Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 12466.722546/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/06/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA.
O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3401-003.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça intempestivamente apresentada a título de recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 08/06/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada. Recurso voluntário não conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12466.722546/2014-31
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5782820
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.999
nome_arquivo_s : Decisao_12466722546201431.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 12466722546201431_5782820.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça intempestivamente apresentada a título de recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6967142
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466550878208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1462; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.722546/201431 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.999 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2017 Matéria ADUANA PENA DE PERDIMENTO CONVERSÃO EM MULTA Recorrente PORTES BR IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS: HMG LTDA. E WTEC MÓVEIS E EQUIPAMENTOS TÉCNICOS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/06/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolandose em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça intempestivamente apresentada a título de recurso voluntário. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 25 46 /2 01 4- 31Fl. 543DF CARF MF 2 Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos. Relatório Versa o presente processo sobre aplicação de multa equivalente ao valor da mercadoria por conversão de pena de perdimento, ex vi do art. 23, V, § 2º do DL 1.455/76, relativamente à DI 11/10581370. Narra a fiscalização que o contribuinte (PORTES BR) não logrou comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos necessários à realização das operações. Foram incluídas no polo passivo, na condição de responsáveis tributários, as pessoas jurídicas HMG LTDA. (doravante HMG) e WTEC MÓVEIS E EQUIPAMENTOS TÉCNICOS LTDA (doravante WTEC), encomendante das mercadorias importadas. Devidamente intimadas, apenas WTEC apresentou impugnação, onde alegou que não praticou o ato infracional; que é descabida a solidariedade em relação à multa; que a substituição tributária se restringe aos tributos; que não há relação jurídica entre a recorrente e o contribuinte; que houve violação ao princípio da razoabilidade, ante a forma como conduzida a fiscalização; que não foi demonstrada a correlação entre a recorrente e o contribuinte; que não auferiu qualquer benefício com as fraudes praticadas pelos demais sujeitos passivos; e, que é adquirente de boafé. A DRJ São Paulo/SP manteve o lançamento em decisão assim ementada: “INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO. Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior com a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (DecretoLei nº 1.455/76, artigo 23, V, §2º). IMPORTAÇÃO. DOCUMENTO FALSO. PERDIMENTO. Aplicase a pena de perdimento quando constatada a utilização de documento falso na operação de importação, nos termos do art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro Decreto n° 6.759/09.” O recurso voluntário, com certa variação, reprisou os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Fl. 544DF CARF MF Processo nº 12466.722546/201431 Acórdão n.º 3401003.999 S3C4T1 Fl. 11 3 Cumpre salientar, primeiramente, que as pessoas jurídicas PORTES BR e HMG, devidamente intimadas, não apresentaram recurso, como já ocorrera na primeira oportunidade de manifestação recursal. Consoante Intimação nº 122/2016, de 13/04/2016, efl. 495, e “Termo de Ciência por Abertura de Mensagem” (efl. 498), a pessoa jurídica WTEC, através de procurador credenciado (Maria Luciana de Menezes Bandeira), teve ciência do acórdão de impugnação e da intimação respectiva, em 13/04/2016, às 16:20:22 hs, data em que se considerou feita a intimação, nos termos do art. 23, § 2º, III, “b” do Decreto nº 70.235/72. Posteriormente, em 06/06/2016, a unidade preparadora confeccionou o Termo de Perempção (efl. 507) e a Carta Cobrança nº 145/2016 (efl. 508) à WTEC, em razão da não apresentação do competente recurso voluntário. Aludidos documentos foram disponibilizados no Domicílio Tributário Eletrônico da pessoa jurídica WTEC em 06/06/2016, às 13:47:05 hs, conforme documento de efl. 511, tenda a interessada os acessado na mesma data, às 14:02:45 hs (efl. 512). Em 16/06/2016, às 11:07 hs, WTEC novamente consultou o acórdão de impugnação e a Intimação nº 122/2016, disponibilizados desde o dia 13/04/2016, na Caixa PostalDTE, como registra o documento de efl. 514. Em 30/06/2016 a WTEC ingressou com recurso voluntário (ef.s 518/540). Nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, da decisão de primeiro grau administrativo caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Como assinalado, a ciência válida da decisão ocorreu em 13/04/2016, quarta feira, vencendo o prazo para interposição do voluntário em 13/05/2016, sextafeira, contado na forma do art. 5º do mesmo diploma legal, de maneira que, protocolada a peça recursal em 30/06/2016, é inconteste a sua intempestividade, não atendendo a requisito básico de admissibilidade. Em face do exposto, ante a extemporaneidade do recurso voluntário manobrado, voto por não conhecêlo. Robson José Bayerl Fl. 545DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.722467/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA.
O fato gerador do ganho de capital é a percepção de rendimentos oriundos da alienação de bens e direitos, sendo tributável a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição.
AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL. CAPITALIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO DE RESERVAS DE LUCROS SUSPENSOS. INEXISTÊNCIA. PERÍODO DE ISENÇÃO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. DECRETO-LEI N. 1.510/76. INCREMENTO DE CAPITAL SOCIAL APÓS O LAPSO TEMPORAL ISENTIVO. INEXISTÊNCIA DE QUOTAS DE BONIFICAÇÃO OU DE QUOTAS NOVAS.
Inexistindo aumento de capital social no período de isenção previsto no Decreto-Lei n. 1.510/76, reconhecido na via judicial, não há que se falar em quotas de bonificação decorrente de reserva de lucros suspensos ou até mesmo de novas quotas no cálculo do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital na alienação de participação societária.
O aumento de capital social decorrente de reserva de correção monetária, reservas de lucro suspenso e integralização em dinheiro a partir de 01/01/1989 não se submete à isenção prevista no Decreto-Lei n. 1.510/76 reconhecida judicialmente no caso concreto.
CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS.
Somente o aumento de capital, mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida.
GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do bem adquirido, até 31 de dezembro de 1995, poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro deste ano, tomando-se por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO
Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo específico, fraude ou simulação do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características principais.
Numero da decisão: 2402-005.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a ao patamar ordinário de 75% (setenta e cinco por cento).
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. O fato gerador do ganho de capital é a percepção de rendimentos oriundos da alienação de bens e direitos, sendo tributável a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição. AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL. CAPITALIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO DE RESERVAS DE LUCROS SUSPENSOS. INEXISTÊNCIA. PERÍODO DE ISENÇÃO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. DECRETO-LEI N. 1.510/76. INCREMENTO DE CAPITAL SOCIAL APÓS O LAPSO TEMPORAL ISENTIVO. INEXISTÊNCIA DE QUOTAS DE BONIFICAÇÃO OU DE QUOTAS NOVAS. Inexistindo aumento de capital social no período de isenção previsto no Decreto-Lei n. 1.510/76, reconhecido na via judicial, não há que se falar em quotas de bonificação decorrente de reserva de lucros suspensos ou até mesmo de novas quotas no cálculo do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital na alienação de participação societária. O aumento de capital social decorrente de reserva de correção monetária, reservas de lucro suspenso e integralização em dinheiro a partir de 01/01/1989 não se submete à isenção prevista no Decreto-Lei n. 1.510/76 reconhecida judicialmente no caso concreto. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS. Somente o aumento de capital, mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida. GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do bem adquirido, até 31 de dezembro de 1995, poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro deste ano, tomando-se por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo específico, fraude ou simulação do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características principais.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11020.722467/2013-15
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5778514
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2402-005.955
nome_arquivo_s : Decisao_11020722467201315.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 11020722467201315_5778514.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a ao patamar ordinário de 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
id : 6952757
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466554023936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1990; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 101 1 100 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.722467/201315 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.955 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de agosto de 2017 Matéria IRPF Recorrente AGOSTINHO LUIZ MENEGOTTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. O fato gerador do ganho de capital é a percepção de rendimentos oriundos da alienação de bens e direitos, sendo tributável a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição. AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL. CAPITALIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO DE RESERVAS DE LUCROS SUSPENSOS. INEXISTÊNCIA. PERÍODO DE ISENÇÃO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. DECRETOLEI N. 1.510/76. INCREMENTO DE CAPITAL SOCIAL APÓS O LAPSO TEMPORAL ISENTIVO. INEXISTÊNCIA DE QUOTAS DE BONIFICAÇÃO OU DE QUOTAS NOVAS. Inexistindo aumento de capital social no período de isenção previsto no DecretoLei n. 1.510/76, reconhecido na via judicial, não há que se falar em quotas de bonificação decorrente de reserva de lucros suspensos ou até mesmo de novas quotas no cálculo do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital na alienação de participação societária. O aumento de capital social decorrente de reserva de correção monetária, reservas de lucro suspenso e integralização em dinheiro a partir de 01/01/1989 não se submete à isenção prevista no DecretoLei n. 1.510/76 reconhecida judicialmente no caso concreto. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS. Somente o aumento de capital, mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 24 67 /2 01 3- 15 Fl. 344DF CARF MF 2 capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida. GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do bem adquirido, até 31 de dezembro de 1995, poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro deste ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo específico, fraude ou simulação do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características principais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao patamar ordinário de 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 11020.722467/201315 Acórdão n.º 2402005.955 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 318/338) em face do Acórdão n. 02 51.477 9ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE (fls. 304/313), que julgou improcedente a impugnação de fls. 278/297 e manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnosCalendário 2009 e 2010 no montante de R$ 870.353,19 sendo R$ 310.167,86 de imposto (Cód. Receita 2904), R$ 94.933,51 de juros de mora calculados até 07/2013 e R$ 465.251,82 de multa proporcional calculada sobre o principal (fls. 249/257) com fulcro em apuração de omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações/quotas não negociadas em Bolsa de Valores, conforme Relatório Fiscal (fls. 258/270). De acordo com o Relatório Fiscal RF (fls. 258/270) a autoridade lançadora informa que em outubro de 2009 foi firmado Contrato de Cessão de Quotas de Pedreira Caxiense, por meio do qual Agostinho Luiz Menegotto, Eloy Menegotto, Ivo Menegotto e Plínio Menegotto alienaram sua participação societária a Fagundes Construção pelo valor total de R$ 22.459.274,69, ajustado pela primeira emenda contratual, a serem pagos em seis parcelas. O contribuinte entende que teria direito adquirido à isenção sobre a alienação das cotas que mantivesse desde cinco anos antes da revogação do DecretoLei n. 15/10/1976, ou seja, até o dia 31/12/1983. Com vistas ao reconhecimento do pretendido direito, o contribuinte impetrou o Mandado de Segurança (MS) n. 500219066.2010.404.7107, por meio do qual buscou o reconhecimento da isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital oriundo da alienação de participação societária adquirida e mantida por cinco anos ou mais até 31/12/1988. O Mandado de Segurança foi denegado (pedido improcedente), e, não obstante esse fato, o contribuinte optou por recolher apenas uma parte do tributo devido. O contribuinte não demonstrou, no Mandado de Segurança impetrado, como chegou ao cálculo da parcela isenta, limitandose a dizer que “tais discussões (cálculo da apuração do custo de aquisição) escapariam à via estreita do Mandado de Segurança”. Entretanto, a Fiscalização da RFB obteve o valor considerado isento pelo sujeito passivo e pelos outros exsócios ao analisar os tributos por ele recolhidos espontaneamente. Em virtude da alegação do contribuinte de que não dispunha da planilha com memória de apuração do ganho de capital, a Fiscalização da RFB optou por efetuar o cálculo por duas vertentes: i) considerando a Instrução Normativa SRF n. 84/2001 e ii) considerando as alterações contratuais. Os valores finais do calculo considerando os índices oficiais (Anexo Único da IN SRF n. 84/2001) e o do cálculo considerando as alterações sociais foram relativamente similares, a Fiscalização da RFB optou por considerar o primeiro (R$ 2.922,19 que corresponde a 19% das cotas existentes em 31/12/1983), em virtude de vícios detectados nos documentos que serviram de base para o cálculo com base nas alterações sociais (R$ 3.206,61). Fl. 346DF CARF MF 4 Assim, concluiuse que o valor correto sobre o qual o sujeito passivo está pleiteando, judicialmente, o direito à isenção é de uma parcela de R$ 2.922,19 (cotas em 12/1983 corrigidas) dentro das cotas por ele mantidas antes da alienação. Constatouse que o capital social da Pedreira Caxiense, de acordo com o Contrato Social anterior à alienação, era de R$ 2.200.000,00, dividido entre os acionistas, cabendo ao contribuinte a participação de 23,46%, que corresponde a R$ 516.120,00. Em decorrência da impetração de Mandado de Segurança com vistas ao reconhecimento do direito à isenção do imposto de renda prevista no artigo 4º. do DecretoLei n. 1.510/76, posteriormente revogado pela Lei 7.713/88, na apuração do ganho de capital, ele a exemplo dos outros sócios, considerou parte do valor de suas cotas R$ 350.366,30 do capital social de R$ 516.120,00 como isenta, reduzindo, proporcionalmente, a tributação sobre o ganho de capital. Em sede de recurso, o contribuinte teve reconhecida judicialmente a isenção nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação nos termos do artigo 4º., alínea “d” do DecretoLei n. 1.510/76. Após considerar o capital social em 31/12/1983 corrigido monetariamente no valor de R$ 2.922,19 e a ação judicial que reconheceu a isenção de quotas adquiridas até a referida data, a autoridade autuante entendeu que 0,56618% das quotas alienadas poderiam ser consideradas protegidas pela isenção e o restante ser objeto de tributação. Ou seja, considerando que o sujeito passivo tenha reconhecido o direito à isenção no ganho de capital das cotas mantidas em 31/12/1983, devese considerar que 0,56618% do ganho de capital total não será tributado. Como o valor pago ao sujeito passivo pela alienação foi de R$ 3.867,922,10, o ganho de capital tributável, num primeiro momento, é de R$ 3.351.802,10. Desse ganho de capital, com o reconhecimento do pleito do sujeito passivo pelo judiciário, aproximadamente 0,56618% serão isentos (ou R$ 18.977,37 de R$ 3.351,802,10). Sobre o restante, por conseguinte, não restam dúvidas sobre a incidência da tributação. Assim, há um ganho de capital indiscutivelmente tributável de R$ 3.332.824,73 e um ganho de capital de R$ 18.977,37 cuja isenção foi pleiteada pelo sujeito passivo. Agostinho Valor de Alienação (A) R$ 3.867.922,10 Custo Total das Cotas (B) R$ 516.120,00 Ganho de Capital (C) = (A)(B) R$ 3.351.802,10 Porcentagem com isenção (D) 0,56618% Ganho de Capital com isenção (E) = (C) x (D) R$ 18.977,37 Ganho de Capital sem isenção (F) = (C) (E) R$ 3.332.824,73 IR devido considerando isenção (G) = (F) x 15% R$ 499.923,71 Nos termos do Contrato de Cessão de Cotas, o contribuinte recebeu os pagamentos e o ganho de capital finalmente foi apurado. Sobre o imposto apurado foi aplicada a multa de ofício qualificada no percentual de 150% com fundamento nos artigos 72 e 73 da Lei 4.502/64, em razão da ação coordenada dos quatro sócios da Pedreira Caxiense. Segundo relata a autoridade autuante, para buscar judicialmente a isenção de parte do ganho de capital seria indispensável que o contribuinte disponibilizasse os cálculos utilizados para corrigir monetariamente a sua participação societária mantida em 31/12/1983. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 11020.722467/201315 Acórdão n.º 2402005.955 S2C4T2 Fl. 103 5 A autoridade fiscal afirma que durante a fiscalização o contribuinte mesmo intimado a apresentar a planilha ou memória dos cálculos que permitiram a apuração da parcela isenta, limitouse a informar que não dispunha dos cálculos. Conclui que a forma de apuração adotada pelo contribuinte decorreu de simples arbitramento, desprovido de qualquer parâmetro lógico, visando somente a obtenção de vantagem indevida. A conduta do contribuinte, segundo a Fiscalização da RFB, demonstra que não ocorreu erro, mas sim intenção de manipular os dados para reduzir a tributação do ganho de capital. Formalizouse Representação Fiscal para Fins Penais Processo n. 11020.722471/201383 visando noticiar ao Ministério Público Federal a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, definido nos arts. 1º. e 2º. da Lei n. 8.137/90. Cientificado do lançamento em 18/07/2013 (fls. 274/275), o contribuinte, inconformado, apresentou, em 13/08/2013, a impugnação de fls. 278/297, nos seguintes termos: 1. Salienta que ingressou com medida judicial visando o reconhecimento de seu direito à isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente das quotas adquiridas até dezembro de 1983 e mantidas em sua propriedade por cinco anos ou mais. 2. Aduz que apesar de a fiscalização ter reconhecido o direito à isenção, apurou de forma errada o ganho de capital, pois na recomposição do valor das cotas adquiridas e mantidas em 31/12/1983 considerou que todas as cotas recebidas em bonificação, mesmo as decorrentes das cotas mantidas até 31/12/1983 seriam cotas novas. 3. Ressalta que a análise fiscal das alterações contratuais com o fim de apurar o correto ganho de capital e a parcela isenta, considerou como cotas novas aquelas atribuídas ao contribuinte em decorrência de reserva de lucro em suspenso, independentemente delas serem decorrentes das adquiridas em período anterior a 31/12/1983. 4. Cita o artigo 169 da Lei 6.404/76 para afirmar que o aumento de capital ali previsto importa em mera troca entre contas do balanço patrimonial, não havendo qualquer desembolso por parte do cotista e ingresso de valor de bens ou valores na empresa. Não haveria aumento do patrimônio da empresa ou do cotista, pois ambos continuam iguais. 5. Com base em doutrina considera que nos termos da determinação legal, não há subscrição de novas cotas pelo impugnante, pelo simples fato de não ser necessário o recebimento de cotas em bonificação. A nova quantidade de quotas em decorrência da bonificação representa a mesma participação percentual sobre o mesmo patrimônio que detinha antes da operação. 6. Quanto à multa de ofício qualificada ao contrário do que afirma a fiscalização informa ter apresentado planilha e não é verdadeiro o argumento de falta de atendimento à intimação. Acrescenta ainda que a menção da ausência de livros contábeis decorre da falta de intimação para apresentálos. 7. Questiona onde estaria a ação dolosa de sua parte, já que foi apresentada planilha, mesmo não sendo o documento que a fiscalização desejava. Em nenhum Fl. 348DF CARF MF 6 momento ficou demonstrada e caracterizada a ação ou omissão que pudesse caracterizar a fraude. 8. Também refuta a existência de conluio com seus irmãos sob o fundamento de ação coordenada entre eles. 9. Ao final pugna pelo cancelamento da exigência fiscal. O crédito tributário foi mantido no julgamento de primeiro grau consubstanciada no Acórdão n. 0251.477 (fls. 304/313), que sumarizou seu entendimento conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. O fato gerador do ganho de capital é a percepção de rendimentos oriundos da alienação de bens e direitos, sendo tributável a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição. GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do bem adquirido, até 31 de dezembro de 1995, poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro deste ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Demonstrada a intenção deliberada do contribuinte em prestar informações falsas na declaração de ajuste anual e durante o procedimento fiscal, tornase perfeitamente aplicável a multa qualificada de 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão n. 0251.477 (fls. 304/313) em 09/12/2013 (fl. 316) e, irresignado, interpôs recurso voluntário em 20/12/2013 (fls. 318/338), tempestivo, portanto, no qual repisa, em linhas gerais, os mesmos argumentos apresentados na impugnação de fls. 278/297. É o relatório. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 11020.722467/201315 Acórdão n.º 2402005.955 S2C4T2 Fl. 104 7 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, Relator. O Recurso Voluntário (fls. 318/338) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Conforme relatado, o recorrente obteve judicialmente o reconhecimento da isenção nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação nos termos do artigo 4º., alínea “d” do DecretoLei n. 1.510/76, verbis: Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) [...] d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. A decisão proferida em sede de apelação reconheceu o direito à isenção sobre a alienação de quotas mantidas desde cinco anos antes da revogação do referido artigo pela Lei n. 7.713/88, estando assim esta matéria fora do escopo da presente análise. Com base na decisão judicial a fiscalização efetuou os cálculos necessários à atualização até 31/12/1995 do capital social da empresa vigente em 31/12/1983, data limite para verificação do prazo de cinco anos de manutenção das participações societárias pelo contribuinte. Com efeito, assim dispõe o art. 17 da Lei n. 9.249/95 sobre correção monetária do custo de aquisição de bens e direitos: Art. 17. Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas físicas e as pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real observarão os seguintes procedimentos: I tratandose de bens e direitos cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro desse ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data; II tratandose de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição de bens e direitos não será atribuída qualquer correção monetária. A seu turno, a Instrução Normativa SRF n. 84/2001, que trata dos Ganhos de Capital na alienação de bens e direitos, assim dispõe: [...] Art. 7º No caso de bens ou direitos adquiridos ou de parcelas pagas até 31 de dezembro de 1991, não avaliados a valor de mercado, e dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas entre 1º de janeiro de 1992 e 31 de dezembro de 1995, o custo corresponde ao valor de aquisição ou das parcelas pagas até 31 de Fl. 350DF CARF MF 8 dezembro de 1995, atualizado mediante a utilização da Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos, constante no Anexo Único. Art. 8º O custo dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas a partir de 1º de janeiro de 1996 não está sujeito a atualização. [...] A Lei n. 7.713/88, em seu art. 16, define o que será considerado como custo de aquisição dos bens e direitos para fins de apuração do ganho de capital: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. (grifei) § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. (grifei) Da leitura sistêmica da legislação acima reproduzida e considerando o criterioso trabalho desenvolvido no curso da ação fiscal, consubstanciado no RF (fls. 258/270), não há reparo a fazer nos procedimentos da Fiscalização da RFB no tocante à correção do custo de aquisição no valor original vigente em 31/12/1983, inclusive quanto à segregação da isenção judicialmente pleiteada. Resta evidenciado que o ponto central no qual se concentra a irresignação do recorrente é, sem dúvida, a não utilização das reservas de lucro em suspenso, bem assim o tratamento dado às quotas bonificadas como se novas fossem, uma vez sua repercussão na apuração do ganho de capital na alienação em apreço. Para enfrentálo, é oportuno destacar as evidências elencadas a seguir, extraídas dos autos: i) A Pedreira Caxiense não alterou o capital social no período de 29/11/1982 a 25/09/1989. ii) Houve aumento de capital da Pedreira Caxiense decorrente de reserva de correção monetária, reservas de lucro em suspenso e integralização em dinheiro na data de 26/09/1989, conforme consta da sétima alteração contratual (fls. 41/46). Fl. 351DF CARF MF Processo nº 11020.722467/201315 Acórdão n.º 2402005.955 S2C4T2 Fl. 105 9 iii) Em 26/09/1989 já estava exaurido o prazo de cinco anos insculpido no art. 4º., alínea “d” do DecretoLei n. 1.510/76. iv) Inexistindo aumento de capital social no período de 31/12/1983 a 31/12/1988, ocorreu tãosomente a correção do capital com base em índices oficiais para fins de atualizar o custo de aquisição existente em 31/12/1983 para a moeda vigente (REAL) e, por consequência, apurar o ganho de capital tributável. v) Não há registro de qualquer incremento no capital social da Pedreira Caxiense no período de 31/12/1983 a 31/12/1988 decorrente das reservas de lucro em suspenso. vi) Não há que se falar em quotas de bonificação decorrente de reserva de lucro suspenso ou até mesmo de novas quotas no cálculo do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital na alienação de participação societária, vez que no período compreendido entre 31/12/1983 a 31/12/1988 nenhum aumento de capital social ocorreu na Pedreira Caxiense. vii) Foi identificada, de forma inequívoca, a parcela do custo de aquisição a ser alcançada pelo benefício fiscal da isenção. Os lucros em suspenso correspondem ao resultado positivo que, não tendo sido distribuído aos sócios, permanece retido em conta específica de retenção de lucros, conforme previsto no art. 196 da Lei n. 6.404/76. A sua distribuição é diferida para o futuro, vez que ainda sem destinação. A proposta de retenção de lucros é de responsabilidade da AssembléiaGeral. "Art. 196. A assembléiageral poderá, por proposta dos órgãos da administração, deliberar reter parcela do lucro líquido do exercício prevista em orçamento de capital por ela previamente aprovado. § 1º O orçamento, submetido pelos órgãos da administração com a justificação da retenção de lucros proposta, deverá compreender todas as fontes de recursos e aplicações de capital, fixo ou circulante, e poderá ter a duração de até 5 (cinco) exercícios, salvo no caso de execução, por prazo maior, de projeto de investimento. § 2o O orçamento poderá ser aprovado pela assembléiageral ordinária que deliberar sobre o balanço do exercício e revisado anualmente, quando tiver duração superior a um exercício social. (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001)" No período compreendido entre 31/12/1983 a 31/12/1988, conforme demonstrado nos autos e denunciado no RF (fls. 258/270), não houve incorporação de reservas ao capital, muito menos a de retenção de lucros (lucros em suspenso). Na verdade, o evento contábil de aumento de capital mediante incorporação de reservas, consoante o art. 169 da Lei n. 6.404/76, só veio a ocorrer em 26/09/1989 (fls. 41/46), fora, portanto, do quinquênio isentivo conferido ao recorrente pelo Poder Judiciário. "Art. 169. O aumento mediante capitalização de lucros ou de reservas importará alteração do valor nominal das ações ou distribuições das ações novas, correspondentes ao aumento, entre acionistas, na proporção do número de ações que possuírem. Fl. 352DF CARF MF 10 § 1º Na companhia com ações sem valor nominal, a capitalização de lucros ou de reservas poderá ser efetivada sem modificação do número de ações. § 2º Às ações distribuídas de acordo com este artigo se estenderão, salvo cláusula em contrário dos instrumentos que os tenham constituído, o usufruto, o fideicomisso, a inalienabilidade e a incomunicabilidade que porventura gravarem as ações de que elas forem derivadas. § 3º As ações que não puderem ser atribuídas por inteiro a cada acionista serão vendidas em bolsa, dividindose o produto da venda, proporcionalmente, pelos titulares das frações; antes da venda, a companhia fixará prazo não inferior a 30 (trinta) dias, durante o qual os acionistas poderão transferir as frações de ação." É oportuno repisar que somente o aumento de capital mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com esses lucros possibilita o aumento do custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida, em conformidade com o disposto no art. 16, § 3°. da Lei n. 7.713/88; no art. 10 da Lei n. 9.249/95 e no art. 135 do DecretoLei n. 3.000/99 (RIR/99). Destarte, consideradas em seu conjunto, as evidências ora destacadas comprovadas nos autos e amparadas pela legislação tributária, contábil e fiscal afastam a hipótese de ocorrência de vício ou defeito no lançamento do crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (fls. 249/257), que, na sua constituição, amparouse na melhor leitura da Lei n. 9.249/95; da Lei n. 7.713/88; do Decreto Lei n. 3.000/99 e da Instrução Normativa SRF n. 84/2001, bem assim em critérios técnicos e contábeis sobejamente demonstrados nos autos, inclusive em planilhas específicas e minucioso detalhamento dos procedimentos adotados. Em relação à multa qualificada, o § 1º. do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n. 11.488, de 15 de junho de 2007, estabelece que a multa de ofício a ser aplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964 é de 150%. As condutas previstas nos artigos em questão têm como pressuposto uma atuação ou omissão dolosa por parte do agente. Assim, para a qualificação da multa de ofício, é necessário a constatação, com elevado grau de probabilidade, de que determinado contribuinte tenha pautado sua conduta imbuído de dolo, ou seja, com a consciência da conduta, a consciência do resultado, a consciência do nexo causal entre a conduta e o resultado, e a vontade de atuar no sentido de provocar o resultado infringente das normas juridicotributárias. Também é preciso que não haja verossimilhança minimamente suficiente em eventuais justificativas que, alternativamente, poderiam dar amparo ao proceder do contribuinte sem implicar, necessariamente, em um agir doloso. Deve ser admitido, por outra via, que, quando verificada conduta de pessoa física infringente à legislação tributária, a comprovação do dolo a ela porventura associado é tarefa deveras árdua, face a muitas vezes limitada possibilidade de produção de um arcabouço probatório hábil e suficiente para tanto. Entretanto, não obstante o diligente trabalho desenvolvido pela Fiscalização da RFB, não foram coligidos elementos de prova suficientes e inequívocos com força bastante a amparar a imputação da qualificação da multa de ofício, vez que os fatos relatados no RF (fls. 258/270), principalmente no que tange ao atendimento dos termos de intimação expedidos; ao teor dos documentos apresentados; e ao próprio entendimento do recorrente quanto à utilização Fl. 353DF CARF MF Processo nº 11020.722467/201315 Acórdão n.º 2402005.955 S2C4T2 Fl. 106 11 das reservas de lucro em suspenso e existência/extensão de quotas bonificadas, não se mostram suficientes para o mister. Por fim, é relevante informar que não recai sobre os órgãos de julgamento, em qualquer instância administrativa, o ônus de aduzir fatos novos quando da apreciação da lide tributária, notadamente quando carreados aos autos todos os elementos necessários à formação da convicção do julgador, inclusive no sentido do reconhecimento parcial do pedido do recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (fls. 318/338) e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, restando afastada a qualificação da multa de ofício (150%), reduzindoa a 75%. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 354DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19482.720047/2014-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 18/10/2013
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário juntado aos autos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Henrique Mauri - Presidente substituto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 18/10/2013 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso não conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19482.720047/2014-50
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5777274
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.983
nome_arquivo_s : Decisao_19482720047201450.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 19482720047201450_5777274.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário juntado aos autos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri - Presidente substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
id : 6946498
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466590724096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1369; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 804 1 803 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19482.720047/201450 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.983 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de agosto de 2017 Matéria MULTA POR CESSÃO DE NOME Recorrente MAK & ASSOCIADOS, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELI EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 18/10/2013 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário juntado aos autos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri Presidente substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 48 2. 72 00 47 /2 01 4- 50 Fl. 806DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0737.549, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis. O presente processo administrativo traz lançamento de multa por cessão de nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento do real adquirente, com fulcro no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: [...] Consta dos autos que a empresa autuada MAK & ASSOCIADOS, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELI – EPP registrou, em 18 de outubro de 2013, a Declaração de Importação (DI) nº 13/20644173, na modalidade de importação direta, instruindoa com o conhecimento de carga MAWB 04764247470 e HAWB HE45439. Tais documentos apontavam como exportadora a empresa britânica TDC SYSTEMS LIMITED e a autuada como adquirente. O despacho de importação foi parametrizado para o canal vermelho e, após, foi instaurado procedimento especial de controle aduaneiro. A fiscalização concluiu que a MAK ocultou o real comprador da mercadoria (TRACEVIA DO BRASIL – Sistemas de Telemática Rodoviária Ltda) e o responsável pela operação (MARACCINI COMERCIAL EXPORTADORA E IMPORTADORA EIRELI), tendo, em processo próprio ainda pendente de julgamento, por uso de documento ideologicamente falso e ocultação do comprador e responsável pela operação, proposto a aplicação da penalidade prevista no art. 689 do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. A MAK & Associados apresentou tempestivamente sua impugnação. Preliminarmente, pleiteou a nulidade do lançamento por aplicação do princípio no bis in idem, por entender não ser possível a aplicação concomitante da pena de perdimento (Processo nº 19842.720044/201416) e da presente multa. No mérito, alega que tanto a descrição dos fatos como os enquadramentos estão confusos, dificultando o entendimentos dos fatos, o que equivaleria à inexistência de prova inequívoca da ocorrência dos mesmos. Ademais, pugna pelo entendimento de que a importação transcorreu normalmente, da forma como declarada, na modalidade direta. Tornou a invocar a impossibilidade da aplicação das duas penalidades por afronta aos Princípios da Legalidade, Razoabilidade e Proporcionalidade. Também alegou que não deveria figurar no polo passivo do lançamento, lugar que deveria ser ocupado pelo real responsável pela operação. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/10/2013 CESSÃO NOME. IMPORTAÇÃO. TERCEIRO INTERVENIENTE. ACOBERTAMENTO. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 19482.720047/201450 Acórdão n.º 3301003.983 S3C3T1 Fl. 805 3 A pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes fica sujeita à multa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Desta decisão foi cientificado por abertura de mensagem (fl. 706). Transcorrido o prazo regulamentar de 30 dias sem apresentação de recurso à instância superior, lavrouse termo de preempção (fl. 707). Após receber carta cobrança, a autuada junta recurso voluntário ao presente processo. Tendo percebido a juntada de recurso voluntário, a unidade de origem emite intimação visando saneamento da juntada, por problemas verificados na documentação apresentada. Ato contínuo, o mesmo servidor que emitira a intimação acima faz a seguinte consideração à sua chefia: O presente processo trata de auto de infração questionado administrativamente pela empresa autuada. Alguns comentários se fazem necessários. O processo veio a esta ECOB para que o contribuinte fosse intimado quanto ao resultado do julgamento da impugnação (Intimação ECOB 89/2015, folhas 702 a 704), com ciência eletrônica em 20/07/2015 (folha 706). Como o contribuinte permaneceu silente, em 24/08/2015 lavrei o Termo de Perempção (folha 707) e emiti cartacobrança (Cartacobrança ECOB 107/15, folhas 708 a 710), dos quais o contribuinte tomou ciência eletronicamente em 01/09/2015 (folha 713). Foi em 01/10/2015 que representante da empresa apresentou recurso voluntário contra o acórdão de impugnação (folhas 715 a 754). Não procede, portanto, a informação constante das duas primeiras folhas do recurso voluntário apresentado, que sustenta ter sido a empresa cientificada da decisão de primeira instância em 01/09/2015. Como disse, a ciência ocorreu em 20/07/2015, de modo que o recurso voluntário é intempestivo. Ademais, como havia problemas na documentação apresentada, emiti intimação (Intimação ECOB 144/2015, folha 757) para que a empresa saneasse a documentação em até 15 (quinze) dias, o que não ocorreu até este momento. De todo modo, registrei o questionamento no Sief, com suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Feitas essas considerações, proponho o encaminhamento do processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para análise e prosseguimento. Fl. 808DF CARF MF 4 Depois, o processo fora encaminhado a este Conselho, sob o seguinte despacho: Considerandose o art. 35 do Decreto 70.235/1972, segundo o qual o recurso, mesmo que perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção, encaminho o presente ao CARF, conforme proposto no despacho de fl. 1050. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 809DF CARF MF Processo nº 19482.720047/201450 Acórdão n.º 3301003.983 S3C3T1 Fl. 806 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. Preliminar de tempestividade Conforme relatado a autuada fora cientificada do acórdão de primeira instância em 20/07/2015, data em que o sujeito passivo efetuou consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, nos termos do nos termos do art. 23, §2º, III, "b", do Decreto nº 70.235/72. Passados trinta dias, prazo previsto no art. 33 do mesmo Decreto, não tendo apresentado recurso ao acórdão então cientificado, lavrouse o competente termo de preempção. Depois, foi cientificado, em 01/09/2015, também por abertura de mensagem, de carta de cobrança e termo de preempção (fl. 702). Em 01/10/2015, solicitou juntada de diversos documento, entre os quais o recurso voluntário ao acórdão de primeira instância em pauta. Sobre a tempestividade, afirma ter deste sido cientificada em 01/09/2010: Menciona o art. 33 do Decreto em pauta, o qual trata do prazo para interposição de recurso voluntário, da ciência da decisão. Ora, em 01/09/2015 fora a contribuinte cientificada da carta de cobrança, emitida justamente após a preempção por não apresentação de recurso no prazo previsto. Tomou erroneamente ciência da carta cobrança e do termo de preempção pela ciência da acórdão de primeira instância, esta já ocorrida em 20/07/2015. Assim, pelo exposto, voto não conhecer do recurso por ser intempestivo, mantendose a preempção. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 810DF CARF MF 6 Fl. 811DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721536/2015-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2013
SUSPENSÃO IPI. ESTABELECIMENTO NÃO INDUSTRIAL ADQUIRENTE. REQUISITOS ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. POSSIBILIDADE.
A suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 é aplicável mesmo quando o adquirente das matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem for um estabelecimento não industrial, uma vez cumpridos os demais requisitos do dispositivo, sendo possível, portanto, o gozo do benefício no caso de o adquirente se tratar de estabelecimento pessoa jurídica que apresente declaração de cumprimento dos requisitos estabelecidos.
DECLARAÇÃO DO ESTABELECIMENTO ADQUIRENTE AO VENDEDOR. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA SUSPENSÃO DO IPI. § 7º DO ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. SUFICIÊNCIA.
A declaração expressa do estabelecimento adquirente ao estabelecimento vendedor de que cumpre os requisitos para a fruição da suspensão do IPI esgota o dever de diligência do vendedor. Inteligência que deflui do § 7º do art. 29 da Lei nº 10.637/2002 e do art. 21 da Instrução Normativa RFB nº 948/2009.
IPI. ALÍQUOTA. ESSENCIALIDADE DAS EMBALAGENS DESTINADAS A GÊNEROS ALIMENTÍCIOS. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA SELETIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, inteligência da Súmula CARF nº 2.
REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013.
BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. EXCLUSÃO DO ICMS. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto em virtude de operações ou prestações próprias compõe o preço da mercadoria e, logo, o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno.
IPI ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE DE DIREITO DE CRÉDITO PELA AQUISIÇÃO DE BENS ISENTOS.
O Supremo Tribunal Federal havia firmado entendimento pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matérias-primas isentas (RE 212.484), mas ele foi posteriormente alterado pela Suprema Corte que decidiu que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682) e em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), mas está a controvérsia pendente de julgamento conclusivo.
Numero da decisão: 3401-003.885
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para (a1) não conhecer da matéria que demanda análise de constitucionalidade (tributação do IPI de materiais de embalagem voltadas ao acondicionamento de gêneros alimentícios); e (a2) para reconhecer a possibilidade da suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei no 10.637/2002, no caso dos adquirentes pessoas jurídicas que apresentaram declaração de cumprimento dos requisitos estabelecidos; (b) por maioria de votos, para (b1) rejeitar a demanda pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes e André Henrique Lemos; e (b2) não reconhecer os créditos decorrentes de aquisições da Zona Franca de Manaus, vencido o relator e os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e André Henrique Lemos, tendo o Conselheiro Tiago Guerra Machado passado a divergir de tal posicionamento, em retificação a voto indicado na sessão de julgamento de junho de 2017; e (c) por voto de qualidade, para rejeitar a possibilidade da suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei no 10.637/2002, no caso dos adquirentes pessoas físicas, vencidos o relator e os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, e Tiago Guerra Machado. Na votação da preliminar, efetuada também em junho de 2017, foi rejeitada, por maioria, a proposta do relator de sobrestamento com relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, vencidos ainda os Conselheiros André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado, que acompanhavam o relator em relação à proposta, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, em relação ao tema e em relação a suspensão de IPI, para adquirentes pessoas físicas.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Fenelon Moscoso de Almeida - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2013 SUSPENSÃO IPI. ESTABELECIMENTO NÃO INDUSTRIAL ADQUIRENTE. REQUISITOS ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. POSSIBILIDADE. A suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 é aplicável mesmo quando o adquirente das matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem for um estabelecimento não industrial, uma vez cumpridos os demais requisitos do dispositivo, sendo possível, portanto, o gozo do benefício no caso de o adquirente se tratar de estabelecimento pessoa jurídica que apresente declaração de cumprimento dos requisitos estabelecidos. DECLARAÇÃO DO ESTABELECIMENTO ADQUIRENTE AO VENDEDOR. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA SUSPENSÃO DO IPI. § 7º DO ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. SUFICIÊNCIA. A declaração expressa do estabelecimento adquirente ao estabelecimento vendedor de que cumpre os requisitos para a fruição da suspensão do IPI esgota o dever de diligência do vendedor. Inteligência que deflui do § 7º do art. 29 da Lei nº 10.637/2002 e do art. 21 da Instrução Normativa RFB nº 948/2009. IPI. ALÍQUOTA. ESSENCIALIDADE DAS EMBALAGENS DESTINADAS A GÊNEROS ALIMENTÍCIOS. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA SELETIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, inteligência da Súmula CARF nº 2. REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. EXCLUSÃO DO ICMS. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto em virtude de operações ou prestações próprias compõe o preço da mercadoria e, logo, o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno. IPI ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE DE DIREITO DE CRÉDITO PELA AQUISIÇÃO DE BENS ISENTOS. O Supremo Tribunal Federal havia firmado entendimento pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matérias-primas isentas (RE 212.484), mas ele foi posteriormente alterado pela Suprema Corte que decidiu que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682) e em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), mas está a controvérsia pendente de julgamento conclusivo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11065.721536/2015-19
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5780850
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.885
nome_arquivo_s : Decisao_11065721536201519.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
nome_arquivo_pdf_s : 11065721536201519_5780850.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para (a1) não conhecer da matéria que demanda análise de constitucionalidade (tributação do IPI de materiais de embalagem voltadas ao acondicionamento de gêneros alimentícios); e (a2) para reconhecer a possibilidade da suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei no 10.637/2002, no caso dos adquirentes pessoas jurídicas que apresentaram declaração de cumprimento dos requisitos estabelecidos; (b) por maioria de votos, para (b1) rejeitar a demanda pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes e André Henrique Lemos; e (b2) não reconhecer os créditos decorrentes de aquisições da Zona Franca de Manaus, vencido o relator e os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e André Henrique Lemos, tendo o Conselheiro Tiago Guerra Machado passado a divergir de tal posicionamento, em retificação a voto indicado na sessão de julgamento de junho de 2017; e (c) por voto de qualidade, para rejeitar a possibilidade da suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei no 10.637/2002, no caso dos adquirentes pessoas físicas, vencidos o relator e os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, e Tiago Guerra Machado. Na votação da preliminar, efetuada também em junho de 2017, foi rejeitada, por maioria, a proposta do relator de sobrestamento com relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, vencidos ainda os Conselheiros André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado, que acompanhavam o relator em relação à proposta, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, em relação ao tema e em relação a suspensão de IPI, para adquirentes pessoas físicas. Rosaldo Trevisan - Presidente. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Fenelon Moscoso de Almeida - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6961708
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466676707328
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-09-15T09:22:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-09-15T09:22:22Z; Last-Modified: 2017-09-15T09:22:22Z; dcterms:modified: 2017-09-15T09:22:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:0f878a4f-f88a-4751-ba3d-cb8a07f19724; Last-Save-Date: 2017-09-15T09:22:22Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-09-15T09:22:22Z; meta:save-date: 2017-09-15T09:22:22Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-09-15T09:22:22Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-09-15T09:22:22Z; created: 2017-09-15T09:22:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 36; Creation-Date: 2017-09-15T09:22:22Z; pdf:charsPerPage: 1911; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-09-15T09:22:22Z | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 646 1 645 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.721536/201519 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.885 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Recorrente SPUMAPAC INDUSTRIAL E DISTRIBUIDORA DE ARTEFATOS PLASTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2013 SUSPENSÃO IPI. ESTABELECIMENTO NÃO INDUSTRIAL ADQUIRENTE. REQUISITOS ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. POSSIBILIDADE. A suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 é aplicável mesmo quando o adquirente das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem for um estabelecimento não industrial, uma vez cumpridos os demais requisitos do dispositivo, sendo possível, portanto, o gozo do benefício no caso de o adquirente se tratar de estabelecimento pessoa jurídica que apresente declaração de cumprimento dos requisitos estabelecidos. DECLARAÇÃO DO ESTABELECIMENTO ADQUIRENTE AO VENDEDOR. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA SUSPENSÃO DO IPI. § 7º DO ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. SUFICIÊNCIA. A declaração expressa do estabelecimento adquirente ao estabelecimento vendedor de que cumpre os requisitos para a fruição da suspensão do IPI esgota o dever de diligência do vendedor. Inteligência que deflui do § 7º do art. 29 da Lei nº 10.637/2002 e do art. 21 da Instrução Normativa RFB nº 948/2009. IPI. ALÍQUOTA. ESSENCIALIDADE DAS EMBALAGENS DESTINADAS A GÊNEROS ALIMENTÍCIOS. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA SELETIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, inteligência da Súmula CARF nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 15 36 /2 01 5- 19 Fl. 646DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 647 2 REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. EXCLUSÃO DO ICMS. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto em virtude de operações ou prestações próprias compõe o preço da mercadoria e, logo, o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno. IPI ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE DE DIREITO DE CRÉDITO PELA AQUISIÇÃO DE BENS ISENTOS. O Supremo Tribunal Federal havia firmado entendimento pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484), mas ele foi posteriormente alterado pela Suprema Corte que decidiu que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682) e em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), mas está a controvérsia pendente de julgamento conclusivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para (a1) não conhecer da matéria que demanda análise de constitucionalidade (tributação do IPI de materiais de embalagem voltadas ao acondicionamento de gêneros alimentícios); e (a2) para reconhecer a possibilidade da suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei no 10.637/2002, no caso dos adquirentes pessoas jurídicas que apresentaram declaração de cumprimento dos requisitos estabelecidos; (b) por maioria de votos, para (b1) rejeitar a demanda pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes e André Henrique Lemos; e (b2) não reconhecer os créditos decorrentes de aquisições da Zona Franca de Manaus, vencido o relator e os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e André Henrique Lemos, tendo o Conselheiro Tiago Guerra Machado passado a Fl. 647DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 648 3 divergir de tal posicionamento, em retificação a voto indicado na sessão de julgamento de junho de 2017; e (c) por voto de qualidade, para rejeitar a possibilidade da suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei no 10.637/2002, no caso dos adquirentes pessoas físicas, vencidos o relator e os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, e Tiago Guerra Machado. Na votação da preliminar, efetuada também em junho de 2017, foi rejeitada, por maioria, a proposta do relator de sobrestamento com relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, vencidos ainda os Conselheiros André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado, que acompanhavam o relator em relação à proposta, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, em relação ao tema e em relação a suspensão de IPI, para adquirentes pessoas físicas. ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. Relatório 1. Tratase auto de infração, situado à flS. 02 a 13, lavrado em 22/05/2015, com a finalidade de formalizar a cobrança de IPI não destacado em nota fiscal, bem como o tributo correspondente ao aproveitamento indevido de crédito presumido do imposto, acrescido de juros e de multa de ofício de 75%, referente aos períodos de apuração de 2011 e 2012, no valor histórico de R$ 19.827.751,75: 2. Depreendese do Relatório Fiscal, situado às fls. 14 a 20, que a contribuinte: (i) a empresa fiscalizada utilizouse de "créditos presumidos" sem que existissem ações judiciais que dessem embasamento aos créditos; (ii) a contribuinte afirmou, durante o curso do procedimento fiscal, que a origem destes créditos seria decorrente de créditos de valores de ressarcimento de PIS/COFINS que teriam origem, no entendimento da contribuinte, na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições nas operações de venda, além de créditos de IPI decorrentes de aquisições de insumos da Zona Franca de Manaus; (iii) foi verificada, ainda, a saída de produtos do estabelecimento com indevida suspensão do IPI, nas vendas efetuadas a pessoas físicas e a estabelecimentos comerciais, ocasionando a falta de apuração, declaração e recolhimento dos valores. 3. A contribuinte, intimada em 29/05/2015, em conformidade com aviso de recebimento de fl. 340, apresentou, em 29/06/2015, impugnação, situada às fls. 343 a 377, argumentando, em síntese, que: (i) os estabelecidos pelo caput do artigo 29 da Lei nº Fl. 648DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 649 4 10.637/2001 para gozo do benefício fiscal da suspensão do IPI se refere a saída "destinada a um estabelecimento, ou seja, qualquer estabelecimento (comercial/rural) que elabore preponderantemente os produtos constantes da TIPI mencionados pelo caput do dispositivo"; (ii) tratase de um estabelecimento rural nos termos do art. 1º do DecretoLei Federal n° 7.449, de 1.945; (iii) os adquirentes emitiram previamente as declarações exigidas pela legislação para as saídas com suspensão do IPI, eximindoa, em conseqüência, da responsabilidade pelo imposto; (iv) o não aproveitamento do crédito de IPI na aquisição de insumos isentos, quaisquer que sejam, afronta o conceito de nãocumulatividade previsto na Constituição Federal; (v) independentemente de ação própria ajuizada pelo Impugnante, é certo que o Supremo Tribunal Federal (STF) também já reconheceu e declarou a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. Em sessão de 09/12/2015, foi proferido o Acórdão DRJ nº 14 59.546, situado às fls. 508 a 526, e proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), sob a relatoria do AuditorFiscal José Antonio Francisco, que decidiu, por votação unânime, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 AÇÃO FISCAL. AUDITORFISCAL DE OUTRA JURISDIÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A competência para proceder à fiscalização do sujeito passivo é relativa e não há nulidade na ação fiscal efetuada por auditorfiscal de outra unidade da Receita Federal, especialmente quando a distribuição do procedimento fiscal tenha sido efetuada pela autoridade fiscal com jurisdição sobre o estabelecimento do contribuinte. Aplicação da Súmula Carf n. 27. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DE PIS E COFINS. CRÉDITO DE IPI NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS COM ORIGEM NA ZONA FRANCA DE MANAUS. MATÉRIAS CONSTITUCIONAIS. REPERCUSSÃO GERAL DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. IMPLICAÇÕES NAS VIAS ADMINISTRATIVAS. A autoridade julgadora administrativa não pode afastar a aplicação da lei por sua suposta inconstitucionalidade, especialmente quando a matéria tenha tido repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal e, em razão de sua relevância econômica e controvérsia jurídica, sua inconstitucionalidade possa ser modulada pela Corte, por atribuição de efeito "exnunc" ou "pro futuro". PRODUTOS ISENTOS E CRÉDITO DE IPI. INEXISTÊNCIA DE DIREITO. ENTENDIMENTO DEFINITIVO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos RE ns. 353.657, 370.682 e 590.809, considerou que a inexistência de direito de crédito de IPI Fl. 649DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 650 5 na aquisição de insumos isentos não ofende o princípio da não cumulatividade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 SAÍDA COM SUSPENSÃO DO IMPOSTO. ADQUIRENTE NÃO CONTRIBUINTE DO IPI. IRREGULARIDADE. A suspensão do IPI de que trata o artigo 29 da Lei nº 10.637, de 2002, não se dirige ao comerciante ou pessoa física, mas aos estabelecimentos industriais dos produtos ali referidos. DECLARAÇÃO DE RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. EFEITOS. A previsão legal de que o adquirente de produto beneficiado com suspensão de IPI deve declarar ao fornecedor a satisfação de todos os requisitos legais para fruição do benefício não caracteriza, por si só, hipótese de transferência de responsabilidade tributária. A mencionada declaração não tem efeito sobre a responsabilidade do fornecedor quando caiba a ele, contribuinte do imposto, o ônus de interpretar a legislação para aplicála ao caso concreto, no âmbito do lançamento por homologação. Tendo o contribuinte a plena ciência de que o estabelecimento adquirente não é estabelecimento industrial, a saída com suspensão do IPI representa infração à legislação tributária imputável ao próprio contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5. A contribuinte, intimada em 30/12/2015, mediante termo de ciência por abertura de mensagem em sua Caixa Postal, situado à fl. 532, em conformidade com o art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72, mediante aviso postal, interpôs, em 22/01/2016, recurso voluntário, situado às fls. 534 a 574, no qual reiterou as razões defendidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 651 6 Voto Vencido Conselheiro Relator Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 1. DO DIREITO AO APROVEITAMENTO DO BENEFÍCIO FISCAL DA SUSPENSÃO DO IPI 7. Discutese o lançamento de IPI na saída de materiais de embalagem fabricados e vendidos pela recorrente com suspensão do imposto com o fundamento de que teriam sido destinados a estabelecimentos comerciais e estabelecimentos rurais, em que pese a disposição do art. 29 da Lei nº 10.637/2002 consignar que o benefício da suspensão se aplica unicamente às saídas de estabelecimento industrial destinadas aos estabelecimentos que se dediquem, preponderantemente, à elaboração dos produtos referidos pelo dispositivo e, assim: "(...) somente as saídas destinadas a estabelecimentos industriais estão abrangidas pela Lei nº 10.637/2002, não estando abrangidas as empresas comerciais e pessoas físicas": Lei nº 10.637/2002 Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. § 1o O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: a) componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002; b) partes e peças destinadas a estabelecimento industrial fabricante de produto classificado no Capítulo 88 da Tipi; Fl. 651DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 652 7 c) bens de que trata o § 1oC do art. 4o da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo; (Incluído pela Lei nº 11.908, de 2009). II pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras. § 2o O disposto no caput e no inciso I do § 1o aplicase ao estabelecimento industrial cuja receita bruta decorrente dos produtos ali referidos, no ano calendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 60% (sessenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período (seleção e grifos nossos). 8. Entende a contribuinte, por outro lado, que, apesar de ter partido da premissa correta de aplicar à espécie o art. 29 da Lei nº 10.637/2002, a autoridade fiscal concluiu de maneira equivocada ao cogitar a exigência de que o estabelecimento de destino fosse industrial. Limitase, na verdade, a norma em apreço, a exigir que o destinatário seja um "estabelecimento", qualquer que seja, que elabore preponderantemente os produtos da TIPI ora discriminados. Tal argumento é refutado pela decisão recorrida nos seguintes termos, ora transcritos de maneira integral: "O art. 29 da Lei n° 10.637, de 2002, não caracteriza os "adquirentes" apenas como "estabelecimento". Não especifica, no caput, que é "estabelecimento industrial", mas especifica que se deva tratar de estabelecimento que elabore produtos classificados na TIPI em determinadas posições ou subposições, "inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados)". Portanto, o uso do verbo "elaborar", a menção de produtos classificados na TIPI, ainda que NT, certamente sugere que deva tratarse de estabelecimento industrial, o que poderia ser considerado excepcionado pela menção aos produtos "não tributados", à vista da disposição do art. 8º do Regulamento. Entretanto, o § 2º do art. 29 claramente restringe a definição do estabelecimento adquirente mencionado no caput, para efeito de caracterização da atividade preponderante, "ao estabelecimento industrial cuja receita bruta decorrente dos produtos ali referidos, no ano calendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 60% (sessenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período". Portanto, se o caput não deixa claro que se trata de saída a estabelecimento industrial, o § 2º encerra a discussão, deixando expressa a definição: as saídas com suspensão são aquelas efetuadas, repitase, a "estabelecimento industrial cuja receita bruta decorrente dos produtos ali referidos, no ano calendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 60% (sessenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período". Como a preponderância aplicase, inequivocamente, a todos os adquirentes mencionados no caput, não há argumento que justifique a redação adotada pelo parágrafo" (seleção e grifos nossos). Fl. 652DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 653 8 9. Acrescese à argumentação de decisão de primeiro piso ser esta aposição da Receita Federal do Brasil externada pela Solução de Consulta COSIT nº 68, de 21/03/2014, no seguinte sentido: "Não fazem jus à suspensão do IPI de que trata o art. 46, inciso I, do RIPI/2010, as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem realizadas por estabelecimento que não for caracterizado como estabelecimento industrial (contribuinte do IPI), pela legislação do imposto. A suspensão do imposto só é aplicável quando o adquirente das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem for um estabelecimento industrial (contribuinte do IPI) e dedicado preponderantemente à elaboração dos produtos relacionados no mencionado inciso I" (seleção e grifos nossos). 10. Tal posição, ademais, acaba de ser reafirmada pela Solução de Consulta Disit/SRRF10 nº 1007, de 30/03/2017, com a seguinte ementa: "ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI EMENTA: AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA PARA A FABRICAÇÃO DE PARTES OU PEÇAS DE VEÍCULOS. DIREITO À SUSPENSÃO DO IPI. Enquadramse na hipótese de suspensão do IPI de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, as aquisições de matériasprimas ou de produtos intermediários (bobinas de aço fabricadas especificamente para a industrialização de partes, peças e componentes de veículos) feitas de estabelecimento industrial, quando tais matériasprimas ou produtos intermediários forem utilizados no processo produtivo do estabelecimento adquirente que fabrique, preponderantemente, componentes, chassis, carroçarias, partes e peças empregados na industrialização dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5 e 87.01 a 87.06 da TIPI. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 143, DE 17 DE FEVEREIRO DE 2017. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 29, § 1º, I, “a”; Instrução Normativa RFB nº 948, de 2009; Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 12, de 2014; Parecer Normativo Cosit nº 19, de 2013" (seleção e grifos nossos). 11. Acrescentase, ainda, à argumentação da decisão a quo, integralmente transcrita acima ao tratar da matéria em julgamento, a motivação do termo de verificação fiscal no sentido de que, na medida em que se considera a suspensão do IPI um benefício, atraise a aplicação do art. 111 do Código Tributário Nacional no sentido da literalidade da legislação Fl. 653DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 654 9 aplicável à matéria. A questão, como se pode perceber, é de interpretação do texto legislativo, o que se passa a enfrentar com os devidos cuidados. 12. Observase, contudo, que o recurso à interpretação literal propugnado pela autoridade fiscal milita em desapreço ao argumento que sustenta o auto de infração, pois o art. 29 se refere unicamente a "estabelecimento", havendo necessidade, portanto, de um grau mais refinado de raciocínio para se aplicar a norma, e tanto é assim que a própria decisão recorrida sentiu necessidade de se valer do § 2º do artigo para entender o estabelecimento como industrial, o que abandona ao desamparo a pretensão de se alcançar a precisão interpretativa por meio da literalidade. A bem da verdade, é possível se afirmar que existe uma condição (essa sim literal, expressa e incontroversa) para o gozo da suspensão: o vendedor do material de embalagem será, necessariamente, um "estabelecimento industrial". O mesmo não se pode afirmar quanto ao adquirente, que poderá ser um estabelecimento de qualquer espécie, desde que elabore (verbo "elaborar" de raiz latina laborare, assim como "colaborar", ou seja, "trabalhar com"), de maneira preponderante, com os itens descritos no caput. Assim, dois são os requisitos para o aproveitamento do benefício: (i) que o vendedor seja um estabelecimento industrial; e (ii) que o adquirente seja um estabelecimento que desenvolva, de maneira preponderante, determinados produtos da TIPI. 13. Observese, no mesmo sentido, que o uso de duas expressões, primeiramente "estabelecimento" (ao se referir sobre o adquirente), e depois "estabelecimento industrial" (para se referir ao vendedor) deve ser entendido como desígnio do legislador de expressar idéias diferentes, nos termos da determinação da alínea 'a' do inciso II do art. 11 da Lei Complementar nº 95/1998, que, em cumprimento e observância ao parágrafo único do art. 59 da Constituição de 1988, preceitua que o legislador deve expressar a idéia, quando repetida no texto, por meio das mesmas palavras e expressões no desígnio de se obter clareza nas disposições normativas. Assim, o uso de duas expressões deve necessariamente indicar dois significados, como forma de boa técnica legislativa, sobretudo a se ter em conta que a Lei nº 10.637/2002 é norma posterior à lei complementar em referência. 14. Diante dos argumentos expendidos, assim, fazse necessário se construir o sentido de "estabelecimento" utilizado para o adquirente e, neste sentido, ao se analisar o § 1º do art. 29,1 depreendese que o caput deve ser aplicado também às saídas de MP, PI e ME quando adquiridos por estabelecimentos industriais. Inexiste sentido em tal preceptivo senão estender a moldura de "estabelecimentos" (em geral) também para os estabelecimentos industriais que fabricam, preponderantemente, os itens discriminados nas alíneas 'a', 'b' e 'c'. Tal leitura, ademais, é consentânea com a alínea 'c' do inciso III do art. 11 da Lei Complementar nº 95/1998, que preceitua que, por meio por meio dos parágrafos, devem ser expressos: (i) os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo; e (ii) as exceções à regra por ele estabelecida. Desta feita, o caso em análise se trata não de uma exceção, evidentemente, mas de uma complementação: "também" os estabelecimentos industriais devem estar contemplados pelo benefício. Assim, as técnicas de interpretação não podem passar ao largo das normas complementares a que as leis ordinárias, como a presente, 1 § 1º O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: a) componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002; b) partes e peças destinadas a estabelecimento industrial fabricante de produto classificado no Capítulo 88 da Tipi; c) bens de que trata o § 1oC do art. 4o da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo; (Incluído pela Lei nº 11.908, de 2009). Fl. 654DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 655 10 devem obediência, sobretudo a se ter em vista que a literalidade não é suficiente para esclarecer o sentido de "estabelecimento" utilizado pelo caput ao se referir ao adquirente. 15. Recortase, ademais, das razões do recurso voluntário, que tal norma tem por desígnio justamente desonerar a cadeia de comercialização com a finalidade de evitar um efeito de arrasto cumulativo ao IPI: 16. Neste sentido, defende que o dispositivo unicamente esclarece que o estabelecimento, para se aproveitar da suspensão do imposto, precisar ter a predominância de seu faturamento proveniente da comercialização dos produtos que se buscam incentivar. 17. Traçada tal premissa, cabe se analisar se os adquirentes, no caso concreto são, de fato, "estabelecimentos" e, ainda, se cumprem todos os demais requisitos do art. 29, em especial, dedicarse, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da TIPI: somente aqueles que se enquadrarem em tal critério implicarão o direito à suspensão do IPI. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 656 11 18. Os adquirentes se encontram listados em duas categorias: (i) destinatários pessoas físicas produtores rurais, situados às fls. 434 a 501; e (ii) destinatários pessoas jurídicas do tipo estabelecimento comercial, situados às fls. 419 a 432. 19. Em primeiro lugar, quanto aos (i) destinatários pessoas físicas produtores rurais, necessário se esclarecer que o estabelecimento rural é um tipo de estabelecimento, em conformidade com o DecretoLei nº 7.449/1945, que disciplina a organização da vida rural: DecretoLei nº 7.449/1945 Art. 1º Cada Município terá uma associação rural, de que poderão fazer parte as pessoas naturais ou jurídicas que exercerem, profissionalmente atividades rurais, em qualquer das suas formas, agrícola, extrativa, pastoril, ou industrial e, também, profissionais ligados a essas atividades. § 1º Para os efeitos desta lei, é considerado exercício de profissão rural todo aquêle que fôr, legalmente proprietário de estabelecimento rural. § 2º Estabelecimento rural é o imóvel, situado dentro ou fora dos limites urbanos, que se destina ao cultivo da terra, à extração de matérias primas de origem vegetal, à criação ou melhoria de animais e à industrialização conexa ou acessória dos produtos derivados dessas atividades. 20. Conforme consabido, neste sentido caminham as legislações estaduais concernentes ao ICMS ao utilizarem a expressão "estabelecimento rural de produtor", como faz, em diversos momentos, o RICMS/SP, local da sede da contribuinte. E a interpretação não poderia ser diferente, pois, ao se compulsarem os capítulos discriminados no caput do art. 29 se voltam justamente a produtos como carnes e miudezas, comestíveis, peixes e crustáceos, moluscos, leite e lacticínios, ovos de aves, mel natural, produtos comestíveis de origem animal, hortícolas, plantas, raízes e tubérculos, comestíveis, fruta, cascas de citros e de melões, café, chá, mate e especiarias, cereais, sementes e frutos oleaginosos, grãos, sementes e frutos diversos, plantas industriais ou medicinais; palhas e forragens, entre outros afetos aos produtores/estabelecimentos agrícolas. 21. Assim, o art. 966 da Lei nº 10.406/2002, o Código Civil, preceitua que empresário é aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Especificamente quanto à atividade rural, seu regime é disciplinado pelo art. 971 do codex: Lei nº 10.406/2002 (Código Civil) Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 657 12 22. Assim, indubitável que o estabelecimento, assim entendido, nos termos do art. 1.142 do Código Civil, como "complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária", encontrase ecoado pelo art. 29 da Lei nº10.637/2002 e, logo, açambarca o produtor rural pessoa física. 23. Uma vez entendidos como estabelecimentos, passase à análise do efetivo cumprimento do § 7º do art. 29 da Lei nº 10.637/2002, que dispõe da seguinte forma: Lei nº 10.637/2002 Art. 29 (...). § 7º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. 24. Para que melhor se compreenda a matéria sob análise, a legislação exigiu, para fins de aproveitamento do benefício, que o adquirente da mercadoria atenda a determinados requisitos, entre os quais desenvolver, de maneira preponderante, determinados produtos da TIPI, estabelecendo, como marco miliário para o entendimento de "preponderância" o percentual de, no mínimo, 60% da receita bruta no ano calendário anterior. Assim, evidentemente, tal dado deve ser informado pelo adquirente, pois não se cogitaria que obrigar o vendedor a declarar as receitas brutas de seus clientes. Estes, por seu turno, devem realizar a prestação da informação "sob as penas da lei", regra veiculada também pela Instrução Normativa RFB nº 948, de 16/06/2009: Instrução Normativa RFB nº 948/2009 Art. 21. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 12, 15 a 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex 01 do código 2309.90.90), 28 a 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00, e nas posições 21.01 a 2105.00 da TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributados). § 1º Para fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos. 25. Uma vez apresentada, de forma expressa, a declaração do adquirente ao estabelecimento industrial vendedor, inexiste obrigação adicional, acessória ou instrumental, a ser exigida da contribuinte recorrente, que esgotou seu dever de diligência nos termos tanto da lei como da norma complementar. 26. Verifiquese, ademais, que, no caso de prestação de declaração falsa por parte do adquirente, além da sujeição genérica "às penas da lei" (inclusive criminais), o legislador previu sanção específica consistente na imputação de responsabilidade sobre obrigação tributária dela decorrente, em conformidade com o art. 9º da Lei nº 4.502/1964 refletido no inciso VI do art. 25 do RIPI: Fl. 657DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 658 13 Responsáveis Art. 25. São obrigados ao pagamento do imposto como responsáveis: (...) VI os que desatenderem as normas e requisitos a que estiver condicionada a imunidade, a isenção ou a suspensão do imposto (Lei no 4.502, de 1964, art. 9o, § 1o, e Lei no 9.532, de 1997, art. 37, inciso II). 27. Não obstante, conforme noticia a própria recorrente, este o entendimento da Receita Federal do Brasil, em conformidade com a Solução de Consulta nº 97/2003, DISIT da 7ª Região Fiscal: 28. Assim, estabelecese com hialina clareza que o critério de discrímen para o aproveitamento do benefício é: (i) subjetivo quanto à origem, uma vez que se exige saída de estabelecimento industrial; e (ii) objetivo quanto ao destino, uma vez que se exige a saída de MP, PI e ME destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração dos produtos listados no art. 29 da Lei nº 10.637/2002, sendo, portanto, indiferente o tipo do estabelecimento do destinatário da mercadoria, se pessoa física ou jurídica. Inconsistente e flagrantemente contraditória seria, desta feita, aquela decisão que, na análise de um critério eminentemente objetivo, introduzisse, a seu talante, o impertinente tempero da subjetividade, em clara atuação do aplicador como legislador positivo. 29. Não poderia ser diferente, uma vez que tal preceptivo tem por desígnio justamente desonerar os produtos, ou, mesmo, a cadeia produtiva. É necessário que se observe com clareza ser este, e não outro, o interesse objetivo almejado pela norma. Para alcançálo, nenhuma diferença implicará a atividade desempenhada pelo adquirente, ou tampouco se tratar de pessoa física ou jurídica, bastando apenas que integre a cadeia econômica. Repitase: o interesse é a redução do preço dos produtos listados (critério objetivo). Logo, uma vez satisfeito o critério, reconhecer o benefício para o estabelecimento comercial é, necessariamente, reconhecer para as pessoas físicas, uma vez que o norte implicacional é uno, sob pena de se estabelecer uma discriminação odiosa, i.e., atentatória ao critério legal, o que, no limite, conduziria a uma distorção de mercado: o adquirente pessoa jurídica adquiriria uma vantagem ou privilégio vedado ao adquirente pessoa física, em clara ofensa à neutralidade concorrencial de mercado. O fim açodado pela norma é desonerar o Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 659 14 preço dos produtos, e não induzir os produtores rurais pessoas físicas a constituírem ou se organizarem como pessoas jurídicas. 30. Digase, em excursus, que desatender a tal fim, além de contraditório, militaria em clara e inequívoca ofensa à isonomia, pois pessoas físicas e jurídicas deixariam de concorrer em igualdade de condições. Tal distinguish (pessoas físicas e jurídicas) seria um critério sem qualquer pertinência ou vinculação fundada ao fim (desoneração dos produtos e da cadeia econômica). Por outro lado, apontase que não cabe ao aplicador judicial, e muito menos ao administrativo, perverter os critérios fixados em lei, seja para restringir ou para estender benefícios, sendo esta, ademais, a posição correta e remansosa do Supremo Tributal Federal, como se depreende, v.g., do Recurso Extraordinário nº 405.579, de relatoria do Ministro Joaquim Barbosa, com decisão colegiada merecedora de encômios, em que pese o bem fundado voto do Ministro Gilmar Mendes em sentido contrário. 31. Tal constatação, ademais, advém do congraçamento do desejo do Poder Executivo expresso no item 20 da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 66/2002, com o desiderato do Congresso Nacional, ao converter tal dispositivo no art. 29 da Lei nº 10.637/2002, o que convolaria uma decisão em contrário deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, parte integrante que é do Ministério da Fazenda, em vero comportamento contraditório da Administração, em ofensa à funçãobloqueio da vedação ao comportamento contraditório, sobre o qual já escrevemos em outras oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.290, proferido em 17/02/2017, de minha relatoria,2 que expressa o respeito à confiança legítima da contribuinte, cujo comportamento se pautou pela política fiscal proposta conjuntamente pelos Poderes Executivo e Legislativo. 32. Transcrevese, a seguir, o trecho pertinente da exposição de motivos a fim de que não reste qualquer dúvida a respeito do conteúdo eficacial que se pretendeu conferir ao art. 31 da Medida Provisória nº 66/2002 e, por decorrência, ao art. 29 da Lei nº 10.637/2002: "Medida Provisória nº 66/2002 Exposição de Motivos (...). 20. O art. 31 institui a suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), na saída dos produtos que menciona, visando evitar a acumulação de créditos, o que implica atribuir melhores condições operacionais e de fluxo financeiro para as empresas nacionais, tornandoas mais competitivas, inclusive mediante redução de preços de seus produtos" (seleção e grifos nossos). 33. Diante da impossibilidade de se punir a contribuinte que se ajustou ao desígnio da política fiscal proposta pela própria Administração, e uma vez estabelecidos os critérios para o reconhecimento da suspensão para os estabelecimentos, sejam eles industriais ou comerciais, pessoas físicas ou jurídicas, partese, por final, à demonstração, no caso 2 Acórdão CARF nº 3401003.290, proferido em 17/02/2017, de minha relatoria. Ementa: "IMPORTAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. EMBARCAÇÃO NÃO PROCEDENTE DO EXTERIOR OU A ELE DESTINADO. ATIPICIDADE DA CONDUTA. CARÊNCIA PROBATÓRIA. DESPACHO DECISÓRIO PRÉVIO. DEVER DE COERÊNCIA ("NEMO POTEST VENIRE CONTRA FACTUM PROPRIUM"). PROTEÇÃO DA CONFIANÇA. Diante da ausência de elementos caracterizadores da infração, a Administração entendeu no caso concreto pela atipicidade da conduta em virtude da ausência de provas indicativas de que as embarcações seriam procedentes do exterior ou a ele destinado (art. 104 do DecretoLei nº 37/66). Dever de coerência e proteção da confiança ("nemo potest venire contra factum proprium"), devendo ser afastada a multa imposta". Fl. 659DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 660 15 concreto, de que a contribuinte efetivamente atendeu à determinação em referência de exigir, dos adquirentes, declaração expressa no sentido de cumprirem os requisitos do art. 29 da Lei nº 10.637. De fato, a partir da análise dos documentos que instruem a peça de impugnação (cf. documentos 05 e 06) da ora recorrente, verificase que foram apresentadas, de maneira diligente, as declarações dos adquirentes, tanto estabelecimentos comerciais como rurais constantes dos Anexos II, III, IV e V do auto de infração, de maneira a se contestar, de maneira eficaz, os argumentos da acusação fiscal. 34. As declarações dos adquirentes para fins de suspensão referentes aos destinatários produtores rurais, descritas nos Anexos II e III do relatório fiscal, encontramse situadas às fls. 435 a 501, como, por exemplo, a seguinte: Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 661 16 35. Observese que a declaração exigida pela recorrente dos adquirentes de suas mercadorias não é apenas expressa, como exigido pela lei e pelas normas complementares editadas pela Receita Federal do Brasil, como também tem o cuidado de certificar a autenticidade formal da declaração firmada pela compradora, mediante o reconhecimento de firma no órgão cartorial, o que satisfaz, também, a disposição ultra legem, assentese da Solução de Consulta nº 97/2003, DISIT da 7ª Região Fiscal. Não obstante, o que se observa não apenas o estrito cumprimento da contribuinte à regra posta, como também zelo e diligência, na medida em que todas (repitase: todas) as declarações que integram os Documentos nº 05 e 06 de sua impugnação têm a firma reconhecida, como os seguintes: Fl. 661DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 662 17 36. Por outro lado, as declarações dos adquirentes para fins de suspensão referentes aos destinatários comerciais, descritas nos Anexos IV e V do relatório fiscal, encontramse situadas às fls. 419 a 432. Observese que a pessoa física produtor rural, que figura como adquirente das mercadorias da contribuinte, tem, inclusive, nome fantasia ("Avícola Vesper"): Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 663 18 Fl. 663DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 664 19 37. Em igual sentido: 38. Assim, pelos fundamentos acima, não vislumbro outra saída senão votar pela procedência do recurso voluntário neste particular, exonerandose, desta forma, os créditos cobrados pelos itens 1 e 2 do auto de infração sob exame. 2. ESSENCIALIDADE DAS EMBALAGENS DESTINADAS A GÊNEROS ALIMENTÍCIOS 39. Alega a contribuinte que a tributação do IPI de materiais de embalagem voltadas ao acondicionamento de gêneros alimentícios, desde o advento do Decreto nº 3.777/2001, que, ao revogar o Decreto nº 2.092/1996, passou a alíquota do imposto de zero para 15%, opera contra o princípio da seletividade conforme a essencialidade do produto insculpido no inciso I do § 3º do inciso IV do art. 153 da Constituição de 1988. Argumenta, ainda, que foi reconhecida a repercussão geral do Recurso Extraordinário nº 606.314/PE, que discute a matéria, que tramita no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do Ministro Luís Roberto Barroso, sendo que a Procuradoria Geral da República se manifestou, por meio do Parecer nº 8079, no sentido da afirmação do dispositivo constitucional em desfavor da tributação de itens essenciais. 40. Contudo, como se pode perceber, a argumentação da contribuinte é de índole exclusivamente constitucional, o que tem por efeito a aplicação da Súmula CARF nº 02, Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 665 20 não havendo competência deste Conselho para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS 3.1. Da necessidade de suspensão do presente feito 41. A questão, como se sabe, foi recentemente decidida no Recurso Extraordinário nº 574.706, com repercussão geral reconhecida, no qual o plenário do Supremo Tribunal Federal deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a tese de que o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins, oportunidade na qual restaram vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. 42. Contudo, nos termos da Solução de Consulta RFB n° 6.012, publicada em 04/04/2017, vinculada à Solução de Consulta Cosit n° 137 de 2017, o que se verifica é a ausência de solução definitiva do mérito, o que implica, para a Receita Federal do Brasil, ausência de previsão legal que possibilite a exclusão do imposto da base de cálculo das Contribuições para o PIS e COFINS devidas nas operações realizadas no mercado interno, posição à qual se acresce a inexistência, até o presente momento, de Ato Declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional sobre a matéria objeto de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal – Art. 19, II, da Lei n°10.522, de 19 de julho de 2002. Assim, em observância ao RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, considerando que a decisão ainda não se tornou definitiva, não está este Conselho vinculado à decisão e, desta forma, passase a demonstrar a nossa convicção a respeito do tema. 43. Há de se assentir, no entanto, para o fato de que, ainda que prevaleça o posicionamento contrário à tese firmada pela excelsa Corte na ocasião do julgamento do presente recurso voluntário, a contribuinte se verá obrigada a buscar a guarida do Poder Judiciário, onde muito provavelmente obterá êxito, e restará à coisa pública arcar não apenas com as despesas inerentes ao processo, com o custo da atividade da Procuradoria da Fazenda Nacional, como também com as verbas sucumbenciais, sobretudo ao se ter em conta o caráter transubjetivo de uma decisão que, em que pese ainda não publicada, é por todos conhecida. Não é possível se perder de vista, ademais, que, segundo o preceptivo do caput do art. 926 do Código de Processo Civil, é o desígnio do legislador que os tribunais devem uniformizar a jurisprudência e mantêla "estável, íntegra e coerente", em prestígio à segurança jurídica que deve pautar a relação entre aplicadores e jurisdicionados. A dicção prudente do direito deve, portanto, preferir a coerência e, assim como a posição individual do aplicador deve observância à decisão colegiada, o entendimento administrativo não pode se lançar à deriva de seus próprios fundamentos e perder de vista a terra firme da construção pretoriana das cortes superiores de seu país. 44. Assim, o caminho da resolução para fins de sobrestamento do presente feito até que se torne definitiva a decisão no recurso extraordinário em referência seria o caminho mais adequado e consentâneo com os ideários de estabilidade, integridade e coerência? Contrariamente a tal proposta, a resolução se presta a tal finalidade? Estáse diante não de uma prejudicialidade externa em sentido estrito, mas de uma potencial (ainda que provável) decisão, ou seja, de uma "prejudicialidade tênue". Não se cogitaria de resolução para se suspender o processo caso o colegiado "tivesse notícia" de que uma determinada lei cujo conteúdo implicasse alteração da decisão a ser proferida estivesse na iminência de ser Fl. 665DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 666 21 aprovada. Contudo, não se trata deste caso: embora ambas se tratem de normas gerais cogentes, estáse diante de uma decisão da Suprema Corte brasileira que apenas aguarda formalização e cujo conteúdo já se conhece, galgando a condição de notoriedade. A formalização superveniente do acórdão judicial alterará o colorido jurídico da relação que se discute no presente caso: saber disso é suficiente para se suspender o presente processo de forma não apenas a economizar a verba pública correspondente, mas também garantir aos jurisdicionados (contribuinte e Fazenda Pública) uma prestação mais célere, que apenas será procrastinada com uma decisão contrária ao pleito formulado na seara administrativa, pois este é o sentido do interesse público que deve ser preservado, e ainda que este relator, individualmente considerado, e este colegiado, em sua formação atual, ao menos de forma majoritária, discordem da exclusão do ICMS da base das contribuições. 45. Destacase, ademais, que o Recurso Extraordinário nº 574.706 teve a sua repercussão geral reconhecida e que o § 5º do art. 1.035 da Lei nº 13.105/2015 é expresso ao determinar que, uma vez reconhecida a repercussão geral, deverá ser determinada a "suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional": ao dispor sobre "processos", não fez o legislador distinção entre processos administrativos e judiciais. Milita em desfavor da aplicação de tal dispositivo o fato de que, no presente caso, não haver notícia de que a Ministra Relatora tenha determinado expressamente a suspensão. 46. No entanto, em 23/02/2017, caso em tudo semelhante ao presente foi decidido no sentido da suspensão do processo administrativo que tramita neste Conselho: no curso do Recurso Extraordinário nº 566.622/RS, de Relatoria do Ministro Marco Aurélio Mello, procedeuse à suspensão dos processos que tramitam neste Conselho acerca de matéria idêntica, decidida de maneira favorável à contribuinte pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em decisão pendente de publicação: "A Fundação Armando Álvares Penteado, admitida no processo como interessada, requer a comunicação, mediante ofício, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF acerca da suspensão dos processos que versem a mesma matéria do extraordinário. (...). Relata a ausência de implementação da medida no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, vinculado ao Ministério da Fazenda, responsável pelo exame dos recursos contra atos formalizados no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Afirma que a recusa do Órgão decorre da falta de previsão regimental a respaldar a suspensão dos processos. Ressalta a iminência de julgamento, no CARF, de processo administrativo relevante para a entidade. Noticia a expedição de ofício, pela Secretaria Judiciária, a todos os tribunais do território nacional, não tendo havido comunicação aos órgãos administrativos. (...) Em se tratando de processo sob repercussão geral, surgem conseqüências danosas. Uma vez admitida, dáse o fenômeno do sobrestamento de processos que, nos diversos Tribunais do País, versem a mesma matéria, sendo que hoje há previsão no sentido do implemento da providência requerida § 5º do artigo 1.035 do Código de Processo Civil. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 667 22 (...) A entrega da prestação jurisdicional deve ocorrer conciliandose celeridade e conteúdo. Daí a necessidade de atentarse para o estágio atual dos trabalhos do Plenário. Dificilmente conseguese julgar, fora processos constantes em listas, mais de uma demanda, o que projeta no tempo, em demasia, o desfecho de inúmeros conflitos de interesse. No caso, temse quatro votos proferidos no sentido da inconstitucionalidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991. Enquanto isso, o Poder Público continua aplicandoo, gerando dificuldades de toda ordem para entidades beneficentes. (...) Implemento a medida acauteladora, suspendendo, nos termos do artigo 1.035, § 5º, do Código de Processo Civil, o curso de processos que veiculem o tema, obstaculizando o acionamento, pela Administração Pública, do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991" (seleção e grifos nossos). 47. Assim, em 07/03/2017 foi expedido o Ofício nº 594/R endereçado ao Presidente deste Conselho com cópia da decisão do Ministro Marco Aurélio Mello que suspendeu os processos administrativos que tratam da matéria. 48. Fazse necessário, neste sentido, admitir não a aproximação do direito continental a um vero sistema de precedentes, pois há substancial distância entre regras específicas de vinculação ínsitas às especificidades do sistema processual, judicial e administrativo, brasileiro e tais modelos estrangeiros, que não guardam relação com nossa realidade, mas dar voz, na formação dos fundamentos da decisão, à postura expressamente adotada pelo legislador pátrio, em observância ao direito positivo, do qual destacamos os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil) Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: I as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II os enunciados de súmula vinculante; III os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados. § 1o Os juízes e os tribunais observarão o disposto no art. 10 e no art. 489, § 1o, quando decidirem com fundamento neste artigo. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 668 23 § 2o A alteração de tese jurídica adotada em enunciado de súmula ou em julgamento de casos repetitivos poderá ser precedida de audiências públicas e da participação de pessoas, órgãos ou entidades que possam contribuir para a rediscussão da tese. § 3o Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. § 4o A modificação de enunciado de súmula, de jurisprudência pacificada ou de tese adotada em julgamento de casos repetitivos observará a necessidade de fundamentação adequada e específica, considerando os princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia. § 5o Os tribunais darão publicidade a seus precedentes, organizandoos por questão jurídica decidida e divulgandoos, preferencialmente, na rede mundial de computadores. Art. 928. Para os fins deste Código, considerase julgamento de casos repetitivos a decisão proferida em: I incidente de resolução de demandas repetitivas; II recursos especial e extraordinário repetitivos. Parágrafo único. O julgamento de casos repetitivos tem por objeto questão de direito material ou processual. 49. Não por outro motivo, reafirmamos a nossa discordância com relação à equivocada ementa do Acórdão CSRF nº 9303004.394, de relatoria da Conselheira Tatiana Midori Migiyama, proferido em sessão de 09/11/2016, em que, por unanimidade de votos, decidiuse nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CONFLITOS DE COMPETÊNCIA. UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos (sic) pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15. Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 669 24 quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. art. 1º, § 2º, da LC 116/03. 50. Discordarmos da existência de um suposto “princípio da eficácia vinculante dos precedentes jurisprudenciais”, de conteúdo contramajoritário e que milita em desapreço de “(...) uma das bases imprescindíveis na realização de uma certa concepção do Estado e do Direito”3 que tem na intencionalidade normativa das funções estatais o fundamento da separação dos poderes que não pode ser perdido como um sopro ideológico, mas, antes, como uma categoria institucional bem demarcada. Não há, portanto, de se assentir com o precedente em geral como preceito genérico a ser seguido, fonte formal e engastada da decisão, mas, antes, como matériaprima viva na forja do amadurecimento dos conceitos segundo o entendimento das instituições, o que apenas reafirma a necessidade de separação para que este diálogo continue a existir, sob pena de se fomentar uma estrutura monologal de Estado dotada do poder de dizer o direito. 51. Assim, os arts. 926 e 927 do Código de Processo Civil de 2016 preceituam regras específicas e pontuais no sentido da uniformidade do comportamento das instituições jurisdicionais. Contudo, a uniformização não é o fim ensimesmado do preceptivo, mas, antes, prover os ideários de estabilidade, integridade e coerência e, neste sentido maiúsculo, de segurança jurídica, é possível se cogitar que “(...) ao objetivo da mera uniformidade da jurisprudência deve substituirse o objetivo da unidade do direito – ou, se quisermos, aquela ‘uniformidade’ deverá passar a entenderse de modo a verse nela a manifestação jurisprudencial desta unidade e para cumprimento da sua específica perspectiva normativointencional”:4 antes um farol a ser seguido do que uma camisa de força para o aplicador. Passase, assim, à análise não de um equivocado “princípio da eficácia dos precedentes jurisprudenciais”, que deve ser desde logo censurado, vergastado e abandonado, mas de regras pontuais de uniformização de casos que deram conta da matéria, rumo a uma postura integrativa e de unicidade do ordenamento. 52. Este, ademais, foi o posicionamento unânime desta turma, no Acórdão CARF nº 3401003.806, proferido em 26/06/2017, de minha relatoria, cujo trecho pertinente da ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2007 PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. INEXISTÊNCIA. Em que pese a necessidade de se buscar, tanto quanto possível, a unicidade do ordenamento a ser refletida na prestação jurisdicional estável, íntegra e 3 NEVES, A. Castanheira. O instituto dos ‘assentos’ e a função jurídica dos supremos tribunais. Coimbra: Coimbra Editora, 1ª edição (Reimpressão), 2014, pp. 14 e 15. 4 Idem, p. 656. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 670 25 coerente, inexiste no direito pátrio o "princípio da eficácia vinculante dos precedentes". Assim, ainda que possa o julgador administrativo decidir no mesmo sentido da jurisprudência pacificada pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na persecução de tais valores, a ela não está vinculado, devendo, não obstante, cumprir e aplicar as regras pontuais de uniformização previstas nos arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15 (Código de Processo Civil). 53. Realizados tais esclarecimentos, em tudo consentâneos com o quanto defendido no presente voto, podese afirmar que a decisão do Ministro Marco Aurélio, no Recurso Extraordinário nº 566.622/RS, acima transcrita, é merecedora de encômios, pois não há de se ofertar ao jurisdicionado decisão esquizóide, ou seja, tendente ao isolamento, falha em se relacionar com os demais componentes da sociedade jurídica que integra. O padrão evasivo de distanciamento dos vetores de amadurecimento institucional é contrário aos artigos acima transcritos, e este Conselho não pode se alhear das decisões do Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida como se desconhecesse não apenas o Código de Processo Civil de seu país como também a decisão favorável à tese defendida pela contribuinte no presente caso. Obrigála a buscar a chancela posterior do Poder Judiciário em um caso como o presente caminha em sentido contrário ao interesse público, incorrendo, assim, em apego exagerado ao formalismo e às suas próprias decisões, visão míope e distorcida de que o livre convencimento do aplicador estaria de alguma forma alheado do esforço argumentativo da construção do direito, infenso à unicidade da ordem jurídica. Não é que os comandos uniformizadores ganhem verticalidade, mesmo porque se discute caso ainda sem a definitividade do trânsito em julgado, mas não se pode relegar ao esquecimento, como se inexistente, aquilo que sabemos e conhecemos. 54. Desta feita, diante de decisão não definitiva, propõese não a concordância com a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, mas simplesmente a conversão do presente julgamento em diligência para que se suspenda este processo administrativo, com fundamento não apenas nos fundamentos utilizados pela decisão do Ministro Marco Aurélio, como também nos dispositivos do Código de Processo Civil, todos acima transcritos e referenciados, até o ulterior trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 574.706. 55. No entanto, como se depreende da leitura do Acórdão CARF nº 3401003.627, proferido em sessão de 25/04/2017, de minha relatoria, o racional ora expendido no sentido da suspensão do processo foi suplantado pela turma, por voto de qualidade, em conformidade com trecho da ementa, abaixo transcrito: REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 671 26 RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. 56. Acrescemos a tais considerações, os argumentos veiculados em artigo sobre o tema que escrevemos em coautoria com Diego Diniz Ribeiro5: "(...) o fato de ainda inexistir publicação do acórdão citado é questão exclusivamente formal, já que o conteúdo da decisão foi amplamente divulgado pelos meios de comunicação. Ademais, convém lembrar que, desde o ano de 2002, as sessões do STF são transmitidas ao vivo pela TV Justiça e que este julgamento, em especial, atraiu enorme audiência da comunidade jurídica em razão da sua relevância. (...) Aliás, é exatamente em razão de tais valores que o CPC/2015 prescreve que, na hipótese de recurso extraordinário afetado por repercussão geral, todos os demais processos (e não só aqueles processos já em fase recursal) deverão ser sobrestados, até que haja decisão no chamado leading case. É o que prevê o art. 1.035, §5° do CPC. A questão, todavia, que deve ser aqui debatida é se tal dispositivo deve ou não se convocado no âmbito dos processos administrativos tributários. Para tanto, insta analisar o que dispõe o art. 15 do CPC. Segundo referido dispositivo, as disposições do CPC devem ser aplicadas de forma supletiva e subsidiária, ou seja, atribuemse às normas do CPC, respectivamente, uma função normativosubstitutiva e também uma função normativointegrativa. Para a questão aqui analisada, o que interessa é o caráter subsidiário do CPC/2015 e, conseqüentemente, sua função normativointegrativa, que pode ser vista por duas perspectivas. A primeira delas com base na embolorada ideia de que o direito se perfaz pelo intermédio exclusivo da lei, calcada, pois, na concepção de um divinal legislador que não deixa comportamentos sociais sem prescrições normativas e que, quando isso eventualmente ocorre, o próprio direito legislado cria mecanismos no sentido suplantar tais buracos, o que se dá por intermédio de institutos como a analogia, os princípios gerais do direito e a equidade. Aí então a função integrativa clássica do CPC/2015 em face de uma lacuna legislativa referente ao processo administrativo tributário. Todavia, uma visão mais moderna deste caráter subsidiário da lei parte do pressuposto de que tal norma integrativa deverá ser convocada de modo a potencializar os valores que lhes são próprios, bem como os valores do próprio Direito enquanto método de – repitase – resolução, com justiça, de problemas de convivência humana. Nesse sentido, quando se fala no caráter subsidiário do CPC, sua convocação no processo administrativo, inclusive o 5RIBEIRO, Diego Diniz e BRANCO, Leonardo Ogassawara de Araújo. " CARF deve suspender processos de ICMS na base da Cofins?". Brasília: Jota, 03 de maio de 2017, disponível em: <https://jota.info/artigos/carfdeve suspenderprocessosdoicmsnabasedacofins03052017>, último acesso em 01/08/2017. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 672 27 tributário, deve ser no sentido de potencializar os princípios constitucionais do processo civil, dentre os quais se destacam os seguintes: integridade, unidade e coerência das decisões de caráter judicativo, de modo a também tutelar, reflexamente, igualdade de tratamento a jurisdicionados em situações análogas e, por fim, segurança jurídica. Assim, com base em tais premissas, quer parecer que, na hipótese de recurso extraordinário afetado por repercussão geral, o sobrestamento prescrito no já citado art. 1.035, §5° do CPC, também deve se estender aos processos administrativos de caráter tributário, pois, dessa forma, estarseá prestigiando os sobreditos valores jurídicos, tão importantes para o Direito. Não obstante, mesmo que se empregue a função integrativa de uma norma subsidiária em um sentido clássico, ainda sim a solução aqui proposta (sobrestamento do processo administrativo tributário) seria a única resposta cabível para o caso em tela. E isso porque, ao se analisar as disposições legais que tratam do processo administrativo tributário (Decreto 70.235 e Lei 9.784/99), é impossível encontrar qualquer disposição normativa que trate do problema aqui enfrentado, qual seja, o que fazer com processo administrativo que apresente recurso com causa de pedir autônoma e cujo teor está pendente de julgamento no âmbito judicial, em sede de processo com caráter transindividual. Não havendo disposições legais nas leis que tratam o processo administrativo tributário, deve ser aplicado de forma subsidiária o CPC." (seleção e grifos nossos). 57. Assim, já conhecido o posicionamento da turma a respeito da proposta acima, passo à análise da questão de fundo, ainda que consigne meu voto no sentido da procedência do recurso neste particular. 3.2. Da inclusão do ICMS na base do PIS 58. Excelentes argumentos militam em favor das contribuintes no sentido da exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais, entre os quais se destacam: (i) a existência de destaque do ICMS que torna possível se aferir o montante exato que se inclui na base de cálculo das contribuições, (ii) a existência de repercussão jurídica, no sentido de que o imposto se materializa em um valor repassado juridicamente à contribuinte tendo como destino os cofres públicos, o que implica a ideia de mera transferência ou repercussão, (iii) configuração de situação nãoisonômica, uma vez que contribuintes que exercem a mesma atividade passam a ser tratados desigualmente a depender da alíquota aplicável de ICMS. 59. Entendemos, contudo, que o ICMS integra o valor final da operação de venda e compra, e a chamada "incidência por dentro" não é vedada, salvo nos casos específicos previstos pela legislação. Assim, não há vedação genérica para que um tributo inclua outro, ou até mesmo ele próprio, em sua base de cálculo, e este é o caso do IPI ao incidir sobre o ICMS ou do ICMS, ao incidir não apenas sobre o próprio ICMS, como também sobre o IPI. Tal circularidade em nada destoa das normas de regência do sistema tributário nacional: a incidência por dentro convive em igualdade de condições com a incidência por fora, como Fl. 672DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 673 28 ocorre no caso da CSL, hipótese em que se verifica a exclusão do tributo da sua base de cálculo. Há de se destacar, ainda, que a Lei nº 10.637/2002 (arts. 1o ao 11) e a Lei nº 10.833/2003 (arts. 1o ao 16) não contemplam a hipótese da exclusão do ICMS incluído no preço de venda. Destacase trecho do voto do Ministro Gilmar Mendes para subsidiar a argumentação do presente voto: "(...) a COFINS não incide sobre a renda, sobre o incremento patrimonial líquido, que considera custos e demais gastos que viabilizaram a operação (como o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro), mas sobre o produto das operações (antes da EC 20/1998: as operações restringiamse a vendas e prestações de serviços), da mesma maneira que outros tributos como o ICMS e o ISS. Com efeito, a imposição sobre o produto de vendas e prestação de serviços como ocorre com a COFINS, o ICMS e o ISS cuida de tributo real (Objektsteuer), que não exige a observação das circunstâncias pessoais do contribuinte (...). Logo, a receita bruta (faturamento, produto das operações) em oposição à receita líquida compreende a importância total recebida pelo contribuinte sem exclusão a priori de quaisquer componentes independentemente de sua destinação ou natureza como margem de lucro, custos diretos, custos indiretos ou ônus tributário. Ora, se a importância correspondente ao ICMS integra o valor da operação final, na linha do decidido pelo Plenário no RE 212.209/RS, constitui também produto da venda ou da prestação de serviço e faturamento do contribuinte, da mesma maneira que os outros fatores do preço das mercadorias e serviços. Em outras palavras, o montante relativo ao ICMS incorporase ao preço, de forma que é pago pelo comprador e é recebido pelo vendedor ou pelo prestador de serviço, ingressando em seu domínio, em consequência da respectiva operação. Em se tratando de tributos reais, como a COFINS, a exclusão de qualquer fator que componha seu objeto na espécie, o produto da operação, deve ser expressamente prevista , seja por meio de imunidade, como no art. 155, § 2º, XI, da Carta Magna que retira o montante do IPI da base de cálculo do ICMS; seja por meio de isenção, como disposto no art2º, parágrafo único, da Lei Complementar 70/1991, que excepciona o valor correspondente ao IPI da base de cálculo da COFINS. De fato, as expressões faturamento e receita bruta, por si só, não distinguem quaisquer ingressos operacionais percebidos nem excluem de antemão qualquer elemento do resultado da operação. Portanto, montante subtraído do resultado das operações, a qualquer título, é exceção à base de cálculo e depende de previsão legal. Interpretação diversa entenderia como inócuos os citados arts. 155, § 2º, XI, a Carta Magna e 2º, parágrafo único, da LC 70/1991, o que não é razoável. (...) Com efeito, se excluída da base de cálculo da COFINS a importância correspondente ao ICMS, questiono: por que não retirar o valor do ISS, do Imposto de Renda, do Imposto de Importação, do Imposto de Exportação, Fl. 673DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 674 29 das taxas de fiscalização, da taxa do IBAMA, do PIS, além da própria COFINS? Obviamente, o simples fato de fundarse em ônus tributário não desqualifica a parte do preço como receita bruta. Além disso, também não impressiona o argumento de que o valor do ICMS seja destinado não ao contribuinte, mas ao estado federado. De fato, é necessário dissociar o preço das mercadorias e serviços, ou seja, o quantum entregue pelo comprador e recebido pelo vendedor, das obrigações decorrentes e atreladas à operação. Caso contrário, também as comissões de intermediários, a participação dos empregados, royalties, licenças, direitos autorais, seguro, frete, despesas aduaneiras, além de tarifas de crédito, por exemplo, também deveriam ser subtraídas do resultado. Na verdade, o acolhimento do entendimento da recorrente abrirá diversas fragilidades no sistema da COFINS, criando outro tributo pautado pelas circunstâncias pessoais do contribuinte e de cada parcela que integra o resultado das operações. Indevidamente, passa se a tratar a presente contribuição como tributo pessoal, aproximandoa de tributo sobre a renda ou sobre o lucro. Rigorosamente, os fundamentos aqui apresentados para excluir o ICMS da base de cálculo da COFINS poderiam também ser aplicados para afastar diversos custos que viabilizam as operações de compra e venda e de prestação de serviço, sejam de natureza tributária, sejam de natureza civil. Ainda que transferido apenas temporariamente ao contribuinte, qualquer parcela do valor do preço das vendas e dos serviços (após a EC 20/1998, também outras operações) irrefutavelmente faz parte do faturamento. De fato, após a entrega do numerário, o contribuinte dispõe dela da forma que entender conveniente: utilizando para quitar outros débitos que vencem primeiro, movimentando como capital de giro até a apuração, investindo em aplicações financeiras, etc. Repitase que a COFINS cuida de tributação sobre o faturamento, a receita bruta, o produto das vendas, não de imposição sobre a renda ou o lucro. O fundamento ou a destinação final do quantum não é relevante para a base de cálculo da COFINS, apenas o recebimento pelo contribuinte no curso de suas atividades. (...) Em primeiro lugar, conforme já destacado, esta Corte reconheceu no RE 212.209/RS, Redator para o acórdão Min. Nelson Jobim, DJ 14.2.2003, que o quantum referente ao ICMS compõe o valor da operação e, por isso, também está incluído, como outros custos de viabilização, em sua própria base de cálculo . Consequentemente, o destaque do ICMS é apenas para controle fiscal, não para diferenciar a natureza da parcela. Em segundo lugar, frisese que o ICMS não funciona como imposto retido. De fato, o ICMS não é recolhido automaticamente com a ocorrência da operação, mas é recebido pelo vendedor, que o integra ao seu caixa, ao seu patrimônio e, apenas ao término do período de apuração, repassao ao Estado federado, depois de considerada a compensação de créditos. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 675 30 Em terceiro lugar, é importante destacar que nem sempre a totalidade do valor correspondente ao ICMS recebido pelo contribuinte será repassado ao Estado , seja porque em muitos casos há crédito de operações anteriores a serem considerados, consoante o princípio da não cumulatividade, seja porque o fenômeno da substituição tributária pode ter exigido antes o recolhimento do tributo" (seleção e grifos nossos). 60. Logo, insubsistente é o crédito, pois amparado em concepção equivocada do vocábulo "receita": o ICMS, pelos motivos acima dispostos, integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. 61. De toda sorte, diante da inexistência de amparo legal que fundamente a pretensão da contribuinte, ou tampouco de decisão judicial (norma individual e concreta) que a lastreie, o que se observa é que, no momento da transmissão da PER/DComp, a recorrente não apenas não procedeu à retificação de seus registros contábeis e fiscais, como tampouco comprovou o erro que fundamentaria a oportuna retificação da declaração, não restando, portanto, saldo de crédito de tributo indevido a compensar no momento do encontro de contas, o que milita em favor da correção do despacho decisório que não homologou o pleito formulado. 62. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".6 63. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 6 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 676 31 64. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da inexistência de crédito a compensar. 4. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DE INSUMOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS 65. A contribuinte requer o sobrestamento do presente feito naquilo que pertine à possibilidade de a contribuinte realizar a manutenção do crédito de IPI nas aquisições de produtos isentos advindos da Zona Franca de Manaus, para fins de industrialização, em virtude de o caso estar sob apreciação do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 592.891/SP, com repercussão geral reconhecida, que ainda pende de julgamento, com três votos que entenderam no sentido do quanto pleiteado pelo recurso voluntário sob análise. Entendo não se tratar do caso de sobrestamento, não apenas em virtude do quanto decidido no Acórdão CARF nº 3401003.627, proferido em sessão de 25/04/2017, de minha relatoria, mas, sobretudo, porque o julgamento, como refere a própria contribuinte, não se encontra concluído, e sequer a maioria foi formada em torno de uma ou outra tese, e tampouco se verifica a existência de despacho específico suspendendo os processos que tratem a respeito de matéria idêntica. Assim, prossigo na análise do mérito. 66. Em síntese, para não nos alongarmos em questão já conhecida e consabida deste colegiado, a questão vem sendo decidida pelo Supremo Tribunal Federal de maneira a se admitir a possibilidade do creditamento, conforme se denota do Recurso Extraordinário nº 212.484/RS. No Recurso Extraordinário nº 592.891/SP, mencionado pela contribuinte, a Ministra Rosa Weber, relatora do caso, manifestouse pela constitucionalidade do registro do crédito de IPI durante a sessão de 25/05/2016, tendo sido acompanhada, ademais, pelos ministros Edson Fachin e Luís Roberto Barroso, tendo sido suspenso o julgamento em razão de pedido de vista pelo Ministro Teori Zavascki. Observese que, naquela assentada, recordou a ministra relatora que, da análise da jurisprudência da Corte sobre os demais casos de isenção de IPI, os julgados desfavoráveis à tese ora defendida pela contribuinte não trataram da matéria no âmbito da Zona Franca de Manaus. 67. Ao nos voltarmos à jurisprudência deste Conselho, por outro lado, verificase a existência do Acórdão CARF nº 3402002.993, de relatoria do Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, proferido em sessão de 26/04/2016 por turma desta Câmara no sentido da interpretação externada pelo Recurso Extraordinário nº 212.484/RS, o que, de todo modo, já havia sido corroborado pelo órgão de cúpula deste conselho dez anos antes, em conformidade com o Acórdão CSRF nº 0202.357, de relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, proferido em sessão de 24/07/2006, cuja ementa abaixo se transcreve: IPI.CRÉDITO INSUMO ADQUIRIDO SOB ISENÇÃO. Conforme decisão do Pleno do STF (RE. 212.4842), não ocorre ofensa à Constituição Federal (artigo 153, parágrafo 3º, II) quando o contribuinte do IPI creditase do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção. 68. Transcrevese, abaixo, trecho do voto vencedor da Conselheira Maria Teresa Martinez López, designada redatora do acórdão em referência: Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 677 32 "Historicamente, retornando no tempo, temse que a discussão envolvendo o creditamento do IPI não pago por motivo de isenção surgiu em 1991, no Rio Grande do Sul, com o MS 91.00095524, conforme informa o Min. Nelson Jobim, do STF, no julgamento da Reclamação n° 892 I RS.4 O juízo da CP Vara Federal de Porto Alegre, ao apreciar o Mandado de Segurança, decidiu pela existência do direito líquido e certo da empresa de abater do IPI devido sobre os produtos industrializados, no momento da saída de seu estabelecimento, o valorcrédito do IPI potencialmente incidente na operação anterior, na qual foram adquiridos produtos industrializados sujeitos à isenção da Zona Franca de Manaus. Posteriormente, o TRF da 41 Região confirmou a decisão de 1 2 grau, dela tendo recorrido a União, impetrando o RE n° 212.484/RS. O acórdão proferido pelo STF no julgamento deste RE, concluído em 05/03/98, relatado pelo próprio Min. Jobim (...). Esta decisão do STF fez precedente e passou a fundamentar as decisões seguintes do STF, seguidas desde logo pelo STJ, pacificandose a questão do direito ao crédito presumido sobre as aquisições isentas na esfera do judiciário. O valor a ser creditado é exatamente igual ao imposto que teria sido pago se isenção não houvesse, ou seja, é resultante da aplicação da alíquota prevista na TIPI 8 sobre o valor da operação. A conclusão a que se chega é que o sistema de crédito presumido pretendido pela interessada vai de encontro com a interpretação do Judiciário, na aplicação do discutido princípio da nãocumulatividade na forma determinada pela CF/88. Desde o julgamento do Recurso Extraordinário 212.4842/RS, julgado pelo Pleno do STF em 05/03/98 8, aquela Corte vem, sistematicamente, entendendo que, especificamente em relação aos insumos adquiridos sob o regime de isenção, hipótese objeto da lide, o creditamento do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção não ofende à CF (art. 153, §3 2, II). A não admissão do creditamento acarretaria a supressão dos efeitos pretendidos pelo próprio governo ao conceder a desoneração tributária para um dos elos da cadeia produtiva, uma vez que o adquirente acabaria por suportar toda a tributação quando da venda de seus bens e mercadorias" (seleção e grifos nossos). 69. Observo, a latere, que, naqueles processos cuja decisão é no sentido da impossibilidade da manutenção do crédito, como já se manifestou este Conselho em casos análogos, como no Acórdão CARF nº 3402002.993, proferido em sessão de 26/04/2016, no sentido da necessidade da exclusão das multas no sentido propugnado pela alínea 'a', inciso II do art. 486 do RIPI/2002, ecoado no inciso II do art. 567/2010. 70. Assim, com base nos fundamentos externados pelos precedentes acima, voto pela procedência do recurso voluntário neste particular. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 678 33 Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer: (i) a possibilidade da suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 no caso dos adquirentes não industriais (estabelecimentos comerciais ou produtores rurais pessoas físicas); (ii) a necessidade de que o presente processo seja sobrestado até o ulterior trânsito em julgado da decisão do Recurso Extraordinário nº 574.706 que tramita no Supremo Tribunal Federal concernente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins; e (iii) o direito ao creditamento, relativamente produtos isentos adquiridos da Zona Franca de Manaus. Relator Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Em três pontos, o Colegiado dissintiu do entendimento do eminente Relator, preliminarmente, (i) rejeitando a proposta de sobrestamento com relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições; e, no mérito, (ii) não reconhecendo os créditos decorrentes de aquisições da Zona Franca de Manaus; além de (iii) rejeitar a possibilidade da suspensão do IPI, prevista no art. 29, da Lei nº 10.637/02, no caso dos adquirentes pessoas físicas. Quanto à rejeição da proposta de sobrestamento, decidiu a maioria manter a jurisprudência prevalecente na Turma, no sentido da ausência de previsão regimental ao sobrestamento, pelas razões de decidir consignadas no voto vencedor, da redatoria do Conselheiro Robson José Bayerl, no Acórdão nº 3401003.627, 25/04/2017, a qual passo a transcrever e adoto como razões do presente voto: "Nada obstante as bem lançadas razões do eminente Cons. Relator, peço vênia para dele divergir quanto à proposta de sobrestamento deste processo administrativo, a fim de se aguardar a publicação da decisão exarada no RE nº 574.706RG, que fixou a tese consoante a qual o ICMS não compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins. Nesse passo, a remissão ao RE nº 566.622/RS, como paradigma da providência indicada, a meu sentir, não serve ao caso dos autos, haja vista que naquela situação, como destacado pelo próprio Relator, houve ordem expressa do Min. Marco Aurélio, a pedido de parte interessada, para que o presidente do CARF suspendesse o curso de todos os processos administrativos que versassem sobre a matéria discutida no recurso extraordinário, o que inocorre em relação ao RE 574.706RG, não podendo serlhe estendido os efeitos daquele por analogia. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 679 34 Respeitante às disposições do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015, arts. 927 e 928), não é demais lembrar que sua admissão no processo contencioso administrativo se faz de maneira subsidiária, acaso inexistente norma que regule a questão processual. No caso vertente, a possibilidade de sobrestamento dos processos administrativos, ante o reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, encontrava expressa previsão no art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, incluído pela Portaria MF nº 586/2010, verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” (destacado) Aludida previsão de sobrestamento, no entanto, foi posteriormente revogada pela Portaria MF 545, de 18/11/2013: “Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.” Com o advento da Portaria MF nº 343/2015, que veiculou o novo regimento interno do sodalício, não foi reproduzido o instituto, o que demonstra a opção por não acolher, nesse ponto, as determinações do Código de Processo Civil, de modo que a sua reimplantação significaria, por via oblíqua, repristinálo na contramão das disposições e alterações regimentais havidas ao longo do tempo. A ausência de referência ao sobrestamento, uma vez reconhecida a repercussão geral do tema, não denota omissão regimental, como pode parecer, mas intenção deliberada de não adotar a providência em sede administrativa, o que implica no necessário julgamento do processo no estado em que se encontra, à luz da legislação e jurisprudência vinculante vigentes nessa ocasião. Oportuno destacar que a observância obrigatória das decisões prolatadas pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ex vi do art. 62 do Fl. 679DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 680 35 RICARF/15, somente é exigível após o respectivo trânsito em julgado, consoante inteligência do art. 1.040, caput, do CPC (Lei nº 13.105/15) e art. 28 da Lei nº 9.868/99, o que não ocorre com o RE 574.706RG, cuja decisão plenária sequer foi publicada e ainda sujeita a recursos. Com essas considerações, voto por não acolher o sobrestamento proposto." Quanto ao não reconhecimento dos créditos decorrentes de aquisições da Zona Franca de Manaus ZFM, também prevalece na Turma o entendimento no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas (nãotributado, alíquota zero e isento) dão direito ao crédito do imposto, sendo que, especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da ZFM, o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a Repercussão Geral, mas está a controvérsia pendente de julgamento conclusivo, consignadas no voto condutor, da relatoria do Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, no Acórdão nº 3401002.997, 08/12/2015, razões convergentes com a jurisprudência dominante, no âmbito do CARF, sobre a matéria, inclusive, com decisões recentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, por meio dos Acórdão nº 9303 003.808, de 26/04/2016; e Acórdão nº 9303004.205, de 09/08/20016. Portanto, da jurisprudência supracitada, inferese que o STF havia firmado entendimento pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484), mas ele foi posteriormente alterado pela Suprema Corte que decidiu que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682) e em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da ZFM, o STF reconheceu a Repercussão Geral (Tema 322; RE 592.891) mas está a controvérsia pendente de julgamento conclusivo. Desta forma, até que haja a decisão definitiva do STF acerca desta questão específica no RE 592.891/SP, a este colegiado incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendo, em regra, inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito ficto ou presumido de IPI depende de autorização de lei específica, a teor do que dispõe o § 6º, do art. 150, da CF/88, o que não acontece no caso dos produtos adquiridos da ZFM, uma vez que não satisfizeram as condições estabelecidas no art. 95, inc. III, c/c art. 237, do RIPI/2010, não sendo permitido aos Conselheiros, no âmbito dos julgamentos no CARF, afastar a aplicação de norma válida, em face de alegações de inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula CARF nº 2). Diante do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário, nesse ponto. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 11065.721536/201519 Acórdão n.º 3401003.885 S3C4T1 Fl. 681 36 Quanto à rejeição da possibilidade da suspensão do IPI, prevista no art. 29, da Lei nº 10.637/02, no caso dos adquirentes pessoas físicas, a interpretação da Turma foi literal: Lei nº 10.637/2002 Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (...) § 7º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. Aplicando à espécie o art. 29, da Lei nº 10.637/2002, entendeu a maioria divergente, por um lado, ainda que a legislação exija, apenas, destino à "estabelecimento", não cogitando a exigência de que o estabelecimento de destino fosse industrial, como pretende a acusação fiscal; por outro lado, a legislação, expressamente, referese à "estabelecimento", não prevendo destino às pessoas físicas, como pretende a defesa, interpretação ratificada pelo seu § 7º, ao referirse: "as empresas adquirentes", revelando a norma desonerativa previsões de pessoas jurídicas como origem e destino das saídas com suspensão do IPI. Pelas breves razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nesse particular Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado. Fl. 681DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.720340/2011-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 15/01/2010, 08/02/2010
MODALIDADES DE IMPORTAÇÃO. CONCEITO LEGAL. DIVERGÊNCIA ENTRE OPERAÇÃO DECLARADA E PRATICADA. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO.
Na importação direta, o importador é o próprio adquirente dos bens importados, realizando a importação com recursos próprios e por seu próprio risco. Na importação por conta e ordem de terceiros, o importador presta apenas serviços (de logística, aduaneiros, cotação de preços, intermediação) para o adquirente, que é a pessoa de onde provém os recursos para a realização da importação. Na importação para a revenda a encomendante predeterminado, o importador estabelece uma relação de comissão com adquirente, disciplinada pelo artigo 696 e seguintes do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), pela qual o importador é comissário e o adquirente é o comitente, entrando o importador na operação de importação com recursos próprios e se comprometendo a revender os bens importados ao adquirente.
Existe um conceito legal para cada modalidade de importação, o que resulta em considerar a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro como uma importação por conta e ordem deste, nos termos do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, e a manter a caracterização de uma importação para a revenda a encomendante predeterminado, na hipótese de haver participação do encomendante predeterminado nas operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior, por força do artigo 11, parágrafo 3º, da Lei nº 11.281/2006.
Na hipótese de divergência entre a operação de importação declarada e a operação de importação efetivamente realizada, havendo ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, configura-se o dano ao erário, punido com pena de perdimento das mercadorias, penalidade convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. (artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76).
INFRAÇÃO DE OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. ARTIGO 23 DO DECRETO LEI Nº 1455/76. CARACTERIZAÇÃO.
O tipo infracional previsto no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76 não é a mera ocultação do sujeito passivo nas operações de comércio exterior, mas a ocultação realizada "mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros", de modo que, para a caracterização da infração, deve ser identificado o dolo e a infração deve ser grave em substância e não uma infração meramente formal.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA.
A interposição fraudulenta pode ser presumida, na hipótese de não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a realização da importação, ou comprovada, na existência de um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com o intuito de interpor determinada pessoa entre o real adquirente e as autoridades fiscais, para que a primeira permaneça oculta aos olhos da fiscalização.
INFRAÇÃO DE OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. ARTIGO 23, INCISO V, DO DECRETO LEI Nº 1455/76. DEMONSTRAÇÃO. PROVA.
Na hipótese de "interposição fraudulenta comprovada", o ônus probatório da ocorrência de "ocultação mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" é do Fisco, que deve levantar um conjunto de elementos de prova que demonstrem que as condutas imputadas aos intervenientes das operações de comércio exterior se enquadram no tipo infracional previsto no artigo 23, inciso V, do Decreto nº 1.455/1976.
Numero da decisão: 3401-003.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos voluntários apresentados, e não conhecer do recurso de ofício.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 15/01/2010, 08/02/2010 MODALIDADES DE IMPORTAÇÃO. CONCEITO LEGAL. DIVERGÊNCIA ENTRE OPERAÇÃO DECLARADA E PRATICADA. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. Na importação direta, o importador é o próprio adquirente dos bens importados, realizando a importação com recursos próprios e por seu próprio risco. Na importação por conta e ordem de terceiros, o importador presta apenas serviços (de logística, aduaneiros, cotação de preços, intermediação) para o adquirente, que é a pessoa de onde provém os recursos para a realização da importação. Na importação para a revenda a encomendante predeterminado, o importador estabelece uma relação de comissão com adquirente, disciplinada pelo artigo 696 e seguintes do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), pela qual o importador é comissário e o adquirente é o comitente, entrando o importador na operação de importação com recursos próprios e se comprometendo a revender os bens importados ao adquirente. Existe um conceito legal para cada modalidade de importação, o que resulta em considerar a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro como uma importação por conta e ordem deste, nos termos do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, e a manter a caracterização de uma importação para a revenda a encomendante predeterminado, na hipótese de haver participação do encomendante predeterminado nas operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior, por força do artigo 11, parágrafo 3º, da Lei nº 11.281/2006. Na hipótese de divergência entre a operação de importação declarada e a operação de importação efetivamente realizada, havendo ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, configura-se o dano ao erário, punido com pena de perdimento das mercadorias, penalidade convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. (artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76). INFRAÇÃO DE OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. ARTIGO 23 DO DECRETO LEI Nº 1455/76. CARACTERIZAÇÃO. O tipo infracional previsto no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76 não é a mera ocultação do sujeito passivo nas operações de comércio exterior, mas a ocultação realizada "mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros", de modo que, para a caracterização da infração, deve ser identificado o dolo e a infração deve ser grave em substância e não uma infração meramente formal. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. A interposição fraudulenta pode ser presumida, na hipótese de não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a realização da importação, ou comprovada, na existência de um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com o intuito de interpor determinada pessoa entre o real adquirente e as autoridades fiscais, para que a primeira permaneça oculta aos olhos da fiscalização. INFRAÇÃO DE OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. ARTIGO 23, INCISO V, DO DECRETO LEI Nº 1455/76. DEMONSTRAÇÃO. PROVA. Na hipótese de "interposição fraudulenta comprovada", o ônus probatório da ocorrência de "ocultação mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" é do Fisco, que deve levantar um conjunto de elementos de prova que demonstrem que as condutas imputadas aos intervenientes das operações de comércio exterior se enquadram no tipo infracional previsto no artigo 23, inciso V, do Decreto nº 1.455/1976.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12466.720340/2011-23
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5788519
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.986
nome_arquivo_s : Decisao_12466720340201123.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 12466720340201123_5788519.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos voluntários apresentados, e não conhecer do recurso de ofício. ROSALDO TREVISAN - Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6984949
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466695581696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2385; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 9.543 1 9.542 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.720340/201123 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.986 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria COMÉRCIO EXTERIOR OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO Recorrente TARGET TRADING S.A. E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 15/01/2010, 08/02/2010 MODALIDADES DE IMPORTAÇÃO. CONCEITO LEGAL. DIVERGÊNCIA ENTRE OPERAÇÃO DECLARADA E PRATICADA. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. Na importação direta, o importador é o próprio adquirente dos bens importados, realizando a importação com recursos próprios e por seu próprio risco. Na importação por conta e ordem de terceiros, o importador presta apenas serviços (de logística, aduaneiros, cotação de preços, intermediação) para o adquirente, que é a pessoa de onde provém os recursos para a realização da importação. Na importação para a revenda a encomendante predeterminado, o importador estabelece uma relação de comissão com adquirente, disciplinada pelo artigo 696 e seguintes do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), pela qual o importador é comissário e o adquirente é o comitente, entrando o importador na operação de importação com recursos próprios e se comprometendo a revender os bens importados ao adquirente. Existe um conceito legal para cada modalidade de importação, o que resulta em considerar a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro como uma importação por conta e ordem deste, nos termos do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, e a manter a caracterização de uma importação para a revenda a encomendante predeterminado, na hipótese de haver participação do encomendante predeterminado nas operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior, por força do artigo 11, parágrafo 3º, da Lei nº 11.281/2006. Na hipótese de divergência entre a operação de importação declarada e a operação de importação efetivamente realizada, havendo ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 03 40 /2 01 1- 23 Fl. 9543DF CARF MF 2 mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, configurase o dano ao erário, punido com pena de perdimento das mercadorias, penalidade convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. (artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76). INFRAÇÃO DE OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. ARTIGO 23 DO DECRETO LEI Nº 1455/76. CARACTERIZAÇÃO. O tipo infracional previsto no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76 não é a mera ocultação do sujeito passivo nas operações de comércio exterior, mas a ocultação realizada "mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros", de modo que, para a caracterização da infração, deve ser identificado o dolo e a infração deve ser grave em substância e não uma infração meramente formal. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. A interposição fraudulenta pode ser presumida, na hipótese de não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a realização da importação, ou comprovada, na existência de um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com o intuito de interpor determinada pessoa entre o real adquirente e as autoridades fiscais, para que a primeira permaneça oculta aos olhos da fiscalização. INFRAÇÃO DE OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. ARTIGO 23, INCISO V, DO DECRETO LEI Nº 1455/76. DEMONSTRAÇÃO. PROVA. Na hipótese de "interposição fraudulenta comprovada", o ônus probatório da ocorrência de "ocultação mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" é do Fisco, que deve levantar um conjunto de elementos de prova que demonstrem que as condutas imputadas aos intervenientes das operações de comércio exterior se enquadram no tipo infracional previsto no artigo 23, inciso V, do Decreto nº 1.455/1976. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos voluntários apresentados, e não conhecer do recurso de ofício. ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. Fl. 9544DF CARF MF Processo nº 12466.720340/201123 Acórdão n.º 3401003.986 S3C4T1 Fl. 9.544 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre da lavratura de Auto de Infração para lançamento, no valor de R$2.331.431,64, de "pena de perdimento da mercadoria, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida", com base no artigo 23, inciso V, parágrafo 3º, do Decreto nº 1.455/1976, e artigo 105, inciso VI, do Decreto nº 37/1966, por (i) ocultação dos verdadeiros encomendantes das mercadorias e (ii) uso de documento falso no despacho aduaneiro, em operações de importação, declaradas como realizadas na modalidade "importação por encomenda", tendo como importador a Target Trading S.A ("Target") e como encomendante a Neo Importação e Exportação e Distribuição Ltda. ("Neo"). Na "descrição dos fatos e enquadramento legal" que acompanha o Auto de Infração, a Fiscalização narra que instaurou procedimento em face da Neo e, analisando um conjunto de operações de importação registradas sob 23 (vinte e três) Declarações de Importação, no qual as operações de importação que deram origem ao presente lançamento se incluem, identificou infrações de interposição fraudulenta de terceiros mediante cessão de nome e uso de documento falso no despacho aduaneiro de importação, que ensejam a aplicação tanto da penalidade de pena de perdimento de mercadorias quanto da multa por cessão de nome. Dessa maneira, a Fiscalização informa que lavrou vários Autos de Infração, segregados de acordo com as infrações e os responsáveis solidários identificados, sendo que o Auto de Infração que deu origem ao presente processo é relativo às Declarações de Importação listadas na tabela abaixo, tem como sujeito passivo a Target, e aponta como responsáveis solidários a Neo, o Sr. Marcelo Gonçalves Araújo ("Sr. Marcelo Araújo") e a Tetraferro Ltda. ("Tetraferro"), indicando o Termo de Sujeição Passiva e a "descrição dos fatos e enquadramento legal" que acompanha o Auto de Infração como fundamento legal o artigo 124, do CTN, e o artigo 95, inciso I e VI, do Decreto nº 37/1966. Número das Declarações de Importação Data de Registro 1000825576 15/01/2010 1002098477 08/02/2010 1002098493 08/02/2010 1002098507 08/02/2010 1002098531 08/02/2010 1002098558 08/02/2010 1002098574 08/02/2010 1002098582 08/02/2010 A conclusão a que a Fiscalização chegou é que "restou comprovado que a NEO figurou como encomendante nas Declarações de Importação investigadas, porém as Fl. 9545DF CARF MF 4 mercadorias eram predestinadas a outros interessados, os verdadeiros encomendantes das mercadorias, inclusive mediante contratos previamente firmados e prestação de garantias". Para tanto, a Fiscalização levantou os seguintes elementos: (i) capacidade econômica e financeira da Neo: no curso de despacho aduaneiro de determinadas Declarações de Importação, a Auditora Fiscal identificou que a encomendante Neo, apesar de ter sido habilitada na modalidade simplificada, que não exige verificação de capacidade econômica e financeira, já havia atuado como encomendante em importações no valor total de USD 14.000.000,00, no período de apenas 6 (seis) meses, o que motivou a instauração de procedimento especial de combate à interposição fraudulenta previsto na Instrução Normativa nº 228/2002; nesse procedimento, verificouse que o capital social original da Neo, de R$100.000,00, foi aumentado para R$5.858.044,00, mediante a integralização de um ativo de propriedade da sócia majoritária da sociedade, TIMELOG LOGISTICA S.A. ("TIMELOG"), representado pelo imóvel onde estão estabelecidas tanto a TIMELOG quanto a NEO, que são empresas do mesmo grupo econômico; porém, a Neo não teria conseguido demonstrar a efetiva transferência da propriedade do bem imóvel à sociedade, pelo registro do instrumento que lhe conferiu o domínio no competente cartório de registro de imóveis, conforme artigo 1.227, do Novo Código Civil; além disso, afirmou a Fiscalização que "há de se considerar ainda que tal aumento de capital social, além de não ter sido ainda comprovada a efetiva transferência, não aumentou a capacidade financeira da NEO, por tratarse de ativo imobilizado que encontra limitações em sua liquidez, alienação e dação em garantia"; a Fiscalização ainda teria constatado que não haveria registro na contabilidade da empresa de quaisquer empréstimos e financiamentos com os quais a Neo poderia dispor para realizar as operações de importação; nesse tópico, afirma a Fiscalização que "em termos de transferência de recursos financeiros dos sócios para a empresa, o valor corresponderia a R$ 105.450,88, que a NEO comprovou apenas após reintimação (...) Foram registradas, apenas de julho de 2009 até março de 2010 (8 meses), declarações de importações onde a NEO figurou como encomendante no total de R$ 31.653.286,95"; (ii) pedido de habilitação ordinária pela Neo, desistência e prestação de informações erradas: a Fiscalização expõe que a Neo protocolou em 28/01/2009 pedido de Habilitação Ordinária na Alfândega do Porto de Vitória, pelo processo administrativo nº 12466.000254/201010, instruindo tal pedido com o Anexo IB do ADE Coana Nº 3/2006, devidamente preenchido e assinado pelos representantes legais e pelo contador da empresa, e Balanço Patrimonial, que atestavam que o Patrimônio Líquido da sociedade era de R$12.201.650,36; no curso desse processo de habilitação, a Neo foi intimada a apresentar arquivos digitais da contabilidade, bem como outros documentos e atualizar seus dados cadastrais perante o CNPJ, pedindo dilação do prazo, que foi deferido, porém, apesar da dilação de prazo, não atendeu à intimação, nem prestou nem buscou informação em relação ao processo; independentemente do não atendimento à intimação, o pedido de habilitação foi indeferido, pois a Fiscalização, com base na escrituração contábil digital da empresa, verificou que o patrimônio líquido sociedade era, na realidade, de R$ 5.624.003,53; diante disso, concluiu a Fiscalização que "resta claramente evidenciada a prática da NEO de prestar para a Administração Aduaneira informações incorretas, visando ostentar uma capacidade econômica e financeira superior a real, esquivandose do adequado controle aduaneiro e dissimulando os indícios que seu real objetivo é atuar de forma irregular para terceiros interessados, ocultos nas operações"; (iii) incentivos fiscais estaduais: a Fiscalização expõe os benefícios fiscais previstos nas legislações dos Estados do Espírito Santo e Santa Catarina e afirma que "a TARGET tem seu custo incidente no desembaraço aduaneiro reduzido, sendo esse seu maior Fl. 9546DF CARF MF Processo nº 12466.720340/201123 Acórdão n.º 3401003.986 S3C4T1 Fl. 9.545 5 atrativo para empresas que desejam nacionalizar mercadorias, pois se beneficiam dessa redução de custos"; (iv) riscos e custos das operações: A Fiscalização conclui que "os custos referentes ao desembaraço aduaneiro e tributos sobre o comércio exterior teriam sido suportados pela TARGET, que apresentou documentação (...) referente ao crédito usualmente obtido perante instituições bancárias. Quanto à comercialização no mercado interno os riscos foram suportados pelos clientes da NEO, através de adiantamentos, fianças bancárias e notas promissórias, tudo no bojo de contratos firmados objetivando fornecimento contínuo de mercadorias de procedência estrangeira"; entende que há um vazio na posição que a Neo alega ocupar na cadeia comercial, de distribuidora, pois seria difícil de acreditar que os clientes da Neo, grandes distribuidores de aço no país, com grande capacidade econômica e que adquirem grandes quantidades diretamente das siderúrgicas, buscariam um "concorrente" de capacidade econômica inferior que nem a Neo, para comprar aço no mercado interno, entendendo que deveriam buscar a Target para promover a nacionalização do aço estrangeiro; a Fiscalização afirma que a Neo não possui quadro societário diferenciado e autonomia gerencial, mas os gestores de outras empresas do grupo detêm poderes de administração sobre ela, destacando a existência de um instrumento público de mandato concedendo poderes aos diretores da Target para administrar a Neo; pela análise dos contratos realizada pela Fiscalização, "a NEO praticamente não tinha responsabilidade quanto a prazo de entrega, situação totalmente incomum para uma venda no mercado interno, e que indica na verdade uma prestação de serviço, por parte do grupo da TARGET, para nacionalização de mercadorias onde as condições que determinam o prazo de entrega estão de fato sob controle do cliente final"; e (v) adiantamento de clientes da Neo: no curso do trabalho fiscal, a Neo apresentou um relatório detalhando o fluxo de caixa da empresa, elaborado por empresa de auditoria independente; esse trabalhou chegou a algumas conclusões, dentre elas, que "nas operações comerciais apresentadas no demonstrativo anexo, a Sociedade apresentou fluxo de caixa positivo em decorrência dos pagamentos efetuados aos fornecedores ocorrer posteriormente ao recebimento das vendas aos seus clientes"; a Fiscalização afirma que "a NEO recebeu enorme montante em adiantamentos de seus clientes" e apresenta tabela que mostra que a data de recebimento dos valores ocorria, em geral, meses antes, da data de emissão da primeira nota fiscal relativa ao recebimento; assim, a Fiscalização entende que a Neo teria sido constituída com desvio de finalidade, apontando que "a TARGET não pode receber adiantamentos de seus clientes, sob pena de configurar operação por conta e ordem, segundo a presunção legal do art. 27 da Lei 10.637/2002. Sendo assim, a NEO recebe os adiantamentos em seu lugar como garantia para as operações na modalidade por encomenda, porém é uma empresa do mesmo grupo, sem autonomia ou segregação de propósitos, portanto tratase de uma simulação para ocultar os verdadeiros encomendantes das mercadorias"; além disso, assevera que "não há razão para que ocorra pagamento (de sinal) por uma mercadoria que não é sua, que ainda não comprou e sequer foi emitida a nota fiscal, salvo se a operação se tratar de uma encomenda para entrega futura". No que se refere especificamente às declarações de importação deste processo, a Fiscalização ainda acrescenta os elementos a seguir, uns surgidos em determinada operação de importação, outros na totalidade delas, conforme item 7 da "descrição dos fatos e enquadramento legal" que acompanha o Auto de Infração. Fl. 9547DF CARF MF 6 (i) as mercadorias importadas foram BOBINAS DE AÇO LAMINADO A FRIO GALVANIZADA POR IMERSÃO A QUENTE, exportadas pela MAYOR STEEL SLL, da Espanha, não se identificando na DI o produtor/fabricante das mercadorias; BOBINAS DE AÇO LAMINADO A QUENTE, produzidas por SIDOR C.A, da Venezuela, e exportadas por STEELCOM S.A.M, de Mônaco; CHAPAS DE AÇO LAMINADAS A QUENTE, produzidas por NANJING IRON AND STEEL COMPANY LIMITED, da República Popular da China, e exportadas por CUMIC STEEL LIMITED, de Hong Kong; e CHAPAS DE AÇO EM BOBINA, REVESTIDAS COM ZINCO POR PROCESSO DE IMERSÃO A QUENTE, produzidas por YIEH PHUI (CHINA) – TECHNOMATERIAL CO. LTD., da República Popular da China, e exportadas por STEELCOM S.A.M, de Mônaco; (ii) "havia pedidos anteriores às importações e a NEO exigiu fiança bancária no valor integral da operação, condições que caracterizam a contratação de uma importação por encomenda da TETRAFERRO"; (iii) "Havia contratos, pedidos e garantias anteriores às importações, que estipulavam condições que caracterizam a contratação de uma importação por encomenda da TETRAFERRO. Sendo assim, as operações foram simuladas, e a NEO foi interposta pessoa que ocultou o real encomendante predeterminado nas importações". Após a ciência do lançamento, tanto o sujeito passivo como responsáveis solidários apresentaram Impugnações, julgadas pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, Ceará ("DRJ"), na sessão de julgamento do dia 16/04/2014, em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2010, 08/02/2010 AUSÊNCIA DE MPF. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA A competência para o lançamento tributário, que detém o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, tem origem na lei. O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele instaurado e possibilitarlhe confirmar a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta. PRINCÍPIO DA LIVRE INICIATIVA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. As empresas são livres para criarem e se organizarem da forma que melhor lhes convier. Por sua vez, a administração pública e seus agentes estão obrigados a agirem nos estritos limites do que dispõe a Lei. Não pode a fiscalização desconsiderar as próprias evidências coletadas no procedimento fiscal e deixar de aplicar a penalidade quando há dispositivos legais que lhe dêem suporte, independente da forma como se organizam as empresas. PROVAS INDICIÁRIAS. CONJUNTO DE ELEMENTOS/INDÍCIOS. OCORRÊNCIA. Fl. 9548DF CARF MF Processo nº 12466.720340/201123 Acórdão n.º 3401003.986 S3C4T1 Fl. 9.546 7 A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/01/2010, 08/02/2010 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. A não comprovação da origem, transferência e disponibilidade de recursos para arcar com os compromissos resultantes das operações de comércio exterior em uma importação formalmente declarada como para revenda a encomendante predeterminado caracteriza a interposição fraudulenta e resulta na infração de dano ao erário prevista no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/01/2010, 08/02/2010 SOLIDARIEDADE PASSIVA. INFRAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE VINCULAÇÃO COM A INFRAÇÃO. Para caracterizar a responsabilidade tributária nos termos do art. 95 do Decretolei 37/66 é necessário comprovar a vinculação entre o apontado como responsável tributário e a infração ocorrida". A decisão recorrida exonerou o Sr. Marcelo Araújo da responsabilidade solidária a ele atribuída, considerando improcedentes as demais impugnações, para manter o crédito tributário exigido. Considerando o valor da multa exonerada, de R$ 2.331.431,64, o disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, no artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, vigente à época da decisão, seria o caso de interposição de recurso de ofício mediante declaração da própria decisão, conforme artigo 34, parágrafo 1º, do Decreto nº 70.235/1972, o que não ocorreu. De qualquer maneira, com fundamento no artigo 34, parágrafo 2º, do Decreto nº 70.235/1972, que prevê a possibilidade de a autoridade julgadora cumprir essa formalidade, caso percebido que o recurso deixou de ser interposto quando deveria sêlo, mesmo ausente a declaração da decisão recorrida, o recurso de ofício será considerado como devidamente interposto, para fins de revisão da sujeição passiva do Sr. Marcelo Araújo, adiantandose, neste relatório, que o valor exonerado está abaixo do atualmente previsto pela Portaria MF nº 63/2017, motivo pelo qual se aplicará a Súmula CARF nº 1031, para o não conhecimento do Recurso de Ofício. 1 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 9549DF CARF MF 8 Dessa decisão, a Target foi cientificada no dia 06/06/2014, conforme documento de fls. 8992 e apresentou tempestivo Recurso Voluntário no dia 03/07/2014, conforme documento de fls. 9017, pelo qual pede o cancelamento do Auto de Infração, pelos seguintes motivos: (i) a Neo não é uma empresa de fachada e possui capacidade econômica para atuar como encomendante das mercadorias importadas; (ii) "o Fisco conhecia as referidas operações quando respondeu à consulta formulada pela Neo acerca da forma como ela iria atuar nessas operações de importação por encomenda e não se opôs a elas"; (iii) não houve repasse de benefícios fiscais de ICMS da Target à Neo nem da Neo a seus clientes; (iv) o Fisco aplicou de maneira equivocada as cláusulas dos contratos celebrados entre Target e Neo e Neo e seus clientes; (v) não cabe ao Fisco interferir na liberdade de exercício da atividade econômica da Neo, pois haveria violação ao princípio da livre iniciativa; (vi) não houve simulação ou fraude; (vii) o fundamento adotado pelo acórdão recorrido implicaria alteração do critério jurídico, vedado pelo artigo 146, do CTN; e (viii) não seria aplicável a pena de perdimento, por não ter ocorrido interposição fraudulenta e porque o falso ideológico, segundo a Target, a acusação fiscal, não resultar em tal penalidade. Já a Neo foi cientificada no dia 07/07/2014, conforme documento de fls. 8998, e apresentou tempestivo Recurso Voluntário no dia 21/07/2014, conforme documento de fls. 9403, no qual requer o cancelamento do lançamento, com base nos mesmos motivos defendidos pela Target mais a alegação de que não seria admissível a cumulação da multa de conversão da pena de perdimento com a multa por cessão de nome em relação a ela, por já estar respondendo por essa última penalidade em outro processo. Por sua vez, a Tetraferro foi cientificada no dia 06/06/2014, conforme documento de fls. 8994, e apresentou tempestivo Recurso Voluntário no dia 07/07/2014, conforme documento de fls. 9110, na qual pede que seja excluída do pólo passivo da autuação, cancelandose o Termo de Sujeição Passiva Solidária, pelos seguintes motivos: (i) não estaria caracterizada a hipótese de responsabilização prevista no artigo 124, inciso I, do CTN; (ii) o lançamento serio nulo, pois a Tetraferro jamais foi chamada à fase anterior à lavratura do Auto de Infração, embora nele envolvida à exaustão conforme Termo de Verificação Fiscal; e (iii) defende que comprou mercadoria no mercado nacional, importada por uma trading, encomendada por uma empresa em situação regular perante a Receita Federal e que realizou o pagamento apenas após ter recebido os produtos adquiridos. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e distribuídos à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Recurso de Ofício Como adiantado no Relatório, haveria de constar na decisão recorrida declaração de interposição de Recurso de Ofício, tendo em vista a exoneração do Sr. Marcelo Araújo da responsabilidade solidária a ele atribuída, no valor de R$ 2.331.431,64, tendo em vista o disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, e no artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, vigente à época da decisão. Fl. 9550DF CARF MF Processo nº 12466.720340/201123 Acórdão n.º 3401003.986 S3C4T1 Fl. 9.547 9 De qualquer maneira, com fundamento no artigo 34, parágrafo 2º, do Decreto nº 70.235/1972, que prevê a possibilidade de a autoridade julgadora cumprir essa formalidade, caso percebido que o recurso deixou de ser interposto quando deveria sêlo, mesmo ausente a declaração da decisão recorrida, o recurso de ofício será considerado como devidamente interposto, para fins de revisão da sujeição passiva do Sr. Marcelo Araújo. Todavia, como o valor exonerado está abaixo do atualmente previsto pela Portaria MF nº 63/2007, considerando o entendimento firmado pela Súmula CARF nº 103, pela qual "para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância", deixo de conhecer o Recurso de Ofício. Recursos Voluntários Interposição Fraudulenta de Terceiros Os Recursos Voluntários interpostos são tempestivos e preenchem os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. A questão que é colocada ao Colegiado diz respeito à aplicação de multa por conversão da pena de perdimento, sob a acusação de que as intervenientes em operações de importação praticaram infração aduaneira que é considerada dano ao Erário, com fundamento legal no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76, in verbis: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...) “§ 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972”. (grifos nossos) A partir da leitura desses dispositivos, percebese que a infração de dano ao erário decorrente da prática de ocultação do sujeito passivo ou real adquirente pode ser aferida de duas maneiras, de forma presumida ou comprovada. Na hipótese de nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a realização da importação, presumese que tenha havido uma interposição fraudulenta de terceiros, pois, a ausência de recursos por parte do importador para Fl. 9551DF CARF MF 10 a realização da operação é um elemento eleito pela Lei como suficiente para considerar que os recursos utilizados tiveram origem em terceiro, que não apareceu perante os controles aduaneiros, a caracterizar a interposição ilegal. Não sendo esse o caso, poderão as autoridades aduaneiras, com base em outros elementos, formar um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com o intuito de interpor determinada pessoa entre o real adquirente e as autoridades fiscais, para que a primeira permaneça oculta aos olhos da fiscalização. Nesse ponto, importante observar que o tipo infracional não é a mera ocultação do sujeito passivo nas operações de comércio exterior, mas a ocultação realizada "mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros". Dessa maneira, para que reste caracterizada a interposição fraudulenta ensejadora da pena de perdimento ou de sua multa substitutiva, é essencial que esteja presente na operação de comércio exterior os elementos de fraude ou simulação. Em decorrência, também é essencial que seja fixada a compreensão a ser dada a tais conceitos, antes de se avançar na análise da matéria. Para contextualizar, é de se observar que, na legislação tributária, há referência ao termo "dolo, fraude ou simulação" em diversos dispositivos (como, por exemplo, artigo 149, inciso VII, artigo 150, parágrafo 4º, artigo 154, parágrafo único, artigo 180, inciso I, artigo 208, caput, todos do CTN). Quanto ao "dolo", é enumerado pelo Código Civil, em conjunto com o erro ou ignorância, coação, estado de perigo, lesão e fraude contra credores, como um dos defeitos do negócio jurídico, vícios que geram a anulabilidade do negócio jurídico, nos termos do artigo 171, inciso II, do Código Civil. Já o Código Penal, em seu artigo 18, define o crime doloso, como aquele praticado "quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo". Na doutrina de Maria Rita Ferragut, "conceituase por dolo a vontade consciente de praticar uma conduta típica, ou seja, de realizar os elementos constantes do tipo legal. É a prática de ilícito por agente que possuía o animus de realizálo, não obstante soubesse que o ordenamento jurídico rechaçava tal comportamento. Diferenciase da culpa em função da previsibilidade do resultado"2. Por sua vez, a "fraude" possui definição específica no artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, in verbis: "Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento"(grifos nossos). Contudo, por se tratar a ocultação prevista no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76 de uma infração de natureza aduaneira e não tributária, o Conselheiro Rosaldo Trevisan afirma: "(...) na interposição fraudulenta a “fraude” não se confunde, necessariamente, com aquela definida na legislação tributária (artigo 72 da Lei no 4.502/1964), embora seja freqüente que a interposição tenha também impactos tributários. A interposição fraudulenta trata da fraude como gênero (como qualquer norma infracional não tributária), e não somente da fraude definida na legislação tributária – espécie, e pode ser caracterizada por fraude ou também por simulação (instituto sequer definido especificamente na Lei nº 4.502/1964)". (Acórdão nº 3401003.892, de 26/07/2017) Por outro lado, há aqueles que defendem a aplicabilidade do conceito previsto no artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, tendo em vista que inclui também ação ou omissão 2 "Responsabilidade tributária e o Código Civil de 2002". Editora Noeses. São Paulo. 2005. p. 108109. Fl. 9552DF CARF MF Processo nº 12466.720340/201123 Acórdão n.º 3401003.986 S3C4T1 Fl. 9.548 11 tendente a modificar as características essenciais da obrigação tributária, no caso, o aspecto pessoal referente ao sujeito passivo das obrigações relativas à operação de comércio exterior. Nesse sentido, transcrevo trecho de sentença proferida pela Juíza Federal Vera Lúcia Feil Ponciano, citada e mantida no julgamento da Apelação Cível nº 5036257 19.2012.4.04.7000/PR3: "Verificase que a caracterização de tais condutas, desde que praticadas mediante fraude ou simulação, como hipótese de aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada, decorre de disposição legal. Assim, a conduta reprimida, por meio da drástica pena de perdimento, é a fraude, o artifício malicioso para a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, 'inclusive a interposição fraudulenta de terceiros'. Evidente que a infração deve ser grave em sua substância, e não sob o aspecto meramente formal.(...) A ação ou omissão na ocultação do sujeito passivo atinge, excluindo ou modificando, a obrigação tributária em uma dos aspectos essenciais da hipótese de incidência, qual seja, o aspecto pessoal. Ocorre, nessa situação, simulação tributária por transferência subjetiva, afetandose o critério pessoal da regra matriz de incidência, que permite identificar o sujeito passivo"(grifos nossos). Por último, a simulação é prevista no Código Civil (Lei nº 10.406/2002) como causa de invalidade do negócio jurídico, elencando o artigo 167, parágrafo 1º, as hipóteses em que se verifica. A maior parte da doutrina define a simulação como a divergência entre a vontade real das partes envolvidas e a vontade declarada. Conforme afirmado por Alberto Xavier4: “Tratase de um caso de divergência entre a vontade e a declaração, procedente do acordo entre o declarante e declaratário e determinada pelo intuito de enganar terceiros. Os seus elementos essenciais são pois: (i) a intencionalidade da divergência entre a vontade e a declaração (ii) o acordo simulatório (pactum simulationis) (iii) o intuito de enganar terceiros.” Diante de tais conceitos, quando o artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76 traz a infração de dano ao erário, resultante de ocultação do sujeito passivo em operação de comércio exterior, exigindo que seja aquela realizada "mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros", podese afirmar que um primeiro elemento a ser identificado é o dolo, pois sem ele, não haveria fraude ação ou omissão dolosa nem simulação que tem entre os seus elementos essenciais o intuito de enganar a Fazenda Pública. Logo, para a caracterização da infração, deve se verificar a vontade, o animus, dos agentes em enganar a Fazenda Pública e ocultar o sujeito passivo mesmo sabendo que tal conduta é contrária a Lei, com o objetivo de conseguir uma vantagem indevida em detrimento do controle aduaneiro. Além disso, essa infração deve ser uma infração grave em substância e não uma infração meramente formal. Ao analisar todo o histórico da legislação que trata dessa infração, o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, no Acórdão nº 3401003.253, de 27/09/2016, expôs seu entendimento no sentido de que as normas que tratam dessa infração "se alinham a uma busca de combater a lavagem de dinheiro, através do combate à fraude e à simulação. A Aduana, antes desse período, já tinha, na sua missão institucional mundial, o combate à prática desleal e à fraude, mas houve um substancial impulso nesses últimos anos". E continua, "desse conjunto de iniciativas, no âmbito do comércio exterior, resultaram a 3 Relatora: Maria de Fátima Freitas Labarrère; 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Data: 03/08/2016 4 Direito Tributário e Empresarial: pareceres. Rio de Janeiro. Forense. 1982. p. 25. Fl. 9553DF CARF MF 12 valorização do controle aduaneiro em geral e, especificamente, a eleição do conhecimento da origem, disponibilidade e destinação dos recursos usados nas importações e exportações como elemento tático de investigação". (grifos nossos) Assim, a partir dessa perspectiva na interpretação e aplicação das normas que tratam da infração de interposição fraudulenta, o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira observou que: "Não constitui elemento essencial do tipo a ocultação do real interessado na operação. A ocultação deve ter sido perpetrada mediante fraude ou simulação, ou interposição fraudulenta. Não constitui elemento essencial do tipo a falta de informação do real interessado na operação nas declarações prestadas à autoridade aduaneira. É necessário que essa falta de informação se caracterize como falsa declaração, no propósito de ocultar, usando de fraude ou simulação. A Lei criou as figuras da 'importação por conta e ordem' e da 'importação por encomenda', o que concorre para balancear as necessidades dos atores na operações de importação com as do controle aduaneiro. Essas figuras receberam normas que as disciplinam. A observação dessas normas pelos importadores atende o controle aduaneiro. Mas a desobediência dessas normas não constitui elemento essencial do tipo, embora o descumprimento das normas seja característica da infração". (grifos nossos) Logo, em linha com o acima exposto, não compartilho do entendimento daqueles que defendem que a mera falta de informação dos reais adquirentes nos documentos prestados às autoridades aduaneiras seria, por si só, a própria simulação ou a fraude, em prejuízo ao controle aduaneiro, a caracterizar a infração. Em tais casos, não basta à Fiscalização apenas afirmar que a simulação é a indicação errada do sujeito passivo nos documentos de controle aduaneiro, devendo levantar um conjunto de elementos que façam prova do dolo dos agentes envolvidos e do intuito de enganar a Fazenda Pública, para obtenção de uma vantagem e imposição de um prejuízo ao controle aduaneiro. Por oportuno, pelo afastamento da aplicação da pena de perdimento em razão de aspectos formais, destaco manifestação do Desembargador Antônio Albino Ramos de Oliveira, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: "O que se reprime, através da drástica pena de perdimento, é a fraude, o artifício malicioso para a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, "inclusive a interposição fraudulenta de terceiros". Evidente que a infração deve ser grave em sua substância, e não sob o aspecto meramente formal. No caso concreto, porém, a despeito do esforço desenvolvido pela autoridade autuante, não vejo no procedimento da agravante qualquer objetivo fraudulento ou malicioso. Não atino onde esteja o dano ao erário, a justificar o confisco do equipamento importado"5. Modalidades de Importação Antes de passar ao exame do caso concreto, impende ainda tecer algumas observações sobre as modalidades de importação, pois, a depender das características da operação declarada e da operação efetivamente ocorrida, em conjunto com os requisitos já expostos, poderá ficar configurado o dano ao erário, sujeitando os infratores às penalidades daí decorrentes. 5 Agravo de Instrumento nº 2005.04.01.0462051 / 046205157.2005.4.04.0000; publicado em 11/01/2006. Fl. 9554DF CARF MF Processo nº 12466.720340/201123 Acórdão n.º 3401003.986 S3C4T1 Fl. 9.549 13 A legislação aduaneira prevê três modalidades de importação: (i) na importação direta, o importador é o próprio adquirente dos bens importados, realizando a importação com recursos próprios e por seu próprio risco; (ii) na importação por conta e ordem de terceiros, o importador presta apenas serviços (de logística, aduaneiros, cotação de preços, intermediação) para o adquirente, que é a pessoa de onde provém os recursos para a realização da importação; e (iii) na importação para revenda a encomendante predeterminado ("importação por encomenda"), o importador estabelece uma relação de comissão com adquirente, disciplinada pelo artigo 696 e seguintes do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), pela qual o importador é comissário e o adquirente é o comitente, entrando o importador na operação de importação com recursos próprios e se comprometendo a revender os bens importados ao adquirente6. Essas características de cada modalidade são obtidas a partir dos preceitos legais sobre a matéria. Logo, o que há é um conceito legal para cada modalidade de importação. Além disso, devese ressaltar que as leis que tratam da "importação por conta e ordem" e da "importação para revenda a encomendante predeterminado" outorgaram à Receita Federal a competência para estabelecer os requisitos e condições para a qualificação de determinada operação em uma dessas modalidades, para fins de reconhecimento do tratamento tributário próprio a tais operações, além de definição de atribuição de responsabilidade tributária. É ler os artigos abaixo: Medida Provisória nº 2.15835/2001: "Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora ou exportadora por conta e ordem de terceiro; e (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 2014)" (grifos nossos) ***** Lei nº 11.281/2006: “Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo"; (grifos nossos) Nesse contexto, com relação à modalidade de importação por conta e ordem, destaquese o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, que prevê que "a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste" e a 6 Acórdão nº 3401003.174, de 17/05/2016. Fl. 9555DF CARF MF 14 Instrução Normativa nº 225/2002, que traz os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica em operações por conta e ordem de terceiros. Já no que diz respeito à "importação para revenda a encomendante predeterminado", merece destaque uma alteração legislativa ocorrida logo após a edição dos seus dispositivos de regência, trazida pelo artigo 18 da Lei nº 11.452/2007, que acrescentou o parágrafo 3º ao artigo 11 da Lei nº 11.281/2006, conforme abaixo: "Art. 18. O art. 11 da Lei no 11.281, de 20 de fevereiro de 2006, passa a vigorar acrescido do seguinte § 3º: “Art. 11. (...) § 3º Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior.” (NR) A respeito desse dispositivo, o Conselheiro Rosaldo Trevisan, em recente acórdão, afirmou: "O referido artigo 11 da Lei recebeu um § 3o, em 2007, acrescentado pela Lei no 11.452, de modo a “pacificar a interpretação dada pela administração tributária federal às operações de importação de que trata o art. 11” (conforme parecer do relator, Deputado Neucimar Fraga/PLES, na conversão da MP no 328/2006 na Lei no 11.452, disponível em (...): [segue transcrição do dispositivo] Por certo que tal dispositivo foi inserido pelo parlamentar capixaba em prol das empresas daquela região que atuam com os benefícios do FUNDAP, para aclarar que as importações por encomenda não se descaracterizam pelo simples fato de haver participação do encomendante nas operações comerciais, mitigando autuações frequentes da RFB, à época, com entendimento diverso. Assim, é irrelevante, por si, a ligação entre a exportadora e a encomendante, ou a participação desta ou daquela na fixação de preços. Aliás, o artigo 14 da Lei no 11.281/2011, em sua redação original, afirma que são aplicáveis ao importador e ao encomendante as regras sobre preços de transferência, já prevendo eventual vinculação entre partes, e que esta não descaracterizaria, por si, a modalidade de importação por encomenda". (Acórdão nº 3401003.908, de 27/07/2017) Dessa maneira, não se exige para a caracterização de uma "importação para revenda a encomendante predeterminado" que o importador seja o responsável exclusivo pelas tratativas e ajustes com o exportador e, de outro lado, a participação do encomendante predeterminado nas operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior não afasta a caracterização da operação nessa modalidade, o que, inclusive, acabou por rechaçar alguns conceitos de "importação para revenda a encomendante predeterminado" antes defendidos na doutrina e por parte dos operadores de direito. Com isso, como já afirmado, o conceito de "importação para revenda a encomendante predeterminado" deve ser buscado e é aquele definido pela Lei. Nesse sentido, uma vez que a Lei deixou claro o papel do importador por encomenda na operação de aquisição do produto do exterior e outorgou à Receita Federal a competência para estabelecer os requisitos e condições para a atuação da pessoa jurídica importadora nessa modalidade de importação, verificase que o que é importante para a Fl. 9556DF CARF MF Processo nº 12466.720340/201123 Acórdão n.º 3401003.986 S3C4T1 Fl. 9.550 15 qualificação nessa modalidade é que o importador utilize recursos próprios, pois, como determina a Instrução Normativa nº 634/2006: "Artigo 1º (...) Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente". Assim, na hipótese em que a importadora não utiliza recursos próprios, a operação passaria ser considerada como operação por conta e ordem de terceiros, por força do disposto no artigo 11, parágrafo 2º, da Lei nº 11.281/2006, in verbis: "Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. (...) § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001". Como se vê, apesar de existir um conjunto de elementos para se verificar a ocorrência de interposição fraudulenta, pela leitura da legislação que instituiu a infração e considerando o histórico na qual está inserida, de medidas que visam combater a lavagem de dinheiro, através do combate à fraude e à simulação, o ponto sensível e que merece atenção é a origem dos recursos aplicados nas operações de comércio exterior, o que, a meu ver, até conduz a uma preponderância desse elemento frente a outros, que se traduz em uma importante baliza para a qualificação de determinada operação em uma ou outra modalidade. Do exame do caso concreto Operação Declarada e Acusação Fiscal Nos lançamentos de multa por conversão da pena de perdimento que decorrem da imputação da prática de "interposição fraudulenta", é necessário que se tenha claro qual a operação declarada pelos partícipes da infração e a operação que as autoridades aduaneiras entendem ter efetivamente ocorrido. Isso porque, os elementos trazidos da Fiscalização para qualificar uma operação em uma modalidade diversa da que foi declarada às autoridades dependerá, por óbvio, do conhecimento de que modalidade diversa foi essa. Assim, determinados elementos que seriam importantes para demonstrar a ocorrência de uma ocultação mediante fraude ou simulação em uma operação entendida pela Fiscalização como uma operação por conta e ordem podem não ser importantes para demonstração da infração em uma operação entendida como uma operação de importação por encomenda. E o inverso também é verdadeiro. Para ilustrar, se a Fiscalização entende que determinada operação declarada como importação por conta própria por A seguida de uma revenda no mercado interno para B, na realidade, se tratava de uma operação por conta e ordem, poderá levantar provas que demonstrem que foi B e não A que participou dos entendimentos comerciais relativos à aquisição dos produtos no exterior. Agora, se a acusação é de que houve, na realidade, uma operação de importação por encomenda, essa mesma prova não tem qualquer pertinência, pois não desqualificaria a operação nessa modalidade, tendo em vista o disposto no parágrafo 3º do artigo 11 da Lei nº 11.281/2006. Esta, portanto, a importância de se conhecer exatamente a operação declarada e a operação entendida como ocorrida pela Fiscalização. Fl. 9557DF CARF MF 16 Nesse ponto, é certo que a Fiscalização, ao lavrar o Auto de Infração e o respectivo Relatório Fiscal, deve individualizar a conduta das partes envolvidas e apontar, de maneira clara, explícita/precisa e congruente a acusação que dá origem à cominação da penalidade (artigo 10, incisos II, III e IV, do Decreto nº 70.235/1972; artigo 50, parágrafo 1º, da Lei nº 9.784/1999). Quanto mais gravosa a penalidade imputada, mais cuidado deve ter a autoridade fiscaladuaneira ao apresentar as razões de fato e de direito que a fundamentam. Não podem ser admitidas acusações abertas, genéricas, sob pena de violação ao direito à ampla defesa e ao contraditório (artigo 5º, LV, da Carta da República), com as nulidades daí decorrentes (artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972), além disso, a acusação deve ser clara, explícita/precisa e congruente, para evidenciar o critério jurídico adotado pela autoridade no exercício do lançamento, que não poderá ser modificado ao longo do processo administrativo, como prevê o artigo 146, do CTN. Seguindo a autoridade lançadora tais requisitos legais, a lide estará delimitada, o que permitirá às partes o exercício de seu direito de defesa de forma adequada e aos julgadores a correta apreciação da controvérsia, com a aplicação da legislação ao caso concreto que lhes é submetido. No presente caso, de acordo com o que foi declarado nas informações prestadas às autoridades aduaneiras, e como defendem as Recorrentes ao longo do processo, as operações de importação teriam ocorrido na modalidade de "importação por encomenda", na qual a trading company Target teria atuado como importadora e a Neo como encomendante predeterminado e, em seguida, a Neo teria realizado outra revenda no mercado interno aos seus clientes. Assim, teriam ocorrido, na realidade, três operações distintas: (i) operação de importação entre Target e o exportador localizado no exterior; (ii) após a nacionalização das mercadorias, uma revenda no mercado interno entre Target ao encomendante predeterminado Neo; e (iii) por último, outra revenda no mercado interno entre a Neo e um dos seus clientes. Nesse caso, como visto acima, para a caracterização da operação na modalidade declarada, os recursos para a realização das operações de importação deveriam necessariamente ser da Target, sendo ela a responsável pelo risco da operação. Todavia, as autoridades lançadoras entendem que a operação declarada às autoridades aduaneiras não corresponde a que efetivamente ocorreu. Pela análise do Relatório Fiscal, percebese certa incongruência na exposição dos elementos que caracterizariam a infração aduaneira, que deixam até uma dúvida inicial para o caminho que irá seguir a acusação do lançamento, ora apontando para uma acusação de que, na realidade e em contrariedade ao que fora informado às autoridades fiscais, teria ocorrido uma importação por conta e ordem quando menciona, por exemplo, que Target e Neo seriam meras prestadoras de serviços de nacionalização , ora apontando para uma acusação de prática de importação por encomenda, em que o encomendante predeterminado não seria a Neo, como informado às autoridades aduaneiras, mas sim os clientes da Neo. De qualquer maneira, uma leitura mais acurada do Relatório permite que sejam afastadas eventuais dúvidas e que se conclua que a acusação fiscal é de que a operação praticada se deu na modalidade "importação por encomenda", mas tendo como encomendante os clientes da Neo. No Relatório Fiscal, há algumas referências no sentido de que o entendimento da Fiscalização é de que teria ocorrido, de fato, uma "importação por Fl. 9558DF CARF MF Processo nº 12466.720340/201123 Acórdão n.º 3401003.986 S3C4T1 Fl. 9.551 17 encomenda", como se verifica nos trechos a seguir, em que, inclusive, a Fiscalização reconhece que os recursos para pagamento das operações de importação, ou seja, o risco da operação de importação, era da Target, em linha com o que se espera de uma "importação por encomenda": "Na presente ação fiscal, como será demonstrado no decorrer deste relatório, restou comprovado que a NEO figurou como encomendante nas Declarações de Importação investigadas, porém as mercadorias eram predestinadas a outros interessados, os verdadeiros encomendantes das mercadorias, inclusive mediante contratos previamente firmados e prestação de garantias". (Item 2 do Relatório Fiscal) ***** "Os custos referentes ao desembaraço aduaneiro e tributos sobre o comércio exterior teriam sido suportados pela TARGET, que apresentou documentação (fls 2555 a 2598) referente ao crédito usualmente obtido perante instituições bancárias". (Item 6 do Relatório Fiscal) (grifos nossos) Essa conclusão ganha mais força pela afirmação da Fiscalização, no sentido de que os elementos por ela colhidos revelariam uma "prestação de serviços de desembaraço aduaneiro, nos moldes do que há alguns anos se consideraria uma importação por conta e ordem, e que só não é possível nos dias atuais por força da presunção legal do § 3º, Art. 11, da Lei nº 11.281/2006, incluído pela Lei nº 11.452/2007". Além disso, a corroborar nosso entendimento quanto ao conteúdo da acusação fiscal, cabe destacar a seguinte afirmação da Fiscalização, na qual deixa claro a operação efetivamente praticada, aos seus olhos, pelos Recorrentes, e o principal motivo para a prática de tal operação: "Diante do exposto, resta claro que, nas importações investigadas na presente ação fiscal, o Sr. Marcelo Araújo e os clientes da STEELCOM, estes últimos os verdadeiros encomendantes das mercadorias, valeramse da TARGET e da NEO para providenciar a nacionalização, portanto, não buscaram a TARGET/NEO para comprar no mercado interno, mas para promover importações por encomenda. Dessa forma puderam, mediante simulação, tirar proveito da redução de custos proporcionada por benefícios fiscais do ICMS". (Item 6 do Relatório Fiscal) (grifos nossos) Mas o que afasta de vez a trilha, por vezes, titubeante seguida pelo Relatório Fiscal é o enquadramento legal apresentado para dar fundamento à sujeição passiva, que é descrito nos itens 7 e 9 do Relatório Fiscal, e aponta os artigos 106 e 603 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), que tratam de responsabilidade solidária em relação a tributos e responsabilidade por infração, de forma expressa, para os casos de "importação por encomenda", com se verifica a seguir: "Art. 106. É responsável solidário: (...) IV o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (DecretoLei no 37, de 1966, art. 32, parágrafo único, alínea “d”, com a redação dada pela Lei no 11.281, de 2006, art. 12); (...) Art. 603. Respondem pela infração (DecretoLei no 37, de 1966, art. 95): Fl. 9559DF CARF MF 18 (...) VI conjunta ou isoladamente, o importador e o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (DecretoLei no 37, de 1966, art. 95, inciso VI, com a redação dada pela Lei no 11.281, de 2006, art. 12)". Com essas considerações, podese concluir que a acusação fiscal é de que as Recorrentes praticaram, na realidade, uma "importação por encomenda", que teve como encomendante predeterminado não a Neo, mas sim os seus clientes. Segundo a Fiscalização, haveria um vazio na posição ocupada pela Neo na cadeia comercial, a Neo não teria autonomia ou segregação de propósitos em relação a Target, portanto, tais empresas, do mesmo, grupo, agiriam em conjunto, sendo o papel efetivo da Neo apenas o de ceder o seu nome nos documentos de importação, para que aparecesse no lugar da reais encomendantes, a saber, as clientes da Neo. O objetivo principal apontado pela Fiscalização: a obtenção de benefícios fiscais de ICMS. Nesse contexto, seguindo a linha adotada pela Fiscalização, a relação comercial existente, de revenda de mercadorias no mercado interno, após a realização de importação por encomenda, não seria entre a Neo e seus clientes, mas sim uma relação direta entre os clientes da Neo e a Target, sendo necessário, portanto, o levantamento de provas nesse sentido. Análise dos elementos levantados pela Fiscalização Como relatado, a Fiscalização levantou os seguintes elementos para dar subsídio à acusação que consta no Auto de Infração para lançamento da multa por conversão da pena de perdimento: (i) capacidade econômica e financeira da Neo; (ii) pedido de habilitação ordinária pela Neo, desistência e prestação de informações erradas; (iii) incentivos fiscais estaduais; (iv) riscos e custos das operações; e (v) adiantamento de clientes da Neo. No cotejo entre os elementos levantados e a acusação realizada, de que teria ocorrido uma "importação por encomenda" em que o encomendante predeterminado eram os clientes da Neo e não a Neo, como informado às autoridades aduaneiras, existem elementos que, de plano, não se prestam a tal finalidade, enquanto que outros merecem maior exame, para que se verifique a demonstração ou não do enquadramento na infração descrita no lançamento. Quanto à tentativa da Neo de, possuindo uma habilitação simplificada para operações de comércio exterior, almejar uma habilitação ordinária, a Fiscalização expõe que a prestação de informações erradas seguida da desistência e do indeferimento do pedido evidenciaria “a prática da NEO de prestar para a Administração Aduaneira informações incorretas, visando ostentar uma capacidade econômica e financeira superior a real, esquivandose do adequado controle aduaneiro e dissimulando os indícios que seu real objetivo é atuar de forma irregular para terceiros interessados, ocultos nas operações". Contudo, a Neo não pode ser acusada de se esquivar do adequado controle aduaneiro, em razão de ter apresentado um pedido de habilitação em uma modalidade que permite a realização de operações de maior vulto no comércio exterior. A prestação de informações erradas e a desistência do pedido no curso do procedimento devem ter como efeito justamente o efeito que tiveram, qual seja, o indeferimento do pedido, não podendo a Fiscalização tentar atribuir um nexo de causalidade entre eventos nos quais tal nexo inexiste, pois da desistência de um pedido de habilitação ordinária não se chega à conclusão de que a Neo presta deliberadamente informações equivocadas em operações de importação por ela realizadas, para prejudicar o controle aduaneiro. Fl. 9560DF CARF MF Processo nº 12466.720340/201123 Acórdão n.º 3401003.986 S3C4T1 Fl. 9.552 19 De igual modo, não prospera o elemento levantado que diz respeito aos incentivos fiscais estaduais, que, inclusive, são apontados pela Fiscalização como o maior objetivo de toda a estrutura comercial performada pela Neo, Target e os clientes da Neo. Segundo a Fiscalização, em razão dos benefícios fiscais previstos nas legislações dos Estados do Espírito Santo e Santa Catarina, "a TARGET tem seu custo incidente no desembaraço aduaneiro reduzido, sendo esse seu maior atrativo para empresas que desejam nacionalizar mercadorias, pois se beneficiam dessa redução de custos". Esse elemento trazido pela Fiscalização faria todo o sentido se a acusação fosse de que os Recorrentes realizaram uma operação por conta e ordem de terceiros, tendo em vista a interpretação do artigo 155, parágrafo 2º, inciso IX, alínea “a”, da Carta da República, para fixação do sujeito ativo do ICMS incidente na operação de importação, no sentido de que: “O sujeito ativo da relação jurídicotributária do ICMS é o Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário jurídico da mercadoria (alínea "a" do inciso IX do § 2o do art. 155 da Carta de Outubro); pouco importando se o desembaraço aduaneiro ocorreu por meio de ente federativo diverso” 7. Isso porque, nos casos em que é declarada uma operação de importação por conta própria, realizada a partir de um Estado com benefício fiscal, mas, na realidade há uma operação de importação por conta e ordem, em favor de um real adquirente localizado em Estado sem benefício fiscal, a ocultação do real adquirente permite, de forma ilegal, a fixação do sujeito ativo e do sujeito passivo do ICMS no Estado que outorga benefícios de carga tributária de ICMS reduzida nas operações de importação. E esse benefício pode acabar sendo transferido para o real adquirente na operação subseqüente, de “venda no mercado interno”. Todavia, no presente caso, não se vislumbra essa vantagem, pois as diferenças entre a operação declarada ao Fisco e aquela que é exposta como efetivamente ocorrida na acusação fiscal não implicam qualquer modificação nem no sujeito passivo nem no sujeito ativo do ICMS. Percebam que na operação declarada, de importação sob encomenda, a Target é a importadora e a Neo a encomendante predeterminada, sendo devido, portanto, o ICMS, com os benefícios porventura aplicáveis, aos Estados em que localizados o estabelecimento importador da Target, Espírito Santo ou Santa Catarina. Já a operação apontada pela Fiscalização como ocorrida continua sendo uma importação sob encomenda, com a diferença apenas no encomendante predeterminado que, segundo a Fiscalização não seria a Neo, mas sim os clientes da Neo. Nesse cenário, não há qualquer modificação quanto aos sujeitos passivo e ativo do ICMS na operação de importação, que continuariam a ser a Target e os Estados do Espírito Santo e de Santa Catarina, respectivamente. Logo, é desprovida de qualquer fundamento a constatação de que o objetivo central da utilização da Neo como interposta pessoa teria como objetivo a busca por incentivos fiscais de ICMS. Essa constatação só se sustentaria, caso a acusação estivesse lastreada em provas de que a operação efetiva, realizada entre os atores da importação, fosse de importação por conta e ordem. Contudo, é a própria Fiscalização quem afirma que a operação efetivamente realizada foi de importação por encomenda e que a Target é quem arcou com os recursos para o pagamento das operações de importação, o que denotaria a sua conformidade com o que determina a Lei para a utilização dessa modalidade. 7 RE 299079, Relator(a): Min. CARLOS BRITTO, Primeira Turma, julgado em 30/06/2004. Fl. 9561DF CARF MF 20 Portanto, também esse elemento não condiz com a acusação desenvolvida no lançamento. Com relação à capacidade econômica e financeira da Neo, a Instrução Normativa SRF nº 634/2006 prevê em seu artigo 5º, parágrafo único, que: “Art. 5º O importador por encomenda e o encomendante ficarão sujeitos à exigência de garantia para autorização da entrega ou desembaraço aduaneiro de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou patrimônio líquido do importador ou do encomendante. Parágrafo único. Os intervenientes referidos no caput estarão sujeitos a procedimento especial de fiscalização, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002, diante de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira citada”. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF nº 228/2002 determina que, durante o procedimento de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar informações relativas (i) ao seu efetivo funcionamento e condição de real adquirente ou vendedor de mercadorias, e (ii) “a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações” (artigo 4º, incisos I e II, da IN SRF nº 228/2002). E, para efeitos de prova do item (ii), nos termos do artigo 6º da referida Instrução Normativa, podem ser apresentados registros e demonstrações contábeis, documentos referentes a integralização do capital social, transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço e financiamento de terceiros, dentre outros documentos que se prestem a comprovar a capacidade econômica e financeira. Nesse contexto, a Fiscalização entendeu que a Neo não disporia de capacidade para realizar as operações na condição de encomendante predeterminado, pois não haveria registro na contabilidade da empresa de quaisquer empréstimos e financiamentos e o capital social da empresa seria de valor reduzido, tendo em conta a constatação, pela Fiscalização, de que a integralização de capital por transferência de direitos sobre bem imóvel à titularidade da Neo não havia sido devidamente registrada no Registro de Imóveis competente. Contra essa acusação, as Recorrentes Neo e Target defendem que a capacidade econômica e financeira da Neo decorre de suas disponibilidades de caixa, que têm origem em fluxo de caixa positivo da Neo, em razão de sua estrutura comercial, pela qual a empresa paga seus fornecedores a prazo, em média 120 dias, e recebe de seus clientes à vista, acostando para fins de demonstração um laudo elaborado por auditoria independente, antes do encerramento da ação fiscal e, portanto, antes da lavratura do Auto de Infração. No Relatório Fiscal, a autoridade lançadora expõe as conclusões do laudo elaborado pela auditoria independente, que efetivamente em sua conclusão 5 atesta que “nas operações comerciais apresentadas no demonstrativo anexo, a Sociedade apresentou fluxo de caixa positivo em decorrência dos pagamentos efetuados aos fornecedores ocorrer posteriormente ao recebimento das vendas aos seus clientes”. Porém, a Fiscalização despreza a validade de tal laudo para comprovar o que se propõe, ao afirmar que “de início, já se pode concluir que tal relatório não é capaz de comprovar capacidade econômica e financeira, por não considerar as demais despesas e receitas, operacionais ou nãooperacionais”. (grifos nossos) Na realidade, o que prejudicaria a capacidade econômica e financeira da Neo seria a ausência de consideração de despesas, não de receitas, que só viriam a agregar tal capacidade. E, ao se levar em conta a estrutura da Neo, tal como informado em documentos apresentados à Receita, possuindo a Neo apenas 7 (sete) funcionários espalhados por pequenos Fl. 9562DF CARF MF Processo nº 12466.720340/201123 Acórdão n.º 3401003.986 S3C4T1 Fl. 9.553 21 escritórios em três cidades distintas, comparada com o volume de sua operação comercial, na casa dos milhões de reais, constatase que tais despesas operacionais e não operacionais não são, em tese, potenciais centros de drenagem de capacidade econômica e financeira da empresa. De qualquer modo, em se tratando de lançamento, caberia a Fiscalização, após o recebimento de relevante prova em contrário às suas conclusões, a partir dos registros e demonstrações contábeis da Neo, aprofundar a análise até então realizada para provar a ausência de capacidade, o que não feito, limitandose a Fiscalização a apontar o reduzido capital social e a ausência de empréstimos. O primeiro, como se sabe, é mera rubrica contábil, parada no tempo, que indica o montante de capital aportado pelos sócios ou acionistas na sociedade naquele momento específico, não servindo para demonstrar a capacidade econômica e financeira da sociedade ao longo do tempo, em razão da dinâmica de entradas e saídas de capital no desenvolvimento do objetivo social. Assim, uma sociedade com capital social baixo pode aplicálo em produto inovador, gerar receitas e possuir um caixa muitas vezes o valor de seu capital social, o que denotará uma alta capacidade econômica e financeira. Por outro lado, pode uma sociedade ter um capital de milhões de reais, subscrito ao longo de décadas, mas se encontrar em um setor no qual a concorrência é acirrada e auferir resultados negativos ao longo dos anos, culminado em um caixa sem qualquer liquidez e dívidas com terceiros altíssimas, o que denotará uma baixíssima capacidade econômica e financeira. No primeiro exemplo, há capital social baixo e alta capacidade econômica e financeira. No segundo, há capital social elevado e baixa capacidade econômica e financeira. Logo, a indicação, por si só, de capital social reduzido não conduz à conclusão pretendida pela Fiscalização. Já a indicação de que a Neo não possuiria empréstimos não é forte para justificar sua ausência de capacidade, pois tal capacidade pode ser evidenciada de outras formas que não só o capital de sócios e de terceiros, não tendo a Fiscalização aprofundado o exame desse ponto, mesmo após apresentação de laudo pela Neo, o que me permite concluir que não restou comprovada a alegada incapacidade econômica e financeira. Outro elemento que sustenta a tese acusatória é que haveria adiantamentos de recursos de clientes em favor da Neo, adiantamentos estes que correspondiam ao valor de sinal exigido pelo Neo, que variava entre 20% (vinte por cento) e 30% (trinta por cento), mas que sequer foram imputados em relação a todas as operações de importação, como as arroladas e discutidas nos processos administrativos nº 12466.720324/201131, 12466.720345/201156, 12466.720326/201120 e 12466.720340/201123. De acordo com a Fiscalização, "a TARGET não pode receber adiantamentos de seus clientes, sob pena de configurar operação por conta e ordem, segundo a presunção legal do art. 27 da Lei 10.637/2002. Sendo assim, a NEO recebe os adiantamentos em seu lugar como garantia para as operações na modalidade por encomenda, porém é uma empresa do mesmo grupo, sem autonomia ou segregação de propósitos, portanto tratase de uma simulação para ocultar os verdadeiros encomendantes das mercadorias"; além disso, assevera que "não há razão para que ocorra pagamento (de sinal) por uma mercadoria que não é sua, que ainda não comprou e sequer foi emitida a nota fiscal, salvo se a operação se tratar de uma encomenda para entrega futura". Como exposto acima, a origem dos recursos aplicados nas operações de comércio exterior é elemento importantíssimo a ser examinado para a verificação da modalidade efetivamente adotada pelos intervenientes das operações de comércio exterior e Fl. 9563DF CARF MF 22 para fins de enquadramento de determinada operação como uma interposição fraudulenta, considerando todo o histórico da legislação e o aperfeiçoamento do controle aduaneiro, com vistas ao combate à lavagem de dinheiro, fraude e simulação. Assim, o adiantamento de recursos para o importador na modalidade por conta própria ou por encomenda é elemento suficiente para descaracterizar a natureza dessas operações, com as conseqüências daí derivadas. Desse modo, o que se combate e deseja evitar é a transferência de recursos para o importador. No presente caso, o elemento consistente no adiantamento de recursos é apresentado sob um viés diferente, pois não se está diante de um adiantamento de recursos para o importador, a ser aplicado na operação de importação, mas sim de um adiantamento de recursos em uma operação interna, de revenda de mercadorias de um encomendante predeterminado ao seu cliente no país, o que, a priori, seria admitido, dentro de uma política comercial de exigência de sinal, com vistas a obter uma garantia, ainda que parcial, do pagamento do preço e a mitigar os riscos de inadimplência. Portanto, o adiantamento de recursos tem conotações diversas, se verificado em operações de importação ou no mercado interno. De qualquer maneira, nesse contexto, o adiantamento de recursos poderia ser alegado para, em conjunto com outros elementos, corroborar uma acusação de que a Neo, informada como encomendante predeterminado, não disporia de recursos próprios e estaria apenas se interpondo entre o importador por conta e ordem e o cliente no país, que, assim, deveria constar perante as autoridades aduaneiras como encomendante predeterminado. Porém, a Fiscalização utiliza esse elemento para dar mais uma justificativa para a acusação realizada: a Neo teria sido interposta entre a Target e os reais encomendantes predeterminados, que seriam os clientes da Neo, justamente para possibilitar um adiantamento de recursos para a operação de importação. Sem a interposição da Neo, essa operação seria qualificada como uma importação por conta e ordem. Daí a interposição da Neo entre a Target e os clientes da Neo. Contudo, esse raciocínio não se sustenta. Primeiro, porque essa afirmação deveria ser provada não apenas com a transferência de recursos entre os clientes da Neo para a Neo, mas também com a comprovação da segunda perna dessa operação, de uma suposta transferência de recursos da Neo para a Target, o que não ocorre na ação fiscal. Segundo, porque é contrária às próprias constatações da Fiscalização. Apesar da colocação de tal acusação, é a própria Fiscalização que dá subsídios para a sua contestação, ao defender no lançamento que a operação efetivamente ocorrida foi uma importação por encomenda tendo como encomendante predeterminado os clientes da Neo e não a acusação de que seria uma importação por conta e ordem , deixando claro, de forma expressa, que as despesas relativas às operações de importação foram arcadas pela Target, quando afirma: "Os custos referentes ao desembaraço aduaneiro e tributos sobre o comércio exterior teriam sido suportados pela TARGET, que apresentou documentação (fls 2555 a 2598) referente ao crédito usualmente obtido perante instituições bancárias". (Item 6 do Relatório Fiscal) (grifos nossos) A Fiscalização ainda apresenta um último elemento para qualificar os clientes da Neo como os reais encomendantes, no lugar da própria Neo, ao expor que os riscos e custos das operações seriam assumidos pelos clientes da Neo, havendo um vazio na posição que a Fl. 9564DF CARF MF Processo nº 12466.720340/201123 Acórdão n.º 3401003.986 S3C4T1 Fl. 9.554 23 Neo alega ocupar na cadeia comercial, de distribuidora, pois seria difícil de acreditar que os clientes da Neo, grandes distribuidores de aço no país, com grande capacidade econômica e que adquirem grandes quantidades diretamente das siderúrgicas, buscariam um "concorrente" de capacidade econômica inferior que nem a Neo, para comprar aço no mercado interno, entendendo que deveriam buscar a Target para promover a nacionalização do aço estrangeiro. Para tanto, narra o resultado de diligência no representante do exportador estrangeiro de aço, que atuava no país na função de intermediador de negócios (artigos 722 e seguintes do Código Civil) e celebrou contratos de corretagem nãoexclusiva para obtenção de clientes tanto para a Target quanto para a Neo. A conclusão a que chegou a Fiscalização é que “tentase fazer crer que nas operações com a NEO a comissão seria por uma mera venda, e não pela obtenção de um adquirente/encomendante”, a partir da constatação de que não faria sentido a empresa corretora “(1) atuar como corretora para a NEO na venda de aço anteriormente importado pela TARGET; (2) ter atuado nessas mesmas importações como representante STEELCOM; (3) atuar como representante STEELCOM também para os “clientes” da NEO”. Quanto a esse ponto, as Recorrentes defendem a segregação de atividades entre a Neo e a Target, expondo que a segunda é uma empresa sólida, fundada em 1997 e que conta com 57 funcionários, possuidora de clientes de grande porte dos mais variados segmentos da economia e que teria recolhido aos cofres públicos em torno de R$1.000.000.000,00 (um bilhão de reais) nos 10 anos anteriores à autuação, enquanto que a primeira foi constituída no ano de 2009, com o objetivo de captar uma oportunidade de mercado, para atuar como distribuidora de mercadorias no mercado interno, principalmente aço e seus produtos, em razão da diferença entre o preço praticado àquela época no mercado interno pelas siderúrgicas nacionais, muito mais elevado que o praticado e que podia ser obtido no mercado internacional. Além disso, as Recorrentes expõem que as operações foram realizadas com a prática de margem de lucro, compatíveis com as observadas em seu mercado de atuação. A meu ver, esse é principal ponto levantado pela Fiscalização para a fundamentar a acusação de que os clientes da Neo e não a Neo seriam os encomendantes predeterminados. Se o exportador já tinha seus contatos comerciais para a venda de aço no país, em princípio, parece ser mais vantajoso realizar esse fornecimento diretamente e não buscar um distribuidor para realizar a venda internacional e depois aproximar esse mesmo distribuidor de contatos comerciais compradores do aço. Nesse caso, realmente, o encomendante predeterminado seria o cliente da Neo, não sobrando lugar para a Neo na cadeia comercial. Por outro lado, é possível que os compradores de aço no país, acostumados a obter esse fornecimento ao longo de anos das principais siderúrgicas nacionais, por meio de operações de compra e venda no mercado interno, não desejassem se aventurar no terreno complexo e, para aqueles que não o conhecem, perigoso, das operações de comércio exterior, mesmo que pudessem obter preços mais vantajosos do insumo no mercado internacional. Assim, nenhum fornecimento se concretizaria e de nada adiantaria ter aço mais barato no mercado internacional e potenciais compradores desse produto, salvo se alguma empresa estivesse disposta a assumir o risco de comprar o insumo no mercado internacional e, com a mercadoria já nacionalizada, ofertar no mercado interno, em concorrência com os grandes Fl. 9565DF CARF MF 24 grupos siderúrgicos nacionais. Nesse caso, o papel de distribuidora da Neo faria sentido na cadeia comercial, não podendo ser considerada uma mera interposta. De qualquer modo, não há no lançamento qualquer informação a respeito das margens praticadas entre a Target e a Neo e entre a Neo e seus clientes, a fim de corroborar o efetivo papel da Neo, no contexto das operações realizadas. Em operações de interposição fraudulenta, normalmente, o que se encontra é a pessoa interposta como mera repassadora das mercadorias importadas ao real adquirente, sem apurar qualquer margem de lucro ou com margens de lucro baixíssimas. No presente caso, a Fiscalização não faz qualquer prova nesse sentido, existindo ainda laudo apresentado pelas Recorrentes, segundo o qual tais operações teriam se dado com margem de lucro condizente com o mercado de atuação. Em lançamentos para cominação de multa por conversão de pena de perdimento, em razão da prática de infração de interposição fraudulenta, o ônus da prova é do Fisco, que deve provar de maneira cabal as suas acusações. Nesse sentido, é o entendimento da Terceira Seção do CARF, conforme julgado a seguir transcrito: “Não pode o fisco, diante de casos que classifica como “interposição fraudulenta”, olvidarse de produzir elementos probatórios conclusivos. Devem os elementos de prova não somente insinuar que tenha havido nas operações um prévio acordo doloso, mas comprovar as condutas imputadas, o que não se vê no presente processo. (...) Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no §2º do art. 23 DecretoLei nº 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei”. (Acórdão nº 3403.002.842; Sessão do dia 25/03/2014; Relator: Rosaldo Trevisan) Além dessa deficiência probatória, ainda nesse tópico que trata da estrutura comercial em que inserida a Neo, importante destacar a informação trazida pelas Recorrentes e omitida do Relatório Fiscal, de que a Neo apresentou Consulta à Administração, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 740/2007, para obter o entendimento formal da Receita Federal sobre a legitimidade das operações que pretendia realizar, na qual a Neo expôs os motivos para sua constituição, a relação comercial entre ela e a Target, a sua posição na cadeia comercial, juntando, inclusive, modelos dos contratos entre a Neo e a Target e a entre a Neo e seus clientes. Todavia, essa consulta foi declarada ineficaz, sob o entendimento de que a Neo não teria apontada dúvida objetiva a respeito da legislação federal, tendo demonstrado perfeita compreensão da sistemática da importação por encomenda. Apesar de se reconhecer que a consulta declarada ineficaz não produz quaisquer efeitos vinculativos entre contribuinte e a Administração, a sua propositura indica o desejo da Neo de revelar e não esconder as operações que pretendia praticar, na busca de uma chancela da Administração Pública quanto à sua conformidade em relação à legislação vigente. Por todo o exposto, já caminhando para a conclusão, nesse quadro fático, considerando que o principal motivo apontado pela Fiscalização para a realização da alegada fraude não se mostrou procedente, por ser indiferente a influência de benefícios fiscais de ICMS na operação declarada e na operação entendida pela Fiscalização como realizada, e Fl. 9566DF CARF MF Processo nº 12466.720340/201123 Acórdão n.º 3401003.986 S3C4T1 Fl. 9.555 25 levando em conta ainda a existência de processo de consulta com a exposição de uma estrutura comercial revelada pela Neo e que posteriormente veio a ser atacada pelo Fisco, acredito que não tenha restado demonstrado pela Fiscalização a ocorrência de uma ocultação realizada mediante fraude ou simulação. Não foi comprovado, de maneira cabal, que os envolvidos na operação (clientes da Neo, Neo e Target) tenham agido de forma dolosa para prestar informação incorreta quanto ao real encomendante, na busca de uma vantagem indevida, em prejuízo ao controle aduaneiro. Na realidade, a principal vantagem apontada pela Fiscalização, utilização de benefícios fiscais de ICMS, simplesmente não subsiste frente à operação acobertada, segundo a acusação fiscal. Por último, impendese registrar e ressaltar que a análise aqui realizada e as conclusões alcançadas não estão, de forma alguma, a chancelar, a concordar ou a reconhecer como em conformidade com o ordenamento jurídico o modelo de negócios, assim como as estrutura contratual e comercial adotadas pela Target, Neo e clientes da Neo nas operações de importação que deram origem ao presente lançamento, mas está a se afirmar e a concluir que o lançamento é improcedente, por carência probatória por parte da Fiscalização, tendo em vista que a Fiscalização não foi capaz de demonstrar a contento, pelo levantamento de um conjunto de elementos de prova satisfatórios, que as condutas imputadas aos intervenientes das operações de comércio exterior se enquadravam no tipo infracional previsto no artigo 23, inciso V, parágrafo 3º, do Decreto nº 1.455/1976. Diante da não demonstração da acusação de "ocultação (...) mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros", de igual modo, deve ser julgada improcedente a segunda acusação da Fiscalização, de uso de documento falso no despacho aduaneiro, com fundamento no artigo 105, inciso VI, do Decreto nº 37/1966, pois, se não há comprovação de que houve ocultação, em decorrência, também não há comprovação de que os documentos utilizados no despacho aduaneiro tenham sido falsificados ou adulterados. Conclusão Por essas razões, proponho ao Colegiado conhecer e dar provimento aos Recursos Voluntários interpostos, para determinar o cancelamento do lançamento, e não conhecer do recurso de ofício. É como voto. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator Fl. 9567DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.731972/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
EMPRESA COM TRABALHADORES EXPOSTOS A CONDIÇÕES ESPECIAIS DE TRABALHO. NÃO COMPROVAÇÃO DO REGISTRO DA ENTREGA DE EPI. EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL.
As empresas que mantêm trabalhadores expostos a condições especiais de trabalho devem se sujeitar ao pagamento da contribuição para financiamento da aposentadoria especial, a menos que comprovem a utilização de Equipamentos de Proteção Individual EPI que atenuem os efeitos dos agentes nocivos a níveis abaixo do limite de tolerância, apresentando os certificados dos EPI, registros de entrega e reposição, além de documentação relativa ao treinamento dos trabalhadores para utilização destes equipamentos.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR A EMPRESA DE ELABORAR E MANTER ATUALIZADO PERFIL PROFISSIOGRÁFICO. LIMITE DA MULTA. VALOR MÍNIMO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. VALOR VIGENTE NA DATA DA ATUAÇÃO.
Para fins da aplicação da multa por deixar a empresa de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica deste documento, prevista no art. 283, I, "h" do RPS/99, o valor mínimo a que se refere o art. 292, I, do mesmo RPS é o vigente na data da lavratura do auto de infração.
Numero da decisão: 2201-003.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 09/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EMPRESA COM TRABALHADORES EXPOSTOS A CONDIÇÕES ESPECIAIS DE TRABALHO. NÃO COMPROVAÇÃO DO REGISTRO DA ENTREGA DE EPI. EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. As empresas que mantêm trabalhadores expostos a condições especiais de trabalho devem se sujeitar ao pagamento da contribuição para financiamento da aposentadoria especial, a menos que comprovem a utilização de Equipamentos de Proteção Individual EPI que atenuem os efeitos dos agentes nocivos a níveis abaixo do limite de tolerância, apresentando os certificados dos EPI, registros de entrega e reposição, além de documentação relativa ao treinamento dos trabalhadores para utilização destes equipamentos. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR A EMPRESA DE ELABORAR E MANTER ATUALIZADO PERFIL PROFISSIOGRÁFICO. LIMITE DA MULTA. VALOR MÍNIMO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. VALOR VIGENTE NA DATA DA ATUAÇÃO. Para fins da aplicação da multa por deixar a empresa de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica deste documento, prevista no art. 283, I, "h" do RPS/99, o valor mínimo a que se refere o art. 292, I, do mesmo RPS é o vigente na data da lavratura do auto de infração.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15504.731972/2013-79
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5760128
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.727
nome_arquivo_s : Decisao_15504731972201379.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 15504731972201379_5760128.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 09/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
dt_sessao_tdt : Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
id : 6901343
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466707116032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2.445 1 2.444 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.731972/201379 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.727 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2017 Matéria SEGURO ACIDENTES DO TRABALHO SAT/GILRAT. ALÍQUOTA ADICIONAL PARA APOSENTADORIA ESPECIAL Recorrente FERROVIA CENTROATLANTICA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EMPRESA COM TRABALHADORES EXPOSTOS A CONDIÇÕES ESPECIAIS DE TRABALHO. NÃO COMPROVAÇÃO DO REGISTRO DA ENTREGA DE EPI. EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. As empresas que mantêm trabalhadores expostos a condições especiais de trabalho devem se sujeitar ao pagamento da contribuição para financiamento da aposentadoria especial, a menos que comprovem a utilização de Equipamentos de Proteção Individual EPI que atenuem os efeitos dos agentes nocivos a níveis abaixo do limite de tolerância, apresentando os certificados dos EPI, registros de entrega e reposição, além de documentação relativa ao treinamento dos trabalhadores para utilização destes equipamentos. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR A EMPRESA DE ELABORAR E MANTER ATUALIZADO PERFIL PROFISSIOGRÁFICO. LIMITE DA MULTA. VALOR MÍNIMO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. VALOR VIGENTE NA DATA DA ATUAÇÃO. Para fins da aplicação da multa por deixar a empresa de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica deste documento, prevista no art. 283, I, "h" do RPS/99, o valor mínimo a que se refere o art. 292, I, do mesmo RPS é o vigente na data da lavratura do auto de infração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 19 72 /2 01 3- 79 Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 15504.731972/201379 Acórdão n.º 2201003.727 S2C2T1 Fl. 2.446 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 09/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 2.428/2.442), interposto contra decisão da DRJ em Ribeirão Preto/SP, de fls. 2.408/2.417, que julgou procedente o lançamento de contribuição patronal devida à Seguridade Social relacionada ao adicional RAT/SAT para fins de aposentadoria especial, não declarada em GFIP, bem como o lançamento de multa em virtude de descumprimento de obrigação acessória (CFL 89), conforme autos de infração de fls. 03/25 dos autos (DEBCADs 51.044.3052 e 51.044.3060), lavrados em 12/12/2013, relativo às competências de 01/2009 a 12/2009, com ciência da RECORRENTE em 13/12/2013 (fl. 03). O crédito tributário objeto da contribuição previdenciária objeto do DEBCAD 51.044.3052 foi apurado no valor de R$ 6.295.065,23, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa de ofício no percentual de 75%. Por sua vez, o crédito tributário relativo à multa pelo descumprimento de obrigação acessória, objeto do DEBCAD 51.044.3060, foi apurado no valor de R$ 389.845,26. O Relatório Fiscal encontrase acostado às fls. 26/56. A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 2.360/2.374 em 14/01/2014. Quando do julgamento do caso, a DRJ de origem, às fls. 2.408/2.417, dos autos, julgou procedente o lançamento. Tal decisão contém o seguinte relatório, que adoto, por sua clareza e precisão: Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 15504.731972/201379 Acórdão n.º 2201003.727 S2C2T1 Fl. 2.447 3 Em que pese o fato de o contribuinte apresentar relação de segurados empregados sujeitos à exposição ao risco físico ruído (níveis de pressão sonora acima de 85 dB), atendendo ao Termo de Intimação Fiscal n° 02 de 22/05/2013, essa informação foi omitida em Folhas de Pagamento e GFIP, deixando de informar e recolher a alíquota adicional prevista no § 6° do art. 57 da Lei n° 8.213/91, alterada pela Lei n° 9.732 de 11/12/98. Com base na documentação examinada, em especial: Levantamentos Ambientais, Laudos Técnicos, Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional PCMSO, Perfil Profissiográfico Previdenciário PPP e Fichas de Controle e Entrega de EPI apresentados, a fiscalização constatou no ambiente de trabalho da empresa a presença do agente nocivo ruído, em níveis de concentração acima do limite de tolerância (acima de 85 dB), estabelecido pelo Anexo IV do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. A autuada não comprovou a eliminação ou neutralização do agente ensejador da aposentadoria especial, embora intimada (Termo de Intimação Fiscal n° 04 de 07/08/2013) a apresentar as fichas de controle de fornecimento de EPI dos trabalhadores expostos ao agente nocivo ruído. A autuada também não comprovou a realização de treinamento específicos de utilização de EPI. Também não comprovou tomar medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho que atenuassem o risco ao agente nocivo ruído a níveis toleráveis. Para cálculo das contribuições devidas, lançadas no Debcad 51.044.3052, foi aplicada a alíquota de 6%, correspondente à aposentadoria especial de 25 anos, tomando como base de cálculo informações nas GFIPs e folhas de pagamento. Valor total R$ 6.295.065,23. Também foi aplicado AutodeInfração (Debcad 51.044.3060) decorrente de descumprimento de obrigação acessória, uma vez que, embora intimada, a empresa não comprovou o fornecimento de cópia autêntica dos Perfis Profissiográficos Previdenciários PPP abrangendo as atividades desenvolvidas pelos trabalhadores, quando da rescisão do contrato de trabalho, o que constitui infração ao disposto na Lei n° 8.213, de 24/07/1991, art. 58, § 4°, na redação dada pela Medida Provisória n° 1.523/96, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528, de 10/12/1997, § 6°, acrescentado pela Lei n° 9.732, de 11/12/1998 combinado com art. 68, § 6°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Em decorrência da infração praticada, foi aplicada a multa cabível, nos termos do artigo 283, inciso I, alínea "h", do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, c/c art. 133 e art. 134 da Lei n° 8.213/91, Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 15504.731972/201379 Acórdão n.º 2201003.727 S2C2T1 Fl. 2.448 4 equivalente a R$ 1.717,38 (um mil setecentos e dezessete reais e trinta e oito centavos), por ocorrência. Constatada 227 ocorrências (PPP não entregue quando da rescisão do contrato de trabalho), o valor total da multa totaliza R$ 389.845,26. A autuada apresentou impugnação, com as seguintes alegações: A cobrança do adicional para financiamento de aposentadoria especial é inconstitucional, pois não foi criada por Lei Complementar; o adicional descaracterizou a cobrança do SAT, criando uma nova contribuição, logo deveria observar os artigos 154, I e 195, §4º da Constituição Federal; A obrigatoriedade de inclusão dos empregados na GFIP como sujeitos a um risco ambiental está condicionada à submissão do segurado empregado, de forma permanente e não intermitente; no presente caso tal situação não está configurada, pois os efeitos derivados da exposição ao agente tido como nocivo ruído foram eliminados ou atenuados em função da adoção de medidas protetivas; Em que pese todo o universo de documentos comprobatórios das sobreditas medidas protetivas não terem sido integralmente apresentados à fiscalização, tendo em vista os prazos exíguos e a dificuldade de localização de dados de quase 5 (cinco) anos atrás, a autuada já está colacionando todo o cabedal documental para trazer a estes autos posteriormente, antes da prolação de qualquer decisão, como autoriza o artigo 38 e seu § 1º, da Lei n° 9.784/99; A obrigatoriedade do registro de entrega dos EPPs por meio de livros fichas ou sistema eletrônico, foi inserida pela Portaria SIT n°107, de 25 de agosto de 2009, não podendo ser aplicado ao caso em tela, sob pena de violação ao princípio da irretroatividade; A efetiva adoção e exigência, pela Suplicante, quanto ao uso dos EPIs, pode ser constatada, primeiramente, pelo considerável volume de equipamentos adquiridos; Foram adotados diversos outros métodos de controle tanto da entrega quanto do uso efetivo do EPI, a saber: treinamento efetivo dos profissionais quanto ao uso do equipamento e consequências do descumprimento da obrigação (cumprindo as alíneas 'b' e 'd' do item 6.6.1 da NR6 ); advertências a funcionários que descumprem o dever de uso (cumprindo a alínea 'b', antes mencionada); divulgação de comunicados internos e eventos para incentivo ao correto utilização do equipamento (também item 'b'), dentre outras medidas; Além das medidas de proteção individual acima retratadas, foram adotadas, no ambiente de trabalho da Suplicante, diversas medidas coletivas de controle dos riscos ocupacionais, as quais Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 15504.731972/201379 Acórdão n.º 2201003.727 S2C2T1 Fl. 2.449 5 igualmente serão apresentadas posteriormente, nos termos do referido artigo 38, e § 1º, da Lei n° 9.784. A constatação de que a quantidade de decibéis ultrapassa os limites aceitáveis, em certos departamentos da empresa, não pode implicar, ipso facto, a conclusão de que outros empregados, ali não alocados, estariam submetidos a condições que autorizariam a aposentadoria especial, cuja remuneração deva se submeter ao adicional do RAT; Da multa por descumprimento de obrigação acessória verificase erro na aplicação do valor da multa, na medida em que foi utilizado, como valor mínimo, a importância indicada na Portaria Interministerial MPS/MF n° 15/2013, qual seja, R$ 1.717,38; O correto, porém, seria a aplicação do valor constante do inciso I, artigo 283 do RPS , que é de R$636,17.” Conforme já exposto, a DRJ de origem julgou procedente o lançamento conforme a ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de lei, decreto ou ato normativo em vigor. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADICIONAL PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. É devida contribuição para o financiamento dos benefícios previstos pelos artigos 57 e 58 da Lei n° 8.213/1991, se a empresa não demonstra a neutralização ou redução do grau de exposição aos agentes nocivos a níveis legais de tolerância. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 15504.731972/201379 Acórdão n.º 2201003.727 S2C2T1 Fl. 2.450 6 A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 17/05/2016, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 706, apresentou o recurso voluntário de fls. 708/758 em 15/06/2016, conforme atesta o Termo de Solicitação de Juntada de fl. 707. Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação, acrescentando o seguinte: Que seria possível o controle de constitucionalidade repressivo de leis pelo Poder Executivo que, em razão da sua função judicante, deve deixar de aplicar lei flagrantemente inconstitucional; No que diz respeito à obrigatoriedade do registro de entrega dos EPIs por meio de livros fichas ou sistema eletrônico, reitera que à época dos fatos, tal obrigação não existia, pois somente foi inserida pela Portaria SIT n°107, de 25 de agosto de 2009, não podendo ser aplicado ao caso em tela, sob pena de violação ao princípio da irretroatividade. Ademais, rebateu o acórdão recorrido ao defender a não aplicação do art. 179, §6º, inciso IV, da IN do INSS nº 20/2007, pois referido dispositivo não trata da exigência específica capitulada no lançamento fiscal (ex vi “registrar o seu fornecimento ao trabalhador, podendo ser adotados livros, fichas ou sistemas eletrônicos”), referindose àqueles casos em que deverá ser documentada a periodicidade de troca dos EPI’s, definida pelos programas ambientais. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Acréscimo legal do RAT Conforme exposto, o presente processo tem por objeto o acréscimo de 6% no percentual das alíquotas referentes à contribuição para financiamento dos benefícios previdenciários concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, tendo em vista que a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa enseja a concessão de aposentadoria especial após vinte e cinco anos de contribuição. Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 15504.731972/201379 Acórdão n.º 2201003.727 S2C2T1 Fl. 2.451 7 De acordo com art. 158 da Instrução Normativa INSS N° 20 de 10/10/2007, as condições de trabalho para fins do direito à aposentadoria especial deverão ser evidenciadas nos seguintes documentos: “Art. 158. As condições de trabalho, que dão ou não direito à aposentadoria especial, deverão ser comprovadas pelas demonstrações ambientais, que fazem parte das obrigações acessórias dispostas na legislação previdenciária e trabalhista. Parágrafo único. As demonstrações ambientais de que trata o caput, constituemse, entre outros, nos seguintes documentos: I Programa de Prevenção de Riscos AmbientaisPPRA; II – Programa de Gerenciamento de RiscosPGR; III – Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção PCMAT; IV – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO; V – Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho LTCAT; VI – Perfil Profissiográfico PrevidenciárioPPP; VII – Comunicação de Acidente do TrabalhoCAT.” Conforme afirma a autoridade lançadora no relatório fiscal, para um correto e eficaz gerenciamento dos riscos existentes no ambiente de trabalho, não basta às empresas o simples cumprimento de formalidades ou de elaboração de documentos legalmente exigíveis. Assim, o mero fornecimento de EPI (Equipamentos de Proteção Individual) ou o simples registro documental de que é utilizado também não é o bastante para se afirmar que a sua adoção é adequada e eficaz. É imprescindível que a empresa comprove o fornecimento, o treinamento, a utilização através de fichas de controle, a adequação no sentido de conforto e eficácia na atenuação, além de demonstrar com clareza, através de toda a documentação exigível, o eficaz gerenciamento de seu ambiente de trabalho. Com base na documentação apresentada (Levantamentos Ambientais, Laudos Técnicos, Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional PCMSO, Perfil Profissiográfico Previdenciário PPP e Fichas de Controle e Entrega de EPI – fls. 1.710/2.095) a fiscalização constatou no ambiente de trabalho da RECORRENTE a presença do agente nocivo ruído, em níveis de concentração acima do limite de tolerância (acima de 85 dB), o que é ensejador da concessão de aposentadoria especial após vinte e cinco anos de contribuição, conforme código 2.0.1 do Anexo IV do Regulamento da Previdência Social RPS (Decreto nº 3.048/99): CÓDIGO AGENTE NOCIVO TEMPO DE EXPOSIÇÃO Fl. 2453DF CARF MF Processo nº 15504.731972/201379 Acórdão n.º 2201003.727 S2C2T1 Fl. 2.452 8 2.0.1 RUÍDO a) exposição a Níveis de Exposição Normalizados (NEN) superiores a 85 dB(A). (Redação dada pelo Decreto nº 4.882, de 2003) 25 ANOS Portanto, como a atividade exercida pelo segurado a serviço da RECORRENTE permite a concessão de aposentadoria especial após vinte e cinco anos de contribuição, a contribuição para o RAT devida pela empresa (art. 22, II, da Lei no 8.212/91) deve ter sua alíquota acrescidas de seis pontos percentuais, nos termos do disposto pelo art. 57, §6º, da Lei nº 8.213/91: Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. (...) § 6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. Contudo, no caso concreto, a RECORRENTE deixou de informar no campo “ocorrência” da GFIP o correspondente código de aposentadoria especial. A própria RECORRENTE reconhece a existência do agente nocivo, no entanto alega que ao adotar EPI (Equipamentos de Proteção Individual) como forma de proteção, o agente nocivo ruído é atenuado a níveis abaixo dos limites de tolerância permitidos pela legislação, não se tornando dessa forma nocivo à saúde ou a integridade física de seus trabalhadores. Assim, em razão da eliminação ou atenuados do agente nocivo em função da adoção de medidas protetivas, a RECORRENTE entende que não deveria prevalecer o lançamento. Por outro lado, a RECORRENTE afirma que encontrou 1500 fichas de EPI de um total de 2611 solicitadas. Se defende sob a alegação de que as fichas não encontradas correspondem a empregados desligados e a sua característica de grande dispersão geográfica dificulta a localização de documentos (fl. 1.022). Em princípio, entendo que a apresentação de documentos é dever do contribuinte, que deve mantêlos em boa guarda pelo menos até findar o prazo de decadência do direito da Fazenda Nacional constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Neste sentido, transcrevo o art. 195, parágrafo único, do CTN e o art. 37 da Lei nº 9.430/96: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 15504.731972/201379 Acórdão n.º 2201003.727 S2C2T1 Fl. 2.453 9 Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. A fiscalização constatou que não foram disponibilizadas várias fichas de EPI dos trabalhadores expostos ao agente nocivo ruído, e da análise das fichas apresentadas verificou diversas irregularidades, como por exemplo a falta de registro de entrega EPI. Ora, se a RECORRENTE informa em GFIP nenhum código indicativo de que seus segurados exercem atividades que permita a concessão de aposentadoria especial, tal informação é incompatível com as conclusões expostas nos laudos técnicos analisados, os quais apontam a existem de ruído acima do limite permitido. Então a RECORRENTE deveria comprovar, por meio da apresentação de documentos, a eliminação ou atenuação de tais agentes. Não cabe aqui uma análise por amostragem, mas sim uma comprovação efetiva. A despeito de ter solicitado prazo para a apresentação posterior de documentos, com fundamento no art. 38, § 1º, da Lei n° 9.784/99, a RECORRENTE não acostou aos autos qualquer outra documentação até a presente data. Importante ressaltar que o lançamento foi efetuado com base em informação da própria RECORRENTE, quando apresentou relação de segurados empregados expostos ao risco físico ruído para centenas de seus trabalhadores acima dos limites de tolerância. Neste sentido, não basta apenas alegar a adoção de EPI que elimina/reduz o agente nocivo. Deveria ter apresentado documentação comprobatória de entrega do EPI para cada um dos trabalhadores por ela indicados como expostos ao agente nocivo. Vejamos as normas vigentes no anocalendário 2009, período em que houve a apuração da contribuição. Naquele período estava em vigência a Instrução Normativa INSS nº 20/2007, a qual estabelecia o seguinte: Art. 179. Os procedimentos técnicos de levantamento ambiental, ressalvada disposição em contrário, deverão considerar: I – a metodologia e os procedimentos de avaliação dos agentes nocivos estabelecidos pelas Normas de Higiene Ocupacional NHO da FUNDACENTRO; II – os limites de tolerância estabelecidos pela NR15 do MTE. § 1º Para o agente químico benzeno, também deverão ser observados a metodologia e os procedimentos de avaliação, dispostos nas Instruções Normativas MTE/SSST nº 1 e 2, de 20 de dezembro de 1995. Fl. 2455DF CARF MF Processo nº 15504.731972/201379 Acórdão n.º 2201003.727 S2C2T1 Fl. 2.454 10 § 2º As metodologias e procedimentos de avaliação não contemplados pelas NHO da FUNDACENTRO deverão estar definidos por órgão nacional ou internacional competente e a empresa deverá indicar quais as metodologias e os procedimentos adotados nas demonstrações ambientais de que trata o artigo 161 des Instrução Normativa. § 3º Deverão ser consideradas as normas referenciadas nesta Subseção, vigentes à época da avaliação ambiental. § 4º As metodologias e os procedimentos de avaliação que foram alterados por esta IN somente serão exigidos para as avaliações realizadas a partir de 1º de janeiro de 2004, sendo facultado à empresa a sua utilização antes desta data. § 5º Será considerada a adoção de Equipamento de Proteção ColetivaEPC, que elimine ou neutralize a nocividade, desde que asseguradas as condições de funcionamento do EPC ao longo do tempo, conforme especificação técnica do fabricante e respectivo plano de manutenção, estando essas devidamente registradas pela empresa. (incluído pela Instrução Normativa nº 27/INSS/PRES, de 30/04/2008). § 6º Somente será considerada a adoção de Equipamento de Proteção IndividualEPI, em demonstrações ambientais emitidas a partir de 3 de dezembro de 1998, e desde que comprovadamente elimine ou neutralize a nocividade e desde que respeitado o disposto na NR06 do MTE e assegurada e devidamente registrada pela empresa, no PPP, a observância: (parágrafo incluído Instrução Normativa nº 27/INSS/PRES, de 30/04/2008) I da hierarquia estabelecida no item 9.3.5.4 da NR09 do MTE (medidas de proteção coletiva, medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho e utilização de EPI, nesta ordem, admitindose a utilização de EPI somente em situações de inviabilidade técnica, insuficiência ou interinidade à implementação do EPC ou, ainda, em caráter complementar ou emergencial); (incluído pela Instrução Normativa nº 27/INSS/PRES, de 30/04/2008). II das condições de funcionamento e do uso ininterrupto do EPI ao longo do tempo, conforme especificação técnica do fabricante, ajustada às condições de campo; (incluído pela Instrução Normativa nº 27/INSS/PRES, de 30/04/2008). III do prazo de validade, conforme Certificado de Aprovação do MTE; (incluído pela Instrução Normativa nº 27/INSS/PRES, de 30/04/2008). IV da periodicidade de troca definida pelos programas ambientais, comprovada mediante recibo assinado pelo usuário em época própria; (incluído pela Instrução Normativa nº 27/INSS/PRES, de 30/04/2008). Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 15504.731972/201379 Acórdão n.º 2201003.727 S2C2T1 Fl. 2.455 11 V da higienização. (incluído pela Instrução Normativa nº 27/INSS/PRES, de 30/04/2008). A norma acima faz menção à NR9, aprovada pela Portaria GM nº 3.214/78, a qual estabelece: 9.3.5.4 Quando comprovado pelo empregador ou instituição a inviabilidade técnica da adoção de medidas de proteção coletiva ou quando estas não forem suficientes ou encontraremse em fase de estudo, planejamento ou implantação, ou ainda em caráter complementar ou emergencial, deverão ser adotadas outras medidas, obedecendo se à seguinte hierarquia: a) medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho; b) utilização de equipamento de proteção individual EPI. 9.3.5.5 A utilização de EPI no âmbito do programa deverá considerar as Normas Legais e Administrativas em vigor e envolver no mínimo: a) seleção do EPI adequado tecnicamente ao risco a que o trabalhador está exposto e à atividade exercida, considerandose a eficiência necessária para o controle da exposição ao risco e o conforto oferecido segundo avaliação do trabalhador usuário; b) programa de treinamento dos trabalhadores quanto à sua correta utilização e orientação sobre as limitações de proteção que o EPI oferece; c) estabelecimento de normas ou procedimento para promover o fornecimento, o uso, a guarda, a higienização, a conservação, a manutenção e a reposição do EPI, visando garantir as condições de proteção originalmente estabelecidas; d) caracterização das funções ou atividades dos trabalhadores, com a respectiva identificação dos EPI’s utilizados para os riscos ambientais. A RECORRENTE entende que a obrigatoriedade do registro de entrega dos EPIs por meio de livros fichas ou sistema eletrônico somente foi inserida pela Portaria SIT n° 107, de 25 de agosto de 2009, não podendo ser aplicado ao caso em tela, sob pena de violação ao princípio da irretroatividade. Ademais, afirma que o art. 179, §6º, inciso IV, da IN do INSS nº 20/2007 não se aplica ao caso concreto, pois tal dispositivo referese àqueles casos em que deverá ser documentada a periodicidade de troca dos EPIs, definida pelos programas ambientais. No entanto, entendo não haver dúvida de que o controle de EPI, mesmo no período do lançamento, deveria ser documentado pela empresa, nos termos do próprio art. 179, §6º, inciso IV, da IN do INSS nº 20/2007, uma vez que o mesmo expressa a necessidade de registro do recebimento dos EPI. Se o registro deve ser realizado na troca, por óbvio que a adoção da mesma medida deve ser observada quando da entrega do EPI. Fl. 2457DF CARF MF Processo nº 15504.731972/201379 Acórdão n.º 2201003.727 S2C2T1 Fl. 2.456 12 Devese levar em conta que a própria empresa forneceu relação de trabalhadores expostos ao agente ruído acima do limite legal de tolerância. Assim, deveria a RECORRENTE comprovar através da Fichas de Controle Individual, que forneceu aos seus empregados expostos ao agente nocivo ruído os EPIs adequados para protegêlos. No entanto, ao reconhecer a existência do agente nocivo ruído no ambiente laboral e não haver comprovado adequadamente a entrega dos equipamentos de proteção aos trabalhadores, a RECORRENTE deve se sujeitar ao pagamento da contribuição adicional para financiamento da aposentadoria especial. Neste sentido, colaciono jurisprudência deste CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 (...) EMPRESA COM TRABALHADORES EXPOSTOS A CONDIÇÕES ESPECIAIS DE TRABALHO. NÃO COMPROVAÇÃO DO REGISTRO DA ENTREGA DE EPI. EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. As empresas que mantêm trabalhadores expostos a condições especiais de trabalho devem se sujeitar ao pagamento da contribuição para financiamento da aposentadoria especial, a menos que comprovem a utilização de Equipamentos de Proteção Individual EPI que atenuem os efeitos dos agentes nocivos a níveis abaixo do limite de tolerância, apresentando os certificados dos EPI, registros de entrega e reposição, além de documentação relativa ao treinamento dos trabalhadores para utilização destes equipamentos. (...) (Acórdão nº 2401003.488; 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 2ª Seção; julgado em 15/04/2014) Ademais, o art. 179, §6º, inciso I, da IN do INSS nº 20/2007 determina que seja observada uma hierarquia na adoção do EPI, admitindose a sua utilização somente em situações de inviabilidade técnica, insuficiência ou interinidade à implementação de medidas de proteção coletiva ou, ainda, em caráter complementar ou emergencial. A RECORRENTE afirma que foram adotadas, no ambiente de trabalho, diversas medidas coletivas de controle dos riscos ocupacionais e argumentou que iria apresentalos posteriormente nos autos. No entanto, até o momento, não acostou aos autos qualquer documentação acerca do assunto. Sendo assim, entendo que não devem prevalecer a defesa da RECORRENTE, devendo ser integralmente mantido o lançamento do acréscimo da alíquota do RAT em razão do exercício pelos segurados de atividade que permite a concessão de aposentadoria especial. Por fim, no que diz respeito às alegações de inconstitucionalidade do o acréscimo da alíquota do SAT/RAT, por não terem sido criadas por Lei Complementar, necessário esclarecer que referida alíquota adicional foi expressamente recepcionado pela Constituição, conforme art. 15 da EC nº 20/98: Fl. 2458DF CARF MF Processo nº 15504.731972/201379 Acórdão n.º 2201003.727 S2C2T1 Fl. 2.457 13 Art. 15. Até que a lei complementar a que se refere o art. 201, § 1°, da Constituição Federal, seja publicada, permanece em vigor o disposto nos artigos 57 e 58 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, na redação vigente à data da publicação desta Emenda. Também importante afirmar que, não tendo sido declarada a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal que fundamentou o presente lançamento, não se pode cogitar a ilegalidade/inconstitucionalidade deste, haja vista que corretamente enquadrado nas normas em vigor. Sendo assim, não se pode cogitar seja afastada a aplicação dessas normas, pois gozam de presunção de constitucionalidade. Este tribunal administrativo deve afastar a aplicação de dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, nos termos do art. 62, I, do RICARF. Sendo assim, não pode ser objeto deste processo administrativo a alegação de que a cobrança do adicional para financiamento de aposentadoria especial é inconstitucional, por, supostamente, ser uma nova contribuição e que deveria ter sido criada por Lei Complementar. Portanto, com relação às inconstitucionalidades apontadas pela RECORRENTE, esta é matéria estranha a competência deste órgão julgador administrativo, conforme Súmula nº 02 do CARF, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Da multa pelo descumprimento de obrigação acessória No que diz respeito ao lançamento de multa em virtude de descumprimento de obrigação acessória (CFL 89), a RECORRENTE se insurge tãosomente quanto a suposto erro na aplicação do seu valor, na medida em que foi utilizado, como valor mínimo, a importância indicada na Portaria Interministerial MPS/MF n° 15/2013, qual seja, R$ 1.717,38, enquanto o correto seria a aplicação do valor constante do inciso I, artigo 283 do RPS, que é de R$ 636,17. No entanto, não merece prosperar a alegação da RECORRENTE, haja vista que existe previsão legal para atualização anual do valor da multa. Neste sentido, a multa foi aplicada pelo fato de a empresa ter deixado de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica deste documento, nos termos do art. 283, I, “h” do RPS. O art. 292, I, do mesmo RPS, por sua vez, dispõe que Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: I na ausência de agravantes, serão aplicadas nos valores mínimos estabelecidos nos incisos I e II e no § 3º do art. 283 e nos arts. 286 e 288, conforme o caso; Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 15504.731972/201379 Acórdão n.º 2201003.727 S2C2T1 Fl. 2.458 14 De fato, o valor mínimo exposto no art. 283, I, é de R$ 636,17. Estes valores possuem matriz legal no art. 92 da Lei nº 8.212/91, o qual afirma que: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Referidos valores da Lei nº 8.212/91 foram atualizados pela Portaria MPAS nº 4.479, de 4.6.98, a partir de 1º de junho de 1998, para, respectivamente, R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) e R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), razão pela qual o RPS apenas replica tais valores em seu texto ao dispor sobre as penalidades. Evidente que o valor da multa não poderia permanecer congelado desde 1991 (ano da edição da Lei nº 8.212) nem desde 1998 (ano da Portaria MPAS nº 4.479), razão pela qual o art. 102 da Lei nº 8.212/91 estabelece que “os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social”. A autoridade fiscal lavrou a multa com base nos valores atualizados à época do lançamento pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 15/2013, qual seja, o valor mínimo de R$ 1.717,38. Entendo que foi correto o cálculo com base no valor vigente à época da lavratura do auto de infração em epígrafe. É que não se trata de legislação nova, pois a norma que prevê a aplicação da multa já existia quando da ocorrência dos fatos; o que aconteceu foi a mera atualização de seu valor por meio de Portaria Interministerial. Caso fosse aplicado o valor da multa originalmente previsto no texto da lei (R$ 636,17) ou aquele atualizado à época dos fatos (ano de 2009), o lançamento já nasceria defasado, visto que foi realizado em 2013. Sendo assim, o valor de R$ 1.717,38 representa uma mera atualização da moeda, por isso entendo que foi correto o cálculo adotado pela autoridade lançadora. Neste sentido, colaciono jurisprudência deste CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 (...) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GUIA DO FUNDO DE GARANTIA POR TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL (GFIP). LIMITE DA MULTA. VALOR MÍNIMO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. VALOR VIGENTE NA DATA DA ATUAÇÃO. Para fins da aplicação da multa por deixar a empresa de apresentar a GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, prevista no revogado § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, o valor Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 15504.731972/201379 Acórdão n.º 2201003.727 S2C2T1 Fl. 2.459 15 mínimo a que se referia o dispositivo era o vigente na data da lavratura do auto de infração. (...) (acórdão nº 2401004.759; 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção; julgado em 06/04/2017) A partir do momento da lavratura do auto, o valor da multa fica sujeito à juros e atualização pela taxa SELIC, de modo que quando do pagamento pelo contribuinte, o débito não estará defasado. Em outras palavras: o objetivo da Portaria Interministerial é meramente atualizar o valor da multa para cada ano, de modo que, quando do lançamento das multas, os valores não se encontrem defasados. Não se trata da majoração de uma multa. Por isso, deve ser mantido o lançamento também nesta parte. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para manter integralmente o lançamento objeto do presente processo. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 2461DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720375/2013-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. MESMO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica, em relação à parte que esteja sendo discutida judicialmente, renúncia às instâncias administrativas, ou desistência do recurso interposto.
(Súmula Carf nº 1).
LEI TRIBUTÁRIA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. FATOS GERADORES SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 10.256, DE 2001. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu contribuição previdenciária sobre a receita bruta de comercialização da produção rural.
(Súmula Carf nº 2).
NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE APRECIAÇÃO DE FUNDAMENTOS DA IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE DECISÃO SOBRE PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
Descabe a declaração de nulidade do acórdão recorrido quando o colegiado de primeira instância apreciou e rechaçou todas as teses relevantes listadas pela impugnante, inclusive consignado o motivo pelo qual não acatava o pedido de diligência relativo a oitiva de testemunhas.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECISÃO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE OFÍCIO.
Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, cuja suspensão da exigibilidade, com base no provimento de apelação cível em mandado de segurança, tenha se dado antes do início do procedimento fiscal a ele relativo, não caberá lançamento de multa de ofício.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE.
As empresas que integram grupo econômico de fato de qualquer natureza, em que há unidade de controle e administração, com articulação de recursos e esforços de forma coordenada para a consecução de objetivos comuns, respondem entre si, solidariamente, pelas contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção adquirida do produtor rural pessoa física.
Numero da decisão: 2401-005.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente dos recursos e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial aos recursos para excluir a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir o vínculo de responsabilidade atribuído à empresa FKM3.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier- Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. MESMO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica, em relação à parte que esteja sendo discutida judicialmente, renúncia às instâncias administrativas, ou desistência do recurso interposto. (Súmula Carf nº 1). LEI TRIBUTÁRIA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. FATOS GERADORES SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 10.256, DE 2001. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu contribuição previdenciária sobre a receita bruta de comercialização da produção rural. (Súmula Carf nº 2). NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE APRECIAÇÃO DE FUNDAMENTOS DA IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE DECISÃO SOBRE PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade do acórdão recorrido quando o colegiado de primeira instância apreciou e rechaçou todas as teses relevantes listadas pela impugnante, inclusive consignado o motivo pelo qual não acatava o pedido de diligência relativo a oitiva de testemunhas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECISÃO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE OFÍCIO. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, cuja suspensão da exigibilidade, com base no provimento de apelação cível em mandado de segurança, tenha se dado antes do início do procedimento fiscal a ele relativo, não caberá lançamento de multa de ofício. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de fato de qualquer natureza, em que há unidade de controle e administração, com articulação de recursos e esforços de forma coordenada para a consecução de objetivos comuns, respondem entre si, solidariamente, pelas contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção adquirida do produtor rural pessoa física.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11634.720375/2013-82
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5770208
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-005.006
nome_arquivo_s : Decisao_11634720375201382.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS
nome_arquivo_pdf_s : 11634720375201382_5770208.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente dos recursos e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial aos recursos para excluir a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir o vínculo de responsabilidade atribuído à empresa FKM3. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier- Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6934096
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466713407488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1975; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 4.884 1 4.883 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.720375/201382 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.006 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de agosto de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PESSOA FÍSICA. Recorrente KM3 INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. MESMO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica, em relação à parte que esteja sendo discutida judicialmente, renúncia às instâncias administrativas, ou desistência do recurso interposto. (Súmula Carf nº 1). LEI TRIBUTÁRIA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. FATOS GERADORES SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 10.256, DE 2001. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu contribuição previdenciária sobre a receita bruta de comercialização da produção rural. (Súmula Carf nº 2). NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE APRECIAÇÃO DE FUNDAMENTOS DA IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE DECISÃO SOBRE PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade do acórdão recorrido quando o colegiado de primeira instância apreciou e rechaçou todas as teses relevantes listadas pela impugnante, inclusive consignado o motivo pelo qual não acatava o pedido de diligência relativo a oitiva de testemunhas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECISÃO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 03 75 /2 01 3- 82 Fl. 4884DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.885 2 Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, cuja suspensão da exigibilidade, com base no provimento de apelação cível em mandado de segurança, tenha se dado antes do início do procedimento fiscal a ele relativo, não caberá lançamento de multa de ofício. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de fato de qualquer natureza, em que há unidade de controle e administração, com articulação de recursos e esforços de forma coordenada para a consecução de objetivos comuns, respondem entre si, solidariamente, pelas contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção adquirida do produtor rural pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 4885DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.886 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente dos recursos e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial aos recursos para excluir a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir o vínculo de responsabilidade atribuído à empresa FKM3. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). Fl. 4886DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.887 4 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pelos devedores principal e solidário em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 14 49.427 (fls. 4.415/4.437): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de lei, decreto ou ato normativo em vigor. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria em que os pedidos administrativo e judicial são idênticos, devendo o julgamento administrativo aterse, eventualmente, à matéria diferenciada. FORMAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Impugnação Improcedente 2. Extraise do Termo de Verificação e Encerramento de Fiscalização, acostado às fls. 86/111, que o processo administrativo é composto do Auto de Infração (AI) nº 51.001.8831, compreendendo o período de 01/2009 a 12/2011, referente à contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física e do segurado especial incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de origem animal (fls. 7/24). 2.1 De acordo com a acusação fiscal, a contribuição previdenciária é exigida da empresa adquirente, na condição de subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física, nos termos do art. 30, incisos III e IV, c/c art. 25, incisos I e II, ambos da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação dada pela nº 10.256, de 9 de julho de 2001. 2.2 Registra o agente lançador a existência do Processo Judicial nº 2008.70.01.0051352, movido pela empresa fiscalizada, que versa sobre a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física. Fl. 4887DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.888 5 2.3 Durante o procedimento investigatório, a autoridade lançadora concluiu pela existência de um grupo econômico de fato integrado pela empresa fiscalizada, KM3 Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda ("KM3"), e a empresa FKM3 Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda ME ("FKM3"), CNPJ 08.583.077/000143, lavrando o respectivo Termo de Sujeição Passiva Solidária. 2.4 Quanto à pessoa jurídica "FKM3", há informações, conforme as fls. 44, da exclusão de ofício do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), por realizar atividade de cessão de mãodeobra. 3. Com ciência pessoal da autuação em 14/08/2013, segundo fls. 7, o sujeito passivo principal impugnou a exigência fiscal (fls. 4.304/4.317). Do mesmo modo, o responsável solidário protocolou impugnação (fls. 4.281/4.291). 4. Intimada por via postal da decisão de piso em 22/05/2014, às fls. 4.454, a devedora principal apresentou recurso voluntário em 23/06/2014 (fls. 4.456/4.465). 4.1. Em síntese, a empresa "KM3" expõe os seguintes argumentos de fato e de direito em face da decisão de piso que manteve o crédito tributário: (i) impetrou mandado de segurança, autuado sob o nº 2008.70.01.0051352, a fim de assegurar o direito ao não recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural adquirida de empregador rural pessoa física; (ii) o Tribunal Regional Federal da 4ª Região Fiscal (TRF/4ª Região), em grau de recurso, reconheceu o direito da recorrente, afastando a obrigação, por subrogação, de efetuar a retenção e o recolhimento da contribuição previdenciária, determinada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991; (iii) a recorrente não efetuou a retenção da contribuição previdenciária, face à existência de ação judicial que discute a responsabilidade tributária, de maneira que a exigência fiscal deve ser imposta diretamente aos produtores rurais que comercializem a sua produção e não tiveram as respectivas parcelas retidas, os quais são os verdadeiros contribuintes por manifestarem a capacidade contributiva; (iv) não há formação de grupo econômico entre as empresas, mas tão somente desenvolvimento e planejamento de negócio comercial de forma lícita, cada pessoa jurídica exercendo suas atividades de maneira independente; (v) se mantido o débito, é admissível apenas a multa prevista no § 2º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e não a penalidade de 75% sobre o valor do crédito tributário exigido, tendo em vista que a recorrente não recolhe a Fl. 4888DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.889 6 contribuição previdenciária porque detém decisão judicial que lhe ampara; e (vi) além da penalidade de 75% sobre o tributo, foi aplicada uma multa de 150% em relação aos créditos tributários dos DEBCAD´s nº 37.352.0778 e 51.001.8858, percentual exacerbado que se revela inconstitucional, dado o caráter confiscatório. 5. Este Colegiado, por intermédio da Resolução nº 2401000.491, de 18 de fevereiro de 2016, converteu o julgamento em diligência para fim de a unidade preparadora da RFB providenciar o saneamento do processo administrativo, à vista da ausência de intimação do devedor solidário quanto ao resultado do julgamento de primeira instância, com abertura de prazo recursal, na forma da legislação tributária (fls. 4.471/.4476). 6. A empresa solidária "FKM3" foi cientificada via postal em 11/04/2016 (fls. 4.485). Protocolou o recurso voluntário em 11/05/2016, com as alegações abaixo resumidas (fls. 4.487/4.500): (i) é evidente a nulidade do acórdão recorrido em razão da supressão de instância administrativa, eis que a decisão de piso deixou de analisar diversos pontos da sua impugnação tempestiva, a saber: (a) ilegalidade da exigência do FUNRURAL em relação à recorrente; (b) inaplicabilidade do inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, diante da falta de lei complementar que disponha sobre a responsabilidade tributária; e (c) contestação quanto às obrigações acessórias e multas aplicadas; (ii) também existe nulidade do acórdão de primeira instância devido ao cerceamento do direito de defesa, uma vez que esquivouse de apreciar o pedido de realização de diligência consubstanciada na oitiva dos prepostos da empresa, com base na autorização do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972; (iii) não há formação de grupo econômico, mas sim um contrato de industrialização por encomenda junto à empresa devedora principal deste processo administrativo, também recorrente. As pessoas jurídicas envolvidas desempenham papeis específicos e distintos, inteiramente compatíveis com as atividades econômicas desenvolvidas, cujos atos praticados possuem evidente propósito negocial e estão dentro da estrita legalidade, não havendo que se imputar qualquer formação de grupo econômico; Fl. 4889DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.890 7 (iv) não pode ser imposta à recorrente a exigência da contribuição previdenciária a cargo do produtor rural, que deve ser retida pelo adquirente sobre a receita bruta da comercialização da produção, pois não é contribuinte, tampouco responsável tributário de tal exação. A empresa recorrente não tem qualquer relação na aquisição do gado que será encaminhado para sua industrialização, visto que a operação comercial de compra dos animais junto ao produtor rural é atribuição exclusiva da pessoa jurídica "KM3"; (v) não se sustenta a exigência fiscal com fundamento no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, haja vista a necessidade de edição de lei complementar para dispor sobre responsabilidade tributária; (vi) o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do Recurso Extraordinário (RE) nº 363.852/MG, decidiu de forma definitiva pela inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias previstas nos incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991; e (vii) uma vez indevidas as contribuições previdenciárias lançadas, também são inexigíveis os encargos de mora aplicados, assim como as multas pelo descumprimento de obrigações acessórias. É o relatório. Fl. 4890DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.891 8 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 7. Há notícias nos autos da interposição de ação judicial, sob o nº 2008.70.01.0051352, em trâmite perante a 1ª Vara Federal da Justiça Federal de Londrina, Estado do Paraná, em que a empresa "KM3", devedora principal, postula o afastamento da exigência do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural adquirida do empregador rural pessoa física (fls. 4.247/4.268). 8. Em primeiro grau, não havia sido reconhecida a legitimidade da empresa sub rogada para questionar a obrigação tributária do produtor rural. Entretanto, em grau de apelação, o TRF/4ª Região concedeu a segurança, reconhecendo a inexigibilidade do recolhimento da contribuição previdenciária prevista no art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, relativamente ao empregador rural pessoa física, afastando a responsabilidade da empresa "KM3" pelo recolhimento da exação, por subrogação, determinada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991. 8.1 Para melhor compreensão do decidido pelo Poder Judiciário, reproduzo a parte dispositiva do votocondutor do acórdão do Tribunal Regional Federal (fls. 4.256): Assim, merece ser provido o apelo, para reconhecer a legitimidade ativa da Impetrante e julgar procedente o pedido inicial, para reconhecer a inexigibilidade do recolhimento da contribuição previdenciária, prevista no artigo 25 da Lei 8.212/91, relativamente aos produtores rurais empregadores, sendo, no entanto, devida pelos segurados especiais. Assim, resta afastada a obrigação da Impetrante, por subrogação, determinado no art. 30, IV, da Lei 8.212/91. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento à apelação. 8.2 Eis a ementa do acórdão que deu provimento à apelação cível nº 2008.70.01.0051352/PR (fls. 4.248): TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. EMPREGADOR RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o RE 363.852/MG, reconheceu a inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre a comercialização de produtos vendidos por produtor rural, pessoa física, Fl. 4891DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.892 9 empregador, prevista no artigo 25 da Lei 8.212/91. Com efeito, resta afastada a obrigação, por subrogação, do recolhimento daquele tributo, relativamente às pessoas jurídicas descritas no inciso IV do artigo 30 da Lei 8.212/91. 9. Para que fique claro que a ação judicial interposta pela empresa "KM3" tem por objeto os fatos geradores regulados sob à égide da Lei nº 10.256, de 2001, copio trecho da decisão do TRF/4ª Região que impôs, com relação ao recurso extraordinário manejado pela empresa, o sobrestamento do feito até o julgamento de mérito pelo STF dos recursos extraordinários representativos de controvérsia, conforme hipótese prevista no Código de Processo Civil (fls. 4.247): Tratase de recurso extraordinário interposto com fundamento no art. 102, inciso III, da Constituição Federal, contra acórdão de Órgão Colegiado desta Corte, versando sobre contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física FUNRURAL (Análise da constitucionalidade do art. 1º da Lei 10.256/2001, no que deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991. Permanência no ordenamento jurídico dos incisos I e II do art. 25 da Lei 8.212/1991 mesmo após o advento da Lei nº 10.256. Exigibilidade da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural do empregador a partir do advento da referida lei) (DESTAQUES DO ORIGINAL) 10. A existência de ação judicial com o mesmo objeto obsta o curso do contencioso administrativo, na linha de entendimento do enunciado da Súmula nº 1 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), assim redigida: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 11. Ao optar pela discussão judicial, o sujeito passivo abdica da esfera administrativa. A renúncia às instâncias administrativas ou a desistência do recurso interposto configura fato impeditivo do direito de recorrer, não podendo ser conhecida a petição na parte concomitante. 12. Nesse cenário, uma vez que são matérias submetidas ao Poder Judiciário, não tomo conhecimento das razões de mérito, aduzidas pela devedora principal e/ou responsável solidária, referentes à exigência fiscal para recolhimento das contribuições previdenciárias com fundamento no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, quando subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física, assim como no tocante à validade do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação da Lei nº 10.256, de 2001. Fl. 4892DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.893 10 12.1 Segundo se verifica da ementa do acórdão que deu provimento à apelação cível nº 2008.70.01.0051352/PR, compõe o âmbito da discussão no mandado de segurança impetrado pela empresa "KM3", inclusive, o próprio alcance da decisão do STF proferida no RE nº 363.852/MG, quanto à inconstitucionalidade da contribuição previdenciária dos incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, relativamente a fatos geradores após a edição da Lei nº 10.256, de 2001. 13. Por outro lado, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. Quanto a tais matérias distintas do processo judicial, uma vez satisfeitos os requisitos de admissibilidade, passo ao exame dos recursos voluntários. Preliminares a) Nulidade do acórdão: falta de apreciação de argumentos da impugnação 14. Aduz a empresa "FKM3", arrolada pela autoridade fiscal como solidária do crédito tributário, que não obstante constar do relatório do acórdão recorrido o resumo dos fundamentos deduzidos na sua impugnação, a decisão proferida em primeira instância deixou de apreciar aos seguintes pontos fundamentais para o deslinde da controvérsia, configurando supressão de instância: (i) ilegalidade da exigência do FUNRURAL em relação à recorrente; (ii) a inaplicabilidade do inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, diante da falta de lei complementar que disponha sobre a responsabilidade tributária; e (iii) impugnação quanto às obrigações acessórias e multas aplicadas. 15. Assim não me parece. Embora algumas vezes de forma não tão explícita e direta, a decisão de piso enfrentou e rechaçou todas as teses relevantes listadas pela impugnante, ora recorrente. 16. Quanto à ilegalidade da exigência das contribuições previdenciárias da empresa recorrente, na condição de responsável solidária, porquanto não era produtora rural, tampouco adquirente da produção rural, ficou consignado no votocondutor do acórdão recorrido que a responsabilidade pelo crédito tributário do lançamento decorria do disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, que exige tão somente a caracterização do grupo econômico (fls. 4.430): Em razão da constatação de formação de grupo econômico, a empresa FKM3 responde solidariamente pelo presente lançamento, em decorrência do disposto no art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991: Art. 30 [...] [...] Fl. 4893DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.894 11 IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; A caracterização do grupo econômico de fato exige a comprovação por parte da fiscalização de que as empresas estão sob a direção ou administração de uma delas e no presente caso, ocorrem as seguintes situações: (...) 16.1 Segundo a decisão de piso, o conjunto dos fatos narrados permitia concluir pela existência de grupo econômico de fato entre as empresas. 17. No que tange à inaplicabilidade do inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, a questão provocada pela recorrente diz respeito, sem dúvida alguma, à defesa da incompatibilidade da lei ordinária em face do art. 146 da Constituição da República de 1988, preceptivo que impõe, segundo a peticionante, a edição de lei complementar para dispor acerca da sujeição passiva tributária. 17.1 Nesse tipo de argumento, pela sua natureza de confronto com os preceitos de ordem constitucional, eis que contestam a presunção de constitucionalidade das leis, a decisão de piso foi logo enfática, ressaltando a vedação pela legislação vigente do exame no âmbito administrativo (fls. 4.426): Cabe esclarecer que as alegações de inconstitucionalidade não serão analisadas por esta instância de julgamento, em razão da vedação expressa no art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 e art. 18 da Portaria RFB nº 10.875/2007. 17.2 Não há reparo a fazer. O afastamento da presunção de constitucionalidade de lei, aprovada pelo Poder Legislativo, demanda apreciação e decisão por parte do Poder Judiciário. De sorte que escapa à competência dos órgãos julgadores administrativos a declaração de inconstitucionalidade de lei tributária. Argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. 17.3 Nesse sentido, não só o "caput" do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária 18. Por fim, quanto à contestação das obrigações acessórias e multas aplicadas pela autoridade fiscal, o acordão recorrido manifestouse expressamente com a seguinte abordagem (fls. 4.430): Quanto à alegação de que as multas referentes ao descumprimento de obrigações acessórias deve ser anulada, a mesma não procede, uma vez que no presente processo não há lançamento referente ao descumprimento de multa acessória. Em relação à aplicação de multa mais benéfica, de acordo com a determinação do art. 106, II, “c” do Código Tributário Fl. 4894DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.895 12 Nacional, esclarecese que no presente lançamento estão sendo lançados créditos decorrentes de fatos geradores ocorrido a partir de 01/2009, ou seja, após a edição da MP nº 449/2008. Portanto, não há que se falar em retroatividade de multa mais benéfica no presente AutodeInfração. 19. Em suma, sem razão a recorrente quanto à alegação de omissão na apreciação de fundamentos da impugnação pela instância de entrada. b) Nulidade do acórdão: cerceamento do direito de defesa 20. Requer a empresa "FKM3", igualmente, a nulidade do acórdão de primeira instância pelo fato de a decisão "a quo" não analisar e pronunciarse sobre o pedido de diligência realizado tempestivamente, consubstanciado na oitiva dos prepostos da pessoa jurídica, conforme inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. 21. Pois bem. Transcrevo o pedido formulado pela empresa "FKM3" na sua impugnação (fls. 4.290): (...) Tendose em vista o exposto, requerse: 1. a realização de diligência para oitiva de prepostos da impugnante, a fim de que seja devidamente comprovado que inexiste formação de grupo econômico; (...) 22. A toda a evidência, cuidase de pedido genérico, desprovido da mínima justificativa para o deferimento de prova testemunhal, nem mesmo a qualificação das pessoas consideradas prepostos da empresa. A realização de diligência para produção de novas provas demanda a motivação da parte interessada, com vistas ao julgador administrativo avaliar a importância e utilidade para o deslinde do processo tributário. 23. Nessa compreensão, o que diz o Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas Fl. 4895DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.896 13 necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (...) 24. A empresa "KM3", devedora principal, também formulou pedido de diligência genérico para o oitiva dos seus sócios e testemunhas, com o propósito de "confirmar a atividade de negociação desenvolvida e que inexiste formação de grupo econômico" (fls. 4.316.4.317). 25. Em um e outro caso, o Colegiado de primeira instância deu uma única explicação e solução para a questão da prova do grupo econômico, não deixando de assumir posição sobre os pedidos de diligências. Ao contrário do alegado pela recorrente, a decisão de piso não se refere exclusivamente ao pleito formulado pela empresa "KM3", aplicandose aos pedidos das empresas as considerações acerca da falta de apresentação de documentação hábil no sentido da exclusão do grupo econômico de fato. Reproduzo o conteúdo do Acórdão nº 14 49.427: DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA Quanto ao pedido de diligência, não o acatamos por entendemos que o mesmo não atende ao requerido pelo inciso IV do art.16 do Decreto n° 70.235 de 6 de Março de 1972, in verbis: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Ao contribuinte foi facultado trazer aos autos os documentos requisitados pela autoridade fiscal, tendo na fase impugnatória, a possibilidade de apresentar documentação hábil no sentido de elidir a exclusão em tela. Não obstante, não apresentou, como supra se expôs, documentação hábil a tornar insubsistente o Ato Declaratório ora atacado, sendo descabido o protesto genérico pela diligência fiscal, protesto esse, que deve ser rejeitado de plano, com fulcro no art. 18 do Decreto n° 70.235/72, com as modificações introduzidas pelo art. 1o da Lei n° 8.748/93. 26. Mais uma vez, portanto, cabe rejeitar a pretensão de declarar nulo o acordão recorrido. Mérito a) Sujeição passiva da empresa "KM3" 27. Reclama a empresa devedora principal, "KM3", adquirente da produção rural animal, que a sujeição passiva é cabível ao produtor rural pessoa física, o qual possui capacidade contributiva e deve sofrer naturalmente o ônus da incidência tributária. Fl. 4896DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.897 14 27.1 Prossegue argumentando que tendo em vista a existência de ação judicial que discute a responsabilidade da recorrente e o consequente provimento quanto à inexigibilidade do recolhimento da contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural, não houve a retenção da parcela no momento das operações de compra. Desse modo, a exigência fiscal deve recair sobre os empregadores rurais pessoas físicas, sob pena de enriquecimento ilícito das pessoas naturais que comercializaram a sua produção. 28. Pois bem. A obrigação da pessoa jurídica adquirente de produção rural da pessoa física está expressa na Lei nº 8.212, de 1991: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (...) Art. 30 (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (...) (GRIFEI) 29. Ao ostentar o produtor rural pessoa física a condição de contribuinte de fato, a lei não prevê a existência do liame jurídico diretamente com a pessoa natural, cabendo ao Fisco exigir o recolhimento da exação da pessoa jurídica que adquire a produção rural. 29.1 O provimento judicial favorável ao adquirente de produtos rurais, que tem por obrigação a retenção e o recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural, não implica a transferência da sujeição passiva ao produtor rural pessoa natural, por falta de previsão legal. 30. A recorrente poderia ter procedido, junto ao produtor rural, a retenção da contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural quando das operações comerciais de aquisição de animais vivos. No entanto, fez opção por levar ao Poder Judiciário a discussão a respeito da legitimidade da obrigação tributária estabelecida na Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 4897DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.898 15 30.1 O acesso à tutela jurisdicional em face de lesão ou ameaça a direito é corretamente garantido pela Carta Política de 1988 a todas as pessoas físicas e jurídicas, porém não está livre de consequências econômicas quando desfavorável a sentença judicial ao demandante. 30.2 Uma vez mantida, ao final, a decisão judicial que afastou a obrigação do recolhimento da contribuição previdenciária determinada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, a empresa "KM3" não sofrerá ônus financeiro, extinguindose o crédito tributário apurado pela fiscalização. 30.3. Por outro lado, decidindo o Poder Judiciário que, após a entrada em vigor da Lei nº 10.256, de 2001, é devida a contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta da comercialização de produtos pelo empregador rural pessoa física, sendo a empresa adquirente responsável, por substituição tributária, pela retenção e recolhimento da exação, não haverá mais provimento judicial que respalde a empresa "KM3" para eximirse do pagamento do tributo que tenha deixado de recolher ao tempo e modo previstos na Lei nº 8.212, de 1991. 31. Nesse sentido, o § 5º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 33 (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. 32. Logo, sem razão a recorrente. b) Sujeição passiva da empresa "FKM3" 33. Em renovação aos argumentos trazidos por ocasião da impugnação, a recorrente arrolada como devedora solidária, "FKM3", volta a reafirmar a sua condição de alheia às operações comerciais de aquisição do gado, as quais são de responsabilidade exclusiva da empresa "KM3", na qualidade de encomendante dos produtos que são encaminhados à industrialização. 33.1 À vista disso, não é contribuinte, nem responsável tributário pela contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural da pessoa natural, o que afasta a imputação fiscal. 34. Pois bem. Como dito linhas acima, a sujeição passiva da recorrente é uma decorrência, segundo a autoridade fiscal, do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, novamente reproduzido abaixo: Art. 30 (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Fl. 4898DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.899 16 (...) 35. O art. 124 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), prevê as duas hipóteses clássicas de solidariedade pelas obrigações tributárias: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. 36. É certo que o interesse comum a que alude o inciso I não é o mero interesse econômico na situação que constitua o fato gerador, e sim o interesse jurídico, consistente na participação conjunta no fato gerador da obrigação tributária. 37. Entretanto, é distinta a concepção da responsabilidade solidária prevista no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, porque retira seu fundamento do inciso II do art. 124 do CTN. 37.1 Tratase de uma solidariedade de direito, em que é dispensável, com vênia aos defensores do ponto de vista contrário, o interesse jurídico no fato gerador das contribuições previdenciárias, isto é, que as empresas do grupo econômico de qualquer natureza participem, necessariamente, dos atos que configuram o fato gerador ou a infração. 38. Se as empresas envolvidas na acusação fiscal pertencem efetivamente ao mesmo grupo econômico é uma questão que será avaliada mais adiante, neste voto. 39. Sem razão a recorrente. c) Multa 40. As empresas recorrentes questionam a multa de ofício, no percentual de 75%, aplicada proporcionalmente sobre a contribuição previdenciária lançada, pugnando pela sua redução. A empresa "KM3", inclusive, lembra que a falta de recolhimento da exação é consequência da decisão judicial que lhe ampara. 41. Pois bem. A ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal deuse em 30/04/2002 (fls. 116/117). Por sua vez, a decisão proferida pelo TRF/4ª Região na apelação cível no mandado de segurança impetrado contra o Delegado da Receita Federal do Brasil em Londrina foi proferida na sessão de 21/07/2010 (fls. 4.248/4.263). A publicação do Diário Eletrônico ocorreu em 04/08/2010. 1 1 Consulta processual, www.trf4.jus.br Fl. 4899DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.900 17 42. Como cediço, as sentenças/acórdãos proferidas em ações de segurança devem ser executadas de imediato. Vêse, portanto, que antes do início da ação fiscal a empresa "KM3" era detentora de provimento judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário lançado pela fiscalização. 43. Aplicável, nesse contexto, o art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (GRIFEI) 44. Conquanto não tenha feito alusão ao art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, a decisão de piso manteve a multa de ofício de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da mesma Lei, sob a justificativa de que não houve pagamento e nem a declaração da contribuição previdenciária devida em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) 45. Não compartilho do mesmo ponto de vista do julgador "a quo", porquanto a multa proporcional a que menciona o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que pune, ao mesmo tempo, as infrações de não recolher, não declarar e declarar com exatidão, alcança os lançamentos de ofício relacionados a tributos para os quais não tenha havido a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 46. Na hipótese de suspensão da obrigação de recolher a contribuição previdenciária, porém subsistindo a obrigação acessória de declaração em GFIP, é cabível a incidência da multa isolada de que trata o art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, quando constatada incorreções ou omissões. Ressalto, em que pese aproximadamente duas décadas de implantação da GFIP, o documento não tem campo especial para informação de valores com exigibilidade suspensa. Fl. 4900DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.901 18 47. Logo, cabe excluir a multa de ofício do crédito tributário lançado pela autoridade fiscal. 48. Assinalo, por fim, conforme já consignado na decisão de piso, que o lançamento fiscal, neste processo administrativo, não comportou multas pelo descumprimento de obrigações acessórias. d) Grupo Econômico 49. Ambos os apelos sustentam, em harmonia de discursos, a inexistência de grupo econômico entre as empresas. 50. Em linhas gerais, a argumentação quanto à ausência de configuração de grupo econômico apoiase na existência de um contrato de industrialização por encomenda firmado entre as empresa "KM3", encomendante, e "FKM3", encomendada, datado de 26 de fevereiro de 2007, com a finalidade de prestação de serviços de abate, resfriamento e posterior embarque de carcaças bovinas (fls. 4.297/4.300). 50.1 Segundo o contrato, a "KM3" realizaria as aquisições dos animais e enviaria as reses para a "FKM3". Esta, por sua vez, realizaria o abate, manipulação, preparação e conservação dos animais, devolvendo o produto já industrializado para a encomendante. Toda a operacionalização da industrialização por encomenda foi devidamente registrada pelas empresas na contabilidade. 50.2 Em todo o processo de industrialização, a estrutura física é da "KM3", cabendo a "FKM3" o fornecimento da mãodeobra. A utilização da estrutura da empresa encomendante, além de acarretar substancial redução de custos, é precipuamente funcional, dado o manuseio de produtos controlados e perecíveis destinado à venda comercial pela "KM3". 51. Voltando os olhos para a acusação fiscal, o agente lançador, após o detalhamento dos fatos no Termo de Verificação Fiscal, faz a seguinte síntese das razões que levaram a concluir pela existência de um grupo econômico de fato entre as empresas mencionadas (fls. 101/103): Unidade de atuação, como verificado nos serviços prestados pelo mesmo contador Sr. Claudinei Delbianco, CRCPR 029.247/01, atuando nas duas empresas; Documentos contábeis, Livros Diário e Livros Razão, e entrelaçamento dos lançamentos contábeis entre as contas das empresas FKM3 e KM3; A FKM3 (Encomendada) não contabiliza despesas com energia elétrica, telefones, conservação de imóveis; As despesas de energia elétrica, telefone, conservação de imóveis, etc, despesas operacionais constam como despesas e contabilizadas na empresa KM3 (Encomendante); Contabilização na empresa FKM3 de valores na conta (20.40001) Empréstimos a Pagar e na conta (20.80001) Fl. 4901DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.902 19 Antecipações de Cliente, da empresa KM3 Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda (empresa do grupo). Não constam na contabilidade da empresa KM3, (conta: 11.01001 Contas a Receber e conta 11.31003 Adiantamento a Fornecedores/FRIGORÍFICO KM3 LTDA) os valores correspondentes aos Empréstimos a Pagar e Antecipações de Clientes, concedidos pela KM3, à empresa FKM3 e lançados em sua contabilidade; A empresa FKM3 Industria e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda ME, Encomendada,conforme Contrato Particular de Industrialização por Encomenda, presta serviços exclusivamente de Matadouro abate de reses à empresa KM3 Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, Encomendante; Somente a FKM3 Industria e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda ME, mantém registrados no seu quadro de pessoal, os segurados empregados administrativos e operacionais necessários ao funcionamento de um frigorífico; A FKM3 através de seus funcionários executam todas as atividades operacionais e administrativas da empresa KM3, no mesmo local. A empresa KM3, não possui nenhum segurado empregado registrado no seu quadro de pessoal; Os serviços são executados no estabelecimento da KM3 (Encomendante). A FKM3 Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda ME (Encomendada), não possui imóvel ou equipamentos necessários para execução de atividades operacionais e administrativas através de seus empregados. A FKM3 não efetua pagamentos de aluguel (não contabiliza despesas com locação de imóveis); Os segurados empregados da FKM3 (Encomendada), são lotados e executam suas atividades empregatícias no imóvel que a KM3 (Encomendante), mantém sob contrato de locação; A empresa KM3 (Encomendante), apesar de adquirir reses para abate, industrialização e posterior comercialização dos produtos industrializados, não possui no seu quadro de pessoal nenhum segurado empregado registrado; A empresa FKM3 Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda ME, (Encomendada), colocou à disposição da empresa Encomendante KM3 Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, e em suas dependências, segurados que realizam serviços contínuos e relacionados com atividade fim da empresa Encomendante, incorrendo em uma das situações vedadas pela Lei para recolhimento de imposto e contribuições na forma do Simples Nacional. Fl. 4902DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.903 20 52. Pois bem. Hodiernamente, a noção de grupo econômico transcende a questão de mera participação societária de uma pessoa jurídica em outra empresa, ou de um sócio ou acionista pessoa natural em várias empresas, o que acaba resultando no controle, direção ou administração sob a forma vertical de uma ou umas sobre as outras. 53. Os grupos econômicos de fato são destituídos de formalidades e decorrem de uma unidade de direção e administração. Duas ou mais empresas, com personalidade jurídica e patrimônio próprio, articulam recursos e esforços de forma coordenada para a consecução de objetivos comuns, em comunhão de bens e interesses. Há na prática uma direção, controle ou administração em conjunto, compondo um grupo industrial, comercial ou qualquer outra atividade econômica. 54. Pelo que se depreende da leitura dos autos, e das justificativas e explicações contidas na peças recursais, as empresas engendraram uma arquitetura de negócios com o propósito de maximizar recursos próprios e minimizar custos das atividades econômicas, aproveitandose da expertise de cada uma na área de abate, industrialização e comércio de carnes e seus derivados. 54.1 Não tenho dúvida, por outro lado, que a finalidade também envolveu um planejamento fiscal, mediante a concentração da força de trabalho na empresa optante pelo Simples Nacional ("FKM3"). 55. A responsabilidade tributária solidária não é uma penalidade, mas sim concede garantia adicional à satisfação do crédito tributário. Mesmo na hipótese de prática de negócios lícitos e permitidos entre empresas, é possível a produção de efeitos tributários indesejados pela partes, algumas vezes não avaliados com a devida antecedência. 56. De forma isolada, os indícios trazidos pela fiscalização não se prestam a comprovar a formação de um grupo econômico de fato. Porém, o conjunto de tais indícios, mesmo que observadas as ressalvas da recorrente quanto às peculiaridades do funcionamento de um frigorífico, é dotado de seriedade e convergência, ganhando, ao final, força probante da existência de uma unidade de gestão e confusão patrimonial. Em outras palavras, a partir de um conjunto de fatos indiciários, admitese a existência do fato indiciado. 57. A razão social é similar entre as duas empresas, assim como o objeto social (itens 26 a 28, às fls. 92/95). Ambas utilizam a sigla "KM3". A correlação de identidade sugere vínculo e confiabilidade para o público externo. 57.1 A empresa KM3 Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda ("KM3") foi criada em 2003, tendo como um dos seus sócios o Sr. Rodolfo Carlos Diehi, que logo depois retirouse formalmente da sociedade (fls. 153/178). 57.2 Quanto à empresa FKM3 Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda ("FKM3"), foi constituída no final do ano do mês de novembro de 2006, um pouco antes da assinatura do contrato de industrialização por encomenda (fevereiro/2007), com o nome empresarial de Frigorífico KM3 Ltda, posteriormente alterado (fls. 180/195). Consta como sócio e administrador o Sr. Rodolfo Carlos Diehi. 58. Para viabilizar as atividades de abate de reses e preparação de carne no contrato de industrialização por encomenda, a empresa "FKM3" estabeleceu sua sede no mesmo endereço da "KM3", permitindo, desse modo, o uso comum do parque industrial, da estrutura Fl. 4903DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.904 21 física e dos recursos humanos da "KM3", que era uma empresa com marca conhecida e consolidada no mercado. 59. Em março/2007, houve a transferência dos segurados empregados operacionais e administrativos da "KM3", que segundo a recorrente estava com as atividades de abate reduzidas, para a "FKM3". 59.1 Contudo, não se procedeu à demissão e posterior admissão dos trabalhadores, mas somente anotação na Ficha de Registro de Empregados da "FKM3" acerca da transferência da força de trabalho entre as empresas, consignadose a mesma data de admissão e a mesma função constante no Livro de Registro da "KM3" (item 35, às fls. 98/101). Os avisos de férias e as rescisões de contrato de trabalho retratam tal aspecto peculiar do remanejamento dos empregados (fls. 274/283) 59.2 Sobre o episódio, afirma a recorrente que, ao assumir o nicho de abate, os contratos de trabalho vigentes deveria ter sido rescindidos e novamente firmados pela nova empresa, o que não ocorreu pela desorganização dos administradores da pessoa jurídica. 59.3 É uma explicação bastante singela, de difícil aceitação. A simples transferência dos empregados efetuada entre as empresas passa a ideia, na verdade, de continuidade gerencial e administrativa, situação que dispensaria a necessidade de pronta regularização do empregador. 60. Na contabilidade da empresa "FKM3", a fiscalização identificou empréstimos e suplementação de caixa recebidos da empresa "KM3". Não há sinalização sobre a devolução dos valores. 61. No processo de industrialização por encomenda, a "KM3" cedeu seu espaço industrial, com pagamento integral das despesas de energia elétrica, conservação e reparos, telecomunicações, entre outras. Na escrituração contábil da "FKM3" são contabilizados apenas os gastos com mãodeobra e encargos, nem mesmo há registro de pagamentos de alugueis. As receitas da "FKM3" registradas na contabilidade correspondem exclusivamente à prestação de serviços para a empresa "KM3". 62. No período fiscalizado, a empresa "KM3" não possui no seu quadro de pessoal nenhum segurado empregado registrado para execução de atividades operacionais e administrativas, apesar de adquirir reses para abate e comercializar os produtos industrializados. 62.1 Segundo consta dos recursos voluntários, as atividades da "KM3" eram desempenhadas tão só pelos sócios e representantes comerciais autônomos. É pouco crível, entretanto, não só pelos expressivos valores anuais relacionados à aquisição de gado para industrialização, na ordem de R$ 45/50 milhões de reais, como pela própria necessidade do acompanhamento e fiscalização do processo de industrialização pela "KM3" junto a "FKM3", caso não fossem empresas vinculadas. 63. Aponta ainda a fiscalização a presença de uma unidade de procedimento, como vinculação entre as notas fiscais e os correspondentes registros utilizando idêntico histórico no Livro de Registro de Entradas e Livro de Registro de Saídas. Fl. 4904DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201382 Acórdão n.º 2401005.006 S2C4T1 Fl. 4.905 22 64. Entendo que o cenário é robusto para indicar a existência de um grupo econômico por coordenação, hipótese que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando ambas do mesmo empreendimento. 65. As duas empresas, mediante compartilhamento ordenado de recursos materiais e humanos, exercem atividades semelhantes e complementares, em prol de interesses comuns. Há clara confusão patrimonial e administrativa, sinalizando atividade integrada e unidade de direção, que são características dos grupos econômicos. 66. Mantémse, assim, o grupo econômico de fato e, por consequência, o vínculo de responsabilidade solidária da empresa "FKM3" pelo crédito tributário lançado pela fiscalização. e) Demais questões 67. Em relação ao Processo 11634.720766/201216, mencionado no recurso voluntário, diz respeito a fatos geradores do ano de 2008 e, portanto, não relacionados com o crédito tributário deste processo administrativo. 68. Quanto aos DEBCAD's n° 37.352.0778 e 51.001.8858, e aplicação de multa de ofício qualificada no importe de 150%, a matéria é estranha ao presente processo, visto que os débitos indicados não fazem parte do lançamento sob exame. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO parcialmente dos recursos voluntários e, na parte conhecida, REJEITO as preliminares e DOULHES PROVIMENTO PARCIAL para exclusão da multa de ofício de 75%. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 4905DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002139/2003-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 07/07/2008
COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA.
Preenchidos os requisitos legais, deve ser deferido o pedido de restituição formulado pelo contribuinte e afastada a alegação de decadência do direito respectivo.
Numero da decisão: 3201-001.164
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Os Conselheiros Paulo Sergio Celani e Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente) acompanharam o relator pelas conclusões.
Matéria: CPMF - proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CPMF - proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 07/07/2008 COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Preenchidos os requisitos legais, deve ser deferido o pedido de restituição formulado pelo contribuinte e afastada a alegação de decadência do direito respectivo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 13971.002139/2003-11
conteudo_id_s : 5767156
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3201-001.164
nome_arquivo_s : Decisao_13971002139200311.pdf
nome_relator_s : Marcelo Ribeiro Nogueira
nome_arquivo_pdf_s : 13971002139200311_5767156.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Paulo Sergio Celani e Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente) acompanharam o relator pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
id : 6925779
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466750107648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 3201001164_13971002139200311_201211; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-09-08T19:16:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 3201001164_13971002139200311_201211; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 3201001164_13971002139200311_201211; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-09-08T19:16:55Z; created: 2017-09-08T19:16:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-09-08T19:16:55Z; pdf:charsPerPage: 1099; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-09-08T19:16:55Z | Conteúdo => S3-C2Tl FI. I Processo n° Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Recorrente Recorrida MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 13971.002139/2003-11 0000000 Voluntário 3201-001.164 - 2a Câmara / P Turma Ordinária 28 de novembro de 2012 IPMF Construtora Stein Ltda. Fazenda Nacional Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 07/07/2008 COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Preenchidos os requisitos legais, deve ser deferido o pedido de restituição formulado pelo contribuinte e afastada a alegação de decadência do direito respectivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2a Câmara / 1a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Paulo Sergio Celani e Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente) acompanharam o relator pelas conclusões. da~/ jJ"~ MARCOS.Af: ELIO ;;;~&ÃLADAO - preSi~ente. AI\OVV~fu Q.'O n.'. ~ ~~W"oJ.'. MARCELO RIBEIR~~ - Relat'a() .. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Daniel Mariz Gudifío e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de pedido de restituição, protocolizado em 29/08/2003, de crédito relativo a recolhimentos indevidos que teriam sido efetuados a titulo de IPMF em setembro de 2003, no valor total de R$ 6.479,74 (folha OI). Na apreciação do pleito, manifestou-se a Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC pelo indeferimento do pedido de restituição (Despacho Decisório às folhas 32 a 34), fazendo-o com base na assertiva de que, em face dos conteúdos do inciso I do artigo 165 e inciso I do artigo 168 do Código Tributário Nacional (CTN), do Parecer PGFN/CAT 550/1999 e do Ato Declaratório SRF n. o 96/1999, o prazo para restituição do indébito tributário seria de cinco anos, com termo inicial na data do pagamento indevido. É que como os recolhimentos reclamados pela contribuinte foram efetuados em setembro de 1993, e o pedido de restituição foi protocolizado apenas em 29/08/2003, o pedido repetitório seria intempestivo. Irresignada com tal indeferimento, encaminhou a contribuinte a manifestação de inconformidade, às folhas 37 a 41, na qual contesta a decisão da DRF/Blumenau/SC com base na alegação de que já está firmada a jurisprudência no sentido de que o prazo para repetição do indébito seria de 10 anos (a chamada tese "dos cinco mais cinco''), e não de 5 anos como pretende a autoridade fiscal. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRiBUTARia Período de apuração: 01/09/1993 a 30/09/1993 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contado da data dopagamento indevido. Solicitação Indeferida o contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, ~presento~ recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de/)/ Impugnaçao. ~ É o Relatório. Voto 2 Processo n° 13971.002139/2003-11 Acórdão n.o 3201-001.164 Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira S3-C2T1 FI. 2 Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. Venho defendendo que o prazo para restituição de qualquer valor pago indevidamente a título de tributo à administração federal e sujeito ao lançamento por homologação, cujo fato gerador fosse anterior à Lei Complementar n° 118/05, está sujeito unicamente ao prazo de 10 (dez) anos, até então, pacificado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o que está refletido em alguns julgados de que participei neste Colegiado. São exemplos desta jurisprudência: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTARIO FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO PRESCRIÇÃO ARTIGO 66 DA LEI N° 8.383/91. 1. Nos tributos lançados por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito será de dez anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco''), e de cinco anos a contar da homologação, se expressa. Precedentes. 2. O artigo 66 da Lei n° 8.383/91 restringe a possibilidade de compensação aos tributos da mesma espécie e destinação constitucional. 3. Ainda que o título executivo emanado do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos créditos do Finsocial com outros tributos administrados pela SRF, nada obsta que tal pleito seja manejado na esfera administrativa sob a regência da legislação posteriormente concebida. 4. Recurso especial provido emparte. (REsp 931726/SP, Relator Ministro Castro Meira, rTurma, DJ27.06.2007,pág. 236) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTARIO AGRAVO REGIMENTAL. AGRA VO DE INSTRUMENTO ISENÇÃO PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS A ZONA FRANCA DE MANAUS. PRESCRIÇÃO TERMO INICIAL. FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO ARTIGO 4~ DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENARIO MATÉRIA DECIDIDA PELA r SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O REGIME DO ART. 543-C DO cpc. VIOLAÇÃOAO ART. 535, cpc. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 4° do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT ''preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio. estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naqUel~ 3 regzao os beneficios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro Ir. Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "0 conteúdo do art. 4° do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior. " 2. O art. 5° da Lei 7.714/88, com a redação dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. r da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, infere-se que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp 681. 395/SC, ReI. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, ReI. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 13/11/2009; RESP 223.405-MT, DJ de 01.09.2003, Relator Min. Humberto Gomes de Barros; RESP 144. 785-PR, DJ de 16.12,2002, Relator Min. Paulo Medina). 4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI n° 2348-9, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do 9 ]O do art. 14 da MP n° 2.037-24, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. 5. Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.037-24 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. 6. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 7. A Primeira Seção, quando do julgamento do Resp 1002932/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos", reafirmou o entendimento de que: "(..) em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei --e/ 4 Processo n° 13971.002139/2003-11 Acórdão n.o 3201-001.164 complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada. "). Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido." (RESP 1002932/SP, ReI. Ministro Luiz Fux,julgado em 25/11/2009) 8. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3~ o disposto no art. 106, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional", constante do artigo 4~ segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 9. In casu, as parcelas foram recolhidas antes do advento da Lei, por isso que a tese é a consagração dos 5 anos de decadência da homologação acrescido dos 5 anos de prescrição, a contar da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. 10. A ofensa ao art. 535 do CPC inexiste quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag n° 1292410/AM, Relator Ministro Luiz Fux, r Turma, DJe 07/04/2011) S3-C2T1 FI. 3 Contudo, ao rever o voto proferido pela ilustre Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena no julgamento do Recurso n° 136.260, do antigo Conselho de Contribuintes, passei a reconhecer como igualmente válida e adequada outra solução para este problema. o que me chamou a atenção naquela oportunidade foi a interpretação da ilustre colega sobre o teor do parágrafo terceiro do artigo 18 da Lei n° 10.522/02 confrontada com a Lei n° 11.051/04, que inseriu a matéria em exame entre aquelas listadas no referido artigo, durante os debates orais do Colegiado, isto porque na lei não há palavras inúteis e a vedação à restituição somente ex offieio parece indicar que seria possível a restituição a pedido do interessado. De fato, quando a Lei n° ] 1.051/04 quis vedar toda e qualquer hipótese de restituição assim o fez expressamente, como é o caso de seu parágrafo segundo do artigo ]0, verbis: 5 9 2º A utilização do crédito está limitada ao saldo da CSLL a pagar, observado o disposto no 9 ]º deste artigo, não gerando a parcela excedente, em qualquer hipótese, direito à restituição, compensação, ressarcimento ou aproveitamento em períodos de apuração posteriores. Idêntica distinção pode ser observada na própria Lei n° 10.522/02, em seu texto original, quando confrontamos os termos do parágrafo terceiro do artigo 18 com o parágrafo terceiro do artigo 31, respectivamente: 9 3º O disposto neste artigo não implicará restituição ex o(ficio de quantia paga. 9 3º O disposto neste artigo não implicará restituição de quantias pagas. (grifosdesterelator) Ora, por que esta distinção entre os dois textos da mesma lei? Isto deve ter um significado especial, numa hipótese legal está se vedando toda e qualquer restituição, noutra (que é a que interessa para o presente julgamento) só se veda a restituição ex ofjicio. O método de interpretação sistemática não parece deixar dúvida de que seria possível a restituição a pedido do interessado no presente caso, a partir da edição da Lei n° 10.522/02. Passo, portanto, à análise da natureza jurídica do comando extraído do artigo 18 da Lei n° 10.522/02. A mais evidente natureza jurídica é de renúncia ao direito de recorrer ao Poder Judiciário sobre as matérias ali elencadas. Também tem natureza jurídica de regra administrativa de afastamento de hipótese de responsabilidade funcional. Ainda tem natureza jurídica de renúncia do direito/dever de lançar, inscrever em dívida ativa e exigir o tributo. Por fim, quando analisada sob a influência dos Princípios Gerais da Administração Pública e o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal (Decreto nO 1.171, de 22 de Junho de 1994) tem natureza jurídica de reconhecimento genérico de dívida pública, no que se refere àqueles administrados que recolheram o tributo, agora reconhecido como indevido. Neste ponto, é interessante examinarmos o brilhante ensinamento do jurista Giuseppe Chiovenda sobre a distinção entre reconhecimento, renúncia e confissão: O reconhecimento é a declaração do réu de que a demanda do autor éjuridicamente fundada. Nisto se distingue da conjissão, a qual se volve para os diversos fatos, não para a ajirmaçã~ 6 Processo n° 13971.002139/2003-1 I Acórdão n.o 3201-001.164 jurídica em seu complexo. A renúncia é a declaração do autor de que sua ação é infundada; e também ela difere da confissão porque não reconhece nenhum fato afirmado pelo réu, senão que somente nega a consistência jurídica da ação. (Instituições de Direito Processual Civil, tradução de J. Guimarães Menegale. São Paulo, Edição Saraiva, 1965, v. 2, p.355.) S3-C2T1 FI. 4 Não se trata de confissão de dívida pública, portanto escapa ao controle imediato da Lei Complementar n° 101/2000, seja porque está na exclusão expressa no parágrafo 2° do artigo 9°, seja porque não caracteriza restos a pagar. E por ser genérico, isto é, sem relação com o fato ou análise da prova do recolhimento também não se enquadra na definição de despesa, novamente escapando dos limites da LC n° 10I/00. Assim, entendo que não houve violação dos comandos da Lei Complementar n° 101/00 no reconhecimento da dívida pública decorrente da Lei n° 10.522/02. Ocorre que neste momento, ou seja, a partir da edição da Lei nO10.522/02 e com o reconhecimento pela administração pública federal da inconstitucionalidade dos diplomas legais que embasaram a exigência do tributo, surge novo prazo prescricional, distinto daquele decorrente do recolhimento indevido, para que o interessado promova o pedido da restituição que lhe é devida (uma vez que, apesar do reconhecimento da inconstitucionalidade, o S 3° do art. 18 veda a restituição ex oificio). Está vedada a restituição voluntária pela administração, mas se o contribuinte a solicitar dentro do novo prazo de cinco anos, contado a partir do reconhecimento legal, a administração deverá promover a restituição. Outra possibilidade surge com a orientação prevista no Parecer COSIT n° 58/98, cujo texto conclui o seguinte: RESOLUÇÃO DO SENADO. EFEITOS. Resolução do Senado que suspende a eficácia de lei declarada inconstitucional pelo STF tem efeitos ex tunc. TRIBUTO PAGO COM BASE EM LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. RESTITUIÇÃO HIPÓTESES. Os delegados e inspetores da Receita Federal estão autorizados a restituir tributo que foi pago com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, em ações incidentais, para terceiros não-participantes da ação - como regra geral - apenas após a publicação da Resolução do Senado que suspenda a execução da (..) RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA Somente são passíveis de restituição os valores recolhidos indevidamente que não tiverem sido alcançados pelo prazo decadencial de 5 (cinco) anos, contado a partir da data do ato que conceda ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. (..) ~ 7 Assim, na forma de decisões do antigo Conselho de Contribuintes "até 30/11/1999, o entendimento da administração tributária era aquele consubstanciado no Parecer COSIT n° 58/98. Se debates podem ocorrer em relação à matéria, quanto aos pedidos formulados a partir da publicação do AD SRF nO 096/99, é indubitável que os pleitos formalizados até aquela data deverão ser solucionados de acordo com o entendimento do citado Parecer, até porque os processos protocolados antes de 30/11/99 e julgados, seguiram a orientação do Parecer. Os que embora protocolados nãoforam julgados antes daquela data, haverão de seguir o mesmo entendimento, sob pena de se estabelecer tratamento desigual entre contribuintes em situação absolutamente igual. " (Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Recurso n° 126.655, unânime, relator Conselheiro Zenaldo Loibman) Tal entendimento encontra acolhida no artigo 100 do CTN, que estabelece que terá força normativa complementar, contudo, o AD SRF nO96/1999, emanado com fulcro no Parecer PGFN/CA T n° 1.538/99, revogou tacitamente o entendimento anterior ao estabelecer que o prazo para pleitear a restituição, mesmo no caso de lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, em ação declaratória ou em Recurso Extraordinário (RE), extingue-se após cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, conforme arts. 165,1 e 168, I, do CTN. Vejamos o texto do referido Ato Declaratório no que importa a este julgamento: o SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o teor do Parecer PGFN/CAT/N° 1.538, de 1999, declara: I - o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário - arts. 165, 1, e 168, 1, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Portanto, a janela para aproveitamento deste prazo específico durou até 31 de novembro de 1999, quando foi publicado o referido Ato Declaratório Normativo SRF n° 96/99. Informo ainda que a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a quem represento neste Colegiado, ajuizou Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 248) no Supremo Tribunal Federal (STF), cujo relator designado é o Ministro Dias Toffoli, visando adequar o comando do artigo 168, I do Código Tributário Nacional (CTN) à Constituição, no que se refere ao prazo prescricional para a repetição de tributo declarado inconstitucional. O pedido formulado na referida ADPF é que o prazo prescricional comece a fluir somente a partir da decisão do STF que declarar o tributo inconstitucional. Destarte, na opinião deste relator, são quatro as possibilidades de contagem do prazo prescricional para o pedido de restituição/ressarcimento pelo contribuinte, todos válidos e mutuamente complementares. ~/ 8 .. . .. Processo n° 13971.00213912003-11 Acórdão n.o 3201-001.164 S3-C2T1 FI. 5 L_ o presente recurso trata, conforme já relatado, de recolhimentos indevidos de IPMF, relativos a setembro de 1993, tendo o pedido de restituição sido protocolado na repartição fazendária em 29 de agosto de 2003. Assim, VOTO por conhecer do recurso voluntário para dar-lhe provimento, devendo a autoridade fiscal responsável confirmar o efetivo recolhimento dos valores apontados como pagos pelo contribuinte antes de autorizar a compensação, bem como, o atendimento dos demais requisitos para a compensação .. 1\ I\OA;Qt ea r;) ~fi -p" A /"I /l;von {;L(~'lC\.J.' ' MARCELO RIBE~~~~~IRA - r~r 9 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009
score : 1.0
Numero do processo: 10880.018174/97-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência para que a Secretaria da Câmara junte ao processo o voto vencedor do acórdão.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10880.018174/97-39
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5764041
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-000.439
nome_arquivo_s : Decisao_108800181749739.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 108800181749739_5764041.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência para que a Secretaria da Câmara junte ao processo o voto vencedor do acórdão. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6910660
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466765836288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1114; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 430 1 429 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.018174/9739 Recurso nº Embargos Resolução nº 3301000.439 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de junho de 2017 Assunto Obscuridade Embargante DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM TAUBATÉ Interessado PILKINGTON BRASIL LTDA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, converteuse o julgamento em diligência para que a Secretaria da Câmara junte ao processo o voto vencedor do acórdão. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .0 18 17 4/ 97 -3 9 Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10880.018174/9739 Resolução nº 3301000.439 S3C3T1 Fl. 431 2 Relatório Por economia processual, adoto o relato constante do despacho de admissibilidade dos embargos declaratórios opostos (fls. 427/429 dos autos): A DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM TAUBATÉ, invocou o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, para interpor Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 330100.420, de 03 de fevereiro de 2010, fls. 273 a 275, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA QÜINQÜENAL. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior de PIS para os períodos de apuração até 30/09/1995, com base nos inconstitucionais DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449, de 1988, tem como prazo de decadência/prescrição aquele de cinco anos, contado a partir da edição da Resolução n° 49 do Senado, que ocorreu em 10/10/1995 (até 10/10/2000) já para o período que vai de 01/10/95 a 28/02/1996, o prazo decadencial contase da data da publicação da ADin n° 1.417, que ocorreu em 13/08/1999 (até 12/08/2004). SEMESTRALIDADE. Até o advento da Medida Provisória 1.212/95 a base de cálculo do PIS corresponde ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relator), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Tereza Martinez Lopez. O arrazoado de fls. 277 a 278 , após síntese dos fatos relacionados com a lide, requer que seja conhecido e provido o recurso para que, sanandose a obscuridade que impede a correta execução do acórdão, tendo em vista que as razões constantes de sua ementa bem como o voto do eminente conselheiro relator, às fls. 274/275, trilham o caminho do provimento parcial ao recurso formulado e, o fecho da ementa (fls. 273 in fine) leva a outro entendimento. São esses os fatos. Os referidos embargos foram admitidos pelo então Presidente desta 3ª Câmara de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, sob os seguintes fundamentos: Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10880.018174/9739 Resolução nº 3301000.439 S3C3T1 Fl. 432 3 Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. Afirma a embargante que o Acórdão n° 330100.420, prolatado, nestes autos, pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento (fls. 273/275) apresenta obscuridade, a qual impede, smj, sua correta execução. Assevera que as razões constantes da ementa do citado acórdão (fls. 273 in primo) bem como o voto do eminente conselheirorelator, às fls. 274/275, trilham o caminho do provimento parcial ao recurso formulado e que, o fecho da ementa (fls. 273 in fine) leva a outro entendimento, dele constando expressamente: “Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relator), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Tereza Martinez Lopez.” (destacou) Dessa forma, em prevalecendo a negativa ao recurso voluntário, deveria ser parte integrante do acórdão em comento o competente voto vencedor, em estrita consonância com os ditames do artigo 63, §1°, do já citado Regimento Interno do CARF: “Art. 63. As decisões das turmas, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo relator, pelo redator designado e pelo presidente, e delas constarão o nome dos conselheiros presentes e os ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. § 1o Vencido o relator, na preliminar ou no mérito, o presidente designará para redigir o voto da matéria vencedora um dos conselheiros que o adotar, o qual deverá ser entregue à secretaria no prazo de 30 (trinta) dias, contado da disponibilização dos autos ao redator designado.” Mediante análise dos autos, verifico a obscuridade alegada. De fato, enquanto a decisão se deu no sentido de negar provimento ao recurso, por voto de qualidade, tendo sido vencido o conselheiro relator, o mesmo redige o voto vencedor e decide pelo provimento parcial ao recurso, no sentido de reconhecer o direito à restituição/compensação dos valores recolhidos a maior a título de contribuição ao PIS/Pasep, no período de 01/07/1988 a 31/05/1992, comprovado através dos DARF's de fls. 39/55, com base nos Decretosleis n°s 2.445/88 e 2.449/88 e o que realmente seria devido com base na Lei Complementar n° 07/70, sem correção da base de cálculo. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10880.018174/9739 Resolução nº 3301000.439 S3C3T1 Fl. 433 4 Conclusão Com essas considerações, forte no § 3° do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, acolho os aclaratórios interpostos pela Fazenda Nacional. Incluase o presente processo em lote de sorteio a um dos conselheiros da Terceira Seção. Ato contínuo, os autos foram distribuídos para minha relatoria. É o breve relatório. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10880.018174/9739 Resolução nº 3301000.439 S3C3T1 Fl. 434 5 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Os Embargos Declaratórios foram admitidos conforme despacho de fls. 427/429 dos autos, portanto, passo a apreciálos. Como é cediço, nos termos do inciso V, parágrafo 1º do art. 65 do Regimento Interno do CARF, o titular da unidade da administração tributária também poderá opor embargos declaratórios. É o que se extrai da transcrição a seguir: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; 49 IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. Conforme relatado acima, aponta o Embargante que haveria obscuridade do julgado que impossibilita a sua execução, visto que as razões constantes da ementa bem como o voto do conselheirorelator, às fls. 274/275, trilham o caminho do provimento parcial ao recurso formulado, ao passo que o fecho da ementa (fls. 273 in fine) indica a negativa de seguimento ao Recurso Voluntário. Ao analisar o caso, constatase de pronto a obscuridade apontada. Para que não reste qualquer dúvida, trazse a seguir as passagens constantes da decisão embargada que levam à tal conclusão: EMENTA E ACÓRDÃO Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA QÜINQÜENAL. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior de PIS para os períodos de apuração até 30/09/1995, com base nos inconstitucionais DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449, de 1988, tem como prazo de decadência/prescrição aquele de cinco anos, contado a partir da edição da Resolução n° 49 do Senado, que ocorreu em 10/10/1995 (até 10/10/2000) já para o período que vai de 01/10/95 a 28/02/1996, o prazo decadencial contase da data da publicação da ADin n° 1.417, que ocorreu em 13/08/1999 (até 12/08/2004). Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10880.018174/9739 Resolução nº 3301000.439 S3C3T1 Fl. 435 6 SEMESTRALIDADE. Até o advento da Medida Provisória 1.212/95 a base de cálculo do PIS corresponde ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relator), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Tereza Martinez Lopez. VOTO DO RELATOR Em face do exposto DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, a fim de reconhecer o direito à restituição/compensação dos valores recolhidos a maior a titulo de contribuição ao PIS/Pasep, no período de 01/07/1988 a 31/05/1992, comprovado através dos DARF's de fls. 39/55, com base nos Decretosleis n's 2.445/88 e 2.449/88 e o que realmente seria devido com base na Lei Complementar n° 07/70, sem correção da base de cálculo; Os valores dos indébitos remanescentes, após o desconto da contribuição devida com base nas Leis Complementares n° 7/70 e 8/70, devem ser corrigidos monetariamente, até 31/12/1995, de acordo com o provimento judicial e à partir de 1°/01/96, sobre os indébitos passam a incidir exclusivamente juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, até o mês anterior em que houver a restituição/compensação, acrescida de 1% relativamente ao mês da ocorrência da restituição ou compensação, por força do disposto no art. 39, § 4º, da Lei n° 9.250/95. Como se vê, houve uma falha quando da formalização da decisão em questão, visto que restou registrado apenas o conteúdo do voto vencido, sem que conste dos autos qualquer registro do conteúdo do voto vencedor. E, para que não reste qualquer dúvida de que o Relator restou vencido no presente caso, transcrevese a seguir o teor da data da sessão de julgamento em questão: Data:3/2/2010; Hora:14:00; Processo:108800181749739; Recurso:252770; Contribuinte: PILKINGTON BRASIL LTDA.; Colegiado:3301 PRIMEIRA TURMA TERCEIRA CÂMARA TERCEIRA SEÇÃO; Tipo Recurso: RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE; DRJ:3ª TURMA DRJ EM CAMPINAS SP Decisão: Pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Tereza Martinez Lopez. Logo, denotase que a formalização do acórdão embargado encontrase em desacordo com o que dispõe o art. 63 do Regimento Interno do CARF, cujo teor colacionase a seguir: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10880.018174/9739 Resolução nº 3301000.439 S3C3T1 Fl. 436 7 designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. § 1º Vencido o relator, na preliminar ou no mérito, o presidente designará para redigir o voto da matéria vencedora e a ementa correspondente um dos conselheiros que o adotar, o qual deverá ser formalizado no prazo de 30 (trinta) dias, contado da movimentação dos autos ao redator designado. Ora, não há como se ter conhecimento das razões do indeferimento do Recurso Voluntário interposto, sem que se tenha anexado aos autos o conteúdo do voto vencedor. Há, portanto, ausência de motivação da decisão recorrida, que precisa ser necessariamente sanada. Sendo assim, determino a remessa dos autos à Secretaria desta Câmara, para que esta providencie a juntada aos autos do voto vencedor do acórdão. De início, deverá ser verificada a eventual existência de algum registro do conteúdo do voto vencedor, anexandoo aos autos em caso positivo. Caso não haja, os autos deverão ser remetidos ao Presidente da presente Turma de Julgamento, para que seja designado redator ad hoc, para fins de formalização do referido voto vencedor, nos termos do que dispõe o art. 17 do Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo colegiado e ainda: I presidir as sessões de julgamento; II determinar a ordem de assento dos conselheiros nas sessões, bem como garantir o assento ao Procurador da Fazenda Nacional à sua direita; III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; (...) VII corrigir, de ofício ou por solicitação, erros de procedimento ou processamento; (Grifos apostos). Após, as partes deverão ser devidamente intimadas do seu conteúdo, reabrindo se o prazo legal para fins de interposição de recurso, em atendimento aos princípios constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 436DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000629/2001-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não há cerceamento do direito de defesa, alegado pelo fato do contribuinte ter obtido cópias dos autos somente após quinze dias da data da ciência do lançamento, pois teve a oportunidade de apresentar complementação à impugnação e não o fez até a data de julgamento. Improcedente também a alegada falta de descrição precisa dos fatos, quando o impugnante consegue contestar todos os elementos constantes do lançamento. Preliminar rejeitada.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Nos termos do art. 29, do Decreto nº 70.235/1972, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia e/ou diligência que entender desnecessário.
NORMAS PROCEDIMENTAIS. REFISCALIZAÇÃO. ARTIGO 149 CTN. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DOS FATOS ENSEJADORES DA REVISÃO DA CONCLUSÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA.
A revisão de lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente enquadrada no artigo 149, e incisos, do CTN, impondo, ainda, ao fiscal autuante a devida comprovação da ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes daquele dispositivo legal, em observância à segurança jurídica dos atos administrativos, bem como à ampla defesa e contraditório do contribuinte, sob pena de improcedência da autuação. O reexame de mesmo fato gerador, já devidamente contemplado por fiscalização anterior, em relação ao mesmo período, com a conseqüente constituição de crédito tributário exigindo diferenças de tributos não apurados na ação fiscal primitiva, representa por si só revisão de lançamento, independentemente da opção das formas/tipos de procedimentos adotados nas duas oportunidades.
REVISÃO DE LANÇAMENTO. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÃO.
O Relatório Fiscal da Notificação tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e do contraditório, sobretudo quando decorrente de revisão de lançamento, com fulcro no artigo 149 do Códex Tributário.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OCORRÊNCIA.
São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO PELO PODER PÚBLICO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 42.
Não está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que possui imóvel alcançado por desapropriação pelo poder público, Súmula 42 do CARF.
Numero da decisão: 2401-005.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para: a) excluir o valor lançado no ano-calendário 1997; e b) excluir o imposto apurado sobre os valores advindos da desapropriação.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros:, Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1996, 1997, 1998 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa, alegado pelo fato do contribuinte ter obtido cópias dos autos somente após quinze dias da data da ciência do lançamento, pois teve a oportunidade de apresentar complementação à impugnação e não o fez até a data de julgamento. Improcedente também a alegada falta de descrição precisa dos fatos, quando o impugnante consegue contestar todos os elementos constantes do lançamento. Preliminar rejeitada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Nos termos do art. 29, do Decreto nº 70.235/1972, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia e/ou diligência que entender desnecessário. NORMAS PROCEDIMENTAIS. REFISCALIZAÇÃO. ARTIGO 149 CTN. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DOS FATOS ENSEJADORES DA REVISÃO DA CONCLUSÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. A revisão de lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente enquadrada no artigo 149, e incisos, do CTN, impondo, ainda, ao fiscal autuante a devida comprovação da ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes daquele dispositivo legal, em observância à segurança jurídica dos atos administrativos, bem como à ampla defesa e contraditório do contribuinte, sob pena de improcedência da autuação. O reexame de mesmo fato gerador, já devidamente contemplado por fiscalização anterior, em relação ao mesmo período, com a conseqüente constituição de crédito tributário exigindo diferenças de tributos não apurados na ação fiscal primitiva, representa por si só revisão de lançamento, independentemente da opção das formas/tipos de procedimentos adotados nas duas oportunidades. REVISÃO DE LANÇAMENTO. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÃO. O Relatório Fiscal da Notificação tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e do contraditório, sobretudo quando decorrente de revisão de lançamento, com fulcro no artigo 149 do Códex Tributário. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OCORRÊNCIA. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. IRPF. GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO PELO PODER PÚBLICO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 42. Não está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que possui imóvel alcançado por desapropriação pelo poder público, Súmula 42 do CARF.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10835.000629/2001-80
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5765839
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-005.040
nome_arquivo_s : Decisao_10835000629200180.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10835000629200180_5765839.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para: a) excluir o valor lançado no ano-calendário 1997; e b) excluir o imposto apurado sobre os valores advindos da desapropriação. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros:, Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
id : 6920518
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466777370624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2160; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.000629/200180 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.040 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2017 Matéria IRPF Recorrente RUI FURLAN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1996, 1997, 1998 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa, alegado pelo fato do contribuinte ter obtido cópias dos autos somente após quinze dias da data da ciência do lançamento, pois teve a oportunidade de apresentar complementação à impugnação e não o fez até a data de julgamento. Improcedente também a alegada falta de descrição precisa dos fatos, quando o impugnante consegue contestar todos os elementos constantes do lançamento. Preliminar rejeitada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Nos termos do art. 29, do Decreto nº 70.235/1972, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia e/ou diligência que entender desnecessário. NORMAS PROCEDIMENTAIS. REFISCALIZAÇÃO. ARTIGO 149 CTN. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DOS FATOS ENSEJADORES DA REVISÃO DA CONCLUSÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. A revisão de lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente enquadrada no artigo 149, e incisos, do CTN, impondo, ainda, ao fiscal autuante a devida comprovação da ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes daquele dispositivo legal, em observância à segurança jurídica dos atos administrativos, bem como à ampla defesa e contraditório do contribuinte, sob pena de improcedência da autuação. O reexame de mesmo fato gerador, já devidamente contemplado por fiscalização anterior, em relação ao mesmo período, com a conseqüente constituição de crédito tributário exigindo diferenças de tributos não apurados na ação fiscal primitiva, representa por si só revisão de lançamento, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 06 29 /2 00 1- 80 Fl. 612DF CARF MF 2 independentemente da opção das formas/tipos de procedimentos adotados nas duas oportunidades. REVISÃO DE LANÇAMENTO. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÃO. O Relatório Fiscal da Notificação tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e do contraditório, sobretudo quando decorrente de revisão de lançamento, com fulcro no artigo 149 do Códex Tributário. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OCORRÊNCIA. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. IRPF. GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO PELO PODER PÚBLICO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 42. Não está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que possui imóvel alcançado por desapropriação pelo poder público, Súmula 42 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10835.000629/200180 Acórdão n.º 2401005.040 S2C4T1 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, darlhe provimento parcial para: a) excluir o valor lançado no anocalendário 1997; e b) excluir o imposto apurado sobre os valores advindos da desapropriação. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros:, Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 614DF CARF MF 4 Relatório RUI FURLAN, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado o Auto de Infração abaixo declinado, concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto e da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, em relação aos anoscalendário 1996 a 1998, conforme Termo de Verificação Fiscal, às efls. 340/350, e demais documentos que instruem o processo, consubstanciados no AI às efls. 360/366. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 17/04/2001, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes dos seguintes fatos geradores: a) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse o excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. b) OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. Após regular processamento, interposta impugnação, contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a autoridade julgadora de primeira instância achou por bem julgar procedente em parte o lançamento, afastando parte do crédito tributário. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado apresentou Recurso Voluntário, às efls. 514/548, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, aduz preliminarmente ser indevido o lançamento em relação ao anocalendário 1997 devendo ser cancelado pelo fato de já ter sido objeto de fiscalização no ano de 1999, pois não é permitida a abertura de fiscalização para um mesmo ano e atinente a mesma matéria já apreciada e considerada regular. Ainda em caráter preliminar, pugna pela nulidade da decisão de primeira instância, por entender que houve cerceamento de defesa, na medida em que o processo só estava disponível no órgão da Receita em 09/05/2001, data esta na qual obteve cópia dos autos, enquanto a ciência do lançamento se deu em 24/04/2001, além de alegar imprecisão e incoerência na descrição de diversos fatos, acarretando o cerceamento de defesa, renovando o pedido nesta oportunidade. Também em sede de preliminar, solicita a conversão do julgamento em diligência, no sentido de serem efetuadas as retificações dos demonstrativos para deles constarem no mês de Janeiro de cada ano os saldos disponíveis nos meses de Dezembro de cada anocalendário objeto do lançamento, bem como excluir os valores a título de dispêndios não provadas nos autos. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10835.000629/200180 Acórdão n.º 2401005.040 S2C4T1 Fl. 4 5 Em relação ao mérito, insurgese contra a pretensão fiscal, sobretudo quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto, sustentando que a fiscalização não considerou como recursos/origem os saldos disponíveis dos meses de dezembro de 1995 a 1997, uma vez que analisados esses valores, não haverá acréscimo patrimonial a descoberto. Alega também ter o fiscal elaborado erroneamente os demonstrativos de evolução patrimonial, porquanto esses devem ser confeccionados de forma anual e não mensal como procedeu o auditor fiscal. Esclarece que o questionado acréscimo patrimonial a descoberto não serviu de base para aumentar o seu efetivo patrimônio, constituído de bens e direitos, e, portanto, se não há aumento de riqueza não há o que tributar. Quanto ao ganho de capital na alienação de imóvel rural, argumenta não ter ocorrido efetiva alienação sujeita a apuração de ganho de capital, pois houve na realidade uma desapropriação amigável, razão pela qual se apresenta inconstitucional e indevida a classificação como ganho de capital o resultado obtido com a perda da propriedade por desapropriação, nos termos do artigo 3°, §3° da Lei n° 7.713/88. Em defesa de sua pretensão, colaciona jurisprudência do STJ e do antigo Conselho de Contribuintes. Esclarece, ainda, que não apurou ganho de capital porque considerou o valor de aquisição do DIAT, nos termos do artigo 8° da IN SRF n° 48/1998, e não houve DIAT do ano de alienação pois a CESP daria destinação ao imóvel diversa de atividade rural, conforme documento à fl. 218. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para preliminarmente decretar a nulidade do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Após, regular processamento do feito, em 20 de setembro de 2016, foi proposta resolução por este Nobre Conselheiro Relator, acatada pela unanimidade do Colegiado, às efls 568/573, in verbis: Nestes termos, não podemos olvidar da existência de refiscalização e/ou revisão de lançamento/conclusões fiscais, o que exige a análise da observância dos pressupostos legais para tanto, sobretudo em face da necessária segurança jurídica do ato administrativo, razão pela qual impõese converter o julgamento em diligência para que o fiscal autuante esclareça as seguintes indagações: 1) Na ação fiscal realizada em 1999, pertinente ao ano calendário 1997, foram analisados os mesmos fatos geradores da presente autuação? 2) Na ação fiscal procedida em 1999, relativamente ao ano calendário 1997, foram exigidos e entregues os mesmos documentos solicitados e fornecidos pela contribuinte nesta última fiscalização? 3) Caso haja correlação entre os fatos geradores fiscalizados e os documentos colocados a disposição do fisco nas duas fiscalizações, qual a razão que levou a autoridade lançadora a Fl. 616DF CARF MF 6 alterar o entendimento inicial pela inexistência de crédito tributário a ser constituído? Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos encimados, devendo ser oportunizado à contribuinte se manifestar a respeito do resultado da diligência no prazo de 30 (trinta) dias, se assim entender por bem. Em resposta a diligência encimada, a autoridade administrativa elaborou um relatório fiscal às efl. 586/588, informando o seguinte: 1) Na ação fiscal realizada em 1999, pertinente ao ano calendário 1997, foram analisados os mesmos fatos geradores da presente autuação? Resposta: SIM; 2) Na ação fiscal procedida em 1999, relativamente ao ano calendário 1997, foram exigidos e entregues os mesmos documentos solicitados e fornecidos pela contribuinte nesta última fiscalização? Resposta: SIM 3) Caso haja correlação entre os fatos geradores fiscalizados e os documentos colocados a disposição do fisco nas duas fiscalizações, qual a razão que levou a autoridade lançadora a alterar o entendimento inicial pela inexistência de crédito tributário a ser constituído: Para responder a este quesito e em complemento aos anteriores elaborei a planilha abaixo: [...] Esclareçase a princípio que para cada Mês há duas colunas: Plan 1. trata da planilha (fls. 324 a 330) utilizada neste processo, o que está em julgamento (processo 10835.000629/200180); Plan. 2 – planilhas utilizadas no processo 10835.001500/9911 (fls. 82 a 128 processo está apensado ao primeiro). Acredito (pois, os autores envolvidos não se encontram em exercício nesta DRF: uns se aposentaram e outros estão em exercícios em outras unidades) que o motivo para a reabertura da fiscalização tenha sido o fato de poder ter havido alguma incorreção quando da elaboração da planilha para apuração (Plan.2) de “variação patrimonial a descoberto”. Conforme se verifica as diferenças de valores substanciais encontramse na linha: empr. recebidos (total dispêndios/aplicações). No documento com informações dos Saldos mensais de dívidas e ônus reais (fls. 100) , temse os valores utilizados na elaboração das planilhas. Enquanto na Plan 1 os valores de empr. recebidos (recursos) de um mês é incluído nos dispêndios do mês seguinte, na Plan. 2 – não há esta inclusão, o que levou à inexistência de “variação patrimonial a descoberto”. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10835.000629/200180 Acórdão n.º 2401005.040 S2C4T1 Fl. 5 7 Após retorno ao Egrégio Conselho, os autos retornaram a minha relatoria e conseguinte inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 618DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a examinar as alegações recursais. Conforme já relatado, contra o contribuinte em epígrafe, foi lavrado o Auto de Infração às fls. 176183 relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física, anoscalendário 1996, 1997 e 1998, respectivamente, exercícios 1997, 1998 e 1999, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 126.143,56, sendo R$ 52.345,48 referentes a imposto, R$ 39.259,10 a multa de oficio e R$ 34.538,98 a juros de mora (calculados até 30/03/2001). DA PRELIMINAR DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O Recorrente pugna pela nulidade da decisão de primeira instância, por entender que houve cerceamento de defesa, na medida em que o processo só estava disponível no órgão da Receita em 09/05/2001, data esta na qual obteve cópia dos autos, enquanto a ciência do lançamento se deu em 24/04/2001, além de alegar imprecisão e incoerência na descrição de diversos fatos, acarretando o cerceamento de defesa, renovando o pedido nesta oportunidade. No mesmo quesito, também alega a falta de coerência dos termos lavrados pela fiscalização, bem como que não houve a descrição precisa dos fatos. Entendo que não ocorreu cerceamento ao direito de defesa, sobretudo porque o contribuinte conseguiu apresentar claramente sua contestação aos pontos em que discordou do Auto de Infração, ficando claro que não houve imprecisão na descrição dos fatos, consoante relatório fiscal às fls. 170/175. No tocante A. solicitação de reabertura do prazo de 30 dias, por entender que teve prejuízo quanto ao prazo para impugnação, o deferimento seria meramente de caráter protelatório, visto ao tempo já decorrido sem que o contribuinte tenha apresentado qualquer aditamento à impugnação ora sob análise, e ainda, pelo fato do contribuinte ter recebido, juntamente com o Auto de Infração em si, o Termo de Verificação Fiscal, e todos os Demonstrativos, conforme se atesta no Aviso de Recebimento (AR), que se encontra à fl. 184, sendo que os demais elementos constantes do processo são documentos provenientes do próprio contribuinte. Pelo exposto, rejeito a preliminar de cerceamento do direito de defesa. DA PRELIMINAR PEDIDO DE DILIGÊNCIA Também em sede de preliminar, solicita a conversão do julgamento em diligência, no sentido de serem efetuadas as retificações dos demonstrativos para deles constarem no mês de Janeiro de cada ano os saldos disponíveis nos meses de Dezembro de cada anocalendário objeto do lançamento, bem como excluir os valores a título de dispêndios não provadas nos autos. Vale salientar que a demanda retornou de diligência nos termos propostos por este Relator, não havendo em se falar em nova conversão, uma vez que, como passaremos a demonstrar, no entendimento deste, não há necessidade de uma nova conversão. Portanto, não merece acolhimento a suscitada preliminar. DO MÉRITO REFISCALIZAÇÃO (ANOCALENDÁRIO 1997) Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10835.000629/200180 Acórdão n.º 2401005.040 S2C4T1 Fl. 6 9 Em suas razões recursais, pretende a recorrente a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo ser indevido o lançamento em relação ao anocalendário 1997 devendo ser cancelado pelo fato de já ter sido objeto de fiscalização no ano de 1999, pois não é permitida a abertura de fiscalização para um mesmo ano e atinente a mesma matéria já apreciada e considerada regular. Apesar de ter sido ventilada em sede preliminar, no entendimento deste Conselheiro, a matéria tratase de mérito, o qual passaremos a analise: Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o pleito do contribuinte deve ser acolhido, uma vez que, de fato, a autoridade lançadora não logrou comprovar os motivos que dariam ensejo à revisão do lançamento anterior já devidamente consolidado, não obstante o esforço dispensado neste sentido. Consoante se positiva dos autos, constatase que a exigência fiscal em comento decorre de procedimento de refiscalização do autuado, em observância à recomendação do Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Presidente Prudente/SP. Entrementes, o ilustre auditor fiscal ao lançar os tributos ora exigidos, mais precisamente em seu Relatório Fiscal, não comprovou de forma clara e precisa os motivos que deram suporte à revisão de lançamento, trazendo à colação simplesmente a autoria e as razões para as infrações, deixando de atender o pressuposto de tal procedimento, qual seja, a efetiva comprovação de uma das hipóteses do artigo 149 do Código Tributário Nacional, cerceando, igualmente, o direito de defesa do contribuinte que, ao oferecer sua impugnação e recurso voluntário, não teve conhecimento pleno das verdadeiras razões da refiscalização e conseqüente revisão de lançamento. Como se sabe, o ato administrativo deve ser fundamentado, ou seja, motivado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e congruente, os fatos e dispositivos legais que lhe suportaram, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de insubsistência do lançamento. Ademais, tratandose de revisão de lançamento, que tem natureza de excepcionalidade (foge à regra), com mais razão o procedimento levado a efeito pelo fisco deve estar devidamente motivado, tendo em vista os limites e condições impostos pela legislação de regência para tal conduta fiscal. Observese, que referido procedimento encontra respaldo no artigo 149 do Códex Tributário, o qual traz em seu bojo várias hipóteses que podem determinar a revisão de lançamento, como segue: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; Fl. 620DF CARF MF 10 IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior: IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuo, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade essencial. Parágrafo Único A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” Como se verifica, o dispositivo legal encimado elenca uma infinidade de motivos que podem ensejar a revisão do lançamento, impondo a cada um deles a devida comprovação, por parte da autoridade fiscal, de sua efetiva ocorrência, tornando possível/válido tal procedimento, o que não se vislumbra no caso sub examine. Não bastasse isso, para que produza seus efeitos legais, deve, ainda, o artigo 149 do CTN, ser interpretado cumulativamente com o artigo 145, inciso III, do mesmo Diploma legal, que assim preceitua: “Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: [...] III – iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149.” Na hipótese dos autos, constatase que o nobre fiscal autuante, ao constituir o crédito referente ao imposto de renda, a partir de procedimento de revisão de lançamento, inobstante a necessidade de interpretação conjunta das normas legais encimadas, sequer inscreveu e/ou informou o artigo supracitado (149 e incisos), para dar suporte ao lançamento ora guerreado, reforçando a fragilidade do feito. Nessa esteira de entendimento, é de bom alvitre esclarecer que não basta o fiscal autuante consignar no Relatório Fiscal e/ou MPF o documento da lavra de autoridade superior determinando a refiscalização e/ou revisão de lançamento (in casu, CI N° 40/00 do Delegado da RFB), ou mesmo o artigo utilizado como fundamento àquela empreitada (o que também não fez), tendo em vista não ter o condão de motivar o lançamento, de forma a torná lo válido, devendo haver a efetiva comprovação de uma das situações previstas no artigo 149 do CTN, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa do contribuinte, não lhe oferecendo, igualmente, a segurança jurídica, que deve nortear os atos da administração. Mais a mais, o documento encimado (CI N° 40/00 do Delegado da Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente/SP), determina tão somente o reexame de período já fiscalizado, ou seja, a refiscalização, que não pode ser confundida com revisão de lançamento. Com efeito, a revisão do lançamento anteriormente efetuado, objeto do reexame, somente Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10835.000629/200180 Acórdão n.º 2401005.040 S2C4T1 Fl. 7 11 poderá ser procedida quando restar comprovada uma das hipóteses permissivas constantes na legislação pertinente. Em outras palavras, existindo ordem expressa da autoridade fiscal competente, o fisco poderá refiscalizar/reexaminar períodos já fiscalizados quantas vezes entender necessárias. Porém, a revisão do lançamento anterior, ou melhor, a exigência de diferenças relativas a períodos já fiscalizados, objetos de lançamento pretérito, somente deverá ser efetuada quando encontrar sustentáculo na norma legal que regulamenta a matéria, artigo 149 do CTN, o qual impõe a comprovação da ocorrência das hipóteses insculpidas em seus incisos, o que não se constata no caso vertente. De igual forma, referida omissão impossibilita que as autoridades julgadoras tenham conhecimento pleno de todos os fatos motivadores do lançamento, com a finalidade de formar sua livre convicção quanto à regularidade do feito, notadamente quando é cediço que, tratandose de erro de direito na autuação anterior, não poderá haver a revisão do lançamento. Nessa toada, a indicação clara e precisa dos fatos que fundamentaram a revisão do lançamento, devidamente comprovados, com a respectiva motivação na norma legal (artigo 149 do CTN), é condição sine qua non à validade do ato administrativo sub examine. Ou seja, deve haver a perfeita subsunção da norma ao fato. Destarte, ao proceder de forma omissa, deixando de demonstrar e comprovar no Relatório Fiscal os motivos que levaram o fisco a promover a revisão do lançamento, na forma que determina a legislação tributária, o ilustre fiscal autuante incorreu em vício insanável, capaz de determinar a improcedência do feito. A doutrina pátria não discrepa deste entendimento, conforme preleciona Alberto Xavier em sua obra “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, de onde pedimos vênia para transcrever o seguinte excerto a respeito do tema, in verbis: “[...] Tanto o ato de lançamento de ofício por revisão da declaração, quanto o ato de revisão de ofício (como todo o ato administrativo que afete direito e interesses do cidadão) devem ser fundamentados, isto é, devem indicar as razões de fato e de direito em que se baseiem, demonstrando a ocorrência dos pressupostos de fato para a sua realização, previstos em lei. Assim, não será válido lançamento de ofício que não demonstre que a declaração ou esclarecimento não foram prestados ou foram recusados, ou que ocorreu falsidade, erro ou omissão nos elementos declarados. Como também não será válida revisão de lançamento que não demonstre a existência de fraude, vício de forma ou erro de fato.” (Do Lançamento No Direito Tributário Brasileiro – Xavier, Alberto – 3ª Edição – Rio de Janeiro: Forense, 2005, pág. 254) (grifamos) Ainda a propósito da matéria, justificando a necessidade de motivação da refiscalização, aquele mesmo doutrinador assim se manifesta: “ CAPÍTULO II OS LIMITES DO PODER DE REVISÃO DO LANÇAMENTO O tema da revisão do lançamento por iniciativa de ofício da autoridade administrativa envolve a ponderação de um conflito latente entre o princípio da legalidade – favorável à eliminação Fl. 622DF CARF MF 12 da ilegalidade que tenha afetado o ato primário de lançamento – e o princípio da segurança jurídica – favorável à estabilidade pública. Ora, se é certo que a restauração da legalidade violada, pela revisão do ato ilegal, reclama o afastamento de limites que a impeçam ou dificultem, também é verdade que a inexistência desses limites geraria para os particulares intoleráveis situações de incerteza, submetendoos, porventura de surpresa, a uma pluralidade de novas definições da mesma situação jurídica, por ato da mesma autoridade ou de autoridade distinta, num re exercício ilimitado do seu poder de lançar. [...]” Por sua vez, a jurisprudência administrativa, igualmente, corrobora a pretensão da contribuinte, consoante se infere do julgado da lavra do eminente Presidente da 2ª Câmara do 2º Conselho, Antonio Carlos Atulim, à época Conselheiro da 1ª Câmara, assim ementado: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES. CERCEAMENTO DE DEFESA. A apresentação de impugnação e de recurso voluntário com argumentação robusta e esquematizada por tópicos desautoriza a alegação de cerceamento do direito de defesa. PIS. REEXAME DE PERÍODO FISCALIZADO. REVISÃO DE LANÇAMENTO. Inexistindo no auto de infração motivação expressa, tanto para o reexame de período anterior como para a exigência de diferenças que deixaram de ser lançadas na ocasião, excluise o crédito tributário exigido em decorrência da revisão de lançamento anterior. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÕES DE DESPESAS. Só constituem exclusões da base de cálculo da contribuição as recuperações de despesas que não constituam novos ingressos na contabilidade da pessoa jurídica, a teor do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 9.718/98. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Só constituem exclusões da base de cálculo da contribuição os descontos concedidos de maneira incondicional, a teor do art. 3º, § 2º, I, da Lei nº 9.718/98. Recurso provido em parte.” (1ª Câmara do 2º Conselho, Recurso nº 126.730, Acórdão nº 20178.207, Sessão de 22/02/2005) (grifamos) Ainda em relação a matéria, em recente assertiva, a 1° Turma Ordinária da 2° Câmara da 1° Seção de Julgamento, igualmente como encimado, corrobora a pretensão da contribuinte, consoante se infere do Acórdão n° 1201001.687, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10835.000629/200180 Acórdão n.º 2401005.040 S2C4T1 Fl. 8 13 ARTIGO 149 DO CTN. REFISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO E MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. A revisão de lançamento fiscal somente é cabível no caso da fiscalização fundamentar e motivar a ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes do artigo 149 do CTN, sob pena de improcedência do Auto de Infração. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ERRO DE DIREITO. VEDAÇÃO. É vedada à administração pública o reexame de matéria e período já fiscalizados com base na mudança de critério jurídico e/ou erro de direito. IRPJ. TRIBUTAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. PRESUNÇÃO SIMPLES. ILEGALIDADE. É ilegal o lançamento de IRPJ feito com base na presunção simples de existência de lucro no exterior, apurado com base na receita de equivalência patrimonial registrada por empresa do grupo com base em balanço intermediário levantado em 30/11 para efeito de incorporação. Como se observa, a própria administração pública estabeleceu limites ao poder de revisão de seus atos, impondo a verdadeira comprovação de uma das possibilidades inscritas no artigo 149 do CTN, sob pena de estabelecerse uma imensa insegurança jurídica por parte do contribuinte em relação aos atos praticados pelo Poder Público, objetivando, da mesma forma, preservar o ato praticado pelo agente fiscal anteriormente. Com efeito, os atos administrativos, consoante se infere dos artigos 2º e 50, da Lei nº 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito do INSS, devem obedecer o princípio da segurança jurídica, bem como ser motivados, como segue: “Art. 2º. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.” Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...] §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]” A corroborar esse entendimento, o artigo 53 do mesmo Diploma legal, assim dispõe: “Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direito adquiridos.” No presente caso, a ilustre autoridade lançadora, ao promover o lançamento, a partir do procedimento de refiscalização, inobservou ao menos 04 (quatro) dos princípios inscritos no artigo 2º da Lei nº 9.784/99, eis que deixou de motivar o lançamento, em total Fl. 624DF CARF MF 14 afronta ao direito da ampla de defesa e contraditório da contribuinte, ferindo, igualmente, a segurança jurídica que deve nortear os atos administrativos. Registrese, por fim, que o Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicar, resumidamente, como procedeu o fisco na constituição do crédito previdenciário, bem como os motivos que lhe deram suporte, devendo, dessa forma, ser claro e preciso relativamente aos procedimentos adotados pela fiscalização ao promover o lançamento, mormente tratandose de revisão de lançamento, concedendo ao contribuinte conhecimento pleno dos motivos ensejadores da notificação, possibilitandolhe o amplo direito de defesa. Importantíssimo salientar que em resposta a diligência, a autoridade fiscal afirmou que foram analisados os mesmos fatos geradores e documentos da oportunidade anterior, formulando ainda planilha apontando eventuais diferenças nas conclusões, no entanto em nenhum momento explicitando qualquer requisito do artigo 149 da CLT. Nesse contexto, deve ser declarada a improcedência do feito quanto a este anocalendário, em observância a legislação de regência, mas precisamente dos artigos do CTN e da Lei n° 9.784 encimados, uma vez que as omissões apontadas contaminam a exigência fiscal decorrente de procedimento de revisão de lançamento, tornandoa precária, não lhe oferecendo certeza ou liquidez, principalmente pelo fato de se mostrar insanável e ferir o princípio da segurança jurídica. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL SOBRA DE SALDO Insurgese contra a pretensão fiscal, sobretudo quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto, sustentando que a fiscalização não considerou como recursos/origem os saldos disponíveis dos meses de dezembro de 1995 a 1997, uma vez que analisados esses valores, não haverá acréscimo patrimonial a descoberto. Alega também ter o fiscal elaborado erroneamente os demonstrativos de evolução patrimonial, porquanto esses devem ser confeccionados de forma anual e não mensal como procedeu o auditor fiscal. Esclarece que o questionado acréscimo patrimonial a descoberto não serviu de base para aumentar o seu efetivo patrimônio, constituído de bens e direitos, e, portanto, se não há aumento de riqueza não há o que tributar. Quanto a este questionamento no sentido de que não foram considerados os saldos de dezembro dos anos anteriores na composição para a verificação do acréscimo patrimonial, diferentemente do que ocorre nos outros meses do ano, a situação patrimonial do contribuinte no dia 31 de dezembro é espelhada pela declaração de bens integrante da declaração de ajuste anual. Assim, se do fluxo financeiro efetuado pela autoridade fiscal para fins de análise da evolução patrimonial, restarem recursos nos meses de janeiro a novembro, devem eles, por ausência de previsão legal para declaração de bens mensal, ser considerados no inicio do mês posterior como origem de recursos. Já no caso do mês de dezembro, consideram se como origem de recursos para o ano posterior, os saldos constantes da declaração de bens comprovados no procedimento fiscal. Se o contribuinte deixou de declarar valores que compunham o seu patrimônio em 31 de dezembro e que restarem evidenciados pela análise da evolução patrimonial, incumbe a ele a prova da sua existência, visto ser sua a obrigação original de declarálos. Na ausência de prova da permanência dos recursos resultantes da análise da evolução patrimonial no patrimônio do contribuinte ao final do anocalendário, não resta ao Fisco outra alternativa senão a de presumilos consumidos, que foi o procedimento adotado pela autoridade fiscal. ALIENAÇÃO DESAPROPRIAÇÃO Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10835.000629/200180 Acórdão n.º 2401005.040 S2C4T1 Fl. 9 15 Quanto ao ganho de capital na alienação de imóvel rural, argumenta não ter ocorrido efetiva alienação sujeita a apuração de ganho de capital, pois houve na realidade uma desapropriação amigável, razão pela qual se apresenta inconstitucional e indevida a classificação como ganho de capital o resultado obtido com a perda da propriedade por desapropriação, nos termos do artigo 3°, §3° da Lei n° 7.713/88. Em defesa de sua pretensão, colaciona jurisprudência do STJ e do antigo Conselho de Contribuintes. Esclarece, ainda, que não apurou ganho de capital porque considerou o valor de aquisição do DIAT, nos termos do artigo 8° da IN SRF n° 48/1998, e não houve DIAT do ano de alienação pois a CESP daria destinação ao imóvel diversa de atividade rural, conforme documento à fl. 218. Como se verifica do documento de efls.186/198, área de propriedade do recorrente foi desapropriada para formação da Bacia de Acumulação da Usina Hidroelétrica de Porto Primavera, cuja construção está a cargo da expropriante CESP Companhia Energética de São Paulo. Quanto a matéria, peço vênia, para adotar como razões de decidir o voto da lavra da Ilma. Conselheira Dra. Ana Paula Fernandes, condutor do Acórdão 9202003.772, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o qual transcrevo: De fato, o imposto sobre a renda, como o próprio nome está a indicar, incide sobre a renda ou proventos de qualquer natureza assim entendidos os acréscimos patrimoniais que decorrem de algo preexistente: a fonte produtora (art. 43, I e II do CTN). Todavia, na desapropriação não há ato de alienação que possa dar margem ao ganho de capital. Na desapropriação surge a justa e prévia indenização em dinheiro (art. 5°, XXIV, da CF) para recompor o patrimônio desfalcado pelo poder público. Observo atentamente que o acórdão recorrido explicita que deixou de aplicar a isenção prevista no diploma constitucional, pelo fato de que o decreto de desapropriação anexado aos autos, não tinha como objeto Reforma Agrária, mas sim para fins de utilidade pública, como melhoramento de vias e logradouros públicos, execução de planos de urbanização, e/ou ampliação do campo de pouso para aeronaves. A jurisprudência acerca da matéria também é farta, tanto que no RESP 111.6460 em sede de repetitivo de controvérsia, o ministro Fux exacerba que o STJ já firmou jurisprudência no sentido da nãoincidência da cobrança sobre as verbas auferidas a título de indenização oriunda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, por não representar acréscimo patrimonial. Ou seja, ele deixa claro que o que importa é que se trate de desapropriação, não importando a qual título. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃOINCIDÊNCIA. Fl. 626DF CARF MF 16 VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: "XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;" 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. 4. "Representação. Argüição de Inconstitucionalidade parcial do inciso ii, do parágrafo 2., do art. 1., do Decretolei Federal n. 1641, de 7.12.1978, que inclui a desapropriação entre as modalidades de alienação de imóveis, suscetíveis de gerar lucro a pessoa física e, assim, rendimento tributável pelo imposto de renda. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário, 'modo privato'. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tão só, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Tal o sentido da 'justa indenização' prevista na Constituição (art. 153, parágrafo 22). Não pode, assim, ser reduzida a justa indenização pela Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10835.000629/200180 Acórdão n.º 2401005.040 S2C4T1 Fl. 10 17 incidência do imposto de renda. Representação procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão 'desapropriação', contida no art. 1., parágrafo 2., inciso ii, do decretolei n. 1641/78. (Rp 1260, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, TRIBUNAL PLENO, julgado em 13/08/1987, DJ 18111988) 4. In casu, a ora recorrida percebeu verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual é infensa à incidência do imposto sobre a renda. 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6. Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 674.959/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 20/03/2006; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Independentemente da finalidade da desapropriação, importante firmar que ela se dá por ato do Poder Público, portanto, por ato de vontade externa ao contribuinte no intuito de atender ao interesse de toda coletividade. Se o contribuinte opta por fazêla de modo amigável ou não, o que importa é que o tenha feito com base em decreto de desapropriação, a fim de formalizar o ato em si, e diferenciálo de uma simples negociação de compra e venda. Insta aqui salientar que o § 2º, do art. 27 da lei básica da desapropriação, Decreto lei n.° 3.365/41, não está derrogado pela lei de imposto de renda e dispõe que: "na transmissão de propriedade, decorrente de desapropriação amigável ou judicial, não ficará sujeita ao imposto de lucro imobiliário”. Além das razões encimadas, a jurisprudência uníssona é no posicionamento pela não incidência do imposto de renda em casos de desapropriação, tendo tais posicionamentos, inclusive, motivado a elaboração da Súmula CARF n° 42, de aplicação obrigatória por parte dos Conselheiros deste Tribunal, in verbis: Fl. 628DF CARF MF 18 CARF Súmula n° 42: Não incide imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Desse modo, observados os dispositivos legais aplicáveis ao caso, corroborados pelas provas dos autos, afasto a aplicação de imposto de renda por ganho de capital sobre os valores advindos da desapropriação. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em desacordo parcial com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para: a) declarar a improcedência do feito quanto ao anocalendário 1997, em observância a legislação de regência, mas precisamente dos artigos do CTN, das Leis 8.212/91 e 9.784 encimados, uma vez que as omissões apontadas contaminam a exigência fiscal decorrente de procedimento de revisão de lançamento; e b) afastar a aplicação de imposto de renda por ganho de capital sobre os valores advindos da desapropriação, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 629DF CARF MF
score : 1.0
