Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
5779282 #
Numero do processo: 13851.001458/2005-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2102-000.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, já que se trata de matéria (rendimentos recebidos acumuladamente) em debate no Supremo Tribunal Federal, no rito do recurso repetitivo (art. 62-a, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente. Assinado digitalmente Acácia Sayuri Wakasugi - Relatora EDITADO EM: 21 de novembro de 2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Nubia Matos Moura, Acacia Sayuri Wakasugi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli.
Nome do relator: Não se aplica

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201205

camara_s : Primeira Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 13851.001458/2005-20

anomes_publicacao_s : 201501

conteudo_id_s : 5414969

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 2102-000.061

nome_arquivo_s : Decisao_13851001458200520.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : Não se aplica

nome_arquivo_pdf_s : 13851001458200520_5414969.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, já que se trata de matéria (rendimentos recebidos acumuladamente) em debate no Supremo Tribunal Federal, no rito do recurso repetitivo (art. 62-a, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente. Assinado digitalmente Acácia Sayuri Wakasugi - Relatora EDITADO EM: 21 de novembro de 2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Nubia Matos Moura, Acacia Sayuri Wakasugi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli.

dt_sessao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2012

id : 5779282

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:39 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047476853800960

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T2  Fl. 2          1 1  S2­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13851.001458/2005­20  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2102­000.061  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  17 de maio de 2012  Assunto  SOBRESTAMENTO ­ RENDIMENTOS RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE  Recorrente  RICARDO TEIXEIRA PINTO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  SOBRESTAR  o  julgamento,  já  que  se  trata  de  matéria  (rendimentos  recebidos  acumuladamente) em debate no Supremo Tribunal Federal, no rito do  recurso repetitivo (art.  62­a, §§, do Anexo II, do RICARF).   Assinado digitalmente  Giovanni Christian Nunes Campos ­ Presidente.    Assinado digitalmente  Acácia Sayuri Wakasugi ­ Relatora   EDITADO EM: 21 de novembro de 2012     Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes  Campos  (Presidente),  Francisco  Marconi  de  Oliveira,  Nubia  Matos  Moura,  Acacia  Sayuri  Wakasugi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio  Pitarelli.          RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .0 01 45 8/ 20 05 -2 0 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ACACIA SAYU RI WAKASUGI Processo nº 13851.001458/2005­20  Resolução nº  2102­000.061  S2­C1T2  Fl. 3          2     RELATÓRIO E VOTO    Na  forma  do  art.  62­A,  caput  e  §  1º,  do Anexo  II,  do  RICARF  (As  decisões  definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de  Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da  Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas  pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º. Ficarão sobrestados  os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos  extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­B),  sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543­B do  CPC), deverão as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica  nos recursos administrativos, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte.   Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da  Segunda  Seção  do  CARF,  a  controvérsia  sobre  a  tributação  dos  rendimentos  recebidos  acumuladamente  deve  ter  o  julgamento  administrativo  sobrestado,  pois  o  STF  reconheceu  a  repercussão geral na matéria, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br):  Tema  228  ­  Incidência  do  imposto  de  renda  de  pessoa  física  sobre  rendimentos percebidos acumuladamente.  – RE 614.406 – Relatora a  Min. Ellen Grace.  Como o  recurso voluntário acostado ao presente processo administrativo versa  sobre a matéria do Tema 228, deve ter seu julgamento sobrestado, na forma do art. 62, caput e  § 1º, do Anexo II, do RICARF.  Com  a  fundamentação  acima,  proponho  o  sobrestamento  do  julgamento  do  presente recurso, cumprindo o procedimento do art. 2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2012.     Acácia Sayuri Wakasugi  Conselheira relatora       Fl. 377DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ACACIA SAYU RI WAKASUGI

score : 1.0
5754718 #
Numero do processo: 11831.003376/2003-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/1996 a 31/12/1996 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS E PRODUTO INTERMEDIÁRIOS SUJEITO À ALIQUOTA ZERO, ISENÇÃO E NÃO INCIDÊNCIA. De acordo com a jurisprudência firmada pelo Supremo Tribunal Federal, em interpretação ao disposto no §3º, inciso II do artigo 153 da Constituição Federal, não há direito ao creditamento de IPI na aquisição de produtos sujeitos à isenção, alíquota zero e à não incidência. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Paulo Sérgio Celani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201410

ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/1996 a 31/12/1996 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS E PRODUTO INTERMEDIÁRIOS SUJEITO À ALIQUOTA ZERO, ISENÇÃO E NÃO INCIDÊNCIA. De acordo com a jurisprudência firmada pelo Supremo Tribunal Federal, em interpretação ao disposto no §3º, inciso II do artigo 153 da Constituição Federal, não há direito ao creditamento de IPI na aquisição de produtos sujeitos à isenção, alíquota zero e à não incidência. Recurso Voluntário Negado

turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 11831.003376/2003-61

anomes_publicacao_s : 201412

conteudo_id_s : 5405961

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3801-004.538

nome_arquivo_s : Decisao_11831003376200361.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

nome_arquivo_pdf_s : 11831003376200361_5405961.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Paulo Sérgio Celani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Flávio de Castro Pontes (Presidente).

dt_sessao_tdt : Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014

id : 5754718

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:33 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047476867432448

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1681; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 11          1 10  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11831.003376/2003­61  Recurso nº  001   Voluntário  Acórdão nº  3801­004.538  –  1ª Turma Especial   Sessão de  16 de outubro de 2014  Matéria  COMPENSAÇÃO ­ DIREITO CREDITÓRIO  Recorrente  PLATINUM LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/10/1996 a 31/12/1996  CRÉDITO DE IPI. INSUMOS E PRODUTO INTERMEDIÁRIOS SUJEITO  À ALIQUOTA ZERO, ISENÇÃO E NÃO INCIDÊNCIA.  De acordo com a jurisprudência firmada pelo Supremo Tribunal Federal, em  interpretação  ao  disposto  no  §3º,  inciso  II  do  artigo  153  da  Constituição  Federal,  não  há  direito  ao  creditamento  de  IPI  na  aquisição  de  produtos  sujeitos à isenção, alíquota zero e à não incidência.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso.  Os  Conselheiros  Flávio  de  Castro  Pontes  e  Paulo  Sérgio  Celani  votaram pelas conclusões.  (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel­ Relatora.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 33 76 /2 00 3- 61 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     2   Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani,  Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges Paulo Antonio Caliendo  Velloso  da  Silveira  Jacques  Mauricio  Ferreira  Veloso  de  Melo  e  Flávio  de  Castro  Pontes  (Presidente).    Relatório  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em Ribeirão Preto (SP),  abaixo transcrito:    O interessado em epígrafe solicitou o ressarcimento do saldo credor  apurado no período em destaque, para  fins de compensação com os  débitos que declarou.  O  pedido  foi  indeferido  e  as  compensações  não  homologadas,  considerando  que  os  créditos  em  questão,  além  de  já  estarem  prescritos, não eram incentivados, e em razão do artigo 11 da Lei n°  Lei n° 9.779, de 1999, somente se aplicar ao saldo credor decorrente  das  aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  ingressados  no  estabelecimento  a  partir  de  01/01/1999, onerados pelo imposto e aplicados na industrialização.  Tempestivamente,  o  interessado  manifestou  sua  inconformidade,  basicamente, alegando a inocorrência da prescrição, pois a contagem  de  prazo  seria  de  dez  anos,  de  acordo  com  jurisprudência  citada,  e  invocando princípios constitucionais e a Lei n° 9.779/99, que deveria  ser  aplicada  retroativamente  por  seu  caráter  interpretativo,  contra  qualquer  limitação  aos  supostos  créditos,  os  quais  deveriam  ser  corrigidos monetariamente, conforme julgados que cita.   Analisando o litígio, a DRJ de Ribeirão Preto/SP entendeu por bem indeferir  a Manifestação de Inconformidade apresentada e manter a não homologação da compensação,  conforme ementa abaixo transcrita:   ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­  IPI  Período de apuração: 01/10/1996 a 31/12/1996  CRÉDITOS DO IPI. RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO.  O  prazo  prescricional  qüinqüenal  é  aplicável  aos  pleitos  administrativos referentes a créditos do imposto, conforme disposição  da legislação tributária sobre a matéria (Decreto n° 20.910/32).  IPI. RESSARCIMENTO.  O  direito  ao  aproveitamento/utilização,  nas  condições  estabelecidas  no art. 11, da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI, decorre  Fl. 420DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11831.003376/2003­61  Acórdão n.º 3801­004.538  S3­TE01  Fl. 12          3 somente  de  aquisições,  pelo  contribuinte  do  imposto,  de  matérias­ primas, produtos intermediários e material de embalagem,   Fl. 421DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     4 ingressados no estabelecimento a partir de 01/01/1999, onerados pelo  imposto e aplicados na industrialização.  DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI.  É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na  escrita  fiscal  do  sujeito  passivo,  de  créditos  do  imposto  alusivos  a  insumos  isentos,  não  tributados  ou  sujeitos  à  alíquota  zero,  uma  vez  que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior.  RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.  Inexiste  previsão  legal  para  abonar  atualização  monetária  ou  acréscimo  de  juros  equivalentes  à  taxa  SELIC  a  valores  objeto  de  ressarcimento de crédito de IPI.  INCONSTITUCIONALIDADE.  A autoridade administrativa é incompetente para se manifestar acerca  de  suscitada  inconstitucionalidade  das  leis  ou  dos  atos  normativos  regularmente editados.  Às  fls.  consta  recurso  voluntário  apresentado  tempestivamente,  no  qual  o  Recorrete alega, em síntese, que o prazo prescricional para pleitear a restituição de créditos dos  tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 anos e que a interpretação correta do  artigo 153, § 3º,  inciso  II da Constituição Federal  leva à conclusão que não se pode vedar o  creditamento de IPI para aqueles produtos sujeitos à alíquota zero, não incidência ou isenção.  É o relatório.    Voto             Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora.   O Recurso Voluntário cumpre os requisitos de admissibilidade. Por isso, dele  conheço e passo ao julgamento.   Primeiramente,  importante destacar que, nos termos firmados pelo Supremo  Tribunal Federal, o prazo prescricional para realização de pedido de restituição de créditos de  tributos sujeito ao lançamento por homologação é de 10 anos se requerido antes da entrada em  vigor da Lei Complementar 118/05. Confira­se:  DIREITO  TRIBUTÁRIO  –  LEI  INTERPRETATIVA  –  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/2005  –  DESCABIMENTO  –  VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA  –  NECESSIDADE  DE  OBSERVÂNCIA  DA  VACACIO  LEGIS  –  APLICAÇÃO  DO  PRAZO  REDUZIDO  PARA  REPETIÇÃO  OU  COMPENSAÇÃO DE  INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A  PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05,  estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido  de que, para os tributos sujeitos a lançamento por   homologação,  o  prazo  para  repetição  ou  compensação  de  indébito  era  de  10  anos  contados  do  seu  fato  gerador,  tendo  em  conta  a  Fl. 422DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11831.003376/2003­61  Acórdão n.º 3801­004.538  S3­TE01  Fl. 13          5 aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A  LC 118/05, embora tenha se auto­proclamado interpretativa, implicou  inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do  fato  gerador  para  5  anos  contados  do  pagamento  indevido.  Lei  supostamente  interpretativa  que,  em  verdade,  inova  no  mundo  jurídico  deve  ser  considerada  como  lei  nova.  Inocorrência  de  violação à autonomia e  independência dos Poderes, porquanto a  lei  expressamente  interpretativa  também  se  submete,  como  qualquer  outra,  ao  controle  judicial  quanto  à  sua  natureza,  validade  e  aplicação.  A  aplicação  retroativa  de  novo  e  reduzido  prazo  para  a  repetição  ou  compensação  de  indébito  tributário  estipulado  por  lei  nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente  à  luz  do  prazo  então  aplicável,  bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento  quando  da  publicação  da  lei,  sem  resguardo  de  nenhuma  regra  de  transição,  implicam  ofensa  ao  princípio  da  segurança  jurídica  em  seus  conteúdos  de  proteção  da  confiança  e  de  garantia  do  acesso  à  Justiça.  Afastando­se  as  aplicações  inconstitucionais  e  resguardando­se,  no  mais,  a  eficácia  da norma, permite­se a aplicação do prazo reduzido relativamente às  ações  ajuizadas  após  a  vacatio  legis,  conforme  entendimento  consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal.  O prazo de vacatio  legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não  apenas  que  tomassem  ciência  do  novo  prazo,  mas  também  que  ajuizassem  as  ações  necessárias  à  tutela  dos  seus  direitos.  Inaplicabilidade  do  art.  2.028  do  Código  Civil,  pois,  não  havendo  lacuna  na  LC  118/08,  que  pretendeu  a  aplicação  do  novo  prazo  na  maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além  disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa  em  contrário.  Reconhecida  a  inconstitucionalidade  art.  4º,  segunda  parte,  da  LC  118/05,  considerando­se  válida  a  aplicação  do  novo  prazo  de  5  anos  tão­somente  às  ações  ajuizadas  após  o  decurso  da  vacatio  legis  de  120  dias,  ou  seja,  a  partir  de  9  de  junho  de  2005.  Aplicação  do  art.  543­B,  §  3º,  do  CPC  aos  recursos  sobrestados.  Recurso  extraordinário  desprovido.  (RE  566621,  Relator(a):  Min.  ELLEN  GRACIE,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  04/08/2011,  REPERCUSSÃO  GERAL  ­  MÉRITO  DJe­195  DIVULG  10­10­2011  PUBLIC  11­10­2011  EMENT  VOL­02605­02  PP­00273  RTJ  VOL­ 00223­01 PP­00540)   Desta forma, acaso, no mérito, tivesse razão o Recorrente, como o pedido de  restituição  foi  realizado  em  12/05/2003,  não  haveria  que  se  falar  em  prescrição,  como  consignado no acórdão recorrido.  Ocorre  que  a  questão  de  mérito  que  foi  posta  em  discussão  neste  procedimento  administrativo,  não  é  nova,  tanto  no  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  quanto  no  Poder  Judiciário.  E,  em  que  pese  o  entendimento  desta  relatora  ir  ao  encontro  do  que  foi  muito  bem  colocado  pelo  Recorrente  nas  suas  razões  recursais,  no  julgamento dos RE 370.682 e RE 353.657, alterando o entendimento firmado no RE 212.484, o  Plenário do Supremo Tribunal Federal passou a entender que não há direito ao crédito do IPI na  aquisição de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. No julgamento do RE 566.819,  o mesmo entendimento foi estendido aos insumos isentos. Confira­se as ementas dos julgados  citados:  Fl. 423DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     6   EMENTA:  Recurso  extraordinário.  Tributário.  2.  IPI.  Crédito  Presumido.  Insumos  sujeitos  à  alíquota  zero  ou  não  tributados.  Inexistência. 3. Os princípios da não­cumulatividade e da seletividade  não  ensejam direito  de  crédito  presumido de  IPI para  o  contribuinte  adquirente  de  insumos  não  tributados  ou  sujeitos  à  alíquota  zero.  4.  Recurso extraordinário provido. (RE 370682, Relator(a): Min. ILMAR  GALVÃO, Relator(a)  p/ Acórdão: Min. GILMAR MENDES, Tribunal  Pleno, julgado em 25/06/2007, DJe­165 DIVULG 18­12­2007 PUBLIC  19­12­2007  DJ  19­12­2007  PP­00024  EMENT  VOL­02304­03  PP­ 00392)   IPI  ­  INSUMO  ­  ALÍQUOTA  ZERO  ­  AUSÊNCIA DE DIREITO AO  CREDITAMENTO. Conforme disposto no  inciso  II  do  §  3º  do  artigo  153  da  Constituição  Federal,  observa­se  o  princípio  da  não­ cumulatividade  compensando­se  o  que  for  devido  em  cada  operação  com  o  montante  cobrado  nas  anteriores,  ante  o  que  não  se  pode  cogitar  de  direito  a  crédito  quando  o  insumo  entra  na  indústria  considerada  a  alíquota  zero.  IPI  ­  INSUMO  ­  ALÍQUOTA  ZERO  ­  CREDITAMENTO  ­  INEXISTÊNCIA  DO  DIREITO  ­  EFICÁCIA.  Descabe,  em  face  do  texto  constitucional  regedor  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  e  do  sistema  jurisdicional  brasileiro,  a  modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo  emprestada  à  Carta  da  República  a  maior  eficácia  possível,  consagrando­se  o  princípio  da  segurança  jurídica.  (RE  353657,  Relator(a):  Min.  MARCO  AURÉLIO,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  25/06/2007,  DJe­041  DIVULG  06­03­2008  PUBLIC  07­03­2008  EMENT VOL­02310­03 PP­00502 RTJ VOL­00205­02 PP­00807)   IPI – CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor  cobrado na operação anterior. IPI – CRÉDITO – INSUMO ISENTO.  Em  decorrência  do  sistema  tributário  constitucional,  o  instituto  da  isenção  não  gera,  por  si  só,  direito  a  crédito.  IPI  –  CRÉDITO  –  DIFERENÇA – INSUMO – ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor –  para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial – não gera  o direito a diferença de crédito,  considerada a do produto  final.  (RE  566819, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado  em  29/09/2010,  DJe­027  DIVULG  09­02­2011  PUBLIC  10­02­2011  EMENT VOL­02461­02 PP­00445)   Desta feita, firmado o entendimento do Supremo Tribunal Federal em sentido  diametralmente  oposto  à  pretensão  do Recorrente,  não  há  como  dar  provimento  ao Recurso  Voluntário,  no  que  tange  à  possibilidade  de  creditamento  do  IPI  na  aquisição  dos  insumos  sujeitos à isenção, alíquota zero e à não­incidência.  Por  fim,  também  não  assiste  razão  ao  Recorrente  no  que  se  refere  à  argumentação  de  que  teria  direito  ao  crédito  de  IPI  naqueles  casos  em  que  adquire  bens  destinados ao ativo imobilizado ou bens de uso e consumo. Sabe­se, neste sentido, que o direito  creditório  só  nasce  quando  da  aquisição  de  produtos  intermediários  que  são  consumidos  no  processo produtivo.   Como bem consignado no acórdão recorrido, “geram direito ao crédito, além  das matérias­primas, produtos intermediários ‘stricto­sensu’ e material de embalagem que se  integram  ao  produto  final,  quaisquer  outros  bens  ­  desde  que  não  contabilizados  pela  contribuinte em seu ativo permanente ­ que se consumam por decorrência de um contato físico,  ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em  Fl. 424DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11831.003376/2003­61  Acórdão n.º 3801­004.538  S3­TE01  Fl. 14          7 fabricação,  ou  vice­versa,  proveniente  de  ação  exercida  diretamente  pelo  bem  em  industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas  ou  químicas,  restando  definitivamente  excluídos  aqueles  que  não  se  integrem  nem  sejam  consumidos na operação de industrialização”.  Este  entendimento,  inclusive,  já  está  pacificado  no  âmbito  deste  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais. Confira­se:  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CARF ­ Terceira Seção  MATÉRIA: IPI ­ RESSARCIMENTO  ACÓRDÃO: 3102­002.047  Imposto sobre Produtos Industrializados ­  IPI Período de apuração:  01/07/2006  a  30/09/2006  Créditos  Básicos.  Bens  Passíveis  de  Classificação no Ativo Imobilizado ou que Não se Desgastem Durante  o Processo de Industrialização. A aquisição de bens classificáveis no  ativo  imobilizado  não  gera  crédito  do  IPI.  Se  a  produtora  adquire  bens que, pela suas características, possuem vida útil  superior a um  ano  e  não  traz  prova  em  sentido  contrário  correta  é  a  glosa  do  crédito.  Por  outro  lado,  para  que  a  aquisição  de  produtos  intermediários gere crédito é necessário seu consumo no processo de  industrialização  ou  que  sofra  desgaste,  dano  ou  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  exercida  diretamente  sobre  o  produto  em  fabricação,  nas  fases  de  industrialização Recurso Voluntário Negado   Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos.  Acordam  os  membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento  ao  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra  de  Castro  ­  Presidente  e  Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Ricardo  Rosa,  Álvaro  Arthur  Lopes  de  Almeida  Filho,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Andréa  Medrado  Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.   Como se não bastasse, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça é no  mesmo norte.   TRIBUTÁRIO  –  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS – AUSÊNCIA DE OMISSÃO NO JULGADO A  QUO  –  PRINCÍPIO  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE  –  AQUISIÇÃO  DE BENS DESTINADOS AO ATIVO PERMANENTE, AO USO E AO  CONSUMO  DA  EMPRESA  –  CREDITAMENTO  –  IMPOSSIBILIDADE  –  ART.  147  DO  DECRETO  N.  2.637/98  –  MATÉRIA CONSTITUCIONAL.     1.  Discute­se  nos  autos  o  creditamento  de  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  na  hipótese  de  incorporação  de  bens  a  ativo  permanente da empresa, com base no princípio constitucional da não­ cumulatividade  (art.  153,  §  3º,  inciso  II,  da  Constituição  da  República).   Fl. 425DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     8 2. Inexistente a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação  jurisdicional ajustou­se à pretensão deduzida, conforme se depreende  da análise do julgado recorrido.   3. A jurisprudência do STJ, ao contrário dos bem lançados argumentos  recursais,  assevera  que  o  Regulamento  do  IPI  desautoriza  expressamente o creditamento do  imposto a ser pago, na hipótese de  aquisição  de  bens  para  o  ativo  permanente  da  empresa  (art.  147  do  Decreto n. 2.637/98).   4.  Superados  esses  aspectos,  qualquer  interpretação  do  princípio  da  não­cumulatividade (art. 153, § 3º, inciso II, da CF), no caso vertente,  faz­se inadequada. Sabe­se que o instrumento utilizado não comporta  análise  de  preceitos  da  Constituição  da  República,  estes  cabem  ao  STF.  Por  outro  lado,  a  competência  do  STJ  refere­se  a  matéria  infraconstitucional.  Assim,  inviável  o  exame  do  pleito  recursal,  sob  pena de se analisar matéria cuja competência pertence ao Supremo, ex  vi do art. 102 da CF.   Recurso especial improvido.   (REsp 1028459/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA  TURMA, julgado em 17/06/2008, DJe 26/06/2008)   Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento,  para manter na íntegra o acórdão recorrido.   (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel ­ Relator                                  Fl. 426DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

score : 1.0
5801010 #
Numero do processo: 13839.002836/2005-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 20/12/2000 a 30/06/2001 PRODUTOS FABRICADOS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os produtos isentos por terem sido produzidos na Zona Franca de Manaus não perdem tal condição até que tenham sido utilizados na fabricação de outro produto. Não se configura, assim, tais saídas como saídas de produtos tributados. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA Não há no ordenamento jurídico previsão legal para a transferência de créditos entres estabelecimentos da mesma empresa, à vista do princípio da autonomia dos estabelecimentos. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencido o conselheiro Gileno Gurjão Barreto, relator. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente (Assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Redator-Designado Participaram presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: José Antonio Francisco

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201304

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 20/12/2000 a 30/06/2001 PRODUTOS FABRICADOS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os produtos isentos por terem sido produzidos na Zona Franca de Manaus não perdem tal condição até que tenham sido utilizados na fabricação de outro produto. Não se configura, assim, tais saídas como saídas de produtos tributados. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA Não há no ordenamento jurídico previsão legal para a transferência de créditos entres estabelecimentos da mesma empresa, à vista do princípio da autonomia dos estabelecimentos. Recurso Voluntário Negado

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 13839.002836/2005-51

anomes_publicacao_s : 201502

conteudo_id_s : 5423455

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 3302-002.037

nome_arquivo_s : Decisao_13839002836200551.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : José Antonio Francisco

nome_arquivo_pdf_s : 13839002836200551_5423455.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencido o conselheiro Gileno Gurjão Barreto, relator. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente (Assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Redator-Designado Participaram presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.

dt_sessao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013

id : 5801010

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:25 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047476872675328

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2321; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 322          1 321  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13839.002836/2005­51  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3302­002.037  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de abril de 2013  Matéria  IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Recorrente  ENGEPACK EMBALAGENS SÃO PAULO LTDA.  Recorrida  DRJ­RIBEIRÃO PRETO/SP    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 20/12/2000 a 30/06/2001  CRÉDITOS  DE  INSUMOS  ISENTOS  ADVINDOS DA  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS.  MANDADO  DE  SEGURANÇA  E  RENÚNCIA  ÀS  INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,  de matéria distinta da constante do processo judicial.  ARGUMENTOS  APRESENTADOS  NO  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  INOVAÇÃO E PRECLUSÃO.  Consideram­se preclusos os argumentos apresentados no recurso voluntário,  sem que tenham sido apresentados na impugnação de lançamento.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 20/12/2000 a 30/06/2001  PRODUTOS  FABRICADOS  NA  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS.  ISENÇÃO. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS.  Os  produtos  isentos  por  terem  sido  produzidos  na Zona  Franca  de Manaus  não  perdem  tal  condição  até  que  tenham  sido  utilizados  na  fabricação  de  outro produto. Não se configura, assim, tais saídas como saídas de produtos  tributados.  TRANSFERÊNCIA  DE  CRÉDITOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS DA  MESMA EMPRESA  Não  há  no  ordenamento  jurídico  previsão  legal  para  a  transferência  de  créditos  entres estabelecimentos da mesma empresa, à vista do princípio da  autonomia dos estabelecimentos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 28 36 /2 00 5- 51 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13839.002836/2005­51  Acórdão n.º 3302­002.037  S3­C3T2  Fl. 323          2 Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,  Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  do  Redator  designado.  Vencido  o  conselheiro Gileno Gurjão Barreto,  relator. Designado  o  conselheiro  José Antonio Francisco  para redigir o voto vencedor.    (Assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  GILENO GURJÃO BARRETO ­ Relator    (Assinado digitalmente)  JOSÉ ANTONIO FRANCISCO ­ Redator­Designado    Participaram presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José  Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre  Gomes e Gileno Gurjão Barreto.  Relatório  Adota­se o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda.  Trata  o  presente  de Auto  de  Infração  lavrado  contra  o  estabelecimento  em  epígrafe,  em  razão da  falta de  lançamento  e  recolhimento do  IPI,  pelo  aproveitamento de  (i)  créditos  indevidos,  os  quais  se  originaram  na  aquisição  de  insumos  isentos  e  que  (ii)  foram  transferidos de outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica.  Segundo a fiscalização, embora a empresa tenha ingressado com o Mandado  de Segurança n° 1999.61.05018515­6, para creditar­se de insumos adquiridos com isenção na  Zona Franca de Manaus, a liminar foi indeferida e a sentença denegada, portanto, nenhum dos  créditos  lançados  em  sua  escrituração,  relativos  à  transferência  de  tais  insumos,  possuiriam  base legal ou respaldo judicial.  Fl. 326DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13839.002836/2005­51  Acórdão n.º 3302­002.037  S3­C3T2  Fl. 324          3 Assim  foi  constituído  o  crédito  tributário  montante  em  R$7.569.611,02,  inclusos multa de oficio e juros de mora.  Tempestivamente, o sujeito passivo apresentou a impugnação de fls. 325/337  alegando, em síntese, não recebeu insumos isentos, mas sim em transferência, com destaque do  IPI, portanto não existiria concomitância entre o presente processo e o judicial, mesmo assim,  defende  o  direito  ao  crédito  na  aquisição  de  insumos  isentos  com  os mesmo  argumentos  da  ação  judicial e que os estabelecimentos da pessoa  jurídica não devem ser considerados como  autônomos  e  independentes  em detrimento  da  unidade da  empresa e que  tal  transferência de  créditos decorre do principio da não­cumulatividade, sendo que a autonomia prevista para o IPI  teria  apenas  o  condão  de  facilitar  o  controle  e  administração  do  imposto,  sem  interferir  no  direito  constitucional  da  compensação  dos  débitos  e  créditos  entre  estabelecimentos.  Cita  acórdãos  do  Conselho  de  Contribuintes  que  respaldariam  sua  defesa  e  apresenta  seu  entendimento de que, embora não conste do presente lançamento, sobre o valor da multa não  poderiam incidir juros de mora.  Encerrou requerendo diligências para provar o alegado e o arquivamento do  processo.  Intimada  do  acórdão  supra  em  19/10/2010,  inconformada  a  Recorrente  interpôs recurso voluntário em 16/11/2010.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator  O  presente  recurso  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade,  por  isso  dele  conheço.  Preliminarmente  ­  Da  transferência  de  insumos  do  estabelecimento  matriz  com destaque do IPI  De  início  cumpre  esclarecer,  conforme  exposto  pelo  Recorrente,  que  no  presente caso estamos discutindo o aproveitamento de créditos decorrente da transferência de  insumos de matriz para filial de produtos tributados nas respectivas saídas, com o destaque no  imposto na operação anterior.  Tais créditos decorreram, em verdade, da glosa de créditos escriturados pela  recorrente  em  decorrência  das  transferências  tributadas  de  insumos  do  seu  estabelecimento  matriz,  em  Itupeva,  outro  CNPJ,  e  dos  créditos  acumulados  pelo  próprio  estabelecimento  matriz, recebidos em transferência.  Veja  que,  o  crédito  escriturado  nos  períodos  de  apuração  é  relativo  a  operações  tributadas  de  produtos  que  deram  entrada  em  seu  estabelecimento.  Nesse  caso,  recorrente  recebeu  esses  produtos  da  sua  matriz  em  transferências  com  destaque  do  IPI.  A  isenção, no caso, ocorreu na saída da ZFM para o seu estabelecimento matriz, logo, se houve  creditamento inadequado em relação a produtos isentos, lá na matriz deveriam ser glosados, e  Fl. 327DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13839.002836/2005­51  Acórdão n.º 3302­002.037  S3­C3T2  Fl. 325          4 não  nesse  estabelecimento,  inclusive  em  respeito  ao  princípio  da  autonomia  dos  estabelecimentos.   Tendo  sido  tais  produtos  tributados,  com  destaque  de  IPI  em  suas  notas  fiscais,  conforme  exposto  pelo  contribuinte,  não  restam  dúvidas  quanto  ao  direito  do  Recorrente  ao  creditamento  do  referido  imposto  em  face  da  não­cumulatividade  do  IPI,  estatuído no artigo 153 da Constituição Federal.  Nos mesmos termos o artigo 49 do CTN prescreve:  Art. 49. O imposto é não­cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante  devido  resulte  da  diferença  a maior,  em  determinado  período,  entre  o  imposto  referente  aos  produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados.  A  lógica  da  não­cumulatividade  do  1PI,  prevista  no  art.  49  do  CTN,  e  reproduzida  no  art.  81  do  RIPI/82,  posteriormente  no  art.  146  do Decreto  n°  2.637/1998,  é  compensar,  do  imposto  a  ser  pago  na  operação  de  saída  do  produto  tributado  do  estabelecimento  industrial  ou  equiparado, o valor do 1PI que  fora cobrado  relativamente  aos  produtos nele entrados (na operação anterior).  Assim,  havendo  destaque  do  IPI  nas  NF,  nas  transferências  dos  referidos  insumos da matriz para a filial, resta evidente a necessidade da filial beneficiar­se dos créditos  do imposto relativamente à aquisição ou a transferência de tais produtos.  Do crédito de IPI decorrentes de aquisições isentas  Se,  no  entanto,  o  Colegiado  entender  que  seria  possível  a  glosa  de  tais  créditos no estabelecimento autuado, então devemos analisar a procedência desse crédito sobre  a  aquisição  de  insumos  isentos,  adquiridos  sujeitos  à  alíquota  zero  ou  não  tributados  e  utilizados na fabricação de produtos tributados. O Superior Tribunal de Justiça se pronunciou  sobre o tema, no regime do artigo 543­C do CPC, declarando não haver violação ao princípio  da não­cumulatividade, in verbis:  “PROCESSO  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IPI.  DIREITO  AO  CREDITAMENTO  DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE.  INSUMOS  OU MATÉRIAS­PRIMAS  SUJEITOS  À  ALÍQUOTA  ZERO  OU  NÃO  TRIBUTADOS.  IMPOSSIBILIDADE.  JURISPRUDÊNCIA  FIRMADA  PELO  SUPREMO  TRIBUNAL  FEDERAL.  1. A aquisição de matéria­prima e/ou insumo não tributados ou  sujeitos  à  alíquota  zero,  utilizados  na  industrialização  de  produto  tributado  pelo  IPI,  não enseja direito ao  creditamento  do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese  que  se  coaduna  com  o  princípio  constitucional  da  não­ cumulatividade  (Precedentes  oriundos  do  Pleno  do  Supremo  Tribunal  Federal:  (RE  370.682,  Rel.  Ministro  Ilmar  Galvão,  julgado  em  25.06.2007,  DJe165 DIVULG  18.12.2007  PUBLIC  19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco  Aurélio,  julgado  em  25.06.2007,  DJe041  DIVULG  06.03.2008  PUBLIC 07.03.2008).  Fl. 328DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13839.002836/2005­51  Acórdão n.º 3302­002.037  S3­C3T2  Fl. 326          5 2.  É  que  a  compensação,  à  luz  do  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º,  inciso II, da  Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar­ se­á somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo  que  nada  há  a  compensar  se  nada  foi  cobrado  na  operação  anterior.  3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela­ se  insindicável ao Superior Tribunal de Justiça,  tendo em vista  sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso  II,  da  Constituição  (princípio  da  não­cumulatividade),  matéria  de  índole  eminentemente  constitucional,  cuja  apreciação  incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal.  4. Entrementes,  no que concerne às operações de aquisição de  matéria­prima  ou  insumo  não  tributado  ou  sujeito  à  alíquota  zero,  é mister  a  submissão  do  STJ  à  exegese  consolidada pela  Excelsa Corte,  como  técnica  de  uniformização  jurisprudencial,  instrumento  oriundo  do  Sistema  da  Common  Law  e  que  tem  como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal.  5.  Outrossim,  o  artigo  481,  do  Codex  Processual,  no  seu  parágrafo  único,  por  influxo  do  princípio  da  economia  processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais  não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a arguição de  inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes  ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão".  6.  Ao  revés,  não  se  revela  cognoscível  a  insurgência  especial  atinente às operações de aquisição de matéria­prima ou insumo  isento,  uma  vez  pendente,  no  Supremo  Tribunal  Federal,  a  discussão  acerca  da  aplicabilidade,  à  espécie,  da  orientação  firmada  nos  Recursos  Extraordinários  353.657  e  370.682  (que  versaram  sobre  operações  não  tributadas  e/ou  sujeitas  à  alíquota  zero)  ou  da  manutenção  da  tese  firmada  no  Recurso  Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998,  DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada  quando  do  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  590.809,  submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral).  7. In casu, o acórdão regional consignou que:   "Autoriza­se a apropriação dos créditos decorrentes de insumos,  matéria­prima e material de embalagem adquiridos sob o regime  de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de  Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a  hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a  incidência  à  alíquota  zero,  na  medida  em  que  a  providência  substancia,  em verdade, agravo ao quanto  estabelecido no art.  153,  §  3°,  inciso  II  da  Lei  Fundamental,  já  que  havida  opção  pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual  não  se  compadece  com  tais  creditamentos  inerentes  que  são  à  variável base  sobre base,  que não  foi o prestigiado pelo nosso  ordenamento constitucional."  Fl. 329DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13839.002836/2005­51  Acórdão n.º 3302­002.037  S3­C3T2  Fl. 327          6 8.  Recurso  especial  parcialmente  conhecido  e,  nesta  parte,  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543C,  do  CPC,  e  da  Resolução STJ 08/2008.  RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.903 SP (2009/00675369).  RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX.”  No mesmo sentido, o E. Supremo Tribunal Federal já se pronunciou através  do RE nº 566.819:  “Ementa  IPI. CRÉDITO. A regra  constitucional  direciona ao crédito do  valor cobrado na operação anterior.  IPI. CRÉDITO.  INSUMO  ISENTO. Em decorrência do  sistema  tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si  só, direito a crédito.  IPI. CRÉDITO. DIFERENÇA.  INSUMO ALÍQUOTA. A prática  da  alíquota menor  para  alguns,  passível  de  ser  rotulada  como  isenção  parcial,  não  gera  o  direito  a  diferença  de  crédito,  considerada a do produto final.”  Nos termos do disposto no art. 62­A, do Anexo II, do Regimento Interno do  CARF, as decisões preferidas pelo STJ na forma do art. 543­C, do CPC (recursos repetitivos),  são de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado.  Assim, se houver no presente caso, quaisquer valores referentes a créditos de  IPI provenientes de insumos  isentos, sendo entendido por esse Colegiado ser possível a glosa  nesse  estabelecimento,  entendo  que  seria  procedente  a  retromencionada  glosa,  aplicando­se  integralmente as citadas decisões do STJ e do STF.  Transferência créditos entre estabelecimentos da mesma empresa  Por  fim,  no  que  tange  à  transferência  de  créditos  entre  a matriz  e  filial  da  recorrente, entendo ser perfeitamente possível.   Veja  que  não  há  no  ordenamento  jurídico  nenhum  óbice  para  essa  transferência  de  créditos  entre  empresas  do  mesmo  grupo.  Nenhum  regulamento  do  IPI,  afirmou  expressamente  que  a  transferência  era  proibida.  Essa  regra  advinha  da  interpretação  restritiva  que  se  dava  ao  princípio  da  autonomia  dos  estabelecimentos  previsto  em  toda  legislação do IPI, bem como pelo CTN. Todos os regulamentos restringiam o aproveitamento  dos créditos ao abatimento do IPI devido nas saídas dos produtos  industrializados no próprio  estabelecimento, sendo que, caso houvesse mais créditos que débitos, àqueles eram transferidos  para o período seguinte.  Todavia,  esse  entendimento  restritivo  não  deve  prosperar,  pois  conforme  exposto,  não  há  na  legislação  em  vigor  nenhuma  proibição  expressa  quanto  a  essa  transferência.  Fl. 330DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13839.002836/2005­51  Acórdão n.º 3302­002.037  S3­C3T2  Fl. 328          7 Conforme  bem  exposto  pelo  i.  Conselheiro  Júlio  César  Alves  Ramos,  no  acórdão nº 204­03.200:  “Tudo o que ali  se diz é que cada estabelecimento constitui­se  contribuinte autônomo, devendo confrontar, separadamente dos  demais,  seus  créditos  e  débitos,  Ou  seja,  o  que  está  expressamente  proibida  é  a  concentração  da  apuração  do  imposto.  Note­se  que  tal  proibição  sequer  alcança  o  recolhimento,  pois  no  caso  dos  fabricantes  de  cigarros  o  recolhimento é centralizado.”  Assim,  tendo a empresa apurado de  forma separada seus créditos e débitos,  em  cada  um  dos  estabelecimentos,  nada mais  justo  que  ela  possa  transferir  créditos  para  os  estabelecimentos  cujos  débitos  forem maiores,  compensando­se  assim,  o  imposto  devido  em  cada um destes estabelecimentos.  À  época,  inexistia  previsão  legal  à  transferência  de  créditos,  sendo  essa  possibilidade  uma  construção  jurisprudencial  e  doutrinária  a  partir  do  princípio  da  não­ cumulatividade constitucional e açambarcado pelo CTN.  Atualmente, entretanto, o RIPI já prevê essa possibilidade, a exemplo do art.  226, verbis:   “Art.226.Os  estabelecimentos  industriais  e  os  que  lhes  são  equiparados poderão creditar­se (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25):  (...)  X­do imposto destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou  transferências  simbólicas  do  produto,  permitidas  neste  Regulamento.”  Que se reflete na possibilidade de emissão de Nota Fiscal nesse  sentido:   “Art.407. A nota fiscal, modelos 1 ou 1­A, será emitida:  (...)  XIV­nas transferências de crédito do imposto, se admitidas;”  Por todo exposto, conheço do presente recurso, e dou­lhe provimento.    (Assinado digitalmente)  GILENO GURJÃO BARRETO  Voto Vencedor  Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Redator Designado  Fl. 331DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13839.002836/2005­51  Acórdão n.º 3302­002.037  S3­C3T2  Fl. 329          8 Segundo  o  que  consta  dos  autos,  a  Interessada  apresentou  mandado  de  segurança com o fim de afastar o impedimento de se creditar do IPI na aquisição de insumos  isentos advindos da Zona Franca de Manaus.  No tocante a essa matéria específica (direito de crédito de insumos isentos),  incide  a  renúncia  às  instâncias  administrativas,  conforme Súmula Carf n.  1  (Portaria Carf n.  106, de 21 de dezembro de 2009):  Súmula CARF no 1   Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.  Não  há  concomitância  em  relação  às  alegações  de  que  caberia  a  glosa  no  estabelecimento que efetuou a transferência (conforme entendimento do Relator) e em relação  à possibilidade, ou não, da transferência de créditos.  Conforme esclarecido, não se pode adentrar, no presente caso, ao mérito do  direito de crédito de insumos isentos. Aplica­se, ao caso, o Ato Declaratório Executivo Cosit n.  3, de 1996, que tem o seguinte teor:  a)  a  propositura  pelo  contribuinte,  contra  a  Fazenda,  de  ação  judicial­  por  qualquer  modalidade  processual­,  antes  ou  posteriormente  á  autuação,  com  o  mesmo  objeto,  importa  a  renúncia  às  instâncias  administrativas,  ou  desistência  de  eventual recurso interposto ;  b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo  judicial e do processo administrativo, este  terá prosseguimento  normal  no  que  se  relaciona  à  matéria  diferenciada  (p.ex.,  aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.);  c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se  encontra  o  processo  não  conhecerá  de  eventual  petição  do  contribuinte,  proferindo  decisão  formal,  declaratória  da  definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida,se  for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito,  ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. l49 do CTN;  d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva  ali contida, proceder­se­á a inscrição em dívida ativa, deixando­ se de fazê­lo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente  quando  demonstrada  a  ocorrência  do  disposto  nos  incisos  II  (depósito  do montante  integral  do  débito) ou  IV  (concessão de  medida liminar em mandado de segurança),do art.l5l, do CNT;  e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no  Judiciário, sem julgamento do mérito (art.267 do CPC).  Assim,  a  impugnação  de  lançamento,  manifestação  de  inconformidade  ou  recurso deve seguir apenas em relação à matéria diferenciada.  Fl. 332DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13839.002836/2005­51  Acórdão n.º 3302­002.037  S3­C3T2  Fl. 330          9 Nesse contexto, há que se considerar que o produto isento por ser produzido  na  Zona Franca  de Manaus  ­  ZFM não  perde  essa  condição  nas  sucessivas  saídas  que  sofre  após a desinternação, a não ser que seja submetido a novo processo de industrialização, quando  deixará de existir.  Portanto,  a  saída de um dos estabelecimentos da  Interessada para outro não  difere da  saída do produto da Zona Franca (e entrada no primeiro estabelecimento), uma vez  que, em ambas as saídas, trata­se igualmente de produto isento fabricado na ZFM.  Assim,  o  mesmo  motivo  que  impede  que  o  primeiro  estabelecimento  se  credite  também  impede  o  crédito  para  os  demais  estabelecimentos  que  venham a  receber  os  insumos.  O  auto  de  infração  contém  dois  itens:  1)  creditamento  indevido  na  transferência de insumos isentos e 2) transferência de créditos indevidos.  Em relação ao primeiro item, incide a renúncia às instâncias administrativas  anteriormente mencionada, à vista do que foi esclarecido. Nesse caso, somente se a Interessada  obtiver  sucesso  na  ação  judicial  é  que  a  autuação  será  improcedente  por  esse  motivo  (e  somente em relação ao primeiro item).  Restam a analisar as duas questões não abrangidas pela renúncia.  Ainda  em  relação ao primeiro  item,  trata­se de  saber  se a glosa deveria  ser  efetuada no estabelecimento que transferiu os insumos.  Entretanto,  como  já  esclarecido, o  insumo  isento por  ser  fabricado na ZFM  não perde essa condição por ser transferido posteriormente.  Consequentemente, o argumento de que a glosa deveria ter sido efetuada no  estabelecimento que adquiriu os produtos da ZFM é improcedente.  Ademais,  cabe  razão  à Primeira  Instância  ao  considerar  que,  tratando­se de  contribuintes  distintos  (cada  estabelecimento  é  um  sujeito  passivo  independente  do  outro  –  princípio  da  autonomia  dos  estabelecimentos),  as  condições  para  o  creditamento  devem  ser  verificadas em cada caso.  Por  fim,  a  glosa  do  crédito  no  primeiro  estabelecimento  não  teria  efeito  algum  ,  uma  vez  que  se  supõe,  devido  à  transferência  dos  insumos,  ter  o  estabelecimento  lançado o mesmo valor do crédito a débito no Livro de Apuração do IPI – LRAIPI, anulando­ se os efeitos do creditamento indevido.  De toda forma, decorreria da glosa do crédito (por ser indevido) no primeiro  estabelecimento  a  necessidade  de  glosa  do  crédito  na  saída,  pois,  como  já  esclarecido,  o  produto era o mesmo que entrou e, portanto, isento.  Em  relação  à  segunda  matéria,  que  diz  respeito  ao  item  2  da  autuação,  conforme  já  afirmado,  cada  estabelecimento  é  um  contribuinte  distinto  do  IPI,  não  havendo  previsão legal ou regulamentar para a transferência de créditos entre os estabelecimentos.  Fl. 333DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13839.002836/2005­51  Acórdão n.º 3302­002.037  S3­C3T2  Fl. 331          10 Os  casos  de  transferência  de  créditos  presumidos  de  IPI  entre  estabelecimentos  filiais e a matriz, para efeito de ressarcimento, são exceções e  têm previsão  expressa na legislação, mas não se confundem com o caso dos autos.  Ainda que não houvesse tal  impedimento (de transferência de créditos entre  estabelecimentos),  tratando­se de créditos  indevidos, caberia evidentemente a glosa,  fato que,  por si só, justificaria a autuação.  Não  se  aplica  o  afastamento  da multa  “em  relação  aos  períodos  em  que  o  direito  ao  crédito  estava  assegurado  por  decisão  judicial”,  nos  termos  alegados  pela  Interessada.  É  que  a  perda  da  eficácia  da  decisão  judicial  (liminar,  segurança,  efeito  suspensivo etc.) implica a imediata exigibilidade do crédito tributário, o que obrigado o sujeito  passivo a adimpli­lo no prazo de trinta dias, conforme previsto no art. 63, § 2º, da Lei n. 9.430,  de 1996.  No caso dos autos, entretanto, não se verifica a situação prevista no § 1º para  que não seja aplicada a multa, uma vez que a suspensão da exigibilidade do débito não ocorreu  “antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo”.   Ademais,  tais  alegações  foram  alcançadas pela preclusão, uma vez que não  foram alegadas na impugnação, conforme previsto no art. 17 do Decreto n. 70.235, de 1972.  À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso.    (Assinado digitalmente)  JOSÉ ANTONIO FRANCISCO  HOUVE  OMISSÃO  NO  ACÓRDÃO  EM  RELAÇÃO  À  MULTA  (POR  DECISÃO DEFINITIVA DA CSRF) E AOS JUROS SOBRE A MULTA.                  Fl. 334DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO

score : 1.0
5760073 #
Numero do processo: 10880.720176/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201410

camara_s : Terceira Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10880.720176/2007-51

anomes_publicacao_s : 201412

conteudo_id_s : 5407033

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1301-000.236

nome_arquivo_s : Decisao_10880720176200751.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES

nome_arquivo_pdf_s : 10880720176200751_5407033.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.

dt_sessao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014

id : 5760073

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:45 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047476900986880

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1370; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 2.056          1 2.055  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.720176/2007­51  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1301­000.236  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  22 de outubro de 2014  Assunto  CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA  Recorrente  RHODIA BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.   “documento assinado digitalmente”  Valmar Fonseca de Menezes   Presidente.   “documento assinado digitalmente”   Wilson Fernandes Guimarães   Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Valmar  Fonseca  de  Menezes, Paulo  Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal  Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 20 17 6/ 20 07 -5 1 Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/2007­51  Resolução nº  1301­000.236  S1­C3T1  Fl. 2.057          2   Relatório  Trata o presente processo de Declarações de Compensação, por meio das quais a  contribuinte pretende extinguir débitos de sua titularidade com crédito relativo a saldo negativo  de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do ano calendário de 2001.  Sirvo­me do  relatório contido na decisão de primeira  instância para  retratar os  fatos  apurados  e  as  razões  de  defesa  trazidas  pela  contribuinte  em  sede  Manifestação  de  Inconformidade.  Trata­se a presente de manifestação de  inconformidade apresentada em face do  despacho  decisório  (fls.  167/178)  exarado  pela  DERAT/DIORT/EQPIR/SPO,  que  reconheceu  parcialmente  o  crédito  de  Saldo  Negativo  de  IR  relativo  ao  ano  calendário  de  2001  no  valor  de  R$  4.059.111,34,  tendo  a  interessada  pleiteado  e  apurado na DIPJ 2002 saldo negativo de IR no montante de R$ 13.303.158,37.  Depreende­se  do  despacho  decisório  que  o  deferimento  parcial  do  crédito  resultou das constatações abaixo sintetizadas:  Quanto ao saldo credor do exercício de 2001, ano calendário 2000:  A autoridade fiscal, ao analisar as deduções (IRF e estimativas) computadas na  apuração  do  saldo  credor  do  exercício  de  2001,  ano  calendário  2000,  o  qual  foi  utilizado para quitar estimativas de 2001 mediante compensação, foram confirmadas as  seguintes deduções:  IRF de R$ 456.003,79   Conforme quadro elaborado a fl. 169, em que são confrontados os rendimentos e  retenções informados na Ficha 43 e os valores confirmados pelo SIEF/DIRF, verifica­se  que não foi confirmada parte dos rendimentos de cod. 3426 (campos 3, 24 e 25 da ficha  43) e os rendimentos sob código 5706.  Embora tenham sido confirmados em DIRF rendimentos de swap (código 5273)  de R$ 7.501.951,07 com IRF de 1.268.898,92, a contribuinte não ofereceu à tributação  os  referidos  rendimentos  na  linha  21  da  Ficha  06  A,  conforme  instruções  de  preenchimento  da  DIPJ  2001,  aprovadas  pela  IN  SRF  n°  22,  de  22  de  Fevereiro  de  2001,  devendo  o  IRF  ser  desconsiderado  para  fins  de  compensação,  nos  termos  do  artigo 837 do RIR/99.  Foi verificado o oferecimento à tributação de receitas confirmadas em DIRF que  suportaram  o  IRRF  para  os  códigos  1708  (receitas  de  R$  24.531.178,87  e  IRF  de  367.896,52) e 3426 (rendimentos de R$ 440.536,42 e IRF de 88.107,27), devendo ser  admitido no cômputo do IR a pagar a dedução de IRF no valor de R$ 456.003,79.  Estimativas pagas de R$ 4.213.404,77   Quanto  as  estimativas  de  2000,  verificou­se  que  todas  as  estimativas  foram  compensadas  com  saldo  negativo  de  IR  do  exercício  2000,  ano  calendário  de  1999,  crédito analisado no processo administrativo n° 13811.000728/00­01.  Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/2007­51  Resolução nº  1301­000.236  S1­C3T1  Fl. 2.058          3 Das  compensações  de  estimativas  efetuadas  que  totalizaram  R$  5.983.503,21,  foram confirmadas R$ 4.213.404,77.  Em  decorrência  da  confirmação  parcial  do  IRF  e  das  estimativas  computadas,  pode­se reconhecer o saldo credor de IR do ano­calendário de 2000 como abaixo:  IMPOSTO DEVIDO  2.017.621,93  (­) IRRF   456.003,79  (­) ESTIMATIVAS MENSAIS  4.213.404,77  IMPOSTO DE RENDA A PAGAR  ­2.651.786.63  Quanto ao saldo credor do exercício de 2002, ano calendário 2001:  O saldo negativo do ano­calendário 2001, exercício 2002, deve ser reconhecido  no  valor de R$ 4.059.111,34,  face  à  confirmação  das  seguintes  deduções  do  imposto  devido:  IRF de R$ 995.698,32 (R$ 3.589.388,52 informados na DIPJ 2002):  Das retenções informadas na Ficha 43 da DIPJ 2002 (fls. 109/117), que somaram  R$ 3.589.388,52, a autoridade fiscal confirmou no SIEF/DIRF apenas R$ 3.211.738,69.  Não foram confirmadas a retenção sob código 5706 (campo 19) e parte da retenção sob  código 1708 (demais campos).  Consolidando  os  rendimentos  e  IRRF's  confirmados  pelas  DIRF's  para  os  respectivos códigos, tem­se como resultado a tabela a seguir exposta:  CÓDIGO  RENDIMENTO (R$)  IRRF (R$)  1708  24.254.064,76  363.199,71  3426  3.153.134,18  632.498,61  5273  11.080.201,94  2.216.040,37  5706  0,00  0,00  TOTAL  38.487.400,88  3.211.738,69  Embora tenham sido confirmados em DIRF rendimentos de swap (código 5273)  de R$ 11.080.201,94 com IRF de 1.268.898,92, a contribuinte não ofereceu à tributação  os  referidos  rendimentos  na  linha  21  da  Ficha  06  A,  conforme  instruções  de  preenchimento  da  DIPJ  2001,  aprovadas  pela  IN  SRF  n°  22,  de  22  de  Fevereiro  de  2001,  devendo  o  IRF  de  R$  11.080.201,94  ser  desconsiderado  para  fins  de  compensação, nos termos do artigo 837 do RIR/99.  Foi verificado o oferecimento à tributação de receitas que suportam os IRRF para  os  códigos  1708  (receitas  de  R$  24.254.064,76  e  IRF  de  363.199,71)  e  3426  (rendimentos de R$ 3.153.134,18 e  IRF de R$ 632.498,61), devendo ser admitido no  cômputo do IR a pagar a dedução de IRF no valor de R$ 995.698,32.  Estimativas  pagas  de  R$  4.686.597,57  A  interessada  informou  em  DCTF  os  créditos  compensados  com  as  estimativas,  conforme  tabela  de  fl.  175  abaixo  reproduzida:    Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/2007­51  Resolução nº  1301­000.236  S1­C3T1  Fl. 2.059          4 CRÉDITOS VINCULADOS PERÍODO  DE  APURAÇÃO  DÉBITOS  APURADOS  VALORES (R$)    FL.  CRÉDITOS  CONFIRMADOS  FL.  ABR/01  1.001.505,08  1.001.505,08  COMPENSAÇÃO  SEM  PROCESSO  (*)  138  1.001.505,08  147  MAI/01  1.575.104,59  1.575.104,59  COMPENSAÇÃO  SEM  PROCESSO  (*)  139  1.575.104,59  147  JUL/01  1.353.040,13  1.353.040,13  COMPENSAÇÃO  SEM  PROCESSO  (*)  140   256.704,91  147  AGO/01  1.791.988,69  1.791.988,69  COMPENSAÇÃO  SEM  PROCESSO  (*)  141  0    SET/01  1.826.024,32  1.826.024,32  COMPENSAÇÃO  SEM  PROCESSO  (*)    142  0    OUT/01 (*1)  2.869.691,35  1.853.282,99  1.016.408,30  PAGAMENTO  COM  DARF  COMPENSAÇÃO  SEM  PROCESSO  (*)  143      OUT/01 (*2)  2.869.691,35  1.853.282,99  1.016.408,30  PAGAMENTO  COM  DARF   23236.48502  231104.1.3.04­8888   157   0  1.853.282,99  0        NOV/01   919.600,24  919.600,24  13804.004040/2001­ 14  144  0    TOTAL  11.336.954,40        4.686.597,57    (*) COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO COM SALDO NEGATIVO APURADO EM 31/12/2000 OUT/01 (*1)  DCTF Nº 0000.100.2008.12396009 (DATA DE RECEPÇÃO 10/04/2008)  OUT/01 (*2) DCTF Nº 0000.100.2006.22171038 (DATA DE RECEPÇÃO 25/04/2006)  Utilizando o programa NEO SAPO para simular as referidas compensações sem  processo realizadas pelo contribuinte com o acima calculado saldo credor de  IRPJ do  exercício  2001  (R$  2.651.786,63),  verificou­se  a  existência  de  crédito  para  a  compensação  das  estimativas  de  Abr/01  e  Mai/01  e  parte  da  estimativa  de  Jul/01  (256.704,91), não restando crédito para a compensação da outra parte da estimativa de  Jul/01 (1.096.335,22) e das estimativas de Ago/01 e Set/01 (extratos de fls. 145 a 147).  Em  relação  à  estimativa  de  Out/01  foi  verificado  que  as  informações  mais  recentes são referentes à DCTF 0000.100.2008.12396009 (recepção 10/04/2008 fl. 159;  DCTF  fl.  143).  Porém,  em  consulta  ao  SIEF/Fisc.Eletr./AnalisarValores/DébitosApurados  foi  verificado  que  as  informações  declaradas  na  citada  DCTF  não  foram  admitidas  pois  tentavam  alterar  informações  relativas  a  crédito  vinculado  da  DCOMP  23236.48502.231104.1.3.048888  para  compensação sem processo com saldo negativo de IRPJ do exercício 2001 após decisão  Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/2007­51  Resolução nº  1301­000.236  S1­C3T1  Fl. 2.060          5 administrativa  de  não  homologação  da  referida  DCOMP  (21/02/2008  fl.  162)  e,  portanto,  as  informações  referentes  à  DCTF  0000.100.2006.22171038  (recepção  25/04/2006  fl.  159; DCTF  fl.  157)  foram mantidas  como  as  ativas  conforme  tela  do  SIEF à fl. 158;  Portanto,  como  já  comentado,  tendo  em  vista  a  não  homologação  da DCOMP  23236.48502.231104.1.3.048888 (fl. 162), não há de considerar a parcela da estimativa  de Out/01 a ela referente (R$ 1.016.408,36 fl. 157). Adicionalmente, foi verificado que  o débito referente à citada DCOMP foi  incluído no sistema PROFISC no processo n°  16306.000013/200840.  Em  consulta  ao  sistema  PROFISC  ao  referido  processo  foi  verificado que o citado débito não se encontra extinto (fl. 163).  Foi  verificada  através  do SINAL08  a  consistência  do  pagamento  declarado  (fl.  148) para os códigos 1708 e 3426.  O  interessado  declarou  que  a  estimativa  de Nov/01  foi  compensada  através  do  processo  administrativo  n°  13804.004040/2001­14  (fl.  144).  Em  pesquisa  ao  sistema  Decisões­W foi verificado, na decisão proferida pela 3a Turma da DRJ/SPOI nos autos  do  referido processo através do Acórdão n° 6969, de 27 de Abril de 2005  (fls. 149 a  156),  que  o  pedido  de  restituição  constante  do  referido  processo  foi  indeferido  pela  DIORT  e  que  a  solicitação  da  manifestante  foi  indeferida  pela  DRJ.  Em  resumo,  o  indeferimento do pedido de restituição foi mantido pela DRJ e, portanto, verifica­se a  inexistência de crédito para compensar com a estimativa de Nov/01.  Portanto, para fins de apuração do saldo credor de IRPJ do exercício 2002 serão  consideradas as parcelas das estimativas confirmadas conforme a retro exposta tabela,  totalizando o montante de R$ 4.686.597,57 (quatro milhões, seiscentos e oitenta e seis  mil, quinhentos e noventa e sete reais e cinqüenta e sete centavos).  Em  decorrência  da  confirmação  parcial  do  IRF  e  das  estimativas  computadas,  conclui­se no reconhecimento do saldo credor de IR do ano­calendário de 2001 como  abaixo:  IMPOSTO DEVIDO  1.623.184,55  (­) IRRF   995.698,32  (­) ESTIMATIVAS MENSAIS  4.686.597,57  IMPOSTO DE RENDA A PAGAR  ­4.059.111,34  Cientificada da decisão em 22/12/2008 (AR a fl. 180), a contribuinte apresentou  manifestação  de  inconformidade  a  fls.  260/285  em  21/01/2009,  na  qual  postula  pela  reforma do despacho recorrido, com base nas alegações abaixo sintetizadas:  O saldo negativo do ano­calendário 2000, exercício 2001, deve ser reconhecido  no  valor de R$ 7.309.788,07,  face  à  confirmação  das  seguintes  deduções  do  imposto  devido:  IRF de 3.343.906,79:  •  Apresenta  informes  de  rendimentos  dos  Bancos  BNP  Paribas,  Sudameris  e  Europeu (docs 09 a 11),  cópias de DCTF e darfs da Ródia Acetow (doc 12) e darf e  documentos contábeis da Rhodia Acetow (docs 13 e 14) referentes ao IRRF que não foi  reconhecido pela autoridade fiscal no cômputo do saldo negativo de IRPJ do exercício  de  2001,  o  qual  foi  utilização  em  compensações  com  as  estimativas  do  exercício  de  2002;   Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/2007­51  Resolução nº  1301­000.236  S1­C3T1  Fl. 2.061          6 •  Afirma  que  os  rendimentos  financeiros  correspondentes  ao  IRF  do  ano­ calendário 2000 foram oferecidos à tributação na ficha 06 A – linha 24, Outras Receitas  Financeiras,  e  a  receita  de prestação  de  serviços,  código  1708,  de R$ 24.531.178,87,  sobre o qual foi retido IRF de R$ 367.896,62, foi oferecida na Ficha 06 A – linha 08,  Receita de Prestação de Serviços;   •  quanto  aos  rendimentos do Código 5273, no valor de 7.501.951,07  relativo  à  swap, o fato de a ora Manifestante, ter indicado equivocadamente, na linha 24 Outras  Receitas  Financeiras,  dentro  do  valor  de  55.848.948,49  e  não  na  linha  21  Ganhos  Auferidos  no  Mercado  de  Renda  Variável,  não  pode  ser  considerada,  em  hipótese  alguma,  como  não  oferecida  à  tributação,  eis  que,  no  Direito  Tributário,  sempre  e  sempre  deve  prevalecer  o  Princípio  da  Verdade  Material.  Aliás  o  próprio  Fisco  reconhece  às  fls.  167,  o  rendimento  do  Código  5273,  no  valor  de  7.501.951,07  e  o  correspondente IRRF de 1.268.898,92 e confirmado pelo DIRF.  IR pago por estimativas de 5.983.503,21:  • com relação às estimativas de março, agosto (parcial) e novembro de 2000, as  quais constam em DCTF (fls. 96 e 98) como compensadas com saldo negativo de 1999,  deve­se  entender  que  as mesmas  foram pagas,  porque  tais compensações  diminuíram  contabilmente o valor do saldo negativo de IRPJ de 1999 que foi objeto de pedido de  restituição no valor de R$ 21.631.940,05 mediante PA 13811.000728/0001;   O saldo negativo do ano­calendário 2001, exercício 2002, deve ser reconhecido  no valor de R$ 13.303.158,37, face à confirmação das seguintes deduções do imposto  devido:  IRF de 3.589.388,52 (confirmado no despacho 3.211.738,69):  • a autoridade fiscal não confirmou a retenção sob código 5706 o rendimento de  2.506.205,19  e  o  IRRF  de  375.930,78,  que  tem  respaldo  na  DCTF,  em  anexo,  apresentada  pela  Rhodia  Acetow  Brasil  Ltda.,  onde  acusa  a  retenção  do  IRF  de  375.930.78 e o seu recolhimento mediante DARF, em anexo, de 375.930,78 (doc. 18) e,  que o correspondente rendimento de 2.506.205,19  foi oferecido à tributação, pela ora  Manifestante, na Ficha 06A, Linha 23, de fls. 106, da DIPJ 2002;   • quanto ao rendimento do Código 5273, o próprio Fisco, reconhece às fls. 171, o  rendimento do Código 5273, no valor de R$ 11.080.201,94 e o correspondente IRRF de  R$ 2.216040,37 e ainda confirmado pela DIRF e que no ponto, o fato de a Manifestante  ter indicado esse valor na DIPJ 2002 fls. 106, na Linha 24 Outras Receitas Financeiras  dentro do valor total de R$ 39.872.539,14, e não na Linha 21, da FICHA 06A, não pode  invalidar  essa  receita  oferecida  à  tributação,  eis  que  no  Direito  Tributário,  sempre  e  sempre deve prevalecer o Princípio da Verdade Material.   IR  pago  por  estimativas  de  11.336.954,40  (confirmado  no  despacho  4.686.597,57):  • reconhecido o sd neg ex 2001 em R$ 7.309.788,07, e não de R$ 2.651.786,63,  e,  portanto,  suficiente,  para  compensar  estimativas  de  Abril/01,  Maio/01,  Julho/01,  Agosto/01 e Setembro/01 consoante DCTFs, apresentadas de fls. 101 a 142;   •  quanto à  estimativa de outubro/01, no valor de R$ 2.869.691,35, esclareça­se  que,  parte  do  valor  de R$  1.853.282,99,  foi,  paga mediante DARF  (fls.  148)  e  outra  parte no valor de R$ 1.016.408,36 foi paga mediante compensação com a utilização do  Saldo Negativo IRPJ do AC 2000 (exercício?), consoante atesta DCTF de fls. 157 e que  está sendo objeto de PA 16306.000013/2008­40, cujo Despacho Decisório foi objeto de  Fl. 2061DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/2007­51  Resolução nº  1301­000.236  S1­C3T1  Fl. 2.062          7 Manifestação  de  Inconformidade  em  anexo  (docs.  19/21)  e  portanto,  está  suspensa  a  exigibilidade  da  estimativa  de  1.016.408,36,  na  forma  do  artigo  74,  §  11,  da  Lei  9.430/96,  e  portanto,  esse débito  deve  ser  tido  como PAGO,  até  a  decisão  final  pelo  Conselho de Contribuintes;   • Quanto à estimativa de Nov/01, no valor de 919.600,24, também, deve ser tida  como  PAGA,  eis  que,  foi  compensada  no  bojo  do  PA  n°  13804.004040/200114,  em  que, o Despacho Decisório indeferiu a compensação pleiteada, contra esse Despacho foi  interposta a Manifestação de Inconformidade, que, não, foi acolhida mediante Acórdão  n°  6969/05  e  contra  esse  Acórdão  foi  interposto  competente  Recurso  Voluntário  ao  Conselho  de  Contribuintes,  ora,  onde  se  encontra  para  julgamento,  tudo  consoante  atestam  os  documentos  em  anexo  (doc  22/26),  e  portanto,  da mesmo  forma,  dito  no  parágrafo anterior, parte final, está suspensa a exigibilidade da estimativa de Nov/01, de  R$ 919.600,24, e portanto, frise­se, deve ser tida como PAGA.  A  instauração  do  processo  de  representação  nº  10880.722260/200891  é  descabida,  sendo  equivocada  a  conclusão  de  que  o  total  dos  débitos  oferecidos  à  compensação  pela  Manifestante  excede  o  valor  do  crédito  informado  (R$  13.303.158,37), em face da qual cabem os seguintes argumentos:  • Inicialmente não se observou a ordem de compensação determinada no art. 163,  III, CTN1, pois deveria ter considerado a ordem crescente dos prazos de prescrição, o  que é determinado pela data de transmissão das PER/DCOMPs, conforme disposto no  art. 74, § 5o, da Lei n° 9.430/962;   •  Além  disso,  no  momento  da  compensação  dos  débitos  contidos  na  PER/DCOMP 08875.79794.180604.1.3.026721, acrescentou indevidamente a multa de  mora  de  20%,  apesar  da  transmissão  da  referida  PER/DCOMP  (18/06/2004)  ter  ocorrido dentro do prazo de 30 dias, a contar da data da publicação da decisão judicial  que considerou devidos os débitos (19/05/2004), conforme disposto no art. 63, § 2o, da  Lei n° 9.430/96;   •  Protesta  pela  juntada  dos  documentos  anexos  e  de  outros  que  se  fizerem  necessários.   Em vista de  todo o  exposto,  requer a procedência da presente Manifestação de  Inconformidade para:  a) imediata suspensão da exigibilidade dos processos n° 10880.720176/2007­51 e  10880.722260/2008­91 e débitos contidos nas Cartas de Cobrança n°s 7051 e 7022;  b)  reconhecimento  da  integralidade  do  Saldo  Negativo  do  IRPJ2002,  no  montante de R$ 13.303.158,37;   c)  Homologação,  conseqüentemente,  de  todas  as  compensações  de  débitos  tributários efetuadas pela ora Manifestante, no bojo,das DCOMPs, de início elencadas;  e   d) Recálculo das compensações, de acordo com os critérios indicados no item 22,  reabrindo­se prazo para eventual manifestação de inconformidade ou pagamento, tendo  em  vista  a  nulidade  dos  parâmetros  utilizados  pela  Receita  Federal  na  emissão  das  Cartas Cobranças n°s 7051 e 7022.  A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São  Paulo,  apreciando  as  razões  trazidas  pela  contribuinte,  decidiu,  por meio  do  acórdão  nº  16­ Fl. 2062DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/2007­51  Resolução nº  1301­000.236  S1­C3T1  Fl. 2.063          8 52.174,  de  29  de  outubro  de  2013,  pela  procedência  parcial  da  Manifestação  de  Inconformidade.  O referido julgado restou assim ementado:  DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. PROVA DO CRÉDITO.  Além da comprovação do Imposto de Retido na Fonte mediante a apresentação  dos  comprovantes/informes  de  rendimentos  ou  extratos  emitidos  pelas  instituições  financeiras,  deve  ser  comprovado  o  oferecimento  à  tributação  dos  rendimentos  correspondentes.  ESTIMATIVAS COM COMPENSAÇÃO PENDENTE.  A  estimativa  mensal  cuja  compensação  esteja  pendente  de  solução  na  esfera  administrativa não se reveste do atributo de liquidez e, conseqüentemente, não pode ser  computada na apuração do tributo a pagar apurado no encerramento do período.  ORDEM DE COMPENSAÇÃO.  As  compensações  efetuadas  com  o  mesmo  crédito  devem  observar  a  ordem  determinada pelas datas de transmissão dos PER/DCOMP correspondentes.  MULTA DE MORA.  Os  acréscimos  moratórios  juros  e  multa  de  mora  incidem  sobre  os  débitos  compensados  até  a  data  da  compensação,  recaindo  sobre  a  interessada  o  ônus  de  comprovar eventual hipótese de afastamento da multa.  DÉBITO EXCEDENTE AO CRÉDITO INFORMADO.  A manifestação de  inconformidade não  suspende a  exigibilidade do débito que  exceder  ao  total  do  crédito  informado  pelo  sujeito  passivo  em  sua  Declaração  de  Compensação.  Diante  do  acolhimento  parcial  da  pretensão  deduzida  na  Manifestação  de  Inconformidade,  a  contribuinte  interpôs  o  recurso  voluntário  de  fls.  1.711/1.743,  em  que,  esclarecendo  que  em  razão  da  legislação  vigente  à  época  em  que  os  pedidos  foram  formalizados o presente processo alcança dois saldos negativos (2000 e 2001), sustenta que o  acórdão recorrido não observou as conclusões trazidas pela diligência anteriormente realizada.  Adiante,  renova  argumentos  no  sentido  de  comprovar  a  procedência  dos  créditos  indicados  para fins de compensação tributária.  É o Relatório.  Fl. 2063DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/2007­51  Resolução nº  1301­000.236  S1­C3T1  Fl. 2.064          9 Voto  Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães   Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo.  Cuida o presente processo de Declarações de Compensação, por meio das quais  a  contribuinte  pretende  extinguir  débitos  de  sua  titularidade  com  crédito  relativo  a  saldo  negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do ano calendário de 2001.  Nos  termos  da  FICHA  12  A  da  DIPJ/2002  (CÁLCULO  DO  IR  SOBRE  O  LUCRO REAL), fls. 108, o saldo negativo de IRPJ indicado para compensação, no montante  de R$ 13.303.158,37, decorreu da seguinte apuração:   IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL    R$ 1.623.184,55   IMPOSTO RETIDO NA FONTE      R$   629.167,69   ESTIMATIVA          R$ 14.297.175,23   IMPOSTO DE RENDA A PAGAR      (R$ 13.303.158,37)   A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Administração  Tributária  em  São  Paulo  (Derat/SPO), unidade administrativa que primeiro analisou o pedido da contribuinte, emitiu o  Despacho Decisório  de  fls.  164/175  reconhecendo parcialmente o  direito  creditório  indicado  para compensação.  Tomando  por  base  o  decidido  por  meio  do  Despacho  Decisório  acima  mencionado, extraio as seguintes informações:  Relativamente ao ANO CALENDÁRIO DE 2001   i) na DIPJ/2002, a contribuinte informou um total de imposto de renda retido na  fonte  de  R$  3.589.388,52,  sendo  confirmados  por  meio  dos  controles  internos  da  Receita  Federal (DIRF) o montante de R$ 3.211.738,69;  ii)  do  total  de  IRRF  confirmado  por  meio  das  DIRFs  apresentadas  (R$  3.211.738,69), foi glosado o valor de R$ 2.216.040,37, correspondente ao imposto incidente na  fonte sobre rendimentos auferidos em operações de SWAP (código 5273), sob alegação de que  referidos rendimentos não foram oferecidos à tributação;  iii) diante da glosa acima referenciada, o imposto de retido na fonte considerado  confirmado passou a ser de R$ 995.698,32 (R$ 3.211.738,69 ­ R$ 2.216.040,37);  iv) de acordo com os controles relacionados à DCTF da Receita Federal (DCTF  GER  4.8),  os  valores  declarados  a  título  de  estimativa  alcançaram  o  montante  de  R$  11.336.954,40;  v)  a  extinção  das  estimativas  referenciadas  no  item  precedente  foi  promovida  por meio  de COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO  (saldo  negativo  apurado  em  31/12/2000),  pagamento, PER/DCOMP (23236.48502.231104.1.3.04­8888) e pelo processo administrativo  nº 13804.004040/2001­14;  Fl. 2064DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/2007­51  Resolução nº  1301­000.236  S1­C3T1  Fl. 2.065          10 Relativamente ao ANO CALENDÁRIO DE 2000   i)  o  saldo  negativo  do  ano  calendário  de  2000  (R$  7.638.399,46),  em  conformidade com a declaração retificadora de fls. 68, decorreu da seguinte apuração:   IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL    R$ 2.017.621,93   IMPOSTO RETIDO NA FONTE      R$   52.252,74   ESTIMATIVA          R$ 9.603.768,75   IMPOSTO DE RENDA A PAGAR      (R$ 7.638.399,46)  ii) na DIPJ/2001, a contribuinte informou um total de imposto de renda retido na  fonte  de  R$  3.343.906,79,  sendo  confirmados  por  meio  dos  controles  internos  da  Receita  Federal (DIRF) o montante de R$ 1.724.902,71;  iii)  do  total  de  IRRF  confirmado  por  meio  das  DIRFs  apresentadas  (R$  1.724.902,71), foi glosado o valor de R$ 1.268.898,92, correspondente ao imposto incidente na  fonte sobre rendimentos auferidos em operações de SWAP (código 5273), sob alegação de que  referidos rendimentos não foram oferecidos à tributação;  iv) diante da glosa acima referenciada, o imposto de retido na fonte considerado  confirmado passou a ser de R$ 456.003,79 (R$ 1.724.902,71 ­ R$ 1.268.898,92);  v) de acordo com os controles relacionados à DCTF da Receita Federal (DCTF  GER  4.8),  os  valores  declarados  a  título  de  estimativa,  relativamente  ao  ano  de  2000,  alcançaram o montante de R$ 5.983.503,21;  vi)  foi  verificado  que  todas  as  compensações  efetuadas  para  extinguir  as  estimativas referenciadas no item precedente foram realizadas com saldo negativo de IRPJ do  ano calendário de 1999, que  foi  analisado no processo administrativo nº 13811.000728/00­ 01,  sendo  que  do  total  declarado  de  R$  5.983.503,21  foi  confirmado  o  valor  de  R$  4.213.404,77;  vii) o saldo negativo do ano calendário de 2000, a partir das verificações a ele  relacionadas, passou a ter a seguinte composição:  IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL    R$ 2.017.621,93   IMPOSTO RETIDO NA FONTE      R$  456.003,79   ESTIMATIVA          R$ 4.213.404,77   IMPOSTO DE RENDA A PAGAR      (R$ 2.651.786,63)  CONCLUSÕES   i) utilizando­se de programa da Receita Federal (NEO SAPO), constatou­se que  o saldo negativo de 2000 (R$ 2.651.786,63) viabilizou a compensação integral das estimativas  de abril (R$ 1.001.505,08) e maio de 2001 (R$ 1.575.104,59), e parte da referente a julho do  mesmo  ano  (R$  256.704,91  de  R$  1.353.040,13),  restando  não  compensadas  parte  da  Fl. 2065DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/2007­51  Resolução nº  1301­000.236  S1­C3T1  Fl. 2.066          11 estimativa  de  julho  (R$  1.096.335,22),  e  integralmente  as  de  agosto  (R$  1.791.988,69)  e  setembro de 2001 (R$ 1.826.024,32);  ii)  parcela  da  estimativa  de  outubro  de  2001  (R$  1.016.408,36)  não  foi  considerada, haja vista a não homologação da DCOMP 23236.48502.231104.1.3.04­8888;  iii) o débito  relativo a parte da estimativa de outubro de 2001, no valor de R$  1.016.408,36,  não  foi  extinto  e  encontra­se  sendo  discutido  no  processo  administrativo  nº  16306.000013/2008­40;  iv) diante das verificações empreendidas, o saldo negativo do ano calendário de  2001 passou a ter a seguinte composição:  IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL    R$ 1.623.184,55   IMPOSTO RETIDO NA FONTE      R$  995.698,32   ESTIMATIVA          R$ 4.686.597,57 (*)  IMPOSTO DE RENDA A PAGAR      (R$ 4.059.111.34)  (*) conforme quadro de fls. 172, in fine.  A autoridade julgadora de primeira instância, apreciando os argumentos trazidos  por  meio  de  Manifestação  de  Inconformidade,  pronunciou­se,  relativamente  aos  valores  glosados do SALDO NEGATIVO DO ANO CALENDÁRIO DE 2000, no sentido de acolher  os seguintes montantes:  ­  R$  263.351,80,  relativo  ao  imposto  de  renda  retido  na  fonte  por  RHODIA  ACETOW;  ­ R$  1.193.086,47  relativo  ao  imposto  de  renda  retido  na  fonte  por RHODIA  POLIAMIDA.  Diante de tal acolhimento, o saldo negativo do ano calendário de 2000 passou a  ser o seguinte:  IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL    R$ 2.017.621,93   IMPOSTO RETIDO NA FONTE      R$ 1.912.442,06   ESTIMATIVA          R$ 4.213.404,77   IMPOSTO DE RENDA A PAGAR      (R$ 4.108.224,90)  Relativamente  ao  ANO  CALENDÁRIO  de  2001,  a  autoridade  julgadora  de  primeira instância acolheu os seguintes valores:  ­  R$  375.930,78,  relativo  ao  imposto  de  renda  retido  na  fonte  por  RHODIA  ACETOW;  ­ R$ 1.093.335,22 relativo à parcela restante da estimativa de julho de 2001, em  decorrência do reconhecimento adicional do saldo negativo do ano calendário de 2000;  Fl. 2066DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/2007­51  Resolução nº  1301­000.236  S1­C3T1  Fl. 2.067          12 ­  R$  452.511,37  correspondente  à  parte  da  estimativa  de  agosto  de  2001,  em  decorrência do reconhecimento adicional do saldo negativo do ano calendário de 2000.  Diante de tal acolhimento, o saldo negativo do ano calendário de 2001 passou a  ser o seguinte:  IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL    R$ 1.623.184,55   IMPOSTO RETIDO NA FONTE      R$ 1.371.629,10   ESTIMATIVA          R$ 6.235.444,16   IMPOSTO DE RENDA A PAGAR     (R$ 5.983.888,71)  Considerado  tudo  que  do  processo  consta,  conduzo  meu  voto  no  sentido  de  CONVERTER O  JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA  para  que  sejam  adotadas  as  seguintes  providências:  1. seja distribuído para a minha relatoria o processo nº 16306.000013/2008­40;  2.  seja  o  presente  processo  encaminhado  à  unidade  administrativa  de  origem,  que, por meio de relatório fundamentado, deverá prestar as seguintes informações:  a)  tomando  por  base  as  informações  constantes  do  processo  administrativo  nº  13811.000728/00­01  e  o  Relatório  de  Diligência  Fiscal  de  fls.  1.567/1.574,  informe,  objetivamente,  quais  e  em  que  montantes  devem  ser  consideradas  extintas  as  antecipações  obrigatórias (estimativas) do ano calendário de 2000;  b)  a  partir  da  decisão  administrativa  irreformável  exarada  no  processo  administrativo  nº  13804.004040/2001­14,  informe  qual  e  em  que  montante  pode  ser  considerada extinta antecipação obrigatória (estimativa) do ano calendário de 2001.   Relativamente ao item “ii” acima, solicita­se que a contribuinte seja cientificada  das correspondentes informações para, se quiser, aditar razões.    “documento assinado digitalmente”   Wilson Fernandes Guimarães ­ Relator    Fl. 2067DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES

score : 1.0
5746030 #
Numero do processo: 16306.000036/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1201-000.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. RELATÓRIO
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201408

camara_s : Segunda Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 16306.000036/2009-35

anomes_publicacao_s : 201412

conteudo_id_s : 5403814

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1201-000.146

nome_arquivo_s : Decisao_16306000036200935.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR

nome_arquivo_pdf_s : 16306000036200935_5403814.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. RELATÓRIO

dt_sessao_tdt : Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014

id : 5746030

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:13 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047476906229760

conteudo_txt : Metadados => date: 2014-11-27T21:32:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-11-27T21:32:56Z; Last-Modified: 2014-11-27T21:32:56Z; dcterms:modified: 2014-11-27T21:32:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:98ac5c6f-8ba4-40b2-8dcb-3664ca0bbe4e; Last-Save-Date: 2014-11-27T21:32:56Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-11-27T21:32:56Z; meta:save-date: 2014-11-27T21:32:56Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-11-27T21:32:56Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-11-27T21:32:56Z; created: 2014-11-27T21:32:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2014-11-27T21:32:56Z; pdf:charsPerPage: 1620; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-11-27T21:32:56Z | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 408          1 407  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16306.000036/2009­35  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1201­000.146  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  27 de agosto de 2014  Assunto  Diligência  Recorrente  COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMERICAS­ AMBEV  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  CONVERTER o julgamento em diligência.   (assinado digitalmente)  RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO – Presidente.   (assinado digitalmente)  JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR ­ Relator.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo  (Presidente), Marcelo Cuba Neto,  Rafael  Correia  Fuso,  Roberto Caparroz  de Almeida,  João  Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.    RELATÓRIO Trata  o  presente  processo  de  Pedidos  de  restituição  e  Declarações  de  compensação, as quais não foram homologadas integralmente.  Em 06/04/2004 foi transmitida PER/DCOMP 16764.59351.060404.1.3.06­3126,  para compensação de crédito de IRRF JSCP com débitos do mesmo tributo e também do ano  de 2004, no valor de R$ 2.637.737,27.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .0 00 03 6/ 20 09 -3 5 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/1 1/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 16306.000036/2009­35  Resolução nº  1201­000.146  S1­C2T1  Fl. 409          2 Em  29/10/2004  foi  transmitida  a  PER/DCOMP  29944.68610.291004.1.3.06­ 4313, para compensação de débitos com créditos decorrentes de IRRF JSCP, relativos ao ano  calendário de 2004, no montante de R$ 4.167.483,71.  Em  17/02/2009,  a  DERAT/SPO/SP  exarou  DESPACHO  DECISÓRIO  (fls.  20/25) e,  em 29/09/2009, Despacho Complementar de  fls.60/61, em razão da  transmissão de  PER/DCOMP  00032.90945.170409.1.7.06­1677  (retificadora  da  PER/DCOMP  16764.59351.060404.1.3.06­3126,  alterando o  valor  do  débito  inicial  a  ser  compensado para  R$ 879.245,77), nos quais houve deferimento em parte do pedido da interessada no montante  de R$ 4.958.523,25 (fl.24), sob o argumento de que a receita oferecida à tributação foi de R$  33.056.821,64 (fl.13), o que lhe daria direito ao crédito de R$ 4.958.523,25, suficiente para a  extinção do débito apenas da DCOMP n° 29944.68610.291004.1.3.06­4313.  Portanto,  a  lide  resume­se  ao  montante  remanescente  de  R$  879.245,77  referente  ao  débito  da  DCOMP  de  n°  00032.90945.170409.1.7.06­1677,  retificadora  da  DCOMP n° 16764.59351.060404.1.3.06.3126 (fl.60).  O contribuinte  apresentou manifestação de  inconformidade  e argumentou que:  (i)  a  receita  remanescente,  correspondente  ao  IRRF  que  gerou  o  crédito  pretendido,  foi  informado na linha 23 da Ficha 9 A e totalizou R$17.584.915,11 (DIPJ/2004, AC.2003); (ii) a  autoridade  fiscal  deve  buscar  a  verdade  material  (arts.142  e  149  do  CTN);  (iii)  a  decisão  impugnada é nula por falta de motivação legal e não valoração das provas apresentadas e, por  fim,  (iv)  pugnou  pelo  deferimento  de  seu  pleito  com  a  homologação  integral  das  compensações.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento em São Paulo,  julgou  improcedente  a manifestação  do  contribuinte,  sob  o  fundamento  de que  o  imposto  retido  na  fonte  sobre  JSCP  pode  ser  considerado  (i)  antecipação  do  valor  devido  na  declaração  de  rendimentos,  facultado a sua dedução para compor o saldo negativo, ou (ii) poderá ainda ser  compensado  com  o  retido  por  ocasião  do  pagamento  ou  crédito  de  juros,  a  título  de  remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas.  No  entanto,  observou  que  para  ambas  as  hipóteses,  é  imprescindível  o  oferecimento  à  tributação  na  declaração  de  rendimentos  das  receitas  vinculadas  às  correspondentes  retenções,  sem  as  quais  não  podem  ser  utilizadas  para  qualquer  espécie  de  dedução ou compensação. O  reconhecimento do  crédito depende da  efetiva comprovação do  alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido.  O contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual sustentou que a  autoridade  administrativa  "a  quo"  fundamentou  sua  decisão  em  fato  consubstanciado  numa  DIPJ  retificada,  já  que  a  DIPJ  Retificadora,  transmitida  em  16/11/2009  (recibo  nº  06.86.13.84.63­53),  demonstrou  que  a  receita  de  Juros  Sobre  Capital  Próprio  levada  à  tributação foi de R$ 246.154.644,30, ou seja, muito superior ao necessário para liquidação dos  débitos. Por fim, pugnou pela homologação integral das compensações pretendidas.  É o relatório.    VOTO                           Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator.  Fl. 409DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/1 1/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 16306.000036/2009­35  Resolução nº  1201­000.146  S1­C2T1  Fl. 410          3 O recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento.  Cuida  o  presente  processo  de  dois  Pedidos  de  Restituição  e  Compensação  de  créditos de IRRF JSCP com débitos da mesma natureza, relativos ao ano calendário de 2004,  sendo  que:  (i)  o  PERD/COMP  nº  29944.68610.291004.1.3.06­4313  (R$  4.167.483,71)  foi  integralmente  homologado  e  (ii)  o  PERD/COMP  nº  00032.90945.170409.1.7.06­1677  (R$  879.245,77) não foi homologado, sob o fundamento de que a receita oferecida à tributação não  gerou crédito suficiente para a homologação da pretendida compensação.  O  contribuinte  argumentou  que  houve  sim  oferecimento  de  receita  suficiente  para gerar o crédito necessário, conforme DIPJ retificadora transmitida em 16/11/2009, na qual  consta  o  valor  de  R$  246.154.644,30,  relativo  à  receita  decorrente  de  juros  sobre  o  capital  próprio.  Da  documentação  acostada  aos  autos  é  possível  verificar  que  de  fato  houve  retificação do valor  relativo à  receita decorrente de juros sobre capital próprio,  isto porque o  valor declarado na DIPJ originária (fl. 13) foi de R$ 33.056.821,64 e o valor declarado na DIPJ  retificadora (fl. 174) foi de R$ 246.154.644,30.  Assim,  diante  dos  indícios  de  que  foram  oferecidas  à  tributação  receitas  suficientes parar gerar o crédito de IRRF JSCP pretendido pelo contribuinte e, tendo em vista  que a retificação da DIPJ se deu após o despacho decisório complementar (29/09/2009), voto  no  sentido  de  converter  o  presente  julgamento  em  diligência,  para  que  diante  dos  novos  elementos  apresentados,  seja  verificado  se  o  IRRF  que  compõe  o  crédito  pleiteado  no  PERD/COMP  nº  00032.90945.170409.1.7.06­1677,  teve  sua  respectiva  receita  oferecida  à  tributação.   (documento assinado digitalmente)  JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR ­ Relator    Fl. 410DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/1 1/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O

score : 1.0
5803191 #
Numero do processo: 35950.000190/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATOR EDITADO EM: 06/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201402

camara_s : Terceira Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 35950.000190/2007-95

anomes_publicacao_s : 201502

conteudo_id_s : 5423958

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 2301-000.429

nome_arquivo_s : Decisao_35950000190200795.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR

nome_arquivo_pdf_s : 35950000190200795_5423958.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATOR EDITADO EM: 06/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO

dt_sessao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014

id : 5803191

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:37 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047476917764096

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1711; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 497          1 496  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  35950.000190/2007­95  Recurso nº  99.999Embargos  Resolução nº  2301­000.429  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  20 de fevereiro de 2014  Assunto  Decadência  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  DELARA BRASIL LTDA    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  I)  Por  unanimidade  de  votos:  a)  em  converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).    MARCELO OLIVEIRA ­ Presidente.   MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR ­ RELATOR   EDITADO EM: 06/12/2014  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA  (Presidente),  WILSON  ANTONIO  DE  SOUZA  CORREA,  LUCIANA  DE  SOUZA  ESPINDOLA  REIS,  BERNADETE  DE  OLIVEIRA  BARROS,  MANOEL  COELHO  ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO      Tratam­se  de  Embargos  de  Declaração  [fls.441  –  443]  interposto  pela  Procuradoria da Fazenda Nacional em face do acórdão nº 2301­00.367 [ fls. 407 – 420] com  fulcro no art. 65 do Regimento Interno à época:  [Acórdão  nº  2301­00.367]  Assunto:  Contribuição  Sociais  Previdenciárias  Período  de  apuração:  01/01/1998  a  30/06/1998  Ementa:  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  PRAZO  DECADENCIAL.  CINCO  ANOS.  TERMO  A  QUO.  AUSÊNCIA  DE     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 59 50 .0 00 19 0/ 20 07 -9 5 Fl. 510DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35950.000190/2007­95  Resolução nº  2301­000.429  S2­C3T1  Fl. 498          2 RECOLHIMENTO  ANTECIPADO  SOBRE  AS  RUBRICAS  LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.  O  Supremo  Tribunal  Federal,  conforme  entendimento  sumulado,  Súmula Vinculante de nº8, no julgamento do art. 45 da Lei nº 8.212/91.  Uma  vez  não  sendo  mais  possível  a  aplicação  do  art.45  da  Lei  8.212/91, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Nesse  sentido  deve  ser  seguida  a  interpretação  adotada  pelo  STJ  no  julgamento proferido pela 1ª Seção no Recurso Especial de nº 766.050,  suja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de  2008.  Não  tendo  havido  pagamento  antecipado  sobre  as  rubricas  lançadas  pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do  CTN.  Encontram­se  atingidos  pela  fluência  do  prazo  decadencial  toso  os  fatos geradores apurados pela fiscalização.  Recurso  Voluntário  Provido  Segundo  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional, há omissão na fundamentação do acórdão embargado, uma  vez que não julgou ou citou Embargos anteriormente opostos.  A  i.  PGFN  ressalta  a  razão  da  insurgência,  e  demonstra  que  nos  termos  do  Relatório Fiscal de fls. 27/32 e de informações colacionadas pela própria Contribuinte em sua  impugnação, o objeto da presente NFLD, foi lavrada em decorrência da declaração de nulidade  de lançamento anteriormente formulado.   Sendo assim, continua a embargante, se entender o colegiado pela declaração de  nulidade  por  vício  formal  da NFLD  anterior,  a  contagem  do  prazo  decadencial  desloca­se  e  passa a ser regido não pelo inciso I, do art. 173, do CTN, conforme consignado no acórdão ora  embargado, mas sim pelo inciso II, do art.173, do mesmo dispositivo legal.  Apresenta  também  a  Procuradoria  acórdãos  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  que  consolidou  o  entendimento  de  que  a  regra  de  contagem  de  prazo  decadencial desloca­se para o art. 173,  II, do CTN, como na hipótese de que se observa nos  autos. Entre eles está o Acórdão nº 108­08.652 cuja ementa transcrevo.  [Acórdão  nº108­08.652]  Ementa  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  –  VÍCIO  FORMAL  –  CARACTERIZAÇÃO  ­  Caracteriza  a  ocorrência  de  vício  formal  a  inobservância  na  notificação  de  lançamento  de  formalidade  essencial  prevista  em  Lei.  NORMAS  GERAIS  ­  PRELIMINAR  DE  DECADÊNCIA  ­  LANÇAMENTO  ANTERIOR ANULADO POR VÍCIO FORMAL ­ Ao  teor do  inciso II,  do  art.  173,  do  CTN,  o  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário,  objeto  de  lançamento  anterior  anulado  por  vício  formal, extingue­se com o decurso do prazo de cinco anos contados da  data em que se tornar definitiva a decisão anulatória. Tendo a ciência  da  decisão,  que  anulou  por  vício  formal  o  lançamento  anterior,  ocorrido  em  prazo  inferior  a  cinco  anos,  é  incabível  a  preliminar  suscitada.  IRPJ  –  COMPENSAÇÃO  DE  PREJUÍZO  FISCAL  ACUMULADO  –  RESTABELECIMENTO  DO  DIREITO  POR  ACÓRDÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA – O decido no julgamento de  segunda  instância  pelo  Acórdão  nº  108­07.978,  da  sessão  de  Fl. 511DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35950.000190/2007­95  Resolução nº  2301­000.429  S2­C3T1  Fl. 499          3 17/09/2004,  processo  nº  10768.006243/93­14,  quanto  ao  restabelecimento de prejuízo fiscal no montante de Cr$ 77.182.490,56,  para  o  período­base  de  1990,  tem  reflexo  na  tributação  por  compensação  indevida  de  prejuízos  fiscais  no mês  de  abril  de  1992,  cujo  montante  tributário  deve  ser  reduzido  pelo  direito  readquirido.  Recurso provido.  Por  tudo  exposto,  requer  a  Recorrente  que  sejam  recebidos  e  acolhidos  os  presentes  embargos,  para  que  a  Turma  exare  um  novo  pronunciamento  sobre  a  omissão  apontada, ou seja, a respeito da aplicabilidade do inciso II, do art. 173, do CTN, uma vez que  houve declaração de nulidade por vício formal de lançamento anterior.  Por meio do Despacho n. 441 [fl. 444], o então Presidente desta Câmara acolheu  os embargos opostos e determinou o envio dos autos para o Relator original.  É o relatório.    Conselheiro  MANOEL  COELHO  ARRUDA  JÚNIOR  ­  Relator  De  pronto,  resolvo ACOLHER os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, haja vista que  não constou do decisum recorrido que o lançamento julgado se referia a substitutivo.  Nesse sentido, rescindo o acórdão anteriormente prolatado Por meio do Acórdão  n.  2301­00.367,  esta  Turma  da  3ª  Câmara  da  Segunda  Seção  entendeu  prover  o  recurso  voluntário interposto, haja vista que o crédito foi atingido pela decadência:  Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração:  01/01/1998  a  30/06/1998  Ementa:CONTRIBUIÇOES  PREVIDENCIARIAS.  PRAZO  DECADENCIAL.  CINCO  ANOS.  TERMO  A  QUO.  AUSÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  ANTECIPADO  SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS.  ART. 173, INCISO I, DO CTN.  0  Supremo  Tribunal  Federal,  conforme  entendimento  sumulado,  Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de  2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 0 8.212  de 1991.  Uma  vez  não  sendo mais  possível  a  aplicação  do  art.  45  da  Lei  n  "  8.212,  há  que  serem  observadas  as  regras  previstas  no  CTN.  Nesse  sentido  deve  ser  seguida  a  interpretação  adotada  pelo  STJ  no  julgamento proferido pela Ia Seção no Recurso Especial de n 766.050,  cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de  2008.  Não  tendo  havido  pagamento  antecipado  sobre  as  rubricas  lançadas  pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do  CTN.  Encontram­se  atingidos  pela  fluência  do  prazo  decadencial  todos  os  fatos geradores apurados pela fiscalização.  Fl. 512DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35950.000190/2007­95  Resolução nº  2301­000.429  S2­C3T1  Fl. 500          4 Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes  autos.  Em face do referido acórdão a r. PGFN opôs embargos de declaração demonstra  haja vista a omissão quanto à aplicabilidade do  inciso  II, do art. 173, do CTN, uma vez que  houve declaração de nulidade por vício formal de lançamento anterior.   Consultando a folha 23, a Fiscalização informa que:  Trata­se  de  crédito  previdenciário  constituído  em  decorrência  de  nulidade de lançamento por vicio formal  lançado anteriormente pela  Auditoria Fiscal da Previdência Social na NFLD 35.682.924­3, datada  de  12/05/2005.  Os  créditos  previdenciários  constituídos  nesta  notificação  fiscal,  se  destinam  à  Previdência  Social  e  se  referem  às  contribuições devidas pela  empresa,  incidente  sobre o  valor bruto da  nota fiscal ou fatura de prestação de serviços tomados mediante cessão  de mão de obra ou empreitada.  2.  Este  crédito  previdenciário  foi  apurado  por  responsabilidade  solidária,  decorrente  da  contratação  de  prestação  de  serviços  de  transporte de cargas e/ou passageiros (fretes), mediante cessão de mão  de  obra,  pela  empresa  TRANSPORTES  EMECE  LIDA,  no  período  citado acima.  3.  O  lançamento  fiscal  constitui­se  dos  levantamentos  denominados  "S33 — TRANSPORTES EMECE LTDA", e as contribuições exigíveis  incidem  sobre  a  remuneração  de  segurados  empregados  cedidos,  incluidas  em  Notas  Fiscais  ou  Faturas  correspondentes  a  serviços  executados por cessão de mão de obra.  [Grifou­se] Apesar do registro que o lançamento anterior fora anulado  por  vício  formal,  a  fiscalização não  fez  constar  as  razões  e  cópia do  referido decisum.  Essa  referência, ou melhor,  informação apenas  se verifica na  impugnação  [fls.  58/59]:  10  Examinando  os  autos  verifica­se  que  a  Fiscalização  não  está  tratando com isonomia o devedor solidário em relação ao contribuinte  vez que, conforme consta dos autos, o Relatório Fiscal apresentado ao  contribuinte é diferente do que foi remetido ao devedor solidário!  11 Ora, se o lançamento é único, então o Relatório Fiscal também deve  ser  único  e  se  teor  deve  ser  idêntico  tanto  para  o  devedor  solidário  quanto para o contribuinte sob pena de, por violação de isonomia do  tratamento das partes, viciar todo o procedimento com a nulidade.  12  Desta  forma,  constatada  a  inequívoca  violação  do  Principio  da  Isonomia no presente caso, deve o lançamento ser declarado nulo para  que outro seja executado na boa e devida forma.  13  Não  bastasse  esse  motivo  determinante  para  a  declaração  de  nulidade  do  lançamento,  verifica­se  também  que  o  Relatório  Fiscal  entregue  ao  contribuinte  contém  informações  relativas  a  outros  lançamentos  efetuados  pela mesma  fiscalização  contra  a  contribuinte  mas que não têm relação alguma com o devedor solidário desses autos.  Fl. 513DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35950.000190/2007­95  Resolução nº  2301­000.429  S2­C3T1  Fl. 501          5 14 Considerando que o devedor solidário tem igual direito a impugnar  o  lançamento. vez que o crédito pode lhe ser exigido  integralmente, e  que para isso  tem direito a  integral acesso aos autos para, se quiser,  extrair  cópias  a  Lim  de  subsidiar  sua  defesa,  vê­se  que  o  relatório  fiscal  apresentado  ao  contribuinte,  com  as  informações  que  contém,  pode significar violação do artigo 198 do CTN, o que também é motivo  bastante para a anulação do presente feito.  15 Por fim, verifica­se também que o lançamento não traz no relatório  de fundamentos legais do débito a indicação do artigo 33, § 3º da Lei  8.212/91,  o  qual  fundamenta  a  apuração  das  contribuições  previdenciárias  por  aferição  indireta,  apesar  da  fundamentação  contida  no  Relatório  Fiscal.  Esse  fato,  apesar  de  não  ensejar  a  nulidade  do  lançamento,  determina  a  emissão  de  Relatório  Fiscal  Complementar  a  fim  de  indicar  corretamente  essa  fundamentação  legal.  Conforme  se verifica  acima, o  lançamento  foi  anulado, pois  “conforme consta  dos  autos,  o Relatório Fiscal  apresentado  ao  contribuinte  é  diferente  do  que  foi  remetido  ao  devedor solidário!”.  Diante da divergência existente, CONVERTO o julgamento em DILIGÊNCIA,  para que a SRFB faça juntar ao presente processo administrativo cópia das principais peças e  decisões constantes da NFLD 35.682.924­3, datada de 12/05/2005. Após, seja o sujeito passivo  intimado para se manifestar o prazo de 30 [trinta] dias.  DISPOSITIVO Diante do exposto, voto no sentido de ACOLHER os Embargos  Declaratórios opostos, para rescindir o Acórdão nº 2301­00.367 [ fls. 407 – 420].  Ato  contínuo,  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  interposto,  para  CONVERTER O  JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA,  conforme  fundamentos  constantes  do  voto.  É como voto.  MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR ­ Relator     Fl. 514DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA

score : 1.0
5760040 #
Numero do processo: 17698.000299/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Nos termos do art. 56 do RIR, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1998, art. 12). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais” (Súmula nº 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes). IRPF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE. Os honorários advocatícios são dedutíveis da base de cálculo do imposto desde que comprovados. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n.º 2 do CARF). Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201412

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Nos termos do art. 56 do RIR, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1998, art. 12). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais” (Súmula nº 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes). IRPF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE. Os honorários advocatícios são dedutíveis da base de cálculo do imposto desde que comprovados. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n.º 2 do CARF). Recurso negado.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 17698.000299/2008-60

anomes_publicacao_s : 201412

conteudo_id_s : 5407000

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 2101-002.659

nome_arquivo_s : Decisao_17698000299200860.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA

nome_arquivo_pdf_s : 17698000299200860_5407000.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.

dt_sessao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014

id : 5760040

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:44 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047476926152704

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1930; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T1  Fl. 169          1 168  S2­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  17698.000299/2008­60  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2101­002.659  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  03 de dezembro de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  JOÃO COZZA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2007  IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.  Nos  termos  do  art.  56  do  RIR,  no  caso  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos  rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1998,  art. 12).  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para  títulos  federais”  (Súmula  nº  4  do  Primeiro Conselho de Contribuintes).  IRPF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE.  Os  honorários  advocatícios  são  dedutíveis  da  base  de  cálculo  do  imposto  desde que comprovados.  MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA.  “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária” (Súmula CARF n.º 2 do CARF).  Recurso negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento ao recurso.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 69 8. 00 02 99 /2 00 8- 60 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17698.000299/2008­60  Acórdão n.º 2101­002.659  S2­C1T1  Fl. 170          2   (assinado digitalmente)  LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS  Presidente    (assinado digitalmente)  ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA  Relator    Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos  (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza  Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário (e­fls. 102/128) interposto em 28 de setembro  de 2011 contra o acórdão de e­fls. 94/98, do qual o Recorrente teve ciência em 08 de setembro  de 2011 (e­fl. 101), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em  Porto Alegre (RS), que, por maioria de votos,  julgou procedente a notificação de lançamento  de  e­fls.  33/37,  lavrada  em  06  de  fevereiro  de  2008,  em  virtude  de  dedução  indevida  de  incentivo  e  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoas  jurídicas,  verificados  no  ano­ calendário de 2006.  O acórdão teve a seguinte ementa:  “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Exercício: 2007  OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.  Estando demonstrada a omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual,  devidamente  confirmada  através  de  informação  prestada  em  DIRF  pela  fonte  pagadora, deve ser mantido o lançamento.  DEDUÇÃO INDEVIDA DE INCENTIVO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  Considerar­se­á não  impugnada a matéria que não  tenha sido expressamente  contestada pelo impugnante.  MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.  São exigíveis a multa de ofício e os juros de mora sobre o imposto de renda  suplementar na forma definida pela legislação tributária.  Fl. 170DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17698.000299/2008­60  Acórdão n.º 2101­002.659  S2­C1T1  Fl. 171          3 Impugnação Improcedente.  Crédito Tributário Mantido” (e­fl. 94).  Não  se  conformando,  o  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário  (e­fls.  102/128), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento.  Remetidos  os  autos  a  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  houve a conversão do julgamento em diligência para que o contribuinte juntasse os seguintes  documentos (e­fls. 131/133):  “1)  planilhas  de  cálculo  de  liquidação  da  sentença  proferida  nos  autos  do  processo  nº  2003.71.51.0002838,  nas  quais  conste  a  discriminação  das  verbas  envolvidas e os montantes correspondentes;  2) Alvarás ou Guias de Retirada dos valores recebidos naquele processo;  3)  íntegra  do  contrato  de  honorários  de  advogado  firmado  com  a  Sra.  Ana  Paula  Medeiros  Valério  Jacobs,  procuração  a  ela  outorgada  para  representar  o  contribuinte  nos  autos  do processo nº  2003.71.51.0002838  e  recibo  do  pagamento  feito em contrapartida da prestação dos serviços contratados.”  Devidamente  intimado  em  04  de  dezembro  de  2013,  o  contribuinte,  em  atenção à diligência, apresentou informações e juntou documentos (e­fls. 146/166).  É o relatório.  Voto             Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator  O  recurso preenche os  requisitos de  admissibilidade, motivo pelo qual dele  conheço.  O  contribuinte  aduz,  no  presente  caso,  (i)  a  ilegalidade  da  cobrança,  por  discordar  da  incidência  do  IR  sobre  verbas  derivadas  de  ação  judicial  em  que  se  buscava  a  aplicação da IRSM – Índice de Reajuste do Salário Mínimo sobre sua aposentadoria, (ii) que  são indevidos os juros moratórios, por tratar­se de verba exclusivamente indenizatória, (iii) que  é indevida a incidência do tributo sobre as verbas pagas a título de honorários advocatícios, (iv)  que a correção monetária não deve ser feita pela SELIC, mas pela UFIR, com juros de 1% ao  mês, não capitalizados, e (v) que a multa aplicada no percentual de 75% não pode ter o intuito  arrecadatório.  Depreende­se dos documentos juntados aos autos que o contribuinte obteve o  direito  ao  recebimento  do  valor  de R$  35.729,19  (principal  de R$  32.051,33  e  juros  de R$  3.677,87)  corrigidos  até  outubro  de  2004,  verbas  estas  derivadas  da  ação  judicial  nº  2003.71.51.000283­8, em que se buscava a aplicação da IRSM sobre sua aposentadoria.  Entretanto,  não  juntou  aos  autos  documentos  que  comprovassem  suas  alegações,  aduzindo  tão  somente  que  o  processo  é  eletrônico, “fato  que  torna  a  juntada  da  totalidade da documentação requerida por este Conselho impossível” (e­fl. 146).  Fl. 171DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17698.000299/2008­60  Acórdão n.º 2101­002.659  S2­C1T1  Fl. 172          4 Ora, os artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72 impõem como ônus da parte  a  alegação  de  toda  matéria  de  defesa  por  ocasião  da  impugnação,  acostando  todos  os  documentos eventualmente pertinentes ao regular deslinde da lide.  No  entanto,  este  CARF  aplicou  o  princípio  da  verdade  material,  corolário  lógico e jurídico do princípio da legalidade, consubstanciado também no caráter vinculado do  lançamento  tributário  (art.  3º  c/c  art.  142  do  CTN),  bem  como  do  próprio  direito  de  propriedade, garantia fundamental do Estado Democrático de Direito.  Justamente  em  virtude  da  aplicação  do  princípio  da  verdade  material  na  esfera administrativa, este CARF determinou a conversão do julgamento do recurso voluntário  em diligência, para que o contribuinte pudesse comprovar suas alegações, por meio da juntada  de novos documentos, o que não foi feito de forma a afastar a exigência tributária.  Quanto à forma utilizada para apuração da base de cálculo do Imposto sobre  a Renda de Pessoa Física, entende o Recorrente que tal deveria ter sido realizada com base nas  tabelas e alíquotas das épocas próprias da percepção dos rendimentos, mês a mês, de acordo  com as  tabelas  relativas  a  cada  ano  de  referência. No  entanto,  o  entendimento  sobre  o  tema  encontra­se balizado pelo art. 56 do Decreto n.º 3.000 (RIR/99), com as alterações promovidas  pela Lei n.º 7.713/1998, conforme se verifica pelo dispositivo colacionado abaixo:  “Rendimentos Recebidos Acumuladamente  Art.  56.  No  caso  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  o  imposto  incidirá  no  mês  do  recebimento,  sobre  o  total  dos  rendimentos,  inclusive  juros  e  atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1998, art. 12).  Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das  despesas  com ação  judicial  necessárias  ao  recebimento  dos  rendimentos,  inclusive  com  advogados,  se  tiverem  sido  pagas  pelo  contribuinte,  sem  indenização  (Lei  nº  7.713, de 1988, art. 12)”  Como  cediço,  não  compete  a  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  a  análise  da  constitucionalidade  das  normas  existentes  no  ordenamento  jurídico  brasileiro, conforme determina a própria Súmula n.º 02 do CARF. Neste  sentido, aplicável o  art. 56 do RIR/99, devendo o Imposto de Renda incidir no mês do recebimento, sobre o total  dos rendimentos recebidos.  Poderia  ainda  ter  feito  prova  do  efetivo  pagamento  do  montante  de  R$  6.330,00 a título de honorários advocatícios por meio de recibo de quitação elaborado por seu  patrono ou por meio de comprovante de depósito/transferência da quantia, o que também não  ocorreu.  Desta  forma, não há como prevalecer  sua  tese,  devendo o  crédito  tributário  ser mantido da forma como lançado.  No  que  tange  à  aplicação  da  taxa  SELIC,  aplicável  ao  presente  caso  a  jurisprudência mansa e pacífica firmada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais,  consubstanciada na Súmula n.º 04:  Súmula  CARF  nº  4:  “A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal  Fl. 172DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17698.000299/2008­60  Acórdão n.º 2101­002.659  S2­C1T1  Fl. 173          5 são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.”  Por  fim,  cumpre  salientar,  que,  com  relação  à  arguição  de  que  a multa  de  ofício não pode ter caráter arrecadatório, ou de que detém caráter confiscatório, tem­se que o  montante  da  multa  no  percentual  de  75%  sobre  o  principal  é  oriundo  de  norma  cogente,  prevista no art. 44 da Lei n.º 9.430/96.  Portanto,  tratando­se  de  dispositivo  legal  vigente,  não  poderia  este  órgão  administrativo  aferir  a  natureza  confiscatória  da  multa  sem,  antes,  pronunciar­se  acerca  da  constitucionalidade da norma, o que é vedado pelo art. 26­A do Decreto n.º 70.235/72 e pela  Súmula CARF n. 2.  Eis  os  motivos  pelos  quais  voto  no  sentido  de  NEGAR  provimento  ao  recurso.    (assinado digitalmente)  ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA  Relator                            Fl. 173DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

score : 1.0
5812867 #
Numero do processo: 13888.905196/2009-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO. Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1802-002.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201502

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO. Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido.

turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 13888.905196/2009-81

anomes_publicacao_s : 201502

conteudo_id_s : 5426620

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 1802-002.480

nome_arquivo_s : Decisao_13888905196200981.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

nome_arquivo_pdf_s : 13888905196200981_5426620.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.

dt_sessao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015

id : 5812867

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:59 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047476943978496

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 306          1 305  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13888.905196/2009­81  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  1802­002.480  –  2ª Turma Especial   Sessão de  05 de fevereiro de 2015  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  C P A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RADIOLÓGICOS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001  SERVIÇOS  DE  RADIOLOGIA.  LUCRO  PRESUMIDO.  COEFICIENTE  DE  8%.  PAGAMENTO  INDEVIDO.  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  COMPROVADO.   Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada  a compensação no limite do crédito reconhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao  recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  José  de  Oliveira  Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo  Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 51 96 /2 00 9- 81 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 307          2   Relatório  Trata­se de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento  em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em  relação  a  declaração  de  compensação  apresentada  pela Contribuinte,  nos mesmos  termos  que  já  havia  decidido anteriormente a Delegacia de origem.  Os  fatos  que  deram  origem  ao  presente  processo  estão  assim  descritos  no  relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 14­30.999, às fls. 70 a 75:   Trata­se de Manifestação de Inconformidade interposta em face  do  Despacho  Decisório  em  que  foi  apreciada  Declaração  de  Compensação  (PER/DCOMP),  por  intermédio  da  qual  a  contribuinte  pretende  compensar  débitos  de  sua  responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido  ou  a  maior  de  tributo  (IRPJ­lucro  presumido,  código  de  arrecadação  2089),  concernente  ao  período  de  apuração  09/2001.  Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a  favor  da  contribuinte  e,  por  conseguinte,  não  homologada  a  compensação declarada no presente processo, ao fundamento de  que  os  pagamentos  informados  foram  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos da  contribuinte, não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  Cientificada,  a  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  alegando,  em  síntese,  que  o  crédito  informado  em  PER/DCOMP  estaria  correto,  todavia  teria  incorrido  em  erro ao não efetuar a retificação das informações prestadas em  DCTF,  considerando  suposta  apuração  incorreta  do  imposto  devido no período de apuração em questão.  Ao  final,  requer  seja  acolhida  a  manifestação  de  inconformidade, declarada a  insubsistência e  improcedência da  decisão recorrida.  Como  mencionado,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões  com a seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2001   DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO.  Pendente,  nos  autos,  a  comprovação  do  crédito  indicado  na  declaração  de  compensação  formalizada,  impõe­se  o  seu  indeferimento.  Fl. 307DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 308          3 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao  sujeito  passivo  a  demonstração,  acompanhada das  provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas  sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.  Apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  são  passíveis  de  compensação  tributária,  conforme  artigo  170  do  Código  Tributário Nacional.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada  com  essa  decisão,  da  qual  tomou  ciência  em  07/01/2011,  a  Contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  em  03/02/2011,  com  os  argumentos  descritos  abaixo:  DOS FATOS  ­  o  crédito  utilizado  na  compensação  é  referente  a  pagamento  indevido/a  maior realizado pela Recorrente por meio de guia DARF, recolhida no código 2089, haja Vista  apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, no percentual de 32%  (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços  hospitalares,  impondo­se a  aplicação do beneficio  fiscal  concedido pela Lei 9.249/95, com a  conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo;  PRELIMINARMENTE  DA  COMPROVAÇÃO  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  DE  RADIOLOGIA PELA RECORRENTE  ­ de início, cumpre expor que a Recorrente é sociedade empresária limitada,  fornada da reunião de profissionais da medicina, todos inscritos no CRM/SP, tendo por objeto  a  “prestação  de  serviços  radiológicos  em  geral”  enquadrados  na  “ATRIBUIÇÃO  4:  PRESTAÇÃO  DE  ATENDIMENTO  DE  APOIO  AO  DIAGNÓSTICO  E  TERAPIA”  da  Resolução  RDC  50/2002  da  ANVISA,  prestação  que  depende  de  qualificação  pessoal  e  maquinário  especializado  e  de  alto  custo  para  seu  desenvolvimento,  envolvendo maquinário  tecnológico e específico para consecução de seu objeto social;  ­  em  síntese,  a  Recorrente  presta  os  seguintes  serviços,  com  discriminação  arrolada nos documentos anexos, extraídos do site da empresa (www.cpa­radiologia.combr):  1) Radiologia Digital;  2) Ultra­Sonografia — 3D;  3) Doppler Color;  4) Mamografia Digital;  5) Densitometria Óssea;   Fl. 308DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 309          4 6) Tomografia Computadorizada Multi Slice.  ­  atualmente,  exerce  as  atividades  em  seus  estabelecimentos  localizados  na  cidade  de  Piracicaba/SP,  sendo  a  matriz  inscrita  no  CNPJ  nº  55.361.117/0001­92,  com  endereço  na  Avenida  Independência,  nº  940,  12°  andar,  e  sua  filial,  inscrita  no  CNPJ  n°  55.361.117/0004­35,  localizada no Hospital — Clínica Amalfi, na Rua Saldanha Marinho, n°  817;  ­  conforme  documentos  anexos,  o  estabelecimento  matriz  possui  inscrição  perante  a  Receita  Federal  do  Brasil  sob  o  CNAE  principal  86.40­2­05  –  “serviços  de  diagnóstico  por  imagem  com  uso  de  radiação  ionizante  ­  exceto  tomografia”  e  CNAE'S  secundários  n°  86.40­2­04  –  “serviços  de  tomografia”  e  n°  86.40­2­11  —  “serviço  de  radioterapia”,  bem  como  licença  de  funcionamento  da  Secretaria  Municipal  de  Saúde  —  Vigilância Sanitária nesta atividade econômica;  ­  no  mesmo  sentido,  sua  filial  encontra­se  devidamente  inscrita  junto  à  Receita Federal sob o CNAE principal n° 86.40­2­05 – “serviços de diagnóstico por imagem  com uso de radiação ionizante — exceto tomografia” e CNAE's secundários n° 86.40­2­04 –  “serviços  de  tomografia”  e  n°  86.40­2­11  —  “serviço  de  radioterapia”,  e  licença  de  funcionamento  da  Secretaria  Municipal  de  Saúde  —  Vigilância  Sanitária,  com  atividade  econômica  —  CNAE  n°  8630­5/02  —  “atividade  médica  ambulatorial  com  recursos  para  realização de exames complementares”;  ­  consoante  anteriormente  explicitado,  o  exercício  do  objeto  social  da  Recorrente  requer  maquinário  de  alto  custo,  tecnologia  e  de  uso  específico  que  deve  ser  renovado e atualizado periodicamente, que fazem parte de seu ativo imobilizado, conforme se  comprova com a relação de bens da empresa, relativa ao patrimônio adquirido no transcorrer  de suas atividades no período de apuração de 01/1999 a 12/2003, que engloba a competência  discutida nos presentes autos;  ­  ainda,  corroborando  tal  assertiva,  demonstra­se  que  a  Recorrente  detém  todas  as  licenças  emitidas  pela  Secretaria Municipal  de  Saúde —  Vigilância  Sanitária  para  utilização do maquinário supramencionado, conforme documentos anexos;  ­ não obstante, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de  insumos  utilizados  nas  mesmas  competências,  para  consecução  de  suas  atividades,  discriminando­se o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra  de Terceiros;  ­  desta  feita,  transparente  por  toda  documentação  anexa,  bem  como  a  já  existente  nos  arquivos  da  Receita  Federal  e  em  toda  sua  contabilização,  que  a  Recorrente  exerce  a  prestação  de  serviços  Radiológicos  em  geral,  de  alta  complexidade,  não  se  enquadrando em simples consultas médicas, o que se demonstrará relevante pelos argumentos  que seguem adiante;  DO DIREITO  IMPOSTO  DE  RENDA —  LUCRO  PRESUMIDO —  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  HOSPITALARES  —  APLICAÇÃO  OBJETIVA  DO  BENEFICIO  FISCAL  CONCEDIDO PELA LEI 9.249/95 — 1)  IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA DAS  IN'S  480/2004  E  539/2005  —  2)  ILEGALIDADE  DAS  IN'S  480/2004  E  539/2005  Fl. 309DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 310          5 RECONHECIDA PELA 1ª SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO RESP N°  951.251/PR  E  RATIFICADA  NO  RESP  1.116.399/BA,  REPRESENTATIVO  DA  CONTROVÉRSIA E SOB O REGIME VINCULATIVO DO ARTIGO 543­C DO CÓDIGO  DE PROCESSO CIVIL  ­  pela  execução  de  serviços  de  Radiologia,  ainda  que  não  prestados  no  interior  do  estabelecimento  hospitalar,  mas  sim  em  clínica  especializada  para  tanto,  sendo  atividade  ligada  diretamente  à  promoção  da  saúde,  a  Recorrente  exerce  atribuição  que  a  princípio  é  de  competência  do  Poder  Público,  que  por  não  cumpri­la  eficazmente,  concede  benefícios tributários ao particular para sua satisfação perante a sociedade;  ­  este  é o  caso do beneficio  fiscal  trazido pela Lei 9.249 em seu  artigo 15,  §1°, inciso III, alínea “a”, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual  para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, que de forma objetiva  aliviou  a  carga  tributária  quando  da  prestação  de  serviços  hospitalares,  visando  ampliar  o  acesso  à  saúde  para  a  população,  nos  quais  estão  englobados  os  serviços  de  Radiologia  prestados pela Recorrente;  ­  prestadora  de  serviços  hospitalares  desde  sua  instituição,  a  Recorrente  sempre  fez  jus  ao  beneficio  conferido  legalmente,  entretanto,  de  forma  equivocada  apurou  a  base de cálculo do lucro presumido utilizando­se da alíquota de 32% (trinta e dois por cento)  em diversos períodos de apuração, inclusive na competência objeto destes autos, ocasionando  num recolhimento a maior do IRPJ que por conseqüência enseja em direito a ser ressarcida do  indébito;  ­  como  de  praxe,  a  Receita  Federal  editou  diversas  normas  objetivando  regulamentar a quem se destinaria o benefício concedido, mas na realidade legislou ao seu bel  prazer, com a imposição de diversas restrições de intuito meramente arrecadatório;  ­ desde a edição da Lei 9.249/95, até o inicio de 2003, não existiu qualquer  regulamentação da Receita Federal acerca do tema, o que veio a ocorrer em março do citado  ano, com a publicação da IN 306/2003;  ­ nessa primeira regulamentação, não houve nenhuma referência à internação  de  pacientes  como  condição  para  fazer  jus  ao  benefício.  Nos  termos  da  lei,  a  IN  306/2003  limitou­se  a  focar  a  análise  do  benefício  a  partir,  primordialmente,  da  natureza  dos  serviços  prestados, e não das características dos contribuintes que os realizam;  ­ todavia, em 15 de dezembro de 2004, foi editada a IN 480, que revogou a  norma  precedente,  passando  a  exigir­se,  para  a  configuração  da  prestação  de  um  “serviço  hospitalar”, que o contribuinte  tivesse, ao menos, cinco  leitos para a  internação de pacientes.  Na  realidade,  a  IN  480/2004,  a  pretexto  de  regulamentá­la,  deixou  em  segundo  plano  as  atividades  a  serem  realizadas  e  preocupou­se  em  estabelecer  condições  a  serem  preenchidas  pelos contribuintes;  ­  posteriormente,  em  25  de  abril  de  2005,  foi  editada  a  IN  539/2005,  atualmente  em  vigor,  a  qual  fez  uma  mescla  entre  as  regulamentações  previstas  nas  IN's  306/2003 e 480/2004. Quanto aos serviços a serem executados, foram expandidos, abarcando  uma  gama  de  atividades,  a  teor  do  que  constava  da  IN  306.  Entretanto,  exigiu­se  que  a  realização dessas atividades fosse feita por contribuinte que possuísse estrutura física capaz de  internar pacientes;  Fl. 310DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 311          6 ­  por  primeiro,  cumpre  asseverar  acerca  da  inaplicabilidade  das  referidas  instruções  normativas,  por  vedação  expressa  do  artigo  150,  inciso  III,  “a”,  da  Constituição  Federal,  haja  vista  que  a  competência  do  recolhimento  indevido  é  anterior  à  edição  destas  normas.  ­ a irretroatividade das normas tributárias apresenta­se como instrumento de  concretização do principio da segurança jurídica, garantindo ao contribuinte em face do arbítrio  estatal o conhecimento prévio da carga tributária a que estará sujeito;  ­  no  sentido  da  irretroatividade  de  instrução  normativa  restringindo  direito  dos contribuintes, colaciona­se julgados do Conselho de Contribuintes (ementas transcritas no  recurso);  ­  afora  a  violação  da  Carta  Maior  em  eventual  aplicação  pretérita  das  Instruções Normativas 480/04 e 539/05 ao caso da Recorrente, ainda que aplicáveis, verifica­se  a impossibilidade das imposições restritivas em desacordo com o contido na Lei 9.249/95;  ­ isto porque é de fácil visualização que o disposto no artigo 15, §1°, inciso  III,  alínea  “a”  da  Lei  9.249/95,  que  reduz  de  32  (trinta  e  dois)  para  8%  (oito  por  cento)  o  percentual  para  determinação  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  sobre  o  lucro  presumido,  veio  de  forma objetiva aliviar a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando  ampliar  o  acesso  à  saúde  para  a  população,  nos  quais  estão  englobados  os  serviços  de  Radiologia prestados pela Recorrente;  ­ o Poder Legislativo, no exercício de sua competência e autonomia, decidiu  manter o beneficio destinado aos “serviços hospitalares” e não especificamente aos “hospitais”,  senão assim o faria, como sempre pretendeu a Receita Federal;  ­  é  obvio  que  a  intenção  era  prestigiar  de  forma  objetiva  os  serviços  destinados à saúde e não o contribuinte e suas especificações quanto a custos, estrutura física  para internação e dimensionamento, conforme restrições contidas nas IN's 480/04 e 539/05;  ­  o  objetivo  da  lei  sempre  foi  fornecer  aos  necessitados  de  prestação  de  serviços médicos, o livre arbítrio de buscar seu atendimento necessário seja em hospitais e/ou  clínicas especializadas para tanto;  ­  se  houvesse  diferença  de  tributação  entre  hospitais  e  clinicas/consultórios  especializadas,  no  exercício  de  atividade  idêntica,  notoriamente  os  hospitais  ficariam  ainda  mais  abarrotados,  pois  diante  de  um  menor  custo  pela  carga  tributária  reduzida,  teriam  condições mais chamativas com preços menores, afora a violação do princípio constitucional  da  isonomia  e  não  obstante  a  concorrência  desleal  em  face  de  outros  estabelecimentos  prestadores dos serviços;  ­ a jurisprudência administrativa deste Conselho já solidificou entendimento  acerca do tema (ementas transcritas);  ­  ao  decidir  o  Resp  951251/PR,  a  1ª  Seção  do  STJ  pacificou  o  tema,  no  sentido da aplicação objetiva do beneficio da Lei 9.249/95, ou seja, para todos os prestadores  de serviços destinados à saúde, não incluídas apenas as simples consultas, declarando ainda a  ilegalidade das Instruções Normativas de n° 480/04 e 539/05;  Fl. 311DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 312          7 ­ para efeito vinculativo, a questão foi levada novamente à análise do C. STJ,  que  nomeou  o  Recurso  Especial  n°  1.116.339/BA  como  representativo  da  controvérsia,  e  o  julgou sob o regime do artigo 543­C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ, que  ratificou  o  posicionamento  adotado  no  Resp  951.251/PR,  vinculando  todos  os  demais  processos acerca da matéria;  ­  verifica­se  perfeitamente  que  diante  do  enquadramento  da  Recorrente,  impõe­se a apuração da base de cálculo para o lucro presumido com a alíquota de 8% (oito por  cento),  nos  termos  do  artigo  15,  §1°,  inciso  III,  alínea  “a”  da  Lei  9.249/95,  sendo  que  os  valores excedentes recolhidos a título do IRPJ sob a alíquota de 32% (trinta e dois por cento)  devem  ser  ressarcidos  na  forma  pleiteada,  devidamente  atualizados  desde  o  indevido  desembolso, ensejando na homologação da compensação realizada em sua integralidade;  DA  COMPROVAÇÃO  DO  CARÁTER  EMPRESARIAL  DA  RECORRENTE  ­  de  plano,  verifica­se  a  caracterização  de  sociedade  empresária  da  Recorrente, que exerce atividades de profissionais empresários, organizada e para prestação de  serviços  radiológicos,  com  fins  lucrativos,  constituída  sob  o  regime  de  Sociedade  Limitada,  consoante artigo 1.052 do Código Civil;  ­ conforme se extrai do próprio contrato social da Recorrente, a empresa não  se. figura como uma simples reunião de profissionais da medicina para prestação de serviços  de caráter pessoal, pois detém capital social integralizado no importe de R$ 1.500.000,00 (um  milhão e quinhentos mil reais), filiais para consecução de suas atividades, divisão de pró­labore  para os sócios, não obstante a existência de ativo imobilizado de alto custo para o exercício de  sua atividade;  ­ a contabilização da Recorrente é toda apurada como sociedade empresarial,  sendo que todos os serviços prestados são realizados em nome da pessoa jurídica, que responde  com  seu  patrimônio  integral  por  eventual  perdas  e  danos  em  face  dos  clientes.  Inexiste  prestação de  serviços pessoais por conta dos  sócios,  somente pela empresa,  sendo óbvio que  por intermédio de pessoas naturais;  ­ o fato de que a prestação de serviços realizada pela Recorrente se perfaz por  intermédio  de  profissionais  da  medicina  não  afasta  seu  caráter  empresarial,  nos  termos  do  parágrafo único do artigo 966 do Código Civil;  ­ no caso em exame, o exercício da medicina, especificamente na prestação  de  serviços  radiológicos,  constitui  elemento  essencial  da  empresa  ora  Recorrente,  pois  confunde­se com seu próprio objeto social, sendo pressuposto de sua existência;  ­ não obstante, conforme já arrolado na comprovação dos serviços prestados  pela  Recorrente,  seguem  anexas  cópias  do  livro  razão  da  empresa  e  relatório  de  insumos  utilizados nas mesmas competências, para a consecução de suas atividades, discriminando­se o  Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros;  DO  DIREITO  LÍQUIDO  E  CERTO  DA  RECORRENTE  QUANTO  À  COMPENSAÇÃO REALIZADA  Fl. 312DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 313          8 ­  o  recolhimento  do  DARF  mencionado  fora  reconhecido  no  próprio  despacho decisório da Receita Federal, e sequer levado à dúvida no teor da decisão recorrida,  portanto insuscetível de discussão, ou seja, a prova do recolhimento sempre foi de ciência tanto  do Contribuinte quanto da Receita Federal, restando somente a análise quanto a ser pagamento  indevido/a maior ou não;  ­  quanto  ao  ponto  relativo  a  existir  pagamento  indevido  ou  a  maior,  a  Recorrente  sempre  deteve  direito  líquido  e  certo,  haja  vista  que  fazia  jus  ao  benefício  concedido objetivamente pela Lei 9.249/95, cabendo­lhe compensar na forma da legislação em  vigor os valores recolhidos em apuração da base de cálculo do IRPJ, no lucro presumido, sob a  alíquota de 32%, conforme corretamente procedeu;  DOS PEDIDOS  ­  de  todo  o  exposto,  requer deste Conselho  a  total  procedência  do  presente  recurso voluntário para:  1)  que  seja  reformada  a  decisão  recorrida,  com  o  conseqüente  reconhecimento do crédito em exame, haja vista o enquadramento da Recorrente no artigo 15,  §1º, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que concede beneficio fiscal de caráter objetivo em  virtude da prestação de serviços hospitalares, nos quais se enquadram os serviços de radiologia  prestados,  procedendo­se  com  a  homologação  integral  da  compensação  realizada,  diante  de  toda documentação anexa e nos termos amplamente fundamentados;  2)  caso  se  entenda  necessário,  que  seja  determinada  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  nos  estabelecimentos  da  Recorrente,  para  que  sejam  corroboradas  todas as assertivas constantes desta peça recursal;  RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXOS  1. Procuração original com reconhecimento de firma e Cópia autenticada do  contrato social da empresa;  2. Cópia da PER/DCOMP, DARF recolhido, DIPJ e DCTF retificadoras; .  3. Discriminação dos  serviços prestados pela Recorrente extraída do site da  empresa (www.cpa­radiologia.com.br);  4.  Comprovante  de  Inscrição  e  Situação  Cadastral  da  Recorrente  (matriz  e  filial) perante a Receita Federal do Brasil, com os devidos CNAE's principal e secundários;  5. Cópia  das  licenças  de  funcionamento  emitidas  pela Secretaria Municipal  de Saúde ­ Vigilância Sanitária, com os respectivos CNAE's;  6. Relação de bens do ativo imobilizado da Recorrente, adquiridos no período  de 01/1999 a 12/2003;  7. Licenças de utilização dos mencionados bens;  8. Cópias do livro razão e planilha de insumos utilizados na competência de  01/1999 a 12/2003, para consecução das atividades da Recorrente, discriminando­se o Material  Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como Mão de Obra de Terceiros;  Fl. 313DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 314          9 9. Cópia do despacho decisório da RFB em Piracicaba;  10. Cópia da decisão recorrida.  Na sessão  realizada  em 06/11/2013,  esta 2ª Turma Especial  da 1ª Seção de  Julgamento  do  CARF  proferiu  a  Resolução  nº  1802­000.406  (fls.  241  a  259),  solicitando  realização de diligência à DRF Piracicaba/SP, para onde os autos foram encaminhados.  O Processo  foi  devolvido  ao CARF com a  Informação  Fiscal  de  fls.  283  a  296, e com a manifestação da Contribuinte às fls. 300 a 302.     Este é o Relatório.  Fl. 314DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 315          10   Voto             Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator.  O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade.  Portanto, dele tomo conhecimento.  A  Contribuinte  questiona  decisão  que  não  homologou  declaração  de  compensação  por  ela  apresentada  em  14/07/2006  (fls.  65  a  68),  na  qual  utiliza  parte  de  um  alegado  crédito  decorrente  de  pagamento  a maior  referente  ao  IRPJ/Lucro  Presumido  do  3º  trimestre de 2001.   O DARF  gerador  do  crédito  foi  recolhido  em  31/10/2001  e  possui  o  valor  total de R$ 30.429,27.  A compensação abrange débitos de PIS e COFINS do mês de junho de 2006,  no montante de R$ 12.838,94.  A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido  pagamento de R$ 30.429,27 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da  Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 61.  A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que  havia erro no preenchimento da DCTF, no que se refere à apuração do IRPJ; que a DIPJ tinha  sido retificada (em 2004) para a correção do problema, mas que a DCTF continuou errada até a  elaboração do despacho decisório (em 2009).  Na  seqüência,  a  Delegacia  de  Julgamento  (DRJ)  manteve  a  negativa  em  relação  à  compensação,  entendendo  que  a  Contribuinte  não  se  desincumbiu  do  ônus  de  demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, nos seguintes termos:  [...]  Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de  declarações  previstas  na  legislação  (DCTF,  DIPJ  ou  PER/DCOMP)  situam­se  na  esfera  de  responsabilidade  do  próprio  contribuinte,  a  quem  cabe  demonstrar,  mediante  adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente  favoráveis  às  suas  pretensões,  consoante  disciplina  instituída  pelo artigo 16, inciso II1,do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim,  uma vez  constatada  incongruência  entre  informações prestadas  em  declarações  originais,  e  aquelas  prestadas  nas  respectivas  declarações retificadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos  os  elementos  probatórios  hábeis  a  evidenciar  a  realidade  dos  fatos.  No presente caso, caberia à  interessada fazer prova do suposto  recolhimento  a  maior  do  imposto  que,  no  seu  entender,  decorreria  de  errônea  mensuração  da  base  de  cálculo  por  aplicação indevida do percentual de 32% sobre a receita bruta,  Fl. 315DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 316          11 na  determinação  do  IRPJ  devido  pela  sistemática  do  lucro  presumido,  nos  termos  do  art.  15  da  Lei  n.°  9.249,  de  26  de  dezembro de 1995, a seguir transcrito:  [...]  Todavia,  a  recorrente,  em  sua  peça  impugnatória,  não  apresentou  documentos  hábeis  à  comprovação  do  alegado  direito.  Com  efeito,  não  foram  juntados  aos  autos  registros  contábeis  e  respectivos  documentos  fiscais  capazes  de  demonstrar  o  quantum  e  a  composição  da  base  de  cálculo  do  imposto  no  período  em  questão,  os  critérios  adotados  para  aplicação,  sobre  a  receita  bruta  mensal,  dos  percentuais  previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995,  a apuração do imposto devido e eventuais deduções. A ausência  de tais elementos, nos autos, impossibilita exame da apuração do  imposto  na  contabilidade  da  interessada,  e  seu  cotejo  com  o  montante  efetivamente  recolhido,  restando assim prejudicada a  comprovação  do  alegado  direito  creditório.  As  cópias  de  DCOMP, DIPJ e DCTF, e planilha de compensações, juntadas à  impugnação,  embora  relevantes,  mostram­se  insuficientes  à  adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima.  Consoante  noção  cediça,  a  escrituração  mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em  preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999:  [...]  Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o  indébito  não  contém  os  atributos  necessários  de  liquidez  e  certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela  autoridade  administrativa  de  crédito  junto  à  Fazenda  Pública,  sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto,  contrário,  portanto,  ao  disposto  no  artigo  170  do  Código  Tributário Nacional (CTN).  Diante do exposto, VOTO pela  improcedência da manifestação  de inconformidade.  A Contribuinte,  então,  apresentou  recurso  voluntário  ao CARF,  procurando  esclarecer que o crédito utilizado na compensação era referente a pagamento indevido/a maior  realizado por meio de DARF, recolhido no código 2089, ocasionado por apuração equivocada  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  pelo  lucro  presumido,  no  percentual  de  32%  (trinta  e  dois  por  cento),  quando  os  serviços  prestados  por  ela  se  enquadravam  como  serviços  hospitalares,  impondo­se  a aplicação  do beneficio  fiscal  concedido pela Lei 9.249/95,  com a conseqüente  utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo.  O recurso voluntário começou a ser examinado em 06/11/2013, e sua análise  resultou na mencionada Resolução nº 1802­000.406.   Naquela  ocasião,  esta  2ª  Turma  Especial  da  1ª  Seção  de  Julgamento  do  CARF teceu vários comentários sobre os aspectos abordados na decisão de primeira instância  Fl. 316DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 317          12 administrativa, sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, e sobre  a  evolução  da  jurisprudência  relativa  à  tributação  dos  serviços  hospitalares  no  regime  de  presunção dos lucros, para, então, demandar prestação de informações à Delegacia de origem,  nos seguintes termos:  Primeiramente,  é  importante  registrar  que  ao  não  retificar  a  DCTF  antes  de  enviar  o  PER/DCOMP,  a  Contribuinte  concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada.  Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa  em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito  à  restituição de  indébito,  fundado em pagamento  indevido ou a  maior,  a  requisitos  meramente  formais.  O  que  realmente  interessa é verificar  se houve ou não pagamento  indevido ou a  maior de um determinado tributo em um determinado período de  apuração.  A  DCTF,  embora  seja  uma  confissão  de  dívida,  não  pode  ser  tomada  em  caráter  absoluto,  até  porque  existe  sempre  a  possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da  mesma  forma, não  teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que  apresentada  a  declaração  retificadora  antes  do  envio  do  PER/DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações  e  documentos,  como  a  DIPJ,  os  Livros  Contábeis  e  Fiscais,  Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou  não recolhimento indevido ou a maior.   Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração  retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de  reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, §  1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um  PER/DCOMP  é  sempre  realizado  de  ofício,  aproximando­se  muito  mais  da  regra  contida  no  §  2º  deste  mesmo  dispositivo,  segundo  o  qual  “os  erros  contidos  na  declaração  e  apuráveis  pelo  seu  exame  serão  retificados  de  ofício  pela  autoridade  administrativa a que competir a revisão daquela”.  No  caso,  a  Contribuinte  apresentou  em  tempo  hábil  uma  declaração  de  compensação  – PER/DCOMP  (14/07/2006),  que  deu  origem  ao  presente  processo,  pleiteando  perante  a  Administração  Tributária  a  devolução  (na  forma  de  compensação)  de  um  pagamento  que  entendia  ter  realizado  indevidamente,  procedimento  que  se  não  implicava  em  uma  alteração/desconstituição  automática  de  parte  do  débito  declarado em DCTF,  implicava ao menos na  suspensão de  sua  constituição  definitiva,  em  razão  da  relação  direta  existente  entre o pagamento e o débito a que ele corresponde.  Não há, portanto, que se pensar em homologação de lançamento  e  constituição definitiva do débito  se a Contribuinte,  em  tempo  hábil,  informou  à  Administração  Tributária  que  o  pagamento  relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior.  Além  de  ter  enviado  o  PER/DCOMP,  a  Contribuinte,  desde  a  manifestação  de  inconformidade,  vem  informando  que  ocorreu  Fl. 317DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 318          13 erro  na  apuração  e  recolhimento  do  IRPJ,  e  que  a  DIPJ  retificadora  (apresentada  bem  antes  do  despacho  decisório)  havia  corrigido  o  problema,  evidenciando  o  alegado  direito  creditório.  Não considero que a divergência entre as informações deve ser  solucionada  graduando  a  importância  destas  declarações.  Se  uma  é  confissão  de dívida  (DCTF),  a  outra  traz  informações  e  detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ).   No  que  toca  à  comprovação  de  um  indébito,  também  é  importante  lembrar  que  o  processo  administrativo  fiscal  não  contém  uma  fase  probatória  específica,  como  ocorre,  por  exemplo, com o processo civil.   Especialmente nos processos  iniciados pelo Contribuinte,  como  o  aqui  analisado,  há  toda  uma  dinâmica  na  apresentação  de  elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se  manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e  decisões  com  caráter  terminativo,  e  não  em  decisões  interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova  ser suprida nas instâncias seguintes.   Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova  que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração  de  compensação. Pelas normas atuais,  aplicáveis ao  caso, nem  mesmo  há  como  anexar  cópias  de  livros,  de  DARF,  de  Declarações,  etc.,  porque  os  procedimentos  são  realizados  por  meio de declaração eletrônica ­ PER/DCOMP.   Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o  § 2º do art. 6º da  IN SRF 21/1997, a  instrução dos pedidos de  restituição  de  imposto  de  renda  de  pessoa  jurídica  se  dava  apenas  com  a  juntada  da  cópia  da  respectiva  declaração  de  rendimentos,  e  a  apresentação  de  livros  e  outros  documentos  poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o  caso.  Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase  de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por  falta  de  apresentação  de  documentos  em  relação  aos  quais  a  Contribuinte,  em  alguns  casos,  nem  mesmo  foi  intimada  a  apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa.  No  caso  concreto,  a  Delegacia  de  Julgamento  concluiu  que  a  Contribuinte  não  se  desincumbiu  do  ônus  de  demonstrar  a  certeza e liquidez do alegado direito creditório.  Ocorre  que  a  Contribuinte  não  foi  em  nenhum  momento  intimada  a  apresentar  quaisquer  esclarecimentos,  ou  documentos relativos ao seu PER/DCOMP.   Vale  registrar  que  a  prova  tem  sempre  um  aspecto  de  verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do  direito.  Além  disso,  em  razão  da  dinâmica  do  PAF  quanto  à  apresentação  de  elementos  de  prova,  como  já  mencionado  Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 319          14 acima,  é  a  Autoridade  Fiscal  que,  em  cada  caso,  por  meio  de  intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição  do ônus que incumbe à Contribuinte.   Na  linha,  então, do que apontou a Delegacia de Julgamento,  a  Contribuinte  juntou  ao  recurso  voluntário  os  documentos  mencionados no final do relatório acima.  Tais  documentos  indicam  que  a  Contribuinte  tem  direito  de  utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo  do IRPJ/Lucro Presumido.  A  tributação dos  serviços hospitalares  na modalidade  do  lucro  presumido já suscitou muitas controvérsias.   A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente  de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos:  Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será  determinada mediante a aplicação do percentual de oito  por  cento  sobre  a  receita  bruta  auferida  mensalmente,  observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de  20 de janeiro de 1995.  §  1º Nas  seguintes  atividades,  o  percentual  de  que  trata  este artigo será de:  I – (...)  II – (...)  III ­ trinta e dois por cento, para as atividades de:  a)  prestação  de  serviços  em  geral,  exceto  a  de  serviços  hospitalares;  Havia  muita  polêmica  sobre  quais  atividades  poderiam  ser  enquadradas  como  “serviço  hospitalar”,  e  quais  os  requisitos  que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o  coeficiente de 8%.   A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea  “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação:   a)  prestação  de  serviços  em  geral,  exceto  a  de  serviços  hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia  clínica,  imagenologia,  anatomia  patológica  e  citopatologia,  medicina  nuclear  e  análises  e  patologias  clínicas,  desde  que  a  prestadora  destes  serviços  seja  organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda  às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária –  Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)  Os  fatos  debatidos  nesse  processo  são  anteriores  a  esta  alteração legislativa.  Fl. 319DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 320          15 Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior  Tribunal  de  Justiça  –  STJ,  ao  julgar  um  Recurso  Especial  representativo de controvérsia, que  foi submetido ao regime do  artigo 543­C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei,  ao  conceder  o  benefício  fiscal,  não  considerou  a  característica  ou  a  estrutura  do  contribuinte  em  si  (critério  subjetivo), mas  a  natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”:  RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 ­ BA (2009/0006481­ 0)  EMENTA  DIREITO  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL.  VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS  NÃO  CONFIGURADOS.  LEI  9.249/95.  IRPJ  E  CSLL  COM  BASE  DE  CÁLCULO  REDUZIDA.  DEFINIÇÃO  DA  EXPRESSÃO  “SERVIÇOS  HOSPITALARES”.  INTERPRETAÇÃO  OBJETIVA.  DESNECESSIDADE  DE  ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO.  ENTENDIMENTO  RECENTE  DA  PRIMEIRA  SEÇÃO.  RECURSO  SUBMETIDO  AO  REGIME  PREVISTO  NO  ARTIGO 543­C DO CPC.  1. Controvérsia  envolvendo  a  forma  de  interpretação  da  expressão  “serviços  hospitalares”  prevista  na  Lei  9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do  IRPJ e da CSLL. Discute­se a possibilidade de, a despeito  da  generalidade  da  expressão  contida  na  lei,  poder­se  restringir  o  benefício  fiscal,  incluindo  no  conceito  de  “serviços  hospitalares”  apenas  aqueles  estabelecimentos  destinados  ao  atendimento  global  ao  paciente,  mediante  internação e assistência médica integral.  2.  Por  ocasião  do  julgamento  do  RESP  951.251­PR,  da  relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção,  modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins  do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a  expressão  “serviços  hospitalares”,  constante  do  artigo  15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada  de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade  realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder  o  benefício  fiscal,  não  considerou  a  característica  ou  a  estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a  natureza  do  próprio  serviço  prestado  (assistência  à  saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os  regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos  dispositivos  legais  acima  mencionados  não  poderiam  exigir  que  os  contribuintes  cumprissem  requisitos  não  previstos  em  lei  (a  exemplo  da  necessidade  de  manter  estrutura  que  permita  a  internação de  pacientes)  para  a  obtenção  do  benefício.  Daí  a  conclusão  de  que  “a  dispensa  da  capacidade  de  internação  hospitalar  tem  supedâneo  diretamente  na  Lei  9.249/95,  pelo  que  se  Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 321          16 mostra  irrelevante  para  tal  intento  as  disposições  constantes em atos regulamentares”.  3.  Assim,  devem  ser  considerados  serviços  hospitalares  “aqueles  que  se  vinculam  às  atividades  desenvolvidas  pelos  hospitais,  voltados  diretamente  à  promoção  da  saúde”,  de  sorte  que,  "em  regra,  mas  não  necessariamente,  são  prestados  no  interior  do  estabelecimento  hospitalar,  excluindo­se  as  simples  consultas médicas, atividade que não se identifica com as  prestadas  no  âmbito  hospitalar,  mas  nos  consultórios  médicos”.  4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei  11.727/08  não  se  aplicam  às  demandas  decididas  anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução  de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a  receita  bruta  da  empresa  contribuinte  genericamente  considerada,  mas  sim  àquela  parcela  da  receita  proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao  benefício  fiscal,  desenvolvida  pelo  contribuinte,  nos  exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95.  5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a  empresa  recorrida  presta  serviços médicos  laboratoriais  (fl.  389),  atividade  diretamente  ligada  à  promoção  da  saúde,  que  demanda maquinário  específico,  podendo  ser  realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se  assemelhando  a  simples  consultas  médicas,  motivo  pelo  qual,  segundo  o  novel  entendimento  desta Corte,  faz  jus  ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de  8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por  cento),  no  caso  de CSLL,  sobre  a  receita  bruta  auferida  pela  atividade  específica  de  prestação  de  serviços  médicos laboratoriais).  6.  Recurso  afetado  à  Seção,  por  ser  representativo  de  controvérsia,  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C  do  CPC e da Resolução 8/STJ.  7. Recurso especial não provido.  (grifo acrescido)  O  STJ  vinha  interpretando  o  referido  dispositivo  legal  de  maneira  bem  restritiva,  e  a  mudança  neste  posicionamento  se  deu no julgamento do RESP 951.251­PR, conforme mencionado  acima.   Também é interessante transcrever a ementa desta decisão:  RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 ­ PR (2007/0110236­0)  EMENTA  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA.  LUCRO  PRESUMIDO.  Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 322          17 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE  CÁLCULO.  ARTS.  15,  §  1º,  III,  “A”,  E  20  DA  LEI  Nº  9.249/95.  SERVIÇO  HOSPITALAR..  INTERNAÇÃO.  NÃO­ OBRIGATORIEDADE.  INTERPRETAÇÃO  TELEOLÓGICA  DA  NORMA.  FINALIDADE  EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO  JUDICIAL  E  ADMINISTRATIVO  DA  UNIÃO.  CONTRADIÇÃO. NÃO­PROVIMENTO.  1.  Acórdão  proferido  antes  do  advento  das  alterações  introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º,  III,  “a”,  da  Lei  nº  9.249/95  explicitamente  concede  o  benefício  fiscal de  forma objetiva, com foco nos  serviços  que são prestados, e não no contribuinte que os executa.  2. Independentemente da forma de interpretação aplicada,  ao  intérprete  não  é  dado  alterar  a mens  legis.  Assim,  a  pretexto  de  adotar  uma  interpretação  restritiva  do  dispositivo  legal,  não  se  pode  alterar  sua  natureza  para  transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo.  3.  A  redução  do  tributo,  nos  termos  da  lei,  não  teve  em  conta  os  custos  arcados  pelo  contribuinte,  mas,  sim,  a  natureza  do  serviço,  essencial  à  população  por  estar  ligado  à  garantia  do  direito  fundamental  à  saúde,  nos  termos do art. 6º da Constituição Federal.  4. Qualquer  imposto,  direto  ou  indireto,  pode,  em maior  ou menor grau, ser utilizado para atingir  fim que não se  resuma  à  arrecadação  de  recursos  para  o  cofre  do  Estado.  Ainda  que  o  Imposto  de  Renda  se  caracterize  como um tributo direto, com objetivo preponderantemente  fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção  de uma finalidade extrafiscal.  5. Deve­se entender como “serviços hospitalares” aqueles  que  se  vinculam  às  atividades  desenvolvidas  pelos  hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em  regra,  mas  não  necessariamente,  são  prestados  no  interior  do  estabelecimento  hospitalar,  excluindo­se  as  simples consultas médicas, atividade que não se identifica  com  as  prestadas  no  âmbito  hospitalar,  mas  nos  consultórios médicos.  6.  Duas  situações  convergem  para  a  concessão  do  benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta  seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de  sua  atividade,  possua  custos  diferenciados  do  simples  atendimento  médico,  sem,  contudo,  decorrerem  estes  necessariamente da internação de pacientes.  7.  Orientações  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  e  da  Secretaria  da  Receita  Federal  contraditórias.  Fl. 322DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 323          18 8. Recurso especial não provido.  (grifos acrescidos)  O  voto  que  orientou  o  julgamento  do  RESP  951.251­PR  esclarece  bem  o  que  significa  interpretar  a  norma  em  questão  sob a ótica de seu conteúdo objetivo:  Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º,  III,  "a",  da  Lei  nº  9.274/95  explicitamente  concede  o  benefício  fiscal de  forma objetiva, com foco nos  serviços  que  são  prestados,  e  não  na  pessoa  do  contribuinte  que  executa  a  “prestação  de  serviços  hospitalares”.  Doutro  modo,  seria  alterar  a  própria  natureza  da  norma  legal,  transmudando­se  o  incentivo  fiscal  de  objetivo  para  subjetivo,  a  fim  de  concedê­lo  apenas  aos  estabelecimentos hospitalares.  (...)  Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer,  representa  a  vontade  popular  –  fosse  beneficiar  determinados  contribuintes  em  face  de  suas  características  particulares,  concedendo,  assim,  uma  isenção  subjetiva,  a  regra  deveria  referir­se  a  esses  sujeitos, e não ao serviço por eles prestado.  Dessa  forma,  não  se  deve  restringir  o  benefício  aos  hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da  lei, caberia explicitar­se que a concessão estaria dirigida  apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de  ter assim procedido.  (...)  A  Receita  Federal  tem  reconhecido  o  direito  à  base  de  cálculo  reduzida  do  IRPJ  a  prestadores  de  serviços  hospitalares,  mesmo  que  esses  não  possuam  estrutura  física para realizar internação de pacientes.  (...)  Em conclusão, por serviços hospitalares compreendem­se  aqueles  que  estão  relacionados  às  atividades  desenvolvidas  nos  hospitais,  ligados  diretamente  à  promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do  estabelecimento  hospitalar,  mas  não  havendo  esta  obrigatoriedade. Deve­se, por  certo,  excluir do benefício  simples  prestações  de  serviços  realizadas  por  profissionais  liberais  consubstanciadas  em  consultas  médicas,  já  que  essa  atividade  não  se  identifica  com  as  atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas,  sim, nos  consultórios médicos.  (grifos acrescidos)  Fl. 323DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 324          19 Este  mesmo  voto  fornece  ainda  outros  parâmetros  para  a  compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente  no  sentido  de  diferenciá­los  da  “simples  prestação  de  atendimento médico”:   (...)  Com  esta  exegese,  não  está  excluído  por  completo  o  aspecto  referente  aos  custos  dos  contribuintes,  uma  vez  que,  para  que  esses  efetivamente  prestem  serviços  hospitalares,  necessitam  possuir  um  suporte  material  e  humano  específico  –  instrumentos  necessários  à  elaboração  de  diagnósticos  e  intervenções  cirúrgicas,  bem  como  profissionais  especializados  para  sua  utilização,  sendo  tal  aparato  diverso  e  mais  oneroso  do  que  aquele  relacionado  com  a  simples  prestação  de  consultas médicas.  Dessa forma, duas situações convergem para a concessão  do  benefício:  a  prestação de  serviços  hospitalares  e que  esta  seja  realizada  por  contribuinte  que  no  desenvolvimento  de  sua  atividade  possua  custos  diferenciados  da  simples  prestação  de  atendimento  médico,  sem,  contudo,  decorrerem  esses  custos  necessariamente da internação de pacientes.  Como mencionado  anteriormente,  os  documentos  apresentados  com o recurso voluntário indicam em uma primeira análise que  a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a  apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido.  Mas ainda  faltam elementos para embasar a conclusão sobre a  ocorrência  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  causado  pela  utilização equivocada do coeficiente de 32%.  Em primeiro lugar, não há como confrontar a DIPJ/retificadora  com a DIPJ/original, porque esta não foi juntada aos autos.   Aparentemente,  a  redução  no  valor  do  IRPJ  não  decorreu  apenas  da modificação  do  coeficiente  de  32%  para  8%,  e  isto  precisa ser esclarecido.   É que partindo da receita bruta constante da DIPJ/retificadora,  e  refazendo o  cálculo com o  coeficiente de 32%,  com a devida  variação  do  adicional  do  IRPJ  e mantendo  os mesmos  valores  para as demais rubricas constantes da DIPJ/retificadora (outras  receitas, retenções, etc.), não se obtém o valor do IRPJ original,  que foi pago através de DARF.   Outro aspecto relevante, é que a Contribuinte zerou o valor do  IR a pagar no período em questão com deduções a título de IR  retido na fonte, exatamente no mesmo valor do imposto apurado.   Por estas razões, a decisão do presente processo demanda uma  instrução complementar.  Fl. 324DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 325          20 É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da  Receita Federal em Piracicaba/SP, para que aquela unidade, à  luz  dos  documentos  apresentados  pela  Recorrente,  de  sua  escrituração  contábil  e  fiscal,  das  declarações  e  informações  constantes dos sistemas de informação da Secretaria da Receita  Federal do Brasil, e de outros que se entenda necessários:  1)  junte  aos  autos  cópia  da  DIPJ  original  referente  ao  ano­ calendário de 2001;  2)  acrescente,  se  entender  oportuno,  outras  informações  a  respeito  da  atividade  da  Recorrente,  no  intuito  de  subsidiar  a  decisão  sobre  a  definição  do  coeficiente  para  a  presunção  do  lucro;  3) verifique e informe:  ­  a  receita  bruta,  a  base  de  cálculo  e  o  respectivo  IRPJ  do  3º  trimestre de 2001; e  ­  o  valor  a  ser  considerado  como  saldo  a  pagar,  após  as  deduções legais;  4)  esclareça  os  critérios  de  cálculo  e  rubricas  que  geraram  a  diferença entre a DIPJ/original  e a DIPJ/retificadora quanto à  apuração  do  saldo  a  pagar  de  IRPJ,  intimando  a Contribuinte  para tanto, se entender necessário;  5)  apresente  relatório  circunstanciado  sobre  os  pontos  mencionados  acima,  esclarecendo  se  há  crédito  decorrente  de  pagamento indevido ou a maior de IRPJ, e qual o seu valor;   6) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa  se manifestar no prazo de 30 dias.  Deste  modo,  voto  no  sentido  de  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  DRF  Piracicaba/SP  atenda  ao  acima  solicitado.  Em  resposta  à  diligência  que  lhe  foi  demandada  pelo  CARF,  a  DRF/Piracicaba/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 283 a 296.  Essa informação abrangeu vários processos de compensação com créditos de  mesma origem, ou seja,  fundados em recolhimento  indevido ou a maior de  IRPJ ocasionado  por equivocada aplicação do coeficiente para presunção do lucro (32% em vez de 8%).   Foram apresentados vários quadros demonstrativos para o IRPJ referente aos  trimestres dos anos­calendário de 2000, 2001 e 2002. Especificamente em relação ao IRPJ do  3º  trimestre de 2001, que dá origem ao crédito objeto deste processo, a Delegacia de origem  informou:  ­ que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos  mesmos valores de receita bruta;  Fl. 325DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 326          21 ­ que na DIPJ/retificadora, a Contribuinte deduziu o IR­fonte somente até o  valor do imposto a pagar quando poderia ter aproveitado todo o imposto retido no trimestre, o  que teria gerado “saldo negativo” de IRPJ;  ­ que por se tratar do ano­calendário de 2001, não era mais possível retificar  novamente a declaração para fins de aproveitamento destas retenções;  ­  que  se  for  reconhecido  o  direito  à  aplicação  do  coeficiente  de 8% para  a  apuração do lucro presumido, prevalece o IRPJ apurado nas declarações retificadoras;  ­ que para o período em questão, a Contribuinte apurou imposto zero a pagar,  e  que,  sendo  assim,  o  recolhimento  feito  pela  declaração  original  seria  considerado  como  recolhimento indevido, passível de restituição.  Intimada  do  resultado  da  diligência  fiscal,  a  Contribuinte  apresentou  a  manifestação  de  fls.  300  a  302,  alegando  que  o  Relatório  Circunstanciado  de  diligência  legitima integralmente as informações prestadas pela Recorrente durante o deslinde processual,  sobretudo quanto  à origem e valores do direito  creditório  informado; que a  análise  realizada  pela  Autoridade  Administrativa  confirma  que  o  debate  travado  se  limita  exclusivamente  à  matéria  de  direito  envolvida,  qual  seja,  a  aplicação  do  percentual  reduzido  na  hipótese  de  prestação  de  serviços  hospitalares;  e  que  a  Recorrente  confirma  a  total  pertinência  das  informações  constantes  do  referido  relatório  circunstanciado,  o  qual  traduz  e  confirma  exatamente a origem e o valor do direito creditório pleiteado, bem como confere pleno subsídio  para o exato julgamento da matéria sob exame.  A farta documentação apresentada com o recurso voluntário já indicava que a  Contribuinte  possuía  o  direito  à  aplicação  do  coeficiente  de  8%  para  a  apuração  do  lucro  presumido, como já havíamos registrado na elaboração da Resolução nº 1802­000.406.  E a diligência fiscal não trouxe nenhum dado que pudesse apontar para uma  conclusão diferente.  Os  documentos  apresentados  juntamente  com  o  recurso  voluntário,  e  que  estão  expressamente  citados no  relatório que antecede  este voto,  indicam que a Contribuinte  presta  efetivamente  serviços  na  área  da  radiologia  (diagnóstico  por  imagem  com  uso  de  radiação ionizante, tomografia, radioterapia, etc.), que estão submetidos ao coeficiente de 8%,  nos termos da jurisprudência do STJ, acima transcrita.   A  informação fiscal prestada pela DRF de origem informou que a apuração  do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta.  Os dados trazidos pela diligência esclareceram a razão pela qual a apuração a  partir da receita declarada na DIPJ/retificadora não resultava no IRPJ recolhido em DARF (que  havia sido apurado na DIPJ/original).   Tal problema foi ocasionado pela diferença no cômputo das retenções de IR,  entre a declaração original e a retificadora. Contudo, quando se computa os mesmos valores de  retenção para as duas declarações, percebe­se que a controvérsia em relação ao valor do crédito  se resume apenas ao coeficiente para presunção do lucro.  Fl. 326DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/2009­81  Acórdão n.º 1802­002.480  S1­TE02  Fl. 327          22 Quanto  às  retenções  na  fonte,  é  importante  registrar  que  elas  configuram  antecipação de pagamento do imposto, e que seu cômputo deve ser dar até mesmo de ofício,  conforme determina o art. 837 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda:  Art.837.  No  cálculo  do  imposto  devido,  para  fins  de  compensação,  restituição  ou  cobrança  de  diferença  do  tributo,  será  abatida  do  total  apurado  a  importância  que  houver  sido  descontada  nas  fontes,  correspondente  a  imposto  retido,  como  antecipação,  sobre  rendimentos  incluídos  na  declaração  (Decreto­Lei nº94, de 30 de dezembro de 1966, art. 9º).  Não é preciso uma nova retificação da DIPJ para que a Contribuinte tenha o  direito de ver deduzidas as retenções que restaram reconhecidas pela própria Fiscalização.  Os demonstrativos trazidos pela diligência fiscal indicam que as retenções de  IR  superam  o  valor  do  IRPJ  apurado  a  partir  do  coeficiente  de  8%,  de  modo  que  todo  o  recolhimento realizado por DARF, com base na declaração DIPJ original, mostra­se indevido e  passível, portanto, de compensação.   Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  para  homologar a compensação no limite do crédito reconhecido.    (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa                                 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

score : 1.0
5800875 #
Numero do processo: 18050.007948/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2402-000.408
Decisão: Visto, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201401

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 18050.007948/2008-21

anomes_publicacao_s : 201502

conteudo_id_s : 5423446

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 2402-000.408

nome_arquivo_s : Decisao_18050007948200821.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : RONALDO DE LIMA MACEDO

nome_arquivo_pdf_s : 18050007948200821_5423446.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Visto, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.

dt_sessao_tdt : Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014

id : 5800875

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:24 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047476978581504

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1231; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1  1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18050.007948/2008­21  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2402­000.408  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  22 de janeiro de 2014  Assunto  DILIGÊNCIA FISCAL  Recorrente  WORKTIME ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Visto, relatados e discutidos os presentes autos.    Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência.      Julio Cesar Vieira Gomes ­ Presidente      Ronaldo de Lima Macedo ­ Relator    Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes,  Carlos Henrique  de Oliveira,  Lourenço Ferreira  do Prado, Ronaldo  de Lima Macedo, Nereu  Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 50 .0 07 94 8/ 20 08 -2 1 Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/2008­21  Resolução nº  2402­000.408  S2­C4T2  Fl. 3          2    RELATÓRIO  Trata­se  de  lançamento  fiscal  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  relativas  à  contribuição  patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão  do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho  (SAT/GILRAT), para as competências 01/2004 a 09/2006.  O  Relatório  Fiscal  (fls.  64/87)  informa  que  a  empresa  tem  como  atividade  principal  a  seleção,  agenciamento  e  locação  de  mão  de  obra  para  serviços  temporários,  consoante Lei 6.019/1974. As folhas de pagamento, do ano de 2004 foram entregues em meio  digital  e  com  os  seus  respectivos  resumos.  Contudo,  não  foi  feita  a  consolidação  por  estabelecimento  e  não  foi  informada  a  remuneração  paga  aos  segurados  da  filiais.  As  remunerações mensais das  folhas apresentadas foram confrontadas com dados constantes das  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP)  da  empresa  (informações  estas  provenientes  do  sistema  informatizado  da  Previdência  Social)  e  com  os  livros  contábeis.  Foram  identificadas  divergências  entre  as  bases  de  remuneração  declarada,  a  base  lançada  na  contabilidade  e  as  constantes das folhas de pagamentos, em todos os meses fiscalizados.  Esse Relatório  informa ainda que os  fatos geradores  foram apurados por meio  dos seguintes levantamentos:  1.  GFA  ­  GFIP  após  início  da  fiscalização  à  todos  os  valores  de  remuneração  e  os  descontos  dos  segurados  declarados  em GFIP,  após  início da ação fiscal, foram lançados neste  levantamento,  inclusive pró­ labore (honorários de diretoria);  2.  FPN  ­  Folha de Pagamento não declarada à  obtida  da  comparação  entre  o  total  das  remunerações  declaradas  em  GFIP  e  as  folhas  de  pagamento da empresa, constatou­se que não foram declarados em GFIP  todos os dados da base de contribuição do contribuinte. As diferenças da  base  de  cálculo  e  do  desconto  do  segurado  foram  lançadas  neste  levantamento;  3.  SAT  ­  Diferença  SAT à  refere­se  às  diferenças  entre  os  valores  da  contribuição  total  de SAT  (2%),  apuradas na ação  fiscal,  e o montante  depositado em juízo pela empresa;  4.  ASM  ­  Assistência  Médica  Contab  à  referente  a  pagamentos  efetuados  pela  empresa  para  concessão  de  assistência  médica  a  uma  parte dos segurados empregados;  5.  CON ­ VL Contábil maior que folha GFIP à a contabilização das folhas  de pagamentos da empresa demonstra que os valores lançados na conta  Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/2008­21  Resolução nº  2402­000.408  S2­C4T2  Fl. 4          3  de  salários  é  maior  do  que  os  constantes  nas  folhas  entregues  à  fiscalização;  6.  HON ­ Honorário Pessoa Física Preposto à referente aos honorários e  despesas  não  comprovadas  e  pagas  aos  prepostos  da  empresa,  não  declarados em GFIP;  7.  ADV  ­ Honorários Advocatícios à  pagamentos  verificados  na  conta  3375  ­3.2.1.02.014  (honorários  advocatícios)  foram  lançados  neste  levantamento, bem como a contribuição destes segurados;  8.  AUT  ­  Autônomos  Diversos à  referente  a  pagamentos  de  serviços  prestados por pessoa física em diversas contas de despesa (contas 3471 ­  3.2.1.02.017, 2201 ­ 3.3.1.02.005 e 2163 ­3.3.1.02.001);  9.  VTD  ­  Vale  Transporte  Dinheiro à  o  custo  do  vale  transporte  em  dinheiro,  identificado  nas  folhas  de  pagamento,  foi  lançado  neste  levantamento juntamente com a contribuição dos segurados devida sobre  este beneficio;  10. DAL  ­  Diferença  de  Acréscimos  Legais à  referente  a  acréscimos  legais (multa e juros) recolhidos a menor em Guias da Previdência Social  (GPS) recolhidas em atraso, consoante fundamentação às folhas 59 a 61;  11.  e  PRO  ­  Pro  Labore  Contabilidade  à  referente  a  pró­labore  identificado  na  contabilidade  (conta  3866­3.2.1.02.019  despesas  não  dedutíveis) e não declarado em GFIP.  A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deu­se em 23/10/2008 (fl. 01).  A  autuada  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  125/156,  Volume  3),  alegando, em síntese, que:  1.  a empresa atua no fornecimento de mão de obra temporária, regida pela  Lei 6.019/1974, sendo terceirizada das empresas contratantes. Assim, as  exigências  feitas  no  contrato  de  uma  empresa  terceirizante  não  vincula  um  outro  contrato  com  outra  empresa  (também  terceirizante)  não  cabendo  a  obrigatoriedade  à  impugnante  estender  a  todos  os  trabalhadores  não  vinculados  àquele  contrato,  não  só  por  ausência  de  exigência  legal  e  contratual,  mas  também  porque  aumenta  o  custo  operacional  e  de  pessoal  da  empresa,  o  que  acabaria  gerando  a  necessidade de enxugamento de  folha, demissão e desemprego. Ora, se  determinada  empresa  terceirizante  exige  contratualmente  determinado  benefício e outra não. não há nenhuma previsão legal, inclusive para fins  previdenciários,  a  exigência  de  que  todos  os  demais  empregados,  não  vinculados  àquele  contrato,  tenham  eventual  benefício.  Nesse  sentido,  por se tratar de empresa de trabalho temporário, cada contrato, com suas  exigências  específicas,  deve  ser  visto  isoladamente,  uma  vez  que  não  vinculam os demais trabalhadores temporários dos outros contratos;  Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/2008­21  Resolução nº  2402­000.408  S2­C4T2  Fl. 5          4  para o Levantamento GFA percebe­se que o valor encontrado nesse item é a diferença entre a transmissão da  GFIP antes e a retransmissão da GFIP após a fiscalização, vindo a gerar esta diferença que, como dito, não é  devida, bem como distribuídas nos demais tópicos a seguir impugnados;  2.  no  Levantamento  FPN,  o  fato  de  existir  diferença  entre  o  total  da  remuneração  declarada  em  GFIP  e  as  folhas  de  pagamento  significa  dizer  que  nem  tudo  que  está  na  folha  de  pagamento  é  remuneração  tributável  pela  previdência,  constituindo  a  mesma  de  verbas  ressarcitórias  e  afins,  verbas  estas  que  não  integram  o  salário  de  contribuição.  Ademais,  eventuais  equívocos  contábeis  ou  mesmo  equívocos  na  fiscalização,  não  podem  trazer  prejuízo  de  tal  monta  à  empresa impugnante;  3.  portanto,  resta  evidente  a  improcedência  deste  tópico,  merecendo  a  realização  de  perícia,  o  que  restará  evidente  que  nem  todos  os  valores  integrantes da folha de pagamento constituem­se base de cálculo para a  contribuição previdenciária, uma vez que os valores foram reembolsados  aos empregados a título de despesas já efetuadas;  4.  para  o  Levantamento  VTD,  alega  que  no  caso  dos  autos,  além  da  questão da logística e do risco de furtos e roubos constantes, a empresa  impugnante  se viu  impossibilitada de conceder os vales  transporte para  alguns  funcionários,  tendo  em  vista  as  peculiaridades  que  cercavam  a  localidade em que ocorria a prestação do serviço. Em outras palavras, a  empresa  impugnante  não  concedia  vale  transporte,  reembolsando  em  dinheiro,  porque  ou  não  tinha  transporte  público  e  vale  transporte  no  município,  ou  porque  o  transporte  que  existia  não  aceitava  vale  transporte;  5.  no  tópico  referente  ao  Levantamento  SAT,  o  fisco  previdenciário  lançou as diferenças entre os valores da contribuição total do SAT (2%),  apurados na ação fiscal, e o montante depositado em juízo pela empresa.  Percebe­se que o fisco previdenciário, ao total arrepio da lei, considerou,  indiscriminadamente,  todas as áreas de atuação da empresa impugnante  com o mesmo risco para contribuição do SAT. Em outras palavras, não  há  que  se  falar  em  uniformidade  do  risco,  razão  pela  qual  deve  ser  aferido  individualmente.  Registre­se,  inclusive,  que  a  empresa  impugnante  presta  serviço  a  instituição  financeiras,  sendo  certo  que  é  previsto  que  se  trata  de  Risco,  nestes  casos,  diferente  de  outras  atividades;  6.  ademais,  como  visto  acima,  existindo  discussão  judicial  a  respeito  do  suposto  débito  tributário,  ou  do  seu  valor,  bem  como  depósito  judicial  (doc. Anexo),  há  a  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito,  diferente  do  que  alega  o  fisco  previdenciário.  Com  efeito,  conforme  é  sabido  pelo  próprio órgão fiscalizador, a questão está sendo submetida ao judiciário,  sendo  certo  que,  diferente  do  entende  o  fisco,  encontra­se  com  a  sua  exigibilidade  suspensa,  notadamente  quando  com  o  depósito  judicial.  Portanto,  havendo  processo  que  discute  o  valor  do  suposto  débito  tributário,  com depósito  judicial,  suspende­se a  exigibilidade do  tributo  até decisão final;  Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/2008­21  Resolução nº  2402­000.408  S2­C4T2  Fl. 6          5  7.  em  relação  aos  Levantamentos  ASM  e  AMA,  todos  os  seus  trabalhadores temporários, vinculados aos diferentes contratos, possuem  indistintamente  os  direitos  garantidos  pela  legislação  aplicável,  mormente  os  previstos  na  Lei  6.019/74  e  na  própria  CLT  (quando  aplicável).  Já  outros  benefícios,  como,  por  exemplo,  a  assistência  à  saúde,  depende  da  exigência  contratual.  Assim,  como  dito  alhures,  a  diferença  por  ventura  encontrada  ­  assistência  médica  a  alguns  trabalhadores, não se  trata de ato volitivo da empresa impugnante, mas  sim  de  exigência  contratual  de  quem  contrata,  beneficiando  os  trabalhadores contratados vinculados ao contrato;  8.  para  os  Levantamentos  CON  e  COS,  registre­se  que  tal  diferença  é  facilmente  explicável,  isso  porque  os  valores  das  férias  e  13°  salário  estão  somente  provisionados  mês  a  mês  na  contabilidade,  não  sendo  efetivamente  pagos,  assim  resta  claro  o  porque  da  diferença  do  pagamento real efetuado, com isso, não pode agora, o contribuinte sofrer  qualquer sansão ou penalidade, por quanto que não ocorreu. Vale ainda  salientar,  que  os  pagamentos  das  ajudas  de  custo  aos  funcionários,  também estão lançados e inclusos nestes valores, conforme inscrição da  empresa  impugnante  no  Programa  de  Alimentação  do  Trabalhador  (PAT), contribuindo com a diferença na contabilidade;  9.  com  relação  ao  Levantamento  HON,  também  não  merece  razão  os  argumentos utilizados, notadamente por dois motivos: primeiro, porque  se  trata  de  contribuinte  individual,  existindo  limite  máximo  para  o  recolhimento  previdenciário,  não  sendo devido  quando  este  é  atingido;  segundo, porque os reembolsos das despesas não são tributáveis. Ora, o  próprio  fisco  reconheceu  que  as  verbas  remuneratórias  foram  lançadas  em conjunto com as verbas ressarcitórias, o que já permite concluir que  existem distinções no lançamento contábil que não são tributáveis. Desta  forma, resta impugnada a pretensão do fisco previdenciário, requerendo,  desde já. a realização de prova pericial;  10. para os Levantamentos ADV, AUT e PRO, aduz que todo contribuinte  da  previdência,  inclusive  o  individual,  tem  um  teto máximo  em  que  é  tributado,  não  havendo  que  se  declarar  em  GFIP,  nem  em  tributar,  quando já se atingiu;  11. quanto  ao  pró­labore  dos  sócios,  é  fato  que  a  autora  remunera  os  seus  sócios  administradores  através  do  pagamento  de  pró­labore.  Contudo,  estes  mesmos  sócios  administradores,  não  obstante,  já  recolhem  contribuição ao INSS, na qualidade de segurados obrigatórios, incidentes  sobre o pró­labore. ou seja, sobre a mesma base de cálculo e mesmo fato  gerador do recolhimento efetuado pela autora, com base na lei já citada.  Portanto,  pró­labore  e  salário  são  institutos  jurídicos  distintos,  com  efeitos diversos no campo jurídico. Um instituto pertence ao Direito do  Trabalho, outro, ao Direito Comercial;  12. requer a improcedência total do presente Auto de Infração.  Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/2008­21  Resolução nº  2402­000.408  S2­C4T2  Fl. 7          6  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA  –  por meio  do Acórdão  no  15­19.662  da 7a  Turma da DRJ/SDR  (fls.  717/722, Volume 4) –  considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontra­se revestido  das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos  que disciplinam o assunto.  A  Notificada  apresentou  recurso  voluntário,  manifestando  seu  inconformismo  pela  obrigatoriedade  do  recolhimento  dos  valores  lançados  e  no  mais  efetua  repetição  das  alegações da peça de impugnação (fls. 962/999, Volume 5).  A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Salvador/BA informa que o  recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais (CARF) para processamento e julgamento.  É o relatório.  Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/2008­21  Resolução nº  2402­000.408  S2­C4T2  Fl. 8          7  VOTO  Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Analisando o processo, verifica­se que há questões que devem ser devidamente  dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco).  Isso  porque,  um  dos  argumentos  suscitados  nas  razões  de  recurso  do  contribuinte  diz  respeito  à  matéria  fática  relacionada  com  a  base  de  cálculo  e  com  o  recolhimento de valores por meio GPS, acompanhada de cópias de documentos  juntados aos  autos.  No  que  tange  à matéria  submetida  à  controvérsia  instaurada,  o  Fisco  informa  que  os  valores  apurados  no  presente  lançamento  fiscal  foram  extraídos  das  folhas  de  pagamento,  das  GFIP’s  e  da  escrituração  contábil,  documentos  estes  fornecidos  pela  Recorrente, bem como de informações extraídas dos sistemas informatizados do Fisco.  Em  sentido  contrário,  a Recorrente  afirma  na  peça  recursal  que:  (i)  conforme  levantamento através dos comprovantes do contribuinte confrontados com o  relatório RADA  (relatório  de  apropriação  de  documentos  apresentados)  não  foram  considerados  pelo  Fisco,  perfazendo o montante de R$304.196,57 (trezentos e quatro mil, cento e noventa e seis reais e  cinqüenta  e  sete  centavos),  conforme planilha  em  anexo  (Anexo 1);  (ii)  há  erro operacional,  pois  a  empresa  não  informou  nas  GFPs  a  totalidade  das  retenções,  informou  valores  bem  abaixo do  real,  o que  acarreta um crédito para o  contribuinte. Este  crédito pode  ser  apurado  considerando  os  valores  apropriados  no  relatório  RADA  (Relatório  de  apropriação  de  documentos  apresentados),  confrontando­o  com  os  valores  que  foram  declarados  em  GFPs,  conforme documentos anexos (Anexo 2). Nessa argumentação, concluiu a Recorrente que (...)  existem  situações  em que  a Fiscal  não  apropriou  –  perfazendo o montante  de R$304.196,57  (trezentos e quatro mil, cento e noventa e seis reais e cinqüenta e sete centavos) –, bem como  situações em que a mesma apropriou mais não considerou os valores (crédito) para abatimento  de eventual suposta dívida.  A Recorrente argumenta ainda, dentre outros, que houve bitributação em alguns  levantamentos  enumerados  na  peça  recursal  e,  com  relação  aos  levantamentos  CON­VL  Contábil maior que Folha GFIP e COS­VL Contábil maior seg. aferido, há incursão na base de  cálculo de valores indenizatórios (ajuda de custo e alimentação enquadrada no PAT).  Por fim, a Recorrente concluiu que:  “[...] Deve­se  registrar que  extrai­se dos  fundamentos utilizados pelo  fisco  previdenciário  que  há  constante  bis  in  idem  (bitributação),  vez  que faz incidir a contribuição previdenciária sob o mesmo suposto fato  gerador, especialmente nas questões que são generalizas, situação esta  que não foi observada nem afastada no Acórdão recorrido.  E o que se observa, por exemplo, nos itens referentes a  incidência do  "valor  contábil maior  que  folha GFÍP",  da  "folha  de  pagamento  não  declarada"  e  "valor  contábil maior  segurado  auferido"  entre  si  e  em  cotejo com os demais itens.  Ora,  esse  três  itens  envolvem  os  mesmos  supostos  fatos  geradores  e  bases  de  cálculo,  sendo  refletidos  pelos  demais  levantamentos  Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/2008­21  Resolução nº  2402­000.408  S2­C4T2  Fl. 9          8  lançados,  vez  que  todos  eles  integram,  por  exemplo,  a  folha  de  pagamento.  Ademais, como já dito acima, mesmo estando na folha de pagamento,  esta  não  deve  ser  considerada  integralmente,  vez  que  existem  panes  integrantes  que  não  são  base  de  cálculo  para  a  contribuição  previdenciária, pois não se tratam de remuneração.  Assim,  pode­se  concluir,  dos  argumentos  acima  expendidos,  que  não  são devidas as contribuições da empresa e a contribuição para o SAT  dos seguintes levantamentos realizados pelo fisco previdenciário: GFA,  FPN, SAT, VTD, ASM, COM, HON, AUT, ADV E PRO,  inclusive das  diferenças dos acréscimos legais das guias pagas.  (...)  d)  caso  em  remota  possibilidade  de  permanência  do  Acórdão,  o  que  não se acredita, requer o abatimento do crédito constatado em favor da  Recorrente no importe total de R$ 2.201.444,11 (dois milhões, duzentos  e  um  mil,  quatrocentos  e  quarenta  e  quatro  reais  e  onze  centavos),  montante  este  que  não  foi  considerado  pela  Fiscal  para  fins  de  aplicação  do  montante  apurado  no  Auto  de  Infração,  conforme  documentos  em  anexo.  [...]”Assim,  necessitamos  que  a  Auditoria­ Fiscal  (Fisco)  examine  e  emita  Parecer  Fiscal  sobre  os  argumentos  trazidos na peça recursal que foram acompanhados de várias cópias de  documentos, juntados aos autos na peça recursal.  Isso decorre do fato de que o trabalho de auditoria fiscal, em caso de verificação  de  descumprimento  de  obrigações  tributárias,  poderá  acarretar  o  lançamento  tributário,  ato  administrativo impositivo, de império, gravoso para os administrados. Por isso, o trabalho da  fiscalização deve sempre demonstrar, com clareza e precisão, como determina a legislação, os  motivos fáticos e jurídicos da lavratura da exigência.  Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN):  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido  o  procedimento administrativo  tendente a verificar a ocorrência do fato  gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável,  calcular o montante do  tributo devido,  identificar o  sujeito passivo e,  sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.  Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada  e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  Decreto 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF):  Art. 9°. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade  isolada  serão  formalizados  em  autos  de  infração  ou  notificações  de  lançamento,  distintos  para  cada  tributo  ou  penalidade,  os  quais  deverão estar instruídos com todos os  termos, depoimentos,  laudos e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis  à  comprovação do  ilícito.  (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  Tal  entendimento  também  está  em  consonância  com  o  art.  50,  §  1o,  da  Lei  9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação clara, explícita e congruente.  Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/2008­21  Resolução nº  2402­000.408  S2­C4T2  Fl. 10          9  Lei 9.784/1999 – processo administrativo federal:  Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação  dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:  I ­ neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;  II ­ imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...)  §1o  A  motivação  deve  ser  explícita,  clara  e  congruente,  podendo  consistir  em  declaração  de  concordância  com  fundamentos  de  anteriores  pareceres,  informações,  decisões  ou  garantia  dos  interessados.  Com isso, decido converter o presente julgamento em diligência, a fim de que o  Fisco emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal, acompanhada de um  conjunto  probatório  –  inclusive  deverá  verificar  se  efetivamente  foram  realizados  os  recolhimentos  das  contribuições  noticiados  pela  Recorrente,  por  meio  de  cópias  de  GPS  acostadas  aos  autos,  e  se  tais  recolhimentos  foram  devidamente  apropriados  no  lançamento  fiscal  –,  submetidos  à  controvérsia  instaurada  no  presente  processo.  Segundo  a  Recorrente,  esses  documentos  foram  devidamente  acostados  ao  processo  no  prazo  estabelecido  pela  legislação de regência.  Após essa providência, o Fisco deve elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a  necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos  que justificam sua posição.  Por  fim,  após  a  emissão  do  Parecer,  o  Fisco  deverá  dar  ciência  à  Recorrente  desta  decisão  e  do  Parecer,  com  os  demonstrativos  e  cópias  que  se  fizerem  necessários,  e  concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente,  caso deseje, apresente  recurso complementar.  CONCLUSÃO:  Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM  DILIGÊNCIA para as providências solicitadas.    Ronaldo de Lima Macedo.  Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

score : 1.0
5750575 #
Numero do processo: 10830.907607/2011-64
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o processo em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201411

turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10830.907607/2011-64

anomes_publicacao_s : 201412

conteudo_id_s : 5404641

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1802-000.600

nome_arquivo_s : Decisao_10830907607201164.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO

nome_arquivo_pdf_s : 10830907607201164_5404641.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o processo em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório

dt_sessao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014

id : 5750575

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:21 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047477025767424

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1392; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 2          1 1  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10830.907607/2011­64  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1802­000.600  –  2ª Turma Especial  Data  27 de novembro de 2014  Assunto  IRPJ  Recorrente  OCC ­ ONCOLOGIA CLÍNICA DE CAMPINAS SOCIEDADE  EMPRESARIA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  CONVERTER o processo em diligência, nos termos do voto do relator.    (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Correa ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Gustavo Junqueira Carneiro Leão ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Ester Marques  Lins  de  Sousa,  Gustavo  Junqueira  Carneiro  Leão,  Henrique  Heiji  Erbano,  José  de  Oliveira  Ferraz  Correa  e Nelso Kichel. Ausente  justificadamente o  conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos  Ferreira.       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 07 60 7/ 20 11 -6 4 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/2011­64  Resolução nº  1802­000.600  S1­TE02  Fl. 3          2 Relatório Trata­se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento  em Juiz de Fora  (MG), que por unanimidade de votos  julgou  improcedente a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  ora  Recorrente,  não  reconhecendo  o  seu  direito creditório.  Por economia processual passo a adotar o suscinto relatório elaborado pela DRJ,  in verbis:  “O  interessado  transmitiu  a  Dcomp  nº  31962.67435.091107.1.3.04­3356, visando compensar os débitos  nela declarados com crédito relativo a pagamentos indevidos ou  a maior do IRPJ;  A DRF/Campinas/SP  emitiu  Despacho Decisório  eletrônico,  no  qual  não  reconhece  o  direito  creditório  e  não  homologa  as  compensações pleiteadas;  A  empresa  apresenta  manifestação  de  inconformidade  na  qual  alega, em síntese, que:  a) DA INEFICÁCIA DO DESPACHO DECISÓRIO REFUTADO;  b) DA NECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA ALTERAR A  APURAÇÃO  DO  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  E  DA  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DA PESSOA JURÍDICA;  c)  SERVIÇOS  HOSPITALARES  –  POSSIBILIDADE  DE  APLICAÇÃO DO  PERCENTUAL  DE  8%  NA  APURAÇÃO DE  IRPJ PELO LUCRO PRESUMIDO – LEI Nº 9.249/95, Art. 15, §  1º, III, “a”;  d)  DO  PAGAMENTO  INDEVIDO  DE  IRPJ  E  A  POSSIBILIDADE DE SE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO;  É o breve relatório.”  A  DRJ  de  Juiz  de  Fora  (MG)  julgou  improcedente  a  impugnação,  consubstanciando sua decisão na seguinte ementa:  “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2003, 2004, 2005, 2006  DIPJ RETIFICADORA.  A DIPJ  retificadora,  por  si  só,  não  se  constitui  em  instrumento  hábil para a exigência dos valores nela informados.  IRPJ  E  CSLL.  LUCRO  PRESUMIDO.  ATIVIDADES  HOSPITALARES.  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/2011­64  Resolução nº  1802­000.600  S1­TE02  Fl. 4          3 A  expressão  “serviços  hospitalares”  somente  abrange  aqueles  prestados  por  estabelecimentos  qualificados  como  “hospital”,  portanto,  somente  esses  podem  apurar  o  lucro  presumido  no  percentual de 8% da receita bruta.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido”  Dessa decisão da qual  tomou ciência  em 28/11/2013,  a Recorrente  apresentou  Recurso Voluntário em 19/12/2013.  No Recurso faz extenso arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exerado  pela DRJ  não  deve  prosperar,  reiterando  em  seguida  as  alegações  feitas  por  ocasião  da  sua  manifestação  de  inconformidade  e,  no  fim,  pugnando  pelo  provimento  do  seu  Recurso  Voluntário.  É o relatório.  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/2011­64  Resolução nº  1802­000.600  S1­TE02  Fl. 5          4 Voto    Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator.  O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento.  A  presente  lide  consiste  na  interpretação  da Delegacia  da Receita  Federal  em  Ribeirão Preto que entendeu que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, deveria utilizar  o  percentual  de  lucro  de  32%  sobre  sua  receita  bruta  de  prestação  de  serviços  hospitalares,  portanto  divergente  do  percentual  de  12%,  o  qual  a  contribuinte  utilizou  entendendo  ser  pertinente às suas atividades.  De  acordo  com  o  entendimento  da  fiscalização,  a  Lei  nº  10.684/2003  criou  a  alíquota  de  32%  para  a  apuração  da  CSLL  para  as  pessoas  jurídicas  optantes  pelo  Lucro  Presumido, enquadradas na mesma situação da contribuinte, embora a mesma tenha continuado  a utilizar a alíquota de 12%.  Vejamos o diploma legal em questionamento:  “Art. 22. O art. 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa  a vigorar com a seguinte redação:  "Art.  20.  A  base  de  cálculo  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  devida  pelas  pessoas  jurídicas  que  efetuarem  o  pagamento  mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de  janeiro  de  1995,  e  pelas  pessoas  jurídicas  desobrigadas  de  escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta,  na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano­ calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades  a  que  se  refere  o  inciso  III  do  §  1o  do  art.  15,  cujo  percentual  corresponderá a trinta e dois por cento.  Parágrafo  único.  A  pessoa  jurídica  submetida  ao  lucro  presumido  poderá,  excepcionalmente,  em relação ao quarto  trimestre­calendário  de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro  presumido relativa aos três primeiros trimestres." (NR)  Passo  portanto  a  análise  do  mérito.  Para  tanto  colaciono  o  dispositivo  questionado, constante da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995:  “Art.  20.  A  base  de  cálculo  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  devida  pelas  pessoas  jurídicas  que  efetuarem  o  pagamento  mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de  janeiro  de  1995,  e  pelas  pessoas  jurídicas  desobrigadas  de  escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta,  na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano­ calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades  a  que  se  refere  o  inciso  III  do  §  1o  do  art.  15,  cujo  percentual  corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684,  de  2003)  (Vide  Medida  Provisória  nº  232,  de  2004)  (Vide  Lei  nº  11.119, de 205) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência)”  Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/2011­64  Resolução nº  1802­000.600  S1­TE02  Fl. 6          5 Reproduzindo também o dispositivo referente ao IRPJ, o qual ampara a CSLL:  Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada  mediante a aplicação do percentual de oito por cento  sobre a receita  bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da  Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995.  §  1º  Nas  seguintes  atividades,  o  percentual  de  que  trata  este  artigo  será de:  [...]  III  ­  trinta  e  dois  por  cento,  para  as  atividades  de:  (Vide  Medida  Provisória nº 232, de 2004)  a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;  a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e  de  auxílio  diagnóstico  e  terapia,  patologia  clínica,  imagenologia,  anatomia  patológica  e  citopatologia,  medicina  nuclear  e  análises  e  patologias  clínicas,  desde  que  a  prestadora  destes  serviços  seja  organizada sob a  forma de sociedade empresária e atenda às normas  da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa;  (Redação dada  pela Lei nº 11.727, de 2008)  [...]  Como de plano se observa, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, promoveu  alteração  no  sentido  de  adicionar  atividades  específicas  no  rol  de  exceções  à  aplicação  da  alíquota de 32%, sem adicionar contudo, os serviços radiológicos.  Ocorre que tal alteração não afeta o caso em tela em virtude de:  (I)  não  servir  de  caráter  expressamente  interpretativo  para  o  termo  “serviços  hospitalares”,  fato  que  poderia  ensejar  a  retroatividade  nos  termos  do  art.  106,  I,  do Código  Tributário Nacional; e   (II)  vir  após  a  ocorrência  dos  fatos  geradores  que  lhe  deram  causa  (anos­ calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006).  Portanto,  da  análise  deve­se  verificar  o  texto  legal  vigente  à  época  dos  fatos  geradores, que era “prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares”.  Neste  prisma,  a  Recorrente  entende  prestar  serviços  hospitalares  e,  nesta  condição,  entende  que  nos  fatos  geradores  supra  estaria  na  regra  de  exceção  à  aplicação  da  alíquota de presunção de lucro a 32%.  Confrontada  com  idêntica  situação,  o  STJ  através  do  REsp  n°  859.574,  de  relatoria  do Ministro  Castro Meira,  julgado  em  23/06/2009  se  pronunciou  no  sentido  de  se  interpretar  o  termo  “serviços  hospitalares”  objetivamente.  No  voto  do  Ilustre Ministro,  que  também citou precedente do decidido no REsp 951.251/PR, concluiu­se o seguinte:  ... a Seção decidiu que o benefício fiscal de redução de base de cálculo  foi concedido de modo objetivo, pois  leva em consideração o serviço  prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. Nesses  termos,  Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/2011­64  Resolução nº  1802­000.600  S1­TE02  Fl. 7          6 definiu­se  que  a  alíquota  reduzida  beneficia  todos  os  prestadores  de  serviços tipicamente hospitalares – que são aqueles que se vinculam às  atividades  desenvolvidas  pelos  hospitais,  voltados  diretamente  à  promoção  da  saúde  ­,  independentemente  da  complexidade  ou  da  estrutura para internação de pacientes.  A  mens  legis  da  norma  em  debate  busca,  através  de  um  objetivo  extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais  à  população,  não  vinculando  a  prestação  desses  a  determinada  qualidade  do  prestador  ­  capacidade  de  realizar  internação  de  pacientes ­, mas, sim, à natureza da atividade desempenhada.  No  julgamento  citado,  excetuaram­se,  apenas,  as  simples  consultas  médicas,  atividade  que  não  se  identifica  com as  prestadas  no  âmbito  hospitalar, mas nos consultórios médicos.  Na oportunidade  foram fixadas duas situações que convergem para a  concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta  seja  realizada  por  instituição  que,  no  desenvolvimento  de  sua  atividade, possuía custos diferenciados do simples atendimento médico,  sem,  contudo,  decorrerem  estes  necessariamente  da  internação  de  pacientes.  No  caso,  trata­se  de  entidade  que  presta  serviços  de  radiologia,  ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral  pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que  não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente.  Não  se  trata  de  simples  consulta  médica,  mas  de  atividade  que  se  insere, indubitavelmente, no conceito de “serviços hospitalares, já que  demanda maquinário  específico,  geralmente  adquirido  por hospitais  ou clínicas de grande porte.”  É  importante  deixar  consignado  –  por  sugestão  do  Min.  Teori  Zavascki no julgamento do REsp 951.251/PR – que a redução da base  de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar  desempenhada  pela  recorrente  –  especificamente  a  prestação  de  serviços  de  radiologia,  ultrassonografia  e  diagnóstico  de  imagens  –  excluídas  as  simples  consultas  e  outras  atividades  de  cunho  administrativo.  [...]  (Grifou­se)    Retornando a matéria ao pleito do STJ, decidiu este pacificar seu entendimento  no julgamento do REsp n° 1.116.399/BA, quando aplicou o regime do art. 543­C do Código de  Processo Civil, representativo da controvérsia, assim ementado:  DIREITO  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS  NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE  CÁLCULO  REDUZIDA.  DEFINIÇÃO  DA  EXPRESSÃO  "SERVIÇOS  HOSPITALARES".  INTERPRETAÇÃO  OBJETIVA.  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/2011­64  Resolução nº  1802­000.600  S1­TE02  Fl. 8          7 DESNECESSIDADE  DE  ESTRUTURA  DISPONIBILIZADA  PARA  INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO.  RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543­C  DO CPC.  1.  Controvérsia  envolvendo  a  forma  de  interpretação  da  expressão  "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção  da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discute­se a possibilidade  de,  a  despeito  da  generalidade  da  expressão  contida  na  lei,  poder­se  restringir  o  benefício  fiscal,  incluindo  no  conceito  de  "serviços  hospitalares"  apenas  aqueles  estabelecimentos  destinados  ao  atendimento  global  ao  paciente,  mediante  internação  e  assistência  médica integral.  2.  Por  ocasião  do  julgamento  do  RESP  951.251­PR,  da  relatoria  do  eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação  anterior,  decidiu  que,  para  fins  do  pagamento  dos  tributos  com  as  alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do  artigo  15,  §  1º,  inciso  III,  da  Lei  9.249/95,  deve  ser  interpretada  de  forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo  contribuinte),  porquanto  a  lei,  ao  conceder  o  benefício  fiscal,  não  considerou  a  característica  ou  a  estrutura  do  contribuinte  em  si  (critério  subjetivo),  mas  a  natureza  do  próprio  serviço  prestado  (assistência  à  saúde). Na mesma oportunidade,  ficou  consignado que  os  regulamentos  emanados  da  Receita  Federal  referentes  aos  dispositivos  legais  acima  mencionados  não  poderiam  exigir  que  os  contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da  necessidade  de  manter  estrutura  que  permita  a  internação  de  pacientes)  para  a  obtenção  do  benefício. Daí  a  conclusão  de  que  "a  dispensa  da  capacidade  de  internação  hospitalar  tem  supedâneo  diretamente  na  Lei  9.249/95,  pelo  que  se mostra  irrelevante  para  tal  intento as disposições constantes em atos regulamentares".  3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se  vinculam  às  atividades  desenvolvidas  pelos  hospitais,  voltados  diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não  necessariamente,  são  prestados  no  interior  do  estabelecimento  hospitalar,  excluindo­se  as  simples  consultas  médicas,  atividade  que  não  se  identifica  com  as  prestadas  no  âmbito  hospitalar,  mas  nos  consultórios médicos".  4.  Ressalva  de  que  as  modificações  introduzidas  pela  Lei  11.727/08  não  se aplicam às demandas  decididas anteriormente à  sua vigência,  bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não  se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente  considerada,  mas  sim  àquela  parcela  da  receita  proveniente  unicamente  da  atividade  específica  sujeita  ao  benefício  fiscal,  desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15  da Lei 9.249/95.  5.  Hipótese  em  que  o  Tribunal  de  origem  consignou  que  a  empresa  recorrida  presta  serviços  médicos  laboratoriais  (fl..  389),  atividade  diretamente  ligada  à  promoção  da  saúde,  que  demanda  maquinário  específico,  podendo  ser  realizada  em  ambientes  hospitalares  ou  similares,  não  se  assemelhando  a  simples  consultas  médicas,  motivo  Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/2011­64  Resolução nº  1802­000.600  S1­TE02  Fl. 9          8 pelo  qual,  segundo  o  novel  entendimento  desta  Corte,  faz  jus  ao  benefício  em  discussão  (incidência  dos  percentuais  de  8%  (oito  por  cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL,  sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de  serviços médicos laboratoriais).  6.  Recurso  afetado  à  Seção,  por  ser  representativo  de  controvérsia,  submetido ao regime do artigo 543­C do CPC e da Resolução 8/STJ.  7. Recurso especial não provido.  (REsp  1116399/BA,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010)  Tal decisão ainda foi consolidada pelo  julgamento de Embargos Declaratórios,  cuja ementa também transcrevo a seguir, por adicionar elementos interessantes, em especial, a  inaplicação do conceito de “serviços hospitalares” para “consultas médicas”, vejamos:  DIREITO  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  NO  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  LEI  9.249/95.  IRPJ  E  CSLL  COM  BASE  DE  CÁLCULO  REDUZIDA.  DEFINIÇÃO  DA  EXPRESSÃO  "SERVIÇOS  HOSPITALARES".  INTERPRETAÇÃO  OBJETIVA.  DESNECESSIDADE  DE  ESTRUTURA  DISPONIBILIZADA  PARA  INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO.  OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.  1.  Os  embargos  de  declaração  são  cabíveis  quando  o  provimento  jurisdicional  padece  de  omissão,  contradição  ou  obscuridade  nos  ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência  de erro material.  2.  A  parte  embargante  aduz  que  há  no  acórdão  embargado,  basicamente,  três  questões  a  serem  esclarecidas,  quais  sejam:  (i)  a  atividade  de  consulta  médica  realizada  no  interior  dos  hospitais  por  profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como  serviços hospitalares para efeito de beneficiar­se da redução da base  de  cálculo?;  (ii)  estão  (ou  não)  abrangidas  pelo  benefício  fiscal  as  consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no  interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples  consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório  médico de forma exclusiva se incluem no benefício?  3. No caso dos autos, o Colegiado  foi claro e preciso ao afirmar que  são  excluídas  dos  benefícios  tendentes  à  redução  das  alíquotas  ora  pleiteadas  as  atividades  destinadas  unicamente  à  realização  de  consultas  médicas,  de  sorte  que  a  conclusão  ora  buscada  pela  embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado.  4.  Não  obstante,  a  fim  de  dirimir  quaisquer  dúvidas  sobre  o  que  foi  efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas  do  julgado,  bem  como  o  manejo  de  novos  aclaratórios,  deve­se  esclarecer  que a  redução da  base  de  cálculo  de  IRPJ na  hipótese  de  prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a",  da  Lei  9.249/95,  efetivamente,  não  abrange  as  simples  atividades  de  consulta  médica  realizada  por  profissional  liberal,  ainda  que  no  Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/2011­64  Resolução nº  1802­000.600  S1­TE02  Fl. 10          9 interior  do  estabelecimento  hospitalar.  Por  conseguinte,  também  é  certo  que  o  benefício  em  questão  não  se  aplica  aos  consultórios  médicos  situados  dentro  dos  hospitais  que  só  prestem  consultas  médicas.  5.  Ademais,  por  ocasião  do  julgamento  dos  embargos  declaratórios  opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp  951.251­PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se  estender  o  benefício  aos  consultórios  médicos  somente  pelo  fato  de  estarem  localizados  dentro  de  um  hospital,  onde  apenas  sejam  realizadas  consultas  médicas  que  não  envolvam  qualquer  outro  procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados.  (EDcl no REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES,  PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 29/09/2010)  Como  se  observa,  o  entendimento  jurisprudencial  de  “serviços  hospitalares”  ficou consolidado em sentido amplo, relacionando­se ao serviço prestado, e não à natureza ou a  estrutura do prestador. A interpretação do dispositivo, portanto, é objetiva.  Ressalte­se  que  o  CARF  se  sujeita  ao  definido  nos  termos  do  art.  543­C  do  Código de Processo Civil, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009:  Art.  62­A. As decisões definitivas de mérito,  proferidas pelo Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­ C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  A  contrario  sensu,  a  DRJ  havia  entendido  pela  aplicação  temporã  dos  fatos  geradores, à luz das Instruções Normativas vigentes a cada tempo, que vinham restringindo o  conceito de serviços hospitalares.  “Seguindo  este  raciocínio,  pacificou­se  no  âmbito  da  administração  tributária  federal  o  entendimento  de  que  serviços  hospitalares  são  aqueles  prestados  em  decorrência  da  internação  e  tratamento  de  doentes  ou  aqueles  que  necessitam  de  intervenções  cirúrgicas  em  hospitais.  Não  se  consideram  como  tais,  para  os  fins  específicos  da  tributação  pelo  imposto  de  renda  e  CSLL  das  pessoas  jurídicas,  mormente no regime do lucro presumido, os serviços ambulatoriais, os  meros  serviços  de  clínica  médica,  de  exames  clínicos,  de  análises  clínicas  (laboratoriais,  radiológicas,  ecográficas,  de  ressonância  magnética,  de  tomografia  computadorizada,  etc.),  de  clínica  odontológica que não necessitam de um complexo hospitalar, ou seja,  dos  recursos materiais  e  humanos  próprios  de  um  hospital,  inclusive  para promover a internação dos pacientes.  Não  bastassem  estes  argumentos,  outra  justificativa  que  aponta  a  intenção do legislador em distinguir, para fins tributários, os serviços  profissionais de médico dos serviços hospitalares encontra­se no custo  suportado pelas pessoas jurídicas que atuam no ramo da saúde.  Com efeito,  os  custos  e  despesas  operacionais  dos  hospitais  são  bem  superiores  aos  de  outros  serviços médicos/odontológicos/psicológicos  Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/2011­64  Resolução nº  1802­000.600  S1­TE02  Fl. 11          10 prestados  em  clínicas,  consultórios  médicos  e  laboratórios,  o  que  fundamenta  a  diferenciação  de  percentual  adotada  pela  lei  para  fixação do lucro presumido da pessoa jurídica.  De  fato,  aos  custos  dos  serviços  prestados  por  hospitais,  além  dos  gastos dos profissionais especializados e dos materiais empregados no  atendimento,  somam­se,  permanentemente,  os  custos  de  hotelaria,  alimentação, enfermagem,  lavanderia  e pesquisa,  além do que devem  abranger  o  estado  de  prontidão  para  o  atendimento  a  possíveis  situações de emergência (atendimento 24 horas).  Este, pois, é o sentido teleológico da norma: considerar como base de  cálculo do imposto de renda uma porcentagem menor da receita bruta  para  quem  atua  no  ramo  de  serviços  hospitalares  em  relação  aos  serviços médicos ou odontológicos em geral, uma vez que seus custos  são bem superiores aos  serviços prestados em clínicas, ambulatórios,  consultórios médicos ou laboratórios.  Claro  está,  mais  uma  vez,  a  especificidade  do  conceito  de  serviços  hospitalares para fins do artigo 15, III, a, in fine, da Lei nº 9.249/95.  A  INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº  306/2003 E A PORTARIA GM  Nº 1.884/1994  À época dos fatos, a Coordenação­Geral do Sistema de Tributação da  Secretaria da Receita Federal do Brasil solicitou parecer ao Ministério  da  Saúde  a  respeito  do  conceito  de  “serviços  hospitalares”  com  o  desiderato  de  esclarecer  caso  concreto  em  solução de  consulta  a  ela  formulada,  cuja  resposta  consubstanciada  na  Nota  Técnica  CGPI/DP/SIS/MS nº 020, de 18 de fevereiro de 2002, assim concluiu a  questão:  Conforme  exposto  acima  podemos  concluir  que  as  definições  sobre  serviços  hospitalares  e  serviços  pré­hospitalares  devem  ser  elaboradas  a  partir  da  normatização  atualmente  vigente,  podendo­se resumir da seguinte forma:  SERVIÇOS  HOSPITALARES:  para  a  verificação  de  serviços  hospitalares,  deve­se  avaliar  se  no  caso  concreto  a  pessoa  jurídica exerce uma das seguintes  atribuições:  i)  promoção,  prevenção  e  vigilância  à  saúde  da  comunidade;  atendimento  eletivo  de  assistência  à  saúde  em  regime ambulatorial; ii) atendimento imediato de assistência à  saúde:  prestação  de  atendimento  de  assistência  à  saúde  em  regime  de  internação  por  período  superior  a  24  horas;  iii)  atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio  direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde.  Em face dessas conclusões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil,  por  meio  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  306/2003,  acolheu  o  posicionamento  externado  na  Nota  Técnica  CGPI/DP/SIS/MS  nº  020/2002,  ao  estabelecer  em  seu  art.  23,  as  hipóteses  em  que  os  serviços  prestados  por  determinadas  pessoas  jurídicas  poderão  ser  considerados como serviços hospitalares, para os fins previstos no art.  Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/2011­64  Resolução nº  1802­000.600  S1­TE02  Fl. 12          11 15,  §  1º,  inciso  III,  alínea  "a",  da  Lei  nº  9.249/95.  Eis  o  teor  do  dispositivo:  Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea  "a",  da  Lei  nº  9.249,  de  1995,  poderão  ser  considerados  serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas  jurídicas,  diretamente  ligadas  à  atenção  e  assistência  à  saúde,  que  possuam  estrutura  física  condizente  para  a  execução  de  uma  das  atividades  ou  a  combinação  de  uma  ou  mais  das  atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM  nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde,  relacionadas nos incisos seguintes:  I  –  realização  de  ações  básicas  de  saúde,  compreendendo  as  seguintes atividades:  (...)  II – prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em  regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades:   (...)  III – prestação de atendimento imediato de assistência à saúde,  compreendendo as seguintes atividades:   (...)  IV  –  prestação  de  atendimento  de  assistência  a  saúde  em  regime de internação, compreendendo as seguintes atividades:  (...)  V  –  prestação  de  atendimento  de  apoio  ao  diagnóstico  e  terapia, compreendendo as seguintes atividades:   (...)  Frise­  se:  para  que  sejam  considerados  hospitalares,  exige­se  que  os  serviços  descritos  nos  incisos  do  art.  23  da  IN  SRF  306/2003  sejam  prestados  por  estabelecimentos  que  possuam  estrutura  física  condizente com as atividades que desempenha.  Para que se verifique isso, faz­se necessária a apresentação de provas  que  demonstrem  que  os  estabelecimentos  cumprem  as  condições  exigidas em lei para ser considerado como estabelecimento assistencial  de saúde (EAS).  Neste  ponto,  a  Portaria  GM  nº  1.884/94  disciplinou  sobre  a  organização  físico­funcional  dos  estabelecimentos  assistenciais  de  saúde, determinando quais as condições necessárias exigidas para que  um estabelecimento possa prestar serviço hospitalar.  Lembre­se, ainda, que o caput do art. 23 da IN SRF nº 306/2003, exige  que  o  estabelecimento  assistencial  de  saúde  possua  estrutura  física  condizente  com  as  atividades  que  desempenha,  sendo  obrigatório,  portanto, oferecer os seus serviços de maneira plena e  integral. Além  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/2011­64  Resolução nº  1802­000.600  S1­TE02  Fl. 13          12 disso,  é  imprescindível  a  pessoa  jurídica  contar  com  todas  as  instalações e os equipamentos adequados para a prestação do serviço  hospitalar  equiparado,  devendo  estar  apta  a  prestar  os  serviços  necessários  para  os  quais  foi  criada  e  executá­los  em  local  onde  se  encontram  seus  equipamentos,  materiais,  mão­de­obra  especializada,  etc., os quais justificam os custos assemelhados à atividade hospitalar.  Se,  porventura,  o  contribuinte  tão­somente  dispensa  atendimentos  superficiais,  sendo  incapaz  de  propiciar  o  efetivo  diagnóstico  e  tratamento  de  seus  pacientes,  conclui­se  que  ela  não  possui  uma  estrutura capaz de usufruir os proveitos fiscais em análise.  Aduziu, portanto, que a definição de empresário e sociedade empresária não se  coaduna como elemento de empresa pela  simples prestação de  serviços profissionais na área  médica,  afastando  pelas  características  estruturais  o  contribuinte  da  condição  de  estabelecimento hospitalar de que trata a lei.  Ora, como já abordado, o STJ decidiu que o termo “serviços hospitalares” deve  ser analisado objetivamente. No caso, houve uma interpretação subjetiva, levando­se em conta  outros fatores que não se relacionam à prestação do serviço, mas à estrutura e outras condições  do estabelecimento, restringindo sua aplicação ao caso.  Neste estigma, é oportuno ressaltar que este Conselho não se submete aos atos  da Secretaria da Receita Federal, que é parte interessada na arrecadação, mas deve atenção ao  conteúdo  estabelecido  por  leis,  decretos,  tratados  ou  acordos  internacionais,  nos  termos  da  Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009:  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  Parágrafo  único.  O  disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  [...]  Assim,  é  de  se  afastar  a  interpretação  restritiva  emanada  através  do  Ato  Declaratório  Interpretativo  (ADI)  SRF  n°  18,  de  23  de  outubro  de  2003,  bem  como,  as  Instruções Normativas SRF n° 306, de 12 de março de 2003, n° 480, de 15 de dezembro de  2004 e n° 539, de 25 de abril de 2005, que não se coadunam ao conceito objetivo de “serviços  hospitalares” e se apegar ao precedente jurisprudencial representativo da controvérsia emanado  pelo STJ supracitado.  Por  derradeiro,  ainda  que  possam  haver  discussões,  vale  colacionar  decisões  deste Conselho já levadas a efeito nesta matéria que consolidam a interpretação esposada:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ   Ano­calendário: 2002, 2003, 2004, 2005   SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE  NÃO  PREVISTA  EM  LEI.  PERCENTUAL  DE  APURAÇÃO  DO  LUCRO PRESUMIDO.   Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/2011­64  Resolução nº  1802­000.600  S1­TE02  Fl. 14          13 A  expressão  "serviços  hospitalares",  constante  do  artigo  15,  §  1º,  inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou  seja,  sob  a  perspectiva  da  atividade  realizada  pelo  contribuinte,  porquanto  a  lei,  ao  conceder  o  benefício  fiscal,  não  considerou  a  característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo),  mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para  a  empresa  que  presta  “serviços  hospitalares”,  o  percentual  de  apuração do  lucro presumido sobre as  receitas da atividade, para os  anos  de  2002 a  2005,  é  de  8% para  o  IRPJ  e  de  12% para  a CSLL,  consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95.   (Acórdão  n°  1202­000.584,  Relator  Conselheiro  Carlos  Alberto  Donassolo, Segunda Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011)    IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ   Ano­calendário: 2004, 2005, 2006   LUCRO  PRESUMIDO.  CLÍNICA  DE  DIAGNÓSTICOS.  DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE   No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810),  havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu,  com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de  2008  não  se  aplicam  às  demandas  decididas  anteriormente  à  sua  vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo  15,  §  1º,  inciso  III,  da  Lei  9.249/95,  deve  ser  interpretada  de  forma  objetiva  (ou  seja,  sob  a  perspectiva  da  atividade  realizada  pelo  contribuinte),  porquanto  a  lei,  ao  conceder  o  benefício  fiscal,  não  considerou  a  característica  ou  a  estrutura  do  contribuinte  em  si  (critério  subjetivo),  mas  a  natureza  do  próprio  serviço  prestado  (assistência  à  saúde),  excluindo­se,  contudo,  as  simples  consultas  médicas,  atividade  que  não  se  identifica  com as  prestadas  no  âmbito  hospitalar, mas nos consultórios médicos.   CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL   Ano­calendário: 2004, 2005, 2006   TRIBUTAÇÃO REFLEXA.   Subsistindo  o  lançamento  principal,  na  seara  do  Imposto  sobre  a  Renda  de Pessoa  Jurídica,  igual  sorte  colhe  o  lançamento  que  tenha  sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática  de apuração daquele.  (Acórdão  n°  1103­000.552,  Relator  Conselheiro  Jose  Sergio  Gomes,  Primeira Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011)  Assim a  expressão  "serviços hospitalares",  constante do  artigo 15, § 1º,  inciso  III,  da  Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade  realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro,  não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a  natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/2011­64  Resolução nº  1802­000.600  S1­TE02  Fl. 15          14 hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade é de  12% para a CSLL, consoante o art. 20 do mesmo diploma legal.  Apesar  de  tudo  o  que  foi  dito  o  julgamento  do  presente  processo  necessita  de  uma  instrução complementar para que se verifique a natureza do serviço prestados no período em  que  os  créditos  foram  apurados.  Isto  posto,  voto  pela  conversão  do  presente  processo  em  diligência para que a Delegacia de origem verifique:  a)  através das notas fiscais de saída a natureza dos serviços que estão sendo faturados;  b)  a  existência  de  ativos,  próprios  ou  alugados  de  terceiros,  condizentes  com  a  prestação  de  serviços  que  tenham  custos  diferenciados  em  relação  à  simples  consultas;  c)  demais elementos julgados pertinentes que possam esclarecer a natureza das receitas  auferidas pera ora Recorrente, bem como o coeficiente para presunção do lucro.  Concluída  a  diligência  fiscal,  a  DRF  deverá  intimar  a  Recorrente  para,  querendo,  se  manifestar  e  lavrar  relatório  circunstanciado,  pormenorizado  e  conclusivo  dos  resultados  apurados.  (documento assinado digitalmente)  Gustavo Junqueira Carneiro Leão    Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA

score : 1.0