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Numero do processo: 13227.901492/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 30/06/2005
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO.
No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-006.949
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 30/06/2005 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO. No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
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PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO. No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 14 92 /2 01 2- 91 Fl. 66DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-006.949 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901492/2012-91 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior, transmitido por meio de PER/Dcomp. A DRF de origem indeferiu o pedido, por meio do despacho decisório eletrônico, no qual aponta-se que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito do contribuinte. Devidamente cientificado, o recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade para alegar que teria refeito a apuração do PIS e a Cofins, tendo percebido que teria deixado de apropriar créditos autorizados em lei: Alega que a empresa, adquiriu insumos para revenda com incidência de PIS e Cofins, e promoveu a saída do produtos sujeitos à alíquota zero para incidência de PIS e Cofins, mas, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das mesmas contribuições que lhe são autorizados conforme determinação do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente para PIS e Cofins, de forma que o registro destes créditos em DACON retifícadora resultou em pagamento indevido ou a maior de PIS e Cofins. Teria retificado o Dacon, mas não a DCTF, com o intuito de evidenciar o valor do pagamento efetuado, quando houvesse o cruzamento dos valores das duas declarações. Concluiu, para requerer a reforma do despacho decisório, com reconhecimento integral do direito creditório. A unidade de origem suscitou a intempestividade da manifestação de inconformidade. Contudo, como o dia 24/12/2012 não seria dia de expediente normal, para a contagem do prazo, a data da ciência deveria constar como 26/12/2012. Deste modo, a manifestação foi considerada tempestiva. Por seu turno, a DRJ negou provimento à Manifestação de Inconformidade pelo fato de não haver identificado qualquer documentação contábil que provasse o alegado. Irresignada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando o direito ao crédito, contudo deixou de juntar qualquer documento que pudesse comprovar o alegado. Fl. 67DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-006.949 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901492/2012-91 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.936, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 13227.901478/2012-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.936): Trata-se de pedido de compensação de créditos tributários desacompanhado de documentos contábeis que sirvam de prova para as alegações. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento contábil ou nota fiscal que pudesse provar ou ao menos trouxesse indícios da veracidade dos argumentos nela trazidos. O Recurso Voluntário também veio desacompanhado de qualquer documento. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. O Recurso Voluntário limitou-se a afirmar que o recolhimento a maior teria decorrido de um "equívoco contábil", elaborando uma planilha das diferenças sem, todavia, provar as alegações. Assim, pelo fato da Recorrente não haver se desincumbido do ônus de produzir em momento oportuno as provas do direito creditório alegado, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Isto porque no processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido, sendo que o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 68DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-006.949 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901492/2012-91 Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.005466/2006-88
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÃO DE LIVRO CAIXA.
O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as seguintes despesas escrituradas em livro-caixa: remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, emolumentos pagos a terceiros e despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.
Numero da decisão: 2002-001.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÃO DE LIVRO CAIXA. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as seguintes despesas escrituradas em livro-caixa: remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, emolumentos pagos a terceiros e despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as seguintes despesas escrituradas em livrocaixa: remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, emolumentos pagos a terceiros e despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 54 66 /2 00 6- 88 Fl. 848DF CARF MF Processo nº 16707.005466/200688 Acórdão n.º 2002001.211 S2C0T2 Fl. 849 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 168/174) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2003, onde se apurou: diferença entre os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, dedução indevida a títu1o de contribuição à previdência oficia1, dedução indevida a títu1o de contribuição à previdência privada e Fapi, dedução indevida a título de despesa com instrução, dedução indevida a títu1o de Livro Caixa e alteração no Imposto Retido na Fonte. A Impugnação apresentada (efls. 02/10), cujas alegações encontramse resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 826/839), foi julgada procedente em parte pela 1ª Turma da DRJ/REC conforme ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL SOBRE DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. A contribuição à previdência oficial sobre O décimo terceiro salário não pode ser deduzida no ajuste anual, uma vez integra a apuração do imposto tributado exclusivamente na fonte. DEDUÇÕES DE LIVRO CAIXA. O contribuinte, pessoa física, que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, somente pode deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as despesas de custeio indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora que estejam devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea e escrituradas em Livro Caixa ERRO DE FATO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE E RENDIMENTOS. Comprovado, através de Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e também por meio do comprovante de rendimentos, erro de fato na informação dos rendimentos e IRRF, devem ser corrigidos os respectivos valores, de acordo com a documentação comprobatória. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Fl. 849DF CARF MF Processo nº 16707.005466/200688 Acórdão n.º 2002001.211 S2C0T2 Fl. 850 3 Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. DIFERENÇA DE RENDIMENTOS. GLOSA DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. GLOSA DE DESPESA COM INSTRUÇÃO. Consolidase, na esfera administrativa, o crédito tributário correspondente à matéria que não houver sido expressamente contestada pelo impugnante. Cientificado do acórdão de primeira instância em 31/03/2010 (efls. 844), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 14/04/2010 (efls. 845/846) contestando a glosa das despesas de Livro Caixa com os argumentos a seguir reproduzidos: As despesas com o telefone celular são perfeitamente justificáveis, por se destinar ao uso profissional, tanto do recorrente como de sua esposa, administradora do escritório. O endereçamento da conta celular é e sempre foi o do escritório profissional, Av. Lima e Silva. Com todo respeito, não é de se admitir que somente a quinta parte desta despesa seja objeto de dedução. Até mesmo pelo fato de que o imóvel utilizado para a atividade profissional, Av. Lima e Silva, é unicamente profissional, sendo residência o da Av. Rui Barbosa, Apt. 800. Daí o equívoco do relator, ao considerar que o imóvel utilizado para a atividade profissional é também residência. O que não é, daí justificar o pleito de reforma do que decidido neste item. As despesas com locomoção, transportes e hospedagens apresentadas no Livro Caixa, foram devidamente justificáveis, pois tiveram e se destinaram com a atividade profissional. Não houve nenhum exagero, como apresentação de despesas com combustíveis, que poderia ser apresentada e passível de dedução, e não se apresentou. Foram apresentadas tão somente despesas com taxi e passagens aéreas e contemporâneas aos locais de destino. A exceção de justificação somente a representante comercial, devida vênia, por mais esclarecedor que seja o “Perguntas e Respostas”, a resposta neste ponto é injustificável, e vai de encontro a norma pétrea constitucional da igualdade, pois a atividade considerada é importante mas não mais do que a exercida pelo recorrente. Porque o privilegio dado ao representante comercial? Deva de igual forma, ser reformada decisão turmária a fim de considerar justificada a despesa glosada. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Fl. 850DF CARF MF Processo nº 16707.005466/200688 Acórdão n.º 2002001.211 S2C0T2 Fl. 851 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O recorrente contesta apenas a Dedução Indevida a Título de Livro Caixa, especificamente quanto às despesas com telefone celular e com locomoção, transporte e hospedagem. Sobre o assunto, impõese observar o disposto nos arts. 75 e 76 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, vigente à época: Art.75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único.O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §1º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48. Art.76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §1ºO excesso de deduções, porventura existente no final do ano calendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §2ºO contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §2º). §3ºO Livro Caixa de que trata o parágrafo anterior independe de registro. Fl. 851DF CARF MF Processo nº 16707.005466/200688 Acórdão n.º 2002001.211 S2C0T2 Fl. 852 5 Pela leitura dos dispositivos acima transcritos, identificamse três grupos de despesas dedutíveis pelo contribuinte que percebe rendimentos do trabalho nãoassalariado: a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, os emolumentos pagos a terceiros e as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Como ocorre com qualquer dedução da base de cálculo do imposto pretendida, cabe ao contribuinte não só comprovar a sua veracidade, mediante documentação hábil e idônea, mas também demonstrar que o dispêndio se enquadra no conceito de despesa dedutível estabelecido na legislação tributária. Sendo a dedução da base de cálculo do imposto um benefício concedido pela legislação, o ônus da comprovação do direito recai sobre o interessado. No caso em exame o recorrente contesta inicialmente a glosa das despesas com telefone celular próprio e de sua esposa mantida no acórdão de primeira instância. Cabe reproduzir trecho com as razões de decidir do Colegiado a quo, as quais acompanho (efls. 832/833): 14. Relativamente às contas de telefone móvel TIM em nome do contribuinte e de sua esposa, Sra. Suzanne Furtado da C. de Oliveira, CPF 367.230.10434, pagas em 2002, total glosado de R$ 4.037,59, verificase que, além das contas (fls. 77, 82, 86, 87, 92, 93, 97, 98, 102, 104, 105, 114, 115, 124, 141, 142, 146, 147, 149, 151, 169) terem o endereço de residência do contribuinte, Av. Rui Barbosa, 830, Apt. 800, Cond. “Betwe”, Tirol, NatalRN, o contribuinte tem escritório, no endereço Av. Lima e Silva, 15200A, Lagoa Nova, NatalRN, conforme o próprio identifica logo na primeira página de sua impugnação. 15. Sobre a possibilidade de utilização dessas despesas como sendo de custeio em livro caixa, o “Perguntas e Respostas”, disponibilizado no endereço eletrônico “http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/IRPF/2009/Per guntas/DeducoesLivroCaixa.htm” (acesso em 18/12/2009), assim esclarece: IMÓVEL UTILIZADO PARA PROFISSÃO E RESIDÊNCIA 396 Podem ser deduzidas despesas com aluguel, energia, água, gás, taxas, impostos, telefone, .telefone celular, condomínio, quando o imóvel utilizado para a atividade profissional é também residência? Admitese como dedução a quinta parte destas despesas, quando não se possa comprovar quais as oriundas da atividade profissional exercida. Não são dedutíveis os dispêndios com reparos, conservação e recuperação do imóvel quando este for de propriedade do contribuinte. Atenção: Em relação ao telefone, esse critério aplicase também quando a assinatura for comercial. (Parecer Normativo CST ni' 60, de 20 de junho de 1978) (grifos não originais) Fl. 852DF CARF MF Processo nº 16707.005466/200688 Acórdão n.º 2002001.211 S2C0T2 Fl. 853 6 16. Do esclarecimento acima, depreendese como requisito básico para a dedução da quinta parte das despesas com telefones celulares (móveis) quando o imóvel utilizado para a atividade profissional é também residência. 17. Ora, como já demonstrado, o contribuinte possui escritório, em endereço diverso de sua residência, não se confundindo com esta, não havendo, portanto, como se atribuir as contas de telefones celulares particulares à sua atividade profissional. Observese, nesse sentido, que a quinta parte dessas despesas só seria dedutível, não apenas quando não se possa comprovar quais as despesas oriundas da atividade profissional exercida, mas também quando o imóvel utilizado para a atividade profissional é também o da residência, ou seja, quando suas atividades profissionais são exercidas em sua residência, não possuindo, o contribuinte, no caso, escritório profissional distinto daquela, o que não é caso do contribuinte que possui escritório profissional que não se confunde com sua residência. Portanto, as despesas com telefones celulares TIM em nome do contribuinte ou de sua esposa não serão acatadas, por falta de comprovação da relação das despesa com a atividade profissional e porque o contribuinte possui escritório próprio para tais atividades, que não se confunde, tal escritório, com sua residência, observandose que não foram objeto de glosa as despesas de telefone do escritório do contribuinte, como foi o caso, por exemplo, daquelas contas telefônicas constantes das fls. 366 a 368, 377, 383 a 384, 395 a 398, 409, 415, 416, 430, 432, 433, 448 a 452, 465, 474, 491 a 493, 496, 502, 517 a 519, 533, 539, 557 a 559, 571, 558 a 590, 595, que têm endereço na Av. Lima e Silva, 1520, CS A, ou LJ A, Lagoa Nova, NatalRN. Constatase do acima transcrito que, ao contrário do que entende o recorrente, a decisão de piso não considerou que o imóvel utilizado para a sua atividade profissional era também sua residência e não acatou a dedução da quinta parte das despesas com celular próprio e de sua esposa. De maneira oposta, o relator afirma no item 15 do voto condutor que a residência do contribuinte localizase na Av. Rui Barbosa e o escritório na Av. Lima e Silva, exatamente como consta do Recurso Voluntário. No item 17 ele reitera que o contribuinte possui escritório em endereço diverso de sua residência e conclui que não há como atribuir as contas de telefone celular particular à sua atividade profissional. No mesmo item o auditor expõe que as despesas com telefone celular TIM glosadas no lançamento não podem ser acatadas por falta de comprovação da relação com as atividades profissionais do sujeito passivo, uma vez que este possui escritório próprio que não se confunde com sua residência. Assim, tendo em vista que as contas de celular glosadas no lançamento foram encaminhadas ao endereço residencial do recorrente e que não restou demonstrado nos autos o vinculo com a atividade profissional por ele exercida, não há reparos a serem feitos nesse ponto. No que concerne às despesas com locomoção, transporte e hospedagem, em que pesem os argumentos apresentados pelo interessado, também não merece reforma o acórdão recorrido. De acordo com o art. 75, parágrafo único, II, do RIR/99, apenas podem ser deduzidas as despesas com locomoção e transporte de representante comercial autônomo, não sendo este o caso que aqui se aprecia. Como exposto na decisão de piso, as publicações do Fl. 853DF CARF MF Processo nº 16707.005466/200688 Acórdão n.º 2002001.211 S2C0T2 Fl. 854 7 Perguntas e Respostas do Imposto de Renda da Pessoa Física indicam a possibilidade de se deduzir as despesas com hospedagem e transporte para comparecimento a encontros científicos, desde que não reembolsadas ou ressarcidas e que sejam necessárias ao desempenho da atividade profissional do contribuinte, o que também não ficou demonstrado no presente processo. Importa mencionar por fim que, de acordo com o art. 142 do Código Tributário Nacional, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicabilidade ou não das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. As normas devem ser seguidas nos estritos limites do seu conteúdo, independentemente das razões de cunho pessoal apresentadas pelo interessado. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 854DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.005854/2004-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995, 1996, 1998, 2001
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL.
No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável será contado a partir da data da ocorrência do fato gerador, § 4º do art. 150 do CTN, somente na hipótese de haver antecipação do pagamento do tributo e na ausência de dolo, fraude ou simulação. De outro modo, o prazo decadencial será contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I do CTN).
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1995, 1996, 1998, 2001
PIS. FATURAMENTO. CUMULATIVIDADE.
A declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo resulta em afastamento da tributação da contribuição ao PIS, somente em relação aos valores que não se constituem em faturamento. No presente caso, afasta-se a tributação somente das receitas financeiras, mantendo-se a tributação sobre o faturamento.
Numero da decisão: 9303-008.664
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para aplicar o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I do CTN e restabelecer a tributação sobre as receitas decorrentes do faturamento, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello Relatora
(documento assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável será contado a partir da data da ocorrência do fato gerador, § 4º do art. 150 do CTN, somente na hipótese de haver antecipação do pagamento do tributo e na ausência de dolo, fraude ou simulação. De outro modo, o prazo decadencial será contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I do CTN). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1995, 1996, 1998, 2001 PIS. FATURAMENTO. CUMULATIVIDADE. A declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo resulta em afastamento da tributação da contribuição ao PIS, somente em relação aos valores que não se constituem em faturamento. No presente caso, afastase a tributação somente das receitas financeiras, mantendose a tributação sobre o faturamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 58 54 /2 00 4- 46 Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 3 2 aplicar o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I do CTN e restabelecer a tributação sobre as receitas decorrentes do faturamento, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello – Relatora (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 20403.607, proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 07/11/2008, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: Não resignada com a decisão, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial, suscitando divergência jurisprudencial com relação à (a) declaração da decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 17/12/1999, com base no art. 150, §4º do CTN; e (b) exclusão das receitas não provenientes da venda de mercadorias e serviços, alicerçando a sua convicção na decisão proferida pelo STF em declaração incidental de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos (a) CSRF/910100.460 e (b) 340100.387. No despacho de exame de admissibilidade, de 27/01/2011, foi dado seguimento ao recurso especial da Contribuinte, por ter entendido o Presidente da 4ª Câmara como comprovada a divergência jurisprudencial. Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 5 4 De outro lado, a Contribuinte apresentou contrarrazões requerendo a negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora. Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, gravita a controvérsia em torno dos seguintes temas: (a) determinação do termo inicial para contagem do prazo decadencial, na hipótese de não ter havido o pagamento; e (b) o alargamento da base de cálculo do PIS empreendida pelo art. 3º, §1º da Lei n.º 9.718/98, declarada inconstitucional pelo STF, em sede de repercussão geral. a) Decadência No que tange à divergência jurisprudencial quanto à decadência, a discussão fica restrita à determinação da regra aplicável como termo inicial para a contagem do prazo de decadência, se do art. 150, §4º ou do art. 173, I, ambos do CTN. A presente autuação abarcou os fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de 01/01/1995 a 31/12/2001, inclusive, recaindo a discussão no presente recurso acerca da decadência do direito de o Fisco proceder ao lançamento de PIS sobre o período relativo aos fatos geradores ocorridos até 17/12/1999. A divergência a ser apreciada referese ao termo inicial de contagem da decadência do direito de lançamento, se a data do fato gerador artigo 150, §4º do CTN ou primeiro dia do exercício seguinte ao em que poderia ser lançado, no caso de não existir pagamento antecipado artigo 173, I do CTN. Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 6 5 Pertinente esclarecer que, em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar os recursos extraordinários nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante STF nº 08, indubitável estarse diante de hipótese de aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) anos do Código Tributário Nacional: Súmula Vinculante STF nº 08 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Portanto, após a edição da Súmula Vinculante nº 08, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias cingese à aplicação dos artigos 150, §4º ou 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 62A, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e reproduzido em sua íntegra no art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, no que tange à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições deve ser observado o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça firmado no julgamento do recurso especial nº 973.733, pela sistemática dos recursos repetitivos, restando superada a tese da irrelevância de ter ocorrido ou não pagamento, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005) [...] Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 7 6 Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como no caso do PIS, na inteligência do acórdão do STJ cuja ementa transcreveuse acima: (i) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I do CTN) em caso de dolo, fraude ou simulação; quando não houver pagamento antecipado ou inexistir declaração prévia do débito; ou (ii) a partir do fato gerador (art. 150, §4º do CTN) nas hipóteses de pagamento parcial ou integral do débito ou existência de declaração prévia do mesmo. Feitas estas considerações, adentrase ao exame do artigo de lei aplicável ao caso destes autos. O litígio decorre de auto de infração lavrado para exigência da contribuição para o PIS nos períodos de apuração de 01/01/1995 a 31/12/2001, inclusive, remanescendo no presente recurso a discussão com relação a decadência dos fatos geradores ocorridos até 17/12/1999. A Contribuinte teve ciência do auto de infração em 17/12/2004. Conforme restou comprovado nos autos do presente processo administrativo, houve a transmissão de pedidos de compensação de PIS e de COFINS nãocumulativos (efls. 213 e ss), forma de extinção do crédito tributário que se equipara a pagamento. Em consonância com o entendimento do STJ consignado no recurso especial nº. 973.733, em sede de recurso repetitivo, de observância obrigatória por este Colegiado, as circunstâncias acima descritas levam à conclusão de que havendo o recolhimento antecipado do tributo (compensação), a contagem do prazo decadencial deve se dar na forma do art. 150, §4º do CTN, observandose o prazo de 05 (cinco) anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Portanto, tendo ocorrido a ciência do auto de infração em 17/12/2004, encontramse extintos pela decadência os créditos tributários de PIS dos períodos de apuração ocorridos até 17/12/1999, não merecendo reforma o acórdão recorrido. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional neste ponto. b) Da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR. Os fundamentos da decisão foram sintetizados na seguinte ementa, in verbis: Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 8 7 EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 2711 2008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL 0020802 PP00871 ) (grifouse) Pertinente, ainda, colacionar a ementa de julgado do leading case RE nº 357.950/RS, refletindo a posição predominante na Corte Suprema confirmada em sede de repercussão geral: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) Nessa linha relacional, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham sido afetadas à sistemática da repercussão geral são de observância obrigatória por este órgão administrativo de julgamento, conforme redação do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, atualmente em vigor e que obriga os Conselheiros à sua aplicação: Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 9 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Frente à declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS estabelecida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas outras receitas. No caso dos autos, portanto, não deve incidir a contribuição para o PIS/Pasep do regime cumulativo sobre as receitas financeiras, por não se enquadrarem no conceito de faturamento do Sujeito Passivo, uma vez que não são decorrentes da prestação de serviços e/ou da venda de mercadorias. Diante do exposto, dáse provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para afastar da base de cálculo somente as receitas financeiras, mantendose a tributação sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e prestação de serviços. É o voto. (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto à contagem do prazo decadencial de que dispunha a Fazenda Nacional para constituir o crédito tributário em discussão. Na parte do recurso especial que tratou da incidência da contribuição sobre o faturamento, acompanhamos o voto da relatora. A decadência do direito de se constituir créditos tributários está regulada no Código Tributário Nacional (CTN), que assim dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...]. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Já no julgamento do REsp nº 973.733/SC, o Superior Tribunal Justiça (STJ) assim decidiu, quanto à decadência: Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 11 10 “1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR. Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008. AgRg nos EREsp 216.755/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP. Rel. Ministro Luis Fux, julgado em 13.12.2004, J 28.02.2005)”. De acordo com esta decisão, o art. 173, I do CTN deve ser aplicado quando a lei não prevê a antecipação do pagamento, ou prevendo, o contribuinte não efetua o pagamento de forma antecipada. Assim, em sentido oposto, para aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN deve haver pagamento do tributo relativo àquele período de apuração, ainda que parcial. Abstraise no caso a análise de existência de dolo, fraude ou simulação, uma vez inexistente essa discussão no presente processo. Concluise portanto que é de extrema relevância na definição da forma de contagem do prazo decadencial, saber se houve ou não antecipação de pagamento. Qualquer declaração apresentada pelo contribuinte, com ou sem força de confissão de dívida, não tem o condão de afastar a necessidade da existência da antecipação do pagamento. Da leitura do § 4º do art. 150 do CTN, acima transcrito, não consigo entender, que simples declaração, desacompanhada do pagamento do tributo, possa surtir o efeito desejado de antecipar o início da contagem do prazo decadencial. Referido dispositivo legal não faz qualquer referência quanto a existência de declaração ou que esta equivaleria a pagamento. Também não há como dar às supostas compensações o mesmo tratamento, para fins de aplicação do prazo decadencial, atribuído ao pagamento. Como é sabido o pagamento extingue o crédito tributário independente de qualquer condição futura. Já a compensação extingue o crédito tributário, porém não de forma automática, dependendo de homologação futura, expressa ou tácita. O pagamento é modalidade de extinção do crédito tributário, especificada no art. 156 do CTN, ao lado de outras formas, entre as quais a própria compensação, vejase: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 12 11 I o pagamento; II a compensação; [...] A seguir, o Código dispõe sobre as características, efeitos e peculiaridades de cada uma das formas de extinção do crédito tributário, sendo o pagamento tratado nos artigos 157 a 169 e a compensação nos artigos 170 e 170A. Da leitura destes dispositivos legais, resta claro que compensação não se confunde com pagamento e, como o art. 150 do CTN cita expressamente pagamento, naturalmente que ele excluiu da situação a figura da compensação. Veja como a legislação trata da compensação: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Com esse fundamento a Lei nº 9.430/1996 estabeleceu: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Portanto reparem que ao contrário do pagamento os pedidos/declarações de compensação dependem de sua futura homologação por parte da Receita Federal. Portanto não há como atribuir, para fins de contagem do prazo decadencial, à compensação os mesmos efeitos da antecipação do pagamento. Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 13 12 Transcrevo abaixo ementa de recente jurisprudência da 2ª Turma da CSRF, nesse mesmo sentido: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos após verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 150, § 4% do CTN), desde que comprovado o recolhimento antecipado do tributo, o que não é o caso dos autos, aplicandose, nestes casos, a regra decadencial prevista no art. 173, I do CTN. (Acórdão nº 9202004253, de 22/06/2016, Processo 15956.000258/200698, relatoria da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira). Em vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nessa matéria, concluindo que, ante a falta de antecipação do pagamento do tributo, a contagem do prazo decadencial a ser aplicada é a do art. 173, inc. I do CTN. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 862DF CARF MF
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Numero do processo: 10218.000488/2005-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CUSTOS/DESPESAS. MANUTENÇÃO. MÁQUINAS/EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com manutenção de máquinas e equipamentos industriais e com combustíveis e lubrificantes geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
Numero da decisão: 9303-008.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CUSTOS/DESPESAS. MANUTENÇÃO. MÁQUINAS/EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com manutenção de máquinas e equipamentos industriais e com combustíveis e lubrificantes geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
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MANUTENÇÃO. MÁQUINAS/EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com manutenção de máquinas e equipamentos industriais e com combustíveis e lubrificantes geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 04 88 /2 00 5- 04 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10218.000488/200504 Acórdão n.º 9303008.576 CSRFT3 Fl. 347 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto tempestivamente pala Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402001.398, de 09/08/2011, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da ementa transcrita na parte que interessa ao litígio em discussão: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 Ementa:.CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do PIS NãoCumulativo podem ser descontados os créditos calculados em relação às partes e peças utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os combustíveis e lubrificantes usados diretamente na produção geram direito ao credito independente de exercerem ação direta sobre o produto em fabricação." Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, suscitando divergência, quanto ao direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre os custos/despesas com manutenção de máquinas e equipamentos industriais e com combustíveis e lubrificantes. Segundo seu entendimento, tais custos/despesas não constituem insumos do processo de produção/fabricação dos produtos vendidos pelo contribuinte, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e, consequentemente, não geram créditos passíveis de dedução do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. Assim, a glosa dos créditos aproveitados indevidamente pelo contribuinte, efetuada pela Fiscalização e revertida no acórdão recorrido, devem ser mantidas. Por meio do Despacho de Admissibilidade às fls. 336e/337e, o Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Notificado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade, o contribuinte não se manifestou. Em síntese é o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10218.000488/200504 Acórdão n.º 9303008.576 CSRFT3 Fl. 348 3 O recurso especial da Fazenda Nacional atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria em discussão, nesta fase recursal, se restringe ao direito de o contribuinte aproveitar créditos do PIS não cumulativo sobre os custos/despesas incorridos com manutenção de máquinas e equipamentos industriais e com combustíveis e lubrificantes. A Lei nº 10.637/2002 que instituiu o regime não cumulativo para o PIS, , assim dispunha, quanto aos insumos e ao aproveitamento de créditos, no período dos fatos geradores dos créditos, objeto do ressarcimento/compensação em discussão: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (...). IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...). VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; (...)". De acordo com a interpretação literal desses dispositivos legais, apenas os custos incorridos com os insumos (matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem) e combustíveis e lubrificantes, todos utilizados diretamente no processo de produção/fabricação dos bens ou produtos, bem como geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. No entanto, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ampliou o conceito de insumos, para efeito de aproveitamento de créditos do PIS e da Cofins, reconhecendo como tal, os custos e despesas empregados direta e indiretamente no processo de produção/fabricação dos bens destinados a venda pelo contribuinte. Consoante a decisão do STJ "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a impossibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Em face da decisão do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF que autoriza seus procuradores a dispensa de contestar e recorrer, com fulcro no art. 19, inc. IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, inc. V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, contra decisão desfavorável à União Federal, Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10218.000488/200504 Acórdão n.º 9303008.576 CSRFT3 Fl. 349 4 quanto ao conceito de insumos e respectivo direito de se aproveitar créditos sobre tais insumos, nos termos definidos no julgamento do referido REsp, observada a particularidade do processo produtivo de cada contribuinte. No presente caso, tratase de uma empresa siderúrgica que tem como atividade econômica, dentre outras, a produção, comercialização e transporte de ferro gusa, de aço, ligas metálicas e peças fundidas de ferro, de aço e ligas metálicas, produção, comercialização, transporte e mineração de calcário; produção, comercialização, transporte de sinter de minérios em geral. Dessa forma, a reversão da glosa dos créditos sobre os custos/despesas incorridos com manutenção de máquinas e equipamentos industriais e com combustíveis e lubrificantes, determinada no acórdão recorrido, deve ser mantida, reconhecendose o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre tais custos/despesas, tendo em vista sua relevância e importância para o desenvolvimento das atividade do contribuinte. Além disto, por força do disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II, do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 1.221.170/PR, sob o regime repetitivo, art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil e com a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, adotase, para o presente caso, essa mesma decisão, para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Em face do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 349DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14486.001081/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/08/2006 a 30/04/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO.
Verificada contradição e omissão no acórdão embargado, cumpre dar provimento aos embargos, com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-006.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para alterar o dispositivo para conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para alterar o dispositivo para conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/08/2006 a 30/04/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO. Verificada contradição e omissão no acórdão embargado, cumpre dar provimento aos embargos, com efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para alterar o dispositivo para conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 6. 00 10 81 /2 00 9- 19 Fl. 2255DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301006.048 S3C3T1 Fl. 2.256 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante Despacho nº 3301 S/Nº – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, que admitiu os embargos em pauta (fls. 2252/2254): NESTLÉ BRASIL LTDA invocou o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, para interpor Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 3301 004.357, de 20 de março de 2017, fls. 2.206 a 2.217, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 31/08/2006 a 30/04/2008 IPI. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. Em se tratando de tributo cujo fato gerador operouse de forma individualizada, tanto na matriz, quanto nas filiais, não se outorga àquela legitimidade para demandar, isoladamente, em juízo, em nome destas. O IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, e, por conseqüência, depósitos judiciais efetuados para o estabelecimento matriz não garantem nem suspendem a exigibilidade de crédito tributário constituído no estabelecimento filial. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Conforme a Súmula n° 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme a Súmula no 2 do CARF, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade lei tributária. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Sobre o tributo não pago no prazo de vencimento incidem juros de mora. qualquer que seja o motivo determinante do inadimplemento da obrigação. Recurso Voluntário Negado Consta do acórdão da decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial. O arrazoado de fls. 2.228 a 2.231, após síntese dos fatos relacionados com a lide, acusa a decisão do vício de contradição e obscuridade. Fl. 2256DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301006.048 S3C3T1 Fl. 2.257 3 Os embargos foram admitidos para que a contradição interna seja saneada (às fls. 2254). Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Conforme afirmou a Embargante, houve contradição entre o voto desta Relatora, que foi por negar provimento ao Recurso Voluntário, e o dispositivo, que determinou o não conhecimento do Recurso em razão da concomitância. Colacionamos o voto na integralidade e também trechos da decisão de piso, a fim de esclarecer o entendimento constante do voto desta Relatora. Segue trecho do voto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A Recorrente invocou trânsito em julgado de decisão favorável, com levantamento dos depósitos judiciais na integralidade, contudo, conforme se apontou na decisão recorrida, a filial autuada não faz parte da Ação Ordinária n° 2003.61.00.0163640 ajuizada perante a 26ª Vara Federal Cível de São Paulo, não podendo, portanto, beneficiarse da tutela antecipada concedida. Neste ponto, juntamos excerto da decisão recorrida, adotada no voto da Relatora: Ação Ordinária n° 2003.61.00.0163640 Preliminarmente, a impugnante alega que os efeitos da decisão judicial proferida nos autos da Ação Ordinária nº 2003.61.00.0163640, proposta pela matriz, cujo objeto é o reconhecimento do direito ao não recolhimento do IPI incidente sobre os produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em unidades com mais de 10 kg (posição TIPI 2309.10.00), têm o condão de alcançar a filial ora autuada. O IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos. O art. 24, parágrafo único, do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI) considera contribuinte autônomo qualquer estabelecimento (matriz e filiais) de importador, industrial ou comerciante, em relação a cada fato gerador que decorra de ato que praticar (Lei nº 5.172, de 1966, art. 51, parágrafo único). Pelo disposto nos artigos acima, concluise que, por determinação legal, cada estabelecimento da empresa é contribuinte autônomo do IPI, e não a empresa como um todo. No presente caso, vejase, inclusive, que na petição inicial da Ação Ordinária nº 2003.61.00.0163640 a própria autora requereu que fosse expedida Carta Precatória, citando exclusivamente o Fl. 2257DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301006.048 S3C3T1 Fl. 2.258 4 Delegado da Receita Federal de Pelotas/RS, que detém competência sobre a Agência da Receita Federal de Camaquã/RS, onde está localizada a filial que é parte da referida ação. E assim determinou a Exma. Juíza Federal, comunicando ao Delegado da RFB sobre o deferimento da antecipação de tutela. O STJ fixou o entendimento, em diversos julgados, pela autonomia dos estabelecimentos, inclusive considerando a matriz parte ilegítima para pleitear créditos ou restituição de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido nos estabelecimentos filiais, dispondo até que: (...) Desta forma, considerandose que a filial autuada não faz parte da Ação Ordinária n° 2003.61.00.0163640 ajuizada perante a 26ª Vara Federal Cível de São Paulo, não pode se beneficiar da tutela antecipada concedida. Portanto, é de se concluir que o voto da Relatora não foi pela concomitância, mas por entender que a ação judicial não alberga a Recorrente. Em relação ao mérito, o voto desta Relatora foi o seguinte: Requer a Recorrente que seja reconhecida a impossibilidade da exigência de IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg. Contudo, nesse ponto, não se pode tratar aqui do mérito levado ao Judiciário. Conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dessa forma, não compete a este CARF se manifestar sobre matéria submetida ao Judiciário. Colacionamos novamente trecho da decisão recorrida, também adotada por esta Relatora: Classificação Fiscal. Rações para cães e gatos. Inicialmente, destaquese ser incabível neste julgamento a análise quanto à correta classificação na TIPI dos produtos denominados “rações para cães e gatos”, por se tratar de matéria discutida judicialmente. A propositura de ação judicial implica a desistência de discutir a mesma matéria na esfera administrativa, conforme prescreve o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 3, de 14 de fevereiro de 1996, no seguinte sentido: Fl. 2258DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301006.048 S3C3T1 Fl. 2.259 5 a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial – por qualquer modalidade processual – antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); c) no caso da letra “a”, a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; Também a Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, que disciplina a constituição e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ), estabelece, em seu art. 26, que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto importa desistência do processo administrativo. Com efeito, a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, com a plena soberania das decisões judiciais. Por fim, pelos motivos expostos no tópico anterior, incabível a análise quanto à suposta inexistência de suporte legal para ampliação da hipótese de incidência do IPI para os produtos denominados “rações para cães e gatos” em embalagens superiores a 10Kg pelo Decreto nº 2.542, de 2002, e posteriores, que vieram a aprovar a TIPI em dissonância com o Decretolei nº 400, de 1968. Cumpre consignar, contudo, que a Relatora tratou do mérito na medida em que não foi reconhecida a concomitância, nos seguintes termos: Em relação somente aos lançamentos efetuados contra a filial e não submetidos à esfera Judicial, entendese que as disposições da TIPI que embasaram o referido lançamento são legítimos e legais. Por fim, esta Relatora concluiu que: Sobre a constitucionalidade alegada, defende a Recorrente a possibilidade de o CARF analisar legalidade e constitucionalidade de norma tributária. Contudo, a Súmula no 2 do CARF impõe entendimento diverso: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 2259DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301006.048 S3C3T1 Fl. 2.260 6 Segundo a Recorrente, teria se caracterizado abusividade e confisco, por falta de razoabilidade e proporcionalidade, nas multas impostas. Contudo, as multas foram aplicadas na forma e nos percentuais previstos na Lei. Ressaltese que, conforme concluise na decisão recorrida, afastase a pretensão da impugnante, posto que a multa de ofício de 75% foi adequada e corretamente aplicada neste caso. Quanto aos juros de mora, também seguimos na mesma esteira da decisão recorrida, entendendo que provada a insuficiência dos depósitos judiciais efetuados, correta a aplicação dos juros de mora no lançamento de ofício, incidentes sobre a parcela do crédito tributário cuja exigibilidade não está suspensa. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Dessa forma, é de se concluir que a Relatora conheceu em parte o Recurso Voluntário, em razão da concomitância, para negar provimento quanto multa e juros. Dessarte, proponho que o dispositivo seja alterado para refletir corretamente o voto da Relatora e os votos dos demais conselheiros para o seguinte: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida, negar provimento. Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, na forma exposta. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 2260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.900391/2013-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Exercício: 2012
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE IRRF. PER/DCOMP. CRÉDITO COMPROVADO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL
Não tendo sido comprovado mediante documentação hábil e idônea o crédito informado no PER/DCOMP a título de IRRF, não há de reconhecer a existência do direito creditório. Eventual alegação de erro no preenchimento do débito na DCTF deve vir acompanhada de prova suficiente do fato alegado.
Numero da decisão: 2401-006.481
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Exercício: 2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE IRRF. PER/DCOMP. CRÉDITO COMPROVADO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL Não tendo sido comprovado mediante documentação hábil e idônea o crédito informado no PER/DCOMP a título de IRRF, não há de reconhecer a existência do direito creditório. Eventual alegação de erro no preenchimento do débito na DCTF deve vir acompanhada de prova suficiente do fato alegado.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Exercício: 2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE IRRF. PER/DCOMP. CRÉDITO COMPROVADO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL Não tendo sido comprovado mediante documentação hábil e idônea o crédito informado no PER/DCOMP a título de IRRF, não há de reconhecer a existência do direito creditório. Eventual alegação de erro no preenchimento do débito na DCTF deve vir acompanhada de prova suficiente do fato alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 03 91 /2 01 3- 39 Fl. 340DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.481 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.900391/2013-39 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém - PA (DRJ/BEL) que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa do Acórdão nº 01-27.123 (fls. 239/243): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2012 Ementa: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO ALOCADO. RETIFICAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE DCTF. ERRO NÃO COMPROVADO. Tendo sido comprovado que o DARF indicado pelo contribuinte em declaração de compensação pagamento indevido ou a maior estava totalmente alocado a débito declarado em DCTF, restou caracterizada a inexistência do direito creditório. A retificação da DCTF posteriormente à ciência do Despacho Decisório, efetuada tão somente para justificar a existência do direito creditório, sem a apresentação de documentos hábeis e idôneos, não tem o condão de justificar o erro no preenchimento dessa declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O presente processo trata do pedido de compensação declarado no PER/DCOMP nº 27964.33254.301012.1.3.040286 (fls. 227/233) apresentado pelo Contribuinte no qual pretende utilizar crédito relativo a um pagamento indevido ou a maior de IRRF, código de receita 0422 (IRRF - Royalties e assistência técnica - Residentes no exterior), no valor de R$ 61.027,86, arrecadado em 05/10/2012. A DRF BELO HORIZONTE emitiu Despacho Decisório nº 043190647 (fls. 226) não reconhecendo o direito creditório pleiteado porque o pagamento localizado foi integralmente utilizado para extinguir débito do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 18/02/2013 (fl. 234) e, inconformado com a decisão proferida, em 20/03/2013, tempestivamente, apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 02/09), instruída com os documentos nas fls. 10 a 225. O Processo foi encaminhado para 1ª Turma da DRJ/BEL que, em 12/09/2013, através do Acórdão nº 01-27.123, decidiu por unanimidade não reconhecer o direito creditório pleiteado pelo Contribuinte e, por conseguinte, julgar a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE IMPROCEDENTE. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ/BEL, via Correios, em 10/10/2013 (Ar - fl. 251) e, tempestivamente, em 11/11/2013 interpôs seu Recurso Voluntário de fls. 252/264, instruído com os documentos nas fls. 265 a 337. Fl. 341DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.481 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.900391/2013-39 Em seu Recurso Voluntário o Contribuinte, em síntese, aduz que: 1. Não foram considerados pela DRJ os documentos trazidos junto à Manifestação de Inconformidade que demonstram o erro material cometido por ocasião do preenchimento da DCTF de outubro/2012; 2. A DCTF Retificadora de outubro/2012 mostra que o IRRF devido era menor do que o declarado anteriormente, resultando em um crédito de R$ 61.027,88 a seu favor; 3. O Crédito a seu favor decorreu de recolhimento indevido, por seu próprio equívoco, o que não lhe retira o direito à compensação. Finaliza o Recurso pedindo seu reconhecimento a fim de considerar o equívoco na informação da DCTF, com o consequente reconhecimento do crédito noticiado. Requer também que seja homologada a compensação requerida no PER/DCOMP supracitado, anulando o débito identificado no Despacho Decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto, Relator. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito O presente processo administrativo trata de pedido de compensação identificado pelo PER/DCOMP número 27964.33254.301012.1.3.040286, cujo crédito pleiteado importa no valor de R$ 61.027,86. A DRJ firmou entendimento no sentido de que a simples retificação da DCTF não teria o condão de justificar eventual erro no preenchimento da DCTF, cabendo ao contribuinte juntar documentos hábeis e idôneos para comprovar a redução do débito de IRRF. Segundo a decisão de piso, não se cogita baixar o processo em diligência para juntada dos documentos comprobatórios do equívoco haja vista que as provas que seriam requeridas são pré-constituídas, Fl. 342DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.481 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.900391/2013-39 ou seja, caberia ao contribuinte tê-las juntado por ocasião de apresentação da manifestação de inconformidade. Em razões recursais a contribuinte assevera que efetuou apuração do valor de R$ 61.027,88 a mais, realizada no quinto dia do mês de outubro/2012, que reflete a duplicidade do lançamento referente ao quarto dia do mesmo mês, juntando para tanto cópia dos DARF´s a fim de identificar o pagamento em duplicidade. Informa que na DCTF originária apôs erroneamente o código da receita nº 0422-01, quando deveria ter preenchido o campo com o código nº 0473- 01. A Recorrente aduz que é permitido sanear pedidos de compensação mediante a apresentação de DCTF retificadora que tem eficácia probatória do crédito pleiteado e ressalta que no caso em apreço ocorreu um erro material no preenchimento da DCTF, cabendo à administração perquirir se, efetivamente, houve recolhimento a maior ou indevido, para, sendo o caso, ser autorizada a compensação. Destarte, a empresa contribuinte, após o Despacho Decisório de não homologação da compensação e antes da apresentação de sua manifestação de inconformidade, transmitiu a DCTF retificadora com a correção do montante devido de IRRF no importe de R$ 6.543.883,11, o que resultou em um crédito a seu favor no valor de R$ 61.027,86. Verifico que existia informação na DCTF que conflitava com o DARF de IRRF no que diz respeito ao valor devido, razão porque não foi homologada a compensação pleiteada no PER/DCOMP, sem que a contribuinte tivesse sido intimada para sanear o conflito, o que impediu a formação de qualquer contraditório sobre o fato da confirmação do crédito existente contra a Fazenda Nacional, pois o indeferimento do crédito é realizado sem nenhuma prévia intimação ao contribuinte. Com efeito, diante do despacho decisório eletrônico, a primeira oportunidade concedida à contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi no momento da sua manifestação de inconformidade. E foi somente após a decisão da DRJ que tais documentos foram tidos por insuficientes. Destarte, não há impedimento de se realizar a retificação da DCTF depois de apresentada a PER/DCOMP, haja vista ser uma necessidade de adequação com a verdade material, nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 2, de 2015, cabendo ao contribuinte comprovar o crédito a seu favor. A contribuinte assevera que o valor de IRRF informado na DCTF analisada pela Receita Federal foi de R$ 6.604.910,97, quando o valor de IRRF efetivamente devido seria de R$ 6.543.883,11, restando um saldo de crédito de 61.027,86. Os documentos adunados aos autos, antes e após a interposição do Recurso Voluntário, não comprovam a existência de equívoco na informação constante na DCTF. Não há como se concluir que apenas o valor de R$ 6.543.883,11 corresponderia a base de cálculo do IRRF pela prestação do serviço. A Recorrente não juntou documentos suficientes ou mesmo lançamentos contábeis que permitissem atestar que efetivamente ocorreu erro no quantum do valor o imposto devido. Os documentos trazidos com a peça recursal não configuram provas hábeis para a dedução alegada pelo Recorrente quanto ao erro a que se pretende provar. Fl. 343DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.481 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.900391/2013-39 Assim, não merece reforma a decisão recorrida, devendo ser mantido o Despacho Decisório. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13707.005731/2008-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 68.
Incide imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço, porquanto tal verba reveste natureza remuneratória e não está beneficiada por norma de isenção.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física.
Numero da decisão: 2401-006.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 68. Incide imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço, porquanto tal verba reveste natureza remuneratória e não está beneficiada por norma de isenção. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Miriam Denise Xavier.
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ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 68. Incide imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço, porquanto tal verba reveste natureza remuneratória e não está beneficiada por norma de isenção. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 57 31 /2 00 8- 00 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13707.005731/200800 Acórdão n.º 2401006.694 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Miriam Denise Xavier. Relatório CELSO DE QUEIROZ SANT ANNA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 1326.364/2009, às efls. 40/43, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, em relação ao exercício 2007, conforme peça inaugural do feito, às fls. 07/10, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 05/12/2008, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, com o seguinte fato gerador: Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirt), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ ********17.308,80, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ *************0,00. Inconformado com a Decisão recorrida. o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à efl. 47/48, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, requerendo a desconsideração dos valores não tributáveis, que se referem ao "Adicional por Tempo de Serviço", foi incluido ilegalmente, Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13707.005731/200800 Acórdão n.º 2401006.694 S2C4T1 Fl. 4 3 conforme estatuído no art. 1°, III, da Lei 8.852/94, uma vez que o mesmo foi indevidamente incluído nos rendimentos tributáveis. Aduz que a própria Lei no 8.852/94, em seu art. l°, inciso III, alínea "n", reconheceu a ilegalidade da incidência do IR no "Adicional por Tempo de Serviço", e assegurou, expressamente, a exclusão da referida vantagem. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Cingese a controvérsia em definir se incide ou não imposto de renda sobre a verba denominada "Adicional por Tempo de Serviço", excluída do conceito de remuneração pelo art. 1º, inciso III, da Lei nº 8.852/1994, assim descrito: Art. 1º. Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: (...) III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) n) adicional por tempo de serviço; De pronto, cumpre esclarecer que a Lei nº 8.852, de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, cuida da definição de vencimento, vencimento básico e remuneração. Contudo, não traz em seu bojo hipóteses de isenção ou nãoincidência de imposto de renda sobre valores recebidos por servidores públicos. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13707.005731/200800 Acórdão n.º 2401006.694 S2C4T1 Fl. 5 4 Outrossim, no artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e art. 39 do RIR, que relaciona os rendimentos percebidos por pessoas físicas isentos do imposto de renda, o adicional por tempo de serviço não está contemplada. Assim, os rendimentos destacados pelo recorrente encontramse incluídos no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, § 1° do mesmo Diploma Legal. Portanto, o “Adicional por Tempo de Serviço” resta sujeito ao imposto de renda, porquanto tal verba reveste natureza remuneratória e não esta beneficiados por norma de isenção, que, a propósito, deve ser interpretada literalmente (CTN, art. 111, II) e ser concedida mediante lei específica (CF/1988, art. 150, § 6º). Registro, por importante, que o entendimento acima exposto está em consonância com a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ: TRIBUTÁRIO. ADICIONAL OU GRATIFICAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO. IMPOSTO DE RENDA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. O acórdão recorrido encontrase em consonância com a jurisprudência do STJ, no sentido de que o adicional ou gratificação por tempo de serviço possui natureza remuneratória e reflete "acréscimo patrimonial" sujeito à incidência do Imposto de Renda (RMS 23.970/ES, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJ e 21.10.2010; REsp 976.226/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 3.10.2007, p. 195; AgRg no REsp 848.413/SP, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ 20.11.2006, p. 289). 2. Recurso Especial não provido. (REsp 1.339.596 / ES, julgado em 02/10/2012). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. GRATIFICAÇÕES DE ATIVIDADE POLICIAL FEDERAL, DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA E DE ATIVIDADE DE RISCO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. 1. “Incide Imposto de Renda sobre a 'gratificação de atividade policial federal', a 'gratificação de compensação orgânica' e a 'gratificação de atividade de risco', pagas aos delegados de polícia federal antes do advento da Lei 11.358/2006, visto que tais gratificações possuem natureza remuneratória, segundo consta do acórdão recorrido. Com efeito, as gratificações em questão estão sujeitas ao Imposto de Renda, pois configuram acréscimo patrimonial e não estão beneficiadas por isenção.” (AgRgREsp nº 1.148.279/CE, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, in DJe 24/8/2010). 2. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1230195 / CE, julgado em 03/03/2011). Nesse sentido, foi editada a Súmula CARF nº 68, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, in verbis: Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13707.005731/200800 Acórdão n.º 2401006.694 S2C4T1 Fl. 6 5 A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 69DF CARF MF
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Numero do processo: 10945.002442/2006-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/06/1998
RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. TERMO INICIAL.
O prazo para pleitear a restituição de indébitos tributários reconhecidos por ação judicial inicia-se a partir do trânsito em julgado da decisão.
RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO
Prescreve em cinco anos o direito de pleitear a restituição de indébitos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, contados do trânsito em julgado da ação que reconheceu o crédito.
Numero da decisão: 3302-007.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/06/1998 RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. TERMO INICIAL. O prazo para pleitear a restituição de indébitos tributários reconhecidos por ação judicial inicia-se a partir do trânsito em julgado da decisão. RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO Prescreve em cinco anos o direito de pleitear a restituição de indébitos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, contados do trânsito em julgado da ação que reconheceu o crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
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COMPENSAÇÃO. INDEVIDA. Recorrente COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA RONDON COPAGRIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/06/1998 RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. TERMO INICIAL. O prazo para pleitear a restituição de indébitos tributários reconhecidos por ação judicial iniciase a partir do trânsito em julgado da decisão. RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO Prescreve em cinco anos o direito de pleitear a restituição de indébitos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, contados do trânsito em julgado da ação que reconheceu o crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 24 42 /2 00 6- 88 Fl. 114DF CARF MF 2 Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. Tratase de apreciação das compensações declaradas nos PER/Dcomp n° 33669.53561.090704.1.3.570882 (fls. 1 a 4) e n° 15675.58398.090804.1.3.573750 (fls. 5 a 8), todas vinculadas a direito creditório decorrente de decisão judicial transitada em julgado no âmbito do processo judicial n° 93.10130962, da 2a Vara da Justiça Federal em Foz do Iguaçu PR. Por meio de Despacho Decisório de fl. 39, fundamentado na Informação Fiscal n° 416/2006 (fls. 36 a 38) a DRFB em Foz do Iguaçu não homologou a compensação declarada, em razão do transcurso do prazo prescricional de cinco anos para o exercício do direito à repetição de eventual indébito, uma vez que o trânsito em julgado da ação judicial que reconheceu os créditos da interessada deuse em 29/06/1998 e as Dcomp foram apresentadas somente em 2004. Determinouse ainda a cobrança dos débitos indevidamente compensados. Cientificada em 27/11/2006 (fl. 45), a Interessada, inconformada, ingressou em 22/12/2006 com manifestação de inconformidade de fls. 46 a 53 na qual contesta a não homologação das Dcomp. Considera “no mínimo interessante” a tentativa da União de fazer aplicar a créditos líquidos e certos, reconhecidos e determinados por decisão judicial transitada em julgado, a aplicação do Decreto 20.910/32, ainda que a própria União diga estar utilizando o referido decreto por analogia. A analogia, afirma, é a aplicação a um caso não regulado de modo direto ou específico por uma norma jurídica, de uma prescrição normativa prevista para uma hipótese distinta, mas semelhante ao caso não contemplado. No caso em análise não há que se falar em analogia, eis que as relações tributárias, em especial no que se refere à repetição de indébito, são reguladas pelo CTN. Informa que no voto condutor do acórdão da apelação cível o relator deixou claro que " a compensação, após o trânsito em julgado da decisão, só poderá se dar com contribuições devidas ao PIS, devendo a autora registrálas em sua escrita fiscal — o que independe, de toda forma, de autorização judicial ou pedido à Receita Federal cumulada de correção monetária — a fim de atualizar o valor aquisitivo da moeda , ficando ressalvado o disposto no § 4o do art. 150 , CTN, quanto à homologação do lançamento, bem como o de a União glosar quantias injustificada ou nãocomprovadamente compensadas Logo, não pode o Decreto 20.910/32 ser utilizado de forma a prejudicar a coisa julgada, retirando assim, da Cooperativa ora Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10945.002442/200688 Acórdão n.º 3302007.049 S3C3T2 Fl. 3 3 requerente o próprio direito adquirido por força de decisão judicial. Em 15 de julho de 2010, através do Acórdão n° 1330.316, a 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento Rio de Janeiro II/RJ, por unanimidade de votos, indeferiu a Manifestação de Inconformidade. Entendeu a Turma que: Considerandose que a decisão judicial que reconheceu créditos em favor da interessada tomouse definitiva em 29/06/1998, à data de apresentação das Dcomp em análise, 09/07/2004 e 09/08/2004, já estavam transcorridos mais de cinco anos do trânsito em julgado da ação. Decorre das disposições dos arts. 165 e 168 do CTN que prescreve em cinco anos, da data do trânsito em julgado, o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional decorrente de sentença judicial. E interpretar de outra forma ou de forma literal o dispositivo implicaria a conclusão de que não havería prazo previsto no CTN para exercício de direito creditório decorrente de sentença judicial transitada em julgado. É necessário que se identifique na hipótese normativa de indébito tributário prevista no art. 165, III, do CTN, os créditos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional decorrentes não apenas de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão administrativa ou judicial condenatória, mas também os créditos decorrentes de sentença judicial favorável ao sujeito passivo. A COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA RONDON COPAGRIL foi intimada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 08 de dezembro de 2010, às efolhas 96. Em 28 de dezembro de 2010, a COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA RONDON COPAGRIL ingressou com Recurso Voluntário de efolhas 97 à 105. Foi alegado: Em que pese o entendimento exarado no acórdão recorrido, contudo entende a Recorrente que o prazo prescricional de cinco anos a que se refere a decisão que reconheceu o direito a compensação diz respeito aos créditos que poderiam ser aproveitados pela Autora, ou seja, que somente poderia ser objeto de compensação os créditos decorrentes de pagamentos realizados em data não superior a cinco anos da propositura da Ação Declaratória. De fundamental importância para análise do presente Recurso, uma vez ser o fundamento principal da decisão que indeferiu a compensação, está no fato da interpretação em relação ao período de compensação. Não se pode utilizar a regra de forma que as compensações obrigatoriamente ocorram no prazo de cinco anos, sob pena de a Recorrente perder o direito sobre seus créditos. Fl. 116DF CARF MF 4 Desta forma, a jurisprudência tem firmado entendimento de que o início das compensações devam ocorrer antes do decurso de cinco anos (prazo prescricional). Tendo ocorrido o início das compensações antes de decorrido o prazo de cinco anos, deixase de aplicar o prazo prescricional, uma vez que já houve a informação ao fisco sobre o crédito, sendo então um “dever" do fisco, homologar se os valores escriturados na contabilidade da empresa estão em conformidade com a decisão judicial. Necessário destacar que o sistema denominado de PERDCOMP, foi introduzido pela Receita Federal através da instrução normativa SRF n° 320, de 11 de abril de 2003, por certo só a partir de então passou a ser utilizado, contudo, desde muito antes as compensações eram realizadas pela Recorrente, não podendo assim ser admitida a decisão de prescrição para utilização dos créditos. Visto, não há que falar em aplicação por analogia do Decreto 20.910/32 ao caso em análise, eis que as relações tributárias, em especial ao que se refere a repetição de indébito são reguladas pelo Código Tributário Nacional (CTN), Lei n° 5.172/1966, lei ordinária, alçada ao status de Lei Complementar, após o advento da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Logo, não pode o Decreto 20,910/32 ser utilizado de forma a prejudicar a coisa julgada, retirando assim, da Cooperativa ora Requerente o próprio direito adquirido por força da decisão judicial. Vêse que tal atitude não violaria aqui tão somente a coisa julgada, mas também o próprio direito adquirido decorrente de tal norma, eis a transparência da decisão firmada na declaração de inconstitucionalidade dos Decretos Leis 2.445 e 2.449/88. Por todo o exposto, evidente a impossibilidade de extinção do direito da Requerente fundado em decisão transitada em julgado, por conta da aplicação da prescrição. Necessário observar e manter em mente, que as compensações efetuadas pela Cooperativa não foram pedidos de utilização de Crédito, foram sim pedidos de compensações de crédito, ficando tais compensações conforme já asseverados à homologação da autoridade fiscal, conforme declinado na sentença, com obediência as regras do Código Tributário Nacional, artigo 150, §4°. Contudo, o direito à homologação, restringe se à verificação do quanto e da forma de utilização, eis que a sentença judicial já mencionada é cristalina, quando gerou obrigação para a Requerente de que somente podería utilizar os créditos decorrentes da sentença com débitos vencidos ou vincendos do próprio tributo (PIS), e criou a liberalidade da Receita em Verificar ditos lançamentos/Compensações. Porém, na homologação ou não da compensação, não pode a Receita Federal por seus prepostos, restringir direitos, tutelados Constitucionalmente. Pedidos Por todo o exposto, resta evidente que a não homologação das compensações com conseqüente exigência do recolhimento do tributo fere direito líquido e certo da Recorrente, motivo pelo qual deve ser julgado improcedente o ato declaratório que não homologou a compensação, devendo pois ser julgada procedente a compensação, eis que baseada em direito liquido e certo, cuja prescrição foi afastada pelo inicio do procedimento de Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10945.002442/200688 Acórdão n.º 3302007.049 S3C3T2 Fl. 4 5 compensações, muito antes do período prescricional. Requer assim a reforma total do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, m 08 de dezembro de 2010, às efolhas 96. Em 28 de dezembro de 2010, a COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA RONDON COPAGRIL ingressou com Recurso Voluntário às efolhas 97. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da controvérsia. · A impossibilidade de extinção do direito da Requerente fundado em decisão transitada em julgado, por conta da aplicação da prescrição. Passase à análise. Antes de analisarmos o caso concreto, cabe fazer algumas breves considerações a respeito dos prazos para execução do débito reconhecido judicialmente. O Contribuinte possui o prazo de 5 (cinco) anos para promover a execução do seu direito creditório reconhecido judicialmente, seja na modalidade judicial ou administrativa, com fundamento no art. 1o do Decreto n° 20.910/1932, bem como do inciso IV, §4°, do art. 71 da IN RFB n° 900, de 2008. No caso de direito creditório discutido judicialmente, a legislação tributária estabelece como termo inicial para a contagem do prazo prescricional do direito creditório a data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título Fl. 118DF CARF MF 6 judicial, como ocorreu no caso concreto. A seguir reproduzido o art. 71 da IN n°900/08 que dispôs sobre a matéria: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1° A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: i. o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo VIII, devidamente preenchido; ii. certidão de inteiro teor do processo, expedida pela Justiça Federal; iii. na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, cópia da decisão que homologou a desistência da execução do título judicial e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução ou cópia da petição de renúncia à execução do título judicial protocolada na Justiça Federal; iv. cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; v. cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; vi. cópia do documento comprobatório de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2° Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a VII do § 1°, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de ciência da intimação. § 3° No prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 2°, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 4° O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: i. I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; ii. a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; iii. houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; iv. o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e v. na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. vi. § 5° Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10945.002442/200688 Acórdão n.º 3302007.049 S3C3T2 Fl. 5 7 vii. as pendências a que se refere o § 2° não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou viii. não forem atendidos os requisitos constantes do § 4°. § 6° O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional qüinqüenal do título judicial referido no inciso IV do § 4°. A Receita Federal também expôs mais detalhadamente a questão no Parecer Normativo n°11 de 19 de dezembro de 2014, in verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO PARA APRESENTAR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PRÉVIA. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. O crédito tributário decorrente de ação judicial pode ser executado na própria ação judicial para pagamento via precatório ou requisição de pequeno valor ou, por opção do sujeito passivo, ser objeto de compensação com débitos tributários próprios na via administrativa. Ao fazer a opção pela compensação na via administrativa, o sujeito passivo sujeitase ao disciplinamento da matéria feito pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, especificamente a Instrução Normativa n° 1.300, de 2012, conforme § 14 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e às demais limitações legais. Para a apresentação da Declaração de Compensação, o sujeito passivo deverá ter o pedido de habilitação prévia deferido. A habilitação prévia do crédito decorrente de ação judicial é medida que tem por objetivo analisar os requisitos preliminares acerca da existência do crédito, a par do que ocorre com a ação de execução contra a Fazenda Nacional, quais sejam, legitimidade do requerente, existência de sentença transitada em332 julgado e inexistência de execução judicial, em respeito ao princípio da indisponibilidade do interesse público. O prazo para a compensação mediante apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução. No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso. O crédito habilitado pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas ao prazo prescricional de cinco anos do trânsito em julgado da sentença ou da extinção da execução, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. Eventual mudança de interpretação sobre a matéria será aplicável somente a partir de sua introdução na legislação tributária. Dispositivos Legais. Constituição Federal, arts. 37 e 100; Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, arts. 100, 170 e 170A; Decreto n° 20.910, Lei n° 9.430, de 1996, art. 74; Lei n° 9.779, art. 16; Lei n° 9.784, de 1999, art. 2°; Portaria Fl. 120DF CARF MF 8 MF n° 203, de 2012, art. 1°, III, e art. 280, III e XXVI; IN RFB n° 1.300, de 2012, arts. 81 e 82 eprocesso 10880.724252/201346. Considerando que a decisão judicial que reconheceu créditos em favor da interessada tomouse definitiva em 29/06/1998, à data de apresentação das Dcomp em análise, 09/07/2004 e 09/08/2004, já estavam transcorridos mais de cinco anos do trânsito em julgado da ação. Nesse sentido já se posicionou o CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO — CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA — INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindose o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. (Acórdão 10323.503, Sessão de 26/06/2008). Grifei RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO — CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA — INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindose o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida”. (Acórdão n° 10805.791, Sessão de 19/07/1999). Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10945.002442/200688 Acórdão n.º 3302007.049 S3C3T2 Fl. 6 9 Fl. 122DF CARF MF
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Numero do processo: 11159.000912/2007-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO.
A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 do Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade
Numero da decisão: 2002-001.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 do Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade
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TEMPESTIVIDADE. Recorrente JOÃO BATISTA LOURENÇO DE MACEDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 do Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 15 9. 00 09 12 /2 00 7- 89 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11159.000912/200789 Acórdão n.º 2002001.168 S2C0T2 Fl. 114 2 Relatório Auto de Infração Trata o presente processo de auto de infração – AI (fls. 8/18), relativo a imposto de renda da pessoa física, exercício 2003. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$1.249,94 para saldo de imposto a pagar de R$5.712,19. A autuação noticia omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no montante de R$74.300,00, e compensação indevida de IRRF (fl.10). Impugnação Cientificado ao contribuinte em 2/10/2007, o AI foi objeto de impugnação, em 5/10/2007, às fls. 2/44 dos autos, na qual ele alegou que não teria recebido comprovante de rendimentos do município de São Miguel de Guaporé. Discordou dos valores lançados e da aplicação da multa de ofício, bem como pleiteou a inclusão da previdência oficial. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BEL que, por unanimidade, julgou a impugnação procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 74/77): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. COMPROVAÇÃO. É dedutível a Contribuição à Previdência Oficial, quando sua retenção foi comprovada por meio de Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em formulário aprovado pela Secretaria da Receita Federal. O colegiado de primeira instância decidiu por considerar no cálculo do imposto a dedução da previdência oficial, no valor de R$1.802,65. Recurso voluntário A correspondência encaminhada ao sujeito passivo foi devolvida à RFB pela Empresa de Correios e Telégrafos ECT (fls.86/88). Na sequência, a Unidade da RFB de origem providenciou a afixação do edital de fl.90 em 27/1/2010. Posteriormente, foi enviada carta cobrança ao contribuinte (fls.92 e 96) Em 21/6/2010 (fl. 98), o contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 100/109, no qual alega, em apertado resumo, que: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11159.000912/200789 Acórdão n.º 2002001.168 S2C0T2 Fl. 115 3 residiria no seu endereço há 15 anos e seria muito difícil não encontrar alguém da família em seu endereço. Acrescenta que não teria tirado férias ou licença no período da notificação. o Fisco disporia de outros meios para cientificar o contribuinte da decisão, tais como meio eletrônicos, edital, fax e outros, para o bom andamento do processo tributário, sem prejuízo do direito de defesa do contribuinte. teria direito ao benefício garantido pelo artigo 173 do CTN. Tendo sido notificado em 5/10/2007 e tendo auferido rendimentos de janeiro a novembro de 2002, sobre os quais houve retenção do IR, o crédito já estaria decaído quando o Fisco se manifestou. os cálculos deveriam ser refeitos considerando a prescrição de alguns meses as exação. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade Cabe analisar a tempestividade do recurso voluntário interposto. Sobre a questão, necessário reproduzir as disposições do artigo 23, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal PAF: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11159.000912/200789 Acórdão n.º 2002001.168 S2C0T2 Fl. 116 4 inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11159.000912/200789 Acórdão n.º 2002001.168 S2C0T2 Fl. 117 5 § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) ... (destaques acrescidos) Da leitura do dispositivo, constatase que, frustrada a tentativa de intimação pessoal, por via postal, telegrama ou outro meio, farseá à intimação por edital. No caso, tentouse a intimação via postal, mas a correspondência foi devolvida pela ECT após três tentativas, com indicação de que a entrega não ocorreu por motivo de ausência (fl.86). Registro que o endereço consignado na correspondência é aquele indicado pelo recorrente em seu recurso voluntário (fl.100) e no qual foi recebida a carta cobrança (fl.96), constante dos cadastros da RFB (fl.80). Não tendo obtido êxito na ciência via postal, a Unidade da RFB procedeu a afixação do edital de fl.90 em 27/1/2010. Vêse que o procedimento de intimação do recorrente seguiu as disposições atinentes à matéria, não havendo que se cogitar de sua irregularidade. A teor do §2º, inciso IV, do artigo 23, do PAF, acima transcrito, considerase o contribuinte intimado em 11/2/2010, quinze dias após a publicação do edital. Logo, forçoso concluir pela intempestividade do recurso voluntário interposto em 21/6/2010, uma vez que o prazo de trinta dias expirou em 15/3/2010 (segundafeira). Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720009/2017-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2012 a 29/02/2012, 01/04/2012 a 31/05/2012, 01/07/2012 a 31/08/2012, 01/10/2012 a 31/12/2012
BASE DE CÁLCULO. PROVISÕES PARA PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA - PCLD. EXCLUSÃO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
As provisões para perdas no recebimento de créditos liquidação duvidosa - PCLD podem ser excluídas da base de cálculo do Pis, para as instituições financeiras.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2012 a 29/02/2012, 01/04/2012 a 31/05/2012, 01/07/2012 a 31/08/2012, 01/10/2012 a 31/12/2012
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO
Não enseja a declaração de nulidade a decisão que mantém o fundamento utilizado no lançamento e apenas acrescenta tratamento teórico às razões de Impugnação ou corrige erro de cálculo.
Numero da decisão: 3201-005.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Giovani Vieira, relator, e Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Não votou a conselheira Larissa Nunes Girard. Nos termos do Art. 58, §13 do RICARF, foi designado pelo Presidente de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento, o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza- Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Redator ad hoc
(assinatura digital)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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PROVISÕES PARA PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA PCLD. EXCLUSÃO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. As provisões para perdas no recebimento de créditos liquidação duvidosa PCLD podem ser excluídas da base de cálculo do Pis, para as instituições financeiras. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 29/02/2012, 01/04/2012 a 31/05/2012, 01/07/2012 a 31/08/2012, 01/10/2012 a 31/12/2012 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO Não enseja a declaração de nulidade a decisão que mantém o fundamento utilizado no lançamento e apenas acrescenta tratamento teórico às razões de Impugnação ou corrige erro de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Giovani Vieira, relator, e Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Não votou a conselheira Larissa Nunes Girard. Nos termos do Art. 58, §13 do RICARF, foi designado pelo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 09 /2 01 7- 44 Fl. 6628DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.629 2 de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento, o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira Redator ad hoc (assinatura digital) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Inicialmente, esclareço que fui designado como redator ad hoc, nos termos do art. 58, § 13 do do RICARF1, para formalização de acórdão relatado pelo Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, cujo mandato foi extinto. O relatório a seguir reproduzido foi apresentado pelo Relator em sessão de julgamento "Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de auto de infração lavrado contra a contribuinte em epígrafe, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no montante total de R$ 21.279.428,44, referente aos períodos de apuração janeiro/2012, fevereiro/2012, abril/2012, maio/2012, julho/2012, agosto/2012 e outubro/2012 a dezembro/2012 (fls. 175/180). No Termo de Verificação Fiscal (fls. 182/196), o autuante assim fundamenta o lançamento de ofício: o Supremo Tribunal Federal adotou o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, devendo ser excluídas da base de cálculo tão somente as receitas estranhas ao objeto social da sociedade, ou seja, aquelas que não sejam oriundas do exercício das atividades empresariais, de exploração da atividadefim da pessoa jurídica, que configura o objeto social constante nos 1 § 13. Na ocorrência de afastamento definitivo do relator, ou provisório por período superior a 2 (dois) meses, sem que tenha sido concluído o julgamento do recurso, o processo permanecerá em pauta e o Presidente da Turma de Julgamento deverá designar redator ad hoc, escolhido, preferencialmente, dentre os conselheiros que adotaram o voto exarado pelo relator afastado. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Fl. 6629DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.630 3 estatutos da entidade. Assim, a receita operacional bruta, deduzidos os valores previstos no art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, está sujeita à Cofins; a fiscalizada deduz indevidamente de sua base de cálculo as contas: “8.1.8.30.30.00.00 – PROVISOES PARA OPERACOES DE CREDITO” e “8.1.8.30.60.00.00 – PROVISOES PARA OUTROS CREDITOS – OUTROS”. No demonstrativo apresentado, as referidas contas possuem como nomenclatura “Desp. Incorridas nas Oper. de Interm. Financeira”. No entanto, podemos verificar na escrituração do contribuinte que a correta denominação e natureza das contas é de despesa de provisão para perdas no recebimento de créditos, prevista na resolução 2.682 do BACEN, que dispõe sobre critérios de classificação das operações de crédito e regras para constituição de provisão para créditos de liquidação duvidosa. (Razão e esclarecimentos encaminhados na Resposta do dia 15/08/2016); a Lei nº 9.718, de 1998, define na alínea a, inciso I, do § 6º do art. 3º, que somente poderão ser excluídas ou deduzidas da base de cálculo as despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; a intermediação financeira ou atividade financeira intermediada é realizada por instituições financeiras típicas (bancos, sociedades e cooperativas de crédito), que captam recursos junto aos agentes econômicos superavitários e os repassam aos agentes econômicos deficitários. A legislação, ao se referir a despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, reportase àquelas operações praticadas pelas instituições financeiras típicas, isto é, à atividade financeira intermediada, na qual a captação de recursos é essencial; a conta 8.1.8.30.000 – Despesas de Provisões Operacionais, de acordo com o previsto Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF, tem como função registrar os encargos necessários à formação de provisões operacionais retificadoras do Ativo. As provisões retificadoras de ativo são constituídas para registrar perdas futuras e incertas da empresa, mas com probabilidade de ocorrerem em decorrências de desvalorização esperada ou não recebimento de bens ou direitos integrantes do ativo. Ou seja, não se trata de operação de intermediação financeira; a base de cálculo da Cofins não é o lucro, mas a receita bruta, pelo que apenas por exceção há dedução de despesas decorrentes da atividadefim da contribuinte; o § 1º, art. 1º da Lei 9.701, de 1998 veda a dedução de qualquer despesa administrativa da base de cálculo; o Anexo I da IN SRF nº 247/2002, ao elencar as contas COSIF integrantes da base de cálculo das contribuições, não contempla como dedução a conta “8.1.8.30.000 – Despesas de Provisões Operacionais”. Assim como, por outro lado, também não oferece à tributação a receita proveniente da reversão das mesmas, tendo Fl. 6630DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.631 4 em vista que a conta “7.1.9.90.008 – Reversão de Provisões Operacionais” integra o Grupo de Exclusões. Inclusive, interessante se faz notar que o contribuinte excluiu a receita de reversão de provisões operacionais quando da apuração da base de cálculo. Conforme escrituração digital entregue à RFB, e também Razões apresentados na resposta do dia 22/12/2016, fica comprovado que a receita de reversão de provisão para perdas no recebimento de créditos integra a conta “7.1.9.90.008 – Reversão de Provisões Operacionais” – na subconta 7.1.9.90.60.0100; o Banco Central do Brasil, em sua Carta Circular nº 3.316, de 2008, inciso III, prevê: III – Despesas de intermediação financeira, que correspondam ao somatório dos valores referentes a: (...) m) outras despesas operacionais originadas de operações que tenham como características: serem decorrentes de intermediação financeira ou de prestação de serviços; não serem decorrente de operações relacionadas ao Ativo Permanente; não representem constituição de provisões; não representem despesas administrativas e não representem taxas pagas a prestadores de serviços terceirizados; intimado a prestar informações acerca do resultado com operações em moedas estrangeiras em espécie (Quadro I do Anexo I da IN 247/02), o mesmo esclarece no item 2 de sua resposta de 15/08/2016 que “O montante em moeda em espécie mantido pela Banco, bem como os ajustes reconhecidos no resultado por conta da variação cambial desses, não são relevantes, motivo pelo qual o Banco não se atentou à consideração de seus efeitos na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS”. Apresentou em anexo a apuração de tais valores (item 2.1), os quais foram considerados por esta fiscalização no que se refere a impossibilidade de dedução na base de cálculo do PIS e da Cofins no caso de resultado negativo, conforme previsto no o inciso II, §2º, at. 10 do Decreto nº 4.524/02; os créditos tributários foram constituídos com a exigibilidade suspensa, por força de medida liminar concedida nos autos do processo judicial nº 2005.61.00.276624 (art. 151, inciso II e IV, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional). Cientificada do auto de infração em 30/01/2017 (fl. 197/198), a contribuinte, em 24/02/2017 (fl. 206) apresentou impugnação (fls. 208/230), na qual, depois de dizer da tempestividade de sua defesa, informa que não contestará a parcela do lançamento referente às rendas de câmbio oriundas do resultado negativo com operações em moedas estrangeiras em espécie contabilizado na conta Cosif nº 71300000000, sendo certo que aguarda o reconhecimento definitivo da sua inexigibilidade nos Fl. 6631DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.632 5 autos do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0276624, cuja decisão liminar favorável suspende a sua exigibilidade, como reconhecido pelo auditor fiscal. A seguir, a impugnante alega que: a impugnação apresentada afigurase cabível e merece ser conhecida, pois trata de matéria diferente daquela sujeita à alçada do Poder Judiciário nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0276624; o auditor fiscal lavrou o auto de infração por entender que as despesas glosadas não decorreriam de operações de intermediação financeira, exemplificando que tais operações seriam aqueles em que as instituições financeiras incorrem em despesas para captação de recursos, em função de juros e demais encargos financeiros pagos aos depositantes. O único equívoco no raciocínio do auditor fiscal reside na limitação que faz a operações de captação de recursos, o que não tem base legal, tampouco razão prática na rotina das atividades da contribuinte; no exercício de suas atividades, realiza tanto operações passivas, mediante a captação de recursos financeiros, como operações ativas, de aplicação de recursos financeiros, sendo certo que ambas geram despesas de natureza de intermediação financeira e, com tal, dedutíveis da base de cálculo da Cofins, nos termos do art. 3º, § 6º, inciso I, alínea a, da Lei nº 9.718, de 37 de novembro de 1998, combinado com o art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 1.285, de 2012; a evolução legislativa acerca desse tema demonstra a higidez do direito da impugnante. Com efeito, enquanto pelo art. 1º, incisos I e III, da lei nº 9.701, de 1998, permitiase apenas a dedução de despesas de captação em operações realizadas no mercado interfinanceiro, a Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, inseriu o § 6º no art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, ampliando as exclusões e deduções já previstas, abarcando agora também as despesas incorridas nas operações de intermediação financeira por bancos comerciais e demais instituições financeiras. Essa evolução também se refletiu nas instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Instrução Normativa SRF nº 37, de 1999, e Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002). De igual modo, em seu sítio na internet, a RFB orienta a apuração da base de cálculo até 31/01/1999 com dedução de despesas de captação e a da base de cálculo a partir de 01/02/1999 com dedução de despesas incorridas nas operações de intermediação financeira. Está claro, pois, que as deduções na apuração da base de cálculo da Cofins foi ampliada pela legislação, nas quais se incluem as despesas incorridas também nas operações ativas, abrangendo as despesas de intermediação financeira com a provisão para créditos de liquidação duvidosa, a teor do art. 3º, § 6º, inciso I, da Lei nº 9.718, de 1998; Fl. 6632DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.633 6 na condição de instituição financeira, é obrigada a seguir os padrões contábeis estabelecidos pelo Banco Central do Brasil, inclusive no que se refere à constituição da provisão para créditos de liquidação duvidosa; da análise do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – Cosif, se infere que o código de aglutinação para fins de publicação nº 820 – Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa integra o grupo 15 – Despesas da Intermediação Financeira. Disso se conclui que o próprio Bacen considera a despesa com a provisão para créditos de liquidação duvidosa como despesa de intermediação financeira; a Procuradoria da Fazenda Nacional já se manifestou sobre esse tema por meio do Parecer PGFN/CAT nº 325/2009, que, embora tivesse por escopo tratar de questão fática diversa da que ora se apresenta, acabou por explorar, não só o arcabouço legal, mas também o conceito de despesa de intermediação financeira, incluindo nesta categoria as despesas incorridas com a constituição da Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa; a atividade de intermediação financeira é composta por duas pontas (captação e aplicação) necessariamente coexistentes. De forma que, no desenvolvimento de tal atividade, a instituição assume o compromisso de devolver aos poupadores os recursos captados acrescidos de remuneração (juros) e, por outro lado, a instituição assume o risco do não pagamento pelos tomadores desses recursos (do crédito por ela concedido) (i.e. na ponta aplicação), constituindose eventual inadimplência em despesa intrínseca à atividade por ela exercida nessa intermediação, já que mesmo não tendo recebido os recursos dos tomadores de crédito tem a obrigação de devolvêlos aos aplicadores; a Resolução nº 1.138, de 2008, do Conselho Federal de Contabilidade, dispõe que, nas despesas de intermediação financeira da atividade bancária estão incluídos os gastos com operações de captação, empréstimos, repasses, arrendamento mercantil e outros; o risco de inadimplência e por consequência a despesa com a PCLD não constitui elemento secundário às atividades típicas das instituições financeiras, nem mesmo ajuste contábil, mas sim verdadeiras despesas nas quais incorrem as instituições financeiras ao assumirem o risco de crédito em suas operações ativas, conforme já evidenciado. Logo, a se considerar a delimitação de critérios rigorosos à constituição da PCLD impostos pelo BACEN, se está a admitir seu impacto no ajuste de contas a receber e, consequentemente, sua natureza de despesa efetiva inerente à atividade de intermediação financeira realizada pelas instituições financeiras. Com efeito, diante daquilo que o BACEN entende como risco de perda com créditos de liquidação duvidosa, a Resolução BACEN nº 2.682/999 impõe às instituições financeiras a constituição da Fl. 6633DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.634 7 correspondente PCLD, sendo os lançamentos de partidas dobradas correspondentes: C — PCLD (Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa); D — Resultado: Despesa com PCLD desde a sua constituição, a PCLD origina uma verdadeira despesa às instituições financeiras, graduada de acordo com a classificação de nível de risco da operação, conforme os critérios estabelecidos pelos artigos 4° e 6° da Resolução BACFN n.°2.682/99, sendo que, a partir dos 180 dias de atraso, a PCLD passa a abarcar 100% da operação. Com mais 180 dias de atraso, ou seja, 360 dias o crédito será baixado e transferido, para mero controle, para contas de compensação, permanecendo intacta, entretanto, a despesa desde a sua constituição original; a despesa com a constituição da provisão para devedores duvidosos é considerada efetivamente incorrida, salvo se recuperada. Apesar de denominada impropriamente como provisão, segundo determinação do Bacen, ela não constitui uma mera expectativa de despesa para a instituição financeira, mas, sim, uma despesa efetivamente incorrida na intermediação financeira, o que é reconhecido pelo próprio Bacen ao impor o seu tratamento contábil. A caracterização da provisão para devedores duvidosos como despesa se dá, por óbvio, porque a incerteza está no recebimento do crédito em atraso, que é incerto desde que passou a inadimplente, e não na contabilização de sua perda, atendendo aos rígidos critérios do Bacen; vejase que a Lei nº 9.718, de 1998, permite também deduções a outras pessoas jurídicas, como por exemplo às empresas de seguro deduzirem da base de cálculo da Cofins a parcela dos prêmios destinadas à constituição de provisões ou reservas técnicas, Às entidades de previdência complementar e empresas de capitalização é permitido deduzir a parcela das contribuições destinadas a constituição de provisões ou reservas técnicas. Também às administradoras de plano de saúde facultase a dedução da parcela destinada à constituição de provisões técnicas; a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil previu, por meio da Instrução Normativa nº 1.285, de 2012, que as receitas decorrentes da reversão de provisões apenas poderão ser excluídas validamente da base de incidência da Cofins quando não tenham sido deduzidas da tributação quando de sua constituição. O que se quer dizer é que a pretendida dedução, além de alinhada à hipótese legal, não trará nenhum prejuízo à arrecadação, pois, na hipótese de recuperação dos ativos que originaram a provisão para devedores duvidosos, haverá a imediata subsunção das receitas correspondentes à incidência da Cofins. Se a legislação não permitisse a dedução da Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa constituída, como alega o autuante, a RFB não teria interpretado dessa maneira, isto é, não teria admitido a dedução de despesas com a constituição Fl. 6634DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.635 8 dessa provisão e vedado a exclusão de sua reversão, ainda que a contrario sensu. Afinal, a legislação não tem palavras inúteis; o argumento do auditor fiscal de que a contribuinte teria excluído receita de reversão de provisões operacionais quando da apuração da base de cálculo da Cofins no curso de 2012 não procede, uma vez que apenas lança tal informação, sem demonstrar vínculo entre a provisão revertida e excluída e as despesas com a constituição da provisão glosadas. Por certo, tratase de fatos e operações distintas e devidamente evidenciadas nas apurações contábil e fiscal da Impugnante, não guardando qualquer relação a dedução das despesas com a constituição da provisão para créditos de liquidação duvidosa e a alegada exclusão de reversão de provisões operacionais, ambas ocorridas no curso de 2012, a qual, diga se, sequer foi invalidada pelo Sr. AuditorFiscal; por estar claro que a legislação permite a dedução da base de cálculo da Cofins de despesas de intermediação financeira, sem restringir às despesas incorridas em operações passivas (i.e., ponta de captação), é evidente que não cabe ao auditor fiscal restringir, sob pena de violação do básico princípio do ubi lex non distinguit nec nos distinguere debernus, que reza não caber ao intérprete distinguir, de modo a inserir na norma requisito nela não previsto, onde a lei não distingue. A 6ª Turma da DRJ/São Paulo/SP, por meio do Acórdão 1680.591, de 26/10/2017, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 29/02/2012, 01/04/2012 a 31/05/2012, 01/07/2012 a 31/08/2012, 01/10/2012 a 31/12/2012 PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DEDUÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os valores referentes à despesa com a constituição de Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa não podem ser deduzidos na apuração da base de cálculo da Cofins. No Recurso Voluntário, a empresa reitera as razões da Impugnação, e suscita nulidade da decisão recorrida por inovação no fundamento da autuação. É o relatório." Fl. 6635DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.636 9 Voto Vencido Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Redator ad hoc Como Redator ad hoc e nos termos do art. 58, § 13 do RICARF, sirvome da minuta de voto apresentada na sessão de abril de 2019 pelo Relator Marcelo Giovani Vieira: "Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. 1 – Preliminar de nulidade da decisão recorrida A recorrente suscita a nulidade da decisão recorrida, porque teria inovado no fundamento da autuação. Conforme a empresa, o Fisco a autuou sob o entendimento de que as provisões para perdas no recebimento de créditos não poderiam ser excluídas da base de cálculo da Cofins, por não serem despesas de intermediação financeira. A decisão recorrida, sustenta a recorrente, manteve o lançamento sob o entendimento de que tais provisões não são despesas incorridas. Não lhe assiste razão. O fundamento do autuante foi mais geral que o alegado pela recorrente. Recorro, nesse sentido, ao seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 192): “As provisões retificadoras de ativo são constituídas para registrar perdas futuras e incertas da empresa, mas com probabilidade de ocorrerem em decorrências de desvalorização esperada ou não recebimento de bens ou direitos integrantes do ativo. Ou seja, não se trata de operação de intermediação financeira.” (...) “É fundamental anotar que a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da Cofins não é o lucro, mas a receita bruta, pelo que, evidentemente, apenas por exceção há dedução de despesas decorrentes da atividadefim do contribuinte. Não procede, neste sentido, a tentativa de exclusão de toda e qualquer despesa da base de cálculo indicada, pois, na verdade, a dedução somente pode ocorrer com lei autorizativa. Não obstante, o §1º, art. 1º da Lei 9.718/98 veda a dedução de qualquer despesa administrativa da base de cálculo. A Lei 9.718, de 1998, determinou, expressamente, as deduções da base de cálculo da Cofins e do PIS. E inexiste previsão de dedução de despesas de provisão”. O fundamento da autuação foi a ausência de previsão legal expressa para a dedução pretendida, de provisões em geral. Além disso, o aututante pontua também que as Fl. 6636DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.637 10 provisões são salvaguardas contábeis de perdas futuras, e por isso não são despesas de intermediação financeira. Portanto, qualquer argumento que sustente a indedutibilidade das provisões está inserida no contexto fundamentado pela autuação. Por outro lado, não foi fundamento da autuação o fato de que as provisões em foco sejam contabilizadas referentes à ponta da aplicação, e não na ponta da captação de recursos. O Fisco não fez tal diferenciação, e desse modo, são vazias as reclamações da recorrente nesse ponto. Por sua vez, a decisão recorrida corrobora o entendimento fiscal de que as provisões para perdas no recebimento de créditos não podem ser excluídas da base de cálculo da Cofins, por não pertencerem ao conceito de despesas de intermediação financeira (fl. 6.547): Por fim, corrobora, ainda, o entendimento aqui adotado o fato, destacado pelo auditor fiscal, de que o Anexo I da IN SRF nº 247/2002, ao elencar as contas COSIF integrantes da base de cálculo das contribuições, não contempla como dedução a conta “8.1.8.30.000 – Despesas de Provisões Operacionais”. No exercício próprio de sua função de instância julgadora, a decisão recorrida, aprofundando o conceito de provisões e sua distinção das despesas de intermediação financeira., procura justificar conceitualmente a razão pela qual as despesas de provisão não são previstas legalmente para dedução, acrescentando que a distinção entre despesas de intermediação financeira e despesas se reforça porque as provisões não são despesas incorridas(fl. 6.545): O fato é que, mesmo superando esses argumentos do autuante e considerando o entendimento da impugnante como válido, isto é, mesmo considerando que as despesas com Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa sejam relacionadas a intermediação financeira nas operações de aplicações de recursos, tais despesas não podem ser excluídas da base de cálculo porque não são despesas incorridas, ao contrário do que a impugnante afirma em sua defesa. Faz parte natural da dialética processual os reforços teóricos das instâncias julgadoras que contribuam para sustentar o resultado da decisão. Portanto, o argumento de que as provisões não são despesas incorridas é reforço teórico à mesma distinção já procedida pelo aututante. Afasto a preliminar. 2 – Dedutibilidade das provisões para perdas no recebimento de créditos O art. 3º,§6º, inciso I, da Lei 9.718/98 discrimina as possíveis deduções da base de cálculo do Pis e Cofins das instituições financeiras: § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § Fl. 6637DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.638 11 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito. a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; Como se vê, não há previsão para dedução de provisões. A recorrente tenta conceituar as despesas de provisões para perdas de créditos como despesas de intermediação financeira. Todavia, tais rubricas têm naturezas bem diferentes. As despesas de intermediação financeira são aquelas incorridas na operacionalização da instituição, efetivamente despendidas. Estão fundadas, contabilmente, no princípio da competência. Por sua vez, as provisões têm natureza de prevenção, fundada no princípio contábil da prudência, relativos a passivos contingentes, ainda não efetivamente incorridos. A dicção legal, quanto utiliza o termo “despesas de intermediação financeira”, não poderia pretender incluir aí as provisões, dadas as diferenças de natureza entre as rubricas. Vejase que em todos os casos em que as provisões são tratadas pela legislação, o são expressamente, no que se reconhece sua natureza específica. No próprio artigo 3º da Lei 9.718/98, quando as provisões são dedutíveis, o são expressamente, conforme os seguintes artigos parágrafos § 7o As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. § 8o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos. Fl. 6638DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.639 12 (...) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; Agora no Decreto 4.524/2002, que regulamenta a tributação de Pis e Cofins: Art. 23. Para efeito de cálculo do PIS/Pasep nãocumulativo, com a alíquota prevista no art. 59, podem ser excluídos da receita bruta, quando a tenham integrado, os valores (...) (...) V das reversões de provisões; (...) Art. 25. As operadoras de planos de assistência à saúde, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor (...) II da parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; e (...) Art. 27. As empresas de seguros privados, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor (Lei nº 9.701, de 1998, art. 1º, inciso IV, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, §§ 5º e 6º, inciso II, com a redação da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 2º): (...) III da parcela dos prêmios destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; e (...) Art. 28. As entidades fechadas e abertas de previdência complementar, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor: I da parcela das contribuições destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; e (...) I restringese aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões; e II aplicase também aos rendimentos dos ativos financeiros garantidores das provisões técnicas de empresas de seguros Fl. 6639DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.640 13 privados destinadas exclusivamente a planos de benefícios de caráter previdenciário e a seguros de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência. Art. 29. As empresas de capitalização, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor: I da parcela dos prêmios destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; e II dos rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Parágrafo único. A dedução prevista no inciso II restringese aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. Releva observar que a reversão das provisões diversas (com a exceção das acima especificadas) podem ser excluídas da base de cálculo, conforme art. 22, V, fato que é eloquente para confirmar que as provisões em geral devem compor a base de cálculo. Art. 22. Para efeito de apuração da base de cálculo de que trata este capítulo, observado o disposto no art. 23, podem ser excluídos ou deduzidos da receita bruta, quando a tenham integrado, os valores (Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º): (...) V das reversões de provisões; Portanto, todas as reversões de provisões são excluídas, o que afasta, também, as arguemtações do contribuinte quanto à redação do art. 7º, §1º, da IN RFB 1.285/12. O fato de existir a rubrica de “820 Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa”, dentro do código aglutinador “15 Despesas de Intermediação Financeira”, no Documento 8 – Demonstração do Resultado, no Manual do Cosif, não interefere no que dispõe a legislação, pois tratase de apurar, nesse demonstrativo, o resultado, enquanto a base de cálculo da Cofins é o faturamento, e não o lucro. O mesmo vale para os argumentos da recorrente quanto às exigência do Bacen para constituição dessas provisões. É que não se nega a obrigatoriedade da constituição dessas provisões, e ainda que alterem o resultado, o que se nega é que possa ser excluída da base de cálculo, o faturamento, e não o lucro. 3 Conclusão Por todo o exposto, voto pela manutenção do lançamento. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator" É o que se reproduz do voto do relator original. Fl. 6640DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.641 14 (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Redator designado É sabido que as instituições financeiras possuem como atividade principal a "intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros". Tais instituições captam recursos e os colocam à disposição no mercado. No desenvolvimento da atividade de intermediação financeira, portanto, a instituição assume o risco de não receber o valor concedido ao tomador do crédito, sendo que eventual inadimplência de fato constituiria perda intrínseca a tal atividade por ela exercida. A autuação se deu sob o fundamento de que as despesas com PCLD não decorreriam de operações de intermediação financeira. Neste sentido: "As provisões retificadoras de ativo são constituídas para registrar perdas futuras e incertas da empresa, mas com probabilidade de ocorrerem em decorrências de desvalorização esperada ou não recebimento de bens ou direitos integrantes do ativo. Ou seja, não se trata de operação de intermediação financeira." Ocorre que, as instituições financeiras são obrigadas a constituição de provisão de crédito de liquidação duvidosa PCLD pela Resolução CMN nº 2.682, de 1999. Já no plano de contas Cosif, a PCLD é classifica no subitem 820 do item 15 "despesas da intermediação financeira". A PGFN, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 325/2009, o qual, embora tivesse por escopo questão fática diversa do caso em debate, faz ponderações sobre a definição de “intermediação financeira”, conforme a seguir: “20. Notese que a intermediação financeira ou atividade financeira intermediada é realizada por instituições financeiras típicas (bancos, sociedades e cooperativas de crédito), que captam recursos junto aos agentes econômicos superavitários e os repassam aos agentes econômicos deficitários. 21. Vêse, pois, que a mediação ou intermediação financeira é a atividade de captar recursos junto a entidades econômicas Fl. 6641DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.642 15 superavitárias e repassálas às unidades econômicas deficitárias, conforme KAUFMAN.(...) 23. Voltando ao caso concreto, é inequívoco que a legislação, ao referirse a despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, reportase àquelas operações praticadas pelas instituições financeiras típicas, ou seja, à atividade financeira intermediada, onde a captação de recursos é essencial. 24. Para comprovar esta assertiva, recorrase ao Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF, instituído pela Circular no 1.273, em 29 de dezembro de 1987 que dispõe sobre os critérios e procedimentos contábeis a serem observados pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, com o objetivo de uniformizar os procedimentos de registro e elaboração de demonstrações financeiras , ao qual se submetem as instituições financeiras e as entidades a elas equiparadas (inclusive o Autor, que é sociedade supervisionada pelo Banco Central do Brasil) 25. O COSIF traz planilha que, na elaboração das demonstrações financeiras, deve ser obrigatoriamente preenchida pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. (...) 27. Notese que as despesas inseridas na rubrica despesas de intermediação financeira são "despesas de operações de captação de mercado", despesas de operações de empréstimos e repasses", " despesas de operações de arrendamento mercantil", "resultado de operações de câmbio" e "provisão para créditos de liquidação duvidosa". 28. Ou seja, como despesas de intermediação financeira foram consideradas apenas aquelas diretamente relacionadas com a atividade financeira intermediada das instituições financeiras típicas, não abrangendo outras despesas também operacionais, que podem ser incluídas como despesas administrativas ou outras despesas operacionais." Assim, é possível concluir que a PCLD é uma despesa incorrida na intermediação financeira. Por sua vez, o art. 17 da Lei nº 4.595/1964, ao definir as instituições financeiras, traz o conceito de “intermediação financeira”. Vejamos: “Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.” Fl. 6642DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.643 16 A natureza da despesa com a constituição da PCLD, constitui despesa efetiva, sendo certo que apenas no caso de eventual recebimento por meio de renegociação deverão ser apropriadas como receitas da instituição financeira, conforme previsto no parágrafo segundo, do artigo 8º, da Resolução nº 2.682: “Parágrafo 2º O ganho eventualmente auferido por ocasião da renegociação deve ser apropriado ao resultado quando do seu efetivo recebimento.” No mesmo sentido, aliás, complementa a CartaCircular BACEN nº 2.899/2000, ao dispor que: “12. Esclarecemos ainda que: "(...) VIII o ganho eventualmente auferido por ocasião da renegociação de operações de credito, calculado pela diferença entre o valor da renegociação e o valor contábil dos créditos, deve ser registrado em subtítulo de uso interno da própria conta que registra o credito e ser apropriado ao resultado somente quando do seu recebimento, mediante registro na conta RENDAS DE OPERAÇÕES DE CREDITO, segundo critérios previstos na renegociação ou proporcionalmente aos novos prazos de vencimento; IX os créditos baixados como prejuízo e porventura renegociados devem ser registrados pelo exato valor da renegociação, observado o disposto no inciso anterior quanto ao registro do ganho eventualmente auferido, a credito da conta RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS BAIXADOS COMO PREJUÍZO, com baixa simultânea dos seus valores das respectivas contas de compensação; (...)” Dispõem os arts. 7º e 8º, da Instrução Normativa n.º 1.285/12, que, repitase, limitouse a ratificar e consolidar as disposições já aplicáveis às Instituições Financeiras, in verbis: “Art. 7º As pessoas jurídicas relacionadas no art. 1º podem excluir ou deduzir da receita bruta, para efeito da determinação da base de cálculo apurada na forma do art. 3º: I as reversões de provisões;[...] § 1º Não se aplica a exclusão prevista no inciso I do caput na hipótese de provisão que tenha sido deduzida da base de cálculo quando de sua constituição.[...] Art. 8º Além das exclusões previstas no art. 7º, os bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, agências de fomento, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito e associações de poupança e empréstimo podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os valores”: I – das despesas incorridas nas operações de intermediação financeira [...]” Fl. 6643DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.644 17 Assim, é de se compreender que as receitas provenientes de reversões de PCLD poderão ser excluídas da base de cálculo de incidência do PIS e da COFINS desde que a PCLD não tenha sido deduzida no momento de sua constituição. Temse que a despesa com a constituição da PCLD é considerada efetivamente incorrida, salvo se recuperada, esclarecimento obrigatório que deve ser feito para a compreensão dos efeitos da sua exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS. Verificase que a PCLD, segundo determinação do BACEN, não constitui uma mera expectativa de despesa para a instituição financeira, mas, uma despesa efetivamente incorrida na intermediação financeira, o que é reconhecido pelo próprio BACEN ao impor o seu tratamento contábil. A caracterização da PCLD como despesa se dá, pelo fato da incerteza estar no recebimento do crédito em atraso, que é incerto e inseguro desde que passou a inadimplente e não na contabilização de sua perda, atendendo aos rígidos critérios do BACEN. É de se registrar, ainda, as importantes considerações tecidas em sessão pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, as quais transcrevo em sua íntegra: “Compreendo o entendimento do ilustre Relator, a quem externo respeito e admiração. Em síntese, defende que a legislação ordinária estabelece de forma clara que apenas podem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS as despesas. Desse modo, a conta contábil “provisão para devedores duvidosos”, por não ser despesa, mas, sim, provisão, não poderá ser excluída. Fundamenta seu entendimento no conceito contábil de provisão, destacando o princípio contábil da prudência. Não discordo, em tese, do posicionamento exposto. Contudo, vejo que na hipótese dos autos a controvérsia ultrapassa a questão relativa ao vocábulo provisão. É que, nos termos das regras contábeis aplicáveis às instituições financeiras, regulamentada pelo Banco Central do Brasil, a conta contábil “provisão para devedores duvidosos”, a despeito da sua nomenclatura, é uma conta representativa de despesa. Tanto é assim que no Plano contábil das instituições financeiras há determinação expressa de que, na demonstração de resultado de aplicação obrigatória, a conta “Provisão para Créditos de LiquidaçãoDuvidosa” deve estar inserida como “despesas da intermediação financeira”: 15 DESPESAS DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA 812 Operações de Captação no Mercado 814 Operações de Empréstimos e Repasses Fl. 6644DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.645 18 816 Operações de Arrendamento Mercantil (*) Resultado de Operações de Câmbio 818 Operações de Venda ou de Transferência de Ativos Financeiros 820 Provisão para Créditos de LiquidaçãoDuvidosa Com efeito, “provisão” é contabilmente definida como um passivo de prazo ou valor incertos. Ou seja, aquela operação provisionada ocorrerá, apenas não se sabe quando e em qual montante. Por outro lado, a “despesa” é efetiva, incorrida. Nos termos da RESOLUÇÃO BACEN Nº 3823, que “dispõe sobre procedimentos aplicáveis no reconhecimento, mensuração e divulgação de provisões, contingências passivas e contingências ativas”: “Art. 1º As instituições financeiras e as demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil devem observar o Pronunciamento Técnico CPC 25, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), no reconhecimento, mensuração e divulgação de provisões, contingências passivas e contingências ativas.” Referido Pronunciamento Técnico CPC 25 Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingente define o termo “provisão”: “10. Os seguintes termos são usados neste Pronunciamento, com os significados especificados: Provisão é um passivo de prazo ou de valor incertos.” O Pronunciamento CPC 25, que, como dito, aborda exatamente as provisões aplicáveis às instituições financeiras, expressamente exclui os créditos de liquidação duvidosa do seu âmbito de análise: “7 Este pronunciamento define provisão como passivo de prazo ou valor incertos. Em alguns países o termo “provisão” é também usado no contexto de itens tais como depreciação, redução ao valor recuperável de ativos e créditos de liquidação duvidosa: estes são ajustes dos valores contábeis de ativos e não são tratados neste Pronunciamento Técnico.” Ou seja, o CPC 25, que, justamente, define o que seja provisão e qual o tratamento contábil que deve ser dado às provisões, expressamente exclui os créditos de liquidação duvidosa de seu alcance. Ou seja, por conclusão lógica, créditos de liquidação duvidosa não recebem o tratamento contábil de provisão. Mais adiante, ainda o CPC 25 aborda questão relativa à perda operacional futura: “Perda operacional futura Fl. 6645DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.646 19 63. Provisões para perdas operacionais futuras não devem ser reconhecidas. 64. As perdas operacionais futuras não satisfazem à definição de passivo do item 10, nem os critérios gerais de reconhecimento estabelecidos no item 14. 65. A expectativa de perdas operacionais futuras é uma indicação de que certos ativos da unidade operacional podem não ser recuperáveis. A entidade deve testar esses ativos quanto à recuperabilidade segundo o Pronunciamento Técnico CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos. 10. Os seguintes termos são usados neste Pronunciamento, com os significados especificados: Passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos. 14. Uma provisão deve ser reconhecida quando: (a) a entidade tem uma obrigação presente (legal ou não formalizada) como resultado de evento passado; (b) seja provável que será necessária uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos para liquidar a obrigação; e (c) possa ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação. Se essas condições não forem satisfeitas, nenhuma provisão deve ser reconhecida.” Ou seja, uma Provisão para perdas operacionais futuras, não pode ser reconhecida como provisão. E, nos termos da normatização supra, observase que para que um lançamento seja considerado provisão para perdas operacionais futuras, ele não poderá ter um recebimento provável ou mesmo uma estimativa confiável de valor. Em outras palavras, se houver previsibilidade de recebimento e confiabilidade na estimativa de recebimento, esse lançamento não será perda operacional futura, mas, sim provisão em sentido estrito. No caso da PCLD, os recursos só são ali contabilizados justamente quando se perde a expectativa de recebimento e a confiabilidade do valor. Por isso, ela se enquadra exatamente como provisão para perdas operacionais futuras que, por expressa disposição, não podem ser reconhecidas. E, complementase, contabilmente a expressão “reconhecimento” significa dizer “incorporado a uma demonstração contábil”: uma provisão para perdas operacionais futuras não pode ser reconhecida como provisão. Se o contribuinte possui uma “Provisão para perda operacional futura”, ele não poderá divulgar em seus resultados tal valor como sendo “provisão”, sob pena de maquiar a sua realidade, já que, provisão, como Fl. 6646DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.647 20 exaustivamente mencionado, é apenas aquilo para o qual se tem uma probabilidade maior de recebimento e uma previsibilidade quanto ao montante. E os lançamentos da PCLD são exatamente aquelas “obrigações” cuja probabilidade maior é de não recebimento, além de não possuírem qualquer previsibilidade acerca do valor pela qual poderão eventualmente vir a ser liquidadas. Dentro do cenário exposto, vejase que a Fiscalização adota premissa que acaba por validar todo o exposto. Afirmouse: “As provisões retificadoras de ativo são constituídas para registrar perdas futuras e incertas da empresa, mas com probabilidade de ocorrerem em decorrências de desvalorização esperada ou não recebimento de bens ou direitos integrantes do ativo. Ou seja, não se trata de operação de intermediação financeira.” Vejase que a Fiscalização considerou o lançamento contábil do contribuinte como sendo provisão exatamente por ter uma probabilidade de ocorrer. Toda a explanação contábil supra demonstra exatamente que para a PCLD, não há uma probabilidade de ocorrer a despesa. O lançamento da PCLD só é legitimado justamente quando a probabilidade de “não ocorrer” é superior à probabilidade de “ocorrer”. Ademais, como demonstrado no bem fundamentado voto do Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, os normativos do BACEN são bastante claros ao definir que a conta de provisão para devedores duvidosos representa despesa efetiva. E também deixa claro que apenas que o recebimento destes valores serão reconhecidos como receita se e no momento em que se “recuperarem”. Caso se admita a prevalência do entendimento fiscal, a contribuinte será penalizada com a dupla incidência de tributos sobre uma mesma parcela: no momento que o “Prejuízo” foi lançado na conta de PCLD (já que não se admite sua dedução exclusão) no momento da eventual recuperação (recuperação esta, conforme regulamentação BACEN, pouco provável) E ainda que se defenda que, caso não deduzida (como pede a Fiscalização), a recuperação desse prejuízo poderá ser futuramente excluída na apuração, estará se imputando à Recorrente, uma instituição Financeira regulamentada e fiscalizada, que descumpra uma determinação expressa do BACEN. Fl. 6647DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.648 21 Para que não restem dúvidas, repiso os termos da CartaCircular BACEN nº 2.899/2000: “12. Esclarecemos ainda que: "(...) VIII o ganho eventualmente auferido por ocasião da renegociação de operações de credito, calculado pela diferença entre o valor da renegociação e o valor contábil dos créditos, deve ser registrado em subtítulo de uso interno da própria conta que registra o credito e ser apropriado ao resultado somente quando do seu recebimento, mediante registro na conta RENDAS DE OPERAÇÕES DE CREDITO, segundo critérios previstos na renegociação ou proporcionalmente aos novos prazos de vencimento; IX os créditos baixados como prejuízo e porventura renegociados devem ser registrados pelo exato valor da renegociação, observado o disposto no inciso anterior quanto ao registro do ganho eventualmente auferido, a credito da conta RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS BAIXADOS COMO PREJUÍZO, com baixa simultânea dos seus valores das respectivas contas de compensação; (...)”” Logo, a meu ver, não há como se analisar o alcance da legislação da COFINS quanto aos critérios de dedução e exclusão de forma dissociada das regras contábeis aplicáveis, sob pena, inclusive, de violação ao art. 110 do CTN. “Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.” Não é porque a conta contábil recebe o nome de “provisão” que ela deva ser necessariamente entendida como “provisão” na acepção contábil do termo. E, como demonstrado, seja pelo exame dos conceitos contábeis, e seja, especialmente, pelo exame de todo arcabouço normativo do BACEN, resta claro que a PCLD é uma conta representativa de despesa e é assim que deve ser tratada para fins tributários.” Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 6648DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.649 22 Possuo muitos entendimentos convergentes com o do nobre colega relator, mas neste caso em concreto, venho por meio desta declaração de voto apresentar este breve entendimento divergente. Verificase que a fiscalização fundamentou seu lançamento sob a premissa de que as movimentações e registros contábeis configurariam receitas operacionais e por isso deveriam ser tributadas, conforme trecho do relatório presente na decisão de primeira instância transcrito a seguir: “A seguir, o auditor fiscal assim fundamenta o lançamento de ofício: o Supremo Tribunal Federal adotou o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, devendo ser excluídas da base de cálculo tão somente as receitas estranhas ao objeto social da sociedade, ou seja, aquelas que não sejam oriundas do exercício das atividades empresariais, de exploração da atividadefim da pessoa jurídica, que configura o objeto social constante nos estatutos da entidade. Assim, a receita operacional bruta, deduzidos os valores previstos no art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, está sujeita ao PIS/Pasep; a fiscalizada deduz indevidamente de sua base de cálculo as contas: “8.1.8.30.30.00.00 – PROVISOES PARA OPERACOES DE CREDITO” e “8.1.8.30.60.00.00 – PROVISOES PARA OUTROS CREDITOS – OUTROS”. No demonstrativo apresentado, as referidas contas possuem como nomenclatura “Desp. Incorridas nas Oper. de Interm. Financeira”. No entanto, podemos verificar na escrituração do contribuinte que a correta denominação e natureza das contas é de despesa de provisão para perdas no recebimento de créditos, prevista na resolução 2.682 do BACEN, que dispõe sobre critérios de classificação das operações de crédito e regras para constituição de provisão para créditos de liquidação duvidosa. (Razão e esclarecimentos encaminhados na Resposta do dia 15/08/2016); a Lei nº 9.718, de 1998, define na alínea a, inciso I, do § 6º do art. 3º, que somente poderão ser excluídas ou deduzidas da base de cálculo as despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; a intermediação financeira ou atividade financeira intermediada é realizada por instituições financeiras típicas (bancos, sociedades e cooperativas de crédito), que captam recursos junto aos agentes econômicos superavitários e os repassam aos agentes econômicos deficitários. A legislação, ao se referir a despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, reportase àquelas operações praticadas pelas instituições financeiras típicas, isto é, à atividade financeira intermediada, na qual a captação de recursos é essencial;” Contudo, a premissa apresentada pela fiscalização não procede, uma vez que tratase de despesa de intermediação financeira e não receita. É uma despesa operacional e não uma receita operacional e, por esta razão, os tributos não incidem. Fl. 6649DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.650 23 Este é um breve registro a respeito da delimitação dos fatos e a respeito da lide submetida à este colegiado, de forma que, verificada ausência de validade da premissa utilizada pela fiscalização, a matéria será devidamente desenvolvida e trabalhada no voto vencedor deste julgamento. Diante do exposto, votase para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Declaração de voto proferida. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 6650DF CARF MF
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