Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11634.720506/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Não considera-se nulo o auto de infração se a autoridade fiscal deixou de incluir no polo passivo do auto de infração outras pessoas (físicas e/ou jurídicas), por responsabilidade solidária.
DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO COMPROVADA.
Não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN quando comprovada a prática de ato simulado por parte do sujeito passivo, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do 1 dia do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, I do mesmo código.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS.
"Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada." (Súmula CARF nº 76)
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28)
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA.
A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DAS MULTAS.
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." (Súmula CARF nº 2)
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00, que autoriza a quebra de sigilo bancário nos processos administrativos fiscais.
TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
"A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Numero da decisão: 2202-003.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário: I) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, por vício formal, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que a acolheram; II) pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pela Relatora, que restou vencida juntamente com os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que a acolheram; III) por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam deduzidos da base de cálculo os recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do SIMPLES, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Foi designado o Conselheiro Martin da Silva Gesto para redigir o voto vencedor
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio De Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não considera-se nulo o auto de infração se a autoridade fiscal deixou de incluir no polo passivo do auto de infração outras pessoas (físicas e/ou jurídicas), por responsabilidade solidária. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO COMPROVADA. Não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN quando comprovada a prática de ato simulado por parte do sujeito passivo, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do 1 dia do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, I do mesmo código. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS. "Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada." (Súmula CARF nº 76) REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28) CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. CARÁTER CONFISCATÓRIO DAS MULTAS. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." (Súmula CARF nº 2) QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00, que autoriza a quebra de sigilo bancário nos processos administrativos fiscais. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11634.720506/2012-41
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5732674
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.764
nome_arquivo_s : Decisao_11634720506201241.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 11634720506201241_5732674.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário: I) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, por vício formal, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que a acolheram; II) pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pela Relatora, que restou vencida juntamente com os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que a acolheram; III) por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam deduzidos da base de cálculo os recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do SIMPLES, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Foi designado o Conselheiro Martin da Silva Gesto para redigir o voto vencedor (Assinado digitalmente) Marco Aurélio De Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada
dt_sessao_tdt : Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
id : 6798159
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210366984192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1913; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2.145 1 2.144 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.720506/201241 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2202003.764 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de abril de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrentes SOMOPARSOCIEDADE MOVELEIRA PARANAENSE LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não considerase nulo o auto de infração se a autoridade fiscal deixou de incluir no polo passivo do auto de infração outras pessoas (físicas e/ou jurídicas), por responsabilidade solidária. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO COMPROVADA. Não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN quando comprovada a prática de ato simulado por parte do sujeito passivo, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do 1 dia do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, I do mesmo código. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS. "Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada." (Súmula CARF nº 76) REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 05 06 /2 01 2- 41 Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.146 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28) CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. CARÁTER CONFISCATÓRIO DAS MULTAS. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." (Súmula CARF nº 2) QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00, que autoriza a quebra de sigilo bancário nos processos administrativos fiscais. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário: I) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, por vício formal, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que a acolheram; II) pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pela Relatora, que restou vencida juntamente com os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que a acolheram; III) por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam deduzidos da base de cálculo os recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do SIMPLES, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Foi designado o Conselheiro Martin da Silva Gesto para redigir o voto vencedor (Assinado digitalmente) Marco Aurélio De Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.147 3 Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada Relatório Tratase de Autos de Infração – AI lavrados contra o sujeito passivo em epígrafe, cujos créditos tributários são os descritos a seguir. AI DEBCAD nº 37.269.3024, com valor consolidado em 24/7/2012, de R$ 7.359.819,53, referente à exigência de contribuições destinadas à previdência social, parte da empresa, referentes às competências de 01/2006 a 13/2008, incidentes sobre valores pagos a segurados. AI DEBCAD nº 37.269.3032, com valor consolidado em 24/7/2012, de R$ 2.530.307,40, referente à exigência de contribuições destinadas à previdência social, parte dos segurados, referentes às competências de 01/2006 a 13/2008. AI DEBCAD nº 37.269.3040, com valor consolidado em 24/7/2012, de R$ 1.899.776,08, referente à exigência de contribuições destinadas a outras entidades e fundos/terceiros (FNDE, Incra, Senac, Sesc e Sebrae), parte da empresa, incidentes sobre valores pagos a segurados empregados de 01/2006 a 13/2008. AI DEBCAD nº 37.269.3016, no valor de R$ 1.099.641,60, lavrado em 1/8/2012, por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 32, inciso IV e § 5º, combinado com o disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6/5/1999, artigo 225, inciso IV , § 4º(Código de Fundamentação Legal – CFL nº 68). Além da Recorrente foram apontadas como devedoras solidárias as empresas Brasipar Indústria de Móveis Ltda, Mobisul Indústria Moveleira do Paraná Ltda e SMP Rumól Indústria de Móveis Ltda. O fundamento para a imputação da responsabilidade solidária foi a apuração da existência de grupo econômico de fato para o qual a solidariedade está expressamente prevista no art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. Foi ainda imputada multa qualificada de 150% em razão da simulação e fraude apurada no trabalho fiscal. Consta do Relatório fiscal que nenhuma das empresas acima mencionadas atendeu a intimação constante do Termo de Intimação Fiscal para apresentar a documentação exigida, com exceção das folhas de pagamento em meio digital. A Recorrente não apresentou qualquer documento. Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.148 4 Sendo assim, a ação fiscal foi realizada com base nas informações do sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB (declaradas por meio de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, receitas brutas declaradas pelos sujeitos passivos e constantes no extrato do Simples Nacional, DCPMF Declaração da Contribuição sobre Movimentação Financeira de 2007, Declaração de Informação sobre Movimentação Financeira DIMOF de 2008 e 2009), com base em extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, pela análise dos autos de processos de reclamatórias trabalhistas arquivados pelo Poder Judiciário (Justiça do Trabalho da 9º Região Vara do Trabalho de Arapongas), e pela apreciação dos contratos sociais fornecidos pelo Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior Departamento Nacional de Registro do Comércio Junta Comercial do Paraná. Para identificar da existência do grupo econômico a fiscalização apontou os seguintes fatos: a) Os sócios da Brasipar, Mobisul e SMP Rumól possuem os mesmos sobrenomes dos sócios da Somopar. Quase todos eles pertencem à família Rufato, sendo que estes exercem, preferencialmente, a administração das empresas. b) Nos instrumentos dos contratos sociais da Brasipar, da Mobisul, de da SMP Rumól consta, como objeto, a fabricação de móveis de madeira sem, contudo fazer menção à comercialização desses produtos. Constatouse que a comercialização da produção era realizada pela Somopar; c) A fiscalização realizou uma comparação entre a receita bruta que teria sido auferida pelas sociedades empresárias (declaradas pelos sujeitos passivos e obtidas nos extratos do Simples Nacional) e as remunerações informadas nas folhas de pagamentos disponibilizadas em meio digital pela Brasipar, Mobisul e SMP Rumól (fls. 1.886/1.890, item 10.2 do relatório fiscal). Por meio dessa comparação constatouse que as receitas brutas declaradas pela Brasipar, Mobisul e SMP Rumól são muito menores do que os valores de remuneração contidos nas folhas de pagamento. Esse fato aliado ao resultado da análise de extratos bancários, levou à conclusão que havia necessidade de auxílio financeiro (para fazer frente aos custos com as folhas de pagamento e aos prováveis custos com matéria prima e despesas operacionais – fixas e variáveis) dessas empresas, e que esse auxílio era efetuado pela Somopar.) Foi constituída em 13/05/2005, com capital social de R$ 15.000,00 incompatível com o volume de operações de compras observadas no decorrer de seu funcionamento. d) Verificouse que nos extratos bancários da Somopar, mesmo inexistindo qualquer segurado empregado registrado/formalizado por essa sociedade, há referência a pagamentos de salários e de 13º salário, e que há transferência de recursos financeiros em favor da sociedade Mobisul para pagamento e adiantamento de salários de empregados formalizados nessa sociedade. e) Por meio de análise comparativa entre as receitas brutas declaradas pelas sociedades Brasipar, Mobisul e SMP Rumol e as respectivas movimentações financeiras (obtidas por meio das DCPMF e DIMOF), observouse que as movimentações financeiras (encaixes) que foram declaradas por essas sociedades são superiores às receitas brutas que elas auferiram no período, o que demonstraria a ocorrência de transferência de recursos financeiros da Somopar para essas empresas. Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.149 5 f) Através da análise dos registros contidos nos extratos de contas bancárias, selecionados por amostragem, verificouse que todos os pagamentos de fornecedores foram efetuados após transferência de recursos no mesmo valor dos pagamentos pela Somopar registrados como crédito nos extratos bancários). A fiscalização elaborou demonstrativos nos quais apresenta, por amostragem, tal fato (item 14 do relatório fiscal, fls. 1.909/1.915). g) Os processos trabalhistas obtidos junto à 9ª Região da Vara do Trabalho de Arapongas – PR, demonstram a existência de diversas ações trabalhistas movidas por segurados empregados formalizados na Brasipar, Mobisul e SMP Rumól que incluíram no pólo passivo a Somopar e cuja decisão judicial considerou todas as empresas solidariamente responsáveis pelas obrigações trabalhistas e fiscais dos segurados que moveram tais ações. h) Verificouse que na GFIP relativa à competência 03/2006 todos os segurados contratados pela Mobisul foram informados, como segurados empregados, pela Somopar, o que demonstraria que essa sociedade detém todas as informações dos segurados formalizados pela Brasipar, Mobisul e SMP Rumól, optantes pelo SIMPLES. Ainda, por meio das análises das informações contidas nas GFIP da Brasipar, Mobisul, SMP Rumól e Somopar, foi constatado que há formalização de transferência de segurados empregados entre essas pessoas jurídicas sem rescisão contratual. Especificamente, uma dessas sociedades informa a contratação do segurado e declara sua última remuneração em GFIP sem informar data de rescisão e, posteriormente, o segurado é incluído em outra sociedade do grupo com a mesma data de admissão em que foi formalizado na primeira sociedade. A Recorrente apresentou a impugnação na qual alega, resumidamente, o seguinte: a) Preliminarmente a.1) que buscou uma economia tributária lícita e que não poderia a fiscalização, por simples presunção, querer ilidir todas as operações realizadas; a.2) Que não existem provas suficientes de que os trabalhadores da Brasipar, SMP Rumól e Mobisul são seus empregados. a.3) que não tem relação de capital, não é controlada, controladora, filiada e nem participante de nenhuma outra empresa, requisitos imprescindíveis para caracterização do grupo econômico nos termos do artigo 1.098 do Código Civil. a.4) que, nos termos da súmula CARF nº 29 a fiscalização deveria ter intimado os titulares e cotitulares das contas bancárias para que melhor explicassem a origem dos valores depositados na conta corrente. a.5) que o período considerado nas autuações que vai de 1/1/2006 a 31/7/2007 está atingido pela decadência; a.6) que se perdurar a conclusão da existência do grupo econômico, os valores até então pagos pelas empresas do grupo no período considerado nos lançamentos, atualizados com base na taxa Selic, devem ser alocados para abater os valores lançados contra a Somopar. b) Mérito Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.150 6 b.1) Afirma que o emprego da RMF pela fiscalização sem a devida autorização judicial é contraria às decisões do STF sobre a quebra de sigilo bancário; b.2) Que a menção aos contratos sociais e suas alterações não podem servir de prova para a manutenção do lançamento fiscal, uma vez que meros relatórios das alterações contratuais não servem para provar o nexo causal da relação de emprego ou a existência do grupo econômico; b.3) que a análise bancária sem obtenção de quebra do sigilo equivale a prova obtida por meios ilícito; b.4) que as transferências realizadas entre as contas bancárias poderiam ter sido feitas a título de mútuos e outra operações visando a celeridade comercial e que a movimentação financeira entre empresas distintas decorre da diversidade e facilidade com que um e outra angariam recursos do mercado financeiro. b.5) que o fato de pertencerem ao mesmo ramo não pode ser tomado como indício de que tratase de um mesmo grupo econômico; b.6) que faltou a fiscalização destacar detalhadamente as verbas/rubricas considerada nos lançamentos, dentre elas, as indenizatórias; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte MG julgou parcialmente as impugnações apresentadas em decisão (fls. 2037 2068) que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. FISCALIZAÇÃO A autoridade administrativa fiscalizadora poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com o fito de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos por seu tal prática inerente a suas atribuições. INFORMAÇÕES FINANCEIRAS OBTIDAS JUNTO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS O exame e a utilização de informações e documentos relativos a movimentação financeira, obtidos de instituições bancárias por meio de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF, é permitida por lei, desde que haja processo administrativo fiscal em curso, amparado por Mandato de Procedimento Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.151 7 Fiscal MPF e que reste demonstrada a necessidade do exame de tais documentos/informações pela autoridade competente. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É vedado ao fisco afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo por inconstitucionalidade ou ilegalidade. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Concluiu a DRJ pela procedência em parte da Impugnação e pela manutenção parcial dos créditos incluídos nos AI tratados no presente processo, com a exclusão de todas as contribuições lançadas, relativamente ao período de 01/2006 a 11/2006 e 13/2006, nos AI DEBCAD nº 37.269.3024, nº 37.269.3024, nº 37.269.3032 e 37.269.3040, e com exclusão das multas aplicadas por meio do AI DEBCAD 37.269.3016, relativamente às competências de 01/2006 a 11/2006, passando o valor total da multa de R$ 1.099.641,60 (conforme relatório fiscal à fl. 1.934) para R$ 743.875,20. Cientificada da decisão em 19/02/2014 (AR fls. 2073) a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário de fls. 2102 a 2136, no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação. Destaca, em particular, que as empresas BRASIPAR, SMP Rumol E MOBISUL deveriam ter sido intimadas e inseridas no Auto de Infração, uma vez que as intimações relativas ao Termo de Fiscalização não podem validar o lançamento fiscal. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora. O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) DO RECURSO DE OFÍCIO Considerando que o valor exonerado é superior ao previsto na Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro 2017, conheço de recurso de ofício. O lançamento foi parcialmente revisto pela DRJ que acolheu a alegação de decadência relativa aos períodos de 01/2006 a 11/2006 e 13/2006, nos AI DEBCAD nº Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.152 8 37.269.3024, nº 37.269.3024, nº 37.269.3032 e 37.269.3040, relativos às obrigações principais, bem como do AI DEBCAD 37.269.3016 referente à obrigação acessória CFL 68, relativamente às competências de 01/2006 a 11/2006, nestes termos: Com relação às alegações do impugnante de que as contribuições lançadas referentes às competências de 01/2006 a 07/2007 teriam sido atingidas pela decadência, temse como segue. O CTN, determina que: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(grifo nosso) [...] Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;(grifo nosso) No presente caso, seja em razão de inexistir qualquer antecipação de pagamento em relação aos fatos geradores considerados na presente impugnação, seja em função de ter ocorrido simulação (conforme exposto), aplicase o disposto no CTN, artigo 173 citado. Assim, as contribuições referentes às competências de 01/2006 a 11/2006 e 13/2006 somente poderiam ter sido lançadas até 31/12/2011. Isso porque, em relação a essas competências, a contagem do prazo decadencial se iniciou em 1/1/2007 (primeiro dia do exercício/ano seguinte àquele em que a contribuição poderia ter sido lançada). Dessa feita, considerandose que o lançamento das contribuições ocorreu em 1/8/2012 (conforme assinatura às fls. 1.514, 1.528, 1.540) temse que essas competências foram alcançadas pela decadência e as contribuições lançadas relativamente a esse período (de 01/2006 a 11/2006 e 13/2006), com o código de Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.153 9 levantamento SE devem ser excluídas das autuações de que trata o presente processo. Contudo, para as competências 12/2006 (cujo vencimento da obrigação se deu em 01/2007) e de 01/2007 em diante, considerandose a data do lançamento (1/8/2012), não há se falar tenha ocorrido a decadência, pois, nos termos do CTN, artigo 173, o termo inicial do prazo conferido à fazenda pública para efetuar o lançamento para a competência mais antiga desse período (12/2006) é o dia 1/1/2008 e o termo final é 31/12/2012. Em relação à decadência parcial do AI DEBCAD 37.269.3016 referente à obrigação acessória CFL 68, assim se manifestou a decisão recorrida: O contribuinte tem razão quando alega que ocorreu decadência em relação a parte das competências das multas aplicadas, mas não tem razão quando afirma que tal decadência teria ocorrido até 07/2007. O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração relativo a multas pelo descumprimento de obrigação acessória é aquele referido no CTN, artigo 173 citado. O descumprimento da obrigação de declarar todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias objeto da autuação em comento, conforme Manuais da GFIP vigentes no período das infrações, somente poderia ocorrer após o fim do prazo para o envio/transmissão/entrega da GFIP, qual seja, o dia 31 de janeiro para a competência 13 e, para as demais competências, o dia 7 do mês seguinte àquele de competência (antecipandose a data no caso de não haver expediente bancário). Assim, os valores de multa aplicadas em decorrência de infrações de 01/2006 a 11/2006, cujo termo final para autuação foi 31/12/2011, devem ser excluídos da autuação porque foram alcançados pela decadência uma vez que a autuação se deu em 1/8/2012 (conforme documento de fl. 1.513). O valor da autuação efetuada por meio do AI DEBCAD 37.269.3016 deve ser retificado, passando de R$ 1.099.641,60 (conforme relatório fiscal à fl. 1.934) para R$ 743.875,20 (foi aplicada multa de R$ 32.342,40 em cada competência). Em face do exposto, considerandose que a autuação se deu em 1/8/2012 (conforme assinatura á fl. 1.513) temse que as multas aplicadas relativamente às competências 12/2006, 13/2006, e de 01/2007 a 11/2008, não teriam sido alcançadas pela decadência, pois relativamente às competências mais antigas desse período (12/2006 e 13/2006) o termo inicial do prazo decadencial para autuação se deu em 1/1/2008 e o final se deu em 31/12/2012. (grifos no original) Corretos os fundamentos utilizados pela DRJ, motivo pelo qual, nego provimento ao Recurso de Ofício 2) PRELIMINARES Fl. 2153DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.154 10 2.1) DA NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DOS DEVEDORES SOLIDÁRIOS. Preliminarmente, alega a Recorrente a nulidade do lançamento em razão da ausência de citação das devedoras solidárias que compunham o alegado grupo econômico. Nesse sentido, entendo correta a alegação da Recorrente. Isso porque, embora as empresas que compunham o grupo tenham recebido a intimação do termo de fiscalização, não foram intimadas dos autos de infração, tampouco tiveram os seus nomes listados como co responsáveis. A necessidade de intimação está expressamente prevista na Portaria RFB 2.284/10, nestes termos: Art. 2º Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do credito tributário lançado. §1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. (grifamos) Tratase, assim, de nulidade por vício formal, uma vez que para ser validamente exigido, os coresponsáveis solidários deveriam ser intimados. Nesse sentido, já se pronunciou a 4ª Câmara, da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Seção, na decisão constante do Acórdão nº 2402005.529, que recebeu a seguinte ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. Identificada a existência de responsabilidade solidária, é dever da Autoridade fiscal promover a inclusão formal da empresa responsável no polo passivo do Processo Administrativo Fiscal (PAF). O lançamento como ato administrativo que é poderá ser nulo ou anulável em razão de vício material ou de vício formal, sendo que a diferença entre ambos, reside, basicamente, em verificar se o vício está no instrumento de lançamento ou no próprio lançamento. O vício formal ocorre no instrumento de lançamento (ato fato administrativo), de maneira que se relaciona tal defeito com a forma do ato. Ao passo que, o vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos necessários, em especial aos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, daí resultando em equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou constituição do crédito tributário. Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.155 11 Recurso Voluntário Provido. Em face do exposto, dou provimento ao recurso para reconhecer a nulidade formal do lançamento em face da ausência de intimação das demais empresas componentes do grupo econômico. Na eventualidade de restar vencida na análise da preliminar de nulidade, passarei a análise das demais alegações constantes do recurso. 2.2 DA DECADÊNCIA DAS COMPETÊNCIAS 12/2006 E 01/2007 A 31/2007 Alega a Recorrente que equivocase a decisão recorrida quando inadmite a decadência dos períodos de 12/2006 e 01/2007 a 31/2007. Para tanto contesta a alegação de que não teria havido qualquer antecipação de pagamento, pois não seria possível à Recorrente ter efetuado recolhimento para esses fatos geradores se somente após o lançamento fiscal teria ficado sabendo que foi considerada devedora. Afirma também que não restou comprovado os vícios de "dolo, fraude ou simulação" que justificariam a aplicação da norma prevista no artigo 173 do Código Tributário Nacional. Nesse ponto, entendo incorretas as alegações do Recorrente. Isso porque, embora entenda que os valores recolhidos pelas demais empresas componentes do grupo econômico de fato possam ser tidos como antecipação do pagamento, no caso dos autos, entendo que restou suficientemente demonstrada a ocorrência da simulação. Em face do exposto, rejeito a preliminar de decadência. 2.3) DA COMPENSAÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES PELAS EMPRESAS MOBISUL, SMP RUMOL E BRASIPAR. Alega também o Recorrente que se a fiscalização "desconsiderou as demais pessoas jurídicas como contribuintes do INSS e atribuiu todos os recolhimentos como se fossem obrigação da Recorrente, nada mais justo do que abater os valores recolhidos pelas empresas MOBISUL, SMP RUMOL e BRASIPAR, procedimento este que deveria ser adotado quando do lançamento fiscal." Entendo corretas as alegações da Recorrente. Ao desconsiderar a existência das demais pessoas jurídicas a conseqüência natural é admitir que os pagamentos por elas realizados, foram, na verdade, efetuados pela Recorrente. Esse entendimento é corroborado pela Súmula CARF nº 76 que assim dispõe: Súmula CARF nº 76 na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Em face dos exposto, entendo que deve ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. 2.4) DETALHAMENTO DAS VERBAS Fl. 2155DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.156 12 Alega ainda a Recorrente que não houve detalhamento das verbas não recolhidas. Requer que o processo seja baixado em diligência para que a fiscalização promova o detalhamento das verbas, uma vez que a natureza não remuneratória de algumas delas foi afastada pelo Superior Tribunal de Justiça. Nesse ponto, entendo corretas as alegações da Recorrente. De acordo com o Código de Processo Civil de 1973 os precedentes, em geral, possuíam uma eficácia meramente argumentativa. Influenciavam o convencimento dos magistrados, serviam de reforço aos fundamentos das decisões e podiam inspirar o legislador na produção de novas normas. Não tinham, contudo, de ser obrigatoriamente seguidos. Essa situação se altera substancialmente com o Novo CPC. Todavia, antes mesmo da publicação do Novo Código de Processo Civil, o Regimento Interno do CARF, por meio da Portaria nº 586 de 21 de dezembro de 2010, ampliou a eficácia das decisões a ele aplicáveis. Com efeito, a partir dessa portaria, foi incluído o artigo 62A, por meio do qual, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça sob o rito da repercussão geral (art. 543 B do CPC/73) e recursos repetitivos (art. 543C do CPC/73) passaram a ser observados pelo CARF. O novo regimento do CARF, instituído pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015, reproduziu, em seu artigo 62, §1º inciso II, "b " a norma antes prevista no art. 62A, neste termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103 A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543 C da Lei nº5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária (grifamos) Diante do exposto, é importante verificar se a natureza indenizatória das mencionadas verbas já foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal por meio das sistemáticas acima mencionadas. Nesse ponto, a resposta é afirma em relação as verbas relativas ao auxílio doença e 1/3 de férias, conforme se verifica pela ementa do Recurso Especial nº 1.230.957 submetido à sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO Fl. 2156DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.157 13 PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. 1. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA \(...) 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas". (...) 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio doença. No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91 com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmouse no sentido de que sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1ª Fl. 2157DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.158 14 Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006.(grifamos) Em face do exposto, entendo que o processo deva ser baixado em diligência para que sejam discriminadas as verbas objeto do presente lançamento. 2.5) REPRESENTAÇÃO PENAL Alega a Recorrente ser incabível a representação penal, uma vez que não é possível imputar crime em razão de uma ficção e que "embora o CARF reconheça que não pode se manifestar sobre representação para fins penais, o deve por justiça opinar sobre entregas retroativas quando se quer a Recorrente detinha tal obrigação. Em primeiro lugar, como reconhece a própria Recorrente o CARF não é competente para se manifestar sobre representação para fins penais. É o que dispõe a Súmula CARF nº 28: Súmula CARF nº 28 (VINCULANTE): O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais No entanto, a irresignação do Recorrente referese à aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, em razão de não ter declarado os fatos geradores em GFIP. Entendo incorreta a alegação. Isso porque, a partir do momento em que restou demonstrada a ocorrência da simulação das demais empresas, as obrigações (principal e acessória) deverão ser imputadas a empresa que, de fato, as realizava como é o caso da Recorrente. 2.6) DOS CONTRATOS DE SERVIÇO Alega ainda a Recorrente que não restou detalhada a existência de contrato de cessão ou locação de mão de obra. Alega também que restou clara a contratação dos serviços de montagem e que o ônus da prestação dos serviços é total dos contratados, não podendo se falar em qualquer tipo de gerência, que na execução dos serviços, quer sobre os profissionais que laboram. Em primeiro lugar, é importante alertar que a mencionada alegação confundese com o mérito. Isso porque, ao contrário do que alega a Recorrente, a fiscalização trouxe elementos detalhados de que era ela Recorrente quem efetivamente contratava e remunerava os empregados das demais empresas. Tal situação pode ser evidenciada pelos seguintes elementos: a) Os sócios da Brasipar, Mobiul e SMP Rumól possuem os mesmos sobrenomes dos sócios da Somopar. Quase todos eles pertencem à família Rufato. O Sr. Euclídes Antonio Rufato figurou como sócio e sóciogerente da Brasipar e no mesmo período foi sócio e sóciogerente da SMP Rumól. O Sr. Wilson Aparecido Bobolato foi sócio da Brasipar e no mesmo período foi sócio da SMP Rumól. O Sr. Edgar Fernando Rufato, sóciogerente da empresa Somopar, desde agosto de 1998, foi testemunha do contrato social e na 1ª alteração contratual antes de ingressar como sócio dessa empresa, foi testemunha do Fl. 2158DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.159 15 contrato social e da 1ª alteração contratual da Brasipar, atuou como testemunha do contrato social, da 1ª, 2ª , 3ª , 4ª e 5ª alterações contratuais da empresa Mobisul e foi testemunha do contrato social e da 1ª alteração contratual da SMP Rumól. b) Integrantes da família Rufato exercem, preferencialmente, a administração das empresas. c) Por ocasião da criação da Mobisul, na razão social (conforme instrumento do contrato social) constou as iniciais de Sociedade Moveleira Paranaense, SMP, como ocorre com a sociedade SMP Rumól. Por sua vez, na razão social da Somopar consta a mesma expressão Sociedade Moveleira Paranaense. d) Nos instrumentos dos contratos sociais da Brasipar, da Mobisul, de da SMP Rumól consta, como objeto, a fabricação de móveis de madeira sem, contudo fazer menção à comercialização desses produtos. Constatouse que a comercialização da produção era realizada pela Somopar. e) A fiscalização elaborou demonstrativos (item 11.1, fls. 1.891/1.894) nos quais transcreve as informações, contidas nos extratos bancários da Somopar (emitidos pelo Banco HSBC Bank Brasil S. A.), pelas quais se observa que no histórico das operações há menção a pagamentos e adiantamentos de salários realizados nos meses de 1/2006 a 12/2009; f) Conforme comparação realizada, pela fiscalização, entre a receita bruta que teria sido auferida pelas sociedades empresárias (informação declarada pelos sujeitos passivos e obtida nos extratos do Simples Nacional) e as remunerações informadas nas folhas de pagamentos disponibilizadas em meio digital pela Brasipar, Mobisul e SMP Rumol (fls. 1.886/1.890, item 10.2 do relatório fiscal), constatouse que as receitas brutas declaradas pela Brasipar, Mobisul e SMP Rumól são significativamente menores do que os valores de remuneração contidos nas folhas de pagamento. g) A indicação nos extratos bancários da Somopar de transferência de recursos financeiros em favor da sociedade Mobisul para pagamento e adiantamento de salários de empregados formalizados nessa sociedade, e a presença, nos extratos das outras sociedades, de valores creditados em seu favor pela Somopar Assim, uma vez que o impugnante não apresenta qualquer elemento que demonstre a existência de autonomia entre ele as demais sociedades empresárias mencionadas no relatório fiscal com vistas a infirmar as conclusões acerca da existência de um controle compartilhado das sociedades Brasipar, Mobisul, SMP Rumól e Somopar, e diante das normas citadas, entendese que a conclusão fiscal acerca da existência de um grupo econômico integrado por todas essas pessoas jurídicas deve ser prestigiada. 3) MÉRITO 3.1) DO DIREITO AO PLANEJAMENTO Quanto ao mérito, alega a Recorrente que efetuou economia tributária lícita e que, sendo assim, "não poderiam os Srs. fiscais por simples presunção querer ilidir todas as operações, pelo entendimento de que houve "sonegação" "redução indevida de tributos" visando não pagar o INSS devido. Fl. 2159DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.160 16 Incorretas as alegações do Recorrente. Em primeiro lugar, porque a simulação retira a licitude da conduta. Não se nega do direito do contribuinte de organizar sua atividades de forma obter economia tributária. A referida organização, todavia, deve ser lícita, e resta comprometida quando se detecta o emprego da simulação, como no caso dos autos. Da mesma forma, improcedentes as alegações de que os fiscais utilizaram de presunções para ilidir as operações praticadas. Conforme demonstrado no item 2.6 desta decisão, a fiscalização trouxe amplo conjunto probatório apto a suportar suas alegações. Não há que se falar, portanto, em presunção. 3.2 ) QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Alega o Recorrente que a quebra de seu sigilo bancário só poderia ser feita mediante prévia autorização judicial, sendo, portanto, inconstitucional a autorização contida na Lei Complementar nº 105/2001. Nesse sentido, é importante destacar que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. A mencionada decisão recebeu a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Fl. 2160DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.161 17 Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (grifos no original) Em face do exposto, rejeito a alegação suscitada. 3.3) INTIMAÇÃO DOS COTITULARES DAS CONTAS BANCÁRIAS. Alega o Recorrente que, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, não se confundiu. Sendo assim, nos termos da Súmula CARF nº 29, as demais empresas deveriam ser intimadas para dar explicações sobre a movimentação bancária. Incorretas as alegações do Recorrente. Isso porque, a Súmula CARF nº 29 aplicase aos lançamentos decorrentes de depósito bancário de origem não comprovada, o que não é o caso dos autos. Como nos lançamentos de depósitos de origem não comprovada a fiscalização utilizase de presunção legal é fundamental que sejam intimados todos os co titulares para que possam, se for o caso, elidir a presunção de renda. 3.4) DECADÊNCIA, COMPENSAÇÃO DOS VALORES PAGOS PELAS EMPRESAS E GRUPO ECONÔMICO Nos itens 2.4, 2.5 e 2.6 do seu recurso a Recorrente reitera alegações já suscitadas em preliminar e devidamente analisadas. 3.5) CARÁTER CONFISCATÓRIO DAS MULTAS APLICADAS Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.162 18 Em relação à aplicação da multa de ofício alega a Recorrente que esta ofende a garantia prevista no artigo 150. IV da Constituição Federal. Tal alegação não deve ser conhecida, pois, nos termos da Súmula 2 deste Conselho "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." 3.6) DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC A Recorrente contesta, ainda, a aplicação da taxa SELIC como juros moratórios aplicáveis ao crédito tributário, pois, de acordo com o §1º do artigo 161 do Código Tributário Nacional, a taxa de juros a ser adotada em caso de inadimplemento deverá ser, em regra, 1%. A aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do exposto, improcedente o mencionado pedido. 4) CONCLUSÃO Em face do exposto, tendo sido vencida nas preliminares de nulidade e diligência, rejeito as demais preliminares e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso para que sejam deduzidos da base de cálculo recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do SIMPLES, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Voto Vencedor Conselheiro Martin da Silva Gesto, Redator Designado. Data venia, venho divergir quanto ao entendimento da ilustre Relatora, quanto a necessidade de diligência, bem como quanto a preliminar suscitada pela contribuinte de nulidade do lançamento pela inexistência de autuação aos coresponsáveis. Assim, passo a fundamentar o meu voto quanto ao que, respeitosamente, divirjo ao entendimento da Relatora. Pedido de diligência. Fl. 2162DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.163 19 A contribuinte sustenta que não houve detalhamento das verbas não recolhidas, sendo assim, requereu em recurso voluntário que o processo seja baixado em diligência para que a fiscalização promova o detalhamento das verbas, uma vez que a natureza não remuneratória de algumas verbas já foi afastada pelo Superior Tribunal de Justiça. Ocorre que cabe à contribuinte provar o que alega, devendo ela, para demonstrar como verdadeiro o que sustenta, apresentar o detalhamento das verbas, de modo que fosse possível verificar se entre elas haveria rubricas pagas de natureza não remuneratória. Salientase que pela análise dos autos não foram identificadas verbas de natureza não remuneratórias. Nenhuma, sequer. Ou seja, não apresenta plausibilidade o pedido, pois inexiste indícios mínimos de que foram tributadas verbas de natureza não remuneratória, o que iria ao confronto do decidido pelo Superior Tribunal de Justiça. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese indeferido o pedido de diligência. No processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Portanto, carece de razão a recorrente, não devendo ser acolhido o pedido de diligência realizado. Responsabilização solidária. A recorrente alega a nulidade do lançamento em razão da ausência de citação das devedoras solidárias que compunham o alegado grupo econômico. Entendeu a ilustre Relatora como correta a alegação da Recorrente, pois embora as empresas que compunham o grupo tenham recebido a intimação do termo de fiscalização, não foram intimadas dos autos de infração, tampouco tiveram os seus nomes listados como coresponsáveis. Sustenta que a necessidade de intimação está expressamente prevista na Portaria RFB 2.284/10, nestes termos: Art. 2º Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do credito tributário lançado. §1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. Fl. 2163DF CARF MF Processo nº 11634.720506/201241 Acórdão n.º 2202003.764 S2C2T2 Fl. 2.164 20 Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. (grifo da Conselheira Relatora) Data venia, venho discordar deste entendimento da ilustre Relatora. Ocorre que a Portaria supracitada dizer que devem cientificados do autos de infração todos os autuados, logo, que não for autuado, não é cientificado, pois não estariam na lide. Ou seja, a Portaria não diz que todos os responsáveis devem ser autuados, mas tão somente que, sendo autuados, deverão ser cientificados do auto de infração com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Portanto, verificase que auto de infração não está em desacordo com a Portaria RFB 2.284/10, pois todos os autuados foram cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para impugnarem. Diante disso, inexiste nulidade do lançamento por ter a fiscalização deixado de autuar como coresponsáveis outras pessoas. Logo, deve ser rejeitada a referida preliminar. (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator Designado Fl. 2164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.003712/2010-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10715.003712/2010-68
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5730748
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.171
nome_arquivo_s : Decisao_10715003712201068.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10715003712201068_5730748.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6788035
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210428850176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1555; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.003712/201068 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.171 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2017 Matéria Aduaneiro Recorrente UNITED AIRLINES INC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 37 12 /2 01 0- 68 Fl. 299DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Inconformada com a autuação, o Contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, com a aplicação retroativa da IN SRF nº 1096/2010, que ampliou o prazo de apresentação de informações para 7 (sete) dias, para afastar a multa em todos os casos em que a informação se deu dentro deste prazo. Em seguida, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Erro material da decisão de primeira instância, tendo em vista que colocou como sendo a condenação remanescente o valor referente ao que deveria ser excluído; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Solicita a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 4 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 5 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Câmaras Baixas para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, os autos foram distribuídos à turma 3402, para relatoria do feito. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10715.003712/201068 Acórdão n.º 3402004.171 S3C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no acórdão proferido pela 3ª CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do acórdão proferido na Câmara Baixa, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do I. Relator têlos enfrentado em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, a despeito de concordância ou não com o mérito da decisão da CSRF, apenas os demais argumentos. Tampouco cabe deliberar aqui a respeito da preliminar apreciada no acórdão recorrido, a respeito da existência de erro material na decisão da DRJ, no momento de cálculo do crédito tributário remanescente. Isso se dá em razão de tanto a preliminar quanto ao mérito terem sido apreciados, a despeito de apenas em relação a este último ter versado o Recurso Especial da Fazenda Nacional, o que implica na definitividade do provimento em relação ao erro material apontado pelo Contribuinte. Nessa mesma linha, o provimento da decisão da 3ª CSRF foi exatamente no sentido de que se apreciasse os demais argumentos relativos ao mérito, que deixaram de ser deliberados em razão do provimento meritório. Apenas por razão de cautela, visando evitar omissões ou dificuldades de execução do acórdão, frisase esse ponto para esclarecer o motivo pelo qual tal preliminar não será enfrentada aqui, visto que não é possível nos manifestarmos sobre matéria que já foi julgada e, inclusive, transitou em julgado administrativo por ausência de manifestação. 1) Da Ofensa à Reserva Legal Tal matéria foi devidamente enfrentada pelo Conselheiro Paulo Caliendo no Acórdão CARF nº 3801004.879, pelo que adiro às suas conclusões, reproduzindo seu entendimento: A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o vôo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que Fl. 301DF CARF MF 4 estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Mais ainda, é preciso distinguir entre a legalidade veiculada no artigo 5º, II e no artigo 150, I, ambos da Constituição Federal: Art. 5º. (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Apenas o artigo 150, I veicula comando de reserva de lei, restringindo a exigência ou o aumento de tributo ao manejo deste instrumento legislativo, ao determinar expressamente que a lei deverá estabelecer tais matérias. Diferentemente, o art. 5º, II fala apenas que as obrigações de ação ou omissão deverão ser constituídas em virtude de lei, é dizer, podem sêlo diretamente por ela, mas sem prejuízo da lei remeter, por exemplo, à RFB a determinação de certos aspectos relativos a essas obrigações. É exatamente o caso, como se depreende da tipificação da infração administrativa incorrida, prevista no DecretoLei nº 37/66, art. 107, IV, "e": por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Há uma remissão expressa a ato da RFB que determinará a forma e prazo da prestação de informações, atribuindo competência expressa a esta para regulamentar tal matéria no âmbito infralegal. Frisese, naturalmente, que tal se dá por se tratar de matéria referente a Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10715.003712/201068 Acórdão n.º 3402004.171 S3C4T2 Fl. 4 5 obrigações acessórias, visto que se de tributo se tratasse, somente por lei se poderia criálo ou modificálo. Desse modo, não procede o argumento do Contribuinte. 2) Da Ausência de Dano ao Erário Novamente sobre este tópico, adiro às razões do Acórdão CARF nº 3801 004.879, às quais reproduzo: Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Com razão, é preciso observar, no esteio da jurisprudência deste CARF, que o bem jurídico tutelado pelas obrigações acessórias em matéria aduaneira não é a liquidez do Erário, mas sim o controle das fronteiras, especialmente em relação aos produtos que entram e que saem no transporte internacional. Desse modo, a ausência de prejuízo pecuniário à arrecadação tributária não afeta, de maneira alguma, a aplicação das sanções relativas ao descumprimento de obrigações acessórias com finalidade fiscalização e controle do comércio exterior. Assim, tampouco deve proceder o argumento do contribuinte neste ponto. 3) Da aplicação de multa singular A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Não procede a tese de contribuinte de aplicação da regra de "crime continuado" prevista no artigo 71 do Código Penal, por inexistir no contexto fático relação de continuidade entre as omissões quanto à prestação de informações a despeito de concordamos com sua assunção no sentido de tal regra ser relativa à infrações administrativas. Isso se dá Fl. 303DF CARF MF 6 pelo fato do artigo 71 do CP exigir algum grau de conexão entre as infrações, para a construção do liame de continuidade, o que não há no caso. Tampouco caberia se falar na aplicação da multa por embarque, é dizer, por embarcação ou por vôo, com base em possível dúvida interpretativa do tipo infracional, com fundamento no artigo 112 do Código Tributário Nacional, visto que a metodologia aplicada pelo fiscal foi exatamente a de aplicar a multa por embarque e não por carga. Ante o exposto, entendo que não deve prosperar o argumento do contributinte neste ponto. 4) Conclusão Em face do que foi analisado acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.928752/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e José Roberto Adelino da Silva.
RELATÓRIO
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10880.928752/2010-11
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5728740
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-000.455
nome_arquivo_s : Decisao_10880928752201011.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10880928752201011_5728740.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e José Roberto Adelino da Silva. RELATÓRIO
dt_sessao_tdt : Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
id : 6781130
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210431995904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1087; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 287 1 286 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.928752/201011 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.455 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 10 de abril de 2017 Assunto IRPJ Recorrente HEJOASSU ADMINISTRAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarouse impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e José Roberto Adelino da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 28 75 2/ 20 10 -1 1 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10880.928752/201011 Resolução nº 1401000.455 S1C4T1 Fl. 288 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP I), que, por meio do Acórdão nº 1649.040, de 31 de julho de 2013, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade. Por bem delineado, adoto o relatório da DRJ/SP I. É de se reparar que o referido Acórdão utilizou a numeração do processo físico. Entretanto, utilizarei em minhas próprias citações a numeração eletrônica gerada pelo eprocesso: 1. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade em face do Despacho Decisório de 07/06/2010 (fl. 10), que não homologou o PER/DCOMP vinculado ao saldo negativo de IRPJ, apurado no anocalendário de 2001. 1.1. O crédito, no montante de R$ 39.186.192,45, indicado no PER/DCOMP nº 19261.05297.311007.1.7.028651 (retificador do PER/DCOMP 36273.97667.161205.1.3.023801) foi analisado de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB, que emitiu o Despacho Decisório em comento, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, pelo qual foi confirmado o saldo negativo de IRPJ disponível para compensação no montante de R$ 24.757.302,16. A tabela a seguir indica as parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP: PARC. CRÉDITO EXTERIOR RETENÇÕES FONTE PAGAMENTOS ESTIM.COMP. SNPA ESTIM. PARCELADAS DEM.ESTIM. COMP. SOMA PARC.CRED. PER/DCOMP 0,00 40.306.715,73 89.144,10 27.401,66 0,00 0,00 40.423.261,49 CONFIRMADAS 0,00 25.905.227,50 89.144,09 0,00 0,00 0,00 25.994.371,59 1.2. De acordo com o demonstrativo da análise das parcelas do crédito (fls. 08/09), a diferença em tela decorre da não confirmação de parte do crédito de IRRF, conforme as tabelas: I Imposto de Renda Retido na Fonte – parcelas confirmadas parcialmente ou não confirmadas ITENS CNPJ DA FONTE PAGADORA CÓDIG O DE RECEIT A VALOR PER/DCOMP VALOR CONFIRMADO VALOR NÃO CONFIRMADO JUSTIFICATIVA A 01.170.892/000131 3426 992.785,24 850.254,49 142.530,75 Receita correspondente oferecida parcialmente à tributação B 01.580.746/000184 5706 1.446.625,38 0,00 1.446.625,38 Retenção na fonte não comprovada C 03.384.738/000198 6800 707.269,26 605.729,05 101.540,21 Receita correspondente oferecida parcialmente à tributação D 61.082.582/000197 5706 17.235.144,02 6.868.155,52 10.366.988,50 Retenção na fonte comprovada parcialmente E 61.397.246/000133 5706 2.343.803,38 0,00 2.343.803,38 Retenção na fonte não comprovada F 61.409.892/000173 5706 17.581.088,45 17.581.088,44 0,01 Retenção comprovada em DIRF Total 40.306.715,73 25.905.227,50 14.401.488,23 Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10880.928752/201011 Resolução nº 1401000.455 S1C4T1 Fl. 289 3 II Pagamentos – parcelas confirmadas CÓDIGO DE RECEITA PERÍODO DE APURAÇÃO DATA DE ARRECADAÇÃO VALOR DO PRINCIPAL VALOR DA MULTA VALOR DOS JUROS VALOR TOTAL DO DARF VALOR UTILIZADO PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO PERÍODO 2362 30/04/2001 31/05/2001 19.413,75 0,00 0,00 19.413,75 19.413,74 2362 31/05/2001 30/06/2001 69.730,35 0,00 0,00 69.730,35 69.730,35 Total 89.144,09 III Estimativas compensadas na contabilidade com saldo negativo de períodos anteriores – parcelas confirmadas parcialmente ou não confirmadas Período de apuração da estimativa compensada Período de apuração do saldo negativo de período anterior informado no PER/DCOMP Período de apuração do saldo negativo de período anterior considerado na validação CNPJ do detentor do saldo negativo Valor da estimativa compensada PER/DCOMP Valor confirmado por compensação Valor complementar confirmado Valor total confirmado Valor não confirmado Justificativa JAN/2001 AC 1996 AC 1996 61.194.148 27.221,00 0,00 0,00 0,00 27.221,00 Não houve apuração de saldo negativo no período FEV/2001 AC 1996 AC 1996 61.194.148 180,66 0,00 0,00 0,00 180,66 Não houve apuração de saldo negativo no período 27.401,66 0,00 0,00 0,00 27.401,66 1.3. Quanto ao valor não utilizado no prazo legal, o referido demonstrativo de análise informa, ainda, à fl. 50, que o valor do saldo negativo disponível (R$24.757.302,16) que não foi objeto de declarações de compensação ou pedido de restituição transmitidos no prazo estabelecido no art. 168 do Código Tributário Nacional (CTN) foi considerado valor não passível de restituição ou compensação, por não ter sido utilizado dentro do prazo legal (R$24.162.572,44); assim, o valor do saldo negativo passível de restituição ou compensação é de R$594.729,72. 2. Cientificado em 11/06/2010, o contribuinte apresentou em 13/07/2010, através de seu procurador legalmente habilitado (fls. 43/44), a Manifestação de Inconformidade de fls. 12/40, na qual alega: Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10880.928752/201011 Resolução nº 1401000.455 S1C4T1 Fl. 290 4 2.1. Deve ser reconhecida a nulidade do despacho decisório ora recorrido, em face da Manifestante não ter sido previamente intimada a prestar esclarecimentos sobre o crédito, tal como determina o artigo 65 da IN RFB nº 900/2008; 2.2. Há inequívoco direito creditório da requerente, em face da regularidade do saldo negativo de IRPJ (anocalendário 2001). 2.3. Quanto aos itens A e C, a DERAT deixou de observar que as receitas de aplicações financeiras de renda fixa são oferecidas à tributação pelo regime competência, enquanto o crédito de IRRF ocorre apenas quando do resgate das aplicações, sendo que as receitas de juros destas aplicações podem ser tributadas em mais de um anocalendário, conforme ocorreu no presente caso. A Manifestante ofereceu à tributação receitas de aplicações financeiras na monta de R$7.279.918,37, conforme cópia do livro razão (contacontábil 3.6.1.01.0000 Doc. 08) e DIPJ/2002, linha 24 da ficha 06A (Doc. 09), fazendo jus, conforme despacho decisório ao crédito de IRRF no valor de R$1.455.983,54 (=7.279.918,37 x 20%). 2.3.1. No anocalendário de 2000, a Requerente, a despeito de não sofrer qualquer a retenção de IRRF conforme se verifica da DIPJ/2001, linha 13 da ficha 12A (Doc. 10), ofereceu à tributação naquele ano receitas de aplicações financeiras no valor de R$1.825.768.50. como demonstram a cópia do livro razão (contacontábil 1.1.1.05.01.0000 Doc. 11) e a DIPJ/2001, linha 24 da ficha 06A. Ou seja, a Requerente ofereceu à tributação valores de receitas de aplicações financeiras no ano calendário de 2000, cujo IRRF correspondente foi retido pelas Fontes Pagadoras apenas no anocalendário de 2001. Assim, a receita financeira correspondente ao crédito de IRRF sobre aplicações financeiras de renda fixa restou integralmente tributada nos anoscalendário de 2000 e 2001, conforme documentação apresentada, razão pela qual deve o despacho decisório ser reformado neste item para reconhecer os valores de R$992.785,24 e R$707.269,26 (códigos 3426 e 6800) na composição do Saldo Negativo do período. 2.4. Quanto ao item B, além do Informe de Rendimentos, é possível comprovar a retenção do imposto de renda incorrida, pela Declaração de Pessoa Jurídica do Exercício de 2002 (DIPJ/2002) entregue pela Votorantim Mineração e Metalurgia Ltda., fonte pagadora do rendimento (Doc. 12). Em sua Ficha 42A resta consignado que foi pago à Manifestante, a título de JCP, a quantia de R$9.664.169,20, valor sob o qual a Fonte Pagadora procedeu à retenção de Imposto de Renda no valor de R$1.449.625,38. 2.4.1. Tanto o imposto retido quanto o rendimento auferido pela Manifestante foram devidamente escriturados em sua contabilidade, conforme razões contábeis da empresa (Conta n.° 3.6.1.03.20.0000 Juros sobre o Capital Próprio e n.° 1.1.3.06.13.0000 IRRF sobre Dividendos) Doc. 13. 2.4.2. A Manifestante, corretamente, ofereceu a receita auferida a título de Juros sobre o Capital Próprio à tributação, conforme DIPJ/2002 (Doc. 09), Linha 23 da Ficha 06A, restando comprovadas a retenção na fonte do montante de R$1.449.625,38, bem como a da correspondente receita auferida a título de Juros Sobre o Capital Próprio. 2.4.3. Ressalta que, quando do preenchimento do Perdcomp, a preencheu como valor do IRRF retido pela Votorantim Metais R$1.446.625,38, quando o correto, conforme documentos juntados, é R$1.449.625,38. Desta forma, considera que para a composição do Saldo Negativo de IRPJ, o valor em debate é R$1.449.625,38. 2.5. Quanto ao item D, conforme os razões contábeis da empresa Conta n.° 3.6.1.03.20.0000 Juros sobre o Capital Próprio e n.° 1.1.3.06.13.0000 IRRF sobre Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10880.928752/201011 Resolução nº 1401000.455 S1C4T1 Fl. 291 5 Dividendos (Doc. 13), em 31.12.2001, a VPAR efetuou o pagamento de JSCP de R$114.900.960,12, cujo crédito de IRRF corresponde ao valor de R$17.235.144,02. 2.5.1. Conforme DIPJ/2002 da empresa VPAR, (Doc. 14), consta na Ficha 06A, linha 35, que a despesa de JSCP registrada pela VPAR naquele período é de R$119.914.080,81. 2.5.2. A Manifestante possui 95,82% do capital da VPAR, conforme demonstrado no item 13 da Ficha 44, da DIPJ/2002 (Doc. 09), e sendo a despesa de JSCP registrada na VPAR de R$119.914.080,81, o valor pago a título de juros para a Manifestante é aquele registrado em sua contabilidade, na monta de R$114.900.960,12, que por sua vez foi integralmente oferecido à tributação, como demonstrado através dos razões contábeis da empresa (Conta n.° 3.6.1.03.20.0000 Juros sobre o Capital Próprio e n.° 1.1.3.06.13.0000 IRRF sobre Dividendos) (Doc. 13) e DIPJ/2002 (Doc. 09); devendo, portanto, ser reconhecido o crédito de IRRF no valor de R$17.235.144,02. 2.6. Quanto ao item E, conforme razões contábeis da empresa (Conta n.° 3.6.1.03.20.0000 Juros sobre o Capital Próprio e n.° 1.1.3.06.13.0000 IRRF sobre Dividendos), (Doc. 13), em 31.12.2001, a VOTOCEL efetuou dois pagamentos de JCP à Manifestante, o primeiro em nome próprio no valor de R$10.488.248,42, com crédito de IRRF de R$1.573.237,26 e o segundo por conta e ordem da Empresa de Transportes CPT Ltda. (CPT) no valor de R$5.137.107,45, com crédito de IRRF de R$770.566,12. 2.6.1. Conforme DIPJ/2002 da empresa VOTOCEL, (Doc. 15), consta na Ficha 06A, linha 35, que a despesa de JCP registrada naquele período é de R$24.534.477,06. Cópia do Livro Diário da VOTOCEL (Doc. 16) demonstra que o valor pago de R$24.534.477,06 foi segregado em R$20.854.305,50 a título de JCP e R$3.680.171,56 a título de IRRF. Assim, houve a retenção do IRRF quando do pagamento de JCP feito pela Votocel à Manifestante Hejoassu, devendo ser reconhecido o crédito de IRRF no valor R$2.343.803,38. 2.6.2. A Votocel Filmes Flexíveis Ltda possuía no anocalendário de 2001 os seguintes acionistas: (i) Votorantim Participações S/A, com 36,31% do capital; (ii) Hejoassu Administração Ltda, com 42,75% e Empresa de Transportes CPT Ltda. (CPT), com 20,94%. Como a Manifestante (Hejoassu) é detentora de 99,90% do capital da CPT, conforme item 18, da Ficha 44, da DIPJ/2002 (Doc. 09), optouse que a Votocel efetuasse diretamente à Hejoassu o pagamento dos Juros sobre o Capital Próprio devidos a CPT. 2.6.3. Portanto, na composição do crédito de IRRF da Hejoassu, retido pela Votocel, devem ser consideradas as quantias de R$1.573.237,26, relativas ao IRRF decorrente do pagamento feito em nome próprio, bem como aquele realizado em por conta e ordem da Empresa de Transportes CPT Ltda. (CPT), no valor de R$ 770.566,12, totalizando os R$2.343.803,38. 2.6.4. Assim, comprovadas a efetiva retenção na fonte do montante de R$2.343.803,38, como também a tributação da correspondente receita auferida a título de Juros sobre o Capital Próprio. 2.7. Quanto às estimativas compensadas na contabilidade com saldo negativo de períodos anteriores, conforme DIPJ/1997 (Doc. 17), Ficha 08, linha 19, a Manifestante apurou naquele período R$200.993,84 a título de Saldo Negativo de IRPJ. As compensações das Estimativas efetuadas pela Manifestante com o crédito de IRPJ do anocalendário de 1996, por sua vez, foram devidamente registradas em sua escrituração contábil, como determina o artigo 66, da Lei n° 8.383/91, como se verifica da cópia do Livro Razão, conta 1.1.3.06.01.0000 (Doc. 18). Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10880.928752/201011 Resolução nº 1401000.455 S1C4T1 Fl. 292 6 2.7.1. Assim, uma vez comprovadas a existência de Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 1996, bem como a compensação levada a efeito pela Manifestante, devem ser reconhecidas as parcelas de crédito decorrente da quitação das Estimativas de IRPJ dos meses de Janeiro e Fevereiro de 2001, nos valores de R$27.221,00 e R$180,66. 2.8. Em desrespeito ao disposto no § 1º, do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, a autoridade administrativa ignorou as informações constantes da Declaração de Compensação entregue pela Manifestante para homologar a compensação de seu crédito de R$24.757.302,16 com débitos que se referem às multas que não constavam da referida declaração, como se verifica do "Detalhamento da Compensação" objeto do despacho decisório (Doc. 02). O procedimento da Autoridade Administrativa de alterar "de ofício" os débitos que foram indicados pelo contribuinte para compensação em seu PER/DCOMP viola o dispositivo acima citado. 2.9. Mesmo admitindose a compensação de ofício de multa de mora que não foi objeto do Perdcomp, fato é que mesmo nesta situação, os débitos em debate não sofreriam esta penalidade, em razão da denúncia espontânea realizada pela Manifestante. A compensação equivale ao pagamento antecipado, visto que o sujeito passivo, em vez de recolher o valor do tributo em dinheiro, registra na escrita fiscal o crédito oponível ao Fisco e o informa na PER/DCOMP. Até que o Fisco se pronuncie sobre a homologação, seja expressa ou tacitamente, no prazo de cinco anos, a compensação tem o mesmo efeito do pagamento antecipado, nos estritos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.637/02. Assim, deve ser excluída a multa exigida sobre os débitos compensados. Colaciona jurisprudência. 2.10. A DERAT jamais poderia exigir multa de mora sobre os débitos de "estimativa de CSLL", compensados pelo contribuinte, em virtude de que estes débitos não são definitivos, não havendo, portanto, que se falar em atraso de seu recolhimento ou mora do contribuinte. Colaciona doutrina e jurisprudência 3. A Manifestante requer o julgamento procedente da presente Manifestação de Inconformidade, de modo a reconhecer integralmente o Saldo Negativo de IRPJ, Exercício 2002, utilizandoo para homologar integralmente os débitos declarados na DCOMP n.° 19261.05297.311007,17.028651, sem a compensação de quaisquer valores a título de multa. A DRJ/SP I, por meio do Acórdão nº 1649.040, de 31 de julho de 2013, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, que teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL. A insuficiência de apresentação de prova inequívoca hábil e idônea, com vistas a aferir a certeza e liquidez dos créditos requeridos, acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10880.928752/201011 Resolução nº 1401000.455 S1C4T1 Fl. 293 7 IRRF. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS VINCULADAS ÀS CORRESPONDENTES RETENÇÕES. OBRIGATORIEDADE. O imposto retido na fonte sobre JSCP será considerado ou antecipação do devido na declaração de rendimentos facultada a sua dedução para compor o saldo negativo ou poderá ainda ser compensado por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. Para ambas as hipóteses, é imprescindível o oferecimento à tributação na declaração de rendimentos das receitas vinculadas às correspondentes retenções, sem o que não podem ser utilizadas para qualquer espécie de dedução ou compensação. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS. Para a determinação do saldo negativo do IRPJ passível de ser restituído ou compensado não basta a prova da regular retenção do imposto. Imprescindível a comprovação de que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram devidamente computadas na determinação do lucro real. MULTA DE MORA. ALEGAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea tem por pressuposto o efetivo pagamento de débitos desconhecidos pelo Fisco, acompanhados dos juros de mora, quando devidos. A compensação, mediante DCOMP, de débitos declarados, mas já vencidos, não afasta a aplicação da multa de mora nos cálculos de imputação do direito creditório reconhecido aos débitos compensados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Como a DRJ reconheceu parcialmente o crédito pleiteado, a empresa apresentou recurso voluntário a este CARF, aduzindo basicamente as questões trazidas na manifestação de inconformidade. No CARF, o processo foi distribuído, cabendo a mim sua relatoria. É o Relatório. VOTO Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10880.928752/201011 Resolução nº 1401000.455 S1C4T1 Fl. 294 8 Apesar de todos os argumentos trazidos nas razões do recuso voluntário, entendo que algumas questões fundamentais ainda carecem ser melhor analisadas, para que se possa adentrar na discussão proposta nos outros pontos trazidos no recurso voluntário. Desta forma, passo a tratar de cada item que entendo necessário ser objeto de diligência fiscal, sendo que abaixo de cada um deles trarei as propostas de diligência, com objetivo de facilitar a compreensão do que está sendo solicitado. MÉRITO 1) No capítulo "III.2 Do Inequívoco Direito Creditório da Requerente", (fls. 153 a 157) a recorrente alega o seguinte: 1.1) No tópico "III.2.1 Parcelas de IRRF confirmadas parcialmente ou não confirmadas", a recorrente alega que, não obstante ter trazido documentos que comprovassem o direito creditório pleiteado, a DRJ deixou de examinar os documentos, preferindo manterse inerte e convalidar o que havia sido decidido no despacho decisório. A recorrente apresentou justificativa para cada item, conforme se verifica abaixo (fl. 205): Pois bem. O despacho decisório trouxe as seguintes justificativas para o reconhecimento parcial das parcelas de IRRF, conforme quadro abaixo: Itens A e C No Acórdão de 1ª instância, a DRJ arguiu que a empresa não apresentou contratos de aplicação financeira de renda fixa, informe de rendimentos, tampouco registros contábeis que comprovam a efetiva tributação dos rendimentos. Assim, conclui que os valores não confirmados de R$ 142.530,75 (A) e R$ 101.540,01 (C) devem ser mantidos. ITENS CNPJ DA FONTE PAGADORA CÓDIG O DE RECEIT A VALOR PER/DCOMP VALOR CONFIRMADO VALOR NÃO CONFIRMADO JUSTIFICATIVA A 01.170.892/000131 3426 992.785,24 850.254,49 142.530,75 Receita correspondente oferecida parcialmente à tributação B 01.580.746/000184 5706 1.446.625,38 0,00 1.446.625,38 Retenção na fonte não comprovada C 03.384.738/000198 6800 707.269,26 605.729,05 101.540,21 Receita correspondente oferecida parcialmente à tributação D 61.082.582/000197 5706 17.235.144,02 6.868.155,52 10.366.988,50 Retenção na fonte comprovada parcialmente E 61.397.246/000133 5706 2.343.803,38 0,00 2,343.803,38 Retenção na fonte não comprovada F 61.409.892/000173 5706 17.581.088,45 17.581.088,44 0,01 Retenção comprovada em DIRF Total 40.306.715,73 25.905.227,50 14.401.488,23 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10880.928752/201011 Resolução nº 1401000.455 S1C4T1 Fl. 295 9 A Recorrente, por sua vez, alega que demonstrou que as receitas financeiras (decorrentes de aplicação de renda fixa) foram oferecidas à tributação. Alega que a DRJ não se ateve ao fato de que a retenção do imposto de renda na fonte não coincide necessariamente com a tributação das receitas financeiras. Estas são tributadas no resgate, enquanto aquelas são tributadas mês a mês, em obediência ao regime de competência, de acordo com a atualização monetária do valor investido. Informa que juntou, ainda na manifestação de inconformidade, os informes de rendimentos (renda fixa e fundos de investimentos) do ano calendário de 2001, das fontes pagadoras Votorantim Corretora de Valores Mobiliários (CNPJ 01.170.892/000131) e Votorantim Asset Management Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (CNPJ 03.384.738/000198), em que constam mês a mês o rendimento recebido e o imposto correspondente retido (Doc. 07 da manifestação de inconformidade fls. 75/76), conforme tabela abaixo: Quanto à tributação das receitas que geraram os valores do IRF, a recorrente alega o seguinte: No anocalendário de 2001, a Recorrente ofereceu à tributação receitas de aplicações financeiras na monta de R$ 7.279.918,37, conforme cópia do livro razão (contacontábil 3.6.1.01.0000 Doc. 08 da Manifestação de Inconformidade Fls. 77) e DIPJ/2002, linha 24 da ficha 06A (Doc. 09 da Manifestação de Inconformidade Fls. 83), fazendo jus ao crédito de IRRF no valor de R$ 1.455.983,54 (=7.279.918,37 x 20%). Já no ano imediatamente anterior ao em debate nos presentes autos, a Requerente, a despeito de não sofrer qualquer a retenção de IRRF conforme se verifica da DIPJ/2001, linha 13 da ficha 12A (Doc. 10 da Manifestação de Inconformidade Fls. 123), ofereceu à tributação naquele ano receitas de aplicações financeiras no valor de R$ 1.825.768,50, como demonstram o cópia do livro razão (contacontábil Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10880.928752/201011 Resolução nº 1401000.455 S1C4T1 Fl. 296 10 1.1.1.05.01.0000 Doc. 11 da Manifestação de Inconformidade fls. 124/125) e a DIPJ/2001, linha 24 da ficha 06A. Pois bem. Os valores de receita financeira oferecida à tributação contidos no livro razão diferem dos valores trazidos pela recorrente na planilha que tem como base os valores dos informes de rendimentos anexados por ela. Como bem disse a recorrente, as receitas financeiras são tributadas em seguimento ao principio da competência, enquanto que o IRF é retido no resgate da aplicação, havendo um descompasso entre os referidos valores dentro do período alcançado pelo contrato de investimento. Entretanto, em uma análise mais detalhada dos valores descritos na contabilidade (R$ 7.279.918,37 fl. 77; e R$ 1.825.768,50 fl. 124/125) não há como sequer fazer um cotejo entre os valores das receitas e as bases que ensejaram a retenção do imposto de renda na fonte. A recorrente também sequer apresentou alguma planilha que pudesse demonstrar a composição dos valores aqui discutidos, de maneira a esclarecer de vez se os valores que ensejaram os créditos pleiteados foram efetivamente tributados. Assim, proponho a diligência para que a fiscalização solicite o que segue: 1) Intimar a empresa para que apresente memória de cálculo que demonstre a composição dos valores contidos na contabilidade, para se ter a convicção de que as receitas foram tributadas. 2) Intimar ambas as empresas (beneficiária e pagadora) para apresentar demais documentos que entender relevantes para se tenha convicção de que as receitas foram tributadas e os valores de IRF foram efetivamente retidos. Item B A Recorrente alega que, apesar de não ter apresentado os informes de rendimentos sobre a retenção de IRF de R$ 1.449.625,38, referente ao recebimento de Juros sobre o Capital Próprio de R$ 9.664.169,20 pagos pela Votorantim Metais (atual denominação de Votorantim Mineração e Metalurgia), juntou lançamentos contábeis que, segundo ela, comprovam efetivamente que o valor citado foi retido pela fonte pagadora. Assim, proponho a diligência para que a fiscalização solicite o que segue: 3) Verificar se os lançamentos contábeis e a DIPJ (Docs. 12 (efl. 127), 12A (e fl. 128), Doc. 13 (efl. 130 a 133), todos da manifestação de inconformidade) juntados pela recorrente fazem prova de que o IRF foi efetivamente retido pela fonte pagadora. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.928752/201011 Resolução nº 1401000.455 S1C4T1 Fl. 297 11 4) Intimar a empresa para que apresente lançamentos contábeis e memória de cálculo que demonstre a composição dos valores contidos na contabilidade, para se ter a convicção de que as receitas foram tributadas. 5) Intimar a fonte pagadora para que esclareça por qual motivo não elaborou e não entregou o informe de rendimentos à recorrente. 6) Intimar ambas as empresas (beneficiária e pagadora) para apresentar demais documentos que entender relevantes para se tenha convicção de que as receitas foram tributadas e os valores de IRF foram efetivamente retidos. Item D A fiscalização e a DRJ somente consideraram o valor de R$ 6.868.155,52 relativo a JCP pago pela Votorantim Participações, quando o correto, segundo a recorrente, seria reconhecer a monta de R$ 17.235.144,02. Segundo a DRJ, somente o valor de R$ 6.868.155,52 constava na DIRF de 2001. A recorrente alega mais uma vez que a DIRF e os informes não são os únicos documentos hábeis para se comprovar a retenção do IRF. Segundo a Recorrente, os lançamentos contábeis anexados à manifestação de inconformidade (Conta nº 3.6.1.03.20.0000 Juros sobre o Capital Próprio e Conta nº 1.1.3.06.13.0000 IRRF sobre Dividendos Doc. 13 da Manifestação de Inconformidade e fls. 130 a 133) e DIPJ (efl. 83) comprovam que a VPAR pagou R$ 114.900.960,12 a título de JCP, cujo crédito de IRRF correspondeu à monta de R$ 17.235.144,02 e que os valores recebidos pela recorrente foram oferecidos à tributação. Anexa também DIPJ 2002, ac 2001 da VPAR (Doc. 14 efls. 135). Assim, proponho a diligência para que a fiscalização solicite o que segue: 7) Verificar se os lançamentos contábeis e demais documentos juntados pela recorrente fazem prova de que os rendimentos foram tributados e o IRF foi efetivamente retido pela fonte pagadora. 8) Intimar a fonte pagadora para que esclareça por qual motivo não elaborou e não entregou o informe de rendimentos à recorrente. 9) Intimar ambas as empresas (beneficiária e pagadora) para apresentar demais documentos que entender relevantes para se tenha convicção de que as receitas foram tributadas e os valores de IRF foram efetivamente retidos. Item E Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10880.928752/201011 Resolução nº 1401000.455 S1C4T1 Fl. 298 12 A fiscalização e a DRJ deixaram de reconhecer o valor de R$ 2.343.803,38 relativo a JCP pago pela Votocel Investimentos Ltda (atual denominação de Votocel Filmes Flexíveis Ltda), por falta de apresentação dos informes de rendimentos, quando o correto, segundo a recorrente, seria reconhecer integralmente este valor. A recorrente explica que houve dois pagamentos de JCP efetuado pela Votocel a ela: a) o primeiro, em nome próprio, no valor de R$ 10.488.248,42 com IRRF de R$ 1.573.237,26; b) o segundo, por conta e ordem da empresa de Transportes CPT (CPT), no valor de R$ 5.137.107,45 com IRRF de R$ 770.566,12. A justificativa pelo pagamento ter sido efetuado pela empresa de Transportes CPT (CPT) segue abaixo: Cabe esclarecer, que a Votocel Filmes Flexíveis Ltda. possuía no anocalendário de 2001 os seguintes acionistas: (i) Votorantim Participações S/A, como 36,31% do capital; (ii) Hejoassu Administração Ltda., ora Requerente, com 42,75% e Empresa de Transportes CPT Ltda (CPT), com 20,94%. Neste cenário, sendo certo que a Requerente (Hejoassu) é detentora de 99,90% do capital da CPT, como se verifica do item 18, da ficha 44, da DIPJ/2002 (Doc. 09 da Manifestação de Inconformidade Fls. 115), optouse que a Votocel efetuasse diretamente à Hejoassu o pagamento dos Juros sobre o Capital Próprio devidos a CPT. A recorrente anexa cópia de seu razão contábil (Conta nº 3.6.1.03.20.0000 Juros sobre o Capital Próprio e Conta nº 1.1.3.06.13.0000 IRRF sobre Dividendos Doc. 13 da Manifestação de Inconformidade efls. 130 a 133) em que demonstra que, em 31/12/2001, a Votocel efetuou dois pagamentos de JCP à recorrente: o primeiro, em nome próprio, no valor de R$ 10.488.248,42 com IRRF de R$ 1.573.237,26; b) o segundo, por conta e ordem da empresa de Transportes CPT (CPT), no valor de R$ 5.137.107,45 com IRRF de R$ 770.566,12. Indica a DIPJ 2002, ac 2001 da Votocel (doc. 15 da manifestação de inconformidade efl. 136), que demonstra que na ficha 06A, linha 35, que a despesa de JCP naquele período é R$ 24.534.477,06. Assim, proponho a diligência para que a fiscalização solicite o que segue: 10) Verificar se os lançamentos contábeis e demais documentos juntados pela recorrente fazem prova de que o JCP foi efetivamente tributado pela recorrente e o IRF foi efetivamente retido pela fonte pagadora. 11) Intimar a fonte pagadora para que esclareça por qual motivo não elaborou e não entregou o informe de rendimentos à recorrente. 12) Intimar ambas as empresas (beneficiária e pagadora) para apresentar demais documentos que entender relevantes para se tenha convicção de que as receitas foram tributadas e os valores de IRF foram efetivamente retidos. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10880.928752/201011 Resolução nº 1401000.455 S1C4T1 Fl. 299 13 CONCLUSÃO Depois de cumpridas as solicitações contidas nos itens 01 a 12 descritos acima, favor elaborar parecer conclusivo e dar ciência à empresa, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do parecer fiscal, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.784/1999. Após, favor encaminhar este processo a esta turma do CARF, para o prosseguimento do julgamento deste processo administrativo fiscal. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10880.928752/201011 Resolução nº 1401000.455 S1C4T1 Fl. 300 14 Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907170/2012-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2009
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.205
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2009 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10882.907170/2012-34
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739085
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.205
nome_arquivo_s : Decisao_10882907170201234.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10882907170201234_5739085.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
id : 6840868
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210438287360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1493; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.907170/201234 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.205 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2009 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de PIS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 71 70 /2 01 2- 34 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907170/201234 Acórdão n.º 3302004.205 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.808. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907170/201234 Acórdão n.º 3302004.205 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907170/201234 Acórdão n.º 3302004.205 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907170/201234 Acórdão n.º 3302004.205 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907170/201234 Acórdão n.º 3302004.205 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907170/201234 Acórdão n.º 3302004.205 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907174/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2010
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.209
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2010 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10882.907174/2012-12
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739496
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.209
nome_arquivo_s : Decisao_10882907174201212.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10882907174201212_5739496.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
id : 6845119
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210441433088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1493; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.907174/201212 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.209 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2010 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de PIS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 71 74 /2 01 2- 12 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907174/201212 Acórdão n.º 3302004.209 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.812. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907174/201212 Acórdão n.º 3302004.209 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907174/201212 Acórdão n.º 3302004.209 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907174/201212 Acórdão n.º 3302004.209 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907174/201212 Acórdão n.º 3302004.209 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907174/201212 Acórdão n.º 3302004.209 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720177/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.806
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10120.720177/2011-84
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5722018
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-003.806
nome_arquivo_s : Decisao_10120720177201184.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10120720177201184_5722018.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6755189
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210444578816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1728; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.720177/201184 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.806 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 77 /2 01 1- 84 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10120.720177/201184 Acórdão n.º 3302003.806 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.321. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10120.720177/201184 Acórdão n.º 3302003.806 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10120.720177/201184 Acórdão n.º 3302003.806 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10120.720177/201184 Acórdão n.º 3302003.806 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10120.720177/201184 Acórdão n.º 3302003.806 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.729964/2013-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 02/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 02/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 02/10/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.062
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 02/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 02/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 02/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11128.729964/2013-46
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5729399
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.062
nome_arquivo_s : Decisao_11128729964201346.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 11128729964201346_5729399.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
id : 6783294
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210489667584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.729964/201346 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.062 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2017 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 99 64 /2 01 3- 46 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.506. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.729964/201346 Acórdão n.º 3302004.062 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720186/2012-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.940
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11516.720186/2012-75
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5722185
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-003.940
nome_arquivo_s : Decisao_11516720186201275.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 11516720186201275_5722185.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6755356
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210494910464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1743; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.720186/201275 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.940 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 86 /2 01 2- 75 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 11516.720186/201275 Acórdão n.º 3302003.940 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06047.587. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11516.720186/201275 Acórdão n.º 3302003.940 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11516.720186/201275 Acórdão n.º 3302003.940 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11516.720186/201275 Acórdão n.º 3302003.940 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11516.720186/201275 Acórdão n.º 3302003.940 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000059/00-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. MATÉRIA NÃO SUFICIENTEMENTE APRECIADA NA 1.ª INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RETORNO DOS AUTOS PARA DECISÃO COMPLEMENTAR.
Constatada a existência de decisão condicionada referente a matéria sobre a qual deveria ter se manifestado conclusivamente o colegiado recorrido, impõe-se o retorno dos autos a instância a quo, para que seja proferida decisão complementar.
Numero da decisão: 1302-002.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à turma de julgamento de primeira instância para que profira decisão complementar, na qual se manifeste sobre a ocorrência de homologação tácita dos pedidos objetos dos processos administrativos fiscais de números 13502.000073/00-75, 13502.000254/2002-99, 13502.000256/2002-88, 13502.000091/00-57 e 11924.000717/00-39.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Redator Ad Hoc
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: TALITA PIMENTA FELIX
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. MATÉRIA NÃO SUFICIENTEMENTE APRECIADA NA 1.ª INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RETORNO DOS AUTOS PARA DECISÃO COMPLEMENTAR. Constatada a existência de decisão condicionada referente a matéria sobre a qual deveria ter se manifestado conclusivamente o colegiado recorrido, impõe-se o retorno dos autos a instância a quo, para que seja proferida decisão complementar.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13502.000059/00-44
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5733538
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-002.054
nome_arquivo_s : Decisao_135020000590044.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TALITA PIMENTA FELIX
nome_arquivo_pdf_s : 135020000590044_5733538.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à turma de julgamento de primeira instância para que profira decisão complementar, na qual se manifeste sobre a ocorrência de homologação tácita dos pedidos objetos dos processos administrativos fiscais de números 13502.000073/00-75, 13502.000254/2002-99, 13502.000256/2002-88, 13502.000091/00-57 e 11924.000717/00-39. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Redator Ad Hoc Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
id : 6805102
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210584039424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1829; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 649 1 648 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.000059/0044 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.054 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2017 Matéria IRPJ e CSLL IRRF Pedido de Compensação Recorrente INDÚSTRIA DE BEBIDAS ANTÁRCTICA NORTE NORDESTE S/A (Incorporada por COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS AMBEV) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. MATÉRIA NÃO SUFICIENTEMENTE APRECIADA NA 1.ª INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RETORNO DOS AUTOS PARA DECISÃO COMPLEMENTAR. Constatada a existência de decisão condicionada referente a matéria sobre a qual deveria ter se manifestado conclusivamente o colegiado recorrido, impõese o retorno dos autos a instância a quo, para que seja proferida decisão complementar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à turma de julgamento de primeira instância para que profira decisão complementar, na qual se manifeste sobre a ocorrência de homologação tácita dos pedidos objetos dos processos administrativos fiscais de números 13502.000073/0075, 13502.000254/200299, 13502.000256/200288, 13502.000091/0057 e 11924.000717/0039. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Redator Ad Hoc Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 00 59 /0 0- 44 Fl. 663DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 650 2 Relatório Designado como Redator Ad Hoc para fins de formalização deste Acórdão, transcrevo abaixo a íntegra do relatório apresentado pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Julgamento de 16 de fevereiro de 2017, verbis: "COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS (sucessora por incorporação da INDÚSTRIA DE BEBIDAS ANTÁRTICA DO NORTE NORDESTE S/A), insurgese contra a manutenção de crédito tributário de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), em razão da não homologação de pedido de compensação e restituição, protocolizado em 14/02/2000, perfazendo um montante de R$ 10.608.451,45, sendo que a contribuinte apresentou pedido de compensação no valor de R$ 5.883.751,13 e de restituição no valor de R$ 4.724.700,32 (fls. 03/60). A contribuinte recorre do Acórdão de Impugnação nº. 1616.320, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (fls. 526/535), em sessão realizada em 12/02/2008 que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório/EQPIR (fls. 405/411). A ementa restou assim redigida: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 1999 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. A decisão que não homologa a compensação declarada deve ser proferida e cientificada à interessada antes do prazo de cinco anos do seu protocolo. Após o transcurso deste prazo, não é dado à Administração, pretender não homologar a compensação declarada. COMPENSAÇÃO. IRRF. O imposto de renda retido na fonte somente pode ser utilizado para compensação na Declaração de Informações DIPJ se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. RESTITUIÇÃO. SALDO CREDOR DE IRPJ O saldo credor de IRPJ apurado na Declaração de Informações DIPJ é passível de restituição quando restar comprovada pelo contribuinte a liquidez e certeza do crédito vindicado. Crédito indeferido por falta de comprovação da efetividade do recolhimento das antecipações. Solicitação Deferida em Parte. Vale destacar que a 5a Turma da DRJ/SPOI manifestouse favoravelmente ao reconhecimento da ocorrência da homologação tácita de relevante parcela dos créditos (conforme se depreende da primeira parte da ementa), por entender Fl. 664DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 651 3 que foram protocolizados em período anterior a 09/09/2000. Oportuno destacar que, por essa razão, dos 07 (sete) documentos juntados pela Recorrente, 05 (cinco) são destinados a comprovar protocolo em data anterior à citada. Com a realização do julgamento pela 5a Turma da DRJ/SPO1, os autos chegam a esta Turma Julgadora para que sejam apreciados, conforme Recurso Voluntário, os seguintes pedidos: a. o acolhimento integral da homologação do pedido face a abrangência da homologação tácita; b. ou, alternativamente, que seja revista a decisão singular para ser concedida a compensação integral, inclusive do saldo credor de períodos anteriores, não só em razão da documentação reconhecida pela auditoria da Receita Federal (fls. 506/508), mas, sobretudo pelas argumentações que entende provar o equivoco cometido pela DRJ. Os dispositivos legais tidos por infringidos, nos termos do Despacho Decisório, são os seguintes: (a) art. 165, I, da Lei n. 5.172/66 do CTN; (b) art. 66 e parágrafos da Lei 8.383, que trata da compensação nos casos de pagamento indevido ou a maior; (c) art. 74 da Lei n. 9.430/96, que trata da possibilidade de compensação sujeita a homologação perante a SRF; (d) art. 35 da Lei n. 8.981/95, que repete o artigo 230 do RIR/99; (e) arts. 10 e 12 da IN/SRF n. 93/97, que disciplina a comprovação do direito à compensação mediante apresentação de balanços e balancetes, e; (f) IN/SRF n. 460/04, que disciplina a compensação, restituição e ressarcimento de tributos. A Autoridade Fiscal, via Despacho Decisório/EQPIR (fls. 405/411), manifestouse desfavorável à compensação, tendo em vista que: (a) para que se realizasse tal procedimento mediante a apresentação de balanços e balancetes, seria necessária a transcrição destes no Livro Diário até a data fixada para o pagamento do imposto, e, (b) com sua respectiva autenticação na junta comercial. Ocorre que, segundo informa a fiscalização, tal fato não foi comprovado pela contribuinte. Em peça impugnatória, a contribuinte alega: i. que há limites à pretensão tributária, pois não poderia o Fisco “por simples controle interno e, suposta falta de documentação (fls. 419) negar direito previsto em lei à contribuinte”; ii. que seria correta e legal a compensação, apresenta julgados (fls. 421/427); iii. que há a necessidade de lhe ser oportunizada a produção de novas provas, haja vista ter, supostamente, o despacho decisório, cerceado seu direito de defesa, por entender que se a Fazenda teve mais de 5 anos para analisar os autos, poderia têlo intimado para prestar eventuais esclarecimentos em vez de desde já julgar improcedente o pedido, nos termos da contribuinte: “Deveria reintimar a recorrente a especificar e detalhar outros documentos ou então, até a formalização de perícia contábil para atestar os lançamentos tributários formalizados Fl. 665DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 652 4 no contexto de todos os documentos idôneos, inequívocos e contemporâneos.” (fls. 427/430); iv que ocorreu a prescrição intercorrente, sob o fundamento de que “não pode o contribuinte em seus atos ser limitado a 30 dias e o Estado premiado a eternidade” (fls. 430/431). Já, em sede de Recurso Voluntário (fls. 550/556) defendeu que (i) lhe deve ser oportunizada apresentação das provas que juntou aos autos (fls. 566/618), e, (ii) que deve ser aplicado o prescrito no art. 150, § 4º, nos casos de declaração de compensação. Consta do dispositivo da DRJ/SPOI o seguinte: “Pelo exposto, VOTO PELO DEFERIMENTO PARCIAL DA SOLICITAÇÃO, visto que, as compensações de que tratam os pedidos de fls. 50, 51, bem como as constantes dos processos de n. 10480.001493/00 40, 13502.000082/0066, 13502.000255/200233, 16707.000386/0024, 10183.000334/0055, 10183.000335/0018, 10283.001190/0062, já se encontravam homologadas de forma tácita na data que foi proferido o despacho decisório ora guerreado. (fls. 535). A Recorrente assevera ter a seu favor o reconhecimento, pela 5ª Turma da DRJ/SPO1, de seu direito à homologação tácita dos processos administrativos de nº. 13502.000073/0075 (fls. 566/574), 13502.000254/200299 (fls. 575/578), 13502.000256/200288 (fls. 579/582), 13502.000091/0057 (fls. 583/591) e 11924.000717/0039 (fls. 592/593) pelo que requer, seu reconhecimento, consideradas as datas dos protocolos. No mérito, aduz que a comprovação da existência de crédito a compensar resta demonstrada, haja vista a apresentação das DARF’s e demais documentos, conforme abaixo aduzidos: [...] o Julgador Singular simplesmente desprezou compensação de períodos anteriores no valor de R$6.332.802,59, conforme é demonstrado na composição das estimativas do ano calendário 1999 (doe. n°. 06), cuja documentação vai assinalada na ultima coluna como "documentação suporte doe. 07". Essa demonstração é amparada por documentos indicados na última coluna como "documentação suporte — doe. 07 ( doe. n°. 07 ) e abaixo detalhado: · em janeiro R$230.490,00, constatandose às fls. 2, 3 e 21 do documento n°. 07; · em fevereiro R$452.580,00, constatandose às fls. 4, 5 e 21 do documento n°. 07; · em junho R$4.234.224,47, constatandose às fls. 9, 10 e 21 do documento n°. 07; · Outubro R$309.177,12, constatandose às fls. 16 e 20 do documento n°. 07; Fl. 666DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 653 5 · Novembro R$1.106.331,00, constatandose às fls. 17,18 e 20 do documento n°. 07. Em síntese, é como relato." Fl. 667DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 654 6 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Ad Hoc para fins de formalização do Acórdão. Designado como Redator Ad Hoc para fins de formalização deste Acórdão, transcrevo abaixo a íntegra do voto proferido pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Julgamento de 25 de janeiro de 2017: A Relatora apresentou o seguinte voto na sessão, verbis: "1. PRELIMINARMENTE O recurso é tempestivo, por isso o conheço. 2. MÉRITO A recorrente protocolizou pedido de restituição corresponde ao IRF, sobre operações de mútuo entre empresas coligadas, cuja compensação com tributos da mesma espécie ficou inviabilizada pela inexistência de saldo devedor a pagar de IRPJ. O Despacho Decisório EQUPIR/PJ indefere o pleito da Recorrente sob dois fundamentos: (i) impossibilidade de compensação do crédito de IR por se constatar que a contribuinte não atendeu a legislação vigente quanto à sua escrituração fiscal, e, (ii) por não haver comprovado de forma efetiva os valores que foram retidos na fonte em seu benefício. 2.1. Da decadência do direito do Fisco de revisar o crédito constituído pela contribuinte e da decadência do direito do Fisco de analisar o pedido de compensação No caso em tela a contribuinte requer o reconhecimento da decadência do direito do Fisco constituir crédito em seu desfavor, ou seja, requer a homologação tácita dos lançamentos que constituiu. Em síntese, a DRJ/SP1, reconheceu a ocorrência da homologação tácita das declarações de compensação apresentadas em período anterior a 09/09/2000 (exatamente 05 antes da negativa manifestada por intermédio do despacho decisório). A decadência e a ‘prescrição’ (nota de rodapé), por sua vez, foram alegadas em Recurso Voluntário. A requerente foi cientificada do despacho ora guerreado em 09/09/2005 (fl. 409), posteriormente, portanto, à Medida Provisória n. 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e à Medida Provisória 135, de 30 de outubro de 2003. (...) Fl. 668DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 655 7 Assim, à vista do disposto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, acima transcrito, imperioso reconhecer que não mais cabia à Administração decidir acerca da sua não homologação, por meio do Despacho Decisório de fls. 401 a 408, porque já transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos, contado do protocolo do pedido. (fls. 531.) Quanto à homologação tácita do crédito constituído pelo lançamento tributário e da compensação, há que se ressalvar que são elementos distintos, sujeitos a prazos cujos lapsos temporais, também, são distintos. Portanto, ainda que o § 4º, do 150 do CTN, trate de homologação tácita, seu objeto é a constituição do crédito tributário, aqui, nestes autos, falase em prazo para homologar a declaração de compensação e não do lançamento tributário. Sobre o tema, Tácio Lacerda Gama, relata que: (…) a homologação da norma individual e concreta que dá origem à obrigação tributária – ou ao crédito tributário do contribuinte frente ao Fisco, dependendo do caso – é distinta da homologação da norma individual e concreta de compensação. São independentes, portanto, com relação à contagem do prazo de decadência. (…) Na norma jurídicotributário expedida pelo particular no exercício de sua competência para efetuar o lançamento por homologação, o Fisco tem cinco anos, a partir da declaração realizada pelo contribuinte, para contestar as informações ali relatadas, nos termos do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Se isso não for feito dentro desse prazo, essa norma individual e concreta tornase imutável, cessando a competência fiscalizatória da autoridade administrativa. A norma de compensação, por sua vez, é constituída por meio do exercício de outra competência, distinta da anteriormente mencionada, e, por isso, está sujeita a outro prazo decadencial, também de cinco anos, mas contado da declaração de compensação efetuada pelo particular, conforme regra do artigo 74, §5º, da Lei 9.430/96. Nota de rodapé: Eduardo II. Lobato, VALTER. Compensação tributária no âmbito federal. São Paulo. Foco Fiscal, 2015. P. 36. Com estas palavras ressalvo não ser o art. 150, §4º do CTN aplicável ao pedido de homologação. Em verdade, a legislação aplicável será justamente o art. 74, § 5º da Lei n. 9.430/96. Consoante Eurico Marco Diniz de Santi: De fato, parecenos que cair (descer, abaixar, arriar, sucumbir, morrer) seria melhor que decair (ir para baixo, baixar, diminuir, enfraquecer, declinar, passar a uma situação inferior), mas melhor ainda seria recriarse (bis). A decadência antes de extinguir, cria direito, quer dizer, para que ocorra a decadência mister se faz que a norma de decadência seja aplicada. É a norma individual e concreta da decadência que o extinguirá o direito. Reiterese: só o direito extingue direito. O direito para “cair”, antes cria direito, ou seja, recriase. (página 149) Inicialmente, a homologação tácita é uma forma extintiva de direito, pois nos moldes do prescrito no CTN, passados 5 anos da constituição da norma Fl. 669DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 656 8 individual e concreta pelo contribuinte, esta deverá ser homologada (ou não), (requisito i). Ato contínuo, Absorve incertezas e se mostra como instrumento da segurança jurídica ao impedir que o Fisco possa a qualquer prazo buscar mecanismos de rever a declaração do contribuinte (requisito ii). Nesse sentido, sobre a aplicação da homologação prevista no parágrafo 5º do artigo 74 e atento à ‘atecnia’ da Recorrente ao declarar as compensações (fls. 3/60) dos autos, perfazse importante perceber o que prescreve § 4o, do art. 74 da Lei 9.430/66, citado nestes autos pela 5a Turma da DRJ/SPO, pois ele prevê a ‘convolação’ dos pedidos de compensação em declaração de compensação. Senão veja: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Sem grifo no original) No mesmo sentido, manifestouse a 4a Câmara, da 1a Turma, da 3a Seção do CARF/MF, o § 4º do art. 74 da Lei nº. 9.430/66, cito trecho de voto proferido pelo Conselheiro Relator Eloy Eros da Silva Nogueira no caso JacenCilag Farmacêutica: Como se vê, o § 4º converteu em declaração de compensação os pedidos de compensação anteriores a 2002. No caso deste processo, os pedidos de compensação foram apresentados em 2001. Sendo assim, em 2002, eles foram convertidos em declaração de compensação para os efeitos da legislação que disciplina a matéria. (CARF, Ac. 3401003.231, Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira – Terceira Seção, 4C, 1T, Caso JacenCilag Farmacêutica. Sessão de setembro de 2016) A ementa do caso prevê o seguinte: PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. É na data da ciência da decisão de não homologação que ela é aperfeiçoada para fins de concluir o pedido de compensação. Ultrapassado o prazo de cinco anos desde o pedido de compensação sem que a contribuinte não tenha sido intimado da decisão de não homologação, deve ser ele considerado homologado tacitamente. (Sem grifo no original) Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira – Terceira Seção, 4C 1T, Caso JacenCilag Farmacêutica. Acórdão n. 3401003231. Sessão de setembro de 2016. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 657 9 O § 4º acima transcrito se revela importante por demonstrar ainda, qual o termo inicial para a contagem do prazo da homologação tácita, haja vista o § 5º expressar com veemência o critério temporal adotado para que ocorra a homologação. Ele ainda é complementado pelos §§ 7º e 9º do citado art. 74. Transcrevoos: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (...) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (...) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. Daí surgem dois questionamentos: (i) se em casos de homologação tácita de declaração de compensação em decorrência do art. 74 da Lei n. 9.430/96, pode o Fisco impor como condição a apresentação de documentação que comprove o direito à compensação? (ii) e, se pode o Fisco imiscuirse do direito de compensar o pedido da parte alegando recolhimento a menor, ainda que já passado o prazo decadencial de constituição previsto para a Fazenda Pública no CTN? Pois bem, a respeito do primeiro questionamento, em 2007, a 1ª Câmara, da 1ª Seção se manifestou no seguinte sentido: CONFRONTO DIRF X DOCUMENTOS DE RETENÇÃO Pode o Fisco proceder ao confronte de documentos apresentados pelo contribuinte com as informações prestadas pela fonte pagadora acerca da retenção do IRRF. Não pode o Fisco negar a restituição com base em valores de suposta receita financeira omitida, quando comprovados os valores declarados, tanto da receita financeira quanto do IRRF, mormente quanto à obrigação de terceiro e não da peticionante. DECADÊNCIA Não pode o Fisco, a pretexto de verificar a existência de saldo a restituir, reabrir a análise de fatos ocorridos em período já abrangido pela decadência de constituir o crédito tributário. Assim sendo, a Primeira Câmara, da Primeira Seção do CARF, já se manifestou em caso de homologação tácita de compensação, não podia o Fisco alegar a falta de documentação para não homologar o que ao menos em tese já tinha sido homologado tacitamente, principalmente se se tratasse de documentação que deveria ter sido produzida por terceiro (fonte pagadora). E que não poderia de maneira alguma reanalisar os fatos ocorridos à época quando já atingidos pela decadência. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 658 10 Em um julgado, mais recente, por sua vez, o CARF, por intermédio da 2ª Turma Especial da Primeira Seção, proferiu entendimento diferente no acórdão n. 1802002.538. Assevera a ementa: IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária conforme pactuado no artigo 170 da Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN). O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei n. 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. (...) (CARF, Ac. 1802002.538, Ester Marques Lins de Souza, DP 30/03/2015) Como dito alhures, tanto a decadência quanto a prescrição são espécies de uma relevante forma de defesa meritória em sede processual, as prejudiciais de mérito. A homologação tácita, como também demonstrei, nada mais é que uma espécie de decadência. O antigo Código Processual Civil previa em seu art. 279 ao falar sobre as sentenças, as decisões que findavam com resolução de mérito, desde 73 previa que o juiz poderia pronunciar a decadência e a prescrição, que inclusive faziam coisa julgada, tornando imultado o decidido. Da mesma sorte, o atual Código de Processo Civil prevê em seu art. 487, II, que o juiz pode decidir de ofício, ou a requerimento, sobre ocorrência de decadência e de prescrição. Clarividente, portanto, se tratar de questão meritória. Outrossim, é importante lembrar a razão de existirem institutos tais como a prescrição e a decadência (ainda que sendo chamada de homologação tácita) para o ordenamento jurídico é a busca pela segurança jurídica, para que os cidadãos, no caso, contribuintes não fiquem à mercê de terceiros por prazos indeterminados. Com efeito, são mecanismos criados pelo Direito que buscam diminuir a incerteza, impondo limites à direitos por intermédio de critérios temporais (nota de rodapé). Em palavras outras, o sistema jurídico brasileiro, embora tenha criado mecanismos para que as pessoas possam exercer amplamente seus direitos, criou em favor da coletividade, uma limitação ao exercício desses direitos em decorrência do transcurso do tempo. O que pode ser comprovado pela legislação processual civil ser bastante incisiva no sentido de que o juízo, pode, inclusive, de ofício reconhecer a prescrição e a decadência (art. 487, II, CPC). Como é amplamente sabido, a busca pela segurança jurídica tem importância impar para o bem estar social e é por isso que o direito cria suas próprias realidades. Tais como a aplicação prática da decadência e da prescrição. Senão veja. A Fl. 672DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 659 11 própria forma de análise de um processo demonstra isso, pois o julgador sempre deve se pautar em uma análise lógica: primeiro verificar se não há vícios relacionados ao procedimento (chamadas preliminares ou defesas processuais), prejudiciais de mérito e por fim, analisar o mérito (causa de pedir próxima e remota, fatos e fundamentos jurídicos). Reparase, pois, que as prejudiciais ficam no meio das duas pontas, e a razão de assim o ser é simples: elas decidem o mérito, mas podem ser analisadas ainda no início do processo, pois independem de qualquer análise probatória. Não obstante, devo dizer, o ordenamento jurídico brasileiro, buscando, a segurança jurídica, criou a seguinte realidade: tendo razão ou não, o (possível) titular de um direito, tem determinado período para usufruir dele, passado esse período, não mais importará para o direito a realidade do mundo, haja vista que deve prevalecer a realidade criada pelo Direito. Para isso deuse vários nomes: efeitos da revelia, coisa (soberanamente) julgada, prescrição, decadência e, logo, homologação tácita. Eurico Santi assim se expressa: A prova não é a realidade, é a articulação jurídica dessa realidade. No limite da possibilidade da prova, como válvulas de escape, surgem a presunção e a ficção, que suprem a falta de conhecimento dos fatos, permitindo que o aplicador do direito aja como se conhecesse todos os eventos relevantes do caso. Em linhas outras, a lei criou, no parágrafo 5º do art. 74 da Lei n. 9.430/96, uma presunção, uma verdadeira ficção em favor da coletividade, de que o Fisco, deixando de não homologar a declaração de compensação passados 5 anos da sua apresentação, concordaria implicitamente com o que foi dito, constituindo o direito do contribuinte como certo e líquido, haja vista que é exatamente esse objeto do despacho decisório. Somo ao que eu disse acima, o fato do poder executivo, em um órgão com função judiciária, criar uma condição para o exercício de uma garantia do contribuinte previsto em lei, nada mais é que legislar. Leiase: ainda mais insegurança jurídica. Por fim, decidir de tal forma não deixa de se mostrar o exercício do papel de legislador negativo que só pode ser exercido pelo Legislativo e pelo judiciário em controle concentrado. Para chegar à tal conclusão não se faz nenhuma grande ginástica mental, bastando tão somente reparar que permitir o Fisco analisar, a qualquer momento (ainda que em processo administrativo), o que deveria ter sido feito em tempo hábil pelo despacho decisório, acatando ou não a compensação realizada, é o mesmo que dizer que o parágrafo 5º do art. 74, não tem eficácia prática alguma. Concluo essa minha fundamentação explicitando que aos meus olhos, quando o contribuinte produz norma individual e concreta chamada declaração de compensação e o Fisco não se manifesta em menos de 5 anos, ele tacitamente produz uma segunda norma individual e concreta que diz: eu concordo que o contribuinte tem direito líquido e certo à compensação. No caso, tanto contribuinte quanto Fisco criaram realidades que podem ser diferentes das do mundo do “ser”, mas que deverão ter total eficácia aos olhos do direito. Friso. Em se tratando de caso de prescrição e decadência a análise fática/probatória deve se restringir tão somente à análise se o direito foi exercido ou não em tempo hábil. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 660 12 Assim sendo, entendo que qualquer pedido de compensação/declaração de compensação protocolizada em período anterior a 5 anos antes da intimação do despacho decisório, foi devidamente compensado e homologado. Quanto ao segundo questionamento, ou seja, se pode ou não o Fisco reanalisar fatos que estariam ao menos em tese, resguardados pelo instituto da decadência para negar o direito de compensação do contribuinte. A priori, mais uma vez, apresento julgados. Por assim o ser, cito a parte final do voto da 2ª Turma Especial da Primeira Seção já acima apresentado (n. 1802002.538), por se tratar de caso análogo e ter sido julgado ainda em março de 2015: IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Ultrapassado o prazo previsto legalmente, não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em relação ao ano calendário de 2006 mas o fato não impede o exame para apuração e constatação da veracidade de alegado saldo credor, uma vez que a decadência do direito de lançar não gera créditos a favor da contribuinte. (CARF, Ac. 1802002.538, Ester Marques Lins de Souza, DP 30/03/2015) Em agosto de 2014, o CSRF deste Conselho afirmou, no acórdão n. 9101001.958 que o conceito de decadência não abrange a revisão de valores. É a ementa: RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. (...) Recurso Especial do Procurador Provido. (CARF, Ac. 9101001.958, Valmar Fonsêca de Menezes DP 17/11/2016) O mesmo posicionamento foi aplicado, em janeiro de 2016, pela 1ª Seção, 1ª Turma da 3ª Câmara no acórdão n. 1301001.896: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada a omissão no acórdão embargado quanto a matéria sobre a qual a turma deveria se pronunciar, conhecese dos embargos para suprila, sem efeitos modificativos na decisão recorrida. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. OFERECIMENTO DAS RECEITAS À TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 661 13 Rejeitase a alegação de que teria ocorrido a homologação tácita prevista no art. 150, § 4º do CTN, o que impediria o Fisco de rever a tributação das receitas financeiras que teriam sido tributadas em anoscalendário anteriores, em obediência ao regime de competência, na medida em que o contribuinte sequer se desincumbiu de demonstrar que o fato gerador de parte das receitas informadas no comprovante de retenção do ano de 2001, ocorreu em anos anteriores. (CARF, Ac. 1301001.896, Luiz Tadeu Matosinho Machado, DP 11/03/2016) Entendo de modo diverso. entendo ser a homologação uma espécie do comando decadência, por outro lado, também ponderei que homologação de declaração de compensação é diferente da homologação da obrigação que constitui crédito em favor do Fisco realizada pelo contribuinte (homologação do autolançamento). São diferentes e tem métodos de contagem de prazo diferentes. No caso da norma individual e concreta exercida pelo contribuinte para futura homologação pelo Fisco, este tem 5 anos para a partir da declaração realizada para impugnar/reavaliar, ou seja, questionar a base de cálculo declarada por aquele. É exatamente isso que prescreve o parágrafo 4º do art. 150. Reparase ao mesmo tempo que, enquanto o parágrafo 5º do art. 74 da Lei n. 9.430/96 constitui um crédito em favor do contribuinte, o parágrafo 4º do art. 150 do CTN constitui um crédito em favor do Fisco. Logo, os dois dispositivos se diferenciam por duas razões: i) preveem um dies a quo diferente e; ii) embora os dois constituam créditos relacionados à Fazenda, o primeiro é desfavorável à ela e o segundo favorável. O objeto da homologação, portanto, é a norma jurídica expedida pelo particular. O fato de ter havido antecipação ou não do pagamento é indiferente para essa finalidade. Nota de rodapé: Eduardo II. Lobato, VALTER. Compensação tributária no âmbito federal. São Paulo. Foco Fiscal, 2015. P. 33. Dessa feita de onde há duas normas que além de buscarem defender a ordem pública (segurança jurídica) beneficiam o contribuinte, estabelecendo prazos de 5 anos para constituir créditos perante o Fisco, seja ele a favor ou contra, estabelecendo se, ainda, dies a quo diferentes para cada uma dessas normas, criase uma terceira que permite que excepcionalmente pode o Fisco aproveitarse de uma norma individual e concreta produzida pelo contribuinte para compensar – ter um crédito em desfavor do Fisco – para ignorar a norma prevista no parágrafo 4º do art. 150, tanto no dies a quo quanto no prazo que é de 5 anos e poder constituir crédito em desfavor do contribuinte para compensar um crédito com o outro. É exatamente isso que se percebe da decisão da 5ª Turma da DRJ/SPOI, pois pretende ela, passados praticamente 8 anos do protocolo da declaração de compensação analisar objeto diferente dela (se a contribuinte recolher imposto a menor no anobase 1999). Nada mais teratológico. Vejam, pois, a diferença das duas competências, a primeira, foi tratada ainda quanto à constituição do crédito tributário, que é: i) competência do contribuinte produzir norma individual e concreta concernente à constituição do crédito tributário (autolançamento) e a extinção do direito de revisão daquela norma pelo Fisco em Fl. 675DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 662 14 decorrência do tempo; e ii) outra é a competência para o exercício do direito de compensação previsto na Lei n. 9.430/96. Por já ter tratado da primeira competência em tópico pretérito, explico, agora, a segunda competência. Pois bem. Conforme dito alhures o art. 74 da Lei n. 9.430/96, prevê um procedimento de compensação que deve ocorrer por intermédio da apresentação de uma DCOMP, ou seja, uma declaração de compensação, oportunidade em que o contribuinte deverá informar que é devedor de determinada quantia ao Fisco e, que ao mesmo tempo, é credor do Fisco. Desse modo, a contribuinte apresenta um crédito e um débito do Fisco e, nesse mesmo momento, pratica a norma individual e concreta da compensação prevista no art. 170 do CTN. Ao entregar a DCOMP tem ainda a contribuinte que apresentar a documentação referente ao crédito que diz ter, bem como indicar com qual débito ele foi compensado. Nos termos do § 2º a declaração de compensação extingue o crédito da Fazenda, porém, dispõe, outrossim, condição resolutória, homologação. No entanto, mais uma vez a legislação, buscando a segurança jurídica, passou a prever um prazo para o Fisco exercer a competência do § 2º, ou seja, um prazo para homologação da compensação. É exatamente o que faz o § 5º do art. 74, ao prever que o Fisco deve homologar (ou não) a declaração de compensação no prazo de 5 anos, sob pena da extinção do crédito tributário prevista no § 2º do art. 74. Destarte, o Fisco tem 5 anos, contados da data da entrega da DCOMP, para analisar se a compensação fora realizada devidamente ou não. Nesse período de 5 anos, o Fisco deve analisar, por exemplo, se o débito que o contribuinte indicou pode ser objeto de compensação, se o crédito que existe em favor do contribuinte é legítimo, deverá analisar se estão presentes os requisitos naturais à toda compensação (reciprocidade das obrigações, liquidez das dívidas, exigibilidade das prestações, fungibilidade das coisas devidas). Das descrições acima, fica clara a semelhança das duas competências outorgadas à contribuinte pela lei, pois, nos dois casos: (i) a contribuinte apresenta declarações constitutivas de créditos; (ii) abrase o prazo de 5 anos para que o Fisco, fiscalize a atividade praticada pelo contribuinte e as homologue ou não, sob pena de concordar com ela (homologação tácita); e, (iii) fica extinto de direito do Fisco de emitir juízo de valor sobre os créditos (sejam do Fisco, sejam do contribuinte), ou sobre a documentação por ele apresentada e, portanto, extinto o direito de constituir crédito em seu favor, em razão das declarações apresentadas (seja DCTF, seja DCOMP). Destaco, também, as diferenças: (i) quanto ao objeto, enquanto uma busca aferir a legitimidade da compensação a outra está relacionada ao ato de verificar a legitimidade do crédito constituído; e, (ii) tendem a se iniciar e acabar em momentos distintos. No mesmo sentido manifestase Tácio Lacerda Gama: Na norma jurídicotributária expedida pelo particular no exercício de sua competência para efetuar o lançamento por homologação, o Fisco tem cinco anos, a partir da declaração realizada pelo contribuinte, para contestar as informações ali relatadas, nos termos do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Se isso não for feito dentro desse prazo, essa norma Fl. 676DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 663 15 individual e concreta tornase imutável, cessando a competência fiscalizatória da autoridade administrativa. A norma de compensação, por sua vez, é constituída por meio do exercício de outra competência, distinta da anteriormente mencionada, e, por isso, está sujeita a outro prazo decadencial, também de cinco anos, mas contado da declaração de compensação efetuada pelo particular, conforme regra do artigo 74, §5º, da Lei n. 9.430/96. Assim, se no exercício de sua competência para constituir tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte apurar montante a pagar que, por alguma razão, lhe gere um crédito em face do Fisco, a autoridade fiscal tem cinco anos, contados dessa declaração, para contradizer essa informação, ou seja, para questionar aquela base de cálculo constituída pelo contribuinte. E se, posteriormente, o contribuinte utilizar esse crédito como pressuposto de uma norma individual e concreta de compensação, o termo inicial do prazo decadencial para que o Fisco conteste a informação ali prestada não se altera. Isso porque, insistimos, são normas diferentes, cuja fiscalização pelas autoridades administrativas se dá com fundamento em competências distintas e com aspectos temporais diferentes. Nota de rodapé: Eduardo II. Lobato, VALTER. Compensação tributária no âmbito federal. São Paulo. Foco Fiscal, 2015. P. 37. Com efeito, partindo das premissas acima, controle de legalidade das normas individuais e concretas produzidas pelo contribuinte (autolançamento e declaração de compensação) que deve ser feito pelo Fisco, pode ser dividido em 04 (quatro) momentos: 1º Momento: a contribuinte realiza o chamado autolançamento, apresentando a declaração e comunicando ao Fisco a ocorrência da materialidade. Com isso, iniciase o prazo de 5 anos para que o Fisco pratique aquelas hipóteses previstas no art. 149 do CTN. Passado os 5 anos, sem manifestação do Fisco, o lançamento é homologado tacitamente nos termos dos arts. 150, § 4º e parágrafo único do 149. 2º Momento: a contribuinte produz uma segunda norma individual (em momento distinto da primeira), em específico a prevista no art. 74 da Lei n. 9.430/96 e, é aberto um novo prazo de 5 anos ao Fisco, dessa vez para analisar os requisitos gerais da compensação, bem como, a observância de normas, tais quais a do § 2º do art. 74 da Lei n. 9.430/96. Esse lapso de 5 anos, está representado em azul no desenho abaixo: Fl. 677DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 664 16 De acordo com essa ilustração, notase que pode acontecer, a depender do caso concreto, que em determinados períodos, seja possível que o Fisco exerça o controle de legalidade das duas normas individuais e concretas praticadas pelo contribuinte, ou seja, poderá o Fisco, durante determinado lapso temporal, tanto exercer sua competência previsto no art. 149 do CTN, quanto fazer controle de legalidade da compensação realizada pelo contribuinte. Esse período está representado pela cor verde: 3º Momento: em decorrência do art. 150, § 4º, fica extinto o direito do Fisco de constituir o crédito que poderia ter em razão do exercício dos comandos do artigo 149 do CTN, tendo ainda, competência para realizar juízo de valor sobre o pedido de compensação do contribuinte, por intermédio de despacho decisório, homologando ou não a compensação. Esse 3º momento está representado (em roxo) na figura abaixo, ou seja, depois dos 5 anos do autolançamento, mas antes de ter passado 5 anos da declaração de compensação. Repare: 4º Momento: por fim, também passados os 5 anos da declaração de compensação, nada mais pode fazer o Fisco a não ser homologar a compensação, independentemente de qualquer juízo de valor. O 4º momento está representado em laranja na imagem abaixo. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 665 17 Conforme demonstrado acima, entendo tratarse de regras diferentes, que ocorrem em momentos diferentes, decorrente de competências diferentes e que tem objetos diferentes. Outros, contudo, têm sido alguns entendimentos proferidos por membros do CARF: PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no art. 170 da Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN). O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei n. 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Ultrapassado o prazo previsto legalmente, não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em relação ao ano calendário 2006, mas o fato não impede o exame para apuração e constatação da veracidade de alegado saldo credor, uma vez que a decadência do direito de lançar não gera créditos a favor da contribuinte. (CARF, Ac. 1802002.538, Ester Marques Lins de Souza, DP 30/3/2015). RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 666 18 “Para este Conselheiro, basta somente a constatação de que não nenhuma base legal que obrigue a Administracão Pública a ressarcir créditos ao contribuinte sem que lhe seja permitido verificar a certeza e liquidez de tais valores. Imaginem, senhores conselheiros, que um dos senhores estivesse sendo executado por uma dívida, supostamente constituída pela emissão de uma nota promissória, cujo suposto credor se recusasse a apresentála ao Judiciário. A “nota promissória” do contribuinte credor da Fazenda Pública são os documentos comprobatórios dos seus créditos. A ementa do Acórdão n. 1402002.153, proferido pela 1ª Seção, da 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, demonstra com clareza o que vem sendo decidido: DECADÊNCIA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA NA APURAÇÃO DO TRIBUTO A RECOLHER/RESTITUIR SEM ALTERAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. INOCORRÊNCIA. O procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. Inteligência da Solução de Consulta Interna Cosit n. 16, de 2012. É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. Tratandose de verificação dos valores de estimativas, imposto de renda na fonte ou compensações realizadas, não há que se falar em necessidade de lançamento, e, por conseguinte, de decadência. (CARF, Ac. 1402002.153, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, DP 06/05/2016) Deveras, algumas manifestações caminham no sentido de que ao analisar a compensação, pode o Fisco, igualmente, analisar o mérito da constituição do crédito do contribuinte, ou seja, estaria reaberta uma janela de 5 anos para que o Fisco pratique atos de efeitos idênticos aos previstos no art. 149 do CTN. Com efeito, este entendimento pode ser representado pela imagem abaixo, onde, ao ser apresentada a declaração de compensação, se `renovaria’o prazo do art. 150, § 4º, segue: Depreendese, pois, o seguinte: em vez de distinguir claramente as duas competências citadas, apegase às semelhanças para poder, dentro do prazo de 5 Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 667 19 anos da homologação tácita da declaração de compensação, reanalisar matérias que estariam estabilizadas, imodificáveis em decorrência da decadência, via homologação tácita. Em que pese o respeito a posicionamento diverso, em virtude de partir da premissa de que são competências distintas, assim devem ser tratadas, com distinção, não podendo serem confundidas. Neste sentido, mais uma vez, me reporto a Tácio Lacerda Gama, ao concluir que: Percebese, assim, que houve uma modificação da jurisprudência do CARF, que passou a compreender que o contribuinte mantém a obrigação de comprovar os fatos que ensejaram o lançamento por homologação e a constituição do crédito mesmo após a decadência. Contudo, esse entendimento não se mostra adequado quando analisamos a operacionalização do sistema de direito positivo e suas categorias, na linha do exposto anteriormente. Afinal, quando verificamos a distinção entre norma jurídica tributária que constitui a obrigação tributária – e que eventualmente dá direito a crédito – e a norma jurídica de compensação, bem como suas respectivas competências fiscalizatórias, com seus aspectos temporais específicos, percebemos como o entendimento atual do CARF é inconsistente. (fls. 40 e 41) Nota de rodapé: Eduardo II. Lobato, VALTER. Compensação tributária no âmbito federal. São Paulo. Foco Fiscal, 2015. P. 4041. Ademais, pondero, na prática, o atual entendimento do CARF abre um novo precedente para a aplicação da tese dos 5 + 5, a favor do fisco, pois, a regra do art. 168 do CTN, impõe que a declaração de compensação, bem como pedido de restituição, deve acontecer no período de 5 anos, e, caso o contribuinte exerça esse direito apenas no último dia, terá ainda o Fisco mais 5 anos para aplicar as hipóteses do art. 149 também do CTN. Em palavras outras, embora o CTN preveja apenas 5 anos para o exercício do lançamento/revisão de ofício, a depender do caso concreto, poderá o Fisco fazêlo em até 10 anos depois do autolançamento. A figura abaixo demonstra claramente o que expus acima, pois com a comunicação da materialidade via autolançamento, iniciase o prazo de 5 anos e, se no último dia o contribuinte apresentar declaração de compensação, terá o Fisco mais 5 anos para, praticar comandos do art. 149, embora com nomenclatura diferente de ‘constituição de crédito’. Estabelecidas as diferenças entre a competência para constituir o crédito e a competência para aferir o pedido de compensação. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 668 20 2.2 Do pedido de compensação e seus deveres instrumentais A última discussão processual, por sua vez, se relaciona aos deveres instrumentais ligados ao IRRF e, portanto, com o que foi provado nos autos. Segundo a 5ª Turma da DRJ/SPO1: No tocante ao crédito solicitado, cumpre esclarecer que o IRRF por si só não é passível de restituição ou compensação com outros tributos. Para as pessoas jurídicas, o mesmo tem a natureza de antecipação do imposto devido e como tal deve ser compensado na DIPJ correspondente ao ano de sua retenção (...). (sublinhei)(Fls. 531) A DRJ nega o direito à restituição asseverando que “(...) a legislação tributária vincula a apuração do IRRF passível de ser compensado ou restituído à apresentação de retenção emitido pela fonte pagadora” e que por se tratar de empresas de um mesmo grupo econômico, seria necessário verificar se o IRRF foi, de fato, recolhido (fls. 532 e 533). Percebese, pois, ao menos três critérios estabelecidos pela decisão recorrida. São eles: (a) que a pessoa jurídica deve compensálo na DIPJ correspondente ao ano de sua retenção; (b) que só será lícita e passível de compensação o IRRF após a apresentação de retenção emitido pela fonte pagadora (art. 942 do RIR/99), e, (c) que por tratarse de empresas do mesmo grupo econômico, é necessário verificar se o IRRF foi mesmo recolhido. Passase, pois, à legislação aplicável ao caso. O RIR/99 é a legislação que, em essência, dispõe sobre os deveres instrumentais relativos ao IRRF. Segundo o Regulamento do Imposto de Renda, a base do IRF, compete à fonte reter o imposto de que trata este Título, salvo disposição em contrário. Essa é o texto previsto no art. 717. O art. 272, por sua vez, dispõe sobre a escrituração dos rendimentos, normas instrumentais destinadas à empresa beneficiária, cujo teor segue: Na escrituração dos rendimentos auferidos com desconto do imposto retido pelas fontes pagadoras, serão observadas, nas empresas beneficiadas, as seguintes normas: I o rendimento percebido será escriturado como receita pela respectiva importância bruta, verificada antes de sofrer o desconto do imposto na fonte; II o imposto descontado na fonte pagadora será escriturado, na empresa beneficiária do rendimento: a) como despesa ou encargo não dedutível na determinação do lucro real, quando se tratar de incidência exclusiva na fonte; b) como parcela do ativo circulante, nos demais casos. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 669 21 De outro turno, o art. 837, deixa a entender que realmente a compensação deve acontecer ao momento da apresentação da declaração, seguese: No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração. Nessa linha, a Recorrente juntou aos autos cópia da DIPJ referente ao ano base 1999 (fls. 90/119) e DIRF (fls. 75/87). A ficha que demonstra o IRRF (nº 12), por sua vez, nos meses de janeiro, junho, julho e outubro, se encontra às fls. 99/104 e é repetida pela Recorrente (fls. 599, 606, 609 e 613). Por fim, o art. 942 do RIR/99 prevê deveres instrumentais à fonte pagadora, tais como o dever de fornecer à fonte beneficiária Comprovante Anual de Rendimento Pagos ou Creditados e de Retenção de IRF. O art. 943 do RIR/99 assevera que o documento fornecido pela fonte pagadora à fonte beneficiária deverá ser apresentado em sua DIPJ e que, só poderá ocorrer a compensação em caso do Recorrente apresentar essa documentação: Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento. Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942. § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento. Essa é, portanto, a legislação aplicável ao caso concreto. E segundo a Recorrente, teria sido ela beneficiária de operações de mútuo, oportunidade em que teria sido retido e recolhido o IRF e que por isso teria direito à restituição. Deveras, o presente processo foi protocolizado em 14 de fevereiro de 2000 juntamente com diversos documentos (fls. 3/60) que em tese demonstrariam o direito da Recorrente de compensar. A Recorrente realizou inúmeras compensações que ainda precisavam ser homologadas (ou não) pelo fisco, acontece que este apenas pronunciouse pela negativa de homologação em desfavor da Recorrente no dia 09/09/2005 (fls. 414), ou seja, nos termos do parágrafo 5º, do art. 74, da Lei n. 9.430/66, o Despacho Decisório apenas poderia negar homologações protocolizadas em data posterior ao dia 09/09/2000. Veja a linha do tempo: a) 14/02/2000 protocolizado o pedido inicial de compensação (fls. 3/60); Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 670 22 b) 14/02/2000 protocolizado processo n. 11924.000717/0039 (fls. 593); c) 22/02/2000 – protocolizados os processos n. 13502.000254/200299 e 13502.000256/200288 (fls. 577 e 581); d) 28/02/2000 – protocolizado o processo n. 13502.000073/0075 (fls. 565); e) 03/03/2000 – protocolizado o processo n. 13502.000091/0057 (fls. 585); f) 09/09/2000 – marco temporal identificador dos 5 anos, depois desta data viria ser proferido o despacho decisório; g) 09/09/2005 – data em que a Recorrente foi intimada do despacho decisório não homologando as compensações apresentadas. Conforme dito alhures, entendo que o direito de lançar crédito e sua eventual revisão é competência distinta do direito de homologar a declaração de compensação. Assim, o presente caso, enquadrase bem ao momento 4. Coaduno, pois, com o entendimento proferido pela 5ª Turma da SDJ/SPOI, quanto à ocorrência da homologação tácita. Em palavras outras, quando o despacho decisório foi proferido, as compensações protocolizadas antes de 09/09/2000 já tinham sido homologadas tacitamente nos termos do art. 74, § 5º, da Lei. n. 9.430/96. Assim sendo, entendo que qualquer pedido de compensação/declaração de compensação protocolizada 5 anos antes da intimação do despacho decisório, in casu, 09/09/2000, foi homologado tacitamente. Ao ser homologado tacitamente, desnecessário se faz qualquer juízo de valor a respeito dos deveres instrumentais inerentes ao recolhimento de IRRF. Ocorre, porém que, dos R$ 10.556.795,36 de IRRF, o total do crédito percebido pela contribuinte, R$ 8.189.163,16 foram reconhecidos; no entanto, o montante de R$ 2.367.393,33, pertence às empresas coligadas (fls. 5, 07, 15, 20, 22, 25, 26, 28, 30, 38 e 52, cópia às fls. 210 a 213). Dessa forma, ainda que a declaração de compensação já esteja abrangida pela decadência (via homologação tácita), caso ela não tenha sido formalizada em nome próprio, o que por razões óbvias exclui pedidos realizados em nome de coligadas/controladas, será improcedente. Pois bem, o art. 272 prevê o dever instrumental da fonte pagadora, que é de emitir e entregar à beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. Esses comprovantes foram apresentados pela Recorrente nas fls. 8/52, 55, 199, 2000, 202/204. Ao mesmo tempo, importante observar que a Recorrente aparece como beneficiária nas fls. 8, 23, 31, 41, 55 (ilegível), 199, 200 e 202/204. Às folhas 534, por sua vez, a DRJ/SPOI, apresenta demonstrativo indicando que segundo informações do sistema interno da SRF, a contribuinte apresentou possuir créditos no valor de R$ 8.189.163,16 em seu nome, dos quais R$ 7.878.311,88 foram confirmados pelas fontes pagadoras em DIRF, ou, confessados via DCTF e foram recolhidos. Reconheceu ainda que a Recorrente comprovou (fls. 187 a 190, 193 a 199, 202 a 205 e 207), por intermédio de informe de rendimentos recebidos a Fl. 684DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 671 23 título de juros de capital próprio em aplicações financeiras, IRRF, no valor de R$ 69.631,24. Ratifico meu entendimento, segundo o qual, tal qual a comprovação do direito por intermédio de apresentação de documentação (dever instrumental), é questão abrangida pela decadência e, logo, pela homologação tácita, de modo que o crédito da contribuinte deve ser de R$ 8.189.163,16. Ante todo o exposto, voto no sentido de manter a decisão proferida pelo acórdão recorrido, reconhecendo homologadas todas as compensações de créditos que constem dos autos e que tiverem data de protocolo anterior à 09/09/2000, inclusive as de fls. 50 e 51, bem como as constantes dos processos n. 10480.001493/0040, 13502.000082/0066, 13502.000255/200233, 16707.000386/0024, 10183.000334/00 55, 10183.000335/0018, 10283.001190/0062 (constantes do dispositivo da DRJ/SPOI) e, também as de n. 13502.000073/0075, 13502.000254/200299, 13502.000256/200288, 13502.00091/0057 e 11924.000717/0039 (fls. 565/594). É como voto." O voto da conselheira relatora, acima transcrito, foi proferido na sessão de 25 de janeiro de 2017, tendo a conclusão do julgamento sido interrompida pelo pedido de vista do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Apresentado o voto vista do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, na sessão de fevereiro de 2017 a própria conselheira relatora modificou seu voto para acolher as razões apresentadas pelo referido conselheiro, expostas a seguir, verbis: "A parte dispositiva do acórdão de primeira instância assim dispõe: Pelo exposto, VOTO PELO DEFERIMENTO PARCIAL DA SOLICITAÇÃO, visto que, as compensações de que tratam os pedidos de fls. 50, 51, bem como as constantes dos processos de n° 10480.001493/0040, 13502.000082/0066, 13502.000255/200233, 16707.000386/0024, 10183.000334/0055, 10183.000335/0018, 10283.001190/0062, já se encontravam homologadas de forma tácita na data em que foi proferido o despacho decisório ora guerreado. Ora, sobre a parte deferida da impugnação, não cabe à relatora se pronunciar, pois, como não existe recurso de ofício em processo de compensação/restituição, a matéria não sobe a este Colegiado, quando já homologada, seja porque razão, a compensação. Observo que, por óbvio, o presidente da Turma prolatora da decisão de primeira instância não interpôs recurso de ofício. Cabia, então, à Relatora se pronunciar apenas sobre a parte indeferida do pedido, qual seja, se existia ou não direito creditório relativo a IRRF, pois o contribuinte apresentava o seguinte: IRRF a compensar 10.608.451,45 Valor Compensado 5.883.751,13 Saldo a Restituir 4.724.700,32 Fl. 685DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 672 24 O contribuinte utilizou esse suposto saldo a restituir para compensar os débitos confessados nos pedidos de compensações considerados tacitamente homologados pela decisão recorrida, mas também aqueles objetos dos seguintes processos: 13502.0000731/0075; 13502.000254/200299; 13502.000256/200288; 13502.000091/0057 e 11924.000717/0039. Nesse sentido, apenas as compensações objeto desses processos estariam em julgamento neste Colegiado. Ocorre que a decisão de primeira instância incorreu em vício ao estabelecer dentro dos seus fundamentos uma condição, ou seja, condicionou sua própria conclusão, ao estabelecer o seguinte: “No caso, deve ser observado que apesar de a contribuinte ter formalizado os pedidos de compensação de que tratam os processos números 10480.001493/0040, 13502.000082/0066, 13502.000255/200233, 16707.000386/0024, 10183.000334/0055, 10183.000335/0018, 10283.001190/0062 no formulário destinado a "Pedido de Compensação de Créditos com Débitos de Terceiros", os mesmos devem ser admitidos como compensação de débitos próprios, visto que a requerente aparece tanto na condição de titular do crédito quanto na condição de contribuinte devedor (matriz e filial). Destarte, os pedidos de compensação constantes dos processos acima citados, foram convertidos em Declaração de Compensação. A requerente foi cientificada do despacho ora guerreado em 09/09/2005 (fl. 409v), posteriormente, portanto, à Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e à Medida Provisória 135, de 30 de outubro de 2003. Os pedidos de compensação de fls. 50 e 51 e os processos acima citados, foram protocolizados nos dias 14 e 15 de fevereiro de 2000. Assim, â vista do disposto no § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, acima transcrito, imperioso reconhecer que não mais cabia à Administração decidir acerca da sua não homologação, por meio do Despacho Decisório de fls. 401 a 408, porque já transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos, contado do protocolo do pedido. Cumpre consignar que o despacho decisório cita a existência de pedidos de compensação formalizados nos processos de n° 13502.000073/0075, 13502.000254/200299, 13502.000256/200288, 13502.000091/0057 e 11924.000717/0039 que devem receber o mesmo tratamento, se constatada a compensação de débitos próprios formalizada antes de 09/09/2000.” (grifei). Ora, não poderia o julgador de primeira instância deixar tal questão em aberto. Se tais processos foram objeto do despacho decisório, deveria o julgador de primeira instância se pronunciar sobre a ocorrência ou não de homologação tácita, também para eles. Notese que, pelo número de alguns processos, há grande possibilidade de também ali ter ocorrido a homologação tácita. O julgador de primeira instância, se não tinha dados nos autos, para se pronunciar sobre a homologação tácita, deveria ter baixado o processo em diligência, mas não fazer o que fez, deixar esta questão de lado e passar a analisar a existência ou não do direito creditório pleiteado. Diante do exposto, voto por determinar o retorno dos autos à DRJ, para que profira decisão complementar, na qual se manifeste sobre a ocorrência de homologação tácita dos pedidos objetos dos seguintes PAFs: 13502.000073/0075, Fl. 686DF CARF MF Processo nº 13502.000059/0044 Acórdão n.º 1302002.054 S1C3T2 Fl. 673 25 13502.000254/200299, 13502.000256/200288, 13502.000091/0057 e 11924.000717/0039." Conforme exposto, a conselheira relatora reformulou seu voto para acolher na íntegra os fundamentos trazidos no voto vista do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Em face do exposto, acordaram os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à turma de julgamento de primeira instância para que profira decisão complementar, na qual se manifeste sobre a ocorrência de homologação tácita dos pedidos objetos dos seguintes PAFs: 13502.000073/0075, 13502.000254/200299, 13502.000256/200288, 13502.000091/0057 e 11924.000717/0039. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Ad Hoc para fins de formalização do Acórdão. Fl. 687DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000111/2005-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Para fins de se definir insumo para efeito de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve-se observar se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção e se a produção ou prestação de serviço demonstram-se dependentes efetivamente da aquisição dos referidos bens e serviços.
Deve-se observar, também, se os mesmos são aplicados diretamente ou indiretamente no processo de produção e nos demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Para fins de se definir insumo para efeito de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve-se observar se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção e se a produção ou prestação de serviço demonstram-se dependentes efetivamente da aquisição dos referidos bens e serviços.
Deve-se observar, também, se os mesmos são aplicados diretamente ou indiretamente no processo de produção e nos demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva.
Numero da decisão: 9303-004.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, acordam, quanto ao serviço de alteamento, ao serviço de limpeza e passagem, ao serviço de decapeamento, ao serviço de lavra, ao serviço de melhoria das estradas e quanto a gasolina comum e óleo diesel, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, quanto ao serviço de locação, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; quanto ao fornecimento de jantar e quanto ao serviço de transporte, por maioria de votos, acordam, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; e quanto ao serviço especializado de vigilância, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao serviço de locação, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza- Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Para fins de se definir insumo para efeito de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve-se observar se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção e se a produção ou prestação de serviço demonstram-se dependentes efetivamente da aquisição dos referidos bens e serviços. Deve-se observar, também, se os mesmos são aplicados diretamente ou indiretamente no processo de produção e nos demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Para fins de se definir insumo para efeito de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve-se observar se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção e se a produção ou prestação de serviço demonstram-se dependentes efetivamente da aquisição dos referidos bens e serviços. Deve-se observar, também, se os mesmos são aplicados diretamente ou indiretamente no processo de produção e nos demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13204.000111/2005-94
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5721928
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.791
nome_arquivo_s : Decisao_13204000111200594.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
nome_arquivo_pdf_s : 13204000111200594_5721928.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, acordam, quanto ao serviço de alteamento, ao serviço de limpeza e passagem, ao serviço de decapeamento, ao serviço de lavra, ao serviço de melhoria das estradas e quanto a gasolina comum e óleo diesel, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, quanto ao serviço de locação, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; quanto ao fornecimento de jantar e quanto ao serviço de transporte, por maioria de votos, acordam, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; e quanto ao serviço especializado de vigilância, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao serviço de locação, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza- Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6755099
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210600816640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1583; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 437 1 436 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13204.000111/200594 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.791 – 3ª Turma Sessão de 22 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP COFINS Recorrente IMERYS RIO CAPIM CAULIM S/A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Para fins de se definir “insumo” para efeito de constituição de crédito de PIS e de Cofins, devese observar se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção e se a produção ou prestação de serviço demonstramse dependentes efetivamente da aquisição dos referidos bens e serviços. Devese observar, também, se os mesmos são aplicados diretamente ou indiretamente no processo de produção e nos demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 11 /2 00 5- 94 Fl. 438DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 438 2 Para fins de se definir “insumo” para efeito de constituição de crédito de PIS e de Cofins, devese observar se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção e se a produção ou prestação de serviço demonstramse dependentes efetivamente da aquisição dos referidos bens e serviços. Devese observar, também, se os mesmos são aplicados diretamente ou indiretamente no processo de produção e nos demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, acordam, quanto ao serviço de alteamento, ao serviço de limpeza e passagem, ao serviço de decapeamento, ao serviço de lavra, ao serviço de melhoria das estradas e quanto a gasolina comum e óleo diesel, por maioria de votos, em dar lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, quanto ao serviço de locação, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; quanto ao fornecimento de jantar e quanto ao serviço de transporte, por maioria de votos, acordam, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; e quanto ao serviço especializado de vigilância, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao serviço de locação, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Fl. 439DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 439 3 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3801002.044 (fls. 285 a 302) do processo eletrônico, proferido pela Primeira Turma Especial da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que: I por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso no sentido de reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições do óleo combustível TPABPF; II Por maioria de votos, em negar provimento quanto às glosas decorrentes de fornecimento de alimentação para os funcionários e serviço especializado de vigilância e III pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação as demais glosas (alteamento, limpeza e passagem, locação de equipamentos, decapeamento, lavra, transporte de funcionários, melhoria das estradas, gasolina comum e óleo diesel), conforme acórdão assim ementado: O acórdão recorrido possui a seguinte ementa: (...) PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma nãocumulativa Recurso Voluntário Provido em Parte. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência – fls. 316 a 344 em face do acórdão recorrido que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, suscitando Fl. 440DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 440 4 divergência contra o entendimento adotado pela decisão recorrida, relativamente aos itens não considerados como insumos. Para comprovar o dissenso inicialmente foram colacionados, como paradigmas, os acórdãos 930101.741, 340301.500, 20181.139, e 320200.226 (fls. 353 a 411). Somente os dois primeiros citados no recurso foram analisados no exame de admissibilidade, por força do disposto no art. 67 do RICARF. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, nos termos do despacho de fls. 415 a 418, entendendo que na decisão recorrida o colegiado, analisando o direito de créditos da Cofins não cumulativa, entendeu que “para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os serviços prestados pela pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto”. Por sua vez, os paradigmas citados firmam entendimento diverso, pois utiliza conceito mais amplo do que seriam os insumos dentro da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS. Engloba, outros conceitos, e rejeita a utilização do conceito empregado na legislação do IPI. Assim, entendeu que a divergência jurisprudencial foi comprovada. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 420 a 431 postulando pelo não provimento do recurso especial do contribuinte, para manter a decisão v. Acórdão. É o relatório em síntese. Voto Vencido DO SERVIÇO DE LOCAÇÃO Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Para melhor elucidar meu entendimento, importante trazer o conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 441 5 Nos autos do processo administrativo n.º 13984.001511/200587, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, a ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama expôs brilhantemente o conceito de insumo, que passam a integrar a presente fundamentação: “Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 442 6 Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, por sua vez, foi confirmado pela pesquisa desenvolvida no âmbito do Núcleo de Estudos Fiscais da FGV Direito SO sob a coordenação dos estudiosos Breno Vasconcelos, Daniel Santiago, Eurico de Santi, Karem Dias e Suzy Hoffman. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo:“Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 443 7 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 444 8 Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 445 9 Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · o art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) a.matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) b.os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) [...]” art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: Fl. 446DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 446 10 utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 447 11 Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO Fl. 448DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 448 12 CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, Fl. 449DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 449 13 cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 450 14 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos." Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Cumpre lembrar que em razão da natureza extrativista da atividade e o processo produtivo compreende não apenas e tão somente a modificação do mineral até que dele se extraía o caulim, mas sim todas as etapas necessárias/essenciais à obtenção do produto final. Quanto ao serviço de locação que consiste na locação de equipamentos para extração do minério. Por sua especificidade e alta exigência técnica a extração de minério não pode ser realizada a contento sem maquinário apropriado. Diante disto, esse serviço é prestado na área produtiva e influenciam diretamente a produção, e sem o qual não há produto final. Assim, como tal, deve ser admitido no cômputo do crédito requerido. Ante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para considerar como insumos os gastos afetos serviço de locação. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran VOTO VENCEDOR QUANTO AOS DEMAIS ITENS Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 451 15 Como descrito acima, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Cumpre lembrar que em razão da natureza extrativista da atividade e o processo produtivo compreende não apenas e tão somente a modificação do mineral até que dele se extraía o caulim, mas sim todas as etapas necessárias/essenciais à obtenção do produto final. No presente caso, o Recurso Especial, versa sobre o direito a créditos de PIS e COFINS os serviços e produtos utilizados como insumos em todas as etapas do processo produtivo do minério caulim , quais sejam: Ø 1SERVIÇO DE ALTEAMENTO: consiste no aumento da capacidade da bacia de rejeitos. Visa a correta disposição de rejeitos, constituindo em exigência primordial à atividade produtiva da recorrente, sob pena de ver suas atividades impedidas por falta de adequadas para executála. Ø 2SERVIÇO DE LIMPEZA E PASSAGEM: consiste na remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim. A atividade produtiva não se completa sem a desobstrução das vias que permitem o acesso do maquinário às fontes de caulim. Ø 3SERVIÇO DE DECAPEAMENTO: consiste na retirada de vegetação e solo para expor o minério. É primeiro passo necessário à atividade extrativa mineral. Ø 4SERVIÇO DE LAVRA: consiste na extração do minério da natureza.. Se o decapeamento prepara o terreno para extração do minério, a lavra compreende a real retirada do minério de seu depósito natural para posterior beneficiamento e extração do caulim. Ø 5SERVIÇO DE MELHORIA DAS ESTRADAS: consiste na manutenção de estradas privadas que conduzem às jazidas minerais. Mantem as vias de acesso às jazidas em condição para o transporte e produção do caulim. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 452 16 Ø 6GASOLINA COMUM e ÓLEO DIESEL: utilizada nos veículos da fábrica para transporte de materiais. E o Oleo utilizado nos caminhões para transporte de caulim, deslocamento de matériaprima, produtos intermediários, e produto final entre os diversos setores da produção, seja das áreas de extração para a produção, entre setores desta última, ou ainda da produção para a distribuição. Ø 7FORNECIMENTO DE JANTAR: consiste no serviço de refeitório para os funcionários. Ø 8SERVIÇO DE TRANSPORTE: consiste no serviço de transporte de Funcionários. Ø 9SERVIÇO ESPECIALIZADO DE VIGILANCIA: consiste no serviço de segurança patrimonial. Cumpre lembrar que em razão da natureza extrativista da atividade e o processo produtivo compreende não apenas e tão somente a modificação do mineral até que dele se extraía o caulim, mas sim todas as etapas necessárias/essenciais à obtenção do produto final. Ademais, alguns desses serviços são prestados na área produtiva e influenciam diretamente a produção, e sem os quais não há produto final. Assim, como tal, devem ser admitidos no cômputo do crédito requerido.Dessa forma, para chegarse ao produto final comercializável foi essencial utilizar os vários insumos acima citados (itens 1 a 5) . Pois, sem a utilização destes, não haveria obter o produto final e destinálo ao mercado. No que tange aos combustíveis e lubrificantes (item 6) utilizados nos veículos da empresa no transporte de matéria prima, vêse que tal transporte é essencial para a atividade do sujeito passivo. Ora, estamos tratando, conforme denominação da empresa, de Indústria Extrativa– ou seja, para a extração do caulim – é necessário e essencial que a empresa promova o transporte das matérias primas e produtos industrializados. Frisese tal entendimento o decidido pelo STJ quando da apreciação do REsp 1.235.979 – RS – que restou consignada a seguinte ementa: Fl. 453DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 453 17 “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS, LUBRIFICANTES E PEÇAS UTILIZADOS COMO INSUMOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ENTREGA DE MERCADORIAS VENDIDAS PELA PRÓPRIA EMPRESA. ARTS. 3º, II, DAS LEIS N. N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. O creditamento pelos insumos previsto nos arts. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 e da Lei n. 10.637/2002 abrange os custos com peças, combustíveis e lubrificantes utilizados por empresa que, conjugada com a venda de mercadorias, exerce também a atividade de prestação de serviços de transporte da própria mercadoria que revende. 2. Recurso especial provido.” Proveitoso, assim, trazer que o ministro Mauro Campbell Marques considerou que, no caso, estão presentes todos os pressupostos para o creditamento ao pronunciar: “Tratase de combustíveis, lubrificantes e peças utilizados na prestação de serviços de transportes, serviços, estes componentes do objeto social da empresa e cujo custo é transferido para o elo subsequente na cadeia econômica e cujo faturamento sofre a tributação pelas contribuições ao PIS e Cofins não cumulativas”. Por fim, considerando o meu entendimento acerca do conceito de insumos, deixo de reconhecer, como pretende o contribuinte, o serviço de transporte de funcionários, o de vigilância patrimonial e de fornecimento de jantar (itens 7 a 9), pois, entendo que seu impacto no processo produtivo, se verificado, é apenas indireto. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial do Contribuinte É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 454DF CARF MF Processo nº 13204.000111/200594 Acórdão n.º 9303004.791 CSRFT3 Fl. 454 18 Voto Vencedor DO SERVIÇO DE LOCAÇÃO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado Discordamos da il. Relatora. Não há razão jurídica para considerar como insumos os gastos dispendidos com a locação de equipamentos (aliás, nem serviço é), ainda que estes sejam necessários à produção. Da necessidade de utilização do equipamento não decorre a necessidade da sua locação. Afinal, a produção pode ser alcançada com a utilização de equipamentos de propriedade da própria contribuinte, o que afasta a pretensão. Ante o exposto, nego, no ponto, provimento ao recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 455DF CARF MF
score : 1.0
