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Numero do processo: 10730.002729/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 30/09/2000
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DEPÓSITO JUDICIAL A MAIOR. IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO. JUROS E MULTA.
Nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamento.
Verificada obsuridade na fundamentação do acórdão quanto à multa e os juros, esta merece ser suprimida.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3202-000.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração, para suprimir a obscuridade apontada. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Acompanhou o julgamento, pela interessada, o advogado Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF nº. 36.531
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES - Presidente.
THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 30/09/2000 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DEPÓSITO JUDICIAL A MAIOR. IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO. JUROS E MULTA. Nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamento. Verificada obsuridade na fundamentação do acórdão quanto à multa e os juros, esta merece ser suprimida. Embargos acolhidos.
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DEPÓSITO JUDICIAL A MAIOR. IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO. JUROS E MULTA. Nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamento. Verificada obsuridade na fundamentação do acórdão quanto à multa e os juros, esta merece ser suprimida. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração, para suprimir a obscuridade apontada. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Acompanhou o julgamento, pela interessada, o advogado Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF nº. 36.531 IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Presidente. THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 27 29 /2 00 3- 81 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratamse de embargos declaratórios, nos quais a Fazenda Nacional alega que o acórdão, proferido nestes autos, teria incorrido em omissão. Eis as palavras da embargante: A Turma Julgadora deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Sobre a aplicação da multa de oficio e dos juros de mora, o voto condutor apenas expressou o seguinte pronunciamento: “(...) cabendo a aplicação de multa de oficio e juros de mora apenas em relação a parte do débitos eventualmente não depositada em juízo. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, devendo a autoridade fiscal de origem fazer a imputação proporcional dos valores pagos a maior, por meio de depósitos judiciais, com os valores dos débitos lançados no auto de infração ora impugnado, cabendo a aplicação de multa de oficio e juros de mora apenas em relação eventual saldo devedor que persista após a referida imputação." Do trecho supra transcrito, verificase que o relator somente determinou a exclusão da multa de oficio e dos juros de mora em relação à parcela não depositada, sem, no entanto, fundamentar sua decisão. Neste ponto, o julgado, portanto, incorre em omissão nas razões de decidir. Assinalese, ainda que, conforme admitido pelo contribuinte, as fls.54 com sua impugnação, a auto de infração se refere as diferenças entre os valores declarados e os depositados judicialmente no autos do processo nº 9 96.00347972. Ao determinar a exclusão dos juros de mora sobre a parcela não depositada, a decisão se mostra obscura, pois todo o lançamento se refere aos valores declarados que não foram objeto depósitos judiciais, não havendo juros excluir. Aliás, o próprio contribuinte sequer impugna especificamente os juros de mora. Anotese, por fim, se não há impugnação especifica dos juros mora tórios, a matéria se revela preclusa. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10730.002729/200381 Acórdão n.º 3202000.926 S3C2T2 Fl. 595 3 Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves Os embargos de declaração são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, serem conhecidos. Examinando o acórdão embargado, observo que existe obscuridade, e não omissão, quanto à fundamentação do voto para exclusão da multa e dos juros de mora. Confira se: No meu entender, com a devida vênia do respeitável acórdão recorrido, merece ser parcialmente acolhida a irresignação da Recorrente. Com efeito, a imputação dos pagamentos realizados a maior, por meio de depósito judicias, faz parte da própria competência da auditoria fiscal, realizada com o objetivo 6 de verificar se o PIS devido no período teria sido integralmente pago através dos citados depósitos judiciais, não sendo legalmente correto apurar e lançar o tributo, na competência em que o recolhimento foi menor que o devido, e olvidar os depósitos feitos a maior do que o devido na competência anterior ou seguinte. Compreende o dever ex officio da autoridade fiscal apurar o tributo devido pelo contribuinte, o que abarca não só a verificação do que foi pago a menor pelo particular, mas, também, a do que foi pago a maior, fazendo a imputação proporcional dos pagamentos a maior do que o devido ou o lançamento do tributo não pago, conforme o caso. [...] Assim, deve a autoridade fiscal fazer a imputação proporcional dos valores pagos a maior, por meio de depósitos judiciais, com os valores dos débitos lançados no auto de infração ora impugnado, cabendo a aplicação de multa de ofício e juros de mora apenas em relação à parte do débito eventualmente não depositada em juízo. Como se vê, foi acolhida a pretensão da empresa, aviada em seu recurso voluntário, pugnando que fossem imputados, na apuração do tributo, todos os depósitos judiciais efetuados. Porém, ao teor da decisão embargada, não foi devidamente explicitada as razões da fundamentação do voto para exclusão da multa e dos juros de mora, como conseqüência do acolhimento do reconhecimento da necessidade da imputação do pagamento. Nesse contexto, é preciso esclarecer que a decisão embargada somente determinou a exclusão da multa de oficio e dos juros de mora, em relação à parcela depositada a maior anteriormente ao vencimento da obrigação, quando não cabe, em função do depósito Fl. 596DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 preceder o vencimento, a incidência de juros de mora e multa de ofício, na medida do valor depositado a maior, a ser imputado. Em nenhum momento, todavia, foi autorizada a exclusão das multa de ofício e dos juros de mora sobre parcelas não depositadas em juízo ou depositadas extemporaneamente, como incorretamente afirma a embargante. Por outro lado, não procede a alegação de suposta ocorrência de preclusão, quanto aos juros de mora, uma vez que a empresa recorrente pediu a imputação do pagamento que, se acolhida, como de fato foi, impõe a observância da data da realização do depósito a maior, anterior ou posterior ao vencimento da obrigação, para verificar a consequente repercussão no cálculo dos juros de mora, os quais não cabem na proporção do depósito realizado antes do vencimento. Em suma, a repercussão no cálculo dos juros é mera conseqüência lógica do acolhimento da tese da necessidade de imputação do pagamento, realizando o encontro de contas correspondente. Ante o exposto, voto para ACOLHER os embargos de declaração, suprimindo a obscuridade apontada. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 597DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10725.002572/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Presidente em exercício e relator.
EDITADO EM: 04/02/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rubens Mauricio Carvalho , Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Francisco Marconi de Oliveira, Carlos André Rodrigues Pereira Lima .
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado
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DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Presidente em exercício e relator. EDITADO EM: 04/02/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rubens Mauricio Carvalho , Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Francisco Marconi de Oliveira, Carlos André Rodrigues Pereira Lima . Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 25 72 /2 00 8- 77 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 08/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10725.002572/200877 Acórdão n.º 2102002.525 S2C1T2 Fl. 11 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 40 a 46: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF n 2006/607450308854038 (fls. 06/09), referente ao exercício 2004, anocalendário 2003. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Dedução Indevida de Despesas Médicas: no valor de R$ 56.683,91. Motivo: a Fiscalização informa que os recibos que totalizam o valor de R$ 51.800,00, emitidos pelo prestador Maurício Serejo Ribeiro, CPF n 825.729.41791, não contém a identificação do beneficiário dos serviços prestados. O contribuinte não comprovou a despesa realizada com o plano de saúde da Unined de Campos Cooperativa de Trabalho Médico, no valor de R$ 4.883,91. A impugnação é tempestiva, uma vez que foi apresentada no prazo estabelecido pelo art. 15 do Decreto n 70.235, de 03 de março de 1972, motivo pelo qual dela tomase conhecimento para examinar as razões trazidas pelo sujeito passivo. A ciência do lançamento ocorreu em 22/08/2008 (fls. 35) e, em 05/09/2008, o contribuinte apresentou defesa de fls. 02/03, acompanhada dos documentos de fls. 04/27, solicitando a improcedência o presente lançamento, sob as alegações que abaixo resumo: Que cumpriu o prazo determinado no Termo de Intimação Fiscal n 2006/607230484601027, apresentando os comprovantes exigidos. No intuito de comprovar o que alega, junta aos autos cópia do referido termo, recepcionado no dia 23/06/2008, no Centro de Atendimento ao ContribuinteCAC. Em assim sendo, é totalmente descabido o crédito em questão, pois não descumpriu o que determina o art. 73, parágrafos 1 e 2 , do Decreto n 3.000/99 e, que os valores declarados como despesas em sua declaração do imposto de renda, exercício 2006, anocalendário 2005, tiveram por base o que determina o art. 43, da Instrução Normativa n 15, de 06/02/2001. É o Relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, restabelecendo as despesas médicas da Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 08/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10725.002572/200877 Acórdão n.º 2102002.525 S2C1T2 Fl. 12 3 Unimed e mantendo a glosa referente as despesas com o dentista Maurício Serejo Ribeiro, por falta de provas da efetividade do serviço/pagamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2005 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração da efetiva prestação do serviço. Comprovados parcialmente na fase impugnatória os valores declarados e deduzidos a título de despesas médicas, exonerase a correspondente glosa efetuada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, de fls. 50, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Juntou ao Recurso o recibo de fl. 51 e as radiografias de fls. 52/53. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Discutese as seguintes glosas das despesas médicas, com o dentista Maurício Serejo Ribeiro, no valor de R$ 51.800,00. Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 08/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10725.002572/200877 Acórdão n.º 2102002.525 S2C1T2 Fl. 13 4 I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando: 1. as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; 2. houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; 3. o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos, aqui no caso da edição de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz em desfavor de prestador de serviço informado na declaração de renda do autuado, o que é suficiente para lançar sombra de suspeição sobre as demais despesas médicas de outros prestadores; 4. houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; 5. houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pagos em espécie; 6. houver múltiplas glosas de outras despesas (dependentes, previdência privada, pensão alimentícia, livro caixa e instrução), bem como outras infrações (omissão de rendimentos, de ganho de capital, da atividade rural), a levantar sombra de suspeição sobre todas as informações prestadas pelo contribuinte declarante. Por tudo, não há qualquer dúvida que o contribuinte se enquadrou na tipologia 1 (R$ 93mil de rendimentos Brutos e desp. médicas de R$ 57mil, fl. 27), 2 e 5 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 08/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10725.002572/200877 Acórdão n.º 2102002.525 S2C1T2 Fl. 14 5 (10/04/2005domingo fl. 11, 10/07/2005domingo, fl. 14, 10/09/2005, fl. 16, sábado e 10/12/2005 sábado, fl. 19. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Entendo que diante dos fatos narrados, a apresentação das declarações e radiografias sem nenhuma comprovação de pagamento não traz a substância de prova que se procura. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. A opção pelo pagamento em espécie, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. Ressalto que o contribuinte declarou duas fontes de rendimentos, Ministério da Saúde e Hospital Santa Casa, que sabidamente fazem os seus pagamentos via contas bancárias, não seria, assim, difícil de se fazer a prova dos pagamentos seja por cheques, transferências bancárias ou saques com datas e valores coincidentes dos pagamentos das deduções pleiteadas. Ainda, poderseia alegar que os pagamentos foram feitos em dinheiro com os valores declarados percebidos de pessoas físicas mas ocorre deverseia que nem na sua totalidade seria o suficiente para cobrir as despesas declaradas. Se não te todos mas de alguns mas no presente caso, nenhum pagamento foi efetivamente comprovado. Considerando o exposto acima, há que se manter a glosa da dedução de despesas médicas em apreço. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 08/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO
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Numero do processo: 10880.910781/2008-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2001
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2001 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 81 /2 00 8- 01 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 64): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador31/07/2002 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento, em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Embora o contribuinte tenha retificando a Dctf após o despacho decisório, a DRJ não a admitiu, porquanto ocorrida após cinco anos do fato jurídico tributário, quando já operada a homologação tácita do pagamento. Entendeu ainda que o Darf indicado no PER/Dcomp como origem do crédito teria sido utilizado para quitar o débito confessado em Dctf; e que o contribuinte não logrou provar que a verdade material seria outra. O Recorrente, nas razões de fls. 74 e ss., alega que, após revisar os seus lançamento contábeis e declarações, verificou que o saldo devedor a título de PIS seria inferior ao que foi recolhido. Sustenta ter retificado a Dctf para que esta refletisse as informações que Fl. 146DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910781/200801 Acórdão n.º 3802002.026 S3TE02 Fl. 146 3 constavam de seus livros fiscais. Aduz ter direito à compensação, porquanto a Dctf seria apenas um obrigação acessória imposta para a declaração dos tributos pagos; que eventuais formalidades no preenchimento de documentos fiscais não devem prejudicar a compensação; que os atos anteriores a não homologação da compensação não influem na obrigação tributária. Requer, assim, diante da liquidez e da certeza do direito de crédito, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 23/01/2012 (fls. 73), interpondo recurso tempestivo em 22/02/2012 (fls. 74). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. No presente feito, consoante destacado, a compensação não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto Fl. 148DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910781/200801 Acórdão n.º 3802002.026 S3TE02 Fl. 147 5 nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 No presente caso, o contribuinte limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10783.902703/2008-23
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000
VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência.
Numero da decisão: 3803-004.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 27 03 /2 00 8- 23 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 23047.20650.130804.1 3.049320, fls. 83/87, utilizando como crédito pagamento supostamente a maior de Cofins Cumulativa, relativa ao mês de fevereiro de 2000, no valor de R$ 1.364,45. Despacho Decisório eletrônico, de 12 de agosto de 2008, da DRF/Vitória, fl. 36, não homologou a DComp pelo fato de o pagamento informado já ter sido integralmente utilizado na quitação do débito declarado em DCTF. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 3 a 18, a Contribuinte alegou que: a) a redação do artigo 1o das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 é similar à do art. 3o, §1°, da Lei n° 9.718/98, norma que a precedeu e que foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal; b) tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências; c) para que haja a incidência em comento não basta que a pessoa jurídica tenha receitas, entendida esta de acordo com a normatização contábil, mas também, é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas. É imperioso que os valores decorrentes do faturamento tenham efetivamente ingressado nos cofres da Requerente, para composição do seu patrimônio, o que corresponde ao conceito jurídico de faturamento; d) sabendo que tais valores não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da Cofins e do PIS, e, tendo em vista a existência de débitos das mesmas contribuições, aproveitou os créditos decorrentes do pagamento a maior na compensação com tais débitos. A interessada juntou ao processo a petição de folhas 88 a 90 na qual informa que a documentação que comprova o faturamento da empresa e o efetivo repasse da receita de PIS/Cofins a terceiros (12.306 cópias em 52 volumes) foi apresentada nos autos do Processo Administrativo n° 10783.902198/200817, que discute créditos da mesma natureza deste e, ainda, afirma ser inconcebível a apresentação de toda a documentação em cada um dos processos, dada a grande quantidade de documentos. Ao fim, protestou pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial. Em julgamento da lide a DRJ/Rio de Janeiro II contrapôsse aos argumentos da Manifestante em decisão ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 10/03/2000 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902703/200823 Acórdão n.º 3803004.717 S3TE03 Fl. 137 3 Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade, título de desconto padrão de agência. PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não ss justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. Cientificada da decisão em 13 de dezembro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, 109/126, em 29 de dezembro de 2011, em que manejou os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. O fato jurídico em torno do qual a Contribuinte disputa o direito de não incluir seus valores na base de cálculo da contribuição é no seu dizer cessão de seu espaço para agências de publicidade, sob o argumento de que tais valores não permanecem em seu faturamento, sendo a estas repassados. A Recorrente é lacônica na exposição desse fato constitutivo do seu direito, deixando de referir acerca da sua dinâmica operacional envolvendo as agências e os anunciantes, de sorte a identificar no desenvolvimento da sua defesa o seu liame com direito aplicável no campo privado das relações jurídicas e, via de consequência, a regramatriz da incidência tributária para a espécie. A falta dessa menção impelenos a considerar o que regem as NormasPadrão da Atividade Publicitária, expedidas pelo Conselho Executivo de NormasPadrão[1] [2] , órgão 1 O Conselho Executivo das NormasPadrão CENP é uma entidade criada por entidades de classe do mercado publicitário para zelar pela observância das NormasPadrão da Atividade Publicitária, documento básico com recomendações e princípios éticos que buscam assegurar as melhores práticas comerciais no relacionamento mantido entre os principais agentes da publicidade brasileira. 2 Compete ao Conselho Executivo das NormasPadrão ou simplesmente CENP: a) avaliar e propor eventuais alterações a este instrumento e a seus anexos, face à dinâmica da evolução da atividade; b) esclarecer os interessados sobre o sentido de suas regras; c) outorgar os “Certificados de Qualificação Técnica” de que trata o item 2.5.1 deste instrumento; Fl. 138DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 privado de regulação das práticas no tópico Das Relações entre Agências, Anunciantes e Veículos, em disciplina ao que dispõem a Lei nº 4.680/65 e os Decretos nº 57.690/66 e 4.563/02: 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência de Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. De se ver que a relação jurídica se dá entre o Anunciante e o Veículo de Comunicação, sendo desta para o primeiro a fatura do valor bruto, contabilizando o pagamento correspondente como receita própria do Veículo. A normatização não exclui a d) credenciar os institutos de pesquisa e seus respectivos serviços e informações, conforme previsto no item 2.5.4 deste instrumento; e) promover em conjunto com as Entidades participantes deste acordo o permanente aperfeiçoamento dos padrões qualitativos do mercado nos seus três segmentos, inclusive no que toca à ativa e leal concorrência dos que nele atuam. 7.2 O Fl. 139DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902703/200823 Acórdão n.º 3803004.717 S3TE03 Fl. 138 5 excepcionalidade do prévio e expresso ajuste quanto à mecânica de segregação dos efeitos comerciais e, consequentemente, os fiscais, no bojo relação contratual, conforme itens 2.4.2 e 2.4.3, o que não se há de considerar, por não ser este o ponto invocado e descrito pela Recorrente. Como receita própria, ocorrente no recinto da regra básica fixada para este tipo de relação negocial, a exclusão da base de cálculo há de ser autorizada por lei específica, o que não se verificar haver no texto da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10;833/2003, como, inclusive, não o aponta a Recorrente. Por falta da previsão legal vislumbro é que vem de ser sucinta na descrição do fato e parcimoniosa no fundamento jurídico, erigindo o seu argumento em torno da digressão sobre o alcance da expressão receitas auferidas. Lembro que as Soluções de Consulta vinculam a Administração Tributária apenas ao consulente e não compõem o acervo da legislação tributária nos termos do art. 96 do Código Tributário Nacional, estando inviabilizado o argumento que invoca a de nº 17, de 30 de abril de 2007, da SRRF 4ª RF/Disit. Enfim, bem andou a decisão recorrida, não merecendo reparo, pelo que corroborando os fundamentos ali fixados NEGO provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 23 de outubro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13805.000423/97-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/1993 a 30/11/1993, 01/12/1993 a 31/12/1993, 01/01/1994 a 31/01/1994
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
Cabem embargos de declaração quando verificado existir obscuridade no acórdão que comprometa a clareza da decisão.
Numero da decisão: 3803-004.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os embargos de declaração da PGFN, sem efeitos infringentes, para esclarecer a obscuridade.
(assinado digitalmente)
Corinto Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/1993 a 30/11/1993, 01/12/1993 a 31/12/1993, 01/01/1994 a 31/01/1994 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando verificado existir obscuridade no acórdão que comprometa a clareza da decisão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1695; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 397 1 396 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13805.000423/9711 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3803004.353 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de julho de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado FRESENHUS HEMOCARE BRASIL LTDA. (SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO DA BIOTEST S/A IND. E COMÉRCIO) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/1993 a 30/11/1993, 01/12/1993 a 31/12/1993, 01/01/1994 a 31/01/1994 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando verificado existir obscuridade no acórdão que comprometa a clareza da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os embargos de declaração da PGFN, sem efeitos infringentes, para esclarecer a obscuridade. (assinado digitalmente) Corinto Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 04 23 /9 7- 11 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Trata o presente de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio de sua Procuradora que ao final subscreve, fls. 371/377, contra o Acórdão nº 380300.002, de 6 de julho de 2009, fls. 177 a 179, que deu provimento ao recurso voluntário para determinar a extinção do processo por falta de objeto. Reporta a d. Procuradora: “Tratase de auto de infração lavrado para a exigência do crédito tributário no valor de R$ 26.527,38, referente a COFINS apurada no período de 30/11/1993 a 31/01/1994, acrescida de multa de oficio e juros de mora. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal ás fls. 08/10, o contribuinte impetrou mandado de segurança sob a pretensão de obter autorização judicial para proceder a compensação de créditos que teria junto ao fisco quanto ao FINSOCIAL, correspondente as parcelas recolhidas à alíquota superior a 0,5%, com contribuições da mesma espécie. Ocorre que o sujeito passivo, ao atualizar os valores recolhidos indevidamente, não teria observado a legislação de regência, alcançando um saldo a compensar muito superior ao realmente existente. Verificouse, portanto, que o contribuinte somente poderia compensar o saldo disponível até janeiro de 1994. Nos meses subseqüentes, a Cofins foi compensada com um saldo super avaliado, que não refletia o crédito a compensar. Diante desta situação, o fiscal lavrou dois autos de infração. Um relativo aos valores corretamente corrigidos e compensados, conforme os ditames legais, com exigibilidade suspensa, por força de medida liminar proferida no mandado de segurança impetrado pelo autuado. O outro, correspondente aos valores não recolhidos, por atualização indevida dos créditos a compensar. Como a autuação se refere aos fatos geradores de 30/11/1993 a 31/01/1994, o presente processo corresponde ao credito lançado com a exigibilidade suspensa, tendo em vista que, de acordo com o termo de verificação fiscal, a compensação, segundo os índices corretos, somente poderia ter sido feito em relação a 11/1993, 12/1993, e, parcialmente, a 01/1994. Ao analisar o feito por força da impugnação apresentada pelo autuado, a DRJ manteve o crédito tributário, lançado com exigibilidade suspensa, exonerando apenas a multa e os juros de mora. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13805.000423/9711 Acórdão n.º 3803004.353 S3TE03 Fl. 398 3 Em sede recursal, a Primeira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso voluntário em decisão assim ementada: "Assunto: Contribuição para o financiamento da Seguridade Social COFINS Data do fato gerador: 30/11/1993, 31/12/1993, 31/01/1994 COMPENSAÇÃO. O contribuinte tem o direito de efetuar a compensação do Finsocial recolhido a alíquota superior a 0,5% com a Cofins. Créditos de FINSOCIAL atualizados monetariamente na forma da Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n° 8, de 27 de junho de 1997 foram suficientes para compensação dos débitos deste processo. Recurso Provido." No voto condutor, consta o entendimento de que a DRJ teria proferido decisão contraditória ao manter o crédito tributário, se em sua fundamentação, restaria reconhecida a compensação efetuada segundo os critérios corretos de atualização do crédito. Contudo, a decisão de P instância manteve o crédito tributário, uma vez que a matéria estava sendo discutida em juízo, conforme descrito no termo de verificação. Não há contradição no julgado da DRJ, que manteve o lançamento, diante da concomitância com a instância judicial, cabendo à autoridade executora observar a decisão proferida pelo Poder Judiciário em sede definitiva. Se existe ação judicial sobre matéria objeto do lançamento efetuado nestes autos, houve renúncia à discussão na via administrativa, conforme expressamente sumulado no enunciado n° 1 do CARF: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo." Como não se manifestou expressamente sobre a concomitância apontada, o acórdão embargado incorre em omissão, pois deixou de emitir pronunciamento sobre importante ponto para o correto desfecho da lide administrativa. Ao não analisar a concomitância entre as instâncias administrativa e judicial sobre a mesma matéria, o acórdão também se revela obscuro, pois considerou Fl. 399DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 contraditória decisão que se fundamenta na aludida concomitância. Ante o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração, para sanar os vícios acima apontados.” Os embargos foram admitidos por meio do despacho do Presidente da Terceira Turma Especial da Terceira Seção, de fls. 395/396. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Os embargos são tempestivos e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Eis o teor do voto condutor do acórdão embargado: Observese que neste processo cuidase dos períodos de apuração [PAs] novembro e dezembro de 1993 e janeiro de 1994. Concluise que a decisão questionada abona as compensações efetuadas pelo contribuinte relativamente a estes períodos de apuração. Com base nos elementos que elaborou, aduz na fundamentação de sua decisão que o crédito reconhecido é suficiente para extinguir os débitos objetos do presente lançamento. Contudo, na parte dispositiva referese a período de apuração que não foi objeto do lançamento, 05/94, e decide contrariamente aos fundamentos ao exonerar apenas a multa de oficio e manter o principal, R$ 12.630,39, embora consignando no rodapé que o crédito tributário está extinto por compensação.[grifos no original]. Ora, pressupõese que uma decisão que mantêm um lançamento determine a cobrança do débito que lhe corresponde. No presente caso, a decisão recorrida de manter o lançamento é contrária aos fundamentos manejados pelo julgador, contrariedade ainda mais exposta pela informação prestada logo a seguir quanto à extinção dos débitos por compensação. Com mais acuidade, concluise, em verdade, que houve apenas falta de clareza na idéia exposta e incorreção no teor da decisão. Não precisa manter a exigência constante do auto de infração, como fez a DRJ, quando a compensação dos débitos de que trata foi efetuada pelo contribuinte, suficientemente coberta pelo crédito que indicou e utilizou. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13805.000423/9711 Acórdão n.º 3803004.353 S3TE03 Fl. 399 5 Da falta de clareza resultou que a DRF/São PauloSul cientificou a contribuinte deixando de lhe noticiar da decisão terminativa do processo, e, sem discernila, recepcionou e remeteu o recurso ora julgado. Registrese que o art. 2° da IN SRF n° 32/97, convalidou as compensações efetuadas pelos contribuintes, de FINSOCIAL paga em alíquota superior a 0,5%, com a COFINS, para pessoas jurídicas que exercem atividade com a qual identificase esta recorrente. E isso foi reconhecido pela decisão recorrida. Desse modo, deve este processo ser extinto por falta de objeto, devendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São PauloSul prover internamente os procedimentos tendentes ao fim já decidido pela DRJ/SP. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso.” Aduz a d. Procuradora que o acórdão “deixou de emitir pronunciamento sobre importante ponto para o correto desfecho da lide administrativa, acerca da concomitância com a instância judicial, cabendo à autoridade executora observar a decisão proferida pelo Poder Judiciário em sede definitiva.” A decisão de primeira instância efetua a apuração do crédito da Contribuinte e aponta a existência o valor de 69.587,18 UFIRs (doc. de fl. 173). No Demonstrativo na folha a seguir (doc. de fl. 174), titulado “Compensação do Saldo dos Pagamentos Referentes ao FINSOCIAL, Realizados à Alíquota Superior a 0,5% com os Débitos da COFINS”, o julgador passa a efetuar o encontro de contas entre débitos, pagamentos e compensações, abrangendo os períodos de apuração julho/93 a setembro/95. Ao visualizarse as linhas dos períodos de apuração objeto do auto de infração ali apreciado pode verse que do total do crédito apurado (69.587,18 UFIRs) a Contribuinte ainda dispunha do crédito no valor de 52.837,87 UFIRs, após a compensação do valor autuado relativo ao mês de janeiro/94, este, autuado parcialmente. E o julgador a quo prossegue abatendo este saldo credor da Contribuinte efetuando as compensações dos períodos subseqüentes a janeiro/94. Somente na linha do Demonstrativo relativa ao PA novembro/94 é que desponta a compensação indevida de 3.008 UFIRs, acumulando na linha seguinte (dezembro/94) 9.365,42 UFIRs de saldo negativo, dado este que consta de sua observação ao final da fl. 175 do Demonstrativo. O valor final compensado indevidamente está indicado ao final do Demonstrativo, à fl. 177, e acumula o valor de 34.935,04 UFIRs. Ressaltese que o saldo negativo de compensação indevida efetuada pela Contribuinte acumulase a partir do mês de novembro de 1994. Foi com base nessa apuração que a decisão proferida pelo Delegado da DRJ/São Paulo consignou os termos abaixo: Este crédito é suficiente para compensar os débitos de Cofins que são objeto do presente lançamento. Em síntese, Fl. 401DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 com a convalidação da compensação efetuada pelo contribuinte, através da IN n° 32/1997 e a aplicação dos critérios de atualização monetária previstos na Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n° 8/1997, não pode deixar de ser reconhecido o direito do contribuinte , independentemente da ação judicial.[grifos aqui] Notese que a decisão mencionou que a compensação estava convalidada pela IN SRF nº 32/1997 e que o direito do contribuinte não podia deixar de ser reconhecido independentemente da ação judicial. O crédito, nem mesmo o critério de atualização não definidos pela decisão judicial. Reparese, ainda, que a decisão, ao demonstrar o crédito tributário lançado, exonerou a multa e manteve o principal. Ademais, sinalizou o principal com um asterisco remetendo a nota de rodapé em que informa que este mesmo principal estava extinto por compensação. O dispositivo da decisão restou assim assentado: Diante do exposto, concluise que deve ser mantido o crédito tributário relativo a contribuição, devidamente compensado, exonerandose integralmente a multa de oficio e os juros de mora referentes aos períodos de novembro e dezembro de 1993 e janeiro de 1994.[grifo aqui]. Que motivo teria o julgador para exonerar a multa e os juros? O julgador a quo não motiva nem fundamenta esta sua decisão, exarada em 21 de novembro de 2000. Se o motivo fosse a constituição do crédito tributário com exigibilidade suspensa em razão da ação judicial nº 94.03.0577371, conforme cita o Auditor no Termo de Encaminhamento de fl. 56, não poderia exonerar do lançamento os juros, em violação do que dispõe o art. 63, da Lei nº 9.430/96. Omisso nesta fundamentação, o único argumento que tece e que guarda coerência com o dispositivo é a extinção dos débitos pela compensação que fora convalidada pela IN SRF nº 32/1997, segundo o reconhecimento da decisão de primeira instância.. Anotese que a ação nº 94.03.0577371 é um mandado de segurança, que objetivou liminar para que a Contribuinte continuasse a compensar os créditos relativos ao Finsocial recolhido a maior, com outras contribuições vincendas da mesma espécie ou que fosse deferido o efeito suspensivo ao recurso de apelação que fora interposto contra a sentença proferida na ação cautelar, até o julgamento final desta. Nesse mandado de segurança foi concedida parcialmente a liminar para conferir o efeito suspensivo ao recurso de apelação. Estes, são dados certificados pelo TRF/3ª Região, doc. de fl. 38. De se ver que este remédio constitucional, por sua natureza, não comporta a matéria constante do auto de infração, de aferição do crédito de Finsocial, conforme efetuada pela DRJ/São Paulo e o encontro de contas deste com os débitos da Contribuinte. A inadequação daquela via para o propósito específico da compensação deslindada na decisão de primeira instância impede a ocorrência da concomitância. Ao juízo do Judiciário, na anterior ação cautelar a compensação haveria de processarse unilateralmente pela Contribuinte, sob seu ônus e sujeita ao crivo do Fisco. Daí o indeferimento da liminar também ali. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13805.000423/9711 Acórdão n.º 3803004.353 S3TE03 Fl. 400 7 A dicção do dispositivo da decisão monocrática de primeira instância registrando a manutenção do lançamento no tocante ao principal, combinado com o registro do acórdão como Lançamento Procedente em Parte, não foi condizente nem com a ementa nem com a fundamentação, fazendo com que a Contribuinte apresentasse recurso voluntário para defenderse contra a manutenção de débitos que tinham sido considerados extintos pela própria decisão. Daí a contraditoriedade apontada. É assente que a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, segundo dispõe o art. 53 da Lei nº 9.784/99. O lançamento teve como pressuposto fático um valor de crédito de pagamento a maior da Contribuinte de 13.807,1501 UFIRs. Na revisão do procedimento, o valor do crédito apurado pela DRJ/São Paulo alçou ao patamar de 69.587,18 UFIRs, que passou a ser tido como suficiente para a compensação dos débitos ora sob análise e outros mais. Alterado o suporte fático do auto de infração, declarada a suficiência do crédito para a compensação efetuada pela contribuinte, e, em conseqüência, declarada a convalidação desse feito por força da IN SRF 32/97, “independentemente da ação judicial”, e a extinção do crédito tributário, é obscuro e contraditório o dispositivo que mantém o lançamento do principal. Logo, era de todo impertinente ao acórdão embargado tecer consideração acerca da ação judicial. Este incidente nos presentes autos, não obstante seja ponto que de alguma forma se relaciona com o processo e sobre o qual se poderia mencionar, não se constitui em questão, de necessária abordagem para o deslinde de controvérsia devolvida a este CARF. Ante todo o exposto, ao ressaltar o fato de que a decisão recorrida declarou a extinção dos débitos lançados, por meio da compensação instrumentada pela Contribuinte e sua convalidação pela IN SRF 32/97, a decisão embargada só poderia considerar o recurso voluntário destituído de objeto. Assim, considero que não houve omissão no acórdão embargado em não se manifestar expressamente sobre a concomitância apontada, nem em obscuridade por apontar para a contradição da decisão recorrida. Contudo há obscuridade na ementa ao não espelhar de forma clara o que fora decidido. Pelo exposto, voto por acolher em parte os embargos de declaração interpostos pela PGFN, sem efeitos infringentes, para esclarecer a obscuridade e retificar a ementa, nos termos como segue: Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/1993 a 30/11/1993, 01/12/1993 a 31/12/1993 e 01/01/1994 a 31/01/1994 RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE OBJETO. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Se a decisão recorrida apura novo crédito da Contribuinte, efetua novo encontro de contas abarcando os débitos objeto do auto de infração sob Fl. 403DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 exame e reconhece legítima a compensação dos débitos lançados, instrumentada pela Contribuinte procedimentos internos, e declara a sua validação por força da IN SRF nº 32/97, independentemente da ação judicial, desfazse o litígio, devendo ser cancelado o auto de infração. Sala das sessões, 23 de julho de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa . Fl. 404DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 14485.003217/2007-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Aplicando-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte.
Em 27.12.2007 foi dada ciência à Recorrente da NFLD e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social no período 03/1997 a 03/2006. Tem-se que o dispositivo legal a ser aplicado está insculpido no art. 150, § 4º, CTN, o que fulmina a constituição dos créditos ora lançados até a competência 11/2002, inclusive.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2472; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 898 1 897 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14485.003217/200765 Recurso nº 999.999 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2403002.273 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 15 de outubro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrentes BRASILPREV SEGUROS E PREVIDENCIA S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. Em 27.12.2007 foi dada ciência à Recorrente da NFLD e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social no período 03/1997 a 03/2006. Temse que o dispositivo legal a ser aplicado está insculpido no art. 150, § 4º, CTN, o que fulmina a constituição dos créditos ora lançados até a competência 11/2002, inclusive. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 32 17 /2 00 7- 65 Fl. 898DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003217/200765 Acórdão n.º 2403002.273 S2C4T3 Fl. 899 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1621.748 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP I, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.136.5457, no montante inicial de R$ 8.236.711,23, retificado para R$ 1.122.796,10. Segundo a AuditoriaFiscal, o lançamento referese às contribuições devidas a Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e incidentes sobre: O total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais (Administradores) que prestaram serviços, no período 03/1997, 03/1998, 03/1999, 03/2000, 03/2001, 03/2002, 03/2005 e 03/2006; O total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados no período 03/1997, 03/1999, 04/2000, 03/2001, 03/2002 e 03/2003. Bem como, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas , no decorrer do mês , aos segurados empregados: Para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho no período 03/1997, 03/1999, 04/2000, 03/2001, 03/2002 e 03/2003; As relativas a Terceiros (INCRA e FNDE) incidentes sobre o total das,remunerações dos empregados no período 03/1997, 03/1999, 04/2000, 03/2001, 03/2002 e 03/2003. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 2.1. Verificouse que a empresa remunerou, sob a forma de Participação nos Lucros ou Resultados PLR, segurados empregados e contribuintes individuais (administradores) da Previdência Social; 2.2. Os critérios utilizados pelo contribuinte para remunerar os seus empregados estão definidos somente em Convenções Coletivas de Trabalho, uma vez que o único Plano Próprio para pagamento de PLR apresentado à fiscalização, elaborado de acordo com o previsto em lei, é referente ao exercício de 2006, para pagamento em 2007, não sendo abrangido pelo período do procedimento fiscal; Fl. 900DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 2.3. Tais verbas não foram declaradas em GFIP, não comprovou o recolhimento ou provisão das contribuições previdenciárias correspondentes e nem apresentou documentos hábeis a comprovar a nãoincidência das contribuições previdenciárias sobre o pagamento das referidas verbas remuneratórias; 2.4. Colaciona a construção legislativa que embasa o levantamento em epígrafe.Art. 28, I e III, e, ainda, parágrafo 9°, da Lei 8.212/91, Instrução Normativa SRP n. 03/05, art. 71, I e II, e, ainda, art. 72, XI e parágrafo único, Lei 10.101/00. 2.5. Verificase que a Participação nos Lucros ou Resultados, prevista mal 10.101/2000 é extensiva somente aos segurados empregados da empresa; com relação aos administradores (diretores eleitos em Atas), o procedimento a ser utilizado é o previsto na Lei n° 6.404/76, que contempla somente a participação nos lucros, não havendo previsão de participação nos resultados; 2.6. O diretor eleito para cargo através de Assembléia geral não mantém a condição de empregado, estando, portanto, os pagamentos a título de PLR a eles efetuados em desconformidade com a legislação aplicável, uma vez que o contribuinte utilizouse apenas das Convenções Coletivas de Trabalho CCT para efetuar tais pagamentos. Colaciona jurisprudência para embasar interpretação. 2.7. Dos critérios e procedimentos utilizados para o cálculo do montante da contribuição previdenciária devida: . 2.7.1.Competéncia 03197, referente ao levantamento 001 — PLR Folha de Pagamento e Competências 0311999, 0412000, 0312001, 0312002 e 0312003, referentes ao levantamento 004 PLR Folha de Pagamento — GFIP. 2.7.1.1. As CCT não foram respeitadas nas competências acima relacionadas, uma vez que os valores pagos aos segurados empregados foram, em muitos casos, superiores ao determinado na Convenção. As CCT _determinam o pagamento em duas parcelas: a P, independentemente da apuração do bálanço,..em jáneiro, e a 2' vinculada a determinados critérios da apuração contábil; 1 1 " 2.7.1.2. O pagamento da primeira parcela da PLR determinada em CCT foi efetuado corretamente pelo contribuinte, sendo os valores apontados nesta notificação o total de valores pagos a título de PLR em determinada competência, quando pagos, mesmo que parcialmente, em desacordo com as determinações da CCT; 2.7.1.3. Nas competências de 03/2002 e 03/2003, que se constituem em exceção / do exposto, houve o pagamento de duas rubricas: PLR Sindicato, que obedeceu ao disposto na (~CCT no que se refere à 2' parcela, e PLR empresa, esta sim objeto de lançamento. \ 2.7.1.4. Como respaldo do relatado, foram anexadas a NFLD, por amostragem, folhas de pagamento analíticas da PLR e resumos mensais referentes aos pagamentos daquela rubrica. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003217/200765 Acórdão n.º 2403002.273 S2C4T3 Fl. 900 5 2.7.2. Competência 03197, referente ao levantamento 002 — PLR Contabilidade e Competências 0311999 e 0312000, referentes ao levantamento 005 PLR Contabilidade —GFIP. 2.7.2.1. Através da análise dos Livros e Informações, mencionados no item "1" do título "DAS RAZÕES DO LANÇAMENTO DOS CRÉDITOS PREVIDENCIÁRIOS" — verificouse a existência de pagamentos referentes à participação nos lucros ou resultados, cujas contabilizações foram efetuadas nas seguintes contas contábeis: a) 2111500001 — Participações nos lucros a Pagar, nas competências 03/97 e 03/99; e b) 333213004 — Resgate Parcial, na competência 03/2000; 2.7.2.2. Apesar de regularmente intimado (TIAF 08/11/2007), o contribui apresentou as folhasdepagamento da PLR das competências acima relacionadas,aos valores lançados nas contascontábeis acima; 2.7.2.3. Em razão desta ocorrência, foi lavrado o Auto de Infração n° 37.136.5422, por infringido o disposto no artigo 33, §2°, da Lei n° 8.212/91; 2.7.2.4. Os valores lançados na conta 333213004 — Resgate Parcial são referentes a resgates de planos de previdência privada/complementar mantido pelo contribuinte, para pagamento de PLR a membros de seu Conselho de Administração. 2.7.2.5. Foi anexada à NFLD planilha contendo os lançamentos contábeis envolvidos no levantamento fiscal, cuja obtenção se deu por meio de arquivos digitais fornecidos pelo Sujeito Passivo. . 2.7.3. Competências 03197 e 03198, referente ao levantamento 003 — PLR Arbitramento e Competências 0311999, 0312000, 0312001, 0312002, 0312005 e 0312006, referentes ao levantamento 006 PLR Arbitramento — GFIP. 2.7.3.1. Lançamento atinente aos . segurados contribuintes individuais —Administradores, com relação aos quais há duas'situações a serem observadas: Autorização para pagamento de PLR e autorização para — aporte ao plano de previdência privada/complementar "Nosso Plano", conforme esmiuçado no Relatório Fiscal, fls. 38; 2.7.3.2. Apesar de regularmente intimado (TIAD 30/11/2007), o contribuinte não apresentou os documentos de suporte e informações sobre a contabilização dos valores mencionados no item anterior, tendo sido, por este motivo, autuado por meio do AI n° 37.136.5414, por infringir o disposto no artigo 32, inciso III, da Lei n° 8.212/91; 2.7.3.3. Em conformidade com as disposições dos §§ 1° e 3° do artigo 33 da Lei n° 8.212/91, a basedecálculo das Fl. 902DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 contribuições previdenciárias relativas aos pagamentos efetuados a título de PLR aos administradores foi arbitrada pelo valor constante das Atas de • Assembléia Geral, conforme explicado no Relatório Fiscal, fls. 38. 2.7.3.4. Foram anexadas à NFLD as atas de Assembléia e as de Reunião de Conselho de Administração utilizadas para a composição do lançamento tributário. Observase também dos autos que consta a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 08, é de 03/1997 a 03/2006. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 27.12.2007, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou IMPUGNAÇÃO tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: II — DO DIREITO II. A) PRELIMINAR II.A.1) DO CERCEAMENTO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE DE VISTA AOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO II.A.2) — DA EXCLUSÃO DO NOME DOS ADMINISTRADORES DO PÓLO PASSIVO DA PRESENTE AUTUAÇÃO FISCAL III — DA PREJUDICIAL DO MÉRITO 5.10. O lançamento contestado foi efetivado em 27/12/2007, quando já havia passado mais de 05 anos da ocorrência dos fatos geradores incluídos na NFLD. Assim, o crédito exigido, mormente quanto às competências anteriores a 12/2002, foi atingido pelo instituto da decadência. IV — DO MÉRITO IV.A.) DA RELAÇÃO JURÍDICA DE CUSTEIO NA . SEGURIDADE SOCIAL. DA INEXISTÊNCIA DE PRETENSO DÉBITO PREVIDENCIÁRIO ANTE AO PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E/OU RESULTADOS AOS EMPREGADOS E ADMINISTRADORES NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IV.B) DA NATUREZA DAS VERBAS PAGAS A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E/OU RESULTADOS AOS SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO INTEGRAÇÃO À REMUNERAÇÃO. IMUNIDADE. APLICAÇÃO DO ARTIGO 70, IX, DA CF. lV.B.2) DA PARTICIPAÇÃO DE DIRETORES NÃO EMPREGADOS NOS LUCROS DA COMPANHIA NÃO —INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO APLICÁVEL NOS TERMOS DO ART. 28, PARÁGRAFO 90 , "J", DA LEI N° 8.212/91. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003217/200765 Acórdão n.º 2403002.273 S2C4T3 Fl. 901 7 LEI ESPECÍFICA PARA FINS DE ADMINISTRADORES: LEI 6404/1976 A QUAL FOI RECEPCIONADA PELO INCISO XI DO ART. 7 º DA CF. IV.C) DA PATENTE NULIDADE DO LANÇAMENTO EFETUADO. INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE A BASE DE CÁLCULO APONTADA PELA FISCALIZAÇÃO E OS FATOS IMPONÍVEIS OCORRIDOS. DA INCORRETA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A TOTALIDADE DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E/OU RESULTADOS. IV.D) DA INCONSTITUCIONALIDADE DA COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA I.V.E) DA ILEGITIMIDADE DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC PARA O CÔMPUTO DOS JUROS MORATÓRIOS Houve Abertura de prazo para vistas dos autos e para Manifestação do sujeito passivo. Após, os autos foram convertidos em Diligência Fiscal, conforme o relatório da decisão de primeira instância: 8.2. Tendo em vista a superveniência da Súmula Vinculante do STF n° 8, publicada em 20/06/2008, que determinou que "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário", e que, com efeito, deverão ser observadas pela • Administração Pública as regras gerais previstas no Código Tributário Nacional. 8.3. Sabendose que a citada Súmula é de observância obrigatória pela Administração Pública, de acordo com a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, que regulamentou o art. 103A da Constituição Federal, as análises solicitadas deverão se ater às competências 0312002, 0312003, 0312005 e 0312006. 8.4. Desta forma, fazse mister o pronunciamento conclusivo da Autoridade Fiscal sobre as alegações do Sujeito Passivo, mormente as constantes dos tópicos `94' a `115' da Peça de Defesa, fls. 141 a 146, para, ao final, verificar a correção dos valores lançados a título de saláríodecontríbuição dos diretores nãoempregados e, ainda, demonstrar de forma fundamentada seu entendimento quanto à participação daqueles nos lucros da companhia frente à legislação tributária de regência. 8.5. Adicionalmente e especialmente, sugerimos a verificação do valor lançado como saláríodecontríbuição, por arbitramento, nas competências 03/2005 e 03/2006, Levantamento: 006 — PLR ARBITRAMENTO GFIP, vez que, conforme Ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária de 23/03/2005, item "2) Participação dos empregados e administradores nos lucros da Fl. 904DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 companhia", fls. 104 e Ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária, Realizadas Cumulativamente em 10/03/2006, item "3) Participação dos empregados e administradores nos lucros da companhia", fls. 332, prevêem, respectivamente quanto à participação dos Diretores nos lucros da companhia, valores de até R$ 5 ~ para competência 03/2005, e até R$ 800.000,00, para a competência 03/2006. Em Resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, a AuditoriaFiscal se pronunciou, conforme o relatório da decisão de primeira instância: 9.1. Os valores pagos aos administradores a título de participação nos lucros estão sujeitos à tributação das contribuições previdenciárias pelos seguintes motivos: 9.1.1. A isenção das contribuições previdenciárias incidentes sobre a participação nos lucros abrange somente a categoria de segurados empregados, conforme leitura do art. 28, parágrafo 9% letra "j" da Lei 8.212/91 e art. 214, parágrafo 9 0, inciso "X" do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, transcritos. 9.1.2. Ademais, a "lei específica" mencionada nos dois artigos citados no subitem anterior cujas regras devem ser respeitadas par que haja a isenção das contribuições previdenciárias, é a Lei ri 10.101/00, tendo em vista à alusão, constante do art. 1 ° desta, quanto a regulamentação do art. 7 0, XI, da Constituição. 9.1.3. Resta, assim, afastada a aplicação da Lei n ° 6.404/76, para fins da isenção em tela. 9.2. Com relação aos valores lançados como salário de contribuição, por arbitramento, nas competências 03/2005 e 03/2006, Levantamento 006 — PLR ARBITRAMENTO GFIP, houve equívoco, devendo ser retificados conforme previsões das Assembléias Gerais Extraordinárias, de 23 de março de 2005 e 10 de março de 2006, como segue: • 03/2005 — de R$ 3.250.000,00, para R$ 550.000,00; • • 03/2006 — de R$ 4.150.000,00, para R$ 800.000,00. 9.3. Foi reaberto prazo de 10 (dez) dias, da ciência deste, para o contribuinte manifestarse acerca do conteúdo desta Resposta à Diligência Fiscal. Houve a Manifestação da Recorrente após a Diligência Fiscal. A Recorrida, conforme o Acórdão nº 1621.748 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP I, analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, reconhecendo a extinção do crédito tributário da competência 11/2001, em função da decadência com fulcro no art. 173, I, CTN, além da retificação por erro material do lançamento nas competências 05/2006 e 06/2006, conforme Ementa a seguir: Fl. 905DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003217/200765 Acórdão n.º 2403002.273 S2C4T3 Fl. 902 9 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1997, 01/03/1998 a 31/03/1998, 01/03/1999 a 31/03/1999, 01103/2000 a 30/04/2000, 01/03/2001 a 31/03/2001, 01/03/2002 a 31/03/2002, 01/03/2003 a 31/03/2003, 01/03/2005 a 31/03/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. contribuições devidas à Seguridade Social a título de quota patronal sobre a remuneração de segurados empregados, adicional à quota patronal, grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GIILRAT e aos Outras Entidades e Fundos OEF (INCRA E FNDE), e, a título de quota patronal sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais, administradores, e adicional à quota patronal (instituições financeiras). DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. OCORRÊNCIA. ART. 173, I. No caso em análise, haja vista não constar qualquer antecipação de pagamento para o fato gerador lançado, resta translúcido que o presente processo se refere á lançamento de ofício, previsto no art. 149, que segue o prazo decadencial determinado pelo art. 173, I, e não o prazo do art. 150, § 4°, todos do CTN. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, quando o contribuinte em sua impugnação demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados, defendendose plenamente. Ademais, se houvesse qualquer mácula ao lançamento tributário, no momento em que ~foi oportunizado à Impugnante, em outras duas ocasiões, novamente manifestarse no processo, tendo esta, inclusive, exercido tal direito, o ato administrativo restaria inafastavelmente, convalescido. RELATÓRIO VÍNCULOS. RELATÓRIO REPLEG. Em razão de os relatórios "VÍNCULOS Relação de vínculos" e "REPLEG Relatório de Representantes Legais" visarem a atender o disposto na LEF Lei de Execuções Fiscais (Lei 6.830/80), qualquer correção deve restringirse aos dados referentes à pessoa, ao cargo que ela ocupava, quando da ocorrência dos fatos geradores, e ao período de atuação. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. Não fosse suficiente o quanto exposto, é preciso asseverar que a Constituição Federal de 1988, apesar de desvincular expressamente a PLR das verbas salariais, não teceu considerações acerca dos efeitos tributários decorrentes do pagamento de tal verba. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Desta.forma, não. há que se entender que a parcela salarial em epígrafe esteja escudada pela imunidade tributária. Nada afeta a incidência das contribuições previdenciárias, haja vista que a abrangência do termo remuneração expresso na legislação previdenciária é que deverá prevalecer para fins de tributação, sendo inatingíveis apenas as verbas expressamente discriminadas no §9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, as quais devem ser interpretadas de forma literal e restritiva, nunca analógica. Sem observância do quanto previsto na Lei, os referidos pagamentos têm natureza, na verdade, de comissões ou prêmio de produtividade, com cunho salarial e por esse justo motivo objeto de lançamento tributário. Restou claro que a intenção da Impugnante foi a de efetuar o pagamento de parcelas aos seus empregados a título de PLR, que, em conseqüência do desrespeito à legislação de regência, culminou descaracterizado como tal passando, por conseqüência prevista na mesma legislação, a integrar o salário de contribuição. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. Destinase a fornecer recursos à entidade prevista em lei, atualmente o INCRA, para que, no in re sociedade, sejam executadas as políticas públicas voltadas à reforma agrária, tendo, portanto, natureza evidente de contribuição de intervenção do domínio econômico. TAXA SELIC. Da leitura do § 1° do artigo 161, do CTN, observase que somente quando lei específica não dispuser de modo diverso é que a taxa dos juros de mora será de 1% ao mês. Ocorre, entretanto, que as contribuições previdenciárias estavam, à época da ocorrência dos fatos geradores discutidos, regidas por lei específica, ou seja, a Lei 8.212/91, que no seu art. 34, dispunha que a taxa de juros a ser utilizada era a da SELIC. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. Os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 13' Turma de Julgamento, por de votos, considerar procedente em parte o lançamento, mantendo o valor de R$ 1.122.796, 10 (um milhão e cento e vinte e dois mil e setecentos e noventa e seis reais e dez centavos). Fl. 907DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003217/200765 Acórdão n.º 2403002.273 S2C4T3 Fl. 903 11 Deste ato, RECORRESE DE OFÍCIO, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, de acordo com o artigo 366, inciso I, do Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, na redação dada pelo Decreto n.° 6.224, de 04/10/2007, combinado com o artigo 1° da Portaria MF n° 03, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008. Intimese para pagamento do crédito mantido o prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição e recurso voluntário ao CARF, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1 2 da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Sala de Sessões em 10 de junho de 2009. Em resumo, a decisão de primeira instância reconheceu a extinção do crédito tributário até a competência 11/2001, em função da decadência com fulcro no art. 173, I, CTN, além da retificação por erro material do lançamento nas competências 05/2006 e 06/2006. Desta forma, conforme o Relatório Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR às fls. 662 a 664,que restou a discussão para o lançamento do crédito tributário em relação às competências: 03/2002; 03/2003; 03/2005; e 03/2006. Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, atacando a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: II DAS RAZÕES PARA REFORMA DA R. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ii.a) Da nulidade do lançamento efetuado Inovação dos argumentos da D. Fiscalização em sede de termo de diligência . Contradição Da participação dos diretores não empregados nos lucros da companhia III DA PREJUDICIAL DE MÉRITO III.a) da decadência parcial dos créditos previdenciários VIOLAÇÃO À SÚMULA VINCULANTE W 08 DO EXCELSO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COMPETÊNCIAS ANTERIORES A 12/2002 EXTINTAS PELA DECADÊNCIA APLICAÇÃO DO ARTIGO 150, § 4 ° , DO CTN IV DO MÉRITO IV.a) DA PARTICIPAÇÃO DOS DIRETORESNÃO EMPREGADOS NOS LUCROS DA COMPANHIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ISENÇÃO APLICÁVEL Fl. 908DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 NOS TERMOS DO ARTIGO 28, §9 ° , "j ", DA LEI N ° 8.212/91 LEI ESPECÍFICA PARA FINS DE ADMINISTRADORES: LEI N ° 6.404/76 (LEI DAS S.A.'S) A QUAL FOI RECEPCIONADA PELO INCISO XI DO ARTIGO 7 ° DA CF/88 NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. REMUNERAÇÃO DO CAPITAL. PRECEDENTE EMANADO PELA PRÓPRIA PROCURADORIA DO INSS. IV.b) DA NATUREZA DAS VERBAS PAGAS A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E/OU RESULTADOS AOS SEGURADOS EMPREGADOS NÃOINTEGRAÇÃO À REMUNERAÇÃO . IMUNIDADE . APLICAÇÃO DO ARTIGO 7°, IX, DA CF/88. IV.C) DA INCONSTITUCIONALIDADE DA COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. IV.d) DA INCONSTITUCIONALIDADE DA TAXA SELIC Ainda, às fls. 806 a 834, a empresa apresentou petição faz adesão ao parcelamento especial instituído pela Lei 11.941/2009, na qual demonstra a quitação integral das competências 03/2003, 03/2005 e 03/2006 discutidas no presente processo, renunciando ao Recurso Voluntário em relação a estas competências. Outrossim, nesta mesma petição, informa que a Requerente continuará com a discussão em relação às demais competências discutidas no presente caso, pois, em relação a esses lançamentos, já foi tempestivamente apresentado o Recurso Voluntário competente. Observase dos autos, ainda uma outra petição protocolada pela Recorrente, na qual demonstra o pagamento de Guias da Previdência Social – GPS, para as competências: 01/2002; 02/2002; 03/2002;04/2002 e 05/2002; Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003217/200765 Acórdão n.º 2403002.273 S2C4T3 Fl. 904 13 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator (I) Em relação ao RECURSO VOLUNTÁRIO PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Após a decisão de primeira instância, na qual se reconheceu a extinção do crédito tributário até a competência 11/2001, em função da decadência com fulcro no art. 173, I, CTN, além da retificação por erro material do lançamento nas competências 05/2006 e 06/2006, conforme o Relatório Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR às fls. 662 a 664, restou a discussão para o lançamento do crédito tributário apenas em relação às competências: 03/2002; 03/2003; 03/2005; e 03/2006. Mas, às fls. 806 a 834, a empresa apresentou petição faz adesão ao parcelamento especial instituído pela Lei 11.941/2009, na qual demonstra a quitação integral das competências 03/2003, 03/2005 e 03/2006 discutidas no presente processo, renunciando ao Recurso Voluntário em relação a estas competências. Outrossim, nesta mesma petição, informa que a Requerente continuará com a discussão em relação à competência discutidas no presente caso, ou seja, a competência 03/2002, por ter apresentado o Recurso Voluntário competente. Portanto, restou para ser discuto nos autos, o crédito tributário lançado na competência 03/2002. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência para esta cometência. DA DECADÊNCIA. Fl. 910DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Analisemos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e Fl. 911DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003217/200765 Acórdão n.º 2403002.273 S2C4T3 Fl. 905 15 municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese presente da NFLD nº 37.136.5457, verificase que há a presença de recolhimentos antecipados a homologar pela AuditoriaFiscal pois observase dos autos, uma petição protocolada pela Recorrente, na qual demonstra o pagamento de Guias da Previdência Social – GPS, para as competências: 01/2002; 02/2002; 03/2002;04/2002 e 05/2002; Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003217/200765 Acórdão n.º 2403002.273 S2C4T3 Fl. 906 17 Verificase, da análise dos autos, que a cientificação do auto de infração pela Recorrente, às fls. 01, se deu em 27.12.2007 e o período objeto do auto de infração se refere a 03/1997 a 03/2006. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 11/2002, inclusive. (II) Em relação ao RECURSO DE OFÍCIO O Recurso de Ofício atende aos pressupostos de admissibilidade pois o valor de alçada foi atingido, de acordo com o art. 366, inciso I, do Decreto n° 3.048/1999, combinado com o art. 1° da Portaria MF n° 03, de 03/01/2008. O Recurso de Ofício ocorre em função da decisão de primeira instância reconhecer a extinção do crédito tributário até a competência 11/2001, em função da decadência com fulcro no art. 173, I, CTN, além da retificação por erro material do lançamento nas competências 05/2006 e 06/2006, conforme o Relatório Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR às fls. 662 a 664. Ora, em relação à utilização do critério decadencial para o reconhecimento da decadência, esta discussão está superada pelo reconhecimento da decadência com a utilização do art. 150, § 4º, CTN conforme o exposto na análise feita acima no item (I) acerca do Recurso Voluntário. Em relação ao outro ponto, a da retificação de erro material nas competências 03/2005 e 03/2006 conforme o anteriormente reconhecido pela AuditoriaFiscal em sede de Resposta de Diligência Fiscal, naturalmente não há o que rever em tal decisão de primeira instância posto que houve uma retificação de erro material reconhecido no levantamento efetuado naquelas duas competências. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER dos Recursos de Ofício e Voluntário para: (i) negar provimento ao Recurso de Ofício; (ii) dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência até a competência 11/2002, inclusive, com fulcro no art. 150, § 4º, CTN. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 915DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10950.904767/2012-76
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. VENDAS INADIMPLIDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
As vendas inadimplidas não se confundem com as vendas canceladas, inexistindo autorização legal para a sua exclusão da base de cálculo da contribuição.
Numero da decisão: 3803-005.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1778; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 101 1 100 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.904767/201276 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.138 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de janeiro de 2014 Matéria PIS NÃO CUMULATIVO RESTITUIÇÃO Recorrente CASTANHEIRA DISTRIBUIDORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A atividade da autoridade administrativa é obrigatória e vinculada, devendo se observar os comandos normativos presentes em leis vigentes e válidas, não lhe sendo facultado o poder de afastar o cumprimento de lei sob alegação de inconstitucionalidade (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. VENDAS INADIMPLIDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. As vendas inadimplidas não se confundem com as vendas canceladas, inexistindo autorização legal para a sua exclusão da base de cálculo da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 47 67 /2 01 2- 76 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904767/201276 Acórdão n.º 3803005.138 S3TE03 Fl. 102 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição/Ressarcimento (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, assim como a reunião para julgamento em conjunto deste processo e dos processos administrativos nº 10950.904840/201218 e 10950.904944/201214, o primeiro por conter os documentos probantes do direito pleiteado e o segundo por se tratar da compensação do referido crédito. Aduziu o então Manifestante que o pagamento a maior decorreria da falta de exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores de vendas não recebidos que, segundo ele, por não se referirem a acréscimo patrimonial, não poderiam se submeter à tributação, sob pena de dupla lesão patrimonial e de ofensa aos princípios da capacidade contributiva e da razoabilidade. No seu entendimento, as perdas advindas do inadimplemento das vendas se subsumiriam no conceito de “vendas canceladas”, em razão do cancelamento do contrato decorrente da falta de pagamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, de partes do livro Razão e de relatórios relativos à movimentação de títulos vencidos há mais de 6 meses baixados como perda. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 05/08/2005 PIS/PASEP. VENDAS. INADIMPLÊNCIA. DEDUÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal de dedução da base de cálculo do PIS/PASEP de valores advindos do mero inadimplemento relativamente às vendas efetuadas. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904767/201276 Acórdão n.º 3803005.138 S3TE03 Fl. 103 3 Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Nos termos do relatório supra, a controvérsia nos autos se restringe ao alegado direito à exclusão, no cômputo da base de cálculo da contribuição, dos valores relativos a perdas decorrentes do inadimplemento de vendas. De início, devese ressaltar que alegações de afronta a princípios constitucionais fogem à competência da autoridade tributária administrativa, uma vez que os dispositivos legais vigentes presumemse revestidos do caráter de validade, não havendo a possibilidade de negarlhes execução, em conformidade com o contido no art. 26A do Decreto n° 70.235/1972 – salvo nas hipóteses ali excepcionadas –, bem como no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Além disso, conforme preceitua a Súmula CARF nº 2, este órgão colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. No mérito, tratase de matéria disciplinada no art. 1º, § 3º, inciso V, alínea “b”, da Lei nº 10.637, de 2002, nos seguintes termos: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904767/201276 Acórdão n.º 3803005.138 S3TE03 Fl. 104 4 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. (grifei) Com base no excerto supra, é possível concluir que a exclusão da base de cálculo dos valores recuperados de créditos baixados como perda denota que, quando do inadimplemento do contrato de venda, o valor respectivo não é excluído da receita bruta para fins de cálculo da contribuição. Somente com base nesse entendimento se concebe a exclusão supra identificada, pois, do contrário, terseia uma dupla exclusão relativa a um mesmo fato: a primeira no momento da ocorrência do inadimplemento da venda e a segunda quando da recuperação da respectiva perda, esta expressamente autorizada por lei. Notese que essa mesma intelecção consta da decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região a seguir reproduzida em parte (AC 2002.72.05.0063860, 2ª T., maio/2004): PIS/PASEP. COFINS. ANALOGIA. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. DEDUÇÃO. CRÉDITO NÃO RECEBIDO DE VENDA EFETUADA. VENDA CANCELADA. NÃO SE CONFUNDE. NÃOAPLICABILIDADE DO RIR ÀS CONTRIBUIÇÕES. PRINCÍPIOS DA ISONOMIA E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. Não há previsão legal de exclusão da base de cálculo da COFINS (faturamento) dos valores relativos às vendas cujos pagamentos não foram adimplidos. Isso porque venda cancelada é venda inexistente não ocorreu o fato gerador; enquanto venda cujo pagamento não foi adimplido é venda existente ocorreu o fato gerador. 2. Para que ocorra a tributação, in casu, basta que haja faturamento/receita bruta, sendo indiferente à lei se os valores relativos ao negócio ingressam ou não 'em caixa'. Tanto é assim que, a fim de evitar o 'bis in idem' quando da recuperação desses créditos, a Lei nº 9.718/98, no artigo 3º, § 2º, II, exclui da receita bruta as 'recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas'. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904767/201276 Acórdão n.º 3803005.138 S3TE03 Fl. 105 5 3. Inaplicáveis ao caso dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda, considerando que cada tributo é regido por legislação própria. 4. Não configura ofensa à isonomia o tratamento conferido pela lei, posto que não se apresentam entes de mesmas características. Ao contrário. Tratase de pessoas jurídicas sujeitas a regimes jurídicos diversos ente público e sociedade empresarial pelo que, em se tratando de situações desiguais, deve ser conferido tratamento desigual. 5. Não há violação ao princípio da capacidade contributiva porque, por determinação constitucional, a Seguridade Social é financiada por toda a sociedade (art. 195), sendo que a pretensão da autora só pode ser atendida de lege ferenda (lei a ser criada). 6. Mantida a condenação ao pagamento dos honorários advocatícios tal como fixado em sentença, posto que em conformidade com o artigo 20 do CPC e em consonância com os parâmetros desta Turma. (grifei) Conforme já havia destacado o relator do acórdão recorrido, as perdas decorrentes de inadimplemento não se subsumem no conceito de “vendas canceladas”, pois estas representam “a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços”1, enquanto que eventuais perdas ou ganhos decorrentes da transação não devem afetar a referida receita. Os elementos probatórios trazidos aos autos pelo contribuinte na Manifestação de Inconformidade indicam que o fato controvertido se refere a valores baixados como perdas por falta de recebimento e não por desfazimento da operação de venda. O termo “vendas canceladas” se refere às devoluções das mercadorias ao fornecedor, cujo valor respectivo deve ser deduzido, em conta própria, do valor da receita bruta de vendas. O seguinte trecho de decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) corrobora com essa intelecção. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. (...). EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. "VENDAS INADIMPLIDAS". ALEGADA EQUIPARAÇÃO COM "VENDAS CANCELADAS". ANALOGIA/EQÜIDADE. INAPLICABILIDADE. ARTIGOS 111 E 118, DO CTN. OBSERVÂNCIA. (...) 4. Entrementes, o inadimplemento do consumidor não equivale ao cancelamento da compra e venda, no qual ocorre o desfazimento do negócio jurídico, denotando a ausência de receita e, conseqüente, intributabilidade da operação. 1 IN SRF n.º 51, de 3 de novembro de 1978. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904767/201276 Acórdão n.º 3803005.138 S3TE03 Fl. 106 6 5. Isto porque o cancelamento da venda caracterizase pela devolução da mercadoria vendida ante a rescisão ou resilição do negócio jurídico, em virtude da inadimplência do comprador ou sua desistência ou de ambos os contratantes, entre outros motivos, implicando na anulação dos valores registrados como receita de vendas e serviços. (...) 8. Ademais, o posterior inadimplemento de venda a prazo não constitui condição resolutiva da hipótese de incidência das exações em tela, uma vez que o Sistema Tributário Nacional estabeleceu o regime financeiro de competência como a regra geral para apuração dos resultados da gestão patrimonial das empresas. Mediante o aludido regime financeiro, o registro dos fatos contábeis é realizado a partir de seu comprometimento e não do efetivo desembolso ou ingresso da receita correspondente. 9. Os pactos privados não influem na relação tributária, pela sua finalidade plurissubjetiva de satisfação das necessidades coletivas, não sendo lícito ao contribuinte repassar o ônus da inadimplência de outrem ao Fisco. É nesse sentido que o artigo 118 dispõe: "Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos." 10. Outrossim, a exclusão das reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda da base de cálculo do PIS e da COFINS, ex vi do inciso II, do § 2º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98, corrobora o entendimento de que as "vendas inadimplidas" não se encontram albergadas na expressão "vendas canceladas", não podendo, por analogia, implicar em exclusão do crédito tributário, tanto mais que a isso equivaleria afrontar o artigo 111, do CTN, verbis: "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias." 11. A analogia não pode implicar em exclusão do crédito tributário, porquanto criação ou extinção de tributo pertencem ao campo da legalidade. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904767/201276 Acórdão n.º 3803005.138 S3TE03 Fl. 107 7 12. No plano póspositivista da Justiça Tributária, muito embora receita inadimplida economicamente não devesse propiciar tributo, é cediço que o emprego da eqüidade não pode dispensar o pagamento do tributo devido (§ 2º, do artigo 108, do CTN). (...) 14. Destarte, a opção legislativa em não inserir as "vendas inadimplidas" entre as hipóteses de exclusão do crédito tributário atinente ao PIS e à COFINS não pode ser dirimida pelo intérprete, mesmo que a pretexto de aplicação do princípio da capacidade contributiva, notadamente em virtude da ausência de perfeita similaridade entre os eventos econômicos confrontados. 2 (grifei) Nesse sentido, repisese, as vendas inadimplidas não se encontram albergadas pelo termo “vendas canceladas”, inexistindo, na espécie, a necessária devolução da mercadoria que caracteriza o cancelamento da compra e venda. O fato de o comprador não honrar seu compromisso financeiro não afasta a tributação incidente sobre o faturamento ou receita bruta, este apurado com base no regime da competência, em que os fatos são contabilizados a partir de seu comprometimento e não do efetivo ingresso do valor correspondente. Registrese que, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 586.482, ocorrido em 5 de junho de 2008, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a existência de repercussão geral na matéria relativa à exclusão das vendas inadimplidas da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Contudo, de acordo com consulta ao sítio do STF na internet, realizada em 9 de dezembro de 2013, constatouse que o referido RE ainda não teve o mérito julgado, em razão do que não há que se invocar a regra contida no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Destaquese do relatório do referido RE a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que fora ementada nos seguintes termos: PIS. COFINS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. VENDAS A PRAZO INADIMPLIDAS. A legislação que disciplina o PIS e a COFINS não autoriza a exclusão da base de cálculo das vendas a prazo inadimplidas, bem como dos créditos incobráveis dos adquirentes dos produtos e/ou serviços por inadimplemento. Eventos que tais, compreendidos pelo próprio risco da atividade, não maculam a obrigação tributária. Não há falar que as vendas inadimplidas são equiparáveis às vendas canceladas. Quando ocorre o cancelamento do negócio, na verdade, o fato gerador do tributo não chega a existir e por essa razão é prevista como caso de exclusão da base de cálculo das contribuições art. 3º da Lei ns 9.715/98 e art. 3º, § 2º, Lei nº 2 REsp 1029434 / CE, Relator(a) Ministro LUIZ FUX, 1ª Turma, julg. 20/05/2008, publicação 18/06/2008. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904767/201276 Acórdão n.º 3803005.138 S3TE03 Fl. 108 8 9.718/98, bem como na legislação posterior, Leis ns 10.637/2002 e 10.833/93; situação outra é o inadimplemento das vendas a prazo. Nesta o fato gerador subsiste perfeito e acabado, como no caso dos autos, em que não houve demonstração de cancelamento das vendas, mas mera narração de inadimplemento de alguns dos adquirentes, que não tem o condão de desconstituir o fato gerador dos tributos em tela. (grifei). O excerto supra caminha no mesmo sentido, qual seja, a obrigação tributária não é afastada nos casos de inadimplência, não se equiparando tal evento às vendas canceladas, estas, sim, previstas em lei como hipótese de exclusão da base de cálculo das contribuições. No presente caso, por se tratar de contribuição não cumulativa, que não alcança as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido (art. 8º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002), não há que se perquirir acerca do direito à apuração da contribuição com base no regime de caixa, direito este exclusivo das pessoas jurídicas que adotam o regime presumido de tributação (MP n º 2.15835, de 2001, art. 20; e IN nº 247, de 2002, art. 14 e art. 85). Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10680.908017/2011-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1722; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 65 1 64 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.908017/201110 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801002.778 – 1ª Turma Especial Sessão de 30 de janeiro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SAGGA AUTO PECAS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 80 17 /2 01 1- 10 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.908017/201110 Acórdão n.º 3801002.778 S3TE01 Fl. 66 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 930818844 emitido eletronicamente em 04/05/11, fls. 40, referente ao PER/DCOMP nº 28726.23622.200607.1.3.045109 (doc. de fls. 4144). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$3.204,97, representado por Darf recolhido em 15/09/04 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 2), alegando que no período de 31/08/2004 o valor do imposto, código 2172 foi informado indevidamente através da DCTF de 11/11/2004; que o mesmo foi recolhido em 15/09/2004 no valor de R$ 4217,62; que posteriormente apurouse o valor correto de R$1012,65, originando o crédito; que naquela época o contador não retificou a DCTF; que a empresa tentou retificar a DCTF, mas não obteve êxito. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.908017/201110 Acórdão n.º 3801002.778 S3TE01 Fl. 67 3 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual, alega, em síntese, que: · A Recorrente após verificação analítica em sua escrita fiscal percebeu que havia recolhido a maior valores devidos a título de contribuição para Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. · Em momento algum do feito foi questionado pela Recorrida a existência do crédito, sua origem e legalidade. As decisões foram tomadas apenas com base no descumprimento de obrigação acessória.; · ausência de retificação da DCTF não retira do contribuinte o direito ao crédito, ele existe, e, em momento algum foi questionado. · A apropriação de créditos extemporâneos das contribuições ao Pis e a Cofins não pressupõe a retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídicocontábil da competência, o que implica afirmar que o entendimento adotado no r. acórdão não encontra respaldo legal. É o Relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.908017/201110 Acórdão n.º 3801002.778 S3TE01 Fl. 68 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, do período de apuração de 31/08/2004, que teria sido paga a maior. Alega ainda que efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foi acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, caso acompanhado de documentos comprobatórios, o que inclusive poderia acarretar em eventual retificação de ofício. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito ou que se pudesse ao menos considerar como prova indiciária. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.908017/201110 Acórdão n.º 3801002.778 S3TE01 Fl. 69 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 69DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13603.002601/2003-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com raciocínio pertinente e nos prazos devidos, o seu direito de defesa.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial do prazo decadencial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, Art. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, Art. 150, § 4º). O Fato Gerador do imposto sobre a renda das pessoas físicas, apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre em 31 de dezembro do ano de apuração.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO. DESNECESSÁRIO COMPROVAR O CONSUMO DA RENDA.SÚMULA CARF Nº 26.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os depósitos devem ser analisados e comprovados de forma individualizada (§ 3º).
A presunção estabelecida no dispositivo legal citado dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26)
PRODUÇÃO DE PROVAS. PRINCÍPIOS E NORMAS. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS A IMPUGNAÇÃO.
O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa, comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais.
DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS.
Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. Não cabe incumbir o Fisco da realização de diligências que visem tão somente produzir provas em favor das alegações do contribuinte, a quem competiria esse ônus probatório.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a parcela de R$ 12.665,96, referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada apurada no ano-calendário de 2000. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Assinado digitalmente
Tania Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com raciocínio pertinente e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial do prazo decadencial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, Art. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, Art. 150, § 4º). O Fato Gerador do imposto sobre a renda das pessoas físicas, apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre em 31 de dezembro do ano de apuração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO. DESNECESSÁRIO COMPROVAR O CONSUMO DA RENDA.SÚMULA CARF Nº 26. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os depósitos devem ser analisados e comprovados de forma individualizada (§ 3º). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 26 01 /2 00 3- 61 Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.055 2 A presunção estabelecida no dispositivo legal citado dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26) PRODUÇÃO DE PROVAS. PRINCÍPIOS E NORMAS. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS A IMPUGNAÇÃO. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa, comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. Não cabe incumbir o Fisco da realização de diligências que visem tão somente produzir provas em favor das alegações do contribuinte, a quem competiria esse ônus probatório. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a parcela de R$ 12.665,96, referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada apurada no anocalendário de 2000. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Contra o contribuinte identificado foi lavrado Auto de Infração, em 06 de novembro de 2003, conforme folhas 08 a 17 (a numeração de folhas a que me refiro aqui é a correspondente ao arquivo eletrônicoformato .pdf, existente após a digitalização do processo), onde foi exigido Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, no valor de R$ 155.844,68 Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.056 3 acrescido de multa proporcional de 75%, no valor de R$ 116.883,50, e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic. Na “descrição dos fatos” (fl. 10), verifico as seguintes infrações apontadas: 001 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados / comprovados, conforme devidamente esclarecido no Termo de Verificação Fiscal e nos demonstrativos que integram o auto de infração. Fato Gerador 31/05/1999; 30/06/1999; 31/12/1999. Valor Tributável ou Imposto, respectivamente, R$ 156.358,28; R$ 8.299,66; R$ 69.841,39. Multa (%) 75,00. 002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal e Demonstrativos que são parte deste auto de infração. Apurouse depósitos com origem não comprovada, mensalmente, de janeiro de 1998 a dezembro de 2000 (fls. 11 e 12), resultando em imposto lançado no valor de R$ 27.958,10 em 1998; R$ 109.880,30 em 1999 e R$ 18.008,28 em 2000. No Termo de Verificação Fiscal, colho, em resumo, as seguintes informações: Em 29/04/02 e 09/05/02, respectivamente, o contribuinte apresentou respostas escritas ao Termo de Intimação 052/2002 (fls. 84/85), tendo anexado, entre outros, os seguintes documentos relativos aos supracitados anoscalendário: • Extratos da conta corrente n° 052914, movimentada em conjunto com Wanderléia Ritter no período de 01/01/1998 a 31/12/2000 junto ao Banco do Brasil S/A (fls. 86/153); • Extratos da conta corrente n° 972.97054, movimentada em conjunto com Wanderléia Ritter junto ao Citibank N.A, relativos ao período de 01/01/1998 a 31/12/2000 (fls. 154/204). Em 01/08/2002, a Sra. Wanderléia Ritter apresentou resposta escrita ao Termo de Intimação 0123/2002 (fls. 208/209), do qual tomou ciência em 18/07/2002(fls. 205/207), não tendo anexado nenhum documento. ... Após a análise dos extratos bancários supracitados, elaboramos os seguintes demonstrativos, os quais encaminhamos ao contribuinte, em 28/02/2003, anexos ao Termo de Intimação n° 0131/2003 (fls. 274/289), através Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.057 4 do qual foi exigida a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, da origem dos recursos depositados/creditados, no período em referência: Demonstrativos de Valores Creditados em Conta de Depósito Cuja Origem Deve Ser Comprovada, anos calendário 1998 a 2000; Demonstrativo de Valores Creditados em Conta de Depósito de Origem Comprovada, anocalendário 1998 a 2000, nos quais foram relacionados os valores creditados nas contas bancárias que, pelo próprio histórico dos lançamentos, têm sua origem comprovada; Demonstrativo de Valores Creditados em Conta de Depósito a Título de Estorno de Débito, anos calendário 1998 a 2000. ... Considerando que o contribuinte e Wanderléia Ritter informaram, nos Quadro Demonstrativo de Movimentação Financeira Diária — Em Dinheiro, relativo ao ano de 1998 e 1999, que efetuou venda de dólares nos referidos anos, intimamolos, através do Termos de Intimação n° 0337/2003 e 0338/2003(fls. 512 e 515), a apresentar documentos comprobatórios das aquisições e alienações de dólares ocorridas em 1998 e 1999. Tendo tomado ciência dos T.I. 0337/2003 e 0338/2003 em 18/06/03 (fls. 513 e 516), o contribuinte e Wanderléia Ritter apresentaram respostas escritas, em 27/06/2003, limitandose a informar que os dólares foram adquiridos de diversos particulares e vendidos, igualmente, para diversos particulares, não tendo apresentado nenhum documento comprobatório (fls. 514 e 517/518). ... É admissível imaginar um saque em dinheiro em uma determinada conta corrente para depósito em outra conta para, por exemplo, cobrir um saldo devedor. Entretanto, é inconcebível imaginar um correntista sacando recursos na conta corrente movimentada junto ao Citibank, cujo saldo já estava devedor, para mantêlos guardados em sua residência, onde já dispunha de vultosas quantias em espécie, segundo informações prestadas nos demonstrativos apresentados. ... Inconcebível, também, é uma pessoa pagar valores relativamente altos a título de juros bancários, enquanto mantém recursos em espécie guardados em sua casa, conforme se pode ver no quadro abaixo, elaborado com base nos extratos bancários de fls. 86/204 e nos demonstrativos supracitados. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.058 5 ... É plausível imaginar, apenas a título de exemplo, que o contribuinte, no dia 02/03/1998, efetue saque de recursos em sua contacorrente, mantida no Banco CITIBANK, no montante de R$ 5.611,26, pagando CPMF, mantenha esse valor em mãos durante todo o mês, e efetue um depósito de R$ 5.000,00 no dia 31/03/1998? De todo o exposto, concluise que os "Demonstrativo da Movimentação Financeira Diária — Em Dinheiro" não se prestam para o fim para o qual foram elaborados, isto é, comprovar os depósitos efetuados em dinheiro. Concluise, portanto, que não restou comprovada a origem dos recursos que lastrearam os depósitos em dinheiro efetuados nas contas mantidas pelo contribuinte, em conjunto com Wandeirléia Ritter, no Banco do Brasil S/A e no Citibank. O contribuinte, dessa forma, não se livrou desse ônus. Assim sendo, cumprenos lançar como rendimentos omitidos os valores creditados em conta de depósito, em dinheiro, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme demonstrativos de fl. 26/46. Da mesma forma, estamos lançando, como rendimentos omitidos, os valores relativos àqueles depósitos em cheque não comprovados com a apresentação de documentos hábeis e idôneos. ... Conforme devidamente apurado nos demonstrativos de fls. 52/60, foram apurados, no ano calendário 1999, os seguintes acréscimos patrimoniais a descoberto, respectivamente nos meses de maio, junho e dezembro, em relação aos quais o contribuinte, apesar de intimado, não apresentou documentos comprobatórios da origem dos recursos utilizados para acobertálos: R$ 156.358,33; R$ 8.299,67 e R$ 69.841,45. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação, conforme folhas 625 a 730 que foi conhecida e, em resumo, assim tratada pela DRJ: Quanto ao direito de defesa, entendeu injustificado reclamar de seu cerceamento. Diz que o Dec. n° 70.235, de 1972, e alterações posteriores, tratou da lide fiscal como algo que gira em torno da exigência fiscal e é por ela delimitada. Conclui que antes da formalização da exigência, ou seja, antes da ciência do Auto de Infração, não há o que contestar, não há "acusação", não há do que se defender, não há litígio. No tocante aos requisitos específicos do Auto de Infração, destacou que houve o regular lançamento, procedimento administrativo, por meio do qual o servidor competente qualificou o sujeito passivo, descreveu os fatos, apontou as disposições legais infringidas e a penalidade aplicável, e determinou a exigência com a respectiva intimação para cumprila ou impugnála no prazo legal. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.059 6 Quanto ao requerimento de diligência, manifestou que por força do § 10 do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, acrescido pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993, considerase não formulado o pedido que deixe de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 precitado. Assim, indeferiu o pedido de diligência junto à estabelecimentos bancários, que, ressaltou, visava a produzir provas a cargo do contribuinte. Após defender a possibilidade legal da tributação de rendimentos considerados omitidos, a partir de depósitos bancários cuja origem não for comprovada com documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado, a Autoridade Julgadora consignou que a mera elaboração dos quadros demonstrativos, desacompanhada de outros elementos de provas, não é suficiente para comprovar a origem dos depósitos bancários objeto de lançamento. Registrou que, diferentemente do que argumenta o contribuinte, não são descabidas as considerações da autoridade lançadora acerca dos demonstrativos apresentados e que o interessado, ao apresentar sua impugnação, não logrou trazer elementos de prova hábeis para rebatêlas. Portanto, entendeu cabível manter a exigência formalizada. Destacou que sustenta o interessado que o lançamento é atípico, vez que não houvera o rateio entre os cônjuges dos valores encontrados pela fiscalização, que decorrem de depósitos em contas conjuntas e que o fato de ter apresentado declarações em conjunto para os exercícios 2000 e 2001 não desconstitui a existência de direitos individuais. A respeito, esclareceu que, ao optarem pela declaração em conjunto para os exercícios 2000 e 2001, os rendimentos do cônjuge devem ser acrescidos aos do contribuinte declarante para efeitos de cálculo do imposto devido. Em conseqüência, irrelevante seria o rateio invocado em relação a esses períodos, pois o resultado final não seria alterado, eis que, independentemente do rateio, o montante dos rendimentos omitidos dos dois cônjuges seria somado na declaração de rendimentos em conjunto. Em relação ao exercício 1999, foi feito o rateio previsto no § 6° do inciso II do § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, eis que as declarações dos cônjuges foram apresentadas separadamente. Entendeu excluir do valor lançado a título de omissão de rendimentos decorrente de depósitos de origem não comprovada relativo ao exercício 2001 os depósitos que não ultrapassaram R$ 12.000,00, vez que o seu montante é inferior ao limite legal supra. Como resultado, remanesce apenas, em relação ao exercício 2001, o depósito em dinheiro de R$ 12.665,96, em 01/12/2000. Sustenta o interessado que referido depósito, entretanto, é comprovado pelo saque realizado em 28/11/2000, no valor de R$ 30.000,00 (na verdade tratase de um cheque sacado no caixa). Todavia, destacou o Julgador, esse argumento, desacompanhado de outros documentos, por exemplo cópia do cheque a que se refere a transação, não é suficiente para esclarecer a origem, pois, entre outras questões, não se comprova sequer que foi o contribuinte quem sacou a quantia por meio do cheque apontado. Assim sendo, reduziu o imposto relativo ao exercício 2001 de R$ 18.006,28 para o valor de R$ 1.372,81. Entendendo ser relevante o argumento para que fosse desconsiderada a aplicação de recursos no valor de R$ 72.000,00, no mês de dezembro de 1999, reduziu a aplicação no mês apontado de R$ 124.535,99 para R$ 52.535,99. Como as origens (R$ 35.270,68) somadas ao saldo do mês anterior (R$ 19.423,92) perfazem R$ 54.694,60, cancelou o lançamento, no que tange ao acréscimo patrimonial a descoberto apurado em dezembro de 1999 (R$ 69.841,39). Desse modo, restaram apenas os valores apurados em relação aos meses Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.060 7 de maio e junho de 1999. Como resultado reduzse o imposto lançado em relação ao exercício 2000 em R$ 19.206,38. Tendo o contribuinte alegado e intentado computar como origem de recursos o valor de R$ 67.000,00, recebido em ação de execução onde figura como exeqüente Wanderléia Ritter, salientou que o interessado foi intimado e reintimado a apresentar as peças que compõem o processo n° 024.99.075.1877, que permitissem à fiscalização apurar a natureza dos valores recebidos da empresa Inter Oil Ltda e que foram informados como rendimentos isentos na Declaração de Ajuste Anual. Destacou que o recibo indicado, desacompanhado de outros elementos de convicção, não é suficiente para se considerar o valor apontado como origem de recursos. Assim, não acatou o argumento. Em conclusão, por maioria de votos, entenderam por julgar o lançamento procedente em parte, na esteira do Voto do Relator, para: • reduzir o imposto suplementar do exercício 2000, anocalendário 1999, para R$ 90.673,92 (noventa mil, seiscentos e setenta e três reais e noventa e dois centavos), com multa de oficio e juros de mora; • reduzir o imposto suplementar do exercício 2001, anocalendário 2000, para R$ 1.372,81 (mil, trezentos e setenta e dois reais e oitenta e um centavos), com multa de oficio e juros de mora; • manter inalterados os demais valores lançados. Cientificado do Acórdão de 1ª instância em 08/01/2007 (fl. 778) e ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 07/02/2007 (fl. 784) onde repisa as mesmas razões expendidas em sede de impugnação, dizendo, em síntese: 1. que houve cerceamento do direito de defesa e nulidade do procedimento fiscal, considerando que, como descreve, apesar de seus esforços, não conseguiu obter cópias dos cheques depositados no Banco do Brasil e no Citibank. Assim, a determinação contida na intimação fiscal tornouse dificultosa ou impossível, resultando na ausência de justificativa para os depósitos feitos em cheques, nas instituições citadas. A Fiscalização poderia ter obtido diretamente das instituições financeiras essas cópias micro filmadas e as entregue ao contribuinte, para que pudesse exercer seu direito de defesa. Como não o fez, teve seu direito cerceado e invoca essa realidade para concluir pela nulidade do Auto de Infração. Continuando, trata das presunções no campo tributário, para concluir que não poderia serlhe imputado fato presumido se a prova for impossível ou de difícil produção, já que violaria seu direito à ampla defesa; 2. que a hipótese de incidência do imposto sobre a renda é condicionada à disponibilidade de acréscimo patrimonial. Cita artigos do CTN e doutrina para concluir e grifar que “depósito bancário não é renda”; 3. que as presunções no campo do direito tributário devem observar a exatidão legal do tributo e o princípio da verdade material que não foram preservados no procedimento em caso; 4. questiona longamente, citando doutrina e jurisprudência, o emprego de depósitos bancários como base para a presunção legal de omissão de rendimentos. Conclui que Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.061 8 para uma pessoa física, no rigor exigido pelo Fisco, a prova não poderá ser produzida. Trata mais uma vez da questão de não ser o depósito bancário prova de acréscimo patrimonial; 5. entende que logrou comprovar, no período de janeiro a dezembro de 1998, os depósitos em dinheiro efetuados nas contas correntes, que foram movimentadas em conjunto, por ele e sua esposa, com a elaboração de quadros demonstrativos, refutados pela Fiscalização e pela DRJ. Cita, “a título de exemplo”, correlação entre alienações de veículos e saques e depósitos em dinheiro. Conclui que “é patente o nexo causal entre os depósitos em moeda corrente e as origens de recursos mensais, obtidos pela casal”. Alega que o ônus de comprovar que esses rendimentos não existiram cabe ao Fisco, o que não existe nos autos; 6. em relação aos depósitos em cheques, elaboraram quadros demonstrativos, mas não foram comprovados porque não tem a certeza e a segurança necessárias ao bom juízo sobre os mesmos, uma vez que não conseguiu as cópias dos cheques. Discorre sobre a produção de provas com base em jurisprudência administrativa; 7. no que toca am ano calendário de 1999, ressalta que a DIRPF foi apresentada em conjunto e que as contas bancárias eram movimentadas em conjunto.Entende que o quadro demonstrativo que elaboraram, demonstram a suficiência de dinheiro para justificar os depósitos em espécie. Para os depósitos em cheque, diz que o montante não comprovado, que deveria ser rateado entre os cônjuges, não ultrapassaria os limites estabelecidos pela lei nº 9.430/1996; 8. Cita jurisprudência administrativa para concluir que tinha numerário, em moeda estrangeira convertida para moeda nacional, declarado em DIRPF, que daria suporte a diversos depósitos em espécie. Também obteve rendimentos decorrentes de ação de execução movida contra a empresa Inter Oil Ltda; 9. elabora nova planilha, a título de exemplo, para comprovar relação entre origem de recursos e depósitos; 10. em relação ao ano calendário de 2000, constata que somente um dos depósitos tomados por não comprovados, efetuado em dinheiro, ultrapassou o limite de R$ 12.000,00 (exatos R$ 12.665,96). Alega que tal importância foi justificada, por saque em dinheiro, no caixa, no valor de R$ 30.000,00 tendo, três dias depois, depositado parte do valor; 11. no que se refere ao acréscimo patrimonial a descoberto, identifica que o lançamento ocorreu, em relação ao ano calendário de 1999. Nos autos, a Autoridade Lançadora “tentou provar” o fato gerador do imposto, considerando somente os saldos existentes na DIRPF/2000. Indica que o saldo de recursos indicado no mês de dezembro do ano calendário de 1998 não foi transferido para o ano subseqüente, sem que o Fico provasse que foram eles consumidos até o fim do ano de 1999; 12. discute o critério empregado pela Autoridade Lançadora, ao não considerar saldo de R$ 217.800,00 registrado na DIRPF/1999 para o ano seguinte. O Recorrente não concorda ainda com a retificação efetuada pela Autoridade Julgadora, alterou em parte o lançamento, nesse aspecto. Assim, elabora novos demonstrativos, que anexa, para concluir que os valores apurados em maio e junho de 1999 não serão devidos; 13. aponta ainda como equivocado o lançamento fiscal ao não considerar o recebimento da importância de R$ 67.000,00, em moeda corrente, junto à empresa Inter Oil Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.062 9 Ltda. Assim, tal importância deveria ser considerada como “origem” no mês de outubro de 1999. Explica a questão a partir de Ação de Execução movida contra a referida empresa; Desta feita, requer a acolhida de seu Recurso para cancelar o presente Auto de Infração, quer pelo fundamento de sua nulidade, quer em razão de estar em desacordo com o CTN, quer pelas razões de mérito; Informa que o recurso contém seis anexos e que o presente processo contém parte da matéria tributável, no que diz respeito aos depósitos bancários não comprovados, decorrente do processo nº 13603.002600/200316, lavrado em desfavor de Wanderléia Ritter, sua esposa. Em 18 de junho de 2007, portanto após a apresentação do recurso voluntário, o contribuinte apresentou expediente requerendo que fossem juntados, naquela oportunidade, as cópias dos cheques micro filmados relativos aos anoscalendário de 1998 a 2000, disponibilizadas em 12 de junho de 2007 pela instituição financeira Citibank S/A. Retifica os Anexos denominados “B", "C" e "F", constantes do Recurso Voluntário, uma vez que nos quadros demonstrativos de movimentação financeira constantes destes anexos não foram indicadas as "fls." onde se encontram os documentos citados no Recurso e constantes do processo em epígrafe. finalmente, reitera os termos da sua impugnação, especialmente no que tange a decadência dos valores lançados no período de janeiro a novembro de 1998. Pede processamento do pedido, nos termos do art. 16, § 4°, letra "a" e § 6° do decreto n.° 70.235/1972. A partir da fl. 1.020, existem 12 cópias de cheques, frente e verso. Em 31/08/2007, veio aos autos manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional que ressalta que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação do sujeito passivo, não podendo ser carreada aos autos após tal momento processual. Salienta a ilustre Procuradora que, no caso dos autos, não se comprovou a impossibilidade de apresentação oportuna ou a existência de fato superveniente. Para tanto, basta ver que a impugnação do contribuinte foi protocolizada em 15/12/2003; ao passo em que os cheques objeto de microfilmagem, constantes às fls. 964/976, foram emitidos no período de 1998 a 2000. A solicitação dos documentos à instituição financeira, por sua vez, só foi efetivada em 23/01/2007, vide documento de fl. 961. Diante do exposto, a União requereu que sejam desconsiderados os documentos de retificação/complemento do recurso e cópias de cheques citadas, os quais, alega, por intempestivos, não se prestam a consubstanciar o julgamento deste Conselho, bem como pugnou pelo seu desentranhamento dos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, obedecidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.063 10 PRELIMINARES. O magistério de HUMBERTO THEODORO JUNIOR traz que todos os atos processuais são preclusivos. Portanto, decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar o ato. Opera, para o que se manteve inerte, aquele fenômeno que se denomina preclusão processual, que, nesse caso, vem a ser a perda da faculdade ou direito processual, que se extingue pelo não exercício em tempo útil . A preclusão existe no processo moderno erigida à classe de um princípio básico ou fundamental do procedimento. Com esse método, evitase o desenvolvimento arbitrário do processo. (THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed. Rio de Janeiro, Forense : 2004, p. 229/230) A norma do PAF, Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Ou seja, encontrase nela uma determinada finalidade. A análise fria da norma chocase, prima facie, com os princípios da verdade material, sempre considerado nos julgamentos administrativos, e com a ampla defesa, homenageada no texto constitucional. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entende abalizada doutrina, contudo, que, apesar disso, a lei específica, no caso o Decreto nº 70.235/1972, aplicarseia ao processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Entretanto, como concluem ressalvando correntes em contrário MARIA TERESA MARTÍNEZ LOPEZ e MARCELA CHEFFER BIANCHINI, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, verificase a tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos “notórios ou incontroversos”, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Assim, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (A Prova no Processo Tributário, Coord. NEDER, Marcos Vinícius e outros – São Paulo : Dialética, 2010, p. 34 a 51) No caso deste processo, o contribuinte vem alegando sobre a dificuldade/impossibilidade de obtenção das cópias micro filmadas dos cheques desde a fase de apuração do crédito tributário, tendo manifestado isso aos Auditores Fiscais, na impugnação e Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.064 11 no recurso. Anexou aos autos cópias dos pedidos enviados aos bancos e das respostas das instituições financeiras. Inclusive, a base de seu pedido de nulidade processual por cerceamento de defesa se encontra, justamente, no não acesso a tais documentos. Não obstante as considerações pertinentes realizadas pela Autoridade Julgadora de 1ª instância, que complementaremos em item específico adiante (1.3), entendo que não há sustentação do recurso em dois aspectos: a) o contribuinte requereu a dilação probatória para que o Fisco diligenciasse junto às instituições financeiras. Vejo impropriedades, portanto, no pedido. Primeiro porque o ônus da prova, no caso, é do contribuinte e não do Fisco. Não cabe determinar que o Fisco produza provas em proveito das alegações do Recorrente. Entendo, como o Julgador de 1ª instância, que não há como admitir a realização de Diligência que vise tão somente transferir o ônus probatório ao Fisco. Segundo porque, ao contrário do que alegou, o Fisco não lhe exigiu a cópia dos cheques, ele é que condicionou a essas cópias suas justificativas, que poderiam ser feitas por qualquer documento civil ou comercial, a seu cargo e de sua responsabilidade; b) o contribuinte levantou a nulidade do procedimento por cerceamento de defesa, na fase de constituição do crédito tributário. Como também já assentou o Julgador a quo, é a impugnação da exigência que instaura a fase litigiosa do procedimento, não se falando em cerceamento de defesa durante a fase prévia ao ato de lançamento. Assim, observados todos os ditames do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, como foi o caso, possibilitando ao contribuinte o conhecimento da matéria fática e legal, de forma a exercer seu direito com lógica e dentro dos prazos previstos, não vejo que tenha havido qualquer vício de nulidade no procedimento. Ademais, ressalto que o Auditor Fiscal assinalou que todos os pedidos de prorrogação de prazo efetuados pelo contribuinte para atendimento das intimações foram acolhidos, durante a fiscalização. Se houve negativa das instituições financeiras em fornecer documentos (cópias de cheques) que o contribuinte reputou imprescindíveis a comprovarem suas alegações, competia ao fiscalizado empreender os mecanismos jurídicolegais para defesa de seus direitos. Concluindo: 1) tomamos conhecimento de todos os documentos que constam dos autos até este momento, que possibilitem ao contribuinte seu amplo direito de defesa e ao julgador a formação de seu livre convencimento, sem que isso venha a prejudicar a marcha processual; 2) entendemos pelo indeferimento do pedido do contribuinte de diligências a serem feitas pelo Fisco para obtenção de documentos junto a instituições financeiras, que aproveitem apenas a suas alegações e 3) pela improcedência das alegações de nulidade do procedimento e de cerceamento do direito de defesa. DA DECADÊNCIA. No que diz respeito à decadência levantada, para os tributos lançados por homologação, temos sempre lembrado do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.065 12 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Considerando ainda a Súmula CARF nº 38, temse que o fato gerador do tributo, para o caso, ocorreu em 31 de dezembro de 1998. Vejamos: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portanto, conjugando o entendimento, em sede de recurso repetitivo, do STJ com a Súmula Administrativa, estando os Conselheiros regimentalmente obrigados a observar ambos, ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de 1998, o Fisco teria até 31 de dezembro de 2003, para efetuar o lançamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, onde houve antecipação de pagamento e não se constatou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, na forma da lei. Como a ciência do Auto de Infração deuse em 13/11/2003 (fl.622), não há que se falar em decadência do lançamento guerreado. MÉRITO. DAS CONTAS CONJUNTAS. Considerando que as contas correntes auditadas eram conjuntas entre os cônjuges, GUILDNER CARVALHO e WANDERLÉIA RITTER, a fiscalização, obedecendo o comando legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, efetuou o lançamento dos valores apurados em 50% para cada titular, no ano calendário de 1998. Colho do Termo de Verificação Fiscal, fl. 25: Quanto ao exercício 1999, os valores mensais dos rendimentos omitidos, em relação à movimentação fmanceira efetuada nas contas correntes mantidas junto ao Banco do Brasil e Citibank, foram obtidos mediante a divisão por dois dos valores depositados/creditados de origem não comprovada, consoante determinação expressa no § 6° do art. 42 da Lei n° 9.430/96, uma vez que as contas foram movimentadas conjuntamente com Wanderléia Ritter e os titulares das contas apresentaram Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda daPessoa Física em separado... Ademais, obedeceram os Auditores Fiscais ao previsto em Súmula deste CARF, como se observa nos Termos dos autos: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.066 13 infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Para os anos calendário de 1999 e 2000, as DIRPF foram entregues “em conjunto” pelo casal (fls. 67 e 71). Assim, não haveria porque, como também já assentou o Julgador de 1ª instância, realizar um lançamento em separado. Reputo acertadas as seguintes considerações efetuadas no Acórdão recorrido (fl. 773): Sustenta o interessado que o lançamento é atípico, vez que não houve o rateio entre os cônjuges dos valores encontrados pela fiscalização, que decorrem de depósitos em contas conjuntas. Aduz que o fato de ter apresentado declarações em conjunto para os exercícios 2000 e 2001 não desconstitui a existência de direitos individuais. A respeito, esclareçase que, ao optarem pela declaração em conjunto para os exercícios 2000 e 2001, os rendimentos do cônjuge devem ser acrescidos aos do contribuinte declarante para efeitos de cálculo do imposto devido. Em conseqüência, irrelevante seria o rateio invocado em relação a esses períodos, pois o resultado final não seria alterado, eis que, independentemente do rateio, o montante dos rendimentos omitidos dos dois cônjuges seria somado na declaração de rendimentos em conjunto (fls. 65 a 72). Em relação ao exercício 1999, foi feito o rateio previsto no § 6° do inciso II do § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, eis que as declarações dos cônjuges foram apresentadas separadamente (fls. 12 e 33). Enfim, quando a Lei 9.430/1996 com modificações posteriores, ao estabelecer limites para o montante total dos depósitos (R$ 80.000,00 ao ano) e individual (R$ 12.000,00), referiuse aos “créditos não comprovados nas contas”, não aos créditos não comprovados rateados por titular, como quer fazer crer o Recorrente. 1. DA OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O Termo de Verificação Fiscal que integra o Auto de Infração (fls. 18) é de clareza meridiana e descreve com precisão o procedimento, pelo que transcrevemolo nas partes que entendemos necessárias à análise: Em 29/04/02 e 09/05/02, respectivamente, o contribuinte apresentou respostas escritas ao Termo de Intimação 052/2002 (fls. 84/85), tendo anexado, entre outros, os seguintes documentos relativos aos supracitados anoscalendário: • Extratos da conta corrente n° 052914, movimentada em conjunto com Wanderléia Ritter no período de 01/01/1998 a 31/12/2000 junto ao Banco do Brasil S/A (fls. 86/153); • Extratos da conta corrente n° 972.97054, movimentada em conjunto com Wanderléia Ritter junto ao Citibank N.A, relativos ao período de 01/01/1998 a 31/12/2000 (fls. 154/204). Em 01/08/2002, a Sra. Wanderléia Ritter apresentou resposta escrita ao Termo de Intimação 0123/2002 (fls. 208/209), do qual Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.067 14 tomou ciência em 18/07/2002(fls. 205/207), não tendo anexado nenhum documento. ... Constatamos a ocorrência de omissões de rendimentos caracterizadas por depósitos/créditos em contas de depósito em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não logrou comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assim, passamos a tratar da questão. Os extratos foram apresentados pelo próprio contribuinte intimado (fl. 87), como também se depreende do excerto acima transcrito, e não há nos autos discussão sobre a forma de obtenção e a utilização pelo Fisco dos dados bancários. Quanto à possibilidade de presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários em contas correntes de titularidade do fiscalizado, sobre os quais o mesmo, regularmente intimado, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos, guarda abrigo expresso em texto da Lei nº 9.430/1996, nos termos do art. 42. “Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Ademais, temos a Súmula CARF nº 26, de aplicação obrigatória pelos Conselheiros, que dispõe que: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. A Súmula, portanto, reconhecendo o procedimento calcado na lei, consubstancia o entendimento da instância julgadora, trazendo eficiência, confiança, segurança e isonomia aos processos que tratem da mesma matéria. Assim, eventuais entendimentos em contrário, trazidos pelo Recorrente, proferidos em épocas passadas pelo antigo Conselho de Contribuintes, estão superados e sem aplicação. De acordo com o dispositivo supra, basta ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Desta feita, as considerações efetuadas pelo Recorrente a fim de ilidir o procedimento fiscal no sentido de que “depósitos bancários não representam acréscimo patrimonial” e, portanto, estariam fora do campo de incidência do imposto sobre a renda estão em confronto com expressa previsão legal e com entendimento pacificado por esta instância administrativa. Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.068 15 Ademais, sirvome mais uma vez dos termos do Acórdão recorrido para ratificar que não se tributam os depósitos bancários, mas os rendimentos presumidamente omitidos, que se apuram mediante a constatação dos depósitos sem origem em rendimentos comprovados. Quanto ao cabimento do dispositivo legal dentro do ordenamento jurídico pátrio, lembro que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) 1.1 DEPÓSITOS BANCÁRIOS EM ESPÉCIE ANOS 1998 e 1999. O Recorrente quer que sejam consideradas planilhas que ele elabora para demonstrar que ele e sua esposa dispunham de numerário suficiente, em cada mês do ano de 1998, para “cobrir” os montantes de depósitos em espécie (dinheiro) apurados pela Fiscalização. Assim, aponta que a venda de um veículo por R$ 24.000,00 em 15/01/1998 serviria para justificar um depósito de R$ 1.000,00 em 10/02/1998 e outro de R$ 9.000,00 em 13/02/1998, como consta da fl. 807, em seu recurso voluntário, “a título de ilustração”. Depois, na planilha de fl. 842 utiliza este mesmo recurso da venda do veículo, de R$ 24.000,00, para demonstrar que tinha dinheiro para subsidiar o depósito de R$ 500,00 apontado pela Fiscalização em janeiro de 1998. Na mesma toada, diz que depósitos efetuados no Citibank em 10/03/1998 e 12/03/1998 (R$ 4.240,00 e R$ 5.426,48, respectivamente) decorrem do dinheiro obtido pela venda de outro veículo em 17/02/1998, por R$ 50.000,00 (recurso fl. 808). Para o mês de março/1998, alega que a “venda a vista” de um terceiro veículo, no dia 16/03/1998, por 70.000,00, serviria para justificar um depósito de R$ 5.000,00 no dia 31/03/1998. Esse depósito, por exemplo, foi feito no Citibank, onde o contribuinte teve saldo negativo naquele mês e pagou juros, conforme se observa no Termo de Verificação Fiscal. Contudo, não há qualquer correspondência entre “datas e valores” de origens/depósitos nas planilhas elaboradas pelo contribuinte. Como já apontara a Fiscalização, existem situações em que sacou valores, deixando saldo negativo na conta e pagando juros, e depois quer justificar o depósito com este mesmo saque. A tributação de depósitos bancários é particular e exige que o contribuinte intimado demonstre, ao mínimo, uma razoável relação entre a justificativa e o depósito. Se não perfeitamente correspondentes em data e valor, pelo menos razoavelmente ligados, para que se possa firmar convencimento de que aquela origem guarda relação com aquele depósito. Não há a mínima correspondência ou mesmo lógica nas planilhas e alegações do contribuinte, nesse aspecto. Portanto, entendo pertinentes as razões expendidas pela Autoridade lançadora, para desconsiderar as alegações do contribuinte. Em sua peça recursal, o contribuinte tenta inverter o ônus da prova, alegando que possuía dinheiro em mãos que suportaria o valor total dos depósitos. Entretanto, a análise Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.069 16 da comprovação de depósitos bancários, como concebida pela Lei 9.430/1996, deve ser feita “individualizadamente”, e não em totais mensais, como nas planilhas elaboradas pelo Recorrente. A análise individual de cada depósito, para os fins do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 é expressa no § 3º do dispositivo legal. Desta feita, entendo que não restou elidida a presunção a favor do Fisco, a quem, nas palavras do Recorrente, “caberia comprovar que os rendimentos não existiram”. Verificada a ocorrência do depósito, discutese é se a origem do recurso apontada guarda relação ao mínimo lógica e razoável, em datas e valores, com os depósitos bancários, verificados um a um, repito. 1.2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS EM ESPÉCIE ANO 2000. Após o julgamento de 1ª instância, remanesce em exigência apenas o depósito de R$ 12.665,96 efetuado em dinheiro na data de 01/12/2000 (fl. 207, extrato do Citibank), considerando que o total apontado como omissão não ultrapassou R$ 80.000,00 e este é o único depósito cujo valor ultrapassa R$ 12.000,00, limites estabelecidos pela Lei nº 9.430/1996, art. 42. O contribuinte justificao, individualmente, na forma como se reputou correta no item anterior, com o saque no valor de R$ 30.000,00, que teria sido efetuado mediante cheque “sacado na boca do caixa”. No Acórdão recorrido, assim tratou este assunto a Autoridade Julgadora (fls. 773/4): Como resultado, remanesce apenas, em relação ao exercício 2001 o depósito em dinheiro de R$ 12.665,96, em 01/12/2000. Sustenta o interessado que referido depósito, entretanto, é comprovado pelo saque realizado em 28/11/2000, no valor de R$ 30.000,00 (na verdade tratase de um cheque sacado no caixa fls. 202 e 471). Todavia, esse argumento, desacompanhado de outros documentos, por exemplo cópia do cheque a que se refere a transação, não é suficiente para esclarecer a origem, pois, entre outras questões, não se comprova sequer que foi o contribuinte quem sacou a quantia por meio do cheque apontado....(grifei) Depreendese, portanto, que entendeu o julgamento a quo que, se apresentada a cópia do cheque, demonstrando que foi o próprio contribuinte a realizar o saque, admitiria a alegação, restando comprovada a origem do recurso depositado. A cópia encontrase anexada, agora, à folha 1.042, onde se verifica o saque de R$ 30.000,00 no dia 28 de novembro de 2000, pelo próprio emitente Guildner. No extrato bancário de fl. 207 verificase o cheque pago com o resgate do mesmo valor sob a rubrica “resg. fundo mutuo” e, três dias depois, o depósito aqui em questão. Assim, como o Julgamento recorrido já indicara a aceitação da justificativa realizada, condicionandoa entretanto à apresentação da cópia do cheque, indeferila agora, por qualquer outro motivo, seria, de plano, inviabilizar a defesa do contribuinte, que expressamente manifestouse sobre isso no recurso, conforme fl. 822: Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.070 17 ... o ilustre julgador entendeu que a justificativa do contribuinte, desacompanhada de outros elementos de prova, por exemplo, a cópia do cheque a que se refere a transação, não é suficiente para esclarecer a origem, pois, entre outras questões, não se comprova sequer que foi o contribuinte quem sacou aquela quantia. Nesse sentido, o recorrente solicitou junto ao Citibank, em 23/01/2007, a cópia do referido cheque, conforme doc. de fls. 01/02 e constante do ANEXO "F", do Recurso. Entretanto, até a data de 07/02/2007 o banco não remeteu a cópia do cheque em questão, ao que, o contribuinte juntará a referida cópia, tal logo a mesma lhe seja encaminhada, entendendo o recorrente ser moralmente legítima a juntada da cópia do cheque n.° 002265, desde já, protestando pelo recebimento e comprovação do mesmo. Desta feita, acato as razões do recurso e da impugnação, nele reafirmadas, para excluir da tributação o depósito de R$ 12.665,96, efetuado no Citibank, em 01/12/2000. 1.3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS EM CHEQUES Aqui, as alegações do recurso se fundam na “impossibilidade” de obter cópias dos cheques, o que acarretaria cerceamento do direito de defesa e obrigação do Fisco de diligenciar para obter tais documentos. Já tratamos disso alhures, sendo desnecessário voltar ao assunto, em termos formais. Para o ano de 1998, por exemplo, o contribuinte declarou um total de rendimentos de R$ 63.620,22, na DIRPF/1999 (fl. 63). Wanderléia Ritter, cotitular das contas, declarou ter recebido um total de R$ 54.000,00 de rendimentos tributáveis (fl. 731).A fiscalização apurou um montante de R$ 72.970,06 de cheques depositados em suas contas correntes, para os quais não foi justificada a origem. Ou seja, foi depositado em cheques um montante superior a todo o rendimento declarado por um ou por outro e os contribuintes não tinham qualquer controle documental sobre esses cheques nem podem se lembrar as causas da existência dos mesmos. Como a pessoa física não está obrigada a escrituração contábil, a lei estabeleceu limites mínimos para dispensála de comprovação de depósitos. Entretanto, ultrapassados esses limites, a pessoa física está obrigada a justificar, com documentos hábeis e idôneos, de forma individualizada, os depósitos feitos em suas contas correntes, seja em cheques, seja em dinheiro. As alegações do contribuinte, de que lhe era “impossível” justificar porque não podia obter as cópias micro filmadas dos cheques junto aos bancos não encontram resguardo legal. Não lhe foram exigidas “exatamente” as cópias dos cheques, mas a “justificativa” para os depósitos em cheques, que poderia vir na forma de recibos, comprovantes de prestação de serviços, documentos de alienação de bens, notas promissórias, ou qualquer outro documento civil ou comercial que pudesse vincular ao depósito em cheque. Os cheques anexados após o recurso, já citados, que constam das folhas 1.020 e seguintes, no total de 12, referemse a “saques” efetuados pelo próprio emitente e, salvo o Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.071 18 valor de R$ 30.000,00, efetuado em novembro de 2000 e tratado no item anterior, não foram vinculados pelo Recorrente para comprovar nenhum depósito. Observo que o contribuinte solicitou e obteve junto ao Citibank 34 cópias de cheques, mas foram anexadas somente 12, aos autos. Assim, prestamse apenas a comprovar que “sacou” dinheiro, mas não para comprovar a origem do recurso para os depósitos, de forma global como pretende, por tudo que aqui já foi exposto. 2. DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Foram elaborados pela Fiscalização demonstrativos de origens e aplicações de recursos (fl. 54), listando as “origens” (fl. 55/6) e as “aplicações” (fl. 57 a 62) consideradas. Observo que os “saques” efetuados pelo contribuinte, sobretudo em cheques emitidos e sacados pelo próprio emitente Guildner, não foram considerados como “aplicação” de recursos. 2.1 DO RECEBIMENTO JUNTO À INTER OIL LTDA O Recorrente alega que sua esposa Wanderléia Ritter recebera, em decorrência de acordo judicial, em dinheiro, a importância de R$ 67.000,00, na data de 30/10/1999, após um cheque emitido pela então executada ter sido devolvido duas vezes. (fl. 829). Vejamos suas alegações: Isto posto, a importância de R$ 67.000,00 deve ser considerada como ORIGEM no Mês de Outubro de 1999, retificando o demonstrativo de fls. 52 e 54, do processo, tornando nulo o lançamento em relação ao mês de Dezembro, na importância de R$ 69.841,39. A conseqüência do cômputo deste valor, no demonstrativo de apuração da variação patrimonial a descoberto, no ano calendário de 1999, mês de outubro, como “origem de recursos”, seria, então, a redução de “variação patrimonial a descoberto” no mês de dezembro, como se constata do demonstrativo de fl. 54. Ocorre que o Julgamento de 1ª instância, conforme aqui relatado, já decidiu pela inexistência de saldo negativo de variação patrimonial em dezembro de 1999, restando em exigência apenas os saldos apurados em maio e junho, que de forma alguma seriam alterados por um eventual recebimento em outubro. Dessa forma, é de serem desconsideradas as alegações do recurso neste aspecto particular, por não causarem nenhum efeito em relação ao lançamento tributário, na situação aqui encontrada. 2.2 DO SALDO EXISTENTE EM 1998. É certo que se tem entendido nesta Turma julgadora pela consideração do saldo existente em dezembro de determinado ano para a composição do fluxo de caixa tendente a apurar a variação patrimonial no ano seguinte. Não se pode presumir que eventual saldo haja sido consumido integralmente até 31 de dezembro. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.072 19 O Recorrente alega que teria uma disponibilidade financeira, conforme DIRPF do exercício de 1999, relativas ao ano calendário de 1998, declaradas por ele e sua esposa Wanderléia Ritter. As DIRPF constam dos autos (fl. 63 e 731) Verificase que no dia 31.12.1998 ele declarou possuir 70 mil dólares americanos, que convertidos para a moeda nacional importavam em R$ 84.700,00 e ela declarou possuir 110 mil dólares americanos que convertidos representavam R$ 133.100,00, totalizando então R$ 217.800,00. Tal declaração não foi despercebida pela Fiscalização. Assim, o contribuinte foi regularmente intimado a comprovar com documentos idôneos a aquisição dos dólares informados, bem como as alienações ocorridas em 1998 e 1999, conforme resposta prestada ao Termo de Intimação nº 01302003 (Termo de Intimação, fl. 525). O contribuinte respondeu que os dólares foram adquiridos de diversos particulares no mês de dezembro de 1998, com recursos da venda de bens. Na folha 528, observase que intimação com o mesmo teor foi encaminhada a Wanderléia Ritter, que também respondeu ter adquirido os dólares de “diversos particulares”, com recursos da venda de bens e saques de poupança. Na apuração dos saldos de “origens/aplicações” de recursos, a Fiscalização não considerou como disponibilidade no mês de janeiro de 1999 o valor desses dólares. Assim, diferentemente do contribuinte recorrente, o que se conclui é que não aceitou sua existência em face da não comprovação da aquisição nem de sua conversão em moeda nacional. O raciocínio de que, então, outros 40 mil dólares americanos, adquiridos em 1999 não poderiam, pela mesma razão, ser considerados como “aplicação de recursos”, não se podendo aplicar critérios distintos para desconsiderar uma origem e considerar uma aplicação foi reputado válido pelo Julgador de 1ª instância, que decidiu pela exclusão do valor de R$ 72.000,00 (40 mil dólares convertido pelo índice 1,80), conforme já relatado. As informações prestadas na DIRPF pelos contribuintes não são definitivas e estão sujeitas à verificação por parte do Fisco. Assim, o Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 (Decreto 3.000 de 26 de março de 1999) reza no art. 806, que a autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários, acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas resultarem em aumento ou diminuição do patrimônio. Portanto envolvendo a aquisição/venda declaradas do numerário estrangeiro variação patrimonial, deveria o contribuinte regularmente intimado comproválas com documentação hábil e idônea. Não é razoável que compre e venda dólares, em valor tal que representa percentual significativo em sua relação de bens, sem qualquer documentação comprobatória. Desta feita, sendo esse o saldo existente em 1998, que o contribuinte quer seja computado, tendo em vista o não atendimento às intimações para a apresentação de documentos comprobatórios de sua aquisição/alienação, por tal foi desconsiderado em 1999. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13603.002601/200361 Acórdão n.º 2801003.333 S2TE01 Fl. 1.073 20 Observo ainda que no Auto de Infração, relativamente à infração “acréscimo patrimonial a descoberto” a Fiscalização apontou como enquadramento legal, dentre outros, os artigos 806 e 807 do RIR, aqui não se inovando. O contribuinte recorrente elabora duas “hipóteses” para que se refaça seu fluxo financeiro mensal considerando origens e aplicações de recursos, com a seguinte consideração (fl. 828): ... Nesse sentido, ou se transfere o saldo de recursos existente em 31/12/1998, no valor de R$ 217.800,00 para o mês de janeiro de 1999 ou seja alocada no mês de maio de 1999, para justificar o depósito em dinheiro, na importância de R$ 215.708,00, efetuado junto à Caixa Econômica Federai.. O referido depósito na CEF diz respeito a um depósito administrativo realizado pelo contribuinte, no curso do processo10680.011952/9869 e que foi considerado como “aplicação de recursos” pela Fiscalização, na planilha de verificação da variação patrimonial, no mês de maio de 1999. Na planilha que elabora (hipótese nº 2 – fl. 927) ele aponta a venda dos dólares por R$ 221.000,00 e indica folhas dos autos que se referem às intimações e respostas, desacompanhadas de documentos, aqui já comentadas. Assim, não há comprovação documental nem da compra nem da venda dos dólares. CONCLUSÃO. Face ao exposto, voto por não acolher as preliminares suscitadas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação o valor de R$ R$ 12.665,96 referente a depósito efetuado em dinheiro na data de 01/12/2000 (fl. 207, extrato do Citibank) Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10140.720026/2011-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
É hábil para a comprovação da percepção de remuneração acima do teto de salário de contribuição o documento regularmente fornecido pelas contratantes de serviços.
VICIO MATERIAL. NULIDADE.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto.
MULTA DE MORA.
Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 limitada a 75%, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-003.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso para dar provimento parcial, vencido o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira que mantinha a multa por obrigação acessória, para: a) que sejam considerados os documentos que atestem a contribuição acima do limite de salário de contribuição; b) que seja aplicada a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75% previsto no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, caso mais benéfica que a multa aplicada pela fiscalização; e c) seja excluída a multa por descumprimento de obrigação acessória.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. É hábil para a comprovação da percepção de remuneração acima do teto de salário de contribuição o documento regularmente fornecido pelas contratantes de serviços. VICIO MATERIAL. NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto. MULTA DE MORA. Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 limitada a 75%, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte
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É hábil para a comprovação da percepção de remuneração acima do teto de salário de contribuição o documento regularmente fornecido pelas contratantes de serviços. VICIO MATERIAL. NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 limitada a 75%, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 00 26 /2 01 1- 98 Fl. 874DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso para dar provimento parcial, vencido o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira que mantinha a multa por obrigação acessória, para: a) que sejam considerados os documentos que atestem a contribuição acima do limite de salário de contribuição; b) que seja aplicada a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75% previsto no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, caso mais benéfica que a multa aplicada pela fiscalização; e c) seja excluída a multa por descumprimento de obrigação acessória. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720026/201198 Acórdão n.º 2402003.820 S2C4T2 Fl. 875 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte os autos de infração com ciência em 17/01/2011, em razão da falta de desconto das contribuições previdenciárias dos contribuintes individuais e autos de infração de obrigação acessória decorrente da principal. Seguem trechos da decisão recorrida: NULIDADE DO LANÇAMENTO. Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. Matérias alheias a essas comportam decisão de mérito. Justificativas escusatórias não constituem motivos suficientes para eximir o contribuinte do cumprimento de suas obrigações, principais e acessórias. Boletim de Ocorrência de furto de computadores não é causa de exclusão de crédito tributário, mormente quando não vem acompanhado de provas da publicidade do fato e comunicação às repartições competentes. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe apreciação sobre inconstitucionalidade na esfera administrativa. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. APLICAÇÃO DAS MULTAS A multa que encontra embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, não pode ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadrase na hipótese prevista pela norma. A multa de ofício é devida por força de lei, aplicável com base no princípio da presunção de legalidade e constitucionalidade das leis e da vinculação do ato administrativo do lançamento, inclusive com agravante, se for o caso. JUROS MORATÓRIOS TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento, com fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, serão acrescidos, desde o seu vencimento, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do SELIC para títulos federais. Fl. 876DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 DILIGÊNCIA; PERÍCIAS E PRAZO PARA PRODUÇÃO DE PROVAS Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, e não sendo necessário conhecimento técnicocientífico especializado para sua análise, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. É considerado não formulado o pedido de perícia sem indicação do nome, endereço e qualificação profissional do perito. Está precluso o direito de produção de novas provas documentais. LIMITE DE RETENÇÃO PARA SEGURADOS COM MAIS DE UMA FONTE PAGADORA. É cabível a alteração do crédito previdenciário, em razão de constatação de recebimento de rendimentos complementares pelos contribuintes individuais, decorrentes da prestação de serviços a outra fonte pagadora, devidamente identificados em bancos de dados da RFB no sistema GFIPWEB. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... Tratase de crédito lançado pela Auditoria Fiscal em desfavor da Interessada acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal do Crédito Tributário Consolidado de fls. 15/19 e anexos, por intermédio da lavratura dos Auto de Infrações AI DEBCADs no 37.283.8421 AIOP e 37.292.3801, com ciência em 17/01/2011 (fls. 02 e 11), em que foram constituídos créditos referentes à contribuição previdenciária a cargo do segurado que deveriam ser retidas pelo sujeito passivo e em razão de multa por descumprimento de obrigação acessória. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações iniciais: · É totalmente improcedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória representada pelo DEBCAD 37.292.3801 AIOA, no valor de R$ 15.235,55. · Faz considerações sobre a situação que se encontra a Santa Casa de Corumbá Sociedade Beneficente de Corumbá. · Houve furto de um computador, que continha documentos e banco de dados da impugnante. · Diante da situação caótica atravessada pela Santa Casa, bem como o furto de computador que continha os dados necessários, por motivo de força maior, deve ser afastada a penalidade. · A situação versada deve ser analisada num contexto, sob pena de enriquecimento ilícito do fisco, decorrente de contribuições Fl. 877DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720026/201198 Acórdão n.º 2402003.820 S2C4T2 Fl. 876 5 previdenciárias incidentes sobre uma mesma situação jurídica, já recolhidas ao fisco por outras fontes pagadoras. · Após a lavratura do presente auto, a impugnante diligenciou junto à Unimed Corumbá Cooperativa de Trabalho Médico, inscrita no CNPJ n.° 02.018.620/000183, onde levantou algumas "Declarações Previdenciárias" assinadas por médicos, que declaram ter prestado serviços para a Unimed Corumbá, que por sua vez, reteve o percentual de 11% sobre a remuneração paga. · Diligenciouse também junto à Cassems, com o propósito de obter tais documentos, mas esta não teve tempo hábil para tanto. · Conforme email em anexo, a impugnante está no aguardo do fornecimento de tais documentos, no qual protestase pela juntada, tão logo sejam os mesmos fornecidos pela Cassems. · Se o médico já teve retido por outra pessoa jurídica a contribuição naquele período (mês), e esse valor já atingiu o limite do salário de contribuição deverá ser observado o valor vigente em 2006, de R$ 2.801,82, e em 2007, de R$ 2.894,28, é indevida a retenção e o recolhimento dos 11% da parte do contribuinte médico autônomo. · Na espécie dos autos é possível constatar que o agente fiscal autuante, não procedeu, como deveria, a uma investigação pormenorizada dos fatos, haja vista que, caso tivesse consultado o próprio banco de dados da RFB, com o nome dos médicos contribuintes individuais que estão contidos no anexo ao presente, teria observado que, até mesmo pelos valores das remunerações percebidas pela categoria médica, as contribuições previdenciárias já haviam sido retida/recolhidas por outros tomadores de serviço, atingindo o teto máximo do salário de contribuição, não havendo nada mais a ser recolhido. · Com efeito, como não houve a retenção das contribuições devidas nos pagamentos das remunerações dos médicos (segurados autônomos), estes não apresentaram necessárias, para que pudessem, caso ocorresse, retenção superior ao limite do salário de contribuição. · A análise detida dos documentos que foram encaminhados à fiscalização e da situação fática (incluída aqui visita in loco às dependências da autuada) conduziria, afirmese logo, à não lavratura do Auto de Infração. · Desta forma, resulta evidente que faltava, como falta, não apenas base fática, como também jurídica para a consecução da autuação ora impugnada (artigo 10, III e IV, Decreto n.° 70.235/72). · O princípio da verdade material, por ser de observância obrigatória, deve ser considerado como fator decisivo na apreciação da presente impugnação. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 · Devendo a Fazenda Pública exigir o pagamento do tributo em estrita adequação com a lei definidora do fato gerador, o princípio da verdade material significa que os fatos suficientes e necessários para a ocorrência do fato gerador serão investigados e avaliados na maior conformidade possível com sua existência real. · Assim, em atenção ao princípio da verdade material, como já haviam sido retidas as contribuições dos médicos (contribuintes autônomos) por outros tomadores de serviço, atingindo o limite do salário de contribuição, tornase improcedente a autuação levada à cabo, eis que caracterizaria um enriquecimento ilícito do fisco, diante do mesmo fato jurídico. · Observase do auto de infração que o fiscal afirma que foi aplicada multa mais benéfica (MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/09), se comparada com as vigentes à época dos fatos geradores, ou seja, aquelas previstas na Lei n.° 8.212/91, art. 32, inc. IV e §§ 3o e 5o e art. 35,1, II, III. · Não obstante, observase ainda que majora a multa de ofício em 50%, nos termos do art. 44, § 2o, III, da Lei n.° 9.430/96, ao argumento que o contribuinte não teria apresentado nenhum arquivo digital das informações contábeis e de folha de pagamento, solicitadas através do TIPF. · Passou no período correspondente ao presente auto de infração por inúmeros problemas de ordem financeira, administrativa e organizacional, tanto que houve intervenção na mesma e ajuizamento de ação civil pública pelo Ministério Público Estadual (autos n.° 008.07.0006188), o qual resultou num TAC Termo de Ajustamento de Conduta, bem como criação de uma Junta Administrativa para gerir a impugnante. A situação era tão caótica que todos os serviços ficaram totalmente comprometidos. · Com relação à multa isolada, que foi majorada em 50%, por não ter a impugnante apresentado os arquivos digitais das informações contábeis e de folha de pagamento, a mesma não pode prosperar, por motivo de furto de computador do Sr. Ramão Loirson Franco de Moraes, contador da impugnante à época, no qual estavam todos os arquivos de dados e informações solicitadas pelo fisco, conforme Boletim de Ocorrência n.° 6695/2009, registrado em 16 de novembro de 2009 (doc. em anexo). · A multa representa quase a metade do débito exigido, portanto, deve a mesma ser afastada. · Não obstante isso, ainda que não tivesse ocorrido o furto de computador do contador da impugnante, a multa imposta no Auto impugnado não pode prosperar, pois a conduta adotada pelo Impugnante não é passível de punição, esclarecendo sobre a natureza jurídica das multas, no âmbito tributário, como ensina Sacha Calmon Navarro Coelho. · Reproduz doutrinas e jurisprudências que alinhariam aos seus argumentos. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720026/201198 Acórdão n.º 2402003.820 S2C4T2 Fl. 877 7 · A multa tem como pressuposto a prática de um ilícito, tendo como função sancionar o descumprimento de obrigação ou dever jurídico, que pode decorrer de dispositivo legal, estatutário ou contratual. · Não se chega a outra conclusão senão a de que as multas no caso impostas ao Autuado têm natureza jurídica estritamente punitiva, sendo inaplicáveis ao caso concreto, como já esclarecido, pois não se pode ter como legítima a conduta de apenar o contribuinte por não ter retido a contribuição social dos valores pagos aos autônomos, quando tais profissionais já haviam sido tributados por outros tomadores de serviço. · O agravamento da referida multa não pode prosperar. · A jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes já estava afastando a incidência da multa concomitante com o tributo. · Reproduz jurisprudências. · Tal situação é plenamente cabível nas contribuições. A multa imposta deve, por decorrência, ser anulada, tendo em vista que, como o próprio o inciso II, do § 2o, do art. 44 da Lei n.° 9.430/96 se reporta ao inciso I, do caput, do § 1 º, do mesmo dispositivo, e esta multa tem sido reconhecida como improcedente, então a majoração da penalidade também se torna indevida. · Assim, caso não seja a autuação julgada totalmente improcedente, o que não se espera, que seja anulada a multa aplicada, além da sua majoração. · Por ser indevido o imposto exigido através do Auto de Infração impugnado, afiguramse, igualmente indevidos os juros moratórios. · Ainda que assim não fosse, aduzase uma vez mais à guisa de argumento, não poderia prevalecer a intenção da Fazenda na utilização da taxa SELIC como juros moratórios incidentes sobre débitos tributários, sob pena de negativa de vigência do artigo 161, § 1o, do Código Tributário Nacional e violação das garantias insculpidas nos artigos 150,1, e 192 da Constituição Federal. · O artigo 161, § 1 º, do CTN determina que, apenas com disposição expressa de lei ordinária específica sobre o cálculo de juros moratórios incidentes em obrigações tributárias, estes poderiam ser superiores a 1% ao mês. Ocorre que a Lei n.° 9.065/95 não estabeleceu nova forma de cálculo para a fixação dos juros de mora, mas apenas pretendeu, de forma ilegal (em afronta ao limite e disposição contidas em legislação complementar CTN) e inconstitucional (por violação do princípio da legalidade e em afronta ao limite de juros de 12% ao ano), equiparar uma taxa já existente, de natureza Fl. 880DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 estritamente compensatória e remuneratória, a juros moratórios para fins tributários. · A mencionada legislação federal que remete ao uso da SELIC sobre tributos, seja para fins moratórios ou compensatórios, não delineia como a mesma se configura, implicando em notável e inconstitucional delegação legislativa a textos infralegais. · Desse modo, somente pode ser admitido que a incidência de juros moratórios sobre tributos eventualmente devidos e não pagos fique limitada a 1% ao mês, nos exatos termos da legislação complementar vigente (art. 161, § I º, do CTN). A interessada requer: · seja julgado improcedente o lançamento constante do Autos de Infração , declarandose insubsistente a exigência dele constante, com a definitiva exoneração da Autuado, anulandose a multa exigida; · expressamente, nos termos do artigo 16, IV, do Decreto n.° 70.235/72, com a redação que lhe deu a lei n° 8.748/2005, que seja determinada a realização de diligência/perícia para que o próprio fisco promova a juntada de demonstrativos de recolhimentos feitos em nome dos médicos relacionados no Anexo I do presente auto de infração, demonstrando seja havia, nos períodos de 2006 e 2007, recolhimentos de contribuição previdenciária dentro do limite do salário de contribuição vigente à época. A diligência que se pede também poderá ser feita junto à Unimed/Corumbá e Cassems; · que determine a realização das diligências sem prejuízo de outras a serem requeridas posteriormente, protestando o Autuado por oportuna manifestação sobre seu resultado; · conceda prazo razoável para juntada de documentos solicitados junto a Cassems, conforme email em anexo solicitando; · seja julgado improcedente o lançamento constante do Auto de Infração, declarandose insubsistente a exigência dele constante, com a definitiva exoneração da Autuado; · se mantida a autuação, o que não se espera, que seja anulada a multa majorada no percentual de 50%; e dos juros para 12% ao ano, excluindose a incidência da SELIC; · protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pelas diligências e prova pericial, que ficam requeridas para todos os fins de direito. É o Relatório. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720026/201198 Acórdão n.º 2402003.820 S2C4T2 Fl. 878 9 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame. O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 882DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Em razão do exposto, rejeito as preliminares suscitadas. No mérito, em relação ao lançamento de obrigação principal, entendo que a questão central do presente processo é a discussão sobre a comprovação ou não do recebimento em outros contratantes de remuneração acima do teto de salário de contribuição. Apesar da diligência do recorrente junto às empresas contratantes dos serviços dos mesmos segurados contribuintes individuais, os documentos juntados não foram aceitos pela decisão recorrida por não atenderem as exigências da Instrução Normativa RFB nº 971: Fl. 883DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720026/201198 Acórdão n.º 2402003.820 S2C4T2 Fl. 879 11 Pelo que se verifica do inciso V do art. 47 acima, os documentos que a impugnante deveria apresentar à fiscalização são os comprovantes de pagamentos e o compromisso de pagamento das contribuições correspondentes e de informação na GFIP, a serem emitidos pelas outras fontes pagadoras que, no presente caso, são a Unimed e a Cassems. ... Com a finalidade de comprovar que outra fonte pagadora já havia efetuado pagamentos até o limite do salário de contribuição em vigor e que reteve as correspondentes contribuições previdenciárias dos contribuintes individuais relacionados na tabela do Anexo I, trouxe a interessada aos autos do presente processo Declarações emitidas pelos prestadores de serviços e relação de supostos pagamentos e de contribuições retenções, emitidas pela Unimed Corumbá – CNPJ 03.380.250/0001. Em que pese todo seu esforço para carrear e apresentar os referidos documentos, notase que não são estes que deveriam ser apresentados pelos prestadores de serviços, por estarem relacionados no inciso I do art. 67 da IN RFB nº 971, que se refere a contribuintes individuais que prestam serviços na condição de assalariados a outra fonte pagadora. Os documentos corretos que deveriam ser apresentados estão relacionados no inciso V do art. 47 da mesma IN, que se refere a contribuintes individuais que prestam serviços a outra fonte pagadora na mesma condição de contribuintes individuais. ... Quanto às Fichas Financeiras do médico do trabalho Fábio Luiz Barbosa de Oliveira, emitidas pela fonte pagadora Serviço de Navegação da Bacia da Prata, anexadas às fls. 591 a 597, com a finalidade de comprovar que para este contribuinte individual também não tinha a obrigação de reter suas contribuições previdenciárias, incidentes sobre suas remunerações, por ter sido ele, durante o período de abrangência da fiscalização, empregado da referida fonte pagadora, os documentos que lhe caberia apresentar seriam os relacionados no § 1º do art. 64 da IN RFB nº 971, quais sejam os comprovantes de pagamento das remunerações, relativos à competência anterior à da prestação de serviços, ou declaração de que ele era segurado empregado, contendo os rendimentos sobre os quais forma descontadas a contribuições previdenciárias. Como estas fichas financeiras não representam comprovantes de pagamentos de remunerações, pois nelas não constam a assinatura do empregado, bem como não foi apresentada a declaração do próprio prestador de serviços, de que era empregado da referida fonte pagadora durante o período fiscalizado, onde contivesse todas as informações elencadas no § 1º do art. 64, concluise a interessada que não obteve êxito em comprovar que Fábio Luiz Barbosa recebeu de outra fonte pagadora rendimentos no limite do salário de contribuição. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Informa a decisão recorrida que a DRJ realizou consultas à base de dados para identificação dos contribuintes individuais como prestadores de serviços dos contratantes, respectivas remuneração e recolhimento das contribuições previdenciárias: Não obstante o insucesso da impugnante em fazer provas das suas alegações, em prestígio ao princípio da verdade material por ela requerida, este julgamento realizou pesquisas aos bancos de dados da RFB com a finalidade de comparar, para cada contribuinte individual relacionado na tabela do Anexo I do Auto de Infração (fls. 20 a 82), se seus respectivos rendimentos estavam ou não sujeitos à retenção de contribuições previdenciárias. Para tal atividade, foram extraídas do banco de dados do sistema GFIP WEB as relações das bases de cálculos e contribuições retidas dos contribuintes individuais que prestaram serviços à UNIMED Cuiabá no período de 01/2006 a 12/2007. Estes valores foram comparados com os salários de contribuições relacionados pela fiscalização na sua tabela do Anexo I pertencentes aos correspondentes prestadores de serviços. Desta análise comparativa, representada pela tabela anexada às fls. 773 a 821, que faz parte integrante e indissociável do presente processo, resultaram as bases de cálculo e respectivas contribuições previdenciárias ajustadas em sede de julgamento, em comparação com o limite de salário de contribuição em vigor para cada competência. Observese que também foram realizadas pesquisas nos mesmos bancos de dados da RFB quanto a possíveis salários de contribuições pagos complementarmente aos prestadores de serviços à CASSENS, conforme foi aventado pela interessada, bem como pesquisas sobre possíveis salários de contribuições pagas ao prestador de serviço Fábio Luiz Barbosa de Oliveira, supostamente recebidos da fonte pagadora Serviço de Navegação Bacia da Prata. Entretanto, não foi possível identificar a ocorrência de salários de contribuições complementares em GFIPs destas fontes pagadoras, uma vez que a CASSEMS não possui estabelecimento em Corumbá registrado na RFB, e em relação a Fábio Luiz Barbosa de Oliveira, verificouse que ele possui dois NITs – Número de Identificação do Trabalhador, mas ambos sem registros de vínculo de emprego. O Regulamento da Previdência Social ao dispor sobre a comprovação de contribuição acima do teto de salário de contribuição não criou exigências que dificultassem a finalidade da norma: Decreto nº 3.048/99: RPS Artigo 216 (...) §26.A alíquota de contribuição a ser descontada pela empresa da remuneração paga, devida ou creditada ao contribuinte individual a seu serviço, observado o limite máximo do salário decontribuição, é de onze por cento no caso das empresas em Fl. 885DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720026/201198 Acórdão n.º 2402003.820 S2C4T2 Fl. 880 13 geral e de vinte por cento quando se tratar de entidade beneficente de assistência social isenta das contribuições sociais patronais. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §27.O contribuinte individual contratado por pessoa jurídica obrigada a proceder à arrecadação e ao recolhimento da contribuição por ele devida, cuja remuneração recebida ou creditada no mês, por serviços prestados a ela, for inferior ao limite mínimo do saláriodecontribuição, é obrigado a complementar sua contribuição mensal, diretamente, mediante a aplicação da alíquota estabelecida no art. 199 sobre o valor resultante da subtração do valor das remunerações recebidas das pessoas jurídicas do valor mínimo do saláriode contribuição mensal. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §28.Cabe ao próprio contribuinte individual que prestar serviços, no mesmo mês, a mais de uma empresa, cuja soma das remunerações superar o limite mensal do saláriode contribuição, comprovar às que sucederem à primeira o valor ou valores sobre os quais já tenha incidido o desconto da contribuição, de forma a se observar o limite máximo do salário decontribuição. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §29.Na hipótese do § 28, o Instituto Nacional do Seguro Social poderá facultar ao contribuinte individual que prestar, regularmente, serviços a uma ou mais empresas, cuja soma das remunerações seja igual ou superior ao limite mensal do salário decontribuição, indicar qual ou quais empresas e sobre qual valor deverá proceder o desconto da contribuição, de forma a respeitar o limite máximo, e dispensar as demais dessa providência, bem como atribuir ao próprio contribuinte individual a responsabilidade de complementar a respectiva contribuição até o limite máximo, na hipótese de, por qualquer razão, deixar de receber remuneração ou receber remuneração inferior às indicadas para o desconto. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) Pelo exame dos documentos juntados pelo recorrente às fls. 470 e seguintes, constato que as empresas contratantes como, por exemplo, Unimed Corumbá Cooperativa de Trabalho Médico, inscrita no CNPJ n.° 02.018.620/000183 e Serviço de Navegação da Bacia do Prata, inscrita no CNPJ n.° 03.380.250/000192 forneceram declarações ao recorrente com informações sobre a prestação de serviços dos segurados, remuneração, base de cálculo da contribuição, valor retido e contribuição, todos devidamente assinados e identificados por carimbo das empresas. Qualquer que seja a condição como segurado, a base de cálculo sempre estará limitada ao teto de salário de contribuição e esse fato está comprovado nos autos. A decisão recorrida não questionou ou duvidou da legitimidade dos documentos juntados e nem da veracidade de seu conteúdo, mas apenas entendeu que o ato administrativo normativo previa outras formalidades legais não atendidas pelo recorrente. Entendo que as exigências formais são relevantes à medida que confiram confiabilidade às informações veiculadas nos documentos, mas as desnecessárias contrariam o artigo 5º, LV da Constituição Federal: Artigo 5º (...) Fl. 886DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Assim, entendo que independentemente das formalidades exigidas pela Instrução Normativa RFB nº 971, devem ser respeitados os recebimentos acima do limite regularmente comprovados pela recorrente. Multa de ofício Insurgese a recorrente a multa de ofício aplicada pela fiscalização. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. É que a medida provisória revogou o artigo 35 da Lei 8.212/91 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido acrescida de mais 50% por não entrega de arquivos digitais. Sendo que para a multa de mora existe o limite de 20%. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a Fl. 887DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720026/201198 Acórdão n.º 2402003.820 S2C4T2 Fl. 881 15 constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia desde 27/12/1996 o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral; é um dos critérios para a solução dos conflitos aparentes. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP 449 aplicavase sem vacilo o artigo 35 da Lei 8.212/91. Portanto, a sistemática do artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/96 para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. E não fica só nisso, dependendo de alguns agravantes esta última que se inicia em 75% pode chegar a 225%; enquanto a multa de mora é limitada a 20% do valor principal. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/91, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do Fl. 888DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Quando realizado o lançamento a multa de mora é maior em razão da gradação e não porque foi aplicada com um procedimento de ofício. E esse acréscimo de valor da multa de mora também ocorre igualmente em outras fases do processo sem que, em qualquer momento, a Lei nº 8.212/91 alterasse a natureza jurídica da multa de mora. E, ainda, a diferença de percentual para a multa de mora quando a contribuição é paga espontaneamente ou não é de apenas 4%. Ressaltando que, mesmo tendo iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo tem direito a recolher ou mesmo parcelar suas contribuições em atraso, como se espontaneamente. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449. Alguns sustentam a aplicação quando embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ... É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão1: “De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória.” Como regra comporta algumas exceções, dentre as quais a aplicação retroativa da lei posterior que houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido 1 FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720026/201198 Acórdão n.º 2402003.820 S2C4T2 Fl. 882 17 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Acontece que as hipóteses excepcionais nas alíneas “a” e “b” não têm relação com a multa de mora. Isso porque a mesma Lei nº 8.212/91 fazia à época uma nítida diferenciação entre infração, todas relacionadas ao descumprimento de obrigações acessórias, inclusive pela falta de declaração de fatos geradores em GFIP, e obrigação principal pelo não pagamento das contribuições previdenciárias. Deixar de pagar a contribuição devida não era infração, mas inadimplemento de uma obrigação que tinha como conseqüência o lançamento através de Notificação Fiscal de Lançamento do Débito – NFLD para a cobrança do valor principal e os acréscimos legais na forma de multa e juros de mora: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. § 1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. ... Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art.283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nºs 8.212 e 8.213, ambas de 1991, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)nas seguintes infrações: a)deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; b)deixar a empresa de se matricular no Instituto Nacional do Seguro Social, dentro de trinta dias contados da data do início de suas atividades, quando não sujeita a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica; Fl. 890DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 c)deixar a empresa de descontar da remuneração paga aos segurados a seu serviço importância proveniente de dívida ou responsabilidade por eles contraída junto à seguridade social, relativa a benefícios pagos indevidamente; d)deixar a empresa de matricular no Instituto Nacional do Seguro Social obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início das respectivas atividades; ... Já quanto à hipótese na alínea “c”, o Superior Tribunal de Justiça STJ pacificou o entendimento que não se trata apenas dos atos infracionais, mas de todas as penalidades em geral, inclusive aquela relativa à mora: RECURSO ESPECIAL Nº 542.766 RS (2003/01010120) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – MULTA MORATÓRIA – REDUÇÃO – APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI 9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997 –POSSIBILIDADE – RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA – ART. 106 DO CTN O Código Tributário Nacional, por ter natureza de lei complementar, prevalece sobre lei ordinária, facultando ao contribuinte, com base no art. 106 do referido diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a aplicação retroativa do art. 61 da Lei 9.430/96 a fatos geradores anteriores a 1997. Recurso não conhecido. ... O art. 106, II, "c", do CTN, que prevê a retroação da lex mitior determina que se aplique, in casu, a Lei nº 9.430/96, que alcança fatos pretéritos por ser mais favorável ao contribuinte, devendo ser reduzida a multa aplicada por cometimento de infração tributária material. Destarte, não comporta mais divergências no âmbito da Primeira Seção desta Corte, em razão do julgado nos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 184.642/SP, da relatoria do Min. Garcia Vieira, in verbis: "TRIBUTÁRIO – LEI MENOS SEVERA – APLICAÇÃO RETROATIVA – POSSIBILIDADE – REDUÇÃO DA MULTA DE 30% PARA 20%. O Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, letra 'c' estabelece que a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comina punibilidade menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. A lei não distingue entre multa moratória e multa punitiva. Tratandose de execução não definitivamente julgada, pode a Lei n.º 9.399/96 ser aplicada, sendo irrelevante se já houve ou não a apresentação dos embargos do devedor ou se estes já foram ou não julgados." A Administração Fazendária, através da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, admitiu também a retroatividade benéfica aos processos ainda não definitivamente julgados, ainda que realizados antes da vigência da MP 449; embora tenha considerado que as multas sejam de ofício mesmo para os fatos geradores ocorridos na Fl. 891DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720026/201198 Acórdão n.º 2402003.820 S2C4T2 Fl. 883 19 vigência da redação original do artigo 35 da Lei nº 8.212/91. E, a partir da adoção do conceito de multa de ofício, a Portaria, para a aplicação da retroatividade benéfica, fixou uma regra de execução com a qual não concordamos. A Portaria diz que as multas lançadas nas NFLD devem ser somadas à multa por omissão de fatos geradores em GFIP para fins de comparação, com vista à aplicação da alínea "c" do inciso II do artigo 106 CTN. Entendo que não se podem comparar institutos com naturezas jurídicas distintas como se fossem a mesma coisa e, pior ainda, a partir disso se realizarem operações algébricas com as expressões monetárias de cada um deles. Como somarem multa de mora e multa de ofício se entre elas só há em comum o nome “multa”, mais nada? Não pode. Essa parte da Portaria, com o devido respeito, não merece acolhida nesse Conselho Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009: Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). ... § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, Fl. 892DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. A multa lançada nos documentos de constituição de crédito da obrigação principal anteriores à vigência da MP 449 é de mora. Contudo, de fato, o conceito foi alterado pela lei posterior para multa de ofício. Acontece que não se pode fazer retroagilo aos lançamentos de fatos geradores que lhe são anteriores. Para fins de aplicação da retroatividade benéfica devemos comparar as regras anteriores e posteriores. Assim, temos atualmente vigentes duas regras, a primeira para a multa de mora e a segunda para a de ofício: a) quando a contribuição inadimplida é declarada, aplicase o artigo 61 da Lei nº 9.430/96; b) caso contrário, o artigo 44 da mesma lei. Lei nº 9.430/96 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 893DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720026/201198 Acórdão n.º 2402003.820 S2C4T2 Fl. 884 21 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Por tudo aqui exposto, a regra relativa à multa de ofício nunca será aplicada aos fatos geradores anteriores à MP 449; agora para aplicação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 é necessário que tenha havido declaração. A regra atual de incidência da multa de mora, para a retroatividade benéfica, deve ser comparada com a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores mas como um todo e não de forma fracionada. A aplicação da multa de mora atualmente vigente ao invés da multa de ofício exige como requisito a declaração dos fatos geradores. Se a declaração na época somente tinha importância para a redução da multa de mora, nos termos do §4° do mesmo artigo, para a regra atual deixa de ser aplicada multa de ofício e se aplica multa de mora. Lei nº 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: ... Em síntese, por força do artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, os processos de lançamento fiscal de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, ainda em tramitação, devem ser revistos para que as multas sejam adequadas às regras e limitação previstas no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, quando declarados os fatos geradores ou, caso contrário, aplicado o artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 nos percentuais vigentes à época dos fatos geradores. Por último, considerando que a execução judicial do crédito é ato processual posterior à MP 449, também não seria aplicável a regra do artigo 35, inciso III, “c” e “d” da Lei nº 8.212/91, mas a atual regra no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996: III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: ... c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 Assim, considerando o período de ocorrência dos fatos geradores, deve ser aplicada a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75% previsto no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. Multa por descumprimento de obrigação acessória Em razão da apresentação de livro Diário sem registro, fls. 18, a fiscalizou aplicou multa com fundamento no artigo 44, §2º da Lei nº 9.430/96: Artigo 44 (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Acontece que a aplicação do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 aos lançamentos de ofício de contribuição previdenciária somente veio com o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 11.941, de 2009: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Também se constata que permanece em vigor o artigo 33 da Lei nº 8.212/91, norma especial aplicável às contribuições previdenciárias; inclusive, atualizada pela mesma Lei nº 11.941/2009: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 895DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720026/201198 Acórdão n.º 2402003.820 S2C4T2 Fl. 885 23 § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Embora a autuação tenha sido lavrada em 17/01/2011, a Lei nº 11.488, que fundamentou a lavratura, data de 15/06/2007, com aplicação para as contribuições previdenciárias somente em 12/2008 com a MP nº 449/2008; portanto, como os documentos são relativos ao período de 01/01/2006 a 31/12/2007 e a obrigação de registro se descumpriu no prazo legal que data de 06/2008, aplicarseia a norma vigente à época, que é a contida no artigo 33 da Lei nº 8.212/91. Ressaltase que a infração foi a apresentação de livro que não atendia às formalidades legais; portanto, a falta ocorreu no período de ocorrência dos fatos geradores examinados pela fiscalização e não a data de apresentação. Assim, entendo que a autuação por descumprimento de obrigação acessória contém vício material. Vício material Quanto à natureza do vício insanável, no Código Tributário Nacional há regra expressa de decadência quando da reconstituição de lançamento declarado nulo por vício formal. Daí a relevância e finalidade da qualificação dos vícios que sejam identificados nos processos administrativos fiscais: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: ... II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ou seja, somente reinicia o prazo decadencial quando a anulação do lançamento anterior decorreu da existência de vício formal; do que me leva a crer que não há reinício do prazo quando a anulação se dá por outras causas, pois a regra geral é a ininterrupção, conforme artigo 207 do Código Civil. Portanto, para a finalidade deste trabalho, é mais razoável que se identifique o conceito de vício formal, e assim por exclusão se reconhecer que a regra especial trazida pelo CTN não alcança os demais casos, do que procurar dissecálos, um por um, ou mesmo conceituar o que se entenda por vício material. Código Civil: Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 Ainda que o Código Civil estabeleça efeitos para os vícios formais dos negócios jurídicos, artigo 166, quando se tratam de atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 2 Segundo seu magistério, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. É um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” 2 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720026/201198 Acórdão n.º 2402003.820 S2C4T2 Fl. 886 25 (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Abstraindose da denominação que se possa atribuir à falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores, o que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador (vício material) junto com equívocos e omissões na qualificação do autuado, do dispositivo legal, da data e horário da lavratura, apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu (vício formal). Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). Ambos, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é justamente essa diferença acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo apenas quando o vício é formal. O rigor da forma como requisito de validade gera um cem número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Códex Tributário a regra de interrupção da decadência para a realização de lançamento substitutivo do anterior, anulado por simples vício na formalização. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 De fato, forma não pode ter a mesma relevância da matéria que dela se utiliza como veículo. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Caso não houvesse a interrupção da decadência, o Estado estaria impedido de refazer o ato através da forma válida. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Temos aí um conflito: segurança jurídica x interesse público. O primeiro inspira o rigor formal do ato administrativo, um de seus requisitos de validade; o segundo, defende a atividade estatal de obtenção de recursos para financiamento das realizações públicas. No presente caso, o vício está na própria verificação e demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação, o que pertence ao núcleo material da autuação. Inconstitucionalidades Quanto as demais alegações, sobretudo a natureza confiscatória e, portanto, que seriam inconstitucionais os dispositivos legais, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Reportome também às Súmulas aprovadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tudo, voto pelo provimento parcial para: a) que sejam considerados os documentos que atestem a contribuição acima do limite de salário de contribuição; b) que seja aplicada a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75% previsto no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, caso mais benéfica que a multa aplicada pela fiscalização; e c) seja excluída a multa por descumprimento de obrigação acessória. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 899DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720026/201198 Acórdão n.º 2402003.820 S2C4T2 Fl. 887 27 Fl. 900DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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