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Numero do processo: 10480.722277/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005, 2006, 2007
DESISTÊNCIA. IRRETRATÁVEL.
É irretratável o pedido de desistência de impugnação formulado com base no disposto no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009.
DECISÃO DRJ. NULA.
É nula a decisão da DRJ que conhece de impugnação objeto de pedido de desistência irretratável.
Numero da decisão: 1302-001.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, vencido o Conselheiro Guilherme Pollastri.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Waldir Rocha, HélioAraújo e Márcio Frizzo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005, 2006, 2007 DESISTÊNCIA. IRRETRATÁVEL. É irretratável o pedido de desistência de impugnação formulado com base no disposto no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009. DECISÃO DRJ. NULA. É nula a decisão da DRJ que conhece de impugnação objeto de pedido de desistência irretratável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, vencido o Conselheiro Guilherme Pollastri. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Waldir Rocha, HélioAraújo e Márcio Frizzo. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1137.488 da 3ª Turma da DRJ/REC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 22 77 /2 00 9- 31 Fl. 6771DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Em 16 de junho de 2011, a a DRJ/REC julgou impugnação interposta pela recorrente, cuja ementa do Acórdão 1134.102 (fls. 6469) assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 31/12/2005, 31/03/2006, 31/12/2006, 30/09/2004, 31/12/2004, 30/06/2006, 30/09/2006 DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. Somente são dedutíveis, para fins fiscais, as despesas que atendam aos requisitos cumulativos da necessidade, normalidade e usualidade, em relação às atividades operacionais da pessoa jurídica. O conceito de necessidade deve ser corolário direto da relação havida entre os gastos (despesas) e a contribuição desses gastos para a geração da correspondente receita. FURTO. DEDUTIBILIDADE. LUCRO REAL. O prejuízo oriundo de desfalque, apropriação indébita ou furto somente será dedutível na apuração do imposto de renda da pessoa jurídica submetida à apuração pelo Lucro Real, quando houver inquérito instaurado, nos termos da legislação trabalhista, ou quando o fato for comunicado à autoridade policial (noticia criminis). Os prejuízos sofridos pela pessoa jurídica que foram objeto de indenização, inclusive por cobertura de seguro, não poderão ser deduzidos da apuração do lucro real. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO POSTERIOR À NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde e antes de notificado o lançamento. DESPESAS. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de despesas constitui fundamento para lançamento de imposto quando resultar redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. O que decidido no imposto sobre a renda de pessoa jurídica, por basear se nos mesmos argumentos e provas da impugnação, alcança a tributação reflexa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/03/2006, 31/12/2006, 30/09/2004, 31/12/2004, 30/06/2006, 30/09/2006 PEDIDOS DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Desnecessários os pedidos de perícia e/ou diligência quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários à convicção do julgador. PEDIDOS DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Os pedidos de diligência e perícia devem atender aos requisitos especificados no art. 16, IV, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1134.102 em 15/07/2011 (AR a fls. 6487), interpôs, em 11/08/2011, recurso voluntário (doc. a fls. 6489 e segs.). Fl. 6772DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302001.666 S1C3T2 Fl. 6.772 3 Em 15/03/2012, esta Turma decidiu, por meio do Acórdão nº 921.045 (fls. 6552), anular a decisão de 1ª instância, porque ela não se manifestou sobre desitência manifestada pelo contribuinte nos autos. Em 10 de julho de 2012, a DRJ/REC proferiu nova decisão, por meio do Acórdão nº 1137.488 (fls. 6588), o qual tem o mesmo teor do Acórdão anulado, sendo apenas acrescentadas as considerações daquela DRJ sobre o pedido de desistência da impugnação pela recorrente, nos seguintes termos: “9. Acerca da anulação do acórdão proferido por esta DRJ, que acarretou o retorno dos autos a esta instância administrativa para novo julgamento, cumpre tecer as seguintes considerações: o pedido de desistência da impugnação não foi explicitamente apreciado porque, como é manifesto, tornouse sem efeito pela apresentação posterior, no intervalo de pouco mais de uma semana, do pedido de desconsideração da desistência. Eis o motivo pelo qual tais fatos apenas integraram o corpo do relatório, não o voto então proposto. 10. Outrossim, cumpre ressaltar que, caso se atribuísse ao pedido de desistência a qualidade de ato definitivo, sequer os autos deveriam ter sido enviados a esta instância julgadora, porque litígio não mais haveria. Ademais, é absolutamente incompossível considerar precluso, por incompatibilidade consumativa, o direito de a impugnante apresentar um novo pedido, este destinado à desconsideração do pleito anteriormente realizado poucos dias antes. Afinal, no processo administrativo, afigurase de todo aplicável o princípio do formalismo moderado, segundo o qual os atos e as formas processuais não reclamam formalidades especiais, senão as necessárias à promoção da igualdade e da segurança jurídica. Diverso, pensamos, seria o caso em que o primeiro pedido de desistência já houvesse surtido efeitos, vale dizer, já tivesse sido expressamente reconhecido pela autoridade a quo e iniciada a cobrança administrativa. Não é esse, contudo, o caso aqui versado. 11. De todo modo, em face da anulação decretada pelo CARF, não resta outra alternativa senão a de conhecer do pedido de desistência da impugnação, mas, considerando válida a posterior apresentação do pedido de desistência, apreciar a impugnação. 12. Isto posto, passamos a reproduzir, porque também adotados aqui como razão de decidir, os mesmos fundamentos já delineados na decisão então proferida pela 3ª Turma desta DRJ. In verbis:...” A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1137.488 em 27/07/2012 (AR a fls. 6619), interpôs, em 21/08/2012, recurso voluntário (doc. a fls. 6621 e segs.), no qual alega as seguintes razões: a) Quanto à glosa de compensação de prejuízos: a.1) que a decisão recorrida deve ser reformada para que seja restabelecida a glosa dos prejuízos fiscais compensados pela recorrente nos períodos de apuração 12/2005, 03/2006 e 12/2006; Fl. 6773DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 a.2) que a falta de apresentação de DIPJ retificadora nos AC 2003 e 2004, bem como a não contabilização das despesas que originaram os prejuízos fiscais compensados em seus livros contábeis, não podem afastar a materialidade dos prejuzos fiscais sob análise; a.3) que, em 2005, a recorrente constatou que nas competências de 2002, 2003, 2004, diversas despesas incorridas nesses períodos não haviam sido computadas em seu resultado, assim, objetivando regularizar suas demonstração financeiras e apurações fiscias, a contribuinte realizou Ajsute Contábil no ano de 2005 por meio de lançamentos a débito na conta de Prejuízos e Lucros Acumulados (ajustes de exercícios anteriores), procedimento em total consonância com o art. 186, § 1º, da Lei das S/A; a.4) que, após os referidos ajustes, a recorrente realizou as respectivas exclusões no LALUR, ou seja, não apresentou DIPJ retificadora, situação que gerou a discrepância entre o saldo do SAPLI/DIPJ e o prejuízo compensado pela recorrente (exitente apenas no Lalur; a.5) que somente apresentou declaração recitiicadora para o ano de 2002; a.6) que foi respeitada a trava na compensação de prejuízo fiscal nos PA 1/2005, 03/2006; e 12/2006; a.7) que a recorrente de fato não observou a formalidade de retificar as DIPJ de 2003 e 2004, pois o caso as tivesse realizado não existiria o presente AI, mas que isso não pode afastar a efetiva existência dos prejuízos imputados naquelas competências após a apropriação das despesas ali incorridas, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material; a.8) que não pode ser aplicada ao presente caso a premissa considerada pela decisão recorrida segundo a qual a recorrente pretendeu promover a retificação de suas DIPJ’s após o início do procedimento de fiscalização; a.9) que a decisão tomoa por base o fundamento de que, ao realizar as compensações indevidas dos prejuízos fiscais nos períodos em apreço, a recorrente pretendeu retificar suas DIPJ’s e aumentar o seu estoque de prejuízos disponível para os períodos seguintes, aplicando, então, o mencionado art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional (CTN); a.10) que o lançamento de ofício combatido no presente caso decorre precisamente da suposta compensação indevida de prejuízos fiscais nos períodos de apuração 12/2005, 03/2006 e 12/2006, após a constatação pela recorrente da existência de diversas despesas incorridas nos anos de 2003 e 2004 contabilizadas tãosomente no Lalur, ou seja, sem apresentação de DIPJ’s retificadoras; a.11) que o citado art. 147, §1º, do CTN não pode ser aplicado no presente caso, tendo em vista que em nenhum momento a recorrente buscou retificar suas declarações após o início do procedimento de fiscalização; a.12) que no que tange à dedutibilidade das despesas excluídas do Lalur, essas inequivocadamente poderiam ter reduzido o lucro real apurado, pois correspondem a despesas com: juros de contratos de financiamento bancário; despesas com sinistro; despesas com seguro; despesas com FGTS, INSS e ISS – ajuste de provisão; despesas com aluguel; despesas com taxi aéreo para transporte de valores, as quais estão em consonância com o art. 299 do RIR, portanto, são devidamente dedutíveis; a.13) que essas despesas com taxi aéreo decorrem de previsão contratual expressa do Banco do Brasil para transport de parte de suas quantias, ou seja, é despesa inerente à prestação de serviços relaizada, o que restou devidamente demonstrado através da documentação juntada pela recorrente em sua impugnação; b) Quanto à dedutibilidade da despesa “Diferença de Tesouraria”: Fl. 6774DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302001.666 S1C3T2 Fl. 6.773 5 b.1) que também deve ser reformada a decisão para que sejam consideradas como dedutíveis as despesas contabilizadas na conta “Diferença de Tesouraria”, cujo montante foi corretamente contabilizado no resultado em 09/2004, 12/2004, 12/2005, 03/2006, 06/2006 e 09/2006; b.2) que, nesse item, o lançamento teve por motivação: o suposto não preenchimento dos requisitos de demonstração da normalidade, ususalidade e necessidade das despesas, bem como a suposta não observância do art. 364, do Decreto nº 3.000/99 para a dedução de despesas por furto ou desfalque; b.3) que a autoridade fiscal, ao glosar as despesas alocadas na conta em questão, partiu da premissa que todas as despesas decorriam exclusivamente de furtos ou desfalques, e por tal razão, para que fossem dedutíveis, deviam observar o art. 364 do RIR/99, mas a maior parte das despesas ali alocadas não é oriunda de furtos ou desfalques; b.4) que as máquinas ATM possuem ceraca de 3 cassetes A, B, C (gavetas), onde são colocadas as édulas, sendo um cassete para cada tipo de cédula, ou seja, o cassete A comporta cédula, sendo que nos saques efetuadas, o sistema operacional da máquina verifica o valor solicitado e determina a quantidade de cada tipo de dédula a ser dispensada, perfazendo o montante solicitado pelo usuário; b.5) que podem ocorrer diferenças nestas operações em razão de erro na colocação do tipo de cédula no cassete, seja na troca do cassete ou no abastecimento a granel; por infidelidade de funcionários, por subtração de terceiros sem vestígios de arrombamento, por erro do sistema operacional da máquina, por pagamento a maior ou a menor ao usuário devido a problemas no dispensador de cédulas; b.6) que a recorrente realiza depósitos de expressivos valores (centena de milhões) das diversas instituições financeiras/clientes no Bacen ou Banco do Brasil, sendo que, considerando que a recorrente é custodiante/fiel depositária dos valores das instituições financeiras depositantes, sendo, ainda, responsável pela contagem e preparação dos depósitos junto ao Bacen, toda e qualquer diferença apontada pelo Banco Central e/ou Banco do Brasil aos clientes da recorrente, são de sua responsabilidade, ou seja, da recorrente; b.7) que, muitas das vezes, o Banco solicita imagens de grande número de ocorrências cuja preparação é impraticável, situação que gera a assunção do ônus pela recorrente da parte das diferenças não apresentadas na filmagem; b.8) que a maior parte das diferenças assumidas como ônus da operação da recorrente decorre de erro de apuração dos valores ou desatenção dos seus funcionários, sendo que erro não é furto e que tais valores não podem ser exigidos dos funcionários por questões ligadas aos seus direitos trabalhistas; b.9) que tais despesas são inerentes à atividade da recorrente, tendo em vista que são oriundas do adimplemento de suas obrigações contratuais, que compreendem a assunção do ônus financeiro advindo da prestação dos serviços contratados; b.10) que a recorrente comprovou, nos autos que as diferenças de numerários apuradas por seus clientes, em virtude de suas operações de custódia, abastecimento e tesouraria, foram incorridas e suportadas através dos comprovantes de pagamento das diferenças emitidos aos bancos: Banco do Brasil, Caixa Econômica, Banco Bandepe, Banco Real, Unibanco, Itaú, Bradesco e HSBC; Fl. 6775DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 b.11) que as despesas podem, por força do art. 299, § 1º, do RIR/99, ser deduzidas sempre que forem necessárias à realização da atividade empresarial, devendo ser usuais e normais ao tipo de atividade empresarial envolvida; b.12) que, quanto à suposta nãoobservância do art. 364 do RIR/99, para a dedução dessas despesas, destaquese que os lançamentos efetuados na conta de despesa glosada pela autoridade fiscal correspondem a acúmulos de diversas diferenças encontradas em alguns períodos, ou seja, inúmeras diferenças de pequenas quantias, decorrentes do manuseio de mais de 5,5 bilhões de cédulas nos diversos serviços realizados pela recorrente somente no ano de 2006; c) Quanto a exclusão de despesas do Lalur em 2005: c.1) que a decisão recorrida deve ser reformada no que tange à exlcusão do montante das despesas incorridas em 2002, 2003 e 2004 na apuração do lucro líquido do ano calendário de 2005; c.2) que a exclusão realizada pela recorrente não gerou nenhum prejuízo para o Fisco em face da incidência/recolhimento do IRPJ e CSLL nos exercícios anteriores, não podendo ser aplicado o princípio da competência como fundamento da glosa indevidamente realizada; c.3) que, em 2005, a recorrente constatou que não havia considerado diversas despesas relativas às competências de 2002, 2003 e 2004; c.4) que após a realização do acima aludido ajuste contábil, a recorrente realizaou as exlusões do Lalur nos anos de 2002, 2003 e 2004, apurando prejuízos, ao invés de lucros – então tributados; c.5) que as despesas que amortizavam os lucros equivocadamente apurados em 2002, 2003 e 2004 poderiam ser deduzidas integralmente no ano de 2005, eis que considerando que essas despesas haviam zerado os lucros anteriormente tributados, não havia qualquer efeito de postergação de receita ou prejuízo à Fazenda Nacional; c.6) que o art. 34 da IN SRF 11/96 disciplina que a exclusão referente a ajuste de exercício anterior não poderá ser realizada caso acarrete um efeito diverso daquele que seria obtido, se realizadoà época correta; c.7) que as despesas excluídas do Lalur em 2005 correspondiam às despesas que haviam zerado os lucros equivocadamente apurados em 2002, 2003 e 2004, bem como que esses lucros (que não consideravam as despesas aqui comprovadas) foram tributados pelo IRPJ e CSLL, a exclusão dessas despesas em 2005 não gerou qualquer efeito prejudicial ao Fisco; c.8) que a situação se encaixa perfeitamente ao previsto no parágrafo 6.1 do Parecer CST 57/79: 6.1. Ante isso, e tomando por referência o períodobase competente há que se constatar que o registro antecipado de receita, rendimento ou reconhecimento de lucro ou a contabilização posterior de custo ou dedução não ocacionam, via de regra, prejuízo para o Fisco, quando então tais eventos não autorizam efetivação do lançamento. Configuram meras inexatidões contábeis, sem efeitos tributários.” c.9) que a apropriação dessas despesas em 2005 não precisava respeitar a trava dos 30% de prejuizos acumulados que gerariam em 2002, 2003 e 2004, eis que sobre esses despesas, na verdade, incidiu tributação naquelas competências; c.10) que os efeitos da exclusão do Lalur em 2005 (das despesas equivalentes aos lucros indicados na DIPJ de 2002, 2003 e 2004)são idênticos ao da compensação do IRPJ e CSLL apurados em 2005 (sem a exclusão) com o saldo negativo de IRPJ e base de cálculo Fl. 6776DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302001.666 S1C3T2 Fl. 6.774 7 negativa de CSLL que seriam gerados se a recorrente houvesse retificado suas DIPJ de 2002, 2003 e 2004 para incluir tais despesas (comprovadas nesses autos); d) que, por todo o exposto, requer o cancelamento do auto de infração em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 6525, razão pela qual dele conheço. Preliminarmente, deve este Colegiado decidir sobre os efeitos do pedido de desistência a fls. 6.398 e do, posterior, pedido de reconsideração a fls. 6416. Vale, inicialmente, a transcrição do pedido de desistência, in verbis: “REF. PROC. ADM. Nº....10480.722277/200931 Preserve Seguraça e Transporte de Valores Ltda., já devidamente qualificada nos autos do Prtocesso Administrativo acima mencionado, através do seu representante que o presente subscreve (DOC. 1), com base no disposto no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009, vem, à honrada presença de V. Sª, requerer na forma que se segue: Tendo em vista o deferimento da adesão ao parcelamento da ora Requerente instituído pela lei nº 11.941/09 (DOC. 02), requer, expressamente, a desistência da Impugnação apresentada em face do lançamento de ofício que originou o processo administrativo sob análise. Pugna, ao final, pela extinção e consequente arquivamento do processo administrativo em referência.” Já, no pedido de reconsideração a fls. 6416, assim se manifestou a recorrente: “REF. PROC. ADM. Nº....10480.722277/200931 ............................................................................................................ A Requerente, em virtude do deferimento da adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, requereu, por equívoco, a desistência (tombada sob o nº 19647.015382/200945) da Impugnação apresentada em 27/11/2009 (tomabda sob o nº 19647.014177/200962). Ocorre que não é de interesse da Requerente a inclusão do débito objeto do presente auto no referido parcelamento, e, para que não se Fl. 6777DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 concretize tal inclusão, nos ditames da supracitada Lei, formula o presente requerimento. Ante o exposto, requer a desconsideração da petição supra informada (Doc. 02), a fim de que não venha produzir seus efeitos legais dando regular andamento ao processo. Requer ainda que sejam acolhidos todos os termos da Impugnação apresentada em 27/11/2009, com o fito de ver desconstituído o crédito oriundo do Auto de Infração guerreado naquela oportunidade.” Conforme já relatado, a DRJ/REC considerou válido esse pedido de reconsideração. Ocorre, porém, que o pedido de desistência, conforme acima transcrito, foi feito com base com base no disposto no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009 (expedida com base na competência regulamentar conferida pelos arts. 1º a 13 da Lei 11.941/09), o qual assim dispõe: “Art. 13. Para aproveitar das condições de que trata esta Portaria em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, no prazo de até 30 (trinta) dias após a ciência do deferimento do requerimento de adesão ao parcelamento ou da data do pagamento à vista. .................................................................................................................. § 3º A desistência de impugnação ou recurso administrativos deverá ser efetuada mediante petição dirigida ao Delegado da Receita Federal de Julgamento ou ao Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme o caso, devidamente protocolada na unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo, no prazo previsto no caput, na forma do Anexo I. ................................................................................................................”. Assim, entendo que equivocouse a DRJ/REC, pois a desistência formulada, nos termos do art. 13 acima, foi em caráter irrevogável, razão pela qual é inócuo o pedido de reconsideração apresentado posteriormente. Logo, tendo a recorrente desistido de sua impugnação, não poderia a DRJ, dela, conhecer. Ademais, ainda que assim não previsse o art. 13 retro citado, com a desistência da impugnação, operouse a preclusão consumativa, ou seja, precluso o direito de a recorrente renovar o seu pedido de acolhimento da impugnação. Em face do exposto, voto no sentido de declarar nulo o Acórdão nº 1137.488 (fls. 6588) e determinar a remessa dos autos à DRF/Recife, para as providências de sua alçada. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 6778DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.722277/200931 Acórdão n.º 1302001.666 S1C3T2 Fl. 6.775 9 Fl. 6779DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 14485.000262/2007-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2006
Restando constatada a existência de contradição no acórdão prolatado, são cabíveis os embargos de declaração para que se re-ratifique o decisório.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2401-003.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade; e b) declarar a decadência até a competência 11/2001. e II) por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam afastados do cálculo da multa todos os fatos geradores declarados em GFIP e os valores relativos ao vale-transporte, mantendo-se, todavia, a incidência de multa sobre as bolsas de estudos concedidas a dependentes, conforme decidido no julgamento anterior. Para as competências remanescentes, a penalidade deve ser fixada com esteio no inciso I do art. 32-A da Lei n. 8.212/1991. Ausente a Conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 02 62 /2 00 7- 68 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade; e b) declarar a decadência até a competência 11/2001. e II) por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam afastados do cálculo da multa todos os fatos geradores declarados em GFIP e os valores relativos ao “valetransporte”, mantendose, todavia, a incidência de multa sobre as bolsas de estudos concedidas a dependentes, conforme decidido no julgamento anterior. Para as competências remanescentes, a penalidade deve ser fixada com esteio no inciso I do art. 32A da Lei n. 8.212/1991. Ausente a Conselheira Carolina Wanderley Landim. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.000262/200768 Acórdão n.º 2401003.894 S2C4T1 Fl. 492 3 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração, apresentados pela Fazenda Nacional, desafiando o Acórdão n.º 2401003.701– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 11/09/2014. O crédito em questão diz respeito a lançamento para aplicação de multa pela conduta da empresa de não informar na GFIP a totalidade dos fatos geradores de contribuições, bem como a totalidade da contribuição devida. A decisão embargada foi assim redigida: "ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade; e b) declarar a decadência até a competência 11/2001. e II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam afastadas do cálculo da multa as incorreções mencionadas na NFLD n. 37.111.6970, aquela relativa a falta de declaração do "valetransporte" e aos contribuintes individuais declarados em GFIP e para que, nas competências remanescentes, a penalidade seja fixada com esteio no inciso I do art. 32A da Lei n. 8.212/1991. Vencidos os conselheiros Elias Sampaio Freire e Carolina Wanderley Landim, que davam provimento parcial em maior extensão, ao afastar, também, a multa sobre as bolsas de estudos concedidas a dependentes." A embargante aponta contradição, alegando que do modo como foi redigida a decisão temse a impressão de que nem todos os valores apurados na NFLD n.º 37.111.6970 deveriam ser excluídos do cálculo da multa do AIOA, mas apenas a parte relativa às incorreções apontadas. A PFN alerta também que nas razões de decidir do voto condutor ficou consignado que a NFLD n.º 37.111.6970 teria sido lavrada apenas para apuração da contribuição patronal relativa a fatos geradores declarados na GFIP. Todavia, foi demonstrado pela embargante que nem todas os fatos geradores constantes na NFLD n.º 37.111.6970 teriam sido declarados em GFIP, conforme relatório fiscal da infração, do qual cita o seguinte excerto: "a) NFLD n.º 37.111.6970 Referente a contribuições previdenciárias incidentes sobre o pagamento a empregados declarados com código FPAS incorreto, ou seja 639 Entidade Filantrópica, com percentual de isenção incompatível com sua realidade ( 100% de isenção ao invés de 0 %). Observamos que esta GFIP foi declarada pela empresa de forma parcial, não integrando a declaração, por exemplo, a rubrica férias do mês anterior no período de maio de 2004 a fevereiro de 2005, sendo que o valor constante deste Auto é o total apurado em folha de pagamento por esta fiscalização;" Fl. 500DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 Afirmando haver dúvida quanto ao alcance do provimento no que toca à multa relacionada à NFLD nº 37.111.6970, bem como acerca das razões de decidir adotadas pelo Colegiado, pede que a turma se manifeste para esclarecer a obscuridade apontada. É o relatório. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.000262/200768 Acórdão n.º 2401003.894 S2C4T1 Fl. 493 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os embargos atendem aos pressupostos de admissibilidade, eis que a legitimidade e a tempestividade encontramse em consonância com o § 1.º do art. 65 do Anexo II da Portaria MF n.º 256/2009, com alterações da Portaria MF n.º 586/2010 Regimento Interno do CARF. Merecem, portanto, conhecimento os aclaratórios. Da obscuridade apontada As alegações da Fazenda Nacional são por demais consistentes. Uma leitura do acórdão embargado, levame a reconhecer a existência das duas incongruências apontadas, quais sejam: i) entre a decisão e seus fundamentos e ii) entre a decisão e as provas dos autos. De fato, a redação do que ficou decidido no acórdão leva ao entendimento de que há algumas incorreções na NFLD n.º 37.111.6970, que mereceriam ser excluídas do cálculo da multa. Como se pode ver da transcrição da decisão: "ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade; e b) declarar a decadência até a competência 11/2001. e II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam afastadas do cálculo da multa as incorreções mencionadas na NFLD n. 37.111.6970, aquela relativa a falta de declaração do "valetransporte" e aos contribuintes individuais declarados em GFIP e para que, nas competências remanescentes, a penalidade seja fixada com esteio no inciso I do art. 32A da Lei n. 8.212/1991." (GRIFEI) Verificase, assim, que, no mínimo, a redação pode gerar uma dupla interpretação. Seriam as incorreções mencionadas na NFLD apenas relativas a parte dos fatos geradores lançados ou estas incorreções atingiram todo o lançamento? Essa dúvida se resolve quando se lê as razões de decidir do voto, ali fica claro o entendimento de que deve ser excluída integralmente a multa relacionada à NFLD n.º 37.111.6970, posto que esta teria decorrido tãosomente da informação incorreta relativa à condição de isenta da entidade, não tendo havido omissão de fatos geradores na GFIP. Ocorre que neste ponto aparece outra incongruência, haja vista que os autos demonstram que na NFLD foram apuradas contribuições decorrentes da informação incorreta relativa à isenção, mas também contribuições incidentes sobre fatos geradores não declarados na GFIP. Assim, deve a turma propor a reratificação do acórdão embargado de modo a sanear as contradições apontadas pela PFN. Passo agora indicar os pontos a serem retificados. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 I Retificação no relatório Onde se lê, à fl. 474: a) NFLD n.° 37.111.6970 — referente a contribuições previdenciárias incidentes sobre o pagamento a empregados declarados com código FPAS incorreto, ou seja 639 — Entidade Filantrópica, com percentual de isenção incompatível com sua realidade; Leiase: a) NFLD n.° 37.111.6970 — referente a contribuições previdenciárias incidentes sobre o pagamento a empregados declarados com código FPAS incorreto, ou seja 639 — Entidade Filantrópica, com percentual de isenção incompatível com sua realidade, e incidentes sobre fatos geradores não declarados na GFIP; II Retificação na fundamentação do voto Onde se lê, à fl. 475 (verso), in fine: Assim, o resultado do julgamento da NFLD n. 37.111.6970 deve ser integralmente reproduzido no AI, haja vista que os fatos geradores foram declarados na GFIP e o lançamento decorreu da perda da imunidade quanto ao recolhimento das contribuições. Leiase: Assim, o resultado do julgamento da NFLD n. 37.111.6970 deve ser parcialmente reproduzido no AI, excluindose do cálculo da multa apenas os fatos geradores que foram declarados na GFIP. III Retificação na conclusão do voto Onde se lê, à fl. 477 (verso), in fine: Voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento, por reconhecer a decadência para as competências até 11/2001 e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que sejam afastadas do cálculo da multa as incorreções mencionadas na NFLD n. 37.111.6970, a remuneração dos contribuintes individuais declaradas em GFIP e os valores relativos ao “valetransporte” e para que, nas competências remanescentes, a penalidade seja fixada com esteio no inciso I do art. 32A da Lei n. 8.212/1991. Leiase: Voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento, por reconhecer a decadência para as competências até 11/2001 e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que sejam afastados do cálculo da multa todos os fatos geradores declarados em GFIP e os valores relativos ao “valetransporte”, e para que, nas competências remanescentes, a penalidade seja fixada com esteio no inciso I do art. 32A da Lei n. 8.212/1991. IV Retificação na decisão Onde se lê, à fl. 472 (verso): ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade; e b) declarar a decadência até a competência 11/2001. e II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que Fl. 503DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.000262/200768 Acórdão n.º 2401003.894 S2C4T1 Fl. 494 7 sejam afastadas do cálculo da multa as incorreções mencionadas na NFLD n. 37.111.6970, aquela relativa a falta de declaração do "valetransporte" e aos contribuintes individuais declarados em GFIP e para que, nas competências remanescentes, a penalidade seja fixada com esteio no inciso I do art. 32A da Lei n. 8.212/1991. Vencidos os conselheiros Elias Sampaio Freire e Carolina Wanderley Landim, que davam provimento parcial em maior extensão, ao afastar, também, a multa sobre as bolsas de estudos concedidas a dependentes. Leiase: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade; e b) declarar a decadência até a competência 11/2001. e II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam afastados do cálculo da multa todos os fatos geradores declarados em GFIP e os valores relativos ao “valetransporte”, e para que, nas competências remanescentes, a penalidade seja fixada com esteio no inciso I do art. 32A da Lei n. 8.212/1991. Vencidos os conselheiros Elias Sampaio Freire e Carolina Wanderley Landim, que davam provimento parcial em maior extensão, ao afastar, também, a multa sobre as bolsas de estudos concedidas a dependentes. Assim, com essas retificações restam acolhidos na íntegra os embargos da PFN. Conclusão Voto por acolher os embargos de declaração, reratificandose o Acórdão embargado nos termos acima enunciados. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.903369/2010-43
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS (DCTF). COMPROVADO ERRO DE PREENCHIMENTO.
Dá-se provimento parcial ao Recurso, para que o Órgão local prossiga na análise do direito creditório pleiteado, abstraindo-se do comprovado erro de preenchimento da DCTF.
Numero da decisão: 1803-002.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ricardo Diefenthaeler, relator, e Cármen Ferreira Saraiva, que convertiam o julgamento do processo em diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Ricardo Diefenthaeler - Relator
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Fernando Ferreira Castellani, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: RICARDO DIEFENTHAELER
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DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS (DCTF). COMPROVADO ERRO DE PREENCHIMENTO. Dáse provimento parcial ao Recurso, para que o Órgão local prossiga na análise do direito creditório pleiteado, abstraindose do comprovado erro de preenchimento da DCTF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 33 69 /2 01 0- 43 Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.903369/201043 Acórdão n.º 1803002.624 S1TE03 Fl. 1.075 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ricardo Diefenthaeler, relator, e Cármen Ferreira Saraiva, que convertiam o julgamento do processo em diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Ricardo Diefenthaeler Relator (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Fernando Ferreira Castellani, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler e Roberto Armond Ferreira da Silva. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.903369/201043 Acórdão n.º 1803002.624 S1TE03 Fl. 1.076 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte antes identificada em face do acórdão proferido pela DRJ a quo, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho de não homologação da compensação intentada através da Declaração de Compensação (Dcomp) de nº 06789.11007.260407.1.3.045040, transmitida eletronicamente em 26/04/2007, com base em créditos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Resultado Ajustado Apuração Trimestral. Na Dcomp em questão declarou a recorrente a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 31/12/2006 6012 1.858,17 30/01/2007 Como relata a decisão recorrida, a partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Por essa razão, em 06/09/2010, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fls. 11), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ R$ 441,90. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou a ora recorrente que por um equívoco foi inicialmente declarado na DCTF ORIGINAL o débito do CSLL 4º Trim/2006 no valor de R$ 1.858,17. O valor correto, no entanto, é de R$ 1.185,84, conforme constam os valores registrados no Livro Contábil Diário na página 240 e Livro Contábil Razão na página 411, bem como nas DIPJ Original e Retificadora. Asseverou que, para sanar o erro de fato no preenchimento da DCTF, retificou a declaração, informando o valor correto do débito em questão. E, assim, o DARF recolhido em 30/01/2007, no valor de total de R$ 1.858,17, informado como origem do crédito na Dcomp de que aqui se trata (de nº 06789.11007.260407.1.3.045040) seria passível de compensação por se tratar de um recolhimento indevido e suficiente para compensar o débito indicado de CSLL 1º Trim/2007, no valor de R$ 441,90. O DARF em questão já fora indicado na Dcomp Inicial de nº 28647.36719.260407.13.040570. Apreciando o recurso, a turma julgadora da DRJ a quo entendeu que "não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação", não reconhecendo o direito creditório. A decisão em questão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário:2007 Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.903369/201043 Acórdão n.º 1803002.624 S1TE03 Fl. 1.077 4 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 26/4/2013 (fls. 165), a interessada apresentou o presente recurso em 23/5/2013 (fls. 177 e seguintes), tempestivamente, portanto. Assevera, em síntese, que, ante a afirmação do acórdão recorrido de que para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a existência do pagamento indevido ou a maior, anexou ao presente recurso os "documentos digitalizados que comprovam a existência do crédito", juntando os seguintes documentos relativos ao 4º Trimestre de 2006: livro diário, movimentação contábil, livro de apuração do ICMS, livro registro de entradas e livro registro de saídas. E conclui, requerendo seja acolhido o recurso, "cancelandose o débito fiscal reclamado". É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Diefenthaeler, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. A recorrente pretende ver homologada compensação em que utilizou crédito de CSLL Resultado Ajustado Apuração Trimestral (código de receita 6012) relativo ao 4º trimestre de 2006, que alega ter recolhido com erro, a maior. Refere que o valor devido e Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.903369/201043 Acórdão n.º 1803002.624 S1TE03 Fl. 1.078 5 correto é R$ 1.185,84, tendo, no entanto, recolhido R$ 1.858,17. Indicou débito a compensar no valor de R$ 736,47 de CSLL referente ao 1º Trimestre de 2007. A decisão a quo assinala que "o crédito que a interessada alega possuir seria decorrente de apuração de valor devido a menor, em data posterior à época da entrega das declarações originais" e que "neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", fazendo referência ao fato de a manifestação de inconformidade ter sido instruída com "cópias de páginas dos livros contábeis Diário e Razão". Ocorre, no entanto, que se, como alegado, houve efetivamente erro de apuração da CSLL devida, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor em DCTF, não se podendo alegar a preclusão do direito, sob pena de ofensa aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa e até mesmo da legalidade. Com efeito, não obstante o próprio caráter de confissão da declaração, a exatidão dos valores envolvidos e os erros de fato caracterizados na declaração poderão ser objeto de verificação na fase de julgamento, seja em homenagem ao princípio da verdade material, seja para preservação da própria legalidade na cobrança de tributos, evitando cobrar débito indevido, ou, ao contrário, reconhecer como crédito valor devido de tributo. De outra banda, se a norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, não o faz para a DIPJ ou DCTF. Vale ressaltar, aliás, que, a teor do art. 9º, § 1º, da IN RFB nº 974, de 2009, vigente à época da retificação da DCTF (a retificadora foi entregue em 06/10/2010, fls. 54), a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Isso posto, verificase que a recorrente instruiu sua manifestação de inconformidade com a cópia das DCTFs Original e Retificadora, da DIPJ Retificadora, dos livros diário e razão e dos DARFs. Já em sede de recurso voluntário, em vista da fundamentação da turma julgadora a quo de que a prova contábil apresentada era insuficiente para comprovar que a CSLL do 4º Trimestre de 2006 foi efetivamente paga a maior do que efetivamente apurado, a contribuinte juntou o livro diário, a movimentação contábil, o livro de apuração do ICMS, o livro registro de entradas e o livro registro de saídas, asseverando que bem comprovam o alegado. É dizer, há indícios de efetividade do crédito reclamado. Pelo exposto, voto por converter o julgamento na realização de diligência, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, para que a autoridade preparadora da unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a recorrente verifique a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/Dcomp. E, assim, examine as informações fornecidas pela recorrente, bem como os registros internos da RFB, tais como Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e os pagamentos efetuados, aferindo o valor correto da base de cálculo e tributo apurado CSLL Lucro Ajustado Trimestral referente ao 4º trimestre de 2006. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.903369/201043 Acórdão n.º 1803002.624 S1TE03 Fl. 1.079 6 A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, devendo a recorrente ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências, bem como do Relatório Fiscal, para que, desejando, se manifeste a respeito, assegurandose o direito ao contraditório e à ampla defesa. [assinado digitalmente] Ricardo Diefenthaeler Relator Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.903369/201043 Acórdão n.º 1803002.624 S1TE03 Fl. 1.080 7 Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado Constou do Voto Vencido o seguinte: Em sede de manifestação de inconformidade, alegou a ora recorrente que, por um equívoco, foi inicialmente declarado na DCTF ORIGINAL o débito do CSLL – 4º Trim/2006, no valor de R$ 1.858,17. O valor correto, no entanto, é de R$ 1.185,84, conforme constam os valores registrados no Livro Contábil Diário na página 240 e Livro Contábil Razão na página 411, bem como nas DIPJ Original e Retificadora. Consultando as páginas indicadas pela Recorrente (fls. 123 e 124 do processo, respectivamente), convencime da existência do alegado erro, uma vez que tal valor (R$ 1.185,84), além de constar da contabilidade da Recorrente, também foi devidamente indicado em sua DIPJ retificadora (fls. 106), entregue antes do correspondente despacho decisório de não homologação. Dou provimento parcial ao Recurso, para que o Órgão local prossiga na análise do direito creditório pleiteado, abstraindose do comprovado erro de preenchimento da DCTF. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13748.720328/2011-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. CONTRIBUINTES DOMICILIADOS NA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria.
Numero da decisão: 1802-002.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausente justificadamente o Conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausente justificadamente o Conselheiro Marciel Eder Costa.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. CONTRIBUINTES DOMICILIADOS NA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausente justificadamente o Conselheiro Marciel Eder Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 03 28 /2 01 1- 15 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 22/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13748.720328/201115 Acórdão n.º 1802002.319 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Da Notificação do Lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento por meio da qual é exigida da interessada a multa por atraso na entrega da sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, correspondente ao mês de março de 2011, no valor de R$ 500,00 (multa mínima). A autoridade fiscal alega que o prazo final da entrega era 20/5/2011 e o interessado fez a entrega em 24/5/2011. Da Impugnação Cientificada da notificação de forma eletrônica quando da transmissãoda DCTF, a interessada apresentou impugnação tempestiva, na qual alegou, em síntese, ser sediada no município de Petrópolis – RJ, e ter entregue a Declaração tempestivamente, com base na Instrução Normativa nº 1.122, de 18 de janeiro de 2011. Do Acórdão da DRJ A 5ª Turma da DRJ/RJ1 proferiu Acórdão 12042.300, NEGANDO PROVIMENTO À IMPUGNAÇÃO e MANTENDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF do mês de março de 2011, no valor de R$ 500,00. Do Recurso Voluntário Inconformada, a interessada apresentou Recurso Voluntário reiterando, em síntese, os argumentos anteriormente invocados na impugnação. É o Relatório. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 22/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13748.720328/201115 Acórdão n.º 1802002.319 S1TE02 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 8/2/2012 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 27/2/2012. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento Do Mérito A Portaria MF nº 23, de 18/1/2011, prorrogou o prazo de pagamento de tributos federais, no âmbito da Receita Federal do Brasil – RFB, dos contribuintes domiciliados na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, na situação em que os vencimentos dos tributos estivessem previstos para o período de 11 de janeiro a 31 de março de 2011. Também suspendeu os atos processuais com termo inicial em 11 de janeiro de 2011, até o dia 31 de julho de 2011. A IN RFB nº 1.122, de 18/1/2011, prorrogou para 31 de julho de 2011, os prazos antes previstos para janeiro a março de 2011, das entregas das declarações à RFB, dos contribuintes domiciliados na região serrana do Estado do Rio de Janeiro. Segue artigo 1º da IN: Art. 1º Ficam prorrogados até o dia 31 de julho de 2011, os prazos antes previstos para os meses de janeiro, fevereiro e março de 2011, relativos a declarações concernentes aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para os sujeitos passivos domiciliados nos seguintes municípios do Estado do Rio de Janeiro: Areal, Bom Jardim, Nova Friburgo,Petrópolis, São José do Vale do Rio Preto, Sumidouro e Teresópolis. (grifo nosso). Já o Ato Declaratório Executivo RFB nº 10, de 10/8/2011, cancelou as intimações lavradas em 30/6/2011, quando não respeitadas as disposições da IN RFB nº 1.122/2011. É meu entendimento que a IN RFB nº 1.222/2011 não alterou o prazo previsto para entregas de declarações que venciam em 20/5/2011, mas sim para aqueles prazos previstos originalmente para janeiro a março de 2011. Em consequência, não se aplica ao caso presente o Ato Declaratório Executivo RFB nº 10/2011. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 22/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13748.720328/201115 Acórdão n.º 1802002.319 S1TE02 Fl. 5 4 Conclusão Face todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO e MANTER O CRÉDITO TRIBUTÁRIO de multa por atraso na entrega da Declaração deDébitos e Créditos Tributários Federais – DCTF do mês de março de 2011, no valor de R$500,00. É o meu VOTO. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira . . Fl. 48DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 22/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13709.001864/99-18
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 30/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador quando protocolizado anteriormente a 9 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS - com repercussão geral. Art. 62-A do RICARF-ANEXO II.
Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional provido parcialmente.
Numero da decisão: 9900-000.858
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 23/12/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado, substitindo o conselheiro Marcelo Oliveira, Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituindo o C. Vice-Presidente da CSRF).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 30/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador quando protocolizado anteriormente a 9 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS - com repercussão geral. Art. 62-A do RICARF-ANEXO II. Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional provido parcialmente.
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. EDITADO EM: 23/12/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado, substitindo o conselheiro Marcelo Oliveira, Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituindo o C. Vice-Presidente da CSRF).
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador quando protocolizado anteriormente a 9 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS com repercussão geral. Art. 62A do RICARFANEXO II. Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional provido parcialmente. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 23/12/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 18 64 /9 9- 18 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado, substitindo o conselheiro Marcelo Oliveira, Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (VicePresidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituindo o C. VicePresidente da CSRF). Relatório Tratase de pedido de restituição de créditos no valor de R$ 5.840,35, : em 01/12/99 (fl, 01), resultante de créditos decorrentes da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, da majoração da alíquota de Finsocial, no julgamento do RE 150.764/PE, publicado no DJU de 02/04/93 e com trânsito em julgado em 04/05/93. O pleito formulado pela contribuinte junto à ARF/RMSRJ, conforme carimbo da repartição preparadora, referese a recolhimentos indevidos relacionados ao período de setembro de 1989 a março de 1992, conforme planilha (fls. 02/03) e DARFs (fls. 46/56). O Despacho Decisório DERAT/DIORTRJ (fl. 68), deixou de reconhecer o crédito tributário de Finsocial sob o argumento de haver decaído o direito ao pleito, com base nos fundamentos do AD/SRF n° 96/99 (arts. 1651 e 1681, CTN). A contribuinte alegou inexistir decadência na pretensão do seu direito, em face da tese dos 10 anos para a realização de sua pretensão, uma vez que as leis que majoraram a alíquota do Finsocial foram declaradas inconstitucionais pelo STF, escudandose nos arts. 150, §§ 1° e 4º, c/c o 156VII, todos do CTN. No presente caso, o pedido de restituição ocorreu em 1º/12/99. A DRJ/RJOII proferiu acórdão indeferindo a solicitação trazida na manifestação de inconformidade. Tendo o contribuinte apresentado recurso voluntário, a 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes proferiu decisão na qual considerou que nas restituições de valores recolhidos para o Finsocial mediante o uso de alíquotas superiores a 0,5%, o dies a quo para Fl. 262DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13709.001864/9918 Acórdão n.º 9900000.858 CSRFPL Fl. 132 3 aferição da decadência é 31 de agosto de 1995, data da publicação da Medida Provisória 1.110, de 30 de agosto de 1995. Inconformada, a Procuradoria interpôs recurso especial de divergência, o qual, submetido à apreciação da CSRF, resultou no Acórdão CSRF/0305.826 (fls. 174177), que foi ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS ou CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante à inexistência de ato específico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, expirando em 31 /08/00. O pedido de restituição da contribuinte foi formulado em 01/12/99. Recurso Especial do Procurador Negado. Irresignada, a Fazenda Nacional apresentou recurso extraordinário, no qual insurgese contra a decisão da Turma da CSRF, defendendo a tese de que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido pago espontaneamente perece com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, sendo, para esse fim, irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Traz à divergência o Acórdão CSRF/0400.810. O recurso foi admitido pelo Presidente do CARF. Cientificado do recurso, o sujeito passivo manifestouse no sentido de que a empresa encontrase em processo de dissolução, entre outras razões, por motivo de falecimento de sócio e que não teria como trazer novos argumentos em sua defesa, apenas confiando na decisão resultante do julgamento deste recurso extraordinário. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 263DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 Conselheiro MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO O recurso extraordinário preecnhe os requisaitos e dele conhecço. A matéria posta à apreciação pelo Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, cingese aos marcos temporais para contagem do prazo prescricional para o pedido de restituição de indébito de Finsocial. A decisão recorrida é no sentido de que o marco inicial do. prazo decadencial para os pedidos de restituição referente à aplicxação de alíquotas superiores a 0,5%, é 31 de agosto de 1995, data da publicação da Medida Provisória 1.110, de 30 de agosto de 1995. A PGFN sustenta que a tese de que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido pago espontaneamente perece com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, sendo, para esse fim, irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro Ocorre que a intepretação das normas relativas à prescrição para repetição de indébito tributário, como o presente caso, foi alterada, especialmente com a superveninência da LC 118/05, do que resultou em decisão do STF, com repercussão geral, portanto de seguimento obrigatório pelo CARF (Art. 62A do RICARF Anexo II). Assim, para efeito de fixar o prazo de prescrição para a repetição de indébito para o caso em questão, devese aplicar o que consta do RE 566.621/RS (Relatora: Ministra Ellen Gracie, decidido em 04/08/2010), cuja ementa transcrevo abaixo: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente Fl. 264DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13709.001864/9918 Acórdão n.º 9900000.858 CSRFPL Fl. 133 5 às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Defluise do julgado que o prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador quando protocolizado anteriormente a 9 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS com repercussão geral. Art. 62A do RICARFANEXO II. Desta forma, considerando que a data do protocolo do pedido é 1o de dezembro de 1999 (fl. 04), portanto anterior a 9 de junho de 2005, devese obedecer ao prazo de 10 anos contados do fato gerador. No caso, estão atingidos pela dacadência os fatos geradores do Finsocial anteriores a dezembro de 1989. Como o período pleiteado referese a recolhimentos indevidos ocorridos no período de setembro de 1989 a março de 1992, estão decaídos os pedidos de restituição decorrentes dos indébitos referentes a fatos geradores anteriores ao mês de novembro de 1989 (inclusive), considerando que o Finsocial era de apuração mensal (assim, conforme planilha de fls. 6 e 7, os meses em que os fatos geradores estão prescritos são set., out. e nov. de 1989). Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, declarando prescrito o direito à restituição dos indébitos referentes aos fatos geradores anteriores ao mês de novembro de 1989 (inclusive), devendo oas autos retornarem à DRF de origem para verificação do crédito, conforme restou decidido. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Fl. 265DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 10580.010812/2006-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA DE ORIGEM INCOMPROVADA.
Caracterizam receitas omitidas os valores creditados em conta bancária em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 1103-001.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso por maioria, vencido o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos, que deu provimento parcial para afastar o agravamento da multa de ofício.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA DE ORIGEM INCOMPROVADA. Caracterizam receitas omitidas os valores creditados em conta bancária em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso por maioria, vencido o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos, que deu provimento parcial para afastar o agravamento da multa de ofício. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 08 12 /2 00 6- 37 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.010812/200637 Acórdão n.º 1103001.111 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1517.859/2008 (fls. 456)1, da 1ª Turma da DRJ/SalvadorBA. Os fatos motivadores do lançamento estão assim descritos no relatório da decisão contestada: "De acordo com o Auto de Infração do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (docs. de fls. nºs. 07 a 14 e 97 a 99), o crédito tributário ali lançado foi constituído pelo regime de lucro arbitrado, tendo em vista que a contribuinte notificada a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e Termo de Intimação em anexo, não os teria apresentado, tendo como enquadramento legal o artigo 530, inciso III, do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), observandose que ali foi apontado: a) Omissão de Receitas pela ocorrência de 'Depósitos Bancários de Origem não Comprovada', no decorrer do anocalendário de 2003, sendo R$ 1.943.926,42, no 1° Trimestre; R$ 2.108.451,57, no 2° Trimestre; R$ 2.448.523,94, no 3° Trimestre; e R$ 2.811.499,19, no Quarto Trimestre, totalizando R$ 9.312.401,12 de valores tributáveis, que estaria caracterizada pela falta de comprovação da origem dos valores creditado/depositados em suas contas correntes mantidas nas seguintes instituições financeiras: Banco Safra S/A, agência 15800 (Iguatemi), c/c n° 400.0551; e Banco Bradesco S/A, agência 2425, c/c n° 1546, tendo como enquadramento legal os artigos 27, inciso I e 42, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e os artigos 532 e 537, do Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 29 de março de 1999 (RIR/1999); b) 'Receitas Operacionais (Atividade não Imobiliária) – Revenda de Mercadorias', objeto de tributação pela sistemática de Lucro Arbitrado das receitas declaradas pela Contribuinte em sua 'Declaração Anual Simplificada – PSJI 2004 – Simples (cópia anexa)', no decorrer do anocalendário de 2003, no 222.481,22, tendo como enquadramento legal o artigo 532, do RIR, de 1999; c) a falta de atendimento pela Contribuinte a diversos termos de intimação emitidos pelo AuditorFiscal autuante no decorrer do procedimento de fiscalização, sendo, por isso, aplicada a multa de oficio agravada de 112,50% (cento e doze inteiros e cinqüenta centésimos por cento), tendo como enquadramento legal o artigo 44, inciso I, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996. 3. Em decorrência dos mesmos fatos e dos mesmos elementos de prova, foi apontada a falta de recolhimento da CSLL, da Contribuição para o PIS e da Cofins, resultando na lavratura dos respectivos autos de infrações, observandose que os enquadramentos legais e as descrições dos fatos constam nos respectivos Autos (docs. de fls. nºs 100 a 125). 4. Ciente das autuações em 13/12/2006, no dia 12/01/2007, a Interessada apresenta petição na repartição competente, onde, citando doutrina e jurisprudência, impugna os referidos lançamentos, alegando, em síntese, que (fls. nºs 291 a 298): ..." O órgão de primeira instância julgou procedente o lançamento, por unanimidade, conforme decisão resumida nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". Fl. 510DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.010812/200637 Acórdão n.º 1103001.111 S1C1T3 Fl. 4 3 Anocalendário: 2003 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configurase omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. Na falta de apresentação da escrituração à autoridade fiscal, é cabível o arbitramento dos lucros cuja base de cálculo é o valor das receitas omitidas juntamente com as receitas declaradas. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. INTIMAÇÃO. Cabível o agravamento da multa de oficio quando o contribuinte, regular e reiteradamente intimado, não responde as intimações. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS. IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, "mutatis mutantis", devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição para o Contribuição para o PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e a Cofins, em razão da relação de causa e efeito." Cientificada da decisão por via postal em 14/01/2009 (fls. 475 e 508), a contribuinte interpôs o recurso no dia 12 do mês seguinte (fls. 476), requerendo: "a) preliminarmente, seja declarada a nulidade do Auto de Infração impugnado, em face da fundamentação genérica do Auto de Infração e da quebra de sigilo, condutas essas cerceadoras do direito de defesa da ora Recorrente; ou b) no mérito, ante as razões acima apontadas, e caso ultrapassada a preliminar acima apontada, julgar o presente Auto de Infração totalmente improcedente, declarando, ademais, que os tributos lançados são indevidos, ou, na pior das hipóteses, sejam retirados a multa e juros aplicados (ou sejam reduzidos), solução que se impõe, não apenas de Direito, mas, e sobretudo, também de JUSTIÇA." É o relatório. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.010812/200637 Acórdão n.º 1103001.111 S1C1T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso foi tempestivamente apresentado por parte legítima e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme relatado, a contribuinte suscitou preliminar de nulidade do lançamento por fundamentação genérica do auto de infração e quebra de sigilo. A preliminar deve ser rejeitada. O exame do processo revela a existência de detalhada descrição dos fatos e de enquadramento legal das infrações indicadas nos autos de infração e no TVF – termo de verificação fiscal (fls. 14). A obtenção junto aos bancos da movimentação financeira da contribuinte observou os ditames legais especificados na Lei Complementar 105/2001 e no Decreto 3.724/2001, expedindose as correspondentes RMF – requisições de informações sobre movimentação financeira (fls. 147 e 149). Questionamentos acerca da constitucionalidade de atos legais não podem ser enfrentados na esfera administrativa, segundo dispõe a Súmula Carf nº 2, com o seguinte enunciado: "O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A receita omitida foi apurada com base na presunção legal contida no art. 42 da Lei 9.430/1996, que assim dispõe no seu caput: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." A documentação constante dos autos prova o cumprimento do requisito de intimação do contribuinte para comprovação da origem dos créditos nas suas contas correntes mantidas nos bancos Bradesco e Safra (fls. 171 e 205). Contudo, apesar de regularmente intimada, a contribuinte não apresentou a documentação necessária, restando a autoridade fiscal autorizada a aplicar a presunção de omissão de receitas prevista no dispositivo legal acima transcrito. O entendimento da autoridade fiscal está em perfeita harmonia com a pacífica jurisprudência administrativa, adiante exemplificada: Fl. 512DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.010812/200637 Acórdão n.º 1103001.111 S1C1T3 Fl. 6 5 “OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Os valores creditados em conta bancária cuja origem não foi comprovada devem ser tributados como omissão de receitas da pessoa jurídica. (Ac. 10322.640/2006) OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA DE ORIGEM INCOMPROVADA. Caracterizam receitas omitidas os valores creditados em conta bancária em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. (Ac. 110300.487/2011) OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. LANÇAMENTO EM DEPÓSITO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. O lançamento por presunção de omissão de receitas com base em depósito bancário de origem não comprovada somente tem lugar a partir do ano calendário de 1997, por força do disposto no art. 42, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Ac. CSRF/0105.312/2005) DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizam omissão de rendimentos, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. (Ac. CSRF/0400.452/2006)” A multa por lançamento de ofício e os juros de mora foram aplicados conforme legislação própria devidamente indicada nos autos de infração, inexistindo qualquer previsão legal para a exclusão ou a redução requeridas pela recorrente. No tocante ao agravamento da multa, tratase de matéria preclusa por falta de contestação por ocasião da impugnação, como bem observado no item 34 da decisão recorrida (fls. 469): "Conforme relatado, constatase que tal matéria não foi expressamente contestada pela Impugnante, aliás, sequer abordada, caracterizandose, assim, em matéria não impugnada conforme previsto no artigo 17, do Decreto n° 70.235, de 1972." Quanto à tributação reflexa, a decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, conforme entendimento amplamente consolidado na jurisprudência deste colegiado, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 513DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.010812/200637 Acórdão n.º 1103001.111 S1C1T3 Fl. 7 6 Fl. 514DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13116.720259/2013-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa na qual esteja escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária.
BASE DE CÁLCULO. FISCO ESTADUAL.
Na falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais de escrituração obrigatória, é lícito o lançamento que tomou por base os valores informados pelo próprio contribuinte ao Fisco estadual.
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO OU APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES ZERADAS. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO.
A conduta do contribuinte, consistente em apresentação de Declarações zeradas à administração tributária federal, quando provado que auferiu receitas, tanto que as declarou corretamente ao fisco estadual, subsume-se perfeitamente à figura da sonegação fiscal (impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador), justificando a qualificação da penalidade.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
Mantém-se o agravamento da multa de ofício nos casos em que o sujeito passivo não atende as intimações fiscais para prestar esclarecimentos e documentos.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
REGIME CUMULATIVO. Estão sujeitas à incidência cumulativa da Cofins as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
REGIME CUMULATIVO. Estão sujeitas à incidência cumulativa do PIS as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado.
Recurso voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernanda Carvalho Alvares, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Recorrida 4ª Turma da DRJ/BHE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa na qual esteja escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. BASE DE CÁLCULO. FISCO ESTADUAL. Na falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais de escrituração obrigatória, é lícito o lançamento que tomou por base os valores informados pelo próprio contribuinte ao Fisco estadual. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO OU APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES ZERADAS. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A conduta do contribuinte, consistente em apresentação de Declarações “zeradas” à administração tributária federal, quando provado que auferiu receitas, tanto que as declarou corretamente ao fisco estadual, subsumese perfeitamente à figura da sonegação fiscal (impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador), justificando a qualificação da penalidade. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Mantémse o agravamento da multa de ofício nos casos em que o sujeito passivo não atende as intimações fiscais para prestar esclarecimentos e documentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 02 59 /2 01 3- 48 Fl. 684DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.720259/201348 Acórdão n.º 1402001.898 S1C4T2 Fl. 3 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS REGIME CUMULATIVO. Estão sujeitas à incidência cumulativa da Cofins as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME CUMULATIVO. Estão sujeitas à incidência cumulativa do PIS as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado. Recurso voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernanda Carvalho Alvares, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.720259/201348 Acórdão n.º 1402001.898 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls.3/43), cumulados com juros e multa de ofício qualificada e agravada (225%), referentes ao anocalendário de 2009, apurados sob as regras do lucro arbitrado e lavrados em razão (i) da falta de apresentação de livros e documentos de sua escrituração; e (ii) da suposta omissão de receitas da atividade, decorrente da venda de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros (revenda de mercadorias). Em síntese, contanos o Termo de Verificação Fiscal (fls. 45/51) que, através das informações obtidas junto à Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás SEFAZ/GO, restou constatado que a autuada efetuou vendas no montante de R$ 17.717.460,32. No entanto, a Contribuinte transmitiu a DIPJ/2010 (AC 2009) e as DACON’s de 01/2009 a 12/2009 zeradas (fls. 173/226 e 229/540), bem como deixou de entregar as DCTF’s de janeiro a dezembro/2009 (fls. 227). Assim, por meio de termos lavrados em 21/05/2012, 21/06/2012 e 14/11/2012 (fls. 55/57, 61/64 e 116/117), a Contribuinte foi intimada a esclarecer as razões das divergências apuradas entre as informações declaradas à RFB e as obtidas junto à SEFAZ/GO, relativas às saídas dos estabelecimentos da empresa no montante de R$ 17.717.460,32, bem como apresentar livros e documentos fiscais. Diante das condutas praticas e da omissão da Contribuinte no atendimento aos termos de intimação lavrados, procedeuse (i) ao arbitramento de seu lucro, com base na receita bruta declarada à SEFAZ/GO; (ii) à qualificação e ao agravamento da multa de ofício. A sócia administradora da empresa, Rozy Gonzaga Victor (CPF 795.080.65168), foi responsabilizada solidariamente pelo crédito tributário lançado, com fulcro no art. 135, inc. III do CTN, consoante Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 52/54). Cientificada dos lançamentos em 18/02/2013 (fls. 556/557), a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 567/586), repetida às fls. 603/622, onde expõe suas razões de irresignação, a seguir resumidas: 1) A ausência de documentos fiscais não impede a apuração do crédito tributário por outros meios, que demonstrem com maior fidedignidade o valor, que não pelo seu mero arbitramento. 2) Caso assim não se proceda, o fisco engendra, como bem aponta o Superior Tribunal de Justiça, em pauta fiscal, o que é vedado pela legislação. 3) O arbitramento não se coaduna com a forma de apuração da base de cálculo do imposto de renda escolhida pela contribuinte, que é o Lucro Real, não bastando o mero faturamento para se aferir a existência de lucro real, sendo necessário um cotejo de despesas, receitas, devidamente ajustadas, para se aferir se houve lucro ou prejuízo, para o Fl. 686DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.720259/201348 Acórdão n.º 1402001.898 S1C4T2 Fl. 5 4 imposto de renda, ou se houve base positiva, ou negativa, para a contribuição social sobre o lucro. 4) No tocante ao PIS e à COFINS, tal fato ganha ainda maior relevo, haja vista a necessidade de se fazer cotejo com os créditos apurados e controlados no DACON, pois, ainda que se considere a base imponível o faturamento, o optante do lucro real, em fase antecedente, tem o direito legal (arts 3º, das Lei 10.637/02 e 10.833/03) de abater do valor das receitas auferidas o montante de créditos que lhe possibilitem reduzir a base de cálculo. 5) O arbitramento é forma excepcionalíssima, somente possível após a instauração do devido processo legal, e a regra é que se apurem os valores pelos documentos ofertados pelo contribuinte. 6) A dupla majoração da multa de ofício de 75% pela qualificação e pelo agravamento carecem de respaldo jurídico à luz da jurisprudência do CARF. Além disso, a majoração e a qualificação se lastrearam em uma única e mesma justificativa: a relutância do contribuinte em entregar documentos fiscais, o que não se confunde com fraude. 7) O que caracteriza a fraude fiscal é o dolo, cuja definição é dada pelo direito penal: caracterizase pela prática de uma ação ou omissão intencionalmente criminosa, tendente a impedir a ocorrência do fato gerador, como se observa na falsificação de documento, na emissão de nota fiscal espelhada ou calçada, na adulteração de documentos contábeis, na venda de mercadorias sem documentação fiscal, no lançamento nos livros fiscais de documento inidôneo ou falso, dentre outras. 8) A acusação que lhe é feita é a de omitir dados da movimentação financeira, que pode ser aferida mediante programa da Receita Federal. 9) No tocante ao agravamento, há notório bis in idem, que não encontra respaldo na jurisprudência do CARF. Conforme fls. 558/562, a intimação da responsável solidária se fez por intermédio de edital afixado em 22/02/2013. No entanto, os lançamentos não foram impugnados pela responsável solidária. Analisando o caso, os membros da 4ª Turma da DRJ/BHE, por maioria de votos, julgaram improcedente a impugnação apresentada, mantendo integralmente o crédito tributário (fls. 637/646). Restou vencido o julgador Antonio Chaves Barreto quanto à qualificação da multa de ofício. O aresto restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, tributado com base no lucro real ou presumido, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. BASE DE CÁLCULO FISCO ESTADUAL. Na falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais de escrituração Fl. 687DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.720259/201348 Acórdão n.º 1402001.898 S1C4T2 Fl. 6 5 obrigatória, é lícito o lançamento que tomou por base os valores informados pelo próprio contribuinte ao Fisco estadual. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA. A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, sujeitandose ainda o autuado ao agravamento da exigência para 225% nos casos em que deixar de atender a intimações expedidas pela autoridade fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 REGIME CUMULATIVO. Estão sujeitas à incidência cumulativa da Cofins as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 REGIME CUMULATIVO. Estão sujeitas à incidência cumulativa do PIS as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 652/673), repisando os argumentos de sua peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Arbitramento O recurso voluntário da Contribuinte não inova as razões de defesa, senão, como visto, repisa os argumentos de sua peça impugnatória. No entanto, a decisão recorrida não merece reforma. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.720259/201348 Acórdão n.º 1402001.898 S1C4T2 Fl. 7 6 Conforme consignou o julgador a quo, ao contrário do que alega a Recorrente, na hipótese evidenciada nos autos – falta de apresentação à autoridade fiscal dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal do sujeito passivo –, a legislação de regência determina a tributação com base no lucro arbitrado, o que foi corretamente feito pelo autuante. É o que estabelece o inc. III do artigo 530 do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): ... III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527. De se notar que, a Recorrente teve três oportunidades, separadas por lapso de aproximadamente cinco meses, de apresentar sua escrituração contábil, bem como seu Livro de Apuração do Lucro Real, o que não logrou fazer, nem mesmo na impugnação ou no recurso voluntário. Diante da total desídia da Recorrente, não restou alternativa à Autoridade Fiscal senão determinar a base do cálculo do IRPJ e da CSLL com base nos critérios do arbitramento, diante da absoluta falta de meios de apuração do lucro real e em perfeita obediência ao disposto na legislação tributária. No mais, descabidas as alegações de que teria havido presunção de renda, ou ainda de que teria sido adotada “pauta fiscal”, uma vez que o arbitramento teve por fundamento as receitas declaradas pela própria Recorrente ao Fisco estadual, além de ter observado percentuais de arbitramento fixados em lei. A receita omitida apurada também serviu de base para a determinação do PIS e da COFINS. E, tratandose de pessoa jurídica tributada com base no lucro arbitrado, a apuração das contribuições deve se dar segundo o regime cumulativo, nos termos da legislação específica dessas contribuições. Com efeito, estão perfeitamente caracterizados os pressupostos que autorizam o arbitramento do lucro e corretos os critérios adotados para sua determinação. Multa qualificada A Lei nº. 9.430/96 determina a qualificação da multa proporcional de ofício, majorandoa de 75% para 150%, nas hipóteses em que a conduta evasiva do contribuinte tenha sido imbuída de sonegação e/ou fraude, remetendo às configurações hipotéticas de ambas as figuras definidas na Lei nº 4.502/64. Os respectivos textos são os seguintes: Lei nº 9.430/96 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.720259/201348 Acórdão n.º 1402001.898 S1C4T2 Fl. 8 7 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Lei nº 4.502/64 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como se percebe, o conluio não chega a ser uma terceira hipótese qualificadora autônoma. Para sua configuração como qualificadora, é necessário, portanto, que haja sonegação e/ou fraude orquestradas por meio de ajuste doloso entre duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas). Destarte, a qualificação da multa proporcional de ofício deve ser feita apenas quando a autoridade fiscal identificar e comprovar a ocorrência de sonegação e/ou fraude. E apenas pode ser considerado sonegação ou fraude, para essa finalidade, aquilo que esteja conforme o preceito estabelecido pelos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Assim, para fins de qualificação da multa proporcional de ofício, analisando se as características textuais das definições empreendidas pelos artigos 71 e 72, temos que a sonegação e a fraude são condutas (ação ou omissão) dolosas. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.720259/201348 Acórdão n.º 1402001.898 S1C4T2 Fl. 9 8 Com isso, para qualificar a multa proporcional de ofício, a autoridade fiscal deve identificar e comprovar a ocorrência da conduta dolosa do sujeito passivo, ou seja, o ânimo do agente de prejudicar ou fraudar, a conduta (ação ou omissão) intencional perniciosa. Noutra palavras, exigese convicção, por meio de um conjunto probatório suficiente, de que o sujeito passivo agiu de máfé e cometeu a conduta dolosa de sonegação e/ou fraude. Vale notar, que a necessidade de prova cabal do cometimento do ilícito fiscal que envolva sonegação e/ou fraude, como condição para a qualificação da multa de ofício, tem sido reconhecida pela jurisprudência mais atual deste Conselho. No caso presente, a fiscalização justifica a qualificação da multa de ofício em razão (i) da entrega da DIPJ/2010 e DACON’s de 01/2009 a 12/2009 zeradas; e (ii) da omissão na entrega das DCTF’s 01/2009 a 12/2009, condutas, no seu entender, tipificadas no artigo 71 da Lei nº 4.502, de 1964 (sonegação). Ora, a conduta do contribuinte, consistente em apresentação de Declarações “zeradas” à administração tributária federal, quando provado que auferiu receitas, tanto que as declarou corretamente ao fisco estadual, subsumese perfeitamente à figura da sonegação fiscal (impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador), justificando a qualificação da penalidade. Dessa forma, deve ser mantida a multa de ofício qualificada de 150%. Multa agravada A total desídia da Recorrente no trato das intimações fiscais autoriza o agravamento da multa de ofício lançada, em estrita consonância com a legislação de regência. Logo, deve ser mantido o agravamento da multa. Conclusão Posto isso, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para (i) manter o arbitramento do lucro e os créditos tributários lançados; e (ii) manter a qualificação e o agravamento da multa de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 691DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 16682.720343/2013-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 30/11/2001 a 30/12/2001
IRRF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS SITUADOS NO BRASIL. SOCIEDADE ALIENANTE NO EXTERIOR. INTERPOSIÇÃO DE SOCIEDADES ESTRANGEIRAS.
É responsabilidade do adquirente, na condição de responsável tributário, a retenção e o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre o ganho de capital de residentes ou domiciliados no exterior na alienação de bens situados no Brasil. Devem ser desconsideradas as interposições de empresas no exterior, por meio de conduta planejada, para simular uma situação diferente da real alienação, sendo o ganho de capital apurado no momento em que a compra e venda foi definitivamente constituída.
MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA.
Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47).
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE SOCIEDADES ESTRANGEIRAS. NEGÓCIO. SIMULAÇÃO. APLICABILIDADE.
Aplica-se multa qualificada quando as partes, adquirente no Brasil e alienante no exterior, utilizam-se, de forma planejada, de operações estruturadas para simular uma situação diferente da real, para afastar a tributação do Ganho de Capital auferido pela sociedade estrangeira na alienação de empresa sediada no Brasil.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem os juros de mora.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-002.666
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento integral ao recurso, e German Alejandro San Martín Fernández, que deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício e excluir os juros de mora sobre ela incidentes. Fizeram sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP 83.755, e pela Fazenda Nacional a Dra. Lívia da Silva Queiroz.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 30/11/2001 a 30/12/2001 IRRF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS SITUADOS NO BRASIL. SOCIEDADE ALIENANTE NO EXTERIOR. INTERPOSIÇÃO DE SOCIEDADES ESTRANGEIRAS. É responsabilidade do adquirente, na condição de responsável tributário, a retenção e o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre o ganho de capital de residentes ou domiciliados no exterior na alienação de bens situados no Brasil. Devem ser desconsideradas as interposições de empresas no exterior, por meio de conduta planejada, para simular uma situação diferente da real alienação, sendo o ganho de capital apurado no momento em que a compra e venda foi definitivamente constituída. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47). MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE SOCIEDADES ESTRANGEIRAS. NEGÓCIO. SIMULAÇÃO. APLICABILIDADE. Aplicase multa qualificada quando as partes, adquirente no Brasil e alienante no exterior, utilizamse, de forma planejada, de operações estruturadas para simular uma situação diferente da real, para afastar a tributação do Ganho de Capital auferido pela sociedade estrangeira na alienação de empresa sediada no Brasil. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 03 43 /2 01 3- 25 Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem os juros de mora. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento integral ao recurso, e German Alejandro San Martín Fernández, que deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício e excluir os juros de mora sobre ela incidentes. Fizeram sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP 83.755, e pela Fazenda Nacional a Dra. Lívia da Silva Queiroz. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório No presente processo foi lavrado auto de infração (fls. 1.100 a 1.137) relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), Cód. 2932, no valor de R$ 270.544.449,88, com multa de ofício qualificada no percentual de 150%, sobre os quais incidem juros de mora. De acordo com a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 751) o lançamento foi decorrente da falta de recolhimento do IRRF devido pela empresa como responsável tributário, incidente sobre o Ganho de Capital auferido por sociedades domiciliadas no exterior na alienação de participações societárias relativas à sociedade domiciliada no Brasil – ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LIMITADA, tendo o fato gerador ocorrido em 25 de novembro de 2008. Conforme descrito no “Termo de Verificação Fiscal” (fl. 861) a sociedade teria operado uma reestruturação societária com simulação e ocorrência de ato ilícito por abuso de direito, mediante extrapolação dos limites do fim econômico, da função social e a boafé objetiva, bem como pela ocorrência de fraude à lei na utilização de operações estruturadas que isoladamente aparentavam licitude, mas no conjunto dos atos demonstravam outra realidade. A empresa, além da infração corrente, teria deduzido indevidamente despesas relativas à amortização de ágio constituído na aquisição de participação societária com a utilização de empresa veículo. Tal operação, sem qualquer propósito econômico, visava unicamente beneficiarse, de forma artificial, da previsão legal da dedutibilidade do ágio. E, como haveria evidente intuito de fraude, teria sido aplicada a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento). A este processo, entretanto, coube unicamente a apuração da infração relacionada à falta de recolhimento, na qualidade de responsável tributário, do IRRF incidente sobre ganho de capital auferido na alienação da participação societária. As outras infrações foram apuradas no processo nº 16682.721208/201216. A operação, segundo a fiscalização, consistiria na aquisição pelo Grupo COSAN das quotas DA ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LTDA., pertencentes às sociedades holandesas EXXONMOBIL INTERNATIONAL HOLDINGS B.V. e EXXONMOBIL BRAZIL HOLDINGS B.V. Porém, com o objetivo de fugir da incidência do imposto de renda retido na fonte (IRRF), na qualidade de responsável tributário, bem como para deduzir das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL as despesas com a amortização do ágio constituído na referida aquisição, teriam sido engendradas várias operações, envolvendo reestruturações societárias. Em ambos os casos, o planejamento tributário teria envolvido “a criação, utilização e extinção de empresas veículos [diferentes para cada uma das infrações], desprovidas de propósito negocial e criadas unicamente com vistas a promover economia tributária.” As operações foram organizadas em ordem cronológica no “Termo de Verificação Fiscal”, resumidos no quadro a seguir: Evento Data Operação 1° 19/03/2008 Constituição da sociedade COSANPAR PARTICIPAÇÕES LTDA. (COSANPAR), com a integralização do capital social no valor de R$ 1.000,00 pelas sociedades USINA DA Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 BARRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL (USINA) [99,90%] e AGRÍCOLA PONTE ALTA S/A (AGRÍCOLA) [0,10%]. 2º 23/04/2008 Contrato de Compra e Venda de participações em duas cooperativas ainda não criadas que deteriam 100% das ações da ESSO Brasileira de Petróleo, firmado entre EXXONMOBIL INTERNATIONAL HOLDINGS B.V. (EXXONMOBIL INTERNATIONAL) e EXXONMOBIL BRAZIL HOLDINGS B.V. (EXXONMOBIL BRAZIL) [subsidiária integral da anterior], na qualidade de Fornecedoras, e COSAN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO (COSAN) e USINA, na qualidade de compradoras. O contrato foi posteriormente alterado para a retirada da COSAN do negócio, ingressando em seu lugar a empresa veículo COSANPAR 3º 03/10/2008 Transferência de 458.848 quotas emitidas pela ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LTDA. (ESSO) da sua controladora anterior – EXXONMOBIL BRAZIL – para a EXXONMOBIL INTERNATIONAL (a primeira era subsidiária integral da segunda). Até então, a antiga controladora detinha 99,99% do capital social da investida. Na mesma data a EXXONMOBIL INTERNATIONAL e a EXXONMOBIL BRAZIL transferem suas quotas de participação na ESSO às recém criadas cooperativas holandesas – BRAZIL INTERNATIONAL HOLDINGS COOPERATIEF U.A. (BIH) e a BRAZIL HOLDINGS COOPERATIEF U.A. (BHC) – passando estas últimas a possuírem 482.998 [participação no capital social da ESSO equivalente a R$ 139.359.412,94] e 2 quotas [participação no capital social da ESSO de R$ 577,06], respectivamente. O capital social da ESSO passou a ser de R$ 139.359.990,00, dividido em 483.000 quotas no valor de R$ 288,53 cada uma, sendo 482.998 quotas [R$ 139.359.412,94], equivalentes a 99,99958% do total, subscritas e integralizadas pela BIH e 2 quotas [R$ 577,05], equivalentes a 0,00042% do total, subscritas e integralizadas pela BHC. 4º 06/10/2008 Transformação da COSANPAR PARTICIPAÇÕES LTDA. em Sociedade Anônima com aumento do capital social em R$ 557.378.790,00, integralizado pela COSAN. A AGRÍCOLA se retira do investimento da COSANPAR, e a sociedade passa a ser controlada pela COSAN, tendo como outro sócio minoritário a USINA. Ressaltase que as pessoas físicas Rubens Ometto Silveira Mello e Pedro Isamu Mizutani eram diretores/presidentes tanto das sócias/acionistas da COSANPAR PARTICIPAÇÕES S/A [USINA DA BARRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL e AGRÍCOLA PONTE ALTA S/A] quanto da COSAN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO 5º 13 e 14/10/2008 Registro dos CNPJ das "cooperativas sediadas na Holanda" [Empresas Veículos], 10 dias após a transferência das cotas para as cooperativas holandesas. 6º 07/11/2008 Deliberação dos acionistas da COSANPAR (a COSAN detinha 99,999% de suas ações), para aquisição das participações societárias representativas da totalidade do capital social de duas sociedades cooperativas sediadas na Holanda, as quais detinham os ativos de comercialização e distribuição de combustíveis da EXXONMOBIL no BRASIL (representados pela ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LIMITADA, cuja razão social foi posteriormente alterada para COSAN LUBRIFICANTES E ESPECIALIDADES S/A) no sentido de autorizar ordens de pagamento, a realização de remessas para o exterior, a título de disponibilidades ou outro título, bem como todos os atos e pagamentos correlatos, até o valor de US$ 989.000.000. Na mesma data, foi celebrado o contrato de alienação fiduciária das quotas da ESSO em favor dos titulares das notas promissórias de 1ª emissão da COSAN com aditamento no dia seguinte. O contrato foi celebrado entre a COSAN e a PENTÁGONO S/A DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. 7º 17/11/2008 Na escrituração da COSANPAR foram integralizados os valores de R$ 49.400.000,00 e R$ 1.100.000.000,00, sendo o primeiro valor em contrapartida a AFACEMPRESAS LIGADAS e o segundo a BANCO BRADESCO. Tal integralização foi realizada pela sua controladora – COSAN. 8º 25/11/2008 Alteração do contrato original firmado em 23/04/2008 entre EXXONMOBIL INTERNATIONAL e COSAN, de forma que a COSAN transformase em sociedade anônima e passa a denominarse COSAN COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES S.A (COSAN COMBUSTÍVEIS). 9º 1º/12/2008 Contratos de Transferência de Participação de uma Cooperativa e escritura, sendo: Em relação à BIH, a transferência da participação da EXXONMOBIL BRAZIL HOLDINGS BV e da EXONMOBIL INTERNATIONAL HOLDINGS BV, para, respectivamente, as cessionárias USINA AS BARRA S.A. AÇÚCAR E ÁLCOOL e a COSANPAR PARTICIPAÇÕES S.A. Em relação à BHC, a transferência da participação da EXXONMOBIL BRAZIL HOLDINGS BV e da EXONMOBIL INTERNATIONAL HOLDINGS BV, para, respectivamente, as cessionárias USINA AS BARRA S.A. AÇÚCAR E ÁLCOOL e a Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 4 5 COSANPAR PARTICIPAÇÕES S.A. 10º 04/12/2008 Ratificação da transferência de numerário realizada, em 04/12/2008, no valor de R$ 70.885.000,00 da conta da COSANPAR PARTICIPAÇÕES S/A para sua controladora COSAN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO. Autorização para transferências do valor individual por transferência de até R$ 250.000.000,00, nos próximos seis meses, igualmente da COSANPAR para sua controladora COSAN S/A. 11º 08/12/2008 Trigésima Sétima Alteração do Contrato Social da ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LIMITADA, na qual consta a resolução das suas únicas sócias são BIH e a BHC, de alienarem fiduciariamente a totalidade das quotas de emissão da ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LIMITADA, bem como os direitos dela decorrentes, em favor dos titulares das notas promissórias da 1ª emissão da COSAN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO. 12º 18/12/2008 Liquidação das cooperativas BIH e BHC. 13º 19/01/2009 Alteração de Contrato Social para a Transformação de Sociedade Limitada em Sociedade por Ações, permitindo que COSANPAR agora controlasse diretamente, e não mais indiretamente, a ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO. Nesse mesmo instrumento, a ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LTDA. transformase em sociedade anônima e passa a denominarse COSAN COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES S.A. 14º 23/06/2009 Deliberação sobre a incorporação da COSANPAR pela COSAN COMBUSTÍVEIS (antiga ESSO) – incorporação reversa, na qual a sociedade controlada COSAN COMBUSTÍVEIS incorporou sua controladora COSANPAR Na operação, foi transferido para COSAN COMBUSTÍVEIS (atualmente COSAN LUBRIFICANTES E ESPECIALIDADES, a Fiscalizada) o ágio em Investimentos, gerado originalmente em sua controladora COSANPAR, quando da aquisição, por esta, das participações societárias nas "cooperativas holandesas". O ágio transferido passou a ser deduzido do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido nos anos subsequentes. Cientificada pessoalmente por meio de seus procuradores, a requerente impugnou o lançamento, cujas razões de defesas foram assim resumidas no acórdão recorrido: 1) as operações mencionadas na autuação foram praticadas pelo Grupo Cosan em estrita consonância com o ordenamento jurídico vigente à época dos fatos e com o evidente propósito negocial, qual seja de aumentar seu portfólio de investimentos e seu potencial de competitividade por meio da entrada em um novo segmento econômico: o setor de combustíveis e lubrificantes; 2) que em 2008, o Grupo Cosan negociou e adquiriu ativos do Grupo Exxonmobil no exterior, o que resultou, posteriormente, no controle da Esso Brasileira de Petróleo, antiga denominação da impugnante, operação a qual não se sujeita a retenção do IR/Fonte; 3) que a aquisição indireta do controle acionário da autuada, por meio de criação de duas cooperativas holandesas, foi uma imposição do Grupo Exxonmobil para que o negócio fosse realizado, pois desejavam que o contrato fosse celebrado no exterior, regido pelas leis do Reino Unido, e que fosse eleita uma Câmara de arbitragem internacional para a solução de eventuais conflitos decorrentes da aquisição; 4) a opção pela criação das cooperativas holandesas BIH e BHC, teve como motivação a falta de interesse do Grupo Cosan adquirir uma empresa com mais de 10 anos de existência, o que implicaria em potenciais contingências das quais poderia ser responsabilizada por sucessão, bem como a ausência de grande burocracia para criação desse tipo de sociedade na Holanda, as quais possuíam uma tributação mais favorecida em relação às demais figuras societárias; 5) o tratamento fiscal atribuído as operações realizadas seria o mesmo caso tivesse sido realizada a venda direta das participações na sociedade holding holandesa Exxonmobil BR, razão pela qual não poderiam ser consideradas as cooperativas criadas como “empresas veículo” simuladas, conforme indevidamente afirmou a Fiscalização; Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 6) o propósito negocial da constituição das cooperativas BIH e BHC consistiu na desnecessidade de realização de trabalhos de diligência jurídica, financeira e contábil, caso fosse feita a aquisição das holdings Exxonmobil BR e Exxonmobil International, o que reduziu consideravelmente os custos do Grupo Cosan e a probabilidade de atrair para si potencial contingência fiscal e principalmente o fato de os vendedores terem imposto a estrutura do negócio por fazerem jus a benefícios societários e fiscais na Holanda com a criação de tais sociedades; 7) o curto período de existência das cooperativas teve como único intuito o de simplificar a estrutura societária do Grupo Cosan após a aquisição das cooperativas, no entanto tais sociedades efetivamente realizaram todos os registros contábeis exigidos pelas normas societárias e fiscais no breve período de suas existências; 8) as operações empreendidas foram efetuadas com absoluta transparência, no exercício de opção fiscal, não se tratando de planejamento tributário, o que afastaria a alegação de fraude à lei, simulação e abuso de direito; 9) a ausência de previsão legal para incidência do IR/Fonte para aquisição de bens localizados no exterior, no caso as participações societárias de sociedades estrangeiras, haja vista que o art. 26 da Lei nº 10.833/2003 determina a retenção no caso de alienação de bens localizados no Brasil; 10) o erro na apuração da matéria tributável, no tocante ao aspecto temporal do fato gerador, pois foi considerado na autuação como 25/11/2008 a data da ocorrência do fato gerador do IR/Fonte, sendo que nesta data havia sido realizada apenas a segunda transferência de valores referente à aquisição das participações societárias nas cooperativas holandesas da Cosanpar para a Exxonmobil Capital N.V., ao passo que a alienação ocorreu efetivamente em 01/12/2008, o que resultaria na nulidade da autuação; 11) o erro na apuração do fato gerador, por equívoco na determinação do custo de aquisição registrado no Bacen, na medida que a autoridade fiscal considerou como o custo o capital social demonstrado no “extrato de investimento das cooperativas” no valor de R$ 139.359.990,00, quando o correto seria o equivalente ao investimento registrado no Bacen na importância de US$ 111.033.536,40, correspondente a soma dos valores relativos ao investimento total nas duas cooperativas holandesas; 12) insurgese contra o reajuste das bases de cálculo efetuado pela autoridade lançadora, por ausência de motivação e da indicação do dispositivo legal cuja previsão ensejaria no reajuste da base de cálculo, e tendo em vista que não teria assumido o ônus financeiro desse tributo, conforme disposto no art. 725, do RIR/99; 13) afirma que na hipótese de ser considerado devido o IR/Fonte sobre a operação autuada, o valor do ágio objeto do lançamento constante dos autos do PAF nº 16682.721208/201216, deverá ser majorado em razão do acréscimo do custo de aquisição do investimento pela adição do valor do IR/Fonte no preço da operação; 14) a impossibilidade do lançamento da multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão efetuada após o evento sucessório, a teor do que dispõe o art. 132 do CTN, em função do caráter personalíssimo da penalidade aplicada; 15) a impossibilidade de aplicação da multa agravada, devido à inexistência de comprovação de sonegação, fraude ou conluio, tendo em vista que prestou as informações e forneceu os documentos requeridos pelo agente fiscal no curso da fiscalização, bem como declarou ao Fisco, registrou e arquivou devidamente todos os atos societários relacionados à autuação; 16) afirma, ainda, que os procedimentos por ela praticados decorreram de interpretação de lei, o que não pode ser confundido com ato ilícito, importando na inexistência de dolo ou má fé, o que impede a aplicação da multa agravada; 17) a ilegalidade da cobrança de juros moratórios aplicados sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal, posto que o art. 13 da Lei nº 9.065/95, combinada com Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 5 7 o art. 84 da lei nº 8.981/95, estabelecem a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC apenas sobre tributos; Por fim, requer que seja recebida, conhecida e provida sua impugnação, para o fim de serem desconstituídos os créditos tributários, e a exigência fiscal cancelada na sua integralidade; e, subsidiariamente, o reconhecimento do erro na apuração da matéria tributária em razão do equívoco na determinação do aspecto temporal do fato gerador, e do erro na determinação do custo de aquisição registrado no Bacen, o indevido reajuste da base de cálculo; a impossibilidade do lançamento da multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão, a impossibilidade de aplicação da multa agravada, a ilegalidade da cobrança dos juros sobre a multa de ofício lançada, e o ajuste no valor do ágio na hipótese de prevalecer a cobrança do IR/Fonte, objeto do PAF nº 16682.721208/201216. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Rio de Janeiro I (fls. 1002 a 1021) decidiu, por unanimidade de votos, considerar o lançamento integralmente procedente. Cientificada da decisão em 17 de outubro de 2013, a recorrente interpôs recurso voluntário no dia 13 do mês seguinte, validado pelo sistema de autenticação de arquivos digitais, no qual repete os argumentos apresentados na impugnação e rebate a decisão de primeira instância arguindo que a DRJ adotara, como único fundamento, o entendimento equivocado trazido pela fiscalização de que o Grupo COSAN teria, desde o início das negociações, a intenção de adquirir a ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO e, por isso, deveria ter realizado a aquisição direta destes ativos no Brasil, sujeitandose à incidência de Imposto de Renda na Fonte. Da mesma foram, alega que a decisão recorrida apenas reiterou as conclusões do auditor quanto ao cumprimento pela recorrente dos limites exigidos pela doutrina para a validade do “planejamento”, o qual teria havido, nos termos do recurso, uma nítida observância ao propósito negocial. O PGFN apresentou as contrarrazões ao recurso voluntário, destacando que, não obstante a existência de outros requisitos à aplicação do artigo 26 da Lei nº 10.833, de 2003, apenas um deles seria objeto de discussão nos autos: “identificar se o objeto do negócio firmado entre os Grupos EXXONMOBIL e COSAN é formado pela empresa brasileira ESSO ou pelas cooperativas holandesas BIH e BHC.” Alega o D. Procurador que, pela análise dos fatos, as partes envolvidas negociaram a empresa brasileira ESSO, e não duas cooperativas holandesas, que sequer existiam à época em que o contrato de compra e venda foi celebrado entre o Grupo EXXONMOBIL e o Grupo COSAN. Ainda, em que pese as partes terem declarado (e defenderem exaustivamente) que acordaram a alienação de duas cooperativas holandesas, da leitura do contrato observase que o seu conteúdo se volta exclusivamente à empresa ESSO. Também, que as cooperativas holandesas a serem criadas quase não são mencionadas no contrato. O conteúdo deste disciplinaria a transferência da empresa ESSO, citada como “Sociedade” ou “Sociedades” e determinaria todas as condições (direitos e deveres) pelas quais deveriam ser transmitidas ao Grupo COSAN A Procuradoria da Fazenda evidencia outros fatos que demonstraria o real objeto do negócio no que diz respeito aos aspectos peculiares que envolveram a operação, como a curta existência das cooperativas holandesas e o endereço ser o mesmo da EXXONMOBIL INTERNATIONAL HOLDINGS B.V. Quanto à responsabilidade do Grupo COSAN pela retenção do imposto de renda na fonte, a PGFN argui que as razões apresentadas pela recorrente atestam que o Grupo Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 estrangeiro, além de buscar evitar a retenção do Imposto de Renda na Fonte no Brasil, teria adotado uma conduta exclusivamente fiscal na Holanda, o que não seria um propósito negocial. Em segundo lugar, que era absolutamente desnecessário eventual deslocamento do objeto da alienação para outro país, uma vez que de acordo com o entendimento da Súmula 335 e RE 90961, do STJ, é válida a eleição de foro em contratos internacionais. Terceiro, mesmo que houvesse razões negociais para o deslocamento do objeto do contrato de compra e venda, esse objetivo não seria possível de ser alcançado, uma vez que o resultado das operações praticadas seria a transferência da empresa brasileira ESSO do Grupo EXXONMOBIL para o Grupo COSAN. E quarto, que a COSANPAR, na qualidade de responsável tributário pela retenção do IR/Fonte, responde objetivamente por eventual parcela do imposto não paga, haja vista que substitui o contribuinte (Grupo EXXONMOBIL). No que diz respeito à qualificação da multa, entende a PGFN que não assiste razão à recorrente, pois, tal como fora constatado pelo Auditor Fiscal, os Grupos EXXONMOBIL e COSAN praticaram atos simulados com o exclusivo intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do tributo, que seria devido caso a simulação não ocorresse. A incoerência entre a vontade declarada (negociação das cooperativas holandesas) e a vontade real (negociação de empresa brasileira) seria incontestável na leitura da cláusula 1, do qual destaca: 1. DEFINIÇÕES E INTERPRETAÇÃO omissis “Negócio(s) Excluído(s)” significa(m) o(s) negócio(s) e Marcas Registradas das Sociedades descritos no Apêndice 1.1(b) do presente Contrato, que são excluídos da venda e que, antes da Conclusão, serão vendidos ou transferidos para a Fornecedora ou uma de suas Coligadas sem maiores obrigações por parte das Sociedades. (grifos da PGFN) E, ainda tratando da qualificação, concluí a PGFN: “Ora, se a compra e venda envolvia as cooperativas holandesas, por que então a definição dos negócios que seriam excluídos dessa compra e venda abrange os negócios e as marcas registradas da ESSO?”. Assim, seria evidente a fraude. Tanto seria o conhecimento das partes quanto ao artificialismo das cooperativas holandesas que haveria uma cláusula do contrato de compra e venda, a 6.2(ii), cujo conteúdo prevê o dever de o Grupo EXXONMOBIL indenizar o Grupo COSAN em razão da retenção de imposto de renda decorrente. No tocante à validade do aspecto temporal do fato gerador, a PGFN considera correta e irretocável a conclusão adotada pela DRJ Rio de Janeiro ao considerar que “o contrato de compra e venda do controle acionário indireto da autuada foi celebrado em 23/04/2008, tendo por objeto de coisa futura [...], sendo alterado através de aditivo celebrado em 25/11/2008, quando o objeto já era coisa atual”. Em relação à base de cálculo apurada, a PGFN argumenta que não seria possível aferir o montante de investimentos feitos na ESSO com base nas simples telas de consulta do BACEM. Além disso, os Grupos COSAN e EXXONMOBIL teriam estabelecido a alienação da ESSO em 23 de abril de 2008 e, de acordo com o contrato de compra e venda, durante o chamado “Período Intermediário”, o qual abrange o dia da assinatura do contrato até a data da sua conclusão, o Grupo EXXONMOBIL assumiu o compromisso de que não receberia da ESSO nenhum pagamento de qualquer tipo. Portanto, o valor constante das telas de consulta do BACEN (de 07/11/2008) como reinvestimentos não traduzem montantes aportados pelo Grupo EXXONMOBIL na ESSO, mas sim lucros que já eram destinados ao Grupo COSAN. Relativamente ao alegado erro de reajuste da base de cálculo pelo “Gross up”, a leitura do contrato de compra e venda (cláusula 13.3) permitiria aferir que o Grupo COSAN assumiu o Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 6 9 compromisso de pagar o preço ao Grupo EXXONMOBIL pelo seu valor líquido, livre de qualquer imposto. No que se refere ao acréscimo do IRRF ao custo de aquisição, a PGFN diz que o imposto a ser retido quando da aquisição da ESSO não era devido por qualquer empresa do Grupo COSAN, mas sim pelo Grupo EXXONMOBIL. Caberia ao Grupo COSAN apenas ter retido parte do pagamento devido a título de IRRF na qualidade de responsável tributário. Portanto, seria impossível acrescentar tal valor ao custo de aquisição. Sobre a aplicação da multa de ofício, a PGFN argui que os princípios oriundos de outras áreas do direito são inadequados para orientar a interpretação das normas que regem a sucessão entre pessoas jurídicas no âmbito do direito tributário. O princípio da personalização da pena se refere àquelas intransmissíveis, dispostas nas leis penais, cuja característica é a corporalidade. As penas que incidem sobre o patrimônio não seriam corporais. A doutrina majoritária subscreveria o entendimento de que o sucessor é o responsável pelas multas devidas pelo sucedido, pois as multas, conforme o art. 113 do CTN, são obrigações tributárias. Também, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, já teria sido prolatada decisão favorável ao Fisco (acórdão proferido no julgamento do Recurso Extraordinário n.º 83.613/SP), a qual aduziu que o princípio da personalização da pena não tem guarida no direito tributário, e que a tese da intransmissibilidade das multas fiscais deve ser evitada, sob pena de criar um instrumento de fraude ao Fisco. Citando os Acórdãos CSRF/0202.589 e CSRF/0202.623 diz que esse também seria o entendimento deste Tribunal Administrativo. Por fim, no que concerne à legalidade da cobrança de juros sobre a multa, afirma que, em função do disposto nos artigos 43 e 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não há dúvida acerca da obrigatoriedade da atualização monetária dos créditos tributários devidos pelos sujeitos passivos, entre eles, a multa de lançamento de ofício É o relatório. Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 10 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a recorrente foi intimada da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Para melhor compreensão dos fatos, a auditoria, aproveitando os diagramas apresentados pela recorrente, faz demonstração das alterações nas estruturas societárias ocorrida no negócio, com os respectivos percentuais de participação, na qual inicia com a USINA DA BARRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL e COSAN S/A proprietárias da COSANPAR PARTICIPAÇÕES S/A e a EXXONMOBIL BRAZIL HOLDINGS BV e EXXONMOBIL INTERNATIONAL HOLDINGS BV proprietárias da ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LTDA., finalizando com COSAN S/A INDÚSTRIA E COMERCIO detentora de 100% do capital da ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LTDA., posteriormente denominada COSAN COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES S/A, didaticamente registrados nos autos. A empresa recorre da decisão de primeira instância que manteve integralmente o lançamento. Para fins de análise do recurso, as questões serão agrupadas nos seguintes tópicos: (a) o negócio; (b) a não retenção do imposto de renda na fonte e validade do lançamento; (c) a multa de Ofício e sua qualificação; e (d) os juros sobre a multa de ofício. I – O negócio Em relação ao negócio, a matéria discutida nestes autos é se caberia a retenção do imposto de renda na fonte sobre a operação de compra e venda descrita pela auditoria. A recorrente argui que as alterações societárias adotadas pelo Grupo COSAN se deram de forma lícita e adequada para atingir o objetivo final de aumentar seu portfólio de investimentos, com a aquisição de duas participações societárias localizadas no exterior, que resultaram, posteriormente, no controle da Esso Brasileira de Petróleo. Alega que as condutas adotadas estariam fora do campo de planejamento tributário, pois: as condições do negócio, com a criação das cooperativas holandesas, teriam sido impostas de forma unilateral pelo Grupo EXXONMOBIL; existiam incentivos regulatórios e fiscais na Holanda beneficiando os vendedores; e a aquisição das duas cooperativas recémcriadas, apesar de sua curta existência em decorrência da reestruturação do Grupo COSAN, trazia benefícios negociais à recorrente. A PGFN contraargumenta dizendo que, não obstante a existência de três requisitos à aplicação do artigo 26 da Lei nº 10.833, de 2003, “apenas um deles é objeto de discussão nos autos, qual seja: identificar objeto do negócio firmado entre os Grupos EXXONMOBIL e COSAN é formado pela empresa brasileira ESSO ou pelas cooperativas holandesas BRAZIL INTERNATIONAL HOLDINGS COOPERATIEF U.A (BIH) e BRAZIL HOLDINGS COOPERATIEF U.A. (BHC). Também rebate os argumentos de que não se justificaria a negociação da forma conduzida pelo simples fato de submeter o contrato à legislação do Reino Unido, pois para tal opção, era absolutamente desnecessário eventual deslocamento do objeto da alienação para outro país, já que, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (Súmula 335 e RE 90961), é válida a eleição de foro em contratos internacionais. Ou seja, o contrato em questão poderia ter como objeto as quotas da empresa Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 7 11 ESSO e se submeter, por opção das partes, à legislação do Reino Unido para eventual discussão dos seus termos. Compulsando os autos, observase que os atos praticados pelo Grupo COSAN evidenciam de fato a aquisição da empresa ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO e não as cooperativas BIH e BHC, senão vejamos: a) As cooperativas holandesas BIH e BHC sequer existiam à época em que foi celebrado o contrato de compra e venda entre o Grupo EXXONMOBIL e o Grupo COSAN, em 23 de abril de 2008. Elas somente foram constituídas no curso da negociação, em 03 de outubro de 2008, conforme expressamente registrado no contrato de compra e venda. Até 03 de outubro, a EXXONMOBIL INTERNATIONAL HOLDINGS B.V. e EXXONMOBIL BRAZIL HOLDINGS B.V eram as “únicas sócias da ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO”, conforme registra a Trigésima Sexta alteração contratual da ESSO (fl. 615 a 623). Em 25 de novembro a COSAN se retira do negócio, sendo substituída pela COSANPAR, que, assim como as cooperativas, era uma empresa veículo. b) O contrato de compra e venda assinado pelas partes não se refere à compra ou venda de uma holding ou das cooperativas, como alega a recorrente. Seu conteúdo está relacionado a uma empresa operacional, no caso a ESSO, verdadeiro objeto do negócio. Isso fica claro no referido contrato em que são citados textualmente, entre outros, aspectos dos contratos de arrendamentos, como “em relação ao arrendamento de determinadas áreas incluídas na propriedade chamada Complexo Ilha do Governador”; na forma manutenção dos contratos; nas questões de garantia relacionadas à “Receita Líquida”; nos veículos laborais, como a garantia de, no mínimo 12 meses, dos benefícios aos funcionários; no aspecto fiscal, inclusive na defesa das “Questões de COFINS”; na propriedade de imóveis da ESSO; nas marcas registradas, pois era permitido no “Contrato de Licenciamento de Marca de Combustíveis e o Contrato Principal de Lubrificantes, o direito de continuar a usar no País coberto por essas Licenças durante um período com término 5 (cinco) anos e 10 (dez) anos, respectivamente, após a Data de Conclusão, as Marcas usadas nos negócios da Sociedade”. Nenhuma dessas obrigações poderia se referir às cooperativas, que foram extintas em 18 de dezembro de 2008. c) O curto prazo de existência das cooperativas holandesas, criadas em três de outubro e transferidas ao Grupo COSAN em primeiro de dezembro para, em seguida, no dia 18 serem liquidadas – ou seja, com um funcionamento de pouco mais de dois meses e liquidadas logo após suas transferências. A recorrente defende que as operações não podem ser analisadas simplesmente do ponto de vista dos atos societários considerados isoladamente, tal como fez o auditorfiscal, fato repetido pela turma de julgamento em primeira instância e diz: “não se pode analisar a operação ‘quadro a quadro’, é necessário analisála como um todo. Vale dizer: não basta ver os fatos tais como descritos fotografia a fotografia, mas sim analisar o filme como um todo.” Ocorre que é exatamente esse filme como um todo que leva à conclusão de simulação do negócio, cujo real objetivo era a aquisição da empresa ESSO. Nesse aspecto vale a pena transcrever dois parágrafos das folhas 1.078 e 1.097 dos autos, constante do recurso voluntário: De fato, conforme demonstrado, as operações societárias ("várias fotografias") que culminaram com a aquisição direta das cooperativas holandesas e, Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 12 indiretamente, de sua controlada no Brasil (Esso ora Impugnante), visavam, desde sempre, a expansão de suas atividades em novos setores econômicos no Brasil e posterior simplificação da estrutura societária. [...] Com relação ao curto período de existência das cooperativas, de fato, o único intuito na liquidação foi o de simplificar a estrutura societária do Grupo Cosan após a aquisição das cooperativas. Tendo em vista que a reorganização societária para venda das participações foi efetuada pelos vendedores, não havia mais razão para manter estas sociedades ativas sob a perspectiva do Grupo Cosan. Ainda, cabe destacar que a liquidação destas sociedades se deu em conformidade com a legislação local holandesa e com a legislação brasileira, com observância de todos os requisitos previstos nas normas societárias de ambos os Países. (grifos nossos). A aquisição dos ativos da EXXONMOBIL no Brasil foi, à época, amplamente noticiado no Brasil, em jornais, sites e revistas especializadas em função do comunicado ao mercado realizado pelo Grupo COSAN. De fato, foi isso que ocorreu. As transcrições reforçam o posicionamento defendido no lançamento, a partir da apuração realizada pela fiscalização, de que o conjunto de operações societárias praticadas pelo Grupo COSAN visavam dar uma aparência diferente ao negócio jurídico, quando, na verdade, o objetivo era a aquisição da empresa ESSO, e não das cooperativas holandesas. A tentativa de se demonstrar que a operação fora efetuada desta forma para justificar eventuais benefícios auferidos pelo Grupo EXXONMOBIL, ao invés demonstrar o propósito negocial, robustece, ao contrário, o entendimento de que a simulação fora orquestrada entre as partes contratantes para proveitos comuns nas condutas, exclusivamente, fiscais, no Brasil e na Holanda, já que ambas colheriam frutos da situação. II – A não retenção do imposto de renda na fonte e validade do lançamento A recorrente alega que a operação não se sujeitaria a retenção de Imposto de Renda na Fonte, pois, como os ativos não estariam localizados no Brasil, há ausência de previsão legal para incidência do imposto. E, não seria devida retenção do imposto, mesmo que tivesse ocorrido a venda direta das participações na sociedade holding holandesa Exxonmobil BR. Vencida esta questão, argui que houve erro na apuração da matéria tributável, no tocante ao aspecto temporal do fato gerador, que deveria ser 1º de dezembro de 2008, data da efetiva alienação, e não 25 de novembro como considerado no lançamento, o que acarretaria na nulidade da autuação. Diz que o entendimento trazido aos autos pela DRJ, de que a alienação se concretiza na assinatura do contrato, não está legalmente fundamentada e vai de encontro aos artigos 481 e 1.267 do Código Civil. Alega também erro na apuração do fato gerador, por equívoco na determinação do custo de aquisição registrado no BACEN, já que a autoridade fiscal considerou como o custo o capital social demonstrado no “extrato de investimento das cooperativas”, quando o correto seria o equivalente ao investimento registrado no BACEN, correspondente a soma do investimento total nas cooperativas holandesas. Ainda, que seria indevido o reajuste das bases de cálculo efetuado pela autoridade lançadora, por ausência de motivação e da indicação do dispositivo legal cuja previsão ensejaria tal reajuste, e por não lhe caber o ônus financeiro desse tributo, conforme disposto no art. 725, do RIR/99. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 8 13 Por fim, no caso de ser considerado devido o imposto de renda na fonte sobre a operação autuada, o valor do ágio apurado no Processo Fiscal nº 16682.721208/201216, deveria ser majorado em razão do acréscimo do custo de aquisição do investimento pela adição do valor do IRRF no preço da operação. Sobre o primeiro ponto, como já foi observado no item anterior, descabe as observações de que o negócio foi de um jeito, mas poderia ser de outro, pois não se está apreciando nestes autos o que poderia ter sido feito, mas o que de fato os elementos constantes dos autos permitem compreender: que a operação consistiu, efetivamente, na aquisição pela COSAN S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO das quotas emitidas pela empresa ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO, pessoa jurídica residente no Brasil, pertencente ao Grupo EXXOMMOBIL, sediado na Holanda, com a interposição de duas cooperativas sem qualquer propósito negocial. E, na qualidade de responsável tributário pela retenção do IRRF, a adquirente responde objetivamente por eventual parcela do imposto não paga, haja vista que substitui o contribuinte, tal qual como fundamentado no auto de infração, nos termos do art. 26 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 26. O adquirente, pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital a que se refere o art. 18 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil. A ocorrência do fato gerador do IRRF incidente sobre o ganho de capital pago por fonte situada no país a pessoa jurídica residente no exterior, como citado no auto de infração e decisão recorrida, está fundamentada na alínea “a” do inciso I e § 2º do art. 685 do RIR/99. A interposição das cooperativas holandesas, seja por opção do Grupo EXXONMOBIL ou interesse do Grupo COSAN, não pode ser oposta aos interesses do Fisco. Ainda que tenha sido imposição do grupo estrangeiro, a adquirente, na qualidade de responsável pela retenção do IRRF, deveria ter observado a artificialidade orquestrada e ter retido o imposto devido. No segundo ponto, sobre o aspecto temporal do fato gerador, tem razão a decisão recorrida, cujo trecho tomo a liberdade de transcrever: O contrato de compra e venda do controle acionário indireto da autuada foi celebrado em 23/04/2008, tendo por objeto de coisa futura (participação em sociedade que seria constituída futuramente), em conformidade com a dicção do art. 483, do Código Civil, sendo alterado através de aditivo celebrado em 25/11/2008, quando o objeto já era coisa atual, posto que existente, situação em que houve substituição do adquirente original, pela empresa veículo, posteriormente incorporada pela fiscalizada, esta última é a data da efetiva alienação das participações societárias que deram azo ao ganho de capital, objeto do lançamento. É importante esclarecer que no presente voto foi considerado como negócios jurídicos simulados a celebração de contrato de transferência das participações societárias nas cooperativas holandesas, firmado em 01/12/2008 entre a ExxonMobil Internacional e Exxonmobil BR e Cosanpar e a Usina, razão pela qual não se pode considerar esta data como a de efetiva ocorrência do fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital, tal qual alegado pela impugnante. Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 14 A PGFN, nas contrarrazões, cita o Código Tributário Nacional (CTN) nos dispositivos do Capítulo II, destacando que se considera ocorrido o fato gerador e seus efeitos (art. 116 e inciso II) desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável, e indaga qual seria, nos termos do direito aplicável, o momento em que a compra e venda foi definitivamente constituída, e a partir de qual momento os grupos econômicos teriam assumido seus compromissos de forma definitiva, sem possibilidade de qualquer alteração. A DRJ, como acima transcrito, expôs no acórdão recorrido que esse momento seria a celebração do termo aditivo em 25 de novembro de 2008, quando se estabeleceu de forma definitiva a compra e venda entre os Grupos COSAN e EXXOMOBIL. Ou seja, a partir deste momento já seria certo e irrevogável a transferência do bem em contrapartida do recebimento do preço pactuado, já que foi considerado como negócio jurídico simulado a celebração de contrato de transferência das participações societárias nas cooperativas holandesas, firmado em 1º de dezembro de 2008 entre a EXXONMOBIL INTERNACIONAL e EXXONMOBIL BR e COSANPAR e a USINA. Verificase nos autos que o Aditivo de 25 de novembro de 2008 veio para permitir que a COSANPAR substituísse a parte original do negócio, sua controladora COSAN S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO. Naquele momento, houve uma celebração contratual, substituindose o adquirente e mantendose a cessão anterior. Esse é o momento de fato da ocorrência do fato gerador. Portanto, nesse sentido, considero correto o lançamento. Outro ponto debatido pela recorrente diz respeito à base de cálculo, seja porque teria havido equivoco na determinação do custo de aquisição registrado no BACEN, não se observando a soma dos investimentos, seja porque seria indevido o reajuste das bases de cálculo (Gross up) efetuado pela autoridade lançadora. Os valores apurados pela fiscalização com base na escrituração da empresa, conforme folha 41/69 do “Termo de Verificação Fiscal”, foram: Data Fechamento Montante em US$ Taxa Montante em R$ Doc. SAP 21/11/2008 214.353.314,10 2,4277 520.385.540,64 100.000.400 25/11/2008 500.000.000,00 2,3056 1.152.800.000,00 100.000.457 25/11/2008 26.921.260,87 2,3056 62.069.659,06 100.000.401 28/11/2008 (26.921.260,87) 2,3331 (62.809.993,74) 100.000.868 TOTAL 714.353.314,10 1.672.445.205,97 O capital registrado da sociedade alienada foi o obtido no extrato de investimento das cooperativas no Banco Central fornecido pela fiscalizada, mesmo valor constante da alteração do contrato social da autuada efetuada em 3 de outubro de 2008 e registrada em 17 de novembro do mesmo ano, no montante de R$ 139.359.990,00. Com base nesses valores foi apurado um ganho de capital no valor de R$ 1.533.085.216,60, o qual correspondeu à diferença entre o montante pago pelas participações societárias de R$ 1.672.445.206,00, equivalente a US$ 714.353.314,10, e o correspondente ao capital social registrado da sociedade alienada de R$ 139.359.990,00. O valor foi ajustado para R$ 1.803.629.665,88 (valor apurado no ganho de capital dividido por 0,85). A recorrente, arguindo nulidade do lançamento, contesta esse cálculo e afirma que o custo da aquisição de sua participação societária não seria apenas o capital social inicial da ESSO, mas a totalidade dos investimentos feitos por seus controladores até a data da Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 9 15 transferência da empresa ao Grupo COSAN. Assim, o custo seria de US$ 111.033.536,40, correspondendo à R$ 261.561.701,70. Entretanto, não é possível aferir os reinvestimentos somente a partir das telas de consultas do BACEN, uma vez que, pelo que dispunha o contrato de compra e venda, durante o chamado “Período Intermediário”, o qual abrange o dia da assinatura do contrato até a data da sua conclusão, o Grupo EXXONMOBIL assumiu o compromisso de que não receberia da ESSO nenhum pagamento de qualquer tipo, conforme dispunha o conteúdo da cláusula 5.14(xvii): 5.14 [...] c) [...], a Fornecedora deverá providenciar para que as Sociedades não: [...] (xvii) efetuem nenhum pagamento de qualquer tipo (inclusive, entre outros, qualquer pagamento a partir da conta de um sócio, pagamento de juros especiais, redução de capital, distribuição ou pagamento de qualquer taxa de consultoria, assessoria, administração, serviço, aconselhamento, monitoramento ou outra taxa, bônus, ou pagamento de qualquer tipo) para a Fornecedora ou qualquer uma de suas Afiliadas (exceto a Sociedade), exceto um pagamento por mercadorias recebidas ou serviços reais prestados em termos e condições normais de mercado. (grifo nosso) Assim, considerando que o contrato fora assinado em 23 de abril de 2008, e que a partir desta data o lucro da ESSO não poderia mais ser destinado ao Grupo EXXOMOBIL, não há como apurar o que seria reinvestimento ou lucros destinados ao Grupo COSAN. Portanto, ante a previsão contratual de que a empresa brasileira não repassaria mais recursos ao Grupo EXXOMOBIL, tais valores não podem ser aceitos como custo de aquisição da empresa adquirida. No mesmo sentido, alega nulidade, por erro de apuração da base de cálculo do tributo pela ausência de motivação e fundamentação legal para essa majoração, ou, a título argumentativo, a exclusão desses valores adicionais. Como muito bem observado pela PGFN, o Grupo COSAN assumiu expressamente o ônus financeiro pelo IRRF, conforme abaixo transcrito do contrato de compra e venda, cabendo, portanto o reajuste da base de cálculo de acordo com o artigo 725 do RIR/99. Vejase o diz a cláusula 13.3 do contrato: 13.3 Com exceção de valores a serem pagos de acordo com a Cláusula 13.4.3, todas as somas devidas pelas Compradoras ou pelas Sociedades nos termos deste Contrato serão líquidas de qualquer Imposto retido na fonte. Se as Compradoras ou as Sociedades foram obrigadas por qualquer Legislação aplicável a deduzir Impostos de ou em relação a qualquer soma devida nos termos deste Contrato à Fornecedora ou suas Afiliadas, o valor pago será aumentado na medida necessária para assegurar que, depois de efetuadas todas as deduções exigidas, a Fornecedora ou suas Afiliadas recebam valor igual à soma que teria sido recebida se nenhuma tal dedução tivesse sido necessária. Caso as Compradoras ou as Sociedades sejam obrigadas por Legislação aplicável a efetuar esses pagamentos, esses pagamentos serão tratados como pagos à Pessoa em relação à qual a dedução e retenção tiverem sido realizadas, e as Compradoras ou as Sociedades entregarão a Fornecedora ou suas Afiliadas cópia autêntica dos documentos fiscais atestando o recolhimento do Imposto retido na fonte dentro de período de 30 dias a contar da data de pagamento. Caso a Fornecedora ou suas Afiliadas sejam consideradas responsáveis por pagamento devido pelas Compradoras ou pelas Sociedades de acordo com esta Cláusula, as Compradoras Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 16 defenderão, manterão isentas e indenizarão a Fornecedora ou suas Afiliadas. (grifo nosso). Assim, ao efetuar o pagamento de forma líquida, sem a retenção do valor devido, a recorrente assumiu o ônus do imposto devido pelo beneficiário sobre o ganho de capital na alienação da participação societária, calculado na forma expressa na cláusula 13.3, acima transcrita. E, por último, a recorrente defende que, na hipótese de ser considerado devido o imposto de renda na fonte sobre a operação autuada, o valor do ágio objeto PAF nº 16682.721208/201216 deveria ser majorado em razão do acréscimo do custo de aquisição do investimento pela adição do valor do IRPF no preço da operação. Entretanto, essa demanda não tem razão de existir, já que são coisas distintas. O imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação da participação societária era devido pelo Grupo EXXOMOBIL, tendo a recorrente nessa relação entre o contribuinte e o fisco apenas a incumbência de responsável tributário. Também, concordo com os argumentos apresentados nas contrarrazões da PGFN de que, caso se admitisse a influência do imposto retido no valor do custo, estarseía diante de uma interessante situação, na qual, “tal como uma espiral crescente e infinita, o aumento do custo de aquisição pelo acréscimo do valor do imposto faria aumentar novamente o imposto, e assim por diante.” Assim sendo, considero neste aspecto que está correta a decisão recorrida, não havendo qualquer nulidade do lançamento quanto ao valor do imposto apurado. III – A multa de ofício e sua qualificação A recorrente alega que não cabe multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão efetuada após o evento sucessório, a teor do que dispõe o art. 132 do CTN, em função do caráter personalíssimo da penalidade aplicada, e que descabe a qualificação da multa devido à inexistência de comprovação de sonegação, fraude ou conluio, bem como por ter prestado todas as informações e fornecido os documentos requeridos, cujos atos estavam devidamente estavam declarados e registrados. Também, que os procedimentos adotados decorreram de interpretação de lei, o que não pode ser confundido com ato ilícito, importando na inexistência de dolo ou má fé. Especificamente, que a multa de ofício não poderia ser exigida da recorrente (anteriormente denominada ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LTDA.), na qualidade de sucessora por incorporação da COSANPAR, sociedade que teria supostamente praticado a infração ora combatida. Inicialmente, não cabe razão a recorrente quanto ao caráter personalíssimo da lei, supostamente abrangido pelo art. 132 do CTN, na qual a responsabilidade do sucessor decairia apenas pelos créditos tributários no sentido estrito, não abrangendo as multas aplicadas. Esse não é o entendimento dominante da doutrina, como destacou a PGFN nas suas contrarrazões: Com efeito, não se desconhece que parte da doutrina, ressaltase minoritária, entende que o artigo acima teria previsto a responsabilidade do sucessor apenas pelos créditos tributários (sentido estrito) devidos pela pessoa jurídica sucedida, e não pelas multas decorrentes de lançamento de ofício para exigir os tributos não pagos. No contraponto, a PGFN citou autores como Gaetano Paetano Paciello [(PACIELLO, Gaetano, in Caderno de Pesquisas Tributárias, Vol. 4 (Sanções Tributárias), Editora Resenha Tributária, pp. 108 a 109], José Carlos de Sousa Costa Neves e Djalma de Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 10 17 Campos [(NEVES, José Carlos de S. C., e CAMPOS, Djalma, in Caderno de Pesquisas Tributárias, Vol. 4 (Sanções Tributárias), Editora Resenha Tributária, pp. 13 a 20], Zelmo Denari [(DENARI, Zelmo, in Solidariedade e Sucessão Tributária, Saraiva, pp. 135 a 138], bem como as decisões dos Tribunais Superiores, como as proferidas pela Ministra Eliana Calmon [STJ, 2ª Turma, Resp 32967/RS, DJ de 20/03/2000], pelo Ministro Castro Meira [REsp 959389/RS, 2ª Turma, DJe 21/05/2009], pelo Ministro Cordeiro Guerra [Recurso Extraordinário n.º 83.613/SP] e pelo Ministro Justino Ribeiro [TRF, 1ª Região, DJ 20/08/1999]. Cita ainda decisões deste Tribunal Administrativo, como a proferida nos Acórdãos CSRF/0202.589 e CSRF/0202.623. Também, como já observou a decisão recorrida, a multa aplicada tem caráter patrimonial e não se confunde com as penas de outras áreas do direito, no caso do Direito Penal, que é inadequado para orientar as interpretações das normas que regem a sucessão de pessoas jurídicas no âmbito do Direito Tributário. A situação em tela é agravada pelo fato de a sucedida e a sucessora estarem submetida ao mesmo controle acionário antes e depois da sucessão, como se vê nos autos. A matéria já está pacificada no CARF, por meio da Súmula nº 47, a qual diz que é “Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.” Superada a questão, passaa a analisar a qualificação desta multa. Primeiramente cabe esclarecer que não houve agravamento da multa, e sim qualificação em função da artificialidade dos atos praticados pelo Grupo COSAN para simular os fatos jurídicos que resultaram na aquisição da empresa ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO, no intuito de afastar a incidência do IRRF sobre o Ganho de Capital, devido pelas sociedades alienantes domiciliadas no exterior, cuja responsabilidade pela retenção era das sociedades adquirentes localizadas no Brasil. Como já debatido anteriormente, resta evidente nos autos que os Grupos EXXONMOBIL e COSAN praticaram atos simulados com o exclusivo intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do tributo que seria devido caso a simulação não ocorresse. A simulação foi constatada por sucessivos fatos, como o declarado interesse na criação das empresas veículos em função dos incentivos regulatórios e fiscais na Holanda e benefícios negociais ao Grupo COSAN. Caso de fato o planejamento tributário fosse única e exclusiva exigência dos vendedores, não haveria razão para o grupo adquirente não adotar os procedimentos legais na retenção do imposto. Porém, ao que se vê, a adquirente agiu de forma no mínimo conivente ao embarcar na tese da aquisição de empresa domiciliada no exterior. Está mais que evidente que os atos praticados pelo Grupo COSAN, objetivavam apenas e somente a aquisição da empresa ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO e não as cooperativas holandesas. Aliás, estas sequer existiam à época em que foi celebrado o contrato de compra e venda entre o Grupo EXXONMOBIL e o Grupo COSAN, em 23 de abril de 2008. Naquele contrato tais cooperativas eram denominadas de COOPERATIVA 1 e COOPERATIVA 2 (fl. 307). E, quando criadas, tiveram vida efêmera: foram constituídas no curso da negociação, em 03 de outubro de 2008, e liquidadas em pouco mais de dois meses, 17 dias após a transferência de propriedade. Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 18 O objeto da negociação está devidamemente registrado no contrato de compra e venda assinado pelas partes, cujo conteúdo está relacionado a questões, entre outras, como: o gerenciamento do ativo; a administração dos tributos, inclusive às compensações daqueles administrados pela Receita Federal do Brasil, como o COFINS; o plano de cargos e garantia de emprego e benefício aos funcionários; o uso da marca. Tudo isso referente à empresa de fato adquirida, a ESSO. Nenhuma das obrigações de médio prazo poderia se referir às cooperativas extintas, como se vê no seguinte trecho do contrato: 5.2.4 Capitalização das Sociedades e Obrigações e Responsabilidades das Cooperativas Principais. [...] (b) [...]. Na Data de Conclusão (i) cada Cooperativa Principal será uma Sociedade controladora sem operações, (ii) o único ativo da Cooperativa Principal serão as ações e/ou quotas das Sociedades e caixa ou capital de giro mantido pelas Cooperativas Principais e (iii) exceto quando definido no Anexo 5.2.4(b), nenhuma das Cooperativas Principais terá qualquer reclamação, obrigação, responsabilidade ou dívida de qualquer natureza (seja absoluta, acumulada, contingente ou de outra forma). (grifo nosso) Inclusive, a falta de interesse pelas cooperativas foi declarada pela recorrente, nos seguintes termos, “Tendo em vista que a reorganização societária para venda das participações foi efetuada pelos vendedores, não havia mais razão para manter estas sociedades ativas sob a perspectiva do Grupo COSAN.” Portanto, a suposta aquisição de uma empresa estrangeira é uma simulação, enquadrandose a conduta na hipótese de qualificação da multa de ofício, na forma prevista no §1º e inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. IV – Os juros sobre a multa de ofício A recorrente alega que seria ilegal a cobrança de juros moratórios aplicados sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal, posto que o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, combinada com o art. 84 da lei nº 8.981, de 1995, estabelecem a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC apenas sobre tributos. Vale observar que aqui não se discute a aplicação da taxa SELIC nos acréscimos moratórios, mas apenas a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Pelo que dispõe o art. 161 do CTN, chegase à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1 Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2 O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A Lei nº 9.430, de 1996, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário composto exclusivamente por multa ou juros de mora diz, expressamente, no parágrafo único do art. 43 que incidirão juros de mora à taxa Selic, conforme se observa a seguir: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 11 19 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos nossos) Ademais, o entendimento de se considerar legítima a incidência de juros de mora sobre a multa fiscal punitiva encontra sustentação na jurisprudência da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), que reiterou o entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, seguindo a linha adotada pela Segunda Turma do STJ (REsp nº 1.129.990/PR, em 1/9/2009). Também, no âmbito do CARF, verificase esse entendimento, conforme consta nos Acórdão nº 920201.806, 910100.539, CSRF0400.651. Isto posto, voto em NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 13161.000293/2006-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO VIA LAUDO PERICIAL, AVERBAÇÃO TEMPESTIVA E RELATÓRIO VISTORIA IBAMA. AUSÊNCIA ADA. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudo Pericial, Relatório Vistoria do IBAMA e Averbação (Reserva Legal) à margem da matrícula do imóvel, formalizada antes da ocorrência do fato gerador, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental - ADA, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ISENÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. AUSÊNCIA.
Para fins de exclusão da área tributável, a área de preservação permanente (APP) do imóvel rural deve ser obrigatoriamente informada em Ato Declaratório Ambiental (ADA), em relação a fatos geradores ocorridos após o exercício de 2000.
No presente caso, a APP não foi informada em ADA, motivo da manutenção do lançamento neste ponto.
Numero da decisão: 9202-003.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a área de reserva legal averbada. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão(suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que votaram por dar provimento parcial em maior extensão.
Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente
(assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Redator Designado
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO VIA LAUDO PERICIAL, AVERBAÇÃO TEMPESTIVA E RELATÓRIO VISTORIA IBAMA. AUSÊNCIA ADA. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudo Pericial, Relatório Vistoria do IBAMA e Averbação (Reserva Legal) à margem da matrícula do imóvel, formalizada antes da ocorrência do fato gerador, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental - ADA, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ISENÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. AUSÊNCIA. Para fins de exclusão da área tributável, a área de preservação permanente (APP) do imóvel rural deve ser obrigatoriamente informada em Ato Declaratório Ambiental (ADA), em relação a fatos geradores ocorridos após o exercício de 2000. No presente caso, a APP não foi informada em ADA, motivo da manutenção do lançamento neste ponto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a área de reserva legal averbada. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão(suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que votaram por dar provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO VIA LAUDO PERICIAL, AVERBAÇÃO TEMPESTIVA E RELATÓRIO VISTORIA IBAMA. AUSÊNCIA ADA. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudo Pericial, Relatório Vistoria do IBAMA e Averbação (Reserva Legal) à margem da matrícula do imóvel, formalizada antes da ocorrência do fato gerador, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental ADA, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ISENÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. AUSÊNCIA. Para fins de exclusão da área tributável, a área de preservação permanente (APP) do imóvel rural deve ser obrigatoriamente informada em Ato Declaratório Ambiental (ADA), em relação a fatos geradores ocorridos após o exercício de 2000. No presente caso, a APP não foi informada em ADA, motivo da manutenção do lançamento neste ponto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 02 93 /2 00 6- 28 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a área de reserva legal averbada. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão(suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que votaram por dar provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13161.000293/200628 Acórdão n.º 9202003.564 CSRFT2 Fl. 165 3 Relatório TÚLIO ALVES FILHO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 20/06/2006 (AR fl. 34) exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2002, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Austrália”, localizado no município de Deodápolis/MS, cadastrado na RFB sob o nº 19204426 conforme peça inaugural do feito, às fls. 25/33, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, consubstanciada no Acórdão n° 0414.363/2008, às fls. 56/59, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1a Turma Especial, em 12/05/2010, por maioria de votos, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 28010.533, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL I TR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por expressa previsão legal, em se tratando de áreas de preservação permanente e utilização limitada, é indispensável que se comprove que houve a comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. Recurso negado.” Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 96/102, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, defendendo ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras/Turmas dos Conselhos/CARF e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 30335.736, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, independe da requisição tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA, sobretudo quando aludidas áreas se encontram averbadas à margem da matrícula do imóvel (Reserva Legal), bem como lastreadas em Laudo Técnico com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica – ART e Relatório de Vistoria do IBAMA, ao contrário do que restou decidido pelo julgado recorrido. Contrapõese ao entendimento da Turma recorrida, defendendo que as áreas de reserva legal e preservação permanente, conquanto que devidamente comprovadas mediante Laudo Técnico, Averbação e Relatório Ibama, devem ser excluídas da base de cálculo do Imposto Territorial Rural, mormente quando aludidos documentos não foram objeto de contestação pela autoridade lançadora e/ou julgadora. Infere que a legislação de regência estabelece que o contribuinte não está obrigado a promover a comprovação prévia das áreas declaradas como isentas em sua Declaração de ITR, ou mesmo apresentar ADA tempestivo, conforme se verifica do artigo 10, § 7°, da Lei n° 9.393/1996, na redação dada pela MP n° 2.16667/2001. No entanto, assevera que, mesmo desobrigada, a autuada apresentou Laudo Técnico e Relatório do IBAMA, além dos registros imobiliários, comprovando a existência de referidas áreas. Por fim, repisa os argumentos lançados em sede de recurso voluntário, requerendo o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do contribuinte, sob o argumento de que o recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, conforme Despacho S/N/2012, às efls. 142/143. Instada se manifestar a propósito do Recurso Especial do Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às efls. 145/162, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13161.000293/200628 Acórdão n.º 9202003.564 CSRFT2 Fl. 166 5 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada pelo Contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras/Turmas dos Conselhos/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 30335.736, ora adotado como paradigma, determina que a comprovação da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, independe do requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental – ADA, notadamente quando devidamente comprovadas a partir de prévia averbação à margem da matrícula do imóvel, bem como lastreadas em Laudo Técnico com a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica – ART e Relatório de Vistoria do Ibama, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural sobre as áreas de reserva legal e preservação permanente. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão do contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, em consonância com a farta e mansa jurisprudência administrativa, impondo a reforma do Acórdão recorrido com o fito de restabelecer a ordem legal nesse sentido, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Como se extrai dos dispositivos legais encimados, em nosso entendimento, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à reserva legal e preservação permanente, na forma que sustenta a recorrente. Entrementes, afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e/ou de reserva legal. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, tratando do tema nos seguintes termos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Por outro lado, para os exercícios de 2001 em diante, após o advento da Lei no 10.165, de 28/12/2000, que alterou a Lei no 6.938/1981, entende parte dos julgadores deste Colegiado que a protocolização atempado do ADA passou a ser exclusiva exigência legal, para fins de fruição da isenção em comento. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a Fl. 169DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13161.000293/200628 Acórdão n.º 9202003.564 CSRFT2 Fl. 167 7 auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da intempestividade e/ou ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa da reserva legal e preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludidas áreas, como aqui se vislumbra. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do Fl. 170DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Assim, afora a exigência de apresentação do ADA contemplada pela legislação vigente à época do fato gerador do tributo em debate, o mesmo entendimento levado a efeito na área de reserva legal deve ser adotado para a preservação permanente, sobretudo em face do disposto no artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, a qual estabelece que a isenção em epígrafe sobre aludidas áreas, independe de prévia comprovação (requisição atempada do Fl. 171DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13161.000293/200628 Acórdão n.º 9202003.564 CSRFT2 Fl. 168 9 ADA), bastando que o contribuinte a declare como tal na DITR, ficando sujeito ao pagamento do imposto devidamente corrigido na hipótese de falsidade na informação. Melhor elucidando, o que torna ainda mais digno de realce, em vista deste evidente conflito entre as normas que regulamentam a matéria, impõese privilegiar a verdade real, ou seja, a comprovação material da área declarada pelo contribuinte como de reserva legal e preservação permanente, o que se constata na hipótese dos autos, como se verifica da Averbação procedida à margem da escritura do imóvel (antes da ocorrência do fato gerador), às fls. 43V (reconhecida pela própria autoridade lançadora – área de 621,5 ha), do Laudo Técnico delimitando precisamente referidas áreas, às fls. 46/53, bem como Relatório de Vistoria do IBAMA, às fls. 44/45, afastando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento eleito pela autuada. Nesse sentido, o certo é que a Averbação (Reserva Legal), o Laudo Técnico e o Relatório do Ibama, apresentados pelo contribuinte, se prestam a comprovar a existência das áreas de preservação permanente e reserva legal, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional, mormente em homenagem ao princípio da verdade material. Partindo dessas premissas, tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pelo contribuinte, ainda que não apresentado o ADA, impõese o restabelecimento de tais áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE E DARLHE PROVIMENTO, para rechaçar as glosas das áreas de reserva legal (no limite da averbação 621,5 ha) e preservação permanente (valor declarado – 111,80 ha), pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 172DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator designado. Com todo respeito ao nobre relator, acompanho seu voto PARCIALMENTE, pois divirjo de sua conclusão quanto à Área de Preservação Permanente (APP). Antes de nossa análise sobre a questão da APP, cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Com essa declaração, aos órgãos responsáveis, e pela busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Cabe esclarecer que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essa benesse estatal, isenção, buscase, portanto, uma conduta dos cidadãos. No caso, o objetivo é a preservação das áreas declaradas, pela fiscalização das áreas informadas pelo ADA. Buscase estimular a preservação e proteção da flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e melhor qualidade de vida. Feito o ressalte, cabe analisarmos, no caso em questão, se o contribuinte agiu conforme a legislação. O lançamento referese ao ano de 2002 e nos autos não encontramos ADA entregue ao IBAMA. Na análise dos autos, é nosso dever verificar se a exigência está em consonância com o que determina a legislação sobre a matéria. Portanto, cabe a este colegiado decidir sobre a causa, aplicando o direito à espécie. Na legislação está expressa a determinação para a entrega do ADA. Lei 6.938/1981: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13161.000293/200628 Acórdão n.º 9202003.564 CSRFT2 Fl. 169 11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1o A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Esclarecemos, também, que a exigência de entrega do ADA não foi alterada pela mudança da Lei 9.393/1996, incluída pela Medida Provisória (MP) 2.16667, de 2001: Lei 9393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. ... § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. De forma clara a legislação afirma que a declaração (ADA) para fim de isenção do ITR não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante. Ou seja, o declarante informa o que conceitua como correto, sem prévia comprovação da sua parte, cabendo aos órgãos da administração pública solicitarem, ou não, a posterior comprovação. Não se deve confundir prévia comprovação do declarado com entrega de declaração, que são dois atos totalmente distintos. O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação nesse sentido. Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; ... Fl. 174DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e Portanto, como o ADA não foi apresentado para comprovação da APP, correto está o lançamento, motivo da negativa do provimento do recurso especial do sujeito passivo neste ponto, APP. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, acompanhando o relator quanto à ARL e negando provimento ao recurso do contribuinte quanto à APP, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 175DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10073.903430/2009-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-004.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano DAmorim (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Waldir Navarro Bezerra e Francisco José Barroso Rios.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’Amorim (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Waldir Navarro Bezerra e Francisco José Barroso Rios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 34 30 /2 00 9- 21 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Por bem explicitar os fatos ocorridos até o presente momento processual, adotase o relatório formulado pela autoridade julgadora de primeira instância nos seguintes termos: “Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 01670.16305.300309.1.7.042705, em 30/03/2009, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, em 14/09/2001, a título de Contribuição para a COFINS, atinente ao período de apuração 08/2001, com débito da CSLL, referente ao período de apuração 4° Trim./2004 no valor de R$ 2.873,93. Por meio do Despacho Decisório de folha 6, o Delegado da DRF VOLTA REDONDA, não homologou a compensação declarada, ao argumento de que o crédito analisado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada, inconformada, ingressou, em 18/11/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 14, na qual alega, em síntese, que: Apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no referido despacho decisório acima mencionado; Desta forma, procedeuse à transmissão do referido documento aos sistemas da Receita Federal e posteriormente retificado de acordo com o recibo de entrega via internet pelo Agente Receptor SERPRO; Recebeu o Despacho Decisório com data de emissão 07/10/2009 informando de que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”; Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; Exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente da época em que procederam as referidas compensações e utilizouse dos mecanismos exigidos pela Receita Federal, ou seja, PER/DCOMP, para finalizar o processo de compensação de pagamento indevido ou a maior, sendo que apenas não procedeu a retificação das DCTFs e demais obrigações acessórias; Fl. 77DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.903430/200921 Acórdão n.º 3802004.002 S3TE02 Fl. 112 3 No caso específico, o valor da contribuição para a COFINS utilizado na referida compensação foi através do código da receita 2172, no valor de R$ 32.946,75 com data de recolhimento em 15/06/2004, enquadrandose na hipótese legal de "pagamento a maior ou indevido", e tratandose de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo assim sua compensação amparada conforme cita o Art. 74 da Lei 9.430/96; 7) São estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) Da inexistência do crédito para a compensação constante no PER/DCOMP e respectivo DARF; b) Do direito em retificaras DCTFs e demais obrigações acessórias.” Ao analisar a impugnação, a 4a Turma da DRJ do Rio de Janeiro II rejeitou os argumentos do contribuinte, em acórdão assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformado com a decisão recorrida, o contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos expendidos em sede de impugnação. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Por intermédio de seu Recurso Voluntário, o Recorrente busca desconstituir as razões de negativa de sua manifestação de inconformidade pela instância originária, em decisão que teve como principal fundamento a ausência de comprovação do direito creditório pelo sujeito passivo. Entendo que o recurso não deve ser provido. Isso porque, desde sua origem, o Recorrente não comprova a materialidade de seus créditos. A questão se mostra ainda mais nítida a partir do momento em que o Recorrente foi instado a se manifestar sobre o assunto pela DRJ, pois esta foi a razão pela negativa de acolhida à sua manifestação de inconformidade. A resposta apresentada em sede recursal para isso, ao invés de ser a apresentação do material probante, foi a suposta desnecessidade de prova, e mesmo a irregularidade das normas administrativas que exigem a demonstração de prova para compensação. Segundo o Recorrente, bastaria a apresentação da DCOMP para que a compensação se efetivasse. Ora, não somente as normas administrativas existem para regulamentar as leis e garantir sua fiel execução no caso dos decretos (art. 84, IV, da CRFB e art. 99 do CTN), como também o próprio CTN reconhece em atos normativos administrativos a função de norma complementar à legislação tributária (art. 100, I), como também o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao instituto da compensação, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170, do CTN. Neste espeque, o Recorrente, mesmo instado a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve de fato o pagamento dos DARF’s indicados no PER/DCOMP. A rigor, o mero fato de a linha argumentativa do sujeito passivo ser sinuosa, com argumentações distintas para o suposto crédito a ser compensado, já denota ausência de liquidez e certeza do crédito, a teor do art. 170 do CTN – lei complementar que dispõe sobre normas gerais em matéria de legislação tributária. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser compensado no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a compensação pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.903430/200921 Acórdão n.º 3802004.002 S3TE02 Fl. 113 5 (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 80DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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