo calculado a partir do custo de aquisição, no qual está compreendido o frete (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a). Na aquisição de bens e de insumos sujeitos à alíquota zero, somente há direito ao crédito quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que também se aplica ao frete pago no transporte (Lei nº 10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II). Assim, não há direito ao crédito do frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, uma vez que a operação antecedente também está sujeita à alíquota zero (art. 25, I).
COFINS. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Por ausência de dispositivo legal permissivo, inexiste direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo.
FRETE. TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS DESTINADOS À VENDA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
A legislação não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao frete na operação de venda (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX), sendo irrelevante o fato de se tratar de produto ou subproduto.
FRETE. REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
O arroz à granel para fins de industrialização não constitui produto nem subproduto do adquirente. Trata-se de matéria-prima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, a, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Portanto, deve ser reconhecido o direito ao crédito, porque o frete integra o custo de aquisição (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a).
AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. ROLETES, CONE DE ROLETES E FUSO TRANSPORTADOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE VIDA ÚTIL.
Em se tratando de bens que, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato, o contribuinte, para ter reconhecido o direito ao crédito, deve demonstrar as circunstâncias de sua utilização no processo produtivo e, principalmente, se os mesmos estão sujeito a um processo de desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado.
AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. PÊSSEGO ENLATADO.
O sujeito passivo tem direito ao crédito do frete relativo a produto acabado adquirido para revenda, porque o mesmo integra o custo de aquisição do bem (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-001.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo às despesas de frete devido no transporte de venda de subprodutos; de remessa de arroz à granel para industrialização; e de aquisição de produto acabado ("pêssego enlatado") para revenda. Por unanimidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo ao frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda; e ao frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete e fuso transportador. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo às despesas de frete devido no transporte de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Solon Sehn (relator), Bruno Curi e Cláudio Pereira.Designado, neste ponto, o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Redator designado.
EDITADO EM: 06/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DECORRENTES DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. DESPESAS DE FRETE. AMPLITUDE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA ZERO. Embora o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, refirase à frete nas operações de venda, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, que decorre dos incisos I e II. O creditamento ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou do bem adquirido para revenda, sendo calculado a partir do custo de aquisição, no qual está compreendido o frete (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). Na aquisição de bens e de insumos sujeitos à alíquota zero, somente há direito ao crédito quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que também se aplica ao frete pago no transporte (Lei nº 10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II). Assim, não há direito ao crédito do frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, uma vez que a operação antecedente também está sujeita à alíquota zero (art. 25, I). COFINS. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Por ausência de dispositivo legal permissivo, inexiste direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. FRETE. TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS DESTINADOS À VENDA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 08 09 /2 01 0- 71 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 A legislação não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao “frete na operação de venda” (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX), sendo irrelevante o fato de se tratar de produto ou subproduto. FRETE. REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. O arroz à granel para fins de industrialização não constitui produto nem subproduto do adquirente. Tratase de matériaprima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Portanto, deve ser reconhecido o direito ao crédito, porque o frete integra o custo de aquisição (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. ROLETES, CONE DE ROLETES E FUSO TRANSPORTADOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE VIDA ÚTIL. Em se tratando de bens que, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato, o contribuinte, para ter reconhecido o direito ao crédito, deve demonstrar as circunstâncias de sua utilização no processo produtivo e, principalmente, se os mesmos estão sujeito a um processo de desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado. AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. PÊSSEGO ENLATADO. O sujeito passivo tem direito ao crédito do frete relativo a produto acabado adquirido para revenda, porque o mesmo integra o custo de aquisição do bem (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo às despesas de frete devido no transporte de venda de subprodutos; de remessa de arroz à granel para industrialização; e de aquisição de produto acabado ("pêssego enlatado") para revenda. Por unanimidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo ao frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda; e ao frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete e fuso transportador. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo às despesas de frete devido no transporte de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Solon Sehn (relator), Bruno Curi e Cláudio Pereira.Designado, neste ponto, o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor. (assinado digitalmente) Fl. 368DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720809/201071 Acórdão n.º 3802001.314 S3TE02 Fl. 368 3 REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Redator designado. EDITADO EM: 06/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo ora Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COMPENSAÇÃO A compensação é regular no caso da existência de créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A manifestação de inconformidade referese à pedido de ressarcimento de créditos de Cofins decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados à vendas efetuadas com alíquota zero, formulado com fundamento no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. O acórdão da DRJ não reconheceu o crédito relativo ao frete nas aquisições e nos retornos de produtos enviados para industrialização perante terceiros; na “remessa de arroz acabado para entrega a clientes, mas antes passando pela Matriz”; no transporte de subprodutos, de arroz a granel entre estabelecimentos industriais da pessoa jurídica e na aquisição de produto acabado e de subprodutos destinados a revenda. O ressarcimento foi admitido apenas no tocante ao frete na aquisição de matériaprima (arroz em casca) de produtor rural pessoal física, de embalagens e na remessa de matériaprima para industrialização, nos anos de 2005 e 2006. A Recorrente, nas razões recursais de fls. 338/356, pleiteia a reforma da decisão recorrida, alegando que o frete na remessa e no retorno de matériaprima para industrialização por terceiros estaria vinculado ao processo produtivo, integrando, assim, o custo de industrialização do produto acabado. Sustenta ainda que a Solução de Divergência Fl. 369DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Cosit nº 26/2008 não poderia ser invocada como fundamento para a vedação do crédito de frete na transferência de produto acabado entre a filial e a matriz, porquanto, de acordo com o art. 16, § 4º, da Instrução Normativa nº 740/2007, seus efeitos não podem retroagir. Alega ter direito ao crédito nas transferências entre estabelecimentos, uma vez que se trata de operação realizada com o intuito de aperfeiçoar a logística de distribuição, isto é, despesas vinculadas diretamente à operação de venda. Aduz que o frete na remessa de subprodutos e de arroz a granel para ser industrializado, de produto acabado e de subproduto destinado à venda deve ser reconhecido, segundo recente jurisprudência do Carf, que interpreta o conceito de insumo de modo abrangente de todos os custos e despesas necessários para a operação do contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Solon Sehn A interessada teve ciência da decisão no dia 30/08/2011 (fls. 337), interpondo recurso tempestivo em 28/09/2011 (fls. 338). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O pedido de ressarcimento foi formulado com fundamento no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 e no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que assim dispõem: Lei nº 11.116/2005 “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Lei nº 11.033/2004 “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Os créditos em discussão, por sua vez, referemse às despesas de frete devido no transporte (i) de produtos enviados para industrialização por terceiros (“retorno de Fl. 370DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720809/201071 Acórdão n.º 3802001.314 S3TE02 Fl. 369 5 mercadorias remetidas para industrialização por encomenda”); (ii) de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz; (iii) de subprodutos; (iv) de remessa de arroz à granel para industrialização; e (v) de aquisição de produto acabado e de subprodutos destinados a revenda. I PRODUTOS ENVIADOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Cumpre destacar que, embora a decisão recorrida se refira à “aquisições e retorno de produtos enviados para industrialização junto a terceiros, com alíquota zero (item C)”, notase, a partir do termo de verificação de fls. 18 e seguintes, que, a rigor, a glosa do crédito diz respeito ao frete no “retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda”. A legislação aplicável ao regime nãocumulativo do PIS/Pasep e da Cofins disciplina o creditamento decorrente das despesas com frete nos seguintes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; É preciso ter cautela na interpretação da amplitude do direito ao crédito relativo às despesas com frete. Isso porque, embora o art. 3º, IX, refirase à “frete nas operações de venda”, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos. Este, porém, não decorre do inciso IX, mas dos incisos I e II do art. 3º, porque a base de cálculo do crédito constitui o custo de aquisição do bem, que também é composto pelo frete pago na entrega. O creditamento do frete, assim, ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou bem adquirido para revenda. Com efeito, de acordo com o § 3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, o cálculo do crédito deve considerar o custo de aquisição do bem ou serviço: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; Fl. 371DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 3º Para efeitos do disposto no inciso I, deve ser observado que: I o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens; e II o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) integra o valor do custo de aquisição de bens e serviços. O custo de aquisição, por outro lado, compreende as despesas de transporte, independente de se tratar de frota própria ou de frete pago a terceiro, consoante prevê o art. 13, § 1º, “a”, do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 13. O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; Na aquisição de insumos e de mercadorias para revenda, portanto, o contribuinte tem direito ao crédito do frete, à medida que este integre o custo de aquisição, consoante amplamente reconhecido em diversas soluções de consulta: [...] FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O frete pago na aquisição dos insumos é considerado como parte do custo daqueles, integrando o cálculo do crédito da Cofins não cumulativa. O transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica dará direito ao credito da Cofins apenas quando se tratar de produto ainda em fase de industrialização, de forma que o custo desse transporte seja considerado custo de produção. Caso se trate de produto acabado, esse frete não dará direito ao crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo (Solução de Consulta Disit 08 nº 169, de 23 de Junho de 2006). FRETE NA AQUISIÇÃO. O custo do transporte (frete), pago a pessoa jurídica domiciliada no País, de bens adquiridos para revenda e de insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens destinados a venda pode gerar crédito na sistemática não cumulativa da Cofins. A partir de 01/05/2004, o frete Fl. 372DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720809/201071 Acórdão n.º 3802001.314 S3TE02 Fl. 370 7 contratado com pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior também pode gerar crédito nessa sistemática (Solução de Consulta nº 104, de 06 de Dezembro de 2004. No mesmo sentido, cf.: Solução de Consulta Disit 06 nº 63, de 12 de Julho de 2010; Solução de Consulta nº 449, de 16 de Novembro de 2006; Solução de Consulta nº 234 de 13 de Agosto de 2007) Ao promover a glosa do crédito, a autoridade competente não divergiu dessa orientação, consoante se depreende da seguinte passagem do ato que serviu de fundamento para o despacho decisório (fls. 20): “Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens, conforme artigo 289, § 1º do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, como é o caso das aquisições de pessoas físicas e com alíquota zero, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito.” De fato, na industrialização por encomenda, a pessoa jurídica executora está sujeita à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 25, I, da Lei nº 10.833/2003: “Art. 25. A pessoa jurídica encomendante, no caso de industrialização por encomenda, sujeitase, conforme o caso, às alíquotas previstas nas alíneas a ou b do inciso I do art. 1o da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos nelas referidas. Parágrafo único. Na hipótese a que se refere o caput: I as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis à pessoa jurídica executora da encomenda ficam reduzidas a 0 (zero); e” Assim, não há direito ao crédito, porque, nas hipóteses de alíquota zero, o adquirente somente pode se creditar quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep ou pela Cofins, nos termos do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003: “Art. 3º [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Portanto, como o crédito do frete na aquisição de bens não é autônomo em relação ao crédito do insumo adquirido porque se operacionaliza de forma atrelada ao crédito Fl. 373DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 do insumo, compondo a respectiva base de cálculo , não há como reconhecer o direito ao crédito ao Recorrente, uma vez que a operação não está sujeita à incidência da contribuição. II PRODUTO ACABADO PARA VENDA, PORÉM, COM PASSAGEM PRÉVIA PELO ESTABELECIMENTO DA MATRIZ A legislação, consoante destacado acima, estabelece que o contribuinte tem direito ao crédito de frete nas operações de venda, desde que tenha suportado o ônus respectivo (Lei nº 10.8333, art. 3º, IX): Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. O acórdão da DRJ, por sua vez, entendeu que o Recorrente não teria direito ao crédito, porque a mercadoria, por questões de logística, circulava pelo estabelecimento da matriz: “As remessas dos produtos acabados da unidade de Capivari do Sul para Minas Gerais para entrega aos clientes; por questão de logística, esta mercadoria circula pelo estabelecimento matriz. Esse gasto não pode ser considerado como insumo porque se refere a frete de produto acabado da filial para a matriz. Portanto, não gera crédito, conforme orientação da citada Solução de Divergência.” (fls. 331). A decisão recorrida referese à Solução de Divergência Cosit nº 26/2007, que recebeu a seguinte ementa: EMENTA: TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com incidência nãocumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma nãocumulativa. Essa interpretação, entretanto, carece de sentido. Isso porque “se o crédito é assegurado na hipótese de transporte da indústria diretamente para o consumidor final, não há razões para negar esse mesmo direito quando a mercadoria é remetida previamente a um centro Fl. 374DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720809/201071 Acórdão n.º 3802001.314 S3TE02 Fl. 371 9 de distribuição. O que ocorre, na espécie, é apenas um desmembramento das etapas de transporte do bem destinado à venda. Ao invés de manter o estoque na fábrica, remetendo a mercadoria para o destino final após a concretização da venda, o contribuinte promove o deslocamento em duas etapas” 1. No caso em exame, a partir do Anexo IV do termo de verificação fiscal, nota se claramente que se trata de “remessa de arroz acabado para entrega a clientes”. O fato da mercadoria, por questões de logística, circular previamente pelo estabelecimento da matriz em nada afeta o direito ao crédito, porque a legislação autoriza o creditamento desde a unidade produtora até o consumidor final. Desse modo, entendese que deve ser reconhecido o direito ao crédito. III FRETE NO TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS O crédito do frete no transporte de subprodutos destinados à venda não foi reconhecido, porque, de acordo com a decisão recorrida, “o transporte de subproduto está fora do processo produtivo e não pode ser considerado como insumo”. Por outro lado, “seguindo o disposto na Solução de Divergência nº 26, de 30/05/2008, o gasto com o transporte de subprodutos não deve gerar créditos de PIS/Cofins” (fls. 333). Entendese, entretanto, que a SD nº 26/2008 não pode ser invocada fundamento para a vedação do direito ao crédito, porque, de acordo com sua ementa, reproduzida no item anterior, a mesma não trata do transporte de subprodutos. Na verdade, devese ter presente que subproduto nada mais é do que um resíduo ou produto secundário do processo industrial. Muitas empresas, limitamse ao seu descarte no ambiente ou em aterros sanitários, dentro de uma etapa do procedimento industrial conhecida como lançamento ou disposição de resíduos. Outras, por política ambiental ou por razões econômicas, notadamente quando o produto secundário apresenta valor comercial ou quando a sua disposição se apresenta muito onerosa, promovem a sua comercialização. A legislação, ao conceder o direito ao crédito, não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao “frete na operação de venda” (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX). Portanto, em se tratando de venda de produto ou subproduto, o que é irrelevante , o sujeito passivo pode se creditar. IV REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO De acordo com a decisão recorrida, “[...] o gasto com transporte de arroz a granel, mesmo que ainda em fase de industrialização, entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica não proporciona o direito ao crédito do PIS e da Cofins”, porque “o arroz a granel equivale a um produto ou a um subproduto para o contribuinte” (fls. 333). Essa interpretação, porém, não pode ser acolhida. Afinal, se o transporte do arroz à granel ocorre para fins de industrialização, não cabe qualificálo como produto nem como subproduto. Tratase de matériaprima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004: 1 SEHN, Solon. PISCofins: nãocumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 334. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 “Art. 8º [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;” Na verdade, arroz a granel em nada difere do arroz em casca remetido para industrialização. Ambos são matériaprima para o produto final. Portanto, se a DRJ reconheceu o direito ao crédito em relação a este, também deveria ter admitido o creditamento em relação ao primeiro, porque, consoante destacado no exame do item I, o frete integra o custo de aquisição. O acórdão, portanto, deve ser reformado nesse particular. V – AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA A DRJ não admitiu o creditamento do frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete, fuso transportador e de pêssego enlatado, com base nos seguintes fundamentos: “Segundo contribuinte, neste caso se trata de frete incidente sobre a aquisição de produto acabado (pêssego enlatado), subprodutos adquiridos e destinados a revenda, produtos estes tributados pelo PIS e a Cofins. Tratase, também, da glosa de créditos relativos a frete sobre transporte na aquisição de roletes, cone de roletes, fuso transportador. Na presente situação, não se vislumbra que esse frete referese a insumos. Esse gasto está fora do processo produtivo. Por isso não gera direito ao crédito de PIS/Cofins.” (fls. 333/334). No que tange aos roletes, cone de roletes, fuso transportador, o Recorrente alega que seriam insumo do processo produtivo, inclusive com contato direto com a matéria prima. Todavia, do exame dos autos, verificase que não há qualquer prova nesse sentido. Tampouco há qualquer elemento que permita aferir a vida útil de tais bens, o que se afigura relevante à medida que tais produtos, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato. O Recorrente, dito de outro modo, deveria ter demonstrado as circunstâncias da utilização de tais bens no processo produtivo e, principalmente, que o mesmos sofrem um desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado. Por fim, em relação ao frete na aquisição de produto acabado (“pêssego enlatado”) adquirido para revenda, entendese que o crédito deve ser reconhecido, porque, de acordo com o § 3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, reproduzido acima, o cálculo deve considerar o custo de aquisição do bem, no qual se inclui o frete. Votase, assim, pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, para efeitos de reconhecimento do direito ao crédito relativo às despesas de frete devido no Fl. 376DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720809/201071 Acórdão n.º 3802001.314 S3TE02 Fl. 372 11 transporte (a) de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz; (b) venda de subprodutos; (c) de remessa de arroz à granel para industrialização; e (d) de aquisição de produto acabado (“pêssego enlatado”) para revenda. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Voto Vencedor COFINS. Regime nãocumulativo. Creditamento. Despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. No caso presente, filiome ao voto exarado pelo i. Conselheiro Relator no que toca ao reconhecimento de direito creditório da COFINS (regime nãocumulativo) previsto na Lei nº 10.833, de 2003, referente às despesas de frete devido no transporte relativo à: i) venda de subprodutos (art. 3º, IX, da Lei); ii) remessa de arroz à granel para industrialização (art. 3º, II, da Lei); (iii) aquisição de produto acabado – “pêssego enlatado” para revenda (art. 3º I, da Lei). Entendo, em consonância com os fundamentos exposto pelo i. Relator, que, em relação ao itens ii e iii acima, o custo do frete integra o custo de aquisição do insumo ou do produto para revenda refletindo positivamente no direito creditório previsto no art. 3º, I e II da Lei nº 10.833, de 2003. Noutro giro, peço vênia ao i. Relator para, acompanhando a divergência inaugurada pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, pontuar meu entendimento de que as despesas de frete devido no transporte de produto acabado para entrega a clientes, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz, não são hábeis à geração de créditos. Tratase, no caso, de frete de produto acabado da filial para a matriz, custo este não albergado pela legislação de referência. Vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Destaquei. Com efeito, o mero deslocamento de mercadorias acabadas de uma unidade para outra da mesma pessoa jurídica – operação em que inexiste qualquer contrato subjacente de transferência de propriedade do produto não se confunde com o serviço de frete na operação de venda. A estrutura do artigo 3º da Lei apresenta, a par de um dispositivo aberto que remete ao conceito de insumo (inciso II), um rol taxativo de hipóteses de creditamento que, em que pese não se enquadrarem no conceito de insumo, são, ainda assim, admitidos ao creditamento, de maneira a exigir uma interpretação restritiva nesses demais casos – e.g., aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos; edificações e benfeitorias em imóveis; vale Fl. 377DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 12 transporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção; e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Ainda, havendo previsão literal sobre as hipóteses de creditamento não se tratando, portanto, de ausência de disposição expressa (art. 108 da Lei nº 5.172, de 1966 – CTN) – penso incabível o uso de analogia no presente, ainda mais quando para fins de alargamento das hipóteses de creditamento legalmente elencadas, como sói ocorrer na tentativa de equiparar as despesas de transporte de mercadorias acabadas entre estabelecimentos da empresa ao serviço de frete na operação de venda. Também não há que se falar em crédito por conta do artigo 3º, II da Lei em estudo por também não se tratar aqui de frete na aquisição de insumos – hipótese em que o custo de transporte integraria o custo dos mesmos. Dessa forma, entendo, por ausência de dispositivo legal permissivo, não existir direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Conselheiro Presidente Fl. 378DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 13855.001119/2006-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIA-PRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS.RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ART. 62-A DO RICARF. POSSIBILIDADE. .
No âmbito da Lei nº 9.363/96, é possível apurar crédito presumido de IPI, como ressarcimento de PIS/COFINS, nas aquisições de pessoas físicas ou cooperativas. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial n.º 993.164/MG), aplicado ao caso, nos termos do art. 62-A do RICARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VALOR DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÕES CAMBIAIS.
O valor das variações cambiais não compõe o valor da receita de exportação no cálculo do crédito presumido de IPI.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. PRODUTO INTERMEDIÁRIO.
Os produtos químicos utilizados na fabricação de açúcar e álcool (caldeira) se enquadram na definição de produto intermediário para fins de cálculo do crédito presumido.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. INSUMOS. ESTOQUE. PRODUTOS ACABADOS E PRODUTOS ACABADOS E NÃO VENDIDOS.
Ao teor do art. 3º, § 3º, da Portaria MF 38/97, no último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverá ser excluído da base de cálculo do crédito presumido o valor das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos. Não tendo a recorrente provado que cumpriu tal norma, merece ser mantido o acórdão recorrido e a glosa dos créditos nessa parte.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: a) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à inclusão da variação cambial no cálculo da receita bruta de exportação. Vencidos os Conselheiros Leonardo Mussi da Silva, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri; b) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao crédito vinculado aos produtos acabados em estoque; e c) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário quanto às demais questões suscitadas no recurso.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves - Relator
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Octávio Carneiro Silva Corrêa, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Leonardo Mussi da Silva. Fez sustentação, pela recorrente, o advogado Halley Henares, OAB/SP nº. 125.645.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIAPRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS.RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ART. 62 A DO RICARF. POSSIBILIDADE. . No âmbito da Lei nº 9.363/96, é possível apurar crédito presumido de IPI, como ressarcimento de PIS/COFINS, nas aquisições de pessoas físicas ou cooperativas. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial n.º 993.164/MG), aplicado ao caso, nos termos do art. 62A do RICARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VALOR DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. O valor das variações cambiais não compõe o valor da receita de exportação no cálculo do crédito presumido de IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. PRODUTO INTERMEDIÁRIO. Os produtos químicos utilizados na fabricação de açúcar e álcool (caldeira) se enquadram na definição de produto intermediário para fins de cálculo do crédito presumido. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. INSUMOS. ESTOQUE. PRODUTOS ACABADOS E PRODUTOS ACABADOS E NÃO VENDIDOS. Ao teor do art. 3º, § 3º, da Portaria MF 38/97, no último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverá ser excluído da base de cálculo do crédito presumido o valor das matérias primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 11 19 /2 00 6- 94 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MO URA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 vendidos. Não tendo a recorrente provado que cumpriu tal norma, merece ser mantido o acórdão recorrido e a glosa dos créditos nessa parte. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: a) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à inclusão da variação cambial no cálculo da receita bruta de exportação. Vencidos os Conselheiros Leonardo Mussi da Silva, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri; b) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao crédito vinculado aos produtos acabados em estoque; e c) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário quanto às demais questões suscitadas no recurso. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Octávio Carneiro Silva Corrêa, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Leonardo Mussi da Silva. Fez sustentação, pela recorrente, o advogado Halley Henares, OAB/SP nº. 125.645. Relatório Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, que reconheceu parcialmente o crédito presumido apurado no período em destaque, pela exclusão no cálculo do beneficio das aquisições de pessoas não contribuinte do PIS e da COFINS, insumos que, pela legislação aplicável, não são considerados como matériaprima, produtos intermediário e material de embalagem, variações cambiais ativas e em razão da indevida apuração dos insumos utilizados na produção de produtos acabados e não vendidos.. Cientificada do despacho, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ (fls. 357 e ss.). Fl. 386DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MO URA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13855.001119/200694 Acórdão n.º 3202000.759 S3C2T2 Fl. 386 3 Não conformada com o acórdão recorrido, a impugnante apresentou recurso voluntário, reiterando seu pedido de reforma do aresto e a homologação dos créditos presumidos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves: O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser conhecido seu mérito. Em primeiro lugar, aprecio a questão da possibilidade de incluir na apuração de crédito presumido, previsto na Lei nº 9.363/96, as aquisições de insumos de pessoas físicas. O tema foi objeto de recurso repetitivo do STJ, que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, como se verifica da ementa abaixo: A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial n.º 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. (REsp 1241856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) Esta orientação foi consolidada na Súmula 494/STJ, de seguinte teor: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP Assim, com base no art. 62A do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos decorrentes das aquisições de insumos de pessoas físicas ou cooperativas. Quanto a glosa de produtos, por não terem sido considerados produtos intermediários, é preciso contextualizar tais aquisições no processo produtivo da empresa, antes de lançar um pronunciamento sobre o assunto, destacando, de logo, que a recorrente interpôs recurso voluntário apenas contra parte das anulações de créditos dessa natureza, efetivadas pela fiscalização. As mercadorias objeto do recurso voluntário, que não foram consideradas produtos intermediários pela fiscalização, foram: i) ácido clorídico AC 9505 Betzdearborn, resina amberlite IR120NA, condicionador de lama, poliacrilato alumínio LC1176L, sal grosso, Soda líquida50%, utilizados para evitar a incrustação da tubulação da caldeira; ii) cloro hipoclodiaco sólido, utilizado para eliminar bactérias que afetam a fermentação, da qual Fl. 387DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MO URA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 resulta a produção de álcool carburante; iii) dispersante FAF 9551/ART 9100C, que reduz a espuma decorrente da fermentação alcoólica; iv) sulfito de sódio Z 25/IS 1075, utilizado para evitar a danificação da tubulação da caldeira; v) soda líquida50%, utilizada no álcool carburante para manter o PH exigido pela ANP. De acordo com a descrição dos produtos, percebese que os mesmos preenchem os requisitos do PARECER CST 65/79, a saber: fazem parte do processo industrial da empresa e entram em contato físico com a mercadoria em fabricação. Nesse sentido, reproduzo o item 11 do Parecer Normativo CST nº 65/79: 11 Em resumo, geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no Ativo Permanente. Desse modo, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito aos créditos vinculados à aquisição dos mencionados produtos, mantendo a autuação quantos aos demais aquisições, cujos os créditos foram glosados por não se referirem a produtos intermediários. No que diz respeito ao conceito de receita de exportação, para fins de creditamento nos termos da Lei nº 9.363/96, de modo a incluir ou não as variações cambiais ativas, objeto de nota fiscal complementar, entendo que também merece provimento o recurso. O art. 6º da Lei nº 9.363/1996 dispõe que o conceito de receita de exportação será definido pelo Poder Executivo; Art. 6º.O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador" O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria MF 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido, instituído pela Lei 9.363/96, e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). Nesse diapasão, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), repetindo o conceito de receita de exportação trazido no art. 3º, § 15, II, da Portaria MF 38/97. Leiase: Art. 8º Para efeitos desta Instrução Normativa, considerase: [...] Fl. 388DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MO URA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13855.001119/200694 Acórdão n.º 3202000.759 S3C2T2 Fl. 387 5 II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; Como se verifica do teor da definição do art. 8º, II, da Instrução Normativa 23/97, a receita bruta de exportação é o produto da venda para o exterior, sem restringir a espécie de receita (operacional, não operacional, financeira etc) oriunda dessa operação de exportação. Colhamse o seguinte julgado da 3ª S, 3ªC, 2ª TO do CARF, nesse sentido: CARF 3a. Seção / 2a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 3302 00.348 em 18/03/2010 Ressarcimento de IPI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUT0S INDUSTRIALIZADOS IPI EMENTA Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CREDITO PRESUMIDO DE IPI, INSUMOS. Incabível o cálculo do credito presumido do IPI sobre mercadorias não consumidas no processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS COMBUSTIVEIS E LUBRIFICANTES. Incabível o cálculo do crédito presumido do IPI sobre combustíveis e lubrificantes exvi da Sumula n° 12 do Conselho de Contribuintes. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, BASE DE CÁLCULO, VARIAÇÃO CAMBIAL. As variações cambiais complementares objeto de emissão de nota fiscal conforme determinado pela legislação aduaneira integram a receitas de exportação para fins de apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Voluntário Parcialmente Provido. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar movimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Participai um do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramiidas. Luis Eduardo Garossino Barbieri e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o Conselheiro Alexandre Gomes. Publicado no DOU em: 29.03.2011 Recorrente: MWL BRASIL RODAS E EIXOS LTDA Recorrida: DRJ RIBEIRÃO PRETO/SP Não tendo o ato regulamentar restrigindo o conceito de receita bruta de exportação, no período dos créditos sob análise, não é adequado pegar emprestado outras definições legais ou os “perguntas e respostas” para excluir da receita bruta de exportação as receitas financeiras resultantes da exportação. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MO URA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Por essa razão, dou provimento ao recurso voluntário para que a receita bruta de exportação inclua a variação cambial positiva decorrente da operação de exportação, na apuração do crédito presumido. Por fim, nego provimento ao recurso voluntário, na parte dos créditos que foram glosados por desrespeitarem o disposto no art. 3º, § 3º, da Portaria MF nº 38/97, cuja redação é a seguinte: § 3º No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverá ser excluído da base de cálculo do crédito presumido o valor das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos. Analisando esse ponto, a DRJ assentou que o Livro de Registro de Inventário demonstra que a empresa não cumpriu tal procedimento, não tendo a recorrente infirmado a indigitada asserção do acórdão recorrido, abaixo transcrita como parte integrante da fundamentação do presente voto: Resta evidente nos autos que, como demonstrado pelo Livro Registro de Inventário, o cálculo do interessado utilizou como parâmetro o valor dos produtos acabados em estoque e não os insumos efetivamente utilizados na produção, sendo que não corresponde à realidade os alegados ajustes afirmados pela defesa. Tampouco o cálculo da fiscalização se constituiu em mera estimativa, como quer fazer crer a manifestante, na medida que o percentual apurado reflete a verdadeira situação dos estoques. Ante o exposto, DOU PARCIAL provimento ao recurso voluntário para que: a) sejam reconhecidos os créditos, alusivos à aquisição de insumos de pessoas físicas ou cooperativas; b) sejam reconhecidos os créditos, alusivos às aquisições de i) ácido clorídico AC 9505 Betzdearborn, resina amberlite IR120NA, condicionador de lama, poliacrilato alumínio LC1176L, sal grosso, Soda líquida50%, utilizados para evitar a incrustação da tubulação da caldeira; ii) cloro hipoclodiaco sólido, utilizado para eliminar bactérias que afetam a fermentação, da qual resulta a produção de álcool carburante; iii) dispersante FAF 9551/ART 9100C, que reduz a espuma decorrente da fermentação alcoólica; iv) sulfito de sódio Z 25/IS 1075, utilizado para evitar a danificação da tubulação da caldeira; v) soda líquida50%, utilizada no álcool carburante para manter o PH exigido pela ANP. c) a receita bruta de exportação inclua a variação cambial positiva decorrente da operação de exportação, na apuração do crédito presumido. A autoridade de origem deve reapurar os créditos conforme os parâmetros acima, mantendo a glosa quanto às demais questões. É o voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Fl. 390DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MO URA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13855.001119/200694 Acórdão n.º 3202000.759 S3C2T2 Fl. 388 7 Voto Vencedor Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Redator. A divergência em relação ao voto do ilustre Conselheiro Relator referese exclusivamente ao conceito de receita de exportação, para fins de creditamento nos termos da Lei nº 9.363/96, de modo a incluir ou não as variações cambiais ativas, objeto de nota fiscal complementar. O Relator votou por dar provimento ao Recurso Voluntário, nesta parte. A Turma, entretanto, por voto de qualidade, entendeu que deveria ser mantida a cobrança nesta matéria, sendo este Conselheiro designado para elaborar o voto vencedor. A razão neste caso está com o Fisco. Vejamos. O artigo 3º da Lei nº 9.363/96 definiu, de modo expresso, o conceito de receita de exportação e de receita operacional bruta, verbis: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifamos) Por aplicação do disposto no parágrafo único acima transcrito, a variação monetária ocorrida entre a data da emissão da nota fiscal de venda e a data do embarque da mercadoria para o exterior, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.718/98, deve receber o tratamento de receitas/despesas financeiras. Vejase: Art. 9º As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. (grifamos) Desta forma, a variação cambial decorrente das vendas de produtos para o exterior não deve ser incluída no cálculo do percentual que definirá o valor da base de cálculo Fl. 391DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MO URA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 do crédito presumido do IPI, mostrandose incabível a pretensão da Recorrente, por ausência de fundamentação legal. Observese que estamos diante da variação monetária ocorrida no preço a ser recebido por conta de uma exportação para o exterior, variação essa, que, nos termos do artigo 9º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, recebe o tratamento de receitas financeiras, como vimos no dispositivo acima transcrito. Ao contrário do entendimento da Recorrente, receitas financeiras de variação cambial ativa, ainda que decorrentes de liquidação contratos de câmbios de exportação de mercadorias não constituem receitas de exportação destas, mas receitas financeiras. Pelo exposto, voto no sentido de que a variação cambial decorrente das vendas de produtos para o exterior, não deve ser incluída no cálculo do percentual que definirá o valor da base de cálculo do crédito presumido do IPI. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 392DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MO URA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10920.000880/2010-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 26/04/2006, 04/05/2006, 12/05/2006, 25/05/2006, 06/06/2006, 01/08/2006, 18/08/2006, 22/02/2007, 29/03/2007, 25/04/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL GRAVADOR-REPRODUTOR E EDITOR.
Gravador-reprodutor e editor de imagem e som, em discos, por meio óptico, deve ser classificado no código NCM 8521.90.10 por força da aplicação das Regras Gerais de Interpretação n° 1 e 6, e também da Regra Geral de Interpretação Complementar n° 1.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3301-001.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Bruno Rodrigues Teixeira de Lima, OAB/RJ 164889.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Antônio Lisboa Cardoso - Relator.
EDITADO EM: 25/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Fábia Regina Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Gravadorreprodutor e editor de imagem e som, em discos, por meio óptico, deve ser classificado no código NCM 8521.90.10 por força da aplicação das Regras Gerais de Interpretação n° 1 e 6, e também da Regra Geral de Interpretação Complementar n° 1. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Bruno Rodrigues Teixeira de Lima, OAB/RJ 164889. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Antônio Lisboa Cardoso Relator. EDITADO EM: 25/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Fábia Regina Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 08 80 /2 01 0- 76 Fl. 679DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Trata o presente processo de recurso de ofício em face da decisão que julgou improcedentes os Autos de Infrações (nas partes impugnadas) lavrados para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 13.002.048,79, referentes Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Contribuição PIS/PASEP — importação, Contribuição COFINS — importação, Juros de Mora (calculados até 31/05/2010), Multa Proporcional (75%), Multa por Importação ao Desamparo de Licença de Importação e, Multa Regulamentar, proporcional ao valor aduaneiro (Classificação incorreta — 1%), em razão da reclassificação fiscal de mercadorias importadas, conforme sintetiza a ementa do acórdão recorrido: Acórdão 0725.242 P Turma da DRJ/FNS Sessão de 14 de julho de 2011 Processo 10920.000880/201076 Interessado DIAMOND BUSINESS TRADING S/A CNPJ/CPF 07.019.308/000128 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 26/04/2006, 04/05/2006, 12/05/2006, 25/05/2006, 06/06/2006, 01/08/2006, 18/08/2006, 22/02/2007, 29/03/2007, 25/04/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL GRAVADORREPRODUTOR E EDITOR. Gravadorreprodutor e editor de imagem e som, em discos, por meio óptico, deve ser classificado no código NCM 8521.90.10 por força da aplicação das Regras Gerais de Interpretação n° 1 e 6, e também da Regra Geral de Interpretação Complementar n° 1. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso de ofício merece ser conhecido, porquanto atendidos os pressupostos de admissibilidade, especialmente quanto ao valor exonerado ultrapassar o limite de alçada (R$1.000.000,00). Fl. 680DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10920.000880/201076 Acórdão n.º 3301001.918 S3C3T1 Fl. 680 3 O recurso deve ser negado com base nos próprios fundamentos da decisão recorrida, que bem analisou os fatos e aplicou a legislação pertinente, da qual peço vênia para transcrever os seguintes trechos, os quais adoto como razão de decidir: Às folhas 101 a 104 foi anexado aos autos cópia de Relatório, "Informação SRRF09/Diana, de 26 de julho de 2006" que trata das mercadorias em questão (8 declaraçõesde importação). Não obstante tal documento não conter a assinatura dos seus subscritores, dele se extraem as seguintes informações: 7. Após explanação realizada por técnicos e representantes da empresa nas dependências desta Divisão, no dia 11 de julho, foi demonstrado que o aparelho era de realizar algumas edições das imagens previamente gravadas em DVD e provenientes de aparelhos com saída para video (como as câmaras de video). A edição consistia em eliminar trechos da grava cão, inserir caracteres de forma permanente e substituir o som original da trilha grava (inserindo um fundo musical, por exemplo). 8. Depois dos esclarecimentos prestados, a argumentação inicial ficou um tanto quanto comprometida, pois, essas edições, mesmo que simplórias, eram realizadas em caráter permanente, permitindo que o usuário obtivesse um produto final diferente das imagens e sons originalmente gravados. 9. Tendo em vista o resultado da reunião, tivemos que prestar à Unidade a informação de que, em que pese os argumentos de que os artigos incluídos no referido código na NCM deveriam ser de uso não doméstico, vez que foram incluídos como bens de capital, tal alegação não podia prosperar, vez que era destituída de valor jurídico. Para a d eterminação da classificação, pois, vale somente o que está escrito no texto do item combinada com a interpretação, mesmo precária, do que possa ser entendido como "edição".(Grifos acrescidos) O "Relatório Fiscal" (fls. 347 a 359) traz a argumentação destinada a amparar a reclassificação da mercadoria importada, contudo, tal argumentação não está lastreada no competente Laudo Técnico emitido pelo perito credenciado e designado para a lavratura de Laudo Técnico nos termos em que desembaraçada a importação. Também não há registro de que a mercadoria tenha sido submetida a novo exame pericial após a perícia determinada no âmbito dos procedimentos relacionados aos despachos aduaneiros. Ao contrário, a cópia do Laudo Técnico emitido por ocasião dos despachos (fls. 9 a 14) apresenta resposta objetiva e afirmativa do perito quanto ao fato destas mercadorias serem capazes de realizar tanto edição de imagem quanto edição de som. A fiscalização, em síntese, questiona a definição de "edição" apresentada pelo perito no Laudo Técnico, aduz que o conceito retirado da "internet" é por demais simplista e que não estaria apto a determinar o alcance de um termo técnico. Assim, a fiscalização traz estudo de Carlos Canelas sobre o tema, do qual se pode retirar as seguintes citações: 2 0 que se entende por Edição de Vídeo Na concepção de Peter Ward (2000), a edição de video é um processo que consiste em seleccionar e coordenar um plano com o seguinte, com vista Fl. 681DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 construção de uma seqüência de pianos que formem, por sua vez, uma narrativa lógica e coerente. Harris Watts (1990), autor de diversos manuais de produção de filme e video para a BBC, entende que, apesar de a palavra mais comum no trabalho de edição ser "corta", a melhor forma de abordar este processo é pensar nele como um método de selecção. Deste modo, o trabalho do editor de video não consiste em eliminar planos, mas em seleccionar os planos que lhe interessam, ordenandoos da forma que achar mais adequada. "3 Os Sistemas de Edição de Video ... Ainda para o mesmo autor (Zelk 2006), a edição nãolinear de video, não copiando determinados fragmentos gravados (como sucede na edição linear de video), possibilita a reorzanizacdo de diferentes planos. A edição nãolinear de video permite a selecção de planos através de arquivos de imagem organizados por uma ordem especifica. 0 principio operativo da edição não linear de video é a reorganização de ficheiros de dados de video e áudio.(Grifos acrescidos) Por outro lado, não obstante o próprio perito ter consignado no Laudo Técnico que estava apresentando um conceito atualizado com as modernas tecnologias, a apresentação da definição na forma como consignada não pode ser descartada em virtude de a fiscalização acreditar ser "simplória". Em verdade, o conceito apresentado representa o entendimento que o perito tem sobre o assunto, evidente que o especialista no assunto poderia ter apresentado definição idêntica, de sua lavra, posto que no caso devese considerar a natureza eminentemente técnica do assunto. Não é o fato de ter sido extraída da internet que a torna "simplista" ou imprópria, dado que a mesma representa, o próprio entendimento que o perito considera adequado ao caso. Eis as definições consignadas no Laudo Técnico (fl. 10): • montagem de audio ou video em que se decide a ordem em que imagens e audio serão exibidas. www.foco.tv/HtmlGlo/gloVid.htm • Tarefa de editar as cenas gravadas (em videoteipe/DVD) de um comercial, organizando, selecionando e colocandoas na seqüência adequada. Esse trabalho (que corresponde à montagem do cinema) geralmente é feito em duas etapas, a primeira para ter uma primeira edição (equivalente ao copiado do filme) e a segunda para fazer a edição final do comercial. (Ver Copido e Montagem) d2dbr freeft/dicionariopublicitario/e.htm Comparandose as definições apresentadas no Laudo Técnico, com aquelas apresentadas pela fiscalização, não se vislumbra que o Laudo Técnico regularmente emitido possa ser desconsiderado em virtude de haver divergências conceituais nos termos em que suscitado pela fiscalização. As definições, tanto apresentadas no Laudo Técnico, quanto extraídas do texto citado pela fiscalização apontam para um mesmo entendimento. Ainda com relação ao tema, podese transcrever a definição apresentada no "Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5.11a" para a palavra edição: 1O. Cin. &ád. Telev. Seleção e combinação de materiais gravados ou filmados, para feitura de um filme, programa, videoclipe, etc.; montagem. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10920.000880/201076 Acórdão n.º 3301001.918 S3C3T1 Fl. 681 5 Edição de VT 1. Telev. Montagem final de um programa em videoteipe. Edição diRital I. Cin. Telev. Rcid. Ato ou efeito de editar por meio de recursos computacionais. [Cf edição eletrônica] Edição eletrônica. 1. Cin. Telev. kid. Ato ou efeito de editar por meios eletrônicos, sem que se manuseie ou se corte fisicamente o material gravado. [Cf edição digital e editoração eletrônica] ...(Grifos acrescidos) Não se vislumbra que a mercadoria em comento, considerando as informações existentes nos autos, não execute, ainda que de maneira limitada, edição de som e imagem. Impossível afastar a conclusão aposta no Laudo Técnico regularmente emitido. Os documentos acostados aos autos não permitem aferir a conclusão apontada pela fiscalização de que as funções executadas pelo equipamento não se traduzem em "edição" seja de imagem, seja de som. Para efeitos legais, a classificação de um produto é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capitulo, e pelas demais regras de classificação (Regra Geral n° 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado — RGI 1). A classificação nas subposições de uma mesma posição é determinada pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição correspondentes (RGI 6). Essas mesmas regras aplicamse, mutatis mutandis, para o enquadramento de um produto nos itens e subitens de uma subposição (Regra Geral Complementar n° 1 — RGC 1). Os textos dos itens (código NCM 8521.90.10 ou 8521.90.90) não fazem qualquer referência a "bens de capital". Também não foram apontadas pela fiscalização notas (SH ou NESH) relacionadas à diferenciação na adoção de critério para classificação fiscal de "bens de capital". Portanto, não se vislumbra que o fato de existir a expressão "BK" (bens de capital) na Tarifa Externa Comum (TEC) possa modificar os critérios jurídicos aplicáveis para a classificação fiscal da mercadoria. Neste sentido, o disposto nos artigos 1 0 , 4° e 6° do Decreto no 2.736/97 elucida a questão: Art 1° A Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM e as aliquotas do Imposto de Importação que compõem a Tarifa Externa Comum TEC, passam a vigorar na forma do Anexo I deste Decreto. Art 4º A NCM é adotada como nomenclatura única nas operações de comércio exterior. Art 6° Permanece em vigor a competência do Ministro de Estado da Fazenda para alterar as aliquotas do imposto de importação relativas a bens de capital, informática e telecomunicações, assim como as relativas as suas partes, peças e componentes assinalados na TEC como "BK" e "BIT", respectivamente, nos termos da legislação aplicável.(Grifos acrescidos) Como se observa, a expressão "BK" na TEC tem relação direta com a aliquota do imposto de importação relativo a bens de capital, e não com qualquer critério de Fl. 683DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 classificação fiscal das mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Não há como determinar a classificação fiscal em função de existir aliquota diferenciada para bens de capital que eventualmente se enquadrem em determinada classificação fiscal. Isto posto, superada a definição do que venha a ser a mercadoria em questão, apresentadas as explicações, e considerando ainda que o Laudo Técnico indica objetivamente que as mercadorias em questão realizam a tarefa de edição de imagem e som, há que se concluir que tais mercadorias, devem ser classificadas no item e subitem respeitando a Regra Geral Complementar (RGC) n° 1, resultando na classificação final: 8521.90.10: 1.AS REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO SE APLICARÃO, MUTATIS MUTANDIS, PARA DETERMINAR DENTRO DE CADA POSIÇÃO OU SUBPOSIÇÃO, 0 ITEM APLICÁVEL E, DENTRO DESTE ÚLTIMO, O SUBITEM CORRESPONDENTE, ENTENDENDOSE QUE APENAS SÃO COMPARÁVEIS DESDOBRAMENTOS REGIONAIS (ITENS E SUBITENS) DO MESMO NÍVEL. Resta claro, por conseguinte, que a mercadoria em tela classificase no código NCM 8521.90.10, justamente como entende a interessada. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 684DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10882.720368/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - LAUDO TÉCNICO - ADA.
São áreas de preservação permanente legalmente estipuladas as hipóteses do art. 2º da Lei n. 4.771/65. São áreas determinadas por lei, de maneira que o ADA, neste caso, tem natureza puramente declaratória, pois o reconhecimento da APP depende de laudo técnico que comprove sua existência. As áreas de preservação permanente passíveis de reconhecimento por órgão ambiental são aquelas descritas no art. 3º da Lei n. 4.771/65, neste caso é preciso declaração de órgão ambiental competente que grave a parcela da terra com restrição ambiental para que reste reconhecida a APP.
ADA - DESNECESSIDADE - DECISÃO JUDICIAL - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
A existência de decisão judicial reconhecendo a área de preservação permanente pode suprir a não apresentação dos documentos exigidos pela autoridade lançadora.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 2202-002.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Pedro Anan Junior, Camilo Balbi, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - LAUDO TÉCNICO - ADA. São áreas de preservação permanente legalmente estipuladas as hipóteses do art. 2º da Lei n. 4.771/65. São áreas determinadas por lei, de maneira que o ADA, neste caso, tem natureza puramente declaratória, pois o reconhecimento da APP depende de laudo técnico que comprove sua existência. As áreas de preservação permanente passíveis de reconhecimento por órgão ambiental são aquelas descritas no art. 3º da Lei n. 4.771/65, neste caso é preciso declaração de órgão ambiental competente que grave a parcela da terra com restrição ambiental para que reste reconhecida a APP. ADA - DESNECESSIDADE - DECISÃO JUDICIAL - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A existência de decisão judicial reconhecendo a área de preservação permanente pode suprir a não apresentação dos documentos exigidos pela autoridade lançadora. Recurso Voluntário provido
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São áreas de preservação permanente legalmente estipuladas as hipóteses do art. 2º da Lei n. 4.771/65. São áreas determinadas por lei, de maneira que o ADA, neste caso, tem natureza puramente declaratória, pois o reconhecimento da APP depende de laudo técnico que comprove sua existência. As áreas de preservação permanente passíveis de reconhecimento por órgão ambiental são aquelas descritas no art. 3º da Lei n. 4.771/65, neste caso é preciso declaração de órgão ambiental competente que grave a parcela da terra com restrição ambiental para que reste reconhecida a APP. ADA DESNECESSIDADE DECISÃO JUDICIAL ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A existência de decisão judicial reconhecendo a área de preservação permanente pode suprir a não apresentação dos documentos exigidos pela autoridade lançadora. Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 03 68 /2 01 0- 43 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Pedro Anan Junior, Camilo Balbi, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez e Rafael Pandolfo. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10882.720368/201043 Acórdão n.º 2202002.446 S2C2T2 Fl. 272 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização O recorrente, no ano de 1977, solicitou à Procuradoria Geral do Estado de São Paulo permissão para o desmate do imóvel localizado no Município de Itapecerica da Serra, registrado sob a matrícula de n.º 6.962, do Cartório do Registro de Imóveis de Itapecerica. Na ocasião, foi informado que o imóvel situase totalmente dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, bem como que existia o interesse da Fazenda do Estado na desapropriação de suas terras. Isto pois o art. 6º, do Decreto Estadual nº 10.251/77 de São Paulo, declarou que as terras abrangidas pelo Parque são de utilidade pública, o que impede qualquer forma de exploração dos recursos naturais do imóvel pelo recorrente. (fls.124126). Ante a inércia da Fazenda Estadual em promover a desapropriação do imóvel, o recorrente ingressou com Ação Ordinária de Desapropriação Indireta contra ela (fls.2932). O MM. Juiz de 1º Grau julgou procedente a ação de desapropriação indireta, incorporando ao patrimônio da então ré – Fazenda do Estado de São Paulo o imóvel do recorrente mediante o pagamento de CR$ 6.724.707.329,00, acrescidos correção monetária, juros compensatórios e remuneratórios. A sentença foi mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e pelos Tribunais Superiores. (fls.3354). As partes compuseram acordo (fls.167172), posteriormente homologado, no sentido de estabelecer desconto de 30% no valor da condenação da Fazenda Estadual e de incorporar o imóvel ao patrimônio do Estado. Quando da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício 2006, o recorrente declarou que a totalidade da área do imóvel 786,5 hectares corresponde a área de preservação permanente, e como valor total do imóvel a quantia de R$ 1.387,94, mesmo montante declarado a título de valor da terra nua. Assim, o imposto devido perfez a quantia de R$ 10,00. (fl.06) A declaração de ITR do recorrente incidiu em malha fiscal nos parâmetros: Áreas Ambientais e Cálculos do Valor da Terra Nua VTN. Em resposta ao termo de intimação fiscal n.º 08113/0003/2010 (não constante nos autos) que determinou a apresentação de certos documentos para esclarecer a declaração de ITR relativa ao exercício de 2006, o recorrente manifestouse (fls.1518) nos seguintes argumentos: a) em agosto de 1977 a área do imóvel declarado no ITR foi inteiramente abrangida pelo Parque Estadual da Serra do Mar em razão da promulgação do Decreto Estadual 10.521/77; b) o recorrente ingressou com ação de desapropriação indireta do imóvel em face da Fazenda do Estado de São Paulo, que restou procedente e determinou o pagamento de precatórios a título de indenização pela propriedade incorporada ao patrimônio público; Fl. 273DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 c) após o trânsito em julgado da ação, foi firmado acordo em 15 de dezembro de 2005 com a Procuradoria do Estado de São Paulo, que reduziu o montante a ser pago pelo condenado. Contudo, como o pagamento ficou pendente, ocorreu atraso na de expedição de carta de sentença, de modo que a transferência da propriedade pelo registro na matrícula somente ocorreu em 2010; d) o imóvel foi declarado como área de preservação permanente – APP, por restar sua totalidade englobada pelo Parque Estadual da Serra do Mar; e) é impossível apresentar os documentos pedidos na intimação fiscal, pois o imóvel localizase dentro dos limites do Parque Estadual da Serra do Mar. 2 Notificação do Lançamento Em 16/08/10, a autoridade administrativa efetuou lançamento de ofício (fls.0107), embasado no argumento de que, após regular intimação, o recorrente não comprovou a isenção declarada a título de preservação permanente em imóvel rural referente ao ano de 2006, bem como não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, o valor da terra nua declarado, razão pela qual a autoridade administrativa alterou os valores do Documento de Informação e Apuração do ITR. Dentre os documentos não apresentados pelo recorrente, salientou a ausência dos seguintes: a) Ato Declaratório Ambiental – ADA que comprove as áreas ambientais informadas na declaração para que se faça jus à isenção sobre as áreas ambientais, nos termos do art. 9º, §6º, I, da Instrução Normativa SRF n.º 256/2002, e do art. 1º, §1º, da Lei 10.165. b) Laudo Técnico Ambiental que comprove a existência das áreas de preservação permanente de que trata o art. 2º da Lei 4.771/65; c) Certidão de órgão público competente, nos termos do art. 3º da Lei 4.771/65; e) Laudo de avaliação do imóvel que comprovasse o Valor da Terra NuaVTN; Desta forma, o valor do VTN declarado foi desconsiderado, com decorrente arbitramento, com base no art. 14 da Lei 9.393/96. O VTN arbitrado foi de R$ 6.865.625,91, tendo sido utilizado o VTN/ha de R$ 8.729,34/ha. (fl.05) O total do crédito tributário constituído foi de R$ 699.396,77, incluídos imposto suplementar apurado, multa de ofício de 75% e juros moratórios calculados até 13/08/2010. O contribuinte tomou ciência da notificação em 19/08/10. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls.82100) tempestiva esgrimindo os seguintes argumentos: Fl. 274DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10882.720368/201043 Acórdão n.º 2202002.446 S2C2T2 Fl. 273 5 a) a nulidade do presente processo administrativo, ante a ausência de menção expressa no auto de infração, nos termos do art. 10 do Decreto Lei 70.235/72, do dispositivo legal que sustenta a imposição de multa no patamar de 75%; b) não incide ITR sobre áreas de preservação permanente; c) o recorrente perdeu propriedade do imóvel em questão quando da declaração de constituição do Parque Estadual da Serra do Mar, não havendo falar, portanto, em fato gerador, por o imóvel não ser mais de sua propriedade; d) a não incidência prevista no art. 2º, §1º, no art. 3º, e no art. 6º, b, §2º, da Lei 6.746/79 deve ser informada pelo contribuinte e tal condição deve permanecer, sem prazo de vencimento, até que se altere a situação jurídica do imóvel que a gerou, o que não ocorreu no caso. De modo que, tendo o recorrente informado tal condição em 1990, e tendo ela sido concedida em 1992 com a nomenclatura de “isenção”, não deve ser aceita a tributação em 2006 ao argumento de que não foi apresentado pedido de isenção de ITR junto ao INCRA em prazo hábil; e) a desobrigação de apresentar pedido de isenção anual de ITR, junto ao INCRA por se tratar de não incidência e não de isenção; f) o fato de a conceituação de valor de terra nua aproveitável, utilizado para fixação da base econômica sujeita à tributação, escapa dos preceitos da lógica elementar e desfigura por completo a expressão “aproveitável”, unicamente para atender as pretensões fazendárias; g) o imóvel encontrarse em restrição absoluta imposta pela decretação de preservação permanente, de modo que dele não se emana qualquer proveito, ganho, vantagem, benefício ou se pode promover qualquer extração; h) é sujeito passivo ilegítimo o recorrente, por não deter mais a propriedade, faltandolhe o domínio útil e o direito de uso e gozo sobre o imóvel; i) há construção jurisprudencial no sentido de que a inexistência de ADA não é condição determinante para exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR; Anexos à impugnação, foram juntados os seguintes documentos: a) certidão de inventariante (fl.102); b) notificação de lançamento do ITR (fls.104110); c) matrícula do Cartório do Registro de Imóveis da Itapecerica da Serra (fls.113 116) d) Decreto 10.251/77 (fls.117123); e) parecer da PGESP a respeito da solicitação de desmate (fls.124126); f) notificação do ITR/1990 e esclarecimentos (fls.128130); Fl. 275DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 g) decisão da Delegacia da Receita Federal – SP do ano de 1992 (fls.131133); h) requerimento de isenção do ITR 1993 (fl.137); i) requerimento de renovação de isenção do ITR 1993 (fl.138); j) ação ordinária de desapropriação indireta promovida em face da Fazenda do Estado de São Paulo (fls.141166); k) acordo homologado ente o recorrente e a Fazenda do Estado (fls.167172); l) comprovantes de pagamentos de precatórios (fls.173176); m) ADA referente ao exercício de 2009 (fls.177179). 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada improcedente parte pela 1ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade, (fls. 203213 do eprocesso) sendo rejeitadas as preliminares arguidas, e, no mérito, mantido o crédito tributário exigido. Os fundamentos foram os seguintes: a) a notificação de lançamento identificou as irregularidades apuradas e motivou, conforme legislação, todas as alterações efetuadas na DITR/2006, em consonância com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, não havendo falar em nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72; b) apesar da sentença da 1ª Vara da Comarca de Itapecerica da Serra/SP, Processo 108/1991, declarar o imóvel incorporado ao patrimônio da Fazenda Pública do Estado de São Paulo, a entrega formal da área não foi concretizada, de modo que em 1º de janeiro de 2006 (data do fato gerador), o contribuinte detinha a posse e a propriedade do imóvel; logo, o recorrente é contribuinte do ITR em relação aos fatos geradores ocorridos até a data da perda da posse ou da propriedade, estando obrigado, a pagar o imposto. c) a legitimidade passiva do recorrente, pois nos termos do art. 252 da Lei Federal 6.015/73, enquanto não cancelado o registro, em seu nome, do imóvel, ele será proprietário do imóvel rural e o seu registro produzirá todos os efeitos legais previstos no art. 252 da referida Lei Federal; d) o contribuinte não está dispensado, no processo administrativo, de comprovar, com documentação hábil, o cumprimento de exigências legais previstas na legislação ambiental e tributária que justifique a exclusão das áreas ambientais por ele declaradas da incidência do ITR; logo, a dispensa de prévia comprovação não pode ser estendida à dispensa da protocolização do ADA junto ao IBAMA; e) a ausência de apresentação da documentação requerida pelo Termo de Intimação Fiscal n.º 08113/00003/2010, qual seja: i) Ato Declaratório Ambiental – ADA, requerido dentro do prazo junto ao IBAMA; ii) Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de ART, registrada no CREA, para comprovar as áreas de preservação permanente declaradas a esse título (art. 2º, alíneas “a” até “h”, da Lei 4.771/65), com a identificação da localização do imóvel rural através de um conjunto de Fl. 276DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10882.720368/201043 Acórdão n.º 2202002.446 S2C2T2 Fl. 274 7 coordenadas geográficas definidores dos vértices do seu perímetro, preferivelmente georeferenciadas ao sistema geodástico brasileiro; iii) Laudo de Avaliação do valor da terra nua emitido por profissional habilitado, com os requisitos exigidos pela NBR 14.6533 da ABNT; f) a intempestividade do ADA, apresentado pelo recorrente, para o exercício de 2006, por ser relativo ao exercício de 2009. Salienta que o contribuinte deveria ter apresentado o documento perante o IBAMA até 30 de setembro de 2006; g) o fato de o imóvel encontrarse dentro dos limites da área do Parque Estadual não caracteriza condição suficiente para a imunidade/isenção do ITR, isto pois, para fazer jus ao direito, deve ser apresentado Ato Declaratório Ambiental e Laudo Técnico que comprove a existência das áreas ambientais dentro da propriedade; h) a ausência de qualquer comprovação suficiente, por parte do recorrente, que justifique a revisão do VTN (corretamente utilizado com base no art. 14 da Lei n.º 9.393/96); i) a aplicação da multa no patamar de 75%, cumulada com os juros de mora em percentual equivalente à taxa Selic, encontra respaldo, respectivamente, nos arts. 44, I, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Ademais, o crédito tributário foi apurado conforme previsão legal, sendo apurado o ITR aplicandose a alíquota de cálculo prevista no Anexo da Lei 9.393/96 sobre o VTN apurado pela fiscalização. 8 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 14/05/12, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 223266 do eprocesso) em 13/06/12, repisando as alegações da impugnação, acrescentando os seguintes argumentos: a) a matrícula do imóvel juntada aos autos, em sua impugnação, que demonstra que a desapropriação foi levada a registro no assento imobiliário competente sequer foi citada no acórdão impugnado, de maneira que conclui que a documentação não foi ofertada aos julgadores de primeiro grau; b) o acórdão não analisou, de modo sério, as questões preliminares ao mérito, mencionando apenas que ao atender os requisitos do art. 11 do Decreto 70.235/72 e não estarem presentes as causas de nulidade insertas no art. 59 do mesmo diploma, não haveria qualquer defeito capaz de debilitar a autuação; c) o acórdão não analisou os argumentos desenvolvidos no quadrante denominado “defesa processual” da impugnação oferecida, que seriam suficientes para afastar a autuação; Em anexo foram juntados os seguintes documentos: a) ADA referente ao exercício de 2010; (fl.246 do eprocesso) Fl. 277DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 b) cópia da informação de que transitou em julgado a ação expropriatória do imóvel determinando o encerramento de sua matrícula do imóvel (fl.247 do eprocesso) É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10882.720368/201043 Acórdão n.º 2202002.446 S2C2T2 Fl. 275 9 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo Da Área de Preservação Permanente O Imposto Territorial Rural é um imposto gravado pela extra fiscalidade. Sua regulamentação não poderia ser diferente. A tabela de alíquotas do Imposto Territorial Rural possui dois eixos de valoração, um relativo ao tamanho da propriedade rural em si, pautado pela ideia da capacidade contributiva pressuposta, outro eixo relativo à produtividade da terra. Mas não apenas à produtividade se dirige a legislação do ITR. Ela também está alinhada com a preocupação ambiental normatizado pelo Código Florestal. Seria irrazoável tributar uma parcela da terra sobre a qual foi gravada restrição ambiental e na qual nada se poderá cultivar. É por este motivo que, entre outras, as áreas de preservação permanente (ou APP’s) são excluídas da base de cálculo do ITR. Área de preservação permanente é gênero do qual podemos apreender duas espécies: áreas de preservação permanente legalmente estipuladas; áreas de preservação permanente passíveis de reconhecimento por órgão ambiental; Quanto à primeira espécie, suas hipóteses estão elencadas no art. 2º da Lei 4.771/1965 – Código Ambiental: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; Fl. 279DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Quanto à segunda espécie, esta é definida pelo artigo 3º: Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Essa distinção não é meramente teórica. A primeira espécie é determinável pela lei, sendo que o ADA, neste caso, tem natureza puramente declaratória. As áreas por ela compreendidas são imperativamente destinadas à preservação permanente, razão pela qual sua desconstituição é penalizada e seu reconhecimento depende, apenas, de laudo técnico que comprove sua existência. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10882.720368/201043 Acórdão n.º 2202002.446 S2C2T2 Fl. 276 11 Assim, estivéssemos diante dessa primeira espécie de área de preservação permanente, entenderia que o condicionamento do seu reconhecimento à apresentação do ADA, para fins tributários, revelarseia inconciliável com a interpretação sistemática do ordenamento jurídico, sobretudo diante do Subprincípio da Necessidade (Princípio da Proporcionalidade), previsto no 2º da Lei 9784/99, caput (Proporcionalidade) e Parágrafo Único, inciso VI (Adequação.). Isso porque a mesma finalidade, com grau superior de precisão e segurança, é obtida por laudo técnico devidamente elaborado. Quanto à segunda espécie, não há veto imperativo à sua utilização até que haja a declaração de órgão ambiental competente que grave a parcela da terra com a restrição ambiental. Sendo assim, mero laudo técnico desacompanhado de ato declaratório de órgão ambiental (que neste caso possui eficácia constitutiva) não é suficiente ao reconhecimento da área para fins de dedução da base de cálculo do ITR. No presente caso, o recorrente apresentou parecer da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo (fls.124126) que, ao manifestarse acerca da impossibilidade de exploração da área por parte do recorrente, indica que a totalidade do imóvel de 786,5 ha restou abrangida pelo Parque Estadual da Serra do Mar, de forma que por se tratar de APP não poderia ter seus recursos naturais explorados: “(...) A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando fôr (sic) necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interêsse (sic) social, conforme condiciona o parágrafo 1º do art. 3º do Código Floresta. Entretanto, e, apesar da possibilidade da derrubada total ou parcial de florestas, com autorização prévia do Poder Executivo Federal, a derrubada de mata ou qualquer forma de exploração dos recursos naturais nos Parques Nacionais, Estaduais e Municipais, está proibida pelo Parágrafo Único do art. 5º do Código citado.” Ademais, a decisão proferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (fls.43 60), referente ao julgamento da Apelação Cível nº 027.9835/0 — interposta pela Fazenda do Estado de São Paulo em virtude do provimento dado à ação de desapropriação indireta movida pelo recorrente — deixa claro que a referida área de terra foi declarada de utilidade pública, para fins de desapropriação, pelos Decretos Estaduais n.º 10.251/77 e n.º 19.448/82, por se tratar de área de domínio particular abrangida pelo Parque Estadual da Serra do Mar, a qual, em decorrência das limitações impostas, sofreu o esvaziamento econômico do respectivo direito de propriedade: “No mérito, releva o fato de que é preponderante a jurisprudência, no sentido de as propriedades afetas com a instituição do Parque Estadual da Serra do Mar foram objeto da ocupação administrativa ensejadora do pagamento da indenização correspondente, consubstanciada na somatória dos valores autônomos da terra nua e das matas que a recobrem (...) (...) Fl. 281DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 12 Outrossim, a igual, tem o Colendo Superior Tribunal de Justiça afirmado e reafirmado que as limitações administrativas impostas pelos decretos estaduais que criaram o Parque Estadual da Serra do Mar acarretaram o esvaziamento econômico do direito de propriedade dos imóveis onerados, tornando de rigor, dessarte (sic), o pagamento de indenização correspondente ao seu valor.”. Ainda, com o trânsito em julgado da ação expropriatória do referido imóvel, foi determinado o encerramento de sua matrícula em 09/12/11. (fls.195201 do eprocesso). Quanto ao ADA, o recorrente efetuou seu protocolo, referente ao exercício 2010, em 12/06/12. (fl.245 do eprocesso). A partir da alteração promovida pela Lei nº 10.165/00, a entrega da ADA tem sido exigida como requisito à redução de imposto a pagar. Para que se compreenda adequadamente a alteração normativa e seu reflexo sistemático dentro do ordenamento, é preciso que se observe que o ADA é um ato unilateral elaborado pelo contribuinte, que não tem condão de constituir juridicamente as situações nele descritas. Noutros termos, a mera inserção de área de reserva legal no respectivo campo possui evidente eficácia declaratória da sua existência, que poderá ser confrontada com a descrição contida em laudo técnico – documento elaborado por terceiro que corroborará a situação inserida no ADA. Como se vê, a prova da existência de área não explorada economicamente deságua, ao cabo, na decisão judicial e nas sucessivas averbações de matrícula realizadas com autorização do poder público, do qual o ADA é mera presunção. Seria ilógico exigirse o atendimento de requisito ligado à presunção quando o fato por ela presumido resta comprovado. Observo, inclusive, que a ausência de Laudo Técnico Ambiental que comprove a existência das áreas de preservação permanente decorre da impossibilidade do recorrente realizar medições e procedimentos cabíveis em razão da totalidade da área do imóvel encontrarse inserida dentro das confrontações do Parque Estadual da Serra do Mar, fato corroborado pela sentença proferida na ação de desapropriação indireta (fls.3339) que afirma que “a prova pericial trouxe a afirmação de que a área pertencente aos autores localizase, integralmente, dentro dos limites daquele Parque. Neste sentido, confirase a resposta (...) ainda à afirmação do próprio assistente técnico da ré”. A compreensão de que a exigência de ADA e, neste caso, de laudo técnico pode se sobrepor à realidade acobertada por prova mais eficaz e menos restritiva é incompatível com o princípio da proporcionalidade (subprincípio da necessidade). Sobre a interação entre os subprincípios da necessidade e da adequação, versa o Ministro Gilmar Mendes: O subprincípio da adequação (Geeignetheit) exige que as medidas interventivas adotadas mostremse aptas a atingir os objetivos pretendidos. O subprincípio da necessidade (Notwendigkeit oder Erforderlichkeit) significa que nenhum meio menos gravoso para o indivíduo revelarseia igualmente eficaz na consecução dos objetivos pretendidos. Em outros termos, o meio não será necessário se o objetivo almejado puder ser alcançado com a adoção de medida que se revele a um só tempo adequada e menos onerosa. Ressaltese Fl. 282DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10882.720368/201043 Acórdão n.º 2202002.446 S2C2T2 Fl. 277 13 que, na prática, adequação e necessidade não têm o mesmo peso ou relevância no juízo de ponderação. Assim, apenas o que é adequado pode ser necessário, mas o que é necessário não pode ser inadequado. Pieroth e Schlink ressaltam que a prova da necessidade tem maior relevância do que o teste da adequação. Positivo o teste da necessidade, não há de ser negativo o teste da adequação. Por outro lado, se o teste quanto à necessidade revelarse negativo, o resultado positivo do teste de adequação não mais poderá afetar o resultado definitivo ou final. (MENDES, Gilmar. O princípio da proporcionalidade na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: novas leituras. Revista Diálogo Jurídico, Salvador, CAJ Centro de Atualização Jurídica, v. 1, nº. 5, agosto, 2001. Disponível em: <http://www.direitopublico.com.br>. Acesso em: 02 de março de 2012.) Ademais, a própria Lei nº 9.784/99, em seu art. 2º, parágrafo único, inciso VI, explicita o princípio da informalidade, ou do formalismo valorativo: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; A exigência do ADA, nos casos em que outra forma de prova confirma a área de reserva legal, representa exacerbado formalismo na aplicação do enunciado trazido pela Lei nº 10.165/00. Ou seja, a observância do requisito remanesce impávida desde que a finalidade por ele materializada não seja atingida por outro meio, mais seguro aos próprios interesses fazendários, como o laudo, conclusão reforçada pela alteração normativa engendrada pela Medida Provisória nº 2.16667/01, Diploma que introduziu o §7º ao art. 10 da Lei nº 9.393/96, abaixo transcrito: §7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Ademais, existe jurisprudência da 1ª Turma Ordinária, da Segunda Câmara, da Segunda Seção deste Conselho que embasa tal entendimento: ÁREA DE RESERVA LEGAL COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área Fl. 283DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 14 de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). (CARF. 2ª Seção. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. 2201 002.091. Rel. Gustavo Lian Haddad. Julg. em 17/04/13) Constatado a existência de documentação hábil e idônea que ateste ser a totalidade da área do imóvel área de preservação permanente, e partindo da premissa acima alinhada, de que é desnecessária a apresentação de ADA para que seja reconhecida a APP quando existente documentação passível de atestála, deve ser reconhecido o direito do recorrente à exclusão desta área da base de cálculo do tributo. Neste sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestouse no acórdão 9202002.018: ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2000. COMPROVAÇÃO VIA TERMO DE RESPONSABLIDADE DE PRESERVAÇÃO DE FLORESTA LAVRADO ANTERIORMENTE AO FATO GERADOR E AVERBADO. ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente a partir do Termo de Responsabilidade e Preservação de Floresta lavrado anteriormente ao fato gerador do tributo, devidamente averbado à margem da matrícula do imóvel, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento das aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei nº 10.165/2000, que alterou o artigo 170 da Lei nº 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se contata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso especial negado. (CARF. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Proc. 10183.006350/200555. Rel. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Julg. em 20/03/12) Com base no acima exposto, voto para que seja DADO PROVIMENTO ao recurso interposto. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 284DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10882.720368/201043 Acórdão n.º 2202002.446 S2C2T2 Fl. 278 15 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10680.723394/2008-85
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
Relatório
Trata-se de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 3.563,10, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora.
O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2005, dedução indevida de despesas médicas. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 12/14 deste processo digital, que:
- O contribuinte foi intimado a apresentar os comprovantes das despesas médicas e o efetivo pagamento das mesmas.
- Em atendimento à intimação, o Interessado apresentou diversos documentos, dentre eles uma declaração prestada por Ulisses do Nascimento Júnior informando a forma de recebimento dos honorários odontológicos e um recibo do mesmo profissional, relacionando os valores e as datas dos recebimentos.
- Quando do seu comparecimento à Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF, o contribuinte foi orientado no sentido de que, em relação ao profissional Ulisses do Nascimento Júnior, a comprovação do efetivo pagamento era necessária, mediante cópias de cheques nominais microfilmados ou extratos bancários em que constem retiradas coincidentes em datas e valores com os recibos emitidos.
- Uma vez que o contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o efetivo pagamento a Ulisses do Nascimento Júnior, além de simples recibos, foram glosadas despesas declaradas com o referido profissional, no valor de R$ 5.839,00.
A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente. Entenderam os julgadores da instância de piso que a Fiscalização não considerou aptos os recibos emitidos pelo profissional Ulisses do Nascimento Júnior. Assim, caberia ao sujeito passivo, em face da glosa efetuada, apresentar documentos outros que comprovassem o efetivo pagamento das despesas médicas, o que não ocorreu.
Cientificado da decisão de primeira instância em 06/09/2010 (fl. 52), o Interessado interpôs, em 07/10/2010, o recurso de fls. 54/60. Na peça recursal aduz, em síntese, que:
- O Auto de Infração reconhece o pronto atendimento aos termos da intimação feita. Foram apresentados todos os documentos que comprovam os pagamentos realizados no ano-calendário de 2004. Todos os recibos foram apresentados à época do envio da intimação, razão pela qual considera satisfeito o requisito.
- Sua dependente efetuou o tratamento odontológico com o profissional Ulisses do Nascimento Júnior, pagando pelos serviços R$ 5.839,00, e para que não reste quaisquer dúvidas, anexa o Prontuário Odontológico com a discriminação dos valores pagos por procedimento.
- O manual da própria RFB dispõe que As despesas médicas são comprovadas mediante documentos contendo o nome, o endereço e o número de inscrição no CPF ou no CNPJ do beneficiário dos pagamentos, podendo ser substituídos por cheque nominativo ao beneficiário, de sua própria emissão, do cônjuge ou do dependente. - Os requisitos previstos na orientação da RFB foram plenamente preenchidos, como se verifica nos recibos disponibilizados à Autoridade fiscal.
- Além dos documentos já juntados, apresenta extratos do Banco Itaú nos quais constam os valores debitados de dois dos pagamentos feitos: a) recibo nº 794, datado de 22/04/2004, cheque nº 000145, debitado em 27/04/2004; e b) recibo nº 249, datado de 26/11/2004, debitado em 23/11/2004.
Requer, ao fim, a manutenção de todas as despesas lançadas em sua declaração de ajuste anual do ano-calendário de 2004. Outrossim, pleiteia a produção de provas por todos os meios admitidos em direito, em especial a prova pericial.
Voto
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. Relatório Trata-se de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 3.563,10, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2005, dedução indevida de despesas médicas. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 12/14 deste processo digital, que: - O contribuinte foi intimado a apresentar os comprovantes das despesas médicas e o efetivo pagamento das mesmas. - Em atendimento à intimação, o Interessado apresentou diversos documentos, dentre eles uma declaração prestada por Ulisses do Nascimento Júnior informando a forma de recebimento dos honorários odontológicos e um recibo do mesmo profissional, relacionando os valores e as datas dos recebimentos. - Quando do seu comparecimento à Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF, o contribuinte foi orientado no sentido de que, em relação ao profissional Ulisses do Nascimento Júnior, a comprovação do efetivo pagamento era necessária, mediante cópias de cheques nominais microfilmados ou extratos bancários em que constem retiradas coincidentes em datas e valores com os recibos emitidos. - Uma vez que o contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o efetivo pagamento a Ulisses do Nascimento Júnior, além de simples recibos, foram glosadas despesas declaradas com o referido profissional, no valor de R$ 5.839,00. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente. Entenderam os julgadores da instância de piso que a Fiscalização não considerou aptos os recibos emitidos pelo profissional Ulisses do Nascimento Júnior. Assim, caberia ao sujeito passivo, em face da glosa efetuada, apresentar documentos outros que comprovassem o efetivo pagamento das despesas médicas, o que não ocorreu. Cientificado da decisão de primeira instância em 06/09/2010 (fl. 52), o Interessado interpôs, em 07/10/2010, o recurso de fls. 54/60. Na peça recursal aduz, em síntese, que: - O Auto de Infração reconhece o pronto atendimento aos termos da intimação feita. Foram apresentados todos os documentos que comprovam os pagamentos realizados no ano-calendário de 2004. Todos os recibos foram apresentados à época do envio da intimação, razão pela qual considera satisfeito o requisito. - Sua dependente efetuou o tratamento odontológico com o profissional Ulisses do Nascimento Júnior, pagando pelos serviços R$ 5.839,00, e para que não reste quaisquer dúvidas, anexa o Prontuário Odontológico com a discriminação dos valores pagos por procedimento. - O manual da própria RFB dispõe que As despesas médicas são comprovadas mediante documentos contendo o nome, o endereço e o número de inscrição no CPF ou no CNPJ do beneficiário dos pagamentos, podendo ser substituídos por cheque nominativo ao beneficiário, de sua própria emissão, do cônjuge ou do dependente. - Os requisitos previstos na orientação da RFB foram plenamente preenchidos, como se verifica nos recibos disponibilizados à Autoridade fiscal. - Além dos documentos já juntados, apresenta extratos do Banco Itaú nos quais constam os valores debitados de dois dos pagamentos feitos: a) recibo nº 794, datado de 22/04/2004, cheque nº 000145, debitado em 27/04/2004; e b) recibo nº 249, datado de 26/11/2004, debitado em 23/11/2004. Requer, ao fim, a manutenção de todas as despesas lançadas em sua declaração de ajuste anual do ano-calendário de 2004. Outrossim, pleiteia a produção de provas por todos os meios admitidos em direito, em especial a prova pericial. Voto
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 3.563,10, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2005, dedução indevida de despesas médicas. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 12/14 deste processo digital, que: O contribuinte foi intimado a apresentar os comprovantes das despesas médicas e o efetivo pagamento das mesmas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 23 39 4/ 20 08 -8 5 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.723394/200885 Resolução nº 2801000.214 S2TE01 Fl. 78 2 Em atendimento à intimação, o Interessado apresentou diversos documentos, dentre eles uma declaração prestada por Ulisses do Nascimento Júnior informando a forma de recebimento dos honorários odontológicos e um recibo do mesmo profissional, relacionando os valores e as datas dos recebimentos. Quando do seu comparecimento à Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF, o contribuinte foi orientado no sentido de que, em relação ao profissional Ulisses do Nascimento Júnior, a comprovação do efetivo pagamento era necessária, mediante cópias de cheques nominais microfilmados ou extratos bancários em que constem retiradas coincidentes em datas e valores com os recibos emitidos. Uma vez que o contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o efetivo pagamento a Ulisses do Nascimento Júnior, além de simples recibos, foram glosadas despesas declaradas com o referido profissional, no valor de R$ 5.839,00. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente. Entenderam os julgadores da instância de piso que a Fiscalização não considerou aptos os recibos emitidos pelo profissional Ulisses do Nascimento Júnior. Assim, caberia ao sujeito passivo, em face da glosa efetuada, apresentar documentos outros que comprovassem o efetivo pagamento das despesas médicas, o que não ocorreu. Cientificado da decisão de primeira instância em 06/09/2010 (fl. 52), o Interessado interpôs, em 07/10/2010, o recurso de fls. 54/60. Na peça recursal aduz, em síntese, que: O Auto de Infração reconhece o pronto atendimento aos termos da intimação feita. Foram apresentados todos os documentos que comprovam os pagamentos realizados no anocalendário de 2004. Todos os recibos foram apresentados à época do envio da intimação, razão pela qual considera satisfeito o requisito. Sua dependente efetuou o tratamento odontológico com o profissional Ulisses do Nascimento Júnior, pagando pelos serviços R$ 5.839,00, e para que não reste quaisquer dúvidas, anexa o Prontuário Odontológico com a discriminação dos valores pagos por procedimento. O manual da própria RFB dispõe que “As despesas médicas são comprovadas mediante documentos contendo o nome, o endereço e o número de inscrição no CPF ou no CNPJ do beneficiário dos pagamentos, podendo ser substituídos por cheque nominativo ao beneficiário, de sua própria emissão, do cônjuge ou do dependente”. Os requisitos previstos na orientação da RFB foram plenamente preenchidos, como se verifica nos recibos disponibilizados à Autoridade fiscal. Além dos documentos já juntados, apresenta extratos do Banco Itaú nos quais constam os valores debitados de dois dos pagamentos feitos: a) recibo nº 794, datado de 22/04/2004, cheque nº 000145, debitado em 27/04/2004; e b) recibo nº 249, datado de 26/11/2004, debitado em 23/11/2004. Requer, ao fim, a manutenção de todas as despesas lançadas em sua declaração de ajuste anual do anocalendário de 2004. Outrossim, pleiteia a produção de provas por todos os meios admitidos em direito, em especial a prova pericial. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.723394/200885 Resolução nº 2801000.214 S2TE01 Fl. 79 3 Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator O Interessado foi cientificado da decisão de 1ª instância em 06/09/2010 (segundafeira). O dia 07 de setembro é feriado nacional. Logo, o termo a quo do prazo recursal iniciouse em 08/09/2010, a teor do que dispõe o art. 5º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, in verbis: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. O recurso veio subscrito pelo próprio sujeito passivo e foi apresentado em 07/10/2010, sendo, portanto, tempestivo. Assim, conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. A Autoridade lançadora informa, na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, que o contribuinte foi intimado a apresentar os comprovantes das despesas médicas e o efetivo pagamento das mesmas. Contudo, não juntou aos autos o Termo de Intimação solicitando a comprovação do efetivo pagamento. Consta dos autos, no entanto, resposta do contribuinte à Intimação nº 2005/606108996411111 (fl. 25 deste processo digital), cujo preâmbulo e parte final estão assim redigidos: “Tendo recebido o Termo de Intimação Fiscal de V. Sas. para comprovações de algumas despesas com saúde gastas por mim no calendário de 2004, venho cumprir tal intimação enviando os originais e as cópias dos respectivos recibos de pagamentos aos profissionais que a mim prestaram os serviços: (...) Espero assim ter cumprido o intimado, continuando ao seu dispor, ofertandolhe minhas manifestações de respeito e consideração”. No recurso o Interessado alega que “o Auto de Infração reconhece o pronto atendimento do Recorrente aos termos da intimação feita pela Receita” (fl. 56 deste processo digital). Em processos de minha relatoria tenho votado no sentido de negar provimento a recursos em que foram glosadas despesas médicas por falta de comprovação do efetivo pagamento, desde que o contribuinte tenha sido intimado para tanto, e de dar provimento a recursos quando não há provas da referida intimação. Nesse contexto, sou pela conversão do presente julgamento em diligência, a fim de que a DRF de origem junte aos autos o Termo que intimou o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas glosadas. Após a providência mencionada, o contribuinte deve ser intimado para, caso queira, apresentar novas alegações circunscritas ao fato objeto da presente Resolução. De seguida, os autos deverão retornar a este Conselho para a conclusão do julgamento. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.723394/200885 Resolução nº 2801000.214 S2TE01 Fl. 80 4 Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 15504.020290/2008-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO.INTEMPESTIVIDADE
Sempre que o recurso for apresentado em prazo maior do que o legalmente previsto, a jurisprudência entende que não se deve recebê-lo, tendo em vista o fenômeno da preclusão.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2403-002.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
Carlos Albereto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos..
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO.INTEMPESTIVIDADE Sempre que o recurso for apresentado em prazo maior do que o legalmente previsto, a jurisprudência entende que não se deve recebê-lo, tendo em vista o fenômeno da preclusão. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Albereto Mees Stringari-Presidente Ivacir Júlio de Souza-Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos..
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Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Albereto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 02 90 /2 00 8- 70 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Relatório No Relatório Fiscal de fls. 15 , a Autoridade autuante registra que lavrou o auto em razão de a empresa nas competências compreendidas entre 12/2003 a 12/2007, ter fornecido aos segurados empregados parcela in natura alimentação sem incluir tal parcela em suas folhas de pagamento e sem descontar de suas remunerações as contribuições, por eles devidas, incidentes sobre essa parcela salarial, verbis: “ Tal infração ocorreu nas competências compreendidas entre 12/2003 a 12/2007 , uma vez que a empresa forneceu no período a segurados empregados parcela in natura alimentação sem incluir tal parcela em suas folhas de pagamento e sem descontar de suas remunerações as contribuições, por eles devidas, incidentes sobre essa parcela salarial. Tais pagamentos foram constatados através do exame das folhas de pagamento e dos livros Diário e Razão. A remuneração paga aos segurados empregados, por se enquadrar na definição de saláriodecontribuição contida no artigo 28, I, da Lei n 8.212/91 , foi considerada pela fiscalização como parcela de natureza salarial, devendo sobre ela incidir a contribuição previdenciária, estando a empresa obrigada a arrecadar, mediante desconto da remuneração do segurado empregado, a contribuição por ele devida incidente sobre as parcelas recebidas, nos termos e prazos da legislação vigente.” A Recorrente argüi que : “ o fornecimento das refeições não é considerado salário in natura e, via de conseqüência, tal benefício não constitui fato gerador de contribuição previdenciária, segundo entendimento já pacificado pelo colendo Superior Tribunal de Justiça, razão pela qual a improcedência do crédito tributário em questão é medida que se impõe.” DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Por unanimidade de votos, na forma do Acórdão n° 0228.867 às fls. 145, a 9ª da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE, em 04 de outubro de 2010, julgou improcedente a impugnação e manteve a multa exigida pelo Auto de Infração em comento. RECURSO A Recorrente interpôs Recurso voluntário na forma do documento de fls. 125. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.020290/200870 Acórdão n.º 2403002.007 S2C4T3 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE A Recorrente alegando que teria sido notificada em 01.03.2011, interpôs Recurso voluntário em 30.03.2011 na forma do documento de fls. 125 : “ Da tempestividade Tendo sido intimada a Recorrente do v. acórdão n° 02 28.867 em data de 01.03.2011. terçafeira, o prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação deste recurso teve início em 02.03.2011, quartafeira, para exaurirse em 31.03.2011. quintafeira.” Conforme Aviso de recebimento AR de fls. 124, a empresa fora notificada em 25/02/2011. Portanto o prazo para interpor Recurso expirou em 29/03/2011. Isto posto, concluise intempestiva sua peça recursal. CONCLUSÃO Diante do exposto, não conheço do Recurso por ser INTEMPESTIVO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720573/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
SUJEIÇÃO PASSIVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE.
São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.
Transfere a propriedade do bem imóvel o registro da Escritura de Venda e Compra no Cartório de Registro de Imóveis competente.
Na hipótese, a transferência da propriedade do imóvel não ficou comprovada, permanecendo o interessado como sujeito passivo do imposto.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.104
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os Membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva, que davam provimento ao recurso. Redatora designada a conselheira Celia Maria de Souza Murphy.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
(assinado digitalmente)
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Redator designada
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 SUJEIÇÃO PASSIVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Transfere a propriedade do bem imóvel o registro da Escritura de Venda e Compra no Cartório de Registro de Imóveis competente. Na hipótese, a transferência da propriedade do imóvel não ficou comprovada, permanecendo o interessado como sujeito passivo do imposto. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva, que davam provimento ao recurso. Redatora designada a conselheira Celia Maria de Souza Murphy. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Redator designada Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Transfere a propriedade do bem imóvel o registro da Escritura de Venda e Compra no Cartório de Registro de Imóveis competente. Na hipótese, a transferência da propriedade do imóvel não ficou comprovada, permanecendo o interessado como sujeito passivo do imposto. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva, que davam provimento ao recurso. Redatora designada a conselheira Celia Maria de Souza Murphy. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 05 73 /2 00 9- 16 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10218.720573/200916 Acórdão n.º 2101002.104 S2C1T1 Fl. 61 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Redator designada Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 50/56) interposto em 23 de novembro de 2011 contra o acórdão de fls. 41/46, do qual o Recorrente teve ciência em 01 de novembro de 2011 (fl. 49), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de fls. 01/04, lavrada em 06 de julho de 2009, em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2006. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR. Exercício: 2006 DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, proprietário do imóvel à época do fato gerador do imposto, em razão da falta de comprovação da alienação do imóvel nos moldes da legislação pertinente, não havendo que se falar, portanto, em subrogação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – VTN ARBITRADO. Considerase não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, conforme legislação processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 41). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 50/56, pedindo a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10218.720573/200916 Acórdão n.º 2101002.104 S2C1T1 Fl. 62 3 Voto Vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Verificase que o Recorrente não contestou o mérito da autuação, qual seja, o arbitramento do Valor da Terra Nua VTN, limitandose a alegar a ilegitimidade passiva em razão da venda do imóvel. Como cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Pois bem, alega o Recorrente que não deve figurar no pólo passivo da relação jurídicotributária pelo fato de que teria, supostamente, procedido à prévia venda do imóvel objeto do lançamento, sendo a responsabilidade, portanto, da empresa adquirente. Em relação ao citado aspecto, muito embora a DRJ tenha reconhecido a validade da escritura pública de compra e venda acostada pelo Recorrente aos autos (fls. 35/36), os julgadores da instância a quo entenderam que referido documento não seria hábil a comprovar a transferência da titularidade do imóvel, sendo necessária a apresentação de cópia do registro geral de imóveis, o qual atestaria a efetiva alienação do bem imóvel. Em que pese ao entendimento formado pela instância a quo, tenho para mim que assiste razão ao Recorrente. De fato, muito embora disponha o Código Civil que a efetiva troca de titularidade, para efeitos legais, ocorra por meio do registro no RGI, a escrituração, junto ao tabelião, da compra e venda de bem imóvel é dotada de fé pública, sendo o instrumento hábil a comprovar a efetivação da venda, ainda que posteriormente sujeita à averbação na matrícula do imóvel (RGI). Vale destacar, aliás, que é vedado à União e, bem assim, aos órgãos que a compõem, na forma do quanto descrito no art. 19 da Constituição Federal, “recusar fé aos documentos públicos”, razão pela qual, também por este motivo, não seria cabível a exigência de outros documentos do Recorrente. Sob esse prisma, portanto, sendo certo que o Recorrente logrou acostar aos autos a escritura de compra e venda, documento hábil a demonstrar a alienação de bem imóvel, Fl. 63DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10218.720573/200916 Acórdão n.º 2101002.104 S2C1T1 Fl. 63 4 entendo que, em relação ao referido aspecto, restaria superada a questão probatória, na medida em que nada mais lhe poderia ser exigido, de acordo com a jurisprudência sedimentada por este CARF: “AQUISIÇÃO DE IMÓVEL ESCRITURA DE COMPRA E VENDA DOCUMENTO PÚBLICO Somente deixa de prevalecer a data, forma e valor da alienação constante da Escritura Pública de Compra e Venda, para os efeitos fiscais, quando restar provado de maneira inequívoca que o teor contratual da escritura não foi cumprido, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a alienação deuse da forma diversa. Assim, a Escritura Pública de Compra e Venda faz prova bastante de que a aquisição do imóvel deuse na forma prevista na escritura. A alegação, desacompanhada de prova material, de que a forma de aquisição foi por valor diferente não tem o condão de sobrepujar o que foi contratado diante de tabelião juramentado.” (1º Conselho de Contribuintes, 4ª Câmara, Acórdão 10418.853, relator Conselheiro Nelson Mallmann, j. em 09/07/2002) Nesse sentido, portanto, havendo a comprovação da efetiva alienação do imóvel, verificase que o tributo deveria ter sido cobrado do adquirente, na medida em que, como se sabe, as obrigações tributárias relativas ao pagamento de ITR são de natureza propter rem, sendo exigíveis, apenas e tão somente, dos efetivos proprietários à época de sua cobrança. A este respeito, cumpre trazer à colação o disposto pelo art. 130 do CTN, ora colacionado: “Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação.” Assim sendo, havendo a comprovação, como visto, da transferência do imóvel para outro contribuinte, cumpre aferir se houve, na data da alienação, a apresentação pelo Recorrente de qualquer prova de quitação do ITR em relação ao período fiscalizado, de maneira a fazer recair sobre ele a responsabilidade pelos tributos devidos até a data da venda. No que atine a esse ponto, verificase, de um breve compulsar do instrumento público, que o ora Recorrente deixou de apresentar, na data da elaboração da escritura pública, qualquer prova de quitação do ITR, limitandose a acostar as seguintes certidões: (a) certidão de ônus reais, (b) certidão negativa de ação civil, (c) certidão negativa de feitos criminais, bem como (d) certidão negativa de interdição dos vendedores. Em relação a eventuais débitos fiscais, pois, não há qualquer menção à apresentação de prova de sua quitação, normalmente feita a partir de certidão exarada pela SRF para este fim, havendo, para tanto, mera declaração de que não haveria quaisquer débitos fiscais pendentes sobre o imóvel, assertiva esta que, por si só, não constitui prova da quitação dos tributos, tal como exigido pelo art. 130 do CTN. Eis o teor da escritura pública: “Pelas partes me foram apresentados ainda os seguintes documentos preconizados pela Lei Federal nº 7.433 de 18/12/1985 e Decreto 93.240 de 09/09/1986. Certidão negativa de ônus reais, certidão negativa de ação civil, certidão Fl. 64DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10218.720573/200916 Acórdão n.º 2101002.104 S2C1T1 Fl. 64 5 negativa de feitos criminais, certidão negativa de interdição dos vendedores, cujas cópias ficam arquivadas nesta Serventia, em pasta própria. Declarando os outorgantes vendedores, através de seu representante legal, não existir nenhum débito fiscal sobre o bem transacionado.” (fl. 36) Na esteira do exposto, portanto, entendo que, não havendo a exigência por parte do comprador da certidão específica relativa à quitação de débitos fiscais propter rem, tal como sói ocorrer em transações deste jaez, assumiu este o risco de sua inclusão no polo passivo de tais obrigações tributárias, ainda que em período anterior à sua aquisição, não sendo aplicável, portanto, a ressalva contida no art. 130, in fine, do CTN. Assim, verificandose a efetiva alienação do bem imóvel, bem como aferindose que não se aplicaria, in casu, a ressalva feita no art. 130, in fine, do CTN, entendo que cumpriria à fiscalização lavrar o auto de infração em face do adquirente, na medida em que, conforme explicitado, os débitos de ITR concernem ao objeto de obrigação propter rem. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10218.720573/200916 Acórdão n.º 2101002.104 S2C1T1 Fl. 65 6 Voto Vencedor Conselheira Celia Maria de Souza Murphy Em que pese aos fundamentos declinados pelo i. Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, peço vênia para divergir do seu entendimento, pelas razões a seguir deduzidas. O litígio instaurado no presente processo centrase na discussão quanto à sujeição passiva do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. As medidas preparatórias para o lançamento, bem assim a Notificação de Lançamento (fls. 1 a 4) foram lavrados em nome de Francisco Oreste Libardoni, pessoa física que se identificou como contribuinte na Declaração do ITR correspondente ao exercício 2006 constante dos arquivos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (fls. 11). No caso em apreço, o lançamento, referente ao exercício 2006, efetivouse em 17.7.2009, com a ciência do interessado (fls. 20). Em 6 de agosto de 2009, o lançamento foi impugnado. Em sua defesa, o interessado ponderou que, em 2008, a propriedade foi vendida e que, em 2009 quando tomou ciência do lançamento, já não era mais o proprietário, razão pela qual houve erro na identificação do sujeito passivo. Especificou que, em 12 de março de 2008, o imóvel objeto do lançamento foi “outorgado para IMOBILIÁRIA CEITA CORE LIMITADA, inscrita no CNPJ n.º 07.786.555/000150, pelo valor de R$ 134.000,00 (cento e trinta e quatro mil reais)”, conforme Escritura de Venda e Compra lavrada no Livro 07 IHO – Folhas 138 e Verso, no Cartório Extrajudicial de Notas no Município de Pau D’Arco, Comarca de Redenção (PA). Às fls. 29 e 30 foi anexada a citada Escritura. A 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília não acolheu seus argumentos, e concluiu que, na época do “fato gerador”, o interessado era proprietário do imóvel, e, muito embora tenha apresentado a Escritura de Venda e Compra com data de 12.3.2008, salvo prova em contrário, tal título não foi levado a registro público no Cartório de Registro de Imóveis competente, nos termos do art. 1.245, § 1º, do Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002). No recurso voluntário, o interessado reiterou seus argumentos de defesa. A Lei n.º 6.015, de 1973, que dispõe sobre os registros públicos, define, em seu artigo 172, a competência Cartório de Registro de Imóveis: Art. 172 No Registro de Imóveis serão feitos, nos termos desta Lei, o registro e a averbação dos títulos ou atos constitutivos, declaratórios, translativos e extintos de direitos reais sobre imóveis reconhecidos em lei, " inter vivos" ou " mortis causa" quer para sua constituição, transferência e extinção, quer para sua validade em relação a terceiros, quer para a sua disponibilidade. (Renumerado do art. 168 § 1º para artigo autônomo com nova redação pela Lei nº 6.216, de 1975). Fl. 66DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10218.720573/200916 Acórdão n.º 2101002.104 S2C1T1 Fl. 66 7 O registro no Cartório de Registro de Imóveis é ato constitutivo da transferência da propriedade do imóvel do vendedor para o comprador, tal como esclarece Maria Helena Diniz (Dicionário Jurídico. São Paulo: Saraiva, 1998. Volume 4, p. 101), ao afirmar que “Somente a intervenção estatal, realizada pelo oficial do Cartório Imobiliário, conferirá direitos reais, a partir da data em que se fizer o assentamento do imóvel. Antes do registro, o alienante continuará a ser o proprietário e responderá pelos encargos do prédio.” Com efeito, o Código Civil brasileiro, no Livro III da Parte Especial, ao tratar da propriedade, especifica o momento da transmissão da propriedade dos bens imóveis nos casos de aquisição pelo registro do título: Art. 1.245. Transferese entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. § 1o Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. [...]. Sendo assim, antes do registro da Escritura de Venda e Compra de um imóvel no Cartório de Registro Imobiliário competente, não se transfere a propriedade do bem imóvel do vendedor para o comprador. Sobre Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, previsto no artigo 153, VI, da Constituição Federal de 1988, o Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. Art. 30. A base do cálculo do imposto é o valor fundiário. Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. A Lei n.º 9.393, de 1996, que traça a regramatriz de incidência do imposto, prevê, em seu artigo 1.º: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. [...]. Na hipótese vertente, o interessado alega não ser sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel denominado “Fazenda Libardoni”, por têlo vendido para “Imobiliária Ceita Core Limitada” e, diante disso, os atuais proprietários seriam responsáveis pelo ITR lançado. Entende o recorrente que o fato de não ter havido a transferência da propriedade mediante o registro da transação no Cartório de Registro de Imóveis não pode ser determinante para a definição da responsabilidade tributária. Acostou aos autos a Escritura de Venda e Compra às fls. 29 e 30. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10218.720573/200916 Acórdão n.º 2101002.104 S2C1T1 Fl. 67 8 Sem razão o recorrente. Ocorre que, como visto, somente o registro da Escritura de Venda e Compra de um imóvel no Cartório de Registro de Imóveis constitui a transferência da propriedade do bem. Isto significa dizer que a Escritura de Venda e Compra, por si só, não comprova que, a partir da data de sua emissão e registro, no Tabelionato de Notas, a propriedade do imóvel passou a ser do terceiro nela indicado, no caso, “Imobiliária Ceita Core Limitada”. É que, apesar de constituir documento público, a Escritura de Venda e Compra registrada no Tabelionato de Notas, conforme anteriormente explicitado, não é instrumento hábil para constituir a transferência da propriedade do imóvel, tal como pretendido. Por outro lado, não consta que a Escritura de Venda e Compra às fls. 29 e 30 tenha sido levada a registro no Cartório de Registro de Imóveis competente, constituindo a transferência a propriedade do imóvel para o terceiro indicado no referido documento. Desse modo, na data do “fato gerador”, bem assim, na data do lançamento, o recorrente permanecia na condição proprietário do imóvel. Por essas razões, não ficou comprovada a alegação de que, na data do lançamento, o interessado já não era proprietário do imóvel rural fiscalizado. Conforme adrede salientado, até que a Escritura de Venda e Compra seja levada a registro no Cartório de Registro de Imóveis, o recorrente permanece, para todos os efeitos legais, na condição de proprietário. É, portanto, o sujeito passivo do ITR. Por fim, também não há que se alegar que, com a Escritura de Venda e Compra, transferiuse a posse do imóvel para o terceiro identificado e, por esse motivo, o sujeito passivo do imposto seria o possuidor do imóvel, na pessoa do adquirente. É que, havendo a concomitância entre a posse direta do possuidor e a posse indireta do proprietário, o imposto sobre o patrimônio poderia ser exigido de qualquer um deles, mas não caberia a ilegitimidade passiva do alienante. Nesse sentido, trazemos à colação excerto do voto condutor do Acórdão n.º 9202002.097, proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na Sessão de 9 de maio de 2012, da lavra do i. Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: “O recorrente também afirma que, desde a assinatura do contrato de compra e venda, em 01/01/2001, ocorreu a imissão da posse pelo adquirente, que teria passado a ser responsável pelos tributos. Salientese, entretanto, que não há divergência comprovada quanto a esse ponto e, portanto, não cabe sequer conhecêlo. Todavia, caso fosse essa a divergência a ser enfrentada, esclareço meu entendimento de que, havendo a concomitância entre a posse direta do titular do domínio útil ou possuidor e a posse indireta do proprietário, o imposto sobre o patrimônio poderia ser exigido de qualquer um dos sujeitos passivos "coexistentes" mas não caberia a ilegitimidade passiva do alienante. Aliás, essa é a exegese definitivamente consolidada pelo STJ sob a sistemática do art. 543 C do CPC por meio do REsp nº 1.073.846 SP, julgado em 25/11/2009, cuja decisão deve ser seguida pelo CARF, em atenção ao art. 62 A do RICARF.” Referido Acórdão contou com a seguinte ementa: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10218.720573/200916 Acórdão n.º 2101002.104 S2C1T1 Fl. 68 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001, 2002 SUJEIÇÃO PASSIVA. TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE APÓS O FATO GERADOR. RESSALVA DE QUITAÇÃO DO TRIBUTO. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE. O crédito tributário relativo ao ITR, cujo fato gerador é a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel rural, subroga se na pessoa do respectivo adquirente, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Hipótese em que a transferência da propriedade do imóvel ocorreu após a ocorrência do fato gerador, com a ressalva no título da quitação do ITR, permanecendo o alienante responsável pelos tributos anteriores. Recurso especial negado. Neste mesmo sentido, o Acórdão n.º 2801000.954, de 22.9.2010, proferido pela 1.ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, cujo Relator foi o i. Conselheiro Julio Cezar da Fonseca Furtado: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2005 DA LEGITIMIDADE PASSIVA DO PROPRIETÁRIO DO IMÓVEL. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, de acordo com o artigo 130 do CTN, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes. Para definitiva transferência de propriedade em casos de alienação de imóveis sobre os quais incide o ITR é indispensável à realização de registro do titulo translativo junto ao respectivo Cartório de Registro de Imóveis. Recurso Voluntário Negado. Pelas razões expostas, em consonância com recentes decisões deste Conselho sobre o tema, entendo ter sido correto o lançamento perpetrado contra Francisco Oreste Libardoni, mantido pelo órgão julgador a quo, eis que não ficou comprovado nos autos que, na época dos fatos, o recorrente já não era proprietário do imóvel rural denominado “Fazenda Libardoni”. (assinado digitalmente) ________________________ Celia Maria de Souza Murphy Fl. 69DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10218.720573/200916 Acórdão n.º 2101002.104 S2C1T1 Fl. 69 10 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
score : 1.0
Numero do processo: 10880.019289/99-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1995
REFORMATIO IN PEJUS. VEDAÇÃO.
É vedado ao órgão julgador proceder ao reformatio in pejus. Nos autos constata-se que a parcela litigiosa, submetida à apreciação do órgão julgador de primeira instância, estava restrita à aplicação do VTN mínimo por hectare. Após o julgamento de 1ª instância houve a alteração da área de reserva legal que não foi objeto de lançamento.
RESPONSABILIDADE. DESAPROPRIAÇÃO.
Mantém-se a responsabilidade pelo ITR no proprietário do imóvel ainda que declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não efetivada a transferência da propriedade, salvo quando houver imissão prévia na posse.
Numero da decisão: 2201-002.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Reserva Legal declarada de 23.136,7 hectares, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral a Drª Camila Klück Gomes, OAB/SP 273.076.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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ALIENAÇÃO. Os créditos tributários relativos ao ITR, em regra, acompanham o imóvel quando de sua alienação, exceto quando estiver comprovado no título a quitação do tributo, ficando, nesse caso, apenas o alienante responsável pelos débitos passados. RESPONSABILIDADE. DESAPROPRIAÇÃO. Mantémse a responsabilidade pelo ITR no proprietário do imóvel ainda que declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não efetivada a transferência da propriedade, salvo quando houver imissão prévia na posse. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1995 REFORMATIO IN PEJUS. VEDAÇÃO. É vedado ao órgão julgador proceder ao reformatio in pejus. Nos autos constatase que a parcela litigiosa, submetida à apreciação do órgão julgador de primeira instância, estava restrita à aplicação do VTN mínimo por hectare. Após o julgamento de 1ª instância houve a alteração da área de reserva legal que não foi objeto de lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Reserva Legal declarada de 23.136,7 hectares, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral a Drª Camila Klück Gomes, OAB/SP 273.076. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 92 89 /9 9- 58 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10880.019289/9958 Acórdão n.º 2201002.139 S2C2T1 Fl. 332 2 (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Emitida Notificação de Lançamento para exigir, da contribuinte acima identificada, o crédito tributário de R$376.727,70, sendo R$374.004,05 de Imposto Territorial Rural, R$2.310,42 de Contribuição Sind. Empregador e R$413,23 de Contribuição Senar; relativo ao exercício de 1995, do imóvel denominado Fazenda Rio do Peixe II, com área total de 46.273,5 ha, localizado no Município de Juara/MT. Do Lançamento Constatada subavaliação do imóvel rural com o VTN declarado de R$29.147,67 incompatível com o VTN mínimo para o município de Juara/MT, obtido pela SRF, de R$179,61 por hectare ou R$4.155.600,65. Assim, o lançamento foi realizado, mantida as áreas utilizável e tributada declaradas, alterando somente o VTN de R$29.147,67 para R$4.155.600,65. Aplicada a alíquota de 9% sobre o novo VTN foi apurado R$374.004,05 de imposto que, somado às contribuições CNA e CONTAG, totalizaram crédito tributário exigido de R$376.727,10. Da Impugnação A contribuinte impugnou o lançamento apresentando as razões de fato e de direito a seguir resumidas. Informa que alienou uma área de 27.151,0 hectares, em 29 de Agosto de 1995, para Elpídio Daroit, conforme consta da averbação de n.° 3, da matrícula de n.° 5.900 do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Porto dos Gaúchos/MT (fls. 20 e 21) e que foi desapropriada uma área de 19.122,5 hectares (18.265,3 hectares medidos) conforme o Decreto nº 28 de 29/08/1996 (fl.19). Questiona o VTN utilizado no lançamento que, segundo alega, está muito acima do que o mercado sinalizava à época e apresenta Laudo Técnico (fls. 12 a 17) e Memorial Descritivo (fls. 22 a 24) com a avaliação que considera correta. Pede o cancelamento do lançamento uma vez que o imóvel já não mais lhe pertence tendo em vista que parte do imóvel foi alienada em 1995 e a outra parte foi desapropriada, sendo assim quer que se aplique a subrogação prevista nos art. 129 e 130 do Fl. 390DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10880.019289/9958 Acórdão n.º 2201002.139 S2C2T1 Fl. 333 3 CTN. Solicita também que, na eventualidade de não ser atendido no cancelamento do Auto de Infração, que o lançamento seja refeito com base no VTN apurado no Laudo de Avaliação apresentado e acatada a correção na DITR quanto ao aproveitamento do imóvel. Da decisão DRJ Campo Grande O Delegado da DRJ de Campo Grande, por meio da decisão nº 583, de 27/06/2000; de fl.61, julgou procedente em parte a impugnação para acatar o VTN apurado pelo Laudo Técnico de R$70,32 por hectare, glosar na totalidade a área de Reserva Legal declarada de 23.136,7 hectares e alterar de 2.313,6 hectares para 2.740,0 hectares área declarada imprestável. Do Recurso Voluntário Cientificada da Decisão DRJ/CGE nº 583 em 1º/09/2000 (sexta feira) conforme Termo de Ciência de fl. 63 e em 22/09/2000 pelo Correio, AR fl. 68, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 69 a 75 em 2/10/2000 alegando, em síntese: Quanto às áreas alienada e desapropriada requer a aplicação do disposto no art. 129 do CTN para que os novos proprietários respondam pela obrigação, uma vez que nas datas das alienações não havia lançamento plenamente constituído. Em relação ao VTN arbitrado, deseja alterálo pelo VTN apurado em Laudo, emitido por Engº Agrônomo, profissional habilitado para a atividade. Quanto à Reserva Legal descabida é a alegação da Autoridade Julgadora da necessidade de averbála no Registro de Imóveis em face do que determina a MP 1.956 e art. 106, II, alínea “b” do CTN. Solicita alteração do aproveitamento do imóvel (erro de fato na DITR/94) pela exploração extrativa informada e comprovada pelo Laudo Técnico de avaliação. Da admissibilidade do Recurso Por meio do Despacho de fls. 312 e 313 e, considerando o disposto no ADI RFB nº 30, de 2009, foi anulada a decisão de fl. 116. Assim, deuse seguimento ao Recurso Voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos para que seja admitido. Dele conheço. A recorrente se insurge contra a alteração do VTN no lançamento, entretanto essa questão já se encontra superada, uma vez admitido, no julgamento de 1ª instância, o VTN apurado pelo Laudo Técnico, a teor da Decisão DRJ/CGE nº 583 (fl. 59), a saber: Fl. 391DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10880.019289/9958 Acórdão n.º 2201002.139 S2C2T1 Fl. 334 4 Fazse necessário, portanto, a revisão daqueles valores pela autoridade julgadora de primeira instância, quando embasado em laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, quando a defesa tem como suporte tal documento. O laudo apresentado foi elaborado por engenheiro agrônomo, devidamente acompanhado pela ART de fl. 15, detalhando as condições de localização e padrão de terras da propriedade, atendendo ao prescrito na legislação específica sobre "Laudo Técnico" e atribuindo ao imóvel o Valor da Terra Nua de R$ 70,32 por hectare, que por ser acatado passa a ser o novo VTN por hectare para o mencionado imóvel. Outro questionamento da recorrente recai sobre a glosa efetuada na área de Reserva Legal, efetuada sob o argumento de falta de comprovação de requisito essencial. A área de Reserva Legal para não se submeter à exigência do ITR, deve ser averbada na matrícula do imóvel no Cartório de Registro competente. Entretanto, em que pese a existência do requisito e de sua essencialidade, a glosa não teve origem no lançamento decorrendo de decisão do órgão julgador, como expresso à fl. 60, a saber: (grifei) Face a estas considerações, observada a correta aplicação da legislação pertinente vigente, que trata do Imposto Territorial Rural (ITR) e das Contribuições (CNA, CONTAG e SENAR), o VTN por hectare do imóvel deve ser alterado de R$ 179,61 para R$ 70,32, as áreas imprestáveis devem ser alteradas de 2.313,6 hectares para 2.740.0 hectares e a área de reserva legal deve ser alterada de 23.136,7 hectares para zero hectares. Assim, é pertinente que se proceda o restabelecimento da área de Reserva Legal de 23.136,7 hectares indevidamente glosada. Isso porque, é vedado ao referido órgão julgador proceder ao reformatio in pejus do lançamento original, porque falta previsão legal para tanto, uma vez que o parágrafo único do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, foi revogado pelo inciso VI do art. 79 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Responsabilidade pelo tributo A recorrente requer que seja excluída da área total do imóvel, a parte desta que foi alienada ao Sr. Elpídio Daroit, sob registro imobiliário comprovado às de fls. 20 e 21. Assim, defende que o adquirente é o responsável pelo tributo do ano base 1995 por sub rogação legal. É o caso de se recorrer ao disposto no art. 130 do Código Tributário Nacional que assim dispõe: Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10880.019289/9958 Acórdão n.º 2201002.139 S2C2T1 Fl. 335 5 Assim, as dívidas do ITR, em regra, acompanham o imóvel quando de sua alienação, exceto quando estiver comprovado no título a quitação do tributo, ficando, nesse caso, apenas o alienante responsável pelos débitos passados. Examinando os termos da Certidão de Registro à fl. 21, verificase que foi apresentada certidão de quitação de tributos e contribuições federais, expedida pela Secretaria da Receita Federal em 25/08/1995. Assim, ocorre a cláusula excepcional do art. 130 do CTN, ficando o adquirente responsável pelos tributos apenas após a venda.Como o fato gerador do ITR ocorre em 1º de janeiro de cada ano, e tendo o registro imobiliário ocorrido em 29/08/1995, o alienante permanece responsável pelo ITR até o exercício de 1995. Ressaltese que essa responsabilidade alcança os créditos tributários constituídos posteriormente à venda, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a essa data, nos termos do art. 129 do CTN, abaixo transcrito: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Da mesma forma , a interessada entende que a área de 19.122,5 hectares, desapropriada para fins de reforma agrária pelo Decreto de 29/08/1996, fl.19, também deve ser desconsiderada do lançamento. Entretanto, esse entendimento não encontra guarida na legislação. A Lei nº 8.847, de 1994, no art. 12 definiu que a responsabilidade pelo ITR continuará sendo do proprietário do imóvel, mesmo após a publicação do decreto que autoriza a desapropriação, salvo quando há imissão prévia da posse, a conferir: Art. 12. O ITR continuará devido pelo proprietário, depois da autorização do decreto de desapropriação publicado, enquanto não transferida a propriedade, salvo se houver imissão prévia na posse. Ressaltese que a Lei nº 9.393, de 1996, manteve a mesma regra, agora no § 1º do art. 1º, a conferir: (grifei) Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. § 2º Para os efeitos desta Lei, considerase imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizada na zona rural do município. [...] Fl. 393DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10880.019289/9958 Acórdão n.º 2201002.139 S2C2T1 Fl. 336 6 Portanto, não merece acolhida a pretensão da recorrente quanto à transferência da responsabilidade sobre o ITR incidente no imóvel de sua propriedade no período em questão. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Reserva Legal declarada de 23.136,7 hectares. (Assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins – Relator Fl. 394DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10880.019289/9958 Acórdão n.º 2201002.139 S2C2T1 Fl. 337 7 INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201 002.139. Brasília, 29 de agosto de 2013 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 1ª TO / 2ª Câmara / 2ª Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: ______/______/_______ _____________________________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 395DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002082/2002-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998
APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA VARIÁVEL. COMPRA E VENDA DE OURO SIMULTÂNEAS A OPERAÇÃO DE "SWAP". MERCADO DE BALCÃO. OPERAÇÕES CONJUGADAS. TRIBUTAÇÃO.
São tributadas na fonte, como de aplicações financeiras de renda fixa, as operações conjugadas de renda variável, assim entendidas a compra e a venda de ouro num mesmo dia, simultâneas a uma operação de "swap" de variação do ouro versus variação do certificado de depósito bancário (CDI), todas de valores idênticos, realizadas no mercado de balcão e que permitam a obtenção de rendimentos predeterminados.
IRRF FALTA DE RETENÇÃO DA FONTE PAGADORA SUPRIDA PELO OFERECIMENTO A TRIBUTAÇÃO PELO RECEBEDOR O PNCST 01/2002
Determina que nos casos de incidência na fonte, cuja natureza seja de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se, no caso de pessoa pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Amador Outerelo Fernandes - OAB/DF nº 7100.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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DO BANCO BCN SA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA VARIÁVEL. COMPRA E VENDA DE OURO SIMULTÂNEAS A OPERAÇÃO DE "SWAP". MERCADO DE BALCÃO. OPERAÇÕES CONJUGADAS. TRIBUTAÇÃO. São tributadas na fonte, como de aplicações financeiras de renda fixa, as operações conjugadas de renda variável, assim entendidas a compra e a venda de ouro num mesmo dia, simultâneas a uma operação de "swap" de variação do ouro versus variação do certificado de depósito bancário (CDI), todas de valores idênticos, realizadas no mercado de balcão e que permitam a obtenção de rendimentos predeterminados. IRRF — FALTA DE RETENÇÃO DA FONTE PAGADORA SUPRIDA PELO OFERECIMENTO A TRIBUTAÇÃO PELO RECEBEDOR — O PNCST 01/2002 Determina que nos casos de incidência na fonte, cuja natureza seja de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 20 82 /2 00 2- 54 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Amador Outerelo Fernandes OAB/DF nº 7100. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16327.002082/200254 Acórdão n.º 2202002.387 S2‐C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, Banco de Crédito Nacional S.A. — BCN , mais tarde sucedido pelo Banco Alvorada SA, foi lavrado Auto de Infração (fls. 03/08), para exigir crédito tributário, no montante de R$941.793,91, dos quais R$338.623,21 referemse a imposto, R$ 253.967,39 a multa de oficio de 75% e R$349.203,31 a juros de mora calculados até 30/04/2002, originado da falta de recolhimento de IRRF sobre aplicação financeira de renda fixa com beneficiário pessoa jurídica. Infração capitulada no art.65, da Lei n.8.981/1995 e art.11 da Lei n.9.245/95. A fiscalização que deu ensejo ao presente lançamento iniciouse através do Mandado de Procedimento Fiscal n. 0816600 2000 00020 9, em nome da Potenza S/A DTVM, CNPJ n. 58.229.360/000140, que objetivava a verificação da regularidade de elevadas perdas no decorrer do ano de 1997, nas suas contas de "Despesas com Swap". Ficou constatado que as perdas nessas operações de SWAP, originaramse de 21 contratos, celebrados com Banco de Crédito Nacional S.A. — BCN (FLS.71/127). Quando daquela fiscalização, o BCN foi intimado a apresentar, referente ao período de 23/09/1996 a 05/11/1996, a movimentação fisica de ouro e o razão das contas em que as transações com ouro, realizadas em balcão, foram contabilizadas. Em sua resposta, informou que naquele período a quantidade de ouro no ativo era de 400 gamas, já que não foi realizada nenhuma operação da espécie, apresentando cópia do razão (fls.66/70). 0 efetivo inicio da fiscalização em face do BCN, se deu em 02/04/2002, quando foi intimado, através de seu preposto, do Termo de Inicio de Fiscalização (fls.19/20), a apresentar vários documentos contábeis e contratos de Swap, vigentes no período de 1997 e 1998. 0 contribuinte respondeu a intimação apresentado os documentos solicitados, cujas copias estão acostados aos autos nas fls.24/65. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado pessoalmente do auto de infração, em 08/05/2002, e não se conformando com o lançamento, apresentou impugnação em 06/06/2002 (fls.134/169), cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: "1. Os trabalhos fiscais tornaram por base os fatos geradores ocorridos em 21/03/1997, 31/03/1997 e 22/04/1997. 1.1. 0 instituto da decadência, tal qual previsto no CTN, é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, segundo a qual, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 1.2. Sobre a homologação, nos termos do art. 150, §4°, do CTN, deverá ocorrer nos cinco anos seguintes a contar da ocorrência do fato gerador, prazo esse que, se expirado, considerase homologado definitivamente o lançamento e extinto o crédito. 1.3. 0 auto de infração é datado de 08/05/2002 e somente poderia abranger o período de cinco anos para trás, ou seja, os fatos geradores ocorridos a partir de 08/05/1997. Estaria, portanto, decaído o direito de a fiscalização analisar o período de janeiro a abril de 1997, operandose, pois, o instituto da decadência com relação aos fatos geradores abrangidos no presente auto de infração. 2. A taxa SELIC não pode ser utilizada a titulo de juros moratórios do crédito da Fazenda Nacional, uma vez que tem natureza remunerató ria e não moratória, o que impossibilita sua aplicação no caso presente, bem como possui vicio que afronta o Principio da Legalidade. 3. De acordo com a legislação vigente no momento da celebração das operações de cobertura (hedge), os rendimentos eventualmente auferidos pelas contratantes não estariam sujeitos a tributação por parte do Imposto de Renda, conforme determinava o artigo 77, V, da Lei n°8.981/95. 4. É necessário destacar que todas as operações e contratos celebrados pela impugnante são totalmente independentes entre si, não se caracterizando como "operações conjugadas ". 4.1. Não existe entre as operações praticadas pela inzpugnante qualquer vinculo de indissociabilidade entre si, sendo elas totalmente autônomas e, mesmo que praticadas em datas semelhantes, não dependem, absolutamente, uma das outras para sua existência. 4.2. É inegável que os ganhos auferidos pelas empresas Cacique e Colorobbia através de aplicações de CDI foram "trocados", ou seja, anulados, pela variação da cotação do ouro, sendo completamente autônomas entre si as operações de compra e venda do ouro realizadas pelas mencionadas empresas com a Potenza DTVM, como é igualmente autônoma e legitima a operação de swap contratada entre a Potenza DTVM e a impugnante. 4.3. Operações conjugadas seriam aquelas originadas em um ou mais instrumentos, ligadas entre si, cuja não realização de uma das operações viesse em implicar na inexistência de todas elas. No caso em tela, tornase claro que as operações de swap contratadas entre a impugnante e as empresas Cacique e Colorobbia poderiam existir perfeitamente, independentemente da existência das operações de compra e venda de ouro, ou mesmo da existência da contratação de operação de swap, entre a impugnante e a Potenza DTVM. 4.4. A corroborar com a tese ora apresentada, de que as operações são autônomas, independentes entre si, e não conjugadas, verificase, ainda, que ao menos num dos casos, as datas de liquidação dos contratos não são coincidentes, ou seja, Fl. 313DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16327.002082/200254 Acórdão n.º 2202002.387 S2‐C2T2 Fl. 4 5 eventual alegação de que pelo simples fato das operações terem as datas de liquidação coincidentes, seriam elas operações conjugadas, fica descartada, visto que a própria fiscalização sinaliza e admite a liquidação das operações (contratos de swap e venda do ouro — Cacique — ref 2) em datas distintas. 5. A impugnante não poderia ser penalizada pela não retenção do 1RRF, em razão de que a suposta exigibilidade do tributo teria ocorrido há vários exercícios, tendo as empresas Cacique e Coloro bbia entregue suas Declarações de renda do período. 5.1. A determinação legal é expressa no sentido de determinar a impugnante a retenção e o recolhimento do IRRF, arcando a impugnante com o ônus do recolhimento, ante sua qualidade de responsável/substituto tributário, mesmo quando o tributo não é retido. 5.2. No entanto, essa responsabilidade cessa com a apresentação por parte da contribuinte de sua Declaração de Renda, sendo que, a partir de então, a contribuinte (no caso as empresas Cacique e Colorobbia) deverá ser dirigida a exigência fiscal. 5.3. Nem se alegue, ainda, que a responsabilidade da impugnante pelo recolhimento do imposto haveria persistido mesmo após a entrega das Declarações de Renda das contribuintes, eis que a impugnante não haveria comprovado o oferecimento dos rendimentos a tributação por parte de seus beneficiários. 5.4. Tal entendimento significaria injustificada inversão do ônus da prova, ao passo que é impossível a impugnante ter acesso a documentação contábil de terceiros." DA DECISÃO DA DRF Após analisar a matéria, os Membros da 10' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo/SP, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/SPOI n° 1611.005, de 09/10/2006 (fls.188/197), pelo qual rejeitou a preliminar de decadência do lançamento e no mérito, entendeu que no caso em tela o contrato de compra e venda de ouro e swap devem ser considerados em conjunto, como um único documento obrigacional e não individualizados autônomos, como se faz querer parecer, em decisão assim ementada: "LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Não havendo o pagamento do tributo, pressuposto para a homologacdo tácita, a contagem do prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento Fl. 314DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete as Delegacias de Julgamento o controle de legalidade e constitucionalidade de Leis. Tal competência é privativa do Poder Judiciário. APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA VARIÁVEL. COMPRA E VENDA DE OURO SIMULTÂNEAS A OPERAÇÃO DE "SWAP". MERCADO DE BALCÃO. OPERAÇÕES CONJUGADAS. TRIBUTAÇÃO. Sao tributadas na fonte, como de aplicações financeiras de renda fixa, as operações conjugadas de renda variável, assim entendidas a compra e a venda de ouro num mesmo dia, simultâneas a uma operação de "swap" de variação do ouro versus variação do certificado de depósito bancário (CDI), todas de valores idênticos, realizadas no mercado de balcão e que permitam a obtenção de rendimentos predeterminados. Lançamento Procedente." DO RECURSO AO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Cientificada desta decisão em 17/01/2007 ("AR"fls. 200) e, com ela não se conformando, o Banco Alvorada, sucessor do Banco BCN S/A, interpôs, na data de 16/02/2007, o Recurso Voluntário de fls. 203/233, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. Este Conselho em 01/06/2009, por maioria de votos, ACOLHEU a argüição de decadência para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em questão. Em recurso especial a Fazenda Nacional, logrou reverter a posição da turma, tendo a CSRF, determinando em dar provimento ao recurso com retorno à Câmara "a quo" para análise das demais questões. É o relatório. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16327.002082/200254 Acórdão n.º 2202002.387 S2‐C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da Natureza das Operações Conjugadas. De acordo com o arrazoado da DRJ: Examinando agora o mérito, o cerne da questão consiste em saber se as aplicações de renda variável realizadas pela interessada com seus clientes estariam ou não compreendidas no conceito de operações conjugadas, uma vez que o art. 65, § 4 0, alínea "a", da Lei n° 8.981, de 1995, sujeita ao imposto de renda na fonte, à mesma aliquota estabelecida para os rendimentos provenientes de aplicações de renda fixa, o rendimento produzido por operações assim conceituadas. A interessada argumentou que as operações realizadas foram legitimas autônomas e, mesmo quando praticadas em datas semelhantes, não dependiam uma das outras para sua existência. necessário saber o que são operações conjugadas que, segundo a lei, permitem obtenção de rendimentos predeterminados e devem ser tributados como o são os auferidos em aplicação financeira de renda fixa. 0 legislador ordinário, diante da dificuldade de definir as denominadas operações conjugadas, optou por deixar essa tarefa a cargo do Poder Executivo, estabelecendo no § 6° do mencionado art. 65 in verbis: "Fica o Poder Executivo autorizado a baixar normas com vistas a definir as características das operações de que tratam as alíneas a e b do § 4°" O secretário da Receita Federal, então, baixou a Instrução Normativa n. 72 de 10.09.1997, que estabeleceu no seu artigo 2°: "Selo também tributados como de aplicações financeiras de renda fixa os rendimentos auferidos: I nas operações conjugadas que permitam a obtenção de rendimentos predeterminados, tais como as realizadas: Fl. 316DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 a) nos mercados de opções de compra e de venda em bolsas de valores, de mercadorias e de futuros (Box); b) no mercado a termo nas bolsas de que trata a alínea anterior, em operações de venda coberta e sem ajustes diários; c) no mercado de balcão". A expressão "tais como" empregada na redação do inciso denota que a lista ali apresentada é meramente exemplificativa e não exaustiva. Seria mesmo ingenuidade esperar que o secretário da Receita Federal esgotasse ali as hipóteses de operações conjugadas, tarefa hercúlea, aliás, para qualquer um que resolva enfrentar a verve dos agentes do mercado financeiro, sempre à espreita das brechas da lei, com o intuito de maximizar os seus lucros e os dos seus clientes. Desse modo, é vã a alegação da interessada de que as operações em foco não se identificam com as hipóteses previstas no art. 2° da IN SRF no 72, de 1997. Alias. elas se identificam, sim, pelo menos com a hipótese prevista na alínea "c"; afinal, não foram elas realizadas em bolsa e, sim, no mercado de balcão, no qual se realizam as operações com a participação das instituições financeiras e demais sociedades que tenham por objeto a compra, a venda e a distribuição de valores mobiliários em circulação no mercado, excetuadas, ai, obviamente, as operações realizadas em bolsa. Ademais, há de se convir que não existem exemplos mais bem acabados de operações conjugadas do que essas realizadas pela interessada com os seus clientes. A compra e a venda de ouro num mesmo dia, simultâneas a uma operação de "swap" de variação do ouro versus variação do CDI, todas de valores idênticos, com a flagrante finalidade de proporcionar lhes remuneração igual à variação do CDI. Na verdade, os contratos de "Compra e Venda de Ouro — Ativo Financeiro" (fls. 89/90, 93/94, 97/98 e 101/102), apresentados como documentos atestadores da aplicação financeira de renda variável que aqui se estuda, refletem um evento distinto do que realmente expressam. Uma aplicação financeira, na qual uma parte se obriga a pagar a outra, numa data futura, o valor relativo a um determinado montante de ouro, traz em si, por natureza, a incerteza quanto ao rendimento que se fará sentir quando da liquidação. Essa incerteza vinculase à típica volatilidade do mercado de ouro, influenciado por fatores diversos, tais como: política econômica, outros mercados, produção do ouro, entre outros. 0 risco que envolve esse tipo de aplicação financeira 6, portanto, elemento qualificador da própria natureza dessa aplicação. A primeira vista, analisando, individualmente, os referidos contratos de "Compra e Venda de Ouro — Ativo Financeiro", podese até verificar que esse elemento vital, o risco, está ali refletido, notadamente no que toca à cláusula terceira dos contratos que diz: 3 — A compra e venda ora realizada será efetivada pelo prep correspondente a cotação do referido metal na Bolsa de Fl. 317DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16327.002082/200254 Acórdão n.º 2202002.387 S2‐C2T2 Fl. 6 9 Mercadoria & Futuros de São Paulo, no pregão do dia útil imediatamente anterior ao do efetivo pagamento a ser feito pelo COMPRADOR ao VENDEDOR, calculado sobre o peso liquido do ouro acima especificado. Todavia, os termos desses documentos são pontual, tácita e imediatamente alterados pelos contratos de "Acordo de Proteção — Hedge" (fls. 24/27, 28/31, 32/35 e 36/39). Essas avenças, também chamadas de operações de swap, modificam o cerne da operação de venda de ouro anunciada nos primeiros contratos, na medida em que o rendimento advindo da liquidação dos contratos não mais se sujeita aos humores do mercado do ouro, ou seja, não mais são variáveis. Vejamse as cláusulas terceira e quarta (fls. 25, 29, 33 e 37): 3 — 0 CLIENTE se responsabilizará pelo valor da PARCELA DESTACADA corrigido até o término do PERÍODO DE VIGÊNCIA pela variação do ouro BM&F apurado pela aplicação da seguinte fórmula: VALOR GARANTIDO PELO CLIENTE = PARCELA DESTACADA. C Onde: C = AUn / AUo onde: AUn = prep de fechamento do ouro BM&F, do dia útil anterior à data final de fluência; AUo = preço de fechamento do ouro BM&F, do dia útil anterior a data inicial de fluência. 4—O BCN se responsabilizará pelo valor da PARCELA DESTACADA com o acréscimo, até o término do PERÍODO DE VIGÊNCIA, da remuneração diária de 99,00% (noventa e nove inteiros) por cento do CDI, passando a corresponder ao VALOR GARANTIDO — BCN; (Observação: no contrato de fls.37, o percentual avençado foi de 96,00%) nos vedado pensar que uma singela troca de sistemas de remuneração (swap) seja irregular a priori. Contudo, os efeitos que esses contratos de proteção contra risco impingem à aplicação financeira "principal" (compra e venda de ouro), desde o nascimento da vigência da relação obrigacional ali inserta, simplesmente afastam dessas supostas operações com ouro todo e qualquer risco. Notese que isso se dá desde o inicio da vigência dos contratos. Em suma, em nenhum momento sequer o contrato para venda de ouro a termo fica sujeito às flutuações ordinárias de prey) da commodity. 0 risco, em realidade, jamais se faz sentir em tais operações, é natimorto, visto que a cláusula que num contrato determina o risco, é cancelada, simultaneamente, no outro. E como dizer que eu compro algo de alguém em determinado momento, mas, nesse mesmo e exato momento, vendo a mesma coisa à mesma pessoa de quem essa coisa supostamente Fl. 318DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 comprara. Isso é o mesmo que dizer que nada ocorreu de fato. Nem compra nem venda alguma. Em realidade, essas operações são uma só. Os contratos (de compra e venda de ouro e de swap) que se quer individualizados e autônomos devem ser lidos como um único documento obrigacional que, em resumo diz: o Banco BCN S/A se obriga a remunerar o cliente, no prazo estipulado, com a variação do CDI. Logo, com rendimento indexado próprio das chamadas operações de rendas fixas. Diante disso, por considerar conjugadas as operações em debate, entendo não merecer reprimenda o lançamento do imposto A questão fulcral indicada no lançamento e muito bem analisada na decisão a quo, cujos fundamentos não merecem reparos, é examinar se o resultado auferido deve ser tributado como renda variável, como aduz o recorrente, ou como renda fixa, considerando tratarse de operações conjugadas, nos termos do artigo 65, parágrafo 4o, alínea "a", da Lei 8.981, de 1 995. Pareceme evidente que os contratos celebrados, i) Contrato de Proteção contra Riscos Financeiros e ii) Contrato de Compra e Venda de Ouro, exemplificam, na prática, o conceito de operações conjugadas. A compra e a venda de ouro num mesmo dia, simultâneas a uma operação de "swap" de variação do ouro versas variação do CDI, todas de valores idênticos, com a flagrante finalidade de proporcionarlhes remuneração igual à variação do CDI As operações conjugadas permitem a obtenção de rendimentos predeterminados, realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como no mercado de balcão, nos termos do artigo 17 da Instrução Normativa e 123, de 1999 De fato, os contratos celebrados, em operações conjugadas, retiram o risco subjacente à toda operação de renda variável, conferindo ao cliente resultado predeterminado, característico de aplicação financeira de renda fixa. Entretanto da análise do caso concreto notase que o IRRF, quando lançado deveria ter sido efetuado contra o beneficiário e não contra a fonte pagadora. Quando foi formalizada a presente exigência, em 08/05/2002, a Instrução Normativa SRF no. 72, de 10/09/1997, já fora revogada pela Instrução Normativa no. 79, de 01/08/2000, a qual, por sua vez, foi alterada pela INs 82 e 85, de 2000 e 25/2001, valendo assinalar que esta não revogou expressamente a anterior (IN SRF No., 79, de 01/08/2000), consignando na sua ementa estar baixando normas quanto a incidência prevista nos arts. 65 a 82 da Lei No. 8.981/95. Transcreve, do PARECER NORMATIVO N" 1, DE. 24 DF. SETEMBRO DE 2002IRRF. RETENÇÃO EXCLUSIVA, RESPONSABILIDADE, os seguintes dispositivos: No caso de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora IRRF ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE RESPONSABILIDADE Quando a incidência tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, Fl. 319DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16327.002082/200254 Acórdão n.º 2202002.387 S2‐C2T2 Fl. 7 11 no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual IRRF ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de cilício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data .fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não lenha submetido os rendimentos à tributação. IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE (. .) 16 Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração para o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/I999 e no art. 90 da Lei n° 10 426, de 2002, constatando se que o contribuinte: a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de oficio, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora, b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora. Complementa com ementas do Conselho de Contribuintes, através das transcrições seguintes: "EMENTA IRF ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO APURADO APÓS A DATA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL EXCLUSÃO DA Fl. 320DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO Se a previsão da tributação na finte dáse por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual de rendimentos, e se a ação .fiscal ocorrer após a data de entrega desta declaração anual, descabe a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos O lançamento, a titulo de imposto de renda, deverá ser efetuado em nome do beneficiário do rendimento. Recurso provido" (Ac n° 10417516 g n.) Mesmo se considerada a possibilidade de exigência de eventuais encargos legais da fonte, o Parecer Normativo n° CGT n° 1/2002, determina que se o beneficiário do rendimento submeteo à tributação, poderão ser exigidos da fonte pagadora a multa de oficio e os juros de mora. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 321DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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