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Numero do processo: 13963.000525/2006-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO. SIMPLES FEDERAL. DESMEMBRAMENTO.
A pessoa jurídica resultante de desmembramento de outra pessoa jurídica não pode optar pelo Simples Federal.
EXCLUSÃO. EFEITOS.
A exclusão do Simples Federal opera-se com efeitos retroativos nas
hipóteses previstas na legislação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
Numero da decisão: 1001-000.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO. SIMPLES FEDERAL. DESMEMBRAMENTO. A pessoa jurídica resultante de desmembramento de outra pessoa jurídica não pode optar pelo Simples Federal. EXCLUSÃO. EFEITOS. A exclusão do Simples Federal opera-se com efeitos retroativos nas hipóteses previstas na legislação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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SIMPLES FEDERAL. DESMEMBRAMENTO. A pessoa jurídica resultante de desmembramento de outra pessoa jurídica não pode optar pelo Simples Federal. EXCLUSÃO. EFEITOS. A exclusão do Simples Federal operase com efeitos retroativos nas hipóteses previstas na legislação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 05 25 /2 00 6- 11 Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13963.000525/200611 Acórdão n.º 1001000.801 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 439 a 454) interposto contra o Acórdão nº 0727.946, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (fls. 422 a 435), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO. SIMPLES FEDERAL. DESMEMBRAMENTO. A pessoa jurídica resultante de desmembramento de outra pessoa jurídica não pode optar pelo Simples Federal. EXCLUSÃO. EFEITOS. A exclusão do Simples Federal operase com efeitos retroativos nas hipóteses previstas na legislação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de manifestação de inconformidade contra exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Federal. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 13963.000525/200611 Acórdão n.º 1001000.801 S1C0T1 Fl. 4 3 A exclusão do Simples Federal, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 93, de 14 de junho de 2011, teve como motivo a constatação de que o sujeito passivo enquadrase na hipótese prevista no artigo 9º, inciso XVII, da Lei nº 9.317/96, ou seja, é resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica. Inconformado o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, com as alegações expostas abaixo. Defende a nulidade do Ato Declaratório Executivo, pois este não teria apresentado a fundamentação legal do fato da exclusão, que seria distinta da exclusão em si mesma, esta sim baseada tão somente no art. 9º, XVII, da Lei n° 9.317/96. Aduz que o Delegado da Receita Federal em Florianópolis não poderia excluir a manifestante de ofício baseada somente nas suposições apuradas pelo INSS sem realizar os próprios levantamentos, com direito a larga instrução probatória e ao contraditório, o que caracteriza cerceamento de defesa. Em suas palavras: Isso porque a representação a que alude o art. 15, § 4o, da Lei n° 9.317/96 não permite que haja a exclusão de ofício pela Receita Federal. Ela apenas determina que caso o INSS constate uma das situações de exclusões previstas no art. 13, II, da mencionada lei, este deva representar à SRF. Alude que, segundo seu Contrato Social, a empresa não nasceu de cisão nem de qualquer espécie de desmembramento de outra pessoa jurídica para que possa ser excluída do Simples Federal com suporte no art. 9º, XVII, da Lei n° 9.317/96. A contribuinte contesta representação à RFB realizada pelo INSS, afirmando a improcedência da notificação fiscal em que a Previdência apura suas suposições. Afirma que na instituição da empresa não houve a constituição por interpostas pessoas ou por meio de cisão, como afirmou a Previdência. A empresa teria sido idealizada sem qualquer pretensão de burlar o Fisco, seja porque, constituída em 2000, iniciou suas atividades industriais apenas em meados de 2004, seja porque os sócios, quer os antigos ou os atuais, foram ou ainda são efetivamente seus cotistas. Argumenta ainda que não há qualquer impedimento na legislação do Simples Federal que vede a criação de empresas de ramo similar em decorrência do grau de parentesco. Em sua palavras: Aliás, é justamente por se tratar de empresas constituídas por pessoas de estreito laço familiar que há o inevitável estreitamento de laços profissionais. Nesse âmbito, é algo absolutamente natural que a MAFFERSON (empresa do Sr. Jefferson Zappelini) passasse a auxiliar a manifestante (empresa de seus irmãos e posteriormente de suas tias), pois a ajuda mútua, nesse caso, visou a redução de custos para a MAFFERSON (o que não é legalmente vedado), e a alavancagem dos negócios para a manifestante. Esclarece que a industrialização por encomenda pode ser definida como a operação em que um estabelecimento (encomendante), contrata com outro Fl. 487DF CARF MF Processo nº 13963.000525/200611 Acórdão n.º 1001000.801 S1C0T1 Fl. 5 4 (industrializador), a execução de uma operação definida como industrialização, remetendo, para esse fim, insumos de produção própria ou adquiridos de terceiros, os quais deverão retornar ao estabelecimento autor da encomenda devidamente industrializados. Afirma então que essa seria a relação única existente entre a manifestante e a Mafferson, com esta remetendo a matériaprima para que a manifestante industrialize o material que será posteriormente utilizado para comercialização. Essa operação teria sido sempre realizada dentro dos trâmites legais, conforme notas fiscais analisadas pelo próprio Fisco Previdenciário. Utilizase de análise do RICMS e do RIPI para concluir que a atividade desenvolvida pela manifestante para a Mafferson é mera operação da industrialização, com competências dos Estados e da União Federal para exigência dos respectivos tributos. Argumenta que: Validamente, nada obsta que pessoas jurídicas enquadradas no SIMPLES possam industrializar para empresas maiores que não se enquadram nesse regime de tributação, sem que isso, no entanto, represente que se tratam de empresas constituídas com o intuito de fraudar o Fisco. Assim é que a manifestante não pode ter sua personalidade jurídica desconsiderada para fins previdenciários, pois não optou indevidamente pelo SIMPLES e nunca simulou qualquer das suas atividades, não se podendo falar em pessoa jurídica "resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência desta Lei." Aduz que no direito privado, diferentemente do que acontece no direito público, tudo o que a lei não proíbe é permitido. Assim, não seria vedado que uma empresa industrialize para terceiros sua produção. Afirma ainda que a exclusão do Simples Federal ora combatida não poderia operar efeitos pretéritos no tempo para atingir créditos tributários anteriores à própria data da decisão de exclusão, isto baseado no princípio da irretroatividade da lei tributária (CF/88, art. 150, III, a; CTN, art. 116). Também o art. 103, I, do Código Tributário Nacional diz que só entram em vigor os atos normativos de autoridade administrativa na data de sua publicação, o que resultaria na conclusão de que não podem surtir seus efeitos antes da publicação. Reforçaria ainda mais a idéia de que a exclusão do Simples Federal não pode produzir efeitos pretéritos no tempo o enunciado que é trazido pelo art. 146 do Código Tributário Nacional. Aduz ainda que haverá de ser observada a restrição decadencial contida no Código Tributário Nacional, pois, conforme se sabe, os tributos sujeitos ao lançamento por homologação (CTN, art. 150) têm sua decadência, caso não haja expressa homologação pelo Fisco, em 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador (§ 4o). Afirma que não pode ser exigido da manifestante o crédito tributário referente ao período superior a 5 (cinco) anos, uma vez que este crédito estaria corroído pela decadência tributária. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 13963.000525/200611 Acórdão n.º 1001000.801 S1C0T1 Fl. 6 5 Requer, por fim, que seja decretado o cancelamento do Ato Declaratório Executivo n° 93, de 14 de junho de 2011, ou, subsidiariamente, caso se mantenha o combatido Ato Declaratório Executivo, que se declare que seus efeitos só podem surtir efeitos a partir da data de sua publicação, ou que se reconheça a decadência tributária de período superior a 5 (cinco) anos, nos termos do Código Tributário Nacional. É o relatório." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base na mesmas alegações já aventadas em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) 1. Da nulidade do ato Nas razões de apelo, a contribuinte alega que não foram observadas suas garantias ao contraditório e à ampla defesa. Defende a nulidade do Ato Declaratório Executivo, pois este não teria apresentado a fundamentação legal do fato da exclusão, que seria distinta da exclusão em si mesma, esta sim baseada tão somente no art. 9º, XVII, da Lei n° 9.317/96. Aduz que o Delegado da Receita Federal em Florianópolis não poderia excluir a manifestante de ofício baseada somente nas suposições apuradas pelo INSS sem realizar os próprios levantamentos, com direito a larga instrução probatória e ao contraditório, o que caracteriza cerceamento de defesa. Em suas palavras: Fl. 489DF CARF MF Processo nº 13963.000525/200611 Acórdão n.º 1001000.801 S1C0T1 Fl. 7 6 Isso porque a representação a que alude o art. 15, § 4o, da Lei n° 9.317/96 não permite que haja a exclusão de ofício pela Receita Federal. Ela apenas determina que caso o INSS constate uma das situações de exclusões previstas no art. 13, II, da mencionada lei, este deva representar à SRF. Em atenção ao alegado, observase que o ato de exclusão, Ato Declaratório Executivo DRF/Florianópolis nº 093, de 14 de junho de 2011, está assim redigido: O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM FLORIANÓPOLIS SC, [...],declara: Art. 1o O contribuinte DOPP COMÉRCIO E SERVIÇOS EM ARTIGOS DE VESTUÁRIOS E ACESSÓRIOS LTDA EPP, CNPJ n° 03.827.975/000186, excluído do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Federal, por ter incidido em hipótese de vedação ao regime conforme estabelecido pelo inciso XVII do artigo 9o da Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Art. 2o A presente exclusão surtirá efeitos a partir de 01/03/2004, conforme disposto no inciso II do artigo 15° da Lei 9.317/1996, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC. O ato de exclusão está fundamentado em despacho emitido pela DRF/Florianópolis e representação administrativa, bem como tem por suporte os documentos anexados aos autos, que demonstrariam que o sujeito passivo teria incidido na hipótese de exclusão prevista no inciso XVII do artigo 9º da Lei nº 9.317/96. Observase ainda que o ato de exclusão prevê a possibilidade de manifestação de inconformidade, no prazo de trinta dias. O ato de exclusão, desta forma, esclarece qual a hipótese legal à que a contribuinte estaria incorrendo, não restringindo a defesa da contribuinte, o que afasta a alegação de falta de apresentação da fundamentação legal. Em relação à representação efetuada pelo INSS, esta apenas instaurou o procedimento fiscal preparatório, que tem por objetivo verificar a ocorrência dos fatos descritos naquela representação, buscando documentos tendentes a comprovar estes fatos. Esta fase a autoridade fiscal atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe. Os procedimento investigatórios, todavia, revelaramse prescindíveis diante dos documentos anexados a representação, razão pela qual não houve necessidade de intimar a interessada a apresentar novas informações. Esclarecese ainda que nesta etapa não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há, ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tão somente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 13963.000525/200611 Acórdão n.º 1001000.801 S1C0T1 Fl. 8 7 A fase litigiosa do procedimento somente foi instaurada com a apresentação da manifestação de inconformidade, quando restou caracterizado o conflito de interesses submetido à administração. À litigância e consequente solução desse conflito é que se aplicam as garantias constitucionais da observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Não merece guarida, portanto, a preliminar de nulidade do ato de exclusão. 2. Da exclusão A contribuinte alega que, segundo seu Contrato Social, a empresa não nasceu de cisão nem de qualquer espécie de desmembramento de outra pessoa jurídica para que possa ser excluída do Simples Federal com suporte no art. 9º, XVII, da Lei n° 9.317/96. Contesta a representação à RFB realizada pelo INSS, afirmando a improcedência da notificação fiscal em que a Previdência apura suas suposições. Afirma que na instituição da empresa não houve a constituição por interpostas pessoas ou por meio de cisão, como afirmou a Previdência. A empresa teria sido idealizada sem qualquer pretensão de burlar o Fisco, seja porque, constituída em 2000, iniciou suas atividades industriais apenas em meados de 2004, seja porque os sócios, quer os antigos ou os atuais, foram ou ainda são efetivamente seus cotistas. Argumenta ainda que não há qualquer impedimento na legislação do Simples Federal que vede a criação de empresas de ramo similar em decorrência do grau de parentesco. Em sua palavras: Aliás, é justamente por se tratar de empresas constituídas por pessoas de estreito laço familiar que há o inevitável estreitamento de laços profissionais. Nesse âmbito, é algo absolutamente natural que a MAFFERSON (empresa do Sr. Jefferson Zappelini) passasse a auxiliar a manifestante (empresa de seus irmãos e posteriormente de suas tias), pois a ajuda mútua, nesse caso, visou a redução de custos para a MAFFERSON (o que não é legalmente vedado), e a alavancagem dos negócios para a manifestante. Esclarece que a industrialização por encomenda pode ser definida como a operação em que um estabelecimento (encomendante), contrata com outro (industrializador), a execução de uma operação definida como industrialização, remetendo, para esse fim, insumos de produção própria ou adquiridos de terceiros, os quais deverão retornar ao estabelecimento autor da encomenda devidamente industrializados. Afirma então que essa seria a relação única existente entre a manifestante e a Mafferson, com esta remetendo a matériaprima para que a manifestante industrialize o material que será posteriormente utilizado para comercialização. Essa operação teria sido sempre realizada dentro dos Fl. 491DF CARF MF Processo nº 13963.000525/200611 Acórdão n.º 1001000.801 S1C0T1 Fl. 9 8 trâmites legais, conforme notas fiscais analisadas pelo próprio Fisco Previdenciário. Utilizase de análise do RICMS e do RIPI para concluir que a atividade desenvolvida pela manifestante para a Mafferson é mera operação da industrialização, com competências dos Estados e da União Federal para exigência dos respectivos tributos. Argumenta que: Validamente, nada obsta que pessoas jurídicas enquadradas no SIMPLES possam industrializar para empresas maiores que não se enquadram nesse regime de tributação, sem que isso, no entanto, represente que se tratam de empresas constituídas com o intuito de fraudar o Fisco. Assim é que a manifestante não pode ter sua personalidade jurídica desconsiderada para fins previdenciários, pois não optou indevidamente pelo SIMPLES e nunca simulou qualquer das suas atividades, não se podendo falar em pessoa jurídica "resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência desta Lei." Aduz que no direito privado, diferentemente do que acontece no direito público, tudo o que a lei não proíbe é permitido. Assim, não seria vedado que uma empresa industrialize para terceiros sua produção. A autoridade fiscal, por outro lado, relata na representação que redundou na emissão do Ato Declaratório que excluiu a contribuinte da sistemática de tributação simplificada a existência de um grupo econômico de fato, onde uma empresa dita mantenedora seria a responsável pela direção ou controle das demais, que dela se originaram. Assim, em sendo a empresa original impedida de optar pelo Simples Federal e as demais sendo desmembramentos da primeira, todas estariam impedidas de recolher seus tributos por tal regime tributário. Neste ponto convém ressaltar que não é permitida a inclusão no Simples Federal de pessoa jurídica resultante de cisão ou qualquer tipo de desmembramento que venha a mascarar o exercício de atividade vedada ou o faturamento acima do limite máximo fixado por lei para participação no sistema, conforme previsto no inciso XVII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996: Lei nº 9.317/1996. Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XVII que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência desta Lei; O desmembramento caracterizase pela transferência de bens patrimoniais para formação de capital de nova empresa, a partir da divisão de uma pessoa jurídica e constituição de outra, seguida da transmissão para esta de parte do ativo e passivo do patrimônio da primeira pessoa jurídica, inclusive no que se refere ao desmembramento, objetivando a exploração, em Fl. 492DF CARF MF Processo nº 13963.000525/200611 Acórdão n.º 1001000.801 S1C0T1 Fl. 10 9 separado, de atividades diferentes, e a formação de outra ou de várias empresas, com a conseqüente diminuição do capital daquela considerada como primeira. O dispositivo legal, desta forma, tem por finalidade evitar que a pessoa jurídica, no intuito de se adequar à sistemática e se utilizar das prerrogativas do Simples, proceda ao desmembramento da sua empresa em duas ou mais, de modo a beneficiarse do limite fixado para o respectivo enquadramento como ME ou EPP, ou de separar a exploração de atividade com adesão permitida pelo novo sistema de outra cuja vedação é clara na forma do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996. Sendo esta situação transcrita no ato de exclusão, é necessário proceder à análise dos elementos contratuais societários da contribuinte para identificar a existência ou não do desmembramento. Pela análise dos documentos acostados aos autos, juntamente com as informações alinhavadas pela representação fiscal e pela manifestação de inconformidade, podemos traçar o seguinte quadro gerencial e societário das empresas relacionadas a representação em questão: Consta dos autos a informação de que o parque fabril que guarnece a Sidertex é de propriedade da Mafferson e foi gratuitamente cedido. A representação traz as seguintes constatações acerca dos contratos societários: Desde setembro/1989 membros da família Zappelini assumem a administração da Indústria e Comércio Mafferson Ltda, figurando os pais nas diretorias financeira e comercial e o filho Jefferson Zappelini na função de diretor geral da empresa. A partir de abril/2003 os pais retiramse do negócio e o empresário Jefferson Zappelini passa a exercer a administração exclusiva. Rafaela Milioli Breciani Zappelini que ingressa na sociedade na condição de sócia cotista, é filha do Sr. Humberto Zappelini Filho, irmão de Jefferson Zappelini. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 13963.000525/200611 Acórdão n.º 1001000.801 S1C0T1 Fl. 11 10 Em maio/2000 foi constituída sociedade pelos irmãos Anderson Zappelini e Humberto Zappelini Filho para abertura de uma loja no centro de Criciúma, voltada para o comércio de confecções e acessórios. Em abril/2003 ficou alterada a denominação Dopp Comércio e Serviços em Artigos do Vestuário e Acessórios Ltda EPP e objetivo social, transferida a sede para o atual endereço sendo que a administração passa a ser exercida pelo empresário Jefferson Zappelini. A partir de novembro/2004 os irmãos retiramse da sociedade com o ingresso das seguintes sócias cotistas: Maria Célia Milanez e Marlene Milanez. Finalmente, em janeiro/2005 a Sidertex Indústria e Comércio do Vestuário Ltda EPP inicia suas atividades, com 52 (cinqüenta e dois) trabalhadores, no ramo de facção exclusiva para o sujeito passivo, figurando o empresário Jefferson Zappelini como administrador nomeado pelas sócias contratuais Dalila Reginalda da Rosa Zappelini (sua esposa) e Christina Nuernberg Zappelini (sua cunhada). Alguns dos sócios apresentaram vínculos empregatícios com estas e outras empresas, conforme ilustrado no abaixo: A representação fiscal fornece ainda as seguintes informações: No dia 20/09/2006 foi realizada visita à sede do sujeito passivo para o recebimento da documentação solicitada. Na oportunidade a auditoria fiscal foi atendida pelo senhor Dedier A. Haag e Dr. Moisés. Os documentos referentes a Mafferson e a pessoa jurídica Dopp estavam depositados na sede do sujeito passivo (Mafferson). Fica evidente que a Dopp Comércio e Serviços em Artigos do Vestuário e Acessórios Ltda EPP não possui gerencia administrativa autônoma. A administração e orientação empresarial é originada na Mafferson, detentora da marca "Dopping" que representa o sujeito passivo no mercado da moda em jeans. Tratase de 02 (dois) pavilhões industriais em alvenaria com frente para a avenida Santos Dumont e fundos para a rua Mem de Sá, no bairro São Luiz. No pavilhão da esquerda n° 1665 fica a sede social do sujeito passivo e o da direita identificado pelo n° 170510, seria o endereço formal da sede social da optante Dopp Comércio e Serviços em Artigos do Vestuário e Acessórios Ltda EPP, mas na verdade é utilizado como espaço fabril do sujeito passivo, sendo ocupado pelos setores de bordado, expedição, lavanderia e acabamento. O portão principal pela rua Santos Dumont dá acesso ao pátio interno que serve indistintamente aos dois prédios. Conforme disposição contratual a Sidertex inicia suas as atividades em janeiro/2005 tendo por sócias as Sras. Dalila Reginalda da Rosa Zappelini e Christina Nuernberg Zappelini. De fato a Sidertex, administrada por Jefferson Zappelini, opera como unidade de produção do sujeito passivo (Mafferson). Recebe as peças em jeans, já cortadas, realiza o fechamento (costura) e devolve o produto para a Mafferson. Esta operação é denominada pelo sujeito passivo como "industrialização por encomenda", consoante designação constante das notas fiscais de saída, abaixo retratadas por amostragem. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13963.000525/200611 Acórdão n.º 1001000.801 S1C0T1 Fl. 12 11 Convém destacar que o trabalho realizado na Sidertex é voltado exclusivamente para o sujeito passivo (Mafferson). Pois bem: deste a constituição da Sidertex em novembro/2004, Jefferson Zappelini é nomeado com administrador não sócio. Em junho/2006 por meio de alteração contratual Jefferson Zappelini é destituído do cargo de administrador não sócio e as próprias sócias Dalila e Christina ficam nomeadas como sócias administradoras. Nesta mesma alteração contratual foi introduzida especial disposição no parágrafo terceiro da cláusula primeira, no sentido de permitir a constituição e nomeação de administradores nãosócios. [...] No dia 01/11/2006 foi, pela auditoria fiscal, realizada uma contagem física por amostragem dos trabalhadores que se encontravam desenvolvendo suas atividades laborais, nas várias dependências do sujeito passivo na avenida Santos Dumont. Os auditores foram acompanhados pela Sra. Sandra R.M. Marcelo (Gerente de Recursos Humanos da Dopp) e Júnior Lourenço (Contador da Mafferson). Na verificação física realizada ficou sobejamente evidenciada a comunhão administrativa e funcional entre o sujeito passivo e a pessoa jurídica Dopp. De fato, não há qualquer distinção entre as empresas. A diferença, como já foi dito, fica limitada ao plano jurídicoformal. Os trabalhadores desenvolvem suas atividades nos vários setores de uma mesma empresa (Pessoal, Financeiro, Desenvolvimento, Corte, Montagem; Acabamento, Controle de Qualidade, Expedição, Comercial, Faturamento, etc.) independentemente do registro estar formalizado na Mafferson ou Dopp. Os próprios empregados apresentavam dificuldades para identificar com segurança em qual delas estariam registrados. Foi necessário até mesmo o auxílio do setor de pessoal para a confirmação da real vinculação do trabalhador. Alguns buscavam, durante o procedimento, confirmar através do crachá que, em alguns casos, não estavam corretos. Na verificação feita nas dependências do imóvel designado formalmente como sede social da Dopp, ou seja, no pavilhão identificado pelo sujeito passivo como de número 1665B, a situação se repete. Naquele espaço funcionam também alguns setores tais como expedição, bordados, acabamento e lavanderia e os trabalhadores de forma indistinta possuem vínculos empregatícios formalizados com a Dopp ou Mafferson. No mesmo sentido, o Almoxarifado do sujeito passivo atende as solicitações de materiais, independentemente do requisitante pertencer formalmente aos quadros da Mafferson ou Dopp. Inclusive ali, as empregadas Roseli Nagel, Sandra A. N. Cardoso e Aline Zanivan Macan, lotadas no almoxarifado, não puderam identificar com certeza qual o seu empregador formal: Mafferson ou Dopp. Seguindo na transcrição de informações relevantes para a definição da lide trazidas na representação fiscal, o quadro abaixo ilustra a relação entre a quantidade de empregados e o faturamento das empresas: Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13963.000525/200611 Acórdão n.º 1001000.801 S1C0T1 Fl. 13 12 A contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, não questiona os dados trazidos pelo Fisco, defendendo apenas a regularidade de suas atividades e de sua inclusão no Simples Federal. Sendo estas as informações trazidas aos autos, mostrase nítida a presença de simulação nos negócios da contribuinte, com a finalidade de evitar a tributação. O conceito jurídico de simulação encontrase bem delimitado por De Plácido e Silva, entendendo como: [...] o artifício ou o fingimento na prática ou na execução de um ato, ou contrato, com a intenção de enganar ou de mostrar o irreal como verdadeiro, ou lhe dando aparência que não possui [...] No sentido jurídico, sem fugir ao sentido normal, é o ato jurídico aparentado enganosamente ou com fingimento, para esconder a real intenção ou para subversão da verdade. Na simulação, pois, visam sempre os simuladores a fins ocultos para engano e prejuízo de terceiros” (Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Ed. Forense, 1990). Luciano Amaro complementa que “a simulação seria reconhecida pela falta de correspondência entre o negócio que as partes realmente estão praticando e aquele que elas formalizam.” (Amaro, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 13ª Ed. Ed Saraiva, 2007, p. 231) Ou seja, simular, no âmbito jurídico, significa aparentar algo que não existe, devendo, ainda, estar presente o aspecto volitivo, qual seja o intuito de prejuízos a terceiros. A autoridade fiscal, ao verificar que o sujeito passivo utilizouse de simulação para esquivarse do pagamento de tributo, tem o dever de aplicar a legislação tributária de acordo como os fatos efetivamente ocorrem, em detrimento daquela verdade jurídica aparente. Ives Gandra e Paulo Lucena defendem esta posição, ressaltando que: No campo do direito tributário, portanto, a verdade material prevalece sobre a estrutura jurídica de direito privado adotada para encobrir a real intenção das partes, não obstante esta possa até ser válida, sob o prisma formal (Martins, Ives Gandra da Silva e Menezes, Paulo Lucena de. Elisão Fiscal, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 63, dezembro de 2000, p. 159) Caracterizado que a forma jurídica adotada não reflete o fato concreto, o fisco encontrase autorizado “a determinar os efeitos tributários decorrentes do negócio realmente realizado, no lugar daqueles que seriam produzidos pelo negócio retratado na forma simulada pelas partes” (Amaro, Luciano, ob. cit., p. 233/234) Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13963.000525/200611 Acórdão n.º 1001000.801 S1C0T1 Fl. 14 13 Esta determinação de efeitos tributários, no âmbito da legislação do Simples Federal, impõe que, em sendo constatado que a constituição de pessoa jurídica, na realidade, foi efetivada como um desmembramento de outra pessoa jurídica, tratandose de ato ou negócio jurídico simulado, esta pessoa jurídica deve ser excluída do Simples Federal. Na situação posta em litígio, observase que, do ponto de vista formal, as interessada não teria sido fruto de desmembramento de outra pessoa jurídica. Os documentos trazidos aos autos, todavia, demonstram que esta verdade formal é apenas aparente, pois na realidade as empresas Dopp e Sidertex foram criadas como um desmembramento da empresa Mafferson, com o objetivo de impedir a correta tributação das atividades da Mafferson, devido ao ingresso da Dopp e da Sidertex no Simples Federal. Constatase que a administração das empresas compete a Jefferson Zappelini. A Dopp e a Mafferson estão estabelecidas em Criciúma, no bairro São Luiz, na avenida Santos Dumont, em prédios contíguos que possuem a mesma numeração (n°s 1665 e 1665B), atuando de forma totalmente integrada, com os empregados trabalhando indistintamente para as duas empresas. A Sidertex, por sua vez, situase na cidade de Siderópolis, na avenida Porfírio Feltrin, 20, e tem toda a sua atuação dirigida para a Mafferson. Tratase, notadamente, de uma mesma empresa, explorando idêntica atividade econômica (confecção e comércio de roupas em jeans da marca Dopping), sob administração do mesmo administrador, porém formalmente partilhada ou fracionada em mais outras duas, a Dopp e a Sidertex. As pessoas jurídicas formalmente denominadas Dopp e Sidertex funcionam como verdadeiros setores ou unidades de facção (fechamento e costura) da Mafferson, o que demostra serem fruto de um desmembramento da Mafferson. Os documentos trazidos ao autos demonstram ainda que os trabalhadores formalmente vinculados a uma empresa desenvolvem duas atividades para todas as empresas, subordinados a apenas um empregador. Observouse ainda uma grande movimentação de empregados, que migraram da Mafferson para a Dopp. Por fim, a relação desproporcional entre a quantidade de empregados e o faturamento das empresas confirma a existência da situação que motivou o ato de exclusão. A Dopp registrou uma média de 232 vínculos empregatícios no ano de 2004, com massa salarial de R$ 974.403,52. Inusitadamente, porém, começou a ter receita somente em 02/2005, com a emissão da nota fiscal número 00002, já que a nota fiscal n° 00001 referese à retorno de industrialização. Tal situação mostrase insustentável para qualquer empresa, pois esta teria pago salário e demais despesas durante todo o ano de 2004 sem ter qualquer faturamento, o que comprova tratarse de um negócio apenas simulado. Os dados referentes ao ano de 2005 não alteram esta conclusão, pois o faturamento da empresa foi suficiente apenas para cobrir a folha de pagamentos da Dopp. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13963.000525/200611 Acórdão n.º 1001000.801 S1C0T1 Fl. 15 14 Em relação a invocação do princípio constitucional da livre iniciativa e da legislação Civil para referendar os atos praticados pela contribuinte, observase que, embora os atos possam estar revestidos das formalidades que os tornem válidos, e o objeto possa ser lícito, possível e determinado, ainda assim a operação pretendida pode não vir a surtir efeitos na seara tributária, tendo em vista a existência de norma impeditiva à opção pelo Simples Federal. A legislação tributária possui regramento próprio, e apenas será interpretada de forma diferente na ausência de disposição expressa. Assim, o desmembramento das atividades da empresa pela constituição de outras, regularmente constituídas, que abarcaram parte das atividades da original e formam grupo econômico de fato podese configurar em planejamento estratégico perfeitamente válido do ponto de vista gerencial, operacional, mercadológico ou o que seja, menos para figurar no regime tributário do Simples Federal, onde se encontra óbice legal pelo exercício de atividade impeditiva à opção. Diante do quadro apresentado, concluise que a interessada originouse de um desmembramento da empresa Mafferson, circunstância de impede sua manutenção no Simples Federal. 3. Dos efeitos do ato de exclusão Afirma a interessada que a exclusão do Simples Federal ora combatida não poderia operar efeitos pretéritos no tempo para atingir créditos tributários anteriores à própria data da decisão de exclusão, isto baseado no princípio da irretroatividade da lei tributária (CF/88, art. 150, III, a; CTN, art. 116). Também o art. 103, I, do Código Tributário Nacional diz que só entram em vigor os atos normativos de autoridade administrativa na data de sua publicação, o que resultaria na conclusão de que não podem surtir seus efeitos antes da publicação. Reforçaria ainda mais a idéia de que a exclusão do Simples Federal não pode produzir efeitos pretéritos no tempo o enunciado que é trazido pelo art. 146 do Código Tributário Nacional. Em relação ao questionamento da contribuinte, observase que a Lei nº 9.317/96 assim estabelece em seu artigo 15: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; Desta forma, diante de expressa determinação legal, mostrase correta a exclusão retroativa da interessada. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13963.000525/200611 Acórdão n.º 1001000.801 S1C0T1 Fl. 16 15 Desta forma, VOTO no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR de nulidade alegada e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 499DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901150/2008-35
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1661.883, da 3ª Turma da DRJ/SPO, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o despacho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 11 50 /2 00 8- 35 Fl. 81DF CARF MF 2 decisório que não homologou a Declaração de Compensação, transmitida pelo Programa PER/DCOMP, n°28861.34417.310304.1.3.045090, de crédito relativo a pagamento a maior de IRPJ (Código de Receita 8972), reproduzo, a seguir: Voto 5. A manifestação de inconformidade foi apresentada com a observância do prazo e requisitos estipulados no artigo 15, do Decreto 70.235/72, portanto, dela tomase conhecimento. 5.1. Quanto ao pleito, é oportuno estabelecer algumas considerações, a respeito do crédito passível de compensação. 5.2. A Lei 5.172, de 25/10/1966 (CTN), assim estabelece, em seus artigos 165 e 170: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (...) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei). 5.3. Esclareçase, por oportuno, que compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação, conforme exigido no art. 170, do CTN. Nesse sentido é a jurisprudência abaixo: “RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório”.[Acórdão 10707684, de 16/06/2004] (grifei). 5.4. Portanto, verificase que o contribuinte tem direito à restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que atenda aos requisitos legais e faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda pública. 5.5. No caso em discussão a Impugnante deixa a entender que houve engano no valor recolhido do IRPJ (cód. 8972), referente ao mês de março/2002, pago em abril/2002. Informa que não retificou a DCTF na data devida, porém, providenciou a retificação em 30/05/2008. 5.6. Contudo, a Impugnante não traz ao processo o motivo do engano cometido, bem como prova documental de tal afirmação, como: (i) demonstrativo da base de cálculo do imposto devido antes da apuração do engano e após; (ii) cópias das contas do livro razão onde são registradas tais ocorrências, etc. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10983.901150/200835 Acórdão n.º 1001000.675 S1C0T1 Fl. 3 3 5.7. Diante de todo o acima exposto, (não provando a Impugnante possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda pública) voto no sentido de considerar IMPROCEDENTE a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, mantendose integralmente o despacho decisório recorrido. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente alega, basicamente, que: · declarou a compensação de COFINS com IRPJ, mediante a já citada DCOMP; · diante do despacho decisório, verificou que havia deixado de retificar a DCOMP e o fez em 30/05/2008, quando de sua Manifestação de Inconformidade; · que a DRJ entendeu que a validade da compensação demanda a existência de créditos líquidos e certos. Tendo em vista que a DCTF retificadora somente foi emitida em 30/05/2008, consignou que a recorrente não detinha o crédito. · em preliminar de nulidade, alega ausência de análise por parte da autoridade julgadora do efetivo direito creditório, Sob o pretexto de que a posterior retificação da DCTF afastou a liquidez e certeza do crédito informado, a Delegacia de origem deixou de apreciar a ocorrência de recolhimento a maior de tributos por parte da Recorrente, esta sim imprescindível para a verificação da existência do crédito utilizado (cita o art. 50, da lei 9.784/99) e o art. 59, do decreto 70.235/72 (preterir o direito de defesa); · em razões de direito, argumenta a Recorrente verificou um equívoco na base de cálculo apurada no período, tendo levado à tributação receitas que não poderiam compor a base tributável pelo IRPJ. Tendo recalculado o valor do tributo devido na competência de março/2002, verificou que procedeu ao pagamento a maior em 30/04/2002. A recorrente, conforme mencionado no acórdão da DRJ, acima transcrito, não procedeu à retificação da DCTF, que teria sido preenchida incorretamente, dela constando o valor original do débito confessado; · que efetuou a retificação da DCTF; · Em observância ao princípio da verdade real, demonstrada a existência do crédito tributário que se pretende compensar, e uma vez Fl. 83DF CARF MF 4 comprovada sua origem, não é lícito à administração pública negar homologação ao pedido de compensação apresentado pela Recorrente. Especialmente diante da constatação de que a Recorrente já procedeu à retificação da DCTF correspondente. · Como visto anteriormente, verificase que pretendeu a Recorrente compensar valores que foram recolhidos a maior a título de IRPJ, no período de março de 2002. Ocorre que, em revisão da apuração da base de cálculo do tributo em tela, verificou que foram pagos valores superiores aos devidos efetivamente. Ou seja, a Recorrente efetuou pagamento dos débitos relativos aos citados tributos, entretanto, recolheu valores a maior, ou seja, recolheu montante que não era devido ao Fisco. · Foi exatamente este valor apurado a maior a título de IRPJ que foi objeto da compensação que ora se nega à Recorrente. Entretanto, o Fisco, sem realizar qualquer diligência para analisar a origem e/ou constituição do crédito, entendeu, equivocadamente, que a Recorrente não detinha crédito líquido e certo quando da realização desta compensação. · Observese, todavia, que a existência do crédito resta inequívoca, especialmente após a retificação da DCTF empreendida pela Recorrente. Os valores que se pretende compensar foram apurados incorretamente e, portanto, pagos a maior. A Recorrente não poderia confessar valores que não deve, e menos ainda poderia o Estado apropriarse de valores que não são referentes a débito tributário. · por fim, requer que seja acolhido o Recurso Voluntário, para, preliminarmente, determinar o retomo do processo para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo SP, devido à ocorrência de nulidade procedimental, ou, na hipótese de entender ser caso de julgamento de mérito deste Recurso, reformar a decisão que negou homologação à Declaração de Compensação n°. 28861.34417.310304.1.3.045090, em face da indubitável existência do crédito a ser compensado pela Recorrente e em homenagem aos princípios da verdade material e da legalidade. Inicialmente, entendo que não houve cerceamento do direito de defesa, como preconizado pela recorrente.O citado artigo 59 do Decreto 70.235/72, dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não entendo que tenha havido a preterição ao direito de defesa, visto que o despacho decisório foi claro e a própria decorrente identificou o problema ao retificar a sua DCTF objetivando corrigilo. O artigo 9°, da IN 1.110/2010, dispunha que: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10983.901150/200835 Acórdão n.º 1001000.675 S1C0T1 Fl. 4 5 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados.(grifei). Assim, se efetuada, a DCTF retificadora (que é confissão de dívida) esta prevalecerá em relação à originalmente entregue. A DRJ, em sua decisão, alega que: Contudo, a Impugnante não traz ao processo o motivo do engano cometido, bem como prova documental de tal afirmação, como: (i) demonstrativo da base de cálculo do imposto devido antes da apuração do engano e após; (ii) cópias das contas do livro razão onde são registradas tais ocorrências, etc As normas da RFB, relativamente à retificação de obrigações acessórias, como acima transcritas, não exigem a apresentação de provas para que sejam aceitas. A DRF, no caso, tem o direito de intimar o contribuinte a apresentálas ou de efetuar as competentes diligências, se assim o entender. Entretanto, no caso da recorrente, a retificação da DCTF ocorreu em 30/05/2008, após o prazo decadencial, prevalecendo, portanto, o débito declarado na originalmente entregue. Veja o que diz o Parecer Normativo COSIT 2/2015: 10.1. A questão preliminar a ser analisada é a necessidade de retificação da DCTF para o sujeito passivo ter direito a um crédito que ele confessou na DCTF. Isso porque os débitos tributários confessados na DCTF decorrem do lançamento por homologação dos tributos federais citados no art. 6º da IN RFB nº 1.110, de 2010. O lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, decorre do “dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa” e “operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. 10.2. Nesse diapasão, a DCTF é a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente ao tributo. Como se depreende da sua própria denominação, é uma declaração contendo débitos e créditos tributários federais. ... Fl. 85DF CARF MF 6 10.4 Segundo o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, “o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito”. Tratase de confissão extrajudicial da existência daqueles débitos, conforme arts. 348, 350 e 353 do atualmente vigente Código de Processo Civil (CPC) Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973, e por isso é título executivo. Conforme decidido pelo STJ em sede de recursos repetitivos:(grifei). 10.6. A despeito da necessidade de o sujeito passivo retificar a DCTF para ter direito creditório contra a Fazenda Nacional, não há impedimento para que ele a retifique para reduzir tributos cujos pagamentos já tenham sido objeto de PER ou de DCOMP como créditos a serem restituídos ou compensados. Consoante o seguinte julgado administrativo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativo poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 3403003.340, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, Sessão de 15/10/2014). (grifei) Portanto, considerando que a DCTF é, de fato, onde o contribuinte confessa seus débitos e que a retificação ocorreu após o período decadencial, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao presente recurso, crédito tributário mantido. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10983.901150/200835 Acórdão n.º 1001000.675 S1C0T1 Fl. 5 7 Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.015314/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2005
Multa por falta de entrega da Dirf
Não demonstrado que o contribuinte estava obrigado à entrega da DIRF, descabe aplicação da penalidade pela falta de entrega
Numero da decisão: 1302-000.874
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 Multa por falta de entrega da Dirf Não demonstrado que o contribuinte estava obrigado à entrega da DIRF, descabe aplicação da penalidade pela falta de entrega Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator e presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Waldir Veiga Rocha, Eduardo de Andrade, Diniz Raposo e Silva, Guilherme Pollastri Gomes Da Silva e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Relatório O auto de infração a folhas 2 impõe multa, no valor de R$ 500,00, por falta de entrega da declaração de imposto de renda retido na fonte (Dirf) referente ao anocalendário Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015314/200814 Acórdão n.º 130200.874 S1C3T2 Fl. 176 2 de 2002. O prazo venceu 28.02.2003, mas, a despeito de intimação realizada em 02.09.2008, não se fez a entrega. Enquadramento legal: artigo 113, § 3º, e artigos 115 e 160, da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (Código Tributário Nacional – CTN); artigo 7º, incisos I e II, da Lei nº 10.426, de 24.04.2002, e alterações posteriores. Em 28.11.2008, data anterior ao vencimento constante no auto de infração (22.12.2008), o sujeito passivo apresentou a impugnação juntada a folha 1. Os enunciados seguintes resumem seu conteúdo. • A impugnante procurou a DRF/BH para esclarecimentos sobre o auto de infração, entre os quais se havia algum motivo diferente do conhecido por ela. Constatouse que não consta dos sistemas da RFB nenhum motivo para tal, a não ser os recolhimentos de IRRF (8045), que são feitos normalmente pelos serviços de propaganda e publicidade prestados, serviços que estão de acordo com a atividade da impugnante (CNAE de nº 7311400). • De acordo com a legislação vigente, no caso de propaganda e publicidade, é dever do prestador de serviços recolher o IRRF (código 8045), o que é feito. Mas ainda segundo a legislação, a obrigação de entrega da Dirf é do tomador dos serviços. • Fica claro que não há obrigação de entregar a Dirf referente ao IRRF do código 8045, por serem exclusivamente serviços de propaganda e publicidade. Também não consta contra a empresa qualquer outro motivo de retenção ou recolhimento que a obrigue a tal entrega. Demonstrada a insubsistência e a improcedência da ação fiscal, é requerido que seja acolhida a impugnação para o fim de cancelar o débito fiscal.. A DRJ decidiu: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 Multa por falta de entrega da Dirf A falta de entrega da Dirf ou sua entrega após o prazo fixado sujeita o contribuinte à multa de ofício prevista na legislação tributária. A recorrente tomou ciência do acórdão em 12/04/2011 e apresento urecurso em 27/04/2011. Em seu recurso alega que é prestadora de serviços de propaganda e publicidade, ficando obrigada ao recolhimento do IRRF no código 8045, mas que a entrega da DIRF cabe ao tomador do serviço, sendo este o motivo de não ter entregue a DIRF. Afirma que, em relação ao anocalendário de 2004 o lançamento pelo mesmo fato foi cancelado.. Voto Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015314/200814 Acórdão n.º 130200.874 S1C3T2 Fl. 177 3 O recurso é tempestivo e deve ser conhecido> Entendo necessário reproduzir trecho do acórdão recorrido: De acordo com os registros dos bancos de dados eletrônicos da Receita Federal em relação ao anocalendário de 2002 a autuada efetuou, por meio de Darf, diversos recolhimentos de IRRF (vide resultado da consulta a folhas 10 a 14). Havendo recolhimento de IRRF, cumpre ao contribuinte responsável pelo pagamento do rendimento respectivo entregar a respectiva Dirf. Em essência, a argumentação da impugnação consiste em alegar que todos esses recolhimentos foram feitos no código 8045 e dizem respeito a importâncias por ela recebidas em virtude da prestação de serviços de propaganda e publicidade, razão pela qual a entrega da Dirf a eles correspondentes é incumbência do tomador de serviços. A impugnante, porém, não traz nenhuma prova de suas alegações. E embora a consulta aos bancos de dados da Receita Federal confirme que a todos os recolhimentos foi, de fato, atribuído o código 8045, isso por si só não basta para concluir que a autuada estivesse desobrigada de entregar a Dirf. Antes de mais nada, seria preciso comprovar que nos Darf foi indicado o código de recolhimento correto, o que a impugnante não faz. Embora entenda o raciocínio desenvolvido pelo voto condutor do acórdão recorrido, com ele não concordo. Na verdade, forma feitos 5 lançamentos de multa por falta de entrega de DIRF, referentes aos anoscalendário 2002 a 2006. Todos foram feitos em 30/10/2008 por meio eletrônico e possuem as descrições dos fatos idênticas: A autoridade fiscal concluiu, corretamente, que o contribuinte não havia entregue as DIRF´s referentes aos citados anoscalendário. Quanto a esse fato não há controvérsia: não houve a entrega da DIRF. A lide gira em torno da obrigatoriedade ou não da entrega de tal declaração. A DRJ concluiu que para os anoscalendário 2004 e 2006 o lançamento da multa deveria ser exonerado pois não havia recolhimento de tributo no código 8045, mantendo o lançamento dos demais períodos pela existência de tais recolhimentos.. Estabelece a norma de regência da matéria: Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015314/200814 Acórdão n.º 130200.874 S1C3T2 Fl. 178 4 Art. 1º Devem apresentar a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) as seguintes pessoas jurídicas e físicas, que tenham pago ou creditado rendimentos que tenham sofrido retenção do imposto de renda na fonte, ainda que em um único mês do anocalendário a que se referir a declaração, por si ou como representantes de terceiros: I estabelecimentos matrizes de pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no Brasil, inclusive as imunes ou isentas; Como se pode observar, obrigado a apresentar a DIRF está quem paga ou credita rendimento com retenção na fonte, ou seja, a fonte pagadora, e não quem recebe rendimento sujeito a retenção. No voto condutor do acórdão recorrido consta: Observese ainda que tanto o Mafon, assim como os artigos 15 e 16 da Instrução Normativa SRF nº 577, de 2005, estabelecem que os beneficiários dos pagamentos sujeitos à incidência do IRRF cuja retenção é feita por eles próprios devem fornecer aos pagadores dessas quantias, até 31 de janeiro do ano subseqüente ao do recebimento, documento comprobatório dos valores recebidos e do IRRF recolhido. Estes últimos, por sua vez, devem incluir esses dados nas Dirf por ele entregues. Não consta da legislação de regência a obrigação de entrega da DIRF por quem tenha recebido rendimento sujeito à retenção ou quem tenha feito recolhimento de tributo . O antecedente da norma de imposição da multa é, estando obrigado, não apresentar a DIRF e a obrigação de apresentar a DIRF é de quem paga ou credita rendimento com retenção. Diante de um pagamento de tributo com o código 8045, a autoridade fiscal pode supor que aquele contribuinte pode ter a obrigação de apresentar DIRF. No entanto, pode ser que, mesmo tendo pago tributo naquele código, pode ser ele o beneficiário de pagamento sujeito a retenção, e, no caso, a obrigação de entrega da DIRF seria da fonte pagadora. A quem cabe o ônus da prova de que o contribuinte estava sujeito à entrega da DIRF? Ao fisco ou ao contribuinte? Entendo que a resposta está no art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015314/200814 Acórdão n.º 130200.874 S1C3T2 Fl. 179 5 Cabe á autoridade administrativa verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação acessória e, diante do descumprimento, realizar o lançamento da penalidade cabível. Diante do pagamento de tributo no código 8045, a autoridade poderia até supor que aquele contribuinte estivesse sujeito à entrega de DIRF, mas essa simples suposição não tem o condão de transformálo em sujeito passivo dessa obrigação, sendo necessário que a autoridade prossiga na investigação fiscal para demonstrar que sua suposição possui lastro fático. Ou seja, deve a autoridade verificar, diligenciando junto ao próprio contribuinte ou junto a terceiros, que ele fez pagamentos sujeito á retenção do citado imposto, e, demonstrado isso, ou seja, o fato gerador da obrigação acessória (entrega da DIRF) e tal obrigação não tendo sido atendida, aplicar a penalidade. No caso concreto, o que ocorreu foi ainda mais grave. A autoridade lançadora, verificando que o contribuinte não havia entregue a DIRF, fez o lançamento da multa. Após a impugnação, a autoridade julgadora verificou que em determinados exercícios havia pagamento de tributo com o código 8045 e em outros não. Nos períodos em que não havia o citado pagamento, exonerou o lançamento da multa, mantendo para os demais. Essa conduta, entendo eu, já estaria equivocada, pois no momento do lançamento é que se deve verificar a ocorrência do fato gerador, e não no momento do julgamento de 1ª instância, pois estaria comprometido o lançamento por falta de seu pressuposto, mas também estaria comprometido a defesa do contribuinte que não saberia o teor da acusação fiscal. Mas, entendo que ocorreu situação mais grave, pois a conclusão do julgador também está equivocada, pois a ocorrência de pagamento no código 8045 é insuficiente para se afirmar que o contribuinte teria de entregar a DIRF. O equívoco fica evidenciado no trecho abaixo, extraído do voto condutor do acórdão: Num esforço cujo intuito foi suprir a falta das provas que cumpria ao impugnante trazer aos autos, verificamos nos bancos de dados da Receita Federal se nas Dirf entregues pelas fontes pagadoras que tiveram como beneficiário a autuada consta o recolhimento de IRRF que esta fez em relação ao ano calendário a que se refere o auto de infração. O resultado dessa pesquisa achase a folhas 12. Das Dirf entregues, em apenas uma foram informadas retenções de código 8045 e estas somam R$ 60,00. Embora esse montante supere o valor do IRRF recolhido pela autuada, não constituem prova em seu favor os dados de tal Dirf, pois as retenções nela indicadas se referem a pagamentos realizados em fevereiro, março e abril de 2005, enquanto é 13.10.2005 a data de vencimento do recolhimento sob o código 8045 efetuado pela autuada. Logo, inferese que o IRRF então recolhido incidiu sobre rendimento diverso dos indicados na Dirf mencionada. Em conseqüência dessa divergência de datas, da falta de comprovação das alegações da impugnante, e dos demais elementos constantes dos autos, é imperioso concluir que a autuada não estava dispensada da entrega da Dirf. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015314/200814 Acórdão n.º 130200.874 S1C3T2 Fl. 180 6 Percebese que a decisão recorrida atribui ao contribuinte o ônus de provar que não estava obrigada à entrega da DIRF, quando, na verdade, o ônus de provar que estava obrigado é do fisco. Mais ainda, por não existirem DIRF´s que declarassem valores retidos superiores ou iguais aos pagamentos registrados nos sistemas da SRF, conclui o acórdão recorrido que a autuada não estava dispensada da entrega, quando o que poderia ter ocorrido é que uma ou mais fontes pagadoras de recursos à recorrente tivessem se omitido da entrega de DIRF. Nesse sentido não houve qualquer diligência para verificação. Também opera em favor da recorrente a atividade que exerce: Prestação de serviços de publicidade, atividade essa que, via de regra, os tomadores de serviço devem fazer a retenção do imposto na fonte. Poderia ter ocorrido a situação de que a recorrente fosse tomadora de serviço e, nesta condição, teria de fazer a retenção, o pagamento do imposto e a conseqüente entrega da DIRF? Entendo que sim, mas isso tem de ser provado pela autoridade lançadora. Diante do indício (pagamento no código 8045), deveria diligenciar e verificar se houve pagamento na condição de tomadora de serviço e, sendo isso demonstrado e não tendo havido entrega da DIRF, aplicado a penalidade. Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 13819.723484/2014-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72.
PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. INAPLICABILIDADE.
Não é cabível a produção de prova pericial no caso concreto já que o contribuinte, em seus instrumentos de defesa, não cumpriu os requisitos constantes do inciso IV, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE.
A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96: respeitou os limites legais ao individualizar os lançamentos considerados de origem não comprovada e intimou e reintimou o contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. PRESENÇA DE DOLO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
De acordo com a Súmula CARF nº 72, caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, consubstanciada na qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional.
Ademais, diante da ausência de recolhimento por parte do sujeito passivo, o prazo decadencial terá início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, aplicando-se a regra do artigo 173, I, do CTN e não a do §4º do artigo 150 do CTN.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN.
RESPONSABILIDADE PESSOAL TRIBUTÁRIA. REQUISITOS.
São pessoalmente responsáveis apenas os dirigentes que comprovadamente praticaram atos com excesso de poderes ou infração a lei na administração da sociedade, conforme dispõe o artigo 135, III, do CTN. O elemento doloso deve ser demonstrado pela autoridade fiscal.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE.
Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de multas, sendo incabível, para a consecução dessas finalidades, a aplicação do princípio da insignificância ou da bagatela, por parte do órgão julgador administrativo.
SÚMULA Nº 29 DO CARF. INAPLICABILIDADE AO CASO SOB ANÁLISE.
Descabe invocar a aplicação da Súmula nº 29 do CARF ao caso sob análise, quando resta comprovado que nenhum dos nominados responsáveis solidários pelo crédito em discussão, consta como cotitular da conta corrente bancária mantida em instituição financeira pela empresa autuada.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando a autoridade fiscal logra êxito em comprovar que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. No presente caso, restou caracterizada conduta dolosa do contribuinte.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS/PASEP. COFINS.
A decisão prolatada no lançamento matriz estende-se aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1201-002.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários apresentados pelos responsáveis tributários, inclusive mantendo-se a responsabilidade tributária, conforme o art.124, inciso, I, do CTN, com relação aos recorrentes Francisco Coimbra de Macedo Neto, João André Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira, Lucas Nercessian de Carvalho, Paulo César Verly da Cruz, Paulo Henrique Escobar Cerqueira e Rafael Escobar Cerqueira, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. INAPLICABILIDADE. Não é cabível a produção de prova pericial no caso concreto já que o contribuinte, em seus instrumentos de defesa, não cumpriu os requisitos constantes do inciso IV, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE. A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96: respeitou os limites legais ao individualizar os lançamentos considerados de origem não comprovada e intimou e reintimou o contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. PRESENÇA DE DOLO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 72, caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, consubstanciada na qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Ademais, diante da ausência de recolhimento por parte do sujeito passivo, o prazo decadencial terá início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, aplicando-se a regra do artigo 173, I, do CTN e não a do §4º do artigo 150 do CTN. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE PESSOAL TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. São pessoalmente responsáveis apenas os dirigentes que comprovadamente praticaram atos com excesso de poderes ou infração a lei na administração da sociedade, conforme dispõe o artigo 135, III, do CTN. O elemento doloso deve ser demonstrado pela autoridade fiscal. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE. Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de multas, sendo incabível, para a consecução dessas finalidades, a aplicação do princípio da insignificância ou da bagatela, por parte do órgão julgador administrativo. SÚMULA Nº 29 DO CARF. INAPLICABILIDADE AO CASO SOB ANÁLISE. Descabe invocar a aplicação da Súmula nº 29 do CARF ao caso sob análise, quando resta comprovado que nenhum dos nominados responsáveis solidários pelo crédito em discussão, consta como cotitular da conta corrente bancária mantida em instituição financeira pela empresa autuada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando a autoridade fiscal logra êxito em comprovar que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. No presente caso, restou caracterizada conduta dolosa do contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. A decisão prolatada no lançamento matriz estende-se aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. INAPLICABILIDADE. Não é cabível a produção de prova pericial no caso concreto já que o contribuinte, em seus instrumentos de defesa, não cumpriu os requisitos constantes do inciso IV, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE. A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96: respeitou os limites legais ao individualizar os lançamentos considerados de origem não comprovada e intimou e reintimou o contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. PRESENÇA DE DOLO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 34 84 /2 01 4- 08 Fl. 4405DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 3 2 De acordo com a Súmula CARF nº 72, caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, consubstanciada na qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Ademais, diante da ausência de recolhimento por parte do sujeito passivo, o prazo decadencial terá início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, aplicandose a regra do artigo 173, I, do CTN e não a do §4º do artigo 150 do CTN. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE PESSOAL TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. São pessoalmente responsáveis apenas os dirigentes que comprovadamente praticaram atos com excesso de poderes ou infração a lei na administração da sociedade, conforme dispõe o artigo 135, III, do CTN. O elemento doloso deve ser demonstrado pela autoridade fiscal. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE. Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de multas, sendo incabível, para a consecução dessas finalidades, a aplicação do princípio da insignificância ou da bagatela, por parte do órgão julgador administrativo. SÚMULA Nº 29 DO CARF. INAPLICABILIDADE AO CASO SOB ANÁLISE. Descabe invocar a aplicação da Súmula nº 29 do CARF ao caso sob análise, quando resta comprovado que nenhum dos nominados responsáveis solidários pelo crédito em discussão, consta como cotitular da conta corrente bancária mantida em instituição financeira pela empresa autuada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando a autoridade fiscal logra êxito em comprovar que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. No presente caso, restou caracterizada conduta dolosa do contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 4406DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 4 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários apresentados pelos responsáveis tributários, inclusive mantendose a responsabilidade tributária, conforme o art.124, inciso, I, do CTN, com relação aos recorrentes Francisco Coimbra de Macedo Neto, João André Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira, Lucas Nercessian de Carvalho, Paulo César Verly da Cruz, Paulo Henrique Escobar Cerqueira e Rafael Escobar Cerqueira, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente de autos de infração lavrados para a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, relativos ao anocalendário de 2009, por não ter a contribuinte comprovado a origem dos depósitos bancários em conta corrente. Segue a composição dos valores lançados: Imposto Juros (até 12/2014) Multa Valor do Crédito Apurado IRPJ 175.364,12 91.222,66 394.569,27 661.156,05 CSLL 84.313,86 43.834,44 189.706,18 317.854,48 COFINS 234.205,15 123.797,06 526.961,60 884.963,81 PIS/PASEP 50.744,45 26.822,69 114.175,02 191.742,16 2. Foram incluídos enquanto responsáveis solidários as seguintes pessoas físicas: Francisco Coimbra de Macedo Neto, João André Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira, Lucas Nercessian de Carvalho, Paula Siqueira Verly da Cruz, Paulo César Verly da Cruz, Paulo Henrique Escobar Cerqueira e Rafael Escobar Cerqueira. 3. As fundamentações da constituição do crédito tributário, bem como a motivação das atribuições de responsabilidade solidária das pessoas físicas estão detalhadamente descritas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 75/154), no Relatório Geral de Auditorias (fls. 275/390) e nos respectivos Termos de Sujeição Passiva (fls. 2652/2667). 4. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste trecho do relatório constante da decisão de primeira instância: Fl. 4407DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 5 4 1. Do Crédito Tributário Constituído 1.1. Da Contextualização da Fraude A “Operação Corrosão” teve início na Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo com a realização de auditorias fiscais em diversas empresas citadas em relatório preliminar elaborado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu. Nesse relatório foram detectadas pessoas jurídicas nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo que apresentavam, nos anoscalendários 2010 e 2011, emissão de milhares de notas fiscais de venda de produtos e/ou mercadorias, com indícios de serem inexistentes. Os indícios de inexistência foram baseados na discrepância entre os valores de notas fiscais emitidas e os valores de movimentação financeira, e no reduzido número de trabalhadores informados à Secretaria da Receita Federal do Brasil. No capítulo “Modus Operandi” do Relatório Geral de Auditorias (fls. 387/389), a autoridade fiscal resume o funcionamento da fraude: “MODUS OPERANDI Conforme expostos de forma ampla neste relatório de auditorias, foram efetuados trabalhos de verificações em 22 (vinte e duas) empresas, em sua maioria inexistentes de fato, as chamadas “empresas de papel”, já que possuíam existência somente documental (de direito) e sob titularidades de quadros societários constituídos por interpostas pessoas, (laranjas) operando todas mediante o abuso da forma jurídica anômala, visando com isso ocultar os reais beneficiários das riquezas, que desde o ano de 2004 já eram denunciados pelos organismos de fiscalização de tributos Federal e Estaduais como mentores intelectuais da constituição de várias empresas nessa condições em vários estados da federação, simulando transações comerciais de compra e venda de mercadorias e/ou serviços, emitindo notas fiscais umas em favor das outras, como se fossem atividades comerciais que em verdade jamais existiam, tanto pela própria inexistência das empresas, tanto pela inexistências das operações subjacentes, falsas em suas essências, já que sucumbiram diante dos criteriosos exames empregados nas respectivas auditorias, detectando através das documentações bancárias, que essas operações, muito embora quando contabilizadas, pretendo dar aparência de legalidade, de fato não ocorriam, sendo que os cheques destinados a quitar esses falsos fornecedores, tinham finalidades outras, lastreando depósitos em contas correntes de terceiros de interesse da organização, com valores discrepantes dos que haviam sido inseridos nas contabilidades, visando com essa engenharia delituosa, a geração de créditos tributários de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI e créditos do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, estadual e inter estaduais, já que entre essas 21 empresas examinadas, haviam empresas de São Paulo e Rio de Janeiro, com conotação em Fl. 4408DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 6 5 tantas outras, em vários estados da federação conforme ficou comprovado, denominandose tal atividade “operações de noteiras”, que além da geração de créditos fiscais podres, serviam também par aquisição de “bens de raiz” em favor dos reais beneficiários, tais como veículos, imóveis, investimentos em outras sociedades, pagos com recursos dessas empresas inidôneas, à margem da tributação, já que foram detectadas pela auditoria, operações de compra de ativos em nome dos reais beneficiários, utilizandose de sociedades não personificadas, que denominavase “Sociedade em Conta de Participação – SCP” , composta de sócios ostensivos e sócios ocultos, sendo que os reais beneficiários se valiam de tal figura jurídica para adquirirem ativos e promoverem investimentos com terceiros interessados na condição de “sócios ocultos” , utilizandose de recursos das empresas inidôneas objeto das auditorias, por eles mantidas sorrateiramente em nome das interpostas pessoas (laranjas) grande parte partícipes coniventes com o esquema em troca de favores, fazendose passar por empresários prósperos, em que pese a miserabilidade dos respectivos patrimônios individuais, retratados por residências alugadas, protestos, antecedentes criminais, dependência financeira de cônjuge, genitor etc, sendo que auditoria comprovou também que uma parcela dessas interpostas pessoas tiveram também seus nomes utilizados indevidamente nas fraudes, já que alguns ostentavam a situação de “analfabetos” e outros tinham o Cadastro de Pessoas Físicas – CPF registrados na condição de “suspensos”, “isentos”, e outros, na condição de “idosos”, se sujeitavam a emprestar seus nomes para a constituição das empresas em troca de favores financeiros. A maior parte do volume de recursos que ingressavam nessas empresas para a geração de créditos tributários fictícios, se processavam através do Banco Bradesco S\A – Agência 0559 SP/USPRadial Leste, em face da facilidade encontrada pela organização criminosa para abertura das contas correntes bancárias, muito provavelmente em decorrência do aliciamento ao “esquema criminoso” de funcionários da referida agência bancária, haja vista que várias das empresas, algumas sediadas no Estado do Rio de Janeiro, possuíam contas na referida agência bancária, e os exames da numeração dessas contas revelavam que foram abertas simultaneamente, algumas com numeração sequenciais, algumas contas correntes sequer possuíam cartões de autógrafos ou cadastros como ficou comprovado, tudo contrapondose a que a boa técnica bancária, aliada a percepção do “homus médius”, que exigiria, no mínimo, exames das declarações de impostos de renda das empresas e respectivos sócios, sendo que nos casos vertentes nunca existiram de fato, situação esta que vem alimentar ainda mais a percepção de facilitação por funcionários da referida agência bancária na movimentação dessas contas pela quadrilha”. Especificamente sobre a Metalins, assim a autoridade fiscal descreveu a diligência empreendida: Fl. 4409DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 7 6 “Esta empresa, inexistente de fato, foi constituída em 21/12/2007 e mantémse ativa, possuindo endereço à Rua Camargo n.º 126 – Bairro Butantã– São Paulo/SPCEP 05510050 e movimentou recursos em instituições financeiras no montante de R$ 44.822.819,00 (quarenta e quatro milhões, oitocentos e vinte e dois mil, oitocentos e dezenove reais). (DOCTOS. 54 e 55) O quadro societário é composto pelos nacionais MARIO RIBEIRO DE ALENCAR – CPF 05039501579, com endereço à Av. Papa João XIII, 1171– Edifício B – Apto. 89 – Centro – Mauá SP – CEP.: 09970800 e DANTA PAES DE BRITO – CPF 05039502540, com endereço à Av. Elias Yazbek, 1696, Apto. 103 – Centro – Embu das Artes – SP – CEP.: 06830000. Ambos os sócios, desde 2007, ano da abertura da empresa, possuíam o Cadastro de Pessoas Físicas – CPF na condição de suspenso, não apresentando bens que justificassem a elevada movimentação financeira em Bancos, conforme anteriormente demonstrado. (DOCTO. 54) Analisando o Cadastro de Pessoas Físicas – CPF desses dois sócios da Metalins, com participação societária de 50% cada, no capital social informado, verificasse que ambos, tinham endereço à Rua Flamengo 46 –Itapuã – Salvador BA e foram alterados para os endereços acima citados no Estado de São Paulo, com fortes indícios de trataremse de CPF's inidôneos, perdidos ou furtados. (DOCTO. 56) Em que pese a inexistência de fato da empresa METALINS, a completa incapacidade financeira das pessoas físicas que compõem o quadro societário da mesma, consta elevada transferência de recursos da empresa METALINS para a empresa VERTICE METAIS LTDA – CNPJ 09.071.414/000186 com endereço à Rua Manoel Silvino Bandeira de Melo 88– Vila Guilherme – São PauloSP CEP.: 02054040, que foi constituída em 30/07/2007, que tinha em seu quadro societário o contador GENESIS ERICK DURSO RANGEL – CPF 166.515.308 36 e sua mãe DALVA DURSO RANGEL CPF 02199775852. (DOCTO. 57) Foto do Local onde deveria ser instalada a METALINS” Fl. 4410DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 8 7 1.2. Do Procedimento Fiscal O procedimento fiscal em questão abarca a lavratura de auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins referente ao ano calendário 2009, por não ter o contribuinte comprovado a origem dos depósitos bancários em conta corrente. Diante a não apresentação dos livros contábeis e fiscais, bem como o não atendimento às intimações feitas pela autoridade fiscal, a apuração do crédito tributário se deu por meio de arbitramento dos lucros. O procedimento fiscal teve início com a lavratura de Termo de Início de Procedimento Fiscal de 26/04/2013, com ciência via Edital nº 38/2013 publicado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo no Diário Oficial da União de 02/05/2013, por meio do qual a Metalins Comércio de Sucatas e Metais LTDA foi intimada a apresentar: • Livro Caixa ou Diário e Razão (Lucro Presumido); • Livros Diário e Razão (Lucro Real); • Livro Registro de Entradas; • Livro Registro de Saídas; • Livro Registro de Apuração do Lucro Real (LALUR); • Livro Registro de Apuração do IPI; • Extratos bancários das contas correntes empresa; • Exatos bancários de contas poupança da empresa; • Extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras. Em 03/08/2014, a autoridade fiscal lavrou Termo de Constatação Fiscal, com ciência via Edital nº 63/2014 publicado Fl. 4411DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 9 8 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo no Diário Oficial da União de 04/08/2014 em que intimou o contribuinte a apresentar justificativa dos valores depositados nas suas contas bancárias, relacionandoos em tabela anexa. Assim a autoridade fiscal lavrou Termo de Verificação Fiscal, com ciência via Edital nº 116/2014 publicado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo no Diário Oficial da União de 10/12/2014, em que descreve o que constatou: “Das Infrações apuradas e da multa de ofício aplicada Depósitos bancários de origem não comprovada O contribuinte efetuou depósitos nas contas bancárias de sua titularidade sem os oferecer à tributação do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Jurídica (IRPJ) e demais tributos reflexos. Assim, promovemos a constituição do presente crédito tributário, utilizando como base de cálculo a somatória dos depósitos mensais nas contas correntes mantidas pelo contribuinte em instituições financeiras e que se encontram abaixo descritas: Outrossim, a forma de apuração do presente lançamento será a de arbitramento, em conformidade com o descrito no inciso III, do artigo 530, do Decreto 3.000/99, artigo 47, da 8.981/95 e artigo 1º, da Lei 9.430/96) Multa de ofício agravada e qualificada Em decorrência do contribuinte: a) Manterse em silêncio e não cumprir as obrigações que lhe foram impostas, a sanção é o agravamento em 50% da multa de ofício, conforme disciplina o §2º³, inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96; b) Omitir rendimentos percebidos no curso do ano de 2009 e não os oferecer à tributação configura o verbo do tipo descrito no inciso I, do artigo 71 I, da Lei nº 4.502/64, aplicandose em consequência a multa qualificada de 150% tipificada no artigo 44, parágrafo primeiro (§1º), da Lei 9.430/96, bem como será lavrada representação fiscal para fins criminais a ser enviada ao Ministério Público Federal pelo fato desta conduta encontrase descrita no inciso I, do artigo 2º da Lei 8.137/90.” Fl. 4412DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 10 9 1.3. Da Atribuição de Responsabilidade Solidária Diante as apurações efetuadas, a autoridade fiscal atribuiu responsabilidade tributária às seguintes pessoas físicas: Francisco Coimbra de Macedo Neto, CPF 500.435.10744, João André Escobar Cerqueira, CPF 078.463.27666, João Natal Cerqueira, CPF 652.867.82868, Lucas Nercessian de Carvalho, CPF 091.896.71716, Paula Siqueira Verly da Cruz, CPF 109.273.91651, Paulo César Verly da Cruz, CPF 496.131.207 00, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, CPF 060.046.14670 e Rafael Escobar Cerqueira, CPF 070.444.78603. Os motivos que levaram a responsabilização tributária estão descritos no Relatório Geral de Auditorias (fls. 275/390) e nos Termos de Sujeição Passiva (fls. 2652/2667), e podem ser assim resumidos: “IDENTIFICAÇÃO DOS REAIS BENEFICIÁRIO Após a organização criminosa promoverem a simulação dos pagamentos dos títulos a essas empresas inidôneas, partícipes das fraudes, com a emissão dos cheques e emissão das notas fiscais, bem como as respectivas contabilizações desses eventos, visando transparecer plena legalidade aos olhos dos Fiscos Estaduais e Federal, já que haviam várias empresas constituídas em diversos pontos do território nacional, os recurso retornavam às contas correntes daqueles que possuíam o chamado “domínio do fato”, ou seja, o clã da família CERQUEIRA, o patriarca, João Natal Cerqueira e seu sócio PAULO CESAR VERLY DA CRUZ , bem como às empresas de direito e de fato desse nefasto grupo econômico sorrateiro e dissimulado, às empresas: CIMEELI COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE METAIS E LIGAS LTDA, inscrita no CNPJ 01.134.263/000156, constituída em 20/03/1996, com endereço situado à Rua Luiz Ferreira 139, Galpão – Sala “A” – Bairro Maré – Rio de Janeiro RJ, que tinha como quadro societário a empresa NATURE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA CNPJ 07.775.829/000105 com 99,99% de participação societária, JOÃO NATAL CERQUEIRA – CPF 65286782868 com 0,01% de participação societária e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ, CPF 49613120700 com 0,00% de participação na sociedade e FRANCISCO COIMBRA DE MACEDO NETO – CPF 50043510744 . (DOCTO. 168) NATURE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, inscrita no CNPJ 07.775.829/000105, constituída em 05/01/2006, com endereço a Rua Joaquim José, 1120 –Sala 4 – Fonte Grande – Contagem – MG, que tinha como quadro societário os empresários nacionais JOÃO NATAL CERQUEIRA – CPF 65286782868 com 99,99% de participação societária e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ–CPF 49613120700, com 0,01% de participação societária respectivamente; (DOCTO. 169) Fl. 4413DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 11 10 P.R.J. PARTICIPAÇÕES, EMPREENDIMENTOS LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 06.030.272/000110, constituída em 13/11/2003, com endereço situado a PC JK 16, Centro – Juquitiba – MG, tendo como quadro societário os empresários nacionais PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 06004614670 com 33,33% de participação societária, RAFAEL ESCOBAR CERUQIERA, CPF 07044478603 com 33,33% de participação societária e JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, com 33,33 de participação societária respectivamente. Tramitou ainda na sociedade, JOÃO NATAL CERQUEIRA, CPF 65286782868 no período de 01/04/2011 a 14/01/2014; (DOCTO. 170) XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA – inscrita no CNPJ sob o n.º 16.509.511/000173, constituída em 09/07/2012, com endereço situado à Rua Rio e Janeiro, 410– Sala 313 – Centro – Betim – MG, tendo como quadro societário as empresas ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 10.461.488/000108, com 50% de participação societária, DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, CNPJ 10.407.133/000130 com 50% de participação societária e RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 07044478603 com 0% de participação societária, figurando como administrador. Tramitou também nesta sociedade, o nacional LUCAS NECESSIAN DE CARVALHO, CPF 09189671716 no período de 09/07/2012 a 18/12/2013. (DOCTO. 171) ALCICLA ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 17.026.746/000177, constituída em 21/09/2012 tendo como endereço a Avenida Edmeia Mattos Lazzarotti, 3195 – Loja C – Ingá – Betim – MG, tendo como quadro societário as empresas DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 10.407.133/000130 com 50% e participação societária, ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 10.461.488/000108 com 50% de participação societária, e como administrador, a pessoa física de RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRACPF 07044478603 com 0% de participação societária respectivamente. Tramitou por esta sociedade, o nacional LUCAS NECESSIAN DE CARVALHO – CPF 09189671716 no período de 21/09/2012 a 18/12/2013. (DOCTO. 179) KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 08.759.416/000108, constituída em 13/04/2007, com endereço informado Rua Santiago Ballesteros, 260 – Bairro Cinco – Contagem – MG, tendo como quadro societário as empresas TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, CNPJ 13.576.294/000146 com 0,01 de participação societária, XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 16.509.511/000173, com 99,99% de participação societária, as pessoas físicas de PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 06004614670 com 0% de participação societária e RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA CPF 07044478603, como Fl. 4414DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 12 11 responsável pelo CNPJ na Secretaria da Receita Federal do Brasil. (DOCTO. 172) TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 13.576.294/000146, constituída em 29/03/2011, com endereço à Avenida Edméia Mattos Lazzarotti, 3195 – Loja E – Ingá – Betim – MG, tendo como quadro societário as empresas DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 10.407.133/000130 com 50% de participação societária, ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 10.461.488/000188 com 50% de participação societária e a pessoa física de RAFAEL ESCOBAER CERQUEIRA CPF 07044478603 com 0% de participação societária, figurando como administrador no CNPJ. (DOCTO. 173) ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 10.461.488/000108, constituída em 07/11/2008, tendo como quadro societário os nacionais PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 06004614600 com 33,33% de participação societária, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 07044478603 COM 33,33% de participação societária e JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, com 33,33% de participação societária respectivamente. (DOCTO. 174) RAFAEL ESCOBAR EMPREENDIMENTOS LTDA –inscrita no CNPJ sob o n.º 05.860.204/000116, constituída em 18/08/2003, com endereço a Rodovia BR 356 3049 LUC NL 04 – Belverede – Belo Horizonte MG, tendo como quadro societário os nacionais RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 07044478603 com 95% de participação societária e MARIA ANGELINA ZAIA ESCOBAR CERQUEIRA CPF 00721668860 com 5% de participação societária respectivamente. (DOCTO. 175) MARALINDAN EMPREENDIMENTOS LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 07.701.183/000111, constituída em 12/09/2005, com endereço a Rua Desembargador Jaime, 255 – Sala 105 – Centro – Anápolis – GO, possuindo quadro societário composto pelas pessoas físicas PAULO CESAR VERLY DA CRUZ – CPF 49613120700 com 99,99% de participação societária e JOÃO NATAL CERQUEIRA – CPF 65286782868 com 0,01% e participação societária respectivamente. (DOCTO. 176) DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA – inscrita no CNPJ sob o n.º 10.407.133/000100, constituída em 16/07/2009, com endereço situado à Avenida Edmeia Mattos Lazarotti, 3195 Loja B, Ingá – Betim MG, que tinha em seu quadro societário familiares de PAULO CESAR VERLY DA CRUZ e compunha tal empresa, ao mesmo tempo, a participação acionária em várias outras conforme acima demonstrado. (DOCTO. 177) EMPÓRIO DE METAIS LTDA – inscrita no CNPJ sob o n.º 01.571.597/000197, constituída em 03/12/1996, com endereço à Rua Delfim de Souza, 68A – Bairro Raiz –Manaus AM, tinha em seu quadro societário os empresários PAULO CESAR VERLY Fl. 4415DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 13 12 DA CRUZ – CPF 49613120700 e JOÃO NATAL CERQUEIRA – CPF 652867828068 respectivamente. (DOCTO. 178) Visando sempre manterem ocultos os nomes das empresas sob titularidade do clã CERQUEIRA, que tinha como principal articulador o patriarca JOÃO NATAL CERQUEIRA e seu sócio PAULO CESAR VERLY DA CRUZ, utilizavamse para fins de manteremse incógnitos, já que os investimentos que realizavam tinham como origem os recursos advindos das empresas “noteiras”, que ao cumprirem seus respectivos papéis de abastecerem essas empresas inidôneas dos recursos necessários para a simulação de transações comerciais conforme demonstrado, retornavam ao “caixa” da organização em forma de transferências bancárias e/ou depósitos, em alguma das empresas sediadas no Estado de Minas Gerais onde a organização tinha a sua base operacional, ou retornavam em forma de investimentos em outras empresa, utilizandose de uma sociedade não personificada, denominada de “SCP” – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO, na qual intervinham o proprietário do negócio, denominado de “sócio ostensivo” e as empresas da família CERQUEIRA, denominadas de “sócias ocultas”, já que por empregarem recursos das empresas inidôneas conforme exaustivamente demonstrado neste relatório, não poderiam aparecer nos respectivos negócios. No curso dos trabalhos de auditorias nas empresas inidôneas citadas, o Serviço de Fiscalização desta Delegacia, no rastreamento de recursos, detectou pagamentos efetuados pela empresa inexistente de fato Central do Aço Distribuidora de Sucatas Metálicas Ltda – CNPJ 08.559.288/000174 acima citada, à favor da empresa CONSTRUTORA LAGE LTDA – CNPJ 04.004.902/000157 estabelecida à Rua Dr. Jarbas Vidal Gomes, n.º 30 – Sala 401 – Bairro Cidade Nova – Belo Horizonte MG. Nas interpelações direcionadas à CONTRUTORA LAGE por parte deste Serviço de Fiscalização, via intimação fiscal para prestar esclarecimentos, a LAGE informou que havia celebrado contrato de SCP – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO com sócio oculto para venda de unidade autônomas de empreendimento imobiliário de natureza mista EDIFÍCIO GRAN VITÓRIA, e que como sócio oculto, figurava a interessada PRJ PARTICIPAÇÃO E EMPREENDIMENTOS CNPJ 06.030.272/000110, empresa acima citada de forma individualizada e pertencente ao clã da família CERQUEIRA. Como investimentos neste empreendimento, a PRJ utilizouse de recursos advindo das seguintes empresas partícipes das fraudes, movimentadas sob interposição de pessoas, tidas como “noteiras”, alegando a PRJ à Construtora Lage, que os pagamentos realizados por terceiros, tinham como origem créditos havidos pela mesma junto a essas empresas, quando em verdade, os registros deste relatório demonstram que JOÃO NATAL CERQUEIRA e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ, desde 2004 já eram citados inclusive na mídias, por serem “useiros e vezeiros” na constituição e movimentação de empresas inidôneas, remontando tais fatos a mais de décadas, em decorrência, evidentemente, da impunidade Fl. 4416DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 14 13 reinante na prática desses crimes que afetam não somente o interesse público em face a evasão fiscal, mas também a concorrência desleal com as demais empresas do segmento econômico devidamente regulares. A família CERQUEIRA, através de PRJ, realizou investimentos utilizandose de recursos das empresas inidôneas: (DOCTO 180). Prosseguindo nos rastreamento de recursos dessas empresas inidôneas, a auditoria detectou, recursos sendo direcionados a ALEXANDRE GRIBEL HOMEN DE CASTRO – CPF 54702240668, residente na capital Belo Horizonte – Estado de Minas Gerais. Devidamente intimado a justificar a origem dos valores ingressados em sua conta corrente, ALEXANDRE encaminhou a este Serviço e Fiscalização, vários documentos que comprovaram que FRANCISCO COIMBRA DE MACEDO NETO – CPF 50043510744, sócio da CIMEELI COMERCIO E INDUSTRIA DE METAIS E LIGAS LTDA, juntamente com PAULO CESAR VERLY DA CRUZ e JOÃO NATAL CERQUEIRA, adquiriu imóvel utilizandose de recursos de várias empresas do esquema fraudulento, sendo elas: (DOCTO. 181). Fl. 4417DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 15 14 Em nova operação nebulosa, utilizandose novamente de uma sociedade não personificada – SCP – Sociedade em Conta de Participação, JOÃO NATAL CERQUEIRA, através de sua empresa NATURE EMPREEENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 07.775.829/0001 05, cujo quadro societário foi acima citado, celebrou contrato de investimento em sua condição de sócio oculto, com a empresa RENATA DE ABREU CENTRO DE MEDICINA ESTÉTICA MAIS VIDA LTDA, CNPJ N.º 07.656.839/000121, estabelecida na Cidade de Nova Lima MG. JOÃO NATAL aportou neste investimento, recursos que juntos totalizaram R$ 2.873.052,47 utilizandose de recursos da empresa inidônea Central do Aço Distribuidora de Sucatas Metálicas Ltda – CNPJ 08.599.288/000174, sendo uma das empresas que serve ao esquema de noteiras, notadamente a transferência eletrônica de crédito – TED rastreada pela auditoria, no montante de R$ 250.000,00, conforme documentação comprobatória. (DOCTO. 182) DO RETORNO DE RECURSOS AOS REAIS BENEFICIÁRIOS E SUAS EMPRESAS: A base de operações da organização sediada no Estado de Minas Gerais, desde o ano de 2004 já vinha sendo desvendada e demonstrada, inclusive com repercussão na mídia, tendo como principais protagonistas os empresários JOÃO NATAL CERQUEIRA e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ, sócios em conjuntos em várias empresas e investimentos, que nessas condições, abasteciam as contas correntes mantidas em instituições financeiras em nome das empresas inidônea e “noteiras”, principalmente as contas mantidas na agência 0559 SP/USP – Radial Leste do Banco Bradesco, em face das facilidades encontradas tanto na abertura dessa contas, como pela sua movimentação, pelos referidos funcionários dessa instituição financeira, seguindo o seu itinerário ideológico, e Fl. 4418DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 16 15 retornavam aos “caixas” da organização, em forma de depósitos e/ou transferência bancárias, advindas dessas empresas inidôneas, simulando operações comerciais que jamais existiam, tanto pela própria inexistência dessas empresas, tanto pela própria mecânica fraudulenta das operações que simulavam a quitação de títulos, quando em verdade destinavamse os recursos a depósitos favorecendo os reais beneficiários. Uma das principais empresas dessa organização, que tinha a função de atuar como uma espécie de “caixa”, era a KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA – CNPJ 08.759.416/000108, que tinha como sócias as empresas TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA E XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, sendo que essas três empresas estavam sob controle da família “CERQUEIRA” do Estado de Minas Gerais. Ao percorrem o itinerário delituoso, os recursos eram direcionados principalmente à empresa inexistente de fato PERFIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA CNPJ 01035995/000182 e depois redirecionados a KOPRUM em forma de depósitos e/ou transferência em valores elevadíssimos. A KORPUM, possuía a denominação antiga de COMERCIO DE METAIS JARDINÓPOLIS LTDA. Vejamos a mecânica de retorno dos valores: Foram identificadas, várias emissões de cheques provenientes da PERFIBRAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO e ALUMIBRÁS INDÚSTRIA E COMERCIO simulando transações comerciais, mas em verdade tratavase de retorno de valores ao controle da organização. Vejamos abaixo: (DOCTO. 183) (...) Foram detectados também emissões de cheques à favor de CIMEELI COMÉRCIO E INDUSTRIA DE METAIS E LIGAS LTDA de propriedade de JOÃO NATAL CERQUERIA e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ, proveniente das empresas do Fl. 4419DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 17 16 esquema, simulando operações comerciais, conforme abaixo: (DOCTO. 184) (...) Várias outras empresas, partícipes das fraudes conforme acima citado, encaminhavam transferência de valores à EMPÓRIO DE METAIS LTDA, que tinha em seus quadros societários os empresários JOÃO NATAL CERQUEIRA e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ, bem como às pessoas físicas de RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA através da conta corrente n.º 0014255 7, JOÃO NATAL CERQUEIRA, conta corrente 00000833, PAULO CESAR VERLY DA CRUZ conta corrente n.º 0000082 5, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA – conta corrente n.º 00112542 todas mantidas na agência 1056 SP/Belo Horizonte MG do Banco Bradesco S|A, além de depósitos na conta corrente n.º 00302553 da empresa Empório de Metais Ltda que pertencia a JOÃO NATAL CERQUEIRA e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ. Os depósitos rastreados totalizaram a importância de R$ 9.031.750,58 (nove milhões, trinta e um mil, setecentos e cinquenta reais e cinquenta e oito centavos), fato que demonstra que após o abastecimento das empresas inidôneas com os respectivos créditos, o valores retornavam às contas correntes dos reais beneficiários, conforme planilha demonstrativa abaixo: (DOCTO. 185)”. 5. A Contribuinte Metalins Comércio de Sucatas e Metais LTDA, devidamente cientificada da autuação por meio do Edital nº 116/2014 em 10/12/2014 (fl. 2795), não apresentou impugnação. 6. A responsável solidária Paula Siqueira Verly da Cruz apresentou impugnação administrativa (fls. 2738/2747), onde alega a nulidade de sua sujeição passiva e que não poderia figurar no rol dos devedores solidários por se tratar de menor absolutamente incapaz. Sustenta que a autoridade fiscal agiu de forma arbitrária e negligente ao imputar a uma criança de 02 anos a participação efetiva e conjunta na fraude fiscal investigada. 7. Os responsáveis solidários Francisco Coimbra de Macedo Neto, Paulo César Verly da Cruz, João Natal Cerqueira, Lucas Nercessian de Carvalho, Rafael Escobar Cerqueira, João André Escobar Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira apresentaram impugnações administrativas (fls. 3181/3229, 3553/3601; 3016/3069; 2798/2841; 3443/3487; 3301/3345; e 2908/2950) contra o lançamento. 8. Os impugnantes, em linhas gerais, trouxeram as seguintes questões de fato e de direito: (i) decadência do crédito tributário em face da aplicação do prazo previsto no artigo 150, §4º, do CTN; (ii) nulidade da sujeição passiva diante da divergência entre a capitulação legal e a motivação constante no Termo de Verificação Fiscal; (iii) nulidade em razão da ausência de intimação no curso da ação fiscal para comprovar a origem dos depósitos; (iv) ausência de comprovação do interesse comum previsto no artigo 124, inciso I, do CTN; (v) diante da dúvida sobre a sujeição passiva das pessoas físicas, devese aplicar o artigo 112 do CTN; (vi) o lançamento deve ser desconstituído em razão da inobservância dos critérios legais na determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS; e (vii) arguem que a responsabilidade do artigo 135 do CTN é subsidiária. 9. Em sessão de 10 de fevereiro de 2017, a 1ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente as impugnações para afastar a aplicação Fl. 4420DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 18 17 de multa agravada de 225% e afastar a atribuição de responsabilidade tributária de Paula Siqueira Verly da Cruz, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1675.967 (fls. 3734/3800), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2009 AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Não havendo impugnação ao crédito tributário este deve ser exigido de imediato da contribuinte autuada. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizamse como receitas omitidas os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DECADÊNCIA. REGRA GERAL. INAPLICABILIDADE. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo de decadência de cinco anos contase a partir da data de ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Esta regra é excepcionada nas hipóteses em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situações em que o prazo de cinco anos é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prescreve o art. 173, I, do CTN. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE MEDIANTE A UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. Tendo sido verificado que a constituição da sociedade fiscalizada se deu mediante a utilização de interpostas pessoas (“laranjas”), é lícito atribuir responsabilidade tributaria, em caráter solidário, a todas as pessoas que tiveram interesse comum nas situações que deram origem aos fatos geradores das respectivas obrigações. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA São solidariamente responsáveis as pessoas físicas que participem efetivamente do processo decisório para engendrar operações com o objetivo de reduzir a carga tributária, demonstrando o interesse comum ao auferir, direta ou indiretamente, os benefícios delas decorrentes. Fl. 4421DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 19 18 SÚMULA Nº 29 DO CARF. INAPLICABILIDADE AO CASO SOB ANÁLISE Descabe invocar a aplicação da Súmula nº 29 do CARF ao caso sob análise quando resta comprovado que nenhum dos nominados responsáveis solidários pelo crédito em discussão, consta como cotitular da conta corrente bancária mantida em instituição financeira pela empresa autuada. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. INSTITUTOS DE DIREITO PENAL. INAPLICABILIDADE AO DIREITO TRIBUTÁRIO. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. A lei não confere discricionariedade à autoridade julgadora administrativa para aplicar, no âmbito do Direito Tributário, institutos próprios do Direito Penal, face tratarse de atividade vinculada e obrigatória, estando subordinado aos comandos que estiverem expressamente previstos em lei. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa agravada da de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal, já que estas omissões têm consequências específicas previstas na legislação de regência, que no caso foi o arbitramento do lucro. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. Fundamentos da DRJ 10. A DRJ/ SPO julgou as impugnações dos responsáveis solidários com os seguintes fundamentos: Questões Preliminares 10.1. Diferente do alegado pelos Impugnantes, é aplicável a contagem do prazo decadência constante do artigo 173, inciso I, do CTN, em razão da verificação de prática dolosa e da ausência de pagamento de tributos no período fiscalizado. 10.2. In casu, houve observância dos preceitos contidos no artigo 59 do Decreto Lei nº 70.235/72 e, portanto, não há que se falar em nulidade do lançamento. 10.3. A alegação de nulidade por falta de intimação dos Impugnantes para comprovar os depósitos não se sustenta, pois a Súmula nº 29 do CARF não é aplicável ao caso. Questões de Mérito 10.4. A atribuição de responsabilidade solidária com base na combinação dos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN não conflita com aquilo que foi desenvolvido Fl. 4422DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 20 19 pela auditoria, vez que os detentores do poder de gestão de fato incidiram em prática prevista no artigo 135, além de terem interesse comum na situação que constituiu o crédito conforme previsto pelo artigo 124. 10.5. O termo de responsabilização lavrado contra a impugnante Paula Siqueira Verly é nulo por se tratar de responsabilidade solidária imputada a menor impúbere que não tinha poder de gerência ou administração na empresa DAMP Assessoria. 10.6. O fato dos Impugnantes não constarem no quadro societário da empresa autuada no período sob análise não é suficiente para afastar a imputação de responsabilidade. Verificouse, no curso do procedimento fiscal, que as pessoas indicadas como responsáveis auferiram vantagem econômica advinda das operações fraudulentas. 10.7. Incabível a aplicação do princípio da insignificância neste caso, pois além de ser um instituto do direito penal, no âmbito do PAF fica caracterizada a infração administrativa diante da ocorrência de conduta típica prevista na lei, independentemente da vontade do agente ou do grau de lesão provocado. 10.8. A alegação da inobservância dos critérios legais na determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS não se sustenta, visto que o lançamento decorre de presunção legal de omissão de receitas. 10.9. As condutas comprovadamente dolosas dos sujeitos passivos têm efeitos qualificadores, sendo incabível, portanto, a exclusão da multa qualificada. Em relação à aplicação de multa agravada em face da reiterada falta de atendimento dos pedidos de apresentação de documentos, resta razão aos contribuintes, pois a falta de apresentação de livros e documentos por si só não justifica o agravamento, conforme Súmula nº 96 do CARF. 10.10. O pedido de perícia deve ser indeferido, vez que a autoridade fiscal trouxe farta documentação acerca da ocorrência de omissão de receitas e do envolvimento dos contribuintes na operação fraudulenta. 11. Cientificada da decisão por meio de seus sócios administradores (Editais Eletrônicos nº 002049129 e nº 002049130, fls. 3830/3831) a Contribuinte Metalins e a responsável solidária Paula Siqueira Verly (devidamente intimada da decisão da DRJ (fl. 3841)) não apresentaram Recurso Voluntário. 12. Os responsáveis solidários Francisco Coimbra de Macedo Neto, João André Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira, Lucas Nercessian de Carvalho, Paulo César Verly da Cruz, Paulo Henrique Escobar Cerqueira e Rafael Escobar Cerqueira, ora Recorrentes, cientificados da decisão (Avisos de Recebimento de 20/09/2017 e 15/09/2017, fls. 3832/3837 e Edital Eletrônico nº 00205114 de fl. 3839) interpuseram, individualmente, Recursos Voluntários (fls. 3844/3898, 3924/3966, 3970/4033, 4034/4083, 4084/4183, 4184/4222 e 4223/4271) em 19/10/2017 e 20/10/2017. 13. O responsável solidário Paulo Henrique Escobar Cerqueira em seu Recurso Voluntário (fls. 4084/4183) reitera as razões já expostas em impugnação (item 8) e complementa sua defesa com os seguintes pontos: 13.1. O fato de a empresa autuada ter agido, supostamente, com dolo não atinge o Recorrente no que diz respeito à aplicação da regra de decadência, pois inexiste Fl. 4423DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 21 20 qualquer comprovação de que teria praticado tais condutas dolosas (sonegação, fraude e/ou conluio). No mais, revelase imperioso o reconhecimento da decadência, por aplicação do artigo 150, §4º, do CTN, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação aos quais houve antecipação do pagamento, ainda que parcial. 13.2. O entendimento expresso na decisão recorrida de que não é cabível a aplicação da Súmula nº 29 do CARF em face dos Recorrentes não serem cotitulares das contas bancárias é incoerente, visto que a própria fiscalização afirma que o Recorrente manipulava as contas, figurando, portanto, como titular “de fato” das contas bancárias. Diante do exposto, deve ser considerado nulo o lançamento pela ausência de intimação do Recorrente para a comprovação dos depósitos bancários. No mais, o lançamento é nulo também por não ter delimitado a base tributável imputada a cada sujeito passivo. 13.3. Diferente do que foi colocado pela decisão recorrida, a nulidade exposta em sede de Impugnação pela Recorrente não era referente à impossibilidade de serem aplicadas simultaneamente a responsabilidade com base no artigo 124 e 135 do CTN, mas sim referente a divergência entre o enquadramento legal da sujeição passiva solidária imputada ao Recorrente e a motivação constante do Termo de Verificação Fiscal. O referido termo fundamenta a responsabilização exclusivamente no suposto interesse comum, o que demonstra erro na indicação do enquadramento legal da sujeição passiva solidária do Recorrente. 13.4. Preliminarmente, alega que o indeferimento do pedido de produção de prova pericial contábil demonstra cerceamento do direito de defesa do Recorrente. 13.5. O CARF, nos processos administrativos nº 10932.720125/201404 e nº 10932.720130/201417, já se pronunciou sobre a ilegitimidade passiva das pessoas físicas envolvidas na mesma operação de que trata o presente processo. Portanto, também neste processo, o ora Recorrente considera que deve ser afastada sua responsabilidade. 13.6. Por fim requer seja: (i) declarada a decadência do crédito tributário; (ii) declarada a nulidade do lançamento em razão da falta de intimação do Recorrente para prestar esclarecimentos sobre a origem dos depósitos, pela falta de delimitação da base tributável para cada sujeito passivo e pela ausência de correspondência entre a capitulação legal e a motivação da atribuição de responsabilidade solidária; (iii) deferida a produção de prova contábil; (iv) declarada a ilegitimidade passiva do Recorrente; (v) determinada a desconstituição do crédito tributário; e (vi) reconhecida a inexigibilidade da multa de ofício qualificada em relação ao Recorrente por aplicação do princípio da individualização da pena. 14. O responsável solidário João André Escobar Cerqueira em seu Recurso Voluntário (fls. 4034/4083) reitera, em parte, as razões já expostas em impugnação (item 8) e complementa sua defesa com os seguintes pontos: 14.1. Apresenta alegações preliminares e de direito coincidentes com as alegações do solidário Paulo Henrique descritas nos itens 13.2 a 13.4. 14.2. Em relação à decadência, a afirmação de ausência de pagamento não justifica a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, pois no lançamento por homologação, o que se homologa não é o pagamento do tributo, mas sim a atividade exercida pelo sujeito passivo. Revelase imperioso o reconhecimento da decadência, por aplicação do artigo 150, §4º, do CTN para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação aos quais houve antecipação do pagamento, ainda que parcial. Fl. 4424DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 22 21 14.3. O CARF, nos processos administrativos nº 10932.720125/201404 e nº 10932.720130/201417, já se pronunciou sobre a ilegitimidade passiva das pessoas físicas envolvidas na mesma operação de que trata o presente processo. Portanto, também neste processo, o ora Recorrente considera que deve ser afastada sua responsabilidade. 14.4. Em seu recurso não traz as razões expostas na impugnação relativas à aplicação do princípio da insignificância e do erro na apuração da base de cálculo em razão do movimento circular do dinheiro. Por fim, apresenta pedidos coincidentes aos pedidos do solidário Paulo Henrique, descritos no item 13.6. 15. O responsável solidário Rafael Escobar Cerqueira em seu Recurso Voluntário (fls. 4223/4271) reitera, em parte, as razões já expostas em impugnação (item 8) e complementa sua defesa ao apresentar alegações preliminares e de direito coincidentes com as alegações descritas nos itens 13.1 a 13.4 e 14.3. Em seu recurso não traz as razões expostas na impugnação relativas à aplicação do princípio da insignificância e do erro na apuração da base de cálculo em razão do movimento circular do dinheiro. Por fim, apresenta pedidos coincidentes aos pedidos do solidário Paulo Henrique, descritos no item 13.6. 16. O responsável solidário Lucas Nercessian de Carvalho em seu Recurso Voluntário (fls. 4184/4222) reitera, em parte, as razões já expostas em impugnação (item 8) e complementa sua defesa com os seguintes pontos: 16.1. Em relação à decadência, a afirmação de ausência de pagamento não justifica a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, pois no lançamento por homologação, o que se homologa não é o pagamento do tributo, mas sim a atividade exercida pelo sujeito passivo. Devese aplicar, portanto, o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do CTN. No mais, o Recorrente não pode ser afetado com a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN em razão de prática dolosa, pois não restou comprovado sua efetiva participação no suposto esquema fraudulento ou que o Recorrente praticou qualquer ato com dolo. 16.2. O acórdão recorrido se utilizou de argumentos equivocados para manter o Recorrente no polo passivo, visto que o fato de ser sócio da empresa Damp Assessoria não é suficiente para justificar a atribuição de responsabilidade solidária. 16.3. O Recorrente considera que a prova pericial contábil é meio hábil a comprovar que não foi beneficiado com o produto do suposto esquema fraudulento. Logo, entende que o indeferimento do seu pedido acarreta cerceamento do seu direito de defesa. 16.4. Em seu recurso não traz as razões expostas na impugnação relativas à aplicação do princípio da insignificância e a inexigibilidade da multa qualificada e agravada. Por fim requer seja: (i) declarada a decadência do crédito tributário; (ii) declarada nula a sujeição passiva do Recorrente e reconhecida sua ilegitimidade passiva; (iii) declarada a improcedência dos lançamentos em virtude do equívoco na determinação da base de cálculo para PIS e COFINS e pela grave distorção na determinação da receita omitida por presunção legal; e (iv) que seja deferida a produção de prova contábil. 17. O responsável solidário João Natal Cerqueira em seu Recurso Voluntário (fls. 3970/4033) reitera as razões já expostas em impugnação (item 8) e complementa sua defesa com os seguintes pontos: Fl. 4425DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 23 22 17.1. A defesa apresenta alegações preliminares e de direito coincidentes com as do solidário Paulo Henrique descritas nos itens 13.1 a 13.5. 17.2. O acórdão recorrido, equivocadamente, inclui como “sócios de direito” pessoas físicas que não compõem os quadros societários das empresas mencionadas, como a Cimeeli, Koprum, Empório de Metais, dentre outras. 17.3. Por fim, a defesa apresenta pedidos coincidentes aos pedidos do solidário Paulo Henrique, descritos no item 13.6, e informa que o Recorrente faleceu no curso do presente processo administrativo. 18. O responsável solidário Paulo César Verly da Cruz em seu Recurso Voluntário (fls. 3844/3898) reitera, em parte, as razões já expostas em impugnação (item 8) e complementa sua defesa com alegações coincidentes às alegações expostas nos itens 13.4 e 14.3. Por fim requer seja: (i) declarada a decadência do crédito tributário; (ii) declarada nula a sujeição passiva do Recorrente e reconhecida sua ilegitimidade passiva; (iii) declarada a improcedência dos lançamentos; (iv) aplicado o princípio da insignificância; e (v) deferida a produção de prova contábil. 19. O responsável solidário Francisco Coimbra de Macedo Neto em seu Recurso Voluntário (fls. 3924/3966) reitera as razões já expostas em impugnação (item 8) e complementa sua defesa com os seguintes pontos: 19.1. Em relação à decadência traz alegação coincidente à alegação do solidário João André Escobar Cerqueira, descrita no item 14.2. 19.2. O Recorrente considera que a prova pericial contábil é meio hábil a comprovar que não foi beneficiado com o produto do suposto esquema fraudulento. Logo, entende que o indeferimento do seu pedido acarreta cerceamento do seu direito de defesa. 19.3. Por fim, apresenta pedidos coincidentes aos pedidos do solidário Lucas Nercessian de Carvalho, descritos no item 16.4. 20. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional se manifestou, em 13 de abril de 2018 (fls. 4403/4404), para juntar aos autos decisão de deferimento (fls. 4282/4313) da medida cautelar nº 019038282.2017.4.02.5101 visando o arresto dos ativos financeiros e indisponibilidade de bens. O presente processo administrativo tributário está no rol dos processos relacionados na medida cautelar fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 21. Inicialmente, cumpre consignar que diante da inexistência de contestação quanto à omissão de receitas, a presente decisão esta adstrita a análise dos fundamentos apresentados pelos responsáveis solidários, os quais serão analisados um a um. Considero, portanto, incontroversas as matérias não contestadas. Fl. 4426DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 24 23 22. Com relação a contribuinte que não interpôs Recurso Voluntário (item 11), resta mantido o decidido pela r. DRJ. 23. Os recursos voluntários interpostos pelos Recorrentes são tempestivos e cumprem os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Questões Preliminares I. Da Inocorrência de Decadência 24. Preliminarmente, os Recorrentes alegam decadência relativamente aos fatos geradores compreendidos nos períodos entre janeiro e junho de 2009, visto que o prazo decadencial previsto pelo artigo 150, § 4º, do CTN já teria transcorrido antes da cientificação dos sujeitos passivos do lançamento, o que ocorreu em dezembro de 2014. 25. Entretanto, diante da ocorrência de fraude e simulação, não cabe a aplicação da contagem prevista no § 4º do artigo 150 do CTN, mas sim da contagem prevista no artigo 173 do CTN, verbis: (...) Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...)" "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...)" 26. Considerando o fato gerador relativo ao período de janeiro a junho de 2009, ao aplicarmos o artigo 173 do CTN, verificase que a decadência somente operaria efeitos a partir de 2015. Logo, como os sujeitos passivos foram intimados do lançamento em 22/12/2014 (Termos de ciência de Lançamentos de fls. 2652/2667), não há que se falar em perda do direito de proceder ao lançamento com relação ao IRPJ e a CSLL, por terem apuração anual. Fl. 4427DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 25 24 27. No mais, mesmo quanto à parcela do PIS e da COFINS nos períodos de janeiro a junho de 2009 (tributos de apuração mensal), aplicando o artigo 173 do CTN, evidencio que também não se operou a decadência (somente operaria efeitos a partir de 2015). 28. Por fim, diferentemente do alegado pelos Recorrentes, diante da ausência de pagamento não há o que ser homologado. Logo, também neste aspecto, é aplicável a contagem do prazo decadencial de acordo com o artigo 173, inciso I, do CTN. 29. Diante do exposto, deixo de acolher a preliminar de decadência, para fins de afastar as incidências dos tributos em análise. II. Da Correta Constituição do Crédito Tributário 30. Os Recorrentes repetem, em sede de recurso voluntário, as alegações trazidas em suas impugnações e enfrentadas pela decisão de piso sobre a nulidade do lançamento em razão da (i) incompatibilidade na fundamentação legal da sujeição passiva solidária; (ii) ausência de intimação para comprovar a origem dos depósitos; e (iii) falta de individualização e delimitação da base tributável imputada para cada sujeito passivo. 31. A suposta incompatibilidade de fundamentação calcada nos artigos 124 e 135 do CTN não se verifica. Em que pese os autos de infração apontem, nos respectivos Demonstrativos de Responsáveis Tributários, somente o artigo 135 do CTN como enquadramento legal, verificase que a fiscalização detalhou os motivos que a levaram a responsabilizar os Recorrentes com fundamento no artigo 124, inciso I, do CTN Termo de Verificação Fiscal (fls. 75/154), do qual todos os Recorrentes foram devidamente intimados. 32. Os Recorrentes notoriamente compreenderam a imputação que lhes foi imposta, tanto é que apresentaram suas defesas, e a autoridade fiscal cumpriu as exigências legais para a lavratura dos autos de infração e dos Termos de Sujeição Passiva (2652/2667). No mais, não cabe aqui, em sede de preliminar, enfrentar a questão meritória relativa à responsabilidade tributária solidária e pessoal, o que será feito em tópico próprio. 33. Sobre a alegação de ausência de intimação dos solidários para a comprovação da origem dos depósitos, sigo a decisão de piso no sentido de que não há nulidade formal. Os responsáveis solidários foram devidamente intimados do lançamento, ocasião em que poderiam ter se manifestado e apresentado provas sobre a origem dos depósitos. 34. Ademais, também considero inaplicável aqui a Súmula CARF nº 29, pois os responsáveis solidários não são cotitulares da conta corrente mantida em nome da contribuinte Metalins. 35. Por fim, a alegação da falta de individualização e delimitação da base tributável imputada a cada sujeito passivo não se sustenta, pois a responsabilidade tributária solidária não comporta benefício de ordem. Assim sendo, o Fisco pode exigir o crédito tributário em sua integralidade de qualquer um dos sujeitos passivos. 36. Diferente do alegado pelos sujeitos passivos, a lei não exige a delimitação da base tributável para cada um dos solidários. Fl. 4428DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 26 25 37. Diante do exposto, concluo que a constituição do crédito tributário foi feita de maneira correta, razão pela qual afasto a caracterização de nulidade do lançamento. III. Da Suposta Necessidade de Perícia 38. Outro argumento trazido pelos Recorrentes, em sede de preliminar, é a necessidade de exame pericial contábil, sob pena de violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, resguardados pelo artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. 39. Em análise aos Recursos Voluntários e Impugnações apresentados, evidencio que, apesar do citado pedido contar com a formulação de quesitos, indicação e qualificação do perito, o pleito não foi devidamente motivado, nos termos do artigo 16, do Decreto nº 70. 235/72. 40. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado e que esteja fora do campo de atuação das autoridades fiscais e julgadoras, o que não é o caso dos presentes autos. 41. Questões como saber se o crédito foi alcançado pela decadência; se o montante dos recursos que foram transacionados entre as empresas fiscalizadas e se o dinheiro que circulou entre elas foi duplamente tributado; se foi incluído como receita bruta créditos realizados na conta corrente que não deveriam integrar a receita; hipótese de incidência do PIS e da COFINS, dentre outros, estão dentro do campo de atuação do julgador administrativo. 42. A perícia se justifica num cenário onde a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, o que não ocorre neste caso. Verificase que os Recorrentes não foram capazes de apresentar provas hábeis e idôneas em sede de Impugnação e de Recurso Voluntário e se limitam a apontar supostas falhas no trabalho da fiscalização. 43. Sabemos que o PAF é informado pelo princípio da concentração das provas e, portanto, o pedido de perícia não pode ser utilizado pelo contribuinte como artifício para se furtar de apresentar o devido conjunto probatório em sede de Impugnação e/ou Recurso Voluntário, nos termos do Decreto nº 70.235/72. 44. Diante do exposto, deixo de acolher os pedidos de produção de prova pericial. Questões de Mérito I. Das Premissas Técnicas 1. Pressupostos de Aplicação do Artigo 124 do CTN 45. Com relação a responsabilidade solidária capitulada no artigo 124, inciso I, do CTN, cabe trazer algumas ponderações de ordem técnicointerpretativas. Confirase o teor do dispositivo: “Art. 124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” Fl. 4429DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 27 26 46. Para restar configurada a responsabilidade solidariedade tributária em questão, as pessoas constantes do dispositivo devem efetivamente participar do negócio jurídico que deflagra a incidência tributária no mesmo polo da relação jurídica, como os co proprietários de um imóvel no caso do IPTU ou os herdeiros no caso do ITCMD incidente na sucessão1. 47. É nesse contexto de raciocínio que, o termo "interesse comum" não pode ser considerado como um interesse qualquer, de fundo econômico, sancionador, monetário ou de cunho inespecífico. Trata se de interesse exclusivamente jurídico, relativo à prática do fato gerador da obrigação tributária. 48. Com efeito, não pode ser aplicado às pessoas que se encontrem em posições diversas da relação jurídica (e.g. vendedor vs comprador) ou pessoas que não tenham qualquer ligação com a "situação que constitui o fato gerador". A chamada comunhão de interesses jurídicos entre duas ou mais pessoas, que tenham relação pessoal e direta com a situação que deflagra a obrigação de pagar o tributo, é condição sine qua non para aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. 49. Nesse sentido, são as lições de Luciano Amaro2 acerca da solidariedade tributária: "Sabendose que a eleição de terceiro como responsável supõe que ele esteja vinculado ao fato gerador (art. 128), é preciso distinguir, de um lado, as situações em que a responsabilidade do terceiro deriva do fato de ter ele 'interesse comum no fato gerador' (o que dispensa previsão na lei instituidora do tributo) e, de outro, as situações em que o terceiro tenha algum outro interesse (melhor diria, as situações com as quais ele tenha algum vínculo) em razão do qual ele possa ser eleito como responsável. Neste segundo caso é que a responsabilidade solidária do terceiro dependerá de a lei expressamente estabelecer. Por outro lado, o só fato de o Código Tributário Nacional dizer que, em determinada operação (p. ex. alienação de imóvel), a lei do tributo pode eleger qualquer das partes como contribuinte não significa dizer que, tendo eleito uma delas, a outra seja solidariamente responsável. Poderá sêlo, mas isso dependerá de expressa previsão da lei, nos termos do item II do art. 124). Até porque nessa hipótese o interesse de cada uma das partes no negócio não é comum, não é o mesmo; o interesse do vendedor é na alienação, o interesse do comprador é na aquisição. Se, porém, houver dois vendedores ou dois compradores (copropriedade), aí sim teremos interesse comum (dos vendedores ou dos compradores, respectivamente), de modo que se a lei definir como contribuinte a figura do comprador, ambos os compradores serão responsáveis solidários, não porque a lei tenha eventualmente vindo a proclamar essa solidariedade, 1 Sobre o tema, vale referenciar DARZÉ, Andréa Medrado. Responsabilidade Tributária Solidária. Breves Considerações sobre os Artigos 124 e 125 do Código Tributário Nacional. In: Grandes Questões em Discussão no CARF. São Paulo: Foco Fiscal, 2014, p. 3637. 2 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 22ª ed. São Paulo: Saraiva, 2017. Fl. 4430DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 28 27 mas sim porque ela decorre do interesse comum de ambos no fato da aquisição. O mesmo se diga em relação ao imposto predial. Havendo copropriedade, ambos os proprietários são devedores solidários". 50. É, também, o entendimento já fixado em definitivo pelas Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça STJ sobre a matéria: "1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. (...) Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: (...) Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação... Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato. o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos , a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. E o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed Saraiva, 8ª ed, 1996, p. 220)... Fl. 4431DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 29 28 Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). (...) 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A" (REsp 884.845/SC, 1ª T., Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJ: 18/02/2009). "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMPRESA DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. Inexiste solidariedade passiva em execução fiscal apenas por pertencerem as empresas ao mesmo grupo econômico, já que tal fato, por si só, não justifica a presença do 'interesse comum' previsto no artigo 124 do Código Tributário Nacional. Precedente da Primeira Turma (REsp 859.616/RS, Rei. Min. Luiz Fux, DJU de 15.10.07). Recurso especial não provido" (REsp 1.001.450/RS, 2ª T., Rel. Min. Castro Meira, DJ: 27/03/2008). 51. Portanto, de acordo com a doutrina e a jurisprudência, somente se pode cogitar de interesse comum nas situações em que duas ou mais pessoas concorrem, em pé de igualdade, para a realização do fato descrito em lei como deflagrador da obrigação tributária. 52. Ademais, o parágrafo único do artigo 124, do CTN, prevê que a solidariedade referida no artigo não comporta benefício de ordem, o que significa que o Fisco pode exigir o crédito tributário em sua integralidade de qualquer um dos sujeitos passivos, principal e solidários, sem seguir ordem de preferência ou individualizar valores para cada devedor, pois todos os devedores respondem igualmente pelo crédito tributário lançado. 2. Pressupostos de Aplicação do Artigo 135 do CTN 53. A responsabilidade disciplinada no artigo 135, III, do CTN, não considera a personalidade jurídica do contribuinte, mas cuida de incluir pessoalmente no polo Fl. 4432DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 30 29 passivo da relação jurídicotributária, o administrador responsável pela prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei. 54. Para que se configurar a responsabilidade prevista no referido artigo, devem estar presentes duas condições: (i) os sócios, os acionistas, os gerentes e/ou administradores devem praticar atos de gestão e (ii) a obrigação tributária deve decorrer de atos praticados com abuso de poder ou contrários à lei, contrato social ou estatutos. Logo, o elemento doloso deve estar presente. 55. Em razão da gravidade dessas práticas, o legislador apontou expressamente quais pessoas devem ser pessoalmente responsabilizadas, verbis: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifos nossos) 56. A partir da análise do dispositivo, verificase que apenas as pessoas elencadas podem ser responsabilizadas pessoalmente. No mais, caso a pessoa seja sócia, mas não tenha poderes de gestão, deve ser afastada a responsabilidade pessoal. Da mesma forma, ainda que tenha poderes de gestão, deve ser comprovado o nexo de causalidade entre a prática Fl. 4433DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 31 30 de atos com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos e a exigência do crédito tributário em litígio. 57. Neste sentido, é o posicionamento já consolidado em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal. Confirase: DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ART 146, III, DA CF. ART. 135, III, DO CTN. SÓCIOS DE SOCIEDADE LIMITADA. ART. 13 DA LEI 8.620/93. INCONSTITUCIONALIDADES FORMAL E MATERIAL. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DA DECISÃO PELOS DEMAIS TRIBUNAIS. 1. Todas as espécies tributárias, entre as quais as contribuições de seguridade social, estão sujeitas às normas gerais de direito tributário. 2. O Código Tributário Nacional estabelece algumas regras matrizes de responsabilidade tributária, como a do art. 135, III, bem como diretrizes para que o legislador de cada ente político estabeleça outras regras específicas de responsabilidade tributária relativamente aos tributos da sua competência, conforme seu art. 128. 3. O preceito do art. 124, II, no sentido de que são solidariamente obrigadas “as pessoas expressamente designadas por lei”, não autoriza o legislador a criar novos casos de responsabilidade tributária sem a observância dos requisitos exigidos pelo art. 128 do CTN, tampouco a desconsiderar as regras matrizes de responsabilidade de terceiros estabelecidas em caráter geral pelos arts. 134 e 135 do mesmo diploma. A previsão legal de solidariedade entre devedores – de modo que o pagamento efetuado por um aproveite aos demais, que a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, também lhes tenha efeitos comuns e que a isenção ou remissão de crédito exonere a todos os obrigados quando não seja pessoal (art. 125 do CTN) – pressupõe que a própria condição de devedor tenha sido estabelecida validamente. 4. A responsabilidade tributária pressupõe duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios. A referência ao responsável enquanto terceiro (dritter Persone, terzo ou tercero) evidencia que não participa da relação contributiva, mas de uma relação específica de responsabilidade tributária, inconfundível com aquela. O “terceiro” só pode ser chamado responsabilizado na hipótese de descumprimento de deveres próprios de colaboração para com a Administração Tributária, estabelecidos, ainda que a contrario sensu, na regra matriz de responsabilidade tributária, e desde que tenha contribuído para a situação de inadimplemento pelo contribuinte. 5. O art. 135, III, do CTN responsabiliza apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica e tão somente quando pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Desse modo, apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade Fl. 4434DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 32 31 entre o ilícito (mal gestão ou representação) e a conseqüência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. 6. O art. 13 da Lei 8.620/93 não se limitou a repetir ou detalhar a regra de responsabilidade constante do art. 135 do CTN, tampouco cuidou de uma nova hipótese específica e distinta. Ao vincular à simples condição de sócio a obrigação de responder solidariamente pelos débitos da sociedade limitada perante a Seguridade Social, tratou a mesma situação genérica regulada pelo art. 135, III, do CTN, mas de modo diverso, incorrendo em inconstitucionalidade por violação ao art. 146, III, da CF. 7. O art. 13 da Lei 8.620/93 também se reveste de inconstitucionalidade material, porquanto não é dado ao legislador estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas física e jurídica, o que, além de impor desconsideração ex lege e objetiva da personalidade jurídica, descaracterizando as sociedades limitadas, implica irrazoabilidade e inibe a iniciativa privada, afrontando os arts. 5º, XIII, e 170, parágrafo único, da Constituição. 8. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 13 da Lei 8.620/93 na parte em que determinou que os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada responderiam solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social. 9. Recurso extraordinário da União desprovido. 10. Aos recursos sobrestados, que aguardavam a análise da matéria por este STF, aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC. (Recurso Extraordinário nº 562276/PR, Tribunal Pleno, Relatora Ministra Ellen Gracie, Julgado em 03/11/2010, Dje nº 27, Publicado em 10/02/2011). 58. O artigo 135 do CTN aponta a necessidade de elemento subjetivo, mais especificamente, dolo ou fraude para a configuração da responsabilidade, cabendo à fiscalização demonstrar e provar que as pessoas indicadas praticaram diretamente ou toleraram o ato abusivo, ilegal ou contrário ao estatuto enquanto sócias com poder de gerência. Por fim, deve comprovar que os diretores, gerentes (de fato ou de direito) ou representantes da pessoa jurídica exerciam tais funções de gestão durante o período que ocorreu o fato gerador. Somente a partir desta construção probatória é possível imputar a responsabilidade pessoal constante do artigo 135, III, do CTN. II. Das Circunstâncias Fáticas 59. Todos os Recorrentes foram responsabilizados solidariamente por terem interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, conforme o artigo 124, inciso I, do CTN. Complementarmente, foram responsabilizados também pela prática de atos ilícitos ou contrários aos contratos sociais enquanto sócios com poder de gestão, nos termos do artigo 135 do CTN. 60. Antes de adentrar na análise fática de cada um dos Recorrentes, importante ressaltar o entendimento trazido nos julgamentos dos processos administrativos fiscais nº 10932.720125/201404 e nº 10932.720130/201417 que versam sobre a mesma operação tratada no presente processo. Fl. 4435DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 33 32 61. Nos acórdãos dos processos citados acima, a responsabilidade solidária prevista pelo artigo 135, inciso III, do CTN foi afastada, em consonância com os pressupostos expostos nos itens 53 a 58 deste voto. O relator Leonardo de Andrade Couto apresentou os seguintes elementos motivadores: “Não basta ter sido beneficiado pela infração cometida. Tal circunstância pode, em tese, até gerar consequências na esfera penal mas, sem a prova do poder de gerência e da prática do ato, não pode haver o enquadramento no inciso III, do art., 135, do CTN”. (Processo nº 10932.720125/201404, Acórdão nº 1402002.458, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 11 de abril de 2017) (grifos nossos). 62. Contudo, acerca da caracterização da responsabilidade prevista no artigo 124, inciso I, do CTN, o douto relator dos processos correlatos limitouse a afastála sem enfrentar as circunstâncias fáticas apresentadas pela autoridade fiscalizadora, que cuidou de reunir elementos específicos suficientes para demonstrar o cabimento da responsabilidade solidária por interesse comum com relação a cada um dos Recorrentes (solidários). 63. Segue a singela motivação, verbis: “Justamente por não ter sido definida pela lei, a expressão “interesse comum” é imprecisa, questionável, abstrata e mostrase inadequada para expor com exatidão a condição em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador.” 64. Diante dos pressupostos constantes dos itens 45 a 52, registro, desde já, que tal fundamento não serve à esta relatoria para afastar a responsabilidade solidária dos Recorrentes. 65. No presente caso, a partir das premissas técnicas aqui desenvolvidas acerca da responsabilidade prevista nos artigos 124 e 135 do CTN, passo a analisar as circunstâncias fáticas relativas a cada um dos solidários. II.1. Responsabilidade solidária do Sr. Francisco Coimbra de Macedo Neto 66. O Recorrente alega no mérito que: (i) não foi comprovado o interesse comum na situação que gerou o crédito tributário; (ii) a fiscalização se baseou em meras presunções; (iii) nunca se relacionou com a empresa autuada; e que (iv) existe dúvida quanto a sua participação na suposta operação fraudulenta, o que enseja a aplicação do artigo 112 do CTN. 67. Afirma ainda que o Relatório Geral de Auditorias somente menciona seu nome duas vezes, (i) para relacionar o Recorrente à pessoa jurídica Cimeeli Comércio e Indústria de Metais e Ligas LTDA e (ii) para alegar que teria sido beneficiário de recursos financeiros advindos de empresas supostamente inexistentes e por outras pessoas físicas investigadas. 68. Sobre a primeira menção, argui que nunca foi acionista da Cimeeli, tendo sido apenas um diretor presidente contratado e que agia por deliberação de um conselho, não tendo interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. Sobre a segunda menção afirma que os pagamentos apontados pela fiscalização foram realizados no ano de 2008 e o auto de infração é relativo ao ano de 2009. Fl. 4436DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 34 33 69. A DRJ mantém sua responsabilidade solidária por entender que apesar de não ser sócio administrador da empresa autuada, o Recorrente tem interesse comum por ter efetuado remessas de valores na operação e ser diretor presidente da Cimeeli Comércio e Indústria de Metais e Ligas Ltda, uma das empresas pela qual eram movimentados valores envolvidos na operação fraudulenta, conforme constatado pelo vasto trabalho fiscalizatório. 70. Em análise da decisão de piso, verifico que restou demonstrado o racional que fundamentou a imputação de responsabilidade realizada pela fiscalização (fls. 3779/3790), conforme segue: “Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, o esquema criminoso lesava a Fazenda Nacional mediante o seguinte "iter criminis": “1º Há a constituição de pessoas jurídicas empresárias e sua respectiva inscrição nos órgãos públicos de registro (Juntas Comerciais); 2º Embora formalmente constituídas, estas pessoas jurídicas: a) não têm existência fática; b) não foram localizadas nos seus domicílios tributários; c) não possuem estabelecimento empresarial; d) operam com reduzido quadro de pessoal em face das riquezas que movimentam, isto quando o tem; 3º As pessoas naturais que subscrevem os contratos de constituição daquelas pessoas jurídicas empresárias não possuem capacidade econômica, financeira, bem como mental para empreenderam tal empresa, ou seja, são laranjas; 4º Todas as pessoas jurídicas são criadas com a única finalidade de criarem créditos fiscais em decorrência da emissão das notas fiscais emitidas entre si sem a existência de prestação, ou seja, sem a circulação de mercadorias, uma vez que não existiram os negócios jurídicos que as geraram. (...)” (...) Neste esquema também apurouse que os recursos após circularem entre as empresas inexistentes de fato, retornavam às contas correntes daqueles que possuíam o chamado "domínio do fato" de toda a operação: João Natal Cerqueira, sócio das empresas KOPRUM INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, CNPJ 08.759.416/000108 e EMPÓRIO DE METAIS LTDA 01.571.597/000197. Também foi verificado pela autoridade fiscal que os recursos que transitaram nas contas correntes das empresas inexistentes de fato foram utilizados para a aquisição de bens por parte das pessoas físicas ora responsabilizadas, aquisições essas efetuadas em nome de pessoas jurídicas. (...) Aqui impera fazer uma ressalva para dizer que mesmo os outros dois indicados como sócios solidários Lucar Nercessian de Carvalho (DAMP e XPTO) e Francisco Coimbra de Macedo Neto (Cimeeli), que alegam não ter qualquer participação no Fl. 4437DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 35 34 esquema, são mencionados como sócios em alguma das empresas envolvidas o que justifica a imputação de responsabilidade que lhes foi atribuída. (...) Conforme demonstrado, o fundamento para que estas pessoas fossem erigidas à condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário em discussão, não está amparada na hipótese de participarem do quadro societário da pessoa jurídica, muito embora, tal situação tenha restado comprovada durante as investigações feitas, mesmo que de forma transversa. No curso da ação fiscal as autoridades já deixaram registrado que estas pessoas não constam a frente de nenhuma das empresas noteiras (cuja constituição se deu por interpostas pessoas), cuja existência se mostrou irregular, justamente para não serem associados ao esquema de fraudes que agora se analisa. E mais, também registraram que eles contavam com assessoramento jurídico contábil eficiente para mantêlos sempre à sombra dos acontecimentos. O rastreamento dos recursos enviados e recebidos pelas 21 (vinte e uma) pessoas jurídicas fiscalizadas apontou que elas enviavam e receberam recursos entre si, como uma verdadeira ciranda, e para provar tal alegação, foram anexados os comprovantes dos recursos enviados entre as pessoas jurídicas descritas na página seguinte entre os anos calendário de 2009 a 2012: (...) Ainda demonstrando a robustez das provas levantadas pela autoridade fiscal e os artifícios utilizados pelos envolvidos na fraude para acobertar a origem dos recursos, devese citar a utilização de operações de saque na “boca do caixa” como forma de dificultar o rastreamento do dinheiro, em evidente intuito de acobertar possíveis destinos dos recursos ilícitos. A autoridade fiscal somente conseguiu rastrear essas operações por meio da análise das fitas detalhe dos caixas, podendo, assim, concluir que os recursos eram destinados a empresas cujos responsáveis seriam aqueles arrolados como sujeitos passivos solidários na presente autuação. Ainda em relação ao envolvimento dos sujeitos passivos arrolados na fraude, as seguintes remessas de recursos provenientes da Metalins foram identificadas pela autoridade fiscal: 1º Remessa de recursos à Construtora Lage LTDA, CNPJ 04.004.902/000157 2º Remessa de valores ao Senhor Alexandre Gribel, CPF 547.022.40668 Fl. 4438DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 36 35 Ao intimar a Construtora Lage LTDA e o Senhor Alexandre Gabriel para justificar o motivo dessas empresas inexistentes de fato terem efetuados os depósitos, esses informaram que se referiam a: i) contrato celebrado de Sociedade em Conta de Participação (SCP) cujo sócio oculto é a pessoa jurídica PRJ Participações e Empreendimentos; ii) remessas efetuadas pelo senhor Francisco Coimbra de Macedo, sócio da pessoa jurídica Cimeeli Comércio e Indústria de Metais e Ligas, LTDA. Portanto, restou demonstrado que os reais beneficiários deste gigantesco embuste, que possuem o chamado "domínio dos fatos", pessoas físicas e jurídicas, abasteciam financeiramente essas empresas, injetando recursos que peregrinavam entre as diversas contas correntes mantidas em sua grande parte na Agência 0559 SP/USP Radial Lesta do Banco Bradesco S\A e retornavam ao coração financeiro da quadrilha, seu caixa, mantido através de várias empresas ligadas aos nacionais e empresários João Natal Cerqueira e Paulo Cesar Verly da Cruz, seus familiares e suas empresas, estas sediadas nos Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. (...) Como já explicitado, restou cabalmente demonstrado no processo a atuação da “Família Cerqueira” e a cumplicidade de todos os ora impugnantes no esquema montado, com a criação de empresas cuja existência não restou comprovada, tendo à frente das mesmas, pessoas sem qualquer suporte econômico, e a utilização de notas fiscais inidôneas para gerar créditos podres de IPI e ICMS, e justificar pagamentos que na realidade não tinham causa, mas que comprovadamente voltavam às contas dos beneficiários de fato, o que a contribuinte não logrou descaracterizar”. 71. A partir da análise conjunta de todos os indícios apontados com o vasto conjunto de provas produzidas pela fiscalização, evidencio que o Recorrente teve interesse comum na omissão de receitas que constituiu o crédito tributário em questão, não apenas por possuir interesse econômico e aproveitar de benefícios financeiros, mas também por participar da dinâmica operacional da operação fraudulenta (interesse jurídico). 72. Portanto, merece ser mantida a responsabilidade solidária do Sr. Francisco Coimbra de Macedo Neto, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. 73. Cabe ressaltar que o fato da responsabilização ser fundamentada por indícios não é suficiente para caracterizar dúvida e, portanto, não considero cabível a aplicação do artigo 112 do CTN (afasto o in dubio a favor do contribuinte). 74. No mais, enquanto diretor presidente, com poderes de administração, da empresa Cimeeli Comércio e Indústria de Metais e Ligas Ltda, ficou demonstrado que o Recorrente praticou atos contrários às leis societárias, o que ensejaria sua responsabilização pessoal perante eventuais créditos tributários constituídos em face da empresa Cimeeli, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN. Fl. 4439DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 37 36 75. Contudo, não figurava como diretor, gerente ou representante da autuada com poder de gestão efetiva (Metalins Comércio de Sucatas e Metais Ltda.) e, em vista das premissas técnicas desenvolvidas nos itens 53 a 58 (pressupostos de aplicação do artigo 135, inciso III, do CTN), deve ser afastada a responsabilidade pessoal do Sr. Francisco Coimbra de Macedo Neto. II.2. Responsabilidade solidária do Sr. João André Escobar Cerqueira 76. O Recorrente alega no mérito que não foi comprovado o interesse comum na situação que gerou o crédito tributário e aponta inconsistências nos fatos utilizados pela autoridade fiscal como fundamentos para a sua inclusão, quais sejam: (i) a fiscalização imputa sua participação no esquema fraudulento apenas por ser sócio da Pessoa Jurídica PRJ Participações; (ii) as remessas de valores mencionadas pela fiscalização correram no ano calendário de 2008, (iii) figurava apenas como sócioquotista sem qualquer administração da empresa PRJ; (iv) a pessoa jurídica Electra Empreendimentos nada tem a ver com o suposto esquema fraudulento apurado pela fiscalização; (v) no ano fiscalizado, 2009, a XPTO Assessoria e a Tellus Assessoria não compunham o quadro societário da empresa KOPRUM Indústria e Comércio LTDA. 77. A DRJ mantém sua responsabilidade solidária por entender que apesar de não ser sócio da empresa autuada, o Recorrente era sócio de diversas empresas envolvidas na operação fraudulenta, como a PRJ Participação e Empreendimentos. 78. Em análise da decisão de piso, verifico que restou demonstrado o racional que fundamentou a imputação de responsabilidade realizada pela fiscalização (fls. 3779/3790), conforme transcrito no item 70. 79. Em que pese a responsabilidade do Recorrente, prevista pelos artigo 124 e 135 do CTN, tenha sido afastada em outros casos (processo nº 10932.720125/201404 e nº 10932.720130/201417), considero que o conjunto de todos os indícios apontados com as provas produzidas pela fiscalização levam a conclusão de que o Recorrente teve interesse comum na omissão de receitas que constituiu o crédito tributário em questão, não apenas por possuir interesse econômico e aproveitar de benefícios financeiros, mas também por participar da dinâmica operacional da operação fraudulenta. 80. Portanto, merece ser mantida a responsabilidade solidária do Sr. João André Escobar Cerqueira, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. 81. No mais, resta demonstrado que a aplicação do artigo 112 do CTN não é cabível in casu, pois a fiscalização foi capaz de reunir indícios e vasto conjunto de provas que demonstram o interesse comum do Recorrente. Ademais, não trouxe em seus instrumentos de defesa provas capazes de confrontar as afirmações da fiscalização. 82. Por fim, enquanto sócio (com poder de gestão) constante no contrato social das empresas P.R.J. Participações Empreendimentos LTDA e Electra Empreendimentos e Participações, ficou demonstrado que o Recorrente praticou atos contrários às leis societárias, o que ensejaria sua responsabilização pessoal perante eventuais créditos tributários constituídos em face das empresas elencadas, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN. 83. Contudo, não figurava como diretor, gerente ou representante da autuada com poder de gestão efetiva (Metalins Comércio de Sucatas e Metais Ltda.) e, em vista das Fl. 4440DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 38 37 premissas técnicas desenvolvidas nos itens 53 a 58 (pressupostos de aplicação do artigo 135, inciso III, do CTN), deve ser afastada a responsabilidade pessoal do Sr. João André Escobar Cerqueira. II.3. Responsabilidade solidária do Sr. João Natal Cerqueira 84. O Recorrente aponta inconsistências nos fatos indicados pela fiscalização como fundamentos para sua sujeição, quais sejam: (i) no período autuado não era sócio da Cimeeli, mas apenas acionista da empresa que era uma sociedade anônima; (ii) inexiste participação societária do Recorrente na empresa PRJ Participações no período autuado; (iii) a empresa Koprum não estava sob controle da “família Cerqueira” no período fiscalizado; (iv) o Recorrente não era sócio da Empório de Metais no período fiscalizado; (v) foi a empresa Nature Empreendimentos que realizou contrato de investimento por meio de constituição de uma sociedade em conta de participação e aportes de investimentos, o Recorrente não teve participação nessa operação; e a suposição de que o Recorrente seria um dos reais beneficiários da suposta fraude fiscal não foi comprovada. 85. A DRJ mantém sua responsabilidade solidária por entender que, apesar de não ser sócio estatutário da empresa autuada, o Recorrente tinha interesse comum por receber valores indiretamente pelas empresas das quais era sócio e também por estar profundamente envolvido no esquema fraudulento descrito pela fiscalização. 86. Em análise da decisão de piso, verifico que restou demonstrado o racional que fundamentou a imputação de responsabilidade realizada pela fiscalização (fls. 3779/3790), conforme transcrito no item 70. 87. Em que pese a responsabilidade do Recorrente, prevista pelos artigo 124 e 135 do CTN, tenha sido afastada em outros casos (processo nº 10932.720125/201404 e nº 10932.720130/201417), considero que o conjunto de todos os indícios apontados com as provas produzidas pela fiscalização levam a conclusão de que o Recorrente teve interesse comum na omissão de receitas que constituiu o crédito tributário em questão, não apenas por possuir interesse econômico e aproveitar de benefícios financeiros, mas também por participar da dinâmica operacional da operação fraudulenta. 88. Portanto, merece ser mantida a responsabilidade solidária do Sr. João Natal Cerqueira, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. 89. No mais, resta demonstrado que a aplicação do artigo 112 do CTN não é cabível in casu, pois a fiscalização foi capaz de reunir indícios e vasto conjunto de provas que demonstram o interesse comum do Recorrente. Ademais, não trouxe em seus instrumentos de defesa provas capazes de confrontar as afirmações da fiscalização. 90. Por fim, enquanto sócio (com poder de gestão) constante no contrato social das empresas Cimeeli Comércio e Indústria de Metais e Ligas LTDA, Nature Empreendimentos e Participações LTDA, P.R.J. Participações e Empreendimentos LTDA, Maralindan Empreendimentos, Empório de Metais LTDA, ficou demonstrado que o Recorrente praticou atos contrários às leis societárias, o que ensejaria sua responsabilização pessoal perante eventuais créditos tributários constituídos em face das empresas elencadas, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN. Fl. 4441DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 39 38 91. Contudo, não figurava como diretor, gerente ou representante da autuada com poder de gestão efetiva (Metalins Comércio de Sucatas e Metais Ltda.) e, em vista das premissas técnicas desenvolvidas nos itens 53 a 58 (pressupostos de aplicação do artigo 135, inciso III, do CTN), deve ser afastada a responsabilidade pessoal do Sr. João Natal Cerqueira. II.4. Responsabilidade solidária do Sr. Lucas Nercessian de Carvalho 92. O Recorrente alega que sua responsabilização é equivocada diante da inexistência de fato concreto que a justifique. Afirma que o Relatório Geral de Auditorias apenas menciona seu nome ao indicar que o Recorrente teria sido sócio das empresas XPTO Assessoria e Alcicla Assessoria durante os anos de 2012 e 2013, diante disso fica demonstrada a ausência de motivação da sua responsabilidade, pois as referidas empresas não têm relação com a suposta operação fraudulenta e o período mencionado não coincide com o período sob fiscalização. No mais, afirma que o Termo de Verificação Fiscal aponta que o impugnante teria sido sócio da empresa Damp Assessoria, a qual não tem nenhum envolvimento com a fraude apurada. 93. A DRJ mantém sua responsabilidade solidária por entender que apesar de não ser sócio administrador da empresa autuada, o Recorrente tem interesse comum por ser sócios de diversas empresas envolvidas na operação fraudulenta nas quais circulavam valores. 94. Em análise da decisão de piso, verifico que restou demonstrado o racional que fundamentou a imputação de responsabilidade realizada pela fiscalização (fls. 3779/3790), conforme transcrito no item 70. 95. A partir da análise conjunta de todos os indícios apontados com o vasto conjunto de provas produzidas pela fiscalização, evidencio que o Recorrente teve interesse comum na omissão de receitas que constituiu o crédito tributário em questão, não apenas por possuir interesse econômico, mas também por participar da dinâmica operacional da operação fraudulenta. 96. Portanto, merece ser mantida a responsabilidade solidária do Sr. Lucas Nercessian de Carvalho, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. 97. No mais, resta demonstrado que a aplicação do artigo 112 do CTN não é cabível in casu, pois a fiscalização foi capaz de reunir indícios e vasto conjunto de provas que demonstram o interesse comum do Recorrente. Ademais, não trouxe em seus instrumentos de defesa provas capazes de confrontar as afirmações da fiscalização. 98. Por fim, enquanto sócio (com poder de gestão) constante no contrato social das empresas XPTO Assessoria e Participações LTDA e Alcicla Assessoria e Participações LTDA, ficou demonstrado que o Recorrente praticou atos contrários às leis societárias, o que ensejaria sua responsabilização pessoal perante eventuais créditos tributários constituídos em face das empresas elencadas, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN. 99. Contudo, não figurava como diretor, gerente ou representante da autuada com poder de gestão efetiva (Metalins Comércio de Sucatas e Metais Ltda.) e, em vista das premissas técnicas desenvolvidas nos itens 53 a 58 (pressupostos de aplicação do artigo 135, inciso III, do CTN), deve ser afastada a responsabilidade pessoal do Sr. Lucas Nercessian de Carvalho. Fl. 4442DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 40 39 II.5. Responsabilidade solidária do Sr. Paulo César Verly da Cruz 100. O Recorrente enfrenta as alegações da fiscalização e aponta que: (i) em relação à Empório de Metais LTDA ele não era sócio dessa empresa no período fiscalizado; (ii) em relação à Cimeeli esclarece que a empresa era uma sociedade anônima durante o período fiscalizado e que era mero acionista; (iii) em relação à Nature afirma que não detinha poder de administração; (iv) sobre a Damp Assessoria afirma que a fiscalização não demonstra qualquer relação da empresa com a fraude fiscal; e (v) sobre as empresas XPTO Assessoria e Tellus Assessoria, ambas constituídas em 2012, afirma que as duas não compunham o quadro societário da empresa Koprum no ano fiscalizado. 101. A DRJ mantém sua responsabilidade solidária por entender que, apesar de não ser sócio estatutário da empresa autuada e das empresas “noteiras” no período fiscalizado, o Recorrente tinha interesse comum por receber valores indiretamente pelas empresas das quais era sócio e também por estar profundamente envolvido no esquema fraudulento descrito pela fiscalização. 102. Em análise da decisão de piso, verifico que restou demonstrado o racional que fundamentou a imputação de responsabilidade realizada pela fiscalização (fls. 3779/3790), conforme transcrito no item 70. 103. Em que pese a responsabilidade do Recorrente, prevista pelos artigo 124 e 135 do CTN, tenha sido afastada em outros casos (processo nº 10932.720125/201404 e nº 10932.720130/201417), considero que o conjunto de todos os indícios apontados com as provas produzidas pela fiscalização levam a conclusão de que o Recorrente teve interesse comum na omissão de receitas que constituiu o crédito tributário em questão, não apenas por possuir interesse econômico e aproveitar de benefícios financeiros, mas também por participar da dinâmica operacional da operação fraudulenta. 104. Portanto, merece ser mantida a responsabilidade solidária do Sr. Paulo César Verly da Cruz, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. 105. No mais, resta demonstrado que a aplicação do artigo 112 do CTN não é cabível in casu, pois a fiscalização foi capaz de reunir indícios e vasto conjunto de provas que demonstram o interesse comum do Recorrente. Ademais, não trouxe em seus instrumentos de defesa provas capazes de confrontar as afirmações da fiscalização. 106. Por fim, enquanto sócio (com poder de gestão) constante no contrato social das empresas Cimeeli Comércio e Indústria De Metais e Ligas LTDA, Nature Empreendimentos e Participações LTDA, Maralindan Empreendimentos, DAMP Assessoria e Participações e Empório de Metais LTDA, ficou demonstrado que o Recorrente praticou atos contrários às leis societárias, o que ensejaria sua responsabilização pessoal perante eventuais créditos tributários constituídos em face das empresas elencadas, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN. 107. Contudo, não figurava como diretor, gerente ou representante da autuada com poder de gestão efetiva (Metalins Comércio de Sucatas e Metais Ltda.) e, em vista das premissas técnicas desenvolvidas nos itens 53 a 58 (pressupostos de aplicação do artigo 135, inciso III, do CTN), deve ser afastada a responsabilidade pessoal do Sr. Paulo César Verly da Cruz. Fl. 4443DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 41 40 II.6. Responsabilidade solidária do Sr. Paulo Henrique Escobar Cerqueira 108. O Recorrente alega, no mérito, que: (i) não foi comprovado o interesse comum na situação que gerou o crédito tributário; (ii) a solidariedade fundada no artigo 124, inciso I, do CTN, é aplicável somente quando os sujeitos figurem no mesmo polo da relação; (iii) os fatos utilizados pela fiscalização são inconsistentes; (iv) teve sua ilegitimidade passiva reconhecida pelo CARF em outros processos administrativos fiscais relacionados a mesma operação do presente processo; (v) existe dúvida quanto a sua participação na suposta operação fraudulenta, o que enseja a aplicação do artigo 112 do CTN; e (vi) a fundamentação da fiscalização se baseia em meras presunções. 109. Sobre a inconsistência dos referidos fatos, alega que (i) a fiscalização imputa sua participação no esquema fraudulento apenas por ser sócio da Pessoa Jurídica PRJ Participações; (ii) as remessas de valores mencionadas pela fiscalização correram no ano calendário de 2008; (iii) um investimento apontado pela autoridade fiscal não foi feito pelo Recorrente, mas sim por pessoa jurídica em que figurou como sócio, tendo essa personalidade jurídica própria e autônoma; (iv) a pessoa jurídica Electa Empreendimentos nada tem a ver com o suposto esquema fraudulento apurado pela fiscalização; (v) no ano fiscalizado (2009), a XPTO Assessoria e a Tellus Assessoria não compunham o quadro societário da empresa KOPRUM Indústria e Comércio LTDA. 110. A DRJ mantém sua responsabilidade solidária por entender que, apesar de não ser sócio estatutário da empresa autuada e das empresas “noteiras” no período fiscalizado, o Recorrente tinha interesse comum por receber valores indiretamente pelas empresas das quais era sócios e também por estar envolvido no esquema fraudulento descrito pela fiscalização. 111. Em análise da decisão de piso, verifico que restou demonstrado o racional que fundamentou a imputação de responsabilidade realizada pela fiscalização (fls. 3779/3790), conforme transcrito no item 70. 112. Em que pese a responsabilidade do Recorrente, prevista pelos artigo 124 e 135 do CTN, tenha sido afastada em outros casos (processo nº 10932.720125/201404 e nº 10932.720130/201417), considero que o conjunto de todos os indícios apontados com as provas produzidas pela fiscalização levam a conclusão de que o Recorrente teve interesse comum na omissão de receitas que constituiu o crédito tributário em questão, não apenas por possuir interesse econômico e aproveitar de benefícios financeiros, mas também por participar da dinâmica operacional da operação fraudulenta. 113. Portanto, merece ser mantida a responsabilidade solidária do Sr. Paulo Henrique Escobar Cerqueira, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. 114. No mais, resta demonstrado que a aplicação do artigo 112 do CTN não é cabível in casu, pois a fiscalização foi capaz de reunir indícios e vasto conjunto de provas que demonstram o interesse comum do Recorrente. Ademais, não trouxe em seus instrumentos de defesa provas capazes de confrontar as afirmações da fiscalização. 115. Por fim, enquanto sócio (com poder de gestão) constante no contrato social das empresas P.R.J. Participações e Empreendimentos LTDA, Koprum Indústria e Comércio LTDA e Electra Empreendimentos e Participações, ficou demonstrado que o Recorrente praticou atos contrários às leis societárias, o que ensejaria sua responsabilização Fl. 4444DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 42 41 pessoal perante eventuais créditos tributários constituídos em face das empresas elencadas, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN. 116. Contudo, não figurava como diretor, gerente ou representante da autuada com poder de gestão efetiva (Metalins Comércio de Sucatas e Metais Ltda.) e, em vista das premissas técnicas desenvolvidas nos itens 53 a 58 (pressupostos de aplicação do artigo 135, inciso III, do CTN), deve ser afastada a responsabilidade pessoal do Sr. Paulo Henrique Escobar Cerqueira. II.7. Responsabilidade solidária do Sr. Rafael Escobar Cerqueira 117. O Recorrente aponta inconsistências nos fatos utilizados pela autoridade fiscal como fundamentos para a sua responsabilização, quais sejam: (i) a fiscalização não demonstrou o envolvimento da empresa Electa no suposto esquema; (ii) a fiscalização imputa sua participação no esquema fraudulento apenas por ser sócio da Pessoa Jurídica PRJ Participações; (iii) as remessas de valores mencionadas pela fiscalização correram no ano calendário de 2008, e (iv) um investimento apontado pela autoridade fiscal não foi feito pelo Recorrente, mas sim por pessoa jurídica em que figurou como sócio, tendo essa personalidade jurídica própria e autônoma. 118. A DRJ mantém sua responsabilidade solidária por entender que, apesar de não ser sócio estatutário da empresa autuada e das empresas “noteiras” no período fiscalizado, o Recorrente tinha interesse comum por receber valores indiretamente pelas empresas das quais era sócios e também por estar envolvido no esquema fraudulento descrito pela fiscalização. 119. Em análise da decisão de piso, verifico que restou demonstrado o racional que fundamentou a imputação de responsabilidade realizada pela fiscalização (fls. 3779/3790), conforme transcrito no item 70. 120. Em que pese a responsabilidade do Recorrente, prevista pelos artigo 124 e 135 do CTN, tenha sido afastada em outros casos (processo nº 10932.720125/201404 e nº 10932.720130/201417), considero que o conjunto de todos os indícios apontados com as provas produzidas pela fiscalização levam a conclusão de que o Recorrente teve interesse comum na omissão de receitas que constituiu o crédito tributário em questão, não apenas por possuir interesse econômico e aproveitar de benefícios financeiros, mas também por participar da dinâmica operacional da operação fraudulenta. 121. Portanto, merece ser mantida a responsabilidade solidária do Sr. Rafael Escobar Cerqueira, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. 122. No mais, resta demonstrado que a aplicação do artigo 112 do CTN não é cabível in casu, pois a fiscalização foi capaz de reunir indícios e vasto conjunto de provas que demonstram o interesse comum do Recorrente. Ademais, não trouxe em seus instrumentos de defesa provas capazes de confrontar as afirmações da fiscalização. 123. Por fim, enquanto sócio (com poder de gestão) constante no contrato social das empresas P.R.J. Participações e Empreendimentos LTDA, XPTO Assessoria e Participações LTDA, ALCICLA Assessoria e Participações LTDA, Tellus Assessoria e Participações e Electra Empreendimentos e Participações, ficou demonstrado que o Recorrente praticou atos contrários às leis societárias, o que ensejaria sua responsabilização pessoal Fl. 4445DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 43 42 perante eventuais créditos tributários constituídos em face das empresas elencadas, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN. 124. Contudo, não figurava como diretor, gerente ou representante da autuada com poder de gestão efetiva (Metalins Comércio de Sucatas e Metais Ltda.) e, em vista das premissas técnicas desenvolvidas nos itens 53 a 58 (pressupostos de aplicação do artigo 135, inciso III, do CTN), deve ser afastada a responsabilidade pessoal do Sr. Rafael Escobar Cerqueira. III. Das Demais Alegações III.1. Da Inaplicabilidade do Princípio da Insignificância e da Individualização da Pena 125. O Recorrente Paulo Cesar traz novamente em sua defesa que o princípio da insignificância deveria ser aplicado por ter respaldo nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, tendo em vista que a fiscalização não foi capaz de provar e individualizar o aumento de patrimônio em função de uma suposta vantagem auferida pelos responsáveis solidários nas alegadas operações fraudulentas e que os valores imputados a eles seriam proporcionalmente insignificantes ao todo da operação. 126. Por sua vez, os Recorrentes João André, Paulo Henrique, João Natal e Rafael Escobar trazem em sua defesa, novamente, o pedido de aplicação do princípio da individualização da pena para que se reduza o valor do tributo exigido. 127. O acórdão da DRJ afastou a aplicação dos referidos princípios sob fundamentação bem construída e correta, demonstrando a devida aplicação da responsabilidade objetiva para casos como este: “Outro ponto atacado se refere à “insignificância” dos valores recebidos individualmente frente ao volume movimentado pelo esquema, razão pela qual pedem que seja aplicado o princípio da bagatela, com o escopo de excluir a tipicidade da infração administrativa e, por conseguinte, afastar a imposição da multa qualificada. Por primeiro, cabe salientar que os impugnantes estão se apegando apenas e tão somente aos valores que eventualmente tenham auferido como pessoas físicas, sendo que há quem alegue não ter tido qualquer benefício pessoal. Ocorre que mesmo aqueles que não obtiveram proveito pessoal no caso sob análise, restaram beneficiados pelos valores que transitaram pelas empresas de que são sócios e salientese que estas têm em seu quadro societário os aqui relacionados como responsáveis solidário. Como se sabe do estudo jurisprudencial da matéria, o referido princípio é instituto de direito penal e, embora não contando com previsão normativa explícita em nosso ordenamento jurídico, tem sido reconhecido pela jurisprudência, quando atendidos certos requisitos. Pode ser definido como um princípio implícito de interpretação do direito penal que permite afastar a tipicidade material de condutas que provocam ínfima lesão ao bem jurídico tutelado. Ora, essas considerações trazidas a lume Fl. 4446DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 44 43 conduzem à conclusão de que é infundada a pretensão de aplicar mencionado princípio à espécie dos autos, porquanto está fora do âmbito penal. A regra geral acerca da responsabilidade por infrações administrativas da legislação tributária está estampada no art. 136 do CTN: “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. (destaquei) Da disposição legal acima enunciada inferese que impera no Direito Tributário o princípio da responsabilidade objetiva, segundo o qual não é necessária a presença do aspecto volitivo para caracterizar a infração, a qual independe também da efetividade, natureza e extensão do resultado provocado pela conduta ilícita, ou seja, do grau de lesão ao bem jurídico tutelado. Nessa espécie, prevalece o elemento objetivo na atribuição de responsabilidade por infração, porquanto sua tipicidade fundase unicamente na prática da ação definida como ilícito na lei. Uma vez ocorrida a conduta típica descrita na norma, não é preciso considerar a vontade do agente ou o grau de lesão provocado, ficando caracterizado a infração administrativa qualquer que seja a intenção ou relevância da conduta ou do resultado. Na esteira desse raciocínio, ressaltese que a atividade administrativa do lançamento é obrigatória e vinculada, sob pena de responsabilidade funcional, consoante disposição expressa do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Portanto, a autoridade fiscal não pode eximirse de cumprir seu dever legal de aplicar a multa, no exato quantum previsto em lei, sendolhe vedado dispensar ou reduzir penalidades sem previsão legal. É o que dispõe o art. 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.” Poderseia argumentar que o CTN contém disposição que abriga instituto de natureza similar ao princípio da insignificância penal, a qual, conquanto não exclua a tipicidade da infração, prevê in abstrato a remissão do crédito tributário de valor diminuto, conforme art. 172, inciso III, do Códex tributário: “Art. 172. A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo: (...) III à diminuta importância do crédito tributário” (destaquei) Fl. 4447DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 45 44 Observese, contudo, que, consoante expressamente preceitua a norma acima, a remissão de crédito tributário in concreto carece de previsão legal expressa que a autorize. Assim, a referida norma, isoladamente, não produz a plenitude de seus efeitos, por não conter todos os elementos necessários para sua executoriedade, dependendo, assim, da integração de outra lei. Ocorre que não há, no ordenamento jurídico, lei que conceda tal autorização ao julgador administrativo, sendo inócua qualquer pretensão neste sentido, tendo em vista o princípio da legalidade a que se sujeita o agente público”. 128. Não há que se falar em princípio da proporcionalidade e da razoabilidade para legitimar uma anistia aos responsáveis solidários por se tratar, supostamente, de um valor não significativo em relação ao todo. O julgador administrativo não tem autorização para remir o crédito tributário. 129. Os agentes da fiscalização responsáveis pela lavratura do auto de infração também não podem arbitrariamente afastar a exigência do crédito tributário diante de suposta insignificância de lesão ao erário. O lançamento do crédito tributário é ato administrativo obrigatório e vinculado. 130. Diante do exposto, acompanho a decisão de piso e, portanto, não considero aplicáveis os princípios da insignificância e da individualização da pena ao presente processo administrativo tributário. III.2. Da Correta Composição da Base de Cálculo e Reflexos CSLL, PIS e COFINS 131. Os Recorrentes pretendem que o lançamento seja desconstituído em razão da inobservância dos critérios legais na determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS. Alegam que não foi observada a verdade material, pois a autoridade fiscal incluiu na base de cálculo valores que não se enquadram no conceito de receita bruta. Ademais, afirma que a fiscalização se equivocou ao não desconsiderar valores que ela própria apontou que tinham movimentação circular entre as diversas empresas, o que provoca majoração indevida da base tributável. 132. Por mais que os Recorrentes tenham alegado suposto erro na determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS, em momento algum de suas defesas (Impugnações e Recursos Voluntários) trouxeram documentação hábil e idônea para comprovar a origem dos depósitos bancários ou ainda para dar rastreabilidade aos valores transferidos de forma “circular” entre as empresas envolvidas na operação fraudulenta. 133. Sobre o tema omissão de receitas, considero fundamental a observância de dois pressupostos para legitimar a adoção da presunção: respeito aos limites legais constantes do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, leiase individualização dos lançamentos considerados de origem não comprovada e efetiva intimação do contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários. 134. Primeiro, a autoridade deve cuidar de respeitar as disposições e limites constantes, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, verbis: " Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 4448DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 46 45 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse 0 valor de R$ 80.000, 00 (oitenta mil reais)." 135. A partir da análise do dispositivo supra, o lançamento com base em depósito bancário de origem não comprovada tem validade apenas se a autoridade fiscal individualiza os depósitos que entende como não comprovados, para que, com base nessa segregação, o autuado se defenda e apresente provas. 136. No presente caso, verifico que os dois pressupostos foram atendidos, vez que a autoridade fiscal individualizou os lançamentos de origem não comprovada e os ora Recorrentes foram devidamente intimados para a comprovar a origem dos depósitos bancários. 137. Conforme já enfrentado em sede de preliminar, considero que os Recorrentes foram intimados no momento adequado e mesmo assim não apresentaram documentação hábil e idônea capaz de comprovar a origem e dar rastreabilidade aos valores. Não podemos olvidar que o ônus da prova no caso de omissão de receitas pertence aos sujeitos passivos. 138. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 26: "A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada". 139. Portanto, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal do tipo juris tantum e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Fl. 4449DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 47 46 140. Diante da ausência de elementos que comprovem as alegações dos Recorrentes, concluo que o lançamento não merece reforma. 141. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplico aos lançamentos reflexos o decidido no principal. III.3. Da Presença de Pressupostos para Aplicação da Multa Qualificada 142. Não podemos olvidar que a aplicação de multa qualificada é medida de caráter excepcional. A r. autoridade fiscal deve comprovar que os Recorrentes teriam praticado quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. 143. Conforme disposto no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, sonegar é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do evento tributário, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.”. 144. Da leitura, é possível concluir que a sonegação implica em descumprimento por parte do sujeito passivo de dever instrumental prejudicando a constituição da obrigação do crédito tributário. Em termos fáticos, a autoridade fiscal deve provar que a conduta do contribuinte impediu a apuração dos créditos tributários e, consequentemente, prejudicou o lançamento. 145. A segunda hipótese de aplicação de multa qualificada é a fraude, definida sobre a ótica tributária, do seguinte modo: “Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” 146. Fraude no sentido da lei é ato que busca ocultar algo para que possa o contribuinte furtarse do cumprimento da obrigação tributária. Ao contrário do dolo, que busca induzir terceiro a praticar algo, a fraude é ato próprio do contribuinte que serve para lograr o fisco. 147. Apesar disso, o artigo 72 supra, utilizouse do conceito de dolo para a definição de fraude. O "dolo" referido no artigo é o dolo penal, não o civil, porque o segundo Fl. 4450DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 48 47 ocorre sempre com a participação da parte prejudicada. Não por acaso, tais ilícitos tributários têm repercussões penais, nos termos dos artigos 1º e 2º, da Lei nº 8.137/90. 148. Conforme o artigo 18 do Código Penal, crime doloso ocorre quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo, assim, o dispositivo legal está conforme a teoria da vontade adotada pela lei penal brasileira. Para que o crime se configure, o agente deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrentes. Assim, a responsabilidade pessoal do agente deve ser demonstrada/provada. 149. Portanto, é imperioso encontrar evidenciado nos autos o intuito de fraude, não sendo possível presumir sua ocorrência. A própria Súmula CARF nº 14, afasta a presunção de fraude e deixa clara a necessidade de comprovação do "evidente intuito de fraude do sujeito passivo". “Súmula CARF nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” 150. Em linha a este raciocínio, para o Alberto Xavier3 a figura da fraude exige três requisitos. O um, que a conduta tenha finalidade de reduzir o montante do tributo devido, evitar ou diferir o seu pagamento; o dois, o caráter doloso da conduta com intenção de resultado contrário ao Direito; e, o três, que tal ato seja o meio que gerou o prejuízo ao fisco. 151. Na prática, a comprovação da finalidade da conduta, do seu caráter doloso e do nexo de causalidade entre a conduta ilícita do contribuinte e o prejuízo ao erário é condição sine qua non para enquadrar determinada prática como fraudulenta. 152. Logo, para restar configurada a fraude, a autoridade fiscal deve trazer aos autos elementos probatórios capazes de demonstrar que o sujeito passivo praticou conduta ilícita e intencional hábil a ocultar ou alterar o valor do crédito tributário, bem como que tal ato afetou a própria ocorrência do fato gerador. 153. A terceira hipótese de aplicação da multa qualificada é a prática do conluio que visa o dolo ou fraude por meio de ato intencional entre duas ou mais pessoas: “Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” 154. Como se nota, o conluio é qualquer ato intencional praticado por mais uma parte visando o dolo ou a fraude. O que qualifica o conluio, distinguindoo de outra espécie de conduta dolosa ou fraudulenta, é o aspecto subjetivo, isto é, a existência de mais de um sujeito que ajustem atos que visem à sonegação ou fraude. 155. É importante reforçar que o reconhecimento de quaisquer destas práticas deve ser comprovado pela autoridade fiscal através do nexo entre caso concreto e a suposta sonegação, fraude ou conluio e caracterização efetiva do dolo. 3 XAVIER, Alberto. Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva. São Paulo: Dialética, 2000, p. 78. Fl. 4451DF CARF MF Processo nº 13819.723484/201408 Acórdão n.º 1201002.368 S1C2T1 Fl. 49 48 156. No caso concreto, fica evidente a presença de simulação, conforme descrito pela decisão de piso, verbis: “Ocorre que as irregularidades existentes que envolveram a empresa autuada, e todas as outras empresas envolvidas no esquema, devidamente apontadas pela Fiscalização no TVF, indubitavelmente caracterizam a conduta dolosa perpetrada pela Impugnante, no intuito de reduzir indevidamente o pagamento de tributos, notadamente pelo(s): (i) simulação de operações comerciais ordinárias que não ocorreram de fato; (ii) omissão de apresentação de declarações tributárias a que estava obrigado, deixando de apresentar sua real movimentação econômica ao fisco; (iii) – situações caracterizadoras de execução de atividades de todo conscientes, planejadas, e desejadas, por parte dos agentes das ações, e somente admissíveis de serem entendidas como decididas e executadas com animus doloso por parte de seus beneficiários. As condutas têm efeitos qualificadores nos atos infracionais, a partir da constatação que o sujeito passivo, fosse por ação ou omissão dolosa, praticou atos tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária de seu real movimento econômico”. 157. Portanto, em vista dos elementos trazidos pelas autoridades fiscal e julgadora, deixo de acolher o pedido da Recorrente para que seja afastada a qualificação da multa de ofício. Conclusão 158. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER dos presentes RECURSOS VOLUNTÁRIOS, e NEGAR PROVIMENTO para manter a responsabilidade solidária, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN, com relação ao Francisco Coimbra de Macedo Neto, João André Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira, Lucas Nercessian de Carvalho, Paulo César Verly da Cruz, Paulo Henrique Escobar Cerqueira e Rafael Escobar Cerqueira. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 4452DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914859/2012-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora: a) tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância; b) especifique quais os documentos ainda entende necessários para a efetiva comprovação e liquidação do crédito posto em compensação, oportunizando ao contribuinte demonstrar, mediante a apresentação de sua contabilidade, e de seus controles gerenciais, que lastreiam a escrita fiscal, a origem dos valores trazidos à compensação, vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que votou contra a realização da diligência e manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora: a) tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância; b) especifique quais os documentos ainda entende necessários para a efetiva comprovação e liquidação do crédito posto em compensação, oportunizando ao contribuinte demonstrar, mediante a apresentação de sua contabilidade, e de seus controles gerenciais, que lastreiam a escrita fiscal, a origem dos valores trazidos à compensação, vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que votou contra a realização da diligência e manifestou intenção de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante. Despacho Decisório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 14 85 9/ 20 12 -1 3 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11080.914859/201213 Resolução nº 3001000.109 S3C0T1 Fl. 117 2 O despacho decisório, emitido em decorrência do envio da Dcomp, houve por bem, não homologar a compensação, em razão de não ter localizado, quando em consultas ao sistema informatizado da RFB, créditos suficiente para a extinção do débito pretensamente posto em compensação. Manifestação de Inconformidade Na sua peça de defesa, a recorrente buscou demonstrar a existência de seu crédito e demonstrar a base de cálculo para, assim, atingir o real valor a ser recolhido, logrando comprovar o pagamento a maior ao qual submeteu ao processo compensação. Informa que teria apurado o Pis e recolhido mediante 02 guias DARF juntadas aos autos e enviado as competentes DACON e DCTF. A seguir, procedeu à revisão das apurações de seu Pis, constatando a existência de pagamento indevido, uma vez que o valor apurado, após a revisão, resultou em valor menor. Retificação DACON A fim de informar corretamente a base de cálculo, retificou a DACON, e, a partir deste valor constante na DACON retificadora, transmitiu a Dcomp, na intenção de ver compensado o valor constatado como indevido. Ausência de DCTF Retificadora Aduz que a compensação não fora homologada em razão da ausência de retificadora da DCTF, havendo, no sistema de controle da Receita, apenas a informação do pagamento efetuado sobre a apuração equivocada. Desta forma, a análise efetivada, qual seja, a confrontação da DCTF com a Dcomp, resultou em conclusão na qual inexiste saldo de crédito suficiente para quitar o débito informado na Dcomp. DCTF original x DACON retificadora Sobre o aparente conflito, entre valores constantes na DCTF original, e da DACON retificadora, alega que deve prevalecer o constante na DACON indicando os valores em tabela. Ainda, sustenta que a mera formalidade, decorrente da falta de retificação da DCTF, não pode impedir a compensação postulada. DRJ/FOR A manifestação de inconformidade foi julgada pela delegacia de julgamento, que a entendeu como improcedente. A seguir, a ementa: PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11080.914859/201213 Resolução nº 3001000.109 S3C0T1 Fl. 118 3 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Devido à objetividade e concisão, vale a transcrição do relatório do acórdão de primeira instância administrativa, para obter compreensão do contexto fático: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório que indeferiu a declaração de compensação informada por meio do PER/DCOMP nº 05061.92130.240412.1.3.047931. O pedido de compensação objetivava compensar débito(s) com suposto pagamento a maior de PIS/Pasep (cód. 6912) (oriundo de DARF no valor total de 41.880,16, pago em 20/03/2008, relativo ao período de apuração fev/2008). O Despacho Decisório (fls. 44) considerou improcedente o crédito informado na PER/DCOMP, tendo em vista o pagamento efetuado já fora integralmente alocado a outro(s) débito(s). Cientificado da decisão em 21/01/2013 (fl. 37), o administrado apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/05), requerendo a homologação da compensação pleiteada com crédito oriundo de pagamento a maior, alegando: (a) a impossibilidade de transmissão da retificação da DCTF; (b) a correção dos dados informados no DACON. Os fundamentos do voto condutor do acórdão guerreado são transcritos a seguir, no intuito de esclarecer o cerne da discussão, qual seja, a formação da correta base de cálculo do tributo em questão e a forma apropriada para comprovála. Neste sentido, o excerto a seguir bem destaca a particularidade deste caso, resumida, brevemente, no confronto de informações trazidas ao sistema da receita através da DACON e da DCTF. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11080.914859/201213 Resolução nº 3001000.109 S3C0T1 Fl. 119 4 O cerne da questão referese a comprovação da base de cálculo do tributo. O administrado alegou em sua manifestação de inconformidade que efetuara a retificação da DCTF depois do decisório que denegou a compensação.Ocorre que o requerente não retificou a DCTF relativa ao suposto pagamento indevido, ou seja, mesmo depois da ciência do despacho decisório (que ocorreu em 21/01/2013, conforme fl. 37), o administrado não corrigiu seu suposto erro na DCTF, nem demonstrou o obstáculo à transmissão da DCTF retificadora, contemporaneamente à manifestação de inconformidade. Está claro que a Administração Tributária levou em conta as informações de DCTF transmitida previamente ao decisório O administrado pretende comprovar que o pagamento foi realizado em montante indevido, tendo em conta o débito informado em declaração hábil a constituir o crédito tributário. Essa declaração é a DCTF, por força do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, c/c o § 1º do art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 482, de 2004, que lhe atribuem a condição de instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário. O mesmo não ocorre com o DACON, a servir de mecanismo apuratório e meramente informativo dos tributos, sem, portanto, força de confissão. Ademais, se há contradição entre DACON e DCTF, não se pode aferir a priori qual dos dois documentos apresenta a informação correta, somente dissipandose a dúvida com a escrituração do administrado, que não foi aduzida aos autos. A par disso, a retificadora não tem força probatória para alterar a representação do fato (pagamento a maior ou indevido) apurado com base em declarações existentes à época da decisão, nas quais corretamente está lastreado o decisório. Assim, a fim de comprovar a certeza e liquidez, o requerente deveria (além de ter retificado a DCTF) ter instruído sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldassem seu pedido, uma vez que a Administração demonstrou que o pagamento, pretensamente a maior, já havia sido utilizado para quitar o próprio débito fiscal no mês de apuração. É assim porque, em primeiro lugar, o ônus de provar fato constitutivo do direito creditório incumbe ao contribuinte que o alega ter (art. 333, I, do Código de Processo Civil) e, em segundo lugar, o momento apropriado para se desincumbir de tal ônus é o da interposição da manifestação de inconformidade (arts. 15 e 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972). Por fim, arremata: incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da DCTF retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. Na espécie, como o administrado não transmitiu a DCTF retificadora, tampouco aduziu a escrituração que fundamentasse a referida declaração (DCTF retificadora), permanece a situação de crédito indisponível para fins de compensação no presente processo. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11080.914859/201213 Resolução nº 3001000.109 S3C0T1 Fl. 120 5 Recurso Voluntário A Recorrente, por meio de novo relato dos eventos ocorridos, declara que efetuou compensação com base em crédito oriundo de pagamento a maior e junta planilha especificando a natureza dos créditos de PIS. Pagamento a maior Segundo argumenta, teria demonstrado a base de cálculo e seus créditos, além de ter comprovado sua legítima existência. DACON retificadora com meio suficiente de prova Destaca, como na manifestação de inconformidade, que a DACON retificadora seria suficiente para comprovar a ocorrência do pagamento indevido. Da Ausência de DCTF retificadora Alega a impossibilidade de retificar a DCTF ante o prazo disposto no §5º do art. 9° da Instrução Normativa RFB n° 1.110/2010 Assegura, também, que a formalidade de não ter havido retificadora da DCTF não pode obstaculizar seu direito a crédito legítimo, decorrente de erro na apuração do Pis. Apuração do Pis Esclareceu, em seu recurso, que teria apurado o PIS, referente à competência em questão, em valores pagos mediante duas guias DARF. Sobre essas Guias DARFs, esclareceu que, equivocadamente, uma DARF foi excluída da Dcomp. Legitimidade da Compensação Em continuidade, menciona que em revisão de seu procedimento contábil, verificou que o valor correto de PIS a ser apurado era menor do que o efetivamente recolhido, motivo pelo qual, retificou a DACON. Com base na retificação da DACON, buscou a compensação. O motivo alegado, para a não homologação da compensação, entendeu a recorrente, ter sido a ausência de DCTF retificadora, que não fora retificada, uma vez que foi limitada a análise do crédito por confronto entre DCTF e DARF. Da legitimidade do Crédito A recorrente entende que seu crédito está comprovado, e, portanto, encontrase líquido e certo, e, por isso, deve proceder ao disposto no artigo 73 e 74 da lei 9.430/96. Em seu argumento central, encontrase o raciocínio no qual, em que pese a recorrente não ter apresentado a DCTF Retificadora, não haveriam dúvidas sobre a existência do crédito compensado, uma vez que teria juntado, em sua manifestação de inconformidade, "os demais documentos hábeis à comprovação do direito creditório”. Em especial, menciona a força probante da DACON retificadora, bem como a comprovação do pagamento via a juntada do DARF. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11080.914859/201213 Resolução nº 3001000.109 S3C0T1 Fl. 121 6 A recorrente alega, por fim, em que pese a ausência de DCTF retificadora, teria demonstrado a formação da base de cálculo mediante a DACON retificadora e o DARF originalmente recolhido. É o relatório. VOTO Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que denegou o direito à compensação por ausência de prova do erro material cometido. Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo e tomo conhecimento para propor diligência, haja vista a apresentação de argumento inovador, conforme item específico abaixo. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso voluntário, os seguintes argumentos. Dos Fatos A recorrente, sustenta que, recolheu por meio de DARF, PIS em determinado valor. No entanto, ao revisar seus procedimentos de recolhimento fiscal, verificou que apurou PIS equivocadamente, sendo que o valor correto a ser recolhido era inferior ao efetivamente recolhido. Logo, retificou a DACON, para constar o valor correto do débito. Crente de seu direito creditório, a contribuinte apresentou DCOMP, pleiteando a liquidação de débitos, utilizandose do crédito proveniente do pagamento a maior já citado. Com isso, foi proferido Despacho Decisório pela DRF – Porto Alegre – RS, que não homologou a compensação pleiteada pela razão de ter localizado pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no DCOMP. Em suma, alega que a causa da não homologação, foi o confronto da DCTF, que não foi retificada, com o valor recolhido no DARF discriminado. Por fim, aduz que não retificou a DCTF do trimestre relativo, pelo impedimento do prazo de 5 anos disposto no art. 9° da Instrução Normativa RFB n° 1.110/2010, tendo em vista que apenas percebeuse do equívoco após sua ciência do Despacho Decisório. Mérito Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11080.914859/201213 Resolução nº 3001000.109 S3C0T1 Fl. 122 7 O relevante tema tratado neste item, diz respeito à forma regulamentar para comprovar a ocorrência de erro material e o consequente pagamento indevido ou a maior de tributo. Especificamente, o tema adentra aos casos relacionados com os Despachos Decisórios Eletrônicos. Esta modalidade de compensação caracterizase pelo cruzamento automatizado de dados eletronicamente inseridos no ambiente virtual da Receita Federal. Em especial, ocorre o cruzamento dos dados lançados na PER/DCOMP e na DCTF. Com a lida rotineira nos processos administrativos com tal temática, percebese que se gerou, em torno do assunto, a seguinte celeuma. Muitos contribuintes, ao constatarem seus pagamentos indevidos, procedem à compensação na forma regrada pela Receita, mas acaba por não finalizar seus procedimentos de compensação com as necessárias retificações nas informações enviadas anteriormente. Neste ponto, os despachos decisórios, por basearemse nas informações prestadas pelo próprio contribuinte, acabam por declarar como não homologadas as compensações, haja vista os valores indicados como pagos a maior terem sido alocados em débitos, também informados pelo contribuinte, e não retificados a tempo de permitir a compensação. Nestes casos, se segue à manifestação de inconformidade, na qual o contribuinte relata seu procedimento, e, na maioria das vezes, a fim de comprovar a existência do crédito, indica as declarações fiscais retificadas, derivadas das obrigações acessórias, como o meio apto para a comprovação do pagamento indevido. Ocorre, que é pacífico o entendimento esposado pelas Delegacias de Julgamento, no sentido de: exigir, como meio de prova, mais que as declarações acessórias retificadas, mas os elementos contábeis que lhe deram suporte. Ainda que tais documentos sejam acostados aos autos, ainda em sede de Manifestação de Inconformidade, dando azo ao prazo previsto nos artigos 14 e 16 do Decreto n.º 70.235/72. Diante deste breve cenário, o CARF, vem permitindo, a fim de prestigiar o princípio da verdade material, a juntada de documentos após a fase da manifestação de inconformidade, ou seja, em sede de recurso voluntário. Decorre, então, três pocionamentos: Aqueles que não aceitam a juntada de documentos fora do prazo da manifestação de inconformidade; Aqueles que aceitam a juntada de documentos, desde que haja uma demonstração inicial sobre a formação de prova, como alguma documento contábil que extrapole as declarações retificadas; e, Aqueles, que, como eu, permite a juntada a destempo de documentação, e, mais ainda, sugere proposta de diligência, a fim de viabilizar o concreto entendimento sobre a existência, ou não, de crédito hábil para a compensação declarada anteriormente. Isto porque diante de compensações submetidas ao controle eletrônico e decididas via Despacho Decisório Eletrônico, cujo teor das decisões das Delegacias de Julgamento cravam como momento oportuno para a apresentação das provas, o protocolo da manifestação de inconformidade, impossibilitando, assim, a juntada em sede de recurso voluntário, visualiza que, justamente por força desta decisão de primeira instância administrativa, se vê impedido de juntar demais documentação, diante de decisão que determinou preclusa essa oportunização. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11080.914859/201213 Resolução nº 3001000.109 S3C0T1 Fl. 123 8 Pagamento a maior A partir então, da constatação desta apuração equivocada, sustenta haver, em seu favor, crédito que, desta feita, procedeu aos procedimentos de compensação, mediante envio da competente declaração. Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado, que se traduz no cerne da questão tratada nos autos, diz respeito ao pagamento indevido e sua efetiva forma de comprovação. A contribuinte alega ter calculado erroneamente seu PIS. A fim de corrigir o rumo do referido processo e enfrentar o que regimentalmente encontrase obrigado, verificouse a necessidade de evidenciação da materialidade da ocorrência do pagamento como tido a maior. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11080.914859/201213 Resolução nº 3001000.109 S3C0T1 Fl. 124 9 integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11080.914859/201213 Resolução nº 3001000.109 S3C0T1 Fl. 125 10 também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11080.914859/201213 Resolução nº 3001000.109 S3C0T1 Fl. 126 11 "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11080.914859/201213 Resolução nº 3001000.109 S3C0T1 Fl. 127 12 recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Dos Documentos efetivamente acostados O contribuinte se limitou a juntar nos Autos somente o DARF pago, a DACON retificadora, a DCOMP, o comprovante da impossibilidade de retificação da DCTF e planilha de apuração PIS de 02/2008. As Conversões em Diligência A práxis processual administrativa, considerada como apta à comprovação da existência do crédito tributário, vem sofrendo, conforme se demonstrou, diverso tratamento ao longo do tema, variando desde posições mais formalistas, na qual não há a possibilidade de apreciação de documentos após o protocolo da manifestação de inconformidade, da qual, repitase, este conselheiro já fora adepto. Em evolução, demonstrouse que, além de polêmico, o tema vem se alterando para a aceitação de documentos após o Recurso Voluntário, até o entendimento atual, cuja compreensão se encontra na Resolução 3001000.020, que converteu o julgamento do caso em diligência nos seguintes termos: O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11080.914859/201213 Resolução nº 3001000.109 S3C0T1 Fl. 128 13 O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Assim, tem se encaminhado, nestes casos, oportunizar, ao recorrente, a apresentação dos documentos necessários à demonstração da origem do crédito, pois, conforme descrito na resolução de conversão em diligência: Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos ao crédito que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN.. Precedente Análogo ao Caso Em outras ocasiões, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem admitindo a juntada de documentos em sede recursal, nos exatos termos da resolução retro transcrita, conforma se transcreve abaixo, trechos do voto do Relator Robson Bayerl, Turma 3401: A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11080.914859/201213 Resolução nº 3001000.109 S3C0T1 Fl. 129 14 Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, como antecipado, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11080.914859/201213 Resolução nº 3001000.109 S3C0T1 Fl. 130 15 Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Proposta de Conversão em Diligência Portanto, ante o tema que, por um lado, indica a existência de crédito por parte do contribuinte, mas que, por desapego, até inconsciente, no que tange aos critérios utilizados pelo fisco, a fim de aceitar a legitimidade dos créditos postos pela recorrente, e, por outro lado, a possibilidade de o Estado negar crédito regular, fazse justiça ao pleito, e, em perfazimento à orientação acima exposta, VOTO pela conversão deste processo em diligência, para: a) intimar a recorrente para apresentar: o Livro Razão contábil da empresa, as notas fiscais referentes aos serviços tomados e considerados como insumos, os comprovantes das despesas de energia elétrica, bem como de arrendamento mercantil; b) intimar a autoridade preparadora para analisar a planilha anexada no Recurso Voluntário, e afora os documentos acima mencionados, especifique quais ainda entende necessários para a efetiva comprovação e liquidação do crédito posto em compensação. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Declaração de Voto Preâmbulo Com a devida licença à bem fundamentada argumentação do Conselheiro Relator do Voto Condutor da proposta de conversão do julgamento em diligência, e concessa venia aos meus pares, que entendem diferentemente, pontuo as razões pelas quais conclui pela não concessão do presente feito, bem como esclareço que, tal como realizado pelo nobre Relator, a presente Declaração de Voto é pertinente para todos os processo do Contribuinte VERDE ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO S.A., quais sejam: 11080.914859/201213, 11080.914828/201262, 11080.914849/201288, 11080.914850/2012 11, 11080.914852/201200 e 11080.914854/201291, referentes às Resoluções: 3001000.109, 3001000.110, 3001000.111, 3001000.112, 3001000.113 e 3001000.114; para tanto, uso como paradigma os autos do processo 11080.914828/201262. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11080.914859/201213 Resolução nº 3001000.109 S3C0T1 Fl. 131 16 Da ementa do acórdão recorrido Transcrevo a respectiva ementa, verbis: PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Dos termos do voto condutor da decisão vergastada Reproduzo os trechos do Voto Condutor que importam para a explicitação da presente Declaração de Voto, ipsis litteris: (...) O cerne da questão referese a comprovação da base de cálculo do tributo. O administrado alegou em sua manifestação de inconformidade que efetuara a retificação da DCTF depois do decisório que denegou a compensação.Ocorre que o requerente não retificou a DCTF relativa ao suposto pagamento indevido, ou seja, mesmo depois da ciência do despacho decisório (que ocorreu em 21/01/2013, conforme fl. 37), o administrado não corrigiu seu suposto erro na DCTF, nem demonstrou o obstáculo à transmissão da DCTF retificadora, contemporaneamente à manifestação de inconformidade. Está claro que a Administração Tributária levou em conta as informações de DCTF transmitida previamente ao decisório Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11080.914859/201213 Resolução nº 3001000.109 S3C0T1 Fl. 132 17 O administrado pretende comprovar que o pagamento foi realizado em montante indevido, tendo em conta o débito informado em declaração hábil a constituir o crédito tributário. Essa declaração é a DCTF, por força do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, c/c o § 1º do art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 482, de 2004, que lhe atribuem a condição de instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário. O mesmo não ocorre com o DACON, a servir de mecanismo apuratório e meramente informativo dos tributos, sem, portanto, força de confissão. Ademais, se há contradição entre DACON e DCTF, não se pode aferir a priori qual dos dois documentos apresenta a informação correta, somente dissipandose a dúvida com a escrituração do administrado, que não foi aduzida aos autos. A par disso, a retificadora não tem força probatória para alterar a representação do fato (pagamento a maior ou indevido) apurado com base em declarações existentes à época da decisão, nas quais corretamente está lastreado o decisório. Assim, a fim de comprovar a certeza e liquidez, o requerente deveria (além de ter retificado a DCTF) ter instruído sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldassem seu pedido, uma vez que a Administração demonstrou que o pagamento, pretensamente a maior, já havia sido utilizado para quitar o próprio débito fiscal no mês de apuração. É assim porque, em primeiro lugar, o ônus de provar fato constitutivo do direito creditório incumbe ao contribuinte que o alega ter (art. 333, I, do Código de Processo Civil) e, em segundo lugar, o momento apropriado para se desincumbir de tal ônus é o da interposição da manifestação de inconformidade (arts. 15 e 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972). (...) Incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da DCTF retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. Na espécie, como o administrado não transmitiu a DCTF retificadora, tampouco aduziu a escrituração que fundamentasse a referida declaração (DCTF retificadora), permanece a situação de crédito indisponível para fins de compensação no presente processo. Dos fundamentos quanto a discordância deste conselheiro De plano, convém pontuar que no caso destes autos e, igualmente dos autos dos demais processos paradigmáticos, conforme já aventado, resta evidente que o único argumento traçado pelo Recorrente, seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja nesta fase recursal, com a trazida do seu Recurso Voluntário, para justificar seu pleito à compensação pretendida, via transmissão do respectivo Per/Dcomp, em face da sua não homologação, está centrada no fato de que, em que pese não ter apresentado a DCTF Retificadora, dúvida não haveria sobre a existência do crédito compensado, haja vista a "teria demonstrado a formação da base de cálculo mediante a DACON retificadora e o DARF originalmente recolhido". Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11080.914859/201213 Resolução nº 3001000.109 S3C0T1 Fl. 133 18 Esclareçase, que compartilho do entendimento segundo o qual, em prestígio, dentre outros, do princípio da verdade material, permitese a juntada de documentos, dentre outros, os de natureza contábil fiscal, a fim de dar suporte aos argumentos tecidos em seus petições recursais, inclusive após a fase da manifestação de inconformidade, ou seja, em sede de recurso voluntário. Ainda, por oportuno, esclareço que este Colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entende que para aplacarse tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante. De outra forma dizendo, estando o Contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida. No entanto, o Recorrente, ao adotar a linha de argumentação concretizada nestes autos, no sentido de que, em síntese, a DACON retificadora seria suficiente para comprovar a ocorrência do pagamento indevido, ainda que sabedor que o fundamento da decisão recorrida assentouse na ausência de documentos que corroborassem sua escrituração contábil fiscal, preferiu agir de forma não proativa; logo, ao não se empenhar em provar o direito que alega possuir, impede, a meu ver, quiçá, a hipótese de conversão deste julgamento em diligência, com supedâneo no novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, que afirma que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. É como me pronuncio. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13656.720198/2011-40
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 2002-000.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 01 98 /2 01 1- 40 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13656.720198/201140 Acórdão n.º 2002000.315 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 85/91) contra decisão de primeira instância (fls. 72/75), que julgou não conhecer da impugnação do sujeito passivo, por ser intempestiva. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 17 a 21, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas, exercício 2006, anocalendário 2005, na qual se exige imposto suplementar sujeito à multa de ofício, no valor de R$ 3.989,74, além dos acréscimos legais previstos na legislação. O lançamento decorreu de procedimento de revisão interna da Declaração de Ajuste Anual (DAA) que apurou Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 14.508,12. Cientificado do lançamento em 05/09/2009 (fl. 7), o contribuinte protocolou a presente impugnação na data de 18/01/2011, por intermédio do instrumento de fls. 3 e 4. Alega, em síntese, prejuízo ao seu direito de defesa sob argumento que a ciência da Notificação de Lançamento se deu via edital e sem prévio esgotamento dos meios previstos no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Ao final solicita a reabertura de prazo para manifestação e o “cumprimento de diligência no sentido de que se apure o motivo da não entrega da intimação via postal.” O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Deve ser declarada intempestiva a impugnação apresentada fora do prazo legal quando não acatados os argumentos levantados pelo contribuinte em sede de preliminar de tempestividade. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13656.720198/201140 Acórdão n.º 2002000.315 S2C0T2 Fl. 4 3 O contribuinte foi notificado em 08/06/2016 (fl. 82); Recurso Voluntário protocolado dia 28/06/2016 (fl. 85), assinado pelo próprio contribuinte. Recebo o presente recurso, pelo instituto da fungibilidade. Na fungibilidade, ocorre o aproveitamento do recurso erroneamente nominado, como se fosse o que devia ser interposto. É a utilização de um recurso mediante erro, quando o referido apelo não é previsto para aquela hipótese. Aproveitase o referido recurso, quando o mesmo for tempestivo. A r. decisão julgou por intempestiva a impugnação, mantendo o crédito tributário. Noto que o recorrente, em razões preliminares, argui a ineficiência do processo intimatório, dizendo que o mesmo afronta a legislação vigente. A primeira tentativa de intimação foi enviada pelos Correios e devolvida à Receita Federal, conforme documentos juntados. Constatouse a ineficácia da notificação via postal, a administração tributária fez então a intimação por meio de publicação oficial. O fato da impugnação ser intempestiva não impede que a autoridade lançadora proceda a revisão de ofício do lançamento, ocorre portanto que o recorrente se manifesta apenas e tão somente em relação a prazos, não atacando o mérito da questão. Afasto a preliminar. O mesmo fato ocorre em sede de Recurso Voluntário. O recorrente alega que o prazo de 5 anos e 150 dias, excede o prazo limite para a fluência da Prescrição Intercorrente, matéria definida no art. 174 do CTN, que assim dispõe: A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. (grifo nosso) O termo inicial da contagem, como acima descrito, é a data da constituição definitiva do crédito tributário. E quando um crédito tributário é considerado definitivamente constituído? Quando não mais couber qualquer possibilidade de sua discussão, ou seja "recurso ou reclamação" em procedimento administrativo. Assim diz o REsp nº 435896SP relatado pela Ministra Eliana Calmon: "... que não corre nenhum prazo, de nenhuma natureza, no hiato existente entre a feitura do ato de lançamento e o julgamento administrativo definitivo do processo que se origina com sua impugnação". Ademais, a matéria já se encontra pacificada pela Súmula nº 11 deste CARF: "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal". Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13656.720198/201140 Acórdão n.º 2002000.315 S2C0T2 Fl. 5 4 Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, afasto a preliminar e, no mérito nego provimento, mantendo a r. decisão revisanda. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000601/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/06/2008
MATÉRIA NÃO RELACIONADA Á LIDE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO
Não deve ser conhecido o recurso voluntário, no qual o contribuinte não contesta o crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 3301-004.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 04/06/2008 MATÉRIA NÃO RELACIONADA Á LIDE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO Não deve ser conhecido o recurso voluntário, no qual o contribuinte não contesta o crédito tributário lançado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO Não deve ser conhecido o recurso voluntário, no qual o contribuinte não contesta o crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 06 01 /2 00 8- 84 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10111.000601/200884 Acórdão n.º 3301004.858 S3C3T1 Fl. 142 2 "Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$6.700,00 referente a multa do controle administrativo (embarcar mercadorias antes da emissão da Guia ou Licença de importação), multa regulamentar (por mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul e descrição inexata da mercadoria na declaração de importação) e multa por apresentação de fatura comercial em desacordo com as indicações do regulamento. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração que a interessada importou vários produtos ao amparo da Declaração de Importação DI nº 08/09687159, e apresentou infrações e irregularidades nas seguintes adições: Adição 6 foram importados endoscópios rígidos com a Licença de Importação (LI) de n° 08/09687159, porém o embarque da mercadoria ocorreu antes da emissão da guia ou Licença de importação, cujos documentos apresentam a data de embarque de 13/04/2008. A data mínima para embarcar a mercadoria era de 05/05/2008. Adição 2 foram importados os seguintes produtos conforme declarado e descrito pelo contribuinte: "pistola para limpeza de endoscópio rígido Hopkins para observação, com conexão de entrada de 3/4" para água ou ar comprimido, sem acessórios, código 27660P, marca Karl Storz" e ainda, "pistola para limpeza de endoscópio rígido Hopkins para observação, com conexão de entrada de 3/4" para água ou ar comprimido, com pistola, bicos de limpeza e suporte para parede, código 27660, marca Karl Storz", uma unidade de cada um. De acordo com a fiscalização, conforme dados técnicos obtidos do manual do produto (fls. 19 a 21) verificouse que a referida pistola pode ser utilizada para limpeza de vários produtos de diferentes posições do capitulo 90 da Tarifa Externa Comum do Mercosul (TEC), e não apenas atende o endoscópio rígido Hopkins. Considerandose notas do capitulo 90 e texto da posição 9033, e ainda as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado RGI SH, os produtos realmente se classificam no código NCM 9033.00.00, porém, sua descrição estava incorreta. Segundo a impugnante foi apresentado detalhamento do material e justificativa para a NCM aplicada, incluindo laudo técnico (não anexo aos autos) onde foi informado que tais produtos são passíveis de utilização para limpeza de diversos materiais canulados, não apenas endoscópios. O fiscal teria agendado inspeção física na carga, recolheu manuais e acatou o argumento do importador. A fiscalização concluiu que a descrição do produto estava incorreta e inexata, pois, o termo "limpeza de endoscópio rígido Hopkins" restringe o aparelho a acessório de endoscópios que seria classificado na NCM 9018.90.94, assim o importador incorre na infração definida no parágrafo 1°, artigo 69 da Lei nº 10833, de 29/12/2003, publicada no D.O.U. de 30/12/2003, devendo recolher a multa de R$ 500,00; (1% informação de forma inexata ou incompleta – não superior a 10% do valor da mercadoria e mínimo de 500,00) Adição 3 o produto Tubo Guia de Iluminação (Terceiro produto da adição 3), código 10318L descrito pelo importador como: "Condutor e Deflector de Luz, Para Cabo de Iluminação com Fibra ótica, Código 10318L" foi classificado no código NCM 9001.10.20, como feixe ou Cabo de fibra ótica, porém a fiscalização concluiu que conforme descrição da fatura comercial nº 90465798, tratase de acessório ou artigo utilizado em conjunto com as camisas endoscópicas de códigos 10318B, C e D, classificados na NCM 9018.90.99. De acordo com a fiscalização, ao Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10111.000601/200884 Acórdão n.º 3301004.858 S3C3T1 Fl. 143 3 considerar as notas do capitulo 90 e ainda o texto da posição 9018, além das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI SH, o Tubo de Iluminação 10318L deve ser classificado no código NCM 9018.90.99, pois funciona como acessório ou artigo que trabalha em conjunto com os produtos 10318B, C e D e tem como função uso em medicina e cirurgia/diagnóstico. Assim o importador incorreu na infração definida no artigo 84 da Medida Provisória 2.15835/2001, devendo recolher a multa de R$500,00; (1% por classificação incorreta – não superior a 10% do valor da mercadoria e mínimo de 500,00). Adição 4 os produtos descritos pelo importador como: "Cabeçote UTSC para MicroCamera TRICAM II Karl Storz, com três CCD de meia polegada, com regulação horizontal de 750 linhas, sensibilidade minima de 3 lux, zoom parafocal, distancia focal de 25 mm a 50 mm e com dois botões de comando livremente programável, código 20221130" e "Unidade Processadora NTSC/PAY, para Micro Camera Tricam II Karl Storz, IPM, SCB, com resolução horizontal minima de 750 linhas, balanço branco, alimentação 110/220 VAC, freqüência 50/60 Hz, saídas tipo: BNC, Y/C, RCE, DIN, SCB, Digital DV, contraste digital, congelamento de imagem e teclado para inserção de dados, código 2022011p1" foram classificados no código NCM 8525.80.21. Contudo, de acordo com o manual, fica claro que a mercadoria não tem como função somente câmera de vídeo para uso geral na acepção da posição 8525, mas tem como função um sistema de suporte para medicina e cirurgia exclusivamente, devendo ser classificada na NCM código 9018.90.99. Corrobora este entendimento o texto da NESH referente à posição 9018 e Nota da Seção XVI. Como a função do aparelho é uso como suporte em medicina e cirurgia e diagnóstico apenas, conforme manual, classificase o mesmo na NCM código 9018.90.99. Assim o importador incorreu na infração definida no artigo 84 da Medida Provisória 2.15835/2001, devendo recolher a multa de R$500,00. O interessado ainda apresentou fatura comercial em desacordo com as indicações do regulamento. Conforme apurado no despacho aduaneiro, a fatura nº 90465798, de 28/04/2008, não apresenta o Peso Bruto dos volumes. Além disso, os produtos com referência 27660P e 27660 estão com descrição incompleta/inexata, conforme infração da adição 2 constante neste processo. Assim o importador incorreu na infração definida no inciso X, Alínea C, do artigo 107 do Decreto Lei 37/1966 com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10833/2003. Tempestivamente o sujeito passivo apresentou a sua impugnação, às fls. 67 a 74, juntando a documentação de fls. 75 a 100, argumentando de acordo com cada adição: Adição 2 que adquiriu a pistola de limpeza num conjunto de instrumentais e materiais para endoscopia rígida e apenas evidenciou que, neste contexto, tal pistola seria empregada na limpeza do endoscópio rígido Hopkins. Entretanto, por conhecer sua ampla utilização, classificoua corretamente sob o código NCM 9033.00.00. Não prestou informações incompletas, muito pelo contrário. A descrição objetiva do material "pistola de limpeza" foi acrescida de uma de suas aplicações "limpeza de endoscópio rígido Hopkins". Adição 3 após explicar o procedimento médico da endoscopia, alega que nos manuais aludese à utilização conjunta com as camisas endoscópicas de código 10318B, C e D em virtude de suas dimensões: calibre e profundidade. Argüiu que uma grande variedade de instrumentos se relaciona às camisas pois elas é que "abrem caminho" para a área de trabalho. Portanto, o produto seria classificado na posição 9001.10.20. Transcreve o explicitado nas Notas Explicativas do Sistema Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10111.000601/200884 Acórdão n.º 3301004.858 S3C3T1 Fl. 144 4 Harmonizado (NESH) para a posição 90.01, em sua letra A. Alega que se evidenciou o desconhecimento do auditor fiscal com relação às especificações e aplicações do material a ser nacionalizado. Adição 4 explica que o sistema é para vídeoendoscopia e que as imagens são captadas por uma câmera acoplada às óticas, cuja imagem passa por uma central processadora e pode ser visualizada em um monitor, fotografada e/ou gravada em vídeo e armazenada em meio eletrônico. Tratase de um sistema de fotografia digital que possui um formato especial para ser acoplado às óticas. Transcreve as NESH da posição 85.25, letra B. Defendeu que apesar de a mercadoria ser destinada à captura de imagens médicas, tratase de uma câmera fotográfica digital e, segundo o disposto na regra de classificação 3, quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições, a posição mais especifica prevalece sobre as mais genéricas. Ressaltou que o sistema de câmera de vídeo pode ser acoplado tanto a um endoscópio (posição 90.18) quanto a um microscópio (posição 90.11). Assim sendo, mesmo que não houvesse objetividade nas NESH, não haveria amparo na classificação exigida pela fiscalização (posição 9018.90.99). Com relação à fatura comercial em desacordo com as indicações do regulamento, alega que a fatura comercial apresentada, em sua primeira página, evidencia o peso bruto de 39,000kg. E o fato de a descrição ter sido acrescida de uma de suas aplicações "limpeza de endoscópio rígido Hopkins" não determina que sua descrição seja desqualificada. Arguiu que a atuação da autoridade fiscal no caso era digna de reparo, pois a discricionariedade a ele concedida somente se sustentava fundamentada na expectativa de prejuízo ao interesse público, desconsiderando que o importador prestou todos os esclarecimentos e forneceu toda a documentação exigida pela fiscalização, o que evidenciava o desconhecimento do auditor fiscal com relação às especificidades e aplicações do material a ser nacionalizado. Ressaltou que, além de apresentar todos os documentos exigidos para a importação do produto, preencheu todos os requisitos legais exigidos para gozar do benefício de isenção de impostos, ao amparo da Lei nº 8.032/90. Portanto, em qualquer código em que a mercadoria se classificasse a empresa seria isenta de impostos, não configurado qualquer prejuízo ao interesse público ou à Fazenda Nacional, por tratarse de entidade filantrópica e assistencial e por já ter pago o produto importado. O prejuízo era, sim, do interesse público, em razão da demora e preciosismo da autoridade fiscal no desembaraço do bem. Por todo o exposto, demonstradas a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requereu a impugnante o acolhimento da presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório." Por meio do Acórdão n° 0737.909 (sem ementa, em razão do crédito tributário ser inferior a R$ 50.000,00), de 15/12/15, a DRJ em Florianópolis (SC) julgou a impugnação parcialmente procedente. O crédito tributário foi reduzido de R$ 6.700,00 para R$ 6.000,00. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10111.000601/200884 Acórdão n.º 3301004.858 S3C3T1 Fl. 145 5 O contribuinte interpôs recurso voluntário, em que não apresenta argumentos para contestar as infrações a ele imputadas e mantidas pela DRJ, porém pleiteia a "retificação da decisão prolatada no processo": o crédito tributário originalmente lançado montava a R$ 6.700,00, consistente em multa de R$ 5.000,00 (Adição 6), três multas de R$ 500,00 (Adições 2, 3 e 4) e uma multa de R$ 200,00 (emissão de fatura comercial em desacordo com a legislação); não impugnou as infrações relacionadas às Adições 6 e 4 das DI e liquidou os créditos tributários correspondentes de R$ 5.000,00 e R$ 500,00, respectivamente (na verdade, na impugnação, apresentou argumentos que contestavam todas as infrações que geraram multas de R$ 500,00); por exigência da fiscalização, depositou R$ 1.200,00, equivalente ao crédito tributário impugnado; o Acórdão n° 0737.909 julgou procedente em parte a impugnação, exonerandoa de multas no total de R$ 700,00, reduzindo o crédito tributário de R$ 6.700,00 para R$ 6.000,00; recebeu a Intimação n° 118/2015, dandolhe o prazo de trinta dias após a ciência da decisão de primeira instância, para pagar o saldo remanescente do crédito tributário de R$ 500,00; e do acima exposto, concluise que a recorrente nada mais deve ao Fisco, porém, pelo contrário, tem direito á restituição de R$ 700,00, devendo o citado Acórdão 07 37.909 ser reformado. É relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Tratase de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$6.700,00 referente à i) multa por embarque de mercadorias antes da emissão da Guia ou Licença de importação (R$ 5.000,00); ii) multas por mercadorias classificadas incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul e descrição inexata de mercadorias nas declarações de importação (três multas de R$ 500,00, totalizando R$ 1.500,00); e iii) multa por apresentação de fatura comercial em desacordo com as indicações do regulamento (R$ 200,00). Consta nos autos (fls. 101 e 102) comprovantes de que, no prazo para apresentação da impugnação, liquidou a multa de R$ 5.000,00 e uma das multas de R$ 500,00. Não impugnou a infração relativa à Adição 6, que gerou a multa de R$ 5.000,00, porém impugnou as três que resultaram na aplicação das de R$ 500,00. A DRJ reduziu o crédito tributário de R$ 6.700,00 para R$ 6.000,00. Em seguida, a recorrente foi intimada a recolher o saldo remanescente do crédito tributário de R$ 500,00 (fls. 125 e 126). Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10111.000601/200884 Acórdão n.º 3301004.858 S3C3T1 Fl. 146 6 No recurso voluntário, não constam argumentos para contestar as infrações e, por conseguinte, os créditos tributários lançados e mantidos pela decisão de piso. Em um dos anexos do recurso, consta cópia de guia de depósito, no montante de R$ 1.200,00, com identificação do número do presente processo e o código 7880 ("Multas Diversas Depósito Administrativo"), efetuado, segundo a recorrente, com o objetivo de obter a liberação da mercadoria importada. Tendo em vista que pagou R$ 5.500,00 em multas e efetuou depósito de R$ 1.200,00, entendeu a recorrente que tem direito à restituição de R$ 700,00. Assim, pleiteia a "retificação da decisão prolatada no processo" conforme acima informado, está consignado dispositivo do Acórdão n° 0737909, da DRJ que a impugnação foi julgada procedente em parte e o crédito tributário mantido é de R$ 6.000,00. Voto por não conhecer do recurso voluntário. A recorrente pretende liquidar o saldo remanescente do débito R$ 500,00 com o valor do depósito administrativo R$ 1.200,00 e reaver o excedente de R$ 700,00. Tratase de matéria atinente à execução da decisão de piso e, portanto, fora do escopo da lide. Isto posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 13708.002902/2008-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. COMPROVAÇÃO.
O Contribuinte pode deduzir dos rendimentos recebidos acumuladamente o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive os honorários advocatícios, se tiverem sido pagas pelo Contribuinte, sem indenização e se comprovados por meio de documentação hábil e idônea.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Apura-se o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário de 2008 com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
Numero da decisão: 2002-000.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. COMPROVAÇÃO. O Contribuinte pode deduzir dos rendimentos recebidos acumuladamente o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive os honorários advocatícios, se tiverem sido pagas pelo Contribuinte, sem indenização e se comprovados por meio de documentação hábil e idônea. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Apura-se o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário de 2008 com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
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RENDIMENTOS ACUMULADOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Recorrente NEY FERNANDES DE ALMEIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. COMPROVAÇÃO. O Contribuinte pode deduzir dos rendimentos recebidos acumuladamente o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive os honorários advocatícios, se tiverem sido pagas pelo Contribuinte, sem indenização e se comprovados por meio de documentação hábil e idônea. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Apurase o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no anocalendário de 2008 com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 29 02 /2 00 8- 21 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13708.002902/200821 Acórdão n.º 2002000.356 S2C0T2 Fl. 112 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Em face do sujeito passivo foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 3/6, relativa ao anocalendário 2003, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$44.163,05. A Notificação de Lançamento alterou o resultado de saldo de imposto a restituir declarado de R$13.300,02, para saldo de imposto a restituir de R$1.155,18. Cientificado da notificação em 2/7/2008 (fls.3 e 25), o contribuinte impugnou a exigência fiscal em 28/7/2008 (fls. 2/22). Antes do julgamento, a autoridade lançadora examinou a possibilidade de revisão de ofício do lançamento (art. 6°A da IN RFB n° 958/2009, com a redação dada pelo art. 1º da IN RFB n° 1061 /2010), tendo concluído, à vista de documentação comprobatória juntada pelo contribuinte à impugnação, pela manutenção do lançamento, como consignado no Termo Circunstanciado/Despacho Decisório de fls. 35/39. Cientificado dessa decisão, o sujeito passivo voltou a se manifestar às fls. 47/59. A decisão de piso resumiu essa manifestação nos seguintes termos: Notificado, o interessado retorna aos autos para argumentar, em síntese, que a decisão da autoridade revisora implica cerceamento do direito de defesa porque não foi juntado documento em que se baseou a autoridade lançadora para determinar os rendimentos recebidos na ação judicial. Foi violado também o princípio da isonomia na avaliação das declarações prestadas pela fonte pagadora e aquelas prestadas por si próprio. Declarara rendimentos até mesmo superiores aos informados pela fonte pagadora. Esta última informara rendimentos tributáveis totais de R$ 223.149,58, enquanto o contribuinte declarara rendimentos brutos (antes do desconto de despesas advocatícias) de R$ 238.648,70. No mérito, não foi observado que o alvará de levantamento está em nome do patrono da ação. Recebera os rendimentos no escritório do advogado, ocasião em que lhe foi apresentada a prestação de contas com informação dos honorários descontados. A sua assinatura neste documento representa a sua aprovação das Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13708.002902/200821 Acórdão n.º 2002000.356 S2C0T2 Fl. 113 3 contas que lhe foram apresentadas. Anexa cópia do contrato de prestação de serviços advocatícios. A 3ª Turma da DRJ/SDR considerou improcedente a impugnação apresentada, em decisão assim ementada (fls.67/69): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DESPESAS ADVOCATÍCIAS. COMPROVAÇÃO. Para serem deduzidas dos rendimentos recebidos pela via judicial as despesas advocatícias devem ser comprovadas com documentos hábeis e idôneos. Intimado da decisão do colegiado de primeira instância em 24/11/2016 (fl. 78), o recorrente apresentou recurso voluntário em 22/12/2016 (fls. 90/104), em que alega os seguintes argumentos de defesa: documentos acostados a sua defesa comprovariam que recebeu em decorrência da ação judicial o valor líquido de R$118.043,48. Acrescenta que os valores teriam sido recebidos mediante cheque emitido pelo patrono da ação e o recorrente não teria como dispor de cópia desse documento, visto não ser o titular da conta. computando os honorários advocatícios, de R$59.662,17, teria recebido o montante de R$178.986,53. seu argumento de que a declaração da fonte pagadora não foi anexada ao processo não teria sido analisado corretamente pela decisão de piso, uma vez que em momento algum requereu que fosse informado o valor declarado pela fonte pagadora. o sujeito passivo estaria sendo privado de concordar ou não com a declaração da fonte pagadora, já que ela não foi juntada aos autos. requer a revisão da decisão e cancelamento da autuação em face da violação do direito ao contraditório, posto que não teve acesso ao documento citado e a informação do valor declarado não supre a ausência do documento. os documentos juntados pelo recorrente corroboram os valores declarados por ele, ao contrário da DIRF, que consigna valores a menor. Entretanto, argumenta que a informação da fonte pagadora está sendo privilegiada em detrimento da sua, em violação ao princípio da isonomia. quanto à comprovação do pagamento dos honorários advocatícios, indica que o recibo assinado por ele se trata de prestação de contas realizada pelo escritório de advocacia contratado, que não forneceu o recibo. Acrescenta que teria procurado ao escritório e obtido a informação que, dado o tempo transcorrido, eles não teriam mais os documentos atinentes ao processo e nem estariam obrigados a fornecer documentos ou prestar informações. indica a juntada de anotações feitas à época, que apontam o recebimento dos valores por meio de cheque emitido pelo patrono. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13708.002902/200821 Acórdão n.º 2002000.356 S2C0T2 Fl. 114 4 aduz que o Fisco pode confirmar se o escritório ofertou à tributação os honorários de R$59.662,17. observa que a decisão de primeira instância não foi unânime, tendo sido proferida declaração de voto no sentido de recálculo do imposto devido com base na Nota PGFN/CRJ nº981, de 2015, requerendo a aplicação do novo cálculo, considerando a declaração de inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, pelo STF. ao final do recurso, requer: o cancelamento da notificação de lançamento; o reconhecimento da violação ao direito ao contraditório, ao princípio da isonomia e da inobservância do ônus da prova, com consequente anulação dos atos praticados; que seja acatada a dedução dos honorários advocatícios no montante de R$59.662,17, com reconhecimento da regularidade da Declaração de Ajuste entregue; que seja deferido prazo para juntada de cópias de peças da reclamatória trabalhista objeto dos autos; que seja realizada diligência fiscal para recálculo do imposto devido, nos termos da NOTA PGFN/CRJ nº981,2015 e Parecer PGFN/CAT nº815, de 2010. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.107). Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13708.002902/200821 Acórdão n.º 2002000.356 S2C0T2 Fl. 115 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade O recorrente aponta algumas questões que, no seu entendimento, ensejariam a nulidade da autuação. Quanto à juntada da DIRF aos autos, não vislumbro qualquer prejuízo a sua defesa, um vez que a autuação aponta os valores informados pela fonte pagadora, inexistindo qualquer outra informação em DIRF que tenha sido omitida. A DIRF se trata de Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte prestada pela fonte pagadora, onde ela informa à RFB os rendimentos pagos e o IRRF correspondente. No tocante ao questionamento da autuação privilegiar a informação em DIRF e não as informações provadas por ele, cabe destacar que, previamente à autuação, o contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos, dada a divergência apurada entre os valores consignados da DIRF e os declarados por ele em sua DIRPF. Não tendo sido atendida a intimação pelo contribuinte, a Autoridade Fiscal não poderia se manter inerte, sob pena de responsabilidade funcional, e, utilizando as informações prestadas pela fonte pagadora, que se constituem em elementos suficientes à constituição do crédito tributário, formalizou a exigência. Ademais, ele pôde impugnar livremente o lançamento, garantindose plenamente no presente processo o direito ao contraditório e à ampla defesa. Por tudo que consta dos autos, o lançamento atende integralmente aos preceitos legais e a notificação de lançamento foi emitida por autoridade competente, apresentando todos os seus requisitos essenciais, especialmente o enquadramento legal da infração e a descrição dos fatos expressos de modo claro, permitindo ao contribuinte conhecer perfeitamente os fatos a ele atribuídos. Na impugnação e em seu recurso, o sujeito passivo demonstra ter pleno conhecimento dos fatos, juntando documentos que amparam sua defesa. Em face das ponderações acima e verificandose garantido no presente processo o direito ao contraditório e à ampla defesa, a preliminar suscitada não merece acolhida. Junta posterior de provas Quanto ao pedido para deferimento de prazo adicional para juntada de provas, é de se destacar que, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, a prova Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13708.002902/200821 Acórdão n.º 2002000.356 S2C0T2 Fl. 116 6 documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, com exceção da ocorrência de uma das hipóteses descritas nas alíneas do § 4º do referido dispositivo, não comprovadas nos autos. Sendo assim, por falta de previsão legal, o pedido deve ser indeferido. Mérito O recorrente alega que não omitiu valores. Aponta que a autuação não considerou os honorários advocatícios pagos. O colegiado de primeira instância não acatou o pleito do sujeito passivo, consignando: O impugnante não traz comprovante hábil das despesas advocatícias. Não traz, por exemplo, documentos bancários comprovando o valor que lhe foi efetivamente transferido. A prestação de contas que apresenta não é prova hábil porque somente contém a sua própria assinatura. O contrato de serviços advocatícios e o fato de o alvará indicar o nome do patrono não são provas de que os honorários foram efetivamente pagos ao advogado. Não acompanho essa decisão. Entendo que o conjunto probatório reunido nestes autos se revela hábil a confirmar que o recorrente pagou os honorários advocatícios no montante de R$59.662,17, como alega. Vejamos. De fato, o recibo assinado somente pelo próprio contribuinte não se presta a fazer a prova exigida (fl.7). Entretanto, constam dos autos os seguintes documentos: o contrato assinado, em 13/3/1987, entre o contribuinte e o escritório de advocacia "A.D. Meirelles Quintella Escritório de Advocacia", em que ficou estipulado o pagamento de honorários equivalente a 25% de toda e qualquer quantia deferida na reclamatória trabalhista a ser movida pelo escritório (fl.58). alvará relativo a reclamatória trabalhista nº 001321/87, onde o contribuinte figura como reclamante e, como seu patrono, Antonio Landim Meirelles Quintella. O documento noticia o levantamento da quantia de R$178.615,98 (fl.10). DARF relativo ao recolhimento do IRRF, no valor de R$60.943,05 (fl.9). DIRPF do contribuinte, consignando no quadro relativo a "Pagamentos e Doações Efetuados" o pagamento a A.P. Meireles Quintela Esc. Adv. do montante de R$59.662,17 (fl.29). Assim, o rendimento bruto auferido pelo recorrente foi de R$239.559,01. O percentual de 25% dessa quantia, previsto no contrato, perfaz o montante de R$59.889,75, que está em consonância com o honorário informado pelo contribuinte (a diferença restaria justificada pelo desconto de CPMF). Por seu turno, o alvará comprova a autuação do patrono na ação judicial em comento. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13708.002902/200821 Acórdão n.º 2002000.356 S2C0T2 Fl. 117 7 Dessa feita, a omissão deve ser cancelada. Quanto ao pleito para recálculo do imposto, também é de se dar provimento ao recurso, de forma a conformarse com o decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). À época do recebimento dos valores em tela, no anocalendário 2003, eles estavam submetidos ao disposto no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, vigente à época dos fatos geradores, que prescrevia que o imposto incidia no mês da percepção dos valores acumulados, utilizandose as tabelas e alíquotas vigentes na época do recebimento dessas parcelas, quando auferida a renda, independentemente do período que deveriam ter sido adimplidos. Entretanto, em sessão do STF realizada no dia 23/10/2014, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, redator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, o Plenário da Corte admitiu a invalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no que tange à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, previstos na Carta Política de 1988. Com efeito, afastando o regime de caixa, o Tribunal acolheu o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Eis a ementa desse julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Diante desse contexto fático, o §2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Como visto, a exigência de que o imposto incidirá no mês da percepção dos valores, sobre o total de rendimentos acumulados, aplicandose a tabela progressiva vigente no mês desse recebimento, foi considerada em descompasso com o texto constitucional, em decisão definitiva de mérito proferida pelo STF, na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. Esse entendimento da Corte Suprema deverá ser reproduzido no âmbito deste Conselho. Dessa forma, em relação aos rendimentos auferidos acumuladamente pelo contribuinte, devese proceder ao recálculo do imposto devido, considerando que o cálculo Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13708.002902/200821 Acórdão n.º 2002000.356 S2C0T2 Fl. 118 8 deve considerar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos percebidos, realizandose o cálculo de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, darlhe provimento para cancelar a omissão de rendimentos apontada na autuação e determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda devido quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo sujeito passivo (regime de competência). (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 118DF CARF MF
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Numero do processo: 11131.720091/2013-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 28/01/2009
PLACAS DE MICROPROCESSADORES. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM 8542.31.20.
Sendo os processadores importados, placas de microprocessadores, constituídas por um ou mais circuitos impressos montados com componentes eletrônicos, com destinação específica para máquinas automáticas de processamento de dados, nos temos da Regra Geral Interpretativa n° 1 (RGI-1) c/c a Nota Explicativa da posição 8534 e a Nota 2 da Seção XVI do Sistema Harmonizado (SH), classificam-se na posição tarifária 8473 da Tarifa Externa Comum do MERCOSUL.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a multa substitutiva do perdimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM 8542.31.20. Sendo os processadores importados, placas de microprocessadores, constituídas por um ou mais circuitos impressos montados com componentes eletrônicos, com destinação específica para máquinas automáticas de processamento de dados, nos temos da Regra Geral Interpretativa n° 1 (RGI 1) c/c a Nota Explicativa da posição 8534 e a Nota 2 da Seção XVI do Sistema Harmonizado (SH), classificamse na posição tarifária 8473 da Tarifa Externa Comum do MERCOSUL. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a multa substitutiva do perdimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 72 00 91 /2 01 3- 57 Fl. 2110DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 16065.257, proferido pela 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido, em parte (ressaltese que IBYTE é o nome fantasia da autuada): Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 23/01/2013, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro e multa regulamentar, no valor de [...], em virtude dos fatos a seguir escritos. As placas de microprocessadores importadas ao amparo das Declarações de Importação arroladas no presente Auto de Infração foram classificadas pelo importador no código NCM 8542.31.20 da Tarifa Externa Comum do MERCOSUL (TEC). Entretanto, a fiscalização apurou que a correta classificação tributária das mercadorias importadas seria no código NCM 8473.30.43 da TEC. A importação de mercadorias classificadas em desconformidade com as regras do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias é infração aduaneira a qual cabe a aplicação das presentes multas. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 28/01/2013 (fls. 1.882), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 26/02/2013, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 1.885 à 1.909, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou resumidamente que: O objeto social da empresa é a industrialização e comercialização de equipamentos de informática; Para a industrialização de equipamentos importa parte dos insumos, dentre eles os microprocessadores; Fl. 2111DF CARF MF Processo nº 11131.720091/201357 Acórdão n.º 3301004.842 S3C3T1 Fl. 2.111 3 A impugnação atende as determinações do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72; ⊙ DA INDEVIDA ALTERNÂNCIA DE CRITÉRIO JURÍDICO SP SAO PAULO A classificação das placas de microprocessadoras na classificação tributária no código NCM 8542.31.20 ou 8542.31.90, ocorreu até dezembro de 2009, sem problema algum; Ocorre que na Solução de Consulta n° 4 da Receita Federal no Estado de Minas Gerais, definiu que os Processadores utilizados em computadores que possuam sistema de dissipação de calor são classificados no código NCM 8473.30.43 e aqueles que não possuam ou não tenham sido importados em conjunto com tal sistema deveriam se classificar no código NCM 8473.30.49. Somente a partir de 01 de janeiro de 2011, com a publicação da Resolução CAMEX n° 47/2010, foi alterado o texto da NCM 8473.30.43, os processadores com ou sem dissipador de calor passam a ser classificados nesta NCM. No período compreendido entre 01/01/2008 a 30/11/201 (sic) não cabe à Receita Federal imputar aos contribuintes nenhuma cobrança de multa em decorrência da utilização do NCM 8542.31.20. No período, compreendido entre 01/01/2011 a 30/11/2011, quando já estava em vigor os ditames da Resolução CAMEX n° 47/2010, onde foi alterado o texto da NCM 8473.30.43 e os processadores com ou sem dissipador de calor passam a ser classificados nesta NCM, a Receita Federal manteve a liberação das Declarações de Importação da impugnante no ato do desembaraço aduaneiro; A mudança de critério jurídico empregada na classificação tributária de um produto após o seu desembaraço aduaneiro não permite a revisão de lançamento; Transcreve a súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos; Junta textos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; Transcreve os artigos 145 e 149 do Código Tributário Nacional; ⊙ DA APLICAÇÃO INDEVIDA DA PENALIDADE DE PERDIMENTO DE MERCADORIA. Na alegada descrição de erro no preenchimento da invoice no tocante ao peso, quem incorre em erro é a Auditora da Receita Federal, visto que o peso unitário dos produtos indicados nas invoices, de 318 gramas e 385 gramas, estão corretos, bem como a descrição dos ditos produtos. Fl. 2112DF CARF MF 4 Consumidores finais de processadores tornamse apenas um pequeno segmento da cadeia de clientes destes fabricantes (Intel e AMD). No entanto, empresas de varejo como a IBYTE/Cecomil dentre outras se esforçam para atender a demanda de consumidores que montam ou atualizam seus próprios computadores,. fornecendo versões encaixotadas (daí vem o termo "BOX"), utilizado na descrição das declarações de importação registradas dos processadores que vêm acoplados a um cooler (microventilador). Já "quando comprados para a produção em massa de os processadores vem em bandejas (daí vem o termo “Tray") que geralmente vem em lotes de 10/ constando somente o processador em cooler. Nestes casos em que os processadores são comprados em bandejas, o peso liquido unitário do i tem è em torno de 24,5gramas e o mesmo na, caixa junto com o cooler (box) tem em média 345,98gramas, ou seja, uma diferença de 14 vezes menor do item em bandeja dò (sic) que quando comprado em caixas. Esta diferença devese a inclusãó dcrcooler (sic) nas caixas (box)/fazendo com que o peso liquido unitário seja maior. A Auditora da Receita Federal não pode considerar invoices corretas como inidôneas, pelo simples fato de não conhecer os produtos que estão sendo importados, pois a terminologia e o peso indicados pela Impugnante nas Declarações de Importação constam do site da INTEL. Outro ponto a ser aclaro é o fato de a Impugnante ter identificado na Declaração de Importação n° 11/07141186, como fabricante a empresa HEWLETT PACKARD HP, pois essa identificação devese ao fato de que na PREFATURA emitida pela TECH DATA, consta como empresa HP, então a Impugnante fez o que estava obrigada a fazer, ou seja, emitiu a Declaração de Importação nos mesmos termos da PREFATURA, com as mesmas identificações. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DEMERCADORIAS Data do fato gerador: 28/01/2009 Placas de microprocessadores classificadas pelo importador no código NCM 8542.31.20. Sendo os processadores importados, placas de microprocessadores, constituídas por um ou mais circuitos impressos montados com componentes eletrônicos, com destinação específica para máquinas automáticas de processamento de dados, nos temos da Regra Geral Interpretativa n° 1 (RGI 1) c/c a Nota Explicativa da posição 8534 e a Nota 2 da Seção XVI do Sistema Harmonizado (SH), classificamse na posição tarifária 8473 da Tarifa Externa Comum do MERCOSUL. Em momento alguma a fiscalização procedeu com a modificação de critérios jurídicos. Toda a ação fiscal se baseia em erro de fato atribuído ao importador que elegeu uma classificação fiscal indevida. Fl. 2113DF CARF MF Processo nº 11131.720091/201357 Acórdão n.º 3301004.842 S3C3T1 Fl. 2.112 5 Instrução de Declaração de Importação com fatura comercial falsa. Irregularidade punível com a pena de perdimento. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual basicamente repete os argumentos postos na impugnação. Em síntese: defende ser impossível a alternância do critério jurídico pelo fisco; assim como a aplicação da penalidade de perdimento, por não ter havido falsidade ou adulteração documental; além de sustentar a classificação fiscal que praticou.. Em face de um tal recurso, esta Turma do Carf, resolveu, por meio da Resolução 3301000.321, "por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem informe a efetiva data de recebimento pela contribuinte do acórdão de piso". Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 2114DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. Preliminares A dita Resolução levanta a questão da tempestividade do recurso voluntário: A resposta da unidade de origem foi a seguinte (fl. 2081): Em atendimento à Resolução 3301000.321 do CARF, informamos que a interessada tomou ciência do acórdão de 1º instância em 14/05/2015, conforme Aviso de Recebimento de fls. 2029. A data de 08/05/2015 que consta também no referido documento é da postagem da correspondência nos Correios. O termo de perempção e carta cobrança foram emitidos, tendo em vista o equívoco da interessada, que embora tenha apresentado tempestivamente o recurso, em 11/06/2015, o mesmo continha em seu cabeçalho, os dados de outro processo. Após o recebimento da carta cobrança compareceu a esta Sarac/ALF/FOR para esclarecimentos e solicitação de juntada ao processo do requerimento de fls. 2070 2071. Diante do exposto, proponho devolução dos autos ao CARF/MF/DF. Assim, tendo em vista a resposta da unidade de origem, dou por tempestivo o recurso voluntário. Ainda que a recorrente assim não tenha estruturado sua peça, trouxe nesse capítulo as questões que entendi preliminares. A recorrente aduz a impossibilidade de alternância do critério jurídico pelo fisco, escudandose nos artigos 146 e 149 no CTN. Diz que: Fl. 2115DF CARF MF Processo nº 11131.720091/201357 Acórdão n.º 3301004.842 S3C3T1 Fl. 2.113 7 [...] Não assiste razão à contribuinte. Importante trazer à baila que a homologação prevista art. 150 do CTN é do lançamento e não do despacho, inaplicáveis os artigos arrolados pela contribuinte. E só há lançamento no despacho aduaneiro, quando a autoridade administrativa lavra auto de infração no curso deste. É o que se conclui em artigo da autoria deste relator1: O art. 150 do CTN [...] define que “O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Tal dispositivo divide o instituto do lançamento por homologação em duas partes: a antecipação do pagamento e o lançamento operado por ato expresso da autoridade administrativa. É pacífico na doutrina e na jurisprudência ser o lançamento por homologação a modalidade adequada aos tributos incidentes sobre as operações de comércio exterior. No desembaraço, não há expressa homologação. Nem a norma a estabelece, nem a autoridade administrativa a declara. Ainda que se verifiquem a mercadoria e as respectivas informações, inclusive a classificação fiscal, não ocorre o requisito legal para que se opere esta modalidade de lançamento: a expressa homologação. Ao contrário, a lei prevê a possibilidade de revisão aduaneira, a fim de apurar as informações prestadas pelo importador, no prazo de cinco anos, mesmo as já verificadas. O parágrafo 4º do mesmo artigo afirma que a outra forma pela qual se opera o lançamento é pela via tácita: “Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; 1 CAVALCANTI FILHO, A. C. C. Reclassificação Fiscal em Sede de Revisão Aduaneira. Revista da Receita Federal: Estudos Tributários e Aduaneiros, BrasíliaDF, v.01, n.01, p. 260276, ago./dez. 2014. Fl. 2116DF CARF MF 8 expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação“. No caso dos tributos incidentes na importação, considerase ocorrido o fato gerador no momento do registro da Declaração de Importação (DI), como determina o art. 23, caput, do DecretoLei nº 37, de 1966, [...] e o prazo de cinco anos é evidentemente distante do desembaraço. Como não se opera o lançamento com o desembaraço, via de regra aquele se dá de forma tácita, no prazo quinquenal. [...] Em sentido estrito, só há lançamento no despacho aduaneiro, quando a autoridade administrativa lavra auto de infração no curso desse; o que ocorre, por exemplo, quando há exigência da autoridade administrativa, contra a qual se insurge o contribuinte, como previsto no art. 570, § 3º, do RA [...]. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) endossa essa posição, conforme se percebe no excerto transcrito a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/1999 Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. O Auto de Infração não contém qualquer ilegalidade, não restando configurada ausência de fundamentação legal a ensejar a nulidade daquele. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. Não constitui homologação de lançamento o ato de desembaraço aduaneiro, salvo se a autoridade fiscal expressamente assim o declarar. REVISÃO ADUANEIRA. PRAZO. A verificação da regularidade da importação, em sede de revisão aduaneira, pode ocorrer no prazo de cinco anos, contado da data de registro da declaração de importação. [...]. (..., grifo nosso). E não há que se falar em mudança de critério jurídico em função do despacho, aplicável o instituto a situação diversa, como se depreende de trecho do mesmo artigo: E continua o doutrinador, esclarecendo que, se dá a mudança de critério jurídico quando a “autoridade administrativa [...] simplesmente substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta”, ou ainda “quando em face da situação de fato sobre a qual incidiu a norma se atribua a esta um significado, quando outro podia ser atribuído” (MACHADO, 2005, p. 128 e 163)2. Sobre o assunto, cita Kelsen: “a interpretação de uma lei não deve necessariamente conduzir a uma única solução como sendo a única correta, mas possivelmente a várias soluções que 2 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao Código Tributário Nacional, volume III. São Paulo: Atlas, 2005. Fl. 2117DF CARF MF Processo nº 11131.720091/201357 Acórdão n.º 3301004.842 S3C3T1 Fl. 2.114 9 na medida em que apenas são aferidas pela lei a aplicar têm igual valor, se bem que apenas uma delas se torne Direito positivo no acto do órgão aplicador” (1998 apud MACHADO, 2005, p. 128). Finalmente traz a lume o seguinte exemplo: No DecretoLei nº 406, de 1968, determinado artigo traz a expressão “valor do produto ...”, inicialmente interpretado como custo de produção. Depois como preço de venda do produto. Ambas as interpretações constaram de atos normativos expedidos por autoridades competentes (MACHADO, 2005, p. 171). Nesse tem decidido este CARF: DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. "REVISÃO ADUANEIRA". POSSIBILIDADE. É possível a "revisão aduaneira", não constituindo necessariamente tal ato “mudança de critério jurídico”. O desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo central homologar integralmente o pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo (homologação tácita). (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Ac. 3401003.199, de 23/08/2016, rel. Conselheiro Rosaldo Trevisan). Mérito A classificação das mercadorias, mediante "a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul" (NCM) "será feita com observância das Regras Gerais para "Interpretação (RGIs), "das Regras Gerais Complementares" (RGCs) "e das Notas Complementares" (NCs) "e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias" (SH), "da Organização Mundial das Aduanas" (NESH) (art. 94, parágrafo único do RA/09, com base no DecretoLei 1.154/71, art. 3º, caput). É o que será feito. A recorrente identifica mercadorias autuadas como "placas de microprocessadores" (fl. 2053; ainda que à fl. 2059 alegue que as invoices são preenchidas pelo exportador) assim como o acórdão recorrido: A fiscalização constatou que as 41.263 placas de microprocessadores para máquinas automáticas de processamento de dados, conhecidas comercialmente como “processadores ou CPU”, importadas ao amparo de 38 Declarações de Importação registradas pelo estabelecimento filial 0004 da empresa IBYTE (foram classificadas pelo importador incorretamente no código tarifário da NCM 8542.31.20. A descrição constante das invoices instrutivas das Declarações de Importação foi feita pelo importador pelo nome comercial dos produtos Fl. 2118DF CARF MF 10 importados, enquanto que as notas fiscais de vendas apresentadas pela empresa fiscalizada identifica perfeitamente os produtos importados como placas de microprocessadores para máquinas automáticas de processamento de dados. O acórdão recorrido bem fundamenta o acerto da NCM 84.73.30.43, classificação determinada pela fiscalização: Os circuitos integrados eletrônicos de processadores e controladores, mesmo combinados com memórias, conversores, circuitos lógicos, amplificadores, circuitos temporizadores e . sincronização, ou outros circuitos, montados, próprios para montagem em superfície (SMD – “Surface Mounted Device”) se classificam no código tarifário da NCM 8542.31.20 nos do Anexo 1 da Resolução Camex n° 43/2006. A Nota 8b do Capítulo 85 da TEC/Sistema Harmonizado define os artefatos compreendidos na posição 85.42 das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado: 8. Na acepção das posições 85.41 e 85.42 consideramse: [...]b) Circuitos integrados: 1o) os circuitos integrados monolíticos em que os elementos do circuito (diodos, transistores, resistências, condensadores, indutâncias, etc.) são criados essencialmente na massa e á superfície de um material semicondutor (por exemplo, silício impurificado (dopado) (“dopé”), arsenieto de gálio, silício germânio, fosfeto (fosforeto*) de índio), formando um todo indissociável; 2o) os circuitos integrados híbridos que reúnam de maneira praticamente indissociável, por interconexões ou cabos de ligação, sobre um mesmo substrato isolante (vidro, cerâmica, etc.) elementos passivos (resistências, condensadores, indutâncias, etc.), obtidos pela tecnologia dos circuitos de camada fina ou espessa e elementos ativos (diodos, transistores, circuitos integrados monolíticos, etc.), obtidos pela tecnologia dos semicondutores. Estes circuitos também podem incluir componentes discretos; 3o) os circuitos integrados de múltiplos chips, constituídos por dois ou mais circuitos integrados monolíticos interconectados, combinados de maneira praticamente indissociável, dispostos ou não sobre um ou mais substratos isolantes, mesmo com elementos de conexão, mas sem outros elementos de circuito ativos ou passivos. Esclarece, ainda, a Nota Explicativa da posição 85.42: Os circuitos integrados eletrônicos compreendem as memórias DRAM (memória de acesso aleatório dinâmica), SRAM (memória de acesso aleatório estática), EPROM (memória programável, apagável, apenas de leitura), EEPROM ou E2PROM (memória programável, eletricamente apagável, apenas de leitura), microcontroladores, circuitos de comando, circuitos lógicos, circuitos de redes de portas programadas “gate arrays”, circuitos de interface, etc. Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 11131.720091/201357 Acórdão n.º 3301004.842 S3C3T1 Fl. 2.115 11 As características técnicas dos processadores ou CPU importados de diversos modelos dos fabricante INTEL e AMD8, assinalados na Tabela I, evidenciam que os mesmos não são simples circuitos integrados eletrônicos, mas sim, PLACAS DE CIRCUITOS IMPRESSOS MONTADAS COM COMPONENTES ELETRÔNICOS. Isso porque, as PLACAS DE CIRCUITOS IMPRESSOS são compostas por um conjunto de componentes eletrônicos e outros materiais, conforme relacionados pelos fabricantes, encapsulados em um mesmo “package”, formando a placa de microprocessamento, conforme mostrado na figura mostrada a seguir. Apenas o núcleo ou os núcleos desses processadores, por serem circuitos integrados eletrônicos, isoladamente, poderiam se classificar na posição 8542 da NCM. As figuras abaixo, semelhantes às apresentadas pelo importador, mostram as vistas superior e inferior e a parte superior de uma placa de um processador Pentium Dual Core. A última, antes de receber o encapsulamento com o IHS, onde se pode ver a placa de circuito impresso, os microprocessadores (neste caso, um dual core) e os demais componentes eletrônicos montados. Em atendimento ao item 6.4 da intimação n° 001, a empresa IBYTE apresentou descrição dos produtos importados processadores montados para máquinas automáticas de processamento de dados. Nessa descrição embora a empresa tenha tentado enquadrar os produtos importados na definição de “circuito eletrônico integrado", os próprios conceitos apresentados abaixo transcritos revelam que esses Fl. 2120DF CARF MF 12 produtos são microprocessadores ou CPU compostas por pelo menos um circuito eletrônico integrado e outros componentes: [...] microprocessadores Intel , apresentados na Tabela 1, apresentam numa mesma pastilha de silício de um (1) a quatro (4) núcleos processadores indissociáveis. Estes microprocessadores utilizam a tecnologia de fabricação de 65mm ou 45mm, ou seja, cada um dos transistores presentes na pastilha, possuem um tamanho máximo de 0,000000065mm ou 0,000000045mm, respectivamente, e a pastilha completa, possui uma área em torno de 82mm2, ou seja, aproximadamente 10 mm 8 mm. [...] Para sanar este problema, alguns componentes externos são necessários. Estes componentes, normalmente capacitores funcionam como filtros, [...] [... ] A este conjunto de substrato, componentes de desacoplamento e difusor de calor, dáse o nome de encapsulamento [...] [...] A retirada de qualquer um destes componentes, mencionados acima, impede o funcionamento do microprocessador. [...] (grifos nossos) E ainda, os circuitos impressos se classificam na posição 8534 da NCM. Entretanto, a Nota Explicativa da posição 8534 da NCM esclarece que os circuitos aos quais foram instalados ou conectados elementos mecânicos ou componentes elétricos se classificam, geralmente: > através da aplicação da Nota 2 da Seção XVI (trata de partes das máquinas dos Capítulos 84 e 85); ou > da Nota 2 do Capítulo 90 (trata de partes das máquinas do Capítulo 90), conforme o caso. Nota Explicativa da posição 85.34: (grifo e negrito nossos) Sendo os processadores importados aqui tratados, placas de microprocessadores, constituídas por um ou mais circuitos impressos montados com componentes eletrônicos, com destinação específica para máquinas automáticas de processamento de dados, nos temos da Regra Geral Interpretativa n° 1 (RGI1) c/c a Nota Explicativa da posição 8534 e a Nota 2 da Seção XVI do Sistema Harmonizado (SH), classificamse na posição tarifária 8473 da Tarifa Externa Comum do MERCOSUL. Notase assim que a classificação tributária adequada não foi pautada na Resolução CAMEX n° 47/2010 ou em qualquer Solução de Consulta, como quer fazer prevalecer a impugnação em sua argumentação. A adequada classificação tributária advém da escorreita aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 11131.720091/201357 Acórdão n.º 3301004.842 S3C3T1 Fl. 2.116 13 Importante observar a descrição de uma das placas pelo próprio fabricante (fl. 1867) o qual, em tradução livre, trata basicamente de processador montado em substrato juntamente com dissipador de energia e capacitores, como também ilustrado nas figuras acima reproduzidas. Ressalto o fato de que os processadores são montados em placas de circuitos impressos, juntamento com outros elementos. Não são "circuitos integrados monolíticos", com "elementos do circuito [...] criados essencialmente na massa e á superfície de um material semicondutor"; nem "circuitos integrados híbridos que reúnam de maneira praticamente indissociável, por interconexões ou cabos de ligação, sobre um mesmo substrato isolante (vidro, cerâmica, etc.)" seus elementos, posto que há elementos externos, capacitores e dissipador, como no exemplo; tampouco "circuitos integrados de múltiplos chips, constituídos por dois ou mais circuitos integrados monolíticos interconectados, combinados de maneira praticamente indissociável, dispostos ou não sobre um ou mais substratos isolantes, mesmo com elementos de conexão, mas sem outros elementos de circuito ativos ou passivos"; ao contrário do que entendeu o Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, em parecer mencionado pela recorrente; ou seja, não se trata de artefatos compreendidos na posição 85.42 , por determinação da nota 8b do Capítulo 85 da TEC. São placas de circuito impressos, mas não se enquadram na posição 85.34 ("Circuitos impressos"), pela Nota Explicativa da posição, porque sobre eles "são montados ou aos quais são conectados elementos mecânicos ou componentes elétricos", o que remete sua classificação à Nota 2 da Seção XVI, no caso, que leva ao capítulo 84 ou 85 (nas condições e com as exceções lá expressas) as partes que constituam artigos compreendidos em posições desses. Na posição 84.73 encontramos "partes e acessórios [...] reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinados às máquinas ou aparelhos das posições 84.70 a 84.72". Nessa faixa incluemse a posição 84.71, "máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades; leitores magnéticos ou ópticos, máquinas para registrar dados em suporte sob forma codificada, e máquinas para processamento desses dados, não especificadas nem compreendidas noutras posições", às quais se destinam as placas de microprocessadores sob análise. Pela RGI 1 do SH, a classificação de mercadorias é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, sendo a posição 85.34 a correta. Fl. 2122DF CARF MF 14 Pela RGI 6, a classificação nas subposições de uma mesma posição é determinada pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, enquadrandose os produtos em questão na NCM 84.73.30.43. A recorrente ainda alega a impossibilidade de aplicação da penalidade de perdimento. Esta pena e a consequente substituição pela multa equivalente ao valor aduaneiro, esta que foi aplicada com base em falsidade ideológica de documentos, foi pautada nos seguintes fatos apurados pela fiscalização, na descrição do o acórdão recorrido: ❖ folhas 1.871/1.872 do processo digital: Os processadores denominados CORE I3 são fabricados pela INTEL, conforme consta no sitio na rede mundial de computadores da INTEL e em outros sítios (Doc. 10). Entretanto da adição 001 da Dl n° 11/07141186 consta que os processadores INTEL CORE I3540 importados teriam sido fabricados pela HEWLETT PACKARD HP (Doc. 2.11). A invoice X938335 da TECH DATA instrutiva da Dl discrimina 500 unidades de LA BOX CORE 13540, com peso de 159 kg. HTS CÔDE2S 8473.30.11.80. do fabricante HEWLETT PACKARD HP (Doc. 2.11). ❖ folhas 1.872 do processo digital: Na adição 003 da Dl n° 11/04559104 foram registrados 300 processadores INTEL CORE I3540 com peso líquido declarado total de 9,75 kg, do fabricante INTEL (Doc. 2.10). Os processadores importados mediante a adição 001 da Dl n° 11/07141186 têm peso líquido unitário declarado aproximado de 318 gramas21 (sic). No entanto, o mesmo processador CORE 13540 adição 003 da Dl n° 11/04559104 tem peso unitário declarado aproximado, de apenas 33 gramas, ou seja, o primeiro tem peso unitário quase dez vezes superior ao segundo. Outras importações de processadores INTEL CORE I3 trazem peso unitário de 12,38 a 67,80 , gramas, conforme mostrado na tabela abaixo. ❖ folhas 1.872/1.873 do processo digital: A DI n° 09/01089219/001 também foi instruída por invoice da TECH DATA (Doc. 2.3). A invoice n° D088160 de 15/01/2008 em nome da TECH DATA discrimina o produto LA BOXED CELERON 430 do fabricante INTEL de peso unitário de 385 gramas, HTS 8473.30.11.80. Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 11131.720091/201357 Acórdão n.º 3301004.842 S3C3T1 Fl. 2.117 15 O fato das invoices n° X938335 e D088160 em nome da TECH DATA instrutivas da DI n° 11/0714118622 (Doc. 2.11) e 09/01089219/001 (Doc. 2.3) não discriminarem adequadamente os processadores (“LA BQX CORE I3540 “ e “LA BOXED CELERON 430”) e trazerem peso unitário dos processador CORE I3540 e CELERON mais de nove vezes superior à produto idêntico ou semelhante importado pela própria IBYTE, em outras Dl de outros exportadores, além da primeira invoice mencionar fabricante errôneo reconhecido na própria descrição do produto na Dl, revela a inidoneidade dessas invoices. Destacamos ainda que essas invoices são tituladas de “Routed Expor Transaction” que numa tradução livre significa “Operação de Exportação Roteada”, sendo que esse título foi escrito incorretamente (Doc. 13). O título correto é “Routed Export Transaction”. Além disso, segundo pesquisas na rede mundial de computadores, em uma “Routed Export Transaction” o incoterms23 tem que ser sempre EX WORKS24. Sendo que as duas invoices estipulam o incoterms FOB25 (Doc. 13). Dessa forma, a falsidade dessas invoices é corroborada pela diferença visual das assinaturas do mesmo signatário e pela grafia incorreta do título “Routed Expor Transaction” nelas apostas e por discriminarem incoterms incompatível com a Operação de Exportação Roteada (Doc. 2.11 e 2.3). A recorrente diz não haver demonstração de falsidade ou adulteração documental e aduz: Fl. 2124DF CARF MF 16 [...] [...] [...] Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 11131.720091/201357 Acórdão n.º 3301004.842 S3C3T1 Fl. 2.118 17 Ao sentir deste relator, não há elementos, no relato, a caracterizarem uma falsidade, mas sim erro da contribuinte. Conclusão Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a multa substitutiva do perdimento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 2126DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.906946/2009-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário.
COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DE ERRO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em pedido de compensação, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todos os documentos probatórios, para que a autoridade fiscal competente, ao examiná-los, lhe conferem liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3001-000.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora, juntamente com os documentos trazidos nestes autos a fim de lhe conferir liquidez e certeza à compensação requerida. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DE ERRO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todos os documentos probatórios, para que a autoridade fiscal competente, ao examiná-los, lhe conferem liquidez e certeza do crédito pleiteado.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DE ERRO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todos os documentos probatórios, para que a autoridade fiscal competente, ao examinálos, lhe conferem liquidez e certeza do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora, juntamente com os documentos trazidos nestes autos a fim de lhe conferir liquidez e certeza à compensação requerida. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 69 46 /2 00 9- 31 Fl. 121DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante Relatório Despacho Decisório Tratase de Dcomp apresentada com o fim de ver legitimada a compensação de crédito decorrente de pagamento a maior. Ao ser analisado, verificouse que os pagamentos localizados serviram de quitação para débitos regularmente constituídos pelo contribuinte. Desta forma, a compensação não foi homologada, cientificandose a contribuinte, que apresentou suas razões de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, a recorrente reconstruiu os eventos ocorridos, dentre os quais, merecem destaque, a origem do crédito posto em compensação e os meios de sua comprovação. Sinteticamente, houve a narrativa no sentido de configurar pagamento em duplicidade, no que se refere às retenções das contribuições (Pis, Cofins e Csl). Em que pese não ter realizado o destaque das retenções no momento da emissão da nota fiscal, a tomadora dos serviços efetivou as retenções devidas. Elaborou planilha explicativa da evolução do saldo credor a seu favor, demonstrando o pagamento em duplicidade dos valores devidos a título de retenção. Argumenta que retificou DCTF e DACON. Em preliminar, argumentou pela nulidade do Despacho Decisório, em face da ausência de motivação na denegação da compensação. Esta falta de fundamentação teria acarretado, segundo consta, restrição ao seu direito de defesa. No mérito, argumenta pela legalidade da compensação levada a efeito, em especial no artigo 170 do CTN. DRJ/BHE A defesa apresentada pela recorrente foi recebida pela mencionada Turma de Julgamento a qual procedeu à análise do caso conforme a ementa a seguir transcrita: Acórdão 0253.440 2 ª Turma ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13888.906946/200931 Acórdão n.º 3001000.427 S3C0T1 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 30/09/2005 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar as fases ocorridas até o momento deste processo administrativo, é transcrito abaixo: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 842069981 emitido eletronicamente em 09/06/2009, referente ao PER/DCOMP nº 33372.21494.270406.1.3.045393. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$47,50, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 11/10/2005. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), Fl. 123DF CARF MF 4 art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório por meio de edital, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 11/09/2009, alegando que, no exercício fiscal de 2005, houve duplicidade de recolhimentos do PIS, Cofins e CSLL, uma vez que teria emitido nota fiscal sem destacar a retenção dos 4,65 % de impostos sobre prestação de serviços e o tomador de serviço – IPEF Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais – efetuou a retenção dos 4,65% referentes aos mencionados tributos. Após perceber o ocorrido, procedeu à regularização de acordo com o informe de rendimentos em anexo da IPEF e com a entrega da DCTF e PER/DCOMP. Alega que, segundo orientação do plantão fiscal, não mais poderia retificar o PER/DCOMP, e toda e qualquer alteração poderia ser feita mediante retificação da DCTF para alocação dos valores efetivamente corretos, líquidos e certos recolhidos aos cofres públicos em duplicidade. Assevera que foi elaborada planilha detalhando os pagamentos de PIS, Cofins e CSLL, tendo sido feita a inserção dos valores na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referente ao anocalendário de 2005. O Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon do período foi retificado, o que corrobora com a assertiva do manifestante em ressaltar que esta quite com suas obrigações fiscais. Em preliminar, fazendo referência ao princípio da ampla defesa, salienta que, baseada na imposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) ao proceder ao Despacho Decisório impondo ao contribuinte cobrança de impostos sem expor o fundamento de seu débito, ou a não adequação ao PER/DCOMP em virtude de não haver em sua conta corrente saldo a ser compensado, tornouse nulo o ato administrativo praticado pelo Auditor Fiscal. No mérito, cita legislação pertinente à compensação de tributos. Ao final, requer total provimento da impugnação apresentada, para o fim de cancelar o despacho decisório e o débito fiscal reclamado. Requer ainda lhe seja fornecido o extrato da conta corrente da empresa para fins de elucidar possíveis créditos em sua conta corrente. Após o resumo fático, extraise, do corpo do voto, trechos que demonstram a fundamentação da improcedência da defesa em primeira instância administrativa, consubstanciada, resumidamente, em deficiência probatória por parte da defesa da contribuinte. A seguir: o direito ao aproveitamento do valor retido na fonte depende da comprovação de que a receita correspondente integrou a base de cálculo do tributo. Nesse ponto, a planilha elaborada pelo contribuinte e as retificações da DCTF e do Dacon não são suficientes para atestar que na base de cálculo declarada foi incluída a receita auferida pelo contribuinte pela prestação de serviços ao IPEF Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13888.906946/200931 Acórdão n.º 3001000.427 S3C0T1 Fl. 123 5 Recurso Voluntário Em sua defesa, a recorrente repisou o histórico apresentado na sua manifestação de inconformidade, em especial, o fato de ter realizado pagamento em duplicidade referente aos valores retidos a título de Pis, Cofins e CSL. Isto porque, não destacou, na emissão de suas notas fiscais, os valores a serem retidos por sua tomadora de serviços e, mesmo assim, esta reteve, corretamente, os valores a seu encargo. Provas Sob a alegação de insuficiência probante da documentação acostadas neste processo administrativo, alega que as notas fiscais foram juntadas no momento da apresentação de sua manifestação de inconformidade, mas que, não foram localizadas. Por este motivo, atribuído à Administração Pública requer a juntada da documentação. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso voluntário insurgese em face da não homologação da compensação. Em sua defesa, trouxe o argumento da ocorrência de pagamento a maior, em função do recolhimento em duplicidade dos valores devidos a título de retenções do Pis e Cofins. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: pagamento em duplicidade das retenções. Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo. Sobre os argumentos trazidos no recurso, tomo conhecimento total. Declaro parte não contestada da decisão guerreada, os trechos referente à nulidade do despacho decisório por deficiência na fundamentação do ato administrativo, excluindo da análise, portanto, o argumento do cerceamento ao direito defesa. Fundamentos Legais Invocados IN 482/04 Dispõe sobre a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Fl. 125DF CARF MF 6 Art. 9º Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna Da Retificação da DCTF Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração DOS FATOS O crédito decorre, segundo argumenta, do pagamento em duplicidade dos valores devidos a título de retenção, pelo tomador de serviços, de suas prestadora, no caso, a recorrente. Isto porque, a contribuinte declara não ter havido, em suas notas fiscais, as devidas retenções dos tributos aqui discutidos. Desta forma, ao apurar os tributos daquela competência, incluiu o valor total de emissão de nota fiscal, sem considerar as retenções que, de fato, reduziu sua receita. Isto pelo fato de, ao mesmo tempo, a tomadora dos serviços, em que pese a ausência de destaque das retenções, no momento de emissão da documentação fiscal, efetivou, corretamente, o pagamento dos préstimos com o desconto das devidas retenções. Desta forma, extinguiu a obrigação tributária sobre o valor retido. Em tendo a contribuinte, inadvertidamente, incluído em sua base de cálculo, a totalidade das receitas, conforme as notas fiscais emitidas, incorre, sem dúvidas, no pagamento em duplicidade. Temse dos autos, que o fato gerador, conforme informações constante na Dcomp fls. 20, cuja data de ocorrência é maio de 2005 Na ocorrida seqüência fática, a contribuinte relata ter reavaliado apuração dos tributos, verificando a indevida inclusão na base de cálculo, dos valores anteriormente retidos. Mister salientar ser incontroverso o recolhimento da parte retida à autoridade fazendária, conforme extrato retirado do corpo do acórdão prolatado em primeira instância (fls. 31) Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13888.906946/200931 Acórdão n.º 3001000.427 S3C0T1 Fl. 124 7 Certo da indevida inclusão dos valores recolhidos, em 2006, efetivou a mencionada Dcomp. Consoante relatado, houve emissão de despacho decisório eletrônico cujo conteúdo houve por bem indeferir o pedido de compensação efetivado. O motivo, foi a constatação, através da verificação de seus controles internos, a existência e vinculação de débito devidamente informado pela própria contribunte em DCTF originária. Isto posto, conforme se denota da relação de DCTF´s ativas, canceladas, originais e retificadoras, constante em fls. 17 destes autos, a recorrente, logo após a ciência do Despacho Decisório, emitiu a DCTF retificadora. Neste diapasão, não custa relembrar a decisão ora guerreada, fundamentada na ausência de comprovação, vez que julgou pela ausência de capacidade probatória, a planilha acostada em fls. 14, cujo motivo de existência, é demonstrar a evolução dos saldos a seu favor, em decorrência do já mencionado pagamento indevido. Por este motivo, a recorrente trouxe aos autos conjunto de notas fiscais sem o destaque das retenções realmente efetivadas, indicando forte indício da ocorrência do erro material alegado. DA NULIDADE DO JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA Encontrase assente nesta turma extraordinária, o entendimento no qual a DCTF retificadora, e seus correspondentes fundamentos documentais, sob força do princípio da busca pela verdade material, devem ser analisados por força do artigo 9.º da IN 482/04, que dispõe sobre as regras aplicáveis à DCTF. Fl. 127DF CARF MF 8 Ao indicar o comando regulatório que prevê a necessidade de auditoria interna, nos dados constantes em DCTF, expressamente determina a vinculação da entidade fazendária, a verificar os dados transmitidos da DCTF retificadora de forma minuciosa, a fim de verificar a efetiva ocorrência do erro. Ao que se denota, do acórdão em primeira instância, limitase o colegiado a repudiar a capacidade comprobatória da DCTF retificadora,vez que sua tarefa, seria verificar tal planilha a fim de lhe conferir liquidez. A orientação trazida com o julgamento nesta Turma Extraordinária cujo resultado foi o acórdão 3001000.209, com ementa a seguir transcrita, indica a possibilidade de apresentação de DCTF após a prolação do competente despacho decisório, sendo que, uma vez constatado o erro material, develhe ser oportunizado o exames de todos os documentos comprobatórios. Seguese: DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DE ERRO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todos os documentos probatórios, para que a autoridade fiscal competente, ao examinálos, lhe conferem liquidez e certeza do crédito pleiteado. É salutar trazer a tona, trechos do voto vencedor do Conselheiro Cássio Schappo, que, em caso análogo, demonstra a necessidade das informações prestadas em sede de DCTF retificara passarem pelo crivo de autoridade competente: Me parece, apesar de dupla retificação de DCTF, diante de todos os argumentos e provas carreadas aos autos, que não foram objeto de análise pela unidade de origem, por prudência serem auditados por autoridade fiscal competente. Na seqüência, conclui o voto vencedor, cuja didática e precisão, ao argumentar pela essencialidade de apreciação das informações prestadas em DCTF, sob pena de indevida supressão de instância, torna obrigatória a transcrição: o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13888.906946/200931 Acórdão n.º 3001000.427 S3C0T1 Fl. 125 9 Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem aprecie as DCTFs retificadoras, juntamente com os demais documentos e provas carreadas aos autos e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. Salientase, ainda, a existência do precedente CSRF no acórdão nº 9303005.396, DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer totalmente do recurso, e no mérito dar lhe parcial provimento, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora, juntamente com os documentos trazidos nestes autos a fim de lhe conferir liquidez e certeza à compensação requerida. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 129DF CARF MF
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