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Numero do processo: 11634.720182/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/02/2008 a 29/02/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabível embargos de declaração, quando existe omissão no acórdão embargado, ainda que sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1201-002.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Cabível embargos de declaração, quando existe omissão no acórdão embargado, ainda que sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 01 82 /2 01 3- 21 Fl. 7921DF CARF MF 2 Consta no Relatório do Acórdão Embargado o seguinte (páginas 5/6) em relação à decisão da DRJ: Mesmo diante dos argumentos trazidos pela impugnante, a 1ª Turma da DRJ/CTA proferiu acórdão n° 0642.385, fls. 7667/7690, no qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação. Da decisão recorreuse de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – com base no artigo 34 do Decreto n° 6 70.235/1972 e alterações introduzidas pelas Leis n° 8.748/1993 e 9.532/97, e pela Portaria MF n° 03/2008. Em síntese, não acatouse as preliminares de nulidade do lançamento fiscal, no entanto, foi reconhecida a decadência do PIS e da Cofins do mês de fevereiro/2008 e, no mérito, julgouse procedente em parte o lançamento fiscal, mantendo R$ 3.566.654,61 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, R$ 1.289.959,63 de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, R$ 294.394,55 de Contribuição para o Programa de Integração Social –PIS e R$ 1.420.070,98 de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, além das respectivas multas de lançamento de ofício de 75% e dos acréscimos legais (taxa Selic). Na sessão de julgamento de 22 de outubro de 2014 foram apreciados os recursos: de ofício interposto pela DRJ, e, o voluntário interposto pela contribuinte autuada, restando assim decidido no Acórdão nº 1202001.207, proferido pela extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, em rejeitar as preliminares suscitadas e em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O mencionado Acórdão nº 1202001.207, ora embargado, foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2008, 2009 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ CONTA ADIANTAMENTO DE CLIENTES REMESSAS EFETUADAS PELAS EMPRESAS FRANQUEADAS VENDAS À VISTA FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO CORRESPONDENTE Os valores repassados pelas empresas franqueadas, decorrentes da venda à vista de produtos da marca Ortobom e de outras mercadorias fornecidas pelo franqueador (a interessada), representam, em todos os seus elementos constitutivos, o negócio jurídico de uma operação de compra e venda; como tais repasses materializam o exato montante da receita de vendas à vista a ser reconhecida pelo franqueador, os valores constante dessa conta cujo oferecimento à tributação não restou comprovado são considerados mantidos à margem da escrituração. Fl. 7922DF CARF MF Processo nº 11634.720182/201321 Acórdão n.º 1201002.272 S1C2T1 Fl. 3 3 Além do mais, o Recurso Voluntário deve estar instruído com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não possuem valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA IRPJ E LANÇAMENTOS REFLEXOS. Os tributos e contribuições cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa sujeitamse à modalidade de lançamento por homologação, tendo o seu prazo decadencial regido pelo art. 150, § 4º, do CTN. MULTA DE OFÍCIO DE 75% EXPRESSA PREVISÃO LEGAL ARTIGO 44,I, DA LEI Nº 9.430/96 CARÁTER CONFISCATÓRIO NÃO CARACTERIZADO De acordo com o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96 é cabível a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). A vedação ao confisco prevista na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. Portanto, legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. DECORRÊNCIA. CSLL, COFINS E PIS. Tratandose de tributações reflexas de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL, à Cofins e ao PIS.Ano calendário:2008, 2009 Notificada da referida decisão em 27/02/2015, a PGFN opôs embargos de declaração em 24/03/2015 (§ 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), que foram admitidos consoante exposto no despacho (efls.7858/7862), de 23/03/2016 da lavra do Presidente da 2ª Câmara Marcos Aurélio Pereira Valadão, e encaminhado o presente processo para inclusão em lote de sorteio no âmbito da 1ªSEÇÃO/CARF/MF/DF, nos termos do art. 49, § 5º do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 7923DF CARF MF 4 Consta do mencionado despacho de admissibilidade a seguinte transcrição dos embargos: Ocorre que o acórdão embargado foi omisso sobre questão essencial ao deslinde da controvérsia. [...]Como visto, no acórdão embargado não foi indicada a existência de recolhimentos parciais de PIS e COFINS no período de apuração de fevereiro de 2008, reconhecido como decaído. No acórdão de primeira instância também não consta essa informação. Na decisão da DRJ de origem ficou consignado apenas que o autuado promoveu recolhimentos de IRPJ e CSLL. Analisando detidamente o inteiro teor da decisão em questão, constatase a existência de omissão em sua fundamentação. Observase que o acórdão embargado não se pronunciou acerca do entendimento sobre o tema encampado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso especial repetitivo e acerca do disposto no art. 62A do RICARF. [...] O referido dispositivo foi incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, ou seja, em momento anterior à prolação do acórdão embargado. Nada obstante essa norma regimental, o acórdão embargado passou ao largo de qualquer consideração acerca do entendimento encampado pelo Superior Tribunal de Justiça em decisão de mérito definitiva sobre o tema. [...]Sequer há qualquer consideração no julgado objeto dos presentes embargos para afastar, de forma fundamentada, a aplicação do entendimento agora objeto de recurso repetitivo proferido pelo STJ. Vejase que o artigo 62A do RICARF determina a obrigatoriedade de reprodução dos referidos entendimentos. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também tem consolidado o entendimento de que a regra de contagem do prazo decadencial constante do art. 150, §4º do CTN é aplicada tãosomente diante da existência de pagamento parcial das contribuições devidas. Por outro lado, a inexistência de pagamento parcial implica na utilização da regra de contagem constante do art. 173, I, do CTN. No presente caso, não ficou devidamente exposta a tese da Turma julgadora, se seria necessária ou não a existência de recolhimentos parciais para a contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, § 4º do CTN. Assim, o Colegiado foi omisso sobre a questão. Caso perfilhasse essa tese, no sentido de se fazer necessária a existência de recolhimentos parciais na competência para aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN, remanesceria a omissão no julgado, pois não foram identificados quais elementos de prova constantes dos autos que permitiram a conclusão de que houve o pagamento antecipado, de forma a promover uma motivação clara e isenta de dúvidas. Fl. 7924DF CARF MF Processo nº 11634.720182/201321 Acórdão n.º 1201002.272 S1C2T1 Fl. 4 5 Demais disso, a indicação ora postulada tem o condão de permitir às partes a exata compreensão das razões acolhidas pela Turma a quo no contexto fático que se retrata nos autos, até porque o pagamento parcial antecipado relativo ao tributo exigido não foi detectado de plano. Logo, cumpre referir a falta de fundamentação do acórdão em relação à matéria, em atenção ao disposto no art. 93, inciso IX, da Constituição Federal, no artigo 50 da Lei nº 9.784/99 e art. 31 e da Lei nº 9.784/99, sob pena de decretação de nulidade. Nesses termos, revelase a necessidade de se aclarar o decisum, sanando as omissões/contradições/obscuridades acima apontadas, a fim de que a decisão deste Colegiado mostrese consentânea com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para a interposição de recurso especial e/ou execução do julgado. Outrossim, prequestionamse as matérias aqui tratadas, uma vez que não foram objeto de análise expressa pelo Colegiado, a fim de que a Fazenda Nacional possa interpor recurso, se cabível. [...] Ante o exposto, requer a Fazenda Nacional que: (a) seja conhecido o presente recurso, face à observância aos requisitos de admissibilidade previstos art. 64, inciso I e art. 65, ambos do Anexo II, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009; (b) seja dado total provimento ao presente recurso, para sanar/retificar os vícios acima apontados no acórdão embargado. Sobre os embargos de declaração e em sede de juízo de admissibilidade, consta do despacho, o seguinte: Os embargos de declaração têm como requisito de admissibilidade a indicação de algum dos vícios de obscuridade ou contradição no julgado ou omissão de algum ponto sobre o qual deveria pronunciarse o colegiado não se prestando, portanto, ao rejulgamento da matéria posta nos autos. Eles estão regulamentados no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) e foram opostos no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão e atendem aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Passase a apreciar a admissibilidade. Tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: Decadência Tanto o IRPJ e a CSLL são imposto e contribuição sujeitos ao lançamento por homologação, pois o contribuinte deve apurar e Fl. 7925DF CARF MF 6 efetuar o eventual pagamento antes de qualquer exame por parte da Fazenda Pública. O recorrente alega que houve decadência dos fatos geradores ocorridos no Primeiro Trimestre de 2008. Na modalidade de lançamento por homologação os impostos e contribuições devem ser antecipados pelo sujeito passivo sem prévio exame da autoridade administrativa, pois, nessa situação, a atuação da autoridade administrava é posterior. Ocorre a homologação quando a autoridade tem o conhecimento da atividade assim exercida pelo contribuinte, de efetuar o recolhimento sem seu prévio exame, expressamente a homologando, ou, se não houver a manifestação expressa do fisco, dentro do prazo estabelecido pelo artigo 150, § 4º do CTN, havendo também a homologação dessa atividade, no entanto, de forma tácita. O prazo estabelecido pelo referido artigo é de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fasto gerador, desde que o contribuinte tenha efetuado os recolhimentos de IRPJ e CSLL com base no lucro real trimestral e não tenha restando comprovada a ocorrência das figuras de sonegação, fraude ou simulação. Como no caso em questão não restou configurada a ocorrência de fraude, sonegação ou simulação e houve o recolhimento de IRPJ e CSLL, o prazo de decadência deve ser contado da ocorrência do fato gerador, conforme dita o supracitado artigo. No entanto, não assiste razão à recorrente, uma vez que é optante do regime de tributação com base no lucro real e por ter sido cientificada do lançamento fiscal em 27/03/2013 (fl. 7326). À vista disso, os fatos geradores de IRPJ e CSLL do 1º trimestre/2008 ainda não se encontravam alcançados pelo instituto da decadência quando a impugnante foi cientificada do lançamento fiscal. Entretanto, o mesmo não se pode dizer dos lançamentos reflexos de PIS e Cofins do período de apuração de fevereiro/2008, já que se encontravam decaídos quando da cientificação do lançamento fiscal, já que sua apuração é mensal. Nesse sentido, improcedentes as alegações da recorrente neste tópico. A situação de omissão está apontada objetivamente em relação ao recurso de ofício, especificamente no tema em que a autoridade julgadora de primeira instância reconheceu a decadência do PIS e da Cofins do mês de fevereiro de 2008 sem que fosse verificada a existência de pagamento antecipado. Vale esclarecer que o entendimento constante na decisão do Superior Tribunal de Justiça exarada no Recurso Especial Repetitivo nº 973.733 com mérito transitado em julgado em 22.10.20092 é o seguinte: Fl. 7926DF CARF MF Processo nº 11634.720182/201321 Acórdão n.º 1201002.272 S1C2T1 Fl. 5 7 O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Ademais é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária (art. 62 do Anexo II do RICARF). Registrese que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir em relação a motivação da existência de pagamento antecipado de PIS e de Cofins do mês de fevereiro de 2008 para fins de reconhecimento da decadência com base no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Por todo o exposto, ADMITO os embargos de declaração interpostos. (Negritei) Na sessão realizada em 27/07/2017, o colegiado, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em que participava a presente conselheira, proferiu a Resolução nº 1302000.510 (efls.7.882/7.888), na qual se entendeu como imprescindível, para a verificação da decadência, a informação sobre a real existência de pagamento de PIS e Cofins em relação ao mês de fevereiro/2008. Deste modo, converteuse o julgamento em diligência para que os presentes autos fossem encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Londrina/PR para: elaborar relatório circunstanciado, informando se houve por parte da empresa autuada, pagamento de PIS e Cofins em relação ao mês de fevereiro/2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Londrina/PR, após a diligência realizada, elaborou o Relatório Circunstanciado (efls.7.908/7.911), conclusivo para a análise, do qual foi cientificado ao sujeito passivo (efls.7.912/7.915) que em nada se manifestou contrariamente. É o relatório. Voto Fl. 7927DF CARF MF 8 Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora Consta do Relatório que, notificada em 27/02/2015, do Acórdão nº 1202 001.207, 22 de outubro de 2014, proferido pela extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, a PGFN opôs embargos de declaração em 24/03/2015, no prazo regulamentar (§ 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), portanto, tempestivos. Deles conheço. Para facilitar o entendimento da lide transcrevo o voto condutor da Resolução nº 1302000.510, de 27/07/2017 (efls.7.882/7.888), mencionada no relatório acima, proferida pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, da qual participava a presente relatora e também relatora do voto condutor da predita Resolução. Vejamos: Conforme relatado, os embargos de declaração opostos pela PFN foram admitidos consoante exposto no despacho acima, tendo em vista a constatação de que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir em relação a motivação da existência de pagamento antecipado de PIS e de Cofins do mês de fevereiro de 2008 para fins de reconhecimento da decadência com base no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Compulsandose os autos (Autos de Infração e Termo de Verificação Fiscal) verifico que os lançamentos relativos ao PIS e à Cofins decorrem das OMISSÕES DE RECEITAS apuradas nos meses de fevereiro de 2008 a 2009, e que a pessoa jurídica autuada adota o regime da não cumulatividade estabelecido pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, com a incidência não cumulativa, é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (Lei nº 10.637, de 2002, art 1º, §§ 1º e 2º e Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º, §§ 1º e 2º). Nesse passo, apesar de não se verificar nos autos qualquer menção a pagamento antecipado de PIS e de Cofins do mês de fevereiro de 2008 não seria nenhum despautério presumirse que para fins de reconhecimento da decadência adotouse como base o § 4º do art.150 do Código Tributário Nacional, em razão de que, não havendo autuação em relação ao faturamento do mês de fevereiro/2008 e somente em relação à receita omitida, é porque houve pagamento antecipado de PIS e de Cofins do mês de fevereiro de 2008 em relação às receitas declaradas e tributadas do mesmo período de apuração. Todavia, para que não paire nenhuma dúvida em relação à motivação da existência de pagamento antecipado de PIS e de Cofins do mês de fevereiro de 2008 para fins de reconhecimento da decadência com base no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, fazse necessária a juntada de Demonstrativo e DARFs, de modo a evidenciar a questão em comento. Fl. 7928DF CARF MF Processo nº 11634.720182/201321 Acórdão n.º 1201002.272 S1C2T1 Fl. 6 9 Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Londrina/PR para: elaborar relatório circunstanciado, informando se houve por parte da empresa autuada, pagamento de PIS e Cofins em relação ao mês de fevereiro/2008, do que deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. Do Relatório Circunstanciado da diligência (efls.7.908/7.911) encaminhado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil Londrina/PR consta, no essencial, o seguinte: A fim de cumprir a Resolução n° 1302000.510, da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), foi feita pesquisa por documentos de arrecadação pagos de PIS e COFINS, relativos ao mês de fevereiro de 2008, da empresa FABRICADORA DE ESPUMAS E COLCHOES NORTE PARANAENSE LTDA, CNPJ 02.292.653/000117. A busca foi feita no Sistema SIEF – Documentos de Arrecadação e teve como parâmetros (1) o período de arrecadação (data de pagamento) de 01/02/2008 a 01/02/2010 e (2) o CNPJ 02.292.653/000117. Essa pesquisa recuperou um total de 318 registros, abarcando diversos tributos. Desse total, foram encontrados 13 pagamentos relativos ao período de apuração fevereiro/2018, os quais são exibidos na Tabela I abaixo: Tabela I – Documentos de Arrecadação Pagos ref. ao Período de Apuração Fevereiro/2008. ... 20/03/2008 29/02/2008 36.963,84 6912 PIS NÃO CUMULATIVO (LEI 10.637/02) 20/03/2008 29/02/2008 170.257,68 5856 COFINS NÃOCUMULATIVA Conforme destaque da Tabela I acima, os dois últimos pagamentos referemse, respectivamente, a PISNão cumulativo e a COFINSNão cumulativa. Os comprovantes de arrecadação desses dois documentos seguem anexos e fazem parte deste relatório. ... Da aludida tabela e dos documentos anexados, verificase que o PIS e a Cofins relativos ao período de apuração (29/02/2008) foram arrecadados em 20/03/2008. Depreendese do acórdão embargado que da autuação não restou configurada a ocorrência de fraude, sonegação ou simulação, e, conforme explicitado no Relatório Circunstanciado de diligência, houve em março de 2008, recolhimento de PIS e Cofins relativos ao período de apuração de fevereiro/2008. Nesse passo, constatada a existência de pagamento antecipado de PIS e de Cofins do mês de fevereiro de 2008, para fins de reconhecimento da decadência com base no § Fl. 7929DF CARF MF 10 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, o prazo deve ser contado da data da ocorrência do fato gerador, conforme dita o mencionado dispositivo legal. Assim, ocorrido fato gerador em 29/02/2008, o PIS e a Cofins do período de apuração de fevereiro/2008, deveria ter sido lançado e cientificado ao contribuinte até 29/02/2013. Tendo o contribuinte sido cientificado do lançamento fiscal em 27/03/2013, como esclarecido no acórdão embargado, tais contribuições de PIS e Cofins do período de apuração de fevereiro/2008, já se encontravam decaídos quando da cientificação do lançamento fiscal, tal como decidido no recurso de ofício e no acórdão embargado. Diante do exposto, conheço da omissão no acórdão embargado, razão pela qual acolho os embargos de declaração, sem no entanto darlhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 7930DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014184/2008-01
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. PRAZO.
O estabelecimentos em início de atividade tem 10 (dez) dias contados do último deferimento de inscrição para efetuara opção pelo Simples Nacional (inciso I, § 3º do art 7º da Resolução CGSN nº 4/2007).
Numero da decisão: 1003-000.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. PRAZO. O estabelecimentos em início de atividade tem 10 (dez) dias contados do último deferimento de inscrição para efetuara opção pelo Simples Nacional (inciso I, § 3º do art 7º da Resolução CGSN nº 4/2007).
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INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. PRAZO. O estabelecimentos em início de atividade tem 10 (dez) dias contados do último deferimento de inscrição para efetuara opção pelo Simples Nacional (inciso I, § 3º do art 7º da Resolução CGSN nº 4/2007). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 41 84 /2 00 8- 01 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10680.014184/200801 Acórdão n.º 1003000.088 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase o presente processo de recurso voluntário contra acórdão de nº 02 27.762, de 22 de julho de 2010, da 4ª Turma da DRJ/BHE que não conheceu da manifestação de inconformidade da contribuinte. O Recorrente efetuou pedido de inclusão no Simples Nacional, alegando que a CGC havia sido liberada em 26/02/2008 e o sistema não aceitou seu requerimento de opção pelo Simples Nacional, em razão do prazo. Afirma que teve a atividade iniciada em 07/11/2007, contudo a conclusão ocorreu apenas em 04/03/2008 (fl.01). Através do Despacho Decisório DRF/BHE nº 2001/2009 o pedido da Recorrente foi indeferido, por não ter havido a comprovação de que tenha a contribuinte tentado a formalização da solicitação de inclusão no Simples Nacional no prazo de 10 (dez) dias após o último deferimento de inscrição (fls. 24 a 26). A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi não foi conhecida pela DRJ, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 INÍCIO DE ATIVIDADE PRAZO PARA OPÇÃO Nos termos da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, a empresa em início de atividade tem o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição para efetuar a opção pelo Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformada com o acórdão, a Recorrente apresentou recurso voluntário requerendo, em síntese, nova revisão no processo para a inclusão retroativa no Simples Nacional a partir de 11/06/2008, destacando que não foi realizada a opção pelo Simples Nacional no prazo determinado em lei, contudo a empresa recolheu todos os impostos na forma do Simples Nacional nos meses de 08/2008 a 12/2008. Aduz que possui baixo faturamento e que, se o recurso não for acolhido, não terá como pagar os impostos. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. Portanto, o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que, conheço do recurso A Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, revogou a Lei nº 9.317/96 (Simples Federal), e instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10680.014184/200801 Acórdão n.º 1003000.088 S1C0T3 Fl. 4 3 Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, assim dispondo em seu artigo 16, caput Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário Na época da solicitação do pedido de inclusão no Simples, vigorava a Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007, que, em seu art. 7º, estabelecia o seguinte: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário da, opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional. § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo. Segundo se depreende do artigo acima transcrito, a opção pelo Simples Nacional deverá ser realizada até o último dia do mês de janeiro, contudo, para empresas em início de atividade, para não ser aplicada essa limitação temporal, a legislação determina que elas terão 10 (dez) dias, contados do último deferimento para realizar sua inscrição, a qual terá efeitos a partir do cadastro no CNPJ , desde que observado o prazo de 180 (cento e oitenta) dias da data da abertura. Entendo ser esses os limites temporais para empresas no início da atividade. O prazo de 180 (cento e oitenta) concedidos é o prazo máximo para o pedido de inclusão no Simples Nacional, desde que respeitados os prazos do § 3º, inciso I. Ou seja, a legislação não prevê aumento do prazo, mas apenas a redução dele. No presente caso, a data de abertura da empresa foi em 11/06/2008 (fls. 65). Segundo informações do acompanhamento da solicitação do CNPJ via internet (fls. 69 e 70), a solicitação de inscrição estadual foi concedida em 19/07/2008 e a inscrição municipal foi deferida em 21/07/2008. Considerando a determinação legal, a Recorrente teria 10 (dias), contados do último deferimento de inscrição, qual seja, 21/07/2008, para efetuar a opção para inclusão no Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10680.014184/200801 Acórdão n.º 1003000.088 S1C0T3 Fl. 5 4 Simples Nacional. Ocorre, porém, que não há nos autos comprovação de que tal requerimento tenha sido realizado. A própria Recorrente, em seu recurso voluntário, reconhece não ter realizado o requerimento dentro do prazo legal, tendo a RFB considerando formalizado o requerimento apenas em 29/10/2008 (fl. 01), com o requerimento inicial que deu origem a este processo. É digno registrar que a prova de suas alegações devem ser apresentadas pela Recorrente, ônus do qual não se desincumbiu. Em razão disso, não há como concluir ter havido erro por parte da autoridade fiscal que justificasse a inclusão da Recorrente na sistemática do Simples Nacional. Em razão do decurso de prazo de 10 (dez) dias contados do último deferimento de inscrição, estabelecido pelo inciso I do § 3º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007, para fazer a solicitação de opção pelo Simples Nacional, deve ser mantido o indeferimento da inclusão retroativa à sistemática do Simples Nacional Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660360/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.761
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 60 /2 01 2- 01 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660360/201201 Acórdão n.º 3401004.761 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660360/201201 Acórdão n.º 3401004.761 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660360/201201 Acórdão n.º 3401004.761 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660360/201201 Acórdão n.º 3401004.761 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660360/201201 Acórdão n.º 3401004.761 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660360/201201 Acórdão n.º 3401004.761 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11624.720072/2013-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008, 2009, 2010
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL TEMPESTIVO. RESTABELECIMENTO DA GLOSA
Cabível o acolhimento de Área Preservação Permanente cujo ADA foi protocolado antes do início da ação fiscal.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ADA. DISPENSÁVEL.
Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, basta sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental - ADA. No caso, a averbação ocorreu antes da ocorrência do fato gerador, o que impõe o afastamento da glosa.
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES.
Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário, além da apresentação - tempestiva - do ADA ao IBAMA, com referidas informações, bem como, quando intimado, de laudo técnico elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART registrada no Crea, que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O fato de o imóvel rural encontrar-se inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada.
ITR. VTN. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatada - pelo Fisco - a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT.
Numero da decisão: 2402-006.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator) e Denny Medeiros da Silveira que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL TEMPESTIVO. RESTABELECIMENTO DA GLOSA Cabível o acolhimento de Área Preservação Permanente cujo ADA foi protocolado antes do início da ação fiscal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ADA. DISPENSÁVEL. Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, basta sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA. No caso, a averbação ocorreu antes da ocorrência do fato gerador, o que impõe o afastamento da glosa. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário, além da apresentação tempestiva do ADA ao IBAMA, com referidas informações, bem como, quando intimado, de laudo técnico elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART registrada no Crea, que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O fato de o imóvel rural encontrarse inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 62 4. 72 00 72 /2 01 3- 89 Fl. 201DF CARF MF 2 ITR. VTN. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatada pelo Fisco a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator) e Denny Medeiros da Silveira que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra o contribuinte (espólio) foi lavrado Auto de Infração para constituição do ITR, exercícios 2008, 2009 e 2010 no valor principal de R$ 11.298,54, R$ 12.054,00 e R$ 3.711,07, respectivamente, acrescidos de multa de ofício (75%) e juros legais (Selic), relativo ao NIRF 3.906.6037 RIO VERDE II. Foram apuradas as seguintes infrações em ambos os exercícios: 1 Área de Preservação Permanente não comprovada; 2 Área de Reserva Legal não comprovada; 3 VTN declarado não comprovado; 4 Glosa da área ocupada com benfeitorias; e Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11624.720072/201389 Acórdão n.º 2402006.234 S2C4T2 Fl. 3 3 5 Glosa da área utilizada por produtos vegetais. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ fls. 143/164. Em seu Recurso Voluntário de fls. 174/197 aduz, em resumo: 1 Que o imóvel faria parte integral do i) ecossistema da Mata Atlântica, inserida na Área de Proteção Ambiental APA da Serra do Mar, criada pela Lei Estadual do Paraná n° 7.919/84, que, assim, o artigo 1º do Decreto 750/93 traria restrições ao uso dessas áreas e ii) que estaria situado na Mata Atlântica APA de Guaraqueçaba, criada pelo Decreto Federal nº 90.883/85 e declaração de área de proteção ambiental do Estado do Paraná, consoante Decreto Estadual nº 1.228/92 e, em assim sendo, ela estaria definitivamente excluída da condição de áreas tributáveis. Que o ADA apresentado em 28.09.2010 demonstraria as APP e ARL do imóvel, inclusive para os exercícios 2008 e 2009. Além do quê, não seria essencial para a isenção das APP; Que a área poderia ser declarada como APP ou de Interesse Ecológico, na medida em que se insere na APA acima citada. 2 No que se refere ao VTN atribuído pela Fiscalização, o recorrente alega dentre outras que não se trataria de terras mistas inaproveitáveis e sim de área para uso com finalidade apenas ambiental, sem potencial de aproveitamento a não ser ecológico, além de ter sido adquirido por um preço muito menor. Que no Município de Guaraqueçaba, encontramse áreas que compõe a Serra do Mar, parte da Mata Atlântica, áreas de abrigo de animais silvestres e florestas protegidos pela legislação ambiental que não tem valor comercial. Face as restrições de utilização do solo e exploração florestal, dificilmente ocorre alguma transação negocial. 3 Que o lançamento realizado seria ilegal, eis que teria se afastado do conteúdo da obrigação tributária definida em lei, para pretender fundamento apenas na declaração prestada pelo recorrente. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 17.11.2014 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 10.12.2014. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Consoante se denota do demonstrativo de apuração do ITR devido, a Fiscalização promoveu alterações na DITR do contribuinte no que toca às áreas: de preservação permanente e de reserva legal, com benfeitorias, utilizada por produtos vegetais, Fl. 203DF CARF MF 4 além de no valor total do imóvel e sobre tais assuntos se desenvolverá a análise a seguir. Vejamos: As alterações promovidas de ofício pelo lançamento trazem repercussão direta na base imponível e alíquota do tributo. Prosseguindo na análise, o § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, que deve ser aplicado em sua literalidade por força do artigo 111 do CTN1, elenca as áreas que podem ser deduzidas da área tributável para fins de apuração do ITR. Vejamos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (...) Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11624.720072/201389 Acórdão n.º 2402006.234 S2C4T2 Fl. 4 5 b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) As áreas de preservação permanente APP, consoante definidas na Lei 4.771/65, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas, podem ser classificadas como legais (art. 2º) e administrativas (art. 3º). Quanto às primeiras, as legais, temos as florestas e demais formas de vegetação natural situadas próximas a fontes de recursos hídricos e a relevos com importância a preservação dos eco sistemas, tais como: i) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal; ii) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; iii) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; iv) no topo de morros, montes, montanhas e serras; v) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; e vi) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues. Por sua vez, as APP administrativas, declaradas por ato do poder público, são as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: Fl. 205DF CARF MF 6 a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Percebese que há uma evidente diferença entre as duas espécies de APP. Enquanto que para as legais, já determinadas no diploma legal, a finalidade é intrínseca ao que se propõe a lei; para as administrativas, a finalidade a ser alcançada pelo administrador público está textualmente prevista nas alíneas daquele artigo 3º. Assim, indubitavelmente, a ação do poder público tornase imprescindível para a constituição dessas APP administrativas. Frisese que a supressão total ou parcial dessas áreas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Por seu turno, ainda de acordo com o diploma encimado, as reservas legais são áreas localizadas no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessárias ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas, cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. Devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, após aprovada sua localização pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada (§ § 4º e 8º do artigo 16 da Lei 4.771/65). A obrigatoriedade da aprovação acima citada foi introduzida na lei de regência, por conta da MP 2.16667/2001. Veja, a obrigatoriedade de se ter aprovada a localização da ARL pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada está diretamente relacionada à vedação a que se constitua reserva legal sobre área de preservação permanente, já dedutível, observadas as exigências legais, na apuração do imposto. Com isso, tendese a evitar a utilização da mesma área, por mais de uma vez, como dedução do ITR. Assim, podese resumir: APP Pode haver a supressão, quando assim determinar o interesse público; ARL Não pode haver a supressão, mas somente sua utilização em regime de manejo florestal sustentável. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11624.720072/201389 Acórdão n.º 2402006.234 S2C4T2 Fl. 5 7 E, por fim, naquilo que interessa ao caso, temos as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que, destacase: ampliem as restrições de uso previstas para as APP e ARL. Em outras palavras: ainda que haja ato do poder público que declare determinada área como de interesse ecológico, caso não haja a imposição de efetivas restrições de uso que ampliem aquelas previstas para as APP e ARL, ou seja, restrições além do manejo sustentável, tenho que sua dedução, da área tributável pelo ITR, não possui suporte legal. Confirase. ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Acórdão nº 9202003.051 – Sessão de 12 de fevereiro de 2014 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O fato de o imóvel rural encontrarse inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada. Acórdão nº 9202004.576 – Sessão de 24 de novembro de 2016 Reforçase: para efeito de exclusão do ITR, a Área de Interesse Ecológico deve ser assim declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Quer dizer com isso, que a área declarada em caráter geral não satisfaz, por si só, a condição legal para sua dedutibilidade. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. O reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental – ADA). Prosseguindo, a alínea "e" do inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, com a redação dada pela lei 11.428/2006, autorizou a dedução, a partir de 01.01.2007, das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Fl. 207DF CARF MF 8 Notese que áreas cobertas por florestas nativas secundárias em estágio inicial de regeneração não foram contempladas pelo dispositivo.2 Malgrada a digressão acima, seja qual for a área que, ao amparo do inciso II, do § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, se pretenda expurgar daquela tributável pelo ITR, o fato é que ela deve constar consignada no competente Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme preconiza o artigo 17O da Lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei 10.165/2000. Confirase. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Por sua vez, o Ato Declaratório Ambiental – ADA é um instrumento legal que possibilita ao Proprietário Rural uma redução do Imposto Territorial Rural – ITR, em até 100%, sobre a área efetivamente protegida, quando declarar no Documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural, Interesse Ecológico, Servidão Florestal ou Ambiental, áreas cobertas por Floresta Nativa e áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas. É documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. Deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. O texto legal encimado evidencia uma atuação conjunta de órgãos autônomos no sentido de manter o controle em relação à desoneração tributária. Ademais, prevê a necessidade de pagamento de uma taxa de vistoria, a qual, em sendo realizada, e não se confirmando a existência das áreas excluídas de tributação, poderá ensejar o lançamento de ofício do tributo, sendo inequívoco que o ADA é obrigatório para aqueles que desejam se beneficiar da redução do tributo devido a título de ITR. É dizer: é instrumento eleito pelo legislador para controle, integração de órgãos e fonte de custeio da atividade de vistoria, questões absolutamente indispensáveis ao acompanhamento do cumprimento dos preceitos da legislação relativos à limitação da utilização de tais áreas, bem assim da correção no gozo da benesse fiscal. Nesse contexto, o legislador estabeleceu a forma que entendeu adequada para promover tal controle e fiscalização, não sendo possível a este Conselho deixar de aplicar 2 http://www.fundacaofia.com.br/gdusm/florestas_estagios.htm Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11624.720072/201389 Acórdão n.º 2402006.234 S2C4T2 Fl. 6 9 comando legal válido e vigente apenas pela eventual convicção de que tal atividade poderia ser levada a termo de outra forma. Reprisese. Não há esforço interpretativo que, a partir da literalidade da frase "a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória", possa ser capaz de concluir pela desnecessidade da obrigação imposta pelo legislador. É entendimento corrente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória a apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Situação diversa da verificada em períodos anteriores ao ano de 2001, como se depreende da Súmula Carf. nº 41, segundo a qual, “a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No caso em tela, o que se vê é a utilização da função extrafiscal do tributo, mediante sua aplicação como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Voltando às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir, após aprovação do local pelo órgão ambiental e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA, no prazo estabelecido em norma regulamentar. 3 Em suma: a existência das ARL, APP, áreas cobertas pro floresta nativa ou qualquer outra especificada naquele inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, por si só não assegura ao contribuinte a não tributação das áreas s que se refere. Há de se cumprir as exigências legais. Notem por sua vez, que os prazos acima destacados não se tratam de mera formalidade ou desprovidos de propósito razoável. Vejamos: Se por um lado é indubitável que as ARL devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, por outro, o que se questiona é se tal providência pode ser efetivada a qualquer tempo. Tenho que não. Tal averbação é condição legal para que o sujeito passivo possa, a rigor, se valer de tal isenção e não ter contra si constituído o crédito tributário a ela relacionada. Logo, todas as circunstâncias constitutivas 4 e fatos devem estar perfeitamente configurados à data do fato gerador da obrigação principal. E mais, a averbação em registro próprio possibilita a determinação dos limites e localização das ARL, viabiliza o efetivo 3 Artigo 9º, § 3º, I da IN SRF 256/2002. 4 o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Fl. 209DF CARF MF 10 controle de sua manutenção pelo poder público, além de dar publicidade de seus contornos à eventuais adquirentes da propriedade. Seria, a grosso modo, uma via de mão dupla. Assim dispõe o § 1º do artigo 12 do Decreto 4.382/2002, de obediência obrigatória por este colegiado: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal; § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Já no que toca ao prazo para o protocolo do ADA, da mesma forma de evidente obrigatoriedade legal, veja que está relacionado à viabilidade do exercício do poder de polícia a cargo do IBAMA. Admitir o protocolo a qualquer tempo conduzira, por óbvio, ao inegável prejuízo no exercício da atividade estatal, já que poderia não mais dispor de tempo hábil à tomada de eventuais providências no âmbito do lançamento de oficio do ITR. Esvaziaria, assim entendido, o propósito legal. Na mesma linha, o inciso I do § 3º do artigo 10 daquele Decreto 4.382/2002 estabelece: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de reserva legal; III de reserva particular do patrimônio natural; IV de servidão florestal; V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo; VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual.. § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11624.720072/201389 Acórdão n.º 2402006.234 S2C4T2 Fl. 7 11 § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo; E II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis. Nesse diapasão, em atenção à parte final daquele inciso I do parágrafo 3º acima, a Instrução Normativa SRF nº 256/2002, que é, na forma do artigo 100 do CTN, norma complementar das leis e, portando, de observância obrigatória por todos os contribuintes, estabelece em seu artigo 9º, o prazo para a apresentação do referido ADA, para fins do seu aproveitamento em matéria tributária. Reforçase: não se trata de criar tributo ou mesmo restringir/limitar o exercício do direito do contribuinte, que se deu por força da lei 9.393/96 e artigo 17O da Lei 6.938/81, mas sim de regulamentar seu exercício. Em outras palavras: para se valer dessa isenção condicionada, seu cumprimento deve se dar de forma a efetivamente assegurar ao Estado, por meio de seu órgão ambiental, a possibilidade de se aferir o escorreito enquadramento da área a ele declarada e que pretende ver excluída da apuração do ITR. Assim, não resta dúvida que para fins de exclusão da área tributável, aquelas áreas deverão ser obrigatoriamente informadas em ADA, protocolado pelo sujeito passivo no IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo. É o que exige o Decreto 4.382/2002, de observância obrigatória por este colegiado, a teor do artigo 62 do RICARF. Conforme se extrai do excerto abaixo, que constou do voto vencedor no acórdão 9202005753, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a jurisprudência neste Conselho consolidouse no sentido de aceitar o ADA protocolizado até o início da ação fiscal. Confirase: É certo que, no caso da Área de Preservação Permanente (APP), tratase de acidentes geográficos já existentes na natureza, porém a exclusão da tributação desta área ambiental não está condicionada à criação da área e sim da sua preservação, como a própria denominação está a indicar. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, Fl. 211DF CARF MF 12 no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), é claro que a fruição do benefício está condicionada à preservação à época do fato gerador. Nesse passo, a Receita Federal, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias, estabeleceu o prazo de seis meses após a data de entrega da DITR, para que o Contribuinte providencie o protocolo do ADA. E tratandose de declarar algo que a priori já existiria na natureza, este Colegiado consolidou a jurisprudência no sentido de aceitarse o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. Não retrata, com a devida venia, o entendimento deste relator. Não seria razoável imaginar que tal informação pudesse ser prestada em data, por exemplo, próxima a da ação fiscal, porquanto a potencial vistoria pelo órgão ambiental não observaria, decerto, o lustro legal para a constituição do imposto, fosse o caso. Da mesma forma, supor que a atividade de polícia, legalmente exigida e que traria certa segurança ao considerar isentas aquelas áreas, possa ser substituída pela exclusiva atuação privada (por meio de laudos técnicos), não me parece atender ao interesse público. No mesmo sentido, como bem destacado no voto acima parcialmente colacionado, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas, conforme estabelece a lei, em determinados locais do imóvel, são de PRESERVAÇÃO PERMANENTE existentes a época do fato gerador do tributo, consoante preceitua o inciso II do § 3º do artigo 10 do Decreto 4.382/2002. Vale dizer: as florestas e demais formas de vegetação natural devem estar em permanente preservação, sobretudo na data do fato gerador. Dito isso, como se aferir tal circunstância pelo órgão de controle ambiental, admitindose a apresentação do ADA em data significativamente distante da do fato gerador do tributo ? Em outras palavras, haveria como o IBAMA empreender alguma vistoria eficaz a partir de um ADA apresentado após 4 anos do exercício a que se referem as informações nele prestadas, ainda que tenha sido entregue antes de o início da ação fiscal ? Não basta que no imóvel exista rios ou qualquer outro curso d´água, lagoas ou reservatórios de d´ água naturais ou artificiais, topo de morros, montes ou serra, fazse necessário, aí sim, que nesses locais efetivamente haja floresta ou demais formas de vegetação natural permanentemente preservadas. Da mesma forma, não se pode imaginar que a dispensa à prévia comprovação, por parte do declarante, no que toca às APP e ARL declaradas para fins de isenção do ITR, consoante estabelece o § 7º do artigo 10 da L. 9.393/96, o estaria desincumbindo da obrigação legal imposta pelo § 1º do artigo 17O da Lei 6.938/81. Longe disso. Uma coisa é a desnecessidade da prévia apresentação da comprovação das áreas quando da entrega da DITR; outra, a obrigatoriedade de que tais informações sejam prestadas tempestivamente ao IBAMA, por meio do competente ADA e ao Fisco, quando intimado por autoridade competente no exercício de seu dever funcional. E veja, o parágrafo 7º encimado foi originalmente introduzido ao artigo 10 da Lei 9.393/96 por meio da Medida Provisória 1.95650/2000, de 26.05.2000, ao passo que Fl. 212DF CARF MF Processo nº 11624.720072/201389 Acórdão n.º 2402006.234 S2C4T2 Fl. 8 13 aquele que impõe a obrigatoriedade do ADA, por meio da posterior Lei 10.165/2000 de 27.12.2000. Com isso, considerando o período em que ambos vigeram não há, a meu ver, como entender que aquele primeiro desobrigou a apresentação do ADA. Não há, no meu entender, qualquer antinomia entre os dispositivos, na medida em que tratam de diferentes circunstâncias. Voltando ao prazo para apresentação do ADA, a IN SRF 256/2002, em sua redação original, o estabelecia como sendo "de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR". Com a entrada em vigor da obrigatoriedade de sua apresentação anual, o órgão ambiental o estabeleceu como sendo de 1º de janeiro a 30 de setembro. .5 Daí a alteração naquela IN SRF 256/2002, que passou a estabelecer, a partir da IN RFB 861, de 17 de julho de 2008, ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente." Em resumo, podese dizer, no que toca à dedução das áreas elencadas nos inciso I ao VI do artigo 10 do Decreto nº 4.382/2002, que além dos requisitos de ordem formal previstos na legislação, há de se comprovar, quando intimado, sua efetiva existência, a teor do inciso II do parágrafo 3º retro citado, por meio de laudo técnico que deve, de forma clara, especificar, detalhar, dimensionar e localizar cada uma das áreas eventualmente existente à época do fato gerador. Voltando ao caso sob análise, temse que os ADA deveriam ter sido apresentados até 30/09/2008 (exercício 2008), 30/09/2009 (exercício 2009) e 30/09/2010 (exercício 2010). Nesse rumo, consta do autos, às fls 50, um único ADA transmitido em 28/09/2010, no qual informa uma ARL de 91,6 ha e uma APP de 224,4 ha. Confirase: 5 http://www.ibama.gov.br/imovelrural/atodeclaratorioambientalada/oqueeoada Fl. 213DF CARF MF 14 A ação fiscal iniciouse em 29.04.2013 (fls. 6) e o único ADA teria sido apresentado intempestivamente com relação aos exercícios 2008 e 2009, o que impede, por força do Decreto 4.382/2002, sua utilização para aquele exercício. Vale dizer: não foram apresentados os ADA para os exercícios 2008 e 2009. Com isso, quanto à questão da apresentação do ADA, entendo por superada e atendida com relação ao exercício 2010. E mais, as ARL e APP informadas naquela ADA relativo ao exercício 2010 foram integralmente consideradas no lançamento, quando deduziu, a titulo de "Áreas Cobertas por Floresta Nativa", 316,0 ha, que equivale ao somatório da ARL (91,6 ha) e da APP (224,4 ha) lá informadas. Consta às fls. 32/43, laudo técnico datado de 24.06.2013 e subscrito pelo Engenheiro Florestal Helio Loch, CREA PR 30.046/D, apresentado em atenção à intimação fiscal. Encontrase ainda às fls. 56, ART em nome do referido engenheiro. Veja, como já dito alhures, o laudo técnico, para que cumpra seu desiderato, deve, de forma clara, especificar, detalhar, dimensionar e localizar cada uma das APP eventualmente existente à época do fato gerador (não sobrepostas às ARL porventura existentes), elencadas nas alíneas "a" a "h" do artigo 2º da Lei 4.771/65. Confirase: Florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11624.720072/201389 Acórdão n.º 2402006.234 S2C4T2 Fl. 9 15 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura: 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura: 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura: 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura: d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Prosseguindo quanto ao laudo acostado, entendo que pode ser resumido a partir dos excertos a seguir colacionados: Fl. 215DF CARF MF 16 Da leitura dos tópicos acima, não fui capaz de concluir pela correta extensão das eventuais APP. No item intitulado "ocupação", afirmase terem sido encontrados 458,0 ha (que é a área total do imóvel) de Floresta Nativa distribuídos por toda a área, assim como a área de mata ciliar ao longo do leito dos rios existentes. O restante da área da propriedade seria composto por mata nativa primária e secundária em vários estágios de regeneração. As áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração podem ser, a partir do exercício 2007, excluídas da área Fl. 216DF CARF MF Processo nº 11624.720072/201389 Acórdão n.º 2402006.234 S2C4T2 Fl. 10 17 tributável, desde que tal informação tenha constado no correspondente ADA e, quando intimado, demonstrada por meio de laudo técnico. Assim, por exemplo, se as áreas ocupadas por essas florestas estiverem situadas nos locais apontados no artigo 2º da Lei 4.771/65, estarão abrigadas em função das restrições de uso relacionadas às APP daquele artigo. Nesse sentido, o laudo deveria, a meu ver, especificar, detalhar, dimensionar e localizar os tipos de Floresta Nativa identificada. Ou seja: Se primária ou se secundária; quais seriam aqueles locais do artigo 2º e onde estariam, ainda que sucintamente, localizados na propriedade e em que extensão; Se forem florestas secundárias, em qual estágio de regeneração. Note que, com relação às florestas nativas secundárias, a lei não autoriza a dedução daquelas áreas por elas cobertas em estágio inicial de regeneração, mas apenas aquelas em estágio médio ou avançado e, nesse ponto, o laudo é categórico ao afirmar a existência de floresta secundária em vários estágios de regeneração, sem ao menos especificálos (os estágios) e dimensionálas (as áreas). Há áreas utilizadas com Produtos Vegetais, conforme declarado no ADA e nas DITR, ou sua totalidade é composta por florestas nativas primárias e secundárias ? No que toca à ARL de 91,6ha informada nas DITR, cumpre destacar que consta averbação de 22.06.1990 na matrícula 6.383, às fls. 59, que fundamenta a área então declarada a esse título, que foi, inclusive, reconhecida pela Fiscalização para o exercício 2010, em função do ADA apresentado no prazo previsto em norma. Quanto aos exercícios 2008 e 2009, em função da não apresentação dos correspondentes ADA, não vejo como legítimo o aproveitamento de tal ARL para fins de dedução da área tributável. Prossegue o recorrente em seu recurso, ao alegar que o imóvel faria parte integral do i) ecossistema da Mata Atlântica, inserida na Área de Proteção Ambiental APA da Serra do Mar, criada pela Lei Estadual do Paraná n° 7.919/84, que, assim, o artigo 1º do Decreto 750/93 traria restrições ao uso dessas áreas e ii) que estaria situado na Mata Atlântica APA de Guaraqueçaba, criada pelo Decreto Federal nº 90.883/85 e declaração de área de proteção ambiental do Estado do Paraná, consoante Decreto Estadual nº 1.228/92 e, em assim sendo, ela estaria definitivamente excluída da condição de áreas tributáveis. Quanto à localização do imóvel, destacase o item 4.7.3 do laudo técnico, a seguir reproduzido: Fl. 217DF CARF MF 18 O fato de um imóvel estar localizado em uma APA, por si só, não o torna, automaticamente, isento de ITR; somente para as áreas de preservação especificas nela contidas, e desde que cumpridas as demais exigências legais, se concederá a exclusão tributária, tais como: Áreas de Preservação Permanente APP, Área de Interesse Ecológico AIE reconhecido por Ato do Poder Público, Área de Reserva Legal ARL, e demais áreas previstas em leis. Vejase: referida área, tida pelo recorrente como "de interesse ecológico", não constou declarada nos DIAT/DITR dos exercícios envolvidos, fazendo com que não fosse objeto da atuação fiscal. Tampouco constou do ADA do exercício 2010, de 28.09.2010. (fls. 51) Ademais, como já dito alhures, ainda que haja ato específico do poder público que declare determinada área como de interesse ecológico, caso não haja a imposição de efetivas restrições de uso que ampliem aquelas previstas para as APP e ARL, ou seja, restrições além do manejo sustentável, tenho que sua dedução, da área tributável pelo ITR, não é legalmente possível. É o que se denota da parte final da alínea "b", II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96. "....mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior;" Observando a legislação trazida pelo contribuinte, em especial os dispositivos a seguir transcritos, não me afigura que referidos atos tenham, conforme sugerido em seu recurso, impossibilitado "desenvolver qualquer atividade na referida área", ampliando, desta forma e indiscutivelmente, as restrições de uso que se tem nas ARL e APP. Ao contrário, tratou o ato, a meu ver, de estabelecer condutas negativas mínimas para a preservação ambiental, mas não proibições taxativas, peremptórias, definitivas à exploração da área mais severas do que as que se têm para as ARL e APP. Confirase: Lei 7.919/84 Estado do Paraná: Art. 2º Fica o Poder Executivo autorizado a baixar normas disciplinando o controle e as condições para a ocupação do solo, considerando os aspectos referentes aos bens de valor histórico, artístico, arqueológico ou pré histórico, à proteção dos recursos naturais renováveis, às paisagens notáveis, e às localidades e acidentes naturais adequados ao repouso e à prática de atividades recreativas, desportivas ou de lazer. Decreto Federal 90.883/85. Art. 6º. Na APA de Guaraqueçaba ficam proibidas ou restringidas: I a implantação de atividades industriais potencialmente poluidoras, capazes de afetar mananciais de água; Fl. 218DF CARF MF Processo nº 11624.720072/201389 Acórdão n.º 2402006.234 S2C4T2 Fl. 11 19 II a realização de obras de terraplenagem e a abertura de canais, quando essas iniciativas importarem em sensível alteração das condições ecológicas locais, principalmente das Zonas de Vida Silvestre, ande a biota será protegida com mais rigor; III o exercício de atividades capazes de provocar acelera da erosão das terras ou acentuado assoreamento das coleções hídricas; IV o exercício de atividades que ameacem extinguir as espécies raras da biota regional, principalmente o papagaioderabovermelho, macuco, jaó, jacutinga, onça pintada, jacarédepapoamarelo; V o uso de biocidas, quando indiscriminado ou em desacordo com as normas ou recomendações técnicas oficiais. Decreto Federal 750/93. Art. 2º A exploração seletiva de determinadas espécies nativas nas áreas cobertas por vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica poderá ser efetuada desde que observados os seguintes requisitos: I não promova a supressão de espécies distintas das autorizadas através de práticas de roçadas, bosqueamento e similares; II elaboração de projetos, fundamentados, entre outros aspectos, em estudos prévios técnicocientíficos de estoques e de garantia de capacidade de manutenção da espécie; III estabelecimento de área e de retiradas máximas anuais; IV prévia autorização do órgão estadual competente, de acordo com as diretrizes e critérios técnicos por ele estabelecidos. Parágrafo único. Os requisitos deste artigo não se aplicam à exploração eventual de espécies da flora, utilizadas para consumo nas propriedades ou posses das populações tradicionais, mas ficará sujeita à autorização pelo órgão estadual competente. Ademais, como já abordado alhures, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. Não é o que se verificou para o caso em tela. Fl. 219DF CARF MF 20 Notese que o próprio contribuinte declara a utilização de 140,0 ha e 2,0 ha com a utilização/ocupação relacionados a produtos vegetais e benfeitorias. VTN: No que se refere ao VTN atribuído pela Fiscalização, o recorrente alega dentre outras que não se trataria de terras mistas inaproveitáveis e sim de área para uso com finalidade apenas ambiental, sem potencial de aproveitamento a não ser ecológico, além de ter sido adquirido por um preço muito menor. Que no Município de Guaraqueçaba, encontramse áreas que compõe a Serra do Mar, parte da Mata Atlântica, áreas de abrigo de animais silvestres e florestas protegidos pela legislação ambiental que não tem valor comercial. Face as restrições de utilização do solo e exploração florestal, dificilmente ocorre alguma transação negocial. Todavia, no curso da ação fiscal, o autuado foi intimado a apresentar o "laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados.". E mais, foi feito constar na intimação que a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejaria o arbitramento do VTN, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT, da RFB. Não obstante, o contribuinte não atendeu a intimação fiscal com vistas a infirmar o valor eleito pela Fiscalização. Naquele laudo, limitouse a utilizar o valor de terra mista "não aproveitável" de R$ 750,00, que pelo que se infere da pesquisa abaixo, referese ao valor da terra mista "inaproveitáveis" para o ano 2008. 6 Prestouse, no entanto, a apresentar um Laudo Técnico fls. 32/43 que, ao final, assim se pronunciou quanto à avaliação do imóvel. Como informado pela Fiscalização, foram utilizados os valores médios por hectare na sistemática a seguir resumida: 6 http://www.agricultura.pr.gov.br/arquivos/File/deral/terras_pdf_publicacao.pdf Fl. 220DF CARF MF Processo nº 11624.720072/201389 Acórdão n.º 2402006.234 S2C4T2 Fl. 12 21 O tipo de terra segue a conceituação adiante: 7 INAPROVEITÁVEIS São áreas totalmente inaproveitáveis para atividades agropecuárias, constituídas de solos pedregosos, muito rasos ou inundáveis periodicamente, despenhadeiro, pirambeira, penhascos, etc., com relevo íngreme ou reserva de preservação permanente, podendo servir apenas como abrigo e proteção de fauna e flora silvestre, como ambiente para recreação ou para fins de armazenamento de água. Note, o valor médio, por hectare, utilizado pelo autuado correspondeu a, apenas e aproximadamente, 55,10% e 51,80% daquele verificado no SIPT para os imóveis no município de Guaraqueçaba/PR, não deixando a menor dúvida quanto à sua potencial subavaliação. Por sua vez, o SIPT, aprovado pela Portaria 447/2002, é alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR. Com isso, entendo que na falta de um valor de mercado apresentado por meio de um Laudo de Avaliação, na forma de como constou na intimação, o valor extraído do SIPT, embora, reconheçase, estimado, é, além de uma alternativa legal (art. 14 da L. 9.393/96), uma razoável opção no caso em tela. Alegação de erro de fato no preenchimento da DITR. Por fim, no que se refere à alegação de que o lançamento realizado seria ilegal, eis que teria supostamente se afastado do conteúdo da obrigação tributária definida em lei, para pretender fundamento apenas na declaração equivocada prestada pelo recorrente, com a devida venia, dela não compartilho. A ação fiscal foi desenvolvida e concluída a partir das informações prestadas/declaradas pelo contribuinte em sua DITR. Perceba que o lançamento do ITR regese pela sistemática legal, por meio da qual sujeito passivo tem o dever de apurar e antecipar o 7 site: http://www.agricultura.pr.gov.br/arquivos/File/deral/Metodologia_atual.pdf Fl. 221DF CARF MF 22 pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Assim procedendo o contribuinte, a autoridade fazendária, observado o lustro legal, expressamente homologará ou não, sua atividade. O não acatamento das informações que constaram em seu DIAT/DITR será, caso regularmente questionado em recurso, objeto do contencioso administrativo. Esse é, a meu ver e como regra, o limite da lide e sobre o quê se pronunciará as instâncias julgadoras. Contudo, caso efetivamente demonstrado o patente erro de fato no preenchimento da respectiva DITR, em função do equívoco na informação, seja por sua omissão, seja por sua incorreção, entendo admissível, em sede de contencioso administrativo e à luz do princípio da verdade material, a retificação das informações originalmente prestadas naquela declaração, bem como a alteração do lançamento naquilo que dele decorreu. No caso em exame, pelo todo fundamentado, entendo pelo não acatamento do pleito do contribuinte quanto à retificação das informações em sua DITR. Ademais, como já abordado alhures, a não apresentação do ADA inviabiliza a dedução da área na apuração do tributo (DITR) Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Voto Vencedor Mário Pereira de Pinho Filho, Redator Designado. Não obstante os fundamentos aduzidos pelo i. Relator, os quais convergem com o meu entendimento com relação a parte das matérias objeto de análise no voto vencido, especificamente quanto às Área de Preservação Permanente APP e de Reserva Legal ARL, julgo que o litígio deva ser solucionado à luz de raciocínio diverso. Área de Preservação Permanente – APP No que tange à APP, examinandose a legislação de regência, verificase que, com o advento da Lei n° 10.165, de 2000, o § 1° do art. 17O, da Lei n° 6.938/1981 teve sua redação alterada, de modo a tornar obrigatória a utilização do Ato Declaratório Ambiental – ADA, para efeito de exclusão dessa área da base de cálculo do ITR. Dessa forma, a partir do exercício de 2001, tal exigência passou a ter previsão legal, sendo, portanto legítima. Confira se a redação do dispositivo: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000. § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do Fl. 222DF CARF MF Processo nº 11624.720072/201389 Acórdão n.º 2402006.234 S2C4T2 Fl. 13 23 imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. (grifouse) Nos termos da legislação de regência, a APP tratase de “área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas”. Vejase que as APP constituem áreas previamente existentes na natureza e, nesse sentido, a exclusão dessas áreas da tributação pelo ITR não está condicionada à sua instituição pelo proprietário ou detentor da posse do imóvel rural, mas à sua efetiva preservação. Não restam dúvidas que, conquanto inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei n° 10.165/2000, e a respectiva alteração do § 1º do art. 17O da Lei nº 6338/1981, o gozo benefício fiscal ficou condicionado à entrega dessa declaração. Contudo, como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), resta claro que a fruição do benefício está condicionada à preservação da APP em referida data. Nessa perspectiva, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias consubstanciada na entrega do ADA, especificou o prazo de seis meses após a data de entrega da DITR. Nada obstante, conforme suscitado no voto vencido, a jurisprudência consolidada no âmbito desse Conselho é no sentido de aceitar o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. Senão vejamos decisões da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais nesse sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA foi apresentado em 21/12/2007, assim, após o início da ação fiscal, ocorrido em 04/10/2007. Destarte, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR. (Acórdão nº 9202005.679, de 27/07/2017) Fl. 223DF CARF MF 24 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 [...] APP ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. GLOSA. ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL TEMPESTIVO. Cabível o acolhimento de Área Preservação Permanente cujo ADA foi protocolado antes do início da ação fiscal. [...]. (Acórdão nº 9202005.606, de 29/06/2017) (Grifouse) Em linha com a jurisprudência suscitada, que vai ao encontro do entendimento deste Redator quanto à matéria em análise, e considerandose que, no presente caso (referente aos exercícios 2008 a 2010), o ADA foi transmitido em 28/09/2010 (fl. 50), sendo que a ação fiscal teve início em 29/04/2013 (fls. 06), a APP de 224,4 hectares deve ser restabelecida para os exercícios 2008 e 2009, lembrandose que, para o exercício 2010, citado Ato Declaratório já fora considerado apto pela Fiscalização. Área de Reserva Legal ARL A respeito desse tema, impende esclarecer que, consoante § 8º do art. 16 do antigo Código Florestal, há requisito específico para a exclusão da ARL na determinação do valor do ITR, qual seja, a averbação no registro de imóveis competente. Confirase: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo:(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)(Regulamento) [...] § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.(Grifouse) De se esclarecer que, diferentemente da APP, a Reserva Legal não se trata de área préexistente, ao revés disso, consiste em um percentual legalmente estabelecido do imóvel rural cuja localização é sugerida pelo seu proprietário e aprovada pelo órgão ambiental competente. Vejase que, até que seja averbada no registro competente, a ARL sequer pode ser tida como existente, ou seja, somente após a efetiva averbação é que determinada área pode considerada, de fato, como Reserva Legal. Portanto, a averbação é ato constitutivo em relação à ARL e, tendo sido efetuada antes da ocorrência do fato gerador do ITR, supre a necessidade de apresentação de Ato Declaratório Ambiental – ADA. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11624.720072/201389 Acórdão n.º 2402006.234 S2C4T2 Fl. 14 25 Ademais, é também nesse sentido que a jurisprudência administrativa tem se consolidado. Vejase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 [...] ARL ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. ATO CONSTITUTIVO. A averbação da Área de Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador, autoriza a sua exclusão da tributação do ITR, independentemente do protocolo do ADA. (Acórdão nº 9202005.606, de 29/06/2017) (Grifouse) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Anocalendário: 2003 [...] ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ADA. DISPENSÁVEL. Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, basta sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA. No caso, a averbação ocorreu antes da ocorrência do fato gerador, assim, não é de se manter a glosa. (Acórdão nº 9202006.824, de 19/04/2018) (Grifouse) Retornandose ao caso concreto, o voto vencido evidencia que a averbação da ARL, à margem da matrícula do imóvel, ocorreu em 22/06/1990, conforme se extrai do trecho que a seguir se transcreve: No que toca à ARL de 91,6 ha informada nas DITR, cumpre destacar que consta averbação de 22.06.1990 na matrícula 6.383, às fls. 59, que fundamenta a área então declarada a esse título, que foi, inclusive, reconhecida pela Fiscalização para o exercício 2010, em função do ADA apresentado no prazo previsto em norma. Desse modo, como a autuação diz respeito a fatos geradores posteriores à averbação da ARL no registro de imóveis competente, entendo pelo restabelecimento da dedução. Fl. 225DF CARF MF 26 Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das Áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000460/2009-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
Numero da decisão: 9303-007.109
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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DIREITO DE CRÉDITO. PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SINCOL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 04 60 /2 00 9- 14 Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10925.000460/200914 Acórdão n.º 9303007.109 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 380303.204, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. Na parte de interesse ao presente julgamento, a decisão do colegiado a quo pode ser resumida pela transcrição dos seguintes fragmentos de sua ementa: (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de reposição, podem compor a Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10925.000460/200914 Acórdão n.º 9303007.109 CSRFT3 Fl. 4 3 base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de aquisição dos bens utilizados como insumos, ainda que se refiram à transferência de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aduzindo divergência às seguintes matérias: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo; d) direito a crédito na depreciação de bens do ativo imobilizado; e) direito a crédito no transporte de insumos entre filiais, cobrados separadamente dos insumos quando de sua aquisição. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 203.12.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso em relação à: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do Recurso interposto e, caso o Colegiado entenda em conhecer do Recurso, no mérito requer que lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10925.000460/200914 Acórdão n.º 9303007.109 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.108, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10925.000459/200981, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.108): "O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de contribuições não‑ cumulativas para o PIS, no valor de R$ 21.832,17, cumulado com Declarações de Compensações (PER/DCOMP). A Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, decidiu, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, por entender que “a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos do IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos refere‑ se ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria”. E, assim, terminou por adotar conceito de insumo diverso daquele aplicado para o IPI. Com efeito, alega a Fazenda Nacional que a decisão recorrida, ao alargar o conceito de insumos dado pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002 c/c o disposto na IN SRF nº 247/2002, em razão de uma interpretação equivocada, acabou criando dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser mantida a decisão de primeira instância a qual analisou a questão sob o prisma correto, mantendose todas as glosas ali ratificadas. Analisando a quaestio, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10925.000460/200914 Acórdão n.º 9303007.109 CSRFT3 Fl. 6 5 De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10925.000460/200914 Acórdão n.º 9303007.109 CSRFT3 Fl. 7 6 Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10925.000460/200914 Acórdão n.º 9303007.109 CSRFT3 Fl. 8 7 Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Compulsando aos autos, verifico que a atividade empresária da Contribuinte destina se a produção de portas de madeira. Quanto aos produtos utilizados em embalagens para transporte (fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica.) entendo essencial a atividade empresária desenvolvida pela Contribuinte, passível de creditamento do Pis e da Cofins. No que tange o direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas, verifico que também são essenciais ao processo de produção da Contribuinte, as citadas peças de reposição e serviços de manutenção industrial são adquiridas para conservação das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos produtos, com objetivo de garantir a qualidade dos produtos industrializados pela Contribuinte. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10925.000460/200914 Acórdão n.º 9303007.109 CSRFT3 Fl. 9 8 Ademais, a utilização de peças e serviços não geram aumento de vida útil do bem, apenas mantém as máquinas e equipamentos em condições aptas de funcionamento. São bens consumidos no processo de industrialização, que se desgastam e perdem propriedades físicas e químicas sem integrar o produto final. Destarte, o conceito de "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI, tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha equilíbrio, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10925.000460/200914 Acórdão n.º 9303007.109 CSRFT3 Fl. 10 9 Como se vê, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS, referente aos produtos utilizados como embalagem de transporte e na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo da Contribuinte." (...) Entendimento que prevaleceu quanto ao direito de crédito sobre as embalagens de transporte. "Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém discordo de suas conclusões a respeito da possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS sobre as embalagens utilizadas somente para o transporte do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso especial da Fazenda Nacional é quanto a possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre as embalagens destinadas precipuamente ao transporte de seu produto final. No presente caso a discussão é sobre os gastos utilizados pelo contribuinte para embalar o seu produto acabado (portas de madeira) para fins de seu transporte. Não se trata da embalagem normal relativa a encerramento do processo produtivo e dele integrante, mas referentes ao gasto com o transporte do produto após o encerramento do processo produtivo do bem destinado a venda. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que não faz diferença o fato de ser embalagem para o transporte do produto com as demais embalagens, como as de apresentação. Portanto ele entendeu que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo acórdão recorrido e pelo relator do voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10925.000460/200914 Acórdão n.º 9303007.109 CSRFT3 Fl. 11 10 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10925.000460/200914 Acórdão n.º 9303007.109 CSRFT3 Fl. 12 11 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que as embalagens que se discute são as destinadas precipuamente para o transporte dos produtos. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei). Assim, por se tratar de gastos efetuados após o encerramento do processo produtivo em relação aos quais não há previsão na legislação de regência, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 697DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.005356/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2003 a 30/04/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR DA MÃO DE OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO.
É cabível a restituição, ao prestador dos serviços, do valor excedente da retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, desde que observados todos os requisitos e procedimentos impostos pela legislação.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO.
A restituição somente é cabível quando houver comprovação de pagamento ou recolhimento a maior de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991.
Numero da decisão: 2202-004.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR DA MÃO DE OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. É cabível a restituição, ao prestador dos serviços, do valor excedente da retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, desde que observados todos os requisitos e procedimentos impostos pela legislação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. A restituição somente é cabível quando houver comprovação de pagamento ou recolhimento a maior de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 53 56 /2 00 8- 23 Fl. 1109DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) (fls. 972/974): O contribuinte epigrafado requereu em 27 de junho de 2005 restituição de contribuições previdenciárias retidas em notas fiscais de prestação de serviços de construção civil nas competências 10/2003 a 04/2005, no montante originário de R$62.449,14 (sessenta e dois mil, quatrocentos e quarenta e nove reais e catorze centavos), conforme abaixo discriminado: Foram juntados aos autos cópia de contratos de prestação de serviços, notas fiscais, folhas de pagamento, GFIP, GPS e telas de consulta a recolhimentos efetuados. Os autos foram encaminhados em diligência fiscal a fim de informar a procedência do pedido de restituição, bem como os valores a serem restituídos. Cumprida a diligência, foi elaborada Informação Fiscal, nos seguintes termos: “1. Não foi possível verificar se há direito da empresa de restituição de valores recolhidos como Retenção devido a forma errônea pela qual foi preenchido o formulário REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO DA RETENÇÃO, a saber: a) A retenção foi efetuada em Notas Fiscais relativas a várias obras distintas, com Folha de pagamento e GFIPs distintas; b) No exame das Notas Fiscais emitidas a fiscalização não pôde determinar a qual obra correspondia cada Nota Fiscal; c) No exame da Contabilidade a empresa fez os lançamentos contábeis referentes as Notas Fiscais sem separação por obra; d) O REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO DA RETENÇÃO teve o campo 16. CNPJ/CEI preenchido sempre com o CNPJ da empresa. Face ao exposto acima o parecer da Fiscalização é no sentido de não atender a solicitação da empresa, que, se ainda quiser fazer nova solicitação em relação às mesmas retenções deverá preencher o RRR de forma separada para cada obra, indicando claramente a correspondência entre Nota(s) Fiscal(is) e Obra(s)” Em 14/07/2009 a empresa protocolizou sob n° 11610.006269/200984 pedido de esclarecimentos, o qual foi apensado ao volume III deste processo. O Auditor Fiscal Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 19515.005356/200823 Acórdão n.º 2202004.625 S2C2T2 Fl. 1.110 3 responsável pela análise deste pedido de esclarecimentos ratificou a conclusão pelo não atendimento do requerimento de restituição. Com fundamento na análise efetuada pelo Auditor Fiscal designado, o Pedido de Restituição da Retenção foi indeferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT). O contribuinte foi cientificado da decisão pelo indeferimento de seu pleito em 26/08/2010, conforme Aviso de RecebimentoAR juntado aos autos. Aos 23/09/2010 o Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, acompanhada de instrumento de Procuração, em resumo, argumentando: • a empresa recebeu uma notificação indeferindo seu pleito de restituição pertinentes as competências de 08 a 10 de 2002, 12/2002 e 10/2003. Em seu parecer, o Sr. Fiscal diz que a empresa poderia fazer nova solicitação em relação às mesmas retenções cumprindo as exigências mencionadas. Entretanto, referido parecer conclusivo deve ser modificado; • de acordo com a praxe do processo administrativo federal, eventuais inconsistências podem e devem ser corrigidas pelo contribuinte no intuito de liberação do beneficio. Caso tal oportunidade não seja concedida o processo administrativo torna se nulo, por cerceamento de defesa; • no caso, o responsável pela fiscalização não concedeu prazo para que a empresa corrigisse eventuais falhas no processo administrativo, o que caracteriza cerceamento de defesa, devendo ser considerado que em momento algum o Sr. Fiscal declarou a inexistência de crédito por parte da Manifestante; • a simples deficiência na documentação apresentada não dá ensejo ao indeferimento do pleito de restituição elaborado pela Manifestante, frisandose que anteriormente foram feitas solicitações (fls. 919) que foram todas cumpridas. Não pode agora a Manifestante ser punida, vez que sempre que lhe fora solicitada qualquer providência, esta fora prontamente atendida; • em cumprimento aos princípios da economia processual e do amplo parecer fiscal, por cerceamento de defesa, ou, ainda, seja concedido prazo para que a Manifestante cumpra as exigências contidas às fls., conforme a legislação em vigor, para que a restituição possa ser deferida. O contribuinte obteve vistas e cópia dos autos, em 17/11/2011 Fl. 1111DF CARF MF 4 . Em 12 de abril de 2012, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I(SP) negou provimento à Manifestação de Inconformidade, em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 971): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 30/04/2005 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTABILIZAÇÃO E RECOLHIMENTO POR MATRÍCULA. CONTRIBUIÇÕES RETIDAS. RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. A obra de construção civil deve ser matriculada no Cadastro Específico do INSS (CEI), utilizandose o código 2658 na guia de recolhimento da contribuição retida sobre nota fiscal/fatura da contratada, estando a contratada legalmente obrigada a manter escrituração contábil formalizada, e a registrar, mensalmente, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições sociais, inclusive a retenção sobre o valor da prestação de serviços. Deve ser indeferido o pedido de restituição de contribuições retidas em notas fiscais de prestação de serviços de construção civil quando a escrituração contábil e demais documentos fiscais impeçam a certeza e liquidez do crédito tributário pretendido. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRAZO SUPLEMENTAR. INDEFERIMENTO. A apresentação de provas no contencioso administrativo deve ser feita juntamente com a Impugnação/Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de o Interessado fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Cientificado da referida decisão (AR fls. 984) o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 985/994 no qual alega: a) que o Parecer Fiscal, mantémse dentro da idéia generalizada de execução de obras, sendo que tal conceito não está adequado ao caso concreto. b) que a IN 971/2009, afora outras anteriores, distinguem execução de obra e o que seja prestação de serviços, com conseqüências diferentes. No caso presente não cuida de obra, mas de serviços. A empreitada é o típico contrato de Obra. c) Argumenta que os serviços gerais de engenharia civil configuram manutenção de redes de esgoto e de água, reposição ou reparação de pavimentação danificada; ligações avulsas de esgoto, e muitos outros. d) Nas próprias Notas Fiscais constam os serviços prestados, não se confundindo com obras duradouras e fixadas no mesmo local. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 19515.005356/200823 Acórdão n.º 2202004.625 S2C2T2 Fl. 1.111 5 c) que são serviços de rápida consecução, de forma que a Recorrente tem que deslocar o seu pessoal continuamente, ao longo da rede de água e esgotos, em pontos que tenham sofrido os danos mencionados no contrato. Argumenta que não constituindo obras, inadequada a solução aventada pela citada decisão. Cita art. 135 da IN RFB n° 971/2009 É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço Trata se de processo de restituição de contribuições previdenciárias retidas em decorrência do disposto no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, com redação vigente à época dos fatos geradores dada pela Lei nº 9.711, de 1998: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (grifamos) Conforme §2º acima transcrito, na hipótese de o valor retido superar o valor da contribuição devida cabe a restituição do saldo remanescente.Para tanto, é imprescindível à parte requerente que demonstre claramente seu direito, direito esse que deve ser líquido e certo, sob pena de indeferimento de seu pedido, a teor do disposto no art. 89 da Lei nº 8.212/91: Fl. 1113DF CARF MF 6 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada ao caput e parágrafos pela Lei nº 9.129, de 20.11.95) Como bem destacou a decisão recorrida, o processo de restituição é o pleito de devolução de valores recolhidos comprovadamente de forma indevida, encontrados quando se coteja os valores efetivamente devidos pela empresa com os valores, no caso, retidos dela por seus tomadores de serviço, observado o que determina a legislação pertinente, somados aos recolhimentos feitos por ela, em GPS, se houver. Havendo sobra, restituise esse valor a pleiteante. Tratase de procedimento que se origina por iniciativa do contribuinte, o qual deve comprovar recolhimentos superiores aos valores devidos à Previdência Social, demonstrando a certeza e liquidez dos créditos que pleiteia. Incorreta, portanto, a alegação do contribuinte no sentido de que a fiscalização não provou a ausência do seu direito creditório. Isso porque, ao contrário do ocorre no lançamento dos tributos devidos e não recolhidos, no pedido de restituição o ônus da prova não compete à Fazenda, mas ao contribuinte. Isso porque, conforme dispõe o artigo 373 do CPC/2015 "o ônus da prova incumbe ao autor quanto à fato constitutivo do seu direito". Como evidenciado no Relatório durante o processo de análise do pedido de restituição a Agência de Arrecadação de Pinheiros/ São Paulo O processo para análise pela DEFIS a qual concluiu pelo indeferimento do pedido de restituição por impossibilidade de comprovação do direito creditório, verbis (fls. 468): 1. Não foi possível verificar se há direito da empresa de restituição de valores recolhidos como Retenção devido a forma errônea pela qual foi preenchido os formulários REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO DA RETENÇÃO, a saber: a) A retenção foi efetuada em Notas Fiscais relativas a várias obras distintas, com Folha de pagamento e GFIPs distintas; b) No exame das Notas Fiscais emitidas a fiscalização não pôde determinar a qual obra correspondia cada Nota Fiscal; c) No exame da Contabilidade a empresa fez os lançamentos contábeis referentes as Notas Fiscais sem separação por obra; d) O REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO DA RETENÇÃO teve o campo 16.CNPJ/CEI preenchido sempre com o CNPJ da empresa. Face ao exposto acima o parecer da Fiscalização é no sentido de não atender a solicitação da empresa, que, se ainda quiser fazer nova solicitação em relação às mesmas retenções deverá preencher o RRR de forma separada para cada obra, indicando claramente a correspondência entre Nota(s) Fiscal(is) e Obra(s). Todavia, mesmo após à apresentação da Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não trouxe nenhum novo elemento para comprovar o alegado. Tal situação permaneceu mesma quando da apresentação de impugnação e recurso voluntário. Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 19515.005356/200823 Acórdão n.º 2202004.625 S2C2T2 Fl. 1.112 7 Como bem observa a decisão recorrida, embora a Requerente tenha apresentado folhas de pagamento e GFIP distintas, a ausência de matrícula das obras, bem como a ausência de contabilização das despesas e pagamentos efetuados por obra, e a vinculação das guias de recolhimento às correspondentes notas fiscais e obras a que se referem, impedem a certeza e liquidez do crédito pretendido pela Requerente. Finalmente, entendo incabível o pedido de diligência. Isso porque, conforme já exposto, o ônus de comprovar o fato constitutivo do direito à restituição cabe ao contribuintes. Isso porque não pode a autoridade julgadora invadir campos de competência de prova que caberiam ao contribuinte ou à Fazenda. Nesse sentido, esclarecedoras as palavras de PAULO CELSO BONILHA1 em sua obra intitulada “A prova no processo administrativo tributário”: (...) não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhado por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento deve se nortear pelo esclarecimentos dos pontos controvertidos, mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo. (grifamos) Quanto à alegação de que os serviços constantes das notas fiscais não caracterizavam serviços de construção civil é importante destacar a regulamentação vigente à época dos fatos geradores. A definição de construção civil e sua respectiva regulamentação constavam dos seguintes dispositivos abaixos transcritos: Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 1999 Art.257. ......................................................................................................... ........... (...) § 13. Entendese como obra de construção civil a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. Instrução Normativa MPS/SRP nº 100 de 2003 Art. 30. A matrícula de obra de construção civil deverá ser efetuada por projeto, devendo incluir todas as obras nele previstas. 1 BONILHA, Paulo Celso – “A prova no processo administrativo tributário” ed. Dialética, p. 77 Fl. 1115DF CARF MF 8 § 1° Admitirseão o fracionamento do projeto e a matrícula por contrato, sendo que o contrato será considerado como de empreitada total quando celebrado por mais de uma empresa construtora, diretamente com o proprietário ou com o dono da obra, nos seguintes casos: (...); IV construção e ampliação de redes de água e esgotos (CNAE 45292/03); (...). § 4º As obras de urbanização, assim conceituadas no inciso XXXVIII do art. 427, inclusive as necessárias para a implantação de loteamento e de condomínio de edificações residenciais, deverão receber matrículas próprias, distintas da matrícula das edificações que porventura constem do mesmo projeto, exceto quando a mãodeobra utilizada for de responsabilidade da mesma empresa ou pessoa física, observado o disposto no art. 32. (...). Nota: ANEXO XV DISCRIMINAÇÃO DE OBRAS E SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL NO GRUPO 45 DO CNAE 4529 2/03 Construção de redes de água e esgotos (OBRA) Esta subclasse compreende: construção de redes de distribuição de água; construção de redes de esgoto, inclusive de interceptores; construção de galerias pluviais. Esta subclasse não compreende: as obras de drenagem (45.136/00). Art. 31. Estão dispensados de matrícula no INSS: I – os serviços de construção civil, tais como os destacados no Anexo XV com a expressão “(SERVIÇO)” ou “(SERVIÇOS)”, independentemente da forma de contratação; (Modificado pela INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC Nº 105, DE 24 DE MARÇO DE 2004 DOU DE 26/03/2004) II a construção sem mãodeobra remunerada, de acordo com o disposto no inciso I do art. 476; III a reforma de pequeno valor, assim conceituada no inciso V do art. 427; IV – revogado. (pela INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC Nº 105, DE 24 DE MARÇO DE 2004 DOU DE 26/03/2004) Parágrafo único. O responsável por obra de construção civil fica dispensado de efetuar a matrícula no cadastro CEI do INSS, Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 19515.005356/200823 Acórdão n.º 2202004.625 S2C2T2 Fl. 1.113 9 caso tenha recebido comunicação do INSS informando o cadastramento automático de sua obra de construção civil, a partir das informações enviadas pelo órgão competente do município de sua circunscrição. Art. 170. A empresa contratada deverá elaborar: I folhas de pagamento distintas e o respectivo resumo geral, para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, relacionando todos os segurados alocados na prestação de serviços, na forma prevista no art. 225 do RPS; II GFIP com as informações relativas aos tomadores de serviços, para cada estabelecimento da empresa contratante ou cada obra de construção civil, utilizando os códigos de recolhimento próprios da atividade, conforme normas previstas no Manual da GFIP; III demonstrativo mensal por contratante e por contrato, assinado pelo seu representante legal, contendo: a) a denominação social e o CNPJ da contratante ou a matrícula CEI da obra de construção civil; b) o número e a data de emissão da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços; c) o valor bruto, o valor retido e o valor liquido recebido relativo à nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços; d) a totalização dos valores e sua consolidação por obra de construção civil ou por estabelecimento da contratante, conforme o caso. Art. 172. A contratada legalmente obrigada a manter escrituração contábil formalizada, está obrigada a registrar, mensalmente, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições sociais, inclusive a retenção sobre o valor da prestação de serviços, conforme disposto no inciso IV do art. 65. Art. 173. O lançamento da retenção na escrituração contábil de que trata o art. 172, deverá discriminar: I o valor bruto dos serviços; II o valor da retenção; III o valor líquido a receber. Parágrafo único. Na contabilidade em que houver lançamento pela soma total das notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços e pela soma total da retenção, por mês, por contratante, a empresa contratada deverá manter em Fl. 1117DF CARF MF 10 registros auxiliares a discriminação desses valores, por contratante, conforme disposto no inciso III do art. 170. Art. 427. Considerase: I obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo, conforme discriminação no Anexo XV; Art. 429. A obra de construção civil deverá ser matriculada no Cadastro Específico do INSS (CEI), conforme previsto na Seção IV do Capítulo III do Título I. Ordem de Serviço INSS nº 209 de 1999 29. A importância retida deverá ser recolhida pela contratante em Guia da Previdência Social (GPS). 29.1. No recolhimento efetuado em Guia da Previdência Social – GPS deverão ser seguidas as seguintes instruções: Campo 1 – Razão Social da contratada e da contratante Campo 3 – utilizar o código 2631 – Contribuição retida sobre nota fiscal, fatura da contratada – CGC – utilizar o código 2658 – Contribuição retida sobre nota fiscal, fatura da contratada – CEI utilizar o código 2640 – Contribuição retida sobre nota fiscal, fatura da contratada, (CGC/CEI) quando o recolhimento for efetuado por Órgão Público. Campo 4 – Competência (mês/ano) da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo Campo 5 – CNPJ/CGC/CEI do estabelecimento da contratada Campo 6 – Consignar o valor retido 35. A contratada deverá elaborar demonstrativo mensal por contratante, assinado pelo seu representante legal, com: a) nome e CNPJ/CGC da contratante; b) data da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo; c) número da nota fiscal, fatura ou recibo; d) o valor bruto, a retenção e o valor líquido recebido relativo à nota fiscal, fatura ou recibo; e) totalização dos valores e sua consolidação. 35.1. A falta de apresentação do demonstrativo ou a sua elaboração em desacordo com o disposto neste item, constitui infração ao art. 32, inciso III da Lei n° 8.212/91. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 19515.005356/200823 Acórdão n.º 2202004.625 S2C2T2 Fl. 1.114 11 Embora a requerente faça menção à descrição de Notas Fiscais, na tentativa de comprovar suas alegações, observase termos de contrato (obtidos dos autos do processo 19515.005357/200878 da própria requerente), de execução de obras e/ou serviços de engenharia apresentados que se coadunam com os conceitos e legislação acima reproduzidas. Vejamos: TERMO DE CONTRATO N° 26.086/02 Data: 23/04/2003 Contratante: COMPANHIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO – SABESP CNPJ/MF 43.776.517/000180 1.1 Constitui o objeto do presente termo de contrato a ampliação do sistema de abastecimento de água e coleta de esgotos sanitários nos Municípios de Taubaté e Tremembé, de acordo com o Projeto, Edital da Concorrência SABESP n° 26.086/02, Proposta da CONTRATADA e demais documentos (...). (...). 1.3 O regime de execução deste contrato é o de empreitada por preço unitário. TERMO DE CONTRATO MS N°10.094/04 Data: 05/10/2004 Contratante: COMPANHIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO – SABESP CNPJ/MF 43.776.517/000180 1.1 Constitui o objeto do presente termo de contrato a "Execução de obras, projeto executivo, assentamento para RDA, interligações, travessia, caixas de ventosa no Município de São Bernardo do Campo — Unidade de Negócio Sul — Diretoria Metropolitana", de acordo com o Projeto, Edital da Tomada de Preços MS 10.004/04, Proposta da CONTRATADA e demais documentos (...). (...). 1.3 O regime de execução deste contrato é o de empreitada por preço unitário. TERMO DE CONTRATO 27.696/04 Data: 27/10/2004 Contratante: COMPANHIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO – SABESP CNPJ/MF 43.776.517/000180 Fl. 1119DF CARF MF 12 1.1 Constitui o objeto do presente termo de contrato a Construção do muro de arrimo no Pólo de Manutenção Franco da Rocha — Unidade de Negócio Norte — Diretoria Metropolitana M, de acordo com o Projeto. Edital do Convite MN 27.696/04, Proposta da CONTRATADA e demais documentos (...). (...). 1.3 O regime de execução deste contrato é o de empreitada por preço unitário. A autoridade fiscal informa que no exame da contabilidade da empresa observou que esta fez os lançamentos contábeis referentes às notas fiscais objeto deste processo sem separálas por obra. A empresa é obrigada, por força do disposto no inc. II, do art. 32 da Lei nº 8.212/91, a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, obrigação acessória que não foi observada pela Recorrente Pelo exposto, tendo em vista que o contribuinte não conseguiu comprovar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 1120DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.722328/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 10/02/2010
CFL 38. MULTA POR INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS.
Constitui infração deixar a empresa de exibir documentos e livros relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias, quando devidamente solicitados pela fiscalização.
AGRAVAMENTO DA MULTA. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA.
A reincidência específica na infração impõe o agravamento da multa básica em três vezes.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO.
A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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MULTA POR INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração deixar a empresa de exibir documentos e livros relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias, quando devidamente solicitados pela fiscalização. AGRAVAMENTO DA MULTA. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. A reincidência específica na infração impõe o agravamento da multa básica em três vezes. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 23 28 /2 01 0- 31 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10580.722328/201031 Acórdão n.º 2202004.445 S2C2T2 Fl. 120 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.722328/201031, em face do acórdão nº 0643.937, julgado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), em sessão realizada em 30 de setembro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Trata o presente processo de impugnação apresentada em face do Auto de Infração de fl. 2, DEBCAD nº 37.235.1409, cadastrado no COMPROT sob nº 10580.722328/201031 e lavrado em 10/03/10 contra a empresa UNIBAHIA UNIDADE BAIANA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO LTDA., no valor de R$ 42.323,31 (quarenta e dois mil trezentos e vinte e três reais e trinta e um centavos). 2. No Relatório Fiscal da Infração, fls. 57 e 58, traz a fiscalização o seguinte esclarecimento quanto à infração cometida, em seus itens 4 a 6: 4. A empresa foi intimada a apresentar os comprovantes de pagamentos a contribuintes individuais os quais realizaram prestação de serviços à autuada sem vínculo empregatício. A fiscalização solicitou, então, os seguintes documentos: a. Documentação comprobatória (inclusive recibos e/ou notas fiscais) referentes aos lançamentos efetuados nos Livros Diários Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10580.722328/201031 Acórdão n.º 2202004.445 S2C2T2 Fl. 121 3 do período fiscalizado nas contas 54214 (Honor. Profissionais), 55136 (Serv. TerceirosPF). 55103Conservação de bens e 55110Manutenção e Reparações; b. Notas Fiscais, faturas e recibos de mãodeobra. 5. A empresa não forneceu todos os documentos comprobatórios dos lançamentos efetuados nas contas citadas nos subitens "a" e "b" do item "4", acima, conforme cotejo efetuado pela fiscalização entre documentação fornecida pela empresa e lançamentos feitos nos Livros Diários do período fiscalizado. 6. Diante do exposto, constatouse que a autuada infringiu o artigo 33, § 2o da Lei 8.212 de 24/07/1991 combinado com o artigo 232, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/1999. 3. Nos termos do Relatório Fiscal da Multa de fl. 59, por conta da infração acima descrita, foi aplicada a multa prevista nos artigos 92 e 102 da Lei nº 8.212, de 1991, combinados com os artigos 283, inciso II, alínea “j”, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. O presente relatório informa, ainda, que a autuada incorreu em reincidência específica (conforme art. 290, inciso V, § único, e art. 292. inciso IV, ambos do Decreto nº 3.048, de 1999), haja vista já ter sido autuada em ação fiscal anterior. Por essa razão, a multa básica de R$ 14.107,77 foi agravada em três vezes, totalizando R$ 42.323,31. 4. A fundamentação legal da infração está descrita no item DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO, assim como a multa aplicada está fundamentada na forma do item DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA e graduada conforme o item DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA, todos da folha de rosto do Auto de Infração, fl. 2. 5. Cientificado do lançamento em 10/03/10, conforme recibo de entrega de arquivos de fls. 60 a 62, o contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 72 a 83, em 09/04/10, alegando, em síntese, que: a) “a Impugnante não praticou qualquer conduta que se subsuma aos preceitos normativos constantes nos dispositivos legais discriminados (acima transcritos), vez que a mesma não deixou de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social [INSS]”; b) “a multa/penalidade aplicada, mesmo que mantida, não foi correta, vez que com base em dispositivo legal incorreto”; Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10580.722328/201031 Acórdão n.º 2202004.445 S2C2T2 Fl. 122 4 c) “mesmo que seja mantida a aplicação da multa com base no dispositivo legal incorreto, ainda, assim deverá ocorrer uma retificação, vez que o cálculo matemático está incorreto”; d) “a empresa impugnante jamais deixou de apresentar todos os documentos requeridos pelo fisco previdenciário. Tanto é verdade que a agente fiscal sequer junta ao auto de infração algum documento que comprove, concretamente, o que aduz a agente fiscal”; e) “o valor da multa deveria ser R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos), de acordo com o transcrito no artigo 283, II, "j", da Lei 8.212/91, tendo em vista que a infração se encontra tipificada no mesmo artigo, diferente do que estabelece o próprio artigo citado pela auditora fiscal art 8o, V, da portaria MPS/MF n°. 350, de 30.12.2009. Desse modo, jamais poderia a Auditora Fiscal ter aplicado a multa atualizada com o referido artigo, uma vez que esta só será aplicada quando, infringido qualquer dispositivo do RPS, não haja penalidade expressamente cominada no art. 283”; (grifo no original f) “não há o que se falar em reincidência, como aduz a Agente Fiscal, vez que a impugnante jamais sofreu qualquer tipo de infração, e, além disto, a auditora deveria ter apresentado documentos que comprovassem a dita reincidência, o que não fez”; g) requer a realização de perícia e, para tal, nomeia como “assistente pericial [...] Vanize Reis da Hora Santana, CRC 024271/BA, com endereço profissional no loteamento Varandas Tropicais, Lote 18, Quadra 01, Lauro de FreitasBa”, para responder às questões que seguem na impugnação. 6. Diante dessas considerações, requer o Impugnante seja julgado improcedente o presente Auto de Infração, bem como requer a juntada de todas as provas que se fizerem necessárias e a realização de perícia contábil. 7. O presente processo foi juntado, por apensação, ao processo nº 10580.722322/201063. 8. É o Relatório." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada com o resultado do julgamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 108/112, onde reitera as alegações expostas em impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10580.722328/201031 Acórdão n.º 2202004.445 S2C2T2 Fl. 123 5 O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares. Pedido de produção de provas, diligências e perícia. A perícia e as diligências requeridas são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Portanto, improcedente tais pedidos. Por sua vez, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Ante o exposto, rejeito as preliminares suscitadas pela contribuinte. Mérito. Da infração. Alega a contribuinte que a empresa jamais deixou de apresentar todos os documentos requeridos pelo fisco previdenciário e que a agente fiscal sequer teria juntado ao Auto de Infração documento que comprovasse, concretamente, o que aduz. Conforme se observa na defesa, a contribuinte apenas contesta de forma genérica a infração apontada pela fiscalização, sem demonstrar (e provar) que não a cometeu. Cumpre ressaltar, outrossim, que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cabe à contribuinte o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção, o que não ocorreu no caso presente. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. No processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Portanto, carece de razão à recorrente, devendo ser mantido o lançamento. Da multa aplicada. Alega a contribuinte que a multa foi aplicada com base em dispositivo legal incorreto e que, se mantida, deverá ser retificada, uma vez que o cálculo matemático está incorreto, pois o valor correto, nos termos do artigo 283, I, "a", da Lei 8.212/91, é R$ 636,17 e não o valor aplicado, e que “não há que se falar em reincidência”, pois “jamais sofreu qualquer tipo e infração”. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10580.722328/201031 Acórdão n.º 2202004.445 S2C2T2 Fl. 124 6 Aqui, mais uma vez, improcedem os argumentos da defesa. Vejamos o teor do art. 8º da Portaria MPS/MF nº 350, de 2009: Art. 8º A partir de 1º de janeiro de 2010: (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.410,79 (um mil quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos) a R$ 141.077,93 (cento e quarenta e um mil setenta e sete reais e noventa e três centavos); Conforme se observa nos dispositivos colacionados acima e vigentes ao tempo dos fatos ora sob análise, constitui infração à legislação deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, o que inclui, obviamente, os contribuintes individuais, sujeitando o infrator à pena administrativa de multa de R$ 1.410,79, em seu valor mínimo, ou agravada em três vezes em caso de reincidência específica ou em duas vezes em caso de reincidência genérica. Portanto, correta a fundamentação da infração e da multa aplicada pela fiscalização, ao que concluímos pela improcedência dos argumentos da defesa. Quanto à alegação da contribuinte de que jamais teria cometido qualquer tipo de infração e que, por tal razão, não haveria que se falar em reincidência, esclareceu a DRJ de origem que em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SISCOL e PLENUS/SICOB), constatamos que a empresa foi sim autuada em 17/08/05 (data da ciência do Auto e Infração), segundo DEBCAD nº 35.556.2197, no montante de R$ 11.017,50, tendo sido tal débito baixado por liquidação (pagamento) em 07/02/07, conforme telas do sistema de fls. 130 e 131. Na ocasião a empresa foi autuada por deixar de apresentar à fiscalização os Livros Diário relativos aos exercícios de 1996 e 1997, conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD emitido em 04/02/05, infringindo, dessa forma, o disposto no art. 33, § 2º, da Lei nº 8.212, de 1991. Por conta dessa infração foi aplicada a multa prevista no art. 283, inciso II, alínea “j”, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Portanto, temse por afastada a alegação da contribuinte de que a empresa não teria sido autuada em ação fiscal anterior, restando, pois, correto o agravamento da multa e a sua aplicação três vezes o valor base por reincidência específica. Conclusão. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10580.722328/201031 Acórdão n.º 2202004.445 S2C2T2 Fl. 125 7 Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10325.001232/2009-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE.
O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria.
Numero da decisão: 9202-006.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10215.720255/2008-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10215.720255/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 12 32 /2 00 9- 12 Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10325.001232/200912 Acórdão n.º 9202006.998 CSRFT2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão de Recurso Voluntário, no qual restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 NULIDADE AUTORIDADE INCOMPETENTE PETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA MUDANÇA DE MOTIVO DETERMINANTE INOCORRÊNCIA. Conforme art. 59 do Decreto nº 70.235/72, são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Além do cerceamento á defesa, a mudança do motivo determinante pode ser causadora de nulidade dos atos administrativos. Não havendo qualquer dessas causas, deve ser afasta a arguição de nulidade do feito. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, omissão de rendimento. MULTA AGRAVADA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Indevido o agravamento de multa quando a própria inércia do contribuinte (i) é pressuposto para aplicação da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9430/96 e (ii) não impediu ou dificultou a constituição do crédito tributário. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE SÚMULA CARF Nº 2. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10325.001232/200912 Acórdão n.º 9202006.998 CSRFT2 Fl. 4 3 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso voluntário parcialmente provido. O referido Recurso Especial foi admitido, por meio do Despacho de Admissibilidade, para rediscutir a decisão recorrida que descartou a possibilidade de agravamento da multa de ofício, quando a inércia do contribuinte é pressuposto para aplicação da presunção prevista no art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, e não impede ou dificulta a constituição do crédito tributário. Já os paradigmas consideraram ser aplicável o agravamento da penalidade, sem qualquer ressalva, bastando para isso o desatendimento às intimações fiscais. Aduz a Fazenda, em síntese, que: a) é cediço que a norma ao determinar o agravamento não exige demonstração de prejuízo para a imposição do percentual ali discriminado; b) é de evidência solar que a norma pretende punir o contribuinte que não colabora com o Fisco, consubstanciando materialização do princípio da igualdade; c) efetivo prejuízo não é elemento do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Não exige a norma a demonstração da ocorrência do efetivo prejuízo, muito menos que essa demonstração seja realizada pela Fazenda Pública; d) não se pode confundir a existência de presunções legais com a penalidade que é aplicada em razão da inércia do contribuinte em atender às intimações do Fisco no prazo assinado; e) cabível, portanto, o agravamento da multa, devendo prevalecer o entendimento exarado nos acórdãos paradigmas, uma vez que se mostra correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, razão pela qual o lançamento deve ser mantido e o acórdão recorrido reformado. Após a ciência do Contribuinte do teor do Acórdão de Recurso Voluntário e da interposição pela PGFN de Recuso Especial contra o referido Acórdão, foi aberto prazo para o oferecimento de Contrarrazões, mas o sujeito passivo quedouse inerte. É o relatório. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10325.001232/200912 Acórdão n.º 9202006.998 CSRFT2 Fl. 5 4 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.997, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 10215.720255/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202006.997): "Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os pressupostos de admissibilidade. Conforme narrado, a matéria controvertida, objeto do Recurso Especial sob análise, referese ao agravamento da multa de ofício aplicada, quando há omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada (art. 42 da Lei n.º 9.430/1996). Para a maioria dos julgadores do Acórdão recorrido, a referida presunção legal de omissão de rendimentos transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos, dispensando o fisco de provar o fato alegado, razão pela qual inexiste pertinência no agravamento da multa por desatendimento às intimações, pois tal ausência de colaboração não dificulta a constituição do crédito tributário. Por outro lado, a Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta que não se pode confundir a existência de presunções legais com a penalidade que é aplicada em razão da inércia do contribuinte em atender às intimações do Fisco no prazo assinado, inexistindo a exigência legal de efetivo prejuízo para o agravamento da multa. Consoante se extrai do relato fiscal, o Contribuinte não respondeu ao Termo de Intimação que determinou a comprovação da origem dos depósitos recebidos em suas contas correntes, concretizandose a presunção de omissão de receitas descrita no art. 42 da Lei n.º 9.430/96. Também, em decorrência do não atendimento da intimação, o imposto apurado foi acrescido da multa de embaraço à fiscalização, definida no inciso I, § 2º, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10325.001232/200912 Acórdão n.º 9202006.998 CSRFT2 Fl. 6 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...). § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; (...). Com a interpretação finalística da norma regente do tema, depreendese que a possibilidade de agravamento da multa decorre da necessidade de desestimular o comportamento do fiscalizado que se mostre incompatível com a nobreza e imperiosidade das atividades desenvolvidas pela administração tributária, em obediência ao dever de colaboração. Contudo, quando há descumprimento da intimação por parte do Contribuinte, na hipótese específica da aplicação da presunção legal de omissão de rendimentos, no que se refere à demonstração da origem dos depósitos bancários, tal conseqüência mostrase tão gravosa ao contribuinte que o agravamento da multa perde o sentido. Assim, a própria presunção se perfaz em instrumento hábil a desestimular a conduta do sujeito passivo de não colaborar com o fisco, transferindo para ele o ônus da prova, de modo que a omissão de rendimentos, por si só, quando não elidida, consubstanciase em exigência mais severa que o próprio agravamento. Portanto, diante de uma única conduta, ausência de atendimento à intimação fiscal para comprovação da origem dos depósitos, estariam sendo aplicadas duas penalidades: inversão do ônus da prova com a presunção legal de omissão de rendimentos e o agravamento da multa, o que seria, de fato, desarrazoado. Ao meu ver, tendo em vista que não há hierarquia entre princípios, o princípio da legalidade deve ser ponderado com o princípio da razoabilidade, da proporcionalidade e, também, do interesse público, pois a União não tem interesse em invadir a esfera patrimonial do sujeito passivo, de forma desarrazoada, mas sim de arrecadar os tributos devidos e desestimular condutas contrárias ao serviço de arrecadação. Ora, se a simples presunção legal atende ao interesse da Fazenda, não há razão jurídica para a aplicação do agravamento da multa, inclusive, por inexistir prejuízo algum à fiscalização, nesse caso, já que resta afastado o ônus de demonstrar a constituição do crédito. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10325.001232/200912 Acórdão n.º 9202006.998 CSRFT2 Fl. 7 6 Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 441DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12457.727524/2015-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/2011 a 11/09/2013
TRADUÇÃO DE DOCUMENTOS ESTRANGEIROS
Obrigatoriedade de tradução juramentada de documentos obtidos no exterior, escritos em idioma estrangeiro, na instrução de processo administrativo fiscal.
A tradução prévia, por tradutor juramentado, de documento comprobatório da infração tributária produzido em idioma estrangeiro não é condição indispensável ao lançamento.
A necessidade de tradução para o vernáculo e de registro oficial de documentos estrangeiros usuais no comércio exterior fica a critério da autoridade aduaneira e julgadora, no âmbito do processo administrativo em matéria aduaneira.
PROVA INDICIARIA. INOCORRÊNCIA DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
É pacífica a aceitação pela jurisprudência administrativa da utilização da prova indiciária na demonstração do fato jurídico tributário, desde que derivada da reunião de elementos indiciários coerentes, harmoniosos e convergentes.
A robustez de indícios coerentes, harmoniosos e convergentes, demonstram a existência do fato, em virtude do encadeamento lógico entre tais indícios e a presunção de existência do fato jurídico, não cabendo a alegação de que ocorreu inversão do ônus da prova.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA E SEUS EFEITOS.
A ausência de impugnação por parte de sujeito passivo solidário acarreta, contra o revel, a preclusão do direito de praticar o ato impugnatório, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos que impugnaram o lançamento. No entanto, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais.
ÔNUS DA PROVA. ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. CONDIÇÕES DE PLENA CONCORRÊNCIA.
Se o contribuinte não traz provas aos autos que demonstrem que os valores declarados nas declarações de importação se aproximavam a valores de mercadorias oferecidas à venda em condições de plena concorrência e através de operações comerciais normais, há de prevalecer a alegação do fisco de documentação fraudulenta. Os leilões de mercadorias no exterior precisam ser provados com documentação.
ARBITRAMENTO DE PREÇOS. FRAUDE. ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA AFASTADO.
No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, nos termos do art. 88 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, sendo afastados os métodos previstos no Acordo de Valoração Aduaneira em conformidade com IN SRF 318/2003 e as Opiniões Consultivas 10.1 e 19.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira.
REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO.
O desembaraço aduaneiro, por si só, não configura homologação do lançamento, tanto pela falta de previsão legal, como pela incompatibilidade prática da conferência aduaneira para tal finalidade. A autuação referente a declarações de importação já desembaraçadas não caracteriza mudança de critério jurídico. O desembaraço aduaneiro, com a liberação e entrega das mercadorias ao contribuinte não faz presunção de legitimidade ou de serem as informações prestadas totalmente verdadeiras.
Apenas a revisão tem o caráter de homologação expressa do procedimento realizado pelo importador.
DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DA DESCRIÇÃO INEXATA E/OU INCOMPLETA. MULTA DE 1% SOBRE O VALOR ADUANEIRO.
O importador que descrever de forma inexata ou incompleta as mercadorias importadas no campo próprio da DI, incorre na multa de 1% sobre o valor aduaneiro, nos termos do artigo 69, parágrafos 1º e 2º, inciso III, da Lei nº 10.833/2003 c/c o artigo 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001.
Numero da decisão: 3201-004.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2011 a 11/09/2013 TRADUÇÃO DE DOCUMENTOS ESTRANGEIROS Obrigatoriedade de tradução juramentada de documentos obtidos no exterior, escritos em idioma estrangeiro, na instrução de processo administrativo fiscal. A tradução prévia, por tradutor juramentado, de documento comprobatório da infração tributária produzido em idioma estrangeiro não é condição indispensável ao lançamento. A necessidade de tradução para o vernáculo e de registro oficial de documentos estrangeiros usuais no comércio exterior fica a critério da autoridade aduaneira e julgadora, no âmbito do processo administrativo em matéria aduaneira. PROVA INDICIARIA. INOCORRÊNCIA DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. É pacífica a aceitação pela jurisprudência administrativa da utilização da prova indiciária na demonstração do fato jurídico tributário, desde que derivada da reunião de elementos indiciários coerentes, harmoniosos e convergentes. A robustez de indícios coerentes, harmoniosos e convergentes, demonstram a existência do fato, em virtude do encadeamento lógico entre tais indícios e a presunção de existência do fato jurídico, não cabendo a alegação de que ocorreu inversão do ônus da prova. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA E SEUS EFEITOS. A ausência de impugnação por parte de sujeito passivo solidário acarreta, contra o revel, a preclusão do direito de praticar o ato impugnatório, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos que impugnaram o lançamento. No entanto, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. ÔNUS DA PROVA. ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. CONDIÇÕES DE PLENA CONCORRÊNCIA. Se o contribuinte não traz provas aos autos que demonstrem que os valores declarados nas declarações de importação se aproximavam a valores de mercadorias oferecidas à venda em condições de plena concorrência e através de operações comerciais normais, há de prevalecer a alegação do fisco de documentação fraudulenta. Os leilões de mercadorias no exterior precisam ser provados com documentação. ARBITRAMENTO DE PREÇOS. FRAUDE. ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA AFASTADO. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, nos termos do art. 88 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, sendo afastados os métodos previstos no Acordo de Valoração Aduaneira em conformidade com IN SRF 318/2003 e as Opiniões Consultivas 10.1 e 19.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira. REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. O desembaraço aduaneiro, por si só, não configura homologação do lançamento, tanto pela falta de previsão legal, como pela incompatibilidade prática da conferência aduaneira para tal finalidade. A autuação referente a declarações de importação já desembaraçadas não caracteriza mudança de critério jurídico. O desembaraço aduaneiro, com a liberação e entrega das mercadorias ao contribuinte não faz presunção de legitimidade ou de serem as informações prestadas totalmente verdadeiras. Apenas a revisão tem o caráter de homologação expressa do procedimento realizado pelo importador. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DA DESCRIÇÃO INEXATA E/OU INCOMPLETA. MULTA DE 1% SOBRE O VALOR ADUANEIRO. O importador que descrever de forma inexata ou incompleta as mercadorias importadas no campo próprio da DI, incorre na multa de 1% sobre o valor aduaneiro, nos termos do artigo 69, parágrafos 1º e 2º, inciso III, da Lei nº 10.833/2003 c/c o artigo 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001.
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A tradução prévia, por tradutor juramentado, de documento comprobatório da infração tributária produzido em idioma estrangeiro não é condição indispensável ao lançamento. A necessidade de tradução para o vernáculo e de registro oficial de documentos estrangeiros usuais no comércio exterior fica a critério da autoridade aduaneira e julgadora, no âmbito do processo administrativo em matéria aduaneira. PROVA INDICIARIA. INOCORRÊNCIA DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. É pacífica a aceitação pela jurisprudência administrativa da utilização da prova indiciária na demonstração do fato jurídico tributário, desde que derivada da reunião de elementos indiciários coerentes, harmoniosos e convergentes. A robustez de indícios coerentes, harmoniosos e convergentes, demonstram a existência do fato, em virtude do encadeamento lógico entre tais indícios e a presunção de existência do fato jurídico, não cabendo a alegação de que ocorreu inversão do ônus da prova. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA E SEUS EFEITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 7. 72 75 24 /2 01 5- 57 Fl. 1263DF CARF MF 2 A ausência de impugnação por parte de sujeito passivo solidário acarreta, contra o revel, a preclusão do direito de praticar o ato impugnatório, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos que impugnaram o lançamento. No entanto, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. ÔNUS DA PROVA. ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. CONDIÇÕES DE PLENA CONCORRÊNCIA. Se o contribuinte não traz provas aos autos que demonstrem que os valores declarados nas declarações de importação se aproximavam a valores de mercadorias oferecidas à venda em condições de plena concorrência e através de operações comerciais normais, há de prevalecer a alegação do fisco de documentação fraudulenta. Os leilões de mercadorias no exterior precisam ser provados com documentação. ARBITRAMENTO DE PREÇOS. FRAUDE. ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA AFASTADO. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, nos termos do art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, sendo afastados os métodos previstos no Acordo de Valoração Aduaneira em conformidade com IN SRF 318/2003 e as Opiniões Consultivas 10.1 e 19.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira. REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. O desembaraço aduaneiro, por si só, não configura homologação do lançamento, tanto pela falta de previsão legal, como pela incompatibilidade prática da conferência aduaneira para tal finalidade. A autuação referente a declarações de importação já desembaraçadas não caracteriza mudança de critério jurídico. O desembaraço aduaneiro, com a liberação e entrega das mercadorias ao contribuinte não faz presunção de legitimidade ou de serem as informações prestadas totalmente verdadeiras. Apenas a revisão tem o caráter de homologação expressa do procedimento realizado pelo importador. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DA DESCRIÇÃO INEXATA E/OU INCOMPLETA. MULTA DE 1% SOBRE O VALOR ADUANEIRO. O importador que descrever de forma inexata ou incompleta as mercadorias importadas no campo próprio da DI, incorre na multa de 1% sobre o valor aduaneiro, nos termos do artigo 69, parágrafos 1º e 2º, inciso III, da Lei nº 10.833/2003 c/c o artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 12457.727524/201557 Acórdão n.º 3201004.001 S3C2T1 Fl. 1.264 3 Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 1214/1256, apresentado pelo contribuinte em face de decisão proferida pela DRJ/REC no Acórdão nº 1156.571, efls. 1148/1186. O caso trata de auto de infração por suposto cometimento de infração ao controle das importações resultando na cobrança do Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI Importação), e contribuições sociais PISImportação e COFINS Importação. A DRJ/REC relatou o feito nos autos, conforme a seguir reproduzido: Trata o presente processo de auto de infração lavrado em desfavor da empresa Empório Comércio de Cabelos Ltda., CNPJ 12.759.661/000184, e dos solidários Satish Bhagwandas, CPF 009.627.25978, e Naina Satish Jhamnani, CPF 009.627.23924, para cobrança de Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPIImportação), das contribuições sociais para o PISImportação e COFINSImportação, seus acréscimos legais e multas, no valor total de R$ 24.180.348,51, em decorrência do cometimento da infração ao controle das importações, implicando a redução dos valores aduaneiros, com consequente diminuição dos tributos pagos. O presente trabalho de fiscalização iniciouse a partir da detecção de indícios da ocorrência de subfaturamento em operações de importação registradas pela empresa Empório Comércio de Cabelos Ltda., CNPJ 12.759.661/000184, a importadora foi então incluída em procedimento de revisão aduaneira. A ação fiscal teve por objetivo verificar o valor aduaneiro dos cabelos humanos importados pela empresa, no período de 01/2011 a 09/2013. Durante o curso da auditoria mencionada, foi constatado que no endereço cadastral da empresa Empório, encontravase instalada também a empresa Glamour Comércio de Cabelos Ltda, CNPJ 10.745.607/000154, esta empresa, atua no mesmo ramo de atividade e tem como sua sóciaadministradora a cônjuge do sócioadministrador da Empório. A Empório foi constituída em 22/10/2010 e era cadastrada como microempresa. Atuou no comércio exterior como importadora Fl. 1265DF CARF MF 4 por conta própria até setembro de 2013, não tendo registrado novas importações desde então. Em 03/07/2014, a empresa passou a situação cadastral “baixada”. A data de registro da última DI auditada, 11/09/2013, foi dias antes em que a empresa foi cientificada de que um despacho de importação havia sido interrompido pelo Fisco para Procedimento Especial de Controle Aduaneiro, 04/10/2013. De acordo com o relatório da diligência fiscal realizada no local, foi constatado que as duas empresas estavam instaladas no mesmo espaço físico, não havendo distinção entre elas, e todos os equipamentos, inclusive computadores, eram utilizadas por ambas, mesmo os empregados atuavam em nome das duas empresas. Segundo o relatório da diligência, restou nítido que, na prática, existia apenas uma única firma. Um possível motivo da criação das duas empresas, ainda segundo a Fiscalização, pode ter sido o interesse em burlar o limite de valor para enquadramento nas modalidades de operação no comercio exterior. Destacamos ainda algumas constatações feitas pela Fiscalização, em diligência fiscal na sede das empresas, durante o curso do procedimento especial, que motivou este processo e que resultou na aplicação da penalidade de perdimento, conforme Relatório Fiscal (eProcesso 10945720.808/201412): · Que todos os computadores haviam sido recentemente formatados e que lá não havia nenhum documento relativo a fornecedores, clientes ou mercadorias, além de poucos arquivos e mensagens eletrônicas nos computadores. · Foram encontrados emails de negociações com clientes e comprovantes de depósitos em valores superiores aos das respectivas notas fiscais de venda emitidas. Conforme citado no Relatório Fiscal, eProcesso 10945 720.808/201412, foram encontrados emails referentes a pedido de orçamento de cabelos feito a GLAMOUR (“empresairmã” da Empório), informando o preço de R$ 726,00 para o pedido, pagamento no mesmo valor na conta indicada pela GLAMOUR, com o respectivo comprovante de depósito bancário. Já a nota fiscal emitida, no valor total do pedido, foi de apenas R$ 46,00 por 350 gramas, se constatando que nesta transação, o valor faturado representou apenas 6,33% do total da operação. O preço médio do quilo de cabelo negociado foi de R$ 2.074,28; o faturado foi de apenas R$ 131,00. · Demonstrado o subfaturamento das vendas no mercado interno – o que expõe a inidoneidade das empresas, que agem de máfé, tentando ludibriar o Fisco. O subfaturamento demonstrado não ocorreu apenas na operação já auditada ou no mercado interno; também as operações de importação objeto do presente relatório foram registradas fraudulentamente por valores muito inferiores aos realmente praticados nas transações internacionais de compra e venda de cabelos. · Além da evidente falsidade ideológica, há fortes indícios de que as faturas, que respaldaram as declarações de importação, Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 12457.727524/201557 Acórdão n.º 3201004.001 S3C2T1 Fl. 1.265 5 também estejam corrompidas materialmente, pois vários documentos, de fornecedores supostamente diferentes – inclusive de cidades e regiões diferentes – possuem características muito semelhantes, levando a crer que só podem ter sido produzidos, e mesmo assinados, pela mesma pessoa. · Várias das faturas comercias apresentadas nas operações analisadas têm mesma formatação; idênticos campos de preenchimento e tipos de informação; mesmas fontes e tamanhos de letras; mesmo estilo de codificação e numeração das faturas; e a mais atípica e improvável coincidência de ocorrer na comparação entre documentos produzidos por pessoas distintas, de diferentes empresas: escrita manual de data e assinatura surpreendentemente semelhantes, a ponto de não ser possível chegar a outra conclusão que não a de que a mesma pessoa datou e assinou todas elas. No referido auto de infração, fls. 379, as Autoridades Fiscais discorrem sobre o mercado internacional de cabelos e as características e especificidades do cabelo como mercadoria, em síntese alega a fiscalização: · Que é muito comum, por motivos religiosos, o ritual de doação de cabelos entre os seguidores do hinduísmo. A doação ocorre normalmente em templos, sendo que dezenas de milhares de pessoas doam seus cabelos diariamente. Os doadores não recebem nada, mas os templos vendem os cabelos a comerciantes, normalmente através de leilões, ficando com parte do lucro, o restante deve ser usado em obras de caridade. · Os cabelos comprados nos templos são separados em mechas, que são agrupadas segundo o tamanho, textura, cor e qualidade. As mechas podem passar por vários tipos de tratamento, como lavagem, condicionamento, descoloração. Após os procedimentos realizados, os cabelos são vendidos, sendo que o preço varia muito em função das características do produto final obtido. · No mercado internacional, segundo reportagem da revista Superinteressante, mechas compostas por fios de qualidade inferior custam a partir de US$ 200,00/kg, enquanto mechas compridas, cortadas diretamente da raiz do couro cabeludo, com cutículas na mesma direção variam de US$ 500,00 a US$ 600,00/kg. O tamanho, a qualidade e o tipo do cabelo são as principais variáveis na definição do preço das mechas. · As mechas (amarrados de cabelos) compradas nos templos são utilizadas mormente na fabricação de apliques para extensão dos cabelos (conhecidos como megahair), e perucas. As mechas variam de valor, segundo as características anteriormente mencionadas, e que as expressões mais comumente utilizadas para designálas são: Bulk hair: grupamentos de cabelos (geralmente de 100g), que passou por um tratamento simplório (como lavagem e Fl. 1267DF CARF MF 6 amarração), e que ainda deverá sofrer algum tipo de transformação antes de estar definitivamente pronta para utilização (cabelos sem costuras ou acessórios para fixação). Weft hair: Mechas de cabelos já costuradas, na altura da raiz, com ou sem acessórios para fixação, mas já prontas para uso na forma de extensões de cabelos. É ofertada por valor superior a do tipo “bulk hair”, por já ter sofrido tratamento por máquina ou manual. Remy hair: Mechas de cabelo nas quais os fios estão dispostos todos no sentido natural (raiz com raiz e ponta com ponta). O cabelo é cortado diretamente da raiz do couro cabeludo – normalmente obtido através dos rituais de doação ou de venda por necessidade. É comum ainda que não tenha sofrido nenhum tratamento químico (cabelo virgem). Todas estas características lhe conferem um aspecto mais saudável e natural, o que o torna um produto mais caro. Non remy hair: Quando os fios não estão todos alinhados no mesmo sentido. Este tipo de grupamento é formado por fios geralmente colhidos em salões e barbearias. Single drawn: Mechas que contêm fios com comprimentos diversos, tendo sofrido corte apenas na raiz. Double drawn: Mechas que foram cortadas também nas pontas, todos os fios do grupamento de cabelos tenham o mesmo comprimento. Têm pontas mais saudáveis e menos quebradiças – o que as torna mais caras. E que conforme cotação realizada pela equipe de fiscalização, via email, junto à empresa Ravi Enterprises (exportadora indiana de algumas das importações objeto da ação fiscal) ratifica a constatação de que o preço de cabelos humanos é definido em função do tamanho, qualidade e tipo dos fios. Em seguida, logo após fazer considerações sobre a descrição das mercadorias e da classificação fiscal, apresentou histórico do procedimento fiscal, principalmente quanto ao preço, e explicitou a Fiscalização que no caso ora analisado, os vários elementos reunidos evidenciam a clara intenção do importador de ocultar informações ao Fisco e a máfé ao fraudar os valores na emissão de notas fiscais também no mercado interno, e ainda demonstra o quão inaceitáveis são os valores declarados nas operações, que não chegam sequer a 10% (dez por cento) dos valores mínimos de ofertas internacionais de mercadorias do tipo das transacionadas. Afirma ainda a Fiscalização que a descrição exata e a distinção por faixas de comprimento do cabelo são itens decisivos, não somente na precificação durante a negociação com os fornecedores, mas também para possibilitar a conferência da mercadoria pelo importador e pela Aduana. Desta forma, a empresa, não descreveu corretamente a mercadoria nas declarações de importação, de forma detalhada, nem informou todas as especificações possíveis e necessárias que possibilitassem a verificação do correto enquadramento de classificação fiscal das DIs. Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 12457.727524/201557 Acórdão n.º 3201004.001 S3C2T1 Fl. 1.266 7 Em função destas ocorrências, e conforme a descrição dos fatos do Auto de Infração (fls. 371/421), a autuada é acusada do uso de faturas falsas, para acobertar as operações de importação com preços inferiores aos reais e de ter descrito as mercadorias importadas de forma incompleta ou inexata, o que resultou no: · Arbitramento do preço das mercadorias importadas, consoante o artigo 88 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001. · Aplicação da multa de 100% sobre o valor aduaneiro arbitrado das mercadorias importadas, pela conversão da penalidade de perdimento em multa equivalente ao valor das mercadorias, em decorrência da impossibilidade da apreensão, tendo em vista as mesmas terem sido dada ao consumo, nos termos do artigo 105, inciso VI, do DecretoLei nº 37/1966, artigo 23, inciso IV, §§1º e 3º, do DecretoLei 1455/1976, art. 689, inciso VI, § 3A do Decreto nº 6.759/2009, · Aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro arbitrado das mercadorias importadas, por descrição inexata ou incompleta, nos termos do artigo 69, parágrafo 1º, da Lei 10833/2003, e do artigo 711 do Regulamento Aduaneiro. · Exigência do II, do IPIImportação, das contribuições sociais para o PISImportação e COFINSImportação, acompanhados dos juros e da multa de ofício agravada de 150%, em decorrência da fraude evidenciada, consoante o artigo 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430/1996, c/c o artigo 72 da Lei nº 4.502/1964. da impugnação Em sua defesa a Interessada apresenta, resumidamente, as seguintes alegações: I Preliminarmente: a) Pugna pela nulidade do Auto de Infração, tendo em vista o cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que vários documentos e textos estrangeiros não se encontram traduzidos para o vernáculo. "Os documentos estrangeiros usados nos lançamentos fiscais, sejam pelos dados numéricos, sejam pelos conteúdos em idioma estrangeiro (inglês), foram decisivos para a constituição dos respectivos créditos tributários e, acarretaram notórios prejuízos aos exercícios plenos do contraditório e da ampla defesa. Notadamente, os prejuízos suportados pela impugnante foram de natureza absoluta (vícios insanáveis), por conta disso prescindem de demonstração de prejuízo. Apesar disso, a falta de tradução dos documentos e dados alienígenas colhidos da internet prejudicou sobremaneira os exercícios plenos da ampla Fl. 1269DF CARF MF 8 defesa e do contraditório, pois a impugnante não teve acesso aos conteúdos, inclusive, informações vitais não foram reveladas por conta da ausência de versão nacional. Por conseguinte, tendo em vista estarem ausentes requisitos legais indispensáveis a validade formal e material dos documentos e dados estrangeiros que embasam os argumentos apresentados no relatório fiscal, preliminarmente, a impugnante requer, na forma dos dispositivos legais supramencionados, sobretudo no art. 59, inc. II do Decreto n. 70.235/72, a nulidade de todo o procedimento administrativo fiscal ora em discussão" b) Além de os "documentos" e "dados" em língua inglesa não terem sido traduzidos para o idioma nacional, igualmente, não foram registrados no Cartório de Registro de Títulos e Documentos, em estrita obediência ao comando prescrito no art. 130, § 6° da Lei n. 6.015/73. Afirma a Interessada, que não constituem elementos de prova confiáveis os "documentos estrangeiros" (em inglês) que não estejam acompanhados de suas respectivas traduções para o português (art. 157, CPC) e que não tenham sido registrados no Cartório de Registro Público. c) Alega a Interessada a infração, pelo Fisco, aos princípios, da boa fé, da não culpabilidade e presunção de inocência. Que a autoridade lançadora não agiu com as premissas inerentes ao seu mister, visto que, desprezou sem qualquer motivação pertinente as respostas e os documentos apresentados pela impugnante. Como também, desconsiderou a seu livre arbítrio e de maneira subjetiva, a legislação brasileira afeta ao tema. Faltou aqui o princípio da boafé, mormente, quando se questionou o valor probatório dos legítimos documentos apresentados pela impugnante. d) Alega a Interessada que a "base material" inserida no relatório fiscal não possui a robustez necessária para provar o que se pretende pela autoridade preparadora, encontrase amparada em meros "indícios" e "presunções fiscais", as quais se tenta, equivocadamente, emprestar um valor probatório que não possuem. II Mérito e) Afirma a Interessada, que segundo a autoridade fiscalizadora os valores declarados pela empresa EMPÓRIO, referentes aos lotes de cabelos importados da índia, não estariam corretamente descritos nas suas respectivas declarações de importação (DI's), caracterizandose a prática de um suposto subfaturamento dos valores apresentados, concretizandose assim, uma conduta "fraudulenta" por parte da impugnante. Ocorre que, as declarações realizadas pela impugnante presumemse verdadeiras até que efetivamente se prove o contrário em relação a elas. Tal presunção de legitimidade é albergada pela legislação pátria, em especial no que dispõe o art. 45 do DecretoLei n. 37/1966, bem como pelo fato do agente estatal ter aprovado as referidas declarações de importação no momento do desembaraço aduaneiro. Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 12457.727524/201557 Acórdão n.º 3201004.001 S3C2T1 Fl. 1.267 9 Alega, portanto, que os valores constantes nas DI’s correspondem exatamente ao que foi pago pela contribuinte às empresas exportadoras, inclusive, conforme se depreende da análise dos extratos bancários juntados pela impugnante na fase prélançamento, pois há total compatibilidade financeira. Que o encargo de provar que os valores declarados pela empresa fiscalizada não seriam verdadeiros, cabe exclusivamente à autoridade preparadora, e tal ônus não pode ser sustentado por meros indícios. Que os produtos objetos da presente autuação fiscal são oriundos de leilões realizados em templos indianos, há que se aceitar a hipótese de que eles podem ser arrematados por qualquer valor, independente da qualidade, comprimento ou natureza dos fios. De outro vértice, que o fato de a mercadoria importada não ter sido descrita de forma extremamente minuciosa e detalhada, como ressalta a autoridade preparadora, por si só, não caracteriza o dolo de fraudar ou de ludibriar o Fisco brasileiro. f) Pugna ainda, a Interessada, que a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), utilizada pela autoridade preparadora para a classificação fiscal de produtos objeto de importação e exportação, está totalmente defasada no que se refere ao produto "cabelo humano". Conforme pode se verificar, no caso em atento, no momento do preenchimento das respectivas declarações de importação a impugnante só dispunha de dois códigos para utilizar: · posição 0501, referente a cabelos "em bruto", ou seja, mechas de cabelo que não teriam sofrido qualquer tipo de tratamento, tampouco qualquer processo de industrialização, apenas tendo sido cortadas diretamente da raiz; e · posição 6703, relacionado a qualquer tipo de cabelo cujo estado de preparação ultrapasse uma mera lavagem, podendo ter, ou não, passado por processo de industrialização, estando dispostos no mesmo sentido (raiz com raiz e ponta com ponta). Ambos os códigos previstos na NCM são muito genéricos, havendo nítida necessidade de atualização e adequação para que sejam contempladas outras categorias vinculadas ao produto "cabelo humano". In casu, a impugnante, no momento do preenchimento das declarações de importação, norteada pelo princípio da boafé, acabou por utilizar o código de posição 6703, uma vez que, mesmo sabendo que o "cabelo" objeto da operação de importação não era industrializado ou do tipo "remy hair", como afirmou a autoridade fiscalizadora, optou pelo código 6703 para que não corresse o risco de infringir as normas tributárias brasileiras, mesmo que para isso tivesse que pagar um pouco a mais de tributos, ou seja, arcou com uma carga tributária a maior. Fl. 1271DF CARF MF 10 Portanto, não houve descrição inexata e incompleta das DI's, já que o valor declarado corresponde ao efetivamente pago pela empresa importadora. Nessa toada, a multa somente se aplicaria no caso da empresa intencionalmente declarar valor inexato ou omitir informações de natureza administrativo tributaria, cambial ou comercial necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro. g) Que segundo a autoridade preparadora, não seria factível aceitar que as importações realizadas pela empresa auditada tenham ocorrido sem tomar por base a qualidade, o tipo e o comprimento dos fios, bem como que os preços praticados tenham sido realmente os informados nos registros das operações auditadas. Inaceitavelmente e sem nenhum embasamento probatório, sugere também, que o fato de algumas faturas comerciais emitidas pelas empresas exportadoras serem semelhantes, caracterizaria uma suposta prática de falsidade material. Em adição a isso, a autoridade preparadora disse que o fato de inexistirem documentos, fax, agendas, cadernetas de anotações, listas de preços ou negociações, e a recente formatação dos computadores da empresa induziriam necessariamente à uma percepção de que o ambiente estava imaculadamente preparado para que nenhuma suposta irregularidade pudesse ser encontrada em uma eventual diligência de fiscalização. Insta, que é inadmissível que essas suposições sustentadas pela autoridade federal possam ter algum valor probatório relevante ante o seu notório subjetivismo. É cristalino que tais afirmações proferidas pela autoridade preparadora são meras ilações constatadas ao longo das fiscalizações realizadas. Não há, em momento algum, a apresentação de uma prova concreta e inequívoca de que tais considerações articuladas pela agente fiscalizadora sejam verdadeiras. Portanto não há que se falar em prática de subfaturamento e realização de fraude pela impugnante. h) Os "novos valores" arbitrados pela autoridade federal não se compatibilizam com o real preço pago pela mercadoria e corretamente declarado pela impugnante nas respectivas DI's. Que o valor pago pela impugnante às empresas exportadoras foi, efetivamente, de US$15 (quinze dólares americanos). Que é inadmissível que o arbitramento de valores realizado pela autoridade fiscalizadora seja válido e aplicável. Não há que se falar em novo valor dos tributos aduaneiros Imposto de importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PIS/PASEP e COFINS em função de um equivocado e infundado arbitramento para uma nova base de cálculo. Ocorre que, só haveria a possibilidade do arbitramento de uma nova base de cálculo, caso a autoridade fiscalizadora demonstrase através de uma prova inequívoca que as informações contidas nas declarações de importação eram inexatas. i) Por fim, alega que a prova para servir de alicerce ao lançamento fiscal deve ser clara, precisa, sem qualquer sombra Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 12457.727524/201557 Acórdão n.º 3201004.001 S3C2T1 Fl. 1.268 11 de dúvida e que traga o selo irrebatível da verdade. Ausente qualquer prova da instrução prélançamento fiscal que pudesse sustentar o motivo usado nos autos de infração para concluir que ocorreu "subfaturamento" nas declarações de importação auditadas e, em consequência disso, o não pagamento dos tributos devidos, a partir de um arbitramento do suposto valor que a ora impugnante deveria ter declarado, restou apenas, em prol da fiscalização, uma interpretação insuficientebaseada apenas em indícios e suposições para sustentar a manutenção das autuações fiscais, que deve ser estritamente vinculada à norma (art. 142 do CTN) e interpretada de maneira favorável ao contribuinte (art. 112 do CTN). Que a administração pública não goza de ônus de provar a legalidade de seus atos, mas sim de verdadeiro dever de demonstrálos. Destarte, não há que se falar em transferência do ônus da prova da administração para o administrado, sendo certo que, enquanto este tem mero ônus de provar os fatos que demonstram a ilegalidade e ilegitimidade do ato administrativo, aquela tem verdadeiro dever jurídico. Para tanto, é imprescindível que se apresente uma prova inequívoca, uma vez que o ônus da prova é encargo da autoridade preparadora, não havendo espaço para suposições no campo do direito probatório. O encargo da prova no processo administrativo incumbe à administração fiscal, de modo que em caso de subsistir a incerteza ou dúvida por falta de prova, esta deve absterse de praticar o lançamento fiscal. Ao final requer a Interessada que: a) o recebimento da IMPUGNAÇÃO em todos os seus termos; b) que seja julgado improcedente os autos de infração formalizados neste processo (II, IPI, COFINS e PIS/PASEP), e, consequentemente, seja arquivado em caráter definitivo, uma vez que a impugnante EMPÓRIO COMÉRCIO DE CABELOS LTDA. não subfaturou, tampouco praticou fraude contra o Fisco federal, não havendo que se falar em diferenças tributárias devidas. Após o exame da impugnação apresentada pelo contribuinte, a DRJ/REC proferiu o referido Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2011 a 11/09/2013 TRADUÇÃO DE DOCUMENTOS ESTRANGEIROS Obrigatoriedade de tradução juramentada de documentos obtidos no exterior, escritos em idioma estrangeiro, na instrução de processo administrativo fiscal. Fl. 1273DF CARF MF 12 A tradução prévia, por tradutor juramentado, de documento comprobatório da infração tributária produzido em idioma estrangeiro não é condição indispensável ao lançamento. A necessidade de tradução para o vernáculo e de registro oficial de documentos estrangeiros usuais no comércio exterior fica a critério da autoridade aduaneira e julgadora, no âmbito do processo administrativo em matéria aduaneira. PROVA INDICIARIA. INOCORRÊNCIA DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. É pacífica a aceitação pela jurisprudência administrativa da utilização da prova indiciária na demonstração do fato jurídico tributário, desde que derivada da reunião de elementos indiciários coerentes, harmoniosos e convergentes. A robustez de indícios coerentes, harmoniosos e convergentes, demonstram a existência do fato, em virtude do encadeamento lógico entre tais indícios e a presunção de existência do fato jurídico, não cabendo a alegação de que ocorreu inversão do ônus da prova. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2011 a 11/09/2013 Sujeição Passiva Solidária. Ausência de Impugnação. Revelia e seus Efeitos. A ausência de impugnação por parte de sujeito passivo solidário acarreta, contra o revel, a preclusão do direito de praticar o ato impugnatório, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos que impugnaram o lançamento. No entanto, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. Revisão Aduaneira. Inexistência de Mudança de Critério Jurídico. O desembaraço aduaneiro, por si só, não configura homologação do lançamento, tanto pela falta de previsão legal, como pela incompatibilidade prática da conferência aduaneira para tal finalidade. A autuação referente a declarações de importação já desembaraçadas não caracteriza mudança de critério jurídico. O desembaraço aduaneiro, com a liberação e entrega das mercadorias ao contribuinte não faz presunção de legitimidade ou de serem as informações prestadas totalmente verdadeiras. Apenas a revisão tem o caráter de homologação expressa do procedimento realizado pelo importador. Da Classificação Fiscal. Da Descrição Inexata e/ou Incompleta. Multa de 1% sobre o valor aduaneiro. Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 12457.727524/201557 Acórdão n.º 3201004.001 S3C2T1 Fl. 1.269 13 O importador que descrever de forma inexata ou incompleta as mercadorias importadas no campo próprio da DI, incorre na multa de 1% sobre o valor aduaneiro, nos termos do artigo 69, parágrafos 1º e 2º, inciso III, da Lei nº 10.833/2003 c/c o artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Concluise, portanto, que a DRJ/REC julgou a impugnação improcedente no mérito e manteve o crédito tributário. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF reiterando diversos argumentos de defesa. De forma sintética, repisou os seguintes pontos: II — 2. TRANSGRESSÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL (ART. 50, INCS. LIV E LV DA CF/88) (efl. 1219) O contribuinte recorda que sob o princípio da ampla devolutividade todas as matérias “apreciadas” na primeira instância, devem ser reapreciadas na segunda instância. Requer que a decisão de primeira instância seja revista e modificada. Requer a nulidade absoluta do PAF n. 12457.727524/201557. II — 2. 1. DA AUSÊNCIA DE TRADUÇÃO PARA O VERNÁCULO E DE REGISTRO OFICIAL DE DOCUMENTOS ESTRANGEIROS (efl. 1222) O contribuinte alega que a ausência de tradução para o vernáculo e de registro oficial de documentos estrangeiros prejudicou o princípio do devido processo legal. III — 2. DO VALOR CONSTANTE NAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÕES AUDITADAS — DA AUSÊNCIA DE CONTUDA FRAUDULENTA DA RECORRENTE (efl. 1232) O contribuinte alega que os valores constantes nas declarações de importação correspondem exatamente ao que foi pago pela contribuinte às empresas exportadoras. Afirma, dentre outros, que os produtos objeto da autuação são oriundos de leilões em templos indianos: Tendo em mente que os produtos objetos da fiscal são oriundos de leilões realizados em templos indianos, a hipótese de que eles tenham sido arrematados por qualquer valor, independente da qualidade, comprimento ou natureza dos fios é plenamente aceitável. (efl. 1238) Em razão da arrematação em leilões, seria impossível para a autoridade preparadora ter certeza do real valor pago pelos arrematantes. Sustenta que a falta de descrição da mercadoria importada de forma minuciosa e detalhada, por si só, não caracteriza o dolo de fraudar ou de ludibriar o fisco brasileiro. Que seria imprescindível demonstrar um nexo causal mais robusto para sustentar a alegação de fraude. Fl. 1275DF CARF MF 14 Argumenta que a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) utilizada para a classificação fiscal de produtos objeto de importação e exportação, está totalmente defasada no que se refere ao produto "cabelo humano". Reitera que, no momento do preenchimento das declarações de importação, norteada pela boafé, acabou por classificar erroneamente a NCM na posição 6707, ao invés do que seria supostamente correto na posição 0501. O contribuinte alega que a autoridade fiscal presumiu uma conduta fraudulenta com base em meros indícios. Que não apresentou prova concreta e inequívoca. A partir de tais argumentos requer integral provimento ao Recurso Voluntário. III — 3. DO EQUIVOCADO ARBITRAMENTO DO VALOR DAS MERCADORIAS (efl. 1242) O contribuinte alega que os "novos valores" arbitrados pela fiscalização são absurdos e que os valores declarados deverseiam presumir corretos. Se os valores declarados pela recorrente se presumem verdadeiros e a autoridade federal, no momento que lhe cabia, não conseguiu demonstrar mediante uma fiscalização empírica e de uma prova inequívoca que os numerários não estavam corretos, por óbvio, que os valores informados estavam certos. (efl. 1244) Salienta a inadmissibilidade de aceitar o arbitramento de valores realizado pela autoridade fiscalizadora. Que não haveria de se falar em novo valor dos tributos aduaneiros Imposto de importação, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, PIS/PASEP e COFINS em função de um equivocado e infundado arbitramento para uma nova base de cálculo. Sustenta que só haveria a possibilidade do arbitramento de uma nova base de cálculo, caso a autoridade fiscalizadora demonstrase através de uma prova inequívoca que as informações contidas nas declarações de importação eram inexatas. Pede que o Recurso Voluntário seja conhecido e provido, para declarar a nulidade de todo o procedimento administrativo fiscal ora em discussão. III 4. DOS IMPOSTOS LANÇADOS (efl. 1246) O contribuinte se opõe aos valores lançados nos autos em função das supostas diferenças tributárias devidas, referentes ao Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, COFINS e PIS/PASEP. Repisa que os "novos valores" arbitrados não se compatibilizam com o real preço pago pela mercadoria. Alega que tanto a autoridade preparadora como o juízo a quo desconsideraram a presunção de legitimidade das declarações de importação auditadas. Alega que houve erro no lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, tendo em vista que o produto importado não se enquadra na categoria de produto industrializado. Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 12457.727524/201557 Acórdão n.º 3201004.001 S3C2T1 Fl. 1.270 15 Pede o provimento do Recurso Voluntário para modificar a decisão administrativa e declarar a improcedência do auto de infração referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (efls. 321338), como também, em relação aos demais impostos lançados (II, IPI, COFINS e PIS/PASEP), pelos motivos expostos. III 5. DO ÔNUS DA PROVA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO (efl. 1249) O contribuinte alega que o ônus da prova ônus da prova em matéria de lançamento tributário com constituição de crédito tributário é de responsabilidade da autoridade preparadora, que deve agir de modo vinculado conforme disposto no art. 142, parágrafo único do CTN, sob pena de nulidade do ato. Sustenta que a presunção legal deve ser a de boafé do contribuinte. Alega que compete unicamente ao Poder Público fazer prova da responsabilidade e máfé. Repisa que as alegações da fiscalização são baseadas apenas em indícios e suposições. Afirma que o próprio relator do voto do juízo a quo reconheceu “não haverem provas diretas contra a recorrente, mas tão somente, provas indiretas ou indiciárias.” Argumenta contrariamente a inversão do ônus da prova no processo administrativo da administração fiscal para o administrado. Sublinhase, que quando se fala em dever de provar se está referindo não ao dever de formar o convencimento do julgador quanto à verossimilhança de determinados fatos a partir sua representação, mas, sim, no dever das autoridades administrativas de investigar e demonstrar uma verdade material, lastreando os seus atos administrativos em representações idôneas dos fatos que se alega terem ocorrido de modo motivado (art. 93, inc. IX, segunda parte da CF/88 c/c art. 50 da Lei n. 9.784/99 e art. li do CPC, aplicado subsidiariamente). (efl. 1254) Pede provimento ao Recurso Voluntário. Em suma, o contribuinte pede o total provimento ao Recurso Voluntário. A Procuradoria da Fazenda Nacional, intimada, não apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo Fl. 1277DF CARF MF 16 O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Assim, passo ao exame de cada um dos tópicos das razões de recurso. Preliminar Inicialmente, cabe comentar a questão aventada como preliminar no que toca aos efeitos da revelia. De fato, a impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados, suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos solidários, nos termos do art. 7º, caput e parágrafo 1º, da Portaria RFB nº 2.284/2010, abaixo transcrito. Art. 7º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que só produzirá efeitos em relação ao impugnante. Assim, a impugnação tempestiva do contribuinte suspende a exigibilidade do crédito tributário, em relação a todos os sujeitos passivos do presente processo administrativo até o trânsito em julgado definitivo. Quanto aos demais pontos, cabe analisar cada um conforme a seguir: II — 2. 1. DA AUSÊNCIA DE TRADUÇÃO PARA O VERNÁCULO E DE REGISTRO OFICIAL DE DOCUMENTOS ESTRANGEIROS (efl. 1222) O Brasil é membro do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), atualmente Organização Mundial do Comércio (OMC), cujas línguas oficiais para o comércio internacional são o inglês, o francês e o espanhol. A documentação apresentada nos autos está em língua inglesa que é um dos idiomas oficiais da OMC. A Índia, país de origem das mercadorias importadas, tem a língua inglesa como um dos idiomas oficiais. A documentação apresentada está em idioma inglês utilizado pela empresa ao negociar com fornecedores e transportistas indianos. Concluise que o contribuinte está familiarizado com tal idioma e que não houve prejuízo a sua defesa. O CARF possui jurisprudência negando o cerceamento do direito de defesa para o uso de faturas comerciais em idioma oficial do GATT. Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO E FONTES DE APURAÇÃO DO PREÇO. EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Constando do Auto de Infração e do Relatório de Fiscalização os demonstrativos de cálculo e a indicação das fontes de sua apuração, e tendo o contribuinte todas as garantias do contraditório, exercitando amplamente o direito de defesa, falta fundamento à preliminar de cerceamento do direito de defesa. PROCESSUAL. PERÍCIA PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia que seja prescindível, por falta de fundamento e pela finalidade diversa das que são próprias a esta prova. REFIS. COMPETÊNCIA. O pedido de inclusão dos débitos no REFIS é da competência dos Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 12457.727524/201557 Acórdão n.º 3201004.001 S3C2T1 Fl. 1.271 17 administradores da SRF, estando fora do âmbito do processo administrativo fiscal. II/II. CONTRIBUINTE. IMPORTADOR. Contribuinte do Imposto de Importação e do IPI incidente na importação é a pessoa que promove a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional. PROCESSUAL PROVAS. DOCUMENTOS EM IDIOMA ESTRANGEIRO. FATURAS COMERCIAIS A legislação aduaneira permite o uso de faturas comerciais com a especificação das mercadorias em Português ou em idioma oficial do GATT. II/IPI. VALOR ADUANEIRO. DIFERENÇA DE TRIBUTOS. SUBVALORAÇÃO. A declaração a menor do valor aduaneiro torna exigível a diferença dos tributos incidentes na importação, recolhidos a menor. II/IPI E PENALIDADES. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A exigência fiscal de tributos e a aplicação de penalidades está plenamente vinculada ao princípio da legalidade, não estando sujeitas a limites decorrentes dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. MULTA DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO INEXATA. DIFERENÇA DE TRIBUTO. AGRAVAMENTO. FRAUDE. A declaração inexata do valor da mercadoria, de que resulte diferença de tributo, sujeita o importador à multa de ofício, agravada a penalidade pela prática de sonegação, fraude e conluio. MULTA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. SUBFATURAMENTO DO PREÇO OU VALOR. O subfaturamento do preço ou valor da mercadoria constitui infração administrativa ao controle das importações, punível com a multa do art. 169, II do DL 37/66. MULTA. FALTA DE LICENCIAMENTO. OPERAÇÃO COMERCIAL DIVERSA. Aplicável a multa por falta de LI se o despacho foi instruído com LI correspondente a operação comercial diferente da real, com exportador, importador diversos e preço subfaturado. (Acórdão: 30130725, Processo: 10494.001464/200171, 12/08/2003) Assim, vejase que a legislação aduaneira permite o uso de faturas comerciais com a especificação das mercadorias em Português ou em idioma oficial do GATT. O simples compulsar dos documentos em língua inglesa apontados nos autos às efls. 385, 387, 389, 390, 391, 392, 397, 399, 401 e 10151083 demonstram que alguns são oriundos do próprio contribuinte e todos são de fácil compreensão. De forma pormenorizada resumese o conteúdo de cada um dos documentos, conforme a seguir: Tabela Documentos nos autos em língua inglesa efl. 385 Email da empresa Ravi Enterprises com quotação de preços. A empresa Ravi Enterprises é fornecedora da importadora. efl. 387 Cotações referentes aos anos de 2011, 2012 e 2013, de cabelos humanos ofertados em sites internacionais. efl. 389 Valores numéricos. Cotação junto a fornecedor de cabelos internacional. Fl. 1279DF CARF MF 18 efl. 390 Valores numéricos. Cotação junto a fornecedor de cabelos internacional. efl. 391 Valores numéricos. Cotação junto a fornecedor de cabelos internacional. efl. 392 Valores numéricos. Cotação junto a fornecedor de cabelos internacional. efl. 397 Trechos de documentos Fatura Comercial (Invoice), Certificados de Origem e Packing List que embasaram importações do próprio contribuinte. efl. 399 Valores numéricos. Cotação junto a fornecedor de cabelos internacional. efl. 401 Trechos de documentos Fatura Comercial (Invoice) que serviram para fundamentar importações do próprio contribuinte. efls. 1015 1083 Documentos diversos com cotações e páginas ilustrativas da internet. Grande parte dos documentos em língua inglesa apresenta valores numéricos e imagens que dispensam qualquer conhecimento do idioma estrangeiro para a sua compreensão. O Regulamento Aduaneiro em vigor, Decreto n.º 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, no art. 557, autoriza de forma expressa a especificação das mercadorias em português ou em idioma oficial do GATT. Art. 557. A fatura comercial deverá conter as seguintes indicações: (...) III especificação das mercadorias em português ou em idioma oficial do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, ou, se em outro idioma, acompanhada de tradução em língua portuguesa, a critério da autoridade aduaneira, contendo as denominações próprias e comerciais, com a indicação dos elementos indispensáveis a sua perfeita identificação; Apenas quando em idioma diverso dos idiomas oficiais do GATT é que, a critério da autoridade aduaneira, poderá ser necessária a tradução em língua portuguesa. Este não é o caso dos autos. Dessa forma, fica claro que não houve qualquer prejuízo advindo da ausência de tradução, a justificar a arguição. E se não há prejuízo, não há nulidade: "pas de nullité sans grief". III — 2. DO VALOR CONSTANTE NAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÕES AUDITADAS — DA AUSÊNCIA DE CONTUDA FRAUDULENTA DA RECORRENTE (efl. 1232) O Brasil divulgou os atos emanados do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (CTVA) da Organização Mundial de Aduanas (OMA) por meio da IN SRF n.º 318, de 2003. Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 12457.727524/201557 Acórdão n.º 3201004.001 S3C2T1 Fl. 1.272 19 A referida IN publica a Opinião Consultiva 10.1 que trata da “Aplicação do Artigo 17 do Acordo e do Parágrafo 6 do Anexo III”. A Opinião Consultiva 10.1 cuida do “Tratamento Aplicável aos Documentos Fraudulentos”. OPINIÃO CONSULTIVA 10.1 TRATAMENTO APLICÁVEL AOS DOCUMENTOS FRAUDULENTOS 1. O Acordo obriga que as administrações aduaneiras levem em conta documentos fraudulentos? 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: Segundo o Acordo, as mercadorias importadas devem ser valoradas com base nos elementos de fato reais. Portanto, qualquer documentação que proporcione informações inexatas sobre esses elementos estaria em contradição com as intenções do Acordo. Cabe observar, a este respeito, que o Artigo 17 do Acordo e o parágrafo 6 do Anexo III enfatizam o direito das administrações aduaneiras de comprovar a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira. Consequentemente, não se pode exigir que uma administração leve em conta uma documentação fraudulenta. Ademais, quando uma documentação for comprovada fraudulenta, após a determinação do valor aduaneiro, a invalidação desse valor dependerá da legislação nacional. A documentação foi considerada inexata e o contribuinte deixou de apresentar documentos que corroborassem as informações constantes dos documentos. Na mesma IN SRF 318/2003, em complemento ao direito das administrações aduaneiras de investigar a veracidade ou exatidão de qualquer informação, cabe citar também trecho da Opinião Consultiva 19.1 que trata da “Aplicação do Artigo 17 do Acordo e do Parágrafo 6 do Anexo IIII”. 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira chegou à conclusão de que, ao examinar esta questão, cabe observar que o Artigo 17 estabelece que o Acordo não restringe, nem põe em dúvida os direitos da administração aduaneira. O parágrafo 6 do Anexo III enumera esses direitos, destacando concretamente o direito das administrações nacionais de contar com a plena cooperação dos importadores nas investigações sobre a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração. Esta conclusão é reafirmada na Opinião Consultiva 10.1. Do exposto, percebese que a presunção de legitimidade das declarações de importação e documentação de suporte apresentadas pelo importador é relativa, "juris tantum", portanto, válida até prova em contrário. O conjunto indiciário apresentado pela fiscalização é robusto para a inversão do ônus da prova. A resposta do importador de que as mercadorias foram todas adquiridas em Fl. 1281DF CARF MF 20 “leilões realizados em templos indianos”, carece de provas. A simples alegação de que suas declarações de importação possuem verdade absoluta “juris et de jure”, desacompanhada de provas é insuficiente. Não merece acolhida as alegações apresentadas pelo sujeito passivo quando desacompanhadas de provas. Nego provimento. III — 3. DO EQUIVOCADO ARBITRAMENTO DO VALOR DAS MERCADORIAS (efl. 1242) No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, nos termos do art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, sendo afastados os métodos previstos no Acordo de Valoração Aduaneira em conformidade com as Opiniões Consultivas 10.1 e 19.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (CTVA). O contribuinte repisa o argumento das mercadorias adquiridas em leilão, mas não oferece documentação comprobatória que corrobore os valores negociados em leilões. O contribuinte poderia ter juntado documentação da publicidade dos leilões, dos valores anunciados dos lotes e dos valores de arrematação. Também poderia indicar sites de leilões na Índia e possíveis sites para fins de confirmação dos valores declarados. Nada fez. Assim, os valores arbitrados pela fiscalização foram devidamente fundamentados nas disposições contidas no art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, conforme transcrito abaixo: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 12457.727524/201557 Acórdão n.º 3201004.001 S3C2T1 Fl. 1.273 21 impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Diante do exposto, entendo que a fiscalização utilizou dos meios que dispunha para arbitrar os valores conforme disposto na legislação. Nego provimento. III 4. DOS IMPOSTOS LANÇADOS (efl. 1246) Conforme mencionado no item anterior, a fiscalização utilizou dos meios que dispunha para arbitrar os valores conforme disposto na legislação. Quanto a alegação acerca do IPI, os cabelos importados classificamse na NCM posição 6703 que englobam cabelos cujo estado de preparação ultrapasse o estado “em bruto”. A fiscalização deixou claro trataremse de cabelos “ao menos, do tipo “remy” – conceito que define, como já abordado anteriormente, mechas com fios de cabelo agrupadas em seu sentido natural.” A posição 6703, por sua vez, deve abarcar as mechas de cabelos cujo estado de preparação ultrapasse uma mera lavagem, podendo ter sido tingidas, descoloridas, frisadas etc., estando os fios, no mínimo, no seu sentido natural (raiz com raiz e ponta com ponta), de acordo com o próprio texto da posição 6703 da NCM: “cabelos dispostos no mesmo sentido, adelgaçados, branqueados, ou preparados de outro modo; lã, pelos e outras matérias têxteis, preparados para a fabricação de perucas ou de artefatos semelhantes”. Como esta posição não está subdividida no âmbito regional (sem outros desdobramentos de classificação), todos os produtos desta posição têm classificação NCM 6703.00.00. A totalidade das mercadorias importadas através das DIs auditadas foi classificada, quando do seu registro, com o código 6703.00.00. Este fato permite concluir que todas as mechas de cabelos importadas através de tais operações são, ao menos, do tipo “remy” – conceito que define, como já abordado anteriormente, mechas com fios de cabelo agrupadas em seu sentido natural. Tanto é assim que nos documentos instrutórios da maioria das operações auditadas (Invoices, Packing Lists ou atestados sanitários) há informação explícita de que se trata de mechas “remy”. Isso quer dizer que elas possuem qualidade superior, com fios de aspecto mais saudável e natural. Consequentemente, também significa que têm um valor comercial superior a mechas sem esta característica. (efl. 386) Dessa forma, constato que na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), há incidência de IPI para os produtos classificados na NCM posição 6703. 6703.00.00 Cabelo disposto no mesmo sentido, adelgaçado, branqueado ou preparado de outro modo; lã, pelos e outras matérias têxteis, preparados para a fabricação de perucas ou de artigos semelhantes. Fl. 1283DF CARF MF 22 Alíquota (%) 15% Logo, está correta a fiscalização. Nego provimento. III 5. DO ÔNUS DA PROVA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO (efl. 1249) Na busca pela verdade material, que é um princípio do processo administrativo fiscal, a comprovação de uma dada situação fática pode ser feita por provas diretas e/ou por um conjunto de indícios que, se isoladamente pouco poderiam atestar, porém quando agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Não há, em sede de processo administrativo, uma hierarquização dos meios de prova, sendo perfeitamente regular a formação da convicção a partir do cotejo de subsídios de variada ordem, inclusive as provas indiciárias. Carece de provas a alegação do contribuinte de que as mercadorias foram adquiridas de forma rotineira a preços irrisórios em leilões de templos indianos. Que templos, que leilões, que lotes? Nada foi provado quanto ao alegado. Se o contribuinte não traz provas aos autos que demonstrem que os valores declarados nas declarações de importação se aproximavam a valores de mercadorias oferecidas à venda em condições de plena concorrência e através de operações comerciais normais, há de prevalecer a alegação do fisco. Em vista do exposto, nego provimento. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 1284DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.910376/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1402-003.228
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 03 76 /2 00 9- 38 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10980.910376/200938 Acórdão n.º 1402003.228 S1C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10980.910376/200938 Acórdão n.º 1402003.228 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE IRPJ. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 460, DE 2004. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF nº 460, de 2004, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de IRPJ paga indevidamente ou a maior na dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de IRPJ como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O caso foi assim relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: "Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP [...], relativa à compensação do débito de R$ 2.146,24 de IRPJ devido por estimativa (código de receita 2362) no mês de novembro/2005, com utilização do direito creditório de R$ 1.900,00 oriundo do pagamento indevido ou a maior, em 31/03/2005, da estimativa de IRPJ de fevereiro/2005 (R$ 352.683,65). 2. A DRF/Curitiba, por meio do Despacho Decisório proferido em 20/04/2009 [...], não homologou a compensação declarada em 22/12/2005 em face da improcedência do crédito indicado, haja vista o recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poder ser utilizado na dedução do imposto anual ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período, conforme previsto no art. 10 da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 3. Regularmente cientificada em 04/05/2009 [...], a reclamante apresentou, em 02/06/2009, a tempestiva manifestação de inconformidade [...], instruída com os documentos [...], cujo teor é sintetizado a seguir: a) argúi que os contribuintes devem pagar tributos sobre suas operações ou atividades nos termos exatos da lei, e que os valores pagos acima do exigido devem ser a eles repetidos; Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10980.910376/200938 Acórdão n.º 1402003.228 S1C4T2 Fl. 5 4 b) que, tendo optado pela tributação com base no lucro real anual, recolheu antecipações do imposto calculadas por estimativa, com base na receita bruta, conforme determina o art. 2° da Lei nº 9.430, de 1996; que aplicou corretamente a legislação vigente e o valor compensado referese sim a recolhimento a maior que o devido e exigido; c) que a Lei nº 8.981, de 1995, permite a suspensão ou redução do pagamento do imposto devido, em cada mês, desde que se demonstre, por meio de balanços ou balancetes, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto devido no período em curso; d) que, da mesma forma que o imposto apurado por estimativa, os recolhimentos a maior ou indevidos são passíveis de compensação, pois a obrigação principal, calculada nos termos da lei, também já foi satisfeita; que a não homologação da compensação do valor pago a maior contraria a lei e acarreta exigência de tributo indevido; e) que o pagamento a maior, mesmo no caso de estimativas mensais, onde os valores recolhidos serão deduzidos do devido ao final do exercício, não deve ser considerado como antecipação; f) que o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, permite a compensação, nos meses subseqüentes, de valores de tributos pagos a maior, como no presente caso; que o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; g) que o pagamento a maior de estimativa não consta do rol dos créditos elencados no § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que não poderão ser objeto de declaração de compensação; cita julgados do Conselho de Contribuintes; h) ao final requer a revisão da decisão exarada por meio do despacho decisório da DRFCuritiba, e que seja suspenso o débito exigido, nos termos do art. 151 do CTN. 4. É o relatório." Inconformada com a decisão da Instância a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual repisa os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10980.910376/200938 Acórdão n.º 1402003.228 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.221, de 14/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10980.910369/200936 paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.221): "O recurso voluntário atende aos pressuposto de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. DOS FATOS A recorrente protocolou manifestação de inconformidade contra a decisão que indeferiu o pedido de compensação no processo administrativo em questão a qual entendeu que a contribuinte somente poderia utilizar o crédito na dedução do Imposto de Renda ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ao final do período de apuração. A instância a quo manteve a decisão impugnada sob o argumento de que prevalece o disposto no artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº. 460 de outubro de 2004, sendo que a mesma determinação permaneceu na IN SRF 600 de dezembro de 2005. Tal entendimento somente veio a ser modificado através da IN SRF 900 de dezembro de 2008, contudo esse diploma legal somente produziu efeitos a partir de 01/01/2009, sob o que não cabe a aplicação do preceito do artigo 106 do CTN para fazer retroagir a norma mais favorável ao contribuinte, pois não se trata de norma estritamente interpretativa, pois, por se tratar de dispositivo que regula a compensação seria norma de natureza material, motivo pelo qual devem ser aplicadas as que estavam vigentes à época do encontro de contas. Declara ainda que o descumprimento do artigo 10 da IN 460 de 2004 caracterizaria violação ao preceito do artigo 170 do CTN o qual estabelece que o direito à compensação fica sujeito à condição e garantia que a lei estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribua à autoridade administrativa, tendo o §14 do artigo 74 da Lei 9430/96 estabelecido que a Secretaria da Receita Federal disciplinará a compensação de que trata esse artigo. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10980.910376/200938 Acórdão n.º 1402003.228 S1C4T2 Fl. 7 6 Diz também que a autoridade julgadora não pode descumprir o entendimento da própria Receita Federal. A recorrente inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, requerendo a reforma decisão recorrida, haja vista que não é este o entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (CARF), conforme reiteradas decisões colacionadas ao recurso. DO MÉRITO A discussão em relação à restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa, tratase de matéria sobre a qual o CARF vem reiteradamente se posicionando pela sua possibilidade. Havendo inclusive a edição da Súmula CARF n 84, transcrita a seguir. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Citase nesse sentido, os acórdãos paradigmas: Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. O Acórdão n° 110100.329, da lavra da conselheira Edeli Pereira Bessa, segue a jurisprudência consolidada no âmbito do Carf, cujos argumentos, adotados na presente decisão, são transcritos a seguir: "É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99 (art 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5° incluído no art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória n° 66/2002, atualmente transportado para o § 1 4 desde a edição da Lei n° 11.051/2004: Art 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Redação dada pela Lei n" 10 637, de 2002) [...] § 1 4 A Secretaria da Receita Federa SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10980.910376/200938 Acórdão n.º 1402003.228 S1C4T2 Fl. 8 7 restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais, Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, tem se a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF n° 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: (Omissis) As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF n° 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10980.910376/200938 Acórdão n.º 1402003.228 S1C4T2 Fl. 9 8 De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n° 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art 2°: (Omissis) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis.Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou a compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4° da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10980.910376/200938 Acórdão n.º 1402003.228 S1C4T2 Fl. 10 9 apurar estimativas mensais com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. (Omissis) E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF n° 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: (Omissis) No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31/01/2005 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIPJ originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 com base em balancete de suspensão/redução. Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de RS 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10980.910376/200938 Acórdão n.º 1402003.228 S1C4T2 Fl. 11 10 Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação." No uso da competência dada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, e por meio das INs SRF n° 460/2004 e 600/2005, cuja vigência ocorreu de 29/10/2004 a 30/12/2008, a Receita Federal do Brasil não admitiu a compensação imediata de recolhimentos indevidos de estimativas. Já com a IN RFB n° 900/2008, o Fisco alterou o entendimento e excluiu essa limitação de seu texto. A evolução da legislação administrativa a respeito do assunto foi a seguinte: O artigo 10 da Instrução Normativa n° 460/2004 não permitiu que indébitos oriundos de recolhimentos por estimativa fossem compensados de imediato, devendo compor o saldo de IRPJ e CSLL apurado ao final do período: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." A mesma redação foi mantida no artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, in verbis: "Art. 10 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Já com a edição da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, no seu artigo 11, o Fisco deixou de coibir a imediata compensação de recolhimentos indevidos de estimativas. "Art 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10980.910376/200938 Acórdão n.º 1402003.228 S1C4T2 Fl. 12 11 a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Assiste, assim, razão à recorrente quando afirma que as regras contidas na IN RFB n° 900/2008 são perfeitamente aplicáveis ao caso em voga, pois alteraram o entendimento anteriormente expresso pelas INs 460/2004 e 600/2005, podendo ser computado como crédito o montante de estimativa recolhido indevidamente. A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34." Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10980.910376/200938 Acórdão n.º 1402003.228 S1C4T2 Fl. 13 12 Porém, apenas em tese assiste razão à recorrente em suas alegações, haja vista que a análise efetivada pelo Despacho Decisório, que não homologou a compensação realizada, se restringiu apenas à preliminar da possibilidade do pedido, não abordando o mérito da veracidade do crédito apresentado para compensação, a sua existência, suficiência e disponibilidade, dando certeza e liquidez ao direito pretendido, devendo esse montante ser confirmado pela autoridade administrativa de origem. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para admitir a possibilidade de formação de indébito em recolhimento por estimativa, não homologando de plano a compensação pretendida, em virtude da ausência de análise do mérito do pedido pelo Despacho Decisório, devendo ser verificada pela autoridade local da Receita Federal do Brasil a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito objeto da compensação. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 254DF CARF MF
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