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Numero do processo: 23034.007988/2003-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência junto à Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que seja informado, mediante relatório minucioso e circunstanciado, se houve a efetivação (ou não) das compensações autorizadas por decisão judicial em face das NFLD - DEBCAD n. 35.371.514-0; n. 35.371.520-4; 35.371.282-5; n. 35.371.509-3; n. 35.371.606-5; n. 35.371.503-4; n. 35.371.519-0; n. 35.371.607-3; n. 35.371.512-3; n. 35.371.518-2; n. 35.371.281-7; e n. 35.371.513-1, bem assim quanto a ocorrência (ou não) de recolhimentos e/ou adesão a parcelamentos, relativos às competências 07/95 a 04/2002, que possam repercutir nos créditos tributários consignados na NRD n. 344/2004. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA

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2402­000.667  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  07 de junho de 2018  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  M. I. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA.   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência  junto  à  Unidade  de  Origem  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  para  que  seja  informado, mediante  relatório minucioso  e  circunstanciado,  se  houve  a  efetivação  (ou  não) das  compensações  autorizadas  por decisão  judicial  em  face  das NFLD  ­  DEBCAD n. 35.371.514­0; n. 35.371.520­4; 35.371.282­5; n. 35.371.509­3; n. 35.371.606­5;  n.  35.371.503­4;  n.  35.371.519­0;  n.  35.371.607­3;  n.  35.371.512­3;  n.  35.371.518­2;  n.  35.371.281­7;  e  n.  35.371.513­1,  bem  assim  quanto  a  ocorrência  (ou  não)  de  recolhimentos  e/ou adesão a parcelamentos, relativos às competências 07/95 a 04/2002, que possam repercutir  nos créditos tributários consignados na NRD n. 344/2004.    (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Luís Henrique Dias Lima ­ Relator    Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho  Filho,  Mauricio  Nogueira  Righetti,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Denny  Medeiros  da  Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e  Renata Toratti Cassini.  Relatório Cuida­se  de  Recurso  Voluntário  de  e­fls.  161/174  em  face  de  decisão  do  Ilmo.  Sr.  Presidente  do  Fundo  Nacional  de  Desenvolvimento  da  Educação  (FNDE)  ­  e­fls.  127/130 ­ que decidiu pelo indeferimento da defesa apresentada pelo contribuinte em epígrafe     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 2 30 34 .0 07 98 8/ 20 03 -0 5 Fl. 572DF CARF MF Processo nº 23034.007988/2003­05  Resolução nº  2402­000.667  S2­C4T2  Fl. 3          2 (e­fls.  100/108),  mantendo,  destarte,  o  crédito  tributário  referente  ao  não  recolhimento  do  salário­educação consignado na Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) n. 344/2004 ­  emitida  em  11/05/2004  ­  no  valor  total  de  R$  86.665,18  (e­fls.  97/98)  ­  com  fulcro  em  irregularidades  nos  recolhimentos  referentes  ao  Salário­Educação  e/ou  na  aplicação  dos  recursos do Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental  (SME), consoante o disposto na  legislação  aplicável,  especificamente  em  relação  aos  períodos  de  apuração  (P.A)  07/1995  a  04/2002.  A  Recorrente  foi  regularmente  cientificada  da  NRD  n.  344/2004  em  17/05/2004 e apresentou defesa nos termos da petição de e­fls. 100/108, indeferida pelo FNDE,  conforme decisão de e­fls. 127/130.  Após ciência da decisão de e­fls. 127/130 na data de 29/12/2004 (e­fl. 160), a  Recorrente interpôs, em 20/01/2005 (considerada a data de assinatura da peça recursal, vez  que não consta nos autos a data de protocolo de recepção no FNDE), o Recurso Voluntário  acostado  às  e­fls.  161/174,  alegando,  em  apertada  síntese,  i)  nulidade  da  decisão  a  quo;  ii)  preliminar  de  decadência;  iii)  preliminar  de  nulidade  da  NRD  n.  344/2004;  e,  no  mérito,  duplicidade/superposição de cobrança.  O Recurso Voluntário de e­fls. 161/174 foi dirigido ao Conselho Deliberativo  do  Fundo  Nacional  de  Desenvolvimento  da  Educação  (FNDE),  que  dele  conheceu,  e,  no  mérito, julgou improcedente, por unanimidade, nos termos da decisão de e­fls. 518/531.  Todavia,  é  relevante  destacar  que  o  decisum  da  lavra  do  Conselho  Deliberativo  do  Fundo  Nacional  de  Desenvolvimento  da  Educação  (FNDE)  limitou­se  às  seguintes  matérias:  i)  vício  na  decisão  a  quo;  ii)  decadência;  e  iii)  nulidade  da  NRD  n.  344/2004.  Assim,  não  foi  apreciada  a  matéria  referente  à  duplicidade  da  cobrança,  por,  no  entendimento do referido Conselho, ser de cunho técnico, estando, portanto, fora da esfera de  suas atribuições.  Por  oportuno,  cabe  destacar  que  o  objeto  do  Recurso  Voluntário  (e­fls.  518/531) foi alvo da ação judicial n. 97.0075327­1, na qual se discutiu a inconstitucionalidade  da  cobrança  do  Salário­Educação,  bem  assim  sua  compensação,  consoante  denunciado  nos  autos.  Sem contrarrazões.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Luís Henrique Dias Lima ­ Relator.  O  Recurso  Voluntário  de  e­fls.  161/174,  foi  conhecido  e  julgado  improcedente  pelo  Conselho  Deliberativo  do  Fundo  Nacional  de  Desenvolvimento  da  Educação (FNDE), nos da decisão de e­fls. 527/531.  Entretanto,  conforme  já  relatado,  o  decisum  da  lavra  do  Conselho  Deliberativo  do  Fundo  Nacional  de  Desenvolvimento  da  Educação  (FNDE)  limitou­se  às  seguintes  matérias:  i)  vício  na  decisão  a  quo;  ii)  decadência;  e  iii)  nulidade  da  NRD  n.  344/2004.  Assim,  não  foi  apreciada  a  matéria  referente  à  duplicidade  da  cobrança,  por,  no  entendimento do referido Conselho, ser de cunho técnico, estando, portanto, fora da esfera de  suas atribuições.  Fl. 573DF CARF MF Processo nº 23034.007988/2003­05  Resolução nº  2402­000.667  S2­C4T2  Fl. 4          3 Desta  forma,  ainda  que  a  decisão  do  Conselho  Deliberativo  do  Fundo  Nacional  de  Desenvolvimento  da  Educação  (FNDE)  ­  e­fls.  527/531  ­  esteja  revestida  de  natureza  de  decisão  de  segunda  instância,  permanece  a  competência  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), nos termos do art. 37 do Decreto n. 70.235/1972,  para apreciar o Recurso Voluntário de e­fls. 161/174, vez que remanesce matéria não apreciada  pelo  FNDE  (duplicida/superposição  de  cobrança),  bem  como  reclama­se  pela  aplicação  do  prazo  quinquenal  de  decadência,  consolidado  na  Súmula  Vinculante  n.  8  do  STF.  Nesse  contexto, não se incide o disposto noa rt. 38 do Decreto n. 70.235/1972.  É oportuno destacar que a Recorrente manejou a ação judicial n. 97.0075327­ 1,  na  qual  discutiu  a  inconstitucionalidade  da  cobrança  do Salário­Educação,  bem assim  sua  compensação,  consoante  denunciado  nos  autos.Todavia,  não  se  vislumbra  prejuízo  à  admissibilidade do Recurso Voluntário (e­fls. 161/174) com fulcro na Súmula CARF n. 1, vez  que não se verifica, prima  facie, concomitância de  instâncias  (judicial e administrativa), uma  vez presente a autonomia do objeto (duplicidade/superposição de cobrança) veiculado na peça  recursal com as matérias tratadas na instância judicial.  Com efeito,  o Memo n.  222/2004  ­ GEARC/FNDE ­ 28/04/2004  ­  informa  que a Recorrente faz parte da relação de empresas autoras do processo judicial n. 97.0075327­1  e  anexa  telas de  consulta processual  ao  sítio da Justiça Federal  ­ Seção  Judiciária do Rio de  Janeiro  ­  30ª.  Vara  Federal  ­  onde  se  verifica  que  a  referida  ação  judicial  foi  autuada  em  16/09/1997  ­,  bem  assim  informação  do  sítio  do  TRF2  ­,  oportunidade  em  que,  de  fato,  constata­se  que  a Recorrente  é  parte  do  indigitado  processo,  como  autora,  em  litisconsórcio  ativo com outras empresas (e­fls. 83/89).  Por sua vez, a Informação n. 375/2004 ­ SUSME ­ 03/05/2004 ­ denuncia que  não consta cadastro da Recorrente no SCPJ e que com base na informação registrada no Termo  de Encerramento a empresa é autora do processo n. 97.0075327­1, por meio do qual efetuou  compensações. Outrossim, também informa que foi encaminhado memorando à Procuradoria  Jurídica do FNDE para inclusão da empresa no rol das autoras do referido processo no SCPJ  (e­fls. 90/91).  Por  sua  vez,  a  decisão  do  Ilmo.  Sr.  Presidente  do  Fundo  Nacional  de  Desenvolvimento da Educação (FNDE) ­ e­fls. 127/130, assim relata, verbis:   [...]  Consta,  ainda,  levantamento  de  débito  para  o  Salário­Educação  referente  ao  período  de  01/99  a  04/01,  por  meio  de  outras  NFLD's,  inclusive  a  NFLD  n.°  35.371.514­0,  abrangendo  os  valores  do  Salário­Educação  apurados  pelo  PROINSPE,  no  entanto,  o  fiscal  do  lNSS  relata  no  relatório  da  fiscalização  realizada na matriz CNPJ n.” 42.563.692/0001­26, que os débitos apurados nestes  levantamentos,  resultam  do  total  das  contribuições  sociais  do  Salário­Educação,  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  empregados  constante  das  folhas  de  pagamento,  deduzidas  as  contribuições  recolhidas  pelo  convênio  do  Salário­ Educação e as contribuições compensadas devido ao processo judicial ajuizado a  respeito da constitucionalidade do Salário­Educação.  Por fim, quanto a alegada superposição de cobrança, sob o argumento de que parte  dos débitos exigidos na NRD, também teria sido objeto de lançamentos por parte do  INSS em ações  fiscais,  temos a esclarecer que, o  fiscal  informa em seu relatório  que  o  levantamento  tem  o  intuito  de  evitar  a  decadência  até  a  decisão  final  a  Fl. 574DF CARF MF Processo nº 23034.007988/2003­05  Resolução nº  2402­000.667  S2­C4T2  Fl. 5          4 respeito do processo judicial sob o n.° 97.0075327­1, ajuizado pela empresa contra  a constitucionalidade da contribuição social do Salário­Educação.  [...] (grifei)    Muito bem.  Da  análise  da  peça  recursal  de  e­fls.  161/174,  constata­se  que  o mérito  da  presente  lide  ­  duplicidade/superposição  de  cobrança  ­  confunde­se,  em  parte  considerável,  com os fundamentos que deram suporte às NFLD ­ DEBCAD n. 35.371.514­0; n. 35.371.520­ 4;  35.371.282­5;  n.  35.371.509­3;  n.  35.371.606­5;  n.  35.371.503­4;  n.  35.371.519­0;  n.  35.371.607­3; n. 35.371.512­3; n. 35.371.518­2; n. 35.371.281­7; e n. 35.371.513­1, conforme  denuncia, verbis:  Conforme já pisado e repisado na peça de bloqueio, os débitos ora discutidos são  objeto de dupla cobrança, uma vez que já foram lançados pelo Instituto Nacional  do Seguro Social — INSS, em agosto de 2001, mediante a lavratura das seguintes  NFLDs:        As  notificações  elencadas,  da  lavra  do  INSS,  possuem  o mesmo  objeto  (salário­ educação), utilizaram a mesma base de cálculo, correspondem ao mesmo período,  bem como aplicaram a mesma alíquota aplicada aos débitos lançados na presente  NRD, configurando, portanto, indubitavelmente uma dupla cobrança de um débito  que, a rigor, é o mesmo.  Ressalte­se ainda que não logram êxito os poucos argumentos trazidos na decisão  que  ora  se  refuta.  Isto  porque,  ambas  as  fiscalizações  lançam  os  valores  compensados pela  empresa  com  créditos  detidos,  sendo  patente  a  duplicidade  na  cobrança,  facilmente  depreendida  das  planilhas  elaboradas  pelos  órgãos  autárquicos.  Quanto  aos  demais  valores,  tem­se  que  ambas  as  ñscalizações  utilizam  como  fundamento  a  folha  de  pagamento. Assim,  nota­se  das  planilhas  elaboradas  pelas  mesmas  que  as  bases  de  cálculo  adotadas  são  as  mesmas,  sendo  cobrados  por  ambos o tributo não recolhido.  Ademais,  em  nada  prejudica  a  fiscalização  previdenciária  ter  sido  realizada  na  matriz, de CNPJ n° 42.563.692/001­26, pois em suas planilhas as bases de cálculo  do  suposto  tributo  devido  é  separado  por  cada  filial,  sendo  possível  distinguir  precisamente os valores discutidos in casu.  Patente  que  a  Recorrente  está  sendo  objeto  de  dupla  cobrança  dos  valores  destinados  ao  FNDE  e,  a  prevalecer  o  entendimento  da  administração  previdenciária e da administração educacional, a, ora Recorrente deverá pagar as  contribuições em dobro e depois promover contra uma das duas administrações ­ ou  as duas simultaneamente ­ a restituição do valor pago em dobro.  Ora, manifesto a situação de bis in idem, que, se não corrigida, impõe à Recorrente  à  penosa  via  do  solve  et  repete,  na  qual  fica  obrigada  a  pagar  a  referida  contribuição em dobro, para depois  reaver a diferença em processo específico de  Fl. 575DF CARF MF Processo nº 23034.007988/2003­05  Resolução nº  2402­000.667  S2­C4T2  Fl. 6          5 restituição,  pela  via  administrativa  ou  por meio  de  ação  judicial  de  repetição  de  indébito, atentando­se, ainda, contra o princípio da economia processual.  Destarte,  por  todo  o  exposto,  impõe­se  a  necessidade  de  exclusão  da  presente  exação os valores já lançados nas NFLDs em questão.  [;;;](grifos originais)  Conforme se depreende dos autos, a Recorrente  fez opção por participar do  Sistema  de  Manutenção  de  Ensino  Fundamental  (SME),  possuindo  assim  convênio  com  o  Salário­Educação, razão pela qual procedeu­se à inspeção consubstanciada no Termo de Visita  ­ Empresa (e­fls. 02/07), que deu suporte à Informação n. 375/2004 ­ SUSME ­ 03/05/2004 ­  (e­fls. 90/91), culminando com a NRD n. 344/2004 (e­fls. 97/98).  Nessa perspectiva, o enfrentamento do mérito do Recurso Voluntário de e­fls.  161/174 reclama o desfecho da efetivação (ou não) das compensações autorizadas por decisão  judicial em face das já referidas NFLD, bem assim a ocorrência (ou não) de recolhimentos e/ou  adesão a parcelamentos, relativos às competências 07/95 a 04/2002, que possam repercutir nos  créditos tributários consignados na NRD n. 344/2004 (e­fls. 97/98).  Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e­ fls.  161/174)  e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA  junto  à Unidade de  Origem para  informar, mediante  relatório minucioso e circunstanciado, a efetivação (ou não)  das  compensações  autorizadas  por  decisão  judicial  em  face  das  NFLD  ­  DEBCAD  n.  35.371.514­0;  n.  35.371.520­4;  35.371.282­5;  n.  35.371.509­3;  n.  35.371.606­5;  n.  35.371.503­4;  n.  35.371.519­0;  n.  35.371.607­3;  n.  35.371.512­3;  n.  35.371.518­2;  n.  35.371.281­7;  e  n.  35.371.513­1,  bem  assim  a  ocorrência  (ou  não)  de  recolhimentos  e/ou  adesão a parcelamentos, relativos às competências 07/95 a 04/2002, que possam repercutir nos  créditos tributários consignados na NRD n. 344/2004 (e­fls. 97/98).  (assinado digitalmente)  Luís Henrique Dias Lima      Fl. 576DF CARF MF

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Numero do processo: 12897.000829/2009-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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9202­006.924  –  2ª Turma   Sessão de  24 de maio de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  TUSSOR CONFECCOES LTDA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  LEI  Nº  8.212/1991,  COM  A  REDAÇÃO  DADA  PELA  MP  449/2008,  CONVERTIDA  NA  LEI  Nº  11.941/2009.  PORTARIA  PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.   Na aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre dispositivos,  percentuais  e  limites. É necessário,  antes  de  tudo,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.  O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria  PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito  passivo.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial  e,  no mérito,  em dar­lhe provimento,  para que  a  retroatividade benigna  seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos.  Portanto,  aplica­se  o  decidido  no  julgamento  do  processo  19647.007683/2007­33,  paradigma  ao  qual  o  presente  processo  foi  vinculado.   (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente em Exercício e Relatora     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 08 29 /2 00 9- 91 Fl. 266DF CARF MF Processo nº 12897.000829/2009­91  Acórdão n.º 9202­006.924  CSRF­T2  Fl. 3          2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Elaine  Cristina  Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes,  Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri  e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).        Relatório  Contra o contribuinte  foi  lavrado o presente auto de  infração para cobrança  de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social.  Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso  voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações  promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991.  Inconformada com o  resultado do  julgamento,  a Fazenda Nacional  interpôs  Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade  benigna  previsto  no  artigo  106,  inciso  II,  alínea  “c”,  do  CTN,  em  face  das  penalidades  aplicadas  às  contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações  promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.  Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões.  É o relatório.        Voto             Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo ­ Relatora  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9202­006.915, de  19/04/2018, proferido no julgamento do processo 19647.007683/2007­33, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão  9202­006.915):  Fl. 267DF CARF MF Processo nº 12897.000829/2009­91  Acórdão n.º 9202­006.924  CSRF­T2  Fl. 4          3 "O  recurso  preenche  os  pressuposto  de  admissibilidade  razão  pela qual deve ser conhecido.  A  controvérsia  levantada  pela  Fazenda  Nacional  é  relativa  às  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações  promovidas  pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando  mais benéfica ao sujeito passivo.  A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II,  alínea “a” do CTN, a seguir transcrito:   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I  ­ em qualquer caso, quando seja expressamente  interpretativa,  excluída  a  aplicação  de  penalidade  à  infração  dos  dispositivos  interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos)  De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos  Fiscais (CSRF), de  forma unânime pacificou o entendimento de  que  na  aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco a  simples comparação entre dispositivos,  percentuais  e  limites.  É  necessário,  basicamente,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao mesmo  tipo  de  conduta.  Assim,  a  multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é  aplicável  quando  realizado  o  lançamento  de  ofício,  conforme  consta do Acórdão nº 9202­004.262  (Sessão de 23 de  junho de  2016), cuja ementa transcreve­se:  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ­  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  ­  MULTA ­ APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C  LEI  11.941/08  ­  APLICAÇÃO  DA  MULTA  MAIS  FAVORÁVEL ­ RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA  DA MULTA APLICADA.  A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal  lavrados  após  a  MP  449/2008,  convertida  na  lei  11.941/2009,  mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da  referida lei, é de ofício.   AUTO  DE  INFRAÇÃO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  E  ACESSÓRIA ­ COMPARATIVO DE MULTAS ­ APLICAÇÃO  DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.  Fl. 268DF CARF MF Processo nº 12897.000829/2009­91  Acórdão n.º 9202­006.924  CSRF­T2  Fl. 5          4 Na  aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação atribuída  à penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  percentuais  e  limites.  É  necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a  mesma  natureza  material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao  mesmo  tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações  acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício,  ainda  que  em  separado,  incabível  a  aplicação  retroativa  do  art.  32­A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35­ A, penalidade única combinando as duas condutas.  A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória nº 449,  de  2008,  determinava,  para  a  situação  em  que  ocorresse  (a)  recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da  verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de  ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º,  ambos  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  respectivamente.  Posteriormente,  foi  determinada,  para  essa  mesma  situação  (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art.  35­A da Lei nº 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei  nº 9.430, de 1996.  Portanto,  para  aplicação  da  retroatividade  benigna,  resta  necessário  comparar  (a)  o  somatório  das  multas  previstas  nos  arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a  multa prevista no art. 35­A da Lei nº 8.212, de 1991.   A  comparação  de  que  trata  o  item  anterior  tem  por  fim  a  aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN  e,  caso  necessário,  a  retificação  dos  valores  no  sistema  de  cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa  aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP  não exceda o percentual de 75%.   Prosseguindo  na  análise  do  tema,  também  é  entendimento  pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas  de  obrigação principal,  a  retroatividade  benigna  será  aplicada  se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência  da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35­A da Lei nº  8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei nº  9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da  Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP  449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas  isoladamente  ­  descumprimento  de  obrigação  acessória  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal  ­  deverão  ser  comparadas  com  as  penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, bem  assim  no  caso  de  competências  em  que  o  lançamento  da  obrigação principal  tenha sido atingida pela decadência. Neste  sentido,  transcreve­se  excerto  do  voto  unânime  proferido  no  Acórdão nº 9202­004.499:  Até  a  edição  da  MP  449/2008,  quando  realizado  um  procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos  Fl. 269DF CARF MF Processo nº 12897.000829/2009­91  Acórdão n.º 9202­006.924  CSRF­T2  Fl. 6          5 previdenciários,  lavrava­se  em  relação  ao  montante  da  contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito ­  NFLD.  Caso  constatado  que,  além  do  montante  devido,  descumprira  o  contribuinte  obrigação  acessória,  ou  seja,  obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem  correlação  direta  com o  fato  gerador),  a  empresa  era  autuada  também por descumprimento de obrigação acessória.  Nessa  época os dispositivos  legais aplicáveis  eram multa  ­  art.  35  para  a  NFLD  (24%,  que  sofria  acréscimos  dependendo  da  fase  processual  do  débito)  e  art.  32  (100%  da  contribuição  devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o  Auto de infração de obrigação acessória.  Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu  o art. 32­A, o qual dispõe o seguinte:  “Art. 32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração  de que  trata o  inciso  IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado a apresentá­la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar­se­ á às seguintes multas:  I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e   II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração  ou  entrega  após  o  prazo,  limitada  a  20%  (vinte  por  cento), observado o disposto no § 3º deste artigo.   §  1º  Para  efeito  de  aplicação  da multa  prevista  no  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e  como  termo  final  a data da  efetiva  entrega ou, no caso de não­ apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento.  § 2º Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas:  I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou   II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da  declaração no prazo fixado em intimação.  § 3º A multa mínima a ser aplicada será de:  I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e   II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”  Fl. 270DF CARF MF Processo nº 12897.000829/2009­91  Acórdão n.º 9202­006.924  CSRF­T2  Fl. 7          6 Entretanto,  a MP 449,  Lei  11.941/2009,  também acrescentou  o  art. 35­A que dispõe o seguinte:  “Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.”  O  inciso  I  do  art.  44  da  Lei  9.430/96,  por  sua  vez,  dispõe  o  seguinte:  “Art. 44. Nos casos de  lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;"  Com  a  alteração  acima,  em  caso  de  atraso,  cujo  recolhimento  não ocorrer de  forma espontânea pelo contribuinte,  levando ao  lançamento  de  ofício,  a  multa  a  ser  aplicada  passa  a  ser  a  estabelecida  no  dispositivo  acima  citado,  ou  seja,  em  havendo  lançamento  da  obrigação principal  (a  antiga NFLD),  aplica­se  multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão leva­nos ao  raciocínio  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  existe  lançamento,  refere­se a multa de ofício  e não a multa de mora  referida no antigo art. 35 da lei 8212/91.  Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de  "multa de ofício" não podemos  isoladamente aplicar 75% para  as  Notificações  Fiscais  ­  NFLD  ou  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP,  pois  estaríamos  na  verdade  retroagindo para agravar a penalidade aplicada.  Por  outro  lado,  com  base  nas  alterações  legislativas  não mais  caberia,  nos  patamares  anteriormente  existentes,  aplicação  de  NFLD  +  AIOA  (Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória)  cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa  passa a ser exclusivamente de 75%.  Tendo  identificado  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  há  lançamento,  é  de multa  de  ofício,  considerando  o  princípio  da  retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”,  do Código  Tributário Nacional,  há  que  se  verificar  a  situação  mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas.  No presente caso, foi  lavrado AIOA julgada, e alvo do presente  recurso  especial,  prevaleceu  o  valor  de  multa  aplicado  nos  moldes do art. 32­A.  No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito  no  relatório  a  multa  aplicada  ocorreu  nos  termos  do  art.  32,  inciso  IV, § 5º,  da Lei nº 8.212/1991  também revogado, o qual  previa  uma  multa  no  valor  de  100%  (cem  por  cento)  da  contribuição não declarada,  limitada aos  limites previstos no §  4º do mesmo artigo.  Fl. 271DF CARF MF Processo nº 12897.000829/2009­91  Acórdão n.º 9202­006.924  CSRF­T2  Fl. 8          7 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação  mais  favorável,  entendo  que  há  que  se  observar  qual  das  seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte:  · Norma anterior,  pela  soma da multa aplicada nos moldes do  art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º,  observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou   · Norma atual,  pela aplicação da multa de  setenta e  cinco por  cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação,  excluído o valor de multa mantido na notificação.  Levando  em  consideração  a  legislação  mais  benéfica  ao  contribuinte,  conforme  dispõe  o  art.  106  do Código  Tributário  Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão  deve,  quando  do  trânsito  em  julgado  administrativo,  efetuar  o  cálculo  da  multa,  em  cada  competência,  somando  o  valor  da  multa  aplicada  no  AI  de  obrigação  acessória  com  a  multa  aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de  75%,  previsto  no  art.  44,  I  da  Lei  n°  9.430/1996.  Da  mesma  forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das  multa  de  ofício  não  pode  exceder  75%.  No  AI  de  obrigação  acessória,  isoladamente,  o  percentual  não  pode  exceder  as  penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991.  Observe­se  que,  no  caso  de  competências  em  que  a  obrigação  principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação  do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a  obrigação  acessória,  isoladamente,  relativa  às  mesmas  competências, não atingidas pela decadência posto que regidas  pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade  limitada  ao  valor  previsto  no  artigo  32­A  da  Lei  nº  8.212,  de  1991.  Cumpre  ressaltar  que  o  entendimento  acima  está  em  consonância  com  o  que  dispõe  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  13  de  novembro  de  2009,  alterada  pela  Instrução  Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão  do  que  estabelece  a  Portaria  PGFN/RFB  nº  14  de  04  de  dezembro  de  2009,  que  contempla  tanto  os  lançamentos  de  obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto  ou isoladamente.  Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a  autoridade  responsável  pela  execução  do  acórdão,  quando  do  trânsito  em  julgado administrativo,  deverá  observar a Portaria  PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 ­ que se reporta à  aplicação  do  princípio  da  retroatividade  benigna  previsto  no  artigo  106,  inciso  II,  alínea  “c”,  do  CTN,  em  face  das  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias  nos  lançamentos  de  obrigação  principal  e  de  obrigação  acessória,  em  conjunto  ou  isoladamente,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na  Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria,  Fl. 272DF CARF MF Processo nº 12897.000829/2009­91  Acórdão n.º 9202­006.924  CSRF­T2  Fl. 9          8 a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência  unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema:  Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009   Art.  1º  A  aplicação  do  disposto  nos  arts.  35  e  35­A  da  Lei  nº  8.212, de 24 de  julho de 1991, com a  redação dada pela Lei nº  11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e  aos  demais  débitos  não  pagos  até  3  de  dezembro  de  2008,  inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo  ainda  não  definitivamente  julgado,  observará  o  disposto  nesta  Portaria.  Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito  pelo  contribuinte,  o valor das multas  aplicadas  será analisado e  os  lançamentos,  se  necessário,  serão  retificados,  para  fins  de  aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c"  do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966  ­ Código Tributário Nacional (CTN).  §  1º  Caso  não  haja  pagamento  ou  parcelamento  do  débito,  a  análise do valor das multas  referidas no caput será  realizada no  momento  do  ajuizamento da  execução  fiscal  pela Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional (PGFN).  § 2º A análise a que se refere o caput dar­se­á por competência.  §  3º  A  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica  na  forma  deste  artigo dar­se­á:  I  ­  mediante  requerimento  do  sujeito  passivo,  dirigido  à  autoridade  administrativa  competente,  informando  e  comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou   II ­ de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a  possibilidade de aplicação.  §  4º  Se  o  processo  encontrar­se  em  trâmite  no  contencioso  administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará  constar  de  sua  decisão  que  a  análise  do  valor  das  multas  para  verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível,  será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento.  Art.  3º  A  análise  da  penalidade mais  benéfica,  a  que  se  refere  esta  Portaria,  será  realizada  pela  comparação  entre  a  soma  dos  valores  das  multas  aplicadas  nos  lançamentos  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  conforme  o  art.  35  da  Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº  11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º  do  art.  32  da Lei  nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada  na forma do art. 35­A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela  Lei nº 11.941, de 2009.  § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009,  tenham  sido  aplicadas  isoladamente,  sem  a  Fl. 273DF CARF MF Processo nº 12897.000829/2009­91  Acórdão n.º 9202­006.924  CSRF­T2  Fl. 10          9 imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades  previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, com a  redação  dada pela Lei nº 11.941, de 2009.  §  2º A  comparação  na  forma  do  caput  deverá  ser  efetuada  em  relação  aos  processos  conexos,  devendo  ser  considerados,  inclusive,  os  débitos  pagos,  os  parcelados,  os  não­impugnados,  os  inscritos  em  Dívida  Ativa  da  União  e  os  ajuizados  após  a  publicação  da Medida  Provisória  nº  449,  de  3  de  dezembro  de  2008.  Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei  nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009,  sobre  as  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  deverá  ser  comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35­A  daquela  Lei,  acrescido  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009,  e,  caso  resulte  mais  benéfico  ao  sujeito  passivo,  será  reduzido  àquele  patamar.  Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a  contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  a multa  aplicada  limitar­se­á  àquela  prevista  no  art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009.  Diante  do  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  da  Fazenda  Nacional  para  determinar  que  a  multa  seja  aplicada  nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04  de dezembro de 2009."  Aplicando­se  a decisão  do paradigma ao presente processo, nos  termos dos  §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar­ lhe  provimento,  para  que  a  retroatividade  benigna  seja  aplicada  em  conformidade  com  a  Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.  (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo                            Fl. 274DF CARF MF

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Numero do processo: 11891.000194/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 09/01/2007 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SUMULA CARF Nº 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Não se conhece, em julgamento administrativo, de matéria submetida ao crivo do poder judiciário. JUROS DE MORA. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. SUMULA CARF Nº5. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. No caso dos autos, não houve depósito do montante integral, tornando possível o lançamento dos juros de mora.
Numero da decisão: 3302-005.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).

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3302­005.544  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de junho de 2018  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO PIS E COFINS ­ IMPORTAÇÃO  Recorrente  BIOLABOR LABORATORIO DE ANALISES CLINICAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 09/01/2007  PROPOSITURA  DE  AÇÃO  JUDICIAL.  RENÚNCIA  ÀS  INSTÂNCIAS  ADMINISTRATIVAS. SUMULA CARF Nº 1.  Súmula  CARF  nº  1:  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria  distinta  da  constante  do  processo  judicial.   Não  se  conhece,  em  julgamento  administrativo,  de  matéria  submetida  ao  crivo do poder judiciário.  JUROS  DE  MORA.  LEGALIDADE  DO  LANÇAMENTO.  SUMULA  CARF Nº5.  Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo quando existir depósito no montante integral.   No  caso  dos  autos,  não  houve  depósito  do  montante  integral,  tornando  possível o lançamento dos juros de mora.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 01 94 /2 00 7- 57 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11891.000194/2007­57  Acórdão n.º 3302­005.544  S3­C3T2  Fl. 150          2 (assinado digitalmente)  Diego Weis Junior ­ Relator.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de  Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães  (Suplente Convocado),  Jose Renato Pereira de  Deus,  Jorge  Lima  Abud,  Diego  Weis  Junior,  Raphael  Madeira  Abad  e  Paulo  Guilherme  Déroulède (Presidente).  Relatório  Cuida­se  de Recurso Voluntário  interposto  contra  decisão  da 11ª  Turma da  DRJ/SP1 assim ementado.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Fato Gerador: 09/01/2007  CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E  JUDICIAL  Decisão  emitida  em  Mandado  de  Segurança,  implica  na  renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da  constante do processo judicial. (Súmula no 1 Portaria CARF no  52, de 2010).  Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria  da ação judicial.  JUROS DE MORA  Exigibilidade  Suspensa.  São  devidos  juros  de  mora  sobre  o  crédito tributário não  integralmente pago no vencimento, ainda  que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do  montante  integral.  (Súmula  no  5,  Portaria  CARF  no  52,  de  2010).  Por bem transcrever os fatos, adota­se parte do relatório do acórdão recorrido.  Trata­se  de  processo  de  crédito  tributário  lançado  através  de  auto de infração (fls. 2 a 14), lavrado contra a BIOLABOR LAB  ANÁLISES  CLÍNICAS  S/C  LTDA.  CNPJ  54.336.615/0001­12,  doravante  denominada  impugnante,  no  valor  de  R$  3.648,36  (Três  mil  seiscentos  e  quarenta  e  oito  reais  e  trinta  e  seis  centavos).  O  crédito  lançado  refere­se  à  diferença  de  PIS  E  COFINS devidos no desembaraço da Declaração de Importação  no 07/0033104­7, registrada em 02/01/2007.  A  impugnante  impetrou  Mandado  de  Segurança  no  2007.38.00.000108­6 na 3ª. VARA DA JUSTIÇA FEDERAL em  Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11891.000194/2007­57  Acórdão n.º 3302­005.544  S3­C3T2  Fl. 151          3 Minas Gerais,  para  promover  o  desembaraço  das mercadorias  sem  o  pagamento  do  PIS  COFINS  alegando  na  petição  a  inconstitucionalidade  da  Lei  10865/2004  que  estabeleceu  a  cobrança das contribuições.  Em  sua  decisão  inicial  o  juízo  da  3ª.  VARA  DA  JUSTIÇA  FEDERAL  em  Minas  Gerais,  foi  deferida  parcialmente  a  liminar,  determinando  o  pagamento  da  contribuições  PIS  e  COFINS, calculados somente com base no valor aduaneiro das  mercadorias,  ou  seja  com a base de cálculo  sem a  inclusão do  ICMS e das próprias contribuições.  Desta  forma,  o  desembaraço  da  mercadoria  referente  à  declaração  de  Importação  no  07/0033104­7  ocorreu  em  cumprimento  à  decisão  judicial,  constante  no  processo judicial no 2007.38.00.000108­6 da 3ª. VARA DA JUSTIÇA FEDERAL em Minas  Gerais,  com  o  depósito  dos  valores  de  PIS/COFINS:  com  base  no  valor  aduaneiro  da  mercadoria  (parte  não  suspensa  pela medida  judicial). Assim,  o  auto  de  infração  referente  a  este PAF foi lançado para a cobrança do valor suspenso pela decisão Liminar.   Na impugnação apresentada tempestivamente em 27.06.2007 (fls 65 a 77) o  contribuinte alegou, em síntese, a insubsistência do auto de infração lavrado, tendo em vista a  suspensão da exigibilidade do crédito  tributário, na parte que  toca a estes autos, por  força de  medida liminar em mandado de segurança, nos termos do art. 151, IV, do CTN, inclusive no  que diz respeito aos juros de mora.  Aduziu ainda a  inconstitucionalidade das contribuições ao PIS e a COFINS  Importação sob 3 fundamentos distintos.  A  DRJ/SP1  não  conheceu  da  Impugnação,  alegando  concomitância  da  matéria com a discussão em autos judiciais e, no que diz respeito ao juros de mora, invocando  a Sumula Carf nº 5.  Cientificada do acórdão recorrido em 28.08.2014, interpôs recurso voluntário  em 10.09.2014 (fls. 116 a 124), onde alega ter sido confirmada a liminar concedida, inclusive  com o trânsito em julgado, e pugna pela declaração da improcedência do lançamento realizado  por meio do auto de infração combatido, inclusive no que diz respeito aos juros de mora, vez  que  a  exigência  destes  está  condicionada  à  exigência  do  principal,  que  já  foi  afastada  por  decisão judicial.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Diego Weis Junior, Relator.  O Recurso Voluntário  é  tempestivo e preenche os pressupostos e  requisitos  de admissibilidade.  Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11891.000194/2007­57  Acórdão n.º 3302­005.544  S3­C3T2  Fl. 152          4 1  Da Renúncia ao Processo Administrativo por Concomitância com Processo Judicial.   Tanto o contribuinte quanto a DRJ/SP1 atestam que a discussão do presente  PAF  guarda  relação  de  identidade  com  a  realizada  nos  autos  do Mandado  de  Segurança  nº  2007.38.00.000108­6, tendo, inclusive, ocorrido o trânsito em julgado, reconhecendo o TRF da  1ª Região a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS e das contribuições ao PIS­Importação  e da COFINS­Importação na base de cálculo destas.  A  liminar  concedida  nos  autos  do  MS  em  comento,  determinava  a  exigibilidade  da  parte  do  crédito  tributário  não  alcançada  pela  decisão,  ou  seja,  dos  valores  relativos  ao PIS e COFINS  Importação  sobre o valor aduaneiro,  sem a  inclusão do valor do  ICMS e das próprias contribuições.  O  depósito  da  parte  exigível  foi  realizado  em  12.01.2007,  e  a  discussão  acerca de  sua  suficiência e  tempestividade, bem como sobre  a aplicação ou não da multa de  ofício ocorre em outros autos, de nº 11891.000195/2007­00, não distribuídos a este relator.  Assim,  nestes  autos,  cuida­se  apenas  do  lançamento  para  prevenir  a  decadência,  relativo  ao  montante  das  contribuições  ao  PIS  e  à  COFINS  ­  Importação,  cuja  exigibilidade  foi  suspensa  por  medida  liminar  concedida  em  Mandado  de  Segurança,  nos  termos  do  art.  151,  inciso  IV,  do  CTN,  bem  como  dos  juros  de  mora  incidentes  sobre  tal  crédito.  Insurge­se o contribuinte contra a manutenção do lançamento pela DRJ, em  razão de decisão favorável ter transitado em julgado, reconhecendo a inconstitucionalidade do  art. 7º da Lei nº 10.865/2004.  Ocorre que o objeto do  lançamento  realizado por meio do  auto de  infração  em discussão nestes autos é exatamente o mesmo da discussão ocorrida nos autos do Mandado  de Segurança nº 2007.38.00.000108­6, inclusive no que diz respeito aos juros de mora, vez que  tratam­se de acessórios do objeto da ação antiexacional em comento.  Não cabe aos julgadores administrativos decidir sobre matéria já decidida em  ação  judicial,  haja  vista  a  prevalência  desta  última,  não  se  podendo  conhecer  do  presente  recurso voluntário.  Portanto, não merece reparo a decisão recorrida no que diz respeito à parcela  das  contribuições  cuja  exigibilidade  foi  suspensa  por  decisão  judicial,  haja  vista  que  a  propositura de ação judicial configura renúncia às instâncias administrativas para discussão da  mesma  matéria,  esvaziando  a  competência  dos  julgadores  administrativos  no  que  for  concomitante.  Nesse sentido dispõe a Sumula CARF nº 1.  Súmula  CARF  nº  1:  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria  distinta  da  constante  do processo judicial.  Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11891.000194/2007­57  Acórdão n.º 3302­005.544  S3­C3T2  Fl. 153          5 2  Dos Juros de Mora.  O  recorrente  insurge­se  ainda  contra  os  juros  de  mora  incidentes  sobre  o  valor  do  crédito  tributário  cuja  exigibilidade  foi  suspensa  por medida  liminar  concedida  em  mandado de segurança, e cujo montante não foi depositado.  Esclareça­se  que  a  citada medida  liminar  somente  obrigou  o  contribuinte  a  pagar/depositar a parte correspondente às contribuições ao PIS e à COFINS ­ Importação não  alcançadas  pela  decisão  judicial,  suspendendo  a  exigibilidade  da  parte  controvertida  sem  a  exigência de depósito.  Exatamente assim procedeu o contribuinte, deixando de depositar em juízo a  parcela das contribuições em discussão nestes autos.  Segundo inteligência da Sumula CARF nº 5, somente o depósito do montante  integral afasta a incidência de juros de mora sobre credito tributário não integralmente pago no  vencimento, mesmo que suspensa a exigibilidade da parcela não depositada.  Súmula CARF nº 5: São devidos  juros de mora sobre o crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante integral.  No  caso  em  análise,  não  houve  o  depósito  do  montante  integral,  vez  que  conforme já exposto e conforme comprova o auto de infração (fls. 2 a 14), combinado com as  guias e demonstrativo de fls 51 a 53, a parcela depositada foi somente aquela não alcançada  pela liminar concedida em Mandado de Segurança.  Portanto,  considerando  que  o  lançamento  efetuado  por  meio  do  auto  de  infração  em  discussão  nestes  autos  diz  respeito  somente  à  parcela  do  crédito  tributário  cuja  exigibilidade  foi  suspensa  pela medida  liminar,  e  que  sobre  tal  parcela  não  houve  depósito,  materializada está a hipótese do Art. 63 da Lei nº 9.430/1996, sendo possível à administração  tributária  efetuar  o  lançamento  do  tributo  e  dos  juros  de  mora  para  prevenir  a  decadência,  mantendo suspensa a exigibilidade até decisão final do poder judiciário.  Observa­se, contudo, que compete às unidades da RFB tomar as providências  necessárias para implementar o contido na decisão proferida pelo TRF da 1ª Região, nos autos  do  processo  de  nº  0000108­66.2007.4.01.3800,  transitada  em  julgado  no  dia  11.06.2013,  conforme extrato de fls. 138.  Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, e  na parte conhecida, negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Diego Weis Junior ­ Relator                Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11891.000194/2007­57  Acórdão n.º 3302­005.544  S3­C3T2  Fl. 154          6                 Fl. 154DF CARF MF

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Numero do processo: 13864.720101/2014-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 30/06/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA . DESCABIMENTO. A sistemática de tributação não-cumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, não contempla os dispêndios com frete decorrentes da transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE PER/DCOMP CORRESPONDENTE AO TRIMESTRE-CALENDÁRIO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da não-cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. CRÉDITOS PRESUMIDOS. SICOBE. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO. RELAÇÃO TEMPORAL ENTRE PAGAMENTOS E DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. O aproveitamento, como dedução das contribuições devidas, dos créditos presumidos decorrentes dos gastos de implantação e manutenção de equipamentos no âmbito do SICOBE, deve observar a relação temporal entre os custos efetivamente pagos e a dedução dos créditos das contribuições devidas, no período, inclusive quanto aos ressarcimentos devidos à Casa da Moeda do Brasil. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/06/2009 a 31/12/2009 PIS/Pasep . AUTUAÇÃO. IDENTIDADE MATÉRIAS Adotam-se ao PIS/Pasep, as mesmas ementas referenciadas à Contribuição da COFINS, pela igualdade de matérias.
Numero da decisão: 3302-005.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad, que davam provimento parcial para admitir os créditos presumidos de que trata o artigo 58-R da Lei nº 10.833/2003, reconhecidos pela fiscalização no Anexo V do relatório fiscal. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida não participou da votação, em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na reunião de abril de 2018. O Conselheiro Vinícius Guimarães não participou da votação quanto à negativa de provimento de frete sobre produtos acabados, fretes sem conhecimento de transporte, frete sobre créditos extemporâneos e créditos presumidos de que trata o artigo 58-R da Lei nº 10.833/2003, em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento na reunião de abril de 2018. Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède como redator ad hoc para formalização do voto. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Redator ad hoc. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, Vinícius Guimarães, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1981; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 3.437          1 3.436  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13864.720101/2014­96  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3302­005.537  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de junho de 2018  Matéria  PIS/Pasep e COFINS  Recorrente  CERVEJARIAS KAISER BRASIL S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 30/06/2009 a 31/12/2009  CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS  ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA . DESCABIMENTO.  A  sistemática  de  tributação  não­cumulativa  do  PIS  e  da COFINS,  prevista  nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, não contempla os dispêndios com  frete  decorrentes  da  transferência  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos da mesma pessoa jurídica.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEOS.  NECESSIDADE  DE  PER/DCOMP  CORRESPONDENTE  AO  TRIMESTRE­ CALENDÁRIO  DE  APURAÇÃO  DOS  CRÉDITOS.  DACON.  RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.  Os  créditos  da  não­cumulatividade  devem  ser  reconhecidos  no  período  de  apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do  serviço.  Para  utilização  de  créditos  extemporâneos,  é  necessário  que  reste  configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das  declarações  correspondentes,  ou  apresentação  de  outra  prova  inequívoca  da  sua não utilização.  CRÉDITOS  PRESUMIDOS.  SICOBE.  APURAÇÃO  E  UTILIZAÇÃO.  RELAÇÃO  TEMPORAL  ENTRE  PAGAMENTOS  E  DEDUÇÃO  DA  CONTRIBUIÇÃO.  O  aproveitamento,  como  dedução  das  contribuições  devidas,  dos  créditos  presumidos  decorrentes  dos  gastos  de  implantação  e  manutenção  de  equipamentos no âmbito do SICOBE, deve observar a relação temporal entre  os  custos  efetivamente  pagos  e  a  dedução  dos  créditos  das  contribuições  devidas, no período,  inclusive quanto aos  ressarcimentos devidos à Casa da  Moeda do Brasil.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 01 /2 01 4- 96 Fl. 3437DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.438          2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 30/06/2009 a 31/12/2009  PIS/Pasep . AUTUAÇÃO. IDENTIDADE MATÉRIAS  Adotam­se ao PIS/Pasep, as mesmas ementas referenciadas à Contribuição da  COFINS, pela igualdade de matérias.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  parcialmente  do  recurso  voluntário  e,  na  parte  conhecida,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Diego Weis Jr e Raphael Madeira  Abad, que davam provimento parcial para admitir os créditos presumidos de que trata o artigo  58­R da Lei nº 10.833/2003, reconhecidos pela fiscalização no Anexo V do relatório fiscal. O  Conselheiro  Fenelon  Moscoso  de  Almeida  não  participou  da  votação,  em  razão  do  voto  definitivamente  proferido  pela  Conselheira Maria  do  Socorro  Ferreira  Aguiar  na  reunião  de  abril de 2018. O Conselheiro Vinícius Guimarães não participou da votação quanto à negativa  de provimento de frete sobre produtos acabados, fretes sem conhecimento de transporte, frete  sobre  créditos  extemporâneos  e  créditos  presumidos  de  que  trata  o  artigo  58­R  da  Lei  nº  10.833/2003, em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro José Fernandes do  Nascimento na reunião de abril de 2018. Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède  como redator ad hoc para formalização do voto.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente e Redator ad hoc.     Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Paulo  Guilherme  Déroulède  (Presidente),  Maria  do  Socorro  Ferreira  Aguiar,  Walker  Araújo,  Vinícius  Guimarães,  José  Renato  Pereira  de  Deus,  Jorge  Lima  Abud,  Diego Weis  Júnior  e  Raphael  Madeira Abad.  Relatório  Na  condição  de  redator  ad  hoc,  designado  para  formalizar  o  voto,  passo  a  transcrever  o  relatório  elaborado  na  minuta  do  voto  proferido  pela  Conselheira  Maria  do  Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 17/04/2018.  "Por bem descrever os  fatos ocorridos até o presente momento  processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto  o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito:  Trata­se  de  Autos  de  Infração  da  Contribuição  para  Financiamento da Seguridade Social­COFINS e da contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social­PIS,.  fls.459/470,  que  constituíram  o  crédito  tributário  total  de  R$  27.258.584,04,  somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados  até 30/05/2014.  Fl. 3438DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.439          3 No Relatório Fiscal que acompanha os Autos, a autoridade fiscal  expõe nos seguintes termos os fatos que levaram ao lançamento:  2.1) Créditos Calculados  sobre Fretes de Transferências entre  Estabelecimentos   Nos  Dacon  de  junho  a  dezembro  de  2009,  a  fiscalizada  computou no valor informado na linha 07 das fichas 06A e 16A,  para  efeito  de  apuração  de  créditos  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, despesas com fretes de  transferências  entre  seus  estabelecimentos,  conforme detalhado  em  relação  por  ela  apresentada  em  15/01/2013  em  anexo  à  resposta ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 27/11/2012.  ...  Considerando que não há previsão legal na Lei n° 10.637/2002 e  na Lei n° 10.833/2003 para a apuração de créditos sobre fretes  de  transferência  entre  estabelecimentos,  o  cálculo  e  a  apropriação de  créditos  sobre,  tais  operações,  identificadas  na  relação  apresentada  pela  fiscalizada,  foram  considerados  indevidos.  ...  2.2)  Créditos  Calculados  sobre  Fretes  sem  Conhecimento  de  Transporte de Carga   No  Dacon  de  junho  de  2009,  à  fiscalizada  incluiu  no  valor  informado  na  linha  07  das  fichas  06A  e  16A,  para  efeito  de  apuração  de  créditos  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  respectivamente,  despesas  com  fretes  relacionados  à  filial  em  Jacareí/SP  (CNPJ  n°  19.900.000/0039­49),  conforme  demonstrado  em  planilha  eletrônica  por  ela  apresentada  em  21/05/2012, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal  lavrado  em 10/04/2012.  Ao  final  de  sucessivas  justificativas  apresentadas  em  face  do  Termo  de  Reintimação  Fiscal  lavrado  em  15/03/2013,  ela  informou,  em missiva  protocolizada  neste  Sefis  em  11/06/2013,  que  os  conhecimentos  de  transporte  rodoviário  de  cargas  (CTRC) relativos a esses fretes haviam sido extraviados.  Para demonstrar o extravio dos citados documentos, apresentou  em anexo à  referida missiva cópia da "Declaração de Extravio  de Documento (a que se refere o item 1 do § 2o do artigo 1º da  Portaria  CAT1­7/2006)"  e  de  uma  relação  dos  CTRC  extraviados, que apresentou à Secretaria da Fazenda do Estado  de São Paulo (Posto Fiscal em São José dos Campos).  Considerando  que  os  CTRC  são  documentos  hábeis  a  demonstrar a efetiva ocorrência de fretes, bem como a natureza  dessas  operações  e  a  qualificação  de  seus  fornecedores  (se  pessoa  física  ou  jurídica,  por  exemplo),  com  o  extravio  desses  documentos, a fiscalizada deixou de possuir prova para exercer  Fl. 3439DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.440          4 o  direito  aos  créditos  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins calculados sobre essas operações.  Desse  modo,  o  cálculo  e  a  apropriação  de  créditos  sobre  os  CTRC  extraviados,  relacionados  à  filial  em  Jacareí  no mês  de  junho de 2009, foram considerados indevidos.  ...  2.3) Créditos Extemporâneos Apropriados Indevidamente   No Dacon de julho de 2009, a fiscalizada informou na linha 21  das fichas 06A e 16A, a título de "Outros Créditos a Descontar",  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  créditos  nos  valores de R$ 404.928,31 e R$ 1.781.176,53, respectivamente.  Em  respostas  apresentadas  aos  termos  de  intimações  fiscais  lavrados em 18/10/2013 e 14/01/2014, protocolizadas neste Sefis  em 11/11/2013 e 06/02/2014, respectivamente, ela informou que  tais  valores  se  referem  "ao  aproveitamento  de  créditos  extemporâneos" da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins,  "apropriados  a  partir  da  reapuração,  dessas  contribuições  nos  períodos de 2005 a 2008".  Considerando  que,  conforme  informações  prestadas,  tais  créditos decorreram de operações estranhas ao mês de julho de  2009, a apropriação dos citados valores no Dacon daquele mês  foi considerada indevida, pelas razões expostas a seguir.  A Lei n° 10.637/2002 e a Lei.nº 10.833/2003 determinam, no § 1º  de seu art. 3o, o momento em que deve se dar o aproveitamento  dos  créditos  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins.  Assim dispõe o § 1o do art. 3o da Lei n° 10.637/2002 (...).  De  acordo  com  os  citados  dispositivos,  portanto,  os  créditos  devem ser determinados sobre o valor de operações ocorridas no  mês. Mês este que não pode ser outro senão o de ocorrência do  fato gerador, haja vista o disposto nos arts. 1o, 2o e caput do art  3o  das  referidas  leis.  Em  outros  termos,  não  há  previsão  legal  para  a  apropriação  de  créditos  em  mês  estranho  ao  de  ocorrência do fato gerador.  ...  Portanto, ao constatar que havia deixado de aproveitar créditos  "de  2005  a  2008",  a  fiscalizada  deveria  ter  procedido  à  retificação dos Dacon respectivos.  ...  2.4) Créditos Presumidos do Sicobe Não Comprovados   Nos Dacon de agosto, setembro, novembro e dezembro de 2009,  a  fiscalizada  apropriou  na  linha  21  das  fichas  06A e  16A,  (...)  créditos da contribuição para PIS/Pasep e da Cofins (...).  Fl. 3440DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.441          5 Em  resposta  ao  Termo  de  Intimação  Fiscal  lavrado  em  18/10/2013,  protocolizada  neste  Sefis  em  11/11/2013,  ela  esclareceu  que  tais  valores  se  referem  ao  "aproveitamento  de  créditos  relativo  à  aquisição  e manutenção  de  equipamento  do  SICOBE.  Para  comprovar  a  legitimidade  dos  referidos  créditos  apresentou em 10/04/2014, em resposta ao item "2" do Termo de  Intimação  Fiscal  lavrado  em  28/02/2014,  arquivo  magnético  com  imagens  de  documentos  fiscais  referentes  aos  citados  custos,  cujos  dados  foram  transcritos  para  o  Anexo  IV  ao  presente relatório, e de comprovantes de pagamentos efetuados.  Os  documentos  fiscais  e  comprovantes  de  pagamentos  apresentados,  porém,  comprovaram  a  legitimidade  de  apenas  parte dos créditos por ela apropriados, como se expõe a seguir.  O  art.  58­R  da  Lei  n°  10.833/2003,  com  disciplinamento  pela  IN/RFB n° 869/2008,  estabelece a possibilidade de dedução de  crédito  presumido  relativo  ao  ressarcimento  do  custo  de  aquisição,  instalação  e  manutenção  de  equipamentos  de  controle  de  produção  (do Sistema de Controle  de Produção de  Bebidas ­ Sicobe e do Sistema de Medição de Vazão ­ SMV), de  quê trata o inciso XIII do caput do art. 28 da Lei n° 10.865/2004,  admitindo  a  sua  utilização  somente  no  desconto  do  valor  da  Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados no regime  de  incidência  não­cumulativa,  nos  termos  do  §  4o  do  citado  artigo.  ...  Desse  modo,  o  dispositivo  legal  em  tela  permite  que  a  pessoa  jurídica  deduza  da  contribuição  para  o PIS/Pasep  e  da Cofins  crédito  presumido  em  relação  ao  ressarcimento  do  custo  de  aquisição,  instalação  e  manutenção  de  equipamentos  de  controle  de  produção  do  Sicobe  e  do  SMV,  nas  condições  estabelecidas nos parágrafos do caput.  A  IN/RFB n°  869/2008  estabelece  em  seu art.  12  que  a pessoa  jurídica poderá deduzir da contribuição para o PIS/Pasep ou da  Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido  correspondente  à  aquisição  de  equipamentos,  partes  e  peças,  bem como aos respectivos custos de instalação e manutenção do  Sicobe,  efetivamente  pagos  no  mesmo  período  pelos  seus  estabelecimentos industriais.  Portanto,  o  crédito  presumido  pode  ser  apropriado  em  cada  período de apuração no montante dos valores das aquisições de  equipamentos,  partes  e  peças  e  dos  custos  de  instalação  e  manutenção  do  Sicobe  efetivamente  pagos  no  mesmo  período,  respeitadas as demais condições previstas na legislação.  Nesse contexto, diante dos documentos fiscais e comprovantes de  pagamentos  apresentados  no  arquivo  magnético  anexado  à  resposta protocolizada neste Sefis  em 10/04/2014, a  fiscalizada  demonstrou  fazer  jus,  em  agosto,  setembro,  novembro  e  Fl. 3441DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.442          6 dezembro de 2009, somente aos créditos presumidos calculados  no Anexo V ao presente relatório.  Aplicando sobre referidos créditos os fatores de rateio previstos  no  art.  58­R  da  Lei  n°  10.833/2003,  foram  obtidos  valores  inferiores aos apropriados nos respectivos Dacon (...).  Assim,  os  documentos  e  comprovantes  de  pagamentos  apresentados  não  foram  hábeis  a  comprovar  a  totalidade  dos  créditos  presumidos  apropriados  pela  fiscalizada  nos  Dacon,  pelo  que  as  diferenças  calculadas  no  quadro  acima  foram  consideradas  créditos  indevidos  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep e da Cofins.  3  ­  DOS  CRÉDITOS  PRESUMIDOS  NÃO  INFORMADOS  NOS DACON.  No curso da  fiscalização,  foram constatadas divergências entre  os valores a pagar da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins  apurados  pela  fiscalizada  nos  Dacon  de  junho  a  dezembro  de  2009  e  os  débitos  dessas  contribuições  informados  nas  respectivas DCTF.  Por meio do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 29/11/2012,  a  fiscalizada  foi  intimada  a  esclarecer  tais  divergências,  devidamente indicadas em planilha anexada ao citado termo.  Em  resposta  protocolizada  neste  Sefis  em,  17/12/2012,  ela  apresentou  planilha  eletrônica  visando  "justificar  as  divergências  apontadas". Em  tal  planilha  expôs  que  os  valores  informados  em  DCTF  corresponderam,  essencialmente,  aos  valores  das  contribuições  a  pagar  apuradas  nos  Dacon  deduzidos de créditos presumidos relativos ao Sicobe (IN/RFB n°  869/2008), não informados nos Dacon.  ...  Os  dados  acima  indicaram  que  a  fiscalizada  efetuou,  fora  dos  Dacon, três tipos de deduções nos valores da contribuição para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  a  pagar  apuradas  nesses  demonstrativos, com as seguintes denominações:  1) "Dedução SICOBE ­ recolhimento Casa da Moeda";  2)  "Dedução  SICOBE  ­  investimentos";  e,  3)  "Saldo  credor  período anterior".  A  legitimidade  dessas  deduções  será  analisada  nos  próximos  subitens.  3.1) Da "Dedução SICOBE ­ recolhimento Casa da Moeda''   A análise da legitimidade dos créditos presumidos apropriados  pela fiscalizada fora dos Dacon sob a denominação "SICOBE ­  recolhimento Casa da Moeda" foi efetuada com base no § 2° do  art. 58­T da Lei n° 10.833/2003 e na IN/RFB n° 869/2008,' como  segue.  Fl. 3442DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.443          7 O  §  2o  do  art.  58­T  da  Lei  n°  10.833/2003,  estabelece  a  possibilidade  de  dedução  de  crédito  presumido  correspondente  ao ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil (CMB)  pela integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva  dos equipamentos contadores de produção (...).  ...  Assim,  o  dispositivo  legal  acima  transcrito  estabelece  que  a  pessoa jurídica pode deduzir da contribuição para o PIS/Pasep  ou  da  Cofins,  devidas  em  cada  período  de  apuração,  crédito  presumido  em  relação  ao  ressarcimento  efetivamente  pago  no  mesmo  período  à  CMB,  pela  execução  dos  procedimentos  de  integração,  instalação e manutenção preventiva e corretiva dos  equipamentos contadores de produção (§ 2° do art. 58­T da Lei  n° 10.833/2003).  O  art.  11  da  IN/RFB  n°  869/2008  determina  que  referido  ressarcimento  será  realizado  por  intermédio  de  Documento  de  Arrecadação de Receitas Federais  (DARF)  utilizando  o  código  de  receita  0075  ­  "Ressarcimento  Casa  da  Moeda  ­.Lei  n°  11.488/2007", para recolhimento dos valores devidos no período  de apuração (...).  Nessas  condições,  tendo  em  vista  a  citada  legislação,  foram  considerados  créditos  presumidos  passíveis  de  dedução  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  em  cada  mês,  os  valores dos ressarcimentos à CMB registrados no Sistema Sinal  com o código de receita 0075 ­"Ressarcimento Casa da Moeda ­  Lei n° 11.488/2007". Tais ressarcimentos estão relacionados no  Anexo  VI  ao  presente  relatório  e  consolidados  pelo  mês  do  efetivo pagamento no seu Anexo VII.  Referidos  créditos  presumidos  (Anexo  VII)  foram  aproveitados  de ofício na dedução dos valores devidos da contribuição para o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  apurados  na  presente  fiscalização,  conforme descrito adiante, no item 4 deste relatório.  3.2) Da "Dedução SICOBE­ investimentos"   A  análise  da  regularidade  fiscal  do  crédito  presumido  apropriado  pela  fiscalizada  fora  do Dacon,  em  julho  de  2009,  sob a  rubrica "Dedução SICOBE  ­  investimentos",  foi  efetuada  com  base  no  disposto  no  art.  58­R  da  Lei  n°  10.833/2003,  abordado no item 2.4 do presente relatório.  Conforme já mencionado, o aludido dispositivo legal estabelece  a  possibilidade  de  a  pessoa  jurídica  deduzir  da  contribuição  para o PIS/Pasep e da Cofins crédito presumido em relação ao  ressarcimento do custo de aquisição,  instalação e manutenção  de equipamentos de controle de produção do Sicobe e do Sistema  de  Medição  de  Vazão  ­SMV,  nos  termos  dos  parágrafos  do  caput, e  somente  para  utilização  no  desconto  das  contribuições  apuradas no regime não­cumulativo.  Fl. 3443DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.444          8 No  caso  presente,  a  fiscalizada  expôs  por  meio  da  planilha  apresentada, que deduziu da contribuição para o PIS/Pasep e da  Cofins devidas em julho de 2009, sob a denominação "Dedução  SICOBE ­ investimentos", preditos presumidos nos valores de R$  187.468,10 e de R$ 871.673,70, respectivamente.  ...  Ocorre  que  os  documentos  fiscais  e  comprovantes  de  pagamentos apresentados para comprovar a legitimidade desses  créditos  presumidos  em  julho  de  2009  totalizaram  R$  313.995,10, conforme apurado no Anexo V ao presente relatório  fiscal. (...).  Tais  valores  foram  inferiores  aos  apropriados  pela  fiscalizada  (fora  do  Dacon),  de  R$  187.468,10  e  de  R$  871.673,70,  respectivamente.  Nessas  condições,  foram  considerados  passíveis  de  dedução  em  julho  de  2009,  com  base  no  citado  dispositivo  legal,  somente  os  créditos  presumidos  dispostos  no  quadro  acima  e  não  os  valores  indicados  na  planilha  apresentada pela fiscalizada.  Os  créditos  presumidos  indicados  acima,  bem  como  os  calculados em junho de 2009 (Anexo V), foram aproveitados de  ofício  na  dedução  dos  valores  devidos  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  apurados  na  presente  fiscalização,  conforme descrito no item 4 deste relatório.  3.3)  Da  Dedução  com  "Saldo  credor  período  anterior"  Conforme  se  verifica  no  Anexo  VIII  ao  presente  relatório,  o  saldo  de  créditos  presumidos  não  aproveitados  de  ofício  em  outubro  de  2009  não  foi  utilizado  em meses  subseqüentes,  por  falta  de  previsão  legal  nos  arts.  58­R  e  58­T  da  Lei  n°  10.833/2003, que regem a matéria.  4­ DA INSUFICIÊNCIA DOS VALORES DECLARADOS EM  DCTF   Excluindo­se  dos  Dacon  de  junho  a  dezembro  de  2009  os  créditos indevidamente apropriados, conforme descrito no item 2  deste  relatório,  e  aproveitando­se  de  ofício  os  créditos  presumidos  calculados  no  item  3,  apuraram­se  valores  apagar  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  superiores  aos  informados  nas  DCTF  desse  período,  conforme  cálculos  expostos no Anexo VIII ao presente relatório. Tais insuficiências  (nos  valores  declarados  nas  DCTF),  foram  consideradas  contribuições devidas e lançadas de ofício.  Cientificada,  a  interessada  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  questionando  as  razões  expostas  pela  autoridade  fiscal,  questionamentos  esses  que  serão  examinados  no  voto.  Além,  argumentou  a  contribuinte  no  seguinte sentido:  Vale  destacar  que  após  realizar  todos  os  ajustes  acima  mencionados,  a  Impugnante,  a  princípio,  constatou  que  nos  Fl. 3444DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.445          9 períodos  de  julho,  agosto  e  setembro  de  2009,  o  valor  efetivamente  pago  de  COFINS  foi  menor  do  que  o  valor  apurado, resultando em uma diferença de R$ 172.224,04 para o  período de julho de 2009, uma diferença de R$ 246.450,04 para  o período de agosto de 2009 e uma diferença de R$ 133.483,39  para o período de setembro de 2009 (...).  Entretanto ao realizar uma auditoria interna em suas apurações  de PIS  e COFINS do  período  de  2009,  a  Impugnante  verificou  também que na época da entrega das DACON e DCTF, cometeu  alguns equívocos na apuração destas contribuições.  O ajuste destes equívocos gera uma declaração a maior do PIS e  da  COFINS  devido  no  período  autuado.  No  próximo  tópico  a  Impugnante irá tratar individualmente destes ajustes.  IV.  DOS  DÉBITOS  FISCAIS  DECLARADOS  A  MAIOR  Conforme informado acima, os valores originalmente declarados  como devidos pela Impugnante no DACON a título de PIS e de  COFINS  (especialmente  no  período  de  junho  a  dezembro  de  2009)  foram  reconsiderados,  pois,  em  procedimento  interno,  a  Impugnante verificou ter ocorrido, à época da declaração, dois  equívocos:  incluiu,  inadvertidamente,  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  do  período  em  tela,  valores  decorrentes  de  incentivos  fiscais oferecidos pela legislação do Imposto sobre a Circulação  de  Mercadorias  e  Serviços  ­ICMS,  a  título  de  subvenção  governamental para investimentos, que não são tributados pelas  Contribuições  Sociais  em  questão;  e  deixou  de  apropriar  créditos  de  PIS  e  de  COFINS  sobre  aquisições  realizadas  no  período de  junho a dezembro de 2009, nos termos do artigo 3o  das Leis n° 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003.  Em  relação  ao  item  "a"  acima,  a  Impugnante  ressalta  já  ser  pacífico na própria RFB que referidas subvenções caracterizam  recuperação de custos tributários, resultantes de  favores fiscais  concedidos pela  legislação estadual no âmbito do  ICMS, e não  configuram  ingresso  de  riqueza  nova  na  entidade  beneficiária.  (...).  Assim,  os  valores  correspondentes  às  subvenções  fiscais  de  ICMS  usufruídas  pela  Impugnante  no  período  de  junho  a  dezembro de 2009 não devem compor a base de cálculo do PIS e  da COFINS.  ...  Já em relação ao item "b" acima (créditos de PIS e de COFINS),  a  Impugnante esclarece que em procedimento  interno, verificou  ter  deixado  de  apropriar  créditos  de  PIS  e  de  COFINS  sobre  aquisições  de  insumos  de  produção  realizadas  no  período  de  junho a dezembro de 2009, conforme lhe é facultado pelo artigo  3o das Leis n° 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003.  Fl. 3445DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.446          10 Como  se  observa  de  manifestações  reiteradas  da  RFB,  atualmente  o  conceito  de  insumos  de  produção  para  fins  de  apuração de créditos fiscais de PIS e COFINS são mais amplos  que  os  conceitos  rígidos  utilizados  pela  legislação  do  IPl  para  garantir o direito ao aproveitamento de créditos sobre matéria­ prima, produto intermediário e material de embalagem. (...).  Assim, a Impugnante reprocessou o cálculo dos créditos sobre os  quais  tem  direito  no  período  em  tela,  encontrando  créditos  adicionais  àqueles  identificados  à  época  (doe.  11  ­  Anexo  III,  coluna  "D"),  no  valor  de  R$  3.797.679,07  (três  milhões,  setecentos e noventa e sete mil, seiscentos e setenta e nove reais  e  sete  centavos),  abatendo­os  do  montante  dos  débitos  anteriormente  apurados  no  mesmo  período  (já  considerando  o  ajuste de subvenções fiscais acima explicado no item "a" supra)  e  encontrando,  assim,  novos  valores  a  pagar  a  título  de  PIS  e  COFINS.  ...  Desta  forma,  em  ambos  os  casos  acima  analisado  ("a"  e  "b"),  trata­se  de mero  erro  de  fato  no  preenchimento  do DACON,  o  que autoriza a Impugnante a tomar as providências adotadas e  permitir a realização dos ajustes necessários ao aproveitamento  do seu crédito fiscal, já que feito dentro do período decadencial.  ...  Como visto acima, o erro de fato no preenchimento das DACON  originalmente  entregues  ao  fisco  (agora  já  retificadas  pela  Impugnante) foi amplamente demonstrado no caso concreto, com  base nos documentos e planilhas anexas, tanto em relação: (i) ao  equívoco no procedimento de se oferecer à tributação do PIS e  da COFINS valores resultantes de subvenções fiscais concedidas  pelas  legislações  estaduais,  quanto  (ii)  pelos  créditos  fiscais  sobre  insumos  de  produção  não  calculados,  à  época,  pela  Impugnante, mas  que  encontra  suporte  no  art.  3o  das  Leis  n°s  10.637/02 e 10.833/03 e que, assim, devem ser abatidos para fins  de recolhimento das Contribuições Sociais em tela.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Período  de  apuração:  01/06/2009  a  30/09/2009,  01/11/2009  a  31/12/2009   APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS.  Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração  não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como  todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da  pessoa  jurídica,  mas,  tão  somente  aqueles  bens  ou  serviços  intrínsecos  à  atividade,  adquiridos  de  pessoa  jurídica  e  Fl. 3446DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.447          11 aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço  prestado. Não dá direito a crédito despesas de fretes referentes a  transferência  de  bens  entre  estabelecimentos  do  próprio  contribuinte.  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEOS. GLOSA.  AUSÊNCIA  DE  APROPRIAÇÃO  NA  ÉPOCA  PRÓPRIA.  DACON. DCTF.  É cabível a glosa de créditos extemporâneos, quando, dentro do  prazo  decadencial  de  cinco  anos,  a  autuada  não  retifica  as  declarações  (DACON,  DIPJ  e  DCTF)  para  demonstrar  que  efetivamente apurou e não descontou os créditos a que diz fazer  jus.  CRÉDITOS PRESUMIDOS. SICOBE. UTILIZAÇÃO.  O aproveitamento, como dedução das contribuições devidas, dos  créditos  presumidos  decorrentes  dos  gastos  de  implantação  e  manutenção  de  equipamentos  no  âmbito  do  SICOBE,  deve  ser  feito no mesmo período em que efetivamente pagos. O mesmo se  dá quanto aos ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil.  NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO COMO MATÉRIA  DE DEFESA.  Inadmissível  a  pretensão  da  compensação  como  matéria  de  defesa  pretendendo  a  extinção  do  crédito  tributário.  A  compensação  e  a  impugnação  a  auto  de  infração  são  incompatíveis,  por  obedecerem  a  ritos  procedimentais  administrativos próprios e independentes.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período  de  apuração:  01/06/2009  a  30/09/2009,  01/11/2009  a  31/12/2009   APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS.  Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração  não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como  todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da  pessoa  jurídica,  mas,  tão  somente  aqueles  bens  ou  serviços  intrínsecos  à  atividade,  adquiridos  de  pessoa  jurídica  e  aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço  prestado. Não dá direito a crédito despesas de fretes referentes a  transferência  de  bens  entre  estabelecimentos  do  próprio  contribuinte.  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEOS.  GLOSA.AUSÊNCIA  DE  APROPRIAÇÃO  NA ÉPOCA PRÓPRIA. DACON. DCTF.  É cabível a glosa de créditos extemporâneos, quando, dentro do  prazo  decadencial  de  cinco  anos,  a  autuada  não  retifica  as  Fl. 3447DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.448          12 declarações  (DACON,  DIPJ  e  DCTF)  para  demonstrar  que  efetivamente apurou e não descontou os créditos a que diz fazer  jus.  CRÉDITOS PRESUMIDOS. SICOBE. UTILIZAÇÃO.  O aproveitamento, como dedução das contribuições devidas, dos  créditos  presumidos  decorrentes  dos  gastos  de  implantação  e  manutenção  de  equipamentos  no  âmbito  do  SICOBE,  deve  ser  feito no mesmo período em que efetivamente pagos. O mesmo se  dá quanto aos ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil.  NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO COMO MATÉRIA  DE DEFESA.  Inadmissível  a  pretensão  da  compensação  como  matéria  de  defesa  pretendendo  a  extinção  do  crédito  tributário.  A  compensação  e  a  impugnação  a  auto  de  infração  são  incompatíveis,  por  obedecerem  a  ritos  procedimentais  administrativos próprios e independentes.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  Assim,  inconformada  com  a  decisão  de  primeira  instância,  a  empresa  após  ciência  em  19/02/2015,  conforme  Ciência  Eletrônica  por  Decurso  de  Prazo  ­Comunicado,  fl.3.371,  apresenta em 20/03/2015, através da Solicitação de Juntada de  fl. 3.373, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  fls.  3.374/3.428,  no  qual  repisa  os  argumentos já aduzidos em sede impugnatória."  É o relatório.  Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Redator ad hoc.  Na  condição  de  redator  ad  hoc,  designado  para  formalizar  o  voto,  passo  a  transcrever o voto proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de  17/04/2018.  "Dos requisitos de admissibilidade  O Recurso Voluntário  é  tempestivo,  trata  de matéria  da  competência  deste  Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido.  Inexistindo preliminares a serem apreciadas, passasse ao exame de mérito da  contenda.  MÉRITO  Fl. 3448DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.449          13 Em  resumo  a  ação  fiscal  teve  por  objetivo  verificar  a  regularidade  na  apuração e no recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de junho a dezembro  de  2009,  cujas  verificações  fiscais  efetuadas  tomaram  por  base  informações  contidas  nos  sistemas internos da RFB, nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon),  na Escrituração Contábil Digital (ECD) de 2009 da fiscalizada (acessada por meio do Sistema  Público  de  Escrituração  Digital  ­  Sped),  nas  Declarações  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  (DCTF),  bem  como  em  informações,  documentos  e  arquivos  magnéticos,  apresentados pela referida empresa no curso da ação fiscal.   Ao  final  constatou  a  fiscalização  irregularidades  na  apuração  dos  valores  devidos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins,  cujos  itens constatados  serão a  seguir  analisados conforme a ordem disposta no Relatório de fls.418/430.  2­ DOS CRÉDITOS INDEVIDOS NOS DACON  2.1)  Créditos  Calculados  sobre  Fretes  de  Transferências  entre  Estabelecimentos  Esclarece o TVF:  Considerando que não há previsão  legal  na Lei n° 10.637/2002 e na  Lei  n°  10.833/2003  para  a  apuração  de  créditos  sobre  fretes  de  transferência  entre  estabelecimentos,  o  cálculo  e  a  apropriação  de  créditos  sobre,  tais  operações,  identificadas  na  relação  apresentada  pela fiscalizada, foram considerados indevidos.  No  Anexo  II  ao  presente  relatório  estão  dispostos  os  valores  totais  desses  fretes  em  cada  mês  (apurados  no  Anexo  I),  bem  como  os  respectivos"  créditos  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  indevidamente calculados sobre essas operações. .(grifei).  Após tecer considerações interpretativas sobre o conceito de insumo previsto  nas Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, assim destaca em sua peça de defesa:  Na  hipótese,  verifica­se  que  a  Recorrente  possui  diferentes  linhas de produção em seus  estabelecimentos  industriais  e,  de  forma  a  dar  vasão  à  sua  produção  e  suprir  seus  clientes,  precisa  transportar  produtos  acabados  entre  suas  unidades  para garantir o rápido e necessário atendimento dos pedidos da  clientela,  caso  contrário  pedidos  de  fornecimento  acabariam  sendo  supridos  pela  concorrência,  levando  ao  acumulo  da  produção.  Neste  sentido,  tendo  em  vista  que  os  serviços  de  frete  contratados  são  essenciais  para  a  produção  e  venda  dos  produtos da Recorrente, e como estes serviços são contratados  de outras pessoas jurídicas contribuintes do PIS e da COFINS,  os  valores  pagos  aos  prestadores  de  serviços  acabarão  por  compor  suas  receitas  e,  portanto,  estarão  sujeitas  ao  PIS  e  à  COFINS. (grifos do original).  Em face glosa acima destacada e das considerações trazidas na peça recursal  que remetem ao conceito de insumo, faz­se mister verificar o marco normativo sobre a matéria  conforme a seguir transcrito:  Fl. 3449DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.450          14 Lei nº 10.637/2002:  Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de  efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide  Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento)  I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)  a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela  Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos)  b) nos §§ 1o e 1o­A do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei  nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998)  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485,  de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada  pela Lei nº 10.865, de 2004)  III ­ (VETADO)  IV  –  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;  V  ­  valor  das  contraprestações  de  operações  de  arrendamento  mercantil  de  pessoa  jurídica,  exceto  de  optante  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e das Empresas  de Pequeno Porte  ­  SIMPLES;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda ou  na  prestação  de  serviços.  (Redação dada pela Lei  nº  11.196, de 2005)  VII ­ edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando  o  custo,  inclusive  de  mão­de­obra,  tenha  sido  suportado  pela  locatária;  VIII ­ bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha  integrado  faturamento  do mês  ou  de  mês  anterior,  e  tributada  conforme o disposto nesta Lei.  IX ­ energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de  vapor,  consumidas  nos  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica.  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  X  ­  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­alimentação,  fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa  Fl. 3450DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.451          15 jurídica  que  explore  as  atividades  de  prestação  de  serviços  de  limpeza,  conservação  e  manutenção.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.898, de 2009)  XI  ­  bens  incorporados  ao  ativo  intangível,  adquiridos  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  a  venda  ou  na  prestação  de  serviços.  (Incluído  pela  Lei  nº  12.973,  de  2014)  (Vigência)  Lei nº 10.833/2003:  Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos  calculados  em relação a:  (Produção  de  efeito)  (Vide  Medida  Provisória  nº  497,  de  2010)  (Regulamento)  I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)  a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela  Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos)  b) nos §§ 1o e 1o­A do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei  nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998)  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485,  de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada  pela Lei nº 10.865, de 2004)  III ­ energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de  vapor,  consumidas  nos  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica;  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;  V  ­  valor  das  contraprestações  de  operações  de  arrendamento  mercantil  de  pessoa  jurídica,  exceto  de  optante  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e das Empresas  de Pequeno Porte  ­  SIMPLES;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à  venda ou na  prestação  de  serviços;  (Redação dada pela Lei  nº  11.196, de 2005)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros, utilizados nas atividades da empresa;  Fl. 3451DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.452          16 VIII ­ bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha  integrado  faturamento  do mês  ou  de  mês  anterior,  e  tributada  conforme o disposto nesta Lei;  IX ­ armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.  X  ­  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­alimentação,  fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa  jurídica  que  explore  as  atividades  de  prestação  de  serviços  de  limpeza,  conservação  e  manutenção.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.898, de 2009)  XI  ­  bens  incorporados  ao  ativo  intangível,  adquiridos  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  a  venda  ou  na  prestação  de  serviços.  (Incluído  pela  Lei  nº  12.973,  de  2014)  (Vigência)  Assim,  conforme  dispõem  os  artigos  3º  das  Leis  nº  10.637,  de  2002  e  nº  10.833,  de  2003,  poderá  a  pessoa  jurídica  submetida  ao  regime  da  não­cumulatividade  descontar créditos calculados em relação aos bens e serviços, utilizados como insumos na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e  lubrificantes, observando que até a entrada em vigor da Lei n° 10.685/2004, em 01/05/2004,  esse  direito  ao  crédito  somente  alcançava  os  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada no país.  A matéria em tela é por demais debatida nesta colenda turma de julgamento,  e  para  evitar  longas  digressões  sobre  o  conceito  de  insumo,  indicar­se­á  os  precedentes  que  retratam  de  forma minudente  o  conceito  então  adotado,  pontuando­se  que  a  exegese  que  se  extrai das prescrições dos artigos 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003 quanto à  possibilidade  de  crédito  (...em  relação  a  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda)  corresponde  à  terceira  posição  interpretativa,  ou  seja,  nem  tão  restritiva  como  o  conceito  utilizado pela  legislação do  IPI, nem  tão ampla como o conceito utilizado pela  legislação do  Imposto de Renda, correspondendo portanto à identificação dos seguintes critérios, na análise  do caso concreto: a) bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na  prestação de  serviços,  ou  seja,  bens ou  serviços que  tenham relação de pertinência com a  produção, fabricação ou prestação de serviço, ainda que não tenham contato direto; b) bens ou  serviços que não tenham seu aproveitamento vedado pela lei.  · Precedentes da 2º TO/3ª Câmara/3º Sejul:  Acórdão nº 3302­003.096, de 15/03/2016:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS   Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008   Ementa:  INSUMOS.  DEFINIÇÃO.  CONTRIBUIÇÕES  NÃO­ CUMULATIVAS.  Fl. 3452DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.453          17 A  expressão  "bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação de  serviços  e na produção ou  fabricação de bens ou  produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e  serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e  na  prestação  de  serviços,  no  sentido  de  que  sejam  bens  ou  serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de  serviços,  independentemente  do  contato  direto  com  o  produto  em  fabricação,  a  exemplo  dos  combustíveis  e  lubrificantes.(grifei).  CRÉDITOS  DE  INSUMOS.  CONTRIBUIÇÕES  NÃO­ CUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE.  No  âmbito  do  regime  não  cumulativo,  independentemente  de  serem  de  apresentação  ou  de  transporte,  os  materiais  de  embalagens  utilizados  no  processo  produtivo,  com a  finalidade  de  deixar  o  produto  em  condições  de  ser  estocado  e  comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa  condição, geram créditos básicos da referida contribuição.  CRÉDITOS  DE  INSUMOS.  CONTRIBUIÇÕES  NÃO­ CUMULATIVAS.  SERVIÇOS  E  PEÇAS  DE  MANUTENÇÃO  DE  MÁQUINAS  E  EQUIPAMENTOS  UTILIZADOS  NO  PROCESSO  PRODUTIVO.  Os  serviços  e  bens  utilizados  na  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos  utilizados  no  processo  produtivo  geram direito a  crédito  das  contribuições  para  o  PIS  e  a  COFINS  não­ cumulativos.  CRÉDITOS DE  FRETES  ENTRE ESTABELECIMENTOS.  PÓS  FASE DE PRODUÇÃO.  As  despesas  com  fretes  entre  estabelecimentos  do  mesmo  contribuinte  de  produtos  acabados,  posteriores  à  fase  de  produção, não geram direito a crédito das contribuições para o  PIS e a COFINS não­cumulativos.(grifei).  CRÉDITOS  DE  FRETES  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DE  INSUMOS.  Os  custos  com  fretes  entre  estabelecimentos  do  mesmo  contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no  processo  produtivo  geram  direito  a  crédito  das  contribuições  para o PIS e a COFINS não­cumulativos.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  Direito Creditório Reconhecido em Parte.  Acórdão nº 3302003.212, de 16/05/2016:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007   Fl. 3453DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.454          18 PRODUTO  SEM  DIREITO  A  CRÉDITO.  GASTOS  COM  FRETE.  CUSTO  DE  AQUISIÇÃO.  DIREITO  DE  APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO.IMPOSSIBILIDADE.  Se  para  o  produto  transportado  (mercadorias  adquiridas  de  pessoas físicas, mercadorias adquiridas com o fim específico de  exportação  etc)  é  vedado  o  direito  de  dedução  do  crédito  da  Contribuição para o PIS/Pasep, pelo mesmo motivo, tal vedação  também se estende aos gastos como frete relativos à operação de  transporte dos  referidos produtos, que a eles  se agregam como  custo de produção.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  GASTOS  COM  FRETE  INTERNO  NO  TRANSPORTE  DE  PRODUTO  IMPORTADO  DIREITO  DE  APROPRIAÇÃO  DE  CRÉDITO.  IMPOSSIBILIDADE.  Os  gastos  com  frete  interno  relativos  ao  transporte  de  bens  destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  ainda  que  pagos  a  pessoa  jurídica  domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep,  pois  sobre  tais  gastos  não  há  pagamento  da  CofinsImportação  e  da  Contribuição  para  o  PIS/PasepImportação,  por  não  integrarem  a  base  de  cálculo  destas contribuições (valor aduaneiro, segundo art. 7º, I, da Lei  10.865/2004),  nem  se  enquadrarem  nas  demais  hipóteses  de  dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei  10.833/2003.  TRANSPORTE  DE  PRODUTOS  ACABADOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DO  CONTRIBUINTE  E  REMESSA  PARA  ARMAZÉM  GERAL.  GASTOS  COM  FRETE.  DIREITO  DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.  No  âmbito  do  regime  não  cumulativo,  por  falta  de  previsão  legal,  não  é  admitido  o  direito  de  apropriação  de  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  sobre  os  gastos  com  frete  relativos  à  operação  de  transporte  entre  estabelecimentos  do  contribuinte ou nas remessas para armazéns gerais.(grifei).  TRANSPORTE  DE  INSUMOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DO  CONTRIBUINTE.  GASTOS  COM  FRETE.  CUSTO  DE  PRODUÇÃO.DIREITO  DE  APROPRIAÇÃO  DE  CRÉDITO.  POSSIBILIDADE.  Na  sistemática  de  apuração  não  cumulativa  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep,  os  gastos  com  frete  relativo  à  operação  de  transporte de  insumos,  incluindo os produtos  inacabados, entre  estabelecimentos  do  próprio  contribuinte  propicia  o  direito  ao  crédito  da  contribuição  como  custo  de  produção  dos  produtos  destinados à venda.  DEVOLUÇÃO  DE  MERCADORIA  VENDIDA.  GASTO  COM  FRETE.CUSTO  DE  AQUISIÇÃO.  DEDUÇÃO  DE  CRÉDITO.  POSSIBILIDADE.  Fl. 3454DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.455          19 No  âmbito  do  regime  não  cumulativo,  por  compor  o  custo  do  bem  devolvido,  é  passível  de  apropriação  os  créditos  da  Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os gastos com  frete  pagos  na  operação  de  devolução  de  produto/mercadoria  vendido, cuja receita tenha integrado faturamento do mês ou de  mês anterior e submetido à prévia tributação segundo o regime  não cumulativo.  GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA  DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO.  No âmbito do  regime não cumulativo,  ainda  que  haja  previsão  legal da dedução, a glosa dos créditos da Contribuição para o  PIS/Pasep deve ser integralmente mantida se o contribuinte não  comprova  a  realização  do  pagamento  dos  gastos  com  frete  à  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  com  documento  hábil  e  idôneo.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007   DESPACHO  DECISÓRIO.  MOTIVAÇÃO  ADEQUADA  E  SUFICIENTE.INEXISTÊNCIA  DE  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.DECLARAÇÃO  DE  NULIDADE.  IMPOSSIBILIDADE.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  não  configura  cerceamento  do  direito  de  defesa  a  decisão  que  apresenta  fundamentação  adequada  e  suficiente  para  o  indeferimento  do  pleito  de  restituição  formulado  pela  contribuinte,  que  foi  devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu  direito  de  defesa  nos  prazos  e  na  forma  na  legislação  de  regência.  DECISÃO  DE  PRIMEIRO  GRAU.  INOCORRÊNCIA  CERCEAMENTO  DIREITO  DEFESA.  DECLARAÇÃO  DE  NULIDADE.IMPOSSIBILIDADE.  Não  é  passível  de  nulidade,  por  cerceamento  ao  direito  de  defesa,  a  decisão  de  primeiro  grau  em  que  houve  pronunciamento  claro  e  suficiente  sobre  todas  as  razões  de  defesa  suscitadas  na  peça  impugnatória  e  cujas  conclusões  foram  apresentadas  de  forma  congruente  e  devidamente  fundamentada.  PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A  IMPRESCINDIBILIDADE.  INDEFERIMENTO.  POSSIBILIDADE.  Se  nos  autos  há  todos  os  elementos  probatórios  necessários  e  suficientes  à  formação  da  convicção  do  julgador  quanto  às  questões de  fato objeto da  lide,  indefere­se,  por prescindível,  o  pedido de diligência e perícia formulado.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  Fl. 3455DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.456          20   Estabelecidas  as  premissas  interpretativas,  prossegue­se  na  análise  do  caso  concreto,  sendo  importante  frisar  que  consta  no  Estatuto  Social  da  referida  empresa,  art.2º,  fl.545, que faz parte do seu objeto social, a indústria, o comércio, a revenda, a importação e a  exportação  de  produtos  alimentícios  e  bebidas  em  geral,  matérias­primas,  produtos  intermediários e material de embalagem.  Assim,  abrigada  na  hermenêutica  que  se  extrai  dos  dispositivos  acima  citados, com escopo nos  fundamentos apresentados no  início da parte meritória com vistas à  interpretação que balizaria a análise das glosas, entendo que o contribuinte ao descrever que os  dispêndios com os fretes advém da necessidade de transportar produtos acabados entre suas  unidades  para  garantir  o  rápido  e  necessário  atendimento  dos  pedidos  da  clientela  ",  demonstrou  ao  juízo  de  interpretação  que  se  extrai  das  prescrições  do  artigo  3º  da  Lei  nº  10.833,  de  2003,  quanto  à  impossibilidade  do  referido  crédito,  visto  que  embora  sejam  dispêndios necessários à atividade da empresa, não se enquadram nas disposições normativas  acima  destacadas  quanto  ao  conceito  de  insumo  já  que  não  tem  pertinência  direta  com  o  processo produtivo, sendo incabível o direito ao crédito, por falta de previsão legal.  Em  reforço  argumentativo,  reproduzo  excertos  da  minudente  e  escorreita  análise no voto, proferido no Acórdão nº 3302003.212, de 16/05/2016, pelo i; Conselheiro José  Fernandes sobre a matéria em análise:  De  acordo  com  os  referidos  preceitos  legais,  infere­se  que  a  parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem  utilizados  como  insumos  de  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  à venda,  integra o  custo de aquisição dos  referidos  bens  e  somente  nesta  condição  compõe  a  base  cálculo  dos  créditos  das mencionadas  contribuições,  enquanto que o  valor  do  frete  referente  ao  transporte  dos  bens  em  produção  ou  fabricação  entre  estabelecimentos  fabris  integra  o  custo  produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  à  venda.  Com  a  ressalva de que, pela razões anteriormente aduzidas, há direito  de  direito  de  apropriação de  crédito  sobre  o  valor  do  frete  no  transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor  de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos  das referidas contribuições.  No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos  representam  os  meios  materiais  e  imateriais  (bens  e  serviços)  utilizados  em  todas  as  etapas  do  ciclo  de  produção  ou  fabricação, que se  inicia com o  ingresso dos bens de produção  (matérias­primas  ou  produtos  intermediários)  e  termina  com  a  conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica  tem  algumas  operações  do  processo  produtivo  realizadas  em  unidades  produtoras  ou  industriais  situadas  em  diferentes  localidades,  certamente,  durante  o  ciclo  de  produção  ou  fabricação haverá necessidade de transferência dos produtos em  produção  ou  fabricação  para  os  outros  estabelecimentos  produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de  transporte.  Fl. 3456DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.457          21 Assim,  em  relação  à  atividade  industrial  ou  de  produção,  a  apropriação  dos  créditos  calculados  sobre  o  valor  do  frete,  normalmente,  dar­se­á  de  duas  formas  diferentes,  a  saber:  a)  sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição  do bem de produção  (matérias­primas, produtos  intermediários  ou  material  de  embalagem);  e  b)  sob  a  forma  de  custo  de  produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço  do  transporte  dos  produtos  em  fabricação  nas  operações  de  transferências entre estabelecimentos industriais.(grifei).  Com  o  fim  do  ciclo  de  produção  ou  industrialização,  há  permissão  de  apropriação  de  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos  produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja  suportado  pelo  vendedor,  conforme  expressamente  previsto  no  art.  3º,  IX,  e  §  1º,  II,  da  Lei  10.833/2003,  que  seguem  reproduzidos:  (...)  Em  suma,  chega­se  a  conclusão  que  o  direito  de  dedução  dos  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  calculados  sobre  valor  dos  gastos  com  frete,  são  assegurados  somente para os serviços de transporte:  a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito  a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo  dos  créditos  sob  forma  de  custo  de  aquisição  dos  bens  transportados  (art.  3º,  I,  da  Lei  10;637/2002,  c/c  art.  289  do  RIR/1999);  b) de bens utilizados  como  insumos na prestação de  serviços  e  produção ou  fabricação de bens destinados à venda, cujo valor  de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do  frete  integra  base  de  cálculo  dos  créditos  como  custo  de  aquisição  dos  insumos  transportados  (art.  3º,  II,  da  Lei  10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999);  c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris  do  próprio  contribuinte  ou  não,  caso  em  que  o  valor  do  frete  integra  a  base  de  cálculo  do  crédito  da  contribuição  como  serviço  de  transporte  utilizado  como  insumo  na  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  à  venda  (art.  3º,  II,  da  Lei  10;637/2002);  e  d)  de  bens  ou  produtos  acabados,  com  ônus  suportado do vendedor, caso em que o valor do  frete  integra a  base  de  cálculo  do  crédito  da  contribuição  como  despesa  de  venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002).  Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor  do  frete  no  transporte  dos  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica  (entre  matriz  e  filiais,  ou  entre  filiais,  por  exemplo),  não  geram  direito  a  apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais  operações  de  transferências  (i)  não  se  enquadra  como  serviço  de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação  de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após  Fl. 3457DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.458          22 o  término  do  ciclo  de  produção  ou  fabricação  do  bem  transportado,  e  (ii)  nem  como  operação  de  venda,  mas  mera  operação  de  movimentação  dos  produtos  acabados  entre  estabelecimentos,  com  intuito  de  facilitar  a  futura  comercialização  e  a  logística  de  entrega  dos  bens  aos  futuros  compradores.  O  mesmo  entendimento,  também  se  aplica  às  transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou  armazéns gerais.(grifei).  Pelo exposto, mantém­se a glosa efetuada.  2.2) Créditos Calculados sobre Fretes sem Conhecimento de Transporte  de Carga  Inicialmente  cabe  ressaltar  que  há  duas  questões  envolvidas  na  análise  do  referido frete, uma de natureza probatória e outra de ordem legal, dada à natureza do crédito,  tanto que as razões recursais são as mesmas para os subitens 2.1 e 2..2, esta acrescida porém da  questão probatória.  Esclarece o RF:  No  Dacon  de  junho  de  2009,  a  fiscalizada  incluiu  no  valor  informado  na  linha  07  das  fichas  06A  e  16A,  para  efeito  de  apuração  de  créditos  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  respectivamente,  despesas  com  fretes  relacionados  à  filial em Jacareí/SP (CNPJ n° 19.900.000/003949), (...).  Ao  final  de  sucessivas  justificativas  apresentadas  em  face  do  Termo  de  Reintimação  Fiscal  lavrado  em  15/03/2013,  ela  informou,  em missiva  protocolizada  neste  Sefis  em  11/06/2013,  que  os  conhecimentos  de  transporte  rodoviário  de  cargas  (CTRC) relativos a esses fretes haviam sido extraviados.  •  Para  demonstrar  o  extravio  dos  citados  documentos,  apresentou em anexo à referida missiva cópia da "Declaração  de Extravio de Documento (a que se refere o item 1 do­§ 2odo  artigo  I o   da  Portaria  CAT17/2006)"  e  de  uma  relação  dos  CTRC extraviados, que apresentou à Secretaria da Fazenda do  Estado de São Paulo (Posto Fiscal em São José dos Campos).  Destaca a Recorrente:  Assim,  se  os  custos  com  frete  de  produtos  acabados não  forem  considerados  insumos,  haveria  incidência  em  cascata  do  PIS  e  da  COFINS,  pois  não  se  admitiria  o  crédito  fiscal  sobre  dispêndio, também sujeito às contribuições, e que será repassado  ao preço do produto.  (...)  Portanto,  constatado  que  os  dispêndios  de  fretes  relativos  à  transferência  entre  estabelecimentos  da  Recorrente  são  parte  integrante  indispensável  do  processo  produtivo  e  são  necessários  para  gerar  as  receitas  da  Recorrente,  estes  se  enquadram no conceito de insumos acima apresentado, estando  Fl. 3458DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.459          23 em  perfeita  consonância  com  as  recentes  decisões  judiciais  e  administrativas a respeito.  E  uma  vez  demonstrado que  o  frete  relativo  à  transferência  de  mercadorias  entre  estabelecimento da Recorrente dão direito a  crédito, não pode a Fiscalização desconsiderar as transferências  ocorridas para a unidade de Jacareí da Recorrente. Isto porque,  embora os Conhecimentos de Transporte Rodoviários de Carga ­  CRTC tenham sido extraviados, a Recorrente apresentou perante  a Fiscalização a "Declaração de Extravio de Documentos", bem  como,  uma  relação  contendo  todos  os CRTC  extraviados  (doe.  03).  Conforme afirma a própria recorrente que são fretes referentes ao transporte  de produtos acabados, torna­se despicienda a análise da prova apresentada, visto que ainda que  corretamente provado, a análise precedente  já demonstrou  inexistir base  legal que autorize o  creditamento de fretes de tal natureza.  Por oportuno, transcrevo excertos da decisão de piso acerca da matéria:  Num  primeiro  momento,  a  falta  da  apresentação  da  documentação é patente e  indisputada,  restando à contribuinte  a  tentativa de demonstrar por meio de comunicação à Fazenda  Estadual o extravio dos Conhecimentos de Carga.  Além  de  a  comunicação  ser  um  substituto  inadequado  aos  documentos representativos das operações que teriam gerado os  créditos, a própria contribuinte leva a discussão para o campo  da  natureza  dos  fretes  ao  dizer  que  se  trata  de  frete  sobre  as  transferências para sua unidade em Jacareí.  Ora, em sendo assim, ainda que provadas as operações, tratar­ se­ia  de  despesas  cuja  natureza  veta  a  apuração  de  créditos,  como visto no item anterior.(grifei).  Portanto, correta a glosa imposta.  2.3) Créditos Extemporâneos Apropriados Indevidamente    Conforme  relatado,  no  Dacon  de  julho  de  2009,  a  fiscalizada  informou  na  linha 21 das fichas 06A e 16A, a título de "Outros Créditos a Descontar", da contribuição para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofíns,  "apropriados  a  partir  da  reapuração,  dessas  contribuições  nos  períodos de 2005a 2008".  Em sua peça recursal, a recorrente tem três linhas argumentativas:  1­ que seu procedimento está condizente com a legislação;  2­ que conforme documentos apresentados na  impugnação, as aquisições em  apreço estão descritas e individualizadas nas planilhas apresentadas junto com a impugnação (doc.  05), sendo inequívoco o direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS.;  3­ que formulou consulta à RFB quanto ao seu direito de crédito.  Fl. 3459DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.460          24 Visando  sanar  esta  dúvida,  a  Recorrente  apresentou  consulta  perante  a  Receita  Federal  do  Brasil  ­  RFB,  sendo  que  após  análise foi emitida pela Superintendência Regional da RFB da 8a  Região Fiscal uma Solução de Consulta n° 19679.013844/2005­ 99  (doe.  04  da  impugnação)  específica  à  Recorrente,  autorizando o aproveitamento de tais créditos fiscais, nos termos  da seguinte ementa:  Quanto  aos  créditos  extemporâneos  aproveitados  pelo  contribuinte  sem  contudo  retificar  o DACON e DCTF no  período  em que  foram gerados,  não  assiste  razão  à  recorrente conforme a seguir se fundamenta na legislação de regência .  Observe­se que da leitura da norma de regência, Lei nº 10.833, de 2003, 1art.  3º , § 1º, incisos I, II, III e IV, infere­se que o legislador elegeu o regime de competência para  apropriação de créditos da não­cumulatividade das contribuições, haja vista que está expresso  no  caput  do  art.  3º  que  os  créditos  serão  determinados  pela  aplicação  das  alíquotas  sobre  o  valor  das  operações  ocorridas  no  mês  [bens  adquiridos  no  mês,  despesas  e  encargos  incorridos no mês e bens devolvidos no mês).  Depreende­se ainda que a norma contida no § 4º do citado art. 3º não usa o  termo  não  apropriados  e,  sim,  não  aproveitados,  deduzindo­se  que  se  tratam  de  créditos  apurados e apropriados no mês da ocorrência das operações das quais  tem origem e que  não puderam ser aproveitados no mesmo mês.  Embora  a  legislação  infralegal  expressamente  condicione  a  utilização  dos  créditos  extemporâneos  à  alteração  das  informações  prestadas  em  DACON,  mediante  apresentação  de  demonstrativo  retificador,  o  que  engloba  a  apuração  de  créditos  extemporâneos,  esse  condicionante  não  se  trata  de  um mero  formalismo,  tampouco  de  uma  interpretação desarrazoada da  legislação de regência, mas visa exatamente preservar a norma  material estampada no 2artigo 3º, §§ 1º e 4º, da Lei nº 10.833, de 2003 c/c o 3artigo 16 da Lei nº                                                              1 Lei nº 10.833, de 2003 Art. 3º (...)  §  1º  Observado  o  disposto  no  §  15  deste  artigo,  o  crédito  será  determinado mediante  a  aplicação  da  alíquota  prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 )  I ­ dos itens mencionados nos incisos I e II do caput , adquiridos no mês;  II ­ dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput , incorridos no mês;  III ­ dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput , incorridos  no mês;  IV ­ dos bens mencionados no inciso VIII do caput , devolvidos no mês.  (...)  § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­lo nos meses subseqüentes.    2 Lei nº 10.833, de 2003   Art. 3º (...)  §  1º  Observado  o  disposto  no  §  15  deste  artigo,  o  crédito  será  determinado mediante  a  aplicação  da  alíquota  prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 )  I ­ dos itens mencionados nos incisos I e II do caput , adquiridos no mês;  II ­ dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput , incorridos no mês;  III ­ dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput , incorridos  no mês;  IV ­ dos bens mencionados no inciso VIII do caput , devolvidos no mês.  (...)  § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­lo nos meses subseqüentes.    Fl. 3460DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.461          25 11.116, de 2005, haja vista que o sistema de apuração de créditos no regime não­cumulativo,  disciplinado nas normas legais de regência impõe que estes sejam determinados pela aplicação  das alíquotas sobre o valor das operações ocorridas no respectivo mês, sendo portanto este o  escopo  legal,  pois dada  a  repercussão  em outros  tributos  federais,  faz­se premente  a perfeita  identificação  quanto  à  utilização  dos  créditos  para  dedução  das  contribuições  devidas,  compensação de débitos próprios ou o ressarcimento em espécie.  Há portanto um fio condutor de logicidade, visando atender ao Princípio da  Competência, que estabelece que as Receitas e Despesas devem ser  incluídas na apuração do  resultado do período em que foram geradas.  Assim, sem razão a recorrente, visto que o aproveitamento extemporâneo de  créditos, ainda que admitido, se limita às hipóteses, prazos e aos procedimentos previstos pela  legislação  tributária,  não  podendo  ser  efetuada  pelo  sujeito  passivo  sem  observância  das  formalidades existentes. Deve ser efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador  (DACON E DCTF) no período em que foram gerados.  Nesse sentido já decidiu essa colenda turma de julgamento:  Acórdão nº 3302003.155, de 27/04/2016:  CREDITAMENTO  EXTEMPORÂNEO.  DACON.  RETIFICAÇÕES.COMPROVAÇÃO.  Para  utilização  de  créditos  extemporâneos,  é  necessário  que  reste  configurada  a  não  utilização  em  períodos  anteriores,  mediante  retificação  das  declarações  correspondentes,  ou  apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização.  Acórdão nº 3302­003.189, de 17/05/2016:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS   Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008   REGIME  DE  APURAÇÃO  NÃO­CUMULATIVO.CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEOS.  DACON.  RETIFICAÇÃO.  OBRIGATORIEDADE.  O  aproveitamento  de  créditos  extemporâneo  no  Sistema  Não  Cumulativo  de  apuração  das  Contribuições  requer  que  sejam  observadas  as  normas  editadas  pela  Secretaria  da  Receita                                                                                                                                                                                           3  Art.  16. O  saldo  credor  da Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da Cofins  apurado  na  forma  do  art.  3odas  Leis  nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no10.865, de 30  de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei  no11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:   I ­ compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  observada  a  legislação  específica  aplicável  à  matéria;  ou    II  ­  pedido  de  ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.   Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre­ calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a  partir da promulgação desta Lei.    Fl. 3461DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.462          26 Federal,  que  exigem  a  retificação  do  Demonstrativo  de  Apuração  de Contribuições  Sociais DACON  sempre  que  forem  apurados novos débitos ou créditos ou aumentados ou reduzidos  os valores já informados nas Declaração original.  Há também outros precedentes neste E. Conselho:  Acórdão nº 3403­002.717, de 29/01/2014:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP  Ano­ calendário:2007, 2008   CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEOS.RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.  Para  utilização  de  créditos  extemporâneos,  é  necessário  que  reste  configurada  a  não  utilização  em  períodos  anteriores,  mediante  retificação  das  declarações  correspondentes,  ou  apresentação de outra prova inequívoca da não utilização.  Acórdão nº 3402­003.148, de 20/07/2016:  CRÉDITOS.  REGIME  DE  RECONHECIMENTO.  CREDITAMENTO  EXTEMPORÂNEO.  DACON.  RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.  Os  créditos  da  não­cumulatividade  devem  ser  reconhecidos  no  período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou  contratada  a  prestação  do  serviço.  Para  utilização  de  créditos  extemporâneos,  é  necessário  que  reste  configurada  a  não  utilização  em  períodos  anteriores,  mediante  retificação  das  declarações  correspondentes,  ou  apresentação  de  outra  prova  inequívoca da sua não utilização.  Por oportuno, reproduzem­se a seguir excertos da decisão de piso, objeto de  questionamento pela defesa, quanto à matéria em análise.  Excertos da decisão de piso  Embora  não  se  esteja  aqui  a  tratar  de  procedimento  de  compensação ou ressarcimento, tal fato não afasta a necessidade  de que a apuração se faça dentro do período em que as despesas  se  verificaram,  como  forma  de  controle  da  legalidade  de  tal  procedimento nos marcos da legislação então vigente.  Essa característica do mecanismo de apuração não­cumulativa é  importante,  no  caso,  na  medida  em  que  a  retificação  das  declarações  é  a  forma  por  excelência  para  evidenciar  o  momento da apuração do crédito e o controle de sua utilização  ao  longo  do  tempo.  De  fato,  o  surgimento  de  um  direito  creditório extemporâneo somente no momento de sua utilização,  sem que esteja demonstrados anteriormente seu surgimento, sua  natureza  e  seu  montante,  trunca  sua  verificação  ao  ponto  de  inviabilizá­la  e,  inviabilizada,  cabe  à  Administração  negar­lhe  validade.(sic) (grifei).  Fl. 3462DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.463          27 Daí  que  a  necessidade  de  retificação  das  declarações  contemporâneas  à  apuração  é  tanto  uma  medida  de  garantia  para a Administração quanto um respaldo para os contribuintes  de  boa  fé.  Efetivamente,  ainda  que  não  exista  dispositivo  expresso  exigindo  a  retificação  dos  demonstrativos  de  forma  a  contemplar créditos apurados extemporaneamente, essa medida  se faz necessária como forma de comprovação e controle desses  créditos.  Ainda nesse sentido, a regra de que os créditos apurados e não  utilizados em um período poderão ser descontados em períodos  posteriores  não  se  presta  a  autorizar  o  descasamento  entre  a  realização  das  despesas  e  a  apuração/registro  dos  créditos  respectivos.  É  possível  a  utilização  extemporânea,  não  a  apuração.  Esta  há  de  ser  materializada  ao mesmo  tempo  em  que as despesas que estão na sua raiz.(grifei).  Verifica­se que à  luz da  legislação a recorrente não preencheu os  requisitos  necessários  à  utilização  extemporânea  de  tais  créditos,  já  que  não  retificou  as  declarações  respectivas,  tampouco  demonstrou  de  forma  inequívoca  a  não  utilização,  haja  vista  que  os  documentos  apresentados  (doc.  5),  fls.642/722,  não  atendem  a  esse  fim,  uma  vezo  que  são  tabelas e planilhas  relacionando valores e datas,  sem contudo demonstrar efetivamente a não  utilização dos alegados créditos extemporâneos, apropriados a partir da reapuração, das citadas  contribuições nos períodos de 2005a 2008, como esclarece a fiscalização.  Também  não  lhe  socorre  a  consulta  formulada,  fls.630/637,visto  que  pela  ementa abaixo transcrita, a consulta se refere ao direito de descontar créditos referentes a partes  e pecas de reposição para máquinas empregadas diretamente na produção de bens destinados à  venda e não ao direito de utilização extemporâneas dos créditos ora discutidos.  "SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 45 de 16 de Fevereiro de 2007  ASSUNTO: Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­Cofins  EMENTA:  COFINS  NÃO­CUMULATIVA.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  MANUTENÇÃO  DE  MÁQUINAS  E  EQUIPAMENTOS.   Os  valores  referentes  a  partes  e  pecas  de  reposição  para  máquinas  empregadas  diretamente  na  produção  de  bens  destinados  à  venda,  podem  compor  a  base  de  cálculo  dos  créditos a serem descontados da Cofins. desde que essas partes e  peças  não  esteiam  incluídas  no  ativo  imobilizado  e  que  sejam  respeitados os demais requisitos legais e normativos pertinentes,  dentre esses que tais partes e peças sofram alterações (desgaste,  dano, perda de propriedades físicas ou químicas) decorrentes de  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação.  Os  valores  referentes  a  serviços  prestados  para  manutenção  de  máquinas  empregadas  diretamente  na  produção  de  bens  destinados  à  venda,  podem  compor  a  base  de  cálculo  dos  créditos a serem descontados da Cofins, desde gue atendidos os  demais requisitos normativos e legais pertinentes." ­Grifamos  Ante  as  considerações  acima  não  há  reparos  no  feito  fiscal,  tampouco  na  decisão de piso.  Fl. 3463DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.464          28 2.4) Créditos Presumidos do Sicobe Não Comprovados  O RF assim descreve a situação fática:  Nos  Dacon  de  agosto,  setembro,  novembro  e  dezembro  de  2009,  a  fiscalizada  apropriou  na  linha  21  das  fichas  06A  e 16A, os  seguintes  créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins:  (...)  Em  resposta  ao  Termo  de  Intimação  Fiscal  .lavrado  em  18/10/2013,  protocolizada  neste  Sefis  em  11/11/2013,  ela  esclareceu  que  tais  valores se referem ao  ''aproveitamento de créditos relativo à aquisição  e manutenção de equipamento do SICOBE".  Para comprovar a  legitimidade dos  referidos créditos apresentou  em  10/04/2014,  em  resposta  ao  item  "2"  do  Termo  de  Intimação.Fiscal  lavrado  em  28/02/2014,  arquivo  magnético  com  imagens  de  documentos  fiscais  referentes  aos  citados  custos,  cujos  dados  foram  transcritos para o Anexo IV ao presente relatório, e de comprovantes  de pagamentos efetuados.  Os  documentos  fiscais  e  comprovantes  de  pagamentos  apresentados,  porém,comprovaram a  legitimidade de apenas parte dos créditos por  ela apropriados, como se expõe a seguir.  (...)  OBS: o anexo IV, encontra­se à fls.451/452.  Destaca  a  fiscalização  que  o  art.  58­R  da  Lei  n°  10.833/2003,  com  disciplinamento  pela  IN/RFB  n°  869/2008,  estabelece  a  possibilidade  de  dedução  de  crédito  presumido  relativo  ao  ressarcimento  do  custo  de  aquisição,  instalação  e  manutenção  de  equipamentos  de  controle  de  produção  (do  Sistema  de  Controle  de  Produção  de  Bebidas  ­  Sicobe e do Sistema de Medição de Vazão ­ SMV), de quê trata o inciso XIII do caput do art.  28  da  Lei  n°  10.865/2004,  admitindo  a  sua  utilização  somente  no  desconto  do  valor  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  apurados  no  regime  de  incidência  não­ cumulativa, nos termos do § 4o do citado artigo.  Dispõe a legislação de regência:   Art. 58­R da Lei n° 10.833, de 2003:  "Art.  58­R.  As  pessoas  jurídicas  que  adquirirem  no  mercado  interno,  para  incorporação  ao  .  seu  ativo  imobilizado,  os  equipamentos de que trata o inciso XIII do caput do art. 28 da  Lei  n"  10.865,  de  30  de  abril  de  2004,  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o PIS/Pasep  e  da Cofins  apuradas  em cada  período créditos presumidos relativos ao ressarcimento do custo  de sua aquisição, nos termos e condições fixados pela Secretaria  da  Receita  Federal  ,  ­  'do  Brasil,  inclusive  quanto  às  especificações  técnicas desses  equipamentos.  (Incluído pela Lei  n° 11.727, de2008) .  § 1 o  Os  créditos presumidos de que  trata o caput deste artigo  serão,  calculados  com  base  no  valor  de  aquisição  do  bem  e  apropriados  no mesmo  prazo,  em,  que  se  der  a  aquisição  ou  Fl. 3464DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.465          29 financiamento,  proporcionalmente  a  cada  mês,  multiplicando­ se, para efeito de rateio entre as contribuições:  (Redação dada  pela Lei n° 11.827, de 2008)  1­ pelo fator de 0,177 (cento e setenta e sete milésimos), no caso  do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep; e (Redação dada  pela Lei n° 11.827, de 2008)  II ­ pelo fator de 0,823 (oitocentos e vinte e  três milésimos), no  caso do crédito da Cofins. (Redação dada pela Lei nº 11.827; de  2008)  § 2o As disposições deste artigo aplicam­se somente no caso de  aquisições de equipamentos novos, efetuadas em cumprimento de  determinações legais. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008),  §  3o  A  revenda  dos  equipamentos  de  que  trata  o  caput  deste  artigo  faz  cessar  o  direito  de  apropriação  de  crédito  eventualmente  não  apropriado,  a  partir  do  mês  da  revenda.  (Redação dada pela Lei n° 11.827, de 2008)  §4°  Os  créditos  de  que  trata  este  artigo  somente  poderão  ser  utilizados  no  desconto  do  valor  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep e da Cofins apurados no regime de  incidência não­ cumulativa. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008)  §  5o  As  disposições  deste  artigo  aplicam­se  às  aquisições  efetuadas a partir de primeiro de abril de 2006.  (Incluído pela  Lei n° 11.727, de 2008)  § 6° Nas aquisições efetuadas anteriormente à publicação desta  Lei  serão  excluídos  do  custo  de  aquisição  os  valores  já  descontados  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  a  pagar, na forma do inciso VI do caput do art. 3o da Lei n 10.637,  de 30 de dezembro de 2002, do inciso VI do. caput do art. 3o da  Lei n 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ou do art. 2o da Lei n  11.051, de 29 de dezembro de 2004. (Incluído pela Lei n° 11.727,  de 2008)  § 7° Os créditos de que  trata este artigo:  (Incluído pela Lei n°  11.727, de 2008)   I­ serão apropriados no prazo mínimo de 1 (um) ano, contado da  data da publicação da Lei n 11.727, de 23 de junho de 2008, na  hipótese  de  aquisições  efetuadas  anteriormente  a  essa  data;  e  (Redação dada pela Lei n° 11.827, de 2008) ,   II­  não  poderão  ser  utilizados  concomitantemente  com  os  créditos calculados na forma do inciso VI do caput do art. 3o da  Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, do inciso VI do caput  do art. 3°da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ou do  art. 2o da Lei n" 11.051, de 29 de dezembro de 2004.  (Incluído  pela Lei n° 11.727, de 2008)  §  8°  As  pessoas  jurídicas  de  que  trata  o  caput  deste  artigo  poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins  créditos  presumidos  relativos  ao  ressarcimento  dos  custos  de  Fl. 3465DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.466          30 instalação  e  manutenção  dos  equipamentos  de  que  trata  o  inciso XIII do caput do art. 28 da Lei n 10.865, de 30 de abril de  2004,  por  elas  adquiridos  no  mercado  interno,  para  incorporação  ao  seu  ativo  imobilizado.  (Incluído  pela  Lei  n°  11.827, de 2008)   §  9o  Os  créditos  presumidos  de  que  trata  o  §  8o  deste  artigo  serão  apropriados  no  próprio  mês  em  que  forem  apurados,  observados  os  limites  máximos  de  valores  fixados  pela  Secretaria da Receita Federal do Brasil, multiplicando­se, para  efeito  de  rateio  entre  as  contribuições:  (Incluído  pela  Lei  n°  11:827, de 2008)  I­ pelo fator de 0,177 (cento e setenta e sete milésimos), no caso  do  crédito  da Contribuição  para  o PIS/Pasep;  e  (Incluído  pela  Lei nº 11.827, de 2008)  II­ pelo  fator de 0,823  (oitocentos  e vinte e  três milésimos),  no  caso do crédito da Cofins.(Incluído pela Lei n° 11.827, de 2008)  (grifou­se)  Art. 12 da IN/RFB:  Art.  12.  As  pessoas  jurídicas  envasadoras  das  bebidas  de  que  trata  o  art.  1º  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  ou  da  COFINS,  devidas  em  cada  período  de  apuração,  crédito  presumido  correspondente  ao  ressarcimento  de  que  trata  o  art.  11,  efetivamente  pago  no  mesmo  período  pelos seus estabelecimentos industriais.  OBS: o anexo V, encontra­se à fls.453/454.  Pugna  a  Recorrente  em  sua  peça  defensória,  cujos  excertos  a  seguir  demonstram, em síntese os argumentos centrais da defesa:  (...), em face da existência de equívoco na análise realizada pela  Fiscalização  não  foram  consideradas  algumas  Notas  Fiscais  para  a  composição  do  crédito  presumido  de  SICOBE,  cujos  comprovantes  de  pagamento  foram  apresentados  pela  Recorrente  quando  do  cumprimento  dos  Termos  de  Intimação  recebidos.  (...)  Como  já  observado no  tópico  anterior  referente  ao  registro  de  créditos  extemporâneos  de  PIS  e  COFINS,  uma  vez  verificado  que a Recorrente tem direito aproveitamento dos créditos fiscais,  não  existe  nenhuma  restrição  ao  aproveitamento  posterior  dos  referidos créditos.  (...)  Isso  porque,  no  mês  em  que  este  crédito  deveria  ter  sido  apropriado,  a  Recorrente  efetuou  o  recolhimento  do  PIS  e  a  COFINS sem a redução permitida, ocorrendo redução do PIS e  da  COFINS  apenas  no  mês  em  gue  a  Recorrente  realizou  a  Fl. 3466DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.467          31 apropriação, o que demonstra mais uma vez que o procedimento  adotado pela Recorrente não trouxe qualquer prejuízo aos cofres  públicos.  No  presente  caso  somente  existiria  prejuízo  ao  erário  se  a  Recorrente tivesse: (i) apropriado os créditos no mês em que ele  foi apurado e também tivesse apropriado este mesmo crédito em  mês posterior, ou  (ii) apropriado este crédito em mês posterior  corrigido monetariamente pela Taxa SELIC, o que não ocorreu.  Nesse  ponto,  também  sem  razão  a  Recorrente,  visto  que  da  análise  da  legislação e das planilhas apresentadas pela autuada, constantes do anexo IV, verifica­se que a  legislação  determinou  o  rito  temporal  de  apuração,  ou  de  relação  entre  os  pagamentos  e  a  dedução dos créditos das contribuições devidas, cuja lógica é a mesma já discorrida quando da  análise dos créditos extemporâneos, não sendo cabível a  justificativa da Recorrente, quanto à  inexistência de dano ao Erário.  Assim,  constata­se  que  a  fiscalização  apurou  corretamente  o  crédito  presumido, referente às aquisições do SICOBE, conforme se depreende de suas conclusões:   Portanto,  o  crédito  presumido  pode  ser  apropriado  em  cada  período de apuração no montante dos valores das aquisições de  equipamentos,  partes  e  peças  e  dos  custos  de  instalação  e  manutenção  do  Sicobe  efetivamente  pagos  no  mesmo  período,  respeitadas as demais condições previstas na legislação.  Nesse  contexto, diante  dos  documentos  fiscais  e  comprovantes  de  pagamentos  apresentados  no  arquivo magnético  anexado  à  resposta protocolizada neste Sefis em 10/04/2014, a fiscalizada  demonstrou  fazer  jus,  em  agosto,  setembro,  novembro  e  dezembro de 2009, somente aos créditos presumidos calculados  no Anexo V ao presente relatório.  Aplicando sobre referidos créditos os fatores de rateio previstos  no  art.  58­R  da  Lei  n°  10.833/2003,  oram  obtidos  valores  inferiores  aos  apropriados  nos  respectivos  Dacon,  conforme  indicado abaixo:  (...)  Em reforço argumentativo, é oportuno trazer à análise, a linha argumentativa  da decisão de piso, a respeito da matéria:  A  fiscalização  considerou  como  indevida  uma  parcela  dos  créditos  apropriados  pela  contribuinte  a  título  de  créditos  presumidos  correspondentes  à  aquisição  de  equipamentos  relativos  ao  Sistema  de  Controle  e  Produção  de  Bebidas  –  SICOBE, por conta da ausência de comprovação.  (...)  Como destacado no Relatório Fiscal, foram admitidos apenas os  créditos  decorrentes  de  custos  efetivamente  pagos  no  mesmo  período em que apropriados.  Fl. 3467DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.468          32 (...)  A  linha  de  defesa  adotada  pela  contribuinte  esbarra  na  legislação tributária que, como se viu, estabelece uma rigorosa  relação temporal entre os pagamentos e a dedução dos créditos  das  contribuições  devidas.  Importante  notar  que  não  se  trata  apenas  da  apuração  dos  créditos  nos  períodos  em  que  se  efetivaram  os  pagamentos,  mas  também  da  dedução  das  contribuições devidas nos mesmos períodos.  Nesse contexto, tendo a contribuinte apropriado os créditos em  períodos posteriores àqueles em que aconteceram efetivamente  os pagamentos, atuou ela contra as regras do regime, pelo que  não são admissíveis as respectivas reduções das contribuições.  O  argumento  de  inexistência  de  prejuízo  ao  Erário  procura  legitimar,  a  partir  de  um  raciocínio  econômico,  um  procedimento  desconforme  em  relação  à  legislação,  algo  que  não  encontra  abrigo  no  arcabouço  jurídico  que  preside  o  Sistema Tributário Nacional.(grifei).  Pelos fundamentos acima, mantém­se a referida glosa.  3  ­  DOS  CRÉDITOS  PRESUMIDOS  NÃO  INFORMADOS  NOS  DACON  Ressalta  a  fiscalização  no  TVF,  que  no  curso  da  fiscalização,  foram  constatadas divergências entre os valores a pagar da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins  apurados  pela  fiscalizada  nos  Dacon  de  junho  a  dezembro  de  2009  e  os  débitos  dessas  contribuições informados nas respectivas DCTF.  Intimada  a  esclarecer  as  divergências,  a  autuada  apresentou  planilha  eletrônica  visando  "justificar  as  divergências  apontadas",  na  qual  expôs  que  os  valores  informados em DCTF corresponderam, essencialmente, aos valores das contribuições a pagar  apuradas  nos  Dacon  deduzidos  de  créditos  presumidos  relativos  ao  Sicobe  (IN/RFB  n°  869/2008), não informados nos Dacon.  De  posse  dessas  informações,  verificou  a  fiscalização  que  a  fiscalizada  efetuou, fora dos Dacon, três tipos de deduções nos valores da contribuição para o PIS/Pasep e  da Cofins a pagar apuradas nesses demonstrativos, com as seguintes denominações:  3.1) Da "Dedução SICOBE ­ recolhimento Casa da Moeda"  A  análise  da  legitimidade  dos  créditos  presumidos  apropriados  pela  fiscalizada fora dos Dacon sob a denominação "SICOBE ­ recolhimento Casa da Moeda" teve  o seguinte pressuposto normativo.  Art. 58­T, § 2o da Lei n° 10.833, de 2003:   "Art. 58­T. As pessoas  jurídicas que  industrializam os produtos  de  que  trata  o  art.  58­A  desta  Lei  ficam  obrigadas  a  instalar  equipamentos  contadores de produção, que possibilitem, ainda,  a identificação do tipo de produto, de embalagem em sua marca  comercial, aplicando­se, no que couber, as disposições contidas  Fl. 3468DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.469          33 nos  arts.  27  a  30  da  Lei  n°  11.488,  de  15  de  junho  de  2007.  (Redação.dada pela Lei n° 11.827, de 20 de novembro de 2008)  § 1° A Secretaria,  da Receita Federal do Brasil  estabelecerá a  forma,  limites,  condições  e  prazos  para  a  aplicação  da  obrigatoriedade de que  trata o caput deste artigo, sem prejuízo  do disposto no art. 36 da Medida Provisória nº 2.158­35, de 24  de  agosto  de  2001.  (Incluído  pela  Lei  n°  11.827,  de  20  de  novembro de 2008)  §  2º  As  pessoas  jurídicas  de  que  trata  o  caput  deste  artigo  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  ou  da  Cofins,  devidas  em  cada  período  de  apuração,  crédito  presumido correspondente ao ressarcimento de que trata o § 3º  do  art.  28  da  Lei  n"  11.488,  de  15  de  junho  de  2007,  efetivamente  pago  no  mesmo  período.  (Inchado  pela  Lei  n°  11.827] de 20 de novembro de 2008)" (grifou­se).  Art. 28 da Lei nº 11.488, de 2007:  "Art. 28. Os equipamentos contadores de produção de que trata  o art. 27 desta Lei deverão ser instalados em todas as linhas de  produção existentes nos estabelecimentos industriais fabricantes  de cigarros, em local correspondente ao da aplicação do selo de  controle  de  que  trata  o  art.  46  da  Lei  nº  4.502,  de  30  de  novembro de 1964.  § 1º O selo. de controle será confeccionado pela Casa da Moeda  do Brasil e conterá  ( dispositivos de segurança aprovados pela  Secretaria da Receita Federal do Brasil que possibilitem, ainda,  a verificação de sua autenticidade no momento da aplicação no  estabelecimento industrial fabricante de cigarros.  §  2o  Fica  atribuída  à  Casa  da  Moeda  do  Brasil  a  responsabilidade  pela  integração,  instalação  e  manutenção  preventiva e corretiva de  todos os equipamentos de que  trata o  art. 27 desta Lei nos estabelecimentos industriais fabricantes de  cigarros,  sob  supervisão  e  acompanhamento  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  e  observância  aos  requisitos  de  segurança e controle fiscal por ela estabelecidos:  §  3o Fica  a  cargo  do  estabelecimento  industrial  fabricante  de  cigarros  o  ressarcimento  à  Casa  da  Moeda  do  Brasil  pela  execução  dos  procedimentos  de  que  trata  o  §  2o  deste  artigo,  bem  como  pela  adequação  necessária  à  instalação  dos  equipamentos de que trata o art. 27 desta Lei em cada linha de  produção.  § 4º Os valores do ressarcimento de que trata o § 3o deste artigo  serão estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil  e  deverão  ser  proporcionais  à  capacidade  produtiva  do  estabelecimento  industrial  fabricante  de  cigarros,  podendo  ser  deduzidos  do  valor  correspondente  ao  ressarcimento  de  que  trata  o  art.  3o  do  Decreto­Lei  n  1.437,  de  17  de  dezembro  de  1975.  Fl. 3469DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.470          34 §5° Na hipótese  de  existência  de  saldo após a  dedução de  que  trata  o  §  4º  deste  artigo,  os  valores  remanescentes  do  ressarcimento  de  que  trata  o  §  3º  deste  artigo  poderão,  ser  deduzidos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  ou  da  Cofins,  devidas  em  cada  período  de.  apuração.  (Incluído  pela  Lei  n°  11.933, de 2009)". (grifou­se)  Art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008:  Art.  11.Fica  a  cargo  do  estabelecimento  industrial  envasador  das bebidas de que  trata o art. 1º o ressarcimento à CMB pela  execução  dos  procedimentos  de  integração,  instalação,  manutenção preventiva  e corretiva  do  Sicobe  em  todas  as  suas  linhas de produção.  §  1º  O  ressarcimento  de  que  trata  o  caput  será  efetuado  com  base na produção do estabelecimento industrial controlada pelo  Sicobe e deverá ser realizado por  intermédio de Documento de  Arrecadação de Receitas Federais (DARF), em estabelecimento  bancário  integrante  da  rede  arrecadadora  de  receitas  federais,  observados os valores vigentes na data do recolhimento.  § 3º O período de apuração para fins do ressarcimento é mensal,  e terá como base a produção de bebidas controlada pelo Sicobe  em todas as linhas de produção do estabelecimento industrial.  § 4º O ressarcimento correspondente às quantidades de bebidas  envasadas  em  cada  mês  deverá  ser  recolhido  pelo  estabelecimento  industrial  até  o  vigésimo  quinto  dia  do  mês  subseqüente.  ...  §  10.  O  estabelecimento  industrial  que  houver  efetuado  recolhimento indevido a maior poderá compensar o saldo credor  no próximo ressarcimento que efetuar.  ...  Art.  12. As  pessoas  jurídicas  envasadoras  das  bebidas  de  que  trata  o  art.  1º  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  ou  da  COFINS,  devidas  em  cada  período  de  apuração,  crédito  presumido  correspondente  ao  ressarcimento  de  que  trata  o  art.  11,  efetivamente  pago  no  mesmo  período  pelos seus estabelecimentos industriais.  Das  disposições  acima  concluiu  a  fiscalização  que  a  pessoa  jurídica  pode  deduzir  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  ou  da  Cofins,  devidas  em  cada  período  de  apuração,  crédito  presumido  em  relação  ao  ressarcimento  efetivamente  pago  no mesmo  período  à  CMB,  pela  execução  dos  procedimentos  de  integração,  instalação  e  manutenção  preventiva e corretiva dos equipamentos contadores de produção (§ 2o do art. 58­T da Lei n°  10.833/2003),  ressaltando  ainda  que  foram  considerados  créditos  presumidos  passíveis  de  dedução  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  em  cada  mês,  os  valores  dos  ressarcimentos  à  CMB  registrados  no  Sistema  Sinal  com  o  código  de  receita  0075  ­ "Ressarcimento Casa da Moeda  ­ Lei nº 11.488/2007", na  forma disciplinada pelo art. 11 da  IN/RFB n° 869, de 2008  Fl. 3470DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.471          35 Os  valores  dos  ressarcimentos  estão  relacionados  no  Anexo  VI,  fl.455  e  consolidados pelo mês do efetivo pagamento no Anexo VII, fl.456.  Observa­se da argumentação defensória, que não há controvérsia quanto aos  valores, mas  sim  quanto  à  forma de  apuração,  conforme  se  extrai  dos  seguintes  excertos  do  recurso voluntário:  Assim,  em  cumprimento  à  sistemática  estabelecida  pela  legislação  tributária  de  regência,  a  Recorrente  recolheu  entre  junho e dezembro de 2009  todos os ressarcimentos do SICOBE  referente ao período objeto da presente autuação fiscal (doe. 08  da impugnação).  (...)  Ocorre que, ao analisar os créditos e recompor a conta gráfica,  a  Fiscalização  adotou  entendimento  diverso  da  Recorrente,  no  sentido  de  que  os  créditos  presumidos  correspondentes  ao  ressarcimento pago deveriam ser deduzidos na apuração do PIS  e da COFINS não­cumulativo e não do valor a pagar a título de  PIS  e  COFINS,  o  que  resultou  na  postergação  financeira  do  ressarcimento.  (...)    Em  outras  palavras,  enquanto  a  Recorrente  deduziu  o  crédito  presumido do SICOBE apurado em 06/2009 e pago em 07/2009  do PIS  e  da COFINS  também apurado  em 06/2009  e  pago  em  07/2009, a Fiscalização deduziu o crédito presumido do SICOBE  apurado em  06/2009 e  pago  em 07/2009 do PIS  e  da COFINS  apurado  em 07/2009  e  pago  em 08/2009  (considerou  o  crédito  presumido pago em 07/2009 na apuração do PIS e da COFINS  de  07/2009  e  não  no  pagamento  do  PIS  e  da  COFINS  de  07/2009).  (...)  Percebe­se, ainda, que no mês de outubro de 2009 (coluna E da  planilha) houve  uma  sobra  de  créditos  de  SICOBE para  serem  utilizados no abatimento do PIS e da COFINS a pagar, o qual foi  utilizado  para  abatimento  no mês  de  novembro  e  dezembro  de  2009.    Ocorre que da exegese que se extrai dos dispositivos legais acima transcritos,  notadamente o § 2o do art. 58­T da Lei n° 10.833, de 2003 e do cálculo consolidado pelo mês  do efetivo pagamento no Anexo VII, fl.456, verifica­se que assiste razão à fiscalização.  Nesse  sentido,  pela  escorreita  análise  da  matéria  e  pela  clareza  dos  fundamentos apresentados, reproduzo, a seguir em reforço argumentativo, excertos da decisão  de piso:  Fl. 3471DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.472          36 A teor do Relatório Fiscal, a fiscalização focou a auditoria sobre  três  tipos  de  deduções  utilizados  pela  contribuinte  que,  não  informados nos Dacon, reduziram as contribuições lançadas nas  DCTF.  A ver cada uma delas.  Dedução SICOBE – recolhimento Casa da Moeda  De  início,  a  comparação  entre  os  valores  utilizados  pela  autoridade  fiscal  e  pela  contribuinte  revela  que  não  houve  discrepância,  concordando  ambas  com  os  montantes.  A  controvérsia  prende­se,  então,  ao  momento  em  que  a  dedução  poderia  ser  feita.  É  essa  a  linha  de  defesa  adotada  pela  interessada,  construída  nesses  termos  e  a  partir  da  legislação  acima transcrita:  (...)  Como  se  viu  no  item  anterior,  a  legislação  tributária,  especialmente o art.12 da Instrução Normativa RFB nº 869, de  2008, estabelece uma relação temporal direta entre o período de  apuração  das  contribuições  e  o  ressarcimento  efetivamente  pago no mesmo período. Ou seja, o valor da dedução há de ser  computado  nas  contribuições  apuradas  no  mesmo  período  em  que ocorreu o pagamento.  Comparando a data em que  foram efetuados os pagamentos, e­ fls. 188/194, com as alocações feitas pela fiscalização, e­fl. 456,  constata­se  que  o  procedimento  fiscal  ateve­se  estritamente  ao  definido na legislação.    3.2) Da "Dedução SICOBE­investimentos"    A  análise  da  regularidade  fiscal  do  crédito  presumido  apropriado  pela  fiscalizada  fora  do Dacon,  em  julho  de  2009,  sob  a  rubrica  "Dedução  SICOBE  ­  investimentos",  foi  efetuada  com  base  no  disposto  no  art.  58­R  da  Lei  n°  10.833/2003, abordado no item 2.4 do presente relatório.  No caso presente, a fiscalizada expôs por meio da planilha  apresentada,  que  deduziu  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  devidas  em  julho  de  2009,  sob  a  denominação  "Dedução  SICOBE'  ­  investimentos",  preditos presumidos nos valores de R$ 187.468,10 e de R$  871.673,70, respectivamente.  Ocorre  que  os  documentos  fiscais  e  comprovantes  de  pagamentos apresentados para comprovar a legitimidade desses  créditos  presumidos  em  julho  de  2009  totalizaram  R$  313.995,10,conforme apurado no Anexo V ao presente relatório  fiscal.  Aplicando  sobre  esses  créditos  os  fatores  de  rateio  Fl. 3472DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.473          37 previstos  no  art.  58­R  da  Lei  n°  10.833/2003,  obtiveram­se  os  seguintes valores:    Tais valores foram inferiores aos apropriados pela fiscalizada (fora do  Dacon), de R$ 187.468,10 e de R$ 871.673,70, respectivamente. Nessas  condições,  foram  considerados  passíveis  de  dedução  em  julho  de  2009,  com  base  no  citado  dispositivo  legal,  somente  os  créditos  presumidos dispostos no quadro acima e não os valores indicados na  planilha apresentada pela fiscalizada.  Os créditos presumidos indicados acima, bem como os calculados em  junho de  2009  (Anexo V),  foram  aproveitados  de  ofício na  dedução  dos  valores  devidos  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  apurados na presente  fiscalização,  conforme descrito no  item 4 deste  relatório.(grifei).  Quanto a esse item não há manifestação expressa no recurso voluntário.  3.3) Da Dedução com "Saldo credor período anterior'''  Esclarece a fiscalização:  Conforme  se  verifica  no Anexo VIII ao presente  relatório,  o  saldo  de  créditos  presumidos  não  aproveitados  de  ofício  em  outubro  de  2009  não foi utilizado em meses subseqüentes, por falta de previsão legal nos  arts. 58­R e 58­T da Lei n° 10.833/2003, que regem a matéria.  Quanto a esse subitem, reproduzo os excertos da decisão de piso, utilizados  como razão de decidir:  Ao  refazer  os  cálculos  das  contribuições  para  corretamente  alocar  as  deduções  acima  tratadas,  a  fiscalização  negou  o  aproveitamento de saldo apurado em outubro de 2009, conforme  Anexo VIII do Relatório Fiscal, e­fls. 457/458.   Nos seus dizeres:  o  saldo  de  créditos  presumidos  não  aproveitados  de  ofício  em  outubro  de  2009  não  foi  utilizado  em meses  subseqüentes,  por  falta  de  previsão  legal  nos  arts.  58­  R  e  58­T  da  Lei  nº  10.833/2003, que regem a matéria.  Em sua defesa, a autuada argumenta:  Outro  ponto  que  se  encontra  equivocado  nos  cálculos  elaborados  pela  Fiscalização,  diz  respeito  ao  entendimento  de  que  os  saldos  de  créditos  presumidos  remanescentes  não  poderiam ser aproveitados em meses subsequentes, por  falta de  previsão legal no artigo 58­T da Lei n° 10.833 de 2003.  No entanto, é notório que o objetivo do legislador ao instituir o  crédito  presumido  do  SICOBE  foi  o  de  ressarcir  de  forma  Fl. 3473DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.474          38 imediata  integral  o  custo  relativo  ao  desembolso  efetuado  a  CMB,  anulando  para  as  empresas  qualquer  efeito  financeiro  gerado em face da utilização obrigatória do SICOBE.  Assim,  como  a  legislação  também  não  estabelece  qualquer  restrição  ao  direito  de  deduzir  os  créditos  presumidos  das  contribuições  a  pagar,  desde  que  o  ressarcimento  tenha  sido  pago  à  CMB,  e  desde  que  cada  real  ressarcido  seja  utilizado  para deduzir um real da contribuição ao PIS e COFINS a pagar,  é  legítimo  o  direito  da  Impugnante  de  transportar  para  o  mês  subsequente  o  saldo  remanescente  do  crédito  presumido  do  SICOBE.  Em que pese a argumentação traçada pela defesa, é importante  lembrar aqui que a autoridade fiscal está adstrita, na aplicação  da  lei,  ao  que  nela  está  previsto.  E,  no  caso,  não  há,  efetivamente,  previsão  de  uso  dos  créditos  presumidos  em  período  outro  que  não  aquele  em  que  houve  o  efetivo  pagamento.  A  ausência  dessa  possibilidade  é  patente  na  leitura  dos  dispositivos  legais  da  Lei  nº  10.833,  de  2003.  Não  obstante,  a  redação do § 10, do art. 11, da Instrução Normativa RFB nº 869,  de 2008, pode, inicialmente, suscitar o entendimento de que essa  hipótese de aproveitamento dos créditos exista.  No  entanto,  o  que  diz  aquele  parágrafo  é  que  o  recolhimento  indevido  a  maior  pode  ser  compensado  no  ressarcimento  subsequente.  Ou  seja,  um  eventual  recolhimento  a  maior  é  passível de aproveitamento no cálculo do próximo recolhimento  em favor da Casa da Moeda do Brasil, e não na apuração das  contribuições.(grifei).  Reforça  o  entendimento  de  que  não  há  possibilidade  de  utilização  do  saldo  encontrado  em outubro  de  2009 nos meses  subseqüentes  o  fato  de  que,  ainda  considerando  aquele mesmo  décimo  parágrafo,  não  houve  recolhimento  indevido  a  maior,  mas,  sim,  recolhimento  correto  que,  por  conta  do montante  da  contribuição a pagar verificada naquele  4 ­ DA INSUFICIÊNCIA DOS VALORES DECLARADOS EM DCTF  Ressalta o TVF, em conclusão ao trabalho fiscal:  Excluindo­se  dos  Dacon  de  junho  a  dezembro  de  2009  os  créditos  indevidamente  apropriados,  conforme  'descrito  no  item  2  deste  relatório,  e  aproveitando­se  de  ofício  os  créditos  presumidos  calculados  no  item  3,  apuraram­se  valores  apagar  da  contribuição  para  o PIS/Pasep e da Cofins  superiores aos  informados  nas DCTF*  desse período,  conforme cálculos  expostos no Anexo VIII ao presente  relatório.  Tais.  insuficiências  (nos  valores  declarados  nas  DCTF),  foram consideradas contribuições devidas e lançadas de ofício.  DOS DÉBITOS DECLARADOS A MAIOR  Fl. 3474DF CARF MF Processo nº 13864.720101/2014­96  Acórdão n.º 3302­005.537  S3­C3T2  Fl. 3.475          39 Em sua peça recursal, traz a recorrente um tópico assim intitulado, no entanto  as matérias arguidas, em seus próprios dizeres:  a)  incluiu,  inadvertidamente,  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  do  período  em  tela,  valores  decorrentes  de  incentivos  fiscais oferecidos pela legislação do Imposto sobre a Circulação  de  Mercadorias  e  Serviços  ­ICMS,  a  título  de  subvenção  governamental para investimentos, que não são tributados pelas  Contribuições Sociais em questão; e   (b)  deixou  de  apropriar  créditos  de  PIS  e  de  COFINS  sobre  aquisições realizadas no período de junho a dezembro de 2009,  nos termos do artigo 3o das Leis n° 10.637 de 2002 e 10.833 de  2003.  As  matérias  acima  elencadas  são  estranhas  ao  feito  fiscal,  de  modo  inexistindo fundamentos na autuação quanto às referidas matérias, deixarão de ser apreciadas  no presente voto.  Conforme fundamentos acima, não há reparos no feito fiscal, mantendo­se na  íntegra a decisão recorrida."  Ante o exposto, voto por conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na  parte conhecida, em negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède                                Fl. 3475DF CARF MF

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7362495 #
Numero do processo: 10680.015464/2003-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1997 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CONTRADIÇÃO - AUSÊNCIA DE NULIDADE - Se a contradição ocorrida não altera os fundamentos e resultado da decisão Embargada, devem os Embargos serem acolhidos, para ser retificada a contradição e re-ratificado o Acórdão embargado, mas não para declarar a nulidade da decisão, já que ausente a preterição do direito de defesa da contribuinte.
Numero da decisão: 9101-000.830
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em segunda votação, acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão n° 9101-00.349, de 26 de agosto de 2009, para que seja retificado o julgado no sentido de que o resultado do julgamento do processo n° 10680.0029582002-57 seja observado na execução deste julgado e ratificar o entendimento de que ambos são dependentes entre si, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Claudemir Rodrigues Malaquias e Antonio Carlos Guidoni Filho que anulavam a decisão. Em primeira votação os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Susy Gomes Hoffmann não conheciam dos embargos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho.
Nome do relator: Viviane Vidal Wagner

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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em segunda votação, acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão n° 9101-00.349, de 26 de agosto de 2009, para que seja retificado o julgado no sentido de que o resultado do julgamento do processo n° 10680.0029582002-57 seja observado na execução deste julgado e ratificar o entendimento de que ambos são dependentes entre si, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Claudemir Rodrigues Malaquias e Antonio Carlos Guidoni Filho que anulavam a decisão. Em primeira votação os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Susy—Gomes Hoffmann não conheciam dos embargos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Caio IMarcos Cândia - Presidente. ( Viviane Vi er - Relatora. a Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho - Redator designado. Editado em: 31 MAR 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratam-se de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão n° 9101-00349, de 26 de agosto de 2009, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso especial anteriormente por ela apresentado. O acórdão embargado contem a seguinte ementa: CSLL - EXERCÍCIOS 1999 PAF. PROCESSOS CONEXOS. TRÂNSITOS EM JULGADOS. Definido o processo 10680.002958/2002-57 através do Ac 9101- 00.009 de 09 de mat-go de 2009 e 10680.015465/2003-68; Ac.- 9103-00.099 de 11 de maio de 2009, a solução ali definida a este se aplica. CSL. INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA. Tendo ficado decidido que não houve falta ou insuficiência de pagamento da CSL (fundamento para o lançamento da multa isolada) pode-se concluir também pela improcedência desta exigência. LANÇAMENTOS DECORRENTES. A solução dada ao litígio principal, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. A embargante alega existir contradição no acórdão que decidiu pela aplicação no presente processo da mesma decisão adotada nos processos n° 10680.002958/2002-57 e 10680.015465/2003-68, em razão da dependência entre eles. Aduz que a decisão embargada adotou uma premissa atica equivocada quanto ao trânsito em julgado do processo n° 10680.002958/2002-57, o qual, na realidade, encontra-se pendente de julgamento do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, em 31.08.2009, com fulcro nos arts. 9° e 43, da Portaria MF n° 147, de 25.06.2007, conjugados com os arts. 4° e 7° da Portaria MF n° 256, de 22.06.2009. Pede o acolhimento dos presentes embargos para que seja proferida nova decisão. Alternativamente, requer a suspensão do feito até a decisão definitiva no processo principal. E o relatório. 2./ 2 Processo n° 10680.015464/2003-13 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -000.830 Fl. 2 Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presente a contradição apontada, os embargos devem ser conhecidos. Analisados os autos, verifica-se que a decisão consubstanciada no Acórdão n° 9101-00349, ora embargado, assumiu como premissa fática o trânsito em julgado os processos n° 10680.002958/2002-57 e 10680.015465/2003-68, a este conexos. Como bem alertou a embargante, a última decisão proferida no processo principal de no 10680.002958/2002-57 foi objeto de recurso extraordinário interposto pela mesma, com fulcro no Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25.06.2007, vigente h época. Posteriormente, foi aquele normativo revogado pela Portaria MF no 256, de 22.06.2009, que aprovou o atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — RICARF, o qual deixou de prever o recurso extraordinário. Dentre as disposições transitórias previstas, contudo, considerada a alteração introduzida pela Portaria MF n° 446, de 27.08.2009, tem-se: Art. 4° Os recursos com base no inciso Ido art. 7°, no art. 8° e no art. 9° do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior a vigência do Anexo II desta Portaria, sera() processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. (1] Nesses termos, os recursos extraordinários apresentados já na vigência do RICARF atual, mas referentes a julgados anteriores, como é o caso ora examinado, deverão seguir seu processamento normal. Atualmente, o processo principal de n° 10680.002958/2002-57 encontra-se em fase de análise de admissibilidade do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Caso adrnitido, deverá o recurso ser submetido ao julgamento do Pleno da CSRF. Diante disso, considerando-se que h data da prolação da decisão embargada ainda corria o prazo de interposição de recurso extraordinário, verifica-se que esta foi prolatada com preterição do direito de defesa, na medida em que adotou um pressuposto fático inveridico, deixando de apreciar os fundamentos da recorrente por considerar que a matéria já estaria definitivamente julgada no processo conexo. No processo administrativo fiscal, consideram-se nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. 3 Isto posto, voto pelo acolhimento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional para anular a decisão embargada e aguardar o trânsito em julgado do processo e 10680.002958/2002-57, antes de ser proferida nova decisão. Viviane Vidal Wagner — Relatora 4 Processo n° 10680.015464/2003-13 Acórdão n.° 9101 -000.830 CSRF-T1 Fl. 3 Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Redator designado Como indicado pela ilustre Relatora, a decisão consubstanciada no Acórdão no 9101-00349, ora embargado, assumiu como premissa fatica o trânsito em julgado dos processos n° 10680.002958/2002-57 e 10680.015465/2003-68, a este conexos. Como apontado pela Embargante e apurado pela Relatora, o processo principal de n° 10680.002958/2002-57 ainda não foi definitivamente julgado, já que encontra-se em fase de análise de admissibilidade do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Caso admitido, deverá o recurso ser submetido ao julgamento do Pleno da CSRF. Nisto, em tudo concordo com a Relatora. Contudo, não partilho do entendimento de que a contradição ocorrida implicaria em preterição do direito de defesa da contribuinte, dando causa a nulidade da decisão, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. No caso concreto, o saneamento da contradição não deve alterar o resultado da decisão embargada. 0 resultado da decisão embargada não é inconciliável com a apuração de que o processo conexo ainda não foi definitivamente julgado. A decisão embargada entendeu que, por ter ficado decidido, no processo conexo, que não houve falta ou insuficiência de pagamento da CSL (fundamento para o lançamento da multa isolada), pode-se concluir também pela improcedência da exigência da multa no caso em análise. Se tal constatação, de que não houve falta ou insuficiência do pagamento da CSL, for alterada com o julgamento do recurso extraordinário de tal processo conexo, a nova constatação sera automaticamente observada na execução do presente processo, pelos próprios fundamentos da decisão embargada. Assim, entendo que os Embargos devem ser acolhidos para retificar a contradição ocorrida e estabelecer, tab somente, que o resultado do julgamento do processo n° 10680.0029582002-57 seja observado na execução deste julgado, devendo, para tal fim, ambos os processos serem considerados como dependentes entre si, mantendo a decisão embargada em seus demais termos. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho - Redator designado 5 — If -

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7409262 #
Numero do processo: 10730.902600/2009-60
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 14/11/2005 PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O julgador não está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições processuais, desde que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas. PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição indispensável para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. A utilização do IGPM não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 14/11/2005 PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O julgador não está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições processuais, desde que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas. PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição indispensável para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. A utilização do IGPM não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Recurso Voluntário Negado.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1659; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C0T2  Fl. 450          1 449  S3­C0T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10730.902600/2009­60  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3002­000.220  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  12 de junho de 2018  Matéria  COFINS  Recorrente  CIEN CIA DE INTERCONEXÃO ENERGÉTICA.            Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 14/11/2005  PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  O  julgador  não  está  obrigado  a  refutar  expressamente  todos  os  argumentos  declinados  pelas  partes  na  defesa  de  suas  posições  processuais,  desde  que  pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu  ou rejeitou as pretensões deduzidas.  PIS.  COFINS.  CONTRATO  DE  PREÇO  PREDETERMINADO.  APLICAÇÃO  DO  IGPM.  REGIME  DE  INCIDÊNCIA  NÃO  CUMULATIVA.  O  reajuste  pelo  IGPM  não  reflete  o  custo  de  produção  nem  a  variação  ponderada  dos  custos  dos  insumos  utilizados  e,  por  conseguinte,  descaracteriza  o  contrato  reajustado  por  esse  índice  como  de  preço  predeterminado,  condição  indispensável para manter  as  receitas decorrentes  desse  tipo  de  contrato  no  regime  de  incidência  cumulativa  do  PIS  e  da  Cofins.  A  utilização  do  IGPM  não  descaracteriza  o  contrato  como  de  preço  predeterminado  somente  se  ficar  comprovado  que  a  utilização  do  índice  resultou  em  correção  menor  ou  igual  ao  custo  de  produção  ou  à  variação  ponderada dos custos dos insumos utilizados.  Recurso Voluntário Negado.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 26 00 /2 00 9- 60 Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 451          2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  rejeitar  a  preliminar  suscitada  no  recurso  e,  no  mérito,  por  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara  Simões  (relatora)  que  lhe  deram  provimento  parcial.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves.  (assinado digitalmente)  Larissa Nunes Girard ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Relatora  (assinado digitalmente)  Carlos Alberto da Silva Esteves ­ Redator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard  (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da  Silva Esteves    Relatório  Por bem relatar os  fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à  fl. 262/263  dos autos:  Trata­se  da  Declaração  de  Compensação  Eletrônica  nº  11095.32556.300306.1.3.04­0509– não­homologada – de crédito oriundo de  pagamento considerado  indevido, a  título de Cofins do período de outubro­ 05, conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos.  A  autoridade  fiscal  decidiu  não  homologar  a  compensação  efetuada,  pois  entendeu inexistir o direito creditório declarado (fl. 36).  Cientificada  da  decisão,  a  contribuinte  apresentou,  Manifestação  de  Inconformidade (fls. 3 a 11) alegando, em resumo, que:  ­  reconhece  que  parte  da  compensação  que  efetuou  foi  indevida,  pois  usou Taxa SELIC acumulada em percentual incorreto, por este motivo  recolherá a diferença;  ­  quanto  ao  restante  da  compensação  declarada,  a  incorreção  é  do  despacho decisório;  ­ contribuiu involuntariamente para o equívoco do despacho decisório,  pois prestou informações incorretas em documentos fiscais;  ­  firmou contratos  a preços  pré­determinados,  antes de 31/10/03,  com  FURNAS, GERASUL/TRACTEBEL e CERJ/AMPLA, aprovados pela  ANEEL, e com prazo de duração superior a um ano;  ­  as  receitas decorrentes  de  tais  contratos  estavam sujeitas  ao PIS e  à  Cofins cumulativa (art. 10, Lei nº 10.833/03);  Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 452          3 ­  na  mesma  direção  opinou  a  ANEEL  pelo  ofício  nº  1.431/2006­  SFF/ANEEL, juntado ao presente recurso;  ­ equivocadamente, as referidas receitas foram declaradas como sujeitas  ao PIS/Cofins não­cumulativos;  ­  ao  perceber  a  falha  retificou  a  contabilidade,  apresentou  o  PER/DCOMP em tela, mas olvidou de retificar a DCTF;  ­  ao  não  retificar  a  DCTF,  induziu  a  Autoridade  a  quo  a  supor  que  inexistia crédito a restituir/compensar;  ­  não  obstante  os  erros  que  estão  sendo  corrigidos,  é  indubitável  seu  direito de reaver o valor recolhido a maior.  A contribuinte requer a homologação da compensação declarada  A  Recorrente  apresentou,  com  a  sua  manifestação  de  inconformidade,  os  seguintes  documentos:  (i)  atos  constitutivos  e  de  representação  da  empresa  (fls.  12/35);  (ii)  despacho decisório  (fls.  36 e 252/254);  (iii)  resolução ANEEL  (fls. 38);  (iv) contrato Furnas  (fls. 39/95); (v) contrato Gerasul (fls. 96/152); (vi) Ofício e despachos ANEEL (fls. 153/157);  (vii) contrato CERJ/AMPLA (fls. 158/231); (viii) Ofício 1431/2006 da ANEEL (fls. 232/234);  (ix)  comprovante  de  arrecadação  (fls.  235/236  e  246);  (x) DCTF  retificadora  (fls.  237/239);  (xi) PER/DCOMP (fls. 240/245 e 247/251); (xii) tela do sistema (fl. 257).  Ao  analisar  o  caso,  a  DRJ  entendeu,  por  unanimidade  de  votos,  julgar  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade,  conforme  decisão  que  restou  assim  ementada:   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 14/11/2005  PREÇO  PREDETERMINADO.  SUBSISTÊNCIA.  ATÉ  A  PRIMEIRA  ALTERAÇÃO.  A  permanência  no  regime  cumulativo  do  PIS  e  da  Cofins,  na  hipótese  prevista  no  inciso  XI,  artigo  10  da  Lei  nº  10.833/03,  depende  do  caráter  predeterminado  do  preço,  que  subsiste  somente  até  a  implementação,  após  31/10/03, da primeira alteração do preço decorrente da aplicação de cláusula  contratual de reajuste, salvo situações excepcionais legalmente previstas. Não  sendo caso de exceção, o contrato regido com cláusula de reajuste com base  no IGP­M, sucedâneo do IPC­r.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 14/11/2005  OFÍCIO ANEEL. IRRELEVÂNCIA NO DOMÍNIO DE NORMA  TRIBUTÁRIA.  Ofício da Superintendência da Aneel nada interfere na aplicação das normas  tributárias, seja em razão da forma inadequada adotada, seja porque carece a  autoridade  que  o  subscreve  competência  para  alterar  ou  interpretar  a  legislação  tributária, mormente quando seu conteúdo é estranho ao domínio  fiscal, referindo­se apenas ao mercado de energia elétrica.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    O  acórdão  da  primeira  instância  (fls.  261/270)  consignou,  em  seus  fundamentos, que nos contratos de fornecimento de energia elétrica firmados pelo contribuinte  foram atendidos os requisitos legais para a adoção do regime cumulativo, presentes na IN SRF  Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 453          4 nº  658/2006,  nos  artigos  1º  e  2º,  II,  e  no  artigo  10,  XI,  b,  da  Lei  10.833/03,  os  quais  excepcionaram as receitas decorrentes de contrato de prestação de bens e serviços do regime da  não­cumulatividade. Tais requisitos são: (i) receita auferida com o fornecimento de bens e/ou  serviços; (ii) contrato firmado antes de 31/10/03; (iii) contrato para período superior a um ano;  (iv) preço pré­determinado. Consignou haver, no entanto, um requisito para permanência neste  regime:  a  manutenção  do  preço  pré­determinado,  pois  a  lei  impõe  a  exclusão  do  regime  cumulativo quando da primeira alteração no preço do fornecimento.   Analisando contrato por contrato, a primeira instância entendeu que, devido à  presença  de  cláusulas  de  reajuste  em  todos  eles,  foi  devida  a  inclusão  das  receitas  oriundas  destes  contratos,  cada  um  a  partir  do  respectivo  momento  de  reajuste,  no  regime  da  não­ cumulatividade. Concluiu, por isso, que foi correta a adoção do regime da não­cumulatividade  pelo contribuinte no período de outubro de 2005, descabendo a alegação de erro e o pedido de  troca  para  o  regime  cumulativo,  sendo  também  descabido,  portanto,  o  reconhecimento  do  crédito alegado, visto que inexistente.  O acórdão registrou, ainda, que o Ofício nº 1431/2006 da ANEEL não possui  o  condão  de  alterar  essa  conclusão,  pois  se  trata  de  ato  de mera  comunicação,  e  não  de  ato  normativo  capaz  de  complementar  a  legislação  tributária  nos  termos  do  artigo  100  do CTN.  Assim, admitir que altere dispositivos legais e a base de cálculo de tributo feriria o princípio da  legalidade. Além disso, a autoridade subscritora não possuiria competência para interpretar ou  alterar legislação tributária. Quanto a seu conteúdo, consignou ser contraditório e ambíguo, por  admitir uso de índice (IGPM) que não reflete a variação dos custos de produção e dos insumos  utilizados, mas um índice geral de preços de toda a economia.  O contribuinte foi  intimado acerca desta decisão em 21/05/2013 (vide AR à  fl. 274 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 20/06/2013, Recurso Voluntário  (fls. 276/307).  Em  seu  recurso,  o  contribuinte  iniciou  informando  ter  ressaltado  em  sua  Manifestação  de  Inconformidade  que  as  receitas  auferidas  com  os  contratos  se  submetiam  e  teriam continuado submetidas ao regime cumulativo, de acordo com os artigos 10, XI, b, e 15  da Lei nº 10.833/03, o item 3.1 da IN SRF nº 21/79 e o artigo 3º, § 3º da IN SRF nº 658/2006 e  o  Ofício  nº  1431/2006  –  SFF­ANEEL  (Doc.  06  da  Manifestação  de  Inconformidade  –  fls.  232/234).   Alegou que o acórdão da DRJ foi incorreto, e que deve ser reformado, pelas  razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade, e pelas adiante sintetizadas.  Primeiramente, apontou a nulidade do acórdão por omissão quanto à violação  do artigo 30 do Decreto 70.235/72. Alegou que  a primeira  instância  se  recusou  a  apreciar o  item  3.3.2  da  Manifestação  de  Inconformidade,  no  tocante  à  argumentação  de  que  as  conclusões do Ofício nº 1431/2006 – SFF­ANEEL devem ser consideradas neste julgamento,  por força do artigo 30 do Decreto 70.235/72.  Prosseguiu argumentando que, nos termos do artigo 3º, § 3º, da IN SRF, e em  observância  ao  disposto  no  artigo  79,  §  1º,  do  Decreto­Lei  nº  5.844/43,  a  autoridade  administrativa  só  poderia  desconsiderar  os  esclarecimentos  prestados  na  Manifestação  de  inconformidade relativas ao Ofício nº 1431/2006 – SFF­ANEEL se comprovasse a falsidade ou  inexatidão do referido ofício, o que não teria ocorrido.   Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 454          5 Tais vícios iriam de encontro às garantias do direito de petição e do devido  processo  legal  presentes  na Constituição  Federal,  o  que  ensejaria  a  nulidade  do  acórdão  por  força dos artigos 31 e 59, II, do Decreto nº 70.235/72, e seria o entendimento doutrinário e da  jurisprudência administrativa.  Alegou,  no  mérito,  que  o  acórdão  merece  reforma,  pois  o  próprio  teria  reconhecido que os contratos sob exame se enquadraram, inicialmente, no regime cumulativo.  Quanto  ao  entendimento  de  que  não  cumpriram  o  requisito  para  permanência,  o  recorrente  combateu­o  com  a  afirmação  de  que  a  própria  Secretaria  da  Receita  Federal  já  definiu,  no  subitem  3.1  da  IN  SRF  nº  21/79,  que  a  previsão  contratual  de  reajuste  não  afasta  o  caráter  predeterminado do preço, pois visa apenas a preservar o valor da moeda da data da celebração.  Isto  também  teria  sido  reconhecido  em  julgamentos  efetivados  pelo  Poder  Judiciário  e  em  normas editadas pelos poderes da União.   O  recorrente  alegou,  ainda,  que  o Ofício  nº  1431/2006  –  SFF­ANEEL  não  visou à produção de efeitos tributários, mas à emissão de constatações técnicas. Assim, dentro  de  sua  competência  regulatória,  a ANEEL  teria  certificado  que  os  reajustes  contratuais  não  superam os acréscimos dos custos de produção e dos insumos utilizados. Os efeitos tributários  seriam meras decorrências.   Alegou,  por  fim,  que,  ainda  que  se  afaste  a  prova  técnica  da  ANEEL,  o  reajuste, pelo IGPM, não teria o condão de desnaturar o caráter predeterminado do preço, pois  servia apenas para preservar o poder aquisitivo da moeda. Invocou precedentes do CARF que,  em relação aos mesmos contratos sob exame, teriam reconhecido ser devido o enquadramento  no regime cumulativo.  Insistiu, com esses fundamentos, que as receitas dos contratos se enquadram  no artigo 10, XI, b, da Lei nº 10.833/2003, pedindo, ao final, a reforma do acórdão para fins de  reconhecimento do direito creditório e homologação da compensação declarada, ou, ao menos,  a declaração de nulidade do acórdão recorrido.  Não apresentou documentos novos com o recurso.  Os  autos,  então,  vieram­se  conclusos  para  fins  de  análise  do  Recurso  Voluntário interposto pelo contribuinte.  É o relatório.   Voto Vencido  Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Relatora:  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  reúne  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento.  1. Da preliminar de nulidade  Conforme  acima  narrado,  o  contribuinte  apresentou  em  seu  recurso  pleito  preliminar de nulidade do acórdão tendo em vista que este teria se recusado a apreciar o item  3.3.2 da Manifestação de Inconformidade, no tocante à argumentação de que as conclusões do  Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 455          6 Ofício  nº  1431/2006  –  SFF­ANEEL  devem  ser  consideradas  neste  julgamento,  por  força  do  artigo 30 do Decreto 70.235/72.   Prosseguiu argumentando que, nos termos do artigo 3º, § 3º, da IN SRF, e em  observância  ao  disposto  no  artigo  79,  §  1º,  do  Decreto­Lei  nº  5.844/43,  a  autoridade  administrativa  só  poderia  desconsiderar  os  esclarecimentos  prestados  na  Manifestação  de  Inconformidade relativas ao Ofício nº 1431/2006 – SFF­ANEEL se comprovasse a falsidade ou  inexatidão do referido ofício, o que não teria ocorrido.   Argumenta, então, que tais vícios iriam de encontro às garantias do direito de  petição  e  do  devido  processo  legal  presentes  na  Constituição  Federal,  o  que  ensejaria  a  nulidade do acórdão por força dos artigos 31 e 59, II, do Decreto nº 70.235/72.  Entendo  que  não  assiste  razão  ao  contribuinte  neste  ponto,  conforme  será  devidamente demonstrado a seguir.  De  leitura  da  decisão  recorrida,  verifica­se  que  esta  trouxe  consistente  arrazoado apto a fundamentar o entendimento ali apresentado, no sentido de que “o Ofício da  Superintendência da Aneel nada interfere na aplicação das normas tributárias, seja em razão da  forma inadequada adotada, seja porque carece a autoridade que o subscreve competência para  alterar  ou  interpretar  a  legislação  tributária,  mormente  quando  seu  conteúdo  é  estranho  ao  domínio  fiscal,  referindo­se  apenas  ao  mercado  de  energia  elétrica”,  como  consignado  na  própria ementa do acórdão.   Nesse  contexto,  entendo  que  não  há  que  se  falar  em  nulidade  da  decisão  recorrida, pois encontra­se devidamente motivada.   De outro norte, entendo que não merece guarida o argumento do contribuinte  no  sentido  de  que  a  autoridade  administrativa  só  poderia  desconsiderar  os  esclarecimentos  prestados na Manifestação de Inconformidade relativas ao Ofício nº 1431/2006 – SFF­ANEEL  caso comprovasse a falsidade ou inexatidão do referido ofício. Isso porque, embora o referido  ofício  possua  conteúdo  que  favorece  a  tese  de  defesa  do  Recorrente,  não  possui  efeito  vinculante.  Logo,  a  observância  do  teor  deste  Ofício  não  é  impositiva  aos  julgadores  administrativos,  que  possuem  autonomia  na  análise  do  impacto  que  as  informações  ali  inseridas terão em suas razões de decidir.   Nesse  contexto,  por  entender  que  a  decisão  recorrida  não  se  encontra  maculada pelo vício da nulidade, afasto a preliminar apresentada pelo contribuinte.  2. Do mérito  Consoante  acima  narrado,  o  cerne  da  presente  contenda  é  identificar  se  as  receitas  relativas  a  contratos  firmados  anteriormente  a 31 de outubro de 2003, que  tinham o  IGPM como  índice  de  reajuste,  estão  sujeitas  ao  regime  cumulativo  ou  não­cumulativo. Em  outras palavras, cinge­se à interpretação da aplicação do art. 10, XI, da Lei nº 10.833/03, em  decorrência  do  superveniente  art.  109  da  Lei  nº  11.196/05,  sendo  necessário  decidir  se  o  reajuste  dos  contratos  apresentados  pelo  contribuinte  (IGPM)  leva  à  descaracterização  dos  mesmos como "preço predeterminado".  Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 456          7 Como é cediço, o regime não­cumulativo da COFINS foi instituído pela Lei  nº 10.833/2003, a qual trouxe exceções em seu art. 10, inclusive as descritas no seu inciso XI,  as quais mantiveram­se sob o manto do regime cumulativo:  Art.  10.  Permanecem  sujeitas  às  normas  da  legislação  da  COFINS,  vigentes  anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o:   (...).  XI  ­ as receitas  relativas a contratos  firmados anteriormente a 31 de outubro de  2003:  a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de  bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central;  b)  com  prazo  superior  a  1  (um)  ano,  de  construção  por  empreitada  ou  de  fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços;  c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de  bens  ou  serviços  contratados  com  pessoa  jurídica  de  direito  público,  empresa  pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos  posteriormente  firmados  decorrentes  de  propostas  apresentadas,  em  processo  licitatório, até aquela data;  Tais exceções,  inclusive, foram estendidas ao PIS, por meio do inciso V do  art. 15, também da Lei nº 10.833/2003, in verbis:  Art. 15. Aplica­se à contribuição para o PIS/PASEP não­cumulativa de que trata  a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto:   V ­ nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei;  Ou seja, com base na legislação acima transcrita, sujeitar­se­iam ao regime da  cumulatividade as receitas relativas a contratos de fornecimento de bens ou serviços, desde que  os  contratos  possuam  preço  predeterminado,  tenham  sido  firmados  anteriormente  a  31  de  outubro de 2003, por prazo superior a um ano.  No  caso  ora  analisado,  é  incontroverso  que  os  contratos  firmados  pela  Recorrente  são  anteriores  a 31/10/2013 e que possuem prazo  superior a  um ano. É o que se  infere, inclusive, da passagem da decisão recorrida abaixo reproduzida:  Depreende­se  dos  dispositivos  citados  que  a  adoção  do  regime  cumulativo  para certas  receitas  dependem dos  seguintes  requisitos,  tendo  em vista  o  caso  sub  examine:  1. receita auferida com o fornecimento de bens e/ou serviços;  2. contrato firmado antes de 31/10/03;  3. contrato para período superior a 1 (um) ano;  4. preço predeterminado.  A  contribuinte  firmou  com  3  (três)  empresas,  contratos  de  fornecimento  de  energia  elétrica,  cujas  cópias  encontram0se  nos  autos.  A  análise  de  tais  contratos  permite inferir as informações sintetizadas no quadro a seguir:  Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 457          8 XX  Em juízo inicial, por meio do confronto dos dados acima sintetizado com os  requisitos legais (1 a 4), acima resumidos, conclu­se que os mencionados contratos  atendem  às  exigências  da  lei  para  que  a  contribuinte  possa  adotar  o  regime  cumulativo para as receitas daí derivadas. (...).  Ou seja, a própria DRJ reconheceu que os contratos analisados atendem aos  requisitos indicados nos itens 1 a 4 acima. Apesar disso, entendeu que o contribuinte não faria  jus à apuração da COFINS pelo regime cumulativo, por entender que não teria sido atendido o  requisito  referente  à  "permanência  no  regime",  visto  que  a  legislação  impõe  a  exclusão  do  regime  cumulativo  quando  da  primeira  alteração  do  preço  do  fornecimento.  Embasou  o  seu  entendimento na IN SRF nº 658/2006, que trata do preço predeterminado.   Sendo assim, analisado cada um dos contratos, entendeu que a permanência  no  regime  cumulativo  teria  findado  com  a  aplicação  do  reajuste  contratual,  todos  realizados  com base no IGPM. Também resta incontroverso nos presentes autos, portanto, que o índice de  reajuste adotado em tais casos foi o IGPM.  Para  a  solução  da  presente  lide,  então,  imprescindível  que  se  identifique  o  que deve ser considerado como preço predeterminado. Sobre o assunto, a IN/SRF nº 468/2004,  já revogada, assim dispunha:  Art.  2o  Para  efeito  desta  Instrução  Normativa,  preço  predeterminado  é  aquele  fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato.  § 1º Considera­se também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional  por unidade de produto ou por período de execução.  § 2º Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não,  o  caráter  predeterminado  do  preço  subsiste  somente  até  a  implementação  da  primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º.  § 3º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio  econômico­financeiro, nos  termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de  junho  de  1993,  o  caráter  predeterminado  do  preço  subsiste  até  a  eventual  implementação da  primeira  alteração nela  fundada após  a  data mencionada no  art. 1º.  Ato contínuo, foi publicada a Lei nº 11.196/2005, que admitiu expressamente  exceções à descaracterização do preço predeterminado, ao assim dispor:  Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da  Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo  de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos  dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069,  de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do  preço predeterminado.  Ou seja, o reajuste de preços em função do custo da produção ou da variação  de  índice que  reflita  a variação ponderada dos  custos dos  insumos utilizados,  nos  termos do  inciso  II  do parágrafo 1º do  art.  27 da Lei nº 9.069/1995, não  será  considerado para  fins de  descaracterização do preço predeterminado.   Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 458          9 Ainda sobre o assunto, foi editada a IN nº 658/2006, que revogou a IN/SRF  nº 468/2004, ao assim dispor:  Art.  3º  Para  efeito  desta  Instrução  Normativa,  preço  predeterminado  é  aquele  fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato.  § 1º Considera­se também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional  por unidade de produto ou por período de execução.  §  2º Ressalvado  o  disposto  no  §  3º,  o  caráter  predeterminado  do  preço  subsiste  somente  até  a  implementação,  após  a  data  mencionada  no  art.  2º,  da  primeira  alteração de preços decorrente da aplicação:  I ­ de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou  II  ­  de  regra  de  ajuste  para  manutenção  do  equilíbrio  econômico­financeiro  do  contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993.  § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003,  em percentual  não  superior  àquele  correspondente  ao  acréscimo  dos  custos  de  produção  ou  à  variação  de  índice  que  reflita  a  variação  ponderada  dos  custos  dos  insumos  utilizados,  nos  termos  do  inciso  II  do  §  1º  do  art.  27  da Lei  nº  9.069,  de  29  de  junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.  Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer  título, a prorrogação do contrato, as  receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de  2003 sujeitar­se­ão à incidência não­cumulativa das contribuições.  A Lei nº 9.069/1995, mencionada acima, por seu turno, assim dispõe:  Art.  27.  A  correção,  em  virtude  de  disposição  legal  ou  estipulação  de  negócio  jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º  de  julho  de  1994,  inclusive,  somente  poderá  dar­se  pela  variação  acumulada  do  Índice de Preços ao Consumidor, Série r ­ IPC­r.  § 1º O disposto neste artigo não se aplica:  I ­ às operações e contratos de que tratam o Decreto­lei nº 857, de 11 de setembro  de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994;  II  ­  aos  contratos  pelos  quais  a  empresa  se  obrigue  a  vender  bens  para  entrega  futura,  prestar  ou  fornecer  serviços  a  serem  produzidos,  cujo  preço  poderá  ser  reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a  variação ponderada dos custos dos insumos utilizados;  O que se encontra em discussão, portanto, é se a adoção do IGPM retiraria do  preço descrito em seu contrato o caráter de predeterminado, nos moldes do que dispõe o inciso  XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 e as demais normas acima indicadas.  Segundo a decisão recorrida, a resposta seria positiva, visto que a adoção do  reajuste com base no IGPM configuraria, no seu entendimento, "a primeira alteração no preço  do fornecimento".  Discordo da conclusão ali indicada.   Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 459          10 Consoante narrado acima, o inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 trazia  como requisito para a permanência no regime cumulativo apenas que o contrato tivesse preço  predeterminado, não trazendo nenhuma restrição relativa aos reajustes.  O  limitador  em  questão  veio  inicialmente  através  da  IN/SRF  nº  468/2004.  Ocorre  que  não  poderia  a  referida  IN  trazer  restrição  não  disposta  em  lei,  visto  que  assim  procedendo  findou  por  aumentar  a  alíquota  tributária  aplicada  ao  contribuinte,  em  total  desrespeito ao princípio da Legalidade.   Até  porque,  importante  mencionar  que,  quando  da  edição  da  Lei  nº  10.833/2003,  encontrava­se  em  vigor  a  IN  21/79,  que  assim  dispunha  acerca  do  preço  predeterminado:  3.1  ­  Preço  predeterminado  é  aquele  fixado  contratualmente,  sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso  de  construções,  bens  ou  serviços  divisíveis,  o  preço  predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade.  Logo,  infere­se que,  ao  adotar o  termo  "preço predeterminado", pretendia  a  Lei  nº  10.833/2003  seguir  a  previsão  legal  disposta  na  IN  21/79  supra  transcrita,  vigente  à  época.  Eventual  alteração  dessa  interpretação,  portanto,  somente  poderia  ser  realizada  por  norma de mesma hierarquia ou superior.  Destaque­se, outrossim, que não se está aqui afastando a aplicação da IN/SRF  nº 468/2004 por inconstitucionalidade, o que seria vedado pela súmula nº 02 deste Conselho.  Está­se,  em  verdade,  reconhecendo  a  sua  total  inaplicabilidade  face  ao  disposto  na  Lei  nº  10.833/2003, norma de hierarquia superior, cuja observância é obrigatória por este Conselho.  Este,  inclusive,  é  o  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  sobre  o  assunto, consoante decisões consubstanciadas nas ementas dos RESP nº 1089998RJ e RESP nº  1169088, respectivamente:  TRIBUTÁRIO.  COFINS.  REGIME  DE  CONTRIBUIÇÃO.  LEI  N.  10.833/03.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  N.  468/2004.  VIOLAÇÃO  DO  PRINCÍPIO  DA  LEGALIDADE.  1. Cuida­se de recurso especial  interposto pelo contribuinte, questionando o poder  regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n.  468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03.  2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação  de  serviço  firmados  a  preço  determinado  antes  de  31.10.2003,  e  com  prazo  superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade  para a incidência da COFINS. (Grifo meu.)  3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao  definir  o  que  é  "preço  predeterminado",  estabeleceu  que  "o  caráter  predeterminado  do  preço  subsiste  somente  até  a  implementação  da  primeira  alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das  alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%).  4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por  meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena  de violação do princípio da legalidade tributária.  5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu  que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal,  pois  "a  simples  aplicação  da  cláusula  de  reajuste  prevista  em  contrato  firmado  Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 460          11 anteriormente a 31.10.2003 não configura, por  si  só, causa de  indeterminação de  preço,  uma  vez  que  não muda  a  natureza  do  valor  inicialmente  fixado, mas  tão  somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico­financeiro entre  as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.)  ***  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  ART.  535,  II,  DO  CPC.  ALEGAÇÕES  GENÉRICAS.  SÚMULA  284/STF.  INTIMAÇÃO  PESSOAL DA  FAZENDA.  FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO  DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI,  "B'  DA LEI  10.833/03. CONCEITO DE  PREÇO PREDETERMINADO.  IN  SRF  468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO  CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ.  1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC  pressupõe  seja  demonstrado,  fundamentadamente,  entre  outros,  os  seguintes  motivos: (a) a questão supostamente omitida foi  tratada na apelação, no agravo ou  nas  contrarrazões  a  estes  recursos,  ou,  ainda,  que  se  cuida  de  matéria  de  ordem  pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b)  houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear  a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada,  poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo,  suficiente  para  manter  o  acórdão.  Esses  requisitos  são  cumulativos  e  devem  ser  abordados  de  maneira  fundamentada  na  petição  recursal,  sob  pena  de  não  se  conhecer  da  alegativa  por  deficiência  de  fundamentação,  dada  a  generalidade  dos  argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF.  2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da  Fazenda, sob pena de usurpar­se competência reservada ao Supremo, nos termos do  art.  102  da  CF/88,  já  que  o  aresto  recorrido  decidiu  com  base  em  fundamentos  essencialmente constitucionais.  3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória  incompatível, nos  termos  da  Súmula  7/STJ.  No  caso,  a  Corte  de  origem  afirmou,  expressamente,  tratar­se de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para  a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal.  4. O preço predeterminado  em contrato,  previsto no  art.  10, XI,  "b", da Lei  10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste  decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente.  5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada  quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração.  Incidência da Súmula 98/STJ.  6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte.  De outro  norte,  em  razão  dos  problemas  ocasionados  pela  IN nº  468/2004,  que trazia restrições de forma ilegal e sem qualquer ressalva, foi editada a Lei nº 11.196 de 21  de novembro de 2005 e a IN/SRF nº 658/2006, as quais trouxeram exceções à restrição atinente  aos reajustes.   Até  porque,  não  fazia  sentido  a  descaracterização  do  contrato  como  tendo  preço  predeterminado  nos  casos  em  que  havia  mero  reajuste  por  índice  de  atualização  monetária.  Isso  porque,  a  aplicação  de  um  índice  de  correção  não  retira  o  caráter  de  preço  predeterminado do contrato, mas apenas o confirma, visto que mantém o valor atualizado de  acordo com a realidade do momento, contrapondo­se aos efeitos da inflação.  Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 461          12 De toda sorte, não há como se entender aplicáveis a Lei nº 11.196/2005 e a  IN/SRF nº  658/2006  ao  caso  vertente,  uma vez  que  ditas  normas  são  posteriores  ao  período  objeto dos presentes autos, que trata do período de apuração de março de 2005.   Como  se  não  bastasse,  ainda  que  o  período  em  discussão  fosse  posterior  à  entrada em vigor de ditas normas, a interpretação que faço destas tampouco se coaduna com a  conclusão obtida pela decisão recorrida, consoante será demonstrado a seguir.   Nos termos do parágrafo 3º do art. 3º da IN/SRF nº 658/2006: "O reajuste de  preços,  efetivado  após  31  de  outubro  de  2003,  em  percentual  não  superior  àquele  correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a  variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do  art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado".  O  inciso  II  do  parágrafo  1º  do  art.  27  da  Lei  nº  9.069/1995,  por  sua  vez,  dispõe  que  o  reajuste  também  poderá  ser  realizado,  além  da  variação  acumulada  do  IPC­r  disposta  no  caput,  em  função  do  custo  de  produção  ou  da  variação  de  índice  que  reflita  a  variação ponderada dos custos dos insumos utilizados.   Percebe­se, portanto, que a norma não  limita a não descaracterização do  preço predeterminado à adoção de um índice específico, bastando que o  índice adotado  nos contratos não seja superior às referências descritas no art. 27 da Lei nº 9.069/1995.  Ademais,  vale  destacar  que  o  II  do  parágrafo  1º  do  art.  27  da  Lei  nº  9.069/1995 admite, como alternativa ao IPC­r (o dispositivo legal fala em poderá), os critérios  de  custo  de  produção  ou  variação  ponderada  dos  custos  dos  insumos  utilizados.  Nesse  contexto, entendo que, ao mencionar o referido dispositivo legal, pretendia o legislador admitir,  da mesma forma, não apenas o IPC­r (disposto no caput do art. 27), como também o disposto  em seu inciso II, parágrafo 1º.  De  outra  parte,  é  pertinente  mencionar  que  o  IPC­r,  índice  expressamente  previsto no caput do art. 27 da Lei nº 9.069/1995, e que também era geral, foi extinto,  tendo  sido substituído por outros índices, como o IGPM.   Entendo,  então,  que  o  índice  de  atualização  adotado  em  contrato,  para  que  seja  admitido  para  fins  do  disposto  no  inciso  XI  do  art.  10  da  Lei  nº  10.833/2003  (preço  predeterminado), não deverá corresponder necessariamente a um índice específico de alguma  categoria,  setor  ou  produto.  Até  porque,  na  prática,  seria  inviável  a  existência  de  índices  diversos para cada categoria, setor ou produto, o que geraria uma infinidade de índices.   O que se precisa perquirir, na verdade, é se o índice adotado pelo contribuinte  no caso concreto representa percentual condizente com a sua atividade, para que seja admitido  como  mero  reajuste  em  contraponto  à  inflação,  mantendo,  assim,  a  característica  de  preço  predeterminado do contrato, não correspondendo a índice superior aos balizamentos constantes  do  art.  27  da  Lei  nº  9.096/1995  (IPC­r,  extinto  e  substituído  por  outros  índices,  e  demais  índices  adotados  em  função  do  custo  da  produção  ou  da  variação  ponderada  dos  custos  dos  insumos utilizados).  E, no caso concreto em análise, concluo que o IGPM atende a tais requisitos.  Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 462          13 Até  porque,  como bem  ressaltou  o  contribuinte  em  seu  recurso,  a ANEEL,  por  meio  do  Ofício  nº  1431/2006,  em  resposta  à  Associação  Brasileira  dos  Produtores  Independentes de Energia Elétrica ­ APINE, informou que o IGPM é o índice de reajuste aceito  pelo Poder Concedente  em  todos  os  contratos  de  concessão  de  distribuição  assinados  com a  União Federal, por refletir mais adequadamente as variações de preços do setor elétrico.  Tanto que a ANEEL indica em seu site que o reajuste para atualização monetária dos contratos  deste setor deve considerar o IGPM.   Nessa ótica, entendo que o IGPM, como bem esclareceu a ANEEL, reflete a  variação de preços do setor elétrico, enquadrando­se, portanto, nos requisitos dispostos tanto na  Lei nº 11.196/2005 quanto na IN/SRF nº 658/2006, visto que é um dos índices gerais que veio  substituir  o  extinto  IPC­r.  Até  porque,  exigir  um  índice  específico  para  cada  produto  representaria, na verdade, uma tentativa de negar aplicabilidade à própria exceção atinente aos  reajustes,  visto  que  é  muito  improvável  que  haja  um  índice  de  atualização  aplicável  a  determinado produto/setor específico.   O  que  a  norma  buscou  evitar  é  que  fossem  adotados  índices  que  representassem aumentos superiores aos observados em determinada atividade, o que poderia  representar  uma  verdadeira  revisão  do  seu  valor,  ou  seja,  um  ganho  superior  à  mera  recomposição do valor monetário da moeda. Não é, contudo, o que se vê na hipótese dos autos,  em que fora adotado pelo contribuinte o índice oficial admitido pela União Federal, conforme  orientação  da  ANEEL,  justamente  em  razão  da  sua  correlação  com  as  variações  de  preços  atinentes especificamente ao setor elétrico. Ou seja, a adoção do IGPM buscou apenas manter o  equilíbrio contratual, não representando uma revisão do preço inicialmente pactuado.  Tanto é assim que a própria ANEEL emitiu a Nota Técnica nº 224/2006, que  teve  como  objeto  a  avaliação  da  incidência  das  Contribuições  ao  PIS/PASEP  e  à  COFINS  sobre as receitas decorrentes de contratos assinados em data anterior a 31/10/2003, nos termos  do  art.  10,  inciso  XI,  e  art.  15  da  Lei  nº  10.833/2003,  c/c  art.  109  da  Lei  nº  11.196/2005,  através  da  qual  pronunciou­se  expressamente  no  sentido  de  que  a  incidência  do  PIS  e  da  COFINS, nos contratos licitados antes de 31/10/2003, permanecem no regime cumulativo por  se caracterizarem como de preço predeterminado. Em razão da sua relevância, traz­se a seguir  passagem da referida Nota Técnica:  (...). Diante  da  nova  conceituação  de  preço  predeterminado,  trazida  pela  IN  SRF nº 486/2004 exclusivamente para fins de PIS/PASEP e COFINS, tem­se que a  existência de cláusula de reajuste no contrato seria causa de indeterminação do preço  a partir do momento em que aplicado o reajuste, passando então a receita decorrente  a  ser  submetida  ao  regime  novo  da  não­cumulatividade.  É,  portanto,  evidente  o  conflito entre a regulamentação existente (IN SRF nº 21/79 e IN SRF nº 486/2004).  Percebe­se  que  a  Secretaria  da Receita  Federal, mediante  ato  de  natureza  jurídica  meramente complementar, nos termos do art. 100, I, do CTN, estabeleceu restrições  e  limitação  que  não  se  encontram  previstas  na  Lei  nº  10.833/2003.  Dessa  forma,  hialina  a  violação  ao  princípio  da  legalidade,  segundo  o  qual  a  atividade  administrativa está condicionada à observância da lei, pois na administração pública  só  é  permitido  fazer  o  que  a  lei  autoriza,  não  devendo  sua  atividade  violar  a  lei,  regulamento ou outro ato normativo. (...).   Neste  ponto,  cabe  observar  que  o  índice  utilizado  nos  Contratos  de  Suprimento  de  Energia  Elétrica  (sejam  eles  Contratos  Iniciais  ou  Contratos  Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o  IGP­M (Índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas  Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 463          14 ­ FGV. O IGP­M é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da  Lei nº 0.069/95.  Dessa forma, com o novo comando legal introduzido pelo art. 109 da Lei nº  11.196/2005, a ocorrência de mero reajuste de preços, efetuados especificamente nas  condições descritas na Lei nº 9.069, art. 27, parágrafo 1º, II, independentemente do  índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato  e,  consequentemente,  a  sua manutenção  no  regime  cumulativo,  previsto  na Lei  nº  9.718/98. (...).  Portanto,  com  a  edição  da  Lei  nº  11.196/2005,  qualquer  reajuste  de  preço  previsto contratualmente, que tenha por objetivo assegurar o reajuste necessário para  minimizar os efeitos do desgaste inflacionário ocorrido durante o ano, sem que haja  alteração  (revisão)  do  preço  e  das  condições  pactuadas  quando  da  assinatura  do  contrato, mediante  índices  estipulados  contratualmente,  qualquer  que  seja  ele,  não  descaracteriza  o  preço  predeterminado,  permanecendo  a  receita  decorrente  de  tais  contratos no regime da tributação cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS. (...).  Por todo o exposto, concluímos que:  a)  as  receitas  decorrentes  dos  Contratos  Iniciais  e  Bilaterais,  firmados  anteriormente  a  31  de  outubro  de  2003,  enquadram­se  nas  disposições  do  art.  10,  inciso XI, letra "b", da Lei nº 10.833/2003, uma vez que são contratos assinados por  prazo  superior  a  1  (um)  ano,  com  preço  predeterminado,  cujo  reajuste  anual,  calculado  com  base  em  índices  oficiais  (IGP­M),  não  descaracteriza  o  caráter  de  preço  predeterminado,  devendo,  por  conseguinte,  tais  receitas  permanecerem  sujeitas  às  normas  da  legislação  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS,  vigentes  anteriormente  à  edição  da  Lei  nº  10.833/2003,  ou  seja,  no  regime  cumulativo,  previsto na Lei nº 9.718/1998. (...).  Reforça o entendimento acima exposto o fato de que o contribuinte, no caso  em  análise,  não  poderia  firmar  contrato  em  valor  predeterminado  sem  que  fizesse  constar  cláusula  de  reajuste,  nem  poderia  escolher  outro  índice  que  não  o  IGPM,  ainda  que  correspondesse à variação relativa ao seu produto específico. Por força da Lei nº 8.666/93 (Lei  de  Licitações),  a  cláusula  de  reajuste  do  preço  deverá  constar  necessariamente  tanto  do  ato  convocatório do processo de licitação quanto do instrumento contratual. E, no caso de contrato  no setor de energia elétrica, o índice a ser adotado deveria ser o IGPM, conforme orientação da  ANEEL.   Até porque, é importante salientar que não poderia a Recorrente se distanciar  de  orientação  da  ANEEL  sobre  o  tema,  visto  ser  este  o  órgão  regulador  da  sua  atividade,  inclusive quando considera que a determinação da tributação a ser adotada impacta diretamente  o  preço  da  tarifa  adotada  pela  Recorrente,  tema  este  que  se  sujeita  ao  controle  direto  da  ANEEL.   Nesse  contexto,  entendo  que  as  receitas  do  Recorrente  decorrentes  dos  contratos  firmados  antes  de  30/10/2003,  ainda  que  o  preço  seja  reajustável  pelo  IGPM,  deveriam ter sido tributadas pelo regime da cumulatividade.   É  válido  destacar,  inclusive,  que  a  3ª  Seção  de  Julgamento  do CARF  já  se  manifestou neste mesmo sentido, consoante se extrai da ementa a seguir transcrita (Processo nº  10183.005952/2009­19 ­ Acórdão nº 3302001.659 publicado em 22/11/2012):  Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 464          15 ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007  CONTRATOS  ANTERIORES  A  31  DE  OUTUBRO  DE  2003.  FORNECIMENTO  DE  BENS  E  SERVIÇOS.  OBRIGAÇÕES  DE  TRATO  SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE.  Somente  a  adoção  de  índice  que  represente  reajuste  acima  ao  dos  custos  de  produção  Lei  nº.  11.196,  de  2005,  art.  109  implica  a  sujeição  das  receitas  decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo,  ao regime não­cumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização,  de  que  o  índice  adotado  pelas  partes  superou  o  valor  referente  aos  custos  de  produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes.  IGPM.  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  CONTRATO  PREDETERMINADO.  POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO.  O reajuste de preços  efetuado nas  condições descritas no  artigo  27 da Lei n°  9.069/95  independentemente do  índice utilizado não descaracteriza a condição  de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção  no  regime  cumulativo,  previsto  na  Lei  n°  9.718/98.  Não  consta  na  legislação  impedimento à utilização do IGPM.  CLÁUSULA  DE  REAJUSTE.  CLÁUSULA  DE  REVISÃO.  CONTRATO  PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO.  A simples existência de  cláusula de  reajuste e  revisão não é  suficiente para que o  contrato  de  prestação  de  serviços  perca  sua  característica  de  contrato  predeterminado, seria preciso comprovar que o valor referente ao aumento da carga  tributária  foi  repassado  ao  preço do  serviço  contratado. Ademais,  a  existência das  mencionadas  cláusulas  estão previstas na própria  lei  de  licitações Lei nº 8.666/93,  artigos 57, 58 e 65.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007  CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO  DE  BENS  E  SERVIÇOS.  OBRIGAÇÕES  DE  TRATO  SUCESSIVO.  PREÇO  PREDETERMINADO. REAJUSTE.  Somente  a  adoção  de  índice  que  represente  reajuste  acima  ao  dos  custos  de  produção  Lei  nº.  11.196,  de  2005,  art.  109  implica  a  sujeição  das  receitas  decorrentes  de  contrato  de  fornecimento  de  bens  e  serviços  de  trato  sucessivo,  ao  regime não­cumulativo  da  contribuição. A não comprovação,  pela  fiscalização, de  que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção,  torna aceitável o índice escolhido pelas partes.  IGPM.  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  CONTRATO  PREDETERMINADO.  POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO.  O  reajuste  de  preços  efetuado  nas  condições  descritas  no  artigo  27  da  Lei  n°  9.069/95  independentemente  do  índice  utilizado  não  descaracteriza  a  condição  de  preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime  Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 465          16 cumulativo,  previsto  na Lei  n°  9.718/98. Não  consta na  legislação  impedimento  à  utilização do IGPM.  CLÁUSULA  DE  REAJUSTE.  CLÁUSULA  DE  REVISÃO.  CONTRATO  PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO.  A simples existência de  cláusula de  reajuste e  revisão não é  suficiente para que o  contrato  de  prestação  de  serviços  perca  sua  característica  de  contrato  predeterminado,  seria  preciso  comprovar  que  o  valor  referente  ao  aumento  carga  tributária  foi  repassado  ao  preço do  serviço  contratado. Ademais,  a  existência das  mencionadas  cláusulas  estão previstas na própria  lei  de  licitações Lei nº 8.666/93,  artigos 57, 58 e 65.  Recurso Voluntário Provido.  Por oportuno, é válido  trazer à  tona  trecho do voto vencedor proferido pela  Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas:  Conforme  se  depreende  do  voto  do  ilustre  Conselheiro  Relator2,  em  seu  entender,  o  IGPM  não  pode  ser  aplicado  porque  não  está  previsto  na  legislação  citada  pela  Lei  nº  9.069/95,  que  é  a  legislação mencionada  na  Lei  nº  11.196/05.  Explico.  O  nobre  julgador  aceitou  a  interpretação  do  conceito  de  “pré­determinado”  nos  termos da  Instrução Normativa nº 658/06  (que é o dispositivo utilizado para a  desconsideração do procedimento da Recorrente) por força do disposto no artigo 109  da Lei nº 11.196/05, a saber:  (...).  E este dispositivo legal citou, expressamente, o artigo 27 da Lei nº 9.069/95,  verbis:  (...).  Assim, no entender do Relator, somente poderão ser considerados como  contratos pré­determinados aqueles que forem corrigidos com base no custo de  produção ou no IPCr, por expressa limitação legal.  Ouso discordar do nobre colega. Para tanto acato a argumentação trazida aos  autos por meio do Parecer da ANEEL (fls. 235/236 – Vol. II), que esclarece que o  índice  IPCr  foi  extinto  e  substituído  por  outros  índices,  inclusive  o  IGPM.  Neste  sentido,  o  citado  artigo  27  da Lei  nº  9.069/95  (lei  instituidora  do  Plano Real)  foi  substituído pelo o artigo 8º, da Lei nº 10.192/01 (lei complementar do Plano Real),  vejamos:  “Lei nº 10.192/01  Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de  Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr.  § 1o Nas obrigações e  contratos  em que haja  estipulação de  reajuste pelo  IPCr,  este  será  substituído, a partir de 1o de  julho de 1995, pelo  índice previsto  contratualmente para este fim.  Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 466          17 § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso  não  haja  acordo  entre  as  partes,  deverá  ser  utilizada  média  de  índices  de  preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada  pelo Poder Executivo.”  (destaquei)  Ainda conforme este texto legal, o artigo 2º permite a correção monetária por  índices de preços gerais OU que reflitam a variação de custos de produção:  “Lei nº 10.192/01  Art.  2o  É  admitida  estipulação  de  correção  monetária  ou  de  reajuste  por  índices  de  preços  gerais,  setoriais  ou  que  reflitam  a  variação dos  custos  de  produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual  ou superior a um ano.  (...)”  Com base nestas alterações legais, divirjo da interpretação apresentada pelo d.  Conselheiro Relator por entender que o comando legal introduzido pelo art. 109 da  Lei n° 11.196/2005 não possui o condão  restritivo pretendido pela  fiscalização, de  excluir a aplicação do IGPM como índice de correção monetária. Ao revés, concluo  que  o  reajuste  de  preços  efetuado  nas  condições  descritas  no  artigo  27  da  Lei  n°  9.069/95,  independentemente  do  índice  utilizado,  não  descaracteriza  a  condição  de  preço  predeterminado  do  contrato  e,  conseqüentemente,  a  sua  manutenção  no  regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98.  Além da questão específica  referente à  legislação, mesmo que não houvesse  tal  possibilidade,  registro  que  entendo  que  a  correção  monetária  por  si  só  não  representa  nova  grandeza  econômica3,  mas  apenas  a  manutenção  do  poder  de  moeda4. Neste  diapasão,  sequer  haveria  a  necessidade  de  expressa  previsão  legal,  posto que sua  incidência  claramente não  tem o poder de descaracterizar os preços  pré­determinados dos contratos, pretendendo apenas garantir o equilíbrio financeiro  da  relação  jurídica  estabelecida. Neste  raciocínio,  ainda  que  o  IPCr  não  estivesse  extinto, parece­me claro que o artigo 109 mencionado não define o conceito de “pré­ determinado” – por  isso precisaria de uma  Instrução Normativa,  apenas determina  um comando  legislativo,  esclarecendo que  em determinadas hipóteses não poderia  haver interpretação do conceito por parte da fiscalização.  É pertinente destacar, inclusive, que esta decisão restou mantida pela Câmara  Superior de Recursos Fiscais, a qual, à unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso  Especial interposto pela Fazenda Nacional (Acórdão nº 9303003.467 de 24/02/2016). A seguir,  transcrevem­se  passagens  do  voto  proferida  pela  Conselheira  Tatiana  Midori  Migiyama,  Relatora do referido processo, cujos fundamentos também adoto como razão de decidir:   (...)  Sendo  assim,  em  melhor  análise  da  IN  SRF  468/04,  ainda  que  tenha  sido  editada  à  época  sem previsão  legal de  “reajuste  de  preços”,  entendo que  o  que  se  está propondo com essa norma é desbordar confusão no ordenamento jurídico – vez  que a natureza do evento de reajuste de preço é diferente do evento de revisão  de preço.  Eis  que  o  reajuste  contratual  tem  a  finalidade  de  se  “corrigir  monetariamente” o preço já contratado/negociado para se manter o equilíbrio  Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 467          18 econômico  financeiro  do  contrato  –  equalizando  o  preço  já  estipulado  com  o  poder da moeda.  Ou  seja,  o  reajuste  não  tem  o  condão  de  alterar  o  preço  já  contratado/negociado, mas sim, de apenas, em virtude de perdas inflacionárias,  adequá­lo à realidade econômica.  Enquanto que a revisão do preço, com a definição pela continuidade de  determinado serviço e em vista de circunstâncias extraordinárias, p.e. motivos  concorrenciais,  tem a finalidade de se estipular uma nova equação econômica  para se firmar um novo preço junto ao contratado.  O  que,  de  fato,  alteraria  o  preço  do  serviço.  É  de  se  trazer  também  que  o  reajuste usualmente ocorre anualmente e no final do exercício, pois deve considerar  os impactos inflacionários do ano corrente, diferentemente da revisão de preço, que  poderá  ocorrer  pelas  circunstâncias  extraordinárias  que  influenciam  as  partes  e  o  mercado (p.e., oferta e demanda).  Dessa forma, o reajuste, resultante da simples aplicação do índice de correção  monetária não  tem o poder de  alterar o preço predeterminado. Tanto  é assim, que  não implica em obrigatoriedade de aditamento do contrato, bastando a previsão de  cláusula  de  reajuste  com  a  estipulação  de  um  índice  oficial  para  a  atualização  monetária  do  preço. O  que  passo,  a  desconsiderar  aquela  Instrução Normativa  IN  SRF 468/04 para o caso em apreço, em respeito à natureza dos eventos jurídicos –  reajuste e revisão de preços – já que traz que o mero “reajuste” implicaria a alteração  do preço antes firmado, confluindo da mudança da sistemática das contribuições.  (...).  Com a cláusula 11, tem­se claro que o reajuste ora aventado não teve como  pretensão  a  alteração  do  preço  pré­determinado  do  contrato,  mas  apenas  a  atualização  desse  preço  já  estipulado  com  a  utilização  do  Índice  Geral  de  Preços de Mercado – IGPM – oficial.  A  correção  monetária  de  per  si  por  sua  natureza  mantém  o  preço  predefinido  equalizando­o  somente  com  o  poder  da  moeda  –  o  que,  a  meu  sentir, nem precisaria de previsão legal para se fazer tal reajuste – necessário à  manutenção de vários negócios jurídicos.  Sendo  assim,  a  cláusula  de  reajuste  é  admitida  para  assegurar  às  partes  a  manutenção do equilíbrio econômico e financeiro da avença.  Cabe lembrar que a Lei 8.666/93 – que dispõe sobre as licitações e contratos  firmados  pela  Administração  Pública,  estabelece  a  observância  obrigatória  de  determinadas  regras,  das  quais  a  cláusula  de  reajuste  de  preço  deve  constar  não  apenas  do  instrumento  contratual,  mas  também  do  próprio  ato  convocatório  do  processo de licitação (Grifos meus):  "Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o  nome  da  repartição  interessada  e  de  seu  setor,  a  modalidade,  o  regime  de  execução e o  tipo da  licitação, a menção de que será  regida por  esta Lei,  o  local,  o  dia  e  a  hora  para  recebimento  da  documentação  e  proposta,  bem  como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o  seguinte: (...)  XI  –  critério  de  reajuste,  que  deverá  retratar  a  variação  efetiva  do  custo  de  produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data  Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 468          19 prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta  se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (...)   Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: (...)   III o preço e as condições de pagamento, os critérios, database e periodicidade  do reajustamento de preços, os critérios da atualização monetária entre a data  do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;"  Com  efeito,  nota­se  que  o  reajuste  apenas  representa  o  repasse  da  correção  monetária  durante  a  vigência  do  contrato,  e  não  o  estabelecimento  de  um  novo  contrato – por decorrência de um novo preço.  Tanto  é  assim,  que  não  tem  o  condão  de  provocar  alteração  contratual,  conforme demonstrado no art. 65, § 8º do art. 65 da Lei de Licitações (Grifos meus):   "Art.  65.  Os  contratos  regidos  por  esta  Lei  poderão  ser  alterados,  com  as  devidas justificativas, nos seguintes casos: (...)   §  8.º  A  variação  do  valor  contratual  para  fazer  face  ao  reajuste  de  preços  previsto no próprio contrato, as atualizações, compensações ou penalizações  financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como  o  empenho  de  dotações  orçamentárias  suplementares  até  o  limite  do  seu  valor  corrigido,  não  caracterizam  alteração  do  mesmo,  podendo  ser  registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento."  Em vista do exposto, o mero reajuste de preço, em respeito ao poder da  moeda, não altera o contrato já firmado, tampouco há que se falar em mudança  do preço acordado. Ou seja, a mera atualização do preço, por decorrência da  desvalorização  da  moeda,  não  poderia  descaracterizar  o  contrato  com  preço  predeterminado.  (...)  Seria  tão  danoso  tal  entendimento  de  que  não  se  poderia  utilizar  o  IGPM  como  índice  para  a  atualização  do  preço  no  contrato  ora  firmado  que  a  própria  Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel traz em seu site que o reajuste para a  atualização monetária dos contratos deve considerar o IGPM.  Cabe  elucidar  que  a  Aneel  foi  instituída  pela  Lei  9.427/96,  tendo  por  finalidade  regular  e  fiscalizar  a  produção,  transmissão,  distribuição  e  comercialização de energia elétrica, em conformidade com as políticas e diretrizes  do governo federal.  E, dentre as suas atribuições, consta a gestão dos contratos de concessão ou de  permissão  de  serviços  públicos  de  energia  elétrica,  de  concessão  de  uso  de  bem  público, bem como atuar para se zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da  concorrência, monitorando e acompanhando as práticas de mercado dos agentes do  setor de energia elétrica.  Dessa  feita,  compete  à  ANEEL  zelar  pelo  cumprimento  da  legislação  de  defesa  da  concorrência,  monitorando  as  práticas  de  mercado,  além  de  gerir  os  contratos  de  concessão de energia elétrica – o que, para tanto, poderá regular o índice a ser utilizado para se  atualizar tais contratos. O que efetivamente faz e fez no presente caso ao expor a possibilidade  de se utilizar o IGPM como índice de atualização monetária do preço.   Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 469          20 Diante de todo o acima exposto, entendo que assiste razão ao contribuinte em  seu  argumento  de  mérito,  reconhecendo  o  seu  direito  de  recolher,  no  que  tange  às  receitas  decorrentes dos contratos firmados anteriormente à 30/10/2003, ainda que possuam cláusula de  reajuste pelo IGPM, a COFINS com base no regime cumulativo.   Ressalte­se, por fim, que os valores a serem compensados deverão se sujeitar  à validação por parte da unidade de origem, quando da  execução do presente  julgado,  razão  pela qual o provimento que ora se defere é parcial, devendo ser homologada a compensação no  limite do direito creditório reconhecido.  Ademais,  não  é  demais mencionar  que  o  pleito  do  contribuinte  está  sendo  deferido  apenas parcialmente  também em razão do  reconhecimento  realizado por ele próprio  em sua manifestação de inconformidade, no sentido de que parte da compensação efetuada fora  indevida, pois usou taxa Selic acumulada em percentual incorreto.  3. Da conclusão  Voto,  portanto,  no  sentido  de  afastar  a  preliminar  apresentada  pelo  contribuinte e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário  interposto, para fins  de,  reconhecendo  o  direito  do  contribuinte  à  tributação  pelo  regime  da  cumulatividade,  homologar a compensação pleiteada no limite do direito creditório reconhecido.   É como voto.  Maria Eduarda Alencar Câmara Simões    Voto Vencedor  Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves ­ Redator  Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, peço licença para discordar de  suas conclusões sobre a interpretação da norma tributária quanto à manutenção da condição de  preço  predeterminado pela utilização  do  IGPM  em contrato  de  energia  elétrica,  para  fins  de  aplicação  do  regime  cumulativo  ou  não  cumulativo  da  incidência  da  Contribuição  para  a  COFINS.  A  meu  sentir,  o  reajuste  pelo  IGPM,  a  princípio,  não  reflete  o  custo  de  produção,  nem  a  variação  ponderada  dos  custos  dos  insumos  utilizados  e,  por  conseguinte,  descaracteriza  o  contrato  reajustado  por  esse  índice  como  sendo  de  preço  predeterminado,  condição indispensável para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de  incidência cumulativa do PIS e da COFINS.  Em reforço ao entendimento de que o IGPM não reflete a variação ponderada  dos  custos  dos  insumos  utilizados  pela  contribuinte,  nem  expressa  a  variação  específica  dos  custos de sua produção, transcreve­se excerto do voto condutor do Acórdão nº 9303­003.373,  da lavra do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres:    Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 470          21 "Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete  a  variação  ponderada  dos  custos  dos  insumos  utilizados  pelas  distribuidoras  de  energia,  basta  analisar  o  grupo  de  produtos  que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM.  Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de  legumes  e  frutas,  bebidas  e  fumo,  remédios,  embalagens,  aluguel,  condomínio,  empregada  doméstica,  transportes,  educação,  leitura  e  recreação,  vestuário  e  despesas  diversas  (cartório,  loteria,  correio,  mensalidade  de  Internet  e  cigarro,  entre outros).  Como  dito  anteriormente,  o  IGPM  é  composto  de  3  índices,  o  IPA­M, O IPC­M e o INCC­M.  O  Índice de Preços  ao Produtor Amplo  (IPA­M), que  responde  por  60%  do  IGPM,  é  sistematizado  segundo  a  origem  dos  produtos  agropecuários  e  industriais  e  segundo  o  estágio  de  processamento  bens  finais,  bens  intermediários  e  matérias­ primas  brutas.  No  total,  são  pesquisados  340  produtos,  distribuídos em grupos.  Veja, a seguir, a estrutura desse índice.  (...)  De  acordo  com  a  metodologia  de  cálculo  da  FGV  para  esse  índice,  os  produtos  de  origem  agropecuários  representam  28,9738%  do  IPA­M  e  o  de  origem  industrial  os  outros  71,0262%,  sendo  que  os  subitens  relativos  às  máquinas,  aparelhos  e  materiais  elétricos  correspondem  a  minguados  1,7674% do IPA­M.  Partindo­se da premissa que outros subitens da indústria possam  ser utilizados como insumos do  setor  elétrico eliminando os do  setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico,  celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de  energia  elétrica  vê­se  que a  participação dos  insumos  do  setor  elétrico no IPA­M é insignificante, muito insignificante.  Já  em  relação  ao  IPC­M,  nenhum  item  está  diretamente  relacionado  a  insumos  utilizados  pelo  setor  de  distribuição  de  energia  elétrica,  haja  vista  que  os  produtos  que  compões  esse  índice, é específico para o consumo das famílias.  A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo  do  setor  elétrico,  haja  vista  que  é  especifico  para  medir  a  variação do setor da construção civil.  Ora,  mergulhando­se  na  metodologia  de  cálculo  do  IGPM  e  analisando os produtos que o  integra,  conclui­se,  sem a menor  dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica  a  variação  ponderada  dos  custos  dos  insumos  utilizados  pela  contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos  de sua produção."  Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10730.902600/2009­60  Acórdão n.º 3002­000.220  S3­C0T2  Fl. 471          22   Ainda assim, contratos que utilizam  índices de  correção  tais  como o  IGPM  podem  ser  considerados  contratos  de  preços  predeterminados,  contudo,  para  tanto,  o  contribuinte  deve  demonstrar  que  a  correção  pelo  índice  eleito  leva  a um  resultado  igual  ou  inferior ao resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de  índice  que  reflita  a  variação  ponderada  dos  custos  dos  insumos  utilizados.  Fato  que,  no  presente processo, não foi comprovado.  Nesse ponto, relembre­se que o art. 373 do Código de Processo Civil (CPC)  estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e  ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou  seja,  em  regra,  incumbe  à  parte  fornecer  os  elementos  de  prova  das  alegações  que  fizer,  visando  prover  o  julgador  com  os  meios  necessários  para  o  seu  convencimento,  quanto  à  veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão.  Quanto  ao  entendimento  manifestado  pela  Agência  Nacional  de  Energia  Elétrica­ANEEL,  entendo  não  socorrer  ao  contribuinte,  pois  a  esta  Agência  compete  tão  somente a  regulação de questões  inerentes à geração e à distribuição de  energia elétrica e às  atividades correlatas, enquanto que a competência para manifestar­se sobre questões tributárias  pertence à Procuradoria da Fazenda Nacional e à Receita Federal do Brasil.  Assim, considero que são aplicáveis ao  caso  a  Instrução Normativa SRF nº  650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007.  Ademais,  também  entendo  que  as  normas  citadas  limitaram­se  a  regular  o  que  já  estava  previsto  em  lei,  não  havendo,  por  conseguinte,  modificação  do  conceito  de  "preço  predeterminado" e, portanto, estes atos infralegais estão em consonância com o art. 27, §1º, II,  da Lei nº 9.069, de 1995; com o art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e com o art. 109 da Lei nº  11.196, de 2005.  Conclusão.  Por  todo exposto,  em especial,  por  entender que o  reajuste pelo  IGPM não  reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por  conseguinte,  descaracteriza  o  contrato  reajustado  por  esse  índice  como  de  preço  predeterminado; que a contribuinte não comprovou que o resultado da variação pelo IGPM foi  igual  ou  inferior  ao  resultado  da  variação  em  função  do  custo  de  produção  ou  da  variação  ponderada dos custos dos insumos utilizados; que o ônus da prova recai sobre quem alega um  direito, por aplicação do art. 373 do CPC; concluo que no presente caso a Contribuição para a  COFINS deve incidir no regime não cumulativo.  Diante disso, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Carlos Alberto da Silva Esteves                Fl. 473DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.915400/2009-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-006.815
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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9303­006.815  –  3ª Turma   Sessão de  17 de maio de 2018  Matéria  CPMF. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO.  Recorrente  ITAÚ UNIBANCO S.A.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2006  RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.   A  admissibilidade  do  recurso  especial  de  divergência  está  condicionada  à  demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos  extintos Conselhos  de  Contribuintes,  julgando  matéria  similar,  tenha  interpretado  a  mesma  legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.  Conseqüentemente,  não  há que  se  falar divergência  jurisprudencial,  quando  estão  em  confronto  situações  diversas,  que  atraem  incidências  específicas,  cada qual regida por legislação própria.  Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram  divergência  com  relação  a  um  dos  fundamentos  assentados  no  acórdão  recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do  decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de  interpretação.      Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer  do  Recurso  Especial,  vencida  a  conselheira  Vanessa  Marini  Cecconello,  que  conheceu  do  recurso.  Declarou­se  impedida  de  participar  do  julgamento  a  conselheira  Tatiana  Midori  Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.  (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:Andrada  Márcio  Canuto Natal,  Semíramis  de Oliveira Duro,  Luiz  Eduardo  de Oliveira  Santos, Demes  Brito,  Jorge  Olmiro  Lock  Freire,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Vanessa  Marini  Cecconello  e  Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 54 00 /2 00 9- 15 Fl. 2051DF CARF MF Processo nº 16327.915400/2009­15  Acórdão n.º 9303­006.815  CSRF­T3  Fl. 3          2     Relatório  Trata­se de recurso especial de divergência interposto pelo Sujeito Passivo ao  amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais – RICARF,  aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de  junho de 2009,  em  face do  Acórdão CARF nº 3802­003.659, que negou provimento ao recurso voluntário.   O acórdão recorrido possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse:  CPMF.  PER/DCOMP.  MODIFICAÇÃO  DO  OBJETO  DO  PLEITO. INADMISSIBILIDADE.  O  pedido  de  compensação  delimita  a  amplitude  de  exame  do  direito  creditório  alegado  pelo  sujeito  passivo  quanto  ao  preenchimento  dos  requisitos  de  liquidez  e  de  certeza  necessários  à  extinção  de  créditos  tributários.  Instaurado  o  contencioso,  não  se  admite  que  o  contribuinte  altere  o  pedido  mediante  a  modificação  do  direito  creditório  aduzido  na  declaração de compensação.  (...)  Cientificada  do  referido  acórdão  a  Contribuinte  interpõe  Recurso  Especial  apontando dissídio interpretativo em relação aos acórdãos nºs 1102­001.125 e 108­08.805.  Em  seguida,  o  então  Presidente  da  Segunda Câmara  da  Terceira  Seção  do  CARF deu seguimento ao recurso.  A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões.  É o Relatório.       Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­006.827, de  17/05/2018, proferido no julgamento do processo 16327.915399/2009­29, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 16327.915400/2009­15  Acórdão n.º 9303­006.815  CSRF­T3  Fl. 4          3 Transcreve­se  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303­006.827):  "O Recurso  foi  apresentado com observância do prazo previsto,  restando contudo  investigar  adequadamente  o  atendimento  aos  demais  pressupostos  de  admissibilidade,  prerrogativa,  em  última  análise,  da  composição  plenária  da  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais,  a  qual  tem  competência  para  não  conhecer  de  recurso  especiais  nos  quais  não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos.  Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso  Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é  de  cognição  restrita,  limitada  à  demonstração  de  divergência  jurisprudencial,  além  da  necessidade  de  atendimento  a  diversos  outros  pressupostos,  estabelecidos  no  artigo  67  do  Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015.  Por  isso  mesmo,  essa  modalidade  de  apelo  é  chamado  de  Recurso  Especial  de  Divergência  e  tem  como  objetivo  a  uniformização  de  eventual  dissídio  jurisprudencial,  verificado entre as diversas Turmas do CARF.  Neste  passo,  ao  julgar  o Recurso  Especial  de Divergência,  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  não  constitui  uma  Terceira  Instância,  mas  sim  a  Instância  Especial,  responsável pela pacificação dos  conflitos  interpretativos  e,  conseqüentemente, pela garantia  da  segurança  jurídica  dos  conflitos,  não  tendo  espaço  para  questões  fáticas,  que  já  ficaram  devidamente julgadas no Recurso Voluntário.   Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie.   Passo ao julgamento.   A  controvérsia  suscitada  pela  Contribuinte  refere­se  a  ocorrência  de  erro  de  preenchimento de PER/COMP e a possibilidade de retificação do direito creditório pleiteado  em razão das provas trazidas aos autos.   In caso, a decisão recorrida decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, sob  o  entendimento  de  que  a declaração de  compensação  só  poderia  ser  retificada  até  a  data da  expedição  do  respectivo  despacho  decisório  que  decidiu  acerca  da  homologação  ou  não  da  compensação. Vejamos fragmentos do aresto:  Consta  dos  autos  que  em  14/10/2009  fora  transmitida  pela  internet  DCTF  retificadora,  portanto em data posterior à emissão do Despacho Decisório, ocorrido em 07/10/2009. Na  mencionada retificadora foi declarado débito no valor total de R$ 10.467.312,78, constando  como  créditos  o  pagamento  através  de  DARF  no  valor  de  R$  3.386.779,85  e,  como  compensação de pagamento indevido ou a maior R$ 7.080.532,93.  Analisando  todo  o  acima  exposto,  o  CARF  deu  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  apresentado,  decidindo  no  sentido  de  que  a  compensação  fosse  novamente  apreciada,  havendo entendido que a apresentação da DCTF retificadora, alterando o valor do débito  ao qual  fora vinculado o pagamento  indicado como  feito a maior, desconstituiria a causa  original da não homologação, impondo­se o novo exame do feito.  Nesse contexto, assim se posicionou a decisão a quo, a respeito da compensação tratada na  DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833:  (...)  Como  relatado,  os  autos  retornam  a  esta  Delegacia  de  Julgamento  por  força  de  acórdão prolatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que determinou novo  exame  da  compensação  declarada  pela  contribuinte.  Entendeu  aquele  colegiado  que  a  apresentação de DCTF retificadora teria alterado a situação jurídica na qual se baseara o  Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 16327.915400/2009­15  Acórdão n.º 9303­006.815  CSRF­T3  Fl. 5          4 despacho  decisório  de  não  homologação,  devendo­se  reexaminar  a  existência  do  direito  creditório.  Em novo despacho decisório, a unidade de origem reconheceu a existência de pagamento a  maior. Porém, não haveria como homologar a presente declaração de compensação já que o  direito de crédito estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em  outra DCOMP.  Ressalte­se que no  recurso  apresentado pelo Recorrente na  época, bem  como no Acórdão  proferido pelo CARF, em nenhum momento foi noticiado a questão do alegado equívoco no  preenchimento  do  PER/DECOMP.  Naquela  oportunidade,  restringia­se  ao  erro  no  preenchimento da DCTF e da retificadora.  O  Recorrente,  em  seu  recurso,  reafirma  a  existência  de  pagamento  a  maior  e  admite  equívoco  no  preenchimento  do  PER/DCOMP  nº  18652.39612.120406.1.7.04.3183  e  da  DCTF, havendo erro na indicação nas características do documento de arrecadação pelo  qual teria sido feito o pagamento a maior.  Note­se  que  o  pedido  de  compensação  foi  analisado  pela  autoridade  administrativa  concernente  ao  reclamado  pagamento  a  maior  ou  indevido  indicado  na  DCOMP,  com  respeito  ao  qual  referida  autoridade  concluiu  inexistir  o  direito  alegado.  Instaurado  o  litígio,  não  pode  a  recorrente  afirmar  que  seu  crédito  seria  outro,  referente  a  uma  outra  compensação,  questão  completamente  alheia  ao  objeto  do  litígio,  cuja  aceitação  representaria,  também,  violação  aos  princípios  do  contraditório  e  da  estabilidade  da  demanda.  Com efeito, como é cediço, a compensação que, nos termos do art. 170 do CTN, pressupõe  liquidez e certeza dos créditos, é levada a efeito por meio de declaração capaz de extinguir o  débito tributário sob condição da sua ulterior homologação, nos termos dos parágrafos 1º e  2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação que lhes foi fornecida pela Lei nº  10.637,  de  2002.  Portanto,  cabe  ao  Fisco  analisar  se  cabe  ou  não  homologar  uma  compensação declarada.  Noutro giro, os parágrafos sétimo a nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996,  incluídos pela Lei nº 10.833, de 20033, indicam as conseqüências da não homologação da  DCOMP,  bem  assim  o  objeto  do  litígio  instaurado  em  razão  da  apresentação  de  manifestação de inconformidade.  Focado  nesses  parâmetros,  entendo  que  o  pleito  do  sujeito  passivo  não merece  acolhida,  pois  não  cabe  a  este  Colegiado  ir  além  da  análise  do  ato  de  não  homologação  da  Declaração de Compensação e tal ato, como decidido pelo acórdão recorrido, não merece  reparo.  Observa­se  vários  julgados  desta  Corte  que  no  caso  do  preenchimento  dos  dados  do  PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e  de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um  dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro material.  Para comprovar a divergência jurisprudencial, a Contribuinte apresentou os acórdãos  paradigmas de nºs 1102­001.125 e 108­08.805.  Transcreve­se parte do trecho da parte que interessa do Acórdão nº 1102­001.125:  Ano­calendário: 2010  COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP.  INDICAÇÃO  DE  SALDO  NEGATIVO  NO  LUGAR  DE  PAGAMENTO  A  MAIOR.  POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO.  Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 16327.915400/2009­15  Acórdão n.º 9303­006.815  CSRF­T3  Fl. 6          5 Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma  incorreta,  indicando  como  crédito  saldo  negativo  quando  o  correto  seria  pagamento  a  maior  do  imposto  referente  ao  mesmo  período,  é  possível  a  retificação  de  ofício  pela  autoridade  julgadora,  que  determinará  a  análise  do  pedido  com  base  no  crédito  efetivamente existente.  DIREITO  CREDITÓRIO  NÃO  ANALISADO.  NECESSIDADE  DE  ANÁLISE  DA  EXISTÊNCIA  DO  CRÉDITO.  RETORNO  DOS  AUTOS  COM  DIREITO  A  NOVO  CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.  Em  situações  em  que  não  se  admitiu  a  compensação  preliminarmente  com  base  em  argumento de direito,  caso  superado o  fundamento da  decisão,  a  unidade de origem deve  proceder  à  análise  do  mérito  do  pedido,  verificando  a  existência,  suficiência  e  disponibilidade  do  crédito  pleiteado,  permanecendo  os  débitos  compensados  com  a  exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo­se ao sujeito passivo  direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.  Pelo  confronto  entre  a  ementa do  acórdão  recorrido e  a ementa  e  excerto do voto  condutor do primeiro paradigma, não se comprova divergência.  Como visto, os autos foram remetidos a unidade de jurisdição da Contribuinte, em  comprimento  ao Acórdão nº 330201.504  (fls.  58/63),  o  qual  foi  emitido  um novo despacho  decisório  onde  relata:  "o  interessado  não  comprovou  crédito  de  pagamento  indevido  ou  a  maior [...]mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor  original  total  de  R$  109.726,28  [...]Na  PER/DCOMP  nº  28883.84622.220206.1.3.049350,  com  informação  do  crédito  relativo  a  PER/DCOMP  nº  42618.66449.240608.1.3.040833,  objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 18,08, totalmente utilizado na própria  PER/DCOMP.  Não  havendo  crédito  disponível,  propomos  a  não  homologação  da  PER/DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833".  Do  retorno  dos  autos,  sobreveio  o  acórdão  nº 3802003.658,  ora  guerreado,  com a  negativa de provimento ao Recurso, no esteio de que o pedido de compensação foi analisado  pela  autoridade  administrativa  concernente  ao  reclamado  pagamento  a  maior  ou  indevido  indicado na DCOMP, ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado.  Por sua vez, o acórdão paradigma entendeu que em situações em que não se admitiu  a  compensação  preliminarmente  com  base  em  argumento  de  direito,  caso  superado  o  fundamento  da  decisão,  a  unidade  de  origem  deve  proceder  à  análise  do mérito  do  pedido  verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado.  Não existe qualquer divergência, a decisão recorrida remeteu os autos para análise  do  direito  creditório,  emitindo  um  novo  despacho  decisório,  o  qual  restou  comprovado  a  inexistência de crédito, por sua vez, o acórdão paradigma firmou entendimento do retorno dos  autos para que abertura de um novo contencioso administrativo.   A Contribuinte não pretende a uniformização de teses jurídicas, objetivo primordial  do Recurso Especial.   A ampla defesa foi exercida em sua plenitude.   Nestes autos, não existe direito creditório   Neste  sentido,  não  tomo  conhecimento  do  Recurso  Interposto,  esta  E.  Câmara  Superior  não  há  espaço  para  rediscussão  de  matéria  fático­probatória,  exaustivamente  discutida na 1º Instância Administrativa.   Fl. 2055DF CARF MF Processo nº 16327.915400/2009­15  Acórdão n.º 9303­006.815  CSRF­T3  Fl. 7          6 Quanto  ao  acórdão  nº  108­08.805,  pelo  confronto  entre  a  ementa  do  acórdão  recorrido  e  a  ementa  e  excerto  do  voto  condutor,  também  não  se  comprova  divergência.  Transcrevo fragmentos do aresto:  Exercício: 1998  Ementa: IRPJ – PREJUÍZO FISCAL – COMPENSAÇÃO – ERRO DE  FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação  de  IRPJ  recolhido  por  estimativa  em exercício cujo  resultado  foi prejuízo  fiscal,  deve  ser admitida, não obstante  erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que  comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material.  Recurso Voluntário Provido.  Com  efeito,  a  decisão  recorrida  consignou  que:  "o  pedido  de  compensação  foi  analisado pela autoridade administrativa  concernente ao  reclamado pagamento a maior ou  indevido indicado na DCOMP, com respeito ao qual referida autoridade concluiu inexistir o  direito  alegado.  Instaurado  o  litígio,  não  pode  a  recorrente  afirmar  que  seu  crédito  seria  outro, referente a uma outra compensação, questão completamente alheia ao objeto do litígio,  cuja  aceitação  representaria,  também,  violação  aos  princípios  do  contraditório  e  da  estabilidade da demanda".  Por  sua  vez,  o  acórdão  paradigma  fixou  o  seguinte  entendimento:  "não  obstante  erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que  comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material".  Como  se  vê,  a  Contribuinte  insiste  na  rediscussão  fática,  o  acórdão  paradigma  entende que caso ocorra erro no preenchimento da declaração, não  invalida o procedimento,  desde que comprovada a existência dos créditos.   Ora, o Contencioso foi estendido a Contribuinte, não foi invalidado o procedimento  de  um  suposto  erro,  foi  proferido  um  novo  despacho  decisório,  o  qual  foi  confirmada  a  inexistência de crédito.   Deste modo, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de  base de comparação para  fins de dedução da divergência  jurisprudencial. Em se  tratando de  espécies  díspares  nos  fatos  embasadores  da  questão  jurídica,  não  há  como  se  estabelecer  comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reporto­me ao Acórdão no CSRF/01­0.956:   “Caracteriza­se  a  divergência  de  julgados,  e  justifica­se  o  apelo  extremo,  quando  o  recorrente  apresenta  as  circunstâncias  que  assemelhem  ou  identifiquem  os  casos  confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo  de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar  a  essência”  ou  que  se  “agrega  a  um  fato  sem  alterá­lo  substancialmente”  (Magalhães  Noronha,  in Direito  Penal,  Saraiva,  1o  vol.,  1973,  p.  248),  não  se  toma  conhecimento  de  recurso  de  divergência,  quando  no  núcleo,  a  base,  o  centro  nevrálgico  da  questão,  dos  acórdãos  paradigmas,  são  díspares. Não  se pode  ter  como acórdão paradigma enunciado  geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem  com os do acórdão inquinado.”  Diante de tudo que foi exposto, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas  que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência  jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte."  Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 16327.915400/2009­15  Acórdão n.º 9303­006.815  CSRF­T3  Fl. 8          7 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte  não foi conhecido.   assinado digitalmente  Rodrigo da Costa Pôssas                                  Fl. 2057DF CARF MF

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Numero do processo: 10680.008288/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2007 SIMPLES. EXCLUSÃO. LEGISLAÇÃO VIGENTE Á ÉPOCA DOS FATOS. Os requisitos para permanência no SIMPLES, bem assim os demais procedimentos para a exclusão daquele sistema simplificado de pagamentos regem-se pela Lei nº 9.317/1996, para os fatos verificados até 30/06/2006. SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITO JUNTO À PGFN. QUITAÇÃO. POSSIBILIDADE DE PERMANÊNCIA NO SISTEMA. Diante da constatação de que o débito junto à PGFN que motivou a exclusão do SIMPLES já havia sido quitado por ocasião da exclusão, deve ser reconhecido o direito da interessada de permanecer no sistema simplificado. Ademais, a exclusão levada a efeito por meio de Despacho Decisório não pode subsistir, visto que a lei estabelece a necessidade de Ato Declaratório para tanto.
Numero da decisão: 1301-000.528
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha

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FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Exercício: 2007  SIMPLES.  EXCLUSÃO.  LEGISLAÇÃO  VIGENTE  Á  ÉPOCA  DOS  FATOS.  Os  requisitos  para  permanência  no  SIMPLES,  bem  assim  os  demais  procedimentos para a exclusão daquele sistema simplificado de pagamentos  regem­se pela Lei nº 9.317/1996, para os fatos verificados até 30/06/2006.  SIMPLES.  EXCLUSÃO.  DÉBITO  JUNTO  À  PGFN.  QUITAÇÃO.  POSSIBILIDADE DE PERMANÊNCIA NO SISTEMA.  Diante da constatação de que o débito junto à PGFN que motivou a exclusão  do  SIMPLES  já  havia  sido  quitado  por  ocasião  da  exclusão,  deve  ser  reconhecido o direito da interessada de permanecer no sistema simplificado.  Ademais,  a  exclusão  levada  a  efeito  por meio  de Despacho Decisório  não  pode  subsistir,  visto que  a  lei  estabelece  a necessidade de Ato Declaratório  para tanto.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao  recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Alberto Pinto Souza Júnior ­ Presidente  (assinado digitalmente)     Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.008288/2007­97  Acórdão n.º 1301­00.528  S1­C3T1  Fl. 51          2 Waldir Veiga Rocha ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros Waldir Veiga Rocha,  André Ricardo Lemes da Silva, Paulo  Jakson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da  Silva, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior.    Relatório  SOVIL DISTRIBUIDORA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada  com o Acórdão n° 02­23.853, de 24/09/2009, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de  Julgamento em Belo Horizonte/MG,  recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a  reforma do referido julgado.  O  relatório  elaborado  por  ocasião  do  julgamento  em  primeira  instância  descreve o ocorrido de forma sucinta, porém precisa, pelo que peço vênia para transcrevê­lo, a  seguir.   Em 23 de julho de 2009, o Despacho Decisório DRF/BHE nº 2.644/2009, de  fls.  26  a  29,  determinou  a  exclusão  da  empresa  acima  referenciada,  nos  seguintes  termos:  “Ante  o  exposto,  que  aprovo,  DEFIRO  PARCIALMENTE  o  pleito, para:  Manter  a  exclusão  declarada  pelo  Ato  Declaratório  Nº  227.155/200, com efeitos a partir de 01/11/2000, nos termos do  Art. 9º, Inciso XV, da Lei nº 9.317/2006.  Determinar a inclusão retroativa no Simples, com efeitos a partir  de  01/01/2002,  nos  termos  do  Art.  Único,  §  Único,  Ato  Declaratório Interpretativo SRF nº 16 de 02 de outubro de 2002.  Determinar  a  exclusão  da  empresa  do  Simples,  com  efeitos  a  partir  de  01/01/2006,  por  incorrer  em  situação  de  vedação/exclusão,  pendência  junto  a  PGFN,  cuja  exigibilidade  não esteja suspensa, nos termos do Art. 9º, Inciso XV, da Lei nº  9.317/2006.  Determinar  o  CANCELAMENTO  das  DSPJ  EX  2007/2006  e  2008/2007  apresentadas  com  apuração  de  tributos  pela  forma  simplificada.  Cientificado em 29 de  julho de 2007,  folhas 29, verso,  a  empresa  apresenta  sua  impugnação,  de  fls.  30/31,  em  26  de  agosto  de  2009,  argumentando  que  “a  exclusão  foi  promovida  com  base  na  lei  9.317/96,  que  foi  subrogada  pela  Lei  Complementar 123 de 2006”, concluindo:  “ANTE  O  EXPOSTO,  requer  pela  reforma  da  decisão  ora  impugnada,para afastar a exclusão do Recorrente do SIMPLES  a  partir  de  01/01/2006,  mantendo  incólume  seu  registro  no  aludido sistema de arrecadação tributária.”  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.008288/2007­97  Acórdão n.º 1301­00.528  S1­C3T1  Fl. 52          3 A  4ª  Turma  da  DRJ  em  Belo  Horizonte/MG  analisou  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  contribuinte  e  por  via  do  Acórdão  nº  02­23.853,  de  24/09/2009 (fls. 36/38), indeferiu a solicitação com a seguinte ementa:  Assunto:  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte – Simples  Ano­calendário: 2006  Simples   Não  poderá  optar  pelo  SIMPLES,  a  pessoa  jurídica  que  tenha  débito  inscrito  em  Dívida  Ativa  da  União  ou  do  Instituto  Nacional do Seguro Social ­ INSS, cuja exigibilidade não esteja  suspensa  Ciente da decisão de primeira  instância em 20/10/2009, conforme Aviso de  Recebimento à fl. 39v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 09/11/2009 conforme  carimbo de recepção à folha 40.  No recurso interposto (fls. 40/42) a interessada protesta contra a decisão que  manteve sua exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2006, apresentando, em apertada síntese,  os dois seguintes argumentos:  •  A exclusão foi promovida com base na Lei nº 9.317/1996, a qual foi subrogada pela  Lei Complementar nº 123/2006. Por sua ótica, seria inaceitável valer­se de uma lei  já revogada para excluí­la do SIMPLES, prejudicando­a.  •  Sustenta,  ainda, que “a  lei do SIMPLES exige procedimento prévio a exclusão do  contribuinte,  que  se  refere  a  notificação  para  que  o  débito  seja  quitado  em  determinado  prazo,  sob  pena  de  sua  exclusão  do  aludido  regime  tributário”.  Em  seu  caso,  tal  prévia  notificação  não  teria  ocorrido,  o  que  retiraria  a  legalidade  da  exclusão ora discutida. A interessada acrescenta, ainda, que assim que cientificada  da existência do débito promoveu o imediato recolhimento dos valores devidos.  Conclui com o pedido de reforma da decisão recorrida e o afastamento de sua  exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2006.  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator  O recurso é tempestivo e dele conheço.  A recorrente recorre contra a decisão que manteve sua exclusão do SIMPLES  a partir de 01/01/2006, e passo a apreciar suas razões recursais.  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.008288/2007­97  Acórdão n.º 1301­00.528  S1­C3T1  Fl. 53          4 O primeiro argumento aduzido é de que a exclusão foi promovida com base  na Lei nº 9.317/1996, a qual foi subrogada pela Lei Complementar nº 123/2006. Por sua ótica,  seria inaceitável valer­se de uma lei já revogada para excluí­la do SIMPLES, prejudicando­a.  A  decisão  recorrida  bem  demonstrou  que  não  se  trata  da  aplicação  de  lei  revogada, mas sim da aplicação da lei vigente por ocasião dos fatos geradores, inclusive no que  toca  aos  aspectos  de  exclusão  do  sistema  simplificado,  em  face  da  verificação  de  condição  impeditiva,  exatamente  a  hipótese  dos  autos.  A  revogação  expressa  da  Lei  nº  9.317/1996  a  partir de 01/07/2007 pelo art. 89 da Lei Complementar nº 123/2006 não significa que os fatos  ocorridos antes de sua revogação deixem de ser por ela regulados, inclusive quanto às vedações  e situações impeditivas.  O segundo argumento  trazido pela  interessada é de que “a  lei do SIMPLES  exige procedimento prévio a exclusão do contribuinte, que se refere a notificação para que o  débito  seja  quitado  em  determinado  prazo,  sob  pena  de  sua  exclusão  do  aludido  regime  tributário”. Em seu caso, tal prévia notificação não teria ocorrido, o que retiraria a legalidade  da  exclusão  ora  discutida.  A  interessada  acrescenta,  ainda,  que  assim  que  cientificada  da  existência do débito promoveu o imediato recolhimento dos valores devidos.  Compulsando  os  autos,  constato  que  a  exclusão  da  interessada  do  sistema  simplificado de pagamentos (SIMPLES) ocorreu em virtude de ter sido identificada pendência  junto à Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional (PGFN), nos termos do art. 9º, inciso XV, da  Lei nº 9.317/1996. O débito em questão possuía o número 60 6 97 047135­94. Eis o dispositivo  legal em comento:  Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica:  [...]  XV ­ que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  ­  INSS,  cuja  exigibilidade  não esteja suspensa;  Tal exclusão foi levada a efeito pela Autoridade Administrativa competente,  mediante o Ato Declaratório Executivo ADE DRF/BHE N° 227.155/2000, com efeitos a partir  de 01/11/2000, com a perfeita observância dos requisitos formais e materiais indispensáveis.  Posteriormente,  a  DRF  Belo  Horizonte,  mediante  o  Despacho  Decisório  DRF/BHE  nº  2.644/2009,  reconheceu  a  procedência  do  referido  ADE,  mas  houve  por  bem  determinar a reinclusão de ofício do contribuinte no SIMPLES de forma retroativa a partir de  01/01/2002 e sua exclusão, com efeitos a partir de 01/01/2006. O fundamento legal para essa  exclusão  foi  o  mesmo  anteriormente  aduzido,  a  saber,  o  art.  9º,  inciso  XV,  da  Lei  nº  9.317/1996,  mas  desta  feita  o  débito  identificado  junto  à  PGFN  foi  o  de  número  60  4  05  015446­09.  Verifico, assim, que se trata de nova exclusão do SIMPLES, diversa daquela  que originalmente tratava o presente processo, escudada em outro débito junto à PGFN, com  data de produção de efeitos  também diferente. Essa nova exclusão foi feita sem os requisitos  formais  indispensáveis,  especificamente  sem  a  publicação  de  Ato  Declaratório  por  parte  da  autoridade competente, conforme previsto no art. 15, § 3º, da Lei nº 9.317/1996. Sua falta não  pode ser suprida pelo Despacho Decisório, pelo que,  já por esse motivo, a nova exclusão do  SIMPLES, a partir de 01/01/2006, deve ser tida por insubsistente.  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.008288/2007­97  Acórdão n.º 1301­00.528  S1­C3T1  Fl. 54          5 No entanto, ainda que, apenas por hipótese argumentativa, se pudesse cogitar  da  prescindibilidade  do  Ato  Declaratório  Executivo,  melhor  sorte  não  teria  a  questionada  exclusão.  É  que,  a  partir  das  alterações  introduzidas  pela  Lei  nº  11.196/2005,  passou  a  ser  permitida a permanência no sistema simplificado às pessoas jurídicas excluídas do SIMPLES  pela existência de débitos junto à PGNF, desde que comprovassem sua quitação no prazo de 30  dias da ciência do ato declaratório de exclusão. A conferir, abaixo, a redação do art. 15, inciso  VI e § 5º da Lei nº 9.317/1996.  Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os  arts. 13 e 14 surtirá efeito:  [...]  VI ­ a partir do ano­calendário subseqüente ao da ciência do ato  declaratório  de  exclusão,  nos  casos  dos  incisos  XV  e  XVI  do  caput do art. 9o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de  2005)  [...]  §  5o  Na  hipótese  do  inciso  VI  do  caput  deste  artigo,  será  permitida a permanência da pessoa  jurídica como optante pelo  Simples  mediante  a  comprovação,  na  unidade  da  Receita  Federal do Brasil com jurisdição sobre o seu domicílio fiscal, da  quitação  do  débito  inscrito  no  prazo  de  até  30  (trinta)  dias  contado  a  partir  da  ciência  do  ato  declaratório  de  exclusão.  (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)  Ora,  consta  dos  autos  que  o  débito  no  qual  se  escudou  a  autoridade  administrativa para promover a nova exclusão foi extinto por pagamento em 03/05/2007 (vide  fls. 21 e 27). Ou seja, por ocasião da ciência do Despacho Decisório, em 29/07/2009 (fl. 29v),  o  débito  já  há  muito  se  encontrava  extinto,  com  o  que  seria  permitida  a  permanência  da  interessada no SIMPLES.  Por todo o exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha                                Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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7403724 #
Numero do processo: 10680.907196/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 0242374520.130804.1.3.04-3234[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 30/09/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: - detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. - o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior. - de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de agosto de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito. - quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social. - no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50. - a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. - o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.” 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.169, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido”. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 0242374520.130804.1.3.04-3234[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 30/09/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: - detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. - o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior. - de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de agosto de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito. - quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social. - no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50. - a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. - o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.” 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.169, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido”. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório.

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1201­000.489  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  11 de junho de 2018  Assunto  CSLL  Recorrente  MIRANDA TRANSPORTES E SERVICOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.   (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente e Relatora   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Eva  Maria  Los,  Luis  Fabiano  Alves  Penteado,  José  Carlos  de  Assis  Guimarães,  Luis  Henrique  Marotti  Toselli,  Gisele  Barra  Bossa,  Paulo  Cezar  Fernandes  de  Aguiar,  Bárbara  Santos  Guedes  (suplente  convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques  Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 07 19 6/ 20 08 -7 2 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10680.907196/2008­72  Resolução nº  1201­000.489  S1­C2T1  Fl. 3          2 Relatório  1.  Por  economia  processual  e  por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  como  parte  deste, o relatório constante da decisão de primeira instância:  “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra  Despacho  Decisório  [...]  referente  ao  PER/DCOMP  n°  0242374520.130804.1.3.04­3234[...].  A  Declaração  de  Compensação  foi  gerada  pelo  programa  PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito  creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL,  recolhido em 30/09/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados  no referido PER/DCOMP [...].  Das  análises  processadas  foi  constatado  que  a  partir  das  características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação  declarada NÃO FOI HOMOLOGADA.  Como enquadramento legal citou­se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172  de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional ­ CTN), art. 74  da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE   Cientificado  do  Despacho  Decisório  [...],  o  interessado  apresenta  manifestação de inconformidade [...], argumentando que:  ­ detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na  DCOMP.  ­ o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social  sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior.  ­ de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida  na  competência  de  agosto  de  2003,  vinculação  na  Declaração  de  Débitos e Créditos Tributários Federais ­ DCTF do débito.  ­ quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de  2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao  devido  no  período  de  apuração,  restando  saldo  negativo  da  Contribuição Social.  ­ no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$  148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34  [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50.  ­ a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o  saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado  com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente,  se negativo,  assegurada a alternativa de  requerer,  após a  entrega da  declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior.  Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10680.907196/2008­72  Resolução nº  1201­000.489  S1­C2T1  Fl. 4          3 ­ o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a  existência do crédito tributário.  A vista do exposto, demonstrada a  insubsistência e  improcedência da  ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação  de  inconformidade  para  o  fim de  assim  ser  decidido,  homologando a  compensação declarada.”  2.  Em  sessão  de  19  de  janeiro  de  2010,  a  2ª  Turma  da  DRJ/BHE,  por  unanimidade de votos, considerou  improcedente  a Manifestação de  Inconformidade para não  reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02­25.169, cuja ementa  recebeu o seguinte descritivo:  “ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL   Exercício: 2004   Retificação da Declaração de Compensação.  A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões  materiais  cometidas  no  seu  preenchimento,  da  forma  prescrita  na  legislação  tributária  vigente  e  somente  para  as  declarações  ainda  pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação.  Manifestação de inconformidade improcedente.  Direito creditório não reconhecido”.  3.  A  DRJ/BHE  não  acatou  os  argumentos  da  Recorrente,  em  síntese,  sob  os  seguintes fundamentos:  3.1.  Apesar  de  constar  nos  documentos  juntados  que  a  Recorrente  recolheu  CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada  não  ter  optado  por  exercer  a  faculdade  de  deduzir  a CSLL  paga  por  estimativa,  prevista  no  artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está  zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa.   3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na  DIPJ  dentro  do  prazo  legal,  não  devendo  ser  reconhecida  a  dedução  efetuada  extemporaneamente.  No  mais,  a  retificação  de  ofício  da  declaração  de  rendimentos  para  modificar  a  dedução  de  CSLL  é  incabível,  visto  que  o  não  exercício  dessa  opção  não  se  caracteriza como erro de fato.  3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou  no  preenchimento  da  DCOMP  quanto  à  especificação  do  tipo  de  crédito  tributário,  pois  o  crédito  se  refere  a  saldo  negativo  de  CSLL  apurado  no  ano­calendário  de  2003  e  não  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  CSLL.  Sustenta  que  o  contribuinte  tem  a  obrigação  de  indicar  corretamente  qual  a  origem  do  crédito  para  exercer  o  direito  à  restituição  e  que  o  referido erro é insanável.  4. Cientificada da decisão  (AR de 17/05/2010),  a Recorrente  interpôs Recurso  Voluntário  em  14/06/2010,  reiterando  as  razões  já  expostas  em  sede  de  Manifestação  de  Inconformidade  e  reforçando que:  (i)  a Recorrente comprovou que efetuou  recolhimentos de  CSLL por estimativa ao  longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal,  Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10680.907196/2008­72  Resolução nº  1201­000.489  S1­C2T1  Fl. 5          4 resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo  acórdão da DRJ/BHE;  e  (iii)  o  impedimento do  exercício do direito  à  restituição  se deu  sob  alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a  realidade fática.   5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer  a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas.  É o relatório.      Voto   Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução nº  1201­000.483, de 11/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.903455/2008­96,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com  crédito  relativo  a  pagamento  indevido  ou  a maior  de  IRPJ,  recolhido  em  30/05/2003  e,  nos  presentes  autos,  o  contribuinte  solicita  a  compensação  de  débitos  com  crédito  oriundo  de  pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL recolhida em 30/09/2003.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201­000.483):  "6.  O  recurso  é  tempestivo  e  cumpre  os  demais  requisitos  legais  de  admissibilidade,  razão  pela  qual  dele  tomo  conhecimento  e  passo  a  apreciar.   7. Alinho­me ao entendimento de que a Administração não pode  ficar  restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve  buscar a verdade material.   8.  In  casu,  a  douta DRJ  poderia,  ao  invés  de  julgar  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade,  ter  baixado  os  autos  em  diligência  para  esclarecimentos  dos  fatos  e  análise  de  provas.  Tal  iniciativa  cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual,  bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1.                                                              1 Em consonância com os seguintes dispositivos:  Lei nº 13.105/2015  "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar­se de acordo com a boa­fé.  Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de  mérito justa e efetiva.  Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10680.907196/2008­72  Resolução nº  1201­000.489  S1­C2T1  Fl. 6          5  9.  No  mais,  em  homenagem  ao  princípio  da  verdade  material,  considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros  erros  no  preenchimento  de  declarações  não  são  suficientes  para  motivar o não reconhecimento do seu direito creditório.  10.  Contudo,  em  linha  com  a  jurisprudência  deste  E.  Conselho,  é  imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio  de documentação hábil e  idônea, em especial com base na análise de  registros  contábeis  e  fiscais  e  da  documentação  que  lhe  serve  de  suporte,  a  qual  necessariamente  deve  ser  mantida  pelo  contribuinte  enquanto  se  pretender  obter  os  efeitos  fiscais  correspondentes,  nos  termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional  ­ CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99.  11. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa:  "ERRO  DE  FATO  NO  PREENCHIMENTO  DCTF.  DECLARAÇÕES  RETIFICADORAS.  COMPROVAÇÃO.  CRÉDITO  RECONHECIDO.  Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante  apresentação  de  declaração  retificadora,  DIPJ  e  elementos  da  escrituração  contábil  que  corroboram  o  valor  declarado/confessado  nessa  declaração  retificadora,  reconhece­se  o  direito  de  crédito  homologando­se  as  compensações  pleiteadas  até  esse  limite."  (Processo  nº  13971.901692/2011­31,  Acórdão  nº  1402002.379,  4ª  Câmara  /  2ª  Turma  Ordinária  /  1ª  Seção,  Sessão  de  26.01.2017,  Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto) (grifos nossos).  12. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de  três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se  os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação  suporte  é  insuficiente  para  demonstrar  a  origem do  crédito  e/ou  não  esclarece  de  forma  assertiva  e  sem  contradições  a  composição  dos  valores discutidos.  13.  Logo,  somente  diante  da  comprovação  pela  autoridade  fiscal  de  uma  dessas  três  hipóteses  é  que  o  direito  creditório  não  deve  ser  reconhecido.  14.  Considero  que  não  há,  no  presente  caso,  controvérsia  acerca  do  preenchimento do requisito (i) constante do item 12, mas do (ii) e (iii).                                                                                                                                                                                            Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais,  aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao  juiz zelar pelo  efetivo contraditório.  Art.  8º  Ao  aplicar  o  ordenamento  jurídico,  o  juiz  atenderá  aos  fins  sociais  e  às  exigências  do  bem  comum,  resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a  legalidade, a publicidade e a eficiência."  Lei nº 9.784/1999  "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros,  aos princípios da  legalidade,  finalidade, motivação,  razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e  eficiência."  "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão  realizam­se  de  ofício  ou  mediante  impulsão  do  órgão  responsável  pelo  processo,  sem  prejuízo  do  direito  dos  interessados de propor atuações probatórias.  § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo."    Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10680.907196/2008­72  Resolução nº  1201­000.489  S1­C2T1  Fl. 7          6 15. No mais, é  incontroverso que entre maio de 2003 e novembro de  2003  a  Recorrente  recolheu  o  IRPJ  por  Estimativa  relativo  às  competências  de  abril  a  outubro  de  2003  no  total  de  R$277.538,27,  conforme demonstrado nas guias de fls. 18/20.   16. Em dezembro de 2003, apurou­se prejuízo fiscal e constatou­se que  não  era  devido  IRPJ  para  o  ano  de  2003,  daí  a  origem  do  direito  creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ no ano­calendário de  2003.  17.  Ocorre  que,  a  DRJ  (fls.  29/32)  considerou  que  o  despacho  decisório  (fl.  4)  não  merece  reformas  porque  o  erro  cometido  pelo  contribuinte é material e, portanto, trata­se de vício insanável.   18.  Por  outro  lado,  a  Recorrente,  tanto  em  sede  de Manifestação  de  Inconformidade quanto em seu Recurso Voluntário, afirma que, apesar  de ter errado no preenchimento do formulário de compensação sobre a  origem  do  crédito  ao  preencher  como  “pagamento  indevido  ou  a  maior” ao invés de “saldo negativo de IRPJ” o crédito decorrente do  recolhimento de IRPJ estimativa não deixou de existir.   19.  Para  comprovar  suas  alegações,  a  Recorrente  apresenta  documentação  probatória  hábil,  tais  como:  (i)  seis  DARFs  de  recolhimento  de  IRPJ  referente  ao  segundo  e  terceiro  trimestres  de  2003  (fls.18/20);  (ii)  fichas  09A  e  17  do  ano  calendário  de  2003  da  DIPJ original (fls.13/14); e (iii) a totalização por tributo e contribuição  no segundo, terceiro e quarto trimestre de 2003 da DCTF.  20.  A  priori,  a  documentação  trazida  pela  Recorrente  cumpre  o  disposto  no  artigo  923  do  RIR2  e  é  capaz  de  viabilizar  o  reconhecimento do direito creditório do contribuinte.   21.  Contudo,  deve  ser  verificada,  à  luz  da  documentação  contábil,  fiscal  e  demais  provas  suporte,  a  liquidez  e  certeza  dos  créditos  constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise.   22. Em  face  do  exposto,  voto  pela  conversão  do  presente  julgamento  em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da  circunscrição da contribuinte:  (i) providencie a juntada aos autos cópia integral da DIPJ 2004, ano­ calendário de 2003;  (iii) verifique as DCTFs apresentadas, efetuando a apuração do crédito  relativo a cada um dos meses para fins de verificação de recolhimentos  a  maior  de  estimativa  mensal,  observando­se,  no  que  couber,  as  disposições da IN RFB nº 1.110/2010;   (iii)  faça  o  cotejamento  desses  créditos  com  as  Dcomps  relativas  ao  saldo  negativo  de  IRPJ  no  ano­calendário  2003,  procedendo  à  valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerando­ se, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada.                                                              2 "Art. 923.  A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em  preceitos legais."  Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10680.907196/2008­72  Resolução nº  1201­000.489  S1­C2T1  Fl. 8          7 23. Para  fins dessa verificação, a contribuinte poderá  ser  intimada a  apresentar livros e documentos.  24.  Após  a  conclusão  da  diligência,  a  autoridade  fiscal  responsável  deverá  elaborar  Relatório  Conclusivo,  com  posterior  ciência  à  Recorrente,  para  que,  se  assim  desejar,  se manifeste  no  prazo  de  30  (trinta)  dias  e  na  seqüência  retornem  os  autos  ao  E.  CARF  para  julgamento.  É como voto."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º,  2º  e  3º  do  art.  47,  do  Anexo  II,  do  RICARF,  converto  o  julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito.   (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa    Fl. 60DF CARF MF

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Numero do processo: 10725.720119/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 02/04/2009 REPETRO E ADMISSÃO TEMPORÁRIA. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, incluindo nessa modalidade o Repetro, não se enquadram como importações "desembaraçadas no regime comum de importação", prescritas no art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6º do Decreto­Lei nº 37/66. Se o regime especial dispensa a licença de importação, não há que se falar em incidência de multa pela inexistência de LI anterior ao registro da declaração de importação. A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária. PENALIDADE CONTROLE ADUANEIRO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS A NORMA. Nos termos do art. 711, inciso III, do Regulamento Aduaneiro/2009, a multa de 1% sobre o valor aduaneiro deve ser aplicada nos casos de omissão ou informação inexata/incompleta desde que necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No presente caso, uma vez que a condição de usado foi essencial para a concessão do regime aduaneiro especial de admissão temporária, a prestação de forma incompleta de informação da condição de usado do bem no campo reservado do SISCOMEX não se mostrou necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-005.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. O Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes votou pelas conclusões por entender que o procedimento de revisão aduaneira pode ser amplo. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE

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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 02/04/2009 REPETRO E ADMISSÃO TEMPORÁRIA. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, incluindo nessa modalidade o Repetro, não se enquadram como importações "desembaraçadas no regime comum de importação", prescritas no art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6º do Decreto­Lei nº 37/66. Se o regime especial dispensa a licença de importação, não há que se falar em incidência de multa pela inexistência de LI anterior ao registro da declaração de importação. A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária. PENALIDADE CONTROLE ADUANEIRO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS A NORMA. Nos termos do art. 711, inciso III, do Regulamento Aduaneiro/2009, a multa de 1% sobre o valor aduaneiro deve ser aplicada nos casos de omissão ou informação inexata/incompleta desde que necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No presente caso, uma vez que a condição de usado foi essencial para a concessão do regime aduaneiro especial de admissão temporária, a prestação de forma incompleta de informação da condição de usado do bem no campo reservado do SISCOMEX não se mostrou necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. O Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes votou pelas conclusões por entender que o procedimento de revisão aduaneira pode ser amplo. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).

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3402­005.460  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de julho de 2018  Matéria  MULTA LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. MULTA CONTROLE  ADMINISTRATIVO  Recorrentes  NAVIS DRILLING LTDA.              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Data do fato gerador: 02/04/2009  REPETRO  E  ADMISSÃO  TEMPORÁRIA.  PENALIDADE  POR  INFRAÇÃO  ADMINISTRATIVA.  FALTA  DE  LICENÇA  DE  IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA.   As  operações  de  importação  submetidas  ao  regime  aduaneiro  especial  de  admissão  temporária,  incluindo  nessa  modalidade  o  Repetro,  não  se  enquadram  como  importações  "desembaraçadas  no  regime  comum  de  importação", prescritas no art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6º do Decreto­Lei  nº 37/66. Se o regime especial dispensa a licença de importação, não há que  se falar em incidência de multa pela inexistência de LI anterior ao registro da  declaração  de  importação.  A  caracterização  da  infração  impõe  a  rígida  subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada  a aplicação de sanção pecuniária.  PENALIDADE  CONTROLE  ADUANEIRO.  NÃO  SUBSUNÇÃO  DOS  FATOS A NORMA.  Nos termos do art. 711, inciso III, do Regulamento Aduaneiro/2009, a multa  de  1%  sobre  o  valor  aduaneiro  deve  ser  aplicada  nos  casos  de  omissão  ou  informação  inexata/incompleta  desde  que  necessária  à  determinação  do  procedimento de controle aduaneiro apropriado. No presente caso, uma vez  que a condição de usado foi essencial para a concessão do regime aduaneiro  especial  de  admissão  temporária,  a  prestação  de  forma  incompleta  de  informação  da  condição  de  usado  do  bem  no  campo  reservado  do  SISCOMEX não se mostrou necessária à determinação do procedimento de  controle  aduaneiro  apropriado. A  caracterização  da  infração  impõe  a  rígida  subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada  a aplicação de sanção pecuniária.  Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 01 19 /2 01 0- 61 Fl. 248DF CARF MF     2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  de  Ofício.  O  Conselheiro  Rodrigo  Mineiro  Fernandes  votou  pelas  conclusões por entender que o procedimento de revisão aduaneira pode ser amplo. Por maioria  de  votos,  em  dar  provimento  ao  Recurso  Voluntário.  Vencidos  os  Conselheiros  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Pedro  Sousa  Bispo  e  Waldir  Navarro  Bezerra  que  negavam  provimento.    (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente.    (assinado digitalmente)  Maysa de Sá Pittondo Deligne ­ Relatora.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula,  Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo  Tsuboi (Suplente Convocado).  Relatório  Trata­se  de  Auto  de  Infração  lavrado  para  a  exigência  de  penalidades  decorrentes  de  equívocos  cometidos  na  importação  de  plataforma  de  perfuração  "Borgny  Dolphin"  pelo  regime  aduaneiro  especial  de  admissão  temporária.  As  penalidades  foram  identificadas da seguinte forma no Auto de Infração:  (a)  "001  ­  IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE GUIA DE  IMPORTAÇÃO  OU  DOCUMENTO  EQUIVALENTE".  Conforme  indicado  no  Relatório  Fiscal, sustenta a fiscalização que seria obrigatória a obtenção de licença de  importação  (LI)  face  o  licenciamento  não  automático  das  importações  de  usados  sob o  regime de admissão  temporária, que não  teria  sido emitida na  hipótese, ensejando a aplicação da multa do art. 169, I,  'b' e §6º do Decreto­ lei  n.º  37/66,  indicada  no  art.  706,  I,  "a"  do  Regulamento Aduaneiro/2009  aprovado pelo Decreto n.º 6.759/2009 (e­fls. 9/16).  (b) "002 ­ MULTA APLICÁVEL SETOR ADUANEIRO ­ NÃO PASSÍVEL DE  REDUÇÃO". Foi aplicada a multa do art. 69, §1º da Lei n.º 10.833/2003 c/c  art. 84 da MP 2.158­35/2001, indicado no art. 711, III do RA/2009, em razão  da omissão de informações relacionadas a condição da mercadoria (condição  de material usado ­ e­fl. 16/17).  Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10725.720119/2010­61  Acórdão n.º 3402­005.460  S3­C4T2  Fl. 249          3 As duas infrações cometidas pelo contribuinte foram sintetizadas da seguinte  forma no Relatório Fiscal:    "Infrações cometidas pelo contribuinte  25.  A  plataforma,  construída  em  1977  e  reconstruída  em  1992  (conforme  descrição  detalhada  na  DI),  ao  tempo  da  importação  vinha  sendo  utilizada  no  Repetro,  logo  era  usada.  O  próprio  contribuinte  relatou  o  fato  na  resposta  à  primeira  intimação.  Nada  obstante,  como  importador,  deixou  de  informar  a  condição  de  "material  usado"  da  mesma,  não  assinalando  o  campo  específico  "Condição" por ocasião do registro da DI no Siscomex (fl. 67).  26.  Ao  deixar  de  assinalar  o  referido  "campo",  obteve  o  registro  da  DI  n°  09/0409577­5  sem  que  o  sistema  Siscomex  exigisse  o  número  da  licença  de  importação obrigatória para o caso (importação de bem usado).  27. Desta forma, informação de natureza essencial ao desenvolvimento do controle  aduaneiro  apropriado  para  a  operação  (mais  especificamente,  controle  administrativo pelo Secex) foi omitida, em nítido desrespeito ao disposto no artigo  69, § I o , da lei n° 10.833/2003; no artigo 84 da MP n° 2.158­35/2001; no artigo  711,  III,  do  Decreto  n°  6.759/2009;  nos  artigos  Io  ,  2  o  e  4  o  da  Portaria  Interministerial  n°  291/1996;  e  no  artigo  4  o  da  IN/SRF  n°  680/2006;  todos  combinados.  28.  Noutro  eito,  o  contribuinte  deixou  de  providenciar  LI  obrigatória  para  o  despacho de importação da plataforma por meio da DI n° 09/0409577­5, tendo em  vista  aquele  referir­se  à  operação  sujeita  a  licenciamento  não  automático,  em  patente afronta ao artigo 169, inciso I, alínea '"b", e parágrafo sexto, do Decreto­lei  66; ao artigo 706, I, alínea "a", do Decreto n° 6.759/2009; ao artigo 10, II, alínea  "e", da Portaria Secex n° 25/2008 e aos artigos Io , § 2o , da IN/SRF n° 680/2006;  todos combinados." (e­fls. 17/18 ­ grifei)    Inconformada,  a  empresa  apresentou  Impugnação  Administrativa,  julgada  parcialmente procedente para cancelar a exigência constante do item 001 do Auto de Infração,  mantendo­se a exigência 002. O Acórdão n.º 07­25.004 da 2ª Turma da DRJ/FNS foi ementado  nos seguintes termos:    "Assunto : Regimes Aduaneiros  Data do fato gerador: 02/04/2009  REPETRO  E  ADMISSÃO  TEMPORÁRIA.  PENALIDADE  POR  INFRAÇÃO  ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO  DOS FATOS À NORMA.   As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial de admissão  temporária,  incluindo  nessa  modalidade  o  Repetro,  não  se  enquadram  como  importações "desembaraçadas no regime comum de importação". A caracterização  da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que  resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária.  REPETRO  E  ADMISSÃO  TEMPORÁRIA.  BEM  USADO.  OMISSÃO  DE  INFORMAÇÃO. MULTA.  A  multa  aplica­se  também  ao  beneficiário  de  regimes  aduaneiros  especiais  que  omitir  ou  prestar  de  forma  inexata  e/ou  incompleta  informação  de  natureza  administrativo­tributaria,  cambial  ou  comercial  necessária  à  determinação  do  procedimento  de  controle  aduaneiro  apropriado.  As  informações  relacionadas  à  "condição da mercadoria", se esta se enquadrar na condição de "bem usado", deve  ser  declarada  pelo  beneficiário  do  respectivo  regime  especial  na  declaração  de  Fl. 250DF CARF MF     4 importação  que  consubstanciou  seu  ingresso  no  território  aduaneiro,  conforme  estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Acordam  os  membros  da  2a  Turma  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  julgar procedente em parte a impugnação, mantendo o crédito  tributário no valor  de R$ 4.808.501,50 e cancelando o valor R$ 144.255.045,18." (e­fl. 206)    Uma vez que o valor exonerado ultrapassa o valor de alçada,  foi  interposto  Recurso de Ofício.  O  contribuinte,  por  sua  vez,  intimado  desta  decisão  em  01/08/2011,  apresentou Recurso Voluntário em 29/08/2011 (e­fls. 222/238) alegando, em síntese:  (i) o descabimento da exigência fiscal mantida pela r. decisão face:  (i.1)  a  descrição  pormenorizada da Plataforma  "Borgny Dolphin",  inclusive  com  a  indicação  da  data  de  fabricação/construção  e  reconstrução  como  reconhecido  pela  própria  fiscalização.  Sustenta  ainda  que  a  fiscalização  indevidamente  considera  a Plataforma de perfuração como uma mercadoria  (material),  o  que  não  é  o  caso  por  se  tratar  de  uma  plataforma  admitida  temporariamente  ao  amparo  de  um  contrato  de  afretamento  firmado  com  a  PETROBRAS acostado aos autos;  (i.2) a desproporcionalidade e irrazoabilidade da multa, vez que a mercadoria  além de ter sido corretamente descrita, não houve na hipótese fraude, má­fé  ou  tentativa  de  embaraço  à  fiscalização,  devendo  ser  afastada  a  penalidade  com  base  no  Ato  Declaratório  COSIT  n.º  12/1997  e  no  Ato  Declaratório  10/1997;  (ii)  sustenta  ainda  a  necessidade  de  manutenção  do  acórdão  na  parte  que  exonerou o valor da multa por falta de licença de importação.  Após intimação da PGFN sem contrarrazões, os autos foram direcionados a  este Conselho.  É o relatório.    Voto             Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne.  Os Recursos devem ser conhecidos, vez que o Recurso de Ofício ultrapassa o  valor de alçada da Portaria n.º 63/2017 e o Recurso Voluntário foi tempestivamente interposto.  Faz­se a seguir a análise segregada do objeto de cada Recurso.  I ­ RECURSO DE OFÍCIO  Como relatado, entenderam os julgadores de primeira instância por cancelar a  exigência  fiscal  trazida  no  item  001  do  Auto  de  Infração  relativa  a  "IMPORTAÇÃO  DESAMPARADA  DE  GUIA  DE  IMPORTAÇÃO  OU  DOCUMENTO  EQUIVALENTE",  Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10725.720119/2010­61  Acórdão n.º 3402­005.460  S3­C4T2  Fl. 250          5 prevista no  art.  169,  I,  'b'  do Decreto­lei  n.º  37/661  e  regulamentada  pelo  art.  706,  I,  "a"  do  RA/20092.   Conforme indicado no Relatório Fiscal da autuação, a fiscalização entendeu a  obtenção  de  licença  de  importação  (LI)  no  presente  caso  seria  obrigatória  por  se  tratar  de  materiais usados, com licenciamento não automático sob o regime de admissão temporária do  REPETRO (e­fls. 9/16). Contudo, com fulcro em razões semelhantes àquelas já mantidas por  esta  Turma  quando  do  julgamento  de  Recurso  de  Ofício  no  Acórdão  3402­004.357  de  29/08/2017 de  relatoria  do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro,  a  autuação  foi  cancelada  neste  ponto.  Primeiramente, evidenciou a r. decisão que seria descabida a exigência pela  fiscalização  em  sede  de  revisão  aduaneira  da  emissão  de  licença  de  importação  no  regime  especial de admissão  temporária quando a autoridade competente  (titular da unidade da RFB  responsável  pelo  despacho  aduaneiro)  não  a  exigiu  no  momento  próprio,  qual  seja,  no  momento da concessão do regime (conforme despacho proferido no processo de concessão, n.º  10730.002849/2009­73,  constante  da  e­fl.  129).  Vejamos  o  exato  raciocínio  traçado  neste  ponto:    "A concessão do Repetro compete ao  titular da unidade da RFB responsável pelo  despacho aduaneiro (art. 18 da IN/RFB 844/2008).  Por  sua vez, o art. 359, § 1º  , do Decreto 6.759/2009,  indica que a concessão do  regime  especial  de  admissão  temporária  poderá  ser  condicionada  à  obtenção  de  licença de importação ­ LI:  Art. 359. Quando se  tratar de bens cuja  importação esteja sujeita à prévia  manifestação  de  outros  órgãos  da  Administração  Pública,  a  concessão  do  regime dependerá da satisfação desse requisito.  § 1° A concessão do regime poderá ser condicionada à obtenção de licença  de importação. (...) (g.n.)  De  se  ver  que  a  exigência  da  LI  no  regime  aduaneiro  especial  de  admissão  temporária  se  restringe  à  sua  concessão  pela  autoridade  aduaneira  competente.  Assim,  o  descumprimento  desta  exigência  resulta  na  não  concessão  do  regime,  não  podendo,  neste  caso,  a  interessada  usufruir  os  benefícios  tributários  e  aduaneiros dessa decorrentes,  sujeitando­se,  por  conseguinte,  ao  regime comum  de  importação  ­caso  em  que  evidentemente  estará  a  importadora  sujeita  à  apresentação  LI  para  efeito  de  nacionalização  e  despacho  para  consumo  dos  bens­.  Portanto,  ao  impor  a  multa  sobre  apreço,  em  sede  de  procedimento  de  revisão  aduaneira,  a  autoridade  revisora  adentra,  ao  meu  sentir,  inadvertidamente,  em                                                              1 "Art.169 ­ Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei nº 6.562,  de 1978)  I ­ importar mercadorias do exterior: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) (...)  b)  sem Guia  de  Importação  ou  documento  equivalente,  que  não  implique  a  falta  de  depósito  ou  a  falta  de  pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978)  Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. (...)" (grifei)  2  "Art.  706.  Aplicam­se,  na  ocorrência  das  hipóteses  abaixo  tipificadas,  por  constituírem  infrações  administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decreto­Lei nº 37, de 1966, art. 169, caput e §  6º, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o):  I ­ de trinta por cento sobre o valor aduaneiro:  a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no  caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de  importação (Decreto­Lei nº 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea “b”, e § 6º, com a redação dada pela Lei no  6.562, de 1978, art. 2o); e (grifei)  Fl. 252DF CARF MF     6 competência diversa, ou melhor dizendo, o auto de  infração, nos  termos em que  lavrado, representa a invalidação, de forma imprópria, da concessão e aplicação  do  regime  concedido  à  autuada,  uma  vez  que  esse  foi  deferido  pela  autoridade  competente.  Porquanto, se a LI era determinante para a concessão do regime em tela e esta não  foi apresentada por ocasião da sua concessão, então a questão está relacionada ao  ato administrativo que o concedeu; no entanto, até que referido de concessão venha  a  ser  invalidado  ou  modificado,  sua  presunção  de  legitimidade  não  pode  ser  afastada.  Assim,  depreende­se  que  a  autoridade  competente  para  conceder  o  regime, o fez por entender ser prescindível a apresentação de LI para o ingresso  da plataforma "Borgny Dolphin", à época da concessão." (e­fl. 211 ­ grifei)    Ora,  com  efeito,  a  competência  para  avaliar  a  necessidade  de  licença  de  importação no regime aduaneiro especial de admissão temporária é da autoridade que procede  a  análise  dos  documentos  e  informações  para  a  concessão  do  regime,  de  acordo  com  o  RA/2009.  Caso  a  autoridade  revisora  pretendesse  exigir  documento  não  exigido  originariamente pela  autoridade  competente pela concessão do  regime especial,  caberia à ela  demonstrar  as  razões  para  a  alteração  do  critério  jurídico  originariamente  adotado  pela  autoridade concessora, o que não foi feito.  A  r.  decisão  recorrida  ainda  evidencia  que  a  Portaria  n.º  25/2008  não  atrai  uma  necessária  exigência  de  licença  de  importação  para  os  bens  importados  por  meio  do  REPETRO face a confusão quanto a dispensa e não dispensa de licenciamento:    "Ademais, devemos nos atentar para o disposto nos arts. 8º, II, e 10, II, "e", ambos  da Portaria Secex 25/2008, em que o primeiro dispensa a apresentação de LI para  bens amparados no Repetro, e o segundo trata de material usado está sujeito à LI  (licenciamento não automático):  Art. 8o Como regra geral, as  importações brasileiras estão dispensadas de  licenciamento, devendo os importadores tão­somente providenciar o registro  da  Declaração  de  Importação  (DI)  no  Siscomex,  com  o  objetivo  de  dar  início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da  Receita Federal do Brasil (RFB).  Parágrafo  único.  São  dispensadas  de  licenciamento  as  seguintes  importações:  (...)  II ­ sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo  Regime  Aduaneiro  Especial  de  Exportação  e  Importação  de  Bens  Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e  de Gás Natural (REPETRO);  (...)  Art. 10 Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as importações:  (...)  e)  de material  usado,  salvo  a  exceção  estabelecida no  §2°  do  art.  36  desta  Portaria; (...) (g.n.)  Como  se  observa,  a  referida  portaria  não  definiu  grau  de  prioridade  entre  as  modalidades  "dispensa'"  e  "não­dispensa"  de  LI  para  os  casos  em  que  as  internações enquadradas tanto no regime geral de admissão temporária quanto no  Repetro  possam  ser  contempladas  simultaneamente  com  a  situação  de  "não­ dispensa".  Da informação contida no sítio da internet do MDIC ­citado à fl. 09 do relatório de  fiscalização­  observa­se  que  a  Secex  orientava  ­resposta  pergunta  n°  11­  que  os  materiais  usados,  ainda  que  internado  sob  regime  aduaneiro  especial,  estavam  sujeitos  a  LI,  no  entanto,  é  de  se  ver  que  tal  exigência  não  se  encontrava  disciplinada na  legislação de  regência, por ocasião da concessão dos regimes em  Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10725.720119/2010­61  Acórdão n.º 3402­005.460  S3­C4T2  Fl. 251          7 comento.  Ademais,  informação  contida  em  resposta  em  sítio  da  internet  não  constitui fundamento jurídico hábil capaz de afastar norma legal.  De  se  salientar  também  que  o  inciso  VII  do  art.  8  o  acima  referenciado  expressamente excepcionava a dispensa de LI para o caso de bens doados que se  enquadrassem como "usados", o que não aconteceu em relação ao seu inciso II, o  que  nos  leva  concluir  que  a  situação  descrita  nesse  último  inciso  acoberta  operações com bens "novos" ou "usados":  Art. 8o. (...)  Parágrafo  único.  São  dispensadas  de  licenciamento  as  seguintes  importações:  (...)  II­(...);  VII ­ doações, exceto de bens usados; (g­n.)  A  ausência  de  disposição  legal  precisa,  em  face  da  falta  de  dispositivo  que  estabelecesse  a  exigência  de  LI  para  os  casos  em  que  as  operações  se  enquadrassem  simultaneamente  na  condição  de  "dispensa"  e  "não­dispensa"  dessa,  só  foi  sanada  com a  edição  do  §  2º,  do  artigo  8o  , Portaria Secex  10, de  25.05.2010, que trata da dispensa:  Art. 8°(...)  § 1º São dispensadas de licenciamento as seguintes importações:  (...)  §2°  Na  hipótese  de  o  tratamento  administrativo  do  Siscomex  previsto  nos  artigos 9 e 10 acarretar licenciamento para as importações definidas no § 1º  deste artigo, o primeiro prevalecerá sobre a dispensa. (g.n.)  Assim, a partir da vigência da Portaria Secex 10/2010, o tratamento administrativo  do Siscomex prevalece sobre as hipóteses de dispensa de licença de importação.  No  entanto,  o  dispositivo  acima  destacado,  por  não  ser  expressamente  interpretativo, não retroage." (e­fl. 211/213 ­ grifei)    Além do acórdão desta turma já mencionado, observa­se que essa questão foi  julgada no mesmo sentido por este Conselho. À título de exemplo:    "Assunto: Regimes Aduaneiros  Data do fato gerador: 25/02/2009, 03/06/2009  REPETRO. MULTA  POR FALTA DE  LICENÇA DE  IMPORTAÇÃO.  FALTA DE  TIPICIDADE DA CONDUTA EM RELAÇÃO AO ART. 633, II, “A”, DO RA/2002.  IMPRECISÃO  DA  LEGISLAÇÃO  QUANTO  AO  TRATAMENTO  DA  ADMISSÃO  TEMPORÁRIA  DE  BEM  USADO.  ART.  8º,  II,  DA  PORTARIA  SECEX  25/2008.  INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ART. 112 DO CTN.  A legislação também não deixa claro se diante do art. 8º, II, da Portaria SECEX  25/2008, que dispensa de  licenciamento  especificamente os bens  importados  sob  regime  de  admissão  temporária,  inclusive  os  amparados  pelo  Repetro,  deveria  prevalecer ou não a exigência da informação de que se trataria de bem usado, da  qual  dependeria  o  licenciamento."  (Número  do  Processo  19396.720003/2011­56  Data  da  Sessão  24/09/2013  Relator  Ivan  Allegretti  Nº  Acórdão  3403­002.436  ­  grifei)    A r. decisão indica, ao final, a ausência de subsunção dos fatos à penalidade  aplicada, vez que a multa sob análise somente é aplicável para mercadorias desembaraçadas no  regime comum de importação, e não para regimes especiais como de admissão temporária:    Fl. 254DF CARF MF     8 "Outra questão que merece atenção, por constituir matéria de direito, posto que  relacionada ao fato de que o dispositivo legal que dá ensejo à aplicação da multa  por  falta  de LI  não  contempla  as  circunstâncias  narradas  no  auto  de  infração,  tendo em vista que um bem submetido à égide de regime aduaneiro especial não se  enquadra  na  hipótese  de  mercadoria  desembaraçada  no  regime  comum  de  importação,  condição  textualmente  estampada  no  art.  706,  I,  "a",  do  Decreto  6.759/2009.  Vale  ressaltar  que  a  ausência  de  LI  quando  da  concessão  de  regime  aduaneiro  especial tem outra conseqüência que não a aplicação da presente penalidade, uma  vez  que  sua  não  apresentação  ensejaria  a  aplicação  da  referida  multa  somente  naqueles casos de mercadoria importada sob regime comum de  importação. Para  que não paire dúvida quanto à natureza do  instituto aqui  tratado ­ conclusão que  poderia ser obtida da própria definição do regime­, trago à colação os dispositivos  abaixo transcritos, referentes à IN/SRF 285, de 14.01.2003:  Art.  3o  A  entrada  no  território  aduaneiro  de  bens  objeto  de  arrendamento  mercantil, contratado com entidades arrendadoras domiciliadas no exterior,  de que tratam o art. 17 da Lei n° 6.099, de 12 de setembro de 1974, e o inciso  III do art. Ioda Lei n" 7.132, de 26 de outubro de 1983, não se confunde com  o  regime de  admissão  temporária  de  que  trata  esta  Instrução Normativa,  e  sujeita­se às normas gerais que regem o regime comum de importação.  (...)  Art.  6"  Poderão  ser  submetidos  ao  regime  de  admissão  temporária,  com  pagamento  dos  impostos  de  importação  e  sobre  produtos  industrializados  proporcionalmente ao  tempo de permanência no País,  os bens destinados à  prestação de serviços ou à produção de outros bens.  (...)  § 4o Os valores a serem pagos relativamente ao Imposto de Importação (II) e  ao  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI),  serão  obtidos  pela  aplicação da seguinte fórmula:  (...)  I ­ imposto federal devido no regime comum de importação;  (...)  §  6°  Fica  suspenso  o  pagamento  da  diferença  entre  o  total  dos  impostos  federais  que  incidiriam  no  regime  comum  de  importação  dos  bens  (I)  e  os  valores a recolher (V).  (...) (g.n.)  Como  se  observa,  o  "regime  comum  de  importação"  é  aquele  destinado  à  nacionalização de mercadorias importadas a título definitivo, mediante despacho  para consumo. O caso sob exame trata do ingresso no território aduaneiro de bem  amparado  pelo  Repetro,  que  foi  aplicado  mediante  a  utilização  de  tratamento  aduaneiro inerente ao "regime aduaneiro especial de admissão temporária".  Pelos  motivos  acima  mencionados  não  há  como  prevalecer  os  fundamentos  que  justificaram o lançamento do crédito tributário referente à aplicação da multa por  importação desamparada de licença de importação ­LI." (e­fls. 213/214 ­ grifei)    Nesse  mesmo  sentido  se  manifesta  este  Conselho,  como  se  depreende  da  ementa do já mencionado Acórdão 3402­004.357 desta turma e em outro julgado desta Seção:    "(...)  REPETRO.  SANÇÃO  ADUANEIRA  POR  FALTA  DE  LICENÇA  DE  IMPORTAÇÃO. MULTA DE 30%. INEXISTÊNCIA DE SUBSUNÇÃO.   As  operações  de  importação  submetidas  ao  regime  especial  de  admissão  temporária,  incluído  a  modalidade  REPETRO,  não  se  enquadram  como  importações  “desembaraçadas  no  regime  comum  de  importação”,  prescritas  no  art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6º do Decreto­Lei nº 37/66, com a redação dada  pela  Lei  n°  6.562/1978.  Logo,  se  o  regime  especial  dispensa  a  licença  de  importação,  não  há  que  se  falar  em  incidência  de  multa  pela  inexistência  de  LI  Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10725.720119/2010­61  Acórdão n.º 3402­005.460  S3­C4T2  Fl. 252          9 anterior  ao  registro  da  declaração  de  importação.  (...)."  (Processo  nº  10725.720227/2010­33  Acórdão  nº  3402­004.357  Sessão  de  29/08/2017.  Relator  Conselheiro Diego Diniz Ribeiro ­ grifei)    "Assunto: Classificação de Mercadorias  Data  do  fato  gerador:  15/05/2007,  31/07/2007,  18/09/2007,  09/10/2007,  05/11/2007, 28/10/2009  REPETRO.  ADMISSÃO  TEMPORÁRIA.  INFRAÇÃO  ADMINISTRATIVA.  FALTA  DE  LICENÇA  DE  IMPORTAÇÃO.  SUBSUNÇÃO  DOS  FATOS  À  NORMA.  PENALIDADE.  As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro ou  ao  regime  especial  de  admissão  temporária  para  utilização  econômica  não  se  enquadram  como  importações  “desembaraçadas  no  regime  comum  de  importação”.  A  caracterização  da  infração  depende  da  subsunção  dos  fatos  à  norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade." (Número do  Processo  19396.720002/2011­10  Data  da  Sessão  24/04/2013  Relatora  Fabiola  Cassiano Keramidas Nº Acórdão 3302­002.052 ­ grifei)    Diante do exposto, correto o entendimento trazido na r. decisão recorrida, que  não merece reparo, devendo ser negado provimento ao Recurso de Ofício.  II ­ RECURSO VOLUNTÁRIO  Por sua vez, o item 002 do Auto de Infração, "MULTA APLICÁVEL SETOR  ADUANEIRO ­ NÃO PASSÍVEL DE REDUÇÃO" aplicada com fulcro no art. 69, §1º da Lei n.º  10.833/2003 c/c art. 84 da MP 2.158­35/2001 e no art. 711, III do RA/2009, foi mantida pela r.  decisão  recorrida  pelo  fato  da  Recorrente  ter  deixado  de  informar  no  campo  próprio  da  Declaração  de  Importação  no  SISCOMEX  a  condição  de  material  usado  (tela  da  e­fl.  74).  Vejamos o exato teor do referido dispositivo regulamentar:    "Art.  711.  Aplica­se  a  multa  de  um  por  cento  sobre  o  valor  aduaneiro  da  mercadoria  (Medida  Provisória  nº  2.158­35,  de  2001,  art.  84,  caput;  e Lei  nº  10.833, de 2003, art. 69, § 1º):  (...)  III ­ quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de  forma  inexata  ou  incompleta  informação  de  natureza  administrativo­tributária,  cambial  ou  comercial  necessária  à  determinação  do  procedimento  de  controle  aduaneiro apropriado." (grifei)    Contudo, observa­se que no presente  caso  a  condição de produto usado  foi  devidamente  informada  pelo  importador  no  momento  necessário  para  a  determinação  do  procedimento de controle aduaneiro apropriado, qual seja, quando da solicitação e concessão  do regime aduaneiro especial de admissão temporária no processo 10730.002849/2009­73, em  informação reiterada na Declaração de Importação, seja no Campo "Dados Complementares"  (e­fl. 22) seja no campo de "Descrição da Mercadoria" (e­fl. 23).  Com  efeito,  em  conformidade  com  a  Portaria  DECEX  n.º  8/1991,  a  importação de bens e materiais usados no Brasil é restrita, sendo cabível apenas em hipóteses  especificamente  autorizadas.  Os  requisitos  a  serem  observados  para  a  importação  de  bens  usados são identificados pelos arts. 22 e 24 da referida Portaria, na redação vigente à época dos  fatos autuados:  Fl. 256DF CARF MF     10   "Art.  22.  Serão  autorizadas  importações  de  máquinas,  equipamentos,  aparelhos,  instrumentos,  ferramentas, moldes  e  contêineres  para  utilização  como unidade  de  carga, na condição de usados, atendidos, cumulativamente, os seguintes requisitos:  (Redação do caput pela Portaria MDIC Nº 235 DE 07/12/2006).  a)  não  sejam  produzidos  no  País,  ou  não  possam  ser  substituídos  por  outros,  atualmente fabricados no território nacional, capazes de atender aos fins a que se  destina  o  material  a  ser  importado;  (Redação  pela  Portaria  MDIC  Nº  235  DE  07/12/2006).  a.1) na análise de produção nacional,  a Secretaria de Comércio Exterior  tornará  públicos os pedidos de importação, devendo a indústria manifestar­se no prazo de  até 30 (trinta) dias para comprovar a fabricação no mercado interno, podendo ser  dispensadas  desse  procedimento  quando  envolver:  (Subalínea  acrescentada  pela  Portaria MDIC Nº 235 DE 07/12/2006).  a.1.1)  bens  com  notória  inexistência  de  produção  nacional;  (Subalínea  acrescentada pela Portaria MDIC Nº 235 DE 07/12/2006).  a.1.2)  pedidos  de  importação  que  venham  acompanhados  de  atestados  de  inexistência  de  produção  nacional,  emitidos  por  entidade  representativa  da  indústria, de âmbito nacional. (Subalínea acrescentada pela Portaria MDIC Nº 235  DE 07/12/2006).  a.1.3)  bens  usados  idênticos  a  bens  novos  contemplados  com  ex­tarifário  estabelecido em conformidade com a Resolução CAMEX nº 35, de 22 de novembro  de 2006. (Subalínea acrescentada pela Portaria MDIC Nº 207 DE 08/12/2009).  a.1.2.1) (Revogada pela Portaria MDIC Nº 77 DE 19/03/2009).  a.2) na hipótese de existência de produção nacional, deverão ser fornecidos à Secex  catálogos  descritivos  dos  bens,  contendo  as  respectivas  características  técnicas,  bem como informações referentes a percentuais relativos aos requisitos de origem  do Mercosul e unidades  já produzidas no País, que deverão estar consignadas no  atestado  expedido pela  entidade de  classe.  (Subalínea  acrescentada pela Portaria  MDIC Nº 235 DE 07/12/2006).  (...)  Art. 24. Poderão ser autorizadas, ainda, importações de:  a) máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos destinados à reconstrução no  País,  por  empresas  que  atendam  normas  técnicas  de  padrão  internacional,  que,  após o processamento, atinjam estágio tecnológico não disponível no País, tenham  garantia  idêntica  à  de  análogos  novos  e  agreguem  insumos  de  produção  local.  Essas importações ficam sujeitas aos requisitos do art. 22, alínea a;  b)  partes,  peças  e  acessórios  recondicionados,  para  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos, desde que o processo de recondicionamento tenha sido efetuado pelo  próprio  fabricante,  ou  por  empresa  por  ele  credenciada  e  os  bens  a  importar  contem  com  a  mesma  garantia  de  produto  novo  e  não  sejam  produzidos  em  território nacional. Para esse efeito, o importador deverá apresentar manifestação  de  entidade  representativa  da  indústria,  de  âmbito  nacional,  que  comprove  a  inexistência de produção no País da mercadoria a importar:  b.1)  deverá  constar  do  licenciamento  de  importação,  da  fatura  comercial  e  da  embalagem da(s) mercadoria(s), que se trata de produto(s) recondicionado(s);  b.2)  deverá,  também,  ser  apresentada  declaração  do  fabricante  ou  da  empresa  responsável  pelo  recondicionamento  das  partes,  peças  e  acessórios,  referentes  à  garantia e ao preço de mercadoria nova,  idêntica à  recondicionada pretendida, o  que  poderá  constar  da  própria  fatura  comercial  do  aludido  material  recondicionado."    Exatamente para a  identificação do controle aduaneiro dessas mercadorias e  bens  usados  que  o  art.  4º  e  Anexo  Único  da  Instrução  Normativa  n.º  680/2006  exige  a  informação da condição da mercadoria no SISCOMEX.  Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10725.720119/2010­61  Acórdão n.º 3402­005.460  S3­C4T2  Fl. 253          11 Entretanto,  atentando­se  para  o  presente  caso,  possível  verificar  que  a  importação  realizada  pela  Recorrente  não  se  enquadra  nessa  disciplina  geral,  para  a  qual  a  informação no campo do SISCOMEX efetivamente se mostra como necessária para o controle  aduaneiro  da  mercadoria.  Isso  porque,  no  presente  caso,  a  condição  de  "usado"  do  bem  importado  pela  empresa  já  era  uma  condição  prévia  para  a  própria  concessão  do  regime  especial aduaneiro de admissão temporária.  Com  efeito,  conforme  requerimento  acostado  aos  autos  formulado  em  conformidade  com  o  art.  4º,  X,  da  Instrução  Normativa  n.º  285/2003,  vigente  à  época,  a  Recorrente solicitou a concessão do regime aduaneiro especial especialmente pelo fato do bem  ser  usado  e  precisar  passar  "por  trabalhos  de  beneficiamento,  montagem,  renovação  e  recondicionamento". Vejamos os termos do requerimento:    "NAVIS DRILLING LTDA., com sede à Rua Acadêmico Paulo Sérgio de Carvalho  Vasconcelos Nr. 780, Granja dos Cavaleiros, CEP 27930­260, Macaé ­ RJ, inscrita  no  CNPJ  sob  o  Nr.  03.741.603/0001­32,  neste  ato  representada  por  seu  Despachante Aduaneiro,  requer  seja  concedido o  regime aduaneiro de Admissão  Temporária para.a plataforma denominada BORGNY DOLPHIN, nos termos do  Art. 4o , inciso X, da Instrução Normativa Nr. 285 /2003.  A  plataforma  em  pauta  passará  por  trabalhos  de  beneficiamento,  montagem,  renovação e recondicionamento a serem realizados nas dependências do Estaleiro  Mauá  S.A.,  com  Sede  a  Rua  Dr.  Paulo  Frumencio,  n°  28  Ponta  D'Areia,  CEP:  24.040­290, Niterói­RJ, inscrita no CNPJ sob o Nr. 02.926.485/0001­74.  Com base no contrato de  trabalho No. DDL­RSBORGNY 09/01  firmado entre a  hora  requerente  e  o  Estaleiro  Mauá,  requer­se  o  prazo  de  120  dias,  para  permanência da Plataforma em Admissão Temporária.  Esclarece por oportuno que concluídos os trabalhos, a Plataforma será transferida  para execução de serviços contratados com a Petrobrás, em regime de REPETRO."  (e­fl. 130 ­ grifei)    Ora, conforme indicado no art. 4º, §4º, 'c', da referida Instrução Normativa n.º  285/2003,  a  operação  de  renovação  ou  recondicionamento  envolve  necessariamente  um  "produto usado":    "Art. 4º Poderão ser submetidos ao regime de admissão temporária com suspensão  total do pagamento dos tributos incidentes na importação, os bens destinados:  (...)  X  ­  a  seu  próprio  beneficiamento,  montagem,  renovação,  recondionamento,  acondicionamento ou reacondionamento;  (...)  § 4º Para os fins do disposto no inciso X:  I ­ considera­se:  a)  beneficiamento,  a  operação  que  importe  em  modificar,  aperfeiçoar  ou,  de  qualquer  forma,  alterar  o  funcionamento,  a  utilização,  o  acabamento  ou  a  aparência do bem;  b) montagem, a operação que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de  que  resulte  um  novo  produto  ou  unidade  autônoma,  ainda  que  sob  a  mesma  classificação fiscal;  c)  renovação  ou  recondicionamento,  a  operação  que,  exercida  sobre  produto  usado  ou  parte  remanescente  de  produto  deteriorado  ou  inutilizado,  renove  ou  restaure o produto para utilização; e  Fl. 258DF CARF MF     12 d) acondicionamento ou reacondicionamento, a operação que altere a apresentação  do produto pela colocação de embalagem, ainda que  em  substituição da original,  salvo quando destinada apenas ao transporte; e  II ­ a aplicação do regime fica condicionada:  a) à existência de contrato de prestação de serviços; e  b) à apresentação, pelo interessado, da descrição detalhada do processo industrial  a  ser  realizado  no  País,  bem  assim  da  quantificação  e  qualificação  do  produto  resultante da industrialização." (grifei)    Portanto, observe­se que no presente caso, a própria concessão do regime de  admissão temporária envolveu o reconhecimento pela fiscalização da condição do bem como  bem usado e a correspondente realização de serviços de beneficiamento, renovação, montagem  e recondicionamento.  Essa  premissa  em  torno  da  concessão  do  regime  especial  (necessidade  de  trabalhos  de  beneficiamento,  montagem,  renovação  e  recondicionamento  da  plataforma)  foi  reiterada  de  forma  expressa  na  Declaração  de  Importação  n.º  09/0409577­5,  objeto  desta  autuação, no campo "Dados Complementares" (e­fl. 22):    Da mesma  forma,  a  condição  de  bem usado  foi  igualmente  identificada  no  campo  da  "Descrição  Detalhada  da  Mercadoria",  que  trouxe  o  ano  de  construção  da  plataforma (1977), o ano de sua reconstrução (1992) e o agente responsável pela reconstrução:    Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10725.720119/2010­61  Acórdão n.º 3402­005.460  S3­C4T2  Fl. 254          13 "Descrição Detalhada da Mercadoria  PLATAFORMA DE PERFURAÇÃO "BORGNY DOLPHIN", COM AS SEGUINTES  CARACTERÍSTICAS:  NOME  DA  EMBARCAÇÃO:  BORGNY  DOLPHIN  BANDEIRA:  SINGAPURA  PORTO  DE  REGISTRO:  SINGAPURA  NUMERO  DE  REGISTRO:  391243  ARMADOR:  BORGNY  DOLPHIN  PTE  LTD  OPERADOR  LOCAL:  NÂVIS  DRILLING  LTDA  IMO  Nr.:  8750534  INDICATIVO  DE  CHAMADA:  9VDG6  CLASSIFICADORA:  DETNORSKE  VERITAS  CLASSE  ID:  10066 CLASSE:  1A1 COLUMN  STABILIZED DRILLING UNIT DRILL  ANO DE  CONSTRUÇÃO:  1977  ESTALEIRO  CONSTRUTOR:  RAUMA­REPOLA,  FINLÂNDIA  ANO  DE  RE­CONSTRUCAO:  1992  ESTALEIRO  RE­ CONSTRUTOR: SADNES, NORUEGA  FUNCAO  ESPECIFICA:  PERFURAÇÃO DE  POÇOS DE  PETRÓLEO  TIPO DE  EMBARCAÇÃO:  PLATAFORMA  SEMI­SUBMERSIVEL  SISTEMA  DE  POSICIONAMENTO:  ANCORAS  CAPACIDADE­LAMINA  D'  AGUA:  701  M  CAPACIDADE DE PERFURAÇÃO: 7620 M  CARACTERÍSTICAS DA UNIDADE: COMPRIMENTO TOTAL:  108,20m, BOCA:  67,36m,  PONTAL:  36,58m,  CALADO  OPERACIONAL:  21,34m,  CALADO  DE  SOBREVIVÊNCIA:  19,50m,  CALADO  DE  TRANSITO:  8,75m,  COLUNAS:  4  X  7,92m DIÂMETRO / 4 X 5,79m DIÂMETRO / 2 X 5,79m DIA., TIPO "LÁPIS / 4 X  8/4m  DIA,  AUXILIARES,  PONTOONS:  2  X  108  X  13  X  7m  DESLOCAMENTO  (LINHA  DE  DESCARGA):  24.184  TONELADAS  MÉTRICAS  PESO  LEVE  (LIGHTSHIP):  12.532  tm  TONELAGEM  DE  PORTE  BRUTO:  11.491  tm  ARQUEAÇÃO BRUTA (ITC 69): 11.415 t ARQUEAÇÃO LIQUIDA (ITC 69): 3.424  t ACOMODAÇÕES: 104 PESSOAS GERADORES DE ENERGIA: 4 CONJUNTOS  DE GERADORES LEROY SOMER, TIPO LSA­54VL­10­6P, POTENCIA 2860 KVA  A 1200 RPM, 600V/2752A/60HZ; ACIONAMENTO DE CADA GERADOR E POR  MOTOR DIESEL WARTSILA 12V200, COM POTENCIA DE 2800 bhp A 1200 RPM  TORRE DE PERFURAÇÃO: CONTINENTAL EMSCO 22BDD, CAPACIDADE DE  1.250.000LBS  GUINCHO  DE  PERFURACACO:  CONTINENTAL  EMSCO  C­3,  COM  3  MOTORES  ELÉTRICOS  ASEA,  TIPO  LRF  35  IS  FINGERBOARD:  CAPACIDADE DE 195 TUBOS DE PERFURAÇÃO, 12 COLARES, 10 TUBOS DE  PERFURAÇÃO  DE  PESO  ALTO  BUCHA  DE  LINHA  DE  CABO:  SCANROPE,  38mm  DIA,  3050m  MESA  ROTATIVA:  CONTINENTAL­EMSCO  T­4950,  CAPACIDADE 725 TONELADAS EZY TORQUE: DRILLCO D TORNEL: EMSCO  L  650  MOITAO  MÓVEL:  EMSCO  RA­60­6­7,  CAPACIDADE  DE  590  TONELADAS  PRATELEIRA  DE  TUBOS:  MARITIME  HYDRAULICS  IRON  ROUGHNECK:  MARITIME  HYDRAULICS  MH  1898  CABO  CEGO  ANCORA:  NATIONAL  OILWELL  E/B  COMPENSADOR  DE  MOVIMENTOS:  SHAFFER  CMC­25­600­DA,  CAPACIDADE  DE  600.000  LB.CAVALETE  PORTA­POLIAS:  SHAFFER,  CAPACIDADE  DE  600.000  LB.  TOP  DRIVE:  VARCO  TDS­4,  CAPACIDADE  DE  650  TONELADAS  Qtde:  1  UNIDADE  VUCV:  207.692.705,0118310 DÓLAR DOS EUA" (e­fl. 23 ­ grifei)    Ora,  uma  vez  que  a  condição  de  usada  da  mercadoria  já  fazia  parte  dos  próprios procedimentos preparatórios para a emissão do regime aduaneiro especial de admissão  temporária, devidamente concedido pela autoridade competente, a informação dessa condição  na  tela  do  SISCOMEX  (acostada  à  e­fl.  74)  não  se  mostrou  necessária  para  o  controle  aduaneiro da mercadoria.  Em outras palavras, o  regime aduaneiro especial existente no presente caso,  que exigiu a prévia verificação da condição e natureza do bem importado, afasta a relevância  da informação no campo específico do SISCOMEX da condição do bem, tendo a Recorrente  Fl. 260DF CARF MF     14 corretamente procedido com todas as informações necessárias para demonstrar a regularidade  de sua importação.  Diante disso,  não  se vislumbra na hipótese  a completa  subsunção do  fato  à  norma necessária para a aplicação da penalidade, vez que a prestação de forma incompleta de  informação de natureza administrativa e comercial (informação da condição de usado do bem  no  campo  reservado  do  SISCOMEX)  não  se  mostrou  "necessária  à  determinação  do  procedimento de controle aduaneiro apropriado."  A relevância da condição de usado do bem foi necessária para a concessão do  regime  de  admissão  temporária  no  presente  caso  sendo  que,  ultrapassada  esta  etapa,  a  informação  do  processo  de  concessão  se  mostrou  suficiente  para  o  apropriado  controle  aduaneiro da mercadoria.  Nesse sentido já se manifestou este Conselho:    "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Data do fato gerador: 17/09/2008, 24/09/2008, 25/09/2008  MULTA  POR  FALTA  LICENCIAMENTO.  IMPORTAÇÕES  SUBMETIDAS  AO  REPETRO. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE.  Os bens sujeitos ao REPETRO são dispensados de licenciamento as importações. Se  o  licenciamento  não  é  exigido,  não  há  o  que  se  falar  em  multa  por  falta  de  licenciamento. Ausência de tipicidade.  DEFINIÇÃO  DO  CONTROLE  ADUANEIRO  APROPRIADO.  OMISSÃO  DE  INFORMAÇÃO NECESSÁRIA. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE.  Ao  dispensar  o  licenciamento,  o  legislador  entendeu  que  essa  informação  (inclusive  do  FATO  do  bem  ser  usado,  já  que  a  norma  aplicável  não  faz  tal  distinção) deixou de ser necessária para o exercício dos órgãos responsáveis pelos  controles aduaneiros especificamente para o REPETRO.  Se  essa  informação  deixou  de  ser  relevante,  já  que  aos  olhos  do  legislador  ela  passa a ser dispensável, não é factível capitular a conduta infracional." (Número  do  Processo  19396.720006/2011­90  Data  da  Sessão  17/04/2018  Relator  José  Fernandes do Nascimento Acórdão n.º 3302­005.385 ­ grifei)    "Assunto: Obrigações Acessórias  Data do fato gerador: 29/11/2010  ADUANEIRO. MULTA.  Nos  termos  do  art.  711,  inciso  III,  do Regulamento  Aduaneiro,  a multa  de  1%  sobre  o  valor  aduaneiro  deve  ser  aplicada nos  casos  de  omissão  ou  informação  inexata/incompleta  desde  que  necessária  à  determinação  do  procedimento  de  controle aduaneiro apropriado.  Não tendo o auto de infração sequer indicado a presença desta condição, há de ser  afastada a multa aplicada por ausência de subsunção do fato à norma.  Recurso Voluntário Provido." (Número do Processo 13044.720175/2015­67 Data da  Sessão  29/08/2017  Relatora Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões  Nº  Acórdão  3301­003.974 ­ grifei)    "Assunto: Regimes Aduaneiros  Data do fato gerador: 18/07/2007, 30/08/2007, 15/02/2008  REPETRO.  ADMISSÃO  TEMPORÁRIA.  INFRAÇÃO  ADMINISTRATIVA.  FALTA  DE  LICENÇA  DE  IMPORTAÇÃO.  SUBSUNÇÃO  DOS  FATOS  À  NORMA.  PENALIDADE.  As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro ou  ao  regime  especial  de  admissão  temporária  para  utilização  econômica  não  se  enquadram como importações “desembaraçadas no regime comum de importação”.  Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10725.720119/2010­61  Acórdão n.º 3402­005.460  S3­C4T2  Fl. 255          15 A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o  que é impossibilitada a aplicação de penalidade.  REPETRO.  ADMISSÃO  TEMPORÁRIA. MULTA.  OMISSÃO DE  INFORMAÇÃO.  ATIPICIDADE.  O  inciso  III,  do  artigo  711,  do  Regulamento  Aduaneiro  determina  multa  para  aquele  que  deixar  de  fornecer  informações  necessárias  à  determinação  do  procedimento  de  controle  aduaneiro  apropriado.  No  caso  de  bens  usados,  o  controle aduaneiro apropriado é a emissão prévia de LI, assim, para a importação  de bens usados é necessário informar a condição de “usado” do bem. Todavia, in  casu, concluiu­se que a importação, ao fim, não estava sujeita à prévia emissão de  LI.  Desnecessária  a  prévia  LI,  desnecessária  a  informação  de  “usada”  para  o  procedimento aduaneiro.  (...)  Recurso  de Ofício  Negado  e  Recurso  Voluntário  Provido."  (Número  do  Processo  19396.720005/2011­45  Data  da  Sessão  23/04/2013  Relatora  Fabiola  Cassiano  Keramidas Nº Acórdão 3302­002.024 ­ grifei)    Cumpre  esclarecer  que  não  altero  aqui  o  entendimento  trazido  no  voto  vencedor da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz no já mencionado Acórdão n.º 3402­ 004.357, no qual  eu  a  acompanhei naquela oportunidade  especificamente quanto  ao Recurso  Voluntário  interposto  naquele  processo.  Como  evidenciando  pela  I.  Conselheira  naquela  oportunidade:    "Inicialmente,  é  preciso  lembrar  que  ao  lado  da  tributação  aduaneira  e  da  aplicação de restrições, a Aduana possui como terceira função o controle aduaneiro  sobre as mercadorias objeto do tráfego internacional, ou seja, sobre as importações  ou exportações.   A Convenção de Quioto Revisada define “controle aduaneiro” como o conjunto de  medidas tomadas pelas Alfândegas com vista a assegurar a aplicação da legislação  aduaneira,  toda  pautada  no  Regulamento  Aduaneiro,  aprovado  pelo  Decreto  nº  6.759/2009. Tal função emana do "poder soberano do Estado sobre seu território e  seu  poder  de  polícia,  atuando  na  proteção  da  sociedade,  através  do  combate  à  importação de mercadorias de importação restrita ou proibidas". Outrossim, reflete  "a formalidade requerida nos atos praticados junto à administração aduaneira, não  como  mera  obrigação  acessória  e  burocrática,  mas  como  medida  de  controle  e  segurança  dos  atos  aduaneiros  praticados,"  como  ensina  Rodrigo  Mineiro.  Sedimentada a  importância do controle aduaneiro,  também não é demais  lembrar  que  ele  é  exercido  tendo  como base  às  informações prestadas pelos  contribuintes  nos  pertinentes  documentos  que,  em  sendo  o  caso,  darão  azo  à  específicos  procedimentos de fiscalização e revisão aduaneira."    Com  efeito,  no  presente  caso,  o  dado  incompleto  quanto  a  condição  da  mercadoria não se mostrou necessário para o controle aduaneiro da mercadoria, admitido como  o  conjunto  de  medidas  tomadas  pelas  Alfândegas  para  assegurar  a  aplicação  da  legislação  aduaneira. Em não se tratando de bem usado no presente caso, sequer seria concedido o regime  especial de admissão temporária nos termos do legislação aduaneira.  Assim,  mantenho  aquela  posição,  reconhecendo  a  necessidade  de  controle  aduaneiro  das  operações,  somente  entendendo  que,  no  presente  caso,  considerando  que  a  condição  de  bem  usado  foi  essencial  para  a  própria  concessão  do  regime  de  admissão,  essa  informação não se mostrou necessária para o controle da importação quando da Declaração de  Importação no SISCOMEX, devendo ser afastada a penalidade aplicada.  Fl. 262DF CARF MF     16 Ante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para afastar a  penalidade do item 002 do Auto de Infração.  III ­ DISPOSITIVO  Ante  o  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  Recurso  de  Ofício  e  dar  provimento ao Recurso Voluntário.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Maysa de Sá Pittondo Deligne.                                Fl. 263DF CARF MF

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