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Numero do processo: 10865.001753/2007-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2002 a 28/02/2007
EMBARGOS. CONTRADIÇÃO.
A contradição entre a conclusão do voto e a parte dispositiva do acórdão deve ser sanada para melhor compreensão do entendimento da turma, o que contribui para a segurança jurídica e ampla defesa das partes.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2402-004.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2002 a 28/02/2007 EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. A contradição entre a conclusão do voto e a parte dispositiva do acórdão deve ser sanada para melhor compreensão do entendimento da turma, o que contribui para a segurança jurídica e ampla defesa das partes. Embargos Acolhidos
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CONTRADIÇÃO. A contradição entre a conclusão do voto e a parte dispositiva do acórdão deve ser sanada para melhor compreensão do entendimento da turma, o que contribui para a segurança jurídica e ampla defesa das partes. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 17 53 /2 00 7- 09 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, opostos pela Fazenda Nacional contra acórdão desta turma: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Alega o embargante que consta na parte dispositiva do acórdão as seguintes matérias julgadas: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, vencida a relatora. Apresentará o voto vencedor nessa parte o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. No entanto, na conclusão do voto vencedor consta matéria diversa daquelas examinadas pela turma: Por tudo, voto pelo provimento parcial para ao recurso voluntário para que seja afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias, auxíliodoença nos primeiros quinze dias de afastamento e, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. É o Relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.001753/200709 Acórdão n.º 2402004.637 S2C4T2 Fl. 196 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Verifico o preenchimento dos requisitos formais dos embargos opostos, e portanto, passo a examinálos. De fato, assiste razão a embargante. Por um erro material se fez constar texto de voto que não faz parte do presente processo. Não se examinaram no julgamento as matérias relativas ao adicional de 1/3 constitucional de férias e o auxíliodoença nos primeiros quinze dias de afastamento do segurado. O saneamento do acórdão tem por finalidade a melhor compreensão do entendimento da turma e, eventualmente, para a interposição dos recursos cabíveis. Assim, voto pelo acolhimento dos embargos opostos. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 197DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000698/2009-38
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 23/12/2009
TERMO INICIAL DE INTIMAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. DÚVIDA GERADA EM RAZÃO DE PRONUNCIAMENTO DA AUTORIDADE FISCAL QUE EFETUOU O LANÇAMENTO. CONFUSÃO. INTERPRETAÇÃO EM FAVOR DO ADMINISTRADO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO À CONFIANÇA.
Demonstrado que o contribuinte incorreu em erro quanto à contagem do termo inicial para protocolo de impugnação em razão de ato exarado da autoridade lançadora competente para sua intimação, há de ser considerado por tempestiva a impugnação ofertada dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados a partir do dia pelo qual o ato transpareceu que fosse o de início.
Incorrendo o contribuinte em erro gerado pela administração pública, não pode o administrado ser punido por fato do qual não deu causa, sob pena de ferimento ao princípio da segurança jurídica e da proteção à confiança.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2403-002.815
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à questão da tempestividade da impugnação, anulando a decisão de primeira instância e determinando novo julgamento. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (relator) que votou pela intempestividade, Paulo Maurício Monteiro Pinheiro e Ivacir Julio de Souza votaram pela realização de diligência para verificar o horário de expediente do dia 23/12/2009 na unidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Marcelo Magalhães Peixoto
Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 23/12/2009 TERMO INICIAL DE INTIMAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. DÚVIDA GERADA EM RAZÃO DE PRONUNCIAMENTO DA AUTORIDADE FISCAL QUE EFETUOU O LANÇAMENTO. CONFUSÃO. INTERPRETAÇÃO EM FAVOR DO ADMINISTRADO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO À CONFIANÇA. Demonstrado que o contribuinte incorreu em erro quanto à contagem do termo inicial para protocolo de impugnação em razão de ato exarado da autoridade lançadora competente para sua intimação, há de ser considerado por tempestiva a impugnação ofertada dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados a partir do dia pelo qual o ato transpareceu que fosse o de início. Incorrendo o contribuinte em erro gerado pela administração pública, não pode o administrado ser punido por fato do qual não deu causa, sob pena de ferimento ao princípio da segurança jurídica e da proteção à confiança. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à questão da tempestividade da impugnação, anulando a decisão de primeira instância e determinando novo julgamento. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (relator) que votou pela intempestividade, Paulo Maurício Monteiro Pinheiro e Ivacir Julio de Souza votaram pela realização de diligência para verificar o horário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 06 98 /2 00 9- 38 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 de expediente do dia 23/12/2009 na unidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Marcelo Magalhães Peixoto Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000698/200938 Acórdão n.º 2403002.815 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0335.891 da 5ª Turma, que não conheceu da impugnação por intempestividade. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de autodeinfração de obrigação acessória AIOA (DEBCAD 37.264.8029) lavrado contra a empresa em epígrafe em 23/12/2009 (data da cientificação do contribuinte), por infração ao art. 32, inciso IV, §50, da Lei n° 8.212/91, com alteração da Lei n° 9.528/97. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 08/09), da análise da documentação apresentada pelo sujeito passivo, durante a ação fiscal, verificouse que, nas competências 03/2004 a 12/2007, houve pagamento "por fora"de remunerações a empregados e diretores, sem as respectivos declarações nas GFIP. Acrescenta o autuante que os relatórios fiscais integrantes dos AI n° 37.264.7944 e 37.264.7952 descrevem, de forma pormenorizada, os levantamentos relativos às referidas remunerações pagas. • DA PENALIDADE Em decorrência da infração cometida, foi aplicada a penalidade no valor de R$1.182.970,20 (um milhão, cento e oitenta e dois mil, novecentos e setenta reais e vinte centavos), prevista no art. 32, inciso IV e § 5°, da Lei n.° 8.212/91, na redação dada pela Lei n.° 9.528/97, combinado com o art..284, inciso II, do RPS, cujo valor foi atualizado pela Portaria MPS/MF — n° 48, de 12/02/2009. Esclarece o autuante que, apesar de ter sido verificada a ocorrência das circunstâncias agravantes previstas nos incisos II e IV do artigo 290 do RPS (ter a empresa agido com dolo e fraude e, ainda, ter obstado a ação da fiscalização), tais agravantes não produzem efeito para a gradação da multa no caso sob análise, em conformidade com o disposto no art. 655 da Instrução Normativa SRP — n° 03, de 14/07/2005. Por fim, informa a fiscalização que, tendo em vista o disposto no inciso II do artigo 106 do Código Tibutário Nacional — CTN, foi devidamente observada a comparação da penalidade mais benéfica ao contribuinte, em relação aos fatos geradores Fl. 194DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 ocorridos até a competência 11/2008 (NU" 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009). DA IMPUGNAÇÃO Em 27/01/2010, a autuada apresentou a impugnação de fls. 21/55, com as seguintes alegações, em síntese: DAS PRELIMINARES que formalizou a impugnação dentro do prazo legal, tendo em vista que foi cientificada do autodeinfração em 23 de dezembro de 2009; assim, o prazo passou a fluir no dia 28 de dezembro de 2009, uma vez que, no dia 24 de dezembro, não houve expediente normal, situação que foi, inclusive, reconhecida pela autoridade lançadora; a nulidade das diligências realizadas por meio dos Termos de Intimação Fiscal n's 05, 06 e 07, porquanto foram utilizados instrumentos inadequados — MPFFiscalização— para a finalidade de instrução do procedimento fiscal pela coleta de informações e documentos, como também pela inusitada "reunião" com funcionários e diretores da empresa; que houve, por parte da fiscalização, verdadeira petição de principio, em que a conclusão está presente na própria premissa adotada, quando pretende que a contribuinte informe pagamentos "por fora", que, na verdade, não ocorreram, visto que todos os pagamentos da empresa foram registrados em contabilidade disponibilizada à fiscalização; que as solicitações da autoridade fiscal eram efetuadas na tentativa de obrigar uma "confissão" por parte da ora impugnante, no sentido de reconhecer a conclusão a que já havia chegado; que não houve desatendimento às intimações fiscais; que o dever do contribuinte é entregar a documentação para a autoridade fiscal, que, por sua vez, deve examinar os livros e documentos da empresa, identificando eventual crédito tributário, não podendo, portanto, repassar sua atribuição ao contribuinte, sob pena de ofensa ao art. 142 do CTN; que as informações cadastrais, financeiras (extratos bancários) e livros contábeis foram entregues à fiscalização; quanto aos documentos apontados como sonegados, temse que não se entregou o que efetivamente não existia na empresa; registra que cópias de ações judiciais ou mesmo contratos de trabalho não se encontram no rol de documentos de guarda obrigatória, nem se trata de documentação prevista como de fornecimento obrigatório ao Fisco; que contratos celebrados com prestadores de serviços (pessoas jurídicas) não têm pertinência com o objeto da ação fiscalizadora, assim como o inusitado pedido de esclarecimentos em reunião; Fl. 195DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000698/200938 Acórdão n.º 2403002.815 S2C4T3 Fl. 4 5 que todos os termos de intimação foram devidamente respondidos e dadas as motivações das respectivas insurgências; que as nulidades apontadas (inadequação do MPF e extrapolamento dos poderes instrutórios) viciaram todo o procedimento, de modo a nulificar, por conseguinte, o lançamento tributário em comento, bem assim de qualquer desatendimento a obrigação acessória. DO MÉRITO alega a ilegalidade da desconsideração dá personalidade jurídica, por ausência de competência da autoridade, fiscal; que a regra da desconsideração prevista no §2° do artigo 229 do Decreto 3.048/99 é hipótese de obrigação não prevista na Lei n° 8.212/91, bem como nas legislações esparsas, restando caracterizado, portanto, o excesso na regulamentação; que, portanto, o dispositivo regulamentar supracitado é inconstitucional e ilegal; que a competência para se configurar materialmente a relação 'de emprego é exclusiva do Poder Judiciário; assim, a atuação da autoridade fiscal efetivamente contraria o ordenamento jurídico pátrio; . que, no caso da ora impugnante, optouse por modelo de contratação mais econômico, não se tratando de qualquer manobra de evasão fiscal, mas sim, de verdadeiro planejamento tributário; que as empresas dos prestadores de serviços, ora desconsideradas para efeitos previdenciários, foram devidamente constituídas, obedecendo todos os trâmites legais; que os questionários respondidos pelos exempregados, em alguns casos com verdadeiro espírito de vingança, constituem mera declaração particular que, segundo o Art. 368 do Código de Processo Civil CPC, somente vinculam o seu signatário, não possuindo nenhum valor probante em relação à ora impugnante; que eventuais decisões judiciais em casos concretos não podem determinar a natureza da relação contratual havida entre a ora impugnante e todos os seus prestadores de serviços; que, na maioria das reclamações trabalhistas anexadas ao auto, foram feitos acordos segundo os quais restou reconhecida a natureza indenizatória das verbas, por conseguinte, reconhecida judicialmente a ausência de incidência da contribuição previdenciária; que há também decisões na Justiça do Trabalho que infirmam a tese da fiscalização quanto à existência de relação de emprego; Fl. 196DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 que eventuais falhas na contabilidade das empresas que tenham na composição societária empregados da impugnante não podem servir sequèr de indício contra a CAST; contudo, na intenção de manter a regularidade de sua situação fiscal, a impugnante contratou serviços de contabilidade da empresa BELMONDO para, eventualmente, prestar consultoria às empresas por ela contratadas, quanto à empresa ROCHA E DUARTE, cujos sócios são os mesmos da ora impugnante, tem se que a presunção lançada pela fiscalização sequer se sustenta pelos seus próprios termos, pois, se são as mesmas atividades, a contratação da empresa dos sócios da CAST importou, na verdade, em aumento (e não redução) da carga tributária; que o fato de ser empregado da impugnante não impede o trabalhador de prestar serviço por meio de uma pessoa jurídica, especialmente quando os serviços têm natureza eminentemente intelectual; quanto à diferença salarial observada, temse que a atividade de TI (Tecnologia da Informação) pode comportar funcionários (de igual cargo) com variações salariais, dadas as especificidades de currículos e certificações necessárias ao desempenho das atividades; quanto ao arbitramento do crédito tributário, é cediço que tal procedimento é medida extrema, somente devendo ocorrer diante do esgotamento dos meios disponíveis para alcançar as reais bases imponíveis, o que não ocorreu no caso, pois não houve a desclassificação da escrita contábil, não ocorreu o fato gerador nem qualquer embaraço à fiscalização, sendo descabido, portanto, o arbitramento efetuado. Requer, por fim, seja acolhida a impugnação e que se julgue insubsistente e improcedente o autodeinfração, cancelandose o débito fiscal. À fl. 103, consta despacho da DICAT/DRFB/DF, encaminhando o processo para julgamento nesta DRJ, após notificar que o prazo para impugnação venceu no dia 26/01/2010, sendo, portanto, intempestiva a defesa apresentada em 27/01/2010. Conclui o Setor que, tendo havido contestação da intempestividade, foi proposto o encaminhamento a este Órgão julgador. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: Tempestividade da impugnação O ato de intimação da empresa se encerrou após o horário do expediente normal externo da Delegacia da Receita em Brasília Fl. 197DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000698/200938 Acórdão n.º 2403002.815 S2C4T3 Fl. 5 7 “Em 23/12/2009 o representante da recorrente, Sr. Kleuber Pereira Batista, e o advogado da empresa, Dr. Maurício Maranhão de Oliveira, se dirigiram à Delegacia da Receita Federal em Brasília atendendo solicitação do Sr. Auditor Fiscal André Lima de Castro para que fossem intimados da lavratura do Auto de Infração. O ingresso dos representantes da empresa na sede da Delegacia da Receita Federal em Brasília se deu após às 15h00, o que pode ser confirmado pelos registros da segurança do órgão. Com a presença dos representantes da empresa para que fosse feita a intimação, o Sr. Auditor Fiscal passou à leitura dos Autos de Infração e às explicações que julgou pertinentes; dado a complexidade e o volume de informações, essa audiência de somente se encerrou após o término do horário normal de expediente externo do órgão. Assim, o ato de intimação que em princípio deveria ter sido concluído no dia 23/12/2009, tendo se encerrado após o horário do expediente externo normal do órgão, somente se reputou aperfeiçoado no primeiro dia útil subseqüente no caso, dia 28/12/2009.” Cita email enviado pelo auditor fiscal para a epresa informando que dia 24 “só haverá expediente até as 14h00. Assim, os prazos de 30 dias discriminados nos documentos que os senhores tiveram ciência na data de hoje só começam a contar a partir da próxima segunda feira. 28/12/2009.” Por força da literalidade do o artigo 5 0 do Decreto 70.234/72, deve ser excluído o dia do começo qual seja a segunda feira 28/12/2009, de sorte que o trintídio efetivamente se concluiu na quartafeira 27/01 /2010. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator A primeira instância não conheceu do recurso por entendêlo intempestivo. O recurso discute especificamente a questão da tempestividade. Abaixo analisarei a questão. É incontroverso que a ciência do lançamento ocorreu em 23/12/2009 e que a impugnação ocorreu em 27/01/2010. Conforme consta do relatório Instruções para o Contribuinte IPC, o prazo para impugnação é de 30 dias, sendo que a contagem inicia no 1º dia útil após a ciência. 3.3.Prazo para a apresentação da impugnação Recebido o Auto de Infração, o contribuinte terá o prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência para apresentação da impugnação. O prazo inicial fluirá a partir do 1° dia útil após a data da ciência, observando: a)na contagem dos prazos será excluído o dia da ciência e incluído o dia do vencimento; b)o dia do início e do vencimento da contagem dos prazos serão prorrogados para o 1º (primeiro) dia útil seguinte (com expediente normal), caso recaiam em dia em que não haja expediente integral na unidade de atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil; c)os prazos são contínuos. Não se suspendem ou interrompem. Excepcionalmente, será admitida a suspensão por motivo de força maior, caso fortuito, greve ou outro fato que impeça o funcionamento das unidades de atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil ou traga impedimento às partes. Tal orientação está em harmonia com o estabelecido no Decreto 70.235/72. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início (dia da intimação) e incluindose o do vencimento. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000698/200938 Acórdão n.º 2403002.815 S2C4T3 Fl. 6 9 Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 15. A impugnação,. formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A regra adotada no PAF é a mesma do Processo Civil, expressa no artigo 184: Art. 184. Salvo disposição em contrário, computarseão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. § 1º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair em feriado ou em dia em que: I for determinado o fechamento do fórum; II o expediente forense for encerrado antes da hora normal. § 2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). O citado email do auditor fiscal trazido ao processo, informa que no dia 24/12/2009 não teria expediente normal e que o prazo para impugnação começaria a ser contado a partir da segunda feira, dia 28/12/2009. —Mensagem original—De: Andre Lima de Castro [mailto:andre.l.castro@receita.fazenda.gov.br] Enviada em: quarta feira, 23 de dezembro de 2009 18:31 Para: Kleuber Pereira Batista Cc: Christiano Viñuales de Moraes Assunto: Prazos Senhores, Conforme solicitado, informo que amanhã, 24/12/2009, não é dia de expediente normal na Delegacia da Receita Federal de Brasília. Amanhã só haverá expediente até as 14h00. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Assim, os prazos de 30 dias discriminados nos documentos que os senhores tiveram ciência na data de hoje só começam a contar a partir da próxima segunda feira, 28/12/2009. Atenciosamente, André Castro. Entendo correto o informado no email. No presente caso, é incontroverso que a recorrente foi cientificada pessoalmente do lançamento, no dia 23/12/2009, quartafeira, conforme comprova a assinatura no auto de infração (fl. 1), que no dia 24 de dezembro, quintafeira, não houve expediente normal, que dia 25, sextafeira, também não pode ser computado, em razão do feriado (Natal). Igualmente ocorre nos dias 26 e 27, por se tratar de fim de semana (sábado e domingo). Entendo que, feita a notificação dia 23/12, o prazo teve início no dia 28 de dezembro de 2009, segundafeira, encerrando 30 dias após, em 26 de janeiro de 2010. A impugnação foi apresentada intempestivamente dia 27/01/2010. Correta, portanto, a decisão da DRJ, pois a defesa intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Voto Vencedor Uma vez que me foi incumbida a tarefa de elaborar voto vencedor do presente processo, passo a análise do mérito da tempestividade do presente recurso voluntário em análise, aproveitando para destacar a clareza do voto do conselheiro relator mas que, ao meu ver, data venia, não condiz com a melhor forma de decidir a presente lide. Analisando o processo 14041.000690/200971, conforme Auto de Infração às fls. 11, notase que o contribuinte foi intimado da lavratura do auto de infração no dia 23/12/2009 (quartafeira). Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000698/200938 Acórdão n.º 2403002.815 S2C4T3 Fl. 7 11 A impugnação (fls. 100/134), pelo que se pode observar às fls. 100, foi protocolada no dia 27/01/2010 e conforme documento de fl. 197, a impugnação foi considerada intempestiva, pois foi considerado que o prazo venceu dia 26/01/2010. A recorrente interpôs Recurso Voluntário, fls. 214/222, em que juntou documento de fls. 223/224, em que está transcrito email do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil André Lima de Castro (andre.l.castro@receita.fazenda.gov.br) sob o qual fundamenta sua tempestividade. Afirma que o auto de infração foi lido na quartafeira, ao término do expediente da repartição e o referido auditor informou que iria corrigir a questão para fixação do início do prazo para defesa do contribuinte. O referido email foi encaminhado com a seguinte redação: Senhores, Conforme solicitado, informo que amanhã, 24/12/2009, não é dia de expediente normal na Delegacia da Receita Federal de Brasília. Amanhã só haverá expediente até as 14h00. Assim, os prazos de 30 dias discriminados nos prazos que os senhores tiveram ciência na data de hoje só começam a contar a partir da próxima segundafeira, 28/12/2009. O recorrente afirma que o teor do email acima levouo à conclusão de que o início da contagem se daria a partir da segundafeira, e, pelas regras processuais aplicáveis, excluise o dia do início (que seria a segundafeira), passando a correr o prazo a partir da terça feira, dia 29/12/2009. Assim sendo, contandose 30 dias a partir do dia 28 de dezembro de 2009, incluindose o dia do início, o prazo expiraria em 26/01/2010, mas foi protocolada apenas no dia 27/01/2010. A ProcuradoriaGeral da Fazenda apresentou ContraRazões ao Recurso Voluntário às fls. 228/237, afirmando, igualmente, que a Impugnação foi intempestiva. Ressalta o recorrente o trecho do email que informa que só começam a contar a partir da próxima segundafeira, 28/12/2009. Dessa forma, pela literalidade do art. 5º do Decreto 70.235/72, deveria ser excluído o dia do começo, segundafeira 28/12/2009, e incluindo o dia do fim, o termo final se daria em 27/01/2010, quartafeira, data do protocolo da impugnação. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Diante desse quadro, entendo como plausível o entendimento do contribuinte, havendo respaldo para a caracterização da tempestividade por ele alegada. O texto trazido no email, data vênia ao entendimento do relator, é, no mínimo, carregado de dúvida, evento este que não pode ser interpretado em desfavor do sujeito passivo da exação, sob pena de ferir o princípio da segurança jurídica e da proteção da confiança, positivado, dentre outros, no art. 2º da Lei 9.784/99, in verbis: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: ... IV – atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé; ... VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; ... XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Não é à toa que o professor José Joaquim Gomes Canotilho afirma que o homem necessita de segurança para conduzir, planificar e conformar autônoma e responsavelmente sua vida. Por isso, desde cedo, se consideraram os princípios da segurança jurídica e da proteção da confiança como elementos constitutivos do Estado de Direito. (Direito Constitucional e Teoria da Constituição, 7º Ed. Coimbra Portugal: Almerida, 2000, p. 257). No âmbito do Código Tributário Nacional, percebese também que o legislador buscou respeitar o princípio da proteção à confiança, a exemplo do que ocorre com o art. 100 e art. 146, ambos do CTN. Para tanto, trago dois trechos doutrinários que podem ser retirados da obra Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 14ª Ed., Leandro Paulsen, Livraria do Advogado, 14ª Ed: A proteção à confiança parte da perspectiva do cidadão. Ela exige a proteção da confiança do cidadão que contou, e dispôs em conformidade com isso, com a existência de determinadas regulações estatais e outras medidas estatais. [...] O princípio da proteção à confiança situase em uma relação de tensão entre estabilidade e flexibilidade. [...] A Lei Fundamental concede aos direitos e interesses do cidadão uma alta hierarquia e põe as Fl. 203DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000698/200938 Acórdão n.º 2403002.815 S2C4T3 Fl. 8 13 pessoas no centro da ordenação jurídica estatal. Disso resulta por si a proteção do cidadão confiante na existência do direito estatal. Os direitos fundamentais e o princípio do estado de direito respaldam isso.” (MAURER. Hartmut. Elementos de Direito Administrativo Alemão. Tradução de Luís Afonso Heck. Porto Alegre: Fabris, 2001, p. 68) *** Tenho para mim que o art. 146 do CTN há de ser entendido em consonância com o art. 100 do CTN, sempre à luz do princípio da irretroatividade constitucional. O art. 100 do CTN nitidamente é voltado à orientação contra a lei, em que o contribuinte não pode ser apenado por seguir interpretação incorreta. Mesmo assim, entendem os tributaristas que não há decisão geral aplicável a um ou mais contribuinte que não implique obrigação de ser seguida, razão pela qual, mesmo no que concerne a lei, aplicarseia o princípio da irretroatividade, visto que os contribuintes são sempre obrigados a seguir a orientação fiscal, a não ser que o Poder Judiciário as estanque.” (MARTINS, Ives Gandra da Silva. O Princípio da Não Cumulatividade no IPI – Inteligência da Lei n. 9.799/1999 em Face do Princípio – Direito ao Aproveitamento do Crédito de Tributos em Operações Finais Imunes, Isentas ou Sujeitas à Alíquota Zero – Parecer. RET 56/17, julago/07) Da leitura acima, depreendese que a proteção à confiança deve ser interpretada em favor do contribuinte, principalmente nos casos de dúvida gerada pelo modo pelo qual as declarações do poder público foram redigidas e informadas, gerando uma confusão na comunicação. À respeito da confusão entre os prazos para apresentação de defesa, colaciono precedente da turma especial desta 2ª Seção de Julgamento, in verbis: PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO. DARF COM VENCIMENTO POSTERIOR A TRINTA DIAS. No caso de lançamento eletrônico com notificação acompanhada de DARF, com data de vencimento nela fixada, se o contribuinte impugnar o lançamento até o dia nela estipulado para vencimento do crédito, a impugnação deve ser considerada tempestiva, mesmo que supere o prazo de 30 (trinta) dias, contado a partir da ciência. Recurso Voluntário Provido. (CARF. 2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO, Processo n. 10820.001756/200670, Acórdão n. 2801003.222, Relator: Conselheira Tânia Mara Paschoalin) Fl. 204DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Outrossim, destaco que o email encaminhado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil tem natureza de nova intimação e não mero arremate de intimação anterior. Dessa forma, entendo, data máxima venia ao entendimento do relator, que o julgamento pela intempestividade fere o princípio da segurança jurídica, devendo a impugnação ofertada em face do auto de infração ser analisado pela DRJ e seguir o rito do Decreto 70.235/72. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, dar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 205DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10111.000719/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1771; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 93 1 92 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10111.000719/200721 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.518 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 28 de janeiro de 2015 Assunto PIS/PASEP E COFINS Recorrente EMS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino. Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos farmacêuticos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 02/14 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 11 .0 00 71 9/ 20 07 -2 1 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000719/200721 Resolução nº 3201000.518 S3C2T1 Fl. 94 2 incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/Pasep Importação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins Importação), da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27/12/96 e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o valor de R$ 115.615,91 (cento e quinze mil, seiscentos e quinze reais e noventa e um centavos). Na descrição dos fatos, a fiscalização consignou que o interessado por meio das Declarações de Importação (DI) nº 07/06602476 e 07/09997331, registradas, respectivamente, em 22/05/07 e 30/07/07, submeteu a despacho o produto cefaclor monoidratado em pó, requerendo a redução a zero das alíquotas de Cofins Importação e Pis/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1° do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. No entanto, no entender do autuante, apenas o produto cefaclor na forma anidra é citado na relação exaustiva de produtos do capitulo 29 constante do Anexo I do citado decreto, assim, o produto monoidratado que foi importado não se enquadraria entre aqueles que fazem jus ao benefício fiscal. Ainda segundo o fiscal, “a hidratação do produto é um detalhamento observado no Decreto de redução, como se pode observar no caso da cefalexina. Portanto, não se pode estender a produtos com hidratação diversa à especificada no Decreto o beneficio de redução de alíquota a zero” e “A distinção entre os produtos químicos pode ser observada através do número CAS, um número de registro único no banco de dados do Chemical Abstracts Service, uma divisão da Chemical American Society, também utilizado pela Secretaria da Receita Federal na elaboração da Instrução Normativa 657/2006, que trata sobre Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística NVE. No caso do Cefaclor há o registro das duas hidratações do produto: Cefaclor anidro, CAS 53994733 e Cefaclor monohidrato, CAS 70356035. Portanto, observase que existem dois produtos distintos e apenas aquele citado no Anexo I do Decreto 5.821 /2006 tem direito à redução de alíquota”. Cientificado dos autos de infração em 15/08/07, conforme fls. 02 e 08, o interessado apresentou em 03/09/07 a impugnação de fls. 36/54, onde solicita preliminarmente a realização de laudo técnico (perícia) indicando os quesitos que anseia ver respondidos, porém sem indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, passando emseguida a apresentar os argumentos de mérito, afirmando, em síntese, que o cefaclor é considerado gênero, que comporta as espécies cefaclor anidro (CAS 53994733) e cefaclor monoidrato (CAS 70356035); que a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística especificou o cefaclor com o CAS correspondente ao cefaclor monoidrato, conforme literatura técnica, corroborando o entendimento da empresa quando da aplicação da redução de alíquotas. O impugnante assevera que o Decreto nº 5.821/06 em seu anexo I, sem quaisquer outras informações técnicas, possui, na posição n° 338 o Fl. 262DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000719/200721 Resolução nº 3201000.518 S3C2T1 Fl. 95 3 cefaclor, em seu termo mais genérico, sem especificar suas espécies conhecidas. Assim, defende, ao contemplar o gênero, o legislador reduziu a zero a alíquota da Pis/Pasep Importação e da Cofins Importação para todas as espécies e, “não é dado ao aplicador da norma (no caso em concreto, da autoridade fiscalizadora) [dar] entendimento diverso dos conceitos consagrados pelas Ciências Farmacêuticas”. Em 20/09/10, foi recepcionado por esta DRJ/FOR o documento de fls.89/90, por meio do qual o interessado solicitou a juntada de perícia técnica, realizada por solicitação da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos (fls. 91/126), afirmando que o estudo “acata a tese da IMPUGNANTE no sentido de que o termo CEFACLOR referese ao gênero, não se restringindo às fórmulas anidras comoentendeu a D. Autoridade autuante”. Em 23/05/12, a empresa novamente compareceu aos autos para noticiar sobre o Relatório Fiscal emitido pelo Serviço de Fiscalização Aduaneira, da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos, que, após análise técnica e pericial, indicou pelo encerramento do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0817700 2009 001503 que tinha como objeto a “auditoria da Operação Fiscal nº 42111 – Classificação Fiscal e 49112 – PIS e COFINS NA IMPORTAÇÃO para os produtos CEFACLOR, CEFADROXILA E AZITROMICINA” e solicitou que tais documentos fossem acatados como prova emprestada e que o presente Auto de Infração fosse julgado improcedente (fls. 130/143). A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/05/2007, 30/07/2007 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 22/05/2007, 30/07/2007 CEFACLOR MONOIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINSIMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. O cefaclor monoidratado não foi elencado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006, por isso não faz jus à redução a zero das alíquotas das contribuições Cofins Importação e Pis/Pasep Importação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que. desde o advento da Portaria Interministerial nº 1, de 06/09/83 (DOU 12/09/83), do Ministério da Saúde, do Ministério da Previdência e Assistência Social, e do Ministério da Indústria e Comércio, que aprovou as Denominações Comuns Fl. 263DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000719/200721 Resolução nº 3201000.518 S3C2T1 Fl. 96 4 Brasileiras – DCB para fármacos, a lista DCB é de adoção obrigatória em todos os documentos oficiais. De acordo com referida normativa, temse que: Na tabela das Denominações Comuns Brasileiras, a coluna que traz o princípio ativo corresponde ao nome genérico das substâncias farmacêuticas, em ordem alfabética. Relacionamse também, na mesma coluna, os derivados correspondentes, que estão dispostos logo abaixo da molécula principal com um pequeno recuo. A cada princípio ativo é associado em outra coluna o correspondente nº CAS que, conforme informação constante das RDC “Tratase do número de registro atribuído pelo Chemical Abstracts Service CAS, órgão da Sociedade Americana de Química (American Chemical Society ACS) às substâncias químicas. Na ausência desta informação, este campo será preenchido com as chamadas de[Ref.1] até [Ref.11], indicando a referência bibliográfica, [...]”No mesmo manual acima citado, pode ser encontrada a seguinte explicação para a estrutura dos códigos da DCB, então constantes da tabela, que elucida a estrutura de organização das substâncias: Os cinco primeiros números são referentes à família do fármaco e não devem ser alterados. São dados a partir de uma seqüência numérica. As moléculas principais e seus derivados terão esses cinco primeiros números em comum. Os dois números seguintes correspondem à molécula base (sempre números 01) ou derivados/sais (02 a 99). [...]. Para ilustrar, dá como o exemplo a forma de classificação da substância cefalexina, e prossegue: Vêse que o que o perito chamou de gênero, a DCB chama de molécula base. A questão que se apresenta, no estado atual de cognição da matéria, é: quando o legislador se refere à molécula base ele pretende contemplar somente esta com o benefício fiscal ou toda a família do fármaco? Se a resposta for afirmativa para o cefaclor, o mesmo raciocínio deve ser usado para a cefalexina e tantos outros produtos que aparecem entre os 2.032 constantes do anexo I do decreto, afinal não se pode conceber que o legislador tenha aplicado raciocínios variáveis dentro do mesmo ato, a depender do produto. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000719/200721 Resolução nº 3201000.518 S3C2T1 Fl. 97 5 No entanto, após detida análise do assunto, do cotejo do anexo I do decreto com a lista DCB, a conclusão que se chega é que a interpretação deve ser a mais restrita. Vejase que em se assumindo como verdadeira a afirmação de que quando o legislador contemplou o cefaclor com o benefício fiscal pretendeu fazêlo para toda a família do fármaco, se deve assumir que a redução concedida para a cefalexina, deveria ser estendida também para toda a família, o que tornaria despiciendo elencar a cefalexina monoidratada e o cloridrato de cefalexina como fez o legislador e, além disso, assumir que o benefício deveria ser estendido para os produtos cefalexina sódica e lisinato de cefalexina, estes dois últimos não contemplados no anexo I do decreto. A título de exemplo, a mesma reflexão deve ser feita para o cefetamete (item 347 do decreto) que não teve o seu derivado cloridrato de cefetamete pivoxila contemplado pela redução, para a ceftriaxona que, não obstante tenha dois derivados, a ceftriaxona sódica e a ceftriaxona sódica hemieptaidratada, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 363 e 364 do decreto), o ciprofloxacino que, não obstante tenha dois derivados, o cloridrato de ciprofloxacino e o lactato de ciprofloxacino, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 408 e 542 do decreto), o clobetasol que, não obstante tenha dois derivados, o butirato de clobetasol e o propianato de clobetasol, somente foi beneficiada a molécula base e o segundo derivado citado (itens 447 e 1697 do decreto), entre outros. Assim, repitase, o entendimento deve ser restrito, pois uma interpretação ampla sobre o alcance dos termos constantes do Anexo I do Decreto nº 5.821/06 não se mostra coerente quando se analisa o ato como um todo, além de não se alinhar com a rigidez de controle imposta pelo Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aos princípios ativos e aos medicamentos que os contém e a todas as atividades a eles relacionadas, aí incluídas as importações Sobre o argumento do NVE, afirma a decisão: Por outro lado, a empresa argui, com razão, que na Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), divulgada à época dos fatos geradores, por meio da IN SRF nº 701, de 27/12/065, o produto envolvido na lide era apresentado da seguinte forma: Subitem 29419033 Cefaclor e cefalexina monoidratados, cefalotina sódica Atributos e Especificações de Nível 'U' Atributo AA CAS/DCB Especificações: 0001 070356035/ Cefaclor [...]Vêse que dentro da NVE, que procura destacar o produto sob o ponto de vista da sua relevância, seja quanto ao valor, seja quanto à importância estatística ou comercial ou ambos, foi eleito como único atributo o número de registro no Chemical Abstracts Service (CAS) associado à Denominação Comum Brasileira (DCB). Na especificação 0001 foi consignado o CAS nº 070356035, que se refere ao produto monoidratado, associado à denominação cefaclor. No entanto, pelo que até aqui foi exposto, entendese que o que ocorre é uma impropriedade na edição da NVE que suprimiu indevidamente o Fl. 265DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000719/200721 Resolução nº 3201000.518 S3C2T1 Fl. 98 6 termo monoidratado e que deve ser corrigida, tendo em vista que, conforme dito, os documentos oficiais devem obedecer a lista DCB e esta associa o CAS nº 070356035 ao cefaclor monoidratado. A decisão manteve a multa de ofício, por ser aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição em qualquer lançamento de ofício em que se detecte falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Posteriormente à apresentação de recurso voluntário e após a inclusão em pautado processo, para julgamento, a Recorrente apresentou laudo técnico de engenheiro químico, sobre os produtos químicos em referência. É o relatório. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Tal como relatado, pelas Declarações de Importação 08/02550058 e 08/04377582, registradas, respectivamente, em 19/02/08 e 24/03/08, a Recorrente submeteu a despacho o produto cefaclor monoidratado, identificandoo como “cefaclor” e requerendo a redução a zero da alíquotas de Cofins Importação e PIS/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1°, do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. Referido decreto reduz a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, tendo sido revogado pelo Decreto n. 6.426, de 2008. Prescrevia em seu art.1o , inciso I: Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero: 338 CEFACLOR Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se a versão monoidratada de cefaclor, estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício. Conforme relatado, foi juntado laudo técnico que em casos como o presente, no qual se abordam questões que tangenciam propriedades merceológicas de produtos químicos, pode ser fundamental ao deslinde da questão. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000719/200721 Resolução nº 3201000.518 S3C2T1 Fl. 99 7 Embora intempestiva a juntada do documento, que ocorre em momento adiantado do processo administrativo, sem justificativa para tanto, posicionome no sentido de privilegiar a Verdade Material, como importante vetor do processo administrativo fiscal,em detrimento do rigor processual. Assim sendo, proponho a conversão do julgamento em diligência, para dar ciência à Fazenda Nacional da juntada do presente laudo técnico, para que, querendo, manifestese. Após, retornem os autos para o prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 267DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10814.727147/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 06/06/2011
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO.
Não é formalmente nulo o lançamento, por ter indicado infração eventualmente improcedente.
REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. PENA DE PERDIMENTO.
A pena de perdimento, prevista no art. 689, §1º do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.579/2009), só é aplicável quando a mercadoria não tiver sido localizada ou consumida.
Provado que empresa realizou a devida armazenagem dos bens junto ao recinto alfandegário competente, invalidou-se o pressuposto de fato do lançamento da multa, cuja motivação não pode ser alterada pela autoridade julgadora.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer De Castro Souza, Thiago Moura De Albuquerque Alves e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 06/06/2011 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Não é formalmente nulo o lançamento, por ter indicado infração eventualmente improcedente. REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. PENA DE PERDIMENTO. A pena de perdimento, prevista no art. 689, §1º do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.579/2009), só é aplicável quando a mercadoria não tiver sido localizada ou consumida. Provado que empresa realizou a devida armazenagem dos bens junto ao recinto alfandegário competente, invalidou-se o pressuposto de fato do lançamento da multa, cuja motivação não pode ser alterada pela autoridade julgadora. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer De Castro Souza, Thiago Moura De Albuquerque Alves e Paulo Roberto Stocco Portes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1814; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 276 1 275 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10814.727147/201191 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.386 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2014 Matéria IMPORTAÇÃO. SUFATURAMENTO. DECADÊNCIA. Recorrente J L INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/06/2011 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Não é formalmente nulo o lançamento, por ter indicado infração eventualmente improcedente. REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. PENA DE PERDIMENTO. A pena de perdimento, prevista no art. 689, §1º do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.579/2009), só é aplicável quando a mercadoria não tiver sido localizada ou consumida. Provado que empresa realizou a devida armazenagem dos bens junto ao recinto alfandegário competente, invalidouse o pressuposto de fato do lançamento da multa, cuja motivação não pode ser alterada pela autoridade julgadora. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente substituto Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 72 71 47 /2 01 1- 91 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer De Castro Souza, Thiago Moura De Albuquerque Alves e Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 13/10/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor da mercadoria, no valor de R$ 86.446,34, tendo em vista a anulação do regime aduaneiro especial de admissão temporária, aos bens objeto da DSI nº 11/00136939, bens esses que seriam destinados, temporariamente, à realização/participação em evento esportivo. Quando do desembaraço da DSI n°11/00136939, dada a urgência alegada pelo importador, o regime especial de admissão temporária foi concedido, vinculado ao cumprimento de exigências, pelo sujeito passivo importador dos bens, JL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, CNPJ 53.420.568/000128. Em cumprimento as exigências referidas foi apresentada cópia autentica do contrato, firmado entre a patrocinadora, fabricante e fornecedora exclusiva dos pneus GOODYEAR DO BRASIL PRODUTOS DE BORRACHA LTDA CNPJ 6 0.500.246/000154 e a empresa promotora do evento esportivo VICAR PROMOÇÕES DESPORTIVAS S/A, CNPJ 0 0.532.511/000154, que, em sua Cláusula Segunda de fl. 144, estabelece que os pneus a serem utilizados, nos eventos desportivos, serão fornecidos pelo fabricante de forma onerosa e estabelecido o preço de venda a ser praticado pelo fabricante, em condições de igualdade, para todas as equipes participantes dos eventos desportivos. A empresa interessada JL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA efetuou a importação dos bens, na condição de credenciado exclusivo da VICAR PROMOÇÕES DESPORTIVAS S/A, para atuar como importadora e operadora logística oficial do evento desportivo, e que, portanto, após os tramites de importação, os bens seriam entregues ao promotor e organizador do evento, VICAR. Devido as divergência entre o pedido de admissão temporária com suspensão de tributos formulado pelo interessado e o disposto no contrato apresentado, onde fica estabelecido que os bens (pneus) serão importados, para venda e consumo das equipes participantes dos eventos desportivos, o despacho exarado à fl. 77 determina a anulação da concessão do regime aduaneiro especial de admissão temporária por descumprimento de requisito para sua concessão. Foram intimados os interessados JL e VICAR a apresentar documentos capazes de esclarecer a operação mercantil da importação realizada e a real vinculação entre os mesmos. A JL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, em resposta a intimação n° 255/2011, apresentou documentos onde alega que o contrato apresentado, anteriormente, não corresponde ao evento, sem no entanto apresentar o contrato correto. Ainda alega, também, que os bens foram importados, sem cobertura cambial, com base em cópia simples de declaração, supostamente, firmada no exterior pelo exportador, documento este sem atender aos requisitos legais para ser aceito. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10814.727147/201191 Acórdão n.º 3202001.386 S3C2T2 Fl. 277 3 A VICAR PROMOÇÕES DESPORTIVAS S/A, em resposta a intimação 256/2011, apresentou resposta onde alega que ,embora seja promotora e organizadora do evento desportivo, não possui quaisquer relação contratual com o fornecedor dos bens (pneus) e que, também, não recebeu os bens (pneus) importados pela JL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Diz, ainda, que a empresa JL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA é a única equipe participante do evento e que foi informada que o exportador fornecedor dos pneus DUNLOP têm relação jurídica de patrocínio do evento e fornece os pneus para a JL, sem, contudo, apresentar quaisquer documentos para comprovar as alegações. Considerando que os interessados, embora regularmente intimados, não apresentaram documentos capazes de confirmar as alegações que os bens foram importados, atendendo os requisitos para o Regime Aduaneiro Especial de Admissão Temporária e não importados para consumo, e que a JL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA não apresentou a Nota Fiscal, em que ficaria comprovada a entrega a terceiros dos bens importados e consumidos, procedeuse a presente autuação. Na impossibilidade de apreensão dos bens por terem sido consumidos, converteuse a pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro dos bens, conforme previsto no artigo 23, parágrafo 3º do decreto Lei n° 1455/76 com redação dada pela Lei n° 12.350/2010. Contra a autuação, a contribuinte apresentou impugnação em 13/02/2012 (fls. 125), pedindo que fosse julgado nulo ou improcedente o lançamento tributário (fls. 33 e ss.). A DRJ, porém, julgou improcedente a impugnação (fls. 176 e ss.), pelas razões resumidas na ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/06/2011 Concessão do regime especial de admissão temporária para pneus a serem utilizados nos eventos desportivos. Não foram apresentaram documentos capazes de confirmar as alegações que os bens foram importados atendiam os requisitos para admissão temporária. A ausência da apresentação de documentação hábil inibe a regular concessão do regime. A ação de não entregar o bem configura entrega a consumo de produto de procedência estrangeira importado irregularmente, implica a aplicação de multa igual ao valor comercial da mercadoria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 278DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 4 Cientificada do acórdão, acima destacado, a contribuinte apresentou recurso voluntário, defendendo, em preliminar, a nulidade do auto de infração, por deficiência na fundamentação legal, indicada no auto de infração. No mérito, a recorrente defende que a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro dos bens, conforme previsto no artigo 23, parágrafo 3º do Decreto Lei n° 1455/76, não se aplicaria ao caso de anulação do regime aduaneiro especial de admissão temporária, onde ocorre importação regular e cujas consequências de inadimplemento são, tão somente, aquelas previstas no artigo 367 do Decreto n° 6.579/2009. Assevera, ainda, que o regime aduaneiro especial de admissão temporária foi indevidamente descaracterizado, uma vez que como operadora logística, não é obrigada a ter o contrato firmando entre a empresa estrangeria fabricante de pneus (GODDYEAR) e a empresa promotora do evento (VICAR). Defende, por igual, que não há que se falar em conversão da pena de perdimento em multa, tendo em vista que a mercadoria encontrase em recinto alfandegário, conforme ficha de entrada de Mercadoria – FEM, para fins de sua reexportação. Por essas razões, requer seja provido o recurso voluntário, julgandose nula ou improcedente a autuação (fls. 194 e ss.). Iniciada a apreciação do recurso voluntário, esta Turma do CARF decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3202.000.200 (fl. 237), cuja determinação foi cumprida a forma da documentação de fls. 265/ss. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. A recorrente defende, preliminarmente, que o auto de infração seria nulo, por ter sido aplicado pena de perdimento, em decorrência do não cumprimento de regime de admissão temporária, quando, na verdade, a própria autoridade fiscal admite que se trata de regime de admissão temporária que foi descaracterizado. Entendo que a preliminar de nulidade da autuação merece ser rejeitada, pois não é nulo o lançamento, por ter indicado infração eventualmente improcedente. Dito isso, passo ao exame do mérito. O presente recurso voluntário volta a julgamento, depois de realizada diligência, acolhida por unanimidade pela Turma. Naquela oportunidade, julgamos essencial converter o julgamento em diligência, para saber se era procedente a afirmação da Recorrente, de que a mercadoria, objeto da pena de perdimento, estaria depositada na EADICNAGA (nas fls. 30 e 148/150), fazendo conclusivo sobre a questão. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10814.727147/201191 Acórdão n.º 3202001.386 S3C2T2 Fl. 278 5 Entre outros argumentos, a Recorrente alega que, nas fls. 30 e 148/150, se encontra prova, de que a empresa realizou a devida internação dos bens junto ao recinto alfandegário competente (EADICNAGA), consoante atesta a anexa Ficha de Entrada de Mercadoria FEM, para que fossem, devidamente, reexportados. Em razão desse argumento, esta Turma decidiu converter o julgamento em diligência, para averiguar a procedência dessa asserção. Em resposta à Resolução do CARF, a autoridade fiscal constatou que os 88 pneus objeto do regime de admissão temporária (fl. 27) estavam, realmente, armazenados, mas que possuíam sinais claros de desgaste. Confirase (fl. 265): Em resposta à solicitação de folha 240 do processo 10814.727.147/201191, temos a informar que: 1. Através de documentos de controle de entrada e saída de mercadorias deste armazém, foi registrada a entrada de carga do importador JL Indústria e Comércio Ltda., CNPJ: 53.420.568/000128, na data de 09/08/2011, às 12:17 hrs (fls 246 a 249 do presente processo). 2. Por estes documentos, tratase de PNEUS, num total de 88 unidades e peso líquido de 766 Kg. No campo de observações do documento de folha 246, com título de “Termo de Faltas e Avarias”, foi registrada a informação de que se tratava de “PRODUTO USADO” e no campo de Avarias deste mesmo documento aparece a informação de “ESCORIAÇÕES”. 3. Em vistoria física da carga, constatamos de que se trata de pneus da marca DUNLOP, modelo 245/45R17, num total de 88 unidades e peso de 715,80 Kg. Os pneus estão bastante danificados, com sinais claros de desgaste, conforme podemos observar pelas fotos nas folhas 250 a 264. É o que temos para informar no momento. Conforme despacho de folha 243, estamos enviando o presente processo para o ERAE/ALF/GRU para prosseguimento. Caio Augusto Parolin Soares AFRFB – CNAGA/ALF/SP Diante dessa respostas, resta saber se a constatação acima transcrita afasta a conversão da pena de perdimento em multa, ao teor do art. 689, §1º do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.579/2009). In verbis: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): [...] § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja Fl. 280DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 6 localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59), o que, por si só, justificaria a improcedência da conversão da pena de perdimento em multa. A meu ver, a prova inequívoca de que a empresa realizou a devida internação dos bens, junto ao recinto alfandegário competente, invalidou o pressuposto de fato do lançamento da multa, cuja motivação não pode ser alterada pela autoridade julgadora. Por tudo isso, é improcedente a cominação de multa contra a recorrente, quando ficou constatado que os pneus importados estavam armazenados para reexportação desde 09/08/2011 (fl. 265). Forte nessas razões, voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 281DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 15563.000053/2009-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. PRODUÇÃO DE PROVA TESTEMUNHAL. IMPOSSIBILIDADE
Inexiste previsão, no Processo Administrativo Fiscal, para audiência de instrução em que sejam ouvidas testemunhas que o contribuinte porventura tenha a seu favor, sendo certo que eventuais testemunhos poderão ser objeto de declarações escritas, que serão consideradas em conjunto com as demais provas acostadas.
OMISSÃO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. JUROS E MULTA CONTRATUAIS. CARNÊ-LEÃO.
Os rendimentos de juros e multa contratuais estão sujeitos à incidência do imposto de renda apurado por meio de Carnê-Leão.
MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE.
Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física devido a título de carnê-leão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas.
Numero da decisão: 2201-002.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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NULIDADE. PRODUÇÃO DE PROVA TESTEMUNHAL. IMPOSSIBILIDADE Inexiste previsão, no Processo Administrativo Fiscal, para audiência de instrução em que sejam ouvidas testemunhas que o contribuinte porventura tenha a seu favor, sendo certo que eventuais testemunhos poderão ser objeto de declarações escritas, que serão consideradas em conjunto com as demais provas acostadas. OMISSÃO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. JUROS E MULTA CONTRATUAIS. CARNÊLEÃO. Os rendimentos de juros e multa contratuais estão sujeitos à incidência do imposto de renda apurado por meio de CarnêLeão. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 00 53 /2 00 9- 79 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 2/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 2/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 15563.000053/200979 Acórdão n.º 2201002.605 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 60 a 63), exercício 2006, no qual se apurou o imposto de R$ 238.390,37 sobre rendimentos de juros e multa contratual recebidos de pessoa física não declarados e não recolhidos, sobre o qual foram aplicadas a multa de ofício de R$ 212.542,77 e a multa isolada de R$ 142.791,61 pela falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de CarnêLeão, ambas calculadas à alíquota de 75%. Sobre o imposto e as multas incidiram os juros de mora. O interessado apresentou a impugnação, cujos argumentos foram assim resumidos na decisão recorrida: · A impugnação é tempestiva; · Não obteve rendimentos decorrentes dos contratos de mútuos celebrados, pois em acordo feito entre irmãos, foi estabelecido que o sujeito passivo abriria mão de receber o montante de juros e da multa contratual; · A diferença entre o montante dos contratos de mútuo e o depósito bancário de R$ 5.536.677,00 corresponde a novo empréstimo que ele tomou de seu irmão no valor de R$ 1.821.760,44; · O mais relevante em relação à obrigação tributária, é que ambos contratantes fizeram constar nas suas declarações, a tempo e modo, as aquisições das disponibilidades econômicas auferidas; · Não recebeu rendimentos decorrentes dos contratos de mútuo, por força dos contratos referenciados, pois a afinidade entre os irmãos, que superam as exigências do capital; · A autoridade lançadora não pode ditar o que deve ser tributado ou em que circunstância o tributo deve ser recolhido; · Dessa forma, não houve fato gerador do tributo. Os membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS), por meio do Acórdão nº 0428.979 (fls. 151 a 157), de 14 de junho de 2012, consideraram o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário exigido. Cientificado por meio postal em 5 de julho de 2012 (fl. 160), o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 1º de agosto (fls. 162 a 168), no qual alega, preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida e repete os argumentos apresentados na impugnação. Na preliminar, argui que, de acordo com o art. 5º, inciso LV da Constituição da República, “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes”, Por isso, a negativa do uso de prova testemunhal implicaria nulidade do julgamento. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 2/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Quanto à preliminar de nulidade da decisão recorrida, em decorrência do indeferimento da produção de prova testemunhal, cabe informar que no Processo Administrativo fiscal (Decreto nº 70.235/1972) inexiste previsão para audiência de instrução na qual sejam ouvidas testemunhas que o contribuinte porventura tenha a seu favor. Eventuais testemunhos devem ser objeto de declarações escritas, as quais serão consideradas em conjunto com as demais provas acostadas aos autos. Assim, correta interpretação do acórdão de primeira instância de ser incabível o pedido de oitiva de testemunhas. No mérito, o contribuinte alega que a autoridade fiscal efetuou o lançamento com base na presunção de que teria sido contemplado na cobrança de multa e juros de mora incidentes sobre os valores informados no contrato de mútuo. Diz que, em que pese as cláusulas contratuais de juros e multa, não obteve renda na forma e no quantum apurado pelo auditor fiscal, pois as partes teriam acordado em desconsiderar tais condições quando do adimplemento, e que deve ser reformada a decisão de primeira instância. A auditoria, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, identificou uma incompatibilidade entre os rendimentos declarados (R$ 10.640,00 tributáveis e R$ 152.414,75 rendimentos isentos e não tributáveis) a movimentação financeira (R$ 5.523.349,41) em 2005. Um dos depósitos efetuados na conta da Caixa Econômica, no dia 20 de junho, era de R$ 5.536.667,00. Intimado, o contribuinte justificou que o depósito teria origem no cheque do seu irmão (fl. 35) por pagamento de empréstimo, conforme transferências bancárias na época e contratos de mútuos registrados no Cartório de Títulos Documentos em Belo Horizonte (MG) no valor total de R$ 3.714.916,56, passando então a ficar devedor em R$ 1.821.760,44. Compulsando os autos, observase que foram celebrados seis contratos de mútuo (fls.39 a 50), todos assinados no dia 16 de abril de 2003, com reconhecimento de firma dos signatários em 06 de maio de 2003, e levados a registro público em 17 de julho de 2003, conforme a seguir relacionados: Contrato Valor (R$) Data de Contrato Data de Quitação 803853 51.311,15 06/04/2003 20/06/2005 803854 241.750,00 06/04/2003 20/06/2005 803855 318.006,85 06/04/2003 20/06/2005 803856 373.184,00 06/04/2003 20/06/2005 943817 171.825,56 06/04/2003 20/06/2005 943818 2.558.839,00 06/04/2003 20/06/2005 Total 3.714.916,56 As obrigações contratuais venciam em 16 de abril de 2005. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 2/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 15563.000053/200979 Acórdão n.º 2201002.605 S2C2T1 Fl. 4 5 Todos os contratos contêm cláusulas de correção do valor à taxa de juros mensal de 1% (um por cento), bem como multa de 2% (dois por cento) no caso de infração das cláusulas contratuais, como “falta de pagamento dos juros nas épocas convencionais”, conforme se vê a seguir: CLÁUSULA SEGUNDA – DO PAGAMENTO Este contrato terá vencimento em 02 (dois) anos, a contar da data do recebimento, devendo o MUTUÁRIO, no respectivo vencimento pagar ao MUTUANTE o valor do seu débito, corrigido com taxa de juros mensal de 1 % (hum por cento). [...] NA CLÁUSULA TERCEIRA – DA RESCISÃO A falta de pagamento dos juros nas épocas convencionais acarretará o vencimento e conseqüente rescisão do contrato, assistido ao MUTUANTE o direito de exigir do MUTUÁRIO o integral pagamento do que lhe for devido. NA CLÁUSULA QUARTA – DA MULTA Por qualquer infração das cláusulas. Deste contrato, é convencionado o pagamento de multa de 2% (dois por cento) sobre o saldo devedor. O recorrente alega que a diferença de R$ 1.821.760,44 seria para futuros acertos com o seu irmão. Entretanto, para essa transação, ao contrário das contratadas por meio de mutuo pelo seu irmão, inclusive de valores bastante inferior, não houve qualquer formalização. Diante disso, considerando o valor depositado em montante superior ao contratado e a exigência contratual, a autoridade fiscal calculou os valores devidos a título de juros e multa de, respectivamente, R$ 655.298,14 e R$ 74.298,33, sobre os quais deveria ter apurado e recolhido o carnêleão no mês de julho de 2005 e declarado o montante como rendimento tributável em sua Declaração de ajuste anual simplificada 2006, conforme transcrição extraída do Termo de Verificação Fiscal: Esta fiscalização poderia até considerar todo o valor de R$ 1.821.760,44 como rendimentos do fiscalizado, mas aceitou a explicação do novo mútuo só que no valor de R$ 781.583,80, que representa a diferença entre R$ 1.821.760,44 e a soma dos juros de R$ 965.878,31 e da multa de R$ 74.298,33. Então os juros de R$ 965.878,31 e a multa de R$ 74.298,33 são rendimentos tributáveis do fiscalizado, que deveria ter recolhido carnêleão no mês de julho de 2005 e declarado o valor de R$ 1.040.176,64, como rendimento tributável em sua Declaração de ajuste anual simplificada – 2006 (fls. 2). O fato de o contribuinte ter se cercado de contratos devidamente registrados em cartório no momento de conceder os empréstimos ao irmão e recebido os recursos alegados como “para acertos futuros” sem qualquer formalização, fortalece a conclusão da auditoria no entendimento de que os valores recebidos a maior são as remunerações de juros e de multa. Os contratos dão suporte jurídico para isso. Para contrapor o lançamento, o sujeito passivo deveria ter comprovado que as cláusulas relativas à taxa de juros e à multa contratual foram, efetivamente, dispensadas pelas partes, com documentos que possuíssem, pelo menos, o mesmo grau de formalidade jurídica, e não meras alegações sem nenhum valor probatório, que, por si só, não servem para afastar cláusulas previstas em contrato particular levado a registro público. Assim, em relação à apuração do imposto, pelo não recolhimento do carnêleão, e da multa de ofício de 75%, não merece reparo o lançamento Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 2/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 Entretanto, no que diz respeito à multa isolada, filiome ao entendimento proferido nos Acórdãos nº 9202003.163 (glosa de dedução de despesa de Livro Caixa) nº 920202.196 (entre outros, omissão de rendimentos sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas sujeitos ao CarnêLeão), 9202002.297 (omissão de Rendimentos de Fontes no Exterior), 9202002.743 (entre outros, omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vinculo empregatício), respectivamente de relatoria dos Ilustres Conselheiros Relatores Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage (relator designador) e Gustavo Lian Haddad, em cujas decisões têm prevalecido que, havendo diferença de imposto a ser cobrada com a aplicação da multa de ofício, e sendo a mesma base de cálculo, não há que se falar em multa isolada, sendo esta devida apenas quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão do recolhimento do Carnê Leão. Nesses termos, por se tratar de exercício 2006, anterior a alteração promovida no o art. 44 da Lei nº 9.430/1996, pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, entendo que deve ser reconhecida a impertinência do lançamento concomitante da multa vinculada ao imposto e da multa isolada pelo não recolhimento do CarnêLeão, pois a conduta de não oferecer os rendimentos aqui vergastados no ajuste anual absorveu a conduta do não recolhimento mensal obrigatório. Nesses termos, voto em rejeitar a preliminar, e no mérito, em dar parcial provimento ao recurso para excluir a multa isolada. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 203DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 2/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720725/2013-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
CERCEAMENTO DE DEFESA. DA PROVA PERICIAL. A apreciação da prova trazida é objeto de convencimento do julgador, não implicando em cerceamento de defesa, tão somente, porque o julgador não acatou os argumentos postos pelo recorrente, não ensejando a diminuição no poder de defesa do mesmo. A perícia somente é necessária quando a matéria exige conhecimento técnico específico.
IRPF TITULARES DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO.LIVRO CAIXA.DEDUÇÃO.
Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado,inclusiveostitularesdosserviçosnotariaisederegistro,aqueserefereoart.236 da Constituição Federal, podem deduzir da receita e/ou rendimentos decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreado em documentos hábeis e idôneos, devidamente escrituradas no respectivo livro caixa. Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que preencheremos requisitos desnecessidade, normalidade e usualidade.
MULTA QUALIFICADA. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE.
A comprovação da utilização de documentos falso que não é elidida pelorecorrentecomdocumentaçãohábileidônealegitimaaglosadadeduçãoea qualificação da multa correspondente.
Numero da decisão: 2202-002.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 11/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator. EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
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DA PROVA PERICIAL. A apreciação da prova trazida é objeto de convencimento do julgador, não implicando em cerceamento de defesa, tão somente, porque o julgador não acatou os argumentos postos pelo recorrente, não ensejando a diminuição no poder de defesa do mesmo. A perícia somente é necessária quando a matéria exige conhecimento técnico específico. IRPF TITULARES DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO.LIVRO CAIXA.DEDUÇÃO. Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado,inclusiveostitularesdosserviçosnotariaisederegistro,aqueserefereo art.236 da Constituição Federal, podem deduzir da receita e/ou rendimentos decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreado em documentos hábeis e idôneos, devidamente escrituradas no respectivo livro caixa. Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que preencheremos requisitos desnecessidade, normalidade e usualidade. MULTA QUALIFICADA. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. A comprovação da utilização de documentos falso que não é elidida pelorecorrentecomdocumentaçãohábileidônealegitimaaglosadadeduçãoea qualificação da multa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 07 25 /2 01 3- 14 Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório Tratase de auto de lançamento (fls. 02/08 e 44/56) referente ao ano calendário de 2008 e 2009, formalizado em decorrência da 1) dedução indevida de despesas de livro caixa; 2) falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão; formalizando a exigência do recolhimento do crédito tributário no valor R$ 2.817.728,741, já acrescido de juros e multa de ofício (75% sobre as despesas glosadas, de 150% sobre despesas consideradas inidôneas), além de multa isolada pelo não recolhimento de carnêleão. Procedimento de Fiscalização Conforme Relatório Fiscal (fl. 9/43), decorre a autuação de procedimento fiscal referente ao contribuinte, titular do 6º Tabelionato de Notas de Porto Alegre/RS, com o objetivo de verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda da Pessoa Física, mediante exame das receitas e das despesas escrituradas a título de Livro Caixa nas Declarações de Ajuste anual dos anoscalendário 2008 e 2009, exercícios 2009 e 2010 (DIRPF/2009 e DIRPF/2010), entregues no modelo completo, conforme discriminado na tabela constante no relatório. Tendo em vista a omissão de rendimentos apurada na Notificação de Lançamento nº 2009/641590370578264 (ciência em 15/02/2010), foi determinada a nova base de cálculo do IR (R$ 707.582.19) para o ajuste anual do anocalendário 2008, sobre a qual foi cobrada a diferença de imposto (suplementar) de R$ 3.186,47. Por intermédio da Intimação Fiscal Sefis nº 101/2012 (fl. 57), foi solicitado ao contribuinte apresentar os Livros Caixa dos anos calendário 2008 e 2009, referente às deduções registradas nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios 2009 e 2010, e cópia dos Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.720725/201314 Acórdão n.º 2202002.984 S2C2T2 Fl. 29 3 extratos dos Livros de Receitas e Despesas dos mesmos anos, que foram encaminhados à corregedoria Geral de Justiça do Estado, bem como disponibilizar os documentos e demais papéis que serviram de base à escrituração. Cientificado em 25/06/2012 (fl. 58), o contribuinte apresentou manifestação, indicando o encaminhamento da documentação relativa ao Livro caixa 2008 e 2009; cópia dos extratos de Receitas e Despesas 2008 e 2009, encaminhados à CorregedoriaGeral da Justiça, carimbados e rubricados, cópia autenticada RG Alberto Carvalho. Posteriormente foram expedidas as Intimações Fiscais nºs 25/2012 (fls. 66), 140/2012 (fl. 69) e 180/2012 (70), pelas quais o contribuinte foi intimado a identificar, em cada mês dos anoscalendário 2008 e 2009, as despesas lançadas nos respectivos Livro Caixa sob o título de “despesas não dedutíveis”, apresentando, para tanto, a documentação que serviu de base para a escrituração das despesas dos meses de janeiro/2008 a dezembro/2009. Em atendimento às Intimações Fiscais n° 125/2012, 140/2012 e 180/2012, foram entregues os documentos de suporte à escrituração dos Livros Caixa, assim como mídia digital (CD) contendo cópias dos livros escriturados com o uso do programa CarnêLeão da RFB, o que possibilitou a identificação das despesas lançadas como dedutíveis e as não dedutíveis. Após a análise das informações trazidas, foram expedidas as Intimações Fiscais Sefis n° 214/2012, em 11/10/2012 (fl. 74/75), e n° 295/2012, em 18/12/2012 (fl. 117/118), na qual foram solicitados, dentre outros, os seguintes elementos complementares: 1) Esclarecer a natureza das despesas relacionadas, comprovando, através de contrato, acordo, sentença, ou documento específico os termos ajustados em cada caso, comprovando, ainda o efetivo pagamento de referidas despesas. 2) Apresentar o contrato de locação do imóvel em que localizada a serventia no período fiscalizado; 3) comprovar o recolhimento do imposto de renda mensalmente devido (CarnêLeão), incidente sobre os rendimentos recebidos. 4) no que respeita a planos de saúde e de seguro, apresentar os respectivos contratos completos onde constem, discriminadamente, os bens segurados e os beneficiários do plano, conforme o caso. (5) Apresentar contrato de prestação de serviços firmado com a Vigilância Millennium, comprovando o efetivo pagamento de despesas lançadas a este título, em cada mês do período sob fiscalização. Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 O contribuinte apresentou respostas às intimações e documentação às fls. 76/116 e fls. 119/146. Vieram aos autos documentos para comprovar as supostas despesas, tais como recibos de honorários advocatícios, serviços de vigilância, coletas/entregas, peças de informática, manutenção, etc. (fl. 189/257), bem como cópia do Livro Caixa (fls. 258/1937), e cópias dos extratos mensais do Tabelionato, remetidos para a CorregedoriaGeral da Justiça (fls.1938/2138), folha de pagamento de empregados (fls. 2139/2164). Paralelamente, foram expedidas Intimação Fiscal de Diligência nº 344/2012 (fls. 149, 155, 162, 170, 174, 174, 181, 185,) para que as pessoas ali indicadas esclarecessem a natureza dos serviços prestados ao Tabelionato que deram origem ao pagamento indicado, bem como para comprovar a tributação do imposto de renda dos rendimentos. De acordo o Termo de Verificação Fiscal, analisadas as informações e os documentos apresentados, foram constatadas as seguintes infrações: Glosas de despesas com Livro Caixa (despesas indedutíveis) Entendeu a autoridade fiscal que os Gastos registrados na conta “impostos e taxas diversas”, sob os históricos “'vl pago CPMF", "vl pf tarifas bancárias" e "vl pg encargos", seriam indedutíveis, pois desnecessários à percepção da receita e a manutenção da fonte produtora. Acrescentando inexistir qualquer elemento inequívoco de vinculação entre essas despesas (comprovadas pelo contribuinte com simples anotações pessoais) e as receitas da Serventia. Ainda, sob este aspecto, foram glosadas as deduções pleiteadas com ginástica laboral, aluguel de quadra esportiva e empréstimo concedido. Nesse ínterim, entendeu indedutível os dispêndios com Mapfre Vera Cruz Seguros, porquanto, de acordo com a resposta do contribuinte à intimação fiscal nº 295/2012, tratarseia de seguro de automóvel do tabelião. A totalidade das glosas realizadas encontrase na Tabela 04 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 9). Serviços Advocatícios, de vigilância, de consultoria e de assessoria. Destaca a fiscalização a inexistência de contratos para comprovar a contratação de advogados, tendo o contribuinte apresentado notas fiscais e recibos contendo termos genéricos, tais como ‘assistência jurídica, honorários profissionais ou advocatícios’, sem qualquer indicação acerca da natureza dos serviços. A título de exemplo, refere que um dos recibos apresentados, assinado pelo advogado Cleber Lautert, contém o registro de que o valor foi recebido por conta de “defesa que impetrei perante o DetranRS no processo de suspensão do direito de dirigir”, bem como em outro recibo, passado por Luiz Carlos Barros Krieger em 31/07/2009, faz alusão a honorários decorrentes de serviços advocatícios prestados, Fl. 2346DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.720725/201314 Acórdão n.º 2202002.984 S2C2T2 Fl. 30 5 que registra ter sido prestado “serviço de advocacia de caráter extrajudicial, envolvendo questões de família. Acrescenta que as alegações do contribuinte referente à inexistência de contratos escritos, à inutilização de canhotos de cheques e à transferência física e falta de controle sobre o arquivo morto, bem como a opção preferencial por pagamentos “em espécie”, em “dinheiro ou vales” ou “cheques de clientes” inviabiliza a comprovação de efetivo desembolso das despesas. De acordo como o relato da fiscalização, as formas de pagamentos adotadas causam mais estranheza, quando se observam os expressivos valores envolvidos, registrados nas tabelas 04 e 05 do relatório. Refere que nos casos de pagamentos através de pagamentos bancários, DOC ou extratos de depósitos, o que estaria sob questionamento não seria a existência do pagamento, mas a natureza do mesmo, só identificáveis através de contratos, sentenças e ordens judiciais, para a comprovação da dedutibilidade das despesas. Destacou ainda que a maioria dos prestadores de serviços contratados, encontram situações peculiares nos sistema da RFB, seja porque não declararam rendimento/receita compatível com os pagamentos alegados, por que não apresentaram declaração de imposto de renda, ou ainda por constarem como pessoas jurídicas inativas ou com a inscrição no CNPJ baixada no período. Exemplifica tais questões, como no caso da Carvalho Certidões e Serviços Ltda., operada por sócio que é empregado do tabelionado, tem domicilio tributário no mesmo local do fiscalizado, operou somente nos anoscalendário de 2008 e 2009, e toda a receita declarada decorre dos serviços prestados ao tabelionato. Nesse caso, apontou ainda que o outro sócio do empregado é filho de pessoa que consta como alimentando do contribuinte nas DIRPF dos anoscalendário 2008 a 2009. No tocante à empresa de vigilância Millennium, refere que as notas fiscais entregues pelo tabelião apresentam sinais grosseiros de falsificação, como a grafia errada do nome Millennim, numeração várias vezes repetida e inversão cronológica de emissão (vide tabela 10). E Acrescenta que o fiscalizado, quando intimado a apresentar o contrato de prestação de serviços firmado com a empresa, bem como a comprovar o efetivo pagamento das despesas (Intimação Fiscal Sefis n° 295/2012), teria informado que "não temos contrato, pois na época policiais militares não podiam fazer segurança particular, era proibido, o que não acontece hoje. Como fomos assaltados o bairro estava muito perigoso e assaltantes colocaram revólveres no rosto dos funcionários, falamos com a guarda da rua e eles mesmos se prontificaram a fazer a segurança, mas sem contrato e sem cheques. Eram na média de 06 pessoas cuidando do Tabelionato, e o pagamento sempre em espécie". No tocante às despesas junto com a empresa PHD Potencial Humano em Desenvolvimento (Nascimento e Pereira Ltda), nos valores de R$ 15.000,00 (29/10/2008), R$ Fl. 2347DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 14.000,00 (30/01/2009), R$ 12.500,00 (27/03/2009) e RS 20.000,00 (29/04/2009), foi realizada Intimação Fiscal de Diligência nº 338/2012. Na ocasião o responsável pela empresa alertou para equívoco na razão social da empresa constante nas notas fiscais apresentadas pelo Tabelionato, afirmando que a PJ estaria inativa de 1996, e que não teria realizado nenhum tipo de prestação de serviço, seja ao tabelionato, seja ao seu titular. Situação parecida teria ocorrido com a Paulo Borda ME, conforme evidenciado no Termo de Intimação Fiscal de Diligência nº 339/2012, onde restou assentado não haver sido prestado serviço ao tabelionato ou ao seu titular. Em ambos os casos, teriam sido firmadas declarações reconhecendo como inidôneas as notas fiscais apresentadas pelo tabelião. No caso das despesas imputadas a serviços prestados pela Roberto do Nascimento, empresa individual, CNPJ 94.949.344/000195, cadastrada sob "Atividades técnicas relacionadas à engenharia e arquitetura não especificadas anteriormente", o responsável pela empresa informou que os valores indicados na tabela 10 teriam sido recebidos a titulo de "comissões especificadas em contrato de prestação de serviços, onde o contratado Roberto Ribeiro do Nascimento ME presta serviços de captação de clientes, visando fazer frente à concorrência de mercado, os pagamentos em sua maioria foram realizados em espécie e ou cheques de terceiros". A fiscalização ressalta o contraste existente entre as atividades cadastrais da empresa e aquelas alegadamente prestadas ao tabelionato. Indica ainda que o contrato apresentado, não autenticado, data de 01/08/2008, ao passo que os pagamentos mensais, teriam começado em janeiro de 2008 (período inicial do procedimento fiscal). Salientou que a empresa indicou estar inativa no período investigado e a pessoa física declara rendimentos absolutamente incompatíveis com os valores retratados. Apontou a fiscalização ainda que irregularidades nas tais fiscais supostamente emitidas pela empresa, tais como numeração repetida, inversão cronológica de emissão, e caligrafia idêntica à das notas emitidas pelas empresas Pauto Borda ME e PHD Potencial Humano em Desenvolvimento. No tocante as empresas Alexandro Bizarro Duarte e Cia Ltda, CNPJ 07.977.476/000126 AB Software Alexandro Bizarro Duarte e Cia Ltda, CNPJ 10.367.579/000189, e Peças de Informática Pastoriza Ltda, CNPJ 08.173.073/000197 foi realizada a intimação de seu responsável Alexandro Bizarro Duarte. O responsável afirmou que teria prestado serviços de informática e fornecido equipamentos de hardware ao tabelionato. A fiscalização indica a inexistência de qualquer comprovação idônea (contrato, cópia de cheque, DOC, TED, extratos bancários) que ateste a alegada prestação de serviços e o efetivo pagamento. Ainda, a autoridade fiscal aponta que as pesquisas realizadas, tanto do responsável quanto das empresas, apontam para a absoluta incompatibilidade existente entre os valores indicados nas tabelas 04 e 05 e o porte tributário dos beneficiários dos pagamentos (movimentação financeira e receitas/rendimentos acaso declarados). Locomoção e transporte. Fl. 2348DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.720725/201314 Acórdão n.º 2202002.984 S2C2T2 Fl. 31 7 Ressalva a fiscalização que a possibilidade de dedução não se aplica a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo, quando correrem por conta deste (Lei n° 9.250/95). Indica que foram realizados diversos lançamentos de despesas a título de transporte, sob o histórico "vi pg PMPA EPTC", correspondentes a corridas de táxi. Tais despesas são da própria natureza do serviço, estando previstas, inclusive, na Lei n° 12.692/2006, que dispõe sobre os emolumentos notariais e de registro, sob os títulos "Diligência para a prática de serviço externo" e "Condução". Argumenta a fiscalização que a lei, reconhecendo as exigências de transporte próprias da natureza do serviço, previu a cobrança de emolumentos capazes de suportálas, sendo tais valores tabelados, e passíveis de cobrança pelo Cartório quando da efetiva prestação de seus serviços, têm o objetivo de ressarcir a serventia dos custos presumidamente incorridos na execução de diligências com condução. Refere que as despesas (registradas nos Livros Caixa como vl pg PMPA EPTC) alcançaram montantes mensais superiores àqueles cobrados como emolumentos (Diligência). O excesso de despesas, além de não contar com respaldo legal, encontra suporte tão somente em simples recibos emitidos por taxistas, sem qualquer vinculação direta e evidente com a prestação de serviços cartorários. A prova clara, objetiva, inequívoca e necessária seria o lançamento da totalidade destas despesas nas notas de emolumentos passadas pela Serventia, o que, como referimos anteriormente, não ocorreu. Registrou a fiscalização que os excessos mensais de despesas de locomoção e transporte registrados, foram calculados de forma que a serem aproveitadas pelo contribuinte nos meses subsequentes, sendo os excessos descartados. CarnêLeão O termo de verificação fiscal observa ainda que a fiscalização observa que a escrituração apresentada pela autuado utilizou o programa CarnêLeão disponibilizado gratuitamente pela RFB, que apresenta um plano original de contas dedutíveis e nãodedutíveis, passível de livre alteração por parte do usuário. Assim, uma conta classificada como dedutível terá essa natureza para qualquer despesa que se lance nela, independentemente do histórico ou da natureza mesma da despesa. Esta é a razão para as glosas efetuadas, em certas ocasiões, em contas de "mat. conservação e limpeza", "bens de consumo", "mat. de escritório", dentre outras. O mesmo ocorreu com gastos sob os históricos "vl pg Siax Com Agua Mineral” e “ vl pg Aguas da Serra”, classificadas como não dedutíveis nos Livros Caixa, sob a conta “refeição e copa”. As despesas comprovadas foram reclassificadas para dedutíveis pela fiscalização revertendo em benefício do contribuinte. Os valores estão identificados nas tabelas 06 e 07 intituladas: Despesas convertidas em dedutíveis pela Fiscalização AC 2008/AC 2009, às fls. 37/38 dos autos. Referiu que os emolumentos e as custas dos serventuários da justiça, sujeitamse ao recolhimento mensal obrigatório do carnêleão. Informa que nos anos Fl. 2349DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 calendário de 2008 e 2009, não foram encontrados pagamentos do imposto sob o código 0190 (CarnêLeão). Imputase o pagamento da multa isolada. Multa de Ofício Aplica multa qualificada em relação às despesas declaradas através de documentos inidôneos, como no caso das notas fiscais supostamente emitidas pelas empresas Roberto Ribeiro do Nascimento ME, Paulo Borda ME e PHD Potencial Humano em Desenvolvimento, cuja análise evidencia terem sido emitidas/preenchidas pela mesma pessoa. A caligrafia é idêntica. Também há casos de notas fiscais replicadas (NF n° 062 e NF n° 089 de Roberto Nascimento; NF n° 432, NF n° 433, NF n° 442, NF n° 444 de "Millennim" Vigilância e Zeladoria em Geral) e emitidas em ordem cronológica invertida (NF n° 078 e NF n°079 de Roberto Nascimento e diversas de "Millennim" Vigilância e Zeladoria em Geral), estando a relação indicada na Na tabela nº 10às fls. 40/42 dos autos. Tendo em vista o evidente intuito de fraude, consubstanciado na falsificação de documentos, objetivando reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto de renda, foi aplicada a multa qualificada de 150%, em relação a tais despesas. Em razão das condutas descritas, foi formalizado Representação Fiscal para fins penais. Impugnação Intimado do auto de infração em 04/02/2013 (fl. 286), o contribuinte apresentou impugnação, em 06/03/2013 (fl. 2195/2210), tempestivamente, alegando: Em preliminar, informou estar apresentando recibo da declaração de inclusão da totalidade dos débitos no parcelamento da Lei n° 11.941/09, ora anexado, o contribuinte aderiu ao referido programa especial de parcelamento ou pagamento, transmitindo dita declaração de inclusão da totalidade dos débitos em 09/06/2010 (recibo 0009759994995389959). Segundo destacou, na hipótese de serem considerados exigíveis os valores apurados até a competência 10/2008, deverão ser incluídos no parcelamento especial da Lei 11.941/2009, com a exclusão dos juros, da multa proporcional aplicada e da multa isolada lançada. No mérito, o contribuinte alegou ser indevida a glosa fiscal incidente sobre adiantamento de salários pelo motivo apontado pela fiscalização, classificado como despesas não dedutíveis (código 1), repassados ao funcionário Vílson Lautert (tabela 04, data 30/04/2008, valor de R$ 10.000,00 e Slip de caixa), e para a funcionária Mirian Fernandes Klusener (tabela 05, em 30/11/2009, no valor de R$ 10.000,00). Segundo referiu, por se tratar de despesas pagas pelo regime de caixa para funcionários com vínculo empregatício, com posterior compensação no salário, poderá ser deduzida a dita remuneração da receita auferida (art 75, I do RIR/99). Fl. 2350DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.720725/201314 Acórdão n.º 2202002.984 S2C2T2 Fl. 32 9 Relativamente às despesas sobre emolumentos pagos a terceiros, alegou ser indevida a glosa de custas judiciais pagas em processo trabalhista para o TST (tabela em 29/04/09, no valor de R$ 10.714,51, e das custas judiciais (tabela 04 datada em 03/07/08, no valor de R$ 38,00. Alegou, também, cerceamento ao direito de defesa por ter a fiscalização deixado de descrever o motivo 12, indicado na tabela 04/05, acarretando a nulidade do lançamento. O contribuinte destacou que da análise da legislação que regulamenta o Imposto de Renda (pessoas jurídicas/físicas), o art. 299 do Decreto 3.000/99 que, de forma análoga deve ser aplicado ao caso em tela dispõe sobre o conceito de despesa. À luz da doutrina sobre o assunto (Hugo de Brito Machado e Hiromi Huguchi), autorizam concluir que as despesas dedutíveis são as pertinentes ao negócio desenvolvido e que se mostram úteis à concretização da atividade profissional realizada, quer por PF ou PJ. Diante dos parâmetros conceituais citados entende serem indevidas as glosas fiscais das seguintes rubricas: 1) Aluguel escritório/telefone, tabela 04, datas 11/03/2008 e 07/04/2008, no valor unitário de R$ 10.891,56 – CEEE tabela 04, data 05/03/2008 no valor de R$ 2.992,30. 2) Alimentação de funcionários registrados nos históricos "Paulinho Cobal, Comercial de Alimentos Luz Ltda., Restaurante Palatus (14/09/09), etc. Por força de Convenção Coletiva de Trabalho (item 19), o contribuinte é obrigado a fornecer lanche em forma de alimentação para os funcionários que não podem se ausentar para almoçar ao meiodia (trabalho extraordinário). Argumentou ser improcedente a glosa da alimentação dos funcionários tanto quanto a água (tabela 06), sendo improcedente os valores glosados (motivo 1) do fornecedor Com. de Alimentos Luz Ltda. Por sua vez não há como não ser dedutível (motivo 1) a despesa de alimentação no restaurante PALATUS (data 14/09/2009). 3) Despesas com profissionais sem vínculo empregatício. Honorários de advogados, profissionais e empresas de informática, engenharia e de segurança. Registra o autuado que os profissionais citados na peça fiscal assessoram o tabelionato há vários anos, contratados por tarefas e em situações de consultas jurídicas complexas que necessitam rápida definição pelos contratados, ocasionando dificuldade na elaboração de contratos para cada caso. Observou ser decorrente daí a confiança recíproca, bastando para tanto, a simples emissão de notas fiscais e recibos pelos contratados para sedimentar o negócio jurídico ajustado entre as partes, na medida em que os contratos tácitos são válidos e geram efeitos na teoria dos contratos no direito civil brasileiro. Sob tal aspecto a mera desconstituição do negócio jurídico constituído e sedimentado por notas fiscais e recibos emitidos pelos contratados, pela falta de contrato escrito, não encontra eco na legislação civil brasileira. Fl. 2351DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 O serviço de segurança (empresa Millennim) contratado e prestado por policiais militares, por sua vez, caracterizase pela informalidade na celebração do negócio, muitas vezes decorrentes de atividades "extras" dos contratados, e também pela baixa escolaridade dos mesmos, fato que não desautoriza a contratação por emissão de notas com grafia errada de nome estrangeiro e com inversão cronológica, no dizer do fiscal autuante no seu relatório. Por outro lado, o argumento referente ao endereço na cidade de Santana do Livramento da proprietária da empresa de vigilância não é motivo para a descaracterização do contrato. O domicílio tributário da proprietária da empresa em nada interfere no endereço da sede social da empresa prestadora de serviços, que, conforme os próprios cadastros da Receita Federal do Brasil, se encontra estabelecida na Rua Itapema, n.14, cj. 205, POA/RS. Já a empresa individual Roberto Ribeiro Nascimento – ME apresenta contrato escrito. Contudo a fiscalização infirmao intempestivo quanto aos pagamentos. Destacou o fato de inexistir impedimento para que a empresa fornecesse o serviço contratado sem o devido contrato, cuidado tomado posteriormente, muito menos que o serviço seja incompatível com o cadastro da atividade no CNPJ, considerando ser empresa individual que passa, necessariamente, pela atividade do sócio/empresário. Acrescentou que “nada há de improvável nas modalidades de pagamento (espécie ou cheques de terceiros) quando se trata de tabelionato ou cartórios que lidam, diariamente, com grandes somas de pagamentos de clientes efetivadas em dinheiro vivo na boca do caixa e cheques.” Por sua vez, rendimentos incompatíveis declarados pela pessoa física empresária não diz respeito ao contribuinte e deve ser investigado na esfera própria. Segundo afirmou, os mesmos argumentos servem para Alexandre Bizarro Duarte, AB Software e Peças de Informática Pastoriza, pois os pagamentos foram igualmente feitos em espécie e cheques de terceiros, muito menos lhe diz respeito à incompatibilidade dos rendimentos dos prestadores declarados ao fisco, não sendo esses motivos suficientes para a glosa das operações, até porque não há na legislação pátria qualquer dispositivo que vede a efetivação de pagamento diretamente em numerário. Ademais, depõe contra o trabalho fiscal a situação cadastral ativa na Receita Federal de diversas empresas colocadas "sob suspeita" pela autuação fiscal. No que diz respeito à glosa das despesas das empresas O Pereira Cursos (identificada no Auto de Lançamento como PHD Potencial Humano em Desenvolvimento) e Paulo Borda ME, este contribuinte rechaça as informações trazidas aos autos pelo Agente Fiscal, tendo em vista a efetiva prestação dos serviços ajustados. Afirmou que, posteriormente, trará aos autos, ainda, declarações dos prestadores de serviços, dando conta do aspecto coercitivo da intimação recebida para prestação de informações das relações comerciais entre as empresas e o contribuinte autuado, o que os levou a declarar frente ao Agente Fiscal, as afirmações descritas no Relatório, sem que estas condissessem com a verdade, tendoas feito Fl. 2352DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.720725/201314 Acórdão n.º 2202002.984 S2C2T2 Fl. 33 11 pelo simples receio em admitir a continuidade das atividades sem o oferecimento das receitas à tributação. Em relação às despesas com informática, entende que estas não podem ser glosadas despesas de informática ao argumento de que as mesmas se reverterão em patrimônio imobilizado (motivo 4) do contribuinte. Salientou que é do conhecimento de todos que os tabelionatos e cartórios atuais utilizam os meios de informática para a consecução das suas tarefas, bem como a compra de material que se consome pela utilização diária, como p. ex. recarga de tonner, adquiridas junto às empresas varejistas "De Bem", "Divimasters", "Digimer" e etc. Segundo destacou, impugna o lançamento (data de 26/06/2009), em razão da constatação de erro de escrituração no Livro Caixa e, por falta de atenção do fiscal autuante, o erro no histórico e na conta da rubrica fiscal permaneceram, remetendo a despesa glosada a uma Nota Fiscal da empresa "Carvalho Certidões", sem qualquer relação com serviços gráficos. Tratase de despesa dedutível, emitida contra o tabelionato por empresa regular e com cadastro ativo à época, em que pese a fiscalização colocar sob suspeita a existência da mesma. No tocante às glosas realizadas com despesas de Material de Escritório, o contribuinte indicou o nome das empresa diversas empresas: (Copy Dealer Soluções Digitais, Coopernote, Paraíso do Real, Distribuidora Atacadista Ltda. Porto Material de Escritório, Porto Iglesias, Zona Franca, Flor do Brasil, Bazar RS); Manutenção e Conservação (Ferragem Nova Era, Infopeças Ltda., Ferragem Protásio Alves, Tumelero e Leomar Silva Copiadoras, etc.); Material de Limpeza e Conservação (Unidasul, Rissul, Cia Zafari, Centroútil). Observa que estas despesas se consomem nas despesas elencadas no Parecer Normativo 60/78 e no Perguntas e Respostas da RFB, resposta à pergunta nº 399 da Cartilha do programa IRPF da RFB, sendo essenciais para a serventia. Afirmou que a sede do cartório é alugada necessitando de constante conservação do prédio. Em relação às Despesas Gráficas (data de 26/06/2009), referiu o trabalho gráfico contratado é responsável pela documentação e selos oficiais com logotipo do tabelionato que é usado no seu dia a dia, inclusive por determinação legal que pauta a atividade cartorária e registral, sendo despesa indispensável para a percepção da receita e manutenção do negócio da fonte produtora. Inconformase com a as glosas efetuadas em relação às Despesas com vestuário de funcionários (data 03/10/2008 e 09/12/2009). Indica tratarse de despesas relacionadas diretamente à atividade do contribuinte que necessita a confecção ou compra de pastas de couro e de prendedores de gravata que fazem parte da vestimenta masculina dos atendentes, tudo para o desempenho de diligências fora do local sede da serventia e atendimento ao público na serventia. Fl. 2353DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 No tocante às despesas com a Editora Abril Assinatura Revista Veja (data 16/05/2008, 04/07/2008, 08/05/2009, 26/06/2009), argumenta que a despesa de periódicos e assinatura de revista para o caso é dedutível, pois pertinente e útil para a fonte produtora. É necessário um mínimo de conforto para os clientes da serventia enquanto aguardam atendimento na sala de recepção de escrituras e procurações Assim, não pode ser mantida a glosa sobre tal rubrica. O contribuinte citou jurisprudência administrativa. Em relação às despesas glosadas referentes à Saúde Ginástica laboral e farmácia, entende que entre tantas despesas, talvez as mais essenciais. Pensando na forma de amenizar as despesas decorrentes de doenças, a serventia recorre a ginástica laboral para distensão e relaxamento muscular, de forma a evitar a lesão por esforço repetitivo, bem como instituiu uma farmácia básica colocada a disposição dos funcionários. Irresignase quanto à multa exorbitante de 150%. Entende ser incoerente a afirmação de intuito de fraude de parte do contribuinte quando o mesmo apresenta às claras, toda a documentação contabilizada no Livro Caixa para a fiscalização. Refere que não existiu por parte do contribuinte qualquer ocultação de lançamento ou dificuldade imposta à fiscalização para realização do trabalho, tendo o sujeito passivo sempre respondido às diligência solicitadas pelo fiscal. Por essas razões, não poderia a fiscalização concluir que o impugnante estivesse procedendo suposta utilização de documentação inidônea, haja vista que a sua conduta revela o contrário do ilícito previsto pelo art. 71 e seguintes da Lei n° 4.502/64. Somente há infração quando o contribuinte não cumpre alguma obrigação com a intenção evidente de ocultar a ocorrência do fato gerador, quando este já verificou. Nesse caso, deve ficar sujeito às sanções legais. Mas quando não se verifica a prática de atos dolosos não pode haver a aplicação da multa qualificada, imprópria e excessiva de 150%, que ultrapassa aos limites do bom senso e do suportável em termos econômicos. Quando à multa atinge um percentual tão elevado, a ponto de acarretar um verdadeiro desfalque no patrimônio do contribuinte, ela deixa de ser legal e passa a ser ter caráter confiscatório, o que é vedado pelo inciso IV do art.150 da Constituição Federal. Muito menos pode tal penalidade ser suportada, à evidência, por uma pequena empresa. Conforme decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais, do antigo Conselho Federal de Contribuintes, no processo nº 0105.435, "a hipótese prevista no art. 44, II, da Lei 9430/96, deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos de evidente intuito fraude em que tenha sido tipificada a ação em um dos institutos dos artigos 71 a 73 da Lei 4502/94, e desde que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente". Fl. 2354DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.720725/201314 Acórdão n.º 2202002.984 S2C2T2 Fl. 34 13 Assim, para aplicação da multa extravagante e confiscatória de 150% há sempre a necessidade imperiosa de se fazer a prova material das práticas dolosas ou fraudulentas utilizadas. O contribuinte citou jurisprudência administrativa, a multa pecuniária visa coibir a prática de infrações fiscais, mas não pode ser empregada para destruir a empresa. Doutrinadores de envergadura sustentam que os "critérios para fixação das multas tributárias devem obedecer aos padrões do princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, isto é, devem levar em conta se a situação ocorrida foi agravada com dolo ou culpa". Nos pedidos, requereu: O acolhimento da preliminar, com a decretação de insubsistência do Lançamento Fiscal quanto aos débitos passíveis de inclusão no parcelamento especial previsto na Lei n° 11.941/09 (competência janeiro a outubro de 2008), com a consequente exclusão da multa proporcional, da multa isolada e dos juros, bem como, no mérito a desconsideração das glosas fiscais sobre a remuneração de empregados, emolumentos pagos e das despesas de custeio acima destacadas, considerando o permissivo legal e por caracterizaremse necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Em face da insubsistência de parte do lançamento fiscal e a falta de comprovação de dolo e fraude na espécie, a exclusão da multa exorbitante e confiscatória de 150%, prática vedada pelo art. 150, inciso IV, da vigente Constituição Federal. Protesta por todas as provas de direito, em especial diligências com perito oficial para averiguação de pretensa caligrafia idêntica em notas fiscais glosadas pela fiscalização e o direito de carrear aos autos as declarações dos prestadores de serviços mencionados no item três (mérito), para fins de comprovação da efetividade do serviço prestado. O contribuinte fez anexar aos autos cópias dos seguintes documentos às fls. 2216 e seguintes: Recibos de Pedido de Parcelamento da Lei 11.941 de 27/05/2009, Slip, Ficha de Registro de Empregados, Guia de Depósito Judicial, Doc de Locação, doc CEEE, propaganda de estabelecimento comercial – Paulinho Cobal, Convenção Coletiva de Trabalho, Comprovantes de Inscrição e de Situação Cadastral (07). Acórdão da DRJ A 8a Turma de Julgamento da DRJ/POA, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de diligência feito e, no mérito, julgou procedente em parte o lançamento, Fl. 2355DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 para excluir do total de despesas não comprovadas, um total de R$ 10.219,640 do crédito tributário. O acórdão restou assim ementado (fls. 2276/2302): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 LIVRO CAIXA. Para se gozar da dedução de livro Caixa, as despesas necessárias e indispensáveis à manutenção da fonte produtora dos rendimentos devem ser provadas por documentos idôneos, cabendo ao contribuinte, se questionado, comprovar a realização dos pagamentos e a sua vinculação à efetiva prestação dos serviços ou à aquisição das mercadorias. CARNÊLEÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A ausência de recolhimentos mensais obrigatórios (carnêleão), incidentes sobre os valores de rendimentos tributáveis, enseja a aplicação de multa isolada no percentual de 50% (cinqüenta por cento) do imposto não recolhido, relativamente a parte mantida do lançamento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Mantido o lançamento da multa de ofício qualificada no percentual de 150%, tendo em vista os indícios e as circunstâncias que levam à caracterização do evidente intuito de fraude. MULTA ISOLADA. CARNÊLEÃO. Será exigida multa isolada de que trata o inciso I ou II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 e artigo 1º, inciso II, da IN SRF nº 46/97, tendo como base de cálculo o imposto de renda devido pelas pessoas físicas sob a forma de recolhimento mensal (carnêleão) não pago, os rendimentos recebidos a partir de 1º de janeiro de 1997. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LOCOMOÇÃO E TRANSPORTE. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada DILIGÊNCIA/ PERÍCIA. Fl. 2356DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.720725/201314 Acórdão n.º 2202002.984 S2C2T2 Fl. 35 15 Indeferese o pedido de diligência, quando a sua realização revelase prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. Foi provida a impugnação no ponto referente às despesas com locação (R$ 22.783,12) e com pagamentos à CEEE (R$ 2.992,30), em razão de ter o contribuinte apresentado documentos que comprovaram os valores lançados, acarretando a exclusão e R$ 6.813,25 a título de IR e R$ 3.406,62 em relação à multa de ofício. Recurso Voluntário O recorrente foi notificado do resultado do julgamento de sua impugnação em 11/11/2013 (fl. 2309), tendo interposto recurso voluntário (fls. 2311/2317) em 10/12/2013. Em preliminar, reafirma que o contribuinte aderiu ao parcelamento previsto na Lei 11.941/09, de forma que, ainda que reste reconhecida a ausência de impugnação específica quanto ao item locomoção e transporte, tais rubricas, assim como as demais apuradas na competência do anocalendário de 2008, devem ser incluídas no parcelamento. Sendo assim, restaria impossibilitada a exigência do crédito tributário, bem como dos juros, multa de ofício e multa isolada. Ainda, refere a necessidade de perícia que viesse a comprovar a inidoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte. No mérito, reafirma que são passíveis de dedução as despesas necessárias a manutenção da fonte produtora, sendo este um conceito amplo. Em que pese a alegação do acórdão de que não foram prestados os serviços de segurança, traz ata de audiência da justiça do trabalho onde constam reclamatórias de alguns desses seguranças propugnando o reconhecimento de vínculo empregatício junto ao Tabelionato. De igual forma, entende que devidamente comprovadas como indevidas as glosas realizadas sobre adiantamento de salários, alimentação de funcionários, despesas processuais sem vínculo empregatício, material de escritório, despesas com informática, despesas gráficas, vestuário e saúde, sendo todas essas despesas pertinentes, úteis e diretamente relacionadas com o negócio. Fl. 2357DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Por fim, irresginase quanto à aplicação da multa qualificada, por não inexistir qualquer intuito de fraudar o Fisco. Juntamente ao Recurso, apresenta atas de audiência da justiça do trabalho e cópias de reclamatórias trabalhistas (fls. 2318/2336). É o relatório. Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator O recurso é tempestivo e atende todos os requisitos de admissibilidade. Preliminar – Inexigibilidade do crédito tributário em razão do parcelamento O recorrente alega estar usufruindo do parcelamento previsto na Lei nº 11.941/09 e que, de acordo com o seu art. 1º, §1º, poderão ser parcelados os créditos tributários constituídos, ou não na época da legislação. Com isso, considerando a competência de 2008, eventuais débitos deverão ser incluídos no parcelamento, de modo que não podem ser exigidos por meio de auto de infração. Da mesma forma, ocorreria com a multa aplicada e os consectários legais. Não prospera a irresignação do contribuinte no ponto. É bem verdade que o parcelamento instituído pela Lei 11.941/09 permite a inclusão de débitos ainda não constituídos no período abarcado pela Lei. Todavia, tal previsão não afasta a possibilidade da autoridade fiscal de, ao vislumbrar a ocorrência de infração tributária, lançar o tributo que entenda devido. A previsão legal referese à antecipação por parte do contribuinte de incluir no parcelamento débitos que não tenham sido constituídos, isto é, cabe ao contribuinte, antecipandose ao lançamento, informar e requerer a inclusão do débito no parcelamento. Fl. 2358DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.720725/201314 Acórdão n.º 2202002.984 S2C2T2 Fl. 36 17 Todavia, ao não fazêlo, o Fisco não encontra óbice em apurar e constituir o crédito tributário, com a inclusão dos juros de mora, e imputação das penalidades que entender aplicáveis. Vale referir que, mesmo nos casos de inclusão tardia ao parcelamento, através das reaberturas de prazo que a Lei 11.941/09 veio a conceder, a sua adesão ao parcelamento, importa na confissão de dívida irrevogável e irretratável da dívida, e por isso importa na desistência de discussão dos valores parcelados no âmbito administrativo. Preliminar – Necessidade de perícia No ponto, o recorrente propugna a realização de diligência para averiguar a “pretensa caligrafia idêntica em notas fiscais glosadas pela fiscalização para fins de comprovação da efetividade do serviço prestado”. A prova pericial somente se justifica quando o exame das provas apresentadas não possa ser realizado pelo julgador, em razão da complexidade e da necessidade de conhecimentos técnicos específicos. Caso as provas constantes do processo, ainda que versem sobre matéria especializada, possam ser satisfatoriamente compreendidas, nada justifica a realização de perícia. Verificase no ementário do acórdão da DRJ, o entendimento nesse mesmo sentido. Vejase: PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Dever ser indeferido o pedido de perícia quando esse procedimento mostrar se prescindível para a solução da lide. Tendo em vista que o recorrente trouxe documentação probatória suficiente para a análise e deslinde do feito, tenho por concordar com o posicionamento exarado anteriormente no acórdão de impugnação, por não existir matéria que demande a necessidade de exame grafológico. O fato da autuação ter mencionado, ao ver notas fiscais de diferentes prestadores de serviços consideradas inidôneas, que elas possuíam a mesma caligrafia, não foi determinante para a imputação do crédito tributário, tampouco da multa imputada. Em ambos os casos, havia indícios capazes de levar a autoridade fiscal à conclusão que chegou. Por esse motivo, afasto a preliminar arguida quanto ao cerceamento de defesa. Fl. 2359DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Glosa de despesas no Livro Caixa. O recorrente é titular de Tabelionato, recebendo rendimentos a título de trabalho não assalariado. Em razão disso, na forma dos arts 4º e 6º da Lei nº 8.134/90, submetemse as receitas auferidas com a sua atividade à tributação do Imposto de Renda Pessoa Física, apurado através de escrituração realizada em Livro Caixa e ajustada ao final do anocalendário, através da Declaração de Ajuste Anual. Nessa sistemática ainda é permitida a dedução das despesas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte de custeio. É o que se depreende do art. 6º da Lei nº 8.134/90: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (Vide Lei nº 8.383, de 1991) I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciári os; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 1º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 4 8 Disso se extraí que todas as despesas necessárias à atividade podem ser consideradas para fins de dedutibilidade. A grande questão aqui, portanto, é entender os limites que o vocábulo “necessário” impõe para tal procedimento. É dizer que, para a percepção de uma determinada receita, uma despesa pode ser necessária, ao passo que para outra não. A dificuldade para se identificar o que vem ou não a ser considerado despesa necessária nos leva a ter que analisar cada caso e verificar se para cada receita aquela despesa se coaduna. Nesse sentido, como já bem havia alertado o Conselheiro Pedro Anan, em voto vencido, prolatado no Acórdão nº 2202002.566, a sistemática adotada é muito semelhante à sistemática adotada pela apuração do lucro real, onde há o desconto dos custos e despesas da base de cálculo para fins de apuração do IRPJ. Nesse sentido, preceitua o art. 299 do RIR/99: Fl. 2360DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.720725/201314 Acórdão n.º 2202002.984 S2C2T2 Fl. 37 19 Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Por essa razão, concluise que para uma despesa dedutível é aquela necessária para a realização da atividade da empresa e que seja usual e normal, face às atividades desenvolvidas pelo contribuinte que a suportou. Aliado a esse requisito subjetivo, por força do § 2º do art. 6º da Lei nº 8.134/90, é necessário que o contribuinte comprove a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livro caixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. Da conjunção dessas condições extraemse três requisitos para que a despesa seja considerada dedutível para cálculo do Imposto de Renda: Os dois primeiros, de caráter objetivo, indicam a necessidade de comprovação da existência da despesa através de documentação idônea, bem como sua escrituração em livro caixa. O último, de caráter subjetivo, se coaduna a necessidade da despesa incorrida para a percepção da receita ou manutenção da fonte produtora. Dito isso, o recurso voluntário irresginase quanto as seguintes glosas realizadas (fls. 2314): 1) adiantamento de salários, 2) alimentação de funcionários, 3) despesas com profissionais sem vínculo empregatício, 4) material de escritório, 5) despesas com informática, 6) despesas gráficas, vestuário e saúde, Adiantamento de salários Em conformidade ao art. 6º, inciso I, acima transcrito, a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, podem ser deduzidos na apuração do Imposto de Renda. Fl. 2361DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 No tocante ao adiantamento de salários repassados aos funcionários Vílson Lautert (fl. 20) e Mirian Fernandes Klusner (fl.35) o contribuinte traz Fichas de registro de empregados (fls. 2222 e 2223) e folhas de pagamentos dos meses 01/2008 (fls. /2150) e 12/2009 (fls. 2151/2160). O acórdão da DRJ entendeu que, em que pese tenha restado comprovada a condição de empregados de ambos os indicados, tal condição não é suficiente para comprovar a despesa. Indo um pouco mais além, em que pese não tenha restado comprovada a efetiva transferência do numerário indicado (por exemplo, até mesmo o extrato da folha de salários indicando o adiantamento realizado, como consta na fl. 2158), há outra situação que obsta a dedução de tal despesa. Vejase que, ainda em fase de fiscalização, o contribuinte indicou que tais valores tratavamse de repasse de empréstimos (fls. 79). Tal assertiva encontra respaldo pelo recibo de recebimento de empréstimo assinado por Miriam Fernandes Klusner (fls. 215), bem como na DAA 2009, onde consta a informação do empréstimo junto a Vilson Lautert, no valor de R$ 10.809,00 (fl. 2178). O adiantamento de salários é uma prática convencionada junto aos trabalhadores (fl. 2241), na forma da Convenção Coletiva de Trabalho juntada pelo contribuinte. Nesse caso, verificase que será adiantado 50 % do salário em até 20 dias antes do pagamento mensal previsto. Pois bem, ocorre que, como se depreende do recibo de fl. 215, o empréstimo acordado ficou condicionado ao pagamento do empréstimo em 180 dias. Considerando a remuneração paga aos respectivos funcionários (fls. 2147/2160), verificase que o valor da parcela devida pelo empréstimo realizado é superior ao valor do suposto adiantamento, o que obviamente acaba por desnaturar a natureza jurídica alegada. Com isso, entendo que deve ser mantida a glosa realizada. 2) alimentação de funcionários No caso, o contribuinte alega que as despesas registradas em Paulinho da Cobal, Comercial de Alimentos Luz Ltda e Restaurante Palatus Ltda. decorrem da convenção coletiva de trabalho (fl. 19) que obriga o requerente a fornecer alimentação para os funcionários que não podem se ausentar para almoçar em razão de trabalho extraordinário. Tal situação ensejaria a sua dedutibilidade, como já decidiu o CARF: Fl. 2362DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.720725/201314 Acórdão n.º 2202002.984 S2C2T2 Fl. 38 21 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 (...) IRPF. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES. REQUISITOS. LIMITES. A dedução de despesas do LivroCaixa é restrita aos contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado. Somente são dedutíveis as despesas escrituradas no Livro Caixa necessárias à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora e que sejam devidamente comprovadas, mediante documentação idônea. São indedutíveis despesas de capital; remuneração paga a terceiros sem vínculo empregatício; despesas de locomoção e transporte se o contribuinte não é representante comercial autônomo. IRPF. LIVRO CAIXA. DESPESAS COM CELULAR. Quando não é possível comprovar quais as despesas de telefonia celular são oriundas da atividade profissional, a dedução está limitada à quinta parte das despesas com telefonia celular. IRPF. LIVRO CAIXA. DESPESAS COM ALIMENTAÇÃO NECESSÁRIAS À GERAÇÃO DA RECEITA. Dada as características da atividade profissional do contribuinte, houve despesas com alimentação, próprias e de terceiros, que foram necessárias à geração da receita, portanto são dedutíveis. IRPF. LIVRO CAIXA. DEFICIÊNCIAS NA DOCUMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS PARA DEDUÇÃO. A deficiente discriminação do adquirente ou do emitente do documento ou do produto ou serviço adquirido é razão para a glosa, mormente quando o contribuinte não desenvolve esforço probatório para sanar os vícios de forma objetiva e analítica, o que compromete a comprovação da necessidade da despesa ou sua natureza dedutível nos termos exigidos por lei. (...) (Processo:11516.002963/200577; Relator: Jorge Claudio Duarte Cardoso Acórdão nº 2802002.945) Como se vê, necessário que os gastos com alimentação fiquem provados como necessários à geração da receita. Todavia, no caso, não foram trazidos aos autos elementos suficientes para verificar a correlação entre a despesa efetuada e o regime de trabalho extraordinário, ou mesmo a ocorrência efetiva da despesa. Os gastos no estabelecimento comercial Paulinho da Cobal não foram comprovados, tendo o contribuinte apresentado somente a propaganda do estabelecimento (fls. 2230/2237). Por outro lado, no tocante a outras despesas indicadas através de recibos de pizzaria e restaurante, onde indica unicamente o valor discriminado. (fls. ). Não restou comprovado a que funcionários tal regime de trabalho extraordinário se estendia, a relação das referidas notas a tal situação, e tampouco a vinculação de tais valores as despesas indicadas nos livroscaixa. Fl. 2363DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 22 3) despesas com profissionais sem vínculo empregatício No decorrer do procedimento fiscalizatório, o ora recorrente trouxe recibos para comprovar o pagamento de profissionais sem vínculo empregatício, como advogados, profissionais e empresas de informática, engenharia e de segurança (fl. 196/256). No tocante aos honorários advocatícios, a priori, tratase de despesas dedutíveis, principalmente dada a necessidade de assessoria jurídica que os tabelionatos incorrem na sua atividade diária. Para tanto, necessário que haja a comprovação da vinculação de tal despesa à atividade cartorial, bem como a comprovação efetiva do dispêndio realizado. Se é verdade que não é necessário que haja contrato escrito, ao menos deve restar comprovado qual o serviço/teor do serviço prestado para fazer sua vinculação à atividade do tabelionato No caso as despesas foram glosadas porque o contribuinte não trouxe contratos que permitissem aferir qual a atividade efetivamente prestada, e consequentemente restou impossível verificar a correlação dos serviços prestados à atividade profissional realizada. Sem tais contratos, não se pode precisar a natureza das despesas com advogados/assessoria jurídica, se seriam efetivamente relacionadas à atividade profissional do contribuinte, se seriam relacionadas a causas pessoais. Vejase que nesse sentido, dentre os recibos e pagamentos apresentados (fl. 191/214), dois deles atestam a prestação de serviços em causas pessoais do contribuinte, quais sejam, o serviço prestado em processo em que se discutiu a suspensão do direito de dirigir do contribuinte (fl. 190); bem como a declaração de fl. 211, onde se afirma a atuação em “questões de família”. Ainda, a alegação de inexistência dos contratos feita pelo contribuinte, não encontra respaldo nos próprios recibos, como atesta o recibo de fl. 191. Diante disso, só a juntada dos recibos assinados pelos profissionais não é suficiente para comprovar a vinculação de tais serviços ao serviço prestado, para que tal despesa possa ser usada para fins de dedutibilidade. Em relação a despesas com profissionais e empresas de informática, o contribuinte traz nota de prestação de serviço, realizada por AB software, no valor de R$ 20.000,00, em 22/12/2008(fl. 212), bem como por Paulo Borba ME, em valores de R$ Fl. 2364DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.720725/201314 Acórdão n.º 2202002.984 S2C2T2 Fl. 39 23 20.000,00 (fl. 207), R$ 14.000,00 (fl. 229), R$ 15.000,00 e R$ 18.000,00 (fl.232) e R$ 20.000,00 (fl. 233). Em relação às despesas tomadas de Paulo Borba ME, nas notas fiscais consta genericamente a indicação de serviços executados em relação à software e hardware. A Fiscalização dirigiuse à empresa, com o intuito de verificar a existência de tais despesas. A empresa Paulo Borda ME, CNPJ 07.466.801/000196, atendendo à Intimação Fiscal de Diligência n° 339/2012, através de seu representante legal declarou que "em tempo algum, desde a abertura da pessoa jurídica acima mencionada, prestei qualquer tipo de serviço para Alberto Carvalho, titular do 6º Tabelionato de Notas de Porto Alegre/RS, portanto, qualquer valor informado ou documentos apresentados por este tabelionato à Receita Federal como originados de minha empresa não são verídicos, ressaltando ainda que jamais foram emitidas notas ficais por minha empresa, nos valores informados na intimação". A declaração de inidoneidade dos documentos apresentados consta na fl. 175/176. Obviamente não restou comprovado tal dispêndio, devendo ser mantida a glosa no ponto. No tocante aos serviços prestados por Alexandre Bizarro Duarte, através da Alexandre Bizarro Duarte e Cia Ltda., AB Software Alexandre Bizarro e Cia Ltda e Peças de Informática Pastoriza Ltda., referiu a fiscalização que tais valores não tiveram comprovação idônea através de contrato, cópias de cheque, DOC, TED, extratos bancários, etc. Acrescentou que tais valores não condizem com o porte das empresas indicadas. Entendo que a nota fiscal trazida não é suficiente para comprovar o efetivo dispêndio para gerar dedutibilidade para fins de imposto de renda. O mesmo ocorre com a nota fiscal de suposto serviço de engenharia (fl. 201), onde não restou comprovado o efetivo pagamento. No tocante aos valores lançados em favor de Paulo Borba ME, igualmente diligenciado, informou que não havia prestado serviço ao Tabelionato, da mesma forma que as rubricas que indicam pagamentos a O P. O pereira Cursos, PHD potencial Humano f(fl. 228), cujo representante igualmente indicou não realizar serviços ao Tabelionato (fl. 163). Nesse último caso, ainda, Odair Pereira, responsável pela PHD, alertou que, ao contrário do que aparece nas notas fiscais apresentadas pelo tabelionato (Nascimento e Pereira Ltda), a razão social da empresa é O Pereira Cursos ME, empresa individual, conforme registrada na RFB Afirmou que esta PJ está inativa desde 1996, tendo sido "baixada" neste órgão em 31/12/2008. No tocante à empresa, Roberto do Nascimento ME, analisando os recibos de fls. 194, 216/227, verificase a indicação de prestação de serviços, a título de assessoria e consultoria empresarial. Tal atividade encontra descrição no contrato de prestação de serviço (fl. 98/99), através da orientação de atendimento, consultoria, treinamento, e prospecção de Fl. 2365DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 24 clientes (fl. 98). Em que pese o contrato esteja datado posteriormente às despesas contabilizadas, entendo que tal motivação por si só não é suficiente para negar a dedutibilidade das despesas. Ainda, deve ser destacado que o próprio prestador indicou o seu recebimento a título de comissões especificadas em contrato de prestação de serviços de captação de clientes, tendo o pagamento sido realizado em espécie ou cheque de terceiros. A vedação ao cômputo de tais despesas para fins de dedutibilidade reside no fato de que as notas fiscais trazidas dão indício de inidoneidade, como o fato de apresentarem notas de mesmo número emitidas em dias diferentes e o numerário não obedecer à ordem cronológica. Exemplificando a situação, nas fls. 217 e 217 se percebe que as notas fiscais de n˚ 062 foram emitidas nos valores de R$ 18.000,00 e R$ 17.000,00, em datas diferentes. É essa também a condição das notas n˚ 089 (fl. 221), datadas em 26 de abril de 2008 e 29 de outubro de 2008, cujos valores correspondem respectivamente R$ 14.000,00 e 25.000,00. Sendo assim, entendo que tal despesa deve ser contabilizada. No tocante ao serviço de vigilância, não há reparos a serem feitos na decisão da DRJ. No caso, as notas fiscais entregues (fls. 234/256) as notas apresentam uma série de equívocos, como a grafia errada do nome Millennim, numeração várias vezes repetida e inversão cronológica de emissão (vide tabela 10, fls. 40/41). Intimado a apresentar o contrato de prestação de serviços firmado com a empresa, bem como a comprovar o efetivo pagamento das despesas (Intimação Fiscal Sefis n° 295/2012), o fiscalizado informou que “não temos contrato, pois na época policiais militares não podiam fazer segurança particular, era proibido, o que não acontece hoje”. Nesse caso, entendo que igualmente não restou comprovado o dispêndio de tais valores, devendo ser mantida a glosa realizada. 4) material de escritório, O contribuinte indicou o nome de diversas empresas que supostamente venderam materiais de escritório, manutenção, limpeza, etc. Todavia, traz comprovação de pagamento unicamente em relação a Copy Dealer Soluções Digitais (fl. 203), sem todavia apresentar a que se refere o pagamento. Diante disso, entendo que deve ser mantida a glosa em relação a tais valores. Fl. 2366DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.720725/201314 Acórdão n.º 2202002.984 S2C2T2 Fl. 40 25 5) despesas com informática Em relação às despesas com informática, cuja nota trazida referese a compra de computador junto a Infopeças (fls. 212), tratase de despesa que poderia ser deduzida para aferição da base cálculo do IRPF. Todavia, verificase que se trata de nota fiscal emitida em 14/12/2007, cujo pagamento não foi comprovado. Assim restaria impossibilitada sua análise, seja para aferição se houve o efetivo pagamento, quanto à data em que efetivamente ocorreu a despesa. 6) despesas gráficas, vestuário e saúde, No tocante as despesas gráficas, com vestuários e relativas à saúde o contribuinte não trouxe qualquer novo elemento capaz de reverter o julgamento da DRJ. Como bem referido no acórdão a quo: Relativamente à despesa gráfica registrada em 26/06/2009, segundo alegou o autuado, houve erro de escrituração no Livro Caixa e por falta de atenção do fiscal autuante, o erro no histórico e na conta da rubrica fiscal permaneceram, remetendo a despesa glosada a uma Nota Fiscal da empresa Carvalho Certidões. Assevera que a despesa é indispensável para a percepção da receita e manutenção da fonte produtora. Embora o contribuinte afirme que a despesa está relacionada à manutenção da atividade desenvolvida no cartório, deixou de apresentar elementos de prova que demonstrasse de forma inequívoca às suas afirmações. Destaquese que ao longo da defesa, o autuado apresentou argumentos dissociados de elementos de prova que efetivamente demonstrassem os fatos escriturados e a efetividade destas despesas. No tocante às despesas com vestuário de funcionários, com assinatura de revistas junto à Editora Abril e gastos ginástica laboral e farmácia, destacou o Fisco que somente poderão ser deduzidas as despesas registrados no Livro Caixa vinculadas à atividade desempenhada (funções/atribuições), no caso da atividade cartorial. Apesar da fiscalização entender que a utilização de uniformes não se coaduna ao requisito de necessidade à percepção da receita auferida, já que efetivamente não estaria relacionada à atividade cartorial, tenho por discordar de tal assertiva, pois a atividade de atendimento ao público, tal qual é a cartorária, condiciona à padronização. Portanto, as despesas de uniformes podem ser deduzidas da base de cálculo do Imposto de Renda, já que vinculadas à atividade desempenhada. Entretanto, deve ser mantida a glosa dessa despesa, todavia, não pelos fundamentos esgrimados pelo Fisco. A manutenção da glosa se justifica, pois o recorrente não comprovou com documentação hábil e idônea as despesas deduzidas com a aquisição de uniformes. Fl. 2367DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 26 Por fim, no tocante às despesas com ginástica laboral, com o objetivo de evitar o esforço repetitivo dos funcionários, bem como, a instituição de uma farmácia básica colocada à disposição destes, a Fiscalização entendeu, em pese o esforço louvável do autuado pela saúde do grupo, os valores despendidos sob essas titulações não podem ser deduzidos pelos motivos anteriormente expostos. Estas despesas, apesar de serem decorrentes da vontade do autuado de proporcionar um ambiente saudável a sua equipe de trabalho, diferentemente do compreendido pela fiscalização, podem ser utilizadas/deduzidas para efeitos tributários, conquanto comprovadas, já que a manutenção da atividade cartorária se dá pelo esforço de seus colaboradores, sendo que o cuidado com a saúde desses é fundamental para a manutenção da atividade exercida. Todavia, como o recorrente não comprovou a ocorrência dessas despesas documentalmente, a manutenção da glosa se matém, não pelos fundamentos originais do Fisco, mas pela ausência de comprovação da sua existência. Por estes motivos, entendo que deve ser provido o recurso no ponto para reincluir o computa das despesas realizadas em nome Roberto do Nascimento ME. Multa de 150% Primeiramente, cumpre salientar que o contribuinte não se irresignou quanto a cumulatividade da multa de ofício e da multa isolada em relação ao Carnê Leão, motivo pelo qual, somente analisarei a imputação da multa de 150% sobre parte das glosas efetuadas. De acordo com a fiscalização, em atendimento às intimações fiscais, foram entregues os documentos que serviram de base à escrituração dos Livros Caixa dos anoscalendário 2008 e 2009, muito deles referentes a alegados serviços prestados por pessoas jurídicas. Conforme demonstrou a fiscalização no item 3 do Relatório Fiscal, mais grave que a ausência de provas robustas (contratos escritos e comprovação de efetivo pagamento de significativas quantias) capazes de suportar estas despesas, houve a tentativa de beneficiarse de documentos flagrantemente inidôneos. Citou como exemplos as notas fiscais supostamente emitidas pelas empresas Roberto Ribeiro do Nascimento ME, Paulo Borda ME e PHD Potencial Humano em Desenvolvimento, cuja análise, referiu a fiscalização, evidenciou terem sido emitidas/preenchidas pela mesma pessoa. A caligrafia é idêntica. A fiscalização indicou casos de notas fiscais replicadas (NF n° 062 e NF n° 089 de Roberto Nascimento; NF n° 432, NF n° 433, NF n° 442, NF n° 444 de "Millennim" Fl. 2368DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.720725/201314 Acórdão n.º 2202002.984 S2C2T2 Fl. 41 27 Vigilância e Zeladoria em Geral) e emitidas em ordem cronológica invertida (NF n° 078 e NF n° 079 de Roberto Nascimento e diversas de "Millennim" Vigilância e Zeladoria em Geral). Com base nisso, elaborou a Tabela 10 de Termo de Verificação Fiscal (fls. 40/42), indicando que houve evidente intuito de fraude, consubstanciado na falsificação de documentos, objetivando reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto de renda, nos termos do artigo 44, inciso I, § 1º da Lei n° 9.430/96 (com redação dada pela Lei n° 11.488/2007). Analisando os autos, vejo que tem razão a fiscalização. Conforme contato com as empresas que supostamente teriam emitidos as notas, houve a falsificação de documentos para a utilização do benefício, devendo ser mantido a multa de ofício imputada. Conclusão Isso posto, voto por Negar Provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator Fl. 2369DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13981.720076/2013-23
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2014
IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE. COMPROVAÇÃO DA DISPONIBILIDADE FINANCEIRA OU PATRIMONIAL.
Cabe a isenção de IPI para aquisição de veículo automotor por pessoas portadoras de deficiência física quando comprovada a disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo a ser adquirido e atendidos os demais requisitos previstos na norma regulamentadora.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ISENÇÃO. DEFICIENTE. COMPROVAÇÃO DA DISPONIBILIDADE FINANCEIRA OU PATRIMONIAL. Cabe a isenção de IPI para aquisição de veículo automotor por pessoas portadoras de deficiência física quando comprovada a disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo a ser adquirido e atendidos os demais requisitos previstos na norma regulamentadora. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 72 00 76 /2 01 3- 23 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13981.720076/201323 Acórdão n.º 3801004.936 S3TE01 Fl. 185 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: A pessoa física em epígrafe pleiteou, na qualidade de portadora de deficiência física, a fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na aquisição de automóvel de passageiros, de fabricação nacional, prevista na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. Mediante o Despacho Decisório de fls. 98/107, a Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Joaçaba/SC indeferiu o pedido, tendo em vista a constatação de que não há como considerar a forma de pagamento do veículo apresentada (venda do veículo de propriedade da interessada), uma vez que o referido veículo tem restrição à venda por alienação fiduciária. Devidamente cientificada da decisão (fl. 103/110), a interessada interpôs manifestação de inconformidade (fls. 111/115), por meio da qual alegou que o veículo que está alienado será vendido e será quitada a alienação, e o valor que ainda deverá ser pago do veículo adquirido será na forma de financiamento no número de parcelas compatíveis com o orçamento familiar. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2014 ISENÇÃO. DEFICIENTE MENTAL. DISPONIBILIDADE FINANCEIRA OU PATRIMONIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. É de se indeferir o pedido de isenção do IPI na aquisição de automóvel por deficiente físico quando não demonstrada nos autos a disponibilidade financeira ou patrimonial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando que a sua disponibilidade patrimonial ou financeira está comprovada pois parte dos recursos virá da sua renda familiar pois o cônjuge da Requerente a apoiaria no pagamento de novo veículo, da venda do seu veículo atual, que se encontra quitado conforme documentação anexada e o restante será financiado e que “por mais que divida no mínimo de parcelas possíveis, ainda Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13981.720076/201323 Acórdão n.º 3801004.936 S3TE01 Fl. 186 3 ficará em valores acessíveis e ENQUADRADAS NO ORÇAMENTO FAMILIAR”, juntando doc. de fls. 173/180. É o relatório. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13981.720076/201323 Acórdão n.º 3801004.936 S3TE01 Fl. 187 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta nos autos cingese a comprovação da disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o veículo que pretende adquirir com a isenção requerida. O despacho decisório indeferiu a isenção pleiteada tendo em vista que a interessada não havia comprovado a origem e disponibilidade dos recursos financeiros necessários para a compra do veículo novo pretendido e que o veículo de propriedade atual da interessada apresentava restrição à venda pelo fato de estar alienado fiduciariamente e que sem os recursos oriundos da venda do veículo usado não há nos autos quaisquer outros documentos que comprovem a capacidade de pagamento do interessado. A legislação que trata da isenção pleiteada concedida às pessoas portadoras de deficiência para aquisição de veículos automotores está prevista na Lei n° 8.989/1995, que dispõe, in verbis: Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (...) IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) § 1o Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003); Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13981.720076/201323 Acórdão n.º 3801004.936 S3TE01 Fl. 188 5 A Lei no 10.690, de 16 de junho de 2003, assim dispõe: Art. 5o Para os fins da isenção estabelecida no art. 1o da Lei no 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, com a nova redação dada por esta Lei, os adquirentes de automóveis de passageiros deverão comprovar a disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo a ser adquirido. Quanto a disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o veículo que pretende adquirir com a isenção requerida, pelo que consta dos autos, a recorrente, informa que os recursos para aquisição do veículo serão providos em parte pelo seu cônjuge, que apresentou comprovantes de renda bruta por volta de R$ 10.000,00, e, a maior parte, com recursos provenientes da venda do seu veículo atual, automóvel Corola 2010/2011 de placa MII6444, cujo valor de mercado (tabela FIPE) é de aproximadamente R$ 48.500,00, valor próximo àquele do novo veículo pretendido. A recorrente apresentou à fls 176 recibo de quitação de contrato com o banco ITAUCARD S.A e à fl. 177 extrato de consulta ao site do DETRAN/SC acerca do veículo Toyota Corola placa MII6444, no qual consta como informação pendente “Registro de Baixa de Alienação Fiduciária informado por BANCO ITAUCARD SA em 26/12/2013 às 13h59min para SHIRLEI TERESINHA M NORA”. Assim, me parece comprovado que a disponibilidade financeira ou patrimonial da recorrente esta compatível com o valor do veículo a ser adquirido, fazendo jus a recorrente ao benefício fiscal pretendido, caso atendidas as demais condições prevista na lei e na norma regulamentadora. Diante do exposto e do que consta nos autos, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10380.011948/2004-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO DE RECURSOS AO FINAL DO ANO-CALENDÁRIO. TRANSPOSIÇÃO PARA O ANO-CALENDÁRIO SEGUINTE
Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano-calendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Gustavo Lian Haddad apresentarão declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Declaração de voto
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Declaração de voto
EDITADO EM: 29/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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SALDO DE RECURSOS AO FINAL DO ANOCALENDÁRIO. TRANSPOSIÇÃO PARA O ANOCALENDÁRIO SEGUINTE Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano calendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Gustavo Lian Haddad apresentarão declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 19 48 /2 00 4- 59 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Declaração de voto (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Declaração de voto EDITADO EM: 29/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 04/02/2009, foi julgado o Recurso Voluntário nº 157.204, prolatandose o Acórdão nº 10249.490 (fls. 480 a 488), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. SALDO DE RECURSOS. TRANSPOSIÇÃO PARA EXERCÍCIOS SEGUINTES. COMPROVAÇÃO. Quando da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, o saldo positivo do último dia do mês de dezembro somente é Fl. 555DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.011948/200459 Acórdão n.º 9202003.326 CSRFT2 Fl. 15 3 transferível para o primeiro dia do ano seguinte se respaldado em prova de sua existência. PEDIDO DE PERÍCIA. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia. Pedido de perícia indeferido. Recurso parcialmente provido.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, INDEFERIR o pedido de perícia e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência do acréscimo patrimonial a descoberto, do mês de junho de 2000, o valor de R$ 110.580,40, nos termos do voto da Relatora.” Cientificado do acórdão em 25/01/2010 (fls. 499), o Contribuinte interpôs, em 05/02/2010, o Recurso Especial de fls. 500 a 518. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2100 0347/2010, de 15/10/2010 (fls. 521/522). No apelo, o Contribuinte apresenta os seguintes argumentos, em síntese: o lançamento fiscal de que se cuida não merece prosperar, uma vez que não ocorreu qualquer variação patrimonial a descoberto; suposta infração, conforme já foi reiteradas vezes mencionado, só está se sustentando até a presente data, devido a desconsideração, pelos fiscais autuantes e pelos julgadores de primeira e segunda instância, do saldo apurado pelos próprios fiscais em dezembro de 2000 para janeiro de 2001; tal procedimento adotado pelos fiscais e pelos eminentes julgadores, data vênia, é absurdo e fere princípios basilares do nosso Direito, como o da legalidade e o da razoabilidade, uma vez que não existe disposição legal que autorize a presunção do consumo integral de recursos em dezembro e – mesmo que houvesse – seria de todo fora de razões; tanto é assim que o único argumento utilizado para negar o aproveitamento do referido saldo é de que seria necessário estar consignado na declaração de rendimento e/ou comprovados pelo contribuinte; é evidente que tais valores não podem ser comprovados através da declaração de imposto de renda, uma vez que a mesma é anterior à fiscalização e foi desconsiderada pelos agentes fiscais; além disso, não se pode exigir que o Contribuinte prove a existência de recursos cuja origem é afirmada unilateralmente pelo fisco; Fl. 556DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 e mais, não se pode presumir que esses recursos cuja origem é afirmada pelo fisco tenham sido consumidos integralmente pelo contribuinte no final do ano; se prevalecer o levantamento fiscal, tais recursos não podem ser negados; se prevalecer o que foi declarado pelo contribuinte as diferenças no fluxo de caixa feito pelo fiscal simplesmente não existem. não tem qualquer sentido permitir que os valores da apuração fiscal permaneçam somente na parte em que favorece ao fisco, negando a existência de valores apontados nessa mesma apuração fiscal como base para a cobrança de imposto; a prova da existência do saldo em dezembro poderia ser exigida sim, mas dos próprios fiscais que a apuraram; resta, portanto, demonstrado, até não mais poder, a improcedência da decisão recorrida e da exigência fiscal de que cuida. Ao final, o Contribuinte pede o conhecimento e o provimento do Recurso Especial, reconhecendose o direito à consideração do saldo apurado em dezembro de 2000 para o mês de janeiro de 2001, afastando a variação patrimonial a descoberto e julgando improcedente a Ação fiscal. Cientificada do Recurso Especial do Contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento em 19/10/2010 (fls. 521), a Fazenda Nacional ofereceu, em 20/10/2010, as Contra Razões de fls. 524 a 528, contendo os seguintes argumentos, em síntese: a transposição de saldos positivos de caixa envolve dois aspectos: um que se refere ao aproveitamento do saldo dentro do mesmo exercício, de um mês para outro, e outro que se refere à transferência de saldo de um ano para outro; na primeira hipótese, a medida é cabível, pois a compensação dos saldos positivos de recursos dentro do mesmo exercício é efetuada sem que seja necessário inquirir o contribuinte acerca da efetiva existência dos recursos, pois inexiste uma declaração mensal de bens onde constem suas dívidas e ônus, devendo ser considerado o saldo de disponibilidade na planilha do mês seguinte; contudo, em se tratando de transferência de saldo de um ano para outro, tal como é o caso dos autos, o mesmo entendimento não pode ser aplicado, pois isso ocorre dada a existência de uma declaração anual de rendimentos onde o contribuinte declara o montante de recursos disponíveis em 31 de dezembro, devendo ser considerado como disponível no início do exercício seguinte tãosomente o valor declarado, condicionandose ainda o aproveitamento à comprovação, por parte do contribuinte, da efetiva existência daqueles recursos; com efeito, esta comprovação é essencial para quem alega a existência desses recursos pois, sem a apresentação de documentos comprobatórios não há como considerálos como recursos dos anos subseqüentes, sob pena de se “criar” patrimônio não declarado pelo próprio contribuinte; assim, para ser considerada válida a transposição, a mesma deverá estar respaldada em documentos hábeis e idôneos, aliás, neste sentido é o comando do parágrafo único do art. 3°, da Lei n° 8.023/90, que assim preleciona: "Os livros ou fichas de escrituração e os documentos que servirem de base à declaração deverão ser conservados pelo Fl. 557DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.011948/200459 Acórdão n.º 9202003.326 CSRFT2 Fl. 16 5 contribuinte, à disposição da autoridade fiscal, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição". como não poderia deixar de ser, farta é a jurisprudência deste Conselho de Contribuintes que corrobora tal entendimento, sendo válido aqui transcrever algumas ementas neste sentido: Acórdão n.° 10611.315 "RECURSOS TRANSPOSIÇÃO PARA EXERCÍCIOS SEGUINTES COMPROVAÇÃO O saldo de recursos indicado no encerramento do ano calendário só é transferido para o ano seguinte quando sua existência estiver comprovada em documentação hábil e idônea." Acórdão 10246.580 "IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SALDO DE RECURSO NO FINAL DO ANOCALENDÁRIO Sendo o imposto de renda das pessoas físicas devido mensalmente, o saldo de recursos verificado num mês pode ser utilizado para comprovar acréscimos patrimoniais ocorridos em meses subseqüentes, dentro do mesmo anocalendário, por inexistir a obrigatoriedade de apresentação de declaração mensal de bens e direitos e das dívidas e ônus reais. Contudo, os saldos remanescentes ao final de cada anobase, em decorrência da obrigatoriedade da apresentação da declaração anual de bens e direitos e de dívidas e ônus reais, somente se transferem para o anobase posterior, caso sejam incluídos na referida declaração e sua efetiva existência seja devidamente comprovada com documentação hábil e idônea". Acórdão n° 10612.127 "ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – APROVEITAMENTO DOS SALDOS DO ANOCALENDÁRIO ANTERIOR Os recursos disponíveis no início do ano calendário só podem ser aproveitados mediante comprovação documental de sua real existência em 31/12 do anocalendário anterior e informação na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física". Acórdão n°10610.850 "ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Classificase como omissão de rendimentos, a oscilação positiva observada no estado patrimonial do contribuinte, sem respaldo em rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. Para que o saldo de recurso, apurado no mês de dezembro, seja transferido para o anocalendário seguinte, o contribuinte deve apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovem sua efetiva existência". consoante, portanto, a jurisprudência majoritária deste e. Conselho de Contribuintes, somente recursos cujos existências encontramse devidamente comprovadas nos Fl. 558DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 autos, mediante documentação hábil e idônea, podem ser considerados como disponíveis no início do exercício seguinte; assim, ao nosso modo de ver, merece prevalecer o entendimento segundo o qual, somente podem ser considerados como saldo de recursos de um anocalendário para o subseqüente, os valores consignados na declaração de rendimentos em 31 de dezembro do ano calendário respectivo e que lograram ser comprovados pelo contribuinte. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja negado provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, mantendose integralmente o acórdão recorrido quanto à matéria objeto do apelo. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Trata o apelo, de exigência tendo em vista a constatação de Acréscimo Patrimonial a Descoberto – APD. O Contribuinte alega, basicamente, que a infração somente teria se configurado porque o saldo positivo apurado ao final de 2000 não foi transposto para o ano de 2001. Diante de tal argumento, de plano esclareçase que o saldo positivo em dezembro de 2000 foi de R$ 562.653,26, enquanto que o APD apurado em janeiro de 2001 foi no valor de R$ 625.919,65, portanto o aproveitamento do saldo não lograria elidir a infração, mas tãosomente reduzir a defasagem apurada, no mês de janeiro de 2001 (fls. 25/26). Quanto ao primeiro paradigma indicado – Acórdão 10616.591 – este foi reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão nº 9202002.057, de 21/03/2012, assim ementado, na parte relativa à matéria ora tratada: “(...) VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR. Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um anocalendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte. Recurso especial provido em parte.” Como a reforma do acórdão ocorreu após a interposição do Recurso Especial, ausente súmula ou determinação regimental que oriente o julgamento em sentido contrário ao do paradigma, entendo que ele deve ser considerado apto a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, não se pode negar que a jurisprudência histórica da Instância Especial é efetivamente no sentido do entendimento adotado no acórdão recorrido, e não no do paradigma. Assim, adoto os fundamentos do voto vencedor do acórdão da CSRF, que reformou Fl. 559DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.011948/200459 Acórdão n.º 9202003.326 CSRFT2 Fl. 17 7 o paradigma e representa a jurisprudência majoritária do CARF, da lavra do Ilustre Conselheiro Gustavo Lian Haddad: “Comprovação do Acréscimo Patrimonial Por outro lado a Procuradoria da Fazenda Nacional pleiteia em suas razões de recurso a reforma do v. acórdão que, ao analisar o levantamento fiscal de acréscimo patrimonial a descoberto, acatou como origem para o mês de janeiro de 2003 o valor de R$ 67.824,75, correspondente ao saldo existente no mês de dezembro de 2002 na apuração do acréscimo patrimonial pela autoridade fiscal. Quanto a esta questão, filiome à corrente que entende que somente podem ser considerados como saldo de recursos de um anocalendário para o subseqüente, os valores consignados na declaração de rendimentos em 31 de dezembro do ano calendário respectivo e/ou comprovados pelo contribuinte. Entendo que esta comprovação é essencial para quem alega a existência desses recursos. Sem a apresentação de documentos comprobatórios não há como considerálos como recursos dos anos subseqüentes, sob pena de se ‘criar’ patrimônio não declarado pelo próprio contribuinte. Apenas para não deixar dúvidas, esclareço que tal entendimento, a meu ver, não é contraditório com o fato de que há, de fato, um aproveitamento de ‘sobras’ de origens de um mês para o outro dentro do mesmo anocalendário. A razão para tanto é que não há obrigação por parte do contribuinte de apresentar declaração mensal de rendimentos, pelo que seria irrazoável considerar as ‘sobras’ como tendo sido consumidas, diante da impossibilidade do contribuinte declará las como não gastas. Não é o que ocorre quando considerados dois anoscalendários distintos. Transcrevo a seguir ementa de acórdão do antigo Conselho de Contribuintes que adota esse entendimento: “IRPF GASTOS INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DISPONÍVEL BASE DE CÁLCULO PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL – O Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 01/01/89, será apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindose, quando comprovada pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurada através de planilhamento financeiro ("fluxo de caixa"), onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. Entretanto, por inexistir a obrigatoriedade de apresentação de declaração mensal de bens, incluindo dívidas e ônus reais, o saldo de disponibilidade pode ser aproveitado no mês subseqüente, desde que seja dentro do mesmo anobase. Assim, somente poderá ser aproveitado, no ano subseqüente, o saldo de disponibilidade que constar na declaração do imposto Fl. 560DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 de renda – declaração de bens, devidamente lastreado em documentação hábil e idônea.” (Ac 10417144). (...)” Assim, no caso do acórdão recorrido, entendo como correto o procedimento da autoridade fiscal, ao considerar como recursos disponíveis no início do anocalendário de 2001, tão somente aqueles que o Contribuinte fez consignar em suas Declarações de Ajuste Anual. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 561DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.011948/200459 Acórdão n.º 9202003.326 CSRFT2 Fl. 18 9 Declaração de Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Acompanhando o brilhante voto da Conselheira Relatora, com o qual concordei na íntegra, apresento a presente declaração apenas a título de esclarecimento, para agregar minhas convicções a suas conclusões e razões de decidir, pelo fato de ter ocorrido aprofundada discussão do tema, na sessão em que o recurso foi apreciado. Com efeito, o ponto a ser discutido aqui é a (a) necessidade, a (b) possibilidade ou o (c) impedimento de consideração, no mês de janeiro de um determinado anocalendário, do valor do patrimônio do contribuinte: constante da planilha de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto (APD), no mês de dezembro do período anterior; em detrimento do valor pelo contribuinte declarado (em DIRPF), em 31/12 desse período anterior. Antes de analisar cada uma das três posições, cabem alguns esclarecimentos quanto à mecânica e a lógica de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto. O assunto, apesar de complexo, é tratado de forma singela no Regulamento do Imposto de Renda, basicamente em quatro artigos: 37; 55, XIII; 806 e 807. De acordo com esses artigos, o procedimento de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto consiste em cotejar: (a) o valor da diferença entre o patrimônio inicial e final, existentes, com base na declaração ou outras evidências de prova existentes e (b) o valor dos rendimentos declarados. Caso a diferença aqui referida seja superior ao valor dos correspondentes rendimentos, presumese omissão de rendimentos a ser lançada de ofício. Na prática, a autoridade fiscal, à luz dos documentos existentes, realiza o cotejo referido no parágrafo anterior mês a mês dentro do ano calendário: naturalmente, em janeiro do primeiro ano fiscalizado, partese do valor constante da Declaração de Bens e Direitos do sujeito passivo e, existindo prova de aquisição de recursos durante o mês, atualizase o valor do patrimônio final, para cotejo com os rendimentos declarados no período e apuração de eventual acréscimo patrimonial a descoberto, que permite presumir omissão de rendimentos no período; para os demais meses do ano, partese do valor final apurado para o patrimônio no mês anterior e realizase procedimento semelhante. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Nesse procedimento, não se está presumindo patrimônio, o que se está realizando é a presunção de uma omissão de rendimentos, evidenciada e quantificada pelo acréscimo patrimonial, apurado com base em provas existentes. Portanto, para enfrentar o problema, aqui cabe aplicação da teoria das provas. É isso que faremos na análise de cada uma das três posições defendidas. O entendimento de que o valor constante da planilha de apuração de acréscimo patrimonial, da autoridade fiscal, deveria ser necessariamente considerado decorre do entendimento de que a autoridade fazendária, tendo desconsiderado alguns valores constantes da Declaração de Bens e Direitos, para cálculo do APD, não poderia mais considerálos para quaisquer fins. Mas não concordo com esse argumento, porque o procedimento de fiscalização consiste justamente em desconsiderar alguns valores da declaração, por haver prova em contrário e considerar os demais valores declarados para os demais efeitos. Por outro lado, o entendimento de que o valor constante da Declaração de Bens e Direitos deva ser sempre considerado decorre do entendimento de que essa declaração tenha presunção jure et de jure, posição com a qual não concordo porque o procedimento de fiscalização consiste justamente em desconsiderar partes da declaração, em face de provas em sentido contrário. Por fim, a posição a que me filio é a de que, salvo prova inequívoca em contrário, deva ser considerado verdadeiro o valor do patrimônio declarado pelo contribuinte, como existente em 31 de dezembro do anocalendário, para fins de apuração da evolução patrimonial nos meses do anocalendário seguinte. Isso porque essa é uma informação apresentada pelo próprio sujeito passivo e para a qual não há prova em contrário trazida pela outra parte. Nesse sentido, cabe a aplicação do Código de Processo Civil, que determina em seu art. 334 que devam ser considerados como verdadeiros, por não dependerem de prova, os fatos admitidos no processo como incontroversos. Ora, no caso, o contribuinte afirma ter em seu patrimônio, em 31 de dezembro de um anocalendário, apenas determinados bens e direitos e a autoridade fiscal não traz aos autos prova em contrário dessa afirmação, portanto esse fato deve ser considerado como verdadeiro. Não se confunda aqui o valor constante da planilha de acréscimo patrimonial, em 31 de dezembro do anocalendário anterior com prova da efetiva existência desse valor no patrimônio do contribuinte. Esse valor é apenas considerado para fins de redução do valor do acréscimo patrimonial a descoberto no mês de dezembro, justamente por inexistir prova em contrário. Na verdade, é realizado o cotejo entre a variação patrimonial e os rendimentos declarados mês a mês e a diferença é considerada por presunção como rendimentos omitidos. Ora, esses rendimentos omitidos podem vir a ser total ou parcialmente consumidos no meses subsequentes do ano, situação em que o patrimônio inicial, desses meses subsequentes, ficaria reduzido, ensejando um possível acréscimo patrimonial a descoberto em valor maior. Porém como não há prova do consumo desses rendimentos, nem de sua agregação ao patrimônio durante o ano, na dúvida, em benefício ao contribuinte, considerase ele agregado ao patrimônio, reduzindo o eventual acréscimo patrimonial a descoberto, nos meses seguintes dentro do anocalendário. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.011948/200459 Acórdão n.º 9202003.326 CSRFT2 Fl. 19 11 Porém, no final do ano, há prova de quais rendimentos foram consumidos e quais deles se agregaram ao patrimônio, pois o patrimônio existente é informado pelo próprio interessado, em sua declaração. Assim, não há mais dúvidas e, consequentemente, salvo prova inequívoca em contrário, na planilha de apuração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto, deve considerar, no mês de janeiro, o valor do patrimônio declarado em 31 de dezembro do anocalendário anterior. No caso, não foi acostada aos autos prova da existência dos valores apurados no Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no patrimônio do sujeito passivo em 31 de dezembro. Portanto, corretamente foi considerado o valor constante da Declaração de Bens e Direitos, como patrimônio inicial, no mês de janeiro do anocalendário seguinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 564DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Gustavo Lian Haddad Em que pese o merecido respeito a que faz jus a Ilustre Relatora, dela divergi quanto ao julgamento do recurso especial do Contribuinte. Como a I. Relatora fundamentou suas razões de decidir em antigo voto de minha relatoria, apresento a presente declaração de voto a fim de esclarecer a posição que atualmente adoto em relação à possibilidade, em caso de lançamento decorrente de Acréscimo Patrimonial a Descoberto (“APD”), da transposição de eventual saldo positivo apurado pela autoridade fiscal no último mês de determinado anocalendário para o início do anocalendário seguinte, independentemente da declaração desses valores na DIRPF. Após os debates travados durante a sessão de julgamento a posição vencedora no presente julgamento, pelo voto de qualidade, foi a de que o saldo de recursos apurados pela fiscalização no demonstrativo de cálculo do APD em dezembro de determinado ano não pode ser considerado como origem de recursos no ínicio do ano seguinte para fins de apuração de APD relativo ao mês de janeiro daquele ano. Em apertada síntese tal posição decorre do entendimento de que, salvo prova em contrário, deve ser considerado verdadeiro o patrimônio declarado pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual (patrimônio em 31 de dezembro do anocalendário) para fins de apuração da evolução patrimonial por ser essa uma informação apresentada espontaneamente pelo próprio sujeito passivo. Ouso discordar e rever o entendimento que adotei no passado. A técnica de apuração do APD aplica a seguinte fórmula de subtração para cada mês do anocalendário: (i) ingressos mensais de recursos no patrimônio do contribuinte declarados ou apurados pela autoridade fiscal; Menos () (ii) saídas de recursos declaradas pelo contribuinte ou apuradas pela fiscalização. No mês em que o resultado da subtração é negativo apurase omissão de rendimentos sujeita a tributação pela sistemática da tabela progressiva no ajuste anual, nos termos dos arts. 55, XIII, 806 e 807 do RIR/99. No mês em que o resultado da subtração é positivo há sobra de recursos, que a fiscalização transpõe como origem de recursos para o mês seguinte na apuração do APD daquele período. Ocorre que a sobra apurada no mês de dezembro não foi, no presente caso, transposta para janeiro do ano seguinte, procedimento que foi considerado adequado pelo voto vencedor do presente julgado. Neste ponto específico reside a minha divergência. A meu ver a técnica do APD, quando aplicada após as provas apresentadas pelo contribuinte e examinadas pelas autoridades fiscais e pelos órgãos julgadores, veicula Fl. 565DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.011948/200459 Acórdão n.º 9202003.326 CSRFT2 Fl. 20 13 presunção absoluta que considera o excesso de saídas em relação às entradas apurado em determinado mês como omissão de rendimentos. Contra tal resultado não cabe prova em contrário pelo contribuinte. A prova que cabe a ele fazer é sobre a correção das entradas e saídas de recursos utilizadas no cálculo do saldo mensal, mas uma vez apurado saldo negativo este é considerado, por aferição indireta, renda. Maria Rita Ferragut (in Presunções no direito tributário / Maria Rita Ferragut – São Paulo: Dialética, 2001, pg. 83) ensina que: “Considerando que a produção de provas contrárias à ocorrência do fato indiretamente provado é fator determinante para a caracterização dessas regras jurídicas como presuntivas, a presunção há de ser sempre relativa. As denominadas presunções “absolutas”, ao invés de presunções são disposições legais de ordem substantiva. São, segundo entendimento de Pontes de Miranda, já referido neste trabalho, “o conteúdo de regras jurídicas que estabelecem a existência de fato jurídico (e.g. direito), sem que se possa provar o contrário (presemptiones iuris et de iure, presunções legais absolutas).” (...) No que diz respeito às denominadas “presunções legais absolutas”, já tivemos oportunidade de sustentar (item 3.3) que as mesmas não se constituem em enunciados jurídicos veiculadores de presunções. Ao invés, são proposições jurídicas deonticamente incompletas que trazem no consequente do enunciado “verdades legais” construídas a partir da identificação de fatos indiciários, que se relacionam mediante implicação pautada no que ordinariamente acontecer.” A presunção legal resulta em uma “verdade legal” construída a partir de fatos indiciários, que se relacionam mediante implicação pautada no que costuma acontecer. No APD o fato indiciário gerador da presunção é o excesso de saídas em relação aos ingressos financeiros em determinados mês. Temse a partir de sua apuração a substituição da realidade tal como declarada pelo contribuinte por uma nova realidade apurada pela autoridade fiscal, sendo um de tais elementos a apuração da omissão de rendimentos que dá ensejo ao lançamento de ofício. Como consequência lógica eventual lançamento com base em APD deve substituir todos os elementos da “realidade” declarada pelo contribuinte por ele impactados, não sendo legítimo “escolher” alguns e desprezar outros conforme favoreçam ou não a autoridade fiscal. É precisamente neste ponto que supero o entendimento que anteriormente manifestei, eis que o fato de o contribuinte não haver declarado a sobra apurada pela autoridade fiscal em dezembro do ano é tão relevante quanto o fato de o contribuinte não ter apurado a renda omitida verificada pela técnica do APD. Tratase de duas “realidades” declaradas que Fl. 566DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 devem ser substituídas por elementos que a realidade presumida pelo APD faz emergir – a renda omitida e a sobra ao final do anocalendário. Destarte, o levantamento mensal de acréscimo patrimonial deve utilizar os saldos positivos em determinado mês como origem de recursos para o mês subsequente, ainda que tais saldos sejam relativos ao mês de dezembro e não tenham sido declarados na DIRPF. Estas as razões pelas quais encaminhei meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para considerar como entrada na apuração do APD de janeiro de 2001 o saldo positivo apurado pela fiscalização para o mês de dezembro de 2000. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 567DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15578.000406/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007, 2008
Ementa:
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. FORMALIDADE. PREVALÊNCIA DO DIREITO ENVOLVIDO.
Tratando-se de aproveitamento de direito creditório, inexistindo pronunciamento acerca da sua liquidez e certeza, deve-se privilegiar o conteúdo da demanda em detrimento da eventual formalidade estabelecida pela Administração Tributária, mormente na circunstância em que a citada formalidade não é prevista em texto de lei.
Numero da decisão: 1301-001.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para determinar o retorno dos autos à primeira instância julgadora para fins de apreciação do mérito da compensação tributária pleiteada. Vencido o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Redator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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E EXPORT. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007, 2008 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. FORMALIDADE. PREVALÊNCIA DO DIREITO ENVOLVIDO. Tratandose de aproveitamento de direito creditório, inexistindo pronunciamento acerca da sua liquidez e certeza, devese privilegiar o conteúdo da demanda em detrimento da eventual formalidade estabelecida pela Administração Tributária, mormente na circunstância em que a citada formalidade não é prevista em texto de lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para determinar o retorno dos autos à primeira instância julgadora para fins de apreciação do mérito da compensação tributária pleiteada. Vencido o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 04 06 /2 00 8- 91 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15578.000406/200891 Acórdão n.º 1301001.313 S1C3T1 Fl. 137 2 Relator (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Redator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15578.000406/200891 Acórdão n.º 1301001.313 S1C3T1 Fl. 138 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 17ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ. Depreendese do processo administrativo em análise que a ora recorrente, apresentou Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório e Parecer SEORT/DRF/VIT nº 3.514/2008 (fl. 32), mediante o qual as Declarações de Compensação de folhas 03 a 07, com base em Pedidos de Restituição/Ressarcimento formalizado nos processos nºs 13770.000469/200673 e 13770.000087/200721, cujos débitos correspondem a R$ 2.344.092,47 e R$ 1.264.800,68, sendo consideradas não declaradas as compensações. A autoridade administrativa consignou que a partir de 01/01/2006 as Declarações de Compensação não apresentadas por meio do sistema eletrônico PER/DCOMP são consideradas não declaradas, com base no artigo 31 caput da IN SRF nº 600/05, ressaltando que do respectivo despacho decisório não caberia manifestação de inconformidade conforme artigo 31, § 2º da referida IN SRF nº 600/2005. Ciente da decisão em 10/03/2009, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 47 – 64), alegando em síntese que não está previsto na Lei nº 9.430/96, que a Declaração de Compensação protocolada em papel possa ser considerada não declarada, sem valor e que tal possibilidade não está prescrita em nenhum dos requisitos elencados no § 12 do artigo 74, de sorte que não poderia uma Instrução Normativa, regulamentadora da matéria, restringir o que a lei não o fez, obrigando o contribuinte a expressar sua pretensão por único meio. Aduziu que as empresas brasileiras têm tido grande dificuldade de se adaptar ao emaranhado de normas que tanto modificaram a regulamentação e que a autoridade administrativa sequer analisou as compensações apresentadas pela contribuinte, ressaltando que todos os procedimentos de compensação foram feitos de acordo com Lei específica e o fisco aceitou o protocolo das declarações de compensação, sendo que nos diversos pedidos de compensação formulados pelo contribuinte, a fiscalização moveu débitos e créditos criteriosamente calculados pela recorrente para outros processos administrativos sem qualquer critério lógico, apenas para adequar as compensações da forma que lhe conviesse, prejudicando demasiadamente a recorrente. A Lei nº 9.430/96, precisamente em seu § 12 do artigo 74, especifica os requisitos para considerar declaração de compensação não declarada. No caso em tela, as declarações de compensação apresentadas em papel não estariam incluídas entre os requisitos, de sorte que não poderiam ser consideradas não declaradas como disposto no despacho decisório e Parecer SEORT. Referiu ainda, que a Receita Federal do Brasil não poderia penalizar contribuintes por simplesmente terem optado pelo meio que supostamente imponha um pouco mais de trabalho para auditoria, desde que alcançados os fins sociais e econômicos do ato em questão e que situação diferente seria agir com abuso de direito e, por consequência, com violação à legalidade, reputando que o uso abusivo de formalismos é prática banida há muito Fl. 138DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15578.000406/200891 Acórdão n.º 1301001.313 S1C3T1 Fl. 139 4 pelos decretos e leis que tratam dos processos administrativos e judiciais, fato que seria comprovado pelas leis que regem o processo administrativo tributário e federal de um modo geral, bem como o Código de Processo Civil. Afirmou que a Lei n° 9.784/99, aperfeiçoando a regulamentação desse tema, impõe o não formalismo como regra. Assim, se o ato alcançar suas finalidades e forem observados os princípios que regem a administração pública, principalmente a razoabilidade e a legalidade, serão eles válidos, de modo que não haveria previsão legal para que seja imposta a tal PERD/COMP apesar de se poder adotar essa modalidade de declaração, por escolha do contribuinte. Às folhas 73 a 80, foi juntada cópia de sentença e decisão liminar proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.50.01.0036877, na qual o Juízo da 1ª Vara Cível da Seção Judiciária do Estado do Espírito Santo atribuiu efeito suspensivo à Manifestação de Inconformidade apresentada suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, enquanto pendente de julgamento administrativo. A 17ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 83 a 87, indeferiu a solicitação da contribuinte para os fins de considerar como não declarada a compensação. Devidamente cientificada da decisão desfavorável a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos já relatados e pugnando por provimento. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15578.000406/200891 Acórdão n.º 1301001.313 S1C3T1 Fl. 140 5 Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Em apertado resumo, as compensações apresentadas pela recorrente foram consideradas “não declaradas” porquanto levadas a efeito em formulário de papel, quando já existia exigência do formulário eletrônico. Não há reparos a serem feitos na decisão impugnada, sendo de rigor negarse provimento ao Recurso Voluntário, para confirmar como não declaradas as compensações controladas no presente processo. Bem salientouse na decisão recorrida que o artigo 170 do Código Tributário Nacional estabelece que a lei poderá, em suas condições em cada caso, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública, sendo neste contexto de permissão do CTN que se insere o disposto no regramento da compensação relativa a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, contido no artigo 74 da lei nº 9.430/1996. Já fez ver a decisão recorrida que a partir de 1º de outubro de 2002, os procedimentos de compensação estavam adstritos à apresentação de declaração na qual constassem informações relativas aos créditos utilizados e os respectivos débitos compensados, extinguindose o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, modificando a sistemática de prévia autorização da Secretaria da Receita Federal, sendo certo que com o advento da MP nº 66/2002, o contribuinte passou a efetuar a compensação mediante declaração a ser entregue ao Fisco que, por sua vez, deve homologála em até cinco anos de sua entrega, nos termos do § 5º do dispositivo legal anteriormente transcrito, com a redação dada pela MP nº 135/2003. Também não escapou à decisão recorrida o fundamento final, e para mim conclusivo, de que à época do protocolo das “declarações de compensação” (após 01/01/2006) formulados pela contribuinte, encontravamse em vigor a IN SRF nº 598/2005 e a IN SRF nº 600/2005 e que a partir de 01/01/2006, as declarações de compensação e os pedidos de ressarcimento, conforme o disposto no art. 2º, III, “b”, da IN SRF 598/2005, deveriam ser apresentados por meio do programa PER/DCOMP, sendo que a compensação deve ser considerada não declarada, ausente o cumprimento deste procedimento. Tem razão a decisão recorrida ao assinalar que a configuração jurídica do pedido de restituição e da declaração de compensação estabelecida pelo art. 74 da Lei 9.430/1996 e regulamentada pelas normas complementares estava condicionada à forma prescrita, qual seja, apresentação de Declaração de Compensação, Pedido Eletrônico de Restituição ou Pedido Eletrônico de Ressarcimento gerado a partir do Programa PER/DCOMP. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15578.000406/200891 Acórdão n.º 1301001.313 S1C3T1 Fl. 141 6 Assim verificado, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter a decisão impugnada e considerar as compensações como não declaradas. Sala das Sessões, em 05 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Fl. 141DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15578.000406/200891 Acórdão n.º 1301001.313 S1C3T1 Fl. 142 7 Voto Vencedor Embora respeitando os argumentos expendidos pelo Ilustre Relator em seu pronunciamento, o Colegiado, por maioria, decidiu de forma diversa. A dissonância centrouse, em essência, no entendimento de que o disposto no art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, dispositivo que serviu de fundamento para a emissão do Despacho Decisório de fls. 33, não encontra lastro na lei. Isto porque o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que dispõe sobre as normas aplicáveis aos procedimentos de compensação, dispôs de forma taxativa sobre as hipóteses em que a compensação é considerada não declarada, não podendo a norma complementar em questão estender tal situação à circunstância em que o pedido de compensação foi efetuado por meio de formulário. Ademais, diante do direito envolvido (repetição de indébito e concomitante extinção de débito), entendeu o Colegiado ser desproporcional a “pena” aplicada em virtude da mera inobservância da formalidade em questão (ausência de utilização do PROGRAMA PER/DCOMP), vez que, inibida a aferição da liquidez e certeza do crédito por meio de decisão irreformável administrativamente, restaria à contribuinte buscar em seara judicial o reconhecimento do direito creditório, o que não se coadunaria com os princípios norteadores do processo administrativo. Diante do exposto, decidiu o Colegiado DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto para DETERMINAR O RETORNO DOS AUTOS À PRIMEIRA INSTÂNCIA JULGADORA para fins de apreciação do mérito da compensação tributária pleiteada. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 142DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10675.001884/2003-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/04/1988 a 31/08/1999
COFINS - OMISSÃO DE RECEITA - PROVA - INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR SECRETARIA DE ESTADO.
A omissão de receita apurada com base em informações fornecidas por Secretaria de Estado, referentes a declarações prestadas pelo contribuinte ao Fisco Estadual, faz prova das operações comerciais e financeiras do contribuinte, mormente quando, na fase impugnatória o interessado não apresentar provas suficientes para descaracterizar a autuação, devendo ser manter a exigência tributária. Não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. Precedentes.
Recurso Voluntário Negado.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. TERCEIROS NÃO COMPONENTES DO CONTRATOS SOCIAIS. AUSÊNCIA DE PROVAS. CANCELAMENTO.
Não restando cabalmente comprovada pelo Poder Público nem a gestão de fato dos terceiros não componentes do contratos sociais, quanto as atividades da autuada, e nem o interesse comum dos terceiros na situação que constitua o objeto do fato gerador praticado pela empresa, não merece permanecer a solidariedade tributária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-001.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) quanto ao recurso da Pessoa Jurídica, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso; e II) quanto aos recursos das pessoas físicas, por maioria de votos, deu-se provimento parcial ao recurso para excluir a responsabilidade solidária. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça (Relator). Designado o Conselheiro Leonardo Siade Manzan para redigir o voto vencedor.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
JOÃO CARLOS CASSULI JR.
Redator Designado Ad Hoc
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Sílvia de Brito Oliveira e Leonardo Siade Manzan presentes à sessão. Em face do afastamento por motivos de saúde da Conselheira Nayra Bastos Manatta, o acórdão é assinado digitalmente pelo Presidente Substituto Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
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Recorrida DRJ JUIZ DE FORA MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/1988 a 31/08/1999 COFINS OMISSÃO DE RECEITA PROVA INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR SECRETARIA DE ESTADO. A omissão de receita apurada com base em informações fornecidas por Secretaria de Estado, referentes a declarações prestadas pelo contribuinte ao Fisco Estadual, faz prova das operações comerciais e financeiras do contribuinte, mormente quando, na fase impugnatória o interessado não apresentar provas suficientes para descaracterizar a autuação, devendo ser manter a exigência tributária. Não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. Precedentes. Recurso Voluntário Negado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. TERCEIROS NÃO COMPONENTES DO CONTRATOS SOCIAIS. AUSÊNCIA DE PROVAS. CANCELAMENTO. Não restando cabalmente comprovada pelo Poder Público nem a gestão de fato dos terceiros não componentes do contratos sociais, quanto as atividades da autuada, e nem o interesse comum dos terceiros na situação que constitua o objeto do fato gerador praticado pela empresa, não merece permanecer a solidariedade tributária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) quanto ao recurso da Pessoa Jurídica, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso; e II) quanto aos recursos das pessoas físicas, por maioria de votos, deuse provimento parcial ao recurso para excluir a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 18 84 /2 00 3- 91 Fl. 844DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 2 responsabilidade solidária. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça (Relator). Designado o Conselheiro Leonardo Siade Manzan para redigir o voto vencedor. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator JOÃO CARLOS CASSULI JR. Redator Designado Ad Hoc Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Sílvia de Brito Oliveira e Leonardo Siade Manzan presentes à sessão. Em face do afastamento por motivos de saúde da Conselheira Nayra Bastos Manatta, o acórdão é assinado digitalmente pelo Presidente Substituto Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Tratase de Recursos Voluntários da Autuada (B. C. Comércio e Exportação de Café Ltda. fls. 737/762) e responsáveis solidários (Paulo Sérgio de Oliveira fls. 782/798 e Nilson José de Melo fls. 764/780) contra o v. Acórdão nº 0921.301 exarado em 22/10/08 (fls. 698/731) pela 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora MG que, por unanimidade de votos, houve por bem, ratificar a responsabilidade atribuída aos Srs. Adriano Galvão de Oliveira Damasceno, Paulo Sérgio de Oliveira e Nilson José de Melo e excluir da sujeição da passiva o Sr. Luiz Carlos Pelissari Silveira e “julgar procedente” o lançamento original da Contribuição para a COFINS (fls. 348/355), notificado em 09/06/03, no valor total de R$ 933.566,27 (COFINS R$ 282.351,20; Multa 150% R$ 423.526,76; e Juros R$ 227.688,31), que acusou a ora Recorrente de falta de recolhimento do PIS no período de 30/04/98 a 15/09/99 nos seguintes termos “001 – COFINS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO – COFINS (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Durante o procedimento de verificações obrigatórias foi constatado o não recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social desde o início das atividadesda empresa, ocorrida em Maço/1998, até a paralização de suas atividades,ocorrida em Agosto/1999 (fls. 274). A mesma nunca apresentou as declarações a que estava sujeita ao Fisco Federal(fls.272/273), deixando de apresentálas até mesmo no curso do procedimento fiscal, apesar de intimada reiteradas vezes. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10675.001884/200391 Acórdão n.º 3402001.007 S3C4T2 Fl. 992 3 As receitas que compuseram a base de cálculo da referida contribuição foram demonstradas pelo contribuinte em planilha denominada "Informações prestadas à SRF"(fls. 70)ressaltando que não estão incluídas as vendas com fim específico de exportação a empresas exportadoras (art. 7º da LC 70/91, com nova redação dada pela LC 85/96, e MP 2.15835/01), demonstradas pelo contribuinte no item 3 da referida planilha, como sendo vendas ao exterior. As receitas demonstradas pelo contribuinte estão corroboradas pelos livros fiscais Registro de Saídas e Registro de Apuração do ICMS(fls. 80) Os fatos constatados no curso do procedimento fiscal e detalhadamente descritos no Relatório Fiscal (fls. 355), parte integrante do presente Auto de Infração, apontaram a existência de beneficiários diversos daqueles do contrato social da empresa, o que levou à lavratura do Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária, arrolando como responsáveis na qualidade de contribuintes solidários os Srs. Nilson José de Melo CPF: 480.791.20615 (fls. 234) e Paulo Sérgio de Oliveira CPF: 682.348.21687 (fls. 239). Intimados todos os responsáveis, quer seja na qualidade de sóciogerente, procuradores ou contribuintes solidários a manifestaremse quanto aos valores apurados/devidos da contribuição nos anoscalendário de 1.998 e 1.999, conforme demonstrativo apresentado denominado "Apuração de Débito", não houve contestação dos valores apresentados, apenas quanto à responsabilidade imputada (fls. 251/262 e 271).” Em razão de “diferença apuradas entre o valore escriturado e declarado”, razão do que, a d. Fiscalização considerou infringidos os artigos capitulados no AI, e devidos a multa de 150% capitulada nos Art. 86, § 1°, Lei n°7.450/85; art. 2° da Lei n°7.683/88; e art. 44, inciso II, da Lei n°9.430/96, e juros à taxa SELIC nos termos do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96; Anoto que o presente processo já foi anteriormente submetido a julgamento perante a 3ª Câmara do antigo 2º CC que, acolhendo os Embargos de Declaração nº 126.450 interpostos pela autuada ora Recorrente, através do v. Acórdão nº 20312.647 (fls. 673/679) exarado em sessão de 12/12/07 (Rel. Cons. Carlos Dantas de Assis) anulou “o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, para que outra seja proferida analisandose, também, os argumentos produzidos pelas pessoas físicas responsabilizadas no Auto de Infração”, para tanto baseandose nos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/1998 a 31/08/1999 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. DIREITO À IMPUGNAÇÃO. NECESSIDADE DE CONHECIMENTO PELA DRJ. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 4 Nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento deve identificar os sujeitos passivos da relação obrigacional tributária, incluindo, quando possível, além do contribuinte o responsável tributário referido no inciso II do art. 121 do referido Código. Efetuado o lançamento contra o contribuinte e o responsável tributário, ambos tem direito à impugnação, a qual, se apresentada pelo responsável tributário, deve ser conhecida pela primeira instância, sob pena, em caso contrário, implicar na anulação do processo desde a decisão recorrida, inclusive, para que outra seja proferida em seu lugar, considerando os argumentos de defesa de todos os sujeitos passivos impugnantes. Embargos acolhidos.” Retornados os autos à instância “a quo”, a nova r. decisão ora recorrida (fls. 698/731) da 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora MG, houve por bem, ratificar a responsabilidade atribuída aos Srs. Adriano Galvão de Oliveira Damasceno, Paulo Sérgio de Oliveira e Nilson José de Melo e excluir da sujeição da passiva o Sr. Luiz Carlos Pelissari Silveira e “julgar procedente” o lançamento original da Contribuição para a COFINS (fls. 348/355), aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 30/04/1998 a 31/08/1999 RECEITA. BASE PARA O LANÇAMENTO. Tomou a fiscalização como base para o lançamento a receita bruta conhecida, informada pela própria contribuinte e confirmada pela Fiscalização nos livros fiscais da pessoa jurídica. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INDÍCIO DE OMISSÃO DE RECEITA Os autos demonstram que a movimentação bancária foi observada pela fiscalização apenas como indício de omissão de receitas, o que acabou se confirmando ante as receitas presentes no Livro Registro de Apuração do ICMS em contraste com a falta de recolhimento de qualquer valor aos cofres da União a título de tributo e contribuição. MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICADORAS Restando comprovada a ocorrência da circunstância qualificadora alegada pela fiscalização, imprescindível para o agravamento, impõese a aplicação da multa de 150%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 1999 DECADÊNCIA O pagamento antecipado da contribuição (ainda que parcial) suscita a aplicação da regra especial, isto é, do § 4° do art. 150 do CTN; a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra do art. 173 do CTN. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10675.001884/200391 Acórdão n.º 3402001.007 S3C4T2 Fl. 993 5 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. Respondem solidariamente pelo crédito Tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:1998,1999 INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. Lançamento Procedente” Em suas razões de Recurso Voluntário (fls. 737/762), a Autuada (B. C. Comércio e Exportação de Café Ltda.) ora Recorrente, sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1ª instância na parte em que a manteve tendo em vista: a) a decadência do direito de constituir parte do crédito tributário nos termos do art. 150, § 4º do CTN; b) a nulidade do procedimento fiscal por ter utilizado os dados fornecidos pelas instituições financeiras em razão da CPMF, somente autorizada pela Lei nº 10.174/01, que não poderia ser aplicada retroativamente para fiscalizar fatos ocorridos em 1998; que estariam sob regência da Lei nº 9.311/96, sendo certo ainda ilegal e inconstitucional a quebra do sigilo bancário; c) a ilegalidade do lançamento com base no faturamento escriturado no Livro de Apuração do ICMS, eis que naquele livro estariam incluídos valores que não representam o faturamento; d) a improcedência da afirmação fiscal de ser o sócio gerente um laranja e a arbitrariedade da multa agravada de 150% já proclamada pela anterior decisão anulada; ante a total ausência de fraude ou dolo. Por seu turno em suas razões de Recurso, os responsáveis solidários (Paulo Sérgio de Oliveira fls. 782/798 e Nilson José de Melo fls. 764/780) sustentam a inexistência de responsabilidade solidária, que estaria baseada em meras presunções incomprovadas, eis que não existiria nenhuma prova concreta de sua participação no fato gerador da empresa autuada, sendo inverídicos os fatos de que a empresa autuada teria sido constituída no mesmo endereço de outras empresas estabelecidas na proximidade da autuada, e que a identificação de recursos destinados aos responsáveis, por si só não comprovaria a efetiva gerência dos responsáveis nem as suas participações nos fatos geradores da autuada, que autorizassem a conseqüente imputação de solidariedade nos termos dos arts. 124 e 135 do CTN. Voto Vencido Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator Fl. 848DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 6 O Recurso é tempestivo mas, no mérito não merece provimento. Inicialmente anoto que a r. decisão recorrida mostrase incensurável quando afasta a nulidade do Auto de Infração por ter se baseado em Livros e informações fiscais prestadas ao Fisco Estadual, eis que a falta de recolhimento da COFINS apurada com base em Livros Fiscais e informações fornecidas ao Fisco Estadual, faz prova das operações comerciais do contribuinte, e não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório, como já assentou a Jurisprudência do E. STJ e se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LANÇAMENTO. PROVA EMPRESTADA. FISCO ESTADUAL. ARTIGO 199 DO CTN. ART. 658 DO REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA (ART. 936 DO RIR VIGENTE). 1. O artigo 199 do Código Tributário Nacional prevê a mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações, desde que observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. 2. O art. 658 do Regulamento do Imposto de Renda então vigente (Decreto nº 85.450/80, atualmente art. 936 do Decreto n.º 3.000/99) estabelecia que "são obrigados a auxiliar a fiscalização, prestando informações e esclarecimentos que lhe forem solicitados, cumprindo ou fazendo cumprir as disposições deste Regulamento e permitindo aos fiscais de tributos federais colher quaisquer elementos necessários à repartição, todos os órgãos da Administração Federal, Estadual e Municipal, bem como as entidades autárquicas, paraestatais e de economia mista". 3. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, não se pode negar valor probante à PROVA EMPRESTADA, coligida mediante a garantia do contraditório (RTJ 559/265). 4. Recurso especial improvido.” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp. nº 81.094MG, Reg. nº 1995/00631385, em sessão de 05/08/04, Rel. Min. CASTRO MEIRA, publ. in DJU de 06/09/04 p. 187) Por seu turno a Jurisprudência Judicial também já que “os dispositivos que autorizam a utilização de dados da CPMF pelo Fisco para apuração de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos são normas procedimentais e por essa razão não se submetem ao princípio da irretroatividade das leis, ou seja, incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor” como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6º DA LC 105/01 E 11, § 3º DA LEI Nº 9.311/96, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.174/2001. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 144, § 1º DO CTN. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10675.001884/200391 Acórdão n.º 3402001.007 S3C4T2 Fl. 994 7 1. O artigo 38 da Lei nº 4.595/64 que autorizava a quebra de sigilo bancário somente por meio de requerimento judicial foi revogado pela Lei Complementar nº 105/2001. 2. A Lei nº 9.311/96 instituiu a CPMF e no § 2º do artigo 11, determinou que as instituições financeiras responsáveis pela retenção dessa contribuição prestassem informações à Secretaria da Receita Federal, especificamente, sobre a identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações efetuadas, vedando, contudo, no seu § 3º a utilização desses dados para constituição do crédito relativo a outras contribuições ou impostos. 3. A Lei 10.174/2001 revogou o § 3º do artigo 11 da Lei nº 9.311/91, permitindo a utilização das informações prestadas para a instauração de procedimento administrativofiscal a fim de possibilitar a cobrança de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos. 4. Outra alteração legislativa, dispondo sobre a possibilidade de sigilo bancário, foi veiculada pela o artigo 6º da Lei Complementar 105/2001. 5. O artigo 144 , § 1º do CTN prevê que as normas tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário daquelas de natureza material que somente alcançariam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Os dispositivos que autorizam a utilização de dados da CPMF pelo Fisco para apuração de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos são normas procedimentais e por essa razão não se submetem ao princípio da irretroatividade das leis, ou seja, incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Precedentes. 7. Ressalvado o prazo que dispõe a Fazenda Nacional para a constituição do crédito tributário. 8. Recurso especial improvido. (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no REsp nº 628116PR; Reg. nº 2003/02308527, em sessão de 15/09/05, Rel. Min. CASTRO MEIRA, publ. in DJU de 03/10/05 p. 181) Da mesma forma, o agravamento da penalidade e a responsabilidade solidária das pessoas físicas responsabilizadas na peça acusatória, encontrase solidamente fundamentada, não só no relatório Fiscal (fls. 355/369), mas na própria r. decisão recorrida (fls. 698/731), que rebateu com vantagem as objeções levantadas pelos recorrentes e cujos fundamentos, por amor à brevidade adoto como razões de decidir, vez que tanto na fase impugnatória como na fase recursal os interessados não apresentam provas suficientes para descaracterizar, quer o agravamento da penalidade como a responsabilidade solidária. Finalmente, tratandose de comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que justificaram o agravamento da penalidade, inaplicável o prazo de cinco anos, previsto no § 4º do art. 150 do CTN, aplicandose o art. 173, I do CTN, tal como aplicado pela r. decisão recorrida, que assim se mostra em conformidade com a lei. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 8 Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários, para manter a r. decisão recorrida. É como voto. Sala das Sessões, em 03 de fevereiro de 2011. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Voto Vencedor Conselheiro JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, Redator designado ad hoc. Em face da extinção do mandato do Ilustre Conselheiro Leonardo Siade Manzan, designado quando do julgamento para redigir o voto vencedor relativamente ao afastamento da responsabilidade solidária das pessoas dos Recorrentes Paulo Sérgio de Oliveira (Recurso acostado às fls. 780/796) e Nilson José de Melo (Recurso às fls. 798/814), fui designado “ad hoc” para esta honrosa tarefa, o que passo a desempenhar. O Relatório elaborado pelo Ilustre Conselheiro Relator, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça (o qual adoto integralmente), deixa expresso que os Recorrentes colocados no polo passivo por responsabilidade solidária, afirmam não possuírem essa condição ante ao fato de que a imputação que lhe estaria sendo feita baseiase em meras presunções incomprovadas, eis que não existiria nenhuma prova concreta de sua participação dos mesmos na ocorrência dos fatos geradores dos tributos devidos pela empresa autuada, sendo inverídicos os fatos de que a empresa autuada teria sido constituída no mesmo endereço de outras empresas estabelecidas na proximidade da autuada, e que, a identificação de recursos destinados aos Recorrentes, por si só não comprovaria a efetiva gerência dos responsáveis nem as suas participações nos fatos geradores da autuada, que autorizassem a conseqüente imputação de solidariedade nos termos dos arts. 124 e 135 do CTN. De fato, o Colegiado acolheu referidos argumentos recursais, afastando a responsabilidade solidária, pois que a capitulação legal da mesma estaria calcada no exercício de fato da gerência, mas para cuja conclusão, no entanto, não se poderia basear unicamente na transferência de recursos em seu favor, pois que tais eventos poderiam servir quando muito de indícios, mas não de prova contundente, convergente e conclusiva do exercício da gestão. Não provada cabalmente a gestão de fato daqueles que sequer compõe o quadro social da pessoa jurídica autuada, não se pode manter a responsabilidade com base em referido fundamento legal (art. 135, do CTN). Por outro lado, o art. 124, do CTN, que imputa responsabilidade àqueles que possuírem interesse direto na situação que constitui o objeto do fato gerador, igualmente deve ser comprovado referido interesse comum, não sendo a mera operação de geração de receitas suficientes para estabelecer esse vínculo de solidariedade. Desta forma, cotejando a acusação fiscal e as provas dos autos, e analisando o teor da peça de defesa e respectivos documentos, se pode concluir não ter restado cabalmente demonstrada nem a gestão de fato da autuada, e nem o interesse comum das partes na situação que constitui o objeto do fato gerador, não merecendo permanecer a solidariedade. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10675.001884/200391 Acórdão n.º 3402001.007 S3C4T2 Fl. 995 9 Ante o exposto, dáse provimento aos Recursos Voluntários dos Responsáveis Solidários, para afastar sua solidariedade de Paulo Sérgio de Oliveira e Nilson José de Melo. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JR. – Redator Designado Ad Hoc. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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