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Numero do processo: 19515.008378/2008-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
DECISÃO JUDICIAL PROFERIDA NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. EFEITOS.
Deve ser extinto o lançamento do crédito tributário em cumprimento à decisão (transitada em julgado) proferida em mandado de segurança impetrado pela contribuinte que, no curso do processo administrativo, reconheceu ser ilegítima a pretensão fazendária atinente à exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF sobre a remessa de numerário pela contribuinte a sua controladora sediada na Holanda, em razão do disposto artigo 7º da convenção Brasil-Reino dos Países Baixos.
Numero da decisão: 2201-003.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 09/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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REMESSA DE VALORES A CONTROLADORA SEDIADA NO EXTERIOR. Recorrentes NEW SKIES SATELITES LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 DECISÃO JUDICIAL PROFERIDA NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. EFEITOS. Deve ser extinto o lançamento do crédito tributário em cumprimento à decisão (transitada em julgado) proferida em mandado de segurança impetrado pela contribuinte que, no curso do processo administrativo, reconheceu ser ilegítima a pretensão fazendária atinente à exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre a remessa de numerário pela contribuinte a sua controladora sediada na Holanda, em razão do disposto artigo 7º da convenção BrasilReino dos Países Baixos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 83 78 /2 00 8- 45 Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.312 2 EDITADO EM: 09/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário de fls. 1.231/1.256, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 1.158/1.193, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela RECORRENTE, mantendo parcialmente o lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF de fls. 559/574, lavrado em 22/12/2008, relativo a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2003 a 2008, com ciência da RECORRENTE em 23/12/2008 (fl. 560). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 100.553.647,81, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. Em breve síntese, conforme Termo de Constatação e Verificação de fls. 511/516, o presente lançamento decorreu da falta de recolhimento do IRRF sobre remessa de rendimentos pela RECORRENTE para sua controladora radicada na Holanda (New Skies Satellites B.V.) em decorrência da prestação de serviços no Brasil, conforme trechos a seguir transcritos: “A ação fiscal é oriunda de indícios decorrentes de Movimentação Financeira Incompatível com a Receita Declarada. (...) Da leitura do Contrato Social e alterações apresentados, constatamos que a Empresa foi constituída com o seguinte Objeto Social: "Cláusula 2ª O Objeto da Sociedade será a comercialização de capacidade de satélites e segmento espacial a partir do Brasil, em consonância com o disposto nas leis e regulamentos brasileiros, bem como a implantação, operação e a prestação de serviços de telecomunicações a usuários de seus serviços, compreendendo a compra, a venda, a importação e a exportação de equipamentos, e a gestão de negócios de outras empresas. Parágrafo Único. A sociedade poderá participar no capital de outras sociedades, civis ou comerciais, quer como acionista, quotista ou sócia, bem como em consórcios, para o fim de desenvolver os propósitos acima descritos." Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.313 3 A redação do Objeto Social foi alterado através do Instrumento Particular de 10ª alteração ao Contrato Social de 29/12/2003, Registro JUCESP 130.788/041 de 23/03/2004, passando para: "Cláusula 2ª O Objeto Social da Sociedade compreenderá: I a comercialização de capacidade de satélites e segmento espacial a partir do Brasil, em consonância com o disposto nas leis e regulamentos brasileiros; II implantação, operação e a prestação de serviços de telecomunicações a usuários de seus serviços, compreendendo a compra, a venda, a importação e a exportação de equipamentos, e a gestão de negócios de outras empresas; e III a participação em outras sociedades, sejam simples ou empresárias, como sócia, ou acionista ou em consórcios, a fim de desenvolver os propósitos acima descritos." (...) Analisando a Movimentação Financeira através dos Extratos Bancários apresentados (2003 a 2005 e 2007 a 2008), verificamos que o Contribuinte possuía 02 (duas) contas junto ao Banco Real S/A agencia 0689: Conta Corrente 2.7056363; e Conta Corrente 2.7033980, sendo que a Movimentação Financeira ocorrida nas contas acima, encontramse totalmente escrituradas nos Livros Diários apresentados (2003 a 2007). Constatamos que a Conta Corrente 2.7033980 recebeu inúmeros lançamentos a crédito, referente pagamentos efetuados por Clientes, e posteriormente, diversos lançamentos a débito referente a remessas de Numerários ao Exterior. Pela Análise Contábil, constatamos que os pagamentos efetuados pelos Clientes eram levados a débito na Conta 1.1.1.02.002Bco Real S/A06892703398 (ATIVO) tendo como contrapartida a Conta 2.1.1.11.001Adiantamento de Clientes (PASSIVO), sendo que pelo Histórico dos lançamentos a maioria dos Clientes encontramse identificados, como por exemplo: TV Globo, Fund. Renascer em Cristo, JPO Exp lmp e Comercio, Vicom Ltda, Embratel, Fundação Nazaré, ... Posteriormente, quando da Remessa destes Numerários ao Exterior, os valores eram levados a crédito na conta 1.1.1.02.002Bco Real S/A 06892703398 (ATIVO) tendo como contrapartida a conta 2.1.1.11.001Adiantamento de Clientes (PASSIVO). Na verdade a Conta Corrente 2.7033980 funciona(ou) apenas como "coletora" (transitória) de Numerários pagos pelos Clientes sem emissão de Notas Fiscais de Serviço e sem contabilização como Receita, com posterior remessa ao Exterior, Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.314 4 o que explica a ocorrência de Movimentação Financeira Incompatível com a Receita Declarada. A Lei que rege a atividade do Contribuinte em questão (Lei 9.472/97), em seu art. 171, parágrafo 1º, determina que as usuárias brasileiras só podem se utilizar de satélites estrangeiros se a contratação for feita "com" empresa brasileira intermediadora. Assim sendo, a Lei parece definir que o contrato deva ser celebrado entre a usuária e a empresa intermediária, no caso a New Skies Satellites Ltda. Daí, a remuneração é paga à empresa intermediária, para posterior remessa. Logo, parece ter a Lei, ainda que implicitamente, determinado a empresa intermediária como fonte pagadora dos rendimentos à sociedade estrangeira, sendo portanto a New Skies Satellites Ltda o sujeito passivo da obrigação (Imposto de Renda Incidente na fonte quando das remessas) na qualidade de responsável. O Contribuinte efetuou Depósito Judicial em 15/04/2008 junto a Caixa Economica Federal no valor de R$ 28.234.064,00 (vinte e oito milhões, duzentos e trinta e quatro mil e sessenta e quatro reais) com a finalidade de requerer junto a Exma. Sra. Desembargadora Federal Dra. Consuelo Yoshida, Relatora da Medida Cautelar Nº 2008.03.00.0134001, perante a C. 6ª Turma do E. Tribunal Regional Federal da 3ª Região /SP a suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido nos autos do mandado de segurança Processo 2001.61.00.0238691 (não sofrer a retenção do Imposto de Renda na Fonte sobre os valores a serem remetidos para a sua Controladora, em decorrência da prevalência dos tratados internacionais sobre a legislação interna), na forma prevista no artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional, que dispõe: Art.151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: II o depósito do seu montante integral; Assim, a constituição do crédito tributário não se encontra suspensa, pois ao analisarmos a Planilha "Análise Geral do Imposto Retido sobre Remessas" apresentada pelo Contribuinte (e que serviu de base para a composição do Depósito Judicial), constatamos que o percentual aplicado do Imposto Retido foi de 15% (quinze por cento) quando o correto seria 25% (vinte cinco por cento), ou seja, havendo falta ou insuficiência de depósito, qualquer que seja a natureza, não houve atendimento à determinação judicial, portanto, não houve cumprimento da condição estipulada quando da concessão da liminar. A aplicação da alíquota de 25% (vinte e cinco por cento) se baseia na: a Solução de Consulta Nº 277 de 01 de Novembro de 2001. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF Ementa: Remessa para o exterior. Provimento de capacidade de satélite. Natureza jurídica. A atividade de provimento de Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.315 5 capacidade de satélite é prestação de serviços, cuja remuneração, paga a empresa estrangeira, sujeitase à alíquota de 25%; e b RIR/99 Decreto Nº 3000, de 29/03/1999 Art.685 Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos, pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº 9.779, de 1999, arts. 7º e 8º): II à alíquota de vinte e cinco por cento: a) os rendimentos do trabalho, com ou sem vínculo empregatício, e os da prestação de serviços; Outro ponto importante a ser ressaltado e aplicado, referese ao disposto no Art.725 do RIR/99 (Reajustamento do Rendimento): Art.725 Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei nº 4.154, de 1962, art. 5º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 63, parágrafo 2º). (...) Desta forma, apuramos as Bases de Cálculo para a constituição do crédito tributário, conforme (...) ANEXO I a este Termo, confrontando os valores da Planilha "Análise Geral do Imposto Retido Remessas” (que serviu de base para a composição do Depósito Judicial) com os valores constantes dos Extratos/Contabilidade apresentados. Quanto a elaboração do ANEXO I cabe algumas observações: a) Foram considerados os valores constantes dos Extratos/Contabilidade (itens 1 a 4 da Coluna 1) que não estavam contemplados na Planilha "Análise Geral do Imposto Retido sobre Remessas"; e b) Foram considerados os valores constantes da Planilha "Análise Geral do Imposto Retido sobre Remessas" (itens 73 a 217 da Coluna 1) pois os mesmos não se encontravam lançados nos Extratos/Contabilidade apresentados. Conforme já mencionado anteriormente, em 25/11/2008 lavramos o termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, com ciência na mesma data, intimando o Contribuinte a apresentar: "Esclarecimentos por escrito (com apresentação dos documentos comprobatórios e planilha demonstrativa das contas junto as Instituições Financeiras) quanto à origem das remessas efetuadas no período de maio/2007 a março/2008, constantes da Análise Geral do Imposto sobre Remessas, que serviram de base Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.316 6 para o recolhimento do Depósito Judicial efetuado em 15/04/2008 no valor de R$ 28.234.064,00, referente ao processo 2008.03.00.0134001, conforme ANEXO I ao Termo". Tais esclarecimentos, documentação e planilha não foram fornecidos pelo Contribuinte. (...)” Da Impugnação A RECORRENTE apresentou, tempestivamente, sua Impugnação de fls. 581/616. No inteiro teor do acórdão recorrido a autoridade julgadora de primeira instância relatou, com precisão, as alegações de defesa da RECORRENTE; a conferir: “(...) Dos Fatos • A Impugnante é controlada por sociedade (NSS BV) estabelecida na Holanda, e que opera satélites para telecomunicações, atividade esta regulada, no Brasil, pela ANATEL; a Lei n° 9472/97 — Lei Geral das Telecomunicações (LGT) — estabelece condições para o emprego de satélite por empresas brasileiras (concessionárias ou autorizatárias de telecomunicações), sendo que a matriz da autuada deve deter (e detém) autorização daquela Agência reguladora para utilização de satélites de sua frota por prestadoras de serviços de telecomunicações no País....e deve fazêlo por meio de um representante legal.; • essa a razão da constituição da Impugnante, ou seja, atender as condições impostas pela LGT, passando a figurar como representante legal de sua controladora no exterior, a NSS BV, empresa que efetivamente dispõe de autorização da Anatel para comercializar capacidade de satélite no Brasil.; • os contratos firmados com clientes brasileiros se deram por meio da Impugnante, segundo determinação da LGT, na condição de representante legal de sua matriz; apesar disso, os montantes pagos por aqueles, destinaramse à NSS BV (cedente da capacidade satelital autorizada pela Anatel), tendo sido depositados, em moeda nacional, em conta corrente da Impugnante, mantida, com exclusividade, para tal fim, também em obediência a outra exigência daquela Agência reguladora. Do Mandado de Segurança e do Depósito Judicial • buscando evitar que os valores depositados em sua conta corrente, ainda que destinados a sua matriz, viessem a sofrer incidência do IRRF, a Impugnante impetrou Mandado de Segurança (processo n° 2001.61.00.0238691), ainda em trâmite junto ao TRF 3ª. A liminar, inicialmente, veio a ser concedida e, posteriormente, em 27/08/2007, a segurança foi denegada, Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.317 7 motivando a interposição de Apelação que, conforme dito, encontrase pendente de apreciação pelo TRF 3ª; • fundamentou o pedido de liminar, quando impetrado o Mandado de Segurança, alegando que os pagamentos destinavamse a sua matriz, sediada na Holanda, e que aqueles não deveriam sofrer a incidência do imposto, em razão do disposto no art. 7º da convenção destinada a evitar a dupla tributação celebrada entre Brasil e Holanda, e promulgada pelo Decreto n° 355/91. Era seu entendimento, então, que os rendimentos de sua controladora enquadravamse no conceito de lucro das empresas, estabelecido naquele dispositivo (art. 7º do Tratado); • com a cassação da mencionada liminar e, de modo a garantir a inexigibilidade dos créditos tributários, a Impugnante ajuizou Medida Cautelar Incidental com Pedido de Liminar, junto ao TRF 3ª (processo 2008.03.00.0134001), também em trâmite junto aquela Corte, requerendo fosse autorizada a depositar integralmente em juízo o valor atualizado objeto do Mandado de Segurança n° 2001.61.00.0238691. Na mesma data em que ajuizada tal Cautelar, procedeu ao depósito da importância de R$ 28.234.064,00 que correspondia, à época, ao total do IRRF que deixou de ser recolhido pela Impugnante nos 5 (cinco) anos anteriores, acrescido de multa moratória de 20% e de juros calculados com base na taxa Selic.; • desde então não houve qualquer alteração significativa nos andamentos das ações judiciais em curso. A impugnante vem complementando o depósito com o IRRF que seria devido nos pagamentos destinados à NSS BV desde então, visto acreditar no sucesso daquelas; Do Auto de Infração ora Impugnado • a despeito de haver efetuado o referido depósito judicial, a Impugnante viuse surpreendida com a lavratura do questionado Auto de Infração, por meio do qual foilhe exigido, na condição de responsável, o IRRF supostamente não recolhido e incidente sobre as remessas ao exterior, acrescido da multa de ofício e juros de mora; a alíquota aplicável corresponderia a 25%, porém como se deu o reajustamento da base de cálculo do tributo, a alíquota efetiva foi de, aproximadamente, 33,33%, na forma do art. 725 do RIR/99; • entendeu, ainda, o autuante, que o depósito judicial efetuado não teve o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, visto o mesmo ter se dado de maneira insuficiente: tal fato decorreu de o contribuinte, ao proceder ao depósito, ter levado em conta uma alíquota de 15%, enquanto o entendimento do fisco foi no sentido de que a mesma corresponderia a 25% (vide tópico anterior). Dessa maneira, entendeu este que não houve atendimento a determinação judicial, em razão de descumprida condição estabelecida por ocasião da concessão da liminar; Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.318 8 • no entanto, pelas razões a seguir expostas, o Auto de Infração não poderá subsistir, impondose, portanto, a sua improcedência. Preliminarmente • conforme mencionado, parcela do tratado pelo presente Auto de Infração, qual seja, o reconhecimento da isenção de IRRF prevista no art. 7° do Tratado BrasilHolanda, é objeto do Mandado de Segurança..., de maneira a impedir manifestação do julgador sobre tal tema, consoante dispõe o § 2° do artigo 59 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes e da súmula 1 do 1° Conselho de Contribuintes. Outros, no entanto, por não haverem sido submetidas ao crivo do Poder Judiciário, deverão ser objeto de apreciação pelo órgão julgador administrativo; Mérito Da Isenção do IRRF no Tratado BrasilHolanda • ainda que discutida junto ao Judiciário, a interessada tem entendimento no sentido de que os pagamentos efetuados a sua controladora não devem se sujeitar ao IRRF, por força do disposto no art. 7° do Tratado BrasilHolanda, que reproduz. Manifesta entendimento – posto no Mandado de Segurança – no sentido de que os valores destinados à sua controladora holandesa são o produto do exercício de atividade exercida diretamente por esta no país. Dessa forma, tais valores devem ser considerados "lucros" da NSS BV, nos termos do citado Tratado, conforme, também, entendimento de relevante parcela da doutrina, voltada ao direito tributário internacional. Da Decadência – Transcurso do Prazo do § 4º do Artigo 150 do CTN • parcelas componentes (relativas aos pagamentos efetuados entre janeiro de 2003 a 21/12/2003) do crédito tributário constituído não pode ser cobradas e devem ser excluídas do Auto de Infração, vez que atingidas pela decadência e, conseqüentemente, extintas, na forma do § 4° do art. 150 e inciso V do art. 156, ambos do CTN; • para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a regra aplicável é aquela prevista pelo citado § 4° do art. 150, ou seja, o dies a quo coincidirá com a data da ocorrência do fato gerador que, na hipótese, corresponde aquela em que se deram os pagamentos, créditos, entregas ou remessas de valores para o exterior. Assim, extinto o crédito tributário, não pode o fisco rever a atividade do sujeito passivo e realizar o lançamento de oficio.; • nem há de ser alegado que o prazo decadencial, no caso, deve obedecer ao disposto no inciso I do art. 173 do CTN, em razão do não recolhimento do tributo por ocasião da ocorrência dos fatos geradores, visto que o mesmo não ocorreu em razão de a sua exigibilidade estar suspensa em razão de liminar obtida no Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.319 9 citado Mandado de Segurança. É o que falam jurisprudências, reproduzidas, tanto emanadas do Conselho de Contribuintes como de algumas das Delegacias de Julgamento desta RFB; • conclui, diante do argüido, que as parcelas relativas aos fatos geradores ocorridos entre 01/01/2003 e 21/12/2003 estão alcançadas pela decadência, daí porque devem ser excluídas assim como os respectivos acréscimos legais do crédito tributário constituído. Da Suspensão da Exigibilidade do "Crédito Tributário” Objeto do AIIM — Depósito de Montante Integral do Tributo • conforme já dito, foi ajuizada Medida Cautelar Incidental, pleiteando autorização a que fosse efetuado o depósito do valor integral do IRRF supostamente devido sobre os pagamentos efetuados a sua controladora, e, por decorrência, suspender a exigibilidade do mesmo. Liminar deferida, a Impugnante procedeu ao depósito do montante integral do tributo, aplicando a aliquota de 15% para tal fim, acrescentando juros e multa de mora, na forma do art. 61, c/c art. 63 ,§ 2°, da Lei n° 9.430/96; • tal depósito, entretanto, foi desconsiderado por completo pelo autuante, sob o argumento de que o mesmo não se dera de maneira integral a aliquota correta seria, segundo o AFRFB, de 25% tendo, por conseqüência, lavrado o guerreado Auto de Infração, por meio do qual exigiu o imposto resultante da pretensa aliquota, multa de oficio e juros de mora sobre a totalidade daquele, em manifesta afronta ao já citado inciso II do artigo 151 do CTN, ao § 2º do artigo 1° da Lei n° 9.703/98 e ao Decreto n°2.850/98, o que não pode ser admitido.; • o inciso II do art. 151 do CTN faculta ao sujeito passivo efetuar o depósito do montante do tributo discutido, de forma a suspender a sua exigibilidade enquanto discutido administrativa ou judicialmente. E a Impugnante assim o fez, visto que pendente de apreciação pelo Poder Judiciário o direito de não sujeitar ao IRRF os pagamentos destinados a sua controladora, por força de tratado firmado entre os países (Brasil e Holanda); • e o depósito efetuado, além de suspender a exigibilidade do tributo, impede a incidência dos encargos legais, equiparandose ao pagamento. Cita doutrina, concluindo por dizer que perdura o dever de o AFRFB constituir o crédito tributário, sem os encargos e penalidades, com o propósito, apenas, de prevenir a decadência; • ainda que venha a ser admitido que o depósito não veio a corresponder ao montante integral do tributo, é de rigor sejam considerados os valores já depositados e, nesta parte, excluídos os juros de mora e a multa de oficio aplicados, na medida em que, reiterese, o depósito equiparase ao pagamento. Assim não o fazendo, incorrerseá em afronta a alguns princípios constitucionais (legalidade, razoabilidade, proporcionalidade, nãoconfisco) e outros. Esse tem sido o entendimento esposado Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.320 10 pelo Conselho de Contribuintes, conforme ementas reproduzidas; • assim, de maneira sucessiva, caso não acolhido o pedido acima, requer seja (i) considerado o depósito efetivado, excluindose, proporcionalmente, da exigência, as multas e juros aplicados sobre .a parcela depositada e (ii) que seja reconhecida a suspensão da exigibilidade da parcela do crédito tributário, que tenha sido objeto do depósito judicial. Da Inaplicabilidade da Alíquota de 25% de IRRF sobre as Remessas Natureza do Provimento da Capacidade Satelital • conforme já citado, o Auto de Infração consigna que o IRRF deveria ser calculado a alíquota de 25%, incidente sobre as remessas efetuadas ao exterior, segundo dispõe o art. 685, II, do RIR/99, além do teor da Solução de Consulta n° 277/01; não se considerou, ainda, o depósito judicial efetuado, calculado com base na alíquota de 15% justamente em razão de tal fato por haver sido entendido como insuficiente; • entretanto, o autuante se equivocou ao entender que as remessas efetuadas pelo provimento de capacidade satelital sujeitamse a alíquota de 25%. Isso porque, pela sua natureza, tal provimento corresponde a aluguel de equipamento (no caso, o próprio satélite ou parte dele), e, portanto, as remessas feitas a este título sujeitamse ao IRRF à alíquota de 15%, conforme prevista no art. 685, I, do RIR/99....Para que se chegue a tal conclusão, fazse necessário conhecer alguns aspectos técnicos da atividade desenvolvida pela empresa NSS BV (que a Impugnante representa legalmente no País), aspectos esses que evidenciam sua natureza de mero aluguel de equipamentos.; • segundo o "Regulamento sobre o Direito de Exploração de Satélite para Transporte de Sinais de Telecomunicações”, aprovado pela Resolução Anatel n° 220/2000, a atividade de provimento de capacidade satelital é definida como "oferecimento de recursos de órbita e espectro radioelétrico à Prestadora de serviços de telecomunicações", que o mesmo regulamento define como sendo a "a entidade que detém concessão, permissão ou autorização para exploração de serviço de telecomunicações que contrata o provimento de capacidade espacial.; • ou, ainda, segundo o mesmo Regulamento, não se trata de prestação de serviços, mas de cessão/disponibilização de meio através do qual as empresas de telecomunicações podem prestar seus serviços. E o satélite é um equipamento passivo, que se limita a refletir as ondas emitidas pelas empresas que contratam o provimento (empresas de telecomunicações), não tendo a provedora de capacidade satelital qualquer compromisso diferente da disponibilização de meio (ou oferecimento de recurso, como mencionado na Resolução Anatel n° 220/2000) para que seus clientes possam transmitir seus sinais de telecomunicações. E a mesma Anatel definiu, por meio da Res. n° 73/1998, art. 3º, que o provimento de capacidade satelital não Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.321 11 é serviço de telecomunicações nem, tampouco, serviço de valor adicionado; • o cliente da NSS BV, ao contratar a capacidade satelital, apenas deseja que a mesma autorize o uso do satélite pelos seus terminais e, nada mais. A pretensão daquele não é que a NSS BV exerça qualquer atividade ou preste qualquer serviço, mas, apenas, que disponibilize o uso do satélite ou parte dele, para viabilizar a transferência de seus sinais e/ou informações. O satélite funciona como um espelho refletor das informações enviadas pelo cliente.; • já a NSS BV, como fornecedor de capacidade satelital e desde que autorizado pela Anatel, disponibiliza o meio, para que os clientes realizem o transporte de informações, ainda que não sejam de conhecimento e responsabilidade daquela. De se concluir, então, que os contratos de provimento de capacidade satelital, cujo cerne é a cessão onerosa, por prazo definido, do uso do satélite ou de parte dele, são contratos de aluguel de equipamento (no caso, o satélite), nos exatos termos definidos no artigo 565 do Código Civil,....; • e a natureza de locação de equipamento (este utilizado como meio de prestação de serviços), no caso de provimento de capacidade satelital foi confirmada pela Anatel, segundo pag. 30 de seu Relatório Anual (1999). E as remessas de valores efetuadas a sua controladora, seguiu entendimento do Banco Central, solicitado em janeiro/2002, quando pleiteada autorização para venda de câmbio, por meio do qual as remessas efetuadas à NSS BV correspondiam à remuneração pelo aluguel de equipamentos, e não à remuneração por serviços prestados, já que classificou a natureza da remessa sob o código 45010, que era o código aplicável, à época, às remessas pelo Aluguel de Equipamentos na extinta Consolidação das Normas Cambiais (e ainda o é no Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais — RMCCI, aprovado pela Circular Bacen n° 3.280/05). Traz exemplo, assim corno reproduz doutrina; • conclui, portanto, que provimento de capacidade satelital é simples aluguel do equipamento (do próprio satélite ou de parte dele), não se confundindo, portanto, com prestação de serviços, corno pretendeu o autuante. Menciona, ainda, a ocorrência de fato análogo, ao citar jurisprudência sobre o tema, concluindo por dizer que, caso algum IRRF é devido sobre as remessas feitas pela Impugnante à sua controladora, é aquele previsto no artigo 685, I, do RIR/99, aplicável às remessas ao exterior pelo aluguel de equipamentos como, aliás, concorda o Bacen; jamais o IRRF previsto no artigo 658 (sic), II, 'a' do RIR/99.; • além de que o acima concluído deve ser avaliado em consonância com o Tratado BrasilHolanda, que tem o condão de restringir a legislação interna. E o mencionado acordo define que nos casos de remessa "pelo uso ou pelo direito ao uso de equipamento industrial comercial ou cientifico" a alíquota Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.322 12 máxima do IRRF não poderá ultrapassar 15% (art. 12, 2, ‘b’). Ainda que não se entendesse como correto o enquadramento no referido dispositivo do Tratado e, sim, classificado no art. 22, ainda assim a alíquota corresponderia a 15%, já que esse artigo 22 não estabelece alíquotas aplicáveis a tais remessas, ou seja, remete à legislação interna a definição da alíquota cabível.; • e o equívoco cometido pelo autuante evidenciase, ao não ter sido avaliada a natureza da atividade da Impugnante, assim como das remessas por ela efetuadas, pelo fato de o Auto de Infração ter tido, como um dos fundamentos legais, o conteúdo de uma Solução de Consulta (de n° 277/01), segundo a qual "a atividade de provimento de capacidade de satélite é prestação de serviços, cuja remuneração, paga a empresa estrangeira, sujeitase à alíquota de 25%". Ocorre que tal manifestação não tem força normativa, senão em relação a consulente; sua utilização afronta o princípio da legalidade. É o que fala jurisprudência reproduzida; • ademais, existindo dispositivo legal a dar respaldo ao entendimento da Impugnante (aplicação da alíquota de 15%), descabido seria a utilização de outra (25%) apenas em função de uma manifestação proferida pela Receita Federal em resposta a consulta formulada por outro contribuinte. E tal fato, aliado a que a Impugnante não tem meios de saber o teor da consulta efetuada, que atividade exerce a consulente, além de outras; • diante do posto, é forçoso concluir que as remessas efetuadas pela Impugnante à sua controladora pelo provimento de capacidade satelital, corresponderam a pagamentos pela cessão de direito de uso de equipamentos, e não a contraprestações de serviços prestados. Deve ser, portanto, reconhecida a improcedência do Auto de Infração, dada a incorreção da alíquota por ele trazida, conforme previsto pelo art. 675, inciso I, do RIR199, assim como pelo contido no Tratado Brasil Holanda. Da Inaplicabilidade da Alíquota de 25% sobre as Remessas em face do Tratado BrasilHolanda, assim como sobre aquelas Relativas a Serviços Técnicos • ainda que prevaleça o entendimento de que as remessas efetuadas corresponderam a remuneração pela prestação de serviços, o IRRF não poderia ser exigido pela alíquota de 25%, visto que a legislação brasileira consagra a superioridade dos tratados internacionais que envolvem direito tributário, frente à legislação infraconstitucional (fato este reconhecido pela própria RFB, por meio da IN n° 244/02), restringindo as normas internas; e a remessas foram efetuadas a beneficiário residente na Holanda, pais este com o qual o Brasil mantém acordo para evitar a dupla tributação, o qual deveria ser observado no sentido de verificar se é pelo mesmo estabelecida alíquota diferenciada daquela aplicada pela legislação nacional; • e na hipótese, mencionado acordo limita a tributação relativa a prestação de serviços, pelo pais onde recebidos os rendimentos, Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.323 13 a 15%. É o que fala o parágrafo 5 do Protocolo Adicional que acompanha o Tratado BrasilHolanda, motivo pelo qual o autuante não poderia aplicar alíquota superior à que está ali prevista; cita doutrina e fundamenta tal entendimento na Solução de Consulta n° 42/00 — SRRF 7ª RF, cuja ementa reproduz; • assim, ainda que as remessas efetuadas se prestassem a remunerar serviços tomados, a aliquota do IRRF a ser aplicada corresponderia a 15%, de maneira a tornar necessária a improcedência do lançamento, especificamente em relação a alíquota com a qual se pretendeu exigir o crédito tributário da Impugnante, por meio do Auto de Infração; • além do que, após a edição da Lei n°10.332/01, que alterou a de n°10.168/00, a alíquota do IRRF incidente sobre as remessas ao exterior a título de remuneração de serviços técnicos foi reduzida para 15%, o que foi inclusive confirmado pela Receita Federal do Brasil, por meio da IN n° 252/2002, em seu art. 17; dessa forma, ainda que não acatadas as alegações anteriormente postas, a alíquota do IRRF aplicável às remessas pela prestação de serviços técnicos (como definidos pela citada IN), após a edição da referida Lei n° 10.332/01, seria de 15%. Traz ementas de Soluções de Consulta, concluindo que aquela utilizada – em parte – para fundamentar o lançamento encontravase, à época do lançamento, desatualizada. Descabida, portanto, a alíquota aplicada, por superior aquela que seria devida, caso o entendimento seja que a remuneração se deu pela prestação de serviços. Do não Cabimento do Reajuste da Base de Cálculo do IRRF • Quando dos cálculos objetivando ao lançamento, o autuante reajustou a base de cálculo do tributo, de tal forma que a alíquota efetiva aplicada aquela foi de, aproximadamente, 33,33% (25% mais "gross up") fundamentando seu entendimento no disposto pelo art. 725 do RIR/99, ou seja, que a Impugnante assumira o ônus do imposto devido pelo beneficiário dos rendimentos; • tal reajustamento, entretanto, não pode prosperar, visto (i) não ter havido a assunção do ônus do tributo pela interessada e, principalmente, (ii) ter sido efetuado depósito judicial da totalidade do tributo questionado, baseado no disposto no art. 722 do RIR/99, na MP 2.15835/2001 e na IN RFB (sic) n° 104/2000; • inexistindo a previsão de reajustamento da base de cálculo do IRRF (acordo entre fonte pagadora e beneficiário), o art. 725 do RIR/99 não pode e não deve ser utilizado em casos em que inocorreu a retenção com base em medida judicial; para essa situação existe legislação especifica, qual seja, MP n° 2.155 35/2001 (art. 55), IN n° 104/2000 (arts. 1° e 3°), além do art. 722 do RIR/99; Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.324 14 • dessa forma, se a nãoretenção se deu com base em medida liminar, o contribuinte (no caso, a Impugnante) deverá efetuar o pagamento do tributo, acrescido de juros e multa; como a medida judicial ainda se encontra pendente de decisão, a interessada optou por proceder ao depósito judicial em sua totalidade, ou seja, IRRF, multa e juros, de maneira a suspender a exigibilidade dos débitos; • e o depósito se deu de acordo com as normas vigentes inclusive em razão da existência de ação judicial pendente de maneira a ser afastada a alegação de que o mesmo se deu a menor. Do Pedido • pede, ao final, que: 1. parcela da exigência seja excluída, visto extinta em razão de atingida pela decadência; 2. a alíquota a ser aplicada (potencialmente) é de 15%, em razão de que (a) a natureza da remessa é de aluguel de equipamentos, e não de serviço, (b) há limitação na alíquota, em razão da existência de Tratado entre Brasil e Holanda e, (c) a alíquota vigente, por ocasião dos fatos, era de 15%, por conta da Lei n° 10.332/2001; 3. não há que se falar em reajustamento do rendimento, visto que a legislação que trata da matéria não prevê tal fato, quando o recolhimento não se dá em razão de medida judicial; 4. houve depósito judicial do valor integral envolvido na medida judicial, de maneira a suspender a exigibilidade do crédito tributário; este deveria ser constituído, apenas, para prevenir sua decadência; 5. o crédito tributário lançado deveria ser objeto de recálculo, haja vista o depósito judicial efetuado, de forma a reduziremse, proporcionalmente, além do tributo, os acréscimos legais correspondentes. Ao restante, deverá ser reconhecida a suspensão da exigibilidade.” Da Decisão da DRJ Ao final do julgamento na primeira instância, a DRJ julgou procedente em parte o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF (...) Ementa: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE O DISCUTIDO NOS PROCESSOS JUDICIAL E Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.325 15 ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA AS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa em renúncia as instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial em qualquer modalidade processual, antes ou após o lançamento de ofício, com o mesmo objeto tratado pelo processo administrativo. Cabível a apreciação pelo órgão julgador administrativo, apenas, de matérias distintas daquelas tratadas pelo processo judicial. DEPÓSITO JUDICIAL. NÃO SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DO DEPÓSITO EFETUADO, EM VALOR CORRESPONDENTE AO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM SUA ÍNTEGRA. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Não tendo havido comprovação, pelos autos, de que os valores levados a depósito judicial corresponderiam ao valor integral do crédito tributário discutido, não há como se proceder a suspensão da sua exigibilidade, na forma do art. 151, inciso II, do CTN. Em razão do mesmo fato, correta a aplicação da multa de oficio por ocasião do lançamento. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. Após a edição do Parecer PGFN/CAT/n° 1617/2008, em não tendo sido comprovada a ocorrência de pagamento do tributo, a contagem do prazo decadencial é aquela estabelecida pelo art. 173, inciso I, do CTN, ou seja, iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o mesmo poderia vir a ser lançado. REMESSAS EFETUADAS A CONTROLADORA SEDIADA NO EXTERIOR. PROVIMENTO DE _ CAPACIDADE SATELITAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DO IRRF. ALÍQUOTA DE 25%. TRATADO FIRMADO ENTRE BRASIL E HOLANDA. PREVALÊNCIA SOBRE A LEGISLAÇÃO INTERNA. A remessa de valores a controladora do contribuinte, sediada na Holanda, referente ao pagamento de provimento de capacidade satelital, atividade essa caracterizada como prestação de serviços, sofre incidência de IRRF, aplicando a alíquota de 25%, segundo legislação vigente. A existência, entretanto, de Convenção firmada entre o Brasil e a Holanda, (Decreto n° 355/1991), objetivando, entre outros, a evitar dupla tributação, e que prevê tributação mais benéfica incidente sobre aquelas remessas (alíquota de 15%), há que prevalecer em relação a vigente legislação interna, assim como aquela que a sobrevenha, na forma do art. 98 do CTN. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO IRRF. Em não tendo ocorrido retenção e, tampouco, recolhimento, por parte do responsável, do imposto incidente sobre as remessas efetuadas ao exterior, estes valores devem ser considerados como líquidos, de maneira a determinar o devido reajustamento da base de cálculo do tributo. Lançamento Procedente em Parte” Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.326 16 A autoridade julgadora de primeira instância findou por julgar procedente em parte o lançamento, por entender pela aplicação, ao presente caso, da alíquota prevista no tratado firmado entre Brasil e Holanda (Decreto nº 355/1991), qual seja, 15%. Assim, exonerou as parcelas relativas as diferenças decorrentes da aplicação da alíquota de 25% (incidente sobre as bases de cálculo reajustadas) e a de 15%, também incidente sobre as bases de cálculo por igual reajustadas com base nessa nova alíquota. Foi oferecido Recurso de Ofício em razão da exoneração de parte significativa do crédito tributário. Do Recurso Voluntário A RECORRENTE foi intimada da decisão da DRJ em 23/06/2009, conforme fl. 1.224, e apresentou, em 23/07/2009, o recurso voluntário de fls. 1.231/1.256. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE reiterou as razões de sua impugnação, acrescentando que: (i) em relação à decadência, afirmou que não realizou qualquer pagamento de IRRF no período porque a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa por decisão liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.61.00.0238691; (ii) no que diz respeito à suspensão do crédito em razão do depósito judicial, alega que, a despeito da DRJ ter concluído que a alíquota de 15% é a correta a ser aplicável ao caso, afirma que não houve o reconhecimento do depósito judicial no montante integral do crédito. Ademais, afirma que “ao contrário do que consta da r. decisão recorrida, é perfeitamente possível identificar, pela documentação apresentada e que consta nos autos, a data e o valor de cada remessa ao exterior, bem como os montantes que deveriam ter sido retidos e que foram depositados pela Recorrente, conforme guias de depósito e planilha que serviu de base para realização do depósito denominada ‘análise geral do imposto retido sobre remessas’, juntada aos autos quando do protocolo da impugnação”; (iii) seguiu afirmando que, ao contrário da conclusão da r. decisão recorrida, as remessas efetuadas pela RECORRENTE à sua controladora na Holanda pelo provimento de capacidade satelital corresponderam a pagamentos pela cessão de direito de uso de equipamentos, e não a contraprestações por serviços prestados, sendo cabível a aplicação do disposto no inciso I do artigo 685 do RIR/99 (15%). A despeito do exposto, caso se entenda que possui natureza jurídica de serviços tributados pelo IRRF, defendeu a manutenção da decisão recorrida segundo a qual a única alíquota aplicável ao presente caso continua sendo de 15%, em razão do tratado firmado entre Brasil e Holanda. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.327 17 Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Preliminarmente. Julgamento definitivo da ação judicial. Observo que a RECORRENTE aponta para a existência de processo judicial (Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0238691 ou NPU 002386969.2001.4.03.6100), com identidade de partes e objeto em relação ao presente processo administrativo. A RECORRENTE reconhece expressamente que o Mandado de Segurança por ela impetrado possui o mesmo objeto de fundo do caso em análise. Na ação judicial, a RECORRENTE defende que “os pagamentos destinados à NSS BV, sua controladora holandesa, não deveriam se sujeitar ao IRRF por força do disposto no artigo 7° da convenção destinada a evitar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal em matéria de imposto de renda celebrado entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo do Reino dos Países Baixos, promulgado no Brasil pelo Decreto n° 355/91 ("Tratado BrasilHolanda")”. O Mandado de Segurança impetrado pela RECORRENTE foi inicialmente distribuído para a 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo. Posteriormente, foi remetido ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região para apreciação do Recurso de Apelação interposto pela RECORRENTE, tendo sido negado provimento ao referido recurso em maio de 2012. Foi apresentado Recurso Especial por parte do RECORRENTE. Em pesquisa no sítio eletrônico do Superior Tribunal de Justiça – STJ (www.stj.jus.br), constatei que o Recurso Especial interposto pela RECORRENTE (distribuído sob o nº REsp 1427533/SP) foi definitivamente julgado em abril de 2017. Conforme decisão do monocrática do Ministro Relator. Sr. Benedito Gonçalves, foi dado provimento ao recurso especial da ora RECORRENTE, a fim de reconhecer que, no caso concreto da operação da contribuinte, a tributação dos valores remetidos para a controladora sediada no exterior deve se dar exclusivamente no Estado onde localizada a empresa que origina o lucro (no caso, a Holanda); a conferir: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IRRF. SERVIÇOS PRESTADOS POR EMPRESA ESTRANGEIRA SEM TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. REMESSA AO EXTERIOR. EMPRESA SEDIADA NA HOLANDA. COBRANÇA QUE DEVE SER EFETUADA NO PAÍS DE ORIGEM. ARTIGO 7º DA CONVENÇÃO BRASILREINO DOS PAÍSES BAIXOS. PREVALÊNCIA DA CONVENÇÃO INTERNACIONAL. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. (...) Dito isso, verificase que a ora recorrente New Skies Satellites Ltda impetrou, na origem, mandado de segurança preventivo, com pedido liminar, contra ato do Delegado da Receita Federal Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.328 18 Tributária em São Paulo, objetivando assegurar o seu direito líquido e certo, com fundamento no artigo 7º, da Convenção entre Brasil e Reino dos Países Baixos (Holanda), aprovado pelo Decreto Legislativo 60/1990, de não sofrer retenção de Imposto de Renda (IR) sobre as remessas de valores a serem efetuadas à empresa controladora New Skies Satellites N.V., com sede na Holanda, alegando que a atividade de provimento de capacidade de satélite praticada pela controladora desenvolvese fora do território nacional e que o conceito de estabelecimento permanente não alcança a impetrante, a teor do que prescreve o art. 5º da referida convenção, configurando a remessa ao exterior, assim, lucro da empresa que não se enquadra em nenhuma das categorias de incidência isolada. (...) O exame da controvérsia deve restringirse, então, a verificar se os rendimentos auferidos pela recorrente possuem a natureza de lucro e por essa razão sujeitamse à tributação exclusiva no Estado de sua origem, a teor do previsto no citado art. 7º, ou se podem ser enquadrados como outros rendimentos não expressamente mencionados na Convenção, o que legitimaria a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF na forma do art. 22, como decidido pelo Tribunal a quo, ao entender que os valores remetidos para a empresa controladora na Holanda (New Skies Satellites B.V.) revestemse da natureza de rendimento auferido como contraprestação pelos serviços contratados. (...) Enfatizese que o artigo 7º da Convenção, conforme lição de Alberto Xavier (in Direito Tributário Internacional do Brasil, Editora Forense, 2005, p. 692 e 697), contempla duas distintas normas, quais sejam: a que estabelece uma competência exclusiva em favor do Estado de residência, quando a empresa não possua estabelecimento permanente no outro Estado no qual foi prestado o serviço e uma que prevê uma competência cumulativa em favor do Estado fonte, na hipótese de ali estar localizado o estabelecimento permanente do prestador. Nesse contexto, não há falar em enquadramento no art. 22, haja vista que tal dispositivo diz respeito aos demais rendimentos não expressamente mencionados, vale dizer, rendimentos residuais, e não aqueles já abrangidos por outras normas convencionais. De igual modo, inaplicável o princípio da prevalência dos regimes especiais, na medida em que não se tratam de pagamentos de royalties ou outros valores que possuam tratamento específico na Convenção, os quais não seriam afetados pela regra geral contida no art. 7º. (...) Evidenciase, portanto, ser ilegítima a pretensão fazendária atinente à exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.329 19 a remessa de numerário para pagamento de serviços prestados sem transferência de tecnologia pela recorrente. Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial, nos termos da fundamentação.” Referida decisão transitou em julgado no dia 14/06/2017, conforme extrato de acompanhamento processual do STJ, abaixo colacionado: Sendo assim, quanto a incidência do IRRF, o presente processo administrativo deve seguir a sorte da ação judicial interposta pela RECORRENTE. Sobre as outras matérias de defesa da impugnação e do recurso voluntário (alíquota do IRRF de 15% e não de 25%; reajustamento da base de cálculo) todas consequentes e interligadas com o lançamento do IRRF, não vejo como elas podem ser superadas pelo julgamento judicial que concedeu a segurança pleiteada pelo contribuinte, no sentido de reconhecer “ser ilegítima a pretensão fazendária atinente à exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre a remessa de numerário para pagamento de serviços prestados sem transferência de tecnologia pela recorrente”. Portanto, não há mais sentido esse órgão julgador debater as questões adjacentes ao recolhimento do tributo. Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 19515.008378/200845 Acórdão n.º 2201003.743 S2C2T1 Fl. 1.330 20 Do Recurso de Ofício. Conforme exposto, em razão do parcial provimento da impugnação pela DRJ de origem, que entendeu pela aplicação da alíquota de 15% (e não de 25%) ao caso, houve a exoneração de parte do crédito lançado, o que provocou a interposição de recurso de ofício. No entanto, conforme já exposto, a questão acerca da alíquota correta do IRRF a ser aplicada encontrase superada pela decisão do Poder Judiciário que entendeu não incidir o imposto sobre os valores remetidos pela RECORRENTE a sua controladora no exterior. Portanto, resta também prejudicada a análise do referido Recurso de Ofício. Conclusão. Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, em virtude do trânsito em julgado da decisão proferida na ação judicial nº 002386969.2001.4.03.6100, que julgou ser ilegítima a incidência do IRRF sobre as remessas feitas pela RECORRENTE à sua controladora na Holanda. Portanto, deve ser extinto o crédito tributário lançado. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 1366DF CARF MF
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Numero do processo: 10907.720107/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 29/04/2004
DECADÊNCIA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA, NA IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DOS REAIS INTERVENIENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ART.23, PARÁGRAFOS 2O E 3o DO DECRETO-LEI 1455/77. DIFERENÇA DE IMPOSTO. MULTA QUALIFICADA.
A existência de processo judicial, proposto por terceiro de boa-fé, cujo objeto é a legalidade da aplicação da pena de perdimento, não obsta a formalização do crédito tributário, seja quanto às diferenças de imposto, ou quanto a penalidades, devendo haver o lançamento para prevenir a decadência, nos termos do art.63 da Lei n. 9430/96, reproduzido no art.682 do Regulamento Aduaneiro, Decreto n. 6759/2009. Improcedente a alegação da fiscalização segundo a qual o termo inicial da contagem do prazo decadencial, seria a data do trânsito em julgado da decisão judicial que declarou nula a pena de perdimento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-002.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Renato Vieira de Avila não participou do julgamento por estar substituindo a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
(assinatura digital)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA, NA IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DOS REAIS INTERVENIENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ART.23, PARÁGRAFOS 2O E 3o DO DECRETOLEI 1455/77. DIFERENÇA DE IMPOSTO. MULTA QUALIFICADA. A existência de processo judicial, proposto por terceiro de boafé, cujo objeto é a legalidade da aplicação da pena de perdimento, não obsta a formalização do crédito tributário, seja quanto às diferenças de imposto, ou quanto a penalidades, devendo haver o lançamento para prevenir a decadência, nos termos do art.63 da Lei n. 9430/96, reproduzido no art.682 do Regulamento Aduaneiro, Decreto n. 6759/2009. Improcedente a alegação da fiscalização segundo a qual o termo inicial da contagem do prazo decadencial, seria a data do trânsito em julgado da decisão judicial que declarou nula a pena de perdimento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Renato Vieira de Avila não participou do julgamento por estar substituindo a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 01 07 /2 01 1- 89 Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 94 2 Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira Redator designado Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Referese o presente processo administrativo a auto de infração para a cobrança de tributos incidentes sobre a importação, com multa qualificada, e multa prevista no artigo 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata este processo de autuação da empresa FLÓRIDA S/A IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO, CNPJ nº 63.772.842/000424 (filial de Paranaguá/PR), e OUTROS, para exigência de créditos tributários relativos à conversão da pena de perdimento em multa, diferença de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, multa de ofício agravada e juros de mora, apurados em decorrência da importação realizada através da DI nº 06/06042044. A autuação totalizou R$ 5.626.116,88. O detalhamento dos elementos considerados para a autuação encontramse no Relatório Fiscal, de fls. 13 a 80, e anexos, de fls. 81 a 588, que apontam, em síntese, os seguintes fatos: A referida empresa FLÓRIDA, mediante a Licença de Importação – LI nº 06/06042044 e fatura nº 003904, no dia 29/04/2004, registrou a Declaração de Importação nº 04/04056789, perante a Alfândega do Porto de Sepetiba – RJ, a fim de nacionalizar um BARCO DE PASSEIO, MARCA PREVEZA, MODELO 64, CONSTRUÍDO EM FIBRA DE VIDRO, ANO 2004, COMPRIMENTO 19,50 MTS., BOCA 5,03 MTS. e ALTURA 6,60 MTS., TOTALMENTE EQUIPADO; Na referida DI, parametrizada para o canal vermelho de conferência aduaneira, desembaraçada em 03/05/2004, consta como fabricante/produtor do bem a empresa argentina PREVEZA S/A e como exportadora a empresa uruguaia BERLISOL TRADE S/A; Pouco tempo depois da sua nacionalização pela empresa FLÓRIDA, o BARCO foi vendido à empresa BAUEN S/A Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 95 3 COMÉRCIO EXTERIOR, CNPJ nº 39.640.602/000149, e, na sequência, em 24/06/2004, à empresa REPLECTA PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ nº 04.760.709/000146; Com base em denúncia, o Escritório de Pesquisa e Investigação na 7ª Região Fiscal da Receita Federal do Brasil – ESPEI07 elaborou um conjunto de informações relacionadas ao bem e à operação de importação, explicitando diversas irregularidades, que foi encaminhado ao Ministério Público Federal do Estado do Rio de Janeiro. Em consequência, foi ajuizada Medida Cautelar Criminal de Sequestro do BARCO perante Vara Federal de Angra dos Reis, processo judicial nº 2004.51.11.0008872/RJ, em face da empresa FLÓRIDA, da empresa REPLECTA e de um de seus proprietários, ROLANDO ROZENBLUM ELPERN, CPF nº 874.005.61987, tendo sido deferida em outubro de 2005 a indisponibilidade da embarcação, e em novembro do mesmo ano foi decretada sua apreensão física; Entre outras infrações anotadas, o ESPEI07 apontou que o preço real de negociação foi de R$ 3.178.549,00 (US$ 1.090.000,00), a taxa de câmbio de 2,9161, vigente na data do registro da DI, enquanto que o valor declarado foi de R$ 685.283,50 (US$ 235.000,00), temse, então, que o valor declarado representou apenas 22% do valor real; No desenrolar da referida Medida Cautelar Criminal de Sequestro, a ela foram apensados os Embargos de Terceiro nº 2005.51.11.0007768/RJ, de autoria da empresa AMON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS, CNPJ nº 05.371.874/000179, que havia adquirido o BARCO da empresa REPLECTA. Visando a liberação da embarcação, a AMON ofereceu depósito, no valor total de R$ 685.845,20, montante esse que ainda seria devido à REPLECTA. O parquet alegou àquele momento que tal valor garantiria o ressarcimento dos cofres públicos, permitindo o levantamento do sequestro judicial; Após encaminhamentos internos, as informações de interesse chegaram à DRF Paranaguá, que atualmente denominase Alfândega da Receita Federal do Brasil no Porto de Paranaguá. Assim, quando da revisão da DI nº 04/04056789, em 14/06/2006, coube àquela unidade, através do processo administrativo nº 10907.001381/200698, propor a aplicação da pena de perdimento ao BARCO, que foi efetivamente decretada pela autoridade administrativa em 11/10/2006; Na constituição do fiel depositário da embarcação, a empresa AMON requereu à Alfândega do Porto de Santos que um de seus sócios e administrador, SÉRGIO TADEU RODRIGUES LOPES, CPF nº 035.296.19884, fosse eleito fiel depositário do BARCO, pedido esse aceito pela fiscalização. A mesma empresa requereu também pela liberação da embarcação, alegando já existir depósito judicial na mencionada Medida Cautelar Criminal de Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 96 4 Sequestro, e sua aquisição teria se dado no mercado interno, na condição de terceiro de boafé; Buscando reverter a situação administrativa do BARCO, em 07/05/2007, a AMON impetrou o Mandado de Segurança nº 2007.70.08.0006574/PR. Tal ação, após os recursos cabíveis, transitou em julgado em 14/01/2010, com decisão favorável à impetrante, considerada terceira de boafé, o que determinou a expedição de novo Despacho Decisório administrativo reconhecendo a nulidade da pena de perdimento antes aplicada; A decisão judicial anulatória da pena de perdimento não discutiu o mérito das razões e, por óbvio, tampouco julgou improcedente ou ilegal a autuação, tão somente decretou a nulidade da pena aplicada e determinou sua liberação à impetrante; Em paralelo, a fiscalização da Alfândega do Porto de Santos submeteu a empresa FLÓRIDA à sistemática prevista pela IN SRF 228/2002, que dispõe sobre procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas; Dentre as conclusões firmadas pela fiscalização está a de que a empresa praticou diversas importações por conta e ordem de terceiros com a ocultação do sujeito passivo e interposição fraudulenta, infrações disciplinadas pelo artigo 23, inciso V, do Decretolei 1.455/76, com redação dada pelo artigo 59 da Lei 10.637/2002; Como uma das consequências de tal ação fiscal, foi declarada a inaptidão da inscrição da pessoa jurídica perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ, que tornou ineficaz tributariamente os documentos por ela emitidos a partir de 01/04/2003, conforme consta do Ato Declaratório Executivo – ADE nº 13, de 13/07/2006, publicado no DOU em 19/07/2006, embasado no que consta do processo administrativo nº 11128.007129/200541; Através da investigação da importação pelo ESPEI07, com a participação da fiscalização aduaneira em Paranaguá e do que consta no Relatório elaborado pela fiscalização de Santos, foi possível concluir que a transferência do BARCO da empresa FLÓRIDA para a empresa BAUEN deuse apenas com a finalidade de aproximar o valor da embarcação ao seu valor de mercado, pois, como o bem havia sido subfaturado na importação, foi necessário atualizar seu preço através dessa alienação; Senão vejamos, após ser internada, a lancha foi registrada na Capitania dos Portos em Itacuruça, pouco tempo depois, foi transferida para a Capitania de Angra dos Reis, Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 97 5 juntamente com a transferência de sua propriedade para a empresa REPLECTA, pelo valor de R$ 1.993.000,00. A nota fiscal que acobertou a operação foi emitida pela empresa BAUEN, filial São Paulo (0004), em 24/06/2004. O estabelecimento matriz da empresa deveria estar localizado em Vitória ES, todavia, em julho de 2004, essa empresa foi considerada inapta pela RFB, por não ter sido encontrada no endereço registrado; Os trabalhos de fiscalização identificaram também que o estabelecimento que teria emitido a nota fiscal de nº 1867 (filial 0004), relativa à venda do barco da empresa BAUEN para a empresa REPLECTA, não estava habilitado para tanto, conforme consta no cadastro de informações da Fazenda Estadual paulista; A empresa BAUEN não apresentou nenhuma movimentação financeira durante o ano de 2004. Essa pessoa jurídica declarouse perante o IRPJ como inativa nos anos calendário de 2002 a 2005, tendo alterado tal condição em 27/10/2006; De acordo com o que consta em contrato, na data de 30/10/2004, pouco mais de 5 meses após o desembaraço da DI nº 04/04056789, ocorrido em 03/05/2004, a REPLECTA formalizou a revenda do BARCO com prejuízo, por R$ 1.800.000,00, que supostamente teria sido adquirido da BAUEN, em 24/06/2004, por R$ 1.993.000,00. Curiosamente, a mesma embarcação foi posta a venda por R$ 2.500.000,00, quase 7 anos após a fabricação e importação; Entendeu a fiscalização que tanto a venda da FLÓRIDA para a BAUEN, como a venda da BAUEN para a REPLECTA, constituíramse em meros instrumentos simulatórios para encobrir os reais adquirentes do bem e seu real valor aduaneiro; Entendeu também que o nome do BARCO, ROKA, teria sido dado pelas iniciais dos nomes de dois irmãos, ROLANDO ROZENBLUM ELPERN e KARINA ROZENBLUM ELPERN, CPF nº 004.873.23971, tanto é assim, que o próprio Ministério Público Federal incluiu ROLANDO entre os réus da citada Medida Cautelar Criminal de Sequestro; Tal entendimento também adveio da análise do processo nº 20.461/2003, arquivado no Tribunal Marítimo, localizado no Rio de Janeiro, que relata um acidente envolvendo uma lancha de nome ROKA, ocorrido em novembro de 2002, no percurso entre Paranaguá e Agra dos Reis, de propriedade da empresa OZYX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA., CNPJ nº 02.891.967/000136, cujo quadro societário é formado por uma empresa uruguaia de nome BIRACO SOCIEDAD ANONIMA, KARINA ROZENBLUM ELPERN e NOEMI ELPERN KOTLIAREVSKI DE ROZENBLUM, filha e mãe respectivamente; Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 98 6 Na marina PIRATA’S MALL, localizada em Angra dos Reis, a fiscalização também colheu informação de que o proprietário do BARCO seria mesmo ROLANDO; A relação entre a REPLECTA e ROLANDO ROZENBLUM ELPERN foi fartamente demonstrada nas Ações Penais nº 2006.70.00.0122997 e nº 2006.70.00.020654, que não possuem relação direta com os fatos apurados neste processo, todavia, as sentenças proferidas nessas Ações integram o conjunto de provas deste processo. Na primeira Ação, foi detalhado o funcionamento de uma organização criminosa com o fim de praticar diversos crimes, inclusive o de evasão de divisas e descaminho, na segunda Ação, a sentença proferida particulariza que o controle de fato da empresa REPLECTA sempre esteve nas mãos de ROLANDO ROZENBLUM ELPERN e ISIDORO ROZENBLUM TROSMAN, CPF nº 183.997.97987; Das referidas Ações penai s depreendese também que ROLANDO E KARINA são irmãos por parte de mãe, NOEMI ELPERN KOTLIAREVSKI ROZENBLUM, e pai, ISIDORO ROZENBLUM TROSMAN; Concluiu a fiscalização que a fraude perpetrada tinha como objetivo final a internalização, com sonegação de tributos, do BARCO objeto da DI nº 04/04056789, a qual serviu como anteparo legal para ocultar os reais beneficiários da operação de importação, ROLANDO ROZENBLUM ELPERN e ISIDORO ROZENBLUM TROSMAN, controladores de fato da empresa REPLECTA; Apontou também a fiscalização recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI devido na operação de importação pela alíquota de 10%, quando deveria ter sido observada a alíquota de 25%, tendo em vista o adicional de 15% previsto quando do registro da DI; De acordo com a Nota Complementar – NC nº 1 do Capítulo 89 (NC 891) da TIPI, deveria ser acrescida de quinze pontos percentuais as alíquotas incidentes sobre os barcos e embarcações, classificados nos códigos 8903.91.00 e 8903.92.00, com comprimento, de proa a popa, superior ou igual a doze metros, providos de pelos menos um convés fechado, dormitório, banheiro e cozinha. O barco foi classificado no código (NCM) nº 8903.92.00; De início, não houve lançamento de crédito tributário para exigência da diferença de IPI, tendo sido aplicada exclusivamente a pena de perdimento ao BARCO. Posteriormente, diante da impossibilidade de aplicação da pena de perdimento por decisão judicial, ocorreu a conversão da pena em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro do bem (Art. 23, § 3º, DL 1.455/1976), o lançamento da diferença de IPI não recolhida, bem como da multa de ofício agravada e dos juros respectivos; Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 99 7 Quanto ao Imposto de Importação – II, por se tratar de bem originário de país integrante do MERCOSUL, a alíquota prevista era de 0%; Diante da nulidade da pena de perdimento anteriormente aplicada, coube à autoridade administrativa efetuar os lançamentos em questão, após o trânsito em julgado do mandamus, ocorrido em 14/01/2010. Os valores expressos em moeda estrangeira foram convertidos à taxa de câmbio da data do registro da DI (24/04/2004); Embasada no disposto pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN, entendeu a fiscalização da Alfândega do Porto de Paranaguá que não há que se falar em decadência dos créditos tributários constituídos; Em decorrência das apurações realizadas, concluiuse pela ocorrência das seguintes irregularidades na importação: i) ocultação do real adquirente das mercadorias mediante fraude ou simulação; ii) interposição fraudulenta de terceiros; iii) declaração inexata de valor da mercadoria (falsidade do valor aduaneiro declarado); iv) emprego de alíquota incorreta para o IPI; Além da empresa FLÓRIDA, as empresas BAUEN (fls. 595 e 596) e REPLECTA (fls. 592 e 593) foram autuadas solidariamente como responsáveis pelos créditos tributários lançados, nos termos do inciso I, do artigo 95, e inciso I, do artigo 124, ambos do Decretolei nº 37/1966, conforme consta dos respectivos “Termo de Ciência – Responsabilização Solidária por Infração”; Foram também autuados como solidariamente responsáveis pelos créditos tributários lançados, nos termos do inciso III, do artigo 135, do Decretolei 37/1966, os seguintes administradores das citadas empresas, conforme consta dos respectivos “Termo de Ciência – Responsabilização Pessoal”: i) Administradores da empresa FLÓRIDA: LUIS CARLOS KLEIN (fls. 601 e 602), CPF nº 222.606.17034; MARCO ANTÔNIO DE CAMPOS ZIEGERT (fls. 625 e 626), CPF nº 992.238.72804. ii) Administradores da empresa BAUEN: NELMA PINTO CORREA (fls. 619 e 620), CPF nº 699.240.400 82; JOSÉ CELITO DE SOUZA (fls. 616 e 617), CPF nº 148.550.20044; CLEVELAND MOREIRA JUNIOR (fls. 613 e 614), CPF nº 035.839.86733, e PAULO SÉRGIO LESSA (fls. 607 e 608), CPF nº 049.356.01817. iii) Administradores da empresa REPLECTA: ROLANDO ROZENBLUM ELPERN (628 e 629), CPF nº 874.005.61987 e ISIDORO ROZENBLUM TROSMAN (fls. 631 e 632), CPF nº 183.997.97987. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 100 8 A empresa FLÓRIDA foi cientificada da autuação através do Edital SAFIA nº 008/2011, afixado em 21/06/2011 (fl. 591), todavia, não consta dos autos que essa empresa tenha apresentado impugnação. Declarada a revelia da empresa às fls. 806 e 807. A empresa BAUEN foi cientificada da autuação através do Edital SEFIA nº 009/2011, afixado em 21/06/2011 (fl. 597), todavia, não consta dos autos que essa empresa tenha apresentado impugnação. Declarada a revelia da empresa às fls. 806 e 807. A empresa REPLECTA foi cientificada da autuação pela via postal em 24/06/2011 (fl. 594). Apresentou impugnação em 25/07/2011 (fls. 661 a 719). Alegou que: 1. De início, descreveu os fatos que motivaram a autuação; I Preliminar. Cerceamento do direito de defesa. Ausência de juntada da cópia integral do auto de infração nº 10907.001381/200698 e dos processos administrativos nº 10907.000023/200587 e nº 10907.000520/200666. 2. Tendo em vista que o auto de infração em comento, no qual a impugnante figura como responsável solidária, decorre da anulação judicial dos efeitos do Auto de Infração nº 10907.001381/200698, é imprescindível o conhecimento da totalidade do referido processo para garantir o seu direito de defesa, todavia, à presente autuação juntouse apenas as suas primeiras folhas; 3. A Receita Federal de Paranaguá – PR não permitiu que a impugnante extraísse fotocópia do citado auto de infração, sob alegação de que a impugnante não integra o processo movido contra a empresa FLÓRIDA S/A IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO; 4. As informações que compõem o auto de infração nº 10907.001381/200698 foram extraídas dos PAFS nº 10907.000023/200587 e nº 10907.000520/200666, contudo, suas fotocópias também não foram juntadas aos autos; 5. Assim, a presente exigência fiscal incorreu em cerceamento do direito de defesa, pois não juntou a totalidade de documentos necessários para a impugnante apresentar sua defesa administrativa, devendo ser declarada nula. Citou acórdão do antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF; 6. Além de não ter acesso aos processos administrativos que desencadearam a presente autuação, a impugnante não participou dos procedimentos iniciais desse auto de infração e dos demais processos administrativos, sendo que a falta de intimação para que a impugnante se manifestasse na fase de constituição do crédito tributário constitui flagrante Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 101 9 cerceamento de direito de defesa, o que também acarreta a nulidade do presente auto de infração; II – Do Direito. II.1 – Da decadência do lançamento do IPI. 7. Entende a fiscalização que não cabe falar em decadência do crédito tributário constituído tendo em vista que se está diante da situação prevista pelo art. 173, I, da Lei 5.172/66. A contagem de prazo defendida pela fiscalização toma como marco inicial a data em que se tornou definitiva a decisão judicial que afastou a pena de perdimento sobre o bem objeto da autuação originária, qual seja, 14/01/2010; 8. A ação mandamental nº 2007.70.08.0006574, impetrada pela AMON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., proprietária da embarcação, teve como objeto apenas a anulação da pena de perdimento decretada no processo administrativo nº 10907.001381/200698, sob o argumento de ser ela terceira de boafé. A decisão final, favorável à empresa, determinou a anulação da pena de perdimento aplicada sobre a embarcação BILLY, antiga ROKA. Reproduziu decisão judicial; 9. Em nenhum momento há qualquer menção quanto à suspensão de exigibilidade do imposto supostamente devido e não recolhido na operação; 10. Causa estranheza a fiscalização concordar com o fato de a decisão não ter discutido o mérito da autuação, tão somente decretou a nulidade da pena aplicada, para o fim de afastar a restrição sobre o bem objeto da lide, conforme consta à fl. 22 dos autos. Se a ação mandamental não discutiu o mérito da autuação, bem como a legalidade da importação realizada, tornase evidente o fato de não ter ocorrido qualquer hipótese de suspensão do prazo decadencial. A ação mandamental não questionou a importação, portanto, não poderia ser considerada para que o fisco suspendesse a exigência do imposto supostamente não recolhido na operação de importação; 11. Para efeito de auditoria ou revisão aduaneira da operação de importação, o prazo decadencial tem seu início na data de registro da declaração de importação. Transcorridos mais de cinco anos entre essa data e a ciência do auto de infração, estamos diante da figura da decadência, que extingue o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário, conforme o art. 54, 138 e 139 do DL nº 37/66, com redação do art. 2º do DL nº 2.472/88. Reproduziu legislação; 12. Como é sabido o crédito tributário deve ser definitivamente constituído pelo ato jurídico do lançamento, no prazo máximo de 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo. Reproduziu legislação e doutrina; 13. No presente caso é aplicável o disposto pelo § 4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional, donde está decaído o direito do Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 102 10 Fisco efetuar o lançamento do imposto cujos fatos geradores ocorreram antes de junho de 2006, já que os impugnantes tomaram ciência do presente auto de infração somente em 06/2011. E mesmo se alegue que o prazo decadencial só começa a correr no primeiro dia do exercício subsequente ao da ocorrência do fato gerador, ainda assim o crédito tributário encontrase atingido pela decadência; 14. O prazo decadencial iniciouse em 29/04/2004, na data do desembaraço, vindo a se concluir em 29/04/2009, portanto, muito antes da constituição do crédito tributário pelo lançamento, cuja ciência do sujeito passivo ocorreu em 24/06/2011. Reproduziu acórdãos do CARF. Considerando que a contagem do prazo decadencial deve ter por termo inicial a data do despacho aduaneiro para o IPI, o crédito tributário em discussão está afetado pela decadência. II.2 – A decadência da conversão do perdimento em multa para a impugnante. 15. O presente auto de infração é oriundo do cancelamento da pena de perdimento formalizada no processo administrativo nº 10907.001381/200698, no qual a impugnante não foi incluída; 16. A fiscalização poderia ter autuado os responsáveis tributários dentro dos cinco anos a contar da data do despacho aduaneiro, 29/04/2004; 17. Considerando que a impugnante somente foi acionada em 24/06/2011, tornase evidente a impossibilidade da exigência da multa decorrente da conversão da pena de perdimento, vez que atingida pela prescrição quinquenal; 18. A ação mandamental nº 2007.70.08.0006574, impetrada pela AMON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., não analisou se o auto de infração foi lavrado corretamente ou não. Tal ação não pode ser usada para justificar a demora da Receita Federal em incluir o impugnante como responsável pela operação de importação da embarcação BILLY, antiga ROKA; 19. Não tendo a impugnante figurado no processo que determinou a pena de perdimento, que segundo a fiscalização interrompeu a decadência, evidente que neste momento está decaído o direito de lançar tal exigência contra ela; II.3 – Da ausência de prova de responsabilidade da impugnante. 20. Os fatos que conduziram a fiscalização a incluir a empresa ora impugnante como responsável tributário na presente autuação decorrem de conclusões contidas nas sentenças das ações penais, que não trazem qualquer correlação entre a mesma e a importadora Flórida, portanto, não se prestam como provas para responsabilizála; Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 103 11 21. O diálogo relatado nos autos da Ação Penal nº 2006.70.00.0122997 (áudio 49) não demonstra cabalmente o envolvimento da impugnante na suposta fraude ocorrida na importação do barco BILLY, antigo ROKA; 22. Não há nos autos qualquer documento que demonstre ações supostamente fraudulentas realizadas pela impugnante que tenham vínculo com a importação objeto desta autuação. Reproduziu acórdãos do Conselho de Contribuintes, atual CARF; 23. Afirmou a regularidade da operação de compra do barco pela impugnante, realizada junto à BAUEN S/A COMÉRCIO EXTERIOR, em 24/06/2004, pelo valor de R$ 1.993.000,00. A empresa realizou os seguintes saques em sua conta para efetuar o pagamento: R$ 352.387,14, realizado em 25/05/2004; R$ 1.000.000,00, realizado em 02/07/2004; o saldo da operação, no valor de R$ 640.612,86, foi também pago, porém a empresa não localizou os comprovantes; 24. O fato da empresa emissora da nota fiscal não estar regularmente instalada, além de estar inapta, não é suficiente para comprovar o envolvimento da impugnante na importação tida como fraudulenta; 25. Está amparada pela presunção da boafé; II.4 – Da insubsistência do valor da mercadoria utilizado pelo Fisco. 26. O Fisco utilizou suposto email encaminhado pelo produtor argentino para justificar o valor do barco, todavia, esse apresenta as seguintes características: Modelo 64 e Ano 2004, enquanto que o barco apresentado como referência de preço possui outras características: Modelo 65 e Ano 2004/05; 27. Mera consulta de preços realizada por email, seis meses após a importação, não possui condão de comprovar que o valor declarado foi inferior ao valor praticado, por diversos fatores: alteração de modelos, atualização de preços e ausência de negociação entre as partes; II.5 – Da indevida aplicação da pena de perdimento 28. No auto de infração nº 10907.001381/200698, lavrado contra a empresa FLÓRIDA S/A IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO, foi aplicada a pena de perdimento; 29. O artigo 105, inciso VI, do Decretolei 37/66, referese à falsidade material do documento, ocorre que o auto de infração foi lavrado sob a alegação de que a mercadoria importada teria sido supostamente subfaturada na Declaração de Importação nº 06/04056789, ou seja, suposta falsidade ideológica, para a qual está prevista aplicação de multa específica, nos termos do § Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 104 12 único, do artigo 108, do Decretolei 37/66. Reproduziu julgados do Poder Judiciário; 30. Não havendo pena de perdimento, não há como aceitar a exigência da multa lançada no presente auto de infração, uma vez que a mesma é decorrente da conversão da pena de perdimento; II.6 – Da impossibilidade de conversão da pena de perdimento em multa. Princípio da estrita legalidade. 31. A pena de perdimento originalmente aplicada foi convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do § 3º, do inciso V, do artigo 23, do Decretolei 1.455/76, com a redação dada pela Lei 10.637/02. Reproduziu legislação; 32. A conversão da pena de perdimento somente poderia ocorrer nos seguintes casos (art. 73 da Lei 10.833/03 e art. 23, § 3º, do DL 1.455/76): i) não sendo a mercadoria localizada; ii) consumo da mercadoria. Por conseguinte, a fiscalização não poderia enquadrar a mercadoria em nenhuma dessas hipóteses, o que torna o lançamento absolutamente improcedente. Reproduziu doutrina; 33. A lavratura do auto de infração para exigir a multa em razão da impossibilidade de apreensão da mercadoria por ordem judicial acabou por violar o Princípio da Legalidade, pois criou uma nova hipótese legal para conversão da pena de perdimento em multa. Reproduziu acórdão do CARF; II.7 – Da impossibilidade de cumulação do imposto com a multa decorrente da conversação da pena de perdimento. 34. Além da multa pela conversão da pena de perdimento, a fiscalização busca também o recolhimento da diferença de IPI devido no ato da importação. Reproduziu o artigo 71, inciso III, do Decreto 4.543/02; 35. O IPI é um tributo incidente sobre a entrada do bem em território nacional. Diante da aplicação da pena de perdimento, ou da multa substitutiva equivalente ao valor da mercadoria, não subsiste a base fáticoeconômica sobre a qual incidiu o tributo, desaparece, portanto, o fato signopresuntivo de riqueza e, consequentemente, não se verifica possível a manutenção dos valores recolhidos a título de IPI. Reproduziu julgados do Poder Judiciário; 36. Pelo exposto, se a autoridade fiscal impõe ao importador e demais responsáveis a pena de perdimento, como ocorreu, o tributo não será devido, porque o fato não subsistiu; II.8 – Da inexigibilidade da multa. II.8.1 – Da inaplicabilidade da multa majorada. Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 105 13 37. Não restou demonstrado pela fiscalização a justificativa para a aplicação da multa qualificada. Reproduziu o artigo 44 da Lei 9.430/96; 38. Entendeu a fiscalização que restou caracterizada a fraude prevista no artigo 72, da Lei 4.502/64, conforme afirmou a fiscalização às fls. 25 e 29 dos autos. Reproduziu legislação; 39. Questiona qual foi o ato praticado que pode ser considerado como evidente intuito de sonegar ou fraudar; 40. Não há nos autos qualquer prova que possa evidenciar a prática de ato doloso com o intuito de fraudar o Fisco, ou ainda, que esses fatos tenham qualquer relação com o lançamento efetuado. Reproduziu diversos acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes e do CARF; 41. Para aplicação da multa qualificada deve ser provado pela fiscalização que houve o propósito de modificar a característica do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de reduzir o imposto devido ou evitar o seu pagamento; II.8.2 – Da ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco. 42. Afirmou que, ao aplicar multas em percentuais de 100% e 150%, a fiscalização violou o princípio constitucional do não confisco, consagrado implicitamente pela Constituição, em seu artigo 5º, XXII. Reproduziu doutrina e julgados de nossos Tribunais; 43. Concluiu que, se é que as multas deveriam ser aplicadas, necessário que elas não ultrapassassem 20% do valor do tributo exigido; III – Do Pedido. 44. Requer sejam julgadas as razões de impugnação, cancelandose o auto de infração questionado, vez que se encontra afetado por inúmeras irregularidades, inclusive a decadência. Caso não sejam reconhecidas as irregularidades e as decadências sustentadas, requer seja julgada improcedente a autuação, em face da inexigibilidade da multa e do imposto nos moldes constantes dos autos, por fim, requer seja afastada a multa qualificada de 150%, diante da inocorrência de fraude. LUIS CARLOS KLEIN, CPF nº 222.606.17034, foi cientificado através do Edital SAFIA nº 010/2011, afixado em 04/07/2011 (fl. 603), todavia, não consta dos autos que esse autuado tenha apresentado impugnação. Declaração de revelia (fls. 806 e 807). MARCO ANTÔNIO DE CAMPOS ZIEGERT, CPF nº 992.238.72804, foi cientificado da autuação em 06/07/2011 (fl. 627). Apresentou impugnação em 03/08/2011 (fls. 634 a 649). Alegou que: Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 106 14 1. Informa que desde outubro de 2014 não mais faz parte do quadro de acionistas da empresa FLÓRIDA S/A. Apresentou documentos; 2. Não tem legitimidade passiva para receber e adotar as providências legais relativas ao auto de infração; 3. Apesar de a pessoa jurídica estar com o seu CNPJ inapto, a contribuinte possui sede e domicílio certo onde recebe todas as notificações, correspondências, etc., tudo conforme consta nos registros da Junta Comercial de São Paulo – JUCESP; 4. A autuada tem representante legal apto para receber e adotar as providências legais cabíveis; 5. Não participou ou foi notificado deste procedimento administrativo fiscal, ou seja, não exerceu o seu direito constitucional de ampla defesa; 6. Mesmo quando acionista, nunca fui o responsável da empresa perante a Secretaria da Receita Federal, nem o seu responsável perante o sistema SISCOMEX; 7. Não tem condições legais para legitimar o recebimento do auto de infração em apreço, motivo pelo qual, em respeito ao princípio constitucional do devido processo legal e ampla defesa, o auto de infração deverá ser encaminhado à empresa autuada, para que seu representante legal possa tomar conhecimento e adotar as providências pertinentes; 8. É parte ilegítima para figurar no polo passivo do auto de infração. Não era o responsável pelo tramite aduaneiro. Menciona documento apresentado; 9. Pelo exposto, requer que o auto de infração seja encaminhado à empresa FLÓRIDA S/A, para que essa possa dar andamento ao feito. NELMA PINTO CORREA, CPF nº 699.240.40082, foi cientificada da autuação através do Edital SAFIA nº 012/2011, afixado em 11/07/2011 (fl. 624), todavia, não consta dos autos que essa autuada tenha apresentado impugnação. Declarada a sua revelia às fls. 806 e 807. JOSÉ CELITO DE SOUZA, CPF nº 148.550.20044, foi cientificado da autuação em 27/06/2011 (fl. 618), todavia, não consta dos autos que esse autuado tenha apresentado impugnação. Declarada a sua revelia às fls. 806 e 807. CLEVELAND MOREIRA JUNIOR, CPF nº 049.356.01817, foi cientificado da autuação em 27/06/2011 (fl. 615), todavia, não consta dos autos que esse autuado tenha apresentado impugnação. Declarada a sua revelia às fls. 806 e 807 PAULO SÉRGIO LESSA, CPF nº 049.356.01817, foi cientificado da autuação através do Edital SAFIA nº 011/2011, afixado em 04/07/2011 (fl. 609), todavia, não consta dos autos Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 107 15 que esse autuado tenha apresentado impugnação. Declarada a sua revelia às fls. 806 e 807. ROLANDO ROZENBLUM ELPERN, CPF nº 874.005.61987, foi cientificado da autuação através do Edital SAFIA nº 014/2011, afixado em 01/08/2011 (fl. 630). ISIDORO ROZENBLUM TROSMAN, CPF nº 183.997.97987, foi cientificado da autuação através do Edital SAFIA nº 015/2011, afixado em 01/08/2011 (fl. 633). Apresentaram impugnação conjunta em 25/07/2011 (fls. 720 a 768). Alegaram que: 1. De início, descreveram os fatos que motivaram a autuação; I Preliminar. Cerceamento do direito de defesa. Ausência de juntada da cópia integral do auto de infração nº 10907.001381/200698 e dos processos administrativos nº 10907.000023/200587 e nº 10907.000520/200666. 2. Tendo em vista que o auto de infração em comento, no qual os impugnantes figuram como responsáveis, decorre da anulação judicial dos efeitos do Auto de Infração nº 10907.001381/2006 98, é imprescindível o conhecimento da totalidade do referido processo para garantir os seus direitos de defesa administrativa, todavia, à presente autuação juntouse apenas as suas primeiras folhas; 3. A Receita Federal de Paranaguá – PR não permitiu que se extraísse fotocópia do referido auto de infração, sob alegação de que os impugnantes não integraram o processo movido contra a empresa FLÓRIDA S/A IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO; 4. As informações que compõem o auto de infração nº 10907.001381/200698 foram extraídas dos PAFS nº 10907.000023/200587 e nº 10907.000520/200666, contudo, suas fotocópias também não foram juntadas aos autos; 5. Assim, a presente exigência fiscal incorreu em cerceamento do direito de defesa, pois não juntou a totalidade de documentos necessários para os impugnantes apresentarem sua defesa administrativa, devendo ser declarada nula. Reproduziu acórdão do antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF; 6. Além de não ter acesso aos processos administrativos que desencadearam a presente autuação, os impugnantes não participaram dos procedimentos iniciais desse auto de infração e dos demais processos administrativos, sendo que a falta de intimação para que os impugnantes se manifestem na fase de constituição do crédito tributário constitui flagrante cerceamento de direito de defesa, o que também acarreta a nulidade do presente auto de infração; II – Do Direito. II.1 – Da decadência do lançamento do IPI. Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 108 16 7. Entende a fiscalização que não cabe falar em decadência do crédito tributário constituído tendo em vista que se está diante da situação prevista pelo art. 173, I, da Lei 5.172/66. A contagem de prazo defendida pela fiscalização toma como marco inicial a data em que se tornou definitiva a decisão judicial que afastou a pena de perdimento sobre o bem objeto da autuação originária, qual seja, 14/01/2010; 8. A ação mandamental nº 2007.70.08.0006574, impetrada pela AMON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., proprietária da embarcação, teve como objeto apenas a anulação da pena de perdimento decretada no processo administrativo nº 10907.001381/200698, sob o argumento de ser ela terceira de boafé. A decisão final, favorável à empresa, determinou a anulação da pena de perdimento aplicada sobre a embarcação BILLY, antiga ROKA. Reproduziu decisão judicial; 9. Em nenhum momento há qualquer menção quanto à suspensão de exigibilidade do imposto supostamente devido e não recolhido na operação; 10. Causa estranheza a fiscalização concordar com o fato de a decisão não ter discutido o mérito da autuação, tão somente decretou a nulidade da pena aplicada, para o fim de afastar a restrição sobre o bem objeto da lide, conforme consta à fl. 22 dos autos. Se a ação mandamental não discutiu o mérito da autuação, bem como a legalidade da importação realizada, tornase evidente o fato de não ter ocorrido qualquer hipótese de suspensão do prazo decadencial. A ação mandamental não questionou a importação, portanto, não poderia ser considerada para que o fisco suspendesse a exigência do imposto supostamente não recolhido na operação de importação; 11. Para efeito de auditoria ou revisão aduaneira da operação de importação, o prazo decadencial tem seu início na data de registro da declaração de importação. Transcorridos mais de cinco anos entre essa data e a ciência do auto de infração, estamos diante da figura da decadência, que extingue o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário, conforme o art. 54, 138 e 139 do DL nº 37/66, com redação do art. 2º do DL nº 2.472/88. Reproduziu legislação; 12. Como é sabido o crédito tributário deve ser definitivamente constituído pelo ato jurídico do lançamento, no prazo máximo de 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo. Reproduziu legislação e doutrina; 13. No presente caso é aplicável o disposto pelo § 4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional, donde está decaído o direito do Fisco efetuar o lançamento do imposto cujos fatos geradores ocorreram antes de junho de 2006, já que os impugnantes tomaram ciência do presente auto de infração somente em 06/2011. E mesmo se alegue que o prazo decadencial só começa a correr no primeiro dia do exercício subsequente ao da Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 109 17 ocorrência do fato gerador, ainda assim o crédito tributário encontrase atingido pela decadência; 14. O prazo decadencial iniciouse em 29/04/2004, na data do despacho aduaneiro, vindo a se concluir em 29/04/2009, portanto, muito antes da constituição do crédito tributário pelo lançamento, cuja ciência do sujeito passivo ocorreu em 24/06/2011. Reproduziu acórdãos do CARF. Considerando que a contagem do prazo decadencial deve ter por termo inicial a data do despacho aduaneiro para o IPI, o crédito tributário em discussão está afetado pela decadência; II.2 – A decadência da conversão do perdimento em multa para a impugnante. 15. O presente auto de infração é oriundo do cancelamento da pena de perdimento formalizada no processo administrativo nº 10907.001381/200698, no qual os impugnantes não foram incluídos; 16. A fiscalização poderia ter autuado os responsáveis tributários dentro dos cinco anos a contar da data do despacho aduaneiro, 29/04/200417. Considerando que os impugnantes somente foram acionados em 06/2011, tornase evidente a impossibilidade da exigência da multa decorrente da conversão da pena de perdimento, vez que atingida pela prescrição quinquenal; 18. A ação mandamental nº 2007.70.08.0006574, impetrada pela AMON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., não analisou se o auto de infração foi lavrado corretamente ou não. Tal ação não pode ser usada para justificar a demora da Receita Federal em incluir os impugnantes como responsáveis pela operação de importação da embarcação BILLY, antiga ROKA; 19. Não tendo os impugnantes figurado no processo que determinou a pena de perdimento, que segundo a fiscalização interrompeu a decadência, evidente que neste momento está decaído o direito de lançar tal exigência contra eles; II.3 – Da ausência de prova de responsabilidade dos impugnantes. 20. Os fatos que conduziram a fiscalização a incluir os impugnantes como responsáveis tributários na presente autuação decorrem de conclusões contidas nas sentenças das ações penais, que não trazem qualquer correlação entre os mesmos e a importadora Flórida, portanto, não se prestam como provas para responsabilizálos; 21. O diálogo relatado nos autos da Ação Penal nº 2006.70.00.0122997 (áudio 49) não demonstra cabalmente o envolvimento dos impugnantes na suposta fraude ocorrida na importação do barco BILLY, antigo ROKA. No que tange ao impugnante ISIDORO, notase que não há qualquer menção do Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 110 18 seu envolvimento em todos os documentos anexados no auto de infração; 22. Não há nos autos qualquer documento que demonstre ações supostamente fraudulentas realizadas pelos impugnantes que tenham vínculo com a importação objeto desta autuação. Reproduziu acórdãos do Conselho de Contribuintes, atual CARF; 23. Devese excluir a responsabilidade pelo crédito tributário, atribuída com fulcro nos artigos 124 e 135 do CTN, quando nos autos não restam comprovados os pressupostos que embasaram essa imputação; II.4 – Da insubsistência do valor da mercadoria utilizado pelo Fisco. 24. O Fisco utilizou suposto email encaminhado pelo produtor argentino para justificar o valor do barco, todavia, esse apresenta as seguintes características: Modelo 64 e Ano 2004, enquanto que o barco apresentado como referência de preço possui outras características: Modelo 65 e Ano 2004/05; 25. Mera consulta de preços realizada por email, seis meses após a importação, não possui condão de comprovar que o valor declarado foi inferior ao valor praticado, por diversos fatores: alteração de modelos, atualização de preços e ausência de negociação entre as partes; II.5 – Da indevida aplicação da pena de perdimento. 26. No auto de infração nº 10907.001381/200698, lavrado contra a empresa FLÓRIDA S/A IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO, foi aplicada a pena de perdimento; 27. O artigo 105, inciso VI, do Decretolei 37/66, referese à falsidade material do documento, ocorre que o auto de infração foi lavrado sob a alegação de que a mercadoria importada teria sido supostamente subfaturada na Declaração de Importação nº 06/04056789, ou seja, suposta falsidade ideológica, para a qual está prevista aplicação de multa específica, nos termos do § único, do artigo 108, do Decretolei 37/66. Reproduziu julgados do Poder Judiciário; 28. Não havendo pena de perdimento, não há como aceitar a exigência da multa lançada no presente auto de infração, uma vez que a mesma é decorrente da conversão da pena de perdimento; II.6 – Da impossibilidade de conversão da pena de perdimento em multa. Princípio da estrita legalidade. 29. A pena de perdimento originalmente aplicada foi convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do § 3º, do inciso V, do artigo 23, do Decretolei Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 111 19 1.455/76, com a redação dada pela Lei 10.637/02. Reproduziu legislação; 30. A conversão da pena de perdimento somente poderia ocorrer nos seguintes casos (art. 73 da Lei 10.833/03 e art. 23, § 3º, do DL 1.455/76): i) não sendo a mercadoria localizada; ii) consumo da mercadoria. Por conseguinte, a fiscalização não poderia enquadrar a mercadoria em nenhuma dessas hipóteses, o que torna o lançamento absolutamente improcedente. Reproduziu doutrina; 31. A lavratura do auto de infração para exigir a multa em razão da impossibilidade de apreensão da mercadoria por ordem judicial acabou por violar o Princípio da Legalidade, pois criou uma nova hipótese legal para conversão da pena de perdimento em multa. Reproduziu acórdão do CARF; II.7 – Da impossibilidade de cumulação do imposto com a multa decorrente da conversação da pena de perdimento. 32. Além da multa pela conversão da pena de perdimento, a fiscalização busca também o recolhimento da diferença de IPI devido no ato da importação. Reproduziu o artigo 71, inciso III, do Decreto 4.543/02; 33. O IPI é um tributo incidente sobre a entrada do bem em território nacional. Diante da aplicação da pena de perdimento, ou da multa substitutiva equivalente ao valor da mercadoria, não subsiste a base fáticoeconômica sobre a qual incidiu o tributo, desaparece, portanto, o fato signopresuntivo de riqueza e, consequentemente, não se verifica possível a manutenção dos valores recolhidos a título de IPI. Reproduziu julgados do Poder Judiciário; 34. Pelo exposto, se a autoridade fiscal impõe ao importador e demais responsáveis a pena de perdimento, como ocorreu, o tributo não será devido, porque o fato não subsistiu; II.8 – Da inexigibilidade da multa. II.8.1 – Da inaplicabilidade da multa majorada. 35. Não restou demonstrado pela fiscalização a justificativa para a aplicação da multa qualificada. Reproduziu o artigo 44 da Lei 9.430/96; 36. Entendeu a fiscalização que restou caracterizada a fraude prevista no artigo 72, da Lei 4.502/64, conforme afirmou a 37. Questiona qual foi o ato praticado que pode ser considerado como evidente intuito de sonegar ou fraudar; 38. Não há nos autos qualquer prova que possa evidenciar a prática de ato doloso com o intuito de fraudar o Fisco, ou ainda, que esses fatos tenham qualquer relação com o lançamento efetuado. Reproduziu diversos acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes e do CARF; Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 112 20 39. Para aplicação da multa qualificada deve ser provado pela fiscalização que houve o propósito de modificar a característica do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de reduzir o imposto devido ou evitar o seu pagamento; II.8.2 – Da ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco. 40. Afirmou que, ao aplicar multas em percentuais de 100% e 150%, a fiscalização violou o princípio constitucional do não confisco, consagrado implicitamente pela Constituição, em seu artigo 5º, XXII. Reproduziu doutrina e julgados de nossos Tribunais; 41. Concluiu que, se é que as multas deveriam ser aplicadas, necessário que elas não ultrapassassem 20% do valor do tributo exigido; III – Do Pedido. 42. Requer sejam julgadas as razões de impugnação, cancelandose o auto de infração questionado, vez que se encontra afetado por inúmeras irregularidades, inclusive a decadência. Caso não sejam reconhecidas as irregularidades e as decadências sustentadas, requer seja julgada improcedente a autuação, em face da inexigibilidade da multa e do imposto nos moldes constantes dos autos, por fim, requer seja afastada a multa qualificada de 150%, diante da inocorrência de fraude. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 29/04/2004 DESCUMPRIMENTO DAS NORMAS RELATIVAS À IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA. Restando comprovada na Declaração de Importação a ausência de informação sobre a real adquirente da carga importada, adicionada à falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, incontroverso o entendimento da fiscalização de ocorrência da infração prevista pelo artigo 23, inciso V, do Decretolei 1.455/1976, considerada dano ao Erário, punida com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos do § 1º, do mesmo artigo, ou, no caso destas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro. Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 113 21 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS À HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN, EM DETRIMENTO DO ARTIGO 150, § 4°, DO MESMO DIPLOMA LEGAL. O direito de constituição do crédito tributário pertencente à Fazenda Nacional, relativo aos lançamentos por homologação, decai no prazo de 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador (Art. 150, § 4°, CTN). Entretanto, o § 4°, do artigo 150, faz ressalva para os casos de dolo, fraude e simulação. Nesses, o início da contagem do prazo decadencial é o 1° dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Art. 173, I, CTN). MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. Verificada e provada conduta fraudulenta tendente ao não pagamento de tributo, é cabível a sua exigência com a multa agravada de 150% (cento e cinquenta por cento), nos termos do artigo 44 da Lei 9.430/1996. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. Processo 10907.720107/2011 89 Acórdão n.º 1664.244 DRJ/SPO Fls. 2 2 O Princípio de Vedação ao Confisco, previsto no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, é dirigido ao legislador, de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Já a multa de ofício constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo a ela, portanto, inaplicável o conceito de confisco. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Da decisão de primeira instância administrativa, apenas apresentaram recursos voluntários Rolando Rozemblum Elpern, Isidoro Rozemblum Trosman e Replecta Participações Ltda., que reiteraram os argumentos de impugnação. É o relatório. Voto Paulo Roberto Duarte Moreira Redator designado Embora não mais integre os colegiados do CARF, a relatora apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Transcrevese, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada, para o qual me incumbiu o PresidenteSubstituto: Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 114 22 "Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Relatora Os presentes recursos preenchem as condições de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. Inicialmente, deve ser analisada a decadência do crédito tributário cobrado pela autuação. Conforme a narrativa anterior, a embarcação de que trata os autos, barco de passeio, marca Preveza, modelo 64, construído em fibra de vidro, ano 2004, foi objeto da Declaração de Importação nº 04/04056789, perante a Alfândega do Porto de Sepetiba – RJ. Investigações realizadas pelo Escritório de Pesquisa e Investigação na 7ª Região Fiscal da Receita Federal do Brasil (ESPEI07), com base em denúncia detectaram fraudes na referida importação, que resultaram na Medida Cautelar Criminal de Sequestro da embarcação perante a Justiça Federal de Angra dos Reis, processo judicial nº 2004.51.11.0008872/RJ, em face da empresa FLÓRIDA, da empresa REPLECTA e de um de seus proprietários, ROLANDO ROZENBLUM ELPERN, tendo sido deferida em outubro de 2005 a indisponibilidade da embarcação, e em novembro do mesmo ano foi decretada sua apreensão física. Visando a liberação da embarcação, a empresa AMON, terceiro de boafé que adquiriu o bem da empresa REPLECTA, ofereceu depósito nos autos do processo judicial, no valor total de R$685.845,20, valor este entendido como suficiente pelo Ministério Público para o ressarcimento dos cofres públicos, permitindose o levantamento do sequestro judicial. A Alfândega da Receita Federal do Brasil no Porto de Paranaguá, através do processo administrativo nº 10907.001381/200698, propôs a aplicação da pena de perdimento à embarcação, que foi efetivamente decretada pela autoridade administrativa em 11/10/2006. Todavia, a empresa AMON impetrou mandado de segurança nº 2007.70.08.0006574/pr (documento comprobatório nº 8), para que fosse anulada a pena de perdimento, na condição de terceiro de boafé, o que foi concedido, por decisão transitada em julgado, determinando a sua liberação. Esses são, de maneira sintética, os fato que antecederam a presente autuação: em vista da anulação da pena de perdimento e, por conseguinte, do processo administrativo nº 10907.001381/200698, houve a lavratura de nova lançamento de ofício, nessa ocasião, para a cobrança da multa de conversão da pena de perdimento, multa qualificada e diferença de IPI, referente a aplicação incorreta de alíquota e declaração inexata do valor da embarcação. De acordo com a decisão recorrida, não teria se operado a decadência na caso em tela, pois, de acordo com o entendimento da fiscalização (fls. do TVF): É de se frisar que a Decisão Judicial anulatória não discutiu o mérito das razões e, por óbvio, tampouco julgou improcedente ou ilegal a autuação, tão somente decretou a nulidade da pena aplicada, para o fim de afastar a restrição sobre o bem objeto da lide. Desse modo, ainda que a penalidade, e o seu respectivo instrumento constitutivo, que havia sido julgada mais Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 115 23 adequada ao caso pela Autoridade Fiscal então designada, tenha sido afastada em definitivo, as infrações originais permanecem sem consequências, sendo certa e obrigatória a reconstituição em concreto do poder/dever estatal de exercer a pretensão punitiva e arrecadatória aplicável, nos termos da legislação e considerando a decisão judicial acima. Ressaltese, além disso, que não se pode falar em eventual decadência do crédito tributário ora constituído, tendo em vista que se está diante da situação prevista no Art. 173, I, da Lei nº 5.172/66, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional), tendose por marco inicial da referida contagem a data em que se tornou definitiva a Decisão Judicial que afastou a pena de perdimento sobre o bem objeto da autuação original (14/01/2010), só a partir do qual tornouse possível e aplicável o presente lançamento tributário. [...] Por conseqüência e com base nas informações e no quadro acima descrito, foi proposto e instaurado, mediante instrumento próprio, procedimento de fiscalização com vistas a verificação da correta aplicação da legislação do comércio exterior, tendo como objetivo a constituição de crédito tributário e representações fiscais dele decorrentes. Nesse sentido, conclui a decisão recorrida que: Não obstante, cabe reconhecer que, apesar do mérito da infração não ter sido discutido no Mandado de Segurança nº 2007.70.08.0006574/PR, a discussão levada a cabo impediu que a fiscalização efetuasse os lançamentos observados nestes autos, considerando que não cabe a cobrança de tributos no caso de aplicação da pena de perdimento, como será demonstrado ainda neste voto, ou seja, enquanto pendente na via judicial a discussão sobre o destino do BARCO, a fiscalização se viu impedida de efetuar a conversão da pena de perdimento em multa (Art. 23, § 3º, do DL 1.455/1976), bem como dos lançamentos da diferença de IPI, da multa agravada e dos juros moratórios. Assim, em 20/06/2011, foi lavrado o auto de infração em questão, que foi cientificado pela empresa REPLECTA em junho de 2011. Sobre a questão da existência da ação judicial a obstar a formalização do lançamento, não assiste razão à decisão recorrida, pois não havia quaisquer óbices para que fosse formalizado, ao contrário, era poderdever da autoridade administrativa salvaguardar o crédito tributário, efetuando o lançamento para prevenção da decadência. Nesse sentido, o IPI incidente sobre as importações tem como fato gerador o desembaraço de mercadorias, mas é cobrado no advento do registro da declaração de importação, que, no caso foi registrada em 29/04/2004. Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 116 24 Considerandose a aplicação da regra de decadência do art.173, I CTN, pois, na hipótese, supostamente teria havido dolo, fraude ou simulação, o termo inicial de contagem do prazo seria em 01/01/2005, consumandose a decadência em 31/12/2009, e tendo se dado a ciência em 20/06/2011 do presente processo administrativo, o presente crédito tributário encontrase atingido por seus efeitos. Se aplicada a regra do art.150, §4o do CTN, em 29/04/2009 já teria se operado a decadência. Não há respaldo jurídico para estabelecer como marco inicial da contagem dos prazos extintivos, o trânsito em julgado do mandado de segurança impetrado por terceiro de boafé, que culminou na nulidade da pena de perdimento. A uma, porque o ordenamento jurídico é claro quanto à conduta a ser adotada pela fiscalização, nos casos de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, conforme prescrição do artigo 63 da Lei n. .9430/96 que assim dispõe: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício." Essa disposição é replicada no Regulamento Aduaneiro, Decreto n. 6759/2009, art. 682, in verbis: Art. 682. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo aos tributos de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa por concessão de medida liminar em mandado de segurança, ou por concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (Lei nº 5.172, de 1966, art. 151, incisos IV e V, este com a redação dada pela Lei Complementar no 104, de 2001, art. 1o; e Lei nº 9.430, de 1996, art. 63, caput, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 70). Nesse sentido, a doutrina do Superior Tribunal de Justiça assentouse no entendimento de que ocorrida quaisquer uma das hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, arroladas no art.151 do CTN, como a concessão de liminares ou tutelas antecipadas, o Fisco apenas estaria obstado de praticar atos de cobrança do crédito tributário, como a sua inscrição em dívida ativa, penhora. Todavia, deveria constituir o crédito tributário, acautelandose os respectivos interesses, procedendose ao lançamento, considerandose que a decadência não está sujeita a causas interruptivas. O argumento de que a aplicação da pena de perdimento impede a cobrança de tributos, conforme determina a legislação aduaneira, fragilizase em face dessas afirmações, pois, justamente, por esse mesmo motivo, considerandose que a legitimidade da pena de perdimento estava sub judice, deveria formalizar os interesses fazendários por meio de lançamento de ofício, diante da expectativa de desconstituição judicial da pena de perdimento. Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 117 25 Por outro lado, vale mencionar que, da mesma forma, o argumento de que a sentença judicial transitada em julgado não teria se imiscuído na questão da legitimidade da pena de perdimento, por essa razão não havendo coisa julgada material a impedir a lavratura de auto de infração, apenas seria corretamente aplicável, na hipótese de que não houvesse decaído o direito ao crédito tributário. Isso porque, a formalização do crédito em tempo hábil, é condição necessária para sua exigência. As exceções estariam por conta de hipóteses em que a própria decisão judicial prescrevesse, de forma expressa, a proibição do lançamento, ou nos casos, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em que houver o depósito judicial integral do montante discutido. Nesse sentido: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL DA DÍVIDA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, II, DO CTN. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO NÃO CONFIGURADAS. JUROS MORATÓRIOS E MULTA. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Discutese nos autos os efeitos do depósito do montante integral da dívida tributária. 2. Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, "no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vistas à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN, não havendo que se falar em decadência do direito do Fisco de lançar" (REsp 1.008.788/CE,Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/10/2010, DJe 25/10/2010). 3. O levantamento indevido de depósito judicial autoriza a cobrança da quantia percebida, no prazo prescricional quinquenal, contados da data da extinção do depósito. Hipótese em que não ficou caracterizada a prescrição. 4. Não é cabível, durante o período em que o montante do tributo estava depositado judicialmente, a exigência de juros e multa de mora. Com o levantamento do depósito, a circunstância que elidia a mora deixou de existir, passando a ser devidos os juros e a multa. 5. O levantamento indevido dos valores não convertidos em renda restaura a exigibilidade do débito, podendo ser cobrado pela Fazenda Pública com todos os ônus decorrentes, todavia, somente a partir da data do levantamento. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 1351073 / RS, Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 13/05/2015) No que tange às penalidades aplicadas, mutatis mutandis, o mesmo raciocínio deve ser aplicado. Destarte, prescreve o art. 139 do Decretolei n. 37/66: Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10907.720107/201189 Acórdão n.º 3201002.878 S3C2T1 Fl. 118 26 Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. E o art. 753 do Regulamento Aduaneiro, Decreto n. 6759/2009 assim dispõe: Art. 753. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 139). Se a data da infração reputase como ocorrida no momento do registro da declaração de importação, então, também se encontra decaído o direito do auto de infração, para a constituição das penalidades, frisandose, mais uma vez, que nada obstaria que tivessem sido lançadas, apenas para efeitos de prevenção da decadência. Diante do exposto, voto pelo acolhimento da alegação de decadência e , por conseguinte, pela procedência dos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo" Com base nestes fundamentos, a relatora original deu provimento ao recurso voluntário. Paulo Roberto Duarte Moreira Redator designado Fl. 1066DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.006951/2005-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 01/11/2004
FURTO DE MERCADORIAS. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR OU DEPOSITÁRIO.
O roubo ou o furto da carga transportada ou depositada correspondem à hipótese que a doutrina convencionou denominar caso fortuito interno, que poderia ser previsto, e cujos efeitos poderiam ser evitados. Consequentemente, não há que se falar em caso fortuito ou força maior, para efeito de exclusão da responsabilidade. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-004.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/11/2004 FURTO DE MERCADORIAS. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR OU DEPOSITÁRIO. O roubo ou o furto da carga transportada ou depositada correspondem à hipótese que a doutrina convencionou denominar caso fortuito interno, que poderia ser previsto, e cujos efeitos poderiam ser evitados. Consequentemente, não há que se falar em caso fortuito ou força maior, para efeito de exclusão da responsabilidade. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 69 51 /2 00 5- 95 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11128.006951/200595 Acórdão n.º 9303004.980 CSRFT3 Fl. 236 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, apresentado pela Fazenda Nacional, admitido por meio do despacho às efls. 1 e 2, por meio do qual se busca a reforma do Acórdão 310100.518, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/11/2004 VISTORIA ADUANEIRA. FALTA DE MERCADORIAS. FURTO QUALIFICADO POR FRAUDE. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO. CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR. Constitui motivo de força maior, excludente da responsabilidade do depositário, o furto de carga sob sua guarda. E bastante para comprovar o furto o registro da ocorrência policial não refutada por denúncia de comunicação falsa de crime nem desqualificada por culpa da vitima. Recurso Voluntário Provido.” A controvérsia diz respeito à caracterização de caso fortuito ou força maior na hipótese de furto de carga, para efeito de aplicação da excludente de responsabilidade fixada no art. 595 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 2002. Essencialmente, busca o recorrente demonstrar que o acórdão recorrido divergiu da jurisprudência acerca da matéria controvertida, pois afastou a responsabilidade em razão de furto e, ademais, considerou que a exclusiva apresentação de Boletim de Ocorrência (BO) seria suficiente para demonstrar esse evento. Em contraponto, por ocasião da apresentação de suas contrarrazões, aduz o contribuinte, inicialmente, descumprimento dos pressupostos de admissibilidade pelo único acórdão considerado como paradigma. Segundo aponta: a) a ementa transcrita provavelmente diria respeito a outro acórdão; b) o acórdão teria sido proferido pelo mesmo colegiado que o acórdão recorrido; c) o RICARF exigiria a transcrição das ementas e a juntada das cópias, o que não teria ocorrido; d) os únicos acórdãos citados como paradigma não se prestariam à demonstração do dissídio, pois não guardariam relação com a matéria litigiosa; e) as razões de recurso não conteriam comparação analítica entre os arestos; e f) a única transcrição correta do aresto apontado como paradigma seria aquela levada a efeito pelo Presidente da 1ª Câmara. Acrescenta, ademais, que o acórdão recorrido seguiria a jurisprudência dominante, razão pela qual deveria ser negado provimento ao recurso. Transcreve excertos de acórdãos do Superior Tribunal de Justiça e das extintas 2ª e 3ª Câmaras do Terceiro Conselho de Contribuintes que apoiariam a tese assentada no acórdão recorrido. É o breve relato. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11128.006951/200595 Acórdão n.º 9303004.980 CSRFT3 Fl. 237 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Cumpre destacar, inicialmente, quanto a esse aspecto, que, malgrado a insurgência do contribuinte, o Acórdão nº 30134.725 prestase à comprovação do dissídio. Confirase a sua ementa, igualmente transcrita no despacho de admissibilidade: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DRAWBACK SUSPENSÃO. ROUBO DE MERCADORIA IMPORTADA O registro de roubo em boletim de ocorrência perante a autoridade policial não é prova suficiente para a exclusão da responsabilidade tributária. O roubo, juridicamente, não se enquadra no conceito de caso fortuito ou força maior, que são as únicas hipóteses de exclusão da responsabilidade previstas na legislação aduaneira (ADI SRF n9 12/2004). Deveras, inobstante o fato de que, no corpo da peça recursal, a recorrente equivocouse na transcrição da ementa, foi anexada aos autos (efl. 206) cópia de consulta ao sítio do CARF, realizada no dia 26/06/2012, que reproduz o correto teor da ementa do Acórdão nº 30134.725, transcrita acima. Lembrar que o regimento do CARF vigente à época do exame (aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009), nos §§ 7º e 8º do art. 67, estabelecia os seguintes critérios para a demonstração da divergência: § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. Ora, como é cediço, a possibilidade de se reproduzir o inteiro teor da ementa no corpo do recurso era uma alternativa prevista no § 9º do mesmo artigo 67, de modo que, eventual falha nessa reprodução só macularia o recurso se não tivesse sido anexada aos autos a ementa extraída do Sítio do CARF. Por outro lado, não merece prosperar a alegação de que os acórdãos recorrido e paradigma teriam sido prolatados pelo mesmo colegiado, já que a primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF – prolatora do acórdão recorrido – seria sucessora da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, prolatora do acórdão paradigma. Com relação a este ponto, o § 1º do art. 67 do RICARF então vigente possui uma clareza que dispensa maiores comentários: Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11128.006951/200595 Acórdão n.º 9303004.980 CSRFT3 Fl. 238 4 § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. Resta claro, portanto, que, por determinação regulamentar expressa, as turmas prolatoras dos acórdãos recorrido e paradigma representam colegiados distintos. Ademais, cumpre registrar que o recurso, apesar do erro de transcrição da ementa, já abordado acima, a recorrente expôs com clareza em que pontos do acórdão recorrido divergiria da jurisprudência colacionada como paradigma: a decisão de enquadrar o furto como força maior e de admitir o BO como prova desse fato. Finalmente, não vejo como o fato de a mercadoria encontrarse sob a guarda do contribuinte em razão de contextos diversos (no paradigma, as mercadorias encontravamse submetidas ao regime de drawback e, no presente processo, depositadas sob a guarda do contribuinte) possa afastar a similaridade fática entre os litígios. O cerne da discussão, como apontado, é a exclusão da responsabilidade em razão de furto e o título jurídico sob o qual se deu a guarda da mercadoria extraviada não traz qualquer reflexo nessa discussão. Passo à análise da controvérsia. O primeiro aspecto a ser enfrentado é o enquadramento ou não do furto dentre as hipóteses de caso fortuito ou força maior. Apenas se mantida a tese assentada no acórdão recorrido, caberia enfrentar o segundo fundamento, no caso, o poder probante do Boletim de Ocorrência. De fato, de acordo com o art. 595 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 2002), essa é uma das apurações a ser empreendida pela autoridade aduaneira: Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. Como é possível concluir, caracterizada (e provada) uma das excludentes, caberia afastar a exigência. Ocorre que, após analisar o dispositivo regulamentar à luz da Lei Civil, cheguei à conclusão de que o acórdão recorrido deve ser revisto, pois a primeira premissa considerada no aresto não deve ser mantida. Para tanto, recorro aos conceitos de força maior e caso fortuito, fixados nos termos da Lei Civil, na doutrina e na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e desta CSRF acerca do tema. Diz o parágrafo único do art. 1.058 do Código Civil de 1916, que teve sua redação reproduzida no parágrafo único do art. 393 do Novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002): Parágrafo único.O caso fortuito, ou de força maior, verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar, ou impedir. (destaquei) Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11128.006951/200595 Acórdão n.º 9303004.980 CSRFT3 Fl. 239 5 Interpretando o comando normativo, conceitua Pontes de Miranda (Tratado de Direito Privado, T. XXIII, p. 84.): "Fato necessário está, aí, por fato cuja determinação se procede sem que o devedor possa afastar, em suas conseqüências. Se o fato é necessário, mas o devedor pode evitar ou impedir os seus efeitos, não há caso fortuito por força maior”. (destaquei) Notese, portanto, que um dos requisitos essenciais para a caracterização das excludentes não é a inevitabilidade do fato, mas dos seus efeitos. Não se pode olvidar, ademais, a segunda condição para caracterização das excludentes: a imprevisibilidade. Nesse sentido, afirma De Plácido e Silva (original não destacado)1: Caso fortuito: É expressão especialmente usada, na linguagem jurídica, para indicar todo caso que acontece imprevisivelmente, atuado por uma força que não se pode evitar. São, assim, todos os acidentes que ocorrem, sem que a vontade do homem os possa impedir ou sem que tenha ele participado, de qualquer maneira, para a sua efetivação. Todos os casos, que se revelam por força maior, dizemse casos fortuitos, porque fortuito, do latim fortuitus, de fors, quer dizer casual, acidental, ao azar. Ora, se a violência é circunstância de conhecimento geral, não haveria como se alegar, máxime para uma empresa dedicada à guarda ou ao transporte de mercadorias, que o roubo ou o furto de cargas é um fato imprevisível e cujos efeitos seria impossível evitar. Como é cediço, há meios para se conferir maior segurança ao exercício da atividade empresarial, minimizar os riscos do evento e, caso se concretize, seus efeitos. Estarseia, assim, diante de um caso fortuito interno, inerente ao risco da atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte e que, como tal, não poderia ser considerado um excludente da responsabilidade tributária. Com efeito, o dever de zelar pela mercadoria sob sua guarda traz em seu bojo o risco e, consequentemente, o dever de evitar o evento, como pontua Caio Mário da Silva Ferreira, em sua obra "Responsabilidade Civil"2: A noção de guarda, como elemento caracterizador da responsabilidade, assume aspectos peculiares. Não pode objetivarse na "obrigação de vigiar". Ripert esclarece bem a questão, ao observar que se deve tomar como noção nova, criada para definir obrigação legal que pesa sobre o possuidor em razão de deter a coisa. "Quem incumbe uma pessoa de assumir a guarda de uma coisa é para encarregála de um risco" 1 SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico. Atual. por Nagib Slaibi Filho; Gláucia Carvalho. 2. ed. eletr. [Rio de Janeiro]: Forense, [entre 2000 e 2002]. 1 CDROM. Verbetes: caso fortuito, força maior. 2 Responsabilidade Civil. 8ª ed. Rev e Ampl. São Paulo : Saraiva, 2003, p. 428. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11128.006951/200595 Acórdão n.º 9303004.980 CSRFT3 Fl. 240 6 (Aguiar Dias). Nestas condições,o responsável deve assumir o risco gerado pela utilização normal da coisa. Notese que tal raciocínio vem sendo referendado pelo Superior Tribunal de Justiça que, analisando matéria semelhante, assentou o entendimento de que o roubo não exclui a responsabilidade tributária. Confirase: a) REsp nº 1.172.027 RJ (2009∕02457394) 3 TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO AÇÃO ANULATÓRIA DE AUTO DE INFRAÇÃO ROUBO DE MERCADORIA DURANTE TRANSPORTE TERRESTRE CASO FORTUITO INTERNO RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. 1. O roubo de veículo e de carga sujeita a imposto de importação ocorrido no transporte de mercadoria já desembaraçada não elide a responsabilidade de transportadora pelo pagamento do valor apurado em auto de infração, nos termos dos arts. 136 do CTN, 32 e60 do Decretolei 37∕66. 2. Recurso especial não provido. Peço licença para transcrever trecho do voto condutor que trata os fundamentos da decisão: Com base nesse conceito, defende o recorrente que não poderia responder pela perda do produto porque o roubo à mão armada seria um acontecimento alheio à sua vontade que ilidiria qualquer pretensão fazendária. Tal posicionamento não pode prosperar, pois defender que esse fato é um caso fortuito tornase descabido porque roubos e furtos de caminhões, ônibus e carros nas vias terrestres brasileiras é fato corriqueiro, comum e, em verdade, previsível. Daí a razão pela qual o transportador deve se resguardar de todas as ocorrências possíveis que causem algum dano ou extravio na mercadoria, contratando, por exemplo, um seguro que garanta indenização por qualquer prejuízo que ele possa sofrer, como bem destacou a instância de origem. Para justificar tal entendimento, a distinção feita pelo Tribunal a quo acerca do fortuito interno e do fortuito externo ganha relevância porque a controvérsia reside em saber se estaria ou não dentro do campo da previsibilidade do transportador a possibilidade de ocorrer roubo da mercadoria durante a prestação do serviço. O fortuito interno, como fato inevitável ocorrido no momento da realização do serviço, não exclui a responsabilidade do transportador, se ele fizer parte de sua atividade e se ligar aos riscos do empreendimento. O mesmo não ocorre com o fortuito 3 MINISTRA ELIANA CALMON Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11128.006951/200595 Acórdão n.º 9303004.980 CSRFT3 Fl. 241 7 externo, que não guarda relação alguma com a atividade do recorrente e aí sim excluiria o seu dever perante o fisco. A partir desse raciocínio, entendo que o art. 480 do regulamento aduaneiro aprovado pelo Decreto 91.030∕85, apontado pelo recorrente como violado, ao se referir ao caso fortuito, relacionase em verdade com o fortuito externo, o que não seria o caso dos autos, pois a possibilidade de a carga ser roubada à mão armada relacionase diretamente com a atividade desenvolvida pelo recorrente, de onde se extrai que a questão debatida trata de fortuito interno, ficando afastada a aplicação desse dispositivo e a possível infringência apontada. Igualmente esclarecedor é o seguinte trecho do votovista proferido pelo Ministro Humberto Martins: Com efeito, o eventual roubo dos produtos importados, durante o transporte de mercadoria já desembaraçada, faz parte dos riscos da atividade econômica, que não podem ser transferidos ao Estado. Dessa forma, não é possível dela se afastar com argumentos, por mais que hermeneuticamente críveis, de que se trata de caso fortuito ou de força maior. b) REsp nº 734.4034 4. O roubo ou furto de mercadorias é risco inerente à atividade do industrial produtor. Se roubados os produtos depois da saída (implementação do fato gerador do IPI), deve haver a tributação, não tendo aplicação o disposto no art. 174, V, do RIPI98. O prejuízo sofrido individualmente pela atividade econômica desenvolvida não pode ser transferido para a sociedade sob a forma do não pagamento do tributo devido. Como é possível perceber, inobstante haja uma tendência da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça no sentido de considerar o roubo uma circunstância excludente da responsabilidade contratual, tal tendência não é seguida pelas Primeira Seção daquela corte. Que assentou o entendimento no sentido de que o roubo não exclui a responsabilidade tributária, posição com a qual concorda este Relator. Na mesma linha, seguiu esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, por ocasião da prolação dos seguintes julgados: a) 9303003.391, de 25/01/2016 Trânsito Aduaneiro. Extravio. Responsabilidade do Depositário. O roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, tendo em vista não atender, cumulativamente, as condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade. b) CSRF/0304.996, de 22/08/2006 4 MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11128.006951/200595 Acórdão n.º 9303004.980 CSRFT3 Fl. 242 8 TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DE CARGA. O registro do fato em boletim de ocorrência perante a autoridade policial não é prova suficiente para a exclusão da responsabilidade tributária. O boletim de ocorrência é um ato unilateral, ou um instrumento de coleta de informações, ou ainda, de comunicação a respeito do fato declarado (aparentemente criminoso). O roubo, juridicamente, não se enquadra no conceito de caso fortuito ou força maior, que seriam as únicas hipóteses de exclusão da responsabilidade prevista na legislação aduaneira. Cumpre destacar, finalmente, que, diante da impossibilidade de se afastar a responsabilidade em razão do furto, descabe analisar o poder probante do Boletim de Ocorrência, já que, mesmo se demonstrada a possibilidade desse documento comprovar o fato probando, esse fato não atingiria o efeito pretendido pelo Contribuinte. Com essas considerações, não reconheço a alegada excludente de responsabilidade (caso fortuito ou força maior) e DOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 242DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912043/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.758
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 43 /2 01 2- 62 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912043/201262 Acórdão n.º 3301003.758 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.784, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912043/201262 Acórdão n.º 3301003.758 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912043/201262 Acórdão n.º 3301003.758 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912043/201262 Acórdão n.º 3301003.758 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912043/201262 Acórdão n.º 3301003.758 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.912043/201262 Acórdão n.º 3301003.758 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.912043/201262 Acórdão n.º 3301003.758 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10830.912043/201262 Acórdão n.º 3301003.758 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 201DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.901627/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.976
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 16 27 /2 01 2- 76 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901627/201276 Acórdão n.º 3201002.976 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.608, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901627/201276 Acórdão n.º 3201002.976 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901627/201276 Acórdão n.º 3201002.976 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901627/201276 Acórdão n.º 3201002.976 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901627/201276 Acórdão n.º 3201002.976 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901627/201276 Acórdão n.º 3201002.976 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901627/201276 Acórdão n.º 3201002.976 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901627/201276 Acórdão n.º 3201002.976 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901627/201276 Acórdão n.º 3201002.976 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002632/2009-82
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004, 2005
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO.
A norma tributária que prevê o agravamento da multa de ofício tem natureza material e objetiva, sendo acionada pelo descumprimento do prazo estipulado na intimação ou pelo não atendimento, ainda que parcial, da exigência de prestar esclarecimentos, apresentar arquivos ou sistemas ou apresentar documentação comprobatória.
Numero da decisão: 9101-002.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento para restabelecer o agravamento da multa de ofício ao percentual de 112,5%, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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AGRAVAMENTO. A norma tributária que prevê o agravamento da multa de ofício tem natureza material e objetiva, sendo acionada pelo descumprimento do prazo estipulado na intimação ou pelo não atendimento, ainda que parcial, da exigência de prestar esclarecimentos, apresentar arquivos ou sistemas ou apresentar documentação comprobatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento para restabelecer o agravamento da multa de ofício ao percentual de 112,5%, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 32 /2 00 9- 82 Fl. 948DF CARF MF Processo nº 19515.002632/200982 Acórdão n.º 9101002.997 CSRFT1 Fl. 949 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (efls. 882/893) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1302001.121 (efls. 867/874), pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 12/06/2013, no qual foi dado parcial provimento ao recurso voluntário para desagravar a multa de ofício. Resumo Processual A autuação fiscal (efls. 367/410), relativa aos anoscalendário de 2004 e 2005, trata unicamente de glosa de despesas deduzidas na apuração do lucro real. O lançamento de IRPJ se deu a partir do lucro real trimestral. A multa de ofício foi qualificada (150%) em relação às despesas glosadas em razão da apresentação de documentação inidônea e foi agravada (112,5%) em relação às despesas para as quais não foi apresentada comprovação. A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 422/429), que foi julgada improcedente no julgamento de primeira instância (efls. 817/837). A contribuinte apresentou recurso voluntário (efls. 844/851). A turma ordinária do CARF deu parcial provimento ao recurso voluntário para desagravar a multa de ofício (112,5%), reduzindoa ao patamar de 75% (efls. 867/874), mantendo as demais exigências. Foi interposto recurso especial pela Fazenda Nacional (efls. 882/893), admitido em despacho de exame de admissibilidade (efls. 895/898). A contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 909/910). A seguir, maiores detalhes sobre a autuação fiscal e a fase contenciosa. Da Autuação Fiscal. O Termo de Constatação Fiscal TCF (efl. 349/366) informa, em síntese: A fiscalização foi iniciada em razão de solicitação do Ministério Público Federal, no escopo de procedimento para investigar indícios de utilização de notas fiscais inidôneas pela contribuinte; Por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal, foi solicitada ao contribuinte a documentação comprobatória dos lançamentos que compunham a parte de suas DIPJ de 2004 e 2005 relativa a custos e despesas, bem como as correspondentes folhas do Livro Razão; Fl. 949DF CARF MF Processo nº 19515.002632/200982 Acórdão n.º 9101002.997 CSRFT1 Fl. 950 3 A empresa apresentou as folhas do Livro Razão. Apresentou, ainda, declaração admitindo ter informado erroneamente os valores da linha 29 na linha 28 no primeiro e segundo trimestres de 2005, comprometendose a efetuar esta regularização. O razão de 2005 só possuía totalizações mensais dos valores pagos a prestadores de serviços, motivo pelo qual a contribuinte forneceu planilhas de desmembramento de tais valores; Foram solicitadas algumas notas fiscais correspondentes aos valores lançados no razão, selecionadas por amostragem. A empresa apresentou apenas onze notas que totalizaram R$ 113.916,55 de um montante de quase dezessete milhões de reais lançados como despesa com prestadores de serviço nas declarações de 2004 e 2005. Também entregou documento alegando que todas as demais foram extraviadas da sua sede; Durante análise da contabilização das despesa no livro Razão, foram encontradas notas com a mesma numeração, embora apresentando valores e/ou datas distintos (relaciona as notas); Também foi constatado que algumas empresas emitiram notas sequenciais para a contribuinte (relaciona as notas); Também ficou constatado que algumas notas foram emitidas por empresas inexistentes ou com atividade incompatível com o produto vendido; A documentação comprobatória das despesas declaradas em DIPJ pela construtora Montes Áureos foi considerada insuficiente, de forma que essas despesas foram consideradas inexistentes. Portanto, foram lavrados Autos de Infração para exigir IRPJ e CSLL, respeitando o regime de apuração declarado pela empresa. A glosa das despesas para as quais não foi apresentada documentação comprobatória teve a multa de ofício agravada, com a seguinte fundamentação (efls. 352): 16. A não apresentação da documentação comprobatória das despesas declaradas pela empresa, conforme Termos de Intimação e Reintimação Fiscal cm anexo, ensejou agravamento da multa de ofício, passando de 75% para 112,5% (art. 44, §2°, da Lei n° 9.430/96), para a infração "Glosa de custos". A glosa das despesas para as quais foi apresentada documentação comprobatória inidônea teve a multa de ofício qualificada, com a seguinte fundamentação (e fls. 353): 17. Quanto à infração "Comprovação Inidônea", para a qual coube muita qualificada de 150% (art. 44, §1°, da Lei n° 9.430/96), cabe esclarecer que os originais das Notas Fiscais inidôneas encontradas durante a fiscalização não foram apreendidos pelo fato de, ou a empresa não têlas apresentado, ou das mesmas já terem sido objeto de emissão de Termo de Apreensão e Guarda de Documentos pela auditora Aline Laginestra C. da Silva (matrícula 1259042), em 19/04/2007 (conforme Procedimento Investigatório Criminal n.° 1.34.001.004621/200701). Da Fase Contenciosa. Fl. 950DF CARF MF Processo nº 19515.002632/200982 Acórdão n.º 9101002.997 CSRFT1 Fl. 951 4 A contribuinte apresentou impugnação (efls. 422/429), que foi julgada improcedente pela 1ª Turma da DRJ/São Paulo I, nos termos do Acórdão nº 1639.080 (efls. 817/837), conforme ementa a seguir. Assinto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 DESPESAS E CUSTOS INCOMPROVADOS. Mantémse a glosa de custos e despesas não comprovados por documentos hábeis e idôneos. Assinto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 FATOS E ATOS. REGISTRO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. E do contribuinte o ônus de provar, com documentos hábeis e idôneos, os fatos e atos registrados em sua contabilidade. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. O decidido quanto à infração que. além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE. NATUREZA OBJETIVA. Em regra, a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A Contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 844/851). A decisão de segunda instância (efls. 867/874) deu parcial provimento ao recurso voluntário para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75%, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/03/2004. 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 DESPESAS E CUSTOS INCOMPROVADOS. ÔNUS DA PROVA. Deve ser mantida a glosa de custos e despesas não comprovados por documentos hábeis e idôneos. Ônus este do Contribuinte. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. O decidido quanto à infração principal também se aplica à sua decorrência. Fl. 951DF CARF MF Processo nº 19515.002632/200982 Acórdão n.º 9101002.997 CSRFT1 Fl. 952 5 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA PARA 112,5%. APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO DE FORMA SATISFATÓRIA. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do atendimento parcial das intimações. Foi interposto recurso especial pela Fazenda Nacional (efls. 882/893), em que esta apresentou alegada divergência jurisprudencial quanto ao agravamento da multa de ofício. Para tanto, foram apresentados como paradigmas da divergência os Acórdãos nº 9101 001456 e n° 10421.835, cujas ementas estão a seguir transcritas, naquilo que interessa ao feito: Acórdão n° 9101001456: Assunto: Multa agravada. O agravamento da multa não depende que reste provado, nos autos, conduta dolosa consistente em embaraçar a fiscalização, bastando que se configure algumas das situações objetivamente descritas no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Acórdão n°10421.835: MULTA AGRAVADA APLICABILIDADE Aplicarseá a multa agravada, em um percentual de 112,5% (no caso de multa de oficio) e 225% (no caso de multa qualificada), sempre que o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação do Fisco para prestar esclarecimentos. O Despacho de Exame de Admissibilidade (efls. 895/898) deu seguimento ao recurso. A contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 909/910), em que não questiona a admissão do recurso especial e requer a reforma do acórdão recorrido em razão de os fatos imputados como infração terem sido causados por erros de escrituração e declaração. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Em relação à admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 895/898, com fulcro no art. 50, §1º da Lei n° 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, que questiona a exoneração do agravamento da multa de ofício, realizado com fundamento no art. 44, §2º, da Lei n° 9.430, de 1996. Passo ao exame do mérito. Fl. 952DF CARF MF Processo nº 19515.002632/200982 Acórdão n.º 9101002.997 CSRFT1 Fl. 953 6 A questão trazida a esse Colegiado diz respeito à melhor interpretação a ser adotada, no caso concreto, do disposto no §2º do artigo 44 da Lei nº 9.420, de 1996, que tem a seguinte redação: § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A fiscalização adotou como fundamentação para o agravamento da multa de ofício o fato de a contribuinte ter deixado de apresentar as notas fiscais comprobatórias das despesas deduzidas, apesar de ter sido intimada e reintimada para isso, conforme já relatado. A decisão recorrida afastou o agravamento da multa, com o seguinte fundamento (efl. 873): Não me parece justa a majoração da multa para 112.50%, simplesmente por não ter o contribuinte apresentado à documentação comprobatória das despesas declaradas. A fiscalização, quando agrava a multa de 75% para 112.50%. deve provar o embaraço a fiscalização, o que não se vislumbra nos autos, já que basta uma análise do Termo de Verificação Fiscal que se constata que a empresa apresentou uma série de documentos contábeis, prestou esclarecimentos, não se esquivou das intimações e de cumprir os prazos, com se pode observar nos trechos seguintes do termo, "in verbis": "3. A empresa apresentou as folhas do Livro Razão. Apresentou, ainda, declaração admitindo ter informado erroneamente os valores da linha 29 na linha 28 no primeiro e segundo trimestres de 2005. e comprometendose a efetuar esta regularização. O razão de 2005 só possuía totalizações mensais dos valores pagos a prestadores de serviços, razão pela qual o contribuinte forneceu planilhas de desmembramento de tais valores, assinadas pelo seu contador. José Adelino Turbiani.e pelo sócio José de Oliveira Brito. 4. Foram solicitadas, então, por amostragem, as Notas Fiscais correspondentes aos valores lançados no razão. A empresa apresentou apenas 11 (onze) Notas que totalizaram R$ 113.916.55 de um montante de quase dezessete milhões de reais lançados como despesa com prestadores de serviço nas declarações de 2004 e 2005. Entregou documento alegando que todas as demais foram extraviadas da sua sede." Sabemos que o contribuinte deve escriturar todas as suas operações observando as leis comercias e as leis fiscais e que o ônus de provar a realização de despesas é dele, já que a dedução de custos e despesas é em seu benefício. Porém para esta não apresentação já existe a multa regulamentar é de 75% que é a que deve prevalecer em caso que tais. Fl. 953DF CARF MF Processo nº 19515.002632/200982 Acórdão n.º 9101002.997 CSRFT1 Fl. 954 7 Não restando configurada a evidência da situação de embaraço prevista na legislação, deve a multa regulamentar de 75% prevalecer. Observase que a decisão recorrida entendeu que a contribuinte, embora não tenha apresentado a documentação requerida, não causou embaraço à fiscalização, pelo que afastou a incidência do §2º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Todavia, verifico que o conteúdo dado ao referido dispositivo legal implica uma interpretação restritiva incabível na espécie. A interpretação dada na decisão a quo faz com que o atendimento de algum item de uma intimação contendo vários itens tenha o mesmo tratamento do atendimento de todos os itens. Ou seja, segundo essa interpretação, a intimação referida na lei seria a correspondência enviada ao contribuinte e o seu atendimento seria uma outra correspondência em resposta. Entendo que não é esse o conteúdo adequado da norma em tela. Por se tratar de norma impositiva de sanção, esta tem natureza material. Nesse âmbito, a intimação lá referida não é o documento (forma), mas sim a prestação exigida ao contribuinte (matéria). Destarte, o atendimento referido na norma não é satisfeito com a entrega de uma correspondência intitulada "resposta", há que ser realizada a prestação exigida. Se um dos itens do texto da intimação não foi contemplado, há o descumprimento de uma exigência, o que dá ensejo ao agravamento da multa de ofício, salvo situações excepcionais, o que não foi trazido aos autos. A norma tributária em tela apresenta requisitos de ordem objetiva: cabe a penalidade pelo não atendimento pelo sujeito passivo no prazo marcado para prestar esclarecimentos, apresentar arquivos ou sistemas ou apresentar documentação comprobatória. De acordo com os presentes autos a contribuinte deixou de apresentar as notas fiscais requeridas, forçando a fiscalização a realizar um considerável esforço adicional de auditoria, inclusive realizando diligências nas empresas que a contribuinte apontou, na sua escrituração, como sendo as emissoras das notas fiscais faltantes. Ademais, vale registrar que no caso em debate a contribuinte afirmou que as notas fiscais faltantes teriam sido extraviadas da sede da empresa (efls. 129), enquanto a fiscalização (Termo de Constatação de efls. 349/366), após as referidas diligências e apurações, verificou que as empresas que as teriam emitido, segundo escriturado pela contribuinte, não existiam, não forneciam o produto descrito nas notas fiscais ou não teriam emitido essas notas (notas sequenciadas, notas diferentes com numeração replicada). Incontestável, portanto, a aplicação da penalidade. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN, para restabelecer o agravamento da multa de ofício ao percentual de 112,5%. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 954DF CARF MF Processo nº 19515.002632/200982 Acórdão n.º 9101002.997 CSRFT1 Fl. 955 8 Fl. 955DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001586/2008-16
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-cal end ário: 2003
PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO
Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da. decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código 'tributário Nacional - CTN.
Numero da decisão: 1802-000.765
Decisão: Acordam os membros do colegiado, poi unanimidade de votos, em não recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos„ conhecer do julgado. Acordam os membros do colegiado, poi unanimidade de votos, em não recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente Fster atques Lins de Sousa Piicntc,, Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa., João Francisco Bianco, Jose de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kiebel e André Almeida Blanco. Proces n" I 0240 001586/2008- I 6 SI-•TE02 Acórda) n " 1802-00.765 I 278 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA„ que considerou procedente o lançamento realizado para constituição dc crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Juridica – IRPI, li Contribuição para. o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição Social sobre O Lucy° Liquido CS1i, e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - C01.1.NS, conlOrme autos de infração de ils. 156 a 178, nos valores de R$ 158553,83, R$ 12.134,19, R$ 20,032,79 e R$ 56.004,15, respectivamente, nrcluindo-se nesses .montantes multa dc o ficio qualificada de 150% e os juros moratórios. Pot muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instancia, Acórdão n' 01-13..532, As fls. 234 a 243: Contra a emprvsa acima qualificada foram lavrados 08 Aulas de Infração do Imposto sobre a Renda de Pe s. soa Jurídica • ••• • JRPJ da Contribuição para o .Programa de Integração Social -- PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social --- Co/ins e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, formalizando-se um crédito no montante de R$ 246.724,96 (valores principais, multas e ¡tiros caleukidos até 29/08/2008) A irifração tem fundamento na omissão de receita ou de rendimento decor rente de depósitos bancários de origem flat) comprovada. Por rid() terem sido entregues os livros. e docurnemos solicitathis, o lucro, base de calculo do IRP,I e da CSLL, fin arbitrado no ano-calendario 2003 Foi aplicada multa de 150% em razão de o contribuinte ter prestado fidsa declaraty7o, tuna vez' que apresentou declaração de inatividade, quando teve movimentação banearia no ono- calendário fiscalizado. InconfOrmad(r, a empresa apresentou impugnação em 14/11/2008., as As. 191 a 222, alegando. em síntese, que: I) No caso sob litígio, a ,falta de comunicação ao contribuinte das prorrogações do Mancha° de Procedimento Fiscal, na forma determinada pelo § 2 0 do art. 1,3 da Portaria n° 3.007, de 26,11,2001, ofende 0.5 Princípios da legalidade e da Moralidade Administrativa, de sonic que o lançamento efetuado em tal circunstancia padece de vários irremediáveis impondo, assim, (1 anulação do ato cxacional. 2) Foi dado conhecimento aos- Agentes Fis-cais de que a empresa estava mais de 10 anos e que por isso não havia mais Processo n° I 0240.001586/2008-16 S1 -T AcOnfilio IC' 1802410.765 N 279 livros nem documentos• fiscais a se em apre.sentados„ àe..v.ceção das declarações de inatividade: 3) .4 impugnante realmente pensara ijue, pelo fat() de estar inativa há nzuitos anos, lido mais havia a necessidade de guardar consigo os livros c documentos O simples fato de não mais estar ern funcionamento, dificulta que cc' guarde documentos antigos, 4) Ao ter ciência do Mandado de Procedimento Fiscal e do Termo de Reintimação Fiscal, a impugnante demonstrou sua boa vontade em atender as solicitações do FisLY) Federal e lhes dell conhecimento das verdadeiras circunstâncias ein que se encontrava a pessoa jurídica, inform(1ndo, contudo, já ter apresentado os extratos bancários solicitados em 08/01/2007, 5) 05 /1,5i!entes iscais obtiveram, sem suit (tutorização, os mes•mos• extratos bancários. relativos à conta que manteve no .Banco Brerdesco; 6) Corn relação à quebra de .seu sigilo bancário pelos Agentes Fiscais da Receita Federal do Brasil, a impugnetnte vem infOrmar que não apresentou os extratos bancários .solicitados• por estai • seguindo orientação de seus advogado s, 7) Os lançamentos a c.:r&lito relacionados nos extratos bancários• não representam a verdadeira base de cálculo dos tributos em questão; 8) Os Agentes Fiscais tributaram os valore.s quando foram creditados nas contas bancárias, lavrando autos de infração de IRP1, PI5 CSLL e COHNS; 9) Quando os recursos foram debitadas, ou .seja, saíram das comas bancárias, os Agentes Fiscais tributaram novamente, lavrando um auto de infração do Imposto de Renda Retido na Fonte; 10) .4. todo.s parece justo que WWI vez tendo os recurs•os sido tributados pelo Imposto de Renda e pelas Contribuições, ao ingressarem nas contas bancárias, ainda que discorde do lançamento frito corn base somente nos extratos bancários, esses- 111e.S1110 recursos não poderiam .ser novamente tributadas quando deixaram as mesmas comas bancárias; 11) A impugnante i nto apresentou Declaração de Inativa com o objetivo de sonegar qualquer tributo, devendo ser desqualificada a multa de 1.50%; 12) No período fiscalizado não houve venda, não houve compra nem qualquer outra operação que diga respeito (705 .-çoss objetivos sociais. O fat° de ter emprestado suas contas bancarias e nelas terceiros ter em realizado depósitos e saques não configura movimento ou atividade. Como mencionado, a DRJ Belem/PA considerou procedente o lançamento., expressando suas conclusões emu a seguinte ementa: Processo n" 10210 001580/2008-I 6 ti I- I E02 Act'n .ISo n " 1802-00365 H. 280 ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Ano-calendário 2003 SIGILO BANCÁR IO É licito ao fisco, mormente apó.s a edição da Lei Complementar n" 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições . financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de de.pásitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerado.s indispensáveis, independentemente de autorizactio judicial. A obtenção de irifOrmaçães junto as instituições financeiras, por par le da administraç.ão tributária, não implica quebra de .sigilo bancária 11105 simples transferencia desk', porquanto em contrapartida está o .sigilo fiscal a quest' obrigam os agentes fiscais por dever de oficia DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSJO DE RECEITAS Os valores creditado.s ern eonta de depósito mantida junto a instituição financeira, em rein cue aos quais o titular., regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações sat) caracterizados como omissão de rec.:vitas MUL771 QUA LIFIC./.1DA A apresentação de dechuação de inatividade, ao permitir subtração da incidência tributária tios resultados e receitas auleridos no desempenho OU nao da atividade da empresa e, ainda, a sua aparente regularidade fiscal, tern o condão de provar' a natiTg da contribuinte, por estar conii,gurada a falsa deelaração, tendente a retardar o conhecimento por parte da autoridade firzendár ia da ocor lato gerador, CSIJ„ COPINS DECORRÊNCIA Orlando há harmonia cram as provas e irregularidades que arnpararam os lançamentos do IRPI e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos Ian çamento.s destas. Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciacia cm 16/06/2009, por meio de edital, a Contribuinte apresentou cm 04/08/2009 o recurso voluntário de Hs, 256 a 275, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnac5o, conforme descrito nos parágrafos anteriores Além disso, alega que teria havido cerceamento de seu direito de defesa, apontando problemas em relação ao Termo de Inicio de Fiscalizacdo e ao Mandado de Procedimento Fiscal , relativamente ui ciEncia e ao objeto mencionado nestes documentos. Segundo a Recorrente, o cerceamento do direito de defesa também decorreria da falta de Processo n° I 0210 00 1586/2008- I O S I -TE02 Acórch'io n." 1802-00.165 Fl 281 Ciência das prorrogações do MIT, do fato de a auditoria ter sido realizada fora das dependências da empresa, e ainda por terem sido inseridos elementos inexatos no termo de encerramento da ao0 fiscal Em seu recurso voluntário, a Contribuinte trata também do lançamento dc IR fonte sobre pagamento a beneficiário nib o identificado ou sem causa, matéria essa que é objeto de outro processo, de n° I 0240,002899/2008-9l Este é o Relatório. Proccsso 11 10240 0015M/2008-16 AcóRho ii 1802-00..765 SI -TM H. 282 Voto Conselheiro Relator, Jose de Oliveira Ferraz Correa Nib há condição para Sc conhecer do Recurso.. 0 prazo para sua apresentação 6 de 30 dias, nos termos do art.. 33 do Decreto 70235/72, mas a contribuinte o protocolizou depois de esgotado o lapso temporal permitido. A ciência da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento ocorreu em 16/06/2009, por edital, e o recurso so foi apresentado em 04/08/2009, portanto, a destempo.. Ilá nos autos, inclusive, um Termo de Peuempção, à II. 251.. Ent duas ocasiões a decisão de primeira instancia fo.i enviada para o endereço cadastral da Contribuinte, por via, postal, conforme documentos de lis, 244 a 249, mas os AR voltaram com a marcação "desconhecido". Apesar de a Contribuinte vir alegando que já estava inativa há muito tempo, ela respondeu inúmeras vezes as intimações enviadas para esse mesmo endereço, Além disso, já na fase final do procedimento de auditoria, o representante da pessoa juridica, Sr, Antônio Spegiorin Tavares, CPF 328.331.721/0001 -68, compareceu ii Delegacia da Receita Federal em Porto Velho para indicar/contirmar o mesmo endereço cadastral, ou seja, a Av,. .Pinheiro Machado, n" 2..133, São Cristóvão, Porto Velho/RO, com a finalidade de recebimento de intimações/correspondências, confbrme Termos de Cis.. 153/154.. 0 próprio conteúdo do recurso voluntário evidencia a validade do referido endereço para O encaminhamento de intimações e correspondências: PELA 7EMPES71 V1DADE 0 presente Recurso e Iempestivo, nos ter mos do (111 .33 do pi citado Decreto 70 235/72, uma vez que a Recorrente não fin cientificada oficialmcnte da Decisdo da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento cm Belem, contra a qual o memo Sc? interpõe Ocorre que, tendo recebido a ciência, por via postal, da decisão prVerider no processo 10240.002899/200S-91, originado da mesma ai;do fiscal, o vocio Antônio Spegiorim Tavares compareceu a sede da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Velho e obteve copia do Acórdão n' 01-13 532, proferido pela primeira firma da DRI/Belem„ ocaião em que tornou ciência do referido Acórdão O Process° n" I 0240 001586/2008- I o Si -TE02 Acnrffio ii " 1802-00 .765 I I 283 Assim, é de se concluir que a decisão dc primeira instância foi encaminhada para o devido endereço, e por duas vezes.. Mas como resultou improficuo o meio de intimação adotado, correta foi a intimação realizada por edital, conforme prevê o art. 2.3 do Decrcto 7(1235/1972 --PAR. Deste modo, não estando preenchido o requisito de apresentação no prazo legal, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, / 7- J, sé. de Oliveira 1.erraz Corra 7
score : 1.0
Numero do processo: 10980.005152/2005-89
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NULIDADE DA DECISÃO. Motivado o indeferimento do pedido de perícia pela turma julgadora a quo, não há que se invocar o cerceamento de defesa. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) PREJUÍZO FISCAL. PARCELA COMPENSÁVEL. LIMITAÇÃO LEGAL. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (art. 15, Lei nº 9.065/95). LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DIPJ. ÔNUS DA PROVA. Para desconstituir o lançamento tributário calcado em dados informados pela própria empresa em DIPJ, mister é a apresentação de documentação comprobatória capaz de ilidir a tributação erguida. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula nº 2/Carf:) MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. Fl. 199 DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (Súmula nº 02 do CARF) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf:)
Numero da decisão: 1801-000.700
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NULIDADE DA DECISÃO. Motivado o indeferimento do pedido de perícia pela turma julgadora a quo, não há que se invocar o cerceamento de defesa. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) PREJUÍZO FISCAL. PARCELA COMPENSÁVEL. LIMITAÇÃO LEGAL. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (art. 15, Lei nº 9.065/95). LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DIPJ. ÔNUS DA PROVA. Para desconstituir o lançamento tributário calcado em dados informados pela própria empresa em DIPJ, mister é a apresentação de documentação comprobatória capaz de ilidir a tributação erguida. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula nº 2/Carf:) MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. Fl. 199 DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (Súmula nº 02 do CARF) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf:)
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INDEFERIMENTO. NULIDADE DA DECISÃO. Motivado o indeferimento do pedido de perícia pela turma julgadora a quo, não há que se invocar o cerceamento de defesa. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) PREJUÍZO FISCAL. PARCELA COMPENSÁVEL. LIMITAÇÃO LEGAL. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (art. 15, Lei nº 9.065/95). LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DIPJ. ÔNUS DA PROVA. Para desconstituir o lançamento tributário calcado em dados informados pela própria empresa em DIPJ, mister é a apresentação de documentação comprobatória capaz de ilidir a tributação erguida. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula nº 2/Carf:) MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (Súmula nº 02 do CARF) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf:) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1219.530/08 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, fls. 156 e ss, que manteve em parte a autuação sofrida, consubstanciada no Auto de Infração lavrado para a exigência fiscal de IRPJ relativa aos anoscalendários de 2000 e 2001, no total de R$ 59.257,52, incluídos os juros e a multa de ofício regular pertinentes. Aproveito trechos do relatório do aresto vergastado para historiar os fatos: “Conforme descrição dos fatos, às fls. 112/113, foram apuradas as seguintes infrações: 2.1. Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real apurado nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ dos anoscalendário de 2000 e 2001, do lucro inflacionário realizado sem observância do percentual de realização mínima previsto na legislação de regência. [...] 2.2. Diferença de R$ 9.016,70 entre o IRPJ informado na DIPJ e declarado na DCTF. Irresignado, o interessado apresentou a impugnação de fls. 129/136, alegando, em síntese, o que se segue: nulidade da ação fiscal, pois, da análise do auto de infração à fl. 107, percebese que os valores foram apurados por amostragem; Fl. 200DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.005152/200589 Acórdão n.º 180100.700 S1TE01 Fl. 197 3 o valor indicado como diferença não declarada foi compensada com o imposto de renda retido na fonte, operação contabilmente demonstrada no livro Diário; na realidade, poderia ser multada pela apresentação errônea da DCTF ou ser obrigada a pagar a diferença entre o valor compensado (R$ 8.709,00) e o valor encontrado pelo Fisco (R$ 9.016,700), ou seja, R$ 307,70; ainda assim possui saldo de IRRF para compensar a suposta diferença; logo, improcede o lançamento de ofício; a adição do lucro inflacionário as declarações de IRPJ 2000/2001 não altera a base de cálculo das mesmas, tendo em vista que possui prejuízo acumulado muito alto; a irregularidade levantada pelo autuante pode ser regularizada através de uma DCTF retificadora, que por não resultar na diminuição ou exclusão de tributo, não se sujeita ao limite estabelecido no art. 147, §1°, do Código Tributário Nacional; o Fisco aplicou a taxa SELIC de forma capitalizada, o que configura ilegalidade; a multa aplicada é excessiva, consubstanciando flagrante confisco; requer a produção de prova pericial, para tanto indica perito e formula os quesitos a serem respondidos. A) Sobre a exigência lastreada na ausência de recolhimento de IRPJ por não realização do lucro inflacionário, ao percentual de 10% a.a. A turma julgadora de primeira instância cancelou a exigência de crédito tributário a pagar relativamente ao ano de 2000, nos seguintes termos: “Exvi do art. 449 do RIR/1999, a partir de 01/01/1996, o interessado deveria realizar, no mínimo, 10% do lucro inflacionário existente em 31/12/1995. Em sendo assim, nos anoscalendário de 2000 e 2001, é devida a realização mínima de R$ 126.677,91 (R$ 1.266.779,08 x 10%). Assiste razão ao interessado ao afirmar que, relativamente ao anocalendário de 2000, nenhum valor é devido a título de IRPJ, em face do prejuízo fiscal apurado na DIPJ/2001 de R$ 5.351.451,07 (fl.74). Nesse caso, reduziuse, apenas, o prejuízo declarado de R$ 5.351.451,07 para R$ 5.224.773,16.” (grifos não pertencem ao original) Observo que não há imposto a exigir, mas a infração reflete no saldo do prejuízo acumulado da contribuinte. Também restou observado no decisório que, após o lançamento fiscal, o próprio sistema de controle de lucro inflacionário e prejuízos fiscais ajustou os saldos em razão de “baixas por decadência” de períodos anteriores, sendo as matérias tributáveis originalmente exigidas, reduzidas. In verbis: “Verificase que, posteriormente ao lançamento, o Fisco expurgou do saldo do lucro inflacionário acumulado as parcelas já decaídas, identificandoas no demonstrativo do SAPLI como "Baixa por decadência" (fls.141/145), apurando, assim, novo saldo de lucro inflacionário a realizar em 31/12/1995, no valor de R$ 1.266.779,08.” Fl. 201DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 No que respeita ao anocalendário de 2001, restou IRPJ a pagar, conforme explicitado e já considerado o novo saldo de prejuízo acumulado, devidamente realizados os ajustes em função do percentual legalmente admitido (30%): “O mesmo não se pode dizer em relação ao anocalendário de 2001, posto que foi apurado lucro real na DIPJ (fl.35). Ainda que o interessado possua substancial saldo de prejuízo fiscal de anoscalendário anteriores, a compensação do prejuízo está limitada a 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, por força do disposto no art. 15 da Lei n° 9.065, de 20/06/1995. Assim sendo, é devido o IRPJ no valor de R$ 13.301,18, conforme a seguir: [tabela de cálculos] (grifos não pertencem ao original) B) Sobre a exigência lastreada na diferença entre o valor de IRPJ informado na DIPJ e aquele informado em DCTF A contribuinte informou IRPJ a pagar no valor de R$ 9.016,70 versus 0,00 na DIRF correlata. Assim dispôs o voto: “De plano, cabe destacar que o montante de R$ 9.016,70 não se refere a "valor encontrado pelo Fisco", mas sim de valor informado pelo próprio interessado na ficha 12A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real) da DIPJ/2002, anocalendário de 2001, a título de imposto de renda a pagar. Uma vez que os débitos consignados na DIPJ/2002, não informados na DCTF, não são considerados débitos confessados, dado que a DIPJ, instituída pela IN SRFn0 127, de 1998, passou a ser meramente informativa, não mais ostentando atributo de confissão de dívida, a falta de pagamento do IRPJ declarado no valor de R$ 9.016,70, não confessado na DCTF, justificou a exigência do débito com imposição de multa de ofício. Em sua defesa, o interessado alega que o valor não declarado na DCTF foi compensado com o IRRF, no valor de R$ 8.709,00, conforme comprovaria o livro Diário de fl. 138. Alega, ainda, que possui saldo atinente a IRRF, para compensar com a suposta diferença deR$ 307,70. Entretanto, pela cópia do lançamento juntada aos autos, não é possível concluir que o valor de R$ 8.709,00 referese, de fato, à compensação de IRRF. Isso porque o histórico do lançamento não faz qualquer referência a respeito ("VLR QUE SE TRANSF. REF. COMPENSAÇÃO IRPJ/2001 PROV. IMPOSTO DE RENDA "), e sem o plano de contas não é possível identificar a conta creditada (1.1.3.02.0002).” (grifos não pertencem ao original) Todavia, no tocante a esta matéria tributável, a turma julgadora a quo reduziu o valor lançado (grifei) por considerar, ex officio, os valores de impostos retidos (IRRF) pelas fontes pagadoras acusados no sistema interno da Receita Federal do Brasil (RFB), informados em DIRF: “Por outro lado, há que se observar que na Declaração do Imposto de Renda Retido na FonteDIRF do anocalendário de 2001 (fls. 146/149), as fontes pagadoras informaram as seguintes retenções de IR: Fl. 202DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.005152/200589 Acórdão n.º 180100.700 S1TE01 Fl. 198 5 [tabela de cálculos] Basicamente, os rendimentos são decorrentes de aplicações financeiras, cujas receitas correspondentes integraram o lucro real (linha 24 da ficha 06 A da DIPJ à fl.34). De acordo com a legislação de regência, o imposto retido na fonte é considerado antecipação do devido para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real. Assim sendo, não obstante o erro no preenchimento da DIPJ, exigese do interessado apenas a diferença de R$ 3.789,48 (R$ 9.016,70 R$ 5.227,22). (grifos não pertencem ao original) C) Pedido de perícia Indeferiuse o pedido de perícia formulado pela impugnante, nos seguintes termos: “Indefiroo, por entender estarem presentes nos autos todos os elementos necessários para formar minha convicção. Ademais, a perícia não é meio próprio para comprovação de fatos que possa ser feita mediante a mera apresentação ou juntada de documentos, cuja guarda e conservação compete ao contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados.” (grifos não pertencem ao original) A empresa, tempestivamente, interpôs o Recurso de fls. 176 e ss, preliminarmente argüindo nulidade da decisão prolatada por cerceamento de defesa causado pelo indeferimento da perícia solicitada, que ao seu ver, se realizada, comprovaria, no mérito, o IRRF contabilizado no Livro Diário no valor de R$ 8.709,00 e saldo de IRRF que implicam no cancelamento da exigência fiscal. No demais, reprisa os termos da defesa exordial: a) acusa o Auto de Infração de padecer de nulidade por carecer de liquidez e certeza, não demonstrar cabalmente as infrações tributárias, carecer de veracidade por não se ater à realidade fática e de elementos concretos, carecer de fundamentação; invoca citações doutrinária, ementas de jurisprudência, princípios da moralidade administrativa, razoabilidade, proporcionalidade; b) a respeito da parcela de realização mínima do saldo de lucro inflacionário, insta em argumentar que possui saldo de prejuízo suficiente para inibir a exação fiscal e que o problema poderia ter sido solucionado pela retificação, de ofício, da DCTF entregue; c) combate veemente a aplicação da multa por sua natureza confiscatória e discorre sobre a inaplicabilidade dos juros moratórios calculados à taxa Selic. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 É o suficiente para o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. I) Das preliminares I.a) Nulidade da decisão de primeira instância – cerceamento de defesa Ao indeferimento do pedido de perícias, a empresa pugna pela nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento na sua defesa. Diz que a perícia é necessária para comprovar o valor de IRRF a ser compensado com o valor de IRPJ que está sendo exigido na autuação, que este valor está contabilizado no Livro Diário e que o erro ao não informálo na DCTF acarretaria mera retificação nas informações inseridas nesta declaração. Todavia, as argumentações da recorrente não merecem acolhida. Primeiramente, porque as retificações de declarações, ou entrega destas, após iniciado o procedimento fiscal, não surtem qualquer efeito. Esta matéria tem entendimento assente neste tribunal administrativo e já foi inclusive sumulada: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. A entrega de DCTF implica em confissão do débito informado nesta declaração e tendo já sido objeto de auditoria, a recorrente não pode eximirse da multa de ofício, regular. A constituição do crédito tributário, na ausência do procedimento espontâneo do contribuinte, é feita através do Auto de Infração, e, por força legal, acompanhada dos acréscimos legais (multa de ofício e juros moratórios), tal qual foi realizado no presente caso. Quanto à existência de IRRF passível de compensação e da necessidade da realização de perícia para comproválo, entendo, preliminarmente ser esta desnecessária, acompanhando as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância. A despeito dos contribuintes terem o direito processual potestativo de solicitar perícias ou realização de diligências, estas podem, diante das circunstâncias de cada caso, serem consideradas desnecessárias para formar a convicção do julgador, sem que isto signifique ofensa ou prejudique a sua defesa. É o caso. O mero registro contábil no Livro Diário de valor que indica haver a empresa sofrido retenção de imposto de renda por fonte pagadora, desacompanhado do documento em que se fundamente a escrituração é inábil para comprovar a efetiva retenção. Toda a escrituração contábil é ‘espelho’ das atividades comerciais e negociais da pessoa jurídica e deve estar comprovada em documentação hábil e idônea. Fl. 204DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.005152/200589 Acórdão n.º 180100.700 S1TE01 Fl. 199 7 Os procedimentos de perícias ou realização de diligências são custosos à Fazenda Nacional. A perícia é totalmente descabida, pois serve para elucidar ponto obscuro e que demande conhecimento específico, o que não se aplica ao caso em concreto. E a realização de diligência – para que se verifique o documento correspondente ao registro contábil – deve, como foi, ser indeferida pois tratase de prova que a recorrente deva possuir e passível de juntada aos autos, o que até o presente momento não foi, fazendo supor que não é hábil para ilidir a tributação imposta. Ressalto ainda, que o ônus probatório neste caso é da empresa autuada, visto que as declarações entregues ao fisco – que devem retratar fielmente a sua contabilidade – não foram preenchidas devidamente, segundo alega. Daí que para modificar, ou cancelar, a presente autuação a recorrente deve apresentar documentação comprobatória convincente em contrário àqueles dados informados de forma espontânea e que originaram a tributação ora debatida. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso II, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: [...] II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O Regulamento do Imposto de Renda vigente – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), em seu artigo 923 disciplina: Da Prova Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). (grifos não pertencem ao original) A recorrente não apresenta os documentos correspondentes aos valores que invoca ao seu favor, a título de retenções efetuadas por fontes pagadoras passíveis de compensação com o IRPJ a pagar informado em DIPJ, e esta atitude não demanda qualquer diligência do fisco a ser realizada. O § único do art. 420 do CPC assim dispõe: Parágrafo único. 0 juiz indeferirá a perícia quando: I aprova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas. Fl. 205DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 E sobre o indeferimento do pedido de provas o artigo 18, caput, do PAF reza: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993). (grifos não pertencem ao original) Destarte, a decisão de primeira instância não padece de qualquer vício que possa lhe imputar a nulidade aventada, sobretudo por cerceamento de defesa. I.b) Nulidade do lançamento tributário A recorrente argumenta que o lançamento tributário padece de vários vícios e que sequer a autoridade fiscal verificou os assentamento contábeis da empresa. Cumpre esclarecer que, in casu, tratase de auditoria sumária realizada em revisão da DIPJ entregue pela empresa em confronto com os dados arquivados nos sistemas informatizados da RFB, estando todo o procedimento fiscal respaldado na legislação tributária. Consoante explicitado no relatório do aresto combatido, as infrações tributárias verificadas na revisão de malha fiscal, são simples. Parcela mínima do saldo do lucro inflacionário não realizada nos anoscalendários de 2000 e 2001, sendo que, o próprio sistema SAPLI expurgou as parcelas decaídas e ajustou o referido saldo e exonerou a recorrente com relação ao ano de 2000, e falta de pagamento/confissão do saldo de IRPJ a pagar (AC 2001). Basta verificar dos autos que a empresa foi devidamente intimada a esclarecer sobre estes dois pontos (“Termo de Intimação – Revisão DIPJ” fls. 03 e 04), bem como ler o Auto de Infração de fls. 107 a 114, no qual as referidas infrações tributárias foram minuciosamente explicitadas, a fundamentação legal foi exposta, os valores das matérias levadas à tributação também estão expressos, os demonstrativos de cálculos, inclusive dos acréscimos moratórios, enfim, todos os elementos materiais e formais constam da autuação, consoante exige o artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto aos elementos materiais, e o artigo 10 do PAF, quanto aos elementos formais: Lançamento – art. 142, caput, CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72 – art. 10, PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Fl. 206DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.005152/200589 Acórdão n.º 180100.700 S1TE01 Fl. 200 9 II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Infundadas, por conseguinte, as alegações de que o Auto de Infração lavrado contra a recorrente possui quaisquer vícios, ou omissões, que possam acarretar a nulidade do lançamento tributário. As infrações tributárias tanto foram explicitadas que a recorrente se defendeu com conhecimento de cada um dos pontos da autuação. No que concerne às citações doutrinárias e jurisprudenciais trazidas pela recorrente, não se aplicam ao caso, conforme ora explicitado, visto estar a autuação em estrita observância ao princípio da legalidade. Quanto aos invocados princípios da razoabilidade e da proporcionalidade não são aplicáveis no âmbito do julgamento administrativo que está adstrito às normas legais vigentes. Dispõe a Súmula nº 02 do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. II) Do mérito A recorrente não confronta o valor exigido a título de parcela mínima realizável do saldo do lucro inflacionário, nem a fundamentação legal da exigência, mas argumenta que nenhum valor poderia lhe ter sido exigido, de ofício, em razão do relevante saldo de prejuízo fiscal que possui. A turma julgadora a quo não somente explicou os termos da legislação tributária no que respeita à utilização do saldo de prejuízos acumulados, mas também demonstrou os cálculos de aproveitamento deste prejuízo para o anocalendário em questão, respeitando o limite legal. Assim restou fundamentado no aresto – fls. 162 e 163: “Ainda que o interessado possua substancial saldo de prejuízo fiscal de anos calendário anteriores, a compensação do prejuízo está limitada a 30% do lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, por força do disposto no art. 15 da Lei n°9.065, de 20/06/1995.” Transcrevo, por oportuno, o artigo 15, caput, retro citado: Lei nº 9.065/95 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e Fl. 207DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. (grifos não pertencem ao original) A recorrente no que respeita este tópico não logra comprovar que os cálculos efetuados no acórdão vergastado estão equivocados, razão pela qual o valor de IRPJ a pagar, recalculado, considerase correto. II.b) Do saldo de IRPJ a pagar – diferença entre os valores da DIPJ e da DCTF Praticamente a apreciação das razões contestatórias da recorrente a respeito deste item foram feitas juntamente com a preliminar de nulidade do acórdão aventada pela empresa, no item “I.a” deste voto. A empresa embora alegue que possui IRRF no valor de R$ 8.709,00 passíveis de compensação com o IRPJ informado na DIPJ (ac 2001), trouxe aos autos somente o registro contábil deste valor, desacompanhado de documentação hábil e idônea sobre a qual a escrituração foi realizada. De ofício, a turma julgadora reconheceu que a empresa erroneamente preenchera a DIPJ não informando no campo próprio as retenções sofridas, acusadas nas DIRF entregues pelas fontes pagadoras das quais constou como beneficiária (fls. 164) fazendo os ajustes necessários, e apurando o saldo remanescente de IRPJ a pagar no valor de R$ 3.789,48, para o anocalendário de 2001. Por falta de documentação que comprove a empresa possuir outro valor a este título – IRRF – passível de compensação com o IRPJ declarado (DIPJ/02), não merece reparo o lançamento tributário, além daquilo que foi devidamente ajustado pela decisão de primeira instância. III) Da natureza confiscatória da multa de ofício e dos juros moratórios calculados à taxa Selic No que respeita às argüições de inconstitucionalidade das normas tributárias em vigência, é defeso a este colegiado administrativo de julgamento se pronunciar sobre o assunto, sendo mansa e pacífica a jurisprudência firmada neste sentido, conforme se depreende da Súmula n. 02 recepcionada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já transcrita, editada pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes, à qual se vincula esta turma julgadora, nos termos do artigo 72, caput, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF n. 256/09). Especificamente tratandose dos juros – Selic, o CARF editou a Súmula nº 04: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 208DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.005152/200589 Acórdão n.º 180100.700 S1TE01 Fl. 201 11 Destarte, tratandose de matérias sumuladas por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Por todo o exposto, voto em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos deste voto. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 209DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000312/99-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NÃO CONHECIMENTO. Descabe conhecer do recurso, quando verificado que o acórdão tomado por paradigma não se presta para configurar a divergência.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 9900-000.132
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso extraordinário, por não restar configurada a divergência jurisprudencial arguida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rego (Relatora), Leonardo de Andrade Couto, Elias Sampaio Freire, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Jose Adão Vitorino de Moraes (Suplente Convocado), que conheciam e enfrentavam o mérito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Praga.
Nome do relator: Adriana Gomes Rêgo
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Numero do processo: 11543.720267/2015-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. PAGAMENTO. IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
O pagamento da Notificação de Lançamento implica a extinção do respectivo crédito tributário, configura fato impeditivo do direito de contestar o lançamento fiscal e importa a desistência do processo administrativo tributário em curso.
Numero da decisão: 2401-005.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Recorrente MAURÍCIO ALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. PAGAMENTO. IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. O pagamento da Notificação de Lançamento implica a extinção do respectivo crédito tributário, configura fato impeditivo do direito de contestar o lançamento fiscal e importa a desistência do processo administrativo tributário em curso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 72 02 67 /2 01 5- 91 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11543.720267/201591 Acórdão n.º 2401005.064 S2C4T1 Fl. 107 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11543.720267/201591 Acórdão n.º 2401005.064 S2C4T1 Fl. 108 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), cujo dispositivo não conheceu a impugnação. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0654.856 (fls. 68/71): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECOLHIMENTO. DESISTÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO. O recolhimento do imposto lançado em Notificação de Lançamento, após a apresentação da defesa, importa em desistência da impugnação. Impugnação Não Conhecida 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2013/413670235788220, relativa ao anocalendário 2012, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada pela fiscalização omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, originados da Caixa Econômica Federal, na importância de R$ 72.673,97 (fls. 35/38). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. Cientificado da notificação por via postal, em 08/06/2015, às fls. 23, o contribuinte impugnou a exigência fiscal, em 29/06/2015 (fls. 5/10). 4. A impugnação do sujeito passivo à Notificação de Lançamento sem atendimento à intimação prévia foi examinada, em uma primeira fase, pela própria unidade lançadora, no contexto da possibilidade de revisão de ofício do lançamento, quanto às questões de fato alegadas na petição. 4.1 Diante da constatação do pagamento integral do crédito tributário, em 21/08/2015, mantevese o lançamento, porém com declaração da extinção da exigência fiscal pelo pagamento. Foi emitido despacho decisório, com base no termo circunstanciado (fls. 42/46). 5. Com relação ao termo circunstanciado e despacho decisório, o sujeito passivo tomou ciência via postal em 26/11/2015, apresentando contestação sobre o conteúdo (fls. 48/50 e 52/60). Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11543.720267/201591 Acórdão n.º 2401005.064 S2C4T1 Fl. 109 4 6. Na sequência, a impugnação foi submetida a julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, juntamente com a manifestação do contribuinte relativa ao despacho decisório. 7. Intimado em 29/06/2016, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 73/75, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 05/07/2016, com as seguintes alegações de fato e de direito (fls. 80/87). (i) ao sentirse acuado e coagido pelos atos de cobrança do débito pela unidade local da RFB, e não visualizando uma opção momentânea de solução legal ao lançamento realizado pela autoridade fiscal, decidiu efetuar o pagamento do crédito tributário exigido; (ii) entretanto, o pagamento efetuado não significa, em hipótese nenhuma, concordância com o lançamento fiscal, não tendo caráter de anuência ou desistência das defesas apresentadas; e (iii) as decisões anteriores foram omissas, porquanto deixaram de apreciar os argumentos quanto à não incidência do Imposto sobre a Renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, cujo cálculo deveria ser elaborado em conformidade com a adoção do regime de competência. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11543.720267/201591 Acórdão n.º 2401005.064 S2C4T1 Fl. 110 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 8. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 9. Em face do acórdão recorrido, a questão controvertida reside nos efeitos do pagamento do crédito tributário lançado de ofício, por meio da Notificação de Lançamento, relativamente à possibilidade de apreciação das razões de defesa contra a pretensão fiscal no curso do contencioso administrativo fiscal. 10. O pagamento representa causa da extinção do crédito tributário e, por consequência, do próprio lançamento de ofício realizado pelo agente fazendário, conforme prevê o inciso I do art. 156 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...) 11. Não há a figura do pagamento condicional, de maneira que o cumprimento da exigência fiscal pelo sujeito passivo opera imediatamente os efeitos estabelecidos no CTN. 11.1 A toda a evidência, o pagamento é um instituto incompatível com a discussão administrativa no que tange ao mérito do lançamento fiscal, porque a fase litigiosa do procedimento é inerente à existência de um crédito tributário contestado. 11.2 Por sua vez, o ato de pagamento implica a extinção do crédito tributário, em que há a satisfação da obrigação tributária pelo sujeito passivo, com desaparecimento da relação jurídicotributária entre as partes. 12. À vista disso, o pagamento configura fato impeditivo do direito de contestar ou recorrer e obsta, sem possibilidade de flexibilização, a apreciação das questões de mérito deduzidas pelo sujeito passivo quanto à improcedência do crédito tributário constituído pela Notificação de Lançamento. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11543.720267/201591 Acórdão n.º 2401005.064 S2C4T1 Fl. 111 6 13. De modo sincero, não compreendo a razão pela qual o recorrente optou em efetuar o pagamento integral da Notificação de Lançamento, quando assevera com ímpeto que nunca teve a intenção de desistir da fase administrativa e havia apresentado tempestivamente a contestação ao lançamento de ofício, a qual estava apenas pendente de análise pelas autoridades competentes e, portanto, suspensa a exigibilidade do crédito tributário. 14. É importante realçar que a coação que vicia a declaração de vontade não se presume, demandando prova da ameaça. No caso em apreço, não restou evidenciada a alegada imposição pela unidade da RFB de quitação do crédito tributário a ponto de não deixar alternativas ao recorrente, senão proceder ao pagamento da exigência fiscal. 15. Em resumo, não merece reforma o Acórdão nº 0654.856, proferido pela instância julgadora "a quo". Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão recorrida, que não conheceu da impugnação. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
