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Numero do processo: 10675.000878/2005-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Data do fato gerador: 31/12/2000
SIMPLES. EXCLUSÃO. REINGRESSO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO.
Não havendo qualquer discussão acerca da exclusão do contribuinte do sistema simplificado de pagamentos, a partir de 01/01/2002, por verificação de situação impeditiva de sua permanência, não se pode cogitar de seu reingresso, de ofício, a partir do ano-calendário seguinte. Inaplicáveis as disposições do ADI SRF nº 16/2002, por não se tratar de erro de fato no preenchimento do Termo de Opção nem da FCPJ.
Numero da decisão: 1301-000.525
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/12/2000 SIMPLES. EXCLUSÃO. REINGRESSO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Não havendo qualquer discussão acerca da exclusão do contribuinte do sistema simplificado de pagamentos, a partir de 01/01/2002, por verificação de situação impeditiva de sua permanência, não se pode cogitar de seu reingresso, de ofício, a partir do ano-calendário seguinte. Inaplicáveis as disposições do ADI SRF nº 16/2002, por não se tratar de erro de fato no preenchimento do Termo de Opção nem da FCPJ.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/12/2000 SIMPLES. EXCLUSÃO. REINGRESSO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Não havendo qualquer discussão acerca da exclusão do contribuinte do sistema simplificado de pagamentos, a partir de 01/01/2002, por verificação de situação impeditiva de sua permanência, não se pode cogitar de seu reingresso, de ofício, a partir do anocalendário seguinte. Inaplicáveis as disposições do ADI SRF nº 16/2002, por não se tratar de erro de fato no preenchimento do Termo de Opção nem da FCPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, André Ricardo Lemes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10675.000878/200589 Acórdão n.º 130100.525 S1C3T1 Fl. 24 2 Relatório RESTAURANTE CARGA PESADA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0920.680, de 10/09/2008, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte acima identificada, em razão de sua exclusão do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições – SIMPLES procedida através do ADE DRF/UBE nº 512.248, de 02/08/2004, em função de seu sócio ou titular participar de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta do anocalendário de 2000 ter ultrapassado o limite legal, em conformidade com o inciso IX do artigo 9º; artigo 12; inciso I do artigo 14 e inciso II do art. 15 da Lei 9.317/1996 e art. 73 da MP 2.158 34, de 27/07/2001, à fl. 07. Apresentada SRS, a autoridade preparadora manteve a exclusão. A contribuinte entregou manifestação de inconformidade, onde alega, em síntese, que: 1. Efetivamente incorreu na situação excludente em 31/12/2000; 2. Sua exclusão, segundo a legislação, se daria a partir do anocalendário subseqüente; 3. De acordo com a IN SRF 355/2003, enquadrase na situação em que a exclusão surte efeitos a partir de 01/01/2002; 4. No exercício de 2001, não incorreu em vedação ao Simples, por permanecer a receita global das empresas em montante inferior ao limite global. Assim, com base no ADI SRF nº 16/2002, preenche todos os requisitos exigidos pela lei para admissibilidade no Simples retroativamente à data de 01/01/2002. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0920.680, de 10/09/2008 (fls. 12/14), indeferiu a solicitação com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Data do fato gerador: 31/12/2000 OPÇÃO. VEDAÇÃO. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10675.000878/200589 Acórdão n.º 130100.525 S1C3T1 Fl. 25 3 empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. Ciente da decisão de primeira instância em 18/09/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 15, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/10/2008 conforme carimbo de recepção à folha 16. No recurso interposto (fls. 16/19), em apertada síntese, a interessada esclarece que houve o fato excludente e que não está discutindo o que está na lei. Seu pleito é pelo retorno ao SIMPLES, retroativo à data de 01/01/2003. A recorrente afirma seu direito em face da legislação, especialmente o ADI SRF nº 16/2002, e do fato de que “no período a empresa não incorria em nenhuma das vedações prevista pela legislação que obstasse o seu regresso ao Simples”. Ainda, sua “intenção inequívoca” de aderir ao sistema simplificado de pagamentos estaria claramente manifestada pelos pagamentos efetuados. Conclui com o pedido de retorno de ofício ao SIMPLES na data de 01/01/2003. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Inicialmente, é de se ressaltar que o presente processo cuida do litígio referente à exclusão de ofício do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), formalizado por via do Ato Declaratório Executivo DRF/UBE nº 512248, de 02/08/2004 (fl. 07), com efeitos a partir de 01/01/2002. Quanto a este ponto, verifico que inexiste o litígio, em face da concordância expressa da interessada no que toca à situação excludente e à não discussão “do que está na lei”. O que a ora recorrente deseja discutir é a possibilidade de sua reinclusão no sistema, de ofício, a partir de 01/01/2003, diante de sua afirmação de que durante o ano calendário 2002 não teria incorrido em nenhuma situação excludente e, ainda, de sua inequívoca intenção de aderir ao sistema, manifestada pelos pagamentos efetuados. A contribuinte escora sua pretensão no artigo único do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16/2002, a seguir transcrito, para maior clareza. Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10675.000878/200589 Acórdão n.º 130100.525 S1C3T1 Fl. 26 4 Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada O acórdão recorrido deixou clara a inaplicabilidade, ao caso vertente, do ADI acima transcrito, com o que concordo. Não se trata, aqui, de erro de fato no preenchimento do Termo de Opção ou da FCPJ, mas sim do fato de que o contribuinte foi excluído do sistema por se verificar condição que o impedia de nele permanecer. Se seu desejo é de reingressar no sistema simplificado, deve fazêlo pelas vias previstas na legislação de regência, a saber, efetivando sua alteração cadastral no CNPJ do Ministério da Fazenda, formalizada mediante preenchimento e entrega da FCPJ, como bem demonstrou o ilustre relator da Turma Julgadora a quo. Essa forma de ingresso é estabelecida pelo art. 8º da Lei nº 9.317/1996 e regulamentada pelo art. 16 e seus parágrafos da IN SRF nº 34/2001. Examinando os autos, não encontro qualquer evidência de que o contribuinte tenha procurado esse caminho. Por todo o exposto, o pedido da contribuinte de reingresso no SIMPLES, de ofício, a partir de 01/01/2003, não pode ser acolhido, pelo que nego provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10880.722092/2013-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 04/02/2009, 26/05/2009, 14/09/2009, 04/05/2010, 12/07/2010, 02/09/2010, 04/11/2010, 07/07/2011, 23/08/2011, 03/11/2011, 24/01/2012, 18/04/2012
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DA REAL ADQUIRENTE. FRAUDE NÃO DEMONSTRADA. PENA DE PERDIMENTO INCABÍVEL.
A medida extrema de perdimento dos bens a favor da União, nos moldes do art. 23, IV, §1º e §3º, do Decreto-Lei 1.455/76 somente se mostra cabível quando demonstrada cabalmente as fraudes imputadas ao contribuinte. É ônus da fiscalização munir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Na ausência de provas, o lançamento tributário é nulo, por vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-004.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1584; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 553 1 552 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.722092/201309 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.711 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA ÔNUS DA PROVA Recorrente COMÉRCIO DE PRESENTES CHANG HONG ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 04/02/2009, 26/05/2009, 14/09/2009, 04/05/2010, 12/07/2010, 02/09/2010, 04/11/2010, 07/07/2011, 23/08/2011, 03/11/2011, 24/01/2012, 18/04/2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DA REAL ADQUIRENTE. FRAUDE NÃO DEMONSTRADA. PENA DE PERDIMENTO INCABÍVEL. A medida extrema de perdimento dos bens a favor da União, nos moldes do art. 23, IV, §1º e §3º, do DecretoLei 1.455/76 somente se mostra cabível quando demonstrada cabalmente as fraudes imputadas ao contribuinte. É ônus da fiscalização munir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Na ausência de provas, o lançamento tributário é nulo, por vício material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 20 92 /2 01 3- 09 Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 554 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de lançamento no valor de R$ 545.296,64, relativo à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias já comercializadas importadas através das Declarações de Importação (DI) analisadas, as quais foram identificadas como praticadas mediante ocultação do real adquirente em operações de comércio exterior. As empresas OSKN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e ASIAMEX IMPORTADORA EXPORTADORA LTDA foram penalizadas em virtude da atuação de ambas em operações de importação, nas quais ficou comprovado que elas agiram no sentido de ocultar a participação de terceiros que efetivamente eram os reais adquirentes das mercadorias importadas. Então, foi aplicada a pena de perdimento das mercadorias importadas pela OSKN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e ASIAMEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e posteriormente enviadas para a COMÉRCIO DE PRESENTES CHANG HONG LTDA EPP, em virtude da ocultação desta última empresa na operação de importação, aplicandose o disposto no § 3º, do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76. Contra a OSKN e a ASIAMEX foram lavrados autos de infração para aplicação da multa prevista no art. 33, da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Relata a fiscalização, quanto à OSKN o seguinte: (...) em procedimento de fiscalização na OKSN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ 08.989.948/000123, doravante denominada simplesmente OKSN, foram apurados fatos demonstrando que essa empresa efetuou, em nome próprio, operações de comércio exterior de terceiros, ocultando estes ao Fisco Federal, caracterizando assim a interposição fraudulenta de pessoas. Restou comprovado que embora a OKSN promovesse a importação de mercadorias em nome próprio, efetivamente registrando as declarações de importação e dando uma aparência de legalidade às operações, na realidade isso era feito ocultando do Fisco os reais beneficiários dessas operações, que foram as empresas listadas no doc. 21 (fls. 2168 a 2173), comprovadamente as verdadeiras encomendantes das mercadorias importadas pela OKSN. Foi lavrado, então, o presente Auto de Infração, com base no artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, que prevê a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, aplicável à pessoa jurídica que cedeu seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. 4. DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 555 3 4.1 Da Diligência ao Estabelecimento da Empresa e Primeira Intimação Em 07/05/2012 foi lavrado o Termo de Início de Fiscalização e Intimação nº 110/2012 (fls. 62 a 74) intimando a empresa a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias contados da ciência, os documentos e esclarecimentos pertinentes à ação fiscal em curso. Nesta mesma data foi realizada por essa fiscalização diligência no local indicado como domicílio fiscal da empresa, situado na Avenida Rio Branco, 45 – Sala 1705 – Centro – Rio de Janeiro/RJ. A ciência do Termo de Início de Fiscalização e Intimação foi dada pessoalmente nessa ocasião (fls. 64), à Sra. Maria Janeide M. Aragão, que se identificou como secretária do Sr. Lin Haiping, sócio administrador da OKSN, que não se encontrava presente. Foram anexados ao Termo de Início cópia da identificação funcional da Sra. Maria Janeide (fls. 74) e cópia de um alvará de licença para estabelecimento (fls. 73). Porém, este documento autorizava o funcionamento da OKSN na Rua Leandro Martins, 20 Sala 501, ou seja, tratase do alvará da antiga sede da empresa e não da atual. Mesmo assim, chamese atenção para o fato da licença vedar a circulação de mercadorias e armazenagem no local. Causou total estranheza o fato da sede de uma empresa que movimentou, somente no período fiscalizado, quase 40 milhões de reais, ser simplesmente uma sala comercial, com apenas uma secretária. Não é possível entender como, naquele local e através de que pessoas, possam ter sido negociadas todas as operações comercias que envolveram a nacionalização de mercadorias importadas com valor aduaneiro total de quase 17 milhões de reais, que é o cenário ora fiscalizado. 6. DA ANÁLISE FISCAL 6.1 DA CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DA EMPRESA Foram apresentadas, conforme protocolo de fls 76, cópias do contrato social e de sua primeira alteração (doc. 1), dos documentos de identificação dos sócios (doc. 2), de fatura de energia elétrica do mês de abril/2012 (doc. 3), de boleto bancário de serviços de telefonia/dados também do mês de abril/2012 (doc. 3), da notificação de lançamento do IPTU 2012 (doc. 3), de uma escritura de compra e venda (doc. 3) e de um Livro Registro de Empregados com data de abertura de outubro de 2009 (doc. 4). Quanto ao registro de empregados, existem no Livro 4 registrados, porém, na diligência ao estabelecimento em 07/05/2012, só estava presente a Sra. Janeide Aragão, secretária. Ela, da mesma forma que o sócio da empresa em entrevista, informou ser a única funcionária da empresa. Além disso, chamou imediatamente atenção o fato das faturas de energia elétrica (fls. 109) e telefonia (fls. 111) apresentadas estarem em nome de outra empresa, a AAS ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA., CNPJ 09.154.495/000188, que é exatamente a prestadora de serviços aduaneiros da fiscalizada, cujo sócio majoritário com 99% de participação (fls. 2167) é o Sr. Alexandre Ayres dos Santos (inicias AAS), CPF 013.512.79718, já citado no presente relatório como sendo despachante e representante legal da fiscalizada. Afinal, quem funciona na Rio Branco 45, sala 1705? A empresa fiscalizada e o seu escritório de despacho funcionam na mesma sala comercial? Em busca desta resposta, fizemos ampla pesquisa na Internet, procurandose pela razão social da fiscalizada, pelo seu nome de fantasia (OARY), pelo nome de seu sócio e não existe absolutamente nada. O que encontramos, com muita Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 556 4 facilidade, já que consta de vários apontadores de lista, foi a indicação da empresa AAS ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA., cuja localização informada é a Av. Rio Branco, 45 Sala 1705 (fls. 2166), embora ao Fisco a AAS informe seu endereço de cadastro na Rua Cândido Portinari, 445, Barra da Tijuca (fls. 2167). Tais constatações inferem diretamente para a atuação da fiscalizada como interposta em suas operações de comércio exterior, pois não se entende de que forma a OKSN pôde movimentar, somente no período fiscalizado, quase 17 milhões de reais em importações, a partir de uma sala comercial com área bruta de 63 m ² (fls. 113) , com apenas uma secretária, sem depósito nem exposição de mercadorias, sem vendedores, sem representantes comerciais, sem site na Internet e com um capital social de apenas R$ 100.000,00, totalmente incompatível com o porte de uma empresa que faturou, no período fiscalizado, aproximadamente 40 milhões de reais. 6.2 DA ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS PARA FECHAMENTO DE CÂMBIO E PAGAMENTO DE TRIBUTOS Esta análise foi pautada nos documentos listados abaixo, apresentados pela fiscalizada, que foram analisados em conjunto com os dados das declarações de importação registradas: · Extratos Bancários (doc. 7); · Contratos de Câmbio constantes nos dossiês de cada DI autuada (fls. 2630 a 9559); · Escrituração contábil composta dos Livros Diário (doc. 8 a 11) e Razão (doc. 12 a 15) dos anos de 2008 a 2011 e os Livros Registro de Entradas (doc. 16) e Registro de Saídas (doc. 17) dos anos de 2008 a 2012 (escriturados até abril). As operações de câmbio e pagamento de tributos das importações auditadas são feitas em uma única conta bancária, qual seja a conta 2649034, da agência 0716 do Banco HSBC. Esses extratos bancários apresentados pela fiscalizada, constantes do doc. 7, materializam e comprovam a alta movimentação financeira da empresa, apurada inicialmente através de consulta aos sistemas informatizados da RFB, já suscitada no item 2 do presente relatório e que atinge nos anos fiscalizados a cifra de R$ 39.868.213,34. Existe ampla movimentação de recursos a crédito na conta corrente da empresa, de forma “pulverizada”, ou seja, muitas entradas, com valores diversos, por meios também diversos, como por exemplo, cheques depositados pelo correntista, cheques depositados por terceiros, TED de diferente titularidade, depósito em dinheiro e recebimentos de títulos bancários emitidos pela correntista pagos em dinheiro e cheque. Segue abaixo uma reprodução de parte do extrato bancário de fls 227 e 228 de julho/2010, onde se vê entradas que variam de R$ 50,00 a R$ 178.918,00: (...) Através da análise dos extratos bancários é possível visualizar que os fechamentos de câmbio e os pagamentos de tributos são feitos exatamente com recursos oriundos dessas entradas diversas, como as citadas acima. A contabilidade apresentada (doc. 12 a 15) registra essas entradas como “Recebimento de Clientes” na Conta 1.1.2.01.01.001 Clientes Diversos no País (fls. 1305), porém, não as Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 557 5 identifica. Ou seja, não há referência a que notas fiscais de venda essas entradas dizem respeito, nem consequentemente de que clientes se originaram. A não identificação dessas origens é presunção legal de interposição fraudulenta. Legalmente, o importador passaria a ser caracterizado como interposto fraudulento pelo fato de não ter conseguido comprovar a origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior, conforme prevê o Decreto Lei n° 1.455/76, art. 23, § 2°, com a redação dada pelo art. 59 da MP 66/2002. Porém, com o uso das novas tecnologias da fiscalização tributária, que se modernizou em busca da apuração de fraudes mais complexas, foi feito, sobretudo através do sistema CONTÁBIL, o cruzamento das informações das notas fiscais emitidas pela empresa com as declarações de importação por ela registradas. Nesse cruzamento de informações, através do qual foi possível verificar o conteúdo de cada nota fiscal de venda emitida, ficou evidenciada a integral transferência de mercadorias importadas através de uma declaração de importação a um único cliente, ou seja, ao destinatário da nota fiscal de venda, que agora tornase conhecido. Assim, obtevese a prova direta de que a fiscalizada realiza operações para revenda a encomendante predeterminado, pois, os aspectos quantitativos, qualitativos e temporais dessas operações, conforme minuciosamente explicitado no próximo tópico, comprovam tal fato. Dessa forma, ao invés de presumir, por ficção legal, a interposição fraudulenta por não comprovação de origem, foi possível comprovar documentalmente a existência dos reais beneficiários das operações, os identificando. Materializouse, então, nas importações da fiscalizada, um quadro de interposição fraudulenta comprovada, ao invés de presumida. Se essas importações tivessem sido realizadas diretamente com recursos fornecidos por esses beneficiários, restaria caracterizada a importação por conta e ordem desses. Como não foi verificada tal situação, restou caracterizada a importação por encomenda, conforme disposições da Lei n° 11.281/2006, regulamentada pela Instrução Normativa SRF n° 634, de 24 de março de 2006. Relata a fiscalização, quanto à ASIAMEX o seguinte: Transcrevemos abaixo trecho do relatório final da ação fiscal em desfavor da empresa ASIAMEX, onde estão expostos fatos que ensejaram a proposta de inaptidão e que ensejaram, também, a lavratura de auto de infração em desfavor da referida empresa, tendo em vista o disposto no artigo 33, da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 6.5. DAS OPERAÇÕES POR ENCOMENDA Embora a empresa fiscalizada declarese como real adquirente das mercadorias importadas diretamente por ela ou através da empresa PRINCIPAL COMERCIO IMPORTACAO E EXPORTACAO, de fato, ela é uma prestadora de serviço que opera através de encomenda de terceiros. ASIAMEX, empresa recém estabelecida, realizou importações de R$5.000.000,00 no seu primeiro ano de existência, e não possuía ativos em seu Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 558 6 poder nos quais os credores pudessem se ressarcir, o que indica que as operações por ela realizadas não se tratavam de operações em nome e por conta e risco próprios. Qual exportador assumiria o risco de vender a prazo para empresa recém estabelecida, sem ativos e em outro país? Como este exportador iria se ressarcir no caso de falta de pagamento dado que ASIAMEX era sediada em outro país? Excluindose os 6 (seis) automóveis analisados no item 6.2 deste relatório, todo o restante das mercadorias importadas compreende miudezas, como bolsas, malas, carregadores de celular, abajures, mini rádios, enfeites para festa, carteiras, pasta para notebook, porta moedas, lanternas, secadores de cabelo, mouses,, fone de ouvido, enfeites para celular, etc., que compreenderam, somente no ano de 2011, cerca de 20.000.000 (vinte milhões) de itens. Tamanha variedade de mercadorias sugere uma estrutura de vendas de porte para poder colocálas no mercado em prazo economicamente viável, mas, como já foi visto, ASIAMEX possuía poucos funcionários, nenhum vendedor, muito menos showroom, ou lojas físicas ou virtuais. A estrutura operacional da empresa é totalmente incompatível, uma sala pequena em um prédio de escritórios. O contrato de locação (anexo 115) alerta para a proibição de fixação de qualquer placa de anúncio na sala: É difícil imaginar uma loja atacadista que compra e vende miudezas em uma pequena sala no 19º andar, onde sequer podese fixar um anúncio ou placa que identifique o seu negócio. O Livro Registro de Empregados (Anexo 73) registra apenas 3 (três) empregados que ingressaram na empresa a partir de 2011, com cargos administrativos. Não há como imaginar a empresa vendendo uma variedade infinita de itens sem ter em seu quadro de funcionários um único vendedor. Frente à falta de apresentação dos documentos usuais em negociações internacionais, sejam mensagens eletrônicas, précontratos, ou outros, a alegação de que as compras no exterior são feitas via Skype caiu no vazio (Anexo 117). Da mesma maneira ficou a alegação de que uma Sra. de nacionalidade chinesa viria até o escritório de ASIAMEX no Brasil oferecer seus produtos, como informado pelo seu sócio gerente no termo de declarações (item 5.2), mais uma vez sem supedâneo probatório que o lastreie. Na ocasião da diligência ao imóvel para o qual a empresa fiscalizada mudou se recentemente, localizado na Barra da Tijuca, a fiscalização recebeu da única funcionária que estava presente, um folder com a informação dos serviços de intermediação em comércio exterior prestados pela ASIAMEX, onde é detalhada a forma de atuação dela no mercado: (...) Ou seja, resta claro que a ASIAMEX presta serviços em conjunto com a empresa PRINCIPAL (o que será abordado mais adiante), e vende serviços de intermediação em comercio exterior utilizando como chamariz o fato de usufruir, indevidamente, benefícios referentes ao ICMS de Rondônia. Como diz a última frase em seu folder “efetuamos cálculos que comprovam as vantagens para quem usa os nossos serviços”. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 559 7 Seguramente as mercadorias importadas não foram objeto de negociação convencional, em que um importador, recém constituído, por sua própria conta e risco, nacionaliza mercadorias em valores que, só no primeiro ano, representaram cerca de 20 vezes o seu capital social. E, então, bravamente sai às ruas vendendo miudezas e que, por coincidência, são a exata demanda de seus clientes. Através do demonstrativo extraído a partir do Sistema Contábil constante do anexo 195 é possível verificar que todas as mercadorias importadas pela ASIAMEX já tinham destinatário determinado ao serem desembaraçadas. Esse demonstrativo consiste de uma planilha, para melhor visualização, contendo o número de todas as DI autuadas, a data de desembaraço das mesmas, a discriminação e quantidades dos itens importados através de cada uma delas, o número da nota fiscal de venda emitida pela fiscalizada com a totalidade dos itens importados em cada DI, a data de emissão dessa nota fiscal (para que possa ser comparada com a data de desembaraço), os dados do destinatário da nota fiscal (CNPJ e nome) e o valor aduaneiro da operação, já que é sobre este que se calcula a penalidade ora lançada. Nos anexos 61 a 71 e 120 a 151 estão os extratos das declarações de importação autuadas. A análise dessas operações, sob os aspectos quantitativos, qualitativos e temporais, evidenciam que as mesmas se referiam à uma revenda a encomendante predeterminado. O que nos leva a esta conclusão é, em primeiro lugar, a aproximação entre a data do desembaraço e a data da nota fiscal de venda, cerca de um a três dias de diferença. Se ASIAMEX estivesse operando a partir de desígnio e por conta e risco próprios, normalmente haveria um lapso temporal entre a importação e a revenda do bem, dado que a tarefa de achar um comprador para o mesmo normalmente toma tempo. Segundo, pelo fato de que as mercadorias desembaraçadas em uma determinada Declaração de Importação eram destinadas em sua totalidade a um único cliente. Impossível supor que em dois ou três dias a empresa receberia a mercadoria do exterior, ofertaria no mercado e venderia em lotes exatos, conforme distribuição das Declarações de Importação. Isto considerando que não possuía loja onde pudesse expor o seu produto. A análise dos dados da planilha constante do anexo 195 demonstra, com exatidão, como as mercadorias já tinham destino quando desembaraçadas, evidenciando a existência de ajuste prévio entre as partes. A seguir uma parte dela: (...) Assim temse, como exemplo, as mercadorias descritas nas DIs 11/0018893 4, 11/00533879 e 11/01137535. Elas foram enviadas, em sua totalidade, respectivamente para os clientes ZHUO YONG, LIN LAILAI – ME e JOANA DO FLORENCIO PRESENTES LTDA., no mesmo dia do desembaraço ou um dia depois. Este modo de operar, que caracteriza a operação por encomenda, foi utilizado em todas as operações autuadas na presente fiscalização, com exceção das importações de automóveis. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 560 8 6.6. DAS IMPORTAÇÕES REALIZADAS ATRAVÉS DA EMPRESA PRINCIPAL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA. Conforme já comentado, a maior parte das importações da ASIAMEX foi realizada através da empresa PRINCIPAL COMERCIO IMPORTACAO E EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA., CNPJ 09.181.456/000170, localizada em Rondônia. Ou seja, a ASIAMEX consta nas Declarações de Importação registradas pela PRINCIPAL como real adquirente das mercadorias importadas por ela. A empresa PRINCIPAL informou à RFB que sua sede estaria localizada na cidade de Porto Velho. Segundo cadastros da RFB, o despachante ALEXANDRE AYRESDOS SANTOS é o representante legal da PRINCIPAL nos últimos 24 meses, o que demonstra uma ligação desta empresa com o grupo referido no item 2 deste relatório. Os 3(três) sócios atuais da PRINCIPAL residem em Niterói, RJ (anexo 174). Ela foi habilitada a operar no comércio exterior em 12/2007 na modalidade simplificada, submodalidade operação de pequena monta, podendo importar até U$150.000,00 (anexo 167). Em 12/2008 a PRINCIPAL protocolizou junto à Receita Federal de Porto Velho, nos autos do PAF 10240.720.370/200853, um requerimento para modificar a habilitação para a modalidade ordinária, o que lhe permitiria importações de valores maiores. Porém, o seu pedido foi indeferido (anexo 177) por não atender aos requisitos exigidos pela IN 650/2006. Em sua ficha de habilitação não consta o motivo específico do indeferimento, mas há uma observação de que a fatura de energia elétrica apresentada estava em nome de terceiros. Deste modo, ela permaneceu com a habilitação de pequena monta, sendo que, nos sistemas RFB, constam apenas dois clientes cadastrados, sendo um deles a ASIAMEX. Não obstante, nos últimos dois anos, a PRINCIPAL realizou importações indiretas no valor de US$ 5.209.676,89, sendo que US$ 5.085.999,54 (98%) foram para a ASIAMEX. O restante das importações (2%) foram por conta e ordem da empresa HLJW 2006 IMPORTACAO E EXPORTAÇÃO DE ARTIGOS DE BAZAR LTDA – ME, CNPJ 08.831.670/000242, localizada também no Rio de Janeiro. Frente à logística incomum, surge a dúvida, porque ASIAMEX estaria utilizando uma empresa localizada em RONDÔNIA, a milhares de quilômetros de distância, sendo que as mercadorias eram desembarcadas e desembaraçadas em portos localizados no Rio de Janeiro? Segundo informações do sócio Saulo Medeiros (item 4.2), as transações com a PRINCIPAL foram motivadas, além da amizade comum com seus sócios, por conta dos benefícios de ICMS oferecidos pelo Estado de Rondônia. Com base nesse depoimento, investigouse, através de sites na Internet, a natureza deste benefício. O próprio site da ASIAMEX, ao anunciar os seus serviços de intermediação, faz uma breve explanação do citado incentivo que, ao final das contas, reduziria os custos de importação, abrindo grande vantagem frente a quem optasse por importar diretamente: (...) Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 561 9 Ou seja, a PRINCIPAL, para usufruir de tal benefício, deveria estar de fato estabelecida no Estado de Rondônia, gerando emprego e renda à população daquele Estado. Mas, pelos elementos analisados, não parece que isso ocorra de fato. Os sócios da PRINCIPAL e o responsável legal e despachante, ALEXANDRE AYRES DOS SANTOS, residem no Rio de Janeiro. Este último é também despachante da ASIAMEX. A PRINCIPAL tem suas atividades concentradas no Rio de Janeiro. As suas duas clientes estão sediadas neste estado e as importações são desembaraçadas nos portos localizados aqui. Não há indicativo de nenhuma outra negociação ocorrida em Rondônia. Todos estes elementos indicam que a PRINCIPAL e a ASIAMEX atuam juntas de forma interposta para usufruir benefícios de forma ilegal. Primeiro pelo fato de que a ASIAMEX, usufruindo de um limite alto para realizar importações por conta de sua habilitação ordinária, se declara real adquirente das mercadorias importadas pela PRINCIPAL , quando, de fato, ela não é. Tratase de interposição em camadas, o real adquirente não é ASIAMEX, é um terceiro que contratou os seus serviços. Segundo, pelo fato da PRINCIPAL estar simulando operações de importação para usufruir benefício fiscal no Estado de Rondônia que, em tese, deveria ser utilizado para empresas que gerassem emprego e renda à população daquele Estado. Não é crível que os sócios administrem a empresa, residindo no Rio de Janeiro. Não faz sentido a sua existência em Rondônia, se suas atividades ocorrem no Rio de Janeiro. Todos esses fatos já indicavam que a PRINCIPAL era uma empresa de fachada, porém, a comprovação inequívoca de tal fato veio com a diligência realizada em 06 de novembro de 2012 (Anexo 189) por Auditoresfiscais da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Velho/RO, cujo termo de Diligência e Constatação foi integralmente reproduzido abaixo, tendo em vista conter informações inequívocas que atestam que essa empresa não mantém atividade naquele município, mas, simula tal situação para usufruir de benefício tributário concedido pelo Estado de Rondônia. (...) Esta operação fraudulenta possibilitou a ocultação dos reais beneficiários das operações, que são as empresas listadas no Anexo 194. Tais empresas não possuem habilitação para operar no comércio exterior e dificilmente a obteriam, pois, as pesquisas aos sistemas apontam para diversas irregularidades, inclusive envolvimento em fraudes e omissão de declarações ao Fisco Federal. Ou seja, essas empresas, não poderiam, através delas próprias, importar as mercadorias que desejavam revender no mercado interno, pois não obteriam habilitação para tal fim. Também não poderiam, de forma legal, utilizar os serviços de importação de outra empresa, por encomenda ou por conta e ordem, pois para isto também precisariam estar habilitadas. Assim, se utilizaram da ASIAMEX para fazer o que não poderiam fazer sozinhas. 7. CONCLUSÃO Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 562 10 As provas reunidas ao longo do presente apontam para uma atuação da empresa ASIAMEX em comércio exterior eivada de interposição de pessoas, visando à ocultação dos reais responsáveis pelas respectivas operações, mediante simulação, conforme minuciosamente descrito no item 6.5 do presente relatório. A conduta da ASIAMEX, tendo cedido seu nome para a realização de operações cujos reais beneficiários eram os encomendantes listados no anexo 194, tipificase perfeitamente nas disposições legais do artigo 33 da Lei 11.488 de 15/06/2007 abaixo transcrito: (...) Assim, considerando toda a análise consubstanciada no presente relatório, fica autuada a fiscalizada, em conformidade com o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 integrados com os demais dispositivos legais citados no corpo do presente relatório, aplicandose a multa de 10% do valor das operações de importação da ASIAMEX, representadas pelas 13 Declarações de Importação listadas abaixo, lembrando que tal multa não pode ser inferior a R$ 5.000,00 em cada operação. As 157 operações nas quais a PRINCIPAL figurou como importador ostensivo e a ASIAMEX como real adquirente serão objeto de auto de infração lavrado em separado. Resta então a esta fiscalização a lavratura do presente Auto de Infração que, para constar e produzir os devidos efeitos legais, vai assinado por nós, Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, e pelo representante da autuada que, neste ato, é cientificado e recebe cópia do mesmo. Em impugnação, a empresa alegou: Em sede preliminar, foi arguida nulidade dos lançamentos por vício relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Aduziu a defesa que o MPF delimitava o objeto da fiscalização ao exercício 2012 e ao tributo IRPJ. Prosseguiu afirmando que, uma vez tendo sido objeto dos lançamentos as contribuições PIS e COFINS, não haveria outra solução senão a anulação do MPF e, consequentemente, do auto de infração. No mérito, a impugnante aduziu a ausência de provas e que a autoridade fiscal lançou com base em presunção, sem qualquer amparo legal. Ainda, postulou a inexistência de solidariedade com base no art. 124 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN). Segundo a defesa, todas as operações se caracterizam simplesmente como aquisição de mercadorias no mercado interno. Também foi alegado desproporcionalidade das multas aplicadas e caráter confiscatório, tendo a defesa afirmado que: “A MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO SOMENTE PODE SER APLICADA QUANDO A MERCADORIA AINDA NÃO TIVER SIDO DESEMBARAÇADA” (fl. 409). Outro pleito trazido pela impugnante é o da aplicação da retroatividade benéfica da multa aplicada com o advento da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, mormente por seu art. 33, que prevê multa de 10% do valor da operação por cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior. Em suas considerações finais, a ora impugnante pleiteou juntada Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 563 11 posterior de outros elementos probatórios, dilação de prazo para impugnação e realização de diligência. Devidamente impugnado o auto de infração, a 2ª Turma da DRJ/FNS, no acórdão n° 0736.403, negou provimento ao apelo. Entendeu a DRJ que não há dúvida quanto à configuração da interposição fraudulenta: IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior quando a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada. A ocultação do real adquirente e a interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, são consideradas dano ao Erário, punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Em seu recurso voluntário, a empresa requer a nulidade do auto de infração e aponta que não há provas da conduta fraudulenta a ela imputada. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. De início, cumpre diferençar a interposição fraudulenta comprovada e a presumida para corretamente valorar as provas produzidas nestes autos, o que se faz a seguir. I.a Interposição fraudulenta comprovada O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 prescreve: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 564 12 § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. A interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior, prevista no artigo 23, do Decreto Lei nº 1.455/1976 e artigo 689, VI, § 3º e §3ºA do Regulamento Aduaneiro vigente (Decreto nº 6.759/09), é definida como a participação de terceiro agente em operação de comércio exterior com o objetivo de ocultar o real vendedor, comprador ou o sujeito responsável pela operação, praticada mediante fraude ou simulação. A penalidade cabível é a pena de perdimento, que será aplicada após o encerramento do procedimento especial instaurado nos termos da IN SRF nº 228/2002. A pena de perdimento também encontra guarida no art. 105 do DecretoLei nº 37, de 1966: Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: VI – estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; O perdimento convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (§ 1º e do art. 689, do Regulamento Aduaneiro). Essa multa será exigida mediante lançamento de ofício que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União (§ 2º art. 73 da Lei 10.833/2003). A autoridade lançadora deve trazer elementos de prova para caracterização de interposição fraudulenta, uma vez que, em regra geral, considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito: CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 565 13 A prova deve ser efetiva e inequívoca para aplicação da pena de perdimento, dessa forma deve ser comprovado objetivamente o dano ao Erário mediante fraude e simulação. No que tange às infrações, o dolo e a culpa não podem ser presumidos, devem sim ser provados, conforme a lição de Paulo de Barros Carvalho1: Sendo assim, ao compor em linguagem o fato ilícito, além de referir os traços concretos que perfazem o resultado, a autoridade fiscal deve indicar o nexo entre a conduta do infrator e o efeito que provocou, ressaltando o elemento volitivo (dolo ou culpa, conforme o caso), justamente porque integram o vulto típico da infração. A autuação fiscal por interposição comprovada referese a graves condutas fraudulentas imputadas ao contribuinte, por isso o auto de infração deve trazer todo o suporte documental para avaliação da configuração de tais condutas ilícitas. I.b Interposição fraudulenta presumida A disposição legal do § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 prevê que a ausência de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior enseja o perdimento ou multa substitutiva. Tratase de presunção legal, que pode ser afastada sempre que a empresa autuada comprovar a origem, a disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. Então, na interposição presumida as operações de comércio exterior não são realizadas pela própria empresa, mas por outrem. Por consequência, aplicase o perdimento e a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1º da Lei nº 9.430/1996. Havendo presunção legal, cabe à autoridade administrativa apresentar provas do fato que enseja a aplicação dessa presunção, como ensina Fabiana Del Padre Tomé2: Qualquer que seja a modalidade de presunção, é imprescindível a prova dos indícios para, a partir deles, demonstrar a existência de causalidade com o fato que se pretende dar por ocorrido. A diferença reside na circunstância de que, tratandose da chamada presunção legal, a relação causal entre fato presuntivo e fato presumido dáse no âmbito prélegislativo. Identificando o aplicador do direito, no caso concreto, a situação prevista na hipótese da regra de presunção, há de concluir pela ocorrência do fato prescrito no consequente normativo: o fato presumido. A demonstração do fato presuntivo é condição inarredável para a constituição do fato presumido. 1 Direito Tributário Linguagem e Método. 6ª ed. São Paulo: Editora Noeses, 2015, p. 857. 2 A Prova no Direito Tributário. 4ª ed. São Paulo: Noeses, 2016, p. 299300. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 566 14 I.c Caracterização da Interposição Fraudulenta neste caso Segundo a descrição do auto de infração, os dados coletados que caracterizariam que a autuada se ocultou ao Fisco nas operações de importação conduzidas pela OKSN e pela ASIAMEX, caracterizando dano ao Erário de forma comprovada, são os citados abaixo: 6.3 DAS OPERAÇÕES POR ENCOMENDA Nas fls. 2630 a 9559, estão os dossiês de importação de todas as 341 declarações autuadas na presente fiscalização, constando de extrato da DI, fatura (invoice), conhecimento de carga, contrato de câmbio, nota fiscal de entrada e notas fiscais de venda, através das quais a fiscalizada deu saída às mercadorias por ela importadas. Para melhor visualização de que as mercadorias importadas pela OKSN já tinham destinatário determinado ao serem desembaraçadas, os dados acima foram tabulados nas planilhas constantes dos doc. 22 a 26, separadas por ano, contendo cada planilha o número de todas as DI autuadas, a data de desembaraço das mesmas, a discriminação e quantidades dos itens importados através de cada uma delas, o número da nota fiscal de venda emitida pela fiscalizada com a totalidade dos itens importados em cada DI, a data de emissão dessa nota fiscal (para que possa ser comparada com a data de desembaraço), os dados do destinatário da nota fiscal (CNPJ e nome) e o valor aduaneiro da operação, já que é sobre este que se calcula a penalidade ora lançada. A análise dessas operações, sob os aspectos quantitativos, qualitativos e temporais, comprovam que as mesmas são para revenda a encomendante predeterminado. Sob os dois primeiros aspectos, levandose em conta a gama de produtos importados, bem como a grande quantidade de cada um deles, não seria razoável crer que, após cada desembaraço, a OKSN encontrasse aqui no mercado interno, por mero acaso e coincidência, uma só empresa interessada em exatamente toda a carga desembaraçada. Seria concordar que a fiscalizada fosse capaz de saber perfeitamente em quantidades e sortimento a exata demanda dos seus clientes. O aspecto temporal das operações que a fiscalizada tenta registrar como legais é ainda mais comprovador da fraude. A data de desembaraço, por exemplo, da DI 11/07163368 é 20/04/2012 (DI 220). A nota fiscal de entrada n° 538 (fls. 7110) e a de venda n° 539 (fls. 7111) também são de 20/04/2012. No campo fático, seria completamente inexequível desembaraçar, emitir nota de entrada e vender tudo em um mesmo dia. Se a OKSN estivesse operando a partir de desígnio e por conta e risco próprios, normalmente haveria um lapso temporal entre a importação e a revenda dos bens, dado que a tarefa de achar um comprador para o mesmo normalmente toma algum tempo. Mesmo considerando que em algumas operações a data da nota fiscal de venda não seja exatamente a mesma do desembaraço, o intervalo é de no máximo dois ou três dias, período no qual é igualmente impossível supor que a empresa receberia a mercadoria do exterior, ofertaria no mercado e venderia em lotes exatos. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 567 15 Enfim, é esse o “modus operandi” da OKSN e exatamente nesses moldes são todas as 341 operações autuadas na presente fiscalização. Isso pode ser visualizado nas planilhas constantes dos documentos 22 a 26, que contêm todas as operações dos anos de 2008 a 2012. Entretanto, frisese que as planilhas se propõem apenas a fornecer uma melhor visualização. Os instrumentos de prova, efetivamente, são os próprios documentos, que como já citado, encontramse nas fls. 2630 a 9559. 6.4 DOS REAIS BENEFICIÁRIOS DAS OPERAÇÕES, OS ENCOMENDANTES No tópico anterior, ficou demonstrado que as mercadorias importadas pela OKSN tinham destinação certa ao serem desembaraçadas. Ao contrário de uma operação comum de importação, onde o importador nacionaliza mercadorias para oferecer no mercado interno, por sua conta e risco, as operações em questão foram feitas para destinatários predeterminados, sob demanda destes. Assim, a OKSN foi apenas uma intermediadora das operações, cujos reais beneficiários foram seus clientes, destinatários das notas fiscais de venda, verdadeiros compradores das mercadorias importadas. Como já citado anteriormente, se essas importações tivessem sido realizadas com recursos fornecidos por esses compradores, restaria caracterizada a importação por conta e ordem desses terceiros, que seriam tecnicamente chamados de reais adquirentes. Como isso não foi verificado, restou caracterizada a importação por encomenda, sendo os compradores das mercadorias chamados de encomendantes. Dessa forma, a OKSN é uma empresa que atua como importadora por encomenda, porém, e onde reside o problema, ocultando do Fisco essa informação. A lista dos clientes da OKSN, encomendantes das mercadorias importadas através das declarações de importação ora autuadas, encontrase no doc. 21. Essas empresas ficaram ocultas ao Fisco até a presente fiscalização. A OKSN registrou as declarações de importação, declarandose como real adquirente das mercadorias importadas, ocultando os reais encomendantes da relação jurídico tributária. Para essas empresas atuarem legalmente, adquirindo de um importador por encomenda, mercadorias de procedência estrangeira para comercialização, deveriam ter sido atendidas as regras para as importações sob encomenda previstas na Lei n° 11.281/2006 e na IN SRF n° 634/2006, quais sejam: 1a) A Declaração de Importação somente poderia ser registrada após a habilitação do encomendante no SISCOMEX; 2a) O encomendante deveria informar à Receita Federal as operações em que utilizaria um importador; e 3a) O importador por encomenda deveria indicar em campo próprio da DI o CNPJ do encomendante. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 568 16 De acordo com o parágrafo único do artigo 3° da IN SRF n° 634/2006, enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Nada disso foi feito. Os encomendantes não foram habilitados, a RFB não foi informada que seria utilizado um importador por encomenda para realizar essas operações nem este importador, OKSN, indicou na DI quem seriam os encomendantes (fls. 2630 a 9559). Em pesquisa aos sistemas informatizados da RFB, verificase que os clientes da OKSN são, em sua maioria, empresas pequenas, localizadas em São Paulo, atuantes no conhecido mercado de venda de importados daquela capital. Tais empresas não possuem habilitação para operar no comércio exterior e dificilmente a obteriam, pois, as pesquisas aos sistemas apontam para diversas irregularidades, inclusive envolvimento em fraudes e omissão de declarações ao Fisco Federal. Ou seja, essas empresas, não poderiam, através delas próprias, importar as mercadorias que desejavam revender no mercado interno, pois não obteriam habilitação para tal fim. Também não poderiam, de forma legal, utilizar os serviços de importação de outra empresa, por encomenda ou por conta e ordem, pois para isto também precisariam estar habilitadas. Assim, se utilizaram da OKSN para fazer o que não poderiam fazer sozinhas. (...) Dentre as empresas mantidas ocultas nas operações da empresa OSKN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, verificou se que a autuada foi destinatária das mercadorias importadas sob o amparo de 05 declarações de importação, conforme constante da planilha abaixo: (...) Em relação às importações da empresa ASIAMEX IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA a autuada foi destinatária das mercadorias das declarações listadas na planilha abaixo: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 569 17 Na ação fiscal em desfavor da OSKN BRASIL, verificouse que as mercadorias das declarações de importação listadas foram transferidas na sua totalidade para a autuada, por meio das notas fiscais também listadas na planilha acima. Na próxima planilha transcrevemos as datas de registro e desembaraço das declarações de importação e também as datas de emissão das notas fiscais de venda das mercadorias constantes de cada D.I.: O quadro acima corrobora o já mencionado no relatório final da ação fiscal em desfavor da empresa OSKN BRASIL, no que tange ao aspecto temporal das operações de importação efetuadas pela empresa. O lapso temporal entre o desembaraço das mercadorias e o seu repasse para a autuada foi mínimo, indicando, junto com os demais fatos apurados no decorrer da referida ação fiscal, o caráter de encomenda das importações efetuadas pela OSKN BRASIL. Os dados transcritos foram apurados por meio de consultas realizadas nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil e com base nos documentos recebidos da empresa OSKN BRASIL. No anexo I do presente auto de infração juntamos os extratos das declarações de importação juntamente com seus documentos instrutivos e as respectivas notas fiscais de venda. No anexo II, juntamos as partes de relatório constante do auto de infração lavrado em desfavor da OSKN BRASIL, onde consta a correlação das declarações de importação e as notas fiscais de venda das mercadorias à COMÉRCIO DE PRESENTES CHANG HONG LTDA. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 570 18 Além das declarações de importação relacionadas no relatório acima mencionado, constatamos que o autuado foi destinatário, também, das mercadorias constantes da DI Nº 12/07138683, por meio da Nfe nº 609, emitida em 19/04/2012. Com a emissão do MPF Nº 0815500201300427, em desfavor da autuada, intimamos a mesma a informar se ainda estava de posse/propriedade das mercadorias adquiridas da OSKN BRASIL e da ASIAMEX, importadas sob o amparo das declarações citadas acima. Em resposta (anexo III), o autuado informou que já ter comercializado as mercadorias em questão, configurandose, então, a hipótese prevista no § 3º, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76, abaixo transcrito: (...) Assim sendo, não restando dúvida quanto à aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas pela OSKN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e ASIAMEX IMPORTADORA EXPORTADORA LTDA, posteriormente enviadas para a COMÉRCIO DE PRESENTES CHANG HONG LTDA EPP, em virtude da ocultação desta última empresa nas operações de importação e, tendo em vista a comercialização das referidas mercadorias, lavrase o presente auto de infração para aplicação da multa prevista no § 3º, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76. Como se observa acima, a autoridade fiscal afirma que a empresa Comércio de Presentes Chang Hong foi a real adquirente das mercadorias objeto das DI autuadas. E não como compradora no mercado interno, mas utilizandose da empresa OKSN e da ASIAMEX/PRINCIPAL em operações irregulares de comércio exterior mediante interposição fraudulenta, permanecendo oculta ao Fisco. Segundo a fiscalização, as operações de importação conduzidas pela OKSN e pela ASIAMEX/PRINCIPAL eram sempre declaradas como próprias. Entretanto, a movimentação das mercadorias recém desembaraçadas evidenciava situação que não se coadunava como importações por conta própria, ou seja, a totalidade das mercadorias era integralmente revendida imediatamente após o desembaraço a uma única empresa (em cada caso) e geralmente através de uma única nota fiscal. No auto de infração, a fiscalização faz menção ao Processo n° 10074.721681/201285, contra a OSKN: Em cumprimento a determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal nº 0815500201300427, procedemos à ação fiscal em desfavor da empresa COMÉRCIO DE PRESENTES CHANG HONG LTDA EPP, tendo em vista que verificouse que a mesma era a real adquirente de mercadorias importadas pelas empresas OSKN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e ASIAMEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, que agiram como interposta pessoa para ocultar a atuação do autuado nas referidas operações de importação, conforme relato a seguir. A empresa OSKN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA foi objeto de ação fiscal com o objetivo de Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 571 19 verificar se a mesma tinha capacidade econômicofinanceira para atuar no comércio exterior. Transcrevemos abaixo trechos do relatório final da ação fiscal em desfavor da empresa OSKN BRASIL, onde estão expostos os fatos que ensejaram a lavratura de auto de infração em desfavor da referida empresa, tendo em vista o disposto no artigo 33, da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Observase do relato da autoridade fiscal, que o convencimento a respeito da ocorrência da interposição fraudulenta se deu após a ação fiscal sofrida pela OSKN, objeto do Processo n° 10074.721681/201285. Inclusive, cita que: Os instrumentos de prova, efetivamente, são os próprios documentos, que como já citado, encontramse nas fls. 2630 a 9559. As páginas 2630 a 9559 são do Processo n° 10074.721681/201285. Da mesma forma, menciona o Processo n° 10074.721836/201283, contra a ASIAMEX: Assim sendo, a ASIAMEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO foi declarada inapta por irregularidade em operações no comércio exterior por meio de representação fiscal consubstanciada no processo administrativo nº 10074.721836/201283, conforme disposto na legislação acima transcrita. Transcrevemos abaixo trecho do relatório final da ação fiscal em desfavor da empresa ASIAMEX, onde estão expostos fatos que ensejaram a proposta de inaptidão e que ensejaram, também, a lavratura de auto de infração em desfavor da referida empresa, tendo em vista o disposto no artigo 33, da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Entretanto, é necessário esclarecer que ainda que nesses dois outros processos haja comprovação de interposição fraudulenta, nestes autos, não há. Neste processo, o auto de infração está acompanhado apenas de: 1) notas fiscais que supostamente acobertaram a saída (venda para a ora Recorrente) das mercadorias importadas, evidenciando que toda a operação fora previamente contratada e caracterizando a utilização de fraude mediante interposição; 2) planilha; 3) DIs; 4) cópia do Termo de Verificação Fiscal do Processo n° 10074.721681/201285; 5) cópia do Termo de Verificação Fiscal do Processo n° 10074.721836/201283 e 6) nada mais. Logo, entendo não haver elementos nestes autos capazes de confirmar o quadro fraudulento apontado pela fiscalização, matéria totalmente vinculada à produção de prova pela autoridade administrativa. Vejase que a própria DRJ fundamentou a manutenção do auto de infração, levando em conta a produção probatória nos outros processos, o de n° 10074.721681/201285 e o de n° 10074.721836/201283: Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 572 20 OSKN (...) Em diligência à sede da OSKN, verificouse que se tratava de uma mera sala comercial e contava com apenas um funcionário (secretária), o que inviabiliza sua atuação no comércio exterior por conta própria, uma vez ausentes infraestrutura humana e física para tal. Tendo em conta tais circunstâncias e demais analisadas no curso do processo nº 10074.721681/201285, foi lavrada autuação com base no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, por cessão de seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. (...) PRINCIPAL / ASIAMEX (...) Ainda, de acordo com o relatório, a Asiamex em seu primeiro ano de funcionamento nacionalizou mercadorias em valores que representaram cerca de vinte vezes o seu capital social (fl. 32). Tendo em conta tais circunstâncias e demais analisadas no curso do processo nº 11762.720069/201381, foi lavrada autuação em desfavor da Principal, com sujeição passiva solidária da Asiamex, com base no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, por cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Analisando as operações de importação da dupla Principal/Asiamex, concordo com as conclusões exaradas no relatório de fiscalização (fls. 3334) acerca da certeza de a impugnante ser a encomendante das mercadorias: (...) Os dados expostos caracterizam que a ora impugnante se ocultou ao Fisco nas operações de importação conduzidas por OKSN, Principal e Asiamex, caracterizando dano ao Erário de forma comprovada e não por presunção, o que, inclusive, permite a legislação em alguns casos. Deveria a autoridade lançadora ter trazido os elementos de prova para caracterização de interposição fraudulenta para este presente processo. Considerando o império da estrita legalidade, tipicidade tributária, motivação do lançamento tributário, devido processo legal e ampla defesa, diante da gravidade da fraude Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 573 21 aduaneira imputada à Recorrente, o lançamento tributário desprovido de provas deve ser declarado nulo, por vício material. Por conseguinte, deve ser cancelada a multa de perdimento aplicada, diante da total ausência dos pressupostos legais para sua aplicação. Os demais argumentos ofertados pela empresa perdem seus objetos em face da questão principal controvertida de mérito lhe ser favorável. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 574DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721074/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. NÃO APLICAÇÃO DO PRODUTO DA ALIENAÇÃO NO PRAZO DE 180 DIAS. ITBI. INTEGRAÇÃO AO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CABIMENTO. COMPROVAÇÃO.
1. O art. 39 da Lei 11196/05 preleciona que fica isento o ganho auferido pelo alienante pessoa física que, no prazo de 180 dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no país.
2. A lei é expressa ao estabelecer que o prazo de 180 dias é contado da celebração do contrato, não havendo previsão de contagem a partir da data da outorga da escritura e nem do seu registro perante o registro imobiliário.
3. O recorrente suportou o ônus econômico e financeiro do imposto de transmissão quando da aquisição do imóvel ora alienado, de tal forma que esse valor deve ser integrado ao custo de sua aquisição, conforme determina o art. 17, inc. I, alínea "e", da IN SRF 84/01.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHOS DE CAPITAL. MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. ACUSAÇÃO PROCEDENTE.
1. O Termo de Verificação Fiscal e o seu respectivo anexo 2 demonstram que o recorrente auferiu ganhos líquidos no mercado de renda variável, decorrentes de operações comuns e operações day-trade.
2. Isto é, o recorrente teve relação pessoa e direta com o fato "auferir renda" (art. 121, parágrafo único, inc. I, do CTN), fato este gerador da obrigação de pagar o imposto correspondente, conforme determina o art. 43, inc. I, do CTN.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. INTENÇÃO DO AGENTE. RELEVÂNCIA PARA FINS DE QUALIFICAÇÃO DA SANÇÃO PECUNIÁRIA. MULTA CONFISCATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
1. Conforme preleciona o inc. I do art. 44 da Lei 9430/96, a multa de 75% decorre do lançamento de ofício.
2. A eventual existência de má-fé é fato ensejador da sua qualificação, a fim de que o seu percentual seja duplicado.
3. A cláusula de não confisco está prevista na Constituição Federal e, para se concluir pela existência de imposição confiscatória, seria necessário declarar a inconstitucionalidade do art. 44 encimado, o que é vedado pela Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 2402-006.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial a fim de seja integrado ao custo de aquisição do imóvel o valor de R$ 16.004,60, pago a título de ITBI. Vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira que negou provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL E NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL Recorrente RENATO MUSSI LARA SAFAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. NÃO APLICAÇÃO DO PRODUTO DA ALIENAÇÃO NO PRAZO DE 180 DIAS. ITBI. INTEGRAÇÃO AO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CABIMENTO. COMPROVAÇÃO. 1. O art. 39 da Lei 11196/05 preleciona que fica isento o ganho auferido pelo alienante pessoa física que, no prazo de 180 dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no país. 2. A lei é expressa ao estabelecer que o prazo de 180 dias é contado da celebração do contrato, não havendo previsão de contagem a partir da data da outorga da escritura e nem do seu registro perante o registro imobiliário. 3. O recorrente suportou o ônus econômico e financeiro do imposto de transmissão quando da aquisição do imóvel ora alienado, de tal forma que esse valor deve ser integrado ao custo de sua aquisição, conforme determina o art. 17, inc. I, alínea "e", da IN SRF 84/01. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHOS DE CAPITAL. MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. ACUSAÇÃO PROCEDENTE. 1. O Termo de Verificação Fiscal e o seu respectivo anexo 2 demonstram que o recorrente auferiu ganhos líquidos no mercado de renda variável, decorrentes de operações comuns e operações daytrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 10 74 /2 01 1- 41 Fl. 2380DF CARF MF 2 2. Isto é, o recorrente teve relação pessoa e direta com o fato "auferir renda" (art. 121, parágrafo único, inc. I, do CTN), fato este gerador da obrigação de pagar o imposto correspondente, conforme determina o art. 43, inc. I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. INTENÇÃO DO AGENTE. RELEVÂNCIA PARA FINS DE QUALIFICAÇÃO DA SANÇÃO PECUNIÁRIA. MULTA CONFISCATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. 1. Conforme preleciona o inc. I do art. 44 da Lei 9430/96, a multa de 75% decorre do lançamento de ofício. 2. A eventual existência de máfé é fato ensejador da sua qualificação, a fim de que o seu percentual seja duplicado. 3. A cláusula de não confisco está prevista na Constituição Federal e, para se concluir pela existência de imposição confiscatória, seria necessário declarar a inconstitucionalidade do art. 44 encimado, o que é vedado pela Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, darlhe provimento parcial a fim de seja integrado ao custo de aquisição do imóvel o valor de R$ 16.004,60, pago a título de ITBI. Vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira que negou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 2381DF CARF MF Processo nº 15504.721074/201141 Acórdão n.º 2402006.223 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte foi lavrado Auto de Infração, anoscalendário 2006 e 2007, para a exigência de IRPF decorrente de: (a) omissão de rendimentos decorrentes de ganhos de capital na alienação de imóvel no valor de R$ 112.123,50 em 2006 e R$ 395.730,00 em 2007; (b) omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável, obtidos em operações comuns e em operações daytrade realizadas em Bolsa de Valores em 2007, nos respectivos valores de R$ 204.524,61 e de R$ 60.347,02. Segundo se depreende do relatório da decisão recorrida, que ora se reproduz, eis um resumo dos demais acontecimentos deste processo: Em 30/09/2011 o interessado apresentou a impugnação da exigência [...], alegando em síntese o que segue. Com relação à omissão apurada de ganho de capital na alienação do imóvel situado à Avenida do Contorno, 5.740, Belo Horizonte, argumenta que a operação satisfez ao espírito da Lei nº 11.196/2005, pois o propósito da venda do imóvel foi adquirir outro imóvel residencial, devendo fazer jus à isenção legal do imposto. Acrescenta o impugnante que a fiscalização considerou equivocadamente a data de alienação como sendo 14/12/2006, que seria apenas a data da celebração do contrato de compra e venda, ainda sem a transferência da propriedade, sendo a data correta de alienação a da assinatura da escritura e do competente registro junto ao Cartório de Registro de Imóveis, 19/03/2007. Caso tal argumento não seja aceito, apresenta alegação de que o procedimento de fiscalização não abrangia o ano base 2006, [...]. Aduz que não foi considerado como valor de aquisição do imóvel o pagamento a título de imposto sobre transmissão “inter vivos” de bens imóveis ITBI, no valor de R$ 15.000,00, e corretagem, no valor de R$ 45.000,00, que deveriam ter sido deduzidos do cálculo do ganho de capital. Relativamente às omissões apuradas de ganho líquido no mercado de renda variável, alega que, conforme já havia argumentado durante a fase preparatória do lançamento, teria ocorrido fraude nas operações praticadas pelas corretoras de valores, cuja veracidade está sendo discutida na CVM – Comissão de Valores Mobiliários e na Bovespa Supervisão de Mercados, existindo ainda notícia crime no Ministério Público Federal, que resultou em inquérito policial, e as competentes Fl. 2382DF CARF MF 4 ações civis contra as corretoras Agora Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S/A e Safra Corretora de Valores e Câmbio, o que implicaria a extinção ou suspensão de eventual cobrança tributária até o término das apurações. Discorre sobre princípios constitucionais que não teriam sido observados no procedimento fiscal, como os da igualdade, da ampla defesa e do processo legal, exaurindose no princípio do contraditório, que lhe foi negado pela Administração ao indeferir o pedido de prazo suficiente para análise de documentos, o que tornaria o processo eivado de vícios de nulidade. Por fim, manifesta sua discordância quanto ao pagamento de multa e juros, pois em nenhum momento agiu de máfé, acrescentando que o elevado valor da multa contraria todos os princípios morais e de direito consagrados na Constituição Federal. A DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: GANHO DE CAPITAL. DATA INICIAL DE CONTAGEM DO LAPSO TEMPORAL. O início da contagem do prazo de 180 dias para aplicação do produto da venda de imóvel residencial na aquisição de outro, para enquadramento em hipótese legal de isenção, é a data da celebração do contrato de venda, e não a do término dos pagamentos parcelados. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO IMÓVEL. ITBI E DESPESAS DE CORRETAGEM. PROVAS INSUFICIENTES. A impugnação deve ser instruída com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO (MPFF). ALTERAÇÃO DE PERÍODO DE APURAÇÃO. VALIDADE. No Termo de Início de Fiscalização consta a numeração do correspondente MPFF e o seu código de acesso à internet, permitindo que o sujeito passivo, sempre que necessitar, providencie o acesso a tal instrumento a fim de aferir sua regular emissão, assim como suas eventuais alterações, como prorrogações de prazo, inclusão de tributos/contribuições e/ou período de apuração. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PRORROGAÇÃO DE PRAZO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 2383DF CARF MF Processo nº 15504.721074/201141 Acórdão n.º 2402006.223 S2C4T2 Fl. 4 5 O indeferimento de dilação do prazo para o atendimento de intimação para apresentação de documentos comprobatórios do crédito alegado não caracteriza cerceamento do direito de defesa, mormente quando os documentos ainda poderiam ser juntados à impugnação, na qual a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento das razões da decisão proferida, bem como da legislação tributária aplicável. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 GANHO LÍQUIDO NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL OPERAÇÕES COMUNS E "DAY TRADE” RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. O contribuinte, na condição de sujeito passivo da obrigação tributária, tem relação pessoal e direta com a situação que constitui fato gerador da obrigação tributária principal, devendo suportar as consequências da má escolha do terceiro ou da má execução dos serviços delegados. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA ANÁLISE EM SEDE ADMINISTRATIVA. A apuração do crédito tributário efetuado em conformidade com as disposições legais aplicáveis não se encontra sujeita, no âmbito administrativo, a ponderações subjetivas relativas às arguições de ofensa a princípios constitucionais. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007 PENALIDADES. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. Uma vez instaurado o procedimento de ofício, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 22/01/2015 (fl. 2331) e interpôs recurso voluntário em 20/02/2015 (fls. 2333 e seguintes). Em seu recurso, o contribuinte não suscitou mais a nulidade do processo e nem pediu a dedução das despesas de corretagem da apuração dos ganhos obtidos com a alienação do imóvel, mas sim defendeu a improcedência do lançamento pelas demais razões de mérito esboçadas em sua impugnação. Ele ainda acrescentou uma nova tese de defesa, qual seja: a dedução do imposto apurado neste lançamento da quantia de R$ 729,89, cobrada a título de IRRF. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 2384DF CARF MF 6 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, mas não deve ser totalmente conhecido. A tese de que deveria ser deduzida do imposto apurado neste lançamento a quantia de R$ 729,89, cobrada a título de IRRF, não foi ventilada na impugnação, sendo, pois, insuscetível de conhecimento em grau recursal. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou a matéria ora suscitada, de forma que o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Destarte, não se conhece do recurso neste ponto. Fl. 2385DF CARF MF Processo nº 15504.721074/201141 Acórdão n.º 2402006.223 S2C4T2 Fl. 5 7 2 Da omissão decorrente dos ganhos de capital 2.1 DA ISENÇÃO O sujeito passivo se insurge contra essa acusação fiscal, ao argumento de que teria aplicado o produto da venda que teria originado o ganho de capital na aquisição de outro imóvel residencial dentro do prazo de 180 dias, o qual seria contado da data da outorga e registro da escritura pública. No seu entender, portanto, ele seria isento do imposto. Em contrapartida, a DRJ entendeu que o citado prazo seria contado da data da celebração do contrato, de tal forma que: houve um lapso temporal superior a 180 dias entre a data de celebração do contrato da venda da casa – 14/12/2006 – e a data de assinatura do contrato da compra do apartamento – 14/08/2007, de modo que a operação de venda da casa não foi alcançada pela isenção disciplinada pelo art. 39 da Lei nº 11.196/2005. Pois bem. A incidência do imposto de renda sobre ganhos de capital na alienação de bens ou direitos está fundamentada nos arts. 117 e seguintes do RIR/1999, com a redação da Lei 7713/88. Basicamente, o ganho de capital será determinado pela diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição (art. 138) e estará sujeito ao pagamento do imposto à alíquota de quinze por cento (art. 142). Essa diferença está sujeita, exemplificativamente, a determinados fatores de redução, tais como aqueles estabelecidos no art. 40 da Lei 11196/05 e aqueles previstos no art. 139 do Regulamento. A legislação igualmente estabelece determinadas hipóteses de isenção do ganho, tais como o ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos de pequeno valor, o ganho de capital auferido na alienação do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação seja de até quatrocentos e quarenta mil reais, o ganho de capital decorrente de indenização por desapropriação para fins de reforma agrária, etc. No tocante ao caso concreto, o art. 39 da Lei 11196/05 preleciona que fica isento o ganho auferido pelo alienante pessoa física que, no prazo de 180 dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no país. Vejase: Art. 39. Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País.(Vigência) Fl. 2386DF CARF MF 8 § 1oNo caso de venda de mais de 1 (um) imóvel, o prazo referido neste artigo será contado a partir da data de celebração do contrato relativo à 1a(primeira) operação. § 2oA aplicação parcial do produto da venda implicará tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não aplicada. § 3oNo caso de aquisição de mais de um imóvel, a isenção de que trata este artigo aplicarseá ao ganho de capital correspondente apenas à parcela empregada na aquisição de imóveis residenciais. § 4oA inobservância das condições estabelecidas neste artigo importará em exigência do imposto com base no ganho de capital, acrescido de: I juros de mora, calculados a partir do 2o(segundo) mês subseqüente ao do recebimento do valor ou de parcela do valor do imóvel vendido; e II multa, de mora ou de ofício, calculada a partir do 2o(segundo) mês seguinte ao do recebimento do valor ou de parcela do valor do imóvel vendido, se o imposto não for pago até 30 (trinta) dias após o prazo de que trata o caput deste artigo. § 5oO contribuinte somente poderá usufruir do benefício de que trata este artigo 1 (uma) vez a cada 5 (cinco) anos. É indubitável que o citado artigo estabelece uma hipótese de isenção, a qual, salvo melhor juízo, não pode ser interpretada de forma extensiva. Vejase, nesse sentido, o que prevê o Código Tributário Nacional: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; Tanto se trata de isenção, e não de não incidência pura e simples, que o contribuinte somente poderá usufruir do benefício uma vez a cada cinco anos (v. § 5º do art. 39 retro mencionado). De outro vértice, o caput do artigo é expresso ao determinar que fica isento do imposto o ganho auferido na hipótese que especifica, de modo que ao intérprete da norma não é permitido fazer interpretação extensiva. Vejase que o art. 39 é expresso ao prever que o prazo de 180 dias é contado da celebração do contrato, não havendo previsão de contagem a partir da data da outorga da escritura e nem do seu registro perante o registro imobiliário. É sabido que a transferência entre vivos da propriedade de bens imóveis ocorre mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. Ocorre, contudo, que a celebração do negócio, antes mesmo do citado registro, seja através da celebração de contratos particulares (compra e venda, compromisso de compra e venda, etc), seja através da outorga de escrituras públicas, viabiliza a obtenção do ganho de capital tributável. Fl. 2387DF CARF MF Processo nº 15504.721074/201141 Acórdão n.º 2402006.223 S2C4T2 Fl. 6 9 E mais, a legislação isentiva é expressa ao determinar que a contagem do prazo de 180 dias se inicia na data da celebração do contrato, de tal forma que a decisão da DRJ está de acordo com o direito vigente, devendo ser negado provimento ao recurso nesse particular. Quer dizer, o recorrente partiu da premissa equivocada de que o prazo seria contado da data da outorga da escritura (09/04/2007), pois a legislação preleciona que essa contagem se inicia na data da celebração do contrato (14/12/2006). Nem mesmo a jurisprudência invocada em sede de recurso voluntário socorre o contribuinte, pois ele não comprovou que aplicou o produto da alienação no prazo de 180 dias contado da celebração do contrato. 2.2 DA DEDUÇÃO DO ITBI Sucessivamente, o recorrente pede para que o ITBI pago quando da aquisição do imóvel alienado integre o custo de sua aquisição. Noutro giro, ele pede que ao valor de R$ 640.000,00 seja integrado o montante pago a título de imposto de transmissão inter vivos, no valor de R$ 16.004,60. A título de comprovação, anexa a escritura pública de aquisição do imóvel alienado. É que o acórdão recorrido entendeu que ele não teria declarado esse pagamento em sua declaração de ajuste e nem anexado à defesa a respectiva documentação comprobatória. Vejase: [...], é certo que as despesas de corretagem e a importância paga a título de ITBI, cujo ônus tenha sido do adquirente, podem integrar o custo de aquisição, [...]. Porém, o contribuinte não declarou tais pagamentos em sua DAA e nem anexou à sua defesa documentação relativa às alegadas despesas, não sendo possível verificar se seu ônus foi suportado pelo adquirente ou alienante do imóvel. Analisandose a declaração de ajuste anual do contribuinte, constatase que ele realmente não declarou e nem integrou ao custo de aquisição do imóvel vendido o pagamento do ITBI (v. fl. 2286). Entretanto, a escritura pública de fls. 2376/2378 demonstra que foi pago ao Município de Belo Horizonte a quantia de R$ 16.004,60 a título de imposto. De acordo com o art. 6º da Lei Municipal 5.492/88, que regulamenta o Imposto sobre Transmissão Onerosa de Imóveis "Inter Vivos" naquele Município, o tributo deve ser pago pelo comprador do imóvel1. 1 http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/ecp/comunidade.do?evento=portlet&pIdPlc=ecpTaxonomiaMenuPortal&app=itbi &tax=14169&lang=pt_BR&pg=5860&taxp=0&, acesso em 20 de fevereiro de 2018. Fl. 2388DF CARF MF 10 Logo, é inegável que o recorrente suportou o ônus econômico e financeiro do imposto de transmissão quando da aquisição do imóvel ora alienado, de tal forma que esse valor deve ser integrado ao custo de sua aquisição, conforme determina o art. 17, inc. I, alínea "e", da IN SRF 84/01: Art. 17. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual, no caso de: I bens imóveis: e) o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel; Está sendo deferida a juntada da citada escritura em grau recursal porque ela se destina a contrapor a argumentação do acórdão recorrido, segundo a qual o sujeito passivo não teria comprovado o dispêndio com o ITBI. Ademais, devese lembrar que o princípio da verdade material é específico do processo administrativo, diferentemente do princípio dispositivo, próprio do processo judicial, de maneira que o julgador tem ampla liberdade para investigar os fatos submetidos à sua apreciação. O próprio julgador pode, de ofício, determinar a realização das provas que entender necessárias para a formação do seu convencimento, razões pelas quais está sendo admitida a juntada de documento neste caso específico. Sopesandose, portanto, os princípios da verdade material e da preclusão, deve ser prestigiado, no caso vertente, o primeiro. Em síntese, o recurso voluntário deve ser provido neste ponto. 3 Dos ganhos no mercado de renda variável O recorrente assevera que comprovou que não auferiu renda, mas sim que teve prejuízos no mercado de renda variável; alega, ainda, que não omitiu intencionalmente os ganhos omitidos, haja vista que as operadoras financeiras não lhe teriam passado os extratos das movimentações em tempo hábil. Todavia, o Termo de Verificação Fiscal e o seu respectivo anexo 2 demonstram que o recorrente auferiu ganhos líquidos no mercado de renda variável, decorrentes de operações comuns e operações daytrade. Isto é, o recorrente teve relação pessoa e direta com o fato "auferir renda" (art. 121, parágrafo único, inc. I, do CTN), fato este gerador da obrigação de pagar o imposto correspondente, conforme determina o art. 43, inc. I, do CTN. Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Fl. 2389DF CARF MF Processo nº 15504.721074/201141 Acórdão n.º 2402006.223 S2C4T2 Fl. 7 11 Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; Lembrese que a obrigação tributária é exlege, ou seja, uma obrigação decorrente da realização do fato gerador descrito em lei, não sendo de grande relevância a intenção do sujeito passivo. Basta, portanto, que tenha ocorrido a ação ou a situação descrita em lei como ensejadora da obrigação de pagar o tributo correspondente. Mesmo a responsabilidade por infrações independe da vontade do sujeito passivo, como está expresso no art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Acrescentese, por fim, que o corretor age em nome do seu cliente, como demonstra o Código Civil, em seu art. 722: Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. Se porventura tiver havido falha na execução da mediação, é assegurado ao cliente a correspondente indenização por perdas e danos. Vejase: Art. 723. O corretor é obrigado a executar a mediação com diligência e prudência, e a prestar ao cliente, espontaneamente, todas as informações sobre o andamento do negócio.(Redação dada pela Lei nº 12.236, de 2010 ) Parágrafo único. Sob pena de responder por perdas e danos, o corretor prestará ao cliente todos os esclarecimentos acerca da segurança ou do risco do negócio, das alterações de valores e de outros fatores que possam influir nos resultados da incumbência.(Incluído pela Lei nº 12.236, de 2010 ) Logo, a decisão da DRJ é incensurável, devendo ser mantida nesse tocante. 4 Da multa de ofício A alegação de que a multa de ofício de 75% teria caráter abusivo não deve ser acolhida. Conforme preleciona o inc. I do art. 44 da Lei 9430/96, tal sanção decorre do lançamento de ofício. Vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 2390DF CARF MF 12 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A eventual existência de máfé é fato ensejador da sua qualificação, a fim de que o seu percentual seja duplicado, conforme prevê o § 1º do artigo retro mencionado: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nosarts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Como dito no tópico anterior, ademais, a responsabilidade por infrações independe da vontade do sujeito passivo. Por fim, a cláusula de não confisco está prevista na Constituição Federal e, para se concluir pela existência de imposição confiscatória, seria necessário declarar a inconstitucionalidade do art. 44 encimado. Como sabido, entretanto, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vejase, nesse sentido, a Súmula CARF 2, segundo a qual "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Isto é, a verificação de que a norma implicaria infringência ao desenho constitucional da exação tributária exacerba a competência originária desta Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, negandose provimento ao recurso neste particular. Em resumo, também se nega provimento ao recurso neste ponto. 5 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para, na parte conhecida, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de determinar a integração ao custo de aquisição do imóvel o valor de R$ 16.004,60, a título de ITBI. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 2391DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.001382/2003-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
COMPENSAÇÃO
O crédito deve ser reconhecido e a respectiva compensação homologada, quando comprovada a liquidez e a certeza do crédito tributário.
Numero da decisão: 1402-003.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e dar parcial provimento para reconhecer e homologar os créditos nos importes de R$ 126.286,68 e R$ 7.943,22 referentes ao período de 2003 e reconhecer e homologar o montante de R$ 234.788,97 para o período de 2002, mantendo a cobrança do valor não homologado de R$ 32.739,94.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e dar parcial provimento para reconhecer e homologar os créditos nos importes de R$ 126.286,68 e R$ 7.943,22 referentes ao período de 2003 e reconhecer e homologar o montante de R$ 234.788,97 para o período de 2002, mantendo a cobrança do valor não homologado de R$ 32.739,94. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 13 82 /2 00 3- 19 Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 574 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 575 3 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou totalmente improcedente a manifestação de inconformidade oferecida pela Recorrente. Em 11/02/03 a Recorrente requereu junto a Delegacia da Receita Federal de Brasil a homologação e compensação de créditos próprios com débitos próprios (fls. 1 e 2). Este pedido tratase de compensação de débitos de PIS e COFINS apurados nos meses de novembro e dezembro de 2003 no valor de R$ 269.960,72, com pretenso crédito de Saldo Negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2000 no valor de R$ 1.375.227,42. Ocorre que, em 28/07/2004, a Recorrente enviou a SRF Declaração de Compensação eletrônica 01984.54108.280704.1.3.024005m à qual foi recepcionada e baixada para ser analisada no presente processo, conforme cópia anexa às fls. 70 a 74. Tratase de compensação de débito de IRPJ Estimativa Mensal apurado em junho de 2004 no valor de R$ 7.943,22, com pretenso crédito de Saldo Negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2003 no valor de R$ 7.416,64. Por fim, a Recorrente requereu a compensação de créditos de Saldos Negativos de IRPJ apurados nos anoscalendário de 2000 e 2003, como débitos de PISe COFINS apurados nos meses de novembro e dezembro de 2003, e IRPJ Estimativa mensal apurado em junho de 2004, que perfaz o montante de R$ 277.377,36, conforme pedidos anexos Às fls. 01,02, 70 a 74. Sintetizando o histórico processual, em 21/10/2004, por meio do despacho decisório de fls. 110/115, esta Diort homologou parcialmente as seguintes compensações: a) declaração de compensação em formulário, entregue em 11/02/2003 (fls. 3 e 132): compensação de débitos de PIS e Cofins, no valor total de 269.960,72, apurados nos meses de novembro/2003 e dezembro/2003, com crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2000, no valor total de R$ 1.375.227,42; b) Dcomp nº 01984.54108.280704.1.3.024005, de 28/07/2004 (fls. 72/76):compensação de débito de estimativa de IRPJ, no valor de R$ 7.943,22, apurado em junho/2004, com crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2003, no montante original de R$ 7.416,64. A homologação parcial decorreu de inconsistências detectadas nos saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 2000, 2002 e 2003, redundando na cobrança dos seguintes débitos, cadastrados no sistema Profisc (fls. 107/108): Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 576 4 Tabela 1 Tributo/Código Período de Apuração Valor (R$) Motivo 1 IRPJ/2319 12/2002 127.301,22 Compensação Indevida/MS 2 IRPJ/2319 01/2003 21.638,73 Compensação Indevida/MS 3 IRPJ/2319 02/2003 25.060,57 Compensação Indevida/MS 4 IRPJ/2319 03/2003 22.701,94 Compensação Indevida/MS 5 IRPJ/2319 12/2003 65.014,44 Compensação Indevida/MS 6 IRPJ/2362 06/2004 7.943,22 Ausência de saldo credor 7 IRPJ/2390 12/2002 267.528,91 Saldo de IRPJ a pagar 8 IRPJ/2390 12/2003 126.286,68 Saldo de IRPJ a pagar A decisão proferida no referido despacho decisório foi integralmente mantida pela DRJ em sede de julgamento de manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. O Carf, por sua vez, ao apreciar o recurso voluntário, converteuo em diligência, solicitando a manifestação desta DRF acerca das alegações declinadas pela Interessada às fls. 184 e 197/203. Ato continuo, veio a resposta da diligência (Informação Fiscal) de fls.517/521 com o seguinte teor: [...] 5. Cabe salientar, em princípio, que a Contribuinte fez um depósito recursal prévio no valor de 30% da exigência fiscal, para a interposição do recurso voluntário, em conformidade com o que estabelecia a lei. Tendo tal exigência sido declarada inconstitucional pelo STF, a RFB providenciou a devolução do montante depositado, segundo se conclui da leitura do despacho de fls. 368, em atenção ao requerimento de fls. 316/317. 6. Quanto às referidas compensações e a cobrança dos débitos de que trata o presente processo, é importante observar o parecer desta Diort às fls. 326/327. De sua leitura, constatase que os débitos de que trata a declaração de compensação referida no item “a” do parágrafo 2 desta informação foram integralmente compensados com o crédito de saldo negativo do anocalendário de 2000, já o débito de que trata a Dcomp nº 01984.54108.280704.1.3.024005 (fls. 72/76) não foi compensado, em virtude do não reconhecimento do crédito de saldo negativo do anocalendário de 2003. 7. Após a revisão proposta no citado parecer desta Diort, os débitos impropriamente cadastrados e em cobrança no sistema Profisc, conforme tabela 1, foram excluídos do processo, tendo permanecido em cobrança apenas os seguintes débitos (tela do sistema Profisc em fls. 511): a) R$ 7.943,22, código do tributo 2362, vencimento em 30/07/2004; Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 577 5 b) R$ 267.528,91, código do tributo 2390, vencimento em 31/01/2003; c) R$ 126.286,68, código do tributo 2390, vencimento em 30/01/2004. 8. Os dois últimos débitos são decorrentes de valores apurados em razão de diferenças de IRPJ relativas aos anoscalendário de 2002 e 2003, conforme se observa nos itens 14 a 17 do despacho decisório de fls. 110/115. Quanto ao primeiro, foi objeto da Dcomp nº 01984.54108.280704.1.3.024005, cuja compensação não foi homologada em razão da inexistência de crédito de saldo negativo do anocalendário de 2003. 9. Assim sendo, feitas as correções de que trata o referido parecer de fls. 326/327, isto é, corrigidas as duplicidades de exigência alegadas pela Interessada em fls. 198, a presente diligência consiste em avaliar se os débitos remanescentes no presente processo são ou não devidos, respondendo as outras alegações arroladas no recurso voluntário de fls. 184 e 197/203. 10. Iniciase pela reprodução do Quadro 8 do item 21 do recurso voluntário (fls. 202), naquilo que interessa à presente análise. Tabela 2 Anocalendário valor apurado contribuinte valor apurado RFB diferença 2002 234.788,97 267.528,91 32.739,94 2003 133.703,32 126.286,68 (7.416,64) 11. A origem da diferença de R$ 32.739,94 de IRPJ do ano calendário de 2002, exigida pela RFB e contestada pela Interessada, pode ser identificada na tabela 3 adiante. [...] Tabela 3 fl. 3 da Informação fiscal. 12. Para o período de apuração referente a dezembro/2002, constatase que a Contribuinte declarou em DCTF o valor compensado no montante de R$ 1.073.525,45 (fls. 85). Todavia, o débito efetivamente compensado com o crédito de saldo negativo do anocalendário de 2000 foi de R$ 1.040.785,51, conforme reproduzido na tabela 3 e constante do demonstrativo do Quadro nº 02, de fls. 104 dos autos. 13. Com o objetivo de esclarecer a divergência detectada no IRPJ devido no anocalendário 2002, conforme parágrafo anterior, a Interessada foi intimada (fls. 370) a prestar informações e apresentar documentos identificando todos os valores que compuseram o saldo negativo do anocalendário de 2000, no montante de R$ 1.375.227,42. Notese que a RFB apurou saldo negativo de R$ 1.350.928,18, no mesmo ano calendário de 2000, conforme tabela 4 seguinte (vide também a tabela de fls. 103, relativa ao anocalendário de 2000). Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 578 6 Tabela 4 [...] 14. Quando se compara os dados da tabela 4 com aqueles apresentados pela Interessada em sua resposta à intimação (fls. 462), notase que a divergência apurada encontrase nas estimativas compensadas no mês de agosto/2000. Segundo os dados apresentados pela Contribuinte, o imposto compensado em agosto/2000 foi de R$ 232.352,66. Ocorre que a DCTF do período respectivo (fls. 49) indica compensações de débito no valor de R$ 208.053,42, composto de duas parcelas: R$ 176.233,34, com crédito de saldo negativo do anocalendário de 1999; e R$ 31.820,08, com saldo negativo do anocalendário de 1998. 15. Assim sendo, a apuração de saldo negativo a menor no ano calendário de 2000 (R$ 1.350.928,18 e não R$ 1.375.227,42) irá redundar em IRPJ devido no anocalendário de 2002, no valor de R$ 32.739,94. 16. Resta, portanto, um saldo a pagar de IRPJ no valor de R$ 32.739,94 para o período de apuração de dezembro/2002. 17. No que diz respeito ao anocalendário de 2003, verificase o seguinte: Tabela 5 [...] fl. 4 da Informação Fiscal. 18. O crédito suspenso de que trata a tabela 5 foi extinto por pagamento, conforme extrato do processo nº 11853.001612/200607 (fls. 512/514), de modo que o valor apurado pela RFB de IRPJ devido (R$ 126.286,68, conforme planilha de fls. 103) e cadastrado no sistema de cobrança deve ser zerado. 19. O valor de R$ 7.416,64 é decorrente de pagamento a maior relativamente ao período de apuração de dezembro/2003, tendo sido objeto da Dcomp nº 01984.54108.280704.1.3.024005 (fls. 72/76) e conforme DCTF original e retificadora do período corresponde (fls. 515). 20. Embora a DCTF 2003 tenha sido retificada após a emissão do despacho decisório de fls. 110/115, observase, por meio de consulta ao sistema Sief/Documentos de Arrecadação (fls. 516), a existência do pagamento correspondente no montante de R$ 2.970.634,51, havendo um saldo disponível no valor de R$ 7.416,65 e, portanto, passível de compensação. 21. Dessa forma, a presente diligência pode ser concluída informando que os débitos em cobrança neste processo, conforme descrito no parágrafo 7 desta informação, devem ter o seguinte tratamento: Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 579 7 a) R$ 7.943,22, código de receita 2362, vencimento em 30/07/2004: a Dcomp nº 01984.54108.280704.1.3.024005 (fls. 72/76) deve ser homologada, tendo em vista a existência de saldo disponível de pagamento passível de compensação, conforme parágrafos 17/20 deste ato; b) R$ 126.286,68, código de receita 2390, vencimento em 30/01/2004: o crédito tributário foi extinto por pagamento, conforme parágrafos 17/18 deste ato; c) R$ 267.528,91, código 2390, vencimento em 31/01/2003: foi extinto por pagamento o crédito tributário no valor de R$ 234.788,97, devendo permanecer em cobrança o montante de R$ 32.739,94, conforme parágrafos 11/16 deste ato. Em seguida a Recorrente apresentou petição refutando a fundamentação da Diligência Informação Fiscal clamando pelo reconhecimento e homologação do crédito de R$ 32.739,94. Cabe salientar, em princípio, que a Contribuinte fez um depósito recursal prévio no valor de 30% da exigência fiscal, para a interposição do recurso voluntário, em conformidade com o que estabelecia a lei. Tendo tal exigência sido declarada inconstitucional pelo STF, a RFB providenciou a devolução do montante depositado, segundo se conclui da leitura do despacho de fls. 368, em atenção ao requerimento de fls. 316/317. É o relatório. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 580 8 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. De acordo com o Parecer da DIROT (fls.326/327) e a Tabela 11 da Informação Fiscal de fls.517/521 os débitos impropriamente cadastrados e em cobrança no sistema Profisc, foram excluídos do processo, tendo permanecido em cobrança apenas os seguintes débitos (tela do sistema Profisc em fls. 511): a) R$ 7.943,22, código do tributo 2362, vencimento em 30/07/2004; b) R$ 267.528,91, código do tributo 2390, vencimento em 31/01/2003; c) R$ 126.286,68, código do tributo 2390, vencimento em 30/01/2004. Para o período de 2003, conforme parágrafos 17/20 da Informação Fiscal, o crédito de R$ 7.943,22 foi reconhecido e homologado tendo em vista a existência de saldo disponível de pagamento passível de compensação. Também para o período de 2003, em relação ao crédito de R$ 126.286,68 a Informação Fiscal o extinguiu por pagamento, conforme apontado no extrato do processo nº 11853.001612/200607 (fls. 512/514), de modo que o valor apurado pela RFB de IRPJ devido (R$ 126.286,68, conforme planilha de fls. 103) e cadastrado no sistema de cobrança deve ser zerado. 1 Tabela 1 Tributo/Código Período de Apuração Valor (R$) Motivo 1 IRPJ/2319 12/2002 127.301,22 Compensação Indevida/MS 2 IRPJ/2319 01/2003 21.638,73 Compensação Indevida/MS 3 IRPJ/2319 02/2003 25.060,57 Compensação Indevida/MS 4 IRPJ/2319 03/2003 22.701,94 Compensação Indevida/MS 5 IRPJ/2319 12/2003 65.014,44 Compensação Indevida/MS 6 IRPJ/2362 06/2004 7.943,22 Ausência de saldo credor 7 IRPJ/2390 12/2002 267.528,91 Saldo de IRPJ a pagar 8 IRPJ/2390 12/2003 126.286,68 Saldo de IRPJ a pagar Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 581 9 Já em relação ao crédito no importe de R$ 267.528,91 do período de 2002 a Informação Fiscal o extinguiu parcialmente devido ao pagamento do valor de R$ 234.788,97, permanecendo a cobrança do montante de R$ 32.739,94. Em relação aos dois primeiros créditos, entendo que a lide encontrase resolvida conforme a fundamentação da Informação Fiscal. Em relação ao terceiro crédito que foi extinto parcialmente pela Informação Fiscal, restando o crédito a ser cobrado de R$ 32.739,94, a Recorrente apresentou petição contestando a conclusão do Auditor Fiscal, clamando pela homologação total do crédito compensado. Ao analisar os documentos constantes nos autos, tais como a Dipj 2003 fls. 78, DCTF 4º tri/2002 fls. 85, DCTF 4º tri/2002 fls. 83/85 ajuste referente a dez/2002 e Créditos extintos por pagamento, conforme extrato do processo nº 11853.001612/200607 fls. 512/514 e as alegações da Recorrente, entendo que a fundamentação do Auditor Fiscal exposta na Informação Fiscal (fls. 517/521.), deve prevalecer. Para o período de apuração referente a dezembro/2002, constatase que a Recorrente declarou em DCTF o valor compensado no montante de R$ 1.073.525,45 (fls. 85). Todavia, o débito efetivamente compensado com o crédito de saldo negativo do anocalendário de 2000 foi de R$ 1.040.785,51, conforme reproduzido na tabela 3 e constante do demonstrativo do Quadro nº 02, de fls. 104 dos autos. Com o objetivo de esclarecer a divergência detectada no IRPJ devido no ano calendário 2002, conforme parágrafo anterior, a Interessada foi intimada (fls. 370) a prestar informações e apresentar documentos identificando todos os valores que compuseram o saldo negativo do anocalendário de 2000, no montante de R$ 1.375.227,42. Notese que a RFB apurou saldo negativo de R$ 1.350.928,18, no mesmo anocalendário de 2000, vide também a tabela de fls. 103, relativa ao anocalendário de 2000. 14. Quando se compara os dados da tabela 4 com aqueles apresentados pela Interessada em sua resposta à intimação (fls. 462), notase que a divergência apurada encontrase nas estimativas compensadas no mês de agosto/2000. Segundo os dados apresentados pela Contribuinte, o imposto compensado em agosto/2000 foi de R$ 232.352,66. Ocorre que a DCTF do período respectivo (fls. 49) indica compensações de débito no valor de R$ 208.053,42, composto de duas parcelas: R$ 176.233,34, com crédito de saldo negativo do anocalendário de 1999; e R$ 31.820,08, com saldo negativo do anocalendário de 1998. 15. Assim sendo, a apuração de saldo negativo a menor no ano calendário de 2000 (R$ 1.350.928,18 e não R$ 1.375.227,42) irá redundar em IRPJ devido no anocalendário de 2002, no valor de R$ 32.739,94. 16. Resta, portanto, um saldo a pagar de IRPJ no valor de R$ 32.739,94 para o período de apuração de dezembro/2002. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 582 10 Sendo assim, entendo que a cobrança do valor restante de R$ 32.739,94 para o período de apuração de 2002 deve ser mantido. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e dou parcial provimento para reconhecer e homologar totalmente os créditos no importe de R$ 126.286,68 e R$ 7.943,22 referentes ao período de 2003 e reconhecer e homologar montante de R$ 234.788,97 para o período de 2002, mantendo a cobrança do valor não homologado de R$ 32.739,94. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 582DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.913058/2008-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem para certificar a autenticidade dos documentos juntados pelo contribuinte para comprovar as retenções de IRRF, as antecipações e eventuais reduções / isenções / suspensões de imposto de renda, relativas ao ano calendário 2003, e se necessário intimar o contribuinte e as fonte pagadoras a apresentar escrituração complementar, mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dele, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior de R$ 47.452,20 (saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário 2003, e-fl. 44), e sua disponibilidade.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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(Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. RELATÓRIO Tratase de pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp n° 13820.69622.130704.1.3.042379, de 13/07/2004, efls. 02/06) em que o contribuinte requereu crédito relativo a DARF (Código 5993/IRPJ, recolhimento em 31/01/2004, período de apuração 31/12/2003; R$ 1.015.318,55), do qual seria pagamento indevido o montante de R$ 47.452,20. Requereu compensação com débito de PIS e IRRF referentes a julho de 2004 até o montante de R$ 2.369,68. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 13 05 8/ 20 08 -1 8 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 15374.913058/200818 Resolução nº 1001000.064 S1C0T1 Fl. 254 2 O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 781151055 (efl. 10), de 12/08/2008, que analisou as informações relativas ao direito creditório e concluiu que o crédito foi integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em que alega que o Darf referente ao crédito foi vinculado de forma indevida na DCTF retificadora do 4° Trimestre/2003, transmitida em 26/01/2005. Porém com a retificação da DCTF do 4° Trimestre/2003, transmitida em 03/09/2008 (após o Despacho Decisório), ficaria confirmada a existência do crédito. A decisão de primeira instância (efl. 79/80) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o crédito pleiteado pelo Interessado já foi analisado no processo 15374.911430/200843, Acórdão 1230.276 (efls. 74/77), que negou provimento à manifestação de Inconformidade e não reconheceu qualquer direito creditório. Naquele processo conexo (efls. 74/75) o acórdão de primeira instância averbou que os elementos apresentados naqueles autos (registros fiscais, memória de cálculo e páginas do livro diário) não faziam prova da ocorrência de erro no preenchimento da DCTF, pois as antecipações no ano confirmadas somaram apenas R$ 2.118.133,28, enquanto o contribuinte considerou (DCTF retificadora) como antecipação paga o montante de R$ 2.444.531,12.. Extraise do voto vencedor (efl. 75): 6. Em seu PER/DCOMP, o interessado afirma possuir um crédito no valor original de R$ 47.452,20, fl. 3, equivalente à diferença entre um pagamento no montante de R$ 1.015.318,55, fl. 4, e o tributo efetivamente devido de R$ 967.866,35, fl. 12. 7. Analisandose a DIPJ 2004 do interessado, fls. 44/45, verificamos que consta um de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 47.452,20, e que, na apuração desta quantia, foram considerados pagamentos por estimativa no total de R$ 2.444.531,12. Por outro lado, as antecipações confirmadas somam apenas R$ 2.118.133,28, fls. 46/47, de modo que considerando se este último valor, não haveria saldo negativo na DIPJ 2004, mas saldo de imposto a pagar no valor de R$ 278.945,64. Cientificada da decisão de primeira instância em 05/07/2011 (efl. 84) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 29/07/2010 (efl. 88), em que argumenta que pagou R$ 1.015.318,55, ao invés de R$ 967.866,35, pois declarou com erro a redução de 75% do imposto de renda na DCTF original relativa ao 4o trimestre de 2003: Fl. 254DF CARF MF Processo nº 15374.913058/200818 Resolução nº 1001000.064 S1C0T1 Fl. 255 3 VOTO Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Compulsando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente suscita que houve erro na indicação dos valores dos débitos em DCTF e DIPJ e para correção do engano apresentou DCTF retificadora. Apresenta como início de prova memória de cálculo, livro diário e DIPJ. Alega possuir crédito nominal de R$ 47.452,20 de saldo negativo de IRPJ, equivalente à diferença entre um pagamento no montante de R$ 1.015.318,55 e o tributo efetivamente devido de R$ 967.866,35. A decisão de primeira instância no processo conexo 15374.911430/200843, Acórdão 1230.276 (efls. 77/79 destes autos), que trata do mesmo crédito, negou o crédito por entender que, apesar de na DIPJ 2004 do interessado constar um saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 47.452,20, na apuração desta quantia foram considerados pagamentos por estimativa no total de R$ 2.444.531,12, mas as antecipações confirmadas somam apenas R$ 2.118.133,28. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 15374.913058/200818 Resolução nº 1001000.064 S1C0T1 Fl. 256 4 Já o recorrente afirma (efls. 84/89) que fazia jus a benefício fiscal que lhe concedia redução de 75% da base de cálculo do imposto de renda; e que ao elaborar a DCTF referente ao 4o triimestre/2003, por equívoco matemático, considerou que fazia jus a uma redução de R$ 7.125.495,15, quando, em verdade, a redução era de R$ 7.172.947,35. Alegou também, em sede de recurso voluntário no processo conexo referido, que se deve acrescer às antecipações constatadas (R$ 2.118.133,28) o valor do IR Retido na Fonte (R$ 339.227,53), apurado na DIPJ 2004, alcançandose o valor de R$ 2.457.360,81 (dois milhões e quatrocentos e cinquenta e sete mil e trezentos e sessenta reais e oitenta e um centavos). Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, eventual comprovação, de maneira inequívoca, da liquidez e certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática, qual seja, a efetiva existência do suscitado pagamento a maior e sua disponibilidade. Em face desta questão e com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento na realização de diligência para que sejam tomadas as seguintes providências em relação ao alegado pagamento a maior: a) Certificar a autenticidade dos documentos juntados pelo contribuinte para comprovar as retenções de IRRF, as antecipações de imposto de renda e eventuais reduções / isenções de imposto de renda, relativas ao ano calendário 2003, e se necessário intimar o contribuinte e as fonte pagadoras a apresentar escrituração complementar, mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dele, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior de R$ 47.452,20 (saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário 2003), e sua disponibilidade; b) Elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados, com base na documentação juntada e nos registros fiscais do, ou em nome do recorrente, relativos às antecipações e retenções confirmadas, ao imposto devido, e a eventual direito creditório considerando as compensações requeridas, em especial neste e nos autos dos processos 15374.913064/200867, 15374.913058/200818 e 15374.913059/200854. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuada e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.909070/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
Numero da decisão: 1402-003.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
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RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 90 70 /2 00 9- 47 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10882.909070/200947 Acórdão n.º 1402003.163 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu compensação. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, decorrente de recolhimento com Darf. Constatouse, no Despacho Decisório, que, na data de transmissão do documento em análise, já estava extinto o direito de utilização do crédito, por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP. Diante do exposto, a compensação declarada NÃO foi HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o DCOMP original com demonstrativo de crédito foi transmitido dentro do prazo de cinco anos para recuperação de pagamentos indevidos. Alegou, ainda, que, uma vez feita a declaração do crédito dentro do prazo legal, não se há de mencionar a extinção do direito de sua utilização. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Extraise do voto: A existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de pleitear restituição de determinado pagamento não legitima compensações com ele efetuadas depois da extinção. A declaração de compensação não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir restituição. O art. 42 da IN RFB n.º 1.300, de 2012, dispõe que o crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da “Declaração de Compensação” somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido mediante “Pedido de Restituição” ou “Pedido de Ressarcimento” formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional (idêntica disposição se encontra no art. 27 da IN SRF n.º 460, de 2004, no art. 27 da IN SRF n.º 600, de 2006, e no art. 35 da IN RFB n.º 900, de 2008). Portanto, o fato de o crédito ser superior ao débito não altera a natureza da “Declaração de Compensação”, que não supre a falta do “Pedido de Restituição” do saldo remanescente. A legislação de regência, ao detalhar o direito de restituição de pagamentos indevidos ou maior que o devido, garantido pelo CTN, dentro do prazo de cinco anos contados do pagamento em questão (art. 168, I), no caso, o art. 42 da IN RFB 1300, de 2012 e, anteriormente, o art. 35 da IN RFB 900, de 2008, trazem a regra. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10882.909070/200947 Acórdão n.º 1402003.163 S1C4T2 Fl. 4 3 Vejase: Art. 35. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Art. 42. O crédito do sujeito passivo, para com a Fazenda Nacional, que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Inconformado, o autuado interpôs Recurso Voluntário a esta Colenda Turma, requerendo:sejam acolhidas todas as razões de fato e de direito expendidas na peça recursal, homologandose, por decorrência, a compensação objeto da Declaração de Compensação que instrui o presente contencioso administrativo fiscal. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10882.909070/200947 Acórdão n.º 1402003.163 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.141, de 16/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10882.903770/200928, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 23/03/2000, por meio de DCOMP transmitida em 07/10/2005, para compensação de débitos próprios. No presente processo o contribuinte requer a compensação de débitos com a utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 29/11/2002, por meio de DCOMP transmitida em 22/03/2008. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.141): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Consignase, ainda, que o Recurso Voluntário em questão é representativo de controvérsia e, desta forma, foi designado para ser julgado sob o regime de recursos repetitivos. Em síntese, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP no qual pretendia compensar recolhimento indevido e/ou maior que o devido, feito em DARF, com débitos de PIS e COFINS. A DRF de origem, em despacho decisório, não reconheceu o direito creditório, uma vez que havia transcorrido prazo maior do que 5 (cinco) anos entre a data de pagamento do DARF e a data de transmissão da PER/DCOMP. Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ competente consignou no v. acórdão recorrido que o contribuinte não tinha apresentado, antes do escoamento do prazo de 5 (cinco) anos contados do pagamento do DARF, pedido de restituição ou de ressarcimento de seus créditos. A transmissão de declaração de compensação, antes do final do prazo de 5 (cinco) anos da data de pagamento do DARF não tem o mesmo efeito de pedido de ressarcimento ou restituição, ou seja, não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir a restituição. Em recurso voluntário, o contribuinte reitera que transmitiu PER/DCOMP antes de esgotado o prazo de 5 (cinco) anos para a utilização do pagamento indevido ou maior que o devido feito Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10882.909070/200947 Acórdão n.º 1402003.163 S1C4T2 Fl. 6 5 com DARF; que retificou essa PER/DCOMP original posteriormente ao prazo, bem como transmitiu outras PER/DCOMP, após o prazo de cinco anos, mas referentes ao crédito original, vinculado à primeira PER/DCOMP transmitida antes do decurso do prazo de cinco anos. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Ressaltase, inicialmente, que não há questionamentos quanto ao DARF que originou o crédito utilizado para fins de compensação. A data de seu pagamento é o termo a quo para a contagem do prazo decadencial de cinco anos para que o contribuinte exerça o seu direito à restituição do pagamento indevido ou maior do que o devido, nos termos do art. 168, I, do CTN. Antes de transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, o contribuinte transmitiu uma DCOMP informando o seu crédito, bem como declarando a compensação com débitos próprios. Vejase cópia do documento originário de toda a controvérsia, em que se pode observar o "tipo do documento": [...] Adiante vejase o registro do crédito (R$ 17.604,89): [...] Agora vejase as mesmas telas, que o contribuinte chama de PER/DCOMP retificadora: [...] Finalmente, a tela relativa ao crédito informado: [...] Contudo, transcorrido o prazo de cinco anos da data do pagamento do DARF objeto dos créditos do contribuinte, este não fez, conforme relatado anteriormente, "pedido de restituição" do saldo restante de seus créditos. Em verdade, apresentou, posteriormente ao prazo, outras DCOMP, sendo que uma delas retificava a original e outras utilizavam o saldo do crédito em novas compensações declaradas. A questão controvertida a ser decidida, em sede de recurso repetitivo, é se as demais DCOMP, transmitidas após o prazo de cinco anos contados do pagamento indevido ou maior que o devido, sem prévio "pedido de restituição" dentro do prazo de cinco anos, seriam meios hábeis a permitir o exercício do direito de restituição garantido ao contribuinte pelo art. 168, I, do CTN, tomando por origem a DCOMP original, transmitida dentro do prazo decadencial. Vejase que as normas complementares não trazem a possibilidade de uma declaração de compensação ser utilizada para o exercício do direito de restituição nos moldes do art. 168, I, do CTN, demonstrando que, no caso concreto, a DCOMP Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10882.909070/200947 Acórdão n.º 1402003.163 S1C4T2 Fl. 7 6 transmitida antes do encerramento do prazo decadencial de cinco anos não garantiu ao contribuinte o direito de, posteriormente, utilizarse dos créditos remanescentes daquela primeira compensação, os quais restaram fulminados pela decadência. Desta forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, reconhecendo que a transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a um pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. É o voto" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.912813/2009-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO.
O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 9303-007.176
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente LOJAS DE DEPARTAMENTOS MILIUM LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 28 13 /2 00 9- 62 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10920.912813/200962 Acórdão n.º 9303007.176 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3403002.449, de 24 de setembro de 2013, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVAS. É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. Recurso Voluntário Negado A divergência suscitada no recurso especial referese à prevalência da verdade material e da instrumentalidade das formas sobre as regras processuais que estabelecem a preclusão do direito à comprovação dos fatos alegados. O recurso especial foi admitido mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. Contrarrazões da Fazenda Nacional foram apresentadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.165, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10920.910094/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.165): "Conhecimento do Recurso Especial O recurso especial não deve ser conhecido. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10920.912813/200962 Acórdão n.º 9303007.176 CSRFT3 Fl. 4 3 A decisão recorrida não recusou as provas apresentadas em sede de recurso voluntário por considerar o direito precluso. No vertente processo, as provas do direito alegado não foram apresentadas em momento algum. Nem na apresentação do pedido de restituição, nem na impugnação, nem em sede de recurso voluntário e tampouco agora. Observese excerto extraído do voto do aresto recorrido. Desse modo, não tendo a recorrente, tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, se desincumbido do ônus de trazer aos autos a documentação comprobatória do crédito alegado em compensação, não há como se aferir a certeza e a liquidez do indébito, requisitos essenciais à compensação tributária (art. 170 do CTN). O paradigma apresentado jamais admitiu a hipótese de que um processo, que não fora em momento algum instruído com as provas do direito alegado pudesse ser convertido em diligência para que a falta fosse suprida. Em lugar disso, aborda uma matéria bem mais suscetível de controvérsia, que diz respeito à possibilidade de apreciação das provas carreadas aos autos pelo contribuinte somente em segunda instância de julgamento. Observese como se manifesta o relator da decisão paradigma. Em primeira mão destaco que comungo do entendimento dos I. Colegas Julgadores que defendem a tese de que as provas materiais carreadas para os autos, seja fase recursória ou em qualquer outra, devem ser levadas em consideração, analisadas com o devido cuidado, investigadas inclusive por intermédio de diligências, se for o caso, para apuração da verdade material que, efetivamente, deve nortear os julgamentos nesta esfera administrativa. (grifos acrescidos) Ora, o relator referese à admissão das provas apresentadas em qualquer momento processual. Na sua opinião, considera até mesmo a possibilidade de que sejam realizadas diligências para apuração da verdade material, à luz dos elementos de prova carreados tardiamente aos autos. Não é o caso deste processo. Não foram recusadas provas apresentadas em segunda instância por preclusão temporal, foi rejeitado pedido de diligência para inclusão nos autos das provas que o contribuinte jamais se interessou em apresentar oportuna e espontaneamente. São questões rigorosamente distintas! Como disse antes, a mitigação do rigor processual expresso no art. 161 do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores é matéria que comporta controvérsias. Contudo, decidir pela 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10920.912813/200962 Acórdão n.º 9303007.176 CSRFT3 Fl. 5 4 conversão do julgamento em diligência para instrução do processo porque o contribuinte não se desincumbiu em momento algum do dever fazêlo, parece a mim uma decisão de outro jaez, que, me arrisco a dizer, haveria de se notabilizar pelo ineditismo. Importante frisar que é incontroverso que o contribuinte não carreou aos autos os documentos contábeis e fiscais com os quais poderia demonstrar o direito alegado. Em sua próprias palavras: Por evidente, era e é absolutamente inviável à Recorrente juntar ao seu Recurso e a esses autos toda a documentação pertinente, como arguído na decisão recorrida para justificar a denegação de seu acolhimento, porquanto isso implica em milhares de papéis, considerado todo o período referenciado... (grifos no original) Embora não pretenda adentrar ao mérito, é inescapável uma reflexão acerca do pleito da recorrente, para que fique claro o quanto ele destoa da decisão paradigma e transborda os limites do que lá se debateu e do que, em regra, se apresenta para discutir em situações análogas. Por certo, a litigante não é de dimensões tais que se veja impedida de apresentar as provas do direito alegado, como, sabidamente, é exigido de qualquer contribuinte em quaisquer circunstâncias (em especial quando se trata de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação). Significa dizer, o reconhecimento do direito reclamado pela recorrente ultrapassaria em muito a discussão acerca do momento em que ocorre a preclusão temporal para comprovação dos fatos alegados. Admitiria uma regra de exceção exclusiva para um determinado caso específico, e sem qualquer razão aparente para tanto, já que não é possível vislumbrar elementos materiais e perceptíveis que justifiquem tal distinção. A despeito disso, do excerto antes transcrito resta inequívoca a circunstância fática versada nos autos. Ao contrário do que aconteceu no paradigma, neste processo nunca foram apresentadas as provas que dariam amparo à pretensão da parte, apenas uma planilha de cálculo assinada pelos administradores da empresa e pelo contador. Não há qualquer possibilidade de considerar que as decisões deram à lei tributária interpretações divergentes. b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10920.912813/200962 Acórdão n.º 9303007.176 CSRFT3 Fl. 6 5 Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do recurso especial." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo "nunca foram apresentadas as provas que dariam amparo à pretensão da parte, apenas uma planilha de cálculo assinada pelos administradores da empresa e pelo contador". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923046/2008-50
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/10/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente PARDELLI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/10/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 30 46 /2 00 8- 50 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.923046/200850 Acórdão n.º 3002000.304 S3C0T2 Fl. 97 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1640.206 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, que manteve a homologação parcial do PER/DCOMP nº 15489.29589.180806.1.7.046040. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Tratase de Declaração de Compensação (Dcomp) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de homologação parcial da compensação (fl. 2 – a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria parcialmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, quais sejam: • R$ 268,97, referente ao PER/Dcomp nº 27613.62772.141103.1.3.040550; • R$ 763,45, referente ao PIS/Pasep, código de receita 8109, do período de apuração de setembro/2003. Cientificada do despacho decisório em 17/09/2008 (fl. 5), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 06/10/2008 (fls. 11/14), na qual alega: I – Dos Fatos O saldo acima cobrado pela Receita Federal foi por um lapso nosso não utilizado para compensação do Pis da competência de Novembro de 2003, o crédito de Pis de 03/2003 pago em 15/12/2003 no valor de R$ 1.802,22. Percebemos que cometemos um equívoco no preenchimento do Pedido de Compensação de nº 388840322505070413047302 transmitido em 05/07/2004 que ficou com um saldo original de R$ 620,30 que era para compensarmos o Pis de novembro de 2003, acima relacionado e cobrado no montante liquido de R$ 619,68. Para regularizarmos o nosso pedido e quitação dos débitos do PIS de Novembro de 2003, emitimos o complemento do PER/COMP para a quitação e compensação do débito cobrado. II – Da Justificativa Analisando o Despacho Decisório da Secretaria da Receita Federal, entendemos que procedemos a um engano e erro no preenchimento do PER/DCOMPs, em que mantivemos um crédito no PER/DCOMP de R$ 620,30 e não mencionamos por esquecimento a compensação do débito Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.923046/200850 Acórdão n.º 3002000.304 S3C0T2 Fl. 98 3 cobrado pela Receita Federal –saldo do PIS de Novembro de 2003 de R$ 619,68. III – Do pedido de regularização Estamos anexando como prova de nosso procedimento o PER/DCOMP de nº 023794298702100813040534 transmitido em 02/10/2008, que utilizamos na compensação do saldo remanescente do PIS de Novembro de 2003, mencionando como PER/DCOMP inicial o saldo remanescente do nº 388840322505070413 047302 transmitido em 05/07/2004, ficando o débito declarado devidamente compensado. VI— De nosso pedido A vista de todo exposto e da documentação juntada ao presente, demonstramos que o débito lançado a titulo de “PIS” da competência de Novembro de 2003 no montante liquido de R$ 619,68, foi indevidamente demonstrada sua compensação no PER/DCOMP inicial, mas entendemos que com o PER/DCOMP 023794298702100813040534 transmitido em 02/10/2008 foi compensado totalmente o débito do Pis de Novembro de 2003. Solicitamos o acolhimento PER/DCOMP n°. 023794298702100813040534 transmitido em 02/10/2008 por não ter sido utilizado corretamente nosso crédito do PER/DCOMPs inicial de nº 388840322505070413047302. Solicitamos também o cancelamento da cobrança no valor original de R$ 619,68 emitida pelo Despacho Decisório acima referenciado." Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO PARCIALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que homologou em parte a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver parcialmente alocado na quitação de débitos confessados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.923046/200850 Acórdão n.º 3002000.304 S3C0T2 Fl. 99 4 Após ser intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 68/71), no qual alega em sua defesa o seguinte: "Ratificando as informações de nossa Manifestação de Inconformidade no que diz respeito ao PER/DCOMP de nº. 15489.29589.180806.1.7.046040 e expomos abaixo os motivos que nos levam a crer que os débitos ali confessados já se encontram devidamente quitados. Ficaram claros os diversos equívocos ocorridos nas tentativas de acertos entre valores, datas e informações pertinentes ao direito creditório pleiteado no preenchimento do PER/Dcomp em questão; que culminou então na não aceitação por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil e emissão de cobrança via Despacho Decisório. Ao percebermos os erros ali cometidos efetuamos para a regularização do pagamento do imposto constante no PER/Dcomp não homologado as operações abaixo descritas: O valor do PIS/PASEP devido para a competência 11/2003 é de R$ 889,21 que foram pagos da seguinte forma: * DARF pago em 15/12/2003 no valor principal de R$ 183,84; * DARF pago em 25/02/2009 no valor principal de R$ 85,69; * PER/Dcomp (em análise pela SRF) de nº 02379.42987.021008.1.3.040534 no valor principal de R$ 620,30. Este PER/Dcomp tem como origem de crédito o saldo remanescente do PER/Dcomp de nº 38884.03225.050704.1.3.04 7302 sendo que este já se encontra devidamente homologado pela SRF." Por fim, a recorrente enumera os documentos comprobatórios anexados ao seu Voluntário e informa o seu pedido, da maneira subseqüente: "Anexamos como prova de quitação do débito indevidamente compensado no PER/Dcomp originário deste processo: · PER/Dcomp incorreto emitido em 18/08/2006 de nº 15489.29589.1808066.1.7.046040; e seu respectivo recibo de envio à SRF. · PER/Dcomp homologado pela SRF emitido em 05/07/2004 de nº 38884.03225.050704.1.3.047302, com saldo de crédito no valor de R$ 620,30; e seu respectivo recibo de envio à SRF. · PER/Dcomp em análise pela SRF emitido em 02/10/2008 de nº 02379.4298.021008.1.3.04 7302, utilizando o saldo de crédito Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.923046/200850 Acórdão n.º 3002000.304 S3C0T2 Fl. 100 5 de PER/Dcomp 38884.03225.050704.1.3.047302 já homologado pela SRF. · Protocolo de recebimento da Intimação 1944/2013. · DARF do PIS/PASEP pago em 15/12/2003. · DARF do PIS/PASEP pago em 25/02/2009. Tendo em vista de todo exposto e da documentação juntada ao presente, demonstramos que o saldo do débito do PIS/PASEP de competência 11/2003 no valor de R$ 619,68 encontrase devidamente quitado através do PER/Dcomp de nº 02379.42987.021008.1.3.040534 no valor principal de R$ 620,30. Este PER/Dcomp tem como origem de crédito o saldo remanescente do PER/Dcomp de nº 38884.03225.050704.1.3.04 7302 sendo que este já se encontra devidamente homologado pela SRF. Assim sendo, solicitamos o cancelamento total ou a desconsideração do PER/DCOMP de nº. 5489.29589.180806.1.7.046040 – processo 10880.923046/2008 50, bem como do Despacho Decisório originário deste processo administrativo, uma vez que fica agora corretamente demonstrado a quitação do imposto através do PER/Dcomp de nº 02379.42987.021008.1.3.040534 que se encontra em análise para homologação junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil." É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No Recurso Voluntário apresentado, a ora recorrente basicamente repisou seus argumentos e seu pedido constantes na Manifestação de inconformidade. De fato, a própria recorrente confessa que o Despacho Decisório exarado está correto, pois, em suas palavras, reconhece: Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.923046/200850 Acórdão n.º 3002000.304 S3C0T2 Fl. 101 6 "Ficaram claros os diversos equívocos ocorridos nas tentativas de acertos entre valores, datas e informações pertinentes ao direito creditório pleiteado no preenchimento do PER/Dcomp em questão..." (grifo nosso) Quanto ao pedido formulado no seu Voluntário, o cancelamento do PER/DCOMP (final 6040), não resta dúvida que não pode prosperar, pois somente se admite o cancelamento do Pedido de Restituição/Declaração de Compensação, caso este ainda esteja pendente de decisão administrativa, conforme art. 62 da IN SRF nº 1300/12, vigente a época da apresentação da peça recursal: Art. 93. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O cancelamento do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Ressaltese que o teor do dispositivo transcrito já estava presente em Instruções Normativas anteriores, assim como permaneceu nas posteriores. Por outro lado, por oportuno, cabe salientar que o objeto posto em julgamento por esta Turma circunscrevese ao direito creditório originalmente pleiteado. Não podendo, pois, o julgador se manifestar quanto à cobrança decorrente do seu não reconhecimento ou do efetivo pagamento posterior do débito cobrado. Desse modo, caso a recorrente entendese que realmente possuía o crédito pleiteado no PER/DCOMP sob análise, deveria ter carreado aos autos toda a documentação contábil e fiscal necessária a sua comprovação, o que não o fez. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.923046/200850 Acórdão n.º 3002000.304 S3C0T2 Fl. 102 7 Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse a confessar que cometeu diversos equívocos nos PER/DCOMP´s transmitidos, contudo, não carreou aos autos nenhuma prova da existência do direito creditório, tanto na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, como na de seu Voluntário. Assim sendo, quanto ao suposto crédito, forçoso é reconhecer que a recorrente não se desincumbiu do ônus de comproválo, seja por seus erros anteriores ao Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.923046/200850 Acórdão n.º 3002000.304 S3C0T2 Fl. 103 8 Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas válidas da sua liquidez e certeza. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.016429/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 30/06/2005 a 31/05/2007
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA GERAL.
O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário para o qual inexistiu o pagamento antecipado é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Inteligência do REsp nº 973.733/SC.
Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 30/06/2005 a 31/05/2007
MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE EMPRESAS. INCIDÊNCIA DO IOF.
As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitam-se à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras.
Operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros devem ser entendidas como negócios jurídicos que a ele se assemelham, sob qualquer forma jurídica, como por exemplo, operações de empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive o de abertura de crédito e sua utilização.
BASE DE CÁLCULO. IOF. CONTRATO DE MÚTUO COM VALOR FIXO E CONTRATO DE MÚTUO COM VALOR INDEFINIDO. ARTIGO 7º, INCISO I, ALÍNEAS "A" E "B", DO DECRETO Nº 4.494/2002.
Enquanto a base de cálculo prevista na alínea "a" do inciso I, do artigo 7º, do Decreto nº 4.494/2002, se destina às operações em que não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, como ocorre em operações de crédito rotativo, a prevista na alínea "b", do inciso I, do artigo 7º, do Decreto nº 4.494/2002, se destina às operações em que tal valor ficar definido, como ocorre em operações de crédito fixo.
Nos contratos de empréstimos bem como nos de gestão de pagamentos quando ausente a definição do valor do principal, ou implementados de forma a impossibilitar a apuração da relação das parcelas ou saldos devedores mensais ao valor fixado como limite da operação, justifica-se a forma de apuração prevista na alínea "a" do I, do artigo 7º, do Decreto nº 4.494/2002
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/06/2005 a 31/05/2007
ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 13 DA LEI Nº 9.779/99.
A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário
Aplicação da Súmula Carf nº 2
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei.
Numero da decisão: 3201-004.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior apenas quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, matéria a que se negou provimento pelo voto de qualidade.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 30/06/2005 a 31/05/2007 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA GERAL. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário para o qual inexistiu o pagamento antecipado é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Inteligência do REsp nº 973.733/SC. Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 30/06/2005 a 31/05/2007 MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE EMPRESAS. INCIDÊNCIA DO IOF. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitam-se à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros devem ser entendidas como negócios jurídicos que a ele se assemelham, sob qualquer forma jurídica, como por exemplo, operações de empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive o de abertura de crédito e sua utilização. BASE DE CÁLCULO. IOF. CONTRATO DE MÚTUO COM VALOR FIXO E CONTRATO DE MÚTUO COM VALOR INDEFINIDO. ARTIGO 7º, INCISO I, ALÍNEAS "A" E "B", DO DECRETO Nº 4.494/2002. Enquanto a base de cálculo prevista na alínea "a" do inciso I, do artigo 7º, do Decreto nº 4.494/2002, se destina às operações em que não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, como ocorre em operações de crédito rotativo, a prevista na alínea "b", do inciso I, do artigo 7º, do Decreto nº 4.494/2002, se destina às operações em que tal valor ficar definido, como ocorre em operações de crédito fixo. Nos contratos de empréstimos bem como nos de gestão de pagamentos quando ausente a definição do valor do principal, ou implementados de forma a impossibilitar a apuração da relação das parcelas ou saldos devedores mensais ao valor fixado como limite da operação, justifica-se a forma de apuração prevista na alínea "a" do I, do artigo 7º, do Decreto nº 4.494/2002 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/06/2005 a 31/05/2007 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 13 DA LEI Nº 9.779/99. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário Aplicação da Súmula Carf nº 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior apenas quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, matéria a que se negou provimento pelo voto de qualidade. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA GERAL. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário para o qual inexistiu o pagamento antecipado é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Inteligência do REsp nº 973.733/SC. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 30/06/2005 a 31/05/2007 MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE EMPRESAS. INCIDÊNCIA DO IOF. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros devem ser entendidas como negócios jurídicos que a ele se assemelham, sob qualquer forma jurídica, como por exemplo, operações de empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive o de abertura de crédito e sua utilização. BASE DE CÁLCULO. IOF. CONTRATO DE MÚTUO COM VALOR FIXO E CONTRATO DE MÚTUO COM VALOR INDEFINIDO. ARTIGO 7º, INCISO I, ALÍNEAS "A" E "B", DO DECRETO Nº 4.494/2002. Enquanto a base de cálculo prevista na alínea "a" do inciso I, do artigo 7º, do Decreto nº 4.494/2002, se destina às operações em que não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, como ocorre em operações de crédito rotativo, a prevista na alínea "b", do inciso I, do artigo 7º, do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 64 29 /2 01 0- 80 Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.152 2 Decreto nº 4.494/2002, se destina às operações em que tal valor ficar definido, como ocorre em operações de crédito fixo. Nos contratos de empréstimos bem como nos de gestão de pagamentos quando ausente a definição do valor do principal, ou implementados de forma a impossibilitar a apuração da relação das parcelas ou saldos devedores mensais ao valor fixado como limite da operação, justificase a forma de apuração prevista na alínea "a" do I, do artigo 7º, do Decreto nº 4.494/2002 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/06/2005 a 31/05/2007 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 13 DA LEI Nº 9.779/99. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário Aplicação da Súmula Carf nº 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior apenas quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, matéria a que se negou provimento pelo voto de qualidade. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.153 3 Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase de Auto de Infração do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros que constituiu o crédito tributário total de R$ 7.295.202,40, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/11/2010. No Termo de Verificação Fiscal que acompanha o Auto, a autoridade fiscal assim contextualiza o lançamento: 1. A fiscalizada, em 19/10/2004, impetrou Mandado de Segurança, de n° 2004.61.05.05.0141126, pleiteando a suspensão da exigência de IOF sobre os empréstimos que foram ou lhe serão concedidos pelas empresas de seu grupo societário; 2. Em 12/11/2004, foi concedida parcialmente a liminar, suspendendo a exigibilidade do IOF nas operações de mútuo entre empresas coligadas, interligadas ou controladas, nos termos da Lei 8981/95, artigo 77, inciso II, até o início da vigência efetiva da Lei 10.833/2003, nos termos do artigo 150, inciso III, letras B e C, inclusive com a alteração dada pela Emenda Constitucional 42/2003; 3. Em 27/04/2007, o juiz de 1ª instância, julgou improcedente o pedido inicial da fiscalizada, revogando a liminar e denegando a segurança; 4. Conforme consta do processo de acompanhamento judicial — PAJ de n° 10830.006558/200411, a fiscalizada declara que não recolheu o IOF sobre os empréstimos que lhe foram concedidos pelas empresas de seu grupo societário e anexa planilha especificando, mês a mês, os valores que deixaram de ser recolhidos; DA INCORPORAÇÃO 5. Em julho de 2010, a fiscalizada foi incorporada pela empresa Unilever Brasil Industrial Ltda inscrita sob o CNPJ n° 01.615.814/000101, conforme Ata de Reunião realizada em 01/07/2010 e Protocolo e Justificação de Incorporação da Sociedade, cadastro na JUCESP (número doc 240.391/100, seção 08/07/2010) e da DIPJ 2010 de Incorporada, entregue, pela fiscalizada, em 30/08/2010, referente ao período 01/01/2010 a 01/07/2010; ... 12. Diante da documentação apresentada em 28/05/2010 e 11/06/2010, constatamos que a fiscalizada efetuou empréstimos com as empresas Unilever Brasil Ltda (CNPJ 61.068.276/0001 04) e Unilever Brasil Industrial Ltda (Unilever Bestfoods CNPJ 01.615.814/000101 ) e que no nosso entendimento estão sujeitos a cobrança do IOF, conforme relatamos a seguir: Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.154 4 DOS EMPRÉSTIMOS ENTRE A FISCALIZADA E A UNILEVER BRASIL INDUSTRIAL LTDA (UNILEVER BESTFOODS CNPJ 01.615.814/000101) 13. Em relação aos empréstimos entre a fiscalizada e a Unilever Brasil Industrial Ltda, a fiscalizada informa que as operações registradas na conta contábil de n° 15533108 (Conta Corrente IGL Industrial X BESTFOODS) referemse aos contratos de Gestão de Pagamentos e Recebimentos firmados entre a fiscalizada e a empresa Unilever Brasil Industrial Ltda. O contrato rege que, como as empresas pertencem ao mesmo grupo econômico elas podem fornecer e adquirir, reciprocamente, produtos e serviços, bem como podem incorrer em outras operações entre elas, que não seja empréstimo de moeda corrente, operação essa regida pelo contrato de mútuo. A fiscalizada declara que as principais operações ocorridas, durante o período de 06/2005 a 05/2007, foram as seguintes: • Transferência de despesas administrativas como reembolso de funcionários, rateio de benefícios e despesas diversas; • Venda de utilidades para funcionamento do maquinário (venda de vapor maquinário, fábricas estão na mesma planta); • Pagamento de despesas de serviços da área de Serviços compartilhados. 14. A fiscalizada apresenta dois contratos firmados com a Unilever Brasil Industrial Ltda (Unilever Bestfoods CNPJ 01.615.1314/000101) ; 15. O primeiro contrato denominado "CONTRATO DE EMPRÉSTIMO QUE ENTRE SI FAZEM" foi celebrado em 02/01/2003, com dois aditamentos do contrato datados de 11/03/2005 e 18/08/2005 com as seguintes condições: • A fiscalizada como credora e a Unilever Brasil Industrial Ltda (Unilever Bestfoods CNPJ 01.615.814/000101) como devedora; • Valor do empréstimo que a credora se compromete a emprestar a devedora: R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais), alterado para R$ 50.000.000.00 (cinqüenta milhões de reais); • Prazo de vigência do contrato de 02/01/2003 a 31/12/2003, prorrogado para 31/12/2005; • O referido contrato está sujeito a correção monetária através da variação nominal da TR Taxa Referencial, durante o período de vigência do mesmo. 16. O segundo contrato denominado "CONTRATO DE GESTÃO DE PAGAMENTOS E RECEBIMENTOS" foi celebrado em 01/10/2005, com as seguintes condições: • O presente contrato tem por objeto a gestão dos pagamentos e recebimentos entre a fiscalizada e a Unilever Bestfoods, no que se refere ao fornecimento e demais operações, que poderão ser Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.155 5 feitos reciprocamente, e, enfim. possibilitar a ambas fazer compensação de tudo aquilo que não seja empréstimo de "moeda corrente" ; • O controle dos pagamentos e recebimentos mencionados no item acima será realizado através de um controle denominado de 'conta corrente" entre a fiscalizada e a Unilever Bestfoods, de forma a se fazer a respectiva compensação entre débitos e créditos e apuração do respectivo saldo; • O saldo, apurado de conformidade com o previsto no item acima não poderá ultrapassar a importância de R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais); • A apuração do saldo se dará mensalmente, quando então a parte credora poderá cobrar da parte devedora o saldo apurado. Durante o mês aqui mencionado, poderão as mencionadas empresas, de comum acordo, fazer pagamentos dos referidos fornecimentos e demais operações, de forma a baixar o saldo da mencionada conta corrente e/ou ate "zerar' o mesmo; • O referido contrato de Gestão de Pagamentos e Recebimentos está sujeito a correção monetária através da variação nominal da TR Taxa Referencial, durante o período de vigência do mesmo; • Para fins do presente contrato os fornecimentos e demais operações serão efetuados e comprovados em cada caso, pelos documentos que refletirão os fornecimentos e demais operações e pelos respectivos lançamentos na contabilidade da credora e da devedora, em estrita observância a legislação vigente. Nesse sentido, ambas as partes reconhecem os mencionados documentos comprobatórios como líquidos e certos; • Quanto aos mencionados fornecimentos e demais operações, fica facultado a qualquer uma das empresas integrantes deste instrumento, caso seja de seu interesse, efetuar os respectivos pagamentos diretamente a parte credora, sem a utilização do pactuado no presente instrumento; • O prazo de vigência do presente contrato tem inicio em 01/10/2005 e término em 31/12/2009, podendo ser prorrogado por meio de aditivo; • Com o vencimento do presente contrato ou rescisão do mesmo, e caso as partes não decidam pela prorrogação do referido contrato, será feita a apuração na mencionada conta corrente de forma a calcular o respectivo saldo devedor, cabendo a parte devedora efetuar o pagamento a outra parte. 17. De posse do razão das contas da fiscalizada e das explicações realizadas pela fiscalizada, verificamos que: Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.156 6 • Quando da venda ou pagamento de despesas administrativas, energia elétrica etc, para a Unilever Brasil Industrial Ltda, a fiscalizada realiza as seguintes operações: • Quando do vencimento da fatura a fiscalizada realiza a seguinte operação: • No período de 06/2005 a 05/2007 a fiscalizada transferiu recursos financeiros, por meio de conta corrente, com a respectiva cobrança de juros, para a Unilever Industrial Brasil Ltda no total de R$ 52.204.027,70 (lançamento a débito na conta 15533108) e em contrapartida recebeu o total de R$ 17.742.118,08 (lançamento a crédito na conta 15533108); • Os juros cobrados, conforme acordado nos contratos acima mencionados, foram contabilizados, até o dia 03/07/2006, na conta contábil n° 13602101 (CONTAS A RECEBER PART RELAC FIN JUR S/ EMPRES), e a partir do dia 04/07/2006, foram contabilizados na conta 13602111(CONTAS A RECEBER PART RELAC FIN JUROS S/ C/C); 18. Em face ao exposto e tendo em vista que quando do vencimento da fatura, a transferência de recursos financeiros para o conta corrente caracteriza o empréstimo financeiro pela quitação da fatura e abertura de crédito em favor do tomador dos recursos financeiros, no caso a Unilever Industrial Brasil Ltda, considerando, ainda, o conteúdo dos contratos apresentados entre as pessoas jurídicas, com a contabilização dos valores no conta corrente, fica evidenciado a efetiva transferência de recursos financeiros entre pessoas jurídicas; 19. Assim sendo, fica caracterizado que as operações realizadas na conta contábil 15533108 referemse a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas realizados por meio de conta corrente; 20. Desta forma, concluímos, que estas operações realizadas por meio de conta corrente estão sujeitas a cobrança do IOF, devendo ser cobrado o imposto da pessoa jurídica que concedeu o crédito, no caso em questão a fiscalizada, de acordo com o art. Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.157 7 13 da Lei 9.779 /99, consolidada pelo arts 2 ° e 5° do Decreto n° 4.494, de 3 de dezembro de 2002 (...). DOS EMPRÉSTIMOS ENTRE A FISCALIZADA E A UNILEVER BRASIL LTDA (CNPJ 61.068.276/000104) 21. Conforme relatado no item 7, a fiscalizada esclareceu que os pagamentos e recebimentos referentes ao empréstimo de mútuo firmado com a Unilever Brasil Ltda, só foram controlados em conta especifica (n° 13633154) a partir de 09/2005 e que anteriormente era contabilizado junto com o conta corrente mantido com a Unilever Brasil Ltda na conta contábil n° 13633104; 22. Em relação as operações registradas nesta conta contábil de n° 13633104 (CONTA CORRENTE UBR TOUCADOR X UBR), a fiscalizada declara que referemse aos contratos de Gestão de Pagamentos e Recebimentos firmados entre a fiscalizada e a empresa Unilever Brasil Ltda (CNPJ 61.068.276/000104). O contrato rege que, como as empresas pertencem ao mesmo grupo econômico elas podem fornecer e adquirir, reciprocamente, produtos e serviços, bem como podem incorrer em outras operações entre elas, que não seja empréstimo de moeda corrente, operação essa regida pelo contrato de mútuo. A fiscalizada declara que as principais operações ocorridas, durante o período de 06/2005 a 05/2007, são as seguintes: • Venda dos Produtos acabados entre coligadas; • Transferência de despesas de serviço da Área de Serviço Compartilhado e Corporativo Unilever; • Compartilhamento das despesas administrativas entre sites (ex: Restaurante em Valinhos, Vinhedo, venda de vapor maquinário, etc); • Contrato Leasing operacional dos ativos fixos; • Folha de Pagamento; • Pagamento via caixa da Unilever aos Fornecedores de MatériaPrima e diversos. 23. A fiscalizada apresenta dois contratos firmados com a Unilever Brasil Ltda (CNPJ 61.068.276/000104), referente a conta contábil de n° 13633104; 24. O primeiro contrato denominado "CONTRATO DE EMPRÉSTIMO QUE ENTRE SI FAZEM" foi celebrado em 02/01/2003, com dois aditamentos do contrato datados de 28/01/2005 e 18/08/2005 com as seguintes condições: • A fiscalizada como credora e a Unilever Brasil Ltda (CNPJ 61.068.276/000104) como devedora; Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.158 8 • Valor do empréstimo que a credora se compromete a emprestar a devedora: R$ 500.000.000,00 (quinhentos milhões de reais); • Prazo de vigência do contrato de 02/01/2003 a 31 112/2003, prorrogado para 31/12/2005; • O referido contrato está sujeito a correção monetária através da variação nominal da TR Taxa Referencial, durante o período de vigência do mesmo. A fiscalização relata, na seqüência, o contrato denominado “Contrato de Empréstimo que entre si fazem”, com características semelhantes ao que foi firmado com a Unilever Brasil Industrial Ltda e descrito acima. Feito isso, prossegue a fiscalização: 26. De posse do razão das contas e das explicações realizadas pela fiscalizada, verificamos que: • Quando da venda de produtos de sua produção para a Unilever Brasil Ltda, a fiscalizada realiza a seguinte operação: • Da analise da DIPJ dos anos calendário 2005, 2006 e 2007, constatamos que praticamente todas as suas vendas para o mercado interno são para a Unilever Brasil Ltda; • Os juros cobrados do conta corrente estão contabilizados na conta contábil n° 13602102 (CONTAS A RECEBER PART RELAC FIN JUR S/ EMPRES) e que a partir do dia 03/07/2006 foram segregados para a conta contábil n° 13602112 (CONTAS A RECEBER PART RELAC FIN JUR S/ CC); 27. Em face ao exposto e tendo em vista que quando do vencimento da fatura, a transferência de recursos financeiros para o conta corrente caracteriza o empréstimo financeiro pela quitação da fatura e abertura de crédito em favor do tomador dos recursos financeiros, no caso a Unilever Brasil Ltda, considerando, ainda, o conteúdo dos contratos apresentados entre as pessoas jurídicas e a contabilização dos valores no conta corrente, fica evidenciado a efetiva transferência de recursos financeiros entre pessoas jurídicas; Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.159 9 28. Assim sendo, fica caracterizado que as operações realizadas na conta contábil 13633104 referemse a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas realizados por meio de conta corrente; 29. Desta forma, concluímos, que estas operações realizadas por meio de conta corrente estão sujeitos a cobrança do IOF, devendo ser cobrado o imposto da pessoa jurídica que concedeu o crédito, no caso em questão a fiscalizada, de acordo com o art 13 da Lei 9.779 /99, consolidada pelo arts 2° e 5° do Decreto n° 4.494, de 3 de dezembro de 2002 (...). DA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 30. Identificada que as operações por meio de conta corrente entre a fiscalizada e as empresas Unilever Brasil ltda (CNPJ 61.068.276 1000104) e Unilever Brasil Industrial Ltda (Unilever Bestfoods CNPJ 01.615.814/000101)estão sujeitas a cobrança do IOF na pessoa jurídica que concedeu o crédito, no caso a fiscalizada, resta determinarmos a base de cálculo do imposto e a alíquota aplicável; 31. Conforme já mencionado, as operações foram efetuadas por meio de contas contábeis denominadas "CONTA CORRENTE" sendo que os pagamentos e recebimentos são controlados por esta conta corrente através de débitos e créditos e apuração do respectivo saldo; 32. Nesta forma de controle, conforme art. 7°, do Decreto n° 4.494/2002 e os itens 1 e 3, do ADI SRF n° 007/99, abaixo reproduzidos, a base de cálculo do IOF será o somatório dos saldos devedores diários apurado no ultimo dia de cada mês, nela computados os encargos debitados ao mutuário, a partir do dia subseqüente ao término do período a que se referirem, sendo que a alíquota a ser utilizada é de 0,0041%; ... 33. Neste sentido, isto é, para apuração da base de cálculo do IOF, efetuamos a consolidação diária de lançamentos com o respectivo saldo diário de cada conta, com base no razão entregue, em meio digital (autenticado pelo sistema SVA), pela fiscalizada, em 11/06/2010 (...) ... DA DECADÊNCIA 35. Conforme declarações da fiscalizada e de acordo com pesquisas efetuadas nos sistemas da RFB, não foi efetuado nenhum recolhimento de IOF, também não apresentou qualquer declaração (DCTF) deste imposto perante a RFB, no período em análise; ... Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.160 10 39. Ante ao exposto e tendo em vista que não consta qualquer pagamento de IOF no período em análise, concluise com bastante clareza que a data de ciência da presente autuação está dentro do período legal para o lançamento, conforme o artigo 173 do CTN; DA RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES 40. Tendo em vista que a fiscalizada foi incorporada pela empresa Unilever Brasil Industrial Ltda CNPJ 01.615.814/000101, e considerando que a pessoa jurídica de direito privado que resultar de incorporação de outra é responsável pelos tributos devidos pela pessoa jurídica de direito privado incorporada. (art. 132 da Lei n° 5.172, e art 207 do RIR 99), lavramos o competente Auto de Infração, cujo presente termo é parte integrante e indissolúvel, em nome da Unilever Brasil Industrial Ltda CNPJ 01.615.814/000101 para formalização da exigência do crédito tributário pela falta de recolhimento do Imposto sobre Operações de Crédito, Cambio e Seguros ou Relativos a Títulos ou Valores Mobiliários (I0F), no período de 06/2005 a 05/2007. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação em alegando, em síntese: 5. Como se sabe, o IOF é um tributo sujeito às normas que regem o lançamento por homologação, ou seja, a legislação que lhe é aplicável atribui ao sujeito passivo o dever de apurar o tributo devido, sem o prévio exame da autoridade administrativa. 6. Nesses casos, a regra de decadência aplicável é aquela prevista no parágrafo 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional (CTN), hipótese em que o prazo decadencial de cinco anos tem como termo inicial a data de ocorrência do fato gerador. Decorrido esse prazo sem manifestação do Fisco, considerase decaído e extinto o eventual crédito tributário. ... 8. No presente caso, o Auto de Infração foi lavrado em 06/12/2010 (sendo que a data de sua ciência pela Impugnante foi em 08/12/2010), ao passo que os fatos geradores do crédito tributário ora exigido ocorreram, mensalmente, entre o período de 30/06/2005 a 31/05/2007. Contandose cinco anos da data em que ocorreram tais fatos geradores, verificase que o direito que possuía a d. fiscalização federal de realizar lançamento dos créditos relativos aos meses de junho a novembro do ano calendário 2005, extinguiuse, ao longo dos meses de junho a novembro de 2010, motivo pelo qual referido direito encontra se atingido pelo instituto da decadência. ... 20. Como se verá adiante, as operações realizadas pela Impugnante com as duas Empresas indicadas pela autoridade Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.161 11 fiscal não são, em verdade, passíveis de tributação pelo IOF. Vejamos uma a uma as situações discutidas no Auto de Infração. III.a. Das operações realizadas entre a Impugnante e a Unilever Bestfoods 21. Com relação às operações realizadas com a Unilever Bestfoods, foi questionada a não tributação dos valores indicados nas contas contábeis 15533108 (anexo I do Termo de Verificação) e 13602101 e 13602111 (Anexo II do Termo de Verificação): ... 22. Conforme mencionado no Termo de Verificação Fiscal, os valores registrados nas contas contábeis acima, que foram questionados pela fiscalização, referemse a operações atinentes ao Contrato de Gestão de Pagamentos e Recebimentos firmado entre a Impugnante e a Unilever Bestfoods. Mais precisamente, os valores registrados nessas contas decorrem de transações operacionais "intragroup", tais como compra e venda de produtos acabados, pagamento de fornecedores por conta e ordem, compartilhamento de despesas administrativas, entre outras. 23. Em síntese, conforme descrito no item 13 do Termo de Verificação Fiscal, o contrato em questão estabelece que as Empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico podem fornecer e adquirir, reciprocamente, produtos e serviços, bem como podem incorrer em outras operações entre elas, que não sejam empréstimo de moeda corrente. 24. Dessa forma, o contrato aqui tratado tem por objeto a gestão dos pagamentos e recebimentos entre a Impugnante e a Unilever Bestfoods, no que se refere ao fornecimento e demais operações, que poderão ser feitos reciprocamente e, com isso, possibilitar às empresas fazerem a compensação de tudo aquilo que não seja empréstimo em moeda corrente, apurandose o respectivo saldo mensalmente, quando, então, a parte credora pode cobrálo da parte devedora. Da compensação de valores 25. Pois bem. O que se alega no Auto de Infração ora tratado é que, quando do vencimento de faturas emitidas contra a Unilever Bestfoods, a mera transferência dos respectivos valores, na contabilidade da Impugnante, para conta diversa do seu ativo por si só já representaria empréstimo efetuado àquela Empresa (pois, segundo o Auto, haveria quitação da fatura e abertura de crédito em favor da Unilever Bestfoods). 26. Com base no art. 13 da Lei n° 9.779/99, os mútuos realizados por empresas não financeiras após a publicação da referida lei (isto é, após 20 de janeiro de 1999) estariam, em tese sem ainda adentrar em qualquer discussão mais substancial sobre isso por enquanto sujeitos ao IOF. Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.162 12 27. Precisamente quanto ao Contrato de Gestão de Pagamentos e Recebimentos, é absolutamente descabido que se pretenda vinculálo à tributação pelo IOF, considerando que este contrato não se caracteriza propriamente como um mútuo típico e, ainda, que a Lei n° 9.779/99 expressamente estabelece a incidência do IOF para pessoas não financeiras apenas sobre "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros". 28. Ora, a expressão "mútuo" na forma como empregada no art. 13 da Lei n° 9.779/99 não abarca (e nem poderia fazêlo!) todas as operações de crédito em geral. A incidência do IOF, por sua vez, deve ser limitada reiterese que ainda sem adentrar em discussão mais profunda sobre a validade dessa norma às operações que efetivamente se caracterizem como mútuo, sob pena de afronta, pelo menos, ao principio da legalidade. 29. O mútuo é espécie do gênero empréstimo, conforme artigo 586 do Código Civil, que assim dispõe: "o mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis". O mútuo de recursos financeiros é o contrato através do qual há de fato uma transferência de recursos entre o mutuante e o mutuário, a titulo de empréstimo, gerando obrigação ao primeiro de restituir ao segundo a quantia equivalente em prazo convencionado. Nos contratos como o aqui tratado não existe uma transferência de recursos a titulo de mútuo (de uma só vez ou em parcelas) ao mutuário, mas transações entre as empresas que não são de empréstimo em moeda, mas que acabaram por gerar contas a pagar e contas a receber entre as empresas, o que já descaracteriza essa espécie de contrato como sendo mútuo. Como conseqüência dessa distinção, inexiste base legal que suporte a incidência do IOF sobre esses contratos. 30. Há que se registrar que o Auto de Infração em questão menciona, como base para a autuação, o Ato Declaratório n° 07/99 da então Secretaria da Receita Federal (AD n° 07/99), o qual aponta o contrato de contacorrente como uma subespécie dos contratos de mútuo. Além disso, o Decreto n° 4.494/02, diploma também citado na autuação, estendeu a incidência desse imposto a todas as espécies de operação de crédito entre pessoas não financeiras, ainda que não sejam mútuo. Entretanto, essa previsão em ambas as situações extrapola os limites legais e, portanto, não deve ser validada. Quanto ao AD SRF 7/99 registrese ainda que o mesmo foi editado sob a vigência do antigo Decreto 2.219/02 revogado pelo Decreto 4.494/02 que embasou a autuação. 31. De fato, o que ocorreu no caso sob análise foi que a Impugnante compensou valores entre empresas do grupo que eram mutuamente credoras e devedoras (compensação de valores). A compensação, por sua vez, é caracterizada pela seguinte situação: "se duas pessoas foram ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem se, até onde se compensarem" (art. 368 do Código Civil). Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.163 13 32. Manifestandose acerca do conceito de compensação, Maria Helena Diniz ensina que o instituto é "meio especial de extinção de obrigações, até onde se equivalerem, entre pessoas que sejam, ao mesmo tempo, devedoras e credoras umas das outras; operação de mútua quitação entre credores recíprocos". 33. Feitos esses esclarecimentos, o que se verifica é que a fiscalização jamais poderia ter concluído que a mera movimentação de valores entre contas contábeis por si só representava empréstimo de mútuo concedido pela Impugnante, isto é transferência de recursos financeiros entre pessoas jurídicas. Da abertura de crédito 34. E ainda que assim não fosse isto é, ainda que as modificações contábeis feitas pela Impugnante representassem a abertura de crédito em favor da Unilever Bestfoods salientese que o contrato de abertura de crédito é, de todo modo, contrato distinto do contrato de mútuo. A abertura de crédito é o contrato pelo qual uma parte se obriga a colocar à disposição de outra determinada soma para ser utilizada, por esta última, à sua conveniência. Apesar de sua semelhança com o contrato de mútuo, é fato que as duas figuras não se confundem. (...). 35. Assim, tanto se tratadas como compensações de valores, quanto se tratadas como aberturas de crédito, é certo que as operações aqui tratadas não estão sujeitas à tributação pelo IOF, por não guardarem relação com o conceito de mútuo propriamente dito. Da administração de caixa 36. Também foram questionados no Auto de Infração os pagamentos de despesas administrativas e energia elétrica feitos pela Impugnante por conta e ordem da Unilever Bestfoods. 37. Ora, da mesma forma como ocorre no caso da compensação de valores, nesta situação também não se verifica a existência de quaisquer elementos característicos do mútuo, tais como a transferência de recursos entre o administrador e o administrado, gerando obrigação ao primeiro de restituir ao segundo a quantia equivalente em prazo convencionado. Isso porque, como restou comprovado, essas operações também estão albergadas pelo Contrato de Gestão de Pagamentos e Recebimentos, havendo, por conta disso, novamente uma mera compensação de valores devidos a/devidos para a Unilever Bestfoods. III.b. Das operações realizadas entre a Impugnante e a UBR 38. Com relação às operações realizadas com a UBR, foi questionada a não tributação dos valores indicados nas contas contábeis 13633104 e 13633154 (anexos Ill e IV compilados no Anexo V do Termo de Verificação) e 13602102 e 13602112 Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.164 14 (Anexos VI e VII compilados no Anexo VIII do Termo de Verificação): ... Das operações de mútuo entre as duas empresas, não financeiras 39. Conforme se verifica, também foram questionadas pela fiscalização as operações de mútuo propriamente, realizadas entre a Impugnante e a UBR, as quais eram refletidas, até setembro de 2005, na mesma conta contábil própria das operações relativas ao Contrato de Gestão de Pagamentos e Recebimentos e, após setembro de 2005, em conta diversa, destacada apenas para tal operação. 40. Assim, com relação à suposta incidência do IOF sobre tais operações de mútuo, a Impugnante passa a esclarecer. ... 42. Durante muitos anos, as leis que instituíram o IOF sempre restringiram o campo de incidência deste tributo, de forma a que fossem tributadas apenas as operações em que estivesse envolvida uma instituição financeira. Entretanto, a Lei n° 9.779/99 alargou o campo de incidência do IOF, introduzindo a sua cobrança também sobre mútuos realizados entre pessoas jurídicas que não instituições financeiras ( ...). 43. A previsão legal contida na Lei n° 9.779/99, como se verificará, tem a sua constitucionalidade bastante duvidosa, tendo, inclusive, a doutrina especializada manifestadose bastante a respeito da questão. 44. A leitura combinada de diversos dispositivos constitucionais e infraconstitucionais leva à conclusão de que o IOF é necessariamente um tributo de natureza regulatória da atividade financeira. Por esta razão, somente pode alcançar operações que envolvam instituições financeiras. ... 48. Por isso, a doutrina mais recente tem entendido que o caráter extrafiscal do tributo (que lhe confere, inclusive, regras especiais), impediria a sua cobrança desvinculada dessa sua função regulatória. Com isso, o IOF só poderia ser cobrado no âmbito financeiro, isto é, sobre operações financeiras, entendidas como aquelas realizadas dentro do sistema financeiro nacional. Em resumo, a cobrança do IOF só se justifica e só é legitima quando este tributo está cumprindo a sua função extrafiscal, o que só é possível com a sua incidência exclusiva sobre operações realizadas no desenvolvimento de atividades tipicamente financeiras de captação, intermediação e disponibilização de recursos, por instituições financeiras. 49. No caso presente, os valores indicados como base para a autuação no Anexo V (que é a compilação dos Anexos Ill e IV) e no Anexo VIII (que é a compilação dos Anexos VI e VII) Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.165 15 referentes a empréstimo de mútuo propriamente dito devem, pelas razões aqui expostas, ser desconsiderados pela d. DRJ, haja vista não consistirem em valores sujeitos à tributação pelo IOF. Das demais operações realizadas com a UBR 50. Além dos questionamentos relativos às operações de mútuo realizadas entre as duas Empresas, a fiscalização também questionou as mesmíssimas operações já tratadas no item anterior, realizadas com a Unilever Bestfoods. 51. O que também se alega no Auto de Infração ora tratado é que, quando do vencimento de faturas emitidas contra a UBR, a mera transferência dos respectivos valores, na contabilidade da Impugnante, para conta diversa do seu ativo por si só já representaria um empréstimo efetuado àquela Empresa (pois, segundo o Auto, haveria quitação da fatura e abertura de crédito em favor da UBR). 52. Em vista dessa premissa, data venia totalmente equivocada, resta Impugnante reportarse, neste caso, aos mesmos argumentos já mencionados no item III.a da presente defesa, com relação às operações realizadas com a Unilever Bestfoods (compensação de valores, abertura de crédito e administração de caixa). 53. Pelos mesmos motivos já expostos anteriormente no item II. a acima, nestas demais operações realizadas com a UBR também não se verifica a existência de quaisquer elementos característicos do mútuo, tais como a transferência de recursos entre o administrador e o administrado, gerando obrigação ao primeiro de restituir ao segundo a quantia equivalente em prazo convencionado. Isso porque, como restou comprovado, essas operações também estão albergadas pelo Contrato de Gestão de Pagamentos e Recebimentos, havendo, por conta disso, novamente uma mera compensação de valores devidos a/devidos para a Unilever Bestfoods. 54. Assim, pelos motivos aqui expostos, não há dúvidas de que não merece prevalecer a autuação ora tratada, a qual deverá ser cancelada integralmente por esta d. DRJ, haja vista não serem as operações indicadas na autuação passíveis de tributação pelo IOF, como pretendem fazer crer as autoridades fiscais. III.c. Das inconsistências verificadas na apuração da base de cálculo 55. Um fato bastante relevante que também demonstra a fragilidade dos critérios adotados na autuação aqui discutida assumindose, apenas a titulo de argumentação que as questões anteriores não sejam acatadas diz respeito à apuração em si do crédito tributário aqui discutido. 56. Conforme páginas 11 e 12 do Termo de Verificação Fiscal, no caso sob análise, "a base de cálculo do IOF será o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.166 16 nela computados os encargos debitados ao mutuário, a partir do dia subseqüente ao término do período a que se referirem, sendo que a ali quota a ser utilizada é de 0,0041%". 57. De fato, conforme estabelecido pelo artigo 7° do Decreto 4.494/02, vigente à época dos fatos geradores em questão: "A base de cálculo e respectiva aliquota reduzida do IOF: I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; 2. mutuário pessoa física: 0,0041%; (..) 58. Ocorre, porém, que nas duas situações aqui tratadas (isto é, Contratos de Mútuo com a Unilever Bestfoods e com a UBR e Contratos de Gestão com as mesmas Empresas, ao contrário do que se alega, houve sim valor de principal definido quando das contratações. Vejase: "Contratos de empréstimo que entre si fazem" (firmado com Unilever Bestfoods doc. 02) 59. No presente caso, não tem razão a fiscalização quando conclui que a base de cálculo a ser utilizada para apuração do IOF deve ser o somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês autuado. 60. Isso porque, conforme expressamente disposto na cláusula 1 do contrato em questão, a Impugnante comprometeuse a emprestar à Unilever Bestfoods R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais). "Contratos de gestão de pagamentos e recebimentos" (firmado com Unilever Bestfoods doc. 03 e com a UBR doc. 04) 61. Também não tem razão a fiscalização quando conclui que a base de cálculo a ser utilizada para apuração do IOF, quanto aos contratos em questão, deve ser o somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês autuado. 62. Isso porque, para estes casos, há, nas cláusulas "1.2" dos dois contratos, previsão expressa de um "valor máximo/teto" a ser verificado como "saldo" após as compensações atinentes a tais contratos ( R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais), no caso do contrato firmado com a Unilever Bestfoods e R$ 250.000.000,00 (duzentos e cinquenta milhões de reais), no caso do contrato firmado com a UBR) Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.167 17 63. Assim, em ambas as situações, é patente a conclusão no sentido de que há sim valores determinados nos contratos em questão e que, por isso, a regra aplicável para apuração do IOF neste caso é distinta daquele com base em saldos devedores diários. Vejase o inciso do já mencionado art. 7° que trata deste assunto: "A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são: quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia;(...)" 64. Além disso, neste caso é ainda previsto um limite máximo para a tributação em questão, conforme § 1º do mesmo artigo (...). 65. O que mais confirma o descuido da fiscalização com o presente caso é o fatode que, no próprio Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscalizadora menciona, mais de uma vez, a existência de valores determinados nos contratos em questão. Mesmo assim, por outro lado, finaliza a autuação concluindo que, nestes casos, a apuração deve se dar com base em "saldos devedores diários". 66. Ora, esse descuido, por si só, já deve causar aos Ilustres julgadores significativa insegurança quanto aos critérios todos adotados na autuação. Não é por menos que a Impugnante também por esse lado argumenta a necessidade de se cancelar o Auto de Infração ora contestado. 67. Com efeito, nos termos do artigo 10º do Decreto 70.235/72, "O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá, obrigatoriamente: (...) V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias". 68. Essa determinação, que diz respeito ao quantum do crédito tributário, além de ser imprescindível para que o contribuinte possa exercer seu direito de ampla defesa, naturalmente, também dever ser subsistente e precisa o que não ocorreu no presente caso. Apesar de ter havido no caso aqui tratado a determinação da exigência tributária, uma falha absolutamente significante foi cometida (justamente quanto à apuração da base de cálculo), o que inviabiliza, por si só, a manutenção do Auto de Infração isso, para não dizer que essa falha torna nula de pleno direito a autuação, pois comprova sua fragilidade. 69. Adicionalmente, ainda no que diz respeito à apuração da base de cálculo considerada, a Impugnante também esclarece que a pretensão de se embasar o critério adotado em dispositivo do Ato Declaratório SRF 07/99 é também insubsistente. Com efeito, a regra contida no referido ADI no sentido de que também Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.168 18 deveria ser verificada a existência de prazo determinado para que se possa afastar a aplicação do método de "saldos devedores diários" não encontra qualquer embasamento em lei, sendo, portanto, uma afronta ao próprio principio da legalidade tanto que hoje nem se encontra mais em vigor. 70. E ainda que o AD não estivesse extrapolando os limites legais, notese que, de todo modo, os contratos aqui discutidos indicam, todos eles, um prazo determinado para o pagamento do empréstimo (contrato de empréstimo) e dos saldos apurados após a compensação de valores (contrato de gestão de pagamentos e recebimentos). Por isso, não há que se falar, ainda assim, em outra forma de apuração da base de cálculo que não aquela estabelecida pelo inciso "b" do artigo 7º do Decreto 4.494/02, complementadas pelo § 1° do mesmo artigo. ... III.d. Da inaplicabilidade da Selic sobre a multa de oficio lançada 72. Caso seja mantido o presente Auto de Infração, o que se admite apenas para fins de argumentação, a Impugnante ressalta que deve ser prontamente cancelada a aplicação dos juros de mora sobre a multa de oficio, pela ausência de previsão legal expressa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP por intermédio da 3ª Turma, no Acórdão nº 0537.135, sessão de 12/03/2012, julgou improcedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 30/06/2005 a 31/05/2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia haver sido realizado. Constituído dentro do prazo de cinco anos a partir do marco inicial, o crédito tributário não sofre os efeitos da decadência. IOF. MÚTUO FINANCEIRO. INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do IOF as operações de crédito correspondentes a mútuo financeiro entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, incidência dos juros de mora sobre a parcela do crédito tributário constituído de ofício correspondente à penalidade por falta de recolhimento. Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.169 19 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo os mesmos argumentos de sua impugnação para combater a autuação e a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O litígio versa acerca da incidência do IOF sobre modalidades de operações de créditos em que se deram transferências de recursos financeiros entre a contribuinte, IGL Industrial, e empresas do grupo a qual pertence a UNILEVER. Conforme consta do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal e planilhas anexas, a fiscalização entendeu que as remessas/transferências de recursos financeiros para empresas relacionadas (controlada, controladora ou ligada), conquanto a utilização de denominações diversas dos contratos, caracterizavam mútuos financeiros entre a contribuinte e empresas do Grupo, atraindo a incidência do IOF nos termos da Legislação. De sua parte, a recorrente aduz que os instrumentos utilizados não se confundem, eis que presentes contratos de empréstimos (mútuo financeiro), mas também outros que denomina "Contrato de Gestão de Pagamentos e Recebimentos" cuja natureza e finalidade é de conta corrente para gestão de recursos das empresas. O deslinde do litígio, nessa principal matéria de mérito, reclama o enfrentamento da real natureza do Contrato de Gestão de Pagamentos e Recebimentos e a análise de suas cláusulas. Assim, passase à análise das matérias suscitadas em recurso voluntário, todas elas suscitadas e enfrentadas na decisão recorrida. Concomitância inocorrência Inicialmente, entendo necessária a abordagem quanto à possibilidade de não conhecimento do recurso voluntário, ao menos em parte, em razão de concomitância. O Termo de Verificação Fiscal informa que o procedimento fiscal iniciado em face da contribuinte decorreu da constatação de ausência de recolhimento do IOF no período de 06/2005 a 05/2007, por se encontrar amparada por concessão de liminar no Mandado de Segurança nº 2004.61.05.05.0141126, junto à Justiça Federal de Campinas. Relata a autoridade autuante que a liminar foi revogada, com a prolação da sentença denegando a segurança, e que consta do processo nº 10830.006558/200411, Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.170 20 formalizado para acompanhamento judicial, que a contribuinte declarou que não recolheu o IOF sobre empréstimos que lhes foram concedidos pelas empresas de seu grupo societário. No relatório da sentença em mandado de segurança consta o objeto da ação (fl. 134): Busca a impetrante, no presente mandamus ordem para que seja suspensa a exigibilidade do Imposto sobre Operações Financeiras IOF incidente sobre empréstimos que foram ou que lhe serão concedidos pelas empresas integrantes de seu grupo societário. Verificase que na ação judicial, pedese o afastamento do IOF sobre os empréstimos que foram ou lhes serão concedidos; enquanto que no procedimento fiscal a exigência do IOF recai sobre os empréstimos concedidos pela contribuinte a empresas do mesmo grupo econômico. Desse modo, afasto qualquer possibilidade de concomitância entre aquele Mandado de Segurança e a presente ação fiscal em razão da divergência de seus objetos. Decadência A alegação de decadência recai sobre o crédito tributário lançado no período compreendido entre junho a novembro de 2005, com ciência no auto de infração em 08/12/2010, que segundo a recorrente a regra de contagem do prazo decadencial seria nos termos do art. 150, § 4º do CTN. A matéria encontrase pacificada com a decisão proferida pela STJ em sede de Recurso Repetitivo (REsp 973.733), firmandose o entendimento que a decadência no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, dáse no prazo de 5 anos contados do fato gerador, na hipótese de existência de pagamentos, ou nos casos em que a lei não preveja o pagamento antecipado. Nas situações de ausência de pagamentos, o termo de início da contagem se dá pelo art. 173, I do CTN, isto é, a partir do primeira dia do exercício seguinte. Cumpre transcrever a ementa do referido Recurso Especial para melhor entendimento e interpretações: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.171 21 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.172 22 (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Perfilo o entendimento de que o requisito para a aplicação da regra do art. 150, § 4º do CTN é a antecipação do pagamento nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Não basta a declaração do débito fiscal, ou sua apuração, na escrita contábil. A expressão "inexistindo declaração prévia do débito", a meu juízo, explicita as declarações formalmente instituídas para consignação e informação de valores de tributos devidos pelo contribuinte (DIPJ, DCTF). No caso dos autos, não houve apuração de débito das contribuições na escrita contábil, tampouco ocorreu qualquer declaração; ao contrário, o débito foi apurado e lançado pelo Fisco, que não detinha conhecimento prévio acerca da falta. Destarte, aplicável a regra do art. 173, inciso I, do CTN para a contagem do prazo decadencial que leva à conclusão de que não houve a decadência do crédito tributário lançado a título IOF, referente aos meses de junho/2005 a novembro/2005. Mérito Evidenciado na introdução deste voto que o mérito tem como principal matéria a incidência do IOF nas operações realizadas entre a recorrente e empresas do grupo, cuja materialidade é de transferências de recursos financeiros. Destarte, necessária uma breve análise das modalidades, naturezas e verdadeiras funções jurídica dos contratos versados na autuação, mas não antes de apontar a legislação acerca do IOF. Lei nº 9.779/1999: Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1o Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2o Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. Decreto nº 4.494/2002: Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13). Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.173 23 Art. 3º O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei nº 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). § 1º Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: I na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; II no momento da liberação de cada uma das parcelas, nas hipóteses de crédito sujeito, contratualmente, a liberação parcelada; VII na data do lançamento contábil, em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. § 4º A expressão "operações de crédito" compreende as operações de: III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei nº 9.779, de 1999, art. 13). Art. 5º São responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional: III a pessoa jurídica que conceder o crédito, nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros (Lei nº 9.779, de 1999, art. 13, § 2º). Art. 6º O IOF será cobrado à alíquota máxima de um vírgula cinco por cento ao dia sobre o valor das operações de crédito (Lei nº 8.894, de 1994, art. 1º). Parágrafo único. O Ministro de Estado da Fazenda, tendo em vista os objetivos das políticas monetária e fiscal, poderá estabelecer alíquotas diferenciadas para as hipóteses de incidência de que trata este Título (Lei nº 8.894, de 1994, art. 1º, parágrafo único). Art. 7º A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei nº 8.894, de 1994, art. 1º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.174 24 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; A autuação se funda no entendimento de que os contratos firmados entre a autuada e as empresas ligadas têm a natureza de mútuo, o que é negado na impugnação. Reconhece a recorrente que celebrou contratos de mútuos, e também aqueles cujas naturezas são de abertura de crédito e de conta corrente, que não se equivalem a mútuo, e somente este ultimo inserese na hipótese de incidência do IOF. Pontuou a decisão recorrida a existência de um marco temporal quanto à forma e conteúdo dos contratos celebrados entre as empresas do grupo. Assim, os contratos que vigoraram até a segunda metade do ano de 2005 expressavam empréstimos, ou seja, mútuos. A partir de outubro de 2005, os contratos de empréstimo foram substituídos por contratos de gestão de pagamentos e recebimentos que compreendiam, declaradamente, operações que não envolveriam "empréstimo de moeda corrente". E explicação para a alteração formal nos contratos foi que na modalidade de gestão "... se colocam como uma alternativa para a continuidade das operações de empréstimo agora sob a roupagem de gestão de pagamentos". Vejamos o que a doutrina tem a ensinar acerca dos contratos de mútuo, abertura de crédito e de conta corrente. Para tanto, dentre outras fontes, valhome de pesquisa bem elaborada pelos Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz no Acórdão nº 3402 003.019 (26/04/2016) e Augusto Fiel Jorge D' Oliveira no Acórdão nº 3401004.364 (31/01/2018). Contrato de mútuo O contrato de mútuo tem definição legal no art. 586 do Código Civil: "O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade" José Roberto de Castro Neves: "A rigor, no mútuo, uma pessoa transfere a outra a propriedade de coisa fungível, ficando esta última obrigada a entregar, num momento futuro, coisa do mesmo gênero e qualidade daquela inicialmente entregue. A restituição, portanto, se dá com o equivalente (...) a abertura de crédito de uma instituição financeira, por meio da qual se concede ao cliente o poder de concretizar o mútuo, apenas vai ocorrer quando o mutuário recebe o dinheiro. Fica claro, nesse exemplo, a natureza real do contrato. Antes da entrega, existirá apenas a promessa". Pontes de Miranda: "Há mútuo quando existe acordo de vontades para empréstimo de bem fungível (dinheiro, no mais das vezes), gerando ao mutuário a obrigação de restituição de coisa da mesma espécie, qualidade e quantidade". Contrato de abertura de crédito Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.175 25 Contrato de abertura de crédito é aquele em que se pactua a promessa de mutuar. Nas palavras de Caio Mario da Silva Pereira: "(...) Levando em consideração a concepção tradicional do mútuo como contrato real, a abertura de crédito é um contrato preliminar, promessa de mutuar, que se converte automaticamente em mútuo com o lançamento da quantia a crédito na conta do mutuário independentemente de têla sacado ou usado, bastando que fique ali à sua disposição". Eduardo Salomão Neto: “O mero acordo de vontades entre as partes sobre o empréstimo não é suficiente para a formação do contrato de mútuo. Tal acordo é apenas promessa de mútuo, que recebe o nome de “abertura de crédito” na atividade bancária e tem o tratamento de contrato preliminar (artigos 462 a 466 do Código Civil. (...) Por meio do contrato de abertura de crédito, uma parte, dita creditante, comprometese a desembolsar recursos em favor de outra, designada creditada, gerando os desembolsos de crédito sujeito a remuneração financeira a ser paga em favor do creditante. (...) Não nos parece que o negócio de abertura de crédito possa se traduzir em outra prestação para o financiador que não o mútuo. (...) Visto o contrato preliminar como uma obrigação de fazer, que obriga apenas à celebração de outro contrato, parece ser figura que abrange perfeitamente a abertura de crédito. (...) Ainda com tudo isto, o melhor argumento a favor desta teoria nos parece vir do fato de que, considerado os futuros desembolsos o momento inicial da celebração do contrato de mútuo, aplicase à relação de crédito que venha a aparecer o regime jurídico do mútuo. Tal regime (bem como as adições a ele) foi elaborado com vistas ao equilíbrio das relações entre prestadores e tomadores de recursos financeiros, não havendo sentido em desprezar essa experiência para considerar a abertura de crédito um novo instituto jurídico.” Contrato de conta corrente Fran Martins leciona que o contrato de conta corrente "(...) é o contrato segundo o qual duas pessoas convencionam fazer remessas recíprocas de valores — sejam bens, títulos ou dinheiro, anotando os créditos daí resultantes em uma conta para posterior verificação do saldo exigível, mediante balanço" Caio Mario da Silva Pereira, "(...) A maior utilidade da conta corrente é produzir a compensação de créditos e débitos, dispensando reciprocamente os pagamentos diretos." Maria Helena Diniz conceitua o contrato de conta corrente como "aquele que apresenta uma série de operações sucessivas e recíprocas entre as partes, de forma que os correntistas não se julguem credor ou devedor um do outro, já que as remessas farão parte de um todo homogêneo, cujo resultado somente será conhecido pelas partes no momento do balanço final". Pontes de Miranda define conta corrente como "o contrato pelo qual os figurantes se vinculam a que se lancem e se anotem, em conta, os créditos e débitos de cada Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.176 26 um para com o outro, só se podendo exigir o saldo ao se fechar a conta. (...) pelo contrato de conta corrente nenhum dos figurantes se vincula a prestar dinheiro, ou outro bem. Apenas se promete escriturar os créditos decorrentes de operações em que os figurantes sejam titulares., esclarecendo ainda que pelo contrato de conta corrente não se mutua, nem se abre crédito". Carvalho de Mendonça sintetiza as características do contrato de conta corrente: "a) O contrato de conta corrente supõe uma série de operações sucessivas e recíprocas entre as partes. Essas operações não se liquidam imediatamente e sim são anotadas nas contas, como partidas de débito e crédito. Ao final do prazo convencionado, ou no fim de um ano, se não houver período estabelecido, somamse as partidas de débito e as de crédito, verificandose o saldo. Esse será o resultado da diferença entre os débitos e os créditos. (...) c) Durante a vigência da conta corrente não pode um dos correntistas julgarse credor ou devedor, pois essa averiguação só se obterá no momento do encerramento da conta. As remessas constituem uma massa homogênea cujo resultado só será reconhecido pelas partes ao fazerse o balanço para a verificação final. d) As remessas de cada correntista, perdendo a sua individualidade, unificamse na massa de débitos e de créditos, não podendo, assim, dar causa a ação particular sobre elas, nem ser objeto de execução." Pois bem; assentada nessas premissas doutrinárias, que definem e caracterizam o conta corrente, impende verificar se os ditos contratos de conta corrente celebrado pela recorrente e denominados de gestão de pagamentos e recebimentos preenchem os requisitos de mero controle de fluxo financeiro ou é, em verdade, contratos de mútuos. Diz o contrato que a gestão de pagamentos e recebimentos entre as empresas possibilitaria a ambas fazer a compensação de tudo aquilo que não seja empréstimo de ‘moeda corrente’ e estabelece a realização de compensação entre débito e créditos e apuração do respectivo saldo, conforme reza a cláusula 1.1 do contrato. Contudo, a apuração do saldo é (deve ser) mensal em que a parte credora "poderá" cobrar a parte devedora e estará "sujeito" a correção monetária, durante o período de vigência. De fato, a fiscalização demonstrou a partir dos históricos de lançamentos a débito das contas de ativo em que a recorrente escriturou essas "operações de gestão" que houve a apuração mensal do saldo credor a favor da recorrente com a cobrança de juros, o que desfigura o contrato de conta corrente conforme suas características especificadas acima. Os demonstrativos dão conta que a apuração, era em verdade, realizada a cada lançamento, tendo assim, a qualquer momento na vigência do contrato a posição exata de credor e devedor, inclusive com lançamentos de encargos de juro ao devedor, e não apenas uma apuração mensal ou ao final do prazo de vigência. Outro ponto de relevância é a determinação de um valor máximo estipulado para o saldo apurado a cada mês, e mais; estipulouse que na apuração "podem" os contratantes "fazer pagamentos dos referidos fornecimentos e demais operações" (exatamente aqueles que o contrato rezam não se tratar de mútuos) facultando ainda a quaisquer das partes "efetuar Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.177 27 pagamentos diretamente à parte credora, sem a utilização do pactuado no presente instrumento" Isto é, inobstante a cautela na elaboração dos termos e expressões do contrato para que não se caracterizasse como de mútuo, sua redação acaba por excluir da apuração do saldo credor em contas que expressavam o empréstimo, e que de fato excluiu conforme demonstrado pela fiscalização, todos aquelas valores que se relacionam a "fornecimentos e demais operações, que não sejam empréstimos de moeda corrente". Ora ao exclui tais valores, restou tão somente as "remessas" (não caracterizadas por efetiva transferência monetária, mas sim de lançamentos contábeis) mas que caracterizava o mútuo entre as partes relacionadas, corroborado com a presença dos demais elementos que se excluem, conforme a doutrina mencionada, do contrato de conta corrente, a saber: a apuração mensal de saldo devedor e neste mesmo tempo a determinação da parte credora e devedora, bem como a exigência de juros, a estipulação máxima do crédito a ser concedido, o prazo de vigência do contrato. Ao meu ver, a revelação fática do conteúdo formal do contrato de gestão desnuda tal natureza, pois suas características apontam, indubitavelmente, para um contrato de empréstimo de recursos financeiros realizado pela recorrente mútuo, tendo como prova o histórico dos lançamentos nas contas contábeis, que se mostraram suas verdadeiras funções: a contabilização e o controle de valores acrescidos de encargos a favor do credor, para fins de executoriedade do contrato, inclusive se necessário fosse em sede do Poder Judiciário. Vejase que a denominação das contas contábeis do pretenso contrato de gestão indica sua natureza: "Pagamento Principal Empréstimo – UBR", "Amortização Principal Conta Corrente UBR" e "Recebimento Juros Empréstimo – UBR". Portanto, correto o entendimento exarado na decisão recorrida de que os contratos de gestão se colocaram como uma alternativa para a continuidade das operações de empréstimo Concluise, portanto, que os contratos formalizados a título de gestão de pagamentos e recebimentos pela autuada e suas coligadas têm, efetivamente, natureza de operação de crédito financeiro passível de tributação pelo IOF, não importando a denominação das atividades compreendidas em tal gestão, como mencionadas pela recorrente: compensação de valores, abertura de crédito e administração de caixa O lançamento não decorreu de mera celebração de um contrato de abertura de crédito, mas sim de uma série de operações contábeis que se traduziram em mútuo de recursos disponibilizados pela recorrente às empresas a ela ligadas, como se verifica pela documentação acostada aos autos, cujas condições estão previstas, exteriorizadas, em instrumento de promessa de mútuo ou contrato de gestão de pagamentos e recebimentos. Considerando que os valores limites estipulados no contrato de gestão configurase na verdade o valor máximo de crédito disponível ao mutuante, neste mesmo sentido já se manifestou o STJ no Resp nº 1.239.101 RJ (2011/00334760), cuja ementa é: TRIBUTÁRIO. IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.178 28 1. O art. 13, da Lei n. 9.779/99 caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas " e não a específica operação de mútuo. Sendo assim, no contexto do fato gerador do tributo devem ser compreendidas também as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas com a previsão de concessão de crédito. 2. Recurso especial não provido. No voto do Ministro relator, Mauro Campbell, fica mais nítida a fundamentação apresentada na ementa, motivo pelo qual transcrevese abaixo passagens daquele voto: (...) Alegam que são empresas do mesmo grupo financeiro e que celebram diversos contratos de abertura de crédito em conta corrente interna, onde é disponibilizada uma determinada quantia à contratante, com a obrigação de pagamento do valor sacado em prazo determinado. Afirmam também que os contratos de abertura de crédito e de mútuo não se equivalem, inserindose apenas o segundo na hipótese de incidência do IOF. Procuram descaracterizar a individualidade das concessões de créditos por considerar que somente o saldo final deve ser apurado. O recurso não merece prosperar Com efeito, o que a lei caracteriza como fato gerador do IOF é a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas " e não a específica operação de mútuo. (...) Sendo assim, o contrato de mútuo, longe de ser a única espécie contratual a ser tributada, é tido por um modelo cujas características essenciais devem ser buscadas em outras espécies de contrato que envolvam operações de crédito para que possam ser alcançadas pela hipótese de incidência do IOF. É por esse motivo que o §1º, do art. 13, da lei citada considera ocorrido o fato gerador do tributo na data da concessão do crédito. O contrato de abertura de crédito que a recorrente celebra estabelece que a controladora disponibiliza créditos às controladas, que poderão utilizálos total ou parcialmente. A remuneração do capital emprestado são os juros sobre o capital da controladora disponibilizado às controladas. Nesse sentido, não resta dúvida que as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas, com a previsão de concessão de crédito, são verdadeiras Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.179 29 operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, na medida em que, em todos os casos, é disponibilizado numerário de forma imediata para pagamento futuro a depender do saldo existente. Ao final, o Ministro Relator colacionou a decisão do Tribunal de Origem que por sua clareza e subsunção dos fatos ao presente caso reproduzo: Nos termos da norma supracitada, pessoas jurídicas que realizarem operações de crédito, correspondentes a mútuo de recursos financeiros, entre si ou com pessoas físicas, estarão sujeitas ao recolhimento do IOF, quando da concessão do crédito. Operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros devem ser entendidas como negócios jurídicos que a ele se assemelham, sob qualquer forma jurídica, como por exemplo, operações de empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive o de abertura de crédito e sua utilização. É que se alguém se obriga a pôr à disposição de outrem uma soma em dinheiro, nada mais está se fazendo do que se obrigar a emprestar coisa fungível, ou seja, uma forma de promessa de mútuo, que só ocorrerá, efetivamente, quando da utilização do valor disponibilizado. Por fim, um parênteses para considerar a possível arguição quanto à natureza de valores registrados como vendas de mercadoria à empresa do grupo, ou pagamentos de despesas, que foram considerados mútuos e seriam antecipações. Não procede o raciocínio. No caso de alegadas vendas de mercadoria para Unilever (UBR), ou pagamento de despesas, não se tributou pelo IOF o valor lançado na conta debitada na operação (13601001). Apenas no vencimento da fatura da venda ou da despesa é que a recorrente liquida a fatura através de pagamento ou lançamento contábil em nome do devedor caracterizandose, portanto, um empréstimo. Esta liquidação implica o débito na conta de ativo 15533108 correspondente à conta corrente mantida entre a recorrente e o tomador do empréstimo, o devedor da fatura. Outrossim, há prova que o tomador do recurso tornouse devedor da recorrente. A fiscalização demonstrou na planilhas anexas ao TVF que esses pagamentos realizados, que se caracterizaram como empréstimo, teve a contrapartida a crédito no conta corrente o que comprova o pagamento pelo tomador. Outrossim, há prova que o tomador do recurso tornouse devedor da recorrente. A fiscalização demonstrou na planilhas anexas ao TVF que a contabilização equivalente a esses pagamentos realizados e que se caracterizaram como empréstimo, teve a contrapartida a crédito no conta corrente o que comprova a liquidação da dívida pelo tomador. Passemos à análise da determinação da base de cálculo e alíquota aplicada. Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.180 30 Para determinação da base de cálculo do IOF se faz necessário identificar a modalidade da operação contratada, ou como crédito fixo ou como crédito rotativo. A base de cálculo do IOF, quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação. A regra se aplica às operações de crédito realizadas por meio de conta corrente sem definição do valor de principal. A fiscalização demonstrou no Termo de Verificação Fiscal conquanto houvera previsão de valores de contratação para as modalidade de mútuo (puro) e de conta corrente (gestão de pagamentos e recebimentos) os valores estipulados se caracterizaram apenas como um limite, pois, efetivamente nessas modalidades de contratos as "remessas"/disponibilizações do crédito se sucederam sem um esquema fixo (com referência/relação a um percentual ou parcela do "principal") e adstrito ao valor inicialmente contratado. Nos contratos de mútuo a mutuante sequer regia a forma de "remessa"/disponibilização dos valores, pois se tratava de decisão e critério exclusivo do mutuário; no contrato de conta corrente (gestão) até que se apurasse mensalmente o saldo credor não se tinha o valor a ser fixado e considerado como empréstimo. Portanto, tanto no caso dos contratos de empréstimos quanto nos de gestão de pagamentos, não há valor definido do principal, o que justifica a forma de apuração adotada pela fiscalização. Inconstitucionalidade do art. 13 da Lei nº 9.779/99 que estabeleceu tributação do IOF Aduz a recorrente que a tributação de operações de mútuo pelo IOF com fundamento no art. 13 da Lei nº 9.779/99 ofende a preceitos constitucionais, pois o caráter extrafiscal deste Tributo exige que a cobrança se limitasse ao âmbito das operações financeiras realizadas dentro do sistema financeiro nacional. O IOF foi instituído pela Lei nº 5.143/1966, tendo atualmente fundamento no art. 153, V da CF/88, que lhe trouxe aperfeiçoamentos e alterações por intermédio de diplomas legais, dentre os quais a Lei nº 9.779/1999 e o Decreto nº 4.494/2002, que regulamenta o Imposto, aplicáveis à época dos fatos De se apontar ainda que não se vislumbra qualquer incompatibilidade da tributação do IOF prevista no art. 13 da Lei nº 9.779/1999 e nos Decretos regulamentares com os preceito do CTN que tratam a matéria, entendimento que se coaduna com a decisão do STJ, em sede de Embargos de Declaração no Resp 1.239.101/RJ: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. AUSÊNCIA DE OMISSÃO OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Os argumentos levantados pela embargante foram devidamente Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.181 31 rechaçados quando esta Corte fez a melhor opção interpretativa pela incidência do IOF sobre as operações que disponibilizam créditos entre empresas de um mesmo grupo econômico. A interpretação prestigia a letra do art. 13, da Lei n. 9.779/99 (caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ") e a letra do art. 63, I, do CTN (caracteriza como operação de crédito a "sua colocação à disposição do interessado "). Inclusive com transcrição de jurisprudência. 2. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, merecem ser rejeitados os embargos declaratórios interpostos que têm o propósito infringente. 3. Embargos de declaração rejeitados. A tributação realizada no presente processo atendeu aos regramentos vigentes, não podendo o autuante, tampouco os julgadores administrativos, afastar qualquer comando normativo, eis que disposto em Leis e Decretos plenamente vigentes no ordenamento jurídico. Ademais, qualquer pronunciamento quanto a inconstitucionalidade de lei é vedado aos membros deste Conselho, conforme enunciado da Súmula CARF nº 2, segundo o qual o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Juros de Mora (Taxa Selic) sobre Multa de Ofício No que concerne à alegação referente incidência a juros de mora sobre o valor lançado de multa de ofício, o entendimento majoritário do CARF é de que é cabível. Cobramse juros de mora sobre a multa de ofício equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, Selic, por expressa previsão legal. O art. 161 do Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Além destes dispositivos, destacase ainda o artigo 43 da Lei n° 9.430/96, que assim dispõe: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5o, a partir Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 10830.016429/201080 Acórdão n.º 3201004.003 S3C2T1 Fl. 1.182 32 do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da análise dos dispositivos citados, resta claro que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de oficio, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, os juros de mora devem incidir também sobre a multa de ofício, que integra o crédito tributário constituído de ofício. Conclusão Por todo o exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000394/2006-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM FAMILIAR NÃO-DEPENDENTE.
A legislação tributária permite a dedução, na declaração de rendimentos, dos pagamentos efetuados pelo contribuinte a título de despesas médicas e com instrução quando em beneficio próprio e de seus dependentes.
TAXA SELIC. ILEGALIDADE
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
Numero da decisão: 2202-004.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil, Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DEPENDENTES Recorrente ENEDINA DOS SANTOS TORRES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM FAMILIAR NÃODEPENDENTE. A legislação tributária permite a dedução, na declaração de rendimentos, dos pagamentos efetuados pelo contribuinte a título de despesas médicas e com instrução quando em beneficio próprio e de seus dependentes. TAXA SELIC. ILEGALIDADE A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 03 94 /2 00 6- 28 Fl. 149DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil, Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2003, ano calendário 2002, bem como em relação ao exercício de 2002, anocalendário 2001, tendo em vista a apuração de dedução indevida de despesas médicas e instrução com dependentes. O contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) Que em decorrência das dificuldades financeiras de um irmão, bem como dos problemas de saúde de uma irmã, lançou ambos, bem como os respectivos filhos, como dependentes na DAA. Ato contínuo, questiona a impossibilidade da incidência da taxa SELIC sobre o débito existente e, por derradeiro, suscita a ocorrência da prescrição em relação ao exercício financeiro de 2001. (fls. 42/50). b) Ato contínuo, juntou documentação a fim de corroborar/fundamentar suas alegações, sendo ela composta por: declaração escolar (fls. 51/53), cópia da CTPS de Sebastião Pedro dos Santos (fls. 54/57), cópia da CTPS de Sebastião Odila Rea dos Santos (fls. 57/58), atestado médico (fls. 59), relatório médico (fls. 60/66), carta de concessão de auxilio doença (fls. 67/71) à Odila Rea dos Santos, certidões de nascimento (fls. 72/77). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) negou provimento à Impugnação (fls. 100), em decisão cuja ementa é a seguinte: DEDUÇÃO DEPENDENTE. Não comprovada nos autos a relação de dependência, conforme legislação de regência, procedente o lançamento que glosou a dedução pleiteada na DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. Mantida a glosa de despesas, visto que o direito à sua dedução é condicionado à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Mantida a glosa das despesas, visto que o direito a sua dedução é condicionada a comprovação dos requisitos exigidos em lei. TAXA SELIC São devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Eventual inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. Lançamento procedente. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16095.000394/200628 Acórdão n.º 2202004.432 S2C2T2 Fl. 151 3 Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 109/123) e requereu a juntada de documentação apresentada em sede de Impugnação e, em fase recursal, dos seguintes documentos: a) Comunicado do SUS, apontando a Recorrente como Responsável Solidária em relação à paciente Odila Rea dos Santos Pedro (fls. 126); b) Relatório médico de Odila Rea dos Santos Pedro (fls. 129/133). É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O artigo 35 da Lei nº 9.250/95 dispôs sobre aqueles que poderão ser considerados dependentes, nestes termos: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II – o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV – o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V – o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI – os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII – o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Fl. 151DF CARF MF 4 § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo (grifamos) O artigo 8º, inciso II, da mesma lei prevê as deduções das despesas efetuadas com "a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias" e, em seu §2º, inciso I, dispõe que os valores pagos a empresas destinados a cobertura de tratamentos médicos e ondotológicos também estão abrangidos pela dedução. Finalmente, no inciso II, do mencionado §2º determina que tais despesas restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e dos seus dependentes. Confirase: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos dentistas,psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. (grifamos). A decisão recorrida manteve a glosa das despesas médicas e com dependentes com base nos seguintes fundamentos: DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. 8. Mantenho o entendimento já expresso pela fiscalização no sentido de não aceitar como dependente para fins de imposto de renda da impugnante a irmã da impugnante ODILA REA DOS SANTOS, pois inexiste prova de que a impugnante detenha a guarda judicial da sua irmã (art.77, I, V do Decreto n° 3.000/99) e, ainda que tal prova fosse feita, a documentação de fls. 57 a 63 não comprovaria de maneira hábil a incapacidade física ou mental para o trabalho para os anoscalendários em referência. 8.1 Mantenho também o entendimento já expresso pela fiscalização no sentido de não aceitar como dependente para fins de imposto de renda da impugnante o irmão SEBASTIÃO PEDRO SANTOS, pois a legislação não prevê a inclusão como dependente do mesmo pelo fato de estar desempregado. 8.2 A legislação também não prevê a inclusão dos sobrinhos da impugnante como dependentes, razão pela qual mantenho o entendimento já expresso pela fiscalização no sentido de não aceitar como Fl. 152DF CARF MF Processo nº 16095.000394/200628 Acórdão n.º 2202004.432 S2C2T2 Fl. 152 5 dependente para fins de imposto de renda da impugnante CAROLINA ALMEIDA SANTOS, RAFAEL DOS SANTOS PEDRO e LUIZ HENRIQUE SANTOS NASCIMENTO DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO 10. O art. 8°, inciso II, "b" da Lei n° 9.250/45 e o art.81 do Decreto n° 3000/99. explicita que só podem ser deduzidas as despesas havidas com instrução do próprio contribuinte e de seus dependentes. Ao não incluir seus filhos entre seus dependentes, apesar da possibilidade dada pelo art.77, inciso III, do Decreto n° 3000/99, a impugnante deixa de poder deduzir as despesas havidas com a instrução dos filhos em sua declaração. 49 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. 11. Cabe observar que impugnação redigida em termos genéricos, sem o desenvolvimento do tema e desacompanhada de qualquer indício de prova, não cria questão a ser tratada em sede de julgamento administrativo. Intimada da referida decisão, a Recorrente a Recorrente apresentou Recurso Voluntária no qual reitera as razões suscitadas quando da Impugnação. Em relação às despesas médicas e com instrução de seus irmãos, bem como os respectivos filhos, não se amoldam as hipóteses de dedução, eis que não podem, na hipótese, figurar na condição de dependentes da Recorrente. Não há prova de que a Recorrente tivesse guarda da irmã Odila Rea dos Santos nos exercícios financeiros de 2002/2003, tampouco que a tivesse em relação aos seus sobrinhos Carolina Almeida Santos, Rafael dos Santos Pedro e Luiz Henrique Santos Nascimento. O mesmo raciocínio se aplica em relação ao irmão da Recorrente que, não se situando numa das hipóteses do art. 35, acima mencionado, não pode ser contemplado pela condição de dependente da Recorrente. Em relação aos filhos da Recorrente, conforme se verifica da Declaração de Ajuste Anual (fls. 06/11), não foram lançados como seus dependentes, razão pela qual os dispêndios eventualmente realizados em beneficio deles não pode ser deduzido. E, por fim, quanto a alegação de ilegalidade da taxa SELIC a jurisprudência do CARF pacificou sua aplicação desde a publicação sua súmula 4 cujo teor é o seguinte: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 153DF CARF MF 6 Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
