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Numero do processo: 10880.954263/2008-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2003
DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO.
Indefere-se pedido de diligência quando sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA.
Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO.
Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A DCTF é instrumento suficiente para constituição do crédito tributário.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO.
O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário.
PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
DCTF retificadora transmitida após a ciência do despacho decisório e do transcurso do prazo de cinco anos para o pleito da restituição, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Per/Dcomp, em face da sua caducidade.
Numero da decisão: 3001-000.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/11/2003 DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO. Indefere-se pedido de diligência quando sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DCTF é instrumento suficiente para constituição do crédito tributário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. DCTF retificadora transmitida após a ciência do despacho decisório e do transcurso do prazo de cinco anos para o pleito da restituição, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Per/Dcomp, em face da sua caducidade.
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PEDIDO. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência quando sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DCTF é instrumento suficiente para constituição do crédito tributário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. DCTF retificadora transmitida após a ciência do despacho decisório e do transcurso do prazo de cinco anos para o pleito da restituição, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 42 63 /2 00 8- 91 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.954263/200891 Acórdão n.º 3001000.485 S3C0T1 Fl. 112 2 alocado não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Per/Dcomp, em face da sua caducidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1635.294, da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 DRJ/SP1 que, em sessão de julgamento realizada no dia 12.12.2011, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 31335.90698.020904.1.3.047750. Da síntese dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 40 a 47), verbis: Relatório 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada em meio eletrônico (PER/DCOMP nº 31335.90698.020904.1.3.047750) em 02/09/2004, cujos relatórios foram anexados ao presente processo administrativo (fls. 7 e seguintes). Nesta declaração, pretende o Contribuinte quitar os débitos declarados às fls. 10, no valor total de R$ 3.945,59, com supostos créditos (R$ 3.945,59) decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF no valor de R$ 11.038,45 (código de receita: 8109), recolhido em 14/11/2003. 2. Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) emitiu Despacho Decisório (fls. 2) no qual pronunciouse pela não homologação da compensação diante da inexistência do crédito declarado pelo Contribuinte às fls. 8. 3. Cientificado em 02/12/2008 (fls. 5) da solução dada à declaração de compensação apresentada, o Contribuinte, por Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.954263/200891 Acórdão n.º 3001000.485 S3C0T1 Fl. 113 3 seu representante legal, interpôs a Manifestação de Inconformidade de 18/12/2008 (fls. 12), tempestivamente, com a juntada de documentos de fls. 13/38 (Despacho Decisório; DARF; DCTF Retificadora; Procuração e cópia de documentos do procurador; Ata da Assembléia Geral Extraordinária e Estatutos Sociais), afirmando, resumidamente, que foi elaborada DCTF retificadora do 4º trimestre de 2003 onde consta o crédito utilizado na PER/DCOMP. Citada DCTF retificadora e o DARF do recolhimento do tributo estão anexados à Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Da ementa da decisão recorrida A 13ª Turma da DRJ/SP1, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2003 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.954263/200891 Acórdão n.º 3001000.485 S3C0T1 Fl. 114 4 O contribuinte, conforme depreendese da "INTIMAÇÃO Nº 115/2012" (efl. 48) e do Aviso de Recebimento AR (efls. 49/109), conheceu do teor do acórdão vergastado em 23.01.2012, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 22.02.2012, protocola, perante a Derat/SP, o presente recurso voluntário, acompanhados de demais documentos, é o que demonstra o carimbo constante em sua "Folha de Rosto" (efls. 50 a 108). Do recurso voluntário Após tomar ciência da decisão vergastada, o recorrente comparece mais uma vez aos autos para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa, conforme os argumentos de defesa a seguir sintetizados, ocasião em que (re)apresenta os documentos, ao final, listados. Depois de historicizar os fatos inerentes ao seu pedido de restituição da contribuição em comento, cumulado com o de compensação e sua negativa por parte do colegiado a quo, o recorrente argumenta em sua defesa, que: 1 se assim entender a Autoridade Julgadora, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise dos documentos ora juntados, na medida em que o pagamento indevido ou a maior pode ser comprovado por todos os meios de prova admitidos em direito, em atenção ao principio da economia processual; 2 o cerne da questão comprobatória constitui no valor devido a título de contribuição social; 3 a declaração de imposto de renda DIPJ juntada aos presentes autos demonstra e comprova o valor devido a titulo de contribuição social é inferior ao efetivamente recolhido para o período em questão; 4 as informações transmitidas pela DCTF prestamse exclusivamente para alocar o crédito tributário o vinculálo, mas, é a DIPJ que o torna definitivo; 5 os valores constantes em DCTF somente têm natureza informativa, ao passo que a DIPJ que têm natureza jurídica declaratória para constituir o crédito tributário, cuja homologação tácita contase em 5 (anos) do primeiro dia do exercício à sua apresentação, tanto para o fisco exigir o crédito tributário apurado na DIPJ como para o contribuinte impugnálo; 6 o direito à compensação contados a partir de 5 (cinco) anos do seu pagamento não desnatura a natureza jurídica contida na DIPJ; 7 a homologação do crédito tributário dáse na DIPJ, tanto é assim, que a prescrição para o fisco cobrar contase da data da referida declaração; 8 os valores informados em DCTF não têm natureza jurídica de confissão de dívida, mas, meramente informativo para efeitos de vinculação do crédito tributário pago; 9 o Per/Dcomp regularmente transmitido têm natureza de processo administrativo fiscal e suspende a exigibilidade do crédito tributário, assim sendo suspende também o prazo prescricional, conforme dispõe o inciso III do artigo 151 do CTN, assim, não haveria impedimento para que a autoridade administrativa procedesse a alteração de oficio nas informações contidas na DCTF; Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.954263/200891 Acórdão n.º 3001000.485 S3C0T1 Fl. 115 5 10 a escrituração contábil também deve ser considerada para efeitos de comprovação dos valores recolhido a título de contribuições sociais (PIS/Pasep e Cofins); 11 tanto as informações contidas na DIPJ como na escrituração contábil demonstram e comprovam a existência de valor pago a maior ou indevido a título da referida contribuição, cujo direito compensação não pode ser negado ao contribuinte; 12 devem ser analisados o conjunto dos documentos produzidos pelo contribuinte a fim de poder firmar o convencimento da autoridade julgadora; 13 no exame do recurso 898266 o Carf decidiu que prevalece as informações contidas na DIPJ sobre as informações em DCTF. Diante do alegado, requer o provimento do recurso, declarandose o direito de compensar o valor pleiteado, extinguindose o respectivo crédito tributário. Ou subsidiariamente, seja o julgamento do presente recurso voluntário convertido em diligência, para análise dos documentos ora juntados. Juntamente com a presente peça recursal, (re)apresenta: procuração e cópia de documentos do procurador; ata da assembléia geral extraordinária e estatutos sociais, listagem informando o darf mencionado, despacho decisório, acórdão da decisão recorrida, DIPJ entregue em 22.06.2004 e Livro Razão Geral/Acumulado, referente ao período de janeiro a dezembro de 2003 (em parte). Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 07.10.2014 (efl. 110), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, com redação da Portaria MF 329 de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 22.02.2012, depois da ciência ocorrida em 23.01.2012; portanto, a petição é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.954263/200891 Acórdão n.º 3001000.485 S3C0T1 Fl. 116 6 Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pelo recorrente, para melhor apuração do alegado crédito tributário e, por consequência, sua habilitação para a compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos, o que, por si só, já responde à condicionante corretamente suscitada pelo interessado, ao assentar que "Se assim entender a Autoridade Julgadora o julgamento pode ser convertido em diligência para análise dos documentos ora juntados". Destarte, aplicase o artigo 18 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, que dispõe que a "autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Embora o comando legal inserido na norma em referência esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Neste sentido, indefiro pleito. Da jurisprudência administrativa Cabe esclarecer que, no que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos jurisprudenciais indicados pelo recorrente, somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do artigo 100 do Código Tributário Nacional CTN. A alegação relatada na peça recursal, por consequência, não está justificada. Dos fundamentos de mérito Da adoção, como razão de decidir, da decisão recorrida Dispõe o parágrafo 3º do artigo 57 do Anexo II do Ricarf, verbis: § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Em análise do pleito, pouco há que deva ser acrescentado por este juízo administrativo aquilo que já foi minuciosamente explicitado pela 13ª Turma da DRJ/SP1, quando da prolação do acórdão recorrido. Com efeito, andou bem o colegiado a quo ao assentar a vinculação estrita das autoridades administrativas às determinações contidas de forma literal em lei. Assim, só cabe aqui reafirmarse aquilo que de forma expressa consta da legislação tributária: o prazo para repetição do indébito é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário (inciso I do artigo 168 do CTN), sendo que o pagamento antecipado, efetuado no âmbito do lançamento Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.954263/200891 Acórdão n.º 3001000.485 S3C0T1 Fl. 117 7 por homologação, conformase como uma das hipóteses de extinção, mesmo que pendente a sua homologação (parágrafo 1º do artigo 150 do CTN). De tal sorte, do ponto de vista estritamente legal, o pedido de restituição tem de ser efetuado no período de cinco anos que sucede o eventual recolhimento indevido ou a maior. Desta feita, em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte argumenta que (i) o valor do crédito compensado deriva de apuração constante em DIPJ, (ii) o Per/Dcomp regularmente transmitido têm natureza de processo administrativo fiscal e suspende a exigibilidade do crédito tributário, bem assim seu prazo prescricional, não estando a autoridade administrativa, portanto, impedida de alterar de oficio nas informações contidas na DCTF, devendo, por consequência, prevalecer as informações contidas na DIPJ sobre as informações em DCTF. Por sua vez, o colegiado a quo, não acolhe o pleito do contribuinte, tendo em vista que o crédito tributário pleiteado em questão está definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do prazo previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, não sendo, portanto, passível de alteração pelo contribuinte ou pela Administração Tributária. Desta forma, com amparo no permissivo regimental reproduzido, por concordar com seus fundamentos, adoto como razão de decidir os termos do voto condutor da decisão recorrida, notadamente no que respeita ao tema "RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A HOMOLOGAÇÃO DO “AUTOLANÇAMENTO” ", que reproduzo, verbis: Voto (...) 4.1. Destacase, por oportuno, que os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, declinando à Impugnante a iniciativa de apresentar os elementos capazes de demonstrar qualquer irregularidade no ato praticado. 4.2. Nesses termos, as matérias não expressamente questionadas presumemse legítimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 9.532/97. 4.3. Ressaltase, por fim, que o regramento previsto no Decreto nº 70.235/72 é aplicável à Manifestação de Inconformidade em decorrência da previsão contida no § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96, incluído pela Lei nº 10.833/03. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE NÃO COMPROVADO 5. Inicialmente, cumpre transcrever o regramento emanado pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/02: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.954263/200891 Acórdão n.º 3001000.485 S3C0T1 Fl. 118 8 contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) 5.1. A Declaração de Compensação, apresentada por meio de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) eletrônico, prestase a formalizar o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. 5.2. No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de PIS/PASEP (fls. 10) e apontou o suposto saldo não alocado no DARF supracitado de valor R$ 11.038,45 como origem do crédito, conforme fls. 9. 5.3. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (fls. 2). 5.4. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, o seu valor integral fora utilizado para a extinção do débito referente ao período de apuração 31/10/2003 e Código de Receita 8109, conforme apontado no campo 3 do próprio Despacho Decisório. 5.5. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pelo Contribuinte em DCTF. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que justificou a não homologação do valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.954263/200891 Acórdão n.º 3001000.485 S3C0T1 Fl. 119 9 5.6. Em suma, os motivos da não homologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pelo Contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO PRAZO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 6. Estabelece o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que a Impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em complemento, o § 4º do citado artigo é manifesto ao prescrever que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvados os casos específicos descritos. Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993) ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997) (destaques não constam do original) 6.1. Assim, a simples apresentação de DCTF retificadora neste momento do rito processual não é suficiente para fazer prova em favor do Contribuinte. Mantémse, nesses casos, a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão. 6.2. Insta observar que, em consonância com o art. 16 acima transcrito do Decreto nº 70.235/72, consta, nas “Orientações para apresentação de manifestação de inconformidade” disponível ao Contribuinte a partir da ciência da não homologação do crédito no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a instrução de que a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.954263/200891 Acórdão n.º 3001000.485 S3C0T1 Fl. 120 10 provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. 6.3. Desta sorte, na medida em que a Declaração de Compensação restou não homologada e, apresentada a Manifestação de Inconformidade, converteuse em processo administrativo, cabia à Manifestante instruílo com todos os argumentos e documentos que entendesse suficientes e necessários para demonstrar a existência do crédito que pretende utilizar para compensação. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A HOMOLOGAÇÃO DO “AUTOLANÇAMENTO” 7. O Contribuinte questiona o Despacho Decisório que não homologou a compensação afirmando possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. Para sustentar esta afirmação apresenta declaração DCTF retificadora do 4º Trimestre (documento anexo à Manifestação de Inconformidade), entregue em 11/12/2008, na qual alterou os débitos de PIS/PASEP anteriormente declarados por meio da DCTF Original transmitida em 12/02/2004. 7.1. Em que pese o acima exposto sobre a necessidade de comprovação documental do alegado, a análise do documento apresentado pelo Contribuinte (DCTF Retificadora) se mostra relevante para a confirmação da improcedência da Manifestação de Inconformidade. 7.2. Inicialmente, registrese que, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública. Nesse sentido, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei nº 2.124/84, e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF). 7.2.1. De fato, a conclusão emitida pela Autoridade Fiscal teve como pressuposto os dados constantes dos Sistemas da Receita Federal do Brasil, que decorrem das informações prestadas pelo Contribuinte através de declaração fiscal própria (DCTF), válida a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório. Conforme se verifica no corpo do citado despacho, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados na DCTF transmitida em 12/02/2004 e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF: o valor pago por meio de DARF foi integralmente aproveitado para liquidar tributos declarados pelo Contribuinte como devidos. 7.2.2. Somente após a ciência do Despacho Decisório a Manifestante apresentou declaração retificadora (11/12/2008) na qual, por meio da diminuição do valor do débito de PIS/PASEP anteriormente declarado (DCTF de 12/02/2004), pretende comprovar a origem de seu direito creditório. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.954263/200891 Acórdão n.º 3001000.485 S3C0T1 Fl. 121 11 7.3. Cumpre observar, neste ponto, que a análise em apreço envolve declaração de tributo lançado na modalidade por homologação, vez que a Impugnante apurou o montante devido e declarou a ocorrência e quantificação dos fatos geradores verificados por intermédio da DCTF, consoante previsto no art. 150, caput, do CTN. 7.3.1. Sobre o assunto, mencionase o que entende a doutrina pátria acerca da modalidade de lançamento em tela, mormente quanto ao seu objeto. Assim, conforme ensina Hugo de Brito Machado1, in verbis: Lançamento por homologação, é aquele aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, no que concerne a sua determinação. (...) Objeto da homologação não é o pagamento, como alguns tem afirmado. É a apuração do montante devido, de sorte que é possível a homologação mesmo que não tenha havido pagamento.(...) O que caracteriza essa modalidade de lançamento é a exigência legal de pagamento antecipado. Não o efetivo pagamento antecipado. 7.3.2. Por outro lado, cumpre transcrever o que leciona Luciano Amaro2, que traduz a linha de raciocínio também sustentada por Aliomar Baleeiro3 e Eduardo Sabbag4. Na prática, o “dever de antecipar o pagamento” significa que o sujeito passivo tem o encargo de valorizar os fatos à vista da norma aplicável, determinar a matéria tributável, identificarse como sujeito passivo, calcular o montante do tributo e pagálo, sem que a autoridade precise tomar qualquer providência. E o lançamento? Este diz o Código Tributário Nacional operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo tratada no texto. Melhor seria falarse em “homologação do pagamento”, ... . 7.3.3. Notese que a homologação, que segundo Celso Antonio Bandeira de Melo5, “é o ato vinculado pelo qual a administração concorda com ato jurídico já praticado, uma vez verificada a consonância dele com os requisitos legais condicionadores de sua válida emissão”, tem por efeito dar ao ato homologado a eficácia que até então não se lhe atribuía. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.954263/200891 Acórdão n.º 3001000.485 S3C0T1 Fl. 122 12 Homologar, portanto, pressupõe não apenas concordar com o ato praticado, mas também, conferirlhe validade ou eficácia que antes não sustentava. É somente diante desta ótica que se pode aceitar a idéia de “autolançamento” sem entender ferido o art. 142 do CTN. 7.3.4. Assim, tendo havido apuração do montante devido e a correspondente informação ao Fisco (declaração em DCTF), corroborada pelo pagamento dos tributos declarados como devidos, há de ser considerado efetuado o “autolançamento”. 7.3.5. Por seu turno, de acordo com o disposto no § 1º do referido art. 150 do CTN, o pagamento do tributo apurado conforme tal modalidade de lançamento extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 1 Curso de direito Tributário, 25ª ed., 2004, São Paulo: Malheiros, pp 180/181. 2 Direito Tributário Brasileiro, 14ª ed., São Paulo: Saraiva, 2008, pp. 364. 3 Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed., atualizada por Misabel Abreu Machado Derzi, Rio de Janeiro: Forense, p. 829. 4 Manual de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 2009, p. 713. 5 Curso de Direito Administrativo, 9ª Ed., São Paulo: Malheiros, 1997. 7.3.6. Em complemento, o § 4º do mesmo artigo do Código Tributário determina que, caso a lei não fixe prazo à homologação, será ele de 05 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Em não havendo pronunciamento da Fazenda Pública dentro de tal interstício, considerase homologado, tacitamente, o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário dele decorrente. 7.4. Neste ponto, relembrase que o Direito não socorre àquele que, por largo espaço de tempo, permanece inerte quanto ao exercício de determinado direito/faculdade que lhe possa assistir (“dormientibus non succurrit jus”). 7.4.1. No caso em análise, apreciase suposto direito creditório referente a pagamento indevido originado de erro na declaração de tributo do período de apuração findado em 31/10/2003, sendo considerada esta data, ainda que por ficção legal, a da ocorrência do respectivo fato gerador. 7.4.2. Assim, não tendo a Administração Fazendária se pronunciado durante o lustro legalmente previsto, cujo termo final se deu em 31/10/2008, o crédito tributário em análise foi, de forma inafastável, definitivamente constituído e extinto pelo pagamento nessa data. Tratase de prazo decadencial a pesar contra a Fazenda e contado a partir do fato imponível. 7.4.3. Tendose operado a homologação tácita (constituição definitiva do crédito tributário), a partir de tal advento resta Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.954263/200891 Acórdão n.º 3001000.485 S3C0T1 Fl. 123 13 defeso à Fazenda questionar ou rever o ato comissivo do Contribuinte alcançado por tal instituto jurídico, consubstanciado na apuração e respectiva quitação dos tributos reputados devidos. 7.5. Por seu turno, é lícito ao Contribuinte retificar as informações prestadas ao Fisco, ao menos enquanto não iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, sempre se resguardando à Administração Tributária o direito de analisar e revisar as informações declaradas, consoante o disposto no art. 149 do CTN, enquanto não verificada a decadência tributária. 7.5.1. Contudo, no caso vertente, o Contribuinte quedouse inerte, não apresentando DCTF Retificadora dentro do prazo legal em que esta surtiria efeito (antes da ocorrência da homologação tácita), deixando de declarar o direito creditício que sustenta deter em face da Fazenda Pública. 7.5.2. Uma vez constatado o suposto erro cometido na declaração DCTF transmitida em 12/02/2004, cumpria à Manifestante a obrigação de dar conhecimento da nova apuração por meio do documento próprio para tanto DCTF Retificadora. Em não o fazendo, frente à relação jurídico tributária, deixou de “retificar” o “autolançamento” e, por via transversa, não formalizou a existência do crédito que pretendeu utilizar por intermédio da DCOMP em apreço. 7.6. Assim, foi corretamente emitido o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada no presente PER/DCOMP, vez que baseado em documentos hábeis e aptos a produzirem seus naturais efeitos ao tempo da decisão. (...) Do complemento aos termos da decisão recorrida Especificando a cronologia da apresentação dos documentos que importam para a solução do litígio, temos que: (i) Darf do período de apuração de 31.10.2003, código de receita 8109, referente ao PIS OUT/2003, informa o recolhimento, em 14.11.2003, do valor de R$ 11.038,45; (ii) a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2004, do período de 01.01.2003 a 31.12.2003, foi entregue/transmitida em 22.06.2004; (iii) o Per/Dcomp 31335.90698.020904.1.3.047750, foi criado e transmitido em 02.09.2004; (iv) o Despacho Decisório rastreamento 808284543, foi emitido em 24.11.2008 e cientificado em 02.12.2008; Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.954263/200891 Acórdão n.º 3001000.485 S3C0T1 Fl. 124 14 (v) a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF retificadora, do 4º trimestre de apuração de 2003, que retificou a DCTF de 12.02.2004, foi entregue/transmitida em 11.12.2008. Feitos estes esclarecimentos, convém, em reforço ao quanto decidido no acórdão vergastado, anotar que os argumentos tecidos pelo recorrente em seu recurso voluntário, notadamente os sintetizados nos itens 4 a 9 do tópico "Do recurso voluntário" falecem de juridicidade e, por consequência, de plausibilidade, pois desde o anocalendário 1998, quando foi instituída a DIPJ, temse que esta declaração possui ter caráter meramente informativo, ocasião em que a DCTF passou a ser instrumento específico de confissão irretratável de dívida e de constituição do crédito tributário. Nesse sentido, transcrevo o disposto no Parecer PGFN 1.372/2012, verbis: (...) 9. Quanto à Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), ela está presentemente disciplinada pela Instrução Normativa Nº 1.264, de 30 de março de 2012, a qual obriga todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, a apresentarem a DIPJ, centralizada pela matriz. Desde a Instrução Normativa Nº 127, de 30 de outubro de 1998, a obrigação da apresentação da DIPJ é anual. 10. Sobre as diferenças normativas entre a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e a DIPJ, o Parecer PGFN/CAT/Nº 632, de 2011, teceu, entre outras, as seguintes considerações: "27. Não é demais repetir que a previsão de inscrição em dívida ativa dos débitos declarados em DCTF existe desde a publicação da IN SRF nº 126, de 1998, que a criou, mantendose vigente, até os dias atuais, ex vi do art. 8º, § 1º, da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010: Art. 8º. (...) § 1º. Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidados, enviados para inscrição em dívida ativa. 28. Os débitos informados por meio de DIPJ não seguem a mesma sorte, dada a inexistência de previsão nesse sentido, tanto na IN SRF nº 127, de 1998, que a instituiu, quanto no normativo vigente, qual seja, a IN RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010. 29. Outro ponto que evidencia a natureza diversa das duas declarações reside no fato de constar, do recibo de entrega da DCTF, a informação expressa de que a declaração correspondente constitui confissão de dívida e Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.954263/200891 Acórdão n.º 3001000.485 S3C0T1 Fl. 125 15 que os valores ali declarados e não pagos serão encaminhados para inscrição em DAU, nos exatos termos a seguir transcritos: O presente Recibo de Entrega da DCTF contém a transcrição da Ficha Resumo da referida declaração, que constitui confissão de dívida, de forma irretratável, dos impostos e contribuições declarados. Fica o declarante ciente de que os impostos e contribuições declarados na DCTF e não pagos serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, conforme o disposto no parágrafo 2º do artigo 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984. 30. O recibo de entrega da DIPJ, por sua vez, veicula a mensagem de que as informações ali prestadas "correspondem à expressão da verdade", o que não lhe atribui o status de confissão de dívida. 31. O conteúdo das declarações também leva a identificar outra diferença que confere a apenas uma delas o condão de constituir o crédito tributário. A DIPJ traz informações de natureza contábil (balanço patrimonial, despesas operacionais e demonstrativo de lucros ou prejuízos acumulados), informações societárias (dados cadastrais, identificação dos sócios) e informações de natureza fiscal (cálculo do IR mensal por estimativa e sobre lucro real, cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido Mensal por estimativa, cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido). 32. Observase que, relativamente às informações fiscais, há dados sobre a base de cálculo, o percentual de alíquota, as eventuais deduções e até mesmo um campo específico para o montante do tributo a pagar. Todavia, não são computados, como na DCTF, eventuais pagamentos com DARF, compensação de pagamento indevido ou a maior, outras compensações, parcelamentos e suspensão da exigibilidade do crédito." 11. Em arremate, o opinativo concluiu: "33. Portanto, verificase que, mesmo trazendo informações detalhadas sobre os tributos que abrange, a DIPJ não é instrumento bastante para a cobrança do débito e não pode ser considerada confissão de dívida, uma vez que o cômputo do valor do tributo nela veiculado não leva em conta dados que possam influir no valor do tributo (pagamentos, compensações) ou na própria exigência do crédito (parcelamentos, suspensão da exigibilidade).(...) 37. Não restam dúvidas de que a DIPJ, de fato, tem caráter meramente informativo, não representa confissão de dívida e não constitui o crédito tributário. (...) 39. Dessa forma, a DIPJ é, ou deveria ser, precedida das DCTFs mensais relativas aos tributos que informa. Se as Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.954263/200891 Acórdão n.º 3001000.485 S3C0T1 Fl. 126 16 DCTFs correspondentes aos créditos executados existem e foram entregues, o crédito foi devidamente constituído, não se operando, necessariamente, a decadência, pois a constituição pode ter se dado dentro do prazo legal de cinco anos contados a partir do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN) ou a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I), conforme o caso. Noutros falares, se o débito exequendo foi regularmente constituído por meio de DCTF, não ocorre a decadência. 40. Outra hipótese a se considerar é a inexistência de DCTFs precedentes à DIPJ sob a qual se fundamenta a execução, ocasião em que, não transcorrido o prazo decadencial, devese informar a RFB sobre o ocorrido, para que proceda ao lançamento do crédito correspondente. Caso contrário, operase, por óbvio, a decadência.(...)" 12. Como visto, o Parecer PGFN/CAT/Nº 632, de 2011, concluiu que a DIPJ não tem o efeito de se constituir em declaração capaz de configurar lançamento por homologação, porque a DIPJ tem efeito meramente informativo, não constituindo o crédito tributário nem se configurando como confissão de dívida. (...) De se ver, portanto, que a DCTF é consagradamente instrumento de confissão de dívida e suficiente para a inscrição em dívida ativa da União. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça STJ, no rito dos recursos repetitivos, decidiu que a DCTF é modo de constituição do crédito tributário (Resp 1.120.295/SP). Reproduzo trecho da ementa, verbis: “4. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento por homologação), é modo e constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: Resp 962.379/RS)” Por seu turno, o CTN, em seu artigo 141, prevê que o crédito tributário, regularmente constituído, somente pode ser alterado nas modalidades do artigo 145, verbis: Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. (…) Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.954263/200891 Acórdão n.º 3001000.485 S3C0T1 Fl. 127 17 Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. O artigo 156 estabelece os modos de extinção do crédito tributário, verbis: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Observese, por fim, que todas essas modalidades, incluindo a compensação, ensejam a extinção, mas não a desconstituição, do crédito tributário. Evidentemente, a compensação extingue na exata medida do que for compensado. Destarte, por óbvio, pelo que depreendese destes autos, na data da apresentação do Per/Dcomp em apreço, não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF de 12.02.2004 ainda não tinha sido objeto de retificação, uma vez que transmitida somente em 11.12.2008, significando que o crédito utilizado pelo recorrente em sua compensação, juridicamente, era e é ainda inexistente. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.954263/200891 Acórdão n.º 3001000.485 S3C0T1 Fl. 128 18 Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Portanto, ao efetuar a retificação da DCTF somente em 11.12.2008, restou evidenciado o transcurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito nela declarado, nos termos do caput do artigo 168 do CTN, de forma que a referida retificação não produziria quaisquer efeitos tributários, o que tornase dispensável a análise fática do direito material do suposto crédito tributário perseguido pelo recorrente, em face da sua peremptoriedade jurídica. Não havendo qualquer reparo à decisão recorrida. Da conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.918612/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/06/2006, 15/07/2006, 15/08/2006
EMBARGOS. OMISSÃO.
Identificada na decisão embargada a contradição entre o desenvolvimento do voto e as respectivas conclusões, tal vício há de ser sanado.
Numero da decisão: 3301-004.682
Decisão: Embargos de Declaração providos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos Embargos de declaração, por serem tempestivos e por se configurar a contradição alegada, e provê-los para determinar o cancelamento da Dcomp 19924.56315.281105.1.3.04-2432 e reconhecer o crédito pleiteado pela Recorrente.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/06/2006, 15/07/2006, 15/08/2006 EMBARGOS. OMISSÃO. Identificada na decisão embargada a contradição entre o desenvolvimento do voto e as respectivas conclusões, tal vício há de ser sanado.
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decisao_txt : Embargos de Declaração providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos Embargos de declaração, por serem tempestivos e por se configurar a contradição alegada, e provê-los para determinar o cancelamento da Dcomp 19924.56315.281105.1.3.04-2432 e reconhecer o crédito pleiteado pela Recorrente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira.
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OMISSÃO. Identificada na decisão embargada a contradição entre o desenvolvimento do voto e as respectivas conclusões, tal vício há de ser sanado. Embargos de Declaração providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos Embargos de declaração, por serem tempestivos e por se configurar a contradição alegada, e provêlos para determinar o cancelamento da Dcomp 19924.56315.281105.1.3.042432 e reconhecer o crédito pleiteado pela Recorrente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 86 12 /2 01 1- 63 Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10680.918612/201163 Acórdão n.º 3301004.682 S3C3T1 Fl. 399 2 Relatório Conselheira Liziane Angelotti Meira. Visando à elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do constante da decisão embargada (fls 259/264): Contra a contribuinte precitada foi emitido o Despacho Decisório à fl. 39, por meio do qual foi parcialmente homologada a compensação efetuada por meio de PER/Dcomp. A homologação parcial foi motivada pela insuficiência do crédito utilizado para compensar integralmente os débitos informados. O crédito utilizado se refere a pagamento indevido ou a maior de Cofins, código de receita 5856. A contribuinte declarou que pretende compensar referido crédito com débitos de débitos de Cofins, código de receita 2172, relativos aos meses de maio a julho de 2006. Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN) e art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 20/09/2010, fl. 62, em 20/10/2010 a interessada apresenta a manifestação de inconformidade às fls. 2 a 13, acompanhada dos documentos às fls. 14 a 61, alegando, em síntese, que a cobrança de multa de mora é indevida, posto que não houve ausências de recolhimento mas tão somente pagamento em modalidade distinta. Acrescenta que, ainda que assim não fosse, houve denúncia espontânea da infração nos termos do art. 138 do CTN, de modo que o débito merece ser cancelado. Ao longo de seu recurso, transcreve doutrina, jurisprudência e julgados administrativos que entende virem ao encontro de seus argumentos. O Recurso Voluntário foi provido pelo Acórdão nº 3301002.275 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, conforme a seguinte ementa (fl. 259): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/11/2006, 15/12/2006, 15/01/2007, 15/02/2007 DCTF. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. No julgamento do REsp 1.149.022, sob o regime do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o pagamento de Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10680.918612/201163 Acórdão n.º 3301004.682 S3C3T1 Fl. 400 3 débito tributário, declarado em DCTF retificadora, em data anterior e/ ou na mesma data de transmissão da respectiva declaração, configura denúncia espontânea nos termos da legislação tributária e, consequentemente, afasta a incidência da multa moratória. Recurso Voluntário Provido. Foi juntado Relatório Fiscal (fls 271/272), nos seguintes termos: Como se vê no Sief/Processo (processo de crédito 10680.918612/201163) , e conforme Despacho Decisório relativo a essa DComp, o crédito já foi todo utilizado na compensação (com a incidência da multa), que não pode ser desfeita/refeita. Portanto, antes de mais nada, devese verificar se o crédito é suficiente para compensar os débitos (sem a incidência da multa), e assim homologar totalmente a DComp nessa condição. No quadro abaixo vêse que não é suficiente, restando saldo devedor : No Sief/Processo não é possível informar isso, visto que o que se deve informar lá é que o contribuinte conseguiu no Carf “reduzir” o seu débito (retirada da multa de mora), e não mais crédito, pois foi isso que efetivamente ocorreu. Por causa dessa limitação, deixarei de informar lá que houve essa “redução” de débito, e simplesmente encerrarei o processo de crédito. Quanto ao processo de débito (10680.920145/201131), cujos saldos devedores são aqueles resultantes da compensação com a incidência da multa de mora (que assim permanecem dada a limitação descrita acima), tampouco há o que se fazer senão suspendêlo por representação naquele sistema, encerrandoo também. O saldo devedor cadastrei no processo de cobrança 10680.722198/201431 , aberto exclusivamente para isso. Em seguida, a contribuinte foi intimada a pagar o saldo devedor no valor de R$ 208.334,81 (fl. 273). Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10680.918612/201163 Acórdão n.º 3301004.682 S3C3T1 Fl. 401 4 Foram interpostos Embargos de Declaração pela contribuinte (fls. 275/283), no qual alegou que teria se caracterizado ausência de análise do crédito objeto da compensação, nos seguintes termos: Diante da desconsideração da documentação acostada aos autos, verificase que o v. acórdão foi omisso quanto à origem e suficiência do crédito tributário em observância ao princípio da verdade material. As provas juntadas demonstram a existência de direito ao crédito referente a recolhimento a maior de Cofins, no valor de R$ 5. 480.290,46, diante da constatação pela Embargante de que houve a inclusão de receitas tributadas pelo regime de não cumulatividade de algumas receitas que estariam sujeitas ao regime cumulativo. A origem do crédito pode ser verificada com base nos documentos constantes do presente processo, ainda mais com a comprovada não utilização da PER/DCOMP no 19924.56315.281105.1.3.042432, uma vez que esta não serviu para extinção de crédito tributário. Não é razoável admitir que um crédito passível de compensação seja desconsiderado pela ausência de procedimento de DCOMP, mera formalidade administrativa. A não utilização do crédito foi demonstrada pelas DCT´s juntadas nos autos deste processo administrativo. Então a contribuinte pugna pela prevalência da verdade material, junta copiosa jurisprudência e defende que "está clara a suficiência do crédito tributário para fazer frente ao débito que se pretende compensar, pelo que deve ser suprimida a omissão de que está eivado o v. acórdão, homologandose integralmente a compensação realizada". Por fim, assevera que "o v. acórdão está eivado também de vício de inexatidão material, pois a mencionada 'Dcomp no. 31269.23052.281105.1.3.043303' nem ao menos guarda correlação com o presente processo". A 3ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seçao, por meio da Resolução nº 3301000.303 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, determina diligência, nos seguintes termos: Dessarte, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora possa elaborar relatório para esclarecer os pontos indicados Embargos de Declaração, especificamente no que concerne à existência do crédito da embargante e à utilização da PER/DCOMP no 19924.56315.281105.1.3.042432 Deve, em seguida, ser ofertada ao Contribuinte, bem como à Fazenda Pública, oportunidade para que possam contra arrazoar, se entenderem necessário, acerca do relatório produzido. Foi então juntados os documentos às fls. 345/364 o Relatório de Diligencia Fiscal, fls. 365/369. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10680.918612/201163 Acórdão n.º 3301004.682 S3C3T1 Fl. 402 5 A Recorrente apresentou sua manifestação sobre o Relatório de Diligencia Fiscal, fls. 365/369, reafirmando sua pretensão. Voto Os Embargos de Declaração (fls. 275/283), interpostos pela contribuinte são tempestivos e atendem aos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual devem ser conhecidos. A Embargante alega ser titular de crédito no valor de R$ 5.480.290,46, e que a origem do crédito pode ser verificada com base nos documentos acostados ao presente processo, especialmente na comprovada não utilização da PER/DCOMP no 19924.56315.281105.1.3.042432, uma vez que esta não serviu para extinção de crédito tributário. Este ponto especialmente não foi objeto do Acórdão embargado. Nesse contexto, julgouse relevante para a decisão verificar se o crédito alegado pela Embargante teria respaldo e também se a PER/DCOMP no 19924.56315.281105.1.3.042432 efetivamente não teria sido utilizada. A conclusão da diligência, conforme Relatório de Diligencia Fiscal, fl. 369 foi a seguinte: • o contribuinte possui crédito de pagamento a maior originado do recolhimento da Cofins Não Cumulativa – PA 10/2005. O valor desse crédito era originalmente de R$ 5.480.290,46 e foi reduzido a R$ 2.655.628,34 pelo uso de parte do crédito na Dcomp 19924.56315.281105.1.3.042432, apresentada em 28/11/2005 e não cancelada; • a Dcomp 19924.56315.281105.1.3.042432 não consta entre as parcelas de crédito vinculadas na DCTF ativa ao débito da Cofins Não Cumulativa – PA 01/2005; • as parcelas do débito da Cofins Não Cumulativa – PA 01/2005 vinculadas a compensações ainda não tiveram quitação definitiva. Diante do exposto voto no sentido de determinar o cancelamento da Dcomp 19924.56315.281105.1.3.042432 e reconhecer o crédito de R$ 5.480.290,46, pleiteado pela Recorrente. Dessarte, voto no sentido de conhecer dos Embargos de declaração, por serem tempestivos e por se configurar a contradição alegada, e provêlos pelas razões de mérito indicadas. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10680.918612/201163 Acórdão n.º 3301004.682 S3C3T1 Fl. 403 6 Fl. 403DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13643.000328/2009-59
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 3. 00 03 28 /2 00 9- 59 Fl. 125DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre despesas médicas, questão de prova, convencimento em relação aos documentos apresentados. Contribuinte apresentou recibos. Lançamento, mediante notificação e posteriormente despacho decisório fundamentou recusa de documentos por falta de justificativas, e pratica reiterada de deduções elevadas. A DRJ apontou problemas de falta de endereço, nome do paciente e identificação do profissional. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. A falta de indicação do nome do paciente, em recibo emitido em nome do contribuinte, sem nenhuma investigação, sem nenhuma indicação de que não se trata o contribuinte o paciente, não se afigura motivo para não aceitação do documento. Constituise prática comum a emissão de recibos dessa maneira. A recusa deve apresentar alguma indicação de falta de idoneidade no documento. Não foi o caso. A falta de endereço no documento, como motivo para recusa, prendese a formalismo que poderia a mais das vezes ser suprido por simples pesquisa. Da mesma forma não inquina o documento de nenhuma inidoneidade. A falta de indicação mais clara do profissional foi alegada pelo acórdão de impugnação, mas o próprio Despacho Decisório ao descrever a prática recorrente de dedução desse profissional o aponta como dentista. Há elementos na documentação que indicam a necessidade de verificação, investigação. O lançamento fez uma tentativa de inquinar inidoneidade por uma prática de dedução repetida de valores elevados do mesmo profissional, mas o que é um indício a investigar passou a ser um fator de recusa. No caso, afora a repetição citada, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento de verificação que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Como as alegações de recusa se prenderam a formalidades, e os documentos indicam prestação de serviços médicos, na dúvida, na falta de fundamentação na recusa e na ausência de indicações desabonadoras claras, entendo pela aceitação dos documentos. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13643.000328/200959 Acórdão n.º 2001000.551 S2C0T1 Fl. 3 3 Em argumentação geral, os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se Fl. 127DF CARF MF 4 a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13643.000328/200959 Acórdão n.º 2001000.551 S2C0T1 Fl. 4 5 IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentos consistentes que indiquem inidoneidade dos documentos usuais de comprovação, é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.006907/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DAS MULTAS POR LANÇAMENTO DE OFICIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGOS 44 E 61 DA LEI 9.430/1996. Verificadas infrações à legislação tributária, correto a exigência dos tributos devidos mediante auto de infração, aplicando-se a pertinente multa de ofício, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.491
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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APLICAÇÃO DAS MULTAS POR LANÇAMENTO DE OFICIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGOS 44 E 61 DA LEI 9.430/1996. Verificadas infrações à legislação tributária, correto a exigência dos tributos devidos mediante auto de infração, aplicandose a pertinente multa de ofício, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 69 07 /2 00 8- 51 Fl. 565DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11326.P5TK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.006907/200851 Acórdão n.º 1402001.491 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório EXACTA REGULAÇÃO E INVESTIGAÇÃO DE SINISTROS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Os autos de infração de fls. 162216, exigem do contribuinte crédito tributário no importe de R$ 27.676,12 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fl.162), R$ 4.721,81 de PIS (fl.176), R$ 21.793,57 de Cofins (fl.189) e, R$ 16.621,17 de CSLL (fl.202), todos acrescidos de multa de ofício à razão de 75% e juros, referentes a fatos ocorridos nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006. 2. Ao contribuinte está sendo imputada omissão de receitas da atividade, sem a emissão de notas fiscais e, a aplicação incorreta do coeficiente de 16% sobre as receitas da atividade de prestação de serviços, tendo em vista ter ultrapassado no ano o limite de faturamento anual de R$ 120.000,00. 3. O suporte legal para a exigência dos tributos obedece ao seguinte: a) IRPJ – artigos 518, 519 e 528 do RIR de 1999; b) PIS – artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 7 de 07/09/1970, artigo 24, § 2º da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, e, artigos 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17/12/2002; c) COFINS – artigos 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17/12/2002 e; d) CSLL – artigo 37 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002 e, artigo 22 da Lei nº 10.684, de 30/05/2003. 4. Cientificado da exigência em 19/09/2008, apresentou, por meio de procurador legalmente habilitado, instrumento de mandato à fl. 228, impugnação ao feito (fls. 218227), onde alega: que a exigência é ilegal posto estar amparada em informações prestadas em DIRF, pelas sociedades seguradoras, as quais possuem divergências. 5. Afirma que do auto de infração não consta as alíquotas aplicadas; o termo de início do prazo para a contagem dos juros incidentes sobre a multa aplicada; que a multa supera o limite de 20% determinada pelo Regulamento do Imposto de Renda e, em assim sendo, ocorreu violação ao princípio da legalidade e feriu o próprio Regulamento do Imposto de Renda. Sustenta que tais vícios de forma são insanáveis e acarretam a nulidade do auto de infração e que a pretensão do Fisco contraria o disposto no artigo 146, inciso III, alíneas “a” e “b” da Constituição Federal. 6. Ataca a aplicação da taxa Selic para o cálculo dos juros, taxandoa de inconstitucional uma vez que não foi instituída por Lei Complementar, e que por ser juro flutuante, afrontaria ao disposto no § 3º do artigo 192 e artigo 37 da Fl. 566DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11326.P5TK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.006907/200851 Acórdão n.º 1402001.491 S1C4T2 Fl. 0 3 Constituição Federal. Alega que cobrar juros acima dos 12% previstos na Constituição fere o princípio da moralidade pois além de contrariam os dispositivos constitucionais acima mencionados, nega vigência ao disposto no § 1º do artigo 161 do Código Tributário Nacional; que a Receita Federal está aplicando o disposto na Lei 8.981 e a Lei 9.065, ambas de 1995 a fatos anteriores à sua instituição, em afronta ao princípio da irretroatividade das leis, da legalidade e o da segurança jurídica . Transcreve doutrina. 7. Ao final, requer que a impugnação seja recebida nos efeitos suspensivos da exigibilidade do crédito e o lançamento seja julgado improcedente, decretando a nulidade do auto de infração ou, alternativamente, caso o lançamento seja julgado procedente, que apliquese a multa de 20%, conforme determina o Regulamento do Imposto de Renda e que sejam afastados os juros calculados por meio da aplicação da taxa Selic. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITA DE COMISSÕES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA COMPANHIAS DE SEGUROS. Comprovado pela fiscalização, por meio das DIRF transmitidas pelas tomadoras de serviços, que a contribuinte tributou a menor as receitas de comissões auferidas junto às companhias de seguros, correto o lançamento fiscal sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto. LUCRO PRESUMIDO. A opção pela tributação pelo Lucro Presumido impede que o sujeito passivo deduza as despesas decorrentes de deslocamento quando da prestação dos serviços. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Verificada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL ESTABELECIDO EM LEI. No caso de lançamento de ofício, é cabível a exigência da multa, no percentual previsto na legislação de regência, a qual se exige juntamente com o imposto ou a contribuição apurados na respectiva ação fiscal. CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Cientificada da aludida decisão em 23/6/2010, fl. 267, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/7/2010, fls. 268 e seguintes, no qual repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento alegando que: Fl. 567DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11326.P5TK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.006907/200851 Acórdão n.º 1402001.491 S1C4T2 Fl. 0 4 (...) o respeitável ACÓRDÃO/VOTO da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de fls., prolatado no Auto de Infração MPF n. 2 0910300/00851/08, lavrado em 19/09/2008, Processo n. 9 10935 006.907/200851, não pode prevalecer, porque a constituição do crédito tributário, pela autoridade competente, apurada e descrita no mencionado Auto de Infração MPF e Processo, "data vênia" e com todo respeito que a autoridade que o lavrou merece, não tem condão de legalidade. (...) Vejase. I DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE CONSTA do indigitado processo administrativo fiscal, que confrontando os valores das receitas declaradas à Receita Federal pela Impugnante com os valores das comissões informadas em DIRFs pelas sociedades seguradoras constatouse que existem divergências. CONSTA, também, do Al, que, a multa a ser aplicada deve ser de R$ 53.109,13 (Cinqüenta e Três Mil, Cento e Nove Reais e Treze Centavos). CONSTA, ainda, do termo de encerramento de ação fiscal, que, o procedimento de fiscalização foi levado a termo com a análise dos livros e documentos da lmpugnante relativamente aos anos calendários de 2004 à 2006 e que, após concluído os referidos trabalhos os livros e documentos utilizados foram devolvidos a Impugnante. E, por derradeiro, que após a fiscalização foi apurado um crédito tributário de R$ 152.250,58 (Cento e Cinqüenta e Dois Mil, Duzentos e Cinqüenta Rea is e Cinqüenta e Oito Centavos). Todavia, Nobres Julgadores, não constam corretamente e claramente do Auto de Infração MPF n. 2 0910300/00851/08: a) 0 percentual das aliquotas aplicadas. b) 0 termo de inicio do prazo para contagem dos juros moratórios incidentes sobre a multa aplicada. c) A multa supera o limite máximo de 20% determinado pelo Regulamento do Imposto de Renda, pois foi fixada em 75%. Por essas razões de fato e de direito, o Auto de Infração MPF n.2 0910300/00851/08, merece reparos, de vez que, violou o principio constitucional da legalidade, infringiu os dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda. Tais vícios de forma, casuística no curso do procedimento administrativo fiscal, que antecedeu o lançamento, remeteu o Auto de Infração MPF n. 2 0910300/00851/08, à nulidade, relativa, a qual deve ser reconhecida de pleno, por esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 0 ato administrativo público, é, no entendimento remansoso da doutrina e da jurisprudência dos Tribunais, urna espécie de ato jurídico, e, para que sua validade tenha efeito no circulo do império da ordem jurídica deverá conter todos os atributos previstos para validade do ato jurídico perfeito. Acontece, que, IN espécie, o ATO que constituiu a presente notificação de lançamento, não foi balizado nessa ordem normativa, eis que, omitiu atributos essenciais elencados no mencionado Regulamento. Dessa forma, pelo texto da lei processual normatizadora do tributo a peça acusatória instituída pelo Auto de Infração, ora impugnado, não 6 a via legal adequada à Fl. 568DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11326.P5TK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.006907/200851 Acórdão n.º 1402001.491 S1C4T2 Fl. 0 5 espécie, devendo ser reconhecida de pleno, por esse órgão judicante monocrático, com a decretação de nulidade absoluta do feito, por vícios de forma, insanáveis. Pois, o Al, como peça acusatória, que 6, deve guardar respeito aos requisitos de sua formação, a fim de que, não só se constitua em ato ilícito e proporcione ao acusado ampla, geral e irrestrita defesa. II DO EXCESSO DE COBRANCA lnobstante estar o Auto de Infração MPF n. 2 0910300/00851/08, eivado de vícios formais, em razão da inobservância dos requisitos essenciais, ainda há que se observar que, a aplicação na multa, excedeu aos valores supostamente devidos e exigidos pelo Regulamento do Imposto de Renda, eis que pelos demonstrativos em anexo, documentos integrantes do Al, a multa excede o percentual de 20% previsto no Regulamento. III CORREÇÃO MONETÁRIA COMO ELEMENTO DA OBRIGACAO TRIBUTARIA É fora de dúvida que a indexação monetária 6 um dos elementos da constituição da obrigação tributária. Esta tem diversos aspectos, tais como os sujeitos ativo e passivo, a hipótese de incidência, a base de cálculo, a aliquota, o prazo de pagamento, etc. e, também, a correção do credito. (...) IV OS JUROS PELO SELIC SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDACAO E DE CUSTÓDIA Segundo a legislação vigente, todo fato gerador de tributo havido após 01 de janeiro de 1.995, incidirá juros de 1% ao mês, contados do mês subseqüente ao do vencimento, ou o valor equivalente a Taxa Média Mensal de Captação do Tesouro Nacional relativo a Divida Mobiliária Federal Interna TMCTN, dos dois o maior, até 31 de março de 1.995, conforme a Lei n9 8.981/95. A partir de 12 de abril de 1.995, os .juros de mora passaram a ser equivalentes h taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, desde que não inferior a 1% ao mêscalendário ou fração. (...) Desta forma, estando perfeitamente claro, pelas razões aqui expostas e, demonstrado a violação dos princípios legais anteriormente elencados, espera a Recorrente desse Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, seja dado provimento ao presente RECURSO, no sentido de ser tornado nulo o lançamento, e julgado o feito administrativo improcedente, decretando por conseqüência a nulidade do Auto de Infração MPF n. 2 0910300/00851/08, lavrado em 19/09/2008, Processo n. 2 10935 006.907/200851 e a extinção do crédito, na forma dos dispositivos legais do Código Tributário Nacional, por ser este inexigível. E, por derradeiro, "AD ARGUMENTANDUM", se procedente o Auto de Infração MPF n. 2 0910300/00851/08, lavrado em 19/09/2008, Processo n.2 10935 006.907/200851, se requer a aplicação da multa na base de 20%, conforme determina o Regulamento do Imposto de Renda e ainda a exclusão dos juros calculados pela Taxa Média Mensal de Captação do Tesouro Nacional relativo a Divida Mobiliaria Federal Interna — TMCTN e pela Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia —SELIC. (...)” É o relatório. Fl. 569DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11326.P5TK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.006907/200851 Acórdão n.º 1402001.491 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, tratase de exigência de IRPJ e Reflexos, na sistemática do lucro presumido, tendo em vista a constatação de omissão de receitas a partir das informações das sociedades seguradoras para as quais a contribuinte prestou serviços no período fiscalizado (fls. 131143). Foi aplicada a multa de oficio de 75%. Tal qual já asseverado na decisão recorrida, a ação fiscal iniciou em 01/09/2008, fl. 3, quando foi solicitado a contribuinte que confirmasse a veracidade dos valores informados pelas seguradoras a título de comissões pagas a ele. Foi respondido que os valores eram verdadeiros, fl. 5. Portanto, não há litígio quanto ao montante das omissões de receitas. A diferença entre os valores declarados à Receita Federal e aqueles informados pelas seguradores em DIRF referemse a serviços de perícias em bens segurados por terceiros, junto a companhias de seguros, os quais requerem deslocamento de pessoas para fora do ambiente da empresa, gerando diversos gastos. A Fiscalização recompôs a a base de cálculo dos tributos e, sendo esta base de cálculo superior ao limite estabelecido na legislação de regência, apurouse a diferença de tributos em relação aos valores anteriormente declarados à Receita Federal, porque a impugnante, em face do volume de receitas, está sujeita à alíquota de 32% e não 16%, como havia calculado. No recurso voluntário a contribuinte repisa parte das alegações da peça impugnatória: alega em preliminar ter havido afronta a princípios constitucionais, contesta o percentual da alíquota aplicada, reclama da multa de ofício que excedeu 20% e ataca a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros. Pois bem, analisei o procedimento fiscal e formei pleno convencimento de que a lavratura dos autos de infração, fls. não merece qualquer reparo, tendo sido observado os preceitos do art. 142 do Código Tributário Nacinal – CTN, bem como do art. 10 do Decreto 70.235/1972. Todas o procedimento e as irregularidades apuradas estão detalhadamente descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 154161, especialmente quanto a apuração da base de cálculo (receitas omitidas) e a legislação aplicada às irregularidades. Frisese que o sóciogerente da autuada obteve cópia deste mediante ciência pessoal (fl. 161 ao final). Destaco que nos fundamentos do voto condutor da decisão recorrida foi repisada a base legal do auto de infração, sendo que o recorrente não aponta qualquer falha ou equivoco, especifica, neste voto. Portanto, não há que se falar em inobservância do principio da legalidade. Fl. 570DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11326.P5TK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.006907/200851 Acórdão n.º 1402001.491 S1C4T2 Fl. 0 7 No que tange a alegação de confisco, esclareçase que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 75% ou 150% nos termos do artigo 44, inciso I ou II, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997)." Por sua vez, A aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Quanto aos demais alegações do contribuinte, verificase que todas foram enfrentadas no voto condutor do acórdão recorrido, o qual não merecer reparos, pelo que peço vênia para adotar tais fundamentos como razões adicionais de decidir. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 571DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11326.P5TK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA em 10/12/2013 13:08:00. Documento autenticado digitalmente por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA em 10/12/2013. Documento assinado digitalmente por: LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 10/12/2013 e MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA em 10/12/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 13/07/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP13.0718.11326.P5TK Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: D7C9D84DCE961D8AD2F4C1E7EEB50C480B6DF201 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10935.006907/2008-51. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10980.914287/2012-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.917
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 87 /2 01 2- 66 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.914287/201266 Acórdão n.º 3201003.917 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.442, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.914287/201266 Acórdão n.º 3201003.917 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.914287/201266 Acórdão n.º 3201003.917 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.914287/201266 Acórdão n.º 3201003.917 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.720237/2014-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL.
Caracteriza a confusão patrimonial de esferas patrimoniais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a conseqüente responsabilização solidária, beneficiar-se pela utilização da estrutura legal e dos resultados da empresa, apropriando-se do patrimônio por ela gerado ilegalmente. No caso dos autos resta demonstrado o interesso jurídico e econômico, bem como o nexo entre as partes.
Numero da decisão: 1401-002.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso de Ofício para restabelecer a responsabilidade solidária de Transportadora e Comércio de Suínos São Gabriel Ltda.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Caracteriza a confusão patrimonial de esferas patrimoniais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a conseqüente responsabilização solidária, beneficiar-se pela utilização da estrutura legal e dos resultados da empresa, apropriando-se do patrimônio por ela gerado ilegalmente. No caso dos autos resta demonstrado o interesso jurídico e econômico, bem como o nexo entre as partes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1393; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.560 1 1.559 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12571.720237/201429 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1401002.750 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IRPJ/REFLEXOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MGE COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Caracteriza a confusão patrimonial de esferas patrimoniais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a conseqüente responsabilização solidária, beneficiarse pela utilização da estrutura legal e dos resultados da empresa, apropriandose do patrimônio por ela gerado ilegalmente. No caso dos autos resta demonstrado o interesso jurídico e econômico, bem como o nexo entre as partes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso de Ofício para restabelecer a responsabilidade solidária de Transportadora e Comércio de Suínos São Gabriel Ltda. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 02 37 /2 01 4- 29 Fl. 1560DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso de Ofício (fls. 1520 dos autos), em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Belém (PA), que julgou procedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte, para excluir a responsabilidade solidária originalmente imputada à empresa Transportadora e Comércio de Suínos São Gabriel Ltda. O presente processo tratase de supostas infrações a legislação tributária, exigindose o auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica(IRPJ), de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), referente ao anocalendário de 2011, conforme valores indicados na tabela abaixo: Segundo apurou a Fiscalização, “o contribuinte teria recebido elevado montante de recursos em suas contas bancárias e declarado ao Fisco Estadual Valores de saídas de mercadorias. A despeito disso, no âmbito federal apresentou DIPJ com valores zerados a título de receita bruta de vendas, não tendo recolhido ou constituído qualquer valor a título de tributos federais no período fiscalizado”. Em face do contribuinte, a fiscalização imputou com fundamento no art. 124, I CTN, a responsabilidade solidária pelos débitos apurados a dois sujeitos (Sr. Aparecido Domingues dos Santos e a Transportadora e Comércio de Suínos São Gabriel LTDA). Ciente da autuação o interessado(Transportadora e Comércio de Suínos São Gabriel Ltda ME.) apresenta IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA (fls. 1304/1317) em 15/08/2014, na qual alegou em síntese: 1. Da Nulidade do auto de infração lavrado contra si, tendo em vista a sua intimação para integrar o procedimento fiscalizatório. Afirma que "não teve ciência prévia enquanto se encontrava em curso tal procedimento, não tendo podido fazer juntada de documentos, refutar documentos, apresentar justificativas ou qualquer contraditório à TRIBUTO PRINCIPAL – R$ JUROS DE MORA R$ MULTA – R$ TOTAL IRPJ 2.959.195,80 756.486,85 2.219.396,85 5.935.079,50 PIS 807.948,87 213.871,42 605.961,67 1.627.781,96 COFINS 3.728.994,74 987.098,82 2.796.746,06 7.512.839,62 CSLL 1.342.438,12 343.150,41 1.006.828,60 2.692.417,13 TOTAL 17.768.118,21 Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 12571.720237/201429 Acórdão n.º 1401002.750 S1C4T1 Fl. 1.561 3 época do processo administrativo, não lhe sendo permitido a ampla defesa e o contraditório". 2. Da impossibilidade de que lhe fosse imputada responsabilidade solidária com fundamento no art. 124, I do CTN, pois “de acordo com o STJ, o interesse econômico de uma pessoa no fato gerador não é suficiente para caracterizar a solidariedade com base no art. 124 do CTN". 3. Requereu o cancelamento do auto de infração lavrado. Ressaltase que não consta nos autos Impugnação do Sujeito Passivo MGE Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. Logo, considerouse não impugnado o Auto de Infração por parte do Sujeito Passivo. Bem como, também não consta nos autos Impugnação do Responsável Tributário Aparecido Domingues dos Santos, CPF Nº 205.656.15904. Logo, considerouse não impugnado o Auto de Infração por parte deste Responsável Tributário. O Acórdão ora Recorrido (0131.149 1ª Turma da DRJ/BEL) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com efeito inte rpartes, não podem ser aplicadas a outros casos. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. AMPLA DEFESA. IMPUGNAÇÃO. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitórianão se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somentedepois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo éque se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditórioe da ampla defesa. Ademais, após a ciência do auto de infração, com olitígio instaurado entre o fisco e o contribuinte, a legislação concede nafase impugnatória, ampla oportunidade para apresentação documentos erazões de fato e de direito. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Aspessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fatogerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação aocrédito tributário. O interesse comum se configura peça confusão ou coparticipaçãodessas pessoas no mesmo polo da relação jurídica que deuensejo aa fato gerador da obrigação tributária. A formalização daresponsabilização solidária deve estar acompanhada da prova Fl. 1562DF CARF MF 4 daparticipação do sujeito passivo na relação jurídica que originou aobrigação tributária. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase “não impugnado” itemdo lançamento que não tenha sido contestado nos argumentos do recursoadministrativo. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Mantido. Isto porque, segundo entendimento da Turma pelo voto vencedor: “no caso específico, o interesse comum se configuraria pela confusão ou coparticipação das partes envolvidas, no mesmo polo da relação jurídica que ensejou o fato gerador do imposto, o recebimento da receita tributável e que o crédito tributário tem origem em depósitos bancários de origem não comprovada. De modo que não há como saber se a recorrente tinha participação nas relações jurídicas que deram causa aos depósitos bancários”. E de que (...) “ o fato aventado pela fiscalização é na verdade um forte indicio do interesse comum da recorrente no recebimento das receitas da MGE Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, mas insuficiente para concluir como tal. Para a configuração do interesse comum, caberia reunião de mais provas que corroborassem o indicio já alcançado. E certo ainda que a recorrente poderia ser sujeito passivo de crédito tributário constituído a partir dos depósitos transferidos às sua conta bancária, na forma do art. 42 da Lei 9.430/96, vez que não comprovou a natureza da operação de origem ao depósito bancário. Todavia, a luz do processo, este não foi o caminho escolhido pela autoridade lançadora”. Desse modo, a impugnação foi reconhecida e julgada procedente para “afastar TRANSPORTADORA E COMÉRCIO DE SUÍNOS SÃO GABRIEL LTDA do polo passivo da obrigação tributária”. A ciência do acórdão da DRJ pelo contribuinte responsável Sr. Aparecido Domingues dos Santos se deu por Edital ( fls. 13672/1368). Dessa forma, foram apresentados dois Recursos Voluntários, a saber: Recurso Voluntário nº 1 (fls. 1374/1394) – MGE COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA EM 27/04/2015, trazendo as seguintes razões: 1. Da Nulidade da ciência dos Autos por edital: afirmando que “somente é cabível a intimação por edital, de decisão tomada em sede de processo administrativo fiscal, apos restarem improfícuos os demais meios de intimação referidos na lei, e que no caso em espécie, não houve cumprimento regular da intimação no prazo de 30 dias para que pagasse o débito ou apresentasse impugnação do auto”. 2. Da Impossibilidade de se proceder ao lançamento apenas com base nos extratos de movimentação bancária: diz que “tal atuação simplista somente serve para desfigurar o que deve ser realmente um processo de auditoria fiscal complexo e que vise um lançamento tributário que espelhe a tributação de eventual omissão de renda efetiva e não um Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 12571.720237/201429 Acórdão n.º 1401002.750 S1C4T1 Fl. 1.562 5 lançamento arbitrário sobre um quantum irreal e que não representa renda efetivamente não tributada". 3. Requereu o provimento do Recurso Voluntário interposto. Recurso Voluntário nº 2 (fls. 1397/1441) – APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS EM 15/04/2015, trazendo as mesmas razões aduzidas na impugnação de nº 1 às fls. 1374/1394. Às fls. 1447/1450 – ACORDÃO Resolução de nº 14011.401.000.387 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária em que se "Reconheceu do Recurso Voluntário interposto por Aparecido Domingues dos Santos, para determinar a baixa dos autos à origem para que seja apresentada prova de tentativa frustrada de se dar ciência ao Responsável Tributário por meio postal ou pessoal (...), sob pena de nulidade dos autos". Às fls. 1455 dos autos DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO para cumprimento de diligência solicitada pela 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária do CARF. Às fls. 1458 Retorno de Diligência. Às fls. 1459/1467 Acordão de nº 1401001.643 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária para anular a decisão de primeira instância e determinar a intimação da forma devida do responsável tributário Aparecido Domingo dos Santos. Às fls. 1469 – Petição da Fazenda Nacional – Ciência do Acórdão às fls. 1459/1467. Às fls. 1507/1538 – Acordão nº 1401001.643 JULGAMENTO – RETORNO PARA NOVA DECISÃO. Por não haver impugnação do Sr. Aparecido Domingos dos Santos, “Responsável Tributário Solidário”, entendeu a DRJ que o Processo apresenta as mesmas características da ocasião da Prolatação do Acórdão 0131.149 – 1ª Turma da DRJ/BEL, de 22 de janeiro de 2015. Assim, mantendo a responsabilização tributária discutida e excluir da responsabilidade solidária da empresa TRANSPORTADORA E COMÉRCIO DE SUÍNOS SÃO GABRIEL LTDA. Às fls. 1520 dos autos INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO PELA AUTORIDADE JULGADORA. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Fl. 1564DF CARF MF 6 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Tratase de Recurso de Ofício (fls. 1520 dos autos), em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Belém (PA), que julgou procedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte, para excluir a responsabilidade solidária originalmente imputada à empresa Transportadora e Comércio de Suínos São Gabriel Ltda. Inicialmente, cumpre ressaltar que, diante da ausência de impugnação do mérito do lançamento, o mesmo se tornou definitivo. Ou seja, a presunção legal de omissão de receitas foi confirmada, e mantidos os lançamentos relativos aos tributos não declarados e não recolhidos pelo contribuinte. Outrossim, diante da inexistência de impugnação do Sr. Antônio Aparecido, o lançamento também para ele se tornou definitivo quanto à sua responsabilidade solidária. Tampouco nenhum dos contribuintes envolvidos recorreu da decisão proferida. Assim é que, é devolvido para análise nesse Recurso de Ofício, tão somente, a desoneração do lançamento quanto ao responsável solidário empresa Transportadora e Comércio de Suínos São Gabriel Ltda. Isto porque, no Acórdão recorrido, por maioria, entendeuse que: O interesse comum de que trata o art. 124, I, do CTN não é o interesse econômico, mas sim na questão relacionada à prática do fato gerador. Empresas de um mesmo grupo tem interesse econômico no resultado de suas operações, mas este interesse não serve para atribuir a uma delas a condição de solidária, visto que o interesse apto a qualificar a solidariedade é o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária (ver os exemplos clássicos do ITR e do IPTU entre coproprietários). Por refletir a convicção deste Relator designado e com escopo no art. 50, § 1º, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, pedese vênia para adotar como fundamentos decisórios aqueles contidos no voto vencedor proferido no Acórdão DRJ/BEL n° 0131.149, de 22/01/2015, a seguir transcrito: “O art. 124, inciso I, do CTN, determinou a responsabilização solidária das pessoas físicas ou jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal. A situação que serviu de base para a constituição do fato gerador do IRPJ (o lucro) é a receita depositada nas contas bancárias da MGE Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, ao longo do anocalendário 2011, num total de R$ 124.299.825,20, para qual não foi comprovada sua origem (art. 42, Lei 9.430/96). A recorrente, Transportadora e Comércio de Suínos São Gabriel Ltda, foi solidariamente responsabilizada pelos créditos Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 12571.720237/201429 Acórdão n.º 1401002.750 S1C4T1 Fl. 1.563 7 tributários devidos pela MGE, por receber, via transferências eletrônica de valores, parcela da receita recebida por esta empresa, na ordem de R$ 32.000.000,00. O ônus da prova da parte que aproveita a alegação. De efeito, considerando que na responsabilização solidária há um detrimento econômico dos responsáveis em proveito ao fisco, é ônus do fisco comprovar a situação fática que configura o interesse comum propalado pelo inciso I do art. 124 do CTN. No caso específico, o interesse comum se configuraria pela confusão ou coparticipação das partes envolvidas, no mesmo pólo da relação jurídica que ensejou o fato gerador do imposto, o recebimento da receita tributável Ocorre que crédito tributário tem origem em depósitos bancários de origem não comprovada. De modo que não há como saber se a recorrente tinha participação nas relações jurídicas que deram causa aos depósitos bancários. O legislador permitiu a presunção de omissão de receita por parte dos titulares da conta, quando estes não comprovem a origem do crédito bancário. Entretanto, o permissivo não se estende terceiros, ressalvada a hipótese de interposição de pessoas, quando os titulares de fato das contas tem total interesse na relação jurídica tributária. O fato aventado pela fiscalização, não permite concluir de pronto pela interposição de pessoas. Observese que a receita transferida pela MGE à recorrente (R$ 32.000.000,00) é substancialmente inferior aos depósitos bancários não comprovados (R$ 124.299.825,20). O fato aventado pela fiscalização é na verdade um forte indicio do interesse comum da recorrente no recebimento das receitas da MGE Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, mas insuficiente para concluir como tal. Para a configuração do interesse comum, caberia reunião de mais provas que corroborassem o indicio já alcançado. E certo ainda que a recorrente poderia ser sujeito passivo de crédito tributário constituído a partir dos depósitos transferidos às sua conta bancária, na forma do art. 42 da Lei 9.430/96, vez que não comprovou a natureza da operação de origem ao depósito bancário. Todavia, a luz do processo, este não foi o caminho escolhido pela autoridade lançadora. Razões porque se vota pelo afastamento da TRANSPORTADORA E COMÉRCIO DE SUÍNOS SÃO GABRIEL LTDA do pólo passivo da obrigação tributária.” Fl. 1566DF CARF MF 8 Da análise da decisão recorrida, é possível verificar que a DRJ entendeu que o artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), exige o “interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo”, assim é que, não haveria como saber se a recorrente tinha participação nas relações jurídicas que deram causa aos depósitos bancários. O segundo fundamento adotado foi o de que: O legislador permitiu a presunção de omissão de receita por parte dos titulares da conta, quando estes não comprovem a origem do crédito bancário. Entretanto, o permissivo não se estende terceiros, ressalvada a hipótese de interposição de pessoas, quando os titulares de fato das contas tem total interesse na relação jurídica tributária. O fato aventado pela fiscalização, não permite concluir de pronto pela interposição de pessoas. Observese que a receita transferida pela MGE à recorrente (R$ 32.000.000,00) é substancialmente inferior aos depósitos bancários não comprovados (R$ 124.299.825,20). O fato aventado pela fiscalização é na verdade um forte indicio do interesse comum da recorrente no recebimento das receitas da MGE Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, mas insuficiente para concluir como tal. Pois bem, quanto ao segundo argumento que fundamentou a decisão recorrida, desde já afirmo que discordo da decisão a quo. De fato, a lei prevê uma presunção legal de omissão de receitas, a qual foi confirmada de forma definitiva. A partir de então foi lançado um crédito em face ao titular das contas bancárias em que se movimentaram os recursos omitidos. Coisa distinta, é a atribuição de responsabilidade solidária em qualquer das suas hipóteses previstas no CTN. Frisese que o objetivo do legislador ao instituir a responsabilidade tributária, foi assegurar à Fazenda Pública o efetivo recebimento dos créditos devidos, em situações que o contribuinte se tornar pouco acessível a cobrança, ou o tributo não puder ser normalmente pago. É fato que, como regra, o tributo deve ser cobrado da pessoa que pratica o fato gerador. Nessas condições, surge o sujeito passivo direto (contribuinte). Em certos casos, no entanto, o Estado pode ter necessidade de cobrar o tributo de uma terceira pessoa, que não o contribuinte, que será o sujeito passivo indireto (“responsável tributário”). Não se discute aqui que a MGE Comércio é a contribuinte e sujeito passivo direta da relação obrigacional tributária, relação essa gerada após a ocorrência de um fato gerador presumido por lei, mas confirmado diante da inexistência de questionamento ou desfazimento da presunção legal (relativa). Entretanto, o CTN (Lei Complementar), atribui hipóteses em que, tendo o objetivo de assegurar o recebimento do crédito, terceiros podem se tornar responsáveis. Exatamente o que ocorreu no caso concreto. Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 12571.720237/201429 Acórdão n.º 1401002.750 S1C4T1 Fl. 1.564 9 Assim é que entendo que o referido argumento é inaplicável ao caso concreto. Situação distinta é a do primeiro argumento, o de que para fins de aferição do interesse comum seria necessário que o responsável participasse da relação jurídica que deu origem ao fato gerador. Situação diferente porque, em entendendo que não resta configurado o interesse comum, não haveria o que se falar de responsabilidade solidária. Pois bem. Esse fundamento não é novo neste CARF. Ademais, em análise da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, é possível verificar que a corte, de forma pacífica, entende que a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN só pode ocorrer quando o interesse comum na realização do fato gerador seja o interesse jurídico, que pressupõe a prática conjunta do fato, o que afasta a responsabilidade pela simples circunstância de uma sociedade pertencer ao mesmo grupo econômico de outra. Por outro lado, é interessante notar que os casos analisados pelo STJ, que levaram a formação deste entendimento, são bem antigos e não enfrentam o redirecionamento aos grupos econômicos de fato envolvidos em suspeita de fraude, simulações ou abuso de personalidade jurídica. O que se verifica é que a análise de casos mais complexos que envolvem grupos econômicos de fato, por vezes envolvidos em fraude, tem sido obstada pela aplicação cada vez mais alargada da Súmula 07, que impede o STJ de averiguar matéria de fato em Recurso Especial. Assim, independente da fundamentação das instâncias inferiores, a corte tem mantido as decisões sem adentrar no mérito. Como bem pontua o Ex Conselheiro Marcos Neder1: Importante ressaltar que o simples fato de pertencer a um grupo de sociedades não pode, por si só, levar a uma tributação solidária das empresas. A atribuição de responsabilidade tributária solidária a uma sociedade por fatos geradores praticados por outras empresas do grupo é excepcional e regulada restritivamente na lei tributária. Apenas quando uma sociedade tem comprovadamente interesse comum na situação que constitua o fato gerador será possível a imposição da responsabilidade solidária com base no art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Vigora em nosso ordenamento a diretriz geral de preservação da autonomia jurídica dos integrantes do grupo de sociedades (personalidade própria) e da impossibilidade de a responsabilidade tributária transbordar da sociedade que realizou o fato gerador. (...) 1 https://www.jota.info/opiniaoeanalise/artigos/ocarfeasolidariedadetributarianogrupoeconomico 06052015 Fl. 1568DF CARF MF 10 O fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não pode ser o mero interesse de fato, mas sim o interesse jurídico que surge a partir de direitos e deveres comuns entre pessoas numa mesma relação jurídica privada que constitui o fato gerador. Para isso, é indispensável o órgão aplicador comprovar o interesse comum na relação jurídica subjacente que serve como suporte para o surgimento do fato gerador do tributo. De fato, a análise do alcance e do conceito da terminologia "interesse comum" é absolutamente tormentosa, e não poderia ser mais vago. Alguns interpretes ao analisar de forma estrita o texto legal2 entendem que ao se referir ao interesse comum na situação que constitua o fato gerador, o CTN delimitou tal responsabilidade ao chamado interesse ou vínculo jurídico. E parece que foi essa linha que seguiu o STJ, ressaltando, é claro, que a referida corte firmou tal entendimento em situações menos complexas, e não tem adentrado ao mérito em novas análises. É difícil, para não dizer impossível, separar algumas situações em que o interesse econômico não dependa, necessariamente, do interesse jurídico na relação que constitua o fato gerador. Ou ainda, que tal interesse ou vínculo jurídico, também não resulte, necessariamente de um interesse no resultado econômico. De fato, a interpretação de tal dispositivo não pode ser tão alargada ao ponto de, aceitando a subjetividade do termo legal adotado, se atribuir de forma indiscriminada responsabilidade solidária a qualquer contribuinte que de alguma forma tenha obtido algum resultado econômico. Afinal, como se dizer que um fornecedor legítimo da autuada, não tenha interesse no sucesso da sua atuação (mesmo que indiretamente resultante de sonegação), para poder fornecer maiores volumes de mercadorias. Claro que este não é o objeto do legislador, e nem o meu entendimento. Entretanto, não vejo como restringir absolutamente a aplicação do dispositivo legal, a situações em que o responsável solidário tenha participado diretamente do fato ou situação que gerou o fato gerador. Quem participa diretamente de tal situação, é sempre o contribuinte de fato. 2 CTN Lei nº 5.172 de 25 de Outubro de 1966 Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 12571.720237/201429 Acórdão n.º 1401002.750 S1C4T1 Fl. 1.565 11 A participação do responsável é, e sempre será, indireta. Entretanto, necessário que exista nexo entre a conduta da devedora solidária e a suposta infração, não necessariamente a realização do próprio fato gerador. Exatamente por isso é necessário aferir caso a caso, a existência desse nexo, razão pela qual não se pode adotar de maneira indiscriminada a posição majoritariamente manifestada pelo STJ. E nesse sentido, diante da grande incerteza quanto ao alcance de tal definição, como não poderia deixar de ser diferente, são várias as posições manifestadas em julgamentos deste CARF, não havendo um entendimento uníssono, até pela necessidade de avaliação dos fatos verificados e provas produzidas em cada caso. Na linha das decisões que afastam a responsabilidade solidária por interesse comum, a tese majoritária é a aplicação do entendimento majoritário do STJ de forma direta, a exemplo do Acórdão n. 1402001.886 (julgado em 27/11/2014) de Relatoria do Conselheiro Fernando Brasil, em que o mesmo defende que a responsabilidade solidária não é meio de inclusão de terceiro na lide, mas elemento de graduação dos que já compõem o polo passivo. Diz ainda que, para haver interesse comum, a situação jurídica realizada por alguém, gera os mesmos direitos e deveres para outra. Com a devida vênia ao Nobre e brilhante colega Conselheiro, não concordo com a posição manifestada. Entendo que ele se refira à solidariedade decorrente da realização direta do fato gerador. Nesse caso não estaríamos falando de terceiro responsável, mas do próprio contribuinte ou contribuintes de fato. Por sua vez, na linha contrária, também diversas decisões mantendo a responsabilidade solidária por interesse comum em situações em que exista fraude ou abuso de personalidade jurídica, confusão patrimonial, grupo econômico ou a demonstração de um nexo entre a atuação do solidário e a ocorrência da infração. Ressaltese, tal linha argumentativa não adota o entendimento restrito do mero interesse econômico, afinal de contas, como já me manifestei, entendo que toda e qualquer pessoa que tenha qualquer tipo de relação econômica com o contribuinte tem, de certa forma, interesse econômico. Entretanto, na análise de caso a caso outros fatos e provas confirmam o nexo, mesmo que indireto, do responsável solidário. É o caso do entendimento manifestado nos Acórdãos 1102001.102 (julgado em 06/05/2014) e 1102001.032 (julgado em 11/03/2014), do Conselheiro Ricardo Marozzi, no qual verificou que as pessoas físicas eram titulares de fato e beneficiárias dos recursos fornecidos pelo contribuinte, tendo interesse imediato na situação que constitui o fato gerador. Nessa linha, em havendo a confusão patrimonial, elas se beneficiaram diretamente e tinham interesse no fato que constitui o fato gerador. Também nesse sentido é o Acórdão 1102001.301 (julgado em 03/03/2015) do Conselheiro Ricardo Marozzi: Fl. 1570DF CARF MF 12 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL.Caracteriza a confusão patrimonial de esferas pessoais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a conseqüente responsabilização solidária, beneficiarse pela utilização da estrutura legal e da conta bancária de titularidade da empresa contribuinte. Seguindo a mesma linha da confusão patrimonial, o Conselheiro Marcos Takata no Acórdão 110300.188 (julgado em 18/05/2010), em que detectou confusão patrimonial nas atividades desenvolvidas por duas pessoas jurídicas. Outras situações também são ventiladas para fins de manutenção da responsabilidade solidária por interesse comum (fraude, abuso de direito, desconsideração de personalidade jurídica, etc), mas me limito à posição trazida por ser base do fundamento trazido pela acusação no seu TVF. Nesse sentido é que se faz necessário, verificar o nexo e a confusão patrimonial identificada pela autoridade fiscal. Pois bem. Ficou comprovado que a pessoa jurídica Transportadora e Comércio de Suínos São Gabriel Ltda, CNPJ 05.805.245/000100, figurou como beneficiária direta de transferências (TED´s) de mais de R$32.000.000,00 (trinta e dois milhões de reais) realizadas pela fiscalizada, assim como, que a referida Transportadora também foi comandada pelo Sr. Aparecido Domingues dos Santos, CPF: 205.656.15904, num primeiro momento, como sócio ostensivo, integrante de seu quadro societário, e num segundo momento, como procurador, a quem lhe foi concedido amplos, gerais e ilimitados poderes para gerir a empresa e movimentar as suas contas bancárias, no mesmo modus operandi perpetrado para gerir a fiscalizada. Acrescentese a isso que não há qualquer prova de efetiva prestação de serviço da referida transportadora que contraponha as provas do repasse direto e transferência patrimonial dos recursos obtidos através da sonegação do pagamento de tributos pela autuada que, em que pese tenha movimentado mais de R$ 120 milhões de reais, não declarou o pagou os tributos incidentes sobre sua atividade. As transferências de recursos foram feitas pela autuada para a responsável solidária, e realizadas em período em que o outro responsável solidário (Sr. Aparecido) era procurador das duas empresas. O agente fiscal também obteve as provas (fls. 1153/1169) de que o Sr. Aparecido Domingues dos Santos, CPF: 205.656.15904, foi sócio da responsável solidária. O agente fiscal também obteve junto ao Tabelionato de Notas e de Protestos de Joaquim Távora 02 (duas) procurações outorgadas pela Transportadora e Comércio de Suínos São Gabriel Ltda ao Sr. Aparecido Domingues dos Santos, CPF: 205.656.15904, pelas quais lhe foi concedido amplos e gerais poderes para gerir e administrar a referida empresa (fls. 1205/1206), assim como, para abrir e movimentar suas contas bancárias (fls. 1207/1208) no período fiscalizado. Assim, a meu ver, existe clara confusão patrimonial entre a autuada e a responsável solidária, além de um nexo claro comum entre as duas, o Sr. Aparecido Domingues dos Santos. Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 12571.720237/201429 Acórdão n.º 1401002.750 S1C4T1 Fl. 1.566 13 Desta feita, mais do que meros indícios de existência de interesse comum (como entendeu a decisão recorrida), entendo restar cabalmente comprovado não só o interesse jurídico e o nexo, uma vez que a Transportadora São Gabriel funcionava como clara destinatária dos recursos obtidos ilegalmente pela autuada, tendo como nexo o mesmo operador, o outro responsável solidário o Sr. Aparecido. Este responsável que, a meu ver, é o claro sócio e dono de fato das duas empresas. Ora, não são poucos os precedentes do CARF atribuindo a responsabilidade solidária ao sócio de fato em razão do interesse comum e o destino econômico dos recursos obtidos. Citase como precedentes os Acórdãos 120200.701 (Cons. Leonardo Couto), 1401.00.103 e 140100.104 (Cons. Antônio Bezerra). Nesses precedentes, a situação é ainda mais simples, existe um sócio de fato que administra a empresa (que no caso concreto seria o Sr. Aparecido), e que é destinatário dos recursos da pessoa jurídica. Não há dúvidas, nesses casos, que haveria responsabilidade solidária por interesse comum do sócio de fato. Entretanto, no caso dos presentes autos, bastaria a formatação de um esquema um pouco mais sofisticado fazendo a transferência dos recursos obtidos de forma ilícita pela contribuinte para uma terceira pessoa jurídica, que passaria a deter o patrimônio obtido. Empresa essa, digase de passagem, que não comprovou a realização de nenhuma atividade econômica de fato. E no meio das duas, o mesmo operados e sócio de fato, o Sr. Aparecido. Entendo, com a devida vênia, que as situações são absolutamente análogas, sendo absolutamente comprovado no caso concreto, a existência de nexo, confusão patrimonial e interesse (jurídico e econômico) com os fatos geradores dos tributos exigidos. Se assim não fosse, essa seria a "blindagem perfeita". Ademais, mesmo entendendo restar absolutamente comprovado o vínculo e interesse comum da responsável solidária TRANSPORTADORA E COMÉRCIO DE SUÍNOS SÃO GABRIEL LTDA, outros fatos que não eram de conhecimento da autoridade fiscal à época do lançamento apenas corroboram e reafirmam a responsabilidade solidária. O Sr. Aparecido Domingues dos Santos foi alvo da Operação Publicano, que investiga um esquema de corrupção na Receita Estadual do Paraná, Luiz Antonio de Souza exigiu R$ 1,1 milhão de um empresário de Quatiguá, no norte do Paraná, para não incluílo na delação premiada. Isso é o que apontou as investigações do Ministério Público do Paraná (MP PR)na quinta fase da operação3. Desde de abril de 2015, Souza colaborou com as investigações da promotoria. Detalhou o esquema de recebimento e cobrança de propina para facilitar a sonegação de impostos de empresas. O MPPR denunciou 52 pessoas por envolvimento no esquema de corrupção envolvendo servidores da Receita. Entre elas estão oito auditores da Receita, dez empresários, três advogados, três presos, um policial civil, um contador e 25 pessoas que atuavam como ‘laranjas’. Os auditores são Luiz Antônio de Souza, a irmã dele Rosângela Semprebom, José 3 https://www.bonde.com.br/bondenews/londrina/justicarevogaprisaodeempresarioacusadodepagarpropina paraauditoresdareceitaestadual441382.html Fl. 1572DF CARF MF 14 Luiz Favoreto, Márcio de Albuquerque Lima, Mário Sanzovo, Roberto Oyama, Milton Digiácomo e Marco Antônio Bueno. Entre os empresários denunciados estão Aparecido Domingues do Santos, o Dinho do Porco, de Quatiguá, e Antonio Luiz da Cruz. Segundo as investigações, os dois criaram empresas de fachada para sonegar impostos. A fraude teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão para manter o negócio, e conforme o MPPR, o grupo pagava propina para auditores corruptos. O empresário Aparecido Domingues dos Santos, mais conhecido como "Dinho do Porco", foi denunciado pelo Ministério Público por criar empresas de fachada para sonegar impostos. Ele ainda é acusado de, com Antonio Luiz da Cruz, ter pagado propina para auditores da Receita Estadual presos durante a Operação Publicano, que descobriu um esquema criminoso instalado há anos no órgão. Apesar de ter sido solto pela 3a. Vara Criminal de Londrina em abril de 2017, o responsável solidário teve HC negado pelo STF4 em decisão datada de 22 de junho de 2016, do Min. Dias Toffoni, que aplicando o entendimento que era pacífico na Suprema Corte (até uma recente modificação do seu entendimento), não conheceu do HC que se volta contra decisão monocrática do Relator da causa no Superior Tribunal de Justiça não submetida ao crivo do colegiado por intermédio do agravo interno. Ao que interessa para o presente caso, é a citação à denúncia do MPPR: Segundo o Ministério Público, o objetivo da organização era a sonegação fiscal, notadamente de ICMS, decorrente da movimentação financeira das empresas cujos proprietários de fato seriam ANTÔNIO LUIZ DA CRUZ e APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS, consoante já explanado. Tais empresas, todas pertencentes a um mesmo grupo empresarial, seriam, dentre outras, Suilondri, Swinia Comércio de Alimentos Ltda., GF Agroindústria e Participações, Distribuidora e Transporte de Carnes Suita Ltda., 5nco Comércio e Transporte de Suínos Ltda. ME, Maiale, Suicar e São Gabriel. [...] Verificase, portanto, que o modus operandi identificado pelo agente autuante é muito claro, e consiste em um esquema de sonegação de tributos liderado pelo Sr. Aparecido Domingues dos Santos com a utilização de empresas de fachada pertencentes ao mesmo grupo empresarial, entre elas a Transportadora de Suínos São Gabriel. Tais fatos, certamente não constam do TVF, mas no meu entender, apesar de desnecessários para firmar o meu convencimento, já acima externado, apenas o reafirmam a minha convicção de comprovação de interesse jurídico, econômico, confusão patrimonial e nexo causal entre a autuada, o Sr. Aparecido e a TRANSPORTADORA E COMÉRCIO DE SUÍNOS SÃO GABRIEL LTDA. 4 http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/visualizarEmenta.asp?s1=000294491&base=baseMonocraticas Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 12571.720237/201429 Acórdão n.º 1401002.750 S1C4T1 Fl. 1.567 15 Assim é que, voto por dar provimento ao Recurso de Ofício para restabelecer a responsabilidade solidária da TRANSPORTADORA E COMÉRCIO DE SUÍNOS SÃO GABRIEL LTDA. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1574DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.903388/2009-03
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 30/09/2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DIPJ POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Erro no pedido de compensação. DIPJ retificada após o despacho decisório. Ausência de provas que pudessem demonstrar ter a empresa efetuado o cálculo do imposto de forma equivocada, bem como ausência de informações e provas de como o novo cálculo foi realizado pela controbuinte.
Numero da decisão: 1003-000.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador: 30/09/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DIPJ POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Erro no pedido de compensação. DIPJ retificada após o despacho decisório. Ausência de provas que pudessem demonstrar ter a empresa efetuado o cálculo do imposto de forma equivocada, bem como ausência de informações e provas de como o novo cálculo foi realizado pela controbuinte.
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RETIFICAÇÃO DA DIPJ POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Erro no pedido de compensação. DIPJ retificada após o despacho decisório. Ausência de provas que pudessem demonstrar ter a empresa efetuado o cálculo do imposto de forma equivocada, bem como ausência de informações e provas de como o novo cálculo foi realizado pela controbuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 33 88 /2 00 9- 03 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10469.903388/200903 Acórdão n.º 1003000.092 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1135.537, de 25 de novembro de 2011, da 1ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Por economia processual e em razão de concordar com as colocações constantes na decisão da DRJ, destacase, abaixo, o seu Relatório: Em 17/05/2005, foi recepcionada a declaração IRPJ SIMPLES e CANCELADA VIA BATCH em 10/06/2009, fls. 24 a 31v. Em 24/11/2005, a interessada transmitiu PERDCOMP eletrônica n°29745.89606.241105.1.3.048190. visando compensar DARFSIMPLES recolhido pela sistemática do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples — Código de Receita 6106, relativo a período de apuração setembro de 2004, no valor de R$3.236,40, pago em 11/10/2004, fls. 05,23 e 36, com débito de sua responsabilidade código 610600 SIMPLES no valor original de R$2.671,48, período de apuração agosto de 2005, vencimento 12/09/2005, fl. 06. Em 25/05/2009, a DRF/NatalRN emitiu Despacho Decisório eletrônico, com ciência em 02/06/2009, fls. 01 e 02, não homologando a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de outro débitos do contribuinte , não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. Em 10/06/2009, a contribuinte transmitiu a declaração IRPJ SIMPLES RETIFICADORA e esta foi recepcionada e LIBERADA VIA BATCH na mesma data, fls. 33 e 34. contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do Código Tributário Nacional CTN). Alega a inconformada que o valor correto do imposto devido seria inferior ao declarado na Declaração Anual Simplificada — PJSI 2005 Original, aduzindo haver apresentado Declaração Anual Simplificada — PJSI 2005 — Retificadora.(...) O acórdão de nº 1135.537 julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente com a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10469.903388/200903 Acórdão n.º 1003000.092 S1C0T3 Fl. 4 3 INEXISTENTE Somente se comprovada' a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização na extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em Declaração Anual Simplificada PJSI. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO ANUAL SIMPLIFICADA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. 0 erro do valor do débito apontado na Declaração Anual Simplificada PJSI, de cuja retificação resulte crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovado mediante apresentação de documentos hábeis. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A manifestação de inconformidade deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destaca que "a alíquota dispensada à prestação de serviços encontrase em patamar superior àquela reservada para taxar as operações de comércio. Desse modo, resta manifesto que a Recorrente, ao indicar equivocadamente sua atividade como prestação de serviço, sofreu prejuízo, recuperável através das pertinentes compensações". Requereu, por fim, a homologação do pedido de compensação. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo, conforme atestado às fls. 102, e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10469.903388/200903 Acórdão n.º 1003000.092 S1C0T3 Fl. 5 4 Verificase pela narrativa da própria Recorrente que essa realizou o pedido de compensação em razão de recálculo do valor do Simples a pagar no ano, haja vista ter identificado que calculou o imposto com equívocos. O pedido de compensação foi transmitido em 24/11/205. Uma vez que a Receita Federal não identificou nenhum crédito a ser compensado em nome da Recorrente, em 25/05/2009, proferiu Despacho Decisório negando a homologação da compensação declarada. A empresa foi cientificada da decisão em 02/06/2009 (fl. 08). Em sua manifestação de inconformidade a Recorrente declara ter realizado o pedido de compensação antes de retificar a Declaração Anual Simplificada PJSI 2005, e informa ter realizado a retificação. Conforme consulta das Declarações IRPJ, é possível verificar que a Declaração retificadora foi transmitida em 10/06/2009 (fls. 33), posterior, portanto, ao Despacho que não homologou a compensação pleiteada. Logo, era impossível a autoridade administrativa identificar eventual crédito em nome da empresa, quando da emissão do Despacho Decisório. Estando, por conseguinte, correto o referido Despacho. Somente após a não homologação da compensação a Recorrente efetuou a retificação da Declaração Anual Simplificada, na qual, de fato, apresenta crédito em nome da mesma. Contudo, uma vez que foi ajustada apenas após o despacho, deveria ter sido acompanhada de documentos que demonstrem o equívoco no cálculo do imposto, visto que as atividades da empresa constante no contrato social podem ser consideradas serviços ou apenas locação de bens móveis. Sendo assim é imprescindível para a solução da questão e identificação quanto ao crédito, que a Recorrente tivesse colacionado aos autos documentos contábeis suficientes que demonstrassem o equívoco no cálculo do Simples, bem como o novo cálculo considerando ter retificado o erro. A decisão de primeira instância administrativa, inclusive, consignou que a Recorrente não havia apresentada nenhuma documentação comprobatória, conforme abaixo: (...) 10.4 A empresa em questão, conforme consta em Aditivo ao seu Contrato Social exerce a locação dos veículos com e sem motorista. Quando o veiculo é locado sem motorista, fica fora da lista de serviços da LC 116/200. Mas quando é locado com motorista existe o serviço embutido. 0 certo seria a empresa declarar o Simples Federal separando os dois casos. Com motorista ficaria na alíquota majorada por ter prestação de serviços e sem motorista pegaria a alíquota de comércio. 10.5 Porém, no presente processo não consta documentação comprobatória, apresentada pela contribuinte, demonstrando quais e de qual forma as locações foram efetuadas. (...) Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10469.903388/200903 Acórdão n.º 1003000.092 S1C0T3 Fl. 6 5 A Recorrente poderia ter apresentado essa documentação no prazo do Recurso Voluntário, haja vista que a tendência dos julgadores é permitir a juntada de documentos, desde que obedecido o prazo para recorrer. Porém, mais uma vez, a Recorrente deixou de trazer aos autos quaisquer provas que pudessem corroborar com suas alegações. Quanto ao ônus da prova, vejamos a legislação pertinente: DECRETO Nº 70.235, DE 1972 PAF Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]LEI Nº 9.784, DE 1998 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. LEI Nº 5.869, DE 1973 CPF Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Nesse compasso, inexistente no processo as provas que pudessem demonstrar ter a empresa efetuado o cálculo do imposto de forma equivocada, nem provas de como o novo cálculo foi realizado pela mesma. Diante do exposto, os créditos apontados na DCOMP, não restaram comprovados nos presentes autos, razão pelo qual está correta a decisão de piso. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914238/2012-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO.
Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-004.292
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 38 /2 01 2- 23 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914238/201223 Acórdão n.º 3401004.292 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra acórdão de Manifestação de Inconformidade, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra despacho decisório que negou a existência de direto creditório da Recorrente referente à COFINS. Da PER/DCOMP e do Despacho Decisório A Recorrente apresentou pedido de Restituição de crédito de COFINS supostamente recolhida a maior em decorrência da inclusão do ICMS na base de cálculo da respectiva contribuição. Vale ressaltar que o pedido não restou baseado em decisão judicial transitada em julgado ou nas demais hipóteses previstas na IN RFB 900/2008, vigente quando do despacho decisório, ou mesmo até o presente, nos termos da IN RFB 1.717/2017, quando relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu o referido tributo. Diante disso, não presentes os requisitos formais e materiais para a constituição do crédito em favor do contribuinte, foi exarado despacho decisório negando o direito pleiteado por insuficiência probatória. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, afirmando em suma: · Que o PER/DCOMP se refere a crédito decorrente de pagamento a maior de contribuição social, em razão da inclusão do ICMS nas suas respectivas bases de cálculos. · Que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é inconstitucional, conforme já reconhecida à época por decisões dos tribunais superiores (faço parêntese para ressaltar que ainda não havia sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, ocorrido somente em 15.03.2017), e portanto, os pagamentos pretéritos da contribuição para o PIS e da COFINS seriam indevidos, fazendo a Recorrente jus à devolução do montante via ressarcimento. Frisese que, além das alegações de direito, não houve a inclusão de qualquer prova material da composição dos valores pleiteados. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 1278.397, através do qual a respectiva Manifestação foi tida como improcedente, face a não comprovação da existência do crédito pleiteado. Do Recurso Voluntário Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914238/201223 Acórdão n.º 3401004.292 S3C4T1 Fl. 0 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo a reprisar os argumentos apresentados na sua peça impugnatória. Pediu, alternativamente ao provimento do Recurso – para ser reconhecido o direito creditório – o sobrestamento do feito até a ulterior decisão do STF sobre a matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.249, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.912230/201222, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.249): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Em que se pese ter ocorrido recentemente a decisão do citado Recurso Extraordinário (RE 574.706/RG, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia), sob os efeitos da repercussão geral, fato notório e objeto de ampla análise pela mídia especializada, é notório também que tal acórdão ainda está pendente de análise dos embargos de declaração, especialmente sobre a modulação temporal dos efeitos da decisão. Pode ser que essa modulação não tenha aplicação prática para muitos dos contribuintes, diante do fato de que muitos ingressaram com ações judiciais autônomas para discutir a tese da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base das contribuições sociais. Porém, o presente caso é bem diferente. Não consta nos autos qualquer referência a qualquer medida judicial preparatória tomada pelo contribuinte para fazer valer o entendimento que fora objeto de discussão pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do mencionado Recurso Extraordinário. Tampouco existe decisão da Ação Direta de Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914238/201223 Acórdão n.º 3401004.292 S3C4T1 Fl. 0 4 Constitucionalidade 18, que trata da mesma matéria, que pudesse gerar efeitos erga omnes à pretensão da Recorrente. Diante disso, muito embora o resultado do RE 574.706/RG parecer estar em comunhão com a pretensão da Recorrente, o precipitado modus operandi para reaver os supostos pagamentos indevidos não resta em linha com a legislação em vigor, impedindo o reconhecimento do direito creditório no presente momento. Explico. A Lei Federal 9.430/1996, ao dispor sobre a compensação e ressarcimento de tributos federais, transferiu a competência para regulamentar plenamente a matéria para a própria Receita Federal do Brasil, que o fez, sucessivamente, através das Instruções Normativas SRF/RFB 22/1996, 210/2002, 460/2004, 600/2005, 900/2008, 1.300/2012 e 1.717/2017 Em sua última regulamentação, o artigo 75, dispõe que somente serão admitidos os pedidos de ressarcimentos/compensação decorrenteS de pagamento indevido por haver reconhecimento da inconstitucionalidade da lei tributária, nas seguintes hipóteses: Art. 75. É vedada e será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito: (...) VI tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: a) tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; b) tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; c) tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou d) seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. Não é o caso presente. Por último e derradeiro, caberia, sim, ao contribuinte, para salvaguardar sua pretensão do efeito da decadência tributária, ajuizar, à época, medida judicial própria de modo a suspender tal prazo enquanto não houvesse o controle difuso de Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914238/201223 Acórdão n.º 3401004.292 S3C4T1 Fl. 0 5 constitucionalidade ou a decisão transitada em julgado interpartes; e aguardar o desfecho das respectivas ações. Por isso mesmo, não resta qualquer razão à Recorrente nesse particular, restando também prejudicado, pelos mesmos fundamentos, o pedido de sobrestamento do feito. De outro modo, mesmo que fosse superada essa questão, a Recorrente, em nenhum momento, esmerouse em demonstrar a liquidez de seu direito creditório – mediante a apresentação de demonstrativos de cálculo das contribuições, livros fiscais de ICMS e respectivas notas fiscais de venda, entre outros documentos importantes para a validação do crédito pleiteado –, limitandose a anexar uma planilha impressa com o cálculo do crédito pleiteado sem qualquer documentação suporte, apenas apresentada já na fase de Recurso. Estaríamos, portanto, diante de hipótese de carência probatória. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.977149/2016-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2014 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 49 /2 01 6- 40 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.977149/201640 Acórdão n.º 1401002.628 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/03/2014, no valor de R$ 170.565,24, transmitida através do PER/Dcomp nº [...]. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. [...], pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em [...], o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade [...], para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/03/2014 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter retificado a DCTF antes da decisão do indeferimento da compensação e, ainda, por não ter apresentado comprovação de que não existiria saldo de CSLL a pagar no período. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.977149/201640 Acórdão n.º 1401002.628 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.603, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977128/2016 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.603): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ/CSLL. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso realizei consultas à DIPJ apresentada referente ao período de apuração do pagamento, assim como sobre a disponibilidade do pagamento realizado. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ/CSLL do período de apuração do DARF. Restando configurado serem devidos os débitos aos quais o pagamento foi alocado. marTendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o exercício, verificamos que a empresa realizou o pagamento e que este foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.977149/201640 Acórdão n.º 1401002.628 S1C4T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720151/2016-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
ARBITRAMENTO DE LUCRO. NÃO CABIMENTO.
O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
Erros pontuais identificados no Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque de um dos estabelecimentos da contribuinte, que representa cerca de 15% do faturamento global, não autorizam o arbitramento do lucro, ainda mais quando a verificação do custo de produção e a determinação do lucro real poderiam ter sidos realizados por meios próprios previstos em lei.
IRPJ. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao IRPJ é aplicável aos lançamentos reflexos (CSLL, PIS e COFINS).
Numero da decisão: 1201-002.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 29/06/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012 ARBITRAMENTO DE LUCRO. NÃO CABIMENTO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Erros pontuais identificados no Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque de um dos estabelecimentos da contribuinte, que representa cerca de 15% do faturamento global, não autorizam o arbitramento do lucro, ainda mais quando a verificação do custo de produção e a determinação do lucro real poderiam ter sidos realizados por meios próprios previstos em lei. IRPJ. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao IRPJ é aplicável aos lançamentos reflexos (CSLL, PIS e COFINS).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. EDITADO EM: 29/06/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1744; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.720151/201635 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1201002.263 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria IRPJ E REFLEXOS ARBITRAMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MASTERFOODS BRASIL ALIMENTOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 ARBITRAMENTO DE LUCRO. NÃO CABIMENTO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Erros pontuais identificados no Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque de um dos estabelecimentos da contribuinte, que representa cerca de 15% do faturamento global, não autorizam o arbitramento do lucro, ainda mais quando a verificação do custo de produção e a determinação do lucro real poderiam ter sidos realizados por meios próprios previstos em lei. IRPJ. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao IRPJ é aplicável aos lançamentos reflexos (CSLL, PIS e COFINS). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 51 /2 01 6- 35 Fl. 7010DF CARF MF 2 EDITADO EM: 29/06/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração que exigem IRPJ e Reflexos (CSLL, PIS e COFINS), em relação aos anoscalendário de 2011 e 2012, apurados por arbitramento do lucro da contribuinte. O fundamento legal invocado pelo fisco foi o art. 530, II do RIR/99, em razão da caracterização de imprestabilidade dos livros fiscais apresentados para fins de verificação do custo de produção da contribuinte. Para melhor compreensão dos fatos apurados, a seguir transcrevo a conclusão constante do Termo de Verificação Fiscal de fls. 3.071/3.176: Conclusão O contribuinte estava obrigado a apresentar o Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, (inc. III e § 2o do art. 444 do RIPI/2010). Entre todos os documentos e arquivos apresentados, os únicos Livros modelo 3, formalmente existentes são os encadernados, recepcionados em 29/09/2015, por terem sido registrados junto ao Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e de Interdições e Tutelas da Sede Comarca de Moji Mirim, SP (art. 448 do RIPI/2010), os quais são IMPRESTÁVEIS. As pessoas jurídicas que utilizam sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária (Lei no 5.172, de 1966, art. 195, Lei no 8.218, de 1991, art. 11, e Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 72 art. 389 do RIPI/2010). Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil expedir os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados (Lei no 8.218, de 1991, art. 11, § 2o, Lei no 8.383, de 1991, art. 62, e Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 72, § 3o § 2o do art. 389 do RIPI/2010). Embora intimado e reintimado por diversas vezes, o contribuinte não apresentou os arquivos digitais dos aludidos livros. Fl. 7011DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 3 3 A imprestabilidade dos livros modelo 3, inviabilizou o prosseguimento da sistemática de tributação por auditoria de estoque e gerou o arbitramento do lucro, visto ser impossível determinar o custo de produção. III – D) Dos Livros Registros nos Livros de Entrada É requisito para o direito ao crédito das NF de aquisição, que os registros das aquisições sejam escrituradas no Livro de Entrada. Constatamos que o contribuinte registrou as Notas Fiscais de Aquisição em seu Livro de Entrada, porém grande parte delas com os seguintes erros: NCM incorreto, código da mercadoria incorreto, descrição da mercadoria incorreto, em lugar das mercadorias adquiridas, informa serviços de frete, pagamento de conta de telefone, válvulas, adesivos, etc. O quadro abaixo apresenta exemplos de erros observados, que representam valores e quantidades significativos. Nem as descrições das mercadorias nas NFe são confiáveis, tendo sido observados vários erros. [...] Os Livros foram considerados IMPRESTÁVEIS por conter vícios, erros e deficiências a que está obrigado (inc. II do art. 530 do RIR/1999 – Decreto nº 3.000, de 26/03/1999). IV DOS EVIDENTES E RECORRENTES ERROS DAS NOTAS FISCAIS Além de todos os erros dos Livros, constatamos que grande parte das Matérias Primas eram importadas e que as Notas Fiscais emitidas pelo próprio contribuinte para transporte da mercadoria e entrada na fábrica continham erros recorrentes, dentre os quais destaco: a omissão do código do produto com inclusão nesse campo do CFOP; e o nome da mercadoria divergente nos campos “Descrição da Mercadoria” e “Descrição Complementar”. Exemplificativamente apresento a NFe 204, emitida em 21/08/2012, que: traz como código do produto “CFOP3102”; Descrição da mercadoria “BARRA DE CHOC.RECH. MILK WAY”; Descrição Complementar “BARRA DE CHOC.RECH. SNICKERS(No Price)”, 1.320 CDA, R$ 137.387,51, e que o contribuinte, após intimação, informa tratarse do produto 10103280. Em todos os diversos Livros modelo 3 apresentados sequer consta a existência desse produto (10103280) no mês; no Livro de Entrada é registrado com CFOP 3102 (compra para comercialização) que, em tese, permite o crédito do IPI, mas na descrição da mercadoria consta “PAGTº CONTA TELEF.FAT 2458356 RJ” no valor dos R$ 137.387,51. Para onde terá ido a mercadoria importada, visto que para a fábrica não foi? V – DO CONTROLE DE PRODUÇÃO SUBSTITUTIVO Fl. 7012DF CARF MF 4 O contribuinte afirma no item 1, inciso V da sua resposta recepcionada em 17/11/2015 (DOC F 58), que operar na plataforma SAP e que o Livro modelo 3 é gerado no SAP, vide resposta. Em 14/03/2016 efetuamos reunião no estabelecimento industrial da filial de Guararema/SP, em que estiveram presentes os Senhores Pedro Borges, Leandro Furtado, Darcio Cordeiro, David Quintanilha, Senhora Joceli Vasconcelos e a Auditora Fiscal signatária. Naquela oportunidade os representantes da empresa abriram o sistema SAP em tela projetada e a autoridade fiscal solicitou, por amostragem, que fossem abertos os registros de produção referentes a alguns produtos e, simultaneamente, acompanhou os respectivos registros nos Livros modelo 3, apresentados pela empresa. Tal sistemática buscava realizar um relatório, no sistema SAP, que demonstrasse desde a NF de entrada todo o consumo do lote através da cadeia da estrutura do produto até a NF de saída do Produto acabado. Todos os registros solicitados por amostragem não estavam corretamente anotados no Livro modelo 3, impedindo a rastreabilidade, e com registros inexistentes no modelo 3 ou em quantidades divergentes dos apontamentos constantes no sistema SAP. Ademais, considerando como realidade fática o sistema SAP, inúmeros e variados registros não tinham sido apontados no Livro modelo 3. Segundo o gerente de pesquisa e desenvolvimento, engenheiro de alimentos, Sr. Darcio Cordeiro e o procurador e gerente fiscal da empresa, Sr. David Quintanilha, o correto seria o apontamento constante do sistema SAP. A título meramente exemplificativo, cito uma dos inúmeros registros solicitados na aludida reunião. Solicitamos acompanhar a entrada e destino dado ao material de embalagem, adquirido mediante a NF de nº 90110 (chave da NF 35120958331695000174550000000901101001039232), emitida e movimentada em 13/09/2012, pela empresa Ibratec Artes Graficas Ltda, CNPJ 58.331.695/000174, quantidade 89,6 mil. Constatamos que houve o registro da entrada da mercadoria no Livro modelo 3, no mesmo dia 13/09/2012, no produto 1199723, DISPLAY TWIX PB SINGLE BR04, das 89.600 CDA. Ou seja, tratase de um display, uma embalagem de apresentação, uma caixa. Solicitamos, por amostragem, que nos fosse mostrado um lote de saída referente à aquela entrada. O Sr. Darcio, consultando o sistema SAP, informou que o registro da saída de 9.792 CDA, doc nº 712802, em 07/11/2012, mesmo produto 1199723, corresponderia a um destino dado àquela entrada. Fl. 7013DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 4 5 Perguntado sobre o destino dado à saída, informou que fora aplicada no produto acabado M3538800, TWIX PEANUT BUTTER SINGLES 12X24X47,6G, unidade CDA, contudo o Livro modelo 3 não contém o registro da identificada e visualizada no sistema SAP. Naquela oportunidade, o Sr. David Quintanilha, garantiu que iria corrigir o Livro modelo 3, de forma a que ele espelhasse fielmente o sistema SAP. Consciente do problema, fizemos constar no item 6 do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 13/04/2016 (DOC F 67), que era facultado ao contribuinte apresentar, em substituição ao Livro modelo 3, o controle de produção substitutivo (sistema SAP), nos termos do inc. I do art. 466 do RIPI/2010. Contudo, embora o contribuinte tenha apresentado inúmeras versões dos Livros modelo 3, todas elas imprestáveis, em momento algum apresentou o sistema SAP que sempre esteve disponível e que pretensamente seria fiel à verdade material VI DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA SISTEMÁTICA DE AUDITORIA DE ESTOQUE Devido ao imenso número de mercadoria e produtos, selecionamos, por amostragem, algumas mercadorias/produtos para elaboração das planilhas de auditoria de estoque constantes do Termo de Intimação 28. Buscavase, mediante a técnica de Auditoria de Estoque, apurar diferenças no inventário e/ou nos estoques a partir do exame dos documentos, Declarações de Importações, Notas Fiscais de entrada e saída e da escrituração do estabelecimento. Nesse caso, a fórmula a ser aplicada é: Estoque não Registrado = Estoque Final Registrado Estoque Final Calculado Onde: Estoque Final Calculado = Estoque Inicial + Compras + Outras entradas Vendas – Outras Saídas. Estoque Inicial: retirado do Livro Registro de Inventário Compras: NF de compras. Outras Entradas: NF de devolução de vendas, de retorno de industrialização, entre outras. Vendas: NF de vendas. Outras Saídas: NF de devolução de compras, de saídas para amostras, feiras, entre outras. Estoque Final Registrado: Estoque Final do Inventário do estabelecimento. Fl. 7014DF CARF MF 6 As diferenças inicialmente apuradas foram apresentadas ao estabelecimento fiscalizado, mediante intimação, para justificá las com a respectiva comprovação hábil e idônea. As diferenças poderiam ser de dois tipos: (1) Estoque Final Calculado maior que o Estoque Final Registrado = Diferença Positiva: omissão de vendas, saídas de mercadorias sem Nota Fiscal; e (2) Estoque Final Calculado menor que Estoque Final do Inventário = Diferença Negativa: omissão de compras, entradas de insumos sem documentos fiscais (NF) e sem registro no Livro Registro de Entradas mod. 1, e consequentemente, pagamento de insumos com recursos não registrados na contabilidade, isto é, provenientes de receitas omitidas. Em síntese a construção da auditoria de estoque baseiase no seguinte princípio: · Duas pedras, que são os estoques inicial e final conforme Livro Registro de Inventário. · Entradas e saídas por Notas Fiscais e registros de produção, conforme NFe e Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque. A despeito da imensa boa vontade da fiscalização, os Livros demonstraram ser imprestáveis, inviabilizando a conclusão do procedimento pela linha de trabalho da auditoria de estoque, pois os registros e Livros apresentados não possuem a necessária fidedignidade. Por outro lado, e conforme adiantado, o caminho simples da tributação de todos os estoques negativos, valores omitidos, estoques de aparecem e somem do nada, estoques de mudam pela simples transposição de folhas, etc, seria no mínimo injusta, pois corresponderia a muitas centenas de vezes o faturamento da empresa, dado a evidente repetição de tributação. Um dos princípios norteadores da atividade fiscal é a busca da verdade material, cabendo ao fisco apurar a essência dos fatos ocorridos para só depois concluir pela tributação, ou não, na hipótese concreta, ocorre que toda a escrituração contábil/fiscal do contribuinte fundamentase sobre um verdadeiro lodo. Sendo realmente impossível asseverar onde estão os fatos. Evidentemente houve omissão de rendimentos devido a diferenças positivas e negativas de estoques, contudo, tornouse impossível calcular o montante do tributo devido (art. 142 do CTN) pela sistemática da auditoria de estoque. Fl. 7015DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 5 7 Não nos restou outra opção que não fosse arbitrar. Cientificada dos lançamentos, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 3.257/3.376). Alega, como preliminar: (i) a decadência parcial do lançamento, posto que a ciência do lançamento se deu em 12/12/2016, fazendo com que todo o período anterior a 12/12/2011 tenha sido alcançado pela decadência. Sustenta que o agravamento da multa é descabido, razão pela qual devese aplicar a regra decadencial prevista no art. 150, § 4° do CTN, e não o art. 173 do referido Código; (ii) a desconsideração de valores pagos de PIS/COFINS por parte da Fiscalização. A autoridade autuante teria levado em conta apenas as diferenças relativas aos períodos de 2011 e 2012 em que houve pagamento a menor (02/11, 05/11, 12/11, 01/12, 07/12, 08/12, 10/12, 11/12 e 12/12). Nos demais meses, em que houve pagamento superior ao montante apurado em arbitramento, simplesmente inseriu o valor "zero" em sua coluna "diferenças", prejudicando a IMPUGNANTE. Os valores em aberto referentes a tais contribuições seriam de R$ 480.058,71, a título de PIS e de R$ 1.667.886,91, a título de COFINS, conforme tabelas que apresentou às fls. 32673269; e (iii) ausência de exclusão de ICMS ST, IPI e receitas isentas da base de cálculo do PIS e COFINS. No mérito, sustenta, em resumo, que: (iv) no transcurso da fiscalização sempre houve pleno atendimento às intimações e boafé por parte da contribuinte. Além disso, a fiscalização recaiu exclusivamente sobre dados de custo e estoque do estabelecimento de Guararema (Linha Chocolate, dentre várias outras desenvolvidas); (v) o TVF é um documento extenso e de difícil cognição. O Livro Modelo 3, entregue em 01/09/2006, é que deve ser considerado crucial para a análise da validade ou não do arbitramento; (vi) o Livro Modelo 3, entregue em 01/09/2006, não é imprestável, conforme incorretamente alegado pela Fiscalização. Isso porque que os lançamentos na coluna "valor" somente são necessários nas operações de compra ou de venda de produto, não sendo necessários nas entradas por produção (entrada de material intermediário) ou de saída por consumo (emprego de material intermediário ou de consumo). Sempre que houve referência a uma nota fiscal, houve o correspondente lançamento na coluna valor. Para demonstrar este fato, anexou aos autos exemplos aleatórios, com milhares de registros, que, no seu entender, permitem aferir a regularidade do lançamento na coluna "valor" sempre que há menção a alguma nota fiscal; (vii) também não se sustenta a alegação do Fisco no sentido de que a contribuinte teria "omitido a coluna Lançamento". Ao contrário do que quer fazer crer a fiscalização, a coluna existe e conta com informações quando se trata de entradas e saídas lançadas nos Livros Modelos 1 e 2 —, como, quando nada registrou em tal coluna, é que Fl. 7016DF CARF MF 8 tratavase de operações internas de produção / consumo, conforme disposições literais do "RIPI" quanto ao Livro Modelo 3; (viii) o fato de o Livro Modelo 3 iniciar pela Folha 09 em nada prejudica a boa ordem do citado livro. Tratase de simples erro de paginação, totalmente irrelevante; (ix) não procede a acusação de que valores escriturados das notas fiscais estariam incorretos; (x) o fato de haver saldos negativos no meio dos períodos do Livro Modelo 3 decorre de simples lapso temporal (delay) entre apontamentos de produção e consumo, fato este ignorado pelo fisco; (xi) outro fator que poderia explicar os saldos negativos seriam as entradas e saídas "sem documentos" (com coluna "Documentos" vazia), as quais decorrem de ajustes entre o calendário civil gregoriano o "calendário SAP", que possui períodos de fechamento fixos de 28 dias. Em razão do menor número de dias, o "calendário SAP" conta 13 períodos, enquanto que o calendário civil conta 12 períodos, gerando distorções que são ajustadas no Livro Modelo 3, sem contudo, produzir qualquer influência nos estoques finais e custos finais; (xii) para cada um dos exemplos contidos na acusação fiscal há justificativa para o equívoco da fiscalização, instruída com a devida documentação probatória. Nas palavras do contribuinte: Diante da pontualidade, da improcedência ou da irrelevância para fins de custo e estoque dos apontamentos feitos pela r. Fiscalização, resta inegável que é um exagero considerar "imprestáveis" as escriturações da IMPUGNANTE para fins de apuração de IRPJ/CSLL. Para 100% das acusações demonstrou se concretamente ou a improcedência ou a existência documentada de explicações que provam não ter ocorrido nenhuma inconsistência estrutural, quanto menos para fins de custo. Como se não bastasse e veremos isso detalhadamente abaixo , a aferição dos custos seria possível por meio de procedimento legal alternativo expresso, em sendo ausentes as características de um sistema integrado de custos (v. capítulo 5.4 abaixo). Seja pela improcedência ou irrelevância dos apontamentos consignados no TVF, seja pela impossibilidade de "contornar" esse método alternativo de aferição do custo, não se justifica em absoluto a aplicação de arbitramento de lucro no presente caso. (xiii) não se verifica, na linha da doutrina e jurisprudência que cita, nenhuma das hipóteses autorizadoras de arbitramento do lucro. O que há no caso, no máximo, são "inconformidades formais no preenchimento dos livros, o que não seria suficiente para desclassificação da escrita"; (xiv) além de se revelar incabível o arbitramento do lucro no caso em tela, devese ter em conta que a Fiscalização poderia ter utilizado o procedimento do arbitramento dos custos pelos estoques, a que se refere o art. 296 do RIR/99 (com fundamento no § 3° do art. 14 do Decretolei n° 1.598/77); Fl. 7017DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 6 9 (xv) o procedimento de auditoria de estoques realizado pelo fisco restringiu se ao estabelecimento da filial de Guararema (SP), que responde por apenas 15% da receita total da impugnante; e (xvi) todos os livros foram, sim, devidamente apresentados, razão pela qual é indevida a aplicação de multa qualificada, nos termos da Súmula CARF n. 96. Protesta a contribuinte, ainda, pela posterior juntada de laudo contábil acerca da regularidade e controle de seu estoque, bem como formula pedido de perícia com apresentação de quesitos e indicação de perito. Ato contínuo, por meio de petição de fls. 6.873/6.874, a empresa apresentou laudo pericial contábil (fls. 6.875/6.963) de autoria de PricewaterhouseCoopers. Em Sessão de 23 de junho de 2017, a DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário exigido por meio de decisão de fls. 3.257/3.376 e cuja ementa ora transcrevo: IMPOSTO DE RENDA. LIVRO DE REGISTRO DE CONTROLE DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE. AUDITORIA SOBRE UM ÚNICO ESTABELECIMENTO. CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADES PONTUAIS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO CABIMENTO. O arbitramento do lucro é ato extremado que só pode ocorrer em face da real impossibilidade de apuração do lucro real do empreendimento. Irregularidades pontuais identificadas no Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque de um único estabelecimento da contribuinte, que responde por cerca de 15% do seu faturamento global, não autorizam a imputação de imprestabilidade dos livros fiscais. In casu, a verificação do custo de produção e a determinação do lucro real da impugnante poderiam ser realizados por meios alternativos previstos em lei. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Dessa decisão houve recurso de ofício, tendo em vista a exoneração do sujeito passivo do pagamento de tributo e encargo de multa em montante superior ao limite fixado no art. 1° da Portaria MF n° 63, de 9 de fevereiro de 2017, do Ministro de Estado da Fazenda. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Relator Fl. 7018DF CARF MF 10 Os Autos de infração objeto do presente processo exigem IRPJ e Reflexos por arbitramento decorrente de pretensa imprestabilidade de livros fiscais, mais especificamente do Livro Modelo 3 Registro de Controle de Produção e Estoque RCPE previsto no art. 461 do Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados RIPI. No entender do auditor fiscal responsável pelo lançamento, a imprestabilidade dos livros teria inviabilizado a verificação do custo de produção e, conseqüentemente, impedido a apuração do lucro real da contribuinte, ensejando, assim, a adoção do método de tributação por arbitramento do lucro, com base na receita bruta mensal e na linha do que determinariam o art. 15 da Lei n° 9.249/95 e o art. 530, II do RIR/99. Como se sabe, o lucro da pessoa jurídica deverá ser arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. O arbitramento é uma das formas de determinação do lucro previstas no artigo 44 do CTN1, cabível apenas quando restar comprovada que a escrituração não permite a apuração do lucro real. É cediço que a jurisprudência deste Colegiado vem entendendo que a aplicação do método de arbitramento constitui medida extrema que só deve ser utilizada como último recurso, ou seja, na ausência absoluta de outro meio de apuração direta da base tributável. Pois bem. Nesse caso concreto, o arbitramento, conforme visto, foi motivado em razão de "deficiências insanáveis" no Livro Modelo 3 RCPE de um dos estabelecimentos da Recorrida, livro este apto a registrar o custo de produção de apenas uma determinada linha de negócio da Recorrente ("chocolate"). A DRJ, após minuciosa análise acerca das razões do arbitramento e das razões da peça de defesa, assim se pronunciou para afastar o método de tributação selecionado: Apesar da evidente fragilidade do procedimento de arbitramento dos lucros adotado pela autoridade autuante, considero precipitado concluir de imediato pela improcedência do presente lançamento, sem antes analisar os diversos indícios de imprestabilidade da escrituração da contribuinte, apontados pela autoridade fiscal. É o que passo a fazer, nos próximos itens do presente voto. Alegação fiscal de impossibilidade de cálculo do montante do tributo devido (art. 142 do CTN) pela sistemática da auditoria do estoque [...] A partir da atenta leitura deste laudo, considero que os trabalhos de auditoria realizados pela Pricewaterhouse Coopers PwC apresentam suficiente consistência metodológica. Considero, outrossim, que, apesar das divergências e inconsistências pontuais identificados pela auditoria, é razoável 1 "Artigo 44 A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis." Fl. 7019DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 7 11 considerar que as informações constantes do Livro Modelo 3 da contribuinte se prestam para uma adequada avaliação dos seus estoques, pertinentes aos três produtos analisados. [...] Considerações específicas Ao longo do extenso Termo de Verificação Fiscal TVF, a autoridade fiscal apresentou diversos exemplos de equívocos contábeis que, no seu entender, demonstrariam a imprestabilidade do Livro Modelo 3 para fins de apuração do custo das mercadorias e, por conseguinte, para a determinação do lucro real. Para maior clareza, transcrevo trecho relevante do citado TFV, fls. 3152, em que a autoridade autuante descreve os erros de escrituração que foram detectados no Livro Modelo 3 da contribuinte (grifado): [...] a) Lançamentos com a coluna "valor" não preenchida A autoridade autuante, por inúmeras vezes em seu Termo de Verificação Fiscal, apontou a ocorrência de diversos lançamentos contábeis no Livro Modelo 3, sem o devido preenchimento da coluna "valor". Em sua peça impugnatória, a contribuinte alegou, basicamente, que o preenchimento de coluna "valor" somente seria necessário quando se tratasse de operação de compra ou de venda de produto. No seu entender, nas operações de entrada por produção (entrada de material intermediário) ou de saída por consumo (emprego de material intermediário ou insumo) no próprio estabelecimento, seria dispensável a consignação do "valor". Neste sentido, a contribuinte fez referência ao art. 462 do RIPI, que em seu § 1° expressamente dispensa a indicação dos valores relativos às operações concernentes à movimentação de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, nas hipóteses de "Produção No Próprio Estabelecimento". Para maior clareza, transcrevo trecho relevante do retrocitado art. 462 do RIPI: [...] Às fls. 32843287 a impugnante apresentou diversos exemplos de telas do Livro de Registro e Controle da Produção e do Estoque RCPE Modelo 3, demonstrando que em todas as operações envolvendo compra e venda de produtos houve o correto preenchimento da coluna "valor". Fl. 7020DF CARF MF 12 As únicas movimentações sem indicação do valor correspondiam a operações de entrada por produção (entrada de material intermediário) ou de saída por consumo (emprego de material intermediário ou insumo) no próprio estabelecimento. A título meramente ilustrativo, reproduzo uma dos exemplos referidos na impugnação, fls. 32853286. Verificando a citada tela, constato que a única movimentação sem valor corresponde a um apontamento de saída por consumo. Em todos os demais casos, em que há referência a uma nota fiscal (de compra ou de venda), consignouse corretamente o valor da operação. Fato similar ocorre com todos os outros exemplos mencionados pela impugnante. [...] Diante das alegações e elementos de prova trazidos aos autos pela impugnante, considero inexistente o equívoco contábil apontado pela autoridade autuante, referente à alegada ausência sistemática de preenchimento da coluna "valor" no Livro Modelo 3, apresentado pela contribuinte. b) Lançamentos com a coluna "lançamento" não preenchida A autoridade autuante apontou a existência de lançamentos contábeis no Livro Modelo 3 sem o devido preenchimento da coluna "lançamento". Para ilustrar tal equívoco, anexou a seguinte imagem no Termo de Verificação Fiscal, alusiva ao produto 1195137: [...] Em sua peça impugnatória, a contribuinte esclareceu que o preenchimento da coluna "lançamento" no Livro Modelo 3 somente é obrigatório nas operações suscetíveis de registro nos Livros Modelo 1 e 2, ou seja, operações de entrada e de saída do estabelecimento, quando há "documento fiscal". Neste sentido, considera suficientemente claro o disposto do art. 462, V do RIPI, verbis (grifado): V nas colunas sob o título "Lançamento ": número e folha do livro Registro de Entradas ou Registro de Saídas, em que o documento fiscal tenha sido registrado, bem como a respectiva codificação contábil e fiscal, quando for o caso; Alegou que a coluna "documento" destinase a ser preenchida nos casos de movimentação interna (produção/consumo), e quando há "documento fiscal" também, "se houver". Neste sentido, transcreveu outro inciso do mesmo art. 462 do RIPI, acima já referido (grifado): IV nas colunas sob o título "Documento": espécie e série, se houver, do respectivo documento fiscal ou documento de uso interno do estabelecimento, correspondente a cada operação; Visando demonstrar a correção do seu procedimento, a impugnante apresentou a seguinte tela do Livro Modelo 3: Fl. 7021DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 8 13 Observando esta tela, constato que efetivamente houve registro na coluna "lançamento" nas operações de entrada ou saída de produtos do estabelecimento (operações com nota fiscal). Constato, outrossim, que na coluna "documento" houve registro em todos os lançamentos, seja nas operações de entrada e saída do estabelecimento (operações com nota fiscal), seja em apontamentos internos de produção ou consumo. [...] Diante das alegações e elementos de prova trazidos aos autos pela impugnante, considero inexistente o equívoco contábil apontado pela autoridade autuante, referente à alegada ausência sistemática de preenchimento da coluna "lançamento" no Livro Modelo 3, apresentado pela contribuinte. c) Livros Modelo 3 que se iniciam pela Folha 09 [...] Assim sendo, diante das alegações e elementos de prova trazidos aos autos pela impugnante, considero irrelevante o equívoco contábil apontado pela autoridade autuante, referente aos erros pontuais de paginação inicial, constatados em alguns Livros Modelo 3, apresentados pela contribuinte. d) Valores de Notas Fiscais escriturados incorretamente A autoridade autuante apontou alguns exemplos em que os valores das Notas Fiscais teriam sido escriturados de maneira incorreta. Em sua impugnação, a contribuinte esclareceu que em muitos destes casos o erro de escrituração era apenas aparente. Fl. 7022DF CARF MF 14 Reconheceu a ocorrência de alguns outros erros pontuais, os quais, contudo, seriam decorrentes da desconsideração dos valores dos impostos incidentes nas aquisições de mercadorias. [...] Apenas a título ilustrativo, menciono a explicação apresentada pela impugnante, que esclarece o suposto equívoco de repetição dos valores quando o mesmo produto referido na mesma nota fiscal (mesma carga) contou com unidades provenientes de lotes de fabricação distintos, v. fls. 32923293: [...] Atendendo a sugestão da impugnante, compulsei rapidamente os Documentos 02 e 03, que acompanham a peça impugnatória, e que correspondem aos Livros Modelo 3 de todos os produtos referentes aos meses de junho de 2011 e junho de 2012. Com base nesta inspeção visual, constato que efetivamente o número de casos em que essa repetição ocorre é praticamente irrisório frente às dezenas de milhares de operações contabilizadas pela contribuinte. Assim sendo, diante das alegações e elementos de prova trazidos aos autos pela impugnante, considero irrelevante o equívoco contábil apontado pela autoridade autuante, referente aos erros pontuais de escrituração de valores de notas fiscais, constatados em alguns Livros Modelo 3, apresentados pela contribuinte. Ao meu sentir, eventuais erros pontuais remanescentes poderiam ser "corrigidos" pela autoridade autuante, por meio de glosas pontuais de custos e/ou lançamentos, também pontuais, a título de omissão de receitas. Revelase desproporcional o procedimento adotado pela autoridade autuante, de considerar imprestável o Livro Modelo 3 para fins de apuração do lucro real e, por conseguinte, proceder ao arbitramento do seu lucro. e) Saldos de estoque negativos A autoridade autuante, em seu Termo de Verificação Fiscal, apontou a existência de saldos de estoque negativos em relação a alguns produtos, em diversos períodos fiscalizados. [...] Em sua peça impugnatória, contudo, a contribuinte apresentou esclarecimentos bastante convincentes em relação a este fato, os quais transcrevo, para maior clareza, fls. 32933295: O fato de haver saldos negativos no meio dos períodos do Livro Modelo 3 decorre de simples lapso temporal (delay) entre apontamentos de produção e consumo. Cabe, antes, explicar melhor a dinâmica fabril que se reflete nos Livros. Há essencialmente três tipos de produto no estabelecimento fabril da IMPUGNANTE, como, aliás, em geral, em qualquer outro. (a) acabados (b) em elaboração Fl. 7023DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 9 15 (c) insumos/matérias primas * Os produtos do grupo (c) e (b) são utilizados — saídas por consumo — para composição dos do grupo (a) — entrada por produção; * Ao passo que os do grupo (c) são utilizados — saídas por consumo — também para composição dos do grupo (b) — entradas por produção. A representação acima é meramente esquemática, pois é claro que pode haver entre a matéria prima inicial e o produto acabado diversos níveis intermediários, em interação complexa com os respectivamente anteriores e posteriores. Que haja saldos negativos em meio aos meses dos Livros Modelo 3 de 2011 e 2012 decorre do fato de que nem sempre os apontamentos de entrada são realizados pari passu com o evento em si, ao passo que os respectivos apontamentos de saída (por consumo ou por venda/descarte) pode se dar no Livro de maneira mais próxima ao evento. Por exemplo, considerando um saldo inicial de 100 unidades do produto em elaboração “b”. * 3 (sic) saídas por consumo de 50 unidades cada do produto em elaboração “b”, ocorridas uma em 01.06.2011 e outra em 02.06.2011; * 3 entradas por produção de 50 unidades cada do mesmo produto, ocorridas duas em 01.06.2011, e outra em 05.06.2011; Ocorre que por vezes os lançamentos das entradas ocorreram de maneira aglutinada, muito embora fisicamente já houvessem acontecido. Por exemplo, as três entradas de 50 unidades, embora duas tenham ocorrido em 01.06.2011 e uma em 05.06.2011, podem ter sido lançadas no Livro Modelo 3 apenas em 05.06.2011. Nesse exemplo, em 02.06.2011, o Livro Modelo 3 registraria um saldo negativo de 50 unidades, conforme abaixo. Fl. 7024DF CARF MF 16 * Estoque inicial de 100 – 150 (saídas por consumo já lançadas no Livro) = (50) Ao passo que fisicamente havia estoque sempre positivo, inclusive em 02.06.2011, conforme abaixo. * Estoque inicial de 100 – 150 (saídas físicas por consumo já lançadas no Livro) + 100 (entradas físicas por produção ainda não lançadas no Livro) = 50. Tratase, então, de um mero lapso temporal que em algumas oportunidades acabou ocorrendo, e a despeito dos vários exemplos citados no TVF sobre esse ponto, igualmente aqui convidase a i. DRJ a percorrer os docs. 02 e 03 (Livros Modelo 3 dos meses de 06.2011 e 06.2012 referentes a todos os produtos), pois verificará que os saldos negativos em meio aos períodos são desimportantes frente às dezenas de milhares de operações que dele constam. Além disso, pedese licença para explicar que o fato de haver saldos negativos em meio aos períodos de apuração, em decorrência desses eventuais lapsos temporais, em nada afeta a possibilidade e a correção da aferição e apuração dos custos relativos a esse estabelecimento, RAZÃO POR QUE MAIS UMA VEZ SE REVELA ERRÔNEO E INADEQUADO O ARBITRAMENTO PROCEDIDO. Importante frisar que a impugnante não se limitou a apresentar esse esclarecimento de maneira meramente "teórica", tendo tomado a cautela de exemplificar na prática a ocorrência destes fatos, por meio da reprodução de telas extraídas do Livro Modelo 3. A título meramente exemplificativo, reproduzo dois exemplos extraídos da peça impugnatória, fls. 32953297: [...] Analisando os Livros Modelo 3 trazidos aos autos pela impugnante, efetivamente verifiquei que na grande maioria dos casos em que houve registro de saldo negativo tratavase de algo provisório e esporádico. De fato, as pontuais existências de saldos negativos aparentemente decorriam desses lapsos temporais referidos pela impugnante e acabaram, naturalmente, por se corrigir. Importante frisar que a autoridade autuante não fez referência expressa a nenhum saldo negativo eventualmente existente ao final dos períodos, para fins de fechamento de estoques (Livro Modelo 7). Ao meu sentir, eventuais saldos negativos apurados ao final de algum período de apuração poderiam ser "corrigidos" pela autoridade autuante, por meio de lançamentos a título de omissão de receitas. Também neste caso, considero desproporcional o procedimento adotado pela autoridade autuante, de considerar imprestável o Fl. 7025DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 10 17 Livro Modelo 3 para fins de apuração do lucro real e, por conseguinte, proceder ao arbitramento do seu lucro. f) Contabilização de entradas e saídas "sem documento" Por derradeiro, a autoridade autuante apontou a existência de diversos lançamentos de entradas e saídas de mercadoria, alegadamente efetuadas "sem documento" (ou seja, com a coluna "documento" vazia). Em sua peça impugnatória, a contribuinte registrou, com muita propriedade, que essas entradas e saídas "sem documento" (ou seja, com a coluna "documento" vazia) ocorrem apenas no início e no final dos meses do Livro Modelo 3. Justificou que tais lançamentos se dão a título de ajuste entre o calendário civil gregoriano e o "Calendário SAP" (doc. 04), que possui períodos de fechamento de 28 dias (e não de 28, 29, 30 ou 31 dias, como no calendário gregoriano). Segundo a impugnante, em razão do menor número de dias por mês, o "Calendário SAP" contaria com 13 Períodos, ao passo que o calendário civil conta 12 períodos (meses). Tal fato seria a causa das distorções, que são ajustadas no Livro Modelo 3, sem qualquer influência nos estoques e nos custos finais. Para maior clareza, transcrevo os pertinentes esclarecimentos apresentados pela impugnante sobre este tema, fls. 32983302: [...] Importante frisar que a impugnante, mais uma vez, não se limitou a apresentar esse esclarecimento de maneira meramente "teórica", tendo tomado a cautela de exemplificar na prática a ocorrência destes fatos, por meio da reprodução de telas extraídas do Livro Modelo 3. Às fls. 33023306 a contribuinte apresentou diversos exemplos que demonstram a realização de lançamentos de ajustes, ao final de diversos períodos, sempre seguidos de lançamentos contrários no início do período subseqüente, visando neutralizar seus efeitos na apuração final dos estoques. [...] Conclusão Ante o exposto, julgo procedente a impugnação apresentada, exonerando as exigências fiscais objeto do presente processo. Como se percebe, os Julgadores de primeira instância, por unanimidade de votos, decidiramse contra a aplicação do arbitramento nessa situação particular, uma vez que a documentação questionada, ao contrário do que alegou a fiscalização, não é imprestável, sendo que a escrituração do contribuinte permite, sim, aferir o custo de produção. Fl. 7026DF CARF MF 18 A contribuinte conseguiu comprovar, inclusive através de laudo contábil técnico, mas claro, que ela possui controle rigoroso de estoques, sendo que cada um dos indícios apurados pelo fisco foi rechaçado pontualmente com provas hábeis e explicações contundentes. O Livro Modelo 3 da contribuinte, confrontado com os demais documentos suporte, apesar de parecer complexo, se presta para uma adequada avaliação dos estoques pertinentes aos três produtos tomados como parâmetro no trabalho fiscal, não havendo qualquer razão para discordar das conclusões do laudo e da DRJ. O que ocorreu, na verdade, foi uma certa "precipitação" da autoridade responsável pelo lançamento, que não soube manusear as informações fornecidas e não compreendeu tecnicamente o método de registro. A autoridade fiscal responsável pelo lançamento, convém ainda notar, arbitrou o lucro de 100% das atividades da empresa por meio da desconsideração dos livros de apenas uma de suas filiais Guararema , que representava uma única linha de produção, representando aproximadamente 15% do faturamento total da Recorrente. Ora, a fiscalização limitouse a analisar os livros de registro de inventário e o livro de controle da produção e do estoque RCPE relativos apenas ao negócio desenvolvido na filial de Guararema, mas não teceu qualquer consideração acerca da representatividade desta filial em relação à receita total e custos totais da pessoa jurídica autuada, o que a meu ver também compromete a legitimidade do arbitramento. Outro fato que chama atenção é o de que o fisco nunca solicitou, mesmo que por amostragem, informações de Livros dos demais estabelecimentos a fim de conferir se os "problemas diagnosticados" se repetiriam em relação à atividade econômica da contribuinte como um todo. A bem da verdade, após concluir pela imprestabilidade dos livros relativos a filial de Guararema, a fiscalização optou por usar o procedimento de arbitramento do lucro de toda a pessoa jurídica, sem ao menos cogitar a simples glosas dos custos daquela filial ou, quando muito, de efetuar os lançamentos com base em presunção de omissão de receitas. Ainda que, por hipótese, resultasse demonstrada a imprestabilidade da escrituração relativa à filial fiscalizada, a fiscalização deveria avaliar os custos deste estabelecimento com base nos critérios estabelecidos no artigo 296 do RIR/992, glosando daí eventual excesso de custos, mas jamais se valer da extrema medida do arbitramento do lucro da pessoa jurídica como um todo (que inclui todos os seus estabelecimentos, inclusive os que não foram fiscalizados). A Fiscalização deveria, para sustentar sua tese, ter apurado o custo com base na avaliação de estoque prevista naquele dispositivo legal específico. Diante da conclusão pela inexistência de custo integrado, o caminho específico e pertinente é o da aferição dos custos com base no artigo 296 do RIR/99. 2 "Artigo 296 Se a escrituração do contribuinte não satisfizer às condições dos §§ 1º e 2º do art. 294, os estoques deverão ser avaliados (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14, § 3º ): I os de materiais em processamento, por uma vez e meia o maior custo das matériasprimas adquiridas no período de apuração, ou em oitenta por cento do valor dos produtos acabados, determinado de acordo com o inciso II; II os dos produtos acabados, em setenta por cento do maior preço de venda no período de apuração. [...]" Fl. 7027DF CARF MF Processo nº 13864.720151/201635 Acórdão n.º 1201002.263 S1C2T1 Fl. 11 19 A aplicação dessa hipótese de presunção legal de omissão de receita teria sido possível, mas o TVF não faz qualquer menção a seu respeito, preferindose, sem apoio legal, equivocadamente se socorrer ao danoso método de arbitramento. Feitas essas considerações, forçoso concluir que revelase incabível o arbitramento do lucro no caso em tela, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 7028DF CARF MF
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