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Numero do processo: 16095.720083/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o processo até que seja proferida decisão definitiva relativa ao processo principal nº 16561.000025/2007-72, do qual este é decorrente.
(Assinado Digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Abel Nunes de Oliveira Neto.
Relatório
Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do Acórdão 12-63.418, de 20 de fevereiro de 2014.
O referido processo trata de lançamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) decorrente de compensação de prejuízo fiscal efetuada a maior, pela empresa Recorrente, no ano de 2009.
A compensação indevida foi constatada após procedimento fiscal de fiscalização que gerou lançamentos tributários em períodos anteriores ao ano de 2009. Em tais lançamentos, a fiscalização utilizou prejuízos fiscais constantes nos correspondentes períodos de autuação, razão pela qual resultou em uma variação a descoberto em relação ao ano de 2009.
Transcrevo abaixo Relatório da DRJ/RJ1:
Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, constituindo crédito tributário deste imposto no valor de R$ 6.875.594,11, multa proporcional de 75% no valor de R$ 5.156.695,58 e juros de mora no valor de R$ 2.324.638,37 calculados até setembro de 2013.
A descrição dos fatos menciona que houve PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE no valor de R$ 27.502.376,44 no ano calendário de 2009 e remete para detalhamentos que constam nos demonstrativos de apuração e Termo de Verificação e Constatação Fiscal de Irregularidades ressaltando serem partes integrantes e indissociáveis do auto de infração.
O Termo de Verificação e Constatação Fiscal de Irregularidades(TVCFI) (fls. 1168 a 1171) menciona, em síntese, que:
1. Comparando os dados das DIPJ entregues pela contribuinte nos exercícios de 2003 a 2010, anos calendário 2002 a 2009 com os dados resultantes do procedimento fiscal instaurado através do mandado de procedimento fiscal MPF nº 08.1.71.00200500011 que abrangeu o período a ser fiscalizado de 2001 a 2004 constatamos que a empresa não possuía a totalidade dos saldos de prejuízos fiscais acumulados discriminados no quadro demonstrativo apresentado nem saldos da base de cálculo negativa de CSLL.
2. O mencionado procedimento fiscal resultou na lavratura de autos de infração constantes dos seguintes processos:
16561.000.025/2007-72 (IRPJCSLL)
16561.000.026/2007-17 (IRPJCSLL)
16561.000.027/2007-61 (IRPJCSLLPISCofins)
16561.000.028/2007-14 (CSLL)
16561.000.029/2007-51 (CSLL)
3 Esclarecemos que a empresa não implementou as alterações resultantes do procedimento fiscal no LALUR.
4 Elaboramos quadro demonstrativo dos saldos dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL acumulados a compensar após computadas as alterações promovidas em razão do resultado do procedimento fiscal conforme planilha Utilização de Prejuízos Fiscais e/ou Bases de Cálculo Negativas da CSLL nos autos de infração lavrados, após acórdão DRJ e após Acórdãos CARF, assim como Histórico da Compensação de Prejuízos Fiscais e / ou Bases de cálculo Negativas da CSLL, que constituem partes integrantes dos autos de infração lavrados.
5 Em razão do exposto foi lançada de ofício a diferença de base de cálculo no valor de R$ 27.502.376,44 referentes à glosa parcial de compensação indevida de prejuízo fiscal. A empresa utilizou indevidamente o valor de R$ 32.639.574,64 na DIPJ ano-alendário 2009, equivalente a 30% do Lucro Real no valor de R$ 108.798.582,13 após compensação de prejuízo do próprio período de apuração (linha 74).
6 A diferença de cálculo da CSLL será objeto de lançamento em Auto de Infração próprio. (grifo deste relator)
As planilhas e demonstrativos mencionados no item 4 constam neste processo às fls. 1172/1179. Reproduzo a seguir o Demonstrativo de Utilização de Prejuízos Fiscais após acórdãos do CARF que compõe o saldo de prejuízo fiscal considerado indevidamente compensado no valor de R$ 27.502.376,44 sobre o qual foi lançado o IRPJ de ofício:
Segue reprodução do histórico da compensação de prejuízos fiscais constante nos autos às fls. 1175 e seguintes que demonstra a compensação de prejuízo fiscal no valor de R$ 27.502.376,44 considerada indevida.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o processo até que seja proferida decisão definitiva relativa ao processo principal nº 16561.000025/200772, do qual este é decorrente. (Assinado Digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente (Assinado Digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Abel Nunes de Oliveira Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do Acórdão 1263.418, de 20 de fevereiro de 2014. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .7 20 08 3/ 20 13 -1 6 Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 16095.720083/201316 Resolução nº 1401000.448 S1C4T1 Fl. 1.781 2 O referido processo trata de lançamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) decorrente de compensação de prejuízo fiscal efetuada a maior, pela empresa Recorrente, no ano de 2009. A compensação indevida foi constatada após procedimento fiscal de fiscalização que gerou lançamentos tributários em períodos anteriores ao ano de 2009. Em tais lançamentos, a fiscalização utilizou prejuízos fiscais constantes nos correspondentes períodos de autuação, razão pela qual resultou em uma variação a descoberto em relação ao ano de 2009. Transcrevo abaixo Relatório da DRJ/RJ1: Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, constituindo crédito tributário deste imposto no valor de R$ 6.875.594,11, multa proporcional de 75% no valor de R$ 5.156.695,58 e juros de mora no valor de R$ 2.324.638,37 calculados até setembro de 2013. A descrição dos fatos menciona que houve PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE no valor de R$ 27.502.376,44 no ano calendário de 2009 e remete para detalhamentos que constam nos demonstrativos de apuração e Termo de Verificação e Constatação Fiscal de Irregularidades ressaltando serem partes integrantes e indissociáveis do auto de infração. O Termo de Verificação e Constatação Fiscal de Irregularidades(TVCFI) (fls. 1168 a 1171) menciona, em síntese, que: 1. “Comparando os dados das DIPJ entregues pela contribuinte nos exercícios de 2003 a 2010, anos calendário 2002 a 2009 com os dados resultantes do procedimento fiscal instaurado através do mandado de procedimento fiscal – MPF nº 08.1.71.00200500011 que abrangeu o período a ser fiscalizado de 2001 a 2004 constatamos que a empresa não possuía a totalidade dos saldos de prejuízos fiscais acumulados discriminados no quadro demonstrativo apresentado nem saldos da base de cálculo negativa de CSLL. 2. O mencionado procedimento fiscal resultou na lavratura de autos de infração constantes dos seguintes processos: • 16561.000.025/200772 – (IRPJCSLL) • 16561.000.026/200717 – (IRPJCSLL) • 16561.000.027/200761 – (IRPJCSLLPISCofins) • 16561.000.028/200714 – (CSLL) • 16561.000.029/200751 – (CSLL) 3 Esclarecemos que a empresa não implementou as alterações resultantes do procedimento fiscal no LALUR. 4 Elaboramos quadro demonstrativo dos saldos dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL acumulados a compensar após computadas as alterações promovidas em razão do resultado do Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 16095.720083/201316 Resolução nº 1401000.448 S1C4T1 Fl. 1.782 3 procedimento fiscal conforme planilha “Utilização de Prejuízos Fiscais e/ou Bases de Cálculo Negativas da CSLL nos autos de infração lavrados, após acórdão – DRJ e após Acórdãos CARF, assim como Histórico da Compensação de Prejuízos Fiscais e / ou Bases de cálculo Negativas da CSLL, que constituem partes integrantes dos autos de infração lavrados.” 5 Em razão do exposto foi lançada de ofício a diferença de base de cálculo no valor de R$ 27.502.376,44 referentes à glosa parcial de compensação indevida de prejuízo fiscal. A empresa utilizou indevidamente o valor de R$ 32.639.574,64 na DIPJ anoalendário 2009, equivalente a 30% do Lucro Real no valor de R$ 108.798.582,13 após compensação de prejuízo do próprio período de apuração (linha 74). 6 A diferença de cálculo da CSLL será objeto de lançamento em Auto de Infração próprio. (grifo deste relator) As planilhas e demonstrativos mencionados no item 4 constam neste processo às fls. 1172/1179. Reproduzo a seguir o Demonstrativo de Utilização de Prejuízos Fiscais após acórdãos do CARF que compõe o saldo de prejuízo fiscal considerado indevidamente compensado no valor de R$ 27.502.376,44 sobre o qual foi lançado o IRPJ de ofício: Segue reprodução do histórico da compensação de prejuízos fiscais constante nos autos às fls. 1175 e seguintes que demonstra a compensação de prejuízo fiscal no valor de R$ 27.502.376,44 considerada indevida. Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 16095.720083/201316 Resolução nº 1401000.448 S1C4T1 Fl. 1.783 4 Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 16095.720083/201316 Resolução nº 1401000.448 S1C4T1 Fl. 1.784 5 O enquadramento legal indicado no auto de infração é: artigos 247, 250, inciso III, 251, 509 e 510 do RIR/99 e artigo 3º da Lei nº 9.249/95. A contribuinte foi cientificada do feito fiscal em 11/09/2013 conforme comprovante de recebimento dos correios às fls. 1188, e, irresignada, apresentou impugnação em 10/10/2013 (fls. 1199/1249). A impugnação apresentada contém, em síntese, as seguintes alegações: a) Os processos administrativos 16561.000.028/200714 e 16561.000.029/200751 tratam somente de crédito tributário de CSLL, não tendo relação alguma com a apuração de prejuízos fiscais pela impugnante. Eventual glosa realizada nestes autos somente teria relação com eventuais bases negativas de CSLL da Impugnante e jamais com seus prejuízos fiscais. b) Adicionalmente é necessário destacar que os autos de infração 16561.000.028/200714 e 16561.000.026/201717 foram julgados integralmente improcedentes pelo CARF. c) Tendo em vista que a glosa da compensação de prejuízo fiscal foi levada a efeito com base nos mesmos fundamentos que serviram de base às autuações dos processos administrativos nº 16561.000.025/200772 e 16561.000.027/200761 passase a demonstrar a improcedência das mencionadas autuações, cujo reconhecimento acarretará também a improcedência da autuação ora Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 16095.720083/201316 Resolução nº 1401000.448 S1C4T1 Fl. 1.785 6 impugnada. (Na sequência a contribuinte adentra no mérito dos autos de infração objeto dos referidos processos). d) Ainda que se entenda pela manutenção da autuação é certo que os juros calculados com base na variação da taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada por absoluta ausência de previsão legal. (Menciona e faz observações sobre os artigo 13 da Lei nº 9.065/96, artigo 3º, 113 § 1º do CTN, artigo 5º, II, e 37 da CF, transcreve ensinamentos de renomados juristas e acórdãos do CARF e da CSRF favoráveis ao seu entendimento) A 6ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do Acórdão 1263.418, de 20 de fevereiro de 2014, julgou a impugnação improcedente, com destaque para a seguinte Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 APRECIAÇÃO DE PROCESSOS JULGADOS . Incabível o reexame de processos já julgados ou que estejam sendo apreciados por outra unidade judicante, mormente quando os feitos encontramse decididos em segunda instância e aguardando apenas o pronunciamento quanto a embargos de declaração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 GLOSA DE PREJUÍZO FISCAL INDEVIDAMENTE COMPENSADO. Verificado que os julgamentos proferidos sobre autuações que influenciaram na quantificação do prejuízo indevidamente compensado não alteraram seu saldo, a exação consequente da indevida compensação não deve sofrer reparos. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é um débito para com a Fazenda Nacional e, nessa condição, é passível de juros de mora a partir da sua constituição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A empresa apresentou Recurso Voluntário alegando os mesmos pontos trazidos na impugnação, incluindo as razões constantes nos Recurso Voluntários dos processos administrativos fiscais 16561.000.025/200772, 16561.000.026/201717 e 16561.000.027/200761, já citados como originários deste processo aqui discutido. É o Relatório. Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 16095.720083/201316 Resolução nº 1401000.448 S1C4T1 Fl. 1.786 7 VOTO Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972, devendo, pois, ser reconhecido. Como já tratado no Relatório deste Acórdão, o referido processo trata de glosa de compensações de prejuízo fiscal efetuadas a maior, por reflexo de recomposição do referido prejuízo fiscal decorrente de lançamentos tributários em outros processos administrativos fiscais, que reproduzo novamente abaixo para melhor elucidação: • 16561.000.025/200772 – (IRPJCSLL) • 16561.000.026/200717 – (IRPJCSLL) • 16561.000.027/200761 – (IRPJCSLLPISCofins) Como visto, os processos 16561.000.028/200714 e 16561.000.029/200751 somente tratam de lançamento da CSLL, logo não têm influência no resultado do processo aqui discutido. Em sendo assim, foi preciso verificar se tais processos principais, por assim dizer, já foram julgados administrativamente de forma definitiva. Em análise, posso constatar que o processo nº 16561.000025/200772 ainda está pendente de apreciação por este Egrégio Carf, o que me leva a concluir que este processo de nº 16095.720083/201316 ainda não reúne condições de ser votado. Isto porque o processo de origem (16561.000025/200772) contempla matérias que podem alterar a base de lançamento do auto de infração que faz parte deste processo administrativo fiscal. Veja, conforme tela extraída do eprocesso, que foi interposto Recurso Especial da Fazenda Nacional, que, digase, foi admitido pelo Carf, assim como foi interposto Recurso Especial pela empresa ora autuada, que ainda pende de análise de sua admissibilidade. Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 16095.720083/201316 Resolução nº 1401000.448 S1C4T1 Fl. 1.787 8 Nesse sentido, proponho o SOBRESTAMENTO deste processo administrativo fiscal até que seja julgado em definitivo o processo nº 16561.000025/200772, do qual este é decorrente. (Assinado Digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 16095.720083/201316 Resolução nº 1401000.448 S1C4T1 Fl. 1.788 9 Fl. 1789DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.723553/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2008
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
É devida a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, devendo-se calcular o imposto devido a partir das tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do crédito recebido de forma acumulada.
Numero da decisão: 2201-003.502
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial nos termos do voto do Relator
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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É devida a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, devendo- se calcular o imposto devido a partir das tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do crédito recebido de forma acumulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial nos termos do voto do Relator. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 31/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Notificação de Lançamento 2008/584985785193057, fl. 3 a 7, a qual teve origem em procedimento de Revisão de A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 08 40 .7 23 55 3/ 20 12 -4 8 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária março de 2017 março de 2017 WILMA DUARTE WILMA DUARTE FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 99DF CARF MF 2 Declaração de Rendimentos da Pessoa Física relativa ao exercício de 2008, ano-calendário de 2007. A Autoridade Fiscal identificou infrações à legislação tributária e promoveu as alterações abaixo: a) omissão de rendimentos no valor de R$ 134.338,78, oriundo de ação judicial, já excluído o valor pago a título de honorários advocatícios de R$ 32.242,80; b) foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$ 4.997,45. Ciente do lançamento em 25 de outubro de 2012, inconformado, o contribuinte, tempestivamente, apresentou a Impugnação de fl. 2, na qual alegou que o rendimento em tela seria relativo ao somatório de 80 parcelas mensais de proventos de aposentadoria do período de 06/01/1992 a 14/03/1998, considerando também as parcelas relativas aos 13º salários. Debruçando-se sobre a demanda, a 16ª Turma de Julgamento da DRJ São Paulo I concluiu (fl. 79): Por conseguinte, uma vez que o rendimento foi recebido acumuladamente no ano-calendário de 2007 e, considerando que a legislação pertinente determina que a tributação deve se dar no momento da percepção do rendimento (regime de caixa) e não em relação a cada um dos períodos (mês a mês) a que o rendimento se referir (regime de competência), os rendimentos percebidos acumuladamente devem ser acrescidos aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual do ano- calendário de 2007, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. (...) À vista do exposto, voto por considerar improcedente a impugnação que ora se analisa, mantendo integralmente o crédito tributário na notificação de lançamento de fls. 03/07. Ciente do Acórdão da DRJ em 13 de maio de 2013, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 85 a 88, no qual, em síntese, buscando demonstrar a insubsistência e a improcedência do lançamento, solicitou o cancelamento do débito fiscal, basicamente sobre o argumento de que o valor deveria ser tributado nos meses a que se referem cada uma das parcelas que compõem o rendimento em discussão.. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Dos Rendimentos Tributáveis Recebidos Acumuladamente. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10840.723553/2012-48 Acórdão n.º 2201-003.502 S2-C2T1 Fl. 100 3 A análise das informações constantes dos autos demonstra que os rendimentos considerados omitidos pela Fiscalização têm origem em Ação Judicial concessiva de benefício previdenciário e se referem ao somatório de diferenças apuradas nos meses de janeiro de 1992 a março de 1998, conforme cálculos de fl. 16 a 20. Assim o cerne da celeuma administrativa está na pertinência ou não da tributação dos rendimentos recebidos pela pessoa física nos estritos termos do art. 12 da lei 7.713/88, segundo o qual, nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidiria, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com a ação judicial necessárias ao seu recebimento. Convicta da incidência do tributo de acordo com o texto legal acima, a DRJ considerou improcedente a impugnação. Contudo, trata-se de tema que já foi objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, com decisão definitiva de mérito na sistemática dos art. 543-B e 543-C da Lei 5.869, de 1973, nos seguintes termos: IMPOSTO DE RENDA - PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES-ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes,individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-233 DIVULG 26-1-2014 PUBLIC 27/11/2014) Por concordar integralmente com seus termos, em razão de sua clareza e adequação à presente demanda, julgo oportuno ressaltar as conclusões do Voto vencedor da lavra do Conselheiro Gerson Macedo Guerra, expresso no Acórdão 9202-003.695, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543-B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir da previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportando-me ao julgado vinculante, noto que, alí, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente Fl. 101DF CARF MF 4 no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor, regime regime de competência (...)", afastando-se assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento s e cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no . 7.713, de 1988, note-se, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda , em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento , inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repita-se, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa entende-se, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisiun vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note- se, se cogita da inexistência da obrigação tributária / incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se por um lado, manter-se a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no . 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti-isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu sentimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional , no sentido de Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10840.723553/2012-48 Acórdão n.º 2201-003.502 S2-C2T1 Fl. 101 5 sentido de determinar a manutenção do auto de infração, apenas determinando a retificação do montante do crédito tributário co m a aplicação das tabelas progressiva vigentes à época da aquisição dos rendimentos (...). Portanto, entendo que a autuação se deu absolutamente alinhada à legislação então vigente, não tendo o posicionamento do judiciário assegurado exclusão de tais rendimentos do campo de incidência do IRPF, mas tão só que, para o cálculo do tributo devido, as alíquotas fixadas devem considerar, individualmente, os exercícios envolvidos. Conclusão: Tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, dou-lhe parcial provimento para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo contribuinte seja realizado levando-se em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726891/2011-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. INCONSISTÊNCIA DAS PROVAS EM FACE DOS FATOS DESCRITOS. NULIDADE. VÍCIO DE NATUREZA FORMAL
O erro de fato é um problema intranormativo, decorrente de um equívoco na identificação do fato social descrito no antecedente de uma norma geral, identificação esta que não se resume à precisa descrição do fato tributável, mas em especial a sua identificação em concreto mediante a devida apresentação das provas correlatas.
Recurso voluntário provido. Crédito tributário exonerado.
Numero da decisão: 3402-003.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em integrar o Acórdão 3403-002.566 para esclarecer que o provimento ao recurso voluntário foi em razão de vício formal do lançamento.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. INCONSISTÊNCIA DAS PROVAS EM FACE DOS FATOS DESCRITOS. NULIDADE. VÍCIO DE NATUREZA FORMAL O erro de fato é um problema intranormativo, decorrente de um equívoco na identificação do fato social descrito no antecedente de uma norma geral, identificação esta que não se resume à precisa descrição do fato tributável, mas em especial a sua identificação em concreto mediante a devida apresentação das provas correlatas. Recurso voluntário provido. Crédito tributário exonerado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em integrar o Acórdão 3403-002.566 para esclarecer que o provimento ao recurso voluntário foi em razão de vício formal do lançamento. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1604; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 714 1 713 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.726891/201156 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.969 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2017 Matéria IPI Recorrente BAYONNE COSMÉTICOS LTDA. ME. Recorrida UNIÃO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. INCONSISTÊNCIA DAS PROVAS EM FACE DOS FATOS DESCRITOS. NULIDADE. VÍCIO DE NATUREZA FORMAL O erro de fato é um problema intranormativo, decorrente de um equívoco na identificação do fato social descrito no antecedente de uma norma geral, identificação esta que não se resume à precisa descrição do fato tributável, mas em especial a sua identificação em concreto mediante a devida apresentação das provas correlatas. Recurso voluntário provido. Crédito tributário exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em integrar o Acórdão 3403002.566 para esclarecer que o provimento ao recurso voluntário foi em razão de vício formal do lançamento. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 68 91 /2 01 1- 56 Fl. 95681DF CARF MF 2 Relatório 1. Por bem retratar a discussão em tela, utilizo como meu o relatório veiculado no acórdão n. 9303003.851 (fls. 95.655/95.670), da lavra da Conselheira Vanessa Marini Cecconello, in verbis: (...). Na data de 16/01/2012, a Contribuinte foi cientificada da lavratura de Auto de Infração (fls. 93.372 a 93.457) para exigência de Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) referente ao período de janeiro/2007 a dezembro/2008. O lançamento decorre de irregularidades apuradas pela Fiscalização da DRF/CTA no estabelecimento industrial da Bayonne Cosméticos Ltda, descritas no relatório do acórdão recorrido: (...). A impugnação apresentada pela Contribuinte, face à autuação, foi julgada parcialmente procedente pela 2ª Turma da DRJ/RPO, em decisão formalizada no Acórdão nº 1439.386, de 28/11/2012, para cancelar o lançamento referente às infrações dos itens "004 IPI LANÇADO NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR; 005 IPI LANÇADO E NÃO ESCRITURADO FALTA DE ESCRITURAÇÃO, e; 006 CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO do Auto de Infração". Como resultado do julgamento da impugnação, foi exonerada parte do crédito tributário, sendo R$2.407.264,42 (dois milhões, quatrocentos e sete mil, duzentos e sessenta e quatro reais e quarenta e dois centavos) a título de imposto e R$1.805.448,32 (um milhão, oitocentos e cinco mil, quatrocentos e quarenta e oito reais e trinta e dois centavos) referente à multa de ofício. Foram interpostos os respectivos recurso voluntário (fls. 95.353 a 95.407) e de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. As razões do Sujeito Passivo expostas no apelo voluntário foram assim sintetizadas na decisão ora recorrida: (...). Sobreveio julgamento dos recursos voluntário e de ofício consubstanciado no Acórdão nº 3403002.566 (fls. 95.535 a 95.549), proferido pela 4ª Câmara/ 3ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em 24/10/2013, dando provimento ao recurso voluntário e não conhecendo do recurso de ofício, por unanimidade de votos, para decretar a nulidade do auto de infração em razão do cerceamento do direito de defesa e exonerar integralmente o crédito tributário lançado pela Fiscalização. Interpostos embargos de declaração pela Fazenda Nacional (fls. 95.552 a 95.556), alegando omissão no julgado por não ter sido especificado se o vício que nulificou o lançamento era de ordem Fl. 95682DF CARF MF Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 3402003.969 S3C4T2 Fl. 715 3 formal ou material, os mesmos foram rejeitados por meio do despacho nº 3403R000.320, de 20/02/2014 (fls. 95.559 a 95.562). Não resignada, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial (fls. 95.564 a 95.578), com base em divergência jurisprudencial, alegando, em síntese, estarse diante de vício de ordem formal, por estar centrado em questão documental e procedimental, podendo haver novo lançamento fiscal, nos termos do art. 173, inciso II do Código Tributário Nacional CTN. Aduz que em se tratando de erro na apuração da matéria tributável, deve ser promovida a retificação do lançamento, conforme constou do acórdão paradigma nº 10320451. Ainda, discorre sobre a caracterização do vício formal, visando demonstrar também inexistir vício material, e ressaltando a natureza formal dos requisitos do auto de infração consistentes, dentre outros previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, na descrição do fato e na determinação da exigência. Ao final, requer: (a) a conversão do julgamento em diligência, ou, subsidiariamente, (b) a declaração de nulidade por vício de ordem formal, para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173, inciso II do CTN. O recurso especial foi admitido por meio do despacho nº 340000.232, de 07/10/2014 (fls. 95.580 a 95.582), sob o fundamento de ter sido comprovada a divergência jurisprudencial apontada pela Recorrente quanto à tipificação do vício causador da nulidade do lançamento. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 95.587 a 95.604) requerendo a improcedência do apelo especial da Fazenda Nacional. (...) (grifos nosso). 2. O sobredito recurso especial foi julgado procedente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante se observa do citado voto assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA COMPROVADA EM PARTE. Tratando o recurso especial de duas ou mais matérias, o mesmo só deve ser conhecido na parte em que devidamente comprovada a divergência jurisprudencial, requisito indispensável ao processamento do apelo. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. COMPETÊNCIA DO CARF. A manifestação acerca da natureza do vício que ensejou a nulidade do auto de infração, se formal ou material, é de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 95683DF CARF MF 4 Recurso especial conhecido em parte e, na parte conhecida, provido. 3. Em suma, a Câmara Superior ratificou o vício reconhecido pela instância ordinária, mas determinou, todavia, que esta instância ordinária o qualificasse juridicamente, identificando, por conseguinte, se aludido vício apresenta natureza formal ou material, o que afetará na (im)possibilidade de um novo lançamento para os mesmos fatos aqui tratados. É exatamente o que se depreende do resultado do sobredito julgamento realizado pela instância especial: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, dar provimento, determinando o retorno dos autos ao órgão julgador "a quo" para se manifestar sobre a natureza do vício de nulidade. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 5. Consoante se depreende do relatório alhures desenvolvido, o trabalho a ser realizado por esta instância ordinária não implicará o rejulgamento da presente lide. Em verdade, a decisão anteriormente proferida por essa mesma instância ordinária (acórdão no 3403002.566 fls. 95.535/95.549) será premissa do presente voto, i.e., a autuação fiscal é nula. Assim, o único mister a ser aqui realizado consiste em qualificar aquela nulidade outrora reconhecida, quer dizer, limitarseá a afirmar se tal vício apresenta natureza formal ou material. Por outro giro verbal, o trabalho a ser aqui desenvolvido terá a missão de integrar o acórdão no 3403002.566. 6. Assim, para cumprir com tal dever, compete agora fixar algumas premissas que serão essenciais para a identificação do vício reconhecido no presente caso. I. Premissas: vício formal x vício material 7. É consabido que o erro de direito é uma problema decorrente da equivocada subsunção do fato à norma ou, em outros termos, que emerge de uma indevida qualificação jurídica dos fatos apurados. É, pois, um problema internormativo, haja vista ter sua origem no descompasso entre uma norma individual e concreta e seu correlato fundamento geral e abstrato. 8. Por sua vez, o erro de fato é um problema intranormativo, decorrente de um equívoco na identificação do fato social descrito no antecedente de uma norma geral e abstrata. Essa é, v.g., a doutrina de Paulo de Barros Carvalho: O erro de direito é a distorção entre o enunciado protocolar da norma individual e concreta e a universalidade enunciativa da norma geral e abstrata, ao passo que o erro de fato é desajuste interno na formação do enunciado protocolar. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário – fundamentos jurídicos da incidência. 5ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 111.). Fl. 95684DF CARF MF Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 3402003.969 S3C4T2 Fl. 716 5 9. A orientação consolidada do Superior Tribunal de Justiça está em compasso com a doutrina em destaque, consoante bem ilustram os julgados abaixo: TRIBUTÁRIO. GUIAS DE IMPORTAÇÃO VENCIDAS E UTILIZADAS PELO CONTRIBUINTE. DESEMBARAÇO ADUANEIRO AUTORIZADO PELA AUTORIDADE FISCAL. POSTERIOR REVISÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO VERIFICADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1. Se a autoridade fiscal procede ao desembaraço aduaneiro à vista de guias de importação vencidas, circunstância dela desconhecida e ocultada pelo contribuinte, caracterizase erro de fato, e não erro de direito. 2. Por erro de fato devese entender aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. 3. Dizse erro de direito aquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. 4. Se o desembaraço aduaneiro é realizado sob o pálio de erro de fato, é possível sua revisão dentro do prazo decadencial, à luz do art. 149, IV, do CTN. Precedentes desta Corte. Agravo regimental provido. (Superior Tribunal de Justiça – STJ; 2ª. Turma; AgRg no REsp 942.539/SP; Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS; Data do Julgamento: 02/09/2010; Data da Publicação/Fonte: DJe 13/10/2010) (g.n.). 10. Estabelecidas, ainda que sucintamente, tais premissas, já é possível retornar ao caso decidendo para qualificar o vício da autuação reconhecido pelo acórdão no 3403002.566 (fls. 95.535/95.549). II. A qualificação jurídica do vício reconhecido na autuação em análise 11. É importante lembrar neste momento que a qualificação jurídica do vício aqui debatido deve partir das premissas adotadas pelo voto do Conselheiro Alexandre Kern e retratado no acórdão 3403002.566. E, no aludido voto, o citado Conselheiro assim ponderou: (...). Compulsando os autos, depareime com o TERMO DE DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL às fls. 93.692 a 93.836 (TDFEAF). Ao longo de suas 145 folhas, percebese o árduo trabalho de pesquisa e o esforço do agente fiscal em bem descrever as infrações constatadas, articulando, a partir das provas manipuladas, diferentes possibilidades de capitulação legal. Penso que foi justamente a riqueza desse termo de descrição dos fatos que permitiu ao autuado defenderse das irregularidades que lhe foram imputadas, a ponto de cancelaremse os lançamentos referentes a três das seis infrações detectadas. A exuberância da peça Fl. 95685DF CARF MF 6 impugnatória na verdade reflete a qualidade do referido Termo. Ademais, ao contrário do que alega a recorrente, as operações estão individualizadas, haja vista as diversas planilhas que instruem os autos. O ofício da Fiscalização, no entanto, não se resume a relatar infrações percebidas. Há um trabalho prévio de auditoria – mais importante, não tenho dúvidas – que deve ficar bem documentado nos autos, com vistas à determinação da matéria tributável e ao cálculo do montante do tributo devido, iter indispensável do procedimento administrativo de constituição de crédito tributário. (...). Para documentar essas infrações, o TDFEAF reportase a planilhas que consolidariam a matéria tributável. São as seguintes as planilhas referidas: (...). Compulsando os autos digitais, no intuito de localizar as planilhas referidas no TDFEAF, depareime com 57 imagens nominadas genericamente como “Planilha de cálculo” ou “Documentos diversos – outros”. Tocou então visualizálas para saber o que continham. Constatei tratarse de relatórios extraídos do sistema de auditoria “Contágil”, empregado pela Fiscalização da SRF. Na tabela abaixo, reproduzo o nome da imagem no processo digital, o título da planilha e as folhas do processo digital em que se inserem: (...). Percebese liminarmente que nenhuma das planilhas referidas no TDFEAF encontrase nos autos. Cotejandose apenas os nomes das planilhas, podese inferir que os relatórios “NF saídas deocolonia tributáveis“, “NF saídas concidionador tonalizante lçto“, “NF saídas deocolonia tributáveis“, “NF saídas deocolonia tributáveis“, “NF saídas deocolonia tributáveis“, “NF saídas lenços tributáveis AI“, “NF saídas sabonete líquido tributáveis“, “NF saídas óleo para banho tributáveis lçto“ e “NF saídas óleo para banho tributáveis“, “NF saídas sabonetes totais AI“ estejam relacionados com as seis planilhas referentes à infração 3.2.2.2 Erro de Classificação Fiscal. Fezse então necessário examinar o conteúdo desses relatórios a fim de superar a dificuldade inicial introduzida pelos nomes de planilhas não coincidentes. Iniciei com a análise da planilha “NF saídas deocolonia tributáveis”, às fls. 4.559 a 4.562, que talvez correspondesse à planilha “Al erro de class fiscal deocolônia da planilha.xls”, justamente a primeira a ser mencionada no TDFEAF.. A planilha contém os seguintes campos: (...). Embora conte com apenas quatro registros, todos relacionados com o produto, DEO COLONIA FLOR DE MENINA RACCO 100ML, a planilha, impressa na orientação retrato, não permite Fl. 95686DF CARF MF Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 3402003.969 S3C4T2 Fl. 717 7 a visualização de todos os campos, obrigando à rolagem das páginas. Confesso que levei alguns instantes para perceber que o campo Código do Participante referese ao CNPJ do destinatário das saídas. O CFOP 5905, constante de todos os 4 registros da planilha, fizeramme cogitar que ela se referia, na verdade, a outra infração. Quando me deparei com um campo com o obscuro título Quantidade na Unidade Estatística SOMA, decidi examinar outra planilha. Ainda cogitando tratar de dados referentes à infração 3.2.2.2 Erro de Classificação Fiscal, passei a analisar a planilha de fls. 4.575 a 4.820, “NF saídas concidionador tonalizante lçto“. As 246 folhas da planilha representaram dificuldade inicial para o levantamento dos campos desse demonstrativo. O cinco primeiros estão logo na primeira folha. São eles: (...). Rolando as folhas da planilha, constatei que os cabeçalhos, inamistosamente, não se repetem entre uma folha e outra. Encontrei novos campos na folha 83 da planilha: (...). As 11.006 (onze mil e seis) folhas da planilha seguinte (“NF saídas deocolonia tributáveis, fls. 4.821 a 15.827”) desestimularamme a continuar na busca. Concluindo pela impossibilidade de aferição da matéria tributável apurada pela Fiscalização, vime então tentado a propor a meus pares a conversão do julgamento do recurso em diligência à repartição fiscal de origem para saneamento das falhas de organização do processo, afinal, as infrações foram muito bem descritas e apontavam para um conjunto indiciário consistente. Proporia as seguintes providências: (...). No entanto, analisando a necessidade de outras providências, à luz dos ajustes no lançamento promovidos pelo julgamento de primeira instância, que ensejou recurso de ofício, bem assim dos argumentos do recurso voluntário, concluí que a realização de uma diligência com esse fim, à essa altura do andamento do processo, implicaria novo prejuízo à defesa, que teria suprimida uma instância na apreciação desses documentos aportados os autos na fase recursal. E o retrocesso à fase inicial do processo equivaleria a novo lançamento, o que não se admite. Nesse contexto de desorganização dos autos, de ininteligibilidade da prova das infrações, de obstáculos intransponíveis e mesmo de falta de documentos essenciais para a determinação da matéria tributável, não obstante a qualidade do relatório fiscal que acompanha o Auto de Infração ter permitido ao sujeito passivo perfeita compreensão das infrações que lhe foram imputadas, há de se reconhecer a procedência da arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Fl. 95687DF CARF MF 8 (...). 12. A citação alhures é longa, mas absolutamente necessária na medida em que demonstra, com riqueza de detalhes, o trabalho então realizado pelo antigo Relator do caso para veicular o acórdão 3403002.566 o que, por sua vez, deixa clara a dificuldade por ele enfrentada em relação à autuação fiscal: vincular às descrições fáticas das exigências fiscais mantidas pela DRJ com o correlato acervo probatório produzido nos autos. 13. Levando em consideração as premissas fixadas no item "I" do presente voto, resta claro que não se está diante de um erro de direito, na medida em que, segundo o citado acórdão, não houve um descompasso entre o fato descrito pelo agente fiscal e sua correlata qualificação fiscal. Em verdade, o que houve foi um problema na apuração do fato em si considerado, uma vez que referida operação a ser retratada no lançamento fiscal não consiste apenas em descrevêlo com precisão, mas, em especial, proválo em concreto, sob pena do lançamento ficar em um indevido altiplano abstrato (próprio das normas jurídicas) sem, todavia, identificar um fato concreto passível de tributação. 14. Nesse sentido, o lançamento aqui perpetrado está em descompasso com o disposto no art. 142 do CTN1, na medida em que é incapaz de verificar a ocorrência do fato gerador e, por conseguinte, determinar a matéria tributável. Tal constatação, por si só, demonstra que no presente caso o que se tem é um vício formal, uma vez que o problema aqui detectado é de procedimento (iter), na medida em que a fiscalização perpetrada foi incapaz de atender o comando do citado prescritivo legal. 15. Nestes termos, reconheço a nulidade da autuação aqui debatida em razão do seu vício formal. Disposição 16. Diante do exposto e integrando o acórdão 3403002.566, dou provimento ao presente Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade da autuação aqui debatida em razão do seu vício formal. 17. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator 1 "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." Fl. 95688DF CARF MF Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 3402003.969 S3C4T2 Fl. 718 9 Fl. 95689DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.727494/2013-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. VÍCIO NO LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Cabe ao Fisco a comprovação do fato constitutivo de seu direito de crédito, ou seja, a comprovação do ocorrência do fato gerador. Ao sujeito passivo, resta a comprovação da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do crédito tributário comprovado pelo Fisco.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICABILIDADE.
Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. Tais requisitos são aplicáveis aos segurados contribuintes individuais, não sendo permitido, porém a fixação de metas e resultados a serem atingidos unilateralmente, ou seja, sem a comprovação da participação dos trabalhadores e do sindicato.
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NECESSIDADE DE EXTENSÃO DO BENEFÍCIO A TODOS OS SEGURADOS. CABIMENTO.
Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá a empresa eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, em face das disposições da novel legislação.
ABONO DE FÉRIAS. CONCEITO. NÃO INCIDÊNCIA. DISTINÇÃO DA GRATIFICAÇÃO DE FÉRIAS.
A conversão do período de 10 dias de férias em período laboral é denominado abono pela legislação trabalhista e não sofre incidência das contribuições previdenciárias em face de seu caráter indenizatório. A gratificação de férias, valor ajustado e pago quando do gozo de férias, acordado por meio de contrato de trabalho, individual ou coletivo, sofre incidência tributária em face do caráter de adicional de remuneração.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
É ônus da Autoridade Lançadora a comprovação da ocorrência das condutas previstas na lei e ensejadoras da multa de ofício qualificada, sob pena de sua inaplicabilidade.
Numero da decisão: 2201-003.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores pagos a título de previdência privada e reduzir a multa de ofício aplicada para o percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski que negavam provimento para a exclusão dos valores pagos a título de previdência privada. Realizou sustentação oral o Dr. Francisco Carlos Rosa Giardina, OAB/DF nº 41.765.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. VÍCIO NO LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Cabe ao Fisco a comprovação do fato constitutivo de seu direito de crédito, ou seja, a comprovação do ocorrência do fato gerador. Ao sujeito passivo, resta a comprovação da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do crédito tributário comprovado pelo Fisco. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICABILIDADE. Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. Tais requisitos são aplicáveis aos segurados contribuintes individuais, não sendo permitido, porém a fixação de metas e resultados a serem atingidos unilateralmente, ou seja, sem a comprovação da participação dos trabalhadores e do sindicato. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NECESSIDADE DE EXTENSÃO DO BENEFÍCIO A TODOS OS SEGURADOS. CABIMENTO. Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá a empresa eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, em face das disposições da novel legislação. ABONO DE FÉRIAS. CONCEITO. NÃO INCIDÊNCIA. DISTINÇÃO DA GRATIFICAÇÃO DE FÉRIAS. A conversão do período de 10 dias de férias em período laboral é denominado abono pela legislação trabalhista e não sofre incidência das contribuições previdenciárias em face de seu caráter indenizatório. A gratificação de férias, valor ajustado e pago quando do gozo de férias, acordado por meio de contrato de trabalho, individual ou coletivo, sofre incidência tributária em face do caráter de adicional de remuneração. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. É ônus da Autoridade Lançadora a comprovação da ocorrência das condutas previstas na lei e ensejadoras da multa de ofício qualificada, sob pena de sua inaplicabilidade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 49; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2125; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1.330 1 1.329 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.727494/201387 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.416 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2017 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente COMPANHIA PAULISTA DE FORCA E LUZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. VÍCIO NO LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Cabe ao Fisco a comprovação do fato constitutivo de seu direito de crédito, ou seja, a comprovação do ocorrência do fato gerador. Ao sujeito passivo, resta a comprovação da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do crédito tributário comprovado pelo Fisco. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICABILIDADE. Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. Tais requisitos são aplicáveis aos segurados contribuintes individuais, não sendo permitido, porém a fixação de metas e resultados a serem atingidos unilateralmente, ou seja, sem a comprovação da participação dos trabalhadores e do sindicato. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NECESSIDADE DE EXTENSÃO DO BENEFÍCIO A TODOS OS SEGURADOS. CABIMENTO. Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá a empresa eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, em face das disposições da novel legislação. ABONO DE FÉRIAS. CONCEITO. NÃO INCIDÊNCIA. DISTINÇÃO DA GRATIFICAÇÃO DE FÉRIAS. A conversão do período de 10 dias de férias em período laboral é denominado abono pela legislação trabalhista e não sofre incidência das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 74 94 /2 01 3- 87 Fl. 1330DF CARF MF 2 contribuições previdenciárias em face de seu caráter indenizatório. A gratificação de férias, valor ajustado e pago quando do gozo de férias, acordado por meio de contrato de trabalho, individual ou coletivo, sofre incidência tributária em face do caráter de adicional de remuneração. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. É ônus da Autoridade Lançadora a comprovação da ocorrência das condutas previstas na lei e ensejadoras da multa de ofício qualificada, sob pena de sua inaplicabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores pagos a título de previdência privada e reduzir a multa de ofício aplicada para o percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski que negavam provimento para a exclusão dos valores pagos a título de previdência privada. Realizou sustentação oral o Dr. Francisco Carlos Rosa Giardina, OAB/DF nº 41.765. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação ao lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados aos empregados e contribuintes individuais pela empresa, a título de PLR, previdência privada e gratificações sobre férias. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 36 do processo digitalizado). Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: · Auto de Infração Debcad n° 51.055.0177, no valor de R$ 7.880.189,73, atualizado até dezembro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à quota patronal de contribuição previdenciária e contribuição da empresa para os Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.331 3 benefícios em razão da incapacidade laborativa devida sobre os valores pagos aos segurados empregados e aos contribuintes individuais. · Auto de Infração Debcad n° 51.055.0185, no valor de R$ 346.080,09, atualizado até dezembro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à parte dos segurados da contribuição previdenciária devida sobre os valores pagos aos segurados empregados e aos contribuintes individuais. · Auto de Infração Debcad n° 51.055.0193, no valor de R$ 29.510.222,34, atualizado até dezembro de 2013, constituído no âmbito do processo administrativo nº 10830.727495/201321 · Auto de Infração Debcad n° 51.055.0207, no valor de R$ 2.077.504,55, atualizado até dezembro de 2013, constituído no âmbito do processo administrativo nº 10830.727495/201321. · Auto de Infração Debcad n° 51.055.0215, no valor de R$ 5.152,14, atualizado até dezembro de 2013, constituído no âmbito do processo administrativo nº 10830.727495/201321. · Auto de Infração Debcad n° 51.055.0223, no valor de R$ 34.347,16, atualizado até dezembro de 2013, constituído no âmbito do processo administrativo nº 10830.727495/201321. · Auto de Infração Debcad n° 51.055.0231, no valor de R$ 3.434,76, atualizado até dezembro de 2013, constituído no âmbito do processo administrativo nº 10830.727495/201321 Os créditos constituídos e integrantes do presente processo administrativo foram imputados, pela solidariedade prevista no inciso IX do artigo 30 da Lei nº 8.212/91, às empresas integrantes do grupo econômico CPFL Energia, a saber: CPFL Geração de Energia S/A; Companhia Piratininga de Força e Luz; e CPFL Comercialização Brasil S/A. O crédito tributário constituído se refere a período de janeiro de 2009 a dezembro de 2009. O lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência pessoal do devedor principal em 20 de dezembro de 2013. Inconformado, o devedor principal apresenta impugnação (fls. 565), tempestivamente. A 5ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, por maioria de votos, por meio do Acórdão 09.51.435 (fls. 1181), decidiu pela improcedência da impugnação. Necessário ressaltar, como aponta a decisão de piso (fls 1190), que os devedores solidários não apresentaram impugnação ao lançamento, o que reveste de definitividade a sujeição passiva apontada. Tal decisão contém o seguinte relatório, que adoto, por sua clareza e precisão (fls. 1183): Fl. 1332DF CARF MF 4 a) AIOP – DEBCAD nº 51.055.0177 consolidado em 17/12/2013, no valor de R$7.880.189,73 relativos ao período de 01/2009 a 12/2009, acostado às fls. 10/26 dos autos, para cobrança de obrigação principal proveniente da contribuição previdenciária patronal, para custeio da seguridade social e contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados. Os fatos geradores, conforme Discriminativo de Débito – DD de fls. 14/20 foram identificados nos levantamentos: FE FÉRIAS: exigindose a contribuição patronal de 20% para a seguridade social e de 2% para o SAT/RAT , com a aplicação da multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de adicional e gratificação de férias. PC – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR: exigindose a contribuição patronal de 20% para a seguridade social e de 2% para o SAT/RAT , com a aplicação da multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de previdência complementar. PR – PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS exigindose a contribuição patronal de 20% para a seguridade social e de 2% para o SAT/RAT , com a aplicação da multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de participação nos resultados. b) AIOP DEBCAD nº 51.055.0185 consolidado em 17/12/2013, no valor de R$346.080,09, relativos às competências 01/2009 a 12/2009, acostado às fls. 27/35 dos autos, para cobrança da contribuição dos segurados incidente sobre a remuneração dos empregados, exigida no levantamento FE – FÉRIAS, relacionado no anexo Discriminativo de Débito, acostado às fls. 31/33. No Relatório Fiscal de fls.36/97, sobre as autuações específicas do presente processo de constituição, a autoridade lançadora registrou, em síntese, que: No presente processo foi constituído a obrigação principal decorrente da cobrança das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, tendo sido caracterizado grupo econômico, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei 8.212/1991 e arrolados como responsáveis solidários as seguintes empresas: CPFL GERAÇÃO DE ENERGIA S/A 03.953.509/ 000147; COMPANHIA PIRATININGA DE FORCA E LUZ 04.172.213/ 000151 e CPFL COMERCIALIZAÇÃO BRASIL S.A. todos localizados no mesmo endereço RODOVIA ENGENHEIRO MIGUEL NOEL NASCENTES BURNIER 1755 KM 2,5 PARQUE SÃO QUIRINO – CAMPINAS – SP. Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.332 5 Após transcrever a legislação previdenciária que disciplinam os fatos geradores apurados, especificamente, sobre aqueles exigidos neste processo, o auditor explica que as empresas arroladas como participantes do grupo econômico, estão localizadas na mesma sede, apresentam estruturas organizacionais similares, possuem planos de contas contábeis e rubricas da folha de pagamento semelhantes e foram designadas as mesmas pessoas para atender à fiscalização. No relatório, explica que, se os fatos geradores descritos abrangerem as quatro empresas, será utilizada a identificação “CPFL Energia” e quando referirse somente à autuada será apontada a denominação “CPFL Paulista”. Ressalta o auditor que o contribuinte, em ações fiscais anteriores, reiteradamente, recebeu autuações pelos mesmos fatos geradores, no caso, pelo não recolhimento de contribuições devidas incidentes sobre valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, previdência complementar, gratificações de férias, bem como retenções relativas a serviços terceirizados. Diz, ainda, que esta prática reiterada, somada ao que se constatou durante o procedimento fiscal, demonstra que a CPFL Energia tem ciência de que as referidas importâncias são base de cálculo das contribuições previdenciárias, assim como tem ciência de que determinadas condutas tem como resultado a supressão ou redução do recolhimento de contribuição previdenciária, o que é tipificado como crime. Para a apuração das contribuições devidas foram analisados os seguintes documentos: arquivos magnéticos de folhas de pagamento e da contabilidade; acordo coletivo de trabalho, contratos de previdência complementar na modalidade PGBL; Planilha de pagamentos de contribuições relativas à previdência complementar; Plano de Previdência Complementar com Bradesco Vida e Previdência S/A FGB; No tocante ao lançamento, a fiscalização apresenta, sobre os levantamentos específicos do presente processo de constituição, as seguintes considerações: 1 Quanto ao lançamento de valores pagos a título de Participação nos Lucros e/ou Resultados – PLR, aduz que a empresa apresentou acordos coletivos de trabalho abrangendo o período de 2008 a 2010, celebrado entre as empresas do grupo CPFL Energia COMPANHIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ (CPFL Paulista), CPFL GERAÇÃO DE ENERGIA S/A (CPFL Geração) e CPFL COMERCIALIZAÇÃO BRASIL S/A (CPFL Brasil) – e o SINDICATO DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DE ENERGIA ELÉTRICA DE CAMPINAS. O acordo coletivo disciplina na sua cláusula 5ª a PRL. Nesta cláusula estipula as regras e condições da participação dos empregados, prevendo metas de resultado, montante a ser distribuído e período de pagamento no caso de as metas serem cumpridas ou superadas. No parágrafo 10° desta cláusula foram definidos os trabalhadores que teriam direito à percepção dos Fl. 1334DF CARF MF 6 valores, assim como as condições de pagamento no caso de admissão, desligamento ou afastamento dentro do período de referência, no entanto, no parágrafo 11 prevê que a PLR destinada aos empregados ocupantes de cargos gerenciais e diretivos continuaria seguindo regras próprias, diversas das estabelecidas na referida cláusula, definidas diretamente pela CPFL e interessados. A mesma situação foi constatada no acordo coletivo apresentado pela CPFL Piratininga. Diante da cláusula contratual que estabelecia negociações especiais para a PLR foi solicitado às empresas do grupo fiscalizadas os instrumentos decorrentes da negociação entre a CPFL e os ocupantes de cargos gerenciais e diretivos. Em resposta, a CPFL Energia entregou em 01/08/2013 esclarecimentos por escrito em que informa que “a aprovação da contratação de metas dos ocupantes dos cargos gerenciais e diretivos é realizada através do sistema Web”. Junto com tal explicação acrescentou telas de um sistema informatizado interno da empresa em que consta uma relação de matrículas, siglas, nomes e cargos de trabalhadores. Concluindo o tema PLR o auditor destaca que na forma apresentada, a autuada deixou de observar o disposto nos incisos I e II do art. 2º da Lei 10.101/2000, que exige, em todos os procedimentos de negociação entre a empresa e seus empregados, a presença do sindicato representativo da categoria dos trabalhadores, em conseqüência, tal verba passa a integra o salário de contribuição, não sendo aplicada, ao caso a exceção prevista na alínea “j” do §9º do art. 28 da Lei 8.212/1991. A identificação de ocupantes de cargos gerenciais e diretivos da CPFL Paulista, denominados diretores e gerentes, consta da relação anexada ao processo intitulada “PLR de cargos gerenciais”e todos os valores utilizados no lançamento foram extraídos da folha de pagamento em meio digital apresentada, conforme arquivos constantes da relação de Recibos de Entrega de Arquivos Digitais anexada ao processo, correspondentes às rubricas “VR1 PARTIC LUCRO RESULTADO” e “VR2 PARTIC LUCRO RESULTADODIFEREN”. Destaca o auditor que não foram lançadas contribuições dos segurados empregados, relativamente a PLR, uma vez que a remuneração dos ocupantes de cargos gerenciais e diretivos que receberam as rubricas VR1 e VR2 era superior ao limite máximo do salário de contribuição. Sobre o levantamento Previdência Complementar a autoridade lançadora explica que a CPFL Energia celebrou contratos de previdência complementar com a “FUNDAÇÃO CESP”, “Bradesco Vida e Previdência” e “Brasilprev”, que foram oferecidos como parte do pacote de benefícios a empregados, chamados de Colaboradores Efetivos, e aos Gerentes, Diretores, Presidentes e Vices, denominados Gerentes de Divisão, Gerentes de Departamento e Executivos. Na forma apresentada o pagamento da previdência complementar na modalidade PGBL, destinada aos Gerentes, Diretores, Presidente e Vice, integram o salário de contribuição Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.333 7 para os fins da Lei 8.212/1991. Todos os valores utilizados no lançamento foram extraídos da planilhas apresentadas pela empresa em 15/08/2013, contendo a relação de trabalhadores que receberam o benefício e os respectivos códigos, bases de cálculo das contribuições e os valores das contribuições pagas pela empresa e pelos participantes. Não foram lançadas contribuições dos segurados empregados, porque a remuneração dos gerentes e executivos que receberam remuneração a título de PGBL era superior ao limite máximo do salário de contribuição. Com relação ao levantamento Férias apurouse pelo exame das folhas de pagamento que o valor do adicional constitucional de férias e de gratificação de férias não integraram a base de cálculo das contribuições previdenciárias da CPFL Energia. A partir dos esclarecimentos prestados pela autuada a fiscalização concluiu que não se confunde gratificação de férias concedida em acordo coletivo de trabalhado com abono de férias, que é a conversão de parte do período de férias a que o empregado tem direito em pecúnia. O artigo 144 da CLT, que foi mencionado no esclarecimento da empresa, estabelece que não integra a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho, desde que não excedente de vinte dias do salário, o abono de férias concedido em virtude de acordo coletivo, de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa ou de convenção. Conclui o auditor que a Gratificação de Férias do Acordo Coletivo celebrado pela CPFL Paulista corresponde a valor complementar ao adicional constitucional mínimo de um terço. O terço constitucional de férias e qualquer gratificação adicional integram o salário de contribuição. Finaliza resumindo que as rubricas V37, V30, V34 e V42 integram o conceito de salário de contribuição nos termos do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991. Ressalta que as contribuições dos segurados empregados foram lançadas em observância ao § 5º do artigo 216 do Decreto 3.048/1999, que prevê que o desconto da contribuição legalmente determinado sempre se presumirá feito. Fundamentando a qualificação da multa o auditor cita o art. 44 da Lei 9.430/1996 e aduz que a CPFL Paulista tinha plena ciência de que determinadas importâncias eram fatos geradores de contribuições previdenciárias e destinadas a outras entidades e fundos, porque já havia sido anteriormente fiscalizada e exigida a contribuição previdenciária sobre as mesmas verbas. Entende o auditor que a permanência com o procedimento de exclusão da incidência de tais verbas, implicou em ação ou omissão dolosa, com vistas a impedir o conhecimento por parte das autoridades fazendárias da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, caracterizada pelo evidente intuito de sonegação. Informa, por fim, o fisco que foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais (Processo 10830.727496/201376), em Fl. 1336DF CARF MF 8 atenção ao disposto no Decreto nº 2.730/1998, e na Portaria RFB nº 2.439/2010, alterada pela Portaria RFB nº 3.182/2011, porque, em tese, configuram crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, que está tipificado no inciso III do art. 337A do Código Penal, incluído pela Lei nº 9.983/2000, e crime Contra a Ordem Tributária, relativamente às contribuições devidas a outras entidades, tipificado no inciso I do artigo 1° da Lei n° 8.137/1990. Cientificada do lançamento, a autuada oferece em 21/01/2014 a impugnação de fls. 565/639, onde, após qualificarse e resumir os fatos que levaram à autuação, apresenta as alegações contra os lançamentos, propugnando, pela tempestividade da peça de contestação e em preliminar, aduz estar ausente a descrição dos fatos imponíveis, haja vista a falta de uma fundamentação clara e precisa sendo que essa situação prejudica o devido processo legal, pois “a generalidade existente impossibilita a ampla produção de provas, em face do alargamento semântico atribuído à conjuntura da incidência e o desconhecimento do imputado.” Sobre os fatos geradores específicos do presente processo de constituição, alega que as ponderações trazidas nos autos de infração não passam de conjecturas, porque deixam de pormenorizar a relação, descrevendo precisamente o fato que dá início à incidência dos débitos de contribuições sociais. Diz que o Auditor Fiscal não relacionou as normas jurídicas que imporiam o recolhimento previdenciárias sobre os eventos de folha autuados e sobre a PLR e as contribuições ao PGBL. A auditoria, em síntese, atribuiu à Impugnante o dever ilegal de constituir prova negativa, demonstrando, dentre outros fatos, que: a Participação nos Resultados deferida aos gerentes e diretores não contrariou o disposto na Lei 10.101/00, sobretudo porque a PLR foi objeto de negociação coletiva entre os interessados a previdência privada não era discriminatória, na medida em que todos os empregados dispunham de planos patrocinados pela impugnante, e ainda que não houvesse observado universalidade, a Resolução nº 139, de 2005, autoriza os plano abertos coletivos para uma ou mais categoria específica de empregados de um mesmo empregador, sem prejuízo da descaraterização da sua natureza salarial enunciada pelo artigo 202, §25, da CF e pelo artigo 458, inciso VI, da CLT; os eventos de gratificação de férias, abono de férias e aviso prévio indenizado não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias sobre a folha. Requer a nulidade material dos Autos de Infração, ante a inobservância de requisitos essenciais à validade do ato administrativo de lançamento, consistente na descrição pormenorizada dos fatos imponíveis. No mérito, sobre a PLR, alega que é imune de contribuição previdenciária independentemente de satisfazer a Lei nº 10.101/2000. Assim, a desoneração dessa rubrica é operada pelo inciso IX do artigo 7º da Constituição Federal, que blinda a PLR de qualquer tributação previdenciária, motivação portanto, para Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.334 9 a declaração de nulidade do auto de infração Ressalta que, ao contrário do que entende a fiscalização, os valores pagos ou creditados pela impugnante como PLR não se amoldam ao conceito legal de remuneração, tampouco objetivam retribuir o trabalho prestado pelos empregados, razão pela qual não pode ser onerado pela contribuição previdenciária, pois não integra sua hipótese de incidência. Sustenta que no pagamento do PLR observou todos os requisitos de legalidade, haja vista a participação ativa dos interessados nas negociações que culminaram na formalização do programa. Diz que a desqualificação feita pela fiscalização baseouse essencialmente em requisitos formais, no entanto, foram atendidos todos os requisitos materiais, o que determina a aplicação da exceção quanto a incidência prevista na alínea “j” do §. 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991. Com relação a previdência complementar aduz que os aportes, normais ou extraordinários, para plano complementar, aberto ou fechado, são imunes de contribuição previdência, tal característica é conferida pelos § 2º do art. 202 c/c art. 195 da CF, que excluem do legislador a competência legislativa para editar leis que objetivam a tributação dos aportes como remuneração. A eficácia da imunidade justifica a nulidade do Auto de Infração que pretende lançar contribuição previdenciária em detrimento da desoneração constitucional. Assim, com fundamento no exposto, requer seja declarada a nulidade material do Auto em razão da imunidade da base de cálculo utilizada no lançamento. Diz a autuada que os auditores da Receita Federal não possuem competência para descaracterizar planos abertos de previdência privada, pois a fiscalização é de competência exclusiva das autarquias federais PREVIC Superintendência Nacional de Previdência Complementar e da SUSEP – Superintendência de Seguros Privados. Ressalta que as atividades de fiscalização atribuídas à PREVIC e à SUSEP foram divididas pela natureza jurídica do plano e da entidade. Enquanto a Secretaria de Previdência Complementar SPC, assumiu a fiscalização das entidades e planos fechados, a SUSEP se comprometeu na fiscalização das entidades e planos abertos. Apenas a SUSEP tem competência para descaracterizar um plano atribuindolhe outra natureza jurídica senão a previdenciária. Sustenta a não incidência da contribuição previdenciária, em face da ausência de natureza remuneratória dos aportes para planos de previdência. Os aportes do empregador ao plano de previdência fechado, não podem ser onerados, simplesmente, porque não integra a hipótese de incidência da contribuição previdenciária. Defende que atendeu o requisito da universalidade do programa, pois disponibilizou e patrocinou à totalidade dos empregados Fl. 1338DF CARF MF 10 plano previdenciário gerido pela Fundação CESP, além do mais a universalidade nos termos do art. 28 § 9º, alínea “p”, da Lei nº8.212/1991 atinge o programa previdenciário e não o plano ao qual o empregado é elegível. Neste sentido, a Resolução CNSP n. 139/2005 da SUSEP, ao consolidar as regras de funcionamento e os critérios para operação dos planos de previdência complementar aberta, em consonância com o disposto na alínea "p" do §9º do artigo 28 da 8.212/1991 , ratificou a possibilidade do plano aberto coletivo abranger apenas grupos específicos de empregados de um mesmo empregador, sem que o exercício dessa faculdade do patrocinador comprometa a universalidade do programa ou descaracterize a natureza previdenciária do plano ou do aporte. Transcreve decisões do CARF sobre o tema. Conclui que a fiscalização não apresentou elementos suficientes para descaracterizar a isenção sobre as contribuições ordinárias e extraordinárias vertidas pela Impugnante aos participantes dos planos, razão pela qual tem que ser reconhecida a isenção prevista na lei 8.212/1991. Sobre o Abono e Gratificação de Férias, alega que os eventos "abono const. de fériasdiferenc" (V37) e "abono consti de férias" (V30) pagos pela Impugnante corresponderam, na forma do artigo 143 da CLT, à conversão de 1/3 (um terço) do período de férias a que o empregado tinha direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes. Destaca que o E. Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento segundo o qual não incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos, devidos ou creditados a título de "abono de férias", quando pagos nos termos do art. 143 e 144 da CLT. Neste sentido transcreve decisões administrativas e judiciais. Também, ressalta que o STJ confirmou a desoneração do adicional de 1/3 de férias. Cita que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") emitiu o Parecer PGFN/CRJ/N. 2114/2011, dispensando a apresentação de contestação, a interposição de recursos e a desistência dos já interpostos em relação às demandas/decisões judiciais que fixam o entendimento de que a contribuição previdenciária não incide sobre os valores pagos pelo empregador aos seus empregados a título de abono único concedido por meio de Convenção Coletiva de Trabalho, conforme previsão do artigo 28, §9º, alínea “e”, item 7, da Lei 8.212/1991. Com relação a gratificação de férias, diz que, diferentemente, do abono, o pagamento obedeceu à cláusula 11 do Acordo Coletivo, atendendo rigorosamente o art. 144 da CLT, na medida em que jamais o valor pago ao empregado ultrapassa o devido por 20 dias de trabalho. Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.335 11 Questiona a qualificação da multa, alegando que a fiscalização não apresentou qualquer prova ou evidência que demonstrasse indícios de materialidade ou autoria do crime de sonegação. Afirma que não praticou qualquer ação ou omissão dolosa na tentativa de impedir o conhecimento, pela RFB, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não houve qualquer falsidade nas declarações, pois o que se verifica na presente hipótese é tão somente a aplicação de interpretação legal diversa daquela entendida como correta pelo auditor fiscal. Ressalta que nos assentamentos contábeis, bem como nos documentos apresentados à Fiscalização, não há qualquer indício de ocultação dos fatos geradores dos tributos ou da natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Pede o cancelamento da autuação, em face da impossibilidade de a administração tributária imputarlhe penalidade de multa de ofício em concomitância com a multa de mora, bem como a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, por total falta de previsão legal. Finaliza postulando pelo acolhimento das razões de impugnação, pede que não seja encaminhada ao Ministério Público representação para fins penais, relativa a crimes contra a ordem tributária, enquanto não proferida decisão final na esfera administrativa sobre a exigência do crédito tributário correspondente e resume seus pedidos nos seguintes itens: preliminarmente, seja declarada a manifesta nulidade dos Autos de Infração ora impugnados, porquanto desprovidos de motivação; bem como nulos, em face da incompetência da RFB para descaracterizar a natureza previdenciária dos aportes realizados a planos de previdência privada; no mérito, seja julgada procedente a impugnação, para declarar totalmente insubsistente os Autos de Infração, inclusive os consectário legais sobre os valores lançados; requer seja determinada a conversão do feito em diligência, na forma do artigo 38 da Lei n. 9.784/1999 e do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, para verificação da totalidade dos contratos." Cientificado de decisão que contrariou seus interesses em 27 de junho de 2014, por meio de notificação eletrônica realizada em seu domicilio tributário (despacho de folhas 1204), o sujeito passivo interpôs, tempestivamente, em 23 de julho de 2014, recurso voluntário (fls. 1215). Os devedores solidários foram cientificados em 02 de julho de 2014, por via postal, consoante se comprova pelos AR acostados às folhas 1208, 1210 e 1212. Não houve, assim como ocorreu na impugnação ao lançamento, apresentação de apelo por parte dos solidários. Constam do recurso voluntário do devedor principal, em síntese, as mesmas alegações constantes da impugnação interposta e acima reproduzida. Fl. 1340DF CARF MF 12 O processo foi distribuído, por sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço e passo a apreciálo na ordem de suas alegações. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS IMPONÍVEIS Segundo o Recorrente, a autuação, como realizada, padece do vício de nulidade material. São seus argumentos (fls .1220) O Auto de Infração, na qualidade de ato jurídicoadministrativo, deve satisfazer a forma para se legitimar na produção de efeitos (matéria). Além dos requisitos legais, esse ato administrativo, ante a natureza imputativa, deve notar o devido processo legal constando em seu corpo, de forma pormenorizada, as razões (fundamentação) da imputação (conclusão). A observação desse pressuposto satisfaz por via tangencial a ampla defesa e o contraditório, permitindo a defesa ao sujeito passivo da imputação. Não basta à satisfação desse requisito a simples fundamentação do ato. O princípio da estrita legalidade impõe a pormenorização, exigindo da fundamentação a descrição de todos os elementos necessários e observados à incidência da norma jurídica. O que se exige não é análise ideológica, mas uma investigação minuciosa dos elementos fáticos e do modelo jurídico descrito na hipótese. A constatação não decorre da hermenêutica. Tratase de expressa previsão legal; o inciso II do artigo 50 da da Lei n. 9.784/99 regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal impõe à autoridade administrativa, como pressuposto de validade do ato, a indicação específica dos fatos que justificaram a imputação. Assim também é o previsto no artigo 142 do CTN. Sucede, todavia, que tais requisitos não foram observados pelo Auditor Fiscal quando da constituição do ato administrativo recorrido. Os Autos de Infração foram constituídos à revelia de uma fundamentação clara e precisa; essa situação prejudica sobremodo o devido processo legal administrativo. A generalidade existente impossibilita a ampla produção de provas, em face do alargamento semântico atribuído à conjuntura da incidência e o desconhecimento do imputado. A postura adotada pela administração impede a defesa da Recorrente, pois o fato a ser comprovado restou omitido no ato administrativo, ou generalizado de tal forma a tornálo Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.336 13 imperceptível ou ambíguo. O Auditor Fiscal, em síntese, arrogou a obrigação à corrente sem justificar a razão da imputação. A Recorrente ficou privada do contraditório por desconhecer o que deve ser provado. As ponderações trazidas nos autos de infração não passam de conjecturas, sobretudo porque deixam de pormenorizar a relação descrevendo precisamente o fato que encetou a incidência dos débitos de contribuições sociais. O Auditor Fiscal não mencionou até porque inexistente , as normas jurídicas que imporiam o recolhimento de contribuições previdenciárias sobre os eventos de folha autuados e sobre a PLR e as contribuições ao P6BL, tampouco demonstrou que os prestadores executavam os serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, a ensejar o dever legal de retenção da contribuição previdenciária sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. A auditoria, em síntese, arrogou à Recorrente o dever desproporcional e ilegal de constituir prova negativa, demonstrando, dentre outros fatos, que: i)A Participação nos Resultados deferida aos gerentese diretores não contrariou o dispositivos da Lei n.10.101/00, sobretudo porque a PLR foi objeto de negociação coletiva entre os interessados. ii)A previdência privada não era discriminatória, na medida em que todos os empregados dispunham de planos patrocinados pela Recorrente, e ainda que não houvesse observado universalidade, a Resolução n. 139, de 2005, autoriza os planos abertos coletivos para uma ou mais categorias específicas de empregadores de um mesmo empregador, sem prejuízo da descaraterização da natureza salarial enunciada pelo artigo 202, §22, da CF e pelo artigo458, inciso VI, da CLT; iii) Os eventos de gratificação de férias, abono de férias e aviso prévio indenizado não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias sobre a folha. A administração descumpriu a vinculação, constituindo ato administrativo à revelia do devido processo legal. Ao invés de investigar o suporte fático da incidência (fato jurídico tributário), prendeuse à forma e indícios extraídos da documentação, deixando de investigar o conteúdo da relação jurídica. Deveria o Auditor Fiscal ter aferido a relação em si, colhendo dados reais para modelar o suposto fato jurídico tributário, de forma a permitir à Recorrente, ante o inconformismo, contraditar a decisão, provando que a inexistência do fato declarado. 0 ato administrativo cerceia as franquias constitucionais e legais do contraditório e da ampla defesa asseguradas à Recorrente, pois sem conhecer a imputação, não dispõe de meios para promover a contestação. Fl. 1342DF CARF MF 14 A ausência desses dados impossibilita a verificação da incidência das contribuições sociais, impedindo, por via convexa, a produção de provas eficazes à demonstração da imunidade, da não incidência ou da isenção." (sublinhei; os negritos são originais) Não vejo a nulidade apontada. Não padece o lançamento de falta de comprovação da ocorrência do fato gerador e portanto, do direito de crédito do Fisco. A transcrição acima, em especial em sua parte negritada, quer nos fazer crer que a Autoridade Fiscal não se desincumbiu do ônus de comprovar a ocorrência do fato gerador tributário. Não é isso que se observa. Soube o Fisco comprovar a ocorrência do fato gerador, comprovadamente, como se observa no excerto abaixo do Relatório Fiscal (fls 41): 3.10 Além dos termos lavrados durante o procedimentos fiscal, são elementos de prova os seguintes arquivos e documentos apresentados pela CPFL Energia: ✔ folha de pagamento em meio digital – leiaute MANAD *; ✔ informações contábeis em meio digital – leiaute da Escrituração Contábil Digital (ECD), transmitidas ao SPED; ✔ notas fiscais de serviço emitidas por terceiros em meio digital leiaute do Ato Declaratório Executivo ADE Cofis n° 15/2001, com redação dada pelos ADE Cofis nº 55/2009 e 25/2010; ✔ esclarecimentos por escrito relacionados aos Autos de Infração lavrados; ✔ pedidos de dilação de prazo para apresentação de documentos; ✔ contratos de prestação de serviço relativos a cessão de mão de obra e empreitada, incluindo aditivos, anexos e minutas; ✔ acordos coletivos de trabalho; ✔ mensagens de correio eletrônico; * anexados ao processo os respectivos Recibos de Entrega de Arquivos Digitais 3.11 Integram também o processo as seguintes peças de instrução, contendo informações e dados extraídos dos arquivos e documentos apresentados pela empresa e extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil: ✔ “Instruções Para o Contribuinte – IPC”: relatório que fornece ao sujeito passivo orientações, dentre outros assuntos de seu interesse, sobre as providências para regularização de sua situação perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio de recolhimento, parcelamento ou apresentação de defesa ou recurso, quando for o caso; ✔ “Relatório Fiscal – REFISC”: o presente relatório, contendo a identificação do sujeito passivo, a apresentação e organização do Processo, a descrição dos fatos apurados no procedimento fiscal e a descrição de todos os Autos de Infração que compõem Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.337 15 o processo, além de outras informações pertinentes ao procedimento fiscal ; ✔ “Relatório de Lançamentos – RL”, que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos, com observações; ✔ “Relatório de Vínculos – VÍNCULOS”: relatório que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; ✔ relação processos eletrônicos em andamento das empresas do grupo ora fiscalizadas; ✔ termos recusados pela CPFL Energia; ✔ relatório “PLR de cargos gerenciais”; ✔ relatório “Rubricas de proventos”; ✔ relatório “RELAÇÃO DE NOTAS Paulista”; ✔ relatório “Cálculo CSE de férias”." Em acréscimo, devemos apontar que a dialética da provas exige que o contribuinte apresente, e comprove, fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito de crédito do Fisco constante do lançamento e, no caso, devidamente corroborado por provas. Tal exegese, no sentido da exigência de comprovação dos fatos alegados pelas partes constantes do processo administrativo tributário, consta do Decreto nº 70.235 em especial dos artigos 9º e 15. O que se observa é que não pôde o Recorrente se desvencilhar do encargo probatório, não se permitindo, portanto, admitir tal argumento. Padece do mesmo vício a alegação da falta de comprovação, pelo Fisco, de que a: "i) A Participação nos Resultados deferida aos gerentese diretores não contrariou o dispositivos da Lei n.10.101/00, sobretudo porque a PLR foi objeto de negociação coletiva entre os interessados. ii)A previdência privada não era discriminatória, na medida em que todos os empregados dispunham de planos patrocinados pela Recorrente, e ainda que não houvesse observado universalidade, a Resolução n. 139, de 2005, autoriza os planos abertos coletivos para uma ou mais categorias específicas de empregadores de um mesmo empregador, sem prejuízo da descaraterização da natureza salarial enunciada pelo artigo 202, §22, da CF e pelo artigo458, inciso VI, da CLT; iii) Os eventos de gratificação de férias, abono de férias e aviso prévio indenizado não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias sobre a folha." Fl. 1344DF CARF MF 16 Tais comprovações são ônus do Recorrente, não cabendo à Administração Tributária tal encargo. Tratamse de matéria de defesa, posto que as provas no sentido da alegação da Recorrente se constituem fatos impeditivos ou modificativos do direito do Fisco. Recordemos, a lógica presente na ação fiscal. O Fisco, verificando o pagamento de verbas que, ao seu ver, descumprem os requisitos legais que ensejam a isenção tributária, efetua o lançamento. Cediço que a ausência da comprovação, segundo a legislação tributária, enseja o lançamento. No processo administrativo fiscal instaurado pela impugnação, o Contribuinte deve comprovar suas alegações. Observase no presente caso, que o Recorrente não o fez no procedimento inquisitório fiscalizatório restandolhe, portanto, produzir suas provas aqui, no processo administrativo tributário. Logo não observo a nulidade arguída. Não há vício material no lançamento guerreado. Houve sim, o cumprimento dos requisitos constantes do artigo 142 do CTN e do artigo 9º e 10º do Decreto nº 70.235/72. Recurso rejeitado nessa parte. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS OCUPANTES DE CARGOS GERENCIAIS E DIRETIVOS Segundo a Autoridade Fiscal, o pagamento da PLR ao diretores e gerentes da Recorrente descumpriu a legislação de regência. Vejamos o relatório fiscal (fls 77): "Em atenção às intimações, a CPFL Energia protocolou em 03/06/2013 a entrega de CDs contendo Acordos Coletivos de Trabalho (anexados ao processo) e arquivos contendo indicação das contas contábeis e rubricas da folha de pagamento em que foram lançadas as importâncias pagas ao referido título. Estes arquivos foram reapresentados em 01/08/2013 com o correspondente Recibo do SVA, uma vez que não havia sido gerado na primeira apresentação. 10.3.3 Um dos acordos coletivos de trabalho apresentado (e respectivo aditivo), abrangendo o período de 2008 a 2010, foi celebrado entre as empresas do grupo CPFL Energia COMPANHIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ (CPFL Paulista), CPFL GERAÇÃO DE ENERGIA S/A (CPFL Geração) e CPFL COMERCIALIZAÇÃO BRASIL S/A (CPFL Brasil) – e o SINDICATO DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DE ENERGIA ELÉTRICA DE CAMPINAS. A cláusula 05 do acordo trata da Participação nos Lucros ou Resultados, em que foram estipuladas as regras e condições da participação dos empregados, prevendo metas de resultado, montante a ser distribuído e período de pagamento no caso de as metas serem cumpridas ou superadas. 10.3.4 No parágrafo 10° da cláusula 05 foram definidos os trabalhadores que teriam direito à percepção dos valores, assim como as condições de pagamento no caso de admissão, desligamento ou afastamento dentro do período de referência. 10.3.5 Entretanto, o parágrafo 11 da cláusula previa que a PLR destinada aos empregados ocupantes de cargos gerenciais e diretivos continuaria seguindo regras próprias, diversas das Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.338 17 estabelecidas na referida cláusula, definidas diretamente pela CPFL e interessados. Vejamos: Parágrafo 11° A Participação nos Lucros ou Resultados destinada aos empregados ocupantes de cargos gerenciais e diretivos continuará seguindo regras próprias, diversas das estabelecidas na presente cláusula, definidas diretamente pela CPFL e interessados. 10.3.6 Constatamos a mesma situação na CPFL Piratininga. Em 03/06/2013 protocolou a entrega de CD (reapresentado em 01/08/2013 com o correspondente Recibo do SVA), em que foi apresentado acordo coletivo de trabalho para o período de 2008 a 2010, e respectivo aditivo, celebrado entre a COMPANHIA PIRATININGA DE FORÇA E LUZ e o SINDICATO DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DE ENERGIA ELÉTRICA DE CAMPINAS. Neste acordo, as regras e condições da PLR estavam previstas na cláusula 04. Da mesma forma, o parágrafo 11 da cláusula previa que a PLR destinada aos empregados ocupantes de cargos gerenciais e diretivos continuaria seguindo regras próprias, diversas das estabelecidas na referida cláusula, definidas diretamente pela CPFL Piratinga e interessados: Parágrafo 11° A Participação nos Lucros ou Resultados destinada aos empregados ocupantes de cargos gerenciais e diretivos continuará seguindo regras próprias, diversas das estabelecidas na presente cláusula, definidas diretamente pela CPFL PIRATININGA e interessados. (...) 10.3.8 Em resposta, a CPFL Energia entregou em 01/08/2013 esclarecimentos por escrito (datados de 31/07/2013 e anexados ao processo) em que informa simplesmente: . Item 5 – A aprovação da contratação de metas dos ocupantes dos cargos gerenciais e diretivos é realizada através do sistema Web. 10.3.9 Anexou ao esclarecimento telas de um sistema informatizado interno da empresa em que consta uma relação de matrículas, siglas, nomes e cargos de trabalhadores, sem nenhuma explicação adicional. As telas também foram anexadas ao processo sob a denominação “PLR sistema Web”. 10.3.10 Conforme apontado no Capítulo VII deste relatório, em todos os procedimentos de negociação entre a empresa e seus empregados é obrigatória a presença do sindicato representativo da categoria dos trabalhadores, de acordo com o estabelecido nos incisos I e II do artigo 2° da Lei 10.101/2000, que prevem negociação mediante comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, ou mediante convenção ou acordo coletivo de trabalho. Fl. 1346DF CARF MF 18 10.3.11 A PLR destinada aos empregados ocupantes de cargos gerenciais e diretivos, como já visto, não foi estabelecida nos Acordos Coletivos de Trabalho celebrados pelas empresas da CPFL Energia. Intimada a apresentar os instrumentos decorrentes da negociação, constatase que os pagamentos ao referido título para os ocupantes de cargos gerenciais e diretivos foram feitos pelo que o grupo denominou de “sistema Web”. Portanto, não há a presença do sindicato representativo da categoria dos trabalhadores, estando os pagamentos em desacordo com a lei específica que rege a matéria." Alega a Recorrente (fls.1223) "O Relatório Fiscal aponta que as empresas da CPFL Energia foram Intimadas a apresentar os instrumentos decorrentes da negociação entre a empresa e seus empregados referentes à PLR, sendo que um dos ACTs apresentados, relativo ao período de 2008 a 2010 e celebrado entre as empresas do Grupo CPFL Energia e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica de Campinas, enunciava o seguinte em sua cláusula 5, §119 §11 A participação nos Lucros ou Resultados destinada aos empregados ocupantes de cargos gerenciais e diretivos continuará seguindo regras próprias, diversas das estabelecidas na presente cláusula, definidas diretamente pela CPFL e interessados. Não obstante a efetiva negociação da PLR entre a CPFL e os empregados elegíveis, que culminou, inclusive, na elaboração de instrumento fundado no artigo 1, inciso XI, da Constituição Federal e nas disposições da Lei n. 10.101/00, entendeu o Auditor Fiscal, equivocadamente, que a ausência do sindicato na negociação descaracterizaria o programa, determinando a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos, devidos ou creditados a esse título. O DRJ concluiu, contudo, que a Recorrente descumpriu o inciso I do artigo 22 da Lei n. 10.101/00, pela não participação do sindicato na negociação do plano, em que pese a PLR ter sido negociada diretamente com todos os interessados, assegurando a ampla transparência e representatividade. O lançamento tributário, portanto, há de ser sumariamente anulado, na medida em que as importâncias pagas a título de PLR oportunamente negociada entre os empregados ocupantes de cargos gerenciais e a Recorrente , além de atenderem os requisitos da Lei n. 10.101/00 e não retribuírem o trabalho, consubstanciamse em parcelas constitucionalmente imunes de tributação previdenciária." (destaques não constam do recurso) Em acréscimo, mencionando jurisprudência, a recorrente discorre sobre a impossibilidade de se limitar a imunidade da PLR, em razão de ser um preceito constitucional, e ainda sobre a não incidência de uma verba paga a esse título, posto que expressamente desvinculada da remuneração, consoante os ditames constitucionais e legais atinentes. Não obstante os argumentos esposados, não cabe razão à Recorrente. Explico. Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.339 19 Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do Fl. 1348DF CARF MF 20 trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.340 21 Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Fl. 1350DF CARF MF 22 Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.341 23 fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja Fl. 1352DF CARF MF 24 determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Esses requisitos é que devemos interpretar literalmente, ou como preferem alguns, restritivamente. O alcance de um programa de PLR, ao reverso, não pode distinguir determinados tipos de trabalhadores, ou categorias de segurados. Não pode o Fisco valorar o programa de meta, ou mesmo emitir juízo sobre a participação sindical. A autoridade lançadora deve sim, verificar o cumprimento dos ditames da Lei nº 10.101/00. Com essas considerações devemos, por ser o ponto fulcral, verificar se o contrato coletivo de trabalho firmado, ao delegar para as partes o ajuste da participação nos resultados dos diretores e gerentes, cumpriu os requisitos prescritos na Lei nº 10.101/00 para que a verba paga a esse título não seja considerada como verba remuneratória. A questão determinante é: podese admitir que as partes firmem um acordo pelo qual se impute ao critério de somente uma delas a a ambas sem a efetiva participação sindical, a definição dos parâmetros para a percepção dos valores a título de PLR? Vejamos. Com visto acima, ao analisarmos a participação nos lucros ou resultados, que a verba de nítida natureza contraprestacional, não sofre incidência tributária quando cumpridos os requisitos da Lei nº 10.101/00, em face do caráter isentivo desta. Assim, é no bojo dos ditames da Lei nº 10.101 que devemos buscar a resposta da questão que se apresenta. Recordemos o texto legal: "Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores." Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.342 25 A leitura do texto legal espanca qualquer dúvida. Devem as partes acordar sobre as metas claras e objetivas, contando com a participação sindical, não só quanto ao direito substantivo como também quanto às regras adjetivas, e devem, também, publicizar o acordo celebrado. Ora, tal determinação, voltada não só para o ajuste entre os interessados mas também para a total transparência do conteúdo acordado, não pode ser tomada como simples tutela da convergência de vontades, mas também deve ser entendida como ajuste expresso, que conte com a participação do sindicato, ajuste formal e transparente sobre os direitos e mecanismo de exercício desses direitos e deveres. Assim, entendo que o legislador não só exigiu o acordo entre as vontades, mas também determinou que tal ajuste ocorra sobre determinadas condições e balizas, tendo condicionado a vantagem tributária ao cumprimento dessas condicionantes. Com essas considerações, observo que, no caso concreto, o sindicato delegou às partes o ajuste e mais, a Recorrente não pode comprovar, ainda que minimamente, que houve algum acordo, ou tratativa para implementar o acordo. Tais posturas impediram o acesso da empresa e dos trabalhadores às vantagens tributárias constantes da Lei nº 10.101/00. Ressalto que, se ao reverso, tivessem estipulado, minimamente, as condições para a percepção da PPR, e os valores desta, ainda que indiciariamente, não haveria a ofensa mencionada à vontade do legislador. Com tais considerações, que abrangem o instituto da PLR, tanto em seu aspectos de incidência quanto de imunidade/isenção, entendo desnecessário qualquer comentário sobre os pontos constantes do recurso no tocante às alegações da imunidade e da não incidência e da própria caracterização das verbas pagas a título de participação nos lucros. Diante do exposto, nego provimento ao recurso nessa parte. PGBL PARA GERENTES E EXECUTIVOS Segundo a autoridade fiscal, a Recorrente ofertou, por meio de aportes, plano de previdência privada em desacordo com a legislação. São as razões da Autoridade Lançadora (fls. 82) "10.4.3 A partir da documentação apresentada, constatamos que a CPFL Energia celebrou contratos de previdência complementar com a “FUNDAÇÃO CESP”, “Bradesco Vida e Previdência” e “Brasilprev”, que foram oferecidos como parte do pacote de benefícios a empregados, chamados de Colaboradores Efetivos, e aos Gerentes, Diretores, Presidentes e Vices, denominados Gerentes de Divisão, Gerentes de Departamento e Executivos. 10.4.4 Conforme já apontado no Capítulo VIII, os valores das contribuições pagas por pessoa jurídica referentes a programa Fl. 1354DF CARF MF 26 de previdência complementar não integram o saláriode contribuição para os fins da Lei 8.212/1991, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. 10.4.5 Como pode ser verificado na planilha “Quadro Previdenciário” apresentada pela CPFL Paulista, o plano PPCPFL, conforme convênio de adesão celebrado com a FUNDAÇÃO CESP, foi disponibilizado a todos os empregados e dirigentes da empresa, uma vez que são elegíveis os chamados Colaboradores Efetivos, Gerentes de Divisão, Gerentes de Departamento e Executivos. Entretanto, o plano denominado PGBL, celebrado com “Bradesco Vida e Previdência” e “Brasilprev”, não foi disponibilizado aos empregados chamados de Colaboradores Efetivos, sendo elegíveis para o mesmo somente Gerentes de Divisão, Gerentes de Departamento e Executivos. 10.4.6 Portanto, as contribuições pagas pela CPFL Energia para as empresas “Bradesco Vida e Previdência” e “Brasilprev”, referentes a programa de previdência complementar na modalidade plano PGBL, destinado aos Gerentes, Diretores, Presidente e Vice, integram o saláriode contribuição para os fins da Lei 8.212/1991." As alegações recursais se encontram às folhas 1237 e seguintes. Após discorrer longamente sobre a incompetência da RFB para fiscalizar planos de previdência, sobre a natureza dos planos de previdência complementar, sua imunidade e não incidência em razão da ausência do caráter remuneratório, a Apelante alega (fls 1245): "A alínea "p" isenta de contribuição previdenciária os valores pagos através da previdência complementar quando o pagamento ou o crédito observar um único requisito:que o programa de previdência complementar seja disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. Esse enunciado reitera a não incidência, ratificando a exclusão dos valores aportados a programa de previdência complementar da base de cálculo da contribuição previdenciária. Não obstante este único requisito tenha sido atendido pela Recorrente, o Auditor Fiscal entendeu que os aportes ao programa de previdência complementar especificamente aqueles realizados para os PGBL's mantidos pela Bradesco Vida e Previdência e Brasilprev efetuados no período autuado, deveriam ser considerados base de cálculo das contribuições previdenciárias, justificando a exação na constatação de que parte dos empregados, denominados colaboradores efetivos, não era elegíveis ao plano. Sucede, contudo, que, diversamente do apurado pelo Auditor Fiscal, tal critério restou cabalmente atendido pela Recorrente, que disponibilizou e patrocinou a totalidade dos empregados plano previdenciário privado gerido pela Fundação CESP. A sintática do artigo 28, §99, alínea "p", incontestavelmente, não impõe como requisito a universalidade do plano de previdência privada; a universalidade, nos exatos termos do artigo 28, §9e, alínea "p", da Lei n. 8.212/91, atinge o programa previdenciário, e não o plano ao qual o empregado é elegível. Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.343 27 Neste sentido, a Resolução CNSP n. 139/05 da SUSEP, ao consolidar as regras de funcionamento e os critérios para operação dos planos de previdência complementar aberta, rimando com o disposto na alínea "p" do §92 do artigo 28, ratificou a possibilidade do plano aberto coletivo abranger apenas grupos específicos de empregados de um mesmo empregador, sem que o exercício dessa faculdade do patrocinador comprometa necessidades específicas da população protegida e de se estruturar pianos homogêneos para cada grupo protegido. a universalidade do programa ou descaracterize a natureza previdenciária do plano ou do aporte: Art. 22. A contratação sob a forma coletiva por uma pessoa jurídica denominada averbadora ou instituidora, conforme o caso, destinase a grupos de pessoas que a ela estejam vinculadas, direta ou indiretamente, por relação lícita. Art. 23. O grupo de pessoas de que trata o artigo 22 poderá ser constituído por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger as pessoas jurídicas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista. Há, nobres Conselheiros, diferença ontológica entre a expressão "plano de previdência complementar" e "programa de previdência complementar". O programa pode abranger um ou mais planos previdenciários, sobretudo em face da necessidade de atender necessidades específicas da população protegida e de se estruturar pianos homogêneos para cada grupo protegido." (destaques originais) Em que pesem os argumentos da Recorrente quanto a não incidência e imunidade dos valores pagos a título de previdência complementar, a questão convertida se cinge à necessidade de extensão do benefício da previdência privada para todos os empregados e dirigentes da empresa. Me filio à corrente que entende que após o advento da Lei Complementar nº 109/01, a interpretação do dispositivo constante da Lei nº 8.212/91, deve ser realizada em consonância com os ditames da lei complementar editada para cumprir a determinação da Carta de 1988 , em especial quanto à disposição do §2º do artigo 202. Tal entendimento há tempos é exarado por este Colegiado. Transcrevo, com a devida permissão, o voto do Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, prolatado nos autos do processo 10783.723424/201109, Acórdão 2402003.661: "O benefício tem previsão constitucional no artigo 202, com a redação trazida pela Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/98; portanto, tratase de imunidade de contribuição previdenciária: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. Fl. 1356DF CARF MF 28 ... § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). ... Em destaque nas transcrições acima, temse que, atendidos os requisitos da lei, as contribuições vertidas pelo empregador não integram a remuneração e, conseqüentemente, sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias. De fato, outra não poderia ser a interpretação. Isto porque somente se pode falar em Previdência Complementar quando suas características estão presentes. Aliás, qualquer que seja o benefício oferecido, são justamente as características que evidenciam sua natureza. E não é diferente com a Previdência Complementar Privada. Para que assim seja considerada e daí não incidirem contribuições previdenciárias devem estar presentes as características exigidas pela Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001 que regulou o artigo 202 da Constituição Federal e revogou a Lei n° 6.435, de 15/07/1977. Quanto ao artigo 28, §9°, alínea p, parte final, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, portanto anterior mesmo à EC n° 20/98, não tenho dúvida que se houver incompatibilidade com os artigos 68 e 69, §1° da Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001, que passaram a regular o artigo 202, §2° da Constituição Federal, restará derrogado, pois além desta última veicular norma tributária especial é posterior àquela: Art. 28 (...) §9° (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.344 29 de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas como esclarecimento, meu entendimento sobre a expressão: “desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes” já havia sido manifestado no Acórdão n° 20500.176, de 11/12/2007 quando se apreciou a incidência ou não sobre o benefício Plano Educacional. Naquele caso, não havia disposição legal posterior de natureza tributária silente quanto ao requisito, como neste caso; a CLT, regulando relações de trabalho, é que deixava de considerar como salário o benefício, persistindo com isso a parte final do artigo 28, § 9º, alínea “t” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Quanto às exigências para o gozo da isenção de que o benefício não substitua parcelas salariais e seja extensivo à totalidade dos segurados empregados e dirigentes, parte final do dispositivo, entendo que não houve revogação. Isto porque é razoável que a legislação tributária procurasse evitar práticas elisivas, como a pretensiosa redução da base de cálculo por meio da substituição pelo benefício ou mesmo sua disponibilização vinculada à produtividade do empregado, do que o caracterizaria como uma gratificação. E não se diga que a falta de previsão dessas exigências na lei posterior tenha sido intencional para a revogação de todo o dispositivo legal da Lei n° 8.212/91. Interessa ao Direito do Trabalho a definição de salário e não as regras periféricas voltadas aos efeitos tributários. As exigências da legislação tributária na parte final do artigo 28, §9°, alínea “t” da Lei n° 8.212/91, ao contrário da parte inicial, não integram a caracterização de alguma utilidade como salário ou não, apenas estabelecem o necessário para gozo da isenção. Retomando ao exame da LC n° 109/2001, selecionamos as principais disposições para este estudo: Lei Complementar nº 109, de 29 de Maio de 2001 Art. 1o O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4o As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas... Fl. 1358DF CARF MF 30 Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1o Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. ... Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. ... CAPÍTULO VIII DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. ... Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.345 31 § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2o Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas para que não fiquem espaços vazios na linha de desenvolvimento deste trabalho, lembrase que os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 68 e 69 são apenas partes do estatuto da previdência complementar, veiculado pela LC n° 109/2001. Inicialmente, dispõe a lei que os programas podem ser abertos ou fechados, de acordo com a natureza da entidade de previdência complementar. Após, trata de cada um nas seções que se seguem: na Seção II os programas em regime fechado e na Seção III, regime aberto. Para o primeiro, através de seu artigo 16, é exigido, obrigatoriamente, que o benefício seja oferecido à totalidade dos empregados, tal como no artigo 28, § 9º, “p” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Portanto, um suposto programa de previdência complementar em regime fechado não oferecido à totalidade dos empregados não pode ser considerado como tal e as contribuições vertidas devem ser tributadas normalmente, eis que carecem de característica essencial. As entidades fechadas são instituídas para o conjunto de empregados da patrocinadora e não para grupos de categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, faculdade somente possível quando a opção é pelo regime aberto, conforme artigo 26, §3° da lei. Vêse que para o regime fechado, considerando a unidade da lei, não há incompatibilidade com a Lei n° 8.212/1991, apenas que nesta as regras de incidência e abrangência estão em um mesmo dispositivo legal. Agora, como já sinalizado acima, para o regime aberto a lei faculta que, direta ou indiretamente através da entidade, a empresa contrate em benefício de grupos específicos de categorias de empregados plano de previdência complementar, Fl. 1360DF CARF MF 32 artigo 26, §2° e 3° da lei. Então, neste caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Mas, sem precipitações, a interpretação será mais segura quando considerado o todo da lei. No caso dos programas em regime aberto, embora não seja necessário estendêlo à totalidade dos empregados e dirigentes, os grupos selecionados são de categorias de empregados, sem discriminações dentro de um mesmo grupo. A escolha recai sobre determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho, mas em razão de necessidades específicas. Em síntese, temos que para a não incidência de contribuições previdenciárias: a) até o advento da LC n° 109/2001, em quaisquer casos, a empresa tinha que oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes; b) a partir da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa deverá oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Caso adotado o regime aberto, poderá oferecer o benefício a grupos de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e, portanto, gratificação. No presente caso sob exame, os fatos geradores ocorreram posteriormente à LC n° 109/2001. Tratandose da modalidade de previdência complementar em regime aberto, de acordo com a tese aqui desenvolvida, não haveria necessidade de disponibilização dos planos de previdência complementar à totalidade dos dirigentes e empregados, desde que a restrição ao benefício seja de forma genérica e impessoal, que é o caso; portanto, os valores lançados são insubsistentes. O benefício tem previsão constitucional no artigo 202, com a redação trazida pela Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/98; portanto, tratase de imunidade de contribuição previdenciária: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. ... § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.346 33 ... Em destaque nas transcrições acima, temse que, atendidos os requisitos da lei, as contribuições vertidas pelo empregador não integram a remuneração e, conseqüentemente, sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias. De fato, outra não poderia ser a interpretação. Isto porque somente se pode falar em Previdência Complementar quando suas características estão presentes. Aliás, qualquer que seja o benefício oferecido, são justamente as características que evidenciam sua natureza. E não é diferente com a Previdência Complementar Privada. Para que assim seja considerada e daí não incidirem contribuições previdenciárias devem estar presentes as características exigidas pela Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001 que regulou o artigo 202 da Constituição Federal e revogou a Lei n° 6.435, de 15/07/1977. Quanto ao artigo 28, §9°, alínea p, parte final, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, portanto anterior mesmo à EC n° 20/98, não tenho dúvida que se houver incompatibilidade com os artigos 68 e 69, §1° da Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001, que passaram a regular o artigo 202, §2° da Constituição Federal, restará derrogado, pois além desta última veicular norma tributária especial é posterior àquela: Art. 28 (...) §9° (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas como esclarecimento, meu entendimento sobre a expressão: “desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes” já havia sido manifestado no Acórdão n° 20500.176, de 11/12/2007 quando se apreciou a incidência Fl. 1362DF CARF MF 34 ou não sobre o benefício Plano Educacional. Naquele caso, não havia disposição legal posterior de natureza tributária silente quanto ao requisito, como neste caso; a CLT, regulando relações de trabalho, é que deixava de considerar como salário o benefício, persistindo com isso a parte final do artigo 28, § 9º, alínea “t” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Quanto às exigências para o gozo da isenção de que o benefício não substitua parcelas salariais e seja extensivo à totalidade dos segurados empregados e dirigentes, parte final do dispositivo, entendo que não houve revogação. Isto porque é razoável que a legislação tributária procurasse evitar práticas elisivas, como a pretensiosa redução da base de cálculo por meio da substituição pelo benefício ou mesmo sua disponibilização vinculada à produtividade do empregado, do que o caracterizaria como uma gratificação. E não se diga que a falta de previsão dessas exigências na lei posterior tenha sido intencional para a revogação de todo o dispositivo legal da Lei n° 8.212/91. Interessa ao Direito do Trabalho a definição de salário e não as regras periféricas voltadas aos efeitos tributários. As exigências da legislação tributária na parte final do artigo 28, §9°, alínea “t” da Lei n° 8.212/91, ao contrário da parte inicial, não integram a caracterização de alguma utilidade como salário ou não, apenas estabelecem o necessário para gozo da isenção. Retomando ao exame da LC n° 109/2001, selecionamos as principais disposições para este estudo: Lei Complementar nº 109, de 29 de Maio de 2001 Art. 1o O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4o As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas... Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1o Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. ... Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.347 35 I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. ... CAPÍTULO VIII DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. ... Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2o Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas para que não fiquem espaços vazios na linha de desenvolvimento deste trabalho, lembrase que os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos Fl. 1364DF CARF MF 36 artigos 68 e 69 são apenas partes do estatuto da previdência complementar, veiculado pela LC n° 109/2001. Inicialmente, dispõe a lei que os programas podem ser abertos ou fechados, de acordo com a natureza da entidade de previdência complementar. Após, trata de cada um nas seções que se seguem: na Seção II os programas em regime fechado e na Seção III, regime aberto. Para o primeiro, através de seu artigo 16, é exigido, obrigatoriamente, que o benefício seja oferecido à totalidade dos empregados, tal como no artigo 28, § 9º, “p” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Portanto, um suposto programa de previdência complementar em regime fechado não oferecido à totalidade dos empregados não pode ser considerado como tal e as contribuições vertidas devem ser tributadas normalmente, eis que carecem de característica essencial. As entidades fechadas são instituídas para o conjunto de empregados da patrocinadora e não para grupos de categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, faculdade somente possível quando a opção é pelo regime aberto, conforme artigo 26, §3° da lei. Vêse que para o regime fechado, considerando a unidade da lei, não há incompatibilidade com a Lei n° 8.212/1991, apenas que nesta as regras de incidência e abrangência estão em um mesmo dispositivo legal. Agora, como já sinalizado acima, para o regime aberto a lei faculta que, direta ou indiretamente através da entidade, a empresa contrate em benefício de grupos específicos de categorias de empregados plano de previdência complementar, artigo 26, §2° e 3° da lei. Então, neste caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Mas, sem precipitações, a interpretação será mais segura quando considerado o todo da lei. No caso dos programas em regime aberto, embora não seja necessário estendêlo à totalidade dos empregados e dirigentes, os grupos selecionados são de categorias de empregados, sem discriminações dentro de um mesmo grupo. A escolha recai sobre determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho, mas em razão de necessidades específicas. Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.348 37 Em síntese, temos que para a não incidência de contribuições previdenciárias: a) até o advento da LC n° 109/2001, em quaisquer casos, a empresa tinha que oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes; b) a partir da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa deverá oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Caso adotado o regime aberto, poderá oferecer o benefício a grupos de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e, portanto, gratificação. No presente caso sob exame, os fatos geradores ocorreram posteriormente à LC n° 109/2001. Tratandose da modalidade de previdência complementar em regime aberto, de acordo com a tese aqui desenvolvida, não haveria necessidade de disponibilização dos planos de previdência complementar à totalidade dos dirigentes e empregados, desde que a restrição ao benefício seja de forma genérica e impessoal, que é o caso; portanto, os valores lançados são insubsistentes." (destaques originais) O voto acima reproduzido contempla na totalidade, meu entendimento, inclusive quanto às razões de decidir. Do exposto, entendendo caber razão à Recorrente, pois, após o advento da Lei Complementar nº 109/01, o benefício da previdência privada aberta não precisa ser extensivo a todos os segurados e dirigentes da empresa. Recurso provido nessa parte. ABONO E GRATIFICAÇÃO DE FÉRIAS Segundo o Fisco (fls. 84): " Em 01/08/2013 a empresa apresentou esclarecimento por escrito (datado em 31/07/2013) em atenção à intimação fiscal, reproduzido a seguir : Item 1 – Até o ano de 2009 as rubricas de terço constitucional V37 e V30, possuíam incidências previdenciárias com recolhimentos mensais. Com relação à Gratificação de Férias V34 e V42, nunca houve incidência previdenciária sobre essas rubricas com fundamento no art. 7°, inciso XVII da CF/88 e art. 144 da CLT, no qual estabelece de forma expressa que a a referida verba é desvinculada da remuneração do trabalhador, nos termos da lei. Fl. 1366DF CARF MF 38 Ao confrontar a folha de pagamento com o esclarecimento apresentado, constatamos que a CPFL Energia tentou confundir a fiscalização, conforme demonstrado a seguir. Primeiramente, de acordo com os dados apresentados pela própria empresa em sua folha de pagamento, as rubricas V37 ABONO CONST DE FERIASDIFERENC e V30 ABONO CONSTIT DE FERIAS não integraram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Anexamos ao processo o relatório denominado “Rubricas de proventos”, em que são apresentadas todas as rubricas de proventos das folhas de pagamento, extraídas dos arquivos digitais apresentados, cuja prova de conteúdo se dá por meio dos códigos de autenticação constantes nos Recibos de Entrega de Arquivos Digitais assinados por representantes da CPFL Energia, também anexados ao presente processo. Podemos claramente verificar no relatório, gerado a partir da extração de dados dos arquivos digitais, que as rubricas V37 e V30 receberam o indicativo “NÃO É BASE”. Apenas para ilustrar o fato, vejamos as linhas números 24825 e 25050 do arquivo da folha de pagamento de 05/2009 da CPFL Paulista: K300|383058019860080188|1|3080018176|08020801080448622 0|0528009|V37|11,57|P|1|8 K300|383058019860080188|3|3080008087|08020801080458074 0|0528009|V30|1669,29|P|1|8 De acordo com o leiaute do MANAD, constatase que as rubricas V37 e V30, no bloco K300, correspondente aos “Itens de Folha”, receberam o “Indicador de Base de Cálculo para a Previdência Social” 8 – não é base de cálculo. Portanto, ao contrário do que foi afirmado pela CPFL no esclarecimento, as rubricas V37 e V30, correspondentes ao adicional constitucional de férias, não integraram a base de cálculo das contribuições previdenciárias na folha de pagamento da empresa*. *nota: em 16/12/2010 a CPFL Energia protocolou na Justiça Federal da 3a Região o Processo 001809613.2010.403.6105, em que discute a incidência de contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias e sobre a ajuda de custo eventual. Não nos aprofundaremos nesta ação judicial, uma vez que rubricas relacionadas a férias foram objeto de verificação neste procedimento fiscal somente no ano de 2009. Prosseguindo, vejamos o já mencionado Acordo Coletivo de Trabalho celebrado entre a COMPANHIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ e o SINDICATO DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DE ENERGIA ELÉTRICA DE CAMPINAS, que em sua cláusula 09 estabelece regra relativa à Gratificação de Férias dos empregados, conforme reproduzido a seguir: 09 – GRATIFICAÇÃO DE FÉRIAS A CPFL manterá a Gratificação de Férias, com a parte fixa no valor de R$ 1.550,90 (um mil, quinhentos e cinquenta reais, noventa centavos), mantendo a parte variável de 40% (quarenta por cento) sobre o Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.349 39 valor que resultar da diferença entre a remuneração fixa mensal do empregado e a parte fixa da Gratificação. Parágrafo 1° A Gratificação de Férias continuará limitada à remuneração fixa mensal do empregado, quando esta for inferior ao valor fixo da Gratificação. Parágrafo 2° Com a presente sistemática de Gratificação de Férias, a CPFL cumpre plenamente o disposto no artigo 7°, inciso XVII, da Constituição Federal. Da leitura acima, constatase inequivocamente que a Gratificação de Férias, estabelecida no Acordo Coletivo e lançada na folha de pagamento nas rubricas V34 GRAT FERIAS AC COLETIVO e V42 GRAT FERIAS AC COLETIVO– DIFE, não tem nenhuma relação com o abono de férias. Não se confunde gratificação de férias concedida em acordo coletivo de trabalhado com abono de férias, que é a conversão de parte do período de férias a que o empregado tem direito em pecúnia. O artigo 144 da CLT, que foi mencionado no esclarecimento da empresa, estabelece que não integra a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho, desde que não excedente de vinte dias do salário, o abono de férias concedido em virtude de acordo coletivo , de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa ou de convenção. Destacamos o mesmo a seguir: Art. 144. O abono de férias de que trata o artigo anterior, bem como o (abono de férias) concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1998) Lembramos mais uma vez que o abono de férias, na forma do artigo 143 da CLT, corresponde à faculdade legal de o empregado converter um terço da duração de suas férias em abono pecuniário; enquanto que na forma do artigo 144 da CLT, acordo coletivo de trabalho pode estabelecer conversão de férias em pecúnia, que não integra a remuneração desde que não excedente de vinte dias do salário. Assim, a CPFL Energia mais uma vez tenta confundir a fiscalização ao mencionar o artigo 144 da CLT, que trata de abono de férias que pode ser concedido por acordo coletivo, quando na verdade se trata de gratificação de férias adicional ao terço mínimo estabelecido pela Constituição. Portanto, a Gratificação de Férias do Acordo Coletivo celebrado pela CPFL Paulista corresponde a valor complementar ao adicional constitucional mínimo de um terço. O terço constitucional de férias e qualquer gratificação Fl. 1368DF CARF MF 40 adicional integram o saláriodecontribuição. Conforme já apontado no Capítulo IX, estas parcelas só não integram o saláriodecontribuição quando estiverem vinculadas a férias indenizadas ou a abono de férias. As rubricas V37, V30, V34 e V42 integram o conceito de salário de contribuição nos termos do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, mas não compuseram a base de cálculo das contribuições na folha de pagamento da CPFL Paulista. Em decorrência, foram lançadas sob o Código de Levantamento “FE – Férias”, também relacionado no relatório “DD – Discriminativo do Débito”, já mencionado neste relatório. Todos os valores utilizados no lançamento foram extraídos da folha de pagamento, apresentada em meio digital, conforme arquivos constantes da relação de Recibos de Entrega de Arquivos Digitais." As alegações da Recorrente podem ser resumidas com as seguintes transcrições do apelo (fls 1250): "O Auditor Fiscal narrou que após análise das folhas de pagamento em meio digital apresentadas, identificou que as rubricas relativas ao adicional constitucional de férias e a gratificações de férias não integraram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Relativamente ao abono constitucional de férias, o Auditor Fiscal partiu da equivocada premissa de que a motivação do pagamento é a remuneração adicional de férias do empregado, assegurada pela Constituição Federal nos termos do artigo 79, inciso XVII, correspondente a, no mínimo, 1/3 da remuneração mensal na data da concessão das férias. Os eventos "abono const. de fériasdiferenc" (V37) e "abono consti de férias"(V30) pagos pela Recorrente corresponderam, na forma do artigo 143 da CLT, à conversão de 1/3 (um terço) do período de férias a que o empregado tinha direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes: Art. 143 É facultado ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes. (Redação dada pelo Decretolei n^ 1.535, de 13.4.1977 (Grifouse). O artigo 144, da CLT, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.528/98,afora tratar do abono concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa ou de normas coletivas, faz remissão ao abono de que trata o artigo143, afastandoos expressamente da base de cálculo da contribuição sobre a folha, por consideralos não integrativo da remuneração: (...) Em que pese as importâncias pagas, devidas ou creditadas a esse título não integrarem a base de cálculo das contribuições Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.350 41 previdenciárias, a DRJ entendeu, como se colhe do Acórdão proferido, que a ausência de decisão do STF com efeito erga omnes impediria o acolhimento da defesa: "Relativamente à referência a reconhecimento da natureza indenizatória do adicional constitucional de férias, pelo STF, temse que não há decisão da Egrégia Corte com efeito erga omnes, nesse sentido. Assim, não se pode acolher a alegação da Recorrente." Sucede, contudo que o E. Superior Tribunal de Justiça, enaltecendo a única interpretação possível a ser conferida aos artigos 143 e 144 da CLT, consolidou o entendimento segundo o qual não incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos, devidos ou creditados a título de "abono de férias": (...)" Em acréscimo, a recorrente alega que as gratificações de férias pagas também não sofrem incidência posto que decorrem de previsão constante do Acordo Coletivo de Trabalho (cláusula 11), que equipara tal gratificação ao abono único do artigo 144 da CLT. Vejamos (fls. 1256): "O pagamento da gratificação de férias, diferentemente do abono, obedece a cláusula 11 do Acordo Coletivo de Trabalho, que estabelece: 11 Gratificação de férias A CPFL manterá a gratificação de férias, com a parte fixa no valor de R$ 1.463,11 (um mil, quatrocentos e sessenta e três reais e onze centavos), mantendo a parte variável de 40% (quarenta por cento) sobre o valor que resultar da diferença entre a remuneração fixa mensal do empregado e a parte fixa da gratificação. Parágrafo lº A gratificação de férias continuará limitada à remuneração fixa mensal do empregado, quando esta for inferior ao valor fixo da gratificação. Parágrafo 2º Com a presente sistemática de gratificação de férias, a CPFL cumpre plenamente o disposto no artigo 7e, inciso XVII, da Constituição Federal. A gratificação de férias prevista no ACT firmado entre a Recorrente e o sindicato da categoria atende rigorosamente o artigo 144 da CLT, na medida em que jamais o valor pago ao empregado ultrapassa aquele que seria devido por 20 (vinte) dias de trabalho. A título exemplificativo, imaginemos a seguinte situação: (...) Como se colhe do exemplo acima, a gratificação de férias complementar ao 1/3 constitucional jamais excederá o valor do salário a que o empregado faria jus por 20 (vinte) dias de trabalho. O valor não atinge sequer 20% (vinte por cento) do Fl. 1370DF CARF MF 42 valor da remuneração mensal do empregado, ostentando natureza jurídica idêntica ao 1/3 constitucional deferias." Não assiste razão a Recorrente. O Direito do Trabalho, assim como outros ramos do direito, padece do defeito crônico da denominação de seus institutos. Abono é um vocábulo polissêmico para o direito do trabalho. Na acepção que aqui nos interessa, abono deve ser entendido como o período de férias, que, por expressa vontade do trabalhador e havendo interesse do empregador, pode ser convertido em período de trabalho, mediante a percepção de uma verba abono de férias de nítida natureza indenizatória, posto que destinada a reparar a ofensa ao direito impetrada pelo empregador que anuiu, ou até solicitou, com o labor do empregado quando este se encontrava no gozo de seu direito de férias, típica situação de interrupção dos efeitos do contrato de emprego, posto que não há trabalho, mas remanesce o direito a percepção de salário. Outro não é o ensinamento da doutrina. Alice Monteiro de Barros (Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. LTR, pg. 832), Homero Batista Mateus da Silva (Curso de Direito do Trabalho Aplicado, Volume 2, Jornadas e Pausas, Ed. Elsevier. pag.322) e Arnaldo Sussekind (Curso de Direito do Trabalho, 3ª ed. Ed. Renovar, pg. 501) corroboram as afirmações. Assim, se torna perfeitamente lógico o comando celetista (artigos 143 e 144) e, por via de consequência, da Lei de Custeio da Previdência (artigo 28, § 9º, 'e', 6) quanto à não incidência de contribuições previdenciárias sobre a verba. Esse é o abono de férias e esse é o motivo pelo qual não incidem contribuições sociais previdenciárias sobre tal verba. Simples assim: se o trabalhador, como se diz no linguajar próprio, 'vendeu' suas férias, recebeu como contrapartida um abono de férias, que segundo a lei não pode exceder 10 dias de trabalho, mas pode ser ajustado, por contrato coletivo em no máximo 20 dias. Do exposto, forçoso concluir que se não houver a comprovação, no caso concreto, que a verba paga a título de abono de férias correspondeu ao efetivo valor indenizado pelo trabalho prestado no período de gozo das férias do empregado, essa verba deve sofrer incidência da contribuição previdenciária. Tal situação foi observada pela Fiscalização no caso concreto. Como bem relatou a autoridade fiscal, quando intimada a empresa alegou que a rubrica abono de férias se referia ao acréscimo de 1/3 sobre o valor das férias, instituído pelo artigo 7º, inciso XVII, da Constituição. Depois, disse que tal verba, na verdade é o abono previsto no artigo 144 da CLT, posto que previsto na cláusula 11 do contrato coletivo firmado. Tal tese é esposada no recurso, como se comprova no excerto acima transcrito das alegações constantes do apelo. Porém, como visto, do abono de férias previsto nos artigo 143 e 144 da CLT, tal verba não se trata. Será que se trata do chamado terço constitucional sobre as férias? Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.351 43 É o que me parece. Como dito no recurso, tal gratificação de férias é devida pela empresa, como acréscimo ao valor das férias quando do gozo desta pelo empregado. Como dito no parágrafo 2º da mencionada cláusula 11 do ACT: "Parágrafo 2º Com a presente sistemática de gratificação de férias, a CPFL cumpre plenamente o disposto no artigo 7e, inciso XVII, da Constituição Federal." Assim, basta verificarmos a incidência para o terço constitucional sobre as férias para descobrirmos se a mesma ocorre sobre tal gratificação. Aqui, com a máxima vênia, nossa discordância com as decisões do Superior Tribunal de Justiça se exprime. Há incidência sobre o terço constitucional pago sobre as férias gozadas. Que reste claro: Só sobre as férias gozadas, mas sobre essas há incidência. A explicação é de uma simplicidade franciscana e clareza solar: como dito alhures, férias são caso típico de interrupção dos efeitos do contrato de emprego, dito de maneira direta: não se observam as obrigações principais do contrato de trabalho, o empregador, cumpre a sua, paga salário, porém o empregado não trabalha, está desobrigado de entregar a sua prestação. Assim sendo, nas férias gozadas, há salário, como reconhecem até os tribunais superiores. Mas e o terço constitucional, o que é? Vejamos a dicção da Carta Magna: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XVII gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal;" Despiciendo qualquer argumentação. Basta ler. Ler com olhos de ler! É salário, mais que isso, é remuneração por expressa disposição constitucional. Não é necessário nenhuma teoria hermenêutica para interpretar a norma, ou caberia alguma leitura que afastasse o acréscimo criado como salário? Assim, a gratificação paga pela Recorrente sofre incidência. Recurso negado também nessa parte. INDEVIDA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Fl. 1372DF CARF MF 44 A Autoridade Fiscal majorou a multa de ofício aplicada. Vejamos seus argumentos (fls. 89): "Conforme relatado no Capítulo X DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NO PROCEDIMENTO FISCAL, a CPFL Paulista tinha plena ciência de que determinadas importâncias eram fatos geradores de contribuições previdenciárias e destinadas a outras entidades e fundos e, mediante ações ou omissões dolosas, tentou impedir o conhecimento por parte das autoridades fazendárias da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, caracterizada pelo evidente intuito de sonegação. 11.4 Dessa forma, demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, o lançamento de ofício será efetuado com qualificação da multa, correspondente ao percentual de 75% duplicado, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Portanto, a Multa Qualificada a ser aplicada corresponde ao percentual de 150% sobre o imposto ou contribuição não recolhido e não declarado." Em sua defesa, a Recorrente alega (fls. 1260): "Utilizase o Auditor Fiscal, na tentativa de justificar a qualificação da multa, do argumento de que a Recorrente tinha plena ciência de que determinadas importâncias eram fatos geradores de contribuições previdenciárias e destinadas a outras entidades e fundos e, mediante ações ou omissões dolosas, tentou impedir o conhecimento por parte das autoridades fazendárias da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, caracterizada pelo evidente intuito de sonegação. A Recorrente, além de não concordar com a glosa dos valores referentes aos lançamentos de ofício, não praticou qualquer ação ou omissão dolosa na tentativa de impedir o conhecimento, pela RFB, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não houve qualquer falsidade nas declarações transmitidas pela Recorrente, tampouco a sonegação de contribuições previdenciárias ou evidente intuito de fraude, eis que ausente qualquer elemento de dolo nas suas ações (o que se comprova pelo fato de ter a Recorrente cooperado ao longo de toda a curta fiscalização). O que se verifica na presente hipótese é tão somente a aplicação de interpretação legal diversa daquela entendida como correta pelo Auditor Fiscal." Assiste razão à Apelante. Não houve comprovação, pelo Fisco, das condutas ensejadoras da qualificadora da multa de ofício, ou seja, nos termos da Lei 4.502/64, reprováveis são a fraude, a sonegação e o conluio. Vejamos os conceitos aplicáveis. Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.352 45 O dolo, leciona Luiz Regis Prado (Curso de Direito Penal Brasileiro, 6ª ed. Ed. Revista dos Tribunais, p. 113), se observa quando "(...) age dolosamente o agente que conhece e quer a realização dos elementos da situação fática ou objetiva, sejam descritivos, sejam normativos, que integram o tipo legal do delito." (negritamos) Transportando para a seara tributária, podemos dizer que age dolosamente o contribuinte que conhecendo a incidência tributária, sabendo que determinada conduta enseja o fato gerador, dela procura se afastar, não com vista a não praticar o fato ensejador da incidência, mas sim, buscando de alguma forma, se escusar ao cumprimento da obrigação tributária. Nesse sentido a dicção da Lei nº 4.502/64, que conceitua fraude como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador ou a reduzir as suas características essenciais de modo a reduzir o montante do tributo devido. Já a sonegação, nos dizeres legais, é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte ou do crédito tributário. Claro resta que a intenção do agente, do contribuinte é determinante para caracterização da fraude e da sonegação nos termos da Lei nº 4.502/64. E mais, deve ser provada pela Fisco. Mas como a Autoridade Fiscal pode verificar a intenção do contribuinte, se a verificação do cumprimento das obrigações tributárias é realizada, praticamente sempre, tempos após o surgimento dessas obrigações? A lição de Vasco Branco Guimarães, reproduzida por Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15ª ed., Livraria do Advogado Editora, p. 1117), nos auxilia: "A fraude fiscal pode ser definida como a conduta ilegítima tipificada que visa a obtenção indevida de vantagem mediante: não liquidação, entrega ou pagamento de prestação tributária; aquisição de benefício fiscal indevido; aquisição de qualquer outra vantagem patrimonial à custa de receitas tributárias" Ora, não restou patente no relatório fiscal que as condutas do Recorrente visavam impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador ou reduzir suas condições essenciais com vista a obtenção de vantagem por meio da postergação ou não pagamento do tributo devido. Não houve comprovação, pelo Fisco, de uma única situação quanto às condutas praticadas pelo contribuinte que se possa conceituar nos termos acima aplicáveis à sonegação, fraude ou conluio. Nada contribuiu para o convencimento deste julgador da ocorrência das condições legais ensejadoras da qualificação da multa de ofício. Fl. 1374DF CARF MF 46 Logo, o recurso deve ser provido nessa parte. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CONCOMITANTE DA MULTA DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO E DA NÃO APLICAÇÃO DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Alega, sucintamente a Recorrente (fls. 1266): "Dispensamse maiores delongas a respeito do tema, na medida em que o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) pacificou o entendimento quanto à vedação da cobrança da multa de mora cumulada com a da multa isolada, conforme exemplificam os acórdãos abaixo transcritos: (...)" Alega também que o § 3º da Lei nº 9.430/96 restringe a incidência dos juros de mora sobre o valor do principal lançado e que tal vedação se apoia na inteligência do CTN. Quanto ao tema se encontra pacificado no âmbito deste colegiado, ao contrário dos argumentos da Apelante. A incidência dos juros nos créditos tributários inadimplidos decorre de Lei, assim como as penalidades moratórias e sancionatórias. Não obstante, tal tema se encontra devidamente pacificado no âmbito deste colegiado. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Mister recordar que a multa de ofício integra o crédito tributário por expressa disposição do CTN. Corroborando tal entendimento, a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no voto condutor do Acórdão 9202002003.765, de 16/02/16, explicitou: "Ao contrário do que entende o recorrente, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Nesse sentido, já se manifestou esta Câmara, em outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.353 47 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Fl. 1376DF CARF MF 48 Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.354 49 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG)." Recurso negado nessa parte. CONCLUSÃO Diante do exposto, e pelos fundamentos apresentados, voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade alegada e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores relativos ao plano de previdência privada pago aos diretores e gerentes e a qualificadora da multa de ofício, reduzindo o valor dessa ao percentual de 75%. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 1378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.734628/2012-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave desde que comprovada por laudo médico oficial, forte no art. 30 da Lei nº 9.250/1995 e na Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios".
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave desde que comprovada por laudo médico oficial, forte no art. 30 da Lei nº 9.250/1995 e na Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 46 28 /2 01 2- 84 Fl. 84DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 12448.734628/201284 Acórdão n.º 2402005.620 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), alterando o saldo de imposto de renda a restituir do anocalendário 2007 de R$ 13.822,61 para o montante de R$ 5.805,08 a pagar a título de imposto suplementar (fls. 3/7). O lançamento deuse face à constatação de omissão de rendimentos tributáveis indevidamente considerados como isentos por moléstia grave recebidos da Fundação Eletrobrás de Seguridade Social (ELETROS), no valor de R$ 94.290,98. Após ter sido cientificado da notificação de lançamento de fls. 3 a 7 em 3/10/2012 (fl. 40), o contribuinte, por intermédio de sua representante legal (fl. 13), apresentou a impugnação de fl. 2. A DRJ/RJ1 manteve a exigência em julgamento datado de 18/6/2013 (fls. 42/45), havendo o contribuinte sido cientificado do resultado do julgamento somente em 1/4/2014. Entrementes, o contribuinte entregara, em 25/3/2014, petição para ser juntada ao processo junto com "laudo de isenção de retenção de imposto de renda na fonte, reiterando, ao final, o pedido de devolução do valor retido no período pela Receita Federal. Mediante a Resolução nº 2402000.529, de 8/3/2016 (fls. 65/67), foi convertido o julgamento em diligência para fins de que a unidade de origem elucidasse se há efetivamente, recurso voluntário interposto pelo contribuinte, e, sendo o caso, providenciasse sua juntada aos autos. Com a juntada do Despacho de fl. 81, retornou o processo a esta instância recursal para prosseguimento. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, motivo pelo qual passo direto ao seu exame. Com relação à diligência solicitada, a unidade de origem explicou que o contribuinte tomara ciência do acórdão em 25/3/2014, no decorrer de vista do processo, sendo que nessa data foi juntada a documentação de fls. 53/56, recebida como recurso voluntário, face ao princípio da informalidade. A ciência posterior do acórdão deuse por motivo de equívoco na juntada do Termo de Vista/Cópia de Processo, feita em momento ulterior. Esclarecido esse ponto, e constatada a tempestividade do recurso, passese à matéria de fundo. A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, abaixo transcritos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 12448.734628/201284 Acórdão n.º 2402005.620 S2C4T2 Fl. 4 5 Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Então, é necessário o cumprimento cumulativo de dois requisitos para que o beneficiário faça jus à isenção em foco, a saber: que ele seja portador de uma das doenças mencionadas no texto legal, e que os rendimentos auferidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. Na espécie, como bem frisado pela decisão vergastada, não há qualquer evidência documental de que os rendimentos percebidos pelo epigrafado da Fundação Eletrobrás Seguridade Social, CNPJ nº 34.268.789/000188 tenham sua origem em aposentadoria, reforma ou pensão, pois não foi juntado o respectivo comprovante de rendimentos da fonte pagadora ao processo. Noutro giro, melhor sorte não atine ao contribuinte quanto à comprovação de sua condição de portador de moléstia grave. O documento de lavra da Gerência Executiva Rio de Janeiro Centro do INSS (fl. 55), ainda que pudesse ser considerado como laudo pericial oficial nos termos da legislação, deixa claro que a moléstia apontada como CID G30 acomete o interessado tão somente desde 25/2/2011, sem que conste consignado o reconhecimento de início anterior da enfermidade. Referindose a notificação de lançamento contestada a período anterior, a saber, o anocalendário 2007, não possui o precitado documento do INSS qualquer repercussão sobre a infração apurada. Nesse sentido, é aplicável no particular a Súmula CARF nº 63, aprovada pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço Fl. 88DF CARF MF 6 médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Lembrese que referido enunciado sumular é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado por força do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.000314/2002-64
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1998
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM
MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Por força do disposto no art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), deve ser cancelada a multa de ofício isolada aplicada sobre o recolhimento de tributo ou contribuição, após o vencimento, sem o acréscimo de multa de mora (retroatividade benigna).
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 1998
RECOLHIMENTO EM ATRASO. ERRO DE SEMANA.
Evidenciado erro na indicação da semana de ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) respectiva, e estando os recolhimentos correspondentes comprovadamente dentro do prazo legal, não procede o lançamento que se fundamentou em suposto recolhimento em atraso do tributo.
Numero da decisão: 1803-001.073
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), deve ser cancelada a multa de ofício isolada aplicada sobre o recolhimento de tributo ou contribuição, após o vencimento, sem o acréscimo de multa de mora (retroatividade benigna). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1998 RECOLHIMENTO EM ATRASO. ERRO DE SEMANA. Evidenciado erro na indicação da semana de ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) respectiva, e estando os recolhimentos correspondentes comprovadamente dentro do prazo legal, não procede o lançamento que se fundamentou em suposto recolhimento em atraso do tributo. Fl. 92DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.000314/200264 Acórdão n.º 180301.073 S1TE03 Fl. 68 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.000314/200264 Acórdão n.º 180301.073 S1TE03 Fl. 69 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido, na parte ainda objeto de litígio (fls. 40): Versa o presente processo sobre o Auto de Infração de fls. 17/27, lavrado pela DEINF/RJ, sendo exigidos [...], juros pagos a menor ou não pagos no valor de R$ 31,94 e multa isolada no valor de R$ 2.396,84. O crédito total lançado monta a R$ 2.990,16. O lançamento foi efetuado em virtude de, em procedimento de auditoria interna na DCTF, terem sido constatadas as seguintes irregularidades: [...]; falta ou insuficiência de pagamento dos acréscimos legais (multa de mora parcial e/ou juros de mora parcial ou total), conforme anexo IV; falta de pagamento de multa de mora, conforme anexo IV (lançamento de multa isolada). O enquadramento legal foi citado à fl. 19. O interessado apresentou a impugnação de fls. 1/2. Na referida peça de defesa, alega, em síntese, que: [...]; ocorreu erro no preenchimento da DCTF (referente ao período de apuração), sendo que os darf foram pagos corretamente. Encerra solicitando o cancelamento do lançamento. À fl. 34, foi juntada informação da Dicat. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte ainda objeto de litígio (fls. 39): Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1997 Ementa: [...]. [...]. JUROS NÃO PAGOS E MULTA ISOLADA. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Não provado o alegado erro quando da elaboração da DCTF, deve ser mantido o lançamento. Lançamento Procedente em Parte. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.000314/200264 Acórdão n.º 180301.073 S1TE03 Fl. 70 4 3. Cientificada da referida decisão em 10/05/2007 (fls. 46), a tempo, em 30/05/2007, apresenta a interessada Recurso de fls. 49 e 50, instruído com os documentos de fls. 51 a 63, nele argumentando, em síntese: a) que, preliminarmente, o Acórdão DRJ/RJOI nº 8.754, de 27 de outubro de 2005, decidiu cancelar a cobrança do valor principal e manter a cobrança dos juros e da multa isolada, por considerar insuficientes as informações apostas nas guias de arrecadação; b) que os DARF's foram pagos nos seus respectivos vencimentos, devendo, via de consequência, o processo instaurado ser julgado insubsistente; c) que, no mérito, resta comprovar os pontos de discordância; e d) que anexamos xerox dos DARF's pagos e dos lançamentos no Livro Razão de março e abril de 1997. Em mesa para julgamento. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.000314/200264 Acórdão n.º 180301.073 S1TE03 Fl. 71 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Tratase de auto de infração de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) lavrado em virtude de inconsistências apuradas na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) do 1º trimestre de 1997. 5. Remanescem em discussão os valores de R$ 2.396,84 (multa isolada em decorrência de multa de mora não paga) e R$ 31,94 (juros de mora não pagos). Multa de ofício isolada 6. Por força do disposto no art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, c/c art. 106, II, “c”, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), deve ser cancelada a multa de ofício isolada aplicada sobre o recolhimento de tributo ou contribuição, após o vencimento, sem o acréscimo de multa de mora (retroatividade benigna). Juros de mora não pagos 7. Pelo que se observa dos autos (fls. 21 a 23), foram declarados débitos em DCTF correspondentes à quarta semana de fevereiro (vencimento em 26/02/1997) e à quarta semana de março (vencimento em 26/03/1997). 8. Nos Darfs respectivos, porém, constam observações de que os recolhimentos se referem a folhas de pagamento dos meses de fevereiro e de março, pagas em 27/02/1997 e 28/03/1997, e a faturamento do período de 24 a 28 de fevereiro de 1997 (fls. 30 a 32). 9. Assim, as datas dos fatos geradores indicadas nos respectivos Darfs correspondem, na realidade, às semanas posteriores àquelas constantes da DCTF (primeira semana de março e quinta semana de março), estando, pois, os recolhimentos correspondentes, devidamente dentro do prazo legal (Atos Declaratórios Cosar nºs 3, de 30 de janeiro de 1997, e 8, de 27 de fevereiro de 1997): fevereiro março D S T Q Q S S D S T Q Q S S 1 1 2 3 4 5 6 7 8 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 23 24 25 26 27 28 29 30 31 10. A decisão recorrida, todavia, assim se manifestou a respeito, por maioria de votos (fls. 41): Fl. 96DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.000314/200264 Acórdão n.º 180301.073 S1TE03 Fl. 72 6 Na impugnação, o interessado alega que errou quando do preenchimento da DCTF. O interessado pretende, portanto, retificar informação de sua DCTF, em face de erro no seu preenchimento. Assim, incumbe a ele o ônus de comprovar o erro alegado. Não foram juntados aos Autos livros e documentos da escrituração fiscal/contábil que comprovassem que os fatos geradores ocorreram em períodos diversos dos declarados na DCTF, não sendo suficientes as informações apostas nas guias de arrecadação. Deste modo, como não foi comprovado que os fatos geradores ocorreram em período diverso dos informados na DCTF, deve ser mantido o lançamento destes dois itens. 11. Em seu recurso, a Recorrente junta, para comprovação, as folhas do livro Razão correspondentes aos pagamentos realizados de IRRF (fls. 61 a 63), que confirmam cabalmente os dados dos respectivos Darfs (item 8 supra). Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 97DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007976/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando não é feita a comprovação do dispêndio, deve prevalecer a glosa da referida despesa.
Numero da decisão: 2102-002.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Assinado Digitalmente
Rubens Mauricio Carvalho Presidente em Exercício
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 15/02/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO (Presidente em Exercício), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ATILIO PITARELLI.
Nome do relator: Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando não é feita a comprovação do dispêndio, deve prevalecer a glosa da referida despesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Rubens Mauricio Carvalho Presidente em Exercício Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 15/02/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO (Presidente em Exercício), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ATILIO PITARELLI.
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DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando não é feita a comprovação do dispêndio, deve prevalecer a glosa da referida despesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Rubens Mauricio Carvalho – Presidente em Exercício Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 15/02/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO (Presidente em Exercício), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ATILIO PITARELLI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 79 76 /2 00 9- 17 Fl. 1DF CARF MF 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 109/118 para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas médicas deduzidas por ela nos Exercícios de 2005, 2006 e 2007. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 125/133, por meio da qual requereu o cancelamento do lançamento, e deduziu os argumentos assim resumidos pela decisão recorrida: Cientificada do lançamento em 28/08/2009 (fl. 120), a contribuinte apresentou, em 24/09/2009, a impugnação de fls. 125/133, instruída com os documentos de fls.134/136, onde, em síntese, após transcrever as infrações apontadas no auto de infração, relativamente As supostas despesas médicas havidas no anocalendário de 2004, junto a odontóloga Márcia Reike dos Santos (R$ 3.000,00) e a psicóloga Sandra Regina Ferreira, glosadas por falta de comprovação do efetivo desembolso, alega que possuía R$ 50.000,00 em caixa (fls. 96), demonstrando cabalmente a sua capacidade de pagamento em moeda corrente dessas despesas comprovadas por meio de recibos. Em relação As despesas do anocalendário de 2005, diz ter acostado 6 recibos de emissão do terapeuta Atair F. dos Santos (R$ 625,00) e da instrumentadora cirúrgica Nermeide Almeida do Ouro (R$ 70,00), alega que tais despesas tem amparo nas disposições do art. 8°, da Lei 9.250, de 1995, uma vez que a terapia ocupacional caracterizada pelo tratamento através de atividades direta ou indireta, física ou mental, ativa ou passiva, preventiva, corretiva ou adaptativa, entre outras; e a despesa com instrumentadora cirúrgica enquadrase como despesa de hospitais, exames laboratoriais, e o procedimento teria sido utilizado para realização de exame; no que tange As despesas junto A Proclin (R$ 11.800,00), afirma ter sacado R$ 9.500,00 conforme extratos bancários e, possuía no final do anobase, R$ 25.000,00 como dinheiro em espécie, conforme declarações de bens A fl. 99, possuindo capacidade para pagar a aludida quantia; aduz que a suspeita de indícios de irregularidade é infundada e não merece prosperar, haja vista que nos termos dos art. 320 e 324 do Código Civil a quitação pode ser dada por instrumento particular, sendo o recibo prova cabal do pagamento, e o fornecimento de nota fiscal é de responsabilidade do prestador dos serviços e não do contribuinte. No que concerne As despesas do anocalendário de 2007, apresenta as mesmas razões do parágrafo anterior para contraditar a glosa das despesas com o terapeuta Atair F. dos Santos (R$ 1.067,00), e relativamente As supostas despesas havidas junto A Proclin (R$ 11.000,00), argumenta ter sacado valor superior a R$ 50.000,00, além de possuir R$ 35.000,00 declarados como dinheiro em caixa em sua declaração de bens e direitos (fl. 104), estando as despesas devidamente comprovadas por recibos, não existindo previsão legal para aplicação de penalidade, configurando exagero e arbitrariedade Fl. 2DF CARF MF Processo nº 10980.007976/200917 Acórdão n.º 2102002.427 S2C1T2 Fl. 152 3 administrativa, não lhe cabendo o ônus de comprovar que efetuou saques única e exclusivamente para pagamento de serviços. Na análise de suas alegações, os integrantes da DRJ em Curitiba decidiram pela manutenção parcial do lançamento, tendo considerado como comprovadas as despesas havidas com fonoaudiólogos. A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 15/149, por meio do qual reiterou os termos de sua Impugnação, enfatizando que os recibos são, nos termos da legislação civil, meios hábeis a comprovar o pagamento das despesas médicas. Demonstrou ainda que tinha condições financeiras de arcar com as despesas médicas cuja dedução pleiteou, salientando que suas disponibilidades de dinheiro “em caixa” foram reduzidas de um ano para outro. Afirma que o ônus de comprovar que não houve pagamento das despesas é da fiscalização, e não dela. Transcreveu a ementa do acórdão nº 10617215, pugnando que fosse aplicado aqui o mesmo entendimento. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 20.11.2009, como atesta o AR de fls. 144. O Recurso Voluntário foi interposto em 15.12.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento por meio do qual foram glosadas parte das despesas médicas efetuadas pela Recorrente ao longo dos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Tais despesas seriam – segundo a Recorrente – comprovadas através de recibos apresentados à autoridade fiscal. Tais recibos, porém, deixaram de ser acolhidos pelos seguintes motivos: EXERCÍCIO 2005: (...) APRESENTOU SEIS RECIBOS DE MARCIA RIEKE DOS SANTOS, DENTISTA, NO TOTAL DE R$3.000,00 (FOLHAS 06 A 08 DO PROCESSO) E DOZE RECIBOS MENSAIS DE SANDRA REGINA FERREIRA, PSICÓLOGA, NO TOTAL DE R$ 5.000,00. Fl. 3DF CARF MF 4 NAO COMPROVOU O EFETIVO DESEMBOLSO DOS VALORES, RAZÃO DA GLOSA DESTAS DESPESAS. EXERCÍCIO 2006: (...) APRESENTOU SEIS RECIBOS DE ATAIR F. DOS SANTOS, TERAPEUTA; NO TOTAL DE R$ 625,00 (FLS. 15 A 17 DO PROCESSO); E RECIBO DE NERMEIDE ALMEIDA DO OURO, INSTRUMENTADORA CIRURGICA, NO VALOR DE R$ 70,00 (FL. 19). NÃO HA PREVISÃO PARA DEDUÇÃO DE DESPESAS COM "TERAPEUTAS" E "INSTRUMENTADORES CIRURGICOS" QUE NÃO SEJAM MÉDICOS MA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA, RAZÃO DA GLOSA DESTAS DESPESAS. APRESENTOU DOIS RECIBOS DE PROCLIN PLANOS DE SAÚDE, 0 DE No 0668 DATADO DE 0 4 DE NOVEMBRO DE 2005 NO VALOR DE R$ 3.000,00 E 0 DE No 2750, DATADO DE 18 DE DEZEMBRO DE 2005, NO VALOR DE R$ 7.800,00, AMBOS POR SERVIÇOS MEDICOS HOSPITALARES, E ASSINADOS POR PESSOA NÃO IDENTIFICADA (FL. 20 DO PROCESSO). INTIMADA A COMPROVAR 0 EFETIVO DESEMBOLSO DOS VALORES, APRESENTOU CÓPIAS DE EXTRATOS DE CONTAS BANCARIAS NA CAIXA ECONOMICA FEDERAL E NO HSBC, DOS ANOS 2005 E 2006, DESTACANDO ALGUNS SAQUES EFETUADOS EM ESPÉCIE (FOLHAS 38 A 93 DO PROCESSO). ANALISANDO OS DADOS, A SOMATÓRIA DOS SAQUES DESTACADOS NO ANO DE 2005, NA CAIXA É DE R$ 1.900,00 E NO HSBC É DE R$ 7.876,54. NÃO HA COINCIDÊNCIAS Dos SAQUES COM AS DATAS DOS SUPOSTOS PAGAMENTOS, NEM QUE TODOS ESSES SAQUES FORAM USADOS UNICA E EXCLUSIVAMENTE PARA AS DESPESAS MÉDICAS, NÃO ACATAMOS OS RECIBOS E OS EXTRATOS COMO PROVAS INEQUÍVOCAS DE QUE OCORRERAM DESPESAS MÉDICAS COM A EMPRESA PROCLIN, RAZÃO DA GLOSA TOTAL DOS VALORES. TOTAL DAS GLOSAS NO EXERCÍCIO R$ 11.495,00. EFETUAMOS A APREENSÃO DOS RECIBOS ORIGINAIS DA PROCLIN, PELOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NA SUA EMISSÃO E USO COMO DESPESA MÉDICA NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. PELO USO DESSES DOCUMENTOS, A CONTRIBUINTE MARIA PAVIM COMETEU, "EM TESE", CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA, NOS TERMOS DA LEI No 8.137, DE 1990. OS DOCUMENTOS ORIGINAIS FORAM JUNTADOS NA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, PARA EVENTUAL INVESTIGAÇÃO POLICIAL E PERICIAL. EXERCÍCIO 2007: (...) APRESENTOU ONZE RECIBOS DE ATAIR F. DOS SANTOS, TERAPEUTA, NO TOTAL DE R$ 1.067,00 (FLS. 21 A 26 DO Fl. 4DF CARF MF Processo nº 10980.007976/200917 Acórdão n.º 2102002.427 S2C1T2 Fl. 153 5 PROCESSO), GLOSADAS POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA DEDUÇÃO DE DESPESAS COM ESTES PROFISSIONAIS. APRESENTOU NOTA FISCAL No 19946 DE PROCLIN SAÚDE (FL. 27), NO VALOR DE R$ 11:000,00, DATADO DE 28/12/2006, POR SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS DURANTE 0 ANO DE 2006. INTIMADA A COMPROVAR 0 EFETIVO PAGAMENTO, APRESENTOU CÓPIAS DE EXTRATOS DE CONTAS BANCARIAS NA CAIXA E NO HSBC, COM SAQUES EM ESPÉCIE DESTACADOS PELA CONTRIBUINTE .E CUJAS SOMAS PERFAZEM NO ANO R$ 28.815,91 NA CAIXA E R$ 21.421,00 NO HSBC. NÃO HA COINCIDÊNCIA DOS SAQUES COM AS DATAS DOS DOCUMENTOS. NÃO ACATAMOS ESTA DESPESA E APREENDEMOS A ORIGINAL DA NOTA FISCAL, PARA JUNTAR NA REPRESENTAÇÃO FISCAL. LANÇAMOS COM MULTA QUALIFICADA TAMBÉM, PELO USO DE DOCUMENTO COM INDÍCIOS DE INIDÔNEO. (...) Com a análise da Impugnação apresentada, a decisão recorrida alterou o lançamento, para considerar como comprovadas as despesas com o profissional Atair F. Dos Santos. Permaneceram, assim, pendentes de comprovação as despesas com os seguintes profissionais: Marcia Rieke Dos Santos, dentista, por falta de comprovação do desembolso; Sandra Regina Ferreira, psicóloga, por falta de comprovação do desembolso; Nermeide Almeida Do Ouro, instrumentadora, por falta de previsão legal para sua dedução; e PROCLIN, plano de saúde, porque o signatário do recibo era pessoa não identificada, porque não houve comprovação do pagamento. A decisão recorrida manteve tais lançamentos, acrescentando aos argumentos utilizados pela fiscalização os seguintes: (...) não sendo, portanto, passível de dedução as despesas relativas A instrumentadora cirúrgica, no valor de R$ 70,00. Notese que, tal despesa, só poderia ser passível de dedução se constasse de fatura hospitalar, o que não é o caso. Relativamente as alegadas despesas havidas com a Proclin (R$ 10.800,00 em 2005 e R$ 11.000,00 em 2006), observase pelos documentos de fls. 135/136 e 138, que se 5 trata de operadora de planos de saúde e não prestadora de serviços hospitalares (hospital), que para ser assim considerada, deveria estar registrada junto ao Ministério da Saúde nesta categoria de estabelecimento. De conseqüência, é de se concluir que os Fl. 5DF CARF MF 6 recibos e a Nota Fiscal emitida a posteriori, em 01/09/2009 (fls. 134/135), não espelham a realidade, já que fazem referência a serviços médicos hospitalares realizados no ano de 2005. Em relação As supostas despesas havidas no anocalendário de 2006, não foi acostado qualquer documento. Não menos importante, serviços médicos hospitalares nos montantes de R$ 10.800,00 em 2005 e R$ 11.000,00 em 2006 pressupõem procedimentos de complexidade média para alta, que demandam internamento, exames, etc. de fácil comprovação, e a contribuinte não indicou ou trouxe qualquer documento neste sentido. (...) Quanto aos saques das contas correntes bancárias, vale observar que foram acolhidas, pela autoridade autuante, todas as despesas médicas e odontológicas havidas, quando, da análise dos referidos extratos, se constatou saques em datas anteriores a dos recibos e em valores compatíveis, o que não se verificou em relação As despesas supostamente havidas junto A Proclin, à odontóloga Márcia Reike dos Santos (R$ 3.000,00) e a psicóloga Sandra Regina Ferreira (R$ 5.000,00). Em sede de recurso, e visando contraditar o entendimento esposado na decisão recorrida, a Recorrente reitera os argumentos anteriormente expostos, insistindo que os recibos e extratos bancários acostados aos autos seriam prova suficiente do desembolso e da ocorrência das despesas médicas, afirmando ainda que o ônus da prova caberia ao Fisco no caso. Sua pretensão, porém, não merece acolhida. Isto porque a legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 6DF CARF MF Processo nº 10980.007976/200917 Acórdão n.º 2102002.427 S2C1T2 Fl. 154 7 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) No caso em exame, os recibos trazidos pela Recorrente não foram considerados pelas autoridades competentes como hábeis a comprovar suas despesas para fins de IR. Sendo assim, caberia a ela ter demonstrado que o lançamento estava errado – fosse trazendo declarações dos profissionais com descrição dos serviços prestados, cópias de exames, prontuários, fichas de atendimento, etc.. A Recorrente, porém, em nenhum momento demonstrou a efetividade de tais serviços, deixando, inclusive de descrever – ainda que de maneira simples e leiga – quais teriam sido os serviços prestados por tais profissionais. Por tudo isso, entendo que devem ser mantidas as glosas efetuadas através do lançamento em exame. Assim, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 7DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000181/2008-37
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercícios: 2004, 2006 e 2007
Ementa: DIPJ. ENTREGA. MULTA POR ATRASO. EMPRESA INATIVA.
É cabível a cobrança de multa por atraso na entrega de Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), atinente a empresa que apresentou declaração de inativa e, em face de procedimento fiscalizatório posterior, apurou-se que exercia atividade.
Numero da decisão: 1803-000.805
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Exercícios: 2004, 2006 e 2007 Ementa: DIPJ. ENTREGA. MULTA POR ATRASO. EMPRESA INATIVA. É cabível a cobrança de multa por atraso na entrega de Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), atinente a empresa que apresentou declaração de inativa e, em face de procedimento fiscalizatório posterior, apurouse que exercia atividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente (assinado digitalmente) Fl. 117DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 2 BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo Fonseca Vicentini, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Contra o contribuinte acima identificado lançouse multa por falta de entrega de Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativas aos anoscalendários de 2003, 2005 e 2006, folhas 01/07, com exigência de crédito tributário no valor de R$1.500,00. Segundo consta da descrição dos fatos, no âmbito do procedimento de fiscalização instaurado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 0811800200700283 8, apurouse omissão de receita com base em depósitos bancários de origem não comprovada, que resultou em imposição tributária de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social (Cofins), objeto do processo administrativo nº 11444.000857/200710. Conforme relatou a autoridade fiscal, em face dos rendimentos apurados no procedimento fiscal antes referido, o contribuinte enquadrase na situação de obrigatoriedade de apresentação de DIPJ. Intimada, em duas oportunidades, a apresentar ditas declarações, a interessada mantevese silente, fato que suscitou a lavratura do auto de infração sob análise. Cientificado da imposição tributária, o contribuinte apresentou impugnação de folhas 75/76, com a alegação de que, durante a ação fiscal, apresentou sua escrituração contábil, na forma da tributação dos optantes pelo Simples, estando, consequentemente, desobrigado de apresentar DIPJ. Ao final, propugnou pelo cancelamento da imposição tributária. A 5ª TURMA – DRJ EM RIBEIRÃO PRETO – SP, ao analisar a impugnação formulada, manteve, integralmente, o auto de infração lavrado, nos seguintes moldes: “Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2003, 2005, 2006 Fl. 118DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 11444.000181/200837 Acórdão n.º 1803000.805 S1TE03 Fl. 2 3 Ementa: DIPJ. ENTREGA. MULTA. ATRASO. EMPRESA INATIVA. É cabível a cobrança de multa por atraso na entrega de Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) de empresa que apresentou declaração de inativa e, em face de procedimento fiscalizatório posterior, apurouse que exercera atividade. Lançamento Procedente” Cientificado da decisão, em 10/07/2009, interpôs o contribuinte, tempestivamente, em 31/07/2009, recurso a este conselho, repetindo os termos da peça impugnatória outrora indeferida. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. As multas ora debatidas tiveram por fulcro a constatação, no bojo do Processo Administrativo Fiscal nº 11444.000857/200710, de que a autuada, nos idos dos anos calendários de 2003, 2004 e 2006, movimentara receita que a impelia ao regime de tributação ordinário, no bojo do qual jaziam vigentes os deveres de apresentação das pertinentes DIPJs. A despeito disso, consoante consta dos sistemas fazendários (relato à fl. 08), teria a peticionária apresentado, para o período, somente Declaração de Pessoa Jurídica Inativa, destoante de sua realidade financeira. Procedeuse, pois, à intimação do contribuinte, para que este elaborasse e ofertasse os documentos devidos (DIPJs, DACONs e DCTFs). O interessado, a despeito disso, quedouse omisso, motivando, com seu comportamento, a formalização da presente peça acusatória. Em sede tanto de impugnação quanto de recurso, limitouse o contribuinte a afirmar já ter entregado, nos anoscalendários em questão, Declarações Simplificadas, na forma a que estaria sujeito, alegadamente, em virtude da subsunção de sua tributação ao regime do Simples. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 4 Ocorre, porém, que estas aduções são inverossímeis, eis que, para os exercícios de 2004, 2006 e 2007, remetidas foram, de fato, apenas as estresidas Declarações de Pessoa Jurídica Inativa, consoante inequívoca notícia dada pela tela de fls. 90/93. Assim, face ao fato de a peticionária ter falseado sua inatividade, deixando de disponibilizar as declarações que lhe incumbiam, correta é a imposição das multas em análise, calcadas na legislação de regência. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 27 de janeiro de 2011 (assinado digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 120DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001008/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005, 2006
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRECLUSÃO.
Opera-se a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou de decisão de primeira instância administrativa. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Em se tratando de autuação em razão de pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou quando não se comprovar as operações ou a causa desses pagamentos, tendo a fiscalização observado as disposições contidas no art. 61 da Lei nº 8.981/1995, demonstrando a efetiva existência dos pagamentos, caberá ao sujeito passivo a comprovação das operações e de suas causas, bem assim a indicação dos respectivos beneficiários, por meio de elementos probatórios hábeis e idôneos, não havendo que se falar em cerceamento de direito de defesa sob o argumento de que caberia à autoridade autuante a produção de tais elementos.
APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO DO DIREITO.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º.
PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE.
Constatando o fisco a existência de pagamentos a beneficiário não identificado ou quando não forem justificada as operações ou suas causas, cabível o lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF contra a fonte pagadora, à alíquota de 35%, nos termos do § 1º do art. 61 da Lei nº 8.981/1995.
Numero da decisão: 2402-005.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento os valores relativos às TED de mesma titularidade efetuadas em 01/03/2006, R$ 23.900,00 e em 04/04/2006, R$ 307.000,00. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Julgado em 07/04/2017 no período da manhã.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2005, 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRECLUSÃO. Opera-se a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou de decisão de primeira instância administrativa. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Em se tratando de autuação em razão de pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou quando não se comprovar as operações ou a causa desses pagamentos, tendo a fiscalização observado as disposições contidas no art. 61 da Lei nº 8.981/1995, demonstrando a efetiva existência dos pagamentos, caberá ao sujeito passivo a comprovação das operações e de suas causas, bem assim a indicação dos respectivos beneficiários, por meio de elementos probatórios hábeis e idôneos, não havendo que se falar em cerceamento de direito de defesa sob o argumento de que caberia à autoridade autuante a produção de tais elementos. APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO DO DIREITO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º. PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Constatando o fisco a existência de pagamentos a beneficiário não identificado ou quando não forem justificada as operações ou suas causas, cabível o lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF contra a fonte pagadora, à alíquota de 35%, nos termos do § 1º do art. 61 da Lei nº 8.981/1995.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento os valores relativos às TED de mesma titularidade efetuadas em 01/03/2006, R$ 23.900,00 e em 04/04/2006, R$ 307.000,00. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Julgado em 07/04/2017 no período da manhã. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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PAGAMENTOS SEM CAUSA Recorrente RAL ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRECLUSÃO. Operase a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou de decisão de primeira instância administrativa. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Em se tratando de autuação em razão de pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou quando não se comprovar as operações ou a causa desses pagamentos, tendo a fiscalização observado as disposições contidas no art. 61 da Lei nº 8.981/1995, demonstrando a efetiva existência dos pagamentos, caberá ao sujeito passivo a comprovação das operações e de suas causas, bem assim a indicação dos respectivos beneficiários, por meio de elementos probatórios hábeis e idôneos, não havendo que se falar em cerceamento de direito de defesa sob o argumento de que caberia à autoridade autuante a produção de tais elementos. APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO DO DIREITO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º. PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Constatando o fisco a existência de pagamentos a beneficiário não identificado ou quando não forem justificada as operações ou suas causas, cabível o lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF contra a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 10 08 /2 01 0- 76 Fl. 6581DF CARF MF 2 fonte pagadora, à alíquota de 35%, nos termos do § 1º do art. 61 da Lei nº 8.981/1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e darlhe provimento parcial para excluir do lançamento os valores relativos às TED de mesma titularidade efetuadas em 01/03/2006, R$ 23.900,00 e em 04/04/2006, R$ 307.000,00. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Julgado em 07/04/2017 no período da manhã. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 6582DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1.184/1.226) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE (fls. 1.098/1.166), que julgou improcedente impugnação apresentada em face do Auto de Infração de fls. 357/373. Consoante Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 331/355), a ação fiscal teve origem em “irregularidades apuradas pelo Ministério Público Estadual envolvendo o prefeito do município de Lagoa Santa/MG e a empresa Ral Engenharia, que fora contratada para prestar serviços de obras de pavimentação”. Ainda de acordo com o citado relatório, o procedimento administrativo da Promotoria apurou prejuízo para o Município, com recebimentos indevidos pela empresa Ral Engenharia, tendo havido, inclusive, bloqueio de recursos determinado pelo juízo local. Nos termos da descrição dos fatos constante no Auto de Infração, o lançamento de ofício de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte IRRF se deu em decorrência de infração à legislação tributária consistente em pagamentos sem causa ou de operações não comprovadas e da falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre tais pagamentos ou de operação. Atribuise responsabilidade solidária ao sóciogerente e responsável pela administração da Ral Engenharia, Sr. Eduardo Barcellos Góes, CPF 217.442.11604, pois, a partir da apuração feita pela fiscalização, verificouse que referida pessoa física tinha interesse comum na situação que constituiu o fato gerador do tributo lançado. O Recorrente apresentou impugnação por meio do documento de fls. 503/523. Por bem retratar as alegações trazidas na peça impugnatória, reproduzse trecho correspondente do Acórdão nº 0229.807 da 3ª Turma da DRJ/BHE: Impugnação A contribuinte foi cientificada dos autos de infração por via postal em 02 de agosto de 2010, conforme comprova o Aviso de Recebimento "AR", A fl. 219. 0 sujeito Passivo Solidário (Sr. Eduardo Barcellos Góes Sócio responsável), também foi cientificado do termo de sujeição passiva e dos autos de infração, por via postal, em 13 de agosto de 2010, conforme comprovam os Avisos de Recebimentos "AR" dos Correios, As fls. 228/229. Inconformada com a exigência a contribuinte autuada apresentou impugnação ao lançamento por meio da petição de fls. 234/245, que foi recepcionada na Repartição de origem em 01 de setembro de 2010. O sujeito passivo solidário não apresentou impugnação própria. A autuada expendeu em síntese, observados os subtítulos grifos e destaques da petição, as seguintes razões e pontos de discordância: Fl. 6583DF CARF MF 4 "1 DOS FATOS." .nos termos do MPF nº 0611300/00100/08 a RFB realizou ação fiscal no contribuinte, com fito de "apurar irregularidades envolvendo o prefeito do município de Lagoa Santa MG e a pessoa jurídica fiscalizada que fora contratada para prestar serviços de obras de pavimentação"; .no curso da ação fiscal foram requeridos, por meio de termos de intimações fiscais, a apresentação de diversos documentos, planilhas e demais elementos hábeis comprobatórios de movimentação de "Caixa"; .no entanto, segundo esclarece, sempre teria adotado um escritório terceirizado de contabilidade que se responsabilizou pela contabilização de todos os documentos das atividades da empresa; .somente por ocasião do desenvolvimento da ação fiscal da RFB teria tomado conhecimento da situação do arquivamento de sua documentação, o que dificultou a apresentação dos elementos requeridos nas intimações; .em face dessa circunstância, informa que partiu para montagem de estruturação interna de contabilidade, arquivamento e controles internos; .a debilidade de seus sistemas de registro e arquivo de documentos se evidenciou, ainda, na forma simplificada adotada pelo escritório de contabilidade, que registrava todos os documentos relativos aos recebimentos de serviços prestados, bem como pagamentos inerentes realização destes serviços tais como custos, despesas, impostos, salários, despesas financeiras, etc, a conta "CAIXA" da empresa; .a fiscalização lhe deu ciência de vários termos requerendo esclarecimentos, documentos e demais elementos, que procurou atender na medida do possível; .após análise de toda documentação apresentada, a fiscalização teria lhe imputado infração legislação tributária, especificamente no tema de: "1) OUTROS RENDIMENTOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. OPERAÇA 0 NÃO COMPROVADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA."; .após levantamento da fiscalização, nos extratos bancários apresentados, foram listados os "lançamentos" a seguir: 1 [...] .suscita que de acordo com a fiscalização a empresa não teria conseguido comprovar as importâncias pagas a beneficiários não identificados ou pagamentos efetuados a terceiros sem a 1 Reproduz quadro com relação de pagamentos a beneficiários não identificados (fls. 507/515). Fl. 6584DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 4 5 comprovação da operação. Por esse motivo efetuou a tributação exclusivamente na fonte, aliquota de 35%; .reitera que desde sua fundação, por motivos técnicos e por adequação de custos, adotou a prática de contratar escritório terceirizado de contabilidade; .tomou conhecimento das deficiências dos arquivos contábeis por ocasião da fiscalização, o que redundou na impossibilidade de atender os prazos e a necessidade de pedidos de prorrogação das intimações; .tendo a fiscalização ocorrido em março de 2007 e referindose desde o inicio de janeiro de 2005, enfrentou muitas dificuldades e despendeu muito tempo para atender aos elementos requeridos nas intimações; .resolveu, a partir de então, promover reorganização da área contábil e prover a empresa de estrutura contábil adequada; .constata a debilidade nos sistemas de registro e arquivos de documentos contábeis também pela forma simplificada adotada pelo escritório de contabilizar na conta CAIXA todos os recebimentos e pagamentos, ainda que não seja um delito fiscal, mas que dificulta as conferencias futuras; .verificou que os pagamentos e recebimentos estão lançados na conta caixa, conforme consta dos livros Diário e Razão; ."em uma amostragem simples, pode constatar que diversos lançamentos que compõem a autuação fiscal, tratados como PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS, estariam devidamente contabilizados e, pode ser verificado a origem e perfeita identificação do beneficiário dos recursos pagos e/ou repassados, e cujos valores foram devidamente oferecidos a tributação na época apropriada"; DEMONSTRAÇÃO DA COMPOSIÇÃO DE PAGAMENTOS BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR SAFRA 0162 000.1311 05/12/2006 CH PAGO ESPÉCIE 1000198 56.461,21 Cheque referente a pagamento de parte de 13 "salário, e encatgos conforme lançamentos 20/12/2006 VR PGTO. 13° SALÁRIO VR. PGTO IRRF S/ 13° SALARIO VR. PGTO. INSS S/ 13° SALÁRIO VR. PAGTO. INSS 13° SALÁRIO VR. PGTO INSS 13*SALARIO VR. PGTO. INSS 13" SALÁRIO 36.522,00 851,86 13.781,07 1.401,91 779,56 12.208,32 BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR SAFRA 0162 000.1311 04/12/2006 CH PAGO ESPÉCIE 1000197 78.879,00 Cheque referente a pagamento de parte de salários, mês 11/2006, efetuado em 01/12. 01/12/2006 VR. PGTO SALÁRIOS MÊS 11/05 (sic) 69.829,50 Fl. 6585DF CARF MF 6 BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR SAFRA 0162 000.1311 30/11/2006 CH COMPENSADO 0.000160 35.017,92 Cheque referente a pagamento a fornecedores. 30/11/2006 VR PGTO NF 92 GPO MERCANTIL ENGENHARIA LTDA VR PGTO NF 93 GPO MERCANTIL ENGENHARIA LTDA 3.982,80 31.035,12 BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR SAFRA 0162 000.1311 14/11/2006 CH COMPENSADO 0.00085 30.000,00 Cheque referente a pagamento a fornecedores. 13/11/2006 VR PGTO NF 0053 CONPET C. S. PETRÓLEO (RALOIL) 30.000,00 BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR SAFRA 0162 000.1311 09/11/2006 CH COMPENSADO 0.00028 48.180,73 Cheque referente a pagamento a fornecedores. 09/I 1/2006 VR PGTO NF FRESAR TECNOLOGIA DE PAVIMENTOS 48.180,73 BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR SAFRA 0162 000.1311 05/12/2006 CH PAGO ESPÉCIE 0.00029 24.203,98 Cheque referente a pagamento de parte de salários, mês 11/2006, efetuado em 01/12. 08/11/2006 VR PGTO NF 413 ÉPOCA INSTALAÇÕES 24.203,98 BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR SAFRA 0162 000.1311 07/11/2006 CH COMPENSADO 0.00025 31.987,37 Cheque referente a pagamento a fornecedores. 07/11/2006 VR PGTO NF 88 GPO MERCANTIL ENGENHARIA LTDA VR PGTO NF 87 GPO MERCANTIL ENGENHARIA LTDA 10.308,60 21.678,68 BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR MERCANTIL 306 020113057 02/10/2006 SAQUE PARA PGTO 0.07181 48.603,71 Cheque referente a pagamento de parte de salários, mês 09/2006. 05/10/2006 VR. PGTO SALÁRIOS MÊS 09/05 (sic) 47.507,01 BANCO AG. CONTA DATA HISTÓRICO DOC VALOR MERCANTIL 306 020113057 28/09/2006 CH. COMPENSADO 0.07171 35.000,00 Cheque referente apagamento a fornecedores. 20/09/2006 VR DEPOSITO FERNANDO VIEGAS RALOIL VR DEPOSITO SR. ALCIDES CF RECIBO RALOIL VR PGTO AGENCIA NACIONAL DE PETRÓLEO ANPRJ VR PGTO NF 330 EMBRATERRA SERVIÇOS LTDA VR PGTO NF 331 EMBRATERRA SERVIÇOS LTDA 3.000,00 1.000,00 15.000,00 8.000,00 8.000,00 .aduz que, "fica demonstrado também que a movimentação bancaria era parte integrante dos valores do caixa, perfeitamente suportado pelos valores apresentados no Diário regularmente escriturado da empresa"; .sustenta, ainda, que "como os valores relativos as transferência interbancários não afetava o saldo de "Caixa" da empresa, uma vez que a mesma não realizava o controle dos saldos bancários contabilizados via lançamentos individualizados por instituição, e nem pelos beneficiários, a empresa repugna a ação da fiscalização quanto à classificação de pagamentos a terceiros e movimentações interbancárias realizados pela empresa, bem como a movimentação de recursos de bancos com os quais a empresa mantinha relacionamento para o caixa como PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / Fl. 6586DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 5 7 SEM CAUSA OU POR OPERA CÃO NÃO COMPROVADA, imputando a Ral Engenharia Ltda tributo IRRF, bem como acessórios de juros de mora e multa proporcional"; .diz, textualmente que: "...vem impugnar totalmente a autuação fiscal, relativa ao auto de infração n" 0611300/00100/08 — processo nº 13609.001008/201076, sofrida em razão dos levantamentos apurados por esta Auditoria Fiscal realizada por esta RFB". O responsável solidário foi devidamente cientificado do Auto de Infração e do Termo de Sujeição Passiva (fls. 433/435) , o qual discrimina a conduta a ele atribuída, mas não apresentou impugnação e não há questionamentos a esse respeito na peça impugnatória apresentada pela empresa. Por considerar que o sujeito passivo não logrou identificar os beneficiários dos pagamentos objeto da autuação, tampouco comprovar a causa das operações realizadas, a DRJ/BHE julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa do Acórdão nº 0229.807, a seguir reproduzida: OUTROS RENDIMENTOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1.234/1.276) com as razões abaixo mencionadas: Segundo alega a recorrente, o auto de infração foi lavrado sob o fundamento de que competia à autuada apresentar comprovantes de pagamento ou cópias microfilmadas de cheques relacionado à autuação, mas com todos os instrumentos de que dispõe a Receita Federal para a apuração do imposto, caberia a esse órgão obter referidas cópias diretamente junto à instituição financeira. Afirmação semelhante faz em relação a comprovantes relacionados a TED e DOC. Assevera que “Julgar pela falta dessa prova, sem a iniciativa de buscala, caracteriza inexorável cerceamento de defesa”. Aduz que, de acordo com o relatório que acompanhou o auto de infração, o procedimento fiscal foi instaurado a partir de supostas irregularidades apuradas pelo Ministério Público Estadual, envolvendo o prefeito do Município de Lagoa Santa/MG, mas que as ações ajuizadas pelo Ministério Público foram julgadas improcedentes pela Justiça, tendo a autoridade autuante sido induzida a erro. O auto de infração seria injusto, pois, além do crédito tributário constituído, buscouse penalizar o sócioadministrador da recorrente com responsabilidade solidária e lhe Fl. 6587DF CARF MF 8 imputar a prática de crime contra a arrecadação tributária. Reproduz excertos de julgados do STJ relacionados a cerceamento de direito de defesa. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes, segundo consta da peça recursal, tem admitido a apresentação de documentos, inclusive, em grau de recurso, no que diz respeito ao lançamento de imposto de renda por pagamento a beneficiários tidos como não identificados. Reproduz decisão administrativa a esse respeito, afirmando tratarse de lídimo direito do contribuinte, previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, na redação que lhe foi dada pela Lei 8.748/1993. Assegura que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes tem sido prudente ao condicionar a imputação de pagamento a beneficiário não identificado a prova idônea inconteste. Reproduz decisões administrativas nas quais acosta tais asserções. Faz referência a planilha a qual identificaria “Um por um os pagamentos adotados pela exação fiscal como base de cálculo do imposto de renda, com a respectiva prova”. Justifica que: 1. Cada lançamento apontado na autuação foi identificado na coluna intitulada “n do lançamento". 2. A cada lançamento, identificado por esse número corresponde a documentação correspondente e comprobatória de que não se trata de pagamento a beneficiário não identificado. 3. a planilha facilita o exame dos documentos, também anexos, pela identificação do "n. do lançamento" com o número, dos documentos anexos, correspondentes à prova do pagamento e identificação do beneficiário do cheque. 4. Tais provas começam com o "espelho" do mencionado cheque, obtida no ato da emissão desses cheques, 5. mas também requer seja intimada a instituição financeira, com a autoridade da Receita Federal, para apresentar cópia microfilmada do mencionado cheque, 6. posto que a Recorrente requereu, por ofício, lhe fossem apresentadas tais copias microfilmadas, e não pode ser penalizada porque a instituição financeira não lhe forneceu essa copia. (Grifos do original) Questiona itens dos acórdão recorrido os quais tratariam como pagamentos a beneficiários não identificados TED, DOC e cheques compensados (que seriam todos nominais). Assevera que a jurisprudência consolidada vem dando tratamento diametralmente oposto a essa questão. Reproduz trecho de decisão do antigo Conselho de Contribuintes destacando fragmento segundo o qual os casos de simples transferências não se caracterizam como pagamento a beneficiário não identificado. Destaca que vários pagamentos que constaram do lançamento foram realizados mediante TED e DOC, dois deles transferência de mesma titularidade, não sendo possível tratálos como pagamentos a beneficiários não identificados; que para atender a Autoridade Fiscal, solicitou tais documentos às instituições financeiras, mas não logrou êxito em obtêlos. Por isso, “requer à Receita Federal que se utilize dos seus poderes, da sua Autoridade, para que as instituições financeiras que não atenderam” suas solicitações acatem a ordem do referido órgão e disponibilize os documentos requeridos. Fl. 6588DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 6 9 Relaciona TED e DOC que diz totalizarem R$ 12.668.364,00 e cita débitos autorizados totalizando R$ 335.000,00, os quais teriam seus beneficiários identificados. Referese a cheques nominais que teriam sido repassados à empresa Época Instalações, que a decisão vergastada teria tratado também como pagamento a beneficiário não identificado. Indaga que tendo sido o cheque nominal compensado, que outra prova lhe poderia ser exigida? Contradita a decisão a quo que teria também tratado como pagamento a beneficiário não identificado cheques sacados em dinheiro para pagamento de salários, entendendo que competia à autuada apresentar os recibos de pagamentos da folha de salários. Sobre o assunto, diz ser público e notório que, no Brasil, o pagamento de peões de construção (como no caso de seus funcionários) é feito em dinheiro, não em cheque. Afirma que: “Com a interposição deste recurso (...) apresenta a prova reclamada pelo acórdão: a folha de pagamentos e recibos de pagamentos de salários”. Com relação a cheques descontados supostamente para o pagamento de fornecedores, argumenta que esses fornecedores, vários deles expeões de construção, exigem pagamento em dinheiro como forma de prevenção contra a devolução de cheques e que, “O fato de tais cheques serem descontados para pagamento em dinheiro, mediante correspondente documento contábil (nota fiscal, boleto, etc.) não torna o pagamento a beneficiário não identificado”. Alude que: ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (Constituição Federal, art. 5°, II); vigora no Brasil o curso legal da moeda que permite expressamente o pagamento em dinheiro e que constituiria contravenção penal recusar pagamento sob essa forma; nos dias de hoje, a exigência de pagamento em dinheiro por medo da inadimplência ou da morosidade da Justiça é sabidamente crescente, ou seja, o fornecedor exige pagamento em dinheiro como garantia de que não terá seu fluxo de caixa comprometido ou de que não perderá um patrimônio cada vez mais difícil de amealhar; e se um fornecedor oferece preço mais reduzido se lhe for realizado o pagamento em dinheiro, não se pode penalizar o contribuinte, somente porque aproveitou a oportunidade de reduzir seu custo. Menciona ainda que em inúmeras ocasiões emitiu um cheque para pagar vários fornecedores, de forma que o continuo (office boy) descontasse o cheque a boca do caixa e, no mesmo ato, realizasse o pagamento de vários boletos. Pondera que para se chegar a essa conclusão, basta conferir o somatório de referidos boletos, não sendo razoável, no caso, exigir a coincidência de valores até nos centavos, em vista de ser comum nesse tipo de serviço emitir cheque de valor um pouco superior para o pagamento de despesas do office boy (transporte e outros). Relaciona supostos pagamentos que retratariam a situação alegada. Aponta que: Além de não existir lei que impeça a Recorrente de assim organizar suas atividades, é simples: os comprovantes de pagamento são inegavelmente idôneos: boletos autenticados por instituição financeira, comprovantes de depósito, notas fiscais, Fl. 6589DF CARF MF 10 duplicatas, etc. De onde a Recorrente tirou dinheiro para tais pagamentos? Consta ainda do recurso voluntário que “se reclamou, na decisão recorrida, prova de pagamento a sociedade em conta de participação, que são anexados ao presente recurso”. A recorrente faz menção a diversos documentos que não teriam sido localizados e considera que é o caso de impor a tributação apenas do que não estiver acobertado por prova documental. Ressalta que o acórdão atacado inverteu o ônus da prova por ter presumido que o contribuinte não tem razão até que prove o contrário. Com relação à responsabilidade solidária, afirma que a exigência fiscal teve origem na incompetência e na desorganização do antigo contador e que não houve máfé, dolo e nem benefício ao administrador da sociedade. Transcreve decisão administrativa com base na qual entende que a jurisprudência é no sentido que casos semelhantes ao retratado nos autos seriam incompatíveis com a responsabilidade solidária imputada ao administrador. Colaciona decisões do STJ que corroborariam a jurisprudência administrativa no tange à responsabilidade solidária. Considera que, no caso concreto, o conjunto probatório não deixa dúvida de que os pagamentos foram efetivamente realizados e que não é justo nem razoável impor ao administrador responsabilidade solidária nem responsabilidade subsidiária. Requer por fim que: seja afastada a responsabilidade pessoal (solidária e subsidiária) do sócio administrador bem como a caracterização de crime contra a arrecadação. Tributária; seja acolhida a preliminar arguida para o fim de decretar a nulidade do processo, por cerceamento de defesa; a Autoridade Fiscal requisite das instituições financeiras cópias microfilmadas dos cheques, TED, DOC e outros documentos que as instituições financeiras podem e devem fornecer; alternativamente, seja dado provimento ao recurso, para o fim de deduzir da exigência fiscal o valor correspondente às parcelas cuja documentação identifica o beneficiário do pagamento. É o relatório. Fl. 6590DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Admissibilidade O recurso foi apresentado no prazo legal e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Responsabilidade Solidária Importa inicialmente tecer comentários acerca da alegação trazida no recurso voluntário de que o sócioadministrador teria sido injustamente penalizado pelo fato de a fiscalização terlhe imputado a prática de crime contra a ordem tributária, indicandoo como responsável solidário pela adimplemento da obrigação tributária apurada. Sobre esse assunto, convém reproduzir a abordagem contida na decisão recorrida: Em que pese ter sido intimado individualmente, acerca da qualificação como "SOLIDARIAMENTE RESPONSÁVEL", o sujeito passivo solidário não apresentou impugnação própria para contestar as exigências, nem o atributo de solidariamente responsável. Assim sendo, em relação ao sujeito passivo solidário, descabe qualquer manifestação, pois que nos termos da disposição do art. 14 do Decreto n° 70.235, de 1972, a falta de apresentação de impugnação, nem sequer foi instaurada a fase litigiosa do procedimento. De se notar que referido tema não foi objeto de impugnação e, por essa razão, não houve manifestação da DRJ/BHE quanto ao mérito dessa matéria. Por virtude do inciso III do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, norma que disciplina o processo administrativo fiscal em âmbito federal, as razões de fato e de direito que fundamentam as pretensões do recorrente devem ser apresentadas na impugnação, operandose a preclusão quanto a questões não suscitadas na peça impugnatória. No mesmo sentido, o art. 33 do Decreto n° 70.235/1972, dispõe que o recurso voluntário deve ser apresentado em face da decisão decorrente do julgamento de primeira instância administrativa. Vejamos: SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 6591DF CARF MF 12 Desta feita, a despeito dos argumentos trazidos no apelo recursal, entendo que o recurso não deve ser conhecido em relação ao presente tema, eis que esse não foi objeto da impugnação ou do acórdão recorrido. Nulidade por Cerceamento do Direito de Defesa Em sede de preliminar, alude o sujeito passivo que o Auto de Infração fora lavrado sob o fundamento de que lhe competia apresentar documentos que comprovassem a inocorrência da infração, mas que caberia à Secretaria da Receita Federal do Brasil obter referidos documentos. Na mesma linha, o colegiado de primeira instância administrativa, ao julgálo pela falta de provas, sem tomar a iniciativa de buscálas, teria cerceado seu direito de defesa. Não assiste razão ao contribuinte. Primeiramente, conforme se verá adiante, a autuação se deu em estrito cumprimento ao disposto no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, em razão da fundamentada existência de pagamentos efetuados a beneficiários não identificados e por não se ter comprovado as operações ou suas causas. Além disso, consoante se verifica nos autos, a contribuinte foi reiteradamente intimada pela fiscalização a indicar os beneficiários dos recursos por ela despendidos e a comprovar as operações que deram origem aos desembolsos de tais recursos, mas não apresentou quaisquer provas aptas a elidir o lançamento em relação a esses desembolsos. Não bastasse, também por ocasião da impugnação não foram apresentados elementos probatórios que pudessem acudir a recorrente. A esse respeito, o decisum atacado é elucidativo: A propósito, o inc. IV, do art. 16, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993, preceitua que a impugnação deve estar instruída e mencionar, dentre outros requisitos, além dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta e os pontos de discordância, precipuamente, as razões e provas que possuir. É consabido que a prova consiste na demonstração da existência ou da veracidade daquilo que se alega no processo. Reafirmando, pois, alegar sem provar não tem valor algum. Cediço é que à autoridade tributária julgadora cabe valorar a prova apresentada. Portanto, cabia à autuada, apresentar provas que infirmassem a matéria tributável erigida pela fiscalização, sob pena de o julgador ter de reputar procedente a autuação, como efetivamente o faz. Reiterese que o art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 é expresso ao estabelecer que cabe ao autuado apresentar, conjuntamente com a impugnação, as razões de prova que possuir, sendo incabíveis as ilações prenunciadas no apelo do sujeito passivo de que competiria à Secretaria da Receita Federal buscar junto a instituições financeiras documentos aptos a identificar os beneficiários das operações por ele realizadas. Ademais, as decisões administrativas e judiciais colacionadas pela recorrente, relativamente a essa matéria, por abordarem situações diametralmente diversas, em nada a socorrem. Isso posto, afasto a preliminar de cerceamento do direito de defesa. Fl. 6592DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 8 13 Apresentação do Provas no Recurso Voluntário Outra questão a ser destacada diz respeito à solicitação para que sejam analisados documentos apresentados somente no recurso voluntário. Observase que, nesta fase, foi anexada uma grande quantidade de documentos, os quais, segundo a contribuinte, devem ser examinados em respeito à jurisprudência administrativa e em vista do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, na redação dada pela Lei 8.748/1993. Apenas para ilustrar a situação abordada neste tópico, das 6.580 folhas constantes do presente processo administrativo até este momento, 5.231 correspondem a documentos juntados pelo contribuinte somente na fase recursal (doc. de fls. 1.348 a 6.578), os quais, em conjunto com uma planilha apresentada no recurso voluntário, identificariam os pagamentos que deram azo à exação fiscal. Em relação a esse assunto, impende asseverar que a redação do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, na redação dada pela Lei 8.748/1993, reproduzida na peça recursal para fundamentar o requerimento em análise, já foi alterada há cerca de duas décadas! Deveria saber a recorrente que disposição superada por norma superveniente não tem valor legal e em nada contribui no processo de construção de sua tese jurídica. Não obstante, o Decreto Nº 70.235/1972 limita a apresentação de provas em fase posterior à impugnatória, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 6593DF CARF MF 14 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Há que se reconhecer que a jurisprudência deste Conselho tem abrandado o rigor dessa regra, em casos excepcionais, e em prestígio ao princípio da verdade material. No entanto, esse abrandamento comporta limites. Não se pode admitir que novos documentos sejam apresentados em sede de recurso, quando isso obstaculiza a apuração da autoridade fiscal. Do contrário, teríamos uma desordem no andamento lógico do processo, prejudicando a sua conclusão. O processo é um caminhar para frente, consubstanciandose em uma sucessão de atos que devem ser ordenados por fases lógicas para que não se transforme em uma querela interminável. Extraise da lição de Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini2 o seguinte: [...] iv) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. v) O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente. Na mesma esteira, preleciona Ada Pellegrini Grinover3: O instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar ao seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão 2 LÓPEZ, Maria Tereza Martinez; BIANCHINI, Marcela Cheffer. A Prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010, p. 50. 3 GRINOVER, Ada Pellegrini e Outros. Teoria geral do processo.16ª ed. Malheiros: São Paulo, 2000, p. 327328. Fl. 6594DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 9 15 representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual [...] Politicamente justificase a preclusão em virtude do princípio pelo qual a passagem de um ato processual para outro supõe o encerramento do anterior, de tal forma que os atos já praticados permaneçam firmes e inatacáveis. Quanto mais rígido o procedimento como é o brasileiro, por desenvolverse através de fases claramente destinadas pela lei maior se torna a importância da preclusão. No presente caso, temse que caberia ao contribuinte, quando intimado pela fiscalização, identificar os beneficiários e comprovar a causa dos pagamentos efetuados. Nessa linha de entendimento, caberia à autoridade fiscal, após a identificação dos favorecidos e comprovada a causa dos pagamentos, proceder ou não à tributação dos valores recebidos, conforme o regramento legal. Entretanto, o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 331/353) revela que, mesmo após inúmeras tentativas da fiscalização, a recorrente não se preocupou em apresentar documentos hábeis a inibir o lançamento. Senão vejamos trecho do citado relatório que, apesar de extenso, traz precisos esclarecimentos acerca da conduta do apelante no decorrer do procedimento fiscalizatório: Após um exaustivo trabalho de compilação, digitação, depuração e análise dos lançamentos, foi elaborada uma tabela com aqueles valores que não havia comprovação no livro Diário. o contribuinte foi, então, intimado TIF n° 04 a comprovar os beneficiários e a finalidade de saques/pagamentos, referentes a lançamentos a débito na contacorrente. O contribuinte, conforme já mencionado no histórico, informa que toda a comprovação estaria nos livros contábeis entregues anteriormente e que o extrato bancário era "auto explicativo". Na tentativa de se evitar cometer alguma injustiça e com objetivo de acelerar o procedimento fiscal, foi efetuada uma nova conferência de todos os lançamentos bancários com os livros Diário e Razão, buscando comprovar os beneficiários dos pagamentos. Nessa análise, alguns lançamentos foram confirmados, porém, a maioria dos outros lançamentos ainda não fora possível a comprovação, por não haver correspondência nos livros contábeis, mesmo verificando em dias próximos. Assim, foi o contribuinte intimado a novamente comprovar, com documentação hábil e idônea, os beneficiários dos pagamentos/saques constantes nas contascorrentes. O Termo de Intimação Fiscal foi o de n° 10, recebido em 18/02/2010, acompanhado de um Anexo com a planilha dos novos dados. Mais uma vez a resposta do contribuinte foi evasiva e lacônica, pois informou que já havia apresentada a resposta em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 02. Vimos que, no TIF n° 02, ele apresentou foi o extrato bancário. Conforme já dito no histórico, ainda não satisfazendo com as respostas, que pouco acrescentaram ao procedimento, e em busca da verdade material, foi elaborado o Termo de Reintimação Fiscal n° 12, este entregue pessoalmente, para comprovar, com documentação hábil e idônea, a finalidade e os Fl. 6595DF CARF MF 16 beneficiários dos saques/pagamentos referentes aos lançamentos a débito selecionados de suas contas. A ciência pessoal do Termo, ocorrida em 17/03/2010, foi feita após explicar todo o procedimento fiscal a um dos contadores da empresa e ao gerente e filho do sócio. No final de Abril/2010, até houve a apresentação de documentos "Relação de Pagamento" que serviriam para comprovar os pagamentos de Janeiro a Julho de 2005. Ocorre que esses documentos nada comprovaram. São relações de pagamentos efetuados pela empresa. Independente de entrar no mérito das despesas (se seriam dedutíveis ou não em função da necessidade, usualidade e normalidade) os documentos não tem qualquer relação com os pagamentos que constam no extrato bancário e que geraram as dúvidas objeto do Termo de Intimação Fiscal n° 12. Informa ainda que precisaria de mais 90(noventa) dias para atender ao restante. Mesmo ultrapassando o exagerado prazo de 90 dias solicitado pelo contribuinte, os documentos não foram apresentados. Ou seja, oportunidades para os esclarecimentos não faltaram. Como visto, foram dadas ao contribuinte todas as possibilidades para explicação e juntada de documentos, mas ele não quis, ou não pode, se manifestar objetivamente. (Grifamos) Observese que, mesmo após a autuação, o sujeito passivo foi chamado a comprovar as causas e a identificar os beneficiários dos pagamentos relacionados ao lançamento. Contudo, embora tenha contestado o Auto de Infração, não carreou aos autos elementos probatórios capazes de justificar suas alegações. A esse respeito, assim discorreu o julgador de primeira instância em relação a cada um dos pagamentos que o recorrente buscou justificar na impugnação: Apreciação dos argumentos e provas: De antemão insta patentear, que o único elemento de comprovação aportado aos autos pela defendente foram as cópias reprográficas de determinadas páginas do livro Razão, espelhando apenas a movimentação da conta "Caixa", e recortes do movimento residual de algumas outras contas aleatórias de acordo com sua posição gráfica em cada mês, no período de janeiro a dezembro de 2005 e de 2006 (fls. 295/521). Além da aludida escrituração do livro Razão da conta Caixa, nenhum outro documento, hábil e idôneo, de origem externa e consentâneo aos fatos, foi apresentado pela defendente para comprovar a efetividade dos alegado(s) pagamento(s) [...]. Por essas razões, à luz do § 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, não serão analisados os documentos acostados aos autos pela contribuinte em sede de recurso voluntário, pois esses foram apresentados em momento posterior ao previsto em lei e a situação aqui descritas não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas nas alíneas “a” a “c” do § 4º do mesmo artigo. Questões Relativas ao Lançamento Com relação ao lançamento efetuado, compete ressaltar que carece de razão a asserção feita no recurso voluntário de que a autoridade autuante teria sido induzida a erro em Fl. 6596DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 10 17 razão de o procedimento fiscal ter sido instaurado a partir de irregularidades apontadas pelo Ministério Público Estadual. Ora, a despeito da solicitação do Ministério Público, a apuração dos ilícitos fiscais não tem relação direta com a investigação levado a cabo por aquele órgão, ou seja, o procedimento fiscal foi realizado a partir de elementos fáticos levantados junto à empresa, por meio de mecanismos próprios e com base em legislação especificamente relacionada à matéria tributária, sendo que as consequências decorrentes de processos efetivados por outras esferas em nada interferiram no resultado do processo administrativo fiscal. Quanto a pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou quando não comprovada a operação ou sua causa, o art. 61 da Lei nº 8.981/1995, dispõe: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Com base no dispositivo reproduzido, e em sintonia com entendimento contido no acórdão recorrido, verificase que a norma estabelece três hipóteses distintas para incidência do imposto de renda na fonte. Quais sejam: a) Pagamentos efetuados a beneficiários não identificados: .quando a Pessoa Jurídica, devidamente intimada, não logra êxito em identificar para quem efetuou o pagamento, ou se o Fisco fizer prova de que o beneficiário que a Pessoa Jurídica registrou e apontou como recebedor do pagamento, de fato, nada tenha recebido. b) Pagamentos sem causa: .a Pessoa Jurídica não logra êxito em comprovar a efetividade da operação relacionada ao pagamento, ou se o Fisco fizer prova de sua inidoneidade, ou seja, de que a operação não se realizou. No caso de pagamentos de operações inexistentes, lastreados em documentação inidônea, além do lançamento do IRF, é cabível a glosa dos custos/despesas, tratandose de Pessoa Jurídica optante pelo Lucro Real. c) Concessão de benefícios indiretos de que tratam o artigo 74 da Lei 8.383/1991: Fl. 6597DF CARF MF 18 .se o valor correspondente ao beneficio for tratado como remuneração dos beneficiários para fins de incidência do imposto de renda. Nas hipóteses dos itens “a” e”b”, tratadas no Auto de Infração sub examene, caberá ao fisco fazer prova de que os pagamentos foram efetivamente realizados, tendo em vista que o fato gerador da obrigação ocorre com a percepção de valores pelos beneficiários. Assim, para que a situação fática possa lastrear o lançamento, faz necessária a comprovação da ocorrência do pagamento irregular. Da análise do Auto de Infração, do Relatório de Auditoria e de outras peças que integram o processo em questão, constatase que ficou perfeitamente definido o fato gerador do IRF com base no art. 61 da Lei n° 8.981/95. Restou devidamente comprovado que os pagamentos existiram e a autuada não justificou para quem ou a operação ou causa destes valores pagos. Além disso, o sujeito passivo, ao impugnar o lançamento, também não justificou com base em documentos hábeis quais seriam os beneficiário ou a causa de tais pagamentos. Detevese a apresentar alegações lastreados por documentos contábeis e outros elementos que não demonstram de forma clara o acorrido. E mais, conforme se evidenciou no acórdão atacado, dos 168 (cento e sessenta e oito) pagamentos que integraram a autuação, apresentouse esclarecimentos somente em relação a 9 (nove) e, ainda assim, não se trouxe elementos capazes de infirmar a imputação fiscal. Conforme se explanou alhures, somente no recurso voluntário trouxeramse documentos que, segundo consta, poderiam justificar a titularidade dos pagamentos. Apesar disso, ficou evidenciado no apelo que, dentre esses documentos, não constam cópias dos cheques emitidos ou comprovação quanto aos destinatários dos recursos transferidos por meio de TED ou DOC, os quais o apelante, sem comprovar tal fato, informa não têlos obtido, mesmo tendoos solicitado junto às instituições financeiras em que mantém contas bancárias. Repisa competir à Secretaria da Receita Federal requerer citados comprovantes e que o acórdão recorrido “inverteu a presunção: presumiu que o contribuinte não tem razão até que provasse (sic) o contrário”. Aduz que a jurisprudência administrativa é no sentido de que o repasse de valores por meio de TED ou DOC não caracteriza pagamento a beneficiário não identificado e que o mesmo se aplica a cheques compensados, que são necessariamente nominais, identificando assim os favorecidos. Alardeia que alguns desses TED/DOC são, inclusive, transferência de mesma titularidade. Afirma que planilha de fls. 1.304/1.310, apresentada juntamente com o recurso, serviria de base para refutar cada um dos pagamentos relacionados ao lançamento. No que se refere a cheques descontados, diz tratarse de valores destinado ao pagamente de um ou mais boletos bancários, folha de salários ou fornecedores e que eventuais diferenças entre valores sacados e contas a eles relacionadas se referem a despesas do office boy. Primeiramente, é preciso deixar claro que o Acórdão nº 10421.051, suscitado pelo suplicante no intuito de respaldar seu pleito, em momento algum se refere a TED, DOC ou a cheque compensado. Diferentemente da situação aqui tratada, no ponto destacado pelo contribuinte. Referida decisão trata de caso em que, a partir de diligência Fl. 6598DF CARF MF Processo nº 13609.001008/201076 Acórdão n.º 2402005.794 S2C4T2 Fl. 11 19 determinada pelo órgão julgador de primeira instância, a própria autoridade autuante reconheceu como comprovados parte dos valores objeto de questionamento. Vejamos: Notase, que a autoridade julgadora de Primeira Instância teve a cautela de transformar, inicialmente, o julgamento em diligência para que fossem sanadas dúvidas a respeito do material apresentado pela interessada, cujo relatório conclusivo encontrase às fls. 1779/1784, em que o próprio autuante reconheceu como comprovados os valores questionados no Recurso de Ofício, razão pela qual não vejo a necessidade de tecer maiores comentários sobre o assunto. Verificase, pois, que a decisão administrativa suscitada no intuito de afastar o lançamento encerra circunstâncias fáticas absolutamente distinta da abordada no presente processo. Ademais, no caso em análise, ainda que o sujeito passivo tivesse comprovado os destinatários dos cheques compensados ou das operações feitas por meio de DOC ou TED, para afastar a tributação seria necessário comprovar a operação e a causa dos pagamentos, o que não se fez. De outro eito, o direito processual consagrou o princípio de que a prova incumbe a quem afirma. Contudo é sabido que não se pode apresentar prova inconteste de fato negativo, como por exemplo, no caso da lide, que os pagamentos não existiram. Nesses casos admitese que a prova se faça por meios dos lançamentos contábeis existentes, cabendo à parte demandada a contraprova de que os pagamentos efetuados se destinaram a beneficiário identificado, comprovando a respectiva operação e causa. No caso, inexiste qualquer contestação de que houve a realização dos pagamentos. Assim, se o sujeito passivo não trouxe aos autos documentação comprobatória de que os pagamentos se destinaram a beneficiário identificado, indicando a causa e comprovando a operação, está evidente, que os recursos foram repassados para alguém não identificado ou quando identificado não ficou comprovada, repitase, a operação ou sua causa. Impende reiterar que a hipótese de incidência prevista no art. 61 da Lei n° 8.981/1995 resta perfeitamente caracterizada somente por um dos seguintes fatos: i) não identificação de quais são os beneficiários dos recursos providos pela recorrente; ou ii) não comprovação da operação ou de sua causa. Contudo, as circunstâncias aqui examinadas revelam que não existem documentos indicando inequivocamente o beneficiário das operações ou comprovando tais operações e causa dos pagamentos realizados, razão pela qual a fiscalização considerou ilícitos os procedimentos. Isso, independentemente de as operações estarem relacionadas a saques, compensação de cheques ou emissão de DOC ou TED, dentre outras. Essas assertivas são inclusive corroboradas pela própria peça de defesa, quando o recorrente admite que as operações que intenta comprovar são justificadas por documentos cujos valores são diferentes daqueles verificados nas transações bancárias e que não estão entre esses documentos as cópias de cheques ou comprovantes indicando os destinatários de TED ou DOC realizados pela empresa. Do mesmo modo, a despeito de os documentos apresentados a destempo não terem sido analisados por ocasião da decisão de segunda instância, a planilha anexa ao recurso (fls. 1.304/1.310) evidencia que nem mesmo esses documentos estariam aptos a identificar os Fl. 6599DF CARF MF 20 destinatários dos recursos, tampouco as operações ou suas causas. Basta examinar o campo “Observação” dessa planilha para se certificar de que os valores ali retratados ou não condizem com aqueles contidos nos documentos carreados aos autos ou sequer são corroborados por qualquer elemento probatório. Por tudo isso, entendo que na autuação está perfeitamente caracterizada a hipótese descrita em lei (a falta de comprovação da causa do pagamento realizado) e, por outro lado, são totalmente descabidas as alegações de que o lançamento foi efetuado sem a indicação de provas, já que a ocorrência das operações foi devidamente comprovada na autuação e não foram identificados, repisese, os beneficiários ou a causa de tais operações. Desta forma, considero que documentação carreada aos autos pela autoridade autuante comprova de forma inequívoca os desembolsos indevidos de recursos da empresa para outros fins que não o pagamento de despesas ou custos operacionais. Resta evidenciado ainda nos autos que a exação não resulta de mera presunção ou suspeita, tendo, ao contrário, respaldo em fatos fartamente registrados e elementos probatórios consistentes. No que respeita à inclusão de TED/DOC de mesma titularidade no lançamento, consta da planilha elaborada pelo recorrente e também daquela reproduzida no acórdão da DRJ/BHE somente duas situações dessa natureza. Tratamse TED de mesma titularidade efetuadas em 01/03/2006, R$ 23.900,00 e em 04/04/2006, R$ 307.000,00. Nesse caso, em se tratando de valores transferidos de uma conta bancária do contribuinte para outra, também de sua titularidade, não vejo como enquadrar tal situação nas hipóteses descritas em lei, devendose excluir tais valores do lançamento. Por fim, sobre a afirmação de que a decisão da DRJ/BHE teria reclamado prova de pagamento a sociedade em conta de participação, penso que a recorrente deve terse equivocado, pois não consta do acórdão recorrido qualquer asserto a esse respeito. Conclusão Ante o exposto, voto por afastar as preliminar de nulidade do lançamento, NÃO CONHECER DO RECURSO com relação ao afastamento da responsabilidade solidária, CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores relativos a TED de mesma titularidade efetuadas em 01/03/2006, R$ 23.900,00 e em 04/04/2006, R$ 307.000,00. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 6600DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.728590/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/05/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.561
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 85 90 /2 01 2- 18 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10711.728590/201218 Acórdão n.º 3201002.561 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A irregularidade identificada consta do tópico "Dos Fatos", parte da Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Segundo o relatado, consistiu na prestação intempestiva de informação referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou no bloqueio automático do conhecimento no sistema Carga, conforme extrato anexado aos autos. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Não conformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim sintetizados pela DRJ: a) Princípio da razoabilidade. O atraso incorrido pela impugnante não causou embaraço ao controle aduaneiro, eis que as informações foram prestadas com suficiente antecedência da chegada do navio ao porto, o que comprova, também, o fato de a autuada não ter agido com intuito de cometer qualquer infração. Dessa forma, a aplicação de multa no presente caso ofende ao princípio da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. b) Bis in Idem. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pela mesma conduta, uma vez que foram cobradas multas pelo atraso na entrega de informações referentes a cargas transportadas no mesmo navio/viagem, conforme processos administrativos indicados, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) nº 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindose as penalidades excedentes. A DRJ/Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência da penalidade nos termos do Acórdão 08033.164. No recurso voluntário foram repisadas as alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10711.728590/201218 Acórdão n.º 3201002.561 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.523, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10711.724209/201241, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.523): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de 'Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada' e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou 'que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos'. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10711.728590/201218 Acórdão n.º 3201002.561 S3C2T1 Fl. 5 4 Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Quanto à questão do bis in idem, da mesma forma que no caso do paradigma a contribuinte não juntou ao presente processo "cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso". Não comprovada a ocorrência de duplicidade da exigência, não há como acolher o pleito de nulidade do presente lançamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 109DF CARF MF
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