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Numero do processo: 13888.004780/2010-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. INFRAÇÃO. DEIXAR DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO.
A folha de pagamento deve conter todos os segurados que prestem serviços a empresa, inclusive os contribuintes individuais, sob pena de incidir em descumprimento de obrigação acessória disposta no art. 32, I, da Lei nº. 8.212/91.
Uma vez configurado que o pagamento de Vale Refeição em Ticket, independentemente de inscrição no PAT não configura Salário-de-Contribuição, não há que se falar em inclusão destes valores em folha de pagamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. INFRAÇÃO. DEIXAR DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO. A folha de pagamento deve conter todos os segurados que prestem serviços a empresa, inclusive os contribuintes individuais, sob pena de incidir em descumprimento de obrigação acessória disposta no art. 32, I, da Lei nº. 8.212/91. Uma vez configurado que o pagamento de Vale Refeição em Ticket, independentemente de inscrição no PAT não configura Salário-de-Contribuição, não há que se falar em inclusão destes valores em folha de pagamento. Recurso Voluntário Provido.
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MULTA. INFRAÇÃO. DEIXAR DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO. A folha de pagamento deve conter todos os segurados que prestem serviços a empresa, inclusive os contribuintes individuais, sob pena de incidir em descumprimento de obrigação acessória disposta no art. 32, I, da Lei nº. 8.212/91. Uma vez configurado que o pagamento de Vale Refeição em Ticket, independentemente de inscrição no PAT não configura Saláriode Contribuição, não há que se falar em inclusão destes valores em folha de pagamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 47 80 /2 01 0- 51 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004780/201051 Acórdão n.º 2403002.556 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 14 33.976, fls. 165/180, que julgou improcedente a impugnação ofertada, mantendo em parte o crédito tributário, consubstanciado no AI DEBCAD 37.303.3702, lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 33, I, da Lei nº 8.212/91, por ter a empresa deixado de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. O Relatório Fiscal, fls. 08/16, consigna que a empresa deixou de incluir em folha de pagamento os valores do Vale Refeição fornecido aos seus empregados de 01/2007 a 10/2008, ressaltando que, embora a empresa não tenha considerado os valores relativos à concessão do Vale Refeição como parcelas integrantes do salário de contribuição, eles deveriam constar da folha de pagamento. Acrescenta, ainda, a autoridade fiscal o agravamento da multa imputada, nos termos do art. 290, II, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, por ter caracterizado a prática de sonegação por parte da empresa, em razão dos fatos a seguir relatados: Os fatos descritos nos itens 9 a 11 deste relatório, entre outros, evidenciam inequivocamente ser o contribuinte: a) devedor contumaz da contribuição previdenciária e daquelas devidas a outras entidades e fundos, incluindo ainda as contribuições dos trabalhadores que são arrecadadas pela empresa mediante o desconto da respectiva remuneração (item 9); b) negligente em relação às orientações da GFIP ao adotar a prática reiterada de apresentar declarações inexatas com valores ínfimos das contribuições devidas, assumindo o risco de ocultar da administração tributária o efetivo valor das contribuições a recolher, o que, dada a habitualidade, afasta a hipótese de erro tolerável (item 10 e subitens); c) devedor contumaz dos depósitos mensais do FGTS a que os seus empregados têm direito em suas contas vinculadas na CEF (subitem 10.4); d) negligente em relação às suas obrigações fiscais (item)11; e) resistente em apresentar a escrituração contábil, apesar de intimado e reintimado (Doc. 01); impedindo, ao deixar de apresentála, que se tenha conhecimento de outros fatos geradores da contribuição previdenciária não incluídos em folha de pagamento além das suas informações financeiras; Fl. 220DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 f) omisso em prestar esclarecimentos detalhados de todas as suas atividades econômicas exercidas para fins de correto enquadramento na CNAE, apesar de intimado (Doc. 01). DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação por meio de instrumento de fls. 134/155. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 7ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, DRJ/RPO, prolatou o Acórdão n° 14 33.976, fls. 165/180, a qual julgou improcedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário, para afastar a circunstância agravante, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/09/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelos atos normativos vigentes. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. FALTA DE CADASTRAMENTO NO PAT. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Integram o saláriodecontribuição os valores relativos à alimentação pagos aos segurados em pecúnia e os pagos através de vale refeição sem que a empresa esteja regularmente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 186/207, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Os levantamentos concernentes às Folhas de Pagamento configura hipótese de bis in idem, posto que os valores do salário de contribuição constantes da folha de pagamento já haviam sido informados em GFIP, o que configura confissão de dívida. A prova da remessa correta está no próprio relatório fiscal, item 10, já demonstrado, quando o auditor informa que o contribuinte sempre informou todos os meses do período fiscalizada GFIP com todos os fatos geradores, que teria sido substituída Fl. 221DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004780/201051 Acórdão n.º 2403002.556 S2C4T3 Fl. 4 5 por outra com apenas um empregado. Tratase de GFIP com modalidade diferente. A GFIP com todos os fatos geradores e todos os empregados é declaratória. As demais, sempre com apenas 1 empregado referese apenas a documento utilizado para recolhimento do FGTS em atraso; 2. Não se vislumbra hipótese de sonegação, eis que não houve qualquer intuito fraudulento, assim como a empresa realizou todos os procedimentos nos ditames da lei. Se não houve a entrega devida de documentos ou informações, tais condutas possuem enquadramento específico a ensejar multa. É o relatório. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documentos de fl. 206, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A presente autuação cuida de exigir multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória por ter a empresa deixado de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, por ter deixado de incluir a rubrica Vale Refeição (VISA VALE) durante o período 01/2007 a 10/2008. Segundo a fiscalização, a empresa violou a obrigação acessória disposta no art. 32, I, da Lei nº. 8.212/91. É o que se vê: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; O descumprimento, art. 225, I, parágrafo 9º do RPS, culminou na aplicação da multa disposta no art. 283, I, “a”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048/99, in verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e Fl. 223DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004780/201051 Acórdão n.º 2403002.556 S2C4T3 Fl. 5 7 V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. **************************************************** Art. 283. (...) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; Ocorre que o descumprimento da presente obrigação acessória se deu apenas por não ter a empresa lançado em folha de pagamento os valores relativos à Vale Refeição (VISA VALE) no período compreendido até a competência de 10/2008, uma vez que a empresa passou a fazêlo a partir de 11/2008, por passar a pagar o benefício em pecúnia. É pacífica a jurisprudência do Colendo STJ, no sentido de que o fornecimento do alimento in natura, mesmo sem a inscrição no PAT, não deve integrar a base de cálculo da Contribuição Previdenciária, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 5.810/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 10/06/2011) (grifo nosso) Fl. 224DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Da análise do recente acórdão, verificase que o Tribunal Superior aplicou a Súmula 83 do STJ, verbis: NÃO SE CONHECE DO RECURSO ESPECIAL PELA DIVERGÊNCIA, QUANDO A ORIENTAÇÃO DO TRIBUNAL SE FIRMOU NO MESMO SENTIDO DA DECISÃO RECORRIDA. Em outras palavras, por ser matéria pacífica, o STJ nem conhece Recursos em sentido contrário. Nesse diapasão, em 20 de dezembro de 2011, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional editou o Ato Declaratório n. 03/2011 autorizando “a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: ‘nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.’” Por tal razão, não subsistem motivos para manutenção da presente multa. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10735.901713/2010-31
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.295
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligências. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques. Fez sustentação oral pela recorrente, o Dr. Remis Almeida Estol, OAB/RJ nº 45.196.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligências. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques. Fez sustentação oral pela recorrente, o Dr. Remis Almeida Estol, OAB/RJ nº 45.196. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
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Por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligências. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques. Fez sustentação oral pela recorrente, o Dr. Remis Almeida Estol, OAB/RJ nº 45.196. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 01 71 3/ 20 10 -3 1 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 29/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 340 ___________ Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 36051.96899.230206.1.3.026940 em .23.02.2006, fls. 04 15, utilizandose do saldo negativo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$141.913,55 do primeiro trimestre do anocalendário de 2003 apurado pelo regime do lucro real anual. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 0203 e 2123, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido. Restou esclarecido que Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse [...] Parc. Crédito Retenções Fonte Soma Parc. Crédito Per/DComp 141.913,55 141.913,55 Confirmadas 38.056,57 38.056,57 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$141.913,55 Valor na DIPJ: R$141.913,55 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$141.913,55 IRPJ devido: R$0,00 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DComp observado que este cálculo resultar negativo é zero Valor do saldo negativo disponível: R$38.056,57 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 20.09.2010, fl. 199, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 19.10.2010, fls. 1620, com os argumentos a seguir transcritos. O fundamento para a emissão do Despacho Decisório não homologando parcialmente a Pe/DComp supracitada foi o não reconhecimento integral do saldo negativo, este principalmente formado por retenções de fonte executados por clientes da Fl. 340DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 29/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.901713/201031 Resolução nº 1801000.295 S1TE01 Fl. 341 3 Recorrente, e cuja glosa montou o valor de R$103.856,98, conforme consta no Anexo A. Este relatório foi extraído da posição disponibilizada pela RFB e capturada pela recorrente em seu site através do certificado digital. A Recorrente vem mantendo rígido controle sistematizado das retenções de fonte, tanto para as Contribuições Sociais como para o Imposto de Renda na Fonte, somente procedendo a formação do saldo negativo de IRPJ para aquelas retenções efetivamente confirmadas com base nos valores líquidos recebidos. No referido anexo A, estão informados os contribuintes em que não houve, confirmação das retenções de fonte declaradas pela Recorrente, fazendose a composição do valor de R$103.856,98. [...] No Anexo B estão evidenciados os valores retidos informados pela recorrente, considerando os valores de faturamento bruto, retenções de impostos e contribuições, data de emissão das notas fiscais, data de recebimento dos valores faturados, e outros elementos necessários à indicação das operações ocorridas no primeiro trimestre de 2003. Faz a relação de todas as notas fiscais do período. Acrescenta Conforme pode ser observado, a Recorrente mantém controle absoluto sobre todas as retenções de fonte e tem identificado cada um dos valores informados na DIPJ e nas Per/DComps de saldo negativo, já prevendo falhas de informações das DIRF's de seus clientes. Infelizmente, muitas das empresas não apresentam o informe de rendimentos anualmente, principalmente és vinculadas ao setor público, o que prejudica ainda mais esta conciliação prévia. De qualquer forma, a Recorrente faz prova de que de fato tem direito ao crédito integral indicado na Per/DComp de saldo negativo de IRPJ, retenções estas que estão demonstradas na análise acima, e mais detalhadamente no anexo B, devendo esta Secretaria, de posse das informações aqui disponibilizada, solicitar novas informações sobre as divergências aos CNPJ's responsáveis pelas retenções indicados. Fazse prova também pela apresentação das Notas Fiscais dos eventos acima demonstrados no Anexo C. Conclui Diante dos argumentos prestados e da documentação comprobatória e elucidativa apresentada, resta ao contribuinte requerer que esta Autoridade Administrativa se digne a acatar o pedido de reconsideração pela Homologação integral da PerDcomp 26051.96899.230206.1.3.026940 (Processo de crédito 10735901.713/201031) com a consequente extinção do Processo de Cobrança decorrente. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12 39.6233, de 184.08.2011, fls. 206211: “Manifestação de Inconformidade Improcedente. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 29/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.901713/201031 Resolução nº 1801000.295 S1TE01 Fl. 342 4 Incumbe ao contribuinte a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto A Fazenda Nacional. IRRF. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de IRRF que não tenha sido informado em DIRF e, ainda, que não seja confirmado por comprovante de retenção. Notificada em 18.10.2011, fl. 220, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11.11.2011, fls. 223238, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Solicita a realização de diligência, discorda dos valores constantes nas DIRF por conter erros, e ainda com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com todos os documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 1. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda do fato ter que recolher os tributos em decorrência de erros cometidos pe,as fontes pagadoras. 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 29/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.901713/201031 Resolução nº 1801000.295 S1TE01 Fl. 343 5 Em relação à valoração dos créditos e dos débitos na data da entrega da declaração de compensação, temse que no exercício de sua competência de regulamentar da matéria, o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O valor do direito creditório deve ser acrescido de juros equivalentes à taxa Selic a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente em relação aos saldos negativos de IRPJ e de CSLL apurados anualmente e são calculados pelo critério de juros simples que pode ser expresso mediante o somatório dos índices mensais até a data da sua utilização para fins de compensação com os débitos confessados. Ademais, os débitos sofrerão a incidência de juros equivalentes à taxa Selic a partir da data do vencimento até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Também há aplicação da multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo até o dia em que ocorrer o seu pagamento, sendo que o percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento2. Assim, verificado o pagamento do tributo fora dos prazos legais por parte da Recorrente, é oportuno a incidência de juros de mora e aplicação da multa de mora como determina o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por seu turno a responsabilidade das fontes pagadoras estão discriminadas no Parecer Normativo da Cosit n°1, de 24 de setembro de 2002, a depender da espécie de conduta ilícita, contempladas em normas legais. Nesses casos tem cabimento ressaltar que na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional3. Por conseguinte, se houver alguma infração tributária por parte das fontes pagadoras, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tomar as providência legais cabíveis. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior4. 2 Fundamentação legal: art. 61 e § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 4 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 29/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.901713/201031 Resolução nº 1801000.295 S1TE01 Fl. 344 6 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais5. Em relação à dedução de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente6. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período7. A legislação expressamente permite a dedução dos valores de IRRF referentes ao código de arrecadação nº 1708 a título de remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica (art. 52 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985). Para o código de pagamento nº 6190, a Tabela de Retenção constante no Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 23, de 02 de março de 2001, sobre esta questão dispôs que a alíquota a ser aplicada na retenção sobre o rendimento é de 9,45%, do qual 4,80% corresponde ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, 1,0% corresponde à CSLL, 3,00% corresponde à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e 0,65% corresponde a Contribuição para o PIS/PASEP. Para o código de pagamento nº 6147, a Tabela de Retenção constante no Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 23, de 02 de março de 2001, sobre esta questão dispôs que a alíquota a ser aplicada na retenção sobre o rendimento é de 5,85%, do qual 1,2% corresponde ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, 1,0% corresponde à CSLL, 3,00% corresponde à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e 0,65% corresponde a Contribuição para o PIS/PASEP. Em ambos os casos assim, também dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.234 de 11 de janeiro de 2012, que atualmente regulamenta a matéria, inclusive determinando que 5 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 6 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 7 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 29/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.901713/201031 Resolução nº 1801000.295 S1TE01 Fl. 345 7 como forma alternativa de comprovação da retenção, poderá o órgão público fornecer, ao beneficiário do pagamento, cópia do Darf, desde que este contenha a base de cálculo correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços (art. 37 da Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012). Vale esclarecer que a pessoa jurídica poderá deduzir da do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Dessa forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 8. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Em relação ao quarto trimestre do anocalendário de 2003 tem cabimento fazer a comparação entre os dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) informados pelas fontes pagadoras, fls. 2123, na forma exposta na Tabela 1. Tabela 1 – Saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 Cálculo da IRPJ a Pagar (A) Valores DIPJ R$ (B) Valores Despacho Decisório R$ (C) Valores DRJ R$ (C) IRPJ Devido 0,00 0,00 0,00 () IRRF 141.913,55 (38.056,57) (38.056,57) (=) IRPJ a Pagar (141.913,55) (38.056,57) (38.056,57) Vale esclarecer que não foi considerado como correto o valor de R$598,83 a título de IRRF que a Recorrente diz correto, com conformidade com a Tabela 2. 8 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 29/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.901713/201031 Resolução nº 1801000.295 S1TE01 Fl. 346 8 Tabela 2 – Comparativo entre os valores constantes na Per/DComp e na DIRF do quarto trimestre do anocalendário de 2003 Descrição (A) CNPJ (C) Código Receita (D) Valor do IRRF Não Confirmado R$ (E) 01 00.000.000/212962 6190 642,14 02 00.000.000/375403 6190 9.340,39 03 00.000.000/470902 6190 337,07 04 02.709.449/000230 1708 5.548,70 05 03.621.867/000233 1708 244,96 06 03.621.867/000314 1708 613,62 07 03.621.867/000586 1708 738,86 08 03.621.867/000667 1708 550,80 09 03.621.867/000748 1708 1.221,81 10 03.621.867/000829 1708 180,06 11 03.621.867/000900 1708 161,88 12 03,621.867/001043 1708 564,32 13 03.621.867/001205 1708 550,14 14 03.621.867/002015 1708 362,48 15 03.621.867/002287 1708 133,44 16 03.672.347/003003 1708 397,04 17 03.672.347/004832 1708 300,60 18 03.672.347/006100 1708 139,48 19 26.474.056/000171 6147 276,42 20 33.657.248/000189 6190 471,16 21 34.009.894/000100 6190 110,40 22 34.274.233/000102 1708 80.971,21 Temse expressamente no art. 170 do Código Tributário Nacional que o direito creditório passível de reconhecimento pela Fazenda Pública deve ser líquido e certo. Essas condições cumulativas não estão corroboradas pelos documentos trazidos aos autos. Por seu turno, a Recorrente, embora ciente de todas as discrepâncias quantitativas, não juntou aos autos os outros elementos de prova respectivos, pois nesse caso, cabelhe produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior9. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca dos registros contábeis e documentos hábeis de que tem direito ao saldo negativo de IRPJ remanescente no somatório de R$103.856,98 originalmente pleiteado, tampouco instruiu os autos com cálculos explícitos, claros e congruentes, uma vez que verificase claramente a discrepância entre os códigos de arrecadação e os valores informados na Per/DComp e na DIRF a respeito de IRRF. Nesse caso o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a Recorrente apresentar o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período. Além disso, as notas fiscais juntadas aos 9 Fundamentação legal: art. 147 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 29/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.901713/201031 Resolução nº 1801000.295 S1TE01 Fl. 347 9 autos pela Recorrente, entretanto, não se constituem comprovação hábil para evidenciar inequivocamente o direito creditório requerido. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não está comprovada. Relativamente à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso10. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade11. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Voto vencedor Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Redator Designado O presente processo revelase em tudo assemelhado ao de número 10735.901721/201088, também convertido em diligência por esta E. Turma Especial, em que figura como recorrente a mesma empresa. Assim, peço vênia para incorporar ao presente voto as bem articuladas ponderações do i. Conselheiro Cláudio Otávio Melchiades Xavier, consignadas na Resolução nº. 1801000.247: Ousei divergir do douto voto vencido, que negou o direito da Recorrente de realizar a compensação pretendida, devido a falta de apresentação dos comprovantes de retenção do IRFonte. Conclui que a Recorrente, pelas provas juntadas ao processo, efetivamente tem direito à compensação declarada, no limite do crédito, apesar de não ter apresentado os comprovantes de retenção emitidos pela fontes pagadoras É verdade que não se desconhece que é do contribuinte que pugna pela compensação o ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos . Todavia, quando, por motivos alheios à sua vontade, essa prova deixa de ser apresentada, o direito à compensação pode ser exercido de outra forma, como no presente caso. Está comprovado nos autos do processo que a Recorrente tentou junto aos seus principais 10 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 11 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 29/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.901713/201031 Resolução nº 1801000.295 S1TE01 Fl. 348 10 clientes Petrobrás e Eletrobrás obter os comprovantes de retenção do imposto de renda no fonte. No entanto, além da negativa das referidas fontes pagadoras em fornecer aqueles documentos, uma delas, Petrobrás, informou, expressamente, que só atenderia a solicitação mediante intimação da Receita Federal do Brasil. Ora, penso que a Recorrente foi diligente, ao solicitar a apresentação dos comprovantes de retenção, os quais não obteve por razões alheias a sua vontade, como antes salientado. No entanto, mediante a prova anexa aos autos (notas fiscais e planilhas), pareceme ter, em princípio, ter direito à compensação, a ser confirmado depois de uma investigação por parte das autoridades fazendárias. Entendo que, em homenagem ao princípio da verdade material, tudo deve ser feito para que nenhum direito seja violado, especialmente o direito de defesa. Até porque, nos casos de impostos retido na fonte, o E. Superior Tribunal de Justiça tem entendimento no sentido de que, É o responsável, e não contribuinte, quem recolhe os impostos os respectivos valores ao Erário Público. Conseqüentemente, os comprovantes respectivos só podem ser exigidos do responsável, não do contribuinte12. Ora, como as fontes pagadoras se recusaram a fornecer os comprovantes de retenção do imposto de renda na fonte, a Recorrente, em substituição àqueles documentos, apresentou as notas fiscais, que comprovam a apuração da receita, computada na base de cálculo do tributo retido, compensável, nela consignado. Tais documentos substituem aqueles cuja apresentação foi negada por quem tem a obrigação de reter e recolher o imposto. Aliás, enfrentando questão em tudo análoga ao caso presente, este E. Sodalício entendeu que Comprovada por documentação hábil a retenção do IRFONTE, como antecipação, e identificadas as fontes pagadoras, incabível sua glosa por falta de comprovação de recolhimento, de exclusiva responsabilidade daquelas, cabendo à administração tributária promover a respectiva cobrança13. Por esses fundamentos, data vênia do douto voto vencido, entendo que o princípio da verdade material tem total aplicação no presente caso, pois com a negativa das fontes pagadoras em informar o imposto retido, os documentos contábeis, especialmente notas fiscais e planilhas anexadas ao processo pela Recorrente, suprem a falta daqueles comprovantes. A propósito, tratando da verdade material, Celso Antônio Bandeira de Mello em lição que se aplica ao caso em lide, afirma que esse princípio Consiste em que a administração, ao invés de ficar adstrita aos que as partes demonstram no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado, como bem o diz Hector Jorge Escola. Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pela pelas partes, a administração deve sempre buscar a verdade. Portanto, penso que o princípio da verdade material não está a subverter e suplantar regras do processo administrativo fiscal, substituindo o ônus processual do contribuinte. Pelo contrário, pelo que consta dos autos, a Recorrente cumpriu sua obrigação, ao solicitar às fontes pagadoras o fornecimento dos comprovantes de retenção do IRFonte. Logo, não pode ter o seu direito à compensação negado em virtude da recusa das fontes pagadoras em cumprir uma obrigação que a lei lhes atribui. 12 Agravo Regimental em AG 145.127/SP, Rel. Min. Ari Pargendler, DJ de 25/08/1997 13 Acórdão n.º 10419.446, Rel. Cons. Roberto William Gonçalves, Primeiro Consellho de Contribuintes, Quarta Câmara, formalizado em 12/09/2003. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 29/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10735.901713/201031 Resolução nº 1801000.295 S1TE01 Fl. 349 11 Outrossim, não ignoro que o artigo 55 da Lei n.º 7.450/85 estabelece que o IRFonte só pode ser compensado pelo contribuinte se este possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Todavia, penso que tal dispositivo deve ser interpretado cum grano salis, na medida em que a Recorrente solicitou às fontes pagadoras a apresentação daquele documento, mas seu pedido foi recusado Em razão disso, a falta desse comprovante pode ser surprida pela apresentação de quaisquer outros documentos hábeis e idôneos para confirmar os valores que lhe foram pagos pela prestação de serviços, segundo entendeu a Secretaria da Receita Federal do Brasil,5ª Região Fiscal Divisão de Tributação recentemente, na Solução de Consulta n.º 4, de 02 de abril de 2013, DOU de 15/04/2013, (n.º 71, Seção 1, pág. 36), cuja ementa tem o seguinte teor: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO NA FONTE. AUSÊNCIA DE COMPROVANTE. Mesmo não tendo recebido o comprovante de retenção anual pelos serviços prestados, pode a pessoa jurídica efetuar a dedução dos valores retidos na apuração dos correspondentes tributos. É possível utilizar como forma de comprovar à RFB o direito a essas deduções, alternativamente ao comprovante anual de retenções, quaisquer outros documentos hábeis, idôneos e suficientes para confirmar os valores efetivamente retidos.9430, DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei n.º 7.450, de 1985, art. 55, Lei n.º de 1996, art. 64; Lei n.º 10.833, de 2003, arts. 33 e 34; Instrução Normativa RFB n.º 1.234, arts. 9 e 37;Instrução Normativa RFB n.º 1.297, de 2012 arts. 24 e 27, e Decreto n.º 3000, de 1999 (RIR), art. 923. Por essas sucintas razões, meu voto é para converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil, que jurisdiciona a Recorrente, completar seu relatório, conferindo a idoneidade e a consistência da prova acostada aos autos (notas fiscais, planilhas e tudo mais que julgar conveniente), bem como solicitar, caso entenda necessário, às fontes pagadoras os comprovantes das retenções realizadas, dando, ao final, ciência de tudo à Recorrente, para se manifestar, querendo. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 349DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 29/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10920.001166/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/05/2003
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO INSUFICIENTE.
Tendo decidido pelo E. Primeira Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pela insuficiência do creditório, mantém-se lançamento de ofício decorrente da compensação a maior com o Imposto sobre Produtos Industrializados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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COMPENSAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO INSUFICIENTE. Tendo decidido pelo E. Primeira Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pela insuficiência do creditório, mantémse lançamento de ofício decorrente da compensação a maior com o Imposto sobre Produtos Industrializados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 11 66 /2 00 8- 81 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10920.001166/200881 Acórdão n.º 3302001.912 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Tratase de Auto de Infração (fls. 154/155) e demonstrativos (fls. 156/158), lavrado para exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI no valor de R$ 354.923,58, acrescido dos juros de mora e da multa de ofício, totalizando um crédito no valor de R$ 879.350,89. Segundo o autuante no Termo de Verificação Fiscal de fls. 145/153, a origem dos débitos lançados neste auto de infração são decorrentes de pedido de compensação não homologado com créditos oriundos da restituição de PIS, do período de julho/1988 a outubro/1995, processo administrativo nº 10920.000601/9844. O enquadramento legal prevê infração aos artigos: 34, inciso II, 122, 124, 125, inciso III, 127, 130, 199 e parágrafo único, 200, inciso III, IV, 202, inciso III, inciso V, do Decreto nº 4.544, de 2002 – RIPI/2002. A interessada formalizou em 07/05/1998, no PAF 10920.000601/9844, pedido de restituição no valor de R$ 3.431.834,85, relativamente a valores que teriam sido pagos indevidamente de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS no período de julho de 1988 a julho de 1994, e compensação deste crédito com débitos do PIS/Faturamento, Cofins e IPI dos períodos do ano de 1998. Posteriormente, em 09/06/1998, retificou o pedido de restituição, aumentando o seu valor para R$ 4.561.428,91 e ampliando o período em que teriam ocorrido os pagamentos a maior (julho de 1988 a outubro/1995) e apresentou novos pedidos de compensação. A partir de 12/02/2003 foram apresentadas pela contribuinte novas declarações de compensação, tendo por base o crédito reconhecido neste processo, formalizadas em processos distintos, posteriormente anexados ao PAF 10820.000601/9844. Em 19/05/2003 o contribuinte apresentou declaração de compensação, PER/DCOMP nº 31420.18357.190503.1.3.046504, fls.7073, indicando extinção do débito do IPI relativo ao 1º decêndio de maio/2003, no valor de R$ 124.013,10, com o crédito constante do mencionado processo. Os autos foram encaminhados para a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário para informar quanto a conversão dos depósitos em renda do Mandado de segurança 90.00031419 e apurar o indébito nos termos da decisão do Conselho de Contribuintes. Foi informada a conversão em renda dos depósitos e apuração do crédito no valor de 1.441.115,02 UFIR, equivalente a R$ 1.194.252,02, em 01/01/1996, fls.74/77 e 78/122. O pedido de restituição e compensação dos créditos do PIS com débitos diversos do contribuinte foi indeferido, tendo em vista que a diferença entre o valor apurado pela administração tributária e o contribuinte decorre da decadência parcial do direito creditório, conforme Despacho Decisório SASIT nº 302, de 1999, fls.125/142 e 235/252, cuja decisão foi mantida pela DRJ. Na fundamentação do indeferimento deste despacho, consta que: .....Na verdade a autorização para restituir tributo que foi pago com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, em ações incidentais, para terceiros não participantes da ação decorre da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a execução da lei. Excepcionalmente, a autorização pode ocorrer em momento anterior, desde que seja editada lei ou ato específico do Secretário da Receita federal que estenda os efeitos da declaração de inconstitucionalidade a todos. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10920.001166/200881 Acórdão n.º 3302001.912 S3C3T2 Fl. 4 3 Os valores recolhidos indevidamente passíveis de restituição são aqueles que não tiverem sido alcançados pelo prazo decadencial de cinco anos, contado a partir da data do ato que conceda ao contribuinte o efetivo direito de pleiteara restituição (art. 168, II, do CTN). ......................................................................................................... Os depósitos judiciais, uma vez que foram convertidos integralmente em renda da União, foram considerados como pagamentos nas datas em que foram efetuados junto a CEF. As razões encontradas para as diferenças apuradas entre o crédito pleiteado e os valores reconhecidos como corretos pela Receita Federal foram basicamente: 1 Divergências no montante da base de cálculo em virtude das inclusões e exclusões utilizadas em desacordo com a legislação vigente como foi relatado anteriormente; 2 A equivocada interpretação do artigo 6º da LC 7/70, onde entenderam que o recolhimento do tributo deveria ser feito com base no faturamento do 6° mês anterior não corrigido monetariamente. Assim, não existe crédito do contribuinte contra a Fazenda Pública decorrente do pagamento do PIS Faturamento relativo aos períodos de apuração compreendidos entre julho de 1988 e setembro de 1995, sendo então imperioso o indeferimento do pedido de restituição...........................................grifei A interessada recorreu ao Segundo Conselho de Contribuintes, que no Acórdão nº 20174.098, na sessão realizada em 08/11/2000 (fls.254/258), deu provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a semestralidade da base de cálculo, assim ementado: PIS BASE DE CALCULO SEMESTRALIDADE FATURAMENTO DE SEIS MESES ATRAS A base de cálculo da Contribuição ao PIS, eleita pela LC nº 07/70, art. 6º, parágrafo único ("A contribuição de julho será calculada com base do faturamento de janeiro, a de agosto, com base no faturamento de fevereiro, e assim sucessivamente"), permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP nº 1.212/95, quando, a partir desta, "o faturamento do mês anterior" passou a ser considerado para a apuração da base de calculo da Contribuição ao PIS. Recurso provido. Consta ainda no voto do conselheiro relator Antônio Mário de Abreu Pinto, que: .... Destarte, assim, de fato, assiste razão à recorrente ao se insurgir contra a adoção de base de recolhimento da Contribuição para o PIS, de forma diversa do que determina a LC nº07/70................................... ........ Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso para admitir a existência da Contribuição ao PIS a ser calculada mediante as regras estabelecidas na Lei Complementar n° 07/70, e, portanto, sobre o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, ressalvado o direito de o Fisco averiguar a exatidão dos cálculos. Este julgado foi posteriormente confirmado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão CSRF/0201.199, sessão de 17/09/2002, fls.260/265, que negou o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para ratificar o entendimento do Segundo Conselho de Contribuintes, conforme ementa, que ora transcrevo: PIS BASE DE CÁLCULO – SEMESTRALIDADE Até o advento da MP n° 1212/95, a base de cálculo da Contribuição para o PIS é o Fl. 363DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10920.001166/200881 Acórdão n.º 3302001.912 S3C3T2 Fl. 5 4 faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, de acordo com o parágrafo único, do art. 6º, da Lei Complementar nº 07/70. Precedentes do STJ e da CSRF Recurso especial da Fazenda Nacional negado. A Informação Fiscal SACAT nº 08, de 18/02/2004, às fls. 267/270, consta que: ................. Nos cálculos, determinamos o crédito conforme o que restou decidido no contencioso administrativo. Os parâmetros que delimitaram o aproveitamento e correção dos créditos foram os seguintes: • Prazo inicial para cômputo dos pagamentos que não foram atingidos pela extinção do direito de pedir: 10/09/1990, isto é, cinco anos, contados da data da publicação da Resolução do Senado Federal que suspendeu a lei declarada inconstitucional, conforme determinado no DESPACHO DECISÓRIO SASIT N° 302/99; • Prazo final: setembro de 1995, também de acordo com o Despacho Decisório; • Base de cálculo do PIS: faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador. (...) O prazo de extinção do direito de pleitear a restituição dos pagamentos foi fixado em cinco anos, contado da data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, publicada em 10 de outubro de 1995, e não foi questionado nas impugnações subseqüentes ao Despacho Decisório. Assim, em obediência à coisa julgada administrativa, é necessário desconsiderar no levantamento do direito creditório os pagamentos não abarcados na decisão. Inclusive, a mesma consideração pode ser estendida aos pagamentos posteriores a setembro de 1995, prazo final definido no processo. Concluímos, pois, que o valor do direito creditório é R$ 1.848.940,97, em abril de 1988, ou R$ 1.194.252,02, em 01/01/96.... Ao implementar a decisão transitada em julgado, conforme Despacho Decisório DRF/Joinville de 12/04/2007, de fls.12/19 foi dado o entendimento de que a contribuinte somente fazia jus aos valores não alcançados pela decadência, posteriores a 10/10/1990, e assim, o saldo apurado do crédito foi insuficiente para as compensações indicadas pela contribuinte, remanescendo a cobrança dos débitos do IPI relativos aos 3 decêndios de abril e 1º decêndio de maio de 2003. Contra a referida informação foi apresentada manifestação de inconformidade a DRJ Curitiba, que no Acórdão 0616.122, fls. 278/287, não conheceu da manifestação apresentada, por entender que constatada a compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício ou não confessado, protocolizada entre 16/04/2003 a 19/05/2003, deveria ser promovido o lançamento de ofício do crédito tributário, pois somente a partir da MP nº 135, de 2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833, de 2003, as DCOMP passaram a estar legalmente investidas dos atributos de uma confissão de dívida, com a realização do lançamento de multa isolada sobre as diferenças decorrentes da compensação indevida, nos termos do art.18, conforme ementa que ora transcrevo: DCOMP. DÉBITO NÃO CONFESSADO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. 1NCABIMENTO. Relativamente aos débitos não confessados pelo sujeito passivo, o lançamento de ofício é o ato jurídico que, nos termos do art. 142 do CTN, perfaz o Único instrumento legal hábil para formalizar a pretensão fazendária c conferir exigibilidade ao crédito tributário, razão pela qual o exercício do direito ao contraditório, nestes casos, deve se Fl. 364DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10920.001166/200881 Acórdão n.º 3302001.912 S3C3T2 Fl. 6 5 dar em sede da impugnação ao lançamento, e não via manifestação do inconformidade contra a não homologação de declaração de compensação. Impugnação não conhecida Novamente a empresa apresentou recurso no PAF 10920.000601/9844, (fls.289/305) ao Conselho de Contribuintes contra decisão DRJ/Curitiba, em 13/02/2008, alegando que em relação à decadência do direito ao crédito a decisão final da Câmara Superior de Recursos Fiscais e o acórdão do Conselho de Contribuintes fez coisa julgada administrativa, sendo incabível a interpretação dada pela DRF/Joinville de que o prazo decadencial de cinco anos do direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior que o devido devem ser contados de forma retroativa, a partir da publicação da Resolução do Senado, o que teria, segundo este entendimento, atingido os fatos geradores anteriores a 10/10/1990 e extinguido o respectivo direito em relação a este período, contudo tal não teria sido verificado porque protocolou o pedido de restituição em fevereiro de 1998. Além disso a Receita Federal deixou de opor decadência no processo de restituição original, vindo a fazêlo somente em 2007, decorridos mas de doze anos do termo inicial, 10/10/95. Por fim, nos termos do § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96, requereu o efeito suspensivo da exigibilidade do suposto crédito da Fazenda em face da manifestação de inconformidade, conforme o disposto no inciso III do art. 151 do CTN, anulação do Aviso de Cobrança no valor de R$ 652.270,91, devendo a Delegacia da Receita Federal em Joinville refazer os cálculos do crédito levando também em conta os fatos geradores entre julho de 1988 e setembro de 1990. Assim, temse que, após a efetivação de compensações no cumprimento do Despacho Decisório Saort (fls.12/19), inicialmente utilizado o crédito para quitar os débitos do PIS/Cofins, nos períodos de 04/1998 a 04/1999, fls.48/49, restou o crédito no valor de R$ 885.545,65, não tendo sido suficiente para quitação dos débitos relativos aos 3 decêndios de abril e do 1º decêndio de maio de 2003. Cientificada em 10/03/2008 (fl. 154), a interessada apresentou em 09/04/2008, sua impugnação (fls. 181/195), alegando que: • A presente autuação fiscal teve origem na incorreta interpretação da decisão final na esfera administrativa no processo n° 10920.000601/9844, cujo recurso voluntário foi julgado pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, conforme Acórdão nº 20174.098, de 08/11/2000, lhe dando provimento, doc.04, para admitir a existência da Contribuição ao PIS a ser calculada mediante as regras estabelecidas na Lei Complementar n° 07/70, e, portanto, sobre o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, ressalvado o direito de o Fisco averiguara exatidão dos cálculos; • Foi reconhecido o direito da Impugnante ao crédito do PIS por todo o período pleiteado, ou seja, de 1988 a 1995, e, "rever a exatidão dos cálculos" não significa rever os fundamentos jurídicos acolhidos pela decisão, esta que não fez qualquer restrição quanto ao período pleiteado pela Empresa, tampouco quanto ao reconhecimento da decadência do direito de postular a restituição; • Em relação à decadência do direito ao crédito, houve um reconhecimento expresso pelo Despacho Decisório SASIT n° 302/99 da Receita Federal no sentido de que o prazo decadencial é de cinco anos, contados da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49/95; • Esse Despacho gerou coisa julgada administrativa, e como o pedido de restituição/compensação foi protocolado em 1998, o direito à restituição dos valores pagos a maior em função da semestralidade do PIS restou preservado, e com efeito ex tunc, ou seja, desde a publicação dos malsinados Decretosleis declarados Fl. 365DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10920.001166/200881 Acórdão n.º 3302001.912 S3C3T2 Fl. 7 6 inconstitucionais, como reconheceu textualmente a Autoridade Administrativa através de seu Despacho n° 302/99; • A contagem do prazo decadencial do direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior que o devido, foi entendido conforme a Informação Fiscal SACAT n° 008 de 18/02/2004 (doc. 6), de forma retroativa, contados os cinco anos a partir da publicação da Resolução do Senado, o que teria, segundo a este surpreendente entendimento, atingido os fatos geradores anteriores a 10/10/1990 e extinguido o respectivo direito em relação a este período; • A recorrente inconformada pela decisão, interpôs manifestação de inconformidade (impossibilidade de se retomar o tema da decadência; decisão da CSRF feito coisa julgada administrativa; o prazo de cinco anos a partir da Resolução do Senado n° 49 de outubro de 1995 deve ser contado para frente e não retroativamente), mas a DRJ Florianópolis, no acórdão (doc. 07), sustentou que a manifestação não poderia ser conhecida uma vez que a legislação anterior à Medida Provisória 135/2003, não admitiria tal recurso em sede de pedido de restituição/compensação e que, também sob a óptica da legislação da época, a declaração de débitos em DCTF não teria força de confissão de dívida, autorizando a Receita Federal a proceder a autuação fiscal; • Entendeu o acórdão, interpretando a legislação vigente à época, que as declarações prestadas pela Recorrente não podem ser tidas como confissão de dívida, tornando o lançamento de ofício obrigatório. Em sendo obrigatório o lançamento de ofício, vislumbra a autoridade julgadora o alegado não cabimento de manifestação de inconformidade; • Conforme disposição do §9° do art. 74 da Lei 9.460/96, é possível a Impugnante interpor no processo n° 10920.000601/9844 Recurso Voluntário, (doc. 8) no qual busca assegurar o direito de interposição de Manifestação de Inconformidade face ao Despacho decisório fulcro na Informação Fiscal SACAT n° 008 de 18/02/2004 e acompanhado de Aviso de Cobrança no valor de R$ 652.270,91; • a contagem de prazos prescricionais ou decadenciais se dá sempre a partir de uma determinada data (termo a quo) e deve ser realizada para frente: nunca retroativamente como quer a Fazenda Pública; • Auto de Infração confunde o prazo de decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributos na hipótese de existência de Resolução do Senado que retira do mundo jurídico lei declarada inconstitucional pelo STF, prazo esse de 5 anos contados prospectivamente da data da Resolução com o efeito ex tunc da declaração de inconstitucionalidade de lei suspensa por Resolução do Senado Federal, que atinge todos os fatos geradores a partir da publicação da lei inconstitucional, conforme ensinamento do Prof. Paulo Barros de Carvalho que transcreve; • no que tange ao PIS, com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis 2.445 e 2.449, a eficácia ex tunc significa desde 1988, data da publicação e início de vigência desses DecretosLeis, abarcando todos os fatos geradores neste período. Transcreve julgados e doutrina; • quando o auto de infração reconhece que o início do prazo decadencial é o da publicação da Resolução do Senado 49/95, ele confirma que o presente pedido de restituição/compensação foi realizado dentro de prazo decadencial, ou seja, antes da extinção do direito, pois é logicamente impossível conceber que o prazo para se exercer um direito seja contado retroativamente a partir do nascimento do próprio direito que corresponde à data da resolução do Senado Federal, suspendendo lei declarada inconstitucional pelo STF. O prazo de decadência ou prescrição começa a Fl. 366DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10920.001166/200881 Acórdão n.º 3302001.912 S3C3T2 Fl. 8 7 fluir após a data da resolução do Senado Federal. Neste sentido é pacífica a jurisprudência administrativa, conforme transcrição; • se a interpretação que preponderava na Câmara Superior de Recursos Fiscais era no sentido aqui defendido, o dispositivo contido no art. 2º, parágrafo único, inciso XIII, da Lei nº 9.874, de 1999, a qual se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, veda qualquer mudança desta interpretação. Isto quer dizer que novas teses que tenham o objetivo de alterar o entendimento pacificamente dado a determinadas situações jurídicas poderão somente ter o efeito ex nunc; • Requer que seja a presente impugnação julgada procedente e anulado o auto de infração. Tendo em vista a determinação contida na Portaria RFB/Sutri nº 2.977, de 21 de junho de 2011, o processo foi transferido em 22/06/2006, para a DRJ de Salvador/BA, para julgamento, conforme despacho de encaminhamento de fl. 309. Os membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ de origem, por unanimidade de votos, decidiram julgar improcedente a impugnação e manter o crédito tributário lançado. Intimada do acórdão supra em 22/02/2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 15/03/2012. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. O presente auto de infração foi lavrado para exigir débitos de IPI, lançados de ofício pela DRF/Joinville, referente aos períodos de apuração de abril a maio de 2003, cuja compensação fora indeferida, no processo nº 10920.000601/199844, em face da insuficiência de créditos de PIS fundamentados nos recolhimentos com fulcro nos Decretos –Leis nº 2.445/88 e 2.449/88. Primeiramente, cumpre esclarecer que no processo nº 10920.000601/1998 44, apenas restou decidido que a Recorrente fazia jus à restituição dos valores pagos a maior, com base no malsinados decretos, nos seguintes termos: PIS BASE DE CALCULO. SEMESTRALIDADE FATURAMENTO DE SEIS MESES ATRAS A base de cálculo da Contribuição ao PIS, eleita pela LC nº 07/70. art. 6º . parágrafo único ("A contribuição de julho será calculada com base do faturamento de janeiro, a de agosto, com base no faturamento de fevereiro, e assim sucessivamente"), permaneceu incólume e em pleno vigor ate a edição da MP n1 1.212/95, quando, a partir desta, "o faturamento do mês anterior" passou a ser considerado para a apuração da base de calculo da Contribuição ao PIS. Recurso provido. Veja que a decisão supra, em nenhum momento estabelece qual o período de apuração, cujos valores foram pagos a maior, que a Recorrente teria o direito de ser restituída. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10920.001166/200881 Acórdão n.º 3302001.912 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, tendo em conta que o provimento supracitado alcançado pela interessada se limita a garantirlhe a sistemática da Lei Complementar 07/1970, sem, contudo, especificar, ou sequer abordar, qual seria, segundo tal sistemática, o momento da ocorrência do fato gerador, seria importante definir qual seria o período abrangido pelo direito creditório do contribuinte. É fato que o prazo para se requerer o direito ao crédito seria de 5 anos a partir da Resolução no. 49/95 do Senado Federal. Esse E. Conselho considera que o prazo para esse requerimento não é outro senão até 14/10/2000, cinco anos após a publicação da referida Resolução. Outrossim, recentemente esse mesmo E. Conselho modificou seu entendimento majoritário, no sentido de que todo o período abrangido pelos malsinados Decretos poderia ser objeto de restituição ou ressarcimento aos contribuintes. Isso porque o STJ decidiu, no regime do art. 543C do CPC, que para requerimento efetuados anteriormente à Lei Complementar no. 118/2003, o prazo seria contado segunda a sistemática denominada “5+5”. Ou seja, no caso concreto, temos que o contribuinte ingressou com pedido anteriormente à retromencionada Lei, logo, o período abrangido deveria considerar até o mês de fevereiro de 1988, abrangendo por isso a totalidade do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, e não aquele estipulado pela decisão a quo, que iria 5 anos para trás a partir da publicação da Resolução, ou seja, outubro de 1990. Entretanto, essa lide trata do lançamento de ofício decorrente da insuficiência de direito creditório compensado com o IPI, e não especificamente quanto ao crédito propriamente dito. Ocorreu que esse direito creditório fora apreciado no processo nº 10920.000601/199844, onde fora proferida decisão em 14.02.2012 negando provimento ao recurso voluntário da Recorrente. Portanto, quanto à discussão administrativa do direito creditório, verificase que este E. Tribunal já decidiu desfavoravelmente ao Recorrente, nos autos do processo supracitado. Neste sentido, ainda que discorde no mérito daquela decisão, talvez até mesmo me pareça que a partir do novo e atual Regimento Interno do CARF o E. Primeiro Conselho não tivesse competência para a apreciação do direito creditório, por ser pertinente ao PIS e da COFINS, não há outro remédio a esse Conselheiro senão negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 368DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 13982.720070/2011-84
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. APRECIAÇÃO EQUIVOCADA.
Somente as matérias ditas de ordem pública podem ser conhecidas ex officio Impõe-se a reforma da decisão quando verificado que esta ultrapassou os contornos da lide, fixados pela peça de defesa do contribuinte.
Numero da decisão: 1801-002.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios, interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, e retificar o decidido no Acórdão nº 1801-001.828, proferido em sessão realizada em 05 de dezembro de 2013, para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. APRECIAÇÃO EQUIVOCADA. Somente as matérias ditas de ordem pública podem ser conhecidas ex officio Impõe-se a reforma da decisão quando verificado que esta ultrapassou os contornos da lide, fixados pela peça de defesa do contribuinte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13982.720070/201184 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1801002.048 – 1ª Turma Especial Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria Multa Isolada Falta de Recolhimento de Estimativa Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado SUPERMERCADO ZAT LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. APRECIAÇÃO EQUIVOCADA. Somente as matérias ditas de ordem pública podem ser conhecidas ex officio Impõese a reforma da decisão quando verificado que esta ultrapassou os contornos da lide, fixados pela peça de defesa do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios, interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, e retificar o decidido no Acórdão nº 1801001.828, proferido em sessão realizada em 05 de dezembro de 2013, para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 00 70 /2 01 1- 84 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Em sessão realizada em 05 de dezembro de 2013, foi proferido o Acórdão nº 1801001.828, efls. 533 a 554, com o seguinte resultado no litígio dos autos em questão: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para exonerar a exigência da multa isolada em concomitância com a multa de ofício. Vencidas as Conselheiras Carmen Ferreira Saraiva (Relatora) e Maria de Lourdes Ramirez que negavam provimento ao recurso. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o voto vencedor.” Regularmente cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs os Embargos Declaratórios de efls. 562 a 570, em tempo hábil.1 Suscita que houve omissão no julgamento, na parte provida à contribuinte, pelo colegiado não haver se pronunciado justificando o porquê haver apreciado matéria não aventada no Recurso Voluntário, no caso, a concomitância da exigência das multas aplicadas em razão das estimativas mensais não recolhidas (percentual de 50%) e daquela aplicada sobre o valor do tributo exigido na forma anual (no caso, 150%). Argumenta, ainda, omissão sobre a redação nova dada ao artigo 44 da Lei nº 9.430/97, pela Lei nº 11.488/2007, no caso de exoneração das duas multas aplicadas conjuntamente, visto a alteração legislativa que deveria ter sido abordada no decisório. É o suficiente para o Relatório. 1 Ciência eletrônica em 03/03/14; Embargos interpostos em 25/02/14 informação do sistema eprocesso. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço dos presentes Embargos de Declaração, por tempestivos. Assiste razão à Procuradoria da Fazenda Nacional no que respeita ao fato de esta Turma Julgadora haver julgado ultra petita, em vista ao fato de a recorrente não ter se manifestado contra a exigência concomitante das multas de ofício aplicadas na autuação fiscal – artigo 44, inciso II, alínea “b”, e inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96 vigente – o que tornou a matéria incontroversa e impossível de análise pelo segundo grau colegiado de julgamento. Houve flagrante equívoco desta Turma Julgadora, talvez pelo fato de o julgamento anterior, na pauta, os casos fossem similares e nos relatórios lidos em mesa de julgamento trazer confusão sobre o entendimento de que em ambos litígios os recorrentes haviam se insurgido contra a matéria ora questionada (item 80 da pauta: processo nº 15540.720420/201137, Acórdão nº 1801001.827, com o mesmo resultado ora embargado). O equívoco, todavia, por claro, não justifica a patente contradição verificada entre os fatos relatados e a decisão prolatada. O artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (aprovado pela Portaria MF nº 256/09 e alterações) dispõe: Fl. 573DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.720070/201184 Acórdão n.º 1801002.048 S1TE01 Fl. 3 3 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Acolhida a pretensão fazendária, deixo de pronunciarme sobre o segundo ponto argumentado como omissão do acórdão embargado. Pelo exposto, os Embargos Declaratórios devem ser acolhidos e o resultado do julgamento do Acórdão nº 1801001.828 deve ser retificado para “negar o provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora”, tornandose sem efeito o Voto Vencedor inserido. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 574DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13819.910062/2011-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/09/2001
Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 14/09/2001 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/09/2001 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 62 /2 01 1- 10 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910062/201110 Acórdão n.º 3801003.428 S3TE01 Fl. 110 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910062/201110 Acórdão n.º 3801003.428 S3TE01 Fl. 111 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado em face do indeferimento de pedido de restituição (PER). No aludido PER, transmitido eletronicamente, a contribuinte indicou a existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para pagamento em DCTF. Cientificada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a “autoridade competente deixou de observar que o crédito de restituição pleiteado referese a pagamento indevido da referida contribuição, efetuado nos termos do já declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final, o provimento integral do presente recurso. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso apontando os mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito. É o que importa relatar. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910062/201110 Acórdão n.º 3801003.428 S3TE01 Fl. 112 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado tratamse de pedidos de restituição de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910062/201110 Acórdão n.º 3801003.428 S3TE01 Fl. 113 5 aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910062/201110 Acórdão n.º 3801003.428 S3TE01 Fl. 114 6 processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910062/201110 Acórdão n.º 3801003.428 S3TE01 Fl. 115 7 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11030.904389/2012-75
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2005
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 89 /2 01 2- 75 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904389/201275 Acórdão n.º 3801003.203 S3TE01 Fl. 87 2 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904389/201275 Acórdão n.º 3801003.203 S3TE01 Fl. 88 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 31/05/2005. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2005 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904389/201275 Acórdão n.º 3801003.203 S3TE01 Fl. 89 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904389/201275 Acórdão n.º 3801003.203 S3TE01 Fl. 90 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904389/201275 Acórdão n.º 3801003.203 S3TE01 Fl. 91 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904389/201275 Acórdão n.º 3801003.203 S3TE01 Fl. 92 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 10530.003422/2008-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
LEVANTAMENTO RUR. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIDO.
Havendo legislação impeditiva à análise da matéria formulada na peça recursal, não se conhece do apelo voluntário.
FATO GERADOR. PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO.MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
Poderá ser realizado o lançamento da parcela patronal das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). LEVANTAMENTO RUR. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIDO. Havendo legislação impeditiva à análise da matéria formulada na peça recursal, não se conhece do apelo voluntário. FATO GERADOR. PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO.MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. Poderá ser realizado o lançamento da parcela patronal das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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COMERCIALIZAÇÃO PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO SENAR Recorrente CAMPELO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). LEVANTAMENTO “RUR”. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIDO. Havendo legislação impeditiva à análise da matéria formulada na peça recursal, não se conhece do apelo voluntário. FATO GERADOR. PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA. SUB ROGAÇÃO.MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. Poderá ser realizado o lançamento da parcela patronal das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 34 22 /2 00 8- 68 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10530.003422/200868 Acórdão n.º 2402004.081 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, relativas às contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (SENAR),, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, para as competências 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal (fls. 25/29) informa que os valores apurados decorrem dos seguintes levantamentos: 1. levantamento “RUR” à objeto da ação judicial mandamental n° 1999.33.00.00703441, com decisão liminar deferida pelo Juiz Federal da 4a Vara da Seção Judiciária da Bahia, determinando a abstenção de qualquer ato tendente à cobrança da contribuição social denominada Funrural. A decisão judicial acolhe o pedido, concedendo a segurança, para declarar, incidentalmente, a inconstitucionalidade formal das partes da Medida Provisória no 1.523/96 (e suas reedições) e da Lei 9.528/97, que modificaram a redação dos incisos III e IV do art. 30 da Lei 8.212/1991, esclarecendo “que continua a impetrante obrigada a recolher a contribuição em tela sobre as aquisições feitas diretamente junto a produtores rurais”. A decisão declara a inconstitucionalidade da expressão “ou com intermediário pessoa física”, acrescentada ao inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/1991; 2. levantamento “RU1” à tratase de aquisição de lenha para caldeira, comercializada por pessoa física produtor rural. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 30/09/2008 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 37/56), alegando, em síntese, que: 1. houve a suspensão da exigibilidade do crédito; 2. na operação de compra existem comerciantes (intermediários) das peles entre o produtor rural e o sujeito passivo, arguindo a inconstitucionalidade da exação sobre a operação em que há intermediação de não produtor rural; 3. no Auto de Infração (AI) deveria constar a referência expressa à prevenção à decadência e que ao caso se aplica o disposto no art. 63 da Lei 9.430/1996, e alega, em síntese, que adquire a quase totalidade da matéria prima principal (couro e peles de cabras e carneiros) de comerciante pessoa física não produtor e que essas mercadorias são adquiridas sob a emissão de Nota Fiscal avulsa. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA – por meio do Acórdão 1528.037 5a Turma da DRJ/SDR (fls. 37/56) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, nos seguintes termos: “[...] Por todo o exposto, voto pelo não conhecimento parcial da impugnação quanto ao mérito do levantamento intitulado "RUR"; pela procedência parcial da impugnação para julgar, para o levantamento intitulado "RUR", indevida a incidência da multa de ofício ou multa moratória, esta última até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição, se assim ocorrer; e pela manutenção integral dos lançamentos correspondentes ao levantamento intitulado "RU1". [...]” A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana/BA informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10530.003422/200868 Acórdão n.º 2402004.081 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o interesse e a legitimidade para tanto. No presente lançamento fiscal ora analisado, constam as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, sendo constituído por meio do levantamento “RUR” (relativo à aquisição de couro em que há a alegação de intermediação de pessoa física não produtor rural), alcançado por decisão judicial, e do levantamento “RU1”, relativo à aquisição de madeira. Com relação ao levantamento “RU1”, a Recorrente não aduziu matéria de fato, nem qualquer questão jurídica, capaz de alterar o lançamento, a teor do artigo 145 do CTN. Com isso, ela continua obrigada a recolher a contribuição sobre as aquisições feitas diretamente junto a produtores rurais na forma ressalvada pela decisão judicial. Com relação ao levantamento “RUR”, constatase que o conteúdo delineado na peça recursal está pautado exclusivamente no fato de que a Recorrente adquire a produção rural (couro) de pessoa física não produtor rural (chamado de comerciante intermediário), matéria esta submetida a apreciação do Poder Judiciário (Mandado de Segurança 1999.33.00.00703441, com decisão liminar deferida pelo Juiz Federal da 4a Vara da Seção Judiciária da Bahia). Observase, então, que, antes da lavratura do presente lançamento fiscal, a empresa havia ingressado com ação judicial (Mandado de Segurança 1999.33.00.00703441), alegando a inconstitucionalidade da contribuição social previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, para os casos em que ocorresse a intermediação de pessoa física não produtor rural. Assim, considerando a discussão judicial acerca da inconstitucionalidade da contribuição social previdenciária, apurada no levantamento “RUR”, entendese que este Conselho Administrativo não analisará as questões discutidas em Juízo (âmbito judicial). Tal procedimento está em consonância com o art. 126, § 3o, da Lei 8.213/1991, abaixo transcrito: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 1997) (...) Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 § 3° A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei n° 9.711, de 20.11.98) (g.n.) Nesse sentido, esta Corte Administrativa (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) pronunciouse por meio do Enunciado no 1 de Súmula Vinculante (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ainda dentro desse contexto da ação judicial, constatase que há correlação e dependência entre a controvérsia que se discute, especificamente o levantamento “RUR”, e a matéria referente à ação judicial (Mandado de Segurança 1999.33.00.00703441), submetido ao recurso de apelação para o TRF1a Região , uma vez que essa última matéria – inconstitucionalidade da contribuição social previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural – sendo favorável à Recorrente, arrastará para a mesma conclusão todos os processos de constituição de créditos tributários. Portanto, com relação à matéria referente ao pleito da ação judicial, Mandado de Segurança 1999.33.00.00703441, não farei apreciação nem exame dessa matéria, pois não se trata de matéria pertinente à análise, neste momento, por esta Turma julgadora do CARF (2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção). No entanto, sinalizo no sentido que fique sobrestada esta decisão até a decisão definitiva da ação judicial, que foi submetida ao TRF1a Região por meio da interposição do recurso de apelação. Dessa forma, faremos análise apenas das matérias não submetidas ao processamento e análise do Poder Judiciário e, por consectário lógico, não será apreciada a matéria concernente à inconstitucionalidade da contribuição social previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, oriunda, segundo a Recorrente, da intermediação de pessoa física não produtor rural. A Recorrente alega que não deveria haver a aplicação de multa, a teor do art. 151, inciso IV, do CTN. Neste particular, comungo do mesmo entendimento delineado pela primeira instância, nos seguintes termos (fls. 216): “[...] Nos termos do Acórdão n° 1527.875 – 5a Turma da DRJ/SDR, de 27 de julho de 2011, foi julgado para o levantamento intitulado "RUR" indevida a incidência da multa de ofício ou multa moratória, esta última até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição, se assim ocorrer, nos termos do art. 63 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, mantendo integralmente os lançamentos correspondentes ao levantamento intitulado "RU1". Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10530.003422/200868 Acórdão n.º 2402004.081 S2C4T2 Fl. 5 7 A devida aplicação da multa ou seu cancelamento, se a decisão judicial transitada em julgado considerar, respectivamente, devida ou indevida a contribuição, só será integralmente possível na Unidade Local em fase de cobrança com a solução da lide judicial, razão pela qual se fez necessário o registro de decisão de procedência dos lançamentos e a execução do Acórdão. [...]” No que tange às questões postuladas na peça recursal de que a contribuição social previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, seria uma nova exação instituída sem a observância dos requisitos previstos na Constituição Federal, uma vez que: (i) foi instituída por Medida Provisória, a qual convertida em Lei Ordinária; (ii) é cumulativa, porque não prevê nenhum mecanismo de compensação da contribuição paga ou que deveria ser paga na etapa anterior da circulação; (iii) corresponde ao fato gerador e a base de cálculo de outro imposto previsto na Constituição, o ICMS. Cumpre esclarecer que tais questões dizem respeito à inconstitucionalidade do tributo, e o afastamento da aplicação da Legislação, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Com relação ao levantamento “RUR”, deixo consignado que deverá haver a suspensão dos efeitos deste Acórdão, eis que a cobrança do crédito objeto do presente auto de infração somente poderá ser levado a efeito quando transitado em julgado o Mandado de Segurança de número 1999.33.00.00703441 (4a Vara da Seção Judiciária da Bahia, Tribunal Regional Federal da 1a Região). Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10580.900451/2008-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
PEREMPÇÃO
Recurso protocolizado a destempo interdita seu conhecimento. Consumada a perempção.
Numero da decisão: 1103-000.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO conhecer do recurso, por intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: PEREMPÇÃO Recurso protocolizado a destempo interdita seu conhecimento. Consumada a perempção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO conhecer do recurso, por intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 04 51 /2 00 8- 84 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.900451/200884 Acórdão n.º 1103000.981 S1C1T3 Fl. 166 2 Relatório DA DECISÃO DA DRF Tratase de declaração de compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ de 2005 Dcomp nº 17838.32336.130106.1.3.020786 – não homologada pela DRF/Salvador fls.112 (eprocesso). A Dcomp em questão objetiva solver débitos de PIS e Cofins relativos a dezembro de 2005 com o saldo negativo do IRPJ referente ao mesmo anocalendário. Em 20/3/2008, a decisão proferida por meio de despacho decisório eletrônico nº 754339618 não homologou as compensações declaradas, pelas razões constantes de fl. 9 (e processo): Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 18.778,34; Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em 11/4/2008, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, fls. 1336 (eprocesso). Primeiramente, a recorrente alega em sua defesa que em momento algum foi questionada a qualidade do sistema contábil do contribuinte, então, o sistema é bom e confiável. Ademais, sustenta que não é responsável por localizar os recolhimentos das fontes pagadoras nas DIRFs ou outra obrigação acessória. A negativa do Fisco em compensar os tributos retidos, comprovados nos extratos bancários e informados pelo órgão retentor, no caso a Petrobras, demonstra a má vontade do poder tributante em buscar via CNPJ da fonte retentora as informações comprobatórias do alegado pela contribuinte. Abordou também a falha no trabalho fiscal baseado em valores inconsistentes e em critério jurídico sem sustentação, pleiteando, por conseguinte, a realização de diligência confirmatória da correta apuração dos valores compensados e da impropriedade da glosa que ensejou o crédito tributário. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.900451/200884 Acórdão n.º 1103000.981 S1C1T3 Fl. 167 3 Por fim, requereu o reconhecimento de que os valores compensados não estão submetidos ao regime de prescrição quinquenal puro e simples, porquanto a eles o prazo prescricional só se computa a partir da homologação, expressa ou tácita, não tendo sido os valores requeridos alcançados pela prescrição que o fisco pretende opor ao exercício do direito do contribuinte. DA DECISÃO DA DRJ Em 28/1/2010, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Salvador, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, indeferir a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório que indeferiu a compensação declarada, conforme o entendimento que segue. Inicialmente, entende a 1ª Turma da DRJ/Salvador que a recorrente formulou pedido de diligência de forma genérica, pois não apresentou quaisquer quesitos relativos aos exames desejados, além de estarem presentes nos autos todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador, sendo prescindível para o deslinde da causa a diligência requerida. Desse modo foi indeferido o pedido de realização de diligência. No mérito, entende ausentes a liquidez e a certeza do indébito postulado e, por isso, incabível a compensação. A referida ausência é caracterizada em razão: 1 Da divergência das informações referentes ao saldo negativo de IRPJ (anocalendário de 2005) constantes na DIPJ e Dcomp, bem como da inércia do contribuinte em proceder à retificação; 2 Da apresentação, pelo contribuinte, da Ficha 12A (cálculo do IR sobre o lucro real) da DIPJ/06 contendo todos os campos zerados, inclusive os relativos ao imposto de renda retido na fonte e ao imposto de renda a pagar, assim, não há saldo negativo a ser reconhecido e consequentemente não há possibilidade de efetivar as compensações pleiteadas. Por fim, considera estranho ao feito o argumento de que os valores compensados não estão submetidos ao regime de prescrição quinquenal, vez que tal questão não foi sequer suscitada no despacho decisório. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, em 13/4/2010, recurso voluntário de fls. 51 a 55 (eprocesso). É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.900451/200884 Acórdão n.º 1103000.981 S1C1T3 Fl. 168 4 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata A ciência do acórdão a quo se dera em 8/3/10 (fl. 131), e o recurso interposto em 13/4/10 (fl. 132), de modo que não resulta dúvida quanto a sua intempestividade. Consumouse a perempção. As fls. indicadas são do eprocesso. Outrossim, não conheço do recurso voluntário. É o meu voto. Sala das Sessões, em 4 de dezembro de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 12259.003355/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal.
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. Diante da fraude nos contratos de trabalho, aplica-se ao caso a regra do art. 173, inciso I do CTN.
RECONHECIMENTO DE VÍNCULO TRABALHISTA PARA EFEITOS FISCAIS. COMPETÊNCIA.
Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil tem competência para reconhecer vínculo trabalhista para fins de arrecadação e lançamento de tributos, não acarretando essa análise a chancela aos direitos decorrentes da relação empregatícia, pois matéria afeta à Justiça do Trabalho.
CARACTERIZAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PRESENÇA DE PESSOALIDADE, SUBORDINAÇÃO, CONTINUIDADE E ONEROSIDADE.
O negócio jurídico é reconhecido juridicamente por sua causa objetiva, sua finalidade prático-social, e não pela forma que lhe é, artificialmente, atribuída. Cabe à fiscalização promover a qualificação jurídica dos fatos para atribuir ao real negócio jurídico celebrado, identificado segundo sua causa objetiva, as consequências tributárias que lhe são próprias segundo os desígnios da lei. As diferenças entre um contrato de trabalho e um contrato de prestação de serviço residem na pessoalidade, subordinação e continuidade que estão fortemente presentes no primeiro. Havendo provas da presença de tais elementos, correta a qualificação jurídica de contrato de trabalho proposta pela fiscalização, o que resulta em considerar os pagamentos feitos os prestador como parcela remuneratória sujeita à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros.
APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO.
Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa. Incabível a aplicação do art. 106, inciso II, alínea "a", pois a retroatividade benigna diz respeito às infrações e suas penalidades, ao passo que o fato gerador deve seguir as determinações do art. 144 do CTN.
RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA PELOS TRIBUTOS E PELAS MULTAS MORATÓRIAS E PUNITIVAS. ARTS. 129 e 133 DO CTN. RESP 923.012 E ART. 62-A DO RICARF.
Conjugando-se a aplicação do art. 62-A do RICARF com o conteúdo do Resp 923.012/MG do STJ, cujos fundamentos apontam para os arts. 129 e 133 do CTN, concluímos que a responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
Recurso Voluntário Provido em Parte e Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2301-003.751
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado; b) em negar provimento ao recurso, na questão da nulidade da decisão de primeira instância, pela ausência de envio dos autos integrais a todos os responsáveis citados no lançamento, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, no que tange à decadência, pela aplicação da regra expressa no I, Art. 173, do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial pela aplicação da regar decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, na questão da caracterização dos segurados como empregado, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Sustentação oral: Rubem Perlingeiro. OAB: 71.430/RJ.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. Diante da fraude nos contratos de trabalho, aplicase ao caso a regra do art. 173, inciso I do CTN. RECONHECIMENTO DE VÍNCULO TRABALHISTA PARA EFEITOS FISCAIS. COMPETÊNCIA. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil tem competência para reconhecer vínculo trabalhista para fins de arrecadação e lançamento de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 33 55 /2 00 9- 54 Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 2 tributos, não acarretando essa análise a chancela aos direitos decorrentes da relação empregatícia, pois matéria afeta à Justiça do Trabalho. CARACTERIZAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PRESENÇA DE PESSOALIDADE, SUBORDINAÇÃO, CONTINUIDADE E ONEROSIDADE. O negócio jurídico é reconhecido juridicamente por sua causa objetiva, sua finalidade práticosocial, e não pela forma que lhe é, artificialmente, atribuída. Cabe à fiscalização promover a qualificação jurídica dos fatos para atribuir ao real negócio jurídico celebrado, identificado segundo sua causa objetiva, as consequências tributárias que lhe são próprias segundo os desígnios da lei. As diferenças entre um contrato de trabalho e um contrato de prestação de serviço residem na pessoalidade, subordinação e continuidade que estão fortemente presentes no primeiro. Havendo provas da presença de tais elementos, correta a qualificação jurídica de contrato de trabalho proposta pela fiscalização, o que resulta em considerar os pagamentos feitos os prestador como parcela remuneratória sujeita à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa. Incabível a aplicação do art. 106, inciso II, alínea "a", pois a retroatividade benigna diz respeito às infrações e suas penalidades, ao passo que o fato gerador deve seguir as determinações do art. 144 do CTN. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA PELOS TRIBUTOS E PELAS MULTAS MORATÓRIAS E PUNITIVAS. ARTS. 129 e 133 DO CTN. RESP 923.012 E ART. 62A DO RICARF. Conjugandose a aplicação do art. 62A do RICARF com o conteúdo do Resp 923.012/MG do STJ, cujos fundamentos apontam para os arts. 129 e 133 do CTN, concluímos que a responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte e Recurso de Ofício Negado. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 963 3 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado; b) em negar provimento ao recurso, na questão da nulidade da decisão de primeira instância, pela ausência de envio dos autos integrais a todos os responsáveis citados no lançamento, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, no que tange à decadência, pela aplicação da regra expressa no I, Art. 173, do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial pela aplicação da regar decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, na questão da caracterização dos segurados como empregado, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Sustentação oral: Rubem Perlingeiro. OAB: 71.430/RJ. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela interessada. Apesar de intimadas, as empresas apontadas como solidárias não apresentaram Recurso Voluntário, remanescendo a presente análise adstrita aos argumentos da única recorrente contribuinte. O processo teve início com a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.093.2080, lavrada em 11/12/2007, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte da empresa e parte do empregado, e de terceiros, bem como adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(GILRAT/SAT), incidentes sobre parcelas reputadas como remuneratórias, no período de 01/1997 a 12/2002, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 29.1119.700,71, fls. 03. O resumo do relatório fiscal ficou assim consignado no Acórdão a quo: 2.1“A presente ação fiscal foi desenvolvida por força: do MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL n° 09430717F00, de 09/11/2007, em continuação à ação fiscal que fora desenvolvida na empresa, em 2005, MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL n° 927161500, de 27/10/2005”. 2.2. “A ação fiscal desenvolvida em 2005 iniciouse na empresa TV GLOBO LTDA, CNPJ: 33.252.156/000119, por força do MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL n° 9233568, de 15/04/2005, e MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL COMPLEMENTAR 01, de 09/08/2005 e, tendo ocorrido a incorporação desta última pela sociedade ora fiscalizada, tal ação passou a ser realizada nesta”. 2.3. “Ocorreu, portanto, a sucessão empresarial, prevista no art. 132 da Lei no. 5.172/66, Código Tributário Nacional...”. 2.4. O procedimento fiscal foi iniciado a partir da requisição do Ministério Público do Trabalho, como resultado final do Inquérito Civil Público nº 602/00, instaurado em face da TV GLOBO LTDA, ora sucedida, que concluiu que “...a inquirida vem fraudando os contratos de trabalho de dezenas de seus empregados, com violação aos direitos sociais assegurados aos trabalhadores no art. 7º da Constituição, além de incorrer em sonegação de verbas ao FGTS, à Previdência Social e à Receita Federal. A fraude consiste em mascarar a relação de emprego mantida com muitos de seus jornalistas, radialistas e artistas através de uma falsa contratação “civil” com pessoas jurídicas constituídas por aqueles profissionais.” Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 964 5 2.5. A fraude à legislação trabalhista caracteriza ato nulo, nos termos do art. 9º, CLT, sem necessidade de declaração judicial. 2.6 A Lei 6.533/78 dispõe sobre a regulamentação de artista e técnico de espetáculos de diversão. A regra, portanto, é que o artista seja empregado de empresa responsável pela divulgação ou exibição pública, através dos meios de comunicação; 2.7. No presente lançamento, a fiscalização caracterizou os sócios das empresas prestadoras de serviço, no caso os artistas, que prestaram serviço à TV GLOBO S/A à época dos fatos geradores, como sendo segurados empregados da tomadora de serviço, nos termos do art. 12, I, “a” da Lei nº 8.212/91 c/c arts. 2º e 3º da CLT; 2.8. Na análise do contrato de prestação de serviços, ficaram demonstrados os requisitos da caracterização de emprego, quais sejam: serviço prestado por pessoa física, pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. A fiscalização citou as cláusulas dos contratos de prestação de serviço que comprovam a relação de emprego (anexo 2). 2.9. O presente lançamento engloba os artistas e empresas interpostas relacionados no item 36 do Relatório Fiscal. 2.10. A base de cálculo do presente lançamento, no período de 01/1997 a 12/2002, foi apurada com base nos valores registrados nas contas contábeis 5006, 5007 e 5012, constantes do arquivo magnético fornecido pela empresa. Após tomar ciência pessoal da autuação em 21/12/2007, fls. 03 , a recorrente apresentou impugnação, fls. 443/486, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 11ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro, no Acórdão de fls. 583/620, julgou a impugnação procedente em parte, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 26/03/2012, fls. 808. O Acórdão a quo aplicou a decadência segundo a regra do art. 173, inciso I do CTN. Desse modo, o lançamento teve o valor do crédito tributário exigido reduzido para R$ 5.942.364,28. Em obediência ao art. 34, inciso I do Decreto 70.235/72 c/c Portaria MF 03/3008, foi apresentado recurso de ofício, uma vez que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). O recurso voluntário, apresentado em 23/08/2012, fls. 3.954/3.972, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Entende que o Recurso de Ofício não é cabível, pois diante da existência da Súmula Vinculante Nº 8, não seria licitamente possível outra decisão que não aquela tomada pela Turma a quo no sentido de acatar a decadência de cinco anos, com a regra do art. 150 o, §4º ou do art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 6 Sustenta que a decisão a quo assumiu a existência de simulação baseandose em provas frágeis ou inexistentes. O Inquérito Civil citando a fraude deu origem a uma ação cautelar e uma ação civil pública, ambas encerradas sem que houvesse decisão desfavorável à recorrente. Ademais, o Inquérito Civil citado não foi juntado aos autos. Insiste que a conduta de contribuintes que contrataram a prestação de serviços intelectuais personalíssimos de outras pessoas jurídicas não pode ser considerada fraude ou simulação, tendo em conta o art. 129 da Lei 11.196/2005, especialmente a exposição de motivos do referido dispositivo legal que explicita a natureza interpretativa da novel legislação. Conclui que não restou provado o intuito de fraude e simulação, pressuposto para aplicação do art. 173, inciso I do CTN. Assim, seria aplicável ao caso o art. 150, §4º do CTN. Ainda que se aplique o art. 173, inciso I, argumenta que a caducidade deveria atingir o período de dezembro/2001. Essa conclusão advém do conteúdo do Resp 973.733/SC, julgado como Recurso Repetitivo combinado com o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Teria havido invasão da competência da justiça do trabalho na pretensão de caracterização de relação de emprego, em ofensa ao art. 114 da Constituição Federal (CF). O Supremo Tribunal Federal (STF) teria assim decidido em alguns julgados para evitar decisões contraditórias. Não seria possível aplicar o art. 229, §2º do Decreto 3.048/99 Regulamento da Previdência Social (RPS), pois não havia segurado envolvido no caso. A expressão presente no dispositivo "sob qualquer outra denominação" deveria ser interpretada como "qualquer outra espécie de segurado". Ressalta que as decisões citadas no Acórdão a quo referemse a pessoas físicas contratadas como contribuintes individuais. Em fase do princípio da estrita legalidade, não seria possível aplicarmos o art. 116, parágrafo único sem que exista lei regulamentadora. Seria necessária uma prévia decisão judicial da Justiça do Trabalho para aplicação do art. 9º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Afasta a ocorrência de simulação no caso. A contratação de prestação de serviços intelectuais personalíssimos poderia ser considerada controvertida, mas nunca uma simulação. Defende que a interpretação do art. 116, inciso I do CTN resulta em argumento em seu favor. Discorda da aplicação do art. 123 do CTN ao caso. Teria ocorrido cerceamento de defesa na medida em que a NFLD incluiu todas as situações numa só autuação. A recorrente teve um prazo exíguo para defenderse com relação a uma relação múltipla de contratados, o que trouxe prejuízo para sua defesa. Aponta que é possível a contratação de pessoas jurídicas para prestarem serviços artísticos. Cita dispositivos da CF e o Código Civil para sustentar seus argumentos. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 965 7 A própria lei que regulamenta a profissão do artista não determina que estes devem ser sempre empregados. Sustenta que alguns dispositivos da legislação tributária permite que o artista seja contratado como pessoa jurídica. A lei do Simples Nacional e a Instrução Normativa (IN) 971/2009 seriam dois exemplos disso. Ressalta o caráter interpretativo do art. 129 da Lei 11.196/2005. Aponta vários doutrinadores que teriam se manifestado nesse sentido. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já teria firmado entendimento de que o conteúdo da exposição de motivos é determinante na interpretação da norma. Assim sendo, considerando que a exposição de motivos da referida lei registrou o caráter interpretativo, teria o art. 129 aplicação retroativa por sua natureza clarificadora de normas já existentes. A aplicação retroativa do art. 129 poderia ser justificada pelo conteúdo do art. 106, inciso II, alínea "a" do CTN. Admite a possibilidade de os serviços prestados serem considerados cessão de mão de obra na hipótese de terem sido prestados com características de relação de emprego. Conclui que a habitualidade na prestação de serviços não descaracteriza a relação de cessão demão de obra. Destaca que o STJ já decidiu que a subordinação é característica da contratação com cessão de mão de obra. Destaca que seguiu a orientação das autoridades administrativas nas contratações e pede a aplicação do art. 100, inciso I e parágrafo único do CTN. Tendo em conta que a recorrente é a sucessora da contribuinte que contratou as pessoas jurídicas não pode sofrer imposição de multa. Não teria havido ato ilícito e sim negócio ineficaz. Requer a aplicação da multa mais benéfica. Em sua sustentação oral, a Recorrente suscitou a nulidade do lançamento tendo em conta que os responsáveis solidários não receberam cópia integral dos autos, tendo recebido apenas a notificação da existência do lançamento. É o relatório. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 8 Voto Reconhecemos a tempestividade do recurso voluntário apresentado e dele tomamos conhecimento. O Recurso de Ofício atende ao estabelecido no art. 34, inciso I do Decreto 70.235/72 c/c Portaria MF 03/2008, portanto dele tomamos conhecimento. O fato de todo o crédito tributário exonerado referirse à aplicação da Súmula Vinculante 8 em nada altera a existência dos requisitos da legislação para o acatamento do reexame necessário. Objetivamente, foi exonerado pela decisão a quo crédito tributário que supera o limite de alçada, o que justifica o conhecimento do Recurso de Ofício. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 966 9 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Não partilhamos do entendimento da recorrente de que o auto de infração deveria ter sido lavrado de forma individualizada para cada prestador de serviços. Como a questão de mérito é similar em todos os contratos, não houve qualquer prejuízo para a defesa o fato de terem sido incluídos vários prestadores no mesmo lançamento. As situações peculiares de cada prestador poderiam ter sido apresentadas pela recorrente para demonstrar eventual dificuldade em cuidar de todas simultaneamente, mas não o fez, pois somente discutiu a situação jurídica comum a todas as prestadoras. Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. A não juntada do inquérito civil aos autos não acarreta qualquer vício no lançamento, uma vez que aquele documento foi apenas o ponto de partida para a fiscalização, estando o lançamento apoiado em outros fundamentos fáticos. Quanto ao argumento de que houve cerceamento de defesa da devedora solidária, por conta de não recebimento de cópia integral dos autos, não partilhamos de tal entendimento, tendo em conta que foi cientificada dos lançamentos, fls. 405/407, e poderia ter acesso a qualquer tempo aos autos sem que qualquer prejuízo à sua defesa pudesse se consolidar, salvo por sua própria omissão. Ademais, a própria interessada em tal argumento não compareceu aos autos, apesar de estar ciente da existência do lançamento. Tal argumento apresentado pela devedora principal no momento da sustentação oral carece de legitimidade. Da violação ao devido processo legal por ofensa ao contraditório e/ou ao direito à ampla defesa na fase fiscalizatória A recorrente aduz que houve violação do devido processo legal durante a fase fiscalizatória. Não há como acolher a pretensão da recorrente de violação ao devido processo legal, seja por ofensa ao contraditório ou à ampla defesa , pois os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 10 Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Sem que fique demonstrado que após o início do litígio houve ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, não há como acatar a pretensão da recorrente de nulidade. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 967 11 É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 12 Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 968 13 “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 14 outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 969 15 nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 16 Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 970 17 primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Como veremos adiante, ficou demonstrada a fraude na interposição de pessoas jurídicas em substituição a contratos de trabalho, logo a regra decadencial a ser Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 18 aplicada é aquela prevista no art. 173, inciso I do CTN. Tendo o lançamento sido cientificado em 21/12/2007, todos os fatos geradores até 11/2001 estão atingidos pela caducidade. Assim, votamos por indeferir o Recurso de Ofício apresentado. Quanto ao pleito de aplicação da decadência do art. 150, §4º do CTN feito pela recorrente, votamos por indeferilo pelas razões já apresentadas. Caracterização do contrato de trabalho. Qualificação jurídica dos fatos. Presença de pessoalidade, subordinação, continuidade e onerosidade. A matriz legal da caracterização de empregado na seara tributária é o art. 12, inciso I da Lei 8.212/91: DOS CONTRIBUINTES Seção I Dos Segurados Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; A lei tributária, portanto, definiu o empregado como “aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado”. Ao assim definir, destacou a necessidade de três requisitos para caracterização do empregado: não eventualidade, subordinação e onerosidade. São requisitos totalmente alinhados com o que prevê a legislação trabalhista por intermédio da CLT: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 1º Equiparamse ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 971 19 Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Tomando a legislação trabalhista, a doutrina estabeleceu como requisitos para a relação de emprego: a continuidade, subordinação, onerosidade e pessoalidade. Parecenos que a lição de Amauri Mascaro do Nascimento é perfeitamente cabível também para a lei tributária acima citada, pois a pessoalidade adviria da expressão “as seguintes pessoas físicas” contida no caput do art. 12. Assim, assumimos os quatro requisitos apontados pelo doutrinador como necessários para que um prestador de serviço seja considerado empregado. Nesse cenário, cabe à autoridade fiscal demonstrar que, em dada situação, tais requisitos foram constatados para que o prestador seja considerado empregado e os pagamentos feitos a ele sejam tidos como remuneração que deve sofrer a incidência da contribuição previdenciária. Se o contratante e o prestador ajustaram entre si que haveria a interposição de uma pessoa jurídica para a formalização da prestação de serviço, isso em nada altera a situação fática, pois, por exemplo, não é por denominarmos de compra e venda um negócio que se revela com as características jurídicas de uma doação que este assim será reconhecido no mundo do direito. Esse raciocínio traz em si a noção de causa objetiva do negócio jurídico que, seguindo as lições de Antonio Junqueira de Azevedo, equivale à função práticosocial ou econômicosocial do negócio. (Cf. AZEVEDO, Antonio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 151). Adotando tais lições, Rodrigo de Freitas assinalou como a análise da causa objetiva permeia o trabalho do intérprete tributário (Cf. FREITAS, Rodrigo. É legítimo economizar tributos? Propósito negocial, causa do negócio jurídico e análise das decisões do antigo Conselho de Contribuintes. In: SCHOUERI, Luís Eduardo (coord.); FREITAS, Rodrigo de (org.). Planejamento tributário e o “propósito negocial”. São Paulo: Quartier Latin, 2010, p. 441490, (p. 4756)): “O conteúdo do negócio jurídico (previsão objetiva – vontade declarada), plasmado em forma de linguagem, serve de parâmetro, de referência, para a determinação do regime jurídico. Contudo, é na análise da causa objetiva que o trabalho do intérprete irá apurar se o regime jurídico é adequado à norma tributária ou não. (...) (...)concluise que não é o conteúdo formal do negócio jurídico consubstanciado na declaração de vontade que irá determinar a incidência da norma tributária, mas sim a causa objetiva. O que importa ao intérprete é procurar a verdade substancial do evento, não a simples declaração de vontade objetivada em forma de linguagem.” Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 20 Portanto, cabe ao intérprete da lei identificar os dados da realidade para promover a requalificação jurídica dos fatos, ou seja, identificar para qual negócio jurídico apontava a causa objetiva do verdadeiro negócio celebrado. Identificado o negócio celebrado, atribuise a este as consequências que a legislação tributária prescreve. Para tanto, cumprenos identificar a causa objetiva do negócio jurídico celebrado. Se alguém deseja contratar, de maneira eventual, uma prestação de serviços sem que seja relevante a pessoa física que irá realizar o serviço, o negócio jurídico previsto em nosso ordenamento é um contrato de prestação de serviços. Ou seja, a causa objetiva, a função práticosocial ou econômicosocial do referido contrato é oferecer uma prestação de serviço eventual e não pessoal. Evidente que quem contrata deseja que o serviço seja executado segundo sua orientação ou necessidade, daí a presença da subordinação técnica nesse tipo de contrato. Mas a ausência de pessoalidade não permitirá que o contratante exija que o contratado se submeta a todo o seu comando, inclusive, por exemplo, o modo de proceder no decorrer da execução. A subordinação técnica não permite que a contratante exerça todo os eu poder de direção. De outro modo, para uma prestação de serviços contínua (não eventual), exercida pessoalmente e subordinada ao contratante, nosso ordenamento prevê a figura do contrato de trabalho. Portanto, a causa objetiva, a função práticosocial ou econômicosocial do negócio jurídico denominado contrato de trabalho é permitir uma prestação de serviços contínua (não eventual), exercida pessoalmente e subordinada ao contratante. Se o conjunto fático revela que foi formalizado um negócio com a denominação de contrato de prestação de serviço, mas que tem a causa objetiva, a função práticosocial ou a finalidade econômicosocial de um contrato de trabalho, então o negócio formalizado é um ato ilícito, conforme art. 187 do Código Civil: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Ou seja, quem celebra negócio com falsa causa objetiva, abusa de seu direito, comete ato ilícito, pois excedeu os limites impostos pelo fim econômicosocial, pela causa objetiva do negócio. A formalização declarada é ilícita, mas os efeitos tributários do negócio jurídico celebrado subsistem, conforme sua causa objetiva. Assim, embora os contratos de prestação de serviço possam estar perfeitamente formalizados, as empresas envolvidas regularmente criadas e inscritas nos órgãos públicos, as situações fáticas revelaram que a recorrente desejava contratar uma prestação de serviço contínua, pessoal e a ela subordinada, o que é causa objetiva, função práticosocial ou econômicosocial, não do contrato de prestação de serviços pretendido pela recorrente, mas do contrato de trabalho. Em situação similar, este Colegiado já se manifestou pela consideração de rendimentos do trabalho mesmo com a existência de pessoa jurídica que foi interposta na relação entre contratado e contratante. Vejamos: Acórdão 10421.954 CESSÃO DO DIREITO AO USO DA IMAGEM CONTRATO DE TRABALHO DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA IMPOSSIBILIDADE DE SEREM PROCEDIDAS POR OUTRA Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 972 21 PESSOA, JURÍDICA OU FÍSICA PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS JOGADOR DE FUTEBOL SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA São tributáveis os rendimentos do trabalho ou de prestação individual de serviços, com ou sem vinculo empregatício, independendo a tributação da denominação dos rendimentos, da condição jurídica da fonte e da forma de percepção das rendas, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Desta forma, o jogador de futebol, cujos serviços são prestados de forma pessoal, terá seus rendimentos tributados na pessoa física incluídos aí os rendimentos originados no direito de arena/cessão do direito ao uso da imagem, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses. Em suma, na presença de pessoalidade, subordinação, continuidade e onerosidade, teremos a caracterização de um contrato de trabalho e, portanto, os pagamentos feitos ao prestador do serviço serão considerados parcela remuneratória que está no campo de incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. No âmbito do Tribunal Superior do Trabalho, exigese apenas dois elementos para caracterização do contrato de trabalho em face de interposição de pessoa jurídica: pessoalidade e subordinação direta. Vejamos a Súmula 331: Súmula Nº 331 do TST CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 22 A pessoalidade existe naquela situação na qual o empregado não pode fazer se substituir sem o consentimento do empregador (Cf. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 24 ed. São Paulo: LTr, 1998, p. 153). Sobre a subordinação tomemos algumas lições doutrinárias. Vinculado por um contrato de trabalho, o empregado é, segundo a lição de Amauri Mascaro do Nascimento (Cf. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 24 ed. São Paulo: LTr, 1998, p. 155): “um subordinado porque ao se colocar nessa condição consentiu por contrato que o seu trabalho seja dirigido por outrem, o empregador. Este pode dar ordens de serviço. Pode dizer ao empregado de que modo deverá trabalhar, o que deverá fazer, em que horário, em que local etc.” O mesmo autor adverte que nos altos escalões administrativos a subordinação é mais tênue: “..nos altos escalões administrativos da empresa, há diretores que têm subordinação leve, quase imperceptível, a ponto de confundir alguns teóricos quando procuram responder qual a sua posição jurídica (...).Há, também nesse nível. A subordinação, embora menos visível, mas existente, com as nuanças próprias da situação em que esses trabalhadores, predominantemente intelectuais, encontramse. Só o fato de, numa empresa, alguém se inserir numa organização para cumprir diretrizes que não traça, mas que provém de uma assembleia da sociedade, é indicativo.”( Cf. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 24 ed. São Paulo: LTr, 1998, p. 156) Logo, quando há uma prestação de serviços com pessoalidade por alguém que segue diretrizes que não traça, temos configurado a presença de subordinação. Passemos à análise fática do caso dos autos. A fiscalização destacou a pessoalidade das prestações de serviços no seguinte trecho: Como regra geral, os contratos estabelecem que os serviços devem ser prestados única e exclusivamente..."pelo INTERVENIENTE SÓCIO(A), o(a) artista, que"... também firma o presente contrato em caráter solidário com a mesma...", ratificando e demonstrando o caráter de pessoalidade presente nos contratos. Por vezes o contrato referese ao artista como contratado exclusivo da CONTRATADA ou LOCADORA, mas sempre objetiva a contratação pessoal do artista INTERVENIENTE e , em alguns casos, embora não conste do contrato cláusula de tal teor ,existe algum termo aditivo em que há a estipulação da prestação do serviço por determinado artista, sócio da prestadora e interveniente . Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 973 23 Conforme apontou a autoridade fiscal, a habitualidade está configurada na execução periódica de prestações na organização empresarial que se relacionam diretamente com as atividades normais da empresa. A onerosidade é inerente a tais contratos e provada pela escrituração contábil da contratante. Para o elemento mais importante da caracterização de vínculo, a fiscalização assim anotou: Em todos os contratos seu objeto prevê a prestação do serviço"...por determinação da CONTRATANTE e a seu exclusivo critério...".Como regra, mais adiante e na mesma cláusula, evidenciase novamente a subordinação quando fica pactuado que a prestação de serviço poderá englobar"...toda e qualquer obra audiovisual que, durante este contrato, venha a ser produzida pela CONTRATANTE, a critério desta, ou por outra empresa por ela designada..."(original sem grifo). Normalmente o contrato prevê que a CONTRATANTE ou LOCATÁRIA, possa, a qualquer tempo e a seu exclusivo critério, substituir o Interveniente na Obra, podendo, nesta hipótese, efetuar a substituição do crédito do nome do mesmo, confirmando a subordinação do artista e empregado à CONTRATANTE ou LOCATÁRIA. A recorrente não conseguiu trazer aos autos provas que afastassem os fatos apontados pela fiscalização quanto aos elementos do vínculo de emprego, limitandose a defender a possibilidade de contratação dos artistas por meio de pessoa jurídica ou defendendo tratarse de prestação de serviços com cessão de mão de obra. Quanto a esse ponto, não há que se falar em prestação de serviços com cessão de mão de obra quando se verificou existir verdadeiro contrato de trabalho. Quanto à aplicação do art. 116, parágrafo único ao caso, observamos que não foi esta a fundamentação utilizada pela fiscalização, o que torna os argumentos relacionados a tal dispositivo inaplicáveis. No tocante ao conteúdo do art. 116, inciso I, ao contrário do que alega a recorrente a situação de fato aponta para a existência de todas as características legais de um contrato de trabalho e assim deve ser trabalho em relação às obrigações tributárias. A formalidade artificialmente engendrada é que aponta para existência de prestação de serviços por uma pessoa jurídica. Não se trata, entretanto, de simples aplicação do conteúdo do art. 123, uma vez que não pretendeu a recorrente modificar a definição legal do sujeito passivo, mas sim, criar artificialmente uma realidade formal que lhe era benéfica sob o ponto de vista tributário. O argumento de que somente a Justiça do Trabalho poderia analisar tudo o quanto relacionado às relações de trabalho não procede, pois aqui tratamos das obrigações tributárias advindas das relações entre fisco e contribuinteempresa. Se válido fosse esse argumento, o fisco nunca poderia requalificar qualquer contrato do direito civil sem antes submeter o contrato ao crivo da justiça cível, o que não corresponde à realidade, pois temos Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 24 vasta jurisprudência admitindo que o fisco requalifique juridicamente os fatos ou desvende os verdadeiros negócios jurídicos envolvidos em simulações com efeitos fiscais. O que ocorre nesses casos é que o fisco busca obter a real configuração jurídica dos negócios e contratos subjacentes, atribuindolhes os efeitos tributários próprios da lei, sem, no entanto, invalidálos para efeitos civis ou, no presente caso, para efeitos trabalhistas. Nesse sentido, oportuna a manifestação exarada pelo eminente Ministro Castro Meira, quando do julgamento do REsp nº 575.086/PR, em 21/03/2006, in verbis : "O reconhecimento da relação de emprego para fins de fiscalização, arrecadação e lançamento de contribuições previdenciárias é independente do exame na Justiça Trabalhista. A autarquia previdenciária por meio de seus agentes e fiscais tem competência para reconhecer o vínculo trabalhista, porém, somente para fins de fiscalização, arrecadação e lançamento da contribuição previdenciária, mas à Justiça do Trabalho cabe reconhecer o vínculo trabalhista e os direitos advindos. O agente fiscal do INSS exerce atos próprios quando expede notificação de lançamento referente a contribuições devidas sobre pagamentos efetuados, podendo submeterse tal avaliação administrativa ou judicial." Ementa Resp 575.086 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. INSS.COMPETÊNCIA. FISCALIZAÇÃO. AFERIÇÃO. VÍNCULO EMPREGATÍCIO.IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. A autarquia previdenciária por meio de seus agentes fiscais tem competência para reconhecer vínculo trabalhista para fins de arrecadação e lançamento de contribuição previdenciária, não acarretando a chancela aos direitos decorrentes da relação empregatícia, pois matéria afeta à Justiça do Trabalho. (...) Vale ressaltar que o dispositivo do art. 6º, inciso I, alínea "a" da Lei 10.593/2002 confere competência ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições. Improcedentes, portanto, os argumentos relacionados com a competência exclusiva da Justiçado Trabalho para análise do vínculo trabalhista. Despiciendo rebatermos argumentos centrados no Decreto 3.048/99 Regulamento da Previdência Social (RPS), tendo em conta que nossa análise toma os diapositivos de leis. As considerações a respeito da lei que regulamenta a profissão de artista não influem em nossas conclusões, tendo em conta que qualquer profissional que presta serviços com as características exigidas pela lei trabalhista deve ter seu vínculo reconhecido e as consequências fiscais aplicadas. Não bastasse a requalificação jurídica dos fatos, que de per si já autoriza o reconhecimento da existência de vínculo trabalhista com a recorrente, o caso envolve simulação, conforme apontado no Relatório Fiscal, o que suscita algumas considerações sobre o instituto. Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 974 25 Considerações jurídicas sobre a simulação Inicialmente, cabe tecer algumas considerações sobre simulação, que no direito brasileiro o seu conceito encontrase positivado no § 1º do art. 167 da Lei nº 10.406, de 11 de janeiro de 2002, que dispõe: “Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Além do texto legal, é importante ter em vista a posição da doutrina a respeito do significado e do alcance do que nele está contido. Pontes de Miranda assim comenta este artigo, com sua habitual visão sistemática (Tratado de Direito Privado, 1ª ed. atualizada, Campinas: Bookseller, 2000, tomo IV, p. 442 e ss): “Em toda simulação há a divergência entre a exteriorização e a volição, quer seja quanto ao objeto, ou, melhor, quanto à matéria, de re ad rem (B vende manuscritos, dizendo vender pastas), ou quanto à pessoa, de personam ad personam (A doa a C, dizendo doar a B), ou quanto à categoria jurídica, de contractu ad contractum (A doa dizendo vender), ou quanto às modalidades, de modo ad modum (contrata sob condição de não casar, dizendo que o faz sob condição de morar em certo país), ou quanto ao tempo, de tempore ad tempus (contratou por cinco anos a casa, dizendo ser por três anos), ou quanto à quantidade, de quantitate ad quantitatem (A vende seis caixas e o contrato fala de três), ou quanto a fato, de facto ad factum (A declara que pagou, e não pagou, ou viceversa), ou quanto ao lugar, de loco ad locum (A assina como se fora concluído no Brasil o contrato que concluíra no Uruguai; cf. Alvaro Valasco, Decisionum Consultationum, II, 369). (...) A simulação supõe que se finja: há ato jurídico, que se quis, sob o ato jurídico que aparece; ou não há nenhum ato jurídico, posto que haja a aparência de algum. A cavilação pode estar à base do dolo, da fraude à lei, da simulação e da fraude contra credores. Daí as semelhanças entre as figuras, suscitando confusões.” Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 26 Aduz ainda que são elementos dos atos simulados (p. 458): “a) a simulação do outorgado (art. 102, 1), ou da categoria jurídica (art. 102, II), ou da data; b) o propósito de simular; c) o prejudicar ou poder prejudicar a terceiros, ou violar a lei (art. 104).” Além de Pontes, outros estudiosos da teoria geral do direito também se debruçaram sobre o tema. Marcos Bernardes de Mello assim conceitua simulação (Teoria do Fato Jurídico: Plano de Validade, 1ª ed., São Paulo: Saraiva, 1995, p. 153): “Simular significa, na linguagem comum, aparentar, fingir, disfarçar. Simulação é o resultado do ato de aparentar, produto do fingimento, da hipocrisia, do disfarce. O que caracteriza a simulação é, precisamente, o não ser verdadeira, intencionalmente, a manifestação de vontade. Na simulação querse o que não aparece, não se querendo o que efetivamente aparece. ‘Ostentase o que não se quis; e deixase, inostensivo, aquilo que se quis’. Do ponto de vista jurídico, no entanto, a simulação somente constitui defeito invalidante do ato jurídico quando praticada com a intenção de prejudicar terceiros, mesmo quando não havendo máfé, efetivamente lhes cause dano. À base do ato simulado estão o seu caráter mentiroso e sua natureza danosa a terceiros.” Washington de Barros Monteiro esclarece em sua obra Curso de Direito Civil , 33ª ed., São Paulo: Saraiva, 1995, vol I, p. 207: “Como o erro, simulação traduz uma inverdade. Ela caracterizase pelo intencional desacordo entre a vontade interna e a declarada, no sentido de criar, aparentemente, um ato jurídico que, de fato, não existe, ou então oculta, sob determinada aparência, o ato realmente querido. Como diz Clóvis, em forma lapidar, é a declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostensivamente indicado.” A seguir, p. 208: “A própria causa simulandi tem as mais diversas procedências. Ora visa a burlar a lei, ora a fraudar o fisco, ora a prejudicar a credores, ora a guardar em reserva determinado negócio.” Washington de Barros Monteiro (Curso de Direito Civil", Ed. Saraiva, 29aedição, 1º vol., págs. 209/210), ao analisar a figura do ato simulado, à luz dos artigos 102 e 105 do antigo Código Civil Brasileiro, apresenta como uma das hipóteses de simulação o ato jurídico que "não é efetuado entre as próprias partes, aparecendo então o testa de ferro, o prestanome, ou a figura de palha" . O art. 167 do Código Civil, que reproduz o art 102 do antigo Código Civil , entre as hipóteses de simulação enumeradas, cita os atos jurídicos que "aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem realmente se conferem, ou transmitem". Ainda Washington de Barros Monteiro, comentando a espécie de simulação por interposição de pessoa, afirma: "O intuito do declarante é o de inculcar a existência de um titular de direito, mencionado na declaração, ao qual, todavia, nenhum direito se outorga ou se transfere, servindo seu nome exclusivamente para encobrir o da pessoa a quem de fato se quer outorgar ou transferir o direito de que se trata". Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 975 27 Caio Mário da Silva Pereira, em Instituições de Direito Civil, 18ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997, vol I, p. 339, assim trata a matéria: “...Consiste a simulação em celebrarse um ato, que tem aparência normal, mas que, na verdade, não visa ao efeito que juridicamente deveria produzir. Como em todo negócio jurídico, há aqui uma declaração de vontade, mas enganosa. ... Pode a simulação ser absoluta ou relativa. Será absoluta quando o ato encerra confissão, declaração, condição ou cláusula não verdadeira, realizandose para não ter eficácia nenhuma. Dizse aqui absoluta, porque há uma declaração de vontade que se destina a não produzir resultado. ... A simulação dizse relativa, também chamada dissimulação, quando o ato tem por objeto encobrir outro de natureza diversa (...), ou quando aparenta conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem realmente se conferem ou transmitem (e.g., a venda realizada a um terceiro para que este transmita a coisa a um descendente do alienante, a quem este, na verdade, tencionava desde logo transferila. E é relativa em tais hipóteses, porque à declaração de vontade deve seguirse um resultado, efetivamente querido pelo agente, porém diferente do que é o resultado normal do negócio jurídico. ...” Alberto Xavier também oferece uma grande contribuição, tendo em vista a sua precisão ao explicar a simulação (Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva): Simulação “é um caso de divergência entre a vontade (vontade real) e a declaração (vontade declarada) procedente de acordo entre o declarante e o declaratório e determinada pelo intuito de enganar terceiros.” Dessa forma, a simulação poderá ser definida como a declaração de vontade irreal, emitida conscientemente, mediante acordo entre as partes, objetivando a aparência de um negócio jurídico que não existe ou que, se existe, é distinto daquele que efetivamente se realizou, com o objetivo de enganar terceiros. No ato simulado ocorre a divergência entre a declaração externalizada, pelo sujeito ou sujeitos, que pretendem seja visível em relação ao Fisco, e a vontade ou declaração interna, que pretendem seja a vigente entre elas, declaração essa necessária para que tenha eficácia a real intenção das partes, escondida por trás da declaração aparente. No processo de simulação há uma deformação da declaração de vontade das partes, conscientemente desejada, com o objetivo de induzir terceiros (inclusive o Fisco) ao erro ou engano. Didaticamente, podese distinguir a simulação em duas espécies, uma é a denominada absoluta, quando as partes praticam de forma ostensiva um ato, mas não pretendem, no íntimo, realizar qualquer negócio. O intuito é tão somente o de enganar maliciosamente terceiros, pois as partes não pretendem, de fato, realizar qualquer negócio e, por conseguinte, não esperam qualquer resultado do ato simulado que executaram. Verificase, então, uma aparência de negócio, a um negócio sem conteúdo e inexistente quanto a seus efeitos. Neste caso, podemos citar como exemplo o caso da venda simulada de bens para fraudar credores, pois o intuito não é o de alienar bens, mas apenas subtraílo à eventual execução, não havendo entre as partes a intenção de qualquer negócio alternativo que o simulado pretendesse encobrir. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 28 A segunda espécie é a simulação relativa, caracterizada quando as partes desejam negócio distinto do pactuado e aparente, quando o sujeito é diverso daquele que integra a relação jurídica aparente ou ainda quando há falsidade em qualquer outro elemento da relação jurídica. Nesta espécie, temse como exemplo típico o da venda de um bem para ocultar doação, sendo esta tributariamente mais onerosa do que aquela. Nesses casos, verifica se um negócio verdadeiro, mas dissimulado, que se concretiza através de um negócio aparente dito simulado, conforme Antonio Roberto Sampaio Dória (in Elisão e evasão fiscal, São Paulo, Bushatsky, 1977, p.65). Constatase, por vezes, a existência de dois contratos na simulação relativa, o contrato que se simula, destinado regra geral a fugir à aplicação da lei, e o contrato de fato realizado, que consubstancia o negócio escondido pela simulação. Simulação Invalidante Para que a simulação afete a validade de um ato jurídico, ela há de ser nocente, nos termos do Código Civil de 1916: “Art. 103. A simulação não se considerará defeito em qualquer dos casos do artigo antecedente, quando não houver intenção de prejudicar a terceiros, ou de violar disposição de lei.” Os atos simulados que não prejudicam não têm sua validade afetada. Se a simulação for absoluta e inocente, não há ato jurídico. Se for relativa e inocente, o ato jurídico é válido e eficaz. Efeitos da simulação invalidante De acordo com a teoria geral do direito, o ato simulado nocente é anulável. E, em geral, sua anulação permite que aflore o ato jurídico dissimulado. Todavia, no campo do direito tributário, sem prejuízo da anulabilidade, outro efeito ocorre à simulação nocente, efeito que igualmente possibilita a eficácia do ato dissimulado. Essa consequência atribuída à simulação nocente pelo direito tributário, diferentemente da anulabilidade (que opera no plano da validade), dáse no plano da eficácia: os atos simulados não têm eficácia contra o fisco, que não necessita, portanto, demandar judicialmente a anulação deles para propiciar a extraversão, ou seja, o aparecimento do ato realmente praticado. Meios de prova da simulação Os atos simulados são praticados justamente para ocultar os atos efetivos. Portanto, como decorrência de sua própria natureza, a prova direta dos fatos que as partes procuram encobrir é muito difícil, quando não impossível. Daí, da própria natureza de tais fatos, decorre a necessidade de construirse, por meio de presunção, a prova da infração. Nesse sentido, manifestase também a doutrina, a exemplo do Prof. Caio Mário da Silva Pereira, em Instituições de Direto Civil, 18ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997, vol I, p. 341: Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 976 29 “A prova da simulação nem sempre se poderá fazer diretamente; ao revés, frequentemente tem o juiz de se valer de indícios e presunções, para chegar à convicção de sua existência.” Temse, dessa forma, como ensina Maria Rita Ferragut, em Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001, p. 105, ao tratar das presunções hominis e da verdade material, uma prova indireta condutora da mesma “probabilidade fática” da prova direta, in verbis: “Assim tem a administração pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção hominis de forma alguma significa que a tributação ocorrerá baseandose em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” Na mesma obra, ao tratar das Presunções Hominis e as Simulações Jurídicas, a autora complementa: “A presunção hominis assume importância vital, quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação e máfé em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação dos fatos propositadamente ocultados, simulados. Segundo o art. 102 do Código Civil, haverá simulação .... . A prova indiciária tem por fim sanar as dificuldades que o caso concreto suscita ao conhecimento de fatos juridicamente relevantes, alterados para os fins de se evitar a incidência normativa. Ocorre que, como muitos desses atos artificiosos são realizados de maneira a conferirlhes uma aparência lícita, se a fiscalização tiver que se restringir à forma das provas que lhe são apresentadas, não terá como saber se o evento descrito no fato realmente ocorreu. A perfeição formal de que o ato é revestido não tem o condão de afastar o dever poder de busca da verdade material.” (grifei) Conforme Marcos Bernardes de Mello, a prova da simulação é difícil. Isso decorre da própria natureza dos atos simulados: são praticados justamente para ludibriar, buscando esconder os atos efetivos. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 30 Sobre esse tema, manifestase Francisco Ferrara (A simulação nos negócios jurídicos, Campinas: Red Livros, 1999), verbis: “A simulação como divergência psicológica da intenção dos declarantes, escapa a uma prova directa. Melhor se deduz, se pode argüir, se infere por intuição do ambiente em que surgiu o contrato, das relações entre as partes, do conteúdo do negocio, das circunstâncias que o acompanham. A prova da simulação é uma prova indirecta, de indícios, conjectural (per coniecturas, signa et urgentes suspeciones ), e é esta que fere verdadeiramente a simulação, porque a combate no seu próprio terreno.” Ferrara, apesar de afirmar a dificuldade da prova direta da simulação, não se furta a abordar os meios probatórios indiretos, elencandolhes os elementos, que classifica como relativos ao interesse em simular: às pessoas dos contraentes; ao objeto do negócio jurídico; à execução do negócio; à conduta das partes na realização do negócio. Tecidas essas considerações sobre simulação, passo a analisar a matéria objeto do presente litígio. O caso presente se amolda ao que registramos acima sobre as lições de Washington de Barros Monteiro, que, comentando a espécie de simulação por interposição de pessoa, afirmou: "O intuito do declarante é o de inculcar a existência de um titular de direito, mencionado na declaração, ao qual, todavia, nenhum direito se outorga ou se transfere, servindo seu nome exclusivamente para encobrir o da pessoa a quem de fato se quer outorgar ou transferir o direito de que se trata". A recorrente pretendeu transparecer a existência de um contrato de prestação de serviços quando, de fato, emergia a existência de um contrato de trabalho pela presença de todos os elementos exigidos para tal espécie de contrato. Houve a declaração de vontade enganosa tão característica da simulação. Com o cotejamento da lições doutrinárias com a configuração fática, não temos dúvidas, portanto, da presença de simulação no caso. Aplicação do art. 129 da Lei 11.196. Impossibilidade. Inteligência do art. 105 do CTN Pretende a recorrente a aplicação do art. 129 da Lei 11.196/2005 que, segundo entende, teria autorizado a prestação de serviços por pessoas jurídicas em casos similares aos dos autos. Vejamos o texto legal: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Sem entrar no mérito do conteúdo do dispositivo mencionado, não é possível sua aplicação ao caso, pois os fatos geradores são anteriores à publicação da lei. Como é Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 977 31 cediço, o art. 105 do CTN estabelece que “a legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116”. Já temos jurisprudência do CARF nesse sentido que citamos não em relação ao mérito da Lei, mas em relação ao aspecto intertemporal: Acórdão 10421.954 APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR – AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. Incabível falarmos da aplicação do art. 106, inciso II, alínea "a" do CTN em relação a situações que se relacionam com ao aspecto material do fato gerador, pois a este se aplica o art. 144 do CTN. O art. 106 diz respeito às infrações e suas penalidades. Assim, como a Lei 11.196/2005 foi publicada em 22/11/2005 e os fatos geradores são de 01/1997 a 12/2002, não é possível considerarmos sua aplicação ao caso. Acrescentamos que nosso entendimento é de que a edição de tal norma não representou um impedimento para que a sejam analisados os casos de fraudes nas contratações. A autorização legal daquele dispositivo diz respeito às situações normais, lícitas e não àquelas atingidas por vícios como a simulação. Mesmo depois da entrada em vigor daquela norma, se provada a relação de emprego com todas as suas características, é possível afastar o contrato simulado ou mesmo é possível a requalificação jurídica dos fatos. Quanto à alegação de que a recorrente seguiu orientações de autoridades administrativas, tratase de alegação sem provas, tornando oportuna a lembrança do brocardo jurídico allegatio et non probatio, quasi non allegatio , ou seja, alegar sem provar equivale a não alegar. A referência da legislação infralegal à contratação de artistas por meio de pessoa jurídica diz respeito àquelas situações nas quais não estão presentes todos os elementos da relação trabalhista, o que , como vimos, não é o presente caso. Responsabilidade da sucessora por multas. Arts. 129 e 133 do CTN. Recurso Repetitivo 923.012/MG e art. 62A do RICARF. A responsabilidade por sucessão de empresas tem previsão no art. 133 do CTN , in verbis: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 32 relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. (...) A referência do caput do dispositivo à responsabilização pelos tributos gerou controvérsias e permitiu formar a convicção de muitos doutrinadores de que a responsabilidade do sucessor estava limitada à obrigação principal, excluindose as penalidades que, ainda que sejam parte do crédito tributário, não seriam tributos. No entanto, fundado nas disposições do art. 129 do CTN, em 04/06/2013 transitou em julgado Acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no REsp 923.012/MG com a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) (...) Se dúvida existisse sobre o alcance de tal ementa, estas foram afastadas na ementa dos Embargos de Declaração: (...) 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 978 33 a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. Ou seja, decidiu o STJ, em Acórdão submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), que não importa se o crédito tributário, incluindo as multas, esteja constituído ou em constituição no momento da sucessão, mas importa somente a identificação do fato gerador, por conta da aplicação do art. 129 do CTN. Nesse contexto, temos que considerar o art. 62A do RICARF, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...) Logo, em virtude do dispositivo regimental do art. 62A e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, concluímos que as multas, moratórias ou punitivas, aplicadas à sucessora em relação a fatos geradores ocorridos antes da sucessão, devem ser por esta suportadas. A jurisprudência deste CARF já adotou conclusão similar: Acórdão 1802001.380 INFRAÇÃO PRATICADA PELA EMPRESA SUCEDIDA. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR PELOS TRIBUTOS E PENALIDADES. A responsabilidade tributária da empresa sucessora abrange, além dos tributos devidos pela empresa sucedida, as multas moratórias ou punitivas que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pela empresa sucessora, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Assim, quanto à multa aplicada à empresa sucessora, por infração praticada pela sucedida, procede a cobrança; pois, segundo dispõe o art. 113, § 1º, do CTN, a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Isso porque a responsabilidade da sucessora abrange, nos termos do art. 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou constituídos posteriormente aos mesmos Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 34 atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a data da referida sucessão. Ademais, o caso se amolda à Súmula CARF 47: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 979 35 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 36 Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 980 37 · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 38 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12259.003355/200954 Acórdão n.º 2301003.751 S2C3T1 Fl. 981 39 No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER os Recursos de Ofício e Voluntário, para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a limitar a multa de mora a 20%. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 40 Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 19740.000291/2009-47
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos de declaração, para o fim de suprir contradição que é aquela havida no interior da própria decisão.
Numero da decisão: 1803-002.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para rerratificar o Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803-002.207, de 08.05.2014, afastando a contradição e alterando o decidido, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos de declaração, para o fim de suprir contradição que é aquela havida no interior da própria decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para rerratificar o Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803002.207, de 08.05.2014, afastando a contradição e alterando o decidido, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fl. 08, com a exigência do crédito tributário no valor de R$30.000,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 14.08.2009 da Declaração de Informações sobre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 02 91 /2 00 9- 47 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000291/200947 Acórdão n.º 1803002.296 S1TE03 Fl. 157 2 Movimentação Financeira (DIMOF) do segundo semestre do anocalendário de 2008, cujo prazo final era 27.02.2009. Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113, art. 115 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, bem como art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0307, com as alegações a seguir transcritas. Faz um relato sobre o lançamento e a redução legal do valor da multa de ofício isolada e suscita: Entretanto mesmo após a aplicação do referido desconto, o valor da multa permanece exorbitante tendo em vista a existência da Lei nº 10.833/03 que prevê em seu art. 83, para o caso da Impugnante o valor de R$200,00 [...] por mêscalendário ou fração em atraso, ou seja, o débito da Impugnante não alcança seque 5% do valor contido na notificação, perfazendo a monta de apenas de R$1.200,00 [...]. A notificação está baseada na Lei nº 10.637 de 2002, que foi normatizada por 2 instruções de 2008, entretanto, existe a Lei nº 10.833 de 2003 que sustenta a imposição dos valores de multas muito inferiores, devendo, portanto, ser aplicada a esta situação concreta, tendo em vista que e posterior e mais benéfica ao contribuinte. Embora a instrução normativa pertinente ao caso seja de 2008, a aplicação da mesma em detrimento da Lei 10.833 de 2003 contraria, frontalmente o princípio constitucional da legalidade, previsto no artigo 37 da CF, e a hierarquia das leis que versam sobre tributos e as relações jurídicas eles pertinentes. Alem disso, o valor R$5.000,00 [...] cobrado por mêscalendário em atraso, fere o princípio constitucional do nãoconfisco nos moldes do [artigo 150 CF/88]. É verdade que tal previsão constitucional faz referência aos tributos, porém de acordo com posicionamento dominante da doutrina e jurisprudência, a multa aplicada no campo tributário deve seguir os mesmos princípios existentes para este ramo do Direito, pois , apesar de não ser tributo restringe o mesmo direito fundamental que este, que é a propriedade [...]. Mister é salientar que a Instrução Normativa está inserida no contexto das normas complementares, de alcance inferior às leis, tratados e convenções internacionais e decretos, conforme expresso no art. 100 do CTN, daí constituir um verdadeiro despropósito essa iniciativa da [RFB] impor essas alterações relativas à aplicação de multa por atraso em valor exorbitante e muito superior ao previsto no art. 83 da Lei 10.833/03. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000291/200947 Acórdão n.º 1803002.296 S1TE03 Fl. 158 3 Diante do exposto requer a Impugnante, [...], demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, seja acolhida apresente impugnação para o fim de assim ser decidido revisandose o débito fiscal impugnado, devendo, em consequência, ser aplicado ao caso em tela o disposto no art. 83 da Lei 10.833/03, reduzindose o valor do crédito tributário de R$30.000,00 [...] para R$1.200,00 [...]. Está registrado como ementa do Acórdão da 8ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1232.363, de 28.07.2010, fls. 8689: Impugnação Improcedente. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DIMOF. MULTA APLICADA. CONFISCO. QUESTÃO CONSTITUCIONAL. Não cabe aos órgãos da administração tributária apreciar a legalidade ou constitucionalidade dos atos normativos expedidos pelas autoridades competentes, bem como de lei validamente editada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 22.09.2011, fl. 91, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.10.2011, fls. 9495, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que: I OS FATOS A impugnante foi tributada pela Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro,por atraso na entrega da declaração (DIMOF) 2°. Semestre de 2008, sendo o prazo final de entrega em 21/02/2009 e cuja declaração fora entregue pela impugnante em 14/08/2009,o valor da multa conforme acórdão acima e no valor de R$25.179,00. II O DIREITO II. 1 PRELIMINAR Preliminarmente, a impugnação merece ser conhecida, porquanto,protocolizada dentro prazo legal, a parte e legitima e o instrumento manejado e adequado ao fim que se propõe a impugnante esta disposta a pagar a divida, mas não pelo valor executado. II. 2 MÉRITO Quanto a este valor de R$25.179,00 pois de acordo com a Lei Federal 10.833 que no art.83 reduz a multa para o valor de R$200,00 [...] ao mês calendário ou fração o que equivale o valor de R$1.200,00 [...] sem correção. Por cautela, se diverso for o entendimento de Vsas quanto às preliminares no mérito vem dizer que a multa questionada é derivada do não cumprimento das obrigações indicadas nos arts. 11 e 19 da Lei 9.311/96 por sua vez fazendo menção a mesma situação a Lei Federal 10.833/03 reduz o valor multa, de maneira significativa, de modo que, de Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000291/200947 Acórdão n.º 1803002.296 S1TE03 Fl. 159 4 acordo com o Código Tributário [e na] Constituição Federal tem regra específica, tratandose de ato não julgado, quando lhe comine penalidade menos severa prevista em lei vigente ao tempo de sua prática [art. 106 CTN]. No dia 20/08/2009, foi retirado pelo certificado digit l (cópia em anexo) uma Declaração Negativa,do qual não constava nenhuma irregularidade nos controles da Receita Federal e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. E notória, a importância da formalidade dessa repartição ,para que seus contribuintes sejam informados em tempo hábil para evitar desconforto e pagamento de multa. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal , espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Lembrando ainda, que não houve a intenção do atraso da declaração e sim erro humano, pois em 11/12/2009, a impugnante transmitiu em tempo hábil a DIMOF [...]. Termos em que Pede deferimento. Consta como resultado do Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803002.207, de 08.05.2014, fls. 121145: “Dar Provimento em Parte ao Recurso Voluntário” para “reduzir o valor da multa de ofício isolada aplicada para R$9.000,00 (nove mil reais)”, tendo em vista o art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, e o Parecer Normativo Cosit nº 3, de 10 de junho de 2013. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, fls. 148149, argumentando, em síntese que: 6.2.4. No presente caso, não se deve esquecer que o legislador foi quem alterou a norma então existente (genérica) e criou uma mais específica, mas deixou aquelas outras ainda mais específicas incólumes (ele poderia muito bem têlas revogado expressamente). Se não o fez, as multas mais específicas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004, continuam vigentes. As IN que tratam do assunto, portanto (RFB nº 1.110, de 2012, RFB nº 1.264, de 2012, RFB nº 1.015, de 2010, SRF nº 197, de 2002, RFB nº 811, de 2010, SRF nº 341, de 2003, RFB nº 971, de 2009, RFB nº 1.279, de 2012, RFB nº 726, de 2007 e RFB nº 892, de 2008) devem continuar a ser aplicadas sem nenhuma alteração. Portanto, verificase que houve um vício no acórdão recorrido, pois a e. Turma aplicou o entendimento contido no referido Parecer Normativo, mas contraditoriamente reduziu a multa empregando a nova redação do art. 57 da Medida Provisória 2.15835/2001, em prejuízo da aplicação do art. 30 da Lei nº 10.637/2002 e do art. 7º da IN RFB nº 811/2008. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000291/200947 Acórdão n.º 1803002.296 S1TE03 Fl. 160 5 No citado Parecer, consta expressamente que esses artigos continuam a ser aplicados sem qualquer tipo de alteração decorrente da nova redação do mencionado art. 57. Desse modo, deveria ser mantida a cobrança da multa no valor de R$30.000,00. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Assim, deles tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Procuradoria da Fazenda Nacional, aduz, em síntese que há contradição entre os fundamentos e a conclusão do Voto condutor no Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803002.207, de 08.05.2014, fls. 121145. Restou identificado de forma clara, explícita e congruente a contradição que é aquela havida no interior da própria decisão, ou seja, a desconformidade interna da decisão jurisdicional. Para melhor espelhar a situação dos autos, devem ser rerratificados os seguintes trechos na parte dispositiva e no Voto condutor do Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803002.207, de 08.05.2014, fls. 121145, como segue: De: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. [...] Entretanto, o valor da multa de ofício isolada deve ser reduzido para R$1.500,00 por mêscalendário de atraso no cumprimento da referida obrigação acessória, tendo em vista o art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012. Assim, a exigência do crédito tributário deve ser reduzida para o valor total de R$9.000,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 14.08.2009 da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof) do segundo semestre do anocalendário de 2008, cujo prazo final era 27.02.2009. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000291/200947 Acórdão n.º 1803002.296 S1TE03 Fl. 161 6 A ilação designada pela defendente, a despeito da matéria, destacase como procedente em parte. [...] Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa de ofício isolada aplicada para R$9.000,00 (nove mil reais). Para: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. [...] Ressaltese que o valor da multa de ofício isolada não foi reduzido no cumprimento da referida obrigação acessória, tendo em vista que o art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012 não alcança Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof) por ser regulada por legislação específica, que permaneceu incólume (art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, art. 30 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 7º da Instrução Normativa nº 811, de 28 de janeiro de 2008). Assim, a exigência do crédito tributário deve ser mantida no valor total de R$30.000,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 14.08.2009 da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof) do segundo semestre do anocalendário de 2008, cujo prazo final era 27.02.2009. A ilação designada pela defendente, a despeito da matéria, destacase como improcedente. [...] Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário para manter o valor da multa de ofício isolada aplicada de R$30.000,00 (trinta mil reais). Em assim sucedendo, voto por acolher os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para rerratificar o Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803002.207, de 08.05.2014, afastando a contradição e alterando o decidido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000291/200947 Acórdão n.º 1803002.296 S1TE03 Fl. 162 7 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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