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Numero do processo: 15983.000983/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2009
AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento.
COOPERATIVAS - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida relativa a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa.
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
MULTA
A multa aplicada hodiernamente, considerando a retroatividade benigna estampada no artigo 106, II do CTN e a novel legislação que alterou a Lei 8.212 de 1991, a Lei 11.941 de 2009, dando redação mais benefica o Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11 de 2008, deve ser respeitada se melhor para o contribuinte.
Recurso Volutário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Wilson Antônio de Souza Correa.
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira Barros Relatora
(assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Correa - Relator designado.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2009 AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. COOPERATIVAS - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida relativa a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. MULTA A multa aplicada hodiernamente, considerando a retroatividade benigna estampada no artigo 106, II do CTN e a novel legislação que alterou a Lei 8.212 de 1991, a Lei 11.941 de 2009, dando redação mais benefica o Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11 de 2008, deve ser respeitada se melhor para o contribuinte. Recurso Volutário Provido em Parte.
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COOPERATIVAS IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida relativa a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. MULTA A multa aplicada hodiernamente, considerando a retroatividade benigna estampada no artigo 106, II do CTN e a novel legislação que alterou a Lei 8.212 de 1991, a Lei 11.941 de 2009, dando redação mais benefica o Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11 de 2008, deve ser respeitada se melhor para o contribuinte. Recurso Volutário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 09 83 /2 01 0- 15 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 2 da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Wilson Antônio de Souza Correa. Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros – Relatora (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa Relator designado. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Leonardo Henrique Lopes Fl. 463DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15983.000983/201015 Acórdão n.º 2301002.925 S2C3T1 Fl. 463 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente a 15% sobre o valor total das notas fiscais emitidas por cooperativa de trabalho. Conforme Relatório Fiscal, (fls. 21), a autuada foi contratante dos serviços da Cooperativa de Trabalho Médico, Unimed de Registro, e deixou de recolher a contribuição patronal a seu cargo, corresponde a 15% ( quinze por cento) incidente sobre os valores brutos das notas fiscais e faturas. A autoridade autuante informa que os fatos geradores da contribuição previdenciária, objeto do levantamento fiscal, foram os valores pagos à cooperativa médica, informadas na DIRF e contabilizados nos Livros Diário e Razão Analítico dos anoscalendário de 2007 a 2009, e não declarados em GFIP. Segundo consta do relato fiscal, a alíquota aplicada, referentes as contribuições patronais dos valores pagos à Cooperativas de Trabalho, foi de 15% sobre a base de cálculo de 30% incidentes nas faturas pagas. Esclarece que, em decorrência das alterações introduzidas na Lei 8.212/91 pela MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, e em observância ao disposto no art. 106, II, do CTN, as multas pela apresentação da GFIP com omissão de contribuições previdenciárias, previstas no art. 32, inc. IV, §§ 3o, 4o e 5o, da Lei 8.212/91 e cabíveis até o advento da MP 449/08, adicionadas à multa de mora, estabelecida no art. 35 da Lei 8.212/91 (24%), foram confrontadas com a multa prevista no art. 44, inc. I, da Lei 9430/96 (75%) e, após comparadas, concluiuse que, para as competências em que a multa anterior é a mais favorável ao contribuinte (01/07 a 11/08), o Auto cobra a multa de oficio de 24% e é lavrado auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, entretanto, naquelas competências em que a multa atual é a mais benéfica (12/08 a 12/09), aplicouse a multa de ofício de que trata o art. 44, inc. I da Lei n° 9.430/96, e não se lavrou o AI 68. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0535.229, da 6a Turma da DRJ/CPS, (fls. 389), julgou a impugnação improcedente, mantendo crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 402), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, insiste na nulidade do Procedimento Fiscal e do Auto de Infração ante o Desrespeito aos Princípios da Legalidade, Motivação, Devido Processo Legal, e do Contraditório e da Ampla Defesa. Discorre sobre os citados princípios e conclui que o auto de infração é carente de fundamentação, e a existente nada esclarece, mas, pior, só trás mais dúvidas. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 4 Frisa que consta do relatório fiscal REFISC do auto de infração que a base de cálculo seria o salário de contribuição, mas é fato que, no caso em tela, não se pode falar em salário de contribuição, mormente porque os valores pagos a UNIMED não se constituem em salário, mas sim em retribuição pela prestação de serviços. Observa que restou consignado no acórdão recorrido que o termo salário de contribuição se referiria à base de cálculo da contribuição, ou ainda se referiria à incidência material quanto as faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio da cooperativa de trabalho, motivo pelo qual se consistiria apenas em erro material, e que tal erro material não afetaria a validade do lançamento já que o relatório não faria menção "às contribuições incidentes sobre os pagamento feitos aos cooperados prestadores de serviço". Entende que a vinculabilidade do Auto de Infração não permite que tais equívocos ocorram, posto que evidentemente prejudiciais à compreensão da autuação pelo contribuinte, pois tornalhe impossível divisar o ventilado no acórdão recorrido, uma vez que os dados informados, os valores mencionados, e as demais conotações dadas não se coadunavam com os valores lançados no Al. Questiona como poderia o contribuinte verificar se o erro estava na indicação do termo "salário de contribuição" ou se estava na própria base de cálculo utilizada pelo agente fiscal, ou ainda nos demais aspectos do Al e como garantir o contraditório e a ampla defesa se o contribuinte sequer pode ter segurança ao tentar compreender o Al, o qual comporta várias interpretações e levanta severas dúvidas. Destaca que inexiste a fundamentação legal do relatório de lançamentos, visto que não consta dos fundamentos legais do débito FLD, e tampouco do REFISC, além de que os dados constantes do RL evidentemente guardam descompasso com aqueles apontados no Discriminatório do Débito DD, e o quanto salientado no acórdão recorrido não supre tal divergência. Sustenta que tais fatos atentam contra os princípios destacados anteriormente, o que causa a nulidade do feito e do auto de infração, uma vez que houve flagrante desrespeito ao Princípio da Legalidade, o qual deveria ser observado na integralidade pelo Fisco, sendo certo ainda que, ao desrespeitar o referido princípio, que por si só já bastaria para o reconhecimento da nulidade, também restou vilipendiado o postulado da Motivação e, não subsistindo a correta motivação para a confecção do auto de infração, evidentemente também se mitigou irreparavelmente a garantia constitucional do Recorrente aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, e do Devido Processo Legal. No mérito, alega inconstitucionalidade da Contribuição Social que supostamente foi omitida das GFIP's e discorre sobre os motivos que a levam a esse entendimento, concluindo que o contribuinte tem o direito de não recolher o tributo inconstitucional e também de sequer tomálo como um fato gerador válido, o que, segundo entende, demonstra que a eventual omissão nas GFIP's dos pagamentos feitos junto a Cooperativa pela Recorrente não podem dar ensejo a aplicação de qualquer penalidade, haja vista que a contribuição social referente a estes pagamentos é inconstitucional. Cita o Princípio da Estrita Legalidade para argumentar que qualquer autoridade administrativa deve respeito ás leis e ao Direito, o que inclui os princípios, mas, acima de tudo, devese respeito à Constituição, estando, portanto, o auditor adstrito, primordialmente, ao cumprimento da Carta Maior, devendo o mesmo não só respeitála como lhe conferir efetividade, o que também se dá no âmbito do julgamento de impugnações ou recursos administrativos e, ao deixar de fazêlo, mas, pelo contrário, aplicando norma jurídica Fl. 465DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15983.000983/201015 Acórdão n.º 2301002.925 S2C3T1 Fl. 464 5 em sentido estrito claramente inconstitucional, temse que o auto de infração lavrado não poderia subsistir no mundo jurídico, motivo pelo qual deveria ser reconhecida a insubsistência e improcedência da ação fiscal. Assevera que é inadmissível que uma portaria, instrução normativa, decreto, ou mesmo uma lei possa se sobrepor aos regramentos constitucionais e, encontrandose a Constituição no ápice da pirâmide das normas jurídicas, deve a mesma ser respeitada sempre, em qualquer instância, o que faz com que a inconstitucionalidade deva ser declarada e reconhecida mesmo em procedimentos administrativos tributários. Reafirma que a multa imposta pelo Auto de Infração é abusiva e que deveria ter sido aplicada norma punitiva mais benéfica ao Recorrente, e destacar os Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade. Finaliza requerendo que sejam acatadas as preliminares de nulidade ou, não sendo esse o entendimento, que seja dado provimento ao mérito. É o relatório. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 6 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do AI, alegando ofensa aos Princípios da Legalidade, Motivação, Devido Processo Legal, e do Contraditório e da Ampla Defesa. Contudo, não se verifica a nulidade alegada pela recorrente, e nem se observa, no presente processo administrativo fiscal, ofensa aos princípios por ela citados. Constatase que foram observados, no presente processo administrativo, os mandamentos estabelecidos pelo Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, que estabelece, em seu art. 59, que Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. E, consoante art. 27, da Portaria RFB n° 10.875/2007, que trata sobre o processo Administrativo fiscal relativo às contribuições previdenciárias, apenas são nulos "os atos e termos lavrados por pessoa incompetente" e "os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa". No caso em tela os atos praticados foram todos lavrados por pessoa competente, e não há despachos ou decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A autoridade lançadora deixou claro, nos relatórios que integram o AI em tela, que o débito lançado se refere às contribuições devidas pela empresa, incidentes sobre 30% do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. E sempre que uma empresa contratar os serviços de cooperados por intermédio de cooperativa, deve recolher contribuição a seu cargo, que é de 15% sobre o valor de prestação de serviços, pois a Lei assim determina. Portanto, a motivação do lançamento discutido é a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, o que restou comprovado, no presente caso. Ou seja, a fiscalização afirmou, o que não foi negado pela recorrente, que a empresa toma serviços de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho e não recolhe as contribuições devidas, incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15983.000983/201015 Acórdão n.º 2301002.925 S2C3T1 Fl. 465 7 Portanto, não há que se falar em nulidade do AI como quer a recorrente, pois verificase que o lançamento está devidamente precedido de MPF válido, e o Auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios a integram, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Em relação ao argumento de que inexiste a fundamentação legal do relatório de lançamentos, cumpre esclarecer que o RL é um dos relatórios integrantes do AI e a sua existência não precisa ser apontada no FLD, que é o relatório que traz a fundamentação legal do débito, ou seja, enumera as normas legais que amparam o lançamento, não sendo sua função discriminar os relatórios que integram o AI. Cumpre esclarecer que o RL é o relatório que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental,. Nesse sentido, tanto o FLD quanto o RL integrantes do AI discutido por meio do presente processo administrativo fiscal encerram todas as informações necessárias para que o contribuinte exerça seu direito de contraditório e ampla defesa. Da mesma forma, não se observa o descompasso entre os dados constantes do RL com aqueles apontados no DD, conforme entendeu de forma equivocada a recorrente. Conforme salientado com muita propriedade no acórdão recorrido, o RL traz o valor bruto da Nota Fiscal emitida pela Cooperativa bem como a base de cálculo da contribuição previdenciária, apurada com a aplicação de 30% sobre o valor bruto, conforme esclarecido no item 13, do Relatório Fiscal (fls. 23). O DD discrimina a Base de Cálculo, apurada da forma descrita acima, bem como a alíquota aplicada, no caso 15%, e o valor da contribuição devida. Ademais, a recorrente apenas alega, mas não demonstra, a existência do referido descompasso. Não aponta, nos relatórios mencionados, as divergências que, segundo entende, ocorreram. Dessa forma, não procede a alegação de existência de “decompasso”, trazida pela recorrente Como também a recorrente não logrou demonstrar que o fato de o Relatório Fiscal trazer, entre parênteses, após a palavra “Base de Cálculo”, a expressão “salário de contribuição”, cerceou seu direito de defesa, uma vez que, conforme exaustivamente exposto acima, restou claro, em todos os relatórios integrantes do AI, que o fato gerador objeto do levantamento fiscal são os pagamentos realizados à valores pagos a Cooperativa de Trabalho Médico, UNIMED de Registro. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 8 Ademais, observase que em nenhum momento, no relatório fiscal, a autoridade lançadora afirma que a base de cálculo seria o salário de contribuição, como quer fazer crer a recorrente. Assim, ao contrário do que afirma a autuada, constatase que todos os elementos necessários para a elaboração de defesa pelo contribuinte encontramse nos autos, não havendo, portanto, que se falar em nulidade por cerceamento de defesa. No mesmo sentido, constatase, no presente processo administrativo, que houve a observância dos mandamentos legais que regem o contencioso administrativo fiscal, já que o AI contém a qualificação do autuado, a descrição do fato gerador, os dispositivos legais que dão suporte ao lançamento, e o relatório IPC traz todas as instruções ao contribuinte, como os prazos para pagar ou impugnar. O recorrente teve ciência do AI, tendolhe sido concedido o prazo legal para apresentação da defesa, como também tomou conhecimento da decisão proferida, conforme, tendolhe sido concedido prazo para apresentação de recurso, em respeito ao devido processo legal e ao contraditório. E o MPF traz a descrição sumária da ação fiscal, deixando claro que a fiscalização é para verificar a ocorrência dos fatos geradores previdenciários, o que foi feito pelos Auditores designados. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do AI por cerceamento de defesa ou ofensa a qualquer dos princípios listados pela recorrente, já que, reiterase, foram observados, no presente processo administrativo, os mandamentos estabelecidos pelo Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Pelos motivos expostos, rejeito as preliminares suscitadas. No mérito, verificase que a recorrente não nega que tenha realizado pagamentos à Cooperativa pelos serviços prestados por intermédio de seus cooperados. Ela apenas alega inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei 8.212/91, na redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.876/99, e que a multa imposta pelo Auto de Infração é abusiva e fere os Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade. Contudo, cumpre observar que a contribuição lançada, bem como os juros e a multa aplicada encontram amparo na legislação listada no relatório FLD. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de tais exações, vez que a sua cobrança possui amparo legal. Conforme nos ensina Hans Kelsen: “ partindo da premissa unidade lógica da ordem jurídica, tenta impôr concordância apriorística entre a lei e a Constituição, que acabe por negar não apenas a possibilidade jurídica da sanção da nulidade, mas da própria noção de inconstitucionalidade "lato sensur": "A afirmação de que uma lei válida é "contrária à constituição" (anticonstitucional) é uma "contradictio in adejecto", pois uma lei somente pode ser válida com fundamento na Constituição. Quando se tem fundamento para aceitar a validade de uma lei, o fundamento da sua validade tem de residir na Constituição. De uma lei invalida não se pode, porem, afirmar que ela é contraria Fl. 469DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15983.000983/201015 Acórdão n.º 2301002.925 S2C3T1 Fl. 466 9 à Constituição, pois uma lei invalida não é sequer uma lei, porque não é juridicamente existente e, portanto, não é possível qualquer afirmação jurídica sobre ela. Se a afirmação, corrente na jurisprudência tradicional, de que uma lei é inconstitucional há de ter um sentido jurídico possível, não pode ser tomada ao pé da letra. O seu significado apenas pode ser o de que a lei em questão, de acordo com a Constituição, pode ser revogada não só pelo processo usual, quer dizer, por uma outra lei, segundo o principio lex posterior "derogat priori", mas também através de um processo especial, previsto pela Constituição. Enquanto, porém, não for revogada, tem de ser considerada válida; e, enquanto for válida, não pode ser inconstitucional" (KELSEN, Hans. Teoria pura do direito, 2. ed., trad. João Baptista Machado, São Paulo, Martins Fontes, 1987, p287). Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Quanto às alegações de inconstitucionalidade da taxa aplicada para atualização de débitos tributários, cumpre observar que, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. É oportuno salientar que a multa encontrase amparada no art. 35 do mesmo diploma legal, vigente até 11/2008, e no art. 35A, vigente após 12/2008. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matériaa, por meio do Enunciado 02/2007, transcrito a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. A esse respeito, a Portaria RFB 10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os artigos 2° e 3° da Lei 11457, de 16 de março de 2007, determina: Fl. 470DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 10 Art. 18. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional,lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: I tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal ('STF), em ação direta, após a publicaçãoda decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução doSenado Federal que suspender a sua execução; II haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando aaplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cujaextensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente daRepública ou, nos termos do art, 40 do Decreto n° 2.346. de 10 deoutubro de 1997. pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelorocuradorGeral da Fazenda Nacional. Esse também é o entendimento manifestado pela Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, conforme Parecer/CJ nº 2.547/2001: (...) Ante o exposto, esta Consultoria Jurídica posicionase no sentido de que a Administração deve absterse de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos em concreto, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes ou reconhecidos pela Chefia do Poder Executivo. Assim, a autoridade julgadora, como agente da Administração, não está obrigada a apreciar as alegações de inconstitucionalidade de dispositivos legais, já que está impedida de aplicálas. Como tomadora dos serviços de cooperados, por intermédio de cooperativa médica, a recorrente está obrigada a recolher a contribuição devida incidente sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, como também está obrigada a informar, em GFIP, os valores pagos. Nesse sentido, houve o fato gerador da contribuição previdenciária, conforme comprovam os documentos juntados aos autos pela fiscalização. E sendo o lançamento um ato vinculado, o agente fiscal, ao constatar que a empresa tomou serviços de cooperados por intermédio de cooperativa médica e deixou de recolher a contribuição a seu cargo, qual seja, 15% sobre o valor da nota fiscal, lavrou corretamente o presente AI, em observância aos normativos legais que regem a matéria. Com relação ao argumento de que deveria ter sido aplicada norma punitiva mais benéfica ao Recorrente, cabe esclarecer que, conforme constou do Relatório Fiscal, a multa sobre o valor das contribuições previdenciárias ficará sujeita a cálculo de acordo com a nova regra trazida pela MP 449/08, convertida na Lei 11.941/2009, por ocasião do pagamento ou do trânsito em julgado administrativo, se mais benéfico ao sujeito passivo, por força do art. 106, inc. II, alínea "c", do CTN. Nesse sentido, Fl. 471DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15983.000983/201015 Acórdão n.º 2301002.925 S2C3T1 Fl. 467 11 Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora (assinado digitalmente) Fl. 472DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 12 Voto Vencedor Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa Relator designado. MULTA Insurge a Recorrente contra a multa aplicada, alegando confisco, agressão a Carta Maior e outros quejandos, o que não lhe assite razão. Em verdade a alegação de confisco é por demais exagerada uma vez que, etimologicamente o termo de origem latina implica em tomada de bem de uma pessoa sem a compensação justa, por parte do governo, contrariando flagrantemente a Carta Maior, que tem como um de seus pilares democrático a defesa à propriedade. Mas, por outro lado, e é bem verdade que não podemos virar as costas para a retroatividade da lei que trata o artigo 106, II do Código Tributário Nacional dado a alteração substancial trazida pela Lei nº 11.941 de 27.05.2009. E, no caso em tela, conforme acima exosto, da retroatividade temse que possível em razão de a lei a aplicar está retroagindo, não para constituir obrigação, mas para beneficiar ao contribuinte, no caso o Recorrente, e, por isto, devese aplicar a lei que mais o benficia, que é a do artigo Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11 de 2008. CONCLUSÃO ASSIM, dada a necessidade de alterar a multa aplicada, por ser a mais benéfica ao ContribuinteRecorrente, nos termos do artigo 106, II, C do CTN há de ser aplicada a multa do Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11 de 2008, DANDO PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO. Wilson Antonio de Souza Correa – Relator Designado (assinado digitalmente) Fl. 473DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Numero do processo: 10680.723653/2010-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PROVA PERICIAL
Deve ser indeferida o pedido de prova pericial requerido pelo contribuinte quando desnecessária, ou seja, cuja produção não terá o condão de infirmar o trabalho fiscal.
VALE TRANSPORTE EM DINHEIRO.
O Supremo Tribunal Federal entendeu que mesmo o seu pagamento em pecúnia não retiraria o caráter indenizatório da verba. Súmula 60 da Advocacia Geral da União.
PREVIDÊNCIA PRIVADA. DISPONIBILIDADE A TODOS OS EMPREGADOS COMO CONDIÇÃO PARA A ISENÇÃO.
Estar disponível a todos os empregados é condição presente em lex specialis em relação à LC 109/2001 que, por contribuir para realizar os desígnios constitucionais com limitações razoáveis e logicamente relacionadas à finalidade social do amparo previdenciário, em nada ofende a proporcionalidade, sendo, portanto, condição inafastável para que os pagamentos a plano de previdência complementar que beneficiam os empregados estejam sob o albergue da isenção.
RETENÇÃO. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Incidência da Súmula CARF nº 02, segundo a qual esse Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de normas.
ATRIBUIÇÃO DO AUDITOR-FISCAL PARA AVERIGUAR O CORRETO ENQUADRAMENTO DA RELAÇÃO EMPRESA- TRABALHADOR.
Cabe à fiscalização averiguar a situação fática encontrada e, assim, efetuar o real enquadramento do segurado, nos termos da legislação.
ENQUADRAMENTO DE PESSOAS JURÍDICAS COMO SEGURADOS EMPREGADOS
Havendo provas no sentido de que os sócios das pessoas jurídicas contratadas reúnem as características de relação de emprego, cabe à fiscalização proceder ao correto enquadramento.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-003.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso na questão da previdência privada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso; b) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento ao recurso, na questão do vale transporte em dinheiro, nos termos do voto do Relator. Redator: Mauro José Silva.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério- Relator.
Mauro José Silva Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PROVA PERICIAL Deve ser indeferida o pedido de prova pericial requerido pelo contribuinte quando desnecessária, ou seja, cuja produção não terá o condão de infirmar o trabalho fiscal. VALE TRANSPORTE EM DINHEIRO. O Supremo Tribunal Federal entendeu que mesmo o seu pagamento em pecúnia não retiraria o caráter indenizatório da verba. Súmula 60 da Advocacia Geral da União. PREVIDÊNCIA PRIVADA. DISPONIBILIDADE A TODOS OS EMPREGADOS COMO CONDIÇÃO PARA A ISENÇÃO. Estar disponível a todos os empregados é condição presente em lex specialis em relação à LC 109/2001 que, por contribuir para realizar os desígnios constitucionais com limitações razoáveis e logicamente relacionadas à finalidade social do amparo previdenciário, em nada ofende a proporcionalidade, sendo, portanto, condição inafastável para que os pagamentos a plano de previdência complementar que beneficiam os empregados estejam sob o albergue da isenção. RETENÇÃO. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. Incidência da Súmula CARF nº 02, segundo a qual esse Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de normas. ATRIBUIÇÃO DO AUDITOR-FISCAL PARA AVERIGUAR O CORRETO ENQUADRAMENTO DA RELAÇÃO EMPRESA- TRABALHADOR. Cabe à fiscalização averiguar a situação fática encontrada e, assim, efetuar o real enquadramento do segurado, nos termos da legislação. ENQUADRAMENTO DE PESSOAS JURÍDICAS COMO SEGURADOS EMPREGADOS Havendo provas no sentido de que os sócios das pessoas jurídicas contratadas reúnem as características de relação de emprego, cabe à fiscalização proceder ao correto enquadramento. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso na questão da previdência privada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso; b) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento ao recurso, na questão do vale transporte em dinheiro, nos termos do voto do Relator. Redator: Mauro José Silva. Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério- Relator. Mauro José Silva Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
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VALE TRANSPORTE EM DINHEIRO. O Supremo Tribunal Federal entendeu que mesmo o seu pagamento em pecúnia não retiraria o caráter indenizatório da verba. Súmula 60 da Advocacia Geral da União. PREVIDÊNCIA PRIVADA. DISPONIBILIDADE A TODOS OS EMPREGADOS COMO CONDIÇÃO PARA A ISENÇÃO. Estar disponível a todos os empregados é condição presente em lex specialis em relação à LC 109/2001 que, por contribuir para realizar os desígnios constitucionais com limitações razoáveis e logicamente relacionadas à finalidade social do amparo previdenciário, em nada ofende a proporcionalidade, sendo, portanto, condição inafastável para que os pagamentos a plano de previdência complementar que beneficiam os empregados estejam sob o albergue da isenção. RETENÇÃO. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. Incidência da Súmula CARF nº 02, segundo a qual esse Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de normas. ATRIBUIÇÃO DO AUDITORFISCAL PARA AVERIGUAR O CORRETO ENQUADRAMENTO DA RELAÇÃO EMPRESA TRABALHADOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 36 53 /2 01 0- 92 Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Cabe à fiscalização averiguar a situação fática encontrada e, assim, efetuar o real enquadramento do segurado, nos termos da legislação. ENQUADRAMENTO DE PESSOAS JURÍDICAS COMO SEGURADOS EMPREGADOS Havendo provas no sentido de que os sócios das pessoas jurídicas contratadas reúnem as características de relação de emprego, cabe à fiscalização proceder ao correto enquadramento. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso na questão da previdência privada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso; b) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.723653/201092 Acórdão n.º 2301003.619 S2C3T1 Fl. 3 3 da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento ao recurso, na questão do vale transporte em dinheiro, nos termos do voto do Relator. Redator: Mauro José Silva. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Mauro José Silva – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.286.4198, o qual exige contribuições destinadas à previdência social relativas à parte da empresa, nas competências de 01/2006 a 12/2006 e de 01/2007 a 12/2007. Segundo consta do Relatório Fiscal os fatos geradores das contribuições lançadas são: valores pagos a segurados empregados, incluídos nas folhas de pagamento, no período de 01/2007 a 12/2007, a título de "Previdência Privada" (código de levantamento PP) e "Vale Transporte" (código de levantamento VT); valores pagos a cooperativas de trabalho (código de levantamento CT), no período de 01/2006 a 12/2007, e remuneração de pessoas físicas, segurados empregados, contratados pela Fundação Dom Cabral como se a relação fosse entre pessoas jurídicas (código de levantamento SE), no período de 01/2007 a 12/2007 Em sede de impugnação sustentou a ora recorrente o seguinte: (i) a previdência privada, nos termos da Constituição Federal e da Lei Complementar nº 109/01 não é objeto de incidência das contribuições previdenciárias; ii) sobre o valetransporte pago em dinheiro não incide as contribuições, conforme precedente do Augusto STF; iii) inconstitucionalidade do inciso IV, do artigo 22 da Lei nº 8.212/91, a qual instituiu a retenção de 15% sobre a nota fiscal emitida por cooperativa de trabalho; iv) que as pessoas jurídicas foram contratadas nos termos da legislação civil; v) a incompetência do fisco para estabelecer relação de emprego; vi) possibilidade de contratar serviços intelectuais via pessoa jurídica, conforme estabelecido na Lei nº 11.196/05. A DRJ de Belo Horizonte analisou a integralidade da defesa apresentada e manteve a autuação na sua integralidade. Irresignada com a decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário repisando os argumentos arrolados na impugnação, bem como suscitando o cerceamento do seu direito de defesa ante o indeferimento da prova pericial pleiteada. É o relatório. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.723653/201092 Acórdão n.º 2301003.619 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso atende aos requisitos processuais de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Indeferimento de prova Sustenta a recorrente que o indeferimento da prova pericial e do depoimento pessoal do AFRF inflete contra o direito ao exercício da mais ampla defesa, que restou cerceado pela autoridade fiscal, por isso devendo ser reconhecida a nulidade do processado a partir da decisão presentemente guerreada, com a determinação para que o processo administrativo retorne à origem, a fim de que se realize a prova postulada pelo contribuinte. Como rechaçado pela r. decisão recorrida, não consta no Decreto nº 70.235/72 a possibilidade de realizar o depoimento pessoal do AFRF, até porque os motivos que o levaram à lavrar o auto de infração encontramse minudentemente evidenciados no Relatório Fiscal que acompanha o Auto de Infração. Diante disso, a recorrente, em sede de impugnação requereu fosse realizada perícia técnica, porém sem justificar a sua necessidade e adequação ao caso concreto. Em sede recursal, porém, defende que a perícia teria o objetivo de apurar a realidade dos fatos. A prova pretendida pela ora recorrente é descabida, pois os fatos narrados pela fiscalização foram acompanhados dos documentos que entendeu serem os competentes para suportar os fatos e o enquadramento legal do sujeito passivo. A prova, portanto, é exclusivamente documental, não cabendo perícia para verificar, por exemplo, o pagamento de vale transporte em dinheiro, fato esse retirado da própria escrita fiscal da recorrente; a instituição de plano de previdência privado, fato esse evidenciado pela juntada do plano aos autos etc. Como se vê, o requerimento de prova pericial é genérico e não demonstra sua utilidade no esclarecimento dos fatos versados nesse lançamento, razão pela qual o v. acórdão não prejudicou o exercício da ampla defesa e do contraditório, previsto no artigo 5º LV, da Constituição. Assim, rejeito a preliminar de cerceamento do direito de defesa. Vale transporte em pecúnia Segundo a D. Fiscalização, o lançamento das contribuições previdenciárias seriam devidas, uma vez que a alínea f, do §9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212/91, exclui da base Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 de cálculo das contribuições previdenciárias a parcela recebida a título de vale transporte apenas na forma do artigo 1º da Lei nº 7.418/85. Contudo, tal entendimento não pode prevalecer, já que o Supremo Tribunal Federal entendeu que mesmo o seu pagamento em pecúnia não retiraria o caráter indenizatório da verba. Ademais, a não aceitação do fornecimento do vale transporte em dinheiro caracterizaria a negação do curso legal da moeda. Cito o precedente do Pretório Excelso: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10/03/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) É importante ressaltar que a Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, a qual instituiu o Regimento Interno desse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi alterado pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, a qual incluiu o artigo 62A, segundo o qual devem ser observadas nos julgamentos desse Conselho as decisões definitivas de mérito do Pretório Excelso, proferidas na sistemática da repercussão geral, bem como as do C. Superior Tribunal de Justiça, na forma de recurso repetitivo. O que se extrai dessas alterações é que esse Conselho valhase, em suas decisões, daquelas já tomadas pelo Poder Judiciário e que consolidaram seu entendimento final sobre a matéria, pois no sistema jurídico brasileiro esse é o único órgão competente para “dizer Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.723653/201092 Acórdão n.º 2301003.619 S2C3T1 Fl. 5 7 o direito” com foros de definitividade. É certo que, até o presente momento, o Supremo Tribunal Federal não julgou a questão ora posta em julgamento na forma de repercussão geral. É medida, pois, que se impõe reconhecer que essa temática já está superada no âmbito do Poder Judiciário, cabendonos, pelos princípios que regem a administração pública, tais como legalidade, moralidade e eficiência (artigo 37 caput da Constituição Federal) aplicála. Por essas razões, inclusive, que a AGU editou a Súmula 60, a qual reconhece o caráter indenizatório da verba. Diante desse panorama jurídico, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária em decorrência do pagamento de vale transporte em dinheiro. Previdência Privada Ao tratarmos no caso de previdência privada a análise jurídica deve partir da Constituição Federal, passando pela legislação complementar que a regulamenta, sob pena de desconsiderarmos regras jurídicas importantíssimas, sejam aquelas que definem as espécies de previdência privada existentes, sejam porque tais regras espraiamse no âmbito da incidência das contribuições previdenciárias. Partiremos, então, da análise do artigo 202 da Constituição Federal que, na parte relevante para o caso concreto, dispõe: “Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 1° A lei complementar de que trata este artigo assegurará ao participante de planos de benefícios de entidades de previdência privada o pleno acesso às informações relativas à gestão de seus respectivos planos. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998).” Diante desse dispositivo legal extraímos que o regime de previdência privada será regulado mediante lei complementar, bem como que as contribuições aportadas pelo empregador, em benefício dos participantes não integram seus respectivos contratos de trabalho, tampouco suas respectivas remunerações, nos termos da lei. Perguntamos: que lei é esse a que se refere o § 2º do artigo 202? A nosso ver só pode ser a lei complementar exigida pelo próprio caput, pois é esta, por força constitucional, que deverá dispor sobre previdência privada. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 A lei complementar exigida pela Carta Magna é a de nº 109, de 29 de maio de 2001, a qual ao dispor sobre previdência privada, classificouas, no seu artigo 4º em duas espécies, quais sejam: i) previdência fechada; e ii) previdência aberta. As entidades fechadas de previdência privada são aquelas tratadas no Capítulo III do citado diploma legal, em especial no artigo 31 que reza: “Art. 31. As entidades fechadas são aquelas acessíveis, na forma regulamentada pelo órgão regulador e fiscalizador, exclusivamente: I aos empregados de uma empresa ou grupo de empresas e aos servidores da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, entes denominados patrocinadores; e II aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial, denominadas instituidores. § 1o As entidades fechadas organizarseão sob a forma de fundação ou sociedade civil, sem fins lucrativos. § 2o As entidades fechadas constituídas por instituidores referidos no inciso II do caput deste artigo deverão, cumulativamente: I terceirizar a gestão dos recursos garantidores das reservas técnicas e provisões mediante a contratação de instituição especializada autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil ou outro órgão competente; II ofertar exclusivamente planos de benefícios na modalidade contribuição definida, na forma do parágrafo único do art. 7o desta Lei Complementar.” Logo se vê que as entidades fechadas de previdência são aquelas de adesão restrita aos funcionários da empresa ou grupo de empresas patrocinadoras ou das instituidoras, tais como associações de classe, sindicatos etc. Em relação ao plano de benefícios da entidade fechada, determina o artigo 16 da Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001 que esses devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores, equiparandose a empregado, para efeitos dessa Lei, os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes. Mais adiante a Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001, estabelece no Capítulo IV, artigo 36 as características de uma entidade aberta de previdência: “Art. 36. As entidades abertas são constituídas unicamente sob a forma de sociedades anônimas e têm por objetivo instituir e operar planos de benefícios de caráter previdenciário concedidos em forma de renda continuada ou pagamento único, acessíveis a quaisquer pessoas físicas.” Ao contrário da entidade fechada, a entidade aberta é acessível a qualquer pessoa física, não ficando restrita a empregados da entidade instituidora, por exemplo. Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.723653/201092 Acórdão n.º 2301003.619 S2C3T1 Fl. 6 9 Ademais, em relação aos benefícios instituídos pelas entidades abertas determina o artigo 26 da Lei Complementar em comento: “Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. § 5o A implantação de um plano coletivo será celebrada mediante contrato, na forma, nos critérios, nas condições e nos requisitos mínimos a serem estabelecidos pelo órgão regulador.” Verificase que em relação ao plano de benefícios, não exige a legislação de regência, no caso das entidades abertas, que esse seja extensível a todos os empregados, tal como previsto para as entidades abertas. No tocante à questão relativa às contribuições previdenciárias o artigo 69 da lei em debate é muito claro ao estabelecer que sobre os aportes nos planos de previdência, seja ele fechado ou aberto, não há que se falar na sua incidência. Vejase: “Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza.” Contudo, a análise não para por aí. Como vimos linhas acima as entidades fechadas e abertas possuem características distintas e uma delas, crucial para o exame do caso Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 10 concreto, é a questão relativa à participação da totalidade dos empregados e a eles equiparados. Melhor explicando, necessitamos verificar no caso concreto se o plano de previdência em debate é fechado ou aberto. Isto porque, tratandose de plano de previdência fechado poderia haver, em tese, a incidência das contribuições previdenciárias, já que nos autos verificouse que o plano não albergava todos os empregados e a eles equiparados. Porém, o que se depura do Relatório Fiscal e dos documentos anexados aos autos, é que o plano de previdência em evidência é contratado junto à entidade aberta, na modalidade coletivo, o qual objetiva garantir benefícios previdenciários às pessoas vinculadas à contratante, no caso a recorrente, amoldandose, portanto, à previsão do inciso II, do artigo 26 da Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001. Tratandose de plano de previdência contratado junto à entidade aberta a Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001, como já exposto, não exige que seja extensível a todos os empregados. Em relação ao disposto no artigo 28, § 9º, alínea “p” da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, o qual exige que o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, tem que ser disponível à totalidade dos empregados e dirigentes para que não seja alvo das contribuições previdenciárias, entendo que esse foi revogado parcialmente pela Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001 no que diz respeito à extensividade da previdência complementar aberta. Contudo, ainda que assim não se entenda, ou melhor, ainda que o colegiado siga a premissa de prevalência do artigo 28, § 9º, alínea “p” da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, verificase no caso que o Plano estava disponível a todos, havendo apenas uma restrição temporal razoável para que o segurado empregado fosse por ele atendido. Nesse sentido, destaco precedente dessa E. 1ª Turma de relatoria do Conselheiro Mauro José Silva (Acórdão 2301002.684): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2007 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. APLICAÇÃO AO ASPECTO DO FATO GERADOR MUTILADO E NÃO AOS REQUISITOS PARA DESFRUTE DO BENEFÍCIO. BOLSA AUXÍLIO EDUCAÇÃO, CONVÊNIO SAÚDE E PREVIDÊNCIA PRIVADA.. A interpretação restritiva para as normas isencionais exigida pelo art. 111 do CTN diz respeito ao aspecto do fato gerador mutilado e não aos requisitos para desfrute do benefício. As eventuais condições de isenção não devem se submeter à uma restrição excessivamente rigorosa advinda da literalidade da norma sob pena de negarmos a finalidade do dispositivo. Se a norma isencional exige que o benefício seja oferecido a todos os empregados, uma exigência de um tempo mínimo na empresa guarda relação lógica com a finalidade do benefício fiscal no que se refere à bolsa auxílio educação, ao convênio saúde e ao pagamento de previdência privada, não sendo esta uma motivação adequada para o afastamento da isenção. Havendo provas do cumprimento de outros requisitos, a isenção deve ser reconhecida. Recurso Voluntário Provido em Parte” Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.723653/201092 Acórdão n.º 2301003.619 S2C3T1 Fl. 7 11 Assim, entendo que o plano de previdência privado instituído pela recorrente atendeu aos ditames da Lei Complementar nº 109/01 e, portanto, escapam da incidência das contribuições previdenciárias. Serviços tomados por meio de cooperativas de trabalho Sustenta a recorrente que o inciso IV, do artigo 22 da Lei nº 8.212/91 é inconstitucional, razão pela qual o auto de infração não poderia exigir a retenção de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços. A matéria relativa à inconstitucionalidade de norma não é de competência desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual em diversos julgados assim se manifestou, o que culminou com a edição da Súmula CARF nº 02, cuja redação é a seguinte: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, nesse ponto nego provimento ao recurso. Competência para verificar existência de vínculo empregatício No mérito, alega a recorrente que a fiscalização não teria competência para verificar a existência de vínculo empregatício entre a empresa e seus funcionários, cabendo essa atividade à Justiça do Trabalho. Esse tema já está sufragado no âmbito de nossos Tribunais, os quais reconhecem a possibilidade de a autarquia previdenciária averiguar a existência ou não de vínculo empregatício no exercício de sua atividade fiscalizadora. Nesse sentido o julgado abaixo do Colendo Superior Tribunal de Justiça: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535 DO CPC. VIOLAÇÃO. INEXISTÊNCIA. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. PRESUNÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO TÍTULO EXECUTIVO. PREQUESTIONAMENTO DOS ARTS. 333 do CPC, 142 DO CTN, 82, 115, 129 E 131 do CC/16 E 3º DA CLT. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL COMPROVADA EM PARTE. 1. O Tribunal a quo, ainda que de modo conciso, decidiu a questão ao afirmar que o documento apresentado pela recorrida, no sentido de provar a existência de serviço eventual, foi o mesmo utilizado pela autarquia para efetuar o lançamento do débito tributário. Não caracteriza, pois, insuficiência de fundamentação, a circunstância do acórdão atacado ter solvido a lide contrariamente à pretensão da parte, hipótese presente nesta demanda. 2. A instância a quo não emitiu juízo de valor acerca dos arts. 333, incisos I e II do CPC, 142 do CTN, 82, 115, 129 e 131 do CCB de 1916. Malgrado a recorrente tenha aviado embargos de declaração, não requereu naquela oportunidade o prequestionamento dos dispositivos acima elencados. Quanto ao art. 3º da CLT, ressaltase que o mero afastamento de sua aplicação ao caso não satisfaz a necessidade de existir efetiva emissão de juízo de valor sobre a matéria à luz do dispositivo federal que se pretende apontar como violado. Aplicase, in Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 12 casu, o disposto na Súmula 211/STJ. 3. A divergência jurisprudencial no que se refere à verificação da existência de vínculo empregatício esbarra no óbice da Súmula 7 desta Corte. Precedentes. 4. O dissídio pretoriano suscitado quanto à competência do INSS para constar a presença da relação de emprego restou devidamente comprovado. Cabe ao INSS investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços. Se verificar, portanto, que a empresa, de alguma maneira, usa artifício quanto à relação de emprego, para descaracterizála, deve autuála com o objetivo de zelar pela efetiva arrecadação. 5. Recurso especial conhecido, em parte, e improvido.(RESP 200101559367, CASTRO MEIRA, STJ SEGUNDA TURMA, 13/03/2006 – grifos nossos)” Além disso, dispõe o § 2º do artigo 229 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, Regulamento da Previdência Social: “Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999)” Logo, cabe à fiscalização averiguar a situação fática encontrada e, assim, efetuar o real enquadramento do segurado, nos termos da legislação. Da desqualificação dos contratos firmados com pessoas jurídicas. Enquadramento dos sócios representantes como segurados empregados. A fiscalização empreendeu no sentido de demonstrar que “a Fundação Dom Cabral incorreu em uma sistemática irregular de contratação de diversos empregados profissionais de diversas áreas. Esta pactuação se deu por meio de Contratos de Prestação de Serviços celebrados com aqueles profissionais figurando como empresários (sócios das pessoas jurídicas)” Verificase nesses autos que os contratos firmados, todos com redação similar, previam uma carga horária de trabalho de 160 horas anuais, as quais divididas pelo numero de dias úteis dos anos objeto do levantamento, chegase um volume de 8 horas diárias, uma das circunstâncias que levou o Fisco a investigar o real enquadramento da relação jurídica que lhe foi apresentada. Chama a atenção nesses autos que os contratos tinham por objeto a realização de atividades, tais como: i) ministrar aulas; ii) desenvolver produtos, projetos e participação em outras atividades; iii) realizar conferências palestras e assemelhados. Tais atividades, como se verifica do Estatuto Social da recorrente e confrontados no Relatório Fiscal às fl. 50 dos autos, são relacionadas à própria finalidade da instituição. E, nesse tocante, verificase que às fl. 382 a 385 desses autos, a recorrente, em virtude da Fiscalização efetuada pelo Ministério Público do Trabalho da 3ª Região no Inquérito Civil nº 001414.2009.03.000/4, firmou Termo de Ajustamento de Conduta em 29/07/2009, o qual considerou ilegal a “contratação de trabalhadores por empresa interposta” e, em decorrência desse acordo, ficou impedida de contratar pessoas jurídicas para exercer a Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.723653/201092 Acórdão n.º 2301003.619 S2C3T1 Fl. 8 13 atividade fim da empresa, excetuandose apenas algumas atividades meio, tais como, serviços de táxi, de motoboy etc. Ademais, verificase nos contratos firmados com as pessoas jurídicas, designadas de “CONTRATADAS” que estas poderiam “aderir aos benefícios que a FDC disponibiliza para seus empregados.” Tais, benefícios, conforme apurou a fiscalização às fl. 374 e seguintes, foram destinados ao sócio que representava o contratado e que exercia a prestação de serviços perante a recorrente e se referem a reembolso de verba educacional (espanhol, ensino fundamental), alimentação, previdência privada Brasil Prev, plano de saúde Bradesco, reembolso de medicamentos, o que nos leva a crer que havia, de fato, uma relação pessoal do sócio com a recorrente e que este cumpria com deveres nítidos da relação empregatícia, fato esse também observado pelo Ministério Público do Trabalho. Não dá para se cogitar, diante da documentação carreada aos autos, que cada um desses profissionais estavam livres para ministrar ou não as aulas ou mesmo poderiam comparecer à instituição ou enviar substituto. Multa Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 caput acima citado. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Diante dessas considerações, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO a fim de decotar do lançamento os valores relativos ao vale transporte pago em pecúnia, à previdência privada e aplicar, se mais benéfica, a multa prevista no artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, com a redação conferida pela Lei nº 11.941/09. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 14 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Incidência da contribuição previdenciária sobre a pagamentos a planos de previdência complementar. Existência de isenção com requisitos para seu desfrute mesmo após o advento da LC 109/2001. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre pagamentos de planos de previdência complementar tomando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.723653/201092 Acórdão n.º 2301003.619 S2C3T1 Fl. 9 15 § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde de pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: · No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; · No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 16 Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Logo, cabenos verificar se os pagamentos feitos pelo empregador a título de previdência complementar estão alcançados por algumas incidências do inciso I do art. 22. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange aos pagamentos de planos de previdência privada, quis a CLT estabelecer que se trata de utilidade que deve ser excepcionada da noção de salário lato sensu, e, portanto, da noção de remuneração, mas isso não retira sua natureza de utilidade paga aos empregados que, sendo habitual, sofre a incidência da contribuição, conforme autorização constitucional e incidência positivada pela segunda parte do inciso I do art. 22 da Lei 8.212/91. Por outro lado, a contribuição das empresas incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviço– art. 22, inciso III, tem como fato gerador somente o pagamento de remuneração a estes, sem incluir os ganhos habituais sob a Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.723653/201092 Acórdão n.º 2301003.619 S2C3T1 Fl. 10 17 forma de utilidades como acontece com a hipótese do inciso I. Como já anotamos, a utilidade “pagamento a previdência privada” deixou de ser considerada como item da remuneração desde a edição da Lei 10.243/2001, publicada em 20/02/2001 e que alterou o art. 458 da CLT. A partir dessa data, portanto, o pagamento da empresa à plano de previdência privada é uma utilidade concedida pelo empregador que está fora do conceito de remuneração, ainda que o pagamento seja habitual. Para o caso da contribuição incidente sobre os pagamentos a contribuintes individuais, portanto, os pagamentos a planos de previdência complementar não estão incluídos no campo de incidência a partir do mês de 03/2001. Cabenos, agora, verificar se o conteúdo do §1º do art. 69 da Lei Complementar 109/2001 impede a incidência da contribuição previdenciária sobre tais pagamentos que beneficiam os empregados (art. 22, inciso I da Lei 8.212/91), por ser lei posterior que teria instituído isenção geral. Inicialmente, na esteira do que vem decidindo o STF, afasto o status de lei complementar de tal dispositivo, uma vez que seu conteúdo material é de lei ordinária, tendo em vista que a Constituição não exigiu para a criação de isenções o veículo da Lei Complementar. Portanto, não assumimos a existência de hierarquia entre o §1º do art. 69 da LC 109/2001 e os dispositivos da Lei 8.212/91. Porém, tratase de lei posterior que, embora de mesma hierarquia material, tratou de assunto regulado por lei anterior. Isso normalmente implicaria em concluirmos pela derrogação da lei antiga. No entanto, não podemos ignorar que o conteúdo do §1º do art. 69 da LC 109/2001 dispõe genericamente sobre a isenção que desfrutam os pagamentos a previdência complementar em relação ao conjunto de tributos, aí incluídas todas as contribuições. O referido dispositivo, por seu caráter genérico, ou seja, por possuir natureza de lei geral, não impede que a lei específica, a lex specialis, ainda que publicada em data anterior, permaneça em vigor para estabelecer condições para a isenção em relação a determinada contribuição, por conta da aplicação do princípio da especialidade. Significa dizer que a legislação de cada contribuição pode, desde que sem ofensa à proporcionalidade, estabelecer requisitos próprios para o desfrute da isenção. Em outras palavras, os requisitos impostos pela lex specialis para o gozo da isenção posteriormente ou anteriormente inserta em lei geral não devem ser de tal modo gravosos que, de fato, impeçam o desfrute do benefício. No caso dos pagamentos a título de previdência complementar, a Lei 8.212/91 definiu um requisito bastante razoável para o desfrute da isenção: que o programa esteja disponível a todos os empregados, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 18 É um requisito de óbvio caráter social que está em consonância com o princípio do valor social do trabalho previsto no art. 1º, inciso IV da Constituição Federal e com o objetivo de construir uma sociedade livre justa e solidária e reduzir as desigualdades sociais(art. 3º, incisos I e III), pois pretende assegurar que as empresas ofereçam plano de previdência complementar a todos os seus empregados, sem distinção de função, impedindo que somente os dirigentes e funcionários mais graduados tenham acesso ao benefício. Assim, estar disponível a todos os empregados é condição presente em lex specialis em relação à LC 109/2001 que, por contribuir para realizar os desígnios constitucionais com limitações razoáveis e logicamente relacionadas à finalidade social do amparo previdenciário, em nada ofende a proporcionalidade, sendo, portanto, condição inafastável para que os pagamentos a plano de previdência complementar que beneficiam os empregados estejam sob o albergue da isenção. Voltemos ao caso concreto. Notamos existir uma limitação de idade para ser beneficiário da previdência privada oferecida como benefício pela recorrente. Tratase de discrímen que não encontra justificativa lógica de modo a afastar a conclusão de que se trata de discriminação odiosa e vedada pela lei. Não estando o benefício disponível a todos os empregados, concluímos que os pagamentos a esse título não estão abrangidos pela isenção, estando correta sua manutenção na base de cálculo da contribuição em comento. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.723653/201092 Acórdão n.º 2301003.619 S2C3T1 Fl. 11 19 · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 20 casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.723653/201092 Acórdão n.º 2301003.619 S2C3T1 Fl. 12 21 Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 22 § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.723653/201092 Acórdão n.º 2301003.619 S2C3T1 Fl. 13 23 A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 24 · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 09/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 13204.000077/2005-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS.
Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não-cumulativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-002.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I - Por maioria de votos, em não converter o processo em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; II - Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, no sentido de reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições do óleo combustível TP A-BPF; III - Por maioria de votos, em negar provimento quanto às glosas decorrentes de fornecimento de alimentação para os funcionários e serviço especializado de vigilância. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; IV - Pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação as demais glosas (alteamento, limpeza e passagem, locação de equipamentos, decapeamento, lavra, transporte de funcionários, melhoria das estradas, gasolina comum e óleo diesel). Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento nestes itens. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para elaborar o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Delduca Cilino, OAB/SP 258.040.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I - Por maioria de votos, em não converter o processo em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; II - Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, no sentido de reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições do óleo combustível TP A-BPF; III - Por maioria de votos, em negar provimento quanto às glosas decorrentes de fornecimento de alimentação para os funcionários e serviço especializado de vigilância. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; IV - Pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação as demais glosas (alteamento, limpeza e passagem, locação de equipamentos, decapeamento, lavra, transporte de funcionários, melhoria das estradas, gasolina comum e óleo diesel). Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento nestes itens. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para elaborar o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Delduca Cilino, OAB/SP 258.040. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por maioria de votos, em não converter o processo em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; II Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, no sentido de reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições do óleo combustível TP ABPF; III Por maioria de votos, em negar provimento quanto às glosas decorrentes de fornecimento de alimentação para os funcionários e serviço especializado de vigilância. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; IV Pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação as demais glosas (alteamento, limpeza e passagem, locação de equipamentos, decapeamento, lavra, transporte de funcionários, melhoria das estradas, gasolina comum e óleo diesel). Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento nestes itens. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para elaborar o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Delduca Cilino, OAB/SP 258.040. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 77 /2 00 5- 58 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801002.042 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801002.042 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 0114 . 292, de 16 de junho de 2009, da 3ª. Turma da DRJ/BEL, referente ao processo administrativo n° 13204.000077/200558, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não sendo reconhecido o direito creditório, sendo mantidas as glosas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BEL, que assim relata: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de PIS/Pasep não cumulativo no valor de R$ 36.734,45, feito pela empresa acima identificada (fl. 01), a ser utilizado na compensação de fl. 02. 2. A DRF Belém, conforme Parecer Seort n° 729, de 16.10.2008, fls. 74/95 (cópia), procedeu a análise conjunta do presente pleito e de outros mais referentes ao PIS/Pasep e à Cofins não cumulativos. 3. Após diligência realizada pela Fiscalização da Unidade (cópia do Termo nas fls. 64/73 do presente processo), foi reconhecido o direito ao crédito de PIS/Pasep no valor de R$ 85.647,43, sendo parcialmente homologada a compensação, até o limite do crédito. Cabe destacar que os Anexos (I a IV) do referido Termo de Diligência encontramse no processo n° 13204.000009/200416, o qual deverá acompanhar todos os demais analisados conjuntamente. 4. Cientificada em 17.11.2008 (AR fl. 96v.), a interessada apresentou, tempestivamente, em 17.12.2008, manifestação de inconformidade (fls. 22/40), na qual, em síntese: a) Argumenta que as glosas efetuadas desrespeitam o princípio da não cumulatividade, uma vez que os serviços e bens desconsiderados estão intimamente ligados ao processo produtivo da empresa, sendo passíveis de creditamento; b) Tece considerações acerca da contribuição, destacando que a legislação tratou de prever expressamente as hipóteses em que não há direito ao crédito (art. 3°, § 2% da Lei n° 10.637, de 2002), não devendo "pairar dúvidas sobre a possibilidade de creditamento da pessoa jurídica referente aos bens e serviços utilizados como inumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda'; c) Ressalta, ao comentar a utilização pela Fiscalização do Parecer Normativo n° 65, de 1979, e da Instrução Normativa SRF n° 404, de 2004, que “qualquer definição de insumo trazido Fl. 173DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801002.042 S3TE01 Fl. 5 4 ao mundo jurídico, seja por veículo de Instrução Normativa ou Parecer Normativo, contraria a competência que lhe é atribuída pelo Código Tributário Nacional”. Acrescenta que tais veículos normativos citados "extrapolam seus poderes, na medida em que tentam inovar o conceito constitucional e legal de insumos”; d) Defende que "o conceito de inumo está intimamente ligado à idéia de consumo de certo bem ou serviço, deforma direta ou indireta, na atividade desenvolvida pela pessoa jurídica para a fabricação do produto', sendo "a complexidade de bens e serviços aplicados na produção ou fabricação de bens, sem os quais não seria possível a obtenção do produto final e acabado com suas características próprias”; e) Afirma estar claro que os bens e insumos glosados estão intrinsecamente afetos à fabricação do produto caulim, procurando justificar a função de cada item, conforme tabela nas fls. 31/32; f) Procura demonstrar o caráter contraditório das conclusões da Fiscalização, na medida em que não teria lógica a adoção de bens ou serviços inúteis à sua produção, aumentando o custo de produção; g) Cita Solução de Consulta expedida no âmbito da Receita Federal do Brasil, sem especificar de qual Região Fiscal, que manifesta juízo no sentido de que “os bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços, intrinsecamente relacionado com o objetivo da empresa e com o serviço prestado, podem ser considerados créditos na apuração do PIS/Pasep não cumulativo”; h) Reforça o entendimento de que a desconsideração dos bens e serviços fere o princípio da não cumulatividade previsto na Carta Magna, alertando que o fato de haver sido atribuída ao legislador ordinário a competência de definir os setores de atividade econômica sujeitos à não cumulatividade da contribuição, não significa autorização para desvirtuamento do conceito “nãocumulativo”; i) Não se pode interpretar o conceito de insumo exclusivamente a partir das legislações de IPI ou ICMS, por falta de previsão legal e devido a divergência da materialidade desses impostos com relação à contribuição; j) Alerta para a violação do princípio constitucional do "não confisco" sempre que o tributo absorva parcela expressiva da renda ou de propriedade do contribuinte; k) Por fim, requer a revisão da decisão, sendo enquadrados como insumos os bens e serviços glosados. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801002.042 S3TE01 Fl. 6 5 Entendeu a DRJ/BEL por conhecer a manifestação de inconformidade apresentada, por ser tempestiva e por esta atender aos requisitos dos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/1972. Na primeira parte do acórdão, fez a DRJ/BEL tratou das alegações de inconstitucionalidade. Transcrevese aqui este trecho do acórdão: 5. No que diz respeito às alegações de inconstitucionalidade, vale lembrar que tais argumentos não são oponíveis à instância julgadora administrativa, pelo que não se toma conhecimento destes. 6. Não cabe à autoridade administrativa, em face de sua vinculação ao texto legal, apreciar questões de ordem constitucional ou doutrinária, competindolhe tão somente aplicar o direito tributário positivo. O julgador administrativo nesta instância deve estrita observância aos atos expedidos pela Receita Federal, consoante estabelece o art. 7° da Portaria MF n° 58, de 17 de março de 2006, que "Disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento — DR F. 7. Em verdade, de acordo com o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a autoridade fiscal encontrase limitada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais restrições para examinar questões outras como as suscitadas na impugnação em exame. Compete ao julgador administrativo simplesmente seguir a lei obrigar seu cumprimento, cabendo ainda citar que tal entendimento foi objeto de súmulas dos extintos Conselhos de Contribuintes, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Após, a DRJ/BEL julga o mérito da manifestação de inconformidade, entendendo pelo indeferimento da solicitação da contribuinte, devendo ser mantidas as glosas, vejamos: 15. Em relação às glosas, no que diz respeito aos bens, temse: a) gasolina e óleo diesel utilizados para transporte de materiais — deverá ser mantida a glosa, por não se enquadrarem no conceito de insumos; b) óleo combustível TP, utilizado como energia para aquecimento dos vasos que promoverão a redução da água contida na polpa — conforme transcrição do art. 3° da Lei n° 10.822, de 2003, acima, a energia térmica somente pôde ser aproveitada a partir da Lei n° 11.488, de 2007, (15.07.2007), devendo ser mantida a glosa. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801002.042 S3TE01 Fl. 7 6 16. Quanto aos serviços glosados (alteamento, limpeza, locação, jantar, descapeamento, lavra, transporte de funcionários, vigilância e melhoria nas estradas), entendese que os mesmos não são utilizados na linha de produção, devendo ser mantida a glosa, conforme esclarecimentos anteriormente prestados (itens 13 e 14 acima). 17. Especificamente com relação à energia elétrica, conforme os esclarecimentos feitos pela Fiscalização no Termo de Diligência, não houve glosa a partir de fevereiro de 2003, podendo isso ser comprovado pelas relações de produtos glosados constante das fls. 03/38 do Anexo I ao processo n° 13204.000009/200416. Assim restou ementado o Acórdão n° 0114.292, de 16 de junho de 2009, da 3ª. Turma da DRJ/BEL: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 INSUMO. BENS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS. Além das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que componham visualmente o produto final, poderão ser descontados créditos em relação a produtos que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. INSUMO. SERVIÇOS APLICADOS NA PRODUÇÃO. Geram direito ao crédito os serviços prestados por pessoas jurídicas contribuintes do PIS/Pasep, domiciliadas no País, que sejam utilizados na linha de produção da empresa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. Os atos regularmente editados segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. Solicitação Indeferida. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário. Após fazer breve retrospectiva dos fatos, foram apresentadas as razões de direito para a reforma da decisão de 2ª. instância. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801002.042 S3TE01 Fl. 8 7 Em seus requerimentos, requereu que seja julgado procedente o Recurso Voluntário apresentado, sendo reformada a decisão proferida pela DRJ. Reproduzemse aqui os pedidos: 51. Diante de todo o exposto, requer a total reforma da decisão recorrida, em razão da demonstração de que: (i) o artigo 3°, da Lei n° 10.637, dispõe sobre a possibilidade de se utilizar, no regime nãocumulativo, de créditos decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades desenvolvidas pela Recorrente; (ii) o conceito de insumo da decisão recorrida não encontra respaldo no dispositivo legal que permite o aproveitamento de créditos, tampouco na Constituição Federal; (iii) todos os créditos decorrem de bens e serviços utilizados como insumos no processo produtivo da Recorrente, não havendo qualquer fundamento de validade o entendimento fazendário impugnado, no sentido de que o insumo deve ter (necessária e obrigatoriamente) relação direta com o produto e não com o processo produtivo, como sustenta a Recorrente. Após, apresenta a contribuinte petição, onde foram reiterados os pedidos para que seja dado integral provimento ao recurso voluntário, reformandose o acórdão recorrido. Na mesma oportunidade juntou documento, que se trata de Solução de Divergência n° 37 Cosit, oriunda do processo n° 13204.000028/200787, onde é interessada a própria contribuinte ora recorrente. É o relatório. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801002.042 S3TE01 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. O caso em questão trata de pedido de homologação de créditos de bens e serviços que seriam utilizados como insumo no processo produtivo desenvolvido pela Recorrente. Os bens e serviços não homologados pela Delegacia de Julgamento foram os seguintes: (i) Serviços de alteamento; (ii) Serviços de limpeza e passagem; (iii) Serviço de locação de equipamentos para extração do minério; (iv) Fornecimento de alimentação para os funcionários; (v) Serviço de decapeamento; (vi) Serviço de lavra; (vii) Serviço de transporte de funcionário; (viii) Serviço especializado de vigilância; (ix) Serviço de melhoria das estradas que conduzem às jazidas minerais; (x) Gasolina comum; (xi) Óleo diesel; (xii) Óleo combustível TP ABPF; (xiii) Energia elétrica. A jurisprudência do CARF é polêmica em relação ao tema, existindo posicionamentos divergentes sobre a matéria. Três posicionamentos sobressaem sobre o conceito de insumo: como integrados ao produto ou serviço, como necessários à atividade ou como O primeiro conceito aparece em diversas decisões do CARF, dentre as quais podemos citar: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801002.042 S3TE01 Fl. 10 9 Somente geram créditos da Cofins as despesas com matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Em sentido diverso podemos citar a seguinte decisão: Acórdão 3402001.661 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária COFINS NÃO CUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO CONCEITO DE INSUMO CRÉDITOS RELATIVOS A AQUISIÇÕES DE PEÇAS COM DESGASTE NO PROCESSO PRODUTIVO LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03. O princípio da não cumulatividade da COFINS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos. Créditos autorizados: a aquisições de óleo combustível, e de peças com desgaste no processo produtivo tais como peneiras, chapas perfuradas, correias, telas, capas perfuradas e martelos tipicamente integrantes dos maquinários do processo produtivo, e material de embalagem (containeres flexíveis). Atividade da empresa: setor de alimento. Por último, partilhamos do entendimento de que o conceito de insumo de ser buscado de modo autônomo ao preceituado no IPI, no ICMS e mesmo no IRPJ, visto que os tributos mencionados possuem materialidade distinta da PIS e COFINS. Diferenciase do IPI porque não abrange somente atividades de industrialização, não se dirige apenas a comercialização, pois envolve outras atividades de Fl. 179DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801002.042 S3TE01 Fl. 11 10 produção (industrialização) e não se submete ao IRPF porque não procura verificar a renda (disponibilidade econômica ou jurídica) do contribuinte, nem tampouco aferir a sua capacidade contributiva. Tampouco se admitiria a utilização do conceito de insumo previsto no IPI, ICMS ou IR sob pena de se constituir na utilização indevida de analogia, pelo uso de vedada ampliação da base de cálculo do tributo. Determina o art. 108 do CTN que: “(...) § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei“. O conceito de insumo diferenciase dos gastos necessários à industrialização (IPI), consumidos ou integrados à mercadoria ou necessários à atividade (IR) e deve estar coerentemente ligado à essência do tributo em questão, ou seja, na produção. Os gastos de materiais de escritório não são usualmente necessários à produção e portanto não geram créditos de PIS/Cofins, apesar de necessários à atividade, abatendo da base de cálculo do IR. O conceito de insumo não está claramente delimitado na legislação, sendo que o art. 3º determina que: “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Inexistindo limitação por parte da legislação, não cogita tal limitação por normas infralegais, de tal modo que toda a despesa necessária à produção ou prestação de serviços permitirá o seu aproveitamento em prol do princípio da nãocumulatividade. Da leitura do pedido da recorrente se verifica que a prova de que os insumos citados foram necessários à produção se encontraria presente no processo n° 13204.000009/200416, inexistindo nestes autos qualquer elemento que permita fazer o julgamento sem a referida prova. O relatório da DRJ/BEL, em seu item 2, do acórdão ora recorrido deixa claro que: “A DRF Belém, conforme Parecer Seort n° 729, de 16.10.2008, fls. 74/95 (cópia), procedeu a análise conjunta do presente pleito e de outros mais referentes ao PIS/Pasep e à Cofins não cumulativos.”. Em seguida, no item 3, também é referido que: “Após diligência realizada pela Fiscalização da Unidade (cópia do Termo nas fls. 64/73 do presente processo), foi reconhecido o direito ao crédito de PIS/Pasep no valor de R$ 85.647,43, sendo parcialmente homologada a compensação, até o limite do crédito. Cabe destacar que os Anexos (I a IV) do referido Termo de Diligência encontramse no processo n° 13204.000009/200416, o qual deverá acompanhar todos os demais analisados conjuntamente.” Fl. 180DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801002.042 S3TE01 Fl. 12 11 Necessário destacar também que a fls. 15 dos autos há um TERMO DE JUNTADA DE PROCESSO. No referido termo é dito que o presente processo estava sendo juntado, por apensação, naquela data (28/12/2007), ao processo 13204.000009/200416. O processo 13204.000009/200416 ainda não foi julgado, estando no momento aguardando julgamento por este Conselho. Absolutamente necessário portanto que seja realizada a baixa em diligências do presente processo, de modo que estes seja somente incluído em pauta junto com o processo 13204.000009/200416, haja vista o apensamento realizado de fls. 15, bem como de que toda a prova realizada se encontra no referido processo, não sendo passível de verificação se os bens e serviços são ou não insumos sem a referida prova. Em face do exposto, encaminho o voto para que seja o presente processo baixado em diligências, a fim de que seja ele aguardado para colocação em pauta a posteriori, de modo que seja julgado conjuntamente com o processo 13204.000009/200416. É o meu voto. (assinado digitalmente) Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Voto Vencedor Conselheiro Flávio de Castro Pontes Redator designado Ainda que respeitáveis as razões do ilustre relator, discordase de seu entendimento. O processo tem todos os elementos necessários para a formação da convicção do julgador. Assim, afastase de imediato a proposta do relator de conversão em diligência. Passase a apreciação do mérito. As matérias em discussão nesse litígio administrativo são objeto de inúmeras controvérsias entre a Fazenda Nacional e os contribuintes. O julgador com os elementos probatórios tem que solucionálas. A recorrente insurgiuse contra a glosa dos serviços e bens descritos no recurso voluntário: Serviço de alteamento: consiste no aumento da capacidade da bacia de rejeites. Por sua natureza, fica claro que o serviço de alteamento representa importante etapa do processo produtivo em sua fase posterior. (...). Serviço de limpeza e passagem: consiste na remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim. (...) Fl. 181DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801002.042 S3TE01 Fl. 13 12 Serviço de locação: consiste na locação de equipamentos para extração do minério. Por sua especificidade e alta exigência técnica a extração de minério não pode ser realizada a contento sem maquinário apropriado. (...) Fornecimento de jantar: consiste no serviço de refeitório para os funcionários. (...) Serviço de decapeamento: consiste na retirada de vegetação e solo para expor o minério. (...) Serviço de lavra: consiste na extração do minério da natureza. (...) Serviço de transporte: consiste no serviço de transporte de funcionários. (...) Serviço especializado de vigilância: consiste no serviço de segurança patrimonial. (...) Serviço de melhoria das estradas: consiste na manutenção de estradas privadas que conduzem às jazidas minerais. (...) Gasolina comum: utilizada nos veículos da fábrica para transporte de materiais. (...) Óleo diesel: utilizado nos caminhões para transporte de caulim. (...) Óleo combustível TP ABPF: utilizado na fase da "evaporação" (redução do teor de água contida na polpa através de passagem por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível). (...) De sorte que a grande controvérsia tem por objeto o conceito de insumo. A legislação de regência, Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 – Cofins e Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 – PIS, e alterações posteriores, disciplinava: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no Fl. 182DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801002.042 S3TE01 Fl. 14 13 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) (grifouse) Destarte, o ponto central da questão é compreender o conceito de insumo estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º das Lei nº 10.833/03 e 10.637/2002. Há diversas exegeses a respeito desse dispositivo, tais como: definição de insumo segundo a legislação do IPI, aplicação de custos e despesas de acordo com a legislação do IRPJ, custos de produção, etc. Para o deslinde da questão, é despiciendo examinar o método indireto subtrativo que, em regra, foi adotado para o exercício da nãocumulatividade da contribuição PIS. A respeito da interpretação das leis, Carlos Maximiliano em Hermenêutica e Aplicação do Direito, 19ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 162, ensina: Por mais opulenta que seja a língua e mais hábil quem a maneja, não é possível cristalizar numa fórmula perfeita tudo o que se deva enquadrar em determinada norma jurídica: ora o verdadeiro significado é mais estrito do que se deveria concluir do exame exclusivo das palavras ou frases interpretáveis; ora sucede o inverso, vai mais longe do que parece indicar o invólucro visível da regra em apreço. A relação lógica entre a expressão e o pensamento faz discernir se a lei contém algo de mais ou de menos do que a letra parece exprimir: as circunstâncias extrínsecas revelam uma idéia fundamental mais Fl. 183DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801002.042 S3TE01 Fl. 15 14 ampla ou mais estreita e põem em realce o dever de estender ou restringir o alcance do preceito. Mais do que regras fixas influem no modo de aplicar uma norma, se ampla, se estritamente, o fim colimado, os valores jurídico sociais que lhe presidiram à elaboração e lhe condicionaram a aplicabilidade. (grifouse) A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Instrução Normativa (IN) nº 404/2004 – Cofins – abaixo transcrito, e da Instrução Normativa (IN) nº 247/2002 (redação dada pela IN SRF nº 358/03) – PIS, regulamentou o assunto a partir da concepção tradicional da legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e adotou uma interpretação restritiva para o conceito de insumo, conforme excerto a seguir transcrito: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (..). § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801002.042 S3TE01 Fl. 16 15 Em que pese não vincular a autoridade julgadora, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com a legislação da nãocumulatividade dessas contribuições. Essas normas complementares não atentaram contra a legalidade, além de não terem extrapolados os limites traçados na respectiva lei. Em outras palavras, as normas acima delimitaram o direito de crédito com a especificação dos serviços que geram crédito. Posto isso, ao sujeito passivo somente é permitido descontar unicamente os créditos autorizados e discriminados pela lei. Em suma, não é qualquer serviço, custo de produção ou despesa que confere crédito da contribuição. Caso o legislador tivesse outra intenção, de tal forma que os direitos de descontar os créditos abrangeriam o maior número de gastos possíveis, teria feito constar na lei uma referência explícita ao direito de descontar créditos em conformidade com custos e as despesas necessárias segundo a legislação do IRPJ. Da mesma maneira, caso quisesse adotar o conceito de custos de produção, não teria utilizado a expressão insumos. Além disso, a lei que instituiu a nãocumulatividade das contribuições em referência especificou outros custos de produção e despesas operacionais que geram direto ao crédito, tais como: aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica; máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃO CUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801002.042 S3TE01 Fl. 17 16 EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801002.042 S3TE01 Fl. 18 17 insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse) Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de produção, não faria sentido o legislador ordinário enumerar uma série de outros custos passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adotase como solução deste litígio o conceito de insumo segundo o disposto na IN 404/2004 Cofins e na IN nº 247/2002 (redação dada pela IN SRF nº 358/03) PIS. Consignese, por oportuno, que a autoridade fiscal no Termo de Encerramento da Ação Fiscal manifestou expressamente no sentido de que os bens e os serviços acima mencionados não se enquadram no conceito de insumo, visto que não se integram nem agem diretamente sobre o produto em fabricação. Deste modo, nos termos da posição adotada anteriormente, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os serviços prestados pela pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto, o que não ocorreu nas situações descritas. Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que os serviços que foram objeto de glosa fiscal (alteamento, limpeza e passagem, locação, fornecimento de jantar, descapeamento, lavra, transporte de funcionários, vigilância e melhoria das estradas) não podem ser considerados insumos porque não foram aplicados diretamente na atividade fabril. É bem verdade que esses serviços são importantes para o processo produtivo, todavia tais serviços não são empregados diretamente na fabricação do produto destinado à venda. Do exame dos elementos probatórios, é forçoso concluir que são serviços auxiliares e/ou complementares ao processo produtivo. Como visto, em regra, são custos de produção que não se enquadram no conceito de insumos. Em relação à glosa dos combustíveis gasolina comum e óleo diesel, verifica se que eles foram utilizados nos veículos da fábrica para transporte de materiais, nos caminhões para transporte de caulim, portanto sem ligação direta com o processo produtivo, logo, concluise que a aquisições de tais produtos não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição apurada de forma nãocumulativa. Ao contrário dos demais combustíveis, o óleo combustível TP ABPF, que é utilizado na fase da "evaporação" (redução do teor de água contida na polpa através de passagem por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível), configura insumo, visto que é consumido diretamente no processo fabril. Por fim, em relação às alegações de inconstitucionalidades, a autoridade julgadora não pode afastar a aplicação de norma jurídica, visto que não tem competência legal para decidir sobre constitucionalidade e legalidade de leis em vigor. Além disso, o controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, nos termos dos arts. 97 e 102 da Constituição Federal. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801002.042 S3TE01 Fl. 19 18 Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a glosa de créditos decorrentes da aquisições do óleo combustível TP A BPF. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10945.900900/2012-94
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-004.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 09 00 /2 01 2- 94 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900900/201294 Acórdão n.º 3803004.968 S3TE03 Fl. 76 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900900/201294 Acórdão n.º 3803004.968 S3TE03 Fl. 77 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900900/201294 Acórdão n.º 3803004.968 S3TE03 Fl. 78 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900900/201294 Acórdão n.º 3803004.968 S3TE03 Fl. 79 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900900/201294 Acórdão n.º 3803004.968 S3TE03 Fl. 80 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13005.000022/2007-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.467
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão do STF no RE 574.706, nos termos do relatório e voto do Relator.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão do STF no RE 574.706, nos termos do relatório e voto do Relator. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão do STF no RE 574.706, nos termos do relatório e voto do Relator. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório REFEIÇÕES AO PONTO LTDA. requereu a restituição de valores pagos a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente aos períodos de apuração entre dezembro de 2001 e outubro de 2006, entendendo ter havido a inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, do valor do ICMS pago na venda de bens e mercadorias. Assenta que o imposto estadual não pode integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, eis que o conceito de faturamento não abarca aquele imposto, sendo rendimento do Estado e não do agente econômico. Diz ter havido ofensa ao art. 195, inciso I, da CF (fls. 01 a 07). Cumulou o pleito com declaração de compensação do indébito com débitos próprios (fls. 18 a 21.). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .0 00 02 2/ 20 07 -5 6 Fl. 721DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13005.000022/200756 Resolução nº 3403000.467 S3C4T3 Fl. 722 2 Após análise prévia do pleito, que resultou na emissão do Parecer DRF/SCS/SAORT nº 157, de 10/11/2009 (fls. 610 a 629), a DRF/SCS decidiu (Despacho Decisório DRF/SCS/SAORT nº 417, da mesma data, fls. 660): a) considerar não formulado frente à Fazenda Pública da União o pedido de restituição apresentado em meio físico (papel/formulário), juntado na fl. 01, uma vez que o mesmo foi protocolizado em desacordo com as normas administrativas vigentes; b) indeferir o pedido apresentado em meio físico (papel/formulário), juntado na fl. 01, conexo com os processos administrativos n°s 13005.000918/200140, 13005.000929/200391, 13005.001256/200214 e 13005.000216/200328, e não reconhecer o correspondente direito creditório pleiteado. Determinou ainda que fosse o contribuinte cientificado do Despacho Decisório, esclarecendo ser facultadas, no prazo de 10 dias, a apresentação de recurso hierárquico inominado contra a decisão que considerou não formulado parte de seu pedido, e no prazo de 30 dias, manifestação de inconformidade contra decisão que não reconheceu parcela do direito creditório pleiteado. Sobreveio reclamação, fls. 634 a 642), por meio da qual discorreado acerca dos conceitos de faturamento e receita bruta na visão do STF, referindo, em especial, à composição da base de cálculo da Contribuição. Posteriormente fixa posicionamento sobre a distinção existente entre receita e ingresso, entendendo que o ICMS para a empresa é mero ingresso que tem destinação ao. Fisco, terceiro titular de tal valor. Registra entendimentos doutrinários e do Poder Judiciário' que o ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da Cofins e do PIS, por; não estar inserido no conceito de faturamento, sendo mero ingresso na escrituração contábil das empresas. Entende, ainda, que, em respeito ao princípio da eficiência e da igualdade, seria racional a suspensão do presente processo administrativo até a decisão final da Ação Direta (sic) de Constitucionalidade nº 18. Ao finalizar, requer seja suspenso o presente processo administrativo até a decisão final da ADC n° 18, ou que seja tornado sem efeito o Despacho Decisório e, por conseqüência, seja deferida a restituição pleiteada. A 2ª Turma da DRJ/STM julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 1811.96, 19 de março de 2010, fls. 676 a 681, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/10/2006 SUSPENSÃO DO CURSO PROCESSUAL. INVIABILIDADE. Inviável a suspensão do curso do processo administrativo que analisa pedido de restituição com base apenas na tramitação autônoma de ADC no STF ainda não definitivamente julgada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/10/2006 Fl. 722DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13005.000022/200756 Resolução nº 3403000.467 S3C4T3 Fl. 723 3 RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo da COFINS por se tratar de tributo que integra o preço de venda de mercadorias e serviços e por não haver previsão legal para a sua exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/STM2ª Turma. O arrazoado de fls. 687 a 697, retoma as teses de defesa já esposadas na Manifestação de Inconformidade. Conclui, requerendo: (a) inicialmente, seja conhecido o recurso e determinado seu processamento nos termos de praxe; (b) seja suspenso o presente processo administrativo até a decisão final da ADC n° 18, ou; (c) seja declarada nula a decisão recorrida e, por conseqüência, seja deferida a restituição pleiteada. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator A matéria de fundo controvertida no presente processo diz respeito à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, objeto do RE 574706, Rel. Minª. Carmem Lúcia, que se encontra concluso para a relatora desde 19/05/2010. Com apoio no §2º do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, e nos termos da Portaria CARF nº 1, de 3 de janeiro de 2012, voto pelo sobrestamento do julgamento do recurso objeto do presente processo até que seja proferida a decisão definitiva nos autos do RE 574706. Sala das Sessões, em 27 de junho de 2013 Alexandre Kern Fl. 723DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10670.720090/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun Oct 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 70 .7 20 09 0/ 20 10 -0 8 Fl. 21112DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10670.720090/201008 Resolução nº 1302000.269 S1C3T2 Fl. 21.113 2 Relatório e Voto Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ recorrente RIMA INDUSTRIAL S/A. O processo trata de auto de infração lavrado em 22/12/2010 (fls. 002/040) correspondente a lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, do período de janeiro de 2005 a dezembro de 2008, no valor total de R$ 256.391.704,40, incluindo o principal, multa de ofício de 75%, multa isolada sobre as estimativas de IRPJ e juros de mora atualizados até 30/11/2010. O lançamento dos créditos tributários foi efetuado em face da constatação dos seguintes fatos: (i) “Em análise das [...] DIPJ, anos calendário 2005, 2006,2007 e 2008, exercícios 2006, 2007, 2009 e 2009, constatouse que o contribuinte não declarou a apuração de [...] CSLL. Também não informo nas [...] DCTF a apuração da CSLL, referente ao período de janeiro/2005 e dezembro/2008, bem como não efetuou recolhimentos relativos à referida contribuição no período [...]” (fl. 13); (ii) Relativamente ao AC 2005, verificouse as seguintes divergências entre os valores declarados e a escrituração contábil a recorrente, relativamente ao custo dos produtos de fabricação própria vendidos: a. Apurou, por meio do Livro Diário, o estoque inicial e o estoque final de matéria prima, material secundário, material de embalagem, produtos em elaboração e produtos acabados. Após, verificou que “os valores declarados na DIPJ/2006 divergem dos valores apurados” (fl. 13); b. Apurouse, por meio do Livro Razão, aquisições de insumo (matériasprimas, material secundário, material de embalagem) no AC 2005. Após, verificouse que “os valores declarados na DIPJ/2006 divergem dos valores apurados.” (fl. 14); c. Relativamente à “manutenção e reparo de bens aplicados na produção” e “outros custos”, verificouse “com base no demonstrativo com as contas contábeis e respectivos saldos que compõem o item ‘outros custos’ e no balancete constante do Livro Diário, [que] o valor apurado referente ao item ‘outros custos’ diverge do declarado na DIPJ/2006.” (fl. 14); d. Que “o montante do item 10 da ficha 04A da DIPJ/2006 ‘depreciações amortizações e exaustão’ foi declarado a maior no valor de R$ 5.364.000,00, conforme escrituração no Livro Razão juntados a esse processo.” (fl. 14); (iii) Ainda quanto ao AC 2005, o recorrente declarouse beneficiário de incentivo fiscal de redução de 75% do IRPJ (DIPJ/2006 ficha 28 – “atividades incentivadas – PJ em Geral”). No entanto, verificouse que as solicitações de benefício foram indeferidas e, naquele momento, eram objeto de recurso perante a DRJ; Fl. 21113DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10670.720090/201008 Resolução nº 1302000.269 S1C3T2 Fl. 21.114 3 (iv) Relativamente ao AC 2006, verificouse as seguintes divergências entre os valores declarados e a escrituração contábil a recorrente, relativamente ao custo dos produtos de fabricação própria vendidos: a. Quanto aos insumos, verificou a mesma situação apurada no AC 2005 (item “ii”, subitens “a” e “b”, supra); b. Quanto ao item “manutenção e reparo de bens aplicados na produção”, verificouse que “o montante apurado a esse item diverge do declarado na DIPJ/2007” (fl. 16); c. Quanto ao item “outros custos” (linha 16, ficha 4A da DIPJ/2007), a recorrente incluiu as contas “Direto”, “Indireto”, “Custo Direito” e “Custo dos Produtos Vendidos – CPV”, “Custo dos produtos Vendidos no mercado interno” e “Custo dos Produtos Vendidos no mercado externo”. O AFRFB constatou “na DIPJ/2007 que o contribuinte, além de declarar nos itens 05 a 10, 12 e 13 da ficha 04A, todos os custos de produção incorridos no período, subdivididos no balancete nos subgrupos (custo de materiais aplicados, mão de obra direta, gastos gerais de fabricação, mão de obra indireta, outros gastos; pessoa fabric., depreciação e amortização e gastos c/ transportes), bem como os itens 01, 02 e 17 da mesma ficha (estoque inicial, aquisição de insumos e estoque final), para a apuração do custo dos produtos de fabricação própria, declara também no item 16 da ficha 04A “outros custos” o saldo das contas de resultado que representam os custos dos produtos vendidos e os saldos credores das contas de resultado referentes à reversão de custos diretos e indiretos.” (fl. 17); d. A recorrente apresentou demonstrativo de “outras despesas operacionais, de despesas financeiras e de variação cambial passiva incorridas no período de 01/01/2006 a 31/12/2006.” (fl.19) No primeiro caso, os valores estavam maiores do que o declarado na DIPJ/2007; no segundo e terceiro casos, estavam menores; (v) Ainda quanto ao AC 2006, a situação relativa ao incentivo fiscal de redução de 75% do IRPJ se repetiu, consoante relatado acima (item iii); (vi) Relativamente ao AC 2007, relata o AFRFB que o contribuinte retificou a DIPJ/2008 em 27/11/2009 (após o início da ação fiscal em 20/01/2009), razão pela qual “não foram consideradas as retificações efetuadas pelo contribuinte” (fl. 20); (vii) Ainda quanto AC 2007, verificouse as seguintes divergências entre os valores declarados e a escrituração contábil a recorrente, relativamente ao custo dos produtos de fabricação própria vendidos: a. Quanto aos insumos, verificou a mesma situação apurada no AC 2005 (item “ii”, subitens “a” e “b”, supra); b. Quanto ao custo dos bens de fabricação própria (DIPJ/2008 – ficha 04A), verificouse que “foi declarado apenas os valores referentes ao item 37, outros custos de serviços vendidos.” (fl. 21). Após entrega de demonstrativo de composição pela recorrente, constatouse que “todos os custos de produção Fl. 21114DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10670.720090/201008 Resolução nº 1302000.269 S1C3T2 Fl. 21.115 4 foram declarados como ‘outros custos de serviços vendidos’, na linha 37 da ficha 04A”. (fl. 21). Ainda neste contexto, o AFRFB afirma que se repetiu a situação verificada na DIPJ/2007, conforme relatado no item iv, “c” (supra); c. A recorrente informou todas as despesas operacionais na linha 31 da ficha 05A da DIPJ/2008 (“outras despesas operacionais”); d. Foram glosadas as despesas não dedutíveis do lucro real, como os brindes, doações a entidades civis, despesas com IRPJ e multas; (viii) Relativamente à demonstração de resultado do exercício – AC 2007, foram feitas as seguintes considerações: a. Os valores declarados em DIPJ/2008 relativos à receita de vendas no mercado interno e mercado externo, bem como relativo às deduções de vendas, divergem do que o AFRFB apurou a partir do livro razão apresentado digitalmente; b. O demonstrativo apresentado pela recorrente sobre as “variações cambiais passivas” diverge do Livro Razão; c. O AFRFB apurou, por meio do Livro Razão, o saldo final dos itens 42, 44 e 47 da ficha 06A da DIPJ/2008. Após, verificou que os valores divergem do apurado na escrituração contábil; (ix) Ainda quanto ao AC 2007, a situação relativa ao incentivo fiscal de redução de 75% do IRPJ se repetiu, consoante relatado acima (item iii); (x) O contribuinte informou que apurou prejuízo fiscal de R$ 9.425.098,55 no AC 2001. A DIPJ do AC 2001 foi apresentada em 11/08/2008, onde consta o prejuízo fiscal de R$ 1.468.633,29. O AFRFB, após analisar a evolução do prejuízo fiscal da recorrente desde 1995, concluiu que o prejuízo fiscal não teve sua origem comprovada. Assim, foi feita a glosa da compensação informada na DIPJ/2008; (xi) Relativamente ao AC 2008, relata o AFRFB o seguinte: a. Quanto ao custo dos bens de fabricação própria (DIPJ/2008 – ficha 04A – item 16 – “outros custos”), verificouse que a recorrente manteve o mesmo procedimento do AC 2006 (v. item iv, “c”); (xii) Também no AC 2008 se repetiu a utilização do prejuízo fiscal apurado, segundo a recorrente, no AC 2001, o que também motivou a glosa das compensações; (xiii) Na apuração do IRJP por estimativas mensais, verificouse estimativas a pagar nos meses de fev/2008 e março/08. Estes valores foram deduzidos da apuração anula do lucro real. No entanto, as estimativas não foram pagas e nem declaradas na DCTF de fev/08 e mar/08; (xiv) O AFRFB impôs a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas, no percentual de 75%. Fl. 21115DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10670.720090/201008 Resolução nº 1302000.269 S1C3T2 Fl. 21.116 5 A recorrente, tendo tomado ciência dos lançamentos em 22/12/2010, apresentou impugnação em 21/01/2010 (fls. 8558/8631). A DRJ, por sua vez, determinou a realização de diligências, antes de julgar a impugnação (fl. 10821), o que foi atendido pelo AFRFB por meio de diversas intimações. Após, foi dada nova manifestarse (fl. 15312 e ss.). Na sequência, a DRJ passou a apreciar as argumentações da recorrente, quando a julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE, consoante se conclui da ementa do acórdão n. 0940.973, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO. NULIDADE. Está afastada a hipótese de nulidade do lançamento quando o auto de infração, lavrado por autoridade competente, atende a todos requisitos legais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. As irregularidades, omissões ou incorreções que causem prejuízo ao sujeito passivo, mas não prejudiquem seu direito de defesa, não importam em nulidade e devem ser saneadas. MPF. AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. LANÇAMENTO. A ausência da ciência do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF, em face de erro do código de acesso fornecido à fiscalizada, não é causa de nulidade do lançamento, uma vez que este se constitui em ato obrigatório e vinculado, de modo que até mesmo eventual inexistência do MPF não invalida a constituição do crédito tributário. INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase ao litígio decorrente quanto à mesma matéria fática. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 CSLL. COISA JULGADA. SUPERVENIÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA CONTRÁRIA DO STF. Consoante Parecer vinculante no âmbito do Ministério da Fazenda, quando sobrevier precedente objetivo e definitivo do STF em sentido favorável ao Fisco, este pode voltar a cobrar o tributo, tido por inconstitucional em anterior decisão tributária transitada em julgado, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Mesmo em uma interpretação mais favorável à contribuinte, no caso, não há que se falar em decadência do direito de o fisco constituir o Fl. 21116DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10670.720090/201008 Resolução nº 1302000.269 S1C3T2 Fl. 21.117 6 crédito tributário, pois o prazo decadencial se encerraria cinco anos após a ocorrência do fato gerador, que se dá em 31 de dezembro, quando a pessoa jurídica opta pelo lucro real anual. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 GLOSA DE CUSTOS. PROVAS TRAZIDAS AO CONTENCIOSO. Nos casos em o sujeito passivo logra trazer na fase contenciosa elementos suficientes a elidir as glosas efetuadas pela fiscalização, devem ser restabelecidos os respectivos valores, para fins de apuração do imposto e da contribuição social. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. GUARDA DE DOCUMENTOS. Embora não haja mais limitação temporal para o aproveitamento do prejuízo fiscal, esse procedimento está legalmente condicionado à guarda de livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. Constatado que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento obrigatório do imposto sobre a base estimada, sem demonstrar que este não era devido, é cabível o lançamento da multa de ofício isolada. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. A recorrente, cientificada da decisão de primeira instância em 09/08/2012, (fls. 17903), interpôs recurso voluntário em 05/09/2012 junto a este órgão julgador (fls.17903/17981), deduzindo as seguintes alegações: (i) Preliminarmente, pede pela nulidade do Auto de Infração, pois (a) o saldo do estoque inicial do AC 2005 é maior do saldo do estoque final do AC 2004 (R$ 33.142,30); (b) Foi desconsiderado o recolhimento de IRPJ no valor de R$ 173.203,93 no AC 2005 e de R$ 2.709.543,83 no AC 2008; (d) os valores do programa de alimentação do trabalhador não foram excluídos da tributação; (e) há erros materiais (quanto a referência errada às linhas da DIPJ e valores apurados); Que não foi respeitado o art. 10 do Dec. 70.235/72; Que os vícios do auto de infração ferem os princípios do contraditório e ampla defesa; Que o dever de fornecer as informações essenciais ao direito de defesa é do fisco, não sendo possível obrigar o contribuinte a fundamentar a fiscalização; (ii) Preliminarmente, pede a nulidade do procedimento de fiscalização, pela ausência de Mandado de Procedimento Fiscal válido, que não pode ser definido como mero instrumento de controle administrativo; Que o MPF não foi levado ao conhecimento da recorrente; Que em janeiro/fevereiro de 2010 não havia MPF; Fl. 21117DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10670.720090/201008 Resolução nº 1302000.269 S1C3T2 Fl. 21.118 7 (iii) Que a recorrente possui decisão judicial transitada em julgado a seu favor declarando reconhecendo a inconstitucionalidade da CSLL, a qual não foi objeto de ação rescirsória, e por isso não seria devida a exigência da referida contribuição; Que não há vinculação do CARF ao Parecer PGFN n. 492/2011; Que não é possível decidir novamente questão já analisada pelo Poder Judiciário (art. 471, I, CPC, c.c. art. 26A do Dec. 70.235/72); Que o entendimento do STJ é pela impossibilidade de exigir o CSLL; Que o Parecer PGFN 492/11 extrapola o limite da legalidade; (iv) Que é nulo o Auto de Infração relativo ao CSLL, pois não há fundamentação suficiente, fato que prejudica a ampla defesa; Que o ato administrativo não atingiu a finalidade; (v) Quanto ao seu método de apropriação de custos por absorção, defende que houve incorreta interpretação pelo AFRFB; que, em resumo, o método se desenvolve da seguinte forma: “1º passo: geração de requisição de compras, com e sem indicação da respectiva conta contábil; 2º passo: contabilização da folha de pagamento mensal, juntamente com os impostos gerados, nas contas de resultado nos grupos de mãodeobra direta e indireta de produção; 3º passo: iniciase uma ordem de produção, sendo necessária a requisilçai tanto de materiais diretamente aplicados à produção que possuem saldo em estoque e quanto pelos saldos revertidos/absorvidos que encontravamse apropriados no resultado; 4º passo: realizado o processo produtivo, com todos os custos apropriados, transferese o valor do produto para estoque produtos acabados; 5º passo: ao vender o produto, transferese o custo total para o resultado – princípio contábil da confrontação de receitas e despesas” (fl. 17949); (vi) Na prática, portanto, somente parte do custo total é revertido e tal fato é intrínseco à lógica da apropriação de custos por absorção; Que a Fiscalização não analisou as contas corretas para verificar a contrapartida de estoque e, tomando como base premissas factuais erradas, chegou a valores totalmente discrepantes da realidade; (vii) Que admite a possibilidade de equívocos no preenchimento da DIPJ, o que potencializou cálculos equivocados. Todavia, é possível comprovar documentalmente a realidade fática da movimentação da recorrente; (viii) Que a fiscalização tentou refazer o CPV da recorrente, buscando o valor das linhas zeradas na DIPJ; que, no entanto, a fiscalização incidiu em erros ao desconsiderar diversos custos; Que se faz necessária diligência in loco, pois centenas de documentos comprovam a regularidade de seu procedimento, a exemplo dos anexos 1 e 1A; (ix) Que a fiscalização, na tentativa de recompor o CPV da recorrente, realizou glosas em relação aos insumos (linha 03, Ficha 04A da DIPJ); Que essas glosas desconsideraram a rubrica “transações diversas” (DIV) e notas fiscais de transferência (NFT), que representam a diferença equivalente à glosa; (x) Neste ponto, explica que “quanto há entrada de outras mercadorias corriqueiras, as mercadorias e a nota fiscal de entrada chegam à empresa antes do consumo das mesmas. Assim ao serem lançadas nos sistemas, este Fl. 21118DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10670.720090/201008 Resolução nº 1302000.269 S1C3T2 Fl. 21.119 8 automaticamente já alimenta o estoque. Em razão do regime de competência contábil, que norteia as bases para a elaboração de demonstrações financeira, o gasto deverá ser registrado no período em que o mesmo ocorreu.” (fl. 17955); (x) Assevera que este procedimento foi comprovado em relação à energia elétrica, mas que, em relação aos demais insumos (especialmente os custos de formação de floresta e prejuízo fiscal), a DRJ deixou injustificadamente de reconhecêlos, razão pela qual ainda persiste a necessidade de reformar a decisão recorrida neste ponto; (xi) que a DRJ considerou que “tais custos não poderiam ser considerados porque a recorrente não teria apontado onde estariam inseridos os custos de aquisição e de formação de florestas na apuração do resultado” (fl. 17956). Por esta razão, a recorrente expõe didaticamente acerca dos custos incorridos na formação de florestas (fls. 17956 e ss.); (xii) Que o acórdão atacado deve ser reformado no item 3.4. (custos ano/2006) (R$ 34.942.377,12), pois a glosa pretendida referese a PIS e COFINS já deduzidos nas compras (insumos + energia elétrica); (xiii) Pede a apropriação com CPV o valor de R$ 22.526.665,24, o qual foi levantado por laudo técnico explicativo elaborado por auditoria independente; (xiv) Junta aos autos relatórios analíticos das notas fiscais do período autuado (com data, número, fornecedor e conta contábil) para demonstrar que os custos relativos às compras não foram considerados pela Fiscalização em sua integralidade. Afirma que a fiscalização desconsiderou os valores abaixo: AC 2005 – R$ 25.383.490,20 AC 2006 – R$ 10.914.009,09 AC 2007 – R$ 7.649.309,44 AC 2008 – R$ 13.666.989,77 (xv) Solicita a consideração dos valores de imposto de renda devidamente declarados em DIPJ pela recorrente no ano calendário de 2008, no valor de R$ 2.709.543,83, que se subdivide em R$ 857.985,48 e R$ 1.851.558,35. Afirma que o primeiro valor (R$ 857 mil) foi compensado por PERDCOMP, que estão “em análise”, segundo o sistema da RFB; que a segunda parcela (R$ 1.851 milhão) foi incluída no parcelamento da Lei n. 11.941/09; pede a exclusão do valor total em face da quitação por PERDCOMP e REFIS. (xvi) Defende a dedutibilidade das despesas com imposto de renda; alega que a restrição imposta pelo art. 344, §2º, RIR/99 (vedação de dedução IRPJ quando o sujeito passivo for contribuinte ou substituto), ofende princípios constitucionais; (xvii) Alega que o AFRFB utilizou diversas presunções para glosar custos; que a fiscalização pautouse em “verificação por amostragem”; que, por isso, não há suporte fáticojurídico; que há ofensa ao princípio da verdade material e da tipicidade cerrada; que a fiscalização estava de posse de todos os documentos e, portanto, tinha condições de realizar investigação pormenorizada; (xviii) Alega impossibilidade de utilização da base de cálculo do IRPJ para apuração da CSLL. Afirma que “a base de cálculo [da CSLL] é distinta da do IRPJ” (fl.17970), o que “inviabiliza a utilização indiscriminada desta para a Fl. 21119DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10670.720090/201008 Resolução nº 1302000.269 S1C3T2 Fl. 21.120 9 apuração da contribuição, razão pela qual requer a exclusão dos valores indevidamente adicionados à base de cálculo da referida contribuição” (fl.17970); (xix) Defende que é possível utilizar e compensar o prejuízo fiscal nos anos calendário 2007 e 2008; que a afirmação do AFRFB e da DRJ, no sentido de que os valores utilizados não teriam sido comprovados por documentos não é verdade, pois encontramse devidamente escriturados no LALUR; que a recorrente possuía um passivo com fornecedores datado do início da década de 1990; que estes valores estavam defasados; que foi feita a atualização; que foram trazidos para o prejuízo acumulado a diferença apurada entre o valor corrigido e o principal anteriormente escriturado; que, no AC 2001, além do prejuízo existente, acrescentouse os valores em comento por meio de lançamento na DIPJ/2002; que a utilização do prejuízo fiscal acumulado não prescreve (art. 35, IN 11/1996); que se houve irregularidade, esta seria apenas quanto à obrigações acessórias relativa à escrituração, e não à existência do prejuízo fiscal; que a autoridade pode, de ofício, realizar a compensação do prejuízo fiscal (princípio da verdade material); que todas as provas foram entregues ao AFRFB; junta relatório certificando a existência de valores do prejuízo fiscal escriturado no LALUR n. 12; (xx) Defende a impossibilidade de imposição de multa isolada por ausência de recolhimento de antecipação do IRPJ após o encerramento do anocalendário; (xxi) Defende a impossibilidade de aplicação concomitante das multas isolada e de ofício. É o relatório. Fl. 21120DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10670.720090/201008 Resolução nº 1302000.269 S1C3T2 Fl. 21.121 10 Voto Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e dele conheço. Conheço, igualmente, do recurso de ofício, uma vez que estão preenchidos seus pressupostos. 1. Do método de apropriação de custos por absorção Neste ponto, a recorrente sustenta que a autuação foi mantida pela DRJ, em certos pontos, em razão da imprecisão das informações que forneceu; que o custo por absorção é sistema legal e aceito no Brasil; que o pressupõe que o estoque em processo em produto acabado absorva todos os custos incorridos, diretos e indiretos, fixos ou variáveis; que o sistema é de fácil operacionalização, pois não requer a separação dos custos de manufatura nos componentes fixos e variáveis. Afirma que seu sistema de custos por absorção segue o seguinte procedimento (fl. 17949 e ss.): De forma exemplificativa, o fluxo abaixo representa, de modo bastante didático, o processo de apropriação de custos por absorção nos termos realizados pela Recorrente e tutelados pelos Princípios fundamentais de contabilidade: 1º Passo: geração de requisições de compra, com e sem indicação da respectiva conta contábil. 2º Passo: contabilização da folha de pagamento mensal, juntamente com os impostos gerados, nas contas de resultado nos grupos de mãodeobra direta e indireta de produção. 3º Passo: Iniciase uma ordem de produção, sendo necessária a requisição tanto de materiais diretamente aplicados à produção que possuem saldo em estoque e quanto pelos saldos revertidos/absorvidos que encontravamse apropriados no Resultado. 4º Passo: Realizado o processo produtivo, com todos os custos apropriados, transferese o valor do produto para estoque produtos acabados. 5º Passo: ao vender o produto, transferese o custo total para o resultado – princípio da confrontação de receitas e despesas. Percebese, portanto, que, na prática, somente parte do custo total é revertida e tal fato é intrínseco à lógica da apropriação de custos por absorção. A análise do AI/PTA e de seu relatório evidencia que a Fiscalização não checou as contas corretas para verificar a contrapartida de estoque e, tomando como base premissas factuais erradas, por isso chegou a valores totalmente discrepantes da realidade, realizou glosas indevidas, o que acarretou a indevida tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, que são objeto de questionamento por parte da Recorrente. Fl. 21121DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10670.720090/201008 Resolução nº 1302000.269 S1C3T2 Fl. 21.122 11 Além disso, afirma que o fato de a Ficha 04A (“custo dos bens e serviços vendidos”) estar zerada representa um prejuízo para a recorrente, pois quanto menor o estoque inicial e as compras, menor o CPV, e maior o lucro. Sobre os fatos, convém retroceder à origem da fiscalização, utilizando o ano calendário de 2005 como exemplo para visualizar as glosas e contestações ocorridas, embora os mesmos fatos tenham ocorrido nos anoscalendários de 2006 a 2008. AnoCalendário de 2005 Ao entregar sua DIPJ, a recorrente apresentou na ficha 04A no ano calendário de 2005 um custo de produtos vendidos no montante de R$ 359.132.081,98 (fl. 2570). Após fiscalização, o AFRFB refez a ficha 04A apresentando para a recorrente um custo de R$ 227.172.962,44 (fl. 2570). Ou seja, diminuiu o custo da recorrente em R$ 131.959.119,54. Em sua impugnação, a recorrente alega que não foram considerados os gastos com energia elétrica, notas fiscais de transferência (formação de florestas), e compras de insumos a prazo, fato que seria responsável pela diferença na apuração do custo da recorrente. Devido às alegações feitas pela recorrente, a DRJ decidiu que, antes de julgar o mérito do litígio, deveria ser feita diligência a fim de que se comprovassem os gastos com aquisição de energia elétrica e, também, que fossem verificado se as notas fiscais de transferência (NFT) foram computadas no custo. Com o resultado da diligência em mãos, a DRJ entendeu que a impugnação merecia parcial provimento, especialmente no que se refere à aquisição de energia elétrica. Consequentemente, indeferiu os valores tidos em notas fiscais de transferência. Assim, fica o resumo do processo ano calendário de 2005 até o atual momento: FICHA 04A DECLARADO EM DIPJ (A) RECONSTITUIDO PELO AFRFB (B) DIFERENÇA (C) CUSTO RECONHECIDO EM DILIGÊNCIA (D) APURAÇÃO APÓS ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO (E) 01. ESTOQUES INICIO PER. APURAÇÃO 43.932.268,35 26.398.182,47 17.534.085,88 26.398.182,47 02. COMPRAS DE INSUMOS A VISTA ‐ ‐ ‐ ‐ 03. COMPRAS DE INSUMOS A PRAZO 218.467.291,14 108.944.654,98 109.522.636,16 68.192.996,43 177.137.651,41 04. REMUNER. A DIRIG. DE INDUSTRIA ‐ ‐ ‐ ‐ 05. CUSTOS DE PESS. APLIC. NA PRODUÇÃO 36.715.164,50 36.715.164,50 ‐ 36.715.164,50 06. ENCARGOS SOCIAIS 10.809.376,08 10.809.376,08 ‐ 10.809.376,08 07. ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR 1.599.374,43 1.599.374,43 ‐ 1.599.374,43 08. MANUT. E RAP. BENS APLIC. NA PROD. 14.009.268,72 14.009.268,72 ‐ 14.009.268,72 09. ARRENDAMENTO MERCANTIL 2.133.830,80 2.133.830,80 ‐ 2.133.830,80 10. ENC. DE DEPREC., AMORT. E EXAUSTÃO 17.013.226,43 11.649.226,43 5.364.000,00 11.649.226,43 11. CONSTITUIÇÃO DE PROVISÕES ‐ ‐ ‐ ‐ 12. SERV. PREST. POR PF S/ VINC.EMPREG 597.060,71 597.060,71 ‐ 597.060,71 13. SERV. PREST. POR PESSOA JURÍDICA 4.189.362,66 4.189.362,66 ‐ 4.189.362,66 14. ROYALTIES E ASSIST.‐PAIS ‐ ‐ ‐ ‐ 15. ROYALTIES E ASSIST.‐EXTER ‐ ‐ ‐ ‐ 16. OUTROS CUSTOS 49.461.826,08 29.056.852,92 20.404.973,16 29.056.852,92 17. (‐)ESTOQUE FINAL PER. APURAÇÃO 39.795.967,92 18.929.392,26 20.866.575,66 18.929.392,26 18. CUSTO PROD DE FAB PROPRIA VEND. 359.132.081,98 227.172.962,44 131.959.119,54 68.192.996,43 295.365.958,87 Observações: Coluna (A) e (B) = fl. 2570 / Coluna (C) = (A) (B) / Coluna (D) = fl. 17871 / Coluna (E) = (B) + (D) Temse, todavia, que está sendo mantida glosa no valor de R$ 63.766.123,11 (R$ 359.132.081,98 – R$ 295.365.958,87 – valores da linha 18, coluna A menos coluna E). Fl. 21122DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10670.720090/201008 Resolução nº 1302000.269 S1C3T2 Fl. 21.123 12 A fim de combater as glosas que ainda persistem, a recorrente apresenta no Anexo 1 de seu recurso voluntário uma relação de valores que, segundo afirma, foram considerados no CPV. De outro lado, elenca no anexo 1A notas fiscais que não teriam sido considerados no CPV (tais como matériaprima, material secundário e embalagem) no valor de R$ 25.283.490,20 do período de 2005. Alega ainda que os valores tidos em notas fiscais de transferência (NFT) fazem parte do custo da recorrente devendo ser incluídas na ficha 04A da DIPJ. Para tanto, traz laudo pericial sobre a formação das florestas e esclarece como é feita a transferência de custos entre suas filiais produtoras e indústria. Os valores apresentados como nota fiscal de transferência são os seguintes (fl. 17958): CFOP 1151R$ 38.067.475,70 CFOP 2151R$ 14.310.434,39 TOTALR$ 52.377.910,09 Apesar dos valores de NFT remontarem R$ 52 milhões, a própria recorrente afirma que nem todo esse montante compõe custo do produto vendido, já que outras transferências de mercadorias podem ocorrer entre seus estabelecimentos (fl. 17959). Por isso, tem razão a DRJ quando afirma que os valores constantes em NFT não fazem parte do CPV, visto que, a própria recorrente afirma (fl. 17872) que os valores das notas fiscais não são aproveitados, mas sim os custos médios. Ou seja, o valor constante em nota fiscal é feito por mera exigência legal e não representa o real valor da operação que o documento fiscal (NFT) busca garantir. Portanto, o cerne da questão consistia em verificar se os custos médios de produção dos estabelecimentos produtores foram transferidos para os estabelecimentos industriais e computados no CPV. No decorrer da diligência solicitada pela DRJ, a recorrente contratou empresa de auditoria para refazer as apurações. Neste trabalho, apurouse como custo de formação de floresta, ou seja, o custo oriundo de transferências, o valor de R$ 20.409.138,56 (fl. 17662). Concluise então que, contrariamente ao que afirma a recorrente, o valor a ser comprovado como custo de transferência é o de R$ 20 milhões (fl. 17431/17443), e não o tido nas notas fiscais de transferência e registrado no livro fiscal com o CFOP de transferência 1151 ou 2151. No acórdão de impugnação, a DRJ entendeu que todos os custos de produtos transferidos para as unidades industriais foram considerados na autuação (fl. 17872), ou seja, esses R$ 20 milhões já teriam sido deduzidos do imposto de renda. Porém, a recorrente relaciona no Anexo 1 os documentos fiscais (Notas Fiscais de Aquisição) que foram considerados pelo AFRFB em sua recomposição da ficha 04A. O valor total das notas fiscais acostadas no Anexo 1 pela recorrente é o de R$ 108.944.654,98 (linha 03, coluna B do quadro supra). Nesse rol de notas fiscais, não consta nenhum valor de custo tido como transferência entre as unidades produtoras e industriais. Ora, se o valor das notas fiscais de aquisição de terceiros acostados no anexo 1 pela recorrente é igual ao valor de compras de insumos a prazo (linha 03, quadro supra), é de se concluir que os valores de custo médio de formação de floresta não teriam sido considerados no CPV. Portanto, neste ponto, Fl. 21123DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10670.720090/201008 Resolução nº 1302000.269 S1C3T2 Fl. 21.124 13 entendo que existe uma dúvida que merece ser esclarecida pela autoridade fiscal de origem, consoante solicitarei ao final. Sendo assim, a recorrente vem a esse Conselho combater o valor da glosa que ainda persiste (R$ 63.766.123,11) por meio da argumentação tendente a comprovar a existência de custos de matériaprima, material intermediário embalagem no valor de R$ 25.282.490,20 e custos de formação de floresta no valor de R$ 20.409.138,56, totalizando R$ 45.692.628,76. Desta forma, a recorrente pede que seja feita diligência para que sejam analisados os documentos e rebatidos os cálculos equivocadamente feitos na autuação. Sobre o tema, considerando que se trata de apurar com fidelidade o lucro da recorrente, tenho a tecer os seguintes comentários. Percebese que, embora a recorrente possa ter se omitido em alguns momentos quanto ao fornecimento de informações, há, de fato, custos que não foram considerados, especialmente no que tange à formação de florestas, a aquisição de matériasprimas, material secundário e embalagens. Há a divergência entre as informações da recorrente, da auditoria independente e do que afirma a DRJ, o que apenas prejudica o interesse público na exata mensuração da “matéria tributável” (art. 142, CTN). A recorrente, a todo instante, se dignou a debater a questão dos insumos e custos analisados pela fiscalização. Não se pode alegar que há apenas em contrarrazões o debate sobre a formação de florestas, até porque no meio deste processo administrativo fiscal foi determinada diligência, o que, evidentemente, inova a matéria recursal. A recorrente afirmar que “quando o fisco não aceita os lançamentos contábeis em larga escala, como ocorreu nesta autuação, o caminho seguro e legal seria proceder a um arbitramento, já que a receita é conhecida e aceita, e são os custos e as despesas que estão sob glosas. Mas, como a autuação escolheu, ao invés de arbitrar, elaborar um amplo procedimento de suposto refazimento de lançamentos e registros contábeis, fez surgir para esta autuação o manto de novo equívoco, que fez com que ela ficasse com uma tributação fora dos parâmetros legais.” (fl. 17951). Sobre o tema, entendo que o arbitramento não decorre imediatamente da glosa de custos. No entanto, é fato que o tamanho das operações da recorrente dificulta sobremaneira a apuração exata do lucro. Por isso, a passagem acima é relevante para demonstrar que, em casos como o presente, em que se têm uma infinidade de custos e insumos, devese redobrar a cautela nas investigações, o que é penoso tanto para o Fisco quanto para a contribuinte. Aliás, é justamente este o ponto que, no meu entendeu, impediu que as numerosas informações solicitadas pelos agentes fiscais fossem entregues no prazo determinado ou em prazo posterior, o que não pode prejudicar, de modo algum, o debate sobre a investigação do que, de fato, ocorreu. Em tempo, sob meu ponto de vista, é rematado desacerto a tentativa de “consertar” autos de infração pela via do processo administrativo, por vezes substituindo a base de cálculo e os demais critérios a que está vinculado o agente fiscal em sua autuação (art. 142, CTN). Ocorre que deve existir um justo termo entre o que pretende o Fisco e o que deve pagar o contribuinte, razão pela qual entendo que maiores esclarecimentos também devem ser prestados neste ponto. Fl. 21124DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10670.720090/201008 Resolução nº 1302000.269 S1C3T2 Fl. 21.125 14 Assim, permanecem dúvidas, até o momento, se foram ou não considerados (i) os documentos de aquisição (notas fiscais de matériaprima, material secundário e embalagem) e (ii) os custos de formação de floresta. Julgo haver, aqui, uma ausência de elementos para julgamento preciso do mérito do processo, razão pela qual voto pela conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: (i) Intimar a recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias apresente todos os documentos que comprovam os custos e despesas glosados (coluna “c” “Diferença”), pelo AFRFB, no quadro abaixo, a fim de justificar com documentos hábeis e idóneos as diferenças apontadas pela fiscalização: FICHA 04A DECLARADO EM DIPJ (A) RECONSTITUIDO PELO AFRFB (B) DIFERENÇA (C) CUSTO RECONHECIDO EM DILIGÊNCIA (D) APURAÇÃO APÓS ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO (E) 01. ESTOQUES INICIO PER. APURAÇÃO 43.932.268,35 26.398.182,47 17.534.085,88 26.398.182,47 02. COMPRAS DE INSUMOS A VISTA ‐ ‐ ‐ ‐ 03. COMPRAS DE INSUMOS A PRAZO 218.467.291,14 108.944.654,98 109.522.636,16 68.192.996,43 177.137.651,41 04. REMUNER. A DIRIG. DE INDUSTRIA ‐ ‐ ‐ ‐ 05. CUSTOS DE PESS. APLIC. NA PRODUÇÃO 36.715.164,50 36.715.164,50 ‐ 36.715.164,50 06. ENCARGOS SOCIAIS 10.809.376,08 10.809.376,08 ‐ 10.809.376,08 07. ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR 1.599.374,43 1.599.374,43 ‐ 1.599.374,43 08. MANUT. E RAP. BENS APLIC. NA PROD. 14.009.268,72 14.009.268,72 ‐ 14.009.268,72 09. ARRENDAMENTO MERCANTIL 2.133.830,80 2.133.830,80 ‐ 2.133.830,80 10. ENC. DE DEPREC., AMORT. E EXAUSTÃO 17.013.226,43 11.649.226,43 5.364.000,00 11.649.226,43 11. CONSTITUIÇÃO DE PROVISÕES ‐ ‐ ‐ ‐ 12. SERV. PREST. POR PF S/ VINC.EMPREG 597.060,71 597.060,71 ‐ 597.060,71 13. SERV. PREST. POR PESSOA JURÍDICA 4.189.362,66 4.189.362,66 ‐ 4.189.362,66 14. ROYALTIES E ASSIST.‐PAIS ‐ ‐ ‐ ‐ 15. ROYALTIES E ASSIST.‐EXTER ‐ ‐ ‐ ‐ 16. OUTROS CUSTOS 49.461.826,08 29.056.852,92 20.404.973,16 29.056.852,92 17. (‐)ESTOQUE FINAL PER. APURAÇÃO 39.795.967,92 18.929.392,26 20.866.575,66 18.929.392,26 18. CUSTO PROD DE FAB PROPRIA VEND. 359.132.081,98 227.172.962,44 131.959.119,54 68.192.996,43 295.365.958,87 Observação: Coluna (A) e (B) = fl. 2570 / Coluna (C) = (A) (B) / Coluna (D) = fl. 17871 / Coluna (E) = (B) + (D) (ii) Após apresentada a documentação que o fiscal analise os valores e os documentos apresentados para apurar a real diferença e que em caso de glosa de qualquer documento que esta seja fundamentada. (iii) Cientifique o contribuinte do resultado da diligência, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias, em assim desejando. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Fl. 21125DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13706.000224/2005-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DE TRIBUTAÇÃO
Comprovada a tributação de receita supostamente omitida que deu origem à autuação, afasta-se o lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 20/11/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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PROVA DE TRIBUTAÇÃO Comprovada a tributação de receita supostamente omitida que deu origem à autuação, afastase o lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 20/11/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 02 24 /2 00 5- 39 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALH O Processo nº 13706.000224/200539 Acórdão n.º 2102002.718 S2C1T2 Fl. 3 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 46 a 50: Contra o contribuinte Nuno Santos Neves, CPF 030.265.82700, foi lavrado Auto de Infração, fls. 02 a 09, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, anocalendário 2000, formalizando a exigência de crédito tributário assim discriminado (valores em reais): Imposto de renda pessoa física6.111,73 Imposto de renda suplementar......5.138,20 Multa de ofício 3.853,65 Juros de mora calculados até julho/20053.330,58 Valor do crédito tributário apurado 18.434,16 O lançamento reportase aos dados informados na declaração de ajuste anual do contribuinte, entre os quais foram alterados o valor de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica de RS 63.307,80 para R$ 148.025,55, bem como o valor de imposto de renda retido de RS 8.165,91 para RS 26.325,09 Na declaração originariamente apresentada em 25/04/2001, fl. 16, foi apurado saldo de imposto a pagar no valor de R$ 6.111,73. Cientificado da exigência em 10/01/2005, fl. 39, em 17/01/2005, foi apresentada a impugnação de fl. 01 pelo inventariante, fl. 14, juntamente com os documentos de fls. 02 a 30, tendo sido alegado que não houve omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e que o documentos anexados comprovam o pagamento. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, reduzindo a base de cálculo do lançamento de R$148.025,55 para R$141.946,90. Na parte remanescente, manteve o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. OMISSÃO. Será efetuado lançamento de ofício, no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte. PROVAS. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALH O Processo nº 13706.000224/200539 Acórdão n.º 2102002.718 S2C1T2 Fl. 4 3 Retificase parcela do rendimento tributável lançado e seu respectivo imposto retido, com base na documentação constante dos autos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 63 a 74, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: a) em razão de informação prestada por NOBEL CENTRO DE ENSINO DE VITÓRIA LTDA. (DIRF, fls. 43 e 44), consta do banco de dados da Receita Federal do Brasil o pagamento de aluguéis a RONALDO BARBOSA SANTOS NEVES no valor de R$ 52.426,10, bem como o pagamento a NUNO SANTOS NEVES no valor de R$ 78.639,10, valores estes que somados perfazem um total de R$ 131.065,10; b) o Acórdão da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) reconhece que foi juntada à fl. 25 a cópia da Declaração de Ajuste Anual em nome de RONALDO BARBOSA SANTOS NEVES, filho e inventariante do contribuinte autuado, referente ao exercício 2001, que consigna rendimentos tributáveis recebidos da NOBEL CENTRO DE ENSINO DE VITÓRIA LTDA. no valor de R$ 94664,96; c) o referido Acórdão reconhece também que consta dos autos, fl. 27, comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda retido na fonte emitido pela mencionada fonte pagadora (NOBEL CENTRO DE ENSINO DE VITÓRIA LTDA.) em nome de RONALDO BARBOSA SANTOS NEVES, informando o pagamento de aluguéis no valor de R$ 94.664,96; d) nitidamente, equivocouse a fonte pagadora NOBEL CENTRO DE ENSINO DE VITÓRIA LTDA. ao declarar em Dirf o pagamento de aluguéis a RONALDO BARBOSA SANTOS NEVES no valor de R$ 52.426,10 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALH O Processo nº 13706.000224/200539 Acórdão n.º 2102002.718 S2C1T2 Fl. 5 4 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. A autuação considerou as seguintes omissões de rendimentos decorrentes de alugueis recebidos de pessoas jurídicas, conforme Auto de Infração fl. 05: FARMÁCIA COSTA PEREIRA R$ 36.134,00 CENTRO DE ENSINO DE VITÓRIA LTDA. R$ 78.639,10 PARADISE VÍDEO R$ 28.223,25 LABORATÓRIO QUINTÃO R$ 5.029,20 TOTAL R$ 148.025,55 Analisando cada item temos: LABORATÓRIO QUINTÃO, omissão de R$ 5.029,20. Este exato valor foi declarado pelo contribuinte à fl. 19. Assim, voto pelo cancelamento dessa omissão. PARADISE VÍDEO, omissão de R$28.223,25. Foi declarado pelo contribuinte o valor de R$26.150,00, fl. 19. Os Comprovantes de Rendimentos de fl. 11/12 indicam o mesmo valor considerado omitido de R$28.223,25. A diferença entre os valores anteriores, R$2.072,88, foi declarada como pagamento de comissão de corretagem, fl.19verso. Assim, entendo que este item deve ser cancelado, uma vez que já foi precisamente declarado pelo recorrente. Assim, voto pelo cancelamento dessa omissão FARMÁCIA COSTA PEREIRA, omissão de R$ 36.134,00. Foi declarado pelo contribuinte o valor de R$32.128,20, fl. 19. O Comprovante de Rendimentos de fl. 10 que indica um valor de R$35.698,00. A diferença entre os valores anteriores, R$3.569,80 foi declarada como pagamento de comissão de corretagem, fl.19verso. Assim, entendo que este item deve ser cancelado, uma vez que a diferença entre o valor da Dirf, R$36.134,00, fl. 42, utilizado no lançamento, e o valor do Informe de rendimentos, R$35.698,00, deveria ter sido objeto de esclarecimentos pela fiscalização junto a fonte pagadora, o que não foi feito. Assim, voto pelo cancelamento dessa omissão. NOBEL CENTRO DE ENSINO DE VITÓRIA LTDA, omissão de R$78.639,10. Acerca desse item temos o seguinte: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALH O Processo nº 13706.000224/200539 Acórdão n.º 2102002.718 S2C1T2 Fl. 6 5 Dirf de fl. 43, em nome do autuado, já falecido desde 01/11/1979, no valor de R$78.639,10, valor este considerado omisso e que não constou na respectiva declaração. Ainda, à fl. 44, em nome do herdeiro do autuado, Ronaldo B. Santos Neves, temos a Dirf no valor de R$52.426,10 da mesma fonte pagadora. Total de R$ 131.065,20. De outro lado, temos o contrato de locação da NOBEL CENTRO DE ENSINO DE VITÓRIA LTDA, com o herdeiro do autuado, Ronaldo B. Santos Neves, fls. 81 a 83. Já às fls. 27 e 80 encontramos os Comprovantes de rendimentos em nome de Ronaldo Barbosa Santos Neves e Vera Lúcia Ramalhete Santos Neves, exesposa de Ronaldo, vide fls. 84, nos valores de R$94.664,96 e R$36.400,14, devidamente declarado às fls. 25 e 90 respectivamente. O total então declarado pelos contribuintes para esta fonte foi de R$131.065,10. Ou seja, o total constante das Dirfs é o mesmo total dos Comprovantes de Rendimentos emitidos pela mesma fonte pagadora mas para contribuintes distintos que foram devidamente declarados. Destarte, entendo que este item deve ser cancelado, uma vez que a discrepância detectada, deveria ter sido objeto de esclarecimentos pela fiscalização junto a fonte pagadora, o que não foi feito. Assim, voto pelo cancelamento dessa omissão. Pelo exposto, DOU provimento do recurso, para que seja integralmente cancelada a autuação objeto deste processo. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALH O
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Numero do processo: 10120.902082/2008-81
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO COM IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal efetuado pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de declaração de compensação (DCOMP), está condicionada a certeza e liquidez do crédito utilizado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 02 08 2/ 20 08 -8 1 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902082/200881 Resolução nº 2801003.271 S2TE01 Fl. 96 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/BSB. Por bem descrever os fatos, adotase o relatório da decisão recorrida: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 31237.70557.190504.1.3.040489, transmitida eletronicamente em 19/05/2004, com base em créditos relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Entretanto, o Darf que teria dado origem ao crédito pleiteado não foi localizado nos sistemas da Receita Federa. Assim, em 18/07/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl.7), cuja decisão homologou parcialmente a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. 0 valor atualizado do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 12.156,94. Cientificado, via postal, dessa decisão em 30/07/2008 (fl. 8), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 28/08/2008, manifestação de inconformidade As fls. 10 a 15, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, alegando que teria cometido equivoco quando preencheu o campo referente ao período de apuração do Darf informado como origem do crédito no PER/DCOMP. Esclarece que essas informações estariam corretamente na DCTF do período. Acrescenta que teria tomado conhecimento do erro cometido apenas quando teve necessidade de expedir uma Certidão Negativa de Débitos / Certidão Positiva com Efeito de Negativa em meados de 2004. Nessa ocasião, verificou que débitos que acreditava estarem quitados, encontravamse em processo de cobrança pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Assim, para obter a referido certidão, teria quitado, em duplicidade, débitos que considerava extintos, o que teria dado origem ao crédito pleiteado no presente Per/DCOMP. Adicionalmente, afirma que também teria dectado equívocos no preenchimento do PER/DCOMP objeto dos autos e da DCTF do período, ou seja, ao invés de informar os dados do Darf do segundo recolhimento efetuado por ela em 31/03/2004, teria informado erroneamente os dados daquele primeiro Dad, que teria originalmente quitado os débitos do período. Ao final, requer que seja conhecida a Manifestação de Inconformidade e declarada extinta a obrigação tributária que se pretendia ver compensada. A Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo descrita: . ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902082/200881 Resolução nº 2801003.271 S2TE01 Fl. 97 3 Data do fato gerador: 06/03/1999 INEXATIDÃO MATERIAL AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não foram apresentadas provas que comprovassem a ocorrência de inexatidão material nas informações contidas na DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A contribuinte não possui crédito disponível para compensar os débitos informados no PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 04.02.2011 (fl. 48 ), a contribuinte apresentou recurso em 03.03.2011 ( fls. 49/64 ). Na peça recursal aduziu em síntese que: ●A contribuinte, supra qualificada, apresentou via eletrônica, Declaração de Compensação nº (31237.70557.190504.1.3.040489 ), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF relativo o período de apuração em em 06.03.1999, no valor de R$ 6.724,81. ●A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 30.07.2008(fl.9), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, não foi localizado o pagamento. ●Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada. ●Irresignado, a contribuinte apresentou em 28.08.2011. Manifestação de Inconformidade de ( fls. 11/16 ), alegando, em síntese, que: a) Incorreu em erro ao preencher a DCTF, sendo que havia apurado IRRF no montante de R$6.724,81, do período de 06.03.1999, ao invés de informar o darf no valor de R$ 185.588,16 com vencimento em 31.03.2004. b) No entanto a recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito no prazo legal, o que acabou gerando a inconsistência entre os valores declarados em DCTF e na PER/DCOMP. ● Alega que o preenchimento do PER/COMP e da DCTF configuram erro de fato ou material, por desatenção da contabilidade da Recorrente. ●Transcreveu longos trechos da legislação e decisões do CARF; ●Por fim requer que seja provida a manifestação deinconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada e homologação do pedido de compensação total. É o Relatório Fl. 98DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902082/200881 Resolução nº 2801003.271 S2TE01 Fl. 98 4 Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A controvérsia cingese à existência de direito creditório suficiente para validar a compensação pretendida pela Recorrente. De início é importante mencionar que, a Recorrente pretendeu utilizarse do valor de R$ 6.724,81 de IRRF referente pagamento indevido, com data de arrecadação em 10.03.1999, quando o correto seria o darf no valor de R$ 185.588,16 com pagamento em 31.03.2004, (fl.27). Tal erro teria levado à não localização do crédito pleiteado. Observase que, o crédito informado pela contribuinte na PER/DCOMP no valor de R$ 6.724,81, referente à IRRF com data de arrecadação em 19.05.2004 não foi localizado na base de dados da RFB, tendo em vista que a data de arrecadação correta do darf era 10.03.1999, por esse motivo foi indeferido o pedido de compensação do IRRF com IRPJ , do 1o trimestre de 2004 no valor de R$ 12.920,38. Como se vê, o principal fundamento da improcedência da Manifestação de Inconformidade tenha sido a inexatidão material no preenchimento da PEDCOMP e da DCTF do período. Entretanto, para que esta busca chegue ao resultado esperando, a contribuinte deve comprovar o erro ocorrido e o seu direito creditório pleiteado. Releva notar que, a contribuinte apurou e declarou ao Fisco débito de IRPJ confessando a dívida detida para com o Fisco de forma a constituir o crédito tributário, natureza jurídica esta reservada à DCTF. Ou seja, para fins de constituição do crédito tributário exigível, o que valem são as informações transmitidas através da DCTF. Portanto, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, sujeito passivo tem a possibilidade de retificála antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN. Assim sendo, diante da inexistência de crédito a compensar, deve ser indeferido o pedido de compensação. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 99DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 13227.000382/2009-13
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
RECOLHIMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVAS. DÉBITO DECLARADO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO OU RESULTADO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO. MESMO TRIBUTO, MESMO MONTANTE E MESMO PERÍODO. DESCABIMENTO DE MULTA DE MORA.
No caso específico em que foram recolhidos indevidamente, a título de estimativas, valores que, no seu conjunto, correspondem exatamente ao mesmo tributo, mesmo montante e mesmo período que o débito declarado na sistemática do lucro ou resultado presumido, não é cabível a exigência de multa de mora, mesmo tendo sido apresentada Declaração de Compensação posteriormente ao vencimento do referido débito.
Numero da decisão: 1803-001.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 RECOLHIMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVAS. DÉBITO DECLARADO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO OU RESULTADO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO. MESMO TRIBUTO, MESMO MONTANTE E MESMO PERÍODO. DESCABIMENTO DE MULTA DE MORA. No caso específico em que foram recolhidos indevidamente, a título de estimativas, valores que, no seu conjunto, correspondem exatamente ao mesmo tributo, mesmo montante e mesmo período que o débito declarado na sistemática do lucro ou resultado presumido, não é cabível a exigência de multa de mora, mesmo tendo sido apresentada Declaração de Compensação posteriormente ao vencimento do referido débito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1730; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 110 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.000382/200913 Recurso nº Acórdão nº 1803001.790 – 3ª Turma Especial Sessão de 06 de agosto de 2013 Matéria IRPJ Recorrente R & S COM E TRANSP DE MAT PARA CONSTRUÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 RECOLHIMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVAS. DÉBITO DECLARADO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO OU RESULTADO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO. MESMO TRIBUTO, MESMO MONTANTE E MESMO PERÍODO. DESCABIMENTO DE MULTA DE MORA. No caso específico em que foram recolhidos indevidamente, a título de estimativas, valores que, no seu conjunto, correspondem exatamente ao mesmo tributo, mesmo montante e mesmo período que o débito declarado na sistemática do lucro ou resultado presumido, não é cabível a exigência de multa de mora, mesmo tendo sido apresentada Declaração de Compensação posteriormente ao vencimento do referido débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 00 03 82 /2 00 9- 13 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Com a finalidade de melhor retratar os fatos do presente feito, adoto o relatório do acórdão recorrido (fls. 37/38): Tratase de declaração de compensação transmitida em 26/07/2005 pela contribuinte acima identificada, no valor de R$ 4.850,34, na qual indicou o crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2484, do período de apuração de 31/01/2004, com arrecadação em 26/02/2004, no valor originário de R$ 4.850,34. A Delegacia de origem, em análise datada de 25/05/2009 (fl. 07), deferiu o pleito, homologando parcialmente a compensação declarada vez que “analisadas as informações prestadas (...), constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido (...)Entretanto (...) o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP...”. Cientificada, a interessada apresentou, em 01/07/2009, Manifestação de Inconformidade (fl. 10), na qual alega que: R & S COMÉRCIO E TRANSPORTES DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA, empresa comercial, com sede a Av. Celso Mazutti n° 4467, na cidade de Vilhena/RO, devidamente cadastrada no CNPJ/MF n° 15.864.341/000182, vem mui respeitosamente à presença de V.Sª., apresentar MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE ao DESPACHO DECISÓRIO N° 835774612 pelas razões que passa a expor: 1. Em: a. 26/02/2004, a empresa efetuou pagamento de: CSLL Código da Receita: 2484 PA: 01/2004 Valor: R$ 4.850,34 (quatro mil, 2 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 oitocentos e cinqüenta reais e trinta e quatro centavos) . (DARF anexo); b. 29/03/2004, a empresa efetuou pagamento de: CSLL Código da Receita: 2484 PA: 02/2004 Valor: R$ 4.244,70 (quatro mil, duzentos e quarenta e quatro reais e setenta centavos). (DARF anexo); c. 15/04/2004, a empresa efetuou pagamento de: CSLL Código da Receita: 2484 PA: 03/2004 Valor: R$ 4.677,85(quatro mil, seiscentos e setenta e sete reais e oitenta e cinco centavos). (DARF anexo); 2. Os recolhimentos, foram efetuadas mensalmente, os quais deveriam ter sido recolhidos após o encerramento do trimestre, motivo pelo qual foi entregue o Per/DComp para compensação com os valores declarados em DCTF e DIPJ, conforme abaixo: • O valor pago, corresponde a soma dos DARFs descritos no itera 1, a,b e c”; 3. Por isso, não justifica apuração de valores diferentes destes declarados, pois os valores são exatamente iguais, estando os pagamentos idênticos aos valores devidos naquela ocasião, tudo em conformidade com a PER/DCOMP transmitida sob n° 10250.60809.260705.1.3.042493; (PER/DCOMP anexo); 4. No PER/DCOMP, foi informado o DARF de pagamento, como origem do crédito. Portanto, a compensação foi efetuada de forma legal, o que torna o Despacho Decisório n° 835774612 sem nenhum efeito. Diante dos fatos apresentados, requer a anulação do referido Despacho Decisório, por ser de Justiça e Direito. A decisão de primeira instância restou assim ementada: CRÉDITO E DÉBITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, até a data da entrega da respectiva DCOMP, na forma da legislação de regência. DCOMP. CRÉDITO E DÉBITO. EQUIVALÊNCIA. AUSÊNCIA. 3 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Devidamente cientificada da decisão de primeira instância a empresa recorrente apresenta recurso voluntário de forma tempestiva arguindo o já disposto na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Temse, do exerto da decisão recorrida (fls. 38 e 39), o seguinte: No Detalhamento da Compensação, integrante do Despacho Decisório, notese que na análise do pleito foi procedida a atualização do valor restituído, tendo sido utilizado na compensação o crédito corrigido. A homologação apenas parcial deuse em função do acréscimo de multa e juros moratórios do débito compensado, haja vista que tanto a valoração do crédito quanto a atualização do débito ocorrem na data de entrega da Declaração de Compensação. Dessa forma, resulta notória a impossibilidade de que seja acolhida a pretensão do sujeito passivo. A assertiva da referida decisão a que se recorre está correta na generalidade dos casos. Com efeito, [...], tratandose de restituição de crédito relativo a tributo administrado pela RFB, esta se deve realizar com o acréscimo de juros Selic acumulados mensalmente e de juros de um por cento no mês em que houver a entrega da declaração de 4 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 compensação, da forma que procedeu a delegacia de origem (fls. 38 – ND). De outro modo, Em relação aos acréscimos legais aplicados a débitos vencidos vinculados em PER/DCOMP, a legislação de regência, referida no caput do art. 36 da IN RFB nº 900/2008, nos termos dispostos no art. 161 do Código Tributário Nacional determina que os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora (destituída de caráter punitivo, dada sua natureza reparatória), calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento, bem como sofrerão a incidência de juros Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento (fls. 38 ND). Contudo, o que se pode aferir, no caso concreto, é que se trata do mesmo tributo, atinente a períodos equivalentes, ou seja, recolhimentos de estimativas mensais de CSLL (código 2484) que, somados, correspondem exatamente ao montante devido de CSLL no trimestre correspondente, apurado pela sistemática do resultado presumido (código 2372). Assim, nesse caso especificamente entendo não ser cabível se falar em exigência de acréscimos legais (multa de mora), mesmo tendo sido apresentada Declaração de Compensação um ano depois do vencimento do referido débito, posto não se tratar de crédito diverso do débito que se pretende extinguir. Os recolhimentos de CSLL, a título de estimativa são referentes ao mesmo período que o débito de CSLL (mesmo trimestre) declarado pelo resultado presumido e totalizam o mesmo montante. Como bem observa a Recorrente (fls. 43): Os recolhimentos foram efetuados mensalmente, os quais deveriam ter sido recolhidos após o encerramento do trimestre, [...]. Diante do expoto voto em DAR provimento ao recurso. É como voto. 5 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira 6 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 11065.720139/2012-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
BAIXA DE VEÍCULOS DO ATIVO PERMANENTE. CONTABILIZAÇÃO.
A baixa de veículos do ativo permanente deve ser realizada pelo seu valor residual, o que implica na apuração correta da depreciação acumulada em conformidade com a legislação vigente e amparada na escrituração contábil da empresa.
PARCELAMENTO DA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB nº 2/2011. REGRAS PARA CONSOLIDAÇÃO DOS DÉBITOS E DEMONSTRAÇÃO DO MONTANTE DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DE CSLL. AUSÊNCIA DE INOVAÇÃO NO TOCANTE À DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS.
Dispositivos da Lei nº 11.941, de 2009 e da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2, de 2011, que dispõem sobre a consolidação dos débitos e demonstração do montante de prejuízos fiscais e bases negativas para fins de parcelamento não trazem inovação legislativa no tocante à dedutibilidade de despesas, nem autorizam a dedução de tributos e consectários de períodos já atingidos pela decadência.
INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL. GLOSA DE DESPESAS CONTABILIZADAS REFERENTES A PERÍODOS DE APURAÇÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA.
A apropriação de despesa relativa a anos-calendário anteriores, efetivada em momento posterior a cinco anos de sua ocorrência, não pode afetar o resultado do exercício, pois transcorrido o prazo legal da decadência.
EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO. RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL PARA LIQUIDAÇÃO DE MULTAS E JUROS.
São tributáveis as receitas correspondentes a liquidação de multas e juros com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, benefício fiscal concedido no âmbito do parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941, de 2009.
MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. Assim, o lançamento da multa qualificada de 150% deve ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. A prestação de informações de forma divergente de dados levantados pela autoridade fiscal, mesmo de forma reiterada, bem como a falta de apuração receitas de ganho de capital ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio as irregularidades apuradas.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
Numero da decisão: 1402-001.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a qualificação da multa de ofício nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam provimento em maior extensão para cancelar a exigência incidente sobre as receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2010 BAIXA DE VEÍCULOS DO ATIVO PERMANENTE. CONTABILIZAÇÃO. A baixa de veículos do ativo permanente deve ser realizada pelo seu valor residual, o que implica na apuração correta da depreciação acumulada em conformidade com a legislação vigente e amparada na escrituração contábil da empresa. PARCELAMENTO DA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB nº 2/2011. REGRAS PARA CONSOLIDAÇÃO DOS DÉBITOS E DEMONSTRAÇÃO DO MONTANTE DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DE CSLL. AUSÊNCIA DE INOVAÇÃO NO TOCANTE À DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. Dispositivos da Lei nº 11.941, de 2009 e da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2, de 2011, que dispõem sobre a consolidação dos débitos e demonstração do montante de prejuízos fiscais e bases negativas para fins de parcelamento não trazem inovação legislativa no tocante à dedutibilidade de despesas, nem autorizam a dedução de tributos e consectários de períodos já atingidos pela decadência. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL. GLOSA DE DESPESAS CONTABILIZADAS REFERENTES A PERÍODOS DE APURAÇÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA. A apropriação de despesa relativa a anos-calendário anteriores, efetivada em momento posterior a cinco anos de sua ocorrência, não pode afetar o resultado do exercício, pois transcorrido o prazo legal da decadência. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO. RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL PARA LIQUIDAÇÃO DE MULTAS E JUROS. São tributáveis as receitas correspondentes a liquidação de multas e juros com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, benefício fiscal concedido no âmbito do parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941, de 2009. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. Assim, o lançamento da multa qualificada de 150% deve ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. A prestação de informações de forma divergente de dados levantados pela autoridade fiscal, mesmo de forma reiterada, bem como a falta de apuração receitas de ganho de capital ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio as irregularidades apuradas. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
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secao_s : Primeira Seção de Julgamento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 BAIXA DE VEÍCULOS DO ATIVO PERMANENTE. CONTABILIZAÇÃO. A baixa de veículos do ativo permanente deve ser realizada pelo seu valor residual, o que implica na apuração correta da depreciação acumulada em conformidade com a legislação vigente e amparada na escrituração contábil da empresa. PARCELAMENTO DA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB nº 2/2011. REGRAS PARA CONSOLIDAÇÃO DOS DÉBITOS E DEMONSTRAÇÃO DO MONTANTE DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DE CSLL. AUSÊNCIA DE INOVAÇÃO NO TOCANTE À DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. Dispositivos da Lei nº 11.941, de 2009 e da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2, de 2011, que dispõem sobre a consolidação dos débitos e demonstração do montante de prejuízos fiscais e bases negativas para fins de parcelamento não trazem inovação legislativa no tocante à dedutibilidade de despesas, nem autorizam a dedução de tributos e consectários de períodos já atingidos pela decadência. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL. GLOSA DE DESPESAS CONTABILIZADAS REFERENTES A PERÍODOS DE APURAÇÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA. A apropriação de despesa relativa a anoscalendário anteriores, efetivada em momento posterior a cinco anos de sua ocorrência, não pode afetar o resultado do exercício, pois transcorrido o prazo legal da decadência. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO. RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 01 39 /2 01 2- 87 Fl. 698DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL PARA LIQUIDAÇÃO DE MULTAS E JUROS. São tributáveis as receitas correspondentes a liquidação de multas e juros com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, benefício fiscal concedido no âmbito do parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941, de 2009. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. Assim, o lançamento da multa qualificada de 150% deve ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. A prestação de informações de forma divergente de dados levantados pela autoridade fiscal, mesmo de forma reiterada, bem como a falta de apuração receitas de ganho de capital ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio as irregularidades apuradas. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a qualificação da multa de ofício nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam provimento em maior extensão para cancelar a exigência incidente sobre as receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Fl. 699DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 12 3 Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 Relatório SOGAL SOCIEDADE DE ÔNIBUS GAÚCHA LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 88.319.561/000107, com domicílio fiscal na cidade de Canoas, Estado do Rio Grande do Sul, à Rua Armando Fajardo, nº 301 – Bairro Igara, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 630/650, prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 655/695. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo RS, em 01/02/2012, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 518/536), com ciência pessoal, em 09/02/2012 (fls. 518), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.520.232,35 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuições, acrescidos da multa de ofício normal de 75%, multa de ofício qualificada de 150% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo e contribuição referente ao período relativo ao exercício de 2009, correspondente ao anocalendário de 2010, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. GLOSA DE DESPESAS COMPETENTES E PERÍODOS DE APURAÇÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA: Infração capitulada no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995; arts. 247, 248, 251, 274, §1º, 344, 898, 899 e 900, do RIR/99 e arts. 165 e 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). 2 GANHOS E PERDAS DE CAPITAL APURADOS INCORRETAMENTE. CONTABILIZAÇÃO INCORRETA DO CUSTO NA ALIENAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE: Infração capitulada no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995 e arts. 247, 248, 251, 356 e 418, § 1º, do RIR/99; 3 EXCLUSÕES / COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO. RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL PARA LIQUIDAÇÃO DE JUROS E MULTAS: Infração capitulada no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995; art. 218, 247, 248 e 250 do RIR/99 e art. 187 e 189 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.941, de 2009. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece o lançamento através do Relatório Fiscal (fls. 472/496), amparado, em síntese, nas seguintes considerações: que a ação fiscal, instaurada pelo Mandato de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF – F) nº 1010700 – 2011 – 01120 – 3, teve início em 09/09/2011, com ciência do termo de fls. 164 a 167. Os trabalhos fiscais foram executados da seguinte forma e amplitude: a) Verificação e análise, por amostragem, dos custos e despesas escriturados pela fiscalizada no ano – calendário 2009; b) Verificação, por amostragem, do resultado apurado na Fl. 701DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 13 5 alienação de bens do ativo permanente da fiscalizada no ano – calendário 2009; c) Verificação das exclusões do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, efetuadas pela fiscalizada no ano – calendário 2009; que na escrituração contábil da fiscalizada relativa ao ano – calendário 2009 constam lançamentos referentes à alienação de cinqüenta e dois veículos de seu ativo imobilizado, conforme demonstrado na planilha I anexa ao presente relatório. Observase que, em todos os lançamentos contábeis efetuados, o valor baixado da depreciação acumulada dos veículos alienados corresponde à metade do valor do custo de aquisição abaixado; que por meio do Termo de Início de Fiscalização (fls. 164 a 167 – itens 2 a 5), a fiscalizada foi intimada a demonstrar a composição dos saldos, em 31/12/2008, das rubricas contábeis do ativo imobilizado 1215Ônibus e 1602 – Depreciação Acumulada – Ônibus. Em resposta, a fiscalizada apresentou planilhas nas quais foram relacionados setenta e cinco veículos de sua propriedade, bem como seus respectivos valores de aquisição, datas de aquisição e montantes de depreciação acumulada até 31/12/2008 (fls. 175 a 177 e 182 a 184). Analisandose tais planilhas, verificouse que nelas não estavam relacionados os cinquenta e dois veículos que foram vendidos pela fiscalizada no anocalendário 2009; que dessa maneira, por meio de termo de Intimação Fiscal lavrado em 10/10/2011 (fls. 188 a 192), a fiscalizada foi intimada a apresentar relação na qual constassem as seguintes informações relativas aos veículos alienados em 2009: data da aquisição e de alienação de cada veículo; custo de aquisição de cada veículo; valor de alienação de cada veículo; depreciação acumulada de cada veículo até a data de alienação. Solicitouse ainda que a fiscalizada comprovasse as informações prestadas mediante a apresentação de documentação hábil, e informasse o motivo de os veículos em questão não constarem nas planilhas apresentadas por ela em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização; que em resposta (fls. 193 e 194), a fiscalizada afirmou que havia encontrado dificuldades para obter a composição das contas do ativo imobilizado, devido à falta de controles internos “provavelmente ocasionada pelas sérias enfermidades as quais se encontrava o Sr. Hugo Wannmacher, contador da empresa na época, que veio a falecer em 09/04/2009” (sic). Afirmou ainda que as notas fiscais de compra de onze veículos alienados em 2009 haviam sido extraviadas e que havia recomposto os valores das contas do ativo imobilizado com base nas notas fiscais que conseguiu localizar (fls. 194 a 200). Anexou á resposta cópia dos documentos comprobatórios da alienação dos veículos vendidos em 2009 (fls. 201 a 209), bem como notas fiscais e contratos de aquisição dos chassis e das carrocerias de quarenta e quatro desses veículos; que analisandose a resposta prestada, verificouse, que trinta e oito dos veículos cuja documentação comprobatória da aquisição havia sido apresentada foram adquiridos por meio de arrendamento mercantil (leasing) (fls. 300 a 373 e 376 a 388). Nessa modalidade de operação, as contraprestações pagas são consideradas custo ou despesa operacional da pessoa jurídica, e o custo de aquisição a ser registrado no ativo imobilizado é o valor residual determinado para o exercício da opção de compra, conforme disposto no artigo 356 do RIR/99. No entanto, na relação apresentada em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 10/10/2011 (fls. 195 a 200), a fiscalizada informou que o custo de aquisição dos veículos adquiridos por meio de arredamento mercantil, registrado em seu ativo imobilizado, correspondia ao valor total do leasing contratado; Fl. 702DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que de acordo com o disposto no artigo 418, §1º, do RIR/99, o ganho de capital relativo à alienação de bens do ativo imobilizado corresponde à diferença entre o valor de alienação do bem e o seu valor contábil, sendo que o valor contábil é definido como o valor de aquisição diminuído da depreciação acumulada; que em resposta (fl. 401), a fiscalizada apresentou os Livros Razão dos anoscalendários 1999 a 2005 e afirmou, verbalmente, que não havia localizado o Livro Razão do anocalendário 1998. Cumpre citar, contudo, que cópia do razão da conta 1403Ônibus relativo ao período de janeiro/1997 a dezembro/1998 foi obtida pela fiscalização no processo administrativo fiscal nº 11065.001908/200949, relativo ao arrolamento de bens da fiscalizada. Observase também que a escrituração contábil da fiscalizada relativa aos anoscalendário 2006 a 2009 havia sido apresentada em meio magnético à Secretaria da Receita Federal (RFB); que em relação aos veículos adquiridos pela fiscalizada por meio de arrendamento mercantil, ressaltase que os Livros Razão apresentados (fls. 71 a 163) comprovam que a fiscalizada apenas registrava em seu ativo imobilizado o valor residual estabelecido para o exercício da opção de compra dos bens, cumprindo as disposições do artigo 356 do RIR//99. Por sua vez, as prestações do leasing eram, corretamente, registradas a débito da conta de resultado 4221Arrendamento Mercantil; que em outras palavras, as planilhas apresentadas pela fiscalizada no curso do procedimento de fiscalização foram elaboradas com o único intuito de tentar adequar a composição do saldo das contas do ativo imobilizado 1215Ônibus e 1602() Depreciação Acumulada Ônibus acumulada aos valores dos lançamentos escriturados na conta de resultado 6702() Depreciação Acumulada – Ônibus; que com base no razão da conta 1602() Depreciação Acumulada – Ônibus relativo ao período de janeiro/1999 a dezembro/2008 (fls. 83 a 154), verificase que historicamente a fiscalizada considera que os veículos de seu ativo imobilizado possuem vida útil de sessenta meses (cinco anos). A planilha 4 anexa ao presente relatório demonstra que, ao adquirir novos veículos, a fiscalizada passava a escriturar a título de despesas com depreciação, o valor das despesas escrituradas no mês anterior acrescido de um sessenta avos do valor dos novos veículos adquiridos. A Planilha 4 evidencia também que a fiscalizada somente deixa de depreciar os veículos adquiridos quando transcorridos sessenta meses da data de sua aquisição; que por sua vez, a Planilha 5 anexa ao presente relatório demonstra o valor baixado da depreciação acumulada dos veículos adquiridos e alienados entre 01/01/1999 a 31/12/2007. Observase que, invariavelmente, os veículos adquiridos há mais de cinco anos estavam totalmente depreciados; que a coluna “N” da Planilha 6 anexa demonstra os valores de depreciação acumulada dos veículos alienados no anocalendário 2009, apurados pela fiscalização considerandose a vida útil de sessenta meses. Na coluna “O” da Planilha 6 estão evidenciados os valores contábeis dos veículos alienados, quantificados de acordo com o disposto no artigo 418,§1º, do RIR/99, os quais devem ser considerados na apuração do ganho de capital das operações; que analisandose as planilhas em questão, verificase que elas são tão inverossímeis quanto aquelas apresentadas em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização e ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 10/10/2011 (fls. 182 a 184 e 197 a 200). O que a fiscalizada fez nas planilhas de Fls. 459 a 471, apresentadas em resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal lavrado em 05/12/2011, foi tomar os valores de aquisição relacionados pela fiscalização nas planilhas anexas ao termo, obtido com base nos Livros Fl. 703DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 14 7 Razão da fiscalizada, e, a partir deles, estabelecer os menores valores de depreciação acumulada matematicamente possíveis para os veículos alienados no anocalendário 2009. Vale lembrar que quanto menor o valor da depreciação acumulada do bem alienado, maior o seu valor contábil (custo de aquisição menos a depreciação acumulada) e, em conseqüência, menor ganho de capital apurado quando de sua alienação; que assim, verificase que, para elaboração das planilhas de fls. 459 a 471, a fiscalizada: (1) calculou os valores máximos de depreciação admitidos (taxa de depreciação anual de 20 %) para os cento e noventa e oito veículos de sua propriedade que não foram alienados até 31/12/2009 (à exceção dos veículos de placas IGB2643 e LCB5517; (2) calculou a diferença entre o somatório desses valores (R$ 5.696.016,34) e o saldo da conta 1602() Depreciação Acumulada – Ônibus em 31/12/2008 (R$ 6.056.919,42); e (3) dividiu essa diferença (R$ 360. 093,08 = R$ 6.056.919,42 – R$ 5.696.016,34) pelo somatório dos custos de aquisição dos cinqüenta e dois veículos alienados no anocalendário 2009 (R$ 1.899.492,10), obtendo em uma taxa de depreciação acumulada de 19%; que posteriormente, a fiscalizada aplicou essa taxa de 19% a todos os veículos de sua propriedade que foram alienados no anocalendário 2009, querendo fazer crer que os valores de depreciação acumulada de todos esses veículos, quando de sua alienação, correspondiam a apenas 19% de seus respectivos custos de aquisição. Ou seja, para elaboração das planilhas de fls. 459 a 471 a fiscalizada escancaradamente efetuou uma conta “de chegada” (partiu de um resultado desejado por ela para obter valores que quer fazer parecer verdadeiros). Apresentar tais planilhas a uma pessoa minimamente inteligente chega ser ofensivo; que concluise, então, que as três versões diferentes de planilhas apresentadas pela fiscalizada para demonstrar os valores de depreciação acumulada dos seus veículos dos ativo imobilizado (fls. 182 a 184, 197 a 200 e 459 a 471) são inverossímeis. Dessa maneira, a depreciação acumulada dos veículos de propriedade da fiscalizada alienados no ano calendário 2009 deve ser obtida utilizandose as taxas de depreciação anuais usualmente adotadas por ela. Conforme anteriormente exposto, a Planilha 6 anexa ao presente relatório evidencia os valores contábeis dos veículos alienados em 2009 , quantificados com a utilização desse critério, enquanto que no quadro A do presente relatório estão demonstradas as diferenças entre o custo considerado pela fiscalizada nas operações de alienação de veículos do ativo imobilizado realizadas no anocalendário 2009 (Planilha I anexa ao presente relatório) e o custo apurado pela fiscalização (Planilha 6 anexa); que em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização (fls. 164 a 167 – item 7), a fim de comprovar lançamento contábil no valor de R$ 10.697.965,18 efetuado em 31/03/2009 a débito da conta de resultado 6401Juros Passivos, a fiscalizada apresentou planilha demonstrando que tal valor corresponde á soma dos juros incidentes sobre seis débitos de contribuições previdenciárias, com vencimento entre dezembro/1999 e novembro /20077 (fl. 187). Por sua vez, os juros contabilizados pela fiscalizada se referem a todo o período compreendido entre a data de vencimento dos débitos e o mês de março/2009, e não apenas ao 1º trimestre/2009; que verificase, portanto, que houve inobservância do regime de competência na apropriação das despesas com os juros em questão. A inobservância do regime de competência somente constitui fundamento para lançamento de ofício se dela resultar a postergação do pagamento de imposto para período de apuração posterior ao que seria devido Fl. 704DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 ou a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração, nos termos do artigo 273 do RIR/99; que, no 1° trimestre/2009, em função do prazo decadencial, a fiscalizada somente poderia considerar, para fins de apuração das bases de cálculos do IRPJ e da CSLL, despesas incorridas a partir de janeiro/2004. Portanto, a dedução das despesas com juros de períodos anteriores a janeiro/2004 não é admitida para fins fiscais; que, no 1° trimestre/2009 a fiscalizada sequer deveria ter contabilizado a débito de contas de resultado quaisquer valores de juros referentes a exercícios anteriores. De acordo com o artigo 186, inciso I e § 1°, da Lei n° 6.404/76, os ajustes de exercícios anteriores devem ser escriturados diretamente em conta integrante do Patrimônio Líquido, sem transitar por conta de resultado e, consequentemente, sem afetar o lucro líquido do 1° trimestre/2009; que, por outro lado, para fins tributários, se os valores correspondentes a esse ajuste de exercícios anteriores forem despesas dedutíveis, eles podem ser excluídos do lucro liquido na apuração do lucro real e da base se cálculo da CSLL; que, portanto, na apuração do lucro líquido e, consequentemente, do lucro real e da base de cálculo da CSLL da fiscalizada relativos ao 1° trimestre/2009 não poderiam ser considerados quaisquer valores relativos a despesas de período anteriores a 01/01/2009. Em consequência, a fiscalização deveria glosar a totalidade dos valores competentes a períodos de apuração anteriores que foram escriturados pela fiscalizada a débito de contas de resultado no 1° trimestre/2009. Por outro lado, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL dos períodos de apuração compreendidos entre 01/01/2004 e 31/12/2008, a fiscalizada poderia, por sua iniciativa, excluir dos respectivos lucros líquidos os valores dedutíveis reconhecidos como devidos em 31/03/2009; que a glosa despesas competentes a períodos anteriores a 31/12/2003 decorre do fato de que a fiscalizada não pode efetuar exclusões do lucro líquido em períodos de apuração atingidos pela decadência, ainda que em tais períodos ela houvesse apurado prejuízos fiscais e base de cálculos negativos da CSLL. Ressaltese que a jurisprudência administrativas e pacífica no sentido de que as bases de cálculos do IRPJ e da CSLL, sejam elas positivas ou negativas, não podem ser alteradas após o transcurso do prazo decadencial, quer por iniciativa da fiscalização, quer por iniciativa do contribuinte, conforme anteriormente reproduzido no presente relatório; que, assim sendo, qualquer exclusão do lucro líquido compreende um direito do contribuinte, que pode ou não ser exercido e que, como tal, esta sujeito à decadência. Vale dizer que a decadência corresponde à extinção de um direito por não ter sido executado no prazo legal. E não é a toa que a legislação tributária estabelece os prazos decadenciais. Ela o faz visando a consolidar uma situação concreta que perdurou por certo período, de modo a estabilizar situações jurídicas potencialmente litigiosas por força do decurso do tempo; que, em novembro/2009, a fiscalizada aderiu ao parcelamento débitos tributários previsto pela Lei n° 11.941/2009, manifestando o interesse de utilizar os saldos de prejuízos fiscais e base de cálculos negativas da CSLL, acumulados até o 1° trimestre/2009, para liquidação de juros de mora e multas de mora e de oficio, nos termos dos §§ 7° e 8° do artigo 1° da Lei n° 11.941/2009; que, no entanto, a liquidação de juros e multas com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculos negativas da CSLL corresponde a receita da fiscalizada que deve ser Fl. 705DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 15 9 tributada pelo IRPJ e pela CSLL no período de apuração em que ocorrer a adesão ao parcelamento na Lei n° 11.941/2009; que, os saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativas da CSLL são utilizados para redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de um período de apuração qualquer. A base legal para tal utilização encontrase nos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065/95; que, dessa maneira, as pessoas jurídicas que possuíssem saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativas da CSLL tinham duas opções: (1) manter tais saldos para utilizálos para o beneficio fiscal previsto nos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065/95, ou (2) utilizá los para o beneficio fiscal previsto nos artigos §§ 7° e 8 do artigo 1° da Lei n° 11.941/2009; que a Lei n° 11.941/2009 não cria uma nova hipótese de compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativas da CSLL, mas sim uma possibilidade de liquidação de débitos. A lei oferece a possibilidade de que o contribuinte abra mão de um direito originalmente incerto (dependente de lucros tributáveis futuros) em troca de um direito líquido e certo (liquidação de juros/multas no parcelamento de débitos fiscais); que, qualquer exclusão do lucro líquido, para ser efetuada, necessita de previsão legal. Não há previsão legal, para exclusão das receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculos negativas da CSLL para liquidação de juros e multas. Cumpre citar que a própria Lei n° 11.941/2009, que permitiu tal utilização, também previu a redução de multas e juros para quem optasse pelo parcelamento especial. Em relação às receitas decorrentes dessa “redução de multas e juros”, todavia, o artigo 4°, parágrafo único, da Lei n° 11.941/2009, de forma expressa, autoriza sua exclusão na apuração das bases de cálculos do IRPJ e da CSLL; que, tais alegações da fiscalizada não possuem qualquer respaldo na legislação ou nas resoluções do Conselho Federal de Contabilidade. Para fins tributários, o artigo 248 do RIR/99, define o lucro líquido do período de apuração como sendo a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações, devendo ser determinado com observância dos preceitos da Lei Comercial; que, portanto, somente está previsto que a Provisão para IR (no caso, uma despesa) seja computada após o Resultado do Exercício Antes do IR. No caso em comento, as receitas decorrentes as utilização de prejuízos fiscais e base de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas deveriam ser classificadas como Outra Receita na estrutura da DRE estabelecida pela Lei n° 6.404/76 e, assim estarem incluídas no Resultados do Exercício Antes do IR, cujo valor, ajustado pelas adições, exclusões e compensações, caso positivo, é tributado pelo IRPJ e pela CSLL; que, a utilização de prejuízos fiscais e base de cálculo negativas da CSLL para liquidação de multas e juros não pode ser classificada como uma “compensação”, termo que foi utilizado pelo contribuinte em trechos da resposta apresentada. A compensação somente ocorre quando há um confronto de direitos e deveres do mesmo gênero. No caso dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativas da CSLL, a compensação somente se dá quando eles são utilizados para reduzir o lucro real e a base de calculo (positiva) da CSLL de um período de apuração posterior; que a compensação de prejuízos fiscais com lucros tributários é classificada como beneficio fiscal, é mais evidente ainda que a utilização de prejuízos fiscais e bases de Fl. 706DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 cálculos negativas da CSLL para liquidação de multas e juros também se classifica como tal. Isso porque, nessa utilização, sequer são arguíveis as razões que a fiscalizada expôs para afirmar que a compensação de prejuízos fiscais com lucros tributáveis não é um beneficio fiscal (tais razões expostas pela fiscalizada são, em suma, a continuidade da “vida empresarial”, a visualização da” vida empresarial” como u todo e a tributação apenas do acréscimo patrimonial do capital aplicado); que, assim, não é licito ao contribuinte alegar que as receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e base de cálculo negativas da CSLL não podem se tributadas porque elas se originam de um direito que não seria tributável (a possibilidade de compensação dos prejuízos fiscais com lucros tributáveis), uma vez que a fiscalizada sequer efetivamente possuía tal direito; que não satisfeita em obter o ganho relacionado ao beneficio fiscal previsto nos §§ 7° e 8° do artigo 1° da Lei n° 11.941/2009, oriundo de sua própria ineficiência (a capacidade de gerar prejuízos), a fiscalizada ainda quer que esse ganho não seja tributado. Em outras palavras, a intenção da fiscalizada é socializar e isentar o resultado de sua ineficiência; que, não tem qualquer fundamento a afirmação da fiscalizada de que “que os valores dos prejuízos fiscais. não podem caracterizar receita pela mesma razão que não são despesas os valores provisionados para pagamento do IRPJ e da CSLL”. Tanto a legislação (artigos 249, inciso IX, 344, §2°, do RIR/99, artigo 1°, parágrafo único, da Lei n° 9.316/96 e artigo 41, § 2°, da Lei n° 8.981/95) quantos às normas contábeis (Resolução CFC n° 686/1990 e Resolução CFC n°1.185/2009) caracterizam as provisões para pagamento do IRPJ e da CSLL como despesas; que a legislação tributaria estabeleça que as despesas com provisão para o IRPJ e CSLL são indedutíveis, isso não altera o fato de que as provisões para pagamento desses tributos são despesas. Tampouco isso serve para descaracterizar o fato de que o ganho decorrente da utilização dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativas da CSLL para liquidação de multas e juros é uma receita, bem como de que essa receita deve ser tributada; que sobre os valores de IRPJ e CSLL a pagar apurados em decorrência das infrações descritas nos itens 3.2 e 3.3 do presente relatório esta sendo aplicada a multa de oficio de 75%, prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, com a redução dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/2007; que a multa de oficio qualificada, de 150%, esta prevista no artigo 44, § 1°, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Medida Provisória n° 3351/2007 e pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/2007. Sua aplicação esta relacionada às circunstancias previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Em sua peça impugnatória de fls. 548/585, instruída pelos documentos de fls. 586/629, apresentada, tempestivamente, em 09/03/2012, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que no ano de 2009, a Impugnante realizou a venda de uma parte da frota de seus veículos, tendo apurado, por isso, ganho de capital; que esses veículos foram adquiridos entre os meses de junho de 1997 a fevereiro de 2005, sendo que parte deles teve, como custo de aquisição, o “o valor residual” Fl. 707DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 16 11 apurado ao término dos contratos de arrendamento mercantil, com o aliás, foi reconhecido no Relatório Fiscal; que quando esses veículos foram alienados, o que aconteceu nos 2º, 3º e 4º trimestres de 2009, por não dispor de todos os elementos que pudessem servir de base para apuração do efetivo resultado, a Impugnante optou por considerar, como “valor residual”, a importância de R$ 1.965.502,50, o qual, deduzido do valor da alienação, que foi de R$ 1.560.000,00 gerou uma perda de capital de R$ 405.502,50; que posteriormente, depois de iniciados os trabalhos de fiscalização, a Impugnante foi intimada a prestar uma série de informações vinculadas às operações de vendas dos referidos veículos, tais como: data de aquisição e de alienação de cada veículo; seu custo de aquisição; valor de alienação; depreciação acumulada até a data da alienação, bem como a apresentação de documentação hábil. Dita intimação foi respondida, considerando os elementos que foram localizados nos controles da empresa, os quais não foram, no seu todo, aceitos pela Fiscalização; que ao analisar os dados constantes da Planilha 5, elaborada pelo Fisco, o que se constata é exatamente o contrário, ou seja, que o veículos não eram depreciados à taxa de 20 % ao ano, e que, portanto, as informações prestadas, quanto a este fato, pela impugnante, estavam corretas. Apenas a título de exemplo, e ainda, se reportando a Planilha 5, basta ver o que consta com relação ao primeiro veículo da lista, o de placas IHJ4209, que foi adquirido em 30/06/2002 e vendido em 31/08/2004, para o qual, foi baixada uma depreciação de 30%, para um período equivalente a 2,17 anos; que é possível concluir, pela narrativa feita pelo Fisco, nas páginas 5 e 6 do Relatório da Ação Fiscal que, muito provavelmente, não foram corretamente interpretadas as informações prestadas pela empresa em resposta às intimações, em razão do que foram apuradas as diferenças de valores indicadas tanto no “Quadro A” (pág. 4 e 5 do Relatório da Ação Fiscal) quanto no último parágrafo da pág. 6. “Por isso, afirma a Impugnante que é inverídica a afirmação feita pelo Fisco no sentido de que “para elaboração das planilhas de fls. 459 a 471 a fiscalizada escancaradamente efetuou uma conta de chegada”. Essa afirmativa, com todas as vênias, beira as raias do absurdo; que não pode assim, considerarse como corretos os valores indicados na “Coluna N” da Planilha 6 – Elaborada pelo Fisco, tendo em vista que nela foram consignadas importâncias que não correspondem ao que efetivamente foi objeto de depreciação. A impugnante está juntando aos autos o “Anexo 02”, contendo um detalhado demonstrativo com informações precisas com relação aos bens alienados no ano de 2009, tais como: (a) o efetivo “Valor Original Corrigido (R$ 1.899.492,10); (b) a “Depreciação Acumulada (R$ 1.520.730,37) e, (c) o “Valor Residual (R$ 378.761,73) (Doc. 3); que por meio do “Anexo 3” (Doc. 5) a Impugnante indica qual o efetivo ganho de capital apurado em cada trimestre, o que foi apurado pelo Fisco e a respectiva diferença, para fins de abatimento dos “prejuízos fiscais acumulados”; que como se vê, á luz de todos os elementos que instruem esta impugnação, especialmente os Anexos 1, 2 e 3, cujos dados foram extraídos dos registros contábeis da empresa, é imperioso que se determine o refazimento dos cálculos, para fins de determinação dos efetivos montantes devidos a título de IRPJ e de CSLL; Fl. 708DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 que sobre os valores apurados como devidos a título de IRPJ e de CSLL, a partir das diferenças indicadas pelo Fisco, tal como demonstrado no quadro inserido no subitem 2.1.11, foi aplicada a multa de 150%, tendo sido indicado, como fundamento legal, o disposto no art. 44, Inciso I e §1º da Lei nº 9.430/96; que no subitem 5.2 do Relatório da Ação Fiscal, o Fisco procurou justificar a aplicação de gravosa penalidade, tomando por base tão somente o fato de a Impugnante ter apresentado informações desencontradas, nas respostas dadas a duas intimações, como se isso pudesse caracterizar a ocorrência de dolo, fraude ou conluio; que por pertinente, que o contador da Impugnante, durante muitos anos, Sr Hugo Wannmacher, faleceu em abril de 2009, sendo que o empregado que o substituiu no setor contábil da empresa efetivamente encontrou dificuldades em fornecer, com precisão, todos os elementos requisitados pelo Fisco. Esse fato foi comunicado ao Fisco, que, simplesmente o desconsiderou para aplicação da multa neste patamar. Não houve, como quer fazer crer o Fisco, nenhum intuito de obstruir os trabalhos da fiscalização ou de impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária, tanto é que, todos os documentos de que o Fisco necessitou para realizar seu trabalho, foram disponibilizados; que o dolo, a fraude ou o conluio, devem ser efetivamente comprovados pelo Fisco, para justificar a aplicação da multa de 150%, não bastando, para tanto, tomar por base simples equívoco cometidos pelo contribuinte; que o fato de o contribuinte ter incorrido em equívoco ao prestar informações ao Fisco, está longe de ser tipificado como sendo dolo, fraude ou conluio, ainda mais quando no presente caso, o novo responsável pelo setor de contabilidade da empresa, encontrou dificuldades em localizar controles que haviam sido feitos pelo seu antecessor, que faleceu; que houve, no mínimo, interpretação excessiva do disposto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Em razão do que deve ser cancelada a exigência tributária que está sendo imposta à Impugnante, ou, então, reduzida a multa para o percentual de 75%; que o fato de o Fisco ter aplicado a multa, no patamar de 150%, sob o singelo argumento de que o contribuinte, ao responder as intimações, teria fornecido informações desencontradas – e isso após ter sido informado das dificuldades que o novo responsável pela contabilidade da empresa estava enfrentando para recompor a conta de depreciação acumulada – representa flagrante afronta ao princípio da razoabilidade, segundo o qual, ao aplicar a lei, devem, os Agentes Fiscais, respeitar os critérios aceitáveis do ponto de vista racional, considerando, inclusive, o que de, ordinariamente, pode acontecer; que no dia 31 de março de 2009, a Impugnante efetuou, a débito de conta de resultado – Juros Passivos , um lançamento no valor de R$ 10.697.965,18. Intimada a demonstrar a origem de tal montante, a autuada informou ao Fisco que se trata de juros incidentes sobre débitos de contribuições previdenciárias, com vencimento entre dezembro de 1999 e novembro de 2007 (fl. 187); que portanto, o AuditorFiscal embora reconhecendo que a empresa arcou com prejuízos contábeis e fiscais em todos os períodos de competência desses débitos, concluiu que ela decaiu do direito de deduzir as correspondentes despesas operacionais. Diante disso, glosou a dedução das despesas anteriores a 01/01/2004, procurando embasar essa glosa fiscal nos artigos 898, 898, e 900 do RIR, nos artigos 165 e 168 do CTN e em julgados do CARF; Fl. 709DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 17 13 que em decorrência desse entendimento – equivocado, como logo em seguida demonstrará , foram glosados R$ 1.744.802,177 de despesas com juros, cujo direito à dedução, segundo o Fisco, teria decaído no 1º trimestre de 2009; que no referido parcelamento a Impugnante incluiu todas as dívidas vencidas até 30/11/2008 no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) Procuradoria – Geral da Fazenda Nacional (PGFN),e , inclusive, o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal (REFIS), no Parcelamento Especial (PAES) e no Parcelamento Excepcional (PAEX). (Doc. 7); que dessa forma, no mês em que foi efetuado o requerimento de adesão ao Parcelamento da Lei nº 11.941/09 (novembro/2009), o montante total devido pela Impugnante no âmbito da SRFB, PGFN e INSS, até 30/11/2008, era resultante da soma (i) do principal (ii); das multas; (iii) dos juros de mora; (iv) dos encargos legais; e (v) dos honorários devidos nas execuções fiscais dos débitos previdenciários; que o Fiscal dá a entender que somente podem ser considerados os juros incorridos a partir de janeiro de 2004, não sendo admitida a dedução de tais despesas, de períodos anteriores a essa data, como se, após o vencimento daquelas obrigações, as contribuições previdenciárias que deixaram de ser pagas, não sofressem a incidência de nenhum acréscimo legal (juros, multas e encargos da Procuradoria), o que, com a devida vênia, é um absurdo; que ao fazer a sua adesão ao parcelamento, a Impugnante, assim como todos os contribuintes que optaram por parcelar as suas dívidas, teve que consolidar os valores por ela devidos, incluindo, no referido cálculo, não apenas o valor principal da dívida, mas também, todos os acréscimos moratórios (também os juros), que nos termos do art. 3º, inciso I, da Lei nº 11.941/2009, deveriam ser “restabelecidos à data da solicitação do novo parcelamento os valores correspondentes ao crédito originalmente confessado e seus respectivos acréscimos legais”; que ademais, como já referido, ao aderir ao Parcelamento da Lei nº 11.941/09, a Impugnante confessou todas as suas dívidas vencidas até 30/11/2008, na SRFB, PGFN e INSS, nele incluindo, também, o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal (REFIS), no Parcelamento Especial (PAES) e no Parcelamento Excepcional (PAEX); que é equivocado o entendimento do AuditorFiscal, na parte em que ele afirma que “foi a inércia da própria fiscalizada que impediu que as despesas correspondentes a períodos de apuração atingidos pelo prazo decadencial afetassem as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL...” (fl. 10 do Relatório da Ação Fiscal). Os procedimentos contábeis e fiscais adotados pela Impugnante, como visto, representam a realidade de seu passivo tributário, não havendo como se admitir a glosa de despesas que, como visto, decorrem da aplicação das normas que regem o Parcelamento da Lei nº 11.941/09; que todavia, como já se explanou alhures, o fato de a empresa ter aderido ao Programa de Parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09 é de suma importância para determinar a data do regime de competência para o lançamento desses juros. No caso, como dito, essas despesas foram contabilizadas de acordo com o disposto no art. 4º, inciso I, da Portaria Conjunta PGFN/RFN n. 2, de 3 de fevereiro de 2011 (D.O.U: 04.02.2011), que orientava a apurar os montantes disponíveis de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Fl. 710DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 CSLL relativo ao período de apuração encerrado até 27 de maior de 2009 (data em que a Lei nº 11.941/09 foi sancionada), sendo esta, portanto, a data a ser considerada, para fins de reconhecimento do regime de competência; que não pode ficar sem registro que, conforme reconhecido pelo próprio Fisco, as despesas se referem a períodos de apuração em que foram apurados prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL (fl. 7 do Relatório da Ação Fiscal). Sendo assim, o fato de a Impugnante ter registrado contabilmente, em 2009, juros que efetivamente eram devidos desde dezembro de 1999 não gerou nenhuma falta ou insuficiência de recolhimento de tributos; que portanto, ao ser introduzido, no nosso ordenamento jurídico, a compensação de prejuízos fiscais com lucros futuros, somente poderia ser feita dentro do prazo decadencial dos três anos (exercícios) que se seguiam à apuração desses prejuízos. Decorrido esse prazo, a pessoa jurídica decaía de seu direito compensatório, ainda que mantivesse, em seus controles fiscais, extra contábeis, valores de prejuízos a compensar; que esse regime de compensação de prejuízos e de decadência do respectivo direito perdurou até o advento do DecretoLei nº 1.598/77, o qual, em seu artigo 64 e parágrafos, alterou o regime de compensação de prejuízos fiscais, principalmente no tocante ao prazo decadencial, que foi aumentado de três para quatro anos; que todavia, nesse vaievem da legislação tributária de nosso País, a inexistência de prazo decadencial para o exercício do direito compensatório veio a ser afastada com o art. 12 da Lei nº 8.541/92, quando foi estabelecido que os prejuízos fiscais apurados a partir de 1º de janeiro de 1993 poderiam ser deduzidos do lucro real em até 4 (quatro) anos calendário subseqüentes ao ano de apuração; que em 1995, a Lei nº 8.981, em seus artigos 42 e 58, pela segunda vez nesse histórico da compensação de prejuízos fiscais, aboliu esse critério temporal limitador do direito á compensação, estabelecendo outro limite, determinando que, a partir de janeiro de 1995, o lucro líquido ajustado somente poderia ser reduzido por dedução da base de cálculo negativa (CSLL) ou prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores, em no máximo 30% (trinta por cento). Esse limite quantitativo de compensação de prejuízos fiscais ou de bases de cálculo negativas da CSLL foi mantido pela Lei nº 9.065/95; que assim sendo, inexistindo, hoje, qualquer limitação temporal para frente, que implique decadência do direito do contribuinte à compensação de seus prejuízos fiscais (IRPJ) ou bases de cálculo negativas (CSLL), não subsiste a menor razão plausível para se projetar, para traz, um prazo decadencial que não mais vigora; que o não conhecimento contábil, nos correspectivos períodos gerados das obrigações tributárias, em nada alterou a situação da empresa perante o fisco, especialmente porque, no caso concreto, não ocorreu a redução ou postergação indevida de impostos, mas tão somente o aumento do valor dos prejuízos fiscais (IRPJ) e da base de cálculo negativa (CSLL); que não pode, a empresa, ser penalizada, como quer o Fisco, com o não reconhecimento da dedutibilidade de valores que afetam diretamente o seu resultado tributável, sob pena de, por vias transversas, a qualquer momento futuro, ter que se submeter à tributação de uma parcela do seu patrimônio, o que afronta a própria legislação do Imposto de Renda, a partir de orientações contidas na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional, segundo os quais, somente a renda pode ser objeto de tributação; Fl. 711DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 18 15 que é certo que a empresa se utilizou de prejuízos fiscais e base de cálculo negativas da CSLL para liquidar juros e multa do parcelamento da Lei nº 11.941/2009, que perfaziam o montante de R$ 3.371.458,00, o que não foi aceito pelo Fisco; que é importante deixar bem claro que a compensação de prejuízos fiscais, instituto antiqüíssimo da legislação do imposto de renda (da Lei nº 154, de 1.947), jamais, em todos os tempos, foi considerada um benefício fiscal; que o levantamento de balanço , ao final de cada exercício social, e a adequação de seu resultado (positivo ou negativo) aos parâmetros fiscais, para fins de incidência do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do Exercício – CSLL, representam um corte, não um ruptura, no fluxo normal da vida empresarial. Por isso que o lucro contábil, o prejuízo contábil, o lucro real e o prejuízo fiscal, assim seccionados, não comprometem a continuidade do ente empresarial, mas se projetam para os exercícios futuros, anuais, ao término dos quais serão feitos novos cortes no tempo, para fins de novas apurações temporais de lucro/prejuízos sociais, de lucros tributáveis ou de prejuízos fiscais bases de calculo negativas de CSLL compensáveis, nos termos das legislações de IRPJ e da CSLL; que por isso tudo, é descabida a interpretação do Agente Fiscal, que culmina na pretensão de considerar como receita os valores correspondentes aos créditos derivados dos prejuízos fiscais (IRPJ) e bases de cálculo negativas de CSLL, utilizados para amortizar parte do valor correspondente a multa, juros e encargos legais, tudo conforme previsto na Lei nº 11.941/2009; que contabilmente, o procedimento realizado pela Impugnante, em 30/11/2009, foi o seguinte: Primeiramente, ela baixou os saldos das contas do ativo não circulante (Prejuízos Fiscais a Recuperar e Base Negativa CSLL a Recuperar), com o lançamento da contrapartida a débito da conta do passivo não circulante (Parcelamento Lei 11.941/09), onde estavam lançadas as suas dívidas tributárias. Na mesma data, ou seja, em 30/11/2009, foram também efetuados lançamentos a crédito nas contas de resultado (Provisão p/ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Provisão p/ imposto de Renda Pessoa Jurídica), com contrapartida a débito da conta do passivo não circulante (Parcelamento Lei 11.941/09), liquidando, assim, juros e multas com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL que estavam controlados na parte B do LALUR; que o imposto de renda não pode ser cobrado com base em artifícios que desvirtuam o exato sentido de renda que, como visto, tem vinculação com o aumento de patrimônio. Aqui, no entanto, não se verifica qualquer acréscimo patrimonial, como pretende fazer crer o Auditor – Fiscal. O prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL já existiam na contabilidade da Impugnante, não havendo, portanto nenhum crédito novo incorporado ao seu patrimônio; que em decorrência disso, o direito à utilização de prejuízo fiscal e base de calculo negativa da CSLL é concedido sob condição. Assim, se descumprido o pagamento, dito direito ou benefício restará extinto em sua totalidade. Ora, como o parcelamento em que empresa aderiu, instituído pela já referida Lei 11.941/2009, determina que o pagamento será realizado em 180 meses, é evidente que até a ocorrência do respectivo evento, dito “benefício” ainda não se materializou, razão pela qual, não pode ser reconhecido o correspectivo valor como receita; Fl. 712DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 que no presente caso, está por demais claro que todos os benefícios concedidos pela Lei nº 11.941/2009, somente serão assegurados, na sua plenitude, na hipótese de cumprimento integral da obrigação assumida pelo contribuinte. Logo, individualmente, eles dependem de um evento futuro e incerto; que por tudo isso mostrase equivocado o raciocínio do AuditorFiscal, na parte em que o mesmo defende que o “benefício” da utilização do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL está subordinada a uma condição resolutiva e que, por isso, o Parcelamento concedido á Impugnante produz, normalmente, “TODOS” os seus efeitos, desde a data do ato ou da celebração do negocio jurídico (fl. 26, do Relatório da Ação Fiscal). Isto porque, se de um lado é correto admitir que o parcelamento concedido à Impugnante gera alguns efeitos (como, por exemplo, o dever de efetuar o pagamento mensal da parcela), de outro não menos a verdade é que a quitação dos juros e das multas, depende de uma condição suspensiva, qual seja, a quitação do parcelamento; que pelo contido na referida lei, o pagamento de multa e juros, na forma por ela prevista, somente será assegurado se forem implementadas todas as condições do parcelamento, principalmente a sua total quitação. Por evidente, se não forem cumpridas as obrigações do parcelamento, todos os encargos voltam ao estado anterior, assim como o próprio valor dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL; que sendo assim, mesmo que se pudesse admitir como correto o entendimento do Fisco, no sentido de considerar como receita, sujeita a tributação, o valor correspondente a IRPJ e CSLL, decorrente dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa – hipótese que se levanta apenas para fins de argumentação – dita receita, somente poderá ser computada no momento em que se tornar definitiva; que a impugnante considera a penalidade que lhe foi aplicada, um flagrante abuso, diante da situação concreta, pois como ficou exaustivamente demonstrado nos itens precedentes, ela, simplesmente, adotou os procedimentos admitidos na legislação de regência para quitar, com a utilização de prejuízos fiscais, as multas e juros apurados como devidos, relativamente aos tributos que foram objeto do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009; que por isso é que entende, ela, que deve ser desclassificada a multa aplicada, de 75%, substituindoa por outra de, no máximo, 20%, notadamente porque os autos de infração ora impugnados somente foram lavrados em decorrência de uma interpretação equivocada da fiscalização, que entendeu não ser possível o reconhecimento contábil de todos os encargos retro referidos, gerados no período anterior a janeiro de 2004, olvidandose de que se trata de uma imposição legal. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, em 31 de maio de 2012, os membros da Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – RS concluíram pela procedência do lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que o relatório da ação fiscal declara que na escrituração contábil da fiscalizada, relativa ao anocalendário de 2009, constavam lançamentos referentes à alienação de cinquenta e dois veículos do seu ativo imobilizado. A partir dessa escrituração, a fiscalização construiu a Planilha 1 (fl. 497) que demonstrava que, em todos os lançamentos contábeis efetuados, o valor baixado da depreciação acumulada dos veículos alienados correspondia à metade do valor do custo de aquisição baixado. Ora, seria realmente inadmissível acreditar, conforme bem concluiu a fiscalização, que veículos adquiridos em Fl. 713DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 19 17 períodos tão diversos no tempo (entre os anos de 1997 a 2005 – Planilha 3 – fls. 503 a 511), e alienados em 2009, fossem todos baixados com idêntica depreciação acumulada de 50%. Aceitar essa possibilidade, corresponderia a se admitir que veículos adquiridos em 1997 estariam sendo depreciados a uma taxa média anual em torno de 4,17% a.a. (24 anos de depreciação) enquanto aqueles adquiridos em 2005 estariam sendo depreciados a taxas de 12,5% (8 anos de depreciação), sem que nenhuma razão houvesse para esse procedimento; que é comum que as empresas utilizem sempre a máxima taxa de depreciação permitida pela legislação, pois isso possibilita a redução na base de cálculo tributável em cada período de apuração. As taxas de depreciação podem variar dependendo do tipo de veículo e da forma de utilização do mesmo. Em regra, para veículos em condições normais de utilização, a taxa de depreciação média anual máxima permitida é de 20% (5 anos de depreciação). Não há lógica na contribuinte utilizar uma taxa menor do que a permitida pela legislação, pois estaria aumentando a sua base de cálculo tributável (ou seja, pagando mais imposto). Mais difícil ainda seria a contribuinte compor um tal conjunto de taxas de depreciação distintas de forma que veículos adquiridos em anos tão variados, e vendidos num mesmo ano, assumissem todos a mesma depreciação acumulada de 50%, como mencionado acima; que ressaltase que a fiscalização concedeu a contribuinte várias oportunidades para que justificasse a utilização das taxas de depreciação que resultaram nos valores residuais dos automóveis vendidos em 2009; que na primeira oportunidade, por meio de termo de início de fiscalização, a contribuinte enviou planilha onde sequer havia os cinquenta e dois veículos que foram vendidos pela fiscalizada no anocalendário de 2009; que na segunda oportunidade, por meio do termo de intimação fiscal lavrado em 10/10/11, a contribuinte enviou uma resposta incompleta (fls. 194 a 200), sem a totalidade dos veículos vendidos (apenas 44 desses veículos – fls. 300 a 399), declarou que o custo de aquisição dos veículos adquiridos por meio de arrendamento mercantil fora registrado em seu ativo imobilizado pelo valor total do leasing contratado (quando o correto seria contabilizar como custo operacional o pagamento das contraprestações do leasing e o custo de aquisição como o valor residual determinado para o exercício da opção de compra – esse procedimento, aliás, foi posteriormente constatado como correto pela fiscalização, apesar da informação incorreta da contribuinte) e notas fiscais de compra de veículos com valores inferiores aos incluídos na planilha, o que obrigou a fiscalização a apurar todos esses valores pela contabilidade da empresa, e que resultou na elaboração da Planilha 2 (fls. 498 a 502), cuja composição em nada se assemelhava às planilhas anteriormente enviadas pela fiscalizada; que na terceira oportunidade que teve para justificar os valores das taxas de depreciação utilizadas, em resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal lavrado em 05/12/11 (fls. 404 a 437), a contribuinte alegou (fls. 457 a 471) que depreciou os veículos alienados em 2009 a taxas inferiores a permitida pela legislação, e anexou planilhas (anexos 01 e 02) que demonstrariam essa justificativa. Porém, a planilha que tenta demonstrar a composição da conta de veículos em 31/12/08, constante do Anexo 01 (fls. 459 a 467), ao contrário do que alega a contribuinte, indica que ela efetivamente utilizava normalmente uma taxa de depreciação em torno de 20% ao ano. Dos 262 veículos informados nessa planilha, todos aqueles adquiridos há mais de 5 anos (74 veículos) já haviam sido totalmente depreciados, 121 veículos apresentavam taxas de depreciação entre 19,71% a. a. e 20,50% a. a., Fl. 714DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 2 veículos apenas apresentavam taxas de depreciação de 10,13% a.a. e 10,34% a.a. e unicamente os veículos informados nessa tabela como alienados em 2009 (os 65 veículos restantes) apresentavam taxas anuais de depreciação completamente atípicas (entre 1,65% a.a. 4,85% a.a). Não resta dúvida de que a taxa de depreciação anual normalmente empregada pela contribuinte era em torno de 20 % a.a., como concluiu a fiscalização, e que as taxas utilizadas na baixa dos veículos alienados em 2009 foram manipuladas para tentar ludibriar a fiscalização. E foi com a taxa de 20% a.a. que a fiscalização, corretamente, apurou a efetiva depreciação acumulada dos veículos alienados em 2009. Por sua vez, a planilha dos veículos alienados em 2009, constante do Anexo 02 (fls. 468 a 470) demonstra, de forma inconteste, a tentativa da contribuinte de fraudar as informações apresentadas à fiscalização, quer porque atribui a “todos” os veículos alienados em 2009, e adquiridos entre os anos de 1997 e 2005, uma mesma taxa depreciação acumulada de 19% (utilizando taxas de depreciação anuais atípicas entre 1,65% e 4,85% sem a menor justificativa), quer porque a atribui unicamente para o conjunto de veículos vendidos em 2009. Para isso acontecer seria necessário que a contribuinte antevisse, quando da aquisição de cada veículo, desde 1997, que ele seria vendido em 2009 e, para esse conjunto específico, utilizar uma combinação de taxas de depreciação variadas (e que normalmente não utiliza em sua empresa para outros veículos) o que seria praticamente impossível de ocorrer e igualmente de justificar; que agora, na impugnação, vem a contribuinte apresentar uma quarta versão de planilhas para justificar a forma de contabilização da depreciação acumulada dos mesmos veículos vendidos em 2009 e que, segundo argumenta, em “minudente trabalho de auditoria”, teria apurado não apenas o saldo da depreciação acumulada existente em 31/12/08 (Doc. 4 Anexo 01 – fls. 603 a 611), como também a efetiva depreciação aplicada sobre cada um dos veículos alienados em 2009 (Doc 3 Anexo 02 – fls. 599 a 601); que entretanto, o referido Doc. 4 (Anexo 1 planilha com demonstração da conta de veículos em 31/12/08 fls. 603 a 611) contém uma tabela com a mesma estrutura e valores de veículos da tabela constante no Anexo 01 da resposta da contribuinte (fls. 459 a 467) ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal lavrado em 05/12/11 (fls. 404 a 437). A análise desse documento permite a mesma conclusão feita anteriormente, ou seja: dos 262 veículos informados nessa planilha, todos aqueles adquiridos a mais de 5 anos (74 veículos) já haviam sido totalmente depreciados, 121 veículos apresentaram taxas de depreciação entre 19,33% a.a. e 20,50% a.a., 2 veículos apresentaram taxas de depreciação de 10,88% a.a. e 11,11% a.a., mas, agora, os veículos informados como alienados em 2009 (os 65 veículos restantes) tiveram suas taxas de depreciação anuais simplesmente alteradas de 1,65% a.a. a 4,85% a.a (correspondente aos idênticos 19% de taxa depreciação acumulada para todos esses 65 veículos, constante na planilha anterior) para o intervalo de 7,11% a 17,62% (para os mesmos veículos), sem que nenhuma informação adicional fosse fornecida pela contribuinte para explicar essa súbita alteração generalizada das taxas de depreciação somente dos veículos alienados, nem que fosse essa mudança comprovada pela contabilidade da empresa; que enquanto na tabela anteriormente enviada à fiscalização (fls. 468 a 470), a contribuinte afirmava utilizar taxas de depreciação dos veículos vendidos em 2009 no intervalo de 1,65% a.a. a 4,85% a.a., correspondendo a uma igual taxa de depreciação acumulada de 19% para “todos” esses veículos, agora ela vem dizer que essas taxas, na realidade, variariam de 6,51% a.a. a 18,19% a.a. (fls. 599 a 601). Isso representa uma variação de 410,49% (soma das diferenças das taxas de depreciação informadas pela contribuinte nas duas tabelas enviadas à fiscalização)! Primeiramente, cabe salientar que não foi incluída na impugnação nenhuma explicação para a alteração generalizada das taxas anteriormente informadas à fiscalização. Em segundo lugar, não houve nenhuma explicação do porquê dessa alteração ter ocorrido “somente para os veículos vendidos em 2009”. Em terceiro lugar, não há qualquer explicação sobre o porquê dos veículos da frota vendidos em 2009 (e, ressaltase, Fl. 715DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 20 19 somente esses) possuírem taxas de depreciação diferentes dos demais veículos não vendidos; em regra, se os veículos são utilizados para um mesmo fim, não deveriam sofrer depreciações diferentes. Além disso, é bastante incomum, como já mencionado, uma empresa não utilizar a máxima depreciação permitida pela legislação, pois esse procedimento reduz a base de cálculo tributável; que nas planilhas anexadas na impugnação, a contribuinte simplesmente definiu, sem nenhum critério ou explicação plausível, taxas de depreciação anuais em muito inferiores às que normalmente utilizava nos demais veículos da frota, porém agora com o cuidado de manter ao menos uma compatibilidade com o ano de aquisição, já que seria praticamente impossível, como já mencionado, justificar uma taxa de depreciação acumulada de 19% igual para todos os veículos vendidos em 2009 (e somente eles) e adquiridos entre 1997 e 2005; que resumindo, na apresentação das novas planilhas na impugnação, não há nenhuma explicação sobre as alterações generalizadas nas taxas de depreciação anuais, nem tampouco por que essas alterações foram aplicadas apenas para os veículos alienados em 2009 ou o porquê das taxas serem diferenciadas para esses veículos, além da não comprovação dos registros contábeis que subsidiaram os valores nelas constantes. Como regra, a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual; que na impugnação, a contribuinte argumenta que a Planilha 5 (fl. 513), constante do relatório da fiscalização, comprovaria que a empresa também utilizava taxas de depreciação menores do que 20% a.a. Porém, dos 42 veículos constantes dessa planilha com mais de um ano de uso antes da venda, invariavelmente, como afirma a fiscalização, os veículos adquiridos há mais de cinco anos (23 veículos) estavam totalmente depreciados, 6 veículos apresentavam taxas de depreciação igual ou próxima a 20% a. a., e apenas 13 veículos apresentavam taxas menores do que 17 % a.a. (entre 10% a. a. e 15% a.a.). Estas últimas, contudo apresentavam depreciações acumuladas semelhantes e, ao menos apresentavam alguma lógica com relação ao seu montante, relativamente aos intervalos entre a aquisição e a alienação dos veículos. Ao contrário, o percentual de depreciação acumulada informada na planilha apresentada à fiscalização (fls. 468 a 470) era “idêntico” (19%) para todos os veículos vendidos em 2009 e adquiridos no período de 1997 a 2005, o que se mostra inconsistente (deveria haver uma depreciação acumulada menor quanto mais novo o ano aquisição). Por sua vez, essa idêntica taxa acumulada de depreciação correspondia a utilização de taxas de depreciação entre 1,5 % a.a. e 4,5% a.a., em muito inferiores das normalmente utilizadas na baixa de seus veículos e constantes da planilha 5 (mais do que 50% inferior a taxa mais baixa nela constante). Isso sem contar, como já mencionado anteriormente, que seria necessária uma coincidência improvável a ponto de combinar taxas de depreciação tão diferentes entre si, utilizadas quando da aquisição dos veículos em períodos tão distintos (de 1997 a 2005), de tal forma que em 2009 resultasse numa taxa de depreciação acumulada de 19% para todos esses veículos vendidos; que além disso, como já mencionado antes, a tabela que demonstra a composição da conta veículos em 31/12/08 (Anexo 01 da resposta da contribuinte (fls. 459 a 467) ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal lavrado em 05/12/11 – fls. 404 a 437) não deixa dúvidas quanto a taxa de depreciação anual utilizada normalmente pela contribuinte (em torno de 20% a.a.); Fl. 716DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 que a argumentação da contribuinte afirmando que não fez uma “conta de chegada” quando da informação das taxas de depreciação acumulada dos veículos alienado sem 2009, também não merece prosperar. Ao informar uma taxa de depreciação acumulada de 19%, igual para todos os veículos alienados, a contribuinte, além de não ter justificativa para o emprego de taxas de depreciação anuais tão diferenciadas entre si (entre 1,65% a.a. e 4,85% a.a) e atípicas em relação as que normalmente vinha empregando para o resto de sua frota, e de não explicar sequer o porquê da própria utilização de taxas diferenciadas, também não poderia igualmente explicar que veículos adquiridos em tão largo período de tempo (1997 a 2005), e somente os alienados em 2009, possuiriam a mesma taxa de depreciação acumulada. Tanto isso é verdade que tratou de mudar completamente essa informação na nova planilha anexa a sua impugnação, alterando “todas” essas taxas de depreciação acumulada, de forma a tornálas iguais por ano de aquisição dos veículos, e com isso evitar tão evidente tentativa de mascarar a correta informação da depreciação acumulada dos veículos vendidos. Ressaltase que na planilha anterior enviada à fiscalização (fls. 459 a 470) a depreciação acumulada dos veículos alienados em 2009 foi de R$ 360.903,50, enquanto na nova planilha enviada na impugnação (fls. 599 a 601) ela foi de R$ 1.520.730,37 (uma diferença de R$ 1.159.826,90!). Basta observar a dimensão dessa diferença para se concluir que a contribuinte não só manipulou escancaradamente os valores da depreciação dos veículos vendidos em 2009 durante as três oportunidades que a fiscalização lhe concedeu para justificarse, como continua manipulando e alterando valores de taxas de depreciação na impugnação, sem qualquer explicação plausível ou embasamento na sua contabilidade, como se o envio de informações à fiscalização se constituísse numa mera remessa de dados desprovidos de justificativas, alteráveis a qualquer tempo e sem os cuidados que uma boa contabilidade requer. Ressaltaseque a impugnação proporcionou à contribuinte uma quarta possibilidade de justificar a utilização das taxas de depreciação dos veículos alienados em 2009, mas suas justificativas não passam de meras alegações sem embasamento na sua escrita contábil. A fiscalização constatou a fraude na informação da taxa de depreciação acumulada de 19% para todos os veículos alienados em 2009, informando inclusive a forma como realizou a “conta de chegada” (fl. 476); que não resta dúvida que a contribuinte realizou uma “conta de chegada” quando informou os 19% de taxa de depreciação acumulada para todos os veículos alienados em 2009. Esses valores são tão inverídicos que agora, na impugnação, ela própria alterou completamente essas informações, elevando os percentuais e estratificando os por ano de aquisição dos veículos para tentar mascarar a constatação evidente de que veículos adquiridos em anos diferentes não poderiam ter a mesma taxa de depreciação acumulada. As novas planilhas enviadas na impugnação DOC. 3 (Tabela 02 fl. 601) e DOC. 4 (Tabela 01 fls. 602 a 611) vêm apenas comprovar que o procedimento da fiscalização foi acertado ao recalcular, com base na contabilidade disponibilizada pela contribuinte durante a ação fiscal, a depreciação acumulada dos veículos vendidos aplicando as taxas de depreciação normalmente utilizadas em praticamente todos os demais veículos de sua frota (20% a.a). A contribuinte deveria ter demonstrado o cálculo da depreciação acumulada de cada veículo e a convergência dessa apuração com sua escrituração contábil. Ao informar, na impugnação, a nova depreciação acumulada dos veículos vendidos, alterando o valor de R$ 360.903,48 para R$ 1.520.730,37 a contribuinte acabou por reconhecer a depreciação acumulada apurada pela fiscalização, pelo menos até esse valor; que as dificuldades no fornecimento de dados à fiscalização, em virtude do falecimento do contador da empresa, como alega a impugnante, não podem ser opostas ao fisco como justificativa para o não cumprimento de suas obrigações. E ainda que pudessem ser consideradas como tal, o envio reiterado de informações inverídicas à fiscalização, ajustando taxas de depreciação a cada nova informação, nitidamente com o intuito de retardar o conhecimento do fato gerador do tributo, caracteriza sem a menor dúvida o comportamento da empresa visando sonegar os tributos devidos; Fl. 717DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 21 21 que quanto à alegação da contribuinte de que forneceu todos documentos solicitados durante a ação fiscal, como que para justificar que não houve dolo em sua ação, ressaltase que esta é a sua obrigação legal e em nada agrega para qualificar ou justificar o seu procedimento; que quanto aos argumentos da contribuinte relativos ao período de competência na contabilização dos juros incidentes sobre os seus débitos previdenciários, não cabem comentários porque a fiscalização, por economia processual, reconheceu esses juros, ainda que não tivessem sido contabilizados no período correto pelo regime de competência; que a contribuinte questiona não poder deduzir juros incorridos de débitos de contribuições previdenciárias anteriores a janeiro de 2004. Porém, ressalto que a própria repetição do indébito tem prazo de 5 anos para ser pleiteada, e isto que o pagamento indevido ou a maior fica documentado junto à fiscalização, ao contrário dos juros passivos pleiteados pela contribuinte que nem sequer foram informados em suas declarações ou na sua contabilidade; que assim, em regra, decorridos 5 anos da extinção do crédito tributário, a contribuinte não tem mais o direito de pleitear a restituição do pagamento indevido ou a maior que tenha realizado. E o mesmo vale para a administração pública, conforme disposto nos arts. 898 a 890 do Decreto nº 3000/99 (RIR/99). Em regra, se a fiscalização descobre um crédito tributário contra qualquer contribuinte, efetivamente devido mas não declarado, porém já decorreu mais de 5 anos do fato gerador, também não poderá efetuar o lançamento por motivo da decadência. E é assim porque o instituto da decadência preserva um dos principais princípios do estado democrático de direito, que é o da segurança jurídica; que a contribuinte alega ainda que quando aderiu ao parcelamento, teria consolidado os valores do principal da dívida e todos os acréscimos moratórios (também juros) nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 11.941/09. Porém, esse dispositivo legal referese a forma de apuração da dívida para consolidação no âmbito desse parcelamento especial, para efeitos de restabelecimento dos valores correspondentes ao crédito originalmente confessado e seus respectivos acréscimos legais, para o caso de débitos que já tivessem sido objeto dos programas de recuperação fiscal REFIS, PAES e PAEX e outros citados no referido dispositivo. Entendo que o disposto nesse artigo não autoriza o reconhecimento de despesas de anos anteriores nas contas de resultado do anocalendário de 2009 (juros passivos) nem tampouco o reconhecimento de despesas não declaradas nem contabilizadas há mais de 5 anos, porque estaria em desacordo com o princípio contábil da competência. Nesse aspecto, entendo que a inércia da contribuinte contribuiu decisivamente na perda do direito de ter reconhecidas as despesas fulminadas pelo instituto da decadência; que não procede igualmente o argumento de que a fiscalização estaria restringindo o prazo para a compensação de prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativas, pois, conforme já mencionado no relatório da ação fiscal, o que não é possível é a alteração das bases de cálculo do IRPJ ou da CSLL, sejam elas positivas ou negativas, após o transcurso do prazo decadencial, quer por iniciativa da fiscalização, quer por iniciativa da contribuinte. Neste contexto, como bem declarou a fiscalização (fl. 481), “... a decadência não está operando para restringir a compensação de prejuízos fiscais escriturados e declarados, mas sim para restringir a apuração de prejuízos fiscais a destempo.”; que ao contrário do que argumenta a contribuinte, o reconhecimento de juros passivos correspondentes a períodos fulminados pela decadência pode causar prejuízo ao Fl. 718DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 fisco se escriturado no 1º trimestre de 2009, porque diminui a base de cálculo do tributo devido nesse período de apuração; que de considerar como benefício fiscal a compensação de prejuízos fiscais acumulados e da base de cálculo negativa (fl. 483 do relatório da ação fiscal) com o lucro real auferido em determinado período de apuração. A ementa da decisão do RE nº 344.994, que decidiu, entre outros pontos, sobre a constitucionalidade dos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/95, demonstra claramente esse posicionamento do STF; que a glosa da exclusão do ganho patrimonial com a utilização das parcelas correspondentes a 25% sobre o saldo do prejuízo fiscal e 9% sobre o saldo da base de negativa da CSLL, efetuada pela fiscalização, está correta, já que não há permissivo legal para que ela ocorra; que mesmo que as normas internacionais de contabilidade, para as quais o país está se adaptando for força legal, nos casos em que as empresas apurem prejuízo, oriente para a constituição de provisões prevendo a recuperação desses prejuízos através da compensação com lucros futuros, como argumenta a contribuinte, o reflexo dessa contabilização não afeta a apuração do lucro real pois todo o controle da compensação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL é realizado pelo Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) em procedimento independente da contabilidade da empresa. A propósito, a contabilização suscitada pela contribuinte não lhe poderia ser aplicável em princípio, pois, segundo a Instrução CVM nº 371, de 27/6/02, o reconhecimento inicial do ativo fiscal diferido dependeria da apresentação de um histórico de rentabilidade (art. 2º), o que seria presumível apenas se a empresa tivesse lucro em três exercícios nos últimos cinco exercícios sociais (art. 3º), mas constatei, através das declarações (DIPJ) transmitidas pela contribuinte, que a mesma operou com prejuízo em todos os trimestres de 2004 a 2008; que por sua vez, a contabilização descrita pela contribuinte em sua impugnação (fl. 574) carece de embasamento legal e está em desacordo com o arts. 187 e 189 da Lei nº 6.404/76, que definem, respectivamente, a estrutura da demonstração do resultado do exercício e a provisão para o imposto de renda como dedução do resultado do exercício e não como acréscimo ao mesmo como foi feito pela contribuinte. Nesse aspecto, o relatório da ação fiscal expõe claramente os equívocos no procedimento da impugnante (fls. 486 e 487), em relação aos quais entendo que a contribuinte não trouxe aos autos a devida justificativa; que a impugnante alega que o valor da receita correspondente ao aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL na liquidação de multas e juros não poderia ser reconhecido como receita tributável porque ainda não teria se materializado, ou seja, estaria em condição suspensiva devido a possibilidade de rescisão do parcelamento em caso de inadimplemento. Entendo que a rescisão do parcelamento quando ocorrer o inadimplemento, por exemplo, não é caso de condição suspensiva, mas sim resolutiva. Se a contribuinte optou por aderir ao parcelamento especial criado pela Lei nº 11.941/09, ele passa a usufruir de todos os direitos e benefícios por ela concedidos desde a data em que fez essa opção. Comprovada, a partir da opção pelo parcelamento, que alguma das condições obrigatórias para nele permanecer não foi cumprida (inadimplência, por exemplo), ocorre a sua rescisão. O inciso II do § 2º do art. 21 da Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 6/09 prevê o “cancelamento dos benefícios concedidos, inclusive sobre o valor já pago ou liquidado mediante utilização de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL”, no caso de rescisão do parcelamento. Mas se ocorrer a recisão, a contribuinte poderá solicitar a restituição ou a compensação dos valores de IRPJ ou CSLL pagos sobre as receitas tributadas advindas daquela utilização que restou glosada. Portanto, entendo que não há óbice para a tributação dessas receitas quando as multas e juros forem liquidados com a utilização de prejuízos fiscais ou Fl. 719DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 22 23 bases de cálculo negativa da CSLL, não sendo necessário o término do parcelamento para que ocorra o seu reconhecimento; que a contribuinte argumenta que a fiscalização não deveria sobrepor aspectos puramente formais à realidade dos fatos, e infere que deveria ser aplicado o disposto no art. 108 do CTN, em especial a que elege a equidade como norte de interpretação, em relação à glosa das despesas pela inobservância do regime de competência. Sobre esse aspecto cabe salientar que a atividade do auditor fiscal é plenamente vinculada, que a utilização de formas alternativas de interpretação da legislação pode ser realizada apenas na ausência de disposição expressa (caput do art. 108 do CTN) e que a equidade não pode resultar na dispensa do pagamento de tributo devido (§ 2º do art. 108 do CTN). Entendo que não cabe a aplicação desse dispositivo no presente caso porque a legislação vigente e as decisões administrativas já existentes sobre a matéria (e mencionadas neste voto e no relatório de ação fiscal) são suficientes para o julgamento do litígio; que a contribuinte alega que o valores lançados são abusivos, não são legais, nem racionais e nem coerentes, ferindo os princípios constitucionais da vedação ao confisco, da proporcionalidade, da razoabilidade, da equidade, do direito à propriedade e da legalidade; que entendo que essa alegação não merece prosperar no âmbito da esfera administrativa, que não é o fórum adequado para a discussão de constitucionalidade de lei tributária. A aplicação das multas de ofício tem previsão legal expressa e os percentuais foram devidamente informados à contribuinte nos autos de infração, juntamente com a base legal correspondente; que a contribuinte alega que a fiscalização teria aplicado a multa duplicada de 150% sem a devida comprovação. Entendo, ao contrário, correta a aplicação do percentual duplicado da multa pela fiscalização com relação ao ganho de capital relativamente as diferenças apuradas no cálculo da depreciação acumulada dos veículos alienados em 2009; que não se pode admitir que se trate, neste caso, de mero e simples engano ou equívoco, pois a contribuinte foi reiteradamente intimada para apresentar planilhas de depreciação com valores coerentes. Ressaltase que na planilha anexa a sua impugnação, na quarta oportunidade que lhe foi dada para justificar os valores informados, continuou alterando totalmente as taxas de depreciação dos veículos vendidos em 2009, a tal ponto que a diferença da depreciação acumulada apurada em relação a planilha anteriormente enviada à fiscalização foi de R$ 1.159.826,90, sem justificativas para tão profundas alterações; que dessa forma, entendo presente a ocorrência de conduta dolosa e lesiva ao erário justificandose, neste caso, a aplicação da multa de ofício duplicada para o percentual de 150%, conforme enquadramento legal citado nos autos; que ressaltase que a multa de 150% foi aplicada apenas com relação a infração relacionada a contabilização incorreta do custo na alienação de bens do ativo permanente da contribuinte. Às demais infrações foi aplicada a multa de 75%; que entendo que também não procede a argumentação da contribuinte de aplicação do disposto no art. 112 do CTN para a interpretação mais favorável ao acusado quando houver dúvida nas situações nele estipuladas, relativamente à aplicação da multa, porque os fatos estão descritos de forma completa e não há nenhuma dúvida com relação as situações de fato ocorridas nem sobre os procedimentos realizados pela fiscalizada. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 24 A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 BAIXA DE VEÍCULOS DO ATIVO PERMANENTE. CONTABILIZAÇÃO. A baixa de veículos do ativo permanente deve ser realizada pelo seu valor residual, o que implica na apuração correta da depreciação acumulada em conformidade com a legislação vigente e amparada na escrituração contábil da empresa. PREJUÍZO FISCAL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL.ALTERAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo para a retificação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL é de cinco anos contados da data do encerramento do período de apuração correspondente. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL. GLOSA DE DESPESAS CONTABILIZADAS REFERENTES A PERÍODOS DE APURAÇÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA. REDUÇÃO DE OFÍCIO DO PREJUÍZO FISCAL. A apropriação de despesa relativa a anos calendários anteriores, efetivada em momento posterior a cinco anos de sua ocorrência, não pode afetar o resultado do exercício, pois transcorrido o prazo legal da decadência. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO. RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL PARA LIQUIDAÇÃO DE MULTAS E JUROS. São tributáveis as receitas correspondentes a liquidação de multas e juros com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, benefício fiscal concedido no âmbito do parcelamento especial definido pela Lei nº 11.941/09. MULTA DUPLICADA. A prática reiterada com o objetivo de ocultar o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária, corroborado através do fornecimento sucessivo de informações incorretas à fiscalização, justifica a aplicação da multa de ofício duplicada. PENALIDADE. ONEROSIDADE, ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de considerações acerca da onerosidade, ilegalidade e inconstitucionalidade da penalidades objetivamente definidas em lei não compete à autoridade administrativa. CSLL. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 23 25 Aos lançamentos decorrentes aplicase o decidido em relação à exigência principal, formalizada com base nos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 13/07/2012, conforme Termo constante à fl. 653, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (13/08/2012), o recurso voluntário de fls. 655/695, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que a 5ª turma da DRJ/POA, através da decisão recorrida, primeiramente, limitouse a transcrever, na sua quase totalidade, o contido às fls. 1/6 no “Relatório da Ação Fiscal”. Disse que, não obstante a fiscalização tenha concedido, à autuada, 3 (três) oportunidades para apresentar, de forma correta, as informações que lhe foram solicitadas, a Recorrente sempre forneceu dados desencontrados a respeito da taxa de depreciação acumulada existente em 31/12/2008, bem como da depreciação aplicada sobre veículos que por ela foram alienados no ano de 2009; que num segundo momento, após examinar as provas juntadas com a peça impugnatória, a Turma Julgadora, muito provavelmente surpreendida com a robustez desses documentos, afirma que, agora, a Recorrente apresentou uma 4º (quarta) versão de planilhas para justificar a forma de contabilização da depreciação acumulada dos veículos alienados em 2009, tendo sido alteradas as taxas anteriormente informadas à fiscalização; que nesse particular, alega que as novas planilhas apresentadas com a peça de impugnação não passam de meras alegações e não encontram embasamento nos registros contábeis da Recorrente. Todavia, acaba admitindo que ao informar, na impugnação, a nova depreciação acumulada dos veículos vendidos, alterando o valor de R$ 360.903,48 para R$ 1.520.730,37, a autuada acabou por reconhecer a depreciação acumulada apurada pela fiscalização, pelo menos até esse valor; que por fim, consignou que as dificuldades no fornecimento de informações à fiscalização, em virtude do falecimento do contador da empresa, não justificam o envio de informações equivocadas à fiscalização, ficando, de resto, bem caracterizado o intuito de sonegação da autuada; que antes de passar à análise da questão relativa ás taxas de depreciação, propriamente dita, cabe salientar que ao contrário do que consta no acórdão, não houve nenhum intuito, por parte da Recorrente, de obstruir os trabalhos da fiscalização ou de impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária, tanto é que, todos os documentos de que o Agente Fiscal necessitou para realizar seu trabalho, foram disponibilizados, tendo, a autuada, participado ativa e diligentemente para colaborar com os trabalhos da fiscalização; que relembrando o que já foi dito na impugnação, no ano de 2009, a Recorrente realizou a venda de uma parte da frota de seus veículos, tendo apurada, por isso, ganho de capital; Fl. 722DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 26 que estes veículos foram adquiridos entre os meses de junho de 1997 a fevereiro de 2005, sendo que parte deles teve, como custo de aquisição, o “valor residual” apurado ao término dos contratos de arrendamento mercantil, como, aliás, foi reconhecido no Relatório da Ação Fiscal; que posteriormente, depois de iniciados os trabalhos de fiscalização, a Recorrente foi intimada a prestar uma série de informações vinculadas às operações de vendas dos referidos veículos, tais como: data de aquisição e de alienação de cada veículo; seu custo de aquisição; valor de alienação; depreciação acumulada até a data da alienação, bem como a apresentação de documentação hábil. Dita intimação foi respondida, considerando os elementos que foram localizados nos controles da empresa, os quais não foram, no seu todo aceitos pela Fiscalização; que é possível concluir, pela narrativa feita pelo Fisco, nas páginas 5 e 6 do Relatório da Ação Fiscal que, muito provavelmente, não foram corretamente interpretadas as informações prestadas pela empresa em resposta às intimações, em razão do que foram apuradas as diferenças de valores, indicadas tanto no “Quadro A” (págs. 4 e 5 do Relatório da Ação Fiscal) quanto no último parágrafo da pág. 6. Por isso, afirma a Recorrente que é inverídica a afirmação feita pelo Fisco no sentido de que “para elaboração das planilhas de fls. 459 a 471 a fiscalizada escancaradamente efetuou uma conta “de chegada”. Essa afirmativa, com todas as vênias, beira as raias do absurdo; que como se vê, à luz de todos os elementos constantes deste processo, especial e os Anexos 1,2 e 3, cujos dados foram extraídos dos registros contábeis da empresa, é imperioso que se determine o refazimento dos cálculos, para fins de determinação dos efetivos montantes devidos a título de IRPJ e de CSLL; que no dia 31 de março de 2009, a recorrente efetuou, a débito de conta de resultado – Juros Passivos – um lançamento no valor de R$ 10.697.965,18, originado dos juros incidentes sobre débitos de contribuições previdenciárias, com vencimento entre dezembro de 1999 e novembro de 2007 (fl.187); que portanto, o Auditor – Fiscal embora reconhecendo que a empresa arcou com prejuízos contábeis e fiscais em todos os períodos de competência desses débitos, concluiu que ela decaiu do direito de deduzir as correspondentes despesas operacionais. Diante disso, glosou a dedução das despesas anteriores a 01/01/2004, procurando embasar essa glosa fiscal nos artigos 898, 898, e 900 do RIR, nos artigos 165 e 168 do CTN e em julgados do CARF; que em decorrência desse entendimento – equivocado, como logo em seguida se demonstrará – foram glosados R$ 1.744.802,17 de despesas com juros, cujo direito à dedução, segundo o fisco, teria decaído no 1º trimestre de 2009; que a decisão recorrida manteve a glosa desses valores, utilizando, como fundamento, a mesma linha de raciocínio que embasou a lavratura dos autos de infração, isto é, porque a Recorrente teria decaído do direito de deduzir as despesas incorridas anteriormente a 01/01/2004, por ter sido ultrapassado o prazo decadencial de 5 anos de repetição do indébito previsto nos arts. 898, 898, e 900 do RIR c/c o art. 168 do CTN; que no referido parcelamento, a Recorrente incluiu todas as dívidas vencidas até 30/11/2008 no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), Procuradoria – Geral da Fazenda Nacional (PGFN), e, inclusive, o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal (REFIS), no Parcelamento Especial Fl. 723DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 24 27 (PAES) e no Parcelamento Excepcional (PAEX), conforme documento nº 7, acostado à impugnação; que por tais razões é que também se mostra absolutamente falacioso o argumento da Turma Julgadora, na parte em que alega que a consolidação da dívida e todos os acréscimos moratórios, prevista no artigo 3º, inc. I, da Lei nº 11.941/09, referese tão somente à “forma de apuração”, ou mera “indicação” do montante da dívida, e não para reconhecer direitos “já fulminados pala decadência”, concluindo, ao final de que” a inércia da contribuinte contribuiu decisivamente na perda do direito de ter reconhecido as despesas fulminadas pelo instituto da decadência” (fls. 644/645); que como sobejamente demonstrado, todos os procedimentos contábeis e fiscais adotados pela Recorrente, representam a realidade de seu passivo tributário, não havendo como se admitir a glosa de despesas que, como visto, decorrem da aplicação das normas que regem o Parcelamento da Lei nº 11.941/09; que a decisão recorrida não foi além do que já constou no Relatório Anexo aos Autos de Infração. Em suma, o Fisco pretendem que sejam tratados como “receita” os valores dos juros e das multas liquidados com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculos negativas da CSLL, por entender que a compensação desses valores é um benefício fiscal concedido em favor do contribuinte, devendo, como tal, ser tributados no período de apuração de adesão ao parcelamento disciplinado pela Lei nº 11.941/09 (fls.645/648); que por tudo isso se mostra equivocado o raciocínio da Turma Julgadora, na parte em que defende que o “benefício” da utilização do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL está subordinada a uma condição resolutiva e que, por isso, o Parcelamento concedido à Recorrente produz, normalmente, “TODOS” os seus efeitos, desde a data do ato ou da celebração do negócio jurídico (fl. 648). Isso porque, se de um lado é correto admitir que o parcelamento concedido à Recorrente gera alguns efeitos (como, por exemplo, o dever de efetuar o pagamento mensal da parcela), de outro não menos verdade é que a quitação dos juros e das multas depende de uma condição suspensiva, qual seja, a quitação do parcelamento; que assim, olhando a questão também sobre esse ângulo, verificase que a pretensão do Fisco, de ver computada, como receita, neste momento, o montante dos encargos legais que foram quitados através da forma supraexposta, igualmente não se sustenta; que verificase que a Turma Julgadora manteve a aplicação de gravosa penalidade, quer porque, sob sua ótica, a Recorrente teria utilizado percentuais de depreciação diferentes dos habitualmente utilizados em sua frota, quer porque ela apresentou informações desencontradas, nas respostas dadas a duas intimações, como se esses fatos pudessem caracterizar a ocorrência de dolo, fraude ou conluio; que o dolo, a fraude ou o conluio, devem ser efetivamente comprovados pelo Fisco, para justificar a aplicação da multa de 150%, não bastando, para tanto, tomar por base simples equívocos cometidos pelo contribuinte; que o fato de o contribuinte ter incorrido em equívoco ao prestar informações ao Fisco, está longe de ser tipificado como sendo dolo, fraude ou conluio, ainda mais quando, no presente caso, o novo responsável pelo setor de contabilidade da empresa, encontrou dificuldades em localizar controles que haviam sido feitos pelo seu antecessor, que faleceu; Fl. 724DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 28 que mostrase, assim, demasiada a aplicação da multa de 150%, na medida em que representou flagrante afronta à Lei nº 9.784/99 e aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, como adiante se passa a demonstrar. É o relatório. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 25 29 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. O trabalho fiscal apurou a existência das seguintes infrações: (1) contabilização incorreta do custo na alienação de bens do Ativo Permanente; (2) glosa de despesas de períodos de apuração atingidos pela decadência; e (3) exclusão indevida do lucro líquido – receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de calculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas. Passo a resumir cada infração. Não há argüição de qualquer preliminar, razão pela qual a discussão se resume a matéria de mérito. Para facilitar a análise a ordem que será seguida será a mesma das infrações apuradas no Auto de Infração do IRPJ. 1 – DOS GANHOS E PERDAS DE CAPITAL APURADOS INCORRETAMENTE. CONTABILIZAÇÃO INCORRETA DO CUSTO NA ALIENAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE: Da análise dos autos observase, que na escrituração contábil da recorrente, relativa ao anocalendário de 2009, constavam lançamentos referentes à alienação de cinquenta e dois veículos do seu ativo imobilizado. A partir dessa escrituração, a fiscalização construiu a Planilha 1 (fl. 497) que demonstrava que, em todos os lançamentos contábeis efetuados, o valor baixado da depreciação acumulada dos veículos alienados correspondia à metade do valor do custo de aquisição baixado. É de se ressaltar, que é comum que as empresas utilizem sempre a máxima taxa de depreciação permitida pela legislação, pois isso possibilita a redução na base de cálculo tributável em cada período de apuração. As taxas de depreciação podem variar dependendo do tipo de veículo e da forma de utilização do mesmo. Em regra, para veículos em condições normais de utilização, a taxa de depreciação média anual máxima permitida é de 20% (5 anos de depreciação). Não há lógica a recorrente utilizar uma taxa menor do que a permitida pela legislação, pois estaria aumentando a sua base de cálculo tributável (ou seja, pagando mais imposto). Mais difícil ainda seria a contribuinte compor um tal conjunto de taxas de depreciação distintas de forma que veículos adquiridos em anos tão variados, e vendidos num mesmo ano, assumissem todos a mesma depreciação acumulada de 50%. Da análise dos autos observase, que nas planilhas anexadas na fase impugnatória, a recorrente simplesmente definiu, sem nenhum critério ou explicação plausível, taxas de depreciação anuais em muito inferiores às que normalmente utilizava nos demais veículos da frota, porém agora com o cuidado de manter ao menos uma compatibilidade com o ano de aquisição, já que seria praticamente impossível, como já mencionado, justificar uma Fl. 726DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 30 taxa de depreciação acumulada de 19% igual para todos os veículos vendidos em 2009 (e somente eles) e adquiridos entre 1997 e 2005. Não há nenhuma explicação sobre as alterações generalizadas nas taxas de depreciação anuais, nem tampouco por que essas alterações foram aplicadas apenas para os veículos alienados em 2009 ou o porquê das taxas serem diferenciadas para esses veículos, além da não comprovação do registros contábeis que subsidiaram os valores nelas constantes. Por fim, é de se ressaltar que as dificuldades no fornecimento de dados à fiscalização, em virtude do falecimento do contador da empresa, como alega a recorrente, não podem ser opostas ao fisco como justificativa para o não cumprimento de suas obrigações. 2 – DA ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI Nº 11.941/2009. EFEITOS: Resta claro nos autos, que a recorrente contabilizou em março de 2009 todas os seus débitos tributários (principal e acréscimos) devidos até maio de 2009 a fim de que tais despesas fossem consideradas no parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009. A recorrente entende, que não teria havido desrespeito ao regime de competência, pois a própria Lei nº 11.941, de 2009 e a Portaria Conjunta PGFN/SRFB nº 2/2011 autorizam a apropriação das despesas incorridas, até o mês de maio de 2009. Ou seja, que estaria equivocado o entendimento da autoridade fiscal lançadora, que considera indedutíveis juros, multas e encargos nos períodos que antecedem janeiro de 2004. Sem razão a recorrente, já que os dispositivos invocados não tratam de dedutibilidade de despesas, nem trazem qualquer inovação acerca do período de competência para dedutibilidade de tributos, juros, multas e encargos atingidos pela decadência. Tal legislação apenas trata da consolidação do montante de dívidas para fins do novo parcelamento e indicação dos montantes disponíveis de prejuízo fiscal e de bases de cálculo negativas da CSLL. Não há que confundir regras de parcelamento com regras de dedução de despesas para fins apuração do lucro. 3 – DA GLOSA DE DESPESAS DE PERÍODOS ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA: Da análise da questão, constatase que houve inobservância do regime de competência na apropriação de despesas com juros, multas e encargos de débitos. Por outro lado, verificase que a autuação considerou admissível a escrituração dessas despesas em período de apuração posterior, já que esta atitude não resultou em prejuízo para o fisco. Evidentemente, que a autoridade fiscal considerou somente para aqueles períodos não atingidos pela decadência. Em função do prazo decadencial foram glosadas as despesas anteriores a janeiro de 2004. Alega a recorrente, que a eventual inobservância do período de competência não teria gerado falta ou insuficiência de recolhimento de impostos, eis que teria apurado prejuízo entre 1989 e 2003. A inexistência de critério temporal limitador do direito à compensação de prejuízos fiscais tornaria sem razão a fixação de um prazo decadencial. É de se dizer, que, excepcionalmente, a dedução de despesas em período posterior ao qual competem pode ser aceita, desde que não traga prejuízo ao fisco. Mas essa Fl. 727DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 26 31 não é a discussão do processo, dado que o autuante aceitou a dedução, em 2009, de despesas que competiam ao período 2004 e posteriores. O litígio é sobre a possibilidade de serem deduzidas despesas que ocorreram há mais de cinco anos. Em outras palavras, o litígio é sobre a possibilidade de despesas que competem a períodos em que já se operou a decadência, influírem na apuração do resultado em períodos posteriores. Não restam dúvidas de que, como regra, os fatos contábeis devem ser contabilizados nos exercícios em que ocorrerem. A razão é simples: a possibilidade de se computar receitas ou despesas em períodos diversos do da sua competência inviabilizaria, para fins societários e fiscais, a apuração do efetivo resultado do período. Eventuais ajustes de exercícios anteriores se consistirem em exclusões de despesas dedutíveis deveriam ser efetuadas no período de apuração a que se referem tais despesas. Assim, impossível a alteração da base de cálculo dos tributos em períodos já decaídos, mesmo que seja para apurar maior prejuízo fiscal. O transcurso do prazo decadencial se, por um lado, impede o fisco de efetuar lançamento para alterar a base de cálculo apurada, por outro, também impede o contribuinte de promover modificações que implicariam reduzir essa mesma base de cálculo, mesmo para apurar prejuízos fiscais. Nas relações jurídicas, principalmente, nas de caráter obrigacional, os prazos para extinção de direito decorrem do princípio da segurança jurídica e, assim, o prazo estabelecido pela legislação, no caso, para o direito de constituir o crédito tributário, deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação dos dados que fez inserir em suas declarações apresentadas ao fisco. Em que pese a contribuinte tenha efetuado todos os ajustes em 2009, tais ajustes são de anos anteriores e assim tem que ser considerados. E, como bem assentado pelo autuante, a decadência faz extinguir um direito por ele não ter sido exercido no prazo de lei. 4 – DA EXCLUSÃO DAS RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DA CSLL: Observase, que a contribuinte liquidou juros e multas com utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, como faculta a Lei nº 11.941, de 2009. A autoridade fiscal lançadora alega, que houve uma diminuição do passivo da fiscalizada, resultando em aumento de seu patrimônio e, com isso, haveria de a sociedade reconhecer uma receita. Tal receita integraria as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, tendo em vista a inexistência de autorização legal para sua exclusão. Por seu turno a recorrente alega, que a compensação de prejuízos fiscais nunca foi considerada um benefício fiscal. A utilização de prejuízos e bases negativas nada mais seria do que a antecipação de um direito da contribuinte e não pode ser caracterizado como receita. Somente poderia haver a tributação caso houvesse um aumento de patrimônio da sociedade, o que não teria ocorrido. O direito à utilização dos prejuízos e bases negativas para quitação de multas e juros foi concedido sob condição, podendo ser extinto por eventual descumprimento das normas do parcelamento e, assim, se receita fosse, somente poderia ser computada no momento em que se tornar definitiva. Não há dúvidas de que de acordo com a Lei nº 11.941, de 2009, passou a haver duas possibilidades para aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL: (1) utilizar o benefício fiscal previsto nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995; (2) utilizar o benefício previsto nos §§ 7º e 8º da Lei nº 11.941/2009; Fl. 728DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 32 O primeiro desses benefícios trata de uma forma de compensação em que são confrontadas bases de cálculo negativas de períodos anteriores, com bases positivas do período em que o benefício é utilizado; O segundo benefício (da Lei nº 11.941/2009) permite a quitação de dívidas que afetaram o lucro líquido de períodos de apuração anteriores com a utilização de um direito incerto. Isto porque os prejuízos fiscais poderiam ser utilizados se e caso a contribuinte viesse a apurar lucros e se a legislação assim permitisse nesse momento. A opção pela utilização dos prejuízos e bases negativas para quitar juros e multas pressupõe que se abra mão de uma expectativa de direito (dependente da ocorrência de lucros) por um direito líquido e certo (quitação daquelas dívidas). Ora, ciente de que tal benefício constitui receita, a contribuinte reconheceu contabilmente parte do ganho em 30/11/2009, com contrapartida a crédito de conta de resultado. Depois excluiu tais receitas do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Enfim, a exclusão do lucro líquido efetuado pela recorrente não é autorizada pela legislação. E não há previsão legal para exclusão das receita decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL para quitação de multas e juros. 5 – DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICA APLICADA: Observase que os autos noticiam, que o dolo da contribuinte resta evidenciado pela conduta intencional caracterizada pela forma sistemática e reiterada com que tentou retardar parcialmente o conhecimento do fator gerador pela fiscalização, enviando planilhas, com valores e informações de depreciação acumulada de seus veículos alienados em 2009, completamente inverossímeis, quer porque utilizou percentuais de depreciação diferentes dos habitualmente utilizados na maioria de sua frota, quer porque os aplicou somente para os veículos vendidos em 2009, quer porque não justificou a aplicação de taxas diferenciadas para veículos em tese com a mesma função e utilidade ou porque não demonstrou estarem os percentuais devidamente escriturados em sua contabilidade. Como visto, resta claro nos autos de que a autoridade fiscal lançadora entendeu que envio de planilhas, com valores e informações de depreciação acumulada de seus veículos alienados em 2009, completamente inverossímeis, quer porque utilizou percentuais de depreciação diferentes dos habitualmente utilizados na maioria de sua frota, quer porque os aplicou somente para os veículos vendidos em 2009, quer porque não justificou a aplicação de taxas diferenciadas para veículos em tese com a mesma função e utilidade ou porque não demonstrou estarem os percentuais devidamente escriturados em sua contabilidade, teria a contribuinte agido com dolo, tentando impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de obrigação tributária. Não há dúvidas, que envio planilhas, com valores e informações de depreciação acumulada de seus veículos alienados em 2009, diferentes da apuração da autoridade fiscal, quer porque utilizou percentuais de depreciação diferentes dos habitualmente utilizados na maioria de sua frota, quer porque os aplicou somente para os veículos vendidos em 2009, quer porque não justificou a aplicação de taxas diferenciadas para veículos em tese com a mesma função e utilidade ou porque não demonstrou estarem os percentuais devidamente escriturados em sua contabilidade, levou a autoridade fiscal a aplicar a multa qualificada de 150%, ao fundamento de que, com essa atitude, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de obrigação tributária, ou de suas circunstâncias materiais, situação Fl. 729DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 27 33 fática que, a princípio, se subsume perfeitamente ao tipo previsto no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964. Assim, resta nítido pela análise dos autos de que a autoridade fiscal lançadora resolveu qualificar a multa de ofício diante do fato de entender que ficou caracterizada a conduta dolosa do contribuinte de se eximir do imposto devido, quer pelo fato de deixar de declarar as receitas de ganho de capital ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, quer pela prática de informações desencontradas. Desta conduta concluise, que a autoridade fiscal lançadora entendeu ser perfeitamente normal aplicar a multa de lançamento de ofício qualificada nas hipóteses de constatação de falta de declaração de receitas ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica. Ou seja, a fiscalização amparou o lançamento sob o argumento de que nesses casos é possível inferir que o contribuinte deixou deliberadamente de incluir receitas em sua declaração, formando a convicção de que a multa de ofício qualificada é aplicável já que está comprovado nos autos a intenção dolosa e fraudulenta na conduta adotada pela contribuinte, com o propósito específico de impedir o nascimento da obrigação tributária. Ora, com a devida vênia, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de declaração de receitas ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, independentemente do montante em questão, caracteriza, quando for o caso, falta simples de omissão de receitas, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, pelas razões abaixo expostas. Da análise, dos autos do processo, é cristalino a conclusão de que a multa qualificada foi aplicada em decorrência de que a autoridade fiscal lançadora entendeu que estaria caracterizado o evidente intuito de fraude, já que o contribuinte teria se utilizado de meios escusos para não declarar receitas ou declarar de forma inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica. Ou seja, entendeu a autoridade fiscal lançadora que a contribuinte deixou, de forma deliberada, de prestar informações ao fisco, em resposta as intimações realizadas, bem como em sua Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica, com intuito claro de reduzir o seu imposto de renda. Ora, o máximo que poderia ter acontecido, nesta situação, é o fato da autoridade fiscal lançadora desconsiderar os dados e provas apresentadas (matéria de prova) e constituir o lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de omissão de receitas de ganho de capital, o que a meu ver caracteriza irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento de ofício normal de 75%, já que a irregularidade apontada jamais seria motivo para qualificação da multa, já que ausente conduta material bastante para a sua caracterização. Verificase, que os elementos de prova que serviram para subsidiar o procedimento fiscal em curso, foram obtidos pela autoridade fiscal através das informações fornecidas pela própria contribuinte em resposta as intimações fiscais realizadas e na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica e, que por sua vez, não logrou, a princípio, naquele momento, êxito em fornecer contra provas demonstrando a efetividade da ocorrência alegada de que as operações realizadas não caracterizam fato gerador Fl. 730DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 34 de imposto de renda. Ou seja, o suplicante não conseguiu provar, naquele momento, que as operações realizadas não caracterizam fato gerador do imposto de renda, razão pela qual a autoridade fiscal, por dever de oficio, teve que desconsiderar as alegações apresentadas e não considerálas e tributálas através do lançamento realizado. Ora, a multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicada, muitas vezes, de forma generalizada pelas autoridades lançadoras, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do então Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sem dúvida, que se trata de questão delicada, pois para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Para tanto, se faz necessário sempre ter em mente o princípio de direito de que a “fraude não se presume”, devem existir, sempre, dentro do processo, provas materiais sobre o evidente intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultála. Com a devida vênia, dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de despesas, receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na DIPJ ou Declaração de Ajuste Anual, a falta de comprovação da efetividade de uma transação comercial e/ou de um ato, a inclusão e/ou falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Da mesma forma, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação emitida divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de declaração de receitas ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica, não evidencia, por si só, o evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. Quando a autoridade lançadora age deste modo, aplica, no meu modo de entender, incorretamente a multa de ofício qualificada, pois, tais infrações não possuem o essencial, qual seja o evidente intuito de fraudar. A prova, neste aspecto, deve ser material; evidente como diz a lei. Matéria de prova apresentada pela contribuinte, a falta de declaração de receitas ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, dedução indevida de despesas ou declaração inexata (falta de inclusão de algum bem ou direito na Declaração de Ajuste Anual), jamais serão motivos para qualificar a multa de ofício. Com efeito, a qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma infração fiscal de falta de declaração de receitas ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, detectável pela fiscalização através da confrontação e análise das declarações de imposto de renda, às infrações mais graves, em que Fl. 731DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 28 35 seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática identificada de falta de declaração de receitas ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro (“laranja”), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. O fato de alguém, pessoa jurídica, não registrar as vendas, no total das notas fiscais na escrituração ou pessoa física não registrar rendimentos recebidos, pode ser considerado, de plano, com evidente intuito de fraudar ou sonegar o imposto de renda? Obviamente que não. Ora, se nestas circunstâncias, ou seja, o ato de não registrar as vendas realizadas ou os rendimentos recebidos não se pode considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar, é evidente que no caso em discussão é semelhante, já que a princípio, a autoridade lançadora tem o dever legal de cobrar o imposto sobre as supostas operações de omissão de receitas ou dedução indevida de despesas, já que a contribuinte, em tese, estaria pagando imposto a menor, ou seja, supostamente realizou as operações que geraram receitas e não trouxe provas, que fossem suficientes para ilidir a acusação ou as provas apresentadas não convenceram a autoridade fiscal lançadora. Este fato não tem o condão de descaracterizar o fato ocorrido, qual seja, a de simples omissão de receitas. Se a premissa da autoridade fiscal lançadora fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; a falta de inclusão de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a inclusão indevida de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a simples glosa de despesas por falta de comprovação ou a falta de declaração de alguma receita ou rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, depósitos bancários não justificados, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa de despesas, etc. Já ficou decidido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos, conforme se constata nos julgados abaixo: Acórdão nº 9202002.421 – 2ª Turma, de 07 de novembro de 2012: APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA REITERADA. E MONTANTE OMITIDO. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 36 A omissão de rendimentos, independentemente do montante omitido, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. Precedentes da 2ª Turma da CSRF. Acórdão nº 920202.078 – 2ª Turma, 22 de março de 2012: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA REITERADA. E MONTANTE OMITIDO. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente de ter reiterado a conduta em dois anos consecutivos no caso 2000 e 2001 e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. Precedentes da 2ª Turma da CSRF. Acórdão nº 920201.874 – 2ª Turma, de 29 de novembro de 2011: IRPF PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. Apenas a presumida omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que por três exercícios, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN . Acórdão nº 10247.066, de 12 de setembro de 2005: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Para a aplicação da multa qualificada de 150%, é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo especifico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. Acórdão 10423.042, de 05 de março de 2008: Fl. 733DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 29 37 MULTA DE OFICIO QUALIFICADA A multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, é aplicável nos casos em que fique caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme definido pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. A simples realização de contrato entre a empresa, da qual o contribuinte era sócio, e terceiro para a prestação de serviços de natureza pessoal, pelo sócio, ainda que com o propósito de se beneficiar de tributação mais favorecida, não caracteriza o evidente intuito de fraude. Acórdão nº 10423.725, de 05 de fevereiro de 2009: MULTA QUALIFICADA Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n°9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude. Acórdão nº 10616.920, de 29 de maio de 2008: MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO – MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude. Acórdão nº 10617.192, de 16 de dezembro de 2008: IRPF MULTA DE OFICIO QUALIFICADA Para a imposição da multa qualificada, no percentual de 150%, necessária a comprovação do evidente intuito de fraude por parte do contribuinte (Súmula 1° CC n° 14). Compete ao fisco apresentar os fundamentos concretos que revelem a presença da conduta dolosa. Sem essa fundamentação é de se aplicar a multa de oficio ordinária de 75%. Acórdão nº 10194.189, de 13 de maio de 2003: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. A apresentação da declaração inexata, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 38 Acórdão n.º 10418.640, de 19 de março de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º. 4.502, de 1964. A falta de inclusão, como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores que transitaram a crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte, caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994. Acórdão n.º. 10419.055, de 05 de novembro de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º. 4.502, de 1964. A falta de esclarecimentos, bem como o vulto dos valores omitido pelo contribuinte, apurados através de fluxo financeiro, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994. Acórdão n.º. 10245584, de 09 de julho de 2002: MULTA AGRAVADA – INFRAÇÃO QUALIFICADA – APLICABILIDADE – A constatação nos autos de que o sujeito passivo da obrigação tributária utilizouse de documentação inidônea a fim de promover pagamentos a beneficiários não identificados, e considerando que estes pagamentos não transitaram pelas contas de resultado econômico da empresa, vez que, seus valores foram levados e registrados em contrapartida com contas do Ativo Permanente, não caracteriza o tipo penal previsto nos arts. 71 a 73 da lei n° 4.503/64, sendo inaplicável à espécie a multa qualificada de que trata o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996 Acórdão n.º. 10612.858, de 23 de agosto de 2002: MULTA DE OFÍCIO – DECLARAÇÃO INEXATA – A ausência de comprovação da veracidade dos dados consignados nas declarações de rendimentos entregues, espontaneamente ou depois de iniciado o procedimento de ofício, implica em considerálas inexatas e, nos termos da legislação tributária Fl. 735DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 30 39 vigente, autoriza a aplicação da multa de setenta e cinco por cento nos casos de falta de declaração ou declaração inexata, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo. É um princípio geral de direito, universalmente conhecido, de que as multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais, devem estar lisamente comprovadas. Trata se de aplicar uma sanção e, neste caso, o direito faz com cautela, para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Como também é pacífico, que a circunstância do contribuinte quando omitir em documento, público ou particular, declaração que nele deveria constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de prejudicar a verdade sobre o fato juridicamente relevante, constitui hipótese de falsidade ideológica. Para um melhor deslinde da questão, impõese invocar o conceito de fraude fiscal, que se encontra na lei. Em primeiro lugar, recordese o que determina o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 1999, nestes termos: Art. 957 – Serão aplicadas as seguintes multas sobre a totalidade ou diferença do imposto devido, nos casos de lançamento de ofício (Lei n.º 8.218/91, art. 4º) (...) II – de trezentos por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” A Lei n.º 4.502, de 1964, estabelece o seguinte: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstância materiais. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece o seguinte: Fl. 736DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 40 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 31 41 § 5º Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d). Como se vê, a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde se utilizando subterfúgios se esconde à ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas e por decorrência da natureza característica desses tipos, o legislador tributário entendeu presente o “intuito de fraude”. Como se vê, exigese, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos / receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos / receitas de fato. Inaplicável também quando se tratar de dedução indevida de despesas ou falta de inclusão, na Declaração de Ajuste anual – Declaração de Bens e Direitos, de algum bem e/ou direito. No caso de realização da hipótese de fraude, o legislador tributário entendeu presente, ipso facto, o “intuito de fraude”. E nem poderia ser diferente, já que por mais abrangente que seja a descrição da hipótese de incidência das figuras tipicamente penais, o elemento de culpabilidade, dolo, sendolhes inerente, desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc., conforme se observa na jurisprudência abaixo: Acórdão n.º.10419.386, de 11 de junho de 2003: Fl. 738DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 42 MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE TERCEIROS E/OU EM NOME FICTÍCIOS – COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE EMPRESA DESATIVADA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n.º 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n.º 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. A movimentação de contas bancárias em nome de terceiros e/ou em nome fictício, devidamente, comprovado pela autoridade lançadora, circunstância agravada pelo fato de não terem sido declarados na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos tributáveis, os valores que transitaram a crédito nestas contas corrente cuja origem não comprove, somado ao fato de não terem sido declaradas na Declaração de Bens e Direitos, bem como compensação na Declaração de Ajuste Anual de imposto de renda na fonte como retido fosse por empresa desativada e com inscrição bloqueada no fisco estadual, caracterizam evidente intuito de fraude nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994 e autoriza a aplicação da multa qualificada. Acórdão n.º. 10419.534, de 10 de setembro de 2003: DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – LANÇAMENTO POR DECORRÊNCIA – SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS No lançamento por decorrência, cabe aos sócios da autuada demonstrar que os custos e/ou despesas foram efetivamente suportadas pela sociedade civil, mediante prova de recebimento dos bens a que as referidas notas fiscais aludem. À utilização de documentos ideologicamente falsos ” notas fiscais frias “, para comprovar custos e/ou despesas, constitui evidente intuito de fraude e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme previsto no art. 728, inc. III, do RIR/80, aprovado pelo Decreto n.º 85.450, de 1980. Acórdão n.º. 10193.919, de 22 de agosto de 2002: MULTA AGRAVADA – CUSTOS FICTÍCIOS – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – Restando comprovado que a pessoa jurídica utilizouse de meios inidôneos para majorar seus custos, do que resultou indevida redução do lucro sujeito à tributação, aplicável é a penalidade exasperada por caracterizado o evidente intuito de fraude. Acórdão n.º 10418.698, de 17 de abril de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Justificase a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n° 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, pois o contribuinte, foi devidamente intimado a declinar Fl. 739DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 32 43 se possuía conta bancária no exterior, em diversas ocasiões, faltou com a verdade, demonstrando intuito doloso no sentido de impedir, ou no mínimo retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador decorrente da percepção dos valores recebidos e que transitaram nesta conta bancária não declarada. Acórdão CSRF/0104.917, 13 de abril de 2004: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO No caso de lançamento de ofício será aplicada multa calculada sobre o crédito tributário apurado, no percentual de 150%, quando caracterizado o evidente intuito de fraude por parte do autuado, em face dos levantamentos realizados pela autoridade autuante e fatos revelados nos autos do processo. Acórdão n.º. 10312.178, de 17 de março de 1993: CONTA BANCÁRIA FICTÍCIA – Apurado que os valores ingressados na empresa sem a devida contabilização foram depositados em conta bancária fictícia aberta em nome de pessoa física não encontrada e com movimentação pelas representantes da pessoa jurídica, está caracterizada a omissão de receita, incidindo sobre o imposto apurado a multa majorada de 150% de que trata o art. 728, III, do RIR/80. Acórdão n.º. 10192.613, de 16 de fevereiro de 2000: DOCUMENTOS EMITIDOS POR EMPRESAS INEXISTENTES OU BAIXADAS – Os valores apropriados como custos ou despesas, calcados em documentos fiscais emitidos por empresas inexistentes, baixadas, sem prova efetiva de seu pagamento, do ingresso das mercadorias no estabelecimento da adquirente ou seu emprego em obras, estão sujeitos à glosa, sendo legítima a aplicação da penalidade agravada quando restar provado o evidente intuito de fraude. Acórdão n.º. 10414.960, de 17 de junho de 1998: DOCUMENTOS FISCAIS A TÍTULO GRACIOSO – Cabe à autuada demonstrar que os custos/despesas foram efetivamente suportados, mediante prova de recebimento dos bens e/ou serviços a que as referidas notas fiscais aludem. A utilização de documentos fornecidos a título gracioso, ideologicamente falsos, eis que os serviços não foram prestados, para comprovar custos/despesas, constitui fraude e justifica a aplicação de multa qualificada de 150%, prevista no artigo 728, III, do RIR/80. Acórdão n.º. 10307.115, de 1985: NOTAS CALÇADAS – FALSIDADE MATERIAL OU IDEOLÓGICA – A nota fiscal calçada é um dos mais gritantes casos de falsidade documental, denunciando, por si só, o objetivo de eliminar ou reduzir o montante do imposto devido. Aplicável a multa prevista neste dispositivo. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 44 Acórdão n.º. 10417.256, de 12 de julho de 2000: MULTA AGRAVADA – CONTA FRIA – O uso da chamada ”conta fria”, com o propósito de ocultar operações tributáveis, caracteriza o conceito de evidente intuito de fraude e justifica a penalidade exacerbada. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Assim, entendo que, no caso dos autos, não se percebe, por parte da contribuinte, a prática de ato doloso para a configuração do ilícito fiscal. A informação de que a suplicante prestou informações contraditórias; deixou de declarar receitas de ganho de capital ou declarou de forma inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, caracteriza motivo de lançamento de multa simples sem qualificação, devendo a multa de ofício aplicada ser reduzida ao percentual de 75%. 6 – DA MULTA DE OFÍCIO MANTIDA Resta claro nos autos, que a recorrente solicita a redução da multa de ofício aplicada, invocando os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Ora, inicialmente, há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, Fl. 741DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 33 45 consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Fl. 742DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 46 Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Enfim, ao julgador administrativo cabe a obediência à norma expressa. No caso, a multa foi aplicada em consonância com o previsto no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996: “Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007): I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Assim sendo, foi correta a aplicação de multa no percentual de 75%. 7 – DA TRIBUTAÇÃO DECORRENTE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO: Como se infere do relato, a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorre do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora mantida de forma parcial. Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, a autuada não Fl. 743DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.720139/201287 Acórdão n.º 1402001.479 S1C4T2 Fl. 34 47 conseguiu elidir a totalidade das irregularidades apuradas, devese manter, em parte, o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício qualificada, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 744DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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