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Numero do processo: 23034.007988/2003-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência junto à Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que seja informado, mediante relatório minucioso e circunstanciado, se houve a efetivação (ou não) das compensações autorizadas por decisão judicial em face das NFLD - DEBCAD n. 35.371.514-0; n. 35.371.520-4; 35.371.282-5; n. 35.371.509-3; n. 35.371.606-5; n. 35.371.503-4; n. 35.371.519-0; n. 35.371.607-3; n. 35.371.512-3; n. 35.371.518-2; n. 35.371.281-7; e n. 35.371.513-1, bem assim quanto a ocorrência (ou não) de recolhimentos e/ou adesão a parcelamentos, relativos às competências 07/95 a 04/2002, que possam repercutir nos créditos tributários consignados na NRD n. 344/2004.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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I. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência junto à Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que seja informado, mediante relatório minucioso e circunstanciado, se houve a efetivação (ou não) das compensações autorizadas por decisão judicial em face das NFLD DEBCAD n. 35.371.5140; n. 35.371.5204; 35.371.2825; n. 35.371.5093; n. 35.371.6065; n. 35.371.5034; n. 35.371.5190; n. 35.371.6073; n. 35.371.5123; n. 35.371.5182; n. 35.371.2817; e n. 35.371.5131, bem assim quanto a ocorrência (ou não) de recolhimentos e/ou adesão a parcelamentos, relativos às competências 07/95 a 04/2002, que possam repercutir nos créditos tributários consignados na NRD n. 344/2004. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 161/174 em face de decisão do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 127/130 que decidiu pelo indeferimento da defesa apresentada pelo contribuinte em epígrafe RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 2 30 34 .0 07 98 8/ 20 03 -0 5 Fl. 572DF CARF MF Processo nº 23034.007988/200305 Resolução nº 2402000.667 S2C4T2 Fl. 3 2 (efls. 100/108), mantendo, destarte, o crédito tributário referente ao não recolhimento do salárioeducação consignado na Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) n. 344/2004 emitida em 11/05/2004 no valor total de R$ 86.665,18 (efls. 97/98) com fulcro em irregularidades nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação e/ou na aplicação dos recursos do Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental (SME), consoante o disposto na legislação aplicável, especificamente em relação aos períodos de apuração (P.A) 07/1995 a 04/2002. A Recorrente foi regularmente cientificada da NRD n. 344/2004 em 17/05/2004 e apresentou defesa nos termos da petição de efls. 100/108, indeferida pelo FNDE, conforme decisão de efls. 127/130. Após ciência da decisão de efls. 127/130 na data de 29/12/2004 (efl. 160), a Recorrente interpôs, em 20/01/2005 (considerada a data de assinatura da peça recursal, vez que não consta nos autos a data de protocolo de recepção no FNDE), o Recurso Voluntário acostado às efls. 161/174, alegando, em apertada síntese, i) nulidade da decisão a quo; ii) preliminar de decadência; iii) preliminar de nulidade da NRD n. 344/2004; e, no mérito, duplicidade/superposição de cobrança. O Recurso Voluntário de efls. 161/174 foi dirigido ao Conselho Deliberativo do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que dele conheceu, e, no mérito, julgou improcedente, por unanimidade, nos termos da decisão de efls. 518/531. Todavia, é relevante destacar que o decisum da lavra do Conselho Deliberativo do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) limitouse às seguintes matérias: i) vício na decisão a quo; ii) decadência; e iii) nulidade da NRD n. 344/2004. Assim, não foi apreciada a matéria referente à duplicidade da cobrança, por, no entendimento do referido Conselho, ser de cunho técnico, estando, portanto, fora da esfera de suas atribuições. Por oportuno, cabe destacar que o objeto do Recurso Voluntário (efls. 518/531) foi alvo da ação judicial n. 97.00753271, na qual se discutiu a inconstitucionalidade da cobrança do SalárioEducação, bem assim sua compensação, consoante denunciado nos autos. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário de efls. 161/174, foi conhecido e julgado improcedente pelo Conselho Deliberativo do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), nos da decisão de efls. 527/531. Entretanto, conforme já relatado, o decisum da lavra do Conselho Deliberativo do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) limitouse às seguintes matérias: i) vício na decisão a quo; ii) decadência; e iii) nulidade da NRD n. 344/2004. Assim, não foi apreciada a matéria referente à duplicidade da cobrança, por, no entendimento do referido Conselho, ser de cunho técnico, estando, portanto, fora da esfera de suas atribuições. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 23034.007988/200305 Resolução nº 2402000.667 S2C4T2 Fl. 4 3 Desta forma, ainda que a decisão do Conselho Deliberativo do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 527/531 esteja revestida de natureza de decisão de segunda instância, permanece a competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), nos termos do art. 37 do Decreto n. 70.235/1972, para apreciar o Recurso Voluntário de efls. 161/174, vez que remanesce matéria não apreciada pelo FNDE (duplicida/superposição de cobrança), bem como reclamase pela aplicação do prazo quinquenal de decadência, consolidado na Súmula Vinculante n. 8 do STF. Nesse contexto, não se incide o disposto noa rt. 38 do Decreto n. 70.235/1972. É oportuno destacar que a Recorrente manejou a ação judicial n. 97.0075327 1, na qual discutiu a inconstitucionalidade da cobrança do SalárioEducação, bem assim sua compensação, consoante denunciado nos autos.Todavia, não se vislumbra prejuízo à admissibilidade do Recurso Voluntário (efls. 161/174) com fulcro na Súmula CARF n. 1, vez que não se verifica, prima facie, concomitância de instâncias (judicial e administrativa), uma vez presente a autonomia do objeto (duplicidade/superposição de cobrança) veiculado na peça recursal com as matérias tratadas na instância judicial. Com efeito, o Memo n. 222/2004 GEARC/FNDE 28/04/2004 informa que a Recorrente faz parte da relação de empresas autoras do processo judicial n. 97.00753271 e anexa telas de consulta processual ao sítio da Justiça Federal Seção Judiciária do Rio de Janeiro 30ª. Vara Federal onde se verifica que a referida ação judicial foi autuada em 16/09/1997 , bem assim informação do sítio do TRF2 , oportunidade em que, de fato, constatase que a Recorrente é parte do indigitado processo, como autora, em litisconsórcio ativo com outras empresas (efls. 83/89). Por sua vez, a Informação n. 375/2004 SUSME 03/05/2004 denuncia que não consta cadastro da Recorrente no SCPJ e que com base na informação registrada no Termo de Encerramento a empresa é autora do processo n. 97.00753271, por meio do qual efetuou compensações. Outrossim, também informa que foi encaminhado memorando à Procuradoria Jurídica do FNDE para inclusão da empresa no rol das autoras do referido processo no SCPJ (efls. 90/91). Por sua vez, a decisão do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 127/130, assim relata, verbis: [...] Consta, ainda, levantamento de débito para o SalárioEducação referente ao período de 01/99 a 04/01, por meio de outras NFLD's, inclusive a NFLD n.° 35.371.5140, abrangendo os valores do SalárioEducação apurados pelo PROINSPE, no entanto, o fiscal do lNSS relata no relatório da fiscalização realizada na matriz CNPJ n.” 42.563.692/000126, que os débitos apurados nestes levantamentos, resultam do total das contribuições sociais do SalárioEducação, incidentes sobre a remuneração dos empregados constante das folhas de pagamento, deduzidas as contribuições recolhidas pelo convênio do Salário Educação e as contribuições compensadas devido ao processo judicial ajuizado a respeito da constitucionalidade do SalárioEducação. Por fim, quanto a alegada superposição de cobrança, sob o argumento de que parte dos débitos exigidos na NRD, também teria sido objeto de lançamentos por parte do INSS em ações fiscais, temos a esclarecer que, o fiscal informa em seu relatório que o levantamento tem o intuito de evitar a decadência até a decisão final a Fl. 574DF CARF MF Processo nº 23034.007988/200305 Resolução nº 2402000.667 S2C4T2 Fl. 5 4 respeito do processo judicial sob o n.° 97.00753271, ajuizado pela empresa contra a constitucionalidade da contribuição social do SalárioEducação. [...] (grifei) Muito bem. Da análise da peça recursal de efls. 161/174, constatase que o mérito da presente lide duplicidade/superposição de cobrança confundese, em parte considerável, com os fundamentos que deram suporte às NFLD DEBCAD n. 35.371.5140; n. 35.371.520 4; 35.371.2825; n. 35.371.5093; n. 35.371.6065; n. 35.371.5034; n. 35.371.5190; n. 35.371.6073; n. 35.371.5123; n. 35.371.5182; n. 35.371.2817; e n. 35.371.5131, conforme denuncia, verbis: Conforme já pisado e repisado na peça de bloqueio, os débitos ora discutidos são objeto de dupla cobrança, uma vez que já foram lançados pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, em agosto de 2001, mediante a lavratura das seguintes NFLDs: As notificações elencadas, da lavra do INSS, possuem o mesmo objeto (salário educação), utilizaram a mesma base de cálculo, correspondem ao mesmo período, bem como aplicaram a mesma alíquota aplicada aos débitos lançados na presente NRD, configurando, portanto, indubitavelmente uma dupla cobrança de um débito que, a rigor, é o mesmo. Ressaltese ainda que não logram êxito os poucos argumentos trazidos na decisão que ora se refuta. Isto porque, ambas as fiscalizações lançam os valores compensados pela empresa com créditos detidos, sendo patente a duplicidade na cobrança, facilmente depreendida das planilhas elaboradas pelos órgãos autárquicos. Quanto aos demais valores, temse que ambas as ñscalizações utilizam como fundamento a folha de pagamento. Assim, notase das planilhas elaboradas pelas mesmas que as bases de cálculo adotadas são as mesmas, sendo cobrados por ambos o tributo não recolhido. Ademais, em nada prejudica a fiscalização previdenciária ter sido realizada na matriz, de CNPJ n° 42.563.692/00126, pois em suas planilhas as bases de cálculo do suposto tributo devido é separado por cada filial, sendo possível distinguir precisamente os valores discutidos in casu. Patente que a Recorrente está sendo objeto de dupla cobrança dos valores destinados ao FNDE e, a prevalecer o entendimento da administração previdenciária e da administração educacional, a, ora Recorrente deverá pagar as contribuições em dobro e depois promover contra uma das duas administrações ou as duas simultaneamente a restituição do valor pago em dobro. Ora, manifesto a situação de bis in idem, que, se não corrigida, impõe à Recorrente à penosa via do solve et repete, na qual fica obrigada a pagar a referida contribuição em dobro, para depois reaver a diferença em processo específico de Fl. 575DF CARF MF Processo nº 23034.007988/200305 Resolução nº 2402000.667 S2C4T2 Fl. 6 5 restituição, pela via administrativa ou por meio de ação judicial de repetição de indébito, atentandose, ainda, contra o princípio da economia processual. Destarte, por todo o exposto, impõese a necessidade de exclusão da presente exação os valores já lançados nas NFLDs em questão. [;;;](grifos originais) Conforme se depreende dos autos, a Recorrente fez opção por participar do Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME), possuindo assim convênio com o SalárioEducação, razão pela qual procedeuse à inspeção consubstanciada no Termo de Visita Empresa (efls. 02/07), que deu suporte à Informação n. 375/2004 SUSME 03/05/2004 (efls. 90/91), culminando com a NRD n. 344/2004 (efls. 97/98). Nessa perspectiva, o enfrentamento do mérito do Recurso Voluntário de efls. 161/174 reclama o desfecho da efetivação (ou não) das compensações autorizadas por decisão judicial em face das já referidas NFLD, bem assim a ocorrência (ou não) de recolhimentos e/ou adesão a parcelamentos, relativos às competências 07/95 a 04/2002, que possam repercutir nos créditos tributários consignados na NRD n. 344/2004 (efls. 97/98). Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 161/174) e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA junto à Unidade de Origem para informar, mediante relatório minucioso e circunstanciado, a efetivação (ou não) das compensações autorizadas por decisão judicial em face das NFLD DEBCAD n. 35.371.5140; n. 35.371.5204; 35.371.2825; n. 35.371.5093; n. 35.371.6065; n. 35.371.5034; n. 35.371.5190; n. 35.371.6073; n. 35.371.5123; n. 35.371.5182; n. 35.371.2817; e n. 35.371.5131, bem assim a ocorrência (ou não) de recolhimentos e/ou adesão a parcelamentos, relativos às competências 07/95 a 04/2002, que possam repercutir nos créditos tributários consignados na NRD n. 344/2004 (efls. 97/98). (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 576DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000829/2009-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 08 29 /2 00 9- 91 Fl. 266DF CARF MF Processo nº 12897.000829/200991 Acórdão n.º 9202006.924 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.915, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202006.915): Fl. 267DF CARF MF Processo nº 12897.000829/200991 Acórdão n.º 9202006.924 CSRFT2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 12897.000829/200991 Acórdão n.º 9202006.924 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei nº 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos Fl. 269DF CARF MF Processo nº 12897.000829/200991 Acórdão n.º 9202006.924 CSRFT2 Fl. 6 5 previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarse á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 270DF CARF MF Processo nº 12897.000829/200991 Acórdão n.º 9202006.924 CSRFT2 Fl. 7 6 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 12897.000829/200991 Acórdão n.º 9202006.924 CSRFT2 Fl. 8 7 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, Fl. 272DF CARF MF Processo nº 12897.000829/200991 Acórdão n.º 9202006.924 CSRFT2 Fl. 9 8 a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a Fl. 273DF CARF MF Processo nº 12897.000829/200991 Acórdão n.º 9202006.924 CSRFT2 Fl. 10 9 imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 274DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11891.000194/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 09/01/2007
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SUMULA CARF Nº 1.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Não se conhece, em julgamento administrativo, de matéria submetida ao crivo do poder judiciário.
JUROS DE MORA. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. SUMULA CARF Nº5.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
No caso dos autos, não houve depósito do montante integral, tornando possível o lançamento dos juros de mora.
Numero da decisão: 3302-005.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 09/01/2007 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SUMULA CARF Nº 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Não se conhece, em julgamento administrativo, de matéria submetida ao crivo do poder judiciário. JUROS DE MORA. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. SUMULA CARF Nº5. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. No caso dos autos, não houve depósito do montante integral, tornando possível o lançamento dos juros de mora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SUMULA CARF Nº 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Não se conhece, em julgamento administrativo, de matéria submetida ao crivo do poder judiciário. JUROS DE MORA. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. SUMULA CARF Nº5. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. No caso dos autos, não houve depósito do montante integral, tornando possível o lançamento dos juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 01 94 /2 00 7- 57 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11891.000194/200757 Acórdão n.º 3302005.544 S3C3T2 Fl. 150 2 (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da 11ª Turma da DRJ/SP1 assim ementado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fato Gerador: 09/01/2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Decisão emitida em Mandado de Segurança, implica na renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula no 1 Portaria CARF no 52, de 2010). Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria da ação judicial. JUROS DE MORA Exigibilidade Suspensa. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral. (Súmula no 5, Portaria CARF no 52, de 2010). Por bem transcrever os fatos, adotase parte do relatório do acórdão recorrido. Tratase de processo de crédito tributário lançado através de auto de infração (fls. 2 a 14), lavrado contra a BIOLABOR LAB ANÁLISES CLÍNICAS S/C LTDA. CNPJ 54.336.615/000112, doravante denominada impugnante, no valor de R$ 3.648,36 (Três mil seiscentos e quarenta e oito reais e trinta e seis centavos). O crédito lançado referese à diferença de PIS E COFINS devidos no desembaraço da Declaração de Importação no 07/00331047, registrada em 02/01/2007. A impugnante impetrou Mandado de Segurança no 2007.38.00.0001086 na 3ª. VARA DA JUSTIÇA FEDERAL em Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11891.000194/200757 Acórdão n.º 3302005.544 S3C3T2 Fl. 151 3 Minas Gerais, para promover o desembaraço das mercadorias sem o pagamento do PIS COFINS alegando na petição a inconstitucionalidade da Lei 10865/2004 que estabeleceu a cobrança das contribuições. Em sua decisão inicial o juízo da 3ª. VARA DA JUSTIÇA FEDERAL em Minas Gerais, foi deferida parcialmente a liminar, determinando o pagamento da contribuições PIS e COFINS, calculados somente com base no valor aduaneiro das mercadorias, ou seja com a base de cálculo sem a inclusão do ICMS e das próprias contribuições. Desta forma, o desembaraço da mercadoria referente à declaração de Importação no 07/00331047 ocorreu em cumprimento à decisão judicial, constante no processo judicial no 2007.38.00.0001086 da 3ª. VARA DA JUSTIÇA FEDERAL em Minas Gerais, com o depósito dos valores de PIS/COFINS: com base no valor aduaneiro da mercadoria (parte não suspensa pela medida judicial). Assim, o auto de infração referente a este PAF foi lançado para a cobrança do valor suspenso pela decisão Liminar. Na impugnação apresentada tempestivamente em 27.06.2007 (fls 65 a 77) o contribuinte alegou, em síntese, a insubsistência do auto de infração lavrado, tendo em vista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na parte que toca a estes autos, por força de medida liminar em mandado de segurança, nos termos do art. 151, IV, do CTN, inclusive no que diz respeito aos juros de mora. Aduziu ainda a inconstitucionalidade das contribuições ao PIS e a COFINS Importação sob 3 fundamentos distintos. A DRJ/SP1 não conheceu da Impugnação, alegando concomitância da matéria com a discussão em autos judiciais e, no que diz respeito ao juros de mora, invocando a Sumula Carf nº 5. Cientificada do acórdão recorrido em 28.08.2014, interpôs recurso voluntário em 10.09.2014 (fls. 116 a 124), onde alega ter sido confirmada a liminar concedida, inclusive com o trânsito em julgado, e pugna pela declaração da improcedência do lançamento realizado por meio do auto de infração combatido, inclusive no que diz respeito aos juros de mora, vez que a exigência destes está condicionada à exigência do principal, que já foi afastada por decisão judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11891.000194/200757 Acórdão n.º 3302005.544 S3C3T2 Fl. 152 4 1 Da Renúncia ao Processo Administrativo por Concomitância com Processo Judicial. Tanto o contribuinte quanto a DRJ/SP1 atestam que a discussão do presente PAF guarda relação de identidade com a realizada nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.38.00.0001086, tendo, inclusive, ocorrido o trânsito em julgado, reconhecendo o TRF da 1ª Região a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS e das contribuições ao PISImportação e da COFINSImportação na base de cálculo destas. A liminar concedida nos autos do MS em comento, determinava a exigibilidade da parte do crédito tributário não alcançada pela decisão, ou seja, dos valores relativos ao PIS e COFINS Importação sobre o valor aduaneiro, sem a inclusão do valor do ICMS e das próprias contribuições. O depósito da parte exigível foi realizado em 12.01.2007, e a discussão acerca de sua suficiência e tempestividade, bem como sobre a aplicação ou não da multa de ofício ocorre em outros autos, de nº 11891.000195/200700, não distribuídos a este relator. Assim, nestes autos, cuidase apenas do lançamento para prevenir a decadência, relativo ao montante das contribuições ao PIS e à COFINS Importação, cuja exigibilidade foi suspensa por medida liminar concedida em Mandado de Segurança, nos termos do art. 151, inciso IV, do CTN, bem como dos juros de mora incidentes sobre tal crédito. Insurgese o contribuinte contra a manutenção do lançamento pela DRJ, em razão de decisão favorável ter transitado em julgado, reconhecendo a inconstitucionalidade do art. 7º da Lei nº 10.865/2004. Ocorre que o objeto do lançamento realizado por meio do auto de infração em discussão nestes autos é exatamente o mesmo da discussão ocorrida nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.38.00.0001086, inclusive no que diz respeito aos juros de mora, vez que tratamse de acessórios do objeto da ação antiexacional em comento. Não cabe aos julgadores administrativos decidir sobre matéria já decidida em ação judicial, haja vista a prevalência desta última, não se podendo conhecer do presente recurso voluntário. Portanto, não merece reparo a decisão recorrida no que diz respeito à parcela das contribuições cuja exigibilidade foi suspensa por decisão judicial, haja vista que a propositura de ação judicial configura renúncia às instâncias administrativas para discussão da mesma matéria, esvaziando a competência dos julgadores administrativos no que for concomitante. Nesse sentido dispõe a Sumula CARF nº 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11891.000194/200757 Acórdão n.º 3302005.544 S3C3T2 Fl. 153 5 2 Dos Juros de Mora. O recorrente insurgese ainda contra os juros de mora incidentes sobre o valor do crédito tributário cuja exigibilidade foi suspensa por medida liminar concedida em mandado de segurança, e cujo montante não foi depositado. Esclareçase que a citada medida liminar somente obrigou o contribuinte a pagar/depositar a parte correspondente às contribuições ao PIS e à COFINS Importação não alcançadas pela decisão judicial, suspendendo a exigibilidade da parte controvertida sem a exigência de depósito. Exatamente assim procedeu o contribuinte, deixando de depositar em juízo a parcela das contribuições em discussão nestes autos. Segundo inteligência da Sumula CARF nº 5, somente o depósito do montante integral afasta a incidência de juros de mora sobre credito tributário não integralmente pago no vencimento, mesmo que suspensa a exigibilidade da parcela não depositada. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. No caso em análise, não houve o depósito do montante integral, vez que conforme já exposto e conforme comprova o auto de infração (fls. 2 a 14), combinado com as guias e demonstrativo de fls 51 a 53, a parcela depositada foi somente aquela não alcançada pela liminar concedida em Mandado de Segurança. Portanto, considerando que o lançamento efetuado por meio do auto de infração em discussão nestes autos diz respeito somente à parcela do crédito tributário cuja exigibilidade foi suspensa pela medida liminar, e que sobre tal parcela não houve depósito, materializada está a hipótese do Art. 63 da Lei nº 9.430/1996, sendo possível à administração tributária efetuar o lançamento do tributo e dos juros de mora para prevenir a decadência, mantendo suspensa a exigibilidade até decisão final do poder judiciário. Observase, contudo, que compete às unidades da RFB tomar as providências necessárias para implementar o contido na decisão proferida pelo TRF da 1ª Região, nos autos do processo de nº 000010866.2007.4.01.3800, transitada em julgado no dia 11.06.2013, conforme extrato de fls. 138. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11891.000194/200757 Acórdão n.º 3302005.544 S3C3T2 Fl. 154 6 Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720101/2014-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/06/2009 a 31/12/2009
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA . DESCABIMENTO.
A sistemática de tributação não-cumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, não contempla os dispêndios com frete decorrentes da transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE PER/DCOMP CORRESPONDENTE AO TRIMESTRE-CALENDÁRIO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Os créditos da não-cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização.
CRÉDITOS PRESUMIDOS. SICOBE. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO. RELAÇÃO TEMPORAL ENTRE PAGAMENTOS E DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO.
O aproveitamento, como dedução das contribuições devidas, dos créditos presumidos decorrentes dos gastos de implantação e manutenção de equipamentos no âmbito do SICOBE, deve observar a relação temporal entre os custos efetivamente pagos e a dedução dos créditos das contribuições devidas, no período, inclusive quanto aos ressarcimentos devidos à Casa da Moeda do Brasil.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/06/2009 a 31/12/2009
PIS/Pasep . AUTUAÇÃO. IDENTIDADE MATÉRIAS
Adotam-se ao PIS/Pasep, as mesmas ementas referenciadas à Contribuição da COFINS, pela igualdade de matérias.
Numero da decisão: 3302-005.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad, que davam provimento parcial para admitir os créditos presumidos de que trata o artigo 58-R da Lei nº 10.833/2003, reconhecidos pela fiscalização no Anexo V do relatório fiscal. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida não participou da votação, em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na reunião de abril de 2018. O Conselheiro Vinícius Guimarães não participou da votação quanto à negativa de provimento de frete sobre produtos acabados, fretes sem conhecimento de transporte, frete sobre créditos extemporâneos e créditos presumidos de que trata o artigo 58-R da Lei nº 10.833/2003, em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento na reunião de abril de 2018. Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède como redator ad hoc para formalização do voto.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Redator ad hoc.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, Vinícius Guimarães, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 30/06/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA . DESCABIMENTO. A sistemática de tributação não-cumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, não contempla os dispêndios com frete decorrentes da transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE PER/DCOMP CORRESPONDENTE AO TRIMESTRE-CALENDÁRIO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da não-cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. CRÉDITOS PRESUMIDOS. SICOBE. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO. RELAÇÃO TEMPORAL ENTRE PAGAMENTOS E DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. O aproveitamento, como dedução das contribuições devidas, dos créditos presumidos decorrentes dos gastos de implantação e manutenção de equipamentos no âmbito do SICOBE, deve observar a relação temporal entre os custos efetivamente pagos e a dedução dos créditos das contribuições devidas, no período, inclusive quanto aos ressarcimentos devidos à Casa da Moeda do Brasil. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/06/2009 a 31/12/2009 PIS/Pasep . AUTUAÇÃO. IDENTIDADE MATÉRIAS Adotam-se ao PIS/Pasep, as mesmas ementas referenciadas à Contribuição da COFINS, pela igualdade de matérias.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad, que davam provimento parcial para admitir os créditos presumidos de que trata o artigo 58-R da Lei nº 10.833/2003, reconhecidos pela fiscalização no Anexo V do relatório fiscal. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida não participou da votação, em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na reunião de abril de 2018. O Conselheiro Vinícius Guimarães não participou da votação quanto à negativa de provimento de frete sobre produtos acabados, fretes sem conhecimento de transporte, frete sobre créditos extemporâneos e créditos presumidos de que trata o artigo 58-R da Lei nº 10.833/2003, em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento na reunião de abril de 2018. Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède como redator ad hoc para formalização do voto. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Redator ad hoc. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, Vinícius Guimarães, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1981; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 3.437 1 3.436 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.720101/201496 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.537 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2018 Matéria PIS/Pasep e COFINS Recorrente CERVEJARIAS KAISER BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/06/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA . DESCABIMENTO. A sistemática de tributação nãocumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, não contempla os dispêndios com frete decorrentes da transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE PER/DCOMP CORRESPONDENTE AO TRIMESTRE CALENDÁRIO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. CRÉDITOS PRESUMIDOS. SICOBE. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO. RELAÇÃO TEMPORAL ENTRE PAGAMENTOS E DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. O aproveitamento, como dedução das contribuições devidas, dos créditos presumidos decorrentes dos gastos de implantação e manutenção de equipamentos no âmbito do SICOBE, deve observar a relação temporal entre os custos efetivamente pagos e a dedução dos créditos das contribuições devidas, no período, inclusive quanto aos ressarcimentos devidos à Casa da Moeda do Brasil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 01 /2 01 4- 96 Fl. 3437DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.438 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/06/2009 a 31/12/2009 PIS/Pasep . AUTUAÇÃO. IDENTIDADE MATÉRIAS Adotamse ao PIS/Pasep, as mesmas ementas referenciadas à Contribuição da COFINS, pela igualdade de matérias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad, que davam provimento parcial para admitir os créditos presumidos de que trata o artigo 58R da Lei nº 10.833/2003, reconhecidos pela fiscalização no Anexo V do relatório fiscal. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida não participou da votação, em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na reunião de abril de 2018. O Conselheiro Vinícius Guimarães não participou da votação quanto à negativa de provimento de frete sobre produtos acabados, fretes sem conhecimento de transporte, frete sobre créditos extemporâneos e créditos presumidos de que trata o artigo 58R da Lei nº 10.833/2003, em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento na reunião de abril de 2018. Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède como redator ad hoc para formalização do voto. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Redator ad hoc. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, Vinícius Guimarães, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad. Relatório Na condição de redator ad hoc, designado para formalizar o voto, passo a transcrever o relatório elaborado na minuta do voto proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 17/04/2018. "Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratase de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e da contribuição para o Programa de Integração SocialPIS,. fls.459/470, que constituíram o crédito tributário total de R$ 27.258.584,04, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/05/2014. Fl. 3438DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.439 3 No Relatório Fiscal que acompanha os Autos, a autoridade fiscal expõe nos seguintes termos os fatos que levaram ao lançamento: 2.1) Créditos Calculados sobre Fretes de Transferências entre Estabelecimentos Nos Dacon de junho a dezembro de 2009, a fiscalizada computou no valor informado na linha 07 das fichas 06A e 16A, para efeito de apuração de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, despesas com fretes de transferências entre seus estabelecimentos, conforme detalhado em relação por ela apresentada em 15/01/2013 em anexo à resposta ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 27/11/2012. ... Considerando que não há previsão legal na Lei n° 10.637/2002 e na Lei n° 10.833/2003 para a apuração de créditos sobre fretes de transferência entre estabelecimentos, o cálculo e a apropriação de créditos sobre, tais operações, identificadas na relação apresentada pela fiscalizada, foram considerados indevidos. ... 2.2) Créditos Calculados sobre Fretes sem Conhecimento de Transporte de Carga No Dacon de junho de 2009, à fiscalizada incluiu no valor informado na linha 07 das fichas 06A e 16A, para efeito de apuração de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, despesas com fretes relacionados à filial em Jacareí/SP (CNPJ n° 19.900.000/003949), conforme demonstrado em planilha eletrônica por ela apresentada em 21/05/2012, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 10/04/2012. Ao final de sucessivas justificativas apresentadas em face do Termo de Reintimação Fiscal lavrado em 15/03/2013, ela informou, em missiva protocolizada neste Sefis em 11/06/2013, que os conhecimentos de transporte rodoviário de cargas (CTRC) relativos a esses fretes haviam sido extraviados. Para demonstrar o extravio dos citados documentos, apresentou em anexo à referida missiva cópia da "Declaração de Extravio de Documento (a que se refere o item 1 do § 2o do artigo 1º da Portaria CAT17/2006)" e de uma relação dos CTRC extraviados, que apresentou à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Posto Fiscal em São José dos Campos). Considerando que os CTRC são documentos hábeis a demonstrar a efetiva ocorrência de fretes, bem como a natureza dessas operações e a qualificação de seus fornecedores (se pessoa física ou jurídica, por exemplo), com o extravio desses documentos, a fiscalizada deixou de possuir prova para exercer Fl. 3439DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.440 4 o direito aos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre essas operações. Desse modo, o cálculo e a apropriação de créditos sobre os CTRC extraviados, relacionados à filial em Jacareí no mês de junho de 2009, foram considerados indevidos. ... 2.3) Créditos Extemporâneos Apropriados Indevidamente No Dacon de julho de 2009, a fiscalizada informou na linha 21 das fichas 06A e 16A, a título de "Outros Créditos a Descontar", da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, créditos nos valores de R$ 404.928,31 e R$ 1.781.176,53, respectivamente. Em respostas apresentadas aos termos de intimações fiscais lavrados em 18/10/2013 e 14/01/2014, protocolizadas neste Sefis em 11/11/2013 e 06/02/2014, respectivamente, ela informou que tais valores se referem "ao aproveitamento de créditos extemporâneos" da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, "apropriados a partir da reapuração, dessas contribuições nos períodos de 2005 a 2008". Considerando que, conforme informações prestadas, tais créditos decorreram de operações estranhas ao mês de julho de 2009, a apropriação dos citados valores no Dacon daquele mês foi considerada indevida, pelas razões expostas a seguir. A Lei n° 10.637/2002 e a Lei.nº 10.833/2003 determinam, no § 1º de seu art. 3o, o momento em que deve se dar o aproveitamento dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Assim dispõe o § 1o do art. 3o da Lei n° 10.637/2002 (...). De acordo com os citados dispositivos, portanto, os créditos devem ser determinados sobre o valor de operações ocorridas no mês. Mês este que não pode ser outro senão o de ocorrência do fato gerador, haja vista o disposto nos arts. 1o, 2o e caput do art 3o das referidas leis. Em outros termos, não há previsão legal para a apropriação de créditos em mês estranho ao de ocorrência do fato gerador. ... Portanto, ao constatar que havia deixado de aproveitar créditos "de 2005 a 2008", a fiscalizada deveria ter procedido à retificação dos Dacon respectivos. ... 2.4) Créditos Presumidos do Sicobe Não Comprovados Nos Dacon de agosto, setembro, novembro e dezembro de 2009, a fiscalizada apropriou na linha 21 das fichas 06A e 16A, (...) créditos da contribuição para PIS/Pasep e da Cofins (...). Fl. 3440DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.441 5 Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 18/10/2013, protocolizada neste Sefis em 11/11/2013, ela esclareceu que tais valores se referem ao "aproveitamento de créditos relativo à aquisição e manutenção de equipamento do SICOBE. Para comprovar a legitimidade dos referidos créditos apresentou em 10/04/2014, em resposta ao item "2" do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 28/02/2014, arquivo magnético com imagens de documentos fiscais referentes aos citados custos, cujos dados foram transcritos para o Anexo IV ao presente relatório, e de comprovantes de pagamentos efetuados. Os documentos fiscais e comprovantes de pagamentos apresentados, porém, comprovaram a legitimidade de apenas parte dos créditos por ela apropriados, como se expõe a seguir. O art. 58R da Lei n° 10.833/2003, com disciplinamento pela IN/RFB n° 869/2008, estabelece a possibilidade de dedução de crédito presumido relativo ao ressarcimento do custo de aquisição, instalação e manutenção de equipamentos de controle de produção (do Sistema de Controle de Produção de Bebidas Sicobe e do Sistema de Medição de Vazão SMV), de quê trata o inciso XIII do caput do art. 28 da Lei n° 10.865/2004, admitindo a sua utilização somente no desconto do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados no regime de incidência nãocumulativa, nos termos do § 4o do citado artigo. ... Desse modo, o dispositivo legal em tela permite que a pessoa jurídica deduza da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins crédito presumido em relação ao ressarcimento do custo de aquisição, instalação e manutenção de equipamentos de controle de produção do Sicobe e do SMV, nas condições estabelecidas nos parágrafos do caput. A IN/RFB n° 869/2008 estabelece em seu art. 12 que a pessoa jurídica poderá deduzir da contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido correspondente à aquisição de equipamentos, partes e peças, bem como aos respectivos custos de instalação e manutenção do Sicobe, efetivamente pagos no mesmo período pelos seus estabelecimentos industriais. Portanto, o crédito presumido pode ser apropriado em cada período de apuração no montante dos valores das aquisições de equipamentos, partes e peças e dos custos de instalação e manutenção do Sicobe efetivamente pagos no mesmo período, respeitadas as demais condições previstas na legislação. Nesse contexto, diante dos documentos fiscais e comprovantes de pagamentos apresentados no arquivo magnético anexado à resposta protocolizada neste Sefis em 10/04/2014, a fiscalizada demonstrou fazer jus, em agosto, setembro, novembro e Fl. 3441DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.442 6 dezembro de 2009, somente aos créditos presumidos calculados no Anexo V ao presente relatório. Aplicando sobre referidos créditos os fatores de rateio previstos no art. 58R da Lei n° 10.833/2003, foram obtidos valores inferiores aos apropriados nos respectivos Dacon (...). Assim, os documentos e comprovantes de pagamentos apresentados não foram hábeis a comprovar a totalidade dos créditos presumidos apropriados pela fiscalizada nos Dacon, pelo que as diferenças calculadas no quadro acima foram consideradas créditos indevidos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 3 DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS NÃO INFORMADOS NOS DACON. No curso da fiscalização, foram constatadas divergências entre os valores a pagar da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados pela fiscalizada nos Dacon de junho a dezembro de 2009 e os débitos dessas contribuições informados nas respectivas DCTF. Por meio do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 29/11/2012, a fiscalizada foi intimada a esclarecer tais divergências, devidamente indicadas em planilha anexada ao citado termo. Em resposta protocolizada neste Sefis em, 17/12/2012, ela apresentou planilha eletrônica visando "justificar as divergências apontadas". Em tal planilha expôs que os valores informados em DCTF corresponderam, essencialmente, aos valores das contribuições a pagar apuradas nos Dacon deduzidos de créditos presumidos relativos ao Sicobe (IN/RFB n° 869/2008), não informados nos Dacon. ... Os dados acima indicaram que a fiscalizada efetuou, fora dos Dacon, três tipos de deduções nos valores da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar apuradas nesses demonstrativos, com as seguintes denominações: 1) "Dedução SICOBE recolhimento Casa da Moeda"; 2) "Dedução SICOBE investimentos"; e, 3) "Saldo credor período anterior". A legitimidade dessas deduções será analisada nos próximos subitens. 3.1) Da "Dedução SICOBE recolhimento Casa da Moeda'' A análise da legitimidade dos créditos presumidos apropriados pela fiscalizada fora dos Dacon sob a denominação "SICOBE recolhimento Casa da Moeda" foi efetuada com base no § 2° do art. 58T da Lei n° 10.833/2003 e na IN/RFB n° 869/2008,' como segue. Fl. 3442DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.443 7 O § 2o do art. 58T da Lei n° 10.833/2003, estabelece a possibilidade de dedução de crédito presumido correspondente ao ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil (CMB) pela integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos contadores de produção (...). ... Assim, o dispositivo legal acima transcrito estabelece que a pessoa jurídica pode deduzir da contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido em relação ao ressarcimento efetivamente pago no mesmo período à CMB, pela execução dos procedimentos de integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos contadores de produção (§ 2° do art. 58T da Lei n° 10.833/2003). O art. 11 da IN/RFB n° 869/2008 determina que referido ressarcimento será realizado por intermédio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) utilizando o código de receita 0075 "Ressarcimento Casa da Moeda .Lei n° 11.488/2007", para recolhimento dos valores devidos no período de apuração (...). Nessas condições, tendo em vista a citada legislação, foram considerados créditos presumidos passíveis de dedução da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em cada mês, os valores dos ressarcimentos à CMB registrados no Sistema Sinal com o código de receita 0075 "Ressarcimento Casa da Moeda Lei n° 11.488/2007". Tais ressarcimentos estão relacionados no Anexo VI ao presente relatório e consolidados pelo mês do efetivo pagamento no seu Anexo VII. Referidos créditos presumidos (Anexo VII) foram aproveitados de ofício na dedução dos valores devidos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na presente fiscalização, conforme descrito adiante, no item 4 deste relatório. 3.2) Da "Dedução SICOBE investimentos" A análise da regularidade fiscal do crédito presumido apropriado pela fiscalizada fora do Dacon, em julho de 2009, sob a rubrica "Dedução SICOBE investimentos", foi efetuada com base no disposto no art. 58R da Lei n° 10.833/2003, abordado no item 2.4 do presente relatório. Conforme já mencionado, o aludido dispositivo legal estabelece a possibilidade de a pessoa jurídica deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins crédito presumido em relação ao ressarcimento do custo de aquisição, instalação e manutenção de equipamentos de controle de produção do Sicobe e do Sistema de Medição de Vazão SMV, nos termos dos parágrafos do caput, e somente para utilização no desconto das contribuições apuradas no regime nãocumulativo. Fl. 3443DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.444 8 No caso presente, a fiscalizada expôs por meio da planilha apresentada, que deduziu da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em julho de 2009, sob a denominação "Dedução SICOBE investimentos", preditos presumidos nos valores de R$ 187.468,10 e de R$ 871.673,70, respectivamente. ... Ocorre que os documentos fiscais e comprovantes de pagamentos apresentados para comprovar a legitimidade desses créditos presumidos em julho de 2009 totalizaram R$ 313.995,10, conforme apurado no Anexo V ao presente relatório fiscal. (...). Tais valores foram inferiores aos apropriados pela fiscalizada (fora do Dacon), de R$ 187.468,10 e de R$ 871.673,70, respectivamente. Nessas condições, foram considerados passíveis de dedução em julho de 2009, com base no citado dispositivo legal, somente os créditos presumidos dispostos no quadro acima e não os valores indicados na planilha apresentada pela fiscalizada. Os créditos presumidos indicados acima, bem como os calculados em junho de 2009 (Anexo V), foram aproveitados de ofício na dedução dos valores devidos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na presente fiscalização, conforme descrito no item 4 deste relatório. 3.3) Da Dedução com "Saldo credor período anterior" Conforme se verifica no Anexo VIII ao presente relatório, o saldo de créditos presumidos não aproveitados de ofício em outubro de 2009 não foi utilizado em meses subseqüentes, por falta de previsão legal nos arts. 58R e 58T da Lei n° 10.833/2003, que regem a matéria. 4 DA INSUFICIÊNCIA DOS VALORES DECLARADOS EM DCTF Excluindose dos Dacon de junho a dezembro de 2009 os créditos indevidamente apropriados, conforme descrito no item 2 deste relatório, e aproveitandose de ofício os créditos presumidos calculados no item 3, apuraramse valores apagar da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins superiores aos informados nas DCTF desse período, conforme cálculos expostos no Anexo VIII ao presente relatório. Tais insuficiências (nos valores declarados nas DCTF), foram consideradas contribuições devidas e lançadas de ofício. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade questionando as razões expostas pela autoridade fiscal, questionamentos esses que serão examinados no voto. Além, argumentou a contribuinte no seguinte sentido: Vale destacar que após realizar todos os ajustes acima mencionados, a Impugnante, a princípio, constatou que nos Fl. 3444DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.445 9 períodos de julho, agosto e setembro de 2009, o valor efetivamente pago de COFINS foi menor do que o valor apurado, resultando em uma diferença de R$ 172.224,04 para o período de julho de 2009, uma diferença de R$ 246.450,04 para o período de agosto de 2009 e uma diferença de R$ 133.483,39 para o período de setembro de 2009 (...). Entretanto ao realizar uma auditoria interna em suas apurações de PIS e COFINS do período de 2009, a Impugnante verificou também que na época da entrega das DACON e DCTF, cometeu alguns equívocos na apuração destas contribuições. O ajuste destes equívocos gera uma declaração a maior do PIS e da COFINS devido no período autuado. No próximo tópico a Impugnante irá tratar individualmente destes ajustes. IV. DOS DÉBITOS FISCAIS DECLARADOS A MAIOR Conforme informado acima, os valores originalmente declarados como devidos pela Impugnante no DACON a título de PIS e de COFINS (especialmente no período de junho a dezembro de 2009) foram reconsiderados, pois, em procedimento interno, a Impugnante verificou ter ocorrido, à época da declaração, dois equívocos: incluiu, inadvertidamente, na base de cálculo do PIS e da COFINS do período em tela, valores decorrentes de incentivos fiscais oferecidos pela legislação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS, a título de subvenção governamental para investimentos, que não são tributados pelas Contribuições Sociais em questão; e deixou de apropriar créditos de PIS e de COFINS sobre aquisições realizadas no período de junho a dezembro de 2009, nos termos do artigo 3o das Leis n° 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003. Em relação ao item "a" acima, a Impugnante ressalta já ser pacífico na própria RFB que referidas subvenções caracterizam recuperação de custos tributários, resultantes de favores fiscais concedidos pela legislação estadual no âmbito do ICMS, e não configuram ingresso de riqueza nova na entidade beneficiária. (...). Assim, os valores correspondentes às subvenções fiscais de ICMS usufruídas pela Impugnante no período de junho a dezembro de 2009 não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. ... Já em relação ao item "b" acima (créditos de PIS e de COFINS), a Impugnante esclarece que em procedimento interno, verificou ter deixado de apropriar créditos de PIS e de COFINS sobre aquisições de insumos de produção realizadas no período de junho a dezembro de 2009, conforme lhe é facultado pelo artigo 3o das Leis n° 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003. Fl. 3445DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.446 10 Como se observa de manifestações reiteradas da RFB, atualmente o conceito de insumos de produção para fins de apuração de créditos fiscais de PIS e COFINS são mais amplos que os conceitos rígidos utilizados pela legislação do IPl para garantir o direito ao aproveitamento de créditos sobre matéria prima, produto intermediário e material de embalagem. (...). Assim, a Impugnante reprocessou o cálculo dos créditos sobre os quais tem direito no período em tela, encontrando créditos adicionais àqueles identificados à época (doe. 11 Anexo III, coluna "D"), no valor de R$ 3.797.679,07 (três milhões, setecentos e noventa e sete mil, seiscentos e setenta e nove reais e sete centavos), abatendoos do montante dos débitos anteriormente apurados no mesmo período (já considerando o ajuste de subvenções fiscais acima explicado no item "a" supra) e encontrando, assim, novos valores a pagar a título de PIS e COFINS. ... Desta forma, em ambos os casos acima analisado ("a" e "b"), tratase de mero erro de fato no preenchimento do DACON, o que autoriza a Impugnante a tomar as providências adotadas e permitir a realização dos ajustes necessários ao aproveitamento do seu crédito fiscal, já que feito dentro do período decadencial. ... Como visto acima, o erro de fato no preenchimento das DACON originalmente entregues ao fisco (agora já retificadas pela Impugnante) foi amplamente demonstrado no caso concreto, com base nos documentos e planilhas anexas, tanto em relação: (i) ao equívoco no procedimento de se oferecer à tributação do PIS e da COFINS valores resultantes de subvenções fiscais concedidas pelas legislações estaduais, quanto (ii) pelos créditos fiscais sobre insumos de produção não calculados, à época, pela Impugnante, mas que encontra suporte no art. 3o das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 e que, assim, devem ser abatidos para fins de recolhimento das Contribuições Sociais em tela. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2009 a 30/09/2009, 01/11/2009 a 31/12/2009 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e Fl. 3446DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.447 11 aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. Não dá direito a crédito despesas de fretes referentes a transferência de bens entre estabelecimentos do próprio contribuinte. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. GLOSA. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA ÉPOCA PRÓPRIA. DACON. DCTF. É cabível a glosa de créditos extemporâneos, quando, dentro do prazo decadencial de cinco anos, a autuada não retifica as declarações (DACON, DIPJ e DCTF) para demonstrar que efetivamente apurou e não descontou os créditos a que diz fazer jus. CRÉDITOS PRESUMIDOS. SICOBE. UTILIZAÇÃO. O aproveitamento, como dedução das contribuições devidas, dos créditos presumidos decorrentes dos gastos de implantação e manutenção de equipamentos no âmbito do SICOBE, deve ser feito no mesmo período em que efetivamente pagos. O mesmo se dá quanto aos ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil. NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. Inadmissível a pretensão da compensação como matéria de defesa pretendendo a extinção do crédito tributário. A compensação e a impugnação a auto de infração são incompatíveis, por obedecerem a ritos procedimentais administrativos próprios e independentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2009 a 30/09/2009, 01/11/2009 a 31/12/2009 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. Não dá direito a crédito despesas de fretes referentes a transferência de bens entre estabelecimentos do próprio contribuinte. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. GLOSA.AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA ÉPOCA PRÓPRIA. DACON. DCTF. É cabível a glosa de créditos extemporâneos, quando, dentro do prazo decadencial de cinco anos, a autuada não retifica as Fl. 3447DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.448 12 declarações (DACON, DIPJ e DCTF) para demonstrar que efetivamente apurou e não descontou os créditos a que diz fazer jus. CRÉDITOS PRESUMIDOS. SICOBE. UTILIZAÇÃO. O aproveitamento, como dedução das contribuições devidas, dos créditos presumidos decorrentes dos gastos de implantação e manutenção de equipamentos no âmbito do SICOBE, deve ser feito no mesmo período em que efetivamente pagos. O mesmo se dá quanto aos ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil. NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. Inadmissível a pretensão da compensação como matéria de defesa pretendendo a extinção do crédito tributário. A compensação e a impugnação a auto de infração são incompatíveis, por obedecerem a ritos procedimentais administrativos próprios e independentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 19/02/2015, conforme Ciência Eletrônica por Decurso de Prazo Comunicado, fl.3.371, apresenta em 20/03/2015, através da Solicitação de Juntada de fl. 3.373, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 3.374/3.428, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede impugnatória." É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Redator ad hoc. Na condição de redator ad hoc, designado para formalizar o voto, passo a transcrever o voto proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 17/04/2018. "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Inexistindo preliminares a serem apreciadas, passasse ao exame de mérito da contenda. MÉRITO Fl. 3448DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.449 13 Em resumo a ação fiscal teve por objetivo verificar a regularidade na apuração e no recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de junho a dezembro de 2009, cujas verificações fiscais efetuadas tomaram por base informações contidas nos sistemas internos da RFB, nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), na Escrituração Contábil Digital (ECD) de 2009 da fiscalizada (acessada por meio do Sistema Público de Escrituração Digital Sped), nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), bem como em informações, documentos e arquivos magnéticos, apresentados pela referida empresa no curso da ação fiscal. Ao final constatou a fiscalização irregularidades na apuração dos valores devidos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, cujos itens constatados serão a seguir analisados conforme a ordem disposta no Relatório de fls.418/430. 2 DOS CRÉDITOS INDEVIDOS NOS DACON 2.1) Créditos Calculados sobre Fretes de Transferências entre Estabelecimentos Esclarece o TVF: Considerando que não há previsão legal na Lei n° 10.637/2002 e na Lei n° 10.833/2003 para a apuração de créditos sobre fretes de transferência entre estabelecimentos, o cálculo e a apropriação de créditos sobre, tais operações, identificadas na relação apresentada pela fiscalizada, foram considerados indevidos. No Anexo II ao presente relatório estão dispostos os valores totais desses fretes em cada mês (apurados no Anexo I), bem como os respectivos" créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins indevidamente calculados sobre essas operações. .(grifei). Após tecer considerações interpretativas sobre o conceito de insumo previsto nas Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, assim destaca em sua peça de defesa: Na hipótese, verificase que a Recorrente possui diferentes linhas de produção em seus estabelecimentos industriais e, de forma a dar vasão à sua produção e suprir seus clientes, precisa transportar produtos acabados entre suas unidades para garantir o rápido e necessário atendimento dos pedidos da clientela, caso contrário pedidos de fornecimento acabariam sendo supridos pela concorrência, levando ao acumulo da produção. Neste sentido, tendo em vista que os serviços de frete contratados são essenciais para a produção e venda dos produtos da Recorrente, e como estes serviços são contratados de outras pessoas jurídicas contribuintes do PIS e da COFINS, os valores pagos aos prestadores de serviços acabarão por compor suas receitas e, portanto, estarão sujeitas ao PIS e à COFINS. (grifos do original). Em face glosa acima destacada e das considerações trazidas na peça recursal que remetem ao conceito de insumo, fazse mister verificar o marco normativo sobre a matéria conforme a seguir transcrito: Fl. 3449DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.450 14 Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa Fl. 3450DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.451 15 jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 3451DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.452 16 VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Assim, conforme dispõem os artigos 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, poderá a pessoa jurídica submetida ao regime da nãocumulatividade descontar créditos calculados em relação aos bens e serviços, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, observando que até a entrada em vigor da Lei n° 10.685/2004, em 01/05/2004, esse direito ao crédito somente alcançava os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no país. A matéria em tela é por demais debatida nesta colenda turma de julgamento, e para evitar longas digressões sobre o conceito de insumo, indicarseá os precedentes que retratam de forma minudente o conceito então adotado, pontuandose que a exegese que se extrai das prescrições dos artigos 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003 quanto à possibilidade de crédito (...em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda) corresponde à terceira posição interpretativa, ou seja, nem tão restritiva como o conceito utilizado pela legislação do IPI, nem tão ampla como o conceito utilizado pela legislação do Imposto de Renda, correspondendo portanto à identificação dos seguintes critérios, na análise do caso concreto: a) bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, ou seja, bens ou serviços que tenham relação de pertinência com a produção, fabricação ou prestação de serviço, ainda que não tenham contato direto; b) bens ou serviços que não tenham seu aproveitamento vedado pela lei. · Precedentes da 2º TO/3ª Câmara/3º Sejul: Acórdão nº 3302003.096, de 15/03/2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 Ementa: INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. Fl. 3452DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.453 17 A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.(grifei). CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos.(grifei). CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Acórdão nº 3302003.212, de 16/05/2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 Fl. 3453DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.454 18 PRODUTO SEM DIREITO A CRÉDITO. GASTOS COM FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO.IMPOSSIBILIDADE. Se para o produto transportado (mercadorias adquiridas de pessoas físicas, mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação etc) é vedado o direito de dedução do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, pelo mesmo motivo, tal vedação também se estende aos gastos como frete relativos à operação de transporte dos referidos produtos, que a eles se agregam como custo de produção. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições (valor aduaneiro, segundo art. 7º, I, da Lei 10.865/2004), nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA ARMAZÉM GERAL. GASTOS COM FRETE. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitido o direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os gastos com frete relativos à operação de transporte entre estabelecimentos do contribuinte ou nas remessas para armazéns gerais.(grifei). TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. GASTOS COM FRETE. CUSTO DE PRODUÇÃO.DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, os gastos com frete relativo à operação de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos do próprio contribuinte propicia o direito ao crédito da contribuição como custo de produção dos produtos destinados à venda. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIA VENDIDA. GASTO COM FRETE.CUSTO DE AQUISIÇÃO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Fl. 3454DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.455 19 No âmbito do regime não cumulativo, por compor o custo do bem devolvido, é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os gastos com frete pagos na operação de devolução de produto/mercadoria vendido, cuja receita tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior e submetido à prévia tributação segundo o regime não cumulativo. GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO. No âmbito do regime não cumulativo, ainda que haja previsão legal da dedução, a glosa dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep deve ser integralmente mantida se o contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO ADEQUADA E SUFICIENTE.INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOCORRÊNCIA CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE.IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que houve pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e cujas conclusões foram apresentadas de forma congruente e devidamente fundamentada. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 3455DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.456 20 Estabelecidas as premissas interpretativas, prosseguese na análise do caso concreto, sendo importante frisar que consta no Estatuto Social da referida empresa, art.2º, fl.545, que faz parte do seu objeto social, a indústria, o comércio, a revenda, a importação e a exportação de produtos alimentícios e bebidas em geral, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Assim, abrigada na hermenêutica que se extrai dos dispositivos acima citados, com escopo nos fundamentos apresentados no início da parte meritória com vistas à interpretação que balizaria a análise das glosas, entendo que o contribuinte ao descrever que os dispêndios com os fretes advém da necessidade de transportar produtos acabados entre suas unidades para garantir o rápido e necessário atendimento dos pedidos da clientela ", demonstrou ao juízo de interpretação que se extrai das prescrições do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003, quanto à impossibilidade do referido crédito, visto que embora sejam dispêndios necessários à atividade da empresa, não se enquadram nas disposições normativas acima destacadas quanto ao conceito de insumo já que não tem pertinência direta com o processo produtivo, sendo incabível o direito ao crédito, por falta de previsão legal. Em reforço argumentativo, reproduzo excertos da minudente e escorreita análise no voto, proferido no Acórdão nº 3302003.212, de 16/05/2016, pelo i; Conselheiro José Fernandes sobre a matéria em análise: De acordo com os referidos preceitos legais, inferese que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições, enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre estabelecimentos fabris integra o custo produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Com a ressalva de que, pela razões anteriormente aduzidas, há direito de direito de apropriação de crédito sobre o valor do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matériasprimas ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, certamente, durante o ciclo de produção ou fabricação haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Fl. 3456DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.457 21 Assim, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, darseá de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção (matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais.(grifei). Com o fim do ciclo de produção ou industrialização, há permissão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que seguem reproduzidos: (...) Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após Fl. 3457DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.458 22 o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais.(grifei). Pelo exposto, mantémse a glosa efetuada. 2.2) Créditos Calculados sobre Fretes sem Conhecimento de Transporte de Carga Inicialmente cabe ressaltar que há duas questões envolvidas na análise do referido frete, uma de natureza probatória e outra de ordem legal, dada à natureza do crédito, tanto que as razões recursais são as mesmas para os subitens 2.1 e 2..2, esta acrescida porém da questão probatória. Esclarece o RF: No Dacon de junho de 2009, a fiscalizada incluiu no valor informado na linha 07 das fichas 06A e 16A, para efeito de apuração de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, despesas com fretes relacionados à filial em Jacareí/SP (CNPJ n° 19.900.000/003949), (...). Ao final de sucessivas justificativas apresentadas em face do Termo de Reintimação Fiscal lavrado em 15/03/2013, ela informou, em missiva protocolizada neste Sefis em 11/06/2013, que os conhecimentos de transporte rodoviário de cargas (CTRC) relativos a esses fretes haviam sido extraviados. • Para demonstrar o extravio dos citados documentos, apresentou em anexo à referida missiva cópia da "Declaração de Extravio de Documento (a que se refere o item 1 do§ 2odo artigo I o da Portaria CAT17/2006)" e de uma relação dos CTRC extraviados, que apresentou à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Posto Fiscal em São José dos Campos). Destaca a Recorrente: Assim, se os custos com frete de produtos acabados não forem considerados insumos, haveria incidência em cascata do PIS e da COFINS, pois não se admitiria o crédito fiscal sobre dispêndio, também sujeito às contribuições, e que será repassado ao preço do produto. (...) Portanto, constatado que os dispêndios de fretes relativos à transferência entre estabelecimentos da Recorrente são parte integrante indispensável do processo produtivo e são necessários para gerar as receitas da Recorrente, estes se enquadram no conceito de insumos acima apresentado, estando Fl. 3458DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.459 23 em perfeita consonância com as recentes decisões judiciais e administrativas a respeito. E uma vez demonstrado que o frete relativo à transferência de mercadorias entre estabelecimento da Recorrente dão direito a crédito, não pode a Fiscalização desconsiderar as transferências ocorridas para a unidade de Jacareí da Recorrente. Isto porque, embora os Conhecimentos de Transporte Rodoviários de Carga CRTC tenham sido extraviados, a Recorrente apresentou perante a Fiscalização a "Declaração de Extravio de Documentos", bem como, uma relação contendo todos os CRTC extraviados (doe. 03). Conforme afirma a própria recorrente que são fretes referentes ao transporte de produtos acabados, tornase despicienda a análise da prova apresentada, visto que ainda que corretamente provado, a análise precedente já demonstrou inexistir base legal que autorize o creditamento de fretes de tal natureza. Por oportuno, transcrevo excertos da decisão de piso acerca da matéria: Num primeiro momento, a falta da apresentação da documentação é patente e indisputada, restando à contribuinte a tentativa de demonstrar por meio de comunicação à Fazenda Estadual o extravio dos Conhecimentos de Carga. Além de a comunicação ser um substituto inadequado aos documentos representativos das operações que teriam gerado os créditos, a própria contribuinte leva a discussão para o campo da natureza dos fretes ao dizer que se trata de frete sobre as transferências para sua unidade em Jacareí. Ora, em sendo assim, ainda que provadas as operações, tratar seia de despesas cuja natureza veta a apuração de créditos, como visto no item anterior.(grifei). Portanto, correta a glosa imposta. 2.3) Créditos Extemporâneos Apropriados Indevidamente Conforme relatado, no Dacon de julho de 2009, a fiscalizada informou na linha 21 das fichas 06A e 16A, a título de "Outros Créditos a Descontar", da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofíns, "apropriados a partir da reapuração, dessas contribuições nos períodos de 2005a 2008". Em sua peça recursal, a recorrente tem três linhas argumentativas: 1 que seu procedimento está condizente com a legislação; 2 que conforme documentos apresentados na impugnação, as aquisições em apreço estão descritas e individualizadas nas planilhas apresentadas junto com a impugnação (doc. 05), sendo inequívoco o direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS.; 3 que formulou consulta à RFB quanto ao seu direito de crédito. Fl. 3459DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.460 24 Visando sanar esta dúvida, a Recorrente apresentou consulta perante a Receita Federal do Brasil RFB, sendo que após análise foi emitida pela Superintendência Regional da RFB da 8a Região Fiscal uma Solução de Consulta n° 19679.013844/2005 99 (doe. 04 da impugnação) específica à Recorrente, autorizando o aproveitamento de tais créditos fiscais, nos termos da seguinte ementa: Quanto aos créditos extemporâneos aproveitados pelo contribuinte sem contudo retificar o DACON e DCTF no período em que foram gerados, não assiste razão à recorrente conforme a seguir se fundamenta na legislação de regência . Observese que da leitura da norma de regência, Lei nº 10.833, de 2003, 1art. 3º , § 1º, incisos I, II, III e IV, inferese que o legislador elegeu o regime de competência para apropriação de créditos da nãocumulatividade das contribuições, haja vista que está expresso no caput do art. 3º que os créditos serão determinados pela aplicação das alíquotas sobre o valor das operações ocorridas no mês [bens adquiridos no mês, despesas e encargos incorridos no mês e bens devolvidos no mês). Depreendese ainda que a norma contida no § 4º do citado art. 3º não usa o termo não apropriados e, sim, não aproveitados, deduzindose que se tratam de créditos apurados e apropriados no mês da ocorrência das operações das quais tem origem e que não puderam ser aproveitados no mesmo mês. Embora a legislação infralegal expressamente condicione a utilização dos créditos extemporâneos à alteração das informações prestadas em DACON, mediante apresentação de demonstrativo retificador, o que engloba a apuração de créditos extemporâneos, esse condicionante não se trata de um mero formalismo, tampouco de uma interpretação desarrazoada da legislação de regência, mas visa exatamente preservar a norma material estampada no 2artigo 3º, §§ 1º e 4º, da Lei nº 10.833, de 2003 c/c o 3artigo 16 da Lei nº 1 Lei nº 10.833, de 2003 Art. 3º (...) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput , adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput , incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput , incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput , devolvidos no mês. (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. 2 Lei nº 10.833, de 2003 Art. 3º (...) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput , adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput , incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput , incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput , devolvidos no mês. (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Fl. 3460DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.461 25 11.116, de 2005, haja vista que o sistema de apuração de créditos no regime nãocumulativo, disciplinado nas normas legais de regência impõe que estes sejam determinados pela aplicação das alíquotas sobre o valor das operações ocorridas no respectivo mês, sendo portanto este o escopo legal, pois dada a repercussão em outros tributos federais, fazse premente a perfeita identificação quanto à utilização dos créditos para dedução das contribuições devidas, compensação de débitos próprios ou o ressarcimento em espécie. Há portanto um fio condutor de logicidade, visando atender ao Princípio da Competência, que estabelece que as Receitas e Despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que foram geradas. Assim, sem razão a recorrente, visto que o aproveitamento extemporâneo de créditos, ainda que admitido, se limita às hipóteses, prazos e aos procedimentos previstos pela legislação tributária, não podendo ser efetuada pelo sujeito passivo sem observância das formalidades existentes. Deve ser efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador (DACON E DCTF) no período em que foram gerados. Nesse sentido já decidiu essa colenda turma de julgamento: Acórdão nº 3302003.155, de 27/04/2016: CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES.COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. Acórdão nº 3302003.189, de 17/05/2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 REGIME DE APURAÇÃO NÃOCUMULATIVO.CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON. RETIFICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneo no Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições requer que sejam observadas as normas editadas pela Secretaria da Receita 3 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3odas Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Fl. 3461DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.462 26 Federal, que exigem a retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON sempre que forem apurados novos débitos ou créditos ou aumentados ou reduzidos os valores já informados nas Declaração original. Há também outros precedentes neste E. Conselho: Acórdão nº 3403002.717, de 29/01/2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:2007, 2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS.RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da não utilização. Acórdão nº 3402003.148, de 20/07/2016: CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. Por oportuno, reproduzemse a seguir excertos da decisão de piso, objeto de questionamento pela defesa, quanto à matéria em análise. Excertos da decisão de piso Embora não se esteja aqui a tratar de procedimento de compensação ou ressarcimento, tal fato não afasta a necessidade de que a apuração se faça dentro do período em que as despesas se verificaram, como forma de controle da legalidade de tal procedimento nos marcos da legislação então vigente. Essa característica do mecanismo de apuração nãocumulativa é importante, no caso, na medida em que a retificação das declarações é a forma por excelência para evidenciar o momento da apuração do crédito e o controle de sua utilização ao longo do tempo. De fato, o surgimento de um direito creditório extemporâneo somente no momento de sua utilização, sem que esteja demonstrados anteriormente seu surgimento, sua natureza e seu montante, trunca sua verificação ao ponto de inviabilizála e, inviabilizada, cabe à Administração negarlhe validade.(sic) (grifei). Fl. 3462DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.463 27 Daí que a necessidade de retificação das declarações contemporâneas à apuração é tanto uma medida de garantia para a Administração quanto um respaldo para os contribuintes de boa fé. Efetivamente, ainda que não exista dispositivo expresso exigindo a retificação dos demonstrativos de forma a contemplar créditos apurados extemporaneamente, essa medida se faz necessária como forma de comprovação e controle desses créditos. Ainda nesse sentido, a regra de que os créditos apurados e não utilizados em um período poderão ser descontados em períodos posteriores não se presta a autorizar o descasamento entre a realização das despesas e a apuração/registro dos créditos respectivos. É possível a utilização extemporânea, não a apuração. Esta há de ser materializada ao mesmo tempo em que as despesas que estão na sua raiz.(grifei). Verificase que à luz da legislação a recorrente não preencheu os requisitos necessários à utilização extemporânea de tais créditos, já que não retificou as declarações respectivas, tampouco demonstrou de forma inequívoca a não utilização, haja vista que os documentos apresentados (doc. 5), fls.642/722, não atendem a esse fim, uma vezo que são tabelas e planilhas relacionando valores e datas, sem contudo demonstrar efetivamente a não utilização dos alegados créditos extemporâneos, apropriados a partir da reapuração, das citadas contribuições nos períodos de 2005a 2008, como esclarece a fiscalização. Também não lhe socorre a consulta formulada, fls.630/637,visto que pela ementa abaixo transcrita, a consulta se refere ao direito de descontar créditos referentes a partes e pecas de reposição para máquinas empregadas diretamente na produção de bens destinados à venda e não ao direito de utilização extemporâneas dos créditos ora discutidos. "SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 45 de 16 de Fevereiro de 2007 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: COFINS NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os valores referentes a partes e pecas de reposição para máquinas empregadas diretamente na produção de bens destinados à venda, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da Cofins. desde que essas partes e peças não esteiam incluídas no ativo imobilizado e que sejam respeitados os demais requisitos legais e normativos pertinentes, dentre esses que tais partes e peças sofram alterações (desgaste, dano, perda de propriedades físicas ou químicas) decorrentes de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Os valores referentes a serviços prestados para manutenção de máquinas empregadas diretamente na produção de bens destinados à venda, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da Cofins, desde gue atendidos os demais requisitos normativos e legais pertinentes." Grifamos Ante as considerações acima não há reparos no feito fiscal, tampouco na decisão de piso. Fl. 3463DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.464 28 2.4) Créditos Presumidos do Sicobe Não Comprovados O RF assim descreve a situação fática: Nos Dacon de agosto, setembro, novembro e dezembro de 2009, a fiscalizada apropriou na linha 21 das fichas 06A e 16A, os seguintes créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: (...) Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal .lavrado em 18/10/2013, protocolizada neste Sefis em 11/11/2013, ela esclareceu que tais valores se referem ao ''aproveitamento de créditos relativo à aquisição e manutenção de equipamento do SICOBE". Para comprovar a legitimidade dos referidos créditos apresentou em 10/04/2014, em resposta ao item "2" do Termo de Intimação.Fiscal lavrado em 28/02/2014, arquivo magnético com imagens de documentos fiscais referentes aos citados custos, cujos dados foram transcritos para o Anexo IV ao presente relatório, e de comprovantes de pagamentos efetuados. Os documentos fiscais e comprovantes de pagamentos apresentados, porém,comprovaram a legitimidade de apenas parte dos créditos por ela apropriados, como se expõe a seguir. (...) OBS: o anexo IV, encontrase à fls.451/452. Destaca a fiscalização que o art. 58R da Lei n° 10.833/2003, com disciplinamento pela IN/RFB n° 869/2008, estabelece a possibilidade de dedução de crédito presumido relativo ao ressarcimento do custo de aquisição, instalação e manutenção de equipamentos de controle de produção (do Sistema de Controle de Produção de Bebidas Sicobe e do Sistema de Medição de Vazão SMV), de quê trata o inciso XIII do caput do art. 28 da Lei n° 10.865/2004, admitindo a sua utilização somente no desconto do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados no regime de incidência não cumulativa, nos termos do § 4o do citado artigo. Dispõe a legislação de regência: Art. 58R da Lei n° 10.833, de 2003: "Art. 58R. As pessoas jurídicas que adquirirem no mercado interno, para incorporação ao . seu ativo imobilizado, os equipamentos de que trata o inciso XIII do caput do art. 28 da Lei n" 10.865, de 30 de abril de 2004, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apuradas em cada período créditos presumidos relativos ao ressarcimento do custo de sua aquisição, nos termos e condições fixados pela Secretaria da Receita Federal , 'do Brasil, inclusive quanto às especificações técnicas desses equipamentos. (Incluído pela Lei n° 11.727, de2008) . § 1 o Os créditos presumidos de que trata o caput deste artigo serão, calculados com base no valor de aquisição do bem e apropriados no mesmo prazo, em, que se der a aquisição ou Fl. 3464DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.465 29 financiamento, proporcionalmente a cada mês, multiplicando se, para efeito de rateio entre as contribuições: (Redação dada pela Lei n° 11.827, de 2008) 1 pelo fator de 0,177 (cento e setenta e sete milésimos), no caso do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep; e (Redação dada pela Lei n° 11.827, de 2008) II pelo fator de 0,823 (oitocentos e vinte e três milésimos), no caso do crédito da Cofins. (Redação dada pela Lei nº 11.827; de 2008) § 2o As disposições deste artigo aplicamse somente no caso de aquisições de equipamentos novos, efetuadas em cumprimento de determinações legais. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008), § 3o A revenda dos equipamentos de que trata o caput deste artigo faz cessar o direito de apropriação de crédito eventualmente não apropriado, a partir do mês da revenda. (Redação dada pela Lei n° 11.827, de 2008) §4° Os créditos de que trata este artigo somente poderão ser utilizados no desconto do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados no regime de incidência não cumulativa. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) § 5o As disposições deste artigo aplicamse às aquisições efetuadas a partir de primeiro de abril de 2006. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) § 6° Nas aquisições efetuadas anteriormente à publicação desta Lei serão excluídos do custo de aquisição os valores já descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar, na forma do inciso VI do caput do art. 3o da Lei n 10.637, de 30 de dezembro de 2002, do inciso VI do. caput do art. 3o da Lei n 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ou do art. 2o da Lei n 11.051, de 29 de dezembro de 2004. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) § 7° Os créditos de que trata este artigo: (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) I serão apropriados no prazo mínimo de 1 (um) ano, contado da data da publicação da Lei n 11.727, de 23 de junho de 2008, na hipótese de aquisições efetuadas anteriormente a essa data; e (Redação dada pela Lei n° 11.827, de 2008) , II não poderão ser utilizados concomitantemente com os créditos calculados na forma do inciso VI do caput do art. 3o da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, do inciso VI do caput do art. 3°da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ou do art. 2o da Lei n" 11.051, de 29 de dezembro de 2004. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) § 8° As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins créditos presumidos relativos ao ressarcimento dos custos de Fl. 3465DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.466 30 instalação e manutenção dos equipamentos de que trata o inciso XIII do caput do art. 28 da Lei n 10.865, de 30 de abril de 2004, por elas adquiridos no mercado interno, para incorporação ao seu ativo imobilizado. (Incluído pela Lei n° 11.827, de 2008) § 9o Os créditos presumidos de que trata o § 8o deste artigo serão apropriados no próprio mês em que forem apurados, observados os limites máximos de valores fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, multiplicandose, para efeito de rateio entre as contribuições: (Incluído pela Lei n° 11:827, de 2008) I pelo fator de 0,177 (cento e setenta e sete milésimos), no caso do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep; e (Incluído pela Lei nº 11.827, de 2008) II pelo fator de 0,823 (oitocentos e vinte e três milésimos), no caso do crédito da Cofins.(Incluído pela Lei n° 11.827, de 2008) (grifouse) Art. 12 da IN/RFB: Art. 12. As pessoas jurídicas envasadoras das bebidas de que trata o art. 1º poderão deduzir da Contribuição para o PIS/PASEP ou da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido correspondente ao ressarcimento de que trata o art. 11, efetivamente pago no mesmo período pelos seus estabelecimentos industriais. OBS: o anexo V, encontrase à fls.453/454. Pugna a Recorrente em sua peça defensória, cujos excertos a seguir demonstram, em síntese os argumentos centrais da defesa: (...), em face da existência de equívoco na análise realizada pela Fiscalização não foram consideradas algumas Notas Fiscais para a composição do crédito presumido de SICOBE, cujos comprovantes de pagamento foram apresentados pela Recorrente quando do cumprimento dos Termos de Intimação recebidos. (...) Como já observado no tópico anterior referente ao registro de créditos extemporâneos de PIS e COFINS, uma vez verificado que a Recorrente tem direito aproveitamento dos créditos fiscais, não existe nenhuma restrição ao aproveitamento posterior dos referidos créditos. (...) Isso porque, no mês em que este crédito deveria ter sido apropriado, a Recorrente efetuou o recolhimento do PIS e a COFINS sem a redução permitida, ocorrendo redução do PIS e da COFINS apenas no mês em gue a Recorrente realizou a Fl. 3466DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.467 31 apropriação, o que demonstra mais uma vez que o procedimento adotado pela Recorrente não trouxe qualquer prejuízo aos cofres públicos. No presente caso somente existiria prejuízo ao erário se a Recorrente tivesse: (i) apropriado os créditos no mês em que ele foi apurado e também tivesse apropriado este mesmo crédito em mês posterior, ou (ii) apropriado este crédito em mês posterior corrigido monetariamente pela Taxa SELIC, o que não ocorreu. Nesse ponto, também sem razão a Recorrente, visto que da análise da legislação e das planilhas apresentadas pela autuada, constantes do anexo IV, verificase que a legislação determinou o rito temporal de apuração, ou de relação entre os pagamentos e a dedução dos créditos das contribuições devidas, cuja lógica é a mesma já discorrida quando da análise dos créditos extemporâneos, não sendo cabível a justificativa da Recorrente, quanto à inexistência de dano ao Erário. Assim, constatase que a fiscalização apurou corretamente o crédito presumido, referente às aquisições do SICOBE, conforme se depreende de suas conclusões: Portanto, o crédito presumido pode ser apropriado em cada período de apuração no montante dos valores das aquisições de equipamentos, partes e peças e dos custos de instalação e manutenção do Sicobe efetivamente pagos no mesmo período, respeitadas as demais condições previstas na legislação. Nesse contexto, diante dos documentos fiscais e comprovantes de pagamentos apresentados no arquivo magnético anexado à resposta protocolizada neste Sefis em 10/04/2014, a fiscalizada demonstrou fazer jus, em agosto, setembro, novembro e dezembro de 2009, somente aos créditos presumidos calculados no Anexo V ao presente relatório. Aplicando sobre referidos créditos os fatores de rateio previstos no art. 58R da Lei n° 10.833/2003, oram obtidos valores inferiores aos apropriados nos respectivos Dacon, conforme indicado abaixo: (...) Em reforço argumentativo, é oportuno trazer à análise, a linha argumentativa da decisão de piso, a respeito da matéria: A fiscalização considerou como indevida uma parcela dos créditos apropriados pela contribuinte a título de créditos presumidos correspondentes à aquisição de equipamentos relativos ao Sistema de Controle e Produção de Bebidas – SICOBE, por conta da ausência de comprovação. (...) Como destacado no Relatório Fiscal, foram admitidos apenas os créditos decorrentes de custos efetivamente pagos no mesmo período em que apropriados. Fl. 3467DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.468 32 (...) A linha de defesa adotada pela contribuinte esbarra na legislação tributária que, como se viu, estabelece uma rigorosa relação temporal entre os pagamentos e a dedução dos créditos das contribuições devidas. Importante notar que não se trata apenas da apuração dos créditos nos períodos em que se efetivaram os pagamentos, mas também da dedução das contribuições devidas nos mesmos períodos. Nesse contexto, tendo a contribuinte apropriado os créditos em períodos posteriores àqueles em que aconteceram efetivamente os pagamentos, atuou ela contra as regras do regime, pelo que não são admissíveis as respectivas reduções das contribuições. O argumento de inexistência de prejuízo ao Erário procura legitimar, a partir de um raciocínio econômico, um procedimento desconforme em relação à legislação, algo que não encontra abrigo no arcabouço jurídico que preside o Sistema Tributário Nacional.(grifei). Pelos fundamentos acima, mantémse a referida glosa. 3 DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS NÃO INFORMADOS NOS DACON Ressalta a fiscalização no TVF, que no curso da fiscalização, foram constatadas divergências entre os valores a pagar da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados pela fiscalizada nos Dacon de junho a dezembro de 2009 e os débitos dessas contribuições informados nas respectivas DCTF. Intimada a esclarecer as divergências, a autuada apresentou planilha eletrônica visando "justificar as divergências apontadas", na qual expôs que os valores informados em DCTF corresponderam, essencialmente, aos valores das contribuições a pagar apuradas nos Dacon deduzidos de créditos presumidos relativos ao Sicobe (IN/RFB n° 869/2008), não informados nos Dacon. De posse dessas informações, verificou a fiscalização que a fiscalizada efetuou, fora dos Dacon, três tipos de deduções nos valores da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar apuradas nesses demonstrativos, com as seguintes denominações: 3.1) Da "Dedução SICOBE recolhimento Casa da Moeda" A análise da legitimidade dos créditos presumidos apropriados pela fiscalizada fora dos Dacon sob a denominação "SICOBE recolhimento Casa da Moeda" teve o seguinte pressuposto normativo. Art. 58T, § 2o da Lei n° 10.833, de 2003: "Art. 58T. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A desta Lei ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem em sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas Fl. 3468DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.469 33 nos arts. 27 a 30 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. (Redação.dada pela Lei n° 11.827, de 20 de novembro de 2008) § 1° A Secretaria, da Receita Federal do Brasil estabelecerá a forma, limites, condições e prazos para a aplicação da obrigatoriedade de que trata o caput deste artigo, sem prejuízo do disposto no art. 36 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. (Incluído pela Lei n° 11.827, de 20 de novembro de 2008) § 2º As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido correspondente ao ressarcimento de que trata o § 3º do art. 28 da Lei n" 11.488, de 15 de junho de 2007, efetivamente pago no mesmo período. (Inchado pela Lei n° 11.827] de 20 de novembro de 2008)" (grifouse). Art. 28 da Lei nº 11.488, de 2007: "Art. 28. Os equipamentos contadores de produção de que trata o art. 27 desta Lei deverão ser instalados em todas as linhas de produção existentes nos estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros, em local correspondente ao da aplicação do selo de controle de que trata o art. 46 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º O selo. de controle será confeccionado pela Casa da Moeda do Brasil e conterá ( dispositivos de segurança aprovados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que possibilitem, ainda, a verificação de sua autenticidade no momento da aplicação no estabelecimento industrial fabricante de cigarros. § 2o Fica atribuída à Casa da Moeda do Brasil a responsabilidade pela integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva de todos os equipamentos de que trata o art. 27 desta Lei nos estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros, sob supervisão e acompanhamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil e observância aos requisitos de segurança e controle fiscal por ela estabelecidos: § 3o Fica a cargo do estabelecimento industrial fabricante de cigarros o ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil pela execução dos procedimentos de que trata o § 2o deste artigo, bem como pela adequação necessária à instalação dos equipamentos de que trata o art. 27 desta Lei em cada linha de produção. § 4º Os valores do ressarcimento de que trata o § 3o deste artigo serão estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e deverão ser proporcionais à capacidade produtiva do estabelecimento industrial fabricante de cigarros, podendo ser deduzidos do valor correspondente ao ressarcimento de que trata o art. 3o do DecretoLei n 1.437, de 17 de dezembro de 1975. Fl. 3469DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.470 34 §5° Na hipótese de existência de saldo após a dedução de que trata o § 4º deste artigo, os valores remanescentes do ressarcimento de que trata o § 3º deste artigo poderão, ser deduzidos da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins, devidas em cada período de. apuração. (Incluído pela Lei n° 11.933, de 2009)". (grifouse) Art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008: Art. 11.Fica a cargo do estabelecimento industrial envasador das bebidas de que trata o art. 1º o ressarcimento à CMB pela execução dos procedimentos de integração, instalação, manutenção preventiva e corretiva do Sicobe em todas as suas linhas de produção. § 1º O ressarcimento de que trata o caput será efetuado com base na produção do estabelecimento industrial controlada pelo Sicobe e deverá ser realizado por intermédio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), em estabelecimento bancário integrante da rede arrecadadora de receitas federais, observados os valores vigentes na data do recolhimento. § 3º O período de apuração para fins do ressarcimento é mensal, e terá como base a produção de bebidas controlada pelo Sicobe em todas as linhas de produção do estabelecimento industrial. § 4º O ressarcimento correspondente às quantidades de bebidas envasadas em cada mês deverá ser recolhido pelo estabelecimento industrial até o vigésimo quinto dia do mês subseqüente. ... § 10. O estabelecimento industrial que houver efetuado recolhimento indevido a maior poderá compensar o saldo credor no próximo ressarcimento que efetuar. ... Art. 12. As pessoas jurídicas envasadoras das bebidas de que trata o art. 1º poderão deduzir da Contribuição para o PIS/PASEP ou da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido correspondente ao ressarcimento de que trata o art. 11, efetivamente pago no mesmo período pelos seus estabelecimentos industriais. Das disposições acima concluiu a fiscalização que a pessoa jurídica pode deduzir da contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido em relação ao ressarcimento efetivamente pago no mesmo período à CMB, pela execução dos procedimentos de integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos contadores de produção (§ 2o do art. 58T da Lei n° 10.833/2003), ressaltando ainda que foram considerados créditos presumidos passíveis de dedução da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em cada mês, os valores dos ressarcimentos à CMB registrados no Sistema Sinal com o código de receita 0075 "Ressarcimento Casa da Moeda Lei nº 11.488/2007", na forma disciplinada pelo art. 11 da IN/RFB n° 869, de 2008 Fl. 3470DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.471 35 Os valores dos ressarcimentos estão relacionados no Anexo VI, fl.455 e consolidados pelo mês do efetivo pagamento no Anexo VII, fl.456. Observase da argumentação defensória, que não há controvérsia quanto aos valores, mas sim quanto à forma de apuração, conforme se extrai dos seguintes excertos do recurso voluntário: Assim, em cumprimento à sistemática estabelecida pela legislação tributária de regência, a Recorrente recolheu entre junho e dezembro de 2009 todos os ressarcimentos do SICOBE referente ao período objeto da presente autuação fiscal (doe. 08 da impugnação). (...) Ocorre que, ao analisar os créditos e recompor a conta gráfica, a Fiscalização adotou entendimento diverso da Recorrente, no sentido de que os créditos presumidos correspondentes ao ressarcimento pago deveriam ser deduzidos na apuração do PIS e da COFINS nãocumulativo e não do valor a pagar a título de PIS e COFINS, o que resultou na postergação financeira do ressarcimento. (...) Em outras palavras, enquanto a Recorrente deduziu o crédito presumido do SICOBE apurado em 06/2009 e pago em 07/2009 do PIS e da COFINS também apurado em 06/2009 e pago em 07/2009, a Fiscalização deduziu o crédito presumido do SICOBE apurado em 06/2009 e pago em 07/2009 do PIS e da COFINS apurado em 07/2009 e pago em 08/2009 (considerou o crédito presumido pago em 07/2009 na apuração do PIS e da COFINS de 07/2009 e não no pagamento do PIS e da COFINS de 07/2009). (...) Percebese, ainda, que no mês de outubro de 2009 (coluna E da planilha) houve uma sobra de créditos de SICOBE para serem utilizados no abatimento do PIS e da COFINS a pagar, o qual foi utilizado para abatimento no mês de novembro e dezembro de 2009. Ocorre que da exegese que se extrai dos dispositivos legais acima transcritos, notadamente o § 2o do art. 58T da Lei n° 10.833, de 2003 e do cálculo consolidado pelo mês do efetivo pagamento no Anexo VII, fl.456, verificase que assiste razão à fiscalização. Nesse sentido, pela escorreita análise da matéria e pela clareza dos fundamentos apresentados, reproduzo, a seguir em reforço argumentativo, excertos da decisão de piso: Fl. 3471DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.472 36 A teor do Relatório Fiscal, a fiscalização focou a auditoria sobre três tipos de deduções utilizados pela contribuinte que, não informados nos Dacon, reduziram as contribuições lançadas nas DCTF. A ver cada uma delas. Dedução SICOBE – recolhimento Casa da Moeda De início, a comparação entre os valores utilizados pela autoridade fiscal e pela contribuinte revela que não houve discrepância, concordando ambas com os montantes. A controvérsia prendese, então, ao momento em que a dedução poderia ser feita. É essa a linha de defesa adotada pela interessada, construída nesses termos e a partir da legislação acima transcrita: (...) Como se viu no item anterior, a legislação tributária, especialmente o art.12 da Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008, estabelece uma relação temporal direta entre o período de apuração das contribuições e o ressarcimento efetivamente pago no mesmo período. Ou seja, o valor da dedução há de ser computado nas contribuições apuradas no mesmo período em que ocorreu o pagamento. Comparando a data em que foram efetuados os pagamentos, e fls. 188/194, com as alocações feitas pela fiscalização, efl. 456, constatase que o procedimento fiscal atevese estritamente ao definido na legislação. 3.2) Da "Dedução SICOBEinvestimentos" A análise da regularidade fiscal do crédito presumido apropriado pela fiscalizada fora do Dacon, em julho de 2009, sob a rubrica "Dedução SICOBE investimentos", foi efetuada com base no disposto no art. 58R da Lei n° 10.833/2003, abordado no item 2.4 do presente relatório. No caso presente, a fiscalizada expôs por meio da planilha apresentada, que deduziu da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em julho de 2009, sob a denominação "Dedução SICOBE' investimentos", preditos presumidos nos valores de R$ 187.468,10 e de R$ 871.673,70, respectivamente. Ocorre que os documentos fiscais e comprovantes de pagamentos apresentados para comprovar a legitimidade desses créditos presumidos em julho de 2009 totalizaram R$ 313.995,10,conforme apurado no Anexo V ao presente relatório fiscal. Aplicando sobre esses créditos os fatores de rateio Fl. 3472DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.473 37 previstos no art. 58R da Lei n° 10.833/2003, obtiveramse os seguintes valores: Tais valores foram inferiores aos apropriados pela fiscalizada (fora do Dacon), de R$ 187.468,10 e de R$ 871.673,70, respectivamente. Nessas condições, foram considerados passíveis de dedução em julho de 2009, com base no citado dispositivo legal, somente os créditos presumidos dispostos no quadro acima e não os valores indicados na planilha apresentada pela fiscalizada. Os créditos presumidos indicados acima, bem como os calculados em junho de 2009 (Anexo V), foram aproveitados de ofício na dedução dos valores devidos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na presente fiscalização, conforme descrito no item 4 deste relatório.(grifei). Quanto a esse item não há manifestação expressa no recurso voluntário. 3.3) Da Dedução com "Saldo credor período anterior''' Esclarece a fiscalização: Conforme se verifica no Anexo VIII ao presente relatório, o saldo de créditos presumidos não aproveitados de ofício em outubro de 2009 não foi utilizado em meses subseqüentes, por falta de previsão legal nos arts. 58R e 58T da Lei n° 10.833/2003, que regem a matéria. Quanto a esse subitem, reproduzo os excertos da decisão de piso, utilizados como razão de decidir: Ao refazer os cálculos das contribuições para corretamente alocar as deduções acima tratadas, a fiscalização negou o aproveitamento de saldo apurado em outubro de 2009, conforme Anexo VIII do Relatório Fiscal, efls. 457/458. Nos seus dizeres: o saldo de créditos presumidos não aproveitados de ofício em outubro de 2009 não foi utilizado em meses subseqüentes, por falta de previsão legal nos arts. 58 R e 58T da Lei nº 10.833/2003, que regem a matéria. Em sua defesa, a autuada argumenta: Outro ponto que se encontra equivocado nos cálculos elaborados pela Fiscalização, diz respeito ao entendimento de que os saldos de créditos presumidos remanescentes não poderiam ser aproveitados em meses subsequentes, por falta de previsão legal no artigo 58T da Lei n° 10.833 de 2003. No entanto, é notório que o objetivo do legislador ao instituir o crédito presumido do SICOBE foi o de ressarcir de forma Fl. 3473DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.474 38 imediata integral o custo relativo ao desembolso efetuado a CMB, anulando para as empresas qualquer efeito financeiro gerado em face da utilização obrigatória do SICOBE. Assim, como a legislação também não estabelece qualquer restrição ao direito de deduzir os créditos presumidos das contribuições a pagar, desde que o ressarcimento tenha sido pago à CMB, e desde que cada real ressarcido seja utilizado para deduzir um real da contribuição ao PIS e COFINS a pagar, é legítimo o direito da Impugnante de transportar para o mês subsequente o saldo remanescente do crédito presumido do SICOBE. Em que pese a argumentação traçada pela defesa, é importante lembrar aqui que a autoridade fiscal está adstrita, na aplicação da lei, ao que nela está previsto. E, no caso, não há, efetivamente, previsão de uso dos créditos presumidos em período outro que não aquele em que houve o efetivo pagamento. A ausência dessa possibilidade é patente na leitura dos dispositivos legais da Lei nº 10.833, de 2003. Não obstante, a redação do § 10, do art. 11, da Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008, pode, inicialmente, suscitar o entendimento de que essa hipótese de aproveitamento dos créditos exista. No entanto, o que diz aquele parágrafo é que o recolhimento indevido a maior pode ser compensado no ressarcimento subsequente. Ou seja, um eventual recolhimento a maior é passível de aproveitamento no cálculo do próximo recolhimento em favor da Casa da Moeda do Brasil, e não na apuração das contribuições.(grifei). Reforça o entendimento de que não há possibilidade de utilização do saldo encontrado em outubro de 2009 nos meses subseqüentes o fato de que, ainda considerando aquele mesmo décimo parágrafo, não houve recolhimento indevido a maior, mas, sim, recolhimento correto que, por conta do montante da contribuição a pagar verificada naquele 4 DA INSUFICIÊNCIA DOS VALORES DECLARADOS EM DCTF Ressalta o TVF, em conclusão ao trabalho fiscal: Excluindose dos Dacon de junho a dezembro de 2009 os créditos indevidamente apropriados, conforme 'descrito no item 2 deste relatório, e aproveitandose de ofício os créditos presumidos calculados no item 3, apuraramse valores apagar da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins superiores aos informados nas DCTF* desse período, conforme cálculos expostos no Anexo VIII ao presente relatório. Tais. insuficiências (nos valores declarados nas DCTF), foram consideradas contribuições devidas e lançadas de ofício. DOS DÉBITOS DECLARADOS A MAIOR Fl. 3474DF CARF MF Processo nº 13864.720101/201496 Acórdão n.º 3302005.537 S3C3T2 Fl. 3.475 39 Em sua peça recursal, traz a recorrente um tópico assim intitulado, no entanto as matérias arguidas, em seus próprios dizeres: a) incluiu, inadvertidamente, na base de cálculo do PIS e da COFINS do período em tela, valores decorrentes de incentivos fiscais oferecidos pela legislação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS, a título de subvenção governamental para investimentos, que não são tributados pelas Contribuições Sociais em questão; e (b) deixou de apropriar créditos de PIS e de COFINS sobre aquisições realizadas no período de junho a dezembro de 2009, nos termos do artigo 3o das Leis n° 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003. As matérias acima elencadas são estranhas ao feito fiscal, de modo inexistindo fundamentos na autuação quanto às referidas matérias, deixarão de ser apreciadas no presente voto. Conforme fundamentos acima, não há reparos no feito fiscal, mantendose na íntegra a decisão recorrida." Ante o exposto, voto por conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 3475DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.015464/2003-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1997
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CONTRADIÇÃO - AUSÊNCIA DE NULIDADE - Se a contradição ocorrida não altera os fundamentos e resultado da decisão Embargada, devem os Embargos serem acolhidos, para ser retificada a contradição e re-ratificado o Acórdão embargado, mas não para declarar a nulidade da decisão, já que ausente a
preterição do direito de defesa da contribuinte.
Numero da decisão: 9101-000.830
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em segunda
votação, acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão n° 9101-00.349, de 26 de agosto de 2009, para que seja retificado o julgado no sentido de que o resultado do julgamento do processo n° 10680.0029582002-57 seja observado na execução deste julgado e ratificar o entendimento de que ambos são dependentes entre si, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Claudemir Rodrigues Malaquias e Antonio Carlos Guidoni Filho que anulavam a decisão. Em primeira votação os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Susy Gomes Hoffmann não conheciam dos embargos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho.
Nome do relator: Viviane Vidal Wagner
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em segunda votação, acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão n° 9101-00.349, de 26 de agosto de 2009, para que seja retificado o julgado no sentido de que o resultado do julgamento do processo n° 10680.0029582002-57 seja observado na execução deste julgado e ratificar o entendimento de que ambos são dependentes entre si, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Claudemir Rodrigues Malaquias e Antonio Carlos Guidoni Filho que anulavam a decisão. Em primeira votação os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Susy—Gomes Hoffmann não conheciam dos embargos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Caio IMarcos Cândia - Presidente. ( Viviane Vi er - Relatora. a Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho - Redator designado. Editado em: 31 MAR 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratam-se de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão n° 9101-00349, de 26 de agosto de 2009, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso especial anteriormente por ela apresentado. O acórdão embargado contem a seguinte ementa: CSLL - EXERCÍCIOS 1999 PAF. PROCESSOS CONEXOS. TRÂNSITOS EM JULGADOS. Definido o processo 10680.002958/2002-57 através do Ac 9101- 00.009 de 09 de mat-go de 2009 e 10680.015465/2003-68; Ac.- 9103-00.099 de 11 de maio de 2009, a solução ali definida a este se aplica. CSL. INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA. Tendo ficado decidido que não houve falta ou insuficiência de pagamento da CSL (fundamento para o lançamento da multa isolada) pode-se concluir também pela improcedência desta exigência. LANÇAMENTOS DECORRENTES. A solução dada ao litígio principal, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. A embargante alega existir contradição no acórdão que decidiu pela aplicação no presente processo da mesma decisão adotada nos processos n° 10680.002958/2002-57 e 10680.015465/2003-68, em razão da dependência entre eles. Aduz que a decisão embargada adotou uma premissa atica equivocada quanto ao trânsito em julgado do processo n° 10680.002958/2002-57, o qual, na realidade, encontra-se pendente de julgamento do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, em 31.08.2009, com fulcro nos arts. 9° e 43, da Portaria MF n° 147, de 25.06.2007, conjugados com os arts. 4° e 7° da Portaria MF n° 256, de 22.06.2009. Pede o acolhimento dos presentes embargos para que seja proferida nova decisão. Alternativamente, requer a suspensão do feito até a decisão definitiva no processo principal. E o relatório. 2./ 2 Processo n° 10680.015464/2003-13 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -000.830 Fl. 2 Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presente a contradição apontada, os embargos devem ser conhecidos. Analisados os autos, verifica-se que a decisão consubstanciada no Acórdão n° 9101-00349, ora embargado, assumiu como premissa fática o trânsito em julgado os processos n° 10680.002958/2002-57 e 10680.015465/2003-68, a este conexos. Como bem alertou a embargante, a última decisão proferida no processo principal de no 10680.002958/2002-57 foi objeto de recurso extraordinário interposto pela mesma, com fulcro no Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25.06.2007, vigente h época. Posteriormente, foi aquele normativo revogado pela Portaria MF no 256, de 22.06.2009, que aprovou o atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — RICARF, o qual deixou de prever o recurso extraordinário. Dentre as disposições transitórias previstas, contudo, considerada a alteração introduzida pela Portaria MF n° 446, de 27.08.2009, tem-se: Art. 4° Os recursos com base no inciso Ido art. 7°, no art. 8° e no art. 9° do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior a vigência do Anexo II desta Portaria, sera() processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. (1] Nesses termos, os recursos extraordinários apresentados já na vigência do RICARF atual, mas referentes a julgados anteriores, como é o caso ora examinado, deverão seguir seu processamento normal. Atualmente, o processo principal de n° 10680.002958/2002-57 encontra-se em fase de análise de admissibilidade do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Caso adrnitido, deverá o recurso ser submetido ao julgamento do Pleno da CSRF. Diante disso, considerando-se que h data da prolação da decisão embargada ainda corria o prazo de interposição de recurso extraordinário, verifica-se que esta foi prolatada com preterição do direito de defesa, na medida em que adotou um pressuposto fático inveridico, deixando de apreciar os fundamentos da recorrente por considerar que a matéria já estaria definitivamente julgada no processo conexo. No processo administrativo fiscal, consideram-se nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. 3 Isto posto, voto pelo acolhimento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional para anular a decisão embargada e aguardar o trânsito em julgado do processo e 10680.002958/2002-57, antes de ser proferida nova decisão. Viviane Vidal Wagner — Relatora 4 Processo n° 10680.015464/2003-13 Acórdão n.° 9101 -000.830 CSRF-T1 Fl. 3 Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Redator designado Como indicado pela ilustre Relatora, a decisão consubstanciada no Acórdão no 9101-00349, ora embargado, assumiu como premissa fatica o trânsito em julgado dos processos n° 10680.002958/2002-57 e 10680.015465/2003-68, a este conexos. Como apontado pela Embargante e apurado pela Relatora, o processo principal de n° 10680.002958/2002-57 ainda não foi definitivamente julgado, já que encontra-se em fase de análise de admissibilidade do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Caso admitido, deverá o recurso ser submetido ao julgamento do Pleno da CSRF. Nisto, em tudo concordo com a Relatora. Contudo, não partilho do entendimento de que a contradição ocorrida implicaria em preterição do direito de defesa da contribuinte, dando causa a nulidade da decisão, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. No caso concreto, o saneamento da contradição não deve alterar o resultado da decisão embargada. 0 resultado da decisão embargada não é inconciliável com a apuração de que o processo conexo ainda não foi definitivamente julgado. A decisão embargada entendeu que, por ter ficado decidido, no processo conexo, que não houve falta ou insuficiência de pagamento da CSL (fundamento para o lançamento da multa isolada), pode-se concluir também pela improcedência da exigência da multa no caso em análise. Se tal constatação, de que não houve falta ou insuficiência do pagamento da CSL, for alterada com o julgamento do recurso extraordinário de tal processo conexo, a nova constatação sera automaticamente observada na execução do presente processo, pelos próprios fundamentos da decisão embargada. Assim, entendo que os Embargos devem ser acolhidos para retificar a contradição ocorrida e estabelecer, tab somente, que o resultado do julgamento do processo n° 10680.0029582002-57 seja observado na execução deste julgado, devendo, para tal fim, ambos os processos serem considerados como dependentes entre si, mantendo a decisão embargada em seus demais termos. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho - Redator designado 5 — If -
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Numero do processo: 10730.902600/2009-60
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/11/2005
PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O julgador não está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições processuais, desde que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas.
PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA.
O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição indispensável para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.
A utilização do IGPM não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/11/2005 PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O julgador não está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições processuais, desde que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas. PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição indispensável para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. A utilização do IGPM não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 26 00 /2 00 9- 60 Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 451 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 262/263 dos autos: Tratase da Declaração de Compensação Eletrônica nº 11095.32556.300306.1.3.040509– nãohomologada – de crédito oriundo de pagamento considerado indevido, a título de Cofins do período de outubro 05, conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos. A autoridade fiscal decidiu não homologar a compensação efetuada, pois entendeu inexistir o direito creditório declarado (fl. 36). Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou, Manifestação de Inconformidade (fls. 3 a 11) alegando, em resumo, que: reconhece que parte da compensação que efetuou foi indevida, pois usou Taxa SELIC acumulada em percentual incorreto, por este motivo recolherá a diferença; quanto ao restante da compensação declarada, a incorreção é do despacho decisório; contribuiu involuntariamente para o equívoco do despacho decisório, pois prestou informações incorretas em documentos fiscais; firmou contratos a preços prédeterminados, antes de 31/10/03, com FURNAS, GERASUL/TRACTEBEL e CERJ/AMPLA, aprovados pela ANEEL, e com prazo de duração superior a um ano; as receitas decorrentes de tais contratos estavam sujeitas ao PIS e à Cofins cumulativa (art. 10, Lei nº 10.833/03); Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 452 3 na mesma direção opinou a ANEEL pelo ofício nº 1.431/2006 SFF/ANEEL, juntado ao presente recurso; equivocadamente, as referidas receitas foram declaradas como sujeitas ao PIS/Cofins nãocumulativos; ao perceber a falha retificou a contabilidade, apresentou o PER/DCOMP em tela, mas olvidou de retificar a DCTF; ao não retificar a DCTF, induziu a Autoridade a quo a supor que inexistia crédito a restituir/compensar; não obstante os erros que estão sendo corrigidos, é indubitável seu direito de reaver o valor recolhido a maior. A contribuinte requer a homologação da compensação declarada A Recorrente apresentou, com a sua manifestação de inconformidade, os seguintes documentos: (i) atos constitutivos e de representação da empresa (fls. 12/35); (ii) despacho decisório (fls. 36 e 252/254); (iii) resolução ANEEL (fls. 38); (iv) contrato Furnas (fls. 39/95); (v) contrato Gerasul (fls. 96/152); (vi) Ofício e despachos ANEEL (fls. 153/157); (vii) contrato CERJ/AMPLA (fls. 158/231); (viii) Ofício 1431/2006 da ANEEL (fls. 232/234); (ix) comprovante de arrecadação (fls. 235/236 e 246); (x) DCTF retificadora (fls. 237/239); (xi) PER/DCOMP (fls. 240/245 e 247/251); (xii) tela do sistema (fl. 257). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/11/2005 PREÇO PREDETERMINADO. SUBSISTÊNCIA. ATÉ A PRIMEIRA ALTERAÇÃO. A permanência no regime cumulativo do PIS e da Cofins, na hipótese prevista no inciso XI, artigo 10 da Lei nº 10.833/03, depende do caráter predeterminado do preço, que subsiste somente até a implementação, após 31/10/03, da primeira alteração do preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, salvo situações excepcionais legalmente previstas. Não sendo caso de exceção, o contrato regido com cláusula de reajuste com base no IGPM, sucedâneo do IPCr. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2005 OFÍCIO ANEEL. IRRELEVÂNCIA NO DOMÍNIO DE NORMA TRIBUTÁRIA. Ofício da Superintendência da Aneel nada interfere na aplicação das normas tributárias, seja em razão da forma inadequada adotada, seja porque carece a autoridade que o subscreve competência para alterar ou interpretar a legislação tributária, mormente quando seu conteúdo é estranho ao domínio fiscal, referindose apenas ao mercado de energia elétrica. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O acórdão da primeira instância (fls. 261/270) consignou, em seus fundamentos, que nos contratos de fornecimento de energia elétrica firmados pelo contribuinte foram atendidos os requisitos legais para a adoção do regime cumulativo, presentes na IN SRF Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 453 4 nº 658/2006, nos artigos 1º e 2º, II, e no artigo 10, XI, b, da Lei 10.833/03, os quais excepcionaram as receitas decorrentes de contrato de prestação de bens e serviços do regime da nãocumulatividade. Tais requisitos são: (i) receita auferida com o fornecimento de bens e/ou serviços; (ii) contrato firmado antes de 31/10/03; (iii) contrato para período superior a um ano; (iv) preço prédeterminado. Consignou haver, no entanto, um requisito para permanência neste regime: a manutenção do preço prédeterminado, pois a lei impõe a exclusão do regime cumulativo quando da primeira alteração no preço do fornecimento. Analisando contrato por contrato, a primeira instância entendeu que, devido à presença de cláusulas de reajuste em todos eles, foi devida a inclusão das receitas oriundas destes contratos, cada um a partir do respectivo momento de reajuste, no regime da não cumulatividade. Concluiu, por isso, que foi correta a adoção do regime da nãocumulatividade pelo contribuinte no período de outubro de 2005, descabendo a alegação de erro e o pedido de troca para o regime cumulativo, sendo também descabido, portanto, o reconhecimento do crédito alegado, visto que inexistente. O acórdão registrou, ainda, que o Ofício nº 1431/2006 da ANEEL não possui o condão de alterar essa conclusão, pois se trata de ato de mera comunicação, e não de ato normativo capaz de complementar a legislação tributária nos termos do artigo 100 do CTN. Assim, admitir que altere dispositivos legais e a base de cálculo de tributo feriria o princípio da legalidade. Além disso, a autoridade subscritora não possuiria competência para interpretar ou alterar legislação tributária. Quanto a seu conteúdo, consignou ser contraditório e ambíguo, por admitir uso de índice (IGPM) que não reflete a variação dos custos de produção e dos insumos utilizados, mas um índice geral de preços de toda a economia. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 21/05/2013 (vide AR à fl. 274 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 20/06/2013, Recurso Voluntário (fls. 276/307). Em seu recurso, o contribuinte iniciou informando ter ressaltado em sua Manifestação de Inconformidade que as receitas auferidas com os contratos se submetiam e teriam continuado submetidas ao regime cumulativo, de acordo com os artigos 10, XI, b, e 15 da Lei nº 10.833/03, o item 3.1 da IN SRF nº 21/79 e o artigo 3º, § 3º da IN SRF nº 658/2006 e o Ofício nº 1431/2006 – SFFANEEL (Doc. 06 da Manifestação de Inconformidade – fls. 232/234). Alegou que o acórdão da DRJ foi incorreto, e que deve ser reformado, pelas razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade, e pelas adiante sintetizadas. Primeiramente, apontou a nulidade do acórdão por omissão quanto à violação do artigo 30 do Decreto 70.235/72. Alegou que a primeira instância se recusou a apreciar o item 3.3.2 da Manifestação de Inconformidade, no tocante à argumentação de que as conclusões do Ofício nº 1431/2006 – SFFANEEL devem ser consideradas neste julgamento, por força do artigo 30 do Decreto 70.235/72. Prosseguiu argumentando que, nos termos do artigo 3º, § 3º, da IN SRF, e em observância ao disposto no artigo 79, § 1º, do DecretoLei nº 5.844/43, a autoridade administrativa só poderia desconsiderar os esclarecimentos prestados na Manifestação de inconformidade relativas ao Ofício nº 1431/2006 – SFFANEEL se comprovasse a falsidade ou inexatidão do referido ofício, o que não teria ocorrido. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 454 5 Tais vícios iriam de encontro às garantias do direito de petição e do devido processo legal presentes na Constituição Federal, o que ensejaria a nulidade do acórdão por força dos artigos 31 e 59, II, do Decreto nº 70.235/72, e seria o entendimento doutrinário e da jurisprudência administrativa. Alegou, no mérito, que o acórdão merece reforma, pois o próprio teria reconhecido que os contratos sob exame se enquadraram, inicialmente, no regime cumulativo. Quanto ao entendimento de que não cumpriram o requisito para permanência, o recorrente combateuo com a afirmação de que a própria Secretaria da Receita Federal já definiu, no subitem 3.1 da IN SRF nº 21/79, que a previsão contratual de reajuste não afasta o caráter predeterminado do preço, pois visa apenas a preservar o valor da moeda da data da celebração. Isto também teria sido reconhecido em julgamentos efetivados pelo Poder Judiciário e em normas editadas pelos poderes da União. O recorrente alegou, ainda, que o Ofício nº 1431/2006 – SFFANEEL não visou à produção de efeitos tributários, mas à emissão de constatações técnicas. Assim, dentro de sua competência regulatória, a ANEEL teria certificado que os reajustes contratuais não superam os acréscimos dos custos de produção e dos insumos utilizados. Os efeitos tributários seriam meras decorrências. Alegou, por fim, que, ainda que se afaste a prova técnica da ANEEL, o reajuste, pelo IGPM, não teria o condão de desnaturar o caráter predeterminado do preço, pois servia apenas para preservar o poder aquisitivo da moeda. Invocou precedentes do CARF que, em relação aos mesmos contratos sob exame, teriam reconhecido ser devido o enquadramento no regime cumulativo. Insistiu, com esses fundamentos, que as receitas dos contratos se enquadram no artigo 10, XI, b, da Lei nº 10.833/2003, pedindo, ao final, a reforma do acórdão para fins de reconhecimento do direito creditório e homologação da compensação declarada, ou, ao menos, a declaração de nulidade do acórdão recorrido. Não apresentou documentos novos com o recurso. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da preliminar de nulidade Conforme acima narrado, o contribuinte apresentou em seu recurso pleito preliminar de nulidade do acórdão tendo em vista que este teria se recusado a apreciar o item 3.3.2 da Manifestação de Inconformidade, no tocante à argumentação de que as conclusões do Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 455 6 Ofício nº 1431/2006 – SFFANEEL devem ser consideradas neste julgamento, por força do artigo 30 do Decreto 70.235/72. Prosseguiu argumentando que, nos termos do artigo 3º, § 3º, da IN SRF, e em observância ao disposto no artigo 79, § 1º, do DecretoLei nº 5.844/43, a autoridade administrativa só poderia desconsiderar os esclarecimentos prestados na Manifestação de Inconformidade relativas ao Ofício nº 1431/2006 – SFFANEEL se comprovasse a falsidade ou inexatidão do referido ofício, o que não teria ocorrido. Argumenta, então, que tais vícios iriam de encontro às garantias do direito de petição e do devido processo legal presentes na Constituição Federal, o que ensejaria a nulidade do acórdão por força dos artigos 31 e 59, II, do Decreto nº 70.235/72. Entendo que não assiste razão ao contribuinte neste ponto, conforme será devidamente demonstrado a seguir. De leitura da decisão recorrida, verificase que esta trouxe consistente arrazoado apto a fundamentar o entendimento ali apresentado, no sentido de que “o Ofício da Superintendência da Aneel nada interfere na aplicação das normas tributárias, seja em razão da forma inadequada adotada, seja porque carece a autoridade que o subscreve competência para alterar ou interpretar a legislação tributária, mormente quando seu conteúdo é estranho ao domínio fiscal, referindose apenas ao mercado de energia elétrica”, como consignado na própria ementa do acórdão. Nesse contexto, entendo que não há que se falar em nulidade da decisão recorrida, pois encontrase devidamente motivada. De outro norte, entendo que não merece guarida o argumento do contribuinte no sentido de que a autoridade administrativa só poderia desconsiderar os esclarecimentos prestados na Manifestação de Inconformidade relativas ao Ofício nº 1431/2006 – SFFANEEL caso comprovasse a falsidade ou inexatidão do referido ofício. Isso porque, embora o referido ofício possua conteúdo que favorece a tese de defesa do Recorrente, não possui efeito vinculante. Logo, a observância do teor deste Ofício não é impositiva aos julgadores administrativos, que possuem autonomia na análise do impacto que as informações ali inseridas terão em suas razões de decidir. Nesse contexto, por entender que a decisão recorrida não se encontra maculada pelo vício da nulidade, afasto a preliminar apresentada pelo contribuinte. 2. Do mérito Consoante acima narrado, o cerne da presente contenda é identificar se as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, que tinham o IGPM como índice de reajuste, estão sujeitas ao regime cumulativo ou nãocumulativo. Em outras palavras, cingese à interpretação da aplicação do art. 10, XI, da Lei nº 10.833/03, em decorrência do superveniente art. 109 da Lei nº 11.196/05, sendo necessário decidir se o reajuste dos contratos apresentados pelo contribuinte (IGPM) leva à descaracterização dos mesmos como "preço predeterminado". Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 456 7 Como é cediço, o regime nãocumulativo da COFINS foi instituído pela Lei nº 10.833/2003, a qual trouxe exceções em seu art. 10, inclusive as descritas no seu inciso XI, as quais mantiveramse sob o manto do regime cumulativo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...). XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Tais exceções, inclusive, foram estendidas ao PIS, por meio do inciso V do art. 15, também da Lei nº 10.833/2003, in verbis: Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; Ou seja, com base na legislação acima transcrita, sujeitarseiam ao regime da cumulatividade as receitas relativas a contratos de fornecimento de bens ou serviços, desde que os contratos possuam preço predeterminado, tenham sido firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, por prazo superior a um ano. No caso ora analisado, é incontroverso que os contratos firmados pela Recorrente são anteriores a 31/10/2013 e que possuem prazo superior a um ano. É o que se infere, inclusive, da passagem da decisão recorrida abaixo reproduzida: Depreendese dos dispositivos citados que a adoção do regime cumulativo para certas receitas dependem dos seguintes requisitos, tendo em vista o caso sub examine: 1. receita auferida com o fornecimento de bens e/ou serviços; 2. contrato firmado antes de 31/10/03; 3. contrato para período superior a 1 (um) ano; 4. preço predeterminado. A contribuinte firmou com 3 (três) empresas, contratos de fornecimento de energia elétrica, cujas cópias encontram0se nos autos. A análise de tais contratos permite inferir as informações sintetizadas no quadro a seguir: Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 457 8 XX Em juízo inicial, por meio do confronto dos dados acima sintetizado com os requisitos legais (1 a 4), acima resumidos, concluse que os mencionados contratos atendem às exigências da lei para que a contribuinte possa adotar o regime cumulativo para as receitas daí derivadas. (...). Ou seja, a própria DRJ reconheceu que os contratos analisados atendem aos requisitos indicados nos itens 1 a 4 acima. Apesar disso, entendeu que o contribuinte não faria jus à apuração da COFINS pelo regime cumulativo, por entender que não teria sido atendido o requisito referente à "permanência no regime", visto que a legislação impõe a exclusão do regime cumulativo quando da primeira alteração do preço do fornecimento. Embasou o seu entendimento na IN SRF nº 658/2006, que trata do preço predeterminado. Sendo assim, analisado cada um dos contratos, entendeu que a permanência no regime cumulativo teria findado com a aplicação do reajuste contratual, todos realizados com base no IGPM. Também resta incontroverso nos presentes autos, portanto, que o índice de reajuste adotado em tais casos foi o IGPM. Para a solução da presente lide, então, imprescindível que se identifique o que deve ser considerado como preço predeterminado. Sobre o assunto, a IN/SRF nº 468/2004, já revogada, assim dispunha: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. § 3º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1º. Ato contínuo, foi publicada a Lei nº 11.196/2005, que admitiu expressamente exceções à descaracterização do preço predeterminado, ao assim dispor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Ou seja, o reajuste de preços em função do custo da produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do parágrafo 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/1995, não será considerado para fins de descaracterização do preço predeterminado. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 458 9 Ainda sobre o assunto, foi editada a IN nº 658/2006, que revogou a IN/SRF nº 468/2004, ao assim dispor: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência nãocumulativa das contribuições. A Lei nº 9.069/1995, mencionada acima, por seu turno, assim dispõe: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; O que se encontra em discussão, portanto, é se a adoção do IGPM retiraria do preço descrito em seu contrato o caráter de predeterminado, nos moldes do que dispõe o inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 e as demais normas acima indicadas. Segundo a decisão recorrida, a resposta seria positiva, visto que a adoção do reajuste com base no IGPM configuraria, no seu entendimento, "a primeira alteração no preço do fornecimento". Discordo da conclusão ali indicada. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 459 10 Consoante narrado acima, o inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 trazia como requisito para a permanência no regime cumulativo apenas que o contrato tivesse preço predeterminado, não trazendo nenhuma restrição relativa aos reajustes. O limitador em questão veio inicialmente através da IN/SRF nº 468/2004. Ocorre que não poderia a referida IN trazer restrição não disposta em lei, visto que assim procedendo findou por aumentar a alíquota tributária aplicada ao contribuinte, em total desrespeito ao princípio da Legalidade. Até porque, importante mencionar que, quando da edição da Lei nº 10.833/2003, encontravase em vigor a IN 21/79, que assim dispunha acerca do preço predeterminado: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. Logo, inferese que, ao adotar o termo "preço predeterminado", pretendia a Lei nº 10.833/2003 seguir a previsão legal disposta na IN 21/79 supra transcrita, vigente à época. Eventual alteração dessa interpretação, portanto, somente poderia ser realizada por norma de mesma hierarquia ou superior. Destaquese, outrossim, que não se está aqui afastando a aplicação da IN/SRF nº 468/2004 por inconstitucionalidade, o que seria vedado pela súmula nº 02 deste Conselho. Estáse, em verdade, reconhecendo a sua total inaplicabilidade face ao disposto na Lei nº 10.833/2003, norma de hierarquia superior, cuja observância é obrigatória por este Conselho. Este, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça sobre o assunto, consoante decisões consubstanciadas nas ementas dos RESP nº 1089998RJ e RESP nº 1169088, respectivamente: TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 460 11 anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) *** PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. De outro norte, em razão dos problemas ocasionados pela IN nº 468/2004, que trazia restrições de forma ilegal e sem qualquer ressalva, foi editada a Lei nº 11.196 de 21 de novembro de 2005 e a IN/SRF nº 658/2006, as quais trouxeram exceções à restrição atinente aos reajustes. Até porque, não fazia sentido a descaracterização do contrato como tendo preço predeterminado nos casos em que havia mero reajuste por índice de atualização monetária. Isso porque, a aplicação de um índice de correção não retira o caráter de preço predeterminado do contrato, mas apenas o confirma, visto que mantém o valor atualizado de acordo com a realidade do momento, contrapondose aos efeitos da inflação. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 461 12 De toda sorte, não há como se entender aplicáveis a Lei nº 11.196/2005 e a IN/SRF nº 658/2006 ao caso vertente, uma vez que ditas normas são posteriores ao período objeto dos presentes autos, que trata do período de apuração de março de 2005. Como se não bastasse, ainda que o período em discussão fosse posterior à entrada em vigor de ditas normas, a interpretação que faço destas tampouco se coaduna com a conclusão obtida pela decisão recorrida, consoante será demonstrado a seguir. Nos termos do parágrafo 3º do art. 3º da IN/SRF nº 658/2006: "O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado". O inciso II do parágrafo 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/1995, por sua vez, dispõe que o reajuste também poderá ser realizado, além da variação acumulada do IPCr disposta no caput, em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Percebese, portanto, que a norma não limita a não descaracterização do preço predeterminado à adoção de um índice específico, bastando que o índice adotado nos contratos não seja superior às referências descritas no art. 27 da Lei nº 9.069/1995. Ademais, vale destacar que o II do parágrafo 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/1995 admite, como alternativa ao IPCr (o dispositivo legal fala em poderá), os critérios de custo de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Nesse contexto, entendo que, ao mencionar o referido dispositivo legal, pretendia o legislador admitir, da mesma forma, não apenas o IPCr (disposto no caput do art. 27), como também o disposto em seu inciso II, parágrafo 1º. De outra parte, é pertinente mencionar que o IPCr, índice expressamente previsto no caput do art. 27 da Lei nº 9.069/1995, e que também era geral, foi extinto, tendo sido substituído por outros índices, como o IGPM. Entendo, então, que o índice de atualização adotado em contrato, para que seja admitido para fins do disposto no inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 (preço predeterminado), não deverá corresponder necessariamente a um índice específico de alguma categoria, setor ou produto. Até porque, na prática, seria inviável a existência de índices diversos para cada categoria, setor ou produto, o que geraria uma infinidade de índices. O que se precisa perquirir, na verdade, é se o índice adotado pelo contribuinte no caso concreto representa percentual condizente com a sua atividade, para que seja admitido como mero reajuste em contraponto à inflação, mantendo, assim, a característica de preço predeterminado do contrato, não correspondendo a índice superior aos balizamentos constantes do art. 27 da Lei nº 9.096/1995 (IPCr, extinto e substituído por outros índices, e demais índices adotados em função do custo da produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados). E, no caso concreto em análise, concluo que o IGPM atende a tais requisitos. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 462 13 Até porque, como bem ressaltou o contribuinte em seu recurso, a ANEEL, por meio do Ofício nº 1431/2006, em resposta à Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica APINE, informou que o IGPM é o índice de reajuste aceito pelo Poder Concedente em todos os contratos de concessão de distribuição assinados com a União Federal, por refletir mais adequadamente as variações de preços do setor elétrico. Tanto que a ANEEL indica em seu site que o reajuste para atualização monetária dos contratos deste setor deve considerar o IGPM. Nessa ótica, entendo que o IGPM, como bem esclareceu a ANEEL, reflete a variação de preços do setor elétrico, enquadrandose, portanto, nos requisitos dispostos tanto na Lei nº 11.196/2005 quanto na IN/SRF nº 658/2006, visto que é um dos índices gerais que veio substituir o extinto IPCr. Até porque, exigir um índice específico para cada produto representaria, na verdade, uma tentativa de negar aplicabilidade à própria exceção atinente aos reajustes, visto que é muito improvável que haja um índice de atualização aplicável a determinado produto/setor específico. O que a norma buscou evitar é que fossem adotados índices que representassem aumentos superiores aos observados em determinada atividade, o que poderia representar uma verdadeira revisão do seu valor, ou seja, um ganho superior à mera recomposição do valor monetário da moeda. Não é, contudo, o que se vê na hipótese dos autos, em que fora adotado pelo contribuinte o índice oficial admitido pela União Federal, conforme orientação da ANEEL, justamente em razão da sua correlação com as variações de preços atinentes especificamente ao setor elétrico. Ou seja, a adoção do IGPM buscou apenas manter o equilíbrio contratual, não representando uma revisão do preço inicialmente pactuado. Tanto é assim que a própria ANEEL emitiu a Nota Técnica nº 224/2006, que teve como objeto a avaliação da incidência das Contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS sobre as receitas decorrentes de contratos assinados em data anterior a 31/10/2003, nos termos do art. 10, inciso XI, e art. 15 da Lei nº 10.833/2003, c/c art. 109 da Lei nº 11.196/2005, através da qual pronunciouse expressamente no sentido de que a incidência do PIS e da COFINS, nos contratos licitados antes de 31/10/2003, permanecem no regime cumulativo por se caracterizarem como de preço predeterminado. Em razão da sua relevância, trazse a seguir passagem da referida Nota Técnica: (...). Diante da nova conceituação de preço predeterminado, trazida pela IN SRF nº 486/2004 exclusivamente para fins de PIS/PASEP e COFINS, temse que a existência de cláusula de reajuste no contrato seria causa de indeterminação do preço a partir do momento em que aplicado o reajuste, passando então a receita decorrente a ser submetida ao regime novo da nãocumulatividade. É, portanto, evidente o conflito entre a regulamentação existente (IN SRF nº 21/79 e IN SRF nº 486/2004). Percebese que a Secretaria da Receita Federal, mediante ato de natureza jurídica meramente complementar, nos termos do art. 100, I, do CTN, estabeleceu restrições e limitação que não se encontram previstas na Lei nº 10.833/2003. Dessa forma, hialina a violação ao princípio da legalidade, segundo o qual a atividade administrativa está condicionada à observância da lei, pois na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza, não devendo sua atividade violar a lei, regulamento ou outro ato normativo. (...). Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 463 14 FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 0.069/95. Dessa forma, com o novo comando legal introduzido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, a ocorrência de mero reajuste de preços, efetuados especificamente nas condições descritas na Lei nº 9.069, art. 27, parágrafo 1º, II, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei nº 9.718/98. (...). Portanto, com a edição da Lei nº 11.196/2005, qualquer reajuste de preço previsto contratualmente, que tenha por objetivo assegurar o reajuste necessário para minimizar os efeitos do desgaste inflacionário ocorrido durante o ano, sem que haja alteração (revisão) do preço e das condições pactuadas quando da assinatura do contrato, mediante índices estipulados contratualmente, qualquer que seja ele, não descaracteriza o preço predeterminado, permanecendo a receita decorrente de tais contratos no regime da tributação cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS. (...). Por todo o exposto, concluímos que: a) as receitas decorrentes dos Contratos Iniciais e Bilaterais, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, enquadramse nas disposições do art. 10, inciso XI, letra "b", da Lei nº 10.833/2003, uma vez que são contratos assinados por prazo superior a 1 (um) ano, com preço predeterminado, cujo reajuste anual, calculado com base em índices oficiais (IGPM), não descaracteriza o caráter de preço predeterminado, devendo, por conseguinte, tais receitas permanecerem sujeitas às normas da legislação do PIS/PASEP e da COFINS, vigentes anteriormente à edição da Lei nº 10.833/2003, ou seja, no regime cumulativo, previsto na Lei nº 9.718/1998. (...). Reforça o entendimento acima exposto o fato de que o contribuinte, no caso em análise, não poderia firmar contrato em valor predeterminado sem que fizesse constar cláusula de reajuste, nem poderia escolher outro índice que não o IGPM, ainda que correspondesse à variação relativa ao seu produto específico. Por força da Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitações), a cláusula de reajuste do preço deverá constar necessariamente tanto do ato convocatório do processo de licitação quanto do instrumento contratual. E, no caso de contrato no setor de energia elétrica, o índice a ser adotado deveria ser o IGPM, conforme orientação da ANEEL. Até porque, é importante salientar que não poderia a Recorrente se distanciar de orientação da ANEEL sobre o tema, visto ser este o órgão regulador da sua atividade, inclusive quando considera que a determinação da tributação a ser adotada impacta diretamente o preço da tarifa adotada pela Recorrente, tema este que se sujeita ao controle direto da ANEEL. Nesse contexto, entendo que as receitas do Recorrente decorrentes dos contratos firmados antes de 30/10/2003, ainda que o preço seja reajustável pelo IGPM, deveriam ter sido tributadas pelo regime da cumulatividade. É válido destacar, inclusive, que a 3ª Seção de Julgamento do CARF já se manifestou neste mesmo sentido, consoante se extrai da ementa a seguir transcrita (Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão nº 3302001.659 publicado em 22/11/2012): Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 464 15 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. CLÁUSULA DE REAJUSTE. CLÁUSULA DE REVISÃO. CONTRATO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO. A simples existência de cláusula de reajuste e revisão não é suficiente para que o contrato de prestação de serviços perca sua característica de contrato predeterminado, seria preciso comprovar que o valor referente ao aumento da carga tributária foi repassado ao preço do serviço contratado. Ademais, a existência das mencionadas cláusulas estão previstas na própria lei de licitações Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 465 16 cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. CLÁUSULA DE REAJUSTE. CLÁUSULA DE REVISÃO. CONTRATO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO. A simples existência de cláusula de reajuste e revisão não é suficiente para que o contrato de prestação de serviços perca sua característica de contrato predeterminado, seria preciso comprovar que o valor referente ao aumento carga tributária foi repassado ao preço do serviço contratado. Ademais, a existência das mencionadas cláusulas estão previstas na própria lei de licitações Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. Recurso Voluntário Provido. Por oportuno, é válido trazer à tona trecho do voto vencedor proferido pela Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: Conforme se depreende do voto do ilustre Conselheiro Relator2, em seu entender, o IGPM não pode ser aplicado porque não está previsto na legislação citada pela Lei nº 9.069/95, que é a legislação mencionada na Lei nº 11.196/05. Explico. O nobre julgador aceitou a interpretação do conceito de “prédeterminado” nos termos da Instrução Normativa nº 658/06 (que é o dispositivo utilizado para a desconsideração do procedimento da Recorrente) por força do disposto no artigo 109 da Lei nº 11.196/05, a saber: (...). E este dispositivo legal citou, expressamente, o artigo 27 da Lei nº 9.069/95, verbis: (...). Assim, no entender do Relator, somente poderão ser considerados como contratos prédeterminados aqueles que forem corrigidos com base no custo de produção ou no IPCr, por expressa limitação legal. Ouso discordar do nobre colega. Para tanto acato a argumentação trazida aos autos por meio do Parecer da ANEEL (fls. 235/236 – Vol. II), que esclarece que o índice IPCr foi extinto e substituído por outros índices, inclusive o IGPM. Neste sentido, o citado artigo 27 da Lei nº 9.069/95 (lei instituidora do Plano Real) foi substituído pelo o artigo 8º, da Lei nº 10.192/01 (lei complementar do Plano Real), vejamos: “Lei nº 10.192/01 Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 466 17 § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo.” (destaquei) Ainda conforme este texto legal, o artigo 2º permite a correção monetária por índices de preços gerais OU que reflitam a variação de custos de produção: “Lei nº 10.192/01 Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. (...)” Com base nestas alterações legais, divirjo da interpretação apresentada pelo d. Conselheiro Relator por entender que o comando legal introduzido pelo art. 109 da Lei n° 11.196/2005 não possui o condão restritivo pretendido pela fiscalização, de excluir a aplicação do IGPM como índice de correção monetária. Ao revés, concluo que o reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, conseqüentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Além da questão específica referente à legislação, mesmo que não houvesse tal possibilidade, registro que entendo que a correção monetária por si só não representa nova grandeza econômica3, mas apenas a manutenção do poder de moeda4. Neste diapasão, sequer haveria a necessidade de expressa previsão legal, posto que sua incidência claramente não tem o poder de descaracterizar os preços prédeterminados dos contratos, pretendendo apenas garantir o equilíbrio financeiro da relação jurídica estabelecida. Neste raciocínio, ainda que o IPCr não estivesse extinto, pareceme claro que o artigo 109 mencionado não define o conceito de “pré determinado” – por isso precisaria de uma Instrução Normativa, apenas determina um comando legislativo, esclarecendo que em determinadas hipóteses não poderia haver interpretação do conceito por parte da fiscalização. É pertinente destacar, inclusive, que esta decisão restou mantida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual, à unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (Acórdão nº 9303003.467 de 24/02/2016). A seguir, transcrevemse passagens do voto proferida pela Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora do referido processo, cujos fundamentos também adoto como razão de decidir: (...) Sendo assim, em melhor análise da IN SRF 468/04, ainda que tenha sido editada à época sem previsão legal de “reajuste de preços”, entendo que o que se está propondo com essa norma é desbordar confusão no ordenamento jurídico – vez que a natureza do evento de reajuste de preço é diferente do evento de revisão de preço. Eis que o reajuste contratual tem a finalidade de se “corrigir monetariamente” o preço já contratado/negociado para se manter o equilíbrio Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 467 18 econômico financeiro do contrato – equalizando o preço já estipulado com o poder da moeda. Ou seja, o reajuste não tem o condão de alterar o preço já contratado/negociado, mas sim, de apenas, em virtude de perdas inflacionárias, adequálo à realidade econômica. Enquanto que a revisão do preço, com a definição pela continuidade de determinado serviço e em vista de circunstâncias extraordinárias, p.e. motivos concorrenciais, tem a finalidade de se estipular uma nova equação econômica para se firmar um novo preço junto ao contratado. O que, de fato, alteraria o preço do serviço. É de se trazer também que o reajuste usualmente ocorre anualmente e no final do exercício, pois deve considerar os impactos inflacionários do ano corrente, diferentemente da revisão de preço, que poderá ocorrer pelas circunstâncias extraordinárias que influenciam as partes e o mercado (p.e., oferta e demanda). Dessa forma, o reajuste, resultante da simples aplicação do índice de correção monetária não tem o poder de alterar o preço predeterminado. Tanto é assim, que não implica em obrigatoriedade de aditamento do contrato, bastando a previsão de cláusula de reajuste com a estipulação de um índice oficial para a atualização monetária do preço. O que passo, a desconsiderar aquela Instrução Normativa IN SRF 468/04 para o caso em apreço, em respeito à natureza dos eventos jurídicos – reajuste e revisão de preços – já que traz que o mero “reajuste” implicaria a alteração do preço antes firmado, confluindo da mudança da sistemática das contribuições. (...). Com a cláusula 11, temse claro que o reajuste ora aventado não teve como pretensão a alteração do preço prédeterminado do contrato, mas apenas a atualização desse preço já estipulado com a utilização do Índice Geral de Preços de Mercado – IGPM – oficial. A correção monetária de per si por sua natureza mantém o preço predefinido equalizandoo somente com o poder da moeda – o que, a meu sentir, nem precisaria de previsão legal para se fazer tal reajuste – necessário à manutenção de vários negócios jurídicos. Sendo assim, a cláusula de reajuste é admitida para assegurar às partes a manutenção do equilíbrio econômico e financeiro da avença. Cabe lembrar que a Lei 8.666/93 – que dispõe sobre as licitações e contratos firmados pela Administração Pública, estabelece a observância obrigatória de determinadas regras, das quais a cláusula de reajuste de preço deve constar não apenas do instrumento contratual, mas também do próprio ato convocatório do processo de licitação (Grifos meus): "Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, o dia e a hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: (...) XI – critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 468 19 prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (...) Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: (...) III o preço e as condições de pagamento, os critérios, database e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios da atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;" Com efeito, notase que o reajuste apenas representa o repasse da correção monetária durante a vigência do contrato, e não o estabelecimento de um novo contrato – por decorrência de um novo preço. Tanto é assim, que não tem o condão de provocar alteração contratual, conforme demonstrado no art. 65, § 8º do art. 65 da Lei de Licitações (Grifos meus): "Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos: (...) § 8.º A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato, as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo, podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento." Em vista do exposto, o mero reajuste de preço, em respeito ao poder da moeda, não altera o contrato já firmado, tampouco há que se falar em mudança do preço acordado. Ou seja, a mera atualização do preço, por decorrência da desvalorização da moeda, não poderia descaracterizar o contrato com preço predeterminado. (...) Seria tão danoso tal entendimento de que não se poderia utilizar o IGPM como índice para a atualização do preço no contrato ora firmado que a própria Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel traz em seu site que o reajuste para a atualização monetária dos contratos deve considerar o IGPM. Cabe elucidar que a Aneel foi instituída pela Lei 9.427/96, tendo por finalidade regular e fiscalizar a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, em conformidade com as políticas e diretrizes do governo federal. E, dentre as suas atribuições, consta a gestão dos contratos de concessão ou de permissão de serviços públicos de energia elétrica, de concessão de uso de bem público, bem como atuar para se zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da concorrência, monitorando e acompanhando as práticas de mercado dos agentes do setor de energia elétrica. Dessa feita, compete à ANEEL zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da concorrência, monitorando as práticas de mercado, além de gerir os contratos de concessão de energia elétrica – o que, para tanto, poderá regular o índice a ser utilizado para se atualizar tais contratos. O que efetivamente faz e fez no presente caso ao expor a possibilidade de se utilizar o IGPM como índice de atualização monetária do preço. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 469 20 Diante de todo o acima exposto, entendo que assiste razão ao contribuinte em seu argumento de mérito, reconhecendo o seu direito de recolher, no que tange às receitas decorrentes dos contratos firmados anteriormente à 30/10/2003, ainda que possuam cláusula de reajuste pelo IGPM, a COFINS com base no regime cumulativo. Ressaltese, por fim, que os valores a serem compensados deverão se sujeitar à validação por parte da unidade de origem, quando da execução do presente julgado, razão pela qual o provimento que ora se defere é parcial, devendo ser homologada a compensação no limite do direito creditório reconhecido. Ademais, não é demais mencionar que o pleito do contribuinte está sendo deferido apenas parcialmente também em razão do reconhecimento realizado por ele próprio em sua manifestação de inconformidade, no sentido de que parte da compensação efetuada fora indevida, pois usou taxa Selic acumulada em percentual incorreto. 3. Da conclusão Voto, portanto, no sentido de afastar a preliminar apresentada pelo contribuinte e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto, para fins de, reconhecendo o direito do contribuinte à tributação pelo regime da cumulatividade, homologar a compensação pleiteada no limite do direito creditório reconhecido. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Redator Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, peço licença para discordar de suas conclusões sobre a interpretação da norma tributária quanto à manutenção da condição de preço predeterminado pela utilização do IGPM em contrato de energia elétrica, para fins de aplicação do regime cumulativo ou não cumulativo da incidência da Contribuição para a COFINS. A meu sentir, o reajuste pelo IGPM, a princípio, não reflete o custo de produção, nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição indispensável para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da COFINS. Em reforço ao entendimento de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, nem expressa a variação específica dos custos de sua produção, transcrevese excerto do voto condutor do Acórdão nº 9303003.373, da lavra do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 470 21 "Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM), que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matérias primas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. Veja, a seguir, a estrutura desse índice. (...) De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção." Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10730.902600/200960 Acórdão n.º 3002000.220 S3C0T2 Fl. 471 22 Ainda assim, contratos que utilizam índices de correção tais como o IGPM podem ser considerados contratos de preços predeterminados, contudo, para tanto, o contribuinte deve demonstrar que a correção pelo índice eleito leva a um resultado igual ou inferior ao resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fato que, no presente processo, não foi comprovado. Nesse ponto, relembrese que o art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Quanto ao entendimento manifestado pela Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, entendo não socorrer ao contribuinte, pois a esta Agência compete tão somente a regulação de questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas, enquanto que a competência para manifestarse sobre questões tributárias pertence à Procuradoria da Fazenda Nacional e à Receita Federal do Brasil. Assim, considero que são aplicáveis ao caso a Instrução Normativa SRF nº 650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007. Ademais, também entendo que as normas citadas limitaramse a regular o que já estava previsto em lei, não havendo, por conseguinte, modificação do conceito de "preço predeterminado" e, portanto, estes atos infralegais estão em consonância com o art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995; com o art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e com o art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. Conclusão. Por todo exposto, em especial, por entender que o reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado; que a contribuinte não comprovou que o resultado da variação pelo IGPM foi igual ou inferior ao resultado da variação em função do custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que o ônus da prova recai sobre quem alega um direito, por aplicação do art. 373 do CPC; concluo que no presente caso a Contribuição para a COFINS deve incidir no regime não cumulativo. Diante disso, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 473DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.915400/2009-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-006.815
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. Recorrente ITAÚ UNIBANCO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 54 00 /2 00 9- 15 Fl. 2051DF CARF MF Processo nº 16327.915400/200915 Acórdão n.º 9303006.815 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Sujeito Passivo ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão CARF nº 3802003.659, que negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão recorrido possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: CPMF. PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. (...) Cientificada do referido acórdão a Contribuinte interpõe Recurso Especial apontando dissídio interpretativo em relação aos acórdãos nºs 1102001.125 e 10808.805. Em seguida, o então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF deu seguimento ao recurso. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.827, de 17/05/2018, proferido no julgamento do processo 16327.915399/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 16327.915400/200915 Acórdão n.º 9303006.815 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.827): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Passo ao julgamento. A controvérsia suscitada pela Contribuinte referese a ocorrência de erro de preenchimento de PER/COMP e a possibilidade de retificação do direito creditório pleiteado em razão das provas trazidas aos autos. In caso, a decisão recorrida decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, sob o entendimento de que a declaração de compensação só poderia ser retificada até a data da expedição do respectivo despacho decisório que decidiu acerca da homologação ou não da compensação. Vejamos fragmentos do aresto: Consta dos autos que em 14/10/2009 fora transmitida pela internet DCTF retificadora, portanto em data posterior à emissão do Despacho Decisório, ocorrido em 07/10/2009. Na mencionada retificadora foi declarado débito no valor total de R$ 10.467.312,78, constando como créditos o pagamento através de DARF no valor de R$ 3.386.779,85 e, como compensação de pagamento indevido ou a maior R$ 7.080.532,93. Analisando todo o acima exposto, o CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, decidindo no sentido de que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido que a apresentação da DCTF retificadora, alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Nesse contexto, assim se posicionou a decisão a quo, a respeito da compensação tratada na DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833: (...) Como relatado, os autos retornam a esta Delegacia de Julgamento por força de acórdão prolatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que determinou novo exame da compensação declarada pela contribuinte. Entendeu aquele colegiado que a apresentação de DCTF retificadora teria alterado a situação jurídica na qual se baseara o Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 16327.915400/200915 Acórdão n.º 9303006.815 CSRFT3 Fl. 5 4 despacho decisório de não homologação, devendose reexaminar a existência do direito creditório. Em novo despacho decisório, a unidade de origem reconheceu a existência de pagamento a maior. Porém, não haveria como homologar a presente declaração de compensação já que o direito de crédito estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em outra DCOMP. Ressaltese que no recurso apresentado pelo Recorrente na época, bem como no Acórdão proferido pelo CARF, em nenhum momento foi noticiado a questão do alegado equívoco no preenchimento do PER/DECOMP. Naquela oportunidade, restringiase ao erro no preenchimento da DCTF e da retificadora. O Recorrente, em seu recurso, reafirma a existência de pagamento a maior e admite equívoco no preenchimento do PER/DCOMP nº 18652.39612.120406.1.7.04.3183 e da DCTF, havendo erro na indicação nas características do documento de arrecadação pelo qual teria sido feito o pagamento a maior. Notese que o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, com respeito ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Instaurado o litígio, não pode a recorrente afirmar que seu crédito seria outro, referente a uma outra compensação, questão completamente alheia ao objeto do litígio, cuja aceitação representaria, também, violação aos princípios do contraditório e da estabilidade da demanda. Com efeito, como é cediço, a compensação que, nos termos do art. 170 do CTN, pressupõe liquidez e certeza dos créditos, é levada a efeito por meio de declaração capaz de extinguir o débito tributário sob condição da sua ulterior homologação, nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação que lhes foi fornecida pela Lei nº 10.637, de 2002. Portanto, cabe ao Fisco analisar se cabe ou não homologar uma compensação declarada. Noutro giro, os parágrafos sétimo a nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 20033, indicam as conseqüências da não homologação da DCOMP, bem assim o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. Focado nesses parâmetros, entendo que o pleito do sujeito passivo não merece acolhida, pois não cabe a este Colegiado ir além da análise do ato de não homologação da Declaração de Compensação e tal ato, como decidido pelo acórdão recorrido, não merece reparo. Observase vários julgados desta Corte que no caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro material. Para comprovar a divergência jurisprudencial, a Contribuinte apresentou os acórdãos paradigmas de nºs 1102001.125 e 10808.805. Transcrevese parte do trecho da parte que interessa do Acórdão nº 1102001.125: Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 16327.915400/200915 Acórdão n.º 9303006.815 CSRFT3 Fl. 6 5 Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor do primeiro paradigma, não se comprova divergência. Como visto, os autos foram remetidos a unidade de jurisdição da Contribuinte, em comprimento ao Acórdão nº 330201.504 (fls. 58/63), o qual foi emitido um novo despacho decisório onde relata: "o interessado não comprovou crédito de pagamento indevido ou a maior [...]mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 109.726,28 [...]Na PER/DCOMP nº 28883.84622.220206.1.3.049350, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833, objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 18,08, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Não havendo crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833". Do retorno dos autos, sobreveio o acórdão nº 3802003.658, ora guerreado, com a negativa de provimento ao Recurso, no esteio de que o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Por sua vez, o acórdão paradigma entendeu que em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado. Não existe qualquer divergência, a decisão recorrida remeteu os autos para análise do direito creditório, emitindo um novo despacho decisório, o qual restou comprovado a inexistência de crédito, por sua vez, o acórdão paradigma firmou entendimento do retorno dos autos para que abertura de um novo contencioso administrativo. A Contribuinte não pretende a uniformização de teses jurídicas, objetivo primordial do Recurso Especial. A ampla defesa foi exercida em sua plenitude. Nestes autos, não existe direito creditório Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso Interposto, esta E. Câmara Superior não há espaço para rediscussão de matéria fáticoprobatória, exaustivamente discutida na 1º Instância Administrativa. Fl. 2055DF CARF MF Processo nº 16327.915400/200915 Acórdão n.º 9303006.815 CSRFT3 Fl. 7 6 Quanto ao acórdão nº 10808.805, pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor, também não se comprova divergência. Transcrevo fragmentos do aresto: Exercício: 1998 Ementa: IRPJ – PREJUÍZO FISCAL – COMPENSAÇÃO – ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Com efeito, a decisão recorrida consignou que: "o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, com respeito ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Instaurado o litígio, não pode a recorrente afirmar que seu crédito seria outro, referente a uma outra compensação, questão completamente alheia ao objeto do litígio, cuja aceitação representaria, também, violação aos princípios do contraditório e da estabilidade da demanda". Por sua vez, o acórdão paradigma fixou o seguinte entendimento: "não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material". Como se vê, a Contribuinte insiste na rediscussão fática, o acórdão paradigma entende que caso ocorra erro no preenchimento da declaração, não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Ora, o Contencioso foi estendido a Contribuinte, não foi invalidado o procedimento de um suposto erro, foi proferido um novo despacho decisório, o qual foi confirmada a inexistência de crédito. Deste modo, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Diante de tudo que foi exposto, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte." Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 16327.915400/200915 Acórdão n.º 9303006.815 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2057DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008288/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2007
SIMPLES. EXCLUSÃO. LEGISLAÇÃO VIGENTE Á ÉPOCA DOS FATOS.
Os requisitos para permanência no SIMPLES, bem assim os demais
procedimentos para a exclusão daquele sistema simplificado de pagamentos regem-se pela Lei nº 9.317/1996, para os fatos verificados até 30/06/2006.
SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITO JUNTO À PGFN. QUITAÇÃO. POSSIBILIDADE DE PERMANÊNCIA NO SISTEMA.
Diante da constatação de que o débito junto à PGFN que motivou a exclusão do SIMPLES já havia sido quitado por ocasião da exclusão, deve ser reconhecido o direito da interessada de permanecer no sistema simplificado.
Ademais, a exclusão levada a efeito por meio de Despacho Decisório não pode subsistir, visto que a lei estabelece a necessidade de Ato Declaratório para tanto.
Numero da decisão: 1301-000.528
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2007 SIMPLES. EXCLUSÃO. LEGISLAÇÃO VIGENTE Á ÉPOCA DOS FATOS. Os requisitos para permanência no SIMPLES, bem assim os demais procedimentos para a exclusão daquele sistema simplificado de pagamentos regem-se pela Lei nº 9.317/1996, para os fatos verificados até 30/06/2006. SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITO JUNTO À PGFN. QUITAÇÃO. POSSIBILIDADE DE PERMANÊNCIA NO SISTEMA. Diante da constatação de que o débito junto à PGFN que motivou a exclusão do SIMPLES já havia sido quitado por ocasião da exclusão, deve ser reconhecido o direito da interessada de permanecer no sistema simplificado. Ademais, a exclusão levada a efeito por meio de Despacho Decisório não pode subsistir, visto que a lei estabelece a necessidade de Ato Declaratório para tanto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2007 SIMPLES. EXCLUSÃO. LEGISLAÇÃO VIGENTE Á ÉPOCA DOS FATOS. Os requisitos para permanência no SIMPLES, bem assim os demais procedimentos para a exclusão daquele sistema simplificado de pagamentos regemse pela Lei nº 9.317/1996, para os fatos verificados até 30/06/2006. SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITO JUNTO À PGFN. QUITAÇÃO. POSSIBILIDADE DE PERMANÊNCIA NO SISTEMA. Diante da constatação de que o débito junto à PGFN que motivou a exclusão do SIMPLES já havia sido quitado por ocasião da exclusão, deve ser reconhecido o direito da interessada de permanecer no sistema simplificado. Ademais, a exclusão levada a efeito por meio de Despacho Decisório não pode subsistir, visto que a lei estabelece a necessidade de Ato Declaratório para tanto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.008288/200797 Acórdão n.º 130100.528 S1C3T1 Fl. 51 2 Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, André Ricardo Lemes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior. Relatório SOVIL DISTRIBUIDORA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0223.853, de 24/09/2009, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância descreve o ocorrido de forma sucinta, porém precisa, pelo que peço vênia para transcrevêlo, a seguir. Em 23 de julho de 2009, o Despacho Decisório DRF/BHE nº 2.644/2009, de fls. 26 a 29, determinou a exclusão da empresa acima referenciada, nos seguintes termos: “Ante o exposto, que aprovo, DEFIRO PARCIALMENTE o pleito, para: Manter a exclusão declarada pelo Ato Declaratório Nº 227.155/200, com efeitos a partir de 01/11/2000, nos termos do Art. 9º, Inciso XV, da Lei nº 9.317/2006. Determinar a inclusão retroativa no Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002, nos termos do Art. Único, § Único, Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16 de 02 de outubro de 2002. Determinar a exclusão da empresa do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2006, por incorrer em situação de vedação/exclusão, pendência junto a PGFN, cuja exigibilidade não esteja suspensa, nos termos do Art. 9º, Inciso XV, da Lei nº 9.317/2006. Determinar o CANCELAMENTO das DSPJ EX 2007/2006 e 2008/2007 apresentadas com apuração de tributos pela forma simplificada. Cientificado em 29 de julho de 2007, folhas 29, verso, a empresa apresenta sua impugnação, de fls. 30/31, em 26 de agosto de 2009, argumentando que “a exclusão foi promovida com base na lei 9.317/96, que foi subrogada pela Lei Complementar 123 de 2006”, concluindo: “ANTE O EXPOSTO, requer pela reforma da decisão ora impugnada,para afastar a exclusão do Recorrente do SIMPLES a partir de 01/01/2006, mantendo incólume seu registro no aludido sistema de arrecadação tributária.” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.008288/200797 Acórdão n.º 130100.528 S1C3T1 Fl. 52 3 A 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e por via do Acórdão nº 0223.853, de 24/09/2009 (fls. 36/38), indeferiu a solicitação com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2006 Simples Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa Ciente da decisão de primeira instância em 20/10/2009, conforme Aviso de Recebimento à fl. 39v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 09/11/2009 conforme carimbo de recepção à folha 40. No recurso interposto (fls. 40/42) a interessada protesta contra a decisão que manteve sua exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2006, apresentando, em apertada síntese, os dois seguintes argumentos: • A exclusão foi promovida com base na Lei nº 9.317/1996, a qual foi subrogada pela Lei Complementar nº 123/2006. Por sua ótica, seria inaceitável valerse de uma lei já revogada para excluíla do SIMPLES, prejudicandoa. • Sustenta, ainda, que “a lei do SIMPLES exige procedimento prévio a exclusão do contribuinte, que se refere a notificação para que o débito seja quitado em determinado prazo, sob pena de sua exclusão do aludido regime tributário”. Em seu caso, tal prévia notificação não teria ocorrido, o que retiraria a legalidade da exclusão ora discutida. A interessada acrescenta, ainda, que assim que cientificada da existência do débito promoveu o imediato recolhimento dos valores devidos. Conclui com o pedido de reforma da decisão recorrida e o afastamento de sua exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2006. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. A recorrente recorre contra a decisão que manteve sua exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2006, e passo a apreciar suas razões recursais. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.008288/200797 Acórdão n.º 130100.528 S1C3T1 Fl. 53 4 O primeiro argumento aduzido é de que a exclusão foi promovida com base na Lei nº 9.317/1996, a qual foi subrogada pela Lei Complementar nº 123/2006. Por sua ótica, seria inaceitável valerse de uma lei já revogada para excluíla do SIMPLES, prejudicandoa. A decisão recorrida bem demonstrou que não se trata da aplicação de lei revogada, mas sim da aplicação da lei vigente por ocasião dos fatos geradores, inclusive no que toca aos aspectos de exclusão do sistema simplificado, em face da verificação de condição impeditiva, exatamente a hipótese dos autos. A revogação expressa da Lei nº 9.317/1996 a partir de 01/07/2007 pelo art. 89 da Lei Complementar nº 123/2006 não significa que os fatos ocorridos antes de sua revogação deixem de ser por ela regulados, inclusive quanto às vedações e situações impeditivas. O segundo argumento trazido pela interessada é de que “a lei do SIMPLES exige procedimento prévio a exclusão do contribuinte, que se refere a notificação para que o débito seja quitado em determinado prazo, sob pena de sua exclusão do aludido regime tributário”. Em seu caso, tal prévia notificação não teria ocorrido, o que retiraria a legalidade da exclusão ora discutida. A interessada acrescenta, ainda, que assim que cientificada da existência do débito promoveu o imediato recolhimento dos valores devidos. Compulsando os autos, constato que a exclusão da interessada do sistema simplificado de pagamentos (SIMPLES) ocorreu em virtude de ter sido identificada pendência junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), nos termos do art. 9º, inciso XV, da Lei nº 9.317/1996. O débito em questão possuía o número 60 6 97 04713594. Eis o dispositivo legal em comento: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Tal exclusão foi levada a efeito pela Autoridade Administrativa competente, mediante o Ato Declaratório Executivo ADE DRF/BHE N° 227.155/2000, com efeitos a partir de 01/11/2000, com a perfeita observância dos requisitos formais e materiais indispensáveis. Posteriormente, a DRF Belo Horizonte, mediante o Despacho Decisório DRF/BHE nº 2.644/2009, reconheceu a procedência do referido ADE, mas houve por bem determinar a reinclusão de ofício do contribuinte no SIMPLES de forma retroativa a partir de 01/01/2002 e sua exclusão, com efeitos a partir de 01/01/2006. O fundamento legal para essa exclusão foi o mesmo anteriormente aduzido, a saber, o art. 9º, inciso XV, da Lei nº 9.317/1996, mas desta feita o débito identificado junto à PGFN foi o de número 60 4 05 01544609. Verifico, assim, que se trata de nova exclusão do SIMPLES, diversa daquela que originalmente tratava o presente processo, escudada em outro débito junto à PGFN, com data de produção de efeitos também diferente. Essa nova exclusão foi feita sem os requisitos formais indispensáveis, especificamente sem a publicação de Ato Declaratório por parte da autoridade competente, conforme previsto no art. 15, § 3º, da Lei nº 9.317/1996. Sua falta não pode ser suprida pelo Despacho Decisório, pelo que, já por esse motivo, a nova exclusão do SIMPLES, a partir de 01/01/2006, deve ser tida por insubsistente. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.008288/200797 Acórdão n.º 130100.528 S1C3T1 Fl. 54 5 No entanto, ainda que, apenas por hipótese argumentativa, se pudesse cogitar da prescindibilidade do Ato Declaratório Executivo, melhor sorte não teria a questionada exclusão. É que, a partir das alterações introduzidas pela Lei nº 11.196/2005, passou a ser permitida a permanência no sistema simplificado às pessoas jurídicas excluídas do SIMPLES pela existência de débitos junto à PGNF, desde que comprovassem sua quitação no prazo de 30 dias da ciência do ato declaratório de exclusão. A conferir, abaixo, a redação do art. 15, inciso VI e § 5º da Lei nº 9.317/1996. Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 5o Na hipótese do inciso VI do caput deste artigo, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples mediante a comprovação, na unidade da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o seu domicílio fiscal, da quitação do débito inscrito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência do ato declaratório de exclusão. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Ora, consta dos autos que o débito no qual se escudou a autoridade administrativa para promover a nova exclusão foi extinto por pagamento em 03/05/2007 (vide fls. 21 e 27). Ou seja, por ocasião da ciência do Despacho Decisório, em 29/07/2009 (fl. 29v), o débito já há muito se encontrava extinto, com o que seria permitida a permanência da interessada no SIMPLES. Por todo o exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10680.907196/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Relatório
1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância:
O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 0242374520.130804.1.3.04-3234[...].
A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 30/09/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...].
Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA.
Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE
Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que:
- detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP.
- o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior.
- de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de agosto de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito.
- quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social.
- no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50.
- a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior.
- o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário.
A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.
2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.169, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo:
ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2004
Retificação da Declaração de Compensação.
A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação.
Manifestação de inconformidade improcedente.
Direito creditório não reconhecido.
3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos:
3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa.
3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato.
3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável.
4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática.
5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas.
É o relatório.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 0242374520.130804.1.3.04-3234[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 30/09/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: - detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. - o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior. - de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de agosto de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito. - quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social. - no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50. - a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. - o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada. 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.169, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 07 19 6/ 20 08 -7 2 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10680.907196/200872 Resolução nº 1201000.489 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 0242374520.130804.1.3.043234[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 30/09/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior. de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de agosto de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do débito. quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social. no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50. a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10680.907196/200872 Resolução nº 1201000.489 S1C2T1 Fl. 4 3 o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.” 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0225.169, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido”. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10680.907196/200872 Resolução nº 1201000.489 S1C2T1 Fl. 5 4 resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.483, de 11/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.903455/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/05/2003 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL recolhida em 30/09/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.483): "6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 8. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10680.907196/200872 Resolução nº 1201000.489 S1C2T1 Fl. 6 5 9. No mais, em homenagem ao princípio da verdade material, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. 10. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 11. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto) (grifos nossos). 12. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 13. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 14. Considero que não há, no presente caso, controvérsia acerca do preenchimento do requisito (i) constante do item 12, mas do (ii) e (iii). Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10680.907196/200872 Resolução nº 1201000.489 S1C2T1 Fl. 7 6 15. No mais, é incontroverso que entre maio de 2003 e novembro de 2003 a Recorrente recolheu o IRPJ por Estimativa relativo às competências de abril a outubro de 2003 no total de R$277.538,27, conforme demonstrado nas guias de fls. 18/20. 16. Em dezembro de 2003, apurouse prejuízo fiscal e constatouse que não era devido IRPJ para o ano de 2003, daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ no anocalendário de 2003. 17. Ocorre que, a DRJ (fls. 29/32) considerou que o despacho decisório (fl. 4) não merece reformas porque o erro cometido pelo contribuinte é material e, portanto, tratase de vício insanável. 18. Por outro lado, a Recorrente, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em seu Recurso Voluntário, afirma que, apesar de ter errado no preenchimento do formulário de compensação sobre a origem do crédito ao preencher como “pagamento indevido ou a maior” ao invés de “saldo negativo de IRPJ” o crédito decorrente do recolhimento de IRPJ estimativa não deixou de existir. 19. Para comprovar suas alegações, a Recorrente apresenta documentação probatória hábil, tais como: (i) seis DARFs de recolhimento de IRPJ referente ao segundo e terceiro trimestres de 2003 (fls.18/20); (ii) fichas 09A e 17 do ano calendário de 2003 da DIPJ original (fls.13/14); e (iii) a totalização por tributo e contribuição no segundo, terceiro e quarto trimestre de 2003 da DCTF. 20. A priori, a documentação trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 21. Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 22. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) providencie a juntada aos autos cópia integral da DIPJ 2004, ano calendário de 2003; (iii) verifique as DCTFs apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses para fins de verificação de recolhimentos a maior de estimativa mensal, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (iii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas ao saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2003, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerando se, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10680.907196/200872 Resolução nº 1201000.489 S1C2T1 Fl. 8 7 23. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 24. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720119/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 02/04/2009
REPETRO E ADMISSÃO TEMPORÁRIA. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA.
As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, incluindo nessa modalidade o Repetro, não se enquadram como importações "desembaraçadas no regime comum de importação", prescritas no art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6º do DecretoLei nº 37/66. Se o regime especial dispensa a licença de importação, não há que se falar em incidência de multa pela inexistência de LI anterior ao registro da declaração de importação. A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária.
PENALIDADE CONTROLE ADUANEIRO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS A NORMA.
Nos termos do art. 711, inciso III, do Regulamento Aduaneiro/2009, a multa de 1% sobre o valor aduaneiro deve ser aplicada nos casos de omissão ou informação inexata/incompleta desde que necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No presente caso, uma vez que a condição de usado foi essencial para a concessão do regime aduaneiro especial de admissão temporária, a prestação de forma incompleta de informação da condição de usado do bem no campo reservado do SISCOMEX não se mostrou necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-005.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. O Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes votou pelas conclusões por entender que o procedimento de revisão aduaneira pode ser amplo. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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MULTA CONTROLE ADMINISTRATIVO Recorrentes NAVIS DRILLING LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 02/04/2009 REPETRO E ADMISSÃO TEMPORÁRIA. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, incluindo nessa modalidade o Repetro, não se enquadram como importações "desembaraçadas no regime comum de importação", prescritas no art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6º do DecretoLei nº 37/66. Se o regime especial dispensa a licença de importação, não há que se falar em incidência de multa pela inexistência de LI anterior ao registro da declaração de importação. A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária. PENALIDADE CONTROLE ADUANEIRO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS A NORMA. Nos termos do art. 711, inciso III, do Regulamento Aduaneiro/2009, a multa de 1% sobre o valor aduaneiro deve ser aplicada nos casos de omissão ou informação inexata/incompleta desde que necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No presente caso, uma vez que a condição de usado foi essencial para a concessão do regime aduaneiro especial de admissão temporária, a prestação de forma incompleta de informação da condição de usado do bem no campo reservado do SISCOMEX não se mostrou necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 01 19 /2 01 0- 61 Fl. 248DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. O Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes votou pelas conclusões por entender que o procedimento de revisão aduaneira pode ser amplo. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a exigência de penalidades decorrentes de equívocos cometidos na importação de plataforma de perfuração "Borgny Dolphin" pelo regime aduaneiro especial de admissão temporária. As penalidades foram identificadas da seguinte forma no Auto de Infração: (a) "001 IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE". Conforme indicado no Relatório Fiscal, sustenta a fiscalização que seria obrigatória a obtenção de licença de importação (LI) face o licenciamento não automático das importações de usados sob o regime de admissão temporária, que não teria sido emitida na hipótese, ensejando a aplicação da multa do art. 169, I, 'b' e §6º do Decreto lei n.º 37/66, indicada no art. 706, I, "a" do Regulamento Aduaneiro/2009 aprovado pelo Decreto n.º 6.759/2009 (efls. 9/16). (b) "002 MULTA APLICÁVEL SETOR ADUANEIRO NÃO PASSÍVEL DE REDUÇÃO". Foi aplicada a multa do art. 69, §1º da Lei n.º 10.833/2003 c/c art. 84 da MP 2.15835/2001, indicado no art. 711, III do RA/2009, em razão da omissão de informações relacionadas a condição da mercadoria (condição de material usado efl. 16/17). Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10725.720119/201061 Acórdão n.º 3402005.460 S3C4T2 Fl. 249 3 As duas infrações cometidas pelo contribuinte foram sintetizadas da seguinte forma no Relatório Fiscal: "Infrações cometidas pelo contribuinte 25. A plataforma, construída em 1977 e reconstruída em 1992 (conforme descrição detalhada na DI), ao tempo da importação vinha sendo utilizada no Repetro, logo era usada. O próprio contribuinte relatou o fato na resposta à primeira intimação. Nada obstante, como importador, deixou de informar a condição de "material usado" da mesma, não assinalando o campo específico "Condição" por ocasião do registro da DI no Siscomex (fl. 67). 26. Ao deixar de assinalar o referido "campo", obteve o registro da DI n° 09/04095775 sem que o sistema Siscomex exigisse o número da licença de importação obrigatória para o caso (importação de bem usado). 27. Desta forma, informação de natureza essencial ao desenvolvimento do controle aduaneiro apropriado para a operação (mais especificamente, controle administrativo pelo Secex) foi omitida, em nítido desrespeito ao disposto no artigo 69, § I o , da lei n° 10.833/2003; no artigo 84 da MP n° 2.15835/2001; no artigo 711, III, do Decreto n° 6.759/2009; nos artigos Io , 2 o e 4 o da Portaria Interministerial n° 291/1996; e no artigo 4 o da IN/SRF n° 680/2006; todos combinados. 28. Noutro eito, o contribuinte deixou de providenciar LI obrigatória para o despacho de importação da plataforma por meio da DI n° 09/04095775, tendo em vista aquele referirse à operação sujeita a licenciamento não automático, em patente afronta ao artigo 169, inciso I, alínea '"b", e parágrafo sexto, do Decretolei 66; ao artigo 706, I, alínea "a", do Decreto n° 6.759/2009; ao artigo 10, II, alínea "e", da Portaria Secex n° 25/2008 e aos artigos Io , § 2o , da IN/SRF n° 680/2006; todos combinados." (efls. 17/18 grifei) Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada parcialmente procedente para cancelar a exigência constante do item 001 do Auto de Infração, mantendose a exigência 002. O Acórdão n.º 0725.004 da 2ª Turma da DRJ/FNS foi ementado nos seguintes termos: "Assunto : Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 02/04/2009 REPETRO E ADMISSÃO TEMPORÁRIA. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, incluindo nessa modalidade o Repetro, não se enquadram como importações "desembaraçadas no regime comum de importação". A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária. REPETRO E ADMISSÃO TEMPORÁRIA. BEM USADO. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. MULTA. A multa aplicase também ao beneficiário de regimes aduaneiros especiais que omitir ou prestar de forma inexata e/ou incompleta informação de natureza administrativotributaria, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. As informações relacionadas à "condição da mercadoria", se esta se enquadrar na condição de "bem usado", deve ser declarada pelo beneficiário do respectivo regime especial na declaração de Fl. 250DF CARF MF 4 importação que consubstanciou seu ingresso no território aduaneiro, conforme estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acordam os membros da 2a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo o crédito tributário no valor de R$ 4.808.501,50 e cancelando o valor R$ 144.255.045,18." (efl. 206) Uma vez que o valor exonerado ultrapassa o valor de alçada, foi interposto Recurso de Ofício. O contribuinte, por sua vez, intimado desta decisão em 01/08/2011, apresentou Recurso Voluntário em 29/08/2011 (efls. 222/238) alegando, em síntese: (i) o descabimento da exigência fiscal mantida pela r. decisão face: (i.1) a descrição pormenorizada da Plataforma "Borgny Dolphin", inclusive com a indicação da data de fabricação/construção e reconstrução como reconhecido pela própria fiscalização. Sustenta ainda que a fiscalização indevidamente considera a Plataforma de perfuração como uma mercadoria (material), o que não é o caso por se tratar de uma plataforma admitida temporariamente ao amparo de um contrato de afretamento firmado com a PETROBRAS acostado aos autos; (i.2) a desproporcionalidade e irrazoabilidade da multa, vez que a mercadoria além de ter sido corretamente descrita, não houve na hipótese fraude, máfé ou tentativa de embaraço à fiscalização, devendo ser afastada a penalidade com base no Ato Declaratório COSIT n.º 12/1997 e no Ato Declaratório 10/1997; (ii) sustenta ainda a necessidade de manutenção do acórdão na parte que exonerou o valor da multa por falta de licença de importação. Após intimação da PGFN sem contrarrazões, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. Os Recursos devem ser conhecidos, vez que o Recurso de Ofício ultrapassa o valor de alçada da Portaria n.º 63/2017 e o Recurso Voluntário foi tempestivamente interposto. Fazse a seguir a análise segregada do objeto de cada Recurso. I RECURSO DE OFÍCIO Como relatado, entenderam os julgadores de primeira instância por cancelar a exigência fiscal trazida no item 001 do Auto de Infração relativa a "IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE", Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10725.720119/201061 Acórdão n.º 3402005.460 S3C4T2 Fl. 250 5 prevista no art. 169, I, 'b' do Decretolei n.º 37/661 e regulamentada pelo art. 706, I, "a" do RA/20092. Conforme indicado no Relatório Fiscal da autuação, a fiscalização entendeu a obtenção de licença de importação (LI) no presente caso seria obrigatória por se tratar de materiais usados, com licenciamento não automático sob o regime de admissão temporária do REPETRO (efls. 9/16). Contudo, com fulcro em razões semelhantes àquelas já mantidas por esta Turma quando do julgamento de Recurso de Ofício no Acórdão 3402004.357 de 29/08/2017 de relatoria do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, a autuação foi cancelada neste ponto. Primeiramente, evidenciou a r. decisão que seria descabida a exigência pela fiscalização em sede de revisão aduaneira da emissão de licença de importação no regime especial de admissão temporária quando a autoridade competente (titular da unidade da RFB responsável pelo despacho aduaneiro) não a exigiu no momento próprio, qual seja, no momento da concessão do regime (conforme despacho proferido no processo de concessão, n.º 10730.002849/200973, constante da efl. 129). Vejamos o exato raciocínio traçado neste ponto: "A concessão do Repetro compete ao titular da unidade da RFB responsável pelo despacho aduaneiro (art. 18 da IN/RFB 844/2008). Por sua vez, o art. 359, § 1º , do Decreto 6.759/2009, indica que a concessão do regime especial de admissão temporária poderá ser condicionada à obtenção de licença de importação LI: Art. 359. Quando se tratar de bens cuja importação esteja sujeita à prévia manifestação de outros órgãos da Administração Pública, a concessão do regime dependerá da satisfação desse requisito. § 1° A concessão do regime poderá ser condicionada à obtenção de licença de importação. (...) (g.n.) De se ver que a exigência da LI no regime aduaneiro especial de admissão temporária se restringe à sua concessão pela autoridade aduaneira competente. Assim, o descumprimento desta exigência resulta na não concessão do regime, não podendo, neste caso, a interessada usufruir os benefícios tributários e aduaneiros dessa decorrentes, sujeitandose, por conseguinte, ao regime comum de importação caso em que evidentemente estará a importadora sujeita à apresentação LI para efeito de nacionalização e despacho para consumo dos bens. Portanto, ao impor a multa sobre apreço, em sede de procedimento de revisão aduaneira, a autoridade revisora adentra, ao meu sentir, inadvertidamente, em 1 "Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) I importar mercadorias do exterior: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. (...)" (grifei) 2 "Art. 706. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 169, caput e § 6º, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o): I de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea “b”, e § 6º, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o); e (grifei) Fl. 252DF CARF MF 6 competência diversa, ou melhor dizendo, o auto de infração, nos termos em que lavrado, representa a invalidação, de forma imprópria, da concessão e aplicação do regime concedido à autuada, uma vez que esse foi deferido pela autoridade competente. Porquanto, se a LI era determinante para a concessão do regime em tela e esta não foi apresentada por ocasião da sua concessão, então a questão está relacionada ao ato administrativo que o concedeu; no entanto, até que referido de concessão venha a ser invalidado ou modificado, sua presunção de legitimidade não pode ser afastada. Assim, depreendese que a autoridade competente para conceder o regime, o fez por entender ser prescindível a apresentação de LI para o ingresso da plataforma "Borgny Dolphin", à época da concessão." (efl. 211 grifei) Ora, com efeito, a competência para avaliar a necessidade de licença de importação no regime aduaneiro especial de admissão temporária é da autoridade que procede a análise dos documentos e informações para a concessão do regime, de acordo com o RA/2009. Caso a autoridade revisora pretendesse exigir documento não exigido originariamente pela autoridade competente pela concessão do regime especial, caberia à ela demonstrar as razões para a alteração do critério jurídico originariamente adotado pela autoridade concessora, o que não foi feito. A r. decisão recorrida ainda evidencia que a Portaria n.º 25/2008 não atrai uma necessária exigência de licença de importação para os bens importados por meio do REPETRO face a confusão quanto a dispensa e não dispensa de licenciamento: "Ademais, devemos nos atentar para o disposto nos arts. 8º, II, e 10, II, "e", ambos da Portaria Secex 25/2008, em que o primeiro dispensa a apresentação de LI para bens amparados no Repetro, e o segundo trata de material usado está sujeito à LI (licenciamento não automático): Art. 8o Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tãosomente providenciar o registro da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Receita Federal do Brasil (RFB). Parágrafo único. São dispensadas de licenciamento as seguintes importações: (...) II sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural (REPETRO); (...) Art. 10 Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as importações: (...) e) de material usado, salvo a exceção estabelecida no §2° do art. 36 desta Portaria; (...) (g.n.) Como se observa, a referida portaria não definiu grau de prioridade entre as modalidades "dispensa'" e "nãodispensa" de LI para os casos em que as internações enquadradas tanto no regime geral de admissão temporária quanto no Repetro possam ser contempladas simultaneamente com a situação de "não dispensa". Da informação contida no sítio da internet do MDIC citado à fl. 09 do relatório de fiscalização observase que a Secex orientava resposta pergunta n° 11 que os materiais usados, ainda que internado sob regime aduaneiro especial, estavam sujeitos a LI, no entanto, é de se ver que tal exigência não se encontrava disciplinada na legislação de regência, por ocasião da concessão dos regimes em Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10725.720119/201061 Acórdão n.º 3402005.460 S3C4T2 Fl. 251 7 comento. Ademais, informação contida em resposta em sítio da internet não constitui fundamento jurídico hábil capaz de afastar norma legal. De se salientar também que o inciso VII do art. 8 o acima referenciado expressamente excepcionava a dispensa de LI para o caso de bens doados que se enquadrassem como "usados", o que não aconteceu em relação ao seu inciso II, o que nos leva concluir que a situação descrita nesse último inciso acoberta operações com bens "novos" ou "usados": Art. 8o. (...) Parágrafo único. São dispensadas de licenciamento as seguintes importações: (...) II(...); VII doações, exceto de bens usados; (gn.) A ausência de disposição legal precisa, em face da falta de dispositivo que estabelecesse a exigência de LI para os casos em que as operações se enquadrassem simultaneamente na condição de "dispensa" e "nãodispensa" dessa, só foi sanada com a edição do § 2º, do artigo 8o , Portaria Secex 10, de 25.05.2010, que trata da dispensa: Art. 8°(...) § 1º São dispensadas de licenciamento as seguintes importações: (...) §2° Na hipótese de o tratamento administrativo do Siscomex previsto nos artigos 9 e 10 acarretar licenciamento para as importações definidas no § 1º deste artigo, o primeiro prevalecerá sobre a dispensa. (g.n.) Assim, a partir da vigência da Portaria Secex 10/2010, o tratamento administrativo do Siscomex prevalece sobre as hipóteses de dispensa de licença de importação. No entanto, o dispositivo acima destacado, por não ser expressamente interpretativo, não retroage." (efl. 211/213 grifei) Além do acórdão desta turma já mencionado, observase que essa questão foi julgada no mesmo sentido por este Conselho. À título de exemplo: "Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 25/02/2009, 03/06/2009 REPETRO. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. FALTA DE TIPICIDADE DA CONDUTA EM RELAÇÃO AO ART. 633, II, “A”, DO RA/2002. IMPRECISÃO DA LEGISLAÇÃO QUANTO AO TRATAMENTO DA ADMISSÃO TEMPORÁRIA DE BEM USADO. ART. 8º, II, DA PORTARIA SECEX 25/2008. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ART. 112 DO CTN. A legislação também não deixa claro se diante do art. 8º, II, da Portaria SECEX 25/2008, que dispensa de licenciamento especificamente os bens importados sob regime de admissão temporária, inclusive os amparados pelo Repetro, deveria prevalecer ou não a exigência da informação de que se trataria de bem usado, da qual dependeria o licenciamento." (Número do Processo 19396.720003/201156 Data da Sessão 24/09/2013 Relator Ivan Allegretti Nº Acórdão 3403002.436 grifei) A r. decisão indica, ao final, a ausência de subsunção dos fatos à penalidade aplicada, vez que a multa sob análise somente é aplicável para mercadorias desembaraçadas no regime comum de importação, e não para regimes especiais como de admissão temporária: Fl. 254DF CARF MF 8 "Outra questão que merece atenção, por constituir matéria de direito, posto que relacionada ao fato de que o dispositivo legal que dá ensejo à aplicação da multa por falta de LI não contempla as circunstâncias narradas no auto de infração, tendo em vista que um bem submetido à égide de regime aduaneiro especial não se enquadra na hipótese de mercadoria desembaraçada no regime comum de importação, condição textualmente estampada no art. 706, I, "a", do Decreto 6.759/2009. Vale ressaltar que a ausência de LI quando da concessão de regime aduaneiro especial tem outra conseqüência que não a aplicação da presente penalidade, uma vez que sua não apresentação ensejaria a aplicação da referida multa somente naqueles casos de mercadoria importada sob regime comum de importação. Para que não paire dúvida quanto à natureza do instituto aqui tratado conclusão que poderia ser obtida da própria definição do regime, trago à colação os dispositivos abaixo transcritos, referentes à IN/SRF 285, de 14.01.2003: Art. 3o A entrada no território aduaneiro de bens objeto de arrendamento mercantil, contratado com entidades arrendadoras domiciliadas no exterior, de que tratam o art. 17 da Lei n° 6.099, de 12 de setembro de 1974, e o inciso III do art. Ioda Lei n" 7.132, de 26 de outubro de 1983, não se confunde com o regime de admissão temporária de que trata esta Instrução Normativa, e sujeitase às normas gerais que regem o regime comum de importação. (...) Art. 6" Poderão ser submetidos ao regime de admissão temporária, com pagamento dos impostos de importação e sobre produtos industrializados proporcionalmente ao tempo de permanência no País, os bens destinados à prestação de serviços ou à produção de outros bens. (...) § 4o Os valores a serem pagos relativamente ao Imposto de Importação (II) e ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), serão obtidos pela aplicação da seguinte fórmula: (...) I imposto federal devido no regime comum de importação; (...) § 6° Fica suspenso o pagamento da diferença entre o total dos impostos federais que incidiriam no regime comum de importação dos bens (I) e os valores a recolher (V). (...) (g.n.) Como se observa, o "regime comum de importação" é aquele destinado à nacionalização de mercadorias importadas a título definitivo, mediante despacho para consumo. O caso sob exame trata do ingresso no território aduaneiro de bem amparado pelo Repetro, que foi aplicado mediante a utilização de tratamento aduaneiro inerente ao "regime aduaneiro especial de admissão temporária". Pelos motivos acima mencionados não há como prevalecer os fundamentos que justificaram o lançamento do crédito tributário referente à aplicação da multa por importação desamparada de licença de importação LI." (efls. 213/214 grifei) Nesse mesmo sentido se manifesta este Conselho, como se depreende da ementa do já mencionado Acórdão 3402004.357 desta turma e em outro julgado desta Seção: "(...) REPETRO. SANÇÃO ADUANEIRA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. MULTA DE 30%. INEXISTÊNCIA DE SUBSUNÇÃO. As operações de importação submetidas ao regime especial de admissão temporária, incluído a modalidade REPETRO, não se enquadram como importações “desembaraçadas no regime comum de importação”, prescritas no art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6º do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pela Lei n° 6.562/1978. Logo, se o regime especial dispensa a licença de importação, não há que se falar em incidência de multa pela inexistência de LI Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10725.720119/201061 Acórdão n.º 3402005.460 S3C4T2 Fl. 252 9 anterior ao registro da declaração de importação. (...)." (Processo nº 10725.720227/201033 Acórdão nº 3402004.357 Sessão de 29/08/2017. Relator Conselheiro Diego Diniz Ribeiro grifei) "Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 15/05/2007, 31/07/2007, 18/09/2007, 09/10/2007, 05/11/2007, 28/10/2009 REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro ou ao regime especial de admissão temporária para utilização econômica não se enquadram como importações “desembaraçadas no regime comum de importação”. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade." (Número do Processo 19396.720002/201110 Data da Sessão 24/04/2013 Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Nº Acórdão 3302002.052 grifei) Diante do exposto, correto o entendimento trazido na r. decisão recorrida, que não merece reparo, devendo ser negado provimento ao Recurso de Ofício. II RECURSO VOLUNTÁRIO Por sua vez, o item 002 do Auto de Infração, "MULTA APLICÁVEL SETOR ADUANEIRO NÃO PASSÍVEL DE REDUÇÃO" aplicada com fulcro no art. 69, §1º da Lei n.º 10.833/2003 c/c art. 84 da MP 2.15835/2001 e no art. 711, III do RA/2009, foi mantida pela r. decisão recorrida pelo fato da Recorrente ter deixado de informar no campo próprio da Declaração de Importação no SISCOMEX a condição de material usado (tela da efl. 74). Vejamos o exato teor do referido dispositivo regulamentar: "Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, § 1º): (...) III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado." (grifei) Contudo, observase que no presente caso a condição de produto usado foi devidamente informada pelo importador no momento necessário para a determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, qual seja, quando da solicitação e concessão do regime aduaneiro especial de admissão temporária no processo 10730.002849/200973, em informação reiterada na Declaração de Importação, seja no Campo "Dados Complementares" (efl. 22) seja no campo de "Descrição da Mercadoria" (efl. 23). Com efeito, em conformidade com a Portaria DECEX n.º 8/1991, a importação de bens e materiais usados no Brasil é restrita, sendo cabível apenas em hipóteses especificamente autorizadas. Os requisitos a serem observados para a importação de bens usados são identificados pelos arts. 22 e 24 da referida Portaria, na redação vigente à época dos fatos autuados: Fl. 256DF CARF MF 10 "Art. 22. Serão autorizadas importações de máquinas, equipamentos, aparelhos, instrumentos, ferramentas, moldes e contêineres para utilização como unidade de carga, na condição de usados, atendidos, cumulativamente, os seguintes requisitos: (Redação do caput pela Portaria MDIC Nº 235 DE 07/12/2006). a) não sejam produzidos no País, ou não possam ser substituídos por outros, atualmente fabricados no território nacional, capazes de atender aos fins a que se destina o material a ser importado; (Redação pela Portaria MDIC Nº 235 DE 07/12/2006). a.1) na análise de produção nacional, a Secretaria de Comércio Exterior tornará públicos os pedidos de importação, devendo a indústria manifestarse no prazo de até 30 (trinta) dias para comprovar a fabricação no mercado interno, podendo ser dispensadas desse procedimento quando envolver: (Subalínea acrescentada pela Portaria MDIC Nº 235 DE 07/12/2006). a.1.1) bens com notória inexistência de produção nacional; (Subalínea acrescentada pela Portaria MDIC Nº 235 DE 07/12/2006). a.1.2) pedidos de importação que venham acompanhados de atestados de inexistência de produção nacional, emitidos por entidade representativa da indústria, de âmbito nacional. (Subalínea acrescentada pela Portaria MDIC Nº 235 DE 07/12/2006). a.1.3) bens usados idênticos a bens novos contemplados com extarifário estabelecido em conformidade com a Resolução CAMEX nº 35, de 22 de novembro de 2006. (Subalínea acrescentada pela Portaria MDIC Nº 207 DE 08/12/2009). a.1.2.1) (Revogada pela Portaria MDIC Nº 77 DE 19/03/2009). a.2) na hipótese de existência de produção nacional, deverão ser fornecidos à Secex catálogos descritivos dos bens, contendo as respectivas características técnicas, bem como informações referentes a percentuais relativos aos requisitos de origem do Mercosul e unidades já produzidas no País, que deverão estar consignadas no atestado expedido pela entidade de classe. (Subalínea acrescentada pela Portaria MDIC Nº 235 DE 07/12/2006). (...) Art. 24. Poderão ser autorizadas, ainda, importações de: a) máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos destinados à reconstrução no País, por empresas que atendam normas técnicas de padrão internacional, que, após o processamento, atinjam estágio tecnológico não disponível no País, tenham garantia idêntica à de análogos novos e agreguem insumos de produção local. Essas importações ficam sujeitas aos requisitos do art. 22, alínea a; b) partes, peças e acessórios recondicionados, para manutenção de máquinas e equipamentos, desde que o processo de recondicionamento tenha sido efetuado pelo próprio fabricante, ou por empresa por ele credenciada e os bens a importar contem com a mesma garantia de produto novo e não sejam produzidos em território nacional. Para esse efeito, o importador deverá apresentar manifestação de entidade representativa da indústria, de âmbito nacional, que comprove a inexistência de produção no País da mercadoria a importar: b.1) deverá constar do licenciamento de importação, da fatura comercial e da embalagem da(s) mercadoria(s), que se trata de produto(s) recondicionado(s); b.2) deverá, também, ser apresentada declaração do fabricante ou da empresa responsável pelo recondicionamento das partes, peças e acessórios, referentes à garantia e ao preço de mercadoria nova, idêntica à recondicionada pretendida, o que poderá constar da própria fatura comercial do aludido material recondicionado." Exatamente para a identificação do controle aduaneiro dessas mercadorias e bens usados que o art. 4º e Anexo Único da Instrução Normativa n.º 680/2006 exige a informação da condição da mercadoria no SISCOMEX. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10725.720119/201061 Acórdão n.º 3402005.460 S3C4T2 Fl. 253 11 Entretanto, atentandose para o presente caso, possível verificar que a importação realizada pela Recorrente não se enquadra nessa disciplina geral, para a qual a informação no campo do SISCOMEX efetivamente se mostra como necessária para o controle aduaneiro da mercadoria. Isso porque, no presente caso, a condição de "usado" do bem importado pela empresa já era uma condição prévia para a própria concessão do regime especial aduaneiro de admissão temporária. Com efeito, conforme requerimento acostado aos autos formulado em conformidade com o art. 4º, X, da Instrução Normativa n.º 285/2003, vigente à época, a Recorrente solicitou a concessão do regime aduaneiro especial especialmente pelo fato do bem ser usado e precisar passar "por trabalhos de beneficiamento, montagem, renovação e recondicionamento". Vejamos os termos do requerimento: "NAVIS DRILLING LTDA., com sede à Rua Acadêmico Paulo Sérgio de Carvalho Vasconcelos Nr. 780, Granja dos Cavaleiros, CEP 27930260, Macaé RJ, inscrita no CNPJ sob o Nr. 03.741.603/000132, neste ato representada por seu Despachante Aduaneiro, requer seja concedido o regime aduaneiro de Admissão Temporária para.a plataforma denominada BORGNY DOLPHIN, nos termos do Art. 4o , inciso X, da Instrução Normativa Nr. 285 /2003. A plataforma em pauta passará por trabalhos de beneficiamento, montagem, renovação e recondicionamento a serem realizados nas dependências do Estaleiro Mauá S.A., com Sede a Rua Dr. Paulo Frumencio, n° 28 Ponta D'Areia, CEP: 24.040290, NiteróiRJ, inscrita no CNPJ sob o Nr. 02.926.485/000174. Com base no contrato de trabalho No. DDLRSBORGNY 09/01 firmado entre a hora requerente e o Estaleiro Mauá, requerse o prazo de 120 dias, para permanência da Plataforma em Admissão Temporária. Esclarece por oportuno que concluídos os trabalhos, a Plataforma será transferida para execução de serviços contratados com a Petrobrás, em regime de REPETRO." (efl. 130 grifei) Ora, conforme indicado no art. 4º, §4º, 'c', da referida Instrução Normativa n.º 285/2003, a operação de renovação ou recondicionamento envolve necessariamente um "produto usado": "Art. 4º Poderão ser submetidos ao regime de admissão temporária com suspensão total do pagamento dos tributos incidentes na importação, os bens destinados: (...) X a seu próprio beneficiamento, montagem, renovação, recondionamento, acondicionamento ou reacondionamento; (...) § 4º Para os fins do disposto no inciso X: I considerase: a) beneficiamento, a operação que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do bem; b) montagem, a operação que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal; c) renovação ou recondicionamento, a operação que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização; e Fl. 258DF CARF MF 12 d) acondicionamento ou reacondicionamento, a operação que altere a apresentação do produto pela colocação de embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando destinada apenas ao transporte; e II a aplicação do regime fica condicionada: a) à existência de contrato de prestação de serviços; e b) à apresentação, pelo interessado, da descrição detalhada do processo industrial a ser realizado no País, bem assim da quantificação e qualificação do produto resultante da industrialização." (grifei) Portanto, observese que no presente caso, a própria concessão do regime de admissão temporária envolveu o reconhecimento pela fiscalização da condição do bem como bem usado e a correspondente realização de serviços de beneficiamento, renovação, montagem e recondicionamento. Essa premissa em torno da concessão do regime especial (necessidade de trabalhos de beneficiamento, montagem, renovação e recondicionamento da plataforma) foi reiterada de forma expressa na Declaração de Importação n.º 09/04095775, objeto desta autuação, no campo "Dados Complementares" (efl. 22): Da mesma forma, a condição de bem usado foi igualmente identificada no campo da "Descrição Detalhada da Mercadoria", que trouxe o ano de construção da plataforma (1977), o ano de sua reconstrução (1992) e o agente responsável pela reconstrução: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10725.720119/201061 Acórdão n.º 3402005.460 S3C4T2 Fl. 254 13 "Descrição Detalhada da Mercadoria PLATAFORMA DE PERFURAÇÃO "BORGNY DOLPHIN", COM AS SEGUINTES CARACTERÍSTICAS: NOME DA EMBARCAÇÃO: BORGNY DOLPHIN BANDEIRA: SINGAPURA PORTO DE REGISTRO: SINGAPURA NUMERO DE REGISTRO: 391243 ARMADOR: BORGNY DOLPHIN PTE LTD OPERADOR LOCAL: NÂVIS DRILLING LTDA IMO Nr.: 8750534 INDICATIVO DE CHAMADA: 9VDG6 CLASSIFICADORA: DETNORSKE VERITAS CLASSE ID: 10066 CLASSE: 1A1 COLUMN STABILIZED DRILLING UNIT DRILL ANO DE CONSTRUÇÃO: 1977 ESTALEIRO CONSTRUTOR: RAUMAREPOLA, FINLÂNDIA ANO DE RECONSTRUCAO: 1992 ESTALEIRO RE CONSTRUTOR: SADNES, NORUEGA FUNCAO ESPECIFICA: PERFURAÇÃO DE POÇOS DE PETRÓLEO TIPO DE EMBARCAÇÃO: PLATAFORMA SEMISUBMERSIVEL SISTEMA DE POSICIONAMENTO: ANCORAS CAPACIDADELAMINA D' AGUA: 701 M CAPACIDADE DE PERFURAÇÃO: 7620 M CARACTERÍSTICAS DA UNIDADE: COMPRIMENTO TOTAL: 108,20m, BOCA: 67,36m, PONTAL: 36,58m, CALADO OPERACIONAL: 21,34m, CALADO DE SOBREVIVÊNCIA: 19,50m, CALADO DE TRANSITO: 8,75m, COLUNAS: 4 X 7,92m DIÂMETRO / 4 X 5,79m DIÂMETRO / 2 X 5,79m DIA., TIPO "LÁPIS / 4 X 8/4m DIA, AUXILIARES, PONTOONS: 2 X 108 X 13 X 7m DESLOCAMENTO (LINHA DE DESCARGA): 24.184 TONELADAS MÉTRICAS PESO LEVE (LIGHTSHIP): 12.532 tm TONELAGEM DE PORTE BRUTO: 11.491 tm ARQUEAÇÃO BRUTA (ITC 69): 11.415 t ARQUEAÇÃO LIQUIDA (ITC 69): 3.424 t ACOMODAÇÕES: 104 PESSOAS GERADORES DE ENERGIA: 4 CONJUNTOS DE GERADORES LEROY SOMER, TIPO LSA54VL106P, POTENCIA 2860 KVA A 1200 RPM, 600V/2752A/60HZ; ACIONAMENTO DE CADA GERADOR E POR MOTOR DIESEL WARTSILA 12V200, COM POTENCIA DE 2800 bhp A 1200 RPM TORRE DE PERFURAÇÃO: CONTINENTAL EMSCO 22BDD, CAPACIDADE DE 1.250.000LBS GUINCHO DE PERFURACACO: CONTINENTAL EMSCO C3, COM 3 MOTORES ELÉTRICOS ASEA, TIPO LRF 35 IS FINGERBOARD: CAPACIDADE DE 195 TUBOS DE PERFURAÇÃO, 12 COLARES, 10 TUBOS DE PERFURAÇÃO DE PESO ALTO BUCHA DE LINHA DE CABO: SCANROPE, 38mm DIA, 3050m MESA ROTATIVA: CONTINENTALEMSCO T4950, CAPACIDADE 725 TONELADAS EZY TORQUE: DRILLCO D TORNEL: EMSCO L 650 MOITAO MÓVEL: EMSCO RA6067, CAPACIDADE DE 590 TONELADAS PRATELEIRA DE TUBOS: MARITIME HYDRAULICS IRON ROUGHNECK: MARITIME HYDRAULICS MH 1898 CABO CEGO ANCORA: NATIONAL OILWELL E/B COMPENSADOR DE MOVIMENTOS: SHAFFER CMC25600DA, CAPACIDADE DE 600.000 LB.CAVALETE PORTAPOLIAS: SHAFFER, CAPACIDADE DE 600.000 LB. TOP DRIVE: VARCO TDS4, CAPACIDADE DE 650 TONELADAS Qtde: 1 UNIDADE VUCV: 207.692.705,0118310 DÓLAR DOS EUA" (efl. 23 grifei) Ora, uma vez que a condição de usada da mercadoria já fazia parte dos próprios procedimentos preparatórios para a emissão do regime aduaneiro especial de admissão temporária, devidamente concedido pela autoridade competente, a informação dessa condição na tela do SISCOMEX (acostada à efl. 74) não se mostrou necessária para o controle aduaneiro da mercadoria. Em outras palavras, o regime aduaneiro especial existente no presente caso, que exigiu a prévia verificação da condição e natureza do bem importado, afasta a relevância da informação no campo específico do SISCOMEX da condição do bem, tendo a Recorrente Fl. 260DF CARF MF 14 corretamente procedido com todas as informações necessárias para demonstrar a regularidade de sua importação. Diante disso, não se vislumbra na hipótese a completa subsunção do fato à norma necessária para a aplicação da penalidade, vez que a prestação de forma incompleta de informação de natureza administrativa e comercial (informação da condição de usado do bem no campo reservado do SISCOMEX) não se mostrou "necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado." A relevância da condição de usado do bem foi necessária para a concessão do regime de admissão temporária no presente caso sendo que, ultrapassada esta etapa, a informação do processo de concessão se mostrou suficiente para o apropriado controle aduaneiro da mercadoria. Nesse sentido já se manifestou este Conselho: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 17/09/2008, 24/09/2008, 25/09/2008 MULTA POR FALTA LICENCIAMENTO. IMPORTAÇÕES SUBMETIDAS AO REPETRO. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE. Os bens sujeitos ao REPETRO são dispensados de licenciamento as importações. Se o licenciamento não é exigido, não há o que se falar em multa por falta de licenciamento. Ausência de tipicidade. DEFINIÇÃO DO CONTROLE ADUANEIRO APROPRIADO. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO NECESSÁRIA. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE. Ao dispensar o licenciamento, o legislador entendeu que essa informação (inclusive do FATO do bem ser usado, já que a norma aplicável não faz tal distinção) deixou de ser necessária para o exercício dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros especificamente para o REPETRO. Se essa informação deixou de ser relevante, já que aos olhos do legislador ela passa a ser dispensável, não é factível capitular a conduta infracional." (Número do Processo 19396.720006/201190 Data da Sessão 17/04/2018 Relator José Fernandes do Nascimento Acórdão n.º 3302005.385 grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/11/2010 ADUANEIRO. MULTA. Nos termos do art. 711, inciso III, do Regulamento Aduaneiro, a multa de 1% sobre o valor aduaneiro deve ser aplicada nos casos de omissão ou informação inexata/incompleta desde que necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Não tendo o auto de infração sequer indicado a presença desta condição, há de ser afastada a multa aplicada por ausência de subsunção do fato à norma. Recurso Voluntário Provido." (Número do Processo 13044.720175/201567 Data da Sessão 29/08/2017 Relatora Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Nº Acórdão 3301003.974 grifei) "Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 18/07/2007, 30/08/2007, 15/02/2008 REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro ou ao regime especial de admissão temporária para utilização econômica não se enquadram como importações “desembaraçadas no regime comum de importação”. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10725.720119/201061 Acórdão n.º 3402005.460 S3C4T2 Fl. 255 15 A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. ATIPICIDADE. O inciso III, do artigo 711, do Regulamento Aduaneiro determina multa para aquele que deixar de fornecer informações necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No caso de bens usados, o controle aduaneiro apropriado é a emissão prévia de LI, assim, para a importação de bens usados é necessário informar a condição de “usado” do bem. Todavia, in casu, concluiuse que a importação, ao fim, não estava sujeita à prévia emissão de LI. Desnecessária a prévia LI, desnecessária a informação de “usada” para o procedimento aduaneiro. (...) Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido." (Número do Processo 19396.720005/201145 Data da Sessão 23/04/2013 Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Nº Acórdão 3302002.024 grifei) Cumpre esclarecer que não altero aqui o entendimento trazido no voto vencedor da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz no já mencionado Acórdão n.º 3402 004.357, no qual eu a acompanhei naquela oportunidade especificamente quanto ao Recurso Voluntário interposto naquele processo. Como evidenciando pela I. Conselheira naquela oportunidade: "Inicialmente, é preciso lembrar que ao lado da tributação aduaneira e da aplicação de restrições, a Aduana possui como terceira função o controle aduaneiro sobre as mercadorias objeto do tráfego internacional, ou seja, sobre as importações ou exportações. A Convenção de Quioto Revisada define “controle aduaneiro” como o conjunto de medidas tomadas pelas Alfândegas com vista a assegurar a aplicação da legislação aduaneira, toda pautada no Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009. Tal função emana do "poder soberano do Estado sobre seu território e seu poder de polícia, atuando na proteção da sociedade, através do combate à importação de mercadorias de importação restrita ou proibidas". Outrossim, reflete "a formalidade requerida nos atos praticados junto à administração aduaneira, não como mera obrigação acessória e burocrática, mas como medida de controle e segurança dos atos aduaneiros praticados," como ensina Rodrigo Mineiro. Sedimentada a importância do controle aduaneiro, também não é demais lembrar que ele é exercido tendo como base às informações prestadas pelos contribuintes nos pertinentes documentos que, em sendo o caso, darão azo à específicos procedimentos de fiscalização e revisão aduaneira." Com efeito, no presente caso, o dado incompleto quanto a condição da mercadoria não se mostrou necessário para o controle aduaneiro da mercadoria, admitido como o conjunto de medidas tomadas pelas Alfândegas para assegurar a aplicação da legislação aduaneira. Em não se tratando de bem usado no presente caso, sequer seria concedido o regime especial de admissão temporária nos termos do legislação aduaneira. Assim, mantenho aquela posição, reconhecendo a necessidade de controle aduaneiro das operações, somente entendendo que, no presente caso, considerando que a condição de bem usado foi essencial para a própria concessão do regime de admissão, essa informação não se mostrou necessária para o controle da importação quando da Declaração de Importação no SISCOMEX, devendo ser afastada a penalidade aplicada. Fl. 262DF CARF MF 16 Ante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para afastar a penalidade do item 002 do Auto de Infração. III DISPOSITIVO Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 263DF CARF MF
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