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Numero do processo: 10865.911845/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DCOMP. INDICAÇÃO DA COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO. ERRO DE PREENCHIMENTO. SANEAMENTO. POSSIBILIDADE.
O erro de preenchimento da Declaração de Compensação não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
Numero da decisão: 1302-003.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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INDICAÇÃO DA COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO. ERRO DE PREENCHIMENTO. SANEAMENTO. POSSIBILIDADE. O erro de preenchimento da Declaração de Compensação não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 91 18 45 /2 00 9- 52 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10865.911845/200952 Acórdão n.º 1302003.464 S1C3T2 Fl. 88 2 (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 1433.968, de 27 de maio de 2011 (fls. 49 a 54), proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. O reconhecimento de direito creditório a titulo de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, comprovação contábil e fiscal dos valores dos tributos apurados no anocalendário e que referidos saldos negativos não tenham sido utilizados para compensar a contribuição devida nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa." O Acórdão recorrido, assim, sintetiza os autos: "Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10865.911845/200952 Acórdão n.º 1302003.464 S1C3T2 Fl. 89 3 de receita: 5993) de sua responsabilidade, período de apuração: fevereiro de 2005, com crédito decorrente de Saldo Negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, relativo ao ano calendário de 2004, no valor de R$ 23.717,67 (fl. 02). Por intermédio do despacho decisório de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada na PER/Dcomp de n° 25123.41206.310305.1.3.023609, ao fundamento de que "Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) — (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 15/16, na qual alega, em síntese, que: a) o despacho decisório não homologou a compensação declarada na PER/Dcomp de n° 25123.41206.310305.1.3.023609; b) a origem do crédito do PER/Dcomp acima mencionados é o saldo negativo de IRPJ, porém o crédito foi demonstrado de forma errônea (erro de fato) no PER/Dcomp; c) apresenta quadros demonstrativos de como foi preenchida a demonstração do crédito no PER/Dcomp de n° 25123.41206.310305.1.3.02 3609 e a maneira correta de demonstrálo, assim como a utilização do crédito mediante compensação; d) o crédito utilizado no PER/Dcomp de n° 25123.41206.310305.1.3.023609 é válido, tendo como origem saldo negativo de IRPJ, onde ocorreu erro de fato, visto que o mesmo foi demonstrado de forma incorreta no PER/Dcomp. Ao final, requer a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN, e, após julgamento do processo, sua extinção definitiva." A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP resolveu, em 11 de fevereiro de 2011, converter o julgamento em diligência, a fim de que a Recorrente fosse intimada para promover a regularização da representação processual (fls. 20 e 21). Ao retomar o julgamento, a referida Turma não acatou, na composição do saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2004, as estimativas compensadas por meio de Declarações de Compensação (DComp) que não foram homologadas. Assim, apesar de reconhecer um valor adicional de R$ 12.202,41, manteve a nãohomologação da DComp de que tratam os autos. Consignou, ainda, que cabia à Impugnante trazer aos autos provas lastreadas na escrituração contábil do saldo negativo invocado. Cientificado do Acórdão, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fls. 60 a 62), por meio do qual: a) solicitou a realização de perícia, de modo a elucidar a existência do saldo negativo de IRPJ; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10865.911845/200952 Acórdão n.º 1302003.464 S1C3T2 Fl. 90 4 b) afirmou que a origem do crédito utilizado na DComp sob análise é o saldo negativo no anocalendário de 2003, apontando as DComp em que teria havido a sua utilização; c) pugnou pela conversão do julgamento em diligência, pela complementação probatória, inclusive com a juntada de laudo de auditoria; d) pediu, finalmente, a homologação da compensação. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 27 de agosto de 2012 (fl. 57), tendo apresentado seu Recurso em 26 de setembro de 2012 (fl. 58), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de modo que o Recurso é tempestivo. O Recurso é assinado pelo representante legal pela pessoa jurídica. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso I, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO O exame da Declaração de Compensação apresentada pela Recorrente (fls. 2 a 6) revela que o tipo de crédito ali apontado foi "Saldo Negativo de IRPJ", sendo indicado como origem do crédito o saldo negativo do anocalendário de 2004, no montante de R$ 23.717,67. Ao detalhar a composição do crédito, a Recorrente indicou apenas as estimativas de IRPJ relativas aos períodos de outubro e novembro de 2004, as quais teriam sido compensadas, respectivamente, por meio das Declarações de Compensação (DComp) nº 02013.10779.150205.1.7.018098 e 05847.70331.241204.1.3.047254. Como as referidas estimativas não eram suficientes para quitar o saldo a pagar de IRPJ apontado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), no montante de R$ 166.585,07, o Despacho Decisório de fl. 7, acertadamente, não reconheceu qualquer direito creditório e não homologou a compensação pleiteada. Registrese que, anteriormente, à emissão do referido Despacho Decisório, o sujeito passivo foi informado acerca das divergências entre as estimativas apontadas na Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10865.911845/200952 Acórdão n.º 1302003.464 S1C3T2 Fl. 91 5 DComp, em relação àquelas listadas na DIPJ, e intimado a retificar as informações incorretas (fl. 13). Por ocasião da Manifestação de Inconformidade, como relatado, o sujeito passivo sustentou a ocorrência de erro de fato no preenchimento da DComp, indicando as seguintes estimativas, para composição do saldo negativo do anocalendário de 2004: A decisão recorrida junta ao processo provas de que as PER/Dcomp de n° 20653.89690.120504.1.3.023239, 16269.60862.210906.1.7.021789, 36628.82557.220906.1. 7.023939, 04504.70063.220906.1.7.020503 e 40106.25598.220906.1.7.026081 não foram homologadas e, portanto, não considera as estimativas nelas compensadas. E, em relação à DComp nº 05847.70331.241204.1.3.047254, reconheceu apenas as estimativas homologadas, deixando de considerar a parcela nãohomologada. Tal conclusão, contudo, é contrária ao entendimento consolidado desta Turma Julgadora, no sentido de que, ainda que as referidas DComp não tenham sido homologadas, os valores nelas confessados devem ser considerados na apuração do saldo do período de apuração (v.g. Acórdãos nº 1302002.328, de 27 de julho de 2017, e 1302003.311, de 13 de dezembro de 2018, ambos de relatoria deste Conselheiro). É que, à data de transmissão da DComp nº 25123.41206.310305.1.3.023609 (na verdade, na data de encerramento do anocalendário de 2004), as estimativas já estavam extintas, sob condição resolutória de sua posterior homologação, por meio das referidas Declarações de Compensação. A nãohomologação das compensações somente implica na exigência dos débitos, com base nas próprias DComp, posto que estas possuem a natureza de confissão de dívida. Tal entendimento é amparado pelo posicionamento da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) expresso no Parecer PGFN/CAT nº 88/2014: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10865.911845/200952 Acórdão n.º 1302003.464 S1C3T2 Fl. 92 6 "Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança." E, ainda, corroborada pelo recentíssimo Parecer Normativo Cosit nº 2, de 3 de dezembro de 2018 (com status de norma complementar, na forma do art. 100 do CTN): "e) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório for prolatado após 31 de dezembro do anocalendário, ou até esta data e for objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento, então o crédito tributário continua extinto e está com a exigibilidade suspensa (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pois ocorrem três situações jurídicas concomitantes quando da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) o valor confessado a título de estimativas deixa de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído pela apuração em 31/12; (ii) a confissão em DCTF/Dcomp constitui o crédito tributário; (iii) o crédito tributário está extinto via compensação; não é necessário glosar o valor confessado, caso o tributo devido seja maior que os valores das estimativas, devendo ser as então estimativas cobradas como tributo devido; f) se o valor objeto de Dcomp não homologada integrar saldo negativo de IRPJ ou a base negativa da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restou constituído pela confissão e será objeto de cobrança;" A esta mesma conclusão chegou a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), conforme Acórdão nº 9101003.891 (Redator designado Luiz Fabiano Alves Penteado, julgado em 08 de novembro de 2018): " Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 GLOSA DE CRÉDITO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS NÃO HOMOLOGADAS. IMPROCEDÊNCIA. A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal. A glosa do saldo negativo utilizado pela Contribuinte acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10865.911845/200952 Acórdão n.º 1302003.464 S1C3T2 Fl. 93 7 redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem." E diversos julgados das Turmas Ordinárias do CARF, conforme ilustram as seguintes ementas: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. A estimativa quitada através de compensação não homologada pode compor o saldo negativo do período, haja vista a possibilidade de referidos débitos serem cobrados com base em Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Assim, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ)." (Acórdão nº 1401003.033, de 22 de novembro de 2018, Relator Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) "COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. CÔMPUTO DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS ANTERIORMENTE.É ilegítima a negativa, para fins de apuração de Saldo Negativo de CSLL, do direito ao cômputo de estimativas liquidadas por compensações, ainda que não homologadas ou pendentes de homologação, sob pena de cobrança em duplicidade." )." (Acórdão nº 1201002.689, de 12 de dezembro de 2018, Redator designado Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira) Merece reforma, portanto o Acórdão recorrido, para que seja incluídas no cômputo do saldo negativo compensado as estimativas de IRPJ extintas por compensação nas DComp não homologadas. Em relação ao outro óbice posto pelo julgador a quo, qual seja, a ausência de "justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que demonstrassem, inequivocamente, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004", entendo que, também, não pode ser referendado. É que, desde o princípio do processo, a discussão se circunscreveu à quantificação das estimativas quitadas pela Recorrente, para comporem o saldo negativo. Em nenhum instante, o sujeito passivo foi instado a comprovar a apuração do montante devido a título de IRPJ, demonstrado na Ficha 12A da sua DIPJ (fl. 47). Descabe, portanto, por ocasião do julgamento administrativo trazer à tona tal discussão e, mais grave, negar o reconhecimento do crédito da Recorrente por não trazer a comprovação de algo para a qual não foi demandada. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10865.911845/200952 Acórdão n.º 1302003.464 S1C3T2 Fl. 94 8 Isto posto, comprovadas todas as estimativas apontadas na referida Fichas 12A, no montante de R$ 190.237,23, deve ser dado PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para HOMOLOGAR a compensação declarada por meio da DComp de fls. 2 a 6, até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11075.000636/2005-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MANIFESTO.
Devem ser acolhidos os embargos inominados para correção de erro manifesto existente no julgado embargado.
Numero da decisão: 2201-005.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados formalizados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uruguaiana/RS para, com efeitos infringentes, sanar o vício identificado no Acórdão nº 3301-00.025, de 05 de março de 2009, nos termos do voto da Relatora.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
Débora Fófano dos Santos - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: DEBORA FOFANO
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ERRO MANIFESTO. Devem ser acolhidos os embargos inominados para correção de erro manifesto existente no julgado embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados formalizados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uruguaiana/RS para, com efeitos infringentes, sanar o vício identificado no Acórdão nº 3301 00.025, de 05 de março de 2009, nos termos do voto da Relatora. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente Débora Fófano dos Santos Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de embargos inominados propostos pela unidade preparadora (fls. 566/567), em face do acórdão nº 330100.025, da 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, da 3ª Seção de Julgamento do CARF, exarado na sessão de julgamento de 05 de março de 2009 (fls. 538/544). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 06 36 /2 00 5- 17 Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 11075.000636/200517 Acórdão n.º 2201005.060 S2C2T1 Fl. 1.007 2 O processo referese à crédito tributário lançado de ofício consubstanciado no auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 13/43), no importe de R$ 144.986,75 (cento e quarenta e quatro mil, novecentos e oitenta e seis reais, setenta e cinco centavos), correspondente às seguintes infrações: omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas no ano calendário de 2001, dedução indevida de despesas médicas nos anos calendário de 2000 e 2001, dedução indevida de despesas de livro caixa nos anos calendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, dedução indevida de despesa com instrução nos anos calendário de 2002 e 2003 e multas isoladas pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão nos anos calendário de 2000, 2001, 2002 e 2003. Inconformado com o supracitado lançamento tributário, o interessado apresentou impugnação (fls. 176/206 e 429/431). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS lavrou o acórdão nº 185.877 2ª Turma da DRJ/STM, em sessão de 18 de agosto de 2006 (fls. 486/507), julgando o lançamento procedente em parte. Da decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Embargado interpôs recurso voluntário (fls. 515/527). Ao analisar o referido recurso, em sessão de 05 de março de 2009 (fls. 538/544), a 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária deulhe parcial provimento, nos termos da ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA NÃO DEFERIDA.LIVRO CAIXA. PRELIMINAR AFASTADA. A análise promovida pela autoridade fiscal ainda na fase de investigação, foi detalhadissima, fato que ensejou inclusive, oportunidade ao interessado de trazer aos autos farto material, na tentativa de afastar o lançamento. De outro lado, registrese que as notas fiscais apensadas à impugnação, em sua grande maioria, não guardam relação com o lançamento em discussão, tampouco foram escrituradas no livro caixa pelo interessado. As notas fiscais efetivamente relacionadas com lançamento, foram regularmente consideradas pela DRJ e utilizadas na redução do auto infração, na parte relativa à glosa das despesas lançadas no livro caixa. Admitir nesta oportunidade, a utilização das notas fiscais que sequer foram escrituradas no livro caixa é permitir a retificação extemporânea da declaração apresentada pelo contribuinte nos anos calendários de 2000, 2001, 2002 e 2003, após o inicio da fiscalização, contrariamente ao disposto no artigo 147, parágrafo 1 0. do CTN. DESPESAS MÉDICAS. As despesas médicas confirmadas pelo profissional prestador dos serviços, em resposta à intimação da autoridade fiscal, devem ser restabelecidas. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Glosa das despesas do livro caixa e glosa de valor praticamente idêntico, das mesmas despesas lançadas no ajuste anual. Prevalência de apenas um dos lançamentos. MULTA ISOLADA. A multa isolada não pode incidir em concomitância com a multa de oficio. Recurso parcialmente provido." Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 11075.000636/200517 Acórdão n.º 2201005.060 S2C2T1 Fl. 1.008 3 Cientificada da decisão (fls. 545/546) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 547/555), que submetido ao exame de admissibilidade foi acolhido, conforme despacho nº 21020017/2010 2ª Turma Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 01/02, 556/557), tendo o ora Embargado apresentado contrarrazões (fls. 560/564). O recurso especial teve seu provimento negado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do acórdão nº 920201.631 2ª Turma, em sessão de 25 de julho de 2011 (fls. 220/228), cuja ementa transcrevese abaixo: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 a 2004 Ementa: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A aplicação da multa isolada (inciso III, do par. 1 0., do art. 44, da Lei 9.430 de 1.996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44 da Lei 9.430 , 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso Especial do Procurador Negado." A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uruguaiana/RS por meio do memorando nº 146/2011/DRFURA/Secat, de 22 de dezembro de 2011, interpôs embargos inominados (fls. 566/567). O contribuinte apresentou manifestação intitulada de "impugnação de lançamento", recebida em 19/11/2011 (fls. 568/572). Os embargos foram submetidos à análise de admissibilidade, com manifestação do presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, por meio do despacho s/nº de 08/06/2015 (fls. 987/988): "(...) Antes de analisar o pedido da autoridade preparadora, é necessário tecer alguns comentários sobre a movimentação do processo. Pela referência, da autoridade preparadora, a acórdão em recurso voluntário, o processo foi originalmente movimentado para a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, na atividade ANALISAR EMBARGO DE DECLARAÇÃO. Para manifestação sobre a admissibilidade dos embargos foi – em primeiro lugar – nomeado o exconselheiro José Evande Carvalho Araújo. Posteriormente, o processo foi sorteado para o também ex conselheiro Eduardo de Souza Leão. Por fim, pelo fato de os ex conselheiros não mais comporem o colegiado, o processo foi movimentado para o Presidente da Primeira Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que também é Presidente da 1ª Câmara e da 2ª Seção de Julgamento do CARF. Quanto ao pedido da autoridade preparadora, com efeito, o art. 66 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009, prevê a possibilidade de retificação, a qualquer Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 11075.000636/200517 Acórdão n.º 2201005.060 S2C2T1 Fl. 1.009 4 tempo, de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto em decisões. Em complemento, o Decreto 7.574, de 2011, determina – em seu art. 67 – que a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto seja realizada mediante a prolação de um novo acórdão. Em vista do exposto, e considerando que o último colegiado a apreciar o processo foi a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, proponho que o processo seja novamente apreciado por aquela turma, para que: seja verificada, a existência ou não do erro manifesto alegado; em sendo confirmada a existência do erro, sejam determinados seus efeitos,com eventual devolução ao colegiado a quo, para retificação, ou eventual retificação pela própria 2ª Turma da CSRF, mediante a prolação de novo acórdão; em havendo eventual retificação de erro, esclarecimento quanto à validade dos atos posteriores à decisão supostamente eivada de erro. (...)" A 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 24 de agosto de 2016, exarou o acórdão nº 9201004.357 (fls. 990/994), com a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESENTE UM DOS REQUISITOS QUE ENSEJAM O RECURSO MISTER SE FAZ SUA CORREÇÃO. Assiste razão a Unidade Preparadora, o acórdão recorrido estava eivado de Erro Manifesto que impedia a execução do julgado. Expurgada a duplicidade equivocadamente apontada pelo acórdão recorrido na analise pormenorizada do auto de infração." Em seguida, em razão da extinção do mandato da conselheira relatora, os autos foram redistribuídos e sorteados a esta conselheira para apreciação e julgamento dos presentes embargos. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos Relatora Primeiramente, deixamos de apreciar a questão da tempestividade, posto que, sendo adotado o despacho como embargos inominados do art. 66 do Anexo II do Regulamento Interno do Conselho de Recursos Fiscais (RICARF), não existe prazo para correção de erro Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 11075.000636/200517 Acórdão n.º 2201005.060 S2C2T1 Fl. 1.010 5 manifesto, razão pela qual conhecemos do recurso já que presentes os requisitos de admissibilidade, nos termos do artigo 32 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Como bem pontuado nos embargos e no voto do acórdão nº 9201004.357 de admissão dos embargos (fls. 990/994), não houve duplicidade no lançamento, uma vez que no item 3 do auto de infração (fl. 30), foram discriminadas as glosas por ano e esses foram os valores efetivamente considerados no cálculo do imposto no lançamento. Por sua vez, no item 5 (fls. 31/33), as glosas foram enumeradas mêsamês, apenas para fins de demonstrar os valores utilizados no cálculo do imposto mensal devido e, em seguida, do imposto mensal que deixou de ser pago, com vistas à imposição da multa isolada (já afastada pelo Conselho). Os embargos, de modo enfático, afirmam que "os valores constantes no item 5 não integraram a base de cálculo do imposto lançado, de modo que não houve a duplicidade apontada". Em virtude do exposto, acolhidos os embargos inominados para saneamento do vício apontado, a decisão embargada merece ser ajustada, excluindose do voto da I. Relatora, o seguinte parágrafo: "DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO Neste ponto assiste razão ao interessado. De fato, a autoridade lançadora glosou as despesas lançadas no livro caixa e, as mesmas despesas apresentadas no ajuste anual (item III e V do lançamento). Nestas condições é de se manter apenas um dos lançamentos. Assim, excluo os montantes constantes do item III do lançamento, quais sejam, R$ 29.073,18 no ano calendário de 2000, R$ 30.505,59 no ano calendário de 2001, R$ 28.056,59 no ano calendário de 2002 e R$ 43.068,08 no ano calendário de 2003." E, por conseguinte, a mesma inexatidão consignada no referido voto também foi registrada na ementa e no dispositivo do acórdão embargado. Logo, para fim de proposta de correção do julgado embargado, deve ser excluída da ementa o tópico a seguir: "DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Glosa das despesas do livro caixa e glosa de valor praticamente idêntico, das mesmas despesas lançadas no ajuste anual. Prevalência de apenas um dos lançamentos." E no dispositivo, onde se lê: "Em suma, DOU PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO para restabelecer as despesas médicas de R$ 550,00 em maio de 2000; R$ 1.000,00 em junho de 2000; R$ 900,00 em setembro de 2000; R$ 910,00 em novembro de 2000 e R$ 680,00 em dezembro de 2000, totalizando R$ 4.040,00 para o ano calendário de 2000; afastar o lançamento em duplicidade relativo ao livro caixa no valor de R$ 29.073,18 no ano calendário de 2000, R$ 30.505,59 no ano calendário de 2001, R$ 28.056,59 no ano calendário de 2002 e R$ 43.068,08 no ano Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 11075.000636/200517 Acórdão n.º 2201005.060 S2C2T1 Fl. 1.011 6 calendário de 2003 e, finalmente, para afastar a multa isolada no valor de R$ 36.891,16." Leiase: "Em suma, DOU PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO para restabelecer as despesas médicas de R$ 550,00 em maio de 2000; R$ 1.000,00 em junho de 2000; R$ 900,00 em setembro de 2000; R$ 910,00 em novembro de 2000 e R$ 680,00 em dezembro de 2000, totalizando R$ 4.040,00 para o ano calendário de 2000 e para afastar a multa isolada no valor de R$ 36.891,16." CONCLUSÃO Pelos motivos expostos, votamos por acolher os presentes embargos inominados opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uruguaiana/RS para, com efeitos infringentes, sanar o vício apontado no acórdão nº 330100.025, de 05 de março de 2009, nos termos do voto em epígrafe. Débora Fófano dos Santos Relatora Fl. 1011DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726137/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
Acórdão da DRJ. Exame dos Pontos Essenciais. Nulidade.
A decisão não está obrigada a abordar todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivos suficientes para decidir, sendo dever do julgador enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida.
Imunidade. Descumprimento dos Requisitos Estabelecidos em Lei. Suspensão. Cabimento.
Tratando-se de imunidade cujo gozo dependa da observância de requisitos estabelecidos em lei, o descumprimento de qualquer um deles implica o afastamento da imunidade, no respectivo período.
Entidade Imune. Contratação de Empresa de Prestação de Serviços Pertencente a Diretor. Identidade de Função. Remuneração Indireta. Caracterização.
A contratação, por entidade imune, de empresa de prestação de serviço pertencente a diretor da mesma entidade imune caracteriza remuneração indireta, quando a atividade exercida pelo dirigente se confunde com o serviço prestado pela empresa, que não tem empregados, nem estrutura física, e quando a remuneração se dá em patamares elevados.
Numero da decisão: 1301-003.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild afastaram o fundamento do voto do relator relativo à terceirização da "atividade-fim" como razão para suspender a imunidade da Recorrente. E, em relação ao fundamento do voto do relator referente à remuneração indireta a dirigentes como razão para suspensão da imunidade, os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto entenderam que, no que diz respeito ao ano-calendário cuja imunidade foi suspensa, somente as imputações relativas ao senhor Eduardo Jorge deveriam prevalecer, pois os demais beneficiários de pagamento não eram dirigentes da Recorrente no período. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto fará declaração de voto para fazer constar as razões pelas quais o colegiado acompanhou o voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 Acórdão da DRJ. Exame dos Pontos Essenciais. Nulidade. A decisão não está obrigada a abordar todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivos suficientes para decidir, sendo dever do julgador enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. Imunidade. Descumprimento dos Requisitos Estabelecidos em Lei. Suspensão. Cabimento. Tratando-se de imunidade cujo gozo dependa da observância de requisitos estabelecidos em lei, o descumprimento de qualquer um deles implica o afastamento da imunidade, no respectivo período. Entidade Imune. Contratação de Empresa de Prestação de Serviços Pertencente a Diretor. Identidade de Função. Remuneração Indireta. Caracterização. A contratação, por entidade imune, de empresa de prestação de serviço pertencente a diretor da mesma entidade imune caracteriza remuneração indireta, quando a atividade exercida pelo dirigente se confunde com o serviço prestado pela empresa, que não tem empregados, nem estrutura física, e quando a remuneração se dá em patamares elevados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild afastaram o fundamento do voto do relator relativo à terceirização da "atividade-fim" como razão para suspender a imunidade da Recorrente. E, em relação ao fundamento do voto do relator referente à remuneração indireta a dirigentes como razão para suspensão da imunidade, os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto entenderam que, no que diz respeito ao ano-calendário cuja imunidade foi suspensa, somente as imputações relativas ao senhor Eduardo Jorge deveriam prevalecer, pois os demais beneficiários de pagamento não eram dirigentes da Recorrente no período. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto fará declaração de voto para fazer constar as razões pelas quais o colegiado acompanhou o voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
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EXAME DOS PONTOS ESSENCIAIS. NULIDADE. A decisão não está obrigada a abordar todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivos suficientes para decidir, sendo dever do julgador enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI. SUSPENSÃO. CABIMENTO. Tratandose de imunidade cujo gozo dependa da observância de requisitos estabelecidos em lei, o descumprimento de qualquer um deles implica o afastamento da imunidade, no respectivo período. ENTIDADE IMUNE. CONTRATAÇÃO DE EMPRESA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PERTENCENTE A DIRETOR. IDENTIDADE DE FUNÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. CARACTERIZAÇÃO. A contratação, por entidade imune, de empresa de prestação de serviço pertencente a diretor da mesma entidade imune caracteriza remuneração indireta, quando a atividade exercida pelo dirigente se confunde com o serviço prestado pela empresa, que não tem empregados, nem estrutura física, e quando a remuneração se dá em patamares elevados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild afastaram o fundamento do voto do relator relativo à terceirização da "atividade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 61 37 /2 01 4- 71 Fl. 4889DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.890 2 fim" como razão para suspender a imunidade da Recorrente. E, em relação ao fundamento do voto do relator referente à remuneração indireta a dirigentes como razão para suspensão da imunidade, os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto entenderam que, no que diz respeito ao anocalendário cuja imunidade foi suspensa, somente as imputações relativas ao senhor Eduardo Jorge deveriam prevalecer, pois os demais beneficiários de pagamento não eram dirigentes da Recorrente no período. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto fará declaração de voto para fazer constar as razões pelas quais o colegiado acompanhou o voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 4890DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.891 3 Relatório Tratase de recurso interposto por MONTE TABOR CENTRO ÍTALO BRASILEIRO DE PROMOÇÃO SANITÁRIA, já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1157.036, da 4ª Turma da DRJ Recife, que, negando provimento à impugnação, manteve o Ato Declaratório Executivo DRF/SDR nº 067/2014, que suspendera a imunidade da recorrente para o ano base 2010. A autoridade administrativa constatou os seguintes fatos: a) Ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS. A recorrente teve seu pedido de renovação do certificado indeferido pelo Ministério da Saúde para o período de 2009 a 2012, conforme Resolução nº 07/2009 daquele órgão. Embora a recorrente tenha obtido o efeito suspensivo da decisão denegatória, a autoridade fiscal entendeu que a imunidade havia de ser suspensa, dado que a recorrente não comprovara a prestação de todos os seus serviços ao SUS no percentual exigido pela lei. b) Distribuição dos resultados e de parcelas de seu patrimônio. A legislação impõe, para conservar o benefício, que não haja distribuição de resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcela de seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto. Entretanto, essa regra teria sido desrespeitada por meio de operações com o chamado Grupo Delfin. Consta do Despacho Decisório Seort/DRF/SDR nº 0646/2014 (fls. 3.527 a 3.547): Relativamente às operações com o Grupo DELFIN (...), procedeuse ao cotejamento do quadro societário da empresa recém criada, com os elementos contidos na Relação dos Trabalhadores do Contribuinte, obtido através do subsistema GEFIP Web, oportunidade em que foi verificada a coincidência de nomes destes com aqueles. Significa dizer que, dos quinze sócios, pessoa física, da empresa recém constituída, doze deles eram, à época da constituição da pessoa jurídica, empregados do Contribuinte Interessado; Ato contínuo à constituição da Empresa suso aludida, o Contribuinte cessa as suas atividades, que passaram a ser terceirizadas; sendo que, no contrato então firmado, foi evidenciado, pelo Ilustre Auditor subscritor desta Representação, o fato da existência de uma absoluta singularidade e especificidade contraprestacional, onde, na avenca contratual, sobressaem cláusulas que permitiram constatar uma nítida transferência de recursos para pessoas determinadas; Também é evidenciado, na Representação aqui analisada, o fato de que, inobstante a cessão gratuita de expressivas áreas do Complexo Hospitalar do ora Contribuinte Representado à empresa contratada, o Interessado inexplicavelmente paga aluguel a outra empresa do mesmo grupo (DELFIN); sendo que, segundo informações do próprio ora Representado, o imóvel locado teria por finalidade o funcionamento do posto de coleta do laboratório de análise clínica do Hospital São Rafael. (fls. 3.529 e 3.530) A recorrente também teria firmado contrato de prestação de serviços médicos com a empresa Centro de Hematologia e Terapia Celular Sociedade Simples Ltda., sendo que um dos representantes da contratada fora empregado da recorrente, no período compreendido entre os anos de 2001 e 2009. Fl. 4891DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.892 4 As cláusulas do contrato reproduzem a mesma estrutura do contrato firmado com a empresa DELFIN, com favorecimento unilateral, de que seriam exemplos o comodato de áreas de bem imóvel, o comodato de equipamentos, a cessão de empregados com isenção de encargos sociais, entre outros. Tudo isso revela a (...) forma especialíssima de remuneração pela prestação dos serviços que chega a impressionantes 100% no partilhamento do valor dos honorários e procedimentos médicos nas hipóteses indicadas em contrato; Por oportunidade da 1ª alteração contratual, restou ali consignado que a contratada receberia do Contribuinte o valor correspondente a 95% da Receita Operacional Líquida ROL efetivamente recebida, valores correspondentes aos serviços prestados aos beneficiários do Sistema Único de Saúde SUS. Apontando, também, ato contínuo, fatos outros, embora de natureza diferente, que reforçam mais ainda a especificidade do partilhamento da receita entre, repito, o Contribuinte ora Representado e a empresa contratada. (fl. 3.530) c) Transferências de recursos aos diretores. Teria sido constatada a remuneração de diretores. A recorrente, segundo a autoridade fiscal, remunerou de maneira indireta seus diretores, excedendo, em alguns casos, os valores declarados. O Relatório de Fiscalização apresenta várias situações em que não fora constatada remuneração formal a diretores. No entanto, os mesmos diretores prestavam serviços à recorrente, obtendo expressiva remuneração. Nesse sentido, o relatório fiscal faz alusão a determinado diretor, sócio majoritário de uma empresa prestadora de serviços, que sem qualquer empregado, nos anos de 2009 e 2010, obtivera faturamento superior a meio milhão de reais. Foi também identificada a situação de outros dois diretores que eram sócios da empresa Today Consultoria de Negócios Ltda., a qual, nos anos de 2009 e 2010, recebeu montante superior a R$ 800.000,00. A autoridade fiscal ressaltou o fato de que os serviços prestados pela Today Consultoria eram os mesmos que os sócios desempenham como empregados da recorrente. A autoridade fiscal aduziu que essa prática era comum, apontando situações idênticas, porém envolvendo valores menores. Empresas de consultoria, sem empregados, prestavamse apenas a remunerar diretores da recorrente, caracterizando o desvio de finalidade. Ainda ficou caracteriza a benevolência da recorrente para com outras pessoas com as quais mantinha vínculo. É o caso do pagamento de aluguel de imóveis residenciais, não registrado como remuneração dos respectivos beneficiários, no caso, o Diretor Geral do Hospital Deputado Luiz Eduardo Magalhães, em Porto Seguro, e o Diretor Geral do Hospital Dantas Bião, em Alagoinhas. Concluiu a autoridade fiscal que a situação descrita configurava modalidade disfarçada de distribuição de renda a diretores. d) Benfeitoria em imóveis de terceiros. Foram identificadas despesas na conta do ativo permanente, imobilizado, mais especificamente na rubrica benfeitoria em imóveis de terceiros. Os valores foram lançados a débito da conta de ativo permanente imobilizado, no montante de R$ 2.498.103,48. Fl. 4892DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.893 5 O procedimento consistia em fazer lançamentos de despesas com obras em imóveis de terceiros, em várias contas de resultado e, mensalmente, transferir tais valores da conta de despesa para conta de ativo permanente. Também foram constatadas, em outros anos, várias aplicações de recursos em imóveis de terceiros, reproduzindo a mesma sistemática descrita, contudo envolvendo valores em torno de R$ 30.000.000,00. e) Pagamento de aluguel à Fondazione Centro San Raffaele del Monte Tabor. A recorrente contabilizou como despesa a importância de R$ 840.933,02 a título de aluguel pago à Fondazione Centro San Raffaele del Monte Tabor, que seria a proprietária formal dos imóveis. Porém, a autoridade fiscal afirmou tratarse de despesas fictícias, porquanto locador e locatário se confundiam, pois integravam o mesmo grupo. Ao ser questionada sobre as razões pelas quais o Imposto de Renda não fora retido, a recorrente informou que não teria havido pagamento, mas compensações. Nesse passo, lembrou a autoridade fiscal que o art. 9º do Código Tributário Nacional CTN impõe a obrigação de reter na fonte o Imposto de Renda, na condição de responsável tributário. Diante de tais constatações, a autoridade fiscal propôs a suspensão da imunidade para o ano de 2010. A recorrente, alegando razões de fato e de direito, manifestou se contrária à suspensão. Todavia, o Despacho Decisório Seort/DRF/SDR nº 0646/2014 acolheu a representação e, em consequência, a recorrente teve suspensa a imunidade, que se materializou no Ato Declaratório Executivo DRF/SDR nº 067/2014, de 3 dezembro de 2014. Não resignada, Monte Tabor impugnou o ato administrativo. A DRJ REC, entretanto, negou provimento à impugnação, em acórdão resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ALEGAÇÕES. Questionamentos acerca de inconstitucionalidade de lei não são conhecidos no âmbito do julgamento administrativo por tratarem de matéria reservada ao exame do Poder Judiciário (Súmula CARF n° 2). PERÍCIA. DESNECESSIDADE. É desnecessária a realização de perícia para exame de elementos devidamente demonstrados nos autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ASSISTÊNCIA A SAÚDE. Para gozo de imunidade tributária atividade voltada para a área de obrigatoriedade de observância de legislação própria, é insuficiente apenas o exercício de saúde sem finalidade lucrativa, há todos os requisitos especificados na legislação própria. Fl. 4893DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.894 6 Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio Contra essa decisão foi interposto recurso. Em preliminar, alegouse nulidade da decisão recorrida, já que não teria havido qualquer análise particularizada das alegações e dos documentos trazidos na manifestação de inconformidade, inexistindo motivação adequada. A recorrente disse ser instituição de assistência médica, social e educacional, sem fins lucrativos, cuja atuação se concentra na periferia de Salvador e em outras regiões carentes do Estado da Bahia. Faz jus à imunidade prevista no art. 150, inciso VI, letra "c", e à imunidade do art. 195, § 7°, da Constituição Federal. Nesse linha de raciocínio, arguiu inconstitucionalidade e ilegalidade dos requisitos estabelecidos no Decreto n° 2.536/1998 para a concessão do CEBAS, uma vez que as condições para fruição de imunidades só podem ser reguladas por lei complementar. Aduziu que, no Recurso Extraordinário nº 566.622/RS, o E. Supremo Tribunal Federal STF firmou a tese de que os requisitos para o gozo da imunidade têm de estar previstos em lei complementar. No julgamento das ADIs n° 2.028, 2.036, 2.228 e 2.621, aquela Corte invalidou de forma específica o requisito invocado pelo Ministério da Saúde para o indeferimento do CEBAS, no caso, o mínimo de 60% de atendimentos ao SUS. Segundo a Fiscalização, a recorrente teria praticado três grupos de infrações que justificariam o afastamento da imunidade e da isenção, a saber, terceirização de serviços envolvendo o grupo Delfin e o Centro de Hematologia; remuneração de diretores; e as operações com imóveis. Quanto à terceirização de serviços, a acusação do Fisco seria equivocada, pois pagar prestadores de serviços não configura distribuição de patrimônio, mas despesas inerentes às atividades da pessoa jurídica imune. No caso, tratavase da terceirização de atividades que exigiam investimentos inviáveis, em razão das dificuldades financeiras da recorrente, agravadas pelo esgotamento de seu crédito bancário (caso da contratação da Delfin Médicos Associados), ou apresentavam sucessivas operações deficitárias (caso da contratação do Centro de Hematologia e Terapia Celular Sociedade Simples Ltda.) Sobre a acusação de remunerar diretores, a recorrente alega, nesse ponto, falta de clareza da autoridade fiscal, porquanto não teria ficado claro se o motivo para a suspensão da imunidade foi a distribuição de patrimônio ou a remuneração de diretores. De qualquer forma, a improcedência é manifesta, no entender da recorrente, pois os pagamentos foram feitos a título de remuneração pela exercício de atividades profissionais que não se confundem com às inerentes ao exercício do cargo de diretor. Afirmou que essa prática não é proibida pela lei, citando como exemplo o caso de diretor de faculdade imune que é, ao mesmo tempo, professor da instituição, recebendo pelas aulas dadas. Acerca das operações com imóveis, disse que tais operações foram regulares e transparentes, não tendo causado nenhuma perda patrimonial à recorrente. Aduziu que a Fondazione Centro San Raffaele del Monte Tabor, instituição italiana, criou, com outros fundadores brasileiros, a Monte Tabor Centro ÍtaloBrasileiro de Promoção Sanitária (recorrente). Em 1994 e 1995, a recorrente recebeu vultosos empréstimos da Fondazione, destinados a viabilizar a execução dos serviços assistenciais. Malgrado o empréstimo, a Fl. 4894DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.895 7 dificuldade financeira não cessou. Assim, em 2005, a recorrente vendeu à Fondazione bens imóveis de sua propriedade (R$ 25.318.388,00). A Fondazione, já agora proprietária dos imóveis, decidiu alugálos à recorrente, sua antiga proprietária. Criou então uma empresa no Brasil, a Oásis Administração Ltda., para gerir o contrato de locação. A recorrente, locatária do imóvel, assumiu o custo de benfeitorias úteis e necessárias, e abateu os respectivos valores das dívidas oriundas dos empréstimos, bem como quitou, com aquele crédito, os alugueis do prédio onde funciona o Hospital São Rafael. Com a venda, ocorrida em 2005, a propriedade do imóvel ficou sujeita ao IPTU. A recorrente passou a efetuar o pagamento do imposto e, posteriormente, compensava o valor com a dívida relativa aos alugueis devido à nova proprietária. As despesas com manutenção (benfeitorias úteis e necessárias) e com o IPTU foram tão elevadas que, no fim das contas, a recorrente passou a ter crédito perante a Fondazione. Por essas razões, é impossível falar em confusão patrimonial ou em perdas para a recorrente, que obteve empréstimos, recebeu o preço justo pela venda dos imóveis e, no fim das contas, acabou com crédito a seu favor. Com esses fundamentos, pediu o provimento do recurso, a fim de que fosse reconhecido o direito à imunidade. É o relatório. Fl. 4895DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.896 8 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Nulidade da decisão recorrida A recorrente acusou que alegações e documentos por ela apresentados não foram examinados, e que não existe motivação adequada da decisão. Falta de motivação adequada não é sinônimo de falta de motivação, esta sim um vício que torna nulo o ato decisório. A decisão que não exponha as razões de fato e de direito em que se baseia é nula. A decisão que se apóie em fundamentos juridicamente frágeis ou em valoração equivocada do acervo probatório é passível de reforma em grau de recurso; mas aqui, em tese, não se tem ato decisório nulo. A recorrente, ademais, não indicou de forma objetiva quais os pontos relevantes da impugnação deixaram de ser examinados. Rejeitase, portanto, a preliminar de nulidade. Imunidade das entidades beneficentes de assistência social Antes de examinar os pontos controversos que consistem no mérito do recurso, cumpre fazer alguns considerações de ordem geral. Em primeiro lugar, consideramse regras de imunidade tanto a contida no art. 150, inciso VI, letra "c", quanto a do art. 195, § 7º, todos da Constituição Federal. Portanto, ambas serão aqui referidas como imunidade. Em ambos os casos, a imunidade está condicionada a que as pessoas destinatárias da regra atendam aos requisitos estabelecidos em lei; portanto, em norma infraconstitucional. O CTN, que tem força de lei complementar, estabelece no art 14, em linhas gerais, esses requisitos, a saber: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Os incisos I e II contêm requisitos que, na essência, são inerentes às entidades sem fins lucrativos. Afinal, nenhuma entidade sem fins lucrativos pode distribuir patrimônio ou Fl. 4896DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.897 9 renda, sem incorrer em desvio de finalidade, porque quem distribui patrimônio e renda são as entidade que têm no lucro seu objetivo. É óbvio, pelas mesmas razões, que entidades sem fins lucrativos devem aplicar suas receitas na manutenção de seus fins institucionais, sob pena de desvio que descaracteriza sua natureza jurídica. Os dois requisitos, portanto, têm natureza material e emanam da própria condição de entidade sem fins lucrativos, de modo que ambos haveriam de ser observados ainda que o CTN nada dissesse a respeito. O CTN não está criando obstáculos ao gozo da imunidade, mas explicitando atributos inerentes às pessoas jurídicas sem fins lucrativos. O inciso III, diferentemente dos anteriores, tem função meramente instrumental. Ao exigir a escrituração de receitas e despesas em livros revestidos de formalidades mínimas que garantam a exatidão dos registros, a lei busca dar à fiscalização tributária, ou de outros órgãos estatais, as condições para verificar eventuais desvios. As leis ordinárias que, posteriormente, vieram tratar de requisitos para gozo da imunidade o fizeram, em tese, dentro das balizas traçadas pelo CTN, detalhando os requisitos materiais e instrumentais. A premissa de que as leis ordinárias atuam dentro dos limites traçados pela Constituição Federal e pelo CTN é intocável, até que o E. STF se pronuncie pela inconstitucionalidade de alguma exigência fixada em lei ordinária. No âmbito do processo administrativo não se examinam questionamentos referentes à constitucionalidade de qualquer requisitos fixado em lei, complementar ou ordinário, para o gozo da imunidade do art. 150, inciso VI, letra "c", e do art. 195, § 7º, da Constituição Federal. De acordo com esse paradigma, é que devem ser consideradas as objeções opostas pela recorrente ao CEBAS. O CEBAS é requisito essencial para o gozo da imunidade do art. 195, § 7º, da Constituição Federal. Porém a concessão desse certificado não cabe à Receita Federal. No caso dos autos, a competência é do Ministério da Saúde. Portanto, não compete ao CARF fazer qualquer juízo de valor acerca da decisão que conceder ou denegar o CEBAS. Se a suspensão da imunidade estivesse na dependência exclusivamente do CEBAS, o julgamento haveria de ser sobrestado, até decisão definitiva do Ministério da Saúde. Entretanto, não é o que se verifica no caso em exame. Aqui foram várias as circunstâncias que serviram de fundamento autônomo à suspensão da imunidade em 2010. Assim, basta que se reconheça a presença de um, dentre os diversos fundamentos, para que se confirme a suspensão, negando provimento ao recurso. Terceirização de serviços A terceirização da atividadefim das instituições de assistência social sem fins lucrativos tem de ser vista com reservas. Tais contratos de terceirização podem ensejar, por via oblíqua, a transferência de recursos, alguns inclusive oriundos do Poder Público, para empresas privadas, que buscam, como é natural, o lucro. Pode também caracterizar burla ao princípio da livre concorrência, na medida em que empresas privadas se utilizem de entidades imunes como fachada para o exercício de atividades lucrativas, inclusive com condição diferenciada de reserva de mercado e captação de clientes. Fl. 4897DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.898 10 A terceirização de atividademeio não é problema, e ninguém cogitaria de suspender imunidade em face dessa opção, que vem sendo adotada largamente em todas as esferas, inclusive nos órgãos públicos. O problema é a terceirização da atividadefim da instituições de assistência social, porque isso pode mascarar um procedimento malicioso, visando fraudar a tributação incidente sobre receitas e lucros da respectiva atividade. A terceirização de atividadefim tem sido adotada por empresas privadas. Nesse caso, abstraindo a questão trabalhista, o que se tem são entidades empresariais, exercendo a liberdade de organização de seu negócio da forma que mais lhes convenha. Essa mesma lógica, entretanto, não pode ser aplicada a entidades imunidades, que, desoneradas da carga tributária normal, prestam serviços, sem objetivo de lucro, mas preordenados a atender necessidades e assegurar direitos, exercendo assim o papel que constitucionalmente cumpre ao Estado. Exatamente por isto, são imunes: porque fazem o que ao Estado cabe fazer. Permitir que pessoa jurídica imune pratique a terceirização de atividadefim é abrir caminho a uma relação viciada entre interesse público e interesse de privado. Não tem sentido estabelecer requisitos rígidos para que a entidade possa usufruir de imunidade tributária e, ao mesmo tempo, permitir, de forma ampla, a terceirização de sua atividade principal. Tal circunstância implicará necessariamente o conflito entre a finalidade filantrópica e a finalidade lucrativa. Filantropia e lucro, por definição, não combinam. Quando a entidade filantrópica terceiriza sua atividade principal, o que passa a existir é uma empresa privada exercendo suas atividade sob a máscara de entidade imune. A empresa privada não se descaracteriza, a entidade filantrópica sim. No caso concreto, deuse a terceirização da atividadefim. Mais que isso, a recorrente cedeu toda a sua estrutura física. Os equipamentos utilizados pela empresa Delfin Médicos Associados pertenciam à recorrente, conforme ela própria admitiu. Em especial, no caso da Delfin, a recorrente descreveu um quadro de dificuldades financeiras, diante do qual duas alternativas se apresentavam. Observese que o diz a recorrente no recurso: Duas saídas se apresentavam: a cessação dos serviços, inadmissível, ou a terceirização. Daí a contratação da DELFIN, sociedade integrada por importantes especialistas no ramo, aos quais se juntaram os médicos até então empregados do Recorrente, que para tanto se demitiram. A sociedade responsabilizouse por todos os investimentos necessários ao seu funcionamento em nível de excelência (cf. termos do acerto, sintetizados no doc. n° 15 da impugnação, fls. 3.902/3.910). Ao Recorrente foi assegurada uma participação de 10% na receita, preservada uma remuneração mensal mínima igual à média histórica de receita que até então obtinha com a atividade, no valor de R$ 114.000,00/mês. Ademais, a DELFIN lhe transferiu R$ 800.000,00 a título de antecipação de receitas. Ou seja, manutenção no mínimo dos níveis anteriores de faturamento, sem prejuízo de qualquer espécie e com possibilidade de aumento de receita. Por se tratar de atividadefim do hospital, o Recorrente cedeu o espaço físico que já era destinado a tais serviços, bem como a mão de obra responsável pelos Fl. 4898DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.899 11 serviços gerais (como limpeza, por exemplo), que era a mesma que os executava no restante das dependências do hospital. Não se trata de cessão gratuita, mas de contrapartida pela participação nas receitas, tal como contratada. Os resultados foram favoráveis ao Recorrente: em 2012, a receita do serviço chegou a R$ 21.735.712,84, cabendolhe, assim, R$ 2.173.571,28, inteiramente livres de riscos. Para perceberse a importância desse montante, basta considerar que coube à DELFIN adquirir equipamentos no valor de R$ 10.938.070,00, investir R$ 576.304,90 em obras civis nas instalações físicas do hospital, remunerar toda a dispendiosa mão de obra médica e administrativa e assumir sozinha o risco do negócio (sendo certo que garantiu ao Recorrente uma receita mensal mínima), tudo isso em troca da remuneração paga pelo SUS... Não por acaso, a DELFIN apresentou déficits (R$ 4.359.153,89 em 2008), para atingir um primeiro superávit somente em 2010. (grifos da recorrente) (fls. 4.609 a 4.610)" Percebese que o efetivo prestador do serviço deixou de ser a recorrente para ser a empresa privada, que para assegurar o "negócio" oferecia à recorrente um determinado valor "livre". O negócio era tão vantajoso para a Delfin (entidade de fins lucrativos) que ela antecipou receitas. A recorrente falou que foram mantidos os níveis anteriores de faturamento, sem prejuízo de qualquer espécie, e com possibilidade de aumento de receitas. Concluindo, afirmou que os "resultados" lhe foram favoráveis. É interessante notar que o casamento da entidade beneficente com a sociedade empresária afastou a primeira do seu objetivo inicial. Isso se reflete no nível discurso, no qual sobressai a preocupação clara com lucros e resultados, evidenciando que o problema se resumia a uma simples relação de receitas e despesas. A prestação de serviço ao público, que justifica a imunidade, foi relegada à segundo plano. É como diz a passagem bíblica "ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro". (Mateus. 6.24) A finalidade filantrópica ficou sufocada pelo objetivo de lucro. Observese que o Ministério da Saúde não renovou o CEBAS porque a recorrente não havia cumprido percentuais mínimos de atendimento ao SUS e percentuais mínimos de gratuidade (cf. Parecer Técnico nº 279/2012 CGCER/DCEBAS/SAS/MS, fls. 322 a 337). O cumprimento desses requisitos seguramente pressionaria os lucros das empresas privadas que, mercê da terceirização da atividadefim, eram as efetivas prestadoras dos serviços. Por tudo isso, temse como caracterizado o desvio de finalidade. Remuneração de dirigentes No que tange à remuneração de dirigentes, há situações limítrofes, que se encontram na fronteira entre o que é ou não permitido a uma entidade imune. Não há dúvida de que é lícito pagar, pelas aulas dadas, ao professor, que é também o diretor da escola, instituição de educação sem fins lucrativos, que goza de imunidade tributária. Por outro lado, a pergunta que se impõe é saber se é lícito contratar serviços de consultoria ou assessoria de empresas pertencentes a diretores da entidade imune (pagando Fl. 4899DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.900 12 valores acima dos de mercado), por serviços que deveriam ser prestados pelo diretor pessoalmente. Antes de examinar o problema, é importante delimitar, no tempo, os fatos relevantes, que merecem atenção. O processo cuida de suspensão de imunidade no ano de 2010. Logo, são irrelevantes, em princípio, os fatos ocorridos antes desse período. Em relação à controvérsia, diz a recorrente: O Sr. EDUARDO JORGE MARINHO DE QUEIROZ JÚNIOR era sócio da empresa TODAY CONSULTORIA DE NEGÓCIOS, contratada em 01/08/2003 pelo Recorrente para realizar o diagnóstico econômico financeiro da instituição (doc. n° 27 da impugnação, fls. 4.081/4.085). Somente em 11/2008, o Recorrente optou por contratar o SR. EDUARDO como Diretor Administrativo e Financeiro, quando este passou a exercer funções de macrogestão da instituição, sem confundirse com os trabalhos de consultor na TODAY. O fato de terem sido renegociados para baixo os honorários pagos à TODAY, a partir da nomeação do SR. EDUARDO à diretoria do Recorrente, afasta qualquer pecha simulatória que poderia pairar sobre os fatos. (fl. 4.612) A propósito do serviços prestados pela Today Consultoria de Negócios, vale reproduzir a informação que consta do Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 2.837 a 2.876): No Anexo 29, extrato de informações constantes nas Declarações de Imposto de Renda Retidas na Fonte, DIRF, correspondente a serviços prestados pela Today, TCN, cópia no anexo 29, indicam, apenas no ano de 2010, rendimentos tributáveis auferidos decorrentes de serviços contratados pelo HSR que atingem o total de R$ 906.463,02 (novecentos e seis mil, quatrocentos e sessenta e três reais e dois centavos). Valor bastante elevado para o contrato com uma empresa que não apresenta nenhum funcionário registrado no período. (fls. 2.855) A contratação da empresa de consultoria, claro está, se fez com o propósito de remunerar um dos diretores da recorrente. Consta ainda do recurso: No caso do Sr. SIGEVALDO SANTANA DE JESUS, tratase antigo funcionário do Recorrente que exercera cargos de controladoria e RH e que, em 05/2011, assumiu a Diretoria de Controle e Expansão. Ocorre que aludido Senhor foi sócio da empresa ACERVO AUDITORIA E CONSULTORIA, contratada desde 2005 (doc. n° 34 da impugnação, fls. 4.136/4.139) para prestação de serviços de consultoria contábil ao Recorrente, em época, portanto, muito anterior à sua chegada à diretoria. Isto é, o Sr. SIGEVALDO não se valeu da condição de diretor para determinar a contratação da empresa de que era sócio. Sem falar que os serviços da ACERVO (aperfeiçoamento e melhoria de processos contábeis, revisão de classificações e graus de insalubridade de colaboradores etc.) não equivaliam às atividades do Sr. SIGEVALDO como empregado (até 2011) ou como Diretor (após essa data). (fl. 4.612). Sobre os serviços prestados pela Acervo Consultoria e Auditoria, manifestou se a autoridade fiscal no TVF: Fl. 4900DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.901 13 Foram identificados ainda, em 2009 e 2010, pagamentos à empresa Acervo Auditoria e Consultoria Emp. S/S Ltda, inscrita no CNPJ n° 07.666.348/000161, cujo sócio era o sr. Sigevaldo Santana de Jesus, até 18.05.2011 (anexo 27). Esta empresa faturou junto ao contribuinte entre 2009 e 2010 R$ 115.650,00 conforme contrato e notas fiscais apresentadas (anexo 30). Os serviços prestados objeto do referido contrato são os mesmos que o sócio da empresa desempenha como empregado do contribuinte. Em pesquisa ao sistema GFIP WEB, nos anos de 2009 e 2010, encontrase a situação "GFIP SEM MOVIMENTO" desde 05/2009, portanto sem qualquer empregado. (fl. 2.856) Diante desse quadro, o mais relevante é o fato de que a empresa de consultoria não tinha empregados, porque isso revela que os serviços eram prestados pessoalmente, em caráter intuitu personae, por Sigevaldo Santana de Jesus, de tal modo que a contratação da empresa de consultoria era uma forma mascarada de remunerar dirigente e também uma forma de distribuição de renda da entidade imune. Em suma, tais fatos, por si, bastam para dar suporte ao ato de suspensão de imunidade, tanto a relativa a impostos, quanto a relativa às contribuições de seguridade social. Operação com imóveis foi afastada. No que tange às operações com imóveis, os fatos, por si mesmos, não dariam causa à suspensão da imunidade, pois são anteriores ao período em exame. A alienação do imóvel ocorreu em 2005; portanto, antes do período a que se refere o ADE nº 67/2014. O contrato de locação também precede a 2010. Além disso, as despesas com pagamento de alugueis foram tidas como não comprovadas pela Fiscalização e, por isso, motivaram a glosa e o lançamento de tributo. Portanto, se a existência de tais pagamentos foi considerada como não comprovada, eles não podem servir de base para a suspensão da imunidade. Portanto, esse fundamento deve ser afastado, o que não compromete a validade do ADE 67/2014, que remanesce respaldo pelos dois fundamentos autônomos examinados acima. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 4901DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.902 14 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Em razão do julgamento ter se findado com a conclusão proposta pelo voto do Ilustre Relator, Conselheiro Roberto Silva Júnior, mas com divergência do Colegiado quanto às razões de decidir, fui incumbido de apresentar declaração de voto deixando clara e evidente a razão que determinou a negativa de provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente. Em breve síntese, a Recorrente teve sua imunidade e isenções suspensas sob um dúplice fundamento: i) o indeferimento da renovação do CEBAS para o triênio 2009/2012, em virtude do suposto não atendimento ao art. 3º, § 4º, do Decreto nº 2.536/98 c/c os §§ 10, II, e 14, do mesmo artigo (60% atendimento ao SUS); e ii) a acusação de ofensa ao art. 29, II e V, da Lei nº 12.101/2009 e ao art. 14 do CTN: aplicação de recursos fora dos objetivos institucionais e distribuição de resultados. As razões de ofensa ao art. 29, II e V da Lei nº 12.101/2009 e ao art. 14 do CTN são sumarizadas nos seguintes termos: Item 4.2 do TVF: Distribuição dos resultados ou patrimônio. Itens 4.2.1 e 4.2.2 do TVF: Operações com o Grupo Delfin e com o Centro de Hematologia e Terapia Celular. O Impugnante mantém contratos com duas sociedades de direito privado com fins lucrativos (Delfin Médicos Associados Ltda. e Centro de Hematologia e Terapia Celular Sociedade Simples Ltda.), cujos sócios foram empregados do Impugnante, para fins de parceria na prestação de serviços médicos, por meio do qual o Impugnante cede via comodato mãodeobra, equipamentos e espaços em seus imóveis, e os Contratados realizam investimentos em equipamentos (raio X, ressonância magnética, tomógrafo, ultrassonografia etc.), partilhando a receita auferida (10% com o Impugnante), inclusive decorrente de serviços prestados pelo SUS. Item 4.2.3 do TVF: Transferência de recursos a diretores. O Impugnante manteria contratos com consultorias cujos sócios eram diretores do hospital, como forma de remuneração indireta aos mesmos. Itens 4.2.4 e 4.2.5 do TVF: Benfeitorias em imóveis de terceiros, e aluguéis pagos pelo Impugnante. O Impugnante realiza diversas benfeitorias nos imóveis que aluga, desse modo disfarçadamente remunerando o locador (FONDAZIONE, proprietária na Itália, via OASIS, administradora da primeira no Brasil). Itens 5.0 e 5.1: Venda de imóveis do Impugnante e de celebração de empréstimos, sempre sem comprovação de pagamentos. Fl. 4902DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.903 15 O Impugnante, em supostas operações comprobatórias de existência de grupo econômico entre ele e a FONDAZIONE e a OASIS (por meio das quais lhes transferiria renda e patrimônio), vendera seus imóveis no Brasil para a primeira, para posteriormente tornarse sua inquilina, e ainda declarou ter tomado diversos empréstimos com aludida instituição italiana, em todos os casos sem demonstrar a veracidade das operações.” Pois bem, prossigamos na análise dos fundamentos, de forma pormenorizada. Quanto ao primeiro fundamento, é sabido por todos que o Supremo Tribunal Federal definiu a tese, em repercussão de geral, que “os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar previstos em lei complementar” (RE nº 566.622/RS), posição está mantida nas ADI nº 2.028, 2.036, 2.228 e 2.621, inclusive com a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 4º, do Decreto nº 2.536/98, utilizado como fundamento parcial da suspensão da imunidade. Senão vejamos o dispositivo do voto prevalecente do Min. Teori Zavascki: (c) sejam julgadas procedentes em parte as arguições decorrentes daconversão das ADIs 2228 e 2621, para declarar a inconstitucionalidade dos arts. 2º, IV; 3º, VI, §§ 1º e 4º, parágrafo único, todos do Decreto 2.536/1998, assim como dos arts. 1º IV; 2º, IV e §§ 1º e 3º; 7º, § 4º, do Decreto 752/1993; Apesar do indeferimento da renovação do CEBAS ter se dado por motivo claramente contrário ao entendimento vinculante do STF, compartilhamos da opinião do relator de que essa análise é competência do Ministério da Saúde, e não do CARF. Caso o único fundamento fosse este, apontou o relator, o procedimento correto seria o sobrestamento, como não é, cabe a nós analisar os demais requisitos. Quanto ao segundo fundamento, ele se baseia no não cumprimento do art. 29, II e V da Lei nº 12.101/2009 e do art. 14 do CTN, verbis: Lei 12.101/2009 Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; CTN Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001) Fl. 4903DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.904 16 II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. a) Contratos com a DELFIN e o CENTRO DE HEMATOLOGIA O Recorrente apresentou anexo aos memoriais parecer econômicofinanceiro, juntado aos autos mas pendente de aprovação (fls. 3470 e ss.), no qual se explica que a contratação da prestação de serviço por essas empresas era uma forma de terceirização de serviços em hospitais, com a finalidade de elevar a produtividade e eficiência, via transferência de custos e do risco para os terceirizados, que prestariam os serviços médicos. Como se vê nas cláusulas 4.3, 4.6 e 5.1 do Contrato com a DELFIN, reproduzidas às fls. 3476 e 3477, a contratada assumiu todas as responsabilidades trabalhistas, tributárias, bem como relativas à qualidade dos serviços e profissionais atuantes, e a conservação dos equipamentos médicos utilizados, cabendo à Recorrente o estabelecimento de metas gerais e específicas nesse prestação de serviços. A razão para que a Recorrente fizesse esse tipo de contrato era principalmente o fato do parque tecnológico de radiologia e imagem estar profundamente desfasado, exigindo investimentos expressivos, que eram impossíveis em razão da falta de capacidade de endividamento da sociedade, que não tinha recursos próprios e que ostentava resultados financeiros decrescentes nessa área. Daí justificada a contratação da DELFIN, sociedade integrada por especialistas, aos quais se juntaram os antigos médicos empregados do Recorrente, que para tanto se demitiram antes, passando essa sociedade a se responsabilizar por todos os investimentos necessários ao seu funcionamento em nível de excelência (cf. doc. nº 15 da impugnação, fls. 3.460/3.468). A fiscalização se apegou à forma de remuneração de fato bastante complexa para aduzir que houvera uma cessão gratuita do espaço e que havia uma forma de distribuição de resultados quando, em rigor, ao Recorrente foi assegurada uma parcela de 10% na receita, preservada uma remuneração mensal mínima igual à média histórica de receita que até então obtinha com a atividade: R$ 114.000,00/mês, recebendo também R$ 800.000,00 a título de antecipação de receitas. Em contrapartida à receita prometida, o Recorrente cedeu o espaço que já era destinado a tais serviços, bem como a mão de obra responsável pelos serviços gerais (limpeza, etc.), que já os executava no restante das suas dependências. Como se pode ver, não se trata de cessão gratuita, portanto. Na prática, o faturamento dos serviços prestados é feito em nome e por conta e ordem do Recorrente, seja para convênio, particular ou SUS, englobando na composição do preço todos os custos e despesas envolvidos na prestação do serviço, bem como na manutenção e operação do espaço. Em relação aos custos que ficam a cargo do Recorrente (e não da DELFIN), como água e energia, há o reembolso mediante desconto no pagamento das faturas emitidas pela DELFIN, a título de recuperação de custos. Quanto à remuneração dos serviços, ela é feita com base na receita operacional líquida dos serviços prestados pela DELFIN, aplicandose o percentual de 85%, que será objeto de emissão de nota fiscal, pela DELFIN, contra o Recorrente. Fl. 4904DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.905 17 Não havia uma distribuição de resultados, mas sim uma alocação de expressivos riscos na DELFIN, com a manutenção de investimentos e de rendimentos para o Recorrente, em contraprestação de uma remuneração calculada sobre o total de receitas líquidas auferidas com a prestação dos serviços por esse grupo de prestados, inclusive com a retenção dos tributos devidos (IRRF, PIS, COFINS, CSLL) e com o desconto da recuperação de custos, que em 2009 foi equivalente a 12% da o valor faturado, e em 2010, 10%, conforme planilha: Como se pode ver, nas planilhas abaixo, o contrato com a DELFIN gerou incremento substancial de receitas (57% em cinco anos) e aumento na quantidade de atendimentos: Fl. 4905DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.906 18 Além do aumento inegável do fluxo de caixa do Recorrente, o DELFIN fez investimentos no montante de quase R$ 11 milhões, em aparelhos de última geração, para viabilizar a prestação de serviços médicos com grau de excelência. Esse contrato, portanto, não comprometeu a renda do Recorrente, ao passo que lhe deu vantagens econômicas comprovadas e elevou a qualidade na sua prestação de serviços, incrementando qualitativamente a sua atividade. Quanto ao CENTRO DE HEMATOLOGIA, foi realizado contrato semelhante àquele com o DELFIN, mas que foi denunciando unilateralmente pelo Recorrente em razão de não alcançar os resultados previstos originalmente: A própria denúncia já "depõe" em favor da Recorrente, demonstrando que havia o interesse real de implementação de uma terceirização de serviços, mas que, diante do insucesso, foi cessada (doc. nº 21 da impugnação, fls. 3.564/3.587). Em ambos os casos, não há distribuição de resultados, mas sim contraprestação dos serviços prestados, com a vantagem para a Recorrente de esvaziar o risco do seu negócio, garantindo um fluxo de caixa constante para a persecução de suas finalidades institucionais. Quanto à alegação de transferência de recursos aos diretores, parecenos haver um problema de ordem formal. A suspensão da imunidade se deu em relação a fatos ocorridos entre janeiro de dezembro de 2010, ou seja, caberia à fiscalização indicar, nos termos do art. 32 da Lei nº 12.101/2009, fatos relativos ao período correspondente que justificassem a suspensação. A fiscalização constrói toda uma argumentação (fls. 2854 e ss.) do TVF, no sentido de que o Recorrente remunerou diretores, como justificativa para a suspensão da imunidade: Fl. 4906DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.907 19 Entretanto, tanto o Sr. Andrea Garziera (cujas atividades junto à Recorrente se iniciaram em 2003 e se encerraram em 2009) e o Sr. Sigevaldo Santana de Jesus (que se tornou diretor da entidade apenas em maio de 2011) não ocupavam qualquer cargo de direção durante o período no qual as infrações deveriam ter sido verificadas. Por outro lado, em relação ao Sr Eduardo Jorge, este era diretor durante o ano de 2009, e verificouse a remuneração indireta por meio de uma empresa, como corretamente apontado pelo voto do Relator: Em relação à controvérsia, diz a recorrente: O Sr. EDUARDO JORGE MARINHO DE QUEIROZ JÚNIOR era sócio da empresa TODAY CONSULTORIA DE NEGÓCIOS, contratada em 01/08/2003 pelo Recorrente para realizar o diagnóstico econômico financeiro da instituição (doc. n° 27 da impugnação, fls. 4.081/4.085). Somente em 11/2008, o Recorrente optou por contratar o SR. EDUARDO como Diretor Administrativo e Financeiro, quando este passou a exercer funções de macrogestão da instituição, sem confundirse com os trabalhos de consultor na TODAY. O fato de terem sido renegociados para baixo os honorários pagos à TODAY, a partir da nomeação do SR. EDUARDO à diretoria do Recorrente, afasta qualquer pecha simulatória que poderia pairar sobre os fatos. (fl. 4.612) A propósito do serviços prestados pela Today Consultoria de Negócios, vale reproduzir a informação que consta do Termo de Verificação FiscalTVF (fls. 2.837 a 2.876): No Anexo 29, extrato de informações constantes nas Declarações de Imposto de Renda Retidas na Fonte, DIRF, correspondente a serviços prestados pela Today, TCN, cópia no anexo 29, indicam, apenas no ano de 2010, rendimentos tributáveis auferidos decorrentes de serviços contratados pelo HSR que atingem o total de R$906.463,02 (novecentos e seis mil, quatrocentos e sessenta e três reais e dois centavos). Valor bastante elevado para o contrato com uma empresa que não apresenta nenhum funcionário registrado no período. (fls. 2.855) Na contratação de Eduardo Jorge há uma redundância de atribuições do diretor e da empresa, bem como ausência de funcionários, indicando existência meramente como instrumento para remunerar esse diretor. Quanto aos demais pontos, especialmente as operações realizadas com imóveis, verificase que elas se deram entre 1994 e 2004, e por isso não podem gerar a lavratura de auto de infração, como observado pelo Relator em seu voto. Desse modo, à guisa de conclusão, os fundamentos determinantes para a negativa de provimento do Recurso Voluntário são dois: a) O indeferimentos da renovação do CEBAS; Fl. 4907DF CARF MF Processo nº 10580.726137/201471 Acórdão n.º 1301003.754 S1C3T1 Fl. 4.908 20 b) A comprovação de remuneração indireta ao diretor Eduardo Jorge Marinho, por meio da empresa Today Consultoria de Negócios. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 4908DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002578/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
PRELIMINAR. NULIDADE INEXISTÊNCIA
Não vislumbro no caso em exame, a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, tendo sido oportunizado ao contribuinte a ampla defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário.
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIRPF. SÚMULA CARF Nº 69.
Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo".
Numero da decisão: 2401-006.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007 PRELIMINAR. NULIDADE INEXISTÊNCIA Não vislumbro no caso em exame, a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, tendo sido oportunizado ao contribuinte a ampla defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIRPF. SÚMULA CARF Nº 69. Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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NULIDADE INEXISTÊNCIA Não vislumbro no caso em exame, a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, tendo sido oportunizado ao contribuinte a ampla defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIRPF. SÚMULA CARF Nº 69. Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 78 /2 00 9- 75 Fl. 473DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II SP (DRJ/SPOII) que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o Crédito Tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1752.477 (fls. 97/101): ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2006, 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. OBRIGATORIEDADE EM RAZÃO DO TOTAL DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. BASE DE CÁLCULO DA MULTA. Aplicase multa por falta de entrega de declaração de ajuste anual ao contribuinte que deixa de fazêlo, embora obrigado. Legitima a utilização de imposto apurado em lançamento decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, quando o contribuinte não afasta a presunção legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 29/30), lavrado contra a Contribuinte em 25/09/2009, relativo aos exercícios 2006, 2007, por falta/atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda, com imposto devido, no qual é exigido o recolhimento da Multa Regulamentar no valor de R$ 15.823,16, relativo à 2006, e R$ 37.810,50, relativo à 2007, não passível de redução. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 22/26): 1. A Fiscalização foi realizada com o objetivo de verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas aos anoscalendário de 2005 e 2006, com a análise da movimentação financeira da Contribuinte; Fl. 474DF CARF MF Processo nº 19515.002578/200975 Acórdão n.º 2401006.121 S2C4T1 Fl. 3 3 2. Da análise da movimentação financeira apurouse omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, o que resultou na lavratura, em 07/07/2009, do Auto de Infração (Processo nº 19515.002549/200912) que apurou Imposto devido no montante de R$ 544.951,16 (fls. 08/20); 3. Em virtude da Contribuinte, embora obrigada, não apresentou a Declaração de Ajuste Anual nos exercícios 2006 e2007, foi lavrado o Auto de Infração, objeto desse Processo, onde foi lançada a Multa Regulamentar equivalente a 20% do valor do Imposto apurado em decorrência da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, via Correio, em 29/09/2009 (AR fl. 32) e, em 28/10/2009, apresentou sua Impugnação de fls. 34/48, instruída com os documentos nas fls. 49/94. O Processo foi encaminhado à DRJ/SPOII para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1752.477, em 20/07/2011 a 10ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Impugnação, mantendo o Crédito Tributário exigido.. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/SPOII, via Correio, em 16/01/2014 (AR fl. 106) e, inconformado com a decisão prolatada, em 17/02/2014, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 108/131, instruída com os documentos nas fls. 132/466, por meio da qual contesta o lançamento e, em síntese: 1. Fala da tempestividade do Recurso Voluntário apresentado (Item I fl. 109); 2. Preliminarmente, pleiteia a nulidade do Auto de Infração por inexistência de justa causa para sua lavratura e inocorrência de ilicitude; 3. Se insurge sobre diversos aspectos do Processo nº 19515.002549/2009 12, decorrente da mesma Ação Fiscal relativa às movimentações financeiras em sua conta; 4. Discorre sobre a origem dos recursos movimentados em sua conta e fala sobre as movimentações ocorridas nos exercícios subsequentes ao depósito da indenização trabalhista; 5. Fala sobre a absoluta ausência de sinais exteriores de riqueza e sobre sua capacidade contributiva; 6. Traz os fundamentos que considera relevantes à desconstrução da autuação; Conclui seu Recurso Voluntário Dizendo que a penalização pelo atraso das entregas das declarações não se sustentam porque a própria tributação de Imposto de Renda Complementar não tem razão de ser, e suplica pela suspensão da tramitação destes autos até que sobrevenha decisão definitiva nos autos do Mandado de Segurança nº 0011950 Fl. 475DF CARF MF 4 68.2010.4036100, que pleiteia o processamento do Recurso Voluntário manobrado no Processo 19515.002549/200912, que pode influenciar diretamente no resultado desse processo. Finaliza requerendo que, no caso de não se entender pelo sobrestamento do processo, seja integralmente reformada a decisão de 1ª instância a fim de cancelar a autuação fiscal e extinto o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Pleiteia a contribuinte a nulidade do auto de infração por inexistência de justa causa para a sua lavratura, tendo em vista a inocorrência de qualquer ilicitude. Não vislumbro no caso em exame, a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 que assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, tendo sido oportunizado ao contribuinte a ampla defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário. Dessa forma, não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e o auditor fiscal agiu de forma regular nos moldes insculpidos na legislação tributária. Não cabe ao CARF o pronunciamento sobre questões relativas à inconstitucionalidade, conforme verbete da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 19515.002578/200975 Acórdão n.º 2401006.121 S2C4T1 Fl. 4 5 Assim, não procede as alegações de nulidade do auto de infração. Mérito O presente lançamento trata de multa por falta de entrega da DIRPF, correspondente a 20% do imposto devido apurado na ação fiscal. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte se insurge contra diversos aspectos relacionados ao Processo n° 19515.002549/200912, decorrente de ação fiscal relativa à movimentação financeira incompatível, alega que ocorreu erro na base de cálculo, sem trazer razões especificas contra o lançamento da multa regulamentar por falta de entrega da declaração. Em nenhum momento o contribuinte nega que deixou de entregar a declaração de rendimento correspondente ao anocalendário 2005. Pois bem. A previsão legal para a imposição da penalidade tem sede no art. 88, I da Lei nº 8.981/1995 e do art. 27 da Lei nº 9.532/1997, a seguir transcritos: Lei n.º 8.981/1995 Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1º. O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas Ufirs, para as pessoas físicas; b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas. Lei n.º 9.532/1997 Art. 27. A multa a que se refere o inciso I do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1º do referido art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Destaquese ainda os termos estabelecidos na Súmula CARF nº 69: A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Fl. 477DF CARF MF 6 Assim, não há reparos a serem feitos no lançamento, devendo ser mantida a exigência fiscal. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, rejeito as preliminares apontadas e, no mérito, NEGOLHE provimento. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 478DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.900021/2008-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1201-002.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Turma em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. Votaram pelas conclusões os conselheiros Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior, que afastaram a preclusão, mas reconheceram a não comprovação do crédito.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Turma em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. 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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 00 21 /2 00 8- 20 Fl. 38DF CARF MF 2 Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 23/29, de n. 21140.66518.281004.1.7.020803, de 28/10/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de Crédito Saldo Negativo de IRPJ, 3° Trimestre / 2002, no valor de R$ 759,92. O contribuinte foi previamente intimado (Termo de Intimação n. 621319799, efl. 08, de 31/08/2006), com orientação de que retificasse a DIPJ em questão tendose em vista que o valor informado em DIRPJ de Saldo Negativo de IRPJ não correspondia ao valor do crédito requerido. Em seqüência o pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 749307229 (efl. 09), que analisou as informações e concluiu que não foi confirmado o crédito na respectiva DIPJ. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi assim resumida pelo Relatório da decisão de primeira instância (Acórdão 0928.383 1ª Turma da DRJ/JFA, efls. 17/20). Pela precisão na descrição dos fatos seguintes, reproduzo a seguir o Relatório constante do Acórdão da DRJ: A requerente apresenta Manifestação de Inconformidade (fl. 9), na qual alega que a empresa verificou em sua contabilidade saldo negativo, correspondente ao IRRF no valor de R$3.728,24, informado na sua DIPJ 2003/2002 (3° trimestre de 2002), objeto da presente Dcomp. Informa que estão anexados à manifestação de inconformidade os seguintes documentos: cópia das notas fiscais usadas no PER/Dcomp, cópia da declaração de compensação. cópia da procuração e documentos de procurador. Dentre os documentos mencionados, não constam as cópias das notas fiscais. A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe material probatório que comprovasse o crédito requerido. Cientificada da decisão de primeira instância em 14/05/2010 (efl. 27) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 14/06/2010 (efl. 28), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Tratase de compensação declarada e não homologada porque o crédito objeto da declaração de compensação não foi comprovado. Tal crédito, equivalente a saldo negativo de IRPJ deveria estar acompanhada de documentos fiscais e contábeis que o Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10630.900021/200820 Acórdão n.º 1201002.842 S1C2T1 Fl. 39 3 corroborasse, conforme prescrito no § 1º do art. 147 do CTN. E tal comprovação não se deu nestes autos quando da apresentação do primeiro recurso (à DRJ). Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário comprovar à autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (mesmo quando da apresentação da manifestação de inconformidade) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. Observo que não cabe nesta segunda instância recursal apreciar ou diligenciar por eventual demonstrativos contábeis para a apuração do crédito trazidos pela primeira vez aos autos. Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte, visto comporem o fundamento da manifestação de inconformidade dirigida à DRJ. Mas não anexou àquele recurso qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Fl. 40DF CARF MF 4 V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10630.900021/200820 Acórdão n.º 1201002.842 S1C2T1 Fl. 40 5 salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Observo ainda, por oportuno, que nesta fase recursal não foi apresentado qualquer documento contábil de apuração do crédito tributário. As provas anexadas resumiram se a notas fiscais ilegíveis (efls. 31/36). Por fim cabe ressaltar que a jurisprudência apresentada não tem caráter de vinculante, como previsto no art. 72 do Regimento Interno do CARF. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.900023/2011-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2006
DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. DARF COMPENSANDO DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO.
Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, com informação de DARF compensando débito extinto por pagamento, é de se reconhecer o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior apurado bem como a prévia extinção do débito.
Numero da decisão: 1003-000.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2006 DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. DARF COMPENSANDO DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO. Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, com informação de DARF compensando débito extinto por pagamento, é de se reconhecer o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior apurado bem como a prévia extinção do débito.
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ERRO DE PREENCHIMENTO. DARF COMPENSANDO DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO. Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, com informação de DARF compensando débito extinto por pagamento, é de se reconhecer o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior apurado bem como a prévia extinção do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 00 23 /2 01 1- 18 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10835.900023/201118 Acórdão n.º 1003000.471 S1C0T3 Fl. 93 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 45/52) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 07, que homologou parcialmente a compensação, ali mencionada, de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior. A recorrente, às folhas 59/62, em síntese, alega erro no preenchimento da DCOMP, na qual equivocadamente informou como crédito o valor total do DARF pago a maior de CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL BALANÇO TRIMESTRAL (código de receita 6012) relativa ao primeiro trimestre de 2006, e como débito o próprio montante declarado em DCTF e DIPJ a este título. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Na DCOMP nº 13956.37445.130910.1.7.049040 (folhas 02/06) constam, como origem do crédito, o DARF de período de apuração 31/03/2006, código de receita 6012, data de arrecadação 30/06/2006 e valor principal de R$ 6.360,13 juros de R$ 145,01 e valor total de R$ 6.505,14 (folha 04), bem como débito de código de receita 601201, período de apuração 1º Trimestre de 2006, data de vencimento 30/06/2006 e valor principal de R$ 4.536,08, juros de R$ 103,42 e valor total de 4.639,50 (folha 05). Observase, de pronto, tratarem, débito e crédito, de mesmo código de receita e período de apuração, com data de vencimento coincidente com a de arrecadação. Na DIPJ 2007 Ano Calendário 2006, transmitida em 13/06/2007 (folha 73), Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral (folha 74), cujos valores em nenhum momento foram contestados por fiscalização, consta como CSLL (linha 49) o montante de R$ 13.608,23, valor correspondente ao débito de CSLL do 1º trimestre de 2006 (folha 79) informado na DCTF relativa ao primeiro semestre de 2006 transmitida em 06/10/2006 (folha 78), dividido em 3 quotas de R$ 4.536,08 mais juros (folhas 80/82), sendo a 3ª quota (folha 82) no valor do débito informado como a compensar na DCOMP (R$ 4.639,50), cuja diferença de R$ 1.865,64 em relação ao DARF informado como origem do crédito (3ª quota, arrecadação em 30/06/2006) corresponde ao crédito reconhecido no despacho decisório.à folha 07 O pagamento informado como crédito é, portanto, o valor total do DARF pago a maior relativo ao próprio débito informado como objeto de compensação na DCOMP. Fica evidente, assim, o erro de preenchimento na DCOMP, pois não faz sentido que a contribuinte pretenda compensar o débito que foi extinto pelo pagamento efetuado mediante o próprio DARF informado como crédito. O crédito disponível no DARF, Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10835.900023/201118 Acórdão n.º 1003000.471 S1C0T3 Fl. 94 3 na verdade, corresponde à diferença entre o valor do DARF e o valor do débito informado, no exato valor do crédito reconhecido no mencionado despacho decisório. Devese, portanto, manter o reconhecimento do crédito referente ao pagamento indevido ou a maior efetuado, bem como cancelar a cobrança indevida do débito, informado na DCOMP por erro de fato e já extinto por pagamento. É o que pretende a contribuinte ao solicitar o "cancelamento" da DCOMP: ver reconhecidos o crédito correspondente ao pagamento indevido ou a maior, bem como a extinção, por pagamento, do débito indevidamente informado na DCOMP. Em relação às demais DCOMP mencionadas pela recorrente, que, segundo ela, utilizam o mesmo crédito, cabe apenas registrar que devem ser tratadas em seus respectivos processos administrativos fiscais, devendo a Unidade de Origem ou instância julgadora que eventualmente analisar as referidas compensações atentar para o impedimento da eventual utilização dos créditos aqui reconhecidos em duplicidade. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para manter o reconhecimento do crédito original, de 30/06/2006, no valor de R$ 1.865,64, ressaltando que o débito de CSLL, código de receita 601201, período de apuração primeiro trimestre de 2006, data de vencimento 30/06/2006 e valor total de 4.639,50, encontrase extinto por pagamento efetuado com o próprio DARF origem do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15578.000797/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/03/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
No caso julgado, há omissão a reclamar a correção do acórdão embargado.
Numero da decisão: 3201-004.902
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, conferindo à Embargante o direito ao crédito integral sobre as aquisições de café de cooperativas já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e aplicar, relativamente ao crédito presumido, o disposto no art. 23 da Lei 12.995, de 2014.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 30/03/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. No caso julgado, há omissão a reclamar a correção do acórdão embargado.
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OMISSÃO. Embargante TRISTÃO COMPANHIA DE COMÉRCIO EXTERIOR Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 30/03/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. No caso julgado, há omissão a reclamar a correção do acórdão embargado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, conferindo à Embargante o direito ao crédito integral sobre as aquisições de café de cooperativas já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e aplicar, relativamente ao crédito presumido, o disposto no art. 23 da Lei 12.995, de 2014. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3201003.422, de 26/02/2018, assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 07 97 /2 00 9- 24 Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 15578.000797/200924 Acórdão n.º 3201004.902 S3C2T1 Fl. 3 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 30/03/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. COMPROVAÇÃO DE MÁFÉ. OPERAÇÕES TEMPO DE COLHEITA E BROCA. Restou comprovado nos autos que, no momento da aquisição do café, o Contribuinte encontravase ciente da abertura de pessoas jurídicas de fachada, criadas com o fim exclusivo de legitimar a tomada de créditos integrais de PIS e Cofins, caracterizando, assim, a má fé e tornando legítima a glosa dos créditos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 30/03/2008 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Legítimo o Despacho Decisório que motiva e fundamenta a negativa de provimento em vícios existentes nos documentos apresentados pelo contribuinte, vícios esses impeditivos da análise de mérito do pedido. Recurso Voluntário Negado No exame de admissibilidade dos embargos admitiuse omitidas as seguintes matérias: a) apropriação indevida de crédito sobre nota fiscal emitida sem incidência de PIS/Cofins – fim específico de exportação; e b) possibilidade de aproveitamento de crédito presumido apurado pela fiscalização nos presentes autos, em conformidade com o que dispõe a Lei nº 12.995, de 20 de julho de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.895, de 25/02/2019, proferido no julgamento do processo 15578.000790/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.895): "Com efeito, o acórdão embargado incorreu na segunda omissão – a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido apurado pela fiscalização, em conformidade com o que dispõe a Lei nº 12.995, de 20 de julho de 2014 –, mas não quanto à primeira –a apropriação indevida de crédito sobre nota fiscal emitida sem incidência de PIS/Cofins, com o fim específico de exportação –, o que autoriza o manejo dos aclaratórios, em conformidade com o que dispõe o art. 65 do Anexo II do atual RICARF/2015. Fl. 1931DF CARF MF Processo nº 15578.000797/200924 Acórdão n.º 3201004.902 S3C2T1 Fl. 4 3 E isso porque a primeira não foi enfrentada na manifestação de inconformidade (portanto, não caberia apreciála no julgamento do recurso voluntário), como devidamente registrado no voto condutor do acórdão proferido pela 1ª instância e ressaltado no acórdão embargado: Decisão da DRJ: "Itens não contestados: A interessada não contesta, em sua Manifestação de Inconformidade, a glosa de crédito promovida pela autoridade fiscal em relação a aquisições efetuadas com o fim específico de exportação (item II.7.3 do Parecer Fiscal). Também não contesta o ajuste efetuado no saldo de crédito de meses anteriores sobre aquisições no mercado interno vinculado à receita de exportação (item II.7.4 (H) do Parecer Fiscal)." Acórdão embargado: "DA INOCORRÊNCIA DA PRECLUSÃO APONTADA PELA DECISÃO RECORRIDA. DO RESTABELECIMENTO INTEGRAL DOS CRÉDITOS INFORMADOS PELA RECORRENTE" Nesse tópico aduz a Recorrente que a decisão recorrida teria declarado uma preclusão inexistente. Contudo, nesse mesmo tópico, reconhece que deixou de impugnar determinadas glosas visando dar celeridade ao procedimento. Desse modo, não vejo como prover qualquer alteração no acórdão recorrido nesse sentido. A segunda omissão, porém, reclama melhor apreciação. Realmente, a Embargante apresentou petição, em 20/03/2014, não em 23/02/2015 (fls. 1793 e ss.), por meio da qual informa ter tomado conhecimento da Solução de Consulta CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) n° 65, de 10/03/2014 (não se falou da Lei nº 12.995, de 2014), que consolidara o seguinte entendimento: 3. Para aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições junto a cooperativas devese observar as mesmas normas vigentes para a apuração de créditos em relação a aquisições junto a pessoas jurídicas em geral; somente existindo, portanto, vedação à apuração de créditos nas aquisições não sujeitas ao pagamento das referidas contribuições; e 4. Até dezembro de 2011, as pessoas jurídicas exportadoras de café submetidas ao regime de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS tinham direito a apropriação de créditos integrais nas aquisições de café de cooperativas, quando submetido ao processo previsto nos §§ 6° e 7° do art. 8° da Lei n° 10.925 de 2004, tendo em vista que sobre a receita de venda do café submetido a este processo de produção não se aplicaria a suspensão das referidas contribuições prevista no art. 9°, § 1°, II, da Lei n° 10.295 de 2004. Daí requereu a sua juntada aos autos e a sua observância por ocasião do julgamento do recurso voluntário que interpôs. O acórdão embargado, contudo, não se pronunciou a respeito. A mesma matéria já foi enfrentada nos autos do processo administrativo nº 15578.000142/201090 (Acórdão nº 3301003.099, de 28/09/2016, da relatoria do il. conselheiro Valcir Gassen; citado nos Embargos), em que a Embargante figura como Fl. 1932DF CARF MF Processo nº 15578.000797/200924 Acórdão n.º 3201004.902 S3C2T1 Fl. 5 4 interessada. Por concordarmos com o entendimento nele exposto, passamos a reproduzilo, apenas na parte que se refere ao tema, e adotálo como razão de decidir: 1) Da aquisição de café cru em grão de sociedades cooperativas A respeito das aquisições de café cru em grão de sociedades cooperativas, o Contribuinte alega que “a glosa referese à atividade de comercialização e exportação do produto café e de rebeneficiamento do mesmo” (fl. 17.657), ou seja, o Contribuinte adquire os grãos crus do café de sociedades cooperativas de produção agroindustrial e beneficia os grãos por meio de diversas técnicas de aperfeiçoamento. Porém, destaca que este beneficiamento dos grãos não é a atividade preponderante do Contribuinte, mas sim a atividade de comércio. E aduz que (fl. 17.658): Em se tratando de compras de insumos de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil para posterior revenda, a Recorrente apurou créditos fiscais integrais da contribuição para a COFINS, na forma do artigo 3º, inciso I e II, da Lei nº 10.833, de 2003. Alega o Contribuinte em seu Recurso Voluntário que (fls. 17.651) Ademais, para a manutenção das glosas dos créditos integrais apurados pelo contribuinte oriundos da aquisição de sociedades cooperativas, a fiscalização alegou, em síntese, que: (a) o produto adquirido pela Recorrente está descrito nas notas fiscais de venda como “café cru em grão” ou “café beneficiado”, o que não evidencia a venda de produto já submetido a processo industrial; (b) afirmou ainda que o “café cru” é a semente beneficiada, e somente o exercício cumulativo das atividades citadas no § 6º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 caracterizam a atividade agroindustrial; (c) entendeu que o processo de beneficiamento do café, executado de forma isolada pela cooperativa, não a descaracteriza como cooperativa de produção agropecuária; (d) destacou a Recorrente atende aos três requisitos da IN nº 660/2006 para que a venda se dê com a suspensão da incidência; e (e) afirmou por se tratar de aquisições de cooperativa de produção agropecuária, a Recorrente não provou que o café adquirido foi destinado a revenda, e não utilizado como insumo. O Acórdão ora recorrido se posicionou de forma que se deve respeitar os requisitos necessários para que se aplique os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004, conforme se verifica neste trecho (fl. 17.629): A interpretação sistemática dos dispositivos legais que disciplinam a aplicação do regime de incidência não cumulativa para o setor agroindustrial permite concluir que, para fins de determinação de crédito presumido relativo à aquisição de insumo, devem ser observadas as condições estabelecidas nos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, conjuntamente. Em outras palavras, somente a aquisição de insumos, efetuada de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e de cooperativa de produção agropecuária, com suspensão de exigibilidade das contribuições, assegura o direito à dedução do crédito presumido previsto no artigo 8º. E para a aplicação da suspensão, devem ser observados três requisitos quanto à pessoa jurídica adquirente, conforme previsto no artigo 4º da IN/SRF 660/2006. São eles: a) que o adquirente declare o imposto de renda pelo Lucro Real; b) que exerça atividade agroindustrial, conforme definição dada pelo artigo 6º da mesma Instrução Normativa e; c) que utilize o produto adquirido como insumo. Fl. 1933DF CARF MF Processo nº 15578.000797/200924 Acórdão n.º 3201004.902 S3C2T1 Fl. 6 5 Portanto, tratandose de venda efetuada por cooperativa de produção agropecuária, a pessoa jurídica que atenda os requisitos legais citados, aplicase obrigatoriamente a suspensão do PIS e da Cofins, independentemente de se tratar de venda de produto recebido pela cooperativa de seus associados ou de produto adquirido de produtores rurais não cooperados. Por outro lado, na hipótese de a cooperativa exercer atividade agroindustrial, na forma do § 6º do artigo 8º da Lei 10.925/2004, ou seja, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, esta terá direito ao crédito presumido de PIS e Cofins calculado sobre os insumos utilizados em seu processo industrial e em relação a suas vendas não se aplicará a suspensão. Neste sentido o Contribuinte alega que houve, por parte da Fiscalização, a aplicação equivocada dos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004, nos seguintes termos: Segundo o Acórdão recorrido, uma interpretação sistemática dos referidos dispositivos legais em conjunto com os arts. 2º, IV, 3º, III e § 1º, III, e 4º a 8º da IN SRF 660/2006, leva à conclusão de que a tributação da contribuição para a COFINS, na saída do “café cru em grão”, das sociedades cooperativas fornecedoras, deveria ser obrigatoriamente suspensa. Assim, as aquisições pela Recorrente, de insumos “café cru em grão” das sociedades cooperativas fornecedoras, estariam sujeitas ao aproveitamento do crédito presumido (conforme artigos 5º, 7º e 8º IN SRF 660/2006) e não crédito fiscal integral (fls. 17.624 e SS. dos autos). O Contribuinte traz a conclusão deste tópico de forma detalhada o que pretende comprovar por meio do Recurso Voluntário, faço a citação visando a elucidação dos argumentos trazidos aos autos (fls. 17.680 e 17.681) ∙ As vendas de produto in natura pelas cerealistas e sociedades cooperativas de produção agropecuária (fornecedoras da 1ª etapa) saem com suspensão da incidência da contribuição para a COFINS/PIS, pois as sociedades cooperativas fornecedoras da Recorrente (adquirentes da 1ª etapa) apuram o Imposto de Renda com base no lucro real, exercem atividade agroindustrial na forma do §6º do artigo 8º, caput, da lei nº 10.925, de 2004, bem como utilizam os mesmos como insumos na produção de mercadoria classificada no Capitulo 9 da NCM (ou seja, o café deixa de ser in natura); ∙ As Sociedades Cooperativas que exercem atividade agroindustrial na forma do § 6º do artigo 8º, caput, da lei nº 10.925/2004, na 1ª ETAPA, adquirentes, na 2ª, fornecedoras – aproveitam o crédito presumido da contribuição para a COFINS/PIS, visto que exercem cumulativamente, as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. Nesta fase. O café in natura, adquiridos de pessoas físicas e jurídicas, é transformado em “café cru em grão”; ∙ Na 2ª ETAPA, não havendo suspensão, a receita bruta proveniente da venda de “café cru em grão” pelas sociedades cooperativas que exercem atividade agroindustrial na forma do § 6º do artigo 8º, caput, da Lei nº 10.925/2004 (fornecedoras na 2ª etapa), quando decorrente de ato não cooperativo, é tributada nessa saída a alíquota global de 9,25% da contribuição para o PIS e da COFINS. Nesse caso, a Recorrente (adquirente na 2ª ETAPA) tem direito ao aproveitamento do crédito integral da contribuição para a COFINS, a alíquota de 7,6% e de 1,65 Fl. 1934DF CARF MF Processo nº 15578.000797/200924 Acórdão n.º 3201004.902 S3C2T1 Fl. 7 6 de PIS; ∙ Na 2ª ETAPA, não havendo suspensão, a receita bruta proveniente da venda de “café cru em grão” pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária e agroindustrial (fornecedoras na 2ª etapa), quando decorrente de ato cooperativo, também há o direito ao aproveitamento do crédito fiscal integral da contribuição para a COFINS/pis, à alíquota de 7,6% e 1,65, respectivamente. Isso porque, já a incidência dessas contribuições, ainda que a base de cálculo seja ajustada diante das hipóteses do artigo 11 da IN SRF nº. 635/2006. Hipóteses de exclusão de base de cálculo é instituto distinto de isenção, nãoincidência e alíquota zero. Tanto é verdade que as sociedades cooperativas não têm direito à manutenção e, consequentemente, à compensação e/ou ressarcimento em espécie dos créditos ordinários da contribuição à COFINS/PIS, previsto no artigo 16 da Lei nº 11.116, de 2005; ∙ Portanto, a sociedade cooperativa que exerce atividade agroindustrial na forma do §6º do artigo 8º caput, da Lei nº 10.925/2004, quando comercializar o produto “café cru em grão” no mercado interno para a Adquirente, ora Recorrente, transfere, na nota fiscal, o total do crédito fiscal da contribuição para a COFINS/PIS que não foi possível compensar e ressarcir em espécie nesta etapa da cadeia produtiva, em atendimento ao princípio constitucional da não cumulatividade previsto no art. 195, §12 da CF/88; ∙ O Acórdão recorrido desconsiderou completamente as etapas do processo produtivo do café, mais especificamente a 2ª ETAPA; ∙ Com fundamento na própria legislação tributária, não se pode admitir a hipótese de aproveitamento do crédito presumido da contribuição para a COFINS/PIS em duas etapas da cadeia produtiva do café. Em resposta ao pedido do Contribuinte a questão foi analisada pela CoordenaçãoGeral de tributação da Receita Federal que apresentou a Solução de Consulta nº 65 – Cosit (fls. 17.770 a 17.773), em 10 de março de 2014, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. Dispositivos Legais: Lei n. 10.637/2002, art. 32 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Cofins, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições 'previstos na legislação. Dispositivos Legais: Lei n. 10.833/2003, art. 3°. Assim ficou ementado e cabe apresentar a conclusão expressa na Solução de Consulta nº 65 para melhor compreensão do objeto da lide: 13. Pelo exposto, concluise que: Fl. 1935DF CARF MF Processo nº 15578.000797/200924 Acórdão n.º 3201004.902 S3C2T1 Fl. 8 7 14. A aquisição de produtos junto a cooperativas não impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, observados os limites e condições previstos na legislação. 15. Até dezembro de 2011, a pessoa jurídica exportadora de café submetida ao regime de apuração não cumulativa tinha direito ao cálculo de créditos em relação às aquisições de café de cooperativas, observados os limites e condições legais. Não havia direito à apuração de créditos nas aquisições com suspensão previstas no art. 92, I e III, da Lei nº 10.925, de 2004, nem nas aquisições feitas por empresa comercial exportadora que tenha adquirido o produto com o fim especifico de exportação. 16. A partir de 2012, não é possível a apuração de créditos em relação às aquisições de café, tendo em vista a suspensão prevista no art. 42 da Lei nº 12.599, de 2012, e, posteriormente, a redução da alíquota a 0 (zero) prevista no art. 12, inciso XXI, da Lei n2 10.925, de 2004. Ressalvese as hipóteses de crédito presumido previstas nos arts. 52 e 62 da Lei n2 12.599, de 2012. Cito aqui o voto vencedor do Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, proferido no Acórdão nº 3102002.344, da 2ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção, de 27 de janeiro de 2015, como fundamento para as razões de decidir: O ponto fundamental para a solução da lide é a configuração da aquisição de café de cooperativa, já submetida ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Nesses casos, sobre a receita de venda do café submetido a esta operação, não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Portanto, importanos avaliar se a operação anterior, realizada pela cooperativa, estava submetida ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Caso positivo, seria reconhecido o direito ao creditamento nas aquisições de café. Caso negativo, não seria possível o direito ao crédito, sendo aplicável a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art.9º da Lei nº10.925/2004. O i.Relator entendeu que, embora exista nos autos fartos argumentos no sentido de justificar que as cooperativas fornecedoras do “café cru em grão” exerciam a atividade agroindustrial definida no preceito legal em destaque, a recorrente não teria trazido aos autos elementos de prova adequados e suficientes que confirmassem que as cooperativas vendedoras exerciam a atividade agroindustrial definida no citado preceito legal. Não é o nosso entendimento. Foram colacionadas aos autos, pela recorrente, ainda que por amostragem, notas fiscais de aquisição do produto “café em grão cru” ou “café beneficiado”, com a indicação da incidência da contribuição para o PIS e a COFINS. Segundo o entendimento da recorrente, a incidência das contribuições teria sido obrigatória, devido a submissão dos cafés adquiridos pelas cooperativas ao processo produtivo previsto no §6º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, fato esse impeditivo para a saída posterior suspensa na forma do art. 9º do inciso II da mesma lei. Entendo que o registro das referidas expressões nas notas fiscais, informando que operação estava sujeita a tributação normal das citadas contribuições, traz uma presunção de licitude das operações de Fl. 1936DF CARF MF Processo nº 15578.000797/200924 Acórdão n.º 3201004.902 S3C2T1 Fl. 9 8 aquisição de café de cooperativa, sujeitas ao recolhimento regular das contribuições. Afirmar que a operação devidamente escriturada teria, na verdade, forma diversa daquela exposta nos registros fiscais, conferindo efeito diverso daquele indicado, demandaria uma prova oposta por parte do fisco, inexistente no presente processo. A comprovação do fato jurídico tributário depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação fiscal o obriga a produzir e manter sob guarda, ou declare sua ocorrência em declaração prestada à autoridade pública. Uma vez que essa particularidade seja compreendida, há que se sublinhar que nada dispensa a Administração de laborar em busca das provas de que o fato ocorreu e de instruir o processo administrativo com elas. Como consta, a desconsideração das provas se deu porque, no entendimento do Fisco, a interessada limitouse a apresentar as notas fiscais de aquisição das mercadorias. Peço vênia para discordar dessas conclusões. Não me parece que a acusação de que a operação praticada pela recorrente não foi aquela por ela declarada e escriturada. Ainda que passível de dúvidas acerca da veracidade das operações, tais dúvidas deveriam ter sido esclarecidas durante o procedimento fiscal, de forma a contraproduzir elementos probantes para desconsiderar aquelas notas fiscais apresentada. Nada disso ocorreu. A comprovação de que as operações foram tributadas, ensejando o crédito à adquirente, foi feita pela recorrente. Caberia ao fisco comprovar que tais cooperativas não exerciam a atividade agroindustrial, o que não foi feito. Em suma, mediante as provas que constam nos autos, concluise que o “café cru em grão” ou “café beneficiado” foram adquiridos de cooperativa agropecuária de produção, e que a sociedade cooperativa vendedora realizou as operações descritas no do art. 8o, § 6o, da Lei 10.925/2004. Tendo em vista as informações trazidas aos autos entendo que neste ponto assiste razão ao Contribuinte, voto, portanto, em dar provimento ao Recuso Voluntário cancelando as glosas referente à aquisição de café cru em grão de sociedade cooperativas exceto os casos de notas fiscais com suspensão. No longo PARECER FISCAL GAB903/DRF/VIT/ES nº 001/2013, especificamente à fls. 1334/1336, concluise pela glosa dos "créditos integrais sobre tais aquisições e apurouse o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004", ao fundamento de que: "..., a TRISTÃO preenche os requisitos estabelecidos para a aplicação da suspensão nas compras de café efetuadas com as cooperativas, a saber: a) apura IRPJ com base no lucro real; b) exerce atividade agroindustrial definida no art. 6°, II; e c) utiliza o café adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que trata o inciso I do art. 5°. Notese que, aqui, nada mais dispôs o Parecer supra. Vale dizer, não se desqualificaram as vendas das cooperativas, porque de algum modo fraudadas ou coisa Fl. 1937DF CARF MF Processo nº 15578.000797/200924 Acórdão n.º 3201004.902 S3C2T1 Fl. 10 9 parecida, mas apenas se disse que, em suas saídas com suspensão, não caberia o crédito glosado, mas tão só o presumido. Contudo, não sendo aplicável a suspensão, entendemos que, em consonância com a Solução de Consulta Cosit nº 65, de 2014, referida, como se viu, no voto condutor do Acórdão nº 3301003.099, de 28/09/2016, a Embargante faz jus ao crédito integral (aquisições das cooperativas), não ao crédito presumido. Todavia, sobre tais aquisições, a unidade preparadora deverá glosar o crédito presumido que já lhes atribuiu. Por fim, a Embargante trouxe nova petição aos autos, desta feita requerendo a aplicação da retroatividade benigna quanto ao disposto na Lei nº 12.995, de 2014: Art. 23. A Lei no12.599, de 23 de março de 2012, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 7oA: “Art. 7oA.O saldo do crédito presumido de que trata oart. 8oda Lei no10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1ode janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos.” A questão disciplinada pela norma trazida diz respeito à forma de ressarcimento do crédito, se por compensação com as próprias contribuições, ou se em espécie ou compensação com outros tributos. Embora tal questão não tenha sido tratada nos autos, em havendo compensações de crédito presumido com tributos de natureza distintas, deverão seguir o regramento da Lei nº 12.995/2014. Tais créditos presumidos, na hipótese dos autos, são aqueles decorrentes das aquisições realizadas de Pessoas Jurídicas tidas como fictícias e, por essa razão, foram convertidos em aquisições de Pessoas Físicas, da forma presumida (sobre tais operações, a fiscalização já conferiu o crédito presumido). Ante o exposto, acolho os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conferindo à Embargante apenas o direito ao crédito integral sobre as aquisições de café de cooperativas já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e aplicar, relativamenmte ao crédito presumido, o dispósoto no art. 23 da Lei 12.995, de 2014. As ementas do acórdão embargado ficam acrescidas da seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. As aquisições de café de cooperativas de produção agropecuária, sujeitas ao regime de tributação normal, são passíveis de crédito integral quando tais operações foram submetidas, comprovadamente, ao exercício cumulativo das atividades de (i) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou (ii) separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial." Fl. 1938DF CARF MF Processo nº 15578.000797/200924 Acórdão n.º 3201004.902 S3C2T1 Fl. 11 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado acolheu os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conferindo à Embargante apenas o direito ao crédito integral sobre as aquisições de café de cooperativas já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e aplicar, relativamente ao crédito presumido, o disposto no art. 23 da Lei 12.995, de 2014. As ementas do acórdão embargado ficam acrescidas da seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/03/2008 AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. As aquisições de café de cooperativas de produção agropecuária, sujeitas ao regime de tributação normal, são passíveis de crédito integral quando tais operações foram submetidas, comprovadamente, ao exercício cumulativo das atividades de (i) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou (ii) separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1939DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.724638/2017-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015, 07/10/2016
IRPF - GANHO DE CAPITAL - ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR - APURAÇÃO DA DECADÊNCIA Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. Não constatada a decadência.
Súmula CARF nº 112
É nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento formalizado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração.
Súmula CARF nº 12
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
MERO ERRO/IMPRECISÃO TÉCNICA NA IDENTIFICAÇÃO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INEXISTENTE.
Somente são nulos os Autos quando constatada a ocorrência do Art. 59 do Decreto n. 70.235/1972. Não se vislumbra a ocorrência de quaisquer dessas hipóteses. O mero erro ou imprecisão técnica na identificação do sujeito passivo, desde que não macule o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não gerará nulidade por vício formal ou material do lançamento. Não há nulidade sem prejuízo.
ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO IRPF - ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO. - O ganho de capital apurado na cessão de direitos, por alienação, do usufruto está sujeito à tributação na pessoa física do usufrutuário. Ocorrendo a transmissão do usufruto e da nua-propriedade concomitantemente, isto é, em uma mesma operação, tendo como adquirente um terceiro, o usufrutuário e o nu-proprietário estão sujeitos à apuração do ganho de capital.
FIP. AUSÊNCIA DE FINALIDADE NEGOCIAL. Desprovido de finalidade negocial o Fundo de Investimento em Participação FIP, constituído por uma única investidora, com um único investimento ao qual não foi aportado qualquer investimento adicional ou ato de gestão visando seu crescimento/desenvolvimento ou saneamento e cuja permanência no FIP durou alguns dias. FIP.
DESCONSIDERAÇÃO. LEGALIDADE. É desprovida de base a acusação de que a desconsideração do FIP afronta ao princípio da legalidade, dado que foi devidamente avaliado que a interposição do FIP no lugar da autuada tratou-se de manobra para evadir tributação de ganho de capital.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. SIMULAÇÃO. DOLO. Estando comprovada a prática deliberada de simulação, portanto, estando caracterizados o dolo e sonegação, cabe a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2301-005.930
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e não reconhecer a decadência, e no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro Wesley Rocha que dava provimento e o conselheiro Thiago Duca Amoni que dava parcial provimento para afastar a qualificação da multa.
Antônio Savio Nastureles - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Savio Nastureles (Presidente), Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2196; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.849 1 1.848 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.724638/201712 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.930 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2019 Matéria OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente ALINE TELLES CHAVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015, 07/10/2016 IRPF GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR APURAÇÃO DA DECADÊNCIA Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. Não constatada a decadência. Súmula CARF nº 112 É nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento formalizado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração. Súmula CARF nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. MERO ERRO/IMPRECISÃO TÉCNICA NA IDENTIFICAÇÃO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INEXISTENTE. Somente são nulos os Autos quando constatada a ocorrência do Art. 59 do Decreto n. 70.235/1972. Não se vislumbra a ocorrência de quaisquer dessas hipóteses. O mero erro ou imprecisão técnica na identificação do sujeito passivo, desde que não macule o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não gerará nulidade por vício formal ou material do lançamento. Não há nulidade sem prejuízo. ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO IRPF ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO. O ganho de capital apurado na cessão de direitos, por alienação, do usufruto está sujeito à tributação na pessoa física do usufrutuário. Ocorrendo a transmissão do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 46 38 /2 01 7- 12 Fl. 1849DF CARF MF 2 usufruto e da nuapropriedade concomitantemente, isto é, em uma mesma operação, tendo como adquirente um terceiro, o usufrutuário e o nu proprietário estão sujeitos à apuração do ganho de capital. FIP. AUSÊNCIA DE FINALIDADE NEGOCIAL. Desprovido de finalidade negocial o Fundo de Investimento em Participação FIP, constituído por uma única investidora, com um único investimento ao qual não foi aportado qualquer investimento adicional ou ato de gestão visando seu crescimento/desenvolvimento ou saneamento e cuja permanência no FIP durou alguns dias. FIP. DESCONSIDERAÇÃO. LEGALIDADE. É desprovida de base a acusação de que a desconsideração do FIP afronta ao princípio da legalidade, dado que foi devidamente avaliado que a interposição do FIP no lugar da autuada tratouse de manobra para evadir tributação de ganho de capital. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. SIMULAÇÃO. DOLO. Estando comprovada a prática deliberada de simulação, portanto, estando caracterizados o dolo e sonegação, cabe a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e não reconhecer a decadência, e no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro Wesley Rocha que dava provimento e o conselheiro Thiago Duca Amoni que dava parcial provimento para afastar a qualificação da multa. Antônio Savio Nastureles Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Savio Nastureles (Presidente), Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 10380.724638/201712 Acórdão n.º 2301005.930 S2C3T1 Fl. 1.850 3 Tratase de Recurso voluntário juntado nas fls. 1534/1573 contra a decisão da DRJ, proferida pela 6ª Turma da DRJ/FOR, em 25 de outubro de 2017, Acórdão 0840.974, cuja a Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Data do fato gerador: 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015, 07/10/2016 DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. TERMO DE INÍCIO. A incidência do IRPF sobre ganhos de capital ocorre sob o regime de caixa, pelo que não se encontra decaído o lançamento fiscal cientificado ao contribuinte antes do prazo quinquenal, com termo de início na data do efetivo recebimento dos recursos alusivos à alienação. PEDIDO DE NULIDADE. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. FUNDO DE INVESTIMENTO PERTENCENTE A GRUPO EMPRESARIAL. DESCONSIDERAÇÃO. Com a desconsideração de fundo de investimento, tal entidade não se torna inválida ou inexistente, porém fica suspensa a eficácia de sua formação quanto a determinado(s) ato(s) praticado(s) pelo fundo. Nesse passo, a desconsideração do fundo de investimentos não faz retroagir a estrutura societária do grupo empresarial para o momento anterior à criação de tal fundo, pelo que o fato gerador do tributo deve ser analisado (inclusive quanto à identificação do sujeito passivo) na data de sua efetiva ocorrência, apenas retirando o fundo de investimento da citada estrutura. FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES FIP. FINALIDADE. EMPRESAS OPERACIONAIS PREVIAMENTE CONTROLADAS PELO GRUPO EMPRESARIAL ANTES DA CRIAÇÃO DO FIP. DESNECESSIDADE. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. O fundo de investimento em participações tem como finalidade precípua a realização de investimentos novos, e não a gestão profissional de investimentos antigos, assim representados por empresas operacionais que já pertenciam àquele grupo empresarial, antes da criação do FIP. No caso de FIP criado para gerir empresas operacionais previamente controladas pelo grupo empresarial, os ganhos esperados pelos cotistas do FIP seriam os mesmos que obteriam se mantivessem diretamente o controle das empresas, revelandose, assim a desnecessidade de tal FIP e sua falta de propósito negocial. DESCONSIDERAÇÃO DE FUNDOS DE INVESTIMENTO. Comprovada a interposição de fundos de investimento, com o fim exclusivo de usufruir da isenção de imposto de renda sobre o ganho de capital na venda de sociedade formalmente controlada por tais entidades, devese desconsiderar os fundos de investimento, de modo a cobrar o tributo dos cotistas desses fundos, proprietários últimos das ações da sociedade vendida. Fl. 1851DF CARF MF 4 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE FUNDOS DE INVESTIMENTO. Identificado o dolo do agente na interposição de fundos de investimento entre seus cotistas e a companhia operacional vendida, para beneficiarse de isenção de imposto de renda sobre o ganho de capital na mencionada venda, devese qualificar a multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado o afastamento da aplicação de lei, sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que a autoridade julgadora administrativa não tem competência para afastar o dispositivo legal que determina a cobrança de multa de ofício, no percentual de 150% sobre o imposto devido, nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme consta do Auto de Infração de fl. 2/10, tratase de lançamento de ofício de IRPF em decorrência da omissão de rendimentos recebidos ganho de capital, durante o período apurado, que ensejou a cobrança do valor do crédito tributário na importância de R$48.369.258,73, sendo que deste valor, a quantia de R$16.295.985,53 é refere à IPRF; R$7.629.294,91 de juros de mora; R$24.443.978,29 de multa proporcional. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal (fl. 11/32), houve a constatação da infração – omissão de ganhos de capital na alienação de ações não negociadas em Bolsa de Valores, segundo à seguinte razão: Foram realizadas fiscalizações junto às pessoas físicas, membros do mesmo grupo familiar, que eram sócias da empresa holding TELLES PARTICIPAÇÕES E NEGÓCIOS S/A, CNPJ n° 02.806.215/000120. O grupo familiar utilizou um planejamento tributário abusivo, com a criação, sem propósitos negociais, de fundos de investimento, com o intuito de se eximir do pagamento do imposto devido sobre ganho de capital na venda da empresa YPIÓCA AGROINDUSTRIAL DE BEBIDAS S/A, CNPJ n° 15.209.980/000104, uma das empresas pertencentes à holding; O grupo extinguiu a empresa holding após transferir suas participações societárias para o TELLES FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES (TELLES FIP), CNPJ n° 14.769.978/000127, como forma de integralização das cotas deste, que por sua vez teve suas cotas transferidas para o ALVORADA FUNDO DE INVESTIMENTO MULTIMERCADO CRÉDITO PRIVADO (ALVORADA FIM) CNPJ n° 15.091.732/0001 01, também para fins de integralização das cotas do último; As operações societárias foram realizadas quase que concomitantemente à venda da empresa fabricante de bebidas YPIÓCA AGROINDUSTRIAL DE BEBIDAS S/A e a soma dos valores não recolhidos ultrapassa os cem milhões de reais. Por conta do planejamento tributário abusivo, a venda das ações da YPIÓCA AGROINDUSTRIAL DE BEBIDAS S/A realizouse, então, artificial e formalmente, através Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 10380.724638/201712 Acórdão n.º 2301005.930 S2C3T1 Fl. 1.851 5 do TELLES FIP, com o que se pretendeu afastar a incidência do imposto de renda devido sobre o ganho de capital obtido. Com a criação do Fundo de Investimento (TELLES FIP) e com a posterior integralização das cotas do Fundo com as ações da TELLES PARTICIPAÇÕES e, conseqüentemente, de todas as empresas do grupo, dentre elas a recémcriada e logo em seguida alienada, YPIOCA Agroindustrial de Bebidas S/A, os rendimentos provenientes de ganho de capital, decorrentes da alienação desta empresa à CINTER INTERNATIONAL BRANDS INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, passariam a ser do Fundo (TELLES FIP) e não mais da TELLES PARTICIPAÇÕES (Holding). Considerando que os rendimentos de fundos de investimentos decorrentes de alienação, liquidação, resgate, cessão ou repactuação de títulos, aplicações financeiras e valores mobiliários são isentos de IR, nos termos do Art. 28, §10º da Lei 9.532/97, a criação da TELLES FIP (Fundo), através da extinção e transferência das quotas para integralização da TELLES PARTICIPAÇÕES (Holding) levou ao não pagamento do Ganho de Capital da venda da YPIOCA Agroindustrial de Bebidas S/A (sócia majoritária era a TELLES FIP) à CINTER INTERNATIONAL BRANDS INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, tornandose um planejamento tributário abusivo; Assim, os ganhos decorrentes da venda da YPIOCA Agroindustrial de Bebidas S/A foram recebidos inicialmente pelo TELLES FIP, que seria o proprietário das ações, e esses recursos, correspondentes ao valor acima referido, foram repassados a título de amortização para o ALVORADA FIM, único cotista da TELLES FIP, sendo que, em ambos os casos, por se tratarem de fundos de investimento, não haveria incidência de imposto, seja sobre ganho de capital, seja sobre rendimentos do fundo decorrentes da operação de venda da empresa; Restou caracterizada a ausência do propósito negocial na integralização das cotas do TELLES FIP com as Ações da TELLES PARTICIPAÇÕES, desnudandose o real propósito da operação, qual seja, alterar os elementos constitutivos da obrigação tributária, mais particularmente o sujeito passivo, que passaria a ser o Fundo, o que, a prevalecer a pretensão dos contribuintes, e como já referido anteriormente, estaria isento de IR sobre ganho de capital. Foram, então, efetuados os lançamentos dos valores não recolhidos à Fazenda Pública desconsiderandose as operações societárias efetuadas. Nas fls. 1112/1151, a Contribuinte apresenta impugnação, na qual requer: · Erro na identificação do sujeito passivo – o lançamento ocorreu pela venda da totalidade das ações do capital social da Ypioca, realizada pela Telles FIP a empresa Cinter, sendo equivocado o entendimento que o ganho de capital foi auferido pelas PF sócias da Telles FIP e não pela empresa – o ganho de capital deveria ser apropriado à empresa Agropaulo, proprietária inicial das ações Ypiocas Bebidas, jamais às pessoas físicas; · Nulidade – decadência – art. 150, §4º do CTN – se o FISCO desconsiderou o ato jurídico de criação do TELLES FIP, obviamente o IR recolhido sobre o ganho de capital, naquela data, Fl. 1853DF CARF MF 6 obrigatoriamente, deve representar parte do recolhimento do IRPF devido na operação, utilizandose da regra do art. 150, §4º do CTN. Considerando que a formalização da negociação e consequente pagamento parcial do ganho de capital ocorreu em 25/05/2012, considerase esta a data do fato gerador, sendo que o FISCO poderia lançar o tributo até o dia 25/05/2017; · No mérito, a criação do TELLES FIP, bem como dos demais Fundos de Investimentos criados pelo Grupo TELLES fez parte de um processo de reestruturação iniciado em 1998, decorrente de um planejamento societário e sucessório. · O objetivo central desse processo de reestruturação foi prover aos membros da família Telles uma gestão profissional de suas empresas operacionais, assim como manter distante, dessas empresas, eventuais divergências pessoais entre os membros da família. · Requer a compensação do imposto pago nos valores de R$22.066.198,00 e R$4.349.999,61 com o imposto lançado. · Em relação à multa qualificada, indícios podem autorizar, quando muito, a presunção, mas não no presente caso. As presunções somente são admitidas quando previstas em lei. Em direito, à guisa de princípio maior, temse assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc, não se presumem, devem ficar sobejamente comprovados, estreme de qualquer dúvida, o que não encontramos nos autos. · Consoante o princípio da vedação ao confisco, o RE 523471 admite como razoável apenas penalidades cujo valor não ultrapasse o limite de 30% do crédito tributário. No presente caso estamos falando de 5 (cinco) vezes esse limite. Na DRJ de fls. 1496/1522, verificase o entendimento: · Opção pelo julgamento em conjunto: os processos 10380.724638/201712, 10380.725183/201752, 10380.725184/2017 05, 10380.725185/201741, 10380.725186/201796, 10380.725188/201785 e 10380.725189/201720 referemse ao mesmo fato jurídicotributário: ganho de capital na venda da YPIÓCA BEBIDAS; · Nulidade pelo Erro na Identificação: a ineficácia que se pretende configurar ao desconsiderar os fundos de investimentos é a relativa, uma vez que deve alcançar somente o negócio jurídico que for ineficaz para o Fisco, devendo ser necessariamente eficaz para outras (o ato é válido, mas apenas sua eficácia subjetiva é limitada); · Com a desconsideração dos fundos de investimento, o TELLES FIP e o ALVORADA FIM não se tornaram inválidos ou inexistentes, porém ficou suspensa a eficácia de sua formação especificamente no episódio da venda da totalidade das ações pertencentes à YPIÓCA BEBIDAS; Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 10380.724638/201712 Acórdão n.º 2301005.930 S2C3T1 Fl. 1.852 7 · Desconsideração dos fundos de investimentos não faz retroagir a estrutura societária do grupo empresarial para o momento anterior à criação dos mencionados fundos, pelo que o fato gerador do tributo deve ser analisado (inclusive quanto à identificação do sujeito passivo) na data de sua efetiva ocorrência, apenas retirando os fundos de investimento da citada estrutura. Desconsiderar um fundo de investimento significa apenas extirpar o falso manto interposto com a sua constituição, imputandose aos cotistas a titularidade pelo ato jurídico praticado; · Como inicialmente foi desconsiderado o TELLES FIP, a venda por ele praticada foi imputada ao seu cotista único (ALVORADA FIM). Como, ato contínuo, o ALVORADA FIM também foi desconsiderado, a venda foi imputada aos seus cotistas, é dizer, aos membros da família Telles (pessoas físicas); · Decadência: para fins de contagem do prazo decadencial, a data da venda é irrelevante porque o Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, mais especificamente sobre os ganhos de capital, não obedece ao regime de competência, mas sim de caixa, ou seja, o imposto deve ser pago até o último dia útil do mês subsequente ao da percepção dos ganhos e se a venda foi a prazo, o Ganho de Capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês; · A data mais antiga de recebimento de recursos alusivos à venda de ações da YPIÓCA BEBIDAS aconteceu em 09/08/2012 e o Contribuinte foi intimado em 13/07/2017, portanto não resta decaído o débito tributário lançado. · Criação do TELLES FIP fez parte de um processo de reestruturação: não convence tal alegação, pois a finalidade central de um fundo de investimento em participações FIP se realiza por meio da aquisição de ações e de outros títulos e valores mobiliários. Como ninguém tem como objetivo adquirir algo que previamente já estava sob seu domínio, o objetivo precípuo do TELLES FIP deveria ser a realização de investimentos novos, e não a gestão profissional de investimentos antigos falta de propósito negocial; · Antes da criação do TELLES FIP, o Grupo Telles era administrado por meio de holding (TELLES PARTICIPAÇÕES) que, por isso, já cumpria esse papel de interface administrativa entre os membros da família TELLES; · Fechamento do negócio da venda da Ypioca era posterior a criação dos Fundos, o que não identifica planejamento tributário ilícito: irrelevante o argumento pois, em cada negócio efetivado pelo TELLES FIP, inclusive quanto à venda da YPIÓCA BEBIDAS, deveria o impugnante demonstrar (e não o fez) que a citada companhia operacional teria o aspecto de um investimento novo, configurando assim em parte integrante do propósito negocial do Fl. 1855DF CARF MF 8 TELLES FIP que, dessa forma, encontrarseia apto para obter a isenção de imposto de renda sobre eventual ganho de capital; · Se a venda da YPIÓCA BEBIDAS tivesse se dado por meio de outro fundo de investimento, o contribuinte teria, da mesma forma, o ônus de demonstrar que a YPIÓCA BEBIDAS teria o aspecto de um investimento novo, configurandose assim como parte integrante do propósito negocial de determinado fundo de investimento que, só assim, encontrarseia apto para obter a isenção de imposto de renda sobre eventual ganho de capital. Caso contrário, esse fundo também seria desconsiderado para apuração de tal imposto; · Fundo de investimento em participações (FIP) é um mecanismo legal para diversificar as aplicações de recursos financeiros: trata se de argumento que milita em favor da autoridade lançadora, já que no caso ora examinado o Grupo TELLES usou o TELLES FIP para controlar sociedades que eram previamente controladas pelo citado Grupo, e não para diversificar investimentos em empresas alheias. · Valores sociais da livre iniciativa (art. 1º, IV), à livre concorrência (art. 170, IV), ao princípio da legalidade (art. 5º, II), à garantia do direito de propriedade (art. 5º, XXII): Todavia, essa mesma Constituição traz também valores opostos àqueles, como o objetivo de construir uma sociedade solidária (art. 3º, I), a função social da propriedade (art. 5º, XXIII, e art. 170, III) e o princípio da capacidade contributiva (art. 145, § 1º). · Planejamento tributário ilícito mesmo pagando R$22.066.198,00 de imposto de renda, a título de ganho de capital, sem que, à época do pagamento, não havia nenhuma venda confirmada: citado pagamento referese a imposto de renda incidente sobre ganho de capital, em dezembro/ 2011, alusivo à alienação das ações da TELLES PARTICIPAÇÕES para o TELLES FIP (transferência para integralização das cotas do fundo – fls. 216/219); · Compensação de Imposto Pago: YPIÓCA BEBIDAS, objeto do ganho de capital ora sob exame, só foi criada em 29/02/2012 (dois meses depois do ganho de capital ocorrido em dezembro/2011. O objeto do ganho de capital incidiu na alienação de ações da TELLES PARTICIPAÇÕES. Os fatos tributários ora analisados ocorreram em 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015 e 07/10/2016 e consistem em ganhos de capital na alienação de ações da YPIÓCA BEBIDAS, portanto, os elementos material e temporal dos fatos geradores são distintos. · De qualquer sorte, o impugnante sequer se esforçou para demonstrar – mediante escrituração contábil devidamente suportada por documentos – que o evento de dezembro/2011 foi influenciado, pelo menos em parte, por fatos imputáveis futuramente à YPIÓCA BEBIDAS (que só foi criada em fevereiro/2012); tampouco quantificou essa parte. Portanto, denegase o pleito do administrado para excluir, do imposto lançado, o tributo pago sobre ganho de capital ocorrido em 30/12/2011; Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 10380.724638/201712 Acórdão n.º 2301005.930 S2C3T1 Fl. 1.853 9 · Entre a data de constituição dos fundos TELLES FIP e ALVORADA FIM e a data de hoje, ocorreram amortizações no ALVORADA FIM pelas pessoas físicas, o que ensejou o recolhimento de imposto de renda sobre ganho de capital, na forma da legislação vigente, no valor total de R$4.349.999,61 – requer compensação: indeferese o impugnante não explicitou o fundamento fático que determinou a alegada amortização de cotas, tampouco a norma do Regulamento que embasou sua realização. E mais importante: o impugnante não demonstrou – por meio de escrituração contábil devidamente suportada por documentos – que o fundamento da amortização de cotas do ALVORADA FIM seria a venda das ações da YPIÓCA BEBIDAS; · Multa qualificada: houve fundamentação no TVS – “conforme demonstrado ao longo deste termo, em relação à infração acima, o contribuinte promoveu e se beneficiou de um planejamento tributário abusivo, cujo objetivo foi alterar maliciosamente as características essenciais da obrigação tributária decorrente da compra e venda de ações representativas de sua participação societária na empresa Ypióca Agroindustrial de Bebidas S/A”; · Para se demonstrar o dolo do contribuinte, há que se perquirir os elementos vontade e consciência voltados para a prática do delito. Tais elementos estão demonstrados; · Da natureza confiscatória da multa qualificada: foi aplicada com fulcro no art. 44, I e §1º, da Lei nº 9.430/1996, portanto, devida. Nas fls. 1534/1573 a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário, no qual requer: · Nulidade do lançamento fiscal: erro na identificação do sujeito passivo uma vez que a pessoa física jamais foi proprietária direta das participações societárias alienadas. Houve a desconsideração dos dois Fundos criados, portando, a proprietária das participações societárias vendidas (Ypióca) era a Agropaulo Agroindustrial S/A ou então a Holding Participações S/A, mas jamais as pessoas físicas proprietárias do Fundo FIMALVORADA; · Se o posicionamento da 6ª Turma da DRJ/FO vier a ser mantido, todas e quaisquer alienações futuras de participações societárias da FIPTELLES, o sujeito passivo não será mais o fundo, mas sim, seus cotistas, fato inimaginável. Os fundos foram constituídos de forma lícita e, por consequência, todos os atos, inclusive constituições são válidos e eficazes; · Se os fundos são obras simuladas, as participações societárias da FIP TELLES devem retornar ao status quo ante, as participações Fl. 1857DF CARF MF 10 societárias deveriam retornar aos seus antigos proprietários e estes, com certeza, não são as pessoas físicas cotistas, pois a Ypióca Bebidas pertencia diretamente à Agropaulo. · Os membros da família Telles (PF) jamais foram detentores diretos do capital social da empresa alienada (Ypióca Bebidas) e tampouco da sua controladora (Agropaulo). Os membros da família Telles, antes da constituição do FIP TELLES eram controladores da Holding Telles Participações, assim, portanto, inadmissível imaginar que uma vez desconsiderada a constituição do FIP TELLES, por ter sido constituído de suposta forma ilícita, as participações societárias alienadas devam ser consideradas como de propriedade do membro da família Telles. · Cita o Parecer da PGFN n. 278/2014; · Nulidade do lançamento fiscal devido a decadência do direito de lançar com base no art. 150, § 4° do CTN levandose em consideração que o CADE aprovou a operação de compra e venda das participações acionárias em 25/05/2012 e notificação da presente autuação ocorreu somente em 13/07/2017. · Mérito: Afirma que a criação do TELLES FIP, bem como dos demais Fundos de Investimentos criados pelo Grupo TELLES fez parte de um processo de reestruturação iniciado em 1998, decorrente de um planejamento societário e sucessório. · O objetivo central desse processo de reestruturação foi prover aos membros da família Telles uma gestão profissional de suas empresas operacionais, assim como manter distante, dessas empresas, eventuais divergências pessoais entre os membros da família. · Defende que os fundos de investimentos são ferramentas cada vez mais utilizadas, não só no Brasil, mas em todo o mundo, para gerir investimentos de forma geral, não só investimentos novos. · Cita como exemplo o fundo FIPDibra que criado em 2006 fez oferta pública no mesmo ano de parte significativa das ações representativas do capital social da M. Dias Branco, não resultando em nenhuma sanção à família Dias Branco ou qualquer outra instituição ou empresa, agindo corretamente o fisco neste caso; · Descreve todo procedimento realizado em ordem cronológica, desde 1998 quando se deu início ao processo de planejamento estratégico das empresas; · Quando da criação da FIP TELLES (dezembro de 2011) a Ypióca Bebidas não existia, a empresa somente foi constituída em fevereiro de 2012, ainda sobre o controle societário da AGROPAULO empresa controlada pela Holding Telles Participações, que pertencia ao FIP TELLES; Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 10380.724638/201712 Acórdão n.º 2301005.930 S2C3T1 Fl. 1.854 11 · A Ypióca Bebidas foi criada juntamente com outras duas empresas para segregar as atividades da AGROPAULO, ação que fazia parte do processo de planejamento estratégico do Grupo Telles. Essas duas empresas criadas em 2012 não foram negociadas até o presente momento e são controladas pela FIP TELLES; · FIP Telles vem realizando investimentos na ampliação dos negócios do Grupo Telles cujo montante alcança a cifra dos R$355.200.000,00, conforme demonstram os aumentos de capital social das empresas que compõem o Fundo – cumprindo com o objetivo da legislação que criou Fundos de Investimentos; · Não existe isenção tributária em Fundos de Investimentos: há uma antecipação de tributos no momento da subida das empresas para o FIP, como foi o caso da criação do FIP TELLES, quando se recolheu IR no valor de R$22.000.000,00 e um diferimento de tributos para o momento em que ocorrer amortizações ou resgates. · Compensação do imposto pago: afirma que a integralização da TELLES FIP foi realizada dentro da legislação vigente, inclusive com pagamento do Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital antecipadamente, assim, devese compensar o imposto pago nos valores de R$22.066.198,00 e R$4.349.999,61 com o imposto lançado; · Multa qualificada: afirma que indícios podem autorizar, quando muito, a presunção, mas não no presente caso. As presunções somente são admitidas quando previstas em lei. Em direito, à guisa de princípio maior, temse assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc., não se presumem, devem ficar sobejamente comprovados, estreme de qualquer dúvida, o que não encontramos nos autos. · Princípio da vedação ao confisco: o RE 523471 admite como razoável apenas penalidades cujo valor não ultrapasse o limite de 30% do crédito tributário. No presente caso estamos falando de 5 (cinco) vezes esse limite. · Requer o provimento do recurso considerando improcedente a autuação ou, alternativamente que, caso mantida, seja considerado o recolhimento do imposto efetuado quando da constituição da TELLES FIP. Requer ainda a retirada da qualificação da multa e que a multa seja reduzida aos limites estipulados pelo STF. Nas fls. 1708/1784 consta das Contrarrazões da PGFN, na qual sucintamente, traz a fundamentação do Acórdão da DRJ, destacandose: · Inocorrência de extinção do crédito pela decadência: em 25.05.2012 não ocorreu nem o fato gerador do IRPF nem, tampouco, a alienação das participações societárias: no TVF consta que 25.05.2012 corresponde à data da assinatura do contrato de compra e venda entre Fl. 1859DF CARF MF 12 TELLES FIP e CINTER, entretanto, em 03.08.2012, foi assinado instrumento de Aditamento e Consolidação do Contrato de Compra e Venda (Anexo 25) e a fiscalização nota que, de acordo com as demonstrações contábeis do período competente a venda teria sido realizada em 09.08.2012 tratase de Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF tributo cujo fato gerador ocorre no momento do recebimento (art. 2º, da Lei n. 7713/88) se o pagamento ocorre a prazo o ganho de capital também ocorre a prazo e conseqüentemente o fato gerador se "renova" a cada parcela; · Inocorrência de erro na sujeição passiva: não houve reconhecimento de nulidade. Houve, isto sim, aplicação dos comandos dos artigos 118, I e II, 123 e 142 do CTN pela autoridade fiscalizadora no regular exercício de sua competência. Uma vez identificada, no curso do processo administrativo, a atuação irregular de pessoa jurídica ou entidade despersonalizada (sem substância econômica ou sem nenhum propósito extra tributário), a identificação do sujeito passivo pelo fisco, com a respectiva reclassificação dos rendimentos auferidos, revelase obrigatória e necessária por força dos princípios constitucionais da solidariedade (CF, art. 3º, I), a capacidade contributiva (CF, art. 145, §1º) e a isonomia (CF, art. 150, II), além dos já mencionados artigos 118, I, 142 e 149, VII, do Código Tributário Nacional. Uma vez afastados os dois fundos, os direitos de propriedade sobre as ações da YPIOCA BEBIDAS é dos quotistas dos já mencionados fundos. Destarte, devida a tributação das pessoas físicas quotistas, dentre elas a recorrente. · Artificialidade da interposição do fundo de investimento na operação apurada: criação de entidade apenas para tomar parte na operação O TELLES FIP foi criado em 22.02.2012 e as quotas da TELLES PARTICIPAÇÕES foram integralizadas em 23.04.2012. A YPIOCA BEBIDAS foi transferida para o TELLES FIP após a dissolução da TELLES PARTICIPAÇÕES em 12.05.2012. A data da assinatura do contrato de compra e venda é 25.05.2012. Verificase, portanto, que o TELLES FIP foi criado apenas 4 meses antes da alienação dos ativos da YPIOCA BEBIDAS para a CINTER; · Carta de Oferta Vinculativa apresentada pela DIAGEO em 24.10.2011: não foi o Fundo quem negociou os ativos nem, tampouco, os detinha durante a maior parte das negociações. · A criação do fundo não se deu para o fim de melhorar a gestão do empreendimento, nem para fins sucessórios, pela constatação óbvia de que tais investimentos não permaneceram sob a gestão do Fundo, mas sim foram alienados. · Não houve, em decorrência da criação do Fundo de Investimentos, qualquer mudança no controle das empresas. As pessoas físicas controladoras do Grupo TELLES, que eram as detentoras das ações da TELLES PARTICIPAÇÕES e, pois, indiretamente, das ações da YPIOCA BEBIDAS (e, antes ainda, das ações da AGROPAULO), passaram a deter a totalidade das quotas do ALVORADA FIM, único cotista do TELLES FIP. Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 10380.724638/201712 Acórdão n.º 2301005.930 S2C3T1 Fl. 1.855 13 · Constatase que, no TELLES FIP, não há a comunhão de investidores que caracteriza os fundos de investimento. Os recursos que o integram não são oriundos da agregação de investimentos de diferentes interessados. Foi criado por pessoas da mesma família que formam um mesmo grupo econômico e que já partilham todos os ativos que foram integralizados no Fundo. Foi constituído com o objetivo de servir à reorganização de suas próprias participações societárias e não visando à comunhão de investidores para viabilizar novos investimentos; Nas fls. 1832 e ss., a Contribuinte junta Parecer sobre o caso elaborado pelo Prof. Dr. Eurico Marcos Diniz de Santi, no qual pontua o erro na identificação do sujeito passivo, erro na indicação do motivo legal e flagrante tentativa da DRJ em modificar o Auto de Infração: · A indicação das pessoas físicas sócias da Holding Telles Participações como contribuintes do imposto foi escolha inadequada do Auditor Fiscal, buscando salvar o crédito da decadência, pois se ele indicasse a TELLES Participações ou a Agropaulo, implicaria reconhecer que o fato gerador do IR teria ocorrido na extinção da Holding, em 12/05/2012, ou então, na data da alienação das ações da Ypióca Bebidas, em 25/05/2012 e, portanto, já teria decorrido o prazo decadencial de 5 anos, pois a ciência do AI se deu em 13/07/2007; · As 7 pessoas físicas nunca foram detentoras das ações da Ypióca Bebidas, sendo que a relação jurídica delas com a Ypióca surgiu através da constituição da Telles Participações em 1998 e, portanto, desconsiderar a sua constituição por alegação de fraude implica no dever de autuar a AGROPAULO, efetiva controladora inicial da empresa alienada; assim como, as 7 pessoas físicas nunca poderiam constar como sujeitos passivos, pois são apenas nusproprietárias das ações da Telles Participações, cabendo tão somente autuar os 2 usufrutuários das ações, beneficiários em última instancia do ganho de capital (Everardo e Maria Heloísa) – a DIRPF dessas 7 pessoas comprovam que não possuíam qualquer rendimento advindo da Telles Participações – sem disponibilidade econômica; · Erro na indicação do motivo legal: as 7 pessoas físicas acionistas da Telles Participações foram autuadas como contribuintes, sem enquadramento legal como responsáveis, quando só poderiam constar no polo passivo se fosse por responsabilidade, sendo indevida a utilização da legislação do IRPF, uma vez que a obrigação decorrer de pessoa jurídica a autoridade lançadora deveria indicar os dispositivos legais que atribuem a sujeição passiva por responsabilidade aos sócios da pessoa jurídica extinta, mas não o fez, acarretando a nulidade do auto de infração; · O crédito deveria ter sido constituído com base na legislação do imposto de renda da pessoa jurídica e não na legislação do imposto de renda da pessoa física; Fl. 1861DF CARF MF 14 · Inovação do acórdão da DRJ: desconsidera a venda das ações pelo Telles FIP, desconsidera a venda das ações pelo Alvorada Fim, e indica os cotistas do Alvorada Fim como beneficiários do ganho de capital e contribuintes do IR – DRJ inova ao afirmar que a desconsideração dos fundos não os torna inválidos ou inexistentes e não faz retroagir a estrutura societária para o momento anterior às suas criações, apenas ficando suspensa a eficácia de sua formação, de modo a cobrar o tributo dos cotistas do fundo; Por fim, nas fls. 1835/1843, a Contribuinte junta razões aditivas ao Recurso Voluntário, no qual requer: · Admissibilidade das razões aditivas do Recurso Voluntário, nos termos do art. 415, VI e §3º do CPC, que determina o conhecimento de ofício pelo juízo das matérias relacionadas à ausência de legitimidade das partes, ou seja, matéria de ordem pública (CARF Acórdão 9303003.834); · Nulidade. Erro na identificação do sujeito passivo. Recorrente nu proprietária das ações da holding TELLES PARTICIPAÇÕES e das cotas do FIMALVORADA e do FIPTELLES – mesmo que se admita o planejamento tributário abusivo e desconsidere as constituições dos dois Fundos, o sujeito passivo em decorrência dessas desconsiderações não poderiam ter sido as pessoas físicas ex acionistas da holding Telles Participações S/A, como entendeu a fiscalização no presente caso, tampouco os cotistas proprietárias do FIMALVORADA, como argumentou a Turma julgadora da DRJ/FOR. · Há erro na identificação do sujeito passivo do auto de infração, tendo em vista que a Recorrente não foi beneficiada pelo ganho de capital alegado pelo Fisco, já que detém apenas a nuapropriedade das cotas do FIMALVORADA (argumento da DRJ/FOR), bem como detinha unicamente a nuapropriedade das ações representativas do capital social da holding TELLES PARTICIPAÇÕES (argumento da DRF/FOR), objeto de instrumentos de doações; · As ações que a Recorrente detinha na Holding TELLES PARTICIPAÇÕES, assim como as cotas do FIMALVORADA de propriedade da Recorrente, foram recebidas por doação e gravadas com reserva de usufruto em favor dos doadores e a fiscalização tinha pleno conhecimento do usufruto quando do lançamento; · Qualquer ganho de capital apurado na alienação da YPIÓCA BEBIDAS só poderia ter como beneficiários os usufrutuários desses títulos patrimoniais, os quais gozam da disponibilidade econômica e jurídica dos valores recebido · Citase o Acórdão n° 1103001.123 do CARF e o Acórdão n° 9101 002.536 da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF); É o relatório. Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 10380.724638/201712 Acórdão n.º 2301005.930 S2C3T1 Fl. 1.856 15 Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Verificase nas fls. 1533 que a emissão da intimação do resultado do Acórdão da DRJ para a contribuinte se deu em 22/11/2017, sendo dado a leitura pela mesma no mesmo dia. O Recurso Voluntário foi apresentado em 21/12/2017, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, o que torna seu Recurso tempestivo e admissível. Conheço do Recurso e passo à análise do mérito. Mérito Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão da DRJ que decidiu pela improcedência da Impugnação, pois entendeu que o planejamento tributário realizado pela empresa da Contribuinte foi abusivo, no intuito de se omitir no recolhimento de Ganho de Capital gerado na venda de uma das empresas que compunha o Grupo da Família. Sobre as preliminares, julgo ante a seguinte razão. DECADÊNCIA Afirma a Contribuinte que houve decadência do direito do FISCO de lançar o crédito tributário, pois o fato gerador se deu quando da alienação da empresa Ypióca Bebidas, ou seja, 25/05/2012 e sua intimação se deu em 13/07/2017. Sem razão a Contribuinte. Tratase de IRPF de Ganho de Capital, sendo que a venda da empresa Ypióca Bebidas se deu por pagamento parcelado. O Fato Gerador deste imposto diz respeito ao recebimento do valor pelo beneficiário, conforme comprova as jurisprudências consolidadas deste Conselho: DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, ausente dolo, fraude ou simulação, e constatandose pagamento antecipado, a decadência se opera após o decurso do prazo de cinco anos, contado do fato gerador. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. FATO GERADOR. O Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre ganhos de capital na alienação de bens e direitos constitui tributação definitiva, não se sujeitando ao ajuste anual, considerandose ocorrido o fato gerador no mês do recebimento. (Acórdão nº 9900000.274 – Pleno 07 de dezembro de 2011) IRPF GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR APURAÇÃO DA DECADÊNCIA Fl. 1863DF CARF MF 16 Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. (Acórdão nº 9202003.819 08/03/2016) IRPF. GANHO DE CAPITAL. RECEBIMENTO PARCELADO DE QUOTAS DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ALIENADAS. PARCELAS INDEXADAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O termo inicial para contagem do prazo decadencial em se tratando de imposto de renda devido sobre o ganho de capital decorrente de contrato de alienação de cotas societárias a prazo e com parcelas indexadas, é o momento do recebimento de cada parcela, pois nesse momento é que se afere de forma definitiva o preço de venda que resta condicionado índice de correção monetária. Precedente. (Acórdão nº 2101002.674 21/01/2015) IRPF GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR APURAÇÃO DA DECADÊNCIA Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. (Acórdão nº 9202003.819 – Sessão de 08 de março de 2016) GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO DE IMÓVEL. TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. A circunstância fática (acréscimo patrimonial) que constitui o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente de alienação a prazo de imóvel se revela em um momento concomitante ou posterior à celebração do “Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda”. O contrato regula uma situação jurídica que irá desencadear a incidência do tributo se e quando houver acréscimo patrimonial. O regime de caixa, como o próprio nome indica, privilegia o aspecto financeiro dos negócios jurídicos, de modo que os efeitos fiscais das mutações patrimoniais só serão reconhecidos quando houver a realização financeira deles. Na apuração do imposto de renda pelo regime de caixa, aplicável às pessoas físicas, somente ocorrerá o acréscimo patrimonial se houver a efetiva disponibilidade financeira. Logo, nas alienações a prazo de bens e direitos de pessoa física o fato gerador do ganho de capital ocorrerá no recebimento de cada uma das parcelas pactuadas. (Acórdão nº 2201002.928 Sessão de 18 de fevereiro de 2016) Portanto, não se vislumbra a decadência, pois o fato gerador de cada IR de ganho de capital ocorreu na data do recebimento dos valores pagos pela Cinter International Brands Indústria e Comércio LTDA, ou seja, 09/08/2012; 21/02/2013; 09/11/2015 e 07/10/2016. Considerando que a intimação do lançamento pela Contribuinte se deu em 13/07/2017, não ocorreu a decadência de nenhum dos fatos geradores. Rejeitase a preliminar. ERRO NA INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 10380.724638/201712 Acórdão n.º 2301005.930 S2C3T1 Fl. 1.857 17 São duas as razões apontadas pelo Contribuinte como sendo erro na indicação do sujeito passivo que leva à nulidade do Auto de Infração: 1º) indevida a indicação das pessoas físicas acionistas da Telles FIP e da Alvorada Fim, pois se considerou inválida a constituição desses fundos, sendo que ao retornar o status a quo, a autuação deveria recair sobre a TELLES Participações ou a Agropaulo, proprietárias da Ypióca Bebidas; 2º) As pessoas físicas acionistas da Telles FIP e da Alvorada Fim nunca poderiam constar como sujeitos passivos, pois são apenas nusproprietárias das ações da Telles Participações, cabendo tão somente autuar os 2 usufrutuários das ações, beneficiários em última instancia do ganho de capital (Everardo e Maria Heloísa) – a DIRPF dessas 7 pessoas comprovam que não possuíam qualquer rendimento advindo da Telles Participações – sem disponibilidade econômica; Sobre as causas de nulidade do Auto de Infração, o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. determina: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula Portanto, o Auto de Infração deve conter os requisitos previstos no Art. 10, pois, caso contrário, tratase de ato nulo. Sobre o erro na identificação do Sujeito Passivo, a Jurisprudência Consolidada deste Conselho e as Súmulas determinam: MERO ERRO/IMPRECISÃO TÉCNICA NA IDENTIFICAÇÃO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INEXISTENTE. O mero erro ou imprecisão técnica na identificação do sujeito passivo, desde que não macule o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não gerará nulidade por vício formal ou material do lançamento. Não há nulidade sem prejuízo. Acórdão nº 9202003.098, Sessão de 25 de março de 2014. Súmula CARF nº 112 Fl. 1865DF CARF MF 18 É nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento formalizado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração. Súmula CARF nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Portanto, colacionando o acima exposto, verificase que, no que consiste o erro na identificação do sujeito passivo, temse os seguintes entendimentos do CARF sobre nulidade de auto de infração lançado: 1. Quando se está diante de Auto de Infração proveniente de Imposto de Renda, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário do fato gerador (no caso, o beneficiário do ganho de capital); 2. É nulo o lançamento formalizado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração; 3. Erro na identificação do sujeito passivo não leva à nulidade do Auto de Infração, desde que não se macule o seu direito de defesa das partes nem o normal andamento do processo administrativo fiscal; Destacase que neste momento não se analisará o mérito da questão, ou seja, se o planejamento tributário foi ou não abusivo, mas sim, se foi devido o lançamento contra as pessoas físicas dos sócios acionistas. Levandose em consideração os apontamentos acima, verificase o presente lançamento. Para isto, necessária fazer a progressão dos atos/acontecimentos que levaram ao lançamento, até mesmo para facilitar o entendimento do caso. Em 04/1998 foi criada a empresa Holding Telles Participações e Negócios LTDA com a integralização das participações societárias que o Sr. Everardo, sua primeira esposa Maria Heloísa e seus seis filhos possuíam em diversas empresas, para que estas passassem a ser controladas pela Holding recémcriada: Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 10380.724638/201712 Acórdão n.º 2301005.930 S2C3T1 Fl. 1.858 19 05/2011: As ações da Telles Participações são doadas aos 07 filhos do Sr. Everardo, ficando o mesmo, e sua primeira esposa, a Sra. Maria Heloísa, com o usufruto vitalício; 12/2011: Criação da Telles FIP – fundo de investimento em participações, sendo que os 07 filhos do Sr. Everardo integralizaram suas cotas com as ações que detinham na Telles Participações, passando a Telles FIP ser controlador da holding Telles Participações, ficando as cotas da Telles FIP gravadas com as mesmas cláusulas de inalienabilidade, impenhorabilidade, incomunicabilidade e usufruto vitalício em favor do Sr. Everardo e Sra. Maria Heloísa: 02/2012: segregação da Ypióca Agroindustrial, sendo criada 03 novas companhias: Fl. 1867DF CARF MF 20 22/02/2012: criação de outro fundo de investimento, o Alvorada Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado (Alvorada FIM), sendo suas cotas integralizadas com as cotas do Telles FIP em 23/04/2012, com transferência das cláusulas inalienabilidade, impenhorabilidade, incomunicabilidade e usufruto vitalício em favor do Sr. Everardo e Sra. Maria Heloísa: 03/2012: Ypióca Agroindustrial S/A altera sua denominação social para Agropaulo Agroindustrial S/A (AGROPAULO): Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 10380.724638/201712 Acórdão n.º 2301005.930 S2C3T1 Fl. 1.859 21 Em 11/05/2012: cisão parcial da empresa Agropaulo: as participações societárias da Yplastic, Ipark e Ypióca Bebidas, detidas pela Agropaulo são vertidas para o patrimônio da holding Telles Participações: Em 12/05/2012: a Holding Telles Participações é liquidada, sendo que seus ativos (participação em todas as empresas operacionais do Grupo Telles passa a ser propriedade do Grupo Telles FIP: Fl. 1869DF CARF MF 22 Em 25/05/2012 a Telles FIP vende o controle acionário da Ypióca Bebidas: O Auto de Infração, em seu Termo de Verificação Fiscal entende que o planejamento tributário foi fraudulento (com abuso de direito), pois, considerando que a Telles FIP é Fundo de Investimento, ficou isenta de recolhimento de Ganho de Capital, sendo que a criação dos fundos se deu única e exclusivamente com o fim de se abster do pagamento. Ao considerar o planejamento tributário abusivo, a autoridade lançadora, conforme justificativa no TVF, desconsiderou “a integralização das cotas do Telles FIP com as ações da empresa Telles Investimento em Participações S/A, bem como a posterior integralização das quotas do Alvorada FIM com as quotas do Telles Fip. Como se viu, tais operações foram realizadas sem o propósito negocial e em total descompasso com os objetivos da criação de um fundo de investimento; o único proposito que se pode vislumbrar é o de driblar maliciosamente as normas de incidência tributária”. Segundo o TVF, ao desconsiderar os fundos, “emergem efetivos proprietários das ações da empresa alienada cada um dos membros do grupo familiar Telles, sendo estes os beneficiários últimos do ganho de capital. Como tal, devem ser posicionados como sujeitos passivos da obrigação tributária relativamente ao imposto incidente sobre o ganho de capital”. A Contribuinte afirma que houve erro na indicação do sujeito passivo, pois se for desconsiderado a integralização das cotas do Telles FIP com as ações da empresa Telles Investimento em Participações S/A, bem como a posterior integralização das quotas do Alvorada FIM com as quotas do Telles Fip, o Auto deveria ter sido lançado ou contra a Agropaulo ou contra a Telles Investimento em Participações S/A. Com relação à Agropaulo, observase que no momento em que houve a alienação da Ypióca Bebidas à Cinter (23/05/2012), a Ypióca Bebidas não fazia mais parte do quadro societário da Agropaulo, que foi cindida parcialmente em 11/05/2012, passando a ser controlada pela Telles Investimento em Participações S/A e, posteriormente, com a liquidação da Telles Investimento em Participações S/A, passou a ser controlada pela Telles FIP, não sendo, a Agropaulo, beneficiada diretamente com a alienação. Portanto, considerando que o Auto de Infração não considerou inválida a cisão da Agropaulo, não se poderia lançar o ganho de capital contra a Agropaulo, pois não era mais a controladora da Ypióca Bebidas. Com relação ao pedido de que o lançamento deveria ter sido realizado contra a Telles Investimento em Participações S/A, observase que de igual maneira, seria indevido o lançamento contra a mesma. Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 10380.724638/201712 Acórdão n.º 2301005.930 S2C3T1 Fl. 1.860 23 Isto, pois a Telles Investimento em Participações S/A foi liquidada antes do lançamento do presente auto de infração. Por esta razão, com base Súmula CARF nº 112, o auto seria nulo se fosse lançado contra a Telles Investimento em Participações S/A, justamente por erro na identificação do sujeito passivo, pois o lançamento foi formalizado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração. No caso de impossibilidade de lançar contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração, ou seja, contra a Telles Investimento em Participações S/A, lançase contra os responsáveis solidários e reais beneficiários da alienação, com fito na Súmula 12 do CARF. Neste contexto, observa o CTN: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; Portanto, o CTN permite a responsabilização solidária da pessoa física dos sócios, como ocorreu no caso em análise, pois foram os reais beneficiários com a alienação da Ypióca Bebidas. Além disto, necessário pontuar que o mero erro ou imprecisão técnica na identificação do sujeito passivo, desde que não macule o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não gera nulidade por vício formal ou material do lançamento, nos termos da Jurisprudência Consolidada deste Conselho, previamente inserida neste voto. No presente caso não se observou qualquer impedimento ao direito de defesa da Contribuinte: sua inclusão como responsável pelo crédito se deu desde o início da ação fiscal, foi possibilitada a apresentação de impugnação, recurso voluntário, juntada de provas e parecer, não havendo qualquer mácula ao direito à ampla defesa e contraditório. Por fim e de forma a complementar com a fundamentação anteriormente aduzida, com relação ao segundo motivo de nulidade do auto de infração por erro na indicação do sujeito passivo, pois as pessoas físicas acionistas da Telles FIP são apenas nusproprietárias das ações da Telles Participações, cabendo tão somente autuar contra os 2 usufrutuários das ações, beneficiários em última instancia do ganho de capital (Everardo e Maria Heloísa), verificase, novamente, sem razão a Contribuinte. Isto, pois, neste caso, a Jurisprudência consolidada deste Conselho determina: Fl. 1871DF CARF MF 24 ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO IRPF ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO. O ganho de capital apurado na cessão de direitos, por alienação, do usufruto está sujeito à tributação na pessoa física do usufrutuário. Ocorrendo a transmissão do usufruto e da nuapropriedade concomitantemente, isto é, em uma mesma operação, tendo como adquirente um terceiro, o usufrutuário e o nuproprietário estão sujeitos à apuração do ganho de capital. IRPF — BENS IMOVEIS — DIREITOS REAIS — USUFRUTO — Considerase imóveis para todos os efeitos legais os direitos reais sobre imóveis, a exemplo do usufruto. IRPF — GANHO DE CAPITAL — REDUCÃO — Para apuração do valor a ser tributado, no caso de alienação de bens imóveis, será aplicado um percentual de redução sobre o ganho de capital, segundo o ano de aquisição ou incorporação. (Acórdão n°.: 10416.957 17 de março de 1999) O Parecer Normativo CST 04/1995 também determina que “ocorrendo a transferência do usufruto e da nuapropriedade, sendo adquirido por terceiro, o usufrutuário e o nuproprietário sujeitamse à apuração do ganho de capital”. Ao alienar o bem que era protegido com cláusula de usufruto, havendo, portanto, a transmissão do usufruto e da nuapropriedade concomitantemente, tendo como adquirente terceiro (CINTER) tanto o usufrutuário, como o nuproprietário estão sujeitos à apuração do ganho de capital. Por esta razão, foi devido o lançamento contra a pessoa física dos nu proprietários, rejeitandose, portanto a preliminar. DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ILÍCITO Apesar de a Contribuinte afirmar que a criação do TELLES FIP, bem como dos demais Fundos de Investimentos criados pelo Grupo TELLES fez parte de um processo de reestruturação iniciado em 1998, decorrente de um planejamento societário e sucessório, com objetivo central de promover aos membros da família Telles uma gestão profissional de suas empresas operacionais, verificouse que as operações societárias tiveram início justamente depois que houve o interesse da CINTER na compra da Ypióca. Entre os critérios definidores de um planejamento tributário legítimo, oponível às autoridades fiscais, temse que: (i) os atos que impliquem a redução na carga tributária devem ocorrer cronologicamente antes do fato gerador; (ii) os atos praticados pelo contribuinte que resultaram na redução da carga tributária devem ser lícitos; e (iii) a manifestação/declaração de vontade (causa típica) deve corresponder à sua realização fática (causa objetiva), ou melhor, à sua finalidade econômico social. Não é o conteúdo formal do negócio jurídico (causa típica) consubstanciado na declaração de vontade que irá determinar a incidência tributária, mas sim sua causa objetiva (propósito). É preciso verificar a função a que se destina a operação dentro do empreendimento econômico, e não somente a prática de atos baseados em dispositivos legais (princípio da estrita legalidade em matéria tributária). Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 10380.724638/201712 Acórdão n.º 2301005.930 S2C3T1 Fl. 1.861 25 Assim, não se faz suficiente a licitude dos atos realizados, tampouco a máxima argumentativa da liberdade empresarial de autoorganização, para legitimar as alternativas escolhidas em uma reestruturação societária, pois estas devem estar providas de causa econômica, de modo que o motivo da reorganização não seja único ou predominantemente de economizar tributos. Ao se confrontar a legislação tributária, que adota os princípios da tipicidade e da estrita legalidade, com as atividades desenvolvidas pelas empresas, objeto de planejamento tributário, devese também valorizar o propósito das atividades empresariais praticadas e a existência de substância econômica. Nesse sentido seguem alguns precedentes administrativos: [...] OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA – O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA – A liberdade de autoorganização não endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício do planejamento tributário.” (1º Conselho de Contribuintes /4ª Câmara/Turma Ordinária. Acórdão nº 10420749. Data 15/06/2005) [...]NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. INOPONIBILIDADE AO FISCO. O fato de ser um negócio jurídico indireto não traz a consequência direta de tornar eficaz o procedimento da interessada, pois essa figura não é oponível ao fisco quando, como é o caso concreto, sem propósito negocial algum, visto de seu todo, visar apenas a mera economia de tributos. No caso concreto, houve por conseguinte fraude à lei do imposto de renda que comanda a tributação do ganho de capital na alienação de bens do ativo permanente através da utilização de norma de cobertura. (CARF. 1ª Seção / 1ª Turma da 4ª Câmara / Acórdão nº 140100.582 em 29/06/2011, Publicado no DOU em: 27.03.2012) Simulação – conjunto probatório – Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados (reorganização societária) divergiam da real intenção subjacente (compra e venda), caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto. Ausência de motivação extra tributária – O princípio da liberdade de autoorganização, mitigado que foi pelos princípios constitucionais da isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de planejamento tributário. (CARF. 1º Conselho de Contribuintes 4a. Câmara/ Acórdão nº 104 21498, Publicação em 06/09/2007) Portanto, necessário verificar, entre outras coisas, se a finalidade da reorganização societária não foi exclusiva e predominantemente tributária e, paralelamente, Fl. 1873DF CARF MF 26 analisar a existência ou não de um propósito negocial, compreendido como a vontade objetiva final do negócio jurídico. Verificada a divergência entre a realização prática aferida objetivamente (causa objetiva) e a causa típica do negócio jurídico (conteúdo formal), temse um planejamento inválido e, como tal, os negócios jurídicos realizados não são oponíveis às autoridades fiscais. No decorrer do presente procedimento fiscal não restou claramente demonstrado o motivo e a finalidade negocial das operações societárias. A Recorrente buscou aduzir diversos argumentos para tentar demonstrar o fundamento econômico das operações realizadas que, contudo, não parecem ter o condão de desconsiderar e infirmar a autuação, especialmente se levado em consideração (i) o curto lapso temporal entre as operações, (ii) a dependência das empresas envolvidas por pertencerem a um mesmo Grupo Empresarial e (iii) a incongruência entre a operação realizada e os motivos alegados pela Recorrente. As operações societárias foram milimetricamente planejadas e realizadas no decorrer do ano de 2012, com a criação dos dois Fundos de Investimento até a finalização, com a efetiva venda da Ypióca à CINTER, em maio de 2012. A cisão parcial da Agropaulo se deu em 11/05/2012 e a liquidação da holding Telles Participações se deu logo no dia posterior, 12/05/2012 e a venda da Ypióca Bebidas treze dias depois (25/05/2012). O curto lapso temporal entre as operações demonstram que a venda da Ypióca para a Cinter já estava previamente ajustada, aguardandose, apenas a criação dos Fundos, para que não fosse necessário o recolhimento do Ganho de Capital da venda, pois com Fundos, as alienações de ativos têm tributação exclusiva. O que se observou, com as operações societárias, foi apenas a migração das empresas do grupo da família, que antes pertenciam à holding Telles Participações, para os dois fundos criados (Telles FIP e Alvorada Fim), no intuito de se abster de recolher os tributos da venda. Portanto, não se objetivou a simples redução do ganho de capital, mas, sim, a efetiva isenção de sua tributação. Outro fator que vem a invalidar o planejamento tributário realizado é que, a partir da ausência de causa econômica das etapas societárias, isoladamente consideradas, é possível aferir que os fatos formalizados juridicamente não parecem corresponder à realidade, vislumbrandose uma simulação para obter vantagens tributárias. Procedeu corretamente a Fiscalização em examinar o conjunto da reestruturação societária realizada pelo Grupo quando se está diante de operações sucessivas e envolvendo várias empresas, conforme doutrina de Marco Aurélio Greco sobre o assunto: “Uma operação estruturada indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto. E mais, indica a existência de uma causa jurídica única que informa todo o conjunto. Nestes casos, cumpre examinar se há motivos autônomos, ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 10380.724638/201712 Acórdão n.º 2301005.930 S2C3T1 Fl. 1.862 27 Na medida em que o conjunto de operações corresponde apenas a uma pluralidade de meios para atingir um único fim, a verificação das alterações relevantes deve ser feita não apenas considerando os momentos anterior e posterior a cada etapa mas, principalmente, os momentos anterior e posterior ao conjunto de etapas” (in Planejamento Tributário, São Paulo, Dialética, 2004, pp. 345347). Na hipótese dos autos, não foram constatados motivos autônomos para a realização de cada etapa societária, de modo que a anterior só tinha sua razão de existir se verificada a etapa posterior. Por fim, não se vislumbra qualquer finalidade negocial para a constituição dos Fundos de Investimento, sendoos criados apenas para o gozo da tributação exclusiva vantajosa, quando das alienações dos ativos. A instrução CVM no 391, de 16 de julho de 2003, com alterações introduzidas pelas Instruções CVM nº 435/06, 450/07, 453/07, 496/11, 498/11, 535/13, 540/13, 545/14, 549/14 e 554/14, determina: Art. 2o O Fundo de Investimento em Participações (fundo), constituído sob a forma de condomínio fechado, é uma comunhão de recursos destinados à aquisição de ações, debêntures, bônus de subscrição, ou outros títulos e valores mobiliários conversíveis ou permutáveis em ações de emissão de companhias, abertas ou fechadas, participando do processo decisório da companhia investida, com efetiva influência na definição de sua política estratégica e na sua gestão, notadamente através da indicação de membros do Conselho de Administração. §1o Sempre que o fundo decidir aplicar recursos em companhias que estejam, ou possam estar, envolvidas em processo de recuperação e reestruturação, será admitida a integralização de cotas em bens ou direitos, inclusive créditos, desde que tais bens e direitos estejam vinculados ao processo de recuperação da sociedade investida e desde que o valor dos mesmos esteja respaldado em laudo de avaliação elaborado por empresa especializada. §2o A participação do fundo no processo decisório da companhia investida pode ocorrer: I – pela detenção de ações que integrem o respectivo bloco de controle, II – pela celebração de acordo de acionistas ou, ainda, III – pela celebração de ajuste de natureza diversa ou adoção de procedimento que assegure ao fundo efetiva influência na definição de sua política estratégica e na sua gestão. Ora, sendo um fundo de investimento uma reunião de recursos para a aplicação em diversos ativos e, no caso específico do Fundo de Investimento em Participações, em ações de companhias das quais o fundo deve participar da gestão, qual a finalidade de se Fl. 1875DF CARF MF 28 integralizar as quotas de um fundo recémcriado com ações de empresa das quais os próprios cotistas do fundo já eram os proprietários? Se o objetivo de um investimento é a aplicação de recursos para a obtenção de um ganho com esses investimentos, que ganhos os cotistas do TELLES FIP (e a Contribuinte) esperariam obter com o Fundo que não obteriam se mantivessem diretamente o controle das ações das empresas através da holding que já existia? Qual o propósito negocial, então, de se integralizar as quotas do fundo com as ações da holding TELLES PARTICIPAÇÕES E NEGÓCIOS S/A? Nenhum. O Fundo, neste caso, se apresenta como mero ente interposto entre as empresas e os seus acionistas/cotistas. Em caso semelhante, este Conselho entendeu: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2009 VENDA DE AÇÕES DE EMPRESA CONTROLADA. FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES FIP. ATO SIMULADO. SUJEITO PASSIVO. HOLDING CONTROLADORA. O sujeito passivo a ser tributado por ganho de capital na venda das ações de empresa controlada é a holding detentora e não o FIP constituído alguns dias antes da operação mediante a conferência das ações da empresa vendida, pois ato simulado não é oponível ao fisco, devendo receber o tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. FIP. AUSÊNCIA DE FINALIDADE NEGOCIAL. Desprovido de finalidade negocial o Fundo de Investimento em Participação FIP, constituído por uma única investidora, com um único investimento ao qual não foi aportado qualquer investimento adicional ou ato de gestão visando seu crescimento/desenvolvimento ou saneamento e cuja permanência no FIP durou alguns dias. FIP. DESCONSIDERAÇÃO. LEGALIDADE. É desprovida de base a acusação de que a desconsideração do FIP afronta ao princípio da legalidade, dado que foi devidamente avaliado que a interposição do FIP no lugar da autuada tratouse de manobra para evadir tributação de ganho de capital. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. SIMULAÇÃO. DOLO. Estando comprovada a prática deliberada de simulação, portanto, estando caracterizados o dolo e sonegação, cabe a qualificação da multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. CARF 1ª Seção, 2ª Câmara, 1ª Turma Ordinária. Acórdão 1201001.640. 11 de abril de 2017 Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 10380.724638/201712 Acórdão n.º 2301005.930 S2C3T1 Fl. 1.863 29 Portanto, considerando a) que as operações societárias ocorreram sem finalidade negocial (não houve justificativa para a ocorrência das mesmas); b) que as operações societárias ocorreram em um curto espaço de tempo, no qual evidencia ainda mais o objetivo das partes; c) que os Fundos criados são desprovidos de finalidade negocial; constatase que o presente planejamento tributário se mostrou abusivo, sendo válido o lançamento referente ao ganho de capital da alienação da Ypióca Bebidas. Ainda no mérito, a Contribuinte afirma que não existe isenção tributária em Fundos de Investimentos, pois há uma antecipação de tributos no momento da subida das empresas para o FIP, como foi o caso da criação do FIP TELLES, quando se recolheu IR no valor de R$22.000.000,00 e um diferimento de tributos para o momento em que ocorrer amortizações ou resgates. Sem razão a Contribuinte. Isto, pois a legislação é clara ao determinar que os rendimentos dos fundos de investimento de alienação, liquidação, resgate, cessão ou repactuação dos títulos, aplicações financeiras e valores mobiliários integrantes de sua carteira são isentos do Imposto de Renda, nos termos do art. 28, §10º e §11º da Lei 9.532/1997. Desta forma, há sim isenção de IR nas alienações realizadas pelos fundos de investimento. Se há tributação nas amortizações ou resgates, verificase que haverá outro fato gerador, não sendo o mesmo que trata o presente lançamento. Portanto, sem razão o pedido. Por fim, com relação ao pedido de compensação do imposto pago, em que o Contribuinte afirma que a integralização da TELLES FIP foi realizada dentro da legislação vigente, inclusive com pagamento do Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital antecipadamente, assim, devese compensar o imposto pago nos valores de R$22.066.198,00 e R$4.349.999,61 com o imposto lançado, verificase. Novamente, tratase de fato gerador distinto e não há qualquer legislação que permita o acolhimento do pedido. O ganho de capital que o Contribuinte requer a compensação ocorreu em 30/12/2011, proveniente da alienação de ações da TELLES PARTICIPAÇÕES. Os fatos tributários ora analisados ocorreram em 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015 e 07/10/2016 e consistem em ganhos de capital na alienação de ações da YPIÓCA BEBIDAS. Portanto, os elementos material e temporal dos fatos geradores são distintos. Além disto, não há qualquer demonstração – mediante escrituração contábil devidamente suportada por documentos – que o evento de 30/12/2011 foi influenciado, pelo menos em parte, por fatos imputáveis futuramente à YPIÓCA BEBIDAS (que só foi criada em fevereiro/2012). Com relação ao pedido de compensação do valor de R$4.349.999,61 (quatro milhões, trezentos e quarenta e nove mil, novecentos e noventa e nove reais e sessenta e um centavos), das amortizações no ALVORADA FIM pelas pessoas físicas, verificase, novamente, a necessidade de indeferir o pedido. Fl. 1877DF CARF MF 30 Isto, pois, a Contribuinte não explicitou o fundamento fático que determinou a alegada amortização de cotas, tampouco a legislação que embasou sua realização. Da mesma forma, destacase que, como o ALVORADA FIM detém o controle do TELLES FIP (que, por seu turno, controla diversas empresas operacionais do grupo, tais como, AGROPAULO, NATURÁGUA, PECÉM, HALLEY, CEARÁMIRIM, YPETRO, YPLASTIC e IPARK), os rendimentos conferidos aos cotistas podem ter origem quaisquer desses ativos. Além disso, alega a Contribuinte que houve modificação da fundamentação da DRJ com o abordado no Auto de Infração. Não se vislumbra o ocorrido A DRJ é clara ao constatar que houve planejamento tributário ilícito, da mesma forma como pontuou e fundamentou a autoridade fiscal lançadora no auto de infração, assim como restou constatado nesta decisão do Colegiado do CARF. Por esta razão, indeferese o pedido. MULTA QUALIFICADA A Contribuinte afirma que indícios podem autorizar, quando muito, a presunção, mas não no presente caso. As presunções somente são admitidas quando previstas em lei. Em direito, à guisa de princípio maior, temse assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc., não se presumem, devem ficar sobejamente comprovados, estreme de qualquer dúvida, o que não encontramos nos autos. Requer a aplicação do princípio da vedação ao confisco, ante fundamentação do RE 523471 admite como razoável apenas penalidades cujo valor não ultrapasse o limite de 30% do crédito tributário. Na análise realizada no presente voto, concluiuse que houve a prática da simulação, dado que o FIP foi constituído para finalidades que não coadunavam com os objetivos para os quais a legislação o instituiu. Houve dolo da Contribuinte em realizar as operações societárias que culminaram na constatação do planejamento tributário abusivo, pois o objetivo principal foi a isenção da obrigação tributária com a venda de ativos. Estando presentes o dolo, a simulação e a sonegação, cabe confirmar como pertinente a qualificação da multa de ofício. Não se trata de ação contrária ao princípio da vedação ao confisco, pois está estabelecida conforme permite a legislação. Portanto, não há que se falar em modificação na multa lançada. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares, não reconhecer a decadência, não reconhecer da nulidade da inclusão de novos fundamentos da DRJ que não constavam no auto de infração e, no mérito, negar provimento. Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 10380.724638/201712 Acórdão n.º 2301005.930 S2C3T1 Fl. 1.864 31 (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. Fl. 1879DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914037/2010-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2004
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório que apresenta todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da não homologação
da compensação declarada.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida.
PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
Numero da decisão: 3201-004.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUCATU & FUCAZU SUPERMERCADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório que apresenta todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da não homologação da compensação declarada. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 40 37 /2 01 0- 92 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10880.914037/201092 Acórdão n.º 3201004.723 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de PER/DCOMP com lastro em crédito de Cofins que teria sido recolhido a maior. A Derat/São Paulo, por meio de despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Inconformado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva. Transcrevese, do acórdão da DRJ, um resumo de suas alegações: (...) III Do direito 111.1 — Da nulidade do despacho decisório. Vício formal. Ausência de motivação por parte da autoridade fazendária. Ofensa ao contido no artigo 2º, caput e inciso VII da Lei n° 9.784/99 Ainda que a autoridade fiscal pugne pela inexistência de qualquer crédito a ser aproveitado na via da compensação, tem o dever de fundamentar jurídica e legalmente o seu posicionamento, de forma a expor os motivos e as razões que a levaram a tal conclusão. Decidir de forma desmotivada e desarrazoada constitui nítida afronta ao artigo 2°, caput e inciso VII da Lei n° 9.784/99. As decisões administrativas devem ser sempre motivadas e devidamente fundamentadas, além do que a Administração Pública deve obedecer ao primado da motivação. Admitir o contrário é afrontar a Lei n° 9.784/99 e se olvidar dos princípios básicos que regem o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. III — Do mérito Da possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. Inteligência do inciso III, do parágrafo 2°, do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 (redação original) (...) Seguindo a norma legal, notase que para fins de apuração da base de cálculo das contribuições, o sujeito passivo deve, em um primeiro momento, obter a receita bruta da empresa no período, obedecendo ao somatório das grandezas previstas no parágrafo primeiro, e depois proceder às exclusões previstas no parágrafo segundo, inclusive aquela estatuída no inciso III, ou seja, as receitas transferidas para outras pessoas jurídicas. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10880.914037/201092 Acórdão n.º 3201004.723 S3C2T1 Fl. 4 3 Ademais, ainda que haja a necessidade da edição de normas regulamentadoras, expedidas pelo Poder Executivo, temse que as mesmas não podem dispor sobre a base de cálculo das contribuições, visto que a matéria é reservada à lei. Portanto, a Impugnante faz jus ao crédito de Cofins, eis que se valeu do contido no inciso III, do parágrafo segundo, do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, de modo que descabe alegar que tal dedução seria inviável dada a inexistência de normas regulamentadoras. (...) A DRJ/São Paulo I julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por meio do Acórdão 16033.769, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/04/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório que apresenta todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da não homologação da compensação declarada. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Inconformado com a decisão acima o contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando os exatos termos da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.718, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10880.687006/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10880.914037/201092 Acórdão n.º 3201004.723 S3C2T1 Fl. 5 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.718): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. No Recurso Voluntário o Contribuinte apresentou os mesmo termos da Manifestação de Inconformidade, fazendo pequenas reduções ao texto originário, porém empregando o mesmo sentido, assim, por entender ter a mesma compreensão da DRJ, adoto os mesmo fundamentos nos termos do art. 57, §3o. do RICARF , que assim ficou assentado: Configuramse os requisitos de admissibilidade da manifestação apresentada pelo sujeito passivo, visto que protocolizada no prazo previsto pelo art. 15 do Decreto n° 70.235/72, assistindo razão ao contribuinte quanto a alegada tempestividade. Da preliminar Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito dc defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Ademais, conforme indicado no Despacho Decisório, para verificação de valores devedores e emissão de DARF, o contribuinte pode consultar a página da Receita Federal do Brasil na Internet, na opção "Empresa ou Cidadão, Todos os Serviços, assunto Restituição Compensação, item PER/DCOMP, Despacho Decisório". Através desta consulta, o contribuinte obtém informações complementares, tais como a segunda via do Despacho Decisório, detalhamento da análise do crédito, demonstrativo das compensações efetuadas, discriminação dos débitos cobrados, com emissão de DARF c orientações para a apresentação de Manifestação de Inconformidade. Desta forma, não há qualquer afronta ao disposto no artigo 2°, caput, inciso VII da Lei n° 9.784/99, ou aos princípios básicos que regem o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, conforme alegado na manifestação de inconformidade. Do mérito O contribuinte apresentou a DCOMP de fls. 01/02, declarando a compensação de débitos próprios de IRPJ (Código de Receita 599301) e CSLL (Código de Receita 248401) relativos ao período de apuração maio de 2006 com crédito de COFINS (Código de Receita 217201) decorrente de pagamento a indevido ou a maior referente ao período de apuração agosto de 2004, que teria ocorrido em 15/09/2004. O pagamento teria ocorrido através do DAM', cujas informações estão detalhadas no PER/DCOMP transmitido pelo interessado, conforme segue: Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10880.914037/201092 Acórdão n.º 3201004.723 S3C2T1 Fl. 6 5 CAMPO DO DARF VALOR PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/08/2004 CNPJ: 53.582.938/000123 CÓDIGO DE RECEITA: 2172 N° DE REFERÊNCIA: DATA DE VENCIMENTO: 15/09/2004 VALOR DO PRINCIPAL: 13.079,86 VALOR DA MULTA: 0,00 VALOR DOS JUROS: 0,00 VALOR TOTAL DO DARF: 13.079,86 DATA DE ARRECADAÇÃO: 15/09/2004 No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, por processamento eletrônico, fezse a comparação entre o pagamento indicado no PER/DCOMP e as informações constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil, não sendo localizado o DARF informado na DCOMP. A DCOMP foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento de dados da Receita Federal do Brasil — RFB, que emitiu em 23/10/2009 o Despacho Decisório não homologando a compensação declarada pelo contribuinte. Atualmente, a compensação tributária em âmbito federal é regulada pela Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que em seu art. 74 e parágrafos, na redação dada pela Lei n° 10.637, de 30/12/2002, estabelece que: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com íránsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § lo A compensação de que trata o caput será efetuado mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão infOrmações• relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Por sua vez, a Lei n° 8.383/1991 dispõe que: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, 171eS1110 quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenotória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995). § 40 As Secretarias da Receita Federal e do Pcdrintônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei n" 9.069, de 29.6.1995). De acordo com tais normas, a compensação deve ser implementada pelo sujeito passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constem informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10880.914037/201092 Acórdão n.º 3201004.723 S3C2T1 Fl. 7 6 Ressaltese que nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. No caso, o que se encontra em análise é a existência ou não do crédito do contribuinte em função do pagamento indevido ou a maior através do DARF no valor de R$13.079.86, indicado no PER/DCOMP, sendo que a tela de consulta do conta corrente da empresa através do sistema SINAL08, fls. 30, confirma a informação do despacho decisório de que o referido pagamento não foi efetuado pelo contribuinte, o que inviabiliza a compensação pretendida. Por outro lado, ainda que se considerasse as alegações da Manifestante quanto a apuração do crédito de COFINS no valor de R$13.079.86 com base no inciso 111 do parágrafo 2° do artigo 3° da Lei n° 9.711/98, na redação anterior à MP n°215835/2001, as mesmas não se confirmam tanto nos registros constantes dos sistemas da Receita Federal, como através da apresentação de provas nos presentes autos. O art. 2° da Lei n° 9.711/98 define a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS nos seguintes termos: Art. 2' As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturai/lento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei E ainda o art. 30, §20, inciso III da referida lei, citado pelo contribuinte assim estabelecia, na redação anterior à edição da MP n° 2.15835, de 2001: Art. 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. ,sç 2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluemse da receita bruta: III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Revogado pela Medida Provisória n°215835, de 2001) Em consulta ao sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, fls. 23/25, constatase que para o período de apuração agosto de 2004, o contribuinte não declarou em DCTF nenhum valor relativo a COFINS — Código de Receita 217201. Na DCTF original/cancelada, transmitida em 12/11/2004, fls. 26, e na DCTF retificadora/cancelada, transmitida em 30/11/2004, fls. 27, foi declarado o débito de COFINS — Código de Receita 58561 no valor de R$14.770,31, ao qual foi vinculado o crédito no valor de R$395,13 (Pagamento) e a compensação de pagamento indevido a maior no valor de R$14.375,18. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.914037/201092 Acórdão n.º 3201004.723 S3C2T1 Fl. 8 7 Verificase ainda no corrente da empresa, por intermédio do sistema SINAL08, fls. 29, que o único DARF relativo a contribuição de COFINS do período de apuração 31/08/2004 foi pago pelo contribuinte em 15/09/2004, com o código de receita 5856, no valor de R$395,13, que corresponde ao valor declarado na DCTF original e retificadora/cancelada, confirmando a informação do Despacho Decisório de que o DARF indicado no PER/DCOMP no valor de R$13.079,86 e código de receita 2172 recolhido em 15/09/2004 não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Cabe destacar que o contribuinte entregou DCTF retificadora/ativa para o período de apuração agosto de 2004 em 19/06/2009, fls. 28, declarando o débito de COFINS código 585601 no valor de R$3.052,89 e o crédito vinculado no mesmo valor (Pagamento). Ressaltese que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, é o documento através do qual o sujeito passivo comunica à autoridade fazendária a existência de crédito tributário, constituindose em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, na forma do disposto pelo §1°, do art. 5° do Decretolei n°2.124, de 8 de março de 1984: Art. 5° O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. 55. I° O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Como já exposto, todos os fatos apurados são provenientes de informações do próprio Contribuinte, quais sejam, declarações e documentos de arrecadação. E conforme o Código de Processo Civil, artigo 333, o ônus de provar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos ao direito da outra parte é de quem os alega: Art. 333 — O ônus da prova incumbe: 1— ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ademais, instaurado o contencioso administrativo, as alegações trazidas pelo contribuinte devem estar comprovadas mediante a apresentação de documentação hábil e suficiente, consistente na escrituração contábil/fiscal e demonstrações financeiras, firmadas e regularmente levadas a registro no órgão competente, à época dos fatos, para fins de comprovar a existência e regularidade do direito creditório com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Assim, considerando que o contribuinte não trouxe aos autos qualquer prova da existência do crédito e do DARF no valor de R$13.079,86 indicado no PER/DCOMP, não se confirma a declaração do contribuinte de que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior. Diante do exposto, concluise que o Despacho Decisório emitido encontrase corretamente fundamentado, e o pedido de homologação da compensação efetuada pelo contribuinte deve ser indeferido. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.914037/201092 Acórdão n.º 3201004.723 S3C2T1 Fl. 9 8 Da produção de provas indeferimento No que se refere ao pedido para produção de prova documental, temse que na fase em que se encontra o processo, são aplicadas à manifestação de inconformidade as mesmas regras do Processo Administrativo Fiscal, previstas no Decreto n2 70.235, de 1972, conforme está previsto no parágrafo 11 do art. 74 da Lei n2 9.430/96: Art. 74. ... §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que traíam os §§ 9 e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III cio art. 151 da Lei 17" 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003) Deste modo, deve ser observado o disposto no inciso III do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, a seguir transcrito: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; ,sçs 4°A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, (1 menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente lraziclay aos autos. § 5° A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de unta das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Como o contribuinte não comprovou a ocorrência de nenhuma das situações previstas acima, indefiro o pedido para produção de provas. Conclusão Considerando que a analise eletrônica do despacho decisório demonstra que o alegado pagamento indevido ou a maior não foi efetuado pelo contribuinte, inexistindo, em consequência, qualquer crédito para ser compensado. Considerando que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica de que a prova compete àquele que alega o fato. Ante o exposto, VOTO no sentido de considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão pela não homologação da compensação efetivada. Diante do exposto, REJEITO A PRELIMINAR DE NULIDADE, e no Mérito NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também não trouxe aos autos qualquer prova da existência Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.914037/201092 Acórdão n.º 3201004.723 S3C2T1 Fl. 10 9 do crédito e do DARF indicado no PER/DCOMP, não se confirmando, desta forma, sua declaração de que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920385/2012-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.983
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Tratase de Pedido de Restituição enviado pela contribuinte que restou indeferido pela unidade de origem da RFB, em razão da inexistência do crédito pleiteado. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, tecendo comentários acerca da legislação de regência do PIS e da Cofins, sobre o conceito de receita, faturamento e renda, e enfatizando que o ICMS está embutido no preço das mercadorias, integrando a base de cálculo do imposto o próprio imposto e por isso constitui ônus fiscal e não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 20 38 5/ 20 12 -3 2 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.920385/201232 Resolução nº 3302000.983 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento. Sendo assim, não se pode aceitar a incidência do PIS e da Cofins sobre outro imposto, no caso o ICMS, o que tornase alheio ao que deve ser o faturamento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Pela leitura da ratio decidendi do acórdão recorrido, o direito creditório não foi reconhecido, por inexistir pronunciamento definitivo da PGFN sobre a matéria que autorize as DRJ’s a aplicarem entendimento já consolidado pelo Poder Judiciário. Todavia, em sede de recurso voluntário, é imprescindível assinalar a determinação expressa do artigo 62, §1º, II, ‘b’ e do § 2º do Regimento Interno do CARF, prevê a possibilidade de ser afastada lei sob o fundamento de inconstitucionalidade por turmas daquele Órgão, desde que a matéria tenha sido tratada de forma definitiva pelo Supremo Tribunal Federal. Foi o que ocorreu no julgamento do RE nº 574.576, onde ficou decidido que o ICMS não integra a base de cálculo para incidência da contribuições ao PIS e à Cofins; b) Diante do princípio da verdade material, requer a juntada dos documentos que comprovarão a existência de créditos no período correspondente a PER/Dcomp apresentada, oriunda da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.967, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920372/201263, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302000.967): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. ICMS na Base de Cálculo das Contribuições. Conforme relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A discussão se encontra superada no âmbito do CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.920385/201232 Resolução nº 3302000.983 S3C3T2 Fl. 4 3 Importante ressaltar que a decisão ainda não transitou em julgado, pois está pendente a análise de embargos opostos para decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. Contudo, a decisão proferida pela Suprema Corte se tornou definitiva quanto ao direito do contribuinte de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. No RE nº 574706 Tema 069 ficou consignado que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017). Para fins de clarear a posição da RFB sobre o tema, trago à baila a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10980.920385/201232 Resolução nº 3302000.983 S3C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10980.920385/201232 Resolução nº 3302000.983 S3C3T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10980.920385/201232 Resolução nº 3302000.983 S3C3T2 Fl. 7 6 Diante da obrigação de observar decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015, me curvo ao entendimento de que o ICMS recolhido deve ser excluído da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. Provas do Indébito Tributário. A instância a quo, utilizou, também, como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Não bastasse isso, é oportuno observar que não há nos autos prova do direito afirmado. Em outros termos, não basta indicar os argumentos jurídicos que seriam o fundamento legal do pagamento indevido, mas deve a interessada, adicionalmente, demonstrar contabilmente que o valor pleiteado corresponde ao valor da contribuição que foi paga sobre o ICMS que teria feito parte de sua base de cálculo. Isso porque, o direito deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis. Por isso, ainda que houvesse a manifestação da Procuradoria acerca de julgado do STF declarando a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, mesmo assim não seria possível lhe conceder o direito creditório postulado. Afinal, é obrigação da manifestante trazer aos autos o direito em que se fundamenta e as provas que possuir. É o que determina o art. 16, do inc. III, do Decretolei n° 70.235/72. Há que se destacar, ainda, que o Despacho Decisório foi emitido pela autoridade fiscal com fundamento nas informações prestadas em DCTF pela Manifestante, ou seja, em declaração válida a produzir efeitos na data da emissão do referido documento. Por tal motivo, o débito encontrase validamente constituído exatamente nos termos do Despacho Decisório proferido. Isso porque, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF). Sobre esta questão, importante destacar que o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966, não permite que depois de iniciado qualquer procedimento fiscal seja apresentada declaração retificadora quando esta vise a reduzir ou a excluir tributo, sendo apenas admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Enfim, não basta a mera alegação do direito. Ele deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis, na linha do que determina o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n º 3.000, de 26 de março de 1999). O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou alguns documentos para provar seu direito, quais sejam: memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10980.920385/201232 Resolução nº 3302000.983 S3C3T2 Fl. 8 7 referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge é se houve preclusão do direito à apresentação de provas, conforme prevê os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se o recorrente tem o direito a apresentar documentos em qualquer momento processual em nome da verdade material. Posta assim a questão, passo a análise. Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o pedido de restituição se refere a créditos decorrentes de pagamentos a maior de Cofins, em razão da inclusão do ICMS na respectiva base de cálculo. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob os seguintes fundamentos: o ICMS deve compor a base de cálculo da exação e que o sujeito passivo não apresentou provas do direito alegado. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo pleiteou a observância do RE nº 574706 e apresentou documentos que lastreariam o direito requerido. No procedimento de despacho eletrônico de pedido de restituição, o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado. O primeiro momento que tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. No caso em análise, é bem verdade que o sujeito passivo não apresentou documentos que comprovassem que houve recolhimento da Cofins tendo o ICMS em sua base de cálculo. Ocorre que, como mencionado, ao interpor o presente recurso voluntário, foram acostados aos autos a memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Esse documentos, caso autênticos, podem sugerir que houve a inclusão na base de cálculo da Cofins o valor do ICMS recolhido, gerando um indébito tributário. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10980.920385/201232 Resolução nº 3302000.983 S3C3T2 Fl. 9 8 diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações produzidas pelo recorrente devem ser analisadas com mais profundidade, para que possa afastar a fumaça que tomou conta de minha convicção, pois vejo verossimilhança nos fundamentos jurídicos acostados aos autos. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
