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Numero do processo: 10980.912277/2012-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.805
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 77 /2 01 2- 96 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912277/201296 Acórdão n.º 3201003.805 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.650, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912277/201296 Acórdão n.º 3201003.805 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912277/201296 Acórdão n.º 3201003.805 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912277/201296 Acórdão n.º 3201003.805 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.934224/2008-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.505
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.934224/200878 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.505 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria PERDCOMP. PRESCRIÇÃO. Recorrente AUTO PECAS PORTO EIXO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 42 24 /2 00 8- 78 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.934224/200878 Acórdão n.º 3302005.505 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que, analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF nele discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: · Em preliminar, a falta de eficácia da intimação e sua validade, acarretando nulidade da notificação do despacho decisório; · No mérito, a Inconstitucionalidade das disposições da Lei n 9.718/98, sobre a COFINS e dos DecretosLei 2.445/98 e 2.449/98 quanto ao PIS; · Sobre a prescrição, o prazo prescricional para repetição do indébito tributário é de 5 (cinco) anos da homologação e como normalmente esta ocorre tacitamente somada mais com 5 (cinco) anos, a manifestante tem 10 (dez) anos do pagamento para restituir o que foi pago indevidamente; · Requer a reforma do Despacho Decisório, e que se mantenha vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei 10833/03, em seu Art. 17º § 11 (sic), e deste modo, os valores compensados estarão suspensos. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16034.249. Após ciência ao acórdão de primeira instância, apresentou recurso voluntário , em essência, reprisando a manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.934224/200878 Acórdão n.º 3302005.505 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.493, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.493): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase Declaração de Compensação DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 01/05), transmitida, em 27/09/2006, para a compensação de débitos de IRPJ lucro presumido (PA 06/2006) com créditos tributários (PA 04/1999) relativos à COFINS cumulativa, de que trata a Lei nº 9.718/98. PRELIMINAR Reitera a ora recorrente que a intimação para instaurar processo administrativo foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber qualquer correspondência da empresa manifestante e sendo seu sócio gerente seu representante legal, somente ele poderia ter recebido a correspondência. Direito ao ponto, pela perfeita subsunção dos fatos alegados ao enunciado da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não há de se falar em retroação dos efeitos do supracitado enunciado, visto, simplesmente consolidar jurisprudência1, antiga e pacífica, nos antigos Conselhos de Contribuintes e no atual CARF, baseadas na legalidade, especificamente do art. 23, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, justificada que a ênfase dada pelo caput a que a intimação seja provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, não tem o rigor que suponha necessária a pessoalidade do ato, sendo que a maioria das notificações e das intimações administrativas são promovidas por via postal, com prova de recebimento (AR) e que a entrega da intimação no domicílio 1 Acórdãos nºs 20168026, de 20/05/1992; 20209572, de 14/10/1997; 20171773, de 02/06/1998; 20306545, de 09/05/2000; 10707076, de 20/03/2003; 20208457, de 21/05/2003; 10807562, de 16/10/2003; 10614266, de 21/10/2003; 10246574, de 01/12/2004; 10420408, de 26/01/2005. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.934224/200878 Acórdão n.º 3302005.505 S3C3T2 Fl. 5 4 fiscal eleito pelo sujeito passivo é o quanto basta para que a relação processual se tenha completado, sendo irrelevante se o recibo foi assinado por quem não era representante legal do contribuinte. Tida como válida a ciência, por conveniente, refuto, também, a alegação de ter sido rasgada as regras dos princípios constitucionais e administrativos, como sugere o recorrente, haja vista a definição das normas impostas pelo Decreto nº 70.235/72, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazê lo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343 de 09/06/15RICARF/15), no mesmo sentido do enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face de todo o exposto, voto por não acatar as preliminares argüidas. MÉRITO A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, em razão das ilegalidade e inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota, de 2% à 3%, da COFINS, pela Lei nº 9.718/98. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar prescrito o direito de pleitear a repetição do indébito; e por entender não socorrer o interessado eventuais efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Quanto ao fundamento do indébito estar em possíveis inconstitucionalidades da Lei nº 9.718/98, entendo não ser papel dos órgão julgadores administrativos discorrer sobre direitos em tese, visto não existir nos autos uma única prova sequer da natureza do indébito, limitandose a ora recorrente a protestar pela posterior juntada de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado, desnecessários pelos efeitos da patente questão prejudicial de mérito (prescrição) que segue. Quanto à prescrição, o crédito tributário pleiteado via DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 02/05), transmitida em 27/09/2006, diz respeito à COFINS cumulativa do Período de Apuração PA 04/1999. Notase, nas informações constantes da DCOMP, que o interessado informou data de arrecadação em 30/04/2002 (fls. 02), porém, conforme consta no DARF (fl. 40), o recolhimento foi efetuado em 10/05/1999. Sobre a repetição de indébito tributário, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.934224/200878 Acórdão n.º 3302005.505 S3C3T2 Fl. 6 5 ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3º da LCp nº 118, de 2005) Sobre o prazo para repetição de indébito tributário, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 566.621/RS, com fundamento na sistemática da repercussão geral, do art. 543B, do CPC, firmou o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.934224/200878 Acórdão n.º 3302005.505 S3C3T2 Fl. 7 6 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tratandose de DCOMP transmitida em 27/09/2006 e inexistindo medida judicial, prévia à 09/06/2005, individualizando a garantia do direito ao interessado, aplicase o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos, fixado pela LC nº 118/2005, prescrevendo o direito de pleitear administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente, em 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme inciso I, do artigo 165, do CTN, e entendimentos firmados pelo RE 566.621/RS e pelo enunciado da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10(dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, conforme consta no DARF (fl. 40), ao recolhimento efetuado em 10/05/1999, encontravase prescrito o direito à repetição do alegado indébito, pedido via DCOMP transmitida em 27/09/2006, por força do inciso I, do artigo 165, do CTN, do RE 566.621/RS e da Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.725860/2010-03
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 58 60 /2 01 0- 03 Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10530.725860/201003 Acórdão n.º 9202006.740 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10530.725860/201003 Acórdão n.º 9202006.740 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10530.725860/201003 Acórdão n.º 9202006.740 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10530.725860/201003 Acórdão n.º 9202006.740 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10530.725860/201003 Acórdão n.º 9202006.740 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10530.725860/201003 Acórdão n.º 9202006.740 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10530.725860/201003 Acórdão n.º 9202006.740 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10530.725860/201003 Acórdão n.º 9202006.740 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 433DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.902022/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
ELETRODUTO CORRUGADO FLEXÍVEL EM PVC E TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL EM PVC. NORMAS ABNT.
Os produtos fabricados pela recorrente devem ser classificados nas NCM 3917.32.90 e 3917.33.00, por serem flexíveis, fabricados em PVC, e suportarem pressão abaixo do mínimo definido na NCM.
Numero da decisão: 3401-005.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes- Redatora designada.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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NORMAS ABNT. Os produtos fabricados pela recorrente devem ser classificados nas NCM 3917.32.90 e 3917.33.00, por serem flexíveis, fabricados em PVC, e suportarem pressão abaixo do mínimo definido na NCM. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mara Cristina Sifuentes. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Redatora designada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 20 22 /2 01 3- 19 Fl. 619DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 1. Tratase de pedido de ressarcimento de saldo credor do IPI referente ao 1º trimestre de 2011, no valor de R$ 2.177.522,81, tendo sido reconhecido o direito ao montante de R$ 2.055.547,77 em despacho decisório que homologou parcialmente as compensações, tendo o saldo sido reduzido em função de débitos apurados em procedimento fiscal. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, narra a autoridade fiscal que o procedimento de fiscalização teve início para a verificação de pedidos de ressarcimento de saldo credor de IPI formalizados por meio dos seguintes PER/DComp 3. Em 07/05/2013, foi efetuada visita técnica às instalações fabris da contribuinte para conhecimento dos processos produtivos e materiais utilizados, sendo que todos os documentos que serviram para embasar o termo de verificação em referência foram anexados ao Processo Administrativo nº 10920721.864/201363. Em decorrência da reclassificação fiscal de alguns produtos, foram apurados débitos de IPI não lançados em notas fiscais nem escriturados, que foram cobertos com os créditos apurados, tendo restado caracterizada prática punível com multa isolada, nos termos do art. 80 da Lei nº 4.502/1964, objeto de lançamento de ofício no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352. Assim, foram verificadas irregularidades na classificação fiscal adotada pela contribuinte na venda das linhas ELETRODUTO CORRUGADO e TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL, nos seguintes termos: No caso do primeiro produto, a fiscalização apurou notas fiscais de saída emitidas tanto com o código TIPI 3917.32.90, indicado pelo Fisco, quanto no 3917.23.00, e em todos os casos houve emissões com e sem destaque do imposto. Nos casos da saídas com destaque não há prejuízo ao Fisco. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10920.902022/201319 Acórdão n.º 3401005.134 S3C4T1 Fl. 620 3 Já nas saídas sem destaque, a fiscalização alega que a empresa não justificou a redução da alíquota para zero quando foi utilizada a classificação 3917.32.90, e classificou incorretamente quando utilizou o código 3917.23.00, destinado aos “tubos rígidos”. (...) No caso dos tubos extensíveis (ou engates flexíveis), a interessada classificou tais produtos majoritariamente no código NCM 3917.23.00 (tubos rígidos de polímeros de cloreto de vinila), sempre sem destaque do IPI; e, minoritariamente, nos demais códigos, com e sem destaque do imposto. Da mesma forma, defende a fiscalização que tais produtos classificamse no código 3917.33.00 (Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios), cuja alíquota de IPI à época era cinco por cento". 4. A reclassificação de tais produtos foi o fundamento para a homologação parcial de diversas PER/DComps apresentadas pela contribuinte que se referem ao período de apuração abrangido pela multa isolada discutida no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352 (1º trimestre de 2011 a 3º trimestre de 2012), sendo que tais pedidos de ressarcimento geraram os seguintes processos administrativos, todos pautados para esta mesma sessão de julgamento, para apreciação conjunta: PROCESSO ADMINISTRATIVO PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR 10920.902022/201319 1º trimestre de 2011 R$ 2.177.522,81 10920.902023/201355 2º trimestre de 2011 R$ 3.035.238,52 10920.902024/201308 3º trimestre de 2011 R$ 4.311.367,39 10920.902025/201344 4º trimestre de 2011 R$ 3.222.556,53 10920.902026/201399 1º trimestre de 2012 R$ 3.115.341,97 10920.902027/201333 2º trimestre de 2012 R$ 3.348.939,57 10920.902028/201388 3º trimestre de 2012 R$ 3.170.939,74 5. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual argumentou, em síntese, que: (i) o eletroduto corrugado e o tubo extensível universal, por ela industrializados, são eletrodutos de PVC (Policloreto de Vinil) que, sejam planos ou corrugados, rígidos ou flexíveis, têm a mesma finalidade: proteger e conduzir condutores providos de isolação em instalações elétricas. Logo, o que deveria diferenciar a utilização de um eletroduto não é o fato dele ser rígido ou flexível, plano ou corrugado, e sim a sua resistência mecânica, sendo que a autoridade fiscal levou em conta apenas o critério rigidez, sem levar em consideração que a finalidade dos produtos é a mesma dos eletrodutos rígidos, devendo receber a mesma classificação destes últimos; (ii) assim como o eletroduto rígido, o eletroduto corrugado está inserido na linha de materiais elétricos utilizados na construção, Fl. 621DF CARF MF 4 sendo ambos tratados em um mesmo programa setorial de qualidade perante o PBQPH (Programa de Garantia da Qualidade de Eletrodutos Plásticos para Sistemas Elétricos de Baixa Tensão em Edificações); (iii) apresentou laudo (parecer técnico), no qual o perito e engenheiro atesta, nos termos da norma ABNT NBR 15465, de 04/08/2008, que "(...) o discrímen para determinarse a efetiva e correta classificação fiscal desses produtos não corresponde à sua rigidez, mas sim à sua finalidade e aplicação"; e (iv) requereu a realização de diligência para que se demonstre, por meio de perícia, a "(...) correição da classificação adotada pela recorrente". 6. Em 06/01/2015, a 3ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0130.990, situado às fls. 521 a 527, de relatoria do AuditorFiscal Nelson Klautau Guerreiro Da Silva, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ELETRODUTOS CORRUGADOS FLEXÍVEIS E TUBOS EXTENSÍVEIS. Pelas regras de interpretação da NCM (RGI/SH), a correta classificação para os eletrodutos flexíveis de PVC é 3917.32.90, e 3917.33.00 para os tubos extensíveis de PVC. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Devem ser afastadas as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Classificação Fiscal não é matéria técnica, não exigindo laudo técnico para sua definição. Dispensável a produção de provas por meio de realização de perícia técnica ou diligência, quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente solução do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 7. A contribuinte, intimada da decisão em 27/04/2015 pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 530, interpôs, em 26/05/2015, em Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10920.902022/201319 Acórdão n.º 3401005.134 S3C4T1 Fl. 621 5 conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 532, recurso voluntário, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. No decurso dos anos de 2011 e 2012, a contribuinte realizou pedidos de ressarcimento de saldo credor do IPI com base no art. 11 da Lei nº 9.779/1999 em decorrência: (i) da aquisição de insumos utilizados na elaboração de seus produtos, e (ii) da saída de mercadorias imunes ou tributadas à alíquota zero: Lei nº 9.779/1999 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. 10. A autoridade fiscal entendeu que a contribuinte teria adotado classificação fiscal incorreta quanto aos produtos eletroduto corrugado e tubo extensível universal, o que implicou a apuração do IPI por meio de alíquotas menores do que aquelas efetivamente devidas e, assim, promoveu a reconstituição da escrita fiscal da autuada referente às operações ocorridas entre 01/01/2011 e 30/09/2012, concluindose, ao final do procedimento, pela inexistência de saldo devedor de IPI a ser adimplido. Em que pese tal constatação, a falta de destaque do imposto nas notas fiscais de saída em virtude da classificação fiscal equivocada conduziu à lavratura do auto de infração em debate no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352, lavrado sob o pálio do art. 80 da Lei nº 4.502/1964: Fl. 623DF CARF MF 6 Lei nº 4.502/1964 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. 11. A questão de fundo consiste, portanto, em deslindar se correta a classificação utilizada pela contribuinte (3917.23.00 para o eletroduto corrugado e para o tubo extensível universal), ou se equivocada aquela proposta pela autoridade fiscal (3917.32.90 para o eletroduto corrugado e 3917.33.00 para o tubo extensível universal): uma ou outra conclusão terá como efeito imediato a improcedência do auto de infração lavrado no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352 e a reversão do despacho decisório que homologou parcialmente o ressarcimento, no presente processo. 12. Incontroversa, como se percebe, a classificação até o texto da posição: as partes concordam que os produtos são uma espécie de "plásticos e suas obras" (Capítulo 39), e tampouco questionam estar diante de "tubos e seus acessórios (por exemplo, juntas, cotovelos, flanges, uniões), de plásticos" (Posição 3917). 13. Para a contribuinte recorrente, no entanto, (i) o eletroduto corrugado e o tubo extensível universal devem ser classificados na Subposição, Item e Subitem 3917.23.00 ("De polímeros de cloreto de vinila"), submetida, portanto, a uma alíquota zero de IPI. 14. Por outro lado, para autoridade fiscal, (ii) o ELETRODUTO CORRUGADO deve ser classificado na Subposição 3917.32 ("Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios"), Item e Subitem 3917.32.90 ("Outros"), submetido, portanto, a uma alíquota de 5% de IPI; já (iii) o TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL deve ser classificado na Subposição, Item e Subitem 3917.33.00 ("Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios"), submetido, portanto, a uma alíquota de 5% de IPI. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10920.902022/201319 Acórdão n.º 3401005.134 S3C4T1 Fl. 622 7 (i) 3917.23.00: CLASSIFICAÇÃO DA CONTRIBUINTE PARA O ELETRODUTO CORRUGADO E PARA O TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL 15. Deve ser realizada, em primeiro lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela contribuinte (3917.23): tubo e seus acessórios de plásticos (3917), rígidos (3917.2), de polímeros de cloreto de vinila (3917.23). Não havendo alternativas após o texto da subposição, tratase esta da classificação completa NCM nº 3917.23.00. 16. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (i.a) tratase de um tubo de plástico rígido? 17. Caso se responda negativamente à pergunta (i.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda afirmativamente à pergunta (i.a), passase à seguinte: (i.b) tratase de um tubo de plástico rígido de polímeros de cloreto de vinila? 18. Caso se responda negativamente à pergunta (i.b), a classificação está equivocada. Caso se responda afirmativamente à pergunta (i.b), então necessariamente a classificação correta para o eletroduto corrugado e para o tubo extensível universal será 3917.23.00, apontada pela contribuinte. (ii) 3917.32.90: CLASSIFICAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL PARA O ELETRODUTO CORRUGADO 19. Deve ser realizada, em segundo lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela autoridade fiscal para o ELETRODUTO CORRUGADO (3917.32): tubo e seus acessórios de plásticos (3917), outros (3917.3), 20. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (ii.a) tratase de um tubo de plástico rígido (uma vez que a alternativa a "outros" da subposição 3917.3 seria a 3917.2, ou seja, tubos plásticos rígidos)? 21. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (ii.a), passase à seguinte: (ii.b) tratase de um tubo de plástico tubo flexível (i.e., não rígido) que pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa (uma vez que, caso se responda Fl. 625DF CARF MF 8 afirmativamente, a classificação se subsumiria à subposição 3917.31, mais específica)? 22. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.b), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (ii.b), passase à seguinte: (ii.c) tratase de um tubo flexível que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios? 23. Caso se responda negativamente à pergunta (ii.c), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.c), passase à seguinte: (ii.d) tratase de um tubo flexível (i.e., não rígido) que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios de copolímero de etileno? 24. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.d), a classificação está equivocada. Caso se responda negativamente à pergunta (ii.d), então necessariamente a classificação correta do eletroduto corrugado será 3917.32.90 ("Outros"), apontada pela autoridade fiscal, pois se trata da única alternativa. (iii) 3917.33.00: CLASSIFICAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL PARA O TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL 25. Deve ser realizada, em terceiro lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela autoridade fiscal para o TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL (3917.33): 26. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (iii.a) tratase de um tubo de plástico rígido (uma vez que a alternativa a "outros" da subposição 3917.3 seria a 3917.2, ou seja, tubos plásticos rígidos)? 27. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (iii.a), passase à seguinte: (iii.b) tratase de um tubo de plástico tubo flexível (i.e., não rígido) que pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa (uma vez que, caso se responda afirmativamente, a classificação se subsumiria à subposição 3917.31, mais específica)? Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10920.902022/201319 Acórdão n.º 3401005.134 S3C4T1 Fl. 623 9 28. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.b), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (iii.b), passase à seguinte: (ii.c) tratase de um tubo flexível (i.e., não rígido) que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios de copolímero de etileno? 29. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.c), a classificação está equivocada. Caso se responda negativamente à pergunta (iii.c), então necessariamente a classificação correta do tubo extensível universal será 3917.33.00 ("Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios"), apontada pela autoridade fiscal, pois se trata da mais específica. 30. Como se sabe, para se resolver a questão sob litígio, necessário o recurso às Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de mercadorias (NESH). Ao nos voltarmos especificamente às metaregras de aplicação descritas no Capítulo 39 da TIPI ("Plástico e suas obras"), advertimos que, para que se respondam às questões que fizerem menção ao termo "copolímero", deve ser levada em conta, necessariamente, a Nota 4, mas, por outro lado, uma vez que o texto da posição é incontroverso, desnecessária a menção à Nota 8 do Capítulo 39, que dispõe acerca do termo "tubos". Devem, no entanto, ser aplicadas as disposições veiculadas pela Nota de subposição 1, sobre a forma como se classificam os polímeros (incluindo os copolímeros) e os polímeros modificados quimicamente. 31. Observese que caso se responda afirmativamente à pergunta (i.a), e se conclua estarmos diante de um tubo de plástico rígido, desnecessário, para fins de provimento ou não provimento do recurso voluntário interposto, prosseguir na classificação, pois equivocados estarão os dois códigos ofertados pela autoridade fiscal, e procedente restará o recurso voluntário interposto. 32. Com estas observações em mente, o laudo (parecer técnico) apresentado pela contribuinte, baseado na norma ABNT NBR 15465, de 04/08/2008, além de não responder se os dois produtos em apreço seriam "rígidos" ou "nãorígidos" ("flexíveis"), primeira pergunta para se prosseguir em qualquer das três classificações em disputa, concluiu que tanto o eletroduto corrugado como o tubo extensível universal atenderiam à mesma finalidade e teriam a mesma aplicação, baseada em sua resistência mecânica de suportar os esforços de compressão quando a ele submetidos. Assim, no entendimento do perito, o critério correto para se realizar qualquer classificação, seria a resistência, e não a rigidez. 33. A prova técnica, ao ignorar completamente os critérios de classificação do Sistema Harmonizado e, ao invés de responder às dúvidas acima, sendo a primeira delas aquela concernente a ser um tubo de plástico rígido ou nãorígido, de nada serve ao classificador, devendo ser desconsiderada, por impertinente e desnecessária. 34. Observese que, mesmo uma rápida busca no compêndio de ementas de soluções de consulta e soluções de divergência emitidas pelo Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias (Ceclam) da Receita Federal do Brasil, indica que a resposta à questão sobre ser rígido ou flexível o tubo de plástico é condição inexorável para o prosseguimento do intento classificatório: Fl. 627DF CARF MF 10 3917.32.90 | SC 4/2016 1ª Turma Tubo flexível de plástico (poliamida), não reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, apresentado sem acessórios e acondicionado em carretéis, podendo suportar pressão máxima de 1 Mpa. 3917.32.90 | SC 5/2016 1ª Turma Tubo flexível de plástico (poliamida), não reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, apresentado sem acessórios e acondicionado em carretéis, podendo suportar pressão de 1,5 a 6 Mpa. 3917.32.90 | SC 283/2017 4ª Turma Tubo flexível corrugado fabricado em PVC (poli(cloreto de vinila), com propriedades antichamas, próprio para proteção mecânica das instalações elétricas prediais, medindo 20 mm d e diâmetro e 50 m de comprimento, com tensão de ruptura inferior a 27,6 MPa. 3917.32.90 | SC 130/2016 3ª Turma Tubo flexível termo contrátil de polietileno, sem reforços ou acessórios, com tensão de ruptura máxima de 10,4 MPa, diâmetro interno em estado natural de 41,5 mm, peso líquido de 104,8 g/ml e apresentado em bobina de papelão de 50 metros. 35. Por outro lado, em que pese a imprestabilidade da prova produzida pela recorrente, tampouco a autoridade fiscal responde à questão sobre ser ou não rígido o produto a ser classificado de maneira minimamente satisfatória, valendose unicamente das máximas de experiência e da visita ao site comercial da recorrente, conforme excerto, situado à fl. 488, que se transcreve do termo de verificação fiscal: 36. O recurso a tal prova é ecoado e refletido pela decisão recorrida, que não envida esforços em buscar outros indícios ou provas que sirvam como sustentáculo para a sua conclusão: Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10920.902022/201319 Acórdão n.º 3401005.134 S3C4T1 Fl. 624 11 12. No que se refere aos produtos, inexistem divergências quanto ao fato de se tratarem de tubos de plásticos, enquadrados, portanto, na posição 39.17 da NCM. Também não existem dúvidas de serem flexíveis de fato, aptos às aplicações propostas no sítio da empresa (“O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade; podendo curvarse com facilidade”), o que não seria possível se fossem rígidos de fato. Não releva saber, para a identidade dos produtos e seus efeitos fiscais, no caso concreto, se foram fabricados com composto de PVC rígido. 37. Observese que a contribuinte, ao ser questionada sobre a rigidez dos produtos, "(...) informou que utiliza na fabricação dos produtos da linha eletroduto de PVC flexível corrugado o composto de PVC rígido, o mesmo utilizado na produção dos tubos para água e esgoto, e que por isso utiliza a mesma classificação". O maior apuro técnico de que se vale a autoridade lançadora é obtido por meio de consulta ao site da Wikipedia: 38. Assentese com a afirmação da acusação fiscal de que o simples fato de os produtos utilizarem o PVC rígido como insumo de produção não implica, necessariamente, que deva ser entendido como um tubo rígido. No entanto, tampouco há de se comungar com a afirmação, igualmente falaciosa, no sentido de que o nome comercial do produto exposto no site da contribuinte seja prova em suficiência para a classificação no texto da posição da nomenclatura comum. Muito embora a frase “o sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade; podendo curvarse com facilidade” ofereça um forte indício sobre se tratar de um material não rígido, impressão esta que apenas se reforça com o silêncio do laudo pericial apresentado quanto a este aspecto, não se vislumbra, apenas com a página da Internet, a prova necessária para se afirmar com segurança a respeito das características físicoquímicas do produto. 39. Assim, acerta a autoridade fiscal ao afirmar que primeiro critério é definir se o tubo de plástico é ou não rígido. Mas se equivoca na forma como constrói precariamente seu argumento, eivandoo de carência probatória, uma vez que incumbida está do ônus de provar, não sendo absolutamente aceitável estribar o despacho decisório unicamente em uma informação comercial obtida na Internet que, quando muito, serviria de indício para o início de uma investigação técnica. E, por outro lado, acerta a contribuinte ao entender que, para subsidiar a classificação, fazse necessário o recurso à perícia. No entanto, igualmente se equivoca ao buscar critérios próprios para aferir o código NCM correto, uma vez que o aplicador se volta às específicas regras e metaregras do sistema harmonizado em uma seqüência lógica prédeterminada. 40. A questão passa a ser: há nos autos provas em suficiência para se afirmar se os produtos são ou não rígidos? Em caso positivo, deve o aplicador passar à pergunta Fl. 629DF CARF MF 12 seguinte, e assim sucessivamente, uma vez que as regras gerais para interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Não sendo possível se responder a esta questão inaugural com os dados e documentos disponíveis, deverá o julgamento aguardar a realização de diligência que responda à dúvida do julgador. Neste caso, deverá o colegiado antecipar as dúvidas supervenientes para que todas restem respondidas nesta mesma oportunidade. 41. Concluímos, ao compulsar os autos, que não há outras provas que permitam afirmar, com segurança, se os produtos em análise seriam rígidos ou não rígidos, o que, no atual estado do processo, e caso eventualmente vencida a proposta de diligência, redundaria, necessariamente, na conclusão pela insuficiência de provas hábeis a lastrear o despacho decisório que homologou parcialmente o ressarcimento pleiteado. 42. E se observe que, ainda que a questão em torno da rigidez pudesse eventualmente ser superada, outras questões restariam pendentes: para se confirmar a correção do código adotado pela contribuinte, necessário seria se confirmar que se trata de tubo de polímero de cloreto de vinila. 43. Por outro lado, caso seja não rígido o tubo e, portanto, incorreto o código utilizado pela contribuinte, forçoso se confirmar que a acusação fiscal classificou corretamente os produtos em análise e, para isso, imprescindível se compreender se podem suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa, hipótese que descartaria a suposição do despacho decisório. Caso não possam, a tarefa do classificador ainda não estaria concluída, pois indispensável a questão sobre se os produtos são reforçados com outras matérias ou associados de outra forma com outras matérias, se apresentam acessórios e, em caso positivo, se tais acessórios seriam ou não copolímeros de etileno. 44. Como se pode perceber, a decisão sobre a procedência ou não do recurso voluntário interposto, depende de um seriado de perguntas que demandam saber técnico alheio ao jurídico e, depois de percorrer todas as folhas deste processo em busca de respostas embasadas e minimamente seguras, não as encontramos e, portanto, da maneira em que se encontra, o processo não se encontra em condições de julgamento, razão pela qual voto, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Apresente laudo técnicopericial conclusivo que responda afirmativa ou negativamente, de maneira objetiva e fundamentada, os seguintes quesitos referentes ao produto "eletroduto corrugado" e ao produto"tubo extensível universal": (i.a) tratase de um tubo de plástico rígido ou nãorígido ("flexível")? (i.b) tratase de um tubo de plástico rígido de polímeros de cloreto de vinila? (i.c) unicamente se o produto for nãorígido ("flexível"), pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa? (i.d) o produto é reforçado com outras matérias ou associados de outra forma com outras matérias? Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10920.902022/201319 Acórdão n.º 3401005.134 S3C4T1 Fl. 625 13 (i.e) unicamente se o produto não for reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, ele apresenta acessórios? (i.f) unicamente se o produto apresentar acessórios, são estes acessórios de copolímeros de etileno? Deverá a resposta a este específico quesito levar em consideração o texto da Nota 4,1 transcrito em nota de rodapé no presente voto. (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) 1 "Consideramse 'copolímeros' todos os polímeros em que nenhum motivo monomérico represente 95 % ou mais, em peso, do teor total do polímero. Ressalvadas as disposições em contrário, na acepção do presente Capítulo, os copolímeros (incluindo os copolicondensados, os produtos de copoliadição, os copolímeros em blocos e os copolímeros enxertados) e as misturas de polímeros, classificamse na posição que inclua os polímeros do motivo comonomérico que predomine, em peso, sobre qualquer outro motivo comonomérico simples. Na acepção da presente Nota, os motivos comonoméricos constitutivos de polímeros que se classifiquem numa mesma posição devem ser tomados em conjunto. Se não predominar nenhum motivo comonomérico simples, os copolímeros ou misturas de polímeros classificamse, conforme o caso, na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração". Fl. 631DF CARF MF 14 Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Voto Vencedor Conselheira Mara Cristina Sifuentes , Redatora designada. Apesar de concordar com muitos dos argumentos apresentados pelo Ilustre Relator, e por acompanhar sua linha de argumentação, dele ouso divergir quanto a necessidade de diligência para se efetuar a classificação fiscal das mercadorias autuadas. A controvérsia gira em torno de dois produtos, ambos classificados na NCM 3917.23.00 pela recorrente: eletroduto corrugado tubo extensível universal E classificados pela fiscalização nas NCMs 3917.32.90 e 3917.33.00, respectivamente. Concordo que o cerne da questão está em se decidir se estamos diante de um tubo rígido ou tubo flexível (3917.2 ou 3917.3), já que não existe controvérsia quanto a posição 3917, adotada tanto pela recorrente e pela fiscalização, para ambos produtos. A questão parece tão simples e tão óbvia que a primeira vista não há questionamentos a serem efetuados. Rígido e flexível são duas definições que se opõem e que são utilizadas cotidianamente em muitas situações. Por isso nosso primeiro impulso é buscar essas definições nos dicionários, já que são de uso corrente. No dicionário Houaiss, disponível no endereço eletrônico Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10920.902022/201319 Acórdão n.º 3401005.134 S3C4T1 Fl. 626 15 https://houaiss.uol.com.br/pub/apps/www/v33/html/index.php#0 encontramos as seguintes definições: Rígido adjetivo em que há rigidez 1 falto de maleabilidade física; teso, rijo, hirto, duro ‹corpo r.› ‹metal r.› 2 p.metf. que é ou se mostra inflexível em suas opiniões, decisões etc.; duro, intransigente 3 que denota severidade, austeridade; austero ‹princípios r.› ‹homem r.› 3.1 falto de meiguice, de ternura com relação a outrem; rude, áspero ‹pais r.› 4 que não permite frouxidão; exato, rigoroso ‹tinha no trabalho um horário r.› 4.1 extremamente controlado; minucioso, apurado ‹r. controle de qualidade› sinônimos ver sinonímia de rigoroso antônimos: flexível Flexível adjetivo de dois gêneros 1 que se dobra ou curva com facilidade; arqueável, flexo 2 que revela agilidade; elástico, elegante ‹um andar f.› 3 fácil de manejar; domável 4 que se acomoda facilmente às circunstâncias, que é facilmente influenciável; dócil, maleável, compreensível ‹um caráter f.› 5 que tem aptidão para diferentes atividades sinônimos ver antonímia de sólido antônimos: ferrenho, inflexível, intransigente, rígido; ver tb. sinonímia de sólido Como se pode concluir, com o auxílio do dicionário, rígido é o antônimo de flexível, sendo flexível aquilo que se dobra ou curva com facilidade, aquilo que é arqueável, que é flexo, que é elástico, fácil de manejar, domável. Já rígido é aquilo em que há rigidez, que falta maleabilidade física, é teso, rijo, hirto, duro. A partir dessas constatações chegamos as duas subposições de primeiro nível possíveis: 3917.2 Tubos rígidos 3917.3 Outros Tubos Ora ou o tubo é rígido ou ele não é rígido, tanto assim que o Sistema Harmonizado faz a distinção em Tubos rígidos e outros tubos. Muitos países adotaram a tradução como "3917.3 Tubos não rígidos" ao invés de outros tubos. A título de esclarecimento, na versão em inglês do SH temos: 3917.2 Tubes, pipes and hoses, rigid: Fl. 633DF CARF MF 16 3917.3 Other tubes, pipes and hoses: Valendonos do senso comum podemos concluir que estamos diante de tubos flexíveis, já que a própria recorrente apresenta seu produto como "Eletroduto corrugado flex" e no site da empresa o produto é apresentado como, fazendo parte da linha "Eletroduto de PVC flexível Corrugado": Os eletrodutos flexíveis corrugados são aplicados em instalações prediais elétricas de baixa tensão, para condução e acomodação de fios, cabos elétricos e dispositivos embutidos em paredes e lajes, ou aparentes em local protegido. O sistema é composto por eletrodutos corrugados para paredes (amarelo) e para lajes (laranja), com comprimento comercial de 50 metros, para bitolas de 20 e 25 mm; e 25 metros para bitola de 32 mm. O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade, podendo curvarse com facilidade. Antichama, o produto adequase perfeitamente às exigências da norma NBR 5410, oferecendo segurança às instalações elétricas de baixa tensão. Completa o sistema uma linha de caixas de luz e luvas de pressão, que se interligam aos tubos pelo sistema de simples encaixe. No caso dos tubos extensíveis, ou engates flexíveis, eles são apresentados no catálogo da empresa como "Sifão Extensível Universal", relativo aos mesmos códigos de produtos apontados pela fiscalização (10101, 17311, 96665 e 17815). E consta o esclarecimento que "o tubo extensível universal permite que sua curvatura tome o formato de um sifão", e que esses tubos possuem corpo sanfonado. Claro que não podemos nos valer apenas do que afirma a recorrente ser o produto, mesmo que em informações amplamente divulgadas para efeitos de comércio e propaganda. Para a classificação fiscal é preciso haver a identificação correta da mercadoria. Também não acabe à classificação fiscal adotar critérios diferentes dos preconizados pelas normas do Sistema Harmonizado. Não há como adotar, conforme quer a recorrente, a resistência ao invés da rigidez para classificar a mercadoria, já que esse não foi o critério escolhido pelo SH. Esclareço que nem sempre os critérios elegidos para a classificação fiscal de uma mercadoria coincidem com as necessidades de mercado, de produto ou de outras normas existentes (normas de outros órgãos administrativos são próprias às necessidades do órgão e o objetivo que se quer alcançar). São critérios próprios do SH que devem ser seguidos. Assim, correto o entendimento do Ilustre Relator do voto vencido: A prova técnica, ao ignorar completamente os critérios de classificação do Sistema Harmonizado e, ao invés de responder às dúvidas acima, sendo a primeira delas aquela concernente a ser um tubo de plástico rígido ou nãorígido, de nada serve ao classificador, devendo ser desconsiderada, por impertinente e desnecessária. Apesar de restar definido o que seja rígido e flexível, para efeitos de conhecimento geral, para maiores esclarecimentos devemos buscar apoio em normas técnicas nacionais e internacionais que podem servir de subsídio para nossa investigação. As normas da ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, apesar de serem de utilização no país, seguem as normas internacionais de padronização, e por isso servem para o nosso propósito: Entidade privada e sem fins lucrativos, a ABNT é membro fundador da International Organization for Standardization Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10920.902022/201319 Acórdão n.º 3401005.134 S3C4T1 Fl. 627 17 (Organização Internacional de Normalização ISO), da Comisión Panamericana de Normas Técnicas (Comissão Pan Americana de Normas Técnicas Copant) e da Asociación Mercosur de Normalización (Associação Mercosul de Normalização AMN). Desde a sua fundação, é também membro da International Electrotechnical Commission (Comissão Eletrotécnica Internacional IEC). Também temos a nos socorrer as normas internacionais ISO, International Organization for Standardization, em especial a ISO 182632:2015 Plastics Mixtures of polypropylene (PP) and polyethylene (PE) recyclate derived from PP and PE used for flexible and rigid consumer packaging Part 2: Preparation of test specimens and determination of properties. E a American Society for Testing Materials (ASTM), em especial as normas ASTM D79017 Standard Test Methods for Flexural Properties of Unreinforced and Reinforced Plastics and Electrical Insulating Materials e ASTM D123813 Standard Test Method for Melt Flow Rates of Thermoplastics by Extrusion Plastometer. A norma ABNT NBR 15465, sobre Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricos de baixa tensão requisitos de desempenho, utilizada pela recorrente em sua argumentação, define quais requisitos de desempenho devem cumprir o produto: · Resistência à curvatura · Resistência à compressão · Resistência ao impacto · Resistência ao calor · Resistência à chama · Resistência rigidez dielétrica · Resistência do isolamento elétrico A recorrente alega seguir as orientações e estar qualificada pelo PBQPH, que é o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat PBQPH, do Ministério das Cidades. Esse programa qualifica fabricantes de materiais e componentes, que para isso devem seguir suas orientações, e segue a norma ABNT NBR 15465. Na Diretriz de avaliação técnica de Produtos Sinat/PBQPH nº 013, para Tubulações corrugadas de polietileno contendo polietileno de alta densidade reciclado para microdrenagem de áreas internas de empreendimentos residenciais e comerciais, estão definidos os critérios de desempenho dos produtos: Assim, as tubulações alvo desta Diretriz são compostas por: Tubos corrugados (ver Figura 1) com ponta e bolsa. A ponta do tubo acomoda o anel de vedação elastomérico. Estes tubos possuem parede dupla, sendo a parede interna lisa (superfície que fica em contato com água de escoamento) e a parede externa com corrugações anelares ocas (ver Figura 2). A matériaprima utilizada na fabricação destes tubos contém polietileno de alta densidade reciclado (pósconsumo e pós indústria) e/ou polietileno reprocessado, cujo percentual na composição deve estar de acordo com os limites estabelecidos no item 1.2. Estes tubos devem atender aos requisitos e critérios especificados por esta Diretriz; Fl. 635DF CARF MF 18 Essa diretriz avalia os seguintes requisitos: densidade fluidez módulo de flexão tensão de escoamento na tração teor de negro de fumo tempo de oxidação induzida teor de cinzas teor de polipropileno resistência química. A diretriz também avalia o desempenho estrutural do produto, avaliando a rigidez anelar, conforme ISO 9969:2016, o achatamento, resistência ao impacto, fissuramento sob tensão com entalhe, resistência ao calor, e a durabilidade. Toda essa digressão foi efetuada para demonstrar que existem métodos para avaliar a rigidez e a flexibilidade de um produto, e que rigidez e resistência a impactos são características distintas, que podem conviver no mesmo produto. O produto pode ser flexível e apresentar resistência anelar, em cada anel do elemento corrugado, por exemplo. Porém para efeitos de classificação fiscal de mercadoria, o SH elegeu diferenciar os produtos entre flexíveis e rígidos em um primeiro momento, para apenas em um segundo momento fazer a diferenciação dos produtos relativa à resistência (vide descrição da NCM 3917.31.00 Tubos flexíveis podendo suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa). Voltando aos produtos em análise devemos identificar o produto para saber se eles são rígidos ou não. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10920.902022/201319 Acórdão n.º 3401005.134 S3C4T1 Fl. 628 19 O TVF informa que foram utilizadas informações obtidas em diligência à empresa para visita técnica, análise de informações constantes no sítio eletrônico da empresa na internet, catálogo de produtos, informações prestadas pela empresa nos seus documentos fiscais, imagens dos produtos, forma de comercialização dos produtos em bobinas para firmar seu convencimento que estava diante de produtos flexíveis, e que o fato de utilizarse para sua produção PVC rígido não significa que se está a produzir um produto rígido. A empresa apresenta Parecer Técnico, por ela solicitado ao engenheiro Eduardo A. C. Monteiro, em que discorre sobre a definição e características do PVC, policloreto de vinila, e informa que a diferenciação entre produtos rígidos ou flexíveis é feita pela detecção da presença ou não de óleo plastificante, e os produtos produzidos pela recorrente não utilizam em sua formulação aditivos plastificantes e que por isso são produtos rígidos Para o técnico a classificação de um eletroduto de PVC, em rígido e flexível, tem como base a sua resistência mecânica e a sua aplicação se baseia fundamentalmente nesta capacidade de suportar aos esforços de compressão quando a eles submetidos. Discordo do parecer técnico, pois a norma ABNT utilizada faz a diferenciação entre resistência à curvatura e à compressão, o que demonstra que não se pode tomar uma resistência pela outra. Pelos documentos citados e a leitura atenta do material técnico disponível para o tema, concluímos que os tubos corrugados são compostos de vários anéis. Esses anéis são juntados entre si por material de PVC. Cada anel pode apresentar rigidez (por isso algumas normas trazem testes quanto à rigidez anelar) se considerado isoladamente, mas o tubo, ao conectar os anéis permite que haja uma flexibilidade no produto como um todo. A característica principal dos tubos corrugados é permitir a realização de curvaturas com mudança de direção, dispensando o uso de conexões. Superada a questão quanto a característica dos produtos, concluo a partir de todas as elucubrações efetuadas que os produtos fabricados pela recorrente são produtos flexíveis. Portanto estamos diante da NCM para a subposição 3917.3 outros tubos, pela aplicação da RGI6: 6.A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Percorrendo a trilha do procedimento para classificação da mercadoria, agora devemos analisar a subposição de 2º nível: 3917.3 Outros tubos: 3917.31.00 Tubos flexíveis podendo suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa 3917.32 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios 3917.32.10 De copolímeros de etileno 3917.32.2 De polipropileno 3917.32.21 Tubos capilares, semipermeáveis, próprios para hemodiálise ou para oxigenação sanguínea Fl. 637DF CARF MF 20 3917.32.29 Outros 3917.32.30 De poli(tereftalato de etileno) 3917.32.90 Outros 3917.33.00 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios 3917.39.00 Outros Já concluímos que estamos diante de tubos flexíveis, para os dois produtos. Pela aplicação da RGI6 temos que verificar entres os textos das subposições, qual o melhor descreve o produto. Para o produto "eletroduto corrugado" as subposições 3917.31 e 3917.32 são possíveis, desde que se esclareça qual a pressão mínima suportada por ele. Já o produto "tubo extensível universal" são possíveis as subposições 3917.31 e 3917.33. A recorrente afirma em seu Recurso Voluntário que o sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral. Quanto especificamente ao produto fabricado pela recorrente temos a informação em email interno da empresa, já que o Parecer Técnico esclarece pontos relativos a tubos corrugados em geral e não realiza uma análise do produto da recorrente: No catalogo de produtos disponível no site da empresa consta que: O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade, podendo curvarse com facilidade. ... Toda instalação elétrica deve possuir um projeto de instalação que ofereça segurança ao usuário, atendendo às especificações exigidas pela NBR 15465 – Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricas de baixa tensão – Requisitos de desempenho. ... Os eletrodutos são fornecidos em bobinas de 25 e 50 metros, facilitando sua aplicação, gerando uma economia de tempo e reduzindo a quantidade de conexões. Em casos de aproveitamento dos segmentos que sobraram durante a instalação, estes poderão ser unidos por meio de luvas de pressão. ... Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10920.902022/201319 Acórdão n.º 3401005.134 S3C4T1 Fl. 629 21 A nova norma de eletrodutos plásticos ABNT NBR 15465:2007 – Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricas de baixa tensão – Requisitos de desempenho – classifica os eletrodutos plásticos da seguinte forma: Para a norma ABNT, os eletrodutos da empresa, como apresentam resistência mecânica média e leve, estão sujeitos a esforços de compressão de até 320N e 750N: Para as aplicações em que os eletrodutos e suas conexões ficam submetidos a esforços de compressão de até 320N, devese utilizar no mínimo a classe de resistência "leve", para esforços até 750N, devese utilizar no mínimo a classe de resistência "médio", para esforços de compressão de até 1250N, devese utilizar a classe de resistência mecânica "pesado". A NCM 3917.31.00 descreve os tubos flexíveis que podem suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa. O pascal (Pa) é uma unidade padrão de pressão e equivale à força de 1 (um) Newton aplicada uniformemente sobre uma superfície de 1 (um) m2. Logo 27,6 Mpa equivale a 27.600.000 Newton/metro2. Concluímos que a pressão suportada pelos produtos está muito abaixo do mínimo estipulado pela NCM 3917.31.00, não atendendo a descrição da mercadoria ao que está descrito nessa NCM. Chegamos a conclusão que pela aplicação da RGI6 para o produto "eletroduto corrugado" é aplicável a subposição 3917.32. E como o produto é fabricado com PVC, policloreto de polivinila, deve ser aplicada a NCM 3917.32.90. Para o produto "tubo extensível universal" concluímos pela subposição 3917.33, e como não existe desdobramento para essa subposição temos que se aplica a NCM 3917.33.00 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios. Já que segundo o catálogo da empresa esse sifão extensível universal vem acompanhado de acessórios. Fl. 639DF CARF MF 22 Depois dessa longa explicação concluo por negar provimento ao Recurso Voluntário e pela manutenção da Classificação Fiscal identificada pela Fiscalização no auto de infração. Por todo a exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes, Redatora designada Fl. 640DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.907678/2013-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
NULIDADE. AUSÊNCIA.
Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 1302-002.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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AUSÊNCIA. Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 76 78 /2 01 3- 78 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12448.907678/201378 Acórdão n.º 1302002.834 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 1150.036, de 30 de abril de 2015, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Não são passíveis de restituição nem compensação os créditos sobre os quais não resta comprovada sua liquidez e certeza." O presente processo cuida de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), por meio da qual a contribuinte pleiteou a restituição de crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), referente ao mês de dezembro de 2007. O crédito em questão, no valor de R$ 27.439,75, originarseia de pagamento efetuado em 31/01/2008, e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a restituição foi indeferida. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual sustentou a nulidade do Despacho Decisório, por haver sido proferido em desobediência a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0135980, que determinou o recebimento em formulário de papel do pedido de restituição em questão, com as razões e fundamentações legais da causa de pedir, pelo que haveria, ainda, cerceamento do direito de defesa. Ressaltou que, até aquela data, permaneceria sem apreciação os pedidos de restituição realizados em formulário de papel pela Recorrente, no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão de primeira instância, após examinar o teor da ação judicial invocada, concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do crédito, tendo em vista que: a) o que foi determinado na decisão judicial proferida foi o recebimento e apreciação de pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulários de papel; b) por meio do processo administrativo nº 12448.732735/201278, a Recorrente solicitou a restituição de tributos incidentes na importação de mercadorias sobre as quais foi aplicada pena de perdimento, de períodos de pagamentos de 17/11/2008 ou de 24/11/2008; Fl. 72DF CARF MF Processo nº 12448.907678/201378 Acórdão n.º 1302002.834 S1C3T2 Fl. 4 3 c) em adição, por meio do processo administrativo nº 12448.732736/201212, pleiteou a restituição de 372 supostos pagamentos indevidos ou a maior, dentre os quais aquele objeto do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) tratado nos presentes autos; d) não há que se falar em nulidade por descumprimento de decisão judicial, posto que a decisão determinava apenas que os pedidos de restituição formulados em papel fosse conhecidos e apreciados; e) a análise do crédito tratado neste processo, e também incluído no processo nº 12448.732736/201212, será realizada nos presentes autos; f) as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732735/201278, de que se trataria de crédito pago em importação para a qual foi dada pena de perdimento, simplesmente não se aplicam ao caso em apreço, posto não se tratar de tributo incidente sobre a importação; g) considerando as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732736/201212 ("que teve suas atividades de importador direto desclassificadas, e que por decorrência de tal tratamento nos lançamentos efetuados nos PAF 10074.000924/200942 e 10074.000926/200931 as importações realizadas pela requerente estariam sendo imputadas a terceiro, o que justificaria, no seu entender, a restituição dos tributos pagos em seu nome"), uma vez que os lançamentos referidos foram realizados contra a própria Recorrente, e não contra terceiros, não procede a alegação de afastamento da sujeição passivo, quanto mais em relação a tributos não incidentes sobre a importação, como no presente caso; h) o pagamento cuja restituição se pleiteia está vinculado a valor de débito confessado por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a qual é meio hábil de confissão de dívida. A autoridade julgadora de primeira instância determinou, ainda, que o resultado do julgamento fosse informado no processo administrativo nº 12448.732736/2012 12, onde foi solicitada, por meio de formulário de papel, a restituição do mesmo crédito analisado nestes autos. Cientificado por meio eletrônico, em 03/05/2016, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 27/05/2016, no qual alegou que: a) o crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) decorre de pagamento indevido, em vista da desclassificação, pelas autoridades tributárias, de todas as operações de comércio exterior realizadas pela Recorrente entre 2002 e 2008; b) sempre se considerou importadora por conta própria, tendo um único cliente, por opção negocial e por atuar no limite de sua capacidade operacional, todavia, "a Receita Federal do Brasil, depois de rumorosa operação policial, depois de fiscalizar as atividades da Recorrente, reclassificoua como importadora por conta e ordem de terceiros" (Mobilitá Ltda, CNPJ nº 32.121.766/007557); c) em virtude da referida conclusão, teriam sido lavrados autos de infração, para cobrança de multas e diferenças de tributos aduaneiros, em relação às mercadorias que já haviam entrado em circulação comercial e não foram localizadas; Fl. 73DF CARF MF Processo nº 12448.907678/201378 Acórdão n.º 1302002.834 S1C3T2 Fl. 5 4 d) foi, ainda, decretado o perdimentos de mercadorias, por suposta interposição fraudulenta, mesmo após o pagamento dos tributos aduaneiros, de modo que tais tributos seriam indevidos; e) "houve por bem solicitar a restituição de tributos que se revelaram indevidos ou pagos a maior em razão da reclassificação jurídica de suas operações"; f) teve, consequentemente, desconsiderado o valor agregado ou margem de lucro na comercialização das mercadorias importadas, quando às mesmas remetia à MOBILITA, o que teria afetado "para mais os tributos que incidiam na transferência das mercadorias da Recorrente para o adquirente, pois eram cobrados preços além do custo de importação e despesas de frete etc., a margem de comercialização"; g) por esta razão efetuou os pedidos de restituição de valores pagos a mais a título de IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto sobre Produtos Importados (IPI), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), os quais também incidiam "sobre essa verba relativa à margem de comercialização das mercadorias importadas"; h) após haver transmitidos 74 Pedidos Eletrônicos de Restituição (PER), e diante da impossibilidade de pleitear por tal via créditos recolhidos a mais de cinco anos, impetrou Mandado de Segurança, visando ao recebimento dos pedidos (apenas dois), por meio de fomulários em papel; i) o seu direito ao recebimento e processamento dos pedidos efetuados de tal forma foi reconhecido judicialmente, por decisão que teria transitado em julgado; j) o acórdão recorrido incorreria em equívoco, "quando alega que a Recorrente considera que a decisão da 14ª VRRJ teria mandado prover os pedidos de restituição no mérito, e que, por isso haveria descumprimento da sentença. Não se trata disso."; k) o que sustenta é que os processos administrativos nº 12448.732735/2012 78 e 12448.732736/201212 "suplantam os PER/DECOMP originalmente apresentados e que não podia, como não pode, haver pedidos paralelos a correr perante a administração"; l) os PER deveriam haver sido cancelados, posto que os processos administrativos os teriam substituído; m) ao contrário, os PER teriam sido processados, deixando de lado os pedidos formulados em papel, que se encontraria paralisados desde fevereiro de 2012; n) haveria ineficiência, irrazoabilidade, ilegalidade em se exigir a apresentação, para cada recolhimento a maior ou indevido, de um PER; o) não se estaria discutindo, nestes autos, o mérito, mas sim a forma dos pedidos de restituição, posto que o PER ora analisado estaria prejudicado, como todos dos demais relativos ao mesmo fato, por força da decisão judicial exarada nos autos do citado Mandado de Segurança. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 12448.907678/201378 Acórdão n.º 1302002.834 S1C3T2 Fl. 6 5 Pleiteou, ao fim, a anulação de todo o procedimento, de modo que a discussão referente ao direito creditório pleiteado no PER sob análise fique vinculada unicamente aos pedidos de restituição formulados nos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.818, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 12448.907672/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.818): "I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 12 de maio de 2016, tendo apresentado seu Recurso em 27 de maio de 2016, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DA NULIDADE Conforme relatado, o Recurso apresentado não trata do mérito do PER analisado nestes autos, mas tãosomente pugna pela declaração de nulidade de todo o procedimento de análise do direito creditório pleiteado no referido Pedido. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 12448.907678/201378 Acórdão n.º 1302002.834 S1C3T2 Fl. 7 6 A apreciação do Recurso deve ser realizada observando se o disposto nos arts. 12 a 14 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: "Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art.13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Art.14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 61)." Segundo a Recorrente, a nulidade se originaria no fato de que a análise do PER estaria em desacordo com a decisão judicial proferida nos autos de Mandado de Segurança por ele impetrado, e que o PER em questão se encontraria prejudicado pelos pedidos de restituição formulados em papel no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão recorrida, contudo, esclarece, detalhadamente, a questão e demonstra a improcedência dos argumentos da Recorrente. O conteúdo do Recurso, por outro lado, apenas revela o acerto da decisão guerreada e põe luz sobre o equívoco do raciocínio formulado pelo sujeito passivo. A Recorrente, pelas razões que esclarece em seu recurso, apresentou o PER que deu origem aos presentes autos. Posteriormente, ingressou com Mandado de Segurança "objetivando ordem no sentido de que a autoridade impetrada Fl. 76DF CARF MF Processo nº 12448.907678/201378 Acórdão n.º 1302002.834 S1C3T2 Fl. 8 7 receba e processe o pedido de restituição de tributos" supostamente recolhidos por ela, de forma indevida. Importa destacar trecho da sentença exarada no processo judicial, que esclarece bem o seu escopo: "Como causa de pedir, sustenta, em síntese, que, na qualidade de importadora, recolheu diversos impostos e contribuições no período de 19/07/2002 a 19/11/2008; que alguns recolhimentos foram indevidos, tendo direito à restituição, nos termos do art. 165 do CTN. Alega que, apesar de ter preenchido o formulário aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 900/2008, para obter a restituição, as autoridades fiscais se negam a recebêlo, por se encontrar disponível no site da Receita Federal do Brasil formulário eletrônico para tal finalidade. Aduz, contudo, que o formulário eletrônico não aceita pedidos de restituição de tributos recolhidos há mais de cinco anos, contados da data do preenchimento do formulário; que o prazo para pleitear a restituição dos tributos sujeitos ao lançamento pelo regime de homologação é de dez anos e não de cinco anos, como aceito no formulário eletrônico." O conteúdo da citada decisão judicial, de outra parte, foi no sentido de "que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição da Impetrante, formulado em papel". Ou seja, como bem esclarecido pelo acórdão recorrido, não há, em absoluto, qualquer violação à referida decisão judicial no fato de que o pedido de restituição da Recorrente formulado por meio de PER seja analisado nos presentes autos. Ora, tal pedido foi apresentado, em meio eletrônico, em estrita obediência à legislação de regência dos pedidos de restituição e declaração de compensação, inexistindo qualquer vício que o invalide. A decisão judicial que favoreceu a Recorrente se limitou a determinar o recebimento e processamento dos pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulário de papel. E isto foi feito no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. O fato de o pedido formulado em papel abranger o crédito já pleiteado anteriormente em meio eletrônico será apenas mais um elemento a ser considerado pela autoridade administrativa quanto da análise daquele pedido. Jamais, há qualquer tipo de substituição, ou implicaria o cancelamento do PER. Tratamse de pedidos autônomos, com análises próprias. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 12448.907678/201378 Acórdão n.º 1302002.834 S1C3T2 Fl. 9 8 No caso, não há qualquer incompetência ou cerceamento do direito de defesa a atrair a incidência do art. 12 do Decreto nº 7.574, de 2011. Sequer se observa qualquer vício ou outro tipo de irregularidade nos presentes autos, razão pela qual deve ser rejeitada a alegação de nulidade formulada pela Recorrente. III DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO Não tendo sido deduzido no Recurso apresentado qualquer argumento ou pedido relacionado com o mérito do PER analisado nos presentes autos, devese considerar que a matéria não foi objeto de questionamento, mantendose incólume a decisão de primeira instância que não reconheceu o direito creditório. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a alegação de nulidade e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção do indeferimento da restituição do crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição de que tratam os presentes autos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660453/2012-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.854
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 53 /2 01 2- 27 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660453/201227 Acórdão n.º 3401004.854 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660453/201227 Acórdão n.º 3401004.854 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660453/201227 Acórdão n.º 3401004.854 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660453/201227 Acórdão n.º 3401004.854 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660453/201227 Acórdão n.º 3401004.854 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660453/201227 Acórdão n.º 3401004.854 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.004886/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
OPTANTE PELO SIMPLES FEDERAL. TRIBUTAÇÃO A PARTIR DO LIVRO DE APURAÇÃO DE ICMS.
Tendo o sujeito passivo declarado na DSPJ valores de receita bruta sobejamente inferiores àqueles consignados no Livro de Apuração do ICMS, escorreita a autuação referente aos tributos exigíveis aos optantes do Simples (Lei nº 9.317, de 1999), calculados a partir da diferença encontrada no cotejamento do Livro de Apuração do ICMS com a DSPJ do período fiscalizado.
OPÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LIVRO DE APURAÇÃO DE ICMS.
Ainda que tenha optado pela adoção do regime de caixa em sua DSPJ/2006, não tendo a fiscalizada apresentado a documentação necessária à aferição da correção dos valores lançados no Livro Caixa, restou ao representante fazendário efetuar o lançamento com base nos valores consignados no Livro de Apuração de ICMS.
MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTAS PESSOAS.
Havendo nos autos elementos suficientes à formação da convicção do julgador, quanto à presença de interpostas pessoas no contrato social da autuada, tem-se por caracterizado o evidente intuito de fraude no procedimento da pessoa jurídica, implicando na qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento).
PROVA INDICIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA (ART. 124, INC. I CTN).
Legítima a prova indiciária, também chamada de presuntiva, quando indícios fartos, graves, precisos e convergentes evidenciam que a pessoa jurídica possuía interpostas pessoas em seu quadro social e que o real beneficiário dos rendimentos era um terceiro, que administrava a empresa por meio de procuração, legitimamente considerado devedor solidário por força do disposto pelo art. 124, inc. I do CTN.
Numero da decisão: 1301-003.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da pessoa jurídica e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso do coobrigado, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por lhe dar provimento para excluir o coobrigado do polo passivo da obrigação tributária. Em relação ao recurso do coobrigado, o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o voto da relatora por suas conclusões. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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TRIBUTAÇÃO A PARTIR DO LIVRO DE APURAÇÃO DE ICMS. Tendo o sujeito passivo declarado na DSPJ valores de receita bruta sobejamente inferiores àqueles consignados no Livro de Apuração do ICMS, escorreita a autuação referente aos tributos exigíveis aos optantes do Simples (Lei nº 9.317, de 1999), calculados a partir da diferença encontrada no cotejamento do Livro de Apuração do ICMS com a DSPJ do período fiscalizado. OPÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LIVRO DE APURAÇÃO DE ICMS. Ainda que tenha optado pela adoção do regime de caixa em sua DSPJ/2006, não tendo a fiscalizada apresentado a documentação necessária à aferição da correção dos valores lançados no Livro Caixa, restou ao representante fazendário efetuar o lançamento com base nos valores consignados no Livro de Apuração de ICMS. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTAS PESSOAS. Havendo nos autos elementos suficientes à formação da convicção do julgador, quanto à presença de interpostas pessoas no contrato social da autuada, temse por caracterizado o evidente intuito de fraude no procedimento da pessoa jurídica, implicando na qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). PROVA INDICIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA (ART. 124, INC. I CTN). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 48 86 /2 00 8- 12 Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.083 2 Legítima a prova indiciária, também chamada de presuntiva, quando indícios fartos, graves, precisos e convergentes evidenciam que a pessoa jurídica possuía interpostas pessoas em seu quadro social e que o real beneficiário dos rendimentos era um terceiro, que administrava a empresa por meio de procuração, legitimamente considerado devedor solidário por força do disposto pelo art. 124, inc. I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da pessoa jurídica e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso do coobrigado, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por lhe dar provimento para excluir o coobrigado do polo passivo da obrigação tributária. Em relação ao recurso do coobrigado, o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o voto da relatora por suas conclusões. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.084 3 Relatório W D DISTRIBUIDORA LTDA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) DRJ/FOR (fls. 877 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação do contribuinte e do responsável solidário Sr. RENÉ DOS SANTOS ROCHA DE PINHO FILHO, e manteve o lançamento de SIMPLES, referente ao anocalendário de 2005, o valor total de R$1.873.591,61, decorrente de omissão de receitas em razão de diferença entre o declarado para o Fisco Federal e Estadual, com imputação de multa qualificada. Do Lançamento Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram: Consoante discorrido pelo AFRFB, as empresas a seguir relacionadas desenvolvem ou desenvolveram a atividade principal de distribuição de produtos alimentícios para animais, tendo sido observado que nessas empresas “os sócios da empresa W D Distribuidora trabalharam, trabalham ou prestam serviços”. S R Distribuidora Ltda.: • René dos Santos Rocha de Pinho Filho, período de 13/05/1998 a 22/03/2002; • Luiz Cláudio Paz Pinho, período de 13/05/1998 a 04/12/1998; • Wilton Nogueira de Queiroz Júnior, período de 04/12/1998 a 20/12/1999; • José da Costa Araújo, incluído em 20/12/1999 até o momento atual; e • Antonio Carlos Rodrigues dos Santos, incluído em 22/03/2002 até o momento atual. W D Distribuidora Ltda.: • Williames Leôncio da Cruz, participou no período de 24/06/2002 a 24/02/2003; • Daniel Márcio Silva dos Santos, incluído em 24/06/2002 até o momento atual; • Enilson Alves de Sousa, incluído em 24/02/2003 até o momento atual; e • René dos Santos Rocha de Pinho Filho, administra a empresa, através de procuração com prazo indeterminado, a partir de 21/07/2003. c) Royalpi Distribuidora Ltda.: • Mônica Maria Rezende dos Santos Rocha Pinho, incluída em 25/03/2003 e excluída em 22/11/2005; • Luiz Cláudio Paz Pinho, incluído em 25/03/2003 até o momento atual; e • René dos Santos Rocha de Pinho Filho, incluído em 22/11/2005 até o momento atual. Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.085 4 DOS SÓCIOS DA EMPRESA W D DISTRIBUIDORA E SUAS LIGAÇÕES COM AS EMPRESAS MENCIONADAS: Daniel Márcio Silva dos Santos: a) empregado da empresa S. R. Distribuidora, no período de 01/03/2002 a 30/01/2003; b) empregado da empresa Royalpi Distribuidora Ltda, no período de 01/01/2004 a 15/04/2005; c) empregado da empresa Prática Distribuidora Ltda, mas prestando serviços na empresa Royalpi Distribuidora Ltda, conforme informado em suas declarações prestadas a termo; d) conforme informações obtidas a termo, também trabalhou na Empresa W.D. Distribuidora Ltda, tendo apenas emprestado o seu nome para composição do quadro societário daquela empresa, situação que permaneceu até a conclusão da auditoriafiscal. Williames Leôncio da Cruz: a) empregado da S.R Distribuidora, no período de 01/04/2002 a 30/01/2003; b) empregado da empresa Luma Comércio Ltda, desde 01/06/2003, no entanto prestando serviço como entregador na empresa Royalpi Distribuidora Ltda, conforme consta em declaração prestada a termo; c) foi sócio da W D Distribuidora no período de 24/06/2002 a 24/02/2003. Enilson Alves de Sousa: a) empregado da S. R. Distribuidora Ltda, no período 01/03/1999 a 30/12/2000; b) empregado da S.R Distribuidora Ltda, no período de 01/10/2001 a 28/02/2003 (observese que ingressou como sócio na W D Distribuidora em 24/02/2003); c) empregado da Luma Comércio Ltda, no período de 01/06/2004 a 10/10/2007; d) empregado da empresa ROYALPI Distribuidora Ltda, desde 02/01/2008. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS De acordo com o que consta do Termo de Verificação, o livro Caixa apresentado pela autuada não pôde ser utilizado, para fins de mensuração da base de cálculo, em face da não apresentação completa da documentação necessária à verificação da correção dos lançamentos naquele livro efetuados. Parte da documentação havia sido apreendida pela Delegacia Especializada de Crimes Contra a Ordem Tributária, Econômica e Contra as Relações de Consumo do Estado do Piauí (DECCOTERC), o que motivou a utilização do livro de Apuração do ICMS para esse desiderato. Assim, os valores registrados no livro de Apuração de ICMS foram cotejados com os valores oferecidos à tributação, constantes da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ), procedimento que resultou na constatação da ocorrência de omissão de receita da ordem de R$ 6.639.143,95 (seis milhões, seiscentos e trinta e nove mil, cento e quarenta e três reais e noventa e cinco centavos), levada à tributação no presente lançamento fiscal conforme demonstrado na planilha Apuração da Receita com Base no Livro de Apuração do ICMS, fl. 101. DOS FATOS QUE LEVARAM À CONCLUSÃO DA UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.086 5 Em primeiro plano foi destacada a existência do instrumento de mandato outorgando amplos poderes ao Sr. RENÉ DOS SANTOS ROCHA DE PINHO FILHO para agir em nome da autuada. Também foi destacada a falta de capacidade financeira dos sócios Daniel Márcio Silva dos Santos e Williames Leôncio da Cruz, bem como do Sr. Enilson Alves de Sousa, o que restara evidenciado pelas declarações de imposto de renda dos supostos sócios e pelo próprio conteúdo das declarações tomadas a termo, quando foi afirmado pelo Sr. Daniel haver “emprestado o seu nome para a composição do quadro societário da empresa W. D. Distribuidora Ltda”. Foi ainda ressaltada a relação de dependência trabalhista dos senhores Daniel Márcio Silva dos Santos, Williames Leôncio da Cruz e Enilson Alves de Sousa, caracterizada pela sequência de vínculos empregatícios em empresas capitaneadas pelos irmãos René e Luiz Cláudio, inclusive o fato de todos os implicados, por ocasião da auditoriafiscal, permanecerem prestando serviços nas empresas relacionadas aos referenciados irmãos. Ante esses fatos, considerando encontrarse perfeitamente caracterizada a relação direta entre o Sr. RENÉ DOS SANTOS ROCHA DE PINHO FILHO e a pessoa jurídica sob procedimento fiscalizatório, restando demonstrado que a titularidade da empresa foi transferida para terceiros sem a devida capacidade financeira, com o provável objetivo de prejudicar o fisco, com substrato no art. 124 do Código Tributário Nacional (a estabelecer que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal), ex vi o estabelecido no Termo de Sujeição Passiva de fls. 500/501, o Sr. RENÉ DOS SANTOS ROCHA DE PINHO FILHO passou a integrar o pólo passivo da relação jurídicotributária na condição de devedor solidário. Ressaltese que aludido documento foi encaminhado ao domicílio tributário dessa pessoa natural, tendo sido recepcionado no dia 23/07/2008, fl. 502. DA MAJORAÇÃO DA MULTA A qualificação da multa, conforme destacado, foi processada em razão dos método empregados pela pessoa jurídica com o fim de “ocultar o verdadeiro proprietário da empresa W. D. Distribuidora Ltda.”, no caso o Sr. RENÉ DOS SANTOS ROCHA DE PINHO FILHO, como demonstrado nos itens anteriores, como também em razão da apresentação de “declaração falsa” relativa ao período sob fiscalização, quando foi informada para o fisco federal a receita de R$ 141.184,73 enquanto para o fisco estadual a autuada declarou receita da ordem de R$ 6.780.328,68. Foi ainda enfatizado que “tais condutas fraudulentas constituem crime contra a ordem tributária e ensejam, segundo o artigo 44 da lei 9.430/96, a aplicação da multa majorada de 150%”. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 504/549, que aduziu os seguintes argumentos: • inicialmente foi alegada a ocorrência de bis in idem para o lançamento neste processo tratado, pois a autuação também teria sido efetivada no bojo da mesma fiscalização em outro processo, o de número 10384.004885/200878; • foi suscitada a nulidade do lançamento pois o Mandado de Procedimento Fiscal não teria sido acostado ao processo administrativo fiscal de exigência do crédito tributário; Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.087 6 • foi requerida a insubsistência do lançamento em virtude da autoridade fiscal haver se valido diretamente do livro de Apuração do ICMS para fins de determinação do faturamento da pessoa jurídica pois, segundo arrazoado, tal procedimento somente seria tolerável caso o fisco se encontrasse impossibilitado de colher as informações pertinentes nos livros contábeis e fiscais da pessoa jurídica (Razão, Diário e Caixa), pela não apresentação desse documentário à autoridade fiscal, o que não corresponderia à realidade, em que a pessoa jurídica teria atendido “prestativamente as informações a ela direcionadas”; • foi postulada a ilegalidade do lançamento em razão da empresa haver sido autuada com base no regramento estabelecido para os optantes do Simples (Lei nº 9.317, de 1996), visto que a autoridade lançadora teria apurado que a pessoa jurídica foi constituída com o uso de interpostas pessoas (o verdadeiro sócio seria o Sr. RENÉ DOS SANTOS ROCHA DE PINHO FILHO, que teria se valido de “laranjas” para figurarem na condição de responsáveis pela sociedade empresarial em seu lugar), tendo ainda teria sido apurada omissão de receita em montante superior ao limite legal para permanência no regime simplificado, situações que implicariam na autuação através de outra modalidade de tributação, que não o Simples, visto tornarse “imperiosa a exclusão da empresa do SIMPLES, por dois motivos autônomos”; o segundo defendido, o art. 15 da Lei nº 9.317, de 1996, de uma forma geral, dota o ato de exclusão do sujeito passivo da sistemática do Simples de eficácia ex tunc, “resolvendo o regime geral desde o momento em que o contribuinte incorreu em alguma situação que lhe desautorizava a sua opção, apenas excepcionalmente admitindo que a cassação da tributação favorecida gere efeitos ex nunc, ou seja, em relação a fatos geradores ocorridos posteriormente à formalização da exclusão”; o a hipótese excepcional seria aquele prevista no inc. I do art. 15 da Lei nº 9.317, de 1996,“em que o contribuinte, sponte propria, manifesta o seu desinteresse por ser tributado pelo regime favorecido”, “nas demais hipóteses a eficácia da exclusão retroage à data do descumprimento das condições, e não apenas quando ele for formalmente constatado pela autoridade competente”; o no que toca especificamente à exclusão pelo fato de o contribuinte haver “ultrapassado o limite máximo de receita bruta, hipótese prevista no art. 13, II, b, alhures colacionado, o legislador houve por bem dedicar um item específico”, tendo a defesa citado o inc. III do art. 15 da Lei nº 9.317, de 1996, a determinar efeitos retroativos à exclusão do regime simplificado; o no que tange à “grave acusação” de se tratar de “interposta pessoa”, foi feita alusão ao inc. V do art. 15 da Lei nº 9.317, de 1996, a determinar que a exclusão do Simples surtirá efeito “a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior”, observandose que o inc. IV do art. 14 diz respeito à “constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual”; o “a exclusão da empresa do SIMPLES, a definição dos efeitos temporais desta exclusão, bem assim, a definição do regime tributário aplicável ao contribuinte, não são questões passíveis de variar ao sabor da conveniência da autoridade lançadora”; o “A autoridade lançadora, conquanto tenha excluído de oficio a Defendente do SIMPLES, optou por manipular, ao seu talante, as conseqüências jurídicas da exclusão, conferindolhe efeitos retroativos mitigados, limitandolhes aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2006”; o “Ao proceder desta forma, submeteu a Defendente a regime de tributação a ela sabidamente inaplicável, já que, mercê da eficácia ex tunc ínsita da cassação de benefícios fiscais, voltou a empresa a ser tributada de acordo com a sistemática Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.088 7 geral, inviabilizando, portanto, a determinação dos créditos tributários a seu cargo com base na Lei 9.317/96”; o “Assim, sendo imperiosa a determinação dos créditos tributários decorrentes dos fatos geradores praticados pela Impugnante em conformidade com as normas gerais de incidência dos tributos abrangidos pelo SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS), desponta de forma inexorável a ilegalidade do lançamento praticado com base em legislação diversa daquela que regia as incidências tributárias por ele colhidas”; o “Vêse, assim, que é imperiosa a anulação do lançamento ora impugnado, por haver enfeixado tributação completamente distinta daquela aplicável, sonegando vigência, portanto, à legislação pertinente.”; • foi arregimentada ainda tese consistente na incorreta determinação do quantum debeatur, pela adoção de alíquota diversa da que seria aplicável à espécie nos meses de março/2005 a dezembro/2005; o segundo discorrido, no mês de março/2005 foi adotada a alíquota global de 8,60% sendo que, nos demais meses, o percentual passou a ser de 10,32%; o no entender do defendente, à luz da legislação apresentada, a sobretaxa de 20,00% deveria ser aplicada sobre o percentual de 7,00%, pelo que chegou ao percentual de 8,40% que, a seu ver, deveria ter sido aquele aplicado pela autoridade lançadora; • segundo discorrido, a base de cálculo adotada no lançamento estaria indevidamente majorada, em razão da utilização do regime de competência, no lugar do regime de caixa; o registrou a impugnante que a autoridade tributária tomou por base os valores escriturados no livro de Apuração de ICMS, que são registrados à medida que os produtos são comercializados, independentemente do efetivo recebimento do numerário a eles correspondentes (regime de competência); o “a Impugnante, conquanto tenha realizado ao longo do anobase de 2005 operações que perfizeram o montante total de, aproximadamente R$ 6.000.000,00, segundo estampado em seu Livro de Apuração de ICMS, recebeu efetivamente quase a metade desse valor”; o “Pois bem, força é convir que o reconhecimento das receitas (...) no ‘Livro de Apuração de ICMS’ é realizado de acordo com as diretrizes do regime de competência, posto que privilegia o momento em que o direito foi, juridicamente, integrado ao patrimônio do contribuinte, independentemente da sua efetiva realização, do seu efetivo recebimento.”; o “Sucede que como se infere da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica apresentada pela Defendente em relação ao anocalendário de 2005 (fls. 148), a empresa adotou com critério de reconhecimento das receitas o regime de caixa.”; o “Especificamente no que concerne ao SIMPLES, a adoção do regime de caixa foi expressamente admitida pela Instrução Normativa SRF nº 355, de 29 de agosto de 2003, vigente à época dos fatos geradores colhidos pelo lançamento (...).”; o “(...) a impugnante optou abertamente pelo regime de caixa. (...) A despeito disso, e, conquanto estivesse a autoridade fiscal, em mãos, com o Livro Caixa e com os extratos bancários da empresa relativos ao período fiscalizado, optou, ao perpassar para o lançamento o critério de reconhecimento de receitas refletido no Livro de Apuração de ICMS, por tributála pelo regime de competência.”; o “Assim, a base tributável deve se limitar aos valores que efetivamente ingressaram nos caixas da Defendente, regularmente escriturados no Livro Caixa – cuja correção sequer foi posta em dúvida pela autoridade fiscal – e corroborados pelos extratos bancários fornecidos pela empresa, com a consequente redução do quantum debeatur do lançamento impugnado.” Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.089 8 • foi questionada a imposição da multa de ofício qualificada, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) por alegada ausência do evidente intuito de fraude; o assinalou a litigante, à guisa da doutrina de Marco Aurélio Grecco, se tratar a multa qualificada, no percentual de 150%, de exceção à regra geral, consistente na imposição da penalidade no percentual de 75%, sendo a majoração somente admissível com a adoção das cautelas necessárias, aplicandose nas “hipóteses absolutamente nítidas que não envolvam avaliações subjetivas e cujos fatos tenham sua qualificação jurídica incontroversa”; o ressaltou o fato de a atual redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, trazida a lume pela Lei nº 11.488, de 2007 (conversão da MP 303, de 2006), haver suprimido a expressão “evidente intuito de fraude”, bastando para a exasperação da penalidade que o caso em apreciação subsumase ao estabelecido pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964; o com alteração legislativa, a intenção do legislador seria a de “facilitar o manejo pelo Fisco da multa qualificada, tornando menos tormentosa a atividade fiscal voltada a cominála. De fato, se antes era indispensável a minuciosa demonstração daquele pressuposto, agora isso é prescindível, bastando a tão só incursão do sujeito passivo em alguma das condutas tipificadas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.”; o a contrario senso, “para a imposição da multa qualificada do inciso ‘II’ do art. 44 da Lei 9.430/96 – na sua redação original – não é suficiente a só configuração de alguma das situações tarifadas pelos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.”; o “a eventual incursão do sujeito passivo em algum dos ilícitos daqueles artigos da Lei 4.502/64 é condição necessária mas não suficiente para a exasperação da sanção prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, sendo indispensável, ainda, a configuração do ‘evidente intuito defraude’, que, se guarda grande afinidade com aquelas condutas típicas, com elas não se confunde.”; o na visão da litigante, a legislação vigente à época dos fatos geradores exigia, além da prática de uma das condutas tipificadas pelos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, um plus adicional consistente na caracterização do “evidente intuito de fraude”, ressaltando ainda que para todos esses dispositivos legais é exigida a presença de procedimento doloso por parte do agente; o para a autuada, a configuração da fraude requer, além do dolo, o manejo de artifícios ardilosos voltados à adulteração dos elementos identificadores do fato gerador do tributo como a emissão de nota fiscal por valor inferior àquele praticado na operação (subfaturamento), escrituração de despesas inexistentes (com lastro em documentação inidônea), emissão de documentos fiscais com valores distintos (nota calçada), manutenção de contabilidade paralela e nãoescriturada (caixa dois), etc, o que não corresponderia ao caso em apreciação em que a pessoa jurídica “mantém rigorosa e minuciosa escrituração, apta a refletir perfeitamente todos os contornos dos fatos geradores praticados (...)”; o na sequência, foi apresentada substancial quantidade de decisões administrativas nas quais foi evidenciada a inaplicabilidade da multa qualificada na hipótese de os valores faturados se encontrarem devidamente contabilizados, sem vícios nem fraudes, não bastando para a imposição dessa penalidade a mera verificação de declaração inexata, ou seja, a apresentação de declaração (DSPJ, no caso em julgamento) contendo o registro de valores inferiores àqueles efetivamente auferidos; o em seguida, buscou desqualificar os fatos que levaram, no caso concreto, à imposição da multa qualificada, ou seja, a ocultação do verdadeiro proprietário da empresa (Sr. RENÉ DOS SANTOS ROCHA DE PINHO FILHO), que teria se servido de interpostas pessoas no quadro societário da pessoa jurídica, assim como Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.090 9 a prestação de “declaração falsa” (na DSPJ foi declarada receita bruta de R$ 141.184,73 enquanto para o fisco estadual a receita declarada de R$ 6.780.328,68); o “primeiramente uma ressalva se impõe: a acusação de interposição de pessoa recai não sobre a Impugnante, mas sim sobre um dos sócios componentes do seu capital social (...) percebese, ictu oculi, que a convicção fiscal restou comprometida por uma confusão entre a pessoa jurídica acusada e a pessoa dos sócios integrantes da sociedade.”; o “ainda que se tenha por caracterizada suposta interposição de pessoas, restrita à composição do capital social da empresa, este ilícito atribuído exclusivamente a um de seus (supostos) sócios não terá, por óbvio, qualquer repercussão sobre os direitos e obrigações da sociedade, ora Defendente.”; o “É certo que a conduta atribuída ao suposto sócio da empresa configura, em tese, ato fraudulento. Todavia, esta suposta fraude não teve o condão de falsear qualquer dos aspectos dos fatos geradores captados pelo lançamento ora impugnado. (...) Assim, somente quando se lograr falsear o fato gerador da exação que se poderá cogitar da aplicação da multa exasperada de 150%. ”; o na esteira dessas considerações, apresentou ementas de decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do extinto Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda em que foi decidido que a comprovação da interposição de pessoas sem capacidade econômica no quadro societário não seria motivo para a qualificação da multa; Ao final de tudo, a pessoa jurídica formulou pedido no seguinte sentido: i) seja CANCELADO o lançamento, em razão do “bis in idem” com o crédito tributário constituído pelo Auto de Infração n. 10384.004885/200878; ii) sucessivamente, seja proclamada NULIDADE do lançamento impugnado, em razão da ausência de Mandado de Procedimento Fiscal no processo administrativo a ele referente; iii) sucessivamente (ii), seja julgado IMPROCEDENTE o lançamento, em razão da (ii.a) impossibilidade de a autoridade fiscal se utilizar diretamente das informações constantes do "Livro de Apuração de ICMS" para a determinação da receita bruta da empresa, da (ii.b) invalidade da tributação da empresa pelas regras do SIMPLES, por estarem configuradas situações que torvavam obrigatória a sua exclusão daquele regime especial, sujeitandoa, portanto, às normas gerais aplicáveis às demais pessoas juridicas, ou, ainda, da (ii.c) indevida adoção do regime de competência, embora seja a empresa optante pelo regime de caixa; iv) sucessivamente seja julgado PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento, (iii.a) adotandose, em relação aos fatos geradores relativos aos meses de março a dezembro, a aliquota global de 8,40% (0,78% [IRPJ], 1 1,20% [CSLL], 0,78% [PIS], 2,4% [COFINS] e 3,24% [INSS1), (iii.b) adotandose, como base de cálculo dos créditos tributários constituídos, a receita efetivamente recebida pela empresa, escriturada em seu Livro Caixa e comprovada pelos seus extratos bancários, mercê da sua opção pelo regime de caixa, e, ainda, afastandose a multa qualificada do art. 44, II da Lei 9.430/96 (150%), com a aplicação da multa de ofício genérica do art. 44, I (75%) daquele diploma, por não ter restado demonstrado, em relação à própria empresa, o "evidente intuito defraude". IMPUGNAÇÃO DA PESSOA NATURAL RENÉ DOS SANTOS ROCHA DE PINHO FILHO O lançamento também foi impugnado pela pessoa física RENÉ DOS SANTOS ROCHA DE PINHO FILHO (levado ao pólo passivo da tributação na condição de devedor solidário através do Termo de Sujeição Passiva de fls. 500/501), conforme documento recepcionado pelo órgão de origem no dia 14/08/2008, documento em que foram trazidos à baila os argumentos sintetizados nos itens subsequentes. Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.091 10 • preliminarmente foi suscitada a nulidade do lançamento pela impossibilidade da oitiva das testemunhas sem que fosse dada ao requerente a oportunidade de se fazer presente ao ato, o que teria violado o princípio da ampla defesa (CF/88, art. 5º, LV); • ainda com sede em preliminar foi requerida a nulidade do lançamento pela impossibilidade de o autuado ter acesso aos elementos imprescindíveis à verificação da correção dos dados que embasaram o lançamento, o que teria cerceado o seu amplo direito de defesa; • foi argumentada a inconsistência dos indícios que deram substrato ao lançamento, que seriam insuficientes para a conclusão do uso de interposta pessoa no quadro social da autuada; o foram apontadas supostas evidências que desautorizariam a suposição da utilização de interposta pessoa, que teriam sido deliberadamente negligenciadas pela autoridade lançadora, que teria se omitido de demonstrar a configuração dos requisitos inerentes à condição de sócio; o foi tentada a descaracterização da incapacidade financeira dos sócios, assim como a “excessiva capacidade do autuado”; o foi suscitado o caráter inconclusivo dos depoimentos tomados que teriam diversos vícios tais como a não instrução dos depoentes sobre a necessidade de dizer a verdade e o “nítido interesse dos depoentes sobre o resultado da fiscalização”; o foi ainda considerada como “falaciosa” a tentativa de caracterizar uma sequência de empresas; • por derradeiro, foi defendida a impropriedade da responsabilização do requerente com fundamento no art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Ao final de tudo, o requerente formulou o seguinte pedido: (A) ANULAR o lançamento no que toca ao Requerente, em razão da violação ao seu direito à ampla defesa (CF/88, art. 5°., "LV"), por não ter sido cientificado acerca da realização dos depoimentos que embasaram a pretensão fiscal, não lhe sendo, por conseguinte, oportunizado se fazer presente naqueles decisivos atos; (B) em sendo rejeitado o pedido (A), ANULAR o lançamento no que toca ao Requerente, por cerceamento do seu direito de defesa (CF/88, art. 5°., "LV"), por estar impossibilitado de exercer a contento o seu direito à prova, já que o Fisco não carreou aos autos os elementos necessários para permitirlhe o controle da correção dos dados utilizados pela autoridade lançadora para o cálculo do credito tributário; (C) em sendo rejeitados os pedidos (A) e (B), julgar IMPROCEDENTE o lançamento no que toca ao Requerente, em razão das inconsistências dos alegados "indícios" constatados pela fiscalização para vinculálo à empresa autuada, bem assim da sua manifesta insuficiência para autorizar a grave imputação de utilização de pessoa interposta; (D) em sendo rejeitados os pedidos (A), (B) e (C), julgar IMPROCEDENTE o lançamento no que toca ao Requerente, em razão da flagrante impropriedade da aplicação do art. 124 do CTN à espécie, por não estar caracterizado, sob nenhuma circunstância, o seu "interesse comum" no fato gerador dos tributos lançados; (E) em sendo rejeitados os pedidos (A), (B), (C) e (D), julgar PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento, reduzindo a multa aplicada para o patamar do art. 44, I da Lei 9.430/96 (75%). Em 29/05/2009, por meio do acórdão nº. 0815.628 (fls. 699/708), a 3ª Turma da DRJ de Fortaleza considerou a impugnação procedente, em razão da existência de vício Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.092 11 material nos lançamentos. Isso porque, verificado que a caracterização da interposição de pessoa remonta ao ano de 2003, anterior, portanto, aos fatos jurídicos tributários objeto dos lançamentos, que são de 2005, deveria a autoridade fiscal autuante ter excluído o contribuinte do Simples desde aquela data e não somente a partir de 01/01/2006, como foi feito. Assim, não poderia ser aplicado ao contribuinte o regime de tributação do Simples no anobase de 2005, ante o preceito contido no inciso V do art. 15 da Lei nº. 9.317/96. Como o presidente daquela turma recorreu de ofício ao CARF, o caso veio para análise nesta câmara. Na ocasião, conforme acórdão nº. 104200.397 (fls. 713/719), de 27/01/2011, esta câmara decidiu que a exclusão do Simples é feita de oficio quando constatada fraude por interposição de pessoas na composição societária de empresa e tem aplicação imediata em detrimento do contribuinte faltoso. No entanto, a falta de exclusão imediata beneficia o contribuinte e não poderia ser alegada por ele para solicitar a anulação do lançamento. Noutras palavras, decidiuse que não seria cabível a anulação do auto, sem que se fosse anulado o decreto de exclusão. Além disso, uma vez que o contribuinte não demonstrou ter renunciado ao Simples, nem demonstrou ter recolhido os tributos pela sistemática do lucro real, não teria interesse na alegação de erro de eleição do método, já que foi beneficiado pelo tratamento mais favorável. Assim, considerando o provimento do recurso de oficio que afastou a nulidade do auto de infração, foi determinado o retorno dos autos à DRJ para que fossem examinadas as demais matérias contidas na impugnação. Desse acórdão o contribuinte pessoa jurídica foi cientificado via Edital nº. 31/2011 (fls. 731), afixado em 23/05/2011 e o responsável solidário René dos Santos Rocha de Pinho Filho em 24/05/2011 (fl. 721). Nesse passo, em 30/05/2011, o responsável solidário apresentou tempestivamente Embargos de Declaração (fls. 724/735). Tais Declaratórios (fls. 733/744) pleiteiam (i) a correção de suposto erro de fato, consistente na premissa equivocada de que teria partido o r. acórdão embargado, ao supor que o afastamento da tributação pelo Simples, no caso em análise, seria desvantajoso para o sujeito passivo; e (ii) seja sanada a suposta omissão, uma vez que o r. acórdão embargado não se pronuncia sobre a disposição do art. 15, V, da Lei n. 9.317/96, tese central da decisão reformada (eficácia prospectiva/retroativa da exclusão do Simples). A 3ª Turma da DRJ de Fortaleza, ao analisar novamente a impugnação, por meio do acórdão nº. 0823.922, de 16/08/2012, deu novamente provimento à defesa para declarar nulo o lançamento por vício material em razão da incorreta determinação da base de cálculo e alíquotas aplicáveis, uma vez que, em razão de haver se servido de interpostas pessoas, o contribuinte deveria ter sido excluído da sistemática do SIMPLES desde a sua constituição, aplicandose ao lançamento o regramento estabelecido para as pessoas jurídicas em geral, conforme o caso (lucro real trimestral ou lucro arbitrado). Dessa decisão, a DRJ apresentou novamente recurso de oficio a este CARF. O Colegiado, por sua vez, analisou tais Embargos em 6 de março de 2013 e emitiu o acórdão 1402001.339, onde por unanimidade de votos, decidiuse por votos:(i) declarar nulos todos os atos processuais posteriores à interposição dos embargos de declaração;(ii) conhecer dos embargos de declaração para, no mérito, rejeitálos; e: (iii) Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.093 12 determinar o retorno dos autos para nova apreciação pelo Órgão julgador de primeira instância, que deverá examinar novamente as matérias contidas na impugnação, com exceção da preliminar de nulidade do lançamento em razão da incorreta aplicação dos dispositivos relacionados à exclusão retroativa do contribuinte do Simples, matéria essa já definitivamente julgada e afastada por este Conselho. Assim, em julgamento realizado em 30 de agosto de 2013, a 3ª Turma da DRJ/FOR, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 08 26.491 assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 DUPLICIDADE NA COBRANÇA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Insubsistente a alegação da defesa, quanto à duplicidade da cobrança do crédito tributário, dada a comprovação de que somente no presente processo é que a autuação fiscal se encontra cadastrada. IRREGULARIDADE NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) representa mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades de auditoria fiscal. Eventuais irregularidades em relação a este documento, por não interferirem na competência da autoridade fiscal nele designada, nem representarem cerceamento ao direito de defesa, não ensejam a nulidade do lançamento. OPTANTE PELO SIMPLES FEDERAL. TRIBUTAÇÃO A PARTIR DO LIVRO DE APURAÇÃO DE ICMS. Tendo o sujeito passivo declarado na DSPJ valores de receita bruta sobejamente inferiores àqueles consignados no Livro de Apuração do ICMS, escorreita a autuação referente aos tributos exigíveis aos optantes do Simples (Lei nº 9.317, de 1999), calculados a partir da diferença encontrada no cotejamento do Livro de Apuração do ICMS com a DSPJ do período fiscalizado. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO E DA ALÍQUOTA. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. MATÉRIA APRECIADA EM RECURSO DE OFÍCIO PELO CARF. Com sede em julgamento de recurso de ofício, que reformou decisão da DRJ Fortaleza, nesse particular, o alegado erro na mensuração dos créditos tributários exigidos diz respeito a matéria definitivamente julgada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), o que impossibilita que esta instância julgadora volte a apreciar a matéria. ERRO NAS ALÍQUOTAS CONSIDERADAS NA AUTUAÇÃO. Não procede o argumentado da defesa quanto à existência, no período de março a dezembro de 2005, de suposto erro nos percentuais considerados na autuação, posto que efetivada em perfeita sintonia com a legislação vigente à época dos fatos geradores. Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.094 13 OPÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LIVRO DE APURAÇÃO DE ICMS. Ainda que tenha optado pela adoção do regime de caixa em sua DSPJ/2006, não tendo a fiscalizada apresentado a documentação necessária à aferição da correção dos valores lançados no Livro Caixa, restou ao representante fazendário efetuar o lançamento com base nos valores consignados no Livro de Apuração de ICMS. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTAS PESSOAS. Havendo nos autos elementos suficientes à formação da convicção do julgador, quanto à presença de interpostas pessoas no contrato social da autuada, temse por caracterizado o evidente intuito de fraude no procedimento da pessoa jurídica, implicando na qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). NULIDADE. OITIVA DE TESTEMUNHAS. AUSÊNCIA DO DEVEDOR SOLIDÁRIO. Inexiste, dentre as normas legais e regulamentares aplicáveis ao caso, qualquer comando legal a impor a presença, nos depoimentos prestados pelas interpostas pessoas, da pessoa natural considerada pela fiscalização como a real beneficiária dos rendimentos auferidos pela pessoa jurídica. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ACESSO AO LIVRO DE APURAÇÃO DO ICMS. PREJUÍZO À DEFESA DO DEVEDOR SOLIDÁRIO. Estando o impugnante imbuído dos mais amplos poderes que lhes foram conferidos por instrumento de mandato, não há como prevalecer o argumento de prejuízo à defesa pela impossibilidade de acesso ao Livro de Apuração de ICMS. PROVA INDICIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA (ART. 124, INC. I CTN). Legítima a prova indiciária, também chamada de presuntiva, quando indícios fartos, graves, precisos e convergentes evidenciam que a pessoa jurídica possuía interpostas pessoas em seu quadro social e que o real beneficiário dos rendimentos era um terceiro, que administrava a empresa por meio de procuração, legitimamente considerado devedor solidário por força do disposto pelo art. 124, inc. I do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Dos Recursos Voluntários A contribuinte e o responsável solidário apresentaram recursos voluntários às fls. 964 e ss e 1001/1075, onde reforçam os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: que a Lei 9.312/96 (art. 18) é taxativa e expressa no sentido de que a autuação das empresas optantes pelo SIMPLES com fundamento em suposta omissão de Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.095 14 receita deve ser feita exclusivamente com base nos livros obrigatórios para aquelas pessoas jurídicas, dentre os quais não se inclui o Livro de Apuração do ICMS, única fonte consultada durante a ação fiscal. que o art. 23, §3º, da Lei 9.317/96 fundamento legal da alíquota global do SIMPLES na hipótese de ultrapassagem do limite da receita bruta definido para esta sistemática, à época dos fatos, remetia textual e expressamente à alínea "e" (e não à "i") do art. 5º, II, do mesmo diploma, de forma que o percentual base do acréscimo de 20% é 7% (não 8,6%), resultando em uma carga tributária total de 8,40%, tendo a autoridade autuante, no entanto, aplicado o percentual de 10,32% à receita supostamente auferida nos meses de mar/2005 a dez/2005. tendo a empresa optado pelo "regime de caixa", no anobase de 2005, conforme permitido pelo art. 4º, §2º, IN/SRF 355/2003, é com base nele que deve ser apurada a suposta omissão de receita a ela imputada, a teor do art. 24 da Lei 9.249/96 c/c art. 18 da Lei 9.317/96; no entanto, ao utilizarse do Livro de Apuração do ICMS, desprezando absolutamente o Livro Caixa reconhecidamente detido e apresentado pela empresa, a autoridade fazendária acabou por, inadvertidamente, aplicar regime de tributação indevido e inadequado, posto que as receitas escrituradas no livro privilegiado pela fiscalização, como é elementar, são reconhecidas de acordo com "regime de competência"; e indevida e ilegal a imposição da multa qualificada, uma vez que o núcleo de todas as figuras abrangidas pelo tipo legal centrase no fato gerador do tributo, o qual, a rigor, em nada é afetado pela interposição de pessoas principal acusação da fiscalização Já o Sr. Rene alegou em sede de preliminar a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, por não ter sido lhe oportunizado participar dos depoimentos utilizados como fundamento da imputação que lhe foi dirigida. E ilegalidade da atribuição ao recorrente da condição de responsável solidário pelo crédito tributário inadequação do art. 124, I do CTN. Ilegalidade da imposição da multa qualificada. Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 23/02/2018. É o relatório. Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.096 15 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte foi autuada para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS no regime simplificado SIMPLES, relativo ao anocalendário de 2006, totalizando o crédito tributário de R$1.873.591,61, incluindo multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora. A contribuinte foi cientificada por edital, fls. 958, do teor do acórdão da DRJ/FOR e intimada ao recolhimento dos débitos em 02/10/2013 e o responsável tributário foi cientificado em 21/10/2013 (AR de fl. 959), e apresentaram em 31/10/2013 e 18/11/2013, recurso voluntários, respectivamente, juntados às fls. 964/994 e 1001/1075. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, deles conheço. A ação fiscal identificou omissão de receitas em razão de receitas declaradas ao fisco federal substancialmente inferior ao declarado ao fisco estadual, no anocalendário de 2005. O contribuinte, objetivamente, recorre dos seguintes pontos: 1) que a Lei 9317/96 (art. 18) é taxativa e expressa no sentido de que a autuação das empresas optantes pelo SIMPLES com fundamento em suposta omissão de receita deve ser feita exclusivamente com base nos livros obrigatórios para aquelas pessoas jurídicas, dentre os quais não se inclui o Livro de Apuração do ICMS, única fonte consultada durante a ação fiscal. Alega o contribuinte que o lançamento não deve subsistir pois o fisco simplesmente alterou sua opção pelo regime de caixa pelo de competência. Ora, da análise do andamento do procedimento fiscal que ocorreu junto à contribuinte, podemos verificar que quando intimado a apresentar documentações, juntou o Livro de Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências e os Livros de Entrada, Saída e de Apuração do ICMS, além dos comprovantes de recolhimento do ICMS, das notas fiscais de entradas (relativas ao período de agosto/2005 a dezembro/2005), bem como extratos bancários do Banco do Brasil. Posteriormente apresentou o Livro Caixa e extrato bancário do Banco Sudameris. Instado a apresentar a documentação relativa ao período de janeiro a junho de 2005, o contribuinte afirmou que eles estavam na Secretaria da Fazenda Estadual do Piauí, e não apresentou mais nenhum documento, nem em fiscalização, nem em impugnação, ou mesmo em sede recursal. Conforme asseverado na decisão recorrida, diante de tal situação, a fiscalização poderia optar pelo Livro Caixa ou Livro de Apuração de ICMS, porém, o Livro Caixa se mostrou incompleto, sem as informações do 1o semestre de 2005, e sem que a Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.097 16 fiscalizada apresentasse outras documentações que suprissem tal falta, dessa forma, a receita bruta foi apurada com base no Livro de apuração do ICMS, que se mostrou muito superior, e assim, foi intimada a esclarecer tais fatos, porém, quedouse inerte. Assim, à contribuinte foi dada a chance de apresentar a documentação que lhe foi solicitada e que ela deveria ter mantido em sua guarda, ou mesmo prestar esclarecimentos, diante de sua inércia, outra opção não teve que não se utilizar do Livro de Apuração do ICMS. Dessa forma, diferente do que faz crer a contribuinte, a utilização do Livro de Apuração do ICMS, quando devidamente intimada a apresentar outros Livros, não o fez, o lançamento se mostra válido. 2) que o art. 23, §3º, da Lei 9.317/96 fundamento legal da alíquota global do SIMPLES na hipótese de ultrapassagem do limite da receita bruta definido para esta sistemática, à época dos fatos, remetia textual e expressamente à alínea "e" (e não à "i") do art. 5º, II, do mesmo diploma, de forma que o percentual base do acréscimo de 20% é 7% (não 8,6%), resultando em uma carga tributária total de 8,40%, tendo a autoridade autuante, no entanto, aplicado o percentual de 10,32% à receita supostamente auferida nos meses de mar/2005 a dez/2005. Alega o recorrente que houve erro quando do cálculo, já que seguindo o art. 5º da Lei 9.317/96, o percentual aplicado quando houvesse excesso no limite estaria incorreto, seria 8,4% e não 10,32%. Vejamos o que diz o referido artigo: Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: Art. 23 §3º A pessoa jurídica cuja receita bruta, no decurso do ano calendário, exceder ao limite a que se refere o inciso II do art. 2º, adotará, em relação aos valores excedentes, dentro daquele ano, os percentuais previstos na alínea e do inciso II e nos §§ 2º, 3º, inciso III ou IV, e § 4º, inciso III ou IV, todos do art. 5º, acrescidos de 20% (vinte por cento), observado o disposto em seu § 1º. A diferença apontada pelo recorrente não levou em conta a alteração que a Lei 9.317/96 sofreu com a Lei 9.732/98, vigente na época dos fatos geradores, que alterou os percentuais, notadamente do INSS, passando para: i) em relação à faixa de receita bruta de que trata a alínea "i" do inciso II do art. 5o: 1 sessenta e cinco centésimos por cento, relativos ao IRPJ; 2 sessenta e cinco centésimos por cento, relativos ao PIS/PASEP; Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.098 17 3 um por cento, relativo à CSLL; 4 dois por cento, relativos à COFINS; 5 quatro inteiros e três décimos por cento, relativos às contribuições de que trata a alínea "f" do § 1o do art. 3o. (grifei) Verificando o que foi aplicado, temos: • jan/05, com receita bruta acumulada de R$ 460.287,17 – percentual de 6,20%; • fev/05, com receita bruta acumulada de R$ 954.712,31 – percentual de 7,80%; • mar/05, com receita bruta acumulada de R$ 1.368.366,16 – percentual de 8,60% para a parcela da receita até R$ 1.200.000,00 e do percentual de 10,32% para a parcela de R$ 168.366,16; e • abr/05 a dez/05, período em que a receita bruta acumulada excedeu o limite de R$ 1.200.000,00 – percentual de 10,32% para todo o período. Assim, já que corretos os percentuais aplicados, considerando o aumento de 20% dada a extrapolação do limite, não merece prosperar o argumento apresentado. O terceiro item se confunde com o primeiro, já discutido aqui, acerca da utilização do Livro de Apuração do ICMS para se apurar a receita bruta e consequentemente o lançamento. Da multa qualificada Questiona a recorrente a aplicação da multa qualificada de 150%. Em seu entendimento, não haveria a configuração da qualificadora, ou seja, do intuito doloso de sonegação, fraude ou conluio, de tal forma que o percentual aplicado deveria ser o de 75%. Segundo o TVF, a majoração da multa se deu pelas evidências de utilização de métodos para ocultar o verdadeiro proprietário da empresa WD Distribuidora, apresentação de declaração falsa no anocalendário de 2005, de omitir receitas, quando declarou R$141.184,71, e para o Fisco Estadual R$6.780.328,68, buscando claramente a sonegação. Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.099 18 A decisão da DRJ, por sua vez entendeu, num voto muito bem detalhado que: Conforme registrado no Termo de Verificação, o AFRFB dirigiuse ao domicílio tributário da empresa a ser fiscalizada e lá encontrou em funcionamento pessoa jurídica diversa. Encaminhouse então ao endereço do sócio Enilson Alves de Sousa onde encontrou sua mãe que, ao ser informada se tratar de fiscalização em empresa na qual seu filho seria sócio, afirmou desconhecer este fato. Visitou então o atual local de trabalho do Sr. Enilson Alves de Sousa, como indicado pela sua genitora, onde o localizou e promoveu a ciência do Termo de Início de Fiscalização. Naquela ocasião, o representante da empresa informou que o local em que laborava nada tinha nada a ver com a W D Distribuidora Ltda., mas com a pessoa jurídica Royalpi Distribuidora Ltda., onde era apenas empregado. Ante esses intrigantes fatos, achou por bem o agente do fisco aprofundar as investigações. Assim é que identificou que o terreno situado no domicílio tributário da W D Distribuidora pertenceu ao Sr. RENÉ DOS SANTOS ROCHA DE PINHO FILHO, tendo sido alienado, em 25/08/2000, para a pessoa jurídica SR Distribuidora Ltda (da qual o Sr. RENÉ DOS SANTOS ROCHA DE PINHO FILHO deteve 99% do capital social, no período de 15/05/1998 a 22/03/2002, enquanto o outro sócio foi o seu irmão, o Sr. Luiz Cláudio Paz Pinho, até 04/12/1998). Foi ainda ressaltado que à época da fiscalização os sócios SR Distribuidora Ltda eram os senhores José de Araújo Costa, incluído em 20/12/1999 e Antônio Carlos Rodrigues dos Santos, incluído em 22/03/2002, os quais, segundo afirmado pela fiscalização, também seriam interpostas pessoas. Posteriormente, em 14/11/2002 esse mesmo terreno foi adquirido da SR Distribuidora pelo irmão do Sr. RENÉ DOS SANTOS ROCHA DE PINHO FILHO, o Sr. Luiz Cláudio Paz Pinho (tanto o Sr. René, quanto o Sr. Luiz Cláudio, já haviam participado do quadro societário da S R Distribuidora; todavia, quando da alienação, formalmente já não mais se encontravam na sociedade). O imóvel foi alugado pelo Sr. Luiz Cláudio para a W D Distribuidora pelo valor mensal de R$ 1.500,00 ficando pactuado, contudo, que na hipótese de a locatária efetuar obras estruturais não poderia arguir qualquer direito de indenização em razão das benfeitorias edificadas (sic). Nesse diapasão, o terreno pertenceu à SR Distribuidora (que teve como sócios os irmãos René e Luiz Cláudio), posteriormente foi alienado para a pessoa física do Sr. Luiz Cláudio que o alugou para a W D Distribuidora (empresa passível de administração pelo Sr. René, via procuração), que na hipótese de construir Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.100 19 qualquer benfeitoria no terreno não teria direito a ser indenizada. Quando dos procedimentos fiscais, o imóvel (observese que não mais se tratava de um terreno, mas de um imóvel) estava alugado para a Sociedade Beneficente Padre Vale por R$ 5.000,00, valor esse que deveria ser depositado em conta bancária pertencente à titularidade do Sr. René (conforme a cláusula segunda do contrato de locação). Quanto à pessoa jurídica autuada, a W D Distribuidora, teve inicialmente como sócios os senhores Williames Leôncio da Cruz e Daniel Márcio dos Santos Silva. O primeiro retirouse da sociedade em 24/02/2003, dando lugar ao Sr. Enilson Alves de Sousa. Quando da auditoriafiscal o quadro societário era constituído pelos senhores Daniel Márcio dos Santos Silva e Enilson Alves de Sousa e era administrada, de acordo com a fiscalização, através de instrumento de mandato, pelo Sr. RENÉ DOS SANTOS ROCHA DE PINHO FILHO que estaria exercendo tal mister por amizade ao Sr. Enilson Alves de Sousa e pelo fato daquele senhor não possuir relacionamento junto à rede bancária. Objetivando o esclarecimento da situação, a autoridade fazendária tomou a termo os depoimentos dos envolvidos, merecendo destaque os aspectos adiante sintetizados: • Daniel Márcio dos Santos Silva (sócio da W D Distribuidora desde a constituição da empresa) – nunca residiu no endereço constante de suas DIRPF, a Rua Cel. Costa Araújo, 892, bairro do Jóquey Club (área nobre da cidade de Teresina), em verdade reside na Rua Boqueirão, bairro Piçarreira, não sabendo informar quem transmitiu as declarações; trabalhou na S R Distribuidora, na W D Distribuidora e na Royalpi Distribuidora; à época do depoimento trabalhava na Prática Distribuidora, empresa que prestava serviços para a Royalpi Distribuidora; quanto à sociedade na W D Distribuidora, afirmou que “emprestou seu nome para compor o quadro societário da empresa” mas que “Não sabe nem qual é o seu percentual de participação no capital da empresa”; nas declarações de imposto de renda a ele atribuídas (afirma não as ter transmitido) em que foram informados rendimentos tributáveis de R$ 2.340,00 em 2002, fls. 391/394, de R$ 6.000,00 em 2003, fls. 395/ 397, rendimento isento de R$ 3.600,00 em 2004, fls. 398/399, e rendimento nulo em 2005, fls. 400/402 (ano da autuação, em que a empresa faturou mais de R$ 6 milhões); • Williames Leôncio da Cruz (sócio da W D Distribuidora a partir do início das atividades, até 24/02/2003, quando foi substituído pelo Sr. Enílson Alves de Sousa) – do mesmo modo que o depoente anterior, nunca morou na Rua Cel. Costa Araújo, 892, bairro do Jóquey Club, local constante das declarações de rendimento em seu nome transmitidas, residindo efetivamente na Rua Acácia, 1956; não sabe quem apresentou as declarações de imposto de renda, tachadas de falsas pelo declarante; trabalhou na S R Distribuidora, cujo empregador era o Sr. René; quando do depoimento afirmou trabalhar na Luna Comércio Ltda (que presta serviços para a Royalpi Distribuidora); reconheceu a sua assinatura no contrato social da W D Distribuidora mas não lembrou que houvesse assinado o documento, nem a pedido de quem; nas declarações de imposto de renda (que afirmou não as haver apresentado) foram informados rendimentos tributáveis de R$ 12.000,00 em 2002, fls. 408/411, rendimentos nulos em 2003 e 2004, fls. 412/417, e rendimentos isentos de R$ 3.600,00 em 2005, fls. 418/420 (ano do lançamento ora tratado); • Enilson Alves de Sousa (sócio da W D Distribuidora a partir de 24/02/2003) – trabalhou na S R Distribuidora (não saberia quem era o proprietário), na Luna Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.101 20 Comércio Ltda (com o Sr. Luís Cláudio Paz Pinho, irmão do Sr. René) e, quando do depoimento, trabalhava na Royalpi Distribuidora Ltda (empresa pertencente aos irmãos René e Luiz Cláudio, na condição de gerenteadministrativo) ; ingressou no quadro social da W D Distribuidora Ltda em substituição ao Sr. Williames Leôncio da Cruz, mas não pagou nada pela participação societária; estabeleceu uma procuração com amplos poderes ao Sr. René por não possuir “influência junto à rede bancária” e por necessitar de ajuda; o imóvel em que funcionou a W D Distribuidora tinha como locador o Sr. Luiz Cláudio, a quem era pago o valor mensal de R$ 1.500,00; foram feitas reformas no imóvel que foram descontadas no aluguel (a fiscalização apurou que, ao invés de haver desconto, foram escriturados pagamentos de R$ 3.000,00); o exsócio, Sr. Williames, trabalha junto ao depoente na Royalpi Distribuidora; nas declarações de imposto de renda a ele atribuídas foram informados rendimentos tributáveis nulos em 2002, fls. 374/377, rendimentos tributáveis de R$ 12.000,00 em 2003, fls. 378/380, de R$ 12.000,00 em 2004, fls. 381/383, e de R$ 16.000,00 em 2005, fls. 384/386 (ano da constituição do crédito tributário); • René dos Santos Rocha de Pinho Filho (administrador da W D Distribuidora, conforme instrumento de mandato) – empresário do ramo de distribuição de rações para animais, com sociedade na empresa Royalpi Distribuidora; foi sócio da S R Distribuidora; o Sr. Enilson trabalhou com o depoente na S R Distribuidora e com ele trabalha na Royalpi; conhece os senhores Williames e Daniel Márcio, que com ele trabalham na Royalpi, mas não lembra se trabalharam na S R Distribuidora; sua ligação na W D Distribuidora decorria do fato de ser amigo do proprietário, Sr. Enilson; possuía uma procuração, lavrada em cartório, para representar a W D Distribuidora, documento que foi formalizado em razão de sua amizade com o Sr. Enilson e pelo fato deste “não possuir relacionamento junto aos bancos”; em suas declarações de imposto de renda foram observados rendimentos tributáveis de R$ 24.000,00 em 2002, fls. 468/470, de R$ 12.000,00 em 2003, fls. 464/466, rendimentos tributáveis de R$ 24.000,00 e isentos de R$ 30.000,00 em 2004, fls. 460/462, e rendimentos isentos de R$ 60.000,00 em 2005 (ano da autuação da W D Distribuidora). Segundo o renomado dicionário AURÉLIO2, uma das semânticas do vocábulo interpor é “surgir com o caráter de obstáculo, como se o fosse”, ou seja, aparentar ser o que de fato não é, com o fito de representar obstáculo para algo. Servirse de interposta pessoa, no jargão do processo administrativo fiscal, diz respeito à constatação, por parte da fiscalização, de que os sócios formais da pessoa jurídica não correspondem aos reais detentores da sociedade, aos efetivos proprietários da empresa, artifício fraudulento que é engendrado com o desiderato de livrar os destinatários dos lucros da atividade empresarial do ônus decorrente do redirecionamento de uma execução fiscal. Uma empresa nessa forma constituída declara ao fisco uma receita ínfima, sobejamente inferior àquela efetivamente auferida. Sobre os valores declarados costuma recolher os tributos devidos e, na hipótese de uma autuação fiscal, decorrente da comprovação da omissão de receita, os verdadeiros detentores da empresa não têm com o que se preocupar. A Fazenda Nacional não vai conseguir receber o que lhe é devido da pessoa jurídica, desprovida de bens para tanto, muito menos dos quotistas formais, sem qualquer capacidade econômica. Quanto aos efetivos proprietários da pessoa jurídica, por não constarem do contrato social, não serão demandados em razão da dívida fiscal. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.102 21 Nesse contexto, havendo indícios da presença de interpostas pessoas, cabe ao AFRFB proceder a todas as diligências que se fizerem necessárias, de modo a comprovar o fato, enviando correspondências a cartórios, a instituições financeiras, etc., tomando a termo os depoimentos dos envolvidos, compulsando suas declarações de rendimentos, cruzando todas essas informações. Assim laborando e restando evidenciada a interposição de pessoa, cumpre à autoridade fazendária inserir o verdadeiro beneficiário de resultado econômico da pessoa jurídica no polo passivo da relação jurídicotributária, na condição de devedor solidário, de modo que também seja demandado pelo crédito tributário sonegado. Quanto à multa de ofício, comprovado o evidente intuito de fraude, deverá ser exigida no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). Foi exatamente o que se deu no caso em apreciação em que foi demonstrado pelo autuante, de forma cristalina, que os quotistas formais não possuem qualquer capacidade econômica para constar do quadro social da W D DISTRIBUIDORA, tratandose de empregados pouco qualificados das empresas capitaneadas pelos irmãos René e Luiz Cláudio. Segundo colhido nos depoimentos dos senhores Williames Leôncio da Cruz e Daniel Márcio Silva dos Santos (sócios formais da empresa), os mesmos não tinham qualquer conhecimento das declarações de imposto de renda em seus nomes transmitidas. Em todas elas foram informados rendimentos ínfimos, quando não nulos, e endereços incorretos, em área da cidade incompatível com as suas posses. A única preocupação era a de fazer constar nas declarações as participações societárias na W D DISTRIBUIDORA. Ressaltese que o Sr. Daniel Márcio afirmou enfaticamente que “emprestou” o seu nome para compor o quadro social da empresa, mas que não sabia nem mesmo qual era o seu percentual de participação no capital social. Quanto ao Sr Williames, a despeito de reconhecer sua assinatura no contrato social, não se lembrava de ter assinado o documento, nem a pedido de quem. A situação do Sr. Enilson, parece ser um pouco diferente. A despeito disso, sua capacidade financeira também é incompatível com a propriedade de uma empresa com o faturamento observado pela fiscalização. Tratase da pessoa de confiança do Sr. René. Teria ingressado na sociedade sem nada pagar ao sócio retirante. Isso em uma pessoa jurídica com receita bruta superior a R$ 6 milhões em 2005. Por não possuir conhecimento na rede bancária, teria delegado irrestritos poderes ao Sr. René para administrar a empresa. Isso tudo por amizade, sem nada receber. Tal versão, contudo, não ostenta qualquer razoabilidade. Não é plausível que alguém transfira todos os poderes de uma empresa (mormente com o faturamento da autuada) para outrem, inclusive para movimentações financeiras de elevado porte, simplesmente por amizade. De tudo o que consta dos autos, dúvida não há de que os nomes inseridos no contrato social não representam os verdadeiros proprietários da empresa, correspondendo a interpostas pessoas. A propósito, destaquese que nas declarações de rendimentos dos senhores Daniel Márcio, Williames e Enilson o único bem declarado foi a pseudo participação societária. Por outro lado, nas declarações do Sr. René, a despeito dos módicos Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.103 22 rendimentos levado à tributação, é notória a sua evolução patrimonial, senão vejamos: Salta aos olhos a diferença do padrão econômico do Sr. RENÉ, comparativamente com os sócios formais da W D DISTRIBUIDORA. Enquanto os sócios formais da autuada não possuem absolutamente nada em seu patrimônio declarado, a não ser as malfadadas participações societárias, o Sr. RENÉ apresentou um incremento patrimonial de 527,32% entre 2002 (ano do início das atividades da W D DISTRIBUIDORA) e 2006 (anocalendário subsequente à autuação), tendo, inclusive, adquirido no período em tela, três automóveis de luxo. Também merece destaque a aquisição de dois novos terrenos no ano de 2006, ambos na Rua Telegrafista Sebastião Portela, mesma rua em que se encontra registrado o endereço da W D DISTRIBUIDORA. O ano de 2006 foi ainda pródigo em aquisições societárias. Foram adquiridas participações no capital de quatro novas empresas, a Royalpi Distribuidora Ltda, já referenciada neste ato administrativo, uma outra distribuidora, um posto de combustíveis e uma empresa calçadista. Ante todos esses fatos, reputome convencido de que os senhores Williames Leôncio da Cruz, Daniel Márcio Silva dos Santos e Enilson Alves de Sousa não passam de interpostas pessoas, sem qualquer capacidade econômica, inseridas no contrato social da W D DISTRIBUIDORA de forma insidiosa, situação a caracterizar o evidente intuito de fraude no caso considerado e a autorizar a exasperação da multa de ofício aplicada pela subsunção dos fatos ao estabelecido pelo inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação vigente quando da ocorrência do fato gerador, a seguir transcrita: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.104 23 II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(destaquei) Conforme exaustivamente demonstrado no presente Voto, os fatos minudentemente levantados pela fiscalização levam este julgador a firmar a sua convicção no sentido de que as pessoas naturais constantes do contrato social da autuada não apresentam qualquer capacidade econômica a respaldar a participação societária a eles atribuída. Na realidade, correspondem a pessoas de diminuta capacidade financeira que são ou foram empregados, enfatizese, de empresas ligadas ao Sr. RENÉ, o que demonstra com suficiência o evidente intuito de fraude no procedimento relatado. Assim, no meu entendimento também, ficou devidamente comprovado o intuito fraudulento de sonegação, com a utilização de interpostas pessoas, dessa forma, de se manter a qualificadora. Responsabilidade Solidária Sr. René dos Santos Rocha de Pinto Filho Ao Sr. René foi imputada a responsabilidade solidária, com base no art. 124, I, do CTN, uma vez que conforme o TVF, ficou perfeitamente caracterizada a relação direta dele com a empresa, cuja titularidade foi efetivada em nome de terceiros sem a devida capacidade financeira, com o intuito de fraudar o fisco, terceiros cujos endereços foram alterados para dificultar a localização para uma possível cobrança, impossibilitando o Fisco de cobrança e pela falta de capacidade financeira dos sócios. Continua, ainda o TVF, no sentido de que levandose em conta a interpretação econômica, no caso em tela, o Sr. René, na condição de sócio de fato da empresa, se comportava como tal, proprietário, movimentando pessoalmente as contas bancárias da firma. O responsável solidário apresentou recurso voluntário à parte, onde alega os mesmos argumentos já apresentados na impugnação: cerceamento de defesa por não ter participado dos depoimentos utilizados como fundamento do lançamento, e pugna pela sua exclusão do polo passivo. Ora a prova carreada nos autos, bem como a decisão recorrida, muito bem fundamentada demonstram a sua efetividade como sócio da empresa, que se utilizou de interpostas pessoas no quadro societário, mas efetivamente movimentou as contas bancárias da sociedade, com o evidente intuito fraudulento já mostrado acima, o que levou à manutenção da qualificadora da multa. • todas as pessoas constantes do contrato social correspondem a empregados do impugnante desde a SR Distribuidora Ltda (precursora da W D DISTRIBUIDORA LTDA) até a Royalpi Ltda (empresa em atividade quando da fiscalização), situação a denotar inquestionável relação de dependência econômica dos sócios formais da pessoa jurídica em relação ao impugnante; Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.105 24 • a SR Distribuidora e a W D DISTRIBUIDORA possuíam a mesma atividade econômica, a distribuição de rações animais, que também é o ramo em que atua a Royalpi Ltda; • o momento em que o litigante deixou de participar do quadro social da SR Distribuidora, o dia 22/03/2002, é muito próximo da data em que as interpostas pessoas Williames Leôncio da Cruz e Daniel Márcio Silva dos Santos foram inseridos no quadro social da W D DISTRIBUIDORA, o dia 24/06/2002; • em 24/02/2003 o Sr. Enilson Alves de Sousa ingressou na W D DISTRIBUIDORA, no lugar do Sr. Williames Leôncio da Cruz; • foi constatada a existência de uma procuração, datada de 21/07/2003, tendo como outorgante a pessoa jurídica W D DISTRIBUIDORA, representada pelo Sr. Enilson Alves de Sousa (que havia ingressado na sociedade cinco meses antes), e como outorgado o Sr. RENÉ, a quem foram deferidos amplos poderes para administrar a empresa; • diferentemente do afirmado pela defesa, o impugnante fez uso da procuração pois encaminhou o documento a três instituições financeiras quando dos cadastramentos bancários da pessoa jurídica no Banco Real / Sudameris, no Unibanco e no Banco do Brasil, habilitandose, dessa forma, a movimentar as contas bancárias da empresa; • a justificativa do defendente, quanto à motivação da procuração em que consta como mandatário, consistente no fato de ser amigo do sócio Enilson Alves de Sousa, que não possuía relacionamento perante a rede bancária, não denota qualquer plausibilidade; • as declarações apresentadas em nome dos sócios formais da pessoa jurídica (os quais, como visto, negam as respectivas autorias, bem como o fato de haverem residido nos endereços constantes das declarações) demonstram que tais senhores nenhuma riqueza possuem, sendo que os únicos bens ou direitos declarados foram as malfadadas participações societárias; e • em sentido inverso, temse o Sr. RENÉ, em relação a quem já foi demonstrado neste julgado haver apresentado elevado incremento patrimonial entre os anos de 2002 e 2006, período em que adquiriu veículos de luxo, terrenos e novas participações societárias. Todo esse somatório de elementos indiciários fortes, convergentes e precisos leva me à conclusão de ser o Sr. RENÉ o real beneficiário do fato gerador da obrigação principal, o que torna escorreita a eleição do art. 124, inc. I do Lei nº 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN) por parte da autoridade fiscal. Salientese haver o implicado afirmado ter sido o Sr. Enilson Alves de Sousa o efetivo sóciogerente da W D DISTRIBUIDORA LTDA. Se o Sr. RENÉ realmente figurou como mandatário da procuração apenas pela sua amizade com o Sr. Enilson Alves de Sousa, quem teria, de fato, administrado a W D DISTRIBUIDORA LTDA, era de se esperar que o Sr. RENÉ apresentasse, quando Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.106 25 da impugnação, a documentação necessária a comprovar a sua versão do episódio, ou seja, haveria que carrear aos autos uma vultosa quantidade de cópias de cheques da empresa assinadas pelo Sr. Enilson Alves de Sousa, as cópias de contratos firmados com os principais fornecedores em que a empresa estivesse representada pelo Sr. Enilson Alves de Sousa, por exemplo. Também deveria apresentar os comprovantes dos pro labore efetivamente recebidos pelo Sr. Enilson Alves de Sousa, em razão do exercício da gerência da pessoa jurídica. Isso porque, sendo o Sr. Enilson Alves de Sousa amigo do Sr. RENÉ, a ponto de lhe outorgar plenos poderes para administrar a empresa, não se negaria a fornecer a documentação necessária à comprovação do que foi alegado pelo impugnante. Ao se compulsar a documentação que instruiu a impugnação, fls. 691/735, entretanto, nenhum dos documentos acima elencados foi encontrado, termos em que há que prevalecer a versão da autoridade lançadora, consistente no fato de a pessoa jurídica W D DISTRIBUIDORA LTDA haver sido constituída em nome de interpostas pessoas e de que o efetivo beneficiário da situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal dos lançamentos discutidos, relativos ao ano calendário 2005, foi o Sr. RENÉ DOS SANTOS ROCHA DE PINHO FILHO, devidamente inserido no polo passivo da relação jurídicotributária com substrato no inc. I do art. 124 do CTN. Assim, de se manter a responsabilidade tributária do Sr. René dos Santos Rocha de Pinho Filho. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer dos Recursos Voluntários, e no mérito NEGARLHES PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.107 26 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Venho através desta declaração de voto expor as razões da minha divergência em relação à posição assumida pela Ilustre Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, no tocante em relação à responsabilidade tributária do Sr. René dos Santos Rocha de Pinho Filho. Como se vê, a fiscalização apesar de descrever pormenorizadamente os fatos pertinentes à atuação do responsável imputou a sujeição passiva tributária solidária com base no art. 124, I do Código Tributária Nacional, cuja aplicação se destina aos casos de interesse comum dos sujeitos na relação do fato gerador. Em rigor, todos os requisitos apresentados pela descrição fática dolo do responsável, ação contrária à lei e atuação na condição de mandatário do contribuinte correspondem aos requisitos específicos de aplicação do art. 135, II do CTN, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Em que pese a posição vencedora da turma, de que a correta descrição dos fatos bastaria para justificar a responsabilidade, tenho para mim que a autuação fiscal vincula a Fiscalização não apenas quanto aos fatos imputados, mas também quanto aos fundamentos jurídicos utilizados, nos termos do art. 10, III e IV do Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10384.004886/200812 Acórdão n.º 1301003.168 S1C3T1 Fl. 1.108 27 Diferentemente do processo penal, em que o acusado defendese apenas dos fatos que lhe são imputados e exemplo da possibilidade de ocorrência da emendatio libelli, de ofício, pelo juiz, nos casos em que os fatos narrados não correspondem à tipificação dada, com fulcro no art. 383 do CPP no processo administrativo, que tem como ponto de partida o ato de lançamento, a motivação é vinculante para a administração em todos os seus aspectos fáticos e jurídicos. É essa, também, a dicção expressa do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. É preciso que ele identifique os fatos geradores, mas também apresente os critérios jurídiconormativos de determinação da matéria tributável, de identificação do sujeito passivo e da aplicação de penalidade. Desse modo, deve o contribuinte apresentar sua defesa não apenas quanto à descrição dos fatos, mas também sobre a imputação jurídica realizada. Desse modo, verificado que no caso concreto a imputação de responsabilidade se deu através de dispositivo incorreto para tanto, é mister reconhecer o equívoco do auditorfiscal, maculando não o auto em sua integralidade, mas na parte que ostenta o vício. Portanto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar a exclusão do responsável, Sr. René dos Santos Rocha de Pinho Filho, do pólo passivo, em razão de vício na motivação do auto de infração. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 1108DF CARF MF
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Numero do processo: 19985.721887/2015-50
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DEDUÇÃO IRRF - AÇÃO JUDICIAL - EXIGIBILIDADE SUSPENSA - IMPOSSIBILIDADE
Se no processo judicial discute-se justamente a natureza jurídica da parcela, se tributável ou não, estando suspensa a exigibilidade do imposto, não é razoável que o contribuinte pessoa física possa se valer da compensação de tal parcela em relação ao montante devido de IRPF, quando do preenchimento de sua DAA.
Numero da decisão: 2002-000.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que lhe deu provimento parcial para excluir os rendimentos com exigibilidade suspensa.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que lhe deu provimento parcial para excluir os rendimentos com exigibilidade suspensa. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 18 87 /2 01 5- 50 Fl. 118DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 83 a 88), relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, dedução indevida de contribuição patronal e dedução indevida de previdência privada e FAPI. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação às efls. 02 a 69 dos autos, no qual o contribuinte alega, conforme relatório da decisão da DRJ: O contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 04/07), alegando que o valor de R$ 16.900,28 referese à Previdência Privada conforme Comprovante de Rendimentos da fonte pagadora PETROS. Que o valor de R$ 866,60 referese à contribuição patronal paga à Previdência Social pelo empregador doméstico e não excedeu os limites definidos pela Lei n° 9.250/95, art. 12, § 3°, I e III. Anexa CTPS da empregada e extratos bancários. Quanto ao IRRF alega que a fonte pagadora apresenta de forma clara os Rendimentos Tributáveis (R$ 148.777,01) e o IRRF (R$ 26.644,05). Entende que a partir do momento que ocorreu esta retenção e que na determinação deste valor não foram consideradas deduções significativas de despesas, tais como despesas médicas, despesas com ensino, contribuição patronal etc, visto tais deduções não serem permitidas pela Receita Federal quando da determinação do citado IRRF, tornase necessário elaborar a DIRPF, possibilitando contribuinte o exercício do direito de abatimento das referidas deduções, com conseqüente possibilidade de restituição de parte do IRRF, a qual, logicamente não faz parte de processos judiciais. Nas declarações dos anoscalendário 2008 e 2009 ocorreram questionamentos parecidos ao atual e após revisão/análise pelo auditor fiscal as devidas restituições de IRPF foram liberadas. Quanto ao depósito judicial deste imposto retido, entende que se considerado problemático, deve ser equacionado junto ao Poder Judiciário, pois foi do mesmo que partiu tal orientação no ano de 2000, a qual com certeza não tinha o objetivo de prejudicar o contribuinte. Informa que a Notificação de Lançamento ora impugnada trata de matéria que é objeto de discussão na ação judicial, n° 2000.70.00.0082328, na qual o impugnante figura como parte ou como substituído processual. Anexa petição inicial do processo judicial e decisões judiciais já proferidas. Entende que Fl. 119DF CARF MF Processo nº 19985.721887/201550 Acórdão n.º 2002000.184 S2C0T2 Fl. 119 3 tem direito à restituição de IR no valor de R$ 2.788,83, corretamente determinada na declaração de ajuste anual. A impugnação foi apreciada na 8ª Turma da DRJ/POA que, por unanimidade, em 29/05/2017, no acórdão 1058.980, às efls. 94 a 97, julgou parcialmente procedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 03/07/2017, apresentou recurso voluntário, às efls. 105 a 115, no qual alega, em resumo, que: · o lançamento baseado na glosa da dedução de IRRF não deve subsistir já que, no processo, há comprovantes da fonte pagadora, FUNDACAO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL PETROS, que atestam o recolhimento dos valores. · o valor de R$ 866,60 referese à contribuição patronal paga à Previdência Social pelo empregador doméstico e não excedeu os limites definidos pela Lei n° 9.250/95, art. 12, § 3°, I e III. Anexa CTPS da empregada e extratos bancários. · o valor de R$ 16.900,28 referese à Previdência Privada conforme Comprovante de Rendimentos da fonte pagadora PETROS É o relatório. Voto Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 09/06/2017, efls. 102, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 03/07/2017, às efls. 105, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Em relação a dedução indevida de contribuição patronal, a decisão da DRJ já se posicionou, julgando procedente as razões do recorrente. Logo, não é mais objeto da lide. Quanto a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte pelo contribuinte, quando do preenchimento de sua DAA, dos valores recebidos da FUNDACAO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL PETROS Contudo, há nos autos, cópia da ação judicial movida pelo contribuinte em face da União Federal discutindo a natureza jurídica das parcelas recebidas do plano de previdência complementar, se passíveis ou não de incidência de imposto de renda. No caso do Imposto de Renda Retido na Fonte, a pessoa física é o contribuinte do tributo, porém, pelo princípio da Praticidade, posto à disposição do Fisco, a lei atribui à fonte pagadora a retenção e recolhimento dos valores, como se vê pela redação do do Código Tributário Nacional: Fl. 120DF CARF MF 4 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária: Parágrafo Único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: (...) II responsável, quando sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa em lei. O parágrafo único do retro mencionado artigo autoriza, expressamente, a atribuição da fonte pagadora da renda os dos proventos auferidos, a condição de responsável tributário, devendo reter o valor do imposto de renda de seus colaboradores na fonte. Ainda que seja o contribuinte pessoa física quem possua a disponibilidade econômica dos valores, o responsável pela retenção é um terceiro, a pessoa jurídica empregadora, em relação ao fato gerador do tributo, conforme dicção do artigo 128 do CTN: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. O artigo 45 do CTN estabelece que a lei poderá atribuir a responsabilidade da fonte pagadora reter e recolher o tributo, como se vê: Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Assim, a fonte pagadora recolhe e repassa os valores de imposto de renda da pessoa física, podendo o contribuinte, quando da apresentação de sua DAA, deduzir as parcelas do imposto retidas antecipadamente: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): I as contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente; II as contribuições efetivamente realizadas em favor de projetos culturais, aprovados na forma Fl. 121DF CARF MF Processo nº 19985.721887/201550 Acórdão n.º 2002000.184 S2C0T2 Fl. 120 5 da regulamentação do Programa Nacional dc Apoio à Cultura PRONAC, de que trata o art, 90; III os investimentos feitos a título de incentivo às atividades audiovisuais de que tratam os arts. 97 a 99; IV o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; V o imposto pago no exterior de acordo com o previsto no art. 103. Na mesma linha segue o artigo 55, da lei nº 7.450/85: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Desta feita, enquanto responsável tributária a FUNDACAO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL PETROS, conforme DIRF de efls. 52 e 53, por força do processo judicial, vem depositando o imposto de renda retido na fonte em juízo, causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário elencada no artigo 151 do Código Tributário Nacional (CTN Lei nº 5.172/66), como se vê: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI – o parcelamento. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Ora, se no processo judicial discutese justamente a natureza jurídica da parcela, se tributável ou não, estando suspensa a exigibilidade do imposto, não é razoável que o contribuinte pessoa física possa se valer da compensação de tal parcela em relação ao montante devido de IRPF, quando do preenchimento de sua DAA. Fl. 122DF CARF MF 6 Conforme decisão da DRJ: No que tange à infração “compensação indevida de IRRF”, no valor de R$26.644,05, referente à fonte pagadora Fundação Petrobrás de Seguridade Social Petros (CNPJ 34.053.942/000150) não assiste razão ao impugnante, pois, pela razão já exposta, o contribuinte não pode compensar na Declaração de Ajuste Anual o valor depositado judicialmente a título de IRRF cuja exigibilidade esteja suspensa. Ressaltese a orientação dada pela Coordenação Geral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil Cosit, na Solução de Consulta Interna nº 9, de 18 de março de 2013, em cuja ementa assim se lê: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF RENDIMENTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAR O IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL (DAA). Os rendimentos com a exigibilidade suspensa em função de ter havido o depósito do montante integral do respectivo imposto sobre a renda, devem ser excluídos do total de rendimentos tributáveis informados na DAA. Não pode ser compensado na DAA o valor depositado judicialmente a título de IRRF cuja exigibilidade esteja suspensa. Deve ser conhecida a impugnação do sujeito passivo, tendo em vista não se verificar concomitância entre a ação judicial e a impugnação administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), art. 151. Assim, com relação aos rendimentos de tributação com exigibilidade suspensa, como a questão se encontra sob a tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, o contribuinte não pode se antecipar à decisão judicial e compensar o imposto retido, mas depositado judicialmente, estando correta a glosa efetuada no lançamento. Na mesma linha vai o voto do Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator do acórdão 2201.003.052 deste CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÃO IRRF. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. O IRRF não pode ser deduzido do IRPF quando se encontrar com exigibilidade suspensa, por força depósito judicial. Recurso Voluntário Negado Fl. 123DF CARF MF Processo nº 19985.721887/201550 Acórdão n.º 2002000.184 S2C0T2 Fl. 121 7 Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. (...) No entanto, inobstante a suspensão da exigibilidade, o contribuinte recorrente tratou de realizar dedução deste IRRF do seu IRPF. No caso presente, entendo que não se cuida de concomitância de processo judicial e administrativo discutindo a mesma matéria. No processo judicial se discute se há ou não incidência do IRPF sobre as verbas recebidas, e no processo administrativo se discute unicamente se o contribuinte poderia deduzir o IRRF que se encontrava com exigibilidade suspensa em razão do depósito judicial, e que não foi repassado para a União. Deste modo, penso que, independentemente da decisão do processo judicial, o contribuinte não poderia deduzir o IRRF no exercício 2009. Caso o contribuinte venha a ganhar o processo judicial, este fará o levantamento do IR depositado, e não poderá fazer a dedução deste. Caso o contribuinte perca a ação judicial, será feita a conversão em renda para a União do IR depositado, e o contribuinte poderá compensálo na sua Declaração de Ajuste Anual do exercício referente a conversão. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso Em relação a dedução indevida de previdência privada e FAPI a decisão da DRJ atesta: Quanto à infração referente à dedução indevida a título de contribuição à previdência privada cabe observar que o contribuinte ao preencher a Declaração de Ajuste Anual (DAA) do anocalendário 2011, declarou erroneamente no campo relativo a rendimentos tributáveis os rendimentos referentes à Fundação Petrobrás de Seguridade Social – PETROS, CNPJ 34.053.942/000150, sendo que os referidos rendimentos encontramse com a exigibilidade suspensa (Decisão Judicial, fl. 69) em função de ter havido o depósito do montante integral do respectivo imposto sobre a renda, não compondo assim os rendimentos tributáveis. Como no anocalendário 2011 o contribuinte não declarou outros rendimentos tributáveis (fl. 72), não poderia deduzir a título de contribuição à previdência privada o valor de R$ 16.900,28, haja vista que tal dedução está limitada a 12% dos rendimentos tributáveis. Fl. 124DF CARF MF 8 A autuação, neste ponto, também é devida pelo ajuizamento de processo judicial e a consequente suspensão do crédito tributário, devendo ser mantida. Diante do exposto, conheço do presente Recurso para, no mérito, negarlhe provimento. Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Thiago Duca Amoni Relator Fl. 125DF CARF MF
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Numero do processo: 12689.000083/2009-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa aos dados de embarque da carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração.
Numero da decisão: 3001-000.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso voluntário e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa aos dados de embarque da carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração.
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MULTA REGULAMENTAR. DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa aos dados de embarque da carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso voluntário e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 00 83 /2 00 9- 71 Fl. 109DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Auto de Infração A recorrente foi autuada por EMBARAÇO OU IMPEDIMENTO DA FISCALIZAÇÃO, INCLUSIVE NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO Afirma a autoridade fiscal ter havido informação fora do prazo por parte da transportadora MARITIMA DE AGENCIAMENTOS E REPRESENTACOES LTDA no mês 6. fevereiro de 2004 em 1 embarque realizados através de 1 navio/viagem por ela representado. IN RF n° 28/1994 A IN RF n° 28/1994, em seu art. 37 nos traz que: "Art 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias. contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) § 2 ° 'a hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o regist.ro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo." Abaixo a planilha utilizada para demonstrar os dados do embarque informados fora do prazo O atraso na prestação de informações consiste em embaraço à fiscalização conforme artigo 44 da IN 28/1994 Tal embaraço será punido com o teor do artigo 107, IV, 'c' e 'e' do DL 37/66. Impugnação Em sua defesa, a recorrente, após descrever brevemente os eventos acontecidos, argumenta por sua ilegitimidade passiva. Ilegitimidade passiva Fl. 110DF CARF MF Processo nº 12689.000083/200971 Acórdão n.º 3001000.407 S3C0T1 Fl. 110 3 Para sustentar seu argumento traz a baila o artigo 37 da IN 28/94, concluindo que a responsabilidade do envio das informações é do transportador e não da agencia, mera representante. razoabilidade e proporcionalidade DRJ/REC A impugnação foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1143.456 6 ª Turma ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2004 PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. O relatório da decisão de primeira instância, por bem considerar os elementos em lide neste processo de deve ser transcrito: Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 04 do processo eletrônico), levantamento realizado na Seção de Fiscalização Aduaneira da Alfândega do Porto de Salvador, para o ano de 2004, constatou que a interessada deixou de prestar informação dos dados de embarque, no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, referente a quatro embarques realizados por navios por ela representados. Tal conduta, segundo a autoridade fiscal, configuraria descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex, sujeitando o infrator à multa de R$ 5.000,00 por embarque, perfazendo um total de R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Acrescenta a fiscalização que em anexo ao auto de infração encontravamse os extratos das DDEs, históricos dos despachos e consultas aos dados de embarque das DDEs. Devidamente cientificada a contribuinte apresenta impugnação, com base sinteticamente nos seguintes fundamentos: a) alega sua ilegitimidade passiva, pois a responsabilidade pelo envio das informações é do transportador e não da agência que é uma simples representante. Cita as atividades da agência Fl. 111DF CARF MF 4 marítima, doutrina, trechos de julgados do STJ e do STF e conclui afirmando que não há como imputar à impugnante a responsabilidade pelo atraso das informações prestadas ao SISCOMEX, uma vez que a declaração depende do próprio transportador, que não se confunde com a Agência; b) Aduz ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade e ausência de qualquer prejuízo à Fazenda Nacional e intenção de lesar o Fisco, uma vez que além das informações terem sido prestadas, não dependia da impugnante tal diligência, mas do fornecedor; c) Afirma que a multa prevista no art. 107 do Decreto lei n° 37 de 1966, tem por finalidade coibir vícios no procedimento de exportação, provocados pelo exportador, com a intenção de burlar o controle aduaneiro. Sendo assim, há de se verificar o potencial lesivo da conduta que ensejou a imposição da multa para que esta venha a atender ao fim que se preza. Por fim, requer que o Auto de Infração seja julgado improcedente, em face da ilegitimidade passiva da impugnante, bem como, em razão da inexistência de lesão ao Fisco. Ilegitimidade passiva Tendo em vista que todas as disposições da Instrução Normativa nº 800, de 2007, acerca do transportador abrangem a agência marítima representante, concluise que também é obrigação desta última prestar informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil sobre veículo e carga na forma, prazo e condições estabelecidos, sob pena de incorrer nas infrações previstas no art. 107, inciso IV, alíneas “e” ou “f”, do DecretoLei nº 37, de 1966, conforme o caso. razoabilidade e proporcionalidade Sobre os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, cumpre esclarecer que se tratando de ato expedido em consonância com as normas legais e regulamentares, não se pode afastar a penalidade em questão a pretexto de ofensa a princípios constitucionais, sob pena de violação ao comando do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009: Recurso Voluntário A recorrente, em seu recurso, voltou a afirmar que não pode ser considerada como sujeito passivo da obrigação tributária acessória. Ilegitimidade Passiva Contra argumenta a recorrente, pela impossibilidade de aplicação do artigo 32, parágrafo único, II do Decreto Lei 37/66, na qual o agente marítimo seria responsável solidário com os atos do transportador. Expõe o artigo 95 do DL 37/66, na tentativa de demonstrar que não houve qualquer benefício para si com a realização de tal conduta. Cumprimento da Obrigação Acessória Fl. 112DF CARF MF Processo nº 12689.000083/200971 Acórdão n.º 3001000.407 S3C0T1 Fl. 111 5 inexistência de infração Produto a granel 10 dias Indica, a recorrente, em sua defesa, a aplicação do artigo 56, III da IN 28;94, a qual atribui, para fins de entrega de informações de produtos a granel, consoante DDE2040069394/1, seria de 10 dias, não de 7. Neste sentido, encontrarseia regular o prazo de envio em (10 dez) dias, uma vez que o embarque se deu 03.02.2004, enquanto o termo inicial darseia, em 04.02.2004, e, por fim, encerrarseia, o prazo para envio, dia 13.02.2004. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Embaraço ou impedimento a Ação da Fiscalização, inclusive não atendimento a Intimação O presente recurso insurgese contra a imposição de multa nos conhecimentos eletrônicos mercante de n A Receita Federal do Brasil alega o descumprimento do §1.º do art. 37 do DecretoLei 37/66 c/c art. 22, II, d, art. 23, III, art. 25, I, art. 27, §3º, art. 50, parágrafo único, II, da IN/RFB n° 800/2007 alterada pela IN/RFB n° 899/2008. Com multa de R$ 10.000,00 aplicada a agente de cargas NVOCC, representante de transportador marítimo Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário A Receita Federal do Brasil alega o descumprimento do §1.º do art. 37 do DecretoLei 37/66 c/c art. 22, II, d, art. 23, III, art. 25, I, art. 27, §3º, art. 50, parágrafo único, II, da IN/RFB n° 800/2007 alterada pela IN/RFB n° 899/2008. Com multa de R$ 10.000,00 aplicada a agente de cargas NVOCC, representante de transportador marítimo, Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: Em preliminar, a Ilegitimidade Passiva, no mérito a Ausência de prejuízo. Como argumentos inovadores, a inexistência de infração haja vista tratarse de Produto a granel e Excludente de Punibilidade pela Denúncia Espontânea. Admissibilidade do Recurso Tempestividade O recurso é tempestivo. Preliminar Produto a Granel O argumento é inovador e não se subsume às exceções trazidas no Decreto 70.235/72. Fl. 113DF CARF MF 6 O argumento, relativo ao DDE2040069394/1, por tratarse de produto a granel, estaria submetido a prazo de 10 dias. Tornando, assim, regular o prazo de envio uma vez que o embarque se deu 03.02.2004, enquanto o termo inicial darseia, em 04.02.2004, e, por fim, encerrarseia, o prazo para envio, dia 13.02.2004. Tal narrativa, foi trazida apenas em sede de recurso voluntário, não podendo ser conhecido e devendo decretarse a preclusão. levantado argumento em favor da recorrente que desrespeitou as normas previstas nos artigos 16 e 17 do Decreto n.º 3.048/99. 70.235/72, no que tange ao momento da apresentação dos argumentos de defesa. Acórdão nº 3401004.425 DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. Decido NÃO CONHEÇO desta parte do recurso, relativa ao prazo estendido por se tratar de produto a granel. Denúncia Espontânea O argumento, presente apenas no Recurso Voluntário, é inovador, haja vista ter sido trazido apenas em sede de recurso voluntário, no entanto, a ver pela data de protocolo do mencionado recurso ter sido apresentado no ano de 2013, e a impugnação, no ano de 2009, temse que a edição da Lei 12.350/2010, ocorrem neste ínterim, legitimando sua anãlise. Decido CONHEÇO da parte do recurso atinente a ocorrência de Denúncia Espontânea. Sujeição passiva O argumento é regular. Decido CONHEÇO da parte do recurso atinente a suscitação de ilegitimidade passiva. Fundamento Legal da Multa A IN SRF n° 28/1994, em seu art. 37 nos traz que: "Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) Fl. 114DF CARF MF Processo nº 12689.000083/200971 Acórdão n.º 3001000.407 S3C0T1 Fl. 112 7 § 2° Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo." o art. 44 da IN28/1994 artigo 107 PRELIMINAR Em sua defesa a recorrente argumentou por uma preliminares; a sujeição passiva e, trouxe novo argumento, mencionando que, em se tratando de produto a granel, estaria submetido a prazo mais alongado. Preliminar Sujeição passiva Alega a recorrente a ocorrência de sujeição passiva inadequada aos fatos apresentados nas narrativas e versões descritas. Entretanto, há equiparação, no caso prático, ao transportador, consoante a leitura do artigo 3.º da IN 28/94. Art. 3º O despacho de exportação terá por base declaração formulada pelo exportador ou por seu mandatário, assim entendido o despachante aduaneiro ou o empregado, funcionário ou o servidor especificamente designado. Decido Desta monta REJEITO esta parte Preliminar do Recurso Voluntário, por entender que o artigo 3.º da IN 28/94, prevê a obrigatoriedade de prestação de informações pela ora Recorrente. MÉRITO Denúncia Espontânea. O tema da denuncia espontânea foi objeto de Súmula no CARF 49, A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta. Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento Fl. 115DF CARF MF 8 Em análise ao repertório jurisprudencial deste conselho, deparase com o julgado da E. CSRF, na qual o colegiado superior determinou a impossibilidade de aplicação da denúncia espontânea em penalidades motivadas por descumprimento de prazos relativos à prestação de informações. O complexo tema foi objeto de debate, alcançandose o resultado, destaquese por voto de qualidade, conforme trechos transcritos a seguir: Acórdão nº 9303003.635 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, Ainda que haja a decisão da E. CSRF, entendo que o tema merece ser revisto, utilizando, em argumentos, o trecho do voto vencedor do Conselheiro Cassio Schappo, que, com sua costumeira habilidade, concatena os argumentos em prol da possibilidade de aplicação da denuncia espontânea em tema de obrigação acessória aduaneira. Acórdão nº 3801 005.339 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Por força da redação dada pela Lei nº 12.350/2010 ao art. 102, §2º do DecretoLei nº 37,66, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Destaco, pela objetividade na exposição de argumentos, o voto vencedor do Conselheiro Cássio Schappo, em trechos que resume o conceito de denuncia espontânea e os meios como comprova sua aplicação para impedir a cobrança da multa por prestar informações a destempo: Por outro lado restaram os casos em que as informações sobre o embarque da mercadoria, ultrapassaram o prazo de 7 (sete) dias, porém, antes de qualquer iniciativa do fisco para a lavratura do auto de infração. Neste caso, aplicase o instituto da denúncia espontânea, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN): Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações,mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 12689.000083/200971 Acórdão n.º 3001000.407 S3C0T1 Fl. 113 9 Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo que deva ser cancelada toda a parte remanescente do ato fiscal, correspondente aos casos em que foi ultrapassado o prazo de 7 (sete) dias, porém, antes da lavratura do presente auto de infração. Decido Com base nos precedentes anteriormente citados, DOU PROVIMENTO ao recurso reconhecendo a ocorrência de Denúncia Espontânea, no sentido de ser cancelada a multa constituída pelo auto de infração. CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário, excetuandoa parte preclusa no que tange ao tema do prazo atribuído a produto a granel. REJEITO a Preliminar de sujeição passiva. E, no mérito, DOU PROVIMENTO à Denúncia Espontânea. Considero prejudicada a matéria arguida no sentido de não haver prejuízo ao erário pelo enfrentamento do mérito. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 117DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Preâmbulo Com a devida licença à bem fundamentada argumentação do Ilmo. Conselheiro Relator e concessa venia aos meus pares que entenderam em sentido contrário, esclareço que o presente prestase tão somente para expor meu entendimento acerca da impossibilidade jurídica de conhecerse aplicável ao caso dos autos o instituto da denúncia espontânea, conforme suscitada em sede de Recurso Voluntário. Entendem os conselheiros Renato Vieira de Avila (relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante que "por força da redação dada pela Lei nº 12.350/2010 ao art. 102, § 2º do DecretoLei nº 37/66, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização", razão pela qual reconheceram "a ocorrência de Denúncia Espontânea, no sentido de ser cancelada a multa constituída pelo auto de infração". Dos fatos Do escopo da autuação Colhese da "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS)" do auto de infração, verbis: (...) Tendo em vista a Nota Audit/Diaad nº 49 de 8 setembro de 2008, recebido por esta Alfândega através do Memorando/Circular/Coana/Cofia/Difia nº 2008/0692 (encaminhado pelo Memorando SRRF05/DIANA nº 47/2008), a qual apurou através de auditoria quantidade elevada de DDEs com informação dos dados de embarque no Siscomex fora do prazo legal, foi realizado levantamento na Seção de Fiscalização Aduaneira da Alfândega do Porto de Salvador, que constatou informação fora do prazo por parte da transportadora MARÍTIMA DE AGENCIAMENTOS E REPRESENTAÇÕES LTDA. (CNPJ: 13.831.870/000154) no ano de 2004 de 04 embarques realizados por navios por ela representados. (...) Em anexo, temos a relação de dados de embarque informados fora do prazo por DDE. Nessa tabela se encontra informada a data de embarque para cada DDE, e a data de informação no Siscomex dos respectivos dados de embarque. Na coluna denominada "VIAGEM" foram consolidados os efetivos embarques por navio em que houve atraso na informação dos dados de embarque. (...) Diante dos fatos expostos, fica clara a infração cometida pela MARÍTIMA DE AGENCIAMENTOS E REPRESENTAÇÕES Fl. 118DF CARF MF Processo nº 12689.000083/200971 Acórdão n.º 3001000.407 S3C0T1 Fl. 114 11 LTDA., por descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex em 04 embarques de navio, ensejando a multa de R$ 5.000,00 por embarque, sendo um total de R$ 20.000,00. Em anexo encontramse os extratos das DDEs, históricos dos despachos e consultas aos dados de embarque das DDEs. (...) Dos argumentos suscitados na impugnação Como bem exposto no relatório da decisão recorrida Acórdão 1143.456, da 6ª Turma da DRJ/REC, de 24.10.2013, em sede de impugnação à presente autuação, o impugnante apresentou sinteticamente e tão somente os seguintes fundamentos de defesa: "a) alega sua ilegitimidade passiva, pois a responsabilidade pelo envio das informações é do transportador e não da agência que é uma simples representante. Cita as atividades da agência marítima, doutrina, trechos de julgados do STJ e do STF e conclui afirmando que não há como imputar à impugnante a responsabilidade pelo atraso das informações prestadas ao SISCOMEX, uma vez que a declaração depende do próprio transportador, que não se confunde com a Agência; b) Aduz ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade e ausência de qualquer prejuízo à Fazenda Nacional e intenção de lesar o Fisco, uma vez que além das informações terem sido prestadas, não dependia da impugnante tal diligência, mas do fornecedor; c) Afirma que a multa prevista no art. 107 do Decreto lei n° 37 de 1966, tem por finalidade coibir vícios no procedimento de exportação, provocados pelo exportador, com a intenção de burlar o controle aduaneiro. Sendo assim, há de se verificar o potencial lesivo da conduta que ensejou a imposição da multa para que esta venha a atender ao fim que se preza". Dos argumentos suscitados no recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, que após análise da impugnação ofertada, concluiu pela "IMPROCEDÊNCIA da IMPUGNAÇÃO, MANTENDO INTEGRALMENTE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO exigido", o requerente interpôs, às efls. 67 a 95, recurso voluntário para, além de renovar os argumentos apresentados à instância a quo, inovar, desta feita para tecer argumentos quanto a "inexistência de infração haja vista tratarse de Produto a granel e Excludente de Punibilidade pela Denúncia Espontânea", como bem sintetizado pelo Relator já no início do Voto Vencido. Do mérito Da admissibilidade do argumento recursal Antes de adentrarmos na discussão do referido tema, que é o único objeto do presente Voto Vencedor, fazse necessário esclarecer que não fosse a alteração promovida na legislação de regência, em face da vigência da Lei 12.350 de 2010, portanto, em data posterior a da apresentação da impugnação, esta ofertada ainda em fevereiro de 2009 conforme depreendese do Despacho ALF/SDR/Sarac 065/2009, expedido pela Seção de Arrecadação e Cobrança da Alfândega do Porto de Salvador, em 19.03.2009, com o objetivo de encaminhar os presentes autos à DRJ/FOR (fl. 49, VolumeV1), tal circunstância, a meu ver, implicaria em inovação da tese jurídica na fase recursal, pois, como visto adrede, tal argumento não foi veiculado perante o colegiado recorrido que, a teor do disposto nos artigos 14, 15 e 17, do Decreto 70.235 de 1972, redundaria em preclusão e, por consequência, supressão de instância, Fl. 119DF CARF MF 12 uma vez que, como sabese, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal instaurase com o questionamento da matéria na 1ª instância, viabilizando, por decorrência, sua veiculação em sede de recurso voluntário. Da denunciação espontânea da infração O recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a penalidade que lhe fora aplicada, sob o argumento, principal, que a partir da alteração legislativa do parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, promovida pela Lei 12.350 de 20.12.2010, resultante da conversão da Medida Provisória 497 de 27.07.2010, passouse a reconhecer que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa. De plano, entendo não assistirlhe razão, pois, como veremos, a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denunciação espontânea da infração em comento. A fim de justificar e, por conseguinte, fundamentar o motivo pelo qual a penalidade ora objetada não comportar a denúncia espontânea, conforme disposta no CTN, peço licença para colacionar trechos do voto da lavra do conselheiro José Fernandes do Nascimento, que restou consignado no Acórdão 3102002.187, exarado em 26.03.2014, verbis: (...) Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Fl. 120DF CARF MF Processo nº 12689.000083/200971 Acórdão n.º 3001000.407 S3C0T1 Fl. 115 13 O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. (...) De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de Fl. 121DF CARF MF 14 todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. (...) Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. (...) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: (...) No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 12689.000083/200971 Acórdão n.º 3001000.407 S3C0T1 Fl. 116 15 A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Em reforço, cabe destacar que a presente situação envolve operações de exportação cujos dados foram obtidos junto ao SISCOMEXCARGA. Neste sentido, importa esclarecer que o Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX é o instrumento administrativo que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior, conforme artigo 2º do Decreto 660 de 25.09.1992. A Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, como um dos órgãos gestores do Siscomex é responsável pelas áreas aduaneira e tributária, assim, a fiscalização no âmbito de sua competência objete os dados junto ao referido sistema. Para contextualizar a situação fática, observese que toda mercadoria destinada ao exterior, inclusive a reexportada, está sujeita a despacho de exportação, com as exceções estabelecidas na legislação específica. (RA/2002, artigo 520) e (RA/2009, artigo 581). Em geral, o despacho de exportação será processado por meio de Declaração de Despacho de Exportação (DDE), registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), tendo a si vinculados um ou mais Registros de Exportação (RE). Fl. 123DF CARF MF 16 Portanto, sabedores que somos que tais processamentos de embarques são determinantes para propiciar o desembaraço aduaneiro das respectivas mercadorias e, por consequência, procede à conclusão dos despachos de exportação (DDE's), não há como prevalecer a hipótese do recorrente para adotarse a tese da denúncia espontânea da infração prevista no artigo 138 do CTN; pois, como já salientado, em se tratando de penalidade aduaneira, a denúncia espontânea possui tratamento específico. Reproduzse os preceitos do artigo 612 do Decreto 4.543 de 26.12.2002 Regulamento Aduaneiro à época vidente e, por oportuno, do artigo 683 do Decreto 6.759 de 05.02.2009 Regulamento Aduaneiro em vigor, verbis: Regulamento Aduaneiro/2002 Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, § 1o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Regulamento Aduaneiro/2009 Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Da leitura dos enunciados normativos acima transcritos, verificase que, depois do ano de 2010, com o advento das novas redações do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, dadas pelo Decretolei 2.472 de 01.12.1988 e pela Lei 12.350 de 20.12.2010, em alguns casos a denúncia espontânea passou a alcançar também as multas de natureza administrativa. Entretanto, este mesmo regramento é taxativo em determinar, desde muito antes da ocorrência do fato gerador da infração que culminou na exigência da multa sob exame, que "não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria". E é justamente este o caso dos autos, tendo em vista que o recorrente prestou extemporaneamente as informações exigidas e, por óbvio, antes do desembaraço aduaneiro das mercadorias/cargas descritas nos respectivos despachos de Fl. 124DF CARF MF Processo nº 12689.000083/200971 Acórdão n.º 3001000.407 S3C0T1 Fl. 117 17 exportação; isto porque tal procedimento desembaraço aduaneiro somente é passível de perfectibilizarse depois de prestadas as informações que estavam sob a responsabilidade do agente marítimo ora autuado. É como penso. Da conclusão Dessa forma, ao que concerne à matéria examinada denúncia espontânea, restando demonstrada a infração praticada e a correta aplicação da penalidade dela decorrente, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto, para manter, nos exatos termos da decisão recorrida, o crédito tributário objurgado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.910375/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1402-003.227
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 03 75 /2 00 9- 93 Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10980.910375/200993 Acórdão n.º 1402003.227 S1C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10980.910375/200993 Acórdão n.º 1402003.227 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE IRPJ. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 460, DE 2004. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF nº 460, de 2004, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de IRPJ paga indevidamente ou a maior na dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de IRPJ como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O caso foi assim relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: "Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP [...], relativa à compensação do débito de R$ 383,29 de IRPJ devido por estimativa (código de receita 2362) no mês de novembro/2005, com utilização do direito creditório de R$ 327,35 oriundo do pagamento indevido ou a maior, em 30/12/2004, da estimativa de IRPJ de novembro/2004 (R$ 417.106,77). 2. A DRF/Curitiba, por meio do Despacho Decisório proferido em 20/04/2009 [...], não homologou a compensação declarada em 22/12/2005 em face da improcedência do crédito indicado, haja vista o recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poder ser utilizado na dedução do imposto anual ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período, conforme previsto no art. 10 da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 3. Regularmente cientificada em 04/05/2009 [...], a reclamante apresentou, em 02/06/2009, a tempestiva manifestação de inconformidade [...], instruída com os documentos [...], cujo teor é sintetizado a seguir: a) argúi que os contribuintes devem pagar tributos sobre suas operações ou atividades nos termos exatos da lei, e que os valores pagos acima do exigido devem ser a eles repetidos; Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10980.910375/200993 Acórdão n.º 1402003.227 S1C4T2 Fl. 5 4 b) que, tendo optado pela tributação com base no lucro real anual, recolheu antecipações do imposto calculadas por estimativa, com base na receita bruta, conforme determina o art. 2° da Lei nº 9.430, de 1996; que aplicou corretamente a legislação vigente e o valor compensado referese sim a recolhimento a maior que o devido e exigido; c) que a Lei nº 8.981, de 1995, permite a suspensão ou redução do pagamento do imposto devido, em cada mês, desde que se demonstre, por meio de balanços ou balancetes, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto devido no período em curso; d) que, da mesma forma que o imposto apurado por estimativa, os recolhimentos a maior ou indevidos são passíveis de compensação, pois a obrigação principal, calculada nos termos da lei, também já foi satisfeita; que a não homologação da compensação do valor pago a maior contraria a lei e acarreta exigência de tributo indevido; e) que o pagamento a maior, mesmo no caso de estimativas mensais, onde os valores recolhidos serão deduzidos do devido ao final do exercício, não deve ser considerado como antecipação; f) que o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, permite a compensação, nos meses subseqüentes, de valores de tributos pagos a maior, como no presente caso; que o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; g) que o pagamento a maior de estimativa não consta do rol dos créditos elencados no § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que não poderão ser objeto de declaração de compensação; cita julgados do Conselho de Contribuintes; h) ao final requer a revisão da decisão exarada por meio do despacho decisório da DRFCuritiba, e que seja suspenso o débito exigido, nos termos do art. 151 do CTN. 4. É o relatório." Inconformada com a decisão da Instância a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual repisa os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10980.910375/200993 Acórdão n.º 1402003.227 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.221, de 14/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10980.910369/200936 paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.221): "O recurso voluntário atende aos pressuposto de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. DOS FATOS A recorrente protocolou manifestação de inconformidade contra a decisão que indeferiu o pedido de compensação no processo administrativo em questão a qual entendeu que a contribuinte somente poderia utilizar o crédito na dedução do Imposto de Renda ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ao final do período de apuração. A instância a quo manteve a decisão impugnada sob o argumento de que prevalece o disposto no artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº. 460 de outubro de 2004, sendo que a mesma determinação permaneceu na IN SRF 600 de dezembro de 2005. Tal entendimento somente veio a ser modificado através da IN SRF 900 de dezembro de 2008, contudo esse diploma legal somente produziu efeitos a partir de 01/01/2009, sob o que não cabe a aplicação do preceito do artigo 106 do CTN para fazer retroagir a norma mais favorável ao contribuinte, pois não se trata de norma estritamente interpretativa, pois, por se tratar de dispositivo que regula a compensação seria norma de natureza material, motivo pelo qual devem ser aplicadas as que estavam vigentes à época do encontro de contas. Declara ainda que o descumprimento do artigo 10 da IN 460 de 2004 caracterizaria violação ao preceito do artigo 170 do CTN o qual estabelece que o direito à compensação fica sujeito à condição e garantia que a lei estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribua à autoridade administrativa, tendo o §14 do artigo 74 da Lei 9430/96 estabelecido que a Secretaria da Receita Federal disciplinará a compensação de que trata esse artigo. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10980.910375/200993 Acórdão n.º 1402003.227 S1C4T2 Fl. 7 6 Diz também que a autoridade julgadora não pode descumprir o entendimento da própria Receita Federal. A recorrente inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, requerendo a reforma decisão recorrida, haja vista que não é este o entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (CARF), conforme reiteradas decisões colacionadas ao recurso. DO MÉRITO A discussão em relação à restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa, tratase de matéria sobre a qual o CARF vem reiteradamente se posicionando pela sua possibilidade. Havendo inclusive a edição da Súmula CARF n 84, transcrita a seguir. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Citase nesse sentido, os acórdãos paradigmas: Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. O Acórdão n° 110100.329, da lavra da conselheira Edeli Pereira Bessa, segue a jurisprudência consolidada no âmbito do Carf, cujos argumentos, adotados na presente decisão, são transcritos a seguir: "É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99 (art 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5° incluído no art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória n° 66/2002, atualmente transportado para o § 1 4 desde a edição da Lei n° 11.051/2004: Art 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Redação dada pela Lei n" 10 637, de 2002) [...] § 1 4 A Secretaria da Receita Federa SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10980.910375/200993 Acórdão n.º 1402003.227 S1C4T2 Fl. 8 7 restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais, Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, tem se a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF n° 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: (Omissis) As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF n° 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10980.910375/200993 Acórdão n.º 1402003.227 S1C4T2 Fl. 9 8 De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n° 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art 2°: (Omissis) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis.Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou a compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4° da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10980.910375/200993 Acórdão n.º 1402003.227 S1C4T2 Fl. 10 9 apurar estimativas mensais com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. (Omissis) E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF n° 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: (Omissis) No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31/01/2005 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIPJ originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 com base em balancete de suspensão/redução. Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de RS 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10980.910375/200993 Acórdão n.º 1402003.227 S1C4T2 Fl. 11 10 Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação." No uso da competência dada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, e por meio das INs SRF n° 460/2004 e 600/2005, cuja vigência ocorreu de 29/10/2004 a 30/12/2008, a Receita Federal do Brasil não admitiu a compensação imediata de recolhimentos indevidos de estimativas. Já com a IN RFB n° 900/2008, o Fisco alterou o entendimento e excluiu essa limitação de seu texto. A evolução da legislação administrativa a respeito do assunto foi a seguinte: O artigo 10 da Instrução Normativa n° 460/2004 não permitiu que indébitos oriundos de recolhimentos por estimativa fossem compensados de imediato, devendo compor o saldo de IRPJ e CSLL apurado ao final do período: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." A mesma redação foi mantida no artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, in verbis: "Art. 10 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Já com a edição da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, no seu artigo 11, o Fisco deixou de coibir a imediata compensação de recolhimentos indevidos de estimativas. "Art 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10980.910375/200993 Acórdão n.º 1402003.227 S1C4T2 Fl. 12 11 a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Assiste, assim, razão à recorrente quando afirma que as regras contidas na IN RFB n° 900/2008 são perfeitamente aplicáveis ao caso em voga, pois alteraram o entendimento anteriormente expresso pelas INs 460/2004 e 600/2005, podendo ser computado como crédito o montante de estimativa recolhido indevidamente. A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34." Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10980.910375/200993 Acórdão n.º 1402003.227 S1C4T2 Fl. 13 12 Porém, apenas em tese assiste razão à recorrente em suas alegações, haja vista que a análise efetivada pelo Despacho Decisório, que não homologou a compensação realizada, se restringiu apenas à preliminar da possibilidade do pedido, não abordando o mérito da veracidade do crédito apresentado para compensação, a sua existência, suficiência e disponibilidade, dando certeza e liquidez ao direito pretendido, devendo esse montante ser confirmado pela autoridade administrativa de origem. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para admitir a possibilidade de formação de indébito em recolhimento por estimativa, não homologando de plano a compensação pretendida, em virtude da ausência de análise do mérito do pedido pelo Despacho Decisório, devendo ser verificada pela autoridade local da Receita Federal do Brasil a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito objeto da compensação. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 664DF CARF MF
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