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Numero do processo: 10880.945116/2013-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.741
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1760; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.945116/201398 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.741 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 30 de janeiro de 2019 Assunto PER/DCOMP Recorrente MARFRIG GLOBAL FOODS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Versa o presente sobre pedido de ressarcimento de contribuições não cumulativas que, após procedimento fiscalizatório sofrido pela empresa, restaram não reconhecidos em sua integralidade, consoante Despacho Decisório que integra os autos em apreço. Inconformada com o não reconhecimento integral de seu pleito, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 10058.589. Destacase que a DRJ aplicou o entendimento das INs SRF 247/2002 e 404/2004. Regularmente cientificado desta decisão, a contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, com as seguintes alegações, em síntese: i) conceito de insumo aplicável alega que ele representa não só elementos diretos, mas também indiretos ligados à produção de produtos e de serviços; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 45 11 6/ 20 13 -9 8 Fl. 4121DF CARF MF Processo nº 10880.945116/201398 Resolução nº 3402001.741 S3C4T2 Fl. 3 2 entende que a natureza jurídica dos créditos do PIS e da Cofins não pode ser confundida com a nãocumulatividade do ICMS e do IPI, apontando que deveria se aplicado o método indireto subtrativo; aduz que os créditos de PIS e de Cofins se revestem de subvenção estatal; requer créditos sobre a totalidade de seus custos e de suas despesas, pois não haveria como se restringir o conceito de insumo; aponta a procedência de suas alegações à luz de sua atividade econômica; ii) direito ao crédito sobre aquisições de combustíveis alega que os combustíveis e Gás GLP seriam aplicados em seu processo produtivo, citando a Lei nº 10.833/03 e a Instrução Normativa nº 404/04; alega que o óleo diesel seria utilizado em suas empilhadeiras e geradores; iii) direito ao crédito sobre serviços de laboratório e análises microbiológicas alega que o direito a crédito sobre tais serviços utilizados como insumos estaria amparado pela Lei nº 10.833/03, sendo essa rubrica composta por três serviços distintos: de laboratório; do serviço de inspeção federal (SIF), de caráter de inspeção sanitária; e de análises microbiológicas, essenciais e obrigatórios nos frigoríficos; iv) direito a crédito integral sobre os fretes internacionais alega que teria atendido a todos os requisitos normativos e legais previsto na Leis nº 10.833/03 para creditamento sobre fretes nas operações de venda, não prosperando a acusação fiscal que impediu o crédito por ser o transportador pessoa jurídica não domiciliada no país. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.734, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.945120/201356, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.734): "Ao examinar os argumentos trazidos pela Recorrente, em cotejo com as alegações da Autoridade Fiscal, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência com vistas a aclarar a situação que passo a descrever. A questão devolvida a este colegiado cingese sobre o conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS e COFINS, cujo reflexo poderia alterar o direito creditório da Recorrente e o Despacho Decisório que homologou apenas parcialmente as compensações pleiteadas. Especificamente, tratamse das seguintes glosas efetuadas pela autoridade fiscal e confirmadas pela DRJ: Fl. 4122DF CARF MF Processo nº 10880.945116/201398 Resolução nº 3402001.741 S3C4T2 Fl. 4 3 (i) Crédito sobre aquisições de combustíveis; (ii) Crédito sobre serviços de laboratório e análises microbiológicas; (iii) Crédito sobre os fretes internacionais. Quanto ao conceito de insumo para fins de creditamento da contribuição para o PIS e a COFINS, o julgador a quo aplicou o entendimento das INs SRF 247/2002 e 404/2004, no sentido de restringir o crédito apenas nas situações relacionadas nos referidos atos infralegais. A questão já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Transcrevo a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos Fl. 4123DF CARF MF Processo nº 10880.945116/201398 Resolução nº 3402001.741 S3C4T2 Fl. 5 4 a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, considerando que a análise efetuada pela autoridade fiscal baseouse nos termos determinados pelas INs SRF 247/2002 e 404/2004, e não considerou a essencialidade e relevância dos itens no processo produtivo da Recorrente, entendo que a situação fática deve ser aclarada pela unidade de origem, considerando a nova interpretação determinada pelo STJ acerca do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: Fl. 4124DF CARF MF Processo nº 10880.945116/201398 Resolução nº 3402001.741 S3C4T2 Fl. 6 5 (i) intime a Recorrente para apresentação de Laudo Técnico, com o detalhamento dos dispêndios com COMBUSTÍVEIS, SERVIÇOS DE LABORATÓRIO E ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS e sua utilização dentro de seu processo produtivo; (iii) elabore um novo parecer e um novo demonstrativo do direito creditório requerido, com as considerações efetuadas a partir da nova interpretação do conceito de insumo determinada pelo STJ de relevância e essencialidade. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: (i) intime a Recorrente para apresentação de Laudo Técnico, com o detalhamento dos dispêndios com COMBUSTÍVEIS, SERVIÇOS DE LABORATÓRIO E ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS e sua utilização dentro de seu processo produtivo; (iii) elabore um novo parecer e um novo demonstrativo do direito creditório requerido, com as considerações efetuadas a partir da nova interpretação do conceito de insumo determinada pelo STJ de relevância e essencialidade. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 4125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002060/2005-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
Numero da decisão: 2402-007.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindo-se da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 15.100,00, lançado em 13/9/10, bem como o valor anual e total de R$ 8.400,00, recebido a título de aluguel.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindo-se da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 15.100,00, lançado em 13/9/10, bem como o valor anual e total de R$ 8.400,00, recebido a título de aluguel. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1545; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 236 1 235 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.002060/200507 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.098 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2019 Matéria IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente CLÁUDIA LIBANO SOARES REIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindose da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 15.100,00, lançado em 13/9/10, bem como o valor anual e total de R$ 8.400,00, recebido a título de aluguel. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 20 60 /2 00 5- 07 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 18471.002060/200507 Acórdão n.º 2402007.098 S2C4T2 Fl. 237 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada contra lançamento suplementar de IRPF, constituído em face de alegada omissão de rendimentos, decorrente de valores creditados em conta de depósito ou investimento, cuja origem não teria sido comprovada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Segue a ementa da decisão: Exercício: 2001 Decadência No caso de lançamento de oficio com base em omissão de rendimentos nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, a contagem do prazo decadencial é regulada pela regra geral do art. 173, inciso I, do . CTN, segundo a qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia.ter sido efetuado. Sigilo Bancário É lícito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras por parte do Fisco, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto, em contrapartida, está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de oficio. Depósitos Bancários. Omissão de Rendimentos A Lei n° 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária,, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou investimentos. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 20/07/2009, através de correspondência com aviso de recebimento (fl. 172 do pdf) e interpôs recurso voluntário em 18/08/2009 (fls. 173 e seguintes), no qual reafirmou as seguintes de teses de defesa: Fl. 237DF CARF MF Processo nº 18471.002060/200507 Acórdão n.º 2402007.098 S2C4T2 Fl. 238 3 todos os depósitos realizados no HSBC pertencem à micro empresa ON LINE Serviços e Representações Ltda; o depósito de R$ 15100,00 realizado no HSBC foi devolvido mas foi considerado na base de cálculo; não foram excluídos da base de cálculo as transferências efetuadas pelo Sr. Airton Horácio, por conta e ordem do pai da recorrente; não foram excluídos valores efetivamente declarados a título de alugueis; se fossem superados todos os argumentos acima, restariam comprovados os depósitos em espécie, pois estariam suportados por um saldo inicial de R$ 45.000,00; as presunções legais servem apenas de instrumento para apurar e encontrar o fato gerador, e meros depósitos não são suficientes para comprovar omissão de rendimentos; como os depósitos foram sacados na mesma medida, não há omissão; não houve renda e nem acréscimo patrimonial. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1. Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2. Dos depósitos bancários de origem não comprovada A recorrente reafirma as seguintes teses de defesa: todos os depósitos realizados no HSBC pertencem à micro empresa ON LINE Serviços e Representações Ltda; o depósito de R$ 15.100,00, realizado no HSBC, foi devolvido, mas foi indevidamente considerado na base de cálculo; não foram excluídas da base de cálculo as transferências efetuadas pelo Sr. Airton Horácio, por conta e ordem do pai da recorrente; Fl. 238DF CARF MF Processo nº 18471.002060/200507 Acórdão n.º 2402007.098 S2C4T2 Fl. 239 4 não foram excluídos valores efetivamente declarados a título de alugueis; se fossem superados todos os argumentos acima, restariam comprovados os depósitos em espécie, pois estariam suportados por um saldo inicial de R$ 45.000,00; as presunções legais servem apenas de instrumento para apurar e encontrar o fato gerador, e meros depósitos não são suficientes para comprovar omissão de rendimentos; como os depósitos foram sacados na mesma medida, não há omissão; não houve renda e nem acréscimo patrimonial. Pois bem. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de acatarse afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 18471.002060/200507 Acórdão n.º 2402007.098 S2C4T2 Fl. 240 5 I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 612. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar que o recurso é atinente a venda de imóveis ou recebimento de prólabore e lucros, etc. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. O verbete sumular CARF 26 preceitua o seguinte: 1 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. 2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 18471.002060/200507 Acórdão n.º 2402007.098 S2C4T2 Fl. 241 6 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TFR, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). Nesse contexto, a recorrente equivocouse quando alegou (a) que restariam comprovados os depósitos em espécie, pois estariam suportados por um saldo inicial de R$ 45.000,00, pois a comprovação deve ser minimamente individualizada, de forma a haver uma certa coincidência, numérica e de data, entre o saldo, ou o saque, e cada depósito; (b) que meros depósitos não são suficientes para comprovar omissão de rendimentos, pois não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização; (c) que como os depósitos foram sacados na mesma medida, não haveria omissão, já que, em regra, não importa a destinação que a recorrente deu à renda, importando, sim, verificar a efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (auferir renda), fato gerador este decorrente de regra presuntiva segundo a qual os depósitos bancários de origem não comprovada são renda. Não há prova de que os depósitos realizados no HSBC pertenceriam à pessoa jurídica, e o contrato social da citada empresa não serve nem de indício a tal comprovação. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 18471.002060/200507 Acórdão n.º 2402007.098 S2C4T2 Fl. 242 7 Pelo contrário, a Súmula CARF 32 traz a presunção de que a titularidade dos depósitos pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais da instituição financeira, salvo se ficar comprovado o uso da conta por terceiros, o que deverá ser feito mediante documentação hábil e idônea. Tal verbete tem efeito vinculante, nos termos da Portaria MF 277/2018. Vejase: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O § 5º do encimado art. 42 é bem claro ao determinar a necessidade de se provar a titularidade da conta como sendo de terceiro, inclusive a fim de viabilizar a determinação dos rendimentos ou receitas em seu desfavor, conforme o caso. Vejase: Art. 42. [...] § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Quanto ao depósito de R$ 15.100,00, efetuado no HSBC, tem razão o sujeito passivo. Na relação de depósitos efetuados na conta, de fl. 63, vêse que dois depósitos nesse mesmo valor, efetuados em 13/09/2010 e 18/09/2010, compuseram o total do mês de setembro, no montante de R$ 39.574,09, que, por sua vez, somado ao valor depositado no Itaú, de R$ 5.000,00, fez parte do valor total de R$ 40.774,49, transplantado para a folha de continuação do auto de infração, como valor tributável (vide fl. 66). Entretanto, vêse no extrato de fl. 47, apresentado pela recorrente em sede de fiscalização, que o valor de R$ 15.100,00, depositado em 13/09/2010, realmente nem compôs o saldo daquele dia e nem mesmo o saldo dos dias subsequentes, provavelmente em função de tratarse de cheque devolvido, ou de valor estornado, retratado no mesmo extrato através do lançamento a débito no mesmo valor. Isto é, a análise dos lançamentos efetuados na conta e do saldo do dia e dos saldos subsequentes permitem concluir que o valor de R$ 15.100,00 não foi realmente creditado em 13/09/2018. Se tal valor foi creditado na conta da recorrente, tal crédito somente ocorreu em 18/09/2018, crédito este já considerado pela fiscalização. Para que não pairem dúvidas, vale transcrever uma imagem do citado extrato: Fl. 242DF CARF MF Processo nº 18471.002060/200507 Acórdão n.º 2402007.098 S2C4T2 Fl. 243 8 Já a singela declaração de fl. 55 dos autos, desacompanhada de documentos comprobatórios ou mesmo indiciários, não comprova a alegação de que as transferências alegadamente efetuadas pelo Sr. Airton Horácio teriam ocorrido por conta e ordem do pai da recorrente. Mesmo depois de a DRJ ter decidido nos termos abaixo reproduzidos, a recorrente não se dignou de juntar qualquer outro documento aos autos, a fim de comprovar a veracidade de suas alegações. A origem da dívida do Sr. Airton Hóracio para com o Sr. Roberto Cláudio L. Soares (pai da impugnante), também não ficou comprovada. Declaração eventual prestada. pelo credor é insuficiente para comprovar a origem dos depósitos a título de pagamento de dívida. Quanto à exclusão dos valores supostamente declarados e recebidos a título de aluguel, entendo o seguinte: (a) O contrato de locação de fls. 215 e seguintes dá suporte ao recebimento de um aluguel mensal no valor de R$ 700,00; (b) a relação dos depósitos efetuados na conta, de fls. 39 e seguintes, demonstra que era mensal e regularmente depositada na conta da recorrente essa mesma quantia, ainda que de forma fracionada dentro do mês (p. ex., em 10/03/2000, foram realizados dois depósitos em dinheiro, nos valores de R$ 400,00 e R$ 300,00); (c) desde a fiscalização, a recorrente vem alegando que declarou tais valores e que tais valores foram recebidos a título de aluguel; (d) a planilha elaborada às fls. 176/177, do recurso voluntário, registra os montantes recebidos àquele título, os quais inclusive coincidem com a relação dos depósitos elaborada pela fiscalização; (e) o fato de o imóvel não ter sido registrado na declaração da recorrente não milita em seu desfavor, pois o § 3º do art. 7º do Regulamento do Imposto de Renda vigente à época dos fatos geradores previa que os bens comuns deveriam ser relacionados somente por um dos cônjuges, se ambos estivessem obrigados à apresentação da declaração, ao passo que o bem locado realmente aparece declarado na DIRPF do cônjuge. Nessa toada, entendo que deve ser excluído da base de cálculo do lançamento o valor total de R$ 8.400,00 (R$ 700,00 x 12 meses), conforme demonstrativo de fl. 218 e demais documentos acima relacionados. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 18471.002060/200507 Acórdão n.º 2402007.098 S2C4T2 Fl. 244 9 O mesmo não se pode dizer em relação ao outro aluguel mensal, no valor alegado de R$ 500,00, tendo em vista que a recorrente não apresentou os respectivos documentos comprobatórios, tais como contrato, recibos, demonstrativos, etc. Em síntese, o recurso voluntário deve ser parcialmente provido, para que seja excluído da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 15.100,00, lançado em 13/09/2010, bem como o valor anual e total de R$ 8.400,00, recebido a título de aluguel. 3. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar parcial provimento ao recurso voluntário, a fim de determinar que seja excluído da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 15.100,00, lançado em 13/09/2010, bem como o valor anual e total de R$ 8.400,00, recebido a título de aluguel. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001052/2009-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/10/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial, por falta de demonstração do alegado dissídio interpretativo, em face da ausência de similitude fática entre os julgados em confronto.
BÔNUS DE CONTRATAÇÃO (HIRING BÔNUS). NATUREZA SALARIAL. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA.
Não há que se falar que a natureza salarial do Bônus de Contratação restou comprovada, quando não são trazidos aos autos elementos de convicção acerca do vínculo do pagamento da verba com o contrato de trabalho.
Numero da decisão: 9202-007.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao Bônus de Contratação e, no mérito, na parte conhecida, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 31/10/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial, por falta de demonstração do alegado dissídio interpretativo, em face da ausência de similitude fática entre os julgados em confronto. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO (HIRING BÔNUS). NATUREZA SALARIAL. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. Não há que se falar que a natureza salarial do Bônus de Contratação restou comprovada, quando não são trazidos aos autos elementos de convicção acerca do vínculo do pagamento da verba com o contrato de trabalho.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial, por falta de demonstração do alegado dissídio interpretativo, em face da ausência de similitude fática entre os julgados em confronto. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO (HIRING BÔNUS). NATUREZA SALARIAL. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. Não há que se falar que a natureza salarial do Bônus de Contratação restou comprovada, quando não são trazidos aos autos elementos de convicção acerca do vínculo do pagamento da verba com o contrato de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao Bônus de Contratação e, no mérito, na parte conhecida, acordam em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 52 /2 00 9- 78 Fl. 606DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 19515.001049/200954 37.205.0166 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.001050/200989 37.205.0140 (AI38) Obrig. Acessória Cobrança 19515.001051/200923 37.205.0158 (AI68) Obrig. Acessória Recurso Especial 19515.001052/200978 37.205.0174 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial O presente processo trata do Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.205.0174, referente às Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes no total da remuneração paga ou creditada aos segurados empregados a título de Gratificação Espontânea de Admissão (GEA), quando da admissão do empregado, e de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) em desconformidade com a Lei nº 10.101, de 2000, no período de 02/2004 a 10/2004, conforme Relatório Fiscal de fls. 79 a 85. A ciência do lançamento ocorreu em 03/04/2009 (fl. 08). Em sessão plenária de 15/10/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301003.776 (efls. 392 a 425), assim ementado: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2004 a 31/10/2004 DECADÊNCIA. Não havendo fraude, dolo ou simulação e havendo antecipação no recolhimento, ainda que parcial do que entende a fiscalização por correto, há de se aplicar o artigo 150, § 4º do CTN. No caso em tela, reconhece a Fiscalização que houve antecipação de pagamento em GPS, mas não destinado a terceiros, o que configuraria fraude. Todavia, tal fraude não ocorreu, uma vez que a Recorrente não realizou tal afirmativa. Por outro lado, há a confessa antecipação, implicando na decadência pelo dispositivo supra, estando excluído os lançamentos apurados até a competência 03/2004, anteriores a 04/2004, pela regra decadencial do Art. 150, § 4º do CTN. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. Afastada a natureza remuneratória do “Bônus de Contratação’ não há incidência previdenciária nela. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 19515.001052/200978 Acórdão n.º 9202007.637 CSRFT2 Fl. 607 3 No caso em tela a própria Fiscalização afirmou que o acordo para pagamento do ‘Bônus de Contratação’ ocorreu antes da contratação do funcionário e sem que a Recorrente determinasse cumprimento de metas e ou ainda determinasse tempo mínimo de permanência e ou vigência do contrato de trabalho, desfigurando a natureza remuneratória e conseqüente abraçando a natureza indenizatória.." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, ) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 03/2004, anteriores a 04/2004, pela regra decadencial do Art. 150, do CTN, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em dar provimento ao recurso, no que tange ao bônus de contratação, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão. Redator: Wilson Antônio de Souza Correa. Sustentação oral: Leandro Cabral e Silva. OAB: 234.687/SP." O processo foi encaminhado à PGFN em 29/08/2014 e, em 15/09/2014, a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de efls. 426/427, prolatandose o Acórdão de Embargos nº 2301004.986, de 05/04/2017 (efls. 435 a 438) assim ementado: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2004 a 31/10/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a omissão apontada no julgado." Onde deveria estar registrada a decisão assim constou: "Acordam os membros do colegiado, [Tabela de Resultados]" Consultandose a respectiva ata de julgamento, disponível no sítio do CARF na Internet, constatase a seguinte decisão: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos apresentados, para, no mérito, rejeitálos, por inexistir o vício apontado pela Fazenda Nacional, nos termos do voto da relatora. Foi o processo novamente encaminhado à PGFN em 09/05/2017 (Despacho de Encaminhamento de efls. 439) e, em 13/06/2017, foi interposto o Recurso Especial de efls. 440 a 463 (Despacho de Encaminhamento de efls. 464), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir a decadência e a tributação do Bônus de Contratação. Fl. 608DF CARF MF 4 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 17/07/2017 (efls. 467 a 471). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: Da forma de contagem da decadência o pressuposto primordial para a aplicação da regra de decadência constante do artigo 150, §4º, do CTN, é o pagamento antecipado parcial do tributo exigido; no caso, impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, afinal a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo, tendo em vista que não individualizou o fato gerador e não efetuou o recolhimento antecipado da contribuição em comento; eventual pagamento referente à parte do empregador não pode ser aproveitado em NFLD emitida para exigência de contribuições destinadas a terceiros para fins de atrair a incidência da regra decadencial inserta no art. 150, § 4º do CTN; a contribuição da cota patronal não se confunde com a contribuição referente ao terceiro; cumpre observar, inclusive, que tal montante de nenhuma forma se enquadra no conceito de rubrica, tratada na Súmula nº 99 do CARF; com efeito as rubricas são os elementos integradores da base de cálculo; o raciocínio acerca da regra decadencial aplicável deve se dar em cada contribuição previdenciária separadamente, sob pena de distorcer o entendimento do enunciado; considerando que os valores indicados como recolhimentos a título de contribuição patronal não podem ser utilizados como recolhimentos da exigência objeto dos autos e, ainda, que não há comprovante de pagamento destinado a terceiros, logicamente não há pagamento algum que possa aproveitar ao contribuinte para aplicação do art. 150, §4º, do CTN, restando imperiosa a aplicação da regra inserta no art. 173, I, do CTN, para a contagem do prazo decadencial. Do bônus de contratação gratificação espontânea de admissão o bônus de contratação constitui contraprestação a expectativa do trabalho, pois é pago em razão do trabalho, constituindo, pois, em antecipação de pagamento pelos serviços prestados; também não há como se reconhecer o caráter indenizatório do bônus de contratação, pois não há no caso o fim de ressarcir, reparar ou compensar direito lesado; necessário esclarecer que a habitualidade não é essencial à caracterização da natureza remuneratória do rendimento; como se depreende da leitura do art. 28, caput, da Lei nº 8.212, de 1991, a habitualidade mostrase imprescindível a caracterizar a remuneração sob a forma de utilidade e, no tocante ao pagamento em pecúnia, a norma estabelece que compõe o saláriode contribuição a totalidade dos rendimentos que são fornecidos em razão do trabalho; Fl. 609DF CARF MF Processo nº 19515.001052/200978 Acórdão n.º 9202007.637 CSRFT2 Fl. 608 5 dentre as ressalvas legais, cabe destacar que o pagamento a título de hiring bônus não se subsume à hipótese de pagamento eventual; reconhecido pelo CARF que os pagamentos realizados por empresas em situações prédefinidas, independente de eventos futuros e incertos, ainda que sem continuidade no tempo, não se enquadram como ganho eventual, cabe analisar os pagamentos a título de hiring bônus objeto destes autos; uma vez fixado que o pagamento se dá em razão do trabalho e afastado o caráter não eventual, cabe reconhecer a natureza remuneratório dos pagamentos; destaquese que a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho reconhece caráter salarial às verbas pagas a título de bônus de contratação. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja dado provimento ao Recurso Especial, reformandose a decisão recorrida. Cientificada dos acórdãos, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 30/08/2017 (AR Aviso de Recebimento de efls. 496), a Contribuinte ofereceu, em 13/09/2017 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 497), as Contrarrazões de efls. 499 a 525, contendo os seguintes argumentos: Da falta de interesse recursal quanto à decadência está provado nestes autos e foi reconhecida pelo acórdão recorrido a existência de recolhimentos de Contribuições a Terceiros nos períodos anteriores a 03/2004, inclusive; entretanto, a Fazenda Nacional alega que o acórdão recorrido teria aplicado a regra do art. 150, § 4º, do CTN, mesmo sem prova de recolhimento de Contribuições a Terceiros; diferentemente, os pretensos paradigmas colacionados pela Fazenda Nacional tratam de casos em que o contribuinte teria comprovado recolhimento de contribuição descontada de empregados frente a autuações de contribuição patronal, o que não teria sido admitido para fins da aplicação da regra do art. 150, § 4º, do CTN; não há a necessária aderência entre os julgados; evidente, pois, a falta de interesse recursal da Fazenda Nacional no recurso contrarrazoado, por ausência do binômio "necessidadeutilidade", uma vez que tal recurso não se volta contra o fundamento norteador do acórdão recorrido, sendo certo que eventual provimento não se prestaria a alterar o resultado daquele julgamento, que permaneceria hígido quanto ao reconhecimento da decadência parcial operada até 03/2004; Da falta de interesse recursal quanto ao bônus de contratação o acórdão recorrido, devidamente, reconheceu que as verbas autuadas a título de bônus de contratação não se sujeitam à incidência de Contribuições Previdenciárias por não corresponderem à contraprestação de trabalho, isto é, à verba salarial, o que, aliás, foi reconhecido pela própria Autoridade Fiscal; Fl. 610DF CARF MF 6 entretanto, em suas razões de recurso, a Fazenda Nacional alega que tal decisão teria afrontado o entendimento adotado pelo CARF em caso idêntico, sob a premissa equivocada de que o acórdão recorrido teria encampado a tese de que o bônus de contratação possuiria caráter indenizatório; ocorre que o acórdão recorrido não está baseado em tal premissa (natureza indenizatória da verba), mas sim apoiado na análise do caso concreto em que se verificou a inocorrência do fato gerador previdenciário; diante da evidente falta de interesse processual da Recorrente também neste quesito, não merece ser conhecido o recurso. Da falta de caracterização da divergência jurisprudencial e da ausência de similitude fática quanto à decadência em que pese ambas as decisões terem analisado a aplicação do art. 150, § 4°, do CTN, a matéria questionada pela Fazenda Nacional possibilidade de que eventual recolhimento relativo a fato gerador distinto daquele que foi objeto de lançamento prestese para reconhecer a existência de recolhimento parcial da contribuição lançada não foi apreciada pelo acórdão recorrido, diante do que não há como estabelecer divergência de conclusões entre o acórdão recorrido e o paradigma; ademais, o recurso não deve ser conhecido ante a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas indicados, porque conforme consignado no acórdão recorrido, a Contribuinte efetuou recolhimento parcial das Contribuições a Terceiros, ao passo que, nos paradigmas indicados, os contribuintes entendiam ser entidades imunes ao recolhimento do tributo autuado (Contribuições Patronais), razão pela qual não se verificou, naqueles casos, recolhimento antecipado das contribuições; frisese que o voto vencedor do acórdão recorrido reconheceu os recolhimentos enfrentando o erro material cometido no preenchimento das guias. Da falta de caracterização da divergência jurisprudencial e da ausência de similitude fática quanto ao bônus de contratação ainda que ambas as decisões tenham analisado bônus de contratação, a matéria questionada pela Fazenda Nacional natureza indenizatória da verba não foi alvo de apreciação pela Turma Julgadora a quo no presente caso; da leitura do acórdão recorrido verificase que a Turma a quo em momento algum se pronunciou sobre a natureza do bônus de contratação; com efeito, a não incidência das Contribuições Previdenciárias sobre as verbas pagas pela Contribuinte foi analisada sob a ótica da (não) subsunção do caso concreto à regra prevista no art. 22, I, da Lei nº 8.212, de 1991, dado que estas não foram pagas a empregados e em retribuição ao trabalho exercido pelos beneficiários; notese ainda que, conforme consignado no acórdão recorrido, os pagamentos efetuados pela Contribuinte não se destinaram a segurados empregados, ao passo que, nos paradigmas indicados, as verbas foram pagas a segurados na constância do emprego; ante a ausência de similitude fática, bem como falta de interpretação divergente da legislação tributária, resta evidenciado o descumprimento do art. 67, do RICARF, não devendo ser conhecido o Recurso Especial. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 19515.001052/200978 Acórdão n.º 9202007.637 CSRFT2 Fl. 609 7 Do não cabimento de rediscussão de matéria fáticoprobatória a pretensão recursal demanda que se revisite toda sorte de documentos e subsídios carreados aos autos, bem como a sua rediscussão, extrapolando, portanto, o plano do direito, o que não cabe nesta via especial; a PGFN busca rediscutir o conjunto probatório constante dos autos, em busca de uma nova análise por esta CSRF; é cediço não caber, nesta via especial, a discussão sobre os fatos alegados no curso da lide administrativa, sendo claro que a pretensão da Recorrente colide com a Súmula nº 7 do STJ, que estabelece que "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Da violação ao art. 67, § 3º, do RICARF a pretensão da Recorrente quanto à aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, voltase contra o entendimento consolidado por meio da Súmula nº 99, de 2013; não pode ser conhecido o recurso, dado que pretende reformar decisão que corretamente aplicou o entendimento consolidado por esta CSRF na Súmula nº 99, em evidente violação ao art. 67, §3º, do RICARF; Da decadência parcial a Contribuinte recolheu Contribuições a Terceiros no período autuado, conforme reconhecido pela Fiscalização e pela Autoridade Julgadora a quo, pelo que aplicável a regra decadencial do art. 150, § 4o, do CTN e, consequentemente, extinto o pretenso débito apurado até a competência 03/2004; qualquer recolhimento efetuado a título de Contribuição Previdenciária no período autuado constitui efetiva antecipação desse tributo, de modo a justificar a incidência do art. 150, § 4º, do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial. Da não incidência das Contribuições Previdenciárias sobre as verbas pagas a título de bônus de contratação seria ilógico afirmar que essa verba seria decorrente de contraprestação de serviço, uma vez que o valor é creditado na conta do recémcontratado, no ato de sua contratação (primeiro dia de trabalho); ocorre que, como bem apontado pelo acórdão recorrido, os pagamentos efetuados pela Contribuinte não foram feitos a segurados empregados e não foram devidos pela retribuição ao trabalho; a verba paga pela Contribuinte não tem o caráter de retribuição, mas sim de atrativo à contratação, que não possui habitualidade e se afigura eventual, não se sujeitando à incidência de Contribuições Previdenciárias, dado não integrar a remuneração dos beneficiários, com amparo nos arts. 22 e 28, §9°, ambos da Lei n° 8.212, de 1991; Fl. 612DF CARF MF 8 a Contribuinte, ao captar profissionais qualificados no mercado, envia Cartas Propostas oferecendo o valor do Bônus de Contratação, como forma de atrativo comercial, deixando claro que o pagamento ocorre a título de atração e em uma única paecela; os pagamentos em tela não poderiam ser descaracterizados em razão de, supostamente, configurarem gratificação ajustada, na forma prevista pelo art. 457, § 1º, da CLT, como pretendido pela autoridade fiscal, pois o referido entendimento só estaria correto se as verbas tivessem sido pagas em decorrência de prestação de serviços, o que, repisese, não ocorreu, eis que o pagamento foi efetuado no ato da admissão dos funcionários; o CARF já decidiu que os pagamentos efetuados a título de bônus de contratação não estão sujeitos à incidência de Contribuições Previdenciárias; neste passo, não há dúvida de que tratase de uma simples gratificação, paga uma única vez, sem qualquer obrigação, mas por total e exclusiva liberalidade da empregadora, de modo a incentivar a contratação, e não remunerar qualquer trabalho desenvolvido, até mesmo porque este sequer teve início, sendo certo que, devido ao seu caráter eventual, não deve integrar o salário do empregado. Da necessária remessa dos autos à Câmara de origem, em caso de provimento do Recurso Especial na remota hipótese de provimento do recurso, os autos devem ser remetidos à Câmara Baixa, para que aprecie e se pronuncie a respeito (i) da não incidência de Contribuição a Terceiros sobre as verbas pagas pela Contribuinte a título de PLR; (ii) da higidez das verbas pagas em função da ausência de contraprestação de serviço e habitualidade e (iii) da aplicação da multa mais benéfica no presente caso, em função da omissão decorrente do provimento do Recurso Voluntário, fundado na não incidência das Contribuições Previdenciárias, sob pena de supressão de instância. Ao final, a Contribuinte pede que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não seja conhecido e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase do Debcad 37.205.0174, referente às Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes no total da remuneração paga ou creditada aos segurados empregados a título de Gratificação Espontânea de Admissão (GEA), quando da admissão do empregado, e de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) em desconformidade com a Lei nº 10.101, de 2000, no período de 02/2004 a 10/2004, conforme Relatório Fiscal de fls. 79 a 85. A ciência do lançamento ocorreu em 03/04/2009 (fl. 08). No acórdão recorrido deuse provimento ao Recurso Voluntário, declarando se a decadência até a competência 03/2004, o que absorveu os pagamentos a título de PLR, efetuados em 02/2004. Ademais, considerouse não tributável o Bônus de Contratação (GEA), de sorte que a questão da retroatividade benigna das multas também não foi apreciada. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 19515.001052/200978 Acórdão n.º 9202007.637 CSRFT2 Fl. 610 9 Assim, em seu Recurso Especial a Fazenda Nacional pretende rever a decadência e a exclusão, do saláriodecontribuição, dos valores pagos a título de Bônus de Contratação. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando falta de interesse recursal, uma vez que os acórdãos paradigmas indicados pela Fazenda Nacional não teriam analisado os mesmos fundamentos que nortearam o acórdão recorrido. Ademais, alega o não cabimento de rediscussão de matéria fáticoprobatória e, no tocante à decadência, violação ao art. 67, § 3º, do Anexo II, do RICARF. Do conhecimento quanto à decadência No que tange à falta de interesse recursal quanto à decadência, alega a Contribuinte que no acórdão recorrido reconheceuse a existência de recolhimento de Contribuições a Terceiros nos períodos anteriores a 03/2004, enquanto que em suas razões de recurso a Fazenda Nacional defende que o art. 150, § 4º, do CTN, teria sido aplicado mesmo sem prova de pagamento de Contribuições a Terceiros. De plano, esclareçase que, para efeito de conhecimento de Recurso Especial, é suficiente que seja demonstrada a existência de divergência jurisprudencial, sendo que as razões do apelo fazem parte do mérito, somente apreciado se ultrapassado o conhecimento. Nesse passo, constatase que no acórdão recorrido a Contribuinte efetuou o pagamento da Contribuição a Terceiros juntamente com a Contribuição Patronal, ou seja, na mesma guia, o que foi relevado pelo Colegiado, concluindose que houve efetivamente o recolhimento. Confirase: Acórdão recorrido Voto vencedor "Diz ter ocorrido a decadência de fevereiro de 2004, não reconhecido pela decisão de piso, eis que, ainda que ela tenha reconhecido a existência de recolhimento em GPS, segundo a decisão, este foi destinado à Previdência Social e não a terceiros, e ainda, para decisão houve a utilização de fraude ao alegar tal pagamento. Entretanto, prossegue, como trata de antecipação de uma forma geral, implicando ainda a inexistência de fraude, mister que seja reconhecida a decadência do período supra, aplicandoselhe o artigo 150 § 4º. Ora, a fundamentação legal trazida pelo nobre Relator é assaz para demonstrar o direito da Recorrente e despiciendo seria trazêla toda novamente. Entretanto, vejo que não houve fraude por parte da Recorrente, uma vez que ela de uma forma ou de outra recolheu à Previdência Social e não declarou que seria para terceiros. Por outro lado, havendo antecipação de recolhimento, ainda que parcial do que entende a fiscalização por correto, o fato é que ele (recolhimento) existiu e deve ser considerado para o fim Fl. 614DF CARF MF 10 de determinar a aplicação do artigo 150, § 4º do CTN, ficando assim excluído do lançamento as contribuições apuradas até a competência 03/2004, anteriores a 04/2004, pela regra decadencial do Art. 150, § 4º do CTN." (grifei) Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência teria de ser representado por julgado em que, sendo o recolhimento de Contribuições a Terceiros efetuado juntamente com a Contribuição Patronal, no código desta última, a conclusão fosse no sentido de que tal recolhimento não estaria apto a atrair a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Entretanto, os paradigmas indicados Acórdãos nºs 2401003.616 e 9202004.572 não se revestem destas características, conforme demonstram os trechos colacionados pela Recorrente: Paradigma Acórdão nº 2401003.616 Ementa "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DECADÊNCIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 6.º DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 284, III, DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.Tratandose de AIOP/NFLD por enquadramento indevido da condição de isenta , não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. A contribuição descontada dos segurados e recolhida não se presta para reconhecer a existência de recolhimento parcial da contribuição patronal.Apenas para as competências em que constatada a existência de contribuições patronais, é possível aplicar a decadência de acordo com o art. art. 150, §4 do CTN, desconsiderando as competência cujo recolhimento apresentase irrisório, posto que essa situação ocorre por mera apropriação do sistema de auditoria. ISENÇÃO. ATO CANCELATÓRIO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 55 DA LEI 8.212/91. DIREITO ADQUIRIDO. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO DA MATÉRIA EM DISCUSSÃO. SÚMULA CARF N. 01. INCIDÊNCIA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo importa renúncia à instância administrativa. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 19515.001052/200978 Acórdão n.º 9202007.637 CSRFT2 Fl. 611 11 INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação TributáriaRecurso de Ofício Provido em Parte e Recurso Voluntário Não Conhecido." Voto "No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Porém, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de AIOP para cobrança de contribuições por incorreto enquadramento como isenta, razão pela qual não há que se, em regra em recolhimento antecipado das contribuições previdenciárias patronais, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Notese que o fato da empresa efetivar o desconto da contribuição dos segurados que lhe prestam serviços, não determina considerar a existência de recolhimento antecipado, já que se tratam de contribuições/contribuintes distintos (segurado e empresa). (...) Assim, considero que para as competências 12/2001, 03/2002, 04/2002 e 05/2002.devese afastar a decadência, dando provimento ao recurso de ofício, posto a inexistência de contribuição da parcela patronal, para que se considere recolhimento parcial. Para as referidas competências a decadência deve ser apreciada a luz do art. 173, I do CTN." (grifei) Paradigma Acórdão nº 9202004.572 Ementa "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA ART. 173, I DO CTN. O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN referese ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte. No caso de lançamento decorrente da classificação de Contribuinte como entidade não imune à contribuição previdenciária é de se presumir pela inexistência de pagamento do respectivo tributo. Hipótese em que, não havendo nos autos comprovação de pagamento, ainda que parcial, devese aplicar a decadência segundo a norma do art. 173, I do CTN." Fl. 616DF CARF MF 12 Voto "Destacase que tendo o REsp nº 973.733/SC sido julgado sob a sistemática do Recurso Repetitivo deve este Conselho, por força do art. 62, §2º do seu Regimento Interno, reproduzir tal entendimento em seus julgados. Ocorre que, embora não haja mais dúvidas de que para se considerar a data do fato gerador como termo inicial da decadência é necessário verificar acerca da ocorrência de antecipação do pagamento do tributo, permanece sob debate qual seria a abrangência do termo 'pagamento' adotado por aquele Tribunal Superior. Em outras palavras, quais pagamentos realizados pelo contribuinte devem ser considerados para fins de aplicação do art. 150, §4º do CTN? No que tange as contribuições previdenciárias entendo que a resposta já foi construída por este Conselho quando da edição da Súmula CARF nº 99, que dispõe: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Embora a referida Súmula não seja aplicada ao caso pois a mesma contempla lançamento cujo objeto é cobrança da Contribuição Social incidente sobre pagamentos de salários tidos como indiretos o entendimento ali exposto é compatível com o caso em questão. Assim, a verificação da ocorrência de pagamento para fins de atração da regra o art. 150, §4º do CTN deve se dar pela análise de ter o contribuinte recolhido ao longo do período autuado contribuição previdenciária decorrente do mesmo fato gerador objeto do lançamento, ainda que os respectivos recolhimentos não se refiram propriamente aos fatos cujas hipóteses de incidência tenham sido questionadas pela fiscalização. Devese entender por 'mesmo fato gerador' as hipóteses de incidência que possuem identidade entre os critérios que compõem a respectiva regra matriz de incidência, ou seja, tributo previsto no mesmo dispositivo legal com coincidência de sujeito passivo e base de cálculo, ainda que esta última não tenha sido quantificada corretamente. No presente caso, conforme esclarecido ao longo do processo e afirmado pela própria Recorrente, pelo fato de esta se intitular entidade imune por obvio que não ocorreu o recolhimento das contribuições sociais quota patronal nos termos em que previsto no art. 22 da Lei nº 8.212/91 ora lançado. O que o Contribuinte afirma é que houve recolhimento na modalidade de retenção da contribuição social devida pelos segurados que Fl. 617DF CARF MF Processo nº 19515.001052/200978 Acórdão n.º 9202007.637 CSRFT2 Fl. 612 13 lhe prestaram serviço, ou seja, recolhimento do tributo cujo fato gerador está descrito no art. 20 da mesma lei. No entender dessa Relatora o pagamento realizado com base no art. 20 da Lei nº 8.212/91 (parte segurado) não se aproveita para fins de aplicação do art. 150, §4º do CTN haja vista que o lançamento visa a cobrança da contribuição prevista no art. 22, da mesma lei. Diante do exposto, conheço do recurso para no mérito negarlhe provimento, mantendose o acórdão proferido pela e. Câmara a quo, em face da correta aplicação do art. 173, I, do CTN para contagem da decadência." (grifei) Com efeito, a leitura dos trechos colacionados permite verificar que os paradigmas não tratam de situação semelhante à do acórdão recorrido. No caso dos paradigmas, o que estava em análise era se a contribuição descontada dos segurados seria apta a comprovar recolhimento antecipado da contribuição patronal. Tratavase, portanto, do confronto entre recolhimentos de distintos contribuintes, o que foi determinante para a conclusão pela inexistência de pagamento. Entretanto, no caso do recorrido, repitase que o que houve foi o recolhimento conjunto patronal/terceiros, em uma mesma guia. Destarte, não restou demonstrada a alegada divergência, tendo em vista a ausência de similitude fática entre as situações em confronto, razão pela qual não conheço do Recurso Especial, relativamente à matéria da decadência. Do conhecimento quanto ao Bônus de Contratação (GEA) Quanto à matéria Bônus de Contratação (GEA), a ausência de interesse recursal foi alegada pela Contribuinte com base no fato de que a matéria questionada pela Fazenda Nacional natureza indenizatória da verba não teria sido alvo de apreciação pelo Colegiado recorrido, que concluiu pela inocorrência do fato gerador. Em face de tal alegação, mais uma vez se esclarece que, para o conhecimento da matéria, basta que a divergência jurisprudencial seja demonstrada, sendo que as razões de recurso serão tratadas quando da análise do mérito, se ultrapassado o conhecimento. Com estas considerações, verificase que o acórdão recorrido assim trata a matéria (fls. 424/425): Acórdão recorrido Relatório "A autoridade fiscal relatou que incluiu no lançamento pagamentos de luvas com natureza remuneratória. Tais verbas teriam como objetivo atrair funcionários em virtude de sua eficiência e, portanto, teriam natureza salarial." Voto Vencedor "BÔNUS DE CONTRATAÇÃO Fl. 618DF CARF MF 14 O ‘Bônus de Contratação’ é uma verba paga pelas empresas aos funcionários de destaque, como uma forma de atraílo, usual entre as grandes empresas, mormente nos bancos, onde funcionários altamente especializados e ou com uma representativa carteira de clientes, são beneficiados. A grande questão que envolve este pagamento é ter conhecimento se ele tem natureza remuneratória e ou indenizatória, já que ela implicará em incidência previdenciária ou não. Definir a natureza desta verba implica em análise percuciente dos fatos que envolvem a autuação, onde o julgador está à mercê do fiscalizador, já que seu relato será primordial para definila. No caso em tela, lendo o Relatório Fiscal vêse que a autuação está contraditória da pretensa aplicação de incidência previdenciária, isto porque a Fiscalização afirmou que o acordo para pagamento do ‘Bônus de Contratação’ ocorreu antes da contratação do funcionário e sem que a Recorrente determinasse cumprimento de metas e ou ainda determinasse tempo mínimo de permanência e ou vigência do contrato de trabalho. Desta forma, em a Fiscalização ter informado que foi pago o 'Bônus de Contratação' antes mesmo da contratação e não exigindo do beneficiário metas a serem cumpridas e tão pouco permanência dele mínima na Recorrente, desfigurado está o caráter remuneratório, porque ausentes estão os requisitos que configuram a verba remuneratória, ou seja, i) a comutatividade (a troca do pagamento pelo trabalho) e o ii) imperioso contrato de trabalho, oneroso e sinalagmático (contratos bilaterais em que existe uma reciprocidade). Então, assiste razão tais argumentos expendidos pela Recorrente, uma vez que a própria Fiscalização desfigurou o caráter remuneratório da verba paga." Assim, no acórdão recorrido considerouse desfigurado o caráter remuneratório do Bônus de Contratação em face das características da verba, não contraditadas pela Fazenda Nacional. Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência teria de ser representado por julgado em que o caráter remuneratório fosse mantido em face de verba com características semelhantes à verba tratada no acórdão recorrido, ou mesmo sem qualquer condicionante. Quanto ao primeiro paradigma Acórdão nº 240102.250 a Fazenda Nacional reproduz os seguintes trechos: Ementa "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 (...) Fl. 619DF CARF MF Processo nº 19515.001052/200978 Acórdão n.º 9202007.637 CSRFT2 Fl. 613 15 SALÁRIO INDIRETO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO E PERMANÊNCIA A natureza atribuída pela autoridade fiscal, nomeando a verba Bônus de Contratação e Permanência, com uma espécie de prêmio, para atrair bons funcionários para a recorrente, encontrase, sem dúvida, dentro do conceito do salário de contribuição, posto que nada mais é do que um ganho fornecido como resultante de uma contraprestação. A mera alegação de que as despesas contabilizadas, são apenas provisões, não merece prosperar, quando não demonstrada reversão das mesmas." Voto "O ponto chave é a identificação do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Conforme já amplamente discutido acima para, o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, seja em que momento da contratação esses pagamentos ocorram, posto que pagamentos em contratos prévios, com a conotação de estímulo para um trabalho ou mesmo vínculo que logo a seguir irá se concretizar, acabar por estar incluído no conceito de remuneração.” (destaques da Fazenda Nacional) O cotejo promovido pela Fazenda Nacional demonstra existir efetivamente o dissídio interpretativo, já que o caráter remuneratório foi atribuído à verba, independentemente do momento do pagamento, sem qualquer notícia de que tenha havido fixação de metas para o contratado, tampouco há registro de que teria sido fixado período de permanência na empresa, ou qualquer outro fator condicionante. Quanto ao segundo paradigma Acórdão nº 9202004.308 foram colacionados os seguintes trechos: Ementa (...) HIRING BONUS. VERBA DECORRENTE DO CONTRATO DE TRABALHO, COMPONENTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A verba paga a título de hiring bonus é decorrente do contrato de trabalho. Essa verba não tem natureza de verba eventual, por não estar relacionada a caso fortuito e, ao contrário, sendo esperada desde a contratação, deve compor o salário de contribuição. Voto "O Hiring bonus, ficou caracterizado por uma soma em dinheiro para a novos empregados, paga no ano de sua admissão, como incentivo a seu ingresso nos quadros da empresa. Entendo que tal rubrica foi paga exclusivamente em razão do contrato de trabalho e não apenas para permitir que o trabalho possa ser executado. Assim, fica configurada a verba Fl. 620DF CARF MF 16 como parcela integrante do conceito jurídico de Salário de Contribuição, afastandose natureza indenizatória da verba. Por fim, resta verificar se esta verba pode ou não ser inclusa no rol de exclusões da base de cálculo que, em numerus clausos, consta do § 9o do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991. Reparase que, no item 7 da alínea "e" do § 9o da Lei n° 8.212, de 1991, constam, como exclusão do salário de contribuição, as verbas recebidas a títulos de ganhos eventuais. Entendo que ganho eventual seja aquele que se recebe de forma inesperada, por caso fortuito, como no caso de uma indenização dada graciosamente pela empresa a um empregado que tenha perdido sua moradia, por conta de uma enchente. Notase aqui que nem a enchente, nem a indenização poderiam ser antevistas ou esperadas. Ao contrário, no caso dos autos, era garantido ao empregado, no ano de sua contratação uma remuneração mínima, ainda que ela ultrapassasse o salário e a participação nos lucros e resultados, caracterizando um valor esperado a título de bônus de contratação. Concluindo, a verba paga a título de hiring bonus é decorrente do contrato de trabalho e não tem natureza de verba eventual, por não estar relacionada a caso fortuito." Portanto, a verba deve compor o salário de contribuição." (grifei) Embora não se tenha muitos detalhes sobre a verba paga no caso desse paradigma, os trechos destacados permitem concluir que, ao contrário do acórdão recorrido, a verba era paga ao longo do ano em que houve a contratação, sob a forma de uma remuneração mínima, ainda que ultrapassasse o salário e a PLR, o que caracterizou um valor esperado a título de Bônus de Contratação. Assim, este segundo paradigma não demonstra a divergência, já que no recorrido um dos fundamentos a descaracterizar o aspecto remuneratório foi o fato de o pagamento ocorrer antes do início do contrato de trabalho. Entretanto, a divergência jurisprudencial restou demonstrada em face do primeiro paradigma. Quanto ao não cabimento de rediscussão de matéria fáticoprobatória, ressaltese que não há necessidade de reexame de provas para o deslinde da controvérsia, mas apenas decidir se a verba paga a título de Bônus de Contratação, conforme descrita no acórdão recorrido, teria efetivamente natureza remuneratória, como aventa a Fazenda Nacional, o que autorizaria o restabelecimento da exigência. Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, somente quanto ao Bônus de Contratação, e passo a analisarlhe o mérito. A matéria já foi debatida nesta 2ª Turma da CSRF, em duas oportunidades, uma delas quando da prolação do segundo paradigma indicado pela Fazenda Nacional Acórdão nº 9202004.308, de 21/07/2016. A segunda vez que o Colegiado se debruçou sobre o tema proferiuse o Acórdão nº 9202005.156, de 25/01/2017, cujo voto vencedor, da lavra da Fl. 621DF CARF MF Processo nº 19515.001052/200978 Acórdão n.º 9202007.637 CSRFT2 Fl. 614 17 Ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, trago à colação, por externar o meu entendimento acerca do Bônus de Contratação: "Em relação aos fundamentos que norteiam considerar o pagamento do bônus de contratação, como salário de contribuição, entendo que a questão foi devidamente fundamentada pelo acórdão recorrido, inclusive razão pela qual acompanhei o relator nessa parte. Dessa forma, transcrevo as partes pertinentes, adotandoo como razões de decidir. Senão vejamos Do bônus de contratação. Relativamente a este rubrica, assim fora justificado o lançamento pela fiscalização tributária: 45. não obstante a amplitude do conceito de salário de contribuição, o próprio artigo 28 em seu parágrafo 9º, prevê inúmeras situações especiais onde, mesmo havendo pagamento direto ao empregado, não haverá a incidência da contribuição previdenciária. Tais hipóteses consubstanciam isenções concedidas àqueles que têm o dever de contribuir com a Previdência Social, desonerandoos da exação. Por sua vez, a interpretação da norma isentiva não permite incluir nela situações que não estejam expressamente previstas no texto legal, em face da literalidade em que deve ser interpretada, conforme artigo 111, inciso II da Lei nº 5.172/66 – CTN. 46. Esta verba é paga no ato da contratação, negociada entre a empresa e o empregado, faz parte do pacote de remunerações para incentivar o empregado a ingressar nos quadros da empresa, denominada no mercado como 'luvas', 'hiring bônus' ou bônus de contratação, tem como natureza uma gratificação ajustada, não estando nas hipóteses de isenção previdenciária; 47. Da mesma forma é o entendimento da legislação trabalhista, conforme disposto no artigo 457, §1º da CLT; 48. Nesse sentido, quando a lei define remuneração paga a qualquer título, o pagamento de 'luvas', que tem natureza de gratificação ajustada, está contido na definição legal de remuneração, sendo parte integrante do salário de contribuição; 49. No caso, verificase através dos contratos firmados entre a empresa e os empregados contratados a natureza de remuneração em troca do trabalho, conforme transcrito a seguir: 'Abono de contratação firmado entre Itaú Corretora de Valores S A e Ricardo Jorge Fernandez Fernandez: (...) 2. Em reciprocidade pelo recebimento da importância acima, que após as deduções legais resultará no valor líquido de R$ 99.852,80 (Noventa e nove mil, oitocentos e cinqüenta e dois Fl. 622DF CARF MF 18 reais e oitenta centavos), o colaborador assume expressamente o compromisso de permanecer trabalhando nesta empresa por um período de 24 (vinte e quatro) meses.' Aditivo ao contrato individual de trabalho entre Itaú Corretora de Valores S A, empregador e Luiz Gustavo Cherman: (...) 1.m O funcionário comprometese a manter a relação de emprego pelo prazo mínimo de 36 meses e a cumprir todas as metas previstas até 30 de abril de 2011.' Em contrapartida, argumenta a recorrente que se trata, em verdade, de verba desvinculada do salário, uma vez que fora paga aos beneficiários no ato da contratação, momento no qual ainda não se dava a prestação dos serviços, motivo pelo qual deve ser reconhecido sobre ela não incidirem as contribuições previdenciárias. Pois, bem, sobre o assunto, inicialmente cabe frisar que a CF/88, em seu art. 195, I, “a”, definiu que o financiamento da Seguridade Social se faria, em parte pelas contribuições do empregador e do empregado incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos provenientes do trabalho, senão vejamos: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:(Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Por sua vez, em face de referido comando constitucional, tais contribuições vieram a ser instituídas por meio da Lei 8.212/91, que em seu artigo 22, assim dispôs: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo Fl. 623DF CARF MF Processo nº 19515.001052/200978 Acórdão n.º 9202007.637 CSRFT2 Fl. 615 19 de trabalho ou sentença normativa.(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). E ao definir o conceito de salário de contribuição, no caso a base de cálculo das contribuições previdenciárias, a própria Lei nº 8.212/91 definiu que, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Resta claro portanto que a cobrança das contribuições sociais previdenciárias somente poderá ser levada a efeito sobre valores que vierem ser creditados a segurados empregados ou contribuintes individuais quando estes venham a auferir remuneração destinada a retribuir um trabalho por eles prestado ao seu empregador ou tomador de serviços, não sendo abarcados na hipótese de incidência eventuais ganhos que não possuam qualquer vinculação com a prestação de trabalho com ou sem vínculo empregatício. O pagamento de verbas a título de hiring bônus ou bônus de contratação é uma ferramenta utilizada pelas empresas, sobretudo com o intuito de angariar funcionários de alta performance de mercado, com vínculo empregatício ou não, para os quadros de colaboradores de determinada empresa, diante da atual escassez no mercado de trabalho de profissionais especializados em determinada expertise ou mesmo de profissionais de alta capacidade operacional que se destacam no exercício de suas funções no empresariado brasileiro. Tratase de uma forma encontrada, ainda, pelas empresas de adoçar a boca de executivos, para que os mesmos venham a auferir vantagens para que deixem os seus antigos postos de trabalho e venham a se filiar a uma nova empresa, pois, sem a concessão de melhores benefícios, certamente tais profissionais continuariam a exercer sua funções no antigo posto de trabalho não havendo para eles qualquer vantagem em transferir sua força de trabalho e conhecimentos a um novo empregador. Fato é que o pagamento do bônus de contratação não possui qualquer previsão legal acerca de sua obrigação ou não de pagamento, se traduzindo em nova prática de mercado, atualmente adotada por empresas brasileiras à exemplo da prática Fl. 624DF CARF MF 20 há muito já realizada no exterior, como forma das mesmas se manterem vivas e competitivas, certamente pela força de trabalho de profissionais mais especializados e mais respeitados em determinada área. Em se tratando de uma prática mais atual, também não houve qualquer previsão sobre tal pagamento nas hipóteses de isenção das contribuições previdenciárias previstas no §9o do art. 28 da Lei 8.212/91, de modo que o próprio legislador constituinte e o ordinário, ao definirem o salário contribuição, pela impossibilidade de previsão de todas as formas de remuneração que poderiam vir a ser criadas, determinou que todo o pagamento auferido em uma ou mais empresas que tiver como escopo a retribuição do trabalho prestado, deverá ser considerado como base de cálculo para fins de incidência da tributação pelas contribuições previdenciárias. Assim, em face do silêncio da legislação relativamente ao pagamento de bônus de contratação, cabe ao julgador, diante do caso em concreto, apurar se o pagamento efetuado teve realmente ou não a finalidade de retribuição de trabalho prestado, não havendo que se falar, apenas na tributação da verba sobre o argumento de que ela não consta expressamente dentre as hipóteses de isenção previstas no art. §9o do Art. 28 da Lei 8.212/91. A meu ver, o primeiro elemento que deve considerado para definição ou não do caráter de retributividade da verba, o qual a meu ver é incontroverso no presente caso, pois não veio a ser questionado pela fiscalização ou mesmo pela própria recorrente, é o momento em que a verba veio a ser paga. Consta do relatório fiscal que a verba foi paga no ato da contratação, ou seja, em momento no qual o seu beneficiário sequer estava formalmente ligado ao quadro de colaboradores da recorrente ou mesmo tenha até iniciado a prestação dos serviços para o qual fora contratado. Logo, em não havendo a prévia prestação do serviço, a meu ver, considerandose tal elemento, por si só no caso em concreto, não há que se falar que o pagamento da verba ou remuneração destinouse a retribuir qualquer trabalho prestado, diante da clara impossibilidade de tal fato pudesse mesmo ocorrer. [...] Dessa forma não concordo com a conclusão da fiscalização no presente caso de que o bônus de contratação se trata, em todos os casos, de uma gratificação ajustada, de modo a atrair a incidência das contribuições com fundamento no art. 457 da CLT. A meu ver uma gratificação, qualquer que seja sua forma, caracterizase como um pagamento feito por liberalidade do empregador, como uma forma de agradecimento ou reconhecimento de algo, no caso, uma vez que creditada ao seu empregado, certamente busca gratificálo pelos serviços já prestados ou mesmo como recompensa pelo respectivo tempo de serviço na empresa ou performance na execução de determinado serviço. [...] Fl. 625DF CARF MF Processo nº 19515.001052/200978 Acórdão n.º 9202007.637 CSRFT2 Fl. 616 21 Pois bem. Não obstante as ponderações acima, no presente caso, o fiscal trouxe aos autos interessante dado, no caso, a informação de que o bônus de contratação, fora pago no ato da contratação e fora condicionado ao um período de permanência dos seus beneficiários nos quadros funcionais da recorrente, por vezes por um período de 24 (vinte e quatro) meses, por vezes por um período de 36 (trinta e seis) meses. Transcrevo o que consta no contrato dos beneficiários da verba: “O funcionário comprometese a manter a relação de emprego pelo prazo mínimo de 36 (trinta e seis meses) e a cumprir todas as metas até 30 de abril de 2011” E não é só. O instrumento que regulou o pagamento do hiring bônus no presente caso, além de determinar um prazo mínimo no qual o empregado deve manterse no seu emprego, prevê de forma expressa que: (i) o valor pago a título do bônus de contratação se caracteriza num adiantamento pelo compromisso firmado de permanecer no cargo pelo prazo de 36 meses; (ii) o recebimento de tal quantia quitará quaisquer vantagens que venha o empregado a adquirir até 30 de abril de 2011, excetuados os salários fixos e comissões de seu cargo; (iii) na hipótese de ocorrer abandono de emprego ou pedido de demissão antes de 36 meses, o empregado tem a obrigação de restituir o adiantamento na proporção de 1/36 por mês faltante para o cumprimento de referido prazo; E em face da presença de tais condições, indago se o fato da verba ter sido paga no ato da contratação, mesmo sem ter havido a efetiva prestação do serviços, pode ensejar a conclusão de que o pagamento visou/teve como finalidade atrair tais empregados para uma nova empresa e está desvinculado, neste caso, do trabalho prestado. Creio que não. Ora, somente o fato de constar no acordo do pagamento do hiring bônus que tais valores são um adiantamento pelo período futuro em que o empregado deverá ficar vinculado à empresa, já demonstra forte indício de que existe uma vinculação do seu pagamento em razão da contraprestação do serviço no presente caso na forma de uma remuneração antecipada. Aliandose a tal condição, a obrigação de devolução dos valores em caso da quebra prematura do contrato de trabalho e a de que os valores constituem o pagamento de qualquer vantagem que o empregado venha ou possa adquirir em função do seu trabalho, realmente, não vejo como concluir pela desvinculação do pagamento em razão do trabalho a ser prestado como forma de atrativo ao empregado para compor os quadros de funcionários da recorrente. Fl. 626DF CARF MF 22 A meu ver, a forma pactuada pelas partes para o pagamento do bônus de contratação, se mostra muito mais e claramente como uma forma de manter o empregado vinculado à recorrente, e não como forma de atraílo a vir a fazer parte de seu quadro de colaboradores. Assim, afasto as alegações da recorrente." Fincados os critérios de análise da verba em tela, o primeiro elemento a ser considerado é o momento em que é efetuado o pagamento, bem como as condições estabelecidas para o seu recebimento. Nesse passo, no caso do acórdão acima colacionado, a Fiscalização aportou aos autos vários fundamentos que conduziram a classificar a verba como de natureza salarial. Aplicandose essas mesmas premissas ao presente caso, verificase que o Relatório Fiscal assim descreve a situação (fls. 81/82): "3.1. GEAGRATIFICAÇÃO ESPONTÂNEA ADMISSÃO Em Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, com Aviso de Recebimento (AR) em 03/10/2008, foi solicitado ao contribuinte explicações referente â rubrica 00031 (grat. espont. adm.) verificada em folhas de pagamento da empresa. Em resposta à solicitação o contribuinte informou o que se segue: "Pagamento único efetuado a funcionários no momento da contratação, caracterizando o ganho eventual de que trata a alínea "j". do inciso V, do § 9°, do art. 214 do Decreto 3.048/99.". Observese que a alínea " j " cita ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei. Conforme verificado essa gratificação é paga quando da admissão do empregado, portanto antes de qualquer efetividade em relação aos serviços para o qual foi contratado. Tratase de pagamento incondicionado, devido em razão da simples contratação, como um pagamento de luvas, um incentivo para a assinatura do contrato de trabalho. Tal verba possui natureza remuneratória visto ter o objetivo de atrair, através de pagamento, bons funcionários, em virtude de sua eficiência antes mesmo da celebração contratual e, portanto, integra o salário de contribuição. O pagamento dessa verba foi verificado nas competências 06, 07 e 10/2004 quando da admissão, respectivamente, dos empregados PAULO SERGIO TENANI, CAMILA WEEKS e CHRISTIAN PIERRE FRANÇOIS PUTHOD." (grifei) De plano, constatase que o próprio autuante ressalta que a verba foi paga em caráter "incondicionado", sem qualquer contraprestação de trabalho. Nessas condições, a conclusão acerca do caráter remuneratório da verba careceria da comprovação de que teria havido alguma contraprestação por parte do contratado. Registrese, por oportuno, que foram solicitados os respectivos Contratos de Trabalho dos três empregados que receberam o bônus (fls. 66), sem qualquer observação acerca do não atendimento, de sorte que, a princípio, os contratos foram apresentados. Tampouco esse aspecto foi questionado pela Fazenda Nacional. Observese também que a própria DRJ, para manter a autuação, assim se posiciona (fls. 189/190): Fl. 627DF CARF MF Processo nº 19515.001052/200978 Acórdão n.º 9202007.637 CSRFT2 Fl. 617 23 "4.45. No tocante aos valores pagos a título de gratificação espontânea na admissão é evidente que, sobre eles, incidem contribuições previdenciárias, apesar de a Impugnante sustentar que são ganhos eventuais e, portanto, excluídos do salário de contribuição, nos termos da alínea "j", do inciso V, do § 9o , do art. 214, do Decreto 3.048/99. 4.46. Notese que a norma invocada pela Impugnante tem outra finalidade, qual seja, a de incorporar ao salário valores que habitualmente são pagos ao trabalhador. Todavia, isto não significa que importâncias pagas eventualmente ao empregado, mas em decorrência do contrato de trabalho, estaria excluída do salário de contribuição, ressalvadas as excludentes expressamente prescritas em lei específica (parágrafo 9o , do art. 28, da Lei 8.212/91). O pagamento de prêmio, ainda que ausente a habitualidade, sujeitase à incidência de contribuição previdenciária, servindo como exemplo do ora exposto. 4.47. No caso presente, é evidente que o valor pago a título de 'Gratificação Espontânea de Admissão', caracterizase como pagamento antecipado do salário, integrando, dessa forma, o salário de contribuição. 4.48. Discordase, em parte, da Fiscalização, quando esta afirma que se trata de pagamento incondicionado, devido em razão da simples contratação, como um pagamento de luvas, um incentivo para a assinatura do contrato de trabalho. 4.49. Seja qual o título que se dê à verba, em questão, tratase de pagamento condicionado à prestação de serviços, ou ao fato do empregado colocarse à disposição do empregador, constituindose em parcela integrante do salário de contribuição, nos termos do art. 22 e 28, da Lei 8.212/91. 4.48. Observese que, embora a Impugnante alegue que esse vultosos pagamentos referemse a despesas de contratação, ela não faz prova nos autos. 4.50. Pesquisas realizadas nos dados das GFIP, que constam dos sistemas informatizados da RFBReceita Federal do Brasil, confirmam que, no ano de 2004, os empregados Paulo Sérgio Tenani, Camila Weeks e Christian Pierre François Puthod, discriminados no RLRelatório de Lançamentos, prestaram serviços, respectivamente, nos meses: 06 a 12/2004, 07 a 10/2004 e 10 a 12/2004. 4.51. Como se vê a Fiscalização agiu com acerto ao constituir os créditos de que trata o Auto de Infração." Constatase, assim, que a DRJ, para manter a autuação, teve de discordar do autuante, cujos fundamentos, por si sós, efetivamente não conduziriam à conclusão de que a verba em tela teria natureza salarial. Fl. 628DF CARF MF 24 Nesse contexto, o acórdão recorrido seguiu a mesma lógica aplicada no Acórdão nº 9202005.156, condicionando as eventuais conclusões ao caso concreto, cujo cenário é trazido pelo autuante: "A grande questão que envolve este pagamento é ter conhecimento se ele tem natureza remuneratória e ou indenizatória, já que ela implicará em incidência previdenciária ou não. Definir a natureza desta verba implica em análise percuciente dos fatos que envolvem a autuação, onde o julgador está à mercê do fiscalizador, já que seu relato será primordial para definila. No caso em tela, lendo o Relatório Fiscal vêse que a autuação está contraditória da pretensa aplicação de incidência previdenciária, isto porque a Fiscalização afirmou que o acordo para pagamento do ‘Bônus de Contratação’ ocorreu antes da contratação do funcionário e sem que a Recorrente determinasse cumprimento de metas e ou ainda determinasse tempo mínimo de permanência e ou vigência do contrato de trabalho. Desta forma, em a Fiscalização ter informado que foi pago o 'Bônus de Contratação' antes mesmo da contratação e não exigindo do beneficiário metas a serem cumpridas e tão pouco permanência dele mínima na Recorrente, desfigurado está o caráter remuneratório, porque ausentes estão os requisitos que configuram a verba remuneratória, ou seja, i) a comutatividade (a troca do pagamento pelo trabalho) e o ii) imperioso contrato de trabalho, oneroso e sinalagmático (contratos bilaterais em que existe uma reciprocidade). Então, assiste razão tais argumentos expendidos pela Recorrente, uma vez que a própria Fiscalização desfigurou o caráter remuneratório da verba paga." Assim, a despeito de que a verba em tela, ainda que paga antes de firmarse o contrato de trabalho, poderia efetivamente ser classificada como de natureza salarial, não foram trazidos aos autos elementos que formassem a convicção desta Conselheira, no sentido de que, nesse caso concreto, o chamado Bônus de Contratação deveria compor o saláriode contribuição. Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, somente em relação ao Bônus de Contratação e, no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 629DF CARF MF Processo nº 19515.001052/200978 Acórdão n.º 9202007.637 CSRFT2 Fl. 618 25 Fl. 630DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.730446/2014-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 05/01/2010 a 29/12/2010
VALOR ADUANEIRO. PIS/COFINS IMPORTAÇÃO. DESPESAS DE DESCARGA E MOVIMENTAÇÃO DE MERCADORIAS IMPORTADAS. CAPATAZIA.
Por se tratar de valor despendido para a movimentação das mercadorias após a chegada no porto de destino, a capatazia não compõe o valor aduaneiro das mercadorias, não integrando, portanto, a base de cálculo do PIS/COFINS Importação.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 05/01/2010 a 29/12/2010
VALOR ADUANEIRO. PIS/COFINS IMPORTAÇÃO. DESPESAS DE DESCARGA E MOVIMENTAÇÃO DE MERCADORIAS IMPORTADAS. CAPATAZIA.
Por se tratar de valor despendido para a movimentação das mercadorias após a chegada no porto de destino, a capatazia não compõe o valor aduaneiro das mercadorias, não integrando, portanto, a base de cálculo do PIS/COFINS Importação.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3402-006.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Waldir Navarro Bezerra.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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VALOR ADUANEIRO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado USINAS SIDERURGICAS DE MINAS GERAIS S/A USIMINAS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 05/01/2010 a 29/12/2010 VALOR ADUANEIRO. PIS/COFINS IMPORTAÇÃO. DESPESAS DE DESCARGA E MOVIMENTAÇÃO DE MERCADORIAS IMPORTADAS. CAPATAZIA. Por se tratar de valor despendido para a movimentação das mercadorias após a chegada no porto de destino, a capatazia não compõe o valor aduaneiro das mercadorias, não integrando, portanto, a base de cálculo do PIS/COFINS Importação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 05/01/2010 a 29/12/2010 VALOR ADUANEIRO. PIS/COFINS IMPORTAÇÃO. DESPESAS DE DESCARGA E MOVIMENTAÇÃO DE MERCADORIAS IMPORTADAS. CAPATAZIA. Por se tratar de valor despendido para a movimentação das mercadorias após a chegada no porto de destino, a capatazia não compõe o valor aduaneiro das mercadorias, não integrando, portanto, a base de cálculo do PIS/COFINS Importação. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 04 46 /2 01 4- 56 Fl. 1233DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados para a exigência do recolhimento das contribuições do PIS/COFINS Importação incidentes sobre os valores de capatazia que deixaram de ser recolhidos pelo sujeito passivo, com acréscimo de juros e multa. Como indicado no Auto de Infração: "Num primeiro momento, foi feito trabalho relativo ao ano de 2010 em face da aproximação da decadência dos valores aqui tratados. Em relatório extraído do DW aduaneiro foi possível reunir todas as DI registradas pela Usiminas (vide anexo 1) e, a partir daí, apurar se efetivamente existia a ausência do lançamento relativo a capatazia na ficha acréscimos. Diante da resposta da interessada às intimações dando conta de que realmente não havia incluído tal montante na base de cálculo e, ainda da resposta ao questionamento específico acerca dos valores gastos com tal item, o que se pôde verificar foi a discrepância entre o valor apontado na contabilidade(R$ 8,04) e aqueles verificados nas DI 10/22903634;10/22903626;10/21726437;10/2172641 0;10/21413480;10/21413463 e 10/20833728, onde, por exigência fiscal no decorrer do despacho, a empresa declarou gastar R$ 34,36. Tais apontamentos podem ser melhor visualizados no anexo 2. A opção pelo segundo valor como parâmetro para o cálculo da diferença a ser considerada no ajuste da base de cálculo, se deu pelos seguintes motivos: 1Tratase de valores declarados pelo próprio contribuinte; e, 2São valores mensurados à época dos fatos aqui tratados, portanto, mais adequados à estrutura que permitia a realização das atividades, das quais decorrem a capatazia. O cálculo utilizado para a determinação do valor cobrado se deu da seguinte forma: 1Levantamento de todas as DI registradas em 2010; 2Separação daquelas para as quais foram declarados os valores referentes á capatazia; 3Separação das DI registradas com suspensão de tributos; 4Somatória do peso; 5Levantamento do valor referente a acréscimos oriundos de capatazia (peso multiplicado pelo valor de referência de capatazia); Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 11128.730446/201456 Acórdão n.º 3402006.218 S3C4T2 Fl. 1.234 3 6Planilhamento dos valores referentes a Cofins e Pis, utilizando modelo específico para tal cálculo, conforme consta da Norma de execução Coana 2/2005(anexo 3)" (efls. 18/19 grifei) Após a apresentação da Impugnação Administrativa pelo sujeito passivo, a Delegacia de Julgamento entendeu por converter o julgamento do recurso em diligência, primeiramente por meio da Resolução 16.000.562 da 23ª Turma da DRJ/SP1 (efls. 857/873), requerendo, em síntese, que a autoridade fiscal de origem: "• RECALCULE a base de cálculo das Contribuições PIS/COFINS Importação à luz do que foi determinado pelo RE 559937. Neste mesmo diapasão, indagase à autoridade preparadora: 1. Às folhas 590 do processo digital e seguintes, no documento 08 juntado à impugnação, consta cópia do Auto de Infração n° 10611.721712/201354, lavrado pela IRF Belo Horizonte. Às folhas 839 do processo digital e seguintes, no documento 13 juntado à impugnação, consta planilha que contem o alistamento de todas as Declarações de Importação emitidas no nome da filial de Ipatinga/MG, bem como o respectivo crédito tributário lançado (contribuição e multa). Nesse sentido, é fato que houve duplicidade de autuação (mesmas Declarações de Importação) para o mesmo fato (não inclusão da capatazia no valor aduaneiro)? 2. Se a resposta do quesito 1 for afirmativa, que se proceda a devida exclusão das Declarações de Importação lançadas em duplicidade. (...) 3. Solicitase que a autoridade preparadora explicite os motivos pelos quais o montante informado pelo impugnante R$ 8,04/ton. – não foi aceito, sendo arbitrado em seu lugar o custo de R$ 34,36/ton?" (efls. 871/872 grifei) A resposta à diligência indicou expressamente, especificamente quanto ao item referente ao recálculo das contribuições à luz do RE 559.937 que "se utilizada tal metodologia de cálculo, qual seja, a exclusão do valor referente ao ICMS, bem como o cálculo direto da alíquota referente a uma e outra contribuição sobre o valor aduaneiro, pura e simplesmente, NÃO haveria crédito tributário a ser considerado." (efl. 879) Além disso, informou em resposta ao item 1 que houve lançamento em duplicidade com os valores lançados no processo n° 10611.721712/201354. Uma vez que não foram trazidos aos autos o DEMONSTRATIVO DE CÁLCULOS referente à exclusão das referidas Declarações de Importação indicadas em duplicidade, o julgamento foi novamente convertido em diligência pela Resolução n.º 16.000.625 para que esses cálculos fossem acostados aos autos (efls. 980/995). Essa planilha foi apresentada na informação fiscal das efls. 1.057/1.059, na qual indicou a fiscalização: "1.1 Da observação dos valores constantes nas colunas COFINS DEVIDO X COFINS CFE RE 559937 E PIS DEVIDO X PIS CFE RE 559937, se pode concluir pela ausência de valores a lançar; 2 Procedi à emissão de demonstrativo no Safira, excluindo do Auto original a totalidade das DI que não foram registradas no Porto de Santos, conforme se pode ver às fls. 998 a 1056." (efl. 1.059 grifei) Fl. 1235DF CARF MF 4 Em razão das informações prestadas pela empresa em suas informações às diligência quanto às operações da filial da empresa em Ipatinga/MG, a turma entendeu por novamente converter o julgamento do Recurso em diligência nos seguintes termos: "O interessado se manifestou no seguinte sentido, às folhas 1.068 do processo digital: Ocorre que a Contribuinte, ao verificar o demonstrativo do auto de infração elaborado, constatou que subsistiu a seguinte cobrança do diferencial das contribuições concernente a importações realizadas pela filial de Ipatinea/MG (CNPJ: 60.894.730/002582): Diante desses motivos, a Contribuinte requer seja determinado à Autoridade Preparadora que revise o demonstrativo acostado às fls. 998/1.056, apenas mantendo as contribuições supostamente devidas por importações realizadas nos recintos aduaneiros do Porto de Santos. Requer, ainda, seja determinado à Autoridade Preparadora que, diante da reformulação do crédito tributário já operada, sejam devidamente alimentados os sistemas de controle da RFB, principalmente o SIEF, na medida em que a própria Auditoria Fiscal concordou que parte do lançamento deve ser extinta. Em atenção estrita ao exercício do Contraditório, Princípio de assento constitucional, resolvese baixar os autos em outra Resolução, para que a autoridade preparadora se manifeste sobre o seguinte assunto: 1. Procede a alegação veiculada pelo interessado às folhas 1.068 do processo digital de que subsiste cobrança do diferencial das contribuições concernente a importações realizadas pela filial de Ipatinga/MG (CNPJ: 60.894.730/002582) apontada no quadro acima? 2. Se afirmativa a resposta, que seja refeito o DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO com a nova exigência das Contribuições PIS/COFINS – Importação." (efl. 1.094/1.095) Na informação fiscal, responde a fiscalização que "realmente, ocorreu equívoco na juntada do demonstrativo mencionado às fls 998 a 1056, razão pela qual providenciei a substituição do mesmo através das fls. 1098 a 1148". (efl. 1.149) Com isso, foi juntado o substitutivo do demonstrativo às efls. 1.134. Uma vez que as diligência identificaram a ausência de valores suscetíveis a serem exigidos com fulcro no conceito de valor aduaneiro trazido no RE 559.937, foi dado Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 11128.730446/201456 Acórdão n.º 3402006.218 S3C4T2 Fl. 1.235 5 integral provimento à Impugnação com base nessas informações fiscais, em acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 05/01/2010 Diferenças de valor aduaneiro apuradas quanto a com despesas de descarga e movimentação das mercadorias importadas. Exigência das Contribuições PIS/COFINS Importação incidentes, devido à alteração da base de cálculo das mesmas, bem como a respectiva multa de ofício de 75% e multa de mora de 20% À luz do que determina o RE 559937, não há crédito tributário a ser considerado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado" (efl. 1.191 grifei) Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada, foi interposto Recurso de Ofício. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Recurso de Ofício merece ser conhecido, vez que ultrapassa o valor de alçada da Portaria n.º 63/2017. Entendo que não merece qualquer reparo a r. decisão recorrida. Atentandose para o Auto de Infração lavrado e como confirmado pelas diligências realizadas nos presentes autos, os valores autuados correspondem, exclusivamente, aos valores de capatazia (movimentação e desgarga), que não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS Importação, em conformidade com o conceito de valor aduaneiro firmado no RE 559.937. Com efeito, a base de cálculo do PIS e da COFINS Importação sobre a entrada de bens estrangeiros no território nacional é o valor aduaneiro (art. 7º, I, da Lei n.º 12.865/2004), na forma definida pelo Acordo de Valoração Aduaneira no Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (AVA/GATT), aprovado pelo Decreto Legislativo n.º 30/1994 e promulgado pelo Decreto 1.355/94, que incorporou os resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT. Atentandose para a disciplina do AVA/GATT, observase que o conceito de valor aduaneiro é o valor de transação da mercadoria, sendo passível de serem incluídos os valores despendidos com o custo, o transporte e o seguro (preço CIF) despendidos até o porto de destino (local da importação). Nos termos do Artigo 8 do Acordo sobre a implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994: “Artigo 8 (...) 2. Ao elaborar sua legislação, cada Membro deverá prever a inclusão ou exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos seguintes elementos: Fl. 1237DF CARF MF 6 (a) o custo de transportes de mercadoria importadas até o ponto ou local de importação; (b) os gastos relativos ao carregamento, descarregamento e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e (c) o custo do seguro (…)” (grifei). Sob esta perspectiva, o valor aduaneiro considera o preço da mercadoria até a chegada no porto (preço CIF), não abrangendo aqueles dispêndios ocorridos após a chegada no porto de destino, como é o caso das despesas com capatazia. E foi exatamente esse o conceito de valor aduaneiro firmado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento no Recurso Extraordinário n.º 559.937 em sede de repercussão geral, especificamente quanto ao PIS/COFINS Importação, ementado nos seguintes termos: "Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 11128.730446/201456 Acórdão n.º 3402006.218 S3C4T2 Fl. 1.236 7 a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento." (STF, RE 559937, Relatora Ministra Ellen Gracie, Relator p/ Acórdão Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, julgado em 20/03/2013, Repercussão Geral Mérito DJe206 Divulg. 16/10/2013 Public. 17/10/2013) Naquele julgado, o valor aduaneiro foi expressamente identificado como o preço CIF da mercadoria (custo, seguro e frete). Esse conceito foi bem elucidado no voto da Ministra relatora Ellen Gracie1 e no manifestação de voto do Ministro Luiz Fux, abaixo reproduzidos: Voto Ministra Relatora Ellen Gracie: "Relevante, pois, definir o alcance da expressão "valor aduaneiro" de modo a delimitar o âmbito dentro do qual seria lícito ao legislador estabelecer a base de cálculo. Quando do advento da EC 33/01, o art. 2o do DL 37/66, com a redação determinada pelo DL 2.472/88, já fazia referência ao valor aduaneiro ao dispor acerca da base de cálculo do Imposto sobre a Importação: (...) Vêse que a dimensão do que seja valor aduaneiro decorre de acordo internacional sobre tributação. Aliás, é relevante ter em conta que o Decreto Legislativo 30/94 aprovou Acordo sobre a implementação do artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994, constante do Anexo 1A ao Acordo Constitutivo da Organização Mundial de Comércio, e que o Decreto 1.344/94 o promulgou, incorporando os resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT. A regulamentação do controle do valor aduaneiro consta da IN SRF 327/03. E o novo Regulamento Aduaneiro também cuidou da matéria. Vejamse os arts. 76 e 77 do Dec. 6.759/09 (Novo Regulamento Aduaneiro): (...) Cabe observar que o valor aduaneiro compreende também os custos de transporte, de carga, descarga e manuseio e de seguro, de modo que corresponda ao valor do produto posto no país importador, ou seja, ao preço CIF (cost, insurance and freight) e não ao simples preço FOB (free on board). Relevante, ainda, é saber que o valor aduaneiro pode ou não corresponder ao valor declarado pelo importador com base nos documentos fiscais de aquisição da mercadoria. Há critérios substitutivos de apuração, para utilização sucessiva, nos termos do art. VII do GATT, de modo que não prevaleçam distorções de preços. Mas não é sequer necessário aprofundarmos a análise do "valor aduaneiro" que, com os traços referidos, já era considerado quando do advento da EC 33/01. 1 Trata do julgamento quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS importação, cujo voto da ministra relatora Ellen Gracie foi acompanhado pela unanimidade dos Ministros. Em razão de sua saída do tribunal, a redação do acórdão foi atribuída ao Ministro Dias Toffoli. Fl. 1239DF CARF MF 8 Isso porque a Lei 10.865/04, ao instituir a PIS/PASEPImportação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas,. O que fez, sim, foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação, quando tenham alíquota ad valorem, sejam calculadas com base no valor aduaneiro. Extrapolando a norma do art. 149, § 2o , III, a, da Constituição Federal, determinou que as contribuições fossem calculadas não apenas sobre o valor aduaneiro, mas, também, sobre o valor do ICMSImportação e sobre o valor das próprias contribuições instituídas." (grifei) Voto Ministro Luiz Fux: "O Conceito de valor aduaneiro é o mesmo corrente no âmbito do comércio exterior, com referências expressas na legislação, de modo que se deve considerar a previsão constitucional como dizendo respeito ao sentido técnico da expressão constante do próprio GATT. Nesta linha de pensar, a base de cálculo é o preço CIF (Cost, Insurance and Freigt), ou seja, referência ao preço para entrega no porto ou lugar de entrada do produto no País, considerando o seu custo, o seguro e o frete, nada mais!" (grifei) Com efeito, as despesas com capatazia são incorridas após a chegada das mercadorias no porto, tratandose daqueles valores despendidos no desembarque e armazenagem da mercadoria quando de sua chegada no país de destino, dentro das instalações do porto. A definição deste serviço foi elucidada pela Lei n.º 12.815/2013, denominada de lei dos portos: "Art. 40. O trabalho portuário de capatazia, estiva, conferência de carga, conserto de carga, bloco e vigilância de embarcações, nos portos organizados, será realizado por trabalhadores portuários com vínculo empregatício por prazo indeterminado e por trabalhadores portuários avulsos. § 1o Para os fins desta Lei, consideramse: I capatazia: atividade de movimentação de mercadorias nas instalações dentro do porto, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, abertura de volumes para a conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega, bem como o carregamento e descarga de embarcações, quando efetuados por aparelhamento portuário;" (grifei) Assim, como despesas incorridas após a chegada no porto, a capatazia não compõe o valor aduaneiro das mercadorias, não integrando, portanto, a base de cálculo do PIS/COFINS Importação Esse raciocínio é igualmente depreendido do Decreto n.º 2.498/19982, vigente à época dos fatos geradores, que indica que somente os gastos de carga e descarga incorridos até a chegada no porto podem ser incluídos no valor aduaneiro: "Dos elementos que integram o valor aduaneiro Art. 17. No valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado, serão incluídos (parágrafo 2 do artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira): I o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; 2 Dispõe sobre a aplicação do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994. Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 11128.730446/201456 Acórdão n.º 3402006.218 S3C4T2 Fl. 1.237 9 II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e III o custo do seguro nas operações referidas nos incisos I e II." (grifei) Dessa forma, o conceito de valor aduaneiro não inclui as despesas com capatazia, incorridas após a chegada no porto de destino3. Nos presentes autos, a resposta à diligência indicou expressamente, especificamente quanto ao item referente ao recálculo das contribuições à luz do RE 559.937 que "se utilizada tal metodologia de cálculo, qual seja, a exclusão do valor referente ao ICMS, bem como o cálculo direto da alíquota referente a uma e outra contribuição sobre o valor aduaneiro, pura e simplesmente, NÃO haveria crédito tributário a ser considerado." (efl. 879 grifei) Nesse sentido, com fulcro nessa manifestação da fiscalização, a r. decisão recorrida entendeu por cancelar integralmente os Autos de Infração objeto deste processo, em entendimento que não merece qualquer reforma. Desta forma, entendo que agiu corretamente a r. decisão recorrida ao cancelar integralmente os Autos de Infração lavrados contra o sujeito passivo exclusivamente pelo fato de ter deixado de incluir as despesas com capatazia na base de cálculo do PIS/COFINS Importação, não merecendo reparo a conclusão por ela alcançada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne 3 Esse é o entendimento vem sendo aplicado de forma reiterada pelo Superior .Tribunal de Justiça STJ especificamente quanto ao Imposto de Importação, como se depreende, a título exemplificativo, dos seguintes julgados das primeira e segunda turmas: AgInt no AREsp 1066048/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 23/05/2017, DJe 30/05/2017, REsp 1528204/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Rel. p/ Acórdão Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 09/03/2017, DJe 19/04/2017 e REsp 1.239.625/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 04/09/2014, DJe 04/11/2014. Fl. 1241DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.902753/2008-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não se conhece de recurso que não comprove a divergência jurisprudencial nos termos do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9101-003.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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SALDO NEGATIVO. PROVA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ELEB EMBRAER LIEBHERR EQUIPAMENTOS DO BRASIL S/A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não se conhece de recurso que não comprove a divergência jurisprudencial nos termos do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 27 53 /2 00 8- 61 Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13884.902753/200861 Acórdão n.º 9101003.996 CSRFT1 Fl. 1.384 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial (efls. 225/230), contra o acórdão de nº 1803002.327 (efls. 214/223) proferido pela Terceira Turma Especial da Primeira Seção do CARF, em sessão realizada em 27/8/2014, pelo qual a turma, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário apresentado por ELEB EMBRAER LIEBHERR EQUIPAMENTOS DO BRASIL S/A., reconhecendo o direito creditório em litígio e homologando as compensações a ele vinculadas. Extraise dos autos os seguintes fatos, em síntese: o contribuinte apresentou pedido objetivando o reconhecimento do direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ, apurado no 2º trimestre de 2005, para compensação com os débitos declarados nos PERD/COMP’s de números 24990.98467.041005.1.3.029581; 00445.49340.071005.1.3.021928; 09107.93436.071105.1.3.024680; 10823.93017.031105.1.3.020729; 09725.10733.111105.1.3.025324; 05705.07741.101005.1.3.021881; 14777.77929.261005.1.3.022549; e 08756.48599.211005.1.3.026078. Constatado que o valor informado na DCOMP não correspondia ao valor do saldo negativo informado na DIPJ, após intimar o contribuinte a retificar a(s) respectiva(s) declaração(ões), sem resposta, a Delegacia Regional Federal de São José dos Campos prolatou despacho decisório não homologando a compensação declarada nas PER/DCOMP, com o seguinte teor (fls. 79 do vol. 1): Analisadas as Informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor Informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIP)) não corresponde ao valor do saldo negativo Informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 305.770,32 Valor do saldo negativo Informado na DIPJ: R$ 38,08 contra o despacho decisório o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em que alegou, em síntese, que, de fato, ocorreram equívocos formais de preenchimento os quais não poderiam constituir óbice ao reconhecimento do crédito e que a homologação deveria ser reconsiderada em face das retificadoras das PER/DCOMP, invocando a verdade material sobre circunstâncias formais. junto dessa manifestação de inconformidade o contribuinte apresentou cópia de DIPJ retificadora, protocolizada em 10/9/2008, na qual, na Ficha 12A, fez constar retenções na fonte: (a) IR pago exterior (linha 12); IRFonte (linha 13) e Retenções por órgãos públicos (linha 14), juntou, ainda, informes de rendimentos e cópias dos PER/DCOMP (fls. 22 e ss do vol. 1). Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13884.902753/200861 Acórdão n.º 9101003.996 CSRFT1 Fl. 1.385 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) prolatou acórdão no qual julgou procedente em parte o pedido, para homologar as compensações até o limite do crédito que foi reconhecido nessa ocasião, de R$ 176.995,26, e homologou as compensações até esse limite (fls. 72 e ss do vol 1). A decisão de primeira instância, considerando o montante total efetivamente retido de R$ 214.217,98, no 2º trimestre de 2005, deixou de acatar as retenções sob o código 5273 ( IRRF Operações de SWAP), por não terem sido oferecidos à tributação os correspondentes rendimentos. Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 177/186) que foi julgado pela 3ª Turma Especial da Primeira Seção do CARF, em 27/8/2014, tendo decido a maioria da turma, no Acórdão nº 1803002.327, dar provimento ao recurso. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/4/2005 a 30/6/2005 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. PER/DCOMP. DIPJ. HOMOLOGAÇÃO. Se o saldo negativo informado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) é superior ao mesmo saldo negativo informado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deve a homologação da compensação se fazer até o limite deste. DESPACHO DECISÓRIO. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. ATO ADMINISTRATIVO. Uma vez declarado o motivo ou o fundamento de um ato administrativo, aquele (motivo ou fundamento) deve ser respeitado, condicionando a validade deste (ato administrativo). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Arthur José André Neto, que negavam provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Ricardo Diefenthaeler acompanhou pelas conclusões. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor. (grifouse) No voto vencedor o redator designado destacou que o trabalho de análise do direito creditório, que cumpria ao órgão de origem, fora feito apenas pela DRJ em Campinas, o que seria inaceitável. Acrescentou que a negativa de homologação, procedida pela DRJ, ocorreu quando já transcorrido o prazo previsto da homologação tácita previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/1996 (homologação tácita), uma vez que a decisão, da forma como prolatada, possuiria a natureza jurídica de um “despacho decisório complementar”, sujeita, portanto, também, ao prazo homologatório previsto em lei. Por fim, apontou novo fundamento jurídico de decidir dado pela DRJ no julgamento da manifestação de inconformidade, chamando atenção para a “teoria dos motivos determinantes”, pela qual, uma vez declarado o motivo ou o Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13884.902753/200861 Acórdão n.º 9101003.996 CSRFT1 Fl. 1.386 4 fundamento de um ato administrativo, aquele (motivo ou fundamento) deve ser respeitado, condicionando a validade do (ato administrativo). Decidiu, ao final: Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para reconhecer o direito creditório adicional de R$ 64.219,05 (R$ 241.214,31 indicado na DIPJ retificadora e pleiteado no recurso, menos R$ 176.995,26, já reconhecido pela decisão recorrida), homologando as compensações até o limite do direito creditório adicional reconhecido. Intimada dessa decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial (efls. 225/230), em que aponta divergência jurisprudencial em relação à tese defendida no acórdão recorrido de que diante de discrepância entre os valores tidos pelo Contribuinte como crédito em seu PER/DCOMP e os valores declarados em DIPJ, deve a homologação da compensação se fazer até o limite daquele primeiro saldo. Indicou como paradigmas os Acórdãos nºs 110200.750 e 1301000.857, que veicularam as seguintes ementas: Acórdão nº 110200.750 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE INFORMAÇÃO EM DIPJ. Não é legítimo afastar definitivamente o direito do contribuinte à recuperação de créditos apenas pelo fato de este ter preenchido a DIPJ respectiva de forma incorreta. Por conseguinte, devem ser conhecidos e apreciados pela Autoridade Administrativa todos os argumentos aduzidos pelo contribuinte em manifestação de inconformidade sobre erros no preenchimento de DIPJ, os quais, se comprovados, conduzirão ao reconhecimento da existência do direito creditório e o conseqüente acolhimento do pedido de compensação. ERRO MATERIAL. Ocorre erro material suscetível de retificação quando há divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO FORMULADO POSTERIORMENTE À DECISÃO DENEGATÓRIA DO PEDIDO PELA ADMINISTRAÇÃO. Não se admite a retificação de pedido de compensação formulado pelo contribuinte quando a pretensão respectiva já tenha sido negada pela Administração, mormente quando tal retificação significa, em verdade, apresentação de novo pleito. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento para que seja determinado à Delegacia de Origem seja procedido o exame da Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13884.902753/200861 Acórdão n.º 9101003.996 CSRFT1 Fl. 1.387 5 procedência do direito creditório do Contribuinte informado na PER/DComp originária. Acórdão nº 1301000.857 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIAS NAS DECLARAÇÕES. DIPJ. DCTF. FALTA DE CERTEZA DO CRÉDITO. Para a efetivação da compensação pretendida, é exigência legal que o crédito pretensamente utilizado pela contribuinte goze dos atributos de liquidez e certeza. A existência de inconformidade nas Declarações DIPJ e DCTF apresentadas, impedem, no caso, a existência da certeza do suposto direito creditório pretendido. Apesar de devidamente intimada, a contribuinte não promovera, ao tempo e modo devido, a necessária retificação de suas declarações, não sendo possível, assim, a admissão da compensação pretendida. Sobre a admissibilidade, em relação ao primeiro paradigma, aponta a recorrente que "ante a mesma situação de discrepância entre créditos em PER/DCOMP e em DIPJ, os colegiados tiveram posicionamento diametralmente oposto: a câmara a quo assegurou imediatamente o direito creditório; por outro lado, no acórdão paradigma exigiu a comprovação do direito creditório, a ser demonstrado perante a Delegacia de origem." Aduz que o segundo paradigma foi no mesmo sentido. No mérito, em sucinto arrazoado, sustenta que, ao solicitar a compensação, cabe ao contribuinte fazer prova do crédito, e, como se trata de ato administrativo vinculado, cabe ao Fisco provar a existência de fato impeditivo, extintivo e modificativo do direito pleiteado, mas que, no caso, o direito creditório indicado não goza da desejável certeza, ante algumas divergências de valores apontados quando do Pedido de Compensação (PER/DCOMP) e os valores constantes de suas DIPJ. Requer, ao final, o conhecimento e provimento do recurso, para que seja restabelecida a decisão de primeira instância quanto ao limite do direito creditório alegado pelo contribuinte. Pelo despacho de admissibilidade de efls. 234/238 foi dado seguimento ao recurso. Cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 249/257) em que, preliminarmente, diz que a recorrente não logrou caracterizar a divergência porque as situações fáticas tratadas nos paradigmas são diversas daquelas analisadas no acórdão recorrido. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13884.902753/200861 Acórdão n.º 9101003.996 CSRFT1 Fl. 1.388 6 No mérito, afirma que não é possível negar reconhecimento ao direito creditório sob a alegação de falta de comprovação porque a motivação dada para indeferimento do pleito foi a singela diferença entre o valor declarado em DCOMP e aquele consignado em DIPJ. Requer, ao final, seja inadmitido o recurso especial da Fazenda Nacional, ou, caso admitido, seja desprovido. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora Conhecimento O recurso especial da PFN é tempestivo. Contudo, o contribuinte recorrido apresenta, em contrarrazões, alegações no sentido de que não deve ser conhecido, por entender que os paradigmas ofertados retratam situações fáticas distintas daquela examinada pelo acórdão recorrido. Passo a apreciar a admissibilidade recursal. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é instância especial de julgamento com a finalidade de proceder à uniformização da jurisprudência do CARF. Desse modo, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. No voto vencedor constante da decisão recorrida o redator designado reputou de ilógico o fundamento adotado no despacho para indeferir o pleito, consignando que, caso o saldo negativo informado no Per/DComp seja superior ao saldo negativo informado na DIPJ, deve a homologação da compensação se fazer até o limite deste. Apontou que o fundamento adotado pelo despacho decisório foi ignorado pela decisão de primeira instância, que homologou parcialmente a compensação pleiteada por outros motivos, já que teria avocado para si, erroneamente, trabalho que deveria ser feito pelo Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13884.902753/200861 Acórdão n.º 9101003.996 CSRFT1 Fl. 1.389 7 órgão de origem mas, por questões operacionais, foi delegado a sistemas eletrônicos de controle, sem tratamento manual. Diante disso, continua: 11. Observase, por oportuno, que tal negativa de homologação, procedida pela DRJ, ocorreu quando já transcorrido o prazo previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (homologação tácita). 12. É que a decisão da DRJ, da forma como prolatada, possui, na realidade, a natureza jurídica de um “despacho decisório complementar”, sujeita, portanto, também, ao prazo homologatório acima citado. 13. Há que se mencionar, por fim, a denominada “teoria dos motivos determinantes”, pela qual, uma vez declarado o motivo ou o fundamento de um ato administrativo, aquele (motivo ou fundamento) deve ser respeitado, condicionando a validade deste (ato administrativo). Como se vê, o voto condutor do acórdão recorrido, após fazer referência à homologação tácita da PER/DCOMP, adotou a teoria dos motivos determinantes para considerar que não seria possível negar reconhecimento ao direito creditório sob a alegação de falta de comprovação (como fez a DRJ) porque a motivação inicial dada (pela DRF) para indeferimento do pleito foi a singela diferença entre o valor declarado em DCOMP e aquele consignado em DIPJ. As razões de decidir do voto constaram da ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/4/2005 a 30/6/2005 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. PER/DCOMP. DIPJ. HOMOLOGAÇÃO. Se o saldo negativo informado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) é superior ao mesmo saldo negativo informado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deve a homologação da compensação se fazer até o limite deste. DESPACHO DECISÓRIO. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. ATO ADMINISTRATIVO. Uma vez declarado o motivo ou o fundamento de um ato administrativo, aquele (motivo ou fundamento) deve ser respeitado, condicionando a validade deste (ato administrativo). (grifouse) Todavia, deixa a recorrente de atacar todos fundamentos utilizados no voto vencedor para assegurar imediatamente o direito creditório. A própria recorrente transcreve parcialmente a ementa e pede a reforma parcial do acórdão, insurgindose apenas quanto ao tratamento (resultado) distinto dado às mesmas situações de discrepância entre créditos em PER/DCOMP e em DIPJ. Aponta que, enquanto a câmara a quo assegurou imediatamente o direito creditório; por outro lado, o primeiro acórdão paradigma exigiu a comprovação do Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13884.902753/200861 Acórdão n.º 9101003.996 CSRFT1 Fl. 1.390 8 direito creditório, a ser demonstrado perante a Delegacia de origem, enquanto o segundo paradigma negou por falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito alegado. Ocorre que o acórdão recorrido representa a tese vencedora sobre o voto vencido que negava provimento ao recurso por falta de comprovação do direito creditório, sendo que a maioria do colegiado considerou que, nesse caso, a alteração na fundamentação em relação à primeira negativa não poderia ser reconhecida. Como resultado, aplicouse a homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96 para confirmar o crédito no limite do menor montante (entre PER/DCOMP e DIPJ). Vejase que, em decorrência da questão da alteração do critério pela DRJ (o que, segundo o voto condutor, seria vedado pela teoria dos motivos determinantes), a turma a quo entendeu que teria havido a homologação tácita. O recurso especial da Fazenda Nacional não trata sobre essa questão que, mais do que um obiter dictum, é a verdadeira razão de decidir (ratio decidendi) a ser atacada, tendo, inclusive, constado da ementa. Tampouco apresenta paradigmas pertinentes ao tema. Assim, não se caracteriza a divergência jurisprudencial apta a permitir o conhecimento do recurso por parte desta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos regimentais. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 303DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.005194/2009-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007
CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 9303-008.099
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para (i) fretes e produtos acabados, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento; (ii) prova intempestiva, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 51 94 /2 00 9- 41 Fl. 1347DF CARF MF 2 tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para (i) fretes e produtos acabados, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento; (ii) prova intempestiva, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 13971.005194/200941 Acórdão n.º 9303008.099 CSRFT3 Fl. 1.348 3 Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 3302003.213, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares arguidas e o pedido de realização de diligência e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter a glosa correspondentes aos gastos com fretes no transporte de insumos e produtos em elaboração transferidos entre estabelecimentos ou remetidos para depósitos fechados ou armazéns gerais. O Colegiado, assim, consignou a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 PRODUTO SEM DIREITO A CRÉDITO. GASTOS COM FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Se para o produto transportado (mercadorias adquiridas de pessoas físicas, mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação etc) é vedado o direito de dedução do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, pelo mesmo motivo, tal vedação também se estende aos gastos como frete relativos à operação de transporte dos referidos produtos, que a eles se agregam como custo de produção. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por Fl. 1349DF CARF MF 4 não integrarem a base de cálculo destas contribuições (valor aduaneiro, segundo art. 7º, I, da Lei 10.865/2004), nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA ARMAZÉM GERAL. GASTOS COM FRETE. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitido o direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os gastos com frete relativos à operação de transporte entre estabelecimentos do contribuinte ou nas remessas para armazéns gerais. TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. GASTOS COM FRETE. CUSTO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, os gastos com frete relativo à operação de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos do próprio contribuinte propicia o direito ao crédito da contribuição como custo de produção dos produtos destinados à venda. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIA VENDIDA. GASTO COM FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por compor o custo do bem devolvido, é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os gastos com frete pagos na operação de devolução de produto/mercadoria vendido, cuja receita tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior e submetido à prévia tributação segundo o regime não cumulativo. GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO. No âmbito do regime não cumulativo, ainda que haja previsão legal da dedução, a glosa dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep deve ser integralmente mantida se o contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo. Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 13971.005194/200941 Acórdão n.º 9303008.099 CSRFT3 Fl. 1.349 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO ADEQUADA E SUFICIENTE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOCORRÊNCIA CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que houve pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e cujas conclusões foram apresentadas de forma congruente e devidamente fundamentada. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado.” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração contra o r. acórdão, alegando contradição. Apreciados os embargos, os mesmos foram acolhidos, sendo consignada no acórdão 3302003.707 a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 Fl. 1351DF CARF MF 6 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DO ALEGADO VÍCIO DE CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO SEM EFEITO INFRINGENTE. POSSIBILIDADE. Uma vez demonstrada a existência do vício de contradição entre o enunciado da ementa e teor do dispositivo e do voto condutor do acórdão, acolhese os embargos de declaração, para eliminar a contradição e, sem efeitos infringentes, rerratificar o acórdão embargado.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que, relativamente: · À necessária apreciação das provas documentais trazidas aos Autos: ü A recorrente trouxe no trâmite processual diversos documentos capazes de reverter as glosas dos créditos objetos do pedido de restituição, mas que não foram analisados pela autoridade administrativa sob alegação de suposta preclusão; ü O processo administrativo tem como norte o Princípio da Verdade Material, segundo o qual a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos e, para formar sua livre convicção na apreciação da causa, poderá determinar a realização de diligência que considere necessárias à complementação da prova ou ao esclarecimento de dúvida, imprescindível ao deslinde do feito; ü Embora os documentos supracitados sejam resultados do processamento de informações e registros da própria recorrente, o reprocessamento do seu conteúdo e nova conformação de dados constituem documentos novos e informações a serem revisadas, e principalmente entendidas para poderse contra argumentar ou mesmo reconhecer sua exatidão e conformarse com o feito fiscal. · Ao direito creditório relacionado aos gastos com frete de produtos acabados, tal modalidade de crédito compõe a fase de fabricação na acepção ampla do conceito de industrialização, devendo ser contabilizado no custo dos estoques, de modo que gera o direito ao desconto de créditos por atender ao conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3°, das Leis n° 10. 637/2002 e 10.833/2003. Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 13971.005194/200941 Acórdão n.º 9303008.099 CSRFT3 Fl. 1.350 7 Em Despacho às fls. 1327 a 1331, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo que: · Não há base legal para a constituição de crédito de PIS e Cofins sobre transporte de produtos acabados entre estabelecimentos; · Não procede o argumento de que o acórdão recorrido violou o princípio do contraditório e da ampla defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15. O que concordo com o exame de admissibilidade presente no despacho de admissibilidade. Ventiladas tais considerações, recordo que há duas matérias a serem enfrentadas: · Constituição de crédito de PIS e Cofins sobre fretes de produtos acabados entre estabelecimentos; · Apreciação das provas documentais trazidas no trâmite processual. Quanto à primeira discussão, vêse que essa turma já enfrentou a matéria, tendo sido firmado o posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição de crédito das contribuições. Fl. 1353DF CARF MF 8 Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matéria prima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar ainda os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303 006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303006.123, 9303 006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303006.111, 9303005.135, 9303 Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 13971.005194/200941 Acórdão n.º 9303008.099 CSRFT3 Fl. 1.351 9 005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303 005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303 004.311, etc. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Sendo assim, não compartilho com o entendimento do acórdão recorrido ao restringir a interpretação dada a esse dispositivo. Em vista do exposto, sem mais delongas, voto por dar provimento ao Recurso Especial do contribuinte nessa parte. Quanto à outra matéria, qual seja, apreciação dos documentos juntados aos autos, importante recordar os fatos: · A decisão recorrida trouxe que não configura cerceamento do direito de defesa o fato de o órgão julgador de 1º grau não ter analisado as provas coligidas aos autos após a fase de manifestação de inconformidade, porque atingida pela preclusão; · Asseverou ainda a decisão recorrida que no âmbito do processo administrativo fiscal, além do atendimento dos requisitos legais, a decisão quanto ao deferimento ou não de realização de diligência ou de produção de prova pericial integra poder discricionário da autoridade julgadora, que poderá assim requisitar somente se entender necessária a obtenção de provas adicionais imprescindíveis ao deslinde da controvérsia. Fl. 1355DF CARF MF 10 Vêse dos autos que o sujeito passivo juntou diversos documentos, inclusive notas fiscais, inerentes às glosas dos créditos objeto do pedido – mas que não foram analisados pela autoridade sob a alegação de preclusão. Considerando que prezo pelo Princípio da Verdade Material que deve carrear o Processo Administrativo Fiscal, eis que diretamente vinculado aos Princípio da razoabilidade e Eficiência, entendo que esse órgão julgador deve apreciar as provas juntadas aos autos, ainda que posteriormente à apresentação da manifestação de inconformidade, em respeito ao art. 2º da Lei 9.784/99. É de se invocar o Princípio da Eficiência, pois caso no âmbito administrativo as provas juntadas aos autos não forem apreciadas, o contribuinte deverá, por óbvio, ingressar com medida judicial no judiciário para que enfrente a análise das provas, com o intuito de comprovar o crédito pleiteado. In Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado – 3ª edição, Dialética, traz os nobres exconselheiros Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez, que: “O princípio da eficiência comunga os propósitos do princípio da razoabilidade (ou proporcionalidade) na medida em que este contribui para a escolha da solução mais adequada ao interesse público, de modo a satisfazer plenamente a demanda social. Caberá ao administrador a escolha da melhor solução quando houver necessidade de decidir, presente duas ou mais alternativas legais, tendo, por conseguinte, espaço livre na avaliação do motivo e na eleição do objeto por juízo de conveniência e oportunidade. Tal discricionariedade administrativa fundamentase no dever de boa administração, intimamente relacionada à eficiência. Mas mesmo diante de atos ou decisões oriundos do poder vinculado, há sempre uma certa margem de liberdade sobre o modo de cumprimento do dever previsto na norma jurídica. Assim, a Administração deve adotar os procedimentos por ela regulados de simplicidade razoável, visando garantir, no dizer de Egon Bockman, um processo célere, simples, econômico e efetivo em alcançar resultados propostos. Diabte de tais observações, é possível se inferir a ligação entre o princípio da eficiência e o princípio da economia processual, eis que este último preconiza o máximo resultado na autuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais.” Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 13971.005194/200941 Acórdão n.º 9303008.099 CSRFT3 Fl. 1.352 11 Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Redatora designada Com a devida vênia à Ilustre Conselheira Relatora, ousouse divergir parcialmente do seu bem fundamentado voto para ser dado parcial provimento ao recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo, consoante razões explicitadas no presente voto que prevaleceram em votação pela maioria do Colegiado, quanto à possibilidade de juntada/apreciação extemporânea de provas. Concordouse com os termos do voto da Nobre Relatora com relação à reforma das glosas. O mérito da demanda consiste na possibilidade de serem apreciados argumentos e provas trazidos na fase recursal, posteriormente ao julgamento de primeira instância. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º do art. 771 da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012, que reproduzem os termos dos §§ 4º e 5º do art. 66 da IN RFB nº 900/2008. 1 Art. 77 . É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido ou a não homologação da compensação. [...] § 4º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 3º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 1357DF CARF MF 12 No âmbito do processo administrativo fiscal, portanto, da mesma forma que a impugnação, a manifestação de inconformidade, instaura a sua fase litigiosa (art. 14, do Decreto nº 70.235/72) e constituise em meio de suspensão da exigibilidade do débito pela Fazenda Nacional, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional CTN. Assim, quando o contribuinte omitese em combater algum item da exigência fiscal na impugnação ou deixa de juntar os documentos que comprovem o seu direito, caracterizarseá a sua concordância com aquela parte, considerandose como não impugnada, razão pela qual poderá a Autoridade Administrativa providenciar, em autos apartados, a cobrança da parcela não contestada. Conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode discutir no processo administrativo aquilo que o contribuinte se absteve de questionar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 5º A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. [...] Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 13971.005194/200941 Acórdão n.º 9303008.099 CSRFT3 Fl. 1.353 13 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Por conseguinte, a não impugnação da matéria trará, efetivamente, a presunção de verdade das alegações, impedindo o julgador de adentrar nas discussões a ela pertinentes. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em aduzir na manifestação de inconformidade os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretentido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Sobre a preclusão, lecionam os ilustres doutrinadores Maria Teresa Martínez López e Marcos Vinícius Neder, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: "A preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Consiste em um fato impeditivo a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o recuo às fases anteriores do procedimento. Por força deste princípio, anulase uma faculdade ou o exercício de algum poder ou direito processual. Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestá la no recurso voluntário. A preclusão ocorre com relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. Fl. 1359DF CARF MF 14 Na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias recursais não devem ser opostas contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeiro grau. Tal qual no processo civil, o administrativo fiscal, pelas regras do Decreto nº 70.235/72, prevê a concentração dos atos processuais em momentos processuais preestabelecidos conforme se depreende do exame do seu artigo 16, a saber: "Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis; II omissis; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir." Nessa mesma linha, o artigo 17 do PAF considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Segundo este dispositivo não é lícito inovar na produção recursal para incluir questão diversa daquela que foi originariamente deduzida quando da impugnação do lançamento na instância a quo. Apenas os fatos ainda não ocorridos na fase impugnatória ou os de que o contribuinte não tinha conhecimento é que podem ser suscitados no recurso ou durante o seu processamento." Diferentemente seria a situação de apresentação de razões e documentos complementares à impugnação/manifestação de inconformidade, em momento anterior ao julgamento de primeira instância, na qual se admitiria a possibilidade de o julgador proceder à análise dos argumentos suscitados pelo sujeito passivo naquele momento processual em atenção aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Também com relação à produção de provas no âmbito do processo administrativo fiscal, admitese a relativização do princípio da preclusão, tendo em vista que, por força do princípio da verdade material, podem ser analisados documentos e provas trazidos aos autos posteriormente à análise do processo pela autoridade de primeira instância, ainda mais quando alteram substancialmente a prova do fato constitutivo. A flexibilização está no próprio art. 16 do Decreto nº 70.235/72, ao prever hipóteses de juntada de provas em momento posterior à impugnação. Pertinente nesse aspecto, para que o posicionamento aqui defendido o seja de forma clara, transcrever uma vez mais lição dos ilustres Maria Teresa Martínez López e Marcos Vinícius Neder, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: "Este tratamento, contudo, não tem sido levado às últimas consequências pela Fazenda nos casos de inovação de prova, mediante juntada aos autos de elementos não submetidos à apreciação da autoridade monocrática. Nessa hipótese, por força do princípio da verdade material, impõese o exame dos fatos. Sobretudo, se os documentos alteram, substancialmente, a prova do fato constitutivo. [...] Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 13971.005194/200941 Acórdão n.º 9303008.099 CSRFT3 Fl. 1.354 15 O direito da parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca de sua utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da Justiça. [...] O artigo 38 da Lei nº 9.784/99 flexibiliza o rigor do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 e permite que requerimentos probatórios possam ser feitos até a tomada da decisão administrativa. Nesse mesmo sentido, é o permissivo contido no art. 63, parágrafo 2º, da Lei nº 9.784/99 que admite a revisão pela Administração do ato ilegal mesmo não tendo sido conhecido o recurso desde que não operada a preclusão administrativa. Ainda nesta linha, o artigo 65, parágrafo único, da Lei nº 9.784/99 prescreve que poderão ser revistos, a qualquer tempo, os processos administrativos de que resultem sanções quando surgirem fatos novos ou circunstância relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada." Não é o que ocorre no caso dos autos. Esclareçase não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. Somese aos fundamentos até aqui expendidos, que, conforme consignado no acórdão recorrido, a Turma afastou a necessidade de análise das provas posteriormente trazidas aos autos também por ser a matéria posta em discussão passível de decisão com base em questões unicamente de direito. Nesse sentido, é a fundamentação do voto proferido no julgamento do recurso voluntário, in verbis: [...] Ainda segundo os referidos preceitos legais, o deferimento de realização de diligência somente se justifica se as provas documentais não puderem ser carreadas aos autos pelas partes e o de perícia somente quando há dúvida sobre questão de natureza técnica, cujos esclarecimentos dependem de conhecimento especializado, não sendo necessária nenhuma das duas quando o fato probante puder ser demonstrado com a mera juntada de documentos aos autos. Fl. 1361DF CARF MF 16 No caso em tela, o pleito da autuada não merece acatamento, pois se limita a pedido de exame de provas documentais que se encontram sob sua guarda e que, certamente, poderia ter sido coligidas aos autos na fase processual adequada. Além disso, os questionamentos por ela formulados podem ser facilmente respondidos com base na análise dos elementos probatórios coligidos aos autos, em especial, dos demonstrativos e planilhas que integram o relatório fiscal, em que explicitados, pormenorizadamente, quais os valores dos créditos que foram glosados em correlação os valores informados nos respectivos Dacon, o que dispensa o concurso de profissional especializado, o que, por si só, torna desnecessária a realização da perícia requerida, conforme expressamente prevê o art. 4204, parágrafo único, I, do Código de Processo Civil. [...] Admitirseia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a manifestação de inconformidade e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados por insuficientes. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poderseia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo, com a possibilidade de realização de diligência. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de manifestação de inconformidade, mas tão somente em sede de recurso voluntário e não comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da contribuinte nessa parte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1362DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.002588/2005-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001 REFIS I. CSLL. BASE NEGATIVA DE CÁLCULO. LIQUIDAÇÃO DE JUROS DE MORA E DE MULTAS MORATÓRIAS E DE OFÍCIO. POSTERIOR RECONHECIMENTO DE VALORES NÃO CONSOLIDADOS, POR FORÇA DE CLAUDICAÇÃO FAZENDÁRIA NA ALIMENTAÇÃO DO SAPLI. RECOMPOSIÇÃO DAS IMPORTÂNCIAS ATIVAS CONSOLIDADAS. OPÇÃO EXPRESSA E IRREVOGÁVEL DO CONTRIBUINTE. A liquidação de multas e de juros, por meio do emprego de valores pretéritos de base negativa de cálculo de CSLL, no âmbito do Refis I, operava-se por meio de prévia opção do contribuinte, expressa e irrevogável. Eventual correção, para mais, do saldo de base negativa de cálculo de CSLL disponível, controlado pelo SAPLI, deve, necessariamente, alocar efeitos no cômputo das importâncias ativas consolidadas, destinadas à quitação do citado parcelamento extraordinário, sempre que o montante creditício pleiteado originalmente pelo sujeito passivo for maior do que o resultante do reajuste. Tão logo orientados, à quitação dos passivos parcelados, todos os importes de base negativa de cálculo de CSLL apurados até 1999, mesmo depois da retificação das informações do SAPLI, correta é a glosa fazendária das compensações de montante imponível declaradas nas DIPJ’s posteriores, atinentes aos anos-base de 2000 e 2001. Constatados recolhimentos a menor de CSLL, como resultado da refeitura oficiosa das declarações, lícita é sua exigência pela via infracional, adicionados de juros de mora e de multa punitiva, equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do principal.
Numero da decisão: 1101-000.677
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001 REFIS I. CSLL. BASE NEGATIVA DE CÁLCULO. LIQUIDAÇÃO DE JUROS DE MORA E DE MULTAS MORATÓRIAS E DE OFÍCIO. POSTERIOR RECONHECIMENTO DE VALORES NÃO CONSOLIDADOS, POR FORÇA DE CLAUDICAÇÃO FAZENDÁRIA NA ALIMENTAÇÃO DO SAPLI. RECOMPOSIÇÃO DAS IMPORTÂNCIAS ATIVAS CONSOLIDADAS. OPÇÃO EXPRESSA E IRREVOGÁVEL DO CONTRIBUINTE. A liquidação de multas e de juros, por meio do emprego de valores pretéritos de base negativa de cálculo de CSLL, no âmbito do Refis I, operavase por meio de prévia opção do contribuinte, expressa e irrevogável. Eventual correção, para mais, do saldo de base negativa de cálculo de CSLL disponível, controlado pelo SAPLI, deve, necessariamente, alocar efeitos no cômputo das importâncias ativas consolidadas, destinadas à quitação do citado parcelamento extraordinário, sempre que o montante creditício pleiteado originalmente pelo sujeito passivo for maior do que o resultante do reajuste. Tão logo orientados, à quitação dos passivos parcelados, todos os importes de base negativa de cálculo de CSLL apurados até 1999, mesmo depois da retificação das informações do SAPLI, correta é a glosa fazendária das compensações de montante imponível declaradas nas DIPJ’s posteriores, atinentes aos anosbase de 2000 e 2001. Constatados recolhimentos a menor de CSLL, como resultado da refeitura oficiosa das declarações, lícita é sua exigência pela via infracional, adicionados de juros de mora e de multa punitiva, equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 25 88 /2 00 5- 46 Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 2 Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Tratam os autos de lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, consubstanciado no auto de infração às fl. 121/131, referente aos fatos geradores ocorridos em 31/12/2000 e 31/12/2001, com crédito tributário de R$ 72.724,43, assim distribuído: Contribuição R$ 29.681,57; Multa de oficio R$ 22.261,16; Juros de mora R$ 20.781,70. Consoante a descrição dos fatos, o lançamento decorreu de glosa de compensação de base de cálculo negativa de períodos anteriores haja vista insuficiência de saldo a compensar. Os fatos estão resumidos a seguir: Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10120.002588/200546 Acórdão n.º 1101000.677 S1C1T1 Fl. 3 3 O contribuinte foi intimado a esclarecer o fato de ter compensado base negativa de CSLL em 31/12/2000, no montante de R$ 266.079,03, e em 31/12/2001, no montante de R$ 58.217,37, quando, consoante controle do Sistema de Acompanhamento de Prejuízos e Lucro Inflacionário (SAPLI), não havia saldo a compensar, vez que todo o saldo existente ao fim de 1999, de R$ 947.939,15, fora utilizado para liquidação de juros e multas no Refis (o contribuinte pleiteou R$ 1.725.268,75, mas foi confirmado apenas o saldo). A intimação está às fl. 05/06; Em resposta, o contribuinte apontou dois erros de fato no referido sistema, os quais foram retificados pela autoridade fiscal. Com isso, o saldo da base negativa em 31/12/99, antes da opção pelo Refis, foi modificado para R$ 1.594.796,43; Como o contribuinte optou por oferecer R$ 1.725.268,75 de base negativa para a liquidação de débitos no Refis, o novo valor do saldo obtido após as correções foi considerado integralmente compensado no Refis pela autoridade fiscal, vez que, consoante o art. 5°, § 5°, do Decreto n ° 3.431/2000, a solicitação de compensação no referido parcelamento é irrevogável; Como resultado disto, não havia saldo a compensar nos anos 2000 e 2001, razão pela qual foi efetuada a glosa. Cientificado do lançamento em 25/04/2005, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 132, o sujeito passivo apresentou impugnação em 23/05/2005, às fl. 139/145, instruída com os documentos às fl. 150/168, cujo teor está resumido a seguir: Ao se corrigir um erro de fato provocado exclusivamente pela administração pública, cinco anos depois, não se pode impor restrições a saldos não homologados na conta Refis, ou seja, se a administração pública apontou um valor de base de cálculo negativa para compensação no âmbito do Refís e restou saldo favorável à impugnante, todo este saldo restante não utilizado no Refis pode servir para compensações futuras, o que foi feito sem ferir qualquer dispositivo de lei; O valor homologado no âmbito do Refis foi de R$ 947.939,15, conforme fl. 52 e extrato do Refis em anexo (fl. 150). Como a administração reconheceu que a impugnante possuía saldo de R$ 1.594.796,43, restou a seu favor um saldo de R$ 646.857,28, que a levou a utilizar parte dele (R$ 324.296,40) nas compensações dos anos 2000 e 2001; Agora o Auditor pretende retroagir, retificando a homologação feita no âmbito do Refis em 1999, haja vista correção de erro de fato que não provocou. É dizer que o princípio da anterioridade não existe; Quando foi compensada parte dos saldos de bases de cálculo nas DIPJ de 2000 e 2001, a impugnante detinha saldo para tanto. Não efetuou tal compensação a esmo, por livre vontade ou por suposição. Não pode pagar erro de fato na confecção do SAPLI do qual não foi responsável; A autoridade parte de premissa falsa, pois os valores declarados quando da elaboração das DIPJ existiam e não haviam sido compensados no Refis, por culpa exclusiva da administração pública, porquanto o erro de fato ocorreu unilateralmente. Daí a nulidade do ato por apresentar defeito na motivação, pois o Auditor agiu sem observar os critérios da legalidade. Foi desconsiderado que, quando da Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 4 compensação nas DIPJ, os valores compensados efetivamente existiam, pois não haviam sido compensados no Refis por ato de homologação da própria administração; A manutenção do lançamento caracterizaria violação aos princípios do direito adquirido, da eficácia temporal e da legalidade; Como o erro no SAPLI acarretou homologação de valor a menor do que possuía a impugnante, não há como penalizála mais uma vez, retroagindo a correção feita neste momento, e imputála pagamento de multa e juros sobre principal devido; Constatado erro de fato, é cabível a revisão do lançamento, haja vista o princípio da adequação à verdade material, e demais provas apresentadas; Em relação à multa de ofício: i) Uma vez demonstrada a inexistência do principal, não há que se manter a cobrança indevida de seus acessórios; ii) Não perdura o enquadramento legal adotado. Na espécie, poderse ia entender que o Auditor caracterizou a situação como declaração inexata, embora não haja menção a tal fato no auto de infração. Contudo, esta situação não se verificou, pois, como dito, as DIPJ foram elaboradas e apresentadas levando em consideração os saldos que detinha à época; Em relação aos juros de mora: i) Uma vez demonstrada a inexistência do principal, não há que se manter a cobrança indevida de seus acessórios; ii) Como não deixou de pagar no vencimento o montante integral da contribuição apurada nas DIPJ, já que não existe a contribuição pretendida pelo Auditor, não merece prosperar a cobrança de juros iii) O procedimento fiscal, pelos vícios que contém, deve ser declarado nulo, e, em consequência, deve ser tornado insubsistente e nulo o auto de infração, inclusive pela falta de causa ou origem; iv) Solicita que o saldo remanescente da base de cálculo negativa da CSLL, após as compensações feitas em 2000 e 2001, seja revertido na conta do Refis. Em sede de julgamento, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DRJ/BSB manteve integralmente os lançamentos, segundo arguições que assim restaram ementadas: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2000, 2001 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. Havendo insuficiência de saldo de base negativa em virtude de sua utilização integral para liquidar juros Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10120.002588/200546 Acórdão n.º 1101000.677 S1C1T1 Fl. 4 5 e multa no Refis, é devida a glosa das compensações efetuadas nos anoscalendário seguintes. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Consoante o disposto no art. 44, I da Lei ° 9.430/96, a falta de recolhimento do tributo enseja a aplicação de multa de oficio no percentual de 75%. Lançamento Procedente.” Cientificado em 18/05/2009 (fl. 182), interpôs o contribuinte, tempestivamente, em 17/06/2009, o Recurso Voluntário em apreço (fls. 191/213), expendendo alegações similares às aventadas em grau inferior. Na oportunidade, realçou a recorrente, em longo arrazoado, o fato de o equívoco inicial na mensuração da base negativa de cálculo de CSLL disponível no SAPLI ser imputável à própria Administração Pública – motivo pelo qual não se poderia pretender opor, à autuada, lançamentos calcados nesta circunstância, uma vez que esta teria apenas compensado, posteriormente, a parcela de montante imponível pertinente – que, embora lídima, não tinha sido reconhecida quando da consolidação do Refis. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Toda a controvérsia desenhada se cinge ao estudo da destinação dada à parcela de base negativa de cálculo de CSLL que, embora denegada no momento da consolidação do Refis, veio, posteriormente, a ser admitida pela Fiscalização, mediante correção de equívocos materiais ocorridos na alimentação do SAPLI, depois de o contribuinte já ter realizado, fora do âmbito do parcelamento, compensações fulcradas em ditos montantes, para o que tange aos anoscalendários de 2000 e 2001. Expliquese melhor a situação, pois espinho o cenário é. O Refis – parcelamento extraordinário instituído pela Lei nº 9.964/00, posteriormente regulamentado pelo Decreto nº 3.431/00 – previu a possibilidade de o contribuinte aderente utilizar, mediante solicitação expressa e irrevogável, valores pretéritos de base negativa de cálculo de CSLL, para fins de liquidação de importes de multas (moratórias ou de ofício) e de juros moratórios atrelados aos passivos parcelados. Valendose dessa prerrogativa, a recorrente, ao aderir ao programa em questão, pleiteou, irretratavelmente, o reconhecimento e o emprego de saldo de base negativa de cálculo de CSLL equivalente a R$ 1.725.268,75 (um milhão, setecentos e vinte e cinco mil, duzentos e sessenta e oito reais e setenta e cinco centavos), conforme extrato de fl. 98. A despeito disso, no momento da Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 6 revisão de ofício destinada à consolidação do parcelamento, o Fisco, com amparo em seus sistemas de controle, reconheceu importe equivalente, apenas, a R$ 947.939,15 (novecentos e quarenta e sete mil, novecentos e trinta e nove reais e quinze centavos), nos termos evidenciados pelo print de fl. 52. Supervenientemente, em procedimento de verificação oficiosa das DIPJ’s apresentadas pelo contribuinte, deparouse a Fiscalização com a informação de que a autuada estava operando, nos anosbase de 2000 e 2001, novas compensações de bases negativas de cálculo de CSLL, até o limite legal de 30% (trinta por cento), não obstante todo o valor disponível estar, em tese, empregado para a solução dos passivos imiscuídos ao âmbito do Refis. Instouse o contribuinte, então, a explanar a situação controvertida, nos termos da intimação de fls. 05/07. Em resposta (fls. 08 e ss.), o contribuinte logrou, então, explanar a existência de erros materiais, cometidos pela Fazenda, no procedimento de alimentação do banco de dados do SAPLI. Com isso, remanesceu evidenciado que o total de base negativa de cálculo de CSLL disponível, até 1999, era de R$ 1.594.796,43 (um milhão, quinhentos e noventa e quatro mil, setecentos e noventa e seis reais e quarenta e três centavos), e não de R$ 947.939,15 (novecentos e quarenta e sete mil, novecentos e trinta e nove reais e quinze centavos), segundo originalmente reconhecido pela Fiscalização. O agente fazendário competente procedeu, então, à retificação oficiosa do SAPLI, nos termos do formulário de fls. 108 e ss. Em relação ao Refis, perfilhou, como total apto para compensação de juros e multas, o novel importe, segundo se pode verificar do formulário de fl. 110 e do extrato de fl. 113. Acontece, no entanto, que, ainda assim, sobrou infundada a compensação de base negativa de cálculo de CSLL informada nas DIPJ’s dos anoscalendários de 2000 e 2001. Recompostos os montantes imponíveis correlatos, o Fisco averiguou cifras de contribuição não recolhidas, supervenientemente lançadas por via dos autos de infração em discussão. O contribuinte, no entanto, bateuse, em impugnação e em recurso, pela incorreção da conduta fazendária. Em seu entendimento, afinal, o total de base negativa de cálculo de CSLL ulteriormente reconhecido pela Fazenda, posterior à consolidação do Refis, não deveria ser acrescido ao saldo utilizável relacionado a este programa. Ao contrário, esta quantia deveria ser reputada como o real arrimo das compensações declaradas de DIPJ, de forma a que não houvesse qualquer motivo para a lavratura das peças imputacionais ora guerreadas. Decidir contrariamente, em tal cenário, corresponderia, segundo alega a interessada, a admitir que os efeitos negativos da claudicação fiscal recaíssem, retroativamente, sobre o sujeito passivo – quem, em tese, apenas se valeu de importes de base negativa de cálculo de CSLL incontroversos, inauguralmente não convalidados pelo falho SAPLI. Pois bem. A despeito da insatisfação da recorrente, acredito que os lançamentos telados devem prosperar. Não se nega, de forma alguma, que a relação contribuinteFisco deva se pautar pelas diretrizes da segurança jurídica, da boafé objetiva, da razoabilidade e da igualdade. O presente caso, no entanto, não encampa solução que prejudique ilidimamente a autuada. A inclusão, na sistemática do Refis, do valor de montante imponível negativo tardiamente reconhecido não configura arbitrariedade, perpetrada com o fim de tornar ilegítimas as compensações declaradas em DIPJ. Não está o Fisco, noutros termos, elegendo, dentre várias, a alternativa mais perniciosa ao interessado, capaz de aviar a lavratura do auto de infração atacado. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10120.002588/200546 Acórdão n.º 1101000.677 S1C1T1 Fl. 5 7 Ocorre que, uma vez constatado que o saldo de base negativa de cálculo de CSLL disponível, ao cabo de 1999, era, de fato, R$ 1.594.796,43 (um milhão, quinhentos e noventa e quatro mil, setecentos e noventa e seis reais e quarenta e três centavos), e não R$ 947.939,15 (novecentos e quarenta e sete mil, novecentos e trinta e nove reais e quinze centavos), não poderia o Fisco adotar outra medida que não a da recomposição dos ativos compensáveis consolidados no Refis. O contribuinte, como se explicou, ao ingressar no programa de parcelamento extraordinário sob escólio, optou, sua sponte, pela liquidação beneficiada de multas de mora e de ofício e de juros moratórios, operacionalizada por intermédio da compensação destes passivos com bases negativas de cálculo de CSLL. Com isso, acabou por aquiescer, expressa e irrevogavelmente, com a total destinação, para o Refis, dos montantes imponíveis negativos de contribuição preteritamente apurados, na forma do artigo 5º, § 5º, inciso II, do Decreto nº 3.431/00: “Art. 5º Os débitos da pessoa jurídica optante serão consolidados tomando por base: (...) § 5º Os valores correspondentes a multa, de mora ou de ofício, e a juros moratórios, inclusive os relativos a débitos inscritos em dívida ativa, poderão ser liquidados, mediante solicitação expressa e irrevogável da pessoa jurídica optante e observadas as normas constitucionais referentes à vinculação e à partilha de receitas, mediante: (...) II utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido, próprios ou de terceiros.” (g.n.) Esta eleição abrange, ao menos, o limite primeiramente pleiteado pelo contribuinte, corresponde ao saldo de base negativa de cálculo de CSLL que este declarou deter. Não há dúvidas, portanto, de que todo o montante imponível negativo de contribuição, apurado antes do anobase de 2000, deve ser reputado como reservado à liquidação dos passivos consolidados no Refis, até o teto de R$ 1.725.268,75 (um milhão, setecentos e vinte e cinco mil, duzentos e sessenta e oito reais e setenta e cinco centavos). Independentemente dos iniciais erros contidos no banco de informações do SAPLI, por ora já corrigidos, pareceme claro que os importes de base negativa de cálculo de CSLL existentes nos anoscalendários de 2000 e 2001 estavam, integralmente, prenotados ao Refis. As compensações encartadas à DIPJ/2001 e à DIPJ/2002 careciam, assim, de substrato, de modo a que as recomposições dos quanta debeatur realizadas se afigurem, a mim, legítimas. Corretos, destarte, os lançamentos de CSLL – e, por consequência, a cobrança dos respectivos consectários legais. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 8 Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. Sala das Sessões, em 15 de março de 2012 (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720038/2012-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. INOVAÇÃO PROCESSUAL IMPOSSIBILIDADE.
A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide.
Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração dos elementos do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual.
A interposição de Manifestação de Inconformidade não é meio adequado para retificação do Per/DComp.
Numero da decisão: 3201-005.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. INOVAÇÃO PROCESSUAL IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração dos elementos do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual. A interposição de Manifestação de Inconformidade não é meio adequado para retificação do Per/DComp.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 413 1 412 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.720038/201208 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.028 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria PIS. RESSARCIMENTO Recorrente AGNI LUZ COMERCIAL EXPORTADORA IMPORTADORA DISTRIBUIDORA E PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. INOVAÇÃO PROCESSUAL IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração dos elementos do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual. A interposição de Manifestação de Inconformidade não é meio adequado para retificação do Per/DComp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 00 38 /2 01 2- 08 Fl. 414DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 414 2 Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "4. Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de PIS não cumulativo, relativo ao 1º TRIMESTRE 2005, transmitido em 15.03.2006 (fls. 02 a 06), no valor de R$ 185.633,41. 5. Em 01.03.2010 a Justiça Federal expediu o mandado de segurança n° 0002.2012.00704 (fls. 12 a 15) determinando que a autoridade impetrada analisasse, julgasse e proferisse, no prazo de dez dias, os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento (PER) elencados na sua inicial, dentre os quais o tratado no presente processo. 6. O contribuinte foi intimado a apresentar arquivos digitais e documentos para comprovar o crédito pleiteado. O contribuinte entregou parte dos documentos e solicitou dilação de prazo para a entrega dos arquivos digitais. 7. Visando cumprir o prazo determinado no mandado de segurança, a DERAT/SPO indeferiu o pedido de dilação de prazo e proferiu despacho decisório de fl. 112 a 117 indeferindo os PER por falta de comprovação do direito material. 8. Em 17.04.2012 a Justiça Federal determinou que os PERs fossem reapreciados (fls. 125 a 154), uma vez que o contribuinte preparou e entregou toda a documentação solicitada na intimação citada acima. 9. Tendo em vista a determinação da Justiça Federal, a EQAUD/DIORT/DERAT/SPO analisou o presente processo e, por meio do despacho decisório de fls. 180 a 193, indeferiu o Pedido de Ressarcimento, em síntese, com base nos seguintes fundamentos: i) No tocante à agroindústria (ramo de atuação do contribuinte), a legislação traçou regras específicas para a apuração do crédito de PIS/COFINS. É bastante comum no mercado agropecuário produtores rurais (pessoas físicas) fornecerem insumos agropecuários a pessoas jurídicas que apuram a Contribuição para o PIS e a COFINS no regime nãocumulativo. Estas pessoas físicas (fornecedoras) não são contribuintes destas contribuições e, portanto, suas vendas não produziam direito ao creditamento pelos adquirentes. Este fato desequilibrava as relações comerciais no agronegócio, uma Fl. 415DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 415 3 vez que as pessoas jurídicas que apuram a Contribuição para o PIS e a COFINS no regime nãocumulativo davam preferência para as aquisições de insumos agropecuários de outras pessoas jurídicas, por que assim teriam direito ao creditamento relativo a estas aquisições; ii) O crédito presumido foi estabelecido, inicialmente, nas vendas dos bens relacionados realizadas por pessoas físicas (Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, em seu art. 25, incluiu os §§ 10 e 11 ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002). O crédito era apurado mediante aplicação de alíquota correspondente a 70% da alíquota prevista para a contribuição sobre o valor dos bens e serviços utilizados como insumos na produção de produtos destinados à venda, conforme estabelecia o inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Com a sanção da Lei nº 10.833, de 2003, os §§ 5º e 6º do art. 3º possibilitaram também na COFINS a apuração do crédito presumido nas mesmas bases que já haviam sido estabelecidas para a Contribuição para o PIS; iii) A solução proposta (que já não está mais em vigor) não surtiu efeito na amplitude planejada. Isso porque no agronegócio operavam também como fornecedores pessoas jurídicas, cujas vendas da mesma espécie davam direito à apuração de créditos normais (cheios), em valor superior aos créditos presumidos gerados nas aquisições de insumos de pessoas físicas. A alternativa adotada para que o mercado adquirisse o equilíbrio foi, então, suspender a incidência das contribuições nas vendas daqueles produtos realizadas por pessoas jurídicas, visando afastar a apuração dos créditos normais, e possibilitar a apuração e dedução de créditos presumidos nãocumulativos originados nas vendas efetuadas com suspensão. Os arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, revogaram as disposições mencionadas nas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, reformulando em parte a solução anteriormente desenhada; iv) A suspensão da incidência das contribuições, conforme delineada acima, é regra e não exceção, tendo, portanto, cunho obrigatório. A redação do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, estabelece marco imperativo: “A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda:”. Não consta na legislação a possibilidade de, ao efetuarem vendas de produtos agropecuários a pessoas jurídicas relacionadas no caput do art. 8º, as pessoas jurídicas relacionadas nos incisos I a II do § 1º do mesmo artigo recolham as contribuições, gerando assim o crédito normal a seus clientes. Se assim fosse, estarseia voltando à origem do problema, uma vez que as pessoas físicas não têm essa possibilidade. Assim, revelase a sapiência da Lei que forçou um equilíbrio por justiça fiscal. A Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006, em seus art. 4º e 6º, confirma este entendimento; v) O crédito presumido não pode ser ressarcido e/ou compensado, mas somente utilizado como desconto da Contribuição devida. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 416 4 vi) Destacase que no DACON (fls. 150 a 170) 100% dos bens para revenda referemse à "Receita no Mercado Interno". Ademais, o tipo de crédito destacado no PER (fls. 02 a 06) é PIS/PASEP NãoCumulativo Mercado Interno. No presente processo, as receitas decorrentes de vendas (de café) no mercado interno não são vinculadas a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP. Sendo assim, os créditos daí advindos não podem ser ressarcidos e/ou compensados, só podem ser utilizados como desconto da Contribuição para o PIS/PASEP devida (art. 3° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Afinal, no caso de receitas decorrentes de vendas no mercado interno, somente podem ser ressarcidos e/ou compensados os créditos apurados a partir de 09/08/2004 se vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição (art. 17 da Lei 11.033); vii) Ainda que o crédito destacado no PER fosse relativo ao Mercado Externo, o contribuinte não teria direito ao ressarcimento e/ou compensação, conforme a fundamentação do Despacho e a análise feita a seguir; viii) A forma de apuração do crédito pelo contribuinte está em desacordo com a legislação. Conforme demonstrado na fundamentação deste despacho, o contribuinte deveria ter efetuado as suas compras de café com a suspensão aludida nos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, o que geraria crédito presumido e não crédito cheio. Afinal, o interessado compra café cru em grão de pessoas jurídicas que se enquadram no conceito de cerealista e/ou de pessoa jurídica/cooperativa que exerça atividade agropecuária; ix) Não obstante em uma parte das notas fiscais de compra de insumos constar "VENDA SUJEITA A INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS, NÃO SUJEITA A SUSPENSÃO NOS TERMOS DO ART. 9° DA LEI N° 10.925/2004.", em outra parte não constar menção à SUSPENSÃO, e apenas em uma parte constar, corretamente "NOTA FISCAL COM SUSPENSÃO DO PIS/COFINS CONFORME ART. 9° LEI 10.925/04 ALTERADO PELA LEI 11.051/04.", concluise que a totalidade dessas operações deveria, obrigatoriamente, ter sido realizada com suspensão e assim foi considerada pela fiscalização. Então, essas operações geraram crédito presumido à AGNI LUZ COM. EXP. E IMP. DISTRIB. E PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA. x) O crédito presumido foi calculado aplicandose a alíquota de 0,5775% (35% de 1,65%); xi) Tendo em vista que os créditos pleiteados são vinculados a vendas no mercado interno, o Pedido de Ressarcimento foi indeferido. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 417 5 10. O contribuinte, inconformado com despacho decisório (ciência em 19.05.2012 – fl. 196), apresentou manifestação de inconformidade em 18.06.2012 (fls. 198 a 226) na qual argumenta, em síntese, que: 10.1 A DERAT/SP indeferiu o crédito pleiteado sob o argumento de que a DACON apresentada pela REQUERENTE contempla receitas de venda de café no mercado interno, sendo que nesses casos os créditos então decorrentes não podem ser ressarcidos e/ou compensados, somente deduzido do imposto devido; 10.2 Além disso, a decisão consigna que a requerente não teria direito a crédito, mesmo que as receitas de venda de café e os respectivos créditos fossem relacionados à exportação, sob o argumento de que todas as compras de café efetuadas pela REQUERENTE foram feitas com a suspensão, o que lhe gera um crédito presumido passível de dedução, e não de ressarcimento, como ora se pretende; 10.3 Isso porque o julgador afirmou que a REQUERENTE compra café cru em grão tão somente de cerealistas e produtores rurais, o que é causa obrigatória de suspensão de exigibilidade do PIS, nos termos da Lei 10.925/04 c/c art. 3o, I da IN 660/06. Para corroborar com tal assertiva, a D. Delegacia afirma que a REQUERENTE exerce atividade agroindustrial, prevista no art. 6o, II, da IN n° 660/06, visto que o café por ela vendido passa, cumulativamente, pelo processo das atividades de padronização, beneficiamento, preparação e mistura de tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) e/ou são preparados por densidade de grãos; 10.4 Entretanto, o aludido despacho decisório é merecedor de reforma, sobretudo porque: (i) houve um equívoco no preenchimento da DACON e do PER visto que todas as receitas da REQUERENTE descritas como venda no mercadointerno, que acabaram por gerar o pedido de ressarcimento em questão, na verdade estão relacionadas à operações de exportação; (ii) a REQUERENTE não comercializa apenas com cerealistas, mas, também, com empresas comerciais atacadistas, sendo certo que o crédito ora pleiteado é decorrente dessas últimas transações; e (iii) não são em todas as operações que a REQUERENTE se utiliza do processo industrialização previsto no art. 6º, II, da IN n° 660/06; 10.5 Os créditos pleiteados são decorrentes de venda no mercado externo, tendo a REQUERENTE cometido um mero erro formal, quando do preenchimento de sua DACON e de seu PER. Dessa forma, para comprovar que a REQUERENTE efetuou venda de café ao mercado externo, entre o período de janeiro e março de 2005, a requerente protesta pela posterior juntada dos documentos devido a grande volume e a antiguidade dos mesmos. O mero erro de fato não constitui fundamento para a exigência de tributo e, tampouco, para indeferimento de pedido de restituição, sob pena de ofensa aos arts. 150, I e IV, ambos da CF/88. O então E. Conselho de Contribuintes (atual CARF) já se Fl. 418DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 418 6 manifestou inúmeras vezes para reconhecer o direito do contribuinte, afastando o erro formal em nome da verdade material; 10.6 O crédito presumido que trata a Lei 10.925/04 é aplicável a situações específicas nela previstas, e não abrange toda comercialização da REQUERENTE, conforme equivocadamente consta da decisão recorrida; 10.7 Nesse sentido, antes de discorrer sobre essa distinção, é necessário prestar esclarecimentos gerais sobre o café, e especialmente sobre o processo produtivo da REQUERENTE (interpretado de forma equivocada pelo julgador), a fim de demonstrar que o café por ela comprado, (i) ora sofre o processo de industrialização previsto no art. 6º, II, da IN n° 660/06 e (ii) ora sofre apenas o para a padronização de acordo com o tipo, bebida, peneira, cor e blend; 10.8 No decorrer de suas atividades, a REQUERENTE adquire café de produtores pessoas físicas ou jurídicas, junto aos mercados locais e interestaduais, já preparado ou somente beneficiado. Para melhor elucidação, explicase que: (i) CAFÉ BENEFICIADO: é o café em grão, contendo algumas impurezas, como por exemplo, terra, pedra, gravetos. Por essa razão, sofre um processo de benefício realizado na propriedade rural, ou seja, após a colheita o produtor seca o grão, separa a casca do grão. Não é apto para exportação, pois não tem definição de tipo, bebida, peneira. O café é separado por lotes conforme a data da colheita; (ii) CAFÉ DESPOLPADO: é o café que foi entregue ao Armazém Geral ainda em coco (bruto), ou seja, a casca ainda não foi separada do grão, normalmente, por ausências de condições do produtor rural para realização do benefício em sua propriedade; (iii), CAFÉ PREPARADO: é o processo agroindustrial (rebeneficio completo) que o café beneficiado ou despolpado passa para a padronização de acordo com o tipo, bebida, peneira, cor e blend; 10.9 Nesta primeira etapa, as compras podem ser realizadas das seguintes formas: (i) compras realizadas de café beneficiado de produtor rural, pessoa jurídica e cooperativa, ambas agropecuárias com direito a crédito de PIS e COFINS; (ii) compras realizadas de café preparado de pessoa jurídica e cooperativa agroindustrial, com direito ao credito de PIS e COFINS; (iii) compras realizadas de produtores rurais e empresas cujo café encontravase depositado em Armazém em estado de despolpado ou preparado; 10.10 Após a finalização da compra, o café é remetido diretamente aos armazéns, fisicamente nas hipóteses (i) e (ii) ou fictamente na hipótese (iii) com a emissão da devida nota fiscal de "remessa para depósito"; 10.11 Nesta etapa, a REQUERENTE realiza, através de departamento exclusivo para este fim, as análises e tipificações Fl. 419DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 419 7 dos grãos de café necessárias às negociações comerciais entre seus traders e clientes e para a definição do blend; Após as negociações iniciais com seus clientes e a aprovação das amostras, a REQUERENTE prepara a definição do blend, ou seja, define o padrão da mistura de acordo com as necessidades do cliente. Posteriormente, tais definições são informadas ao armazém, onde está depositado o café, para a efetiva realização do blend; 10.12 Os processos realizados pelos armazéns variam de acordo com o tipo de café adquirido pela REQUERENTE: (i) Beneficio: Processo de separação da polpa do grão; (ii) Rebeneficio Completo: Processo completo a que o café é submetido para definição do tipo, peneira, cor; (iii) Ventilação (Recate): Processo a que o café é submetido para retirada dos defeitos (tipo) brocado / quebrado para que o grão fique de acordo com a classificação COB; (iv) Classificação: Processo a que o café é submetido para que seja classificado por tamanho (peneira); (v) Catação Cromática (recate): Processo a que o café é submetido para separação do grão por cor; (vi) Formação Pilha: Blend definição do padrão exigido pelo cliente; 10.13 Finalizado o blend, os armazéns efetuam o retorno à REQUERENTE para a exportação do café aos seus clientes. Verificase, portanto, que o processo produtivo da REQUERENTE varia de acordo com a situação do café do adquirido (beneficiado, despolpado ou preparado); 10.14 O CAFÉ BENEFICIADO, embora já tenha sofrido a primeira etapa da industrialização, ainda não é apto para exportação, porque resulta do primeiro procedimento após a colheita, sendo necessário o seu aperfeiçoamento (rebenefício). Já no caso do CAFÉ PREPARADO, ou seja, aquele café que já sofreu todas as etapas da produção, já está apto à exportação, e o único acondicionamento por ele sofrido, e se necessário, é denominado blend (definição de aroma e sabor de acordo com a solicitação do cliente); 10.15 Assim, é notório que para essas situações a REQUERENTE não exerce "atividade agroindustrial", tal como definido na Lei 10.925/04 e pelo art. 6º, II, da IN n° 660/06. Para comprovar o alegado, a REQUERENTE junta, a título exemplificativo, Notas Fiscais que comprovam que o tipo de café objeto da negociação, não sofre o aludido processo de industrialização; 10.16 Se a REQUERENTE já adquire café beneficiado, não há como sustentar que, nessas hipóteses, a REQUERENTE exerce, de forma cumulativa, as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend), não havendo, portanto, a suspensão do PIS/COFINS nos termos da Lei 10.925. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 420 8 Portanto, é infundado o argumento constante no despacho decisório no sentido de que todo café vendido pela empresa passa pelo processo produtivo previsto na Lei 10.925/04, consistente no exercício cumulativo das atividades de padronização, beneficiamento, preparação e mistura de tipos de café para definição de aroma e sabor (blend); 10.17 Nesse aspecto, é importante asseverar desde já que para o presente caso, se faz imprescindível a realização de diligência para que seja efetuado o cruzamento dos créditos declarados na DACON, com as Notas Fiscais relacionadas à compra de cafés que não sofrem processo de industrialização; 10.18 Como já mencionado, o pedido de ressarcimento efetuado foi indeferido sob o argumento de que a REQUERENTE (i) apenas compra café, de cerealista, (ii) sendo que nessa operação a exigibilidade do PIS está suspensa conforme Lei 10.925/04, (iii) o que lhe dá direito ao crédito presumido, o qual não pode ser objeto de pedido de ressarcimento; 10.19 De acordo com o despacho decisório a REQUERENTE cumpre as exigências do art. 8º e 9º da lei 10.925/04 e art 4º e 6º da IN SRF nº 660/06, visto que apura o Imposto de Renda com base no lucro real, exerce atividade industrial uma vez que "o café vendido pela empresa passa pelo processo cumulativo das atividades de padronização, beneficiamento, preparação e mistura de tipos de café para definição de aroma e sabor (blend)"; 10.20 Ocorre que, como já visto, nem todo o café adquirido pela REQUERENTE é com suspensão das contribuições, porque em muitas situações, há aquisição de empresas comerciais, cujo café já vem preparado (ou seja, já está beneficiado), sujeitandose, quando necessário, apenas ao blend; 10.21 Verificase, portanto, que uma pessoa jurídica só tomara crédito presumido de PIS, mesmo que suspenso, quando adquirir café de pessoa física, cerealista e exerça cumulativamente as atividades do artigo 6º da IN SRF nº 660/06. Verificase que somente pode ser considerado cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos de in natura de origem vegetal, no qual se inclui o café.; 10.22 Pode se concluir que, caso uma pessoa jurídica adquira café de cerealista, terá direito a tão somente ao crédito presumido de PIS. Entretanto, caso o produto (café) seja adquirido de outra pessoa jurídica que não cerealista, o direito ao crédito de PIS é integral; 10.23 No caso concreto, é relevante ressaltar que a REQUERENTE adquire café tanto de (i) cerealista, o que lhe dá direito ao crédito presumido, como de (ii) comerciais atacadistas, o que lhe da direito ao crédito ordinário (integral) a título de PIS; Fl. 421DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 421 9 10.24 Ocorre que, no pedido de ressarcimento ora apresentado, a REQUERENTE colacionou créditos advindos tão somente de compras efetuadas junto a empresas comerciais, não sujeitas à suspensão das contribuições do PIS e da COFINS. Essas pessoas jurídicas (comerciais atacadistas) vendem à REQUERENTE, por exemplo, o denominado café preparado . Nesse ponto, devese esclarecer, de imediato, que o chamado "café preparado" não se confunde com o café cru, como alega a DERAT/SP; 10.25 Vêse que a REQUERENTE adquire não só café cru, mas também café preparado ou beneficiado, que como já demonstrado não é feito por cerealista, pois, a esse cabe tão somente à missão de somente limpar, padronizar, armazenar e comercializar. Para comprovar o alegado, a REQUERENTE junta a título exemplificativo, Notas Fiscais que demonstram que suas mercadorias são adquiridas de comerciais atacadista; 10.26 Resta claro que os créditos pleiteados pela REQUERENTE não são decorrentes de compras efetuadas juntos à cerealista, mas sim em com comerciais atacadistas, o que lhe dá direito ao crédito integral de PIS, tal como requerido em seu pedido de ressarcimento; 10.27 O direito da Fazenda Pública em rever o pleito apresentado pela REQUERENTE decaiu. Isso porque os lançamentos fiscais ocorreram entre 07/2006 e 09/2006, mas a REQUERENTE foi intimada da decisão ora impugnada somente em 18/05/2012, isso é, quase 6 (seis) anos depois. Nesse sentido o art. 150, § 4º, do CTN; 10.28 No caso dos autos, a glosa dos créditos se refere aos lançamentos realizados pela REQUERENTE entre janeiro e março de 2005 e, nos termos da norma citada, a sua análise pelo Fisco somente poderia ocorrer até 2010. Depois desse período, restou configurada a decadência. Isso porque, ao indeferir o pedido de restituição formulada pela REQUERENTE o FISCO estará, por via transversa, revendo a apuração do tributo após o transcurso do prazo decadencial; 10.29 Não obstante as razões e documentos esposados serem, por si só, suficientes à manutenção total do crédito, caso V. Sas. entendam necessário, requer a realização de diligências para juntada de todas as Notas Fiscais do período envolvido, por meio das quais se comprovam as aquisições da REQUERENTE; 10.30 Esclarece a REQUERENTE que trouxe aos autos Notas Fiscais por amostragem, devido às inúmeras operações relacionadas ao período em questão. Entretanto, caso seja do entendimento dessa I. Delegacia, a REQUERENTE, desde já, se disponibiliza a juntar todas as notas fiscais envolvidas nos períodos em análise, a fim de demonstrar a efetividade de seu direito; 10.31 Por fim, a REQUERENTE invoca as normas do Processo Administrativo Fiscal no sentido de que, a autoridade julgadora, sempre em busca da verdade material, autorize a juntada de Fl. 422DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 422 10 novos documentos, bem como a realização de diligências que se fizerem necessárias (arts. 16, IV, § 5º, c/c art. 18, do Decreto n° 70.235/72). 11. Em 27.06.2012 o contribuinte apresentou a petição de fls. 270 a 272, onde requer o deferimento do seu pedido de ressarcimento e informa que está trazendo aos autos documentos (DIPJ de 2005 e notas fiscais) que comprovam que os créditos pleiteados são decorrentes de venda de café ao mercado externo. Não foram anexados quaisquer documentos com a petição de fls. 270 a 272. 12. Foram acostados aos autos Ofício da Justiça Federal notificando a concessão de liminar, nos autos do mandado de segurança nº 002181831.2014.403.6100, determinando o julgamento do presente processo no prazo de 60 dias (fls. 277 a 280). 13. É o relatório." A decisão recorrida julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. O Pedido de Ressarcimento somente poderá ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS. MERCADO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE. No caso de receitas decorrentes de venda no mercado interno, somente podem ser ressarcidos e/ou compensados os crédito apurados a partir de 09/08/2004 se vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. VENDAS COM SUSPENSÃO. OBRIGATORIEDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. A suspensão da incidência de PIS nos casos previstos no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, tem caráter obrigatório e aplicase às vendas para a agroindústria com finalidade de industrialização. Conforme o art. 8º da Lei nº 10.925 de 2004, a pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor de PIS não cumulativo, pode descontar créditos presumidos calculados Fl. 423DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 423 11 sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal. O crédito presumido não pode ser ressarcido e/ou compensado. IMPUGNAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. PROVAS. De acordo com a legislação, a impugnação mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para a revisão do despacho decisório. JUNTADA DE NOVAS PROVAS DOCUMENTAIS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvado o disposto nas alíneas “a” a “c” do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A diligência se restringe à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. A diligência objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VERIFICAÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) tratase de pedido de ressarcimento de créditos de PIS nãocumulativo, decorrentes de receitas de exportação do 1º trimestre de 2005; (ii) as DACONs podem ser retificadas a qualquer tempo em atenção à verdade material, assim, é possível comprovar a natureza de exportação das operações para as quais se pleiteia o crédito; (iii) mesma retificação foi apresentada perante a E. DERAT (Processo de Procedimento nº 10010.015317/121461) em 03/06/2015, que, entre outros períodos, está analisando/fiscalizando o direito aos créditos de COFINS do período aqui discutido (PA 16349.000156/200774); Fl. 424DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 424 12 (iv) que o erro material de preenchimento das DACONs vem sendo informado desde o início do presente processo administrativo, contudo, a informação foi ignorada pela DRJ; (v) deve prevalecer a verdade material; (vi) o mero erro de fato não constitui fundamento para a exigência de tributo, o que só pode ocorrer por meio de lei, e, tampouco, para indeferimento de pedido de restituição, sob pena de ofensa ao art. 150, I e IV, ambos da CF/88; (vii) que o próprio agente fiscal poderia ter retificado as DACONs de ofício, nos termos do artigo 147, § 2º, do CTN; (viii) o não reconhecimento da retificação ora apresentada e do crédito ora pleiteado acaba por promover verdadeiro enriquecimento ilícito do Fisco; (ix) retificadas as informações fornecidas pela Recorrente, temse que as operações em comento decorrem de exportações, o que gera direito ao crédito, nos termos do art. art. 5º, I e § 1º, da Lei 10.637/02; (x) traz aos autos a DIPJ do período, pela qual comprova a preponderância das exportações em suas atividades; (xi) traz aos autos, por amostragem, notas fiscais, registros de exportação e invoices do período tratado; (xii) exerce atividade de agroindustrial, bem como adquire café de cerealistas, contudo tais operações não abrangem a totalidade de suas atividades, sendo que é exatamente para as outras atividades que pleiteia os créditos ordinário, ou seja, quando não exerce atividade agroindustrial e adquire café de comercial atacadista, hipóteses não abrangidas pela suspensão da contribuição, como ficará demonstrado; (xiii) a fim de comprovar o tipo de café adquirido (beneficiado e preparado), e, consequentemente, desenquadrála do conceito de agroindustrial nessas hipóteses, colaciona notas fiscais de seus fornecedores; (xiv) se adquire café beneficiado ou preparado, não há como sustentar que, nessas hipóteses, exerce atividade agroindustrial, pois para isso demandaria o exercício cumulativo (art. 6º, II, da IN nº 660/06) das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend), não havendo, portanto, a suspensão do PIS/COFINS nos termos da Lei 10.925/04; (xv) devese levar em consideração que nem todo café vendido pela passa pelo processo produtivo previsto na Lei 10.925/04 e, após a análise das notas fiscais (Doc.04), é possível concluir que o direito creditório é legítimo; (xvi) o crédito pleiteado só considera o café adquirido de comerciais atacadistas, hipótese não sujeita à suspensão e que dá direito ao crédito ordinário (integral) de PIS; Fl. 425DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 425 13 (xv) para provar que o café era adquirido de comercial atacadista, traz, exemplificativamente, o cartão de CNPJ, obtido junto ao site da Receita Federal, que demonstra a descrição da atividade da empresa ERNESTO BARBOSA & FILHOS LTDA – ME; (xvi) resta claro que os créditos pleiteados não são decorrentes de compras efetuadas junto à cerealistas, mas sim com comerciais atacadistas; (xvii) as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 instituíram a sistemática não cumulativa das contribuições do PIS e da COFINS como forma de desonerar a carga tributária incidente nos produtos e serviços ao longo de toda cadeia produtiva (do produtor ao consumidor final), evitando o efeito cascata causado pelo antigo regime cumulativo, nocivo à atividade empresarial, devendo ser respeitado o princípio da nãocumulatividade; (xviii) devese determinar a incidência de correção monetária, para afastar os efeitos da inflação que incidirá durante todo o período em que ficou impossibilitada de usufruir do crédito, evitandose, ainda, o enriquecimento ilícito do Governo Federal que retém ilegalmente um crédito legítimo; (xix) é indispensável a realização de diligências; e (xx) o presente processo e o Processo nº 16349.000156/200774 devem ser apensados. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Perfilho o entendimento de que no caso concreto não assiste razão à Recorrente. Aduz a Recorrente que o erro material de preenchimento do PER e das DACONs vem sendo informado desde o início do presente processo administrativo, contudo, a informação foi ignorada pela DRJ. Apresenta em sua peça recursal demonstrativo em que confronta o erro de preenchimento com a forma correta de preenchimento das DACONs e que estaria amparado pela documentação contábil e fiscal da empresa. A Recorrente juntou documentos com o Recurso Voluntário. Dentre os documentos anexados, temse: (i) comprovante de entrega de retificação das DACON's à DERAT; (ii) planilha de demonstrativo de créditos; Fl. 426DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 426 14 (iii) retificação das DACON's; (iv) DIPJ do período; e (v) por amostragem, notas fiscais, registros de exportação e invoices do período tratado. Imperiosa a transcrição dos excertos da decisão vergastada: "15. O Pedido de Ressarcimento (PER) do contribuinte foi indeferido porque o tipo de crédito pleiteado é PIS/PASEP Não Cumulativo Mercado Interno, e as receitas decorrentes de vendas (de café) no mercado interno não são vinculadas a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP. Que sendo assim, os créditos daí advindos não podem ser ressarcidos e/ou compensados, só podendo ser utilizados como desconto da Contribuição para o PIS/PASEP devida (art. 3° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002). 16. No PER transmitido pelo contribuinte constam às fls. 03 e 05 as seguintes informações: “Tipo de Crédito: PIS/PASEP Não Cumulativo – Mercado Interno” e “Crédito da Contribuição para o PIS/PASEPMercado Interno (art. 17 da Lei nº 11.033/2004)”. Também no DACON o contribuinte informa somente créditos vinculados a receitas no mercado interno (fls. 156 a 158). 17. Tendo em vista que o Despacho Decisório foi proferido com base em informações declaradas pela própria Contribuinte, nada obsta reconhecer que a decisão nele contida é correta. 18. Na manifestação de inconformidade o contribuinte alega que houve um equívoco no preenchimento do DACON e do Pedido de Ressarcimento (PER) visto que todas as receitas da requerente descritas como venda no mercadointerno, que acabaram por gerar o pedido de ressarcimento em questão, na verdade estão relacionadas à operações de exportação. 19. Do exposto, verificase que o contribuinte pretende alterar o tipo de crédito pleiteado no seu Pedido de Ressarcimento de Mercado Interno (art. art. 17 da Lei nº 11.033/2004) para Mercado Externo (§1º do art. 5º da Lei nº 10.637/2002), alegando que houve erro no preenchimento do PER e no DACON. 20. Em relação ao Pedido de Ressarcimento e sua retificação, é oportuno transcrever fragmentos da Instrução Normativa nº 600, da então Secretaria da Receita Federal, publicada no Diário Oficial da União, em 30/12/2005, vigente à época da transmissão do PER, in verbis: ... Retificação de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação Fl. 427DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 427 15 Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. [negrejouse] ... 21. Cabe ressaltar que, posteriormente, a Instrução Normativa n.º 600, de 2005, foi revogada pela Instrução Normativa nº 900, de 2008, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que manteve a mesma redação, mutatis mutandis, no que toca à vedação da retificação da DCOMP nos casos em que já houver sido proferida decisão oficial. Atualmente, vigora a Instrução Normativa n.º 1.300, publicada no DOU de 21/11/20102, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo art. 88 se transcreve abaixo, in verbis: Art. 88. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 89 e 90 no que se refere à Declaração de Compensação. 22. Da legislação citada, evidenciase que, à parte das argumentações apresentadas, não se sustenta a pretensão da Contribuinte de conferir à sua Manifestação de Inconformidade efeitos de um pedido de retificação do Pedido de Ressarcimento. É que não lhe é permitido retificar PER sobre a qual já foi proferida decisão oficial. Como dito anteriormente, o Despacho Decisório é ato que cumpriu todos os seus efeitos. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 428 16 23. Tal restrição à retificação do pedido de ressarcimento/restituição/compensação é decorrência natural do princípio da estabilidade da lide (art. 264 do Código do Processo Civil). 24. Após a decisão administrativa do pedido original pela autoridade competente não é mais possível retificar o pedido de ressarcimento, sob pena de tornar sem fim o processo administrativo fiscal. 25. Assim, no que toca ao pedido de ressarcimento, em respeito ao princípio da estabilidade da lide, esta deve aterse aos termos e limites fixados no pedido inicial, como forma de realizar efetivamente o contraditório e a ampla defesa e evitar tumultos que seriam causados por eventuais aditamentos sem limites. 26. Portanto, correto o despacho decisório recorrido que indeferiu o Pedido de Ressarcimento sob o fundamento que o tipo de crédito pleiteado é PIS/PASEP Não Cumulativo Mercado Interno, e que sendo as receitas decorrentes de vendas (de café) no mercado interno não vinculadas a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP, os créditos daí advindos não podem ser ressarcidos e/ou compensados." Não obstante o contido na decisão recorrida, é de se ressaltar que não houve retificação do pedido de ressarcimento, apenas e tão somente dos DACON's, sendo que a pretensão da Recorrente é conferir à sua Manifestação de Inconformidade efeitos de um pedido de retificação do Pedido de Ressarcimento original. É sabido que o CARF, em situações excepcionais, admite a retificação de declarações, mesmo após a prolação de despacho decisório. Vejamos: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/03/2006 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei." (Processo nº 10580.904891/201114; Acórdão nº 1301003.610; Relator Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto; sessão de 22/11/2018) Ocorre que, no caso concreto, não houve retificação do Pedido de Ressarcimento e mesmo que houvesse, não há mera correção de erro material, conforme alegado, pois o que a Recorrente pretende é alterar o tipo do crédito pleiteado a título de Fl. 429DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 429 17 ressaercimento, ou seja, de "PIS/PASEP nãocumulativo Mercado Interno" para "PIS/PASEP nãocumulativo, decorrentes de receitas de exportação". Do Pedido de Ressarcimento consta: Já na peça recursal, diz a Recorrente: "1. Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de PIS não cumulativo, decorrentes de receitas de exportação do 1º trimestre de 2005." Temse, portanto, que a própria Recorrente reconhece o equívoco cometido. Constatase, então, que a pretensão é a modificação do próprio crédito postulado, o que caracteriza uma inovação processual e não mera correção de vício material. Neste sentido, é uníssona a jurisprudência do CARF acerca da impossibilidade de alteração do pedido. Vejamos: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração dos elementos do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, de natureza retratável, exigindose, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp." (Processo nº 13855.000951/200321; Acórdão nº 1003000.202; Relatora Conselheira Carmen Ferreira Saraiva; sessão de 02/10/2018) Fl. 430DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 430 18 Do voto condutor destaco: "A pretensão de retificação do Per/DComp para fins de constar direito creditório diverso do originalmente identificado, apenas trazida em sede de impugnação, constitui inovação da matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste processo. Ainda, a manifestação de inconformidade não é meio adequado para retificação do Per/DComp pela incompatibilidade dos instrumentos e pela preclusão da possibilidade de referida retificação após a decisão administrativa exarada pela autoridade preparadora. (...) O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, não se admite que a Recorrente altere o pedido mediante a modificação dos elementos do direito creditório aduzido Per/DComp, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto. Ademais, a alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, exigindo se, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp. Assim a alteração de ofício do elemento temporal dos direitos creditórios consignados nos Per/DComp originalmente apresentados não tem amparo legal." Ainda: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, de natureza retratável, exigindose, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp para compensação de débito remanescente." (Processo nº 11020.912491/200968; Acórdão nº 1003000.100; Fl. 431DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 431 19 Relatora Conselheira Bárbara Santos Guedes; sessão de 07/08/2018) "Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF Anocalendário: 2007 RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. INCLUSÃO DE NOVO CRÉDITO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. INOVAÇÃO PROCESSUAL. IMPOSSIBILIDADE. O valor referente a pagamento a maior ou indevido deve ser informado no PER/DCOMP pelo contribuinte. Descabe a retificação da declaração de compensação após a ciência do despacho decisório para inclusão de novos créditos. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 16327.915410/200951; Acórdão nº 3301005.584; Relatora Conselheira Semíramis de Oliveira Duro; sessão de 12/12/2018) "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 DECISÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO SUBMETIDO À APRECIAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO EXPRESSA DE RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP CUJO CRÉDITO JÁ FORA OBJETO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Apreciado o pedido pela autoridade administrativa e cientificado o interessado, o litígio administrativo está circunscrito ao direito creditório apontado no PER/DCOMP transmitido eletronicamente, não havendo previsão legal para sua alteração na manifestação de inconformidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito." (Processo nº 11080.901401/2013 85; Acórdão nº 3401005.231; Relator Conselheiro Tiago Guerra Machado; sessão de 27/08/2018) O pleito de ressarcimento efetivado no PER/DCOMP delimita a análise a ser realizada pela Receita Federal do Brasil e, via de consequência, estabelece os limites do processo administrativo. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 12585.720038/201208 Acórdão n.º 3201005.028 S3C2T1 Fl. 432 20 No caso em apreço, não se trata de uma inexatidão material decorrente de lapso manifesto ou de cálculos, situações que poderiam ensejar até mesmo a retificação de ofício, mas se está diante de completa alteração do pedido do crédito a ser ressarcido após a prolação do despacho decisório. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 433DF CARF MF
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Numero do processo: 10242.000142/00-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 1401-003.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a nulidade do Acórdão nº 01-10.813 da 1ª Turma da DRJ de Belém/PA, devendo o processo ser baixado para novo julgamento, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: Eduardo Morgado Rodrigues
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a nulidade do Acórdão nº 0110.813 da 1ª Turma da DRJ de Belém/PA, devendo o processo ser baixado para novo julgamento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 2. 00 01 42 /0 0- 70 Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10242.000142/0070 Acórdão n.º 1401003.259 S1C4T1 Fl. 3 2 Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 498 a 503) interposto contra o Acórdão nº 0110.813, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 505 a 507), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INSUBSISTENTE. IMPOSSIBILIDADE. Comprovado nos autos que o interessado não dispõe de saldo de direito creditório suficiente para a compensação pleiteada, impõese o indeferimento do pedido. Solicitação Indeferida" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de manifestação de inconformidade quanto ao Despacho Decisório de fl. 420, proferido pelo Chefe da Sorac da Delegacia da Receita Federal do Brasil em JiParaná, pelo qual foi reconhecido o direito credit6rio, porém, indeferida a respectiva restituição e as compensações pleiteadas. A origem do crédito pleiteado é o saldo de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) ao longo do ano de 1999, exercício em que o sujeito passivo apurou prejuízo. Segundo o Parecer que deu base ao despacho (fls. 410 a 419), embora o interessado faça jus ao direito creditório informado de R$27.928,65, tal valor não está disponível para restituição ou para compensação com os débitos confessados nas Declarações de Compensação (Dcomp) n° 34119.65332 e 03403.97118, fls. 232 a 246. Isso em razão de que o sujeito passivo já se utilizou do referido crédito para se compensar com os débitos de antecipação de IRPJ e de CSLL referente ao ano de 2001. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10242.000142/0070 Acórdão n.º 1401003.259 S1C4T1 Fl. 4 3 Em 7.11.2007, o interessado foi cientificado daquela decisão (fl. 424) e, em 6.12.2007, apresentou manifestação de inconformidade de fls. 425 a 429, com o seguinte teor: a) que a unidade de origem não atualizou o direito creditório com a taxa de juros Selic; b) que o direito creditório reconhecido em 31.12.1999 (R$27.928,65) foi utilizado para compensar os débitos de CSLL de abril a setembro/2001 e os débitos de IRPJ de maio a setembro/2001, conforme demonstrativo de fl.427; c) que, consideradas as compensações e recolhimentos efetuados ao longo de 2000, 2001 e 2002, demonstrase a regularidade dos registros do livro Razão, conta "Provisão para Imposto de Renda", que apontou um saldo de IRRF a compensar em 31.12.2002 de R$63.745,82; d) que, no período entre 1999 a 2002, em momento algum o IRRF foi utilizado em duplicidade na compensação de débitos de IRPJ ou de CSLL; e) que, diante do exposto, solicita a modificação do Parecer de fls. 410 a 419." Inconformada com a decisão de primeiro grau, a ora Recorrente pugna pela reversão da medida nos mesmos termos abordados na instância a quo ou, sucessivamente, pela nulidade da decisão de piso sob alegação que esta deixou de analisar seus argumentos e requerimentos. Inicialmente o presente Recurso foi distribuído para a 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, que em julgamento na sessão de 18/09/2012 lavrou o acórdão de nº 2801002.665 (fls. 515 a 518) declinando a competência para esta 1ª Seção, com fundamento no art. 2º do Anexo II do RICARF. Desta forma, me foram distribuídos os presentes autos. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Outrossim, reconheço a competência desta 1ª Seção de Julgamento do CARF para a análise do presente Recurso Voluntário. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10242.000142/0070 Acórdão n.º 1401003.259 S1C4T1 Fl. 5 4 Alega a Recorrente que em sua Manifestação de Inconformidade aventou três fundamentos principais que teriam sido ignorados pelo julgamento realizado em primeira instância, nos termos que colaciono: "A Recorrente, na peça impugnatória, sustentou sua defesa nos seguintes fatos: a) ausência de juros Selic sobre o saldo negativo do imposto de renda pessoa jurídica; b) cobrança em duplicidade de débitos em processos distintos conforme competências e valores mencionados; c) débitos levantados e já atingidos pela prescrição." Registro que os itens acima foram efetivamente aventados em sede de Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte às fls. 441 a 445. Outrossim, o próprio relatório do acórdão ora combatido menciona tais alegações, conforme já foi colacionado anteriormente. Por sua vez, a DRJ de origem ao julgar a Manifestação apresentada decidiu, em um sucinto voto, tratou tão somente do exaurimento do crédito reconhecido, quer supostamente seria corroborado pelas alegações do próprio Contribuinte, e concluí pela correição do trabalho fiscal. Para ilustrar, transcrevo a integralidade do voto: " A manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6.3.1972. Dela tomo conhecimento. A decisão recorrida não merece reparo. No que se refere ao reconhecimento do direito creditório, inexiste qualquer controvérsia. O montante pleiteado, correspondente ao saldo de imposto negativo apurado em 31.12.1999, no valor de R$27.928,65, foi integralmente reconhecido ao interessado. Porém, tal direito credit6rio, por já ter sido utilizado para compensações com débitos de IRPJ e de CSLL referente a 2001, encontrase totalmente exaurido de modo a não ser possível aproveitálo para compensar novos débitos informados pelo sujeito passivo. Em sede de manifestação de inconformidade, o interessado limitouse a fazer um longo arrazoado com o fim de demonstrar que o referido direito credit6rio (R$27.928,65) houvera sido compensado com os débitos de CSLL de abril a setembro/2001 e com os débitos de IRPJ de maio a setembro/2001, conforme demonstrativo de fl. 427. Para tanto, invocou o direito de ter seu crédito acrescido dos juros calculados pela taxa Selic e terminou por demonstrar as compensações posteriores, até o ano de 2002, para, ao final, concluir que não se compensou em duplicidade daquele crédito de R$27.928,65. Entretanto, as próprias razões expendidas pelo interessado corroboram as conclusões carreadas pela decisão recorrida. A unidade de origem apontou o exaurimento do direito creditório reconhecido como razão para indeferir as novas compensações pleiteadas. E o interessado demonstrou exatamente isso em sua manifestação: que se utilizou de todo o saldo do direito creditório para compensar os débitos discriminados na fl. 427 (alíneas "a" a Resulta dai que não há que se falar em Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10242.000142/0070 Acórdão n.º 1401003.259 S1C4T1 Fl. 6 5 novas compensações como as pretendidas pelo interessado com a utilização daquele mesmo direito creditório de R$27.928,65, referente ao IRPJ negativo apurado em 31.12.1999. Em conclusão, voto por indeferir a solicitação do interessado." Conforme se extrai da breve decisão, a DRJ de origem em momento algum tratou de eventual falta de atualização do crédito pela taxa Selic suscitada pelo contribuinte, tão pouco se manifestou quanto a arguição de cobrança do mesmo débito em processos distintos, e, igualmente, calouse quanto a eventual ocorrência de prescrição de uma ou mais parcelas dos débitos. Com a devida vênia à atividade da DRJ de piso, entendo que, necessariamente, a decisão exarada deve dialogar com os fundamentos e pedidos realizados pela manifestação que o provocou. Não pode o julgamento se restringir a revisar de forma unidimensional o ato administrativo contestado, sem considerar as questões provocadas pela parte contestante. Como cediço, o processo administrativo fiscal também se rege pelos princípios do devido processo legal, duplo grau de jurisdição e da ampla defesa. Tais conclusões se extraem da interpretação sistemática dos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXXIV são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; (...) LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Confirmando nossas conclusões, temos a lição do ilustre professor James Marins, conforme se faz oportuno transcrever: Princípio do duplo grau de jurisdição:A ideia de revisão recursal dos julgamentos administrativos ou judiciais atende a necessidades de qualidade e segurança da prestação estatal julgadora e é imperativo jurídico expresso no art. 5º, lV, da CF/1988. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10242.000142/0070 Acórdão n.º 1401003.259 S1C4T1 Fl. 7 6 (...) Não pode, União, Estados, Distrito Federal ou Municípios, instituir, no âmbito de sua competência, a denominada "instância única" para julgamento das lides tributárias deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. (MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. 9 ed. São Paulo: RT, 2016, pgs. 198 200.)(Grifouse) Nesta linha, temse a importância de se preservar o direito ao julgamento em duas instância do contribuinte. O Administrado não pode ter suas razões julgadas por apenas uma instância processual, sob pena de nulidade do julgamento. Tal circunstância se encontra expressa no Inciso II do Art. 59 do Decreto 70.235, como segue: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.(Grifouse) Neste esteio, uma vez que a DRJ de origem deixou de analisar diversos fundamentos trazidos pelo Contribuinte em suas razões de defesa, restou um "vácuo" jurisdicional no presente processo, tais matérias apresentadas pela Contribuinte que carecem de apreciação pela primeira instância administrativa. Conforme já demonstrado, tal circunstância fere o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição e da ampla defesa, tornado o respectivo acórdão de piso nulo. Tal entendimento já se encontra sedimentado na jurisprudência deste Conselho: OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada, de ofício, omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. (Processo: 10410.721329/201281. 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. 4 de outubro de 2017) Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10242.000142/0070 Acórdão n.º 1401003.259 S1C4T1 Fl. 8 7 OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada (argumento autônomo) capaz de, em tese, culminar no cancelamento, mesmo que parcial, do auto de infração. (Processo: 15983.720040/201517. 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. 24 de maio de 2017.) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A falta de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância e razões de defesa apresentadas na impugnação constitui preterição do direito de defesa da parte, ensejando a nulidade da decisão assim proferida, "ex vi" do disposto no art. 59, item II, d o Decreto n.° 70.235/72. (Processo n.º 10880.038405/8901. 17/09/2002). Diante de todos os argumentos e fatos aqui expostos, temse claramente que o acórdão de primeira instância deve ser anulado em razão da omissão do tribunal a quo quanto a análise das razões trazidas pela Contribuinte. Como consequencia, os autos devem ser baixados para que a DRJ de origem realize novo julgamento, desta vez analisando todos os argumentos e prova trazidas aos autos, afim de se resguardar o direito constitucional à ampla defesa e ao duplo grau de jurisdição. Em face a todo o exposto, VOTO por RECONHECER A NULIDADE do Acórdão nº 0110.813 da 1ª Turma da DRJ de Belém/PA, devendo o processo ser baixado para novo julgamento, nos termos acima. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10242.000142/0070 Acórdão n.º 1401003.259 S1C4T1 Fl. 9 8 Fl. 528DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.004237/2005-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL OU RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 não se confunde com o crédito previsto no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, ficando restrito o seu aproveitamento à compensação mediante abatimento das próprias contribuições para o PIS e a COFINS.
Numero da decisão: 9303-008.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL OU RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 não se confunde com o crédito previsto no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, ficando restrito o seu aproveitamento à compensação mediante abatimento das próprias contribuições para o PIS e a COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 42 37 /2 00 5- 70 Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10120.004237/200570 Acórdão n.º 9303008.053 CSRFT3 Fl. 490 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte GOIÁS CARNE COOPERATIVA DOS PRODUTORES AGROPECUÁRIOS DE GOIÁS LTDA., com fulcro no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da sua interposição, buscando a reforma do Acórdão n.º 3101001.257, que negou provimento ao recurso voluntário, cujos fundamentos foram sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 Crédito Presumido. Estoque de Abertura O crédito presumido sobre o estoque de abertura, passível de dedução da base de cálculo da Cofins, segundo a legislação tributária de regência, será calculado à alíquota de três por cento. Base de Cálculo. Ajustes. Na apuração da base de cálculo da contribuição para PIS e da Cofins, a dedução da sobra é aquela apurada na Demonstração do Resultado do Exercício, no fim do anocalendário, Crédito Presumido. Compensação. Impossibilidade A legislação tributária de regência expressamente prevê que o crédito presumido apurado com base no custo de aquisição serve apenas para dedução do valor devido da Cofins, veda a compensação com débitos tributários próprios. (grifouse) Não resignada com a decisão, a Contribuinte suscita divergência jurisprudencial quanto à exclusão do saldo credor a ressarcir do valor correspondente ao crédito presumido das agroindústrias previsto na Lei nº 10.925/04. Para comprovar o dissenso, apresentou como paradigma o Acórdão n.º 3102001.726. Nas suas razões recursais, sustenta, em síntese que deve prevalecer o entendimento do acórdão paradigma, reconhecendo que o Contribuinte que tem direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial previsto na Lei n.º 10.925/04 pode utilizar referidos valores para ressarcimento Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10120.004237/200570 Acórdão n.º 9303008.053 CSRFT3 Fl. 491 3 ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, desde que tais créditos tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Foi admitido o recurso especial da Contribuinte por meio do despacho s/nº, de 09/07/2015, proferido pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial pois: enquanto no acórdão recorrido o Colegiado entendeu que o crédito presumido apurado com base no custo de aquisição serve apenas para dedução do valor devido da COFINS, vedada a compensação com débitos tributários próprios; no acórdão paradigma, foi consignada posição de que o Contribuinte que faz jus ao crédito presumido da atividade agroindustrial previsto na Lei n.º 10.925/2004, tem direito à utilização dos valores correspondentes como ressarcimento ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A Fazenda Nacional, devidamente cientificada, apresentou contrarrazões requerendo a negativa de provimento do recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10120.004237/200570 Acórdão n.º 9303008.053 CSRFT3 Fl. 492 4 No mérito, gravita a controvérsia em torno da pretensão da Contribuinte de ver reconhecido o direito ao ressarcimento em espécie ou por meio de compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, do crédito presumido da agroindústria das contribuições do PIS e da COFINS, instituído pelo art. 8º da Lei n.º 10.925/2004, com redação da Lei n.º 11.051/2004, apurado sobre os insumos vinculados à receita de exportação. O tema foi objeto de apreciação por este Colegiado em outras oportunidades, a exemplo dos julgados que resultaram nos Acórdãos n.º 9303005.815, de 17 de outubro de 2017 e 9303007.593, de 20 de novembro de 2018. Naquelas ocasiões, esta Relatora acompanhou a bem fundamentada posição segundo a qual haveria a possibilidade de compensação ou ressarcimento em espécie do crédito da agroindústria, com respaldo nas Leis n.º 12.058/09 e 12.350/10, bem como no art. 16 da Lei n.º 11.116/05. Ocorre que, analisando mais detidamente o disposto no art. 8º da Lei n.º 10.925/2004, chegase à conclusão diversa da anteriormente externada por esta Conselheira, que passa a se filiar à posição da maioria do Colegiado pela impossibilidade de ressarcimento em espécie ou compensação com outros tributos administrados pela SRF, com fulcro nos fundamentos lançados no voto vencedor do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal no Acórdão n.º 9303007.594, in verbis: [...] Quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do crédito presumido da agroindústria, ora reclamado, embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar tais créditos, demonstrase, a seguir, a falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10120.004237/200570 Acórdão n.º 9303008.053 CSRFT3 Fl. 493 5 período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A Cofins não incidirá sobre as receias decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, quanto ao aproveitamento de crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, e, consequentemente, não reconhecer o seu direito ao ressarcimento/compensação de tais créditos. [...] (grifouse) Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10120.004237/200570 Acórdão n.º 9303008.053 CSRFT3 Fl. 494 6 Nessa esteira, a posição adotada no presente voto espelha a jurisprudência das duas Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, consoante se depreende das ementas do Recurso Especial n.º 1.118.011/SC, de Relatoria do Ministro Benedito Gonçalves; do Recurso Especial n.º 1.240.954/RS, de Relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques e do Recurso Especial n.º 1.233.876/RS, de Relatoria do Ministro Herman Benjamin, in verbis: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10120.004237/200570 Acórdão n.º 9303008.053 CSRFT3 Fl. 495 7 da não cumulatividade, não há, efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido. (REsp 1118011/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/08/2010, DJe 31/08/2010) (grifouse) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N. 10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que o ato declaratório interpretativo SRF 15/05 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação que já estava contida na legislação tributária vigente. 2. Precedentes: REsp 1233876/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 1.4.2011; e REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1240954/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/06/2011, DJe 21/06/2011) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS E COFINS. LEI 10.925/2004. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. VEDAÇÃO IMPOSTA PELO ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10120.004237/200570 Acórdão n.º 9303008.053 CSRFT3 Fl. 496 8 1. Não se confunde o crédito presumido instituído pelos arts. 8º e 15 da Lei 10.925/2004 com o resultante do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. 2. O primeiro representa benefício fiscal concedido exclusivamente para o fim de dedução das contribuições ao PIS e à Cofins devidas pelas empresas que atuam no setor alimentício. 3. De modo diverso, o outro saldo credor tem origem na aplicação da sistemática da nãocumulatividade, e em tal hipótese a compensação é expressamente autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/2005, por força das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuição ao PIS e à Cofins. 4. Inexistindo, ademais, norma autorizativa (art. 170 do CTN), concluise que o ato interpretativo do Fisco não extrapolou os limites do art. 8º da Lei 10.925/2004. Precedente do STJ. 5. Recurso Especial não provido. (REsp 1233876/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 01/04/2011) (grifouse) Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 496DF CARF MF
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