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Numero do processo: 10920.907463/2012-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
Numero da decisão: 2202-004.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 74 63 /2 01 2- 18 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10920.907463/201218 Acórdão n.º 2202004.976 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão de Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis / SC – DRJ/FNS, que considerou improcedente, por unanimidade de votos, manifestação de inconformidade do contribuinte em face de Despacho Decisório eletrônico que não homologou compensação informada em PER/DCOMP. 2. A seguir reproduzse o relatório do Acórdão da DRJ/FNS , o qual retrata adequadamente os fatos ocorridos. Relatório (...) Por intermédio de DESPACHO DECISÓRIO eletrônico a autoridade administrativa assim se manifestou: "Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN)." A Contribuinte – em sua contestação – alega ter efetuado “pagamento indevido ou a maior”, em recolhimento operado com o código de arrecadação 0481 – JUROS E COMISSÕES EM GERAL. Diz que, desde sua fundação, em 2000, “foi obtendo de sua sócia majoritária italiana, remessas para sua ampliação, os quais foram sendo tratados como dívida em aberto e com incidência de juros, sem prefixação de data para devolução do principal e juros incidentes.”. Mais adiante afirma que os valores devidos foram convertidos em “aumento de capital da sociedade Marcegaglia do Brasil Ltda.” Aduz que o Banco Central do Brasil exigiu a prova do pagamento do imposto de renda na fonte incidente sobre remessas ao exterior, nos termos do art. 9º da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10920.907463/201218 Acórdão n.º 2202004.976 S2C2T2 Fl. 4 3 Art. 9º As pessoas físicas e jurídicas que desejarem fazer transferências para o exterior a título de lucros, dividendos, juros, amortizações, royalties assistência técnica científica, administrativa e semelhantes, deverão submeter aos órgãos competentes da SUMOC e da Divisão do Impôsto sôbre a Renda, os contratos e documentos que forem considerados necessários para justificar a remessa.(Redação dada pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964)(Vide Decreto nº § 1º As remessas para o exterior dependem do registro da emprêsa na SUMOC e d eprova de pagamento do impôsto de renda que fôr devido.(Renumerado pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) (...) § 3º No caso previsto pelo parágrafo anterior, as transferências sempre dependerão de prova de quitação do Impôsto de Renda.(Incluído pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) Diz que operou o recolhimento do IRRF “sem questionar a existência ou não do fato gerador para a incidência da tributação do imposto de renda, na espécie, são: ‘as remessas para o exterior’.” Entende que, se não houve remessa ao exterior, em razão de haver sido convertida em capital a dívida então existente, não há fato gerador do referido tributo. Em razão disso requer o reconhecimento do indébito e o deferimento de “ressarcimento” dos valores pagos. 3. A DRJ/FNS considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos da Ementa da decisão abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A conversão dos juros de empréstimos em participação no capital social de empresa brasileira por pessoa jurídica com sede no exterior constitui fato gerador do IRRF, art. 702 do RIR/99, na medida em que configura quitação da dívida por compensação de maneira equivalente, o que também pode ser definido como pagamento 4. Destaquemse também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/FNS: (...) De início, para esclarecimento, é bom que se diga que o Despacho Decisório eletrônico considerou a inexistência do crédito em razão de haver a vinculação na DCTF, do pagamento com o respectivo débito. (...) Quanto a este fato – exigência do Banco Central do Brasil – da prova do pagamento do IRRF, é prevista no art. 880, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10920.907463/201218 Acórdão n.º 2202004.976 S2C2T2 Fl. 5 4 Art.880. O Banco Central do Brasil não autorizará qualquer remessa de rendimentos para fora do País, sem a prova de pagamento do imposto (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 125, parágrafo único, alínea "c", e Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964, art. 57, parágrafo único). Parágrafo único.Nos casos de isenção, dispensa ou não incidência do referido tributo deverá ser apresentada declaração que comprove tal fato. Como se vê, o parágrafo único vem relativizar tal exigência, autorizando a entrega de declaração que comprove a isenção, dispensa ou não incidência. Não há nos autos prova de apresentação de tal declaração ao BCB. (...) Ocorre que em 19 de junho de 2008, em reunião na sede da quotista majoritária, Marcegaglia S.p.A, na cidade de Gazoldo Degli Ippoliti – Itália, restou decidido que os empréstimos então concedidos seriam convertidos em participação societária. A Contribuinte entende que em não havendo remessa – dos juros – ao exterior não teria ocorrido hipótese de incidência do IRRF, pois, subentende que a remessa ao exterior é elementar da hipótese de incidência, e, portanto, razão pela qual não teria emergido o fato gerador. Em análise ao texto legal que veicula a norma de incidência tributária em questão, há que se discordar da Impugnante: Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Primeiro registro a fazer referese à multiplicidade de ações que o legislador empregou para expressar a tipicidade tributária. Percebese que a remessa ao exterior é uma das hipóteses. Pagar, creditar, entregar ou empregar importâncias ao exterior, a título de juros, também constituem fatos imponíveis da obrigação tributária em exame. Portanto, em conformidade com o art. 702 do RIR/99, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento,crédito, entrega, emprego ou remessa, desses fatos, o que ocorrer primeiro. (...) Pagar juros ao exterior, neste contexto legal, significa adimplir a obrigação de pagar juros a pessoa domiciliada no exterior, independentemente da forma de pagamento, de modo que pode haver incidência do imposto, inclusive, sem que em nenhum momento haja a efetiva remessa de recursos ao exterior. Além disso, não se pode perder de vista o interesse jurídico tributário subjacente à norma de incidência do IRRF. O interesse jurídico em questão é o rendimento de pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte situada no País, independentemente de esse rendimento auferido ter sido, ou não, remetido ao exterior. A remessa ao exterior não é a única elementar da incidência tributária em exame. (...) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10920.907463/201218 Acórdão n.º 2202004.976 S2C2T2 Fl. 6 5 No presente caso, a pessoa jurídica credora dos empréstimos optou por empregálos – incluídos aí dos juros – no aumento de sua participação do capital a empresa brasileira. A capitalização dos empréstimos pode ser entendida como quitação ou pagamento da dívida, com juros. O ato de pagar pode ser também compreendido como compensação de maneira equivalente de benefícios econômicos. (...) Posto isto, podese afirmar que houve sim a ocorrência de fato gerador [pagamento de juros] para a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte e que, desta forma, eram sim devidas as importâncias cuja restituição era pleiteada pela Contribuinte. Manifestome pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. 5. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte repisa as questões trazidas na Manifestação de Inconformidade e infere ter comprovado do direito creditório pleiteado, uma vez que à época realizou o recolhimento integralmente, de forma equivocada. 6. Requer, por fim, que seja acolhido o recurso com o reconhecimento do indébito, e o deferimento de ressarcimento pelos meios disponíveis. 7. É o relatório." Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10920.907463/201218 Acórdão n.º 2202004.976 S2C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON – Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Ressalto que a recorrente não levanta questões preliminares. 10. Quanto ao Mérito, entendo que não existe razão ao pleito da recorrente e não há motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação. 12. Não obstante a contribuinte argüir no sentido de que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte foi equivocado, por apenas ter aplicado valores de empréstimos no aumento de seu capital, que a seu ver não seria equiparável às remessas ao exterior, para comprovação do alegado deveria ter juntado elementos mínimos de prova documental que fundamentassem plenamente suas alegações sobre as operações. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação, e não apenas Ata de Reunião de Sócios Quotistas e Alteração e Consolidação do Contrato Social, conforme realizado. 13 No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10920.907463/201218 Acórdão n.º 2202004.976 S2C2T2 Fl. 8 7 que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova. 14. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, como não resta o crédito devidamente comprovado nestes autos, entendo por não haver motivos para a reforma do Acórdão da DRJ e por não reconhecer o indébito. Conclusão 15. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima." Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON– Relator Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.900776/2008-59
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. ARGUMENTO DE DEFESA NÃO APRECIADO CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO Não há prejuízo à validade da decisão que deixa de se manifestar sobre item da defesa, se este não foi exposto de forma a se
caracterizar como questão controvertida, e assim exigir a atenção da autoridade julgadora.
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR ESTIMATIVAS. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. Os rendimentos de aplicações financeiras não integram a base de cálculo para fins de apuração das estimativas.
APURAÇÃO DO INDÉBITO COMPENSAÇÃO ADMISSIBILIDADE Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas
cru conformidade com a lei.. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acrescento de juros à taxa SELIC acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de Dcomp, inclusive com o próprio IRPJ apurado no ajuste anual, mas sem a dedução daquele; excedente, e considerando, também, os acréscimos moratórios incorridos desde 1º de fevereiro do ano subseqüente, na forma da lei
Numero da decisão: 1101-000.301
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, cm rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar a compensação do debito com os acréscimos moratórios pertinentes. até o limite do valor atualizado do credito na data da entrega da DCOMP, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, por se tratar de pagamento indevido e DCOMP verificados antes de 29/10/2004
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. ARGUMENTO DE DEFESA NÃO APRECIADO CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO Não há prejuízo à validade da decisão que deixa de se manifestar sobre item da defesa, se este não foi exposto de forma a se caracterizar como questão controvertida, e assim exigir a atenção da autoridade julgadora. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR ESTIMATIVAS. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. Os rendimentos de aplicações financeiras não integram a base de cálculo para fins de apuração das estimativas. APURAÇÃO DO INDÉBITO COMPENSAÇÃO ADMISSIBILIDADE Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas cru conformidade com a lei.. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acrescento de juros à taxa SELIC acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de Dcomp, inclusive com o próprio IRPJ apurado no ajuste anual, mas sem a dedução daquele; excedente, e considerando, também, os acréscimos moratórios incorridos desde 1º de fevereiro do ano subseqüente, na forma da lei
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, cm rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar a compensação do debito com os acréscimos moratórios pertinentes. até o limite do valor atualizado do credito na data da entrega da DCOMP, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, por se tratar de pagamento indevido e DCOMP verificados antes de 29/10/2004
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RENDA DE PESSOA JURÍDICA - Período de apura.ção: 01/07/2003 a 31/07/2003 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. ARGUMEN TO DE DE.f ES A NÃO APRECIADO. CERCEAMEN TO AO DIREITO DE DEFFS.A NÃO CARACTERIZADO Não há prejuízo à validade da decisão que deixa de se manifestar sobre item da defesa, se este não foi exposto de forma a se caracterizar como questão controvertida, e assim exigir a atenção da autoridade julgadora. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR ES I IMATIVAS. ERRO NA RASE. DE CÁLCULO. Os rendimentos de aplicações financeiras não integram a base de cálculo para fins de apul ação das estimativas.. APURAÇÃO .DO INDLRITO COMPENSAÇÃO ADMESSIBILIDADE Somente são deduliveis do IR P.E apurado no ajuste anual as estimativas pagas cru conformidade com a lei.. O pagamento a maior de estlinativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acresenno de juros à taxa sELK.;„ acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de Dcomp, inclusive com o próprio 1RPJ apulado no ajuste anual, mas sem a dedução daquele; excedente, e considerando, também, os aciesci mos moral:én-jos incorridos desde 1 de fevereiro do ano subseqüente, na forma da lei . 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordaun os membi os do colegiado, por unanimidade de votos, cm rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditorio pleiteado e homologar a compensação do debito com os acréscimos moi 'diários pertinentes. até o limite do valor atualizado do credito na data da entrega da DCOMP, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, por se tratar de pagamento indevido e DCOM.P verificados antes de 29/10/2004 • l , RANCISL70 DE, SKE;,2 RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente UI nj)(0&4' LI P RE IR A BESSA Relatora ,- hD1 . 1ADOIN/1: 0 U0(/2010 Participanna da sessão de julgamento os conselheiros: l''ranciseo de Sales Ribeiro de (1)neiroz (Presidente da turma), Alexandre Andrade, 1mufla da l . orite 1 ilho (Vice- Presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiru, Edeli Pereira [essa e Shellcy 11-enrique adem-Mui Ausente o conselheiro Jose Ricardo da Silva. ;). Proce.s ,:o 71" 10840 900776/20N-59 S1 -C1 I • AcimEio ri.0 1101-00..301. H 2 Relatório NARDINE AGROINDUSTRIAI, _VIDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela .5a Turtn.a da Delegacia da Receita Uederal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, que por unanimidade de votos, INDEFFRILI a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que não homologou a Declaração de Compensação — DCOMP n" 18733 55674..300304.1 3 04-0980, por meio da qual a contribuinte fez uso de pagamento indevido ou a maior de IR P3 verificado no perío(k) de apuração encenado em 31/07/2003. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata-se de Manifestação de inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fk 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensai débitos (IRPI código de receita; 2430) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (1 Ri'd código de receita 2362) Por intermédio do despacho decisório de fk. 06/08, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não-homologada a compensação declarada no presente processo, ao . finidamento de que o pagamento informado corno origem do crédito foi integrahnente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando a/dito dl simnlvel para compensação dos débitos informados no PER/DC:0MP" li resignada, interpôs a contribuinte manUe.?sicroo de inconformidade de fls 10/142, acompanhada dos documentos de /is 15/5-8, rui qual ali.ga, em apertada siniese, que o despacho decisório não homologou o compensação declarada, em razão da declaração werF), original apresentada, relativamente ao 3' trimestre de 2003, informar para o débito de INRI, relativo ao mês de julhot.2003, o antigo valor declarado, constituindo evidente erro material, o que poderia .s et sanado pela .simples. retificação da .DC -IT- do 3° ir/me ti-c de 2003 e pela verificação da D[/U/2004 Ao final, requer "a desconstituição 'ia lotam' do lançamento efetuado pela Autoridade Fiscal, considerando-se extinto o suposto çiedao tributta io e determinando-se, por conseqUência, o arquivamento do processo administrativo dele Or I gii7Ór 10 e, ainda, se necessário permita a retificação das informações declaradas na DC1T, para quero possa respeitai a realidade dos fatos" É o relatório A Turma Julgadora recorrida afastou tais alegações argumentando que: • Confirmou que o recolhimento efetuado para o mês de julho/2003 Ibi • integralmente utilizado para liquidação de débito de mesmo valor informado na DC11:'' do 30 trimestre/2003, concluindo que não há co; reção a,sei' ffa ta no despacho decisório, tendo em conta a inobservância de requi.sito básico para jôrrnalização da compenw.ção sob exame, qual .s 4a, a existência de um indébito tributário junto á Fazenda Nacional. ()Á? • Ressaltou que O reconhecimento de direito creditório exige prova de sua liquidez e certeza mediante confrontação corn os legistios contábeis e fiscais, cumpnindo à contribuinte trcuer, por ocasião do presente contencioso, ju 5 tilicativas .N tiradas (::ra lançamentos contábeis que ic• entifiquem, ine(juivoc(imente: a base de cálculo do 1RPI do mê.s de julho de 2003 e A apresentação, ião só., da .1)1.1'.1/2004 não é suficiente pára a retificação pretendida, tendo em conta o disposto no art. 923 do RIR/99, e tais elementos devem ser trazidos na peça imptignatoria, consoante dispõe o art. 16, §§: 4° e 5° do 1)ecreto ri" 70 235/72, com a r criação dada pela Lei n" 9.532197 Cientificada da decisão de primeira instancia em 17/08/2009 (11 66), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 16/09/2009 (lis. 67/77), no qual, inicialmente, argúi a nulidade da decisão recorrida, por ter deixado de apreciar o fato de a .D11'1/2004 ter sido objeto de fiscalização, vinculada ao 1\71PF n" 0810700/2005/00084-2. lnitendc indiscutível a existência de indébito de IRP1 no mês de julho/2003, por -ter incluído, inadvertidamente. na base de cálculo deste IRP,J, o valor dos rendimé..ritos obtidos coai aplicações financeiras, inclusão essa absolutamente indevida, a teor dos art4.,,os 32, §'combinado com as rCgf'LLS dos artigos 65 a 75, todos da Lei a ' 8 081/95, tais valores de rendimentos não devem integrar a base de cáleutc.) do imposto de renda mensal calculado com base na receita bruta e t1C1-éSetnIOS Afirma que o CUCO material cometido na DCTV do 3 0 trimestre/ 2003 iCri. corrigido com a apresentação da Dll'f/2004, e esta, por- sua vez, fõi examinada e chancelada pela Sect etar ia da Receita Federal, attaVês da fiscalzzação levada a eleito nos anos calendários. de 2.001 a 2 004. Este procedimento, obviamente, o- atou de (.'ONIR/ISTAR a .1)11",1/2004, beta (orno a 1)Crli , do 30 linite.51, e d.e? 00$, com os registt os contábeis de conta no ativo do IRP,1 a recuperar, tendo ainda examinado e conferido a expressão deste direito em balaneo.s e balancetes, os Livros Dta' riOs e Raz(:-io Assim, se tais elementos já foram apiesentados à Secretaria da Receita l i ederal, imprópria se mostra a conclusão expressa no acórdão guerreado, de que a contribuinte deveria, para provar o indébito utilizado, apresentar seus registros contábeis.. Em seu entendimento, ao examinar a 1)1.1",1/2004, reit} leadora das infinmacões' lançadas na 1-.)(17.1,. 3' trimestre de 2 003, a fiscalização da Receita federal nenhum óbice formulou, inclusive jio. que tange ao crálito apuado, exatamente porque a encontrou C/11 (.011.50,ância COM 01 re,y, i as e documentos SUpi a especificados Subsidiariamente aponta a necessidade anulação do acórdão recon ido, paia que se pruri-lova diligência c-ioni vistas a 110 n10 exame da documentação ratificadorci dciCf apurado, citando acórdão da 8'1 e'âmara do PrlIlleit0 C0118e1110 de Contribuintes, e reportai-ido- se a doutrina que trata do dever In VeStig -aiót to da igido pela (liso- icionatiedade da autor idade fiscal e do necessário abrandamento das nutrirás que tratam da preclusão no âmbito do pi °cesso adruinistrativo, com vistas a invocai a aplicação do principio da %/Cf dade material 15 o relatório. Õfl Pi ocos n' 10840 900 /76/200- '-n 9 Si-C 1"I 1 Acórdão a " 1101-00301 Il Voto Conselheira MEL' PFR.E1RA BESSA A recorrente argúi a nulidade do acórdão proferido pela 5a Turma de Julgamento da DM/R ibeirão Preto, que não teria apreciado sua alegação relativa ao procedimento fiscal desenvolvido em 2005, tendo por objeto, inclusive, a. apuração do 1R_PJ" no ano-calendário 2003 (Jbserva-se, contudo, que a única. referência a este assunto, contida na impugnação, está assim expressa: 17)A .IMPROCE1)ÈNC1A AO descrição dos . fitos que originaram a presente intimação, a Auditoria Innirna da .Reccita Federal do Brasil dispõe ter constatado irtegularidades no cfedito vinculado a Declaração de Compensação, qual seja o crédito do pagainento indevida ou a maior do IRRI a.1(-. .P ente ao período de apuração de 31/07/2003 Analisando a DCTF referente ao período de apuração do crédito supra, }A:Ti-fica-se que a suposta irregularidade se cku em fi'ic.e da inadvertido retificação da DCT1', onde ainda constam os antigos valores declarados. referente. ao NI iodo de apta ação de 31/07/2003, constituindo-se, portanto, em evidente erro material (Anexo T) As' i inl, assa diverge:n(1a ensejou a intimação, mus, no entanto, poderia ser facilmente .sanada pela simples retiliuição da pc'TF do 3" trimestre de 2003 e também pela verificação da DIP1/2004 (Anexo II) Contudo, ressalte-se ainda, que a hniougnante ,fora fiscaliuula nos anos- calendários de 2001 a 2004, exercícios 2002 a 2005, confOrme consta do Termo de Constatação Fiscal n° 01 - 1111).F 0810700/2005100084-2, encerrada em 06/07/2005. Destarte, a conclusão que se chega f-_"?. que, diferentemente do apurado na inumação em tefárência, a impugnante nada deve ao eráf ia páblico, devendo por isso mesmo ser homologado o crédito de RS 138 688,33 (cento e trinta e oiro mil, seiscentos e oitenta e oito reais e trinta e quatro centavos) postulado (negujou-se) Como se vê, a. argumentação da inipugnante entatizou, apenas, o erro material da DCU, que deveria ser desprezada em face das informações prestadas na .D111 A fiscalização dos anos-calendário 2001 a 2004 é apenas noticiada, sem qualquer esclare,eitnento quanto ao seu alcance ou aos seus efeitos, como agora luz a contribuinte em seu recurso voluntário, ao afirmar que o referido procedimento fiscal ensejou a revisão da DIP U2004 e, e, seu entendimento, a admissibilidade dos valores nela expressos. Importante observar que a Constituição 1 1. , ederal assegura aos litigantes, em processo judiciai ou administrativo, e aos acusados em geral o direito a eontraditétio e ampla defesa, com os meios C? reCWS0,5 a ela inerentes-. E neste sentido, o Decreto n" 70.22)5/72 assim regula a instauração do eoiftencioso no âmbito administrativo: (..Ari 11 ,1 impugnação da exigricui inStanra a fase litigiosa do procedimento. ) 5 Ari 1.5 À impugnação, formalizada por escrito O insti ilida com os documentoscOl (Me Se fioxi Jrontu,S'Cf (7 apresentada ao órgão preparado no prazo dc' trinta dias, contados da dolo em que:: fi)r feita a intimação da exi,gência ParágratO único Na hipótese de devolução do paz() para impugnação do agravamerito do eXigé.ild(1 inkia deCOfTente de decisão de primeií a instancia, o prazo paia apresentação de novo imxçpo ao, com :aro a /11,0 (1. pai lu da ciência rles'so. decisão (Redaeão dada pela Lm1 o" 8748, de 1993) Art 1 6 À impugnação rriencionará 1 -a auto, idode julgadora a quem c'. dirigida, - a qtudificacão do impugnante, 111 - motivos de tato e de dir. eito em que s'e fUndainenta, o.s pontos de discordrincia O a.S Uf.;:ões e Novas que possuir, (Redação dada pela lei n" 8,748, de 1993) 117 - ar ddigricios, ou 7)0/ 10110 que' O impugnonte pretendo sejam c-fituadas, c7p()stor os niou yos que as jusfifiquem, com a ,fornitilação dos quesitos lOtoS (705 e?xurnes deseiodos, assim como, no caso de pei teia, o H0i1W, o eridei coe O a qualificação profissional do seu perito (Redaçào dada pela Lei H" 8 748, de 1993) - se a matéria implwriada foi submetida 3 apreciação Judicial, devendo 5(.7 cOpia da petição (Incluído pela Lei a' 11.196, de 2005) 1" Considerar . seu não toNnulado o pedido du diligência ou pera que deixai de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art 16 (Incluído pela Lei di 8 748, de 1993) 2" E defeso ao impugnante, ou a seu Jcpresentante legal, empregar expresõe.s injuriosas nos escritos apresentados no procc.sSO, cabendo ao julpadoi, de oficio ou O requer unento do ofendido, mandar riseá-las (Incluído pela Lei n" 8 748, de 1993) 0, 11(111d0 unpagnante diré-ito iminicipal, estadual ou estraineii o, f» ovar-lhe-ét. o teo; e a 71. 3ricia, 50 assrm o determinar o JuI!ador Oneluido pela Lei n" /18, de 1993) 4"A prova dociffileilild setá apresentada na iinpurzação. prrelui neto o dá Mo de o imprignante .fil:Tè-10 em outro momento processual, a menos que (Incluído pela Lei 9 532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de srui apresentação oportuna. por motivo de força maio; -,(Incluido pela Lei n" 9 532, de 1997) 1)) retiro se a faio ou a dá eito superveniente;(1ticludo pela lei n" 9 532, de 1997) e) destine-se O contrapor ,tatos ou razões posterrornwnte trazulas aos autos .(Ineluido pela 1,ei n" 9 532, de 1997) 5" A ,buitado de docuinentos após O impugnação dever.e.'t autoridade julgadora, mediante petição em que Ne demonstre, com Jrindamentós a ocorrência de.' nino dos condições previstas rias uIincos do parágrafir anterior (Incluído pela 1. ei o' 9 532, de 1997) 6' /4 tenha srdo proferida a decisão. os doeumenios apresentados peJniarwecioio nos autos para, se foi jruerposio recurso, serem (/0( iodos pelo autoridade /1/1/ adora de segunda in,shincra (Incluído pela Leio' 9.532, de 1997) Contudo, i chiava-mente ao ponto em debate, O iniptignacão, 00 âmbito material, irão observou tais exigências, em espect;:t1 o ai 1, 16, inciso Hl do Decreto tf' 70 235/7.2, que exige do intet essatio a fixação, individual e concreta, dos aspectos impugnados, ti mandt ) questões eontlovertidas que, Zr" sito, merecem a atenção da autoridade julgadora, sob P' a de cerceamento ao direito de defe,sti Processo 11" 10K40 000776/205 .S0 S-1--C I. 1 1 Acórdão r, 1101-00.30 I H 1 A mera noticia de um procedimento fiscal anterior IlEi0 COitstitui, por si só, questão controvertida cuja OnliSãO, na apreciação procedida no acórdão recorrido, possa ensejar a sua nulidade. Por tais motivos, rejeita-se a argüição de nulidade da decisão recorrida No mérito, aduz ter recolhido a maior a estimativa de FRP .1 devida em , julho/2003, e embora a DCIF do 3" trimestre/2003 aponte que outro seria o débito, a DIN relativa ao ano-calendário 2003 teria retificado aquela apuração, sendo poslerionnente conferida e admitida em procedimento fiscal desenvolvido em razão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF que cita. Registre-se que a recorrente não traz cópia do referido MP1 ; , ou de qualquer outro termo lavrado pela fiscalização em razão de sua execução. Apenas menciona, na impugnação, que dela resultou o 7 'e MO de Constatação P'isedi a' 01 14/11'1' 0810700/2005100084-2, encerrada em 06/07/2005 1-:? possível, porém, que a recorrente esteja se referindo à exigência formalizada nos autos do processo administrativo ir 10850 001767/2005-11, distribuído a esta Conselheira para julgamento do recurso voluntário n" 156 234 Daqueles autos, extrai-se: • O MPF n" 08 1. 07 00-2005-00084-2 teve por objeto a verificação do JIPE devido em 1998, 2000) 2001 e 2002, bem como verificações obrigatórias da correspondência entre os vitimes declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contabil e fiscal, em ielação aos tributos e coruribuições administrados pela SUF, nos áltinzos cinco anos e no período de execução deste Pi ()cedimento Fiscal • Em paralelo as análises de pedidos de ressarcimento de fPI relativos aos períodos de 01/01/1998 a 30/09/2002, a autoridade fiscal exigiu a escrituração contábil e fiscal da contribuinte no período de 01/03/200()a 31/01/2005, inclusive destacando a necessidade de apresentação da transcrição dos balanços ou balancetes de redução/suspensão eventualmente levantados para apuração de estimativas do IR 1).1 e da CSLI • Centrando as análises nas contas Lavoura em I ; oimação, Lavouras a Amortizar e Safra Fundada, nos períodos de 03/2000 a 01/2005, a autoridade lançadora verificou os lançamentos contábeis e fiscais pertinentes á depreciação acelerada incentivada na conta Lavoura em Formação, apurando infrações inclusive no ano-calendario 2001 • Como prova, a autoridade fiscal juntou cópia do Livro de Apuração do Lucro Real LA 111R , relativo ao lucro real apurado em 31/12/2003, destacando os ajustes ao lucro líquido e a apuração do ÍRP.1 a pagar, que foi neconstitu ida pata li lis exigência promovida • No denominado Termo de Constatação Piscai n" 01, lavrado cm razão da redução indevida do IR P.T, a fiscalização confirmou que a empresa fiscalizada atendeu à intimação de deixai à disposição da fiscalização o n livros fiscais e contábeis is//recue ao período de 01/03/2000 a 31/01/2005, mas limitou-se a descrever a intiae.ão constatada nas contas contábeis analisadas, e antes mencionadas, sem firmar qualquer juizo acer ca de outros aspectos da apuração do IR Kl do ano-calendário 2003 • O auto de infração correspondente Ibi laviado em 27/06/2005, e cientificado á contribuinte, juntamente, com o -/r/nt.) de Constatação Fiscal a " 0/, eia data que, Q7 aposta manualmente cru tais documentos, aparenta ser 08/07/2005, e não 06/07/2005, corno indica a recorrente fia evidências, portanto, que este seria o procedimento fiscal ao qual se retere a recorrente 'T.odavia, nela não está firmada qualquer validação da apuração das estimativas no ano-calendar io 2003 Dc .1i.no, a autoridade lançadora concentrou-se na apreciação das adições e exclusões promovidas na apuração anual do lucro real e, recompondo-o, determinou novo lRP devido no período, que confrontado com o apurado no LALUR em 31/12/2003, resultou na diferença que foi objeto de lançamento de ofício Relevante anotar que no processo administrativo n' 10850.001767/2005-11 sequer estão juntadas as fichas da D1P.1 correspondentes à apuração de estimativas. A. evidenciar que a liscalização apenas questionou o IRP11 devido na apuração anual, nos autos do processo administrativo referido somente constam as fichas de apuração do lucro real anual e do cálculo do imposto de renda sobre o lucro real anual. Lsta, por sua vez, discrimina que a contribuinte apurou_ IR P1 de R$ 4.435,259,86, somado a adicional de R$ 2.932.839,91, dos quais foram deduzidos R$ 28.227,20 a título de Programa de Alimentação ao Trabalhador, RS 10.000,00 por destinação fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente. Como antecipações, ['oram infomrados R$ 966 653,01 por retenções na fonte, R.$ 140 741,44 incidentes sobre ganhos no mercado de tenda variável e R$ 1916.086,41 pagos por estimativa, resultando em imposto de renda a pagar de R$ 2 306 341,71 Ia o 1,A1.UR de 31/12/2003, embora apresente IRP1, adicional e deduções coincidentes, mostra-se divergente em relação a parte das antecipações i 11 1 '0 MI alas na 1)11)1 As retenções na -fonte representam R$ 1.107 394,45 (possivelmente a soma das retenções na fonte de R$ 966 653,01 e das incidências sobre ganhos no mercado de renda variável de R$ 140.741,44) mas não 'há pagamentos de estimativas, e sim Compensação do HW' de Perlodo. Anteriores, no valor de R$ 5 .317 840,46, restando R$ 904.587,56 de fRPJ a pagar. Contudo, corno este montante de R$ 5 317 840,46 consta de demonstrativo apresentado pela recorrente nestes autos (fl. 127) a titulo de recolhimento de estimativas de janeiro a de2embro/2003, é razoável inter : ir. que não se trata dc compemação, mas sim dedução, e não de f) 'iodos anuais antei iones, mas sim dos períodos mensais que integram a própria apuração anual de 2003. Como as apurações realizadas pela Lu-realização, refletidas em Demonwtaiivo de Retilicaçãc..) da Apuí' ação do Lucro Real A/C' . 2001 a 2004 limitaram-se a determinar a diferença de lucro real tributável, e a intim:mar, já de plano, que o IRPJ declarado de R$ 4.435.259,86 era inferior ao apurado de R$ 4.751 506.17, claro está que a autoridade lançadora, neste momento, não adentrou, sequer, ao cálculo do adicional, quanto mais às antecipações consideradas nas apurações contidas na Mil e no LALIJR. mesmo se diga do Demonstrativo de Apuração que acompanha o Auto de Infração: por partir do valor tributável liquido determinado no ano-calendário 2003, o único elemento da DIR1 considerado é o lucro real declarado, com vistas á apuração da regular incidência do adicional, De toda sorte, o que se recolhe destes elementos é o fato de o 1,AI 1.1R da contribuinte, apresentado àquela fiscalização, apontar consurno integral das estunativas de R$ 513.17 848,68 para fins de determinação do 1RP.Í a pagar no período, resultando em um saldo rrOCCSSO 11 10810 900776n008-59 ti 1-C1 1 I_ Acórdão n I 10.1.-00..301 H 5 devido de R$ 904.587,56, ao passo que na DI.P.1 a contribuinte preteriu considerar estimativas de apenas R$ 1916.086,41, o que resultou em IR1).1 a pagar de R$ 2.306.341,71. Ou seja, o procedimento fiscal anterior não convalida a DI1'.1, mas sim evidencia seu descompasso com o LALUR, e precisamente na utilização do valor total recolhido a título de estimativas no ano de 2003 para rins de reduzir o IR .P.1 apurado no ajuste anual.. Infere-se, daí, que ao apresentar a DCOMP n" 18733.55674.300304.-1.3.04- 0980, em 30/03/2004, a contribuinte desfez a utilização das estimativas antes procedida no LAUS., e assim constituiu indébito que se prestou a liquidar outro débito. Todavia, O débito compensado é justamente o RP.t devido na apuração anual, com vencimento em 31/03/2004 Ou seja., a contribuinte desfez parcialmente a dedução das estimativas indicada. no LAIIIR para utilizar-se da diferença em compensação CO 111 o mesmo débito.. Diante destas circunstancias, mesmo se nide-vida fOsse a compensação de créditos de estimativas, na. medida em que ela se fez com débitos do IR P1 devido no aliaste do mesmo ano-calendário de apuração das estiimitivas, a inadmissibilidade daquele indébito ensejaria o seu necessário reconhecimento como dedução do IR.P1, e conseqüente redução do .débito compensado.. Em verdade, a diferença entre os dois procedimentos reside no fino de o indébito ser atualizado com. juros à taxa 81-ltIC desde o momento do recolhimento indevido --- mais precisamente a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao d.a compensação ou restituição e dc 1°Ái relativamente ao Mês em que estiver sendo efetuada, na forma do art. 39, § 40 da Lei n' 9.250/95 c/c art 73 da Lei H" 9.532/97 -- ao passo que o IRPS apurado no ano-calendário de 2003 somente recebe acréscimo de juros SELIC a partir de 1" de fevefeiro/.2004 até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, na forma do art. 6", §2() da Lei n" 9.430/96. -tanto o é que a. recorrente reconheceu na DCIF n`-' 1000..000 2007. 1740480346, relativa ao 1° trimestre/2004, saldo a pagar de 1RP.1 devido no ano-calendário 2003 no valor de R$ 738.026,88, que em com.paração com o saldo a pagar inicialmente apurado em sua escrituração (R$ 904.587,56, elevado a R$ 92 3.402,98 em razão dos juros devidos até 31/03/2004) resulta na dilereaea. de R$ 185.176,10, atribuível aos juros imputados nas DCOMP aos indébitos mensais, até sua compensação em março/2004 Relevante notar que durante, a vigência das Instfações Normativas SRI n" 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa .R EB n" 900/2008), a Receita "Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: instrução Normativa Stt.F u" 460, de 18 de outubro de 2004 Art.. 10 4 pesvm . jurilico findada pelo lucro ;cal, presumido ou 01 (ido que softer retenção indevida ou a m(dor de impo to de renda ou de (.:,S1-1- whi.e ( :?ildi MérilieS que integram a 5a;se de cálculo do impo to ou do u»nribuiçcio, bem assim a pessoa jurídica _tributada pelo lucro real anual que ektuat pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLI, a diulo de e,slimativa mensal, ..tionwnte podei. á malhar o valor palw ou ', elido na deduva...., do 1 ou da C,ST/, devida ao final do período de apuí-avio em que houv. ,.. a reienção ou 9 pagarneruo indevido ou para compo; o saldo negativo de 11,.'17 ou de C.SLL periodo Instrução Normativa SRL+ n" 600, de 28 de dezeinto o de 2005 Arr. 10 4 pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pi esurnido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior do irriposto do renda ou de C'SLL sobre rendimentos que integram o base do cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de C.SLL a título de estimativa mensal. somente podera utilizar o valor pago ou retido na dedução do IREI ou do CSLL devida ao final do período de apuração cm que houve a retenção ou pagamento indevido Ou para compor o saldo ne,.Ç;ativo de IRP.1 ou de CS14. periodo Instrução Normativa Inft3 n" 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 1/. 4 pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido Ou whitrado (iue sofrer retenção indevida ou (I InfliOr de impo.sto de renda ou de CSL11., sobre rendimento 'i que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição SOMUlli.0 poderá utilizar o valoi retido na dedução do /MI ou da CSLL devida ao final do 1_» .2I. iodo de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IR.1',1 ou de CSLL do per iodo As antecipações recolhidas deveriam 501, primeiro, confrontadas COr.11 O tributo determinado na aparação anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito I n ', este crédito, na tonna da interpretação veiculada no Ato Dectaratório Normativo SKE n" 03/2000, seria atualizado com juros à taxa Sb LIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do ano-ealendario: O ,ST CR.F.LÁRIO 1)4. RLCI',.114 l'EDERAL, rio uso de suas atribuições e icrido em vista o disposto no 4" do art .39 da Lei N" 9 250, de 26 de dezembr o de 1995, nas arts. e 6" da Lei .N" .9.130, de 27 de dezembro de 1996, e no ai 1. 73 da Lei N' 9 .532, de 10 de dezembro de 1997, declara que as .saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Juin:fica o da Contribuição Social sobre o Lucro Liquida apurados anualmente, poderão ser restituídos' ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mes.'s janeiro cio • ano-calendárto subseqüente ao do (Meei í cimento do periodo do apuraciio, acrescidos de juros equivalente.s à taxa referencial do .,.S'istento Especial de Liquidação e Custódia - S'elic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição 011 compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver _sen(Io efetuada. L V ERA RI )0 /11,4( 7P,1, De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n" 9 430/96,, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas cm conformidade com capta de seu art 4rl.2" A pessoa juridic...a sujeita a tributação com ba(:.' no lucro real poderá optar pelo pagamento do i .niposlo, em coda mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta aulerida mensalmente, dos percentuais de que traia o ari. 15 da Lei n" 9 249, de 26 cIo de ,..embro de 1995, observado o disposto nos e 2" do ali 29 e nos arts 30 a $2, 34 e 35 da Lei a' 8 981, de 20 de janeiro do 1.995; com as alterações da Lei n" 9 065, de 20 do de 1995. O impost.o a W:.?7 pago ffie3i.tiOlinenre uci 1;91'Ina deste artigo Sefel rumado ...€(;) mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da aliquota de quinze por 0e1110. Processo n' W40..900716r2.008- SI-CI I Acórdão n " 1.01-W001. H ó ..2" .4 parcela da base de cálculo, apurada inensalmerite„ ipie exceder a RS 20 000,00 (vinte mil reals)ficará stifeila à incidência de adicional de imposto dc.. renda à aliquola de dr2,- por conto. §3' A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os 01"e 2" do artigo anterior. §4'Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compen.sado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: dos incentivos fiscacs. de dedução do imposto, observados os limites e prazos lixados na legislação vigente, bem corno o disposto no 5̀, 4" do ar! 3" da Lei n" 9 249, de 26 de dezembro de 1995, 11 -dos incentivos fiscais de redução e isenç.'i.fio do imposto, calculados com base HO lucro da exploração, 117 -do imposto de renda pago ou retido ria .fonte, incidente sota computadas na determinação do lucro real, 1V-do imposto de renda pago na forma deste artigo (negrej ouse) Diante deste contexto, tem-se por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPI, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, tnediante apresentação de DC(..)11/1P, inclusive para liquidação do próprio íRP.I apurado no ajuste do mesmo ano-- calendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas. excedentes. Cumpre, assim, avaliar se há prova do recolhimento indevido A. recorrente argumenta que incluiu indevidamente rendimentos de aplicações rinanceiras no cálculo das ante,cipações. .1J, de tato, os rendimentos tributados na forma dos arts 65, 66, 67, 70, 72, 73 e 74 da Lei n" 8.981/95 não integram a base de cálculo para fins dc apuração das estimativas, conforme art 32, §1 ( ' da mestria Lei Para provar que assim procedeu, a contribuinte junta cópia do registro contabil dos rendimentos de aplicação financeira, nas quais, durante O nú,'s de julho/2003, a conta 51 .10106 -- ,furos y/ 71plk: 6 incinceitus recebe rendimentos de R$ 633.644,46 ( .119), e a conta 5120303 - Ganhos c/ Solsa Marc &. Polui o.s — 13_11F é creditada e (M)ilada pelo mesmo valor de R$ 120.570,01.) (11 116). Apresenta, ainda, balancete de verificação relativo ao período de 01 a 31/07/2003, k1.0 qual demonstra as receitas auferidas no período, as quais se mostram compatíveis com o flemonstrativo do (...?álculocio .1 R Estimado, o qual, sem computai as receitas decorrentes de aplicações financeiras, totaliza em R$ 259 391,52 a estimativa, a pagar (fis 126/130). Considerando que a existência do recolhimento no valor de R$ 398.079,86, efetuado ein 29/08/2003, está confirmada no despacho decisório recorrido, demonstrada está a diferença de R$ 138.688,34, utilizada na DCOMP n" 18733.55674.300301 I .3.04-0980, aqui tratada Ainda, à 11. 1.1.7/124, a recorrente . junta cópia do Dial. io Geral na qual vê-se a contabilização, em dezémlwo/21103 e janeiro72004, da baixa de estimativas ded L3Zi das do 1RP) e tranlétência 11?Pl pago indevidamente. rd receitas d(-, aplicaçõe financeir(m, coerente com o procedimento adotado de somente deduzir na apui ação do fRPJ anual as estimativas regulanneote pagas, e distinguir corno indébitos aquelas indevidamente pagas A sonia dos dois lançamentos de Ransferências dos pagamentos indevidos (R$ 1 230,495,78 e R$ 171.258,28) é compatível coto a diferença cofre as estimativas deduzidas no 1,A L,UR (R$ 5 317.848,68) e aquelas utilizadas na D1P1 (R$ 3.91(1.086,4i) O saldo de R$ 1 401 754,06 está apontado no Livro Razão, na conta 11.40115 - — 1?ecolhido a maior ObSCUVe-se, [alllbérn, eMbOra tais derfiCiliOS C01 .1SiallaITI cópia simples dos originais, não tiá razão para negar-lhes fé, ante a compatibilidade da contabilização, das alegações e dos procedimentos adotados paia a compensação promovida em 30/03/2004, especialmente tendo emn conta que o próprio débito compensado é aquele majorado em I azão da dedução a menor das estimativas, na parte em que recolhidas indevidamente. Ainda, o total de receitas financeiras informado no balancete de dezembro/2003 (R$ 8 653.882,61), apresentado nos autos do processo administi ativo 10840.900397/2008-69 (H 133) que trata de compensação correlata, com crédito decorrente . da estimativa apurada em dezembro/2003 — é compatível com aquele informado na 1.)11)3 apiesentada pela contribuinte no ano-calendatio 2003 (o" 08-0868402-70), a titulo de outras Tcceilas finanecii as (R$ 8.333.103,14 Foi sua vez, na composição das receitas tinanceiras contabilizadas, verifica-se a parcela de R$ 5 578 571,19 relativa a juros sobre aplicações financeiras, sobre a qual, se aplicada a aliquota de 25%, chega-se ao resultado de R$ 1.394.642,80, também compatível com o indébito total de R$ 1 401.754,06 que teria sido apurado cro 2003, Apenas observe-se que a DCC.)MP aqui em análise, apresentada ern 30/03/2004, não considera j tifos sobre o débito de IR P3 apurado no ano-calendário 2003, contrariamente ao que dispõe o art 6, §2' da lei o' 9 430/96 -- que determina o acréscimo de juros à taxa SI d a partir de 1° de fevereiro de 2004 — bem como imputa ao crédito juros superiores aos devidos na forma do art 39, § 40 da Lei ri" 9 250195 c/c art 73 da 1,ei 9,532/97 que deveriam corresponder à variação da taxa SEL1C do mês subseqiiente ao do pagamento a maior até o mês anterior ao da compensação e de 1% relativamente ao mês eni que efetuada — acumulados em 9,38% e não 11,15% como pretendido. Por todo o exposto, voto por 1)A.R. PROVI Ml N 1 .0 PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecei o direito creditorio de R$ 138 688,34 relativamente ao recolhimento efetuado em 31/07/2003, e homologai a compensação do débito com os acréscimos moratorios pertinentes, até o limite do valor atualizado do crédito na data da entrega da DCOM.P. , • E _LÁ PEREIRA BESSA • Relatora
score : 1.0
Numero do processo: 10845.002632/99-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 13/08/1999
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. RECOMPOSIÇÃO DO VALOR DA MOEDA. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ. APLICAÇÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.
A correção monetária tem o efeito de recompor a desvalorização da moeda. Assim, o contribuinte possui direito à plena correção monetária do indébito tributário reconhecido em seu favor, com base na jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça e do Ato Declaratório PGFN n. 10, de 1ª de dezembro de 2008, os quais reconhecem que a correção monetária é simplesmente a recuperação do valor do montante indevidamente recolhido aos Cofres Públicos, devendo seguir os expurgos inflacionários, conforme a Tabela Única da Justiça Federal (aprovada pela Resolução do Conselho da Justiça Federal n. 561/2007).
Numero da decisão: 3402-006.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Antonio Borges (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 13/08/1999 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. RECOMPOSIÇÃO DO VALOR DA MOEDA. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ. APLICAÇÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A correção monetária tem o efeito de recompor a desvalorização da moeda. Assim, o contribuinte possui direito à plena correção monetária do indébito tributário reconhecido em seu favor, com base na jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça e do Ato Declaratório PGFN n. 10, de 1ª de dezembro de 2008, os quais reconhecem que a correção monetária é simplesmente a recuperação do valor do montante indevidamente recolhido aos Cofres Públicos, devendo seguir os expurgos inflacionários, conforme a Tabela Única da Justiça Federal (aprovada pela Resolução do Conselho da Justiça Federal n. 561/2007).
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CORREÇÃO MONETÁRIA. RECOMPOSIÇÃO DO VALOR DA MOEDA. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ. APLICAÇÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A correção monetária tem o efeito de recompor a desvalorização da moeda. Assim, o contribuinte possui direito à plena correção monetária do indébito tributário reconhecido em seu favor, com base na jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça e do Ato Declaratório PGFN n. 10, de 1ª de dezembro de 2008, os quais reconhecem que a correção monetária é simplesmente a recuperação do valor do montante indevidamente recolhido aos Cofres Públicos, devendo seguir os expurgos inflacionários, conforme a Tabela Única da Justiça Federal (aprovada pela Resolução do Conselho da Justiça Federal n. 561/2007). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 26 32 /9 9- 89 Fl. 1224DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Antonio Borges (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. Relatório O presente processo deriva de Pedido de Compensação realizado sob a vigência da IN n° 21/97, em decorrência de sentença judicial transitada em julgado, na qual foi declarada a inconstitucionalidade incidenter tantum da exigência da quota de contribuição prevista no Decretolei n. 2.295/86, que no passado incidiu sobre as exportações de café. Inicialmente, o pedido foi indeferido, sob o argumento de que i) a Contribuinte não teria cumprido o disposto no §1° do artigo 17 da citada IN 21/97, já que, em seu entendimento, não teria comprovado a desistência da ação de execução do título judicial; ii) não haveria decisão judicial que garantisse à interessada o direito à compensação; e iii) os valores pleiteados devem ser líquidos e certos, havendo necessidade de se promover a liquidação da sentença judicial. Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ, por unanimidade de votos, confirmou o direito creditório reconhecido na decisão transitada em julgado na Ação n. 94/02023348, que tramitava perante a 4ª Vara da Justiça Federal em Santos/SP, afastando a decisão proferida pela DRF em Santos/SP que condicionara o pedido de restituição à liquidação de sentença, entendendo, ainda, não ser razoável a submissão do contribuinte ao instituto do precatório. Contudo, indeferiu a solicitação de compensação ante a suposta ausência da comprovação do pedido de desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial. Ou seja, o crédito foi reconhecido integralmente pela Administração, restando em litígio tãosomente a hipotética ausência da comprovação da desistência da execução do título judicial. Dessa decisão foi interposto recurso voluntário, ao qual este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento, nos termos do Acórdão n. 310200.427, cuja ementa segue a seguir transcrita: Ementa(s) OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 21/05/1988 a 28/09/1989 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS PRÓPRIOS COM DÉBITOS DE TERCEIROS. No regime da IN SRF n° 21/97, o crédito a ser restituído a um contribuinte poderia ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte. COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO DA DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10845.002632/9989 Acórdão n.º 3402006.411 S3C4T2 Fl. 251 3 No caso de título judicial em fase de execução, a compensação somente poderá ser efetuada se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. Desistência comprovada nos autos. Recurso Voluntário Provido A Procuradoria opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados, conforme Acórdão n. 310200.642 (fls. 690), cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: Ementa(s) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL COMPENSAÇÃO, REQUISITOS DA IN SRF 21/97 Não houve omissão/obscuridade, no Acórdão 310200.427, da sessão de 09/07/2009, quanto à análise dos requisitos delineados no artigo 17 da IN SRF nº 21/97, para que fosse deferido o direito à compensação pleiteado. Embargos Rejeitados. Os autos foram então remetidos à DRF de Santos, que, em despacho datado de 11/05/2012 (fls. 810) devolveu o processo ao CARF para que a Procuradoria da Fazenda Nacional fosse cientificada da decisão proferida em sede de embargos. O I. Procurador da Fazenda se deu por ciente em 29/06/2012 (fls. 811), transcorrendo in albis o prazo para interposição de recurso especial, o que tornou definitiva a decisão que deu provimento ao recurso voluntário, por força do disposto no art. 80 do Decreto 7.574/2011. Ocorre que, ao proceder à execução do acórdão, a DRF de Santos considerou o crédito insuficiente para abarcar todas as compensações realizadas com débitos de responsabilidade das Cervejarias Kaiser Brasil Ltda. sob a égide da IN 21/97 , deixando de homologar aquelas tratadas nos processos n. 10735.001686/0099, 13884.005304/9957 e 10530.000267/200151 e homologando parcialmente a do processo n" 10665.001293/9957. Assim, com lastro da Solução de Consulta Cosit 18/2012, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tendo em vista a inobservância dos índices constantes do Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Resolução do Conselho da Justiça Federal n° 561/2007 nos cálculos realizados pela SECAT/EQAJU. Todavia, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls 1111), em decisão proferida com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/08/1999 Fl. 1226DF CARF MF 4 Restituição de valores recolhidos a título de Quota de Contribuição sobre Operações de Exportação de Café em grãocru. Diante da decisão judicial, já transitada em julgado, restou garantido à interessada o direito à restituição do indébito. O SEORT/ALFSTS homologou parcialmente o direito creditório, não reconhecendo a correção monetária pleiteada. O interessado ingressou com manifestação de inconformidade, a fim de que o crédito reconhecido em seu favor seja acompanhado da plena correção monetária. A administração tributária está limitada aos termos da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR Nº 08/97, carecendo de autorização legal restituição além desse limite. Irresignada, a Contribuinte interpôs novo recurso voluntário a este Conselho, defendendo que possui direito à plena correção monetária do crédito reconhecido judicialmente em seu favor, com base na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, dos Pareceres Procuradoria da Fazenda Nacional sobre o tema e do Ato Declaratório PGFN n. 10, de 1ª de dezembro de 2008, os quais reconhecem que a correção monetária é simplesmente a recuperação do valor do indébito, devendo seguir a Tabela Única da Justiça Federal (aprovada pela Resolução n. 561/2007). Os presentes autos foram a mim distribuídos por prevenção, haja vista que anteriormente ao seu sorteio a mim já havia sido remetido o processo n. 10940.000765/2002 53, que trata de auto de infração para cobrança de IPI, cujo crédito decorre da sentença judicial discutida primordialmente no presente processo. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Conforme informação de fls 1201, o recurso é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Pelo relato acima, vêse que o único ponto ainda controvertido no presente processo diz respeito à correção monetária do indébito reconhecido judicial e administrativamente. Como já tive a oportunidade de me manifestar anteriormente,1 no que tange à correção monetária aplicável às restituições efetuadas pelo Poder Público, observase que sua evolução tem origem no esforço dos Tribunais brasileiros, o qual deu lugar a farta construção jurisprudencial sobre o tema. 1 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10845.002632/9989 Acórdão n.º 3402006.411 S3C4T2 Fl. 252 5 A causa de tais esforços era a desigualdade de tratamento jurídico que pairava entre fisco e contribuinte. Este, ao pagar com atraso suas dívidas, deveria corrigilas monetariamente, enquanto aquele não teria essa obrigação ao restituir o indébito. Em poucas palavras, essa discrepância de tratamento ocorria por força do silêncio da lei, que somente impunha a atualização monetária para o pagamento de tributo com atraso, mas não para o pagamento de tributos indevidamente recolhidos ao Erário. Em face deste cenário, o Supremo Tribunal Federal desenvolveu paulatinamente sua jurisprudência até alcançar o ajuste necessário aos direitos dos contribuintes. Essa jurisprudência, sinteticamente, pode ser dividida em quatro momentos, quando o STF afirmou que:2 i) não era devida a correção monetária do indébito, porque não havia lei nesse sentido; ii) era cabível a correção pela interpretação extensiva do depósito, o qual ensejava correção monetária; iii) era cabível a correção monetária do indébito por analogia com o depósito; iv) a equidade justifica a correção do indébito, já que constituiria uma injustiça o contribuinte ter que corrigir os valores, e a Fazenda Pública não. Quanto ao termo inicial para a fluência da correção monetária, também foi necessária solução por parte do Judiciário, à medida que o artigo 167, parágrafo único do CTN unicamente tratava de juros de mora, determinando sua incidência a partir do trânsito em julgado da sentença reconhecendo o indébito. Assim, o Supremo Tribunal Federal, por equidade e analogia com o depósito, decidiu que é a partir do pagamento indevido que se deve contar, tendo em vista que o que se busca é a restituição do administrado ao seu anterior estado de riqueza. 3 Hodiernamente, não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo,4 da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de 2 Cf. Torres, Ricardo Lobo. Restituição de Tributos. Rio de Janeiro: Forense, 1983, p. 44 – 50. 3 "EMENTA: Correção monetária na repetição do indébito tributário. A jurisprudência do STF firmouse no sentido de que cabe a correção monetária tanto no caso em que o contribuinte deposita para discutir, como no em que paga para repetir, devendo, assim, ser calculada a partir do pagamento indevido, como do depósito, porventura, realizado. (RE n° 84.704, DJ 01.04.77; 87.677, in RTJ 83/644). RE conhecido e provido." (Brasil. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário 92.401/SP. Relator: Ministro Thompson Flores. Julgamento: 08 abr. 1980. Órgão Julgador: Primeira Turma. Publicação: DJ, 16 maio 1980, p. 3488). 4 Nesse sentido, podem ser colacionadas as seguintes ementas, selecionadas pelo Parecer PGFN/CRJN/No 447/1996, o qual dispensa a interposição de recurso contra decisões determinando a incidência de correção monetária na restituição de tributos: “EMENTA: Repetição de indébito tributário. A correção monetária é cabível a partir do recolhimento do tributo indevido, ainda que voluntário […]” (Brasil. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário 96.808/RJ. Relator: Ministro Cordeiro Guerra. Julgamento: 27 abr. 1982. Órgão Julgador: Segunda Turma. Publicação: DJ, 11 jun. 1982, p. 5682). "EMENTA: Correção monetária. Repetição de indébito tributário. Termo inicial. Na repetição do indébito tributário o termo inicial da correção monetária é a data do depósito ou do tributo restituído […]” (Brasil. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário 94.935/RJ. Relator: Ministro Rafael Mayer. Julgamento: 29 set. 1981. Órgão Julgador: Primeira Turma. Publicação: DJ 23 out. 1983, p. 10631). "EMENTA: Tributário. Repetição do indébito. Correção monetária. Termo inicial da incidência. É firme a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no sentido de que a correção monetária, na restituição de tributos, incide a partir da data do pagamento indevido." (Brasil. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário 92.742. Relator: Ministro Décio Miranda. Julgamento: 05 maio 1981. Órgão Julgador: Segunda Turma. Publicação: DJ, 29 maio 1981, p. 5054). "EMENTA: Repetição de indébito. Correção monetária. Analogia. É devida a correção monetária não só quando o contribuinte deposita o quantum do tributo para discutilo na instância administrativa como quando o paga para depois repetilo. Correção Monetária. Pedido inicial. Omisso. É devida a correção monetária. Quando embora não tenha sido objeto do pedido, considerase abrangido por este. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. RE conhecido e provido." (Brasil. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário 92.671. Relator: Ministro Fl. 1228DF CARF MF 6 Recursos,5 quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Desse modo os valores indevidos recolhidos a título de tributo devem ser corrigidos monetariamente, sendo esse o único instrumento para a satisfação integral e efetiva dos créditos dos contribuintes contra o Poder Público. Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. In verbis: Mesmo na inexisten̂cia de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurispruden̂cia unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito à atualizacã̧o do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. 6 Ademais, fato é que, posteriormente ao assentamento de todas estas teses, foi editada a Lei n° 6.899, de 08 de abril de 1981, 7 por meio da qual a correcã̧o monetária passou a ser aplicável a todo e qualquer débito oriundo de decisão judicial. Em seguida, Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º)8 trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Com efeito, a jurisprudência do STJ firmouse pela inclusão dos expurgos inflacionários na repetição de indébito, utilizandose seguintes índices de correção monetária aplicáveis desde o recolhimento indevido: ORTN de 1964 a fev/86; OTN de mar/86 a jan/89; BTN de mar/89 a mar/90; IPC de mar/90 a fev/91; INPC de mar/91 a nov/91; IPCA Rafael Mayer. Julgamento: 24 jun. 1980. Órgão Julgador: Primeira Turma. Publicação: DJ, 12 ago. 1980, p. 5790). 5 Brasil. Tribunal Federal de Recursos. Súmula 46. Nos casos de devolução do depósito efetuado em garantia de instância e de repetição do indébito tributário, a correção monetária e calculada desde a data do depósito ou do pagamento indevido e incide até o efetivo recebimento da importância reclamada. Brasília: DJ, 14 out. 1980. 6 Brasil. AdvocaciaGeral da União. Parecer AGU/MF01/96. Incidência de correção monetária nas parcelas devidas em razão de repetição de indébito tributário, anteriormente à Lei nº 8.383/91. Publicação: DO 18 jan. 1996. 7 “Art 1º A correção monetária incide sobre qualquer débito resultante de decisão judicial, inclusive sobre custas e honorários advocatícios.” 8 “Art. 66, […] §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR.” Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 10845.002632/9989 Acórdão n.º 3402006.411 S3C4T2 Fl. 253 7 dez/91; UFIR de jan/92 a dez/95; observados os respectivos percentuais: fev/86 (14,36%); jun/87 (26,06%); jan/89 (42,72%); fev/89 (10,14%); mar/90 (84,32%); abri/90 (44, 80%); mai/90 (7,87%); jun/90 (9,55%); jul/90 (12,92%); ago/90 (12,03%); set/90 (12,76%); out/90 (14,20%); nov/90 (15,58%); dez/90 (18,30%); jan/91 (19,91%); fev/91 (21,87%); mar/91 (11,79%). A partir de janeiro/96, aplicase somente a Selic, que inclui, a um só tempo, o índice de inflação do período e a taxa de juros real." (Brasil. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial 935.311/SP. Relatora: Ministra Eliana Calmon. Julgamento: 26 ago. 2008. Órgão Julgador: Segunda Turma. Publicação: DJe, 18 set. 2008). Em razão dessa consolidação jurisprudencial, a Procuradoria da Fazenda Nacional emitiu o Parecer PGFN/CRJ n. 2601/2008, dispensando a apresentação de impugnação e recursos sobre a matéria. Segue transcrita sua ementa e trecho sobre os índices de correção monetária aplicáveis aos indébitos tributários: Tributário. Correção Monetária. Inclusão de índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários. Jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. (...) 6. No que atine ao critério a ser utilizado para cálculo da correção monetária, firmouse orientação no sentido de que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007, a saber: a) jan/89, IPC/IBGE, de 42,72% (em substituição ao BTN); b) fev/89, IPC/IBGE, de 10,14% (em substituição ao BTN); c) de mar/89 a fev/90, BTN; d) de mar/90 a fev/91, IPC/IBGE (em substituição ao BTN e ao INPC de fev/91); e) de mar/91 a nov/91, INPC; f) em dez/91, IPCA série especial (art. 2º, § 2º, da Lei nª 8.383/91); g) de jan/92 até jan/96, utilizar a UFIR (Lei nº 8.383/91). h) a partir de jan/96, taxa SELIC e 1% na data do pagamento art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250, de 26.12.95.” Despacho do Ministro da Fazenda Tributário. Correção Monetária. Inclusão de índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários. Jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto no 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos Aprovo o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2601 /2008, de 20 de novembro de 2008, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos, bem como pela autorização de desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização Fl. 1230DF CARF MF 8 monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução Nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007. Importante frisar que o citado parecer deu ensejo ao Ato Declaratório PGFN n. 10, de 1º de dezembro de 2008.9 Diante desse cenário, cabe a este Colegiado reconhecer o direito pleiteado pela Recorrente, como vem fazendo o CARF em casos análogos, a seguir pontuados: Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1994 DECADÊNCIA Todos os pagamentos realizados pelo contribuinte já foram considerados no cálculo do indébito PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO. DISTINÇÃO O instituto do pagamento não se confunde com o da compensação, regendose por normas distintas. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL DE PAGAMENTOS As normas que disciplinam a imputação proporcional de pagamentos prevêem a atualização monetária dos saldos. CORREÇÃO MONETÁRIA. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA NO STJ. Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, encontrandose firmada a orientação no sentido de que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão 3301002.623. RELATOR Luiz Augusto do Couto Chagas. Data da Seção 25/02/2015) 9 "O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601 /2008, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007." JURISPRUDÊNCIA: AgRg no RESP 935594/SP (DJ 23.04.2008); EDcl no REsp 773.265/SP (DJ 21.05.2008); EDcl nos EREsp 912.359/MG (DJ 27.22.2008); EREsp 912.359/MG (DJ 03.12.2007)." Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 10845.002632/9989 Acórdão n.º 3402006.411 S3C4T2 Fl. 254 9 Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1995 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Cabível o pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, tendo sido protocolizado antes da Lei Complementar nº 118/95. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. POSSIBILIDADE. A correção monetária tem o efeito de recompor a desvalorização da moeda, portanto, cabível que seja contabilizada levandose em consideração os expurgos inflacionários. REP Negado e REC Provido. (ACÓRDÃO: 9303002.117 , RELATOR: Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Data de decisão: 08/04/2013 Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62A DO RICARF). PIS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL/ PRESCRICIONAL. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. VIGÊNCIA DA TESE DOS 10 ANOS. RE 566.621. CORREÇÃO MONETÁRIA. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA MORALIDADE. CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ART. 37. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. STJ 1990. IPC. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA NO STJ. Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adoção de índices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa e de se permitir enriquecimento ilícito do Erário. Recursos Especiais do Procurador Provido em Parte e do Contribuinte Provido. (ACÓRDÃO: 9303002.130 RELATORA: Maria Teresa Martínez López Data de decisão: 30/01/2013 ) Nesse sentido, o crédito já reconhecido em favor da Recorrente deve ser acompanhado da plena correção monetária, vale dizer, com a recomposição dos expurgos inflacionários correspondentes aos índices de 42,72%. (jan/89), 10,14% (fev/89), 84,32% (mar/90), 44,80% (abr/90), 7,87%'(maio/90), e 21,87% (fev/91), bem como dá taxa SELIC a partir de janeiro de 1996, conforme consta da Resolução do Conselho da Justiça Federal n. 561/2007. Fl. 1232DF CARF MF 10 Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 1233DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.725185/2017-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015, 07/10/2016
DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. TERMO DE INÍCIO.
A incidência do IRPF sobre ganhos de capital ocorre sob o regime de caixa, pelo que não se encontra decaído o lançamento fiscal cientificado ao contribuinte antes do prazo quinquenal, com termo de início na data do efetivo recebimento dos recursos alusivos à alienação.
PEDIDO DE NULIDADE. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. FUNDO DE INVESTIMENTO PERTENCENTE A GRUPO EMPRESARIAL. DESCONSIDERAÇÃO.
Com a desconsideração de fundo de investimento, tal entidade não se torna inválida ou inexistente, porém fica suspensa a eficácia de sua formação quanto a determinado(s) ato(s) praticado(s) pelo fundo.
Nesse passo, a desconsideração do fundo de investimentos não faz retroagir a estrutura societária do grupo empresarial para o momento anterior à criação de tal fundo, pelo que o fato gerador do tributo deve ser analisado (inclusive quanto à identificação do sujeito passivo) na data de sua efetiva ocorrência, apenas retirando o fundo de investimento da citada estrutura.
FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES - FIP. FINALIDADE. EMPRESAS OPERACIONAIS PREVIAMENTE CONTROLADAS PELO GRUPO EMPRESARIAL ANTES DA CRIAÇÃO DO FIP. DESNECESSIDADE. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL.
O fundo de investimento em participações tem como finalidade precípua a realização de investimentos novos, e não a gestão profissional de investimentos antigos, assim representados por empresas operacionais que já pertenciam àquele grupo empresarial, antes da criação do FIP.
No caso de FIP criado para gerir empresas operacionais previamente controladas pelo grupo empresarial, os ganhos esperados pelos cotistas do FIP seriam os mesmos que obteriam se mantivessem diretamente o controle das empresas, revelando-se, assim a desnecessidade de tal FIP e sua falta de propósito negocial.
DESCONSIDERAÇÃO DE FUNDOS DE INVESTIMENTO.
Comprovada a interposição de fundos de investimento, com o fim exclusivo de usufruir da isenção de imposto de renda sobre o ganho de capital na venda de sociedade formalmente controlada por tais entidades, deve-se desconsiderar os fundos de investimento, de modo a cobrar o tributo dos cotistas desses fundos, proprietários últimos das ações da sociedade vendida.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE FUNDOS DE INVESTIMENTO.
Identificado o dolo do agente na interposição de fundos de investimento entre seus cotistas e a companhia operacional vendida, para beneficiar-se de isenção de imposto de renda sobre o ganho de capital na mencionada venda, deve-se qualificar a multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado o afastamento da aplicação de lei, sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que a autoridade julgadora administrativa não tem competência para afastar o dispositivo legal que determina a cobrança de multa de ofício, no percentual de 150% sobre o imposto devido, nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio.
Numero da decisão: 2301-005.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e não reconhecer a decadência, e no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro Wesley Rocha que dava provimento e o conselheiro Thiago Duca Amoni que dava parcial provimento para afastar a qualificação da multa.
(assinado digitalmente)
Antônio Savio Nastureles - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente), sendo que Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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GANHO DE CAPITAL. TERMO DE INÍCIO. A incidência do IRPF sobre ganhos de capital ocorre sob o regime de caixa, pelo que não se encontra decaído o lançamento fiscal cientificado ao contribuinte antes do prazo quinquenal, com termo de início na data do efetivo recebimento dos recursos alusivos à alienação. PEDIDO DE NULIDADE. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. FUNDO DE INVESTIMENTO PERTENCENTE A GRUPO EMPRESARIAL. DESCONSIDERAÇÃO. Com a desconsideração de fundo de investimento, tal entidade não se torna inválida ou inexistente, porém fica suspensa a eficácia de sua formação quanto a determinado(s) ato(s) praticado(s) pelo fundo. Nesse passo, a desconsideração do fundo de investimentos não faz retroagir a estrutura societária do grupo empresarial para o momento anterior à criação de tal fundo, pelo que o fato gerador do tributo deve ser analisado (inclusive quanto à identificação do sujeito passivo) na data de sua efetiva ocorrência, apenas retirando o fundo de investimento da citada estrutura. FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES FIP. FINALIDADE. EMPRESAS OPERACIONAIS PREVIAMENTE CONTROLADAS PELO GRUPO EMPRESARIAL ANTES DA CRIAÇÃO DO FIP. DESNECESSIDADE. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. O fundo de investimento em participações tem como finalidade precípua a realização de investimentos novos, e não a gestão profissional de investimentos antigos, assim representados por empresas operacionais que já pertenciam àquele grupo empresarial, antes da criação do FIP. No caso de FIP criado para gerir empresas operacionais previamente controladas pelo grupo empresarial, os ganhos esperados pelos cotistas do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 51 85 /2 01 7- 41 Fl. 1849DF CARF MF 2 FIP seriam os mesmos que obteriam se mantivessem diretamente o controle das empresas, revelandose, assim a desnecessidade de tal FIP e sua falta de propósito negocial. DESCONSIDERAÇÃO DE FUNDOS DE INVESTIMENTO. Comprovada a interposição de fundos de investimento, com o fim exclusivo de usufruir da isenção de imposto de renda sobre o ganho de capital na venda de sociedade formalmente controlada por tais entidades, devese desconsiderar os fundos de investimento, de modo a cobrar o tributo dos cotistas desses fundos, proprietários últimos das ações da sociedade vendida. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE FUNDOS DE INVESTIMENTO. Identificado o dolo do agente na interposição de fundos de investimento entre seus cotistas e a companhia operacional vendida, para beneficiarse de isenção de imposto de renda sobre o ganho de capital na mencionada venda, devese qualificar a multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado o afastamento da aplicação de lei, sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que a autoridade julgadora administrativa não tem competência para afastar o dispositivo legal que determina a cobrança de multa de ofício, no percentual de 150% sobre o imposto devido, nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e não reconhecer a decadência, e no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro Wesley Rocha que dava provimento e o conselheiro Thiago Duca Amoni que dava parcial provimento para afastar a qualificação da multa. (assinado digitalmente) Antônio Savio Nastureles Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente), sendo que Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 10380.725185/201741 Acórdão n.º 2301005.929 S2C3T1 Fl. 1.789 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado em face do não recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF) com fatos geradores ocorridos em 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015, 07/10/2016. Além do imposto estão sendo cobrados na presente autuação, juros e multa qualificada de 150%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 11/32), houve omissão de ganho de Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos e a presente autuação foi lavrada com os seguintes fundamentos: Foram realizadas fiscalizações junto a pessoas físicas, membros do mesmo grupo familiar, que eram sócias da empresa holding TELLES PARTICIPAÇÕES E NEGÓCIOS S/A, CNPJ n° 02.806.215/000120. O grupo familiar utilizou um planejamento tributário abusivo, com a criação, sem propósitos negociais, de fundos de investimento, com o intuito de se eximir do pagamento do imposto devido sobre ganho de capital na venda da empresa YPIÓCA AGROINDUSTRIAL DE BEBIDAS S/A, CNPJ n° 15.209.980/000104, uma das empresas pertencentes à holding. O grupo extinguiu a empresa holding após transferir suas participações societárias para o TELLES FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES (TELLES FIP), CNPJ n° 14.769.978/000127, como forma de integralização das cotas deste, que por sua vez teve suas cotas transferidas para o ALVORADA FUNDO DE INVESTIMENTO MULTIMERCADO CRÉDITO PRIVADO (ALVORADA FIM) CNPJ n° 15.091.732/000101, também para fins de integralização das cotas do último. As operações societárias foram realizadas quase que concomitantemente à venda da empresa fabricante de bebidas YPIÓCA AGROINDUSTRIAL DE BEBIDAS S/A e a soma dos valores não recolhidos ultrapassa os cem milhões de reais. Por conta do planejamento tributário abusivo, a venda das ações da YPIÓCA AGROINDUSTRIAL DE BEBIDAS S/A realizouse, então, artificial e formalmente, através do TELLES FIP, com o que se pretendeu afastar a incidência do imposto de renda devido sobre o ganho de capital obtido. Foram, então, efetuados os lançamentos dos valores não recolhidos à Fazenda Pública desconsiderandose as operações societárias efetuadas. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE) julgou procedente a autuação e o contribuinte apresentou recurso a este conselho onde alega em síntese: Fl. 1851DF CARF MF 4 Nulidade do lançamento fiscal devido a erro na identificação do sujeito passivo uma vez que a pessoa física jamais foi proprietária direta das participações societárias alienadas. Nulidade do lançamento fiscal devido a decadência do direito de lançar com base no art. 150, § 4° do CTN levandose em consideração que o CADE aprovou a operação de compra e venda das participações acionárias em 25/05/2012 e notificação da presente autuação ocorreu somente em 13/07/2017. Afirma que a criação do TELLES FIP, bem como dos demais Fundos de Investimentos criados pelo Grupo TELLES fez parte de um processo de reestruturação iniciado em 1998, decorrente de um planejamento societário e sucessório. O objetivo central desse processo de reestruturação foi prover aos membros da família Telles uma gestão profissional de suas empresas operacionais, assim como manter distante, dessas empresas, eventuais divergências pessoais entre os membros da família. Defende que os fundos de investimentos são ferramentas cada vez mais utilizadas, não só no Brasil,mas em todo o mundo, para gerir investimentos de forma geral., não só investimentos novos. Cita como exemplo o fundo FIPDibra que criado em 2006 fez oferta pública no mesmo ano de parte significativa das ações representativas do capital social da M. Dias Branco, não resultando em nenhuma sanção à família Dias Branco ou qualquer outra instituição ou empresa, agindo corretamente o fisco neste caso. Descreve todo procedimento realizado em ordem cronológica, desde 1998 quando se deu início ao processo de planejamento estratégico das empresas. Que a integralização da TELLES FIP foi realizada dentro da legislação vigente, inclusive com pagamento do Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital antecipadamente, assim, devese compensar o imposto pago nos valores de R$22.066.198,00 e R$4.349.999,61 com o imposto lançado. Em relação à multa qualificada, afirma que indícios podem autorizar, quando muito, a presunção, mas não no presente caso. As presunções somente são admitidas quando previstas em lei. Em direito, à guisa de princípio maior, temse assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc, não se presumem, devem ficar sobejamente comprovados, estreme de qualquer dúvida, o que não encontramos nos autos. Consoante o princípio da vedação ao confisco, o RE 523471 admite como razoável apenas penalidades cujo valor não ultrapasse o limite de 30% do crédito tributário. No presente caso estamos falando de 5 (cinco) vezes esse limite. Requer o provimento do recurso considerando improcedente a autuação ou, alternativamente que, caso mantida, seja considerado o recolhimento do imposto efetuado quando da constituição da TELLES FIP. Requer ainda a retirada da qualificação da multa e que a multa seja reduzida aos limites estipulados pelo STF. Colaciona documentos de 01 a 23. É o relatório Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 10380.725185/201741 Acórdão n.º 2301005.929 S2C3T1 Fl. 1.790 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pesem os argumentos do recorrente no sentido de que teria realizado um planejamento tributário que estaria legalmente amparado, entendo não procederem suas alegações. Do que se depreende do Termo de Verificação Fiscal, em especial no contido nas efls. 26 a 29, a fiscalização demonstrou claramente a as irregularidades ocorridas no procedimento adotado pelo recorrente e seus irmãos caracterizandose pela ausência do propósito negocial na integralização das cotas do TELLES FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES com as ações da TELLES PARTICIPAÇÕES E NEGÓCIOS S/A, alterando os elementos constitutivos da obrigação tributária, com intuito de isentarse do recolhimento do imposto de renda sobre o ganho de capital. Além do TVF, a decisão de primeira instância detalhou de forma minuciosa as razões pelas quais a autuação deve ser mantida. . Tendo em vistas que o recurso sob análise repetiu todas as alegações constantes da impugnação e por concordar plenamente com a decisão de primeira instância, peço vênia para transcrever o voto nela contido, nos termos do art. 57, III, § 3º do Regimento Interno do CARF. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL – ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO 10. Quanto a esse tópico, o contribuinte argumentou que: (...) Entretanto, mesmo que se considere, apenas por amor ao debate e por segurança jurídica, a desconsideração intencionada pela fiscalização, o ganho de capital em comento deveria ser apropriado à empresa Agropaulo Agroindustrial S/A. (AGROPAULO), proprietária inicial das ações da Ypióca Bebidas, jamais às pessoas físicas, membros da família TELLES, entre eles o Impugnante, senão vejamos: [p. 4 da impugnação] (...) (...) Tal ganho de capital foi realizado pela AGROPAULO, ou na pior das hipóteses, pela TELLES PARTICIPAÇÕES, afinal com a desconsideração da integralização dos Fundos, todos os atos por eles realizados após a sua criação, também devem ser desconsiderados. Dessa forma, considerando a inexistência dos fundos, como quer crer a fiscalização, e, por conseguinte, a inexistência dos atos societários praticados após a criação de tais fundos, a estrutura do Grupo TELLES para fins de determinação do ganho de capital ocorrido, deve ser considerada aquela existente antes da criação do TELLES FIP, demonstrado na Fig. 1, acima, que ora se reproduz: Fl. 1853DF CARF MF 6 (...) Pela estrutura acima, os ativos vendidos à CINTER (imóveis, maquinários, equipamentos, estoques, as marcas de bebidas, inclusive a marca ‘Ypióca’) e utilizados para a criação da YPIÓCA BEBIDAS eram de propriedade da AGROPAULO. [p. 8/9 da impugnação] 11. Falece conceitualmente a argumentação do administrado. Explicase. 12. A ineficácia que se pretende configurar ao desconsiderar os fundos de investimentos é a relativa, uma vez que deve alcançar somente o negócio jurídico que for ineficaz para algumas pessoas (na espécie, o Fisco), devendo ser necessariamente eficaz para outras. Noutras palavras, a ineficácia relativa não pode ser confundida com a invalidade. Na invalidade, o ato é dotado de eficácia até o momento em que for efetivamente desconstituído, podendo se dar, inclusive, com efeitos ex tunc; enquanto que, na ineficácia relativa, o ato produz efeitos limitados perante terceiros, ou seja, o ato é válido, mas apenas sua eficácia subjetiva é limitada. 2 13. Com a desconsideração dos fundos de investimento, o TELLES FIP e o ALVORADA FIM não se tornaram inválidos ou inexistentes, porém ficou suspensa a eficácia de sua formação especificamente no episódio da venda da totalidade das ações pertencentes à YPIÓCA BEBIDAS. 14. Repitase ainda que, apesar da desconsideração dos fundos de investimento, nela não se discute a nulidade da citada venda, que se considera integralmente válida. 15. Nesse passo, a desconsideração dos fundos de investimentos não faz retroagir a estrutura societária do grupo empresarial para o momento anterior à criação dos mencionados fundos, pelo que o fato gerador do tributo deve ser analisado (inclusive quanto à identificação do sujeito passivo) na data de sua efetiva ocorrência, apenas retirando os fundos de investimento da citada estrutura. Desconsiderar um fundo de investimento significa apenas extirpar o falso manto interposto com a sua constituição, imputandose aos cotistas a titularidade pelo ato jurídico praticado. Como inicialmente foi desconsiderado o TELLES FIP, a venda por ele praticada foi imputada ao seu cotista único (ALVORADA FIM). Como, ato contínuo, o ALVORADA FIM também foi desconsiderado, a venda foi imputada aos seus cotistas, é dizer, aos membros da família Telles (pessoas físicas). 16. O contribuinte também aduziu os Acórdãos n° 1201000.484, 9101 002.536 e 140100.377, todos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf. De plano, destaquese que as decisões administrativas não podem ser estendidas genericamente a outros casos, pois somente se aplicam sobre a questão ali analisada e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. 17. Apenas para argumentar (“ad argumentandum tantum”), especificamente no caso relatado no Acórdão n° 1201000.484, com a cisão da sociedade “A”, uma das sociedades resultantes foi “B”, que optou pelo lucro presumido. 3 Segundo o Carf, como a “abusividade” no planejamento tributário está localizada na indevida opção da sociedade “B” pelo lucro presumido, e não no ato de cisão, deveria a autoridade lançadora ter autuado “B”, mas lançou em “A”, pelo que o colegiado do Carf entendeu no sentido da ilegitimidade passiva. Assim, tal julgado não possui qualquer correlação com o presente processo, pois, na espécie, o ato abusivo é de natureza totalmente distinta, consistindo na Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 10380.725185/201741 Acórdão n.º 2301005.929 S2C3T1 Fl. 1.791 7 formação de fundos que foram desconsiderados, de modo a gerar a imputação do imposto de renda na pessoa física dos cotistas. Logo, inaplicável o julgado do Carf no caso concreto. 18. No Acórdão n° 9101002.536, entendese que é ilegítima a incidência de imposto de renda retido na fonte, sob acusação fiscal de “pagamento sem causa” (Lei n° 9.430/1996, art. 61), no caso de comprovação no sentido de que os recursos utilizados pelo contribuinte para o mencionado pagamento jamais lhe pertenceram de fato. Conforme se percebe, tratase de situação fática frontalmente diversa da examinada neste processo, que envolveu a desconsideração de fundos de investimento. Logo, inaplicável o julgado do Carf no caso concreto. 19. Quanto ao Acórdão n° 140100.377, tratase de situação referente a exclusão de responsabilidade de sócios, ou seja, ilegitimidade passiva de responsável (arts. 121, parágrafo único, II, e 135 do CTN) na exigência de IRPJ; ao passo que, no presente processo, está se imputando a cobrança de IRPF diretamente ao contribuinte (art. 121, parágrafo único, I, do CTN). Logo, inaplicável o julgado do Carf no caso concreto. 20. Resumindo, concluise que o fato gerador relativo ao ganho de capital deve ser analisado na data de sua realização e, nessa data, é que deve ser identificado o contribuinte do imposto de renda, considerandose, suspensa, apenas em relação à venda da YPIÓCA BEBIDAS, a eficácia da constituição dos fundos de investimento. Consequentemente, devese manter a identificação do sujeito passivo nas pessoas físicas dos cotistas do ALVORADA FIM, entre eles, o contribuinte ora autuado. DA ALEGAÇÃO de ILEGITIMIDADE PASSIVA POR SEREM OS ALIENANTES NUSPRÓPRIETÁRIOS Em primeiro lugar cumpre esclarecer que ganho de capital não é fruto. Este no caso em apreço é caracterizado pelo pagamento de dividendos. O Código Civil em seu art. 1.394, 1395 e 1396 assim dispõem: Art. 1.394. O usufrutuário tem direito à posse, uso, administração e percepção dos frutos. Art. 1.395. Quando o usufruto recai em títulos de crédito, o usufrutuário tem direito a perceber os frutos e a cobrar as respectivas dívidas. Parágrafo único. Cobradas as dívidas, o usufrutuário aplicará, de imediato, a importância em títulos da mesma natureza, ou em títulos da dívida pública federal, com cláusula de atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos Art. 1.396. Salvo direito adquirido por outrem, o usufrutuário faz seus os frutos naturais, pendentes ao começar o usufruto, sem encargo de pagar as despesas de produção. •Parágrafo único. Os frutos naturais, pendentes ao tempo em que cessa o usufruto, pertencem ao dono, também sem compensação das despesas. Fl. 1855DF CARF MF 8 Pois bem, qual é o tratamento tributário no caso de alienação do usufruto e da nua propriedade a terceiro em uma mesma operação? Até 9 de janeiro de 2003, nos termos do art. 717 do Código Civil de 1916, o usufruto só pode ser alienado ao proprietário da coisa. A partir de 10 de janeiro de 2003, nos termos do art.1.393 do Código Civil de 2002, não se pode transferir o usufruto por alienação. Ocorrendo a transmissão do usufruto e da nua propriedade concomitantemente, isto é, em uma mesma operação, o usufrutuário e o nuproprietário sujeitamse à apuração do ganho de capital. O usufrutuário deve apurar o ganho de capital relativo à alienação do usufruto e o proprietário (ex nuproprietário), o ganho de capital relativo à alienação do bem. Vejamos o PN Cosit nº 4, de 1995: IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA FÍSICA Alienação ou Cessão de Direitos do Usufruto O ganho de capital apurado na cessão de direitos, por alienação, do usufruto está sujeito à tributação na pessoa física do usufrutuário. As importâncias recebidas pela cessão do exercício do usufruto são consideradas como aluguéis e tributadas como tal. Tratandose de cessão a título gratuito, constitui rendimento tributável, na declaração de rendimentos, o equivalente a dez por cento do valor venal do imóvel cujo usufruto foi cedido gratuitamente, podendo ser considerado o valor constante da guia do Imposto Predial e Territorial Urbano IPTU ou da Declaração do Imposto Territorial Rural ITR, observado o disposto no inciso IX do art. 40 do RIR/94. Dúvidas são levantadas a respeito do tratamento fiscal a ser dispensado nos casos de alienação ou cessão de direitos do usufruto. 2. Inicialmente, cabe lembrar que o Código Civil assim determina: "Art. 717 O usufruto só se pode transferir, por alienação, ao proprietário da coisa; mas o seu exercício pode cederse por título gratuito ou oneroso". "Art. 724 O usufrutuário pode usufruir em pessoa, ou mediante arrendamento, o prédio ..................". 3. Com fundamento nos preceitos acima expendidos, verificam se duas situações a serem analisadas: I a alienação, que só pode ter como adquirente aquele que detém a nuapropriedade; e II a cessão de exercício do usufruto, que pode ser a título gratuito ou oneroso, e realizada com terceiros. ALIENAÇÃO 4. O art. 798 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 1.041, de 11/01/94 (RIR/94), dispõe que está sujeita ao pagamento do imposto a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 10380.725185/201741 Acórdão n.º 2301005.929 S2C3T1 Fl. 1.792 9 5. O conceito de alienação encontrase veiculado no art. 799 do RIR/94, o qual determina que "... na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins". 5.1 O art. 801 do RIR/94, com a alteração introduzida pelo art. 23 da Lei nº 8.981/95, dispõe que, na apuração do ganho de capital, serão excluídos: a) as transferências "causa mortis" e as doações em adiantamento da legítima; e b) o ganho de capital auferido na alienação de bens ou direitos, cujo preço unitário de alienação, no mês em que esta se realizar, seja igual ou inferior a 25.000,00 UFIR. Apuração do Ganho de Capital 6. No que se refere ao tópico em questão, o § 2º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, c/c o § 7º do art. 2º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, base legal do art. 812 do RIR/94 e art. 22 da Lei nº 8.981/95, dispõe que o ganho de capital será determinado pela diferença positiva entre o valor da cessão do direito e o custo de aquisição atualizado monetariamente com base na variação da UFIR. Valor de alienação 7. Segundo o disposto no art. 802 do RIR/94, considerase valor de alienação: I o preço efetivo da venda ou da cessão de direitos; II o valor de mercado nas operações não expressas em dinheiro. Valor de aquisição 8. Para os direitos existentes em 31 de dezembro de 1991, considerase custo de aquisição o valor de mercado, nessa data, convertido em quantidade de UFIR pelo valor desta no mês de janeiro de 1992, constante da declaração de bens relativa ao exercício de 1992 (art. 805 do RIR/94). Tratandose de direitos adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1992, o custo será o valor de aquisição convertido em quantidade de UFIR, pelo valor desta: I no mês de aquisição, no período de janeiro/92 a dezembro/94; II no trimestre de aquisição, a partir de janeiro/95. Na ausência do valor pago, o custo de aquisição dos direitos será (art. 809 do RIR/94): I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; III o valor corrente, na data da aquisição; IV igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos anteriores. Quando se tratar de direito do usufruto Fl. 1857DF CARF MF 10 decorrente de doação em adiantamento da legítima, o doador deverá fazer constar do instrumento público de doação o valor correspondente ao usufruto e mantêlo em sua declaração de bens ou direitos. Na sua ausência poderá ser considerado como custo de aquisição o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão, relativo ao usufruto. 9. Ocorrendo a transmissão do usufruto e da nua propriedade concomitantemente, isto é, em uma mesma operação, tendo como adquirente um terceiro, o usufrutuário e o nuproprietário ficam sujeitos à apuração do ganho de capital, na forma do item 6, observado o disposto na letra "b" do subitem 5.1. 10. No caso de desistência do usufruto a favor do nu proprietário, o usufrutuário deverá proceder à apuração do ganho de capital, excluídos os casos citados no subitem 5.1. CESSÃO DO EXERCÍCIO DO USUFRUTO 11. Analisando os arts. 717 e 724 do Código Civil, transcritos no item 1, verificase que na concessão do exercício do usufruto, não ocorre propriamente a transferência do usufruto (art. 717), mas, sim, a cessão do direito de usar e fruir as utilidades do bem sobre o qual recai o usufruto. Assim sendo, não se materializa, na espécie, qualquer transmissão de direito, mas sim permissão para o uso desse direito. 11.1. Não ocorrendo transmissão não há que se falar em apuração do ganho de capital pelo cedente do direito. Portanto, as importâncias recebidas pelo cedente, periodicamente ou não, fixas ou variáveis, serão consideradas como aluguel ou arrendamento, conforme determina o art. 50 do RIR/94. 11.2. Tratandose de cessão a título gratuito, constitui rendimento tributável, na declaração de rendimentos, o equivalente a dez por cento do valor venal de imóvel cujo usufruto foi cedido gratuitamente, podendo, entretanto, ser adotado o valor constante da guia do Imposto Predial e Territorial Urbano IPTU correspondente ao anocalendário da declaração, convertido em UFIR pelo valor desta no 1º trimestre do respectivo anocalendário, exceto quando ocupado pelo próprio usufrutuário ou para uso do cônjuge ou de parentes de primeiro grau (art. 50, § 1º do RIR/94). 11.2.1. No caso de imóvel rural, constitui rendimento tributável na declaração de rendimentos o equivalente a dez por cento do valor venal (terra nua) ou o valor constante da Declaração do Imposto Territorial Rural ITR. 12. Analisando os dispositivos transcritos, concluise que: a) ocorrendo cessão de direitos, por alienação, do usufruto, o alienante deverá proceder a apuração do ganho de capital, excluídos os casos citados no subitem 5.1; b) ocorrendo a cessão do exercício do usufruto a título oneroso, o cedente (usufrutuário) deverá considerar como aluguel ou arrendamento as importâncias recebidas periodicamente ou não, fixas ou variáveis, pela celebração do contrato (art. 50 do RIR/94); Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 10380.725185/201741 Acórdão n.º 2301005.929 S2C3T1 Fl. 1.793 11 c) tratandose de cessão do exercício do usufruto a título gratuito, o cedente (usufrutuário) deverá considerar como rendimento tributável na declaração de rendimentos, o equivalente a dez por cento do valor venal do imóvel, podendo ser adotado o valor constante da guia do IPTU ou da declaração do ITR, observado o disposto no inciso IX do art. 40 do RIR/94 (art. 50, § 1º do RIR/94). DA DECADÊNCIA 21. Sobre esse tema, o impugnante alegou que: a) Às fls. 6 do TVF o Fisco assim se posicionou: ‘Segundo Relatório do Conselho Administrativo de Defesa Econômica CADE, que aprovou a venda, a operação ocorreu em 25 de maio de 2012’. Ora se a venda ocorreu em 25/05/2012 e a Notificação do Auto de Infração somente ocorreu em 13/07/2017, vêse, nesse caso, a presença clássica da Decadência, na forma do parágrafo 4º, do artigo 150 do CTN. O Fisco afirma, as fls. 3 do TVF, que: ‘O imposto de renda referente aos respectivos ganhos de capital decorrentes dessa operação foi recolhido pelos contribuintes acima (Anexo 4)’. Examinando os referidos DARFs. constatase que tais recolhimentos ocorreram em janeiro de 2012. b) Tendo o Fisco desconsiderado o ato jurídico decorrente da criação do TELLES FIP, obviamente o imposto de renda recolhido sobre o ganho de capital, naquela data, obrigatoriamente, deve representar parte do recolhimento do IRRF devido na operação de compra e venda de participações acionárias, conforme apuração dos ganhos de capital. Assim sendo, tendo sido recolhido o IR em 27 de janeiro de 2012, e tendo a venda, formalmente, se concretizado em 25/05/2012, o fato gerador do tributo deve ser o dies a quo da contagem do prazo decadencial (25/05/2012). A Fazenda Pública tem cinco anos para exercer o direito de revisar ou constituir crédito da tributação do Imposto de Renda sobre ganho de capital se houve pagamento, mesmo que parcial, sendo que o início do prazo é a data da ocorrência do fato gerador, em conformidade com o parágrafo 4º do artigo 150 do CTN. c) Tentando fugir da decadência, o Fisco, as fls. 6 do TVF busca se agarrar em Relatório do TELLES FIP e assim se posiciona: “De acordo com o item 5 do Relatório ‘Demonstrações Contábeis Período de 29 de dezembro de 2011 (inicio das atividades) a 30 de setembro de 2012’ do TELLES FIP, a venda se concretizou em 09 de agosto de 2012 pelo valor de R$ 902.017.655,20, (...)”. Com isso o Fisco quer fazer crer que a transação ocorreu em 09 de agosto de 2012, baseandose no mencionado relatório de Demonstrações Contábeis. 22. Para fins de contagem do prazo decadencial, a data da venda é irrelevante porque o Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, mais especificamente sobre os ganhos de capital, não obedece ao regime de competência. 23. É que a incidência do IRPF sobre ganhos de capital ocorre sob o regime de caixa, ou seja, o fato gerador somente se aperfeiçoa por ocasião da efetiva percepção dos rendimentos, na forma do art. 21, § 1°, da Lei n° 8.981/1995: Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. Fl. 1859DF CARF MF 12 (...)§ 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. 24. Em se tratando de alienações a prazo, a tributação sobre os ganhos de capital também está sujeita ao regime de caixa, na forma do art. 21 da Lei n° 7.713/1988: Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. 25. Na espécie, a data mais antiga de recebimento de recursos alusivos à venda de ações da YPIÓCA BEBIDAS aconteceu em 09/08/2012 (p. 7/8 e 20 do TVF, com as planilhas ali demonstradas). Como não transcorreu o lapso quinquenal do lançamento fiscal cientificado ao administrado em 14/07/2017 (fl. 1107), não resta decaído o débito tributário lançado. 26. Outrossim, a jurisprudência colacionada pelo administrado – especialmente o REsp 973.733 – não lhe socorre, pois, ainda que obedecendo ao art. 150, § 4°, do CTN, o cerne da questão diz respeito à fixação do termo inicial da decadência. O impugnante entendeu que tal termo seria em 25/05/2012, em atenção ao regime de competência, que, conforme visto, é inaplicável ao caso. 27. Apenas para argumentar (“ad argumentandum tantum”), o termo de início da decadência sucedeu em 01/01/2013, pois não se poderia aplicar a regra geral do art. 150, § 4°, do CTN, tendo em vista que: a) inexistiu pagamento antecipado do IRPF sobre ganho de capital [consoante tópico “DO CÁLCULO DO IR SOBRE GANHO DE CAPITAL (COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO PAGO)”, infra]; b) houve incidência de dolo do contribuinte [consoante tópico “DA MULTA QUALIFICADA”, infra]. Logo, o caso deveria sofrer os efeitos da regra especial do art. 173, I, do CTN, para o qual o termo inicial só ocorre no início do exercício seguinte (01/01/2013). 28. Ainda para mera argumentação (“ad argumentandum tantum”), firmese que, no trecho aludido pelo impugnante (parágrafo 21, item “a”, retro), a autoridade lançadora estava explicitamente citando o Relatório do Cade, cujo entendimento se deu no sentido da ocorrência da venda da YPIÓCA BEBIDAS em 25/05/2012. Tal excerto, portanto, não expressa o juízo do auditor fiscal. 29. Em tempo, na p. 6 do TVF, nas Demonstrações Contábeis do próprio TELLES FIP consta que a mencionada venda se deu em 09/08/2012. Portanto, não foi o Fisco que intentou fazer crer que a transação aconteceu nessa data, mas o fundo pertencente, em última análise, aos membros da família Telles. Caso o impugnante entenda que a venda ocorreu em outra data, deveria ter trazido provas aos autos nesse sentido, mas não o fez. 30. Em resumo, conforme parágrafos 25 e 27 (supra), aplicandose, respectivamente, o art. 150, § 4°, do CTN ou o art. 173, I, do mesmo Código, inexistiu caducidade do direito de lançar. No caso em questão, em face do dolo/simulação, a regra a ser aplicada é a o art. 173, I até mesmo por não ter havido antecipação. Ou seja, também não merece prosperar a alegação da recorrente trazida da tribuna com relação a extinção da Holding como data a ser considerada para fins de contagem de prazo decadencial. Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 10380.725185/201741 Acórdão n.º 2301005.929 S2C3T1 Fl. 1.794 13 DO MÉRITO DO PROPÓSITO NEGOCIAL 32. Para facilitar o entendimento, vejase graficamente a estrutura dos negócios da família Telles em 1998, segundo o próprio contribuinte: 33. Com a criação do Fundo TELLES FIP, em dezembro/2011, tal estrutura passou a revelar a seguinte forma: 34. Ainda consoante peça impugnatória, depois da criação do ALVORADA FIM e da YPIÓCA BEBIDAS, ambos em fevereiro/2012, o Grupo TELLES passou a ter a seguinte representação: Fl. 1861DF CARF MF 14 35. Frisese que, a grosso modo, a YPIÓCA BEBIDAS (acima representada) é que foi vendida para o grupo DIAGEO/CINTER e tal venda foi objeto do ganho de capital ora analisado. 36. Fazendo um resumo do TVF, a autoridade lançadora utilizou os seguintes fatos e argumentos para fundamentar a desconsideração dos fundos de investimento (TELLES FIP e ALVORADA FIM): a) Em 11/05/2012 a empresa AGROPAULO sofreu cisão parcial, vertendo parte do seu capital, compreendido pelas participações societárias nas empresas YPIÓCA BEBIDAS (apenas elementos do ativo, com ações ordinárias no valor de R$ 62.453.300,00), YPLASTIC e IPARK para a empresa TELLES PARTICIPAÇÕES (p. 6 do TVF). b) Em 12/05/2012 foi decidido em Assembleia Geral a dissolução da empresa TELLES PARTICIPAÇÕES. Com a dissolução da companhia, a YPIÓCA BEBIDAS passou a pertencer diretamente ao TELLES FIP (p. 6 do TVF). c) Em 23/05/2012, a Assembleia Geral do TELLES FIP aprovou a venda da totalidade das ações da YPIÓCA BEBIDAS para a empresa CINTER INTERNATIONAL BRANDS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ n° 60.699.865/000110 (p. 6 do TVF). d) Sendo o fundo de investimento uma reunião de recursos para aplicação em diversos ativos e, no caso específico do Fundo de Investimento em Participações, em ações de companhias das Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 10380.725185/201741 Acórdão n.º 2301005.929 S2C3T1 Fl. 1.795 15 quais o fundo deve participar da gestão, qual a finalidade de se integralizar as quotas de um fundo recémcriado com ações de empresa das quais os próprios cotistas do fundo eram os proprietários? Se o objetivo de um investimento é a aplicação de recursos para a obtenção de um ganho com esses investimentos, que ganhos os cotistas do TELLES FIP esperariam obter com o Fundo que não obteriam se mantivessem diretamente o controle das ações das empresas? Qual o propósito negocial, então, de se integralizar as quotas do fundo com as ações da TELLES PARTICIPAÇÕES? Nenhum. O Fundo, neste caso, se apresenta como mero ente interposto entre as empresas e os seus acionistas/cotistas (p. 18 do TVF). e) As negociações com vistas à venda da YPIÓCA BEBIDAS, como é usual nesse tipo de operação, já vinham ocorrendo há bastante tempo, antes mesmo da constituição do TELLES FIP e do ALVORADA FIM (p. 19 do TVF). f) Estranhamente, o Sr. Everardo Ferreira Telles recebeu, conforme deliberações da Assembléia do TELLES FIP, de 23/05/2012, plenos poderes para a concretização do negócio quais sejam: estabelecer o preço da venda e quaisquer outras cláusulas ou condições do negócio e assinar quaisquer documentos necessários para o seu implemento (p. 6 do TVF). g) Em 22/02/2012, foi constituído o ALVORADA FIM (p. 3 do TVF). h) Em 23/04/2012, por decisão em Assembleia Geral, os cotistas do TELLES FIP utilizaram todas as suas cotas para a integralização das cotas do ALVORADA FIM. Desse modo, o ALVORADA FIM passou a deter com exclusividade 100% das cotas do TELLES FIP (fundo exclusivo) (p. 4 do TVF). i) Os ganhos decorrentes da venda da YPIÓCA BEBIDAS foram recebidos inicialmente pelo TELLES FIP, que seria o proprietário das ações, e esses recursos foram repassados a título de amortização para o ALVORADA FIM, único cotista do TELLES FIP. Em ambos os casos, por se tratar de fundos de investimento, não haveria incidência de imposto, seja sobre ganho de capital, seja sobre rendimentos do fundo decorrentes da operação de venda da empresa (p. 15 do TVF). j) A prevalecer a pretensão dos contribuintes, dada essa configuração, a única possibilidade de haver a incidência imediata do imposto seria se o ALVORADA FIM amortizasse cotas em favor dos seus cotistas, os membros do grupo familiar TELLES, o que, até o momento em que se escreveu este TVF, não ocorreu (p. 15 do TVF). k) O ALVORADA FIM utilizou os recursos recebidos em várias aplicações, em outros fundos que, por sua vez, os aplicaram na aquisição de cotas de outros fundos e em variados tipos de ativos (Anexo 33). Aliás, o que justificaria a criação do ALVORADA FIM e a transferência para este Fundo da totalidade das cotas do TELLES FIP seria exatamente, além do afastamento da Fl. 1863DF CARF MF 16 exigência do imposto de renda sobre os ganhos decorrentes da alienação da YPIÓCA BEBIDAS, a ampliação das possibilidades de escolha de ativos para a aplicação dos recursos (p. 15 do TVF). l) É que, se o produto da venda da YPIÓCA BEBIDAS permanecesse no TELLES FIP, este teria que aplicálo predominantemente (90%) na aquisição de ações, debêntures, bônus de subscrição, ou outros títulos e valores mobiliários conversíveis ou permutáveis em ações de emissão de companhias, abertas ou fechadas, conforme artigo 6° c/c artigo 2° da Instrução n° 391/2003, da Comissão de Valores Mobiliários CVM (p. 16 do TVF). 37. As alíneas de “a” até “f” do parágrafo anterior estão relacionadas especificamente ao TELLES FIP; e, de “g” até “l”, referemse ao ALVORADA FIM. 38. O impugnante afirmou que a criação do TELLES FIP fez parte de um processo de reestruturação, cujo objetivo central foi “prover aos membros da família TELLES uma gestão profissional de suas empresas operacionais, assim como manter distante, dessas empresas, eventuais divergências pessoais entre os membros da família”. Não convence tal alegação, pois: a) A finalidade central de um fundo de investimento em participações FIP, segundo o art. 2º da Instrução CVM nº 391/2003, se realiza por meio da aquisição de ações e de outros títulos e valores mobiliários. Como ninguém tem como objetivo adquirir algo que previamente já estava sob seu domínio, o objetivo precípuo do TELLES FIP deveria ser a realização de investimentos novos, e não a gestão profissional de investimentos antigos (representados, na espécie, por empresas operacionais que já pertenciam àquele grupo empresarial antes da criação do FIP), demonstrandose, assim, a falta de propósito negocial do TELLES FIP. O argumento acima está em consonância com o fundamento fiscal disposto no parágrafo 36, item “d” (retro). b) Antes da criação do TELLES FIP, o Grupo Telles era administrado por meio de holding4 (TELLES PARTICIPAÇÕES) que, por isso, já cumpria esse papel de interface administrativa entre os membros da famílias TELLES e as empresas operacionais, além da possibilidade de gestão profissional de tais empresas. Assim, não convencem as alegadas vantagens, aduzidas pelo impugnante, em alterar o tipo de controladora das empresas operacionais, saindo de um modelo de holding para o modelo de FIP. 39. Quanto à “governança corporativa” citada pelo impugnante como sendo um dos objetivos que levaram à criação do TELLES FIP, de plano, trazse seu conceito segundo a CVM: “Governança corporativa é o conjunto de práticas que tem por finalidade otimizar o desempenho de uma companhia ao proteger todas as partes interessadas, tais como investidores, empregados e credores, facilitando o acesso ao capital. A análise das práticas de governança corporativa aplicada ao mercado de capitais envolve, principalmente: transparência, equidade de tratamento dos acionistas e prestação de contas”. Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 10380.725185/201741 Acórdão n.º 2301005.929 S2C3T1 Fl. 1.796 17 40. E consoante MURAKAMI, a atuação eficiente de holding em um grupo empresarial já permite a operacionalização de governança corporativa: Da mesma forma, define o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa: Governança Corporativa é o sistema pelo qual as sociedades são dirigidas e monitoradas, envolvendo os relacionamentos entre acionistas, conselho de administração, diretoria, auditoria independente e conselho fiscal. O objetivo das práticas de governança corporativa é a criação e operacionalização de um conjunto de mecanismos que visam a fazer com que as decisões sejam tomadas de forma a otimizar o desempenho de longo prazo das empresas. RIBEIRO complementa o termo, ao afirmar que a governança corporativa, além de indicar um sistema de gestão das sociedades, “privilegia a probidade, a transparência, a ampliação e a compatibilização dos direitos daqueles que se relacionam com a companhia”. Como se vê, tratase de um sistema de governo e gestão de empresa, cujas práticas serão consideradas boas ou más dependendo do resultado que delas possam acontecer. No entanto, no caso das empresas familiares, o problema da governança corporativa adquire características mais complexas, em razão da influência emocional existente. Além dos eventuais conflitos que pode ocorrer entre os executivos, conselheiros e acionistas/quotistas, nas empresas familiares, como já visto, existem os relacionamentos entre familiares, com sentimentos envolvidos e a possibilidade de problemas na sucessão e transição de gerações. Assim, as boas práticas de governança corporativa no âmbito da empresa familiar devem situar as relações no campo de separação entre propriedade e gestão e, também, na seara das relações entre a família, o patrimônio societário e a empresa. Mais que isso, elas também devem ter por finalidade a proteção e o bem da empresa familiar, abrigando, desse modo, o interesse de todo e qualquer componente que se relacione com a sociedade empresária (controladores, administradores, stakeholders, etc.). Neste sentido, ressaltam BERNHOEFT e GALLO: Para alguns dos empresários, e especialmente os conselheiros independentes, o comentário foi enfático no sentido de afirmar que a contribuição da governança para a empresa familiar tem o mesmo peso que teria para qualquer outro tipo de empresa. Significa a necessidade de respeitar os interesses dos diferentes públicos com que a empresa se relaciona, conferindolhes o peso e a relevância que são merecedores. Certamente para a continuidade da empresa familiar tudo isto tem uma maior importância ainda. Nunca é demais lembrar que quem cria empregos, gera riqueza e lucros é a empresa. Portanto, a Fl. 1865DF CARF MF 18 governança deve funcionar como um instrumento ativo e crítico na geração e agregação de valor para todos os envolvidos. Inclusive os acionistas. O planejamento sucessório através da holding familiar age dessa forma, haja vista a ideia da perpetuidade do empreendimento e, como já visto, da separação da família e da gestão corporativa, demonstrando o real interesse dos que detém o poder decisório. Além de permitir a manutenção do bloco de poder familiar, a holding funciona como um sistema que permite a conservação das brigas familiares dentro da própria família, sem que contamine a gestão da empresa, protegendo, de certa forma, o interesse de todos com que se envolve. Assim dispõe o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa: A falta do planejamento de sucessão destrói o valor das organizações, pondo em risco sua credibilidade perante o mercado e demais partes interessadas. [...] Empresas são feitas de pessoas. Nessa perspectiva, a clareza com relação a quem vai continuar o negócio, de que forma e segundo qual filosofia, preocupa investidores, colaboradores, clientes e parceiros. O planejamento da sucessão é, por conseguinte, importante porque torna clara a intenção dos acionistas com relação ao seu negócio, tendo em vista o conjunto de expectativas – tanto de dentro, quanto de fora da organização. [...]Um processo de planejamento de sucessão objetivo, abrangente e contínuo, além de ser uma boa prática de governança corporativa, comunica às diversas partes interessadas (stakeholders), a importância que a organização atribui à continuidade dos negócios. É através desse processo que a empresa promove uma coerência entre sua visão de futuro e a ação empresarial e transmite uma mensagem clara, para investidores e colaboradores, sobre o ciclo de continuidade da liderança. Dessa forma, o planejamento sucessório através da holding familiar pode ser considerado uma prática de governança corporativa, pois além de proteger o interesse dos familiares, ao manter o bloco do controle das decisões, ele, também, conserva o interesse de todos, na busca da perpetuidade e na separação dos problemas familiares da empresa. 41. Logo, como a atuação efetiva da TELLES PARTICIPAÇÕES (holding) já permitiria a prática de governança corporativa, mais uma vez não convence o fundamento, aduzido pelo impugnante, em alterar o tipo de controladora das empresas operacionais, saindo de um modelo de holding para o modelo de FIP. 42. Outrossim, o contribuinte afirmou: “não é porque a Ypióca estava sendo assediada por algumas empresas, que o Grupo TELLES estaria certo do fechamento de algum negócio, e por tal motivo idealizaria um ‘planejamento tributário ilícito’”; “em abril de 2012, portanto, após a criação dos fundos de investimentos mencionados pela fiscalização, as negociações com a DIAGEO foram dadas como encerradas”. Entendese pela irrelevância de tais argumentos pois, em cada negócio efetivado pelo TELLES FIP, inclusive quanto à venda da YPIÓCA BEBIDAS, deveria o impugnante demonstrar (e não o fez!) que a citada companhia operacional teria o aspecto de um investimento novo, configurando assim em parte integrante do propósito negocial do TELLES FIP que, dessa forma, encontrarseia apto para obter a isenção de imposto de renda sobre eventual ganho de capital. Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 10380.725185/201741 Acórdão n.º 2301005.929 S2C3T1 Fl. 1.797 19 43. Destaquese que a Assembleia Geral do TELLES FIP promoveu alteração de seu Regulamento, em 23/04/2012, com o seguinte teor: DELIBERAÇÕES: Os Cotistas deliberaram, por unanimidade, com base na pauta acima aprovar todas as seguintes alterações no Regulamento do Fundo. (...)f) Alterar o Artigo 30 para esclarecer que o Comitê Gestor e de Investimento não tem competência exclusiva e não necessita, nem deve deliberar sobre assuntos que já tenham sido objeto de deliberação por parte da Assembléia Geral de Cotistas. g) Alterar o Artigo 17 para acrescentar um texto final ao Parágrafo Terceiro desse artigo para deixar claro que, especialmente no caso de ativos vinculados a garantias dadas ao comprador de ativo desinvestido, conforme previsto na alínea c) do Inciso II do parágrafo 3° do Artigo 6°A da Instrução CVM 391, o valor desse tipo de ativo deverá ser somado aos ativos fins do Fundo, não implicando, portanto, em desenquadramento da carteira. h) Alterar o Parágrafo Quarto ao Artigo 31 para acrescentar que os deveres e prerrogativas do Comitê Gestor e de Investimento, enquanto não eleito o Comitê pela Assembléia Geral, serão exercidas pelo maior cotista do Fundo ou usufrutuário da maior quantidade de cotas, que seja detentor dos direitos sobre mais de 50% das cotas emitidas; cotista que poderá receber procuração do Fundo para representálo perante as companhias investidas. 44. Apenas como reforço argumentativo (“ad argumentandum tantum”), apesar de a venda da YPIÓCA BEBIDAS não estar finalizada, as alterações acima promovidas no Regulamento revelam toda a preparação/preocupação para a citada venda, mediante: a) limitação da competência do Comitê Gestor e de Investimento (art. 30); b) explicação sobre os cálculos alusivos a desenquadramento da carteira, na forma do art. 6ºA, § 3º, II, “c”, da Instrução CVM nº 391/2003 (art. 17, § 3º); c) inclusão de competência do maior cotista do Fundo ou usufrutuário da maior quantidade de cotas acima de 50% para receber procuração do Fundo para representálo perante as companhias investidas (art. 31, § 4º). 45. O impugnante também asseverou: “(...) desde abril de 2007, (...) que o Grupo TELLES vem utilizandose de fundo de investimento exclusivo (sem participação de outras pessoas físicas ou jurídicas, que não as do Grupo TELLES), em sua organização. Fundos esses que poderiam ter sido utilizados para albergar as empresas operacionais do Grupo, bastando simplesmente alterar seu regulamento perante a CVM. Será que, se o Grupo Telles tivesse utilizado o fundo de investimento criado em 2007 também seria considerado pelo Fisco como parte de um ‘planejamento tributário ilícito’? É evidente que não!”. Repitase aqui o que já foi dito retro, ou seja, se a venda da YPIÓCA BEBIDAS tivesse se dado por meio de outro fundo de investimento, o contribuinte teria, da mesma forma, o ônus de demonstrar que a YPIÓCA BEBIDAS teria o aspecto de um investimento novo, configurandose assim como parte integrante do propósito negocial de determinado fundo de investimento que, só assim, encontrarseia apto para obter a isenção de imposto de renda sobre eventual ganho de capital. Caso contrário, esse fundo também seria desconsiderado para apuração de tal imposto. Fl. 1867DF CARF MF 20 46. O administrado também alegou que inúmeras outras empresas globais, além da DIAGEO, procuraram o Grupo TELLES, desde janeiro/2008, objetivando adquirir o negócio YPIÓCA (p. 25/26 da impugnação e vide docs. 07 a 10, e parte do doc. 11 relativo à PERNOD RICARD, anexos à impugnação), apesar de não terem concretizado a compra. De tal premissa não decorre nenhuma conclusão no sentido de que houve ou não planejamento tributário ilícito, mas daí se infere apenas que existia, no máximo, a possibilidade de ocorrência da citada venda. Nada mais! Portanto, com a exceção do acordo de confidencialidade com a DIAGEO (parcela do doc. 11 anexo à impugnação), os demais documentos relativos ao assédio de empresas globais em nada interferem no lançamento fiscal ora analisado. 47. Salientese aqui que, como a própria CVM prevê a formação de um fundo exclusivo, 7 a premissa fiscal de que os fundos de investimento têm “o objetivo de promover a aplicação coletiva de recursos” não foi utilizada no presente Voto como fundamento, pelo que não será analisada a contestação do contribuinte sobre esse tema. 48. No que tange à alegação do impugnante no sentido de que “um fundo de investimento em participações (FIP) é um mecanismo legal, (...), que permite ao investidor diversificar as aplicações de recursos financeiros”, tratase de argumento que milita em favor da autoridade lançadora, já que no caso ora examinado o Grupo TELLES usou o TELLES FIP para controlar sociedades que eram previamente controladas pelo citado Grupo, e não para diversificar investimentos em empresas alheias. 49. Quanto aos Acórdãos do Carf nº 3402001.908, 10421.729 e 101 94.127, cujas ementas foram aduzidas pelo impugnante, salientese, mais uma vez, que as decisões administrativas não podem ser estendidas genericamente a outros casos, pois somente se aplicam sobre a questão ali analisada e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. 50. Apenas para argumentar, nos Acórdãos acima, o respectivo colegiado se posicionou contra o lançamento fiscal, tendo por premissa, data venia, um certo apego ao formalismo. Todavia, deve o aplicador da legislação tributária se aprofundar nos aspectos substanciais da relação Estado versus contribuinte, sob a luz de princípios subjetivados, tais como, isonomia, capacidade contributiva e função social da propriedade, todos reforçados pela Constituição da República de 1988. Como premissa, adotase a tese de que o direito individual de autoorganizarse e a liberdade de iniciativa, como qualquer direito individual, não possuem caráter absoluto, já que são podados quando o exercício desse direito gera dano social. Logo, mergulhando no aspecto substancial da relação Estadocontribuinte, deve prevalecer a seguinte tese fiscal: “Se o objetivo de um investimento é a aplicação de recursos para a obtenção de um ganho com esses investimentos, que ganhos os cotistas do TELLES FIP esperariam obter com o Fundo que não obteriam se mantivessem diretamente o controle das ações das empresas? Qual o propósito negocial, então, de se integralizar as quotas do fundo com as ações da TELLES PARTICIPAÇÕES E NEGÓCIOS S/A? Nenhum. O Fundo, neste caso, se apresenta como mero ente interposto entre as empresas e os seus acionistas/cotistas”. Noutro dizer, se o Grupo TELLES promoveu a existência de uma entidade interposta entre as empresas e seus acionistas/cotistas, tal ato se conforma ao conceito de simulação, que vem a ser a violação da lei exigida pelos mencionados Acórdãos. 51. O contribuinte aduziu em sua defesa as normas da Constituição da República de 1988 – CR/1988, relativas aos valores sociais da livre iniciativa (art. 1º, IV), à livre concorrência (art. 170, IV), ao princípio da legalidade (art. 5º, II), à garantia do direito de propriedade (art. 5º, XXII). Todavia, essa mesma Constituição traz também valores opostos àqueles, como o objetivo de construir uma sociedade solidária (art. 3º, I), a função social da Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 10380.725185/201741 Acórdão n.º 2301005.929 S2C3T1 Fl. 1.798 21 propriedade (art. 5º, XXIII, e art. 170, III) e o princípio da capacidade contributiva (art. 145, § 1º). 52. O impugnante também perguntou: “(...) que planejamento tributário ilícito é este, no qual o contribuinte paga R$22.066.198,00 de imposto de renda, a título de ganho de capital, sem que, à época do pagamento, não havia nenhuma venda confirmada?”. Ora, o citado pagamento referese a imposto de renda incidente sobre ganho de capital, em dezembro/ 2011, alusivo à alienação das ações da TELLES PARTICIPAÇÕES para o TELLES FIP (transferência para integralização das cotas do fundo – fls. 216/219), aqui denominado como evento 1. Portanto, tratase de tema estranho à presente lide que se limita a examinar o ganho de capital sobre a venda de ações de outra sociedade (YPIÓCA BEBIDAS), aqui denominado como evento 2. Para fins de exercício argumentativo, se houvesse correlação entre o imposto pago em referência ao evento 1 e o imposto pago em referência ao evento 2, verificase que os membros da família TELLES pagaram R$22.066.198,00 (= R$3.152.314,00 x 7 filhos) pelo evento 1, ao passo que, nos lançamentos ora em julgamento, foi formalizado a quantia principal de R$114.071.898,71 (= R$16.295.985,53 x 7 filhos). Aí residiria o planejamento tributário: uma economia com tributos no expressivo valor de R$92.005.700,71 (= R$114.071.898,71 – R$22.066.198,00). 53. Aduzse ainda mais um argumento acessório (“ad argumentandum tantum”) nos parágrafos 54 a 57 (infra). 54. As etapas do ciclo de investimentos de um fundo são: a) captação de recursos; b) identificação de oportunidades; c) seleção, estruturação e acompanhamento de investimentos; d) desinvestimentos. 55. Consoante entrevista em 15/10/2012 do próprio Sr. Everardo Ferreira Telles, usufrutuário vitalício das ações do Grupo Empresarial TELLES, destacase que: a negociação para a venda da YPIÓCA BEBIDAS começou no início do ano de 2011; a negociação foi longa e difícil, como não poderia deixar de sêla, tendo em vista os inúmeros detalhes de uma venda desse porte. 9 56. Acompanhando a peça impugnatória, o administrado aduziu acordo de confidencialidade firmado por DIAGEO, Ypióca Agroindustrial Ltda (neste voto denominado por AGROPAULO) e outras empresas do Grupo TELLES, celebrado em 22/12/2010 (parcela do doc. 11 anexo à impugnação). Esse acordo é o primeiro documento assinado entre o potencial comprador e o vendedor, por meio do qual os envolvidos na potencial transação se comprometem a manter em sigilo todas as informações sobre a negociação e dados obtidos da outra parte durante o período dessas tratativas. 10 57. Portanto, como a Assembléia Geral do TELLES FIP decidiu pela venda da YPIÓCA BEBIDAS apenas em 23/05/2012, a negociação se estendeu, no mínimo, pelo período de 18 meses. Já a YPIÓCA BEBIDAS somente passou a pertencer diretamente ao TELLES FIP em 12/05/2012, onze dias antes da citada Assembleia. Por via de consequência, das etapas de um ciclo de investimento (consoante parágrafo 54, retro), o TELLES FIP só teria atuado, em tese, na etapa final relativa ao “desinvestimento” (venda da YPIÓCA BEBIDAS). Aqui se utilizou a expressão “em tese” porque, mesmo nessa última fase, o Sr. Everardo Ferreira Telles recebeu, conforme deliberações da Assembleia Geral do TELLES FIP, de 23/05/2012, plenos poderes para a concretização do negócio, quais sejam: estabelecer o preço da venda e quaisquer outras cláusulas ou condições do negócio e assinar quaisquer documentos necessários para o seu implemento. Em outras palavras, a existência do TELLES Fl. 1869DF CARF MF 22 FIP – e de seus profissionais de mercado – se mostrou inteiramente desnecessária em todas as etapas do ciclo de investimentos na YPIÓCA BEBIDAS, somente emergindo o referido fundo no momento de obter indevidamente a isenção do ganho de capital ora analisado. Daí o estranhamento causado na autoridade lançadora, conforme p. 6 do TVF, o que não foi compreendido pelo impugnante. 58. Quanto à desconsideração do ALVORADA FIM, devese manter a ineficácia desse fundo na venda da YPIÓCA BEBIDAS, em harmonia com o parágrafo 36, item “k” (retro), isto é, o objetivo da interposição do ALVORADA FIM foi, além da isenção do imposto sobre o ganho de capital na venda da YPIÓCA BEBIDAS, a ampliação das possibilidades de escolha de ativos para a aplicação dos recursos que um fundo de investimento multimercado tem em cotejo com o fundo de investimento em participações. 59. Em relação aos contratos com a Fundação Dom Cabral (docs. 03 e 04 anexos à impugnação) e ao documento intitulado “Estrutura de Governança – Situação Futura” (doc. 05 anexo à impugnação), tratase de elementos que, respectivamente, ocorreram em 2013 (docs. 03 e 04) ou criaram expectativa para o período posterior a 07/08/2017, data da impugnação (doc. 05), e, portanto, não influenciaram na venda da YPIÓCA BEBIDAS ocorrida em 2012. 60. Quanto às notícias publicadas em 12/04/2012 e 03/05/2012 (docs. 06 e 14 anexos à impugnação), é normal que o processo de negociação de venda de companhia do porte da YPIÓCA BEBIDAS envolva idas e vindas, desistências e retomadas das tratativas. Nesse contexto, resta claro que a definitividade da venda só ficou demarcada com a assinatura do Contrato de Compra e Venda de Ações em 25/05/2012 (Anexo 24 do TVF) e do Aditamento e Consolidação do Contrato de Compra e Venda de Ações em 03/08/2012 (Anexo 25 do TVF). Porém, tendo em vista o porte da YPIÓCA BEBIDAS, o acordo de confidencialidade firmado com a DIAGEO em 22/12/2010 (parcela do doc. 11 anexo à impugnação) e a quantidade de empresas globais interessadas na YPIÓCA BEBIDAS, é razoável e plausível que o Grupo TELLES tenha se preparado juridicamente para a hipótese de a venda se tornar realidade, atos preparatórios esses que restaram demonstrados conforme visto nos parágrafos 33, 34, 36, 43 e 56 (retro). 61. Mantêmse, pois, as infrações descritas pela autoridade fiscal. DO CÁLCULO DO IR SOBRE GANHO DE CAPITAL (COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO PAGO) (...) 63. De plano, destaquese que a YPIÓCA BEBIDAS, objeto do ganho de capital ora sob exame, só foi criada em 29/02/2012 (dois meses depois do ganho de capital ocorrido em dezembro/2011). 64. O fato alegado pelo contribuinte ocorreu em 30/12/2011 e o objeto do ganho de capital incidiu na alienação de ações da TELLES PARTICIPAÇÕES. Já os fatos tributários ora analisados ocorreram em 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015 e 07/10/2016 e consistem em ganhos de capital na alienação de ações da YPIÓCA BEBIDAS. Destarte, os elementos material e temporal dos fatos geradores são distintos. 65. Demais disso, a YPIÓCA BEBIDAS resultou da segregação de atividades da Ypióca Agroindustrial S/A (futura AGROPAULO). Essa última sociedade, bem como Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 10380.725185/201741 Acórdão n.º 2301005.929 S2C3T1 Fl. 1.799 23 NATURÁGUA, FIEL, BOTICÁRIO, HALLEY e PECEM, são empresas operacionais que, na época, eram controladas pela TELLES PARTICIPAÇÕES e foram objeto da avaliação (efetuada pela PAX Corretora de Valores e Câmbio S/A) que serviu de base para o ganho de capital ocorrido em dezembro/2011. Assim, resta plausível que o custo de aquisição das ações vendidas da YPIÓCA BEBIDAS (R$62.453.300,00), em agosto/2012, tenha nele embutido a valorização calculada por ocasião do evento de dezembro/2011. De qualquer sorte, o impugnante sequer se esforçou para demonstrar – mediante escrituração contábil devidamente suportada por documentos – que o evento de dezembro/2011 foi influenciado, pelo menos em parte, por fatos imputáveis futuramente à YPIÓCA BEBIDAS (que só foi criada em fevereiro/2012); tampouco quantificou essa parte. Portanto, denegase o pleito do administrado para excluir, do imposto lançado, o tributo pago sobre ganho de capital ocorrido em 30/12/2011. 66. Em seguida, o impugnante argumentou que: E mais, entre a data de constituição dos fundos TELLES FIP e ALVORADA FIM e a data de hoje, ocorreram amortizações no ALVORADA FIM pelas pessoas físicas, o que ensejou o recolhimento de imposto de renda sobre ganho de capital, na forma da legislação vigente, no valor total de R$4.349.999,61 (quatro milhões, trezentos e quarenta e nove mil, novecentos e noventa e nove reais e sessenta e um centavos), conforme extratos de movimentação (Doc. 13). 67. Não se acolhem os alegados pagamentos de imposto de renda, tendo em vista suposta amortização de cotas do ALVORADA FIM (doc. 13 anexo à impugnação), pois: a) O impugnante não explicitou o fundamento fático que determinou a alegada amortização de cotas, tampouco a norma do Regulamento que embasou sua realização. Como o ALVORADA FIM detém o controle do TELLES FIP (que, por seu turno, controla diversas empresas operacionais, tais como, AGROPAULO, NATURÁGUA, PECÉM, HALLEY, CEARÁMIRIM, YPETRO, YPLASTIC e IPARK), os rendimentos conferidos aos cotistas podem ter como fundamento quaisquer desses ativos (sociedades operacionais). E mais importante: o impugnante não demonstrou – por meio de escrituração contábil devidamente suportada por documentos – que o fundamento da amortização de cotas do ALVORADA FIM seria a venda das ações da YPIÓCA BEBIDAS. b) O impugnante aduziu meros “extratos de conta depósito”, sem qualquer formalidade, tampouco assinatura. Nesse passo, não demonstrou sequer que houve efetivamente amortização de cotas do ALVORADA FIM. c) No caso dos impostos pagos referentes aos Srs. EVERARDO FERREIRA TELLES e MARIA HELOISA FERREIRA DE MELO, como se trata de pessoas que não se encontram como contribuintes 11 (art. 121, parágrafo único, I, do CTN) em nenhum dos processos ora analisados em conjunto, tal matéria é estranha ao presente feito. DA MULTA QUALIFICADA 68. Contra a qualificação da multa para o percentual de 150% sobre o imposto devido, o contribuinte alegou que: Fl. 1871DF CARF MF 24 a) Foram duas as razões que levaram o Fisco a concluir pela aplicação da qualificação da multa, a saber: i) reduzido espaço de tempo entre a criação do TELLES FIP e a venda da Ypióca Agroindustrial de Bebidas S/A (seis meses); e ii) matéria dos jornais "O Valor" e "O Povo", datados de 28/05/2012; 29/05/2012; e 15/10/2012, onde o Sr. Everardo Ferreira Telles, controlador do Grupo Telles informa, que o negócio com a Diageo estava em andamento desde o ano anterior (2011). b) Entretanto, o Fisco deixou de mencionar que em 12/04/2012, o mesmo Sr. Everardo declarou a imprensa que o negócio que estava em andamento com a Diageo foi cancelado, pois as empresas não conseguiram chegar a um acordo em relação aos valores da negociação. Vejam que a data desta divulgação à imprensa foi anterior àquelas publicações mencionadas pelo Fisco. Isto prova que qualquer negócio só está fechado após contrato assinado e dinheiro depositado na conta bancária. E como visto e comprovado nesta Impugnação, foram inúmeras as tentativas de negociação que o Grupo Telles conviveu ao longo de muitos anos, sem, contudo ter negociado qualquer ativo. c) Da mesma maneira não houve qualquer citação por parte do Fisco, de que o Grupo Telles em 2007 criou o Fundo de Investimento em Cotas de Fundos de Investimento Multimercado Crédito Privado Halley (FUNDO HALLEY) e em 2009 criou o Fundo de Investimento em Cotas de Fundo de Investimento de Ações Telles Exclusivo (FUNDO TELLES EXCLUSIVO). Ou seja, a criação de fundos é parte indissociável do planejamento societário/sucessório que vem sendo implantado desde 1998 e ainda não foi concluído. E mais, a cessão dos direitos acionários levados para o TELLES FIP, criado em dezembro de 2011, poderiam ter sido levados para quaisquer dos dois fundos existentes, criados em 2007 e 2009, bastando para tanto alterar o Regulamento dos ditos fundos junto a CVM. Se isso tivesse ocorrido, o Fisco não poderia dizer que o TELLES FIP foi criado especificamente para receber as ações da Ypióca Agroindustrial de Bebidas S/A. E o Grupo Telles só não fez isso, para não mexer na estrutura de Fundos concebida no planejamento societário. Cabe aqui um questionamento: Por que o Fisco omitiu a existência desses dois Fundos criados em 2007 e 2009? Esses fatos são mais do que suficientes para afastar qualquer interpretação de fraude, dolo ou simulação. d) Importante ressaltar que desde 2008 a Ypióca vem recebendo visitas de grandes grupos internacionais da área de bebidas (Pernod Ricard, Campari, Distell e Diageo) na busca de algum tipo de negociação, tais como: participação acionária, joint venture, etc. Tal fato se prova através da publicação no jornal ‘Brasil Econômico’ do dia 03/05/12 que traz como manchete o seguinte: ‘Diageo, Campari e Pernod Richar disputam a Ypióca’ e das propostas dos bancos de investimento UBS, BTG PACTUAL, CREDIT SUISSE, (Does. 06 a 11). Como se vê, a Ypióca foi assediada ao longo de muitos anos pelas maiores empresas do mundo no segmento de bebidas. e) A aplicação da multa qualificada pelo d. Fiscal baseouse, como dito em tópicos anteriores, na alegação, da existência de sonegação, fraude e simulação, uma vez que ‘(...) o contribuinte promoveu e se beneficiou de um planejamento tributário abusivo, cujo objetivo foi alterar maliciosamente as características essenciais da obrigação tributária decorrente da compra e venda de ações representativas de sua participação societária(...)’ (fls. 20 do TVF). f) No presente caso, analisando os elementos contidos nos autos e em especial as duas únicas razões apresentadas pelo Fisco no TVF, não há prova alguma de dolo por parte do Impugnante, apenas indícios e presunções indicados no referido relatório da fiscalização. Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 10380.725185/201741 Acórdão n.º 2301005.929 S2C3T1 Fl. 1.800 25 g) É notório que quem alega ilícito está obrigado a provar o alegado. É o ônus da prova. Tratase de norma elementar de Direito, que não necessita de maiores explicações ou comentários. h) [Aduziu os Acórdãos Carf n° 9101002.823, 1301002.158, 9202 003.832, 9101001.980 e 1803000.346 em seu favor]. i) Indícios podem autorizar, quando muito, a presunção, mas não no presente caso. As presunções somente são admitidas quando previstas em lei. Em direito, a guisa de princípio maior, temse assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc, não se presumem, devem ficar sobejamente comprovados, estreme de qualquer dúvida, o que não encontramos nos autos. 69. Diferentemente do que apontou o contribuinte, a autoridade lançadora não se resumiu àqueles dois fundamentos citados no item “a” do parágrafo anterior. De modo contraditório, o próprio impugnante indicou que a fundamentação para a multa qualificada encontrase em “tópicos anteriores”, consoante item “e’ do parágrafo anterior. 70. Também a autoridade fiscal aponta para tópicos antecedentes ao da “qualificação da multa aplicada”, consoante seu trecho inicial (p. 20 do TVF): Conforme demonstrado ao longo deste termo, em relação à infração acima, o contribuinte promoveu e se beneficiou de um planejamento tributário abusivo, cujo objetivo foi alterar maliciosamente as características essenciais da obrigação tributária decorrente da compra e venda de ações representativas de sua participação societária na empresa Ypióca Agroindustrial de Bebidas S/A. 71. Em suma, os fundamentos anotados pela autoridade lançadora no TVF são: a) Por conta do planejamento tributário abusivo, a venda das ações da YPIÓCA AGROINDUSTRIAL DE BEBIDAS S/A realizouse, então, artificial e formalmente, através do TELLES FIP, com o que se pretendeu afastar a incidência do imposto de renda devido sobre o ganho de capital obtido. [p. 2 do TVF] b) Ora, sendo um fundo de investimento uma reunião de recursos (...) para a aplicação em diversos ativos e, no caso específico do Fundo de Investimento em Participações, em ações de companhias das quais o fundo deve participar da gestão, qual a finalidade de se integralizar as quotas de um fundo recémcriado com ações de empresa das quais os próprios cotistas do fundo eram os proprietários? Se o objetivo de um investimento é a aplicação de recursos para a obtenção de um ganho com esses investimentos, que ganhos os cotistas do TELLES FIP esperariam obter com o Fundo que não obteriam se mantivessem diretamente o controle das ações das empresas? Qual o propósito negocial, então, de se integralizar as quotas do fundo com as ações da TELLES PARTICIPAÇÕES E NEGÓCIOS S/A? Nenhum. O Fundo, neste caso, se apresenta como mero ente interposto entre as empresas e os seus acionistas/cotistas. [p. 18 do TVF] c) O ALVORADA FIM utilizou os recursos recebidos em várias aplicações, em outros fundos que, por sua vez, os aplicaram na aquisição de cotas de outros fundos e em variados tipos de ativos (Anexo 33). Aliás, o que justificaria a criação do ALVORADA FIM e a transferência para este Fundo da totalidade das cotas do TELLES FIP seria exatamente, além do afastamento da exigência do imposto de renda sobre os ganhos decorrentes da alienação da Ypióca Agropecuária de Bebidas S/A, a ampliação das possibilidades de escolha de ativos para a aplicação dos recursos. d) Do acima exposto, estando caracterizada a ausência de propósito negocial na integralização das cotas do TELLES FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES (TELLES FIP) com as ações da TELLES PARTICIPAÇÕES Fl. 1873DF CARF MF 26 E NEGÓCIOS S/A, desnudase o real propósito da operação, qual seja, alterar os elementos constitutivos da obrigação tributária, mais particularmente o sujeito passivo, que passaria a ser o Fundo, o qual, a prevalecer a pretensão dos contribuintes, e como já referido anteriormente, estaria isento do imposto de renda sobre o ganho de capital. [p. 19 do TVF] 72. Simulação é a realização de atos ou negócios jurídicos por meio de forma prescrita ou não defesa em lei, mas de modo que a vontade formalmente declarada no instrumento oculte deliberadamente a vontade real dos sujeitos da relação jurídica. O ato existe apenas aparentemente; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. 73. Na espécie, constatase que a descrição fiscal dos fatos se subsume perfeitamente ao conceito de simulação, pois os atos aparentes disseram respeito à formalização do TELLES FIP e ALVORADA FIM, entidades interpostas entre as sociedades operacionais e seus acionistas/cotistas (membros da família Telles); ao passo que a vontade que se queria materializar consistiu na economia com tributos (TELLES FIP), bem como na ampliação das possibilidades de escolha de ativos para aplicação de recursos (ALVORADA FIM). 74. Para se demonstrar o dolo do contribuinte, há que se perquirir os elementos vontade e consciência voltados para a prática do delito. Tais elementos estão assim demonstrados: a) Como qualquer fundo de investimento em participações, o TELLES FIP deveria ter como função precípua a realização de investimentos novos, e não a gestão profissional de investimentos antigos, assim representados por empresas operacionais que já pertenciam àquele grupo empresarial, antes da criação do TELLES FIP. b) A YPIÓCA BEBIDAS passou a pertencer diretamente ao TELLES FIP, depois da cisão parcial da AGROPAULO (11/05/2012) e da dissolução da TELLES PARTICIPAÇÕES (12/05/2012), e assim, evitouse deliberadamente, às vésperas da Assembleia Geral do TELES FIP de 23/05/2012, que a YPIÓCA BEBIDAS pertencesse diretamente à AGROPAULO ou à TELLES PARTICIPAÇÕES. Essa concatenação de atos societários concentrados em período curto teve como objetivo tornar isenta a venda da YPIÓCA BEBIDAS, com evidente economia de custos tributários. c) A concentração de poderes nas mãos do Sr. Everardo Ferreira Telles para a concretização do negócio da venda da YPIÓCA BEBIDAS, demonstrandose, mais uma vez, a desnecessidade do TELLES FIP. 75. Caracterizado que a forma jurídica adotada (leiase: fundos de investimento) não reflete o fato concreto, o Fisco encontrase autorizado “a determinar os efeitos tributários decorrentes do negócio realmente realizado, no lugar daqueles que seriam produzidos pelo negócio retratado na forma simulada pelas partes”. 76. No item “d” do parágrafo 71 (retro), a autoridade fiscal descreveu o ato ilícito cometido como sendo a alteração dos elementos constitutivos da obrigação tributária (elementos do fato gerador), especialmente o contribuinte do tributo devido. Tal ato se coaduna com as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, pois o Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 10380.725185/201741 Acórdão n.º 2301005.929 S2C3T1 Fl. 1.801 27 impugnante, ao interpor artificialmente dois fundos de investimentos entre ele e a YPIÓCA BEBIDAS, promoveu ação dolosa tendente a impedir ou retardar a ocorrência de fato gerador de imposto de renda sobre ganho de capital na venda daquela companhia, haja vista que os verdadeiros contribuintes desse tributo eram os cotistas do ALVORADA FIM (membros da família Telles, entre eles, o ora impugnante). 77. Mantémse, pois, a multa qualificada. DA NATUREZA CONFISCATÓRIA DA MULTA QUALIFICADA 78. O impugnante argumentou que a multa tem natureza confiscatória, ao ferir o art. 150, IV, da Constituição da República de 1988, pois transborda todos os limites da razoabilidade. 79. Tal multa, contudo, foi aplicada com fulcro no art. 44, I e §1º, da Lei nº 9.430/1996. Sendo o lançamento atividade plenamente vinculada (arts. 3º e 142, parágrafo único, do CTN), não pode a autoridade julgadora administrativa, sob pena de responsabilidade funcional, deixar de cumprir a legislação tributária. 80. Além disso, de acordo com o art. 26A, caput, do Decreto nº 70.235/1972, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuandose a hipótese de declaração de inconstitucionalidade de tal ato normativo por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal (art. 26A, § 6°, I, do Decreto nº 70.235/1972). 81. O contribuinte também aduziu o Ag. Reg. no RE 754.554, no sentido de que o princípio da vedação ao confisco seria aplicável não só aos tributos, mas também às multas fiscais. O referido precedente do STF é inaplicável na espécie, pois: a) tratase de julgado da lavra da 2ª Turma da Suprema Corte, e não de seu plenário, configurando, portanto, decisão não vinculante para a Administração Judicante (art. 26A, § 6°, I, do Decreto nº 70.235/1972); b) mesmo que fosse de observância obrigatória, não restou caracterizado, no caso concreto, o efeito confiscatório da multa de 150% sobre o imposto devido; c) mesmo que fosse de observância obrigatória, o caso julgado pelo STF diz respeito a multa cobrada pelo Estado de Goiás, ou seja, ali a Suprema Corte não decidiu sobre a constitucionalidade da normas que embasaram a aplicação da penalidade ora sob exame (art. 44, I e § 1°, da Lei n° 9.430/1996). 82. O impugnante também arguiu em seu favor o Ag. Reg. no RE 523.471, no sentido de que, consoante o princípio da vedação ao confisco, a multa não poderia ultrapassar o percentual de 30%. O mencionado precedente do STF é inaplicável na espécie, pois: a) tratase de julgado da lavra da 2ª Turma da Suprema Corte, e não de seu plenário, configurando, portanto, decisão não vinculante para a Administração Judicante (art. 26A, § 6°, I, do Decreto nº 70.235/1972); b) o caso julgado pelo STF diz respeito à multa de mora, paga espontaneamente por mero inadimplemento no recolhimento de tributos; ao passo que a matéria aqui tratada se refere à multa de ofício, exigida mediante lançamento de ofício, na hipótese de falta de lançamento por homologação; c) mesmo que fosse de observância obrigatória, o caso julgado pelo STF diz respeito a multa previdenciária, ou seja, ali a Suprema Corte não decidiu sobre a constitucionalidade da normas que embasaram a aplicação da penalidade ora sob exame (art. 44, I e § 1°, da Lei n° 9.430/1996). Fl. 1875DF CARF MF 28 83. Por fim, o administrado aduziu lição doutrinária de Sacha Calmon Navarro Coelho (p. 38 da impugnação), mas em tal excerto não se encontra a opinião do autor sobre qual seria o percentual máximo de multa que, ultrapassado, tornaria a penalidade confiscatória. 84. Esclareçase, por fim que em relação à multa de ofício qualificada aplicada na forma do art. 44, I e § 1°, da Lei n° 9.430/1996, corre no STF recurso extraordinário que decidirá sobre a eficácia confiscatória de tal penalidade, sob o rito da repercussão geral, consoante RE 736.090 RG. Enquanto não houver o julgamento desse tema pela Suprema Corte, descabe ao órgão administrativo de julgamento a discussão sobre constitucionalidade de lei, que autoriza, por enquanto, a cobrança de multa de ofício qualificada no percentual ali indicado. Resumindo os argumentos acima esposados, podemos concluir como correta a atuação fiscal. Em suma temos que os atos praticados pela recorrente demonstraram claramente a intenção verdadeira de desviarse do propósito negocial dos Fundos e não atender às finalidades alegadas pelos contribuintes. Ora, observase que num curtíssimo prazo ocorreram várias operações alterando totalmente a estrutura societária do grupo originário, com ação paralela visando a criação de um grupo econômico com o único objetivo, a saber · 14.12.2011, criouse o fundo Telles Fundo de Investimento em Participações (TELLES FIP). · 29.12.2011, integralizaramse as cotas do TELLES FIP com ações da holding do Grupo Telles, a Telles Participações e Negócios S.A. (TELLES PARTICIPAÇÕES), efls. 108 e ss. O valor das ações integralizadas perfez R$ 410.689.100,00 segundo laudo de avaliação elaborado por PAX Corretora de Valores e Câmbio S.A. · 22.02.2012 foi constituído o Telles Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado, o qual, após duas mudanças de denominação, passou a ser designado Alvorada Fundo de Investimentos Multimercado Investimento no Exterior (ALVORADA FIM). · 23.04.2012 as quotas do ALVORADA FIM foram integralizadas com quotas do TELLES FIP. Enquanto isso, as sociedades componentes do grupo sofreram as seguintes modificações: · 02.01.2012, Ypióca Agroindustrial Ltda, controlada pela TELLES PARTICIPAÇÕES, transformase em sociedade por ações. · 29.02.2012, foi criada a Ypióca Agroindustrial de Bebidas Ltda (YPIOCA BEBIDAS), tendo como sócios Everardo Ferreira Telles e Ypióca Industrial S/A. · 20.03.2012, foi alterado o contrato social para registrar o aumento de capital na YPIOCA BEBIDAS, o qual foi integralizado por Ypióca Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 10380.725185/201741 Acórdão n.º 2301005.929 S2C3T1 Fl. 1.802 29 Industrial S/A mediante entrega de bens. O capital social passou a ser de R$ 17.906.000,00 · 30.04.2012, TELLES PARTICIPAÇÕES sofreu cisão parcial e o acervo foi vertido para Ypióca Agroindustrial S/A, agora denominada Agropaulo Agroindustrial S/A (AGROPAULO), sua controlada. Na mesma data, o capital social da YPIOCA BEBIDAS foi aumentado para R$ 62.453.300,00, integralmente subscrito por AGROPAULO e integralizado com bens. · 04.05.2012, YPIOCA BEBIDAS foi transformada em sociedade por ações. · 10.05.2012, o regulamento do TELLES FIP foi alterado quanto aos critérios de definição da carteira de investimentos do Fundo. Especificamente quanto à YPIOCA BEBIDAS a avaliação seria feita pelo método da avaliação econômica (Anexo 17). · 11.05.2012, a sociedade AGROPAULO foi cindida parcialmente. O capital cindido correspondia às participações na sociedade YPIOCA BEBIDAS, além daquelas nas sociedades YPARK e YPLASTIC. Todas as parcelas cindidas foram vertidas em favor de TELLES PARTICIPAÇÕES, sua controladora. · 12.05.2012, a Assembléia Geral da holding TELLES PARTICIPAÇÔES deliberou por sua dissolução. Em consequência, os ativos detidos pela sociedade passaram à titularidade do seu único sócio, o TELLES FIP. · 23.05.2012, a Assembleia Geral do TELLES FIP aprovou a venda da totalidade adas ações da YPIOCA BEBDIDAS para a CINTER. · 25.05.2012, foi assinado contrato de compra e venda e em 03.08.2012 foi assinado aditivo ao contrato de compra e venda. · 09.08.2012, fechamento do negócio. Verificase, pois, que os atos jurídicos formalizados, foram materializados com o fim único de livrar as partes de uma tributação específica, tendo a Fiscalização apurado diversos indícios que levaram à conclusão de que a recorrente formulou planejamento fiscal abusivo no conjunto de operação que resultou na aquisição da YPIOCA BEBIDAS pela CINTER. Em caso semelhante assim restou decidido no CARF: Acórdão n. 2402006.696: No caso em concreto, resta evidenciado da leitura dos autos,(...),que a conduta do Recorrente incorreu no uso abusivo das formas jurídicas de direito privado com o objetivo de reduzir a apuração do ganho de capital nas operações de alienação em tela, utilizandose de artifício consubstanciado na alienação das Fl. 1877DF CARF MF 30 ações das companhias eólicas para o fundo de investimento SALUSFIP (empresaveículo), sem qualquer propósito negocial, apenas para transferir a tributação do ganho de capital da pessoa física para a pessoa jurídica com a consequente postergação indevida do recolhimento de imposto de renda sobre ele incidente, caracterizandose, no meu entender, hipótese clara de dissimulação a atrair a incidência do art.116, parágrafo único, do CTN c/c o art.167 da Lein.10.406/2002 (CódigoCivil), e não de ato ilícito nos termos do art.187 do Código Civil, como preconiza a decisão a quo. Ante ao exposto; Voto no Sentido de Rejeitar as preliminares, não reconhecer a decadência e no mérito Negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa r Fl. 1878DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.001820/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
REDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. NOVAS CONDIÇÕES.
Para o aproveitamento do benefício de redução do imposto de renda, a partir de 1° de janeiro de 2001, o empreendimento deve estar enquadrado entre aqueles considerados prioritários para o desenvolvimento regional, em ato do Poder Executivo, e, para tanto, deverá ser apresentado ao Delegado da Receita Federal novo pleito, instruído com laudo constitutivo emitido pelo Ministério da Integração Regional, nos termos da legislação de regência.
Numero da decisão: 1201-002.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Jùnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 REDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. NOVAS CONDIÇÕES. Para o aproveitamento do benefício de redução do imposto de renda, a partir de 1° de janeiro de 2001, o empreendimento deve estar enquadrado entre aqueles considerados prioritários para o desenvolvimento regional, em ato do Poder Executivo, e, para tanto, deverá ser apresentado ao Delegado da Receita Federal novo pleito, instruído com laudo constitutivo emitido pelo Ministério da Integração Regional, nos termos da legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Jùnior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 18 20 /2 00 8- 40 Fl. 355DF CARF MF 2 Relatório Tratase de auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 02/11), relativo ao anocalendário de 2003, decorrente da redução indevida do imposto de renda sobre o lucro da exploração, informado na DIPJ do exercício de 2004. A Descrição dos Fatos afirmou (efls. 03/04) que a empresa teve extinta sua autorização para beneficiarse do incentivo fiscal pelo art. 2° da Medida Provisória n° 2.19914, de 2001, e pelo Decreto n° 4.213, de 2002, com efeitos a partir de 01/01/2001. Para levantamento dos valores glosados no auto de infração, foram considerados os pagamentos efetuados pela contribuinte, referentes ao IRPJ dos períodos de apuração correspondentes, conforme Demonstrativo de Lançamento (efl. 10), já que nas DCTF apresentadas pela contribuinte não foram informados valores de IRPJ a pagar. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 157/160) assim resumida pela decisão recorrida (efls. 174/181): o contribuinte teve sua autorização para beneficiarse do incentivo fiscal de redução através do lucro da exploração liberada em 24 de março de 1999, através da Declaração DAI/ITE 0042/1999 (fl. 146), expedida pela SUDENE, cumprindo todas as condições e obrigações necessárias para fazer uso do benefício, de acordo com a legislação em vigor na data de sua expedição. A autorização tem prazo certo e condições determinadas, como exigia a lei de sua concessão (art. 16 da Lei n° 4.239, de 27 de junho de 1963, e Resolução n° 6.596, de 27 de fevereiro de 1972, do Conselho Deliberativo da SUDENE), ou seja, “a empresa satisfaz, em relação à atividade por ela exercida (indicada na autorização), as condições mínimas necessárias ao gozo da redução de 37,5% (trinta e sete inteiros e cinco décimos por cento), 25% (vinte e cinco por cento), 12,5% (doze inteiros e cinco décimos por cento), respectivamente, nos períodos compreendidos entre 01/01/1998 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/12/2008 e 01/01/2009 a 31/12/2013, do Imposto de Renda devido e adicionais não restituíveis”, de forma que a lavratura desse auto é totalmente improcedente; o § 3° do art. 3° da Lei n° 9.532, de 1997, confirma que “Ficam extintos, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1° de janeiro de 2014, os benefícios fiscais de que trata este artigo”; assim, o benefício fiscal só acabará em 31 de dezembro de 2013, conforme exposto; de acordo como o art. 178 do Código Tributário Nacional (CTN), “A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104”. Portanto, a redução, que na verdade é uma isenção parcial do IRPJ, foi autorizada mediante as condições que determina o art. 178 do CTN, não sendo extinta pela Medida Provisória n° 2.19914, de 2001, e Decreto n° 4.213, de 2002, pois foi concedida antes da edição das leis de Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10530.001820/200840 Acórdão n.º 1201002.765 S1C2T1 Fl. 356 3 extinção, não podendo a lei retroagir para prejudicar o contribuinte; os arts. 1° e 2° do Decreto n° 4.213, de 2002, definem os empreendimentos prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação da antiga SUDENE, entre os quais encontrase inserida a autuada; a empresa obedeceu a todas as condições e normas em vigor e enquadrase, perfeitamente, nos requisitos exigidos pela lei, estando apta a usufruir do beneficio fiscal autorizado, e tanto isso é verdade que, em 31 de julho de 2006, foi expedido o Ofício ADENE n° 3.452/2006 (fl. 147), recebido em 5 de setembro de 2006, solicitando informações sobre os incentivos fiscais usufruídos, relativos ao período empreendido entre os anos de 1996 e 2005, comprovando pela própria ADENE, substituta da SUDENE, que a empresa detém o direito ao benefício negado pela fiscalização; a DRJ de Manaus decidiu a favor de contribuinte, e o Primeiro Conselho de Contribuintes confirmou pelo Acórdão n° 101 93.553/01, dizendo que “a incorporadora que adquire empresa sediada na área de atuação da SUDAM e detentora de benefícios fiscais não só assume todas as obrigações da incorporada, mas também seus direitos, o que demonstra que o início e o fim da fruição dos benefícios fiscais concedidos com prazo certo e condições prédeterminadas são baseados na data da protocolização junta à autarquia designada”. No caso em questão, o período de fruição do beneficio é de 01/01/1998 a 31/12/2013, o que nos garante, mais uma vez, o direito ao benefício que foi negado pela fiscalização; o direito adquirido mediante autorização expressa não pode, segundo a própria legislação, ser extinto, já que foi concedido anteriormente por “prazo certo e em determinadas condições”, o que nos garante o beneficio fiscal questionado, amparado pelo art. 178 do CTN. A decisão de primeira instância (Acórdão 1516.890 2ª Turma da DRJ/SDR, efls. 174/181) julgou procedente o lançamento. Entendeu a DRJ que as pessoas jurídicas que usufruíam o beneficio de redução do IRPJ até 31 de dezembro de 2000 deveriam, em função do disposto no art. 2° da Medida Provisória n° 2.199 14, de 2001, para continuar a usufruir o benefício, formular novo pleito, ficando o reconhecimento submetido ao disposto no art. 3° do Decreto n° 4.213, de 2002, cujo pedido deverá ser instruído com laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional de que satisfaz as novas condições para o gozo do favor fiscal. Cientificada da decisão de primeira instância em 02/10/2008 (efl. 184) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 03/11/2008 (efl. 185), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Fl. 357DF CARF MF 4 Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. O benefício fiscal de redução do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis de que trata o art. 14 da Lei n° 4.239, de 27 de junho de 1963; o art. 22 do Decreto Lei n° 756, de 11 de agosto de 1969 e a Lei n° 9.532, de 1997, foi extinto a partir de 1° de janeiro de 2001 pelo art. 2° da Medida Provisória n° 2.058, de 23 de agosto de 2000 (MP 2.19914, de 24 de agosto de 2001): Art. 2° Fica extinto, relativamente ao período de apuração iniciado a partir de 1° de janeiro de 2001, o benefício fiscal de redução do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, de que trata o art. 14 da Lei n° 4.239, de 27 de junho de 1963, e o art. 22 do DecretoLei n° 756, de 11 de agosto de 1969, exceto para aqueles empreendimentos dos setores da economia que venham a ser considerados, pelo Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, e para os que têm sede na área de jurisdição da Zona Franca de Manaus. Art. 3º Sem prejuízo das demais normas em vigor sobre a matéria, fica mantido, até 31 de dezembro de 2013, o percentual de trinta por cento previsto no inciso I do art. 2o da Lei no 9.532, de 1997, para aqueles empreendimentos dos setores da economia que venham a ser considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional. (Vide Decreto nº 4.213, de 2002) (Vide Lei nº 12.712, de 2012) Este é o benefício declarado pelo recorrente em sua DIPJ Exercício 2004 (com supedâneo na Declaração DAI/ITE 0042/1999, efl. 169, expedida pela SUDENE), e que foi motivo de glosa pelo autuante. Alega a recorrente que a autorização tinha prazo certo e condições determinadas, como exigia a lei de sua concessão (art. 16 da Lei n° 4.239, de 27 de junho de 1963) e que o direito adquirido mediante autorização expressa não pode ser extinto por legislação superveniente (Medida Provisória n° 2.19914, de 2001, e Decreto n° 4.213, de 2002), já que foi concedido anteriormente por “prazo certo e em determinadas condições”, o que garantiria o benefício fiscal questionado, amparado pelo art. 178 do CTN. Mas a legislação referida (Medida Provisória n° 2.19914, de 2001, e Decreto n° 4.213, de 2002) claramente dispõe que as pessoas jurídicas que usufruíam o beneficio de redução do IRPJ até 31 de dezembro de 2000, com empreendimentos dos setores da economia que viessem a ser considerados, pelo Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, deveriam, em função do disposto no art. 2° da Medida Provisória n° 2.19914, de 2001, e para continuar a usufruir o beneficio, formular novo pleito. Afastar a aplicação da lei equivaleria a declarar sua inconstitucionalidade, o que é vedado pela Súmula n. 02 do CARF: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". E afastar a validade do disposto no Decreto n° 4.213, de 2002, é empreendimento vedado regimentalmente (Art. 62 do RICARF). Regulamentando o pleito, o art. 3° do Decreto n° 4.213, de 2002, preceituou que o pedido deveria ser instruído com laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional que confirmasse que satisfazia as novas condições para o gozo do favor fiscal. No mesmo sentido a Instrução Normativa SRF n° 267, de 23 de dezembro de 2002, em seus arts. 79 a 80: Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10530.001820/200840 Acórdão n.º 1201002.765 S1C2T1 Fl. 357 5 Art. 79. Fica extinto, relativamente ao período de apuração iniciado a partir de 1° de janeiro de 2001, o benefício fiscal de redução do imposto de que trata o art. 14 da Lei n 4.239, de 27 de junho de 1963, para os empreendimentos industriais ou agrícolas em operação na área da extinta Sudene não enquadrados, em ato do Poder Executivo, como prioritários para o desenvolvimento regional, a que se refere o caput do art. 78. Art. 80. As pessoas jurídicas titulares de empreendimentos enquadrados em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, na área de atuação da extinta Sudene, que usufruíram até 31 de dezembro de 2000 do benefício extinto na forma do art. 79, poderão pleitear o benefício de que trata o art. 78, ficando o reconhecimento submetido ao disposto nos arts. 60 e 61. 1° A fruição do benefício fiscal darseá a partir da data em que a pessoa jurídica apresentar ao órgão competente do MI requerimento solicitando a declaração de que satisfaz as condições estabelecidas para gozo do favor fiscal § 2°As pessoas jurídicas deverão pleitear reconhecimento do direito à redução à SRF, cujo pedido será instruído com a declaração de que trata o § 1°, observado o disposto nos §§ 1°a 8° do art. 61. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 359DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.905677/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.792
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 56 77 /2 00 9- 66 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10865.905677/200966 Acórdão n.º 3201004.792 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada pela DRF de origem face a inexistência do crédito. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: • Preliminarmente, a nulidade da notificação do Despacho Decisório, por não se ter observado o disposto nos artigos 214 e 215 do Código de Processo Civil, e a correspondência não ter sido entregue diretamente ao seu representante legal e seu sócio gerente; • Para efetuar sua compensação, valeuse do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991. A partir de 2003, a legislação da Receita Federal passou a obrigar que a compensação fosse efetuada por meio eletrônico. Tal exigência é descabida a luz das disposições da referida Lei, e consiste em verdadeiro óbice no aproveitamento do crédito tributário pelo contribuinte, na medida em que não consegue peticionar/esclarecer na declaração eletrônica a origem de seu crédito (declaração expressa de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal), e nem como exercer o direito de petição; • Tem direito a créditos de PIS em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos nº 2.445 e 2.449, de 1988, quando se restaurou a sistemática da Lei Complementar nº 7, de 1970, e do art. 18 da Lei nº 9.715, de 1998, que estabelecia a retroatividade do fato gerador do PIS a 01/10/1995; • Conforme entendimento da doutrina, e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho de Contribuintes, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para se pleitear a restituição de tributos pagos indevidamente é de dez anos contados do fato gerador (tese dos cinco mais cinco). Nesse contexto, efetuou o pedido de restituição do PIS dentro do prazo prescricional. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 14043.341. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10865.905677/200966 Acórdão n.º 3201004.792 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.788, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10865.905673/200988, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201004.788): "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relato dos fatos, a questão controvertida consiste na existência ou não de provas acerca de erro incorrido pelo contribuinte na prestação de declarações à RFB. Alega a Recorrente que o crédito postulado por meio de PER/DCOMP decorre de pagamento indevido ou a maior de PIS não cumulativo em decorrência da inconstitucionalidade da exigência do PIS com base nos Decretos Leis nº 2.445/88 e 2.449/88. Embora, inicialmente, tenha informado a existência de débito no período, posteriormente, em procedimento de revisão, requerendo a restituição dos valores recolhidos a maior, sem, contudo, efetuar a devida retificação das declarações de débitos transmitidas com equívocos. Aduz, ainda, que o sistema de transmissão de Pedidos de Restituição da Receita Federal do Brasil não permitia informar a origem dos créditos pleiteados (Declaração de Inconstitucionalidade pelo STF), o que levou ao despacho decisório eletrônico por insuficiência das informações, prestadas, então, em sede de Manifestação de Inconformidade. Assim, insiste, em sede recursal, que certeza e liquidez do crédito postulado decorre exclusivamente da diferença entre os valores recolhidos com base nos referidos Decretos, inconstitucionais, descrevendo minuciosamente o direito debatido quanto à tal inconstitucionalidade. Não assiste razão, contudo, à Recorrente. Não se nega que houve a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, dos Decretos Leis nº 2.445/88 e 2.449/88. Não obstante, cabe ao Recorrente fazer prova do direito postulado, ou seja, indicar, por meio de seus documentos Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10865.905677/200966 Acórdão n.º 3201004.792 S3C2T1 Fl. 5 4 fiscais e contábeis, de que forma foi apurada originalmente a base de cálculo do tributo e qual seria a correta forma de apuração em face da inconstitucionalidade reconhecida, demonstrando, ainda, a correção da quantificação de tal montante. Na hipótese dos autos, não existe qualquer documentação hábil para a comprovação do erro alegado, fazendo referência exclusivamente aos DARFs que comprovariam o recolhimento, sem, contudo, apresentar qualquer documentação contábil da empresa. Sem tal prova, resta inviável se averiguar a própria certeza e, principalmente, liquidez do crédito pretendido. Afinal, como poderia a Fiscalização, apenas de posse dos DARFs, averiguar qual a base de cálculo considerada pelo contribuinte no cálculo do tributo devido? Nesse sentido, não merece qualquer reparo a decisão recorrida. Acerca das alegações quanto ao prazo de restituição do tributo considerado indevido, como consignou o acórdão recorrido, não existe interesse de agir por parte da Recorrente, uma vez que não se verifica qualquer negativa de crédito fundada em eventual prescrição. Pelo exposto, a Recorrente não logrou a devida comprovação por meio de documentos hábeis, razão pela qual não há como se reconhecer o direito creditório postulado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.905741/2010-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO.
Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro qüinqüenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. TRANSCURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OBSERVOU LISURA E REGULARIDADE.
Não se admite argumento genérico de cerceamento de defesa, mormente quando o PAF transcorreu de forma escorreita e observou todos os ditames legais, oferecendo ao Contribuinte as oportunidades de postulação previstas na norma.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO. Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro qüinqüenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. TRANSCURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OBSERVOU LISURA E REGULARIDADE. Não se admite argumento genérico de cerceamento de defesa, mormente quando o PAF transcorreu de forma escorreita e observou todos os ditames legais, oferecendo ao Contribuinte as oportunidades de postulação previstas na norma. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO. Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro qüinqüenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. TRANSCURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OBSERVOU LISURA E REGULARIDADE. Não se admite argumento genérico de cerceamento de defesa, mormente quando o PAF transcorreu de forma escorreita e observou todos os ditames legais, oferecendo ao Contribuinte as oportunidades de postulação previstas na norma. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 90 57 41 /2 01 0- 98 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 164 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto tempestivamente contra o Acórdão n° 1241.975 (efls. 103 à 112) proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ1, que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório do Contribuinte. O Despacho Decisório (efl. 07), de 01 de novembro de 2010, aduz que os valores informados na DCOMP (transmitida em 17/08/2006) foram utilizados integralmente para a quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos ora informados. Em sua Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte alegou o que segue: 1. Senhor Delegado como se vê do Despacho Decisório, o contribuinte foi penalizado, com base na seguinte alegação: "Limite de crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informada no PER/DCOMP: R$ 1.555,52. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP..." 2. Não pode, data vênia, conformarse o contribuinte com essa apenação haja vista que: a) A DCTF do 4o trimestre de 2001 (Pág. 4), nos mostra que o valor principal do débito relativo à competência de outubro de 2001 é de R$ 650,35. (Doc. 1) b) No DARF datado de 31 de outubro de 2001 no valor de R$ 1.555,52 houve compensação de R$ 650,35, ficando um crédito no valor de R$ 905,17 a ser compensado, valor contabilizado no Fl. 164DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 165 3 Livro Diário No. 18 Fls. 456 e Livro Razão No. 18 Fls. 297. (Docs. 2 e 3) c) O valor de R$ 905,17 foi compensado em parte por R$ 275,41 no 4o Trimestre de 2002, conforme DCTF na página 4, permanecendo ainda o valor de R$ 629,76 a ser compensado, sendo que neste trimestre foi compensado o valor de R$ 421,70, conforme lançamento no Livro Diário No. 19 Fls. 513 e Livro Razão No. 19 Fls. 331. (Docs. 4 e 5) d) O valor de R$ 629,76, foi compensado em sua totalidade no DCTF do 3 o Trimestre de 2003, página 3, no valor de R$ 770,46, ficando a importância de R$ 140,70 a ser recolhido. (Doc. 6) 3. Portanto, o que daí se extrai, é que o PER/DCOMP foi preenchido e transmitido equivocadamente, ou seja, tanto o DARF no valor de R$ 1.555,52 quanto o débito nesse mesmo valor foram ali apontados indevidamente. (Doc. 7) 4. Ainda nessa esteira, verificase que o Pedido de Compensação teve como base o regime de apuração mensal, quando na verdade nos mostra que o regime de tributação era trimestral, conforme lançamentos no Livro Diário No. 19 Fls. 121 e 282. (Doc. 8) 5. Os valores constantes do rastreamento dos créditos informados no PER/DCOMP não fazem parte de nenhuma compensação, cujos valores foram informados indevidamente, como pode ser observado na DCTF do 3 o trimestre de 2002, bem como nos lançamentos contábeis. Com o rastreamento a empresa passou a ser BITRIBUTADA. (DCTF em anexo). 6. Cabe citar, que não foi possível reparar o equívoco espontaneamente, em vista do sistema da Receita não ter recepcionado o pedido de cancelamento do PER/DCOMP, por conta da instauração da Ação Fiscal. 7. Sabendo, porém, do espírito de justiça que norteia às decisões proferidas por V. Sa., espera que o PER/DCOMP seja cancelado quando da respectiva análise no âmbito da Receita Federal. Isto posto, inclusive por juntada de documentos cuja menção vai no bojo do presente, pede V. Sa. Se digne mandar cancelar o crédito tributário, bem como tornar sem efeito o respectivo PER/DCOMP, com base nos fatos aqui demonstrados. Como desiderato final de seu arrazoado, o Acórdão da DRJ concluiu o que segue: Conclusão 35 Nos termos da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, ao declarante cabe solicitar (antes que a autoridade lançadora emita intimações ou profira decisão administrativa), Fl. 165DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 166 4 e sempre através do Programa Gerador de Per/DcompPGD Perdcomp, o cancelamento da Dcomp transmitida, inexistindo previsão para que a autoridade julgadora nele se subrogue, ou que tal se dê em sede de julgamento. 36 Se o declarante não cancela a Dcomp que ele mesmo transmitiu, as declarações nesta veiculadas se consolidam na esfera administrativa, com os efeitos que lhes são próprios, ainda mais se não comprovado que o débito objeto de compensação era indevido ou inexistente. 37 Assim, o Despacho Decisório deve ser mantido. 38 Observese, por fim, que, nesta data, estão em julgamento nesta Turma 18 (dezoito) processos (incluindo este), nos quais o interessado, em sede de MI, pede o cancelamento das respectivas Dcomps: (...) Ao longo do processo, restou ajuizada execução fiscal pela Fazenda Nacional, tendo sido proferida sentença extintiva sem julgamento de mérito. Já em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte aduz os seguintes aspectos: PRELIMINARMENTE Requer ao D. Julgador de 1o Instância, em sede de pressuposto de admissibilidade recursal, em conformidade com o artigo 32 c/c art. 60, ambos do Decreto 70.235/72, dispondo sobre o processo administrativo fiscal, que seja corrigida de ofício a omissão do julgado, ora recorrido, eis que na decisão atacada é mencionado que a empresa ora recorrente compensou tributo de forma indevida. (...) No caso em debate flagrante a nulidade encontrada, devendo este Colegiado decretar a mesma de ofício, posto que ainda criou a esta recorrente cerceio do direito de defesa, conforme art. 59, II do Decreto 70.235/72. Ad Argumentandum, que a Constituição da República Federativa do Brasil prevê em seu art. 5o, II que ninguém, seja pessoa jurídica e/ou física, está obrigado a cumprir determinado preceito sem previsão legal, pois o ato da autoridade Fiscal não encontra fundamento legal, que ampare o r. decisum, o qual pedimos vênia para transcrever: (...) Caso não sejam acolhidas as assertivas acima, para que seja cancelada a decisão, ora recorrida, vejamos então, preliminar abaixo sobre Prescrição e Decadência: (...) Fl. 166DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 167 5 Cumprenos mencionar que no item 32 da decisão, ora recorrida, de fls. 112, o próprio julgador menciona que a compensação foi realizada há mais de 5 (cinco) anos, o que viola a legislação em regência; Bem se a compensação já por isto foi tachado como indevida, mais indevida ainda é a constituição em mora do tributo, sua cobrança, a constituição do crédito tributário, eis que já passados mais de cinco anos. Posto Isto indevida é cobrança, eis que já alcançada pela Decadência, conforme previsão do artigo 173 do Código Tributário Nacional, além ainda de estar prescrita, conforme redação do artigo 174 do CTN, como a seguir pedimos vênia para transcrever DO MÉRITO Sem nos estendermos por demais, nos comentários, eis que este D. Julgador lê pacientemente todas as questões, ora em comento, melhor sorte não assiste à D. Receita Federal, posto pelas argumentações acima expostas. Verificase claramente pelos documentos acostados aos autos que as declarações e pagamentos estão perfeitamente corretos, conforme os preceitos estipulados na Legislação em vigor, demonstrando toda a boafé da empresa. Ora, passados todos os argumentos, e ainda com a demonstração de todos os protestos acima, requer o provimento do presente recurso para que seja cancelado o débito, em cobrança, por todo exposto acima. DO PEDIDO "Ex Positis" é a presente a fim de requerer a estes Ilustres membros desta Turma Julgadora acolher " In Totun" a presente pretensão, por tudo aquilo que ficou devidamente expositado, dando provimento ao recurso, para que cancelada a cobrança, eis que a PER/DCOMP foi feita de forma equivocada, haja vista a inexistência de débito e saldo a compensar, além da Decadência e Prescrição que já alcançaram o débito, ora cobrado do Recorrente. Cabe consignar que não restou apresentada qualquer prova adicional em sede de Recurso Voluntário. Por fim, consignase a existência de um total de 18 (dezoito) Processos Administrativos Fiscais semelhantes ao presente, sob a relatoria deste Conselheiro que ora subscreve. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Fl. 167DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 168 6 Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos e extrínsecos, portanto, dele conheço. Preliminares Conforme relatado acima, as preliminares alegadas abarcam uma série de elementos, que serão doravante rechaçados. a) Da correção da suposta omissão do julgado Segundo sustenta o Contribuinte, houve imprecisão material na Decisão de piso, eis que nesta é mencionado que se compensou tributo de forma indevida. No entanto, o Recorrente não aponta exatamente onde estaria o suposto erro material, e se utiliza de argumentos genéricos de impugnação. Sabese que, para que se proponha tal correção, é necessário exibir categoricamente a imprecisão detectada. Caso contrário, a alegação acaba esvaziada por configurar mero argumento de retórica. Portanto, afasto a preliminar de omissão. b) Do suposto cerceamento de defesa Outra preliminar aduzida foi a suposta ocorrência de cerceamento de defesa. Contudo, em momento algum o Recorrente logrou demonstrar em quais oportunidades o dito cerceamento teria se perpetrado. Novamente, notamse alegações genéricas, as quais são desprovidas de amparo fático. Vejo, ainda, que presente Processo Administrativo cumpriu com seu regular deslinde, apresentando todas as oportunidades de defesa à Contribuinte e observando as normas a ele intrínsecas. Assim, não restou comprovada qualquer incidência do rol do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Logo, afasto a preliminar de cerceamento de defesa. c) Da suposta prescrição e decadência Por fim, entende o Recorrente pela existência de prescrição e decadência. Sem embargo, tais fenômenos não ocorreram no presente caso. Isso porque o marco a quo do lustro tem início neste caso quando da apresentação da DCOMP, que, por seu turno, é o veículo introdutório da compensação ora pretendida. Portanto, seria uma absoluta incoerência admitir como início a contagem decadencial ou prescricional em etapa distinta, pois sequer há móvel fáticojurídico para sustentar tal intelecção. Quanto ao mais, anoto que este assunto já se encontra pacificado na jurisprudência deste e. CARF, conforme se extrai do Acórdão n° 340301.376, Rel. i. Conselheiro Antonio Carlos Atulim: Realmente, não merece reparo a decisão recorrida. Uma coisa é a decadência do direito do fisco constituir o crédito Fl. 168DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 169 7 tributário por meio do lançamento de ofício e outra coisa totalmente distinta é o prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação declarada pelo contribuinte. Os prazos de decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário estão previstos nos arts. 150, § 4º e 173, do CTN. Estes dispositivos legais deixam claro que a decadência fulmina o direito da administração tributária exigir tributo por meio de lançamento de ofício, não afetando de modo algum o direito de abrir fiscalização ou de rever os créditos lançados no livro de IPI. Em outras palavras, a decadência inibe o processo de positivação do direito consubstanciado no ato de lançamento tributário; mas não inibe o processo de positivação do direito do fisco declarar que o crédito, no todo ou em parte, é ilegítimo, ainda que este crédito tenha sido lançado na escrita há mais de cinco anos. No caso dos autos, a administração tributária agiu dentro dos lindes da legalidade, pois não foi expedida nenhuma norma individual e concreta por parte do fisco tendente a exigir tributo, o que existe é a exigência de crédito tributário em razão de norma individual e concreta que foi introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, consistente na declaração de compensação. No que tange ao prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação, o art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 estabelece que o prazo é de cinco anos, contados da data entrega da declaração de compensação. Nesta parte, a defesa alegou que deve prevalecer como termo inicial de contagem do prazo decadencial a data de transmissão do PER/Decomp original, pois além da alteração ter alcançado apenas o valor do crédito, a retificação posterior não consubstancia cancelamento do pedido original, mas mera retificação dos dados anteriormente informados. Acontece que a retificação das informações referida pela defesa, significa, na verdade, a inserção de nova norma individual e concreta no mundo jurídico distinta da anterior, uma vez que o elemento quantitativo atinente ao crédito sofreu alteração. Assim, a norma individual e concreta consubstanciada no documento original, que declarava o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 14.556,92 com um débito equivalente a R$ 14.362,22, foi revogada e substituída por uma nova norma individual e concreta, introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, por meio da qual declarouse o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 2.284.013,42 com o débito de R$14.362,22. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 170 8 A norma que declarava o direito de compensar o crédito de R$ 14.556,92 deixou de existir e foi substituída por uma nova, que passou a declarar a existência do direito de compensar um crédito cerca de cento e cinquenta vezes maior. É evidente que a mudança no elemento quantitativo, correspondente ao valor do crédito vinculado à compensação, acarreta uma alteração no mundo jurídico. E em decorrência deste fato, justificase o início do transcurso de novo prazo de decadência. A cada alteração no mundo jurídico provocada pelo contribuinte, é disparado o cronômetro do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, concedendo um novo prazo de cinco anos para que o fisco possa aferir a legitimidade do novo direito alegado. Não foi por outro motivo, que as instruções normativas da Receita Federal que regulamentaram o procedimento de compensação, com base no permissivo legal no art. 74 § 14 da Lei nº 9.430/96, sempre estabeleceram que no caso de retificação, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é a data da apresentação da retificadora. Portanto, também não em razão a recorrente quando alega que a Receita Federal está dispondo sobre interrupção ou suspensão de prazos de decadência por meio de atos administrativos, pois as instruções normativas apenas explicitaram a interpretação do art. 74, da Lei nº 9.430/96. A cada norma individual e concreta introduzida pelo contribuinte, nasce um prazo de cinco anos para que o fisco exerça a competência de homologar ou não a compensação. (GN) Igual intelecção é adotada na prescrição, eis a inocorrência do lustro qüinqüenal na modalidade prescritiva. Rechaçadas, pois, as alegações de decadência e prescrição. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao Recorrente, conforme se observará. Trata o presente caso de pedido de compensação, alegando o Contribuinte possuir crédito contra a Administração Tributária (Art. 74 da Lei n° 9.430/96). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (Art. 368 do CC). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à Autoridade Administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras Fl. 170DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 171 9 para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com suas alterações. 1. Dos erros de adequação instrumental para a compensação de crédito Em que pese a recalcitrância do Recorrente em admitir equívocos em sua sistemática procedimental, notamse claros erros na via eleita para a compensação. Ao invés de requerer seu cancelamento quando da Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte deveria procedêlo por iniciativa própria, conforme se extrai do texto claro da norma (IN RFB n° 900/2008). Aliás, o Acórdão a quo logrou a conferir com precisão os procedimentos que necessários, cujo arrazoado adoto desde já como parte da fundamentação do presente Voto, verbis: 14 Na forma da legislação de regência (Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008), o pedido de cancelamento da Dcomp deve ser transmitido através do programa eletrônico Per/dcomp (disponibilizado a partir de 14 de maio de 2003): CAPITULO XII DA DESISTÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, DE PEDIDO DE REEMBOLSO E DE COMPENSAÇÃO Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação a RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento a RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa a data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. 15 Além disso, a sobredita Instrução Normativa dispõe que o pedido de cancelamento de Declaração de Compensação — Dcomp só pode ser aceito se transmitido antes da ciência para apresentação de documentos referentes A compensação, ou, antes da decisão administrativa correspondente, sendo vejamos: Art. 86 (..) Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 172 10 16 No caso, o interessado transmitiu a Dcomp em 17.08.2006. O Despacho Decisório foi emitido em 01.11.2010. Desse modo, o pedido do interessado para cancelamento da Dcomp contraria a legislação de regência e deve, de plano, ser indeferido. 17 Da data da transmissão da Dcomp – 17.08.2006 até a emissão do Despacho Decisório, o interessado teve 4 (quatro) anos para veicular o pedido de cancelamento da dita Dcomp, porém, não o fez. Destacase, ainda, que o procedimento de DCOMP eletrônica e seu respectivo cancelamento já era há muito tempo adotado pela Receita Federal do Brasil, de modo que não se pode alegar qualquer desconhecimento dessa sistemática. Outrossim, é imperativo ressaltar que a indigitada práxis também é descrita na IN SRF n° 900/2008; e, mesmo editada posteriormente à apresentação da DCOMP, era vigente à época do Despacho Decisório (datado de 01 de novembro de 2010). Logo, o Contribuinte teve ainda mais tempo para proceder com o cancelamento de seu pedido (ainda que se admitisse tal feito após decisão administrativa). Quanto ao mais, o Recorrente não apresenta quaisquer documentos aptos a corroborar seu pleito e sua versão de regularidade contábil. De tal modo, complemento tais aspectos fáticos e normativos com a jurisprudência deste e. CARF na figura do Acórdão n° 1302002.403, Rel. i.Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa , que expõe o trâmite correto na retificação dos valores apresentados na DCOMP, bem como seus consectários: Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. (...) O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários .Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 173 11 Logo, sem receio de redundâncias, é fundamental destacar que os pedidos de compensação para que possam ser analisados e deferidos devem seguir os exatos trâmites delineados pela norma. Tal aspecto é que garante o escorreito deslinde petitório, devendo ser respeitado em sua totalidade, e não encarado como uma espécie de "burocracia dispensável". Impende destacar que, para que se tenha faculdade à compensação, torna se necessário que o Contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual aquela não pode ocorrer. O ônus probatório do crédito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, também não foi possível à Administração Tributária por consectário lógico reconhecer a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo Contribuinte, pois lhe faltavam elementos probatórios capazes de assegurar a existência do crédito, fosse um pagamento indevido ou a maior ou, mesmo, crédito decorrente de saldo negativo. Assim, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância, quando conclui que não resta demonstrado o direito creditório Portanto, a decisão da DRJ resta irretocável, razão pela qual sua fundamentação serve de igual amparo no presente caso, com base no § 1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: 19 Ainda que a legislação não proibisse que, após a emissão do Despacho Decisório, se intentasse o cancelamento da confissão de dívida (real natureza da Dcomp), a diversidade de informações que o interessado confessou em DCTFs (como a seguir se verá), relativamente à natureza, ao montante e aos modos de extinção do débito apurado nem se resolve com o registro contábil do pagamento, nem blinda a informação contábil de questões concernentes à sua consistência e confiabilidade. 20 Aliás, as folhas de Diário/Razão que o interessado junta aos autos nada dizem acerca das diversas mutações pelas quais passou o dito débito. 21 Com efeito, como se vê no quadro 1, o interessado, nesta Dcomp em tela, confessou débito de estimativa de IRPJ de julho e de agosto de 2002, terceiro trimestre. (...) 24 À vista da última DCTF do rol acima, e, considerando que as informações em declarações entregues à RFB têm que espelhar a informação registrada na contabilidade sob pena de desconsideração daquelas, desta ou de ambas , é lícito supor que, nos registros contábeis do interessado, vigorou pelo menos de 23.08.2006 (data de entrega da penúltima DCTF Retificadora) até 01.12.2008 (data de entrega da última DCTF Retificadora) o débito de estimativa mensal que ele agora quer cancelar. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 174 12 25 É ônus do interessado juntar não só a prova dos elementos que compuseram cada um dos diferentes valores apurados, como, também, todos os registros de lançamento e de estorno contábil que embasam tais mutações. 26 Tal está nos moldes da legislação de regência, segundo a qual, a escrituração mercantil só faz prova dos fatos nela registrados se, além de elaborada com a observância das disposições legais e dos princípios contábeis, vier instruída com os documentos em que se lastreia (art.26 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011). 27 Mas, o interessado não junta aos autos os documentos correspondentes. 28 Em seu entendimento, movido pela certeza de que esta Dcomp estaria fadada ao cancelamento automático (porque foge à lógica a simultaneidade de dois regimes de apuração: anual (estimativa e trimestral), transmitiu em 01.12.2008 nova DCTF, na qual a compensação a que se refere esta Dcomp sequer existe. 29 A sobredita DCTF – que, ao final, é aquela cujas informações vigorariam, caso se acolhesse, aqui, o pedido de cancelamento desta Dcomp contém informações sobre compensações efetuadas sem a utilização do Programa Gerador de Per/dcomp, de utilização obrigatória desde maio de 2003. 30 De fato, desde a Medida Provisória (MP) nº 66, de 30 de agosto de 2002 (convertida na Lei nº 10.637, de 31 de dezembro de 2002), o procedimento de compensação exige a apresentação de Dcomp a esta Secretaria, através do PGD Per/dcomp o que, no caso, não ocorreu. 31 Ademais disso, tais “compensações”, veiculadas na última DCTF Retificadora, além de informadas sem Dcomp, estão sendo efetuadas com darfs cuja data de arrecadação ocorreu há mais 5 (cinco) anos, e, também por isso, violam a legislação de regência. 32 Com efeito, se desde a entrega da DCTF Retificadora anterior (23.08.2006), o débito estava compensado em Dcomp regularmente entregue a esta Secretaria, e, se apenas em 01.12.2008 o interessado entregou DCTF Retificadora, é essa última data que regerá o procedimento de compensação. 33 No entanto, nela, já havia decorrido o prazo decadencial de 5 (cinco) anos (darfs de 2001 e darfs de 2002), de forma que tais pagamentos não poderiam mais ser objeto de restituição/compensação. 34 Temse, pois, que a última DCTF Retificadora está contrária à legislação em vigor, de modo que as informações nela veiculadas não podem substituir a da DCTF anterior. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 175 13 Nesse espeque, ressalto que não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontar DIPJ, DCTF, LALUR, códigos de recolhimento, informativo quanto ao método, balancetes de apuração de resultados, a fim de comprovar o crédito, inclusive para também se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e porventura retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria; sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 176 14 Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressaltese, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano calendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 177 15 DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando destinados à constituição de créditos para fins de compensação e, mais, o ponto principal não resta claramente demonstrado o alegado saldo negativo/pagamento a maior. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. No mais, a decisão da DRJ apreciou, com riqueza e rigor de detalhes, a matéria suscitada na manifestação de inconformidade, apresentando os devidos fundamentos transcritos ao longo destes autos para rebatêla; de seu turno, o Contribuinte não estabeleceu, através de seu recurso, dialeticidade suficiente para apontar, na decisão combatida, quais daqueles argumentos da primeira instância não seriam adequados e conteriam eventual erro de julgamento ou erro de procedimento. Não foram refutados pontos importantes da decisão vergastada, repetindoa sem enfrentar algumas das razões de decidir da decisão objeto do Recurso Voluntário. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 18470.905741/201098 Acórdão n.º 1002000.629 S1C0T2 Fl. 178 16 Dispositivo Ante o exposto, voto para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720007/2015-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
SOLIDARIEDADE. GRUPO ECONÔMICO. PESSOAS JURÍDICAS ESTRANHAS À LIDE. INCLUSÃO NO POLO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.
Não há de se conhecer de solidariedade em face de pessoas jurídicas estranhas à lide e em relação às quais o lançamento já foi, inclusive, alcançado pela decadência.
Caracterizada falta de interesse recursal, não há de se conhecer da matéria alegada pelo contribuinte em face de pessoas jurídicas estranhas à lide.
VALE-GÁS. SALÁRIO UTILIDADE. FUNDAMENTO NA RELAÇÃO DE EMPREGO. HABITUALIDADE. COMUTATIVIDADE. GRATUIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA.
O salário-utilidade consubstanciado no Vale-Gás com fundamento na relação de emprego, caracterizado pela habitualidade, comutatividade, gratuidade, e não enquadrado nas exceções elencadas no art. 28, § 9°., da Lei n. 8.212/1991, nem nas proibições estabelecidas no art. 458, in fine, da CLT.
BÔNUS POR DESEMPENHO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. HABITUALIDADE. CARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O Bônus de Desempenho tem caráter remuneratório, constituindo-se remuneração indireta a atrair a incidência das contribuições sociais previdenciárias, sendo irrelevante, o fato de ser pago em parcela única por ato de liberalidade do empregador.
O requisito habitualidade não se refere ao número de vezes ou parcelas que o diretor estatutário não empregado recebe o Bônus de Desempenho dentro do mesmo exercício contábil/fiscal, e sim à continuidade da política do sistema de recompensa a se repetir a cada exercício ao longo do seu mandato.
INCENTIVO À PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA. . REMUNERAÇÃO INDIRETA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. HABITUALIDADE. CARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O incentivo à participação acionária tem caráter remuneratório, constituindo-se remuneração indireta a atrair a incidência das contribuições sociais previdenciárias, sendo irrelevante que se dê apenas no momento da oferta de varejo.
O requisito habitualidade não se refere ao número de vezes ou parcelas que ao diretor estatutário não empregado é disponibilizado o desconto na aquisição das ações, e sim à política em si do incentivo à participação acionária, vinculada ao único requisito de ser trabalhador do Sistema Petrobrás, ainda que na condição de segurado contribuinte individual, e materializado em desconto de 15% creditado na conta do trabalhador do referido sistema, inclusive segurados contribuintes individuais.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE LEGAL. ENUNCIADO 108 DE SÚMULA CARF.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 2402-006.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci que deu provimento ao recurso em relação ao vale-gás e ao aproveitamento dos valores recolhidos pela Petrobrás; vencida a Conselheira Renata Toratti Cassini que deu provimento ao recurso apenas em relação ao vale-gás; e vencido o Conselheiro Gregório Rechmann Junior que deu provimento ao recurso em relação ao vale-gás, ao aproveitamento dos valores recolhidos pela Petrobrás e em relação ao incentivo à participação acionária.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SOLIDARIEDADE. GRUPO ECONÔMICO. PESSOAS JURÍDICAS ESTRANHAS À LIDE. INCLUSÃO NO POLO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Não há de se conhecer de solidariedade em face de pessoas jurídicas estranhas à lide e em relação às quais o lançamento já foi, inclusive, alcançado pela decadência. Caracterizada falta de interesse recursal, não há de se conhecer da matéria alegada pelo contribuinte em face de pessoas jurídicas estranhas à lide. VALEGÁS. SALÁRIO UTILIDADE. FUNDAMENTO NA RELAÇÃO DE EMPREGO. HABITUALIDADE. COMUTATIVIDADE. GRATUIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. O salárioutilidade consubstanciado no ValeGás com fundamento na relação de emprego, caracterizado pela habitualidade, comutatividade, gratuidade, e não enquadrado nas exceções elencadas no art. 28, § 9°., da Lei n. 8.212/1991, nem nas proibições estabelecidas no art. 458, in fine, da CLT. BÔNUS POR DESEMPENHO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. HABITUALIDADE. CARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O Bônus de Desempenho tem caráter remuneratório, constituindose remuneração indireta a atrair a incidência das contribuições sociais previdenciárias, sendo irrelevante, o fato de ser pago em parcela única por ato de liberalidade do empregador. O requisito habitualidade não se refere ao número de vezes ou parcelas que o diretor estatutário não empregado recebe o Bônus de Desempenho dentro do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 07 /2 01 5- 64 Fl. 55047DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.048 2 mesmo exercício contábil/fiscal, e sim à continuidade da política do sistema de recompensa a se repetir a cada exercício ao longo do seu mandato. INCENTIVO À PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA. . REMUNERAÇÃO INDIRETA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. HABITUALIDADE. CARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O incentivo à participação acionária tem caráter remuneratório, constituindo se remuneração indireta a atrair a incidência das contribuições sociais previdenciárias, sendo irrelevante que se dê apenas no momento da oferta de varejo. O requisito habitualidade não se refere ao número de vezes ou parcelas que ao diretor estatutário não empregado é disponibilizado o desconto na aquisição das ações, e sim à política em si do incentivo à participação acionária, vinculada ao único requisito de ser trabalhador do Sistema Petrobrás, ainda que na condição de segurado contribuinte individual, e materializado em desconto de 15% creditado na conta do trabalhador do referido sistema, inclusive segurados contribuintes individuais. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE LEGAL. ENUNCIADO 108 DE SÚMULA CARF. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. Vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci que deu provimento ao recurso em relação ao vale gás e ao aproveitamento dos valores recolhidos pela Petrobrás; vencida a Conselheira Renata Toratti Cassini que deu provimento ao recurso apenas em relação ao valegás; e vencido o Conselheiro Gregório Rechmann Junior que deu provimento ao recurso em relação ao valegás, ao aproveitamento dos valores recolhidos pela Petrobrás e em relação ao incentivo à participação acionária. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Fl. 55048DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.049 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 54979/55016) em face do Acórdão n. 1055.690 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA (efls. 54938/54954) que julgou improcedente a impugnação (efls. 54718/54909) e manteve os lançamentos lavrados em 20/01/2015 e constituídos em 28/01/2015 (efl. 54712), consignados nos Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n. 51.015.4826 (antigo 51.015.4620) no valor total de R$ 1.451.142,51 com fulcro em i) contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre valores de remuneração pagos a segurados empregados, nas competências janeiro de 2010 a dezembro de 2010; e (ii) contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre valores de remuneração pagos a segurados contribuintes individuais (diretores estatutários não empregados), nas competências janeiro de 2010 a dezembro de 2010 e DEBCAD n. 51.015.4834 (antigo 51.015.4638) no valor total de R$ 81.466,72 com fulcro em contribuições destinadas a outras entidades e fundos, no caso, ao Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação FNDE (Salário Educação), Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Social do Comércio SESC, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, incidentes sobre valores de remuneração pagos a segurados empregados, nas competências janeiro de 2010 a dezembro de 2010 (efls. 54662/54684), conforme especificado no Relatório Fiscal (efls. 54.685/54711). Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação (e fls. 54718/54909) em 06/03/2015 (observandose reabertura de prazo concedida pela autoridade lançadora em 04/02/2015 efl. 54715), julgada improcedente pela DRJ/POA, nos termos do Acórdão n. 1055.690 (54938/54954), com o entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PROVA DOCUMENTAL. É de nenhum efeito o prévio protesto genericamente formulado no tocante à produção de provas, inclusive a documental. SUSTENTAÇÃO ORAL. A legislação que disciplina o julgamento administrativo de primeira instância não autoriza a realização de sustentação oral. INTIMAÇÃO. As intimações devem ser endereçadas ao domicílio tributário do sujeito passivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Fl. 55049DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.050 4 O saláriodecontribuição, tanto para o segurado empregado quanto para o segurado contribuinte individual, corresponde, na forma da lei, à remuneração total por eles auferida junto à empresa. Em conseqüência, para que determinada vantagem decorrente da relação laboral não componha o saláriode contribuição respectivo, há a necessidade de expressa previsão legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 JUROS. TAXA SELIC. A inclusão de contribuições em lançamento fiscal dá ensejo à incidência de juros equivalentes à taxa Selic, calculados sobre o valor originário das contribuições apuradas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do teor do Acórdão n. 1055.690 (54938/54954) em 13/04/2016 (efls. 54977), a impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário (efls. 54979/55016) na data de 12/05/2016 (efl. 54978), esgrimindo os seguintes argumentos: i) ilegitimidade da inclusão dos valores de "valegás" na base de cálculo das contribuições previdenciárias; ii) pagamentos efetuados aos diretores estatutários; iii) caráter eventual do bônus por desempenho e do incentivo à participação acionária; e iv) ilegalidade da incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 54979/55016) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Todavia, dele CONHEÇO PARCIALMENTE, uma vez que não é passível de conhecimento, por falta de interesse recursal, as alegações relativas à inclusão no polo passivo da lide em apreço, com espeque no instituto da solidariedade, de pessoas jurídicas estranhas a este processo e em relação às quais o lançamento já foi alcançado pela decadência. Para uma melhor contextualização da presente lide, resgato o Relatório Fiscal (efls. 54.685/54711), no essencial: [...] PARTE A AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 51.015.4620 Fl. 55050DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.051 5 DO PAGAMENTO DO VALEGÁS 5. Na análise da escrituração contábil da empresa fiscalizada, obtida através da Requisição de Cópia de Escrituração Contábil Digital n.° a005ff8b5c1a475eb6553a9a8b7ac2c8, mais especificamente na conta de despesa "3101040001Benefício Adicional" constatamos o pagamento, no período de janeiro a dezembro/2010, do subsídio do ValeGás a seus empregados. (grifei) 5.1. Tal subsídio foi estabelecido através de Convenção Coletiva de Trabalho entre a Federação Nacional dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivativos de Petróleo e o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo, em anexo. 5.2. Tratase de oferecimento de uma carga de gás em botijão de 13 Quilos (P13) pela empresa, mensalmente, a todos os seus empregados que não tiverem faltas injustificadas e que não residam em área abastecida por gás canalizado. O empregado que faz jus a este benefício, podem retirar sua carga de gás, tão somente no transcorrer do mês autorizado, em um dos estabelecimentos operacionais da sua empregadora, incluindo parques, filiais, depósitos e postos de revenda próprios, ou em caminhões de entrega domiciliar da mesma Empresa, sendo vedado acumular com as cargas devidas nos meses subseqüentes, mediante o pagamento de R$ 3,00 (três reais), descontado na folha de pagamento. 5.3. Indagada sobre o oferecimento deste benefício no salário de contribuição da Previdência Social, a fiscalizada em 05/09/2014, informou que o valegás não integrou a base de cálculo das contribuições previdenciárias e que os valores envolvidos estão consignados na folha de pagamento nas seguintes rubricas: 5.3.1. A fiscalizada apresentou planilha discriminando por mês os beneficiários dos valegás, contida no Anexo 1 do presente relatório fiscal, indicando o custo da empresa e do empregado. 6. Diferentemente do entendimento da fiscalizada, o benefício do valegás está contido nas hipóteses de incidência de contribuição previdenciária, e deveria integrar a base de cálculo desta contribuição, pois se trata de uma espécie de salário in natura, pago em utilidade que não o dinheiro. 6.1. O salário de utilidade quando é condição para o exercício de qualquer trabalho, não integra o salário, porque funciona a título de indenização; mas, os que não forem para esse fim, são vantagens e como tais, incorporamse ao salário para todos os efeitos, inclusive integrando as contribuições previdenciárias e o FGTS, como é o caso do valegás. Fl. 55051DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.052 6 [...] 6.4. No caso em questão, o benefício denominado "valegás" concedido mensalmente pela fiscalizada a seus funcionários possui natureza salarial, pois é habitual e gratuito, eis que apenas uma pequena parte é descontada do empregado (R$ 3,00); o restante, é custo da empresa. Neste diapasão deve integrar a base de Cálculo para fins de incidência da contribuição previdenciária, como dispõe o inciso I do artigo 28 da Lei 8.212/91, a seguir transcrito: (grifei) [...] 6.4.1. Não obstante, o subsídio do valegás não se encontra dentre as hipóteses de isenção previstas no art. 28, § 9° da Lei 8.212/91. 6.5. Em linhas gerais, todas as vantagens pecuniárias recebidas pelos empregados com habitualidade, desde que não excluídas expressamente pela legislação regente, constituem o salário de contribuição, para fins de incidência da contribuição previdenciária. [...] DA REMUNERAÇÃO DE DIRETORES NÃO OFERECIDA À TRIBUTAÇÃO 8. Da análise das divergências entre a DIRF e a GFIP constatamos que os diretores abaixo não estavam informados nesta última declaração. 8.1. Questionada sobre a divergência a fiscalizada informou que tratavam de diretores requisitados da empresa Petrobrás. Nesta seara, intimamos o contribuinte, através do termo de intimação de 27/08/2014, a esclarecer o tratamento tributário adotado para os citados administradores, fornecendo os comprovantes de pagamentos das remunerações a eles concedidos, indicando qual a empresa que de fato realizou tais pagamentos, indicando qual (is) a(s) empresa(s) estavam vinculados, apresentando, ainda, a ata de nomeação de diretoria ou registro em carteira, se empregados fossem. (grifei) 8.1.1. Em 03/12/2014, lavramos o Termo de Intimação Fiscal, remetido por via postal (Aviso de Recebimento n.° JG609942688BR), intimando o contribuinte a apresentar a fundamentação legal detalhada a respeito do tratamento tributário adotado para o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos diretores acima descritos, bem como a natureza da relação Fl. 55052DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.053 7 trabalhista, (diretor não empregado com direito a FGTS, diretor não empregado sem direito a FGTS ou diretor empregado, etc). 8.1.1. Em 12/12/2014, a fiscalizada informou que independente do tratamento tributário adotado pelas empresas de origem desses dirigentes (Petróleo Brasileiro S/A e Petrobrás Distribuidora S/A), as contribuições previdenciárias são regularmente recolhidas, conforme pode ser auferido nas relações dos trabalhadores constantes nos arquivos SEFIP's, anexas ao esclarecimento; 8.1.2. Informou que a própria legislação de regência da Seguridade Social afirma a possibilidade de se impor responsabilidade solidária no cumprimento da obrigação tributária pertinente às contribuições previdenciárias, nos termos do art. 30 da lei 8.212/91, in verbis: [...] 8.1.3. Desta forma, reafirma que os diretores são empregados das empresas Petróleo Brasileiro S/A (Celso da Frota Braga) e da Petrobrás Distribuidora S/A (Antonio Rubens Silva Silvino, Paulo César Chaves Furlanetto e Thomaz Lucchini Coutinho), com honorários pagos pela empresa em que atuam como diretores (Liquigas Distribuidora S/A). Considerando que tais empresas respondem solidariamente entre si, os encargos de INSS e FGTS são realizados pela Petrobrás, ficando por conta da Liquigás, apenas o IRRF 8.2. Como veremos tal procedimento, além de ser contraditório, também não tem amparo legal, visto que, conforme os Demonstrativos de Pagamento disponibilizados, a remuneração percebida pelos diretores é efetuada diretamente pela Fiscalizada, em retribuição aos serviços prestados, nascendo neste momento o fato gerador, com descreve o inciso I do art. 22 da lei 8.212/91, in verbis:(verbis) [...] 8.3. É notório que os mencionados diretores estatutários auferem remuneração em decorrência da prestação de serviço na Fiscalizada, que ao fazer tais pagamentos, tornase sujeito passivo responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, bem como, das demais obrigações acessórias,dispostas no art. 32 da Lei 8.212/91, como segue: (grifei) [...] 8.5. Haveria a regularidade no recolhimento, caso as empresas de origem dos diretores, fizessem o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas em Guia de Recolhimento (GPS) com a identificação do CNPJ da Fiscalizada, e esta, os incluíssem em sua GFIP. Fl. 55053DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.054 8 8.6. Ademais, a luz da Súmula 269 do Tribunal Superior do Trabalho TST, os mencionados administradores, em razão da nomeação do cargo de diretor estatutário, têm o contrato de trabalho de empregado suspenso, não se computando o tempo de serviço deste período, salvo se permanecer a subordinação jurídica inerente à relação de emprego, o que não se verifica na relação trabalhista em apreço. 8.6.1. Assim, a inclusão deles na GFIP das empresas de origem, na categoria de empregado, quando de fato trabalham na empresa cedida (Liquigás), na condição de Diretores Estatutários, é irregular, não representando a relação jurídica trabalhista existente. (grifei) 8.6.2. Enganase a fiscalizada ao alegar que o recolhimento adimplido por empresa do mesmo grupo, não acarreta nenhum prejuízo ao Erário Público, pois, a empresa ao recolher tributo em que não realizou a materialidade descrita na norma tributária de outra empresa, sem as formalidades legais, poderá a vir no futuro solicitar compensação ou restituição. 8.6. Com isso, a Fiscalizada não logrou êxito em suas alegações, pois não apresentou fundamentos que pudesse afastar sua responsabilidade direta nos recolhimentos das contribuições previdenciárias incidentes nos pagamentos aos diretores estatutários cedidos das empresas Petróleo Brasileiro S/A e Petrobrás Distribuidora S/A. Também, não apresentou documentos hábeis que vinculasse o recolhimento das contribuições (GPS) e prestação de informações (GFIP) em seu próprio CNPJ com a remuneração dos citados diretores. (grifei) DA BASE DE CÁLCULO DA REMUNERAÇÕES DIRETORES NÃO INCLUÍDA EM GFIP 9. Pelas razões trazidas, apuramos as contribuições reputadas devidas pela fiscalizada, não recolhidas e declaradas em GFIP, extraída da folha de pagamento disponibilizada pela autuada, de acordo com a planilha abaixo, vinculada ao código de lançamento "DR DIRETORES REQUISITADOS": Fl. 55054DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.055 9 DOS PAGAMENTO AOS DIRETORES NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO 10. Foi detectado, ainda, o não oferecimento à tributação de verbas remuneratórias concedidas pela fiscalizada a seus diretores estatutários não empregados, integrantes do Conselho de Administração, considerados, portanto, contribuinte individual, nos termos da alínea "f", do inciso V, do art. 12, da Lei 8.212/91. 10.1. As verbas que não foram inclusas na base de cálculo das contribuições previdenciárias referemse, inicialmente, ao Bônus por Desempenho (Honorário), constantes na folha de pagamento dos administradores, sob as rubricas 52012 e 534204, como segue: 10.2. Além dessas verbas, a fiscalizada, também deixou de incluir na base de cálculo das contribuições previdenciárias a remuneração discriminada na verba 50408 Incentivo à Participação Acionária, a seguir discriminada: 10.2.1. O Incentivo à Participação Acionária (Dir), referese a um crédito 15% do investimento direto de trabalhadores o Sistema Petrobrás na aquisição de ações (Oferta de Varejo da Petrobrás), como previsto pelo Programa de Incentivo publicado nas páginas 82 e 83 da Seção 1 do DOU n° 179 de 17/09/2010. 10.3. Questionada sobre a natureza jurídica das citadas verbas e sobre a não inclusão delas na basedecálculo das contribuições previdenciárias, através do Termos de Intimação Fiscal lavrados em 03/12/2014 e 18/11/2014, a Fiscalizada em 12/12/2014, argumentou que o Bônus por Desempenho (rubricas 052012 e 534204) tratase de uma premiação concedida pela empresa que faz parte de um programa de incentivo de curto prazo, baseado em resultados atrelados a indicadores físicos e financeiros, tornandose importante fator de retribuição pelo resultado e Fl. 55055DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.056 10 desempenho e importante aliado na retenção de gestores e profissionais, além de enfatizar a rentabilidade do negócio e responsabilidade socioambiental. 10.3.1. Já, a rubrica 50408 Incentivo à Participação Acionária da Diretoria, esclareceu que é um estimulo da empresa a seus empregados para a aquisição de ações da empregadora negociadas na bolsa de valores, que não se enquadrava na hipótese de incidência tributária prevista na lei 8.212/91, uma vez que a disponibilidade econômica não decorre do trabalho realizado ou tempo de disposição do empregador. Sendo eventual, não compondo a base de cálculo da contribuição previdenciária. [...] 11.9. Além disso, o Bônus por Desempenho, conforme afirma a própria Fiscalizada, tratase de premiação pelo desempenho da empresa, e como tal revestese de natureza remuneratória, devendo integrar o salário de contribuição. Na mesma toada, segue o Incentivo à Participação Acionária, que diferentemente do alegado da empresa, advém da relação de trabalho, pois tal benefício é concedido apenas aos trabalhadores do sistema Petrobrás. Assim, a afirmação da empresa seria válida se o incentivo à participação acionária fosse estendida a todo o mercado. A condição portanto é ser funcionário. Neste termo, o valor reembolsado de 15% sobre o preço pago pelas ações é um bônus, que não tem isenção tributária. (grifei) PARTE B AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 51.015.4638 Da Contribuição por Reflexo: 15. O presente lançamento fiscal consiste na apuração das contribuições previdenciárias destinadas às Outras Entidades conveniadas denominadas de Terceiros SALARIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAC, SESC E SEBRAE, incidentes sobre o custo efetivo do Vale Gás, consignado nos itens 5,6 e 7 do presente relatório, por tributação reflexiva. Das Contribuições Apuradas: 15.1. Considerando a atividade principal da empresa, ou seja, o comércio atacadista de gás liquefeito de petróleo (GLP), enquadrada no código do Fundo da Previdência e Assistência Social FPAS 515, sobre as bases de cálculo apuradas no "subitem 7.1" acima, foram aplicadas as seguintes alíquotas fixadas pela legislação vigente à época dos fatos geradores: Fl. 55056DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.057 11 A decisão recorrida, ao apreciar a matéria em sede de impugnação, conclui pelo caráter contraprestacional do ValeGás argumentando, em apertada síntese: Quanto ao caráter contraprestacional da verba, observese que o seu recebimento, pelo segurado empregado, está expressamente vinculado à inexistência de faltas injustificadas ao trabalho (causa imediata) – de onde se infere que, na ocorrência de falta não justificada, o segurado empregado deixa de receber a remuneração correspondente ao período em que faltou (período não trabalhado) e o Valegás do mês em que tal fato ocorreu. Também não se pode deixar de considerar que o pagamento do Valegás tem como causa mediata a condição de segurado empregado a serviço da impugnante. Inexistindo a condição de segurado empregado, não há que se falar no pagamento da verba em apreço. No que diz respeito aos pagamentos aos diretores estatutários não empregados, a instância de piso assim se posiciona: Nos termos do artigo 28, inciso III, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876, de 26 de novembro de 1999, combinado com o artigo 214, inciso III, do RPS, na redação dada pelo Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, o saláriodecontribuição, para os segurados contribuintes individuais – dentre os quais fazem número os diretores não empregados, conforme artigo 12, inciso V, alínea “f”, da Lei n.º 8.212/91, incluído pela Lei n.º 9.876/99 –, corresponde à “remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria”. [...] A autoridade lançadora, no subitem 8.2 do Relatório Fiscal, registra que a remuneração percebida pelos diretores é efetuada diretamente pela empresa fiscalizada, em retribuição aos serviços a ela prestados – o que atrai, para a impugnante, de uma parte, a obrigatoriedade de recolhimento da contribuição previdenciária patronal de 20%, incidente sobre os valores de remuneração por ela pagos aos diretores estatutários não empregados a seu serviço – obrigação tributária principal, a teor do artigo 113, parágrafo 1.º, do CTN, consubstanciada no artigo 30, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 8.212/91, com as alterações da Lei n.º 11.933/2009; e, de outra parte, a obrigatoriedade de incluir tais trabalhadores em suas folhas de pagamento e em suas GFIPs – obrigações tributárias acessórias, nos termos do artigo 113, parágrafo 2.º, do CTN, estabelecidas no artigo 32, incisos I e IV, da Lei n.º 8.212/91, com as alterações da Lei n.º 11.941/2009, combinado com o artigo 225, incisos I e II, e seus parágrafos, do RPS. Em assim sendo, no caso em tela, em que constatados, por um lado, a prestação de serviços pelos diretores estatutários não Fl. 55057DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.058 12 empregados à impugnante, e, por outro, em contrapartida, o pagamento da correspondente remuneração (honorários) pela impugnante a esses mesmos diretores, não há que se discutir a condição de contribuinte, da Liquigás Distribuidora S.A., no tocante às contribuições previdenciárias patronais, objeto do AI n.º DEBCAD 51.063.4826, Levantamento DR Diretores Requisitados. Não colhem, no caso, as alegações da impugnante acerca da condição de responsáveis solidárias das empresas Petróleo Brasileiro S/A (quanto à remuneração do diretor Celso da Frota Braga) e Petrobrás Distribuidora S/A (quanto às remunerações dos diretores Antonio Rubens Silva Silvino, Paulo César Chaves Furlanetto e Thomaz Lucchini Coutinho), em relação às quais esses diretores manteriam a condição de segurados empregados, assim constando nas GFIPs daquelas empresas. E isto porque, primeiro, inexiste, do ponto de vista da legislação tributárioprevidenciária, impedimento a que tais trabalhadores possam ser segurados empregados, como diretores empregados da Petróleo Brasileiro S/A e da Petrobrás Distribuidora S/A, sendo por isso remunerados por essas empresas, e, simultaneamente, sejam também segurados contribuintes individuais, como diretores não empregados da impugnante, sendo por esta igualmente remunerados. Segundo, porque estando tais diretores a serviço da impugnante, e sendo por esta remunerados, donde decorre a sua condição de contribuinte em relação às exações previdenciárias incidentes sobre a remuneração desses trabalhadores, não se justifica a sua substituição – em prejuízo da peça de autuação, bem assim do lançamento nela consubstanciado – por outras empresas, detentoras estas tãosomente da condição de responsáveis pelo pagamento do tributo, e que poderão, mesmo sem a desconstituição do auto de infração, ser chamadas a adimplir as contribuições porventura impagas. Quanto à questão da ocorrência, ou não, de prejuízo ao Erário, cumpre observar, tãosomente, que tal questão não diz respeito nem à ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, situação prevista em lei e suficiente para o nascimento da obrigação tributária, nem tampouco é requisito para a realização do lançamento dessas exações, atividade também estabelecida em lei, e vinculada para a autoridade administrativa. Com relação ao Bônus por Desempenho e do Incentivo à Participação Acionária, a DRJ/POA entendeu pela não eventualidade dos pagamentos, conforme segue: Em relação ao Bônus por Desempenho e ao Incentivo à Participação Acionária, ambos pagos aos diretores não empregados a serviço da impugnante, valem as mesmas observações já feitas no tocante aos segurados empregados beneficiários do Valegás, especialmente no que pertine à incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração Fl. 55058DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.059 13 total do segurado a serviço da empresa, excluídas tãosomente as hipóteses de isenção definidas em lei, de forma expressa e exaustiva. [...] O Bônus por Desempenho, segundo a impugnante, referese a uma gratificação paga aos seus diretores em 2010, em decorrência de haver sido alcançado expressivo montante no faturamento da empresa. Esse pagamento foi realizado em uma única parcela, no momento em que alcançada a meta nos resultados obtidos nesse exercício. Já o Incentivo à Participação Acionária referese ao desconto de um crédito de 15% do investimento dos trabalhadores do Sistema Petrobrás na aquisição de ações da Petrobrás na Oferta de Varejo, como previsto no Programa de Incentivo publicado no DOU de 17 de setembro de 2010. A autoridade lançadora aduz que, conforme a empresa, tratase de um estímulo a seus empregados, para a aquisição de ações da empregadora negociadas na bolsa de valores. Examinadas as hipóteses elencadas no parágrafo 9.º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, bem assim aquelas discriminadas no parágrafo 9.º do artigo 214 do RPS e no artigo 58 da IN RFB n.º 971/2009, verificase que, dentre elas, não se encontram nem o Bônus por Desempenho nem o Incentivo à Participação Acionária. Notese que o disposto no artigo 28, parágrafo 9.º, alínea “e”, n.º 7, da Lei n.º 8.212/91, redação dada pela Lei n.º 9.711, de 20 de novembro de 1998, referido pela impugnante, menciona, especificamente, às importâncias “recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário.” (Grifouse.) Tal exclusão da base de cálculo das exações previdenciárias referese, portanto, especificamente aos salários, forma de remuneração própria dos segurados empregados, que não se confunde com aquela concernente aos segurados contribuintes individuais (honorários). Notese, ainda, quanto à alegada eventualidade dos pagamentos do Bônus por Desempenho e ao Incentivo à Participação Acionária, que tal circunstância mostrase compatível com a natureza do vínculo previdenciário estabelecido entre as empresas e os segurados contribuintes individuais, que tem na eventualidade da prestação do trabalho uma de suas características principais. Quanto à suposta isenção “concedida” pela autoridade fiscal, no tocante aos valores do Incentivo à Participação Acionária pagos aos empregados da impugnante, nada há a examinar haja vista que o presente processo – e por via de conseqüência a impugnação interposta pela empresa referese às contribuições lançadas, objeto dos AIs n.º DEBCAD 51.063.4826 e Fl. 55059DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.060 14 51.063.4834, não havendo que se perquirir acerca de exações não incluídas nos lançamentos consubstanciados nas peças de autuação. Não há, portanto, que se falar no caráter eventual dos pagamentos do Bônus por Desempenho ou do Incentivo à Participação Acionária. Conforme já relatado, a Recorrente enfrenta a decisão de piso alegando, em apertada síntese, i) ilegitimidade da inclusão dos valores de "valegás" na base de cálculo das contribuições previdenciárias; ii) pagamentos efetuados aos diretores estatutários; iii) caráter eventual do bônus por desempenho e do incentivo à participação acionária; e iv) ilegalidade da incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. No que diz respeito à inclusão dos valores de "valegás" na base de cálculo das contribuições previdenciárias, a Recorrente alega que não se caracteriza salário in natura, oportunidade em que colaciona diversas decisões de tribunais do trabalho que reforçam a sua tese. Quanto aos pagamentos efetuados aos diretores estatutários, a Recorrente reclama pela imputação de responsabilidade solidária da Petrobrás e da BR Distribuidora em face do crédito em lide, e que não houve prejuízo ao erário em virtude dos recolhimentos de contribuições previdenciárias afetas aos referidos diretores, procedidos por aquelas empresas. Com relação ao caráter eventual do bônus por desempenho e do incentivo à participação acionária, a Recorrente esclarece: [...] Fl. 55060DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.061 15 [...] [...] [...] Fl. 55061DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.062 16 [...] Por fim, a Recorrente reclama pela ilegalidade da incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Muito bem. Inclusão dos valores de "valegás" na base de cálculo das contribuições previdenciárias O salário utilidade é o benefício ou a utilidade que o empregado recebe ou usufrui deste pelo trabalho e não para o trabalho. Na espécie, verificase que tratase de um subsídio, estabelecido através de Convenção Coletiva de Trabalho entre a Federação Nacional dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivativos de Petróleo e o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo CCT 2009/2010 Cláusula Vigésima Sexta e CCT 2010/2011 Cláusula Vigésima Quinta (efls. 54433/54435), consubstanciado em fornecimento de uma carga de gás em botijão de 13 Quilos (P13) pela Recorrente, mensalmente, a todos os seus empregados que não tiverem faltas injustificadas e que não residam em área abastecida por gás canalizado. O empregado que faz jus a este benefício, pode retirar sua carga de gás, tão somente no transcorrer do mês autorizado, em um dos estabelecimentos operacionais da sua empregadora, incluindo parques, filiais, depósitos e postos de revenda próprios, ou em caminhões de entrega domiciliar da Recorrente, sendo vedado acumular com as cargas devidas nos meses subseqüentes, mediante o pagamento de R$ 3,00 (três reais), descontado na folha de pagamento. Na forma como pactuado, o ValeGás tem como fundamento a relação de emprego, caracterizase pela habitualidade, comutatividade (é pelo trabalho), gratuidade (contrapartida por preço irrisório), e não se enquadra nas exceções elencadas no art. 28, § 9°., da Lei n. 8.212/1991, nem nas proibições estabelecidas no art. 458, in fine, da CLT. É cediço que não há um rol taxativo de rubricas integrantes do saláriode contribuição, vez que quaisquer valores revestidos de natureza remuneratória, via de regra, compõem o saláriodecontribuição, havendo, a legislação, todavia, enumerado algumas verbas de forma expressa. Nessa perspectiva, constatase, de plano, que o benefício ValeGás, por seu fundamento e suas características, amoldase ao tipo legal consignado no art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991, verbis: Fl. 55062DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.063 17 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...](grifei) Nesse sentido, é oportuno colacionar entendimento do STJ abrigado no AgRg no REsp n. 1.479.931/RJ, julgado em 28/04/2015: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VERBAS PAGA AO EMPREGADO. VALEGÁS. BENEFÍCIO DE NATUREZA SALARIAL. HABITUALIDADE E GRATUIDADE. ART. 28, § 9º, DA LEI N. 8.212/91. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. COMPOSIÇÃO. 1. Cingese a controvérsia trazida a esta Corte à possibilidade de incidência da contribuição previdenciária sobre o benefício denominado "valegás", pago mensalmente pela empresa a seus funcionários. 2. O Tribunal de origem considerou que a verba em apreço possui natureza salarial e, portanto, integra a base de cálculo para fins de incidência da contribuição previdenciária, pois não se encontra entre as hipóteses de isenção previstas no art. 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91. 3. É assente nesta Corte que incide contribuição previdenciária sobre o "total da remuneração" paga ou creditada aos trabalhadores, a qualquer título, exceto as verbas listadas no art. 28, § 9º, da Lei n. 8.212/1991. 4. Na espécie, cuidase de pagamento feito com habitualidade pela empresa a título de valegás, hipótese que não está arrolada entre as exceções legais, além de estar prevista em Convenção Coletiva de Trabalho do Sindicato respectivo, de modo a atrair a incidência da contribuição previdenciária.(grifei) Agravo regimental improvido. Isto posto, o salário utilidade consubstanciado no ValeGás deve integrar a base de Cálculo para fins de incidência da contribuição previdenciária. Fl. 55063DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.064 18 Pagamentos efetuados aos diretores estatutários não empregados Resta fartamente evidenciado nos autos, inclusive reconhecido pela própria Recorrente, que os diretores empregados das empresas Petróleo Brasileiro S/A (Celso da Frota Braga) e da Petrobrás Distribuidora S/A (Antonio Rubens Silva Silvino, Paulo César Chaves Furlanetto e Thomaz Lucchini Coutinho) foram remunerados pela Recorrente em decorrência de seus préstimos laborais, o que, per si, atrai a obrigatoriedade de recolhimento da contribuição previdenciária patronal de 20%, incidente sobre os valores de remuneração por ela pagos aos diretores estatutários não empregados a seu serviço (contribuintes individuais art. 12, V, alínea “f”, da Lei n. 8.212/1991, incluído pela Lei n. 9.876/99) obrigação tributária principal, a teor do art. 113, § 1°., do CTN c/c art. 30, I, alínea “b”, da Lei n. 8.212/1991, com as alterações da Lei n. 11.933/2009, bem assim a obrigatoriedade de incluir tais trabalhadores em suas folhas de pagamento e em suas GFIPs obrigações tributárias acessórias, nos termos do art. 113, § 2º., do CTN c/c art. 32, I e IV, da Lei n. 8.212/1991, com as alterações da Lei n. 11.941/2009, e art. 225, I e II, e parágrafos, do Decreto n. 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social). Assim, ante a irrefutabilidade dos fatos, a Recorrente limitase a reclamar pela solidariedade das empresas Petróleo Brasileiro S/A e da Petrobrás Distribuidora S/A, com as quais os diretores em tela mantêm vínculos empregatícios, ao amparo do art. 124 do CTN c/c art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991, bem assim a inexistência de prejuízo ao erário decorrente de recolhimentos de contribuições previdenciárias relacionadas aos diretores cedidos à Recorrente efetuados pelas empresas de origem. Nesse aspecto, consoante já informado quando do juízo de admissibilidade do recurso voluntário no início deste voto, não há de se conhecer das alegações da Recorrente em virtude de falta de interesse recursal, tendo em vista que as pessoas jurídicas citadas sequer fazem parte da presente lide, observandose ainda que o lançamento em apreço já foi alcançado pela decadência em face daquelas. Nessa esteira, resta prejudicada a pretensão da Recorrente no sentido de serem deduzidos do lançamento em litígio os recolhimentos eventualmente efetuados por aquelas empresas a título de contribuições previdenciárias patronais vinculados aos diretores disponibilizados à Recorrente. Caráter eventual do bônus por desempenho e incentivo à participação acionária Conforme já relatado, o Incentivo à Participação Acionária referese a um crédito de 15% do investimento direto de trabalhadores o Sistema Petrobrás na aquisição de ações (Oferta de Varejo da Petrobrás), como previsto pelo Programa de Incentivo publicado nas páginas 82 e 83 da Seção 1 do DOU n. 179 de 17/09/2010. De acordo com a Recorrente, tratase de um estimulo da empresa a seus empregados para a aquisição de ações da empregadora negociadas na bolsa de valores, que não se enquadra na hipótese de incidência tributária prevista na Lei n. 8.212/91, uma vez que a disponibilidade econômica não decorre do trabalho realizado ou tempo de disposição do empregador, revestindo, assim, de um caráter eventual, não compondo a base de cálculo da contribuição previdenciária. Por usa vez, o Bônus por Desempenho, pago aos diretores estatutários não empregados, tratase de uma premiação concedida pela empresa, no contexto de um programa de incentivo de curto prazo, baseado em resultados atrelados a indicadores físicos e financeiros (metas), tornandose importante fator de retribuição pelo resultado e desempenho e importante aliado na retenção de gestores e profissionais, além de enfatizar a rentabilidade do negócio e Fl. 55064DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.065 19 responsabilidade socioambiental. Segundo a Recorrente, esse pagamento foi realizado em uma única parcela, no momento em que alcançada a meta nos resultados obtidos nesse exercício. Muito bem. Conforme se depreende dos autos, a Recorrente amparase na eventualidade dos pagamentos a título de Bônus por Desempenho e de Incentivo à Participação Acionária, como escudo a elidir a incidência de contribuições previdenciárias sobre essas verbas. No tocante ao Bônus por Desempenho pago aos diretores estatutários não empregados, verificase, de plano, que decorre da relação de trabalho estabelecida entre aqueles, e apenas aqueles, e a Recorrente, e tem como base de cálculo os resultados atrelados a indicadores físicos e financeiros (metas) estabelecidos em Plano Anual de Negócios (PAN). É dizer, não se trata de participação nos lucros e resultados (PLR) prevista no art. 7°., XI, da CF/88 c/c art. 28, § 9°., alínea "j", da Lei n. 8.212/1991, vez que é restrito àqueles diretores, não envolvendo negociação com sindicatos, sua periodicidade de pagamento é livremente estabelecida pela empresa, e tem natureza de gratificação pela boa gestão e os resultados trazidos para a empresa. De se observar que no Bônus de Desempenho o que se integra à remuneração é a sua própria política, vez que os diretores estatutários não empregados sempre terão a possibilidade de ser recompensados financeiramente, desde que alcançados os resultados e o desempenho de lucratividade da empresa. No caso concreto, os referidos ganhos somente são apurados ao fim de cada exercício contábil/fiscal, vez que são atrelados à lucratividade obtida pela empresa no referido período (no caso concreto, 2010) consignadas nas respectivas demonstrações financeiras. É dizer, a Recorrente estabeleceu que a periodicidade para o pagamento do Bônus de Desempenho é anual ao longo do mandato dos diretores estatutários não empregados. Decorre então que, por óbvio, o pagamento se dar em parcela única em cada exercício contábil/fiscal, o que não desnatura o seu caráter habitual, vez que se repete a cada exercício durante o mandato daqueles diretores (3 anos, permitida uma recondução, podendo totalizar, portanto, um período de 6 anos efl. 75). Nessa perspectiva, o requisito "habitualidade" não se refere ao número de vezes ou parcelas que o diretor estatutário não empregado recebe a verba dentro do mesmo exercício contábil/fiscal, e sim à continuidade da política do sistema de recompensa, a se repetir a cada exercício ao longo do seu mandato, que pode chegar a um período de 6 (seis) anos, incluindo as reconduções. Nesse aspecto, é bastante elucidativo o esclarecimento da Recorrente: É dizer, a expectativa de fruição do Bônus de Desempenho está diretamente vinculada à lucratividade da Recorrente, que só é apurada ao fim de cada exercício contábil/fiscal. Ou seja, na duração do mandato, os diretores estatutários não empregados recebem valores a título de Bônus de Desempenho em decorrência da continuidade da política Fl. 55065DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.066 20 do sistema de recompensa, que se constitui prática reiterada pela Recorrente, conforme ela mesma afirma: Na espécie, a Recorrente elabora Planos Anuais de Negócios (PAN) nos quais estabelece metas de resultados e de desempenho a serem alcançados para cada exercício contábil/fiscal, que permitem aferir o montante do Bônus de Desempenho a ser pago aos diretores estatutários não empregados. Especificamente para o ano de 2010, a Recorrente estipulou as seguintes metas: Nesse contexto, não socorre a Recorrente o disposto no art. 201, § 11 da CF/88 que se destina especificamente aos empregados, que não é o caso que ora se analisa, vez que tratase de diretores estatutários não empregados, cedidos pelas empresas Petrobrás e Petrobrás Distribuidoras, enquadrados, portanto, no conceito de contribuintes individuais. Vejamos: Art. 201. (omissis) [...] § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...](grifei) Outrossim, também não se aplica a exceção prevista no art. 28, § 9°., alínea "e", item 7, da Lei n. 8.212/1991, tendo em vista que não se trata de ganhos eventuais, mas sim habituais, ano após ano, exercício a exercício, conforme já relatado. Fl. 55066DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.067 21 Reforça o entendimento aqui esposado, recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ), consignadas no AgREsp 655644/RJ 2015/00136339 (excertos abaixo transcritos), que sinalizam, de forma inequívoca, no sentido do caráter remuneratório dessa verba, com a consequente incidência de contribuições previdenciárias, independentemente de ser pago em parcela única ou de tratarse de liberalidade do empregador: [...] Com relação à verba denominada "prêmio de produtividade", há diversos precedentes nessa Corte que reconhecem o seu caráter salarial, e consequentemente, a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. Confirase: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO DE "PRÊMIO DE DESEMPENHO". VERBA DE NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INTERPRETAÇÃO DO ACORDO COLETIVO. REVISÃO DA PROVA ANALISADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. SÚMULAS 5 E 7/STJ. ALÍNEA C. NÃODEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. 1. Controvertese a respeito da incidência de contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de "Prêmio de Desempenho", previsto em Acordo Coletivo de Trabalho. 2. O Tribunal a quo se reportou ao instrumento de avença para consignar que a quantia controvertida é equiparável ao conceito de comissão, previsto no art. 457 da CLT, razão pela qual, por se amoldar à definição de salário, está sujeita à incidência tributária. 3. A pretensão recursal de enquadrála no conceito de abono único, mesmo que pago em mais de uma prestação, demanda revolvimento do acervo probatório dos autos, bem como interpretação dos termos que integram a Convenção Coletiva. Aplicação das Súmulas 5 e 7/STJ. 4. A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizandose o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais (art. 541, parágrafo único, do CPC e art. 255 do RI/STJ) impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea c do inciso III do art. 105 da Constituição Federal. 5. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1254233/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/08/2011, DJe 08/09/2011) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. "PRÊMIO DESEMPENHO". CARÁTER REMUNERATÓRIO. NEGATIVA DE VIGÊNCIA DO ART. 535, II, DO CPC. INEXISTÊNCIA. 1. Cuidase de recurso especial interposto pela Companhia Vale do Rio Doce contra acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região que negou provimento ao apelo autoral ao concluir que a Lei n. 5.890/73 é taxativa e impõe a incidência de contribuição previdenciária sobre qualquer parcela paga ao Fl. 55067DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.068 22 empregado. A recorrente aponta negativa de vigência dos arts. 535, II, do CPC, 76 da Lei n. 3.807/60, 173 do Decreto n. 60501/67, 223 do Decreto n. 72771/73 e 457 da CLT, além de divergência jurisprudencial. Em suas razões, sustenta, em síntese, que: a) embora devidamente suscitado no recurso integrativo, não houve pronunciamento acerca do conceito de remuneração e saláriodecontribuição previsto nos Decretos n. 60.501/67 e 72.771/73 e na CLT; b) as parcelas recebidas pelos empregados a título de "prêmiodesempenho" foram pagas eventualmente sem nenhuma contraprestação, logo não se enquadram no conceito de saláriodecontribuição. 2. Se o Tribunal de origem adota entendimento diverso do pretendido pela parte analisando a questão sob o prisma que julga pertinente à lide de forma motivada e fundamentada, não há violação do art. 535, II, do CPC. 3. A legislação vigente à época dos débitos em discussão (08/1973 a 02/1974), Lei n. 3.807/60, art. 76, bem como o entendimento do egrégio STF, assinalado na Súmula n. 241, reconhecia que as parcelas recebidas pelo empregado, pagas a qualquer título, integravam o saláriode contribuição. 4. Na espécie, diante das circunstâncias fáticas apresentadas em juízo destacou o Tribunal de Origem: "O caso é que o"bônus"ou"prêmio desempenho"tem caráter remuneratório, sendo irrelevante, o fato de se tratar de parcela paga por ato de liberalidade do empregador." (fl. 120). 5. Recurso especial nãoprovido. (REsp 910.214/ES, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2007, DJ 11/06/2007, p. 293) (grifei) [...] Isto posto, concluise que o Bônus de Desempenho tratase, de fato, de salário indireto passível de incidência de contribuições previdenciárias. Com relação ao incentivo à participação acionária, verificase que tratase de desconto de um crédito de 15% do investimento dos trabalhadores do Sistema Petrobrás na aquisição de ações da Petrobrás na Oferta de Varejo, como previsto no Programa de Incentivo publicado no DOU de 17 de setembro de 2010, caracterizado, em sua essência, como remuneração variável. De se observar que a presente lide, objeto dos AIOP DEBCAD n. 51.015.4826 (antigo 51.015.4620) e DEBCAD n. 51.015.4834 (antigo 51.015.4638), cingese à caracterização, ou não, dos valores pagos como incentivo à participação acionária aos diretores não empregados com natureza de salário de contribuição, passível, portanto, de incidência de contribuições previdenciárias, Na espécie, verificase que o incentivo à participação acionária é, na sua essência, pagamento pelo trabalho que integrase ao patrimônio dos trabalhadores do Sistema Petrobrás, e apenas a estes. Com efeito, a significativa vantagem, consubstanciada no desconto de um crédito de 15% do investimento, é restrita àquele universo de trabalhadores, não sendo oferecida aos demais adquirentes do mercado. É dizer, é fundamental a condição do vínculo laboral com o Sistema Petrobrás, incluídos os diretores não empregados não empregados (contribuintes individuais). Fl. 55068DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.069 23 Verificase, da mesma forma que nos pagamentos a título de Bônus de Desempenho, a Recorrente amparase na eventualidade dos pagamentos a título de Incentivo à Participação Acionária, como escudo a elidir a incidência de contribuições previdenciárias sobre essas verbas. Todavia, é de se observar que, conforme já destacado para o Bônus de Desempenho, o que se integra à remuneração, no caso do Incentivo à Participação Acionária, é a sua própria política, vez que os diretores estatutários não empregados têm a possibilidade de obter o desconto de um crédito de 15% do investimento direto na aquisição de ações (Oferta de Varejo da Petrobrás), conforme estipulado no Programa de Incentivo (publicado nas páginas 82 e 83 da Seção 1 do DOU n. 179 de 17/09/2010), bastando, tãosomente que atendam ao único requisito de serem trabalhadores do Sistema Petrobrás. Na espécie, os diretores estatutários não empregados, apesar de se enquadrarem na condição de segurados contribuintes individuais para a Recorrente, são empregados do referido sistema, ves que, na origem, têm vínculos laborais com a Petrobrás S/A e com a Petrobrás Distribuidora S/A. Nessa perspectiva, o requisito "habitualidade" não guarda relação com o número de vezes em que ao diretor estatutário não empregado é disponibilizado o desconto em apreço, sendo irrelevante que se dê apenas no momento da oferta de varejo, e sim à política em si do incentivo à participação acionária consolidada em plano específico e com percentual definido de desconto a ser creditado na conta dos trabalhadores do Sistema Petrobrás (no caso concreto, 15%). Neste ponto, é oportuno resgatar os esclarecimentos da Recorrente: Noutro giro, transcrevo a íntegra da Ata da Reunião n. 1.338, do Conselho dde Administração da Petrobrás S/A, realizada em 01/09/2010 e publicada no DOU n. 179, de 17/09/2010 (Seção 1, p. 8283), que guarda pertinência com a matéria em apreço: Fl. 55069DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.070 24 Fl. 55070DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.071 25 Fl. 55071DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.072 26 Fl. 55072DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.073 27 Observase, da Ata da Reunião n. 1.338 (acima reproduzida), bem assim do próprio relato da Recorrente, o caráter pessoal (diretores e funcionários ativos da Petrobrás S/A e administradores e funcionários ativos das Sociedades do Sistema Petrobrás), bem assim a impossibilidade de transferência, a qualquer título, das ações adquiridas sob o manto do referido plano de incentivo pelo prazo de 365 dias, limitandose o recebimento do crédito (incentivo) ao valor máximo de R$ 300.000,00 a ser creditado em conta corrente do empregado Fl. 55073DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201564 Acórdão n.º 2402006.979 S2C4T2 Fl. 55.074 28 da Petrobrás no prazo de até 30 dias da data em que ocorrer o efetivo pagamento da subscrição das ações. Tais condições não se estendem às ofertas de ações da Petrobrás comumente negociadas em mercados de renda variável organizados (bolsas de valores), caracterizados pela impessoalidade, vez que disponíveis a qualquer investidor, sem qualquer vínculo laboral e qualquer incentivo, na forma de desconto no investimento, podendo ser livremente exercidas e negociadas com terceiros participantes do mercado imediatamente após a sua aquisição, sem qualquer restrição. É dizer, o incentivo à participação acionária em apreço, caracterizado no Programa de Incentivo e consubstanciado no desconto de 15 % limitado ao valor máximo de R$ 300.000,00, tratase, sem sombra de dúvidas, de remuneração indireta aos diretores estatutários não empregados cedidos à Recorrente a atrair as contribuições sociais previdenciárias, na forma como procedeu a autoridade lançadora, vez que não se enquadram nas exceções do art. 28, § 9°., alínea "e", item 7, da Lei n. 8.212/1991. Juros sobre multa de ofício Essa matéria, bastante recorrente neste Colegiado, é objeto do Enunciado n. 108 de Súmula CARF, dispensandose assim considerações adicionais: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.(grifei) Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário (efls. 54979/55016), para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 55074DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000319/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.350
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
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LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 19 /2 01 0- 14 Fl. 275DF CARF MF Processo nº 16349.000319/201014 Acórdão n.º 3402006.350 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 03062.630, proferido pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter a Decisão que indeferiu o Pedido de Restituição (PER) por inexistência do crédito solicitado. Regularmente cientificada, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, onde pede a reforma da decisão de primeira instância, com o reconhecimento do direito à plena restituição de PIS/COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Em síntese, o Recurso Voluntário está fundamentado nos seguintes argumentos: i) Os montantes que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou a maior, efetuado com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998; ii) A despeito das sólidas alegações de direito que embasaram a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, e não obstante tais alegações terem sido suportadas por documentos hábeis à comprovação do crédito pleiteado, o v. acórdão manteve o entendimento do despacho decisório eletrônico; iii) Na base de cálculo da contribuição somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, ou sejam os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9718, já declarada pelo STF em decisão plenária definitiva, bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 16349.000319/201014 Acórdão n.º 3402006.350 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.345, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 16349.000329/201050, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.345): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito O Pedido de Restituição nº 30231.53932.100506.1.2.04 5076 tem por origem crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo no valor de R$ 9.207,56, referente ao Darf do período de apuração de abril de 2001, arrecadado em 15/05/2001, no valor de R$ 610.330,36, mantendo a glosa de créditos referentes à Contribuição do Financiamento da Seguridade Social (COFINS). A decisão recorrida não considerou a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, por concluir que o artigo 26A Decreto 70.235/1972 veda ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, sendo que até aquele momento não havia autorização do Secretário da Receita por meio de ato específico determinando os procedimentos, nos termos do artigo 77 da Lei 9.430/1996 e o Decreto 2.346/1977. A matéria suscitada é questão decidida em repercussão geral (Tema 110) pelo Supremo Tribunal Federal através do RE nº 585235, transitado em julgado em 12/12/2008, conforme Ementa abaixo: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de Fl. 277DF CARF MF Processo nº 16349.000319/201014 Acórdão n.º 3402006.350 S3C4T2 Fl. 0 4 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) Neste caso, considerando que a decisão recorrida foi proferida em 31/07/2014, deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecendo o direito ao crédito informado em PERD/COMP. De outro turno, igualmente por se tratar de decisão definitiva e vinculante do Supremo Tribunal Federal, não incide a Súmula CARF nº 2 e artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Deve ser aplicado neste caso o artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/20151. Neste sentido, colaciono precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/200103): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 278DF CARF MF Processo nº 16349.000319/201014 Acórdão n.º 3402006.350 S3C4T2 Fl. 0 5 Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Com relação ao ônus da prova da Contribuinte, restou reconhecido em despacho decisório que o pedido foi instruído com a relação de PERDCOMP de fls. 42/45, DARF de fl. 60, planilha demonstrativa do crédito de fls. 62/66 e lançamentos destacados no Livro Razão, às fls. 67/199. Portanto, deve a Unidade de Origem apurar o valor do crédito invocado e demonstrado pela Recorrente, afastando a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Dispositivo Ante o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 279DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.956039/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO.
Cabe ao sujeito passivo a comprovação, por meio do documentação hábil e idônea, de seu direito creditório reclamado.
Numero da decisão: 2402-006.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima (autor da proposta), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. Cabe ao sujeito passivo a comprovação, por meio do documentação hábil e idônea, de seu direito creditório reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima (autor da proposta), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 60 39 /2 00 8- 34 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.956039/200834 Acórdão n.º 2402006.927 S2C4T2 Fl. 93 2 Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, contra o Despacho Decisório Eletrônico nº 808283485 proferido pela DERAT/SP, que não reconheceu o direito creditório do recorrente e, por conseguinte, não homologou as compensações promovidas e controladas nestes autos. O contribuinte transmitiu, em 15.9.04, Declaração de Compensação (DCOMP) com as seguintes características: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO nº data valor CÓD REC pa vencimento dt recolhimento 24328.60914.150904.1.3.047555 15.09.2004 313.463,20 0588 12.05.2001 15.05.2001 15.05.2001 Em 22.12.08, o sujeito passivo apresentou sua Manifestação de Inconformidade sustentando, em suma (12/14), que seu crédito derivaria de um recolhimento a maior de IRRF (Código 0588), na medida em que parte do DARF em questão, a saber, R$ 126.617,27, deveria ter sido utilizado para liquidar débito sob o código de 0473, o que o levou a, em 28.2.02, efetuar novos recolhimentos para esse código (R$ 51.205,00 e R$ 74.412,27). Como já dito, a DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 38/40). Em seu Recurso Voluntário de fls 43/59, a recorrente aduz: Que seu crédito derivaria de um recolhimento a maior de IRRF (Código 0588), na medida em que parte do DARF em questão, a saber, R$ 126.617,27, deveria ter sido utilizado para liquidar débito sob o código de 0473, o que o levou a, em 28.02.2002, efetuar novos recolhimentos para esse código (R$ 51.205,00 e R$ 75.412,27). Nesse sentido, haveria pagamento duplicado, da seguinte forma: R$ 126.617,27, que integra o DARF de 313.463,20 de 12.05.2001 e R$ 126.617,27, resultante da soma dos DARF de R$ 51.205,00 e R$ 75.412,27, ambos de 28.02.2002. Que teria havido erro de fato no preenchimento de sua DCTF. Subsidiariamente, que deve haver a relevação da multa, com base no artigo 4º, incisos I e II do DL 1.042/69. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A recorrente tomou ciência do acórdão de piso em 20.1.11, consoante se denota de fls. 42 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 21.2.11 (fls. 43). Preenchido os demais requisitos, dele passo a conhecer. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.956039/200834 Acórdão n.º 2402006.927 S2C4T2 Fl. 94 3 A fundamentação para a não homologação do crédito foi no sentido de que a integralidade do DARF no valor de R$ 313.463,20 havia sido utilizada no respectivo débito. Já em sua Manifestação de Inconformidade, o sujeito passivo sustentou que seu crédito derivaria de um recolhimento a maior de IRRF (Código 0588), na medida em que parte do DARF em questão, a saber, R$ 126.617,27, deveria ter sido utilizado para liquidar débito sob o código de 0473, o que o levou a, em 28.2.02, efetuar novos recolhimentos para esse código (R$ 51.205,00 e R$ 74.412,27). Em função dessas razões de defesa, a DRJ centrou sua análise na questão atinente à natureza de instrumento de Confissão de Dívida da DCTF, bem como no fato de não ter sido comprovado que os DARF de R$ 51.205,00 (cód 0473) e R$ 75.412,57 (cód 0473) estariam contemplados no de R$ 313.463,20, recolhido sob o código 0588. Confirase: À seu turno, o contribuinte em várias laudas passou a ser mais contundente em seu Recurso Voluntário, dedicando vários parágrafos à discussão acerca da natureza de confissão de dívida da DCTF. Pois bem. O que pretende a recorrente é que seja promovida a retificação e aceitação das informações que constaram em sua DCTF ativa à época do Despacho Decisório, com vistas a evidenciar a sobra que pretende utilizar nesta compensação, por meio da redução do débito originalmente declarado. Não há impedimento na legislação para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 482/2004. 1 1 PARECER NORMATIVO COSIT Nº 2, DE 28 DE AGOSTO DE 2015 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.956039/200834 Acórdão n.º 2402006.927 S2C4T2 Fl. 95 4 Todavia, há de ser demonstrado o erro que dera azo à pretendida retificação. Nesse ponto, insta destacar que o recorrente acostou, somente agora em seu Recurso Voluntário, documentos que, segundo ele, demonstrariam seu crédito compensável. Reforçando, o que sustenta a recorrente é que parte do DARF recolhido sob o código 0588, que se refere a rendimento do trabalho sem vínculo empregatício auferido por residentes no Brasil, estaria contemplando o IRRF sob o código 0473, que diz respeito a renda e proventos de qualquer natureza auferidos por não residentes no Brasil. Nesse contexto, a comprovação a cargo do recorrente, que recairia em evidenciar que o total dos seus débitos relacionados ao código 0588 era, tão somente, da ordem de R$ 186.845,93 (R$ 313.463,20 R$ 126.617,27) naquele período de apuração (semana de 06 a 12 de maio/2001) afigurase, ao meu ver, de fácil tarefa. A rigor, o recolhimento sob o código 0588 (IRRF Rendimento do Trabalho Sem Vínculo Empregatício) deve espelhar o valor declarado em DIRF, na qual deve constar, nome a nome, os trabalhadores que sofreram a retenção. O cotejo desses trabalhadores e respectivos valores, relacionados ao mês de maio/2001, com o razão analítico da conta em que se contabilizou tais retenções a recolher (0588) naquele mês, seria o primeiro passo para demonstrar a integralidade dos débitos a recolher, a esse título (0588), com fato gerador na semana de 06 a 12 de maior de 2001. Nesse sentido, forçoso reconhecer, à semelhança do que concluiu a instância de piso, que o contribuinte não logrou demonstrar, de forma cabal, que os DARF de R$ 51.205,00 (cód 0473) e R$ 75.412,57 (cód 0473) estariam contemplados no de R$ 313.463,20, recolhido sob o código 0588. Para que se comprove a existência do crédito líquido e certo não basta, necessariamente, que se evidencie matematicamente valor recolhido maior do que aquele declarado em DCTF, máxime nos casos em que tal circunstância passa a se mostrar aparente somente após a retificação da DCTF na qual houvera a redução e/ou o cancelamento do débito anteriormente declarado/confessado. Como já dito, trata o caso de compensação promovida pelo recorrente valendose de direito creditório que alega possuir. Por sua vez, o artigo 170 do CTN é textual ao prescreve que "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública." Em outras palavras, o crédito oferecido em compensação precisa ostentar indubitavelmente os prérequisitos de liquidez e certeza, cabendo ao titular desse direito, o ônus de sua comprovação, 2 o que, digase, penso não ter sido feito. No que toca à temática da multa aplicada no Despacho Decisório, cumpre destacar que a mesma decorreu de expressa disposição legal (art. 61 da lei 9.430/96 3), de 2 Art 333 do CPC/73 Art 373 do NCPC Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.956039/200834 Acórdão n.º 2402006.927 S2C4T2 Fl. 96 5 observância obrigatória pelos Conselheiros deste Colegiado. Ademais, a relevação requerida, ao suposto amparo do artigo 4º do DL 1.042/69, foge ao âmbito da competência deste Colegiado, consoante se observa da literalidade do dispositivo invocado. Verbis. Art 4º O Ministro da Fazenda, em despacho fundamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência no recolhimento de tributos federais atendendo: I A êrro ou ignorância escusável do infrator, quanto a matéria de fato; Il A eqüidade, em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso. § 1º A relevação da penalidade pode ser condicionada à correção prévia das irregularidades que tenham dado origem ao processo fiscal. § 2º O Ministro da Fazenda poderá delegar a competência que êste artigo lhe atribui. Quanto ao pleito de conversão do julgamento em diligência com vistas a realização de fiscalização específica para análise do presente caso concreto, em prol da observância do princípio da verdade material, tenhoo por inoportuno, na medida em que caberia ao recorrente a apresentação, ainda em sua impugnação, de toda a documentação que tendesse a demonstrar indevido o recolhimento de R$ 126.617,27, por supostamente relacionarse a pagamento fundado em erro no preenchimento de sua DCTF, em função de relacionarse a débito com distinto fato gerador. Indefiroo, pois. Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso apresentado, INDEFERIR o pleito de diligência e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti 3 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 96DF CARF MF
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