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Numero do processo: 10283.100752/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
GLOSA DE DEDUÇÕES DECLARADAS. DESPESAS COM DEPENDENTES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO DA RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA.
Mantém-se o lançamento de glosa das despesas com dependentes e de instrução quando não comprovado que as alegadas pessoas que se beneficiaram dos gastos desembolsados pela contribuinte se enquadram no conceito de dependentes estabelecido pela legislação tributária.
GLOSA DE DEDUÇÃO DECLARADA. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.
A simples alegação de extravio dos recibos de despesas médicas não exime o contribuinte da obrigação de comprovação documental dos referidos gastos nos estritos termos estabelecidos no inciso III, do § 1º, do art. 80 do RIR/1999.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do lançamento a infração "omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica decorrentes de Ação Trabalhista", nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (relator), que dava provimento parcial em menor extensão, e o Conselheiro Ronnie Soares Anderson, que negava provimento por entender que o entendimento do Resp 1.118.429/SP somente é aplicável no caso de percepção de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior, Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 GLOSA DE DEDUÇÕES DECLARADAS. DESPESAS COM DEPENDENTES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO DA RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA. Mantémse o lançamento de glosa das despesas com dependentes e de instrução quando não comprovado que as alegadas pessoas que se beneficiaram dos gastos desembolsados pela contribuinte se enquadram no conceito de dependentes estabelecido pela legislação tributária. GLOSA DE DEDUÇÃO DECLARADA. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. A simples alegação de extravio dos recibos de despesas médicas não exime o contribuinte da obrigação de comprovação documental dos referidos gastos nos estritos termos estabelecidos no inciso III, do § 1º, do art. 80 do RIR/1999. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 10 07 52 /2 00 9- 41 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 2 Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do lançamento a infração "omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica decorrentes de Ação Trabalhista", nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (relator), que dava provimento parcial em menor extensão, e o Conselheiro Ronnie Soares Anderson, que negava provimento por entender que o entendimento do Resp 1.118.429/SP somente é aplicável no caso de percepção de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior, Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 37), que reproduzo a seguir: “Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF (fls. 35 a 42), referente ao exercício 2005, anocalendário 2004. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (Sujeito à Multa de Ofício) 4.829,29 Multa de Ofício (passível de redução) 3.621,96 Juros de Mora (calculado até 30/10/2009) 2.783,60 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de Mora) 0,00 Multa de Mora (não passível de redução) 0,00 Juros e Mora (calculado até 30/10/2009) 0,00 Total do Crédito Tributário 11.234,85 O lançamento acima foi decorrente das seguintes infrações: Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 10283.100752/200941 Acórdão n.º 2802002.860 S2TE02 Fl. 72 3 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica decorrentes de Ação Trabalhista omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, relativos ao exercício 2005, anocalendário 2004. Valor: R$57.148,34. Dedução Indevida com Dependente(s) glosa de dedução com dependente(s), pleiteada indevidamente pela contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2005, anocalendário 2004. Valor: R$ 5.088,00. Motivo da glosa: não comprovou deter a guarda judicial de Lucas Eduardo Matos de Oliveira, Arthur Matos de Oliveira e Camila Alves Brito; e Ana Lucia Monteiro Alencar por ter ultrapassado a idade limite para dedução. Dedução Indevida a Título de Despesas com Instrução glosa de dedução de despesas com instrução, pleiteada indevidamente pela contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2005, anocalendário 2004. Valor: R$1.998,00. Motivo da glosa: Despesas com instrução de Ana Lucia Monteiro Alencar, excluída do rol de dependentes. Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pela contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2005, anocalendário 2004. Valor: R$ 4.670,00. Motivo da glosa: Não comprovou as despesas em nome de Inst. De Dermatologia de Manaus (R$ 990,00); Instituto de Patologia Manaus (R$ 1.060,00); Prdoimagem (R$1.180,00); e laboratórios Reunidos (R$ 770,00). Comprovou parcialmente as despesas: Altamir Bastos (R$ 100,00), Patrícia Akez (R$ 120,00) e Cerned (R$140,00). A ciência do lançamento ocorreu em 22/10/2009 (fls. 31) e, em 10/11/2009, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/30, informando que recebeu o valor de R$ 57.143,34, decorrente de ação trabalhista, mas que não declarou tal valor em sua declaração porque não sabia onde informálos. Ressalta que informou em sua declaração apenas o valor dos honorários advocatícios R$ 4.312,89 e os impostos restantes também reclamados, INSS (R$1.700,58) e IRRF (R$ 14.119,40). Requer o cancelamento do débito fiscal.” A DRJ em Belém/PA julgou improcedente a impugnação, ao argumento de que, em relação à omissão de rendimentos recebidos de ação trabalhista, a contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento da ação judicial ou mesmo recibo de prestação de serviço assinado pelo próprio advogado, para fins da dedução dos respectivos honorários advocatícios. Por falta da comprovação da relação de dependência, manteve a glosa das deduções com dependentes, assim como da dedução de despesas com instrução referente a um desses dependentes. Também por falta de apresentação dos comprovantes de gastos com despesas médicas, permaneceu inalterada a glosa dos valores relacionados na Notificação de Lançamento a esse título. Cientificada em 21/03/2011, a interessada ingressou recurso voluntário em 12/04/2011, alegando, em síntese, que a dedução das despesas realizadas com dependentes referemse aos gastos com pessoas que realmente são por ela ajudadas e que perdera o recibo da despesa médica glosada. Quanto aos rendimentos recebidos em face da ação trabalhista reconhece a omissão destes em sua declaração de rendimentos. Requer o cancelamento do débito fiscal. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 4 O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 16 de outubro de 2012, tendo a 1ª Turma Ordinária, 2ª Câmara da 2ª Seção proferido a Resolução nº 2201 000.117, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 68 a 70. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi novamente distribuído a este Conselheiro. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A recorrente alega que os valores deduzidos em sua declaração de ajuste anual decorrem de gastos realizados com ajuda de pessoas. Contudo, importa observar que, conforme decidiu a autoridade julgadora de primeira instância, uma vez que não comprovada que as pessoas que se beneficiaram dos gastos desembolsados pela contribuinte se enquadram no conceito de dependentes, estabelecido nos incisos I a VII do § 1º do art. 77 do Decreto nº 3000, de 1999 – RIR/1999, mantémse o lançamento de glosa das despesas com dependentes e de instrução. No que diz respeito à glosa das despesas médicas, a contribuinte alega o extravio dos respectivos recibos. Tal situação, entretanto, não exime o contribuinte da obrigação de comprovar com documentação hábil e idônea os referidos gastos nos estritos termos estabelecidos no inciso III, do § 1º, do art. 80 do RIR/1999. No que diz respeito ao lançamento referente à omissão de rendimentos, de acordo com a Notificação de Lançamento, ficou constatado que o valor de R$57.148,34, recebido acumuladamente pela contribuinte, se deu em virtude de processo judicial trabalhista. Por corresponder a verbas trabalhistas recebidas de forma acumulada, há que se observar que o Superior Tribunal de Justiça, examinando o recurso repetitivo representativo de controvérsia (Resp 1.118.429/SP), sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, proferiu o Acórdão, cuja ementa se encontra assim redigida: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 10283.100752/200941 Acórdão n.º 2802002.860 S2TE02 Fl. 73 5 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Uma vez que se trata de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista no art. 543C do CPC, no âmbito do CARF, cabe o exame da sua reprodução no julgamento do recurso voluntário, ora interposto pelo contribuinte, consoante estabelece o citado art. 62A do RICARF. Para tanto, devese levar em conta o conteúdo das provas trazidas pelo contribuinte com vistas a evidenciar que lhe seria mais favorável o imposto calculado segundo as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejamos, pois, como foi formado o conteúdo probatório que integram os presentes autos: Consta descrito na Notificação de Lançamento que embora a contribuinte tenha sido cientificada, em 31/08/2009, a apresentar a documentação pertinente aos rendimentos auferidos em razão da ação “Plano Collor”, não se manifestara. Diante de sua inércia o lançamento fiscal foi realizado com base nas informações constantes da DIRF. Por outro lado, depreendese que o lançamento incorreu em erro na apuração do montante do tributo devido, haja vista que a alíquota de imposto que deveria ter sido aplicada sobre a base de cálculo apurada pela fiscalização deveria corresponder àquela prevista nas respectivas tabelas progressivas vigentes à época em que os valores das verbas trabalhistas deveriam ter sido adimplidos. Diante dessas circunstâncias, entendo que se aplica ao caso as disposições expressas no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, com redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, abaixo reproduzido, cabendo o retorno destes autos à Repartição de origem para que a autoridade lançadora proceda a revisão do ofício do lançamento para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário: “Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004 ) I....................................................................................................... ........................................................................................................ IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 6 pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) §1º.................................................................................................. ......................................................................................................... § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) Observese que a determinação de revisão de ofício do lançamento se deve ao fato de o vício contido no lançamento se caracterizar mero erro na aplicação da alíquota do imposto de renda. Nesse caso, não se pode afirmar categoricamente que tal providência configure hipótese de mudança de critério jurídico de lançamento, hipótese essa que vedada a alteração de ofício do lançamento pelo art. 146 do Código Tributário Nacional CTN. Isso porque, segundo ensinamento de Hugo de Brito Machado, em seu livro Curso de Direito Tributário1, uma das hipóteses de mudança de critério jurídico acontece “quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta”. Outra hipótese mencionada pelo renomado autor está relacionada ao fato de “a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante escolha de outras das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado”. Descartada a existência da segunda hipótese de mudança de critério jurídico ao caso examinado nos presentes autos, haja vista que o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não define nenhuma alternativa para a feitura do lançamento, resta a verificação da ocorrência da primeira hipótese prevista pelo mencionado doutrinador, transcrita anteriormente. Nesse caso, entendo que a situação descrita pela doutrina parte do princípio de existência prévia de duas interpretações e que ambas sejam corretas. Ocorre que tal situação diverge da examinada nos presentes autos, pois, havia uma interpretação original que orientou os lançamentos realizados pela Secretaria da Receita Federal – RFB e outra, única que se reputa correta, advinda posteriormente, em face da decisão firmada pelo STJ no acórdão que solucionou o REsp 1.118.429/SP, proferido na sistemática prevista no art. 543C do CPC. Diante disso, forçoso concluir pela inexistência da ocorrência de mudança de critério jurídico no caso concreto dos presentes autos, mesmo porque a revisão de ofício prevista no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, não importa em prejuízo ao contribuinte, haja vista que a existência de determinação expressa no sentido de que a alteração do crédito tributário deverá ser procedida “total ou parcialmente”. Portanto, não se cogita da hipótese de majorar a exigência tributária originalmente lançada, procedimento esse que, de fato, desguarneceria o direito do contribuinte em relação ao lançamento já realizado. Também não se pode dizer que a mencionada revisão de ofício venha caracterizar mudança de critério jurídico por afetar substancialmente o lançamento, prejudicando a quantificação da base de cálculo. Isso porque, entendo que para a aplicação do 1 Machado, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário, 12ª /edução, Malheiros, 1997, p 123 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 10283.100752/200941 Acórdão n.º 2802002.860 S2TE02 Fl. 74 7 entendimento firmado pelo STJ basta simplesmente pesquisar quais as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido adimplidos pela fonte pagadora ao contribuinte. Identificada essas tabelas, o próximo passo deve ser dado em direção à verificação da alíquota aplicável em função do resultado obtido a partir do somatório desses rendimentos com aqueles efetivamente auferidos nessa mesma época. Cumprida essa etapa, basta aplicar o percentual correspondente sobre o valor da omissão de rendimentos apurada pelo lançamento de ofício, observada a dedução da parcela de isenção equivalente à respectiva faixa de rendimentos prevista nas tabelas progressivas. Fica evidente que a revisão de ofício realizada nesses termos não importa em alteração da base de cálculo apurada pelo Fisco, haja vista que a operação de apuração do somatório dos rendimentos efetivamente auferidos com os rendimentos omitidos se presta apenas para a identificação da faixa de rendimentos prevista na tabela progressiva e, por via de consequência, da alíquota a ser aplicada tão somente sobre a base de cálculo representada pelo rendimento considerado omitido. Em outras palavras, não se exigirá na revisão de ofício o tributo por ventura apurado em função da alteração da alíquota que deveria ter sido aplicada sobre os rendimentos originalmente declarados. Daí a razão pela qual a revisão de ofício comentada não interfere na base de cálculo apurada pela Notificação de Lançamento. Em suma, à vista do entendimento firmado pelo STJ ao art. 12, da Lei nº 7.713, de 1988, o procedimento de revisão de ofício determinado no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, requer senão que se recalcule o tributo devido, incidente sobre a omissão de rendimentos constatada pelo Fisco, com base nas tabelas e alíquotas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao interessado. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para que os presentes autos retornem à unidade de origem da RFB, para que esta, em procedimento de revisão de ofício, aplique sobre a matéria tributada a título de omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista as alíquotas vigentes à época em que os valores dos rendimentos deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Voto Vencedor Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Redator designado Não obstante o muito bem estruturado voto do Conselheiro Relator, divirjo, exclusivamente, em relação à espécie de provimento a ser dada ao caso, como conseqüência da definição da forma de tributar os rendimentos recebidos acumuladamente. Explico com base no entendimento que tenho exposto nos demais julgados que trataram da mesma questão. O Colegiado entendeu que deve ser aplicada a interpretação do art. 12 da lei 7.713/1988 segundo a qual o cálculo do imposto deve levar em conta as tabelas e alíquotas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao contribuinte. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 8 Diversamente, o lançamento adotou a interpretação do dispositivo legal que corresponde ao regime de caixa sobre o montante recebido acumuladamente. Não compartilho do entendimento de que o vício contido no lançamento pode ser resumido em um mero erro na aplicação da alíquota. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, a autoridade fiscal empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. A solução proposta pela Relator não somente reduz a questão à correção da alíquota como também utiliza uma fórmula de apuração em que a base de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente é definida independente do ajuste anual. Todavia, o Ajuste Anual é a regra para os rendimentos da pessoa física e não consta da interpretação dada pelo STJ que essa sistemática (ajuste anual) tenha sido afastada. A título de exemplo, cito trecho do Parecer PGFN/CAT Nº 815/2010 que no intuito de solucionar inúmeras dúvidas da expostas pela Secretaria da Receita Federal indicou a forma de cálculo que o Fisco deveria adotar à época em que vigoraram os Pareceres da PGFN que autorizavam as revisões de ofício com base na jurisprudência do STJ: 100. Temse, assim, nos termos acima fixados, conjunto de soluções para implemento concreto das decisões do Superior Tribunal de Justiça em âmbito de rendimentos acumulados. Concluise: a) Deve a Administração proceder aos cálculos de imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumuladamente recebidos segundo o regime de competência, seguindose às decisões do Superior Tribunal de Justiça, bem como se levando em conta a negativa do Supremo Tribunal Federal em conferir repercussão geral à matéria, a par de recente decisão do Tribunal Regional da 4ª Região, que definiu pela inconstitucionalidade de regra que possibilitaria utilização de regime de caixa, no cômputo dos valores de que trata a presente manifestação; b) A recomposição do valor tributável à época deve ser aplicada apenas na hipótese de a RFB possuir os dados necessários devendo por sua vez disponibilizar os referidos dados ao contribuinte para que este espontaneamente possa também verificar o valor do imposto devido. c) Nesses casos, devese somar os valores originalmente reconhecidos com os valores posteriormente recebidos, de uma única vez, de modo que se tenha uma nova base de cálculo. d) Nas situações em que a RFB não disponha dos referidos dados para recomposição da base de cálculo, devese tãosomente aplicar as tabelas da época em face de valores supervenientemente recebidos. e) Assim, simplesmente, desprezandose o que no passado foi recebido pelo interessado, contabilizamse, exclusivamente, valores posteriormente recebidos, à luz de tabelas originais.; f) O valor do imposto deve ser calculado resgatandose o valor original da base de cálculo declarada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao ano a que o rendimento corresponde (A), e adicionandose o valor do rendimento recebido acumuladamente (excluídos as atualizações monetárias e juros, conforme item 83, e as parcelas mencionadas nos itens 84 e 85) (B), e chegandose ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 10283.100752/200941 Acórdão n.º 2802002.860 S2TE02 Fl. 75 9 tivesse sido percebido na época própria (C). Sobre esta base de cálculo e, tomando se em conta a tabela progressiva vigente na época a que o rendimento corresponde, calculase o imposto correspondente (D). g) Os juros moratórios devem ser tributados, quando da recomposição dos valores resultar em imposto a pagar, devendose os cálculos serem efetuados com base no período de recebimento e juntamente com outros rendimentos do período. Pelo conjunto de razões acima expostas, entendo que a manutenção da exigência representaria um novo lançamento com outro critério jurídico. Ocorre que não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos mas tão somente afastar a exigência indevida. Citamse excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 10 Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos acrescentados) O Relator amparase em entendimento doutrinário controvertido acerca da interpretação do art. 146 do CTN2 para justificar que não haveria mudança de critério jurídico. Ressaltase que a razão subjacente à norma insculpida no referido dispositivo do CTN é a segurança dos direitos individuais do contribuinte. Se entenderse – à guiza de argumentação – que, em relação ao fatos já ocorridos, não seria possível alterar um critério certo por outro igualmente certo, com muita mais razão, em relação a fatos já ocorridos, seria vedada a mudança de um critério errado por outro certo. O Relator defende a revisão de ofício do lançamento. Todavia, a possibilidade de revisão de ofício do lançamento encontra, no mínimo, óbice no parágrafo único do art. 149, uma vez que o prazo decadencial já teria sido ultrapassado. Nos demais pontos, acompanho integralmente o relator. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do lançamento a infração "omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica decorrentes de Ação Trabalhista". Assinado digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso 2 São exemplos da referida divergência na doutrina: CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário 17 ed. Saraiva, São Paulo, 2005. p. 427; AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 13 ed. Saraiva, São Paulo, 2007, p. 351 e ss. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904569/2012-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 69 /2 01 2- 41 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904569/201241 Acórdão n.º 3803004.919 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904569/201241 Acórdão n.º 3803004.919 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904569/201241 Acórdão n.º 3803004.919 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720606/2011-89
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
LUCRO ARBITRADO.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado.
SIGILO BANCÁRIO.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA.
A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa.
SUJEIÇÃO SOLIDÁRIA PASSIVA.
O administrador, de fato ou de direito é responsável por atos por ele praticados, de forma dolosa ou culposa, no exercício da gestão da pessoa jurídica (domínio dos fatos), que representem infração à lei ou excesso de poderes, ou seja, um ato ilícito.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes acompanham pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. LUCRO ARBITRADO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. SIGILO BANCÁRIO. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 06 06 /2 01 1- 89 Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.288 2 mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. SUJEIÇÃO SOLIDÁRIA PASSIVA. O administrador, de fato ou de direito é responsável por atos por ele praticados, de forma dolosa ou culposa, no exercício da gestão da pessoa jurídica (domínio dos fatos), que representem infração à lei ou excesso de poderes, ou seja, um ato ilícito. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes acompanham pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.289 3 Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0211, com a exigência do crédito tributário no valor de R$286.953,56 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2007, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 5778. O lançamento fundamentase omissão de receitas da atividade apurada a partir: da circularização com dados de sua cliente, Tecidos e Armarinho Miguel Bartolomeu S/A, CNPJ: 17.359.233/000188, fls. 224574; dos depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados: na contacorrente nº 229008 da agência nº 2640 do Banco Bradesco S/A, fls. 774822 e 830867; e na contacorrente nº 8001481 da agência nº 1513 do Banco Santander S/A, fls. 912935. Em relação a esses valores a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. fls. 827829, 868870 e 909911. Ainda foram analisadas as informações constantes na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregue originalmente em 24.11.2010, fls. 85109, e não houve apresentação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais, fls. 111112, referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2007 e não efetuou qualquer recolhimento dos tributos objeto do lançamento, fl. 110. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 287, art. 288, inciso I do art. 530, art. 532 e art. 537 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 1221 a exigência do crédito tributário no valor de R$158.461,90 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 e art. 24 da Lei nº Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.290 4 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. III O Auto de Infração às fls. 2228 com a exigência do crédito tributário no valor de R$26.682,51 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único e alínea “a” do inciso I do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 2938 com a exigência do crédito tributário no valor de R$69.015,64 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único e alínea “a” do inciso I do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. V – O Auto de Infração às fls. 3946 com a exigência do crédito tributário no valor de R$123.150,25 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. VI – O Auto de Infração às fls. 4756 com a exigência do crédito tributário no valor de R$318.534,43 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. Houve lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome dos sócios Júlio César Morito Pimentel e Cléber Ferreira de Matos cientificados em 15.02.2011, fls. 7980 e 17.02.2011, fls. 8182, 823826 e 965, respectivamente. Esse procedimento se fundamenta no exercício pleno da gestão da Recorrente caracterizado pelo domínio dos fatos, de acordo com as informações constantes nas 3ª e 4ª Alterações do Contrato Social, fls. 145 155 (art. 135 do Código Tributário Nacional). Cientificada em 15.02.2011, fls. 05, 15, 24, 32, 42 e 50, a Recorrente apresentou a impugnação em 15.03.2011, fls. 966, 988, 1011, 1032, 1055 e 10761101. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: No presente auto de infração está o Fisco a exigir da impugnante o [IRPJ], acrescido de multa fixada em 150% (cento e cinquenta por cento), sob alegar que "deliberadamente, o contribuinte omitiuse da entrega da [DIPJ] a que estava obrigado, com a clara intenção, s.m.j. de ocultar ou retardar o conhecimento por parte da fazenda pública dos fatos geradores ocorridos, conduta esta caracterizada como sonegação pelo art. 71 da Lei 4.502/64" [...] Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.291 5 Esclarece a zelosa fiscalização que o lucro para fins de determinação da base de cálculo do [IRPJ] e demais contribuições reflexas no período de 2007, foi arbitrado, nos termos do artigo 530, l, do RIR/99. Noticia, ainda, que a receita bruta da empresa foi obtida por dois métodos: circularização efetuada com seus clientes e depósitos bancários não comprovados. No primeiro método, informa o Fisco que foram colhidas informações da empresa Tecidos e Armarinho Miguel Bartolomeu S/A [...], CNPJ: 17.359.233/000188, a qual acusou aquisições de lonas plásticas [...], no período de 2007, no total de R$2.469.235,72. [...] No que pertine aos créditos em contacorrente assevera que foram lavradas Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira (RMFs) aos bancos Bradesco, do Brasil e Sudameris, os quais forneceram os extratos bancários solicitados. Informa que todos os valores lançados nos referidos extratos foram considerados como receita omitida e considerada auferida pela impugnante no mês de lançamento efetuado pela instituição financeira. No que diz respeito à mera presunção aduz que: Todo o raciocínio desenvolvido [é], totalmente inválida para alicerçar o lançamento, já que presume a ocorrência de fato gerador do [IRPJ], com base em vendas que a impugnante realizou à Tecidos e Armarinho Miguel Bartolomeu S/A [...],, no valor de R$2.469.235,72 que foram declaradas pela ora impugnante, através da DIPJ [...], na qual informa um faturamento, no período fiscalizado, de R$7.547.042,85. De outro lado, o lançamento estriba em valores constantes de extratos bancários da impugnante, obtidos junto às instituições financeiras com total afronta à Constituição Federal e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, vez que referidos dados bancários foram obtidos utilizando do método mais inconstitucional, ilegal e arbitrário possível: a quebra do sigilo bancário, por autoridade própria, isto é, em ato unilateral, sem prévia autorização judicial. A respeito da nulidade do lançamento destaca que: A impugnante [...] em 22.03.2010, [compareceu] à repartição fiscal protocolou resposta declarando, em síntese, que [...] as notas fiscais teriam sido extraviadas, e apresentou cópia de comunicado à Administração Fazendária da SEF/MG em Sarzedo, datado de 10.02.2010. No entanto, aduz o Fisco, que as cópias desta comunicação e do Boletim de Ocorrência nada dizem respeito do extravio dos livros Diário, Razão, Lalur, Apuração do ICMS, Apuração de IPI e de Inventário, a não ser de forma genérica. [...] Vêse, com meridiana clareza, que no aludido Boletim de Ocorrência, de 10.02.2010, que precede, inclusive, o [MPF] de 11.02.2010, restou consignado a expressão "Livros Contábeis e Documentos Fiscais" [...], o que pressupõe todos os livros. [...] Os extratos bancários, de janeiro a dezembro de 2007, solicitados e entregues à fiscalização pela impugnante foi emitido por meio da internet e realmente saiu sem os devidos movimentos porque os extratos emitidos pela internet com movimento após 01 ano não registram o movimento [...]. Mesmo assim, a impugnante solicitou às instituições financeiras os extratos com a movimentação real, para serem entregues à fiscalização. A impugnação foi informada pelos Bancos que em 30 (trinta) dias receberia os documentos, mas como o prazo concedido pela Fiscalização estava se esgotando, resolveu entregar os Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.292 6 extratos emitidos pela internet, sem ressalvar que os extratos já tinham sido solicitados às instituições bancárias. [...] Mas, contudo, é preciso ter presente neste ponto, que jamais a impugnante tentou criar qualquer embaraço à fiscalização. Durante toda a fiscalização a impugnante colaborou com os autuantes entregandoos todos os documentos que estavam em seu poder, o que eram poucos, em verdade, tendo em vista o roubo ocorrido, como já ressaltado. [...] Ainda que assim não fosse, não poderia a Fiscalização quebrar o sigilo bancário da impugnante, por autoridade própria, isto é em ato unilateral, sem prévia autorização judicial. O art. 3º, VII, do Decreto n° 3.724/2001, que regulamentou a Lei Complementar n° 102/2001, que serviu de apoio para Fiscalização quebrar o sigilo bancário em comento, foi declarado inconstitucional pelo [STF]. [...] No que toca ao arbitramento do lucro sem consideração dos custos incorridos e da quebra do sigilo bancário, argui que: E mais, todos os esforços foram realizados pela impugnante no sentido de reconstituição do acervo da contabilidade fiscal e comercial, prova inconteste dessa afirmação foi a entrega ainda que parcial dos documentos solicitados pela Fiscalização e a entrega, ainda que com atraso, mas efetiva da [DIPJ]. Nesse talhar o arbitramento não tem fomento de direito, pelo que não pode prosperar. [...] Lado outro, tendo a impugnante apresentado a [DIPJ] não é válida a utilização do lucro arbitrado como base de cálculo do imposto de renda e demais contribuições reflexas sem a demonstração cabal de que as informações contidas na declaração são inverídicas. [...] Foi aplicado in casu para determinação do suposto lucro arbitrado um percentual que só poderia ser aplicado se se tratasse de receita conhecida, inaplicável na espécie, pois a suposta receita omitida foi criada e imaginada pelos ilustres autuantes. [...] Em assim procedendo, já que a suposta base de cálculo foi também perquirida, não se tinha conhecimento da suposta receita omitida, donde, temse arbitramento de lucro, não sobre receita bruta conhecida, mas sim, arbitramento sobre receita bruta desconhecida [...] Finalmente, outro aspecto que não foi observado [...] diz respeito à não consideração dos custos em relação às receitas supostamente omitidas. [...] Em relação aos créditos em contacorrente, não obstante a impugnante ter entregue à Fiscalização relação contendo os créditos, o n° da conta depositada, o n° da agência e do banco, o seu sigilo bancário foi quebrado ao arrepio Constituição Federal, isto é, arbitrariamente. [...] Releva, repisar, que segundo a Fiscalização a quebra do sigilo bancário da autuada foi realizada à luz do art. 3º, inciso VII, do Decreto n° 3.724/2001, sem qualquer autorização judicial. [...] Atinente aos preceitos constitucionais que foram violados entende que: Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.293 7 Infelizmente, o Fisco não tem analisado o sigilo bancário à luz do sistema jurídico brasileiro, mas tãosó da Lei Complementar n° 105/2001. Dessa forma, fulcrado em interpretação ilhada e superficial do art. 6o da já mencionada lei complementar, vem quebrando, repitase: por autoridade própria, em ato unilateral, ou seja, sem autorização judicial, sem nenhuma motivação plausível e proporcional a gravidade do ato o sigilo bancário do contribuinte, sem observância de princípios que constituem cláusulas pétreas da Constituição. [...] Sob a ótica constitucional é a garantia de "inviolabilidade, salvo nos casos expressos em lei, de informações prestadas ou obtidas pelo sistema bancário em face de suas relações funcionais." [...] Não se pode desconsiderar que falase em justa causa e salvo nos casos expressos em lei, não só para exprimir o caráter de relatividade do sigilo bancário, mas, também, e, principalmente, para revelar a necessidade de existir situação excepcional, isto é, grave, concretamente motivada e comprovada por parte da autoridade administrativa, em face da pessoa da Impetrante (o que não está acontecendo in casu), e que encontre suporte na lei. Tece esclarecimentos sobre a quebra do sigilo e a sua ilicitude e a inconstitucionalidade da Lei Complementar n° 105, de 2001 que serviu de supedâneo para embasar o pedido do fisco às instituições financeiras e ainda que: Nem se diga, de outro lado, que a intimação do sujeito passivo tributário para apresentação de informações sobre movimentação financeira, providência prevista no art. 4o, § 2° do Decreto n° 3.724/2001, como medida precedente à "Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF)", referida no § 1º, supre a imprescindibilidade de autorização judicial para a quebra do sigilo. [...] Não se pode desconsiderar que a justa causa para a restrição a direito fundamental deve sempre ser feita pelo Poder Judiciário, sob o devido processo legal. [...] Assim, a disposição acima citada contida na Lei Complementar n° 105/2001 (art. 6º), que prevê a quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa, sem autorização judicial, é inconstitucional, ainda que tenham vindo ao mundo jurídico por meio de lei complementar, porque nenhuma lei complementar poderá limitar o alcance de garantia constitucional que constitui cláusula pétrea, como sabido. Relativamente à multa de ofício proporcional qualificada e a sua aplicação sem observância ao princípio da tipicidade, ressalta que: Diz o Fisco que a multa qualificada é aplicável ao caso em apreço (multa de 150%), uma vez que deliberadamente, o contribuinte omitiuse da entrega da DIRJ a que estava obrigado, com a clara intenção de ocultar ou retardar o conhecimento por parte da fazenda pública dos fatos geradores ocorridos, conduta esta caracterizada como sonegação pelo art. 71 da Lei 4.502/64. [...] Percebase que a vinculação da multa qualificada nocitado preceito legal está restrita aos casos de evidente intuito de fraude, o que não ocorreu in casu, conforme restou demonstrado nesta peça impugnatória. [...] Resta, assim, afrontado o princípio da tipicidade in casu, pelo que não pode prosperar a penalidade qualificada imposta. [...] Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.294 8 Nesse passo, restando evidenciado que a imputação em xeque decorre do subjetivismo da douta Fiscalização e não estando fulcrada em expressa disposição de lei, como deve ser, e em provas válidas e licitamente obtidas, não pode subsistir lançamento. Pertinente à imputação as responsabilidade pessoal aos sóciosgerentes suscita que o ônus da prova recai sobre o Erário, nos termos do inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional bem como que: Consabido, no Direito brasileiro a pessoa só pode ser privada de seus bens depois de haver um devido processo legal, somente após ficar comprovado no processo administrativo fiscal que o sóciogerente realizou um dos atos previstos no art. 135 do CTN. Portanto, a inclusão dos sóciosgerentes, nesse momento orno sujeitos passivos da obrigação tributária é prematura e se faz ao arrepio da lei. [...] A incumbência de provar que o sóciogerente praticou os atos autorizadores de sua responsabilidade é do Fisco, é seu o ônus da prova. [...] In casu, o Fisco nada provou. Limitouse à análise de contratos sociais e procuração passada ao Sr. Júlio César Morito Pimentel, no entanto, a responsabilidade tributária imposta ao sóciogerente, administrador, diretor ou equivalente só se caracteriza quanto há dissolução irregular da sociedade ou se comprova infração à lei praticada pelo dirigente, o que, data venia, incorreu no caso em apreço. [...] O simples fato de não ter sido entregue a [DIPJ] dentro do prazo legal descumprimento de obrigação acessória não tem o condão de redirecionar a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação tributária principal ao sócio gestor, como fez o Fisco. [...] Assim, a responsabilização dos sóciosgerentes, nesse momento, deve ser excluída; a uma, porque não comprovada a prática de atos previstos no art. 135 do CTN a duas, porque a pessoa jurídica está respondendo como sujeito passivo da obrigação tributária. [...] Por consequência, não tem pertinência também o arrolamento de bens e direitos dos sócios da autuada, nesse momento, à luz das razões já expostas, pelo que, requer a exclusão desses bens do referido termo de arrolamento, por ser de direito. Respeitante aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, procura demonstrar que: Pelo processo originado do MPF n° 0611000/001154/10, foi instaurado procedimento administrativo fiscal contra a impugnante, que resultou em lançamento de ofício relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), referente ao período 2007. [...] Em razão do vínculo de um processo com o outro, a impugnante requer seja julgado por conexão o presente auto de infração, , devido a relação de causa e efeito a que se vincula ao lançamento principal, ratificando todas as razoes expendidas quando da impugnação do processo matriz, demonstrada, naquela oportunidade, a insubsistência da pretensão fiscal e, por conseqüência, deve ser também cancelado o presente auto de infração. Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.295 9 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante ao exposto, requer a impugnante seja julgada procedente a impugnação para cancelar o malsinado auto de infração. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. Nestes termos, pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 02 33.112, de 28.06.2011, fls. 11981240: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 Meio de prova. Extratos bancários. Licitude. Os extratos bancários foram obtidos licitamente, à luz da legislação que autoriza o Fisco a solicitálos das instituições financeiras, quando no curso do procedimento fiscal regularmente instaurado o exame de tais provas seja considerado indispensável pela autoridade competente. Nesses casos, prescindese de prévia autorização judicial. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do lançamento, inclusive no que respeita ao uso de provas obtidas de forma lícita. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 Arbitramento. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Extravio ou furto de documentos fiscais. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição. E, ainda, a simples adoção dessas formalidades, apesar de necessárias, não seriam suficientes para caracterizar a exclusão da responsabilidade do contribuinte pela guarda e conservação de seus documentos contábeis e fiscais. Caberia ao interessado a reconstituição da escrituração ao menos dos livros obrigatórios, por iniciativa própria e antes de qualquer procedimento fiscal. O arbitramento é uma medida de salvaguarda do crédito tributário, posta a serviço da Fazenda Nacional. Não poderia o Fisco permanecer inerte à espera de que Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.296 10 o contribuinte cumprisse suas obrigações fiscais quando lhe fosse conveniente, especialmente se este não demonstrou qualquer intenção neste sentido. Omissão de receitas. Prova direta. Circularização. A Fiscalização comprovou, nos autos, de forma direta, por meio do procedimento de circularização, a omissão de receitas do contribuinte. Para tanto, foram colhidas informações de empresa que com ele realizou operações comerciais, que devidamente intimada prestou esclarecimentos e apresentou documentos fiscais. Omissão de receitas. Prova indireta. Depósitos bancários de origens não comprovadas. Caracterizase também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Depósitos bancários. Sigilo fiscal. Não configura quebra do sigilo fiscal o acesso motivado aos extratos bancários do contribuinte, realizado nos estritos termos da lei, cuja análise indicou a existência de omissão de receitas, por presunção legal, que fundamenta o lançamento de ofício ora discutido. Lançamentos reflexos. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Multa de ofício qualificada. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo agiu, dolosamente, no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Notificada em 15.07.2011, fl. 1242, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.08.2011, fls. 12441273, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Em relação ao sobrestamento do julgamento do presente processo (Despacho de 28.03.2012 da 1ª TE/3ª Câmara/1ª SJ/CARF, fls. 12801285), vale esclarecer que a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo foi cancelado o sobrestamento do julgamento do processo referente à matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) que está em repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF) sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil CPC). Assim, o julgamento do presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.297 11 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.298 12 Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. ] Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo (Termo de Início de Ação Fiscal, fls. 113155, Termos de Intimação Fiscal, fls. 157171, 181 187, 705707 Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fl. 83 e Intimação do Resultado do Julgamento, fls. 12411243) a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente menciona que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador3. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.299 13 favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Em relação à receita bruta ser conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Vale esclarecer que permanece a obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas. Este regime não é uma sanção, tanto que a pessoa jurídica, desde que preencha as condições legais, pode optar pelo lucro arbitrado com base na receita conhecida mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente ao período. Também pode adotar a tributação com base no lucro presumido nos demais trimestres do anocalendário, desde que não esteja obrigada à apuração pelo lucro real. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. Esta apuração de ofício, todavia, não é inválida pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito que, após regular intimação,deixaram de ser exibidos no procedimento fiscal4. 4 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º e art. 47 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15, art. 16 e art. 24 da Lei nº Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.300 14 Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo5. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade6, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Houve apresentação da escrituração obrigatória que contém deficiência que a tornou imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir da circularização com dados de seus cliente, Tecidos e Armarinho Miguel Bartolomeu S/A, CNPJ: 17.359.233/000188, fls. 224574 e ainda do cotejo entre os valores creditados na contacorrente nº 229008 da agência nº 2640 do Banco Bradesco S/A, fls. 774822 e 830867 e na contacorrente nº 8001481 da agência nº 1513 do Banco Santander S/A, fls. 912935. Esses valores constam nos extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. fls. 827829, 868870 e 909911 e as informações constantes na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregue originalmente em 24.11.2010, fls. 85109, e não apresentou as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais, fls. 111112, referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2007 e não efetuou qualquer recolhimento dos tributos objeto do lançamento, fl. 110. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 25, art. 26 e art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 59. 5 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 6 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.301 15 A informação ratificada pela Recorrente de que houve extravio do Livro Diário, do Livro Razão, do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), do Livro de Apuração do ICMS, do Livro de Apuração de IPI e do Livro de Inventário vem corroborar a apuração de ofício do lucro arbitrado. Ressaltese que por falta de previsão legal os custos incorridos não podem ser considerados no regime de tributação com base no lucro arbitrado que admite tãosomente a exclusão da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário. Os valores considerados como base de cálculo para fins de apuração dos tributos estão discriminados no Termo de Verificação Fiscal, fls. 5778, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no anocalendário de 2007 Mês (A) Valores Decorrentes da Circularização com Cliente Movimentação Operacional R$ (B) Valores Creditados nas Instituições Financeiras Movimentação Financeira R$ (C) Devolução de Vendas R$ (D) Valores Omissão Receita R$ (E = B+CD) Janeiro 0,00 762.825,70 0,00 792.825,70 Fevereiro 0,00 620.799,21 0,00 620.799,21 Março 0,00 719.983,89 0,00 719.983.89 Abril 0,00 315.430,92 0,00 315.430,92 Maio 0,00 177.183,95 0,00 177.183,95 Junho 0,00 18.162,20 0,00 18.162,20 Julho 236.196,23 11.487,57 0,00 247.683,80 Agosto 411.085,78 18.090,55 735,71 428.440,62 Setembro 461.153,52 3.317,65 0,00 464.471,17 Outubro 485.427,01 156,83 165,61 485.418,23 Novembro 462.890,39 0,00 165,61 462.724,78 Dezembro 412.482,79 0,00 0,00 412.482,79 Está registrado no Termo de Verificação Fiscal, fls. 5778, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Para o período base de 2007, o contribuinte não apresentou, até o início da fiscalização, nenhuma DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, nem efetuou qualquer recolhimento de 1RPJ, PIS, COFINS e CSLL, conforme telas de sistemas de informática anexadas ao presente. Entretanto, durante a fiscalização, em 24/11/2010, o contribuinte apresentou a DIPJ de n° 1951845, referente ao período fiscalizado, onde optava pelo Lucro Real Anual. Não preencheu fichas de PIS, COFINS, IPI e estimativa do Imposto de Renda e da Contribuição Social. O faturamento anual informado chegava a R$7.547.042,85, mas obteve prejuízo líquido de R$5.123,94. Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.302 16 Esta declaração, todavia, não pode ser considerada reflexo da situação contábil da empresa. Regularmente intimado a apresentar sua escrita contábil e fiscal, conforme Termo de Início de Fiscalização, o sujeito passivo apresentou cópia de comunicado enviado à SEF/MG, afirmando que as notas fiscais teriam sido extraviadas, em virtude de assalto sofrido pelo proprietário. Nos Termos de Intimação n° 275/2010 e 418/2010, intimamos a empresa para que apresentasse os livros Registro de Entradas e Saídas, e ainda solicitamos que confirmasse se os livros Diário, Razão, LALUR e de Inventário também haviam sido roubados. Não houve qualquer resposta. Após a entrega da DIPJ retificadora, elaboramos mais um Termo de Intimação, n° 777/2010, no qual intimávamos o sujeito passivo a apresentar toda a escrita contábil e fiscal, além de todas as notas fiscais de entradas e saídas. Em sua resposta, o contribuinte afirmou que tudo teria sido extraviado. Como decorrência, estando a fiscalização impedida de ter acesso aos livros e documentos da escrita contábil, impôsse, como última alternativa possível, o arbitramento do lucro para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda e demais contribuições reflexas no período de 2007, conforme preconiza o inciso art. 530, inciso 1, do RIR/99. Verificase que a Recorrente teve a receita bruta decorrente de comercialização de mercadorias com sua cliente, Tecidos e Armarinho Miguel Bartolomeu S/A, CNPJ: 17.359.233/000188, fls. 224574, no valor total de R$2.469.235,72. Embora afirme que esse valor esteja contido no somatório da receita bruta informada na DIPJ no valor de R$7.547.042,85, não apresentou as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais, fls. 111112, referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2007 e não efetuou qualquer recolhimento dos tributos objeto do lançamento, fl. 110. Tem cabimento assim, o lançamento dos tributos correspondentes de ofício, mesmo porque a DIPJ, instituída a partir de 01.01.1999, tem natureza jurídica tãosomente informativa, de modo que não é instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União do saldo a pagar relativo ao tributo ali informado7. Sobre o aspecto temporal da possibilidade jurídica da sua entrega, temse que não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício quando apresentada após o início do procedimento fiscal, ou seja, o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária. Neste momento, a sua espontaneidade é excluída em relação aos atos anteriores, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas8. A DIPJ entregue pela Recorrente não é modo de constituição do crédito tributário, o que não dispensa o lançamento de ofício. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998. 8 Fundamentação legal: art. 147 do Código Tributário Nacional, art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF n° 33. Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.303 17 Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito, ainda que por erro, mas desde de evidenciada a máfé, da qual decorre prejuízo a outrem. Caracterizase pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de encobrir fatos tributários da Administração Pública, pela fraude, que é a ação ou omissão dolosa de não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo ou pelo conluio, que é o ajuste doloso entre pessoas, seja para encobrir fatos tributários da Administração Pública, seja para não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há que se perquirir se houve simulação, vício ou falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais ou comerciais, ou utilização de documentos falsos para iludir a fiscalização ou fugir ao pagamento do imposto. A mesma conduta reprovável deve ser reiterada, ou continuada, assim entendida em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações9. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir da circularização com dados de seus cliente, Tecidos e Armarinho Miguel Bartolomeu S/A, CNPJ: 17.359.233/000188, fls. 224574 e ainda do cotejo entre os valores creditados na contacorrente nº 229008 da agência nº 2640 do Banco Bradesco S/A, fls. 774822 e 830867 e na contacorrente nº 8001481 da agência nº 1513 do Banco Santander S/A, fls. 912935. Esses valores constam nos extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. fls. 827829, 868870 e 909911 e as informações constantes na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregue originalmente em 24.11.2010, fls. 85109, e não apresentou as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais, fls. 111112, referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2007 e não efetuou qualquer recolhimento dos tributos objeto do lançamento, fl. 110. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 5778, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: No dia 11/02/2010, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) em epígrafe, para que se verificassem possíveis infrações no tocante ao recolhimento do IPI e do IRPJ, e respectivas contribuições apuradas de forma reflexa, como a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, o 9 Fundamentação legal: art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 68, art. 70, art. 71, art. 72, art. 73, art. 74 e art. 85 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 13 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 20 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.304 18 Programa de Integração Social PIS, e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no anocalendário de 2007. Em decorrência, aos 02 de março foi lavrado o Termo de Início de Fiscalização, no qual exigíamos, entre outros documentos, os livros Diário, Razão, Registro de Apuração de IPI, LALUR, Registro de Apuração de ICMS, Registro de Inventário, Notas Fiscais de Entradas e Saídas de abril de 2007, extratos das contas bancárias, arquivos magnéticos referentes às notas fiscais de entradas e de saídas, bem como o seu detalhamento em relação aos produtos transacionados. Solicitaramse, outrossim, diversos esclarecimentos, como a relação dos produtos produzidos e respectivo processo produtivo, informações acerca de possíveis ações judiciais, consultas e ingresso em programas de parcelamento de dívidas, e, por último, uma relação pormenorizada de todos os bens atualmente pertencentes ao seu ativo permanente. Tal termo foi cientificado pessoalmente, no domicílio fiscal da pessoa jurídica, na Rua São Judas Tadeu, 64, Distrito Industrial de Sarzedo, Minas Gerais, ao seu sócio, o Sr. Júlio César Morito Pimentel. Em atendimento ao Termo de Início, o Sr. Júlio César compareceu, em 22/03/2010, a esta repartição, protocolizando as suas respostas e declarando, em resumo, que: As notas fiscais teriam sido extraviadas, conforme cópia de comunicado à Administração Fazendária da SEF/MG em Sarzedo. No entanto, as cópias desta comunicação e do boletim de ocorrência nada dizem a respeito do extravio dos livros Diário, Razão, LALUR, Apuração de ICMS, Apuração de IPI e de Inventário, a não ser de forma genérica; Teria regularmente transmitido os arquivo arquivos magnéticos do ano de 2007 ao SINTEGRA Sistema Integrado sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços. No entanto, não apresentou os arquivos no layout proposto no Termo de Intimação, nem mesmo apresentou cópias dos arquivos transmitidos ao citado Sistema; Não fabricaria qualquer tipo de produto; Não possuiria Ativo Permanente; Não teria ingressado com qualquer medida judicial contra a União, nem teria protocolado processo de consulta ou parcelamento. Na mesma ocasião, apresentou ainda as seguintes informações ou documentos: Extratos bancários de janeiro a dezembro de 2007 impressos, segundo o sócio, por meio da internet, referentes à contacorrente 140287, agência 29777, do Banco do Brasil, todos com a informação "Sem lançamentos no período"; Contratos sociais e alterações. No tocante aos extratos bancários, entretanto, as DCPMFs Declarações da Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira enviadas pelas Instituições Financeiras, mostravam uma situação diferente da que foi apresentada pelo contribuinte: o Banco do Brasil informou uma movimentação financeira de R$2.662.707,83 no ano de 2007, enquanto outros bancos, omitidos na resposta Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.305 19 oferecida pelo contribuinte, também indicam movimentação no período sob fiscalização: o Bradesco apontou transações financeiras de R$1.974.640,40, e o Sudameris, de R$684.781,49. O ABN também indicou a existência de transações bancárias, embora inexpressivas. [...] Ora, o contribuinte, ao apresentar extratos bancários com a informação de que não haveria movimentação para o período, quando, pelo volume movimentado, deveria necessariamente saber da sua ocorrência, incidiu na hipótese prevista acima, causando embaraço à atividade fiscal, o que permite ao fisco a transferência do sigilo das suas operações bancárias. Consequentemente, em 05/04/2010, solicitamos ao titular desta Unidade a emissão das Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira RMFs, direcionadas às instituições bancárias nas quais o contribuinte mantinha contas. No dia seguinte, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Contagem lavrou as RMFs direcionadas aos bancos Bradesco, Brasil e Sudameris. As respostas das instituições financeiras, bem como demais esclarecimentos porventura solicitados, encontramse no item "3 — Das Requisições de Informação sobre Informações Financeiras", adiante neste Termo. Visando sanar algumas imprecisões observadas na resposta ao Termo de Início de Fiscalização, solicitamos ao contribuinte, conforme Termo de Intimação n° 275/2010, a apresentar os Livros Registro de Entradas e de Saídas do ano de 2007. Além disto, determinávamos que indicasse os principais clientes e fornecedores, informasse os estabelecimentos que lhe prestavam serviços de industrialização, e descrevesse detalhadamente as mercadorias adquiridas, enviadas para estes estabelecimentos e afinal alienadas. Outrossim, solicitávamoslhe que esclarecesse se os livros Diário, Razão, LALUR, Apuração de ICMS, Apuração de IPI, Registro de Serviços Prestados e de Inventário do ano de 2007 também haviam sido extraviados, já que o Boletim de Ocorrência não era claro a este respeito. A referida intimação foi entregue, em 29/04/2010, no estabelecimento do contribuinte, pelos Correios. Não obtendo nenhuma resposta, tornamos a intimar o sujeito passivo a cumprir as mesmas determinações, conforme Termo de Intimação n° 418/2010, lavrado em 29/06/2010, e entregue pelos Correios em cinco de julho do mesmo ano. Do mesmo modo, o contribuinte mantevese silente. Aos 13/08/2010, já de posse dos extratos fornecidos pelas instituições financeiras, lavrouse o Termo de Intimação n° 0492/2010, no qual intimávamos a empresa a comprovar a origem dos valores creditados ou depositados em suas contascorrentes, relacionados no "Demonstrativo de Valores Extratos Bancários". A intimação foi entregue em 24/08/2010 pelos Correios. Aos 14/09/2010, o sócio responsável compareceu à repartição, apresentando sua resposta, no qual relacionava alguns créditos em contacorrente e tentava justificar, sucintamente, a origem dos depósitos. Apesar de informar que o atendimento se referia ao Termo de Início de Fiscalização, seu teor claramente se referia ao Termo de Intimação n° 0492/2010, sendo que, ao final, solicitava um prazo adicional de trinta dias para atender ao restante da última intimação, por nós deferido. Entretanto, havendo decorrido o prazo para entrega do restante da documentação, nada nos foi apresentado. Desta forma, lavrouse o Termo de Intimação n° 665/2010, no qual, além de reintimarmos o sujeito passivo a apresentar as justificativas para os demais créditos em contacorrente, solicitávamoslhe que Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.306 20 indicasse, para cada desconto de duplicatas, desconto de cheques e empréstimos obtidos com factorings já informados anteriormente, a quais títulos ou ordens de pagamento se referiam, a fim de possibilitar a identificação das respectivas notas fiscais de saídas. Esta intimação foi entregue pelos Correios em 21/10/2010, sem que, no entanto, fosse objeto de atendimento por parte do sujeito passivo até a presente data. Ainda durante a fiscalização, em 24/11/2010, o contribuinte apresentou a DIPJ de n° 1951845, referente ao período fiscalizado, onde optava pelo Lucro Real Anual. Não preencheu fichas de PIS, COFINS, IPI e estimativa do Imposto de Renda e da Contribuição Social. O faturamento anual informado chegava a R$7.547.042,85, mas obteve prejuízo líquido de R$5.123,94. Assim, elaboramos mais um Termo de Intimação, n° 777/2010, intimandoo a apresentar toda a escrita contábil e fiscal, além de todas as notas fiscais de entradas e saídas, e a cumprir as determinações do Termo de Intimação anterior. O referido Termo foi entregue pelos correios em 22/12/2010, e em 19/01/2011, o contribuinte apresentou sua resposta, afirmando que os documentos solicitados foram extraviados. Paralelamente às intimações lavradas diretamente contra o sujeito passivo, e com a finalidade de corroborar os dados disponíveis, solicitamos a alguns de seus clientes e fornecedores, mediante termos lavrados em 04/03/2010, que nos informassem, detalhadamente, as transações efetuadas com o fiscalizado, indicando as notas fiscais de aquisição ou venda e esclarecimentos acerca dos pagamentos. A seguir, um breve resumo das diligências realizadas: 2.1 Tecidos e Armarinhos Miguel Bartolomeu S/A CNPJ: 17.359.233/000188 Em 11/02/2010, emitiuse o MPFD n°06110002010001599 para coleta de informações relativas já empresa fiscalização sendo lavrado, em decorrência, o Termo de Intimação n° 0135/2010, no qual solicitávamos cópias autenticadas de todas as notas fiscais emitidas ou recebidas da Gran Plast, documentação que identificasse os responsáveis pelos contatos comerciais, e esclarecimentos acerca dos pagamentos das despesas referentes às transações comerciais. Em 22/03/2010, o contribuinte apresentou parcialmente seus esclarecimentos acerca das transações comerciais realizadas, os quais incluíam cópias autenticadas das notas fiscais fatura referentes a aquisições de lonas plásticas da fiscalizada, efetuadas em 2007, no total de R$2.469.235,72. Não houve destaque do Imposto sobre Produtos Industrializados em nenhuma destas notas. Posteriormente, anexou ainda várias cópias de cheques do Banco do Brasil, comprovando os pagamentos efetuados à Gran Plast. Tais cheques, nominais à fiscalizada, acabaram por ser depositados nas contascorrente do Grupo Banminas, empresa de factoring para a qual eram vendidas parte das duplicatas emitidas pelo contribuinte, como se vê pela resposta de 14/09/2010. 2.2 SPP Agaprint Industrial e Comercial Ltda CNPJ: 18.204.610/002205 Em 11/02/2010, emitiuse o MPFD n° 06110002010001564 para coleta de informações relativas à empresa fiscalizada, sendo lavrado, em decorrência, o Termo de Intimação n° 0125/2010, no qual solicitávamos cópias autenticadas de todas as notas fiscais emitidas ou recebidas da Gran Plast, documentação que identificasse os responsáveis pelos contatos comerciais, e esclarecimentos acercados pagamentos das despesas referentes às transações comerciais. Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.307 21 Em 01/04/2010, o contribuinte apresentou seus esclarecimentos acerca das transações comerciais realizadas com a empresa Gran Plast do Brasil Indústria e Comércio de Plásticos Ltda, os quais incluíam cópias autenticadas das notas fiscais fatura referentes a vendas de polietileno efetuadas à fiscalizada, de julho a novembro de 2007. Devese observar que tais notas possuem destaque do IPI. Anexou ainda extratos bancários comprovando os pagamentos efetuados pela Gran Plast, que se tratavam de depósitos bancários cujo depositante era identificado como Grupo Banminas. 2.3 Unipar Comercial e Distribuidora S/A CNPJ: 47.888.920/001395 Em 11/02/2010,emitiuse o MPFD n° 06110002010001572 para coleta de informações relativas à empresa fiscalizada, sendo lavrado, em decorrência, o Termo de Intimação n° 0130/2010, no qual solicitávamos cópias autenticadas de todas as notas fiscais emitidas ou recebidas da Gran Plast,documentação que identificasse os responsáveis pelos contatos comerciais, e esclarecimentos acercados pagamentos das despesas referentes às transações comerciais Em 18/03/2010 o contribuinte apresentou sua resposta, indicando a relação de compras efetuadas pela Gran Plast no ano de 2007, no total de R$ 871.576,13. Tais vendas, conforme notas fiscais acostadas, tratavamse basicamente de polietileno, havendo destaque do IPI nas mesmas. O contribuinte apresentou ainda comprovantes dos depósitos ou transferências, feitos pelo Grupo Banminas, porém efetuadas por conta e ordem da Gran Plast, conforme cartas de esclarecimento. Desta forma, fica patente, apesar da falta de informações espontaneamente enviadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o contribuinte, em 2007, transacionou regularmente suas mercadorias, e seus clientes efetivamente registraram estas aquisições em sua contabilidade e lhe pagaram o preço dos produtos adquiridos. 3 DAS REQUISIÇÕES DE INFORMAÇÃO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA 3.1 Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira n° 06.1.10.002010000169, destinada ao Banco Bradesco S/A: Recebida em 20/04/2010, foi respondida integralmente em nove de junho do mesmo ano, ocasião em que foram enviadas a ficha cadastral, os extratos bancários de 2007 e demais documentos e arquivos digitais concernentes à conta corrente 22.900/8, agência 2.640/9. Foi também apresentada procuração registrada em 30/06/2006 no 9o ofício de notas de Belo Horizonte, que outorgava ao sócio Júlio César Morito Pimentel totais poderes de gerência sobre a sociedade, inclusive movimentar contascorrentes nesta instituição. 3.3 – Requisição de Informações sobre Financeira n° 06.1.10.00201000018 5, destinada ao Banco Sudameris Brasil S/A. Também recebida em 20/04/2010. Resposta datada de 14/05/2010, oferecida pelo sucessor da instituição financeira, o Banco Santander (Brasil) S/A. Foram fornecidas informações referentes à contacorrente 8001481, da agência 1513, entre as quais extratos bancários do período de janeiro a novembro de 2007, arquivos digitais, e a ficha cadastral. Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.308 22 4 DAS INFRAÇÕES LUCRO ARBITRADO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS APURADAS DE FORMA REFLEXA Para o período base de 2007, o contribuinte não apresentou, até o início da fiscalização, nenhuma DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, nem efetuou qualquer recolhimento de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, conforme telas de sistemas de informática anexadas ao presente. Entretanto, durante a ação fiscal, em 24/11/2010, apresentou a DIPJ de n° 1951845, referente ao período fiscalizado, onde optava pelo Lucro Real Anual. Não preencheu fichas de PIS, COFINS, IPI e estimava do Imposto de Renda e da Contribuição Social. O faturamento anual informado chegava a R$7.547.042,85, mas obteve prejuízo líquido de R$ 5.123,94. Esta Declaração, todavia, não pode ser considerada reflexo da situação contábil da empresa. Regularmente intimado a apresentar sua escrita contábil e fiscal, conforme Termo de Início de Fiscalização, o sujeito passivo apresentou cópia de comunicado enviado à SEF/MG, afirmando que as notas fiscais teriam sido extraviadas, em virtude de assalto sofrido pelo proprietário. Nos Termos de Intimação nos 275/2010 e 418/2010, intimamos a empresa para que apresentasse os livros Registro de Entradas e Saídas, e ainda solicitamos que confirmasse se os livros Diário, Razão, LALUR e de Inventário também haviam sido roubados. Não houve qualquer resposta. Após a entrega da mencionada DIPJ, elaboramos mais um Termo de Intimação, n° 777/2010, no qual intimávamos o sujeito passivo a apresentar toda a escrita contábil e fiscal, além de todas as notas fiscais de entradas e saídas. Em sua resposta, o contribuinte afirmou que tudo teria sido extraviado. Como decorrência, estando a fiscalização impedida de ter acesso aos livros e documentos da escrita contábil, impôsse, como última alternativa possível, o arbitramento do lucro para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda e demais contribuições reflexas no período de 2007, conforme preconiza o inciso art. 530, inciso I, do RIR/99. Com efeito, a falta de manutenção dos assentamentos da empresa é causa suficiente para a incidência em definitivo da citada norma, independentemente de posterior saneamento, conforme reiteradas decisões do Conselho de Contribuintes. Ressaltese, por oportuno que "arbitramento não possui caráter de penalidade, é simples meio de apuração do lucro'" (Ac. CSRF/010.123/81). A receita bruta da empresa foi obtida por dois métodos: circularização efetuada com seus clientes e depósitos bancários não comprovados. No primeiro método, foram colhidas informações da empresa Tecidos e Armarinhos Miguel Bartolomeu S/A CNPJ: 17.359.233/000188, por intermédio do Termo de Intimação n° 135/2010. [...] Já em relação aos créditos em contacorrente, o Delegado desta unidade emitiu, conforme relato anterior, RMFs aos bancos Bradesco, do Brasil e Sudameris, os quais forneceram os extratos bancários solicitados. Do exame destes, selecionamos alguns créditos em contacorrente para que o sujeito passivo comprovasse a sua origem, lavrando em decorrência o Termo de Intimação n° 0492/2010. Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.309 23 Em sua resposta, datada de treze de setembro do mesmo ano (erroneamente indicada como se fosse em atendimento ao Termo de Início), o contribuinte justificou a procedência de alguns dos créditos, muitos deles como desconto de duplicatas, empréstimo com garantia de duplicatas ou empréstimo com garantia de cheques, que, indubitavelmente, tiveram origem em faturamento ocorrido em data anterior. A fim de identificar as notas fiscais que deram origem a estes créditos, bem como reintimar o sujeito passivo a justificar a origem dos demais, não mencionados na referida resposta, lavrouse o Termo de Intimação n° 0665/2010, entregue pelos correios em vinte e um de outubro do mesmo ano. Não houve qualquer manifestação por parte da empresa em relação a esta intimação. Por conseguinte, todos os créditos citados no Termo de Intimação n° 665/2010, por não terem sido comprovados por documentação hábil e idônea, além dos que não foram nem ao menos mencionados na resposta à intimação de n° 0492/2010, podem ser caracterizados como receita omitida, considerada auferida no mês do lançamento efetuado pela instituição financeira. [...] E assim foi feito: determinado o regime do lucro arbitrado para o período sob exame, em face do exposto anteriormente, e apurada a receita da empresa, toda ela omitida, determinouse o valor do 1RPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS devidos, conforme Demonstrativos de Apuração dos respectivos Autos de Infração do presente processo. 5 DA MULTA QUALIFICADA Sobre os impostos e contribuições ora apurados deverá incidir a multa de 150%, uma vez que, deliberadamente, o contribuinte omitiuse da entrega da DIPJ a que estava obrigado, com a clara intenção [...] de ocultar ou retardar o conhecimento por parte da fazenda pública dos fatos geradores ocorridos, conduta esta caracterizada como sonegação pelo art. 71 da Lei 4.502/64. A intenção dolosa é manifestada pela omissão de informações referentes a quantias vultosas e expressivas em todo o período fiscalizado, o que afasta a possibilidade da ocorrência de simples erro culposo. Além disso, o fato de o contribuinte ter apresentado uma DIPJ no curso da fiscalização só comprova sua intenção dolosa, pois elaborada sem qualquer lastro documental. Sonegação também houve quando o sujeito passivo, intimado a entregar seus extratos bancários, apresentou apenas telas de extrato bancário de autoatendimento do Banco do Brasil, sem quaisquer lançamentos. Conforme relato anterior, o contribuinte, em 2007, efetuou movimentações financeiras milionárias, nos Bancos do Brasil, Bradesco e Sudameris. É inadmissível que transações de tal vulto tenham sido simplesmente esquecidas pelo representante da empresa. Obviamente, porém, não haveria que se falar em sonegação se o contribuinte houvesse recolhido ou se confessado devedor do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS acima determinados. No entanto, conforme espelhos do sistema de arrecadação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o sujeito passivo não efetuou qualquer recolhimento dos tributos e contribuições ora lançados, e tampouco apresentou as correspondentes Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais a que estava obrigado. Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.310 24 No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pela conduta reiterada de omissão de receitas e ainda por declaração inexata, seja por ter omitido os rendimentos de sua escrituração contábil, seja por não ter apresentado as informações solicitadas no curso da ação fiscal. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. A Recorrente aponta argumentos contra a imputação da responsabilidade passiva solidária. A responsabilidade tributária é o instituto pelo qual um terceiro que embora não tenham relação direta e pessoal com a situação que constitua o respectivo fato gerador da obrigação principal, está obrigado ao cumprimento da respectiva obrigação. A despeito de não ser o sujeito passivo da obrigação principal, para ser responsável solidário é suficiente ser uma pessoa que possua interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e não comporta benefício de ordem 10. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto11. No presente caso não se trata tão somente de simples inadimplemento da obrigação tributária, já que o lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir da circularização com dados de seus cliente, Tecidos e Armarinho Miguel Bartolomeu S/A, CNPJ: 17.359.233/000188, fls. 224574 e ainda do cotejo entre os valores creditados na contacorrente nº 229008 da agência nº 2640 do Banco Bradesco S/A, fls. 774822 e 830867 e na contacorrente nº 8001481 da agência nº 1513 do Banco Santander S/A, fls. 912935. Esses valores constam nos extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. fls. 827829, 868870 e 909911 e as informações constantes na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregue originalmente em 24.11.2010, fls. 85109, e não apresentou as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais, fls. 111112, referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2007. A lei, desse modo, foi infringida: art. 287, art. 288, inciso I do art. 530, art. 532 e art. 537 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Houve lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome dos sócios Júlio César Morito Pimentel e Cléber Ferreira de Matos cientificados em 15.02.2011, fls. 7980 e 17.02.2011, fls. 8182, 823826 e 965, respectivamente. Esse procedimento se fundamenta no exercício pleno da gestão da Recorrente caracterizado pelo domínio dos fatos, de acordo com as informações constantes nas 3ª, 4ª e 5ª Alterações do Contrato Social, fls. 145155 e 188200: 3ª Alteração Contratual TERCEIRA À vista da modificação ora ajustada , consolidase o contrato social com a seguinte redação: [...] 10 Fundamentação legal: art. 124 e art. 125 do Código Tributário Nacional. 11 Fundamentação lega: inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional. Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.311 25 2ª O capital social da empresa é de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) subscrito e integralizado na forma abaixo, conforme decisão dos quotistas, em moeda corrente do país, dividido em 30,000 (trinta mil) quotas de valor unitário de R$ 1,00 (hum real), e assim distribuído entre os sócios: CLEBER FERREIRA DE MATOS 27.000 quotas R$27.000,00 JÚLIA HONORA TO DE PAULA 3.000 quotas R$3.000,00 [...] 7ª A administração da sociedade cabe ao sr. CLEBER FERREIRA DE MATOS, com os poderes e atribuições de administrador , autorizado o uso do nome empresarial, vedado, no entanto, em atividades estranhas ao interesse social, ou assumir obrigações seja em favor dos quotistas ou terceiros, bem como onerar ou alienar bens imóveis da sociedade sem autorização do outro sócio: cabendolhe ainda a assinatura peia sociedade isoladamente. 4ª Alteração Contratual QUARTA À vista da modificação ora ajustada, consolidase o contrato social com a seguinte redação: [...] 2ª O capital social da empresa c de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) subscrito e integralizado na forma abaixo, conforme decisão dos quotistas, em moeda corrente do país, dividido em 30.000 (trinta mil) quotas de valor unitário de R$ 1,00 (hum real), e assim distribuído entre os sócios: JULIO CESAR MORITO PIMENTEL 30.000 quotas R$30.000,00 TOTAL 30.000 quotas R$30.000,00 [...] 7ª A administração da sociedade cabe ao Sr. JÚLIO CÉSAR MORITO PIMENTEL.com os poderes e atribuições de administrador .autorizado o uso do nome empresarial,vedado, no entanto, em atividades estranhas aos interesses sociais.ou assumir obrigações seja em favor dos quotistas ou terceiros, bem como onerar ou alienar bens imóveis da sociedade sem autorização do outro sócio; cabendolhe ainda a assinatura pela sociedade isoladamente. 5ª Alteração Contratual Cláusula Quarta Do Capital Social O capital continua sendo de R$30.000,00 (trinta mil reais) dividido em 30.000 (trinta mil) cotas no valor de R$1,00 (hum real) cada uma, subscrito e integralizado em moeda corrente nacional no ato da assinatura do presente, ficando distribuído entre os sócios da seguinte forma: Julio César Morito Pimentel 29.700 cotas R$29.700,00 Izaías Alves da Cunha 300 cotas R$300,00 Total 30.000 cotas R$30.000,00 [...] Cláusula Sexta Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.312 26 Da Administração da Sociedade A Sociedade continua sendo administrada pelo sócio Júlio César Morito Pimentel, designado administrador da sociedade, podendo delegar procuração. Cláusula Sétima Da Assinatura Todos os atos e contratos de qualquer natureza ou finalidade que envolva a responsabilidade da sociedade ainda de constituição de mandatários “Ad Negotis” ou “Ad Judicia” continua a conter a assinatura individual do sócio Júlio César Morito Pimentel. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 5778, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 6 DA RESPONSABILIDADE PELOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS O art. 135 do Código Tributário Nacional assim dispõe: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. " Desta forma, este dispositivo legal determina que qualquer pessoa que praticar determinado ato, com excesso de poderes ou violação à lei, contrato social ou estatutos, responde pelo crédito tributário que dele advier. [...] Deste modo, prevalece na doutrina e na jurisprudência a responsabilidade tributária subjetiva dos administradores. O administrador, de fato ou de direito, somente é responsável por atos por ele praticados, de forma dolosa ou culposa, no exercício da gestão da pessoa jurídica (domínio dos fatos), que representem infração à lei ou excesso de poderes, ou seja, um ato ilícito. Também configura hipótese de que trata o art. 135, por se tratar de infração à lei e ao contrato social, a dissolução irregular. [...] Quanto à natureza da responsabilidade derivada do art. 135, III, CTN, a interpretação sistemática deste artigo conduz ao reconhecimento da responsabilidade solidária dos administradores, da mesma forma que os arts. 124 e 125 do CTN. [...] No caso em tela, verificouse que os sócios do contribuinte fiscalizado, Júlio César Morito Pimentel, CPF n° 242.266.96620, e Cléber Ferreira de Matos, CPF: 131.019.00620 tinham, à época dos fatos descritos neste Termo de Verificação Fiscal, poderes de gerência sobre a sociedade, conforme sua 3a e 4a alterações contratuais. Consequentemente, observada a ocorrência de sonegação por parte da empresa, são estes sócios, conforme art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, responsáveis solidários pelo crédito tributário decorrente deste ato. No Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.313 27 caso em tela, o Sr. Cléber seria responsável pelos créditos tributários vencidos até 30/03/2007, data em que se retirou da sociedade. Tais créditos correspondem aos fatos geradores do PIS e da COFINS ocorridos em janeiro e fevereiro de 2007. Já o Sr. Júlio César Morito Pimentel seria responsável solidário pelo crédito tributário de todo o ano de 2007, já que, sob sua gestão, não foi entregue a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, fato que consumou a sonegação. Ademais, pela resposta enviada pelo Banco Bradesco, o Sr. Júlio César, anteriormente à assunção ao cargo de sóciogerente, já exerceria funções de gerência, uma vez que a procuração lavrada no Cartório do 9º Oficio de Notas de Belo Horizonte, às fls. 4 do livro 1533 P, lhe dava totais poderes de administração sobre a sociedade, nos aspectos comerciais, financeiros, trabalhistas, jurídicos e tributários. Curial também é o fato de o Sr. Júlio César, entre 02/03/2005 e 25/05/2006, conforme Ia e 2a alterações contratuais, já haver sido sócio da empresa, antes do Sr. Cléber assumir. E, pouco mais de um mês após deixar a sociedade, em 30/06/2006, o Sr. Júlio novamente assumir sua gerência, ao ser lavrada a procuração acima referida. A correta identificação do sujeito passivo, nos termos do art. 142 do CTN, é elemento indispensável ao lançamento [...]. Nesse sentido, os sócios e administradores Júlio César Morito Pimentel e Cléber Ferreira de Matos incorreram em procedimentos ilícitos visando encobrir a obrigação tributária pela falta de confissão dos débitos tributários em DCTF referente ao montante da receita bruta apurada de ofício nos presentes autos. Por essa razão, são responsáveis em virtude do não cumprimento do dever normativo para assegurar o funcionamento normal da pessoa jurídica. No caso em tela, verificase que os sócios da Recorrente, Júlio César Morito Pimentel, CPF 242.266.96620, e Cléber Ferreira de Matos, CPF 131.019.00620 tinham o domínio dos fatos e plenos poderes de gerência sobre a sociedade, conforme sua 3ª, 4ª e 5ª Alterações Contratuais. Assim são responsáveis solidários pelo crédito tributário decorrente do lançamento de ofício. A ilação designada pela defendente, a despeito de tudo, não se destaca como procedente. A Recorrente argui que o arrolamento de bens não poderia ser promovido. Na oportunidade em que é lavrado o Auto de Infração pode ser também efetivados o arrolamento de bens e direitos nos estritos termos normativos, não cabendo ao CARF pronunciarse sobre esse procedimento12. Ademais, o arrolamento de bens está formalizado no processo 13603.720805/201197 que se encontra no Arquivo Digital dos Órgãos Centrais/RFB/MF desde 09.01.201413. 12 Fundamentação legal: art. 142 e art. 185A do Código Tributário Nacional, art. 585 do Código de Processo Civil e art. 142 e art. 185A do Código Tributário Nacional, art. 64 e art. 64A da Lei nº 9.532, 10 de dezembro de 1997, Decreto nº 7.573, de 29 de setembro de 2011, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002 e art. 2º da Lei nº 8.397, de 06 de janeiro de 1992, bem como Instrução Normativa RFB nº 1.171, de 07 de julho de 2011. 13 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/Egov/cons_dados_processo.asp?proc=13603720805201197> . Acesso em 05 fev.204. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.314 28 Verificase pelo conjunto probatório produzido nos autos evidencia que o procedimento de ofício está correto. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso14. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade15. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 16.. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 14 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 15 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 16 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.720606/201189 Acórdão n.º 1801001.876 S1TE01 Fl. 1.315 29 Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10166.722853/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005
CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO.
Não se conhece de matéria não impugnada, sob pena de supressão de instância, bem como em razão da preclusão processual.
MEMBROS DE CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, ASSEMBLÉIA GERAL E CONSELHO FISCAL.
A teor do disposto no artigo 12, inciso V, alínea f, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, são considerados contribuintes individuais. Logo sobre remuneração paga a empresa tem a obrigação de recolher contribuição previdenciária.
MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, incide a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada no presente AI ser calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, alterada pela Lei nº 11.941/09.
Numero da decisão: 2301-003.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, nos termos do voto do Relator; b) na parte conhecida, em dar provimento parcial, para determinar a aplicação da multa nos termos do artigo 32-A da lei nº 8.212/91, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005 CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO. Não se conhece de matéria não impugnada, sob pena de supressão de instância, bem como em razão da preclusão processual. MEMBROS DE CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, ASSEMBLÉIA GERAL E CONSELHO FISCAL. A teor do disposto no artigo 12, inciso V, alínea f, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, são considerados contribuintes individuais. Logo sobre remuneração paga a empresa tem a obrigação de recolher contribuição previdenciária. MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, incide a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada no presente AI ser calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, alterada pela Lei nº 11.941/09.
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FINANC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005 CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO. Não se conhece de matéria não impugnada, sob pena de supressão de instância, bem como em razão da preclusão processual. MEMBROS DE CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, ASSEMBLÉIA GERAL E CONSELHO FISCAL. A teor do disposto no artigo 12, inciso V, alínea f, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, são considerados contribuintes individuais. Logo sobre remuneração paga a empresa tem a obrigação de recolher contribuição previdenciária. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, incide a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada no presente AI ser calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, alterada pela Lei nº 11.941/09. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, nos termos do voto do Relator; b) na parte conhecida, em dar provimento parcial, para determinar a aplicação da multa nos termos do artigo 32A da lei nº 8.212/91, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 28 53 /2 00 9- 11 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/03 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.143.5544, o qual exige multa em razão de a empresa ter apresentado a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, referentes ao período de janeiro 2005 a junho/2005 Segundo o Relatório Fiscal foram identificados na contabilidade da empresa lançamentos em nome de pessoas físicas, membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados da autuada. Ademais, segundo análise feira por meio de DIRF, foram identificados pagamentos sobre a rubrica “rendimentos de trabalho assalariado” e “rendimentos sem vínculo empregatício”, os quais não constam ou foram declaradas a menor em GFIP e folhas de pagamento. A empresa autuada apresentou sua impugnação alegando, em breve síntese, os argumentos a seguir: i) o lançamento tem efeito confiscatório, sendo nulo o lançamento em virtude de agressão ao inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal; ii) que o lançamento contraria o artigo 142 do Código Tributário Nacional, pois foi lavrado sem a clareza e precisão dos fatos geradores, motivo pela qual está criando dificuldades para o exercício da defesa; iii) não incide contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados a membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados, uma vez que esses não são vinculados obrigatório ao RGPS; iv) que os diretores e os presidentes não podem figurar como coresponsáveis pelo débito; v) que é inaplicável a multa haja vista que os pagamentos efetuados a membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados não constituem fato gerador das contribuições previdenciárias; Fl. 493DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/03 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.722853/200911 Acórdão n.º 2301003.462 S2C3T1 Fl. 493 3 vi) que é impossível gerar a GFIP, pois não houve a ocorrência do fato gerador; vii) que a representação fiscal para fins penais ofende o princípio da verdade material. A DRJ de Brasília manteve integralmente o presente AI, conforme se extrai da ementa transcrita: MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. CFL 68. Constitui infração capitulada na Lei nº. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inc. IV e §5º, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com art. 225, IV, §4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048, de 06.05.99. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106 do CTN Tratandose de autodeinfração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória, aplicase a lei superveniente somente quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. A autuada, devidamente intimada em interpôs recurso voluntário alegando o que segue: i) que o crédito tributário aqui versado está conectado com aquele apurado no processo 10166.722849/200945, 10166.722850/200970 e 10166.722851/200914 razão pela qual transcreve os argumentos sustentados naquele processo no sentido de que em relação à diferença verificada em DIRF, tratase de adiantamento de férias pagas, havendo, na legislação, um desencontro de fato gerador. Para o imposto de renda ocorre quando do pagamento e para as contribuições previdenciárias, apenas quando do efetivo gozo das férias; e ii) não incide contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados a membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados, uma vez que esses não são vinculados obrigatório ao RGPS. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso há de ser conhecido em parte, uma vez que no meu entender a recorrente suscitou questões não levadas em sede de impugnação e, portanto, ao conhecimento do órgão colegiado de primeira instância. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/03 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Como visto no relatório acima, a recorrente suscita equívoco no lançamento das contribuições previdenciárias, uma vez que os fatos geradores para o imposto de renda ocorrem em momento diverso do das contribuições, não podendo a fiscalização ter considerado a DIRF como prova para efetuar o lançamento. Ora essa questão não foi suscitada quando da impugnação e, assim, creio que houve preclusão processual. Conhecer dessa matéria nessa segunda instância administrativa ensejaria a supressão da primeira instância como órgão que primeiro analisa e decide sobre a matéria impugnada. Assim, o recurso merece ser analisado apenas no que diz respeito à caracterização dos membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados como contribuintes individuais do RGPS. Segundo o artigo 12, inciso V, alínea f da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, são segurados obrigatórios do RGPS na condição de contribuinte individual o “associado eleito para o cargo de direção em cooperativa”. A Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, ao definir a Política Nacional de Cooperativismo e instituir o regime jurídico das sociedades cooperativas, estabelece em seu artigo 47 que a cooperativa “será administrada por uma Diretoria ou Conselho de Administração, composto exclusivamente de associados eleitos pela Assembléia Geral”. Já em seu artigo 56 assinala que a “administração da sociedade será fiscalizada, assídua e minuciosamente, por um Conselho Fiscal”. No tocante aos Delegados, esses representarão os associados na Assembléia Geral da cooperativa, conforme o artigo 27 do estatuto da autuada. A Assembléia, por sua vez, é o “órgão deliberativo supremo” da cooperativa, de acordo com o artigo 24 do Estatuto. A assembléia geral, o conselho fiscal e o conselho de administração, de acordo com o artigo 23 do Estatuto da autuada são os seus órgãos sociais, isto é, os órgãos responsáveis pela direção da cooperativa. Ao contrário do que sustenta a recorrente, penso que a legislação previdenciária ao versar sobre “cargo de direção” não restringiu a obrigatoriedade de filiação ao regime geral da Previdência Social, como contribuinte individual, aos membros do conselho de administração. A meu ver a lei é mais ampla, caracterizando como contribuinte individual todo aquele cooperado que exerça qualquer cargo que implique na direção da cooperativa. E essa direção, como visto, não é realizada apenas pelos membros do conselho de administração, mas também pelos membros da Assembléia Geral e do Conselho Fiscal. Nesse sentido destaco julgado do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, o qual se alinha ao entendimento ora manifestado: “TRIBUTÁRIO – ART. 22 DA LEI N. 8.212/91 – MEMBROS DO CONSELHO FISCAL E ADMINISTRATIVO – COMPARECIMENTO A REUNIÕES – INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INDEPENDENTE DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. 1. Cingese a controvérsia à incidência ou não da contribuição previdenciária sobre a remuneração paga aos membros do Fl. 495DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/03 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.722853/200911 Acórdão n.º 2301003.462 S2C3T1 Fl. 494 5 conselho fiscal e de administração pelo comparecimento em reuniões. 2. Os cargos de direção existentes nas cooperativas, desde que pelo seu exercício venham a ser remunerados, qualquer que seja o nome dado a essa remuneração, se prolabore ou honorários, estão sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias, mesmo que essa função, nessas circunstâncias, seja exercida por cooperados, pois o exercício de atividade remunerada vem a ser a condição preponderante, no direito previdenciário, da filiação do regime de que trata o caso. 3. As funções de Diretor e de Conselheiro Fiscal, por serem remuneradas, in casu, são consideradas como integrantes do saláriodecontribuição; estão incluídas do regime previdenciário urbano. Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 1117023/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/08/2010, DJe 19/08/2010) Logo, havendo remuneração paga a contribuinte individual, cabível o lançamento fiscal, exigindo a declaração dos dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Multa Em relação à aplicação da tabela de segurados para o cálculo da multa, há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. A penalidade aplicada ao caso era a prevista no § 5º do artigo 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual previa multa de 100% (cem por cento) sobre o valor devido da contribuição não declarada, limitada pelo número de segurados. É certo que o artigo acima citado foi, no curso desse processo, revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a qual instituiu uma nova multa para casos como esse ora analisado, previsto no novel artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 cabendo, portanto, analisar a viabilidade ou não da aplicação do que dispõe a alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Segundo as novas disposições legais, a multa prevista no recente dispositivo legal prevê multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas, tal como ocorre no caso. Entendo que não se aplica ao caso a multa prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91 uma vez que esse se refere apenas ao lançamento de contribuições previdenciárias, não cabendo interpretação extensiva para incluir nesse dispositivo a “declaração inexata” do artigo 44 ao qual ele faz referência. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/03 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 A meu ver houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente Auto de Infração calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE O RECURSO e, na parte conhecida DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para determinar a aplicação da multa nos termos da fundamentação acima, se mais benéfica ao contribuinte, sendo que no mais, resta mantido o Auto de Infração. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 497DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/03 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 19515.000048/2006-40
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
EMBARGOS. OMISSÃO DECORRENTE DE ERRO MATERIAL.
Cabem embargos quando verificada, no acórdão hostilizado, a existência de omissão decorrente de inexatidão material devida a lapso manifesto.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
A infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Restando identificada a origem dos recursos, não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996.
Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos e rerratificar o Acórdão nº 2801-003.240, com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada que acolhiam os embargos para negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 EMBARGOS. OMISSÃO DECORRENTE DE ERRO MATERIAL. Cabem embargos quando verificada, no acórdão hostilizado, a existência de omissão decorrente de inexatidão material devida a lapso manifesto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. A infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Restando identificada a origem dos recursos, não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes Recurso Voluntário Provido.
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OMISSÃO DECORRENTE DE ERRO MATERIAL. Cabem embargos quando verificada, no acórdão hostilizado, a existência de omissão decorrente de inexatidão material devida a lapso manifesto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. A infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Restando identificada a origem dos recursos, não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos e rerratificar o Acórdão nº 2801003.240, com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada que acolhiam os embargos para negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 00 48 /2 00 6- 40 Fl. 989DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19515.000048/200640 Acórdão n.º 2801003.527 S2TE01 Fl. 990 2 Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório O Contribuinte tomou ciência do Acórdão nº 2801003.240, proferido em 15 de outubro de 2013 pela Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SÚMULA CARF Nº 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. Recurso Voluntário Negado. O Interessado opôs Embargos de Declaração, às fls 956/962, alegando que o acórdão embargado incidiu em contradição ao afirmar que bastaria, no presente caso, que o recorrente apresentasse, para comprovação da origem do depósito bancário, cópia do comprovante da Transferência Eletrônica Disponível" relativa ao depósito de R$ 41.000,00 realizado em 24/02/2004 (eis que, na emissão do TED, é obrigatória a identificação do emitente e do recebedor), conquanto já constasse dos autos a solicitação dirigida ao Banco do Brasil e a correspondente resposta que identifica o emitente e o recebedor do depósito. O Regimento Interno do CARF, no seu artigo 65 prevê a possibilidade dos embargos declaratórios sempre que o acórdão contenha omissão, obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, a saber: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e Fl. 990DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19515.000048/200640 Acórdão n.º 2801003.527 S2TE01 Fl. 991 3 os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Ora, neste caso, independentemente do mérito da questão suscitada pela Embargante, não me parece que o fato constitua vício a ser sanado pela via dos embargos declaratórios. Como está claro no dispositivo acima referido, a contradição que enseja os embargos deve se dá entre a decisão e os fundamentos do acórdão. E, neste caso, não se verifica tal contradição. Ao contrário, há uma clara coerência entre os fundamentos e a conclusão do acórdão quanto aos pontos aqui questionados. Entretanto, o julgado incorreu em inexatidão material devida a lapso manifesto, pois, além de indicar a data errada do depósito (correto é 24/02/2003 e não 24/02/2004), passou despercebido da relatora o documento de fl. 394, referente à informação prestada pelo Banco do Brasil S/A sobre a identificação dos depositantes das "Transferência Eletrônica Disponível" realizadas no dia 24/02/2003, o que influenciou no resultado do julgamento. Diante disso, os embargos declaratórios foram admitidos como embargos inominados, com fundamento no artigo 66, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF), para que o recurso seja novamente submetido à apreciação dos membros desta Turma. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Os embargos são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos. Conforme consta do voto condutor do acórdão embargado, cuida o presente lançamento de exigência do IRPF sobre omissão de rendimentos caracterizada pela existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. O litígio cinge se à falta de comprovação do depósito de R$ 41.000,00 realizado em 24/02/2003, mediante transferência bancária via TED, na conta corrente mantida pelo contribuinte junto ao Banco do Brasil, pois os demais foram excluídos pela decisão recorrida, em observância ao disposto parágrafo 3°, II, do artigo 42 da Lei 9.430/1996, tendo em vista que se tratavam de depósito inferiores a R$ 12.000,00, cujo somatório não ultrapassou a R$ 80.000,00. Foi manifestado no referido voto que a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, da origem dos recursos, bastando, no presente caso, que o recorrente apresentasse cópia do comprovante da “Transferência Eletrônica Disponível” relativa ao Fl. 991DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19515.000048/200640 Acórdão n.º 2801003.527 S2TE01 Fl. 992 4 depósito de R$ 41.000,00 realizado em 24/02/2003, eis que, na emissão do TED, é obrigatória a identificação do emitente e do recebedor. Apesar de não constar do autos a cópia da “Transferência Eletrônica Disponível” relativa ao depósito de R$ 41.000,00 realizado em 24/02/2003, não se observou que à época do julgamento já se encontrava nos autos, à fl. 394, a seguinte informação prestada pelo Banco do Brasil: Em atenção à sua solicitação datada de 25 de Agosto, informamos: TED Transf. Eletr. 24/02/2003 Fat Balloon Com. Ltda CNPJ 00.005.730/000185 TED Transf. Eletr. 24/02/2003 Fat Balloon Com. Ltda CNPJ 00.005.739/000185 CRED. Via Compe 17/10/2003 Transp. Logist Irmãos Feman. CNPJ 36.554.616/000151 2. Quanto as demais transações, não há possibilidade de identificação dos depositantes, uma vez trataremse de transações em dinheiro. De acordo com o extrato do banco do Brasil, à fl. 229, foram realizadas somente dois créditos por meio de TED na conta corrente do Contribuinte no dia e 24/02/2003, sendo um de R$ 41.000,00 e outro de R$ 5.000,00. Assim, constatase que a empresa Fat Balloon Com. Ltda. foi a emitente do depósito efetuado no Banco do Brasil S/A de R$ 41.000,00 no dia 24/02/2003. Dessa forma, entendo que foi comprovada a origem do depósito em tela, razão pela qual não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, até porque o §2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Portanto, cabe à autoridade lançadora implementar o disposto no §2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e não a autoridade julgadora sob pena de fazer um novo lançamento. Nessa linha de raciocínio, também decidiu, por unanimidade, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, conforme Acórdão 22010001.801, julgado na sessão de 16 de agosto de 2012, que foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 1999, 2000, 2001 Ementa: CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA DEFESA NULIDADE Não há que se falar em preterição do direito de defesa se o contribuinte não faz prova dos fatos que o impediram de contestar as acusações que lhe foram imputadas. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19515.000048/200640 Acórdão n.º 2801003.527 S2TE01 Fl. 993 5 DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada” (Súmula CARF n. 26) OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO– Não cabe o lançamento com base no art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, quando claramente identificado o depositante, devendo ser aplicada a tributação específica aplicável ao tipo de rendimento, se for o caso. Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos e rerratificar o Acórdão nº 2801003.240, com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 993DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721738/2012-06
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
DECLARAÇÃO. ATRASO NA ENTREGA.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
Numero da decisão: 1803-001.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Neudson Cavalcante Albuquerque.
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ATRASO NA ENTREGA. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 17 38 /2 01 2- 06 Fl. 21DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.721738/201206 Acórdão n.º 1803001.998 S1TE03 Fl. 22 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Neudson Cavalcante Albuquerque. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.721738/201206 Acórdão n.º 1803001.998 S1TE03 Fl. 23 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 9 e 10): Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento relativa a FALTA/ATRASO NA ENTREGA DA DIRPJ DECLARAÇÃO ANUAL SIMPLIFICADA, com exigência de crédito tributário no valor de R$ 200,00 e acréscimos legais, período de apuração 2007. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 02) contra o lançamento, alegando que a declaração foi feita de modo indevido por uma pessoa leiga, instruída erroneamente por um atendente da Receita Federal, que assinalou a situação de extinção, que não era o caso. A declaração deveria ter sido feita na situação simples. Solicita que a declaração errada seja desconsiderada e que sejam levados em consideração o pagamento e a declaração corretos, pois a aceitação desta impugnação é o que falta para o encerramento da baixa da empresa. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 9): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 DIPJ. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 05/03/2013 (fls. 15 numeração digital ND), a tempo, em 27/03/2013, apresenta a interessada Recurso de fls. 17 (ND), instruído com os documentos de fls. 18 e 19 (ND), nele argumentando da seguinte forma: Fl. 23DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.721738/201206 Acórdão n.º 1803001.998 S1TE03 Fl. 24 4 Em mesa para julgamento. Fl. 24DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.721738/201206 Acórdão n.º 1803001.998 S1TE03 Fl. 25 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Conforme se verifica de fls. 19 (ND), a empresa foi considerada extinta pela Junta Comercial do Estado de Minas Gerais apenas em 13/04/2010. 5. A referência que consta de fls. 18 (ND), datada de 25/02/2000, se reporta, apenas, ao cancelamento de seu registro na mencionada Junta, com a perda automática da proteção de seu nome empresarial, passando a ser considerada inativa, por não ter procedido a qualquer arquivamento no período de dez anos consecutivos, na forma do art. 60, e § 1º, da Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 25DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10925.905116/2012-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2005
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 51 16 /2 01 2- 19 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905116/201219 Acórdão n.º 3801002.898 S3TE01 Fl. 58 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905116/201219 Acórdão n.º 3801002.898 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905116/201219 Acórdão n.º 3801002.898 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905116/201219 Acórdão n.º 3801002.898 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905116/201219 Acórdão n.º 3801002.898 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905116/201219 Acórdão n.º 3801002.898 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10283.010262/2001-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS- IPI
Ano-calendário: 1999
ISENÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. O Processo Produtivo Básico induz que todas as etapas devem ser realizadas pelo estabelecimento beneficiário da isenção, em face do que somente se admitem as exceções expressamente permitidas em norma específica.
RECURSO ESPECIAL PROVIDO.
Numero da decisão: 9303-001.669
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann (Relatora), que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. O Processo Produtivo Básico induz que todas as etapas devem ser realizadas pelo estabelecimento beneficiário da isenção, em face do que somente se admitem as exceções expressamente permitidas em norma específica. RECURSO ESPECIAL PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann (Relatora), que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Fl. 25DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 2 2 Susy Gomes Hoffmann Relatora (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto, Otacílio Dantas Cartaxo e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em divergência jurisprudencial. Conforme o Relatório Anexo ao Auto de Infração, presente às fls. 08/12, tem se que: “1.RESUMO DOS FATOS 1.1 A empresa tem projeto aprovado pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, através da Resolução n° 113/93 do CAS Suframa, para a produção, dentre outros produtos, de Disco Laser (Compact Disc), com atualização prevista na Portaria n° 071/94 e ampliação pela Portaria 277/94, ambas do Superintendente da Suframa, com benefícios fiscais deferidos a projetos considerados de interesse para o desenvolvimento regional, nos termos da legislação específica. 1.2 A empresa, dentre outros incentivos, goza da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, sujeitandose, portanto, à regra jurídica estabelecida pelo Art. 9°., Parágrafo 1°, do DecretoLei n° 288/67, com nova redação dada pela Lei n° 8387/91, que estabelece: “A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser internadas em outras regiões do País, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 7°., deste DecretoLei.” 1.3 De acordo com o art. 7°., caput, do DecretoLei 288/67 é condição essencial para gozo do benefício da redução do Fl. 26DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 3 3 Imposto de Importação na internação, os produtos que atendam nível de industrialização local compatível com processo produtivo básico e define, no Parágrafo 8° do mesmo artigo, o que são produtos industrializados na ZFM, estabelecendo, ainda, que Processo Produtivo Básico é o conjunto mínimo de operações no estabelecimento fabril do beneficiário. 1.4 Nesse contexto, passamos a analisar o desenvolvimento do projeto da empresa em consonância com a legislação tributária federal. (...) 2.2 Processo produtivo constatado pela auditoria Após visita às instalações fabris da empresa e análise documental, constatamos a seguinte situação: a) O processo de industrialização é desenvolvido da seguinte maneira: a empresa terceiriza as etapas de “a” a “f”, através da empresa SONOPRESSRIMO IND. E COM. FONOGRÁFICA LTDA., instalada em São Paulo e realiza as fases “g” e “i” no seu estabelecimento fabril. b) A empresa, no período analisado, não realizou a etapa “h” (injeção do estojo plástico), pois adquiriu esse componente já pronto da empresa VATVIDEO AUDIO TAPE DA AMAZÔNIA, instalada na ZFM, o que contraria o disposto na citada portaria, que determina que essa fase seja realizada no estabelecimento fabril da beneficiária dos incentivos. c) Concluímos, pois, que ao descumprir a legislação tributária federal mediante o procedimento utilizado, (descumprimento da etapa “h” do seu processo produtivo básico), a empresa perdeu o direito a permanecer no regime do DecretoLei n° 288/67, em relação aos Compact Disc (Disco Laser) cujos estojos foram adquiridos na situação supra mencionda.” O contribuinte apresentou impugnação às fls. 88/100 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, às fls. 314/334 dos autos, julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1999 Ementa: ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO CONDICIONADA A CUMPRIMENTO DE PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. DESCUMPRIMENTO. EXIGÊNCIA DO IPI POR BENEFÍCIO INDEVIDO DA ISENÇÃO. A isenção do IPI para produtos industrializados na Zona Franca de Manaus está condicionada ao cumprimento de processo produtivo básico, estabelecido em Portaria Interministerial para o produto. Impõese o lançamento do imposto, pelo gozo Fl. 27DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 4 4 indevido da isenção, quando constatado o descumprimento da condição. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Assunto: Normas de Administração Tributária. Anocalendário: 1999 Ementa: FISCALIZAÇÃO DO IPI. COMPETÊNCIA. A fiscalização externa do IPI compete aos AuditoresFiscais da Receita Federal e será exercida sobre todas as pessoas que estiverem obrigadas ao cumprimento de disposições da legislação do imposto, bem como as que gozarem de imunidade condicionada ou de isenção. Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Anocalendário: 1999 Ementa: ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. JULGAMENTO DE 1° INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SUSTENTAÇÃO ORAL DE REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Indeferese, por falta de previsão legal, o pedido para sustentação oral por parte de representante da contribuinte no âmbito de 1° instância do contencioso administrativo fiscal. Lançamento Procedente. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 339/369). A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 499/506) deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte: ZONA FRANCA DE MANAUS, ISENÇÃO DE IPI. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO PPB. INTERPRETAÇÃO DA NORMA. Caso o órgão técnico responsável pretendesse restringir a possibilidade de se terceirizar uma etapa do processo do produção, essa proibição deveria estar expressa na norma, eis que, em se tratando de norma restritiva, fazse necessário que suas determinações sejam expressas. Fl. 28DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 5 5 Ademais, no caso em tela, a própria SUFRAMA, órgão técnico especializado, reconheceu a possibilidade de terceirização da etapa em questão. RECURSO PROVIDO. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com base em divergência jurisprudencial (fls. 509/518). Alegou que a resolução do caso depende da interpretação que se dá ao artigo 1°, parágrafo único, da Portaria Interministerial n° 185/93. Salientou que, para o gozo do benefício, o contribuinte deveria implementar um processo produtivo básico, constituído, com base no artigo 7° do DL n° 288/67, por um determinado elenco mínimo de etapas produtivas dentro do estabelecimento fabril da empresa. Segundo a recorrente, para a produção do disco digital a laser para áudio, a referida Portaria estabeleceu o rol mínimo de etapas, ressalvando que aquelas consistentes em “recebimento de moldematriz, tratamento da resina de policarbonato, moldagem do disco por injeção, metalização da fase do disco, laqueação do disco e impressão do rótulo”, podem ser realizadas em qualquer parte do território nacional, por terceiros, preferencialmente os instalados na Zona Franca de Manaus. Desta forma, a recorrente enfatizou que os demais processos, necessariamente, deveriam ser executados no estabelecimento fabril do contribuinte, localizado em Manaus. Alegou, também, que: “In casu, foi constatado que a empresa recorrida compra o DISCO DIGITAL, sem a embalagem, da empresa SONOPRESS RIMO IND. COM. FONOGRÁFICA LTDA, instalada em São Paulo, com as etapas “a” a “f”, já realizadas. Até esse ponto, está correta a beneficiária, pois a portaria lhe faculta este comportamento. Mas, no que se refere à etapa “h”, esta, que deveria ter sido realizada dentro do estabelecimento da beneficiária, foi terceirizada à empresa VAT VÍDEO ÁUDIO TAPE DA AMAZÔNIA. Aí é que reside o problema.” Argumentou, ainda, que: “Outrossim, agiu com evidente contradição o voto condutor no momento em que, a despeito de ter afastado a preliminar de ilegitimidade, considerando que a receita e só ela poderia analisar se o contribuinte adimplia o estabelecido na Portaria Interministerial n° 185/93 (vide f. 502, in fine), acatou a informação prestada pela SUFRAMA de que a etapa “h” poderia ser terceirizada. Ora, se a análise do preenchimento dos requisitos para gozo de isenção fiscal evidentemente cabe à receita, não pode uma carta da SUFRAMA estabelecer uma faculdade que não está prevista na lei, e, assim, impedir o órgão fiscalizatório de verificar, na Fl. 29DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 6 6 situação concreta, se a empresa atendeu às exigências legais, mais especificamente, se cumpriu o processo produtivo básico”. O contribuinte apresentou contrarazões às fls. 571/591 dos autos. Sustentou que o recurso especial da Fazenda não deve ser conhecido, tendo em vista que não comprovou divergência jurisprudencial apta a ensejar a análise do seu mérito. Segundo o contribuinte, o acórdão apresentado como paradigma enfrentou a legislação, entendendo que o contribuinte, por não possuir autorização legal, nos termos do DecretoLei n° 288/67, não poderia gozar da isenção. Por sua vez, a decisão recorrida não apreciou a questão da legalidade da terceirização; apenas interpretou o alcance da portaria interministerial, norma infralegal, para fins de cumprimento do PPB. Voto Vencido Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisito de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. O acórdão recorrido tem a seguinte ementa: ZONA FRANCA DE MANAUS, ISENÇÃO DE IPI. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO PPB. INTERPRETAÇÃO DA NORMA. Caso o órgão técnico responsável pretendesse restringir a possibilidade de se terceirizar uma etapa do processo do produção, essa proibição deveria estar expressa na norma, eis que, em se tratando de norma restritiva, fazse necessário que suas determinações sejam expressas. Ademais, no caso em tela, a própria SUFRAMA, órgão técnico especializado, reconheceu a possibilidade de terceirização da etapa em questão. RECURSO PROVIDO. O julgado apresentado como paradigma, por sua vez, está ementado da seguinte forma: PRELIMINAR DE NULIDADE. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO Fl. 30DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 7 7 JURÍDICO. LANÇAMENTO. Interpretação divergente de norma legal por parte do sujeito passivo e ativo da relação tributária não enseja nulidade processual.A fundamentação legal adotada pela fiscalização legitima a exação, nos termos do DL n°288/67, Lei n°8.387/91, Dec. n°s 61.244/67 e Portaria Interministerial n° 185/93, não restando caracterizada a alegada modificação de critério jurídico na motivação do lançamento, mesmo quando a autoridade julgadora a quo lhe acrescenta fundamento decorrente de sua interpretação da lei aplicável. PRELIMINAR DE NULIDADE DE INCOMPETÊNCIA. A legislação de regência, inclusive subsidiária, que instituiu, dispôs e regulamentou o funcionamento da Superintendência da Zona Franca de Manaus — SUFRAMA confere competência legal a Secretaria da Receita Federal para realizar a fiscalização aduaneira (arts. 12 e 13, Decreto n°61.244/67). A interpretação da legislação tributaria federal compete, privativamente, a Secretaria da Receita Federal através das suas instancias próprias e ao Conselho de Contribuintes, na fase contenciosa em grau de recurso. 'PI. ISENÇÃO. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. DESCUMPRIMENTO DE ETAPAS DE PRODUÇÃO. PERDA DO BENEFÍCIO FISCAL. O descumprimento do processo produtivo básico, em razão da terceirização de etapa ou operação não legalmente autorizada, contratada com empresa sediada em qualquer parte do território nacional, implica a perda do beneficio fiscal concedido. RECURSO DESPROVIDO Os acórdãos cotejados divergem relativamente à possibilidade, ou não, de terceirização da etapa constante de letra “h” do artigo 1° da Portaria Interministerial n° 185/93, que dispõe no seguinte sentido: "Art. 1° Estabelecer para o produto DISCO DIGITAL A LASER PARA ÁUDIO, industrializado na Zona Franca de Manaus, o seguinte processo produtivo básico: a. recebimento do moldematriz; b. tratamento da resina de policarbonato; c. moldagem do disco por injeção; d. metalização da fase do disco; c. laqueação do disco; f. impressão do ártulo; g. teste de áudio; h. injeção do estojo plástico; e i. colocação do disco e do material gráfico no estojo e embalagem final Fl. 31DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 8 8 Parágrafo Único. Para o cumprimento do disposto neste artigo, será admitida a realização de qualquer das etapas constantes das letras "a" a "f" em qualquer parte do Território Nacional, por terceiros preferencialmente na Zona Franca de Manaus” A celeuma advém do disposto no parágrafo único acima transcrito, que possibilita a realização de qualquer das etapas constantes das letras “a” a “f” em qualquer parte do território nacional. A letra “h”, destarte, não se encontra no rol permissivo. No acórdão recorrido, entendeuse que o posicionamento da fiscalização no sentido de que o parágrafo único do artigo 1° proíbe a terceirização da etapa “h” é indevido. Eis, em síntese, o respectivo fundamento: “O dispositivo em questão autoriza as etapas de “a” a “f” serem realizadas em qualquer parte do Território Nacional, caso sejam produzidas pela própria empresa, e, preferencialmente, na ZFM, se realizadas por terceiros. Ressaltese que, em relação às demais etapas, o dispositivo nada fala. Vale dizer que a dinâmica de benefícios fiscais é instituída em favor da ZFM e não das empresas. Disso decorre que se deve interpretar a norma de forma a preservar o fim para o qual se destina, isto é, se determinada etapa do produto foi, ou não, produzida na ZFM, deixando de atentarse para considerações sobre a possibilidade de se terceirizar uma etapa sequer mencionada pela norma em debate”. O acórdão apresentado como paradigma, por sua vez, estabeleceu a seguinte interpretação: “Em conclusão, a recorrente, nos termos da Portaria Interministerial n° 185/83, recebeu autorização legal somente para terceirizar com empresas localizadas em qualquer parte do território nacional as etapas ou operações de "a" a "f" que compõem o processo produtivo básico, restando para execução de seu estabelecimento fabril, localizado em Manaus, apenas três etapas: teste de audio, injeção do estojo de plástico e colocação do disco e do material gráfico no estojo e embalagem final, relacionados, respectivamente, nas letras “g”, “h” e “i”. Em síntese, quando a portaria interministerial mencionada facultou aos produtores de disco digital a laser para audio a terceirização das etapas relacionadas nas letras "a" a "f', não significa que as três restantes pudessem ser terceirizadas sob qualquer pretexto. No presente caso, a recorrente realizou a operação de uma simples embaladora do produto acabado, isto é, a colocação do disco digital a laser para audio no seu estojo, pois o disco foi integralmente produzido por seu estabelecimento localizado em São Paulo e o estojo de plástico, por uma empresa terceirizada, sediada na Zona Franca de Manaus, como poderia ter sido com qualquer outra empresa fora da Zona Franca de Manaus se por acaso, a Portaria Interministerial tivesse autorizado a terceirização.” Diante disso, caracterizada está a divergência jurisprudencial. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 9 9 No mérito, já me manifestei sobre a matéria, inclusive na declaração de voto vencido, por mim perpetrada juntamente com o nobre Cons. Luiz Roberto Domingo, na ocasião do julgamento do acórdão paradigma. Valhome dos fundamentos lá externados, no ponto em debate: O Projeto Produtivo Básico PPB estabelecido para a autuada encontrase descrito no art. 1° da Portaria Interministerial n° 185/93, DOU de 02/08/93, adiante transcrito: "Art. 1° Estabelecer para o produto DISCO DIGITAL A LASER PARA ÁUDIO, industrializado na Zona Franca de Manaus, o seguinte processo produtivo básico: a) recebimento do moldematriz; b) tratamento da resina de policarbonato; c) moldagem do disco por injeção; d) metalização da fase do disco; e) laqueação do disco; f) impressão do rótulo; g) teste de auclib; h) injeção do estojo plástico; e i) colocação do disco e do material gráfico no estojo e embalagem final Parágrafo único — Para o cumprimento do disposto neste artigo, será admitida a realização de qualquer das etapas constantes das letras 'a' a f' em qualquer parte do Território Nacional, por terceiros, preferencialmente os instalados na Zona Franca de Manaus." (...) É questão de mérito, de interpretação e validade normativa, em que se discute a possibilidade de terceirização de etapas distintas do processo produtivo básico — PPB, nos termos do artigo 1°, parágrafo único, da Portaria Ministerial 185/93. Tal questão recai sobre a Portaria Interministerial n° 185/93, que, recapitulando, estabelece Processo Produtivo Básico — PPB, em relação à fabricação de disco digital a laser para áudio, nos seguintes termos: (...) Notadamente, da leitura do supracitado parágrafo único, do artigo 1°, da PI n° 185/93, extraise que a terceirização é possível, e mais, quanto ás etapas constantes das letras "a" a f", é possível a terceirização em qualquer parte do território nacional. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 10 10 Desta feita, resta saber, especificamente, quanto a possibilidade de terceirização das letras "g" a “i", se é possível ou não, a transferência destas etapas de produção para outras empresas. Como exaustivamente defendido acima, em matéria de competência, o órgão responsável por esta interpretação, neste caso, é a Superintendência da Zona Franca de Manaus — SUFRAMA, juntamente com seu Conselho de Administração (cf. artigo 4° do Regimento Interno), que aprovou o projeto industrial de implantação e deliberou favoravelmente ao Contribuinte/Recorrente, em Parecer, entendendo o seguinte: "Em momento algum em todo o conteúdo da referida Portaria Interministerial é textualmente proibida a terceirização de qualquer das etapas por empresas estabelecidas na ZFM. Entendemos sim, que as etapas constantes das alíneas g, h e i, obrigatoriamente deverão ser realizadas dentro da ZFM, por empresas cujo projeto tenha sido aprovado pela SUFRAMA e que cumpra o processo produtivo básico estabelecido pelo Decreto n° 783/93, no seu Anexo VII, tendo em vista a clareza do texto legal nesse particular". (grifo nosso) Realmente, é de se grifar o Parecer acima transcrito, posto que é de nítida clareza, ao interpretar a norma e dar uma solução equilibrada ao sistema de isenção tributária, por quem tem competência e conhecimento sobre a matéria, nos limites da ZFM. Levase em conta inclusive, para se chegar a este posicionamento, questões políticas, sociais, ligadas ao desenvolvimento social, ao desenvolvimento da própria Zona Franca de Manaus, que goza de regime tributário especialissimo. Desta forma definida: "A Zona Franca de Manaus (ZFM) é um modelo de desenvolvimento econômico implantado pelo governo brasileiro objetivando viabilizar uma base econômica na Amazônia Ocidental, promover a melhor integração produtiva e social dessa região ao país, garantindo a soberania nacional sobre suas fronteiras. A mais bemsucedida estratégia de desenvolvimento regional, o modelo leva à região de sua abrangência (estados da Amazônia Ocidental: Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima e as cidades de Macapá e Santana, no Amapá) desenvolvimento econômico aliado à proteção ambiental, proporcionando melhor qualidade de vida às suas populações. A ZFM compreende três pólos econômicos: comercial, industrial e agropecuário. O primeiro teve maior ascensão até o final da década de 80, quando o Brasil adotava o regime de economia fechada. O industrial é considerado a base de sustentação da ZFM. O Pólo Industrial de Manaus possui mais de 450 indústrias de alta tecnologia gerando mais de meio milhão de empregos, diretos e indiretos. O Pólo Agropecuário abriga projetos voltados à atividades de produção de alimentos, agroindústria, piscicultura, turismo, beneficiamento de madeira, entre outras." Fl. 34DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 11 11 Houve ainda auditorias, por empresas credenciadas na SUFRAMA, que também atestaram a conformidade de todas as etapas do PPB, inclusive, dos discos digitais a laser para áudio, sendo plenamente favorável a descentralização de todas as etapas do processo produtivo, diferenciandose somente aquelas que poderiam ser efetivadas em qualquer parte do território nacional. Cabe, neste momento, aprofundarse no mérito, de modo mais detalhado, em busca de saber se a terceirização foi tamanha a ponto de restar tãosomente o processo de acondicionamento, que, nos termos do respeitável voto vencedor, não possibilita a isenção de IPI. Segue o posicionamento majoritariamente acolhido: a) a isenção do IPI para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus está condicionada ao cumprimento do processo produtivo básico, estabelecido em Portaria Interministerial para o produto; b) o processo industrial de acondicionamento não está beneficiado com isenção de IPI, ex vi art. 7°, § 8°, do DL n° 288/68 cabendo o lançamento do imposto pelo gozo indevido de beneficio fiscal em tais operações. (...) E mais, a terceirização da alínea "h", também se encontra no mesmo processo produtivo básico, que foi objeto de consulta a SUFRAMA, que aprovou a terceirização, nos termos da Resolução n° 158/97. O Superintendente Adjunto de Planejamento da SUFRAMA, após realização de análise técnica e jurídica, foi taxativo em aprovar a terceirização da etapa "h", nos termos do ofício n°4472/97. Em suma e respeitado melhor juízo, comprovado que a operação realizada pela empresa enquadrase no regime isencional, tendo cumprido o processo produtivo estabelecido, atestado pela SUFRAMA, é de se reconhecer a isenção do DL 288/67. Assim, já se manifestou este Conselho de Contribuintes, nos termos dos Acórdãos n° 30328717 e 20212763: 1 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO ZONA FRANCA DE MANAUS. A importação para a ZFM com os benefícios fiscais do DL 288/67, fica condicionada a anuência prévia da SUFRAMA sem a qual cabe o lançamento dos impostos exigíveis, bem como da multa do art. 4o., inciso I, da Lei 8.218/91, sendo devida, também, pelas empresas estatais, nos termos dos parágrafos 1o. e 2o. do art. 173 da Constituição Federal. Recurso improvido. 2 ZONA FRANCA DE MANAUS ISENÇÃO – O Laudo Técnico de Produto (LTP), conforme definido e disciplinado pela SUFRAMA , é instrumento hábil para comprovar se as condições Fl. 35DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 12 12 de fabricação dos produtos aprovados, para efeito do gozo dos incentivos fiscais administrados pela SUFRAMA, estão de acordo com os processos produtivos básicos, conforme preceitua a Lei n° 8.387, de 30 de dezembro de 1992, regulamentada pelo Decreto n° 783, de 25.03.93, e seus anexos e portarias interministeriais complementares” Diante disso, meu entendimento é no sentido de que a terceirização da etapa expressa na letra “h” do artigo 1° da Portaria Interministerial em questão, para empresa situada na ZFM não afasta o gozo da isenção do IPI por parte do contribuinte. Com efeito, é de se ressaltar o que dispõe o artigo 1°, parágrafo único, da Portaria Interministerial n° 185/1993: Parágrafo único — Para o cumprimento do disposto neste artigo, será admitida a realização de qualquer das etapas constantes das letras 'a' a f' em qualquer parte do Território Nacional, por terceiros, preferencialmente os instalados na Zona Franca de Manaus. Dissecandose tal dispositivo legal, temse por expresso que: a) as etapas referentes às letras “a” a “f” poderão ser terceirizadas para qualquer parte do território nacional; b) a terceirização das etapas acima deve ocorrer, preferencialmente, na Zona Franca de Manaus. Não menciona, destarte, o parágrafo único, as hipóteses previstas nas letras “g”, “h”, “i”. A questão é: perpetrandose uma interpretação literal do dispositivo em tela (como pretende a recorrente) podese depreender, necessariamente (conforme enfatizado pela recorrente), a proibição de terceirização das etapas concernentes a estas letras (“g”, “h” e “i”) dentro da Zona Franca de Manaus? A resposta há de ser negativa. Com efeito, a interpretação literal é aquela que recai sobre o texto normativo, pretendendo darlhe concreção na exata medida do seu teor. É o método hermenêutico, confundindose com o gramatical, dos mais pobres, porque, em princípio, exclui a possibilidade de coexistirem ou emanarem, no/de um texto normativo, ou mesmo no/de um texto qualquer, mais de um sentido. Na verdade, não exclui tal possibilidade. Apenas preceitua que se feche os olhos a ela. Hugo de Brito Machado, tratando do tema, expõe que: “O elemento literal é de pobreza franciscana, e utilizado isoladamente pode levar a verdadeiros absurdos, de sorte que o hermeneuta pode e deve utilizar todos os elementos da interpretação, especialmente o elemento sistemático, absolutamente indispensável em qualquer trabalho sério de Fl. 36DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 13 13 interpretação, e ainda o elemento teleológico, de notável valia na determinação do significado das normas jurídicas. Há quem afirme que a interpretação literal deve ser entendida como interpretação restritiva. Isto é um equívoco. Quem interpreta literalmente, por certo não amplia o alcance do texto, mas com certeza também não o restringe. Fica no exato alcance que a expressão literal da norma permite. Nem mais, nem menos. Tanto é incorreto a ampliação do alcance como sua restrição”. 1 A interpretação literal do texto da norma não dispensa, pois que impraticável, a análise do seu contexto, do sistema em que introduzido. Aliás, a recorrente, mesmo, assim procede, ao deduzir que, da ausência de menção excepcional, no parágrafo único do artigo 1° da Portaria Interministerial, às etapas previstas nas letras “g”, “h” e “i”, estas não podem, de todo, ser objeto de terceirização, ainda que dentro da Zona Franca de Manaus. A solução interpretativa postulada pela recorrente, contudo, não se revela a mais correta. De fato, o artigo 1° da Portaria Interministerial em análise cuida do processo produtivo básico do produto Disco Digital a Laser para Áudio, listando todas as etapas correspondentes. Dentre as etapas elencadas, o parágrafo único possibilita a terceirização em qualquer parte do território nacional daquelas previstas nas letras “a” a “f”. Não descuida de estabelecer, contudo, que, em se podendo, se dê preferência à terceirização dentro da própria Zona Franca de Manaus. Pois bem, a questão do local da terceirização tem uma razão de ser. A Zona Franca de Manaus foi criada, na Amazônia Ocidental, com o objetivo de desenvolvimento econômico dessa região. O foco central dos benefícios fiscais lá instaurados não foi, destarte, as pessoas beneficiadas, mas sim o desenvolvimento da própria região. As pessoas beneficiadas assim acabam sendo de forma, por assim dizer, indireta. Neste sentido, no sitio da Suframa, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, assim se dispõe sobre a Zona Franca de Manaus: “A Zona Franca de Manaus (ZFM) é um modelo de desenvolvimento econômico implantado pelo governo brasileiro objetivando viabilizar uma base econômica na Amazônia Ocidental, promover a melhor integração produtiva e social dessa região ao país, garantindo a soberania nacional sobre suas fronteiras. A mais bemsucedida estratégia de desenvolvimento regional, o modelo leva à região de sua abrangência (estados da Amazônia Ocidental: Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima e as cidades de Macapá e Santana, no Amapá) desenvolvimento econômico aliado à proteção ambiental, proporcionando melhor qualidade de vida às suas populações. 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 29° edição. São Paulo: Malheiros, 2008.p.114. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 14 14 A ZFM compreende três pólos econômicos: comercial, industrial e agropecuário. O primeiro teve maior ascensão até o final da década de 80, quando o Brasil adotava o regime de economia fechada. O industrial é considerado a base de sustentação da ZFM. O pólo Industrial de Manaus possui mais de 450 indústrias de alta tecnologia gerando mais de meio milhão de empregos, diretos e indiretos. O pólo Agropecuário abriga projetos voltados à atividades de produção de alimentos, agroindústria, piscicultura, turismo, beneficiamento de madeira, entre outras.” O tema, nesta esteira, relativo à possibilidade de terceirização das etapas do processo produtivo básico tem que ver com a finalidade da norma, qual seja, o desenvolvimento econômico da Zona Franca de Manaus. Daí que as hipóteses excepcionais, no que concerne à possibilidade de terceirização, referemse à ocorrência desta em outras localidades do território nacional. Tanto é que a própria norma (parágrafo único do artigo 1° da Portaria Interministerial n° 185/93), ao estabelecer as exceções, ainda faz a ressalva de que, sendo possível, a terceirização deve darse dentro da Zona Franca de Manaus. A análise deve ter como pano de fundo, assim, a Zona Franca de Manaus, e os motivos da sua criação. De modo que as exceções relativamente à terceirização do processo produtivo devem ser encaradas tãosomente em vista da relação Zona Franca de Manaus e território remanescente brasileiro. Dentro do território da Zona Franca de Manaus, a terceirização é de se reputar possível, uma vez que, neste caso, a finalidade da isenção do IPI continuará a ser observada: que o desenvolvimento da ZFM. A interpretação inversa, no sentido de que as etapas previstas nas letras “g”, “h” e “i”, não podem ser de qualquer forma terceirizada vai, inequivocamente, de encontro ao escopo da isenção em questão. Não se pode olvidar que a isenção consubstancia instrumento jurídico com escopo e fundamento eminentemente extrafiscal. É dizer, a isenção é voltada sempre a um fim, de sorte que as respectivas normas devem ser interpretadas sempre em consonância com o fim que ensejou o seu surgimento, sob pena de violar a própria norma de isenção. No caso, a norma que prevê a isenção do IPI tem como escopo a implementação do desenvolvimento da Zona Franca de Manaus. Qualquer interpretação que se choque com este fim também se chocará com aquela. Veja o que diz a respeito o ilustre professor Paulo de Barros Carvalho: “O mecanismo das isenções é um forte instrumento de extrafiscalidade. Dosando equilibradamente a carga tributária, a autoridade legislativa enfrenta as situações mais agudas, em que vicissitudes da natureza ou problemas econômicos e sociais fizeram quase desaparecer a capacidade contributiva de certo segmento geográfico ou social. A par disso, fomenta as grandes iniciativas de interesse público e incrementa a produção, o comércio e o consumo, manejando de modo adequado o recurso jurídico das isenções. São problemas alheios à especulação jurídica, é verdade, mas formam um substrato axiológico que, por tão próximo, não se pode ignorar. A contingência de não Fl. 38DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 15 15 leválos em linha de conta, para a montagem do raciocínio jurídico, não deve conduzirnos ao absurdo de negálos, mesmo porque penetram a disciplina normativa e ficam depositados nos textos do direito posto. O intérprete do produto legislado, ao arrostar as tormentosas questões semânticas que o conhecimento da lei propicia, fatalmente irá depararse com resquícios dessa intencionalidade que presidiu a elaboração legal”. 2 Neste passo, a ausência de referência acerca da possibilidade de terceirização, dentro da ZFM, das etapas previstas nas letras “g”, “h” e “i”, não pode conduzir, em se cuidando de uma interpretação teleológica e sistemática, à conclusão de que tal se encontra proibida, e por duas razões, conforme o que até agora vem sendo exposto: a) as exceções expressas referemse à possibilidade de terceirização fora da ZFM; b) o objetivo da norma é o desenvolvimento da ZFM, de modo que a terceirização dentro da ZFM não a contraria. Desta forma, é de se reconhecer: a terceirização das etapas não mencionadas no parágrafo único do artigo 1° da Portaria Interministerial, se feita dentro da Zona Franca de Manaus, no lugar de violar o referido dispositivo, dálhe efetiva concreção, por harmonizarse com o seu espírito. Notese, ademais, que tal proceder interpretativo não implica qualquer afronta ao artigo 111, inciso II, do CTN, que prescreve a interpretação literal da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. O sentido desta prescrição é o de evitar que se dê, a uma norma de isenção, interpretação que amplie os seus lindes, interpretação extensiva. Neste sentido o seguinte julgado do STJ: EMENTA: TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CÂMBIO NAS IMPORTAÇÕES. DECRETO LEI 2.434, DE 19 DE MAIO DE 1988, ARTIGO. A isenção tributária, como o poder de tributar, decorre do jus imperii estatal. Desde que observadas as regras pertinentes da Constituição Federal, pode a lei estabelecer critérios para o auferimento da isenção, como no caso in judicio. O real escopo do artigo 111 do CTN não é o de impor a interpretação apenas literal a rigor impossível mas evitar que a intepretação extensiva ou outro qualquer princípio de hermenêutica amplie o alcance da norma isentiva . Recurso provido, por unanimidade. (Resp 14.400/SP, 1°T., rel. Min. Demócrito Reinaldo, j. 20.11.1991). Trago, aqui, também, mais uma vez lição de Paulo de Barros Carvalho: “Na análise literal prepondera a investigação sintática, ficando impedido o intérprete de aprofundarse nos planos semânticos e pragmáticos. Certificamonos, com ela, se as palavras da oração prescritiva da lei estão bem colocadas, cumprindo os 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2011. 23° edição.p. 576. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 16 16 substantivos, adjetivos, verbos, advérbios e conectivos suas específicas funções na composição frásica, segundo os cânones da gramática da língua portuguesa. (...) Transportando o raciocínio para a linguagem jurídica, veremos que o estudo desenvolvido no nível sintático por mais importante que seja, é insuficiente para cobrir toda a dimensão dos enunciados prescritivos que, vertidos em linguagem, suscitam, obrigatoriamente, além do exame sintático, investigações nos planos semântico e pragmático. E o método literal se demora na sintaxe, deixando quase intacta a verificação das significações dos vocábulos jurídicos, bem como a forma que os utentes dessa linguagem os utilizam na comunidade. Quer na linguagem em geral, quer na jurídica em particular as palavras ostentam uma significação de base e uma significação contextual. O conteúdo semântico dos vocábulos, tomandose somente a significação de base é insuficiente para a compreensão da mensagem, que requer empenho mais elaborado, muitas vezes trabalhoso, de vagar pela integridade textual à procura de uma acepção mais adequada ao pensamento que nele se exprime. Prisioneiro do significado básico dos signos jurídicos, o intérprete da formulação literal dificilmente alcançará a plenitude do comando legislado, exatamente porque se vê tolhido de buscar a significação contextual e não há texto sem contexto”. 3 Aliás, sob uma perspectiva constitucional, a interpretação que ora se estabelece, no sentido da possibilidade de terceirização da etapa “h” do processo produtivo básico em questão, dentro da Zona Franca de Manaus, encontrase respaldada por diversos dispositivos constitucionais, os quais, se outro fosse o entendimento aqui adotado, restariam inobservados. Com efeito, em primeiro lugar, o artigo 3°, inciso III, da Carta Magna, elenca, dentre os objetivos fundamentais do Estado brasileiro, a redução das desigualdades regionais. Veja o seu teor: Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: III erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; Por outro lado, a Constituição, no seu artigo 43, ao tratar das regiões, prescreve como um dos incentivos regionais concretizadores da erradicação das desigualdades regionais, a instituição de isenções de tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas: Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, 3 Idem.p.140 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 17 17 visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais. § 1º Lei complementar disporá sobre: I as condições para integração de regiões em desenvolvimento; II a composição dos organismos regionais que executarão, na forma da lei, os planos regionais, integrantes dos planos nacionais de desenvolvimento econômico e social, aprovados juntamente com estes. § 2º Os incentivos regionais compreenderão, além de outros, na forma da lei: III isenções, reduções ou diferimento temporário de tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas; Finalmente, como princípio da ordem econômica e financeira, a Constituição volta a tratar, em seu artigo 170, inciso VII, da redução das desigualdades regionais e sociais. Todos estes dispositivos constitucionais, como se vê, revelamse presentes, ao menos no seu espírito, na gênese da criação da Zona Franca de Manaus, de modo que não é possível ao intérprete deixar de leválos em consideração na aplicação das normas respectivas. Fixada, portanto, a interpretação que se reputa correta do artigo 1°, parágrafo único, da Portaria Interministerial n° 185/93, cumpre terse em conta, por outro lado, que neste mesmo sentido foi estabelecido o entendimento da SUFRAMA, órgão responsável pela aprovação dos processos produtivos básicos. Com efeito, constatase a existência, nos autos, de diversos documentos em que se aprova o processo produtivo perpetrado pelo contribuinte, tais como o documento presente às fls. 226/227 (resolução n° 49, de 12 de julho de 2000), e o Laudo Técnico de Produto (fls. 297/298), que é expresso no seguinte sentido: “De acordo com a Resolução N° 517/93 C.A.S., ficou constatado “IN LOCO” pela equipe técnica desta Superintendência, que as condições iniciais de fabricação do produto em análise, observadas no ato da visita, descrito a seguir, estão condizentes com o processo produtivo estabelecido na Portaria Interministerial n° 185/93, de 28/07/93”. Por outro lado, temse, às fls. 139/140 dos autos, o Parecer Técnico n° 005/93, aprovado pelo superintendente da Suframa. Tratase de “consulta a respeito da interpretação do disposto no item ‘h’ injeção do estojo plástico constante do art. 1° da Portaria Interministerial n° 185, de 28.07.93”. Neste parecer, conforme já reproduzidos por diversas vezes nestes autos, externouse o seguinte entendimento: “Entendemos sim, que as etapas constantes das alíneas ‘g’, ‘h’, e ‘i’, obrigatoriamente deverão ser realizados dentro da ZFM, por empresas cujo projeto tenha sido aprovado pela SUFRAMA e que cumpra o processo produtivo básico estabelecido pelo Decreto n° 783/93, no seu Anexo VII, tendo em vista a clareza do texto legal nesse particular. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 18 18 Desta forma, concluindo, ressaltamos que a SUFRAMA jamais poderá, em tempo algum, ir de encontro a um processo de modernização industrial, com a terceirização, que a cada dia cresce em todos os países desenvolvidos e em desenvolvimento, em razão da diminuição de custos e melhoria de qualidade, fatores essenciais para a competitividade no mercado. Pelo contrário, a SUFRAMA procura, através da especialização do seu corpo técnico, ir ao encontro de todas aquelas tecnologias de produto e de produção que tragam o desenvolvimento da região na qual atua”. Ora, diante disso, até mesmo independentemente da discussão referente à competência da Receita Federal para a fiscalização tributária e aduaneira, constituise em fator de grande importância a chancela, por parte do órgão responsável pela aprovação do processo produtivo básico (Suframa), do processo produtivo realizado pelo contribuinte, o qual se constitui em condição ao gozo da isenção. Este fato, com efeito, revestese da mais alta relevância, na medida em que torna patente a boafé existente na conduta do contribuinte, o qual se pautou, na implementação do processo produtivo básico, na manifestação do Estado, especificamente da autarquia (Suframa) que, conforme lembrado pela própria recorrente, tem como incumbência a “aprovação dos processos produtivos básicos e administrar incentivos fiscais, reconhecendo os na forma da lei”. Aquiescer com a tese de que o contribuinte não implementou as condições necessárias ao gozo do benefício fiscal em tela implicaria em relegálo a um inadmissível estado de insegurança jurídica, pois que ele se veria prejudicado por um comportamento contraditório do próprio Estado, sem que de sua parte houvesse qualquer fator desencadeador de um tal comportamento. Incorreria, de fato, o Estado, em um comportamento contraditório que, por tudo, fere a boafé objetiva e o princípio da confiança, o que é vedado pelo ordenamento jurídico. Neste sentido, é de se ter que a proibição do venire contra factum proprium também é de ser estendida na relação particular x Estado. Veja o seguinte entendimento do STJ: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PAES. PARCELAMENTO ESPECIAL. DESISTÊNCIA INTEMPESTIVA DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA X PAGAMENTO TEMPESTIVO DAS PRESTAÇÕES MENSAIS ESTABELECIDAS POR MAIS DE QUATRO ANOS SEM OPOSIÇÃO DO FISCO. DEFERIMENTO TÁCITO DO PEDIDO DE ADESÃO. EXCLUSÃO DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. PROIBIÇÃO DO COMPORTAMENTO CONTRADITÓRIO (NEMO POTEST VENIRE CONTRA FACTUM PROPRIUM). 1. A exclusão do contribuinte do programa de parcelamento (PAES), em virtude da extemporaneidade do cumprimento do requisito formal da desistência de impugnação administrativa, Fl. 42DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 19 19 afigurase ilegítima na hipótese em que tácito o deferimento da adesão (à luz do artigo 11, § 4º, da Lei 10.522/2002, c/c o artigo 4º, III, da Lei 10.684/2003) e adimplidas as prestações mensais estabelecidas por mais de quatro anos e sem qualquer oposição do Fisco. 2. A Lei 10.684, de 30 de maio de 2003 (em que convertida a Medida Provisória 107, de 10 de fevereiro de 2003), autorizou o parcelamento (conhecido por PAES), em até 180 (cento e oitenta) prestações mensais e sucessivas, dos débitos (constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa, ainda que em fase de execução fiscal) que os contribuintes tivessem junto à Secretaria da Receita Federal ou à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional com vencimento até 28.02.2003 (artigo 1º). 3. O aludido diploma legal, no inciso II do artigo 4º, estabeleceu que: "Art. 4o O parcelamento a que se refere o art. 1o: (...) II – somente alcançará débitos que se encontrarem com exigibilidade suspensa por força dos incisos III a V do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, no caso de o sujeito passivo desistir expressamente e de forma irrevogável da impugnação ou do recurso interposto, ou da ação judicial proposta, e renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os referidos processos administrativos e ações judiciais, relativamente à matéria cujo respectivo débito queira parcelar; (....)" 4. Destarte, o parcelamento tributário previsto na Lei 10.684/03 somente poderia alcançar débitos cuja exigibilidade estivesse suspensa por força de pendência de recurso administrativo (artigo 151, III, do CTN) ou de deferimento de liminar ou tutela antecipatória (artigo 151, incisos IV e V, do CTN), desde que o sujeito passivo desistisse expressamente e de forma irrevogável da impugnação ou recurso administrativos ou da ação judicial proposta, renunciando a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundassem as demandas intentadas. 5. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e a Secretaria da Receita Federal expediram portarias conjuntas a fim de definir o dies ad quem para que os contribuintes (interessados em aderir ao parcelamento e enquadrados no artigo 4º, II, da Lei 10.684/03) desistissem das demandas (judiciais ou administrativas) porventura intentadas, bem como renunciassem ao direito material respectivo. 6. A Portaria Conjunta PGFN/SRF 1/2003, inicialmente, fixou o dia 29.08.2003 como termo final para desistência e renúncia, prazo que foi prorrogado para 30.09.2003 (Portaria Conjunta PGFN/SRF 2/2003) e, por fim, passou a ser 28.11.2003 (Portaria Conjunta PGFN/SRF 5/2003). 7. Nada obstante, o § 4º, do artigo 11, da Lei 10.522/2002 (parágrafo revogado pela Medida Provisória 449, de 3 de dezembro de 2008, em que foi convertida a Lei 11.941, de 27 de maio de 2009), aplicável à espécie por força do princípio tempus regit actum e do artigo 4º, III, da Lei 10.684/03, determinava que: "Art. 11. Ao formular o pedido de parcelamento, o devedor Fl. 43DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 20 20 deverá comprovar o recolhimento de valor correspondente à primeira parcela, conforme o montante do débito e o prazo solicitado. (...) § 4º Considerarseá automaticamente deferido o parcelamento, em caso de não manifestação da autoridade fazendária no prazo de 90 (noventa) dias, contado da data da protocolização do pedido. (...)" 8. Conseqüentemente, o § 4º, da aludida norma, erigiu hipótese de deferimento tácito do pedido de adesão ao parcelamento formulado pelo contribuinte, uma vez decorrido o prazo de 90 (noventa) dias (contados da protocolização do pedido) sem manifestação da autoridade fazendária, desde que efetuado o recolhimento das parcelas estabelecidas. 9. In casu, consoante relatado na origem: "... o impetrante apresentou, em janeiro de 2001, impugnação em relação ao lançamento fiscal referente ao processo administrativo nº 11020.002544/0031 (fls. 179 e ss.), tendo posteriormente efetuado pedido de inclusão de tal débito no PAES, em agosto de 2003 (fl. 08), com o recolhimento da primeira parcela em 2808 2003 (fl. 25), mantendose em dia com os pagamentos subseqüentes até a impetração do presente mandamus, em outubro de 2007 (fls. 25/41 e 236). Ocorre que, em julho de 2007, a Secretaria da Receita Federal notificou o requerente de que haveria a compensação de ofício dos valores a serem restituídos a título de Imposto de Renda com o aludido débito (fl. 42), informando que o contribuinte não teria desistido da impugnação administrativa antes referida (fl. 03). Buscando solucionar o impasse, formulou pedido de desistência e requereu a manutenção do parcelamento, ao que obteve resposta negativa, sob a justificativa da ausência de manifestação abdicativa no prazo previsto no art. 1º da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 05, de 23102003 (fl. 43). (...) Não obstante tenha o impetrante, por lapso, desrespeitado tal prazo, postulou a inclusão do débito impugnado no PAES e efetuou o pagamento de todas as prestações mensais no momento oportuno, por mais de quatro anos, de 28082003 (fl. 25) a 31102007 (fl. 236), formulando, posteriormente, pleito de desistência (fl. 43), todas atitudes que demonstram a sua boafé e a intenção de solver a dívida, depreendendose ter se resignado, de forma implícita e desde o início do parcelamento, em relação à discussão travada no processo administrativo nº 11020.002544/0031. Além disso, salientese que a Administração Fazendária recebeu o pedido de homologação da opção pelo parcelamento em agosto de 2003 (fl. 08) e sobre ele não se manifestou no prazo legal, de 90 dias, a teor do art. 4º, inciso III, da Lei nº 10.684/03, c/c art. 11, § 4º, da Lei nº 10.522/02, o que implica considerar automaticamente deferido o parcelamento. Frisese, ainda, que recebeu prestações mensais por mais de quatro anos, sem Fl. 44DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 21 21 qualquer insurgência, além de ter deixado de dar o devido seguimento ao processo administrativo nº 11020.002544/00 31.(...)" 10. A ratio essendi do parcelamento fiscal consiste em: (i) proporcionar aos contribuintes inadimplentes forma menos onerosa de quitação dos débitos tributários, para que passem a gozar de regularidade fiscal e dos benefícios daí advindos; e (ii) viabilizar ao Fisco a arrecadação de créditos tributários de difícil ou incerto resgate, mediante renúncia parcial ao total do débito e a fixação de prestações mensais contínuas. 11. Destarte, a existência de interesse do próprio Estado no parcelamento fiscal (conteúdo teleológico da aludida causa suspensiva de exigibilidade do crédito tributário) acrescida da boafé do contribuinte que, malgrado a intempestividade da desistência da impugnação administrativa, efetuou, oportunamente, o pagamento de todas as prestações mensais estabelecidas, por mais de quatro anos (de 28.08.2003 a 31.10.2007), sem qualquer oposição do Fisco, caracteriza comportamento contraditório perpetrado pela Fazenda Pública, o que conspira contra o princípio da razoabilidade, máxime em virtude da ausência de prejuízo aos cofres públicos. 12. Deveras, o princípio da confiança decorre da cláusula geral de boafé objetiva, dever geral de lealdade e confiança recíproca entre as partes, sendo certo que o ordenamento jurídico prevê, implicitamente, deveres de conduta a serem obrigatoriamente observados por ambas as partes da relação obrigacional, os quais se traduzem na ordem genérica de cooperação, proteção e informação mútuos, tutelandose a dignidade do devedor e o crédito do titular ativo, sem prejuízo da solidariedade que deve existir entre ambos. 13. Assim é que o titular do direito subjetivo que se desvia do sentido teleológico (finalidade ou função social) da norma que lhe ampara (excedendo aos limites do razoável) e, após ter produzido em outrem uma determinada expectativa, contradiz seu próprio comportamento, incorre em abuso de direito encartado na máxima nemo potest venire contra factum proprium. 14. Outrossim, a falta de desistência do recurso administrativo, conquanto possa impedir o deferimento do programa de parcelamento, acaso ultrapassada a aludida fase, não serve para motivar a exclusão do parcelamento, por não se enquadrar nas hipóteses previstas nos artigos 7º e 8º da Lei 10.684/2003 (inadimplência por três meses consecutivos ou seis alternados; e não informação, pela pessoa jurídica beneficiada pela redução do valor da prestação mínima mensal por manter parcelamentos de débitos tributários e previdenciários, da liquidação, rescisão ou extinção de um dos parcelamentos) (Precedentes do STJ: REsp 958.585/PR, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 17.09.2007; e REsp 1.038.724/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 17.02.2009, DJe 25.03.2009). Fl. 45DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 22 22 15. Conseqüentemente, revelase escorreito o acórdão regional que determinou que a autoridade coatora mantivesse o impetrante no PAES e considerou suspensa a exigibilidade do crédito tributário objeto do parcelamento. 16. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1143216/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 09/04/2010) Por todo o exposto, tendo em vista a interpretação que se deve dar ao artigo 1°, parágrafo único, da Portaria Interministerial n° 185/93, e todos os demais elementos dos autos a corroborar a correção de tal entendimento, não há de prosperar o pleito recursal da Fazenda. Aliás, no sentido do até aqui exposto, cito voto da lavra do ilustre Conselheiro Júlio César Alves Ramos, no âmbito do processo n° 10283.009636/200131, acórdão n° 20403.030, Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: “Tratase de Auto de infração de IPI lavrado contra uma empresa instalada na Zona Franca de Manaus (ZFM), com projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência daquela região de incentivos fiscais (SUFRAMA) para a produção de discos compactos a laser (CD) em atendimento a processo produtivo básico (PPB) (...) O descumprimento teria se dado porque a empresa não teria desenvolvido o processo produtivo básico para a industrialização de CD, que foi estabelecido pela Portaria Interministerial n° 185/93 (...) No dizer da fiscalização, a citada portaria interministerial estabeleceu nove etapas para o processo produtivo, permitindo a terceirização, inclusive fora da ZFM, das seis primeiras, mas exigindo que as três últimas fossem necessariamente desenvolvidas no estabelecimento beneficiário da isenção. No entanto, ao longo do último semestre do ano de 1998, a empresa teria terceirizado também uma das três últimas etapas, qual seja, a “injeção do estojo plástico”, de modo que, em seu estabelecimento “produtivo”, apenas teria executado o “teste de áudio” (sétima etapa) e ‘a colocação do disco e do material gráfico no estojo e embalagem final’ (última etapa). No curso da fiscalização, e em resposta a intimação do fisco, a empresa alegou estar amparada por Parecer da Suframa que entendeu possível a terceirização desde que realizada dentro da própria ZFM (...) Nesse sentido, afronta a lógica pretender que dadas operações constantes do processo produtivo básico possam ser realizadas fora da ZFM ou por outros estabelecimentos, ainda que situados naquela região. Isso é o mesmo que dizer que a Fl. 46DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 23 23 ‘industrialização’ que produz os efeitos fiscais da redução e da isenção se realize, ao menos em parte, fora da ZFM. Ora, não se pode olvidar o comando legal definidor da isenção: ela é concedida aos produtos industrializados na ZFM. Ela não é concedida a produtos industrializados fora da ZFM e lá embalados (...) Como se viu, na subdelegação, o decreto excluiu o Ministro da Fazenda e incluiu o da Integração Regional. Com base nela, os Ministros da Integração Regional, Indústria e Comércio e Ciência e Tecnologia baixaram a Portaria Interministerial n° 185/93 definindo o PPB dos discos a laser (...) Ao analisar as etapas autorizadas, vêse que conformam o núcleo mesmo da fabricação do CD: “recebimento do molde matriz, tratamento da resina de policarbonato, moldagem do disco por injeção, metalizada da fase (sic) do disco, laqueação do disco e impressão do rótulo”. Afora elas, resta tãosomente o teste dos discos já fabricados, a fabricação do seu estojo plástico e a colocação nele do CD fabricado (...) Nem é preciso completar que considero a Portaria contrária à Lei. (...) Cabe, portanto, cumprila. E se a Portaria já era largamente questionável, ainda mais longe foi a Resolução Suframa n° 159/1997 que reconheceu os incentivos fiscais à Novodisc. Por meio dela, validouse a esdrúxula interpretação de que nem mesmo a fabricação do estojo plástico (única etapa realmente produtiva que restara) precisava ser feita no estabelecimento beneficiário. Bastaria que fosse feito na ZFM, ainda que por outro estabelecimento (...) ‘Utilizandose da prerrogativa estabelecida no Parágrafo único do Art. 1° da Supracitada Portaria, a empresa irá terceirizar, no centrosul do país, as etapas grifadas. A etapa de injeção do estojo plástico (CD Box) também será terceirizada, desta feita na Zona Franca de Manaus, sob controle da SUFRAMA. Essas operações, de acordo com o projeto poderão ser eventualmente realizadas pela empresa, para as quais projetou investimento em bensdecapital. A análise do processo produtivo conjuntamente com a análise da lista de materiais nos permitem afirmar que a proposta de fabricação do produto atende o suprecitado PPB’. Não é dada qualquer fundamentação pela conclusão negritada. Ela é, porém, encontrável, a partir dos documentos ofertados pelo recorrente, no Parecer n° 005 elaborado quatro anos antes, em 1993, pela DIPI/DEPRO/SAP da Suframa, devidamente aprovado pelo seu Superintendente, que concluiu não afrontar o Fl. 47DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 24 24 PPB previsto na Portaria interministerial a terceirização mencionada, desde que realizada na ZFM. É certo, pois, que a Resolução autorizou (ainda que não expressamente) as duas ‘terceirizações’ conjuntamente. Nem é preciso repetir que tampouco com essa interpretação concordamos. Isso não obstante, caso tenha sido ela expedida regularmente, valem as conclusões já acima enunciadas com respeito à Portaria, e é imperiosa sua observância pela SRF (...) Destarte, o Conselho de Administração da Suframa é o órgão integrante da Administração Federal deidamente investido, por decreto regularmente expedido pelo Poder Executivo, nos Poderes para fixar os critérios a serem observados pelos empreendimentos postulantes aos incentivos fiscais deferidos à ZFM. E tendo a Resolução n° 159/1997, por ele expedida, validado a conclusão do Relatório Técnico expressamente mencionada no Parecer Técnico SAP/DEPRO/DIPI que a embasou, entendo inconcebível que outro órgão integrante da estrutura da Administração Federal simplesmente a desconsidere, sem que tenha sido ela, antes, afastada por decisão judicial ou anulada administrativamente”. Desta forma, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 04de outubro de 2011 04 de outubro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator designado Como o devido respeito, ouso discordar do voto da relatora. Creio que houve o descumprimento do processo produtivo básico, nos termos do voto a seguir. Antes de entrar no mérito vamos fazer uma breve explanação que visa à delimitação da lide. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 25 25 Tratase o presente caso de uma discussão meramente jurídica já que os fatos já estão todos elucidados. Somente a parte de embalagem, ou seja, os estojos que serão usados no acondicionamento dos CD’s é que vai cingir a presente lide. A própria empresa admite que terceirizou a produção dos estojos dentro da ZFM em outra empresa também cumpridora do PPB. A fiscalização desconsiderou a isenção condicionada por considerar não cumprida uma das etapas do PPB. O Sujeito Passivo, por sua vez, amparandose em um parecer da Suframa, alegas que não descumpriu as condições previstas na legislação. Assim o que será debatido por esse plenário é se houve ou não descumprimento das condições impostas pela legislação para a fruição do benefício, como alega a Contribuinte e atesta o Parecer da Suframa ou se houve o descumprimento das condições, acarretando a desconsideração da isenção, com a respectiva lavratura do Auto de Infração correspondente. Analisadas as condições de admissibilidade e delimitação da lide, passemos ao mérito. Como a DRJ já fez uma boa e resumida exposição da legislação aplicada ao caso, vamos transcrever esta parte do voto da autoridade julgadora de primeira instância. A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados produzido na Zona Franca de Manaus foi estatuída através do DecretoLei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, com a redação dada pela Lei n° 8.387, de 30 de dezembro de 1991 : “(...) Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional. § 1° A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser internados em outras regiões do País, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 7° deste decretolei. (...)”(g.n.) O art. 7° daquele diploma legal estabelece, como requisitos, a aprovação de projeto pela SUFRAMA e a fabricação dos produtos de acordo com Processo Produtivo Básico: “Art. 7° Os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, salvo (...), quando dela saírem para qualquer ponto do Território Nacional, estarão sujeitos à exigibilidade do Imposto sobre Importação relativo a matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira neles empregados, calculado o tributo mediante coeficiente de redução de sua alíquota ad valorem , na conformidade do § 1° deste artigo, desde que atendam nível de industrialização local compatível Fl. 49DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 26 26 com processo produtivo básico para produtos compreendidos na mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB). (...) § 7° A redução do Imposto sobre Importação, de que trata este artigo, somente será deferida a produtos industrializados previstos em projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Suframa que: I se atenha aos limites anuais de importação de matérias primas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, constantes da respectiva resolução aprobatória do projeto e suas alterações; II objetive: a) o incremento de oferta de emprego na região; b) a concessão de benefícios sociais aos trabalhadores; c) a incorporação de tecnologias de produtos e de processos de produção compatíveis com o estado da arte e da técnica; d) níveis crescentes de produtividade e de competitividade; e) reinvestimento de lucros na região; e f) investimento na formação e capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento científico e tecnológico. § 8° Para os efeitos deste artigo, consideramse: (...) b) processo produtivo básico é o conjunto mínimo de operações, no estabelecimento fabril, que caracteriza a efetiva industrialização de determinado produto. (...)"(g.n.) O Decreto n° 783, de 25 de março de 1993, em seu art. 5°, adiante reproduzido, estabeleceu que os processos produtivos básicos, para os produtos nele não incluídos, seriam fixados por meio de portaria interministerial: “Art. 5º Os Ministros de Estado da Integração Regional, da Indústria, do Comércio e do Turismo, e da Ciência e Tecnologia, fixarão, por portaria interministerial, os processos produtivos básicos para os produtos fabricados na Zona Franca de Manaus, não incluídos nos Anexos de I a XV deste decreto.” O Processo Produtivo Básico para o produto DISCO DIGITAL A LASER foi estabelecido pela Portaria Interministerial n° 185, de 28 de julho de 1993, cujo art. 1° se traslada: Fl. 50DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 27 27 “Art. 1° Estabelecer para o produto DISCO DIGITAL A LASER PARA ÁUDIO, industrializado na Zona Franca de Manaus, o seguinte processo produtivo básico: a. recebimento do moldematriz; b. tratamento da resina de policarbonato; c. moldagem do disco por injeção; d. metalização da fase do disco; e. laqueação do disco; f. impressão do rótulo; g. teste de áudio; h. injeção do estojo plástico; e i. colocação do disco e do material gráfico no estojo e embalagem final. Parágrafo Único. Para o cumprimento do disposto neste artigo, será admitida a realização de qualquer das etapas constantes das letras "a" a "f" em qualquer parte do Território Nacional, por terceiros preferencialmente os instalados na Zona Franca de Manaus. (...)” Também não será necessária uma exposição acerca das teorias sobre isenção, pois vimos que a lide tratase única e exclusivamente na determinação se houve ou não o descumprimento das condições para a fruição do benefício. Cabe ao intérprete dar a melhor solução para a correta aplicação do texto legal ao caso in concreto. Essa é a nobre função dos nossos tribunais administrativos e judiciais. Devemos responder a seguinte pergunta: O parágrafo único da Portaria Interministerial n° 185, de 28 de julho de 1993, transcrito acima permite a terceirização da etapa “h”? O CTN dispõe textualmente que: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 28 28 Essa interpretação gramatical ou literal também é avocada por ambas as partes da contenda para comprovar, ou não, a cumprimento do PPB, in concreto.Como se vê, tratandose de uma renúncia fiscal, o controle tem que ser rígido e, ao contribuinte cabe atender expressamente o disposto na legislação de regência. Pose observar claramente que a fiscalização entende que a regra geral é a fabricação pela própria empresa beneficiária da isenção, sendo a terceirização uma exceção a ser literalmente consignada na legislação. Desta forma, se a portaria interministerial não tivesse o preceito de exceção contido no supratranscrito parágrafo único, nenhuma etapa poderia ser terceirizada, nem mesmo com empresas instaladas na ZFM, pois todas as etapas teriam que ser executadas pela empresa beneficiária da isenção. O Sujeito Passivo, diferentemente, traz em seus argumentos a tese de que a regra geral é a fabricação por empresa instalada na Zona Franca de Manaus, não necessariamente o estabelecimento beneficiário da isenção, sendo a exceção a faculdade de terceirizar parte do processo com empresas não instaladas na ZFM. De inferir, por conseguinte, que a interpretação da contribuinte é no sentido de que, se não houvesse a excepcionalidade veiculada naquele parágrafo único, quaisquer etapas poderiam ser terceirizadas, desde que por empresas instaladas na ZFM. A Contribuinte, ora recorrida, também baliza os seus argumentos no Parecer Técnico nº 005/93, produzido em resposta a uma consulta feita pela empresa Objetiva S/C Ltda, para um caso similar. Como o documento foi produzido pelo órgão concedente dos incentivos, a empresa o usa em sua defesa. E o Parecer é bastante claro quando infere que “em momento algum em todo o conteúdo da referida Portaria Interministerial é textualmente proibida a terceirização de qualquer da etapa por empresas estabelecidas na ZFM.” Porém se a RFB, em ação fiscal, colher elementos de comprovem o não cumprimento do processo, poderá desconstituir a outorga de isensão. Até porque o parecer apresentado se trata de um caso similar e de outra empresa. Ele pode balizar o presente caso, em uma integração legislativa por analogia, caso se considere que a norma é omissa, ou seja, lacunosa. Em não havendo como interpretar o texto legal por falta de texto legal que se enquadre ao caso, poderseia cogitar do uso da analogia. Porém entendemos que não há omissão legislativa e nem tampouco a RFB seria obrigada a seguir pareceres que, mesmo se se referisse ao presente caso, estivesse eivado de ilegalidade. O levantamento e os relatórios produzidos pela autoridade fiscal estão perfeitos. Trazem uma explanação detalhada e correta dos fatos e das normas aplicáveis. Eis que a norma geral contida no DecretoLei nº 288, de 1967, prevê a produção no estabelecimento beneficiário da isenção. Pois, aqui me socorrendo novamente do voto proferido pela DRJ, norma diz no estabelecimento fabril, e não em estabelecimento fabril, nada havendo de pleonasmo no comando, como brande a contribuinte em sua defesa. Redundante seria o legislador se houvesse dito que a fabricação deveria se dar em estabelecimento fabril. Mas, ao especificar que a fabricação deveria ocorrer no estabelecimento fabril, tratou o legislador de individualizar o estabelecimento a quem caberia cumprir o PPB, vale dizer, o estabelecimento pretendente do benefício. Estatui o dispositivo, portanto, que o PPB é o Fl. 52DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 29 29 conjunto mínimo de operações realizadas pelo estabelecimento, e não por estabelecimento fabril, para que se caracterize a efetiva industrialização do produto. E, perscrutese uma vez mais, a qual estabelecimento reportase a norma? É óbvio que é ao estabelecimento que pleiteia o incentivo da isenção, pois é especificamente para ele que se dirige o legislador ao estabelecer os requisitos para a concessão do benefício, entre os quais se inclui a aprovação de projeto pela SUFRAMA. Podemos concluir a correta interpretação e a única possível para o presente caso é que para o perfeito cumprimento de um Processo Produtivo Básico induz que todas as etapas devem ser realizadas pelo estabelecimento beneficiário da isenção, em face do que somente se admitem as exceções expressamente permitidas em norma específica. Se, porventura, dúvidas ainda remanescem a tal conclusão, serão elas dissipadas com o exame da questão sistemática, averiguandose a compatibilidade do discutido preceito dentro de um todo estrutural. É o que os juristas chamam de silêncio eloqüente da norma. Somente nesses termos, podemos dar a correta interpretação ao parágrafo único da Portaria Interministerial 185/93. Voto pelo provimento do Recurso Especial interposto pela PGFN. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 16624.004267/2008-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005,2006,2007
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL
Em se tratando de exigência de multa referente a obrigação acessória, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO SIMPLES. CONCOMITÂNCIA POSSÍVEL JURIDICAMENTE.
A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
Numero da decisão: 1801-001.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2005,2006,2007 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL Em se tratando de exigência de multa referente a obrigação acessória, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO SIMPLES. CONCOMITÂNCIA POSSÍVEL JURIDICAMENTE. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL Em se tratando de exigência de multa referente a obrigação acessória, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO SIMPLES. CONCOMITÂNCIA POSSÍVEL JURIDICAMENTE. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 42 67 /2 00 8- 34 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 124 2 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Exclusão do Simples A Recorrente suscita que foi incluída em 01.01.2007 no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e excluída em 30.06.2007, em conformidade com as informações constantes nos sistemas internos da RFB, fl. 99. Cabe ressaltar que essa matéria não é objeto do lançamento nos presentes autos. Autos de Infração de DCTF Contra a Recorrente acima identificada foram lavrados os Auto de Infração às fls. 0722, com a exigência dos créditos tributários nos valores de R$500,00, de R$500,00, de R$500,00, de R$500,00, de R$500,00, e de R$500,00 a título de multas de ofício isoladas por falta na entrega de acordo com a intimação em 02.09.2008 da entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF): do primeiro e segundo trimestres do anocalendário de 2004, cujos prazos finais eram, respectivamente, 14.05.2004 e 13.08.2004; do primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2005, cujos prazos finais eram, respectivamente, 07.10.2005 e 07.04.2006. do primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2006, cujos prazos finais eram, respectivamente, 06.10.2006 e 09.04.2007. Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113, art. 115 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº Fl. 124DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 125 3 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, bem como art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0305, com as alegações a seguir transcritas: I DOS FATOS A empresa possui processos em andamento, como o processo supracitado tratando do pedido de enquadramento com data retroativa no Simples Nacional e é injusto este procedimento adotado pela receita federal contra as microempresas e empresas de pequeno porte, o de cancelar as declarações com data retroativa ou obrigar uma empresa optante pelo regime de tributações simplificadas a entregar declarações que não lhe são devidas como aquelas que foram mencionadas no Auto de Infração acima, prejudicando e muito o contribuinte com a exigência de que ele deve entregar tais declarações, gerando débitos e consequentemente forçando os empresários confessarem uma divida que eles não possuem, porque já cumpriram as suas obrigações no período oportuno. II – O DIREITO I. 1 PRELIMINAR Pedimos o cancelamento da ação fiscal que se pretendia fazer através do Auto de infração VI Multa números de rastreamento 803932498, 803932507, 803932515, 803932524, 803932538, 803932541, 809392555, 803932569, todos se referindo ao mesmo assunto, ou seja, ao mesmo tipo de declarações (DCTF), atualmente a situação do contribuinte de optante pelo Simples Nacional a partir de 01/01/2008 e também desde a sua constituição em 06/07/1990 de acordo com a lei Simples Federal (Lei 9.317/1996), que foi revogado a partir daquela data 01.07.2007, então por esse motivo fica desobrigada de entregar DCTF, seja de que período for. II. 2 MÉRITO (inciso III e IV do art. 16 do Dec.70.235/72) Art. 5° e art. 2° da Instrução Normativa RFB n° 786, de 19 de novembro de 2007 Estão dispensadas da apresentação da DCTF: I as microempresas e as empresas de pequeno porte enquadradas no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuig6es devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), instituído pela Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, relativamente aos períodos abrangidos por esse sistema; Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Impugnação: a) Auto de infração que penaliza a empresa injustamente; b) Processo de inclusão com data retroativa não foi julgado portanto a empresa não de sofrer ações fiscais; c) Situação atual da empresa optante pelo Simples Nacional a partir de 01/01/2008; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 126 4 d) Cancelamento da ação fiscal. III. 2 A CONCLUSÃO À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose a ação ora reclamada. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 0537.023, de 27.02.2012, fls. 101103: Impugnação Improcedente. Consta no Voto condutor: Não merece razão o Impugnante. Deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal é infração descrita no art. 7° da Lei n° 10.426/2002, punível com as multas ai definidas. Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004.) Os atos normativos expedidos pela Receita Federal dispensam as empresas optantes pelo SIMPLES da entrega da DCTF, relativamente ao período abrangido por esse sistema. Invalidada a situação de dispensa da declaração, a legislação especifica que as obrigações passam a ser devidas, inclusive as vencidas, que dão azo à multa prevista pela impontualidade de seu cumprimento. O documento de fls. 50 noticia a inclusão no Simples Federal em 01/01/2007 e sua exclusão em 30/06/2007, de forma a não restar abrangido o período objeto das autuações. Aliás, não há elementos nos autos que comprovem as alegações do Impugnante. Isso posto, ante a ausência de elementos comprovadores da alegação de defesa, VOTO pela improcedência da impugnação e manutenção das multas aplicadas. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DCTF. SIMPLES. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 127 5 Não comprovada a inserção no sistema simplificado de tributação, é devida multa pela não entrega da declaração ao seu tempo, no prazo fixado para a obrigação. Notificada em 09.03.2012, fl. 111, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25.05.2012, fls. 114115, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que vem: pedir a impugnação referente à cobrança de DCTF anos calendário 2004, 2005 e 2006 pois a empresa se encontra optante do simples na época em questão e foi excluída pela previdência sem prévio aviso em carta AR. A exclusão se deve por uma retenção indevida de INSS sendo assim, o mesmo pediu a exclusão do simples alegando locação de mãodeobra, sendo que, minha empresa não emite notas fiscais de serviços e sim conhecimento de transporte (CTRC), ou seja, esta retenção foi feita de forma errada e eu entrei com processo na previdência para pedir a restituição deste valor, me acarretando todo este transtorno, lembrando que só incide retenção em notas fiscais de serviço. Também para poder gerar as multas, as declarações teriam que estar entregues e não estão, pois eu estava com recurso e o prazo de entrega da DCTF’s dos anos de 2004, 2005 e 2006 já prescreveram. Peço encarecidamente que leve em consideração meu pleito, pois acredito ser uma cobrança indevida. Sem mais, peço deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente diz que foi incluída em 01.01.2007 no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e excluída em 30.06.2007, em conformidade com as informações constantes nos sistemas internos da RFB, fl. 99. Cabe ressaltar que essa matéria não é objeto do lançamento nos presentes autos e ainda não foram produzidos nos autos um conjunto probatório de que no Fl. 127DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 128 6 período objeto da ação fiscal que a Recorrente estivesse definitivamente amparada pela sistemática do Simples, um vez que o ônus da prova a ela incumbe. A Recorrente diz que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, o Auto de Infração pode ser lavrado sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente argui que a exigência de multa referente a obrigações acessórias foi alcançado pela decadência. Compete analisar a objeção de decadência por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento.Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 129 7 a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 973.733/SC2, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Estas são regras aplicáveis a tributo sujeito a lançamento por homologação3. No presente caso, tratandose de exigência de multa referente a obrigação acessória, o termo de início da contagem do prazo decadencial em exame se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A intimação da exigência referente à entrega das DCTF dos anoscalendário de 2004, 2005, e 2006 foram efetivadas em 02.09.2008. fls. 0722, e os Autos de Infração foram notificados à Recorrente em 17.11.2008, fls. 6191 . Desse modo não se verificou o transcurso do prazo legal de caducidade. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. Recorrente traz para os presentes autos argumentos pertinentes a uma possível exclusão do Simples e por essa razão os lançamentos não poderiam ter sido formalizados sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador4. Os Autos de Infração foram lavrados com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante das multas de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. 2 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011. 3 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil. 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 130 8 Vale esclarecer ainda que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos5. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente alega era optante pelo Simples no anocalendário de 2007 e por essa razão não estaria obrigada à entrega de DCTF. Cabe ressaltar que essa matéria não é objeto dos presentes autos. Ademias, o enunciado da Súmula CARF nº 77 determina que “a possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão”. Além disso o art. 16 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, determina expressamente que “ a pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Por essas razões não cabem reparos às exigências referentes às multas de ofício isoladas por falta na entrega de acordo com a intimação em 02.09.2008 da entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF): do primeiro e segundo trimestres do anocalendário de 2004, cujos prazos finais eram, respectivamente, 14.05.2004 e 13.08.2004; do primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2005, cujos prazos finais eram, respectivamente, 07.10.2005 e 07.04.2006. do primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2006, cujos prazos finais eram, respectivamente, 06.10.2006 e 09.04.2007. Ainda mais, conjugandose ao conjunto probatório produzidos nos autos inferese que a Recorrente foi incluída em 01.01.2007 no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e excluída em 30.06.2007, em conformidade com as informações constantes nos sistemas internos da RFB, fl. 99. Tais datas não são coincidentes que aquelas objeto do lançamento, repitase da falta de apresentação, após intimada da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF): 5 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 131 9 do primeiro e segundo trimestres do anocalendário de 2004, cujos prazos finais eram, respectivamente, 14.05.2004 e 13.08.2004; do primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2005, cujos prazos finais eram, respectivamente, 07.10.2005 e 07.04.2006. do primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2006, cujos prazos finais eram, respectivamente, 06.10.2006 e 09.04.2007. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O adimplemento das obrigações tributárias principais confessadas em DCTF não tem força normativa para afastar a penalidade pecuniária decorrente da entrega em atraso ou a falta de apresentação da mesma DCTF. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Desse modo, o sujeito passivo que Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 132 10 deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do Auto de Infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos6. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores7. 6 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 133 11 Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária8. As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 9 Por essa razão o pagamento dos tributos devidos não têm força normativa de afastar a multa de ofício isolada aplicada em função da falta ou atraso na entrega de declaração. Consta nas Descrições dos Fatos, fls. 0722, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: A falta de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF enseja a aplicação de multa no valor de R$500,00. Foi considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da lavratura deste Auto de Infração. No presente caso, restou comprovado que houve a exigência das multas de ofício isoladas por falta na entrega de acordo com a intimação em 02.09.2008 da entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF): do primeiro e segundo trimestres do anocalendário de 2004, cujos prazos finais eram, respectivamente, 14.05.2004 e 13.08.2004; do primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2005, cujos prazos finais eram, respectivamente, 07.10.2005 e 07.04.2006. do primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2006, cujos prazos finais eram, respectivamente, 06.10.2006 e 09.04.2007. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. 9 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 134 12 Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 134DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13851.001584/2002-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/07/1999
Revisão dos Pressupostos de Fato. Consequências.
Restando demonstrado que os pressupostos autuação não se confirmaram, conforme atestado pelo órgão preparador, forçoso é reconhecer a improcedência da exigência fiscal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/07/1999 Revisão dos Pressupostos de Fato. Consequências. Restando demonstrado que os pressupostos autuação não se confirmaram, conforme atestado pelo órgão preparador, forçoso é reconhecer a improcedência da exigência fiscal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Tratase de retorno de diligência determinada por meio da Resolução 204 00.118. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 15 84 /2 00 2- 31 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: 1. Contra o estabelecimento em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls.07/10, por ter indevidamente compensado o IPI com créditos que não eram nem líquidos, nem certos, da empresa Indústria e Comércio de Café Irmãos Júlio Ltda., conforme consta do processo nº 13851.000848/9946 a este juntado. Embora a fiscalizada tivesse ingressado na 7ª Vara da Justiça Federal em Brasília/DF com a Ação Declaratória nº 2002.34000030371, dela desistiu e o processo foi encerrado sem julgamento de mérito. 2. Conseqüentemente, o contribuinte não estaria amparado por qualquer ato administrativo ou judicial, nem estaria o crédito tributário com a exigibilidade suspensa, foi efetuado o lançamento de ofício, no montante de R$ 987.793,80, inclusos juros de mora e multa de ofício, sob a capitulação legal de fl. 08. 3. Cientificado em 20/09/2002, o sujeito passivo apresentou, em 21/10/2002, a tempestiva impugnação de fls. 77/85, acompanhada dos documentos de fls. 86/111, alegando, em síntese, que: 3.1 Por ter interposto manifestação de inconformidade contra o indeferimento do Pedido de Restituição da empresa detentora do crédito, atualmente em trâmite no Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes, aduz que o débito em comento não poderia ser exigido, porquanto estar com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, inciso III, do CTN, entendimento este corroborado pelo art. 1º da IN SRF nº 15/2000. 3.2 Manifesta, ainda o entendimento de que não se aplicaria o disposto na NOTA COSAR 109/2001, pois isto estaria reservado aos casos que já tivessem obtido decisão definitiva no âmbito administrativo. Também, analisando os artigos 2º, 12 e 15 da IN SRF nº 21/97, conclui que as reclamações e os recursos interpostos contra o indeferimento do Pedido de Restituição possuem o condão de suspender a exigibilidade dos débitos utilizados no procedimento compensatório, inclusive de terceiros, por força do 151, inciso III, do CTN e conforme se depreenderia do artigo 10 da IN SRF 21/97. 3.3 Ademais, argúi que antes de esgotado aquele procedimento administrativo, a exigência o débito em questão, fere os princípios da ampla defesa e do contraditório, além disso, considerandose as disposições da IN SRF nº 15/2000, não há sentido no lançamento, nem mesmo para se evitar a decadência, pois, no caso de indeferimento, tal débito seria diretamente encaminhado à Dívida Ativa, razão pela qual tanto a imputação da multa de ofício como a própria atuação em si afiguramse completamente descabidas. Nesse sentido reforça seus argumentos com citação do STJ, no sentido de que, antes de dirimida a controvérsia administrativa, sobre o direito do contribuinte à compensação, não se poderia falar em constituição definitiva do débito. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13851.001584/200231 Acórdão n.º 3102001.930 S3C1T2 Fl. 269 3 4. Encerrou, requerendo a nulidade do lançamento, ou caso este não seja o entendimento do julgador, que o presente lançamento fique sobrestado até o julgamento final do pedido de restituição versado no processo administrativo nº 13674.000107/9990. 5. Considerando a possibilidade do caso enquadrarse na hipótese prevista no ADN COSIT nº 03/1996, o presente foi baixado em diligência para que fosse juntada cópia da petição inicial do processo judicial nº 2002.34000030371, entretanto, embora intimado a apresentála, o contribuinte nada respondeu. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 31/07/1999 Ementa: COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Será objeto de lançamento de ofício a diferença apurada, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrente de compensação indevida. Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Julgando que não se encontravam presentes os elementos necessários ao julgamento do recurso, a extinta Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes converteu o julgamento do recurso em diligência a fim de que o processo permanecesse na origem até o julgamento definitivo do recurso em que se discutia a origem dos créditos cujo não reconhecimento provocou o lançamento litigioso.(fl. 235 a 238, numeração digital) Em cumprimento, foi exarado o despacho às fls. 253 e 254 (numeração digital), do qual extraise o seguinte excerto: A decisão definitiva administrativa foi no sentido de reconhecer à interessada o direito de atualizar os seus créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado pelos expurgos inflacionários, nos termos do acórdão CSRF/0304.462, da 3ªa Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e pela taxa Selic, a partir de 01/01/1996, nos termos do acórdão n° 301¬ 30.458, da 3a Câmara do então 3o Conselho de Contribuintes, tendo esta decisão colegiada concedido ainda, em decisão extra petita, a aplicação de juros de 1% ao mês do período de 02/01/1992 a 31/12/1995. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Efetuado por esta unidade o encontro de contas entre o crédito apurado, nos termos das decisões administrativas e os débitos, próprios e de terceiros, já compensados pela interessada, restou demonstrada a extinção de todos os débitos, inclusive o abaixo descrito, que é objeto do auto de infração a que se refere o presente processo: Por meio de sorteio realizado em 25/04/2013, foram os autos redistribuídos a este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Após os esclarecimentos prestados pelo órgão preparador, resta pouco a acrescer. O fundamento para a autuação, relembrese, foi a ausência de créditos suficientes para extinguir os débitos. Superado tal fundamento, em face da decisão administrativa favorável à autuada que, diferentemente do aduzido na autuação, deteria créditos suficientes para extinguir os débitos para os quais pleiteou compensação, deixa de existir o suporte para a exigência fiscal. Ante ao exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 23 de julho de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 271DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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