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Numero do processo: 10120.725596/2014-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE OU CONSIGNATÁRIA.
A pessoa jurídica adquirente ou consignatária de produtos rurais fica sub-rogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária.
COOPERATIVA E PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. ATO COOPERATIVO. PROVA.
Para caracterização de entrega de produção rural como ato cooperativo, é necessária comprovação, mediante documentos societários, contábeis e fiscais aptos para tanto, de que a operação examinada se dá entre o associado e a cooperativa nos termos da legislação de regência, segregando-a frente às demais aquisições realizadas junto a terceiros.
Numero da decisão: 2202-004.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE OU CONSIGNATÁRIA. A pessoa jurídica adquirente ou consignatária de produtos rurais fica sub-rogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária. COOPERATIVA E PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. ATO COOPERATIVO. PROVA. Para caracterização de entrega de produção rural como ato cooperativo, é necessária comprovação, mediante documentos societários, contábeis e fiscais aptos para tanto, de que a operação examinada se dá entre o associado e a cooperativa nos termos da legislação de regência, segregando-a frente às demais aquisições realizadas junto a terceiros.
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PRODUTOR RURAL. Recorrente COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL DOS PRODUTORES RURAIS DO SUDOESTE GOIANO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE OU CONSIGNATÁRIA. A pessoa jurídica adquirente ou consignatária de produtos rurais fica sub rogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária. COOPERATIVA E PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. ATO COOPERATIVO. PROVA. Para caracterização de entrega de produção rural como ato cooperativo, é necessária comprovação, mediante documentos societários, contábeis e fiscais aptos para tanto, de que a operação examinada se dá entre o associado e a cooperativa nos termos da legislação de regência, segregandoa frente às demais aquisições realizadas junto a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 55 96 /2 01 4- 55 Fl. 5905DF CARF MF 2 Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado). Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à seguridade social, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, para as competências 01/2010, 02/2010, 01/2011 a 03/2011. Conforme Relatório Fiscal (fls. 58/62), da análise da documentação digital apresentada, Sped Contábeis, Sped NFe (Nota Fiscal Eletrônica), GFIPs e GPS, confrontando as informações ali declaradas, verificouse que a contribuinte para as competências 01 e 02 de 2010, 01, 02 e 03, de 2011, não recolheu a totalidade das contribuições incidentes sobre a aquisição de produto rural de produtores rurais (segurado especial e pessoa física), por ela devida na qualidade de subrogada, bem como não declarou os fatos geradores dessas contribuições na GFIP, motivo pelo qual foram lavrados os seguintes autos de infração: 1. Auto de Infração, DEBCAD nº 51.045.9080, contribuição previdenciária incidente sobre os produtos rurais adquiridos ou recebidos em consignação de produtores rurais pessoas físicas, na qualidade de subrogada. 2. Auto de Infração, DEBCAD nº 51.045.9099, contribuições devidas ao SENAR, incidentes sobre os produtos rurais adquiridos ou recebidos em consignação de produtores rurais pessoas físicas, devidas pela fiscalizada na qualidade de subrogada. A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 2689/2700), alegando, em síntese, que: 1. A comercialização dos produtos entre o produtor rural e sua cooperativa se realiza com os seguintes passos: a) O produtor rural entrega sua produção na Cooperativa (momento em que é emitida a Nota Fiscal de entrada); b) quando o produtor rural quer vender o produto, o mesmo assina uma "Autorização de Venda", momento em que é fixado o preço do produto; c) a Cooperativa emite um Recibo de Acerto, onde relaciona os valores descontados e pagos/depositados em favor do Cooperado; 2. O valor financeiro da comercialização do Produto Rural só é obtido quando da assinatura da "Autorização de Venda" pelo Produtor Rural, momento em que se convenciona o preço da comercialização e, de conseqüência, procedese a retenção do "FUNRURAL" para posterior repasse à Previdência Social; Fl. 5906DF CARF MF Processo nº 10120.725596/201455 Acórdão n.º 2202004.817 S2C2T2 Fl. 5.906 3 3. As diferenças encontradas pelo Auditor Fiscal ocorreram somente nos meses de Janeiro a Março em virtude do maior volume da colheita e entrega de grãos pelos associados ocorrer neste período. Período este que as entradas de grãos superam as "Autorizações de Vendas". No período de abril a dezembro, conforme demonstrativo, as "Autorizações de Vendas" são muito superiores; 4. Nos termos da alínea “f”, e inciso I, do art. 166 e da alínea “b” inciso I, do 171 da Instrução Normativa RFB nº 971 de 2009, considerase ocorrido o fato gerador, somente no momento da comercialização dos produtos rurais recebidos pela cooperativa, nas competências e nas proporções dos pagamentos, vez que é neste momento que os produtores rurais recebem pelo produto e deste valor é que a COMIGO procede a retenção e o repasse da contribuição à Previdência Social. Dessa forma, o fato gerador da contribuição do FUNRURAL é a receita constante das "Autorizações de Venda", onde consta o valor da comercialização rural que será pago ao cooperado (produtor rural), o valor da retenção do funrural (2,3%); 5. No mesmo sentido dispõem os incisos III e IV, da Lei nº 8.212, de 1991, assim não resta qualquer dúvida que a incidência da contribuição social sobre a comercialização dos produtos rurais tem o fato gerador e base de cálculo a importância decorrente da "OPERAÇÃO DE VENDA" e não nas entradas das mercadorias na Cooperativa, tal como entende a autoridade lançadora; 6. Para comprovar suas alegações a defesa juntou aos autos, em forma de anexos, várias planilhas intituladas APURAÇÃO E RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NA COMERCIALIZAÇÃO DOS PRODUTOS RURAIS (FUNRURAL) NOS EXERCÍCIOS DE 2010 e 2011, documentação comprobatória das vendas/fixações de preços; decisões judiciais; pagamentos GPS; depósitos judiciais e demais comprovantes, identificados por competência (mês/ano), e numerados a partir do doc. n° 07 ao 30. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0736.409 da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 5.661/5.667) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A contribuinte apresentou recurso voluntário em 23/02/2015 (fls. 5675/5684), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de impugnação. A Agência da Receita Federal do Brasil em Rio Verde/GO informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. Conforme decidido pela 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento na Resolução nº 2402000.532 (fls. 5688/5692), datada de 09/03/2016, foi determinada a realização de diligência nos seguintes termos: Fl. 5907DF CARF MF 4 (...) a fim de que o Fisco verifique nos documentos contábeis ou em outros documentos o mês (competência) de transferência dos produtos rurais, de modo a identificar a data (competência, mês) da efetiva venda do produto rural para a Cooperativa, bem como se o valor concernente às contribuições sociais foram devidamente recolhidos na forma da legislação previdenciária (Lei 8.212/1991). Após isso, o Fisco deverá emitir Parecer ou Informação Fiscal sobre os fatos constatados. Elaborada a Informação demandada (fls. 5695/5724), e acostada a manifestação da contribuinte a respeito (fls. 5727/5822), retornaram os autos ao CARF para prosseguimento. Mediante a Resolução nº 2402000.589, determinouse, em 04/04/2017 (fls. 5825/5831), fosse a autuada intimada prestar uma série de esclarecimentos adicionais, em particular no que toca à contabilização das operações envolvendo as aquisições da produção de pessoas físicas, e, após a respectiva resposta e manifestação da fiscalização (fls. 5838/5858), voltaram os autos mais uma vez para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante relatado, a recorrente foi autuada por não ter retido/recolhido, na qualidade de responsável por subrogação, as contribuições previdenciárias incidentes quando da aquisição de produção rural de pessoas físicas. Tal fato foi constatado quando da análise do SpedContábil, Notas Fiscais eletrônicas (NFe), GFIP e GPS, havendo sido realizado o lançamento tendo por base as NFe de fls. 63/2679. A respeito do tema, gizam os arts. 25, incisos I e II, e 30, inciso III, da Lei nº 8.212/91: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (...) I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (...) Fl. 5908DF CARF MF Processo nº 10120.725596/201455 Acórdão n.º 2202004.817 S2C2T2 Fl. 5.907 5 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (...)(grifei) Em sede recursal, a contribuinte defendeu, por uma via, que o recolhimento das contribuições deveria ter por base não o valor constante na NFe de entrada, que atesta a entrega e transferência da produção à cooperativa, mas sim o valor relativo ao preço de venda do produto ao comprador final, fixado mediante a emissão do documento denominado "Autorização de Venda", o qual é acompanhado de um recibo de acerto, no qual são relacionados os valores pagos em favor do cooperado. Sem embargo, é de se notar que a subrogação se dá no contexto da relação jurídica firmada entre o produtor rural e o responsável, no momento em que este adquire ou é consignatário da produção daquele, e pelos valores registrados no documento que atesta essa transação em específico. A transferência ulterior da produção desse último para terceiro não atende, então, ao aspecto temporal do fato gerador do recolhimento por subrogação. Ou seja, a lei é clara ao estabelecer que o fato gerador das contribuições devidas no regime de subrogação ocorre no momento em que ocorre a operação de venda ou consignação da produção do produtor pessoa física junto ao obrigado a efetuar o recolhimento, seja ele empresa ou cooperativa. É então, e não com a posterior alienação a terceiros do produto entregue à empresa ou cooperativa, que se dá o que a norma denomina como sendo "comercialização de sua produção", no que se refere ao produtor rural pessoa física. Já no caso em que o produtor rural é associado a uma cooperativa, deve ser destacado que a entrega de sua produção àquela para fins de comercialização ou industrialização não configura contrato de compra e venda, tampouco contrato de remessa em consignação mercantil, mas sim ato cooperativo típico, nos termos do art. 79 da Lei nº 5.764/71: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Por conseguinte, não se consubstancia tal transferência de bens em suporte fático para a retenção das contribuições previdenciárias sujeitas ao regime de subrogação Fl. 5909DF CARF MF 6 regrado pelo art. 30 da Lei nº 8.212/91; inexiste operação de aquisição ou consignação, em síntese, não há, nesse átimo, comercialização da produção rural da pessoa física. Não obstante, tais conclusões requerem seja devidamente comprovado, para o caso concreto, trataremse as operações em foco de entrega de bens por associado produtor rural à cooperativa. Há elementos de prova nos autos que são circunstanciais, e que podem ser interpretadas em diversos sentidos. Por exemplo, nas NFe de entrada, que ampararam o lançamento fiscal, consta como natureza da operação "compra p/ind. oper c/ merc. suj. reg. sub. trib.", e não operação de entrega de bens de associado à cooperativa. No entanto, tal discriminação pode darse para fins de atender a exigências da legislação do ICMS, e não corresponder à efetiva natureza da transação. Por outro lado, vale salientar que a cooperativa em tela industrializa diversos insumos fornecidos pelos produtores rurais, não se podendo, sem maiores elementos, acatar o entendimento de que as NFe correspondem todas, ou ao menos em sua maioria, a situações em que a cooperativa recebe os bens dos produtores rurais a ela associados para posterior venda no mercado, pois a recorrente opera, notória e frequentemente, como compradora final desses produtos, podendo inclusive adquirir produtos de terceiros não associados. Neste ponto, cabe reprisar considerações já trazidas por este relator quando da prolação da Resolução nº 2402000.589, de modo que passem a integrar a presente fundamentação (fls. 5829/5830): Noutro giro, na resposta da autoridade à diligência é destacada a necessidade de que a cooperativa contabilize "em contas próprias representativas de seu estoque o valor da produção rural advinda de seus cooperados rurais pessoas físicas ou segurados especiais", para poder valerse do conceito de ato cooperativo constante do art. 79 da Lei nº 5.764/71. Decerto, é imprescindível que a cooperativa contabilize em separado os estoques próprios, formados pela aquisição como destinatária final de terceiros não cooperativados, seja para industrialização, seja para comercialização a título próprio, dos estoques formados sob a guarida de ato cooperativo. Em tal caso, se viabiliza o adequado controle tanto da entrega do produto quanto dos repasses devidos ao cooperativado em função da venda final do produto entregue à cooperativa para comercialização, refletindose contabilmente a operação típica de ato cooperativo. Mister notar que, se trata aqui de cooperativa agroindustrial, ou seja, que além de comercializar produtos agrícolas, por definição também realiza transformação e beneficiamento de matérias primas rurais. Visita ao sítio da internet da epigrafada1 revela que a COMIGO tem em seu leque de produtos, dentre outros, farelo de soja, óleo de soja, fertilizantes, rações, etc. Em outros termos, atua ela firmemente na industrialização de grãos e demais produtos adquiridos dos cooperativados, e não simplesmente realiza, aproveitando se da economia de escala, distribuição e comercialização dos produtos in natura. Conclusão que é corroborada pelos elementos contábeis carreados pela diligência, como a demonstração de fl. 5706. Nesse contexto, é ônus da recorrente, e não da fiscalização, ao contrário do asseverado por aquela, demonstrar que possui adequado controle da quantidade 1 www.comigoserver.com,visitado em 17/02/2017. Fl. 5910DF CARF MF Processo nº 10120.725596/201455 Acórdão n.º 2202004.817 S2C2T2 Fl. 5.908 7 exata de propriedade da cooperativa e de cada produtor associado, e que as atividades envolvidas se tratam de ato cooperativo típico, nos termos do art. 79 da Lei nº 5.764/71. Registrese que a autuada traz exemplo, em manifestação sobre a diligência, da movimentação de um determinado produtor rural associado, desde a entrada do produto na cooperativa até as vendas posteriores, movimentação essa que se enquadra, ao princípio, na narrativa dos fatos tal como apresentada em sua defesa (fls. 5730 e ss). É contudo, evidência pontual e assistemática, que não tem o condão de trazer maior luz aos fatos em tela. Com efeito, a contabilização em separado é exigência legal, consoante se afere da leitura do art. 87 da Lei nº 5.764/71: Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Para esclarecer os procedimentos levados a efeito pela recorrente, a mencionada Resolução especificou os elementos a serem apresentados (fls. 5830/5831) descrever minuciosamente, e exemplificar, como eram realizados os lançamentos contábeis relativos às entregas feitas por produtores pessoas físicas mediante as quais adquiria as matériasprimas para fins de industrialização de produtos tais como óleo de soja e rações; a par disso, explicar se tem a consideração de que tais operações de industrialização e/ou comercialização em nome próprio se tratam de atos cooperativos típicos, fundamentando juridicamente, e demonstrando, contabilmente, como o resultado dessas operações era efetivamente revertido aos produtores rurais pessoa física, aí incluindo as devoluções de eventuais sobras; ainda com relações as situações acima mencionadas, explicar em que momento se dava e como eram calculado os valores retidos de contribuições previdenciárias devidos por subrogação, e os respectivos documentos envolvidos; descrever minuciosamente, e exemplificar, como eram realizados os lançamentos contábeis relativos às aquisições de produtores pessoas físicas nas quais as matérias primas eram entregues em condições típicas de ato cooperativo, nos termos da legislação de regência; explicar como eram realizadas na contabilidade as diferenciações entre as operações típicas de cooperativa, ou seja, ato cooperativo, e aquelas em atuava como adquirente final de produtores rurais pessoas físicas, sem repasse a associados e vendendo a terceiros em nome próprio, ou, ainda, atuava adquirindo matérias primas de não associados, fazendo, nesse rumo, a devida referência às contas sintéticas/analíticas e, caso preciso, carreando aos autos os livros auxiliares que viabilizavam tal feito; ao final, explicar conclusivamente, trazendo à colação os documentos necessários para tanto, se havia a devida segregação, como prescrito pela Norma Fl. 5911DF CARF MF 8 Brasileira de Contabilidade T 10.8 – ENTIDADES COOPERATIVAS2, no estoque e nas demais das contas naturalmente impactadas (ingressos, dispêndios, despesas, receitas, etc), das operações vinculadas a atos cooperativos frente às demais. Sendo o caso, deverá trazer a quantificação efetiva e em separado dessas operações, associandoas às respectivas notas fiscais (de entrada e de saída, ou documento que entenda equivalente neste último caso), relativamente a cada um dos períodos de apuração objeto de lançamento fiscal. Em sua resposta, além de repisar argumentos já trazidos, a contribuinte afirmou, quanto à Norma Brasileira de Contabilidade T.10.8, que: Nas aquisições (entradas) de grão são controlados separadamente os grãos do associado e de não associado. Quanto aos ingressos e dispêndios, receitas e despesas são realocadas na proporção da entrada de produtos de cooperados e não associados. Entretanto, não foram discriminados quaisquer documentos que apoiassem tais assertivas, o que não passou despercebido pela autoridade fiscal em sua informação: (...) 2. A mesma não demonstrou e não juntou documentação para provar a segregação na contabilidade das operações típicas de atos cooperativos das operações em nome próprio, tanto de cooperados quanto de terceiros. 3. No documento da cooperativa aqui em anexo, no item Contabilização à fl. 5, a mesma afirma que os procedimentos de contabilização são os mesmos para todos os processos de aquisições, portanto não evidenciando, demonstrando e comprovando com a quantificação associada às respectivas Notas Fiscais de Entrada e Saída ou documento equivalente, a segregação nos títulos próprios da contabilidade, conta estoque, das operações de aquisição para comercialização e/ou industrialização em nome próprio sem ato cooperativo das com atos cooperativos dos associados, e também, das aquisições de terceiros não associados; 4. Isto nos restou claro quando da fiscalização na cooperativa em que constatamos a utilização pela mesma em sua contabilidade apenas da conta 106000002 Estoque, onde efetua a contabilização tanto para as operações com atos cooperativos como as operações que não envolvem atos cooperativos, sem a segregação já mencionada, conforme verificados no Diário/Razão do Sped contábil, e os balanços e balancetes anexados pela fiscalização em nosso parecer fiscal anterior. Ou seja, poderia a recorrente, caso mantivesse os registros em conformidade com as prescrições legais, ter comprovado perfeitamente que os produtos ingressados sob as NFe examinadas foram adquiridos de associados da cooperativa, e não de terceiros fornecedores aliás, nos relatórios por ela colacionados constam apontadas as pessoas físicas sob o genérico título de "fornecedores", e não associados ou cooperados, e nas notas fiscais a denominação de "clientes", não de associados. Ou poderia evidenciar, ainda, que as NFe em apreço corresponderiam a operações em que ela não atua como comprador final/consumidor industrial, mas apenas revende a terceiros a produção rural das pessoas físicas. Sequer o Livro de Matrícula com a relação dos associados, documento de rigor previsto nos arts. 22 e 23 da Lei nº 5.764/71, foi carreado aos autos. 2 Resolução 920/2001 do CFC, DOU 1 de 30/12/2001. Fl. 5912DF CARF MF Processo nº 10120.725596/201455 Acórdão n.º 2202004.817 S2C2T2 Fl. 5.909 9 Em suma, verificase que os recolhimentos efetuados pela recorrente com lastro nas "autorizações de venda'" não se adequam à hipótese de incidência das contribuições em tela, que se dá tendo por base de cálculo e momentos distintos frente aos pagamentos vinculados àquelas autorizações. Além disso, não realizou a contribuinte, através dos documentos fiscais/contábeis/societários apropriados, os controles necessários para respaldar eventual pleito embasado nas especificidades do ato cooperativo. Não havendo prova suficiente a amparar os argumentos recursais, não assiste razão à contribuinte. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 5913DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.728070/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. VENDA DE BENS IMÓVEIS POR EMPRESA QUE NÃO TEM COMO OBJETO A ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. GANHO DE CAPITAL.
Para efeitos tributários, a receita proveniente da venda de imóveis, que não foram construídos ou adquiridos com tal finalidade, sujeita-se à apuração de ganho de capital, independentemente, de a atividade imobiliária também integrar aquele objeto.
ART. 138 DO CTN - INAPLICABILIDADE
O art. 138 do CTN se presta ao afastamento de penalidades decorrentes de vícios na escrituração contábil e fiscal porventura retificada antes do início da ação fiscal, sendo inplicável, apenas, para se permitir a mudança do objeto social da empresa, com intento claro e apenas de furtar-se à apuração do ganho de capital.
Numero da decisão: 1302-003.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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LUCRO PRESUMIDO. VENDA DE BENS IMÓVEIS POR EMPRESA QUE NÃO TEM COMO OBJETO A ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. GANHO DE CAPITAL. Para efeitos tributários, a receita proveniente da venda de imóveis, que não foram construídos ou adquiridos com tal finalidade, sujeitase à apuração de ganho de capital, independentemente, de a atividade imobiliária também integrar aquele objeto. ART. 138 DO CTN INAPLICABILIDADE O art. 138 do CTN se presta ao afastamento de penalidades decorrentes de vícios na escrituração contábil e fiscal porventura retificada antes do início da ação fiscal, sendo inplicável, apenas, para se permitir a mudança do objeto social da empresa, com intento claro e apenas de furtarse à apuração do ganho de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 80 70 /2 01 1- 17 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 12448.728070/201117 Acórdão n.º 1302003.074 S1C3T2 Fl. 128 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Relatório Tornando curta uma discussão que já se apresenta de forma sucinta, a recorrente foi autuada em 2011 por ter deixado de apurar ganho de capital em venda de imóvel realizada no ano calendário de 2008, suportando, pois, a exigência do IRPJ e da CSLL. In casu, a empresa detinha como objetivo social (tal qual se dessume da Ata de Assembléia Extraordinária datada de 02 de abril de 2004 e fls. 63/64) o exercício das seguintes atividades (conforme art. 3º, modificado, de seu estatuto): (...) estacionamento de veículos, revenda veículos, compra e venda de veículos, lavagem, manutenção, borracharia, lubrificação e serviços de instalações elétricas de veículos, e posto de venda de gasolina e serviços; administração de bens próprios, planejar e executar empreendimentos comerciais e industriais, agenciar e intermediar tratativas comerciais, para os mercados interno e do exterior, por conta própria e de terceiros; a prática das operações denominadas, em conjunto "factoring"; a participação direta ou assinadosse a outras sociedades, no país e no exterior, quer como acionista ou cotista; processamento de dados; podendo, ainda, prestar outras assistências relacionadas com a sua atividade". Nos idos de 2007, adquiriu o imóvel, cerne da querela, pelo valor de R$ 518.680,28 (conforme escritura pública juntada à efls. 39/41), vendendoo, no ano subsequente, pelo valor de R$ 5.250.000,00 (escritura pública de efls. 42/45), ocasião em que, tal qual se extrai da DIPJ, declarou uma receita sujeita ao percentual de tributação de 32% no importe de R$ 4.931.330,72 (ficha 14A, efls. 8, para o IRPJ e ficha 18A, efls. 12, para a CSLL). Em linhas gerais, a empresa não apurou ganho de capital, tendo considerado o resultado da venda do predito imóvel como receita operacional. Em vista disto, a D. Auditoria, sem maiores delongas, autuou o contribuinte que, cientificado do predito auto de infração, apresentou impugnação em que sustenta ter promovido, ao longo da ação fiscal, "alteração contratual" (a despeito de se tratar de S/A, foi esta a expressão utilizada pelo impugnante), que teria passado a contemplar a atividade de compra e venda de imóveis, bem como de incorporação imobiliária; em razão disto, arumentou que, como ação fiscal não teria se findado, faria jus aos efeitos do art. 138 do CTN... Cumpre apenas destacar que a citada "alteração contratual" não se encontra juntada aos autos, não tendo sido trazida, também, na impugnação administrativa. Instada a se pronunciar sobre o caso, a DRJ/RJ houve por bem julgar improcedente a impugnação, mormente por entender inaplicáveis, ao caso, os preceitos do mencionado art. 138 do CTN. Vejase, a seguir, a ementa do acórdão ora recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 12448.728070/201117 Acórdão n.º 1302003.074 S1C3T2 Fl. 129 3 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE PARARETROATIVIDADE DE ATIVIDADE DA EMPRESA. O Instituto da denúncia espontânea é inábil para retroagir atividade incluída nos estatutos da empresa somente após a ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE PARA RETROATIVIDADE DE ATIVIDADE DA EMPRESA. O Instituto da denúncia espontânea é inábil para retroagir atividade incluída nos estatutos da empresa somente após a ocorrência do fato gerador. A empresa tomou ciência do julgado supra em 30/09/2014, tal como se observa do "Termo de abertura de documento" de efls. 107, tendo manejado o seu recurso voluntário em 16/10/2014 (termo de solicitação de juntada de efls. 122), por meio do qual, até de forma mais resumida, reprisa os argumentos trazidos em sua impugnação. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e, por isso, dele conheço. De acordo com a Lei 9.249/95, art. 15, § 4º, observase que somente as atividades ali descritas estarão sujeitas ao percentual de presunção tratado no caput: § 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. Em linhas gerais, a premissa necessária à tipificação de atividade imobiliária sujeita à tributação na forma caput do art .15, do diploma legal anteriormente citado, é a percepção de receitas advindas das operações ali, taxativamente, descritas, atentandose, ao que interessa ao feito, as atividades de "venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda". A aquisição "para revenda" é o ponto central para se definir a possibilidade para se definir a natureza da atividade de venda de bens imóveis como, aliás, já tive a oportunidade de me manifestar em caso similar, quando do julgamento do PA de nº Fl. 129DF CARF MF Processo nº 12448.728070/201117 Acórdão n.º 1302003.074 S1C3T2 Fl. 130 4 10380.721152/201480, acórdão de nº 1302002.327, publicado em 31/10/2017, e cuja ementa reproduzo a seguir: IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. GANHO DE CAPITAL. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE. EFEITOS TRIBUTÁRIOS A receita obtida com da venda de bens do ativo permanente sujeitase à apuração de ganho de capital. No regime do lucro presumido, o ganho de capital deve ser somado à base de cálculo, obtida pela aplicação de percentual pertinente à atividade econômica sobre a receita bruta auferida no trimestre. Para efeitos tributários, a receita proveniente da venda de imóveis, que não foram construídos ou adquiridos com tal finalidade, mas, diversamente, para serem usados como meio de obtenção de renda ou para o desempenho de atividade econômica prevista no objeto social da empresa, sujeitase à apuração de ganho de capital, independentemente, de a atividade imobiliária também integrar aquele objeto e da reclassificação contábil, efetivada, no anocalendário precedente ao da venda, pela transferência dos bens do ativo permanente para o ativo circulante, como se mercadorias fossem. O caso presente, vejam bem, é muito mais simples que a situação analisada por ocasião do julgado acima, já que, à época da venda do imóvel objeto da análise fiscal, a empresa sequer tinha como objeto a compra e venda de bens desta natureza, deixando evidente, ao menos pelos elementos que constam dos autos, que a sua intenção revelada não era a de exploração da atividade imobiliária. Quanto a invocação do art. 138 ao caso, único argumento sustentado pelo contribuinte, por certo, como bem apontado pelo acórdão recorrido, é de todo descabida, já que o mencionado preceito se destina à finalidade absolutamente distinta da que pretende o recorrente... o art. 138 se presta para a retificação, pelo contribuinte, de uma situação ilícita por ele previamente identificada, evitandose, assim, a aplicação das sanções administrativas e moratórias "incidíveis" sobre o predito ilícito. E, no caso, mesmo que os livros e documentos contábeis da empresa não tenham sido juntados ao feito, pela autoridade lançadora, e mesmo que o predito imóvel tivesse sido registrado em conta de ativo circulante (estoques), semelhante anotação representaria contradição patente já que, insistase, pelo objeto social então vigente, o contribuinte nem mesmo poderia registrar tal estoque, por não deter, repitase, atividade imobiliária como uma de suas atividades operacionais, como, aliás, asseverou o D. Relator do acórdão recorrido: A venda de imóvel que gerou a autuação objeto do presente processo ocorreu em fevereiro do anocalendário de 2008, ou seja, antes da alteração contratual citada e quando a interessada não tinha em seu contrato social a previsão de atividade imobiliária, logo, correto foi considerar o lucro na venda do imóvel como ganho de capital e não como receita da atividade da empresa. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 12448.728070/201117 Acórdão n.º 1302003.074 S1C3T2 Fl. 131 5 Verdade seja dita, o contribuinte, cientificado do início da ação fiscal, lançou mão de subterfúgio para tentar evitar a autuação eminente, mediante (alegada) alteração de seu objeto social, estratégia que, pelo que foi dito acima, é absolutamente ineficaz. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10425.902885/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF.
Numero da decisão: 1201-002.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 90 28 85 /2 00 9- 92 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10425.902885/200992 Acórdão n.º 1201002.440 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação DCOMP de fls., por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ com débitos de sua responsabilidade. O crédito informado seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado no 2º trimestre do anocalendário 2002. Através do despacho, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal DRF em Campina Grande identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que retificou sua Declaração de Informações DIPJ para demonstrar os créditos, porém não retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF ajustando os débitos. Argui que o erro nesse procedimento não invalida a existência dos créditos, já que houve pagamento a maior, e que não há norma que exija a necessidade de retificação da DCTF para que o Fisco aceite a existência dos créditos. Requereu, ao final, a homologação da compensação. Decisão da DRJ Em decisão de 26/09/2011 a 3° Turma da DRJ/REC julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado ern DCTF. Recurso Voluntário Inconformada a Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual ratifica os termos de sua Impugnação. É o Relatório. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10425.902885/200992 Acórdão n.º 1201002.440 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.433, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10425.901491/2009 17, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.433): "Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, portanto, merece ser apreciado. Mérito Dada a inexistência de novos argumentos trazidos pelas Recorrente em sede de Recurso Voluntário e o total alinhamento do presente Conselheiro à decisão da DRJ, faço aqui uso do disposto no Art. 57, § 3°do Regimento Interno deste CARF que assim dispõe: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10425.902885/200992 Acórdão n.º 1201002.440 S1C2T1 Fl. 5 4 Desta forma, faço abaixo a transcrição integral do voto vencedor da decisão da DRJ: 4. A manifestação de inconformidade é tempestiva (fl. 30) e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dela se conhecendo. 5. Como se observa nos autos, a interessada efetuou, em 30/10/2001, pagamento de DARF no valor de R$ 3.810,48 , relativo ao IRPJ apurado no 3° trimestre de 2001. Por entender que o tributo era indevido ou a maior, transmitiu a DCOMP ora em exame, por via da qual utilizou o referido valor para compensar débitos por ela apurados. 6. A DRF/Campina Grande constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora vinculado ao próprio débito do IRPJ apurado no 3° trimestre de 2001, conforme declarado em DCTF pela contribuinte. Assim, restou inexistente o crédito reclamado na DCOMP, razão pela qual não foi homologada a compensação nela declarada. 7. Alega a inconformada que o valor correto do débito é o informado na DIPJ, e não o constante da DCTF, arguindo que a retificação desta não constitui obrigação legal e que não impede o reconhecimento do crédito. Como se sabe, nos termos da legislação de regência (Instrução Normativa SRF n° 014, de 14 de fevereiro de 2000), a DIPJ tem caráter apenas informativo, enquanto a DCTF constitui instrumento de confissão de divida quanto aos débitos nela declarados. 9. No caso concreto, verifiquei, no banco de dados da Receita Federal, que a empresa efetivamente apresentou DCTF em que fez constar haver apurado débito do IRPJ no 30 trimestre de 2001 no valor de R$ 11.431,44, com pagamento em 3 quotas de R$ 3.810,48, o exato valor do recolhimento efetuado. 10. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo liquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do CTN). 11. Destaquese que, além de não retificar a DCTF, que constituía obrigação sua (Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, e seguintes), não trouxe a interessada prova alguma do tanto alegado, desatendendo ao disposto no art. 16, III, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10425.902885/200992 Acórdão n.º 1201002.440 S1C2T1 Fl. 6 5 12. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000421/2007-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2004
RECURSO NÃO CONHECIDO
Não provada a similute fática entre o aresto recorrido e os paradigmas, não se conhece do recurso especial.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2004
RECURSO NÃO CONHECIDO
Não provada a similute fática entre o aresto recorrido e os paradigmas, não se conhece do recurso especial.
Recurso especial do contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-007.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2004 RECURSO NÃO CONHECIDO Não provada a similute fática entre o aresto recorrido e os paradigmas, não se conhece do recurso especial. Recurso especial do contribuinte não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 04 21 /2 00 7- 80 Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 19740.000421/200780 Acórdão n.º 9303007.402 CSRFT3 Fl. 3 2 Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial do Contribuinte (fls. 902/919), admitido pelo despacho (fls. 1155/1157) datado de 29/05/2017. Insurgese contra o Acórdão 3403.003.527 (fls. 877/887), de 28/01/2015, o qual teve o seguinte resultado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2004 PIS/COFINS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. Aplicase à cooperativa de crédito a legislação da contribuição ao PIS e COFINS relativa às instituições financeiras, sendo irrelevante a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos. De qualquer maneira, mesmo que tal tivesse relevância, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 599.362RJ, decidiu pela tributação, pelo PIS/COFINS, do ato cooperativo. ... ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. Em suma, o especial veicula entendimento que não incide PIS/COFINS sobre ato cooperativo, colacionando como paradigmas os arestos 3302.000.489 e 3302000.489. A Fazenda, em contrarrazões (fls. 1159/1166), pugna pelo improvimento do especial. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator CONHECIMENTO Como se denota do TVF (fls. 377/390), a recorrente foi autuada na condição de "cooperativa central de economia e crédito mútuo". Assim, entendeu a fiscalização que elas estão sujeitas a mesma tributação das instituições financeiras, ou seja "de acordo com as disposições dos arts. 2° e 3°, §§ 5° e 6°, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998 e do art. 22, § 1°, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e não à legislação que disciplina o recolhimento da Cofins e do PIS pelas demais sociedades cooperativas". Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 19740.000421/200780 Acórdão n.º 9303007.402 CSRFT3 Fl. 4 3 Ao manejar o especial, a recorrente, após longa digressão acerca do entendimento do STF sobre ato cooperativo, mas não especificamente tratandose de cooperativas de crédito, acostou 2 paradigmas, assim ementados: Ementa do acórdão 3302000.489: COF1NS — COOPERATIVAS — NÂO INCIDÊNCIA SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS ART. 79 DA LEI 5.764/71 —LEI DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS A revogação do inciso 1, do art. 6º, da LC 70/91, em nada altera a não incidência da COFINS e do PIS sobre os atos cooperativos. O parágrafo único do art. 79, da Lei 5.764/71, não está revogado por ausência qualquer antinomia legal. A tributação dos valores decorrentes dos atos cooperativos não podem ser objeto de incidência do PIS e da COFIN em razão de não constituírem receita ou faturamento, estando, portanto, à margem da regra matriz destes tributos. (...) O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.71898 pelo Supremo Tribunal federal não pode ser ignorado pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecida e aplicada de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Ementa do acórdão 3801003.009: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário:2001,2002,2003,2004,2005,2006 NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO Somente são nulos os atos praticados pela administração tributária se o contribuinte não tem conhecimento dos elementos que o originou. COFINS NÃO INCIDÊNCIA SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS ART.79 DA LEI 5.764/71 LEI DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS A revogação do inciso I, do art. 6º, da LC 70/91, em nada altera a não incidência da COFINS e do PIS sobre os atos cooperativos. O parágrafo único, do art. 79, da Lei 5.764/71, não esta revogado por ausência de qualquer antinomia legal conforme entendimento pacífico do STJ. A tributação dos valores decorrentes dos atos cooperativos não podem ser objeto de incidência do PIS e da COFINS em razão de disposição legal que coloca os atos cooperativa dos fora do mercado, não constituindo esses valores receita ou faturamento, estando, portanto, à margem da regra matriz destes tributos. Recurso Voluntário Provido. Alem de a peça recursal não fazer qualquer análise do recorrido frente aos paradigmas acostados, o que por si só já representa um pressuposto do especial de Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 19740.000421/200780 Acórdão n.º 9303007.402 CSRFT3 Fl. 5 4 divergência1, o qual não foi atendido, os dois paradigmas acostados não se referem a tributação de PIS/COFINS de cooperativas de crédito, caso dos autos. Embora processado o presente especial, o próprio despacho que o admitiu pontuou essa questão. Confirase: Verificase que foi comprovada divergência jurisprudencial. O acórdão recorrido estabelece que se aplica à cooperativa de crédito a legislação da contribuição ao PIS e COFINS relativa às instituições financeiras, sendo irrelevante a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos. Os acórdãos paradigmas, por seu turno, afirmam que a tributação dos valores decorrentes dos atos cooperativos não podem ser objeto de incidência do PIS e da COFINS. Ou seja, o recorrido afasta a discussão do âmbito do conceito de ato cooperativo, uma vez a autuada ser caracterizada como uma instituição financeira, ao passo que os paradigmas não decorrem de lide em que o sujeito passivo é uma cooperativa de crédito, restringindose eles à análise do que é ou não ato cooperativo para fins de incidência das contribuições sociais. Portanto, não havendo similitude fática, não deve o recurso ser conhecido por falta de atendimento a pressuposto recursal. CONCLUSÃO Em face do exposto, não conheço do recurso especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire 1 RICARF Art. 67, § 8 º: "A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido." Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 19740.000421/200780 Acórdão n.º 9303007.402 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 1173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000018/2010-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de COFINS mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 01 8/ 20 10 -0 4 Fl. 470DF CARF MF Processo nº 12571.000018/201004 Resolução nº 3301000.704 S3C3T1 Fl. 471 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.521 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000006/2010 71, 12571.000007/201016, 12571.000008/201061, 12571.000009/201013, 12571.000010/201030, 12571.000011/201084, 12571.000012/201029, 12571.000013/201073, 12571.000014/201018, 12571.000015/201062, 12571.000016/201015, 12571.000017/201051, 12571.000018/201004, 12571.000019/201041, 12571.000020/201075, 12571.000021/201010, 12571.000022/201064, 12571.000023/201017, 13931.000367/200820, 13931.000936/200837, 13931.000938/200826, 13931.000941/200840, 13931.000943/200839, 13931.000944/200883, 13931.000945/200828, e 13931.000947/200817, que tratam da análise de créditos de Cofins (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.521, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins Exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 12571.000018/201004 Resolução nº 3301000.704 S3C3T1 Fl. 472 3 Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 472DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.000883/96-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
IRPJ. PRELIMINAR DE NULIDADE. ERRO DE INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO
Incabível a preliminar de nulidade de erro de identificação do sujeito passivo, pois o processo administrativo fiscal seguiu plenamente seu curso procedimental, tendo a recorrente, no caso concreto, todas as oportunidades cabíveis para argumentar, como de fato o fez, não se vislumbrando qualquer prejuízo aparente.
Numero da decisão: 9101-003.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do parágrafo 7o., do artigo 63, do Anexo II, da Portaria MF nr. 343/2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do parágrafo 7o., do artigo 63, do Anexo II, da Portaria MF nr. 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
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PRELIMINAR DE NULIDADE. ERRO DE INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Incabível a preliminar de nulidade de erro de identificação do sujeito passivo, pois o processo administrativo fiscal seguiu plenamente seu curso procedimental, tendo a recorrente, no caso concreto, todas as oportunidades cabíveis para argumentar, como de fato o fez, não se vislumbrando qualquer prejuízo aparente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do parágrafo 7o., do artigo 63, do Anexo II, da Portaria MF nr. 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 08 83 /9 6- 31 Fl. 1598DF CARF MF 2 Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 13805.000883/9631 Acórdão n.º 9101003.723 CSRFT1 Fl. 1.599 3 Relatório Campos Elíseos Participações (incorporada pela CCF Brasil Commodities Participações e Corretora de Mercadorias e Futuros, posteriormente incorporada pela HSBC Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., cuja denominação social foi alterada para BradescoKirton Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S/A) recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 1.483 a 1.501, contra o Acórdão nº 110300.366, de 14 de dezembro de 2010 (efls. 1.423 a 1.430), que por unanimidade de votos deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a multa de ofício, não reconhecendo, porém, a alegação de ilegitimidade passiva. Tal decisão restou assim ementada: Assunto: Falta de Recolhimento de Antecipações e Duodécimos de CSLL AnoCalendário: 1991 e 1992 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM RECURSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda Nacional, por qualquer modalidade processual – antes ou posteriormente à autuação, para discussão da mesma matéria proposta para julgamento na instância administrativa, importa em renúncia ao litígio administrativo em vista do Princípio da Unicidade de Jurisdição, que faz prevalecer a decisão tomada pelo Poder Judiciário e torna ineficaz o decidido pelo órgão administrativo. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE NA SUCESSÃO. NULIDADE. Não vicia de nulidade lançamento por configurado erro na eleição do sujeito passivo da obrigação principal na hipótese em que o auto de Infração tenha sido formalizado em nome da incorporada, se a incorporadora era controladora integral da autuada por ocasião da sucessão, que ocorreu no decorrer do procedimento fiscal. MULTA DE OFÍCIO. Não cabe lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário destinado a prevenir decadência quando a exigibilidade estiver suspensa na forma do inciso IV do art.151 da Lei nº 5.172, de 1966 e desde que a suspensão tenha ocorrido antes do início do procedimento fiscal a ele relativo (Lei nº 9.430/96,art. 63). Em seu Recurso Especial, a recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação à nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, alegando que no momento da lavratura do auto de infração (08/02/1996), a Campos Elíseos Participações S/A já estava definitivamente extinta, por conta da incorporação pela CCF Brasil Commodities Participações e Corretora de Mercadorias e Futuros, posteriormente incorporada pelo HSBC Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., cuja denominação social foi alterada para BradescoKirton Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S/A., devendo, portanto, ser cancelado o lançamento sobre a recorrente. Fl. 1600DF CARF MF 4 Argumenta ainda, que o Superior Tribunal de Justiça também reconhece a relevância da correta identificação do sujeito passivo, citando a Súmula nº 392. Transcrevese abaixo as ementas dos acórdãos indicados como paradigma: Acórdão nº 9101001.705 (PA nº 10670.001272/200691) “LANÇAMENTO DE OFÍCIO CONTRA EMPRESA EXTINTA REGULARMENTE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A extinção regular da pessoa jurídica, e o cancelamento anterior de sua inscrição no CNPJ tornam inábil lançamento sobrevindo a tal ato por evidente erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Tratase de vício material e não mero erro formal” (acórdão CSRF n° 9101 001.705, da 1ª Turma, de 18/07/2013) Acórdão nº 2401003.558 (PA nº 19515.000309/201016) “ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA – REQUISITO BÁSICO DE FORMAÇÃO DO ATO. OFENSA AO ART. 142 DO CTN. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O erro na eleição do sujeito passivo, enseja afronta à própria substância do lançamento, de modo que resta violado o art. 142 do CTN. EMPRESA INCORPORADA – LANÇAMENTO DEVE SER FEITO NA INCORPORADORA – NULIDADE FRENTE A INCORRETA INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Ocorrendo sucessão, o AIOP será lavrado em nome do sucessor, identificandose a seguir o antecessor ou os antecessores, se houver débito relativo ao tempo destes, registrandose no relatório fiscal a forma como se deu a sucessão (fusão, incorporação ou transformação, dentre outros). É claro o Manual que nos casos de empresa incorporada o lançamento deve ser feito na incorporadora, considerando que essa passa a ser responsável direta pelas obrigações assumidas. A Assembleia Geral realizada em dezembro de 2007 deixa claro que não apenas a incorporação, como a extinção da empresa TVA, razão pela qual não encontro fundamento para o lançamento em nome da incorporada, mesmo que no cadastro a situação encontrase SUSPENSA” (acórdão n° 2401003.558, de 1ª Turma, 4ª Câmara da 2ª Seção, de 17/06/2014) O Recurso Especial foi admitido pelo Despacho de Admissibilidade de efls. 1.561 a 1.564. Colaciono abaixo trecho do despacho que bem resume a similitude fática e a divergência jurisprudencial caracterizadas: No caso do primeiro paradigma (acórdão 9101001.705), a empresa autuada já havia sido extinta por liquidação voluntária ocorrida antes da lavratura do auto de infração. Já no caso do acórdão recorrido e do segundo paradigma (acórdão 2401003.558), a empresa autuada havia sido extinta por incorporação ocorrida antes da lavratura do auto de infração. E, enquanto o acórdão recorrido manteve o lançamento, ao argumento de que o erro ocorrido na identificação do sujeito passivo, nesta hipótese, não teria causado prejuízo à defesa, os acórdãos paradigmas cancelaram o lançamento, por vício material, em face do indigitado erro. Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 13805.000883/9631 Acórdão n.º 9101003.723 CSRFT1 Fl. 1.600 5 Cientificada, a Procuradoria apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial (efls. 1.566 a 1.572) aduzindo, com base no artigo 59, do Decreto nº 70.235/1972, que não há que se falar em nulidade do lançamento, se não há prejuízo à ampla defesa da parte autuada e que, caso entendida tal qualificação do sujeito passivo como errônea, isto seria apenas um vício formal, passível de correção. É o relatório. Fl. 1602DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Conhecimento O recurso especial do contribuinte é tempestivo, tendo sido indicados dois acórdãos paradigmas: 9101001.705, da 1ª Turma da CSRF; e, 2401003.558, da 1ªTurma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF. A PGFN, em suas contrarrazões, não questiona o conhecimento do recurso especial do contribuinte. Desta forma, concordo e adoto as razões do Presidente da Primeira Câmara da 1ª Seção do CARF para conhecimento do recurso especial, nos termos do permissivo do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/99. Em síntese, a questão posta para análise deste Colegiado é se a indicação de sujeito passivo extinto por incorporação no polo passivo da obrigação tributária configura, por si só, motivo de nulidade do ato administrativo de constituição do respectivo crédito tributário. No acórdão recorrido, firmouse o posicionamento que o "erro na identificação do sujeito passivo (...) não vicia de nulidade o lançamento. A incorporadora era controladora integral da autuada por ocasião da sucessão, que ocorreu no decorrer do procedimento fiscal". Nos paradigmas, ao contrário, consignouse que "a extinção regular da pessoa jurídica e o cancelamento anterior de sua inscrição no CNPJ tornam inábil lançamento sobrevindo a tal ato, por evidente erro na identificação do sujeito passivo" (9101001.705), bem como que " ocorrendo sucessão, o AIOP será lavrado em nome do sucessor, identificando se a seguir o antecessor ou os antecessores, se houver débito relativo ao tempo destes, registrandose no relatório fiscal a forma como se deu a sucessão" (2401003.558). Antes de se adentrar ao objeto do recurso especial em exame, importante pontuar que o auto de infração, objeto do presente processo administrativo, foi lavrado pela fiscalização com a finalidade única de prevenir decadência para a constituição de crédito tributário de CSLL decorrente da edição da Lei 7689/88, uma vez que o contribuinte, lastreado em decisões judiciais, deixou de efetuar o recolhimento de antecipações e duodécimos, relativos ao exercício de 1992, anobase 1991, conforme descrito pela fiscalização (p. 1095), notadamente por ter efetuado o depósito dos valores controversos em juízo (Autos de Medida Cautelar nº 91.06665225, que precedeu a Ação Ordinária Principal nº 91.06859470). Verificase, na p. 1048, que o Banco Credit Commercial de France S/A, CNPJ 50.589.357/000125 era um dos autores da Medida Cautelar, vindo, posteriormente, a ser chamado de Campos Elíseos Participações S/A, assim como, na p. 1060, que era um dos autores da Ação Ordinária Principal. Em sentença, na p. 1074, observase a decisão desfavorável à ação ordinária e a determinação da conversão dos depósitos judiciais em renda da União; interposta apelação em maio/94 (p. 1076 a 1089), foi a mesma julgada improcedente pelo TRF/3ª Região, conforme certidão de p. 1155, que também atesta o trânsito em julgado da demanda judicial. Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 13805.000883/9631 Acórdão n.º 9101003.723 CSRFT1 Fl. 1.601 7 Verificase, ainda, que lavrado o auto de infração de p. 1107 e seguintes, identificando a Campos Elíseos Participações S/A, CNPJ 50.589.357/000125 como sujeito passivo, foi o mesmo impugnado a partir da p. 1098 pela CCF Brasil Commodities Participações e Corretora de Mercadorias e Futuros Ltda., CNPJ 49.923.766/000137 como sendo a “atual denominação social de Campos Elíseos Participações S/A”., oportunidade em que a defesa do contribuinte foi centrada na inexigibilidade do crédito tributário constituído em razão de “decisão proferida na Medida Cautelar Inominada nº 91.06665225”, a qual, como dito acima, tinha como um dos autores o Banco Credit Commercial de France S/A, CNPJ 50.589.357/000125, que é a própria Campos Elíseos Participações S/A (mesmo CNPJ). Vejase preâmbulo da impugnação administrativa: Nessas condições, a DRJ de São Paulo, através do v. acórdão nº 1621.228, da 8ª Turma, concluiu pela regularidade do lançamento de ofício para prevenir a decadência, não adentrou no exame de mérito em razão da concomitância com a ação judicial e, com base na retroatividade benigna, reduziu o valor constituído a título de multa de ofício. A intimação desta decisão da DRJ já foi dirigida para HSBC Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, CNPJ 58.229.246/000110, que, na condição de sucessora dos CNPJ’s anteriores, apresentou recurso voluntário a partir da p. 1297, ocasião em que, pela primeira vez, o ponto objeto do recurso especial em exame foi levantado: ilegitimidade passiva do sujeito passivo apontado em razão da extinção da Campos Elíseos Participações S/A por incorporação pela CCF Brasil Commodities Participações e Corretora de Mercadorias e Futuros, CNPJ 54.807.193/00116. Não se discute nos autos que houve erro na identificação do sujeito passivo, pois tanto o contribuinte em seu recurso, quanto a PGFN, em suas contrarrazões, admitem que o auto de infração foi lavrado em face da empresa sucedida, extinta por incorporação, restando tão somente a sucessora para responder pelo crédito tributário constituído. A questão a ser dirimida restringese em definir se esse erro na identificação foi relevante para alterar aspectos materiais do auto de infração lavrado, ou se se trata de erro formal, passível de convalidação, ou se, ainda, ocorreu efetivamente erro ou apenas irregularidade à vista dos fatos acima apresentados para concluirse pela nulidade, ou não, do próprio auto de infração. Sob o ponto de vista material, ao ver deste Julgador, não há vícios que possam resultar na nulidade do auto de infração. De se observar que a defesa de mérito, em Fl. 1604DF CARF MF 8 relação à legalidade da cobrança da CSLL do contribuinte com base na Lei 7.689/88 foi decidida na esfera judicial, em processo que o contribuinte indicado no auto de infração defendeuse pessoalmente, através de seus advogados, pois ainda não tinha sido extinto por incorporação. Ademais, nos demais aspectos da autuação, como o próprio valor constituído, não houve questionamentos por parte da empresa sucessora que, como já exposto no v. acórdão recorrido, era controladora integral do contribuinte autuado por ocasião da sucessão, que, inclusive, ocorreu no decorrer do procedimento fiscal. Sob o ponto de vista formal, não se pode negar que, no momento de lavratura do auto de infração, a Campos Elíseos Participações S/A já tinha sido incorporada e, desta forma, a autuação deveria ter feito a menção de que o responsável pelos tributos constituídos era a sua sucessora. Requisitos de forma, contudo, não são um fim em si mesmos. Existem para resguardar direitos, notadamente, em relação ao contribuinte, ao contraditório e ampla defesa. Em última análise, é a violação desses direitos que gera a nulidade, não o erro isoladamente considerado. Ainda, no caso concreto, a fiscalização iniciouse em 03/1995, e a incorporação da CAMPOS ELISEOS se deu em 05/1995, portanto, entre antes da autuação, mas depois do inicio do procedimento fiscalizatório. Na opinião deste julgador, este fato reforça ainda mais a falta de relevância da irregularidade apontada. Os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, por sua pertinência ao presente voto e deslinde da controvérsia, são abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (sublinhamos) No caso, ainda que se tenha identificado no auto de infração a empresa sucedida como o sujeito passivo, é fato que a sucessora, na qualidade de responsável tributário por sucessão, além de ser controladora, teve condições de fazer a defesa administrativa cabível, apontando, quanto ao mérito da cobrança em si, a defesa judicial que ainda estava pendente de uma decisão final. Ou seja, através do processo judicial o contribuinte pode se defender de Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 13805.000883/9631 Acórdão n.º 9101003.723 CSRFT1 Fl. 1.602 9 maneira adequada, exercendo o contraditório e a ampla defesa. Não há nulidade sem prejuízo da parte. Em outros termos, se houve um erro, foi tão insignificante no caso concreto que pode ser resumido a mera irregularidade, sanável e convalidada pela existência da defesa judicial e pela possibilidade da sucessora apresentar regularmente sua defesa no âmbito administrativo, naquilo que não havia defesa na esfera judicial. Concluo que, não havendo supressão de aspecto importante para a constituição do crédito tributário, nem prejuízo ao exercício do direito de defesa do contribuinte, não se verifica nulidade no lançamento, devendo ser mantido íntegro o v. acórdão recorrido, por seus próprios fundamentos e pelos argumentos acima despendidos. Esta Câmara Superior analisou caso semelhante na sessão de março de 2017, na relatoria do Cons. Rafael Vidal de Araújo (Ac. 1901002.600), cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NULIDADE INOCORRÊNCIA Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se a indicação do nome da empresa incorporada não acarretou qualquer distorção relevante dos fatos narrados no auto de infração, se não suprimiu o exame de nenhum ponto importante para a constituição do crédito tributário, tampouco prejudicou o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório pela empresa sucessora (incorporadora), não há que se falar em nulidade do lançamento. Uma vez revertida a decisão que cancelou o auto de infração de IRPJ, cabe devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário, cujo exame restou prejudicado no julgamento anterior. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial do contribuinte, mantendo íntegro o v. acórdão recorrido. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 1606DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001354/2004-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/1999, 31/05/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 30/09/2000, 31/01/2001, 31/05/2001, 30/09/2001, 31/01/2002, 31/05/2002, 30/09/2002, 31/01/2003, 31/05/2003, 31/10/2000, 28/02/2001, 30/06/2001, 31/10/2001, 28/02/2002, 30/06/2002, 31/10/2002, 28/02/2003, 30/06/2003, 28/02/1999, 30/06/1999, 31/10/1999, 29/02/2000, 31/07/2000, 30/11/2000, 31/03/2001, 31/07/2001, 30/11/2001, 31/03/2002, 31/07/2002, 30/11/2002, 31/03/2003, 31/07/2003, 31/03/1999, 31/07/1999, 30/11/1999, 31/03/2000, 31/08/2000, 31/12/2000, 30/04/2001, 31/08/2001, 31/12/2001, 30/04/2002, 31/08/2002, 31/12/2002, 30/04/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RELATIVO A TRIBUTO COM LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. SÚMULA 91 DO CARF.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DALEI Nº 9.718/1998.
Reconhecida a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo da contribuição deve ser determinada a partir do caput do art. 2º da Lei Complementar nº 70/1991. A Cofins, portanto, deve incidir sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.
Numero da decisão: 3301-004.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 13 54 /2 00 4- 89 Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10882.001354/200489 Acórdão n.º 3301004.829 S3C3T1 Fl. 488 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório elaborado no Acórdão nº 05 17.705 4a Turma da DRJ/CPS (fls. 304/327): Tratase do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins , lavrado em 30/06/2004, que formalizou o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 476.729,33, incluindo multa de ofício e juros de mora calculados até 31/05/2004, devido às irregularidades assim discriminadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 199/202: "001 — PIS FATURAMENTO DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados... [demonstrativo com Valor Tributável ou Contribuição e Multa (75%), em relação aos fatos geradores de 28/02/1999 a 31/03/2000 e 31/05/2000 a 31/03/2004]. Enquadramento legal: Art. 77, inciso III, do Decretolei n° 5.844/43; art. 149 da Lei n° 5.172/66; arts. 1° e 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 07/70, art. 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/73, Título 5, capítulo 1, seção I, alínea "b", itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10882.001354/200489 Acórdão n.º 3301004.829 S3C3T1 Fl. 489 3 Portaria MF n° 142/82; arts. 90, da Lei n° 9.715/98; art. 30 da MP 2.15835/2001." O Termo de Verificação de Infração, constante de fls. 178/184, detalha as irregularidades constatadas, do seguinte modo: "No exercício das funções de Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal, em procedimentos de fiscalização realizados no sujeito passivo, instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização (MPFF), acima referenciado, no exame das verificações obrigatórias previstas nas "Verificações Preliminares", CONSTATAMOS as irregularidades a seguir descritas. Preliminarmente, ressaltamos que a Receita Bruta do sujeito passivo é proveniente da venda dos produtos que fabrica, os quais são classificados nos códigos 7009.10.00 e 8708.99.00 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados «is.). A partir de 01/11/2002, passou a beneficiarse da redução da alíquota para 0% (zero por cento) para fins de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, de acordo com o art. 3° da Lei n°10.485/2002, pois seus produtos se encontram relacionados no Anexo I da mesma Lei (lis.). (negrejouse) Do cotejo entre os valores declarados em DIPJ e DCTF com os valores apurados com base em sua escrituração contábil e fiscal, em relação às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, abrangendo o período de apuração de 30/06/1998 a 31/03/2004, verificamos: • Que, a partir de 01/02/1999, não foram incluídos na base de cálculo das referidas contribuições, as receitas financeiras, descumprindo desta forma o disposto no art. 9° da Lei n° 9.718/98; • Que, a partir de 01/02/2000, não foram incluídos na base de cálculo das referidas contribuições, no momento da baixa dos direitos de crédito ou das obrigações, as variações cambiais ativas acumuladas, conforme alteração introduzida pelo art. 30 da Medida Provisória 2.15835/2001 ao disposto no art. 90 da Lei n° 9.718/98.(negrejouse) • Que os valores das receitas financeiras são os discriminados a seguir, com o respectivo período de apuração, extraídos do Razão e Balancetes Mensais da empresa «is.) e consolidados no "Demonstrativo das Variações Cambiais Ativas Realizadas" de fls. : De fevereiro/1999 a janeiro/2000 (art. 9° da Lei n°9.718/98) [demonstrativo das Receitas Financeiras de fev/99 a jan/00, contas envolvidas: descontos obtidos, var. monetária ativa comi., Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10882.001354/200489 Acórdão n.º 3301004.829 S3C3T1 Fl. 490 4 v.cambial ativa não realizada comi., v.cambial ativa não realizada finan., rendimentos s/ aplicações, juros ativos, juros passivos, despesas bancárias, v.cambial passiva não realizada coml.] A partir de fevereiro de 2000 (art. 9° da Lei n° 9.718/98 e art. 30 da Medida Provisória 2.158 35/2001) [demonstrativo das Receitas Financeiras de fev/00 a mar/04, contas envolvidas: descontos obtidos, var. monetária ativa coml., v.cambial ativa não realizada comi., v.cambial ativa não realizada finan., rendimentos s/ aplicações, juros ativos, despesas com cobrança, despesas com corretagem, juros passivos, despesas bancárias, v.cambial passiva comi., v.cambial passiva não realizada finan., v.cambial passiva não realizada comi., gastos extraordinários] Fonte: Balancetes Mensais, Razão das Contas Clientes e Fornecedores e Demonstrativo das Variações Cambiais Ativas Realizadas, em anexo. Os valores das contribuições devidas ao PIS/PASEP e COFINS e calculados com base nas receitas financeiras serão exigidos através da lavratura do competente Auto de Infração contra o sujeito passivo, do qual este Termo é parte integrante e indissociável." A contribuinte foi cientificada dos autos em 30/06/2004 (fls. 198). Inconformada, a interessada apresentou, em 29/07/2004, por intermédio de seu representante legal, impugnação de fls. 204/227, acompanhada de documentos de fls. 230/288. Após breve resumo da ação fiscal, afirma que o Auto de Infração foi lavrado com base em premissas equivocadas, acarretando erro na planilha apresentada e, por conseguinte, no valor apurado pela fiscalização, como passa a demonstrar. Antes, porém, alega que a fiscalização foi além do mandado de procedimento fiscal, incluindo competências que extrapolaram o objeto da ação fiscal, delimitado no período de jun/98 a out/2002. Entende que deveria ter sido autorizada abertura de novo termo de verificação, englobando os períodos subseqüentes àqueles delimitados. Nestes termos, julga necessária a exclusão dos períodos posteriormente incluídos, por falta de amparo legal, fato que evidencia erro formal no lançamento. Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 10882.001354/200489 Acórdão n.º 3301004.829 S3C3T1 Fl. 491 5 Na seqüência, com fundamento nas disposições constantes do art. 173, I, do CTN, protesta pela decadência do crédito tributário relativo aos períodos de fev/99 a mai/99, tendo em vista o decurso do prazo de cinco anos. Cita jurisprudência, inclusive no sentido de afastar a aplicação das disposições constantes do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, face sua inconstitucionalidade. No mérito, inicia dizendo que constitui equívoco a inclusão da variação cambial ativa não realizada na base de cálculo apurada. Fundamentase nas disposições constantes do art. 30 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que transcreve. Em suas palavras: "O artigo supra transcrito dispõe expressamente que servirão como base de cálculo as variações monetárias quando estas forem liquidadas; portanto, as variações ainda não realizadas não compõem a base de cálculo da citada contribuição Cumpre ressaltar que todas as bases de cálculo a seguir apresentadas pela Impugnante têm respaldo nos livros diário e razão da empresa, livros estes devidamente registrados na Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP".(grifos do original) Reportandose ao período de fev/99 a jan/00, o qual julga em parte atingido pela decadência, alega a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo instituída pela Lei n° 9.718, de 1998, que determinou a inclusão da totalidade das receitas auferidas pela contribuinte, dizendo que tal erro ocorreu nos períodos de "junho e dezembro de 1999 e janeiro de 2000", face o cômputo dos juros passivos e variação cambial ativa não realizada (financeira e comercial). Cita jurisprudência. No que concerne aos juros passivos, argúi que são despesas decorrentes do pagamento em atraso, portanto, não podem ser considerados como receitas integrantes da base de cálculo do Pis, pois seria o mesmo que penalizar a contribuinte duas vezes. Já com relação à variação cambial ativa não realizada, a despeito da inconstitucionalidade de sua inclusão, determinada pela Lei n° 9.718, de 1998, entende que esta não poderia ter sido inserida na base de cálculo, pois não foi ainda liquidada. E continua dizendo que "tanto é inconstitucional que a Medida Provisória 215835/2001 alteroua, excluindo as variacões cambiais ativas não realizadas". Aponta os valores indevidamente incluídos a este título, no período de abr/99 a jan/00. Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10882.001354/200489 Acórdão n.º 3301004.829 S3C3T1 Fl. 492 6 Passando ao período de fev/00 a jan/03, aqui também alega a inclusão indevida das variações cambiais ativas não realizadas, sob o mesmo fundamento antes exposto. Atacando a planilha feita pelo Fisco, aduz, em suas palavras: "Explicando em detalhes, no momento da elaboração da planilha a Impugnada deveria ter apurado a variação cambial ativa realizada, os juros ativos e os descontos obtidos. No entanto, o que fez a Impugnada: somou os descontos obtidos, a variação cambial ativa realizada, os juros ativos e a variação cambial ativa não realizada, encontrando um determinado subtotal. Após, ela diminuiu o valor da variação cambial ativa não realizada e somou, DE FORMA EQUIVOCADA, um montante apurado com base nas contrapartidas dos fornecedores e clientes. Ou seja, para que a planilha ficasse correta, a Impugnada deveria ter se limitado à soma da variação cambial ativa, dos juros ativos e dos descontos obtidos, pois, assim, encontraria a correta base de cálculo. E não somar os valores das contrapartidas dos fornecedores e clientes!" (grifos do original) Refazendo os cálculos do Fisco relativamente ao mês de maio/2000, conforme acima explicitado, acusa que a diferença entre a base de cálculo do Auto de Infração e o valor correto apurado é de R$ 4.875,48, reforçando que a inclusão indevida da variação cambial ativa não realizada ocorreu em todos os meses autuados, como demonstra nos exemplos apontados (out/2001, out/2002 e nov/2002). Elabora, às fls. 216/217, planilha cujas bases de cálculo julga corretas. Relativamente ao período de jan/03 a mar/04, aponta outro equívoco, agora em seu desfavor: "No período acima destacado, os valores referentes aos descontos obtidos estão devedores, quando, na verdade, deveriam estar credores. Ou seja, os valores estão diminuindo o montante da base de cálculo, quando deveriam aumentála. Tal erro foi constatado após o término da fiscalização, pela Impugnante. Ou seja, após o recebimento do auto de infração, a Impugnante, durante o preparo da presente defesa, constatou o equívoco na planilha do período em destaque, aproveitando esta oportunidade para apontálo. No período a partir de janeiro de 2004, não foram incluídos valores na base de cálculo, quando, na verdade, estes montantes existem. Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 10882.001354/200489 Acórdão n.º 3301004.829 S3C3T1 Fl. 493 7 Passando à multa, argúi ser abusiva no percentual aplicado (75%), dizendo nítido o caráter confiscatório. Fundamenta se nas disposições dos arts. 50, XXII, e 150, IV, da Constituição Federal — CF, de 1988. Faz ampla dissertação acerca do conceito de confisco, citando doutrina e jurisprudência, concluindo ser inconstitucional a penalidade imputada, por violar os princípios da capacidade contributiva, da propriedade, do nãoconfisco, da igualdade e da proporcionalidade, pretendendo, quando menos, a redução do valor da multa aplicada. Quanto à cobrança de juros à taxa Selic, refuta a exigência, dizendo ser totalmente ilegal e inconstitucional, face ausência de lei na sua criação. E sendo aplicada na correção de tributos, conclui ter aumento de tributo sem lei específica, em afronta ao disposto no art. 150, I, da CF, de 1988. Cita jurisprudência. Ressalta que "a 20 Câmara Temporária do E. Tribunal de Impostos e Taxas, em decisão recente, entendeu que os juros de mora aplicados sobre os débitos do contribuinte com a Fazenda não podem se basear na variação da taxa Selic, substituindoa pelos juros moratórios de 1% ao mês." Encerra com o seguinte pedido: "Assim sendo, serve a presente para requerer seja julgada procedente a presente impugnação, para o fim de afastar o cálculo apresentado pela Impugnada, diante de todos os equívocos apontados, e, conseqüentemente, constituir o crédito tributário no montante originário de 51.520,67 (cinquenta e um mil quinhentos e vinte reais e sessenta e sete centavos), valor este sem a imputação da multa, por ser abusiva e sem a incidência da Selic (dada sua inconstitucionalidade) conforme planilhas apresentadas pela ora Impugnante." (grifos do original) Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10882.001354/200489 Acórdão n.º 3301004.829 S3C3T1 Fl. 494 8 A DRJ/FOR considerou a manifestação de inconformidade procedente em parte, com a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/03/1999, 0/04/1999, 31/05/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 30/09/2000, 31/01/2001, 31/05/2001, 30/09/2001, 31/01/2002, 31/05/2002, 30/09/2002, 31/01/2003, 31/05/2003, 31/10/2000, 28/02/2001, 30/06/2001, 31/10/2001, 28/02/2002, 30/06/2002, 31/10/2002, 28/02/2003, 30/06/2003, 28/02/1999, 30/06/1999, 31/10/1999, 29/02/2000, 31/07/2000, 30/11/2000, 31/03/2001, 31/07/2001, 30/11/2001, 31/03/2002, 31/07/2002, 30/11/2002, 31/03/2003, 31/07/2003, 31/03/1999, 31/07/1999, 30/11/1999, 31/03/2000, 31/08/2000, 31/12/2000, 30/04/2001, 31/08/2001, 31/12/2001, 30/04/2002, 31/08/2002, 31/12/2002, 30/04/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004,31/03/2004 DECADÊNCIA. PRAZO O prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo à Cofins é de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme determina a legislação de regência. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF A suposta inobservância de ato regulamentar que visa ao controle interno não implica nulidade dos trabalhos praticados sob sua égide, tendentes à apuração e lançamento do crédito tributário, cuja atividade é vinculada à lei e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. Somente a lei pode modificar a competência originária para o lançamento do crédito tributário. Não obstante, in casu, verificase que a inclusão dos períodos de apuração abrangidos na ação fiscal está de acordo com a legislação vigente. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO É devida a exigência da contribuição apurada no confronto dos valores declarados e aqueles escriturados pela contribuinte. VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS A partir do período de apuração de fevereiro de 1999, o Pis incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, nelas se incluindo as advindas de aplicações financeiras, inclusive as variações monetárias ativas e os juros ativos, uma vez que inexiste dispositivo legal que possibilite suas exclusões da base de cálculo. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS A partir de 1°/02/00, as variações cambiais ativas passaram a compor a base de cálculo da contribuição segundo o regime de Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 10882.001354/200489 Acórdão n.º 3301004.829 S3C3T1 Fl. 495 9 caixa, podendo ser adotado o regime de competência, a critério da contribuinte. Se tributadas pelo regime de competência, devem ser reconhecidas a cada mês, independentemente da efetiva liquidação das operações correspondentes. In casu, depreendese dos autos que a fiscalização admitiu a tributação das referidas receitas segundo o regime de caixa, ou seja, no momento da baixa dos direitos de crédito ou das obrigações (realização). DESPESAS FINANCEIRAS Seja qual for a denominação adotada, os ingressos de valores na empresa compõem a base de cálculo do Pis, não havendo que se falar em despesa financeira para efeito de determinação da respectiva contribuição, ao contrário do que se dá na apuração do Imposto de Renda e da CSLL. Retificase a exigência para excluir as despesas indevidamente computadas na base de cálculo da contribuição, bem como as variações cambiais consideradas a débito. LEI 9.718/98. MULTA DE OFÍCIO. JUROS À TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Lançamento Procedente em Parte Foi apresentado Recurso Voluntário, fls 358/400, do qual constam os seguintes pedidos: (i) nulidade do Auto de Infração em relação ao período de novembro/2002 a março/2004, já que tal período não é objeto da ação fiscal que deu origem à autuação fiscal; (ii) decadência do direito de a União Federal efetuar o lançamento em relação aos fatos, geradores ocorridos entre fevereiro e maio/1999; (iii) improcedência do lançamento fiscal objeto do Auto de Infração em relação aos fatos geradores ocorridos entre fevereiro/1999 e novembro/2002, diante da exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da Contribuição ao PIS em razão da flagrante inconstitucionalidade do artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 9.718/98, já reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal e Conselho de Contribuintes, e recentemente revogado pela Lei n° 11.941/2009; Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10882.001354/200489 Acórdão n.º 3301004.829 S3C3T1 Fl. 496 10 (iv) a exclusão dos valores lançados nas contas "Clientes" e "Fornecedores" como receitas financeiras para apuração da Contribuição ao PIS em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2002 até março/2004; e,em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2002 até março/2004; e, (v) caso não seja afastada a aplicação do artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei n' 9.718/98: a) a improcedência do lançamento fiscal em relação aos fatos geradores ocorridos de fevereiro/1999 a janeiro/2000, em razão da aplicação dos artigos 30 e 31 da Medida Provisória n° 1.858 10/1999 (MP n° 2.15835/2001) para as competências a partir de 1999, que impõem a exclusão das variações cambiais ativas não realizadas da base de cálculo da Contribuição ao PIS em razão da tributação com base no regime de caixa; e, b) a retificação da receita financeira no mês de janeiro de 2000 para R$ 0,01 (um centavo), excluindose referente realizada, em razão da aplicação do artigo 30 da Medida Provisória n° 1.858 10/1999 (MP n° 2.15835/2001) já a partir de 01.01.2000, abrangendo, portanto, o período de apuração de janeiro de 2000; c) a exclusão dos valores lançados nas contas "Clientes" e "Fornecedores" como receitas financeiras para apuração da Contribuição ao PIS entre fevereiro/2000 e março/2004. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto à nulidade do Auto de Infração em relação ao período de novembro/2002 a março/2004, já que tal período não é objeto da ação fiscal que deu origem à autuação fiscal, mantémse a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos e também por entender que a Recorrente teve plena ciência do período abrangido no Auto de Infração e amplas condições de exercer o seu direito de defesa. Em relação à arguição de decadência do direito de a União Federal efetuar o lançamento em relação aos fatos, geradores ocorridos entre fevereiro e maio/1999, assiste razão à Recorrente. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devendo ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Além disso, o enunciado da Súmula CARF nº 99 dispõe que: Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 10882.001354/200489 Acórdão n.º 3301004.829 S3C3T1 Fl. 497 11 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Quanto ao mérito, defende a Recorrente a improcedência do lançamento fiscal objeto do Auto de Infração em relação aos fatos geradores ocorridos entre fevereiro/1999 e novembro/2002, diante da exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da Contribuição ao PIS em razão da flagrante inconstitucionalidade do artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 9.718/98, já reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal e Conselho de Contribuintes, e recentemente revogado pela Lei n° 11.941/2009. Defende também a exclusão dos valores lançados nas contas "Clientes" e "Fornecedores" como receitas financeiras para apuração da Contribuição ao PIS em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2002 até março/2004; e,em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2002 até março/2004. Mister consignar que a Lei Complementar nº 70/91, no seu art. 2º, restringia a materialidade do tributo ao faturamento “mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”. Não havia previsão para incidência sobre outras receitas, o que somente ocorreu com o advento da Lei nº 9.718/98, a qual, no seu art. 3º, § 1°, ampliou o âmbito normativo da contribuição, de modo a compreender a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. O § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acordão. Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado no julgamento do RE nº 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada e edição de súmula vinculante sobre a matéria: Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 10882.001354/200489 Acórdão n.º 3301004.829 S3C3T1 Fl. 498 12 RECURSO Extraordinário. Tributo. Contribuição Social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; Res n º 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CESAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Nesse sentido, é de se concluir que assiste razão à Recorrente quando defende a inconstitucionalidade da no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e consequentemente, defende ser indevida no período em pauta a inclusão na base de cálculo da contribuição para a Cofins de valores estranhos ao conceito de faturamento constante da Lei Complementar nº 70/91. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 1019DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.000191/2010-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. CONTRABANDO E DESCAMINHO.
A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando restar configurada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho.
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor. De igual forma, não cabe ao e. CARF a análise de eventual incidência do princípio da insignificância.
SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EFEITO DECLARATÓRIO.
Consoante o que dispõe a legislação do Simples, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em situação vedada. O ato de exclusão possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. Os efeitos excludentes devem observar o disposto na legislação de regência.
Numero da decisão: 1002-000.386
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. CONTRABANDO E DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando restar configurada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor. De igual forma, não cabe ao e. CARF a análise de eventual incidência do princípio da insignificância. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EFEITO DECLARATÓRIO. Consoante o que dispõe a legislação do Simples, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em situação vedada. O ato de exclusão possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. Os efeitos excludentes devem observar o disposto na legislação de regência.
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EXCLUSÃO DO SIMPLES. INFRAÇÃO LEGAL Recorrente TONI CARLI KUHN ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. CONTRABANDO E DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando restar configurada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. De igual forma, não cabe ao e. CARF a análise de eventual incidência do princípio da insignificância. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EFEITO DECLARATÓRIO. Consoante o que dispõe a legislação do Simples, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em situação vedada. O ato de exclusão possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. Os efeitos excludentes devem observar o disposto na legislação de regência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 01 91 /2 01 0- 61 Fl. 109DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 46 à 57) interposto contra o Acórdão n° 0730.360, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (efls. 34 à 42), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo ora Recorrente. O âmago da irresignação consiste em contestar o Ato Declaratório Executivo n° 58, de 27 de janeiro de 2010, o qual excluiu o Contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES Nacional). O desenquadramento ao SIMPLES decorreu da apreensão de receptores de sinais via satélite, de origem estrangeira, sem provas de sua regular importação, os quais foram encontrados no estabelecimento comercial do Recorrente durante fiscalização da Receita Federal (efl. 06). Tal irregularidade foi identificada como comercialização de produtos oriundos de contrabando ou descaminho, razão pela qual recaiu à empresa os termos do art. 29, VII, da Lei Complementar n° 123/06. Vale transcrever os termos do Despacho Decisório SECAT n° 065/2010 (efls. 08 e 09): RELATÓRIO Trata o presente de representação fiscal para que se procedesse à exclusão da empresa Toni Carli Kuhn ME (BAzzI Distribuidora) da modalidade de arrecadação do SIMPLES Nacional (Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006) pela comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho (fl. 3). A empresa citada consta como optante pelo SIMPLES Nacional desde 17 de julho de 2007, sistema ao qual continua vinculada até a presente data (fl. 4). No texto da representação apresentada pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil temos que por meio do Ato Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10920.000191/201061 Acórdão n.º 1002000.386 S1C0T2 Fl. 117 3 Declaratório Executivo DRF/J01 no 46 (fl. 1), de 19 de janeiro de 2010, foi determinado, de forma definitiva, o perdimento de mercadorias estrangeiras relacionadas nos autos do processo 10920.003894/200919, e encontradas sob posse do contribuinte, por estarem desacompanhadas de documentação comprobatória de sua importação regular, devendo, assim, ser excluída a empresa do SIMPLES Nacional nos termos do inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar n° 123. FUNDAMENTAÇÃO A Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, regulamenta o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável as microempresas e as empresas de pequeno porte relativo à apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, ao cumprimento de obrigações trabalhistas e previdenciárias, inclusive obrigações acessórias e ao acesso a crédito e ao mercado, inclusive quanto à preferência nas aquisições de bens e serviços pelos Poderes Públicos, el tecnologia, ao associativismo e as regras de inclusão. Quanto à exclusão das empresas optantes pelo tratamento tributário diferenciado da Lei Complementar n° 123; de 14 de dezembro de 2006; temos: Art 29. A exclusão de oficio das empresas optantes pelo SIMPLES Nacional darseá quando: VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; § I° Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. Para efetivarse esta exclusão, determina o § 1° do artigo 40 da Resolução CGSN no 15, de 23 de julho de 2007 que será expedido termo de exclusão pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de oficio. DECISÃO Em face do exposto, com base na documentação anexada ao presente processo e considerando a legislação que rege a matéria (Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio de 2007 e Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007), concluise pela ocorrência de infração à legislação pela COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS ORIUNDAS DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO o que, por conseqüência, exige que se EXCLUA A EMPRESA da sistemática de arrecadação do SIMPLES Nacional com efeitos contados a partir de 1 0 DE JANEIRO de 2010, PERMANECENDO IMPEDIDA DE OPTAR novamente por aquele regime diferenciado NOS EXERCÍCIOS DE 2011, 2012 E 2013. Fl. 111DF CARF MF 4 Em adição a tais aspectos, foi publicado Ato Declaratório Executivo n° 46, de 19 de janeiro de 2010, o qual determinou o perdimento dos aparelhos eletrônicos apreendidos. Nessa ocasião, não houve manifestação do Contribuinte, tendo o processo transcorrido à sua revelia. O Acórdão n° 0730.360, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (efls. 34 à 42), por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo ora Recorrente. Decisão essa ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2010, 2011, 2012 EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. RETROATIVIDADE. Caracterizada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, excluise de ofício do Simples Nacional a ME ou EPP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Os argumentos outrora apresentados na Manifestação de Inconformidade são reiterados em sede de Recurso Voluntário, a saber: da não ocorrência de prática de contrabando; de que a importação irregular dos aparelhos eletrônicos não se deu por parte do Contribuinte; de que houve errônea decretação de perdimento dos bens; bem como a aplicação do princípio da insignificância, oriundo do Direito Penal. De arremate, pugna subsidiariamente pela modulação dos efeitos da exclusão, pois entende ser inconstitucional sua incidência retroativa. Vale citar os principais argumentos: O Sr. Toni Carli Kuhn iniciou suas atividades de empresário individual em 06/07/2007, data em que abriu sua empresa Bazzi Importadora e Distribuidora Ltda, CNPJ 08.923.754/000125. Após aproximadamente dois anos no mercado, fase conhecida como definidora do futuro de uma empresa recéminiciada, procurou expandir o mix de produtos colocados à venda. Dentre alguns novos produtos escolhidos, adquiriu em seu nome pessoa física 04 (quatro) aparelhos receptores de sinais via satélite, sendo: Receptor satélite 530 (2 unidades) Receptor satélite MF2000 (1 unidade) Receptor satélite S810B (1 unidade) O Sr. Toni Carli Kuhn, antes de efetivamente decidir comercializar esse tipo de produto em sua empresa Bazzi Importadora e Distribuidora Ltda, adquiriu referidos modelos Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10920.000191/201061 Acórdão n.º 1002000.386 S1C0T2 Fl. 118 5 para testes iniciais, visando aferir a funcionalidade dos mesmos na região de Canoinhas, interior do estado de Santa Catarina, pois era sabido que de acordo com as marcas e especificações de cada aparelho, sua funcionalidade, ou seja, a qualidade do sinal e imagem poderiam variar de acordo, também, com o método de instalação. E assim o fez não em nome de sua empresa (CNPJ), mas os adquiriu particularmente, através de seu CPF, da empresa INFOMIX COMPUTADORES, na data de 23/06/2009, conforme nota fiscal anexada com a defesa juntada às fls. 12 a 22. (...) Como se vê, a decisão confunde a figura da pessoa física com a da pessoa jurídica, que apesar de ser ME na época, possui e sempre possuiu CNPJ, motivo pelo qual são figuras distintas entre si, sendo insustentável a afirmação de que as compras da empresa (pessoa jurídica) "hão de ser feitas" através da pessoa física. (...) Mesmo em se tratando de empresário individual, onde o patrimônio do empresário engloba tanto os bens individuais quanto os bens utilizados para o exercício da atividade empresarial, devese atentar para que este conceito busca a responsabilidade patrimonial em razão de dívidas contraídas, mas em nenhum momento deixa de diferenciar uma pessoa física de uma pessoa jurídica. (...) Logo, a decisão recorrida se toma equivocada no momento em que mistura os institutos legais aqui definidos, inclusive afirmando erroneamente que "as compras e as vendas da ME em seu nome hão de ser feitas, pois se verifica indiscutível e vinculante conexão entre tais compras para testes e o objeto de atuação da ME, que é justamente o fornecimento de receptores e antenas para recepção satelital." (...) Como dito, o Sr. Toni Carli Kuhn, antes de efetivamente decidir comercializar esse tipo de produto em sua empresa Bazzi Importadora e Distribuidora Ltda, adquiriu referidos modelos para testes iniciais, visando aferir a funcionalidade dos mesmos na região de Canoinhas, interior do estado de Santa Catarina, pois era sabido que de acordo com as marcas e especificações de cada aparelho, sua funcionalidade, ou seja, a qualidade do sinal e imagem poderia variar de acordo, também, com o método de instalação. E assim o fez não em nome de sua empresa (CNPJ), mas os adquiriu particularmente, através de seu CPF. A veracidade dessa afirmação se comprova facilmente! Basta analisar a quantidade de produtos que foi adquirida! Quatro Fl. 113DF CARF MF 6 unidades senhores! Apenas quatro unidades, sendo inclusive três delas totalmente diferentes em termos de especificações! (...) O Sr. Toni Carli Kuhn e tampouco sua empresa praticaram qualquer ato criminoso de importar ou exportar mercadoria proibida. Tampouco houve sonegação de imposto, uma vez que a compra foi realizada pelo Sr. Toni Carli Kuhn de empresa regularmente constituída no país, esta sim responsável pelo pagamento dos impostos de importação, conforme nota fiscal já anexada neste processo administrativo. (...) No caso, também se trata de crime impossível de ser praticado pelo adquirente do produto, Sr. Toni Carli Kuhn! A responsabilidade pelo recolhimento tributário do produto importado/exportado é da empresa que efetivamente importou o produto e vendeu ao Sr. Toni Carli Kuhn! Evidente que não há autoria de crime de descaminho pela empresa e tampouco por seu proprietário! Por fim, sempre é importante lembrar que a própria Constituição Federal preceitua que "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória" (art. 5°, LVll). E tampouco o Sr. Toni Carli Kuhn quanto sua empresa foram sequer denunciados quanto aos alegados crimes de contrabando/descaminho (art. 334 do Código Penal). Ainda, pelo princípio constitucional da presunção de inocência, somente após um processo criminal concluído, em que se demonstre em trânsito em julgado a culpabilidade do(s) acusado(s) é que o Estado poderá aplicarlhe as sanções relativas ao ilícito cometido. (...) Logo, se eventual importação irregular houve, deuse pela empresa INFOMIX COMPUTADORES, esta sim responsável pelo cumprimento da legislação atinente ao caso! Imputar a responsabilidade do adquirente do produto, Sr. Toni Carli Kuhn, pessoa física, é ultrapassar as devidas responsabilidades específicas dentro da cadeia de comercialização dos produtos apreendidos! (...) No caso é perfeitamente aplicável o princípio da insignificância, uma vez que só se consideram aspectos objetivos, referentes à infração praticada, assim como a mínima ofensividade da conduta do agente; a ausência de periculosidade social da ação; o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; a inexpressividade da lesão jurídica causada (HC 84.412, 2a T.. Celso de Mello, DJ 19.11.04) (...) Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10920.000191/201061 Acórdão n.º 1002000.386 S1C0T2 Fl. 119 7 Como visto, as Cortes Superiores de Justiça do nosso país (STF e STJ) firmaram entendimento no sentido da aplicação do princípio da insignificância aos supostos delitos em questão, quando débito tributário não ultrapassar o valor de R$10.000,00 (dez mil reais). (...) Por sua vez, não há como impor uma condenação retroativa ao recorrente, excluindoo da opção pelo regime simplificado de tributação. Esta penalidade, se confirmada, somente produzirá efeitos a partir do seu trânsito em julgado, e impedirá a empresa Bazzi Importadora e Distribuidora de optar pelo regime simples apenas no próximo ano tributário ao da condenação, esta então devidamente transitada em julgado. (...) Ou seja, a empresa Bazzi Importadora e Distribuidora somente sujeitarseá à decisão de exclusão do simples nacional a partir do período em que surgirem os efeitos da condenação, que virá com o trânsito em julgado! Não pode a decisão ser retroativa ao(s) periodo(s) em que a situação ficou pendente de recurso, como é o caso deste processo administrativo! Em sendo mantida a condenação de exclusão do simples nacional, deve ela valer a partir desta data, ficando assim impedida a recorrente de solicitar nova inscrição para essa modalidade a partir do ano seguinte. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, trata de exclusão do Simples, desvinculado do crédito tributário. Eventual crédito tributário não é exigido nestes autos, bem como não visualizo qualquer critério que justifique a vinculação destes autos a eventual processo de exigibilidade do crédito tributário, não verificando a aplicação de quaisquer das formas de vinculação constantes do art. 6.º, § 1.º, do Anexo II, do RICARF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a Fl. 115DF CARF MF 8 aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Mérito 1. Da exclusão indevida do SIMPLES por ausência de contrabando A Recorrente alega ter ocorrido exclusão indevida do SIMPLES Nacional, em virtude de não ter realizado a prática do contrabando. Em sua percepção, não o ato de exclusão não se sustenta, pois não houve comercialização dos produtos apreendidos; algo que seria condição necessária para a aplicação do art. 29, VII, da LC n° 123/06. No entanto, não merece ser acolhido tal argumento. A Fiscalização (a qual foi inclusive citado pelo Recorrente em sua defesa) evidencia a apreensão dos produtos eletrônicos, bem como a autoria e materialidade do contrabando, haja vista os bens terem sido encontrados sem a documentação comprobatória de regular importação. O respectivo trâmite de perdimento ocorreu nos autos processo nº 10920.0038941/200919, cuja legitimidade e ocasião para debate sobre o feito eram incontestes, e o Contribuinte escolheu se abster em sua defesa. Conforme se nota no deslinde do presente PAF, quedouse plenamente comprovado o enquadramento nas circunstâncias do art. 29, VII, da LC n° 123/06. Não há que se cogitar em violação à legalidade, ou mesmo apreciação errônea da circunstância fática. Pois, reitero que a Autoridade Fiscal flagrou a existência dos aparelhos eletrônicos irregulares no estabelecimento comercial do Contribuinte, o que conduz à inegável conclusão de que seriam destinados ao comércio. Ademais, o Acórdão da DRJ também expôs o tema com solar clareza, cujo teor utilizo como parte da fundamentação do presente Voto, conforme autoriza o §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: Já se viu no relatório que antecede este voto que a ME requerente contesta a correção com que foi aplicada às suas mercadorias estrangeiras apreendidas a pena de perdimento embora reconheça a revelia e confesse que a aquisição dos bens estrangeiros havia sido feita em nome da pessoa física do microempresário , sob o argumento de que os bens haviam sido adquiridos de empresa brasileira na área secundária do território aduaneiro; manifesta, porém, sua inconformidade com a exclusão do SN que a autoridade administrativa, no cumprimento de seu dever legal, lhe declarou. Tanto é verdadeira essa constatação, que o prazo assinado no AUTO DE INFRAÇÃO E TERMO DE APREENSÃO E GUARDA FISCAL DE MERCADORIAS para impugnação do procedimento fiscal transcorreu in albis, com que ficou caracterizada a revelia da ME, conforme constou no ADE nº 46 (f. 3), acima transcrito2. Ocorre, entretanto, que a revelia mencionada estabelece a preclusão administrativa tornandoa definitiva na instância administrativa , da possibilidade de reexame hierárquico da penalidade de perdimento resultante da constatação de depósito Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10920.000191/201061 Acórdão n.º 1002000.386 S1C0T2 Fl. 120 9 ou comercialização (depósito em estabelecimento comercial) de mercadorias estrangeiras “desacompanhadas de documentação comprobatória de sua regular importação”, causa determinante da exclusão do SN. Como assentado no ADE nº 58 (f. 10), a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, assim dispõe, em seu art. 29, a respeito da exclusão de ofício do SN (destaques acrescentados): (...) A confissão materialmente comprovada de que as mercadorias estrangeiras haviam sido adquiridas em nome da pessoa física do microempresário embora alegadamente para testes , em nada ajuda à sua causa eis que, mesmo para tal fim, as compras e as vendas da ME em seu nome hão de ser feitas, pois se verifica indiscutível e vinculante conexão entre tais compras para testes e o objeto de atuação da ME, que é justamente o fornecimento de receptores e antenas para recepção satelital. Da mesma forma, não merece guarida o argumento de que referidas mercadorias estrangeiras não estavam à vista do público mas, ainda acondicionadas em caixas, depositadas “em uma sala” do estabelecimento comercial, pois assim dispõe a legislação aduaneira (Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior): (...) Como visto, o presente estágio do processo administrativo fiscal apenas trata da penalidade decorrente (exclusão do SN) da comercialização de mercadorias descaminhadas ou contrabandeadas. Neste caso particular, para apreciarse a argumentação do microempresário, terseia de reabrir o que é legalmente inviável o procedimento fiscaladuaneiro já concluído, sob revelia, pela aplicação da pena de perdimento das mercadorias estrangeiras encontradas em seu estabelecimento comercial desacompanhadas de documentação comprobatória de sua regular importação. Portanto, a intelecção do Acórdão de piso foi inteiramente consentânea com a realidade material apresentada nos autos, razão pela qual merece integral manutenção. O enquadramento legal foi correto e não merece retoques. É inequívoco que os aparelhos eletrônicos foram encontrados no estabelecimento comercial do Contribuinte, cuja atividade comercial guarda intrínseca relação com a natureza dos indigitados produtos apreendidos. Tal aspecto esvazia a tese defensiva no que cinge à materialidade e à autoria da infração, de modo que não se mostra crível o argumento de que os receptores de satélite foram adquiridos apenas para teste. Quanto ao mais, vale reiterar que o processo de perdimento dos bens transcorreu à sua revelia, o que igualmente obsta a apreciação de seus consectários no presente processo; contudo, esse aspecto é suficiente para afastar as supostas violações aos princípios da ampla Fl. 117DF CARF MF 10 defesa e da presunção da inocência, eis que foram conferidas ao Recorrente todas as oportunidades de debate. Outrossim, tampouco cabe a este Colendo CARF apreciar aspectos criminais, tal como se busca neste caso. Eis que nesta seara recursal cabe apenas identificar dois aspectos fundamentais: Se ocorreu a infração e se a esta foi conferido o desiderato adequado. E, conforme repisado alhures, tais circunstâncias foram estritamente observadas ao longo do PAF. Nessa trilha, este Colendo CARF já teve a oportunidade de examinar caso bastante semelhante, o qual transcrevo abaixo trecho do Voto da Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa (Acórdão n° 1802002.008): No entendimento da decisão recorrida, com o qual concordo, as objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos, que dão ensejo a pena de perdimento de bens, devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias. Deixando a defendente de oferecêlas no prazo que lhe foi oportunizado, operase a preclusão temporal. Indubitavelmente, nos presentes autos, não cabe discutir o cerceamento ao direito de defesa ocorrido ou não naquele processo administrativo referente ao Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias nº 10935.004139/200981. Ainda que revel naquele processo, poderia a contribuinte, nos presentes autos, fazer a contraprova de que não comercializara mercadorias objeto de contrabando ou descaminho e, assim, não seria excluído do Simples Nacional. A Recorrente não alega com provas de que não se subsume na hipótese prevista no artigo 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006, que motivou a exclusão do Simples Nacional, que assim dispõe: Lei Complementar nº 123/2006 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; Desse modo, não constatada a nulidade aventada pela Recorrente e, não havendo a Recorrente trazido aos autos a prova de que não praticara o ato (comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, descrito no auto de infração) de exclusão da empresa do Simples Nacional há de ser mantido o Ato Declaratório Executivo em comento . Ademais, a jurisprudência do CARF é farta no sentido de proceder com a exclusão do SIMPLES Nacional quando do malferimento ao art. 29, VII, da Lei Complementar n° 123/06, reiterando a postura da Corte com relação à matéria ora em debate, sem que isso viole os princípios constitucionais sustentados pela Recorrente: Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10920.000191/201061 Acórdão n.º 1002000.386 S1C0T2 Fl. 121 11 1. Processo n° 10935.004296/200997, Rel. Ester Marques EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. (Inteligência do artigo 29, inciso, VII da Lei Complementar nº 123/2006). 2. Processo n° 13971.005060/200849, Rel. Ester Marques EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. (Inteligência do artigo 29, inciso, VII da Lei Complementar nº 123/2006). APREENSÃO DE MERCADORIAS. As objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos que ensejam a pena de perdimento de bens devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3. Processo n° 10811.000087/201012, Rel. Carmen Saraiva CIGARRO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA, SEM DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA IMPORTAÇÃO REGULAR. Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. Fl. 119DF CARF MF 12 OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. DEVER FUNCIONAL. No caso de a pessoa jurídica optante incorrer em hipótese legal de vedação e não comunicar espontaneamente o fato, há exclusão de ofício mediante emissão do termo pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional. Faço aqui especial reiteração à revelia, derivada da ausência de defesa ao Processo de Perdimento no momento oportuno. Esse aspecto, por si só, impede a análise casuística do fato que serviu de supedâneo à exclusão do SIMPLES Nacional. Reforço, portanto, que o cerne do presente processo busca o afastamento da indigitada exclusão, e não o combate aos elementos fáticos da apreensão, os quais foram aplacados pelos efeitos da preclusão. Portanto, nenhum argumento hábil foi apresentado para mitigar ou reformar os termos do Acórdão da DRJ; outrossim, consta nos autos do processo uma consistente coletânea documental, apta a amparar a retirada da empresa do SIMPLES Nacional nos termos do art. 29, VII, da Lei Complementar n° 123/06. Por fim, a suposta violação constitucional conduziria ao desiderato da inconstitucionalidade reflexa da norma cotejada, o que acarreta a incidência da Súmula CARF n° 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isso porque não cumpre ao CARF exercer qualquer forma de controle de constitucionalidade ou cotejo constitucional. Logo, não há que se argüir nessa instância a suposta violação de princípios quando da estrita aplicação e observância da norma infraconstitucional pela Administração Pública. 2. Do princípio da insignificância No exercício de seu direito de defesa, o Contribuinte elenca uma série de elementos que entende por aplicáveis ao caso. Em que pese a clareza de exposição e o louvável trabalho na fundamentação de suas teses, observo que a abordagem ao caso buscou um viés muito mais próximo ao Direito Penal, que ao próprio processo administrativo tributário e fiscal. Apenas por amor ao debate e em respeito ao trabalho formulado na peça defensiva, destaco que a jurisprudência dos Tribunais Superiores tem afastado a incidência do princípio da insignificância aos crimes de contrabando. Tratase de crime em que há uma lesão “bifronte”, que atinge não só a atividade arrecadatória do Estado, mas interesses públicos como a saúde e a atividade industrial. Transcrevo abaixo a ementa de decisão proferida pelo i. Ministro Luiz Fux: PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS . CONTRABANDO DE CIGARROS (ART. 334, § 1º, “C ”, DO CP). DESCLASSIFICAÇÃO PARA O CRIME DE DESCAMINHO. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. NÃO INCIDÊNCIA. ORDEM DENEGADA. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10920.000191/201061 Acórdão n.º 1002000.386 S1C0T2 Fl. 122 13 1. O cigarro posto mercadoria importada com elisão de impostos, incorre em lesão bifronte não só ao erário e à atividade arrecadatória do Estado, mas a outros interesses públicos como a saúde e a atividade industrial internas, configurandose contrabando, e não descaminho. Precedentes: HC 100.367, Primeira Turma, DJe de 08.09.11 e HC 100.367, Primeira Turma, Relator o Ministro Luiz Fux, DJe de 08.09.11. 2. O crime de contrabando incide na proibição relativa sobre a importação da mercadoria, presentes as conhecidas restrições dos órgãos de saúde nacionais incidentes sobre o cigarro. 3. In casu, a) o paciente denunciado como incurso nas sanções do artigo 334, § 1º, alínea c, do Código Penal, por ter adquirido, para fins de revenda, mercadorias de procedência estrangeira – 1.401 (um mil quatrocentos e um) maços de cigarros – desacompanhadas da documentação fiscal comprobatória do recolhimento dos respectivos tributos; b) o valor total do tributo, em tese, não recolhido aos cofres públicos é de R$ 1.401,00 (um mil quatrocentos e um reais); c) o juiz singular, reconheceu a aplicabilidade, in casu, do princípio da insignificância, e, por conseguinte, rejeitou a denúncia; d) a Corte Regional deu provimento ao recurso em sentido estrito do Ministério Público para determinar o recebimento da peça acusatória. 4. O princípio da insignificância não incide na hipótese de contrabando de cigarros, tendo em vista que “não é o valor material que se considera na espécie, mas os valores ético jurídicos que o sistema normativopenal resguarda” (HC 118.359, Segunda Turma, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, DJ de 11.11.13). No mesmo sentido: HC 119.171, Primeira Turma, Relatora a Ministra Rosa Weber, DJ de 04.11.13; HC 117.915, Segunda Turma, Relator o Ministro Gilmar Mendes, DJ de 12.11.13; HC 110.841, Segunda Turma, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, DJ de 14.12.12. 5. Ordem denegada. HABEAS CORPUS 121.916/MG (rel. Min. Luiz Fux) Por fim, impera destacar que o Superior Tribunal de Justiça inclusive sumulou o tema, em seu enunciado nº 599: "O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a Administração Pública". 4. Dos efeitos do Ato Declaratório Executivo Quanto ao pleito subsidiário do Recorrente, não é possível acolhêlo. Isso porque os efeitos da exclusão são declaratórios e, por conseguinte, retroagem. Destaco, ainda, que tal desiderato do ADE tem amparo legal nos art. 29, § 1º, da LC 123/06: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: Fl. 121DF CARF MF 14 (...) § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. Notase, pois, que os efeitos da citada exclusão devem retroagir. Nesse sentido, cito o Acórdão nº 1301001.523, da 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária deste CARF, sessão de 08 de maio de 2014, assim ementado: EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ATO DECLARATÓRIO. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. Com igual posicionamento, destaco: Acórdãos ns.º 2202003.552, da 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 20/10/16; 1302002070, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 21/03/17; 1201001.843, da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 15/08/2017. Portanto, concluise que o ato de exclusão do SIMPLES pode ter efeitos retroativos, para tanto devendo observar o disposto na legislação de regência. Nesse espeque, transcrevo a ementa de outro precedente do CARF, Acórdão nº 120100.395, da 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, sessão de 27 de janeiro de 2011, verbis: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 EXCLUSÃO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. O ato administrativo que declara a exclusão da pessoa jurídica do Simples em virtude da prestação de serviços vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra, gera efeitos a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Por fim, é de extrema valia destacar que tal aspecto já se encontra também pacificado no Superior Tribunal de Justiça desde 2010, o qual se incumbiu de julgar o tema sob a sistemática de Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC de 1973). Assim, transcrevo a ementa do indigitado REsp 1.124.507/MG, da relatoria do Min. Benedito Gonçalves DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10920.000191/201061 Acórdão n.º 1002000.386 S1C0T2 Fl. 123 15 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. 2. Não merece conhecimento o apelo especial quanto às alegações de contrariedade aos artigos 458 e 535 do CPC, porquanto a recorrente apresentou argumentação de cunho genérico, sem apontar quais seriam os vícios do acórdão recorrido, que justificariam sua anulação. Incidência da Súmula 284/STF. 3. No caso concreto, foi vedada a permanência da recorrida no SIMPLES ao fundamento de que um de seus sócios é titular de outra empresa, com mais de 10% de participação, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal no anocalendário de 2002 (hipótese prevista no artigo 9º, inciso IX, da Lei 9.317/96), tendo o Ato Declaratório Executivo n. 505.126, de 2/4/2004, da Secretaria da Receita Federal, produzido efeitos a partir de 1º/1/2003. 4. Em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei. Precedentes. 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, Fl. 123DF CARF MF 16 mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido. Logo, não vejo qualquer incorreção na decisão prolatada em sede de instância a quo. Dispositivo Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO por CONHECER do Recurso Voluntário, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.002707/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2007
EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDO A DEPENDENTES.
As bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos segurados empregados e diretores, sob a forma de descontos nas mensalidades, assumem a feição de remuneração e estão sujeitas à incidência da tributação.
CFL 34. PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS NA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO. MULTA MANTIDA
Constitui infração à legislação deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa.
MPF. CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
O sujeito passivo será cientificado do MPF através de seu representante legal, mandatário ou preposto.
PROCESSO DE CONSULTA FISCAL.
Não produz efeito a consulta formulada por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada.
NULIDADE. PREJUÍZO. INOCORRÊNCIA.
Presentes os requisitos legais do Auto de Infração e, inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito.
LAVRATURA DA NFLD. CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO.
O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. REPLEG. SÚMULA CARF Nº 88.
Nos termos da Súmula CARF nº 88, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg" e a "Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28.
Conforme Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 2202-004.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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BOLSAS DE ESTUDO A DEPENDENTES. As bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos segurados empregados e diretores, sob a forma de descontos nas mensalidades, assumem a feição de remuneração e estão sujeitas à incidência da tributação. CFL 34. PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS NA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO. MULTA MANTIDA Constitui infração à legislação deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa. MPF. CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo será cientificado do MPF através de seu representante legal, mandatário ou preposto. PROCESSO DE CONSULTA FISCAL. Não produz efeito a consulta formulada por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada. NULIDADE. PREJUÍZO. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais do Auto de Infração e, inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. LAVRATURA DA NFLD. CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO. O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 27 07 /2 00 7- 26 Fl. 462DF CARF MF Processo nº 13855.002707/200726 Acórdão n.º 2202004.640 S2C2T2 Fl. 462 2 da fundamentação legal que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. REPLEG. SÚMULA CARF Nº 88. Nos termos da Súmula CARF nº 88, a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg" e a "Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. Conforme Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Fl. 463DF CARF MF Processo nº 13855.002707/200726 Acórdão n.º 2202004.640 S2C2T2 Fl. 463 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13855.002707/200726, em face do acórdão nº 1420.110, julgado pela 9ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão realizada em 21 de agosto de 2008, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “O Auto d Infração AI DEBCAD n° 37.105.2513, foi lavrado por ter a Empresa deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias contidas no inciso II do art. 32 da Lei n° 8.212 de 24/07/91 c/c art. 225, II e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Noticia o Relatório Fiscal da Infração (fls. 21 a 22) que a Empresa Autuada deixou de contabilizar em títulos próprios, como salário de contribuição dos seus segurados empregados e administradores, as bolsas de estudo concedidas aos filhos e dependentes dos mesmos. Foi aplicada a multa agravada correspondente a R$ 23.902,42 (vinte e três mil, novecentos e dois reais e quarenta e dois centavos), fundamentada na alínea “a” do inciso II do art. 283 c/c art. 290, inc. V, e art. 292, inc. IV do Decreto n° 3.048/99, e valor atualizado através da Portaria Ministerial MPS n° 142, de 11/04/07, de acordo com o explicitado no Feito, Relatório Fiscal da Infração e Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, do presente processo. 1MPUGNAÇÃO: Dentro do prazo regulamentar o Autuado, através do Instrumento de fls. 163 a 198, consubstanciada nas seguintes alegações, em síntese: Das Preliminares. Da Nulidade do Procedimento Em Debate MPF Entregue a Pessoa Inapta Inteligência Decreto n° 70.235/ 1972. É nula a NFLD tendo em vista que os Mandados de Procedimento Fiscal e os termos enviados pela fiscalização não são válidos, pois entregues a pessoas sem autorização para a prática de tais atos. Menciona neste particular inúmeros artigos de seu Estatuto Social e o artigo 23 do Decreto n° 70.235/72 e acrescenta que a apresentação de defesa não supre a nulidade em questão. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 13855.002707/200726 Acórdão n.º 2202004.640 S2C2T2 Fl. 464 4 Da Existência de Procedimento de Consulta. Nulidade da NFLD. Pende de apreciação junto à Secretaria da Receita Federal, consulta fonnulada sobre o objeto da presente autuação (documentos em anexo), protocoladas antes do início da ação fiscal, levandose em conta a nulidade do início da fiscalização como argumentado e provado no tópico anterior. Da Não Incidência de Contribuição Social. Bolsas Pagas a Título de Pesquisa. Tece arrazoado sobre anão incidência de tal benefício. Esclarece sobre a instituição e fonna de atuar da FUNADESP. Da Não Incidência de Contribuição Social Sobre Acordos Coletivos, Não Configuração de Ganho Habitual. Transitoriedade Dos Acordos Coletivos, Inteligência do Próprio § 9°, Alínea “t” do Artigo 28 da Lei n° 8.212/91 c/c Art. 112 do CTN. Do Conceito de Salário. Impossibilidade de Mutação Pela Legislação Tributária. Inteligência Dos Artigos 109 e 110 do CTN c/c Art. 458 da CLT. Improcedência da Autuação. No caso dos autos não ocorre a hipótese de incidência dos tributos cobrados, pois, as bolsas de estudo são concedidas em decorrência de instrumentos normativos (com força de lei), de caráter transitório (com prazos de vigência determinados), não se configurando a habitualidade (cita definição contida em dicionário do termo “habitual”), não podendo o cumprimento ao disposto na CLT ser utilizado para compelir a empresa ao pagamento do tributo (cita artigos 109,110 e 112 do CTN); O benefício da bolsa de estudos não pode ser incorporado, não cria vínculo empregatício além daquele mantido pelo empregado e tem prazo determinado, correspondente à duração do respectivo curso. O benefício em questão não se enquadra no conceito de salário (cita os artigos 195, I e 201, parágrafo 4°, da Constituição Federal); A previsão normativa de concessão de bolsas de estudo obedece a dispositivo constitucional que estabelece que a educação será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. As Leis de Diretrizes e Base de Educação obrigam as Instituições de Ensino a qualificarem e capacitarem seus funcionários e professores. Também a Consolidação das Leis do Trabalho CLT, em seu artigo 458, parágrafo 2°., II, estabelece que não é salário a concessão de educação, em estabelecimentos de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores de matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material. A fiscalização interpretou o artigo 28, parágrafo 9°, alínea “t” , da Lei n°8.212/91 de forma equivocada, vez que as bolsas Fl. 465DF CARF MF Processo nº 13855.002707/200726 Acórdão n.º 2202004.640 S2C2T2 Fl. 465 5 previstas em acordos coletivos são de acesso a todos os empregados e dirigentes da impugnante. A legislação tributária, ao definir infrações, deve ser interpretada de maneira mais favorável ao contribuinte (CTN artigo 112). A Lei n° 11.096/2005 trata de bolsas de estudos destinadas especificamente a empregados e seus dependentes. Da Inexistência de Obrigação Acessória de Registro Contábil Por Inexistência do Fato Gerador do Tributo. Inexigibilidade da Autuação. Como inexistente o fato gerador do tributo, inexistente a obrigação da impugnante de registrar contabilmente as operações que se entendeu como tributadas, não existindo a obrigação acessória da escrituração, sendo indevida a multa aplicada. Como a impugnante é primária e tem bons antecedentes, em caso de procedência da autuação requerse seja relevada a multa na forma da legislação previdenciária. Da Multa Aplicada. A multa aplicada é confiscatória, portanto, inconstitucional, posto que superior a 20% (vinte por cento), devendo assim ser cancelada. Da Impossibilidade de Comunicação ao Ministério Público de Eventual Prática de Crime Fiscal. Afigurase a impossibilidade de comunicação ao Ministério Público Federal de suposta prática criminosa, posto que ainda não exaurida a via administrativa. Da Impossibilidade de Apontamento de CoResponsáveis Legais por Mero Auditor Fiscal Ofensa ao Princípio da Legalidade. Existe óbice para o apontamento de coresponsável legal por mero agente fiscalizador (cita os artigos 128 e 135 do CTN), representando arbitrariedade a desconsideração da personalidade jurídica da entidade. Do Pedido: Requer a nulidade do AI em decorrência da .nulidade dos mandados de procedimento fiscal que deram termo inicial ao AI e, uma vez reconhecida tal nulidade, seja a Secretaria da Receita Federal impossibilitada de autuar a autuada até a resposta das consultas por ela formuladas; Caso não acolhida a nulidade argüida, decretação da improcedência do AI, vez que inviável a tributação de contribuições sociais sobre verbas que não compõem o salário; Caso superados os argumentos anteriores, seja cancelada a multa por ter efeito confiscatório ou seja relevada pelos bons antecedentes e primariedade da impugnante; Cancelamento do CORESP feito pela fiscalização e, Independente do resultado do procedimento administrativo, que Fl. 466DF CARF MF Processo nº 13855.002707/200726 Acórdão n.º 2202004.640 S2C2T2 Fl. 466 6 não seja feita nenhuma comunicação ao Ministério Público Federal antes de exaurido o presente. Junta os documentos de fls. 245 a 361. É o Relatório.” A DRJ de origem entendeu pela procedência do Auto de infração, mantendo o débito tributário e a multa aplicada no valor de R$ 23.902,42 (vinte e três mil, novecentos e dois reais e quarenta e dois centavos). A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 435/459, reiterando, as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares. Preliminarmente alega que há nulidade da autuação porque o MPF foi entregue a pessoa que não detinha poderes para recebêlo. Na visão da recorrente o MPF somente poderia ter sido entregue ao seu Diretor Presidente ou Diretor Superintendente, aos quais cabem os poderes de representação. Questão similar relativa à ciência da própria notificação fiscal de lançamento já foi superada nesse Conselho, o qual admite sua validade ainda que o recebedor não detenha poderes de representação. Nesse sentido a Súmula CARF 09: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Por decorrência lógica, se é valida a ciência do lançamento ainda que o recebedor não detenha poderes para tanto, quanto mais o MPF que demarca o início da fiscalização. Assim, presentes os requisitos legais da NFLD e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal que ampara Fl. 467DF CARF MF Processo nº 13855.002707/200726 Acórdão n.º 2202004.640 S2C2T2 Fl. 467 7 o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade. Rejeitase, portanto as preliminares de nulidade suscitadas. Consulta fiscal Sustenta o recorrente que não poderia ter sido lavrada a NFLD uma vez que havia processo de consulta pendente com o mesmo matéria objeto do lançamento. Acerca do processo de consulta dispõe do artigo 48 do Decreto 70.235/72: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância Como se vê nenhum procedimento será instaurado quando o sujeito passivo tenha iniciado, previamente, o processo de consulta, cuja matéria seja semelhante. No caso dos autos, como bem apontado pela r. decisão recorrida o pedido de consulta protocolado pelo recorrente foi posterior ao procedimento fiscal, em setembro/2007, enquanto que a fiscalização teve início em 07 de março de 2007, antes portanto, das consultas trazidas aos autos. Uma vez que o sujeito passivo já estava sob procedimento fiscal quando da formulação das consultas em questão, não se verifica qualquer óbice à lavratura fiscal consubstanciada na presente NFLD. Logo, rejeito também a preliminar. Alegações de inconstitucionalidade. Caráter confiscatório da multa. A análise da alegação do efeito confiscatório da multa aplicada e sua consequente inconstitucionalidade esbarra no fato de que este órgão julgador não dispõe de competência para analisála, pois isso implicaria em adentrar na suscitada colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Ademais, prevê a Súmula CARF nº 02 o seguinte: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disto, não há acolher os argumentos da contribuinte quanto as alegações de inconstitucionalidade. Representação Fiscal Para Fins Penais. Quanto à questão argüida pela Autuada, referente à Representação Fiscal Para Fins Penais RFFP noticiada nos autos, cabe esclarecer que este órgão julgador não dispõe de competência para apreciar o inconformismo externado pelo sujeito passivo, conforme Súmula CARF nº 28 abaixo transcrita: Fl. 468DF CARF MF Processo nº 13855.002707/200726 Acórdão n.º 2202004.640 S2C2T2 Fl. 468 8 Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Portanto, rejeitase a alegação da contribuinte. Relatório de Representantes Legais. A contribuinte também se mostra irresignada em relação ao item "11" do Relatório Fiscal, redigido nos seguintes termos: "Os responsáveis legais pelo débito encontramse discriminados no Relatório de Coresponsáveis — CORESP, anexo." Cumpre esclarecer que o Relatório de Coresponsáveis CORESP, previsto na redação original do artigo 660, X da Instrução Normativa MPS SRP 03/2005 (DOU de 15/07/2005) foi substituído pelo Relatório de Representantes Legais REPLEG, conforme alteração do citado dispositivo pela Instrução Normativa SRP 20, de 11/01/2007 (DOU de 16/01/2007). Assim, não existe nos autos o relatório CORESP, mas sim o REPLEG, o qual, em seus próprios dizeres, "...lista todas as pessoas fisicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificacdo e período de atuação." Esclarecese que a menção ao CORESP no Relatório Fiscal não gera qualquer efeito em relação ao lançamento fiscal realizado, conclusão extraída da análise dos artigos 59 e 60 do Decreto 70.235/72 e artigos 27 e 28 da Portaria RFB 10.875/2007, sobre os quais já se discorreu anteriormente no presente voto. Salientase o disposto na Súmula CARF nº 88, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP", o"Relatório de Representantes Legais RepLeg"e a"Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, não existe fundamentação jurídica nem fática para a argumentação e o pedido de exclusão de sócios, cumprindo notar que a autoridade administrativa age por força de ato vinculado e obrigatório, devendo revestilo de todas as formalidades legais, face ao artigo 202 do CTN, ressaltandose, porém, que eventual responsabilidade de cada um somente será posteriormente apurada, em sede de execução fiscal. Deste modo, rejeitase a alegação da contribuinte. Mérito. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 13855.002707/200726 Acórdão n.º 2202004.640 S2C2T2 Fl. 469 9 Relativamente aos benefícios concedidos a título de bolsa de estudos, a autoridade recorrida, acompanhando o entendimento da autuante, ficou adstrita à previsão constante no art. 28, § 9º, “t” da Lei 8.212/1991: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ..... t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Não obstante as limitações impostas na referida lei, acompanho integralmente o entendimento pacifico do STJ no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado, já que a verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Transcrevemse as ementas dos julgados: PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Fl. 470DF CARF MF Processo nº 13855.002707/200726 Acórdão n.º 2202004.640 S2C2T2 Fl. 470 10 Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (STJ AgRg no Ag: 1330484 RS 2010/01332373, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 18/11/2010, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 01/12/2010) TRIBUTÁRIO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. VALORES GASTOS COM A EDUCAÇÃO DO EMPREGADO (BOLSAS DE ESTUDO). CARÁTER SALARIAL. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. Os valores despendidos pelo empregador a título de bolsas de estudo destinadas a seus empregados ou aos filhos destes não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. 2. Recurso especial provido. (STJ – RESP 921.851/SP. Relator: Ministro João Otávio de Noronha, Julgamento: 11/09/2007) PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. In casu, a bolsa de estudos é paga pela empresa para fins de cursos de idiomas e pósgraduação. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 182495 / RJ Relator(a) Ministro Herman Benjamin (1132) Órgão Julgador Data da Publicação/Fonte DJe 07/03/2013 Corroborando, o voto proferido pelo Ministro Luis Roberto Barroso no RE nº 593.068, afirmou que “o conjunto normativo é claríssimo no sentido de que a base de cálculo para a incidência da contribuição previdenciária só deve computar os ganhos habituais e os que têm reflexos para aposentadoria.” Com efeito, a Consolidação das Leis Trabalhistas, em seu art. 458, §2º, II, afasta a natureza salarial de benefícios pagos a título de bolsa de estudos, verbis: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por Fl. 471DF CARF MF Processo nº 13855.002707/200726 Acórdão n.º 2202004.640 S2C2T2 Fl. 471 11 força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Este Conselho possui julgados afastando a incidência de contribuição previdenciária sobre tal rubrica, conforme ementa de julgado abaixo transcrita, julgado por unanimidade pela 1a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento, de Relatoria do Conselheiro Eduardo Tadeu Farah: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2006 BOLSAS DE ESTUDOS FORNECIDAS A EMPREGADOS E DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes dos em nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária, pois não têm caráter salarial, seja porque não retribuem o trabalho efetivo, seja porque não têm a característica da habitualidade ou, ainda, porque assim se estabelece em convenção coletiva. Isso posto, os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes do nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária. Multa aplicada CFL 34. Sustenta a contribuinte não ter praticado a infração apontada pela fiscalização, pois não teria deixado de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço e jamais teria sonegado qualquer informação em seus livros diários. Prevalecendo o entendimento de que não integra o saláriodecontribuição as bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes do nível básico, fundamental, médio e superior, temos que sobre não estariam sujeita a incidência de contribuição previdenciária sobre tal rubrica. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 13855.002707/200726 Acórdão n.º 2202004.640 S2C2T2 Fl. 472 12 Diante disso, não subsiste, in casu, a possibilidade de aplicação da multa no presente caso, pois demonstra a inexistência do caráter remuneratório das bolsas de estudos Conclusão. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora designada Congratulo o i. Conselheiro Martin da Silva Gesto, pelo brilhantismo com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento quanto ao mérito. O i. Relator votou pela impossibilidade de aplicação da multa, entendendo que o valor pago a título de bolsa de estudos aos empregados e dependentes não integra o salário de contribuição. Entretanto, ressalto que o auto de infração foi lavrado por ter deixado a recorrente de escriturar em títulos próprios na contabilidade os valores relativos a bolsas de estudo fornecidas aos dependentes dos empregados e dirigentes. Observo que a multa aqui analisada se originou dos mesmos fatos do processo nº 13855.002592/200770, julgado em 20/01/2016, em que foi exarado o Acórdão nº 2301004.301. Naquela ocasião, prevaleceu o mesmo entendimento do processo nº 13855.002591/200725, que foi julgado neste 07/08/2018, por isso, peço vênia para usar nas linhas seguintes as mesmas razões do voto vencedor no Acórdão nº 2202004.644, de minha redatoria. Nesse aspecto, entendo que tais verbas decorrem da relação de trabalhado dos segurados empregados com a recorrente, portanto, não é um benefício para o trabalho e sim pelo trabalho, caracterizandose como remuneração. De outra sorte, a Lei vigente à época dos fatos geradores não incluía os dependentes na hipótese de exclusão da incidência de Contribuição Previdenciária, assim como, não inclui a educação superior, conforme se vê: Lei nº 8.212/91 Art. 28 [...] § 9º [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos Fl. 473DF CARF MF Processo nº 13855.002707/200726 Acórdão n.º 2202004.640 S2C2T2 Fl. 473 13 os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Lei nº 9.394/96 Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Portanto, nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento deve ser mantido nessa parte. Aliás, tal fato já foi julgado neste Conselho onde foi exarado o Acórdão nº 2301004.301, de 20/01/2016, no julgamento do processo nº 13855.002592/200770, onde se tratou da mesma matéria, lançada no mesmo procedimento fiscal, em que a recorrente era sujeito passivo, cuja única distinção foi em relação ao período, que a fiscalização achou por bem, lançar em número de Debcads diferentes. Por isso, peço vênia para transcrever trechos do voto vencedor, por concordar com as razões nele tratado, no que respeita ao pagamento de bolsa aos dependentes: 11. Ainda que contenha inegável valor econômico, a bolsa de estudo ao trabalhador constitui um evidente investimento na qualificação deste, fornecendolhe meios para exercer a atividade profissional e a cidadania, cuja formação educacional revertese em favor da empresa e da sociedade. Ao não se destinar a retribuir o trabalho efetivo, é uma verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho. 12. Porém, a bolsa escolar concedida ao dependente do segurado empregado ou diretor, sob a forma de desconto na mensalidade, revela situação bem distinta. 13. Com efeito, esse tipo de concessão advém apenas da relação de trabalho e tem por finalidade precípua acrescer vantagem contraprestativa ao trabalhador, com ou sem vínculo empregatício, configurando clara remuneração indireta, na medida em que a utilidade é fornecida "pelo trabalho", e não "para o trabalho". 14. Ressalvo que, a meu sentir, a Lei n° 10.243, de 19 de junho de 2001, ao proporcionar nova redação ao art. 458, § 2o, da CLT, conforme já mencionado pelo relator, pretendeu excluir da remuneração, sob o prisma trabalhista, tão somente os valores despendidos com educação dos empregados, e não indistintamente os dispêndios com empregados e seus dependentes. 15. Entretanto, ainda que o conceito de remuneração, retirado da legislação trabalhista, influencie sobremaneira a seara previdenciária, os princípios basilares tributários, tais como legalidade e tipicidade, cuja aplicação é obrigatória ao custeio das prestações securitárias, impõem observar nas relações entre Fl. 474DF CARF MF Processo nº 13855.002707/200726 Acórdão n.º 2202004.640 S2C2T2 Fl. 474 14 Fisco e contribuintes, entre outros, as regras matrizes de incidência e as hipóteses de exclusão tributária. 16. Nesse contexto, o legislador elegeu como base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária as parcelas remuneratórias destinadas a retribuir o trabalho, conforme expressam os arts. 22 e 28, incisos I e II, da Lei n° 8.212, de 1991. 17. Este mesmo legislador achou por bem explicitar, no art. 28, § 9o, da Lei n° 8.212, dc 1991, parcelas que estão fora do campo de incidência, seja pela ausência intrínseca da natureza remuneratória, sejam verbas que, mesmo destinadas a retribuir o trabalho, devem ser excluídas da tributação por opção legislativa. [...] 19. Notase que os dispêndios com a educação do trabalhador, em harmonia com o conceito de remuneração "para o trabalho", escapam à tributação, ainda que o legislador tenha limitado e condicionado a não integração à base de cálculo ao atendimento de certas condições. 20. Por outro lado, a extensão da não incidência a qualquer gasto com a educação de familiares depende da expressa previsão em lei, dado o seu caráter de remuneração "pelo trabalho". 21. Apenas no ano de 2011, com a Lei n° 12.513, de 26 de outubro de 2011, que deu nova redação à alínea "t" do art. 28, § 9o, da Lei n° 8.212, de 1991, o valor relativo a bolsa de estudo que vise à educação dos dependentes foi excluído da base de cálculo da contribuição previdenciária, nesses termos: Art 28(...) §9°(...) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei n° 9394, de 20 de dezembro de 1996, e: 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; 22. Essa exclusão, porém, não se aplica aos autos, pois o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente (art. 144, do CTN). Fl. 475DF CARF MF Processo nº 13855.002707/200726 Acórdão n.º 2202004.640 S2C2T2 Fl. 475 15 Contudo, faço a ressalva que, mesmo nos casos em que a bolsa é paga ao empregado, mas para educação superior, entendo que não haveria incidência da Contribuição Previdenciária desde que o curso se enquadrasse como de "capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa", sendo necessário avaliar caso a caso; fora isso, haveria incidência de contribuição previdenciária, tanto antes quanto depois da alteração na alínea "t" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, porque se assim quisesse, o legislador teria ampliado ao nível da educação superior, mas a despeito de estender a bolsa aos dependentes, achou por manter apenas a educação básica. No caso dos autos, as bolsas de estudo, mediante desconto nas mensalidades, foram concedidas aos dependentes dos segurados empregados e dirigentes, e, portanto, não se enquadram na norma de não incidência de contribuição previdenciária. Assim, tendo prevalecido esse entendimento, a multa por descumprimento de obrigação acessória deve ser mantida, não merendo reparos o acórdão recorrido. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 476DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720541/2010-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/04/2009 a 30/09/2009
ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CICLO PRODUTIVO. FASES DE PRODUÇÃO E DE FABRICAÇÃO. BENS APLICADOS NAS DUAS FASES. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. EM RAZÃO DA INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA AO APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS ESTABELECIDA PELA LEGISLAÇÃO DO IPI, SOMENTE HÁ POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS ORIUNDOS DE INSUMOS (MP, MI, ME) QUE SOFRAM DESGASTE NO CONTATO DIRETO COM O PROCESSO PRODUTIVO OU COM O PRÓPRIO PRODUTO EM SUA FASE DE INDUSTRIALIZAÇÃO.
O ciclo produtivo da atividade agroindustrial compreende a atividade de produção rural ou agropecuária e a atividade de fabricação ou industrialização do produto final comercializado. No âmbito da referida atividade, são considerados insumos de produção ou fabricação somente os insumos (matéria prima, material intermediário e material de embalagem) que sofram desgaste no contato direto com o processo produtivo ou com o próprio produto em sua fase de industrialização, em função da interpretação restritiva imposta, pela legislação do IPI, ao conceito de aproveitamento de créditos do imposto no regime da não cumulatividade.
Numero da decisão: 3301-005.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Candido Brandão Junior, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen, que davam parcial provimento para acatar os créditos do IPI relativos aos insumos aplicados no cultivo da cana-de-açúcar. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ari Vendramini.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Ari Vendramini - Redator do Voto Vencedor
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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CICLO PRODUTIVO. FASES DE PRODUÇÃO E DE FABRICAÇÃO. BENS APLICADOS NAS DUAS FASES. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. EM RAZÃO DA INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA AO APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS ESTABELECIDA PELA LEGISLAÇÃO DO IPI, SOMENTE HÁ POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS ORIUNDOS DE INSUMOS (MP, MI, ME) QUE SOFRAM DESGASTE NO CONTATO DIRETO COM O PROCESSO PRODUTIVO OU COM O PRÓPRIO PRODUTO EM SUA FASE DE INDUSTRIALIZAÇÃO. O ciclo produtivo da atividade agroindustrial compreende a atividade de produção rural ou agropecuária e a atividade de fabricação ou industrialização do produto final comercializado. No âmbito da referida atividade, são considerados insumos de produção ou fabricação somente os insumos (matéria prima, material intermediário e material de embalagem) que sofram desgaste no contato direto com o processo produtivo ou com o próprio produto em sua fase de industrialização, em função da interpretação restritiva imposta, pela legislação do IPI, ao conceito de aproveitamento de créditos do imposto no regime da não cumulatividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Candido Brandão Junior, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen, que davam parcial provimento para acatar os créditos do IPI relativos aos insumos aplicados no cultivo da canadeaçúcar. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 05 41 /2 01 0- 36 Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 10480.720541/201036 Acórdão n.º 3301005.059 S3C3T1 Fl. 1.183 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator (assinado digitalmente) Ari Vendramini Redator do Voto Vencedor Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira. Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls.1.1311.147: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração, fls. 02 a 10, para exigência do IPI no valor de R$ 358.423,84, acrescido da multa de ofício de R$ 268.817,85 e dos juros de mora (calculados até 26/02/2010) de R$ 199.150,46, totalizando a exigência de R$ 826.392,15, cuja motivação fática encontrase no próprio documento e no Relatório Fiscal, fls. 12/32, dos quais, pela pertinência, reproduzemse os seguintes trechos: AUTO DE INFRAÇÃO 001 IPI LANÇADO NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR O estabelecimento industrial ou equiparado a industrial não efetuou o recolhimento do imposto por ter se utilizado de créditos indevidos. Tudo conforme valores detalhados nas planilhas (em anexo) e de acordo com o descrito e narrado no “AUTO DE INFRAÇÃO RELATÓRIO FISCAL”, que é parte integrante e inseparável deste Auto de Infração e considerase como se aqui estivesse totalmente transcrito. Período de Apuração Valor Apurado 30/04/2005 R$ 65.795,21 31/05/2005 RS 69.546,49 30/06/2005 R$ 127.920,58 31/07/2005 R$ 44.090,15 31/08/2005 RS 47.324, 60 Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 10480.720541/201036 Acórdão n.º 3301005.059 S3C3T1 Fl. 1.184 3 30/09/2005 R$ 3.746,81 ENQUADRAMENTO LEGAL art. 122, 127, 200 inciso IV, do Decreto n°4 . 544/02 (RIPI/02) RELATÓRIO FISCAL III. Dos Insumos para Industrialização (MP, PI e ME) III.1. Dos Insumos Utilizados no Cultivo da CanadeAçúcar Os créditos de IPI passíveis de utilização segundo o art. 11 da Lei n° 9.779/99 são aqueles decorrentes de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização. (...) Verificamos assim que a atividade agrícola do cultivo da canadeaçúcar não se enquadra no conceito de industrialização definido no RIPI. A etapa industrial se inicia no momento em que a canadeaçúcar é despejada nas moendas; antes disto não há operação de industrialização, mas sim atividade rural. Desta forma, os insumos utilizados na etapa rural não podem gerar crédito básico ou qualquer outro tipo de crédito de IPI (são, na realidade, “insumos de insumo” industrial). (...) III.2. Do Conceito Legal de Insumo para Industrialização (...) Os bens do ativo permanente são, portanto, expressamente excluídos pela legislação do IPI do rol daqueles que poderiam dar direito ao crédito e, por conseqüência, não se enquadram no conceito de insumo para industrialização. (...) Sendo assim, é assente que veículos, máquinas e equipamentos, bem como suas partes e peças que não se desgastam em contato direto com o produto, itens de manutenção e materiais de consumo não dão direito a credito, seja ele básico ou incentivado, não se enquadrando, portanto, no conceito de insumo dado pela legislação do IPI. Somente são considerados insumos para industrialização matériasprimas, produtos intermediários (“stricto sensu” e aqueles admitidos na interpretação do PN n° 65/79) e material de embalagem. Dentre os valores glosados de aquisições, relacionadas na Planilha 01 Glosas de Créditos Básicos, encontramse então todas as aquisições de itens que não se enquadram no conceito de insumos para industrialização (...). IV. Da Manutenção e Utilização de Créditos (Básicos) do IPI O saldo credor acumulado em cada trimestrecalendário é composto, neste caso, pelo Crédito Presumido e por créditos básicos, ou seja, créditos por entradas de insumos para industrialização. O valor do Crédito Presumido já foi calculado na análise do Processo n° 19647.003310/200611, bem como do crédito básico até março de 2005; passemos agora aos créditos básicos do período de abril a dezembro de 2005. V. Dos Produtos Fabricados pelo Estabelecimento V.1. Tributação do Álcool Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 10480.720541/201036 Acórdão n.º 3301005.059 S3C3T1 Fl. 1.185 4 O álcool para fins carburantes figura na TIPI como "NT" e é imune ao IPI pelo art. 155, § 3º, da Constituição Federal, que diz que, à exceção do ICMS, do II e do IE, nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País. Seguindo estritamente o disposto no ADI/SRF n° 5/2006 (vide Subitem IV.1 deste Relatório Fiscal), só há o direito à manutenção e à utilização do crédito nas exportações de produtos tributados na TIPI. Assim, tanto nas vendas para o mercado interno, quanto nas vendas para o exterior, os créditos relativos aos insumos utilizados na fabricação do álcool para fins carburantes devem ser anulados, entendimento este que vem sendo adotado pelo Segundo Conselho de Contribuintes em situações análogas (minerais) (...). No caso deste contribuinte em especial, somos forçados, no entanto, a admitir a manutenção e utilização dos créditos relativos aos insumos utilizados na sua fabricação ingressados no estabelecimento até a publicação do ADI SRF n° 5/2006, pois em nossas verificações fiscais anteriores, não anulamos estes valores, interpretando literalmente a regulamentação da IN/SRF n° 33/99, que inclui os produtos imunes no rol do art. 11 da Lei n° 9.779/99. Como a fiscalização anterior foi encerrada apenas em janeiro de 2006, a empresa, também no que se refere a 2005, foi implicitamente “orientada” a não anular os créditos (...). V.2. Anulação dos Créditos – Aguardente (...) A Lei n° 9.493/97, que resultou da conversão da MP n° 1.50816, de 17/04/97, transformou esta suspensão em obrigatória, também exigindo a anulação dos créditos relativos aos insumos utilizados na fabricação da aguardente (...). VI. Dos Créditos Básicos Passíveis de Manutenção e Utilização – Resumo Da conjugação do exposto nos itens anteriores, concluímos, em síntese, que: >> Desde 1999. são passíveis de manutenção e utilização os créditos relativos a aquisições de insumos (MP, PI e ME) para industrialização de produtos tributados à alíquota positiva, tributados à alíquota zero e isentos, destinados ao mercado interno ou exportados; >> Devem ser anulados os créditos relativos aos insumos utilizados na fabricação aguardente destinada ao mercado interno, cujas saídas devem se dar obrigatoriamente com suspensão; >> Devem ser anulados os créditos relativos aos insumos utilizados na fabricação de produtos “NT”, como o álcool para fins carburantes, sejam eles destinados ao mercado interno ou exportados; no caso concreto, no entanto, temos que admitir, em caráter excepcional, a manutenção e a utilização dos créditos até 17/04/2006, pelas razões aduzidas no Subitem V.2; >> Não geram créditos do IPI insumos adquiridos para aplicação no cultivo, corte e transporte (até o estabelecimento industrial) da canadeaçúcar; >> Não geram créditos do IPI itens classificados no ativo permanente e itens que não se enquadram no conceito de insumo para industrialização da legislação do IPI (MP, PI e ME), ainda que utilizados no processo produtivo. VII. Da Glosas de Créditos Básicos Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 10480.720541/201036 Acórdão n.º 3301005.059 S3C3T1 Fl. 1.186 5 Na análise do presente período, demos continuidade a este levantamento até o mês de dezembro de 2005, sendo que na Planilha 01 Glosas de Créditos Básicos estão listadas todas as notas fiscais de entradas que levaram ao registro de créditos indevidos de abril a dezembro de 2005, bem como está totalizado, por período de apuração, o valor do crédito glosado. Os créditos foram considerados indevidos pelo fato dos mesmos serem relativos a entradas de itens não enquadrados no conceito de insumo para industrialização da legislação do IPI (...). VIII. Dos Estornos Relativos às Saídas de Aguardente Apesar de exigido pela lei, não encontramos na escrita fiscal do contribuinte qualquer anulação de créditos relativos a insumos utilizados na fabricação de aguardente vendida no mercado interno. (...) Na análise do Processo n° 19647.007837/200444, já foram calculados os estornos até agosto de 2004, e na análise do Processo 19647.003310/200611 foram calculados os estornos até março de 2005, sendo que agora demos seqüência até dezembro de 2005. O cálculo está demonstrado nas Planilha 02 Cálculo dos percentuais para determinação dos estornos referentes às saídas de aguardente e Planilha 03 Cálculo dos estornos de créditos referentes às saídas de aguardente, sendo que as saídas de aguardente para o mercado interno, bem como as saídas totais de produtos fabricados pelo estabelecimento, tanto para o mercado interno como para exportação, foram obtidas nos Balancetes Mensais elaborados com os arquivos digitais entregue pelo sujeito passivo, conforme Balancetes janeiro a dezembro de 2005. IX. Da Reconstituição da Escrita Fiscal e da Utilização dos Créditos Levando ainda em consideração as glosas de créditos básicos e os estornos de aguardentes feitos na presente análise (Planilha 01 Glosas de Créditos Básicos e Planilha 03 Cálculo dos estornos de créditos referentes às saídas de aguardente), fizemos a reconstituição da escrita no período de abril a dezembro de 2005 que se encontra na Planilha 04 Reconstituição da Escrita Fiscal do IPI / Diferenças a Lançar. De tal reconstituição vemos que aparecem saldos devedores nos meses de abril, maio, junho, julho, agosto e setembro que é exatamente o objeto do presente lançamento. Após a ciência do Auto de Infração, em 25/03/2010, insurgiuse o contribuinte contra o feito fiscal por meio do arrazoado de fls. 1089 a 1100, em 26/04/2010, com documentos juntados às fls. 1101 a 1126, que assim vai resumido: (...) No desenrolar de suas atividades, foi a impugnante autuada por Auditor Fiscal sob fundamentos detalhadamente narrados no Relatório Fiscal de fls. 01 a 21, resumidamente por efetivar creditamento indevido de IPI, relativos a materiais de consumo e imobilizado no entender da r. autoridade fiscal, além da exigência do estorno referente a proporcionalidade da venda de aguardente, sendo este último afastado doravante em face do estorno dos créditos já realizados na escrita da impugnante conforme antes demonstrado. (...) A ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL INTEGRADA Não obstante o exposto acima, que guerreia qualquer tipo de cerceamento ou limite ao princípio da cumulatividade, a atividade econômica agroindustrial da defendente se revela predominantemente na industrialização de produção própria Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 10480.720541/201036 Acórdão n.º 3301005.059 S3C3T1 Fl. 1.187 6 de canadeaçúcar numa cadeia integrada, jamais segregada como almeja a autoridade fiscal. A atividade empresarial, tanto no bojo econômico quanto jurídico não pode ser dissociada. O que há, na verdade, é tão somente um deslocamento físico da canadeaçúcar na sua fase de produção para a industrialização. (...) Desta forma, vêse que todos os materiais relacionados como insumos atendem às especificações legais quanto ao seu enquadramento como produtos intermediários, não podendo serlhe negado o crédito (...) Ora, se o critério técnico de identificação da natureza dos materiais que ingressaram no processo produtivo conduz à sua classificação como produtos intermediários, indispensáveis à obtenção do produto industrializado, ainda que não integrem fisicamente o produto final, quedase destoante de bom critério jurídico a negação do crédito pretendido. (...) Não há, portanto, como considerar, jurídico, econômico ou contabilmente, o processo agroindustrial segregado em duas fases distintas. Assim, é a técnica que deve ser refutada, máxima vênia, a afirmação da impossibilidade da defendente se creditar de insumos e análogos aplicados ao processo de produção da canade açúcar. A GLOSA INDEVIDA. Mesmo sendo considerada a sua própria tese (limitando a não cumulatividade), ora refutada pela defendente, com o devido respeito, a Ilma. Autoridade Fiscal, de forma equivocada, glosou créditos verdadeiramente concernentes à aquisição de matériasprimas, produtos intermediários efetivamente utilizados na industrialização e alguns que se desgastam em face de contato direto com o produto industrializado. Tais bens são os representados conforme anexo I, à presente defesa, já catalogadas no elogiável trabalho do Auditor Fiscal, cujos respectivos valores devem ser considerados para efeito de creditamento. A glosa indevida pertinente a tais notas fiscais de entrada, implica em redução substancial, injusta e ilícita, de créditos e, por consequência, prejuízos de grande monta à defendente. (...) O PEDIDO. Em assim sendo, diante de todo o exposto, requer a defendente a essa Delegacia de Julgamento, que seja julgada improcedente a Ação Fiscal, arquivandoa por conseguinte, em atendimento aos preceitos legais, doutrinários e jurisprudenciais exaustivamente elencados, por ser ainda, medida de salutar justiça. Protesta provar o alegado mediante todos os meios de prova em direito admitidas, principalmente juntada posterior de novos documentos, perícias contábeis, inspeções judiciais, enfim, tudo o que for necessário para se asseverar o ora expendido a V.Sas. Porquanto, em obediência aos termos do art. 16 em seu inciso IV, da Norma Adjetiva Tributária (Decreto n.° 70.235/1972), declina de logo Perito Contábil, com larga experiência no setor agroindustrial canavieiro, detentor de conhecimento técnico e empírico para execução do mister pericial (...). É como relato. Passo ao voto. Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 10480.720541/201036 Acórdão n.º 3301005.059 S3C3T1 Fl. 1.188 7 Em 17 de junho de 2013, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente impugnação nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/04/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS DE IPI. IMPOSSIBILIDADE. INSUMOS ENSEJADORES DE CREDITAMENTO O direito ao crédito do IPI condicionase, cumulativamente, a que seja efetivamente onerada pelo imposto a aquisição do insumo e que este seja adquirido para utilização no processo de industrialização, bem como esteja compreendido na conceituação de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem estabelecida pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Assim, não ensejam o direito creditório acima as aquisições de material para uso e consumo e de bens destinados ao ativo permanente ou à sua manutenção. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 30/04/2005 a 30/09/2005 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Descabe ao julgamento administrativo apreciar questões de ordem constitucional ou doutrinária, mas tãosomente aplicar o direito tributário positivo, desde que pautado no entendimento da Secretaria de Receita Federal, e, enquanto não declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de constitucionalidade e legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/04/2005 a 30/09/2005 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS Descabe tomar conhecimento de eventual arrazoado apresentado intempestivamente, para aditar a impugnação entregue no prazo legal. PEDIDO DE PERÍCIA É de se indeferir o pedido de perícia quando considerada prescindível à solução do litígio. Intimada de decisão em 30.09.2013 (fls.1.156), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 30.10.2013 (fls.1.1591.173), reproduzindo, em síntese os argumentos apresentados em sede impugnatória, quais sejam: a) No tópico denominado "Direito", a Recorrente tece comentários acerca dos equívocos cometidos pela fiscalização que, glosou os créditos sem fundamentos, sendo certo que o direito ao crédito restaria devidamente comprovado através de perícia, para comprovar que os insumos fazem parte da cadeia produtiva do Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 10480.720541/201036 Acórdão n.º 3301005.059 S3C3T1 Fl. 1.189 8 contribuinte, devendo, assim, ser oportunizado, para o correto deslinde da ação, a realização de prova pericial; b) No tópico denominado "Atividade Agroindustrial Integrada", afirma a Recorrente que sua atividade seria de caráter agroindustrial, na qual não se segregaria a agricultura da industrialização, sendo que, a atividade econômica agroindustrial da defendente se revela predominantemente na industrialização de produção própria de canadeaçúcar numa cadeia integrada, jamais separada como almeja a autoridade fiscal; e c) Por fim, no tópico denominado "Glosa Indevida" a Recorrente alega genericamente que a fiscalização equivocadamente glosou créditos atinentes as matériasprimas e produtos intermediários utilizados na industrialização, os quais sofrem desgaste face o contato direto no produto industrializado. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Do Pedido de Realização de Perícia Inicialmente é imperioso destacar que a Recorrente não se insurgiu contra a decisão de piso que indeferiu o pedido de perícia por ela formulado, nos termos do artigo 18, do Decreto nº 70.235/72, por entendêla totalmente desnecessária para a solução do litígio. Na decisão combatida, a julgadora afastou a proposta de perícia almejada pela Recorrente, demonstrando ponto a ponto o descabimento dos quesitos outrora formulados em sede de impugnação. Nesta esteira, deveria a Recorrente, agora em sede recursal, demonstrar categoricamente sua insurgência contra a decisão de piso, que indeferiu seu pedido e, principalmente demonstrar que a perícia seria crucial para solução do litígio. Entretanto, preferiu a Recorrente alegar genericamente que a fiscalização glosou os créditos sem fundamentos e, que o direito ao crédito restaria devidamente comprovado por meio de perícia, a qual comprovaria que os insumos fazem parte da cadeia produtiva do contribuinte. Portanto, considerando que Recorrente não recorreu da decisão de piso que indeferiu seu pedido de perícia e, que apresentou alegações de cunho meramente genérico, entendo que seu pedido não merece acolhimento. Da Atividade Agroindustrial Integrada O cerne da controvérsia encontrase na compreensão do ciclo de produção da recorrente, que inclui atividade agrícola e industrial. O ciclo de produção da recorrente compreende duas fases, a saber: a fase de produção agrícola (a produção da cana de açúcar) e a fase de industrialização da cana de açúcar (produção do açúcar, do álcool e outros produtos). Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 10480.720541/201036 Acórdão n.º 3301005.059 S3C3T1 Fl. 1.190 9 Nos termos do relatório fiscal (fls.1232), a fiscalização glosou créditos do IPI incidente sobre compras de insumos aplicados na atividade agrícola, por entender que o cultivo da canadeaçúcar não se enquadra no conceito de industrialização, pois esta se inicia tão somente no momento em que a canadeaçúcar é despeja nas moendas. Antes disto, não há operação de industrialização, mas sim atividade rural. E conclui: "...os insumos utilizados na etapa rural não podem gerar crédito básico ou qualquer outro tipo de crédito de IPI (são, na realidade, "insumos de insumo industrial)". A Recorrente, por sua vez, contesta a glosa de créditos do IPI destacado nos produtos intermediários relacionados à produção da canadeaçúcar, uma vez que para ela “a atividade econômica agroindustrial da defendente se revela predominantemente na industrialização de produção própria de canadeaçúcar numa cadeia integrada, jamais segregada”, trazendo entendimento de que os materiais utilizados na atividade rural são “indispensáveis à obtenção do produto industrializado, ainda que não integrem fisicamente o produto final”. A DRJ, seguindo o entendimento defendido pela fiscalização, manteve o lançamento fiscal: A etapa industrial se inicia no momento em que a canadeaçúcar é despejada nas moendas; antes disto não há operação de industrialização, mas sim atividade rural. Por essas razões, as aquisições relativas à viabilização da etapa de cultivo da canadeaçúcar, conforme definições da legislação do IPI, não se configuram como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados na produção industrial. Logo, não geram crédito de tal imposto. Nesse sentido, adubos, bactericidas, enxadas, facões, mangueiras e demais itens utilizados na fase de cultivo da cana não são considerados para fins de cálculo do crédito do IPI. Em relação à extensão do ciclo de produção da atividade agroindustrial não há consenso na doutrina especializada. No essencial, a grande maioria dos doutrinadores entende que a definição de agroindústria compreende a junção das atividades de produção rural e de industrialização dessa produção e a junção das duas atividades define o ciclo completo de produção da referida atividade. Esse foi o entendimento adotado, para fins de incidência da contribuição previdenciária. No caput do art. 22A da Lei 8.212/1991, a agroindústria foi definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica consiste na industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros: "Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (. . .)" Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 10480.720541/201036 Acórdão n.º 3301005.059 S3C3T1 Fl. 1.191 10 Assim, se atividade de industrialização for de matéria prima agropecuária de produção própria, induvidosamente, a atividade agroindustrial contempla duas práticas interligadas, interdependentes e indissociáveis, a saber: a produção rural (cultivo da canade açúcar) e a fabricação de bem (açúcar, álcool e derivados etc.) destinado à venda. Sendo assim, o citado posicionamento da fiscalização, além de não ter amparo legal e de contrariar a definição constante da Lei n° 8.212/1991, não se me parece a melhor leitura do negócio desenvolvido pela recorrente. Portanto, voto por acatar os créditos de IPI relativos aos insumos aplicados no cultivo da canadeaçúcar. Da Glosa Indevida Neste tópico, a Recorrente alega existir equívoco da fiscalização que glosou créditos verdadeiramente concernentes à aquisição de matériasprimas e produtos intermediários utilizados na industrialização e alguns que se desgastam em face de contato direto com o produto industrializado. A fiscalização indeferiu diversos créditos apurados pela Recorrente, a saber: "Relatório Fiscal (fls.26/27). Da conjugação do exposto nos itens anteriores, concluímos, em síntese, que: Desde 1999, são passíveis de manutenção e utilização os créditos relativos a aquisições de insumos (MP, PI e ME) para industrialização de produtos tributados à alíquota positiva, tributados à alíquota zero e isentos, destinados ao mercado interno ou exportados; Devem ser anulados os créditos relativos aos insumos utilizados na fabricação aguardente destinado ao mercado interno, cuja saídas devem se dar obrigatoriamente com suspensão; Devem ser anulados os créditos relativos aos insumos utilizados na fabricação de produtos "NT", como o álcool para fins carburantes, sejam eles destinado aos mercado interno ou exportados; no caso concreto, no entanto, temos que admitir, em caráter excepcional, a manutenção e a utilização dos créditos até 17/04/2006, pelas razões aduzidas no Subitem V.2; Não geram créditos de IPI insumos adquiridos para aplicação no cultivo, corte e transporte (até o estabelecimento industrial) da canadeaçucar; Não geram créditos do IPI itens classificados no ativo permanente e itens que não se enquadram no conceito de insumo para industrialização da legislação do IPI (MP, PI e ME), ainda que utilizados no processo produtivo. (...) Os créditos foram considerados indevidos pelo fato dos mesmos serem relativos a entradas de itens não enquadrados no conceito de insumo para industrialização da legislação do IPI, tais como lata de tinta, molas, chapas, viga, cantoneira, rolamento, galão de thinner iquine, pneu, anel de vedação, cimento, válvulas diversas, barra chata, telha, forro em PVC, maçarico de corte, bocal, cruzeta da transmissão, arruelas, acoplamento falk, bomba mecânica, bucha, Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10480.720541/201036 Acórdão n.º 3301005.059 S3C3T1 Fl. 1.192 11 parafuso, porcas, aparelho telefônico, disjuntor tripolar, medidor de densidade e etc.. Não bastasse o evidenciado pela própria natureza dos materiais acima relacionados, ficou caracterizado neste análise, também sob o aspecto formal, que o contribuinte creditase de itens do ativo permanente e de materiais de uso e consumo..." Verificase que o lançamento fiscal glosou diversos tipos de crédito e por variados motivos. A Recorrente, entretanto, não apresentou argumentos vinculados especificamente aos produtos cujos créditos de IPI foram glosados e que comprovassem que se enquadravam nos conceitos legais de insumos industriais, indicados na legislação do IPI como geradores de créditos. Portanto, nego provimento aos argumentos contidos neste tópico. Conclusão Diante do exposto, voto dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo os créditos de IPI derivados de aquisições de insumos para o cultivo da canade açúcar. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 10480.720541/201036 Acórdão n.º 3301005.059 S3C3T1 Fl. 1.193 12 Voto Vencedor Conselheiro Ari Vendramini Redator Designado Pedimos vênia para discordar do bem elaborado e redigido voto do eminente Relator Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, no que tange ao conceito de processo produtivo no caso em exame. Na interpretação da Turma deste colegiado, por tratarse de legislação referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, devemos adotar, por adequação ao Princípio da Não Cumulatividade, e para análise do aproveitamento dos créditos do imposto, o conceito mais restritivo, qual seja, aquele que somente admite que sejam originados créditos dos gastos com insumos (matériaprima, material intermediário e material de embalagem) que tenham relação direta com o processo produtivo propriamente dito, ou seja, aqueles gastos onde os insumos se desgastem pelo contato físico com o processo produtivo ou com o próprio produto, em sua fase de industrialização. Neste norte, não se admite que o processo produtivo se inicie na fase agrícola, pois, ao se tratar de créditos de IPI, e ao adotarse o conceito mais restritivo, devese considerar como início do processo produtivo aquele considerado pela fiscalização, ou seja, como bem descreve o Relatório Fiscal, reproduzido pelo eminente Conselheiro Relator, “ os créditos de IPI passíveis de utilização, segundo o art. 11 da lei nº 9.779/99 são aqueles decorrentes de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização. Verificamos, assim, que a atividade agrícola do cultivo da canadeaçúcar não se enquadra no conceito de industrialização definido no RIPI. A etapa industrial se inicia no momento em que a canadeaçúcar é despejada nas moendas; antes disto não há operação de industrialização, mas sim atividade rural.” Diante de tais fatos, por esta Turma apenas considerar como insumos aqueles que sofrem desgaste no processo de industrialização, somos por negar provimento ao recurso voluntário e manter a autuação. É como voto. (assinado digitalmente) Ari Vendramini Fl. 1193DF CARF MF
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