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Numero do processo: 10880.918180/2013-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/12/2004
MULTA DE MORA. SANÇÃO DE NATUREZA PUNITIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DO TRIBUTO COMPLEMENTAR ANTES DA APRESENTAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA E DE QUALQUER MEDIDA DE FISCALIZAÇÃO. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. POSSIBILIDADE.
1. Por ter natureza punitiva, a multa de mora é excluída se configurada a denúncia espontânea da infração mediante o pagamento intempestivo do tributo devido.
2. No âmbito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a denúncia espontânea da infração por pagamento extemporâneo resta caracterizada se o contribuinte, após efetuar o pagamento do valor integral do tributo declarado, apura diferença a maior de tributo devido e realiza o seu pagamento integral (acrescido dos juros moratórios) e, concomitante ou posteriormente (antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração), a apresenta a DCTF retificadora, com a inclusão do valor da diferença a maior do tributo devido apurada (aplicação do entendimento exarado no REsp nº 1.149.022/SP, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.929
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/12/2004 MULTA DE MORA. SANÇÃO DE NATUREZA PUNITIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DO TRIBUTO COMPLEMENTAR ANTES DA APRESENTAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA E DE QUALQUER MEDIDA DE FISCALIZAÇÃO. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. POSSIBILIDADE. 1. Por ter natureza punitiva, a multa de mora é excluída se configurada a denúncia espontânea da infração mediante o pagamento intempestivo do tributo devido. 2. No âmbito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a denúncia espontânea da infração por pagamento extemporâneo resta caracterizada se o contribuinte, após efetuar o pagamento do valor integral do tributo declarado, apura diferença a maior de tributo devido e realiza o seu pagamento integral (acrescido dos juros moratórios) e, concomitante ou posteriormente (antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração), a apresenta a DCTF retificadora, com a inclusão do valor da diferença a maior do tributo devido apurada (aplicação do entendimento exarado no REsp nº 1.149.022/SP, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015). Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 81 80 /2 01 3- 04 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10880.918180/201304 Acórdão n.º 3302004.929 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Trato presente processo de declaração de compensação (DComp) em que foi informada a compensação de pagamento indevido ou a maior de COFINS, com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. O Despacho Decisório proferido pelo titular da unidade da Receita Federal unidade de origem não homologou a compensação declarada porque não havia crédito disponível, uma vez que o pagamento informado havia sido integralmente utilizado para quitação do débito vinculado ao correspondente pagamento.. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que fazia jus a homologação integral da compensação declarada, uma vez que o crédito informado era proveniente de recolhimento da multa de mora indevida, em razão da denúncia espontânea da infração. Para a recorrente, como cumprira, espontaneamente, o dever de recolher o tributo devido, a referida multa de mora recolhida era indevida, nos termos do art. 138 do CTN. Em decorrência, o valor do crédito informado era passível de compensação. Sobreveio a decisão de primeira instância em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 14 053.285. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que não cabe a exclusão da Multa de mora em casos de denúncia espontânea, devendo o Pagamento extemporâneo ser feito com os acréscimos legais. A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância e inconformada, protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, após discorrer sobre o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN, alegou que a multa moratória tinha natureza punitiva e era passível de exclusão por denúncia espontânea, conforme jurisprudência deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo do julgamento do REsp 1.149.022/SP, julgado sob regime dos recursos repetitivos, cujos fundamentos eram de adoção obrigatória pelos membros deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10880.918180/201304 Acórdão n.º 3302004.929 S3C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.927, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.688913/200986, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.927): "O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O motivo da não homologação da compensação em apreço foi a inexistência do valor do crédito informado para compensar o débito confessado e as razões foram consignadas no despacho de decisório colacionado aos autos (fls. 5/6). Segundo o citado despacho, a partir das características do DARF discriminado na PER/DCOMP nº 16516.34621.310306.1.3.041964 o sistema localizara o valor do pagamento informado, mas ele encontravase integralmente vinculado à quitação da correspondente parcela do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de outubro de 2003, logo não restava crédito disponível para compensação dos débitos informado na citada PER/DCOMP. Na peça impugnatória, a recorrente alegou que o valor do crédito informado referiase a pagamento indevido da multa de mora incidente sobre a parcela do débito complementar da citada contribuição do mês de outubro de 2003, que fora paga antes da retificação da DCTF do período, o que configurava denúncia espontânea da infração. Com base no entendimento de que a multa de mora não era passível da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, por não ter natureza punitiva e sim natureza indenizatória, o órgão julgador a quo manteve a não homologação da compensação, baseada no entendimento de que não havia crédito disponível para compensação, uma vez que o valor informado na citada PER/DCOMP fora integralmente utilizado no pagamento da multa de mora de devida em decorrência do pagamento em atraso da parcela complementar da contribuição do citado mês. De outro parte, a recorrente alegou a multa moratória tinha natureza punitiva e era passível de exclusão por denúncia espontânea, conforme jurisprudência deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo do julgamento do REsp 1.149.022/SP, sob o regime dos recursos repetitivos, cujos fundamentos eram de adoção obrigatória pelos membros deste Conselho. Com base no breve resumo dos dois entendimentos distintos ficam evidenciadas as duas divergências. Uma de cunho jurídico, referente a natureza da multa de mora, ou seja, se a multa moratória tem natureza indenizatória ou punitiva. A segundo de cunho fáticoprobatório, isto é, se a denúncia realizada pela recorrente atende os requisitos do art. 138 do CTN, de modo a isentála da cobrança do tributo. Até a decisão definitiva de mérito, proferida pelo STJ no julgamento do REsp 1.149.022/SP, sob o regime dos recursos repetitivos, tais questões Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10880.918180/201304 Acórdão n.º 3302004.929 S3C3T2 Fl. 5 4 geraram ampla controvérsia no âmbito da jurisprudência deste Conselho. Para facilitar a compreensão, o enunciado da ementa do referido julgado segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que “a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte” (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): “No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10880.918180/201304 Acórdão n.º 3302004.929 S3C3T2 Fl. 6 5 Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional.” 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.1 A partir da referida decisão definitiva, por força do que determina o art. 62, § 2º, do RICARF/2015, o entendimento manifestado no referido julgado passou a ser de adoção obrigatória nos julgamentos deste Conselho. Dessa forma, a controvérsia em torno da questão jurídica restou dirimida, haja vista o entendimento esposado no citado julgado definiu que, na seara tributária, o instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias ou multas e que estas têm natureza punitiva, inclusive, as multas moratórias decorrentes do atraso ou impontualidade no pagamento dos tributos. No que tange aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que há declaração e pagamento parcial dos débitos, o referido julgado também definiu as condições necessárias para a configuração da denúncia espontânea da infração decorrente da mora ou impontualidade no pagamento do tributo. E neste caso, as condições objetivas configuradoras da denúncia espontânea são as seguintes: a) o prévio pagamento da diferença a maior do tributo acrescidos dos juros moratórios; e b) a apresentação concomitante ou posterior da declaração retificadora, antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, em que informada a parcela do tributo a maior paga e ainda não declarada. Após a referida decisão, a PGFN passou a adotar o mesmo entendimento manifestado no referido julgado, conforme se lê no enunciado da ementa do Parecer PGFN/CRJ nº 2.124/2011, que segue reproduzido: A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 1 BRASIL. STJ. REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10880.918180/201304 Acórdão n.º 3302004.929 S3C3T2 Fl. 7 6 No caso, há provas nos autos (fls. 80/82), que a recorrente declarou na DCTF e pagou dentro do prazo de vencimento a Contribuição para o PIS/Pasep do mês de outubro de 2003 no valor de R$ 2.994.807,61. Em seguida, no dia 27/2/2004, após o prazo de vencimento, realizou o pagamento complementar da referida contribuição no valor de R$ 266.755,76, acrescido de juros moratórios de R$ 9.709,91. Após o referido pagamento e antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, no dia 18/6/2004, a recorrente apresentou a DCTF retificadora com acréscimo do referido valor complementar (fls. 83/84). Em seguida, no dia 20/7/2004, a recorrente realizou o pagamento da multa de mora, referente ao referido valor complementar recolhido fora do prazo de vencimento (fl. 78), objeto do presente do procedimento de compensação. Assim, resta demonstrado que a recorrente realizou pagamento integral do débito complementar, com os acréscimos dos juros moratórios, previamente a apresentação da DCTF retificadora e antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, portanto, cumpriu as condições necessárias para a configuração da denúncia espontânea da infração, prevista no art. 138 do CTN. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso voluntário, para reconhecer o direito da recorrente de compensar o débito informado até o valor indevido da multa de mora recolhido." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a recorrente realizou pagamento integral do débito complementar, com os acréscimos dos juros moratórios, previamente a apresentação da DCTF retificadora e antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, portanto, cumprindo as condições necessárias para a configuração da denúncia espontânea da infração, prevista no art. 138 do CTN. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito da recorrente de compensar o débito informado até o valor indevido da multa de mora recolhido.. Fl. 201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720025/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições.
OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições.
OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-004.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à glosa de créditos de fretes e, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao Recurso quanto à inclusão das bonificações na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições. OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições. OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. Recurso negado.
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OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições. OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à glosa de créditos de fretes e, pelo voto de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 25 /2 01 2- 51 Fl. 502DF CARF MF 2 qualidade, por negar provimento ao Recurso quanto à inclusão das bonificações na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração de PIS e COFINS relativamente ao primeiro trimestre de 2007. Basicamente, nos termos do descrito no TVF (fl. 17/31), o lançamento foi levado a efeito tendo em vista o seguinte: Glosa de despesas de frete na operação de venda: valores constantes como créditos a descontar na linha 07 das fichas 6A (PIS) e 16A (COFINS) dos DACON a título de "despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda". Averba a fiscalização nos termos das legislações de regência que só poderão ser descontados créditos relativos à despesas incorridas com fretes utilizados na operação de venda e de bens adquiridos para revenda quando o ônus for suportado pelo vendedor. Intimado a segregar os lançamentos contábeis a esse título, discriminando, separadamente, as despesas com fretes na operação de venda, das despesas de combustíveis, lubrificantes, armazenagem, concluiu a fiscalização que descabe o crédito com despesas de armazenagem e que das despesas de fretes contabilizadas somente podem ser deduzidas aquelas referente a contratações "de fretes ocorridas nas operações de vendas de mercadorias", não podendo ser deduzidas as despesas com combustível e lubrificantes utilizados pela empresa em sua frota. O documento 15 detalha os valores das glosas; O outro item do auto de infração referese à subvaloração da base imponível das contribuições por não ter o contribuinte oferecido à tributação as "bonificações recebidas de fornecedores em disponibilidade". Informa a fiscalização que "o recebimento destas disponibilidades ocorreu de formas variadas, quais sejam, recursos em moeda contabilizados a débitos em contas correntes bancárias, ou ordens de pagamento sem identificação ou cheques em carteira, posteriormente destinadas a depósito em contas bancárias do sujeito passivo". Afirmou o Fisco: Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10970.720025/201251 Acórdão n.º 3402004.938 S3C4T2 Fl. 503 3 Conclui a fiscalização "que o art. 1º, § 2º, da Lei 10.637/2002 (PIS) e o art. 1º, § 2º, da Lei 10.833/2003, preconizam que os recursos auferidos a título de bonificações em disponibilidade (verbas repassadas pelos fornecedores) devem integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativa pois se enquadram no conceito de faturamento", e acresce: Na sequência a fiscalização detalha a forma como a empresa vinha contabilizando tais valores para demonstrar a distorção que ela acarreta, pois "esta receita de bonificações vai para a apuração da base de cálculo de IRPJ e da CSLL, mas não vai para a base de cálculo do PIS e COFINS devidos". Esta distorção fica evidenciada pela fiscalização, conforme o que abaixo reproduzse: O documento 16 demonstra os valores da base de cálculo das contribuições refeitas pelo Fisco, e os valores finais a pagar encontramse nos "Demonstrativos de Apuração do PIS e COFINS e da Movimentação dos Saldo de Créditos a Descontar", conforme docs. 10 e 04, respectivamente. Impugnado o lançamento, a DRJ/JFA (fls. 463/467) manteve o mesmo na íntegra. Não resignada, a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 473/488). Alegou em síntese: EM RELAÇÃO À GLOSA DOS FRETES Que dedicase "ao comércio atacadista de mercadorias em geral, na modalidade de atacadistadistribuidor, adquirindo grandes quantidades de mercadorias diretamente dos fabricantes, de outros atacadistas ou de importadores, armazena, revende tais Fl. 504DF CARF MF 4 mercadorias e as entrega, diretamente nos estabelecimentos varejistas, compradores, por meio de veículos próprios e de terceiros, nos mais diversos pontos do território nacional". No ano de 2007, averba, utilizava 240 caminhões de sua propriedade para entrega de mercadorias revendidas em cerca de 1.500 estabelecimentos em pelos menos 17 estados da Federação. Entende, em suma, que para que seja admitido o princípio da nãocumulatividade "todos os custos e despesas necessárias à atividade comercial sobre os quais tenha incidido as guerreadas contribuições nas etapas anteriores sejam passíveis de creditamento". Entende que a expressão "despesas com frete" constante das leis de regências das contribuições no sistema não cumulativo "não tem um sentido único de "fretes contratados", nem pode ser interpretada de forma isolada sem se considerar todo o complexo jurídico tributário que levou à implantação da incidência do PIS e da COFINS, pelo regime nãocumulativo", discorrendo sobre tal tese. Ou seja, em suma, entende que devem ser admitidas as despesas por ela incorridas para entregar as mercadorias que revende utilizandose de frota própria. Entende que "a lei utiliza a palavra FRETE e não expressão frete contratado". Colaciona jurisprudência que vai ao encontro de sua assertiva. E conclui, no ponto, que tem direito de aproveitar, "a título de despesas com frete", os gastos incorridos e pagos, na compra de combustíveis e de lubrificantes que utilizou em veículos de sua propriedade que fizeram a entrega aos compradores das mercadorias a ele vendidas"; SOBRE AS BONIFICAÇÕES RECEBIDAS DE FORNECEDORES, EM DISPONIBILIDADES Alega que tais bonificações foram recebidas incondicionalmente, independente de qualquer contrapartida por parte da compradora e que são destinados, basicamente, a reduzir os custos das diversas mercadorias compradas da empresa bonificadora com o objetivo de incentivar as vendas de seus produtos. Elas permitem, alega, que os fornecedores reduzam os custos das mercadorias a serem revendidas, "tornando os preços finais de venda mais atrativos e competitivos". Consigna que elas não representam receitas e que foram corretamente contabilizadas a crédito de contas de descontos obtidos e de uma contra representativa de ações comerciais de incentivo a vendas, e que, por tal, não integram a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS, e como, continua, são contas de resultado são encerradas no balanço como redutoras de custo das mercadorias vendidas e provocam aumento do lucro líquido, tendo sido tributadas pela CSLL e pelo IRPJ. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire A GLOSA DE CRÉDITOS A empresa informa que efetua, em veículos próprios, a entrega das mercadorias que revende e alega que os valores glosados da base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins são indevidos visto que não há previsão de limitação alguma, quanto ao direito do contribuinte de considerar como créditos no cálculo da COFINS, de despesas realizadas com fretes feitos com utilização de veículos próprios, como é o caso dos combustíveis e lubrificantes O inciso IX do art. 3º e o inciso II do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/2003, que admitem o crédito para a Cofins e PIS/Pasep relativamente à “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10970.720025/201251 Acórdão n.º 3402004.938 S3C4T2 Fl. 504 5 vendedor”, não se aplica à empresa, pois a armazenagem e frete aí mencionados, evidentemente, referemse aos serviços de terceiros, prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País, e não às despesas próprias. O transporte de produtos, executado por empresa dedicada a atividade comercial, entre seus estabelecimentos ou destes para os clientes, não caracteriza o frete da operação de venda de que trata a legislação. Ainda assim, em que pese a extensa argumentação recursal no sentido de tentar demonstrar que despesas com combustíveis e lubrificantes, quando efetuadas por empresas que efetuam a entrega das mercadorias vendidas por meio de transporte próprio, geram crédito de PIS/Pasep e Cofins, entendo que, para a solução da lide no presente lançamento, a discussão sobre se as despesas com esse tipo de operação se caracterizam como aquelas relativas “frete na operação de venda” é de todo dispensável, tendo em vista a norma de regência. Os citados incisos IX do art. 3º e II do art. 15, da Lei 10.833/2003, estabelecem para a Cofins e para o PIS/Pasep, respectivamente, que “do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Dessumese que, nos termos do comando legal transcrito, para que a empresa possa se apropriar de créditos relativo “frete na operação de venda”, é indispensável que o ônus seja suportado pelo vendedor, o que não ocorre no caso em tela. A recorrente informa que “no exercício da sua atividadefim, prevista no contrato social, de atacadistadistribuidor, revende mercadorias adquiridas no atacado, diretamente das indústrias ou de importadores, a comerciantes varejistas ou a outros atacadistas e as entrega nos estabelecimentos indicados pelos compradores, utilizando veículos (caminhões) de sua propriedade e assumindo todo o ônus do transporte (frete), cujo custo está embutido no preço das mercadorias revendidas”, e ainda que “os custos dos combustíveis consumidos são incluídos nos preços das mercadorias revendidas”. Significa dizer que a impugnante transfere o ônus da despesa de frete para o comprador, o que é exatamente o inverso do que preconiza o dispositivo legal acima citado. Na verdade, é normal no comércio atacadista, e até mesmo no varejista, a transferência do custo do transporte da mercadoria vendida ao comprador, quando o local de entrega for distante da sede da vendedora. Algumas empresas cobram o valor do frete de forma destacada, outras, como a impugnante, embutem esse valor no preço final da mercadoria vendida. Em qualquer dos casos não existe direito ao crédito de PIS/Pasep e Cofins, visto que o ônus não é suportado pelo vendedor e sim pelo comprador. Portanto, correta a glosa. A INCLUSÃO DAS BONIFICAÇÕES NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES No presente auto de infração, foram tributados como “omissão de receitas” os valores recebidos, em moeda, de fornecedores a título de bonificações cujo objetivo seria a promoção de ações comerciais e precificação. Fl. 506DF CARF MF 6 Quanto à base de cálculo da contribuição para a Cofins, a Lei 10.833/2003 estabelece: Art 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Assim, não existe dúvida de que toda e qualquer receita auferida pela empresa integra a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep a para a Cofins. A impugnante alega que por não representarem receitas, os respectivos valores, em consonância com as normas brasileiras de contabilidade e os princípios contábeis geralmente aceitos, foram corretamente contabilizados a crédito de contas de descontos obtidos e uma conta representativa de ações comerciais de incentivo a vendas. Em verdade, os valores recebidos são descontos e não receitas auferidas. Ora, descontos, sejam eles incondicionais ou não, são valores que reduzem o total pago em uma determinada compra. No caso, a empresa em vez de redução recebeu um acréscimo de receita. Usando dos exemplos constantes no Termo de Verificação Fiscal (TVF), teríamos a seguinte situação: a empresa pagou R$ 100,00 recebeu os mesmos R$ 100,00 em mercadorias e mais um acréscimo de R$ 10,00. Desconto não é, visto que a adquirente ao invés de pagar menos, recebeu mais. Até se poderia admitir hipótese de desconto, se, no exemplo acima, a empresa ao receber os R$ 10,00 de bonificação usasse como base de cálculo dos créditos de PIS/Pasep e Cofins, o valor de R$ 90,00. Assim, outra não pode ser a conclusão de que tais bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. Nesse sentido, vários julgados da 3ª Turma da CSRF. Como exemplo, citese o Acórdão 9303004.608, de 26/01/2017, cuja ementa, neste mérito, dispõe: COFINS NÃOCUMULATIVA. BONIFICAÇÕES CONDICIONAIS. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições nãocumulativas é composta pela totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente da sua natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não se incluem as bonificações. CONCLUSÃO Forte em todo exposto, nego provimento ao recurso. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10970.720025/201251 Acórdão n.º 3402004.938 S3C4T2 Fl. 505 7 É como voto. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator Fl. 508DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.913317/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.011
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 33 17 /2 01 1- 68 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13839.913317/201168 Acórdão n.º 3402005.011 S3C4T2 Fl. 0 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos da Contribuição para 63 COFINS. De acordo com o Despacho Decisório denegatório do direito inicialmente pleiteado, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que em um trabalho de revisão de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e Cofins, constatouse que no período de dezembro de 2002 a março de 2004, foram aplicadas alíquotas vigentes à época, em desacordo com a Lei 10.485/02, art. 3º, § 2º, inciso I; que foi feito levantamento dos produtos constantes dos anexos I e II que foram indevidamente tributados e chegouse ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação; que diante deste fato transmitiu em 14/11/2005, Pedido de Restituição, informando que em 30/09/2003, arrecadou indevidamente, a título de PIS/PASEP, por meio de darf no valor de R$19.398,03, a importância de 1.626,87; que transmitiu a Declaração de Compensação remetendo ao pedido de restituição e que o utilizaria para compensar débito de mesmo valor com vencimento. que por um lapso a DCTF do período não foi retificada, no entanto na DIPJ do período está declarada corretamente. Passa a discorrer sobre o direito creditório embasandoo em fundamentos jurídicos citando inclusive posicionamentos jurisprudenciais, para ao final requerer a homologação da compensação e que seja declarado sem efeito o despacho decisório. Sobreveio então o Acórdão 02058.299, da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Ademais, alega que o Acórdão da DRJ padeceria de nulidade, devido à falta de apreciação de questões e provas relevantes para o deslinde da controvérsia. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13839.913317/201168 Acórdão n.º 3402005.011 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402004.996, de 21 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 13839.913300/201119, paradigma ao qual o presente processo vinculase. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402004.996: "Como se depreende do relato acima, ao se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, a Recorrente brada pela existência de indébitos decorrentes de pagamento indevido da Contribuição ao PIS. Aduz ter realizado um trabalho de revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, constando que recolheu indevidamente as contribuições pois, com fundamento na Lei n. 10.485/02, artigo 3º, §2º, inciso I, a alíquota sobre os produtos constantes nos Anexos I e II deveria seria, mas tributouos à alíquota vigente à época, sendo assim levantou os produtos constantes dos referidos Anexos e que foram indevidamente tributados chegando ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação referidos. Para corroborar suas alegações, a Recorrente apresenta, cópia da PER/DCOMP , Recibo de Entrega do Pedido de Restituição, da DCTF do período de apuração (fls 44), DACON (fls 46), DARF (fls 50), folhas do Razão Geral (fls 51), de antes e depois da revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, bem como Demonstrativo elaborado com a pretensão de demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior (fls 53). Outrossim, a própria Recorrente assume que, por uma lapso, deixou de efetuar a retificação da DCTF, muito embora tenha devidamente retificado a DIPJ, o DACON, tudo com registro em seu livro razão. Quando constatou seu erro, justamente pela não homologação das compensações, o prazo para a retificação já estava expirado. Pois bem, muito embora o DACON e a DIPJ sejam de fato simples declarações, incapazes de, sozinhas, salvaguardar o crédito pleiteado pela Recorrente sempre no intuito de demonstrar o erro em sua DCTF, que, como se sabe, tem efeito de confissão de dívida o livro razão é justamente um dos documentos fiscais/contábeis aptos para tanto, sendo presumidas verdadeiras as informações ali constantes, conforme os artigos Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13839.913317/201168 Acórdão n.º 3402005.011 S3C4T2 Fl. 0 4 417 e 419 do Novo Código do Processo Civil (NCPC) e o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99). Ocorre que, nos presente caso, a Recorrente apresentou unicamente duas folhas soltas do seu livro razão (fls 51 e 52). Ou seja, não é possível aferir a validade do documento, uma vez que o Decretolei 468/69, em seu artigo 5, §2º determina que "os Livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio." (...)1 Lembremos que Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de 1 Transcreveuse apenas o entendimento que prevaleceu no paradigma. Os fragmentos sobre a conversão em diligência, em que a relatora restou vencida, foram aqui omitidos, por irrelevantes, mas podem ser consultados em sua íntegra no acórdão paradigma. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13839.913317/201168 Acórdão n.º 3402005.011 S3C4T2 Fl. 0 5 débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 2 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos. Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir totalmente do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DIPJ, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, estabelece que: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com 2 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13839.913317/201168 Acórdão n.º 3402005.011 S3C4T2 Fl. 0 6 observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou documentação suficiente que comprovasse o crédito alegado, já que as folhas soltas do livro razão carecem de legitimidade para tanto. Outrossim, a mera apresentação do demonstrativo interno da sociedade não é suficiente para comprovar a existência de alegado indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, haja vista que se encontra desacompanhado de documentos que lhe dê suporte jurídico. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Foi justamente nesse sentido de decidiu o Acórdão recorrido, bem apreciando todas as provas trazidas aos autos, cotejandoas com o direito Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13839.913317/201168 Acórdão n.º 3402005.011 S3C4T2 Fl. 0 7 pleiteado pela Recorrente, não havendo, portanto, que se falar em nulidade da decisão a quo, como aventado na peça recursal. Afinal, ressaltese, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13839.913317/201168 Acórdão n.º 3402005.011 S3C4T2 Fl. 0 8 para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13839.913317/201168 Acórdão n.º 3402005.011 S3C4T2 Fl. 0 9 confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo plenamente comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Tendo em vista que essa turma de julgamento decidiu questão prejudicial ao pleito da Recorrente, no sentido de que não é cabível a diligência proposta por esta Relatora, não resta o que fazer nesse processo se não manter a não homologação das compensações pretendidas, pois não foram comprovados os créditos para fazer frente aos débitos nelas apontados. Ex positis, voto no sentido de negar provimento o recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720062/2014-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
NULIDADE DE DECISÃO DA DRJ. OMISSÃO DE ANÁLISE DE REQUERIMENTO EXPRESSAMENTE INDICADO NA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA DO CONTRIBUINTE.
Uma vez constatado que a decisão da DRJ não tratou de argumento expressamente apresentado pelo contribuinte em sua impugnação administrativa e que este argumento é relevante à solução da presente contenda, torna-se imperativo o reconhecimento da nulidade da decisão recorrida por falta de fundamentação, determinando-se o retorno dos autos àquela instância julgadora, para que profira nova decisão, incluindo a análise do argumento omisso, evitando assim supressão de instância.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3301-004.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que nova decisão seja proferida, com a inclusão do pleito subsidiário apresentado pelo contribuinte quando da impugnação, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauti - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 NULIDADE DE DECISÃO DA DRJ. OMISSÃO DE ANÁLISE DE REQUERIMENTO EXPRESSAMENTE INDICADO NA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA DO CONTRIBUINTE. Uma vez constatado que a decisão da DRJ não tratou de argumento expressamente apresentado pelo contribuinte em sua impugnação administrativa e que este argumento é relevante à solução da presente contenda, torna-se imperativo o reconhecimento da nulidade da decisão recorrida por falta de fundamentação, determinando-se o retorno dos autos àquela instância julgadora, para que profira nova decisão, incluindo a análise do argumento omisso, evitando assim supressão de instância. Recurso Voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE DE DECISÃO DA DRJ. OMISSÃO DE ANÁLISE DE REQUERIMENTO EXPRESSAMENTE INDICADO NA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA DO CONTRIBUINTE. Uma vez constatado que a decisão da DRJ não tratou de argumento expressamente apresentado pelo contribuinte em sua impugnação administrativa e que este argumento é relevante à solução da presente contenda, tornase imperativo o reconhecimento da nulidade da decisão recorrida por falta de fundamentação, determinandose o retorno dos autos àquela instância julgadora, para que profira nova decisão, incluindo a análise do argumento omisso, evitando assim supressão de instância. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que nova decisão seja proferida, com a inclusão do pleito subsidiário apresentado pelo contribuinte quando da impugnação, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) José Henrique Mauti Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 62 /2 01 4- 21 Fl. 3740DF CARF MF 2 Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). Fl. 3741DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.741 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão da DRJ, às fls. 3.498/3.543 dos autos: Contra a contribuinte NIDERA SEMENTES LTDA, em epígrafe, foram lavrados autos de infração no valor total de R$ 10.139.084,56, para exigência de Cofins e de contribuição para o PIS, relativas aos segundo e terceiro trimestres de 2009. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL Do extenso e bem detalhado Termo de Verificação Fiscal de fls. 38/125, parte integrante dos autos de infração, extraemse as seguintes informações. A fiscalização iniciouse em 03/04/2013 com vistas à verificação da legitimidade/legalidade dos pedidos de ressarcimento de PIS e COFINS não cumulativos do 2° e 3° trimestres de 2009, além da apuração de eventuais diferenças dessas contribuições. Durante a fiscalização, a autoridade fiscal lavrou diversos Termos de Intimação, dos quais resultaram diversas respostas por escrito fornecidas pelo contribuinte. No referido Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal, após identificar as atividades econômicas exercidas pela empresa, consignou: ‘’8. A partir das informações apresentadas pela Nidera Sementes Ltda, verificou–se que o contribuinte comercializa os seguintes produtos/serviços. Produto/Serviço Tributação PIS/COFINS Fundamentação Legal Sementes para semeadura de Milho, Soja, Sorgo e Girassol Alíquota Zero Lei nº 10.925/2004, art 1º, III Trigo comercializado no Mercado Interno Alíquota Zero Lei nº 10.925/2004, art 1º, XV e § 1º Fertilizantes e Defensivos Alíquota Zero Lei nº 10.925/2004, art 1º, I e II Exportação de Milho e Soja em Grãos Não incidência Lei nº 10.833/2003, art 6º, I Sementes Vencidas e outros resíduos, como Palha e Sabugo Tributado Fl. 3742DF CARF MF 4 Prestação de Serviços, Pesquisa e Desenvolvimento, Corretagens, Royalities Tributado Milho e Soja em Grãos comercializados no Mercado Interno Tributado 9. Solicitado a descrever o processo produtivo, o contribuinte explicou a existência de dois negócios distintos na empresa, quais sejam, o processo de produção de sementes, identificado em todos os lançamentos contábeis e registros extracontábeis pela sigla NID, e o processo de comercialização de grãos, identificado em todos os lançamentos contábeis e registros extracontábeis pela sigla BGO. 10. A empresa explicou o Processo de Sementes da seguinte forma, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 1/2013: "Item 1 (Processo de sementes) A primeira etapa para produção de sementes acontece no melhoramento do Hibrido, empresa realiza um trabalho de pesquisa constante buscando o melhoramento da sua matriz. Nos laboratórios de germinação é realizado o acompanhamento e evolução da semente. Que também pode ser realizado numa estação quarentenária, em estabelecimento da empresa na cidade de Uberlândia que serve para o aprimoramento de suas pesquisas. Após a colheita das sementes, elas passam por um processo de Beneficiamento. Onde o milho passará por um processo conhecido como despalha, debulha e seca o produto. Feito este processo, existem vários silos para a armazenagem da semente até que estas sejam ensacadas. A Nidera possui suas unidades de pesquisa nas cidades de Uberlândia MG, Realeza PR,Abelardo Luz SC e Rio Verde GO, que fazem todos os testes e melhoramento em seus produtos (sementes de milho, sorgo e soja). No ano de 2009 houve também a produção de sementes de Girassol, nas unidades de Minas Gerais e Paraná. Todas as cultivares da Nidera são registradas no Ministério da Agricultura (que podem ser acessadas através do sitehttp://extranet.agricultura.gov.br/php/snpc/cultivarweb/cultivares_registradas. php?) antes do contrato de multiplicação que a empresa faz com os parceiros. É celebrado uma contrato de multiplicação de Sementes de milho e sorgo em parceria com produtores rurais, tanto pessoa Física como Jurídica. Neste contrato fica acordado que a Nidera irá pagar por hectare colhido. No inicio da produção, a Nidera encaminha para o produtor Semente Genética ou Básica, agroquímicos e fertilizantes que serão utilizados naquele plantio. O acompanhamento deste procedimento é realizado por agrônomos, funcionários da Nidera, que participam desde o plantio até a colheita. Após a colheita, os produtos são acondicionados em caminhões específicos para a unidade de beneficiamento da empresa, onde ele será despalhado, debulhado e ensacado em sacos que contenham 60.000 sementes. A Semente de Milho é guardada em câmara fria ou em armazém, na própria empresa até a sua venda. Antes que a venda aconteça, esta semente passará por rigoroso teste de germinação para acompanhamento da qualidade e será certificada pelo Ministério da Agricultura que irá liberar esta semente para a venda. Fl. 3743DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.742 5 Toda a venda da semente, sai com um certificado do laboratório , o transporte contratado para realizar as entregas por conta da Nidera e os agrônomos também acompanham a entrega e orientam os produtores na forma de plantar a semente para obter melhores resultados na colheita. A semente de soja também tem o mesmo tipo de contrato de multiplicação com os produtores, mas o modelo é um pouco mais simples, isto porque os produtores que multiplicam as sementes de soja, é que fazem o beneficiamento em UBS próprias ou de terceiros e fazem a liberação e certificação pelos laboratórios dos mesmos ou de terceiros. A Nidera remete para os parceiros produtos e embalagens para ensacar a semente. Também são envidados paletes, film Strech, Sleep Shit, entre outros materiais necessários para que a semente fique armazenada da melhor forma possível para não perder germinação. Após este processo toda a semente que foi multiplicada nos parceiros é comprada pela Nidera, conforme estipulado em contrato. Se por alguma razão, as sementes que não germinam, são transformadas em grãos e vendidas para outras empresas que poderão fazer ração, álcool, ou mesmo comercialização." 11. Já o processo de comercialização de grãos foi assim explicado, também em resposta ao Termo de Intimação 1/2013: "(Processo de Exportação de Grãos) Durante o período em análise, eram duas as formas de operação da Nidera em relação aos seus processos de exportação: 1) A Nidera adquiria lotes de produtos (soja e milho), já depositada em determinado armazém. Após a transferência da propriedade do produto para a Nidera, através de Nota Fiscal de venda, a Nidera remetia a mercadoria para armazenagem, até que houvesse a atracação do navio, para que os produtos fossem embarcados, e devidamente exportados; 2) Os produtos (soja e milho) eram adquiridos no "interior", o vendedor emitia nota fiscal de venda para a Nidera, que se responsabilizava pelo transporte destes produtos até os portos. Após a chegada dos produtos no porto, o processo era exatamente o mesmo, Nidera faz remessa para armazenagem, aguarda a atracação do Navio e na sequencia faz o devido processo de exportação." 12. Com relação ao processo de comercialização de grãos, apesar do contribuinte explicar apenas os procedimentos de exportação, verificouse também que existiram vendas no mercado interno de soja e milho, assim como a importação de trigo para posterior comercialização no mercado interno. 13. Sendo assim, questionado novamente sobre atribuição das siglas NID e BGO às atividades econômicas realizadas pela empresa bem como às suas filiais, o contribuinte respondeu assim ao Termo de Intimação Fiscal 02/2013: "As siglas "NID" e BGO" são denominações especificadas em processos internos para diferenciar respectivamente as operações de "Sementes" e Grãos". As principais atividades das filiais classificadas como NID são pesquisa e desenvolvimento de sementes, bem como a comercialização das mesmas, nas operações "BGO" temos a exportações dos grãos bem como a comercialização no mercado interno;" 14. Importante observar que no Termo de Início de Procedimento Fiscal foi solicitado à empresa que explicasse o processo produtivo e identificasse todos os insumos consumidos nestes processos. A empresa assim se manifestou: Fl. 3744DF CARF MF 6 "Cumprenos informar, que durante o período fiscalizado não desenvolvemos qualquer atividade de industrialização de nossos produtos;" 15. Por último, tornase muito importante observar também o Contrato Social consolidado da pessoa jurídica Nidera Sementes Ltda, evidenciandose as duas principais atividades nos dois primeiros itens do objeto social: Cláusula 3a A Sociedade tem por objeto: a) A comercialização, importação, exportação, transporte e armazenagem de algodão, grãos, cereais, óleos vegetais, farelos e laticínios, fertilizantes simples ou compostos, suas matérias primas, corretivos do solo, bem como seus derivados e implementos agrícolas; b) A produção, armazenagem, reembalagem, beneficiamento, comercialização, importação, exportação, transporte, distribuição, classificação, certificação, análise e representação de sementes básicas, certificadas e fiscalizadas, de produção própria e de terceiros; c) A pesquisa e desenvolvimento genético de espécies de cultivares, biotecnologia, produção, armazenagem, comercialização, importação e exportação de produtos relacionados com suas atividades; d) A representação, agenciamento e intermediação de negócios envolvendo implementos agrícolas e insumos agropecuários em geral, inclusive fertilizantes e defensivos; e) A prestação de serviços em geral, inclusive de pesquisa, experimentação e análises químicas e físicas no campo da agronomia; A formulação, produção, beneficiamento, comércio, importação, exportação e representação de defensivos agrícolas em geral, inseticidas, fungicidas, formicidas, herbicidas, rodenticidas e outros produtos químicos correlatos para a agricultura, bem como fertilizantes simples ou compostos, suas matérias primas, corretivos de solo, bem como seus derivados e implementos agrícolas; g) A edição de publicações de caráter técnicocientífico ou não; e h) A participação em outras companhias nacionais ou estrangeiras como sócia quotista ou acionista e administração de bens próprios." 16. Pelo exposto até o momento, confirmase a existência de dois negócios totalmente distintos no período da fiscalização. O primeiro, um processo produtivo de multiplicação e comercialização de sementes, com lançamentos contábeis e extracontábeis identificados pela sigla NID, onde parceiros são os responsáveis pela produção das cultivares que serão vendidas. Esta atividade econômica será referenciada no presente termo por produção de sementes (NID). 18. O segundo, um processo estritamente comercial de exportação ou venda no mercado interno de grãos, com lançamentos contábeis e extracontábeis identificados pela sigla BGO. Esta atividade econômica será referenciada no presente termo por comercialização de grãos (BGO). 19. Por tudo o exposto, as análises das receitas auferidas pela empresa e das despesas relacionadas às bases de cálculos dos créditos de PIS/Cofins foram realizadas de forma segregada para cada um dos dois negócios identificados.” Fl. 3745DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.743 7 Nesse cenário, analisando as receitas auferidas pela empresa no 2° e 3° trimestres de 2009, o agente fiscal entendeu que algumas receitas de vendas realizadas pela fiscalizada deveriam ter sido incluídas na base de cálculo das mencionadas contribuições, de acordo com a legislação vigente. Nesse tema, quatro são as irregularidades apuradas pela Fiscalização. Constatou também a autoridade fiscal que diversas despesas realizadas pela empresa não deveriam ter sido consideradas como base de cálculo para apuração dos créditos de PIS/Cofins, por falta de previsão legal ou expressa vedação. Nesse tema, sete são as denominadas glosas específicas de créditos promovidas pela fiscalização. O agente fiscal, então, promoveu os lançamentos de ofício para exigir as contribuições sociais recolhidas a menor, identificando no referido Termo de Verificação Fiscal as seguintes infrações, na ordem em que apresentadas: 1. DAS RECEITAS NÃO CONSIDERADAS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS 1.1. EXPORTAÇÃO NÃO CONFIRMADA A Fiscalização analisou todas as exportações realizadas pela contribuinte no 2° e 3o trimestres do ano de 2009, com vistas a confirmar a correta aplicação da não incidência das aludidas contribuições sociais sobre as receitas de exportação. Segundo o agente fiscal, apenas uma das operações realizadas, consubstanciada na Nota Fiscal n° 14, emitida em 29/09/2009, não poderia ser acolhida, conforme manifestação a seguir: "53. Na realidade, a documentação comprobatória de exportação não apresentada se refere à Nota Fiscal 14, vendida à Seara Ind e Com de Produtos Agropecuários Ltda, CNPJ 75.739.086/001140, emitida em 29/09/2009. 54. A Nota Fiscal n° 14, emitida em 29/09/2009, não possui todos os requisitos para confirmação da não incidência da tributação na exportação (§2º do art. 39 da Lei n° 9.532, de 1997). Intimado a comprovar a exportação da venda realizada através da Nota Fiscal 14, a empresa não apresentou quaisquer documentos que comprovassem a efetiva exportação do produto. 55. A mercadoria comercializada, soja em grãos, NCM 12.01.90.00, não está inserida no rol de produtos com alíquota zero da tributação de PIS/ Cofins para as vendas realizadas no mercado interno. 56. Portanto, pelos motivos expostos e pelo não atendimento à legislação sobre a nãoincidência da tributação (artigo 6°, inciso III da Lei n° 10.833, foi efetuada a recomposição da base de cálculo da contribuição para o PIS/ Cofins, considerando como receita tributável a operação de venda realizada pela Nota Fiscal 14, emitida em 29/09/2009". 1.2. VENDA DE SOJA E MILHO EM GRÃOS NO MERCADO INTERNO Informou a autoridade fiscal que, de acordo com a legislação vigente, e com base nas explicações da Nidera Sementes Ltda sobre suas atividades econômicas, não se pode aplicar a suspensão da incidência de PIS/Cofins nas vendas de milho e Fl. 3746DF CARF MF 8 soja em grãos efetuadas no mercado interno, no negócio de comercialização de grãos (BGO). Consignou o autuante, no referido Termo de Verificação Fiscal: “79. Para enquadramento como cerealista, nos termos da legislação vigente é imperativo que a pessoa jurídica exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I, parágrafo 1° do art. 3 ° da IN SRF 660/06. A própria empresa se manifestou sobre suas atividades e não confirmou o exercício cumulativo das atividades necessárias ao enquadramento como Cerealista. Cabe ainda observar o Contrato Social da empresa, que em sua Cláusula 3a, item (a) não faz referencia às atividades de uma cerealista (item 15). 80. Na sequência, analisase a situação de empresa com atividade agropecuária, segundo as informações prestadas pela própria empresa sobre seu processo de comercialização de grãos (BGO) em diversas respostas oferecidas à fiscalização: (...) 81. Pelo disciplinado no parágrafo único do art. 2° da Lei 8.023/1990, com alterações da Lei 9.250 de 1995, a mera intermediação de produtos agrícolas não pode ser entendida como atividade agropecuária. O negócio de comercialização de grãos (BGO), segundo explicações feitas pela empresa acima transcritas, é uma atividade estritamente comercial. Não pode, portanto, a Nidera Sementes Ltda ser considerada uma pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária no negócio de comercialização de grãos (BGO). 82. Analisando os lançamentos contábeis que registraram as vendas de soja e milho em grãos ocorridas no mercado interno, obtêmse as seguintes contas: 4.1.1.02.009 > Grão Comercial Milho e 4.1.1.02.010 > Grão Comercial Soja. Estas duas contas contábeis estão relacionadas à atividade econômica de comercialização de grãos (BGO), conforme pode ser observado pelo prefixo do identificador de cada lançamento contábil registrado. 83. Importante verificar, ainda, que todas estas vendas de soja e milho em grãos no mercado interno, no negócio de comercialização de grãos (BGO), foram feitas com o CFOP 5102, cuja descrição é Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros. Tratase, portanto, de revenda de grãos, cuja aplicação da suspensão é expressamente vedada (§ 3° do art. 4° da IN SRF n° 660/2006). 84. Afastada a possibilidade de vendas com suspensão de incidência do PIS/Cofins para a comercialização no mercado interno de milho e soja em grãos (BGO), verificase ainda que inexiste previsão legal de aplicação da alíquota zero de PIS/Cofins para venda no mercado interno de milho em grãos, NCM 1005.90.10, e soja em grãos, NCM 1201.90.00. 85. Pelo exposto neste tópico e com fundamento no art. 3° da IN SRF n° 660/2006 e do § 3° do art. 4° da IN SRF n° 660/2006, concluise que as vendas no mercado interno de soja e milho em grãos, com CFOP das notas fiscais de saída 5102, relativos à atividade econômica de comercialização de grãos (BGO), devem ser tributadas pela contribuição ao PIS e Cofins. 86. Portanto, efetuouse a recomposição da base de cálculo da contribuição ao PIS/Cofins considerando como tributáveis todas as notas fiscais de vendas de milho e soja em grãos com CFOP 5102, negócio BGO, as quais não haviam sido tributadas pela Nidera Sementes Ltda. Fl. 3747DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.744 9 87. Neste ponto cabe uma observação, que não afeta o resultado do lançamento de ofício. Nos registros contábeis da empresa, parte das vendas de milho foram contabilizadas na conta contábil 4.1.1.02.010 > Grão Comercial Soja. O acerto da contabilidade foi efetuado posteriormente pela empresa, na apuração dos resultados anuais. Como a tributação de PIS/Cofins sobre a venda de milho e soja em grãos no mercado interno segue a regra geral, esta classificação de conta contábil, inexata para o período fiscalizado, não gera efeitos sobre os valores lançados de ofício.” 1.3. VENDA DE SEMENTES VENCIDAS À USINA CORACI No que se refere à atividade de produção de sementes, constatou o agente fiscal que a quase totalidade das receitas auferidas pela fiscalizada se enquadrou no regime de tributação à alíquota 0 (zero) da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, referindose a vendas de sementes para plantio e de defensivos praticadas. Ocorre que a autoridade fiscal identificou que uma fração dessas vendas referese a sementes "vencidas", hipótese que não estaria amparada pela legislação como sujeita à tributação à alíquota 0 (zero) das aludidas contribuições sociais, ou sequer hipótese de suspensão da incidência, tendo em vista tratarse de venda de insumos destinados à produção de álcool pelo adquirente, consoante se verifica pela atividade da compradora Usina Coraci Destilaria de Álcool Ltda. Nesse contexto, ressaltou o autuante: “98. Correto, assim, o reconhecimento da empresa, que a tributação do PIS/Cofins deve incidir sobre todas as vendas realizadas à empresa USINA CORACI DESTILARIA DE ÁLCOOL LTDA, CNPJ 51.587.087/000267. 99. Portanto, pela falta de previsão legal para aplicação da tributação à alíquota zero, bem como pelo não atendimento aos requisitos legais para aplicação da suspensão da incidência das contribuições ao PIS/Cofins e ainda pelo reconhecimento da necessidade de tributação expressamente manifestado pela empresa, foi efetuada a recomposição da base de cálculo da contribuição ao PIS/Cofins considerando como tributáveis todas as notas fiscais de vendas à Usina Coraci, que não haviam sido tributadas pela Nidera Sementes Ltda.” 1.4. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS/REEMBOLSO DE DESPESAS Constatou a autoridade fiscal que as receitas de prestação de serviços classificadas nas contas contábeis n°. "4.1.1.03.002 Receitas Serviços Pesquisa/Desenvolvimento" e n°. "4.1.1.06.006 Serviços e Corretagens" não foram oferecidas à tributação da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Não obstante a explicação da fiscalizada de que as referidas receitas eram, na realidade, reembolsos de despesas efetuados pela empresa Concórdia Trading BV (companhia do mesmo grupo econômico), o agente fiscal houve por bem promover o lançamento de ofício, conforme manifestação a seguir: “120. Portanto, por não comprovar o efetivo reembolso de despesas e pela inexistência de previsão legal para a exclusão do reembolso de despesas da base de incidência da tributação para as contribuições ao PIS/Cofins, efetuouse a recomposição da base de cálculo da contribuição ao PIS/Cofins considerando como tributáveis todos os lançamentos das contas contábeis 4.1.1.03.002 > Rec. Servicos Pesquisa/Desenvolvimento e 4.1.1.06.006 > Servicos E Corretagens.” 2. DA GLOSA DOS CRÉDITOS Fl. 3748DF CARF MF 10 Após a análise das receitas da fiscalizada que deveriam se submeter à incidência da contribuição para o PIS e da COFINS, o agente fiscal passou a discorrer sobre os créditos dessas contribuições apurados pela empresa, na forma do artigo 3o das Leis n°. 10.637, de 30/12/2002, e n°. 10.833, de 19/12/2003, relativos ao 2° e 3° trimestres do ano de 2009, utilizados tanto para desconto dos débitos dessas contribuições apurados no período, em relação as operações tributadas no mercado interno, quanto para fins de ressarcimento. Destacou a autoridade fiscal (fls. 1.394/1.396): “123. Inicialmente cabe observar que a empresa solicitou valores de Ressarcimentos de PIS/Cofins para o 2° e 3° trimestres de 2009 informando haver créditos apurados nas operações de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita Não Tributada, nos seguintes valores: PER Registro Natureza Crédito 15736.65199.270709.1.11 9646 27/07/2009 COFINS NC MI 27004.21601.270709.1.1.10 5567 27/07/2009 PIS/PASEP NC MI 15315.31248.231009.1.1.10 9428 23/10/2009 PIS/PASEP NC MI 13085.28680.271009.1.1.11 9553 27/10/2009 COFINS NC MI 124. Pelo Termo de Intimação Fiscal 01/2013 a empresa foi intimada a apresentar planilha extracontábil e relação de Notas Fiscais que atestassem inequivocamente a origem e natureza dos créditos pleiteados: Apresentar Memorial de Cálculo ou Demonstrativos, em papel e meio magnético, utilizados para subsidiar a apuração do PIS e da COFINS na sistemática nãocumulativa, de forma que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza dos créditos ora pleiteados, observando o que se segue:a) os Demonstrativos do item anterior devem ser elaborados separadamente para cada tipo de Receita (Tributada no Mercado Interno, Não Tributada no Mercado Interno e de Exportação), assim como no DACON (planilha no formato XLS); Apresentar em meio magnético e de forma segregada para cada linha das fichas 06A/16A (Mercado Interno) e 06B/16B (Importação) do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON), a relação das Notas Fiscais usadas na apuração dos créditos (consignando, no mínimo, n.° da NF, CNPJ e Nome do Emitente, Data da Emissão, Data da Entrada; Descrição Produto/Serviço, NCM, CFOP e Valor) (planilha no formato XLS); (...) 126. A empresa atendeu à intimação, respondendo ao item 12 no prazo solicitado e posteriormente encaminhando mensagem eletrônica em resposta ao item 13. Fl. 3749DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.745 11 127. Analisando a documentação apresentada, verificouse que a base de cálculo dos créditos constantes da planilha extracontábil e da relação de Notas Fiscais era superior à base de cálculo das informações constantes dos Dacons transmitidos pela empresa. O Termo de Intimação 02/2013 solicitou à empresa a apresentação de Dacons retificadores, sem a transmissão, no que foi prontamente atendido. 128. Assim, visto que durante o procedimento fiscal a empresa pleiteou créditos superiores àqueles constantes dos Dacons ativos nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a análise fiscal dos créditos de PIS/Cofins considerou as planilhas apresentadas pelo contribuinte e os Dacons retificadores não transmitidos, em detrimento às informações dos Dacons ativos. 129. Feitas estas considerações iniciais, passouse à análise dos créditos pleiteados pela Nidera Sementes Ltda. 130. Como todas as despesas informadas pela Nidera Sementes Ltda estão separadas pelas duas atividades econômicas exercidas pela empresa, produção de sementes (NID) e comercialização de grãos (BGO) (itens 8 a 19), a análise dos créditos pleiteados foi igualmente segregada. (...) 132. Antes de adentrar nas glosas específicas de créditos de PIS/Cofins que não observaram a legislação vigente, tornase importante explicar algumas glosas/estornos aplicados em um contexto mais geral sobre as despesas informadas pela empresa, quais sejam: Os estornos de créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão (inciso II do § 4° do art. 8 ° e do § 4 ° do art. 15 da Lei n ° 10.925, de 2004; § 2 ° do art. 3° da IN SRF 660/06); A glosa de créditos relativos à atividade de comercial exportadora (§ 4° do art. 6° e no inciso III do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003); A glosa de créditos pela ausência de apresentação de documentação comprobatória (art. 76 da IN RFB 1.300/2012).” Quanto aos estornos de créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, promovidos pela Fiscalização, o agente fiscal consignou: “135. As vendas efetuadas no mercado interno pela Nidera Sementes Ltda no negócio de comercialização de grãos (BGO) não foram consideradas como suspensas da incidência da contribuição ao PIS/Cofins, e foram lançadas de ofício. Portanto, para as receitas auferidas na atividade econômica de comercialização de grãos (BGO), não há que se aplicar o estorno de créditos da nãocumultividade. 136. Para as vendas efetuadas no mercado interno pela Nidera Sementes Ltda no negócio de produção de sementes (NID), a empresa comprovou o correto atendimento à legislação vigente para a saída com suspensão da incidência das contribuições ao PIS/Cofins. Entretanto, a empresa não estornou os créditos proporcionalmente às receitas auferidas com suspensão da tributação. 137. Desta forma, no caso dos créditos relativos a insumos da atividade econômica de produção de sementes (NID), agrupados nas rubricas "Bens Utilizados como Insumos" e "Serviços Utilizados como Insumos", devese efetuar um estorno Fl. 3750DF CARF MF 12 proporcional à receita auferida nas saídas com suspensão da incidência de PIS/Cofins, conforme § 2° do art. 3° da IN SRF 660/06. 138. Assim, após aplicar glosas específicas de créditos por não atenderem à legislação vigente, do saldo de crédito remanescente devese fazer o estorno proporcional às receitas auferida com suspensão da incidência de PIS/Cofins na atividade de produção de sementes (NID). 139. Como destacado nas planilhas mensais relativas à tributação incidente sobre as receitas auferidas pela Nidera Sementes Ltda (células com fundo amarelo), apresentadas ao final do tópico "DA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE PIS/COFINS", item 121, temse o seguinte percentual mensal de estorno relativo às receitas auferidas com a suspensão da incidência da contribuição ao PIS/Cofins para a atividade de produção de sementes (NID): Percentual mensal de créditos a estornar Vendas com Suspensão (com base na Receita de Vendas Suspensas NID) (...) 140. Muito importante ressaltar que, caso a empresa instaure o contencioso administrativo e alguma glosa relativa às rubricas "Bens Utilizados como Insumos" e "Serviços Utilizados como Insumos", na atividade de produção de sementes (NID), venha a ser julgada improcedente pelas instâncias julgadoras administrativas, o valor do crédito restabelecido deverá passar pela proporcionalização deste estorno relativo às vendas realizadas com suspensão da incidência de PIS/Cofins.” Já no que tange à glosa de créditos relativos à atividade de comercial exportadora, promovida pela Fiscalização, a autoridade fiscal consignou: “145. Apesar das pessoas jurídicas que realizam operações de exportação não apurarem contribuições a recolher sobre as respectivas receitas auferidas, a legislação permite que sejam apurados créditos referentes às mercadorias, produtos e insumos adquiridos, bem como em relação às despesas e encargos incorridos para o auferimento da receita da exportação (desde que estas receitas, se auferidas no mercado interno, estivessem sujeitas ao regime nãocumulativo), nas mesmas regras, condições e limites aplicáveis aos créditos apurados sobre as receitas auferidas no mercado interno. 146. Para a empresa comercial exportadora, porém, existe vedação legal expressa à apuração dos créditos relativos à Cofins, conforme se verifica na disposição constante do art. 6°, § 4°, extensiva à Contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do art. 15, inciso III, da Lei n° 10.833, de 2003, como segue: (...) 147. Destarte, por força do disposto no § 4° do art. 6° e no inciso III do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003, concluise que não é permitida a utilização de créditos diretos e indiretos da Contribuição para o PIS e para a Cofins, vinculados às despesas efetuadas por pessoa jurídica comercial exportadora. (...) 150. Desta forma, a Nidera Sementes Ltda não poderá utilizar créditos de PIS/Cofins relativos às operações de exportação na atividade econômica de comercializações de grãos (BGO), pelo fato de estar enquadrada no conceito de empresa comercial exportadora, como já visto anteriormente (itens 20 a 46). 151. Portanto, para cada rubrica de crédito analisada no negócio de comercialização de grãos (BGO), devese efetuar uma glosa proporcional à receita Fl. 3751DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.746 13 auferida nas exportações realizadas como empresa comercial exportadora, de acordo com o disciplinado no § 4° do art. 6° e no inciso III do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003. 152. Assim, após aplicar glosas específicas de créditos por não atenderem à legislação vigente, do saldo de crédito remanescente devese fazer a glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa no negócio de comercialização de grãos (BGO). 153. Como pode ser visto nas planilhas mensais relativas à tributação incidente sobre as receitas auferidas pela Nidera Sementes Ltda (células de cor laranja), apresentadas ao final do tópico "DA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE PIS/COFINS", item 121, temse o seguinte percentual mensal de glosas relativas às exportações realizadas pelo contribuinte como empresa comercial exportadora na atividade de comercialização de grãos (BGO): Percentual mensal de glosa sobre os créditos de PIS/Cofins exportações realizadas como empresa comercial exportadora (BGO) (...). 154. Muito importante ressaltar que, caso a empresa instaure o contencioso administrativo e alguma glosa na atividade de comercialização de grãos (BGO) venha a ser julgada improcedente pelas instâncias julgadoras administrativas, o valor do crédito restabelecido deverá passar pela proporcionalização da glosa relativa às exportações realizadas. Como exemplo, caso uma glosa relativa ao negócio BGO no valor hipotético de R$ 100,00 para o mês 04/2009 seja restabelecida pelos órgãos julgadores, somente R$ 3,92 poderão voltar a compor o crédito, como visto na planilha acima.” Por fim, no que se refere à glosa de créditos pela ausência de apresentação de documentação comprobatória, a autoridade fiscal ressaltou que durante as análises de cada rubrica de créditos, as notas fiscais não apresentadas pela empresa foram desconsideradas para fins de apuração dos créditos da nãocumulatividade das citadas contribuições, com fundamento no art. 76 da IN RFB 1.300/2012. Passa, então, o agente fiscal à análise de cada rubrica de crédito para, ao final, promover as denominadas glosas específicas de créditos das mencionadas contribuições sociais. 2.1. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS Informou o agente fiscal que, para comprovar as despesas relacionadas a esta rubrica do Dacon, a empresa relacionou 16 notas fiscais, no valor total de R$ 389.181,53 para o 2° e 3° trimestres de 2009; nas intimações foram solicitadas 6 cópias digitais de notas fiscais para amostragem, perfazendo o valor de R$ 299.321,18 (76,9% do total); e pela amostragem, a empresa comprovou o correto emprego da legislação tributária relativa aos créditos de PIS/Cofins, não gerando glosas específicas relativas a esta rubrica de créditos. Não obstante, apesar de não ter sido promovida uma glosa específica para essa rubrica, a autoridade fiscal efetuou o estorno de créditos proporcionalmente à receita auferida na venda de produtos sujeitos à suspensão da incidência de PIS/Cofins para o negócio de produção de sementes (NID), nos termos do § 2° do art. 3° da IN SRF 660/06, que disciplina o inciso II do § 4 ° do art. 8 ° e o § 4 ° do art. 15 da Lei n ° 10.925/2004. Fl. 3752DF CARF MF 14 2.2. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS Informou o agente fiscal que, para comprovar as despesas relacionadas a esta rubrica do Dacon, a empresa relacionou 173 notas fiscais, no valor total de R$ 2.345.276,44 para o 2° e 3° trimestres de 2009; nas intimações foram solicitadas 77 cópias digitais de notas fiscais para amostragem, perfazendo o valor de R$ 2.238.002,67 (95,4% do total); e no pedido original de crédito, a empresa não havia relacionado nenhum valor de crédito relativo a esta rubrica. Neste tópico, promoveu a Fiscalização glosas de despesas de serviços utilizados como insumos, referentes à atividade econômica de produção de sementes (NID), pelos seguintes motivos, resumidamente: A) Regularmente intimada a apresentar documentos comprobatórios, a empresa não apresentou 01 (uma) nota fiscal relativa à atividade econômica de produção de sementes (NID) para a rubrica "Serviços Utilizados como Insumos", em desconformidade, portanto, com o art. 76 da IN RFB 1.300/2012; B) Também com relação à atividade econômica de produção de sementes (NID), a empresa apresentou 02 (dois) documentos que não se enquadram na legislação fiscal como documentação fiscal válida para fins de comprovação de despesas (art. 76 da IN RFB 1.300/2012 e da Lei n° 9.532/1997, art. 61, § 1° e 81, II), quais sejam: uma Nota de Débito e uma Nota de Despesa. C) Ainda no que se refere à atividade econômica de produção de sementes (NID), a empresa relacionou 15 (quinze) notas fiscais relativas a serviços de Assessoria e Consultoria Ambiental, Seguro de Transporte, Serviços para Imigração, Licença para funcionamento e expedição de Carteira de Motorista, que não se enquadrariam no conceito de insumos para fins de apuração dos créditos de PIS/Cofins, conforme definido pela legislação (inciso II, art. 3 da Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 em conjunto com § 5° do art. 8° da IN SRF 404/2004). Segundo o agente fiscal: “Das 15 notas fiscais relacionadas, 12 (doze) foram apresentadas pelo contribuinte em resposta a intimação e estão anexas a este procedimento fiscal. As 03 (três) notas fiscais não solicitadas se referem a despesas efetuadas com a pessoa jurídica ASSESSORIA TÉCNICA ATENE S/C LTDA, CNPJ 60.740.172/000123, cujo site possui a seguinte informação sobre sua área de atuação: "Atuando no mercado desde 1989, a ATENE Consultoria Jurídica presta serviços de assessoria e consultoria de imigração para pessoas físicas, empresas nacionais e multinacionais" (http://atene.com.br/novo/nossos servicos.aspx?i = PT, acessado em 20/02/2014).” D) Também com relação à atividade econômica de produção de sementes (NID), o contribuinte relacionou 57 (cinquenta e sete) documentos de pagamentos ao Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral de Patos de Minas. Destes documentos, 06 (seis) foram amostrados e se encontram anexos ao procedimento fiscal. De acordo com a autoridade fiscal, (1) existe vedação legal expressa (incisos I e II, do § 2° do art. 3° da Lei 10.833/2003) à apuração de créditos sobre o valor de mãodeobra paga a pessoa física, assim como sobre a aquisição de serviços não sujeitos ao pagamento das aludidas contribuições; e (2) no presente caso, ficou claramente definido que inexiste prestação de serviços por parte do mencionado sindicato que justifique a geração de créditos a serem utilizados pela interessada; o que houve, tãosomente, foi o repasse de pagamentos a trabalhadores pessoas físicas (os trabalhadores avulsos), por meio do mencionado Sindicato, por força da previsão legal. Fl. 3753DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.747 15 E) A autoridade fiscal efetuou o estorno de créditos proporcionalmente à receita auferida na venda de produtos sujeitos à suspensão da incidência de PIS/Cofins para o negócio de produção de sementes (NID), nos termos do § 2° do art. 3° da IN SRF 660/06, que disciplina o inciso II do § 4 ° do art. 8 ° e o § 4 ° do art. 15 da Lei n ° 10.925/2004. Já com relação à atividade de comercialização de grãos (BGO), promoveu a Fiscalização glosas de despesas de serviços utilizados como insumos, pelos seguintes motivos, resumidamente: A) Regularmente intimada a apresentar documentos comprobatórios, a empresa não apresentou 13 (treze) notas fiscais relativas à atividade econômica de comercialização de grãos (BGO) para a rubrica "Serviços Utilizados como Insumos", em desconformidade, portanto, com o art. 76 da IN RFB 1.300/2012; B) Também com relação à atividade econômica de comercialização de grãos (BGO), a empresa apresentou 01 (um) documento que não se enquadra na legislação fiscal como documentação fiscal válida para fins de comprovação de despesas (art. 76 da IN RFB 1.300/2012 e da Lei n° 9.532/1997, art. 61, § 1° e 81, II), qual seja: uma Nota de Débito. C) A empresa relacionou 91 (noventa e uma) notas fiscais com a descrição do produto categorizada como "Embarque" no valor total de 2.245.617,66 para a atividade de comercialização de grãos (BGO). Destas notas, 54 (cinquenta e quatro) foram amostradas, perfazendo o valor de R$ 2.171.052,80 (96,48% do total). Excluídas as 14 (quatorze) notas fiscais já glosadas nos dois tópicos anteriores, restaram 41 notas fiscais a serem analisadas. Quanto às notas apresentadas, o agente fiscal verificou tratarse de despesas relativas a taxas de embarque, supervisão de embarque, operações portuárias, desembaraços aduaneiros, análises de soja para embarque, certificação, laudos. Segundo a autoridade fiscal, essas despesas são incorridas com vistas a promover as vendas da empresa, logo não dão direito a créditos, por não constituirem serviços que possam ser considerados como aplicados diretamente sobre os produtos em fabricação, mas sim em uma etapa posterior a esta, quando os produtos já estão prontos e destinados à venda, representando, pois, despesas de vendas. D) Ressaltou, por fim, o agente fiscal que, do saldo de crédito remanescente na rubrica "Serviços Utilizados como Insumos" deverseia fazer a glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa, no negócio de comercialização de grãos (BGO). Contudo, como todos os créditos pleiteados pelo contribuinte relacionados à atividade de comercialização de grãos (BGO) não foram considerados, esta glosa não foi realizada. 2.3. DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA E ENERGIA TÉRMICA, INCLUSIVE SOB A FORMA DE VAPOR Neste tópico, promoveu a Fiscalização glosas de despesas com energia elétrica, referentes tanto à atividade econômica de produção de sementes (NID), como à atividade de comercialização de grãos (BGO), pelos seguintes motivos, resumidamente: A) Notas fiscais em duplicidade; B) Documentação não apresentada; Fl. 3754DF CARF MF 16 C) Notas fiscais em nome de outro contribuinte, sem contrato de locação apresentado; e D) Custeio de Iluminação Pública, Juros, Multas e Custo de Disponibilidade: neste item, destacou o agente fiscal que a faculdade de desconto de créditos calculados em relação à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, prevista no inciso III do art. 3 ° da Lei n° 10.833/03, não contempla valores que não sejam aqueles relacionados ao consumo. Já com relação à atividade de comercialização de grãos (BGO), ressaltou a autoridade fiscal que, do saldo de crédito remanescente na rubrica "Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica, inclusive sob a forma de Vapor" devese fazer a glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa, o que foi feito, com fundamento no § 4° do art. 6° e no inciso III do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003. 2.4. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE PRÉDIOS DE PESSOA JURÍDICA Neste tópico, promoveu a Fiscalização glosas de despesas de aluguéis de prédios de pessoa jurídica, referentes à atividade econômica de produção de sementes (NID), em razão de documentação não apresentada. Já com relação à atividade de comercialização de grãos (BGO), promoveu a Fiscalização glosas de despesas de aluguéis de prédios de pessoa jurídica, pelos seguintes motivos, resumidamente: A) Documentação não apresentada; B) Aluguéis pagos a pessoa física; C) Garantia Locatícia; e D) Aluguel de bens móveis – Kartódromo. Ressaltou também a autoridade fiscal que, do saldo de crédito remanescente na rubrica "Despesas de aluguéis de prédios de pessoa jurídica" devese fazer a glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa, na atividade de comercialização de grãos (BGO), o que foi feito, com fundamento no § 4° do art. 6° e no inciso III do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003. 2.5. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PESSOA JURÍDICA Neste tópico, promoveu a Fiscalização glosas de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica, referentes tanto à atividade econômica de produção de sementes (NID), como à atividade de comercialização de grãos (BGO), em razão de documentação não apresentada. Já com relação à atividade de comercialização de grãos (BGO), promoveu a Fiscalização glosas de despesas de aluguéis máquinas e equipamentos de pessoa jurídica, pelos seguintes motivos, resumidamente: A) Suporte de Informática: neste item, o agente fiscal verificou que os 2 (dois) documentos fiscais apresentados se referem à prestação de serviços de manutenção, consultoria e suporte em equipamentos de informática, que apesar de constituirem despesas necessárias para as empresas em geral, não possuem previsão legal para apuração de créditos das citadas contribuições; B) Ressaltou também a autoridade fiscal que, do saldo de crédito remanescente na rubrica "Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica" devese fazer a glosa proporcional às exportações realizadas pela Fl. 3755DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.748 17 empresa, na atividade de comercialização de grãos (BGO), o que foi feito, com fundamento no § 4° do art. 6° e no inciso III do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003. 2.6. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA Neste tópico, promoveu a Fiscalização glosas de despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, referentes à atividade econômica de produção de sementes (NID), pelos seguintes motivos, resumidamente: A) Documentação não apresentada; B) Duplicidade de Nota Fiscal; C) Compra de materiais diversos; D) Fretes sobre Transferências: neste item, informou o agente fiscal que a empresa relacionou 22 (vinte e dois) documentos fiscais categorizados como "FRETES S/ TRANSFERENCIAS" no valor total de R$ 2.059,38; que, como amostragem, a fiscalização selecionou 03 (três) documentos perfazendo o valor de R$ 1.463,00 (71% do total); que os documentos fiscais amostrados se referem a transferências de colheitadeiras entre estabelecimentos; e que o inciso IX, do artigo 3° da Lei 10.833/2003, que disciplina a despesa de frete passível de apuração de créditos das aludidas contribuições, não relaciona as despesas com frete relativas às transferências entre estabelecimentos; E) Fretes sobre Consumo; F) Fretes sobre Devoluções: neste item, informou o agente fiscal que a empresa relacionou 15 (quinze) documentos fiscais categorizados como "FRETES S/ DEVOLUCAO" no valor total de R$ 27.512,11; e que o inciso IX, do artigo 3° da Lei 10.833/2003, que disciplina a despesa de frete passível de apuração de créditos das aludidas contribuições, não relaciona as despesas com frete relativas a devoluções de mercadorias; G) Fretes sobre Compras: neste item, informou o agente fiscal que a empresa relacionou 609 (seiscentos e nove) documentos fiscais categorizados como "FRETES S/ COMPRAS" no valor total de R$ 895.046,52 relativos à atividade econômica de produção de sementes (NID); e que o inciso IX, do artigo 3° da Lei 10.833/2003, que disciplina a despesa de frete passível de apuração de créditos das aludidas contribuições, não relaciona as despesas com frete pagas na aquisição de bens. Já com relação à atividade de comercialização de grãos (BGO), promoveu a Fiscalização glosas de despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, pelos seguintes motivos, resumidamente: A) Documentação não apresentada; B) Duplicidade de Nota Fiscal; C) Comprovante não é válido como documento fiscal; D) Saída de Soja de Armazém; E) Armazém na Importação de Trigo; Fl. 3756DF CARF MF 18 F) Fretes sobre compras: neste item, informou o agente fiscal que a empresa relacionou 2.835 (dois mil oitocentos e trinta e cinco) documentos fiscais categorizados como "FRETES S/ COMPRAS" no valor total de R$ 4.999.408,64 relativos à atividade econômica de comercialização de grãos (BGO); e que o inciso IX, do artigo 3° da Lei 10.833/2003, que disciplina a despesa de frete passível de apuração de créditos das aludidas contribuições, não relaciona as despesas com frete pagas na aquisição de bens; G) Ressaltou também a autoridade fiscal que, do saldo de crédito remanescente na rubrica "Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda" devese fazer a glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa, na atividade de comercialização de grãos (BGO), o que foi feito, com fundamento no § 4° do art. 6° e no inciso III do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003. 2.7. DESPESAS DE AQUISIÇÃO DE BENS PARA O IMOBILIZADO Neste tópico, promoveu a Fiscalização glosas de despesas de aquisição de bens para o imobilizado, referentes à atividade econômica de produção de sementes (NID), pelos seguintes motivos, resumidamente: A) Documentação não apresentada; B) Duplicidade de Nota Fiscal; e C) Nota Fiscal de Importação. II. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos autos de infração em 27/03/2014, e irresignada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1.386/1.482, em 11/04/2014, por meio da qual oferece, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa. DAS PRELIMINARES 1. Da preliminar de inobservância do regime jurídicotributário das contribuições sociais Sustenta a impugnante que o lançamento fiscal é nulo de pleno direito na medida em que desrespeita frontalmente as disposições da legislação tributária vigente, não somente no que concerne à legislação de regência das aludidas contribuições, mas e principalmente em razão do desrespeito às normas para a prática do ato do lançamento de ofício. Assevera que não só o agente fiscal lançou débitos a título das citadas contribuições sobre vendas que estavam efetivamente adstritas ao regime da Lei n°. 10.925/04, mas também porque o fez sem, ao menos, considerar quaisquer créditos vinculados às receitas sujeitas ao "desenquadramento", sem qualquer juízo de valor acerca dos insumos que originaram tais receitas, sobretudo no negócio denominado como "NID", relativo à produção e venda de sementes. Aduz que a autoridade fiscal, quando desconsiderou determinadas receitas auferidas pela impugnante, fez retroagir à data da suposta ocorrência dos fatos geradores as mesmas normas administrativas que sequer existiam na época, sob o argumento de que tais modificações teriam cunho "interpretativo", em flagrante afronta não só ao quanto disposto no artigo 144 do CTN, mas também ao quanto disposto no parágrafo único do artigo 100 do mesmo Código. 2. Da preliminar da impossibilidade de adoção de critérios jurídicos conflitantes na prática do lançamento de ofício Fl. 3757DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.749 19 Nesse item, para sustentar a apontada nulidade, a suplicante desenvolve o seguinte raciocínio: “(...) É dizer, caso se admita que as operações com grãos (BGO) praticadas pela Impugnante no período autuado de fato estivessem sujeitas à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, nos termos dos artigos 1o e 2o das Leis n°. 10.637/02 e n°. 10.833/03, respectivamente, então em relação a estas receitas, deverseiam ser calculados os créditos a estas vinculados, nos exatos os termos dos artigos 3o das mesmas Leis, pela alíquota de 9,25% (nove inteiros e vinte e cinco centésimos por cento), valores estes que, caso confrontados com os créditos tributários ora lançados, sobre as mesmas operações, representariam o afastamento de boa parte da autuação fiscal, conforme item IV.3 e seguintes, abaixo. Entretanto, Nobre Julgador, ao contrário do que ele mesmo apontou como base de seu ato de lançamento, além de ignorar a questão dos créditos estornados, confundese o i. Agente Fiscal ao determinar, em relação às vendas efetuadas no mercado interno pela Impugnante no negócio de produção de sementes (NID), no item 136, que "entretanto, a empresa não estornou os créditos proporcionalmente às receitas auferidas com suspensão da tributação", concluindo que "desta forma, no caso dos créditos relativos a insumos da atividade econômica de produção de sementes (NID), agrupados nas rubricas "Bens Utilizados como Insumos' e 'Serviços Utilizados como Insumos', devese efetuar um estorno proporcional à receita auferida nas saídas com suspensão da incidência de PIS/Cofins, conforme § 2o do art. 3º da IN SRF 660/06". Ocorre que as sementes produzidas pela Impugnante estão sujeitas à alíquota zero, nos termos do artigo 1o, inciso III, da Lei n°. 10.925/04, e não ao regime de suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS previsto no artigo 9o da mesma Lei, para o qual não é exigido o estorno dos créditos apurados e vinculados a estas receitas, erro grosseiro da d. Fiscalização que, além de alterar critérios jurídicos em relação ao mesmo fato gerador e no mesmo procedimento administrativo, implicou o lançamento de valores indevidos conforme item IV.3 e seguintes, abaixo. Sendo assim, não pode prosperar um lançamento (procedimento administrativo) em que dois atos subsequentes praticados sob a mesma rubrica e tendo por base os mesmos objetos têm consequências jurídicas distintas e contraditórias, bem como, em ambos os casos, prejudiciais à Impugnante, pois visam exigir contribuições sociais sobre vendas de sementes (NID) no mercado interno, de um lado atribuindoas um regime jurídico para fins de cálculo (lançamento) das contribuições incidentes sobre a receita bruta e, em um segundo momento (no mesmo processo V logo em seguida), não reconhecendo o respectivo direito ao creditamento por parte da Impugnante. (...)” 3. Da nulidade dos autos de infração por violação às regras do art. 149, V, do CTN Alega a impugnante que a autoridade fiscal, após longo procedimento de fiscalização das operações praticadas pela empresa na produção e comercialização de sementes (NID) e grãos (BGO), limitouse a adotar presunções no que tange aos elementos caracterizadores da ocorrência do fato gerador das contribuições sociais ora lançadas, bem como em relação à sua escrituração fiscal e contábil, sem contudo, comprovar item a item o porquê da adoção de cada um dos critérios na prática do ato, em flagrante ofensa ao art. 149 do CTN. Fl. 3758DF CARF MF 20 DO MÉRITO 1. DAS RECEITAS NÃO CONSIDERADAS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS 1.1. EXPORTAÇÃO NÃO CONFIRMADA Assevera a suplicante que a mencionada Nota Fiscal n°. 14 foi por ela emitida com o Código Fiscal de Operações e de Prestações ("CFOP") n°. 6.502, destinado justamente à "remessa de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, com fim específico de exportação. Aduz que não se verifica na sua escrita fiscal (Livro Registro de Entradas) o registro de qualquer Nota Fiscal emitida com o CFOP n°. 2.504 e que corresponda às mesmas quantidades/valores da Nota Fiscal n°. 14, nos 180 (cento e oitenta) dias imediatamente posteriores à sua emissão, pelo que também se pode comprovar a efetiva exportação destes produtos, posto que não foram devolvidos pelo destinatário no prazo legal para embarque das mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. Ressalta que, ainda que ao agente fiscal não fosse suficiente a prova colhida da própria escrita fiscal da empresa, exigirse da impugnante a apresentação do respectivo Memorando de Exportação é absolutamente incabível, posto que na qualidade de empresa produtora/fornecedora de produtos agrícolas, esta tem por responsabilidade tão somente emitir a Nota Fiscal competente para dar suporte às mercadorias remetidas, utilizandose para isso do respectivo CFOP indicado para a operação a ser praticada. Assevera que a efetiva exportação das mercadorias no prazo legal é de inteira e exclusiva responsabilidade do adquirente (empresa comercial exportadora), não podendo a impugnante ser punida por eventual descumprimento da legislação por parte de terceiro, principalmente por se tratar de obrigação meramente acessória, sendo facultado ao agente fiscal intimar o destinatário das mercadorias, de forma a apresentálo. 1.2. VENDA DE SOJA E MILHO EM GRÃOS NO MERCADO INTERNO Neste item, que envolve o exame do regime de suspensão da incidência das mencionadas contribuições sociais, a impugnante apresenta inicialmente a seguinte argumentação: “(...) Ora, Nobre Julgador, novamente se verificam argumentos contraditórios em relação à sistemática de suspensão da incidência das contribuições sociais em comento aplicável às atividades da Impugnante, alegados ao belprazer do i. Agente Fiscal: no item 136 do Termo de Verificação Fiscal, afirmou o i. Agente Fiscal que "para as vendas efetuadas no mercado interno pela Nidera Sementes Ltda. no negócio de produção de sementes (NID). a empresa comprovou o correto atendimento à legislação vigente para a saída com suspensão da incidência das contribuições ao PIS/Cofins" (grifamos), quando em verdade, conforme acima destacado, as operações relativas a tal negócio (sementes "NID") sujeitamse à alíquota zero. Em contrapartida, no item imediatamente anterior do Termo de Verificação Fiscal, o i. Agente Fiscal já havia afirmado que "as vendas efetuadas no mercado interno pela Nidera Sementes Ltda. no negócio de comercialização de grãos (BGO) não foram consideradas como suspensas da incidência da contribuição ao PIS/Cofins e foram lançadas de ofício" (grifamos). Fl. 3759DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.750 21 Afinal, o que teria mudado? Por que para o i. Agente Fiscal, no negócio de sementes (NID sujeito à alíquota zero dessas contribuições sociais), a Impugnante teria comprovado "o correto atendimento à legislação vigente para a saída com suspensão da incidência", nos moldes do artigo 9o da Lei n°. 10.925/04, e no negócio de grãos (BGO), conduzido pela mesma empresa Impugnante, o mesmo dispositivo não seria a ela aplicado? Seria uma forma transversa de cobrar créditos tributários de contribuições sociais supostamente devidas pela Impugnante de forma DUPLICADA?” Assevera, a seguir, que, inobstante a vedação trazida a partir de 14 de dezembro de 2009, pelas alterações promovidas na IN SRF n° 660/06 pela IN RFB n°. 977/09, o artigo 9o da Lei n°. 10.925/04, que instituiu e atualmente dispõe sobre o regime de suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, não traz qualquer restrição ao benefício legal em comento, sendo ilegal não somente a própria restrição instituída por norma administrativa (art. 19 da IN RFB n°. 977/09), como também a tentativa de aplicação retroativa, disposta no artigo 22 da mesma norma administrativa. Aduz que, pelo princípio constitucional da legalidade estrita, em matéria tributária, a norma administrativa no caso, a IN RFB n°. 977/09 não poderá, a pretexto de regulamentar a Lei, restringir benefícios fiscais concedidos por mencionada Lei. Sustenta, por fim, que, ainda que se admita a vigência retroativa do comando inserido pela IN RFB n°. 977/09 o qual fundamentou a desconsideração das operações realizadas com suspensão dessas contribuições sociais por parte do agente fiscal não poderia o autor do feito imputar à impugnante multa punitiva, posto que em manifesta contrariedade ao disposto no artigo 106, inciso I do CTN. 1.3. VENDA DE SEMENTES VENCIDAS À USINA CORACI Neste item, não trouxe a suplicante contestação específica ao trabalho fiscal. 1.4. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS/REEMBOLSO DE DESPESAS Quanto a este item, ressalta a impugnante que, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n°. 01/2013, informou que “os lançamentos são contra cliente no exterior Concórdia Trading BV e referese a reembolso desta empresa realizada no Brasil e pagas pela Nidera Sementes Ltda"; já com relação aos lançamentos da conta contábil "4.1.1.06.006 Serviços e Corretagens", informou que "todos os lançamentos são contra o cliente no exterior Concórdia Trading B V e referese a serviços prestados para importação/exportação de produtos realizados no Brasil e pagas pela Nidera Sementes Ltda". Assevera que as "Notas de Reembolso", desde que devidamente detalhadas com a vinculação ao contrato firmado entre a Impugnante e a empresa no exterior, são documentos hábeis e idôneos para comprovar tanto a remessa de valores para o exterior, quanto o recebimento de quaisquer valores a título de reembolso de gastos efetivamente incorridos, desde que os pagamentos realizados não excedam os valores incorridos pela pessoa jurídica reembolsada, no caso, a impugnante. Fl. 3760DF CARF MF 22 Afirma também que as "Notas de Débitos" são instrumento hábil para a contabilização de despesas (e receitas) relativas a reembolsos de despesas. Aduz que, não sendo o reembolso de despesa uma "nova receita", verifica se que este não se submete, em qualquer hipótese, à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Após trazer à colação diversos julgados administrativos e judiciais sobre o tema, conclui que os valores recebidos a título de "Reembolso de Despesas” não se confundem com receitas auferidas pelo contribuinte, devendo este, para tanto, demonstrar: (i) que as despesas foram efetivamente suportadas; (ii) que as despesas são decorrentes da parcela de serviços compartilhados por empresas do mesmo grupo econômico; (iii) a efetiva utilização e essencialidade dessas despesas para o terceiro que as reembolsou; e, (iv) a segregação desses reembolsos das demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Ressalta, por fim, que a empresa cercouse de todas as cautelas para evidenciar que os ingressos a débito na conta contábil 4.1.1.03.002 não constituem ingresso de novas receitas e, portanto, não se encontram atingidos pela hipótese de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. 2. DA GLOSA DOS CRÉDITOS 2.1. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS Neste item, ressaltando que as sementes produzidas estão sujeitas à alíquota zero, insurgiuse a impugnante quanto ao procedimento fiscal que efetuou o estorno de créditos proporcionalmente à receita auferida na venda de produtos sujeitos à suspensão da incidência de PIS/Cofins para o negócio de produção de sementes (NID). 2.2. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS Sustenta a impugnante que a Fiscalização conferiu interpretação restritiva ao conceito de "insumo" para fins de creditamento das aludidas contribuições, de acordo com o entendimento exposto apenas pelas IN RFB n°. 247/02 e n°. 404/04. Alega que esta limitação (não prevista em lei) do conceito de insumo, mostrase inconstitucional, na medida em que qualquer restrição ao direito ao crédito implicaria o alargamento indevido da base de cálculo das contribuições sociais e, consequentemente, o aumento de tributos sem lei que o estabeleça. Aduz que o E. CARF tem adotado posicionamento mais abrangente, firmando o entendimento de que na conceituação do termo "insumo" devese considerar a essencialidade do bem ou serviço à atividade produtiva da empresa, bem como sua integração ao custo dos produtos e/ou serviços vendidos de forma contábil e não necessariamente "física". Cita precedentes administrativos e judiciais. Conclui que, no presente caso, não se pode deixar de considerar a essencialidade dos gastos incorridos pela impugnante na contratação, por exemplo, do serviço de Assessoria e Consultoria Ambiental, indispensável ao processo de produção de sementes (NID) e, tampouco, das despesas portuárias em geral, necessárias ao embarque dos grãos por ela comercializados e destinados à exportação para o exterior do país. Fl. 3761DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.751 23 Ainda quanto a este item, ressaltando que as sementes produzidas estão sujeitas à alíquota zero, insurgiuse a impugnante quanto ao procedimento fiscal que efetuou o estorno de créditos proporcionalmente à receita auferida na venda de produtos sujeitos à suspensão da incidência de PIS/Cofins para o negócio de produção de sementes (NID). 2.3. DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA E ENERGIA TÉRMICA, INCLUSIVE SOB A FORMA DE VAPOR Sustenta a impugnante que a interpretação restritiva adotada pela Fiscalização novamente não encontra amparo legal, na medida em que o artigo 3o, inciso III, da Lei n° 10.833/03 autorizaria o desconto do crédito em relação a toda e qualquer energia elétrica consumida pelos estabelecimentos da pessoa jurídica, sem fazer qualquer distinção em relação a sua aplicação, conforme desejou o agente fiscal. Cita precedentes administrativos. Ainda quanto a este item, insurgiuse a impugnante quanto ao procedimento fiscal que procedeu à glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa, no negócio de comercialização de grãos (BGO). Nesse tema, ressalta que, nas atividades de comercialização de grãos (BGO), atua como empresa comercial exportadora que, para consecução de suas atividades aquisição de mercadorias no mercado interno e posterior remessa para exportação , depende da contratação de pessoas jurídicas prestadoras de serviços de transporte (frete) e armazenagem, arcando com o custo destes serviços. Assevera que, ao contrário das próprias mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, os serviços acessórios contratados pela Impugnante no desempenho de suas atividades não estão abarcados pela isenção ou não incidência das contribuições sociais, ou seja, os respectivos prestadores são contribuintes da contribuição para o PIS e da COFINS, motivo pelo qual, é assegurado o direito de tomada de crédito relativo a estas despesas, sob pena de incidência em cascata e "exportação de tributos" para o exterior do país, ferindo a competividade das commodities brasileiras em relação aos similares estrangeiros. Conclui que a impossibilidade de aproveitamento de créditos relativos à atividade das empresas comerciais exportadoras aplicase tão somente às mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, não se estendendo às demais aquisições procedidas pelas tradings companies na consecução de sua atividade comercial, tais como o frete e a armazenagem pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no país, nas operações de venda da Impugnante, como ocorreu no caso presente. 2.4. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE PRÉDIOS DE PESSOA JURÍDICA Neste item, não trouxe a suplicante contestação específica ao trabalho fiscal. Contudo, insurgiuse a impugnante quanto ao procedimento fiscal que procedeu à glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa, no negócio de comercialização de grãos (BGO). Fl. 3762DF CARF MF 24 Nesse tema, ressalta que, nas atividades de comercialização de grãos (BGO), atua como empresa comercial exportadora que, para consecução de suas atividades aquisição de mercadorias no mercado interno e posterior remessa para exportação , depende da contratação de pessoas jurídicas prestadoras de serviços de transporte (frete) e armazenagem, arcando com o custo destes serviços. Assevera que, ao contrário das próprias mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, os serviços acessórios contratados pela Impugnante no desempenho de suas atividades não estão abarcados pela isenção ou não incidência das contribuições sociais, ou seja, os respectivos prestadores são contribuintes da contribuição para o PIS e da COFINS, motivo pelo qual, é assegurado o direito de tomada de crédito relativo a estas despesas, sob pena de incidência em cascata e "exportação de tributos" para o exterior do país, ferindo a competividade das commodities brasileiras em relação aos similares estrangeiros. Conclui que a impossibilidade de aproveitamento de créditos relativos à atividade das empresas comerciais exportadoras aplicase tão somente às mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, não se estendendo às demais aquisições procedidas pelas tradings companies na consecução de sua atividade comercial. 2.5. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PESSOA JURÍDICA Alega que, embora tenha sido lançada no DACON sob a rubrica "Despesas de Aluguéis de Maquinas e Equipamentos de PJ", referese a duas notas de pagamento de serviços de manutenção, consultoria e suporte em equipamentos de informática. Aduz que tais despesas não podem ser desconsiderada para fins de creditamento das mencionadas contribuições, na medida em que se caracterizam como pagamento de serviço empregado diretamente no processo produtivo da impugnante e que, portanto, deverá ser considerado como "insumo". Ressalta que o processo de produção de sementes desenvolvido pela empresa é iniciado com a fase de pesquisa nos laboratórios, onde são realizados testes e acompanhamento da evolução das sementes, visando o melhoramento dos produtos a serem posteriormente comercializados pela impugnante. Assevera que os computadores e programas de softwares desenvolvidos especificamente para tais pesquisas constituem ferramentas indispensáveis ao processo produtivo iniciado nos referidos laboratórios, razão pela qual os serviços de manutenção e de suporte não poderiam ser considerados de outra forma senão como verdadeiros insumos para a atividade econômica desempenhada pela Impugnante, gerando direito ao crédito. Ainda quanto a este item, insurgiuse a impugnante quanto ao procedimento fiscal que procedeu à glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa, no negócio de comercialização de grãos (BGO). Nesse tema, ressalta que, nas atividades de comercialização de grãos (BGO), atua como empresa comercial exportadora que, para consecução de suas atividades aquisição de mercadorias no mercado interno e posterior remessa para exportação , depende da contratação de pessoas jurídicas prestadoras de Fl. 3763DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.752 25 serviços de transporte (frete) e armazenagem, arcando com o custo destes serviços. Assevera que, ao contrário das próprias mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, os serviços acessórios contratados pela Impugnante no desempenho de suas atividades não estão abarcados pela isenção ou não incidência das contribuições sociais, ou seja, os respectivos prestadores são contribuintes da contribuição para o PIS e da COFINS, motivo pelo qual, é assegurado o direito de tomada de crédito relativo a estas despesas, sob pena de incidência em cascata e "exportação de tributos" para o exterior do país, ferindo a competividade das commodities brasileiras em relação aos similares estrangeiros. Conclui que a impossibilidade de aproveitamento de créditos relativos à atividade das empresas comerciais exportadoras aplicase tão somente às mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, não se estendendo às demais aquisições procedidas pelas tradings companies na consecução de sua atividade comercial. 2.6. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA Ressalta a impugnante que a Fiscalização realizou a glosa do crédito apropriado em decorrência das despesas incorridas com a transferência de colheitadeiras entre os seus estabelecimentos, sob o fundamento de que o inciso IX do artigo 3o da Lei n° 10.833/2003 permitiria o creditamento tãosomente em relação ao frete na operação de venda. Sustenta, todavia, que, em se tratando as colheitadeiras de maquinário indispensável à fase produtiva do cultivo de sementes, o frete pago para o seu transporte deveria ser apropriado como crédito, pela aplicação conjunta do inciso IX com o inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003. Cita precedentes do CARF. Insurgese também a impugnante no que se refere à glosa efetuada em relação às despesas incorridas com fretes sobre devoluções e fretes sobre compras. Alega que, embora o artigo 3o, inciso IX, da Lei n° 10.833/03 autorize o crédito de despesas com fretes nas operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, a própria Receita Federal tem manifestado em diversas oportunidades o entendimento de também ser possível o direito a crédito sobre o frete na aquisição de bens e serviços utilizados como insumos no mercado interno e na importação, dessa vez com fundamento no inciso II do mesmo artigo. Cita precedente administrativo. Ainda quanto a este item, insurgiuse a impugnante quanto ao procedimento fiscal que procedeu à glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa, no negócio de comercialização de grãos (BGO). Nesse tema, ressalta que, nas atividades de comercialização de grãos (BGO), atua como empresa comercial exportadora que, para consecução de suas atividades aquisição de mercadorias no mercado interno e posterior remessa para exportação , depende da contratação de pessoas jurídicas prestadoras de Fl. 3764DF CARF MF 26 serviços de transporte (frete) e armazenagem, arcando com o custo destes serviços. Assevera que, ao contrário das próprias mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, os serviços acessórios contratados pela Impugnante no desempenho de suas atividades não estão abarcados pela isenção ou não incidência das contribuições sociais, ou seja, os respectivos prestadores são contribuintes da contribuição para o PIS e da COFINS, motivo pelo qual, é assegurado o direito de tomada de crédito relativo a estas despesas, sob pena de incidência em cascata e "exportação de tributos" para o exterior do país, ferindo a competividade das commodities brasileiras em relação aos similares estrangeiros. Conclui que a impossibilidade de aproveitamento de créditos relativos à atividade das empresas comerciais exportadoras aplicase tão somente às mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, não se estendendo às demais aquisições procedidas pelas tradings companies na consecução de sua atividade comercial, tais como o frete e a armazenagem pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no país, nas operações de venda da Impugnante, como ocorreu no caso presente. 2.7. DESPESAS DE AQUISIÇÃO DE BENS PARA O IMOBILIZADO Neste item, não trouxe a suplicante contestação específica ao trabalho fiscal. DO PEDIDO Pede a conversão do julgamento em diligência. Formula quesitos. Pede o provimento integral da impugnação e o consequente cancelamento dos autos de infração. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por rejeitar as preliminares suscitadas pelo contribuinte em sua impugnação, e, no mérito, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário constituído em sua integralidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. COMPETÊNCIA. A apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, qual seja o controle da legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais às normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência quando o contribuinte não logra demonstrar a sua necessidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 EXPORTAÇÃO DIRETA OU INDIRETA. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 3765DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.753 27 Estão fora do campo de incidência da contribuição para o PIS e da Cofins as receitas de exportação de bens realizadas direta ou indiretamente, via empresa comercial exportadora, desde que comprovadas por meio de documentação hábil. REGIME DE SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. Não se aplica o regime da suspensão da incidência de PIS/Cofins nas vendas de milho e soja em grãos efetuadas no mercado interno porque, no caso, a pessoa jurídica não é cerealista nem exerce atividade agropecuária, conforme definida pela legislação, mas, sim, mera revendedora de mercadorias adquiridas de terceiros. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Para a empresa comercial exportadora existe vedação legal expressa à apuração dos créditos relativos à Cofins e à contribuição para o PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO. VEDAÇÕES. LIMITES ESTABELECIDOS EM LEI. As Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, com as alterações posteriores, e legislação complementar estabelecem os limites e condições para que a pessoa jurídica possa descontar créditos de contribuição para o PIS e de Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Para fins de apuração de créditos de Cofins, consideramse insumos as matériasprimas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, bem comoos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS o decidido em relação à Cofins exigida de ofício a partir da mesma matéria fática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 05/02/2015 (vide termo de ciência por abertura de mensagem à fl. 3560 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 05/03/2015 Recurso Voluntário (fls. 3562/3728), através do qual requereu: (i) reconhecimento da nulidade da decisão recorrida em função da ausência de fundamentação no que tange a: (a) inobservância do regime jurídico Fl. 3766DF CARF MF 28 tributário da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não cumulativas no ato de lançamento de ofício (item II.1.1.1), (b) da impossibilidade de adoção de critérios jurídicos conflitantes na prática do lançamento de ofício (item II 1.1.2), (c) da nulidade dos AI devido à violação às regras do lançamento de ofício (artigo 149, inciso V do CTN – item II.1.1.3), (d) inexistência de decisão expressa quanto ao cancelamento da multa punitiva imposta com fundamento na IN RFB nº 977/09 (item II.1.2.1), (e) inexistência de decisão expressa quanto ao reconhecimento dos créditos não vinculados à receita com suspensão da incidência tributária de ofício nos termos do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e Lei nº 10.833/2003 (item II.1.2.2), (f) violação à ampla defesa e ao contraditório em razão do indeferimento da realização da diligência fiscal (artigo 5º, inciso I,V da CF/88 – item II.2); (ii) em relação ao mérito, que seja julgado integralmente procedente o Recurso Voluntário afastando integralmente os valores de PIS/Pasep e de COFINS, juros de mora e multa de ofício; (iii) caso não seja suspensa a cobrança em relação à Contribuição para PIS/Pasep o contribuinte requer o reconhecimento do direito ao crédito vinculado a essas receitas pela alíquota 9,25% conforme demonstrativo elaborado pela recorrente (fls. 1.646/1.972 – item IV.3.3 da Impugnação); (iv) requer em qualquer hipótese o afastamento da multa punitiva de 75% haja vista a vedação constante nos artigos 106, inciso I, e 100, parágrafo único, ambos do CTN, ante à irretroatividade da legislação para fins de aplicação de penalidades. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 3767DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.754 29 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 3562/3728), através do qual requereu: (i) reconhecimento da nulidade da decisão recorrida em função da ausência de fundamentação no que tange à: (a) inobservância do regime jurídico tributário da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não cumulativas no ato de lançamento de ofício (item II.1.1.1), (b) impossibilidade de adoção de critérios jurídicos conflitantes na prática do lançamento de ofício (item II 1.1.2), (c) nulidade dos AI devido à violação às regras do lançamento de ofício (artigo 149, inciso V do CTN – item II.1.1.3), (d) inexistência de decisão expressa quanto ao cancelamento da multa punitiva imposta com fundamento na IN RFB nº 977/09 (item II.1.2.1), (e) inexistência de decisão expressa quanto ao reconhecimento dos créditos não vinculados à receita com suspensão da incidência tributária de ofício nos termos do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e Lei nº 10.833/2003 (item II.1.2.2), (f) violação à ampla defesa e ao contraditório em razão do indeferimento da realização da diligência fiscal (artigo 5º, inciso I,V da CF/88 – item II.2); (ii) em relação ao mérito, que seja julgado integralmente procedente o Recurso Voluntário afastando integralmente os valores de PIS/Pasep e de COFINS, juros de mora e multa de ofício; (iii) caso não seja suspensa a cobrança em relação à Contribuição para PIS/Pasep o contribuinte requer o reconhecimento do direito ao crédito vinculado a essas receitas pela alíquota 9,25% conforme demonstrativo elaborado pela recorrente (fls. 1.646/1.972 – item IV.3.3 da Impugnação); (iv) requer em qualquer hipótese o afastamento da multa punitiva de 75% haja vista a vedação constante nos artigos 106, inciso I, e 100, parágrafo único, ambos do CTN, ante à irretroatividade da legislação para fins de aplicação de penalidades. Passarei, então, à análise do tópico de nulidade da decisão recorrida, por considerálo prejudicial à análise meritória da presente contenda. 1. Reconhecimento da nulidade da decisão recorrida em função da ausência de fundamentação no que tange à: (a) inobservância do regime jurídico tributário da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não cumulativas no ato de lançamento de ofício (item II.1.1.1), (b) impossibilidade de adoção de critérios jurídicos conflitantes na prática do lançamento de ofício (item II 1.1.2), (c) nulidade dos AI devido Fl. 3768DF CARF MF 30 à violação às regras do lançamento de ofício (artigo 149, inciso V do CTN – item II.1.1.3), (d) inexistência de decisão expressa quanto ao cancelamento da multa punitiva imposta com fundamento na IN RFB nº 977/09 (item II.1.2.1), (e) inexistência de decisão expressa quanto ao reconhecimento dos créditos da não vinculados à receita com suspensão da incidência tributária de ofício nos termos do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e Lei nº 10.833/2003 (item II.1.2.2), (f) violação à ampla defesa e ao contraditório em razão do indeferimento da realização da diligência fiscal (artigo 5º, inciso I,V da CF/88 – item II.2 Em resumo, a Recorrente alega em seu Recurso Voluntário que a decisão recorrida seria nula, visto que teria deixado de analisar vários argumentos trazidos pela mesma em sua impugnação, seja em sede de preliminares, seja em sede do mérito da contenda em questão. Em sua impugnação, apresentou a Recorrente os seguintes tópicos em sede de preliminar: (a) inobservância do regime jurídico tributário da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não cumulativas no ato de lançamento de ofício (item II.1.1.1), (b) impossibilidade de adoção de critérios jurídicos conflitantes na prática do lançamento de ofício (item II 1.1.2), (c) nulidade dos AI devido à violação às regras do lançamento de ofício (artigo 149, inciso V do CTN – item II.1.1.3). Ao analisar ditos argumentos preliminares, assim se manifestou a DRJ: DAS PRELIMINARES 1. Da preliminar de inobservância do regime jurídicotributário das contribuições sociais As questões suscitadas pela impugnante a esse título não são matérias que devam ser decididas em sede de preliminar, pois se confundem com o mérito. Com efeito, a alegação de que o lançamento fiscal desrespeita as disposições da legislação tributária vigente, ao desenquadrar regimes de incidência dessas contribuições e promover certas glosas de créditos, deve ser examinada no contexto do mérito da defesa. No mesmo sentido, a alegação de que uma parte da exigência fiscal teria afrontado os art. 100 e 144 do CTN. Rejeito, pois, a preliminar suscitada. 2. Da preliminar da impossibilidade de adoção de critérios jurídicos conflitantes na prática do lançamento de ofício As questões suscitadas pela impugnante a esse título não são matérias que devam ser decididas em sede de preliminar, pois se confundem com o mérito. À toda evidência deve ser examinada no contexto do mérito da defesa a alegação da impugnante de que “(...) não pode prosperar um lançamento (procedimento administrativo) em que dois atos subsequentes praticados sob a mesma rubrica e tendo por base os mesmos objetos têm consequências jurídicas distintas e contraditórias, bem como, em ambos os casos, prejudiciais à Impugnante, pois visam exigir contribuições sociais sobre vendas de sementes (NID) no mercado interno, de um lado atribuindoas um regime jurídico para fins de cálculo (lançamento) das contribuições incidentes sobre a receita bruta e, em um segundo momento (no mesmo processo V logo em seguida), não reconhecendo o respectivo direito ao creditamento por parte da Impugnante.” Rejeito, pois, a preliminar suscitada. Fl. 3769DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.755 31 3. Da nulidade dos autos de infração por violação às regras do art. 149, V, do CTN A alegação de que o lançamento fiscal limitouse a adotar presunções, no que tange aos elementos caracterizadores da ocorrência do fato gerador das aludidas contribuições sociais, deve ser examinada no contexto do mérito da defesa. Isso porque, no caso, somente quando do exame do mérito do lançamento será possível se concluir se restou comprovada (ou não) ação ou omissão do sujeito passivo, de que trata o art. 149, V, do CTN. De todo modo, no presente momento, o caso retrata situação que se encontra alcançada pelo art. 145, I, do mesmo Código, na medida em que o lançamento cientificado ao sujeito passivo foi tempestivamente impugnado. Rejeito, pois, a preliminar suscitada. Quanto ao primeiro argumento apresentado (inobservância do regime jurídicotributário das contribuições sociais), entendo que não há omissão no Acórdão recorrido. Ao analisar este argumento, a DRJ entendeu que "As questões suscitadas pela impugnante a esse título não são matérias que devam ser decididas em sede de preliminar, pois se confundem com o mérito". De outro norte, ao analisar o mérito da contendo em si, e tendo a DRJ naquela oportunidade concluído que a fiscalização observou corretamente o regime jurídicotributário das contribuições sociais, findou por tratar deste tópico preliminar. Não há, portanto, que se falar em nulidade da decisão recorrida sob este fundamento. No que tange ao segundo argumento apresentado (impossibilidade de adoção de critérios jurídicos conflitantes na prática do lançamento de ofício), sigo no mesmo sentido: não há que se falar em nulidade da decisão recorrida. A DRJ pronunciouse expressamente no sentido de que "À toda evidência deve ser examinada no contexto do mérito da defesa a alegação da impugnante". E assim o fez ao analisar o mérito da contenda. Destaquese, inclusive, que o próprio contribuinte reconhece em seu Recurso Voluntário que a DRJ tratou sobre o tema, ainda que na sua visão de forma equivocada. É o que se extrai da transcrição a seguir, extraída da fl. 3573 do Recurso Voluntário: Se o contribuinte discorda dos fundamentos ali apresentados, este é um tema que deverá ser analisado quando da análise meritória do Recurso Voluntário, não representante nulidade da decisão recorrida. Fl. 3770DF CARF MF 32 Por último, quanto ao terceiro argumento (nulidade dos autos de infração por violação às regras do art. 149, V, do CTN), entendo que tampouco assiste razão ao contribuinte. Neste particular, ainda que entendendo que os argumentos trazidos pelo contribuinte se confundiam com o mérito da demanda, manifestouse a DRJ expressamente sobre o tema ao assim dispor: "De todo modo, no presente momento, o caso retrata situação que se encontra alcançada pelo art. 145, I, do mesmo Código, na medida em que o lançamento cientificado ao sujeito passivo foi tempestivamente impugnado". Em outras palavras, entendeu o julgador que não havia que se falar em nulidade do auto de infração, e que eventual discordância quanto aos fundamentos ali constantes poderiam ser apresentadas em sede de impugnação administrativa. Concordo com a decisão da DRJ em tal caso, pelo que afasto o argumento de nulidade do contribuinte. Em seguida, já acerca do mérito da contenda, alega a Recorrente que a decisão da DRJ seria nula visto que teria deixado de decidir expressamente quanto ao cancelamento da multa punitiva imposta com fundamento na IN RFB 977/09 (item II.1.2.1). Ocorre que, ao analisar a decisão da DRJ, verificase que houve expressa e minuciosa manifestação daquela instância julgadora sobre o tema em questão. É o que se verifica da transcrição a seguir: Aduziu a impugnante que, inobstante a vedação trazida a partir de 14 de dezembro de 2009, pelas alterações promovidas na IN SRF n° 660/06 pela IN RFB n°. 977/09, o artigo 9o da Lei n°. 10.925/04, que instituiu e atualmente dispõe sobre o regime de suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, não traz qualquer restrição ao benefício legal em comento, sendo ilegal não somente a própria restrição instituída por norma administrativa (art. 19 da IN RFB n°. 977/09), como também a tentativa de aplicação retroativa, disposta no artigo 22 da mesma norma administrativa. Concluiu que, pelo princípio constitucional da legalidade estrita, em matéria tributária, a norma administrativa no caso, a IN RFB n°. 977/09 não poderia, a pretexto de regulamentar a Lei, restringir benefícios fiscais concedidos por mencionada Lei. Não assiste razão à suplicante. (...) Constatase que as alterações introduzidas foram no sentido de clarear as situações de aplicação e vedação da suspensão de incidência do PIS/Cofins, sendo que o art. 11, que trata da produção de efeitos, não sofreu modificações. Assim, desde 4 de abril de 2006, é vedada a aplicação da suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. (...). Nesse cenário, cabe ressaltar, por fim, três importantes aspectos. O primeiro é que a citada Instrução Normativa, ao regulamentar a mencionada Lei, o fez em consonância com normas já existentes na legislação tributária, de maneira a disciplinar em um único ato administrativo toda a matéria. O segundo aspecto que também merece ser destacado é que a norma inserta no artigo 9º da Lei n°. 10.925/04 autoriza, per si, a nossa conclusão no presente caso, ou, de outra forma, a regulamentação da referida Lei, pela IN SRF n° 660/06, permite concluir quais os requisitos necessários para que a venda de produtos, como os da fiscalizada, ocorra com a suspensão das mencionadas contribuições. Fl. 3771DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.756 33 Portanto, para o presente caso, diferentemente do que sustentou a suplicante, as alterações promovidas na IN SRF n° 660/06 pela IN RFB n°. 977/09, no artigo 9o da Lei n°. 10.925/04, não havendo que se falar em tentativa de aplicação retroativa de norma administrativa. Por último, é oportuno lembrar que não podem ser conhecidas as alegações da impugnante no sentido de que a presente exigência tributária violaria o princípio constitucional da legalidade estrita, entre outros princípios. Com efeito, a apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, qual seja o controle da legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais às normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Está fora de seu alcance, portanto, o debate sobre aspectos da constitucionalidade ou da legalidade da legislação, uma vez que o controle da constitucionalidade das normas é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, “a”, III da CF de 1988). Ou seja, não lhes compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário, e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicála ao caso concreto. Afasto, portanto, a alegação de nulidade apresentada pela Recorrente em razão da suposta ausência de manifestação acerca do cancelamento da multa punitiva imposta com fundamento na IN RFB 977/09. Alega o contribuinte, ainda, que a decisão recorrida seria nula visto que teria violado os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório ao indeferir a realização de diligência fiscal. Novamente, deve ser afastado o argumento do contribuinte de nulidade da decisão recorrida, uma vez constatado que esta tratou da matéria dentro do que lhe autoriza a legislação que rege o processo administrativo tributário: DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA O pedido de diligência apresentado pela impugnante é prescindível. A uma porque farta foi a documentação anexada aos autos pela Fiscalização, permitindo ao Julgador firmar sua convicção acerca do litígio instaurado. A duas porque caberia ao contribuinte, nesta fase processual, carrear aos autos outros elementos de prova que entendesse pertinentes, consoante disciplina o art. 57, § 4º, do Decreto nº 7.574, de 2011. Vejase: Fl. 3772DF CARF MF 34 “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: I fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; ou III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A três porque os quesitos formulados pela impugnante, em sua grande maioria, visam a responder questões que dizem respeito à interpretação da legislação tributaria, cuja competência para fazêlo, no presente caso, é deste Colegiado. Rejeito, pois, o pedido de diligência. Por derradeiro, cumpre analisar o penúltimo argumento apresentado pela Recorrente no intuito de ter decretada a nulidade do acórdão recorrido, qual seja, inexistência de decisão expressa quanto ao reconhecimento dos créditos vinculados à tributação de ofício das receitas decorrentes de vendas com suspensão da incidência tributária, argumento este também relacionado ao mérito da presente contenda. Neste tópico, defendeu o contribuinte que, ao majorar a base de cálculo das contribuições sociais em discussão, nesta incluindo receitas decorrentes de vendas que, no entendimento da Recorrente, estariam sujeitas à suspensão da sua incidência, deveria a fiscalização ter apurado, de ofício, o respectivo crédito, em decorrência do regime não cumulativo que tais tributos se sujeitam. Destacou, inclusive, ter juntado à sua impugnação quadros demonstrativos dos valores dos créditos apurados, os quais foram novamente reproduzidos às fls. 3580/3581 do seu Recurso Voluntário. Ao analisar os autos, confirmo que o contribuinte, de fato, trouxe este argumento em sua impugnação, inclusive apresentado tópico específico nesse sentido (item IV.3.3 da impugnação) e pedido alternativo expresso ao final da sua peça de defesa (pedido descrito no item iii, à fl. 1.481 dos autos. A DRJ, por seu turno, embora tenha analisado de forma minuciosa se o contribuinte possuía ou não direito à suspensão do PIS e da COFINS nas vendas de soja e milho em grãos no mercado interno (vide tópico 1.2 da decisão da DRJ, a partir da fl. 3.526 dos autos), tendo concluído pela impossibilidade do usufruto da referida suspensão, deixou de apreciar este argumento subsidiário apresentado pelo contribuinte no sentido de que, uma vez desconsiderada a suspensão e incluídas tais receitas na base de cálculo do PIS e da COFINS, deveriam ter sido admitidos, da mesma forma, os créditos decorrentes da sistemática da não cumulatividade. Não identifiquei em nenhuma passagem da decisão recorrida qualquer análise acerca deste pleito específico do contribuinte. Mencionese, inclusive, que o relator da DRJ sequer mencionou este tópico/requerimento no relatório constante da sua decisão. Nesse contexto, entendo que houve, sob este viés, nulidade da decisão recorrida ao deixar de analisar tal argumento, inclusive em razão da planilha já apresentada aos autos com a indicação dos créditos que entende fazer jus, na hipótese de ser mantida a desconsideração da suspensão do recolhimento do PIS e da COFINS adotada pelo mesmo. Embora este pleito também pudesse, em tese, ser apreciado nesta instância recursal, seja através da sua análise por parte dos Conselheiros que compõem esta Turma Julgadora, ou mesmo através da baixa do processo em diligência, entendo que tal procedimento acarretaria Fl. 3773DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.757 35 supressão de uma instância de julgamento, em prejuízo do direito de defesa do contribuinte, o que não penso ser admissível. Diante do acima exposto, voto no sentido de reconhecer a nulidade da decisão recorrida, determinando que os autos retornem à DRJ para que esta se manifeste expressamente acerca do pleito subsidiário do contribuinte acima indicado. E, caso entenda necessária a realização de diligência para este fim, que determine a sua realização naquela instância de julgamento. Em razão dos argumentos aqui apresentados, deixo, portanto, de analisar as razões de mérito apresentadas pelo contribuinte em seus pleitos subsequentes, as quais deverão ser analisadas em momento futuro, caso as mesmas matérias retornem à discussão perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, após a nova decisão a ser proferida pela DRJ. 5. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins reconhecer a nulidade da decisão recorrida, determinando que os autos retornem àquela instância de julgamento para que nova decisão seja proferida com a inclusão da análise do pleito subsidiário do contribuinte no sentido de que, uma vez desconsiderada a suspensão e incluídas tais receitas na base de cálculo do PIS e da COFINS, deveriam ter sido admitidos os créditos decorrentes da sistemática da não cumulatividade (item IV.3.3 da impugnação). É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 3774DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720532/2013-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
EMBARGOS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS. EMBARGOS REJEITADOS
Constatada a inexistência dos vícios alegados devem ser rejeitados os embargos de declaração inominados.
Numero da decisão: 9202-006.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos Inominados.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 EMBARGOS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS. EMBARGOS REJEITADOS Constatada a inexistência dos vícios alegados devem ser rejeitados os embargos de declaração inominados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos Inominados. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 32 /2 01 3- 23 Fl. 1067DF CARF MF 2 Tratase de peça denominada "manifestação de inconformidade", apresentada pela recorrente em epígrafe, após a ciência do acórdão 9202003.733, proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A peticionante alega que não teve ciência do acórdão em Recurso Voluntário, nem do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, cujo julgamento resultou no já referido acórdão 9202003.733. Assim, afirma que não teve a oportunidade de apresentar contrarrazões ao recurso da Fazenda Nacional, nem Recurso Especial quanto à parte do acórdão em Recurso Voluntário que lhe foi desfavorável. Argumenta que, em que pese haver nos autos do processo documentos afirmando que ela teria tido acesso por meio digital a essas peças, pela abertura da mensagem com a intimação 05052/2015, em sua caixa de email, no endereço oficial mantido junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, ela efetivamente não teria recebido nenhuma mensagem nesse sentido em sua caixa postal eletrônica. Para comprovação de sua alegação, junta imagem de sua caixa postal eletrônica, indicando ausência de mensagem com a intimação 05052/2015. Ao final, pede que seja reconhecido o ocorrido, com a consequente anulação de todos os atos posteriores à mensagem 05052/2015. Em deliberação nesta CSRF, em 25/07/2017, a maioria entendeu pela necessidade da edição de Resolução (9202000.114) para que a autoridade preparadora para: a.1) análise da documentação apresentada pelo contribuinte, na fl. 1.030 e seguinte, bem como os documentos de fls. 1.032 a 1.036, com apresentação de relatório circunstanciado e a.2) abertura de prazo de trinta dias, para manifestação do contribuinte, com posterior abertura de igual prazo para manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional e, finalmente, retorno à conselheira relatora, para prosseguimento.´ Da diligência consta: Quando da manifestação de inconformidade do contribuinte a respeito das alegações de que não teve ciência e não foi intimado da Intimação nº 05052/2015 (fls. 994/995) bem como do Acórdão de Recurso Voluntário nº 2301004.267 e demais documentos daquela intimação, procedemos à consulta ao sistema interno da Receita Federal CXPOSTALRFB, que reflete a CAIXA POSTAL do eCAC do sujeito passivo. Desta consulta, foram extraídas e juntados ao processo telas e extratos de fls. 1.032 a 1.035. Estas telas e extratos são comprovantes de consultas das mensagens enviados ao interessado. As fls. 1.032/1.033 listam as mensagens enviadas no período selecionado de março a julho de 2015. Entre elas, destacase a mensagem de 20/04/2015 sinalizada em vermelho mensagem do sistema EPROCESSO Comunicado do Processo/Procedimento nº 15586.720532/2013 23, Data/Hora Envio 20/04/2015 16:44:49 e Data/Hora 1ª Leitura 23/04/2015 09:03:49. Já as fls. 1.034/1.035 mostram a reprodução da própria mensagem enviada ao contribuinte para ciência da Intimação. Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 15586.720532/201323 Acórdão n.º 9202006.596 CSRFT2 Fl. 1.068 3 Observase na parte superior da mensagem, os campos de: “Assunto: [eProcesso] Comunicado do Processo/Procedimento nº 15586.720532/201323” bem como data de envio, da primeira leitura e de exibição até; “Enviada em: 20/04/2015 Primeira leitura: 23/04/2015 Exibição até: 19/04/2016”. Existem também informações complementares como a Origem da Operação: Certificado Digital, IP do Usuário: 177.98.120.9 e número do certificado digital do Contribuinte. Estes dados do sistema CXPOSTALRFB como data, número do processo, Comunicado e horários comparados com os dados dos Termo de Registro de Mensagem de Ato Oficial na Caixa Postal e do TCAM Termo de Ciência por Abertura de Mensagem dentro do eProcesso 15586.720532/201323 são compatíveis entre sí, não apresenta divergência de informação, sendo, em princípio, o sujeito passivo efetivamente cientificado com o envio, recebimento e leitura da mensagem. Considerando as alegações na peça “manifestação de inconformidade”, foi realizado o despacho de encaminhamento constante na folha 1.036, que relata de maneira sucinta as informações extraídas do sistema CXPOSTALRFB para instrução do processo, quando do retorno dos autos ao CARF para julgamento. Quanto ao documento de fl. 1.030 apresentado pelo Contribuinte, este declara ser uma cópia extraída de sua CAIXA POSTAL do eCAC cuja data de impressão no canto superior esquerdo é 20/04/2016 Nesta folha não se encontra a mensagem Comunicado de Ciência do Processo/Procedimento/Procedimento nº 15586.720532/201323 na data de 20/04/2015. Diante desta ausência, em atenção ao solicitado na Resolução 9202000.114 que determinou esta diligência, foi efetuada consulta interna ao serviço de Suporte Web da Receita Federal relatando os fatos conforme este relatório. Respondida a solicitação, transcrevemos abaixo a resposta do Serviço Suporte Web: “RESPOSTAS / DIÁLOGOS Data: 26/09/2017 15:22:22 Plantonista O sistema CXPOSTALRFB reflete a Caixa Postal da empresa. As operações de abertura da notificação gerando TCAM bem como do documento gerando TAD foram feitas com o eCNPJ. O usuário com acesso ao eCNPJ foi que executou as operações. A consulta procurações do menu consulta do eprocesso mostra que não havia nenhum procurador habilitado a acessar o processo citado na data de geração do TCAM. Fl. 1069DF CARF MF 4 As providências a serem tomadas estão no campo das regras de negócio e não competem a este suporteweb do eProcesso.” Ademais, efetuamos outra consulta à CSRFB – Central de Serviços da Receita Federal do Brasil atendida pelo SERPRO para verificação da possibilidade de ter ocorrido problemas operacionais nos sistemas nesta data. Respondida a solicitação, transcrevemos abaixo a resposta da CSRFB Central de Serviços da Receita Federal do Brasil: “ Informamos que a solicitação abaixo foi resolvida pelo SERPRO. Nro da Solicitação: 2017SS/0000814815 Data e Hora da Solicitação: 05/10/17 15:32:51 Data/Hora Conclusão: 11/10/17 15:30:15 Solução Aplicada: Prezada Usuária, segue parecer do desenvolvimento: Verificamos que a mensagem foi enviada no dia 20/04/2015 às 16:44:49 e lida / ciência no dia 23/04/2015 às 09:03:49. As operações de leitura e ciência foram executadas pelo contribuinte de CNPJ 27.065.150/000130, ou seja, por ele mesmo. Entretanto a mensagem não é exibida porque a mesma encontrase expirada. Sua expiração foi em 20/04/2016. Isso acontece porque as mensagens expiradas deixam de ser exibidas na Caixa Postal do contribuinte, assim como as mensagens excluídas. Importante salientar que o período para expiração da mensagem pode variar de acordo com o modelo da mensagem. Isso explica o fato de na Caixa Postal do Contribuinte estarem sendo exibidas mensagens bem mais antigas que a investigada. “ Ante os elementos constantes no presente processo, estes são os esclarecimentos que temos a noticiar acerca do item a.1. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Considerados os esclarecimentos prestados na Resolução, entendo que não há que se alegar ausência de intimação dos atos processuais pois não evidências que possam contrariar a documentação constante dos autos e o eprocesso. Ademais, cabe ressaltar que: Com base no registro no sistema eProcesso do TCAM TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM (fl. 997), considerouse como intimado o contribuinte Nassau Editora Radio e TV Ltda optante do Domicílio Tributário Eletrônico – Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 15586.720532/201323 Acórdão n.º 9202006.596 CSRFT2 Fl. 1.069 5 DTE desde 22/02/2013 da Intimação 05052/2015 e das decisões em anexo por meio de sua Caixa Postal na data de 23/04/2015, às 09h03mim49s. Observase que, no que pese a ciência ter sido realizada com a abertura da mensagem da intimação pelo contribuinte (fl. 997) não houve, nesta mesma data, o registro de abertura dos documentos acima elencados que acompanharam a intimação mencionada. Todavia, foi gerado no sistema eProcesso o TAD TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO – COMUNICADO (fl. 1.005), certificando posteriormente a abertura destes documentos na data de 25/08/2015 às 11:35h, conforme o que segue: “O Contribuinte acessou o teor dos documentos relacionados abaixo na data 25/08/2015 11:35h, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), através da opção Consulta Comunicados/Intimações ou Consulta Processos, os quais já se encontravam disponibilizados desde 20/04/2015 na Caixa Postal. Acórdão de Recurso Voluntário Recurso Especial Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial da Procuradoria Intimação de Resultado de Julgamento Contribuinte: 27.065.150/000130 NASSAU EDITORA RADIO E TV LTDA (ou seu Representante Legal)“ Importa ressaltar que não há registros no sistema de procurações eletrônicas de habilitação de procurador para acesso ao processo citado neste período. Em junho de 2015, estando o contribuinte devidamente cientificado, conforme registros do sistema eProcesso e não tendo o mesmo se manifestado tempestivamente no prazo processual de 30 (trinta) dias, operouse a transferência de parte do débito mantido pelo Acórdão de Recurso Voluntário nº 2301004.267 para os autos de nº 10783.720520/201511, seguindo em cobrança. Verificando a atual situação do processo nº 10783.720520/201511, constou se que o contribuinte incluiu o débito cobrado nestes autos no parcelamento especial de que trata a Lei nº 12.996/2014, conforme cópia do recibo de consolidação de modalidade de parcelamento da lei 12.996/2014 ( fls. nº 1.048 à 1.051). Segundo informações do sitio da Receita Federal, “os procedimentos para a consolidação dos parcelamentos da lei 12996/2014 deverão ser realizados pelas pessoas físicas e jurídicas exclusivamente nos sítios da Receita Federal ou da PGFN na Internet, respectivamente, nos endereços <http://www.rfb.gov.br> ou <http://www.pgfn.gov.br>, do dia 12 de julho até as 23h59min59s (horário de Brasília) do dia 29 de julho de 2016, com a utilização de código de acesso ou certificado digital do contribuinte”. Fl. 1071DF CARF MF 6 No recibo de consolidação do parcelamento da lei 12.996/2014 existe a observação de que: “No caso dos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa em razão de impugnação ou de recurso administrativos, a inclusão dos débitos na negociação implicará desistência tácita destes.” Assim, REJEITO os Embargos, ratificando os Termos do Acórdão 9202003.733, de 28 de janeiro de 201, pela inocorrência do vício. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 1072DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.901514/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
Numero da decisão: 1302-002.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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IRPJ. ATIVIDADE HOSPITALAR. Recorrente LABORATÓRIO DE ANATOMIA PATOLÓGICA E CITOPATOLOGIA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 15 14 /2 00 8- 81 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10835.901514/200881 Acórdão n.º 1302002.592 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso apresentado em relação ao Acórdão nº 1431.910, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional." O sujeito passivo apresentou o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp) nº 36957.45759.260204.1.7.040801, por meio do qual compensa suposto crédito de sua titularidade, referente a pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, período de apuração de janeiro de 2003, com débito(s) relativo(s) ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) , período de apuração de 3º trimestre de 2003. Por meio do Despacho Decisório a citada compensação não foi homologada, por inexistência do alegado crédito. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo se limita a alegar a existência do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) que embasaria o crédito compensado via PER/Dcomp. O Acórdão recorrido entendeu que não foram comprovadas a liquidez e certeza necessárias para haver o reconhecimento do direito creditório. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual sustenta que: a) o motivo da compensação pelo contribuinte é o desenvolvimento de atividade hospitalar; b) o Fisco, ao homologar várias compensações promovidas sob os mesmos fundamentos, reconheceu o direito da Recorrente à aplicação da alíquota de 8% incidente sobre a receita bruta na apuração do IRPJ sobre o lucro Presumido; Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10835.901514/200881 Acórdão n.º 1302002.592 S1C3T2 Fl. 4 3 c) a Recorrente está cadastrada sob a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 8640202 "Laboratórios clínicos"; d) tal atividade corresponde à designada na atribuição 4, mencionada no art. 27, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, que, por sua vez, reportase à Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), parte II, subitem 2.1, atribuição 4, tópico 4.4, "Anatomia patológica e citopatologia"; e) à luz dos documentos apresentados, a Recorrente atende à legislação relativa à definição de "serviços hospitalares"; f) o Acórdão recorrido "contraria as conclusões de procedimento fiscal realizado pela própria Receita Federal (Termo de Verificação Fiscal nº 0810500200700032 2), no qual se reconheceu que a Recorrente atende às exigências legais e regulamentares concernentes à referida condição e, portanto, faz jus ao percentual diferenciado para apuração do lucro presumido na prestação de seus serviços"; g) a exigência do Fisco de exigir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atender casos de internação de pacientes é ilegal e inconstitucional; h) eventuais dúvidas foram dissipadas com a edição de Instruções Normativas, da Solução de Divergência nº 11, de 21 de julho de 2003, e do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, que considerou "serviços hospitalares" aqueles prestados por pessoas jurídicas diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução, dentre outras atividades, da relativa à anatomia patológica; i) igualmente, considerarseia serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias, cujos serviços sejam prestados não apenas pelos sócios, mas provenham de uma atividade empresarial (organização de fatores intelectuais e materiais visando ao lucro); j) apenas nos casos em que a receita provém, unicamente, do trabalho intelectual e pessoa dos sócios, o percentual aplicável será o de 32%; k) as Instruções Normativas que regulamentaram a matéria em comento acabaram por imputar requisitos subjetivos contrários ao art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; l) ainda assim, a estrutura da Recorrente atende a todas as normas acima referidas, conforme citado Termo de Verificação Fiscal; m) o Superior Tribunal de Justiça, por meio do julgamento do REsp nº 1.141.299/SC, consolidou o seu posicionamento no sentido de que os arts. 15, §1º, III, "a", e 20, da Lei nº 9.249, de 1995, explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços prestados, e não no contribuinte que os executa; n) por fim, requer que, para contrapor fatos trazidos na decisão combatida, por ocasião do julgamento do recurso voluntário, sejam requisitadas informações ou cópias do Termo de Verificação Fiscal nº 08105002007000322 / DRF Presidente Prudente (SP). É o Relatório. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10835.901514/200881 Acórdão n.º 1302002.592 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.563, de 22.02.2017, proferido no julgamento do processo nº 10835.901867/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.563): O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 30 de março de 2011 (fl. 23), tendo apresentado recurso em 27 de abril de 2011 (fls. 24 a 56), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por sócioadministrador, com poder de representação, conforme fls. 48 a 55. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Ocorre que o cotejo entre a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo (fl. 11) e o recurso ora tratado permite a constatação de que todas as matérias contidas neste último apelo não foram trazidas naquela primeira peça. Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10835.901514/200881 Acórdão n.º 1302002.592 S1C3T2 Fl. 6 5 A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. Todas as conclusões acima expostas em relação à impugnação são aplicáveis à manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação, em decorrência do art. 74, §§9º e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. É patente que as matérias e provas trazidas no recurso de fls. 24 a 56 não se encaixam nas exceções acima tratadas, de modo que se torna imperioso o reconhecimento da preclusão do direito do Recorrente em trazêla aos autos neste momento, quando deveriam ter sido alegadas na manifestação de inconformidade. Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de Direito .Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." É exatamente o caso dos presentes autos. Se o Recorrente se limitou, em sua Manifestação de Inconformidade, a alegar a existência do Darf que motivou a Declaração de Compensação, sem explicitar minimamente a composição do suposto crédito que ensejou a compensação, não pode, em sede de Recurso ao CARF, inovar completamente os seus argumentos de defesa, para traz matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele primeiro recurso. A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual o mesmo autor (Curso de Direito Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." Há diversos precedentes, no âmbito de todas as Seções deste Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluem pelo reconhecimento da preclusão consumativa em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo. Apenas para citar algumas mais recentes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10835.901514/200881 Acórdão n.º 1302002.592 S1C3T2 Fl. 7 6 incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Não se conhece de recurso voluntário que traz exclusivamente argumentos novos, não aventados na manifestação de inconformidade.Recurso Voluntário Não Conhecido." (Acórdão nº 1401002.047 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, de 16 de agosto de 2017, Relatora Conselheira Lívia de Carli Germano) "ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão." (Acórdão nº 3401004.146 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção, de 24 de outubro de 2017, Relator Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72." (Acórdão nº 9303005.208 3ª Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 20 de junho de 2017, Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello) Isto posto, voto pelo não conhecimento do recurso do sujeito passivo. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10835.901514/200881 Acórdão n.º 1302002.592 S1C3T2 Fl. 8 7 No presente processo a ciência da decisão de primeira instância deuse em 08 de fevereiro de 2011, e o recurso voluntário foi apresentado em 09 de março de 2011. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000566/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2004
BASE DE CALCULO DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS
A parcela do faturamento relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS, compõe a base de cálculo da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos que permanece vigente e eficaz.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Desginado para o voto vencedor o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2004 BASE DE CALCULO DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS A parcela do faturamento relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS, compõe a base de cálculo da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos que permanece vigente e eficaz. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Desginado para o voto vencedor o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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COM. E TRANSPORTADORA DE PROD. ALIMENTÍCIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2004 BASE DE CALCULO DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS A parcela do faturamento relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS, compõe a base de cálculo da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos que permanece vigente e eficaz. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Desginado para o voto vencedor o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 66 /2 00 7- 44 Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 19515.000566/200744 Acórdão n.º 3201003.302 S3C2T1 Fl. 1.051 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1635.884, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I (SP), que assim relatou o feito: Cuida o presente processo da lavratura – contra o sujeito passivo em epígrafe – do Auto de Infração às fls. 138 e 139, cuja ciência ocorreu em 22/3/2007 (fl. 138), sendo constituído o crédito tributário no valor total de R$16.917,54, que inclui contribuição, juros de mora (calculados até 28/02/2007) e multa, relativamente à contribuição para o financiamento da Seguridade Social (COFINS), cujo período de apuração se refere a 29/02 e 30/9/2004; bem como a descrição dos fatos e enquadramento legal constam às fls. 133, 137 e 139. 2. Constam às fls. 132 a 135, o Termo de Verificação Fiscal – COFINS; às fls. 136 e 137, os demonstrativos de apuração e de multa e juros de mora, todos anexos ao Auto de Infração. 2.1. No Termo de Verificação Fiscal – COFINS, relata a Autoridade Fiscal que foi verificada divergência [...] entre os valores apurados com base nos Livros Contábeis, DIRPJ/2005 e informados nas DCTF’s do anocalendário de 2004, relativamente às contribuições a COFINS, e os valores apurados na planilha de “INFORMAÇÕES PRESTADAS À SRF”. Segundo consta nesse termo, o demonstrativo à fl. 135 consolida as diferenças apuradas por conta de falta de recolhimento. 2.2. Consta, nesse Termo, o que segue: 2. Consoante estabelecido no art. 2°, da Lei n°9.718, de 27/11/1998, a base de cálculo da COFINS é o faturamento. 0 art. 3° e o seu § 1° dessa Lei n° 9.718/1998, dispõe que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas; 2.1 Estabelece o art. 8° da Lei n°9.718, de 27/11/1998, que a aliquota da COFINS fica elevada para três por cento; 2.2 Determina, ainda, o art. 17, inciso I, dessa Lei n° 9.718/98 que entra em vigor na data de sua publicação produzindo efeitos em relação aos arts. 2° a 8°, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999; [...] 2.3. Expõe, ainda, a Autoridade Fiscal, nesse Termo, que [...] a empresa, acima identificada, recolheu a menor a contribuição devida a COFINS nos períodos de apuração de Janeiro/1999 a Dezembro/1999, decorrente da não inclusão na base de cálculo dos pagamentos das operações de compras não contabilizadas, Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 19515.000566/200744 Acórdão n.º 3201003.302 S3C2T1 Fl. 1.052 3 caracterizadas como omissão de receitas; ademais que [...] empresa, acima identificada, deixou de recolher a contribuição COFINS no montante de R$ 7.706,53 em 2004, consoante demonstrado, mês a mês, no subitens 1 [do Termo] [...], sujeitandose, portanto, ao lançamento de oficio nos termos dos artigos 841, inciso III, 926 c/c 845, inciso III e 944, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n. 3000, de 26/03/1999, c/c o art. 10 e seu parágrafo único da Lei Complementar n.° 70, de 30/12/91, por infração à legislação da COFINS — Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, mencionada acima no item 2 [do Termo] [negrejouse no texto original]. Irresignada com os lançamentos, em 17/4/2007 (fl. 149), apresentou a Contribuinte peça impugnativa às fls. 149 a 233 que, em síntese, valendose de doutrina e jurisprudência pátrias, assim se manifesta no que toca ao combate à ação fiscal, a ela se referindo a MPF 2006011810 (fl. 186): i) que a Fazenda Nacional exige, [...] à titulo de diferença de COFINS, o valor de R$7.706,53, referente a diferença do valor declarado no IRPJ em relação ao valor declarado na DCTF [fl. 186]; ii) que, [...] ao fundamentar a lei que embasa a cobrança da COFINS, pratica [a Autoridade Fiscal] o chamado erro de direito, ou seja, subsume os fatos "valor de cofins à titulo de diferença de declarações" em lei não mais vigente à época da ocorrência deste evento, ou seja, a lei ordinária n° 9718/98. Isto porque, a empresa no período de janeiro de 2004 e setembro de 2004, apurado seus lucros com base no lucro real de forma trimestral, aplicandose o sistema nãocumulativo da cofins nos moldes da lei 10.833/03 [fl. 186]; iii) que se ausentou a Fazenda Nacional [...] de trazer a legislação para a cobrança do tributo, e não [...] havendo qualquer menção de tipificação, há, por conseguinte, a impossibilidade de saber o do que o contribuinte está sendo acusado e desta forma, há restrição à ampla defesa e ao contraditório, pois como o contribuinte irá se defender sem saber do que está sendo acusado ? Desta forma, questionase qual o artigo, parágrafo e inciso, disposto de forma hipotética condicional na norma, em que teria infringindo o contribuinte ? Veja, não houve menção especifica [fl. 187]; iv) que [...] houve erro na aplicação da aliquota da COFINS em virtude de utilização errônea da legislação vigente à época do evento [fl. 190]; v) que [...] a atividade fiscalizadora, deve restringirse, nos moldes do art. 142 do CTN , Calcular o montante devido através da aplicação da aliquota sobre uma base de cálculo. Da mesma forma, o art. 144, § 1° do CTN, determina que o fisco deverá aplicar a legislação vigente à época da ocorrência da hipótese de incidência tributária, ainda que hoje, a legislação não esteja mais vigente. [...] E qual era a legislação vigente à época do evento ? Simples, a legislação Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 19515.000566/200744 Acórdão n.º 3201003.302 S3C2T1 Fl. 1.053 4 vigente era a lei ordinária 10.833/03 [fl. 190]; vi) que [...] houve erro de direito da autoridade administrativa quanto ausência de fundamentação legal,pois aplicou legislação que não regulou relação jurídica tributária, ou seja, a lei 10.833/03, se subsumiu a eventos praticados antes de sua vigente, tudo em nome do principio da irretroatividade da lei tributária. Incidiu desta forma, o fisco em ERRO DE DIREITO [fl. 191]; vii) que um [...] dos elementos necessários do lançamento tributário como ato administrativo é a motivação pela descrição exata e precisa dos motivos de fato e de direito que lhe serviram de fundamento, a falta desses motivos resulta a prática de ato administrativo imotivado e, conseqüentemente, sem motivação, acarretando a sua nulidade insanável [fl. 195]; viii) que, por [...] meio da Lei Complementar n.° 70, de 30 de dezembro de 1991, foi inserida no sistema jurídico tributário a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, que adotou com base de cálculo (critério quantitativo da RMIT) o faturamento (Receita Bruta). Posteriormente a lei complementar 70/91 e 07/70, sofreram alterações pelas leis federais n° 9.715/98 e 9.718/98 [fl. 198]; ix) que, na [...] definição da base de cálculo do PIS e da COFINS, restou consagrado pelo art. 2° a sua incidência sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Na letra "a" do Parágrafo Único do preceito normativo o legislador determinou expressamente a exclusão do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da base de cálculo, e em relação ao ICMS mantevese silente [fl. 199]; x) que essa [...] sistemática resulta em dois vícios principais: i) o conceito jurídico de faturamento não abriga a inclusão de outra exação no cômputo da base de cálculo e na obtenção do montante a ser recolhido; ii) o contribuinte estaria sendo compelido ao recolhimento da contribuição social sobre uma base para a qual não tenha revelado capacidade contributiva (§ 1°, art. 145, CF/88) [fl. 199]; xi) que, em [...] ambas exações Pis e Cofins, o critério material encontrase mutilado em seu antecedente normativo, pois "o contribuinte estaria faturando imposto — ICMS, ao invés do faturamento como previsto nas leis 70/91 e 7/70, o que contraria totalmente o conceito de faturamento adotado pelo Direito Comercial [fl. 199]; xii) que [...] a administração fazendária passou a entender que a apuração do montante devido a titulo de COFINS e PIS deveriam ser levadas à efeito com a inclusão do valor referente ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS, ou seja, a integração desse na base de cálculo da contribuição social [fls. 200 e 201]; Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 19515.000566/200744 Acórdão n.º 3201003.302 S3C2T1 Fl. 1.054 5 xiii) que o [...] ICMS é um tributo que é calculado por dentro, isto é, está embutido no prego da mercadoria ou serviço. Assim, caso contribuinte efetue o pagamento de PIS e COFINS sobre o valor total da Nota Fiscal, sem efetuar a exclusão do ICMS, estará efetuando pagamento ao FISCO de importância que não deveria ser destinada aos cofres públicos, uma vez que tal tributo ( ICMS ) não é componente da receita da sociedade (empresacontribuinte), pois não é parte do seu prego de venda e sua parcela é apenas repassada ao fisco, não constituindo receita, renda e nem permanecendo nos cofres da sociedade, não devendo, portanto integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS [fl. 202]; xiv) que se verifica [...] que a Lei 9.718/98 alargou o campo de incidência da Cofins, com base, em , rápida e singela análise, na competência outorgada na Emenda Constitucional 20/98, pois, enquanto, anteriormente, era prevista a incidência sobre o faturamento assim entendida a receita bruta de venda de mercadorias e/ou de serviços de qualquer natureza, a lei em comento, passou a fazer incidir a contribuição sobre todas as pessoas jurídicas de direito privado, estendendo o conceito de faturamento [fl. 207]; xv) que o [...] conceito de faturamento deve ser entendido como o ato de faturar ou de emitir fatura de venda mercantil e ou prestação de serviços. É o que se depreende das disposições contidas nas legislações especificas, de regência, ou seja, na lei de Duplicata n° 5.474/68 e no Código Comercial Brasileiro [...] [fl. 207]; xvi) que [...] faturamento é o ato de faturar ou de emitir fatura de venda mercantil e ou prestação de serviços e como prescrito no artigo 185, I da CF/88, concluise que todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica que não se enquadram no conceito de venda mercantil ou prestação de serviços [fl. 208]; xvii) que a [...] Lei Complementar 70/91 considerava como faturamento a receita bruta da venda de mercadorias ou serviços, em consonância com o artigo 219 e artigos 1° e 2° do Código Comercial Brasileiro e da Lei 5474/68 e a Lei 9718/98 estendeu o conceito de faturamento em relação à todas as pessoas jurídicas, fato este que dispõe de modo contrário ao teor insculpido no artigo 110 do CTN [...] [fl. 208]; xviii) que a [...] Lei no 9.718/98, contudo, fez tabula rasa dessa exigência constitucional (art.195, I) de fazer incidir as contribuições sociais apenas sobre o "faturamento" já que, no art.3° e seus §, deu nova definição à expressão "faturamento" para dizer que correspondia à "receita bruta" e que esta, por seu turno, abrangeria "...a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica." [fl. 209]; xix) que [...] a total desvinculação da base de cálculo ao "faturamento" então autorizado pelo inc. I do art. 195 da CF/88 como campo de incidência dessa contribuição social. A totalidade das receitas da pessoa jurídica, independente de sua Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 19515.000566/200744 Acórdão n.º 3201003.302 S3C2T1 Fl. 1.055 6 classificação contábil, representa todo e qualquer ingresso, no que se compreende — mas não se esgota — o "faturamento" descrito no decretolei n° 2.397/87, no art.6 da Lei Complementar nº 07/70 e no art.2° da Lei Complementar n°70/91 [fl. 209]; xx) que a [...] Lei Ordinária n 9.718/98 igualmente desrespeitou o art. 110 do Código Tributário Nacional, já que desprezou o conceito de "faturamento" existente no ordenamento jurídico. Com efeito, a citada Lei Complementar n 70/91, em seu art.2 ,e a Lei Complementar n 07/70,em seu art.22, definiram a expressão vinculandoa à soma das vendas de mercadorias ou serviços num determinado período [fl. 209]; xxi) que, se [...] havia definição de "faturamento" e "receita bruta" no ordenamento jurídico brasileiro, a Lei Ordinária n° 9.817/98, ao modificála, descumpriu o art. 110 do Código Tributário Nacional, que preserva a definição e o conteúdo dos institutos de direito privado [fl. 209]; xxii) que [...] a EC n° 20/98 é inútil para convalidar os dispositivos referidas da Lei Ordinária n° 9.718/98, anterior aquela. É que, quando da edição desta última, era ela totalmente incompatível com os ditames do inc. I do art. 195 da Constituição, pelo que eivada do vicio de nulidade [fl. 211]; xxiii) que a [...] superveniência dessa Emenda Constitucional n° 20/98 não é suficiente para convalidar ou sanar o vicio da Lei Ordinária n° 9.718/98, já que a constitucionalidade de uma lei é medida no exato momento de sua edição, e, não, depois. Nesse sentido, a firme jurisprudência da Excelsa Corte [fl. 211]; xxiv) que a [...] Lei 9.718, tratase de conversão da MP 1724/98 e a Fazenda Nacional defende a sua recepção pela Emenda Constitucional n° 20. Tal entendimento não levou em conta, por certo, o comando inserto no art. 246, do texto definitivo da Constituição Federal [...] [fl. 212]; xxv) que, ainda que [...] o fenômeno da repristinação praticada pelo advento da 'EC n°20/98; ainda que se aceita que a Lei 9.718, nascida com reconhecido vicio de inconstitucionalidade, possa ser convalidada por posterior alteração do texto constitucional com o qual era incompatível, certamente ha de se reconhecer que o instrumento legislativo utilizado para disciplinar a Emenda Constitucional n° 20a Medida Provisória n° 1.724 — não era idôneo para tanto [fl. 212]; xxvi) que, [...] a partir da lei no 9.718/98, a COFINS passa a ser exigida à aliquota de 3%, haja ou não compensação com a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido das pessoas juridicas CSLL.. Em fase do disposto no §1° desse mesmo art. 8°, as empresas que puderem efetivar mencionada compensação pagarão menos CSLL do que pagariam antes dessa nova autoriza0o legal compensatória. Em tese, o que pagariam antes dessa nova autorização legal compensatória. Em tese, o que recolhessem a mais de COFINS (o equivalente à aliquota adicional de 1%), recolheriam a menos de CSLL [fl. 213]; Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 19515.000566/200744 Acórdão n.º 3201003.302 S3C2T1 Fl. 1.056 7 xxvii) que, no [...] que se refere à COFINS , o aumento da aliquota para os mais pobres , alem de raro no Direito Tributário Brasileiro , fere de morte o art 194, parágrafo único, IV da CF/88 , alem de arranhar o principio da isonomia [fl. 216]; xxviii) que, neste [...] período de cobrança do tributo, houveram vendas que ocorreram, mas não se converteram em recebimento, ou sejam, clientes que não adimpliram suas aquisições [fl. 216]; xxix) que, para [...] efeito de recolhimento mensal dessas contribuições, como regra geral, as empresas são compelidas a apurar o total das receitas pelo regime de competência, sendo obrigadas a escriturar como receitas o total das vendas "faturadas", independentemente do seu efetivo recebimento [fl. 216]; xxx) que, [...] pelo referido regime contábil, essas empresas, mensalmente, são obrigadas a recolher o PIS e a COFINS também sobre valores que não tenham ingressado em seus cofres. É dizer, além destas empresas terem que suportar a perda econômica de não terem recebido pelas mercadorias e/ou serviços vendidos (no caso de inadimplência), elas ainda têm que recolher os tributos PIS e COFINS, cuja soma das aliquotas atualmente 6 de 9,25% sobre tais saídas [fl. 217]; xxxi) que [...] o fisco federal entende que a incidência destas contribuições abrange inclusive os valores faturados mas não recebidos. Entretanto, conforme demonstrarseá, os valores relativos às vendas não recebidas não estão incluídos no conceito de "receita", base de cálculo destas contribuições. Logo, não existe competência constitucional para esta cobrança [fl. 217]; xxxii) que [...] os resultados deverão ser reconhecidos pelo contribuinte no mês da realização das operações (venda de bens e/ou serviços), independentemente do seu efetivo pagamento por parte dos seus clientes [fl. 218]; xxxiii) que, [...] considerandose que a base de cálculo do PIS e da COFINS consubstanciase na "receita", nada mais correto do que se reconhecer que os valores não recebidos não se configuram como "receitas", e portanto, não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS [fl. 218]; xxxiv) que os [...] valores direito dos contribuintes, a nosso PIS/COFINIS sobre tais valores, e indevida no passado. não recebidos, na verdade, nunca foram receitas. Dai o ver liquido e certo, em não os sofrerem a tributação do mais, em recuperar os recolhimentos realizados de forma indevida no passado [fl. 218]; xxxv) que [...] há expressa previsão legal quanto à impossibilidade da legislação tributária alterar a definição, o conteúdo, conceitos e formas de direito privado, para que se Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 19515.000566/200744 Acórdão n.º 3201003.302 S3C2T1 Fl. 1.057 8 possa definir ou limitar as competências tributárias, nos termos do artigo 110 do Código Tributário Nacional [fl. 219]; xxxvi) que [...] aplicado corretamente o dispositivo constitucional e a legislação de PIS e COFINS, o conceito de receita e faturamento irá abranger somente valores que ingressaram nos cofres das pessoas jurídicas, acrescendolhes ao seu patrimônio [fl. 224]; xxxv) que [...] que o principio da capacidade contributiva está diretamente ligado ao fato gerador, ou seja,. fato que expresse um preciso e inequívoco valor econômico. Não se pode conceber a exigência do tributo quando inexiste o conteúdo econômico, em decorrência da regra estampada no artigo 145, §1°, da Constituição Federal [fl. 227]; xxxvii) que, no [...] caso da inadimplência, passa a ser evidente que não há qualquer autorização constitucional ou legal para tributação de valores não recebidos, sem qualquer expressão econômica, principalmente, porque os tributos que incidem sobre o faturamento e/ou receita, como é o caso do PIS e da COFINS, exigem claramente a concretização dessa realidade econômica [fl. 227]; xxxviii)que [...] a cobrança do PIS e da COFINS, nos casos de inadimplência, tem natureza puramente confiscatória, já que além do decréscimo patrimonial decorrente dos custos e despesas incorridas com a atividade empresarial (fabricação das mercadorias, prestação de serviços, por exemplo) vendidas e não recebidas, os contribuintes são compelidos a dispor ainda mais de seu patrimônio para guitar as contribuições em comento [fl. 229]; xxxix) que a [...] permanência da exigência de PIS e da COFINS sobre valores faturados e não recebidos, sem possibilidade de exclusão da base de cálculo após a verificação da ocorrência da inadimplência, torna a conduta da administração pública imoral e ofensiva aos princípios constitucionais. E dizer, tributar o contribuinte por valores que este deixou de receber, tendo prejuízo, é o mesmo que aceitar um claro enriquecimento sem causa, por parte do Estado [fl. 230]; xl) finalmente, que, [...] comprovado que o eventual credito constituído neste auto de infração está decaído ( período anterior à 06/06/2001 ) e a parte do valor do auto cujo o crédito não teria decaído, sofre de ilegalidades e inconstitucionalidades devendo portanto, ser o auto de infração, julgado improcedente [fl. 233]. 4. O presente processo foi encaminhado a esta Delegacia por meio do despacho à fl. 989. 5. É o relatório. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 19515.000566/200744 Acórdão n.º 3201003.302 S3C2T1 Fl. 1.058 9 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não havendo ocorrência do previsto no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se falar em cancelamento ou anulação de Auto de Infração. DIFERENÇAS INJUSTIFICADAS ENTRE VALORES INFORMADOS E VALORES CONFESSADOS OU PAGOS. Havendo diferenças não justificadas entre valores informados em DIPJ e aqueles informados/confessados em DCTF ou pagos, cabe lançálas, fundandose o Lançamento em bases econômicas concretas, representadas por receitas ou valores inseridos em informações do próprio contribuinte perante o Erário. MERAS ALEGAÇÕES. Meras alegações, desacompanhadas de documentos válidos para tal, não propiciam a modificação ou extinção da pretensão da Fazenda Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo, apenas, a impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, requerendo o sobrestamento do Recurso até julgamento final do RE 574.706/PR pelo Supremo Tribunal Federal. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. Como relatado, o Recurso Voluntário apresentado é singelo e apresenta um único pedido: Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 19515.000566/200744 Acórdão n.º 3201003.302 S3C2T1 Fl. 1.059 10 Com efeito, a questão já foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal, com acórdão recentemente publicado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) Inicialmente vinha me manifestado pela aplicação do entendimento Firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Repetitivo, deixando de aplicar a decisão do Supremo Tribunal Federal exclusivamente em razão da determinação regimental. Isso porque, na hipótese, conforme disposição regimental, o julgamento deste órgão está vinculado à decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Resp 1.144.469 (Recurso Repetitivo), contrária ao recente julgado do STF. Assim, sempre com do entendimento pessoal desta Relatora, no sentido de que a decisão proferida pelo STF nos autos do RE 574.706 tem eficácia imediata e vinculante à dministração pública, deixava de aplicála por entender existir vedação regimental, aplicando, Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 19515.000566/200744 Acórdão n.º 3201003.302 S3C2T1 Fl. 1.060 11 outrossim, o entendimento já ultrapassado proferido pelo STJ nos autos do REsp 1144469/PR, em sede de Recurso Repetitivo, em julgado definitivo. Contudo, altero meu posicionamento para deixar de aplicar o referido entendimento do STJ em sede de Recurso Repetitivo. E o faço pela constatação de que o próprio Tribunal já vem deixando de aplicar aquela decisão justamente em face do posicionamento firmado pelo STF. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO. PIS. COFINS. IRPJ. CSLL. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. MAJORAÇÃO DE HONORÁRIOS. ART. 85, § 11, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. NÃO CABIMENTO. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplicase o Código de Processo Civil de 2015. II O crédito presumido de ICMS, concedidos pelos Estados Membros, configura incentivo voltado à redução de custos, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo pelo qual não compõe a base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS. III Revelase incabível a inclusão do crédito presumido de ICMS na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. IV Tratandose de recurso especial sujeito ao Código de Processo Civil de 1973, impossibilitada a majoração de honorários nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015. V A Agravante não apresenta, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VI Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp 1606998/SC, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/12/2017, DJe 19/12/2017 TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 19515.000566/200744 Acórdão n.º 3201003.302 S3C2T1 Fl. 1.061 12 1. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou seu posicionamento anterior, ao julgar o Recurso Especial Repetitivo 1.144.469/PR, em que este Relator ficou vencido quanto à matéria, ocasião em que a 1a. Seção entendeu pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS (Rel. p/acórdão o Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 2.12.2016, julgado nos moldes do art. 543C do CPC). 2. Contudo, na sessão do dia 15.3.2017, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, julgando o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido. (AgInt no AgRg no AgRg no AREsp 430.921/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/10/2017, DJe 07/11/2017)) Ora, se o próprio Superior Tribunal de Justiça reconhece a impossibilidade de se continuar aplicando a decisão por ele proferida em sede de Recurso Repetitivo, realinhando seu entendimento ao que restou decidido pelo STF, seria, no meu entendimento, ilógico, irrazoável e anti econômico que esta Corte Administrativa permaneça assim atuando. Assim, voto por aplicar ao presente feito o entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, julgando o RE 574.706/PR na sistemática de Repercussão Geral. Desse modo, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para, em consonância com a decisão proferida pelo STF, determinar que, na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, sejam excluídas as parcelas relativas ao ICMS, uma vez que esta não compõe o conceito de faturamento. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Voto Vencedor Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Redator Designado. Coubeme a designação para redigir o voto vencedor que prevaleceu em relação ao bem fundamentado voto da relatora, com o qual acompanhei a divergência. A recorrente postula o sobrestamento do Recurso até julgamento final do RE 574.706/PR pelo Supremo Tribunal Federal, uma vez que a decisão, que aguarda o trânsito em julgado, é no sentido da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 19515.000566/200744 Acórdão n.º 3201003.302 S3C2T1 Fl. 1.062 13 Ocorre que, aos julgadores do CARF impõese a aplicação do que restar decidido pelo STJ e STF na sistemática do arts. 543B e 543C, do antigo CPC, a teor do que prescreve o disposto no caput do art. 62 da Portaria MF nº 343/2015 RICARF1. No tema 313 do STJ "legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins" temse decisão definitiva na sistemática de recursos repetitivos, no REsp nº 1.144.469 /PR, com trânsito em julgado em 13/03/2017, no sentido de que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins, firmada a seguinte tese:" ii) O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Deveras, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Ademais, a decisão definitiva na sistemática de recursos repetitivos proferida no REsp nº 1.144.469 /PR continua vigente e eficaz conquanto não reformada pelo Órgão. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 19515.000566/200744 Acórdão n.º 3201003.302 S3C2T1 Fl. 1.063 14 Conclusão Firmado nos fundamentos expostos, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Paulo Roberto Duarte Moreira. Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta declaração de voto. O próprio conceito de faturamento (de aplicação obrigatória neste Conselho conforme disposto no Art. 62 do RICARF) proferido no âmbito do STF (Recursos Extraordinários STF 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840) deixa claro que o PIS deve incidir sobre às receitas das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços, ou seja, o PIS não incide sobre o ICMS de uma forma geral, porque este não é "faturamento", não é receita e não tem nenhuma conexão com as atividades econômicas do contribuinte, é um mero ingresso transitório que não agrega ao patrimônio do contribuinte. Se trata de uma questão hermenêutica e não de uma questão de "ausência de previsão expressa para exclusão do ICMS na base de cálculo do Pis cumulativo". Ainda que taxativo o rol de exclusões permitidas, a hermenêutica permite a correta avaliação dos fatos em relação à norma. O ingresso do valor que será utilizado para pagamento do ICMS não caracteriza fato gerador e, portanto, não configura a hipótese de incidência prevista no Art. 2.º da Lei 9.718/98. 2 Sendo assim, não é possível cobrar tributo sem o surgimento da obrigação tributária principal, conforme garantia prevista no Art. 113 do Código Tributário Nacional. 3 2 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) 3 TÍTULO II Obrigação Tributária CAPÍTULO I Disposições Gerais Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 19515.000566/200744 Acórdão n.º 3201003.302 S3C2T1 Fl. 1.064 15 Tal entendimento também tem expressão neste conselho, a exemplo o voto do Conselho Augusto Fiel no Acórdão 3401003.165, que de forma concisa, abordou a obrigatoriedade da aplicação de decisão definitiva do STF neste Conselho, sendo a decisão do Recurso Extraordinário n.º 240.785, a utilizada para a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS em sinergia com a decisão do STF que estabeleceu o conceito de faturamento. Pela Ementa facilmente se conclui tal entendimento, transcrita integralmente a seguir: "Ementa. TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇÃO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento." Somado ao fato de que o Recurso Extraordinário n.º 240.785 é decisão definitiva (transitada em julgado em 23/02/15), proferida pelo plenário do STF e, portanto, tem aplicação obrigatória neste Conselho conforme disposto no Art. 62 do RICARF4, é importante registrar que em 15/03/17 o Supremo Tribunal Federal decidiu no julgamento do RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, portanto, não pode integrar a base de cálculo das contribuições, conforme notícia oficial transcrita a seguir: "Quartafeira, 15 de março de 2017 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins é inconstitucional. Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão nesta quartafeira (15), decidiu que o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) não integra a base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Ao finalizar o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 574706, com repercussão geral reconhecida, os ministros entenderam que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da seguridade social. 4 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 19515.000566/200744 Acórdão n.º 3201003.302 S3C2T1 Fl. 1.065 16 Prevaleceu o voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, no sentido de que a arrecadação do ICMS não se enquadra entre as fontes de financiamento da seguridade social previstas nas Constituição, pois não representa faturamento ou receita, representando apenas ingresso de caixa ou trânsito contábil a ser totalmente repassado ao fisco estadual. A tese de repercussão geral fixada foi a de que “O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins”. O posicionamento do STF deverá ser seguido em mais de 10 mil processos sobrestados em outras instâncias. Além da presidente do STF, votaram pelo provimento do recurso a ministra Rosa Weber e os ministros Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello. Ficaram vencidos os ministros Edson Fachin, que inaugurou a divergência, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. O recurso analisado pelo STF foi impetrado pela empresa Imcopa Importação, Exportação e Indústria de Óleos Ltda. com o objetivo de reformar acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) que julgou válida a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Votos O julgamento foi retomado na sessão de hoje com o voto do ministro Gilmar Mendes, favorável à manutenção do ICMS na base de cálculo da Cofins. O ministro acompanhou a divergência e negou provimento ao RE. Segundo ele, a redução da base de cálculo implicará aumento da alíquota do PIS e da Cofins ou, até mesmo, a majoração de outras fontes de financiamento sem que isso represente mais eficiência. Para o ministro, o esvaziamento da base de cálculo dessas contribuições sociais, além de resultar em perdas para o financiamento da seguridade social, representará a ruptura do próprio sistema tributário. Último a votar, o ministro Celso de Mello, decano do STF, acompanhou o entendimento da relatora de que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins é inconstitucional. Segundo ele, o texto constitucional define claramente que o financiamento da seguridade social se dará, entre outras fontes, por meio de contribuições sociais sobre a receita ou o faturamento das empresas. O ministro ressaltou que só pode ser considerado como receita o ingresso de dinheiro que passe a integrar definitivamente o patrimônio da empresa, o que não ocorre com o ICMS, que é integralmente repassado aos estados ou ao Distrito Federal. Modulação Quanto à eventual modulação dos efeitos da decisão, a ministra Cármen Lúcia explicou que não consta no processo nenhum pleito nesse sentido, e a solicitação somente teria sido feita da tribuna do STF pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Não havendo requerimento nos autos, não se vota modulação, esclareceu a relatora. Contudo, ela destacou que o Tribunal pode Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 19515.000566/200744 Acórdão n.º 3201003.302 S3C2T1 Fl. 1.066 17 vir a enfrentar o tema em embargos de declaração interpostos com essa finalidade e trazendo elementos para a análise." Ainda que não transitada em julgado, esta decisão do Supremo Tribunal federal colocará fim à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, reforçando diversos precedentes judiciais deste próprio tribunal, assim como de Tribunais Regionais Federais, a exemplo os Acórdãos do TRF da 3.ª Região, de n.º 4760892, n.º 4936897 e n.º 4947108. Também não há como completar o lançamento (em dizer que o ICMS está embutido no preço do produto por exemplo) sob a possibilidade de agressão ao critério jurídico adotado no lançamento, seja qual for, não tratou da possibilidade do Pis ou do Cofins incidir sobre o ICMS, o que configuraria o descumprimento do Art. 146 do CTN. Portanto, merece provimento o Recurso Voluntário em toda a matéria de fundo desta lide administrativa, de forma que deve ser cancelada toda a cobrança do ICMS na base de cálculo do PIS. CONCLUSÃO. Diante do exposto, votase para dar PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, com principal fundamento no Art. 113, 142 e 146 do CTN, assim como nas mencionadas decisões definitivas do STF, no Art. 62 do Regimento Interno deste Conselho e na jurisprudência nacional. Declaração de voto proferida. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 1066DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.722456/2012-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
PENDÊNCIAS. INDEFERIMENTO.
Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
Numero da decisão: 1001-000.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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INDEFERIMENTO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 05) para o ano calendário 2012, tendose em vista a existência de débitos (40.012.2405 e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 24 56 /2 01 2- 03 Fl. 50DF CARF MF 2 40.012.2413) com a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), com exigibilidade não suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V; e o registro de atividades econômicas vedadas, art. 17, inciso XI e XV: Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, conforme resumo no relatório do acórdão recorrido: 2. O interessado alega, em síntese, que: 2.1. A atividade exercida pela empresa é: GESTÃO E ADMINISTRAÇÃO DA PROPRIEDADE IMOBILIÁRIA, cuja alteração foi efetuada na JUCERJA e na RFB, EM 31/01/2012. 2.2. Quanto aos débitos previdenciários, estão sendo regularizados junto a RFB através das comprovações de pagamento, pois o débito se deu por divergências em GFIP. Logo, com a comprovação do pagamento e o reenvio das GFIPs em questão os débitos não mais constarão no sistema. A decisão de primeira instância (efls. 20/23) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que não teria restado comprovado que a empresa tenha se enquadrado em atividade permitida e que não existia pagamento ou suspensão da exigibilidade dos débitos fiscais: mesmo efetuando a mudança no CNAE Fiscal da empresa, não resta comprovado que a empresa enquadrase numa situação permitida para sua inclusão no Simples Nacional; Com relação aos débitos de natureza previdenciária, foram efetuadas consultas ao sistema informatizado da SRFB Plenus MV2, em anexo, onde foi constatado que os débitos 40.012.2405 e 40.012.2413, listados no Termo de Indeferimento, encontram se na Procuradoria Federal Especializada e foram ajuizados/distribuídos em 26/06/2012. Cientificada da decisão de primeira instância em 26/04/2012 (efl. 25) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 22/05/2013 (efl. 47), em que aduz, em resumo, que: Fl. 51DF CARF MF Processo nº 18470.722456/201203 Acórdão n.º 1001000.285 S1C0T1 Fl. 51 3 a prestação de serviços cumulativos de administração e locação de imóveis de terceiros podem se enquadrar no Simples Nacional, conforme inciso XIX, § 1° do art. 17 da LC 123/2006 não seria razoável nem proporcional que a lei impeça o contribuinte de ingressar no regime especial do Simples Nacional pelo fato de haver débitos tributários. em relação aos débitos fiscais, a empresa litiga com a fazenda Nacional em processo de embargos a execução n. 000132062.2013.4.02.5101, em apenso aos autos da execução fiscal 002970991.2012.4.02.5101, tornando sem exigibilidade os débitos em questão. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 05) para o ano calendário 2012. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 15, inciso XV, da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011: “Art. 15. Não poderá recolher os tributos na forma do Simples Nacional a ME ou EPP: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, caput): (...) XV que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, inciso V)”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela mesma Resolução CGSN nº 94/2011: Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) (...) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) Fl. 52DF CARF MF 4 § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; O contribuinte não diligenciou de forma a regularizar as pendências no prazo legal, pois não efetuou o recolhimento (antes de 31/01/2012) dos débitos que impediam sua adesão ao SN, nem comprova a suspensão da exigibilidade de tais débitos. O contribuinte anexa embargos a execução protocolado em 26/03/2013 e decisão que suspenderia a execução se confirmada condição lá presente (efl. 39/46). Mas, como bem atesta a data do protocolo, tais atos judiciais não poderiam retroceder no tempo para suspender a exigibilidade em 31/01/2012. O recorrente apela à alegação de eventual excesso inconstitucional do legislador ordinário ao fixar, na Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V, a impossibilidade de Opção pelo Simples Nacional de empresas com débito com a Fazenda nacional, cabe destacar que é tarefa exclusiva reservada ao Poder Judiciário a verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. Estes argumentos são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, a atividade de prestação de serviços cumulativos de administração e locação de imóveis de terceiros que a empresa alega exercer enquadrase dentre aquelas permitidas por empresa que deseja optar pelo no Simples Nacional, conforme inciso XIX, § 1° do art. 17 da LC 123/2006. Mas como os débitos não foram regularizados até 31/01/2012, não cabe a adesão pleiteada. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.901514/2008-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
PRECLUSÃO. JULGAMENTO REALIZADO PELO COLEGIADO A QUO DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. PEDIDO DE CORREÇÃO MONETÁRIA.IMPOSSIBILIDADE.
O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastar-se do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazê-lo em outra oportunidade.
Numero da decisão: 9303-006.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO REALIZADO PELO COLEGIADO A QUO DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. PEDIDO DE CORREÇÃO MONETÁRIA.IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastar-se do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazê-lo em outra oportunidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
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JULGAMENTO REALIZADO PELO COLEGIADO A QUO DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. PEDIDO DE CORREÇÃO MONETÁRIA.IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 15 14 /2 00 8- 33 Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 10783.901514/200833 Acórdão n.º 9303006.290 CSRFT3 Fl. 1.176 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº3403001.527, proferido pela 4º Câmara/3º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: 1) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito de o contribuinte apurar o crédito presumido em relação às aquisições de pessoas físicas e cooperativas, assim como à aplicação da taxa Selic a partir da data de formalização do pedido; e 2) por maioria de votos, negouse provimento quanto à inclusão das variações cambiais na receita de exportação. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ/Juiz de Fora que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o despacho decisório que indeferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, correspondente ao período de 01/07/2003 a 30/09/2003, e, conseqüentemente, homologou parcialmente as compensações declaradas. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62A do RICARF, incluise na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. As aquisições de energia elétrica estão excluídas do cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, uma vez que tal insumo não é considerado produto intermediário à luz da legislação do IPI. Súmula CARF nº 19. Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10783.901514/200833 Acórdão n.º 9303006.290 CSRFT3 Fl. 1.177 3 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS. As variações cambiais não compõem a receita de exportação para efeito de apuração do crédito presumido de IPI. TAXA SELIC. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62A do RICARF, o valor do ressarcimento do crédito presumido deve ser corrigido pela variação da taxa Selic". Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, alegando que o colegiado reconheceu o direito do contribuinte aplicar a taxa Selic ao valor do ressarcimento, a partir da data de protocolo do pedido, com base no entendimento constante do REsp 1.035.847, mas que não foi indicado o pressuposto de fato estabelecido no referido julgado, consistente no ato de oposição estata. O Colegiado, rejeitou os embargos por entender que ao contrário do alegado pela PFN, no caso concreto existiram atos de oposição estatal de natureza normativa e de efeitos concretos. Os atos normativos foram as Instruções Normativas IN SRF nº 23/97 (art. 2º, § 2º) e 69/2001 (art. 16), citadas na informação fiscal, que deram suporte ao despacho decisório de fl. 851. E o ato de efeitos concretos é o próprio despacho de fl. 851. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, requerendo seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido e, conseqüentemente, indeferir in totum o pleito do contribuinte e, conseqüentemente indeferir a incidência da Selic sobre a parte do pleito que não diz respeito à legalidade da Instrução Normativa SRF nº 23/1997. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, a Contribuinte aponta como paradigmas os acórdãos nºs 310100.939 , 9303001.724 e 20180.812. Em seguida, por sido comprovada a divergência jurisprudencial, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso, fls. 1148/1150. A Contribuinte apresentou contrarrazões, requerendo o desprovimento do Recurso interposto. É o relatório. Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 10783.901514/200833 Acórdão n.º 9303006.290 CSRFT3 Fl. 1.178 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito incidência ou não da taxa Selic sobre o total do ressarcimento de crédito presumido do IPI, deferido ou não (resistência ilegítima) pela unidade de origem. sobre o ressarcimento de crédito presumido do IPI. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Com efeito, na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (REsp 993.164). In caso, a decisão recorrida concedeu a incidência da taxa Selic a partir da data da formalização do pedido até o efetivo ressarcimento ou compensação, incidência autorizada sobre a totalidade dos créditos, por configurar atos de oposição estatal de natureza normativa e de efeitos concretos. Os atos normativos foram as Instruções Normativas IN SRF nº 23/97 (art. 2º, § 2º) e 69/2001 (art. 16), citadas na informação fiscal, que deram suporte ao despacho decisório de fl. 851. E o ato de efeitos concretos é o próprio despacho de fl. 851. Compulsando os autos, verifico no exame de admissibilidade, fls. 1148/1149 o seguinte: Na decisão recorrida foi concedida a incidência da taxa Selic a partir da data da formalização do pedido de ressarcimento até o efetivo ressarcimento ou compensação, incidência autorizada sobre a totalidade dos créditos, reconhecidos pela decisão recorrida, além dos já originalmente deferidos pela unidade de origem, sem oposição ilegítima, segundo comprova a transcrição de fragmento do voto, abaixo, que deferiu o Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 10783.901514/200833 Acórdão n.º 9303006.290 CSRFT3 Fl. 1.179 5 direito à aplicação da correção monetária ao ressarcimento em razão da demora em examinar o pedido. "Sendo essa hoje a posição firmada pelo STJ e que vem sendo aplicada por esse órgão colegiado em cumprimento ao disposto no art. 62A do RICARF, deve ser admitida a atualização do valor ressarcido pela taxa selic, devendo prevalecer como marco inicial a data de formalização do pedido de ressarcimento de IPI, pois tãosomente a partir desse momento poderseia configurar resistência ao reconhecimento do direito pleiteado, seja pela oposição de ato estatal ou pela demora em examinar o pedido." (grifei/sublinhei) Discordo da assertiva colacionada no despacho de admissibilidade, faz acreditar que a decisão recorrida concedeu duplamente o crédito, além do que já tinha sido deferido pela unidade de origem, não é bem assim. A 3º Turma da DRJ/JFA, negou a correção monetária da pela Taxa sobre o crédito pleiteado, nos seguintes termos: "A contribuinte apresentou linha de defesa favorável à aplicação de correção monetária com base na taxa SELIC sobre os créditos do IPI pleiteados. De pronto cabe esclarecer que não houve petição referente à "atualização monetária", mediante a incidência de juros Selic, no pleito inicial. Observase a sua menção tão somente quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Acerca do tema, mostrase de bom alvitre alertar a impugnante de que esta ja Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de ForaMG tem decidido reiteradamente que a aplicação de tais consectários a valores a ressarcir exige disposição legal expressa a respeito, o que não há na legislação tributária em vigor. Com efeito, a admissão da aludida aplicação de correção monetária pela autoridade administrativa para os créditos em questão representaria uma indevida inovação da ordem jurídica, cuja competência cabe privativamente ao legislador. Em vista da ausência de base legal que autorize tal feito, a IN SRF n° 210, de 30/09/2002; a IN SRF n° 460, de 18/10/2004, a IN SRF n° 600, de 28/12/2005, e a IN SRF n° 900/2008 — que atualmente regulamenta os dispositivos referentes à restituição de indébitos, ao ressarcimento, ao reembolso e A compensação de tributos e contribuições administrados Secretaria da Receita Federal do Brasil— esclarecem o fato, respectivamente em seus artigos 38, §2°; e 51, §5°. 52, §5°, e, 72, § 5°, de que não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IN". Como se observa, a decisão recorrida concedeu o direito de atualização pela SELIC, com base na posição firmada pelo STJ, o que vem sendo aplicada por esse Tribunal, em cumprimento ao disposto no art. 62A do RICARF. Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 10783.901514/200833 Acórdão n.º 9303006.290 CSRFT3 Fl. 1.180 6 Contudo, entendo que o colegiado decidiu além dos limites da lide extra petita, concedeu atualização de ofício, sem observar que a matéria não tinha sido prequestionada no pedido inicial efetuado pela Contribuinte. Neste sentido, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, a matéria não impugnada está fora do litígio e o crédito tributário a ela relativo se torna consolidado; na ausência do litígio, a matéria não pode ser analisada em sede de recurso voluntário. Ou seja, tendo a Contribuinte impugnado apenas determinado item do lançamento, o julgador não está autorizado a dar provimento ao recurso voluntário por fundamento jurídico diverso. O contencioso administrativo, regido pelo Decreto Lei nº 70.235/72, assim como o novo codex de processo civil, impõe limites as fases processuais que devem ser observadas para o perfeito andamento do processo e adequado deslinde do litígio. A lide cravada esta delimitada precisamente pelos contornos jurídicos que foi dado pela Contribuinte, definido pelo pedido e pelos fatos e fundamentos jurídicos que o fundamentam, lançados em seu pedido, não pode inovar no meio do caminho seu recurso voluntário. Nesta linha, recorro aos princípios existentes no âmbito do processo civil, em vista dos permissivos expressos nos artigos 108 do Código Tributário Nacional CTN e artigo 4º da LICC, o qual podese citar o art. 141, do Novo Código de Processo Civil: “Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendolhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte." Deste modo, o citado dispositivo revela que o Código de Processo Civil consagrou o princípio de adstrição do juiz ao pedido e da parte, como decorrente do princípio desse dispositivo. Portanto, o órgão julgador, ao apreciar a legalidade do ato administrativo, deve decidir também de acordo com a matéria inserta no pedido do autor e/ou recurso voluntário, conforme o caso. Nessa linha, imperioso destacar a inteligência do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, o qual dispõe que: "considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Finalmente, corroborando este entendimento, trago como precedente o Acórdão nº 930301.705, julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, voto da lavra do Ilustre Ex Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, o qual merece destaque: "Aqueles que navegam no direito subjetivo sabem ou deveriam saber que o mar processual é bravio e desafiador, quase sempre revolto e cheio de ondas e marolas que fazem, muitas vezes o barco perder o rumo. Isso faz com que muitos se percam e não consigam completar a travessia. Mas nem tudo está perdido, os instrumentos de navegação vêm, a cada dia, se aperfeiçoando, de tal sorte, que o barqueiro que os utilizar corretamente, nunca perderá o norte e, facilmente, chegará a um porto seguro. Saindo da linguagem figurada para a real, os instrumentos são os princípios gerais e específicos Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 10783.901514/200833 Acórdão n.º 9303006.290 CSRFT3 Fl. 1.181 7 que norteiam a atividade jurisdicional e, por empréstimo, a 'judicante' administrativa. Muitos desses princípios são universais, isso quer dizer que estão presente em todos, ou em quase todos, sistemas jurídicos mundiais. Na maioria das vezes, são eles incorporados à legislação processual e até mesmo à constitucional, tornandose, portanto, obrigatória sua observância. Nos países, como o Brasil, em que a atividade judicante é dissociada da inquisitória, um dos pilares da jurisdição é justamente o princípio da iniciativa da parte, cuja origem remonta ao direito romano onde ao juiz era vedado proceder sem a devida provocação das partes. Predito princípio, versão moderna do ne procedat iudex ex officio; nemo iudex sine actore, foi consagrado no artigo 2º e, também, no 262, ambos do Código de Processo Civil Brasileiro." Nesse quadro, considero a matéria posta a esta Egrégia Câmara Superior preclusa, conforme art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Diante do que foi exposto, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, reformo o acórdão recorrido, para que não seja aplicada a atualização do crédito pela Taxa Selic, por se tratar de matéria preclusa. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.932510/2008-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É de 05 anos o prazo para a homologação da DCOMP, contados a partir da data de sua entrega.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA
Inexistindo contestação referente ao motivo da não homologação da compensação, deverá ser considerada não conhecida a manifestação apresentada.
Numero da decisão: 3001-000.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhaes e Cassio Schappo
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É de 05 anos o prazo para a homologação da DCOMP, contados a partir da data de sua entrega. MATÉRIA NÃO CONTESTADA Inexistindo contestação referente ao motivo da não homologação da compensação, deverá ser considerada não conhecida a manifestação apresentada.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É de 05 anos o prazo para a homologação da DCOMP, contados a partir da data de sua entrega. MATÉRIA NÃO CONTESTADA Inexistindo contestação referente ao motivo da não homologação da compensação, deverá ser considerada não conhecida a manifestação apresentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhaes e Cassio Schappo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 25 10 /2 00 8- 07 Fl. 154DF CARF MF 2 Relatório Despacho Decisório 791233240 Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 37337.56987.210704.1.3.044478, o direito à compensação ficou limitado ao valor do crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP. De acordo com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por esta razão, não se homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Foi arguido, pela recorrente, que o crédito a tributário aproveitado decorreria das competências de Julho de 1999 a Maio de 2000, sendo que a Requerente, por um equivoco, recolheu montante de COFINS superior ao realmente devido. Através da análise do documento supracitado, sustenta ser possível identificar a existência de crédito em favor da Requerente. Diante do crédito apurado, atinente ao montante da COFINS, recolhida a maior nas competências de Julho de 1999 a Maio de 2000, a Requerente em 25/05/03, teria protocolizado pedido de compensação via formulário, com o objetivo de compensar débitos, com créditos da própria COFINS, dentre eles o débito de COFINS da competência de Janeiro de 2003, no montante de R$ 7.452,23. Erro na DCOMP Ao constatar que houve erro no preenchimento do formulário de declaração de compensação. e visando reparar o erro cometido, a Requerente, teria protocolado petição requerendo a retificação da Declaração de Compensação objeto do processo administrativo n 0 ° 13804.002810/200348. Porém, foi realizada, equivocadamente, outra PER/DCOMP, que recebeu o no 37337.56987.210704.1.3.0444781 com a finalidade de compensar o débito de R$ 7.452,30 No entanto, o débito declarado na PER/DCOMP acima citada, no valor de R$ 7.452,30 (sete mil quatrocentos e cinqüenta e dois reais e trinta centavos), já havia sido objeto de pedido de compensação no processo administrativo no 13804.002810/200348. Assim, tendo em vista que o referido débito em questão é objeto de pedido de compensação no processo administrativo n° 13804.002810/200348, não haveria que se falar em crédito tributário, uma vez que o débito em questão já está sendo objeto de compensação no processo administrativo no 13804.002810/2003 48. DRJ/FNS. A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 0734.165 4 ª Turma ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.932510/200807 Acórdão n.º 3001000.125 S3C0T1 Fl. 155 3 Ano calendário: 1999 MATÉRIA NÃO CONTESTADA Inexistindo contestação referente ao motivo da não homologação da compensação, deverá ser considerada não conhecida a manifestação apresentada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação, nº 37337.56987.210704.1.3.044478, diante de insuficiência de crédito. De acordo com o despacho decisório, o crédito do sujeito passivo Darf no valor de R$ 16.480,95, código 2172, PA 30/07/1999 e data arrecadação 13/08/1999 , foi integralmente apropriado ao débito cód. 2172 PA 31/07/1999. A recorrente informa que o débito informado na Dcomp objeto do presente processo (Cofins de jan/2003 no valor de R$ 7.452,30) já teria sido compensado no processo administrativo nº 13804.002810/200348 e, por isso, pede o cancelamento da presente compensação. É o relatório. Vê se que a não homologação da compensação se deu em razão da inexistência do crédito informado, pois o Darf informado está vinculado ao débito cód. 2172 PA 31/07/1999. A recorrente, a seu turno, limitase a pedir o cancelamento da compensação em vista de o débito já ter sido objeto de outra compensação, nada mencionado em relação a existência ou não do crédito oferecido. Nos termos do art. 17 do Decreto no 70.235/72, e alterações posteriores, que regula o processo administrativo fiscal, são consideradas incontestes as matérias sobre as quais o contribuinte não se manifeste expressamente. Desta forma, não tendo a contribuinte trazido qualquer alegação contrária à motivação da decisão proferida no despacho decisório que possa aqui ser analisada, não ocorreu a instauração do contencioso administrativo no presente processo. Assim é que, inexistindo contestação acerca da não homologação da compensação, resta votar pelo não conhecimento da presente manifestação de inconformidade. Fl. 156DF CARF MF 4 Recurso Voluntário A recorrente afirma que realizou Dcomp 37337.56987.210704.1.3.044478 a fim de realizar compensação de débito de COFINS para competência de janeiro de 2003. Relata que não contestou o despacho decisório por que não se opõe ao indeferimento. Indicou que o despacho decisório foi contestado exclusivamente em relação ao processo de abertura de cobrança 10880 935 275 2008 17, uma vez que houve compensação do débito na DCOMP formulário n.º 13804 002810 2003 48. Da Homologação Tácita A não movimentação dos autos entre junho de 2003 até janeiro de 2015, implicaria, segundo a tese da Recorrente, superado o prazo de cinco anos quando contado a partir Dcomp Retificadora, merecendo ser decretada a homologação tácita. É o relatório Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O recurso voluntário, segundo consta, concorda com a decisão de primeira instância, e, por isso, não contestou o despacho decisório, vez que não se opõe ao indeferimento, tornando, portanto, a matéria incontroversa. Da Homologação Tácita Por outro lado, solicitou o reconhecimento da Homologação tácita, pois não houve movimentação dos autos entre junho de 2003 até janeiro de 2015, havendo, inclusive, superado o prazo de cinco anos previsto na legislação. Em seu Recurso, a Recorrente alega ter havido a ocorrência de decadência, tendo em vista que o período de apuração é 30 de novembro de 2004, sendo o despacho emanado em 06 de setembro de 2010. Desta forma, teria transcorridos mais de 05 anos, e, por via de consequência, operado em seu favor a homologação tácita da compensação. Não assiste razão ao entendimento esposado acima. Ocorre, que a data para início da contagem do prazo da homologação tácita tem seu termo inicial na data de sua entrega, e os cinco anos devemse passar entre a entrega e o despacho decisório. Compulsandose estes eautos, observase que Per/Dcomp, fora protocolizada na data de 21/07/2004, sendo que o despacho decisório foi datado de 25 de setembro de 2008, portanto, a fazenda agiu dentro do prazo para sua análise. Acórdão 3801001.986–1ª Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. É de 5 (cinco) anos o prazo para Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.932510/200807 Acórdão n.º 3001000.125 S3C0T1 Fl. 156 5 homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da data da entrega da declaração de compensação. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 158DF CARF MF
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