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Numero do processo: 11080.727402/2014-32
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS ACUMULADOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO.
Os rendimentos acumulados recebidos acumuladamente no ano-calendário 2010 estão enquadrados na sistemática de tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, prevista no artigo 12-A da Lei nº 7.713, de 1988.
DEDUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS PAGOS.
No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas.
Numero da decisão: 2002-000.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 RENDIMENTOS ACUMULADOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos acumulados recebidos acumuladamente no ano-calendário 2010 estão enquadrados na sistemática de tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, prevista no artigo 12-A da Lei nº 7.713, de 1988. DEDUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS PAGOS. No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas.
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RENDIMENTOS ACUMULADOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Recorrente EGON FREDERICO STEYER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 RENDIMENTOS ACUMULADOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos acumulados recebidos acumuladamente no anocalendário 2010 estão enquadrados na sistemática de tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, prevista no artigo 12A da Lei nº 7.713, de 1988. DEDUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS PAGOS. No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 74 02 /2 01 4- 32 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11080.727402/201432 Acórdão n.º 2002000.336 S2C0T2 Fl. 159 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 9/12), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2011. A autuação implicou a alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$3.757,46 para saldo de imposto a pagar de R$4.885,73. A notificação consigna a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$20.400,00, com IRRF correspondente de R$724,27. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 24/7/2014, a NL foi objeto de impugnação, em 7/8/2014, à fl. 2/21 dos autos, na qual o contribuinte afirmou que os rendimentos tidos por omitidos não teriam sido recebidos em 2010, mas em fevereiro de 2011, e teriam sido informados na Declaração de 2012, já deduzidos os honorários advocatícios. Antes do julgamento, a autoridade lançadora examinou a possibilidade de revisão de ofício do lançamento (art. 6°A da IN RFB n° 958/2009, com a redação dada pelo art. 1º da IN RFB n° 1061 /2010), tendo concluído, à vista de documentação comprobatória juntada pelo contribuinte à impugnação, pela manutenção do lançamento, como consignado no Termo Circunstanciado/Despacho Decisório de fls. 35/36. Cientificado dessa decisão em 25/11/2014 (fl.40), o sujeito passivo, em 18/12/2014, solicitou prorrogação de prazo para juntada de provas (fl.42), uma vez que solicitara o desarquivamento do processo judicial (fl.43). Em 20/1/2015 (fl.50), o contribuinte solicitou nova prorrogação de prazo, apontando que em função do recesso do judiciário não conseguiu o desarquivamento do processo. Em 20/2/2015, os autos foram encaminhados para a primeira instância de julgamento. A impugnação foi apreciada na 18ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 57/61): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL. É de se manter a omissão quando o contribuinte deixa de informar rendimentos declarados em DIRF pela fonte pagadora. Somente é passível de dedução as despesas com o advogado patrono da ação trabalhista, quando pagas pelo contribuinte, vinculadas aos rendimentos tributáveis recebidos e restando Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11080.727402/201432 Acórdão n.º 2002000.336 S2C0T2 Fl. 160 3 devidamente comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PREVIDÊNCIA OFICIAL. Cabe incluir o valor descontado de Previdência Oficial relativo aos rendimentos incluídos pelo Lançamento de Ofício. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. O colegiado de primeira instância alterou o imposto suplementar de R$4.885,73 para R$4.591,96, em decorrência da inclusão no cálculo do imposto da previdência oficial no valor de R$1.068,23, vinculada aos rendimentos tidos por omitidos. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 27/4/2015 (fl. 65), o contribuinte, em 25/5/2015 (fl. 67), apresentou recurso voluntário, às fls. 67/149, no qual alega, em apertado resumo, que: o valor tido por omitido teria sido recebido nos autos da ação judicial nº 001/1.06.02109047, ajuizada por ele em face do Estado do Rio Grande do Sul. seria indevida a tributação dos rendimentos acumulados recebidos pelo regime de caixa, como levou a efeito a autuação. Reproduz o artigo 12A da Lei nº 7.713, de 1988, e dispositivos da IN RFB n º 1.127, de 2011. Ressalta que a decisão de piso teria reconhecido esse fato, mas apontando que as provas não teriam sido juntadas. em observância aos princípios da verdade material e da legalidade, os documentos juntados ao seu recurso devem ser apreciados. na ação judicial proposta, teria obtido provimento parcial, para ver reconhecido seu direito a aumentos salariais desde os cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação. Assim, o valor recebido estaria vinculado ao período de 17/10/2001 a 20/06/2007, como comprovariam os documentos juntados ao seu recurso, o que corresponderia a 69 meses. Reproduz orientação da RFB acerca da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamante e aponta a juntada de simulação de declaração, que demonstraria que não há tributo a recolher. teria direito a deduzir os honorários advocatícios pagos ao seu procurados na ação judicial em comento, a teor do artigo 56 do RIR/99. Cita orientação da RFB acerca do tema e indica a juntada de documento comprobatório do pagamento. o fato de o recibo de pagamento dos honorários estar datado de 2011 não impediria a dedução de tal verba, visto que o valor foi efetivamente descontado do rendimento acumulado recebido. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11080.727402/201432 Acórdão n.º 2002000.336 S2C0T2 Fl. 161 4 Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.152). Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Tratase de autuação consignando a omissão de rendimentos pelo sujeito passivo. Em sua impugnação, ele alegara que se tratava de rendimentos recebidos acumuladamente e que o montante apontado não teria sido recebido em 2010, mas em 2011. Além disso, apontara o pagamento de honorários advocatícios para recebimento do valor. Tanto a autoridade revisora quanto o colegiado de primeira instância afastaram tal alegação, apontando documentos que evidenciariam o pagamento do valor em 2010. Em seu recurso, o sujeito passivo requer a aplicação a esses rendimentos da tributação veiculada no artigo 12A da Lei nº7.713, de 1988. Acerca dessas questões, a decisão recorrida consigna: ... É importante salientar, que a apresentação dos recibos da Pufal & Advogados Associados datados de 24 de fevereiro de 2011 não é documentação hábil e idônea uma vez que a análise se refere ao ano calendário de 2010. ... Repise se que a legislação que rege a matéria determina que a retenção do imposto de renda de fonte ocorre no momento em que os rendimentos recebidos se tornem disponíveis para o beneficiário, e assim sendo cumpre a conclusão de que o contribuinte recebeu os rendimentos provenientes da ação judicial no ano calendário em análise conforme aponta a DIRF de fl. 55 e a requisição do precatório de fl. 8. No que tange a consideração das despesas dedutíveis com advogado, bem assim o cômputo do número de meses correspondentes à ação ordinária adequado ao preenchimento da Ficha dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – Tributação exclusiva de Fonte RRA, caberia ao contribuinte Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11080.727402/201432 Acórdão n.º 2002000.336 S2C0T2 Fl. 162 5 trazer à colação documentação pertinente ao ano calendário sob análise. Nesse sentido, o artigo 73, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) atendendo ao disposto no art. 8º, incido II, “a” da Lei 9.250, de 1995, assim dispõe: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Acerca da apreciação dos documentos acostados ao recurso, entendo que devem ser aceitos e examinados. Vejase que o sujeito passivo se manifestou às fls. 42/45 e novamente à fl.50, solicitando a prorrogação do prazo para juntada de documentos e demonstrando que aguardava o desarquivamento do processo judicial. As alíneas "a" e "c", do § 4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72, prevêem que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação, por motivo de força maior, ou a nova prova se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Entendo que os documentos apresentados pela parte na fase recursal encaixamse nessas hipóteses. O contribuinte demonstrara que, na fase impugnatória, já peticionara no sentido de desarquivamento dos autos judiciais, mas não obtivera o retorno a tempo de instruir sua defesa. Adicionese que os documentos juntados destinamse a contrapor razões trazidas aos autos pela DRJ que, para indeferir o pleito do contribuinte, utilizou, entre outros fundamentos, a falta de comprovação do número de meses associado aos rendimentos objeto da autuação. Diante disso, a nova documentação será analisada. Documentos apresentados em fase recursal: petição inicial da Ação Ordinária nº001/1.06.02109047, ajuizada pelo contribuinte em outubro de 2006 em face do Estado do Rio Grande do Sul, pleiteando a implantação de reajustes aos seus vencimentos mensais, desde a data em que deveriam ter sido aplicados (fls. 89/107). sentença proferida nos autos da ação mencionada (fls. 108/111) e seu trânsito em julgado em 21/6/2007 (fl.114). registros de sua folha de pagamento (fls.116/122). petição ao juízo em julho de 2008, informando, além de outras questões, que a fonte pagadora implantara os reajustes na forma da decisão, mas não efetuara o pagamentos das diferenças das competências anteriores a julho de 2007 (fls.124/128). pronunciamento da fonte pagadora (fls. 130/131). ofícios do juízo dando notícia do valor a ser pago, para emissão da Requisição de Pagamento de Pequeno Valor RPV (fls.133/134) e o RPV emitido em julho de 2010 (fl.135). Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11080.727402/201432 Acórdão n.º 2002000.336 S2C0T2 Fl. 163 6 depósito efetuado pela reclamada em novembro de 2010 (fl.137), acompanhado dos cálculos pertinentes (fl.138). comprovante de expedição de alvará em dezembro de 2010 (fl.139). prestação de contas do patrono da ação, em 23/2/2011 (fl. 149). Da leitura das peças indicadas, resta demonstrado que o rendimento recebido se trata de rendimento acumulado auferido pelo contribuinte em decorrência de ação judicial citada. Acrescentese ainda DIRF da fonte pagadora à fl. 55, que indica que se trata de rendimento decorrente de decisão da Justiça do Trabalho. Vêse ainda que o valor recebido pelo sujeito passivo está associado ao período de 30/10/2001 a 30/6/2007, correspondendo a 69 competências (fls. 127/128 e 131). Dessa feita, cabe aplicar a esses rendimentos o regime de tributação exclusiva na fonte, previsto no artigo 12A da Lei nº 7.713, de 1988: Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Redação dada pela Lei nº 13.149, de 2015) Quanto ao pagamento de honorários, não pode prosperar o entendimento manifestado na decisão de piso, de que o recibo emitido em 2011 não poderia ser deduzido dos rendimentos recebidos no ano de 2010. A possibilidade de dedução dos honorários advocatícios dos rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte em conseqüência da ação judicial, quando devidamente comprovados documentalmente, está prevista no parágrafo único do artigo 56, do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/1999) e também no §2º do artigo 12A: Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Art.12A.... ... § 2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11080.727402/201432 Acórdão n.º 2002000.336 S2C0T2 Fl. 164 7 pelo contribuinte, sem indenização. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Vejase que os dispositivos não estabelecem o momento do pagamento do honorário dedutível. Falase em despesas necessárias para o recebimento do rendimento, sendo cediço que, em geral, acertase parte dos honorários no momento do ajuizamento da ação e outra parte por ocasião da decisão final. Só seria dedutível aquele pago no anocalendário do recebimento do rendimento? Não me parece que seja esse o entendimento da norma, bastando a comprovação da vinculação entre o rendimento e o honorário pago, ou seja, que aquele honorário foi pago para receber aquele rendimento. Nesse sentido, a RFB orienta no Manual de Perguntas e Respostas do Exercício 2011, ora em análise, em seu item 415: HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS PAGOS EM OUTROS EXERCÍCIOS 415 Em qual anocalendário são deduzidos, na Declaração de Ajuste Anual, os honorários advocatícios pagos em ano calendário posterior ou anterior àquele em que os rendimentos decorrentes de decisão judicial foram recebidos? Os honorários advocatícios devem ser deduzidos no ano calendário em que os rendimentos decorrentes de decisão judicial foram recebidos, e informados na ficha de Doações e Pagamentos Efetuados da Declaração de Ajuste Anual nos anos calendário em que tais honorários forem pagos. No caso, entendo que a prestação de contas de fl. 6, o recibo de fl.7 a petição inicial indicando o patrono da ação (fl.90), que vem a ser o emitente da prestação de contas, e o RPV (fl.135) se revelam hábeis a comprovar que os honorários em questão, no montante de R$4.080,00, estão associados aos rendimentos acumulados recebidos e objeto da autuação, sendo de se reconhecer ao contribuinte o direito a sua dedução. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, para determinar o recálculo do imposto devido aplicando aos rendimentos tidos por omitidos o regime de tributação previsto no artigo 12A da Lei nº 7.713, de 1988, considerando que estão associados a 69 (sessenta e nove) competências e deduzindo dos rendimentos os honorários advocatícios pagos, no montante de R$4.080,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11080.727402/201432 Acórdão n.º 2002000.336 S2C0T2 Fl. 165 8 Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.721918/2015-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010, 2011
OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
É lícito à autoridade fiscal examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis.
PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título.
MULTA QUALIFICADA
Não tipificada e comprovada, pelo autuante, a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, há de se reduzir a multa de ofício qualificada de 150% para a multa de ofício regular de 75%.
LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS - CSLL, PIS, Cofins, CPP e ISS
O decidido em relação ao IRPJ aplica-se às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes.
Numero da decisão: 1201-002.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010, 2011 OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito à autoridade fiscal examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. MULTA QUALIFICADA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 19 18 /2 01 5- 61 Fl. 769DF CARF MF 2 Não tipificada e comprovada, pelo autuante, a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, há de se reduzir a multa de ofício qualificada de 150% para a multa de ofício regular de 75%. LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS CSLL, PIS, Cofins, CPP e ISS O decidido em relação ao IRPJ aplicase às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida (efls.665/685) que transcrevo a seguir: O litígio decorre de impugnação apresentada pelo sujeito passivo de que trata o presente processo contra a lavratura do Auto de Infração e Notificação Fiscal do Simples Nacional, fls. 03/174, no valor total de R$ 412.163,75, incluindo multa e juros de mora. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05, foi a apurada a infração descrita a seguir. 01 – Omissão de Receitas – Depósitos ou Investimentos em Instituições Financeiras com Origem não comprovada O Termo de Verificação Fiscal, fls. 180/188, descreve a infração nos seguintes termos (grifos acrescidos): No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, com base na legislação do SIMPLES NACIONAL, alterada pela Lei Complementar n° 139, de 10 de novembro de 2011, DOU de 11.11.2011, em relação ao sujeito passivo acima identificado, com base no art. 33 da Lei Complementar n° 123/2006, bem como (de forma subsidiária) nos arts. 835, 841, 844, 904, 905, 911, 918, 927 e 928 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), Resolução CGSN N° 94, de 29 de novembro de 2011, e atendendo às Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 3 3 determinações contidas no Mandado de Distribuição de Procedimento Fiscal, então Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização MPF, acima especificado, para procedimentos de auditoria fiscal, CONSTATAMOS receitas mensais omitidas oriundas de créditos não comprovados, relativos aos anos calendário 2010 a 2012, conforme os fatos descritos a seguir e corroborados pelos documentos integrantes deste processo. Primeiramente cabe destacar que a descrição dos fatos no presente termo e em toda documentação apresentada durante os procedimentos fiscais, bem como as planilhas demonstrativas de apuração dos tributos devidos reportamse aos anoscalendário 2010 a 2012. Entretanto para atender o disposto na legislação de apuração do crédito tributário, o auto de infração e processo desta ação fiscal acima referida reportamse somente às informações prestadas na Declaração Anual do Simples Nacional DASN dos anoscalendário de 2010 e 2011. Sendo que o auto de infração e o processo referentes às informações prestadas nos Programas Geradores dos Documentos de Arrecadação do Simples Nacional – Declaratório PGDASD dos meses do anocalendário de 2012 estão consolidados sob a ação fiscal n° 01706106000000000010578201504 a qual é parte também deste procedimento fiscal. A emissão de ações fiscais, autos e processos distintos, um até anocalendário 2011 (DASN) e outro a partir de 2012 (PGDAS D), oriundos de um mesmo procedimento fiscal teve por objetivo atender a regulamentação do manual do SIMPLES NACIONAL ocorrida somente a partir de agosto de 2015 devido às restrições na emissão de autos incluindo esses períodos até esta data. Ressalto que o trabalho objeto desta fiscalização foi oriundo da seleção dos contribuintes investigados na denominada "Operação Metástase" deflagrada pela Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal do Brasil, junto a empresas e pessoas físicas investigadas por vários crimes (em tese) cometidos em prestações de serviços junto a prefeituras de nossa região, tendo sido, inclusive, aberto por decisão judicial o sigilo fiscal e bancário, que resultou na prisão, busca e apreensão em diversas residências, empresas e prefeituras, entre outros locais, culminando em vários processos de investigação por envolvimento em práticas delituosas, inclusive crime de sonegação fiscal. 1. No trabalho em questão, após análise de movimentação financeira expressiva da empresa e muito divergente dos valores das receitas informadas pela mesma nas declarações do Simples Nacional, aprofundamos nos serviços prestados e identificamos em todos os períodos fiscalizados vários créditos que a fiscalizada intimada a esclarecer a origem com documentos hábeis e idôneos, sendo que a maior parte nenhum esclarecimento e comprovação foi apresentada. Essa atitude e forma praticada pela fiscalizada caracteriza a intenção clara de não informar, não apurar e não pagar valores Fl. 771DF CARF MF 4 devidos aos Cofres Públicos. Cabe ressaltar que no caso em questão não se trata de uma simples omissão ou esquecimento em um mês ou outro, mas uma forma sistemática e reiterada em todos os anos de 2010, 2011 e 2012 fiscalizados. (...) Através do termo de intimação e reintimação fiscal, ciência em 03/10/2014, a empresa foi novamente intimada a apresentar os extratos de todas as contas bancárias dos períodos e ainda reintimada a apresentar o Livro Caixa dos mesmos períodos em meio magnético conforme solicitação no termo anterior. Em 13/10/2014 a interessada protocolou pedido de prorrogação de mais 10 (dez) dias e entrega de CD contendo os Livros Caixa dos períodos. Em 22/10/2014 solicitou que lhe fosse concedida nova dilação do prazo por mais 90 (noventa) dias. Por meio do Termo de Constatação de 29/10/2014, levamos ao conhecimento da fiscalizada, pessoalmente, que o prazo que as instituições bancárias necessitam para entrega dos extratos bancários aos seus clientes é no máximo 10 (dez) dias e que referidos extratos já compõem a documentação de sua escrituração contábil e fiscal. Ainda levamos ao conhecimento da mesma: (...) Em 19/12/2014 foi requerida anuência para a emissão da Requisição sobre Movimentação Financeira RMF aos bancos que a empresa possuía movimentação bancária, uma vez que o mesmo não apresentou os extratos bancários solicitados pela fiscalização, acrescentando ainda o fato de existir autorização judicial permitindo acesso à Receita Federal do Brasil dos dados de suas contas bancárias, conforme destaque na própria solicitação. Apresentados os arquivos magnéticos dos extratos bancários pelas instituições financeiras, trabalhamos, basicamente, o confronto dos créditos bancários e escrituração dos livros e documentos. (...) A planilha um demonstra os valores mensais extraídos do cotejamento dos créditos bancários e receitas de serviços prestados informadas nas DASN e DEFISC. A coluna 2 discrimina as receitas escrituradas e informadas nas declarações do SIMPLES NACIONAL. A coluna 3 informa a somatória dos créditos transportados da planilha 3, oriundos dos registros da movimentação bancária que a mesma não esclareceu e não comprovou a origem dos recursos com documentação hábil e idônea, considerando as respostas e esclarecimentos apresentados durante os trabalhos, especialmente, a resposta datada de 05/05/2015 e suas planilhas. A planilha 3 discrimina ainda todos os créditos trabalhados em conformidade com as respostas apresentadas pela interessada. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 4 5 (...) Conforme já exposto o art. 34, da Lei Complementar n° 123/2006, prescreve que aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional. Como a empresa é optante pelo Simples Nacional, as omissões de receitas de créditos bancários, intimados individualizadamente e não comprovados, devem ser tributados pela sistemática do artigo 42 da Lei 9.430/96. (...) Em relação aos valores discriminados na planilha 2 oriundos dos créditos intimados e não comprovados a origem dos recursos, a grande maioria nenhum esclarecimento e/ou documento foi apresentado, conforme se verifica nas próprias planilhas apresentadas em 31/03/2015 e 05/05/2015 e transposta para a planilha 3 dos créditos trabalhados. Em alguns créditos a empresa apresentou algumas alegações, mas nenhum documento foi apresentado conforme indicados na própria planilha 3. Já parte dos créditos oriundos de recebimento de receitas por serviços prestados, declarada, escriturada e devidamente indicados e esclarecidos os respectivos créditos nas planilhas respostas foram considerados e comprovados e excluídos, conforme indicados “Comprovados ou Não Comprovados” em coluna da mesma planilha 3 dos créditos trabalhados. Portanto a coluna 3 da planilha 1 discrimina mensalmente os créditos de origem não comprovada, oriundos da planilha 2 que discrimina, individualizadamente, os créditos que a interessada não apresentou comprovação da origem dos recursos. As diferenças mensais serão transferidas para o auto de infração do Simples Nacional e a devida apuração dos valores devidos com multa lançada e acréscimos legais conforme disposto na legislação em destaque no próprio auto de infração. (...) V Da multa de ofício qualificada Ressalto mais uma vez que o trabalho objeto desta fiscalização foi oriundo da seleção dos contribuintes investigados na denominada “Operação Metástase” deflagrada pela Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal do Brasil, junto a empresas e pessoas físicas investigadas por vários crimes (em tese) cometidos em prestações de serviços junto a prefeituras de nossa região, tendo sido, inclusive, aberto por decisão judicial o sigilo fiscal e bancário e que resultou na prisão, busca e apreensão em diversas residências, empresas e prefeituras, entre outros locais, culminando em vários processos de investigação Fl. 773DF CARF MF 6 por envolvimento em práticas delituosas, inclusive crime de sonegação fiscal. (...) Conforme já exposto o art. 34, da Lei Complementar nº 123/2006, prescreve que aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional. Como a empresa é optante pelo Simples Nacional, as omissões de receitas de créditos bancários, intimados individualizadamente e não comprovados, devem ser tributados pela sistemática do artigo 42 da Lei 9.430/96. (...) No procedimento em questão, após análise de movimentação financeira expressiva da empresa e muito divergente dos valores das receitas informadas pela mesma nas declarações do Simples Nacional, aprofundamos nos serviços prestados e identificamos em todos períodos fiscalizados vários créditos que a fiscalizada intimada a esclarecer a origem com documentos hábeis e idôneos, a maior parte nenhum esclarecimento e comprovação foi apresentada. Do total dos serviços prestados nos períodos da fiscalização foi apurada receita total no valor de R$ 6.069.382,30, sendo o total de R$ 1.824.149,72 de omissão de receitas oriundos de créditos de origem não comprovada e no mesmo período informou nas declarações do Simples Nacional R$ 4.245.232,62, conforme discriminado na própria planilha 1. Essa atitude e forma praticada pela fiscalizada caracteriza a intenção clara de não informar, não apurar e não pagar valores devidos aos Cofres Públicos. Cabe ressaltar que no caso em questão não se trata de uma simples omissão ou esquecimento em um mês ou outro, mas uma forma sistemática e reiterada em todos os anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, fiscalizados. Os valores decorrentes das omissões mensais e diferenças das bases de cálculo ou diferenças de alíquotas aplicarseão as multas lançadas conforme a RESOLUÇÃO CGSN Nº 94, DE 29 DE NOVEMBRO DE 2011, que dispõe sobre o Simples Nacional, na Subseção V – Das Infrações e Penalidades, menciona nos arts. 86 e 87 o seguinte: (...) Conforme já exposto o art. 34, da Lei Complementar nº 123/2006, prescreve que aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional. Como a empresa é optante pelo Simples Nacional, as omissões de receitas de créditos bancários, intimados individualizadamente e não comprovados, devem ser tributados pela sistemática do artigo 42 da Lei 9.430/96. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 5 7 (...) Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 06/11/2015, a pessoa jurídica autuada apresentou impugnação em 07/12/2015, fls. 540/566, contrapondose ao lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados. a) preliminarmente, na forma do art. 16, inciso IV do Decreto n.° 70.235/72, sejam os autos baixados em diligência para que a Delegacia da Receita Federal de origem, apresente na íntegra a suposta decisão mencionada no Termo de Verificação Fiscal e Termo de Intimação Fiscal 3 de 12.03.2015. O que se requer justificase pelas razões expostas no item 3.1 e 3.2, uma vez que a referida decisão não foi juntada aos autos, com a ciência inequívoca da empresa Recorrente, de modo a comprovar que de fato restou autorizado judicialmente o acesso à sua movimentação financeira e bancária e, com isso proceder a presente autuação fiscal. b) declarar a nulidade da autuação fiscal, uma vez que: b.l) não foi assegurado à Recorrente o acesso a decisão judicial que deferiu o afastamento do sigilo fiscal e bancário, ainda que pela sua transcrição na íntegra na intimação e termo de verificação fiscal, de modo a assegurar um mínimo de certeza de a referida decisão de fato foi proferida contra si e com isso poder exercer o seu legítimo direito de defesa e do contraditório, e com isso poder analisar se não se tratou de um ato nulo, violando com isso os princípios da ampla defesa, contraditórios e devido processo legal. b.2) ademais disso, a suposta decisão não conferiu a Fiscalização Tributária autorização judicial para apurar a existência de suposto crédito tributário a ser constituído pelo lançamento de ofício, sendo manifesta a violação ao art. 330 do Código Penal e aos incisos X, XII, LIV e LV do art. 5o. e no inciso IV do § 4o do art. 60, ambos da CF/88. b.3) por fim, constituindo o direito ao sigilo bancário é uma garantia constitucional que não pode sofrer restrições por ato exclusivo da Administração Tributária, sendo necessário a autorização judicial para a quebra do sigilo bancário, o que, no entanto, não foi observado no caso, resta evidente a violação aos incisos X, XII, LIV e LV do art. 5o, inciso IV, do § 4o, do art. 60, ambos da CF/88 sendo inconstitucional o art. 6o da Lei Complementar n.° 105/2001 e ao art. Io da Lei n.° 10.174/2001, que assim conferiram poderes à administração tributária federal para o acesso indiscriminado à movimentação financeira e bancária dos contribuintes. c) reconhecer a ilegalidade da autuação com base em depósitos bancários, consoante permite o art. 42 da Lei n.° 9.430/96, haja vista que estes não revelam a existência de renda tributável para fins do que enuncia o art. 43 c/c art. 110 do Código Tributário Nacional. Fl. 775DF CARF MF 8 Ademais, o art. 42, da Lei n.° 9.430/96, é incompatível com o art. 146, inciso III, alínea b da CF/88, para quem o fato gerador de determinado tributo somente pode ser definido por meio de lei complementar, no caso o CTN. d) reconhecer que não se fazem presentes os pressupostos previstos no art. 86 c 87, inciso II da Resolução CGSN n.° 94, de 29.11.2011, para a aplicação de multa no percentual de 150% da exação fiscal, consoante demonstrado no item 3.3 da presente impugnação, além de estar em total afronta aos princípios do não confisco, da proporcionalidade e do direito de propriedade, violados no caso dos autos. d) (sic) por fim, e considerando o disposto no art. 543B do CPC c/c com os §§ 1ºo e 2o do art. 62 do Regimento Interno do CARF, requer o sobrestamento do presente processo até ulterior decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal nos autos dos Recursos Extraordinários n.° 601.314/RG e 736.090/SC, de modo a evitar decisões conflitantes contraditórias, já que tais recursos aguardam pronunciamento do referido Tribunal em questões semelhantes a tratadas nos presente autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE (3ª Turma da DRJ/FOR) julgou improcedente a Impugnação em decisão proferida no Acórdão nº 0836.915, de 18 de agosto de 2016, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito à autoridade fiscal examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010, 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS, DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 6 9 Anocalendário: 2010, 2011 MULTA CONFISCATÓRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. 1. A vedação constitucional é para a utilização de tributo com efeito confiscatórios e não da multa, que tem natureza sancionatória. 2. As multas de ofício pecuniárias vinculadas aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil têm sede em lei ordinária federal, sendo de aplicação obrigatória por parte da autoridade lançadora e observância pelas autoridades julgadoras que compõem o contencioso administrativo. A empresa tomou ciência da referida decisão, conforme o Aviso de Recebimento, efls.731, em 08/09/2016, e, interpôs Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), efls.734/764, em 06/10/2016, conforme carimbo de postagem pelos Correios em 06/06/2016 e recepcionado pela DRF/Varginha/MG, conforme envelope com carimbo datado de 10/10/2016 (efl.764 juntado ao Recurso Voluntário. A Recorrente no Recurso Voluntário repisa, no essencial, os mesmos argumentos despendidos na impugnação, no que diz respeito aos seguintes tópicos: A) DA AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS VÁLIDOS PARA A OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DA RECORRENTE. B) DA IMPOSSIBILIDADE DE SE CARACTERIZAR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMO RENDA TRIBUTÁRIO PARA FINS DO ART. 43 DO CTN. C) DA AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS PARA A QUALIFICAÇÃO DA MULTA NO PERCENTUAL DE 150% DA EXAÇÃO. DOS PEDIDOS preliminarmente, seja determinado o sobrestamento do presente processo até ulterior decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal nos autos dos Recursos Extraordinários n.° 736.090/SC que, como visto, aguarda pronunciamento do referido Tribunal em questão semelhante a tratada nos presentes autos. a nulidade da presente autuação fiscal, uma vez que ausente os pressupostos válidos para a obtenção dos dados bancários que embasaram a exação, pois, na espécie dos autos, ante aos fundamentos acima declinados, restou evidente que não havia qualquer "procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis " . a ilegalidade da autuação com base em depósitos bancários, consoante permite o art. 42 da Lei n.° 9.430/96, haja vista que estes não revelam a existência de renda tributável para fins do que enuncia o art. 43 c/c art. 110 do Código Tributário Nacional e art. 146, inciso III, alínea b da CF/88. reconhecer que não se fazem presentes os pressupostos previstos no art. 86 e 87, inciso II da Resolução CGSN n.° 94, de 29.11.2011 e art. Fl. 777DF CARF MF 10 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502/64, para a aplicação de multa no percentual de 150% da exação fiscal. Além disso, a penalidade aplicada não atende aos princípios do não confisco, da proporcionalidade e do direito de propriedade, todos violados no caso dos autos. Com efeito, a multa deve ser excluída ou, então, reduzida para o percentual de 20% (vinte por cento) da exação, na forma do art. 61 da Lei n.° 9.430/96. Finalmente requer provimento ao recurso voluntário. É o relatório Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O recurso voluntário é tempestivo, de acordo com o Ato Declaratório Normativo (SRF) n° 19, de 26/05/1997, e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Os argumentos da defesa serão analisados na mesma ordem dos tópicos acima apresentados. A) DA AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS VÁLIDOS PARA A OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DA RECORRENTE. Apesar da extensa fundamentação descrita no acórdão recorrido para demonstrar que se torna despiciendo para o deslinde da questão a análise do inteiro teor da decisão judicial mencionada pelo autuante, haja vista que, independentemente de sua existência, a obtenção da movimentação bancária da autuada foi em consonância com a legislação vigente, a Recorrente insiste em sede de recurso voluntário nos mesmos argumentos despendidos na impugnação no sentido de que não tendo sido a contribuinte investigada na denominada "Operação Metástase" deflagrada pela Polícia Federal junto as empresas e pessoas físicas investigadas por vários crimes (em tese) cometidos em prestações de serviços junto a Prefeituras da região, nunca existiu qualquer decisão judicial que desse amparo a obtenção das informações na forma sustentada pela fiscalização. Argúi a Recorrente que, "Na espécie dos autos, se de fato havia a suposta "autorização judicial" para o acesso aos dados bancários da Recorrente, porque então, a referida decisão não veio acompanhada do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal que o fundamenta." Diz que somente com o amplo acesso ao conteúdo de uma decisão judicial que supostamente tenha autorizado a quebra do sigilo fiscal e bancário é que irá permitir ao contribuinte ter ciência de que a suposta decisão tenha sido proferida contra si. E mais importante, poder exercer o seu legítimo direito de defesa e do contraditório, e com isso poder analisar se não se tratou de um ato nulo. Conclui que, a circunstância de a Fiscalização Tributária estar investida da autorização judicial para o acesso a informações fiscais e bancárias e repassálas à Fl. 778DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 7 11 Autoridade Policial, não permite agir além do que restou autorizado pelo Poder Judiciário na decisão ora citada. E, ainda que a Recorrente estivesse listada na decisão citada pela Fiscalização, o que não se pode afirmar, como visto acima, constatase que não há legalidade ou licitude no ato praticado, eis que o acesso a sua movimentação financeira se deu por motivos diversos do ora pretendido na suposta decisão judicial. Sobre a obtenção das informações bancárias da empresa, desde o decorrer da ação fiscal a contribuinte vem questionando a existência de decisão judicial que autorize o procedimento fiscal, como bem se verifica em excertos da decisão recorrida, fls. 675, que se transcreve a seguir: Nesse sentido, observase que no Termo de Intimação Fiscal nº 03, datado 10/03/2015, fls. 392/393, o contribuinte alegou, fls. 406, que “a decisão que deferiu o afastamento do sigilo fiscal e bancário não conferiu a esta douta Delegacia da Receita Federal do Brasil autorização judicial para apurar a existência de suposto crédito tributário, a ser constituído pelo lançamento de ofício”. “O que ficou assentado, com clareza hialina, que não deixa espaço para dúvidas ou questionamentos, é o afastamento do sigilo bancário e fiscal especificamente para à apuração de infrações penais, sendo certo ainda, que após isso, a Receita Federal do Brasil deveria tão somente repassar/fornecer tais informações à Autoridade Policial, e nada mais”. O autuante faz referência no Termo de Verificação Fiscal e no Termo de Intimação nº 3, fls. 392/393, ao Mandado da 1a Vara Criminal, da Infância e Juventude e Cartas Precatórias da Comarca de Três Corações/MG a MM, em que a Juíza de Direito Aila Figueiredo, em decisão de 27 de junho de 2012 assim pronunciou: (...)Isto posto, AUTORIZO: A) o afastamento do sigilo bancário das pessoas físicas e jurídicas abaixo listadas, a fim de que a Receita Federal do Brasil, por meio do sistema próprio, tenha acesso e repasse à autoridade Policial os dados e movimentações bancárias dos investigados, em todas as contas correntes, contaspoupança, aplicações financeiras mantidas por eles, bem como eventuais operações realizadas no exterior e valores movimentados entre as contas dos investigados, referente ao período de 1o de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012; B) o afastamento do sigilo fiscal das pessoas físicas e jurídicas abaixo listadas a fim de que a Receita Federal do Brasil tenha acesso e forneça à Autoridade Policial cópias das declarações do imposto de renda relativas aos anos calendários 2.009 a 2.012." Essa decisão da 1a Vara Criminal, da Infância e Juventude e Cartas Precatórias da Comarca de Três Corações/MG é o documento que a defesa alega não ter tido conhecimento em sua íntegra, e solicita a juntada aos autos, sob pena de nulidade do procedimento fiscal. Sobre a desnecessidade da cópia da predita decisão judicial para a obtenção da movimentação bancária tratada no presente processo, o acórdão recorrido, traz em seu bojo Fl. 779DF CARF MF 12 os fundamentos com os quais concordo, pelo que transcrevo seus termos (fls.676/677) conforme faculta o art.50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, e, os adoto como razão de decidir: De acordo com a fiscalização, a razão da requisição da emissão da RMF decorreu do fato de o contribuinte, embora por diversas vezes intimado durante o procedimento fiscal para apresentar os extratos de suas contas bancárias, não atendeu a contento. Nesse sentido, destacase o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal, fls. 181/182: Através do termo de intimação e reintimação fiscal, ciência em 03/10/2014, a empresa foi novamente intimada a apresentar os extratos de todas as contas bancárias dos períodos e ainda reintimada a apresentar o Livro Caixa dos mesmos períodos em meio magnético conforme solicitação no termo anterior. Em 13/10/2014 a interessada protocolou pedido de prorrogação de mais 10 (dez) dias e entrega de CD contendo os Livros Caixa dos períodos. Em 22/10/2014 solicitou que lhe fosse concedida nova dilação do prazo por mais 90 (noventa) dias. Por meio do Termo de Constatação de 29/10/2014, levamos ao conhecimento da fiscalizada, pessoalmente, que o prazo que as instituições bancárias necessitam para entrega dos extratos bancários aos seus clientes é no máximo 10 (dez) dias e que referidos extratos já compõem a documentação de sua escrituração contábil e fiscal. Ainda levamos ao conhecimento da mesma: (...)Porém em 14/11/2014 veio mais uma vez solicitar mais 60 (sessenta) dias para a entrega dos extratos bancários entre outras alegações. Em 19/12/2014 foi requerida anuência para a emissão da Requisição sobre Movimentação Financeira RMF aos bancos que a empresa possuía movimentação bancária, uma vez que o mesmo não apresentou os extratos bancários solicitados pela fiscalização, acrescentando ainda o fato de existir autorização judicial permitindo acesso à Receita Federal do Brasil dos dados de suas contas bancárias, conforme destaque na própria solicitação. Apresentados os arquivos magnéticos dos extratos bancários pelas instituições financeiras, trabalhamos, basicamente, o confronto dos créditos bancários e escrituração dos livros e documentos. Conforme documentos acostados aos autos às fls. 281/288, a obtenção das movimentações bancárias do contribuinte foi por intermédio da emissão de “Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF”, nos temos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/2001. Consta nas RMF anexadas ao processo o seguinte: “Esta RMF é indispensável ao andamento do procedimento de fiscalização em curso, nos termos do art. 4º, § 6º, do Decreto nº 3.724, de 2001”. Citese, exemplificativamente, nesse sentido, a RMF dirigida ao Banco do Brasil S/A, fls. 281. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 8 13 Com efeito, apesar de o autuante ter feito referência também à decisão da 1a Vara Criminal, da Infância e Juventude e Cartas Precatórias da Comarca de Três Corações/MG, as informações bancárias foram obtidas com base nos poderes conferidos pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724/2001, em decorrência do procedimento adotado pela empresa, em não fornecer os dados solicitados pela fiscalização. Desta forma, tornase despiciendo para o deslinde da questão a análise do inteiro teor da decisão judicial mencionada pelo autuante, haja vista que, independentemente de sua existência, a obtenção da movimentação bancária da autuada foi em consonância com a legislação vigente. (GRIFEI) A argumentação da Recorrente de que não há legalidade ou licitude no ato praticado, eis que o acesso a sua movimentação financeira se deu por motivos diversos do ora pretendido na suposta decisão judicial, não tem fundamento legal haja vista que, de acordo com o artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, em vigor, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, desde que iniciado o procedimento fiscal, como é o caso dos presentes autos. A obtenção de provas pelo Fisco junto à instituição financeira não constitui violação às garantias individuais asseguradas na Constituição Federal, nem quebra de sigilo, nem ilicitude, porquanto é um procedimento fiscal com amparo legal. Ademais a norma contida na Lei Complementar 105/01, permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de credito tributário, e, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não cabe o controle de constitucionalidade das leis, conforme, inclusive, dispõe a Súmula nº 02, verbis: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ressaltese que, o conhecimento que se tem sobre o RE 389.808/Paraná julgado pelo Supremo Tribunal Federal, é que, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Por maioria de votos – 9 a 2 – , prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, e que, a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. A conclusão que se impõe é que, é licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, Fl. 781DF CARF MF 14 independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001. É o caso. Não havendo a pessoa jurídica apresentado a documentação solicitada pela autoridade fiscal, não restara outra alternativa a não ser a Requisição da Movimentação Financeira às instituições bancárias. Portanto, razão não há para realização de diligência,e, mantida a decisão recorrida quanto a esse tópico em comento. B) DA IMPOSSIBILIDADE DE SE CARACTERIZAR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMO RENDA TRIBUTÁRIO PARA FINS DO ART. 43 DO CTN. A infração objeto do presente litígio corresponde à omissão de receitas caracterizada pela falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos valores creditados em conta corrente bancária em nome da autuada, conforme presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. No essencial, a Recorrente alega que a Fiscalização Tributária não provou que a autuada auferiu rendas, pois há apenas a presunção de que teria havido omissão de receita. Portanto, insuficiente para amparar o lançamento do imposto de renda, pois não configura o fato gerador desse imposto. Também pela dicção do art. 110, do CTN, a presunção contida no art. 42, da Lei n° 9.430/96 não pode alterar o conceito de renda ou de provento para neles incluir depósitos bancários. E que, erradamente o Fisco transferiu à contribuinte o encargo de apresentar eventuais provas. Diz que, no processo administrativo fiscal prevalece o princípio da verdade material ou real e não o princípio da verdade presumida. Por isso, incumbe à Autoridade Fiscal o dever de investigar, efetuar diligências, a fim de ser alcançada a verdade real. Por oportuno, convém registrar que a jurisprudência citada pela Requerente em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Da mesma forma, se utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta julgadora. Entendo que os argumentos trazidos pela defendente não devem prevalecer sobre a presunção de omissão de receita a partir dos depósitos bancários. Consta do Termo de Verificação Fiscal, pág.3, efls.180/189, que: por meio do termo de intimação fiscal 3, em 12/03/2015, a empresa foi intimada para, no prazo de 20(vinte) dias, Comprovar, individualmente, mediante documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos creditados nas contas bancárias (discriminados na Planilha dos Créditos a Comprovar com Documentos as Origens Anexo de 10 folhas) das instituições financeiras: Banco Bradesco S/A Contas:17965 e 3472, Banco do Brasil S/A Conta: 13.344 e CCR PEQ EMPR MICROEMPR (SICOOB) Conta: 100.5715; e que, no item III.1 Da planilha 1 demonstrativa dos créditos não comprovados e receitas mensais apuradas nos anoscalendário 2010 a 2012, a "coluna 3 informa a somatória dos créditos transportados da planilha 3, oriundos dos registros da movimentação bancária que a mesma não esclareceu e não comprovou a origem dos recursos com documentação hábil e idônea, considerando as respostas e esclarecimentos apresentados durante os trabalhos, especialmente, a resposta datada de 05/05/2015 e suas planilhas." Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 9 15 Como bem lembrado na decisão recorrida, a Lei 9.430/96 (art.42 e §§) operou uma significativa mudança no tratamento tributário conferido à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda. Inverteu o ônus da prova ao atribuir ao contribuinte o ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas omitidas, sob pena de se sujeitar a autuação por acréscimo patrimonial a descoberto. É indispensável que, o contribuinte esclareça e comprove a origem dos recursos com documentação hábil e idônea. Sobre a matéria, a Lei 9.430/96 (art.42 e §§) assim disciplina o tratamento tributário conferido à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; ... Como se vê, caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. O dispositivo legal, inverteu o ônus da prova ao atribuir ao contribuinte o ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas omitidas. A presunção criada a favor do fisco não afasta a tese de que, em princípio, depósitos bancários não representam, por si só, disponibilidade econômica de rendimentos. Faz mister, porém, os esclarecimentos devidos com provas por parte do contribuinte e, na espécie, o Recorrente desperdiçou a oportunidade a ele concedida para tanto (termo de intimação fiscal 3, em 12/03/2015). Fl. 783DF CARF MF 16 Tratase, portanto, de presunção legal, onde a lei determina que, ocorrida a situação fática (créditos em conta de depósito sem comprovação de origem), podese presumir, até prova em contrário (esta a cargo do contribuinte), a ocorrência do fato a ser provado (omissão de receita). É preciso salientar que a Lei nº 9.430/96, ao contrário do procedimento aventado pela interessada/Recorrente, permite à autoridade fiscal perquirir junto ao contribuinte qual a origem daqueles depósitos ou investimentos existentes em suas contas bancárias sendo que a ausência da comprovação de sua origem faz presumir tratarse de omissão de receitas próprias da atividade da pessoa jurídica. As receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica não oferecida à tributação. Ressaltese, de plano, que aqui não cabe a alegada necessidade de comprovação de renda por parte do Fisco, em face do artigo 43 e 142 do CTN. Os enunciados das súmulas abaixo são esclarecedores, portanto desnecessária outra explicação sobre o assunto, vejamos: Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada Súmula CARF Nº 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. Assim, intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos utilizados em relação aos valores creditados nas contas bancárias discriminadas no Termo de Verificação Fiscal e, na ausência de tal comprovação foram os mesmos valores tributados como receita omitida, em consonância com o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. A Recorrente aduz também que não há como prevalecer o entendimento manifestado no v. acórdão recorrido, com o provimento do presente recurso voluntário para se reconhecer a ilegalidade e a inconstitucionalidade do art. 42 da Lei n.° 9.430/96. Sobre a manifestação da ilegalidade ou inconstitucionalidade do art. 42 da Lei n.° 9.430/96, não cabe a esse órgão do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 desse E.Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Enfim, considerando serem insuficientes os argumentos da Recorrente para afastar com segurança a autuação, haja vista que o contribuinte não apresentou documentos, no caso, da origem dos recursos, oportunizado, mais uma vez, ao contribuinte trazer aos autos a prova a ele incumbida por força do art.42 e §§ da predita Lei nº 9.430/96, não cabe a autoridade julgadora, por presunção, suprir o dever do contribuinte. Não tendo a autuada Fl. 784DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 10 17 comprovado a origem dos recursos utilizados nos depósitos, é de se manter a autuação ao concluir que os depósitos tiveram origem em recursos mantidos à margem da escrituração, portanto, considerados como omissão de receitas, razão pela qual deve ser negado provimento ao recurso voluntário, mantendo incólume os lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, CPP e ISS. DA AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS PARA A QUALIFICAÇÃO DA MULTA NO PERCENTUAL DE 150% DA EXAÇÃO. A multa qualificada de 150% foi aplicada com fundamento no art. 44, inciso II, da Lei 9.430, de 1996, que reza que: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; IIcento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. A aplicação da multa qualificada, prevista no inciso II, pressupõe que seja comprovado o evidente intuito de fraude. A fraude, num sentido mais abrangente, consiste em uma ação ou omissão promovida com máfé, tendente a ocultar uma verdade ou a fugir de um dever. No caso da multa qualificada, o dispositivo legal acima (inciso II) faz menção aos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, a segui transcritos, definindo três situações distintas: sonegação, fraude e conluio: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 785DF CARF MF 18 Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. Nas três situações, há que ser caracterizado o dolo. Por sua vez, o conceito de dolo encontrase no inciso I do art. 18 do Decreto –lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. No que tange à aplicação da multa qualificada sobre os depósitos bancários de origem não comprovada, consta no Termo de Verificação Fiscal, item "IV Da multa de ofício qualificada" o seguinte: Ressalto mais uma vez que o trabalho objeto desta fiscalização foi oriundo da seleção dos contribuintes investigados na denominada “Operação Metástase” deflagrada pela Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal do Brasil, junto a empresas e pessoas físicas investigadas por vários crimes (em tese) cometidos em prestações de serviços junto a prefeituras de nossa região, tendo sido, inclusive, aberto por decisão judicial o sigilo fiscal e bancário e que resultou na prisão, busca e apreensão em diversas residências, empresas e prefeituras, entre outros locais, culminando em vários processos de investigação por envolvimento em práticas delituosas, inclusive crime de sonegação fiscal. No procedimento em questão, após análise de movimentação financeira expressiva da empresa e muito divergente dos valores das receitas informadas pela mesma nas declarações do Simples Nacional, aprofundamos nos serviços prestados e identificamos em todos períodos fiscalizados vários créditos que a fiscalizada intimada a esclarecer a origem com documentos hábeis e idôneos, a maior parte nenhum esclarecimento e comprovação foi apresentada. Do total dos serviços prestados nos períodos da fiscalização foi apurada receita total no valor de R$ 6.069.382,30, sendo o total de R$ 1.824.149,72 de omissão de receitas oriundos de créditos de origem não comprovada e no mesmo período informou nas declarações do Simples Nacional R$ 4.245.232,62, conforme discriminado na própria planilha 1. Essa atitude e forma praticada pela fiscalizada caracteriza a intenção clara de não informar, não apurar e não pagar valores devidos aos Cofres Públicos. Cabe ressaltar que no caso em questão não se trata de uma simples omissão ou esquecimento em um mês ou outro, mas uma forma sistemática e reiterada em todos os anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, fiscalizados. ... GRIFEI O autuante apenas ressalta que "o trabalho objeto desta fiscalização foi oriundo da seleção dos contribuintes investigados na denominada “Operação Metástase” deflagrada pela Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal do Brasil, junto a Fl. 786DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 11 19 empresas e pessoas físicas investigadas por vários crimes (em tese) cometidos em prestações de serviços junto a prefeituras de nossa região...culminando em vários processos de investigação por envolvimento em práticas delituosas, inclusive crime de sonegação fiscal, mas não especifica se a prática da conduta da contribuinte, restou tipificada no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4502/64 a ensejar a situação de fraude, sonegação ou conluio. O autuante descreve, no Termo de Verificação Fiscal, fatos que dão fundamento ao lançamento de ofício, e que a tributação se deu por presunção legal de omissão de receitas, em virtude de receitas apuradas pelo Fisco decorrentes dos depósitos bancários de origem não comprovada em nome da pessoa jurídica. Verificase que, no caso concreto dos presentes autos, a infração baseouse no fato de ter a autoridade lançadora verificado a omissão de rendimentos, por presunção legal, provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada. Vêse que a justificativa para a aplicação da multa qualificada foi em razão do contribuinte ter omitido informações relativas aos períodos de 2010 e 2011, porém não ficou claramente caracterizada a ocorrência da fraude ou simulação por parte do contribuinte. Ressaltase que a omissão de rendimentos resultante de omissão de informações, por si só, não dá causa à qualificação da multa de ofício. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir fraude ou simulação. Fazse necessária a tipificação pela autoridade administrativa da conduta do contribuinte se caracterizada a ocorrência de fraude ou simulação com sua própria definição legal. Ou seja, o autuante não descreveu os elementos qualificadores da conduta tipificada nos artisgos 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64, não diz qual a conduta do contribuinte (fraude, sonegação ou conluio) se tipificada no artigo 71, 72 ou 73. A esse propósito, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já consolidou seu entendimento, verbis: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Dessa forma, não tipificada e comprovada, pelo autuante, a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, há de se reduzir a multa de ofício qualificada de 150% para a multa de ofício regular de 75%. LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS CSLL, PIS e Cofins PIS, Cofins, CPP e ISS O decidido em relação ao IRPJ aplicase às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso de voluntário para desqualificar a multa de ofício reduzindoa de 150% para a multa de ofício regular de 75%. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 787DF CARF MF 20 Fl. 788DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.721163/2010-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAC¸A~O. DENU´NCIA ESPONTA^NEA. COMPENSAC¸A~O.
A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário.
Numero da decisão: 9101-003.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Nelso Kichel (suplente convocado) e Rafael Vidal de Arau´jo, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Lui´s Fla´vio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Fla´vio Franco Corre^a.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Nelso Kichel (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 11 63 /2 01 0- 36 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10380.721163/201036 Acórdão n.º 9101003.689 CSRFT1 Fl. 247 2 convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em que figura como interessado M DIAS BRANCO S.A. INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS (doravante “contribuinte” ou “recorrido”). O recurso especial versa sobre a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, por meio de compensação tributária. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA. O objetivo do artigo 138 do CTN é estimular o contribuinte infrator a colocarse em situaca̧õ de regularidade, resgatando as pendências deixadas e ainda desconhecidas por parte do Fisco, com o que recebe o que lhe deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Não há diferença entre regularizar débito mediante pagamento ou compensação. Sob os aspectos jurídicos os dois institutos aqui referidos tem̂ por finalidade a satisfaçaõ e quitação de obrigação pendente. A PFN, então, interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação quanto à possibilidade de configuração de denúncia espontânea por meio de compesanção tributária (efls. 187 e seg.), o qual foi admitido por despacho (efls. 198 e seg.). O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial, em que, embora não se oponha ao conhecimento do recurso especial, requer lhe seja negado provimento (efls. 208 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto, razão pela qual não merece reparo, adotandose neste voto os seus fundamentos. O presente caso exige que se compreenda a hipótese de incidência do art. 138 do CTN, especialmente quanto à exigência de extinção do crédito tributário por meio de “pagamento” ou de “compensação”. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10380.721163/201036 Acórdão n.º 9101003.689 CSRFT1 Fl. 248 3 O art. 138 do CTN possui a seguinte redação: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontan̂ea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infracã̧o. O núcleo da presente discussão consiste em saber se o termo “pagamento”, adotado pelo art. 138 do CTN (acima sublinhado), tem o sentido restritíssimo de “quitação em dinheiro” ou se contempla acepcã̧o mais ampla de adimplemento, abarcando, no caso, a compensação tributária. De início, é necessário observar que o legislador nem sempre utiliza o vocábulo “pagamento” no sentido de quitação em dinheiro, valendose deste em sua acepção mais ampla de adimplemento. É o que se verifica em variados exemplos colhidos tanto de leis ordinárias como de leis complementares, conforme se passa a analisar antes de adentrar ao mérito em si do art. 138 do CTN. Primeiramente, notese a redação do art. 150 do CTN: Art. 150. O lanca̧mento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Notese que o CTN utilizou a dicçaõ “antecipar o pagamento” no sentido de antecipar o adimplemento sem prévio exame da autoridade administrativa. Não há dúvidas que o contribuinte, mediante declaracã̧o e compensacã̧o regularmente levadas a termo, irá consumar o típico “lançamento por homologação” tutelado pelo art. 150 do CTN. Nesse sentido, merecem destaque os seguintes julgados, proferidos pela Primeira e Segunda Turma do STJ, que consideram indiferente o adimplemento darse mediante pagamento em dinheiro ou compensação tributária para a incidência do art. 150 do CTN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ART. 74 DA LEI 9.430/96. MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS: LEI 10.637/02 E LEI 10.833/03. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NOV/1998. INDEFERIMENTO ADMINISTRATIVO DA COMPENSAÇÃO. MAI/05. TRANSCURSO DE PRAZO SUPERIOR AO QUINQUÊNIO LEGAL. ART. 150, §4o, DO CTN. HOMOLOGAÇAÕ TÁCITA. PAGAMENTO ANTECIPADO. 1. No caso concreto, o crédito tributário foi constituído na data do protocolo do pedido de compensaca̧õ (10/11/1998), por força do §4o do art. 74 da Lei n. 9.430/96. Logo, como até maio de 2005, a Administração não havia se manifestado sobre o referido pleito, ocorreu a homologação tácita prevista no §4o do art. 150 do CTN. 2. Recurso especial provido. (STJ, REsp 1320994/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/10/2014, DJe 22/10/2014) Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10380.721163/201036 Acórdão n.º 9101003.689 CSRFT1 Fl. 249 4 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ICMS. LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. CREDITAMENTO INDEVIDO. PAGAMENTO PARCIAL. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. ART. 150, § 4o, DO CTN. 1. O prazo decadencial para o lanca̧mento suplementar de tributo sujeito a homologação recolhido a menor em face de creditamento indevido é de cinco anos contados do fato gerador, conforme a regra prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Precedentes: AgRg nos EREsp 1.199.262/MG, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seçaõ, DJe 07/11/2011; AgRg no REsp 1.238.000/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, SEGUNDA TURMA, DJe 29/06/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1318020/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/08/2013, DJe 27/08/2013) Prosseguindo a análise ora empreendida, verificase que o mesmo se verifica, por exemplo, em relação ao art. 9o, § 2º, da Lei n. 9.532/97. Esse enunciado prescritivo estabelece, em seu caput, que, “à opção da pessoa jurídica, o saldo do lucro inflacionário acumulado, existente no último dia útil dos meses de novembro e dezembro de 1997, poderá ser considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento”. Para que essa opção fosse exercida, o legislador requereu a sua manifestação mediante o adimplemento do tributo correspondente, em quota única. Não há sinais de que o legislador procurou se referir a quitação em dinheiro, mas sim às hipóteses que legitimamente conduzam ao adimplemento da obrigaçaõ, como é o caso da compensação. Esse foi precisamente o entendimento adotado por esta 1ª Turma da CSRF, em julgamento recente sobre o tema: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003, 2004 SALDO ACUMULADO DE LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INTEGRAL EM COTA ÚNICA. COMPENSAÇÃO. À opção da pessoa jurídica, o saldo do lucro inflacionário acumulado, existente no último dia útil dos meses de novembro e dezembro de 1997, poderia ser considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento (Lei n. 9.532/1997, art. 9º). Exercício da opção mediante o adimplemento do valor correspondente. A regular compensação, assim como a regular quitação em dinheiro, era meio hábil para o exercício da opção. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF n. 10 O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização. (CSRF, 9101002.352, 14/06/2016) Adentrando no mérito do presente recurso, verificase que, tal como se dá com os outros dispositivos citados, incluindo o art. 150 do CTN, embora o art. 138 do CTN, textualmente adote o termo “pagamento”, não procura restringir o instituto da denúncia espontânea às hipóteses de quitação em dinheiro, requerendo o adimplemento em sentido amplo, o que inclui a compensação tributária. A Nota Técnica n. 1 COSIT, de 18.01.2012, posteriormente cancelada pela Nota Técnica no 1 COSIT, de 12.06.2012, chegou a reconhecer de ofício, com o propósito de Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10380.721163/201036 Acórdão n.º 9101003.689 CSRFT1 Fl. 250 5 colocar fim aos litígios sobre a matéria, o sentido amplo de “pagamento”, para abrager hipóteses de adimplemento como a “compensacã̧o”, in verbis: “18. Com relação à aplicabilidade da denúncia espontan̂ea na compensação de tributos, não se pode perder de vista que pagamento e compensacã̧o se equivalem; ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são exatamente os mesmos: a extinção do crédito tributário. Como consequen̂cia, a compensação também é instrumento apto a configurar a denúncia espontânea. 18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009, ao dar nova redaçaõ ao art. 6° da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991, conferiu à compensação o mesmo tratamento dado ao pagamento para efeito de redução das multas de lançamento de ofício. 18.2 Essa equiparaca̧õ do pagamento e compensação na denúncia espontânea resulta da aplicação da analogia, prevista como método de integraçaõ da legislação pelo art. 108, I, do CTN. 18.3 Dessa forma, respondendo às indagações formuladas nas letras h e i do item 3 desta Nota Técnica: a) se o contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua a compensação desse débito na Dcomp, sendo os atos de confessar e compensar concomitantes, aplicasse o mesmo raciocínio previsto no item 10, ou seja, neste caso resta configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN” O entendimento esposado pela Nota Técnica n. 1 COSIT, de 18.01.2012 não merece reparo. Vale observar que a compensação efetuada pelo contribuinte possui efeito de pagamento, sob condição resolutória. Significa dizer que, se porventura a compensação não vier a ser homologada, perderá a eficácia a denúncia espontânea, com a exigência do débito tributário com a multa. Não obstante tratarse de matéria controversa, seja neste Conselho ou no e. STJ, é importante observar as decisões deste Tribunal que se alinham ao entendimento que acolho no presente voto. A Primeira e a Segunda Turma do STJ apresentam precedentes em que aplicam a norma do art. 138 do CTN de forma que o termo “pagamento” assuma a acepção de “adimplemento”. Conforme a interpretação levada a termo nos julgados a seguir, há denúncia espontânea mediante o adimplemento integral do débito tributário antes da ação fiscal, independentemente deste se dar mediante pagamento em dinheiro ou compensação: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PRESENÇA DE OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇAÕ ACOLHIDOS COM EFEITOS INFRINGENTES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECONHECIMENTO. TRIBUTO PAGO SEM PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO ANTERIOR E ANTES DA ENTREGA DA DCTF REFERENTE AO IMPOSTO DEVIDO. 1. A decisão embargada afastou o instituto da denúncia espontânea, contudo se omitiu para o fato de que a hipótese dos autos, tratada pelas instan̂cias ordinárias, referese a tributo sujeito a lançamento por homologação, tendo os ora embargantes recolhido o imposto no prazo, antes de qualquer procedimento fiscalizatório administrativo. 2. Verificase estar caracterizada a denúncia espontânea, pois não houve constituição do crédito tributário, seja mediante declaração do contribuinte, seja mediante procedimento fiscalizatório do Fisco, anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que, in casu, se deu com a Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10380.721163/201036 Acórdão n.º 9101003.689 CSRFT1 Fl. 251 6 compensação de tributos. Ademais, a compensacã̧o efetuada possui efeito de pagamento sob condição resolutória, ou seja, a denúncia espontânea será válida e eficaz, salvo se o Fisco, em procedimento homologatório, verificar algum erro na operação de compensação. Nesse sentido, o seguinte precedente: AgRg no REsp 1.136.372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, DJe 18/5/2010. 3. Ademais, inexistindo prévia declaração tributária e havendo o pagamento do tributo antes de qualquer procedimento administrativo, cabível a exclusão das multas moratórias e punitivas. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (STJ, EDcl no AgRg no REsp 1375380/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/08/2015, DJe 11/09/2015) AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇAÕ. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em óbice para que o relator julgue o recurso especial com fundamento no artigo 557 do Código de Processo Civil. 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido. (STJ, AgRg no REsp 1136372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/05/2010, DJe 18/05/2010, O mesmo entendimento tem sido adotado por este Tribunal administrativo, como se observa desta recente decisão da 1ª Turma Ordinaŕia da 4ª Câmara da 3a Seçaõ: CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF . Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, Crédito tributário antes não declarado à administraçaõ tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretaçaõ do Superior Tribunal de Justica̧ em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF. (Acórdão 3401002.706, Sessão de 21/08/2014) Nesse cenário, a norma do art. 138 do CTN não se aplica apenas às hipóteses de pagamento em dinheiro: a norma de denúncia espontânea incide igualmente em face de outras hipóteses em que haja equivalente adimplemento, como é o caso da regular compensação tributária. Não se trata de interpretaçaõ ampliativa ou restrintiva, mas de reconhecimento do âmbito de incidência prescrito pelo legislador. Não há que se falar, por conseguinte, de ofensa ao art. 111 do CTN. Por todo o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10380.721163/201036 Acórdão n.º 9101003.689 CSRFT1 Fl. 252 7 Luís Flávio Neto Fl. 252DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.900382/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores de faturamento, tidos como base de cálculo para a contribuição no período analisado, contidos nos registros contábeis do contribuinte correspondem aos valores declarados ao fisco em DACON e DIPJ; (ii) confronte os débitos referentes à contribuição apurados com a base de cálculo conferida no item "i" e sob a alíquota aplicável ao regime tributário da recorrente, com os pagamentos efetuados em DARF referentes à contribuição, no período; e (iii) após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores de faturamento, tidos como base de cálculo para a contribuição no período analisado, contidos nos registros contábeis do contribuinte correspondem aos valores declarados ao fisco em DACON e DIPJ; (ii) confronte os débitos referentes à contribuição apurados com a base de cálculo conferida no item "i" e sob a alíquota aplicável ao regime tributário da recorrente, com os pagamentos efetuados em DARF referentes à contribuição, no período; e (iii) após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/POA, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .9 00 38 2/ 20 08 -4 1 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11060.900382/200841 Resolução nº 3401001.416 S3C4T1 Fl. 3 2 Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 05290.34146.050204.1.3.049997 a compensação de débito de IRPJ (cód.2089) do período de apuração 4º Trim./2003 no valor de R$ 456,14 acrescido de multa R$ 7,53 e juros R$ 4,56 totalizando R$ 468,23 com crédito de PIS/PASEP (cód.8109) por recolhimento a maior que o devido no valor de R$ 417,50 do período de apuração 05/2003, data de arrecadação 13/06/2003, no valor de R$ 688,88. Do Despacho Decisório A DRF de Santa Maria/RS em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 24/04/2008, rastreamento nº 757800387 (efls.7), pela não homologação da compensação pretendida, em face da inexistência do crédito, pois o valor do DARF foi integralmente utilizado para quitação do PIS declarado para o período de apuração 05/2003. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.11), contendo apenas, em seu texto, o seguinte: “... demonstrar através de documentos e planilhas em anexo, como foram realizadas as compensações via per/dcomp, feita a verificação, entendemos que houve erro no preenchimento da ficha DÉBITO CSLL. Por outro lado, a referida empresa encontrase em situação regular perante a este órgão conforme se comprova na solicitação de pesquisa em anexo, com exceção de uma da parcela de n.2 do parcelamento n. 13047.000.287/200768, que segundo informações junto a Agência em Cachoeira do Sul, foi motivado pelo intervalo entre a formalização do parcelamento e do envio para a instituição financeira para débito em conta e outro pequeno valor de R$ 96,99. Ambos serão liquidados em breve”. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/POA, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2003 DCTF. PREENCHIMENTO EQUIVOCADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. No final do voto o julgador faz menção à DIPJ da Contribuinte, que essa tem caráter meramente informativo e não se configura confissão de dívida, valendose para esse fim a DCTF, instituída pela IN SRF nº 129 de 1986. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.40) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, argumentando: (i) que efetuou pagamentos de valores a maior que o devido de Contribuição para o PIS/PASEP; (ii) que a empresa apurou o PIS/PASEP utilizando a alíquota Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11060.900382/200841 Resolução nº 3401001.416 S3C4T1 Fl. 4 3 de 1,65% e não a alíquota correta para aquele período de 0,65% e seu regime de tributação era o Lucro Presumido; (iii) faz juntada a título de prova cópia do Livro Diário, Razão, planilha demonstrativa dos créditos apurados correspondentes as diferenças entre alíquotas e cópia dos DARFs pagos; Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A questão central desses autos está voltada para a ausência de DCTF retificadora, de forma a evidenciar o crédito que a contribuinte alega ter, pelo recolhimento de valores de PIS/PASEP a maior que o devido, valendose de alíquota não apropriada para o regime de tributação adotado no ano de 2003. Sobre esse fato é esclarecedora a planilha produzida às fls.91: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11060.900382/200841 Resolução nº 3401001.416 S3C4T1 Fl. 5 4 Por outro lado foi juntado no processo cópia dos livros, Diário e Razão, com o intuito de provar a procedência do crédito declarado, através de seus registros contábeis. O acórdão recorrido faz referência a DIPJ que tem caráter meramente informativo e não para confissão de dívida, mas por ser de caráter informativo serve para confrontar dados com as demais declarações (DACON/DCTF). Quanto a citação de jurisprudência de negativa do indébito por falta de prova, não podendo a União ser condenada à restituição dos valores postulados, sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa, contrário senso, havendo o pagamento de tributo em valor a maior que o devido, a sua negativa traria enriquecimento sem causa ao erário. Por ser singelos os argumentos da contribuinte ao se manifestar nos autos, não lhe retira o direito de uma melhor apuração dos fatos diante das provas documentais carreadas ao processo, bem como de outras acessíveis ao fisco a esclarecer de forma convincente sobre a realidade dos créditos pleiteados. Quanto a forma de analisar os pedidos do contribuinte em Declaração de Compensação, reproduzo parte com destaque dos fundamentos do acórdão nº 9303005.095, de 16/05/2017, proferido em Recurso Especial pela 3ª Turma da CSRF: A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11060.900382/200841 Resolução nº 3401001.416 S3C4T1 Fl. 6 5 1 confirme se os valores de faturamento, tidos como base de cálculo para a contribuição no período analisado, contidos nos registros contábeis do contribuinte corresponde aos valores declarados ao fisco em DACON e DIPJ; 2 confronte os débitos referentes à contribuição apurados com a base de cálculo conferida no item "i" e sob a alíquota aplicável ao regime tributário da recorrente, com os pagamentos efetuados em DARF referentes à contribuição, no período; 3 após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. Esgotado o prazo para manifestação, seja providenciado o retorno dos autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.008386/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL COM IMÓVEL.
Configura alienação, para efeito de apuração do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital, a transferência de imóvel de pessoa física a pessoa jurídica, a título de integralização de capital. Considera-se data de alienação do imóvel, em regra, aquela consignada no contrato social ou alteração contratual que estipular a formação ou aumento do capital com o imóvel.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL COM IMÓVEL. Configura alienação, para efeito de apuração do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital, a transferência de imóvel de pessoa física a pessoa jurídica, a título de integralização de capital. Considera-se data de alienação do imóvel, em regra, aquela consignada no contrato social ou alteração contratual que estipular a formação ou aumento do capital com o imóvel. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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ALIENAÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL COM IMÓVEL. Configura alienação, para efeito de apuração do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital, a transferência de imóvel de pessoa física a pessoa jurídica, a título de integralização de capital. Considerase data de alienação do imóvel, em regra, aquela consignada no contrato social ou alteração contratual que estipular a formação ou aumento do capital com o imóvel. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 83 86 /2 00 9- 25 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.008386/200925 Acórdão n.º 2202004.742 S2C2T2 Fl. 191 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.008386/200925, em face do acórdão nº 1652.790, julgado pela 15ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo1 (DRJ/SP1), em sessão realizada em 19 de novembro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 04/05 e 08/09, acompanhado dos demonstrativos de fls. 06/07 e termo de verificação de fls. 11 a 23, relativo ao imposto de renda sobre ganhos de capital na alienação de bens e direitos apurado no mês de junho de 2006, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 37.519,42, composto de: Conforme descrição dos fatos de fls. 08/09, a exigência decorreu da seguinte infração à legislação tributária: ganhos de capital na alienação de bens e direitos falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital – falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital. Fatos geradores e valores tributáveis a fl. 08. Consta do citado Termo de Verificação Fiscal de fls. 12 a 23 que: a fiscalizada em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF, exercício 2007, anocalendário 2006, declarou o imóvel localizado à Rua Major Sólon no 168, Campinas/SP, e alienado / transferido a titulo de integralização de capital pelo valor de R$ 100.000,00, como adquirido pelo valor de R$ 12.500,00; a fiscalizada em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física – DIRPF, exercício 2007, ano calendário 2006, declarou o imóvel localizado à Rua Major Sólon n.º 172, Campinas/SP, e alienado / transferido a titulo de integralização de capital pelo valor de R$ 100.000,00, como adquirido pelo valor de R$ 12.500,00; a fiscalizada em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF, exercício 2007, anocalendário 2006, declarou o imóvel localizado à Avenida Anchieta no 675, Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.008386/200925 Acórdão n.º 2202004.742 S2C2T2 Fl. 192 3 Campinas/SP, e alienado / transferido a titulo de integralização de capital pelo valor de R$ 200.000,00, como adquirido pelo valor de R$ 50.000,00; a fiscalizada, conforme consta em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF, exercício 2007, anocalendário 2006, declarou a posse de 50% dos imóveis constantes dos itens 14, 15 e 16; conforme é observado, os referidos imóveis foram alienados / transferidos para a empresa JUQUEY PARTICIPAÇÕES LTDA, CNN no 08.091.679/000183, a titulo de integralização de capital , sendo que as pessoas físicas, conforme dispõe a legislação em vigor, arts.23 e 35 da Lei no 9.249/95, poderão a esse titulo, transferir para as pessoas jurídicas, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens, ou pelo valor de mercado, sendo que se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital; não houve nenhum recolhimento de imposto incidente sobre o ganho de capital por parte da fiscalizada a titulo de apuração de ganho de capital para a alienação/transferência dos imóveis retrocitados. Cientificada do lançamento em 13/07/2009 (AR a fl. 62), a autuada apresentou, em 11/08/2009 (vide fl. 65), a impugnação de fls. 64 a 65, por intermédio de procurador (procuração a fl. 80), acompanhada dos documentos de fls. 66 a 76, alegando que: para integralização do capital na JUQUEY PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ n.º 08.091.679/000183 foram conferidos bens imóveis de propriedade dos sócios subscritores das quotas sociais, havendo somente transferência de propriedade das pessoas físicas para a pessoa jurídica, constituída pelas mesmas pessoas físicas, não ocorrendo na realidade alienação de tais bens, mas somente a conferência para integralização do capital social de empresa que administrará os mesmos bens imóveis; quando da elaboração do contrato social os valores considerados para integralização o foram transcritos de forma incorreta, ou seja, muito acima dos valores constantes na DIRPF da contribuinte e também acima dos valores venais existentes nos cadastros da Prefeitura Municipal de Campinas, quais sejam: a) Prédio residencial à Rua Major Sólon, n.º 172 Centro Campinas SP: > valor declarado na DIRPF R$ 12.500,00; > valor venal na PMC R$ 11.816,14 (50% 2006) ; Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.008386/200925 Acórdão n.º 2202004.742 S2C2T2 Fl. 193 4 > valor considerado para integralização do capital social: R$50.000,00. > VALOR CORRRETO PARA INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL SOCIAL: R$12.500,00; o contrato social foi retificado perante a JUCESP conforme alteração de 21/07/2009 passando o valor deste imóvel para integralização do capital social a ser de R$12.500,00; b) Prédio residencial a Rua Major Sólon, n°. 168 Centro Campinas SP: > valor declarado na DIRPF R$ 12.500,00; > valor venal na PMC R$ 11.720,56 (50% 2006); > valor considerado para integralização do capital social: R$50.000,00. > VALOR CORRETO PARA INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL SOCIAL: R$12.500,00 o contrato social foi retificado perante a JUCESP conforme alteração de 21/07/2009 passando o valor deste imóvel para integralização do capital social a ser de R$12.500,00; c) Prédio residencial Av. Anchieta, n°. 675 Centro Campinas SP: > valor declarado na DIRPF R$ 50.000,00; > valor venal na PMC R$ 181.106,45 (50% 2006) ; > valor considerado para integralização do capital social: R$100.000,00. > VALOR CORRETO PARA INTEGRALIZAÇÂO DO CAPITAL SOCIAL: R$ 50.000,00 o contrato social foi retificado perante a JUCESP conforme alteração de 21/07/2009 passando o valor deste imóvel para integralização do capital social a ser de R$ 50.000,00; justifica se plenamente a retificação dos valores tendo em vista que não houve alienação dos imóveis mas somente incorporação dos mesmos ao capital social da empresa constituída para administrálos e cujos sócios são os mesmos proprietários dos bens imóveis, não ocorrendo, portanto, nenhum ganho de capital.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim o crédito tributário lançado na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 108/120, reiterando, as alegações expostas em impugnação. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.008386/200925 Acórdão n.º 2202004.742 S2C2T2 Fl. 194 5 É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tratam os presentes autos sobre omissão de ganhos de capital obtidos na integralização de bens e direitos. Primeiramente, há que se deixar assente que a transferência de bens e direitos por pessoa física a pessoa jurídica, a título de integralização de capital, sujeitase à incidência do imposto de renda na forma de ganho de capital, consoante disposições do art. 3º, §§ 2º e 3º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, do art. 23 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, do art. 132 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), do art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, e do Parecer Normativo CST nº 18, de 22 de maio de 1981. No presente caso, há que se observar a disposição do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (…) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (…) (Grifouse) Ocorre que, pela norma legal supracitada, praticado o ato de ofício, no caso consubstanciado pelo Termo de Início de Fiscalização datado de 23/06/2009, (fls. 23/24), recebido em 25/06/2009 (fl. 25), houve exclusão de espontaneidade do sujeito passivo e, independente de intimação, dos demais envolvidos na infração verificada. Destacase que em 13/06/2006 ocorreu a integralização do capital social da pessoa jurídica Juquey Participações Ltda., conforme Instrumento Particular de Contrato Social de fls. 28 a 37, registrado na Jucesp em 22/06/2006, por meio dos seguintes bens, conforme consta do parágrafo 2º da cláusula 4ª do citado contrato. Tais operações foram devidamente registradas na DOI – Declaração sobre Operações Imobiliárias, conforme documentos de fls. 56, 58 e 60 e na declaração de ajuste anual do IRPF do anocalendário 2006, exercício 2007 (fls. 92 a 97). Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.008386/200925 Acórdão n.º 2202004.742 S2C2T2 Fl. 195 6 Do exposto, temse que a posterior alteração do Instrumento Particular de Contrato Social, formalizada em 21/07/2009 (fls. 69 a 79), reduzindo o valor do contrato social integralizado, sem identificação de registro na JUCESP, ocorreu somente após a ciência da lavratura do termo de início de fiscalização, ocorrida em 25/06/2009 (fl. 25) e, inclusive, após a ciência do auto de infração (ocorrida em 13/07/2009). Portanto, não surte os efeitos desejados para invalidação do lançamento ora guerreado. Salientase, por fim, conforme adequadamente referido no voto de primeira instância, que os valores venais dos imóveis não servem de base de cálculo para apuração do ganho de capital, visto que este se reporta aos valores pelos quais os bens foram efetivamente alienados/transferidos, enquanto que o valor venal diz respeito a um valor estimado pelo Poder Público e não ao valor de mercado, pelo qual os bens imóveis são efetivamente alienados/transferidos. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13014.720466/2016-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Somente podem ser deduzidos os pagamentos a título de despesas médicas, efetuados pelo contribuinte, relativos a seu próprio tratamento ou de seus dependentes.
Numero da decisão: 2001-000.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Somente podem ser deduzidos os pagamentos a título de despesas médicas, efetuados pelo contribuinte, relativos a seu próprio tratamento ou de seus dependentes.
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Somente podem ser deduzidos os pagamentos a título de despesas médicas, efetuados pelo contribuinte, relativos a seu próprio tratamento ou de seus dependentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 4. 72 04 66 /2 01 6- 93 Fl. 135DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2014, anocalendário de 2013. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo a título de pensão alimentícia judicial/por escritura pública, no valor de R$ 23.952,18 e despesas médicas no valor de R$ 7.000,00. Regularmente cientificado da Notificação, o contribuinte apresentou impugnação administrativa ao lançamento fiscal, alegando, em síntese, que tanto a comprovação da obrigação alimentar por decisão judicial/escritura pública, como os comprovantes de pagamentos encontramse nos autos. Traz argumentos para sustentar a dedução de despesas médicas. Cita jurisprudência e doutrina para corroborar os seus argumentos. A DRJ Curitiba, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar suas deduções. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões aventadas na Impugnação e traz argumentos claros para sustentar o seu pleito. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de falta de comprovação de obrigação de pagar pensão alimentícia relativo ao exercício de 2015. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13014.720466/201693 Acórdão n.º 2001000.640 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. No caso em comento discutese a dedução das despesas com pensão alimentícia a dois filhos do contribuinte. Em relação ao pagamento da pensão da Alice Marques, afirma a DRJ que não foi trazido aos autos nenhuma comprovação de que tal obrigação ainda persista. Nada mais foi anexado no sentido de comprovar a ausência de outros processos ou eventuais recursos que alterem ou extingam as condições constantes dos documentos apresentados. Seria possível e desejável a obtenção de Certidão de Objeto e Pé da ação alimentar, ou mesmo de certidão negativa da existência de outros processos extinguindo a obrigação. Ademais, conforme mencionado pela autoridade fiscal não há comprovação do efetivo desembolso dos valores informados pelo contribuinte em sua DAA a este título. O contribuinte não logrou, portanto, apresentar comprovantes do efetivo pagamento dos valores pleiteados como dedutíveis a título de pensão alimentícia. Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, juntou o contribuinte todos os documentos necessários para comprovar a existência da obrigação ainda no ano de 2014, bem como a fática existência dos pagamentos. Em relação à alimentanda Eliane Rosalva Matos Marques, salienta a DRJ que ficou evidenciado o efetivo pagamento, haja vista a menção dos descontos em seu benefício nos Comprovantes de Rendimentos de fls 18/19. Entretanto, da mesma forma que no Fl. 137DF CARF MF 4 caso anterior, com base na documentação apresentada não é possível verificar/comprovar a manutenção ou mesmo a existência da obrigação de prestar alimentos. Mais uma vez, no caso desta alimentanda, também, restou comprovado em sede de Recurso Voluntário a obrigação judicial em pagar a mencionada pensão , bem como o efetivo desembolso. Neste diapasão, verificando a boa fé, o respaldo em decisão judicial e os argumentos trazidos pelo contribuinte, além das efetivas provas de comprovação do pagamento dos valores a título de pensão, entendo serem dedutíveis as despesas de pensão alimentícia incorridas pelo contribuinte. Mérito Despesas médicas Conforme verificouse nos autos do processo, o lançamento, no que diz respeito às despesas médicas, decorreu de glosa daquelas declaradas pelo contribuinte a este título, no valor total de R$ 7.000,00. A glosa ocorreu, tendo em vista que, após a apresentação da documentação solicitada quando da Intimação, a autoridade tributária considerou que a despesa com tratamento fisioterápico não teria sido devidamente comprovada. Em sua impugnação, o contribuinte alega que tais despesas teriam sido em função de tratamento domiliciar de fisioterapia, em um total de 100 sessões, realizadas durante o ano de 2013, no valor de R$ 70,00 cada. O recibo apresentado à fl. 22 seria a comprovação do pagamento por ele efetuado a este título. Em sede de Recurso Voluntário, junta também declaração emitida pelo profissional prestador dos serviços médicos, corroborando todos os pagamentos, o tratamento fisioterápico e contém todas as demais informações exigidas por lei tais como beneficiário, valor, credenciamento profissional do médico, endereço do médico e CPF. Sendo assim, entendo ter sido devidamente comprovada as despesas médicas em questão. Portanto, considero dedutíveis também tais despesas. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acolher a dedução com as despesas de pensão alimentícia e as despesas médicas em análise. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13014.720466/201693 Acórdão n.º 2001000.640 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001963/2011-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2401-005.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de ciência da decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 19 63 /2 01 1- 72 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10830.001963/201172 Acórdão n.º 2401004.457 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401004.456 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10830.001962/201128, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2401004.456 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Cuidase os autos de Pedido de Restituição de Retenção relativa à Contribuição Previdenciária. O Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas concluiu pelo indeferindo do pleito da recorrente, por meio de Despacho Decisório DD. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente. Cientificado da decisão de primeira instância em 08 de janeiro de 2015, interpôs Recurso Voluntário em 19 de fevereiro de 2015, apresentando suas razões. É o relatório." Voto Miriam Denise Xavier Relatora. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2401004.456 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10830.001962/201128, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2401004.456 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2401004.456 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "De início, convém analisar a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado em 19 de fevereiro de 2015. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10830.001963/201172 Acórdão n.º 2401004.457 S2C4T1 Fl. 4 3 Por meio do Comunicado SEORT/DRF/CPS/10.830/3570/2014, encaminhouse cópias dos acórdãos de primeira instância: INTERESSADO: CONTATUS ELETRICIDADE LTDA. CNPJ / CPF: 56.167.331/000175 PROCESSOS: 10830.001962/201128 10830.001971/201119 10830.001963/201172 10830.001973/201116 10830.001965/201161 10830.001980/201118 10830.001972/201163 10830.001981/201154 10830.001974/201152 10830.001982/201107 10830.001984/201198 10830.001967/201151 ASSUNTO: RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Campinas, em 30 de Dezembro de 2014. COMUNICADO SEORT/DRF/CPS/10.830/ 3570/2014 1. Encaminhamos, em anexo, cópias dos Acórdãos de 27/12/2014 emitido pela 6ª Turma da DRJ/BHE, que culminou com a improcedência de sua manifestação de inconformidade relativa ao pedido de restituição em epígrafe. 2. Fica aberto o prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência, para o interessado apresentar recurso para a Segunda Seção do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme art. 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF Portaria MF 256 de 22 de junho de 2009, caso não concorde com a decisão de primeira instância. 3. O processo ficará à Vs. disposição para vista, pelo mesmo prazo, sendo que, após este prazo sem que haja manifestação, o processo será encaminhado para arquivo definitivo. Atenciosamente. Maria José De Rogatis Lessa Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Matrícula SIAPE 0932959 Portaria GD/RFB/CPS nº 31, de 21/05/2012 . O sujeito passivo tomou ciência do referido comunicado em 08/01/2015, conforme transcrição do Aviso de Recebimento: Em 19/02/2015, a recorrente apresentou seu Recurso Voluntário. Do exposto acima, considerando que o sujeito passivo tomou ciência da decisão de primeira instância em 08/01/2015, concluise que o recurso voluntário foi apresentado fora do prazo, em 19/02/2015. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10830.001963/201172 Acórdão n.º 2401004.457 S2C4T1 Fl. 5 4 Conclusão Em vista do exposto, por restar prejudicado, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier. Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.008925/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
MULTA DE UM POR CENTO - ART. 84 DA MP 2.158-35/2001. MESMA MERCADORIA. DUPLA APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se pode admitir que a mesma mercadoria, ingressada uma única vez no território brasileiro, seja submetida a dupla aplicação de penalidade por erro na classificação ou quantificação, quando assim não expressamente prevê a norma penal.
Numero da decisão: 3302-005.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente substituto
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 MULTA DE UM POR CENTO ART. 84 DA MP 2.15835/2001. MESMA MERCADORIA. DUPLA APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não se pode admitir que a mesma mercadoria, ingressada uma única vez no território brasileiro, seja submetida a dupla aplicação de penalidade por erro na classificação ou quantificação, quando assim não expressamente prevê a norma penal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente substituto (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 89 25 /2 00 8- 44 Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11128.008925/200844 Acórdão n.º 3302000.789 S3C3T2 Fl. 3 2 Por bem transcrever os fatos, adotase parte do relatório da decisão recorrida. Versa o presente processo sobre o Auto de Infração lavrado para a exigência do crédito tributário relativo às diferenças do Imposto de Importação, acrescido da multa de oficio de 75% e dos juros de mora, além da multa do controle administrativo,regulamentar e da multa proporcional ao valor aduaneiro, em virtude da reclassificação tarifária, para as Declarações de Importação (DI) de nº 04/06930184, 04/08310280,04/09357205 e 04/10495799, registradas respectivamente em 16/07/2004, 20/08/2004, 17/09/2004 e 18/10/2004, e multa administrativa pela reclassificação na Declaração de Admissão em Entreposto Aduaneiro (DA) nº 04/01643845, registrada em 19/02/2004. A importadora BAYER CROPSCIENCE LTDA, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 89.163.430/000561, por meio da DA nº 04/01643845, submeteu ao regime de entreposto aduaneiro 88.600,00 kg da mercadoria "HOSTATHION" [Nome Comercial: Hostathion Técnico; Ingrediente Ativo: Triazophos; Classe: Inseticidaacaricida; Estado Físico: Líquido; Concentração: 70%; nome químico: 0,0DIETHIL0(1 PHENIL1H1,2,4TRIAZOL3YL) phosphorothioate; registro no Ministério da Agricultura sob o nº 00388598 de 18/04/00]. Posteriormente, a mercadoria foi nacionalizada através de Declarações de Importação, na modalidade Despacho para Consumo, por meio das DIs nº 04/06930184,04/08310280, 04/09357205 e 04/10495799, sendo classificada no código 2933.99.63 da Tarifa Externa Comum (TEC), com alíquota de 2,0 % para o II e 0% para o IPI. Os 88.600,00 Kg do produto entrepostado, foram nacionalizados através das DIs relacionadas acima. Embasada em laudo de analise FUNCAMP nº 0574.01, de 11/03/2004, e legislação de regência, conforme consta do item Descrição dos Fatos (fls.09 e 15), o produto Hostathion Técnico, originalmente classificada pelo contribuinte no código 2933.99.63 foi reclassificado pela fiscalização para o código 3808.10.29, com alíquota do II de 4%, permanecendo a alíquota de 0% para o IPI. Ocorreu então, o lançamento da diferença do Imposto de Importação, juros de mora, multa de ofício, multa de 1% por classificação fiscal incorreta e multa ao controle administrativo por ausência de licença de importação, referentes às Declarações de Importação, e multa de 1% por classificação fiscal incorreta para a Declaração de Admissão. A fiscalização relata que esta contribuinte foi incorporada, em 27/01/2005, pela ora denominada Bayer S/A, CNPJ 18.459.628/000115, que detém a responsabilidade tributária pelo pagamento deste lançamento. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 11128.008925/200844 Acórdão n.º 3302000.789 S3C3T2 Fl. 4 3 A interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 87/89, na qual informa, em síntese, que houve os recolhimentos dos valores exigidos neste processo quanto ao produto Hostathion Técnico, tendo em vista que as declarações deste auto já havia sido objeto de outro Auto de Infração lavrado pela Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, registrado sob o processo de nº 12749.000451/200767.Quanto à Declaração de Admissão, assim alega a interessada: 1. A d. autoridade fiscal operou em equivoco ao lançar a multa também sobre a Declaração de Admissão, lançamento este que não encontra qualquer amparo legal. 2. Tal equívoco se mostra mais evidente na medida em que a d.autoridade fiscal descreve a Declaração de Admissão 04/01643845, erroneamente como Declaração de Importação, conforme se verifica no Demonstrativo de Apuração anexo ao presente Auto de Infração. 3. Logo, não há que se falar em incidência de multa sobre o valor constante da Declaração de Admissão, mas apenas sobre as Declarações de Importação a ela relativas. A 6ª turma da DRJ/REC julgou procedente em parte a impugnação, exonerando o crédito tributário relativo as Declarações de Importação de nº 04/06930184, 04/08310280, 04/09357205 e 04/10495799, vez que já ocorrido o lançamento sobre tais declarações de importação nos autos do processo de nº 12749.000451/200767, permanecendo o lançamento referente à Declaração de Admissão de nº 04/01643845. Cientificada da decisão de piso em 14.12.2015, a Bayer apresentou recurso voluntário tempestivo em 13.01.2016, onde argumenta, em síntese, que a mercadoria foi importada em um único lote (88.600 Kg de Hostation Técnico), não se podendo admitir a exigência de multa de um por cento sobre a Declaração de Admissão nº 04/0.164.3845, vez que a mesma multa já foi exigida sobre as DI´s que efetivaram o internamento do produto no território nacional. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Não há controvérsia sobre a reclassificação fiscal do produto importado. A matéria trazida à análise desta instância recursal se resume a possibilidade de aplicação da multa de um por cento1, sobre o mesmo lote de mercadoria, tanto na 1 Instituída pelo art. 84 da MP nº 2.15835/2001 Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11128.008925/200844 Acórdão n.º 3302000.789 S3C3T2 Fl. 5 4 Declaração de Admissão em Entreposto Aduaneiro, quanto na Declaração de Importação de seu despacho para consumo. É o que se passa a analisar. Consta da descrição dos fatos do auto de infração (fl.9), que A mercadoria entrepostada através da D.A. nº 04/0.164.3845, totalizando peso líquido de 88.600,00 Kg, foi nacionalizada através das seguintes Declarações de Importação, na modalidade Despacho para Consumo, em conformidade com o que está previsto no artigo 362 do Decreto nº 4.543/02: O Demonstrativo de Apuração da multa de 1%, constante da fl. 28, comprova a cobrança da penalidade tanto sobre a DA de nº 04/0.164.3845, quanto sobre as DI´s de despacho para consumo do mesmo lote de mercadoria, conforme demonstrado na tabela abaixo. Tipo Nº Declaração Valor Aduaneiro Multa (%) Valor da Multa DA 04/01643845 1.393.456,50 1% 13.934,56 DI 04/06930184 635.964,00 1% 6.359,64 DI 04/08310280 538.596,00 1% 5.385,96 DI 04/09357205 230.883,90 1% 2.308,83 DI 04/10495799 558.304,50 1% 5.583,04 Total 33.572,03 A instância a quo julgou improcedentes os valores cobrados sobre as DI´s de despacho para o consumo, vez que tal lançamento já tinha sido levado a efeito em outro auto de infração2, com pagamento já realizado pelo contribuinte, mas manteve a exigência da multa sobre a DA de nº 04/01643845, pois esta não havia sido abrangida pela primeira autuação. Em recurso voluntário, o sujeito passivo alega que [...] permitir a aplicação de multa regulamentar, que importa em 1% do valor aduaneiro, sobra a DA e as DIs, ao mesmo tempo, configura claro privilégio ao odioso bis in idem, pois autoriza que a autoridade fiscal aplique duas vezes a mesma penalidade sobre uma única operação de importação. O dispositivo que sustenta a exigência em discussão não prevê expressamente a sua aplicação, de forma cumulada, em declarações sucessivas sobre a mesma mercadoria, in verbis. 2 Processo 12749.000451/200767. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 11128.008925/200844 Acórdão n.º 3302000.789 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 636. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O valor da multa referida no caput será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, § 1o). § 2o A aplicação da multa referida no caput não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata de que trata o art. 645, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, § 2o). § 3o A multa pela classificação incorreta será aplicada em relação a cada mercadoria que necessite ser reclassificada, para o seu correto posicionamento na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a sua identificação. § 4o Na hipótese de a reclassificação a que se refere o § 3o repercutir em consolidação de duas ou mais mercadorias em uma mesma classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul, a multa corresponderá: I a um por cento, aplicado sobre o somatório do valor aduaneiro das mercadorias reclassificadas, quando resultar em valor superior a R$ 500,00 (quinhentos reais); ou II a R$ 500,00 (quinhentos reais), quando da aplicação de um por cento sobre o somatório do valor aduaneiro das mercadorias reclassificadas resultar valor igual ou inferior a R$ 500,00 (quinhentos reais) Ao contrário, a leitura dos §§ 3º e 4º, acima transcritos, permite concluir que o objeto da norma penal é a incorreta classificação ou quantificação "da mercadoria", sendo a base de cálculo da penalidade o valor aduaneiro "da mercadoria". Ou seja, a normal penal concentra seus efeitos no produto/mercadoria que foi incorretamente classificado, e não nas declarações em que ocorreu a incorreta classificação. A taxatividade é princípio basilar do direito aplicável as normas penais, não se podendo admitir a imposição de qualquer penalidade fundada em presunções ou em interpretações extensivas. Assim, não se pode admitir que a mesma mercadoria, ingressada uma única vez no território brasileiro, seja submetida a dupla aplicação de penalidade por erro na classificação ou quantificação, quando assim não expressamente prevê a norma penal. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11128.008925/200844 Acórdão n.º 3302000.789 S3C3T2 Fl. 7 6 Ademais, dispõe o art. 112, II, do CTN que a lei que define infrações e comina penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. Nesse sentido, em não sendo taxativa a aplicação da penalidade sobre cada uma das declarações apresentadas para o mesmo lote, da mesma mercadoria, bem como se inferindo da norma penal que o seu objeto é a mercadoria em si, e não as declarações à ela relativas, o cancelamento da multa de um por cento sobre a DA de nº 04/01643845 é medida que se impõe, vez que sobre o mesmo lote da mercadoria já foi aplicada a referida penalidade, nos autos do processo nº 12749.000451/200767. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 391DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.720209/2014-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009, 01/01/2010 a 31/12/2010, 01/01/2011 a 31/12/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. ARGUMENTAÇÃO PREJUDICIAL.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Não se considera omissão o argumento não analisado por fundamentação expressa do acórdão sobre tópico a ele prejudicial.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO.
As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares devem servir de fundamento para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) - Tarifa Externa Comum (TEC) e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) - Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Pneumáticos novos, radiais, de borracha, para camionetas, furgões, vans, utilitários esportivos etc., classificam-se no código da NCM/NBM 4011.99.90.
Numero da decisão: 3401-005.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009, 01/01/2010 a 31/12/2010, 01/01/2011 a 31/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. ARGUMENTAÇÃO PREJUDICIAL. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Não se considera omissão o argumento não analisado por fundamentação expressa do acórdão sobre tópico a ele prejudicial. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares devem servir de fundamento para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) - Tarifa Externa Comum (TEC) e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) - Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Pneumáticos novos, radiais, de borracha, para camionetas, furgões, vans, utilitários esportivos etc., classificam-se no código da NCM/NBM 4011.99.90.
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OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. ARGUMENTAÇÃO PREJUDICIAL. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Não se considera omissão o argumento não analisado por fundamentação expressa do acórdão sobre tópico a ele prejudicial. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares devem servir de fundamento para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) Tarifa Externa Comum (TEC) e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Pneumáticos novos, radiais, de borracha, para camionetas, furgões, vans, utilitários esportivos etc., classificamse no código da NCM/NBM 4011.99.90. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 02 09 /2 01 4- 29 Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 10925.720209/201429 Acórdão n.º 3401005.321 S3C4T1 Fl. 1.568 2 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. A contribuinte opôs embargos de declaração contra o Acórdão nº 3401003.498, proferido em sessão de 24/04/2017, de minha relatoria que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto contra decisão que igualmente negou provimento, também por unanimidade de votos, a impugnação contra auto de infração lavrado com a finalidade de formalizar exigência de IPI, em virtude do seu recolhimento a menor por erro de classificação fiscal e pela escrituração e utilização de crédito de IPI inexistente, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009, 01/01/2010 a 31/12/2010, 01/01/2011 a 31/12/2011 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO. As regras gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares devem servir de fundamento para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) – Tarifa Externa Comum (TEC) e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) – Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Pneumáticos novos, radiais, de borracha, para camionetas, furgões, vans, utilitários esportivos, etc., classificamse no código da NCM/NBM 4011.99.90. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDOS PERICIAIS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Os laudos periciais devem se ater aos aspectos técnicos, e não têm o condão de tipificar ou classificar para fins fiscais o produto periciado, pois a classificação se trata de ato de aplicação do direito por parte da autoridade competente a fazê lo. De igual sorte, a realização de diligências ou perícias é uma prerrogativa da autoridade julgadora, inteligência que deflui do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 10925.720209/201429 Acórdão n.º 3401005.321 S3C4T1 Fl. 1.569 3 2. Em 03/11/2017, foi proferido despacho de admissibilidade de embargos de declaração, de lavra do Conselheiro Rosaldo Trevisan, nos termos abaixo transcritos: "A Embargante alega que ocorreu omissão no acórdão embargado da seguinte forma: 1 ausência de apreciação de dispositivo contido na Portaria Secex no 23/2001; 2 ausência de apreciação de dispositivo contido na Resolução Contran no 290/2008; e 3 ausência de análise pormenorizada de cada medida de pneu. Os embargos são tempestivos: o contribuinte tomou ciência do acórdão embargado no dia 18/07/2017, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1.550, e apresentou seus embargos de declaração em 24/07/2017 (segundafeira), conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 1.551. (...) Analisado o recurso voluntário, constatase que as matérias suscitadas em embargos foram, de fato, apresentadas em suas razões de recorrer. Resta, então, avaliar, se teriam sido apreciadas ou não no julgamento, sendo essencial ressaltar que não está o julgador obrigado a rebater cada um dos argumentos apresentados, bastando que apresente os fundamentos necessários e suficientes para a conclusão adotada. Todas as matérias recorridas devem ser apreciadas, mas, não necessariamente, todo e qualquer tipo de argumento vinculado a cada matéria. Em relação ao item 1) Portaria Secex no 23/2001, constatase que cabe razão ao embargante, uma vez que este argumento relacionase com alegada vinculação existente entre normas e o Siscomex, no sentido de que “obrigariam” o importador a informar os pneus importados como sendo de caminhão. As normativas seriam a já citada Portaria Secex, em que pese não existir, e a Instrução Normativa SRF nº 80/1996, que dispõe sobre a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE). A embargante diz ter juntado aos autos cópia de tal Portaria, mas tal informação não procede. Imaginase que poderia estar fazendo referência à Portaria Secex no 23/2011, que trata do licenciamento de bens importados, mas cabe ao recorrente apresentar de forma clara e inequívoca seus argumentos, não podendo o julgador desempenhar tal tarefa em seu lugar ou adivinhar o que pretendia a recorrente. De qualquer forma, mesmo a portaria de 2011 não trata dos pneus objeto deste auto de infração. Entretanto, a IN SRF nº 80/1996 aborda como deve ser informado o detalhamento dos pneus na declaração de importação e esta questão não foi abordada no acórdão, cabendo manifestação a seu respeito, uma vez tratarse de Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 10925.720209/201429 Acórdão n.º 3401005.321 S3C4T1 Fl. 1.570 4 argumento de natureza distinta dos argumentos analisados no acórdão embargado – a tese aqui seria a de que existiria uma norma da Receita Federal que determinaria a classificação dos pneus 7.5016 no código NCM 4011.20.90. Em relação aos demais itens, 2) ausência de apreciação de dispositivo contido na Resolução Contran no 290/2008 e 3) ausência de análise pormenorizada de cada medida de pneu, entendemos não caber razão à embargante, uma vez que a análise efetuada, ainda que não cite especificamente a norma citada, abrange o conteúdo dessas alegações. Transcrevese trecho do voto condutor que demonstra a existência de clara motivação para desconsideração de normas emitidas pelo Contran (...). (...) Em relação do item 3), transcrevese trecho do voto condutor que demonstra que os pneus importados pela recorrente são do tipo utilizados em camionetas, vans, furgões e utilitários. No Sistema Harmonizado, que tem uma organização distinta da existente nas normas brasileiras de trânsito, tais produtos não se classificam como pneus de caminhões, como deseja a embargante, mas na posição Outros. Tal decisão abrange todos os produtos objeto do auto de infração. Entendese não demonstrada omissão quanto aos itens 2 e 3, uma vez que os argumentos suscitados nos embargos estão contidos no bojo da fundamentação constante do voto. Com base nos argumentos acima e considerando a determinação contida no art. 65, § 7º do RICARF, dou seguimento aos embargos de declaração apenas quanto ao item 1) ausência de apreciação de dispositivo contido na Portaria Secex nº 23/2001 e IN SRF nº 80/1996. 3. O processo foi encaminhado à minha relatoria e indicado para pauta da presente sessão de julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 10925.720209/201429 Acórdão n.º 3401005.321 S3C4T1 Fl. 1.571 5 4. Os embargos de declaração opostos são tempestivos e preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles tomo conhecimento. 5. Transcrevese, abaixo, com a finalidade de contextualização do debate aos demais integrantes deste colegiado, trecho do voto elaborado por este relator e acolhido à unanimidade na ocasião do julgamento do acórdão ora embargado: "Concerne à questão de fundo deslindar se correta a classificação utilizada pela contribuinte (4011.20.90), ou se equivocada aquela proposta pela autoridade fiscal (4011.99.90): uma ou outra conclusão terá como efeito imediato a improcedência do auto de infração lavrado. Para a contribuinte recorrente, a mercadoria deve ser classificada no Capítulo 40 ("Borracha e suas obras"), Posição 4011 ("Pneumáticos novos, de borracha"), Subposição 4011.20 ("Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões"), Item e Subitem 4011.20.90 ("Outros"), submetida, portanto, a uma alíquota de 2% de IPI. Por outro lado, a autoridade fiscal, em que pese concordar com a classificação quanto ao Capítulo 40 ("Borracha e suas obras") e quanto à Posição 4011 ("Pneumáticos novos, de borracha"), discorda quanto aos seus sucedâneos, reputando como correta a Subposição, Item e Subitem 4011.99.90 ("Outros"), submetida, portanto, a uma alíquota de 15% de IPI. Cabe, portanto, conceber se o produto objeto do presente debate se trata de um pneumático novo, de borracha utilizado em (i) ônibus e caminhões, como defende a contribuinte, ou (ii) camionetes e similares, como defende a autoridade fiscal. Para se responder à indagação acima, recorrese, em primeiro lugar, à regras gerais de interpretação (RGI) estabelecidas no anexo da Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias firmada em 1983, à qual o Brasil veio a aderir três anos depois, e que dão base à Tarifa Externa Comum (TEC) e internalizadas ao direito brasileiro por meio do Decreto Legislativo nº 71/1988 e promulgada por meio do Decreto nº 97.409/1988. Para tal análise, deverá o aplicador considerar, ainda, as notas explicativas do sistema harmonizado (NESH) que servem de orientação interpretativa até o nível das subposições, aprovadas pelo Decreto nº 435/1992, bem como as regras gerais complementares (RGC) da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que, por seu turno, é fonte para a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) aplicáveis aos itens e subitens. Quanto à classificação internacional, a inserção do produto no capítulo 40 ("borracha e suas obras") é incontroversa, encontrandose a discordância no que se refere à subposição de primeiro nível: 4011.20, reputada correta pela contribuinte, ou 4011.9, reputada correta pela autoridade fiscal. Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 10925.720209/201429 Acórdão n.º 3401005.321 S3C4T1 Fl. 1.572 6 (...) De acordo com a RGI nº 1, os títulos de seções, capítulos e subcapítulos têm valor meramente indicativo, devendo ser determinada a classificação de acordo com os textos das posições e notas. Ressaltase, por outro lado, que, com amparo na Solução de Consulta SRRF da 9ª RF/DIANA nº 115/2007, produto similar, ainda que de outra marca (Hankook) foi classificado no Código 4011.99.90. (...) Diante deste quadro, a contribuinte alega, em suas razões recursais, que: (i) o Código de Trânsito Brasileiro se limita a definir caminhão como "veículo destinado a transporte de carga", o que não incluiria passageiros, transporte típico de ônibus ou semelhante; (ii) a ABNT, na NBR 9762:2005, item 2.5, define caminhão como "veículo automotor complementado com equipamento veicular que o torna apto a desempenhar os trabalhos de transporte a que se destina"; (iii) as Resoluções CONTRAN nº 291 e 292/2008, com alterações subseqüentes, e as Portarias DETRAN nº 1.100 e 1.101 definem caminhão como "veículo automotor complementado com equipamento veicular que o torna apto a desempenhar os trabalhos de transporte a que se destina se o peso bruto total (PBT) for superior a 3.500 kg"; (iv) que o Código Brasileiro de Trânsito define as categorias da habilitação para dirigir veículo automotor de acordo com o parâmetro de 3.500 kg, peso a partir do qual é exigida a "categoria C"; (v) que, de acordo com a posição oficial do Departamento Estadual de Trânsito de Santa Catarina, manifestada por meio de Ofício de 22/02/2012, caminhão é "veículo destinado ao transporte de carga com peso bruto maior do que três mil e quinhentos quilogramas". A partir de tal arrazoado, conclui a recorrente que a classificação correta dos pneumáticos em referência deve ser "utilizados em ônibus e caminhões", pois suportam carga superior a 3.500 kg. Necessário se ressaltar que, em casos de classificação fiscal de mercadorias, ainda que inúmeras fontes subsidiárias possam ser utilizadas pelo aplicador, tais como pareceres, notas explicativas ou mesmo manuais de classificação, devese, em primeiro lugar, observância às RGI elaboradas pelo Conselho de Cooperação Aduaneira, complementadas pelas Regras Gerais Complementares (RGC) estabelecidas pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira/Divisão de Nomenclatura e Divisão Fiscal (Coana/Dinom), pelo Grupo Mercado Comum e pela Associação LatinoAmericada de Integração (Aladi). Fontes periciais, manuais ou pareceres são importantes para elucidar a classificação a partir da perspectiva destas regras de classificação, não podendo jamais antecedêlas ou ocluílas. Neste sentido, de iluminar a interpretação dos textos das subposições, que a autoridade fiscal buscou subsidiar seu entendimento em informações da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), que confirmou que o produto objeto da controvérsia em análise se enquadra na categoria de Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 10925.720209/201429 Acórdão n.º 3401005.321 S3C4T1 Fl. 1.573 7 "pneus para camionetas" de acordo com os padrões da Associação Latino Americana de Pneus e Aros (ALAPA) e de outras organizações internacionais, o que se comprovou por meio do Manual ALAPA e, ainda em conformidade com os dados da Solução de Consulta SRRF da 9ª RF/DIANA nº 115/2007, o pneumático em referência se encontra relacionado no Capitulo 3 ("Pneus para Camionetas"). Observese que caminho oposto foi eleito pela contribuinte ao iniciar o seu intento classificatório por meio da consulta aos dispositivos do Código de Trânsito Brasileiro, às normas da ABNT, às resoluções CONTRAN, às Portarias DETRAN, e à interpretação do Departamento Estadual de Trânsito de Santa Catarina. Caso houvesse se atentado, em primeiro lugar, às RGI, constataria que o emprego dos pneumáticos em veículos do tipo "camionetas" (ou equivalente) não é encontrado em nenhum momento nos textos das subposições da Posição 4011 (...). (...) A reclassificação da mercadoria para o código 4011.99.90 foi, portanto, esclarecida por meio dos questionamentos realizados à ANIP, que concluiu que os pneumáticos se enquadravam na categoria "pneus para camionetas", o que é consentâneo com o entendimento da ALAPA, bem como "(...) pelas informações extraídas dos sítios na internet dos três maiores fabricantes/importadores (Michelin, Pirelli e Goodyear)", pois há, em tais loci, especificação de categoria apartada para ônibus e caminhões. Os fundamentos trazidos pela contribuinte passam completamente ao largo das regras e metaregras ínsitas à Nomenclatura do Sistema Harmonizado e, ainda que construa a definição de "caminhão" com base nos termos da Portaria DETRAN nº 1.101/2011, mesmo que em perfeita harmonia com o Código de Trânsito Brasileiro, tais diplomas, em que pese sua irrefutável importância para outros momentos de aplicação do direito, não vinculam a classificação fiscal e, observese, tampouco a infirmam no presente caso, o que se, caso ocorresse, permitiria se cogitar eventual ofensa ao art. 110 do Código Tributário Nacional no sentido de que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado para definir ou limitar competências tributárias. Não se trata, nem de longe, deste caso, e tampouco foi este o sentido da argumentação sustentada na peça recursal. Correta, portanto, a classificação indicada pela autoridade fiscal, devendo ser aplicada a Subposição, Item e Subitem 4011.99.90 ("Outros") ao produto em análise e, assim, voto negar provimento ao recurso voluntário interposto naquilo que concerne à classificação fiscal da mercadoria" (seleção nossa). Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 10925.720209/201429 Acórdão n.º 3401005.321 S3C4T1 Fl. 1.574 8 6. A contribuinte, ora embargante, insurgese contra omissão quanto ao argumento referente à exigência constante na Portaria Secex nº 23/2001, que obrigaria o importador a informar os pneus importados como de caminhão. Observase, em primeiro lugar, não ter logrado êxito este relator em encontrar o dispositivo em referência. Em um esforço interpretativo, podese conjeturar que a contribuinte se refere, na verdade, à Portaria Secex nº 23/2011; ainda assim, tratase de fundamento que não se aplica ao caso em apreço, como já adianta, com correção, o despacho de admissibilidade formulado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan: A embargante diz ter juntado aos autos cópia de tal Portaria, mas tal informação não procede. Imaginase que poderia estar fazendo referência à Portaria Secex no 23/2011, que trata do licenciamento de bens importados, mas cabe ao recorrente apresentar de forma clara e inequívoca seus argumentos, não podendo o julgador desempenhar tal tarefa em seu lugar ou adivinhar o que pretendia a recorrente. De qualquer forma, mesmo a portaria de 2011 não trata dos pneus objeto deste auto de infração. 7. Entretanto, a Instrução Normativa SRF nº 80/1996 aborda como deve ser informado o detalhamento dos pneus na declaração de importação e esta questão não foi expressamente enfrentada pelo acórdão recorrido, suposta omissão que se passa a colmatar nos seguintes termos. 8. Depreendese da leitura das razões corporificadas no recurso voluntário interposto a tese de que existiria uma norma da Receita Federal a determinar, imperativamente, a classificação dos pneus 7.5016 no código NCM 4011.20.90. 9. Esclareçase que a Instrução Normativa SRF nº 80/1996 tem por escopo instituir a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), que, por seu turno, tem por finalidade identificar a mercadoria submetida a despacho aduaneiro de importação, para efeito de valoração aduaneira, e aprimorar os dados estatísticos de comércio exterior. Tal nomenclatura toma por base a Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM acrescida de atributos e suas especificações "12.5. Subposição 2 401120 Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões 12.5.1. SubItem 40112090 Outros Atributos e Especificações de Nível 'U' 12.5.1.1. Atributo AA BANDA/ARO(mm/pol.) Especificações: 0001 7/16 0002 7,5/16" (seleção e grifos nossos). 10. Contudo, equivocase a contribuinte ao partir do pressuposto de que o critério para a classificação é a especificação da medida dos pneus (7.5016). Na verdade, o conteúdo da norma é claro: o pneumático novo, de borracha utilizado em "ônibus e Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 10925.720209/201429 Acórdão n.º 3401005.321 S3C4T1 Fl. 1.575 9 caminhões" com medida 7,5 a 16 deve ser classificado no código NCM/SH nº 4011.20.90. Contudo, no presente caso, não se está diante de um pneu utilizado em "utilizado em ônibus e caminhões" como defende a contribuinte, mas sim utilizado em "camionetes e similares", como defende a autoridade fiscal. 11. O argumento, portanto, não foi omitido pelo voto, mas prejudicado por sua conclusão, não merecendo, portanto, qualquer colmatação, mas, quando muito, esclarecimento. 12. Esclareçase: o pressuposto de se tratar de um pneumático utilizado em camionetes e similares é bastante para afastar a argumentação subsequente, ou seja, a de que, tratandose de um caminhão (no caso, não se trata), a especificação 7,5/16 atrai a classificação para o código pretendido pela contribuinte. 13. E isto porque os pneumáticos, objeto da lide em questão, por serem uma espécie do gênero pneus para camionetas, furgões, vans, etc., não podem se enquadrar no texto da Subposição 4011.20 “Dos tipos utilizados em ônibus e caminhões”, no Item 4011.20.90 “Outros”, como adotado pelo contribuinte, porquanto tal procedimento desrespeita frontalmente as disposições da RGI nº 6 (valor legal no texto da Subposição) e da RGC nº1 (valor legal no texto do Item). 14. Este, ademais, o pacífico posicionamento das soluções de consulta que deram conta da matéria especificamente para a especificação trazida pela contribuinte: Solução de Consulta SRRF/9ªRF/DIANA nº 22/2013 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Código TEC 4011.99.90 Mercadoria: Pneumático novo de borracha, codificação 7.50 16, construção diagonal, com largura de seção 216mm e aro 16”, índice de carga 122/118 e símbolo de velocidade M, que não apresenta banda de rodagem em forma de “espinha de peixe” ou semelhante, indicado pelo fabricante e normas técnicas como pneumático próprio para “camionetas” e não enquadrado pelo fabricante e referidas normas na categoria de pneumáticos para “ônibus ou caminhões”. Solução de Consulta SRRF/9ªRF/DIANA nº 23/2013 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Código TEC 4011.99.90 Mercadoria: Pneumáticos novos de borracha, de construção radial, codificação LT 265/75R16 (seção 265mm, série 75% e aro 16”), com índice de carga e símbolo de velocidade 119/116R (modelo para terreno acidentado ou não) ou 112/109Q (modelo especialmente concebido para terreno acidentado), que não apresentam banda de rodagem em forma de “espinha de peixe” ou semelhante, indicados pelo fabricante como pneumáticos próprios para veículos de tração 4x4, SUV (Sport Utility Vehicles) e camionetas, enquadrados pelas normas técnicas na Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 10925.720209/201429 Acórdão n.º 3401005.321 S3C4T1 Fl. 1.576 10 categoria de pneumáticos para “camionetas” (que inclui também microônibus e utilitários) e não enquadrados na categoria de pneumáticos para “ônibus ou caminhões”. Dispositivos Legais: RGI/SH 1 (texto da posição 40.11) e 6 (textos das subposições 4011.9 e 4011.99) e RGC/NCM1 (texto do item 4011.99.90) da TEC, aprovada pela Resolução Camex nº 94, de 2011. Solução de Consulta SRRF/9ªRF/DIANA nº 25/2013 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Código TEC 4011.99.90 Mercadoria: Pneumáticos novos de borracha, de construção radial, codificação LT 315/70 R17 (seção 315mm, série 70% e aro 17”), com índice de carga e símbolo de velocidade 121/118R (modelo para terreno acidentado ou não), que não apresentam banda de rodagem em forma de “espinha de peixe” ou semelhante, indicados pelo fabricante como pneumáticos próprios para veículos de tração 4x4, SUV (Sport Utility Vehicles) e camionetas, enquadrados pelas normas técnicas na categoria de pneumáticos para “camionetas” (que inclui também microônibus e utilitários) e não enquadrados na categoria de pneumáticos para “ônibus ou caminhões”. Código TEC 4011.99.90 Mercadoria: Pneumáticos novos de borracha, de construção radial, codificação LT 285/75 R16 (seção 285mm, série 75% e aro 16”), com índice de carga e símbolo de velocidade 116/113S (modelo para terreno acidentado ou não) ou 116/113Q (modelo especialmente concebido para terreno acidentado), que não apresentam banda de rodagem em forma de “espinha de peixe” ou semelhante, indicados pelo fabricante como pneumáticos próprios para veículos de tração 4x4, SUV (Sport Utility Vehicles) e camionetas, enquadrados pelas normas técnicas na categoria de pneumáticos para “camionetas” (que inclui também micro ônibus e utilitários) e não enquadrados na categoria de pneumáticos para “ônibus ou caminhões”. Código TEC 4011.99.90 Mercadoria: Pneumáticos novos de borracha, de construção radial e codificação LT 315/75 R16 (seção 315mm, série 75% e aro16”), com índice de carga e símbolo de velocidade 113S (modelo para terreno acidentado ou não) ou 113Q (modelo especialmente concebido para terreno acidentado), que não apresentam banda de rodagem em forma de “espinha de peixe” ou semelhante, indicados pelo fabricante como pneumáticos próprios para veículos de tração 4x4, SUV (Sport Utility Vehicles) e camionetas, enquadrados pelas normas técnicas na categoria de pneumáticos para “camionetas” (que inclui também microônibus e utilitários) e não enquadrados na categoria de pneumáticos para “ônibus ou caminhões”. Dispositivos Legais: RGI/SH 1 (texto da posição 40.11) e 6 (textos das subposições 4011.9 e 4011.99) e RGC/NCM1 (texto Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 10925.720209/201429 Acórdão n.º 3401005.321 S3C4T1 Fl. 1.577 11 do item 4011.99.90) da TEC, aprovada pela Resolução Camex nº 94, de 2011. 15. Assim, não há de se considerar omissão a ser suprida por meio de embargos declaratórios o argumento não analisado em virtude de ter sido prejudicado por decisão expressa acerca de tópico diverso. 16. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento aos embargos opostos. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1577DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002356/2010-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. PARCELAMENTO. PRAZO LEGAL PARA REGULARIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA.
Mantém-se o ato declaratório de exclusão se não elidido o fato que lhe deu causa.
PARCELAMENTO DA LEI Nº 11.941/2009. SIMPLES NACIONAL. NÃO CABIMENTO.
A Lei nº 11.941/2009 não previu o parcelamento dos débitos apurados na forma do Simples Nacional, que inclui tributos cuja competência para instituição é dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Dessa forma, a União não tem competência para editar leis que prevejam reduções para tais tributos.
Numero da decisão: 1001-000.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. PARCELAMENTO. PRAZO LEGAL PARA REGULARIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. Mantém-se o ato declaratório de exclusão se não elidido o fato que lhe deu causa. PARCELAMENTO DA LEI Nº 11.941/2009. SIMPLES NACIONAL. NÃO CABIMENTO. A Lei nº 11.941/2009 não previu o parcelamento dos débitos apurados na forma do Simples Nacional, que inclui tributos cuja competência para instituição é dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Dessa forma, a União não tem competência para editar leis que prevejam reduções para tais tributos.
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PARCELAMENTO. PRAZO LEGAL PARA REGULARIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. Mantémse o ato declaratório de exclusão se não elidido o fato que lhe deu causa. PARCELAMENTO DA LEI Nº 11.941/2009. SIMPLES NACIONAL. NÃO CABIMENTO. A Lei nº 11.941/2009 não previu o parcelamento dos débitos apurados na forma do Simples Nacional, que inclui tributos cuja competência para instituição é dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Dessa forma, a União não tem competência para editar leis que prevejam reduções para tais tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 23 56 /2 01 0- 61 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10855.002356/201061 Acórdão n.º 1001000.760 S1C0T1 Fl. 83 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), mediante o Acórdão nº 1446.955, de 26/11/2013 (efls. 62/65), objetivando a reforma do referido julgado. O Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 449905, de 01/09/2010, da DRF/Sorocaba, à efl. 32, declarou a exclusão do Contribuinte do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2011, “em virtude de possuir débitos deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa, relacionados abaixo, conforme disposto no inciso V do art 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e na alínea "d” do inciso II do art 32, combinada com o inciso I do art 52, ambos da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007.” Período de Apuração Valor originário Período de Apuração Valor originário 12/2007 R$ 15.066,23 07/2008 R$ 18.169,32 01/2008 R$ 15.196,71 08/2008 R$ 18.684,99 02/2008 R$ 14.151,85 09/2008 RS 20.734,94 03/2008 R$ 15.114,28 10/2008 R$ 21.340,22 04/2008 R$ 16.111,11 11/2008 R$ 20.929,11 05/2008 R$ 18.012,30 12/2008 R$ 22.713,72 06/2008 R$ 18.155,66 Dispôs, ainda, o ADE que "Tornarseá sem efeito a exclusão caso a totalidade dos débitos a a pessoa jurídica sejam pagos no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência deste Ato Declaratório Executivo (ADE) ressalvada a possibilidade de emissão de novo ADE devido a outras pendências porventura identificadas". Na manifestação de inconformidade alega, em síntese, que teria aderido ao parcelamento de débitos da Lei 11.941 de 2009, no âmbito da SRFB/PGFN. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos excertos do voto condutor do acórdão recorrido transcrevese, verbis: Como se vê, nos presentes autos não há litígio sobre a existência dos débitos indicados no ato de exclusão. Alega o contribuinte, tão somente, que teria parcelado referidos débitos consoante a Lei nº 11.941 de 2009. A Lei nº 11.941 de 2009, que trata do parcelamento de débitos com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, tem a seguinte dicção: Seção I Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10855.002356/201061 Acórdão n.º 1001000.760 S1C0T1 Fl. 84 3 Dos Débitos Objeto de Parcelamento ou Pagamento Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei n º 11.941, de 27 de maio de 2009 , poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. (...) § 3º O disposto neste Capítulo não contempla os débitos apurados na forma do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) de que trata a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 . (...) Por seu turno, o Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), órgão que regulamenta o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), editou a legislação geral, ou seja, a Portaria PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009, que regulamenta os arts. 1º a 13 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, onde, expressamente não contempla o parcelamento dos débitos apurados na forma do Simples Nacional, conforme vedação normativa de conhecimento do manifestante, verbis: CAPÍTULO I DO PAGAMENTO À VISTA OU DO PARCELAMENTO DE DÍVIDAS NÃO PARCELADAS ANTERIORMENTE Seção I Dos Débitos Objeto de Parcelamento ou Pagamento Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei n º 11.941, de 27 de maio de 2009 , poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. (...) § 3º O disposto neste Capítulo não contempla os débitos apurados na forma do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) de que trata a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 . Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10855.002356/201061 Acórdão n.º 1001000.760 S1C0T1 Fl. 85 4 (...) Por outro lado, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) estabeleceu que a pessoa jurídica poderá permanecer no regime especial se comprovar ter regularizado, no prazo de trinta dias a partir da ciência da exclusão, os débitos motivadores da exclusão, nos termos do § 5º do art. 6º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007: Art. 6º A exclusão das ME e das EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) § 5º Na hipótese do inciso V do caput, será permitida a permanência da ME e da EPP como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência da exclusão. Desse modo, cumpre ao manifestante produzir o conjunto probatório de suas alegações, já que para afastar a causa da exclusão do Simples é indispensável a comprovação inequívoca de que houve pagamento ou suspensão da exigibilidade dos débitos confessados. Como se vê dos autos, o documento “Informações de Apoio para Emissão de Certidão”, de fls. 35/40, emitido em 27/10/2010, nos dá conta que os débitos objeto do ADE encontravamse em aberto, na situação “Débito em cobrança”. O documento de fl.61, denominado “Consulta de débitos após prazo para regularização”, extraído do SIVEX – Sistema de Vedações e Exclusões Simples, informa que os débitos objeto da exclusão continuam em aberto. Assim, forçoso concluir que o parcelamento a que alude o manifestante, sob a égide da Lei nº 11.941 de 2009, foi indeferido por impedimento legal. Pelo exposto, considerando que os débitos motivadores da exclusão continuam pendentes de regularização, conforme documento de fl. 61, SIVEX – Sistema de Vedações e Exclusões Simples Nacional, voto pelo indeferimento da manifestação de inconformidade, mantendo a exclusão do Simples Nacional consoante ADE DRF/SDR nº 449.905. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 31/12/2007 a 31/12/2008 EXCLUSÃO. PARCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. É necessária a comprovação cabal de que houve o parcelamento regular alegado, cujo ônus é do contribuinte.. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10855.002356/201061 Acórdão n.º 1001000.760 S1C0T1 Fl. 86 5 Ciente da decisão de primeira instância em 23/01/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 67, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 06/02/2014 (efls. 69/79), conforme carimbo aposto à efl. 69. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No seu recurso voluntário a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, ou seja, em suma, que aderiu ao parcelamento de débitos da Lei 11.941 de 2009. Acrescenta que tratase de "flagrante ilegalidade" vedar a adesão ao referido parcelamento. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, conforme voto condutor do acórdão recorrido transcrito no relatório, pelo que peço vênia para adotar como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF. Ou seja, os débitos apurados na forma do SIMPLES NACIONAL não podiam ser pagos à vista ou parcelados de acordo com a Lei nº 11.941/2009. A razão para a não aplicabilidade da Lei nº 11.941/2009 a esses débitos residiu na abrangência do SIMPLES NACIONAL, que inclui tributos cuja competência para instituição é dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Dessa forma, a União não tem competência para editar leis que prevejam reduções para tais tributos. Quanto à alegação de ofensa ao princípio de legalidade, cabe esclarecer que a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. Por todo o exposto, face à comprovada existência de débito não suspensos e não a regularização do prazo de 30 (trinta) dias após a ciência do ADE, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose a exclusão do simples Nacional. (assinado digitalmente) Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10855.002356/201061 Acórdão n.º 1001000.760 S1C0T1 Fl. 87 6 Edgar Bragança Bazhuni Fl. 87DF CARF MF
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