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Numero do processo: 10880.977151/2016-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 51 /2 01 6- 19 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.977151/201619 Acórdão n.º 1401002.630 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/12/2012, no valor de R$ 75.340,27, transmitida através do PER/Dcomp nº [...]. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. [...], pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em [...], o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade [...], para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/12/2012 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter retificado a DCTF antes da decisão do indeferimento da compensação e, ainda, por não ter apresentado comprovação de que não existiria saldo de CSLL a pagar no período. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.977151/201619 Acórdão n.º 1401002.630 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.603, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977128/2016 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.603): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ/CSLL. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso realizei consultas à DIPJ apresentada referente ao período de apuração do pagamento, assim como sobre a disponibilidade do pagamento realizado. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ/CSLL do período de apuração do DARF. Restando configurado serem devidos os débitos aos quais o pagamento foi alocado. marTendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o exercício, verificamos que a empresa realizou o pagamento e que este foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.977151/201619 Acórdão n.º 1401002.630 S1C4T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.901083/2008-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 3302-005.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do recurso voluntário e anulava a decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walker Araújo.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Walker Araújo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do recurso voluntário e anulava a decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walker Araújo. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 10 83 /2 00 8- 49 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13819.901083/200849 Acórdão n.º 3302005.434 S3C3T2 Fl. 53 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 3ª Turma da DRJ de Campinas/SP assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/2000 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem, o recorrente apresentou, em 16.01.2004, DCOMP de nº 37785.17208.160104.1.3.047671, objetivando a compensação de suposto crédito de PIS, oriundo de pagamento indevido ou a maior dessa contribuição, realizado em 15.12.2000, relativo ao período de apuração encerrado em 30.11.2000, no valor original de R$493,381, com débito de IRPJ do 4º Trimestre de 2003, no valor original de R$768,34. Sobreveio despacho decisório informando que foi localizado o pagamento informado pelo contribuinte, mas que este fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos próprios, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não sustentou a existência do crédito declarado na DCOMP não homologada, tendo apenas informado que Em 29/12/2005, a empresa temendo que a Receita Federal não processasse o citado PER/DCOMP, a mesma por sua liberalidade quitou este débito com multa e juros, através do Darf código 2089 referente ao período de apuração 31/12/2003, no valor de R$ 6.053,38, portanto não há o que se falar em valores devidos, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois foi devidamente quitado, conforme cópia em anexo.(sic) Ao fim, pediu o contribuinte, em manifestação de inconformidade, fosse feita revisão de ofício, contemplando o cancelamento da DCOMP em comento e, por via de conseqüência, cancelada a cobrança decorrente da não homologação. Os membros da 3ª Turma da DRJ de Campinas/SP acordaram por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que a desistência ou 1 O valor atualizado na data da transmissão da DCOMP 16.01.2004 era de R$775,10. (fl. 3) Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13819.901083/200849 Acórdão n.º 3302005.434 S3C3T2 Fl. 54 3 cancelamento de DCOMP possui rito próprio, sendo vedado, tanto ao contribuinte quanto à autoridade julgadora, a pretensão de desistência/cancelamento naquela fase processual. Alegaram ainda os membros da 3ª Turma da DRJ/CPS, que as questões relativas à existência ou não de pagamento do débito era matéria estranha ao julgamento administrativo da não homologação de declarações de compensação, devendo ser observada somente na etapa de cobrança do crédito tributário confessado na DCOMP. Inconformada, a contribuinte apresentou, em 15.12.2011, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde ratificou os argumentos da Manifestação de Inconformidade e alegou não ter se utilizado do crédito apontado na DCOMP, vez que promoveu o pagamento integral do débito cuja compensação se pleiteava, o que materializaria erro de fato e não ausência de pagamento. Destaca a recorrente que o pagamento integral do débito ocorreu antes mesmo da ciência quanto à não homologação da compensação declarada, não podendo ser ela compelida ao pagamento em duplicidade do citado débito. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a apreciálo. 1 Das Etapas de Verificação do PER/DCOMP e da Instauração do Contencioso Administrativo. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13819.901083/200849 Acórdão n.º 3302005.434 S3C3T2 Fl. 55 4 compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. No caso em estudo, o contribuinte informou, em sua primeira oportunidade de manifestação nestes autos, ter efetuado, em 29.12.2005, por meio de DARF (fl. 13), o pagamento integral do débito que pretendia compensar, bem como pediu, de modo suficientemente claro, a revisão de ofício para fins de cancelamento da DCOMP 37785.17208.160104.1.3.047671. Assim, no que cinge ao suposto crédito de PIS do mês 11/2000, declarado na DCOMP em comento, o próprio contribuinte reconheceu sua inexistência, ainda em sede de manifestação de inconformidade, fazendo com que sequer tenha se instaurado controvérsia administrativa sobre tal matéria, não havendo que se falar em reconhecimento ou não de direito creditório, pois não há crédito em litígio. Contudo, a DRJ conheceu da Manifestação de Inconformidade e ratificou a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório, sob o fundamento de que o cancelamento seria vedado naquela fase processual, bem como que a questão relativa a existência ou não de pagamento seria matéria estranha ao julgamento administrativo da não homologação de declarações de compensação. No recurso voluntário, o contribuinte ratificou todos os argumentos produzidos por ocasião da manifestação de inconformidade, renovando o pedido de revisão de ofício para o cancelamento da DCOMP e, por conseguinte, da cobrança decorrente de sua não homologação. Repisese que desde sua primeira manifestação neste PAF, a empresa pugnou pela revisão de ofício, com o cancelamento da DCOMP e extinção da cobrança decorrente de sua não homologação. Segundo previsão legal do §9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, é facultado ao sujeito passivo se insurgir, por Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13819.901083/200849 Acórdão n.º 3302005.434 S3C3T2 Fl. 56 5 meio de Manifestação de Inconformidade, contra a não homologação da declaração de compensação. Nesse sentido, temse que a competência dos órgãos de julgamento administrativo, no que diz respeito às declarações de compensação, está adstrita ao reconhecimento ou não do direito creditório, que terá por consectário a homologação, ou não, da compensação declarada. Ocorre que o caso em estudo não versa sobre a não homologação da DCOMP, vez que o próprio contribuinte reconheceu a inexistência de direito creditório, tendo pleiteado a revisão de ofício para que fosse realizado o cancelamento da DCOMP, o que escapa à competência dos julgadores administrativos. Não estando a retificação ou o cancelamento de declarações, entregues pelo sujeito passivo, inseridos na esfera de competências do julgador administrativo, não se pode decidir sobre tal matéria. Tampouco faz sentido decidir sobre matéria não impugnada pelo contribuinte em suas peças, como é o caso do reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da DCOMP em comento, sobre o que, conforme já visto, sequer se instaurou litígio. Noutras palavras, não tendo o contribuinte pugnado pelo reconhecimento do direito creditório não homologado pelo Despacho Decisório, não há e nunca houve litígio administrativo quanto a não homologação, esvaziando a competência dos órgãos de julgamento administrativo, vez que também não podem estes decidir sobre os pedidos formulados nas peças produzidas pelo contribuinte nestes autos. 2 Do Cancelamento da DCOMP Os artigos 62 e 82, respectivamente das Instruções Normativas SRF nº 600/20052 e RFB nº 900/20083, e seus parágrafos únicos, vigentes no período dos fatos, sujeitavam a desistência da DCOMP a Pedido de Cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOM, e condicionavam o seu deferimento a pendência de decisão administrativa na data de apresentação do pedido de cancelamento. 2 IN SRF nº 600/2005. ... Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. 3 IN RFB nº 900/2008. ... Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13819.901083/200849 Acórdão n.º 3302005.434 S3C3T2 Fl. 57 6 Já o parágrafo único desses dispositivos, estabelecia que seria indeferido o pedido de cancelamento formalizado após a intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Ainda que o contribuinte não tenha sido intimado à apresentação de quaisquer documentos, depois de emitido o Despacho Decisório (decisão administrativa) restou configurada a impossibilidade do sujeito passivo efetuar a desistência da DCOMP por conta própria, mediante a transmissão de pedido gerado a partir do programa PER/DCOMP. Muito embora não tenha o recorrente manifestado pela desistência da DCOMP por via adequada, mediante a utilização do programa PER/DCOMP, no caso concreto restou comprovada nos autos a intenção de desistir da declaração de compensação efetuada em 16.01.2004. Vejamos. O contribuinte solicitou, ainda em sede de manifestação de inconformidade, a revisão de ofício para cancelamento da DCOMP, anexando aos autos o comprovante de pagamento de CSLL relativo ao período de contribuição envolvido na compensação. Frente às alegações do contribuinte, o Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT, da DRF de São Bernardo do Campo/SP, juntou ao processo, em 17.10.2008, cópia da DCTF referente ao tributo cujo débito se pretendia compensar (fls. 23 a 25), evidenciando que o total devido a título de IRPJ do 4º Trimestre de 2003 era de R$11.913,37. A recorrente efetuou, até 29.12.2005, antes da emissão do despacho decisório, o pagamento integral do saldo devedor de IRPJ declarado em DCTF, no montante original exato de R$11.913,37, conforme comprovam a cópia do DARF anexado na fl 13 e os comprovantes de arrecadação de fl 36 e 37, não remanescendo, portanto, saldo devedor de IRPJ do referido período de apuração. Destacase que tanto a transmissão da DCTF, anexada aos autos pela própria autoridade fiscal, quanto o pagamento do tributo devido, nela declarado, foram realizados muito tempo antes da prolação do despacho decisório (quase 3 anos antes), conforme se comprova pelas fls. 13, 23, 24, 25, 36 e 37, combinadas com a fl 14. O Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 2014, dispõe, com efeito, ser possível a revisão de ofício dos atos realizados mediante erro de fato. Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13819.901083/200849 Acórdão n.º 3302005.434 S3C3T2 Fl. 58 7 especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. (grifei) Dispõe ainda o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, que Não mais sendo possível a retificação por iniciativa do sujeito passivo, esta poderá ser realizada de ofício pela autoridade administrativa da unidade local de jurisdição para reduzir os débitos a serem encaminhados ao órgão da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa, haja vista orientação contida na Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 1999, antes referida. Nos termos desta portaria, mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa, e ainda que iniciada a execução fiscal, a retificação de ofício poderá ser efetuada se comprovado o erro de fato no preenchimento da declaração. Consoante ao acima exposto, e observando ainda o contido no parágrafo nº 53 do relatório do Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, a revisão de ofício de decisão que não homologou a compensação está condicionada à não apreciação do erro de fato pelos órgãos de julgamento administrativo, em contencioso instaurado em função da apresentação anterior de manifestação de inconformidade. 53. Ressaltese que somente poderá haver revisão de ofício do despacho decisório que não homologou a compensação se o erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a DCTF e mesmo a DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL) não tiver sido objeto de apreciação dos órgãos de julgamento administrativo instaurado em função de apresentação anterior de manifestação de inconformidade, conforme já abordado Contudo, uma vez emitido o despacho decisório, restou comprometida a possibilidade de o contribuinte efetuar o pedido de cancelamento da DCOMP pela via adequada, tendo em vista o disposto nas instruções normativas vigentes. Assim, não vislumbrando outro caminho, decidiu o contribuinte por pedir a revisão de ofício em manifestação de inconformidade. Em homenagem ao princípio do formalismo moderado, que deve permear a tramitação dos processos administrativos, não se pode desconsiderar totalmente o pedido do recorrente apenas porque deixou de observar formalidades regulamentares. Portanto, estando presentes nos autos relevantes indícios de cometimento de erro de fato e da boa fé do contribuinte, entendo que o caso merece especial atenção, a fim de evitar que o erro cometido pelo sujeito passivo culmine em exação indevida. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13819.901083/200849 Acórdão n.º 3302005.434 S3C3T2 Fl. 59 8 Não cabendo aos órgãos julgadores administrativos decidir sobre o pedido formulado pelo contribuinte em todas as suas manifestações nestes autos, e havendo previsão expressa no sentido de ser possível a revisão de ofício de lançamentos, a fim de evitar a inscrição em divida ativa e conseqüente execução de um crédito tributário indevido, o que seria contrário a princípios caros ao processo administrativo, penso que o pedido do recorrente deve ser analisado por quem detém competência para tanto. Nesse sentido o acórdão de nº 1301002.243, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 PER/DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. ERRO. CONVERSÃO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EM PEDIDO DE REVISÃO DE OFÍCIO. PN COSIT Nº 8/2014. Se o contribuinte apresenta pedido de cancelamento de ofício do PER/DCOMP manejando manifestação de inconformidade, ao argumento de que inexiste o débito declarado, por erro, a autoridade fiscal deve receber a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício. Merece destaque, ainda, o seguinte excerto do voto vencedor que deu origem ao acórdão acima citado, da lavra do ilustre conselheiro Flávio Franco Corrêa: Sou da opinião de que o pedido de “cancelamento de ofício do PER/DCOMP”deve ser entendido como pedido de revisão de ofício do despacho decisório, formulado sob o argumento de que tanto o crédito como o débito não existem. Não me atenho à inexistência do crédito, somente, porquanto, se fosse apenas isso, o contribuinte não teria motivo para contestar a decisão da autoridade fiscal. Nessa situação, o contribuinte está ciente de que o crédito declarado é irreal. Vejo o problema por outra óptica quando o contribuinte alega que o débito antes confessado em DCOMP inexiste, mormente quando o contribuinte descobre tal fato no momento de apresentar defesa contra o despacho decisório, tal e qual o ocorrido. Nessa circunstância – vale lembrar o artigo 32, parágrafo único, da IN SRF nº 600/2005 impedia o cancelamento da DCOMP, assim como, hoje em dia, o artigo 93, parágrafo único, da IN RFB nº 1300/2012, também o impede. Consoante o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, a Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1/1999 estabelece que “qualquer débito encaminhado para inscrição em dívida ativa pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa da RFB quando o sujeito passivo apresentar provas inequívocas de cometimento de erro de fato”. Anotese que citado PN Cosit nº 8/2014 prevê a possibilidade de revisão de ofício de DCOMP “quando a compensação não é homologada por despacho decisório e, cumulativamente, tal decisão não é reformada em função de Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13819.901083/200849 Acórdão n.º 3302005.434 S3C3T2 Fl. 60 9 contencioso administrativo, seja pelo fato de não se ter insturado o litígio, seja em virtude de decisão administrativa definitiva, total ou parcialmente, desfavorável a ele”. No caso sob exame, não há e nunca houve litígio quanto ao crédito. Por outro lado, as DRJ e o Carf não são competentes para apreciar reclamações fundadas na inexistência do débito declarado com erro em DCOMP. Portanto, a decisão administrativa não se tornará definitiva passando por essas instâncias. Assim, pela perspectiva do PN Cosit nº 8/2014, o Despacho Decisório à fl. 23 é a decisão que se tornou definitiva e objeto do pedido de revisão de ofício. O novel Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 430/2017, dispõe ser da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (Defis), dentre outros, no âmbito da respectiva jurisdição, a competência específica para proceder a revisão de ofício e o cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo. Art. 272. À Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (Defis), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização de Comércio Exterior (Delex), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Comércio Exterior (Decex), às Delegacias Especiais da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes de São Paulo e de Belo Horizonte (Demac) compete, no âmbito da respectiva jurisdição, gerir e executar as atividades de fiscalização, de tecnologia e segurança da informação, de comunicação social, de programação e logística e de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: ... III proceder à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; Diante do exposto e tendo em vista o PN Cosit nº 8/2014, voto por não conhecer do recurso, e, de ofício, anular o acórdão recorrido, encaminhando o processo à unidade competente, para que seja recebida e processada a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo Redator Designado Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13819.901083/200849 Acórdão n.º 3302005.434 S3C3T2 Fl. 61 10 Com o devido respeito aos argumentos do ilustre Relator, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, em especial quanto a declaração de nulidade do acórdão recorrido. Isto porque, ao contrário do entendimento explicitado pelo relator, não há na decisão recorrida vestígios de vício passíveis de nulidade, tampouco qualquer ato processual capaz de ensejar a incidência do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, a decisão recorrida analisou todos os argumentos explicitados pela Recorrente, bem como as demais questões processuais suscitadas pelas partes, ou seja, não houve nenhum vício na decisão recorrida que seja passível de nulidade. Neste esteira, entendo que a melhor solução à ser dado ao presente caso é aquela decidida por esta Turma, em outra composição, nos autos do processo 13819.901086/200882 (acórdão 3302004.648), de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, envolvendo as mesmas partes e questões fáticas, a saber: Com efeito, no recurso em apreço, a recorrente não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço. A confirmação do asseverado foi feita pela própria recorrente no demonstrativo de apuração e pagamento integral do débito da CSLL do período, colacionado na peça recursal em apreço. Assim, se não está em questão a existência ou não do direito creditório informado pela recorrente na Declaração de Compensação (DComp) colacionada aos autos e declarado inexistente pela autoridade fiscal, no âmbito do questionado Despacho Decisório, obviamente, não existe litígio a ser dirimido por este Colegiado. Em consequência, o presente o recurso, inequivocamente, perdeu o seu objeto. De toda sorte, cabe esclarecer que, caso a recorrente não tenha recolhido a parcela do débito confessado na referida DComp, obviamente, a cobrança desse valor deverá ser feita pela unidade da Receita Federal de origem, na forma da legislação vigente. Por todo o exposto, votase pelo não conhecimento do recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. Nesse passo, considerando que a Recorrente, assim como o fez no citado processo, não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço e, que toda matéria arguida em sede recursal não faz parte do litígio, ou seja, matéria estranha, outra solução não merece o presente caso, senão o não conhecimento do recurso. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13819.901083/200849 Acórdão n.º 3302005.434 S3C3T2 Fl. 62 11 Walker Araujo Redator Designado. Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10467.720187/2014-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
Multa. Efeito de Confisco. Exame na Esfera Administrativa. Impossibilidade.
No processo administrativo tributário é vedado o exame do caráter confiscatório da multa, por implicar a realização de controle de constitucionalidade, que foge à competência do CARF, conforme entendimento consagrado na Súmula CARF nº 2.
Multa Qualificada. Comprovação do Dolo.
A aplicação de multa qualificada exige como condição indispensável a comprovação do dolo.
Numero da decisão: 1301-003.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reduzir a multa de ofício a 75%.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 MULTA. EFEITO DE CONFISCO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo tributário é vedado o exame do caráter confiscatório da multa, por implicar a realização de controle de constitucionalidade, que foge à competência do CARF, conforme entendimento consagrado na Súmula CARF nº 2. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO DOLO. A aplicação de multa qualificada exige como condição indispensável a comprovação do dolo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reduzir a multa de ofício a 75%. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 01 87 /2 01 4- 41 Fl. 888DF CARF MF Processo nº 10467.720187/201441 Acórdão n.º 1301003.172 S1C3T1 Fl. 889 2 Relatório Tratase de recurso interposto por BACKUP COMÉRCIO DE ÁUDIO E VÍDEO LTDA. ME, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1053.441, da 6ª Turma da DRJ Porto Alegre, que negou provimento à impugnação da recorrente, mantendo contra ela o auto de infração que exigia crédito tributário de Simples Nacional no montante de R$ 890.755,58. A Fiscalização constatou as seguintes infrações: a) falta de escrituração de receitas; b) falta de escrituração de pagamentos, infração para a qual foi imposta multa qualificada; e c) insuficiência de recolhimento em razão da diferença entre as alíquotas. A impugnação do lançamento, cingindose a contestar a multa, foi desprovida pela DRJ POA, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. COMPRAS NÃO ESCRITURADAS. A Lei 9.430/1996, em seu art. 40, caracteriza omissão de receitas a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica de compras de mercadorias comprovadamente recebidas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. As decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Não compete à autoridade administrativa a apreciação de arguições de ilegalidade e de inconstitucionalidade de atos legais e infralegais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional ou de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. MULTA. Os percentuais de multa, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei. Aplicável a multa qualificada de 150% quando a conduta dolosa do interessado restou plenamente evidenciada pela prática reiterada e sistemática de ocultar da Receita Federal a receita bruta por ele auferida, procurando conscientemente impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal da ocorrência de fato gerador de tributo. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. PEDIDO DE PERÍCIA. Nos termos da legislação do PAF, toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia formulados, quando não atendidos os requisitos legais ou ainda quando desnecessários para se formar a convicção acerca dos fatos e motivos do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente interpôs recurso, no qual, assim como fizera na impugnação, se limitou a atacar a multa. Lembrou que no Brasil a jurisdição é una, cabendo ao Poder Judiciário Fl. 889DF CARF MF Processo nº 10467.720187/201441 Acórdão n.º 1301003.172 S1C3T1 Fl. 890 3 a última palavra na interpretação da lei. Além disso, o Decreto nº 70.235/1972, tendo sido editado em pleno período ditatorial, estaria em desacordo com os princípios constitucionais que orientam a Administração Pública. Por isso, é inconcebível que a Administração Tributária não se submeta ao princípio do não confisco. A recorrente reiterou os argumentos perfilhados na impugnação, no sentido de que as multas são desproporcionais e confiscatórias e, por conseguinte, inconstitucionais. Por outro lado, negou ter agido com o propósito de ludibriar o Fisco. O dolo não estaria configurado no caso em tela, já que o fato de não terem sido registrados os pagamentos a credores não implicaria a existência de dolo. Ressaltou que o próprio ilícito omissão de receitas foi apurado por presunção. Concluiu reiterando a alegação de inconstitucionalidade da multa, invocando, para respaldar tal afirmação, julgados do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Com esses fundamentos, pugnou pelo provimento do recurso. É o relatório. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 10467.720187/201441 Acórdão n.º 1301003.172 S1C3T1 Fl. 891 4 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Dois são os pontos levantados pela recorrente: inconstitucionalidade da multa, por ser desproporcional e violar a vedação ao confisco; e a falta de comprovação de dolo para a imposição de multa qualificada. Quanto ao primeiro ponto, está correta a decisão recorrida. No processo administrativo não é dado discutir a constitucionalidade de lei ou ato normativo. A regra constitucional que proíbe o tributo confiscatório é dirigida ao legislador e não aos agentes do Fisco, de quem se exige a estrita observância da lei. A alegação de que, no caso concreto, a multa tem efeito confiscatório é matéria não passível de exame pelo CARF. Adentrar nessa questão implicaria, por vias transversas, fazer o controle de constitucionalidade, vedado de forma expressa a este órgão. Nesse sentido o art. 26A do Decreto nº 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. O mesmo entendimento está consolidado no enunciado da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à multa qualificada, tem razão a recorrente. De fato, no Relatório de Trabalho Fiscal (fls. 806 a 819), que é parte integrante do auto de infração, não há descrição específica da conduta dolosa. A autoridade lançadora limitouse a dizer que para uma infração foi aplicada multa simples (75%) e para a outra, multa qualificada (150%), sem explicitar quais os elementos fáticos revelariam, no segundo ilícito, a presença da intenção de lesar o Fisco. Eis o que consta do relatório: No presente auto, foi imputada a multa de ofício de 75%, para insuficiência de recolhimento diferença de alíquota e 150%, para omissão de receita por falta de escrituração de pagamentos efetuados e juros de mora acumulados. Da mesma forma, estão demonstrados os tributos e contribuições, período de apuração, data do vencimento, valor original (principal), multa de ofício, juros de mora e total do crédito tributário calculado até 31/07/2014. (fl. 815) (...) Além dos lançamentos dos tributos, está sendo incluída a multa regulamentar de 75% pelo lançamento de ofício (Insuficiência de Recolhimento) e 150% (Omissão de Receita) e incluído o juro com base na taxa SELIC cumulativa entre o Fl. 891DF CARF MF Processo nº 10467.720187/201441 Acórdão n.º 1301003.172 S1C3T1 Fl. 892 5 mês seguinte ao vencimento do pagamento referente ao período de apuração e o mês de junho de 2014 mais 1% do mês de julho, observado o disposto no art. 35 da LC 123/2006, combinado com arts. 44, I e § 1o e 61, § 3o da Lei n° 9.430/96 e art. 14 da Lei n° 11.488/2007. (fl. 818) A par desse fato, cumpre ressaltar que a omissão de receitas não foi apurada por prova direta, mas por presunção. A omissão de receitas foi presumida pela falta de registro dos pagamentos. O fundamento legal é dado pelo art. 40 da Lei nº 9.430/1996: Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. Os lançamentos por presunção, em regra, não comportam qualificação da multa, salvo situações excepcionais, que precisam ser realçadas pela autoridade fiscal, o que não ocorreu no caso em exame. Por essas razões, não cabe a aplicação de multa qualificada para a omissão de receitas. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe parcial provimento e, assim, afastar a multa qualificada, reduzindo o percentual ao patamar de 75%. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 892DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721232/2012-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA INDEVIDA.
Segundo o art. 80, § 1º, inc. III, do RIR, a dedução de despesas médicas na DIRPF limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, devendo ser admitidas, para efeito de dedução, as despesas comprovadas em conformidade com esse dispositivo.
Numero da decisão: 2402-006.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente SIDNEI SERGIO LAMOTTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA INDEVIDA. Segundo o art. 80, § 1º, inc. III, do RIR, a dedução de despesas médicas na DIRPF limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, devendo ser admitidas, para efeito de dedução, as despesas comprovadas em conformidade com esse dispositivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 12 32 /2 01 2- 05 Fl. 53DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de IRPF, anocalendário 2008, no valor total de R$ 18.135,19, lavrada diante da constatação das seguintes infrações: (a) dedução indevida de despesas com instrução – R$ 2.592,29, por falta de comprovação; (b) dedução indevida de pensão alimentícia judicial – R$ 29.582,19, por não comprovação do efetivo pagamento; (c) Dedução indevida de despesas médicas – R$ 8.015,33, por falta de comprovação; O contribuinte apresentou impugnação, acompanhada de documentos, na qual requereu o cancelamento do débito fiscal, tendo em vista os documentos comprobatórios. Requereu, ainda, prioridade de tramitação, com base no art. 71 do Estatuto do Idoso. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. GLOSA. O direito à dedução está condicionado ao enquadramento nos requisitos legalmente estabelecidos, à comprovação do pagamento, sujeitandose ao limite legal. Restabelecese a dedução à vista da prova documental apresentada. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. GLOSA. O direito à dedução está condicionado ao enquadramento nos requisitos legalmente estabelecidos e à comprovação do pagamento. Restabelecese parcialmente a dedução à vista da prova documental apresentada. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. O direito à dedução de despesas médicas limitase àquelas cujos beneficiários dos serviços foram o contribuinte ou seus dependentes para fins de imposto de renda, ao enquadramento nos requisitos legalmente estabelecidos, e condicionado à comprovação da prestação de serviços e do pagamento. Restabelecese parcialmente as deduções à vista da prova documental apresentada. O montante exonerado não desafiou a interposição de recurso de ofício. Intimado da decisão em 10/09/2012, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 28/09/2012, no qual requereu a juntada aos autos dos recibos firmados pelas profissionais Carina Adam, Claudia Paranhos Benjamin e Rosângela Saqueto. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10825.721232/201205 Acórdão n.º 2402006.329 S2C4T2 Fl. 3 3 Sem contrarrazões ou manifestação da Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da glosa de despesas médicas A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, a fim de restabelecer as deduções de despesas com instrução e pensão alimentação; e restabelecer parcialmente as deduções com despesas médicas do contribuinte e seus dependentes. Em sendo assim, a controvérsia remanescente nestes autos é apenas aquela atinente à glosa das despesas declaradas com gastos de saúde, mais especificamente as despesas relativas aos profissionais Carina Adam, Cláudia Paranhos Benjamim e Rosangela Saqueto. Vejase o seguinte trecho do voto condutor do acórdão recorrido: O contribuinte juntou à impugnação recibos de fls. 8/9, que correspondem a despesas médicas declaradas, mas não atendem aos requisitos legais. Dos recibos de Carina Adam e Cláudia Paranhos Benjamim não constam o endereço das profissionais. Quanto ao recibo de Rosangela Saqueto, além de não constar o endereço, não identifica sua qualificação profissional, dado necessário, pois a legislação especifica, de maneira taxativa, o rol de profissionais cujos pagamentos podem ser deduzidos (art. 80, caput, do RIR/99, acima transcrito). Impõese a manutenção das glosas. Em sede de recurso, o sujeito passivo anexou aos autos os três recibos firmados pelas aludidas profissionais, com os dados que, no entender da DRJ, seriam faltantes. Deve ser admitida a juntada de tais documentos, uma vez que apenas destinados a suprir as falhas constantes dos documentos originários, mormente as falhas indicadas pelo próprio acórdão de impugnação. Vejase que os recibos de Carina Adam e Cláudia Paranhos Benjamim (fls. 47/48) estão com os seus respectivos endereços profissionais e que a cirurgiã dentista está devidamente qualificada no recibo de fl. 47, inclusive com o seu endereço. Esse suprimento, ademais, implica o provimento do recurso voluntário, mesmo porque o entendimento deste conselheiro se alinha com a seguinte intelecção da DRJ, conforme abaixo será exposto: Fl. 55DF CARF MF 4 Em princípio, os recibos fornecidos por profissional legalmente habilitado constituem documentos hábeis a comprovar a despesa médica, desde que contenham o seu nome, endereço do local da prestação de serviços e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ (antigo Cadastro Geral de Contribuintes – CGC), a especificação dos pagamentos efetuados, bem como a informação precisa dos serviços prestados e o beneficiário dos mesmos, pois o direito à dedução restringese às despesas com o próprio contribuinte e seus dependentes. Com efeito, na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, entre outros profissionais/estabelecimentos da área de saúde, conforme regra expressa do art. 80, caput, do Decreto n.º 3000/1999 RIR. Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (“) Para que seja possível a dedução, devem ser preenchidos os requisitos impostos pela legislação. O tema é tratado pelo § 1º do artigo supra mencionado, in verbis: § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (…) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Ainda, o artigo 73 do RIR estabelece que: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. A comprovação, portanto, é feita mediante a indicação do nome, endereço e número de inscrição do profissional. Dito de outra forma, os pagamentos são comprovados através dos recibos ou das notas fiscais de prestação de serviços, elaborados em consonância com os requisitos supra mencionados. Na falta dessa documentação (“podendo, na falta de documentação”), admite o Regulamento a exibição dos cheques nominativos. Essa exibição, pois, é uma alternativa para o contribuinte que não possua os recibos ou as notas fiscais. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10825.721232/201205 Acórdão n.º 2402006.329 S2C4T2 Fl. 4 5 A propósito do recibo de fl. 47, cuja beneficiária seria Ana Paula Rodrigues da Rocha, cabe observar que se trata de dependente do sujeito passivo, como se depreende do seguinte trecho do voto condutor da DRJ: [...] Em consulta aos bancos de dados da Receita Federal do Brasil, verificase que Ana Paula não apresentou Declaração em separado e foi declarada como dependente pelo impugnante. Logo, e de acordo com a fundamentação acima, o recurso voluntário deve ser provido, a fim de que sejam restabelecidas as deduções retratadas nos recibos de fls. 47/48. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de que sejam restabelecidas as deduções retratadas nos recibos de fls. 47/48. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720043/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 43 /2 01 1- 06 Fl. 59170DF CARF MF Processo nº 10410.720043/201106 Acórdão n.º 3401004.972 S3C4T1 Fl. 59.171 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. Relatório Adoto o relatório da DRJ de piso (efls. 59.131 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: Trata o presente processo da manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório emitido pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária – Seort, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maceió – AL, em 20 de janeiro de 2011, que ao aprovar o Parecer nº 30/2011 do Setor de Fiscalização (da citada delegacia), indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER nº 17480.68308.120707.1.1.116130, relativo ao Crédito de Cofins não cumulativa do mercado Interno do 1º trimestre do ano de 2006, formulado no valor de R$ 241.185,16. Consoante documentos juntados ao processo, verificase que o mencionado parecer foi fundamentado na Diligência Fiscal realizada em atendimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Nesse contexto, conforme consta do Termo de Encerramento de Diligência nº 0001, relativo ao encerramento de citada diligência fiscal, constatase que a autoridade fiscal, após proceder a análise da escrituração contábil e fiscal e de arquivos eletrônicos da contribuinte, relativos aos créditos de PIS e Cofins dos períodos de dezembro de 2005 a dezembro de 2008, solicitados em 30 (trinta) Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento – PER, concluiu pelo indeferimento total do pedido de ressarcimento, tendo em vista a falta de comprovação dos créditos pleiteados. A contribuinte foi cientificada do Parecer e do Despacho Decisório em 29/04/2011, e apresentou, em 31/05/2011, manifestação de inconformidade, cujo teor é resumido a seguir. Preliminarmente, a interessada pede a aplicação do efeito suspensivo e alega tempestividade da manifestação. Diz que foi cientificada do despacho, por meio de AREBCT, no dia 29/04/2011, e que efetuou a apresentação do recurso administrativo no último dia do prazo a que tinha direito, ou seja, dia 31/05/2011. No mérito, após um breve relatos dos fatos, a contribuinte pugna pela aplicação do princípio da verdade material e pela legalidade e legitimidade dos créditos solicitados. Fl. 59171DF CARF MF Processo nº 10410.720043/201106 Acórdão n.º 3401004.972 S3C4T1 Fl. 59.172 3 Explica, primeiramente, que os créditos de PIS e Cofins não cumulativos foram apropriados e informados nos respectivos Dacon, em conformidade com as disposições contidas nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, e que a análise dos Pedidos de Ressarcimento a eles relativos foi determinada pelo poder judiciário em face da inércia do órgão administrativo. Argumenta que entregou para a Receita Federal inúmeros documentos (diversos livros contábeis e fiscais e uma série de arquivos magnéticos), atendendo com presteza todas as informações que lhe foram requisitadas, e que a fiscalização, apesar de não ter identificado nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade, agiu denotando “a um só tempo: a) que não viu com bons olhos a provocação judicial da empresa para ter os seus pedidos de ressarcimento analisados a tempo e modo indicados na legislação tributária; b) que não tinha porque se debruçar sobre os elementos fornecidos pela empresa.” Defende que a motivação para o despacho decisório, qual seja, de os documentos e informações da empresa não guardarem estrita correlação com o valor exato do crédito solicitado, não se demonstra suficiente para o indeferimento total do direito creditório. Alega que, em nome do princípio da verdade material e dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, o dever de ofício da autoridade fiscal é o de apurar o crédito que a empresa tem direito. Nesse sentido, pede que os autos sejam baixados em diligência para que seja apurado o valor do crédito segundo o entendimento do órgão administrativo. Esclarece que as “imprecisões vislumbradas pela fiscalização denotam, como dito, uma deliberada má vontade na apreciação dos Pedidos de Ressarcimento protocolizados pela empresa.” Quanto às irregularidades apontadas pela fiscalização nos arquivos do sistema Sintegra, argumenta que 80 % (oitenta por cento) dos lançamentos tidos por irregulares referemse a aquisições de serviços de transportes e de telecomunicações, os quais não são considerados mercadorias e, portanto, não possuem NCM. Diz que no mês de abril de 2006 quase 100 % dos lançamentos ditos irregulares referemse aos citados serviços e que em diversos outros meses este é o padrão, com exceção de alguns meses do ano de 2008, principalmente ao final do mesmo, para os quais os registros no referido sistema demonstramse incompletos. Acrescenta, quanto à esses últimos registros, que forneceu à fiscalização todas as informações complementares, por meio de planilhas eletrônicas (arquivos do sistema Microsoft Excel), cujas cópias, por amostragem, foram juntadas à manifestação como forma de demonstrar a acuidade das informações. Sustenta que, diante dos fatos acima expostos, resta evidente que as imprecisões do Sintegra não podem servir de escusa para o fisco deixar de apurar os créditos solicitados. Fl. 59172DF CARF MF Processo nº 10410.720043/201106 Acórdão n.º 3401004.972 S3C4T1 Fl. 59.173 4 Diz que está apresentando, em anexo, para aclaramento dos fatos narrados, “um modelo de planilha que foi enviada à fiscalização onde mostra que as entradas foram devidamente informadas.” Por fim, alega que a autoridade fiscal, no encerramento da fiscalização, elaborou planilhas de forma sintética, não demonstrando, minimamente, as informações contidas nos arquivos apresentados pela interessada. Requer, diante do exposto, a reforma do despacho decisório, a determinação da diligência com vistas a apurar o crédito e que os débitos declarados nas Declarações de Compensação vinculados ao Pedido de Ressarcimento permaneçam com a exigibilidade suspensa, até o julgamento final da manifestação de inconformidade. Notese, por fim, que a interessada apresentou, em 15/12/2011, em praticamente todos os 30 (trinta) processos administrativos concernentes aos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento – PER analisados na diligência fiscal, um documento complementar à manifestação de inconformidade que, além de reiterar todos os argumentos e pedidos constantes da primeira manifestação, solicita a juntada de um relatório de auditoria elaborado por uma empresa de Auditoria Independente (Ernest & Young Terco), o qual (segundo a interessada) visa demonstrar a origem das informações utilizadas na composição dos débitos e créditos aplicáveis às contribuições do PIS/Cofins, bem como a legitimidade dos créditos pleiteados.(negritos do Relator). Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, a teor da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 29/04/2011 PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO NO PRAZO. Uma vez constatada que a manifestação de inconformidade foi apresentada no prazo legal estabelecido, e estando presentes os demais requisitos para sua admissibilidade, é de se admitir o recurso interposto. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento, é ônus da contribuinte a comprovação minudente da existência do direito creditório, mediante a apresentação de livros e documentos e de elementos auxiliares que demonstrem, de forma inequívoca, a origem dos valores pleiteados. Fl. 59173DF CARF MF Processo nº 10410.720043/201106 Acórdão n.º 3401004.972 S3C4T1 Fl. 59.174 5 DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Devese indeferir o pedido de diligência que objetiva transferir para a autoridade administrativa a responsabilidade pela comprovação de direito creditório, tendo em vista que, nesse caso, o ônus da prova é atribuído à contribuinte. Irresignada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário (efls. 59.147 e seguintes), requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos, Relator O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. Fl. 59174DF CARF MF Processo nº 10410.720043/201106 Acórdão n.º 3401004.972 S3C4T1 Fl. 59.175 6 A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): (...) (...) Fl. 59175DF CARF MF Processo nº 10410.720043/201106 Acórdão n.º 3401004.972 S3C4T1 Fl. 59.176 7 (...) A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Fl. 59176DF CARF MF Processo nº 10410.720043/201106 Acórdão n.º 3401004.972 S3C4T1 Fl. 59.177 8 Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos impossibilita à homologação. (Acórdão 3802 003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 59177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.721021/2016-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Período de apuração: 01/07/2012 a 31/08/2012
FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO.
Constatada a falta de recolhimento ou declaração dos débitos relativos ao Simples Nacional, correta sua exigência por meio do lançamento de ofício.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. UTILIZAÇÃO PARA PAGAMENTO DE TRIBUTOS FEDERAIS.
Inexiste previsão legal para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil com título da dívida pública.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. CONLUIO.
Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado a ocorrência de sonegação e conluio.
Numero da decisão: 1402-003.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos sujeitos passivos solidários.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/07/2012 a 31/08/2012 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO. Constatada a falta de recolhimento ou declaração dos débitos relativos ao Simples Nacional, correta sua exigência por meio do lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. UTILIZAÇÃO PARA PAGAMENTO DE TRIBUTOS FEDERAIS. Inexiste previsão legal para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil com título da dívida pública. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. CONLUIO. Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado a ocorrência de sonegação e conluio.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos sujeitos passivos solidários. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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Constatada a falta de recolhimento ou declaração dos débitos relativos ao Simples Nacional, correta sua exigência por meio do lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. UTILIZAÇÃO PARA PAGAMENTO DE TRIBUTOS FEDERAIS. Inexiste previsão legal para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil com título da dívida pública. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. CONLUIO. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado a ocorrência de sonegação e conluio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos sujeitos passivos solidários. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 10 21 /2 01 6- 21 Fl. 646DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ESCOLA TECNICA PREMIER ARACRUZ LTDA EPP no qual se insurge em face de decisão da DRJ de Ribeirão Preto decidiu por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido. Ante ao minucioso relatório da DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: Em ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte em epígrafe, relativa ao anocalendário de 2012, foi efetuado lançamento para exigência de crédito tributário relativo ao Simples Nacional, dos meses de agosto e setembro, no valor total de R$105.165,87 (cento e cinco mil e cento e sessenta e cinco reais e oitenta e sete centavo), conforme auto de infração e notificação fiscal de fl. 4, nos seguintes termos: Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (em R$): Segundo consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 4), foi apurada insuficiência de recolhimento – segregação incorreta de receitas, infringindo a Lei Complementar (LC) nº 123, de 14 de dezembro de 2006, arts. 3o, § 1o, 13, 18, §§ 1o ao 4o, e 25, e alterações; e a Resolução CGSN nº 94, de 2011, arts. 1o, 2o, 3o, 4o, 16, 20, parágrafo único, I, 21, 25, 37, § 2o, I e II, 84, e 85, III, e alterações. O Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 18/70 descreve a ação fiscal, indicando os fatos que a ela deram origem, nos seguintes termos: Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10783.721021/201621 Acórdão n.º 1402003.013 S1C4T2 Fl. 3.785 3 Ressalta o TVF a falta de resposta ou apresentação de respostas incompletas às intimações fiscais por parte da fiscalizada, limitandose a reafirmar a tese de quitação dos tributos do Simples Nacional por créditos financeiros adquiridos da pessoa jurídica Alpha One Administração e Gestão de Ativos Ltda.., doravante denominada Alpha One, em procedimento administrativo junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN). As respostas apresentadas, a despeito de terem sido assinadas pelo representante da contribuinte, foram elaboradas e protocolizadas na Receita Federal pela Alpha One. O texto é idêntico ao apresentado por vários “clientes” de Alpha One, bem como de outra pessoa jurídica, denominada Appex Consultoria Tributária Ltda., doravante denominada Appex. A contribuinte fora intimada a apresentar diversos documentos e informações relativos às operações de “aquisição dos créditos financeiros”, bem como identificar a pessoa responsável pela apresentação da retificadora da Declaração do Simples Nacional (PGDASD), na qual fora informada imunidade tributária, e a apresentar documentos de quitação dos tributos devidos, referentes aos períodos de 11/2014 a 12/2015, não atendendo adequadamente os quesitos formulados nem entregando qualquer dos documentos solicitados. Segundo o TVF, também não houve a comprovação da imunidade tributária informada nas PGDASD, tendo a fiscalizada informado que: Com relação à alegação da contribuinte de que a extinção de sua obrigação tributária diferiria “dos padrões comumente observados na relação contribuinte/Receita Federal”, por ter se utilizado de crédito financeiro oriundo de procedimento administrativo, junto à STN, objetivando o resgate de Título da Dívida Pública Externa, que estaria embasado na Portaria SRF nº 913/2002, o autuante ressaltou que essa portaria trata de documentos de arrecadação de receitas federais (Darf), que em momento algum foram apresentados pela contribuinte, que as alegações apresentadas são meras ilações e não têm suporte nas normas citadas e que não foram apresentados documentos comprobatórios para dar suporte às alegações. Acrescentou que a utilização de crédito mantido junto à União para a extinção de débito relativo a tributos federais enquadrarseia na modalidade de compensação, conforme previsão do inciso II do art. 156 do Código Tributário Nacional (CTN). Que a Alpha One não efetuou prova inconteste de Fl. 648DF CARF MF 4 que o crédito cedido à contribuinte se encontra dentre aqueles constantes da respectiva rubrica orçamentária, limitandose a indicar de modo geral a existência de créditos orçamentários, sem, no entanto, comprovar que detinha parcela daqueles créditos, individualizadamente. Informou que a STN, por meio do Ofício nº 719/2012/CODIV/SUDIP/STN/MFDF, narrou a impossibilidade de acolhimento do pedido de resgate de títulos e liberação de recursos para quitação de débitos tributários de terceiros, por falta de amparo legal, o que teria sido reconhecido pela própria contribuinte, quando indicou que a Alpha One teria interposto recurso contra esse indeferimento e solicitou que a fiscalização fosse suspensa até decisão final da STN. Concluiu o autuante que não restou provada a existência nem liquidez e certeza do suposto crédito financeiro, nem a possibilidade de sua utilização para quitação de tributos, o que decorre da própria afirmativa constante da resposta da contribuinte acerca do recurso pendente de decisão administrativa da STN, o que impede sua utilização para a compensação de tributos, na forma do art. 170 do CTN. O autuante citou o julgamento do processo de Execução por Título Extrajudicial, nos autos do processo nº 3676130.2012.4.01.3400, no qual o Juiz Federal RICARDO GONÇALVES DA ROCHA CASTRO, da Seção Judiciária do Distrito Federal, exarou a sentença nº 526/2013, tipo A, em que restou afastada a possibilidade da utilização dos supostos créditos cedidos a diversas pessoas jurídicas, para quitação de tributos federais. Relatou ainda o envio de ofício por parte do Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Vitória à STN, solicitando informações a respeito das práticas adotadas pelas empresas Appex e Alpha One. Da resposta enviada, concluiu que o esquema de cessão de crédito financeiro pelas pessoas jurídicas Appex e Alpha One é um subterfúgio fraudulento com vistas a suprimir ou reduzir tributos federais em conluio com as pessoas jurídicas adquirentes dos supostos créditos financeiros. Em consequência, o autuante considerou que restou provado o artifício fraudulento perpetrado pela contribuinte, em conluio com a pessoa jurídica indicada como cedente dos hipotéticos créditos, com o fito de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. A contribuinte não teria logrado comprovar o recolhimento dos valores devidos do Simples Nacional nos períodos fiscalizados, conforme disposto no art. 13 da LC nº 123, de 2006. Considerou, ainda, que a reiteração na prática de infração ao disposto na LC nº 123, de 2006, importa em exclusão de ofício da pessoa jurídica do Simples Nacional (art.29, V), e que a autuada transgrediu o conteúdo da referida lei: a uma, ao deixar de efetuar o recolhimento mensal dos tributos devidos no Simples Nacional, na forma prevista no inciso I do art. 1º c/c o art. 13, o que se subsume ao disposto no inciso I do § 9º do art. 29, todos da LC nº 123, de 2006; a duas, pela utilização de artifício para impedir o conhecimento pela autoridade administrativa da ocorrência do fato gerador dos tributos, ao incluir informação ardilosa, falsa e fraudulenta nos PGDASD –retificadores, dando conta de que suas receitas estariam acobertadas por imunidade tributária, que se subsume ao conteúdo do inciso II do §9º do art. 29 da referida LC. Dessa forma, para fins de dar cumprimento ao disposto nos §§1º e 2º do art. 29, que tratam da produção de efeitos da exclusão e do prazo de impedimento para a nova opção pelo Simples Nacional pela pessoa jurídica excluída, foram objeto de lançamento de ofício, em encerramento parcial do procedimento fiscal, os fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de 08 e 09/2012, necessários e suficientes para caracterizar a prática reiterada de infração à LC nº 123, de 2006. A reiteração teria se dado no período de apuração de 09/2012, dando início aos efeitos da exclusão do mês 10/2012. Considerando a atitude dolosa da fiscalizada de reduzir o montante dos tributos devidos, foi aplicada multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre os valores apurados no presente processo, com base na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, art. 14, e na Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, arts. 71 e 72. Ressaltou o autuante que a aplicabilidade de dispositivo no caso de infrações à legislação do Simples Nacional foi reafirmada pelo art. 87 da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, por expressa determinação do art. 35 da LC nº 123, de 2006. O procedimento fiscal foi encerrado parcialmente, relativamente aos períodos de 08 e 09/2012, e resultou na proposta de exclusão do Simples Nacional a partir de 10/2012. Acrescentou que os períodos de apuração de 10/2012 a 12/2015 seriam tributados na forma do art. 32 da LC nº 123, de 2006. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10783.721021/201621 Acórdão n.º 1402003.013 S1C4T2 Fl. 3.786 5 Notificada do lançamento em 21/10/2016, conforme aviso de recebimento de fl. 453, a interessada enviou, por via postal, em 21/11/2016, a impugnação de fls. 459/477, sem assinatura, posteriormente ratificada pela impugnação de fls. 560/579, apresentada via eCAC, por seu procurador, na qual alegou, em suma: • não foram realizadas compensações indevidas na PGDAS, apenas havendo informações no campo de imunidade nesta Declaração; • os valores devidos do Simples Nacional, devidamente lançados na PGDAS, foram quitados através de processo de resgate de Título da Dívida Pública Externa, junto a STN, através de processos administrativos; nos quais é requerido o resgate dos créditos alocados na conta denominada Operações Especiais, Unidade Orçamentária 71.101, Número Obrigação SIAFI 001418, Operação Especial 0409, IDOC 2754, Lei Orçamentária 2012, com quitação conforme tabela mencionada nos COMPROTs anexos aos autos; • o procedimento da extinção da obrigação tributária dos débitos mencionados acima está vinculados em processo administrativo junto a STN, COMPROT sob o nº 011.101684.002365.2014.000.000, cuja origem é a Dívida Pública Externa Brasileira vencida e não paga, razão pela qual o artigo 1º e parágrafo único da Portaria SRF nº 913, de 25 de julho de 2002, prevê a extinção da obrigação tributária; • a Impugnante, por ser detentora de crédito financeiro, objeto de resgate com poder liberatório de pagamento, busca a extinção/pagamento de seus débitos tributários com os créditos com base na sistematização da Portaria n° 913/2002, com arrimo nos pleitos junto a STN; • com objetivo de simplificar os procedimentos, reduzindo custos operacionais da administração federal e gerando ganhos financeiros ao Tesouro Nacional, a União, foi firmado termo de cooperação técnica entre a RFB e a STN, em que se remete à Conta Única do Tesouro Nacional parte dos recursos por ela (STN) devidos – (créditos da dívida pública brasileira), com a finalidade de, dentre outra, através do Sistema Integrado de Administração financeira do Governo Federal – SIAFI – órgão diretamente ligado a STN, efetuarse o recolhimento de tributos federais devidos por pessoas jurídicas, proporcionando enormes benefícios ao ente público, pelo fato de a renda apurada com o saldo financeiro quando da permanência dos recursos junto a conta única, ser totalmente revertida ao Erário, gerando benefícios ao ente público federal; • com isso, compete ao SIAFI administrar duas transações: a) pagamento, pelos órgãos da administração pública direta, autarquias e fundações de faturas relativas à prestação de serviços, e, b) recolhimento, por empresas, de tributos federais e contribuições previdenciárias, via Documento de Arrecadação de Receitas Federais – Darf e Guia de Previdência Social – GPS, eletrônicos; • no COMPROT há compensação de possível perda de arrecadação, pelos ganhos de remuneração dos valores das empresas mantidos na conta única e revertidos ao Tesouro Nacional, sendo que os procedimentos do sistema SIAFI ocorrem à luz dos dispositivos da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n.º 162, de 4 de novembro de 1988, que foi revogada pela Instrução Normativa SRF n.º 181, de 25 de julho de 2002; • por não existir campo específico na PGDAS para efetivar a descrição e ocorrência da modalidade de pagamento pela sistematização da Portaria 913/2002 / dos tributos que se busca a extinção junto a STN, todo o procedimento foi informado através dos Informes protocolados na STN e na RFB, cujos valores e tributos inclusive foram declarados nos Livros obrigatórios, de acordo com os registros e controles das operações e prestações por ela realizadas, em que consta a real escrituração pela Impugnante, tudo conforme determina a Legislação em vigor; • não há dúvidas em que a utilização da sistematização do SIAFI por pessoas jurídicas não integrantes da administração pública, decorrente de termo de cooperação técnica, se regula com a edição da Portaria SRF n.º 913, de 25 de junho de 2002; • por ser detentora de crédito financeiro, foi perseguido o pagamento de seus débitos tributários com os supracitados créditos, através de pleitos protocolados junto a STN, objetos dos Fl. 650DF CARF MF 6 COMPROTs anexos, na qual a Impugnante aguarda a tramitação final para que ocorra a extinção da obrigação tributária; • após os informes / informação de pagamentos dos tributos na STN, com a abertura do Processo Administrativo / COMPROT nº 011.101684.002365.2014.000.000/ a Impugnante protocolou referidos documentos na Receita Federal do Brasil, no Processo Administrativo, confessando seus débitos e informando o imediato pagamento, na qual a RFB tem ato vinculado pela decisão da STN frente aos tributos indicados; • requer a nulidade absoluta do lançamento fiscal, haja vista que a RFB não detém de competência acerca da liberação dos Recursos / crédito com poder liberatório de pagamentos de tributos, nos moldes da sistematização pela Portaria n° 913/2002, visto que a STN é quem detém da competência para decidir acerca da liberação dos recursos e por consequência da extinção da obrigação tributária; • a formalização do auto de infração junto a impugnante é forma de lançamento tributário nos moldes do artigo 142 do CTN., motivo pelo qual apresenta sua Impugnação nos moldes do artigo 151, III do CTN, haja vista que foi alterado o quadro fiscal do autolançamento das referidas PGDAS, pela qual não houve aceitação da modalidade de pagamento na forma perseguida pela Impugnante, tudo isso se fazendo presentes os princípios dos direitos constitucionais, dentre eles do devido processo administrativo e da ampla defesa e contraditório; • instaurado o auto de infração frente a Impugnante, resta configurado o direito à ampla defesa e o contraditório administrativo, nos moldes do Decreto nº 70.235/1972 c/c Lei n° 9784/99, e ainda, com alterações pelas Leis nº 11.457/2007 e nº 11.941/2009; com a consequente suspensão da exigibilidade do crédito tributário, enquanto pendente de julgamento a presente Impugnação nos termos do artigo 151, III do CTN; • clara está a necessidade de, caso a RFB não concorde com a modalidade de confissão e pagamento, através do campo da imunidade com os créditos mencionados, que inicie a abertura de um processo administrativo fiscal, amparado na Lei do Processo Administrativo – Lei nº 9.784/99 e Lei nº 123/2006 e Decreto n° 70.235/72, e nos direitos constitucionais da ampla defesa e contraditório, com a imediata suspensão da exigibilidade do crédito tributário, para averiguar as informações da confissão e as questões do pagamento através da compensação; • os princípios constitucionais são encontrados na Legislação infraconstitucional, que estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta (Lei nº 9.784, de 1999, arts. 2o, 5o e 6o); • a Empresa Impugnante tem direito, garantido constitucionalmente e infraconstitucional, de ter o devido processo administrativo fiscal, bem como o direito ao duplo grau de jurisdição administrativa. • o procedimento adotado pela Empresa Contribuinte difere dos padrões comumente observados na relação contribuinte/Receita Federal: A uma, porque se utilizou de um crédito financeiro para efetuar a extinção do débito tributário; a duas, porque, ainda que esteja obrigado a declarar a extinção ocorrida, a ferramenta digital disponibilizada pela RFB não contempla nenhuma forma possível de que esta informação seja prestada de forma correta, razão pela qual o contribuinte é obrigado a utilizar outros meios para formalizar referidas informações, sob o cuidado de não sofrer a cobrança indevida do débito, uma vez que a RFB não detém elementos para confirmar a efetivada extinção da obrigação tributária; • houve a confissão do crédito tributário nos livros contábeis obrigatórios, bem como informação na PGDAS original dos reais valores, que, caso não fosse deferida a retificação da PGDAS pela RFB, esta notificaria e efetuaria a cobrança dos débitos, com o posterior pagamento na modalidade descrita, motivo pelo qual ilegal o arbitramento da multa de 150% [cento e cinquenta por cento], com base no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, nos termos do artigo 21, § 8º da LC 123/2006, visto que houve o lançamento do débito, além do que não houve informação no campo de Compensação, não sendo cabível o auto de infração e consequentemente a multa; • é abusiva a autuação do contribuinte tão somente para o pretexto de constituir crédito tributário, que já está constituído pelo procedimento descrito, devidamente informado à RFB. Além do fato de que não houve informação no campo da compensação, para caracterizar como indevida e atribuir Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10783.721021/201621 Acórdão n.º 1402003.013 S1C4T2 Fl. 3.787 7 falsidade de declaração para aplicada da multa isolada em dobro, como preceitua o artigo da Lei Complementar 123/2006 descrito acima; não houve qualquer mentira ou ardil nos dados apresentados ao Fisco que concretizasse o intuito fraudulento para aplicação da multa isolada no patamar de 150% [cento e cinquenta por cento] e a responsabilização solidária dos sócios. Houve, isto sim, a realização de uma informação em PGDAS, no campo da Imunidade – por não haver campo específico – para informar o pagamento. jamais fraudulenta. Assim, a intenção manifesta de utilizar os créditos não admitidos pela Fazenda é incompatível com a ação ardilosa alegada pela fiscalização de informação falsa em PGDAS e/ou conduta dolosa. • ainda que passível a aplicação de multa, esta não pode ser a multa de ofício aplicada no auto de infração, mas tão somente, a multa por prestar informações com incorreções ou omissões, devendo ter sido intimado a fazêlo, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 38A da Lei Complementar 123/2006; • não poderia o Fisco iniciar Mandado de Procedimento Fiscal, com posterior formalização de Auto de Infração, sobre PGDAS declaração com informações com incorreções, conforme mencionado pela RFB, devendo não homologar a PGDAS retificadora, tornando com efeito da PGDAS principal, com envio de Carta de Cobrança; • não houve informação no campo da compensação na PGDAS para o Fisco caracterizar como compensação indevida e aplicar a multa isolada em dobra, nos termos do artigo 21, § 8º da LC 123/2006; mas sim informação no campo da Imunidade [por não haver específico], através de PGDAS retificadora, informando o pagamento com crédito financeiro e, nunca a informação de compensação. Assim, caso não concordasse com as informações prestadas em PGDAS retificadora, não efetivasse a homologação, enviando Carta de Cobrança dos débitos declarados na PGDAS original. • quem tipifica a infração que dá ensejo a aplicação da multa é o próprio art. 38A da Lei Complementar nº 123/2006, que descreve de forma suficiente a conduta necessária a aplicação da penalidade. • a multa pecuniária para informações incorretas ou omissas em PGDAS está prevista em Lei stricto sensu, ou seja, no art. 38A da Lei Complementar nº 123/2006; • O dispositivo legal citado é norma específica para imposição de multa pecuniária por descumprimento de obrigação acessória autônoma relativo à informações incorretas ou omissas em PGDAS; • não há configuração de fraude quando apresentada PGDAS retificadora, se existe a PGDAS original com valores reais, bem como a devida escrituração nos livros contábeis obrigatórios, informando o valor efetivamente devido, sendo coerente com a realidade da movimentação financeira. Assim, como no presente caso não houve o intuito de fraudar, não há que se falar em aplicação da multa de 150% [cento e cinquenta por cento] e, consequentemente, em crime contra a ordem tributária, até porque, em caso de não aceitar a informação prestada em PGDAS retificadora era só o Fisco não homologar, retornando a PGDAS original. • não se vislumbra, na apresentação de PGDAS retificadora com informação no campo imunidade de pagamento com crédito financeiro ou falta de pagamento, o evidente intuito de fraude definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Tratandose de lançamento com base na receita da atividade declarada pelo contribuinte e não tendo a fiscalização trazido aos autos, outros elementos que pudessem indicar o evidente intuito de fraude, a multa de ofício deve ser desqualificada, aplicando, se for o caso, a multa pecuniária prevista no art. 38A da Lei Complementar n.º 123/2006; • não há que se falar na manutenção do auto de Infração, formalizado de maneira arbitraria e ilegal, A) a uma, porque os débitos não precisavam ser lançados novamente, isto porque já havia o lançamento na PGDAS original, podendo, caso não concordasse com as informações prestadas em PGDAS retificadora, não homologála, retornando a condição de exigíveis dos débitos lançados e apurados na PGDAS original, além dos livros contábeis e fiscais, com informação de valores originais da realidade contábil, bem como de informes realizados nos COMPROTs anexos, todos vinculados ao Fl. 652DF CARF MF 8 COMPROT 011.101684.002365.2014.000.000, com posterior protocolo das informações prestadas a RFB pela juntada efetivada no Processo Administrativo, forma legal e suficiente para constituição do crédito tributário, já que a Empresa Contribuinte realizou todas as obrigações descritas no artigo 142 do CTN, de acordo com sua realidade fiscal; B) a duas, porque, caso a RFB discordasse da modalidade de lançamento e pagamento, deveria iniciar um processo administrativo fiscal para determinar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até ulterior liberação dos recursos e, por fim, extinguir a obrigação tributária com o supracitado pagamento com o repasse dos valores correspondentes as parcelas à conta vinculada ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), percorrendo todas as instâncias administrativas, com direito ao contraditório e ampla defesa, além da garantia da suspensão da exigibilidade do crédito até ulterior decisão final administrativa. Requereu o imediato cancelamento do auto de infração; a extinção do auto de infração pelo fato de que os débitos não precisavam ser lançados novamente; caso não seja extinto o auto de infração, que reduza a multa para percentual previsto no 38A da Lei Complementar 123/2006. O acórdão lavrado pela r. DRJ restou assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/07/2012 a 31/08/2012 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO. Constatada a falta de recolhimento ou declaração dos débitos relativos ao Simples Nacional, correta sua exigência por meio do lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2012 a 31/08/2012 TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. UTILIZAÇÃO PARA PAGAMENTO DE TRIBUTOS FEDERAIS. Inexiste previsão legal para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil com título da dívida pública. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. CONLUIO. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado a ocorrência de sonegação e conluio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte, ora recorrente, apresentou o presente Recurso Voluntário em que sustenta os valores devidos do Simples Nacional, devidamente lançados na PGDAS, foram quitados através processo de resgate de Título da Dívida Pública Externa, junto a Secretaria do Tesouro Nacional, através de processos administrativos identificados pelos COMPROTs anexos, todos vinculados ao COMPROT 011.101684.002365.2014.000.000; no qual é requerido o resgate dos créditos alocados na conta denominada Operações Especiais, Unidade Orçamentária 71.101, Número Obrigação SIAFI 001418, Operação Especial 0409, IDOC 2754, Lei Orçamentária 2012, com quitação conforme tabela mencionada nos COMPROTs. Referida compensação estaria abalizada no art. 1 da Portaria 913/2002. Afirma ainda que por não existir campo específico na PGDAS – obrigação acessória, para efetivar a descrição e ocorrência da modalidade de pagamento pela sistematização da Portaria 913/2002 / dos tributos que se busca a extinção junto a Secretaria do Tesouro Nacional, todo o procedimento foi informado através dos Informes protocolados na Secretaria do Tesouro Nacional e na RFB, cujos valores e tributos inclusive foram declarados nos Livros obrigatórios, de acordo com os registros e controles das operações e prestações por ela realizadas. Afirma ainda que a Empresa Contribuinte teve seus débitos informados em PGDAS desconsiderados e formalizado o presente Auto de Infração de maneira arbitrária e ilegal, porque devese atentar para o devido processo legal. Isto porque, os débitos foram declarados em PGDAS, com inclusão de informações no campo Imunidade Tributária [por não haver campo específico], sendo que, em caso dela ser retida para análise, seria intimado o contribuinte para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprovatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados, e não com Auto de Infração, Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10783.721021/201621 Acórdão n.º 1402003.013 S1C4T2 Fl. 3.788 9 visto que os débitos já estavam lançados, não sendo necessário auditoria nos livros contábeis para verificar os reais valores devidos, pois apenas não concordou com a informação no campo da Imunidade. Tal procedimento já teria sido reconhecido pelo TRF4, conforme precedente colacionado em seu RV. Sustenta ainda a legalidade dos títulos indicados no auto de infração como prescritos, dado que constam do orçamento da União, desde o ano de 2000 até o presente ano 2015, para ser realizado PAGAMENTO no Brasil, de acordo com o PARECER OFICIAL STN/COREF/GAB 1739/2000, emitido dia 20 de outubro de 2.000 fls. 159162 das LDOs – Lei de Diretrizes Orçamentárias do período/anos de 2012 usque 2014 – juntados as fls. 171192 dos autos. Inúmeros pareceres afirmam essa imprescritibilidade. Afirma que os títulos abrangidos pelo DecretoLei 6.019/43 constam na previsão Orçamentária, no próprio sítio da Secretaria do Tesouro Nacional, no campo Operações Especiais, Unidade Orçamentária 71.101, Inscrição SIAFI 001418, Controles 0367 e 0409, LOA 2012 usque 2014, IDOC 2754 para resgate e pagamento. Este fato, incontestável, uma vez que uma simples consulta a LOA comprova o aqui alegado, derruba por terra qualquer ilação sobre a validade dos Títulos emitidos em libras constantes no DL 6.941/43, pois não se pode admitir que obrigações de pagamento prescritas sejam alocadas no orçamento da União para pagamento, sob pena de cometerse crime de responsabilidade Sustenta ainda a ilegalidade da aplicação da multa de 150%, uma vez que houve a confissão do crédito tributário nos livros contábeis obrigatórios, bem como informação na PGDAS original dos reais valores, que, caso não fosse deferida a retificação da PGDAS pela RFB, esta notificaria e efetuaria a cobrança dos débitos, com o posterior pagamento na modalidade descrita. Por outro lado, ainda que passível a aplicação de multa, esta não pode ser a multa de ofício aplicada no auto de infração, mas tão somente, a multa por prestar informações com incorreções ou omissões, devendo ter sido intimado a fazêlo, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 38A da Lei Complementar 123/2006. Não houve informação no campo da compensação na PGDAS para o Fisco caracterizar como compensação indevida e aplicar a multa isolada em dobra, nos termos do artigo 21, § 8º da LC 123/2006; mas sim informação no campo da Imunidade [por não haver específico], através de PGDAS retificadora, informando o pagamento com crédito financeiro Afirma ainda que não há configuração de fraude quando apresentada PGDAS retificadora, se existe a PGDAS original com valores reais, bem como a devida escrituração nos livros contábeis obrigatórios, informando o valor efetivamente devido, sendo coerente com a realidade da movimentação financeira. Assim, como no presente caso não houve o intuito de fraudar, não há que se falar em aplicação da multa de 150% [cento e cinquenta por cento] e, consequentemente, em crime contra a ordem tributária, até porque, em caso de não aceitar a informação prestada em PGDAS retificadora era só o Fisco não homologar, retornando a PGDAS original. Por fim, conclui que não há elementos que possam justificar a alegação de que o Impugnante tenha cometido crime contra a ordem tributário, vez que da narrativa dos fatos pelo Sr. Auditor Fiscal, não ficou demonstrado que o Impugnante tenha praticado o crime, haja vista que a Impugnante, por ser detentora de crédito financeiro, objeto de resgate Fl. 654DF CARF MF 10 com poder liberatório de pagamento busca a extinção/pagamento de seus débitos tributários com os créditos com base na sistematização da Portaria 913/2002, com arrimo nos pleitos junto a Secretaria Tesouro Nacional, bem como todas as informações foram devidamente lançadas nas declarações que estava obrigada a apresentar nos termos da legislação vigente.. É o relatório. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10783.721021/201621 Acórdão n.º 1402003.013 S1C4T2 Fl. 3.789 11 Voto Conselheiro Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira 1. DA ADMISSIBILIDADE: O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. 2. DO MÉRITO: 2.1 DA (IN)EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS MEDIANTE TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA EXTERNA (TDPs): Inicialmente, discutese a incorreção no preenchimento da PGDAS que deu azo a presente autuação fiscal. O contribuinte foi autuado por supostamente apresentar PGDAS retificadora em que declarou parte de sua receita no campo de imunidade. Em sua defesa sustentou que em verdade o imposto referente àquelas receitas teriam sido quitados através do processo de resgate de Título da Dívida Pública Externa, junto a Secretaria do Tesouro Nacional, através de processos administrativos identificados pelos COMPROTs anexos, todos vinculados ao COMPROT 011.101684.002365.2014.000.000; no qual é requerido o resgate dos créditos alocados na conta denominada Operações Especiais, Unidade Orçamentária 71.101, Número Obrigação SIAFI 001418, Operação Especial 0409, IDOC 2754, Lei Orçamentária 2012, com quitação conforme tabela mencionada nos COMPROTs.. Quanto a este ponto, a r. DRJ entendeu que o art. 2º da Portaria SRF nº 913, de 2002, ressalva que a utilização do Siafi para o pagamento de receitas federais destinase aos órgãos ou entidades da Administração Pública Federal integrantes da Conta Única do Tesouro Nacional e às pessoas jurídicas de direito privado que façam uso do Siafi nos termos de convênio firmado com a STN. E, pelo que consta dos autos, a impugnante, que é pessoa jurídica de direito privado, não firmou nenhum convênio com a STN, não sendo possível, pois, que tenha utilizado o Siafi para pagamento de receitas federais. A impugnante também não trouxe aos autos nenhum comprovante de pagamento do imposto por meio do SPB, documento previsto no art. 6º da Portaria SRF nº 913, de 2002: Art. 6º O comprovante de pagamento do imposto por meio do SPB estará disponível para impressão no endereço da STN na Internet, http://www.tesouro.fazenda.gov.br, a partir do dia seguinte ao da sua realização. Com efeito, foram apresentados meros requerimentos dirigidos à STN, nos quais um terceiro, para fins de quitação dos débitos da impugnante, autoriza o resgate de supostos créditos por ela adquiridos. (...) Quanto à Lei nº 10.179, de 2001, citada nos requerimentos supra, cumpre observar que, em seu art. 6º, ela prevê que os títulos referidos no seu art. 2º Fl. 656DF CARF MF 12 (LTN, LFT e NTN) poderão ser utilizados para pagamento de tributos federais, desde que vencidos. Ocorre que todos os títulos emitidos na forma dessa lei foram resgatados nos respectivos vencimentos, não havendo nenhum na condição de vencido. Ademais, os títulos emitidos na forma da Lei nº 10.179, de 2001, são todos escriturais (com registro eletrônico, e não em cártula) e são todos emitidos no Brasil. Portanto, na prática, não há nenhuma hipótese de pagamento ou compensação de tributos com títulos públicos. A exceção se dá exclusivamente em relação ao pagamento de 50% do Imposto Territorial Rural com Títulos da Dívida Agrária, hipótese esta expressamente prevista no art.105 da Lei nº 4.504, de 1964. (...) Como se vê, os citados requerimentos à STN, além de, por óbvio, não possuírem o valor probante pretendido pela interessada, também não podem ser tidos, por falta de previsão legal, como documentos que constituem confissão de dívida ou como instrumentos hábeis e suficientes para a exigência do crédito tributário, razão pela qual não há como acolher o argumento de que não haveria necessidade de lavratura de auto de infração. Sobre a alegação de que os débitos não precisavam ser lançados novamente, isto porque já havia o lançamento na PGDAS original, podendo, caso não concordasse com as informações prestadas em PGDAS retificadora, não homologála, retornando a condição de exigíveis dos débitos lançados e apurados na PGDAS original, além dos livros contábeis e fiscais, enganase a impugnante, pois não há previsão para tal procedimento; por outro lado, a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, nos termos do CTN, art. 142. Portanto, tendo o autuante identificado a falta de confissão de débitos, tendo em vista que a declaração original foi retificada, inclusive com a ocorrência de fraude, correto o lançamento para constituir o respectivo crédito tributário. Quanto à afirmação de que, “caso a RFB discordasse da modalidade de lançamento e pagamento”, o correto não seria lavrar auto de infração, mas sim “iniciar um processo administrativo fiscal para determinar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até ulterior liberação dos recursos”, cabe objetar que também não há previsão legal para o inusitado procedimento. De minha parte, entendo que assiste razão a r. DRJ. Os títulos em análise não se revestem das características previstas no art. 6º da Lei nº 10.179/2001, de sorte que não são possíveis de aproveitamento para pagamento dos tributos federais. Nessa linha o decidido por esta Câmara nos autos do Processo Administrativo nº 11516.720272/201105, Acórdão nº 1402002.185, que restou assim ementado: TÍTULO DA DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA. PODER LIBERATÓRIO PARA PAGAMENTO DE TRIBUTOS. Os títulos da dívida externa emitidos no início do século XX não se revestem da condição de NTN (Notas do Tesouro Nacional) referidas na Lei n° 10.179/2001. Os títulos da dívida pública a que se refere a Lei n° 10.179/2001 são resgatados, sem exceção, no vencimento pela União, fato que afasta a possibilidade de aplicação do artigo 6° da citada lei, que prevê o poder liberatório dos títulos inadimplidos para fins de pagamento de tributos federais. TÍTULO DA DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA. AÇÃO JUDICIAL. PODER LIBERATÓRIO PARA PAGAMENTO DE TRIBUTOS. INFORMAÇÃO EM DCTF. DEPÓSITO. CONVERSÃO EM RENDA. O depósito efetuado em ação judicial que tem por objeto a execução de título da dívida externa brasileira, não tem o condão de suspender a exigibilidade de tributo federal. Para fins de suspensão da exigibilidade do tributo o depósito deve ser feito em montante integral e em ação judicial que tenha por objeto a discussão do crédito tributário. A conversão do depósito em renda só em possível após o trânsito em julgado de ação judicial em que o ente tributante restou vencido. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10783.721021/201621 Acórdão n.º 1402003.013 S1C4T2 Fl. 3.790 13 Além disso, importa ressaltar que Portaria 913/2002 não regulamenta, tampouco suporta o procedimento adotado pela Recorrente, conforme se depreende de sua leitura integral, não limitada a artigos específicos. Assim sendo, estou convencido do acerto da decisão de primeira instância motivo pelo qual a mantenho por seus próprios fundamentos. 2.2 DA IMPOSIÇÃO DE MULTA QUALIFICADA: Ainda em sede de impugnação sustenta a recorrente que a pretensão de quitação dos tributos devidos mediante TDPs não representa qualquer conluio e/ou fraude nos termos dos arts.7174, da Lei n.4356, não havendo, assim suporte fático para imposição de multa qualificada. A DRJ, no entanto, entendeu de modo diverso ao apreciar a impugnação da recorrente: A contribuinte apresentou declarações retificadoras com informação falsa sobre a natureza de suas receitas (imunidade tributária), com o fim claro de que seus débitos não fossem exigidos, conforme resposta dela mesma de que adotou esse procedimento porque não havia campo para informar a suposta “quitação dos débitos”. As declarações retificadoras foram apresentadas em 24/10/2013, quando, ainda em 2012, a STN já havia encaminhado ofício à Appex acerca da impossibilidade de acolhimento do pedido de resgate de títulos e liberação de recursos para quitação de débitos tributários, por falta de amparo legal. Ademais, em 23/04/2015, a RFB enviou a ela, por meio de seu domicílio tributário eletrônico, mensagem sob o título “Indício de Fraude: Quitação de Tributos com créditos fictos provenientes de operações no Siafi”, com orientações sobre seu procedimento, esclarecendoa de que poderia se sujeitar às penalidades da lei tributária e penal. Essa mensagem foi lida em 24/04/2015 (fl. 195). Por outro lado, o termo de início de fiscalização (fls. 302/306) foi lavrado somente em 01/04/2016, com ciência da empresa na mesma data. Assim, ela teve ciência de que estava irregular e oportunidade de corrigir seu procedimento, mas não o fez. Assim resta claro o dolo, na medida em que é evidente que a impugnante quis o resultado (eximirse dos tributos devidos) e utilizouse de meios fraudulentos para conseguilo (declaração falsa sobre a natureza de suas receitas). Em relação a este ponto, considerando a informação de que a Recorrente havia recebido informação da STN em momento anterior quanto a impossibilidade do procedimento adotado, tenho dificuldades em afastar a existência de dolo por parte do contribuinte e, em decorrência, a multa de 150%. A decisão da DRJ se afigura escorreita dado que patente o artifício da fraude (interposição de supostos créditos) sabidamente inaptos para compensação, visando nitidamente sonegação, o que justifica a qualificação da multa. Temse, ainda, que no esquema fraudulento houve a utilização de interposta pessoa, bem como a utilização de TDPs sabidamente inaptos para compensação tributários; atos que configuram fraude, o que, também, justifica a qualificação da multa. É como voto. Fl. 658DF CARF MF 14 Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 659DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.723144/2012-77
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 31 44 /2 01 2- 77 Fl. 79DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2011, anocalendário de 2010, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 5.397,45, por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar de R$1.359,50 acrescido de juros e multa de oficio. O interessado foi cientificada da notificação e apresentou impugnação de fls 03 e ss, juntando documentos para evidenciar as despesas. Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada, que se trata de despesa própria e de alimentandos, conforme estipulado em acordo referente a ação revisional de alimentos. Por fim, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pela Contribuinte comprovam a possibilidade de dedução dos gastos com despesas médicas próprias, no entanto não restaria comprovada a obrigatoriedade de pagamento de despesas médicas com os alimentandos. Em sede de Recurso Voluntário, junta o contribuinte todos os demais documentos necessários para comprovar a determinação judicial que obriga o pagamento das despesas médicas dos alimentandos por ele. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10120.723144/201277 Acórdão n.º 2001000.488 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os todos os documentos necessários a comprovar as despesas médicas incorridas por ele e por seus alimentados, relativos a plano de saúde Unimed e despesas com Bradesco saúde. Salientese que demonstrou atitude colaborativa com as demandas das autoridades fiscais desde sempre. A decisão de primeira instancia sustentou que a Recorrente não comprovou as despesas médicas dos seus alimentandos, nos seguintes termos: “[...] Em sua peça de defesa, o contribuinte discorda da glosa efetuada, sob o argumento de que se trata de despesa própria e de alimentandos, conforme estipulado em acordo referente a ação revisional de alimentos, e consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes. Quanto à Unimed Goiânia, os “Demonstrativos de Despesas Ano Calendário 2010”, às fls. 10/12, comprovam o pagamento de R$ 1.350,00 relativo a plano de saúde do contribuinte, R$ 1.080,00 relativo a plano de saúde de Guilherme do Carmo Messias Pecego, e R$ 1.080,00 relativo a plano de saúde de Paula do Carmo Messias Pecego. O documento emitido pelo Bradesco Saúde (fl. 13), por seu turno, evidencia pagamentos relativos a seguros de reembolso de despesas de assistência médica e/ou hospitalar, nos seguintes valores: R$ 1.089,32 referentes ao próprio contribuinte, R$ Fl. 81DF CARF MF 4 474,57 referentes a Guilherme do C M Pecego, e R$ 323,56 referentes a Paula do Carmo M Pecego. Na Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte informou Guilherme do Carmo Messias Pecego e Paula do Carmo Messias Pecego como alimentandos (fl. 23). Ocorre que os documentos acostados aos autos às fls. 14/19, referentes à homologação de acordo relativo a ação revisional de alimentos, estipulam o pagamento de valor equivalente a seis salários mínimos mensais, sendo três para cada filho, “mantendose, com relação aos filhos, tudo mais quanto acordado anteriormente, por ocasião da separação judicial”. Assim, apesar de fazer referência ao “acordado anteriormente”, não consta dos autos qualquer documento comprobatório da necessidade de pagamento de despesas médicas de seus alimentandos. Por conseguinte, as despesas médicas relativas a seus filhos consiste em liberalidade, não dedutível da base de cálculo do imposto de renda. Destarte, o contribuinte faz jus somente à dedução dos valores relativos a planos de saúde próprios, motivo pelo qual a respectiva dedução, no montante de R$ 2.439,32, deve ser restabelecida na Declaração de Ajuste Anual. Destaquese que, discordando do lançamento, caberia ao impugnante apresentar suas alegações, devidamente acompanhadas de documentação comprobatória, no momento da impugnação, de forma a tornar insubsistente o lançamento formalizado. Nesse sentido está o art. 56 do Decreto nº 7.574, de 2011, que estabelece que a impugnação deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Ademais, a apresentação de provas, junto com a impugnação, além de ser de interesse do contribuinte, é de sua inteira responsabilidade e obrigação, conforme determinação do art. 57, III, do Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 57. A impugnação mencionará (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Diante do exposto, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 2.439,32, o que resulta em saldo de imposto a pagar de R$ 688,69, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, de acordo com a legislação vigente. [...]” Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10120.723144/201277 Acórdão n.º 2001000.488 S2C0T1 Fl. 4 5 No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não formação a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 83DF CARF MF 6 Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental e fática trazida pelo contribuinte para evidenciar a existência e obrigatoriedade das despesas declaradas, entendo que deve ser dado provimento ao pedido da Contribuinte para reformar a decisão a quo e portanto exonerado o crédito fiscal lançado. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar as despesas médicas declaradas pela contribuinte em comento. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000258/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 30/04/2006, 31/10/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREAS DE LIVRE COMÉRCIO. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Os créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, podem ser apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus, por equivalerem, para fins fiscais, à operação de exportação para o exterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-004.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para cancelar a parte do auto de infração referente à glosa dos créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 30/04/2006, 31/10/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREAS DE LIVRE COMÉRCIO. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Os créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, podem ser apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus, por equivalerem, para fins fiscais, à operação de exportação para o exterior. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para cancelar a parte do auto de infração referente à glosa dos créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/04/2006, 31/10/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREAS DE LIVRE COMÉRCIO. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Os créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, podem ser apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus, por equivalerem, para fins fiscais, à operação de exportação para o exterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para cancelar a parte do auto de infração referente à glosa dos créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 02 58 /2 00 7- 26 Fl. 472DF CARF MF Processo nº 13982.000258/200726 Acórdão n.º 3301004.660 S3C3T1 Fl. 473 2 Relatório Em desfavor da empresa, foi lavrado Auto de Infração que constituiu crédito tributário de IPI, em decorrência de irregularidades apontadas pela fiscalização, sobretudo a glosa dos créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus. Extraise do Termo de Verificação (efls. 288291), as razões da autoridade fiscal, bem sintetizadas pela decisão recorrida, nos seguintes termos: a) Glosa de créditos no valor de R$ 55.148,28, escriturados em 12/2005 na rubrica “outros créditos”, tendo em vista tais valores referiremse: I a supostos créditos de PIS/Pasep e COFINS recolhidos indevidamente, que, caso realmente existentes, deveriam ser aproveitados via pedido de compensação e não deduzidos no Livro de Apuração do IPI; II além disso esses valores também referemse a créditos presumidos de IPI apurados com base em vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM) e Áreas de Livre Comércio (ALC), não sendo decorrentes de vendas para o exterior; b) “Estorno dos créditos referentes aos pedidos de ressarcimento/compensação formalizados pelo contribuinte (art. 15 da IN SRF nº 210/02; art. 17 da IN SRF nº 460/04 e art. 17 da IN SRF nº 600/05). Os créditos foram estornados no período de apuração de apresentação da PERD/COMP”; c) “Somente foram considerados os créditos presumidos de IPI para ressarcimento de PIS e COFINS (Lei n° 9.363/96) escriturados no Livro de Apuração do IPI. (art. 11 da IN SRF nº 21/97, art. 16 da IN SRF nº 313/03 e art. 16 da IN SRF nº 419/04)”; d) Após a recomposição da escrituração, foram apurados débitos nos períodos de apuração abril e outubro de 2006, lançados pelo auto de infração que ora se analisa. Em impugnação, a empresa defendeu que há o direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI calculado sobre os insumos aplicados em produtos destinados à Zona Franca de Manaus e Áreas de Livre Comércio, uma vez que tais vendas são equiparadas à exportação para o exterior. Ressaltese que a insurgência do contribuinte foi apenas na temática da glosa do crédito presumido relativo às vendas para a Zona Franca de Manaus e Áreas de Livre Comércio. As demais irregularidades apontadas pela fiscalização não foram contestadas, são elas: glosa do crédito de PIS/Pasep e COFINS, estorno dos pedidos de ressarcimento e aproveitamento apenas dos créditos presumidos escriturados no Livro do IPI. A 3ª Turma da DRJ/BEL, no acórdão n° 0123.463, negou provimento ao apelo, com decisão assim ementada: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI COMO RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 13982.000258/200726 Acórdão n.º 3301004.660 S3C3T1 Fl. 474 3 O crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, aplicase exclusivamente às exportações de produtos para o exterior. Inadmissível pretenderse a aplicação desse crédito nas vendas de produtos para Zona Franca de Manaus alegandose terem sido essas operações equiparadas a exportações, para efeitos fiscais, pelo DecretoLei nº 288, de 1967. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa os argumentos de sua impugnação e, em especial, defende que são inquestionáveis a equivalência e o tratamento fiscal das vendas à Zona Franca de Manaus e às Áreas de Livre Comércio com as vendas destinadas à exportação para o exterior, o que lhe assegura o direito de efetuar o crédito presumido de IPI. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Como relatado, os valores referentes aos créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus foram glosados pela fiscalização, por não se referirem a vendas para o exterior. No mesmo sentido, a decisão de piso aduziu que é da essência do crédito presumido, beneficiar exclusivamente exportações stricto sensu, isto é, exportações para o estrangeiro: Carece, portanto, de qualquer sentido cogitarse da aplicação do crédito presumido para operações internas destinadas a determinadas regiões que foram, para efeito de gozo de incentivos fiscais, equiparadas à exportação, visandose com esse tratamento privilegiado promover integração e desenvolvimento econômicos daquelas áreas. Há que se concordar que o objetivo do tratamento fiscal privilegiado, nesses casos, não se confunde nem se coaduna com o escopo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363, de 1996. Pretenderse estendêlo àquelas áreas, apelandose à mencionada equiparação, desvirtuaria por completo os objetivos para os quais foi criado o referido crédito presumido. Ademais, tratandose de benefício fiscal, a interpretação aplicável à matéria é a literal, restritiva, em consonância com o art. 111 do CTN. Entendo que a decisão merece reparos. Dispõe o art. 40 do ADCT: Fl. 474DF CARF MF Processo nº 13982.000258/200726 Acórdão n.º 3301004.660 S3C3T1 Fl. 475 4 Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Por sua vez, o art. 4° do DecretoLei n° 288/67 prescreve: Art. 4º. A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Por conseguinte, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL n° 288/67, há de se considerar que as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Salientese que essa questão foi julgada pela 3ª Turma da Câmara Superior do CARF, em recentíssimo acórdão n° 9303006.356, sessão de 22/02/2018, relatado pela Conselheira Tatiana Midori Migiyama, no qual restou assim consignado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM às receitas de exportação para a constituição do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96. Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17. Ademais, o STJ tem inúmeros precedentes no mesmo sentido: REsp 817.777 – RS, DJ 26/10/2006 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO ZONA FRANCA DE MANAUS PRESCRIÇÃO REMESSA DE MERCADORIAS EQUIPARADA À EXPORTAÇÃO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS. 1. Descabe a esta Corte se pronunciar sobre violação de dispositivos constitucionais. 2. Deve ser afastada violação do art. 535 do CPC quando o recorrente não indica, com clareza e precisão, as teses sobre as Fl. 475DF CARF MF Processo nº 13982.000258/200726 Acórdão n.º 3301004.660 S3C3T1 Fl. 476 5 quais o Tribunal de origem deixou de se pronunciar. 3. Aplicável a Súmula 282/STF quando não há prequestionamento das teses apresentadas no recurso especial. 4. A destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei 288/67. 5. Direito da empresa ao crédito presumido do IPI, nos termos do art. 1º da Lei 9.363/96, e à isenção relativa às contribuições do PIS e da COFINS. 6. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI MC 23489, da relatoria do Ministro Marco Aurélio, havia suspendido a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP 2.03724, de 23.11.2000, que revogara a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. Ação direta de inconstitucionalidade julgada prejudicada pelo relator, com prejuízo da medida liminar deferida, porque não aditada a petição inicial após as sucessivas reedições da Medida Provisória 2.037/2000. 7. Entendimento do STJ inalterado em razão de ter sido excluída a expressão "na Zona Franca de Manaus" do texto do art. 14, § 2º, inciso I, nas reedições da MP 2.037/2000, acompanhandose o entendimento do STF no julgamento da liminar na ADI MC 23489. 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. REsp 698.356 – SC, DJ 03/03/2008 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ART. 535 DO CPC. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INEXISTÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. PREVALÊNCIA DAS DISPOSIÇÕES DO CTN SOBRE AS DO DECRETOLEI 20.910/32. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. (...). 4. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida "com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição". Ora, entre as "características" que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decretolei 288/67, segundo o qual "a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro". Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp. 652355/SC, 1ª T., Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 08.11.2007; REsp 653975/RS, 2ª T., Min. Eliana Calmon, DJ de 16.02.2007. 5. Recurso especial a que se nega provimento. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 13982.000258/200726 Acórdão n.º 3301004.660 S3C3T1 Fl. 477 6 Quanto às Áreas de Livre Comércio, prescrevia o Decreto n° 4.543/2002, vigente à época dos fatos autuados, que: Art. 472. Constituem áreas de livre comércio de importação e de exportação as que, sob regime fiscal especial, são estabelecidas com a finalidade de promover o desenvolvimento de áreas fronteiriças específicas da Região Norte do País e de incrementar as relações bilaterais com os países vizinhos, segundo a política de integração latinoamericana (Lei no 7.965, de 22 de dezembro de 1989, art. 1o, Lei no 8.210, de 19 de julho de 1991, art. 1o, Lei no 8.256, de 25 de novembro de 1991, art. 1o, Lei no 8.387, de 1991, art. 11, e Lei no 8.857, de 8 de março de 1994, art. 1o). Parágrafo único. As áreas de livre comércio são configuradas por limites que envolvem, inclusive, os perímetros urbanos dos municípios de Tabatinga (AM), GuajaráMirim (RO), Pacaraima e Bonfim (RR), Macapá e Santana (AP) e Brasiléia, com extensão para o município de Epitaciolândia, e Cruzeiro do Sul (AC) (Lei no 7.965, de 1989, art. 2o, Lei no 8.210, de 1991, art. 2o, Lei no 8.256, de 1991, art. 2o, Lei no 8.387, de 1991, art. 11, § 1o, e Lei no 8.857, de 1994, art. 2o). Art. 473. A entrada de produtos estrangeiros nas áreas de livre comércio será feita com suspensão do pagamento dos impostos de importação e sobre produtos industrializados, que será convertida em isenção quando os produtos forem destinados a: (...) Art. 475. A venda de mercadorias nacionais ou nacionalizadas, efetuada por empresas estabelecidas fora das áreas de livre comércio para empresas ali sediadas, destinadas aos fins de que trata o art. 473, será, para os efeitos fiscais, equiparada a uma exportação (Lei no 7.965, de 1989, art. 6o, Lei no 8.210, de 1991, art. 6o, Lei no 8.256, de 1991, art. 7o, Lei no 8.387, de 1991, art. 11, § 2o, e Lei no 8.857, de 1994, art. 7o). (...) Art. 478. As áreas de livre comércio serão administradas pela Superintendência da Zona Franca de Manaus. (...) Art. 481. Aplicase às áreas de livre comércio, no que couber, a legislação pertinente à Zona Franca de Manaus (Lei no 7.965, de 1989, art. 12, Lei no 8.256, de 1991, art. 11, Lei no 8.387, de 1991, art. 11, § 2o, e Lei no 8.857, de 1994, art. 11). Dessa forma, os benefícios fiscais instituídos para incentivar as exportações de mercadorias nacionais devem ser estendidos às vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus e às Áreas de Livre Comércio, por equivalerem, para fins fiscais, à operação de exportação para o exterior. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 13982.000258/200726 Acórdão n.º 3301004.660 S3C3T1 Fl. 478 7 Em última análise, a Zona Franca de Manaus e as áreas de livre comércio carregam a carga axiológica prescrita nos art. 3º, III, 151, I, in fine, e 170, VII, da Constituição Federal. Por isso, restringir a aplicação dos benefícios fiscais configurase afronta aos valores constitucionais de promoção do equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico e redução das desigualdades regionais e sociais. Por conseguinte, os créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, podem ser apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para cancelar a parte do auto de infração referente à glosa dos créditos presumidos de IPI, nos termos da Lei n° 9.363/96, apurados em decorrência de vendas para as Áreas de Livre Comércio e para a Zona Franca de Manaus. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 478DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.000247/2011-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF 42.
Nos termos da Súmula CARF nº 42, não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF 42. Nos termos da Súmula CARF nº 42, não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
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GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF 42. Nos termos da Súmula CARF nº 42, não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 02 47 /2 01 1- 07 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 11060.000247/201107 Acórdão n.º 2202004.505 S2C2T2 Fl. 356 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11060.000247/201107, em face do acórdão nº 1040.690, julgado pela 4ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), em sessão realizada em 09 de outubro de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Do lançamento Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 246 a 256) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do anocalendário 2008, no qual é exigido imposto de renda pessoa física no valor de R$299.406,27 acrescido da multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de ganhos de capital na alienação do imóvel rural denominado“Estância do Céu”, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Da impugnação O contribuinte apresenta a impugnação da exigência às fls. 260 a 283. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Desapropriação do imóvel rural “Estância do Céu” por interesse social para fins de reforma agrária. Não incidência do IRPF A desapropriação do imóvel rural deuse com o fim exclusivo de promover a reforma agrária. Tal operação está abrangida pelo disposto no artigo 184, § 5o, o qual prevê a nãoincidência de impostos, entre eles o Imposto de Renda Ganho de Capital, sobre as transferências de imóvel desapropriado para fins de reforma agrária. A cópia do processo administrativo de desapropriação acostada aos autos a fls. 27/217 traz inúmeros elementos que apontam, de forma incontroversa, a finalidade da desapropriação do imóvel rural do Impugnante, qual seja, implementar a reforma agrária. Todavia, a Autoridade Tributária aduz que, como o decreto de desapropriação foi embasado no artigo 5o, inciso XXIV, da Constituição, não seria possível considerar a desapropriação sub examine efetuada para fins de reforma agrária. Por conseguinte, em se tratando de suposta desapropriação por interesse social genérica, entende o Fisco Federal que haveria a incidência do IRPF sobre o ganho de capital oriundo da indenização recebida pelo Impugnante. Tais conclusões mostramse absolutamente equivocadas e contrárias ao nosso ordenamento jurídico. Inferese do próprio decreto de desapropriação, Decreto de 04 de novembro de 2008, que foi declarado sobre o bem interesse social "para fins de estabelecimento e manutenção de colônias Fl. 356DF CARF MF Processo nº 11060.000247/201107 Acórdão n.º 2202004.505 S2C2T2 Fl. 357 3 ou cooperativas de povoamento e trabalho agrícola" (artigo 1o), bem como que restou atribuída ao INCRA a tarefa de promover e executar a desapropriação do imóvel rural em questão (artigo 3o). O imóvel transmitido ao INCRA em virtude da desapropriação consiste nas frações de terra de 2.098,1664ha. e de 1.467,48ha., que fazem parte do imóvel denominado "Estância do Céu" e encontramse registradas no Ofício de Registro de Imóveis de São Gabriel (RS) sob matrículas 6.363 e 11.975. Examinando as matrículas, constatase que a desapropriação em comento foi averbada no Ofício de Registro de Imóveis nos seguintes termos: O imóvel objeto da presente matrícula foi declarado como sendo de interesse social ou utilidade pública para fins de Reforma Agrária. Incontestável, pois, que a desapropriação do imóvel rural, registrado no Ofício de Imóveis de São Gabriel (RS) sob matrículas 6.363 e 11.975, se deu por interesse social para fins de reforma agrária. A maior prova disso é a menção expressa nesse sentido na averbação realizada nas matrículas dos bens a requerimento do INCRA. No site do INCRA foi veiculada notícia sobre ato realizado em 18/12/2008 que marcou o assentamento de 590 famílias em áreas desapropriadas para fins de reforma agrária, entre elas a antiga "Estância do Céu”. Traz aos autos a relação dos beneficiários das concessões de uso expedidas pelo INCRA aos assentados na antiga “Estância do Céu”. Ademais, a desapropriação do imóvel rural “Estância do Céu” foi registrada amplamente pela imprensa gaúcha. É indiscutível que a transferência do imóvel do Impugnante para o INCRA efetivouse com o propósito exclusivo de implementar assentamentos rurais para famílias sem terra e, dessa forma, dar seqüência à promoção da reforma agrária no país. A nãoincidência do imposto está expressamente prevista no artigo 22, parágrafo único, da Lei n°. 7.713/88, norma esta repisada no artigo 120, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda. O aludido dispositivo legal, na esteira da regra constitucional supramencionada, exclui do conceito de ganho de capital o valor da indenização decorrente de desapropriação para fins de reforma agrária. Destarte, devidamente demonstrada a nãoincidência do IRPF sobre a indenização percebida pelo Impugnante em razão da desapropriação em tela, impõese o imediato e integral cancelamento do lançamento fiscal ora impugnado, eis que o crédito tributário nele veiculado mostrase totalmente indevido. Desapropriação pelo Poder Público. Natureza Indenizatório. Não Incidência do IRPF Fl. 357DF CARF MF Processo nº 11060.000247/201107 Acórdão n.º 2202004.505 S2C2T2 Fl. 358 4 Em atenção ao princípio da eventualidade, isto é, na remotíssima hipótese de se considerar que a desapropriação em comento não se deu com a finalidade de promover a reforma agrária, mas sim com base em interesse social genérico, cumpre evidenciar que, ainda assim, não se vislumbraria hipótese de incidência do Imposto de Renda sobre Ganho de Capital. No que diz respeito ao Imposto de Renda, o signo presuntivo de riqueza alvo de tributação consiste no acréscimo patrimonial decorrente da obtenção de renda e proventos de qualquer natureza, conforme disposto no artigo 43 do CTN. Somente nas situações em que a verba recebida pela pessoa aumentar o seu patrimônio haverá a incidência do Imposto de Renda. Afigurase indispensável perquirir acerca da natureza jurídica da verba percebida pelo proprietário nos casos de desapropriação por necessidade ou utilizada pública, ou por interesse social. Transcreve o artigo 5o, inciso XXIV, da Constituição, o qual disciplina o instituto da desapropriação genérica. A Constituição consagra a natureza indenizatória da verba recebida em virtude de desapropriação ("justa indenização"), reconhecendo se tratar de quantia destinada a recompor o patrimônio do expropriado. Portanto, é evidente que o recebimento da indenização pela desapropriação não encerra ganho de capital, nem enseja lucro, escapando tal fato ao conceito de renda ou proventos de qualquer natureza. Desse modo, considerando que tal verba possui caráter indenizatório, ou seja, consiste em mera recomposição do valor do bem desapropriado, não há que se falar em incidência do Imposto de Renda sobre Ganho de Capital, porquanto não se verifica acréscimo patrimonial. Este, aliás, o sentido da expressão "justa indenização" constante do texto constitucional, a qual não pode ser reduzida pela incidência do IRPF. Apresenta jurisprudência judicial e administrativa. Por conseguinte, mesmo que se esteja diante de desapropriação genérica por interesse social, conforme sustenta equivocadamente a Autoridade Tributária, mostrase totalmente inviável a exigência do IRPF sobre Ganho de Capital, eis que a quantia recebida possui natureza indenizatória. Conclusões 1. A desapropriação do imóvel rural deuse exclusivamente para fins de reforma agrária; logo, a verba percebida enquadrase na hipótese prevista no artigo 184, § 5°, da Constituição, que exclui expressamente a incidência de impostos federais, estaduais e municipais sobre referida operação; inviável, portanto, a exigência de Imposto de Renda Pessoa Física; 2. subsidiariamente, caso se entenda que não houve desapropriação para fins de reforma agrária, mas sim Fl. 358DF CARF MF Processo nº 11060.000247/201107 Acórdão n.º 2202004.505 S2C2T2 Fl. 359 5 desapropriação genérica por interesse social o que se diz apenas a título argumentativo , também não cabe cogitar da incidência da exação em comento; isso porque, o valor recebido em razão da desapropriação realizada pelo INCRA consiste em mera indenização para recomposição do patrimônio, não caracterizando ganho de capital. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim, integralmente o crédito tributário lançado. A parte dispositiva do acórdão conta com a seguinte redação: Portanto, não se aplica, ao caso, a imunidade prevista no §5º do art. 184 da Constituição Federal. O dispositivo se refere às operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária, a denominada desapropriaçãosanção. A imunidade tem por pressuposto a desapropriação, que não se confunde com o negócio jurídico de compra e venda, o qual depende de manifestação de vontade do proprietário, que pode, se o preço ou as condições não lhe agradarem, recusar o negócio. A liberdade que está presente na venda e não existe na desapropriação justifica o tratamento tributário distinto. Além disso, não haveria lógica exigir imposto de renda sobre o ganho de capital incidente na expropriação de um imóvel, pois na desapropriaçãosanção o bem é tomado do seu proprietário, é um ato decorrente do poder de Império do Estado (autorizado pela CF/88) independentemente da vontade do agente, que não cumpriu com a função social da propriedade. Com relação a jurisprudência trazida aos autos pelo impugnante, ressaltese que as decisões proferidas no âmbito administrativo e no judiciário somente tem eficácia para o interessado na ação específica, não se estendendo aos demais contribuintes. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 324/340, reiterando as alegações expostas em impugnação, requerendo que este Colegiado proceda na improcedência do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Consoante se verifica, ocorreu a desapropriação do imóvel rural em questão, consoante escritura pública de fls. 208/2017. Os documentos acostados aos autos a fls. 27/217 traz inúmeros elementos que apontam, de forma incontroversa, a desapropriação do imóvel rural do contribuinte. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11060.000247/201107 Acórdão n.º 2202004.505 S2C2T2 Fl. 360 6 Este Conselho já consolidou seu entendimento desde dezembro/2009 no sentido de que não incide IRPF sobre ganho de capital quando a alienação ocorre em função de desapropriação: Súmula CARF nº 42: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Tendo em vista que a Súmula é de observância obrigatória por este Conselheiro, nos termos do art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF, é necessário repetir tal entendimento no âmbito desse julgamento. Ainda que não fosse, o STJ já julgou a matéria no REsp nº 1.116.460, em sede de recurso repetitivo, submetido ao regime do art. 543C do CPC/73, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: "XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;" 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. 4. "Representação. Arguição de Inconstitucionalidade parcial do inciso ii, do parágrafo 2., do art. 1., do Decretolei Federal n. 1641, de 7.12.1978, que inclui a desapropriação entre as modalidades de alienação de imóveis, suscetíveis de gerar lucro a pessoa física e, assim, rendimento tributável pelo imposto de renda. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação Fl. 360DF CARF MF Processo nº 11060.000247/201107 Acórdão n.º 2202004.505 S2C2T2 Fl. 361 7 pretendida pelo proprietário, 'modo privato'. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tãosó, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Tal o sentido da 'justa indenização' prevista na Constituição (art. 153, parágrafo 22). Não pode, assim, ser reduzida a justa indenização pela incidência do imposto de renda. Representação procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão 'desapropriação', contida no art. 1., parágrafo 2., inciso ii, do decretolei n. 1641/78. (Rp 1260, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, TRIBUNAL PLENO, julgado em 13/08/1987, DJ 18111988) 4. In casu, a ora recorrida percebeu verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual é infensa à incidência do imposto sobre a renda. 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6. Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 674.959/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 20/03/2006; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1116460/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) Ademais, foi consolidada a Tese nº 397 do STJ: A indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. (...) Nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. Mais uma vez, tratase de entendimento que deve ser repetido no âmbito deste Conselho, conforme disposto no RICARF. Registrase que esta decisão judicial levou, inclusive, à publicação da Solução de Consulta COSIT nº 105/2014, que reformou Solução anterior, e reconheceu a não incidência do IRPF sobre o ganho de capital quando a alienação ocorre em decorrência de desapropriação. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11060.000247/201107 Acórdão n.º 2202004.505 S2C2T2 Fl. 362 8 Salientase, por fim, que o entendimento acima exposto já foi apreciado por esta Turma Ordinária, , na sessão realizada em 13 de setembro de 2017, ao apreciar o processo nº 15563.000093/201054, de relatoria do ilustre Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, entendeu, por unanimidade de votos, por proferir o acórdão 2202004.144, a seguir ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Anocalendário:2006 Ementa: DESAPROPRIAÇÃO. IRPF. GANHO DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA. "Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação." (Súmula CARF nº 42) Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.730825/2016-26
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IN RFB 1.343/2013. VALOR ISENTO. ATUALIZAÇÃO. ENTIDADE.
O valor a ser utilizado na retificação prevista no art. 3º, II da IN RFB 1.343/2013 deve ser atualizado pela entidade de previdência complementar privada.
Numero da decisão: 2002-000.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IN RFB 1.343/2013. VALOR ISENTO. ATUALIZAÇÃO. ENTIDADE. O valor a ser utilizado na retificação prevista no art. 3º, II da IN RFB 1.343/2013 deve ser atualizado pela entidade de previdência complementar privada.
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VALOR ISENTO. ATUALIZAÇÃO. ENTIDADE. O valor a ser utilizado na retificação prevista no art. 3º, II da IN RFB 1.343/2013 deve ser atualizado pela entidade de previdência complementar privada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 08 25 /2 01 6- 26 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10480.730825/201626 Acórdão n.º 2002000.135 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física nos seguintes valores (fl. 10): Rubrica Valor em reais Imposto 1.758,96 Multa de ofício 1.319,22 Juros de mora 733,31 Total à época 3.811,49 A origem do lançamento foi a omissão de rendimento tributável de R$ 6.396,22 recebido da fonte pagadora Fundação Chesf de Assistência e Seguridade Social FACHESF (fl. 12). O lançamento foi motivado nos seguintes termos: Conforme documentação apresentada as Contribuições Previdenciárias de Janeiro/1989 a Dezembro de 1995 equivalem a R$ 48.454,98. Sendo assim, de acordo com a IN RFB nº 1343/2013 e alterações, o valor a ser abatido da Suplementação de Aposentadoria da Fundação CHESF (FACHESF) está limitado ao total das Contribuições Previdenciárias acima citadas (R$ 48.454,98). Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 3) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 12/12/2016 (fl. 23) e protocolou sua peça no dia 29/12/2016 (fl. 2), dentro do prazo de 30 dias1 portanto. Impugnação Em sua impugnação (fl. 2 e ss) o contribuinte alega, em síntese, que o demonstrativo da FACHESF só estava atualizado até 12/2010 e por isso totalizou R$ 48.454,98 (doc. 1). Partindo desse valor e utilizando a planilha da IN RFB 1.343/2013, totalizouse R$ 49.176,06 até 12/2010 (doc. 2). Na declaração retificadora do anocalendário 2012, o valor de R$ 49.176,06 foi atualizado até 12/2012, utilizando os mesmos índices da planilha da IN RFB 1.343/2013, chegandose a um total de R$ 55.426,52 (doc. 3). Este valor é superior ao que foi recebido da FACHESF em 2012, qual seja, R$ 54.851,20 (doc. 4). Dessa forma, não houve omissão de rendimentos, pois o valor das contribuições de 1989 a 1995 atualizado até 12/2012 supera os rendimentos recebidos da FACHESF em 2012. Declara ainda que não está discutindo judicialmente a matéria objeto deste processo e pede prioridade na análise em razão do art. 69A, I, da Lei 9.784/99. 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10480.730825/201626 Acórdão n.º 2002000.135 S2C0T2 Fl. 4 3 Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguinte documentos: documento de identidade do contribuinte (fl. 4); informe de contribuições FACHESF (fl. 5e ss); resumo de exaurimento e resultado (fl. 7); planilha de atualização do valor (fl. 8); comprovante de rendimentos FACHESF (fl. 9); notificação de lançamento (fl. 10 e ss). Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) julgou a impugnação improcedente (fl. 26 e ss) porque o próprio contribuinte fez a atualização dos cálculos, contudo, de acordo com o art. 3º, § 1º da IN RFB 1.343/2013, caberia à entidade de previdência complementar informar o valor das contribuições atualizado. Como tal formalidade não foi cumprida, não poderia ser excluído da tributação o valor em questão. Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 40) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 09/10/2017 (fl. 35) e protocolou sua peça no dia 03/11/2017 (fl. 37), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 39 e ss) o contribuinte alega, em síntese, que, em face das razões de decidir da DRJ, retornou à FACHESF e solicitou que as contribuições fossem atualizadas até 31/12/2012, tendo esta entidade realizado as devidas atualizações, conforme doc. 5 onde se observa que o valor total das contribuições é R$ 55.808,01, valor este que supera o que foi recebido da FACHESF e declarado pelo recorrente no anocalendário 2012, R$ 54.851,20 (doc. 4). Assim, foi atendido o previsto no art. 3º, § 1º da IN RFB 1.343/2013, dessa forma, pede o cancelamento do débito fiscal. Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguintes documentos: informe de contribuições FACHESF (fl. 41 e ss); resumo de exaurimento e resultado (fl. 43); planilha de atualização do valor (fl. 44); 2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10480.730825/201626 Acórdão n.º 2002000.135 S2C0T2 Fl. 5 4 comprovante de rendimentos FACHESF (fl. 45); demonstrativo de contribuições emitido em 11/10/2017 (fl. 46 e ss); intimação e demonstrativo (fl. 48 e ss); acórdão DRJ (fl. 51 e ss); Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Prioridade processual Em consulta ao sistema informatizado de processos, verifico que os presentes autos já estão previamente marcados como prioritários em razão do Estatuto do Idoso. Assim, considerando que o pedido do recorrente já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão Apresentação de novas provas Em sede de recurso voluntário o contribuinte juntou novos documentos aos autos. O art. 16, § 4º, c do Decreto 70.235/72 prevê que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que a nova prova se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Verificase que os documentos apresentados pela parte encaixamse nesta previsão, visto que destinamse a contrapor razões trazidas aos autos pela DRJ que fundamentou sua decisão de improcedência da impugnação na falta de cumprimento da formalidade do art. 3º, § 1º da IN RFB 1.343/2013. Diante disso, a nova documentação será analisada. Mérito Segundo o art. 5º, caput da IN RFB nº 1.343/2013: Art. 5º Para efeitos do disposto nesta Instrução Normativa, as contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 devem ser atualizadas monetariamente até a data da não retenção, nos casos de que trata os arts. 2º e 7º, ou até 31 de dezembro do anocalendário correspondente, na hipótese prevista no art. 3º, com a utilização dos seguintes índices: Por força do artigo supracitado, considerando que a declaração retificada foi a do anocalendário 2012, é cabível a atualização do valor das contribuições até 31/12/12. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10480.730825/201626 Acórdão n.º 2002000.135 S2C0T2 Fl. 6 5 O demonstrativo das contribuições apresentado pelo contribuinte às fls. 46 e 47 sana a falha apontada pela DRJ como motivo para o indeferimento do pleito. Verificase ainda neste documento que o valor total da contribuições atualizado foi R$ 55. 808,01, valor este inferior ao declarado como isento na retificação de 2012, qual seja R$ 54.851,20 (fl. 17). Dessa forma, os motivos que deram causa ao lançamento não mais existem, haja vista que o contribuinte sanou as falhas apontadas com a apresentação do demonstrativo das contribuições atualizado. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento, para que seja extinto o crédito tributário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 64DF CARF MF
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