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Numero do processo: 11080.914804/2012-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 04 /2 01 2- 11 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), retificando exclusivamente a Dacon, sem, portanto, retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914804/201211 Acórdão n.º 3802003.804 S3TE02 Fl. 117 3 o que só veio a ocorrer após o despacho decisório. Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 61 e ss., alega a falta de retificação da Dctf seria um mero equívoco, que poderia ser constatado pela análise da Dacon, já retificada quando da apresentação do pedido de PER/Dcomp. Afirma que, pelo princípio da verdade material, deveria o órgão julgador verificar quais dos dois documentos (Dctf ou Dacon) continha os valores corretos, bem como que a Dacon e a Darf são os únicos meios de provas capazes de demonstrar o valor efetivamente devido à título de Cofins, bem como a existência de pagamento a maior. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 08/01/2014 (fls. 59), interpondo recurso tempestivo em 04/02/2014 (fls. 61). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914804/201211 Acórdão n.º 3802003.804 S3TE02 Fl. 118 5 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, entretanto, entendese que a documentação apresentada é insuficiente para a demonstração da certeza e da liquidez do direito de crédito. A Dipj e o Dacon, diversamente do que sustenta o Recorrente, somente têm valor probatório quando acompanhados da escrituração fiscal, ainda que parcial, notadamente em face das divergências encontradas no curso do processo. Além disso, também deveria ter sido apresentada a documentação que lastreia a escrituração, porquanto esta, de acordo com o art. 9.º, § 1.º, do DecretoLei n.º 1.598/1977, apenas “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11020.720887/2012-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2008, 01/01/2009 a 31/12/2010
PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando lavrado por autoridade competente, sendo que estão claramente discriminadas as infrações que motivaram a autuação, bem como os seus montantes.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria não expressamente contestada pela Recorrente.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PARA-BRISAS.
Vidros de segurança formados de folhas contracoladas, utilizados como para-brisas em automóveis, lanchas ou outros veículos classificam-se no código 7021.21.00 da TIPI. Não se enquadram no Ex 01 do referido código os para-brisas para ônibus e caminhões cujas dimensões variem para mais ou para menos de 5% daquelas nele estabelecidas.
VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Não prevalece a suspensão de IPI para as mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação quando não comprovado documentalmente que estas foram efetivamente exportadas.
Preliminar suscitada não acolhida. No mérito, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.405
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não acolher a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente Substituto
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: Rodrigo Cardozo Miranda
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2008, 01/01/2009 a 31/12/2010 PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando lavrado por autoridade competente, sendo que estão claramente discriminadas as infrações que motivaram a autuação, bem como os seus montantes. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria não expressamente contestada pela Recorrente. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PARA-BRISAS. Vidros de segurança formados de folhas contracoladas, utilizados como para-brisas em automóveis, lanchas ou outros veículos classificam-se no código 7021.21.00 da TIPI. Não se enquadram no Ex 01 do referido código os para-brisas para ônibus e caminhões cujas dimensões variem para mais ou para menos de 5% daquelas nele estabelecidas. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Não prevalece a suspensão de IPI para as mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação quando não comprovado documentalmente que estas foram efetivamente exportadas. Preliminar suscitada não acolhida. No mérito, recurso voluntário negado.
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente VIDROFORTE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VIDROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2008, 01/01/2009 a 31/12/2010 PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando lavrado por autoridade competente, sendo que estão claramente discriminadas as infrações que motivaram a autuação, bem como os seus montantes. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada pela Recorrente. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PARABRISAS. Vidros de segurança formados de folhas contracoladas, utilizados como para brisas em automóveis, lanchas ou outros veículos classificamse no código 7021.21.00 da TIPI. Não se enquadram no Ex 01 do referido código os para brisas para ônibus e caminhões cujas dimensões variem para mais ou para menos de 5% daquelas nele estabelecidas. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Não prevalece a suspensão de IPI para as mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação quando não comprovado documentalmente que estas foram efetivamente exportadas. Preliminar suscitada não acolhida. No mérito, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não acolher a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 08 87 /2 01 2- 86 Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.578 2 Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pela Recorrente contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre que, por unanimidade de votos, manteve a exigência consubstanciada no Auto de Infração das fls. 815/822. Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ/Porto Alegre: Contra o contribuinte antes qualificado foi lavrado o Auto de Infração, das fls. 815/822, para formalizar a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acrescido de juros de mora e multa de ofício, totalizando em R$ 8.118.984,51 o crédito tributário exigido à época da autuação. Conforme o Relatório de Auditoria Fiscal das fls. 2312/2327 o contribuinte cometeu as seguintes infrações das quais decorre a exigência: a) vendas com erro de classificação fiscal e alíquota a.1) o contribuinte industrializou e deu saída a um kit de alumínio e elemento bloqueador da passagem de água, de vidro temperado, marca IDROFORTE, com denominação vulgar, comercial, científica e técnica de “Box para Banheiro”. O kit para instalação e o elemento para bloquear a passagem da água, de vidro temperado, são partes integrantes do mesmo produto mas eram comercializados separadamente. A partir do mês de agosto de 2010 o contribuinte deixou de industrializar e comercializar o kit para instalação do box para banheiro, passando a comercializar somente o elemento bloqueador de passagem da água, o vidro temperado. Analisando as notas fiscais de saída (arquivos magnéticos) foi constatado que o contribuinte adotou as seguintes classificações fiscais: a) 7616.99.00, para o elemento bloqueador de passagem de água (vidro temperado) com 8mm de espessura, com alíquota de IPI de 5,0%; b) 7610.10.00, para o Kit de instalação do box para banheiro com alíquota de IPI de 0,0% e c) 7007.19.00, para o elemento bloqueador (vidro temperado) com 10mm de espessura e alíquota de IPI de Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.579 3 15% até 14/05/2008 e reduzida para 10% a partir de 15/05/2008, código este utilizado para todos os vidros temperados destinados a box para banheiro a partir de agosto de 2010. Entende a fiscalização que o box para banheiro não pode ser classificado nas posições 7610 e 7616 as quais são próprias para os produtos de alumínio e suas obras em razão de que a característica essencial do produto completo e acabado do “Box para banheiro” é o vidro temperado que representa 90,0% do produto acabado, sendo o kit um elemento secundário utilizado apenas como forma de fixação dos vidros temperados. Por isso entende que, em conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), integrantes do seu texto e segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado à Posição 7020, a correta classificação fiscal do produto é no código 7020.00.90, com alíquota de 15,0%. Diz o fiscal autuante que a RFB manifestouse nesta mesma linha no parecer Coana nº 003, de 27/12/2004 e na Solução de Consulta /SRRF/7ªRF/DIANA nº 457, de 07/11/2005 (fls. 801/808). a.2) O estabelecimento fiscalizado industrializa e comercializa vidros de segurança formados de folhas contracoladas para serem utilizados como parabrisas em automóveis, lanchas ou outros veículos, classificandoos nos códigos 8708.2999 e 8433.90.90 da TIPI. Entende a fiscalização que os mesmos devem classificarse no código 7007.21.00, fundamentandose nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) que em seus comentários à posição 7007, fazem uma descrição minuciosa do produto em análise e também pela aplicação da alínea "a" da 3ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado que estabelece: “Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais especifica prevalece sobre as mais genéricas.(...)". Nesse sentido afirma o agente fiscal que: Assim, para resolução da nomenclatura de parabrisa, necessário estabelecer o grau de especificidade dos textos da posição 8708.29.99 e da posição 7007.21.00. A posição 8708.29.99, utilizada pela empresa, é altamente residual. Uma grande quantidade de produtos é passível de ser classificada nessa posição. Ao contrário, a posição 7007.21.00 limita o enquadramento a vidros formados de folhas contracoladas e de dimensões e formatos que permitam a sua aplicação em automóveis, veículos aéreos, barcos ou outros veículos. Acrescenta o autuante que: Ainda, a Nota Explicativa do Sistema Harmonizado N° 8, página 1715, da Seção XVII Material de Transporte, que compreende o capitulo 87, exclui a possibilidade de enquadramento na posição 8708.29.99: "C) Critério da posição mais especifica. As partes e acessórios, mesmo reconhecíveis como destinados ao material de transporte, são excluídos da presente Seção, quando se classificam mais especificamente em outras posições da Nomenclatura, por exemplo o caso de: (...) Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.580 4 8) Vidros de segurança, não emoldurados, incluídos os que tenham forma própria para serem utilizados como parabrisas e outros vidros, para veículos (posição 70.07)." Analisando a referida Nota Explicativa, afirma a fiscalização que percebese que o vidro de segurança exerce a função de parabrisa, bastando que lhe seja dado formato apropriado para encaixe na moldura do veiculo. Assim, parabrisa, é uma destinação do vidro de segurança. Nenhuma transformação ou aperfeiçoamento, além da formatação já contemplada no texto da posição 7007.21.00, é necessária ao vidro de segurança para exercer a função essencial do parabrisa, ou seja, tratase da mesma mercadoria. Portanto, conclui o fisco que o produto deve ser classificado no código 7007.21.00 da TIPI, com base nas RGIs 1ª e 6ª (textos da posição 7007 e da subposição 7007.21) e na alínea "a" da 3ª RGI, todas da TIPI, com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da referida posição (Decreto n° 435/92). Diz que corrobora a conclusão a Decisão SRRF/8ª RF/DIANA n.° 155, de 24/04/1998, cuja ementa transcreve. Ademais, foi verificado que o sujeito passivo classificou vidros de segurança formados de folhas contracoladas, para serem utilizados como parabrisas em ônibus ou caminhões, no Ex. 01 do código 7007.21.00 da TIPI, cuja aliquota do IPI é 3% . No entanto, para utilizar o Ex. 01 do código 7007.2100 da TIPI, os vidros de segurança industrializados pelo contribuinte teriam que se enquadrar nas seguintes dimensões nele previstas: 2.075 x 787 x 6,76 mm; 1950 x 800 x 6mm; 1800 x 800 x 6mm; 1693 x 575 x 6.75mm; e 1.300 x 1.235x 6mm (admitida a tolerância de até 5%, para mais ou para menos). O contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo com as dimensões dos parabrisas formados de folhas contracoladas aplicados em ônibus ou caminhões, classificados no Ex.01 do código 7007.21.00 (alíquota de 3%), tendo sido constatado que em grande parte não atendem às medidas nele especificadas, mesmo sendo admitida a tolerância de até 5% (para mais ou para menos), devendo serem tributados a alíquota de 15%. b) vendas para empresas comerciais exportadoras com descumprimento das condições da suspensão pelo remetente do produto. Continuando a análise dos documentos e informações apresentados pelo contribuinte durante o procedimento fiscal, foi verificado que o estabelecimento industrial fiscalizado promoveu saídas de produtos de sua industrialização, sem o destaque do imposto sobre produtos industrializados, utilizandose do instituto da suspensão, capitulado no art. 42, inciso V, alínea “a” , do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI 2002) , atualizado pelo Decreto nº. 7.212, de 15/06/2010, art. 43, inciso V, alíneas “a” a ‘c”. No entanto, para fazer uso de tal benefício, o contribuinte teria que comprovar a comercialização de tais produtos com o fim específico de exportação às empresas comerciais exportadoras, nos termos do § 1º do artigo 42 do RIPI, .... Com o intuito de verificar se o estabelecimento sob investigação teria atendido ao requisito a que estaria condicionada a suspensão do imposto, Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.581 5 nos termos do § 1º do art. 42 do Decreto nº 4.544/2002, o contribuinte foi intimado, mediante o "Termo de Intimação Fiscal nº 1 (fls. 158/162), a informar se os produtos que saíram do seu estabelecimento industrial foram remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Em resposta à intimação fiscal (doc. fl. 91), o contribuinte declarou que as mercadorias foram remetidas para o estabelecimento de cada cliente (empresa comercial exportadora), tornando evidente, assim, o descumprimento do requisito para a utilização da suspensão do IPI nas operações com CFOP 5.501 e 6.501. Em decorrência das infrações praticadas pelo sujeito passivo, foi formalizada a exigência do IPI, conforme valores apurados nos seguintes anexos: a) Anexo I “Saídas do Produto Box Para Banheiro do Estabelecimento com Classificação Fiscal Incorreta e com Erro na Aplicação da Alíquota do IPI” (fls. 844/1596); b) Anexo II “ Demonstrativo de Produtos com Erro de Classificação Fiscal e Alíquota” – Parabrisa para automóveis e outros veículos (fls. 1597/2278) e; c) Anexo III “ Relação de Produtos Remetidos a Empresas Comerciais Exportadoras Sem Comprovação da Remessa Com Fim Específico De Exportação”2279/2291). A fundamentação legal das infrações encontrase nas folhas de continuação do Auto de Infração às fls. 816/822. Considerando as infrações apuradas, foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte (fls. 827/831 e 835/843), para incluir, na apuração dos saldos de cada período, os lançamentos referentes ao imposto apurado pela fiscalização. As bases legais da multa de ofício, no percentual de 75%, sobre o valor do IPI que deixou de ser lançado, e dos juros de mora estão no respectivo demonstrativo a fl. 834. Inconformado, o autuado, pelo arrazoado de folhas 2337/2358, instruído com os documentos das fls. 2359/2376, vem impugnar o lançamento, alegando, em síntese o que segue. Postula a nulidade do Auto de Infração em razão do mesmo não ser claro e preciso quanto ao crédito tributário lançado em decorrência de cada uma das supostas infrações apontadas e que não há qualquer justificativa técnica para amparar a nova classificação fiscal que o Fisco pretende impor. Em relação ao primeiro fundamento, aduz que assiste ao contribuinte autuado o direito de saber o montante a que se refere o crédito tributário em cada uma das parcelas lançadas, trazendo, por exemplo, o fato de o Auto de Infração sequer identificar as notas fiscais que deram origem ao crédito nas operações com empresas comercial exportadoras dificultando o direito de defesa do impugnante. Aduz, ainda, estarse diante de nulidade no que se refere aos fundamentos para determinar a nova classificação de mercadorias vez que essa se deu sem qualquer justificativa técnica. Afirma que “Sendo assim, o direito de defesa da lmpugnante resta prejudicado, por cerceamento do direito de defesa, vez que existem argumentos objetivos no Auto de Infração para serem combatidos.” Acrescenta que para corroborar com o alegado, e que será objeto de análise pormenorizada em tópico Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.582 6 próprio, todas as empresas concorrentes da impugnante classificam as mesmas mercadorias na subposição 8708.29.99, concluindo que o combatido Auto de Infração está dissociado da realidade fática e legal. No mérito, após discorrer sobre o Sistema Harmonizado e suas regras de interpretação, diz que a regra adotada pela TIPI estabelece que a posição mais específica prevalece sobre a mais genérica e os produtos que possam ser enquadrados em mais de uma posição específica devam ser classificados pela sua característica essencial e finalidade. Alega que a fiscalização laborou em equívoco ao classificar os parabrisas no código 7007.21.00, pois partiu da equivocada premissa de que parabrisa se trata de vidro de segurança nos termos da Decisão SRRF/8ªRF/DIANA n° 155, de 24 de abril de 1998, sendo, ao seu ver, fundamento absurdo, por ser baseado em legislação já revogada, mas também, pelo fato de que a decisão citada não é fonte do direito tributário. Invoca o principio da legalidade tributária, insculpido na Constituição Federal, que estabelece, em resumo, que somente a lei pode determinar as bases da tributação nacional, trazendo excertos doutrinários nesse sentido. Afirma que “Além disso, sendo vidro de segurança ou não, o certo é que o parabrisa não perde a sua característica essencial de partes e acessórios dos veículos automóveis das posições 81.01 a 87.08 (sic), como determinado pela TIPI.”. Aduz, ainda que um párabrisa não é feito somente de vidro, pois, obrigatoriamente, deve ser utilizado o PVB Polivinil Butiral , classificado no código 39.20.9100, que no custo total dos materiais que compõem um parabrisa pode ser superior ao vidro. Além do custo, dependendo da característica do parabrisas, o PVB compõem mais de 50% da estrutura física do produto final. Afirma, outrossim, que um parabrisa pode conter tinta, antena para rádio e pastilha para espelho retrovisor, dizendo que isso revela, que o real critério para determinar a nova classificação é puramente arrecadatório, vez que os fundamentos para determinar a nova classificação não seguem os critérios estabelecidos pela legislação vigente. Aduz que não são esses os critérios estabelecidos para classificar mercadorias pois o parabrisa indiscutivelmente é uma parte indispensável ao veiculo sem a qual, inclusive, é proibido trafegar. Sendo assim a sua classificação está afeta ao capitulo que trata dos veículos e suas partes e acessórios e não no capitulo do vidro e suas obras como erroneamente restou classificado no combatido Auto de Infração. Segue alegando que grande parte das atividades desenvolvidas pela impugnante são voltadas para o fornecimento de peças para fabricantes de veículos, atividade essa praticada por centenas de empresas do mesmo ramo e todas classificam o parabrisa como partes e peças de veículos e não como vidros de segurança. Relata que em consulta ao site da Tecwin que, muito embora o seu caráter não oficial, presta subsídios para a classificação de produtos, verificase que o mesmo orienta a classificação do parabrisas na subposição 8708.29.99 "Ex" — Parabrisas. Diz que “A própria Secretaria da Receita Federal admite que a classificação dos párabrisas é na posição 8708. Conforme constatase da análise do site da Receita Federal (http://www.receita.fazenda.gov.br/Aduana/ImportProdSensiveis.htm), inúmeras importações de parabrisas foram feitas no ano de 2007 na Fl. 2597DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.583 7 posição 8708.”, colacionando a título de amostra, relação de algumas operações de importação de parabrisas realizadas no mês de janeiro de 2007. Na seqüência, transcreve trecho das NESH da posição 7007, aprovadas pela Instrução Normativa SRF nº 157, de 10 de maio de 2002, onde destaca que “(...) por outro lado, os vidros de segurança onde são incorporados outros elementos e transformados assim em órgãos de máquinas, aparelhos ou veículos, seguem o regime destes últimos; (...)”, reforçando que a própria a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil determina que os vidros de segurança quando aplicados a veículos seguem a classificação dos mesmos. Conclui que o parabrisas pode ser um vidro de segurança, ou melhor, é formado por vidros de segurança, mas antes ser um vidro de segurança é uma parte e peça de veículos e essa é a sua característica essencial. A seguir transcreve jurisprudência administrativa e judicial no sentido de que a posição mais específica prevalece sobre a mais genérica. Diz que o Auto de Infração se mostra ilegal por determinar a nova classificação com base numa decisão administrativa enquanto as regras de interpretação foram estabelecidas por Decreto, norma de maior hierarquia. Na seqüência discorre sobre os fundamentos constitucionais da livre concorrência e que “considerando que OUTRAS EMPRESAS comercializam o parabrisa na mesma subposição da adotada pela Impugnante, ao que se sabe, não foram autuadas pela Receita Federal do Brasil, estáse diante de uma concorrência desleal patrocinada pelo Fisco.”, razão pela qual o Auto de Infração é totalmente improcedente. Quanto às vendas para empresas comerciais exportadoras diz que melhor sorte não assiste à peça fiscal, “Isso porque, conforme comprovantes em anexo, as mercadorias em questão foram efetivamente exportadas. Pouco importa o fato de as mercadorias em questão não terem sido remetidas para exportação ou recinto alfandegados.” E acrescenta que “O fato é que, mesmo se não considerada a suspensão do IPI nas operações em questão, as exportações são imunes em relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, conforme determina o artigo 153 da Constituição Federal: (...)”, concluindo que nada é devido a titulo de IPI naquelas operações. Contesta a aplicação da multa de ofício, alegando que “Considerando que não houve a alegada infringência aos artigos suscitados pela Auditoria Fiscal não há como subsistir a multa aplicada pela fiscalização federal.” Pede a produção de prova pericial, formulando os quesitos que quer ver respondidos. Encerra requerendo que seja recebida a impugnação e julgada totalmente procedente, determinando o integral cancelamento do lançamento. É o relatório. A ementa do acórdão da DRJ/Porto Alegre é a seguinte: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Somente são nulos os atos lavrados por pessoa incompetente e as decisões e despachos proferidos por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 2598DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.584 8 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada pelo impugnante. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que não atenda os requisitos previstos na legislação que regula o processo administrativo fiscal. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Vidros de segurança formados de folhas contracoladas, utilizados como Parabrisas em automóveis, lanchas ou outros veículos classificamse No código 7021.21.00 da TIPI, com alíquota de 15%. Não se enquadram no Ex 01 do referido código os parabrisas para ônibus e caminhões cujas dimensões variem para mais ou para menos de 5% daquelas nele estabelecidas. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DO IPI. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Produtos que tenham sido remetidos do estabelecimento industrial para o estabelecimento do próprio adquirente não podem ser considerados adquiridos com o fim específico de exportação, para fins de suspensão do IPI, benefício que exige a remessa direta do estabelecimento fabricante para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Impugnação Improcedente Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. Através da Resolução 3202000.178, esta Turma converteu o julgamento em diligência para que “a Recorrente apresente provas da ocorrência efetiva das exportações, através da apresentação de memorandos de exportação, cópias do conhecimento de embarque e de comprovantes de exportação, dos extratos completos dos Registros de Exportação – RE e de Declarações de Exportação, que deverão ser posteriormente verificados e ratificados pela DRF competente para a efetiva comprovação das exportações em comento”. O processo retornou com o devido relatório de diligência fiscal (fls. 2542 a 2545) para reanálise deste Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Fl. 2599DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.585 9 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminar de nulidade do auto de infração Entendo inexistir qualquer nulidade do auto de infração porque a auto de infração foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, sendo que estão claramente discriminadas as infrações que motivaram a autuação, bem como os montantes relativos a cada uma delas, motivo pelo qual rejeito esta preliminar. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada pela Recorrente. Em relação á classificação fiscal de “Box para Banheiro”, a Recorrente em sua defesa não refutou expressamente a classificação fiscal adotada pela fiscalização para os produtos em epígrafe, razão pela qual a parcela da exigência a eles relativa deve ser considerada como não impugnada. Classificação fiscal de mercadorias Quanto à classificação fiscal dos parabrisas, a Decisão SRRF/8ª RF/DIANA Nº 155/1998 citada na decisão recorrida muito bem endereça a questão para a correta classificação na posição 7007.21.00 adotada pela fiscalização, senão vejamos: A análise dos elementos apresentados evidencia tratarse de vidro de segurança formado por folhas contracoladas, nas dimensões 1890 mm X 763 mm X 6,76 mm, conforme descrição minuciosa das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado nos seus comentários à posição 7007: B) Vidros de segurança formados de folhas contracoladas. Os vidros de segurança deste tipo, normalmente chamados "vidros folheados", "vidrossanduíche" ou "vidros compósitos", resultam essencialmente da intercalação de uma ou várias folhas de plástico entre duas ou mais lâminas de vidro. A alma de plástico é formada geralmente por folhas de acetato de celulose ou de produtos vinílicos ou acrílicos, que se faz aderir às chapas de vidro, a maior parte das vezes, por ação de calor e de pressão consideráveis depois de se ter pulverizado com cola especial a superfície interna das folhas. Também se pode aplicar diretamente a película de plástico sobre o próprio vidro. As chapas de vidro assim preparadas colamse em seguida umas às outras por ação de calor e de pressão. Uma das características do vidro temperado é a de se quebrar em pequenos Fl. 2600DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.586 10 fragmentos não cortantes, ou até se desintegrar pela ação do choque, o que reduz o perigo resultante da projeção de estilhaços. O vidro de segurança formado por duas ou mais folhas rachase sem estilhaçar e, se o choque é tão violento que o faz partir (e não se limita a rachálo), os estilhaços não têm tamanho suficiente para provocar ferimentos graves. Em alguns vidros desta natureza, destinados a usos especiais, podem incorporarse redes metálicas ou folhas de plástico colorido. Estas qualidades permitem utilizar estes vidros para fabricação de para brisas ou janelas de automóveis, portas de estabelecimentos comerciais, vigias de navios, óculos de proteção para operários, vidros para máscaras antigás e vidros para capacetes de escafandristas. É fabricado um tipo especial de vidro, constituído por duas ou mais folhas, que é conhecido como sendo "à prova de balas". Tendo por base a destinação do produto (parabrisa para automóveis), depreendese ser o mesmo parte de veículo, dos constantes do capítulo 87. No entanto, as Notas Gerais da Seção XVII, que compreende o capítulo 87, esclarecem: III.PARTES E ACESSÓRIOS Deve notarse que o Capítulo 89 não prevê disposições relativas às partes (exceto cascos) e acessórios de embarcações ou estruturas flutuantes. Estas partes e acessórios, mesmo que sejam reconhecíveis como tais, classificam se, conseqüentemente, em outros Capítulos, conforme seu próprio regime. Todos os outros Capítulos da presente Seção permitem a classificação das partes e acessórios dos veículos ou artefatos que compreendam. Convém notarse a este respeito que só se classificam nas posições referentes às partes e acessórios, os que satisfaçam as três condições seguintes: a) Não serem excluídos por aplicação da Nota 2 da presente Seção (ver parágrafo A, abaixo). b) Serem reconhecíveis como exclusiva ou principalmente concebidos para os artefatos dos Capítulos 86 a 88 (ver parágrafo B, abaixo). c) Não serem incluídos mais especificamente em outros Capítulos da Nomenclatura (ver parágrafo C, abaixo). E quanto ao citado parágrafo C: C) Critério da posição mais específica. As partes e acessórios, mesmo reconhecíveis como destinados ao material de transporte, excluemse da presente Seção, quando se classificam mais especificamente em outras posições da Nomenclatura. É por exemplo o caso dos: ... 8) Vidros de segurança não emoldurados, incluídos os que tenham forma própria para serem utilizados como parabrisas e outros vidros, para veículos (posição 70.07). Isto posto, depreendese estar o produto incluído na posição 7007, devendo ser classificado no código 7007.21.00, onde está textualmente descrito. Quanto ao Ex. 01 do código 7007.21.00, verificase não estar o produto em questão nele incluído, uma vez que a lista ali descrita é exaustiva e as dimensões do produto não atendem às suas especificações, mesmo sendo admitida a tolerância de + 5%, prevista, senão vejamos: Fl. 2601DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.587 11 O produto, admitida a tolerância, poderseia enquadrar nas seguintes dimensões do Ex. 01: 1800 mm X 800 mm X 6,00 mm ou 1970 mm X 800 mm X 6,00 mm, onde não se enquadra pois a tolerância máxima na espessura é 6,30 mm. Ou mesmo nas dimensões 2075 mm X 787 mm X 6,76 mm, onde, também, não se enquadra, pois a tolerância máxima no comprimento é 1890 mm. Ainda, em comparação com as demais dimensões, vemos que o presente nelas não se enquadra, pois suas dimensões não respeitam as medidas, com ou sem tolerância, no comprimento, nem na altura. 3. Portanto, o produto deve ser classificado, com base nas RGIs 1.ª e 6.ª (textos da posição 7007 e da subposição 7007.21), todas da TIPI, com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da referida posição (Decreto n° 435/92), no código 7007.21.00 da mesma TIPI (Decreto n° 2.092/96). Vendas com fim específico de exportação Analisando o relatório de diligência fiscal é possível verificar que a Recorrente não apresentou cópias dos conhecimentos de embarque e dos comprovantes de exportação, bem como dos extratos, Registro de Exportação e declarações de Exportação. Além disso, a diligência confirmou que determinados Memorandos de Exportação não se referem a exportações de mercadorias industrializadas da empresa diligenciada. Intimada a se manifestar sobre a diligência, a Recorrente não trouxe documentos e argumentos que contrariassem as conclusões do relatório de diligência fiscal. Em razão disso, entendo serem corretas as conclusões apontadas pela instância de piso. Por fim, a multa de 75% é devida por força do artigo 80, caput, da Lei n° 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 13 da Medida Provisória n° 351/2007, e pelo artigo 13 da Lei n° 11.488/2007, no caso da falta de lançamento e de recolhimento do IPI, inclusive quando não há exigência do imposto em razão da existência de saldos credores na escrita fiscal. Diante do exposto, não acolho a preliminar suscitada e, no mérito, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 2602DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.588 12 Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 2603DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 10140.720433/2013-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não gera nulidade do Processo Administrativo Fiscal a utilização de prova emprestada, devidamente autorizada pelo Juiz Competente, obtida em razão de medida de busca e apreensão e não resultante de procedimento de quebra de sigilo fiscal no processo de origem.
DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO.
A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. NULIDADE MATERIAL.
No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de o lançamento realizado não permitir ao contribuinte identificar a qual competência se referem os acréscimos legais, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. É o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício.
Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN.
A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material.
LEVANTAMENTO SEGURADO EMPREGADO. NECESSIDADE DE CARACTERIZAÇÃO.
Para que se caracterize a formação de um vínculo de emprego, faz-se necessária a constatação dos requisitos do contrato de trabalho descritos no art. 3º da CLT: continuidade (não eventualidade), subordinação, onerosidade e pessoalidade. No relatório de Lançamentos - RL nominou-se as pessoas físicas, porém o relatório fiscal não descreveu de forma minuciosa como a atividade se desenvolveu ao longo do tempo em que permaneceram prestando serviços na empresa notificada.
NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO REQUISITOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
De acordo com o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, restando devidamente constatada e comprovada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e os prestadores de serviços, poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerando seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora.
No caso dos autos, da análise das razões da fiscalização, conjugada com a documentação trazida à colação, não restou comprovada/demonstrada a existência dos requisitos da relação laboral entre a autuada e os sócios e/ou funcionários das empresas prestadoras de serviços, que tiveram a personalidade jurídica desconsiderada, ou seja, não ocorrendo a perfeita subsunção do fato à norma, de maneira a amparar o lançamento.
Deve ser declarado improcedente o lançamento decorrente de caracterização de segurado empregado, quando o fisco não consegue se desincumbir do ônus de comprovar a ocorrência cumulativa da pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO.
Sobre o imposto apurado em procedimento fiscal, incide multa de ofício qualificada (150%) somente se restar demonstrado que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, busque defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996.
Numero da decisão: 2301-004.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da aferição, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que sejam excluídos os valores oriundos de caracterização do vínculo como segurado empregado, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Bezerra, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, a fim de que seja excluída a multa isolada, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Andréa Brose Adolfo, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão. Sustentação oral: João Henrique Gonçalves Domingos. OAB: 189.262/SP.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR -Relator.
EDITADO EM: 18/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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NULIDADE MATERIAL. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de o lançamento realizado não permitir ao contribuinte identificar a qual competência se referem os acréscimos legais, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. É o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício. Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. LEVANTAMENTO SEGURADO EMPREGADO. NECESSIDADE DE CARACTERIZAÇÃO. Para que se caracterize a formação de um vínculo de emprego, faz-se necessária a constatação dos requisitos do contrato de trabalho descritos no art. 3º da CLT: continuidade (não eventualidade), subordinação, onerosidade e pessoalidade. No relatório de Lançamentos - RL nominou-se as pessoas físicas, porém o relatório fiscal não descreveu de forma minuciosa como a atividade se desenvolveu ao longo do tempo em que permaneceram prestando serviços na empresa notificada. NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO REQUISITOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. De acordo com o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, restando devidamente constatada e comprovada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e os prestadores de serviços, poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerando seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora. No caso dos autos, da análise das razões da fiscalização, conjugada com a documentação trazida à colação, não restou comprovada/demonstrada a existência dos requisitos da relação laboral entre a autuada e os sócios e/ou funcionários das empresas prestadoras de serviços, que tiveram a personalidade jurídica desconsiderada, ou seja, não ocorrendo a perfeita subsunção do fato à norma, de maneira a amparar o lançamento. Deve ser declarado improcedente o lançamento decorrente de caracterização de segurado empregado, quando o fisco não consegue se desincumbir do ônus de comprovar a ocorrência cumulativa da pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO. 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PROVA EMPRESTADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não gera nulidade do Processo Administrativo Fiscal a utilização de prova emprestada, devidamente autorizada pelo Juiz Competente, obtida em razão de medida de busca e apreensão e não resultante de procedimento de quebra de sigilo fiscal no processo de origem. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. NULIDADE MATERIAL. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de o lançamento realizado não permitir ao contribuinte identificar a qual competência se referem os acréscimos legais, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. É o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 33 /2 01 3- 67 Fl. 10513DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. LEVANTAMENTO SEGURADO EMPREGADO. NECESSIDADE DE CARACTERIZAÇÃO. Para que se caracterize a formação de um vínculo de emprego, fazse necessária a constatação dos requisitos do contrato de trabalho descritos no art. 3º da CLT: continuidade (não eventualidade), subordinação, onerosidade e pessoalidade. No relatório de Lançamentos RL nominouse as pessoas físicas, porém o relatório fiscal não descreveu de forma minuciosa como a atividade se desenvolveu ao longo do tempo em que permaneceram prestando serviços na empresa notificada. NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO REQUISITOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. De acordo com o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, restando devidamente constatada e comprovada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e os “prestadores de serviços”, poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerando seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora. No caso dos autos, da análise das razões da fiscalização, conjugada com a documentação trazida à colação, não restou comprovada/demonstrada a existência dos requisitos da relação laboral entre a autuada e os sócios e/ou funcionários das empresas prestadoras de serviços, que tiveram a personalidade jurídica desconsiderada, ou seja, não ocorrendo a perfeita subsunção do fato à norma, de maneira a amparar o lançamento. Deve ser declarado improcedente o lançamento decorrente de caracterização de segurado empregado, quando o fisco não consegue se desincumbir do ônus de comprovar a ocorrência cumulativa da pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa Fl. 10514DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.514 3 referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO. Sobre o imposto apurado em procedimento fiscal, incide multa de ofício qualificada (150%) somente se restar demonstrado que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, busque defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da aferição, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que sejam excluídos os valores oriundos de caracterização do vínculo como segurado empregado, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Bezerra, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, a fim de que seja excluída a multa isolada, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Andréa Brose Adolfo, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão. Sustentação oral: João Henrique Gonçalves Domingos. OAB: 189.262/SP. MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 18/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA. Relatório Tratamse dos Autos de Infração abaixo relacionados, em face do sujeito passivo acima identificado: Fl. 10515DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.008.9526 referente às contribuições devidas à Seguridade Social não recolhidas correspondentes à rubrica "Empresa" e "SAT/RAT" (Financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho), incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte. Valores estes apuradas por arbitramento; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5613 referente às contribuições devidas à Seguridade Social não recolhidas correspondentes à rubrica "Segurados" e "Contrib Indiv", incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte. Valores estes apuradas por arbitramento; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5605 referente às contribuições devidas a outras entidades e fundos, correspondentes à rubrica "Terceiros", contribuições estas destinadas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC, ao Serviço Social do Comércio SESC e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte. Valores estes apuradas por arbitramento; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5575 referente às contribuições devidas à Seguridade Social não recolhidas correspondentes à rubrica "Empresa" e "SAT/RAT" (Financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho), incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas Luiz Cesar Anzoategui, Gleber Eduardo Machareth, Sirlei Paulo Queiroz, Edson Tognini, José Tadachi Sugai, Ana Laura Janaina Borges, Beatriz Maciel Maegawa, Cynthia Duailibi, Larissa Falcão Gomes e Luis Felipe Ximenes Nogueira. Valores estes apuradas por arbitramento com base na média mensal da remuneração paga aos demais médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5591 referente às contribuições devidas à Seguridade Social não recolhidas correspondentes à rubrica "Segurados", incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas Luiz Cesar Anzoategui, Gleber Eduardo Machareth, Sirlei Paulo Queiroz, Edson Tognini, José Tadachi Sugai, Ana Laura Janaina Borges, Beatriz Maciel Maegawa, Cynthia Duailibi, Larissa Falcão Gomes e Luis Felipe Ximenes Nogueira. Valores estes apuradas por arbitramento com base na média mensal da remuneração paga aos demais médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5583 referente às contribuições devidas a outras entidades e fundos, correspondentes à rubrica "Terceiros", contribuições estas destinadas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, Fl. 10516DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.515 5 ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC, ao Serviço Social do Comércio SESC e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas Luiz Cesar Anzoategui, Gleber Eduardo Machareth, Sirlei Paulo Queiroz, Edson Tognini, José Tadachi Sugai, Ana Laura Janaina Borges, Beatriz Maciel Maegawa, Cynthia Duailibi, Larissa Falcão Gomes e Luis Felipe Ximenes Nogueira. Valores estes apuradas por arbitramento com base na média mensal da remuneração paga aos demais médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5621 – referese a multa aplicada por ter o contribuinte incorrido na infração prevista no § 2° do artigo 33 da Lei 8.212/91, deixando de apresentar à fiscalização os recibos de pagamento de distribuição antecipada de lucros dos médicos anestesiologistas Fábio Vinicius Benvenuto Feltrim, João Roberto de Menezes, Priscila B. S. Suleiman, Washington C. J. Pedroso referentes aos anos de 2010 e 2011, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal n° 07, de 08/01/2013. Deixou, ainda, de apresentar os extratos bancários dos meses de 12/2010 e 12/2011 referentes aos registros contábeis das contas "112010 1102010000 BANCO CONTA MOVIMENTO Ter.: 010133 UNICRED" e "112010 1102010000 BANCO CONTA MOVIMENTO Ter.: 010601 UNIBANCO AG 0392", conforme solicitado no TIF n° 06, de 21/12/2012. Segundo consta, a empresa é constituída como sociedade simples e presta serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada, mais especificamente, serviços médicos hospitalares na área de anestesiologia. Esse serviço é prestado pessoalmente pelos profissionais médicos. Devidamente intimado em 21/03/2013, o Sujeito Passivo apresentou impugnação que alega, em síntese: 1 As provas documentais e testemunhais tomadas pela Fiscalização junto aos autos do Inquérito Policial n° 0720/2009 para fundamentar os presentes lançamentos devem ser consideradas ilícitas porque não observaram o princípio do contraditório e da ampla defesa, tendo ferido o princípio do devido processo legal, foram obtidas por meio ilícito, sem qualquer autorização judicial e se tratam de documentos apreendidos e analisados com objetivo único e exclusivo de se apurar eventual crime de formação de cartel, sem qualquer relação com questões tributárias; 2 A Impugnante é sociedade simples, constituída nos termos dos artigos 997 e 1.038 do Código Civil, cujo objetivo social é a prestação, na pessoa de seus sócios, de serviços médico hospitalares na área de anestesiologia; 3 o faturamento da Impugnante decorre do recebimento da prestação dos serviços, através do esforço pessoal de seus 72 sócios, complementado pelos atendimentos direto a pessoas físicas, tudo devidamente registrado em Notas Fiscais de Serviço; Fl. 10517DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 4 após a apuração do custo operacional, incluídos os tributos, o qual é subtraído do resultado, o lucro é distribuído aos sócios, nos exatos moldes perpetrados pelo contrato social da Impugnante, respeitadas as peculiaridades e conceitos intrínsecos à sociedade simples; 5 os percentuais de lucro da sociedade variam em torno dos 70%, o que é plenamente justificável numa sociedade simples, com baixo custo operacional; 6 – conforme comprovado pela própria Fiscalização, os lucros correspondem à remuneração da mãodeobra dos sócios médicos anestesiologistas, o que não poderia ser diferente, ante a natureza jurídica sociedade simples da Impugnante; 7 a fiscalização confundiu a natureza e peculiaridades da sociedade simples com as das sociedades mercantis, tentando justificar a presunção de distribuição indevida de lucros no fato de esta não guardar relação razoável com o capital social investido por cada um dos sócios na Impugnante; 8 em se tratando de sociedade simples, a distribuição de lucro não guarda relação com o capital social, mas sim com a produção de cada um dos sócios, conforme se abstrai dos artigos 997 e seguintes do Código Civil, os quais definem tal tipo societário como sendo de natureza personificada, ou seja, sem cunho mercantil, onde os sócios exercem, por seu próprio esforço, profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística; 9 a restrição que se impõe à Sociedade Simples resumese ao dever de sempre se limitar à atividade específica para a qual foi criada, qual seja, a prestação de serviços vinculados à habilidade técnica e/ou intelectual de seus sócios, sendo defeso conter outros serviços estranhos, sob pena de se configurar tipo societário empresarial; 10 tratase de um tipo totalmente excepcional de sociedade, o qual buscase, através da reunião de profissionais que exerçam a mesma atividade, facilitar e tornar economicamente mais viável a prestação dos serviços executados pelos próprios sócios como se autônomos fossem; 11 a sociedade simples nada mais é do que os próprios sócios atuando em nome próprio, de forma conjunta, por meio de uma pessoa jurídica, a fim de tornar a prestação dos serviços técnica, econômica e logisticamente mais viável, logo, fomentando a economia nacional e o acesso da população a tais serviços; 12 a constituição da sociedade simples, nos termos do artigo 997 do Código Civil, se dá mediante contrato escrito (contrato social), o qual deverá ser registrado, dentro de trinta dias contados de sua assinatura, no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede; 13 a base de cálculo da contribuição da Sociedade Simples, destinada à Seguridade Social, está prevista no artigo 201, §5°, II, do Decreto 3.048/99, do que se depreende que na hipótese de a Sociedade Simples distribuir lucros ou dividendos a sócios por Fl. 10518DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.516 7 conta de lucros futuros, a sociedade deve manter escrituração contábil e levantar balancetes mensais em que consta o resultado apurado, caso em que referida distribuição não será base de cálculo da contribuição previdenciária, por não se confundir com remuneração, hipótese do inciso I, do §5°, do artigo 201; 14 – o Carf reconheceu a legalidade da distribuição de lucros, quando do provimento de recurso voluntário em Auto de Infração lavrado em face da Impugnante sob o mesmo fundamento do presente, exigindo contribuições previdenciárias de períodos anteriores; 15 ainda que com lançamentos realizados de forma diferente daquela pretendida pela Fiscalização, a escrita fiscal do Impugnante não pode ser considerada imprestável, pois apresenta elementos bastantes para o controle do lançamento pela Fiscalização; 16 em momento algum, a Fiscalização apurou omissão de rendimentos pela Impugnante, tendo reconhecido a integralidade das entradas, as quais estão lastreadas por notas fiscais; 17 a Recorrente é empresa sujeita à sistemática do Lucro Presumido, o qual não exige contabilidade apurada, como no caso do Lucro Real, podendo esta respaldarse em controle paralelo; 18 como a distribuição de lucros era feita por meio de depósitos bancários, a Impugnante enviava ordem de pagamento para o banco, o qual, então, providenciava os depósitos nas contas de cada um dos sócios, segundo os valores apurados pela Impugnante através de seus controles paralelos; 19 o lançamento de toda a movimentação financeira dos exercícios de 2008 a 2011 na conta Caixa não representou a entrada e distribuição de lucros em espécie. Prova disso é a própria informação prestada pela Impugnante, comprovada com diversos extratos bancários acostados ao Relatório Fiscal, de que praticamente a totalidade de sua movimentação financeira se dava através do sistema bancário; 20 a Fiscalização aponta com precisão todos os valores recebidos pela Impugnante de seus clientes (planos de saúde, hospitais e pessoas físicas), bem como os lucros distribuídos a seus sócios a título de lucro, de forma que, ainda que incorretamente alocados na conta Caixa, poderiam, já que conhecidos, ter sido devidamente corrigidos pela Fiscalização; 21 a existência de eventuais erros e deficiências na escrita fiscal não podem, de forma absoluta, levar a conclusão de sua completa inutilidade, logo, sua desclassificação total; 22 no entendimento da Fiscalização, os valores cobrados pelos serviços prestados pelos sócios da Impugnada são tabelados, ou seja, o valor dos serviços são medidos pela sua natureza, e não Fl. 10519DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 pela qualidade técnica de quem os prestas. No entanto, tratase de uma sociedade simples, caracterizada pela prestação de serviços na pessoa de seus sócios, sendo natural o preço dos serviços prestados pela Impugnante variar de acordo com o sócio que os prestas. Médicos mais experientes e estudados, titulados como mestres, doutores e/ou pós doutores cobrarem honorários superiores àqueles decorrentes da prestação de serviço por médicos recém formados; 23 não há como se aceitar lícito a presunção ou, ainda, fixação de preço dos serviços praticados pelos sócios da Impugnante pela Fiscalização, na medida em que o único órgão capaz de parametrizar tais valores ser o Conselho Federal de Medicina, o que, de fato, nada mais é do que um simples parâmetro; 24 o fato de os médicos mais antigos perceberem participação superior aos mais novos é questão de pura lógica e razão, na medida em que sua produção é proporcionalmente mais valiosa do que a dos médicos mais novos; 25 a jurisprudência do STJ, o qual reconhece explicitamente a possibilidade de distribuição de lucros segundo critérios outros que não a participação no capital social, tais quais a capacidade intelectual, experiência profissional, entre outros; 26 ao não aceitar a contabilidade da empresa, a Fiscalização deveria ter tributado os valores distribuídos a título de lucro como se prólabore fossem e não desconstituir ilegal e inconstitucionalmente a personalidade jurídica da Impugnante, a fim de tributar tais valores como pagamento de empregados; 27 não existe no presente caso qualquer dos requisitos legais para caracterização de vínculo empregatício; 28 a própria Fiscalização questiona nos presentes autos a distribuição de lucros com base em supostos adiantamentos e recebimentos de honorários médicos diretamente prestados pela Impugnante nas contas dos sócios que efetivamente prestaram tais serviços, os quais não poderiam nunca ser considerados salários; 29 não houve, juntamente com o auto de infração e no termo de verificação fiscal, a descrição exata e detalhada, mediante provas, das condutas praticadas por cada um dos sócios e respectivos empregados de referidas pessoas jurídicas a ponto de justificar e demonstrar cabalmente o equivocado vinculo empregatício. 30 o que simplesmente existe nos autos é uma descrição totalmente genérica sem demonstrar a relação de vinculo empregatício e todos os seus requisitos de cada um dos sócios; 31 sem a explicitação de todos os elementos relacionados ao vinculo empregatício de cada um dos supostos empregados (sócios), bem como as provas existentes, há impedimento à plena defesa da Impugnante, principalmente, quando se inverte o ônus da prova em seu desfavor. Fl. 10520DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.517 9 Requereu, ao final, seja convertido o presente julgamento em diligência, a fim de ser colhida prova pericial; e após, seja acolhida a impugnação e julgado improcedente o lançamento tributário. Em 25 de julho 2013, a 4ª Turma da DRJ/CGE julgou procedente a autuação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROVA. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS APREENDIDOS PARA INSTRUÇÃO DE PROCESSO PENAL O artigo 195 do CTN autoriza a fiscalização da Receita Federal do Brasil a examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes, industriais ou produtores, não tendo aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do seu direito. Documentos, sendo objeto da medida de busca e apreensão realizada na empresa, para instrução de inquérito policial, não sendo sigilosos, podem ser utilizados pela fiscalização. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Não ocorre cerceamento de defesa quando o impugnante demonstra pleno conhecimento das razões do lançamento, podendo exercer o seu direito de defesa. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CARACTERIZAÇÃO Têm caracteríscas de empregado, assim devendo ser considerados, os sócios sem autonomia, sujeitos a cumprimento de horário de trabalho, pontualidade, produtividade, assiduidade e penalidades por faltas, ainda, submetidos a critérios que fixam suas férias de acordo com as necessidades da empresa e ao respeito a hierarquia. CONTABILIDADE. DESCONSIDERAÇÃO Livros contábeis sem os registros de todos fatos e atos administrativos praticados, realizados com base em documentos comprobatórios do movimento real, não representam a realidade, não sendo, assim, merecedores de fé. Comprovado o descumprimento das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), deve ser a escrituração contábil desconsiderada. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE É aplicada a multa duplicada quando há fraude evidente. INCONSTITUCIONALIDADE Impossibilidade de análise, por parte de órgãos administrativos de julgamento, acerca da inconstitucionalidade e da ilegalidade de dispositivos legais em vigor no ordenamento jurídico pátrio, por ser esta competência exclusiva do Poder Judiciário. PEDIDO DE PERÍCIA Havendo nos autos elementos suficientes para formação de convencimento, o resultado de uma perícia contábil não altera a convicção firmada. Por conseguinte, o pedido de perícia é indeferido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 10521DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 10 O Sujeito Passivo foi cientificado do decisum em 06/09/2013, tendo interposto o Recurso Voluntário em 03/10/2013. Em resumo, reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e acode as demais exigências processuais, razão pela qual dele conheço. Passo análise das suas razões. QUANTO A UTILIZAÇÃO DE PROVAS EMPRESTADAS ‘Ab initio’ a Recorrente alega nulidade do lançamento em razão de a fiscalização ter se utilizado de diversas provas relevantes que foram obtidas por meio ilícito. Neste sentido, caso as provas fossem angariadas de forma ilícita elas não poderiam embasar o presente lançamento, eis que há remansosa jurisprudência no ordenamento jurídico pátrio inadmitindo tal prática, o que levaria a vedação à fiscalização da Receita Federal do Brasil para se utilizar de provas emprestadas por outro órgão, no caso a Polícia Federal, se o mandado de busca e apreensão somente permitisse o acesso ao sujeito passivo daqueles autos judiciais. Assim, neste diapasão, desaguaria em reconhecimento da ilicitude do ato e ou mesmo ilegitimidade das provas utilizadas, que serviram para o lançamento. Todavia, no presente caso, como se pode observar na decisão de piso, houve autorização para que a Receita Federal extraísse cópias dos documentos relativos ao processo de busca e apreensão. A título de informação urge trazer à baila que a ação da Polícia Federal junto a Recorrente foi para verificar a formação de cartel em Mato Grosso do Sul na área de anestesiologia, já que nela (Recorrente) trabalhavam 72 médicos ‘expert’ em anestesia, cujos quais são os sócios. Sem razão a Recorrente. CERCEAMENTO DE DEFESA Outra alegação da Recorrente é que houve o cerceamento do seu direito de produzir defesa nos autos da ação fiscal, cuja qual não vejo como prosperar, já que, em primeiro lugar há de ser reconhecida a fase cognitiva desta ação e, em segundo lugar, houve o momento pórpiro de sua manifestação e defesa. Sem razão. Fl. 10522DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.518 11 DA DISTRIBUIÇÃO DOS LUCROS. ARBITRAMENTO. De início, mister se diga que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em regra tem reconhecido a licitude na distribuição de lucros e resultados, mesmo que de forma desproporcional ao capital social, não se tributando como remuneração ou salário, confirmando a ausência de tributação a título de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme se vê da jurisprudência abaixo transcrita: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO. SOCIEDADE SIMPLES Quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, a base de cálculo das contribuições relativas aos sócios da sociedade simples corresponde aos valores totais pagos ou creditados. O rateio dos lucros auferidos é de livre disposição pelos sócios da pessoa jurídica. Uma vez previsto no estatuto ou contrato social e comprovado na escrituração contábil, somente se procede a desconsideração dos métodos eleitos em caso de comprovada simulação ou fraude. Recurso Voluntário Provido” (CARF, 2ª Seção, AC. 2402003821) Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição social a título de distribuição de lucros e dividendos aos sócios da sociedade. Não existe norma que obrigue a percepção pelos sócios de verba mínima representativa de prólabore, podendo a remuneração decorrer apenas de distribuição nos lucros, não podendo esse fato ser tido como ausência de discriminação das verbas na contabilidade. Recurso Voluntário Provido” (CARF, 2ª Seção, Ac. 2403 001.958). Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. PRÓLABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. As remunerações por prólabore e participação nos resultados devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. No caso, a discriminação ocorreu, não havendo que se falara em incidência de contribuição previdenciária sobre a parcela referente a lucros. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. EXACERBAÇÃO DE COMPETÊNCIA. SÚMULA 02 DO CARF. A tentativa do contribuinte de afastar a aplicação da multa no caso em comento encontra seu fundamento no caráter confiscatório da multa, o que seria vedado pela Constituição Federal. Reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência. A apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua Fl. 10523DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 12 competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Incidência da Súmula 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível à comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido.” (CARF, 2ª Seção, AC. 2301 002.905). Desta forma, neste sentido, há de ser observado que uma das condições para se reconhecer a impossibilidade de tributação, em atenção à jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é a existência de uma contabilidade regular e que possua controles adequados e razoáveis no sentido de segregar e comprovar a existência da distribuição de lucros. Assim, inexistindo contabilidade ou sendo ela defectível por possuírem demonstrações irregulares, haverá a fiscalização de forma excepcional realizar o arbitramento (art. 33, RPS). No caso em tela, embora não se possa afirmar que a Recorrente não possuía contabilidade e controles, esta não atendeu adequadamente as regras contábeis e fiscais de modo suficiente para se permitir a conclusão no sentido de que os pagamentos efetivados em favor dos sócios da pessoa jurídica, ora Recorrente, eram distribuição de lucros ou resultados. Do Relatório Fiscal se extrai e dos documentos acostados aos autos que corroboraram o lançamento, existem diversas irregularidades que, apesar de possuir uma contabilidade, não nos permite concluir pela configuração de distribuição de lucros, e, por conseguinte, a ausência de tributação. No caso em exame, o item “5. Análise da Escrituração Contábil” do Relatório Fiscal, a fls. 47/85, elenca uma variedade de irregularidades na escrituração contábil da empresa que evidenciam a não fidedignidade dos registros contábeis nela assentados. Fl. 10524DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.519 13 ∙ A conta contábil Caixa é específica para o registro dos ativos financeiros dotados de liquidez imediata, ou seja, numerário ou dinheiro em espécie. É a conta contábil que registra o dinheiro existente em tesouraria, sendo seu saldo correspondente ao valor em moeda mantido na tesouraria da empresa. Os fatos contábeis registrados nesta conta apresentam um movimentação volumosa e anormal de dinheiro, que nos anos de 2008, 2009, 2010 e 2011 ultrapassou a casa de 75,5 milhões de reais em espécie– cash. O contribuinte foi intimado a apresentar os documentos que comprovassem os registros contábeis das massivas transferências de dinheiro das contas bancárias para a conta Caixa ocorridas em 2008. Entretanto, os documentos apresentados não comprovaram efetivamente estas transações. Diversamente, restou evidenciado que os lançamentos ocorridos na conta Caixa são fictícios. Conforme as declarações prestadas pelo contribuinte, tais transações ocorreram de fato apenas nas contas bancárias. ∙ Os lançamentos que registram o recebimento de receitas em dinheiro também são inverossímeis. No ano de 2008 está registrado na conta Caixa o recebimento em cash de R$ 6.195.479,07, em 2009 de R$ 5.642.097,64, em 2010 de R$ 4.852.348,36 e 2011 de R$ 11.068.239,41. O contribuinte presta serviços para hospitais, em sua maioria públicos, e para grandes planos de saúde. Por óbvio que estas instituições não realizam tão vultosos pagamentos em espécie como está a demonstrar os registros contábeis do contribuinte. ∙ De acordo com a escrituração contábil, as saídas dos recursos financeiros da conta Caixa são preponderantemente para o pagamento de distribuição de lucros aos sócios. Os registros contábeis da conta Caixa testemunham o pagamento de distribuição de lucros no montante de R$ 10.396.727,12 em 2008, de R$ 6.445.253,06 em 2009, de R$ 13.088.638,63 em 2010 e de R$ 19.184.882,54 em 2011, os quais foram pagos em "cash", conforme lançamentos nas contas "110101000011101 – CAIXA", “110101010011102 – CAIXA GERAL” e "240604010024671 –DISTRIBUIÇÃO ANTECIPADA DE LUCROS". Não se nos afigura verossímil que uma empresa, nos dias atuais, mantenha em suas dependências e/ou transacione tão volumosa quantia em dinheiro, como assim evidencia a contabilidade apresentada pelo contribuinte. Por óbvio que estes lançamentos na conta Caixa não são minimamente críveis e são manifestos indicativos de graves anormalidades que comprometem a credibilidade e a fidedignidade da escrituração contábil. ∙ A Fiscalização apurou nos exercícios de 2008 e 2010 uma persistente anomalia na escrituração da conta Caixa, consistente na existência de significativo saldo credor, que em 27/03/2008, a título ilustrativo, somava R$ 595.470,65 e em 30/12/2010, de R$ 920.934,45, demonstrando que saia mais dinheiro do caixa do que o dinheiro que no caixa existia. Esta grave irregularidade Fl. 10525DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 14 atesta que o contribuinte efetuava pagamentos com recursos não contabilizados, pois o saldo credor na conta Caixa demonstra que não havia dinheiro suficiente para fazer frente aos pagamentos escriturados nesta conta contábil. A planilha "Lançamentos Consolidados por Dia", anexo 15, demonstra os saldos credores observados na conta Caixa no decorrer de 2008 e 2010. Tal deslize contábil torna ainda mais insustentável a veracidade dos vultosos pagamentos efetuados sob o rótulo de distribuição de lucros e escriturados na conta Caixa. ∙ Toda receita operacional da empresa transita pela conta contábil “110401000011401 CLIENTES DIVERSOS”, tendo como contrapartida a conta “Contas a Receber”, que apresenta uma movimentação atípica, na medida em que, no ano de 2008, do montante de recebimentos de R$ 19.692.437,93 nela escriturados, R$ 12.655.761,72 foram registrados como ingressos na conta "110201000011201 BANCO CTA MOVIMENTO" e o expressivo valor de R$ 6.201.767,19 (31,5%) foi registrado como ingressos na conta "110101000011101 CAIXA", ou seja, valores recebidos em espécie. Em 2009, o registro de ingressos na conta CAIXA foi de R$ 5.642.097,64 (24,7%); R$ 4.852.348,36 (18,4%) em 2010, e R$ 11.068.239,41 (35,7%) em 2011. ∙ A verossimilhança de tais registros é remota em virtude de os clientes da empresa serem grandes hospitais públicos e planos de saúde, sendo improvável que estes não tenham se utilizado do sistema bancário para quitar suas faturas de prestação de serviços. ∙ O contribuinte registra na Conta "240604010024671 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS" a distribuição mensal antecipada de lucros aos médicos anestesiologistas que compõem seu quadro societário. Esta conta registra a distribuição de R$ 13.997.389,81 em 2008, de R$ 16.406.108,52 em 2009, de R$ 18.258.234,89 em 2010 e de R$ 22.525.960,59 em 2011. Os registros mostram ainda que dos lucros distribuídos R$ 10.396.727,12 (2008), R$ 6.445.253,06 (2009), R$ 13.088.638,63 (2010) e R$ 19.184.882,54 (2011) tiveram como contrapartida a conta Caixa, ou seja, foram pagos em "cash", corroborando a anormalidade na via eleita para tais pagamentos, tendo em vista o volume expressivo de numerário. Porque não utilizar o sistema bancário, muito mais seguro ? Intimado mediante termo próprio, o Sujeito Passivo apresentou os recibos mensais referentes aos pagamentos antecipados de lucros, os quais, quando confrontados com os lançamentos contábeis na conta "240604010024671 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS", descortinou uma série de inconsistências. No registro contábil de 04/03/2008, há o pagamento de R$ 175.000,00 a titulo de distribuição de lucros ao sócio Orlando Toshihiro Yamauchi. Fl. 10526DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.520 15 No mês de março/2008, os pagamentos efetuados a título de distribuição de lucros totalizaram R$ 1.039.782,86, incluindo o valor de R$ 175.000,00 pagos a Orlando Toshihiro, contudo, o "Recibo de Pagamento de Distribuição de Lucro" registra, apenas, o pagamento de R$ 16.844,00. Intimado a apresentar o recibo referente ao pagamento registrado na contabilidade, o Contribuinte justificouse alegando que o pagamento em questão referiase a um contrato de mútuo entre a empresa e o sócio Orlando Toshihiro Yamauchi, tendo por objeto o empréstimo de R$ 175.000,00, que deveriam ser pagos em 36 parcelas, sem aplicação de juros e sem qualquer atualização monetária. O artigo 3º deste contrato estabelece que as parcelas "serão descontadas do adiantamento mensal na distribuição de lucros a que tem direito junto a Mutuante, de acordo com sua produção mensal". Se de fato tal valor referirse a empréstimo ao sócio Orlando e não a distribuição de lucros, o registro contábil está completamente equivocado. Segundo o inciso II do art. 179 da Lei nº 6.404/76, classificamse no Ativo Realizável a Longo Prazo os empréstimos a diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da empresa. Por conseguinte, o lançamento escorreito e consagrado pela boa prática contábil deveria ser em contas próprias do ativo não circulante, mais especificamente no Ativo Realizável a Longo Prazo. No caso do plano de contas da empresa ora Autuada, o lançamento contábil do mútuo e dos subsequentes pagamentos das parcelas deveriam ser registrados na conta "12010100001210 EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS". Entretanto, não há quaisquer lançamentos na contabilidade de 2008, 2009, 2010 e 2011 que registrem o referido empréstimo, a sua amortização ou o seu saldo. Ademais, ao se analisar o comportamento da série de pagamentos de lucros ao sócio Orlando frente aos demais sócios, é forçoso concluir que não houve qualquer desconto de parcelas decorrentes do suposto contrato de mútuo. Observase nas planilhas das figuras 30 e 31, a fl. 63, que Orlando Toshihiro recebeu pagamentos de lucros idênticos a diversos outros sócios no decorrer de 2008 e 2009. De outro giro, a se admitir que o valor de R$ 175.000,00 diz respeito a um eventual contrato de mútuo, a totalização dos recibos de pagamentos de distribuição de lucros será superior àquele registrado na contabilidade, na medida em que, ao se deduzir o valor de R$ 175.000,00 do montante registrado na conta "240604010024671 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS", restaria R$ 864.782,86 como o valor efetivamente distribuído a título de lucros em março de 2008 registrado na contabilidade. Fl. 10527DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 16 Entrementes, os recibos apresentados pelo contribuinte neste mês totalizam R$ 1.039.782,86. Destarte, concluise por óbvio que houve a distribuição de lucros no valor de R$ 175.000,00 não registrados na contabilidade. ∙ Em diversos meses dos anos de 2009 e 2010, os valores pagos ao Diretor Werner Alfred Gemperli a título de lucros distribuídos registrados na contabilidade apresentam montantes superiores àqueles exibidos nos recibos de pagamento de distribuição de lucros, conforme ilustrado nas figuras 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39 e 40 a fls. 64/66. Enquanto os lançamentos contábeis registram pagamentos que atingem a cifra de R$ 399.004,00, os recibos de pagamento de distribuição de lucro somam, tão somente, R$ 202.178,38 , ou seja, praticamente a metade. ∙ A escrituração contábil da distribuição de lucros ocorridos em 31/12/2010 registra valores muito superiores àqueles mostrados nos recibos para os anestesiologistas Fábio Benevenuto, Marcelo Pedra Tognini, Sandra Maria Velasco e Adriana Marques. A figura 42 mostra os lançamentos registrados na conta "240604010024671DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS" no período de 20/12/2010 a 31/12/2010. O valor mostrado em “Soma” refere Os lançamentos contábeis registrados em 31/12/2010 apontam que se pagou em espécie (a contrapartida é a conta Caixa) a título de distribuição de lucros R$ 118.279,67 a Sandra Maria Velasco, R$ 216.101,76 a Adriana Marques, R$ 224.576,29 a Fábio Benevenuto, R$ 228.423,52 a Marcelo Pedra Tognini e R$ 253.932,41 a Maruan Omais, totalizando R$ 1.041.313,65. Entrementes, os recibos apresentados pelo contribuinte mostram valores bem menores, quais sejam, R$ 26.809,00 a Sandra Maria Velasco, R$ 25.557,00 a Adriana M. da Costa, R$ 21.983,00 a Fábio Vinicius Benevenuto Feltrim, R$ 29.847,00 a Marcelo Pedra Tognini e R$ 28.953,00 a Maruam Omais, totalizando R$ 133.149,00. Intimado a justificar as discrepâncias relativas ao pagamentos efetuados aos sócios Fábio Benevenuto, Marcelo Pedra Tognini, Sandra Maria Velasco e Adriana Marques, o Sujeito Passivo alegou que “... nos lançamentos apresentados existe um erro formal no momento de descrever o histórico do lançamento, pois o valor referese ao pagamento de lucros distribuídos a mais de um sócio ...”. Acontece que, mesmo considerando as retificações propostas pelo contribuinte, ao se apurar os valores escriturados em 12/2010 nesta conta contábil referentes aos pagamentos de distribuição de lucros efetuado a estas pessoas, deparase com uma grande divergência entre os valores lançados na contabilidade e os recibos apresentados. As planilhas 45 a 48, a fls. 68/70, revelam que os lucros pagos conforme escrituração contábil somam R$ 1.266.921,65 enquanto que os lucros pagos conforme recibos de pagamentos não ultrapassam o montante de Fl. 10528DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.521 17 R$ 1.041.169,28, havendo uma diferença não esclarecida de R$ 225.752,37. ∙ A conta contábil "240604010024671 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS" registra ainda o pagamentos de lucros aos anestesiologistas Luis Cesar Anzoategui, José Tadachi Sugai e Sirlei Paulo Queiroz. Contudo, estes médicos não fazem parte formalmente do quadro societário da empresa. Luis Cesar Anzoategui passou a constar do quadro societário somente a partir de 11/07/2011, com a alteração contratual nº. 05. Os demais nunca constaram do quadro societário da empresa. Intimado a apresentar os recibos referentes a todos os pagamentos realizados para os médicos Luis Cesar Anzoategui, José Tadachi Sugai e Sirlei Paulo Queiroz nos anos de 2010 e 2011, o contribuinte declarou que “Ainda esclarecemos que as pessoas ..., Sirlei Paulo Queiroz, José Tadasi DF CARF MF Fl. 7683 Sugai, ..., durante o período verificado, não participam do quadro societário da Empresa Servan, que esta empresa não efetuou pagamentos de qualquer natureza ou repasses de valores a estas pessoas, razão pela qual não existem recibos a serem apresentados, bem como não há registros contábeis devido a ausência do fato a ser registrado.” Para o médico Luis Cesar Anzoategui, a empresa apresentou recibos de pagamento de lucros somente a partir de 09/2011. Que confiabilidade pode ter uma contabilidade cujo próprio Contribuinte desconhece e nega seus registros contábeis, circunstância que revela a falta de exatidão e de integridade dos registros contábeis escriturados na conta "240604010024671 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS". Resta evidente que tais registros não são a representação fiel da verdade material, como assim exige o Princípio Contábil da Oportunidade. ∙ A Fiscalização constatou que em 2011 houve diversos registros contábeis de pagamentos lançados na conta "240604010024671 DISTR. ANTECIP. DE LUCROS" de valores elevados e que tinham como contrapartida do lançamento a conta "110101010011102 CAIXA GERAL". Ou seja, contabilmente, tais valores foram pagos em espécie. Intimado a apresentar os comprovantes do efetivo pagamento destes montantes, o contribuinte afirmou que "... a Servan para os pagamentos em questão, bem como para todos os demais pagamentos dos lucros distribuídos aos sócios, não utiliza cheque, porém o faz através de débito em sua conta corrente sendo que o banco se encarrega de distribuir os valores aos sócios, ...". Avulta de tal pronunciamento que os lançamentos contábeis em questão não representam adequadamente estes fatos, pois estes registram pagamentos realizados pela conta contábil "Caixa" e não pela conta contábil "Banco Conta Movimento". Fl. 10529DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 18 Tal informação, todavia, contradiz os inúmeros lançamentos contábeis de pagamento de lucros através da conta "Caixa", no montante de R$ 10.396.727,12 em 2008, de R$ 6.445.253,06 em 2009, de R$ 13.088.638,63 em 2010 e de R$ 19.184.882,52 em 2011. Como visto, o próprio contribuinte demonstra, uma vez mais, que a sua escrituração contábil não representa a realidade dos fatos. ∙ A Fiscalização apurou a ocorrência de uma multiplicidade de lançamentos que evidenciam transferências de receitas operacionais diretamente para os sócios sob a denominação de distribuição de lucros. Os lançamentos demonstram que a receita operacional recebida é imediatamente repassada, em sua integralidade, para os sócios na forma de lucros, conforme exposto nas planilhas do anexo 21, bem como, exemplificativamente, nas planilhas nº 54, 55, 56 e 57, a fls. 73/75. A título ilustrativo, o primeiro lançamento da figura 54, a fl. 73, efetuado em 03/06/2008, registra o recebimento na conta Caixa de uma receita operacional de R$ 45.000,00 referente a serviços prestados para a Santa Casa. O segundo lançamento registra o repasse deste montante aos sócios sob a forma de lucros distribuídos. Ou seja, estas transações ocorrem simultaneamente. Os recursos são recebidos pela empresa e imediatamente repassados em sua integralidade aos sócios. Fica manifesto que não se trata de lucros, pois se está remunerando os sócios com 100% do valor dos serviços prestados. [...] Então, para este Julgador, tenho que acertada a Fiscalização ao desconsiderar a escrituração contábil da Recorrente neste período e, assim, não reconhecer os valores como distribuição de lucros, promovendo o arbitramento. Neste diapasão vejo necessidade de manter o lançamento e nego provimento ao presente Recurso Voluntário quanto à exigência de contribuições previdenciárias descritas nos DEBCADs n. 51.008.9526 (empresa e RAT), 51.038.5613 (segurados e contribuintes individuais) e 51.038.5605 (Terceiros), quanto aos valores desconsiderados como distribuição de lucros e qualificados como remuneração, exclusivamente com relação aos diretores Wemer Alfred Gamperli, Paulo Kiyotaka Oshiro, Walter Dualibi e Francisco Otaviano Wilgenfritz. Vejo a escorreita ação da Fiscalização que procedeu dentro da legalidade ao desconsiderar a contabilidade para fins de distribuição de lucros, reconhecendo tais valores como remuneração a título de prólabore para os sócios da Recorrente. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA DE SEGURADO EMPREGADO Entretanto, vejo que a Fiscalização não poderia assim proceder somente com relação aos diretores Wemer Alfred Gamperli, Paulo Kiyotaka Oshiro, Walter Dualibi e Francisco Otaviano Wilgenfritz, isto porque estarseá utilizando dois peso e uma medida, Fl. 10530DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.522 19 considerando que os demais sócios foram considerados como segurados empregados, desconsiderando as peças dos autos, sobretudo o contrato social e as regras estatutárias da empresa Recorrente. Neste diapasão, vejo que a Fiscalização houve por bem desconsiderar a relação jurídica, parcialmente, ou seja, considerou os sócios gerentes e desconsiderou os demais sócios para se entender que estes últimos sócios (os que não estavam na administração) que constavam do contrato social da pessoa jurídica, ora Recorrente, seriam segurados empregados. E, neste sentido, ouso a não concordar com a Fiscalização e tão pouco com o decisum recorrido, merecendo reforma, dando provimento ao recurso para que os demais sócios também sejam considerados como tais e não como segurados empregados, como os considerou a Fiscalização e o decisum recorrido. Isto porque, os fatos geradores são de 2009 a 2011, quando já vigorava o art. 129 da Lei n. 11.196/2005, que enuncia expressamente, ‘in verbis’: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil Vislumbro que o dispositivo legal acima coaduna plenamente ao presente caso, uma vez que a fiscalização desconsiderou a personalidade jurídica da Recorrente (parcialmente), de modo a separar os entes (pessoa jurídica e sócios – pessoas físicas), e, por conseguinte, sustentar que não seriam sócios daquele, mas, em verdade, empregados, existindo uma relação empregatícia. A partir da Lei n. 11.196/2005, conforme art. 129, este tipo de procedimento somente é possível, inclusive, para fins fiscais e previdenciários, em consonância com o art. 50 do Código Civil, o qual impõe a necessidade de autorização judicial, o que não ocorreu no presente caso. Aliás, para se evitar equívocos, não estamos diante de casos de “terceirização”, onde uma pessoa jurídica, de maneira simulada, contrata outra pessoa jurídica, que, na verdade, é meramente formal, constituindose de empregados daquela. Ora, aqui temos um caso onde se pretende desconsiderar a natureza de sócio cotista da própria Recorrente para se sustentar o vinculo empregatício. Tratase de situação onde se aplica claramente o art. 129 da Lei n. 11.196/2005, inexistindo possibilidade de afastá la. O art. 5°, LV, estabelece que “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Tratamse, portanto, de princípios que não se aplicam exclusivamente ao processo judicial, mas também ao administrativo e, em particular, ao Processo Administrativo Tributário. Fl. 10531DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 20 O Processo Administrativo Tributário é um instrumento de que se vale o Estado para aperfeiçoar as exigências fiscais. As exações devem ser perfeitas, ou seja, devese exigir do sujeito passivo exatamente o que é devido, nada mais nem menos, em observância aos princípios da legalidade tributária e da responsabilidade fiscal. Partese da premissa de que os atos administrativos podem conter defeitos e que, portanto, deve haver um mecanismo de correção. Neste contexto, se entende que o interessado deve ser chamado a contribuir, assegurandoselhe o direito da manifestar sua inconformidade, caso disponha de informações capazes de compor uma antítese à tese da Administração. Daí porque, nos despachos decisórios que nãohomologam compensações e nos lançamentos de ofício – apenas para citar dois exemplos – o sujeito passivo não é simplesmente intimado a pagar, mas a pagar ou impugnar a exigência. Assegurar o contraditório consiste, portanto, em conduzir o processo de forma dialética, de tal sorte que o interessado tenha o direito de se manifestar sobre todas as teses e provas que a Administração trouxer aos autos. Dizer que o interessado tem direito à ampla defesa significa que ele pode defenderse livremente, sem qualquer limitação, salvo as que o próprio Direito impõe. A fixação de restrições ao direito de defesa justificase porque todo princípio está associado a um valor, e, como não existe valor absoluto, os princípios podem sofrer limitações em face de outros princípios e valores. Como é cediço, o processo não é um fim em si mesmo, mas um método, ou instrumento, para se alcançar determinado fim. Em abstrato, os requisitos formais estabelecidos para a prática dos atos existem como garantia de que o fim será atingido, embora, em concreto, tais exigências possam ter efeito justamente contrário, quando se perde de vista a instrumentalidade do processo, e as formas se degeneram em formalismo excessivo, deixando de ser garantia, para transformaremse em obstáculo à realização do direito material. Para evitar que se perca a visão do processo como instrumento e das formas como garantia, a LPA, no art. 2°, parágrafo único, incisos VIII e IX, prescreve que, no processo administrativo, serão observadas formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; e adotadas formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados. Quando o interessado opta por discutir a mesma questão pela via judicial, o interesse de agir na esfera administrativa desaparece, posto que a decisão administrativa perderá toda a utilidade que poderia ter para o interessado. A decisão administrativa, na parte em que for coincidente com a decisão judicial, será inútil, posto que desnecessária; e, na parte na que for conflitante, também não terá utilidade, uma vez que a decisão judicial, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas1. Segundo o art. 301, § 3°, do CPC, com redação dada pela Lei n° 5.925/1973, há coisa julgada, quando se repete ação que já foi decidida por sentença, de que não caiba recurso. 1 CPC, art. 468. Fl. 10532DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.523 21 Para Fredie Didier Jr., o entendimento majoritário da doutrina tradicional brasileira é o de que a coisa julgada representa a imutabilidade dos efeitos da decisão judicial. Integram esta corrente, entre outros, Liebman, Dinamarco e Ada Pellegrini 2. A obrigação tributária nasce com o fato gerador, 3logo, desde o momento em que um fato amoldase à hipótese de incidência, já existe também um credor (sujeito ativo), um devedor (sujeito passivo) e uma prestação (de pagar). Ocorre que esta obrigação, por ser prevista em lei de forma geral e abstrata, depende de uma apuração para que se determinem os seus elementos, possibilitandose, assim, o pagamento ou, em caso de inadimplência, o ajuizamento de uma execução fiscal. O lançamento, apesar do que sugere a interpretação literal do texto normativo, não constitui o crédito tributário porque este surge com o próprio fato gerador, visto que não há obrigação de pagar sem crédito. Assim, o lançamento tem como finalidade imediata fixar os elementos da obrigação, identificando o sujeito passivo e apurando, ou liquidando, o crédito tributário. A legislação que rege o Processo Administrativo Tributário prevê a sanção de nulidade apenas para atos inquinados por vício de competência (falta de requisito subjetivo) ou lavrados com preterição do direito de defesa. O vício subjetivo (incompetência) e o cerceamento do direito de defesa ensejam a decretação de nulidades, conforme art. 59 do PAT, in verbis: CAPÍTULO III Das Nulidades Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As nulidades estabelecidas pelo art. 59 são absolutas, ou seja, os atos maculados por vício subjetivo ou proferidos com preterição do direito de defesa devem necessariamente ser invalidados, uma vez que seus defeitos são considerados insanáveis. O rigor da sanção se justifica, pois a competência do agente e a influência do autuado são as principais garantias para que o lançamento chegue à sua finalidade. Além disso, os direitos ao contraditório e à ampla defesa no processo administrativo são constitucionalmente garantidos. Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: I – a identificação do sujeito passivo; II – a matéria tributável, assim entendida a descrição dos fatos e a base de cálculo; 2 DIDIER JR, Fredie; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael. Curso de Direito Processual Civil: Teoria da prova, direito probatório, teoria do precedente, decisão judicial, coisa julgada e antecipação dos efeitos da tutela. 4. ed. rev., ampl. e atual. Salvador: JusPODIVM, 2009, vol. 2, p. 413415. 3 CTN, art. 113, § 1o: “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 10533DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 22 III – a norma legal infringida; IV – o montante do tributo ou contribuição; V – a penalidade aplicável; VI – o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; VII – o local, a data e a hora da lavratura; VIII – a intimação para o sujeito passivo pagar ou impugnar a exigência no prazo de trinta dias contado a partir da data da ciência do lançamento. Assim, quando o lançamento for lavrado em desconformidade com o estabelecido no art. 142 do CTN ou art. 10 do PAT, que dispõem sobre o conteúdo e a forma do ato, a decretação da nulidade é dever do julgador administrativo. Feita estas considerações, neste aspecto, vejo que há de ser reformar o lançamento e dando provimento ao Recurso Voluntário para reformar a decisão ora hostilizada e considerar insubsistente o lançamento quanto à exigência de contribuições previdenciárias descritas nos DEBCADs n. 51.008.9526 (empresa e RAT), 51.038.5613 (segurados e contribuintes individuais) e 51.038.5605 (Terceiros) com relação ao arbitramento dos lucros realizados a todos os sócios que constavam do contrato social à época dos fatos geradores. Juntamente à impossibilidade de desconsiderar a pessoa jurídica de maneira a tributar os sócios como se empregados fossem, diante do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, também não constatamos a caracterização de vinculo empregatício entre a Recorrente e todos os seus sócios. Além disso, entendo que a Fiscalização não demonstrou a existência da relação jurídica de empresa e segurados empregados. Para melhor fundamentar o presente voto, peço licença para utilizar como razões de decidir os fundamentos apresentados pelo i. Presidente constante do Acórdão 2301004.222. Realmente, conforme informa e fundamenta o lançamento, no Relatório Fiscal (RF), a legislação permite e determina que o Fisco descaracterize vínculos previdenciários e os caracterize como segurado empregado, desde que as premissas que o configurem como tal estejam presentes e sejam demonstradas e provadas pela acusação da fiscalização. Decreto 3.048/1999: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: ... § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Fl. 10534DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.524 23 ... Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Portanto e para tanto, o Fisco deve verificar, demonstrar e provar que o serviço era: 1. Prestado de forma pessoal; 2. Prestado por pessoa física; 3. Prestado na área urbana ou rural; 4. Prestado para empresa (conforme definição que consta na legislação previdenciária); 5. De natureza não eventual, em relação à atividade da empresa; 6. Prestado em regime de subordinação, ressaltese que a subordinação citada é a jurídica, pois até um contribuinte individual deve subordinação de data, local, horário, etc; 7. Oneroso, mediante remuneração; e 8. Prestado inclusive como diretor empregado. Assim, como demonstrado de forma sintética, acima, o trabalho de desconsiderar a relação jurídica pactuada é extremamente complexa, difícil, pois a acusação é obrigada a comprovar de forma individual, por segurado, ou por grupo de segurados que prestam serviço em idênticas condições – extensa lista de características. Em nosso entender, o Fisco não necessita comprovar os requisitos de segurado empregado, listados acima, a fim de desconsiderar o vínculo, quando o trabalhador presta serviço em período integral, oito horas, como empregado, com registro de emprego devidamente formalizado, em períodos idênticos. Esses requisitos já estão presentes no vínculo formalizado. Entendo o fundamento dos demais integrantes do colegiado, que divergiram do meu voto, de que as relações de serviço, principalmente na área de sistemas de informação, são distintas e que podem ocorrer, sim, tais situações, mas, por ora, não verifico como um segurado empregado, com registro devidamente formalizado, trabalhando em período idêntico e integral, oito horas, ocupando cargo de gerência e/ou direção, possa, ao mesmo tempo, prestar serviços por empresas em que é o único sócio e não ser considerado como segurado empregado. Fl. 10535DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 24 MÉDICOS QUE NÃO ESTÃO NA SOCIEDADE DA RECORRENTE Verificase nos autos que além de todos dos sócios/médicos há algumas pessoas físicas/médicos anestesiologistas que foram considerados como se empregados fossem da Recorrente por não se encontrarem inseridos no contrato social desta. Com fulcro no caput do art. 142 do Código Tributário Nacional, não olvidemos, compete ao Fisco o ônus da prova da relação jurídicatributária. ‘In verbis’: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.(GN) Deste modo, é dever a comprovação e descrição de todos os elementos essenciais à confirmação de que houve a ocorrência do fato gerador. Para este Julgador, vejo que a Fiscalização reconhece que os sócios da Recorrente, mais do que não receber distribuição de lucros, eram empregados desta. E, nesta linha de raciocínio e dentro desta perspectiva, dado o fato de que estamos diante de uma pessoa jurídica devidamente constituída e regular, demonstrar como isto de fato e de direito seria possível não é tarefa simples. Para analisar a questão dos médicos fora do estatuo, vejo, de inicio, que há uma grande dificuldade que a ação fiscal, da forma que foi realizada nos trouxe, pois, não existe qualquer demonstração nos autos, muito menos prova, de que a pessoa jurídica constituída é meramente formal. Ao contrário, pelo próprio relatório fiscal e documentação, é possível notar que esta foi regularmente constituída, exercendo de fato e de direito suas atividades, ou seja, não e trata de pessoa jurídica de papel. Então, diante da celeuma acima vem a primeira conclusão: se a pessoa jurídica resta devidamente constituída e sem qualquer indício que sua existência é simulada, não se pode ignorar o fato de que as pessoas físicas que constam do contrato social são sócios e não empregados. Embora já entenda que não seria possível, diante da evidente existência da pessoa jurídica, sem qualquer prova que a desabone, tributar sócios como empregados sem antes demonstrar a fragilidade da existência da própria pessoa jurídica (Recorrente), também não se identifica a comprovação dos requisitos para a configuração de vinculo empregatício dos sócios. E isto se faz necessário na dinâmica legislativa existente, eis que caberia ao Fisco descrever e comprovar a prestação de serviço de natureza urbana à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado (art.12, I, Lei n. 8.212/91), ‘in verbis’: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: Fl. 10536DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.525 25 a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Incluída pela Lei nº 8.647, de 13 de Abril de 1993) h) (Execução suspensa pela Resolução SF nº 26, de 21 de Junho de 2005) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluída pela Lei nº 9.846, de 26 de Novembro de 1999) j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 18 de Junho de 2004) A improcedência do lançamento quanto ao vinculo empregatício se dá pelo fato de que, como consta do próprio Relatório Fiscal, temse 72 sócios na Recorrente, não se constatando uma descrição exata e mediante provas a existência de vínculo empregatício da Recorrente com referidas pessoas físicas, devidamente constituídas como sócias. Fl. 10537DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 26 De mais a mais, lendo e relendo o Relatório Fiscal e os autos, não se identifica qualquer descrição pormenorizada de condutas e provas no sentido de quais seriam os sócios que, em verdade, teriam uma relação de vinculo empregatício com a Recorrente. Não existe qualquer descrição no sentido de comprovar a relação empregatícia de tais pessoas físicas, fato de fundamental importância e cujo ônus é totalmente do Fisco, conforme alhures dito. Ou seja, da forma que se encontra o Relatório Fiscal, por sua superficialidade, não se pode têlo como arrimo para configurar a relação de emprego. Mas, não é só, eis que o Estatuto que é mencionado no Relatório Fiscal, onde alega que a Recorrente estipula regras para os sócios quanto aos plantões, prêmios, licenças, férias, entre outros assuntos, ao contrário do que aduz a Fiscalização, ele não comprova nenhum vínculo empregatício, mas sim a gerência administrativa dos sócios, regulando a regras e normas da empresa. (Destaque que há assinatura dos sócios) Vejo que não é possível dizer que este estatuto leva à configuração de subordinação, pois ele foi aprovado para disciplinar a conduta de todos os sócios da Recorrente. Equivale dizer: todos estão sujeitos às regras estatutárias, não constando qualquer exceção deste ou daquele médico sócio. Tal regulamentação de regras, para adequar o ambiente de trabalho com relação aos plantões, consultas, disciplinares, administração e recebimento de uma forma geral se faz necessário, pois, não olvidemos, estamos tratando de uma sociedade com mais de 70 médicos e, para que seja possível a racional e adequada gestão da pessoa jurídica, é de fundamental importância que estabeleçam regras entre si. Uma sociedade, quando constituída, necessita que seus sócios visem um objetivo comum e isto somente será possível se existirem regras de convivência entre eles, permitindo atingir a finalidade da associação realizada. E foi desta forma que este julgador visualizou, ao contrário da Fiscalização, não vendo nenhuma subordinação. Destarte, entendemos que o estatuto descrito, mais do que essencial à sociedade, revela que todos estavam sujeitos a tais regras. Não há como se sustentar que o respeito ao estatuto elaborado e acordado pelos próprios sócios, aos quais se sujeitam por vontade própria e por serem cotistas da sociedade caracterizaria subordinação fática e jurídica a permitir o vinculo empregatício. Vale lembrar que todos os sócios possuem a mesma quantidade de cotas, tendo voto com peso igual na sociedade (v. contrato social), de tal modo que não se torna possível dizer que existiria até mesmo uma imposição unilateral do empregador para cumprimento de tais regras. Ao contrário, como já dito, são regras aprovadas pelos próprios sócios, cabendo a todos respeitálas. Se não houver concordância, basta a maioria alterar pelo voto tais regras, ou ainda se retirar da sociedade. E não é só isto. Na ação fiscal, ainda com relação à subordinação, é preciso ressaltar que não consta dos autos qualquer prova concreta de subordinação, sobretudo, a fim de se identificar quem, de fato, exercia a função de empregador e de empregado. Muito menos existe uma descrição pormenorizada quanto a cada um dos sócios a fim de se comprovar esta relação de subordinação. Fl. 10538DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.526 27 Em conjunto à ausência de subordinação, notamos que neste peculiar caso concreto todos os sócios prestam serviços em nome da recorrente para terceiros, inexistindo nos autos comprovação e descrição da conduta destes no sentido de que eram empregados e, por conseguinte, tinham uma prestação pessoal, vinculada e subordinada à Recorrente (pessoa jurídica empregadora). Não se identificam tais provas, muito menos se nota uma descrição a fim de se permitir a compreensão como era esta relação de vinculo empregatício entre os sócios (e quais deles) e a pessoa jurídica. Por outro lado, quanto ao caráter remuneratório, também não se revela claramente nos autos a descrição e comprovação de dependência remuneratória, eis que a prova exclusiva que a fiscalização se utiliza para sustentar o caráter remuneratório são as planilhas da própria Recorrente quanto à distribuição de lucros (já afastado e configurado como prólabore). E mais, no Relatório Fiscal aduz a Fiscalização que a contabilidade e os controles da Recorrente não são confiáveis, o que torna impossível utilizar tais planilhas como prova suficiente para se demonstrar o caráter oneroso e ou remuneratório. Com a ‘permissa venia’ necessária e imperiosa, vejo que na Recorrente houve um tamanho descontrole contábil e esvaecido conhecimento jurídico para administrála, eis que as planilhas demonstram claramente que os sócios queriam realizar distribuição de lucros, tendo em vista que os valores mensais eram totalmente variáveis, inexistindo nos autos qualquer elemento que nos leve a reconhecer a existência de salário. Portanto, não se nota no presente caso concreto uma descrição adequada e prova suficiente a fim de se comprovar uma relação de vinculo empregatício em relação aos sócios da Recorrente, não só aqueles que estavam no Estatuto, mas todos os médicos que receberam de uma só maneira. Trilhando pelo mesmo raciocínio, não identificamos uma descrição exata e provas no sentido de que as pessoas físicas dos Srs. Luiz Cesar Anzoategui Gleber Eduardo Machareth, Sirlei Paulo Queiroz, Edoson Tognini, José Tadachi Sugai, Ana Laura Janaina Borges, Beatriz Maciel Maegawa, Cunthia Dualibi, Larissa Falcão Gomes e Luis Felipe Ximenes Nogueira seriam empregados. Também improcede o lançamento em relação a tais pessoas físicas, pois, não sendo sócios devidamente registrados no contrato social, caberia a exigência de contribuições previdenciárias como autônomos e não empregados, dada a inexistência de vinculo. Em tais condições, face a peculiaridade do caso concreto e ausência de descrição, demonstração e provas suficientes do vinculo empregatício, improcede o lançamento por violação ao art. 142 do Código Tributário Nacional. Aliás, neste sentido decisão da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1991 a 30/04/1998 NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO PERSONALIDADE JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. PRESSUPOSTOS BÁSICOS. Somente nas hipóteses em que restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes Fl. 10539DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 28 da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual (autônomo) como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com fulcro no artigo 229, § 2°, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES E/OU INCORREÇÕES NA DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR DO TRIBUTO. VÍCIO DE NATUREZA MATERIAL. NÃO APLICABILIDADE TESE DA AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, indicando precisamente o fato gerador do tributo, o sujeito passivo, a base de cálculo e a matéria tributável, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade material da autuação/notificação, mormente tratandose de desconsideração de personalidade jurídica e caracterização de segurados empregados, onde os requisitos do vínculo empregatício devem restar circunstanciadamente comprovados. O vício de natureza material constatado no lançamento enseja de pronto a nulidade do feito, não atraindo para si a tese da inexistência de prejuízo, tendo em vista que a ausência da descrição do fato gerador ou qualquer elemento necessário à validade do ato administrativo prescrito no artigo 142 do CTN, representa, por si só, evidente cerceamento à ampla defesa e contraditório do contribuinte, por impossibilitar a compreensão do lhe está sendo imputado. Recurso especial negado.” (CARF, CSRF, Ac. 9202002.966). Desta forma, assiste razão a Recorrente, devendo ser excluídos do lançamentos existentes com relação aos médicos que na apareceram no estatuto, eis que os tenho como sócios, pois ao que indica, tinham o mesmo tratamento dos demais, sobretudo quanto a forma de receber, ou seja, variável. TERCEIROS Com relação aos terceiros, ou seja, aqueles que não se enquadram no perfil de sócios, ou seja, com relação aos terceiros como reflexo da exigência de contribuições previdenciárias pelo arbitramento como remuneração dos diretores, já que não configurariam distribuição de lucros e ou prólabore, fica mantido o lançamento, já que as alegações do recorrente são exclusivamente de natureza constitucional. JUROS Do mesmo modo, nego provimento ao recurso em relação aos juros, diante da alegação ligada à inconstitucionalidade, eis que nesta Corte não há competência para tratar de constitucionalidade e ou ilegalidade, conforme Súmula CARF n° 2: Fl. 10540DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.527 29 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA No que tange à majoração da multa de ofício para 150%, depreendese do Relatório Fiscal que houve majoração pelo simples fato de ter havido o indeferimento da liminar pleiteada no Mandado de Segurança impetrado pela recorrente. Vejamos o dispositivo legal que trata da multa aplicada: Artigo 44 da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Este artigo trata, portanto, da imputação de penalidades pelo lançamento de ofício, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo, ou contribuições. Destacouse a denominada multa de ofício (75% ou 150%). Essas multas são aplicáveis em procedimento de fiscalização, quando se apure a insuficiência, ou o não recolhimento, de tributos e contribuições por parte do sujeito passivo da obrigação tributária. Portanto, correta a postura adotada pela autoridade fiscal no sentido de que o lançamento estava sujeito à multa de ofício (75% ou 150%). Especificamente quanto à qualificação da multa em 150%, cumpre ressaltar que há necessidade da demonstração da presença do elemento subjetivo. Fl. 10541DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 30 Observase que a aplicação da multa isolada é condicionada a comprovação de falsidade na declaração prestada pelo contribuinte. Na situação sob análise, a fiscalização fundamenta a aplicação da seguinte forma: 24.2 APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA 24.2.1 Como restou caracterizado e demonstrado pelo farto conjunto de documentos probatórios exposto ao longo deste relatório, houve evidente intuito do contribuinte em sonegar as contribuições ora lançadas e em fraudar a Administração Tributária Federal com o fito específico de reduzir os custos tributários. 24.2.2 Assim, restou configurada a hipótese prevista no §1º do artigo 44 da Lei 9.430/96, acarretando aplicação de multa qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições ora lançadas. Para que restasse caracterizada a falsidade/sonegação mencionada no § 10 do art. 89, entendo que deveria ser comprovada o dolo, conceituada no art. 72 da Lei n.º 4.502/1964, verbis: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Há muito tempo o CARF já possui entendimento de que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Diante do exposto, entendo que deva ser afastada a multa isolada, por falta de caracterização de conduta fraudulenta. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO interposto, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para: (i) manter os DEBCADs n. 51.008.9526 (empresa e RAT), 51.038.5613 (segurados e contribuintes individuais) e 51.038.5605 (Terceiros), quanto aos valores desconsiderados como distribuição de lucros e qualificados como remuneração, exclusivamente com Fl. 10542DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.528 31 relação aos diretores Wemer Alfred Gamperli, Paulo Kiyotaka Oshiro, Walter Dualibi e Francisco Otaviano Wilgenfritz; devendo ser excluídos dos demais sócios, tidos por segurados empregados; (ii) afastar o DEBCAD n. 51.038.5591, haja vista a ausência de elementos para desconsiderar a relação jurídica da Recorrente e tributar os sócios, inclusive aqueles fora do contrato social, como segurado empregado; (iii) afastar o DEBCAD n. 51.038.5575; e (iv) excluir a multa isolada, por não ter sido demonstrado o elemento subjetivo do tipo. É como Voto. (assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 10543DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10730.909680/2011-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 12/11/2004
LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%.
As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO.
No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitamse à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a nãoapresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a nãohomologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 96 80 /2 01 1- 07 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909680/201107 Acórdão n.º 3801004.349 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Conforme relatório do acórdão recorrido, tratase o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, de crédito referente a valor da Cofins que teria sido recolhido a maior com débito trituário da contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não reconheceu ou reconhecer parcialmente o direito de crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento foi total ou parcialmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. Cientificada do despacho eletrônico, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que, no exercício de 2004 e parte de 2005, a empresa pagou indevidamente a COFINS com base na alíquota de 7,4% quando deveria ser de 3%, porque enquadravase no regime cumulativo. Demonstrou, para o período de apuração que ensejou o pagamento indevido ou a maior, o erro no cálculo, como apurou o valor a que teria direito e como apropriou este valor na compensação de débito para com a Fazenda Nacional. Afirma que a Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB estaria cometendo um equívoco, ao alegar que o crédito já foi utilizado em quitação de débitos da empresa. A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: (...) MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909680/201107 Acórdão n.º 3801004.349 S3TE01 Fl. 4 3 dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.” Após, foi apresentado recurso voluntário, no qual a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. A recorrente afirma que apesar de estar submetida à tributação do IRPJ com base no lucro presumido, o que implicaria ter que recolher a Cofins à alíquota de 3% sob o regime cumulativo, equivocadamente calculou a contribuição aplicando alíquota maior. Após ter verificado o erro, procedeu à compensação dos valores que entendeu ter recolhido a maior com débitos perante a Fazenda Nacional de Cofins, contribuição para o PIS/Pasep, IRPJ e CSLL. São vários os processos em julgamento nesta Turma Especial. Nos processos em que a recorrente compensou os supostos créditos com IRPJ e CSLL, as Declarações de Compensação evidenciam que a recorrente se enquadrava no lucro presumido, o que ensejaria a tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Cito: “Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ( Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005 ). I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; (...)” Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909680/201107 Acórdão n.º 3801004.349 S3TE01 Fl. 5 4 A decisão da Delegacia da Receita Federal de origem, por meio de despacho eletrônico, pela nãohomologação da compensação declarada baseouse na nãocomprovação da existência de crédito disponível. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Julgamento que manteve o despacho decisório fundamentouse na nãoapresentação de comprovantes fiscais e contábeis, em especial notas fiscais e livros fiscais e contábeis, relativos ao crédito pleiteado por meio de despacho eletrônico, constando do voto do acórdão recorrido que a contribuinte limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria apurado o novo valor do tributo devido. Compulsando os autos, constato que a empresa apresentou, antes do julgamento de primeira instância administrativa, planilha com demonstrativo de pagamentos a maior, informando para o período de apuração o faturamento, o valor pago, o valor devido e o valor pago a maior; cópia de nota fiscal de serviços; e cópia de comprovante de recolhimento. Em julgamentos anteriores de casos semelhantes, votei por negar provimento ao recurso voluntário, na falta de comprovação plena da certeza e liquidez do crédito pleiteado, porém, após ficar vencido sozinho em todos eles, considerando o princípio do colegiado, adoto a posição majoritária da turma, nos casos de despacho eletrônico em que a contribuinte apresenta na fase recursal documentos e demonstrativos que indiquem possuir bom direito, para aplicar o princípio da verdade material e da vedação ao enriquecimento sem causa para mitigar em parte a exigência de plena comprovação na manifestação de inconformidade ou mesmo no recurso voluntário da liquidez do crédito, limitandome a tratar da existência do direito de crédito e ressalvando à Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder/dever de verificar na escrita fiscal e contábil da interessada sua liquidez. Esclareço que esta postura leva em consideração que a retificação da DCTF não é condição para o deferimento do pedido de crédito ou para a homologação da compensação declarada e que a ausência nos autos dos livros contábeis e fiscais, quando apresentados os documentos fiscais e demonstrativos dos cálculos do tributo recolhido a maior ou indevidamente e do tributo devido, pode ser suprida, no momento da execução da decisão administrativa, por meio de diligência fiscal ou intimação fiscal para apresentação dos livros pela contribuinte. No presente caso, em que a decisão administrativa se concretizou por meio de despacho eletrônico sem qualquer intimação para que a interessada prestasse informações ou apresentasse provas necessárias à análise do pleito, a Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, ampara o entendimento segundo o qual a administração tributária poderia. Cito: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. (...) Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909680/201107 Acórdão n.º 3801004.349 S3TE01 Fl. 6 5 Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. A mesma lei estabelece que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer, com base nas notas fiscais e demonstrativos acostados aos autos, o direito de crédito referente à diferença entre a Cofins efetivamente paga e a devida pela tributação cumulativa à alíquota de 3%, e homologar a compensação declarada até o limite do crédito disponível, ressalvando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil deverá apurar a liquidez do crédito com base nos livros fiscais e contábeis da contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10280.721982/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1401-001.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, em face da intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, em face da intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 19 82 /2 00 9- 78 Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.307 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0126.397, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA. Relatório I DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, referente ao anocalendário de 2004, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 05.2009) TRIBUTO IMPOSTO RS JUROS DE MORA RS MULTA RS TOTAL RS IRPJ 412.693,70 238.825,84 464.280,41 1.115.799,95 CSLL 157.209,73 90.977,27 176.860,94 425.047,94 TOTAL 1.540.847,89 A impugnante tomou ciência do auto de Infração em 03/07/09(fls. 877). II DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: 001 CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS 1.1 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS Os valores que constam na planilha anexada ao termo de início e para os quais a empresa não comprovou documentalmente os destinatários das importâncias são considerados fatos geradores do tributo fiscalizado, configurandose, nos termos da legislação vigente, montantes pagos, devidos ou creditados a beneficiários não identificados, de acordo com art. 674 do RIR99. . a empresa não justifica de forma alguma as despesas para as quais foi intimada, sendo inadmissível aceitar como comprovados os destinatários dos registros verificados na contabilidade. Dessa forma, os valores elencados e para os quais não houve justificativa que elida a presunção de valores pagos a beneficiário não identificados, são fatos geradores dos tributos fiscalizados, ao mesmo tempo as despesas são glosadas na apuração do lucro líquido do exercício, haja vista tratarse de empresa tributada sobre o lucro real e esses valores são artifícios utilizados para reduzir o lucro do exercício a que se refere este auto de infração, ano calendário 2004. Os valores que constam na planilha anexada a este auto de infração são considerados não dedutíveis, a luz do Art 304 do RIR99. Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.308 3 1.3 DO AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO A penalidade aplicada foi agravada pela falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização, nos termo de Lei 9430/96, resultando em multa de ofício de 112,5%. III DA IMPUGNAÇÃO 3 Em 31/07/2009, a Empresa apresentou impugnação ao Auto de infração (fls. 1.218), e alega em síntese: 1 DAS PRELIMINARES 1.1 NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA DEVIDO PROCESSO LEGAL Inicialmente a Impugnada alega ser frágil a presunção, para se chegar a ilação no sentido de que existiram omissões de receitas. Posteriormente, tece um estudo doutrinário acerca dos princípios constitucionais do devido processo legal, e da ampla defesa, citando grandes autores renomados da área. E conclui: No presente caso, há cerceamento de defesa da impugnante, com conseqüente violação ao devido processo legal administrativo, uma vez que o auto de infração foi lavrado com fundamento em depósitos bancários. Ocorre, no entanto, que não houve juntamente com ò auto de infração e termo de verificação fiscal, a apresentação de uma planilha com as contas correntes e os depósitos bancários um a um que foram utilizados como omissão de receitas e aplicada a presunção. Não houve o encaminhamento desta descrição, razão pela qual há cerceamento ao pleno exercício do direito de defesa da impugnante. Sem a explicitação de todos os elementos que serviram de fundamento, em especial, a demonstração, um a um, do porquê glosou as despesas e, principalmente, a ausência de comprovação, impossível se torna a efetiva defesa.(grifamos). 1.2 DA DECADÊNCIA Com fundamento no § 4° do art. 150 do CTN a impugnante alega: No caso em tela, o período entre janeiro e junho de 2004 foi atingido pela decadência, vez que a autuação somente foi deflagrada em 03 de julho de 2009; ou seja, após ter fluído mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores, sendo certo ainda que as contribuições previdenciárias estão sujeitas a modalidade de lançamento por homologação. Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.309 4 2 DO MÉRITO ELEMENTOS DE PROVA Nulidade do arbitramento das bases de cálculo Além de não ter observado o devido processo legal e o princípio da razoabilidade, é certo também que a autuação e, principalmente, o relatório fiscal padece de evidente contradição, o que provoca a nulidade do auto de infração. Observe, Emérito Julgador, que a prova colhida dos autos é emprestada da lavratura de autos de infração para apuração de contribuições previdenciárias, sendo que consta da conclusão do Sr. Auditor Fiscal naqueles a autos. Analisandose esse trecho, a contradição mencionada resta evidente, pois , utilizamse os valores escriturados pela Impugnante para aferição, indireta das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, mas logo após afirmase que a contabilidade não possui credibilidade e deve ser desconsiderada. Desse modo, a nulidade do presente auto de infração é notória, de forma que merece ser reconhecida, mesmo porque, a presunção, em matéria tributária não é um campo aberto sem qualquer tipo de limitação. Devem existir critérios legais, válidos e coerentes para estipulação da base de cálculo, sob pena de violação ao princípio da estrita legalidade e da tipicidade cerrada. No caso em tela, a aferição indireta que serviu de suporte para a presente autuação não está pautada em critério válido, vez que, como já afirmado, a fiscalização desconsiderou 'a contabilidade da empresa, e, ao mesmo tempo, utilizou dos dados escriturados nos Livros Diário e Razão para arbitrar as bases de cálculo. (grifamos). Nulidade do arbitramento das despesas Conforme exaustivamente debatido nos autos, inclusive quando, da fiscalização, a impugnante procurou demonstrar de todas as formas que os valores identificados às fls. do auto de infração, são despesas justificáveis, sendo, via de conseqüência, inaplicáveis as glosas efetuadas. Isto porque, basta uma análise perfunctória dos documentos anexados às fls, 0378 e seguintes que acompanham o auto de infração (novamente anexadas) para se confirmar que grande parte dos valores apontados pela fiscalização foram perfeitamente identificados ou são identificáveis. Somase a isso o fato de que a impugnante forneceu inclusive o número e a identificação dos cheques para que a autoridade administrativa (agente fiscal) pudesse fazer o seu trabalho, nos exatos limites do artigo 142 do CTN. Aliás, em momento algum o D. Agente Fiscal questiona a efetiva existência das despesas, limitandose a questionar a forma como as mesmas foram comprovadas. O que se quer dizer com isso é que, uma vez analisada a contabilidade da empresa (livros diário e razão) e identificados os pagamentos a beneficiários diversos, com os respectivos comprovantes de pagamentos, frisase novamente anexados aos autos (fls. 378 e seguintes), caberia ao agente fiscal diligenciar, mediante a expedição de ofício ao BACEN, acesso à movimentação bancária, etc, Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.310 5 para fins de comprovar que todos os lançamentos contáveis são imprestáveis. (grifamos) Já assertiva possui maior valor se considerarmos que a"postura do agente fiscal foi feita através da contabilidade da própria empresa, ou seja, a contabilidade serviu de parâmetro para malsinada autuação, não sendo a mesma desconsiderada. Finalmente, para sepultar a pretensão fiscal, a exigência contida [no auto de infração somente teria validade se: i) houvesse a comprovação da efetiva entrega dós recursos aos citados beneficiários não identificados e; ii) a efetiva comprovação de que hão houve a operação que motivou o pagamento. PRIMEIRO: AS NOTAS FISCAIS, RECIBOS, NÚMEROS. DE CHEQUES, E DEMAIS DOCUMENTOS COMPROVAM A LEGITIMIDADE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA EMPRESA E, EM DECORRÊNCIA DESSE FATO D. AGENTE FISCAL QUEDOUSE INERTE EM COMPROVAR A ENTREGA DOS RECURSOS AOS SUPOSTOS BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. Mais que isso, quando do lançamento tributário, era ônus da fiscalização elencar todos os elementos de prova aptos a demonstrar a ocorrência do fato gerador, nos exatos termos do artigo 142 do CTN. Conceito constitucional de renda e lucro. A glosa de despesas Portanto, somente ocorrerá o fato gerador do Imposto sobre a renda quando houver um plus ao patrimônio daquele que está a receber a renda ou os proventos de qualquer natureza. 'Assim, toda a despesa deve ser abatida para cômputo da renda e do lucro, sob pena desacordo com o disposto no artigo 153, inciso III, da Constituição Federal, bem como com o disposto rio artigo 43 do Código Tributário Nacional. Em tais condições, forçosa a insubsistência do auto de infração lavrado, sendo, de conseguinte, nula a autuação, por ofensa ao artigo 153, inciso III, 195,1, "c", da Constituição Federal, bem como ao artigo 43 do Código Tributário Nacional. Da Presunção de Omissão de Receitas, ônus da prova. O auto de infração impugnado, em verdade, encontra fundamento em mera, presunção, eis que, utilizase de indício de que inexistem comprovações, quando em verdade tudo foi devidamente escriturado pela legislação vigente, tendose, ainda, respaldo em documentação idônea, apresentada na presente fiscalização, bem como naquela de contribuições previdenciárias, amplamente citada no relatório fiscal. Ocorre, porém, que, no presente caso, a autoridade administrativa lavrou auto de infração tendo, exclusivamente, por supedáneo, a mera presunção, sem demonstrar, cabalmente, como era de sua competência, os elementos que compõem o fato jurídico tributário. Destarte, não basta a simples presunção levantada pela autoridade administrativa de que houve omissão de receitas, com base em análise perfunctória de extratos bancários. (grifamos) Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.311 6 É preciso que a fiscalização apresente ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS SEGUROS da suposta omissão de receitas, o que não foi feito. Estamos, indubitavelmente, diante de um caso em que as autoridades fiscalizadoras buscaram recurso na presunção para fundamentar a autuação imposta à Impugnante, que é arbitrário, inadmissível e ilegal. (grifamos) Comprovação das despesas Ao contrário, do exposto no relatório fiscal, desde a fiscalização de contribuições previdenciárias, eis que os valores foram devidamente escriturados e comprovados. Sem embargo disso, para demonstrar que o equivoco na glosa das despesas dedutíveis de IRPJ e CSII, a Impugnante junta à presente impugnação vários documentos, a saber: a) contratos firmados com clientes e notas fiscais emitidas, para acobertar as respectivas prestações de serviço; b) notas fiscais e recibos demonstrando a realização de despesas para o _ exercício das atividades empresariais. De fato, esses documentos comprovem amplamente que a alegada ausência de demonstração de despesas realizada pelo Fisco não procede. Isso porque a escrituração lançada na contabilidade está amparada em documentos fiscais idôneos (notas e recibos), de forma que, se não fosse concedido uni prazo muito exíguo para apresentação dos mesmos, é certo que a autuação nem teria sido levada a efeito. Como ficou demonstrada a origem das despesas lançadas na contabilidade mediante a juntada dos inclusos documentos, fica afastada a presunção iurís tantum do Fisco de que inexistem comprovações, cabendo a este o ônus de afastar uma a uma as documentações apresentadas e escrituradas, sob pena de se reconhecer a improcedência do lançamento. Em tais condições, è de se cancelar o Auto de Infração porque os inclusos documentos demonstram as despesas indicadas pelo Fisco (total ou parcialmente), impondo, assim, o afastamento da glosa realizada. 3 DOS JUROS SELIC APLICADOS os juros moratórios constantes do auto de infração também possuem caráter de indenização, tendo por pressuposto amora, ou seja, agem como complemento indenizatório da obrigação principal, destinandose a apenar a mora. a sua adoção como supostos juros "moratórios" (sic) é expediente ilegal e inconstitucional, pois desnatura por completo o pressuposto e à finalidade desta espécie de juros; a TAXA SELIC, da forma como existente e calculada hoje, não guarda qualquer correlação lógica com a recomposição do patrimônio lesado, pela falta do tributo não pago, como se busca nos juros moratórios.(grifamos) 4 DAS MULTAS APLICADAS DA RAZOABILIDADE DA PROPORCIONALIDADE DO CONFISCO. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.312 7 Por outra banda, as multas aplicadas, no auto de infração, ofendem aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5°, inciso LIV) e da proibição do confisco (àrt. 150, inciso IV), previstos na Constituição Federal.(grifamos). Isto porque, o valor da multa de 112% é de evidente irrazoabilidade e confisco. Ao menos, há de se reduzir a multa de 112,5% para 75%, uma vez que não se justifica a aplicação de multa qualificada por força de eventual glosa das despesas contabilizadas. Em momento algum há de se entender que o simples fato de não se conseguir comprovar parte das despesas é fraude capaz de conduzir a multa superior ao percentual de 75%. Por outro lado, não houve qualquer descrição no relatório fiscal do imposto sobre a renda e da contribuição social sobre o lucro da conduta realizada pela impugnante que seria dolosa e tipificaria alguns dos tipos previstos na Lei n. 4.502/62. bem como no Art 44 da Lei n. 9.430/96. O relatório fiscal somente cita o trecho dá lei, sem justificar claramente o comportamento causador da majoração da multa. (grifamos) 5 DO PEDIDO Em face do exposto, requer seja acolhida a presente Impugnação, especialmente, julgando improcedente o lançamento tributário, tendo em vista qual insubsistência, como medida de legalidade. Acaso não se acolha o entendimento pela impossibilidade de presunção, pelo princípio da verdade material, requer a baixa dos autos para diligência. Informa, finalmente que o instrumento procuratório já fora juntado quando do procedimento fiscalizatório. 6 DAS DECISÕES ADMINITRATIVAS E JUDICIÁRIAS MENCIONADAS Para consubstanciar as suas argumentações a Impugnante mencionou julgados administrativos e judiciais. 7 DAS DOCUMENTAÇÕES ANEXADAS À IMPUGNAÇÃO Cópias de cheques; Recibos de aluguel; Notas de restaurantes; Cupons Fiscais; Notas Fiscais de supermercados; Notas Fiscais de prestação de serviços Hotel; Notas Fiscais de Auto peças; Recibos diversos; Tikets de passagens; Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.313 8 Conhecimentos de fretes; Recibos de Recisão de Contratos; Recibos de pagamentos de custas judiciais; Recibos de pagamentos de patrocínios à atleta; Notas fiscais de Materiais elétricos; Alterações Contratuais. É o relatório. É o relatório. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com efeito inter partes, não podem ser aplicadas a outros casos. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4° do art. 150 do CTN. De outra forma, aplicase a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. Apresentada a pretensão fiscal munida de provas, cumpre ao contribuinte indicar fatos que desconstitua o lançamento mediante elementos que militem em seu favor. Deve o interessado contestar a autuação com meios de prova eficazes, apresentando fatos impeditivos, modificativos ou extintivos em relação ao crédito tributário. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.314 9 Na cabe a marajora da multa de ofício, quando a Auditoria não comprova os pressupostos do § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430/96, para sua efetivação. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. DILIGÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência pleiteada pela defendente deve ser indeferida quando a análise das matérias controvertidas prescinde de produção de provas além das constantes dos autos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF de fls. 1.252 a 1.300. É o relatório. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.348 S1C4T1 Fl. 1.315 10 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Verifico, preliminarmente, que o Recurso foi interposto fora do prazo de trintas dias, contados a partir da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. É de se ver. Conforme atesta o Aviso de Recebimento de fl. 1.250 referente à Intimação de fls.1.227 como consignado expressamente nele , a ciência ocorreu em 01/07/2013 e o Recurso somente foi protocolizado em 08/08/2013, conforme o carimbo de protocolo às fls. 1552, superando em oito dias o prazo regulamentar de 30(trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Outrossim, a recorrente não traz em seu recurso nenhum argumento para infirmar a conclusão acima. Pelo exposto, voto no sentido NÃO CONHECER do recurso, face à intempestividade. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 35301.001201/2007-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/08/2005
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL JULGADO INCONSTITUCIONAL E OBJETO DE SÚMULA DO STF. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. RECURSO POR CONTRARIEDADE À LEI.
Em sede de Recurso Especial por Contrariedade à Lei, é cabível o reconhecimento de decadência, ainda que tal matéria não seja objeto do apelo, desde que não se opere reformatio in pejus. Constatado o pagamento antecipado, nos termos da Súmula CARF nº 99, de 09/12/2013, aplica-se o art. 150, § 4º, do CTN.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (SC). PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA (PLR). REGRAS CLARAS E OBJETIVAS, EXISTÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Segundo determinação da Lei 8.212/1991, j, § 9º, Art. 28, não integrará o SC a PLR, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, que é a Lei 10.101/2000.
Conforme determina a Lei 10.101/2000, em seu art. 2º, a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados e dos instrumentos decorrentes dessa negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.
No presente caso, com a acusação fiscal, as provas e argumentos do sujeito passivo e as determinações legais, verificamos a existência de regras claras e objetivas, motivo da manutenção da decisão a quo e da, conseqüente, negativa de provimento do recurso de contrariedade da nobre PGFN.
Numero da decisão: 9202-003.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência de janeiro/2000 a junho/2001. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Fez sustentação oral o Dr. Marcos Cezar Najjorian Batista, OAB/SP nº 127.352, advogado do contribuinte. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Drª. Patrícia de Amorim Gomes Macedo.
(Assinado digitalmente)
Otacilio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Redator-Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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APLICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL JULGADO INCONSTITUCIONAL E OBJETO DE SÚMULA DO STF. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. RECURSO POR CONTRARIEDADE À LEI. Em sede de Recurso Especial por Contrariedade à Lei, é cabível o reconhecimento de decadência, ainda que tal matéria não seja objeto do apelo, desde que não se opere reformatio in pejus. Constatado o pagamento antecipado, nos termos da Súmula CARF nº 99, de 09/12/2013, aplicase o art. 150, § 4º, do CTN. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (SC). PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA (PLR). REGRAS CLARAS E OBJETIVAS, EXISTÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA. Segundo determinação da Lei 8.212/1991, “j”, § 9º, Art. 28, não integrará o SC a PLR, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, que é a Lei 10.101/2000. Conforme determina a Lei 10.101/2000, em seu art. 2º, a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados e dos instrumentos decorrentes dessa negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 12 01 /2 00 7- 07 Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 No presente caso, com a acusação fiscal, as provas e argumentos do sujeito passivo e as determinações legais, verificamos a existência de regras claras e objetivas, motivo da manutenção da decisão a quo e da, conseqüente, negativa de provimento do recurso de contrariedade da nobre PGFN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência de janeiro/2000 a junho/2001. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Fez sustentação oral o Dr. Marcos Cezar Najjorian Batista, OAB/SP nº 127.352, advogado do contribuinte. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Drª. Patrícia de Amorim Gomes Macedo. (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – RedatorDesignado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de autuação, sob o fundamento de que os valores concedidos aos funcionários da empresa, a título de PLR – Participação nos Lucros e Resultados, constituiriam parcelas remuneratórias, fornecidas em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, devendo, portanto, integrar o Salário de Contribuição. A Fiscalização, analisando o “Sistema de Remuneração Variável – Bases do Plano de Participação na Superação de Resultados” (fls. 144 a 153), considerou não atendido o art. 2º da Lei nº 10.101, conforme os seguintes argumentos: 2.6. Assim, ao analisar o “plano de participação na superação de resultados remuneração variável” (DOC. 1 fotocópia), especialmente ao confrontálo com o relatório “sistema de participação nos lucros cálculo da participação” (DOC. 2 fotocópia) e outros documentos, esta AuditoriaFiscal constatou que o programa não contempla regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos funcionários à participação nos resultados, bem como em relação aos percentuais a que cada trabalhador teria direito. Igualmente, os mecanismos de aferição das metas não se mostram claros. 2.7. A Fim de ilustrar a constatação acima relatada, tomemos como exemplo o caso do contrato referente à obra do “RODOANEL CEI 3494000029/78”, em que, tendo apresentado resultado positivo, ensejou a participação de funcionários no referido resultado, conforme se verifica, por amostragem, no “sistema de participação nos lucros – conta corrente do funcionário Alfredo de Hollanda Lima Neto” (DOC. 3 fotocópia). Tal documento nos informa que o trabalhador recebeu, sob este título e relativamente ao contrato do "RODOANEL", valores nos meses de 02/2001 (ref. exercício de 2000), 08/2001 (ref. exercício 2001) e 02/2002 (ref. exercício 2001). Já, o funcionário Raimundo Mauro Gomes, servente, embora houvesse trabalhado no "RODOANEL" no mesmo período de apuração dos resultados dos quais participou o funcionário Alfredo de Hollanda, engenheiro (de 05/2000 a 08/2002), não teve, por sua vez, qualquer participação no resultado (vide ficha financeira dos funcionários DOC. 4). O mesmo ocorrendo para os seguintes funcionários: Gilmar Martins Ferreira, carpinteiro (03/2001 a 02/2002); Francisco A. do Livramento, auxiliar de topógrafo (03/2001 a 06/2002); e Washington L. D. de Oliveira, pedreiro (03/2001 a 07/2002). Em situação idêntica ao Sr. Raimundo Mauro Gomes, este pessoal prestou serviços no período de apuração dos resultados sem que deles, contudo, houvesse também participado, conforme demonstrados em suas fichas financeiras. 2.8. O contrato do "RODOANEL" vigorou de 09/1999 a 08/2002. Neste período, inúmeros empregados da Construtora Queiroz Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Galvão S/A lá estiveram prestando serviços, conforme se verifica por meio do “sistema gestão de pessoal – obra: 70370002 RODOANEL" (DOC. 5). Tal documento nos informa que, em todo o período de vigência do contrato, 1.229 empregados colaboraram com a sua execução. Porém, apenas uma pequena parcela deste pessoal participou dos seus resultados, ou, mais precisamente, 68 funcionários, conforme nos demonstra a folha de pagamentos da empresa. 2.9. Retomando a análise do “plano de participação na superação de resultados remuneração variável” (DOC. 1 fotocópia), é possível identificar os seguintes aspectos relevantes em suas bases: 2.9.1. PRESSUPOSTOS BÁSICOS: “... a ocorrência de resultados empresariais econômicofinanceiros positivos, em nível do Grupo, constitui prérequisito básico e eliminatório à participação, de todas as equipes não diretamente vinculadas a um contrato específico. Na situação eventual de ocorrência de resultado econômicofinanceiro positivo de uma Unidade Regional e/ou Área de Negócios, quando de resultado empresarial negativo do Grupo, o direito à participação será garantido, desde que atendidas as demais premissas. Esta garantia se dará através de crédito em contacorrente dos profissionais beneficiários, a ser quitado quando da reversão do resultado negativo do Grupo, em níveis suficientes para saldar tais direitos adquiridos.”; “... a perspectivas de participação deve condicionarse à extrapolação dos indispensáveis resultados financeiros, abrangendo, também, metas de Imagem Institucional, Desenvolvimento Tecnológico, Patrimônio Humano e Dimensão Econômica. O foco almejado para a concessão da participação deve ser a superação dos resultados normais desejados, reconhecendose, dessa forma, um esforço que justifique uma remuneração complementar ao saláriobase mensal. O saláriobase mensal remunera a experiência acumulada e o potencial de contribuição que o colaborador coloca à disposição do Grupo Queiroz Galvão... na dimensão específica de cada colaborador é definido a partir da classificação profissional e conseqüente enquadramento no plano salarial em vigor. “...Considerando serem os contratos o núcleo principal de resultado empresarial do grupo, o plano de participação deve criar perspectivas privilegiadas de reconhecimento dos esforços de superação de resultados, ocorridos em nível de cada Contrato..." 2.9.2. DEFINIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL : "... Conquistado o Contrato, o Diretor da Área de Negócios responsável, envolvendo os profissionais/áreas que julgar pertinente, analisa as condições específicas aplicáveis, e propõe o percentual a ser considerado para efeito de Participação. Consensado o percentual, o Diretor da Área de Negócios o submeterá à apreciação da Diretoria Corporativa Colegiada que o homologará... A determinação do percentual deverá ser feita a partir da avaliação e formalização das conclusões, com base nos Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 4 5 seguintes quesitos: complexidade negocial, complexidade operacional e resultado econômicofinanceiro desejado..." 2.9.3. APURAÇÃO: "... o resultado para efeito de participação, será calculado com base no critério financeiro, ou seja, os recebimentos das faturas dos serviços executados menos os pagamentos de despesas e custos..." 2.9.4. PERÍODO DE APURAÇÃO: "... a apuração dos resultados ocorrerá nos meses de junho e dezembro, referente aos períodos de janeiro a junho e julho e dezembro respectivamente. O pagamento ocorrerá nos meses de agosto e fevereiro..." 2.9.5. DO DIREITO: "... todos os colaboradores participarão dos resultados apurados, desde que estejam na empresa há mais de 12 meses consecutivos, e tenham participado do período de seis meses de apuração..." 2.10. Do ‘plano de participação na superação de resultados – remuneração variável’ (DOC. 1 fotocópia), cujas bases foram acima parcialmente transcritas, revelamse como aspectos relevantes o fato de a participação assentarse fundamentalmente nos contratos firmados, utilizando o critério financeiro para sua apuração e a fixação dos direitos dos funcionários à participação nos resultados submeterse a condições nada claras, cujas metas e definição dos participantes impõem avaliações de caráter subjetivo. 2.11. Como conseqüência, observase, a exemplo do "RODOANEL", contratos cujos resultados ficaram adstritos somente a uma parcela dos funcionários envolvidos, não restando evidenciados os critérios, ou melhor, quaisquer justificativas para tal situação. 2.12. Intimada, então, por meio do termo lavrado em 28/04/2006 (DOC. 6), a manifestarse sobre os critérios adotados para fixação dos direitos à participação dos funcionários, a empresa limitouse a informar que os mesmos estariam “estabelecidos nas bases do plano de participação na superação de resultados remuneração variável (item III critérios)” (DOC. 6A). 2.13. Ao que se expõe, esta AuditoriaFiscal concluiu que os valores concedidos aos funcionários sob o título de “participação nos resultados” constituem parcelas remuneratórias fornecidas em desacordo com a Lei nº. 10.101/2000, devendo, por esta razão,(...), submeteremse à incidência das contribuições previdenciárias e integrar o salário decontribuição de cada segurado beneficiado.” (destaques no original) Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Em face da autuação, a Contribuinte apresentou a Defesa Administrativa de fls. 555 a 578, contendo os seguintes argumentos, assim resumidos na DN – Decisão Notificação, às fls. 973: “4. A empresa foi cientificada pessoalmente do lançamento, em 14/07/2006, tendo protocolado sua impugnação em 31/07/2006, portanto, tempestivamente. Nessa oportunidade, apresentou os seguintes argumentos: 4.1. inicialmente, argúi a cobrança em excesso da contribuição de segurados, eis que os valores ora exigidos ultrapassam o limite máximo mensal relativamente a alguns segurados cuja cobrança já ocorrera na NFLD n° 37.013.0502, fato que impõe a apreciação de ambas em conjunto, para fins de retificação; 4.2. afirma que o direito do INSS de constituir o crédito em comento, relativamente às competências anteriores a julho de 2001, foi alcançado pela decadência, face ao disposto no art. 150 § 4º do Código Tributário Nacional; 4.3. afirma, ainda, a existência de vício na fundamentação legal envolvendo as competências anteriores ao advento da Lei 10.101/00; 4.4. defende a incompetência da autoridade fiscal para perquirir acerca da regularidade dos critérios intrínsecos do pacto ajustado entre as partes para a implementação do programa de participação nos lucros e resultados. Neste sentido, cita pareceres da Consultoria Jurídica do MPS.” Os argumentos acima, contidos na Defesa Administrativa, foram assim enfrentados pela DN – Decisão Notificação (fls. 973 a 975): quanto ao erro apontado pela Contribuinte: “6. Inicialmente, cumpre esclarecer que, para efeito de cobrança da contribuição de segurados empregados, observase que a minuta de cálculo utilizada para fins de adequação da exação ao limite máximo mensal por segurado levou em consideração, exclusivamente, os valores já descontados na folha de salários, deixando de lado aqueles já exigidos, dos mesmos segurados, na NFLD n° 37.013.0502. 7. Tal fato acarretou, para alguns segurados, a cobrança da referida contribuição acima do limite máximo mensal, tal como oportunamente arguido pela impugnante. 8. Para fins de adequação do quantum debeatur aos limites legais, retificase o presente lançamento nos termos da informação fiscal de fls. 968 a 970, e planilhas de fls. 607 a 927, cujas cópias seguem em anexo à presente decisão. quanto à argüição de decadência: 9. Com relação à alegação de decadência, temos que, com o advento da Lei 8.212/91, a decadência das contribuições Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 5 7 previdenciárias ficou estipulada em 10 anos, conforme disposto no art. 45 do referido diploma legal, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Portanto, não se operou a decadência em relação a nenhuma competência do crédito. quanto ao alegado vício na fundamentação legal da autuação, relativamente a fatos geradores anteriores à Lei nº 10.101, de 2000: 10. No que se refere ao suposto vício de fundamentação legal suscitado pela defendente, não procedem os argumentos aduzidos. 11. Em primeiro lugar, o próprio texto da Lei 10.101/2000 expressamente identifica a Medida Provisória (n° 1.98277) adotada para fins de conversão no referido diploma. Como as competências anteriores à vigência da lei n° 10.101/2000 estão abrangidas por edições anteriores da medida provisória convertida, não há que se falar em ausência de fundamentação legal, eis que a lei 10.101/2000 foi devidamente citada no relatório fiscal. 12. Em segundo lugar, cumpre esclarecer que inexiste nulidade sem prejuízo, e no caso concreto o próprio sujeito passivo, em sua impugnação, desenvolve com bastante lucidez todo o processo de regulamentação do direto dos trabalhadores à participação nos lucros e resultados da empresa, demonstrando conhecimento ímpar de todas as medidas provisórias anteriores à lei 10.101/2000, assim como de pareceres normativos sobre a matéria, no âmbito da Previdência Social. quanto à alegação de incompetência da autoridade fiscal para perquirir acerca dos critérios intrínsecos do pacto referente à PLR: 13. Ao contrário do entendimento da impugnante, o art. 7º, inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos resultados desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. O Pretório Excelso, ao julgar o Mandado de Injunção n.° 426, estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória n° 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração e, consequentemente de salário de contribuição, para os fins de incidência da exação previdenciária. (...) 15. Portanto, é necessário lei ordinária para estabelecer as regras gerais que determinem a aplicação do inciso XI, do art. 7º, da CF. Até a edição da lei, a empresa que distribuir os lucros aos seus empregados, com habitualidade, deverá obedecer o Enunciado 251 do TST. Isto significa que, enquanto não havia lei Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 específica sobre a participação nos lucros e esta foi paga com habitualidade, ocorria a incidência da contribuição previdenciária, pois a desvinculação da remuneração somente se deu com a regulamentação legal realizada pela Medida Provisória 794/94. 16. Após 29/12/94, data da Medida Provisória 794, a participação nos lucros não tem mais natureza jurídica salarial, desde que paga em conformidade com a mesma e suas reedições. 17. A Medida Provisória n° 794/94 foi reeditada até ser convertida na Lei no 10.101, de 19 de dezembro de 2000, mantendo em todas as suas edições a exigência do artigo 2º de que a participação nos lucros ou resultados seja objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. Reza ainda o §1º do art. 2º que “dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo ( ... )". 18. Nesse contexto, os documentos que perfazem o ‘Sistema de Remuneração Variável – Bases do Plano de Participação na Superação de Resultados’ (fls. 144 a 153) não contemplam regras claras e objetivas. Não há definição prévia do percentual a que fazem jus coletivamente os empregados, bem como inexiste qualquer critério objetivo para determinar a participação individual de cada um. Além disso, a aferição da metas igualmente peca pela obscuridade. 19. O subjetivismo que envolve os critérios adotados de pelo sujeito passivo resulta, inevitavelmente, em distorções e privilégios como a exclusão, sem nenhuma explicação pela impugnante, da participação nos resultados de vários funcionários , tal como evidenciado nos subitens 2.7 e 2.8 do relatório fiscal. Aliás, é marcante o fato de que, para a obra do RODOANEL — 70370002, 1.229 empregados colaboraram com a sua execução, porém apenas 68 funcionários auferiram o direito a participação nos resultados. 20. Ao estipular a obrigatoriedade de regras claras e objetivas para a participação nos resultados, a lei não abre exceções. E certamente é possível estabelecer parâmetros claros para a participação nos resultados sem, necessariamente, expor as estratégias de mercado ou dados sigilosos da empresa. O que não é possível é contrariar o interesse público subjacente ao regramento constitucional em função de interesses particulares. 21. Inaceitável é o primarismo do raciocínio desenvolvido pela impugnaste, que tenta a todo custo legitimar o seu comportamento, defendendo a incompetência da fiscalização para avaliar o cumprimento do parâmetro em exame, olvidando, por outro lado, as graves inconsistências, distorções e obscuridades de seu programa de participação nos resultados. 22. O fato é que tal situação enseja, senão a supressão de salários, o escamoteamento das remunerações pagas, subtraindoas à tributação. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 6 9 23. Em resumo, temse que a empresa não cumpriu os requisitos estabelecidos na norma regulamentadora, sendo base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de participação nos resultados, uma vez que a Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, alínea condicionou a exclusão da parcela à estrita observância da lei específica.” Em face da decisão de Primeira Instância, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 1.014 a 1.037, contestando genericamente seus fundamentos e reiterando as razões de defesa (fls. 1.014/1.015): “I da precariedade da DN — da impugnação total aos termos decisórios firmados em primeira instância A DN ora recorrida não abordou, adequadamente, a plenitude dos argumentos desenvolvidos pelo contribuinte quando de sua originária defesa administrativa. E, no curso do processamento da pretensão recursal ora formalizada, bem demonstrará o contribuinte a total precariedade do ato decisório de índole administrativa ora combatido, inclusive, por meio da formalização de peça aditivas à presente. De qualquer forma, reportase o contribuinte à plenitude dos argumentos suscitados quando de sua defesa administrativa, que passam a fazer parte integrante deste manifesto recursal, inclusive, por ser de direito que a superior instância administrativa de julgamentos aprecieos, com vistas à constatação que a recorrida DN não enfrentou, conforme específicas exigências legais e normativas a respeito, tal defensiva linha argumentativa. Fica, pois, impugnada a recorrida DN na sua plenitude, merecendo ser considerada como um ato administrativo desprovido de prosperidade, circunstância esta a colaborar com o reconhecimento de que a própria NFLD, como um todo, deve ser cancelada in totum, sendo esta, aliás, a efetiva pretensão recursal almejada pelo contribuinte in casu.” Após esse preâmbulo, a Contribuinte aborda diversas matérias em seu Recurso Voluntário, a saber: ofensa aos princípios norteadores do processo administrativo fiscal; exações tidas como inconstitucionais (SAT – Seguro Acidente de Trabalho, SEBRAE, INCRA, contribuições devidas a terceiros); consectários legais; e obrigatoriedade de julgamento da inconstitucionalidade da legislação pela administração pública. Em sessão plenária de 07/10/2008, foi julgado o Recurso Voluntário nº 149.639, prolatandose o Acórdão nº 20501.178 (fls. 1.121 a 1.133), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/02/2000 a 31/08/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de participação nos lucros em conformidade com os requisitos legais. Recurso Voluntário Provido.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros da quinta câmara do segundo conselho de contribuintes, Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Marco André Ramos Vieira. Presença da Sr Advogado Marcos Cezar Najjarian Batista, OAB/SP 127352 que realizou sustentação oral.” Cientificada do acórdão em 13/03/2009 (fls. 1.134), a Fazenda Nacional interpôs, em 24/03/2009 (fls. 1.136), o Recurso Especial de fls. 1.137 a 1.147, com fundamento no artigo 7ª, inciso I, e 15, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época, alegando contrariedade ao art. 2º, caput e §1º, da Lei 10.101, de 2000. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 245, sem data (fls. 1.149). No apelo, a Fazenda Nacional argumenta, em síntese: a autoridade fiscalizadora entendeu que o programa de participação nos lucros da fiscalizada não contemplava regras claras e objetivas o suficiente para atender aos requisitos da Lei 10.101/2000; não determina o percentual a que cada trabalhador teria direito e os mecanismos de aferição de metas não se mostram claros; exemplifica citando que entre trabalhadores que atuaram em uma mesma obra, apenas 68 receberam a participação nos lucros enquanto mais de 1000 não receberam, injustificada mente (item 27, fls. 138); a decisão de primeira instância manteve os principais fundamentos do lançamento, entretanto o colegiado a quo entendeu que o programa instituído pela empresa atendia a todos os requisitos previstos na Lei 10.101/2000, de modo quesuas parcelas não integram o salário de contribuição dos empregados; aduz a relatora que a lei não impõe o pagamento da PLR a todos os empregados, nem que a participação a ser percebida pelos trabalhadores seja predeterminada; todavia, a decisão não merece prosperar, pelos fundamentos de fato e de direito que se passa a expor; decorre de expressa determinação legal (art. 28, §9º, alínea “j”, da Lei 8.212/91) a necessidade de que a participação nos lucros seja paga ou creditada de acordo com lei específica para que não integre o saláriodecontribuição dos trabalhadores; esta norma específica sobreveio em 1994, consubstanciada na MP 794, que após sucessivas reedições culminou com a Lei 10.101/2000; a partir de então, existem parâmetros a serem observados pelos empregadores para que não incidam encargos previdenciários sobre as verbas distribuídas a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR); Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 7 11 a extrema rigidez na observância de tais parâmetros se justifica na medida em que, em face da não incidência de qualquer verba trabalhista ou previdenciária sobre a renda percebida a título de participação em lucros, tal expediente tende a ser utilizado como subterfúgio para mascarar parcela da remuneração paga pelas empresas; os principais requisitos da Lei para esta não incidência sobre a PLR são: • a PLR será objeto de negociação entre empresa e empregados, na forma do caput e incisos do artigo 2º da Lei 10.101/2000; • dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo; • o instrumento de acordo deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; • é vedado o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; dentre os requisitos legais, está a imperiosidade de que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas (art. 2º, § 1º); este requisito é o que mais causa controvérsia na apreciação da compatibilidade de determinado programa de participação nos lucros com o ordenamento jurídico; primeiro, por causa da maleabilidade dos conceitos envolvidos (clareza, objetividade, direitos substantivos, regras adjetivas); e segundo, porque é justamente o estrito cumprimento deste requisito que impede o uso da PLR para simplesmente mascarar parte da remuneração paga pelas empresas aos seus empregados, esquivandose do recolhimento de verbas previdenciárias e trabalhistas; assim, antes de qualquer análise, cumpre destrinchar o que quis dizer o legislador com “regras claras quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas” relativas ao PLR; por direitos substantivos da participação devese entender os direitos materiais dos empregados advindos da instituição do PLR; assim, sua fixação, para ser clara e objetiva, há necessariamente que definir quem tem o direito abstrato de participar do lucro; em que hipóteses a empresa pagará a PLR, e em que hipóteses a empresa se reserva o direito de não fazêlo; como será definida a parcela do lucro a ser destinada aos trabalhadores; encontrase entre os direitos substantivos da participação, também, e principalmente, a forma como será mensurado, quantitativamente, o benefício a ser distribuído a cada empregado e/ou equipe que lhe fizer jus; Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 sem a fixação destes parâmetros mínimos, data venia, não há como qualificar como claras e objetivas as regras quanto aos direitos substantivos decorrentes do programa de participação nos lucros e resultados; já as regras adjetivas consistem naquilo que viabiliza a efetivação das relações definidas no direito substantivo, isto é, compreendem basicamente os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, definem os instrumentos e parâmetros de qualificação do desempenho do empregado, da equipe ou da empresa, com vistas à realização do direito material de perceber a PLR; com efeito, os trabalhadores precisam saber sob quais critérios serão avaliados, quais os objetivos que o empregado, equipe e/ou empresa devem alcançar para fazer jus ao benefício pecuniário (metas, resultados, produtividade, lucratividade, etc.), e qual o sistema de aferição do cumprimento de tais objetivos; estas regras e critérios, da mesma forma que os direitos substantivos, devem ser claros e objetivos, compreensíveis e predeterminados, constando do acordo celebrado, não podem ser definidas de modo extremamente genérico no acordo, sendo depois especificadas ao arbítrio do empregador; conduta deste jaez retira a previsibilidade e o aspecto consensual das regras adjetivas do programa, malferindo o art. 2º, § 1º, II, da Lei 10.101/2000. firmadas tais compreensões preliminares, passase agora ao exame da situação dos autos em epígrafe; no entender do Auditor Fiscal, o programa de participação nos lucros da autuada “não contempla regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos funcionários à participação nos resultados, bem como em relação aos percentuais a que cada trabalhador teria direito”; igualmente, os mecanismos de aferição das metas não se mostram claros; exemplifica citando que, entre trabalhadores que atuaram em uma mesma obra, apenas 68 receberam a PLR, enquanto que mais de 1000 não receberam, injustificada mente (item 27, fls. 138); de fato, analisando os documentos acostados aos autos, se vê que o programa de participação nos lucros da autuada não apresenta regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos, principalmente no que diz respeito à forma como será mensurado, quantitativamente, o benefício a ser percebido pelos empregados dentro de determinada equipe; do acordo coletivo acostado às fls. 144/153, se depreende que o plano de participação se baseia nos esforços de superação de resultados ocorridos em nível de contrato (fl. 146, alínea f); assim, a participação dos trabalhadores nos lucros está atrelada, precipuamente, ao sucesso do empreendimento de que participam; não necessariamente nos resultados globais da empresa; estes têm incidência apenas indireta no cálculo do lucro a ser distribuído. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 8 13 com efeito, se vê da fl. 147, in fine, que, conquistado um contrato, imediatamente é definido o percentual do resultado econômicofinanceiro a ser considerado para efeito de participação nos lucros, valendose dos critérios relacionados à fl. 148; todavia, não há definição da forma como o valor da participação relativa a determinado contrato será distribuído aos empregados que colaboraram com sua execução, o acordo remete a Plano de Ação, a ser elaborado pelo RECON, responsável pelo contrato; o acordo coletivo não prevê parâmetros pelos quais tal Plano de Ação deva se orientar, nem princípios ou diretrizes que deva respeitar; conforme item 2.12 do Relatório Fiscal (fl. 140), a autuada foi intimada a manifestarse sobre os critérios adotados para fixação dos direitos à participação dos funcionários, mas não forneceu quaisquer elementos novos; uma vez que não ficaram assentadas, no acordo coletivo, sequer diretrizes básicas sobre a forma como o lucro de determinado contrato será distribuído entre aqueles que colaboraram para sua execução, decorre que o método de mensuração quantitativa da distribuição da participação nos lucros não foi previamente estabelecido e que falece ao instrumento coletivo clareza e objetividade na fixação de direito substantivo decorrente da participação, em flagrante inobservância ao § 1º do art. 24 da Lei 10.10112000; de fato, como a participação nos lucros estimularia o empregado a se empenhar para superar os resultados esperados, se do instrumento que a instituiu não consta sequer pista do que ele poderá perceber pelo esforço extra? aliás, evidenciando a falta de clareza e a subjetividade vazadas no acordo, o trabalhador sequer sabe a priori se vai receber algo, ainda que o contrato ao qual se vincula obtenha sucesso na superação dos resultados previstos; é o que ocorreu na situação mencionada pelo agente fiscalizador no item 2.7 do Relatório Fiscal (RF): in casu, apurou se que no contrato do RODOANEL – que foi “superavitário” nos períodos examinados, com metas e resultados não só atingidos, mas também superados – a distribuição dos lucros entre os membros da equipe foi nebulosa, tendo apenas alguns empregados recebido parcela correspondente à participação nos resultados, enquanto a maior parte nada recebeu; como explicar este fato, diante do exposto no item III.3 do acordo coletivo, expresso no sentido de que “todos os colaboradores participarão dos resultados apurados, desde que, estejam na empresa há mais de 12 meses consecutivos, e tenham participado do período de seis meses de apuração”? tal incongruência e decorrência direta da falta de clareza e objetividade na fixação dos direitos substantivos da participação que se verifica no instrumento de acordo, sendo dela evidência marcante; em contraposição a tais fatos levantados no relatório fiscal, a relatora aduz que a fiscalização não teria se pronunciado sobre as condições objetivas impostas para que os empregados tivessem direito à PLR: mais de doze meses na empresa e participação do período de 6 meses de apuração; Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 entretanto, da análise da prova dos autos verificase que o auditor cuidou, sim, de verificar o cumprimento dessas condições pelos empregados constantes de sua amostra; vejase o caso do trabalhador Raimundo Mauro Gomes (fls. 172/181): lá está consignado que sua data de admissão foi em 02/05/2000 e que permaneceu na empresa até 21/08/2002, sempre vinculado à obra do Rodoanel; situação semelhante ocorre com os demais empregados considerados no levantamento, evidenciando, portanto, que todos permaneceram mais de 12 meses na empresa; e mais de 6 meses vinculados ao contrato do Rodoanel, no entanto, conforme suas fichas financeiras, nunca fizeram jus à PLR; quanto aos demais argumentos da fiscalização, a decisão vergastada traz o seguinte arrazoado: i) “o pagamento para todos os segurados ( ... ) não é condição imposta pela legislação para a não incidência”; ii) “não há, na legislação, a determinação de percentuais ou valores prévios”. é bem verdade que a legislação não exige o pagamento da PLR a todos os empregados, entretanto não foi essa a premissa que ensejou o lançamento, mas sim a falta de justificativas para o discrímen adotado; diz o RF: “2.11. Como conseqüência, observase, a exemplo do RODOANEL, contratos cujos resultados ficaram adstritos somente a uma parcela dos funcionários envolvidos, não restando evidenciados os critérios, ou melhor, quaisquer justificativas para tal situação”; esta discriminação injustificada na distribuição dos lucros só pode ser vista como fruto da falta de clareza e objetividade do acordo coletivo, além de afrontar o item III.3 do próprio acordo coletivo; quanto ao argumento trazido pela decisão a quo, de que a legislação não exige a fixação prévia de percentuais ou valores a serem distribuídos a título de PLR para cada trabalhador, este fato também não se está a combater; há que se observar, contudo, que a legislação expressamente exige clareza e objetividade na fixação dos direitos substantivos da participação, e o principal direito substantivo que decorre da PLR é justamente o abono financeiro que se pode vir a perceber em virtude do atendimento de metas, objetivos, índices de produtividade e lucratividade, etc; concordase que não se mostra razoável exigir a fixação individual prévia, seja de valores, seja de percentuais do lucro, dadas as imprevisibilidades a que os agentes econômicos estão expostos, mas, para um mínimo de clareza e objetividade, há que se propor, no bojo do acordo coletivo, uma forma, um método, critérios, que guiarão a distribuição do lucro entre os empregados que a ele fizerem jus conforme apurado com base nas regras adjetivas estabelecidas, e tal definição não pode ficar a exclusivo juízo da empresa; a definição de critérios predeterminados e imparciais pa ra a repartição do montante entre os empregados está no cerne de uma fixação clara e objetiva dos direitos substantivos da participação; no caso dos autos, em que a participação nos lucros é definida por contrato, o problema aparece mais acentuadamente na completa ausência de definição acerca da forma como a PLR apurada para determinado contrato será distribuída entre os empregados que nele atuaram; Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 9 15 tal omissão inquina o acordo de obscuridade e subjetividade em níveis incompatíveis com a mais razoável interpretação do alcance do art. 2º, § 1º, da Lei 10.101/2000; o alicerce da autuação, portanto, não é o fato de que não foram estipulados os percentuais a que cada trabalhador terá direito, mas o fato de que não há quaisquer critérios para se chegar ao valor que cada um receberá ao final do período de apuração; por mais que a lei não exija a fixação prévia de quanto cada funcionário receberá, uma vez definida a parcela do lucro a ser distribuída, esta conta terá que ser feita, e os critérios ou métodos pelos quais se chegará ao valor final devido a cada trabalhador, estes sim devem necessariamente ser claros e prévios, sob pena de ofensa à Lei 10.101/2000; da mesma forma, não são claras, no acordo coletivo, as regras adjetivas relativas ao programa da autuada; com efeito, se demonstrou que a obra do Rodoanel superou os índices estipulados pela empresa, o que ensejou a distribuição de parte do resultado obtido entre alguns trabalhadores, no entanto outros trabalhadores que também atuaram no contrato nada receberam; conforme ilustrado no RF, o trabalhador Raimundo Mauro Gomes não fez jus ao benefício, apesar de atender aos requisitos previstos no item III.3 do acordo; mas, o que ele deveria ter feito para estar no rol dos que fizeram jus ao abono? Que metas deixou de cumprir? Em que documento estariam previstas tais metas? Quais os mecanismos objetivos de aferição da contribuição do trabalhador para o sucesso do contrato? Nada disso é elucidado no acordo coletivo, pelo que não se pode considerálo claro ou objetivo quanto à fixação das regras adjetivas. da PLR; a todo o exposto, somamse os bem lançados argumentos do Conselheiro Marco André Ramos Vieira, na declaração de voto consignada no acórdão. por todo o exposto, revelase contrária à legislação a decisão do colegiado a quo, qualificandose da mesma forma em relação à prova dos autos; com efeito, afronta o artigo 2º, § 1º, da Lei 10.101/2000 ao conferir validade, nos termos dessa lei, ao programa de participação nos lucros da autuada, quando resta evidente que do instrumento negociado não constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e bem como das regras adjetivas; pelo contrário, o instrumento é omisso e obscuro em diversos aspectos fundamentais à compreensão do conteúdo destes direitos e regras; ademais, além não de atender aos requisitos da lei, a atuação da empresa violou também o próprio acordo coletivo assinado, tendo em vista que este era expresso em determinar que todos os colaboradores participariam do resultado apurado, satisfeitos os requisitos mínimos (item III.3 do acordo); restou demonstrado, no entanto, que mesmo trabalhadores que atendiam tais requisitos foram alijados do benefício, caracterizandose a ofensa ao caput do artigo 24 da Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 mesma lei, do qual se infere que a PLR deve ser paga em conformidade com o negociado entre as partes; por fim, considerase também a decisão a quo contrária às provas dos autos, eis que, conforme sobejamente demonstrado neste arrazoado, os documentos, minuciosamente analisados, apontam para conclusão diversa, no sentido de que sobram lacunas no acordo de participação nos lucros da autuada, que não condizem com a clareza e objetividade mínimas exigidas na lei. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja dado provimento ao Recurso Especial, para reformar a decisão recorrida, restabelecendo o quanto decidido pela Delegacia Regional de Julgamento em Primeira Instância. A contribuinte tomou ciência do acórdão e do Despacho de Admissibilidade em 15/03/2010 (fls. 1.154) e ofereceu, em 28/03/2010 (envelope de postagem de fls. 1.158), as ContraRazões de fls.1.155 a 1.157, alegando não haver recebido o inteiro teor do despacho. Assim, conforme o despacho de fls. 1.160, foi acatado o argumento do Contribuinte, encaminhandose cópia das folhas que faltavam, estabelecendose novo prazo para apresentar ContraRazões, o que foi feitos às fls.1.168 a 1.170 e 1.173 a 1.175. Nas ContraRazões, a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos, em síntese: estas contrarazões são elaboradas sob uma ótica jurídicoprocessual revestida de plena objetividade, inexistindo quaisquer razões para que se estenda em sua linha argumentativa, diante da evidente impossibilidade jurídica de se dar guarida à pretensão recursal firmada pela zelosa PFN nestes autos; afinal, a mera tentativa de retomar as discussões de aspectos jurídicos já enfrentados pelo e. Colegiado Julgador, não permite, sequer, que seja admitido o vinculado recurso; conforme as próprias palavras inseridas no preâmbulo da peça recursal, já materializam esta propalada causa de inadmissibilidade; seguem transcritas tais evidenciadas palavras: “o colegiado a quo entendeu que o programa instituído pela empresa atendia a todos os requisitos previstos na Lei 10.101/2000, de modo que suas parcelas não integram o saláriodecontribuição dos empregados”; não há a necessidade de ser completada esta frase, ou seja, é nítido que a pretensão recursal busca uma nova análise do contexto fáticojurídico já julgado, sem que argumentos novos, além daqueles já debelados, sejam trazidos ao contexto dos autos; aliás, a propalada contrariedade a dispositivo legal não passa de retórica teorizada, desprovida de qualquer objetividade diante do que restou processado no curso deste procedimento; ora, se reporta a PFN ao que foi suscitado pela autoridade fiscal, bem como ao voto vencido por sete outros votos em sentido contrário, para validar o seu raciocínio, que, é de se reconhecer, foi juridicamente enfrentado pelo conteúdo voto vencedor; Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 10 17 não há, pois, razão jurídica sequer para a admissibilidade da debelada peça recursal, fundamento este necessário a balizar a presente argumentação em sede de contra razões. Ao final, a Contribuinte reitera os fundamentos já expendidos e requer que se desacolha a pretensão recursal da Fazenda Nacional. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 Voto Vencido Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional na modalidade de Contrariedade à Lei e à Evidência de Prova, é tempestivo, restando perquirir acerca dos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de ContraRazões, a Contribuinte contesta a admissibilidade do apelo, porém foram cumpridos todos os requisitos, a saber: tanto a decisão recorrida como o recurso foram proferidos na vigência do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais; a decisão não foi unânime; e a Fazenda Nacional alegou adequadamente a contrariedade à lei e à evidência de prova. Por oportuno, esclareçase que o dispositivo regimental que previa a modalidade recursal ora tratada assim estabelecia: “Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e” Assim, tratase de recurso cujo pressuposto de admissibilidade – contrariedade à lei ou à evidência de prova – confundese com o próprio mérito do apelo, a ser julgado pela CSRF. Entretanto, não cabe ao examinador da admissibilidade adentrar ao mérito do caso tratado no acórdão, a ver se este teria ou não contrariado a lei ou a evidência da prova, para finalmente concluir se daria ou não seguimento ao apelo. Obviamente que assim ele extrapolaria a sua competência, para usurpar a da CSRF. Nesse passo, esclareçase que a problemática ora tratada há muito já foi resolvida no âmbito do CARF, entendendose que, nesses casos, basta que a Fazenda Nacional alegue adequadamente a contrariedade à lei ou à evidência de prova, cabendo à Instância Especial decidir sobre o mérito do recurso. A problemática aqui retratada também foi vivida pelo STJ, relativamente ao Recurso Especial por contrariedade à lei, e pelo STF, no que tange ao Recurso Extraordinário contra decisão contrária à Constituição (permissivo contido na alínea “a”, do inciso III, do art. 102, da Constituição Federal). Neste último caso, a solução adotada, a exemplo do posicionamento que já era esposado pelos antigos Conselhos de Contribuintes, ocorreu por meio do Recurso Extraordinário n° 298.694, publicado em 23/04/2004, assim ementado: “II. Recurso extraordinário: letra 'a': alteração da tradicional orientação jurisprudencial do STF, segundo a qual só se conhece do RE, 'a', se for para darlhe provimento: distinção necessária entre o juízo de admissibilidade do RE, 'a' para o qual é suficiente que o recorrente alegue adequadamente a contrariedade pelo acórdão recorrido de dispositivos da Constituição nele prequestionados e o juízo de mérito, que envolve a verificação da compatibilidade ou não entre a decisão recorrida e a Constituição, ainda que sob prisma diverso Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 11 19 daquele em que se hajam baseado o Tribunal a quo e o recurso extraordinário.” (grifei) Destarte, uma vez alegada adequadamente a contrariedade à lei e à evidência de prova por parte da Fazenda Nacional, correta a remessa do recurso à CSRF, a quem compete a verificação da compatibilidade ou não entre a decisão recorrida e a lei/evidência de prova, qualquer que tenha sido o fundamento do julgado guerreado. Adentrando ao mérito do Recurso Especial, tratase de autuação sob o fundamento de que os valores concedidos aos funcionários da empresa, a título de PLR – Participação nos Lucros e Resultados, constituiriam parcelas remuneratórias, fornecidas em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, devendo, portanto, integrar o Salário de Contribuição. O art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, base da autuação, assim estabelece, verbis: “Art.2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1º. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º. O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores.” No presente caso, a Fiscalização, analisando o “Sistema de Remuneração Variável – Bases do Plano de Participação na Superação de Resultados” (fls. 144 a 153), constatou que dito programa não contemplava regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos funcionários à participação nos resultados, bem como em relação aos percentuais a que cada trabalhador teria direito. Entendeu também que os mecanismos de aferição das metas Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 20 não se mostravam claros. Para demonstrar sua alegação, apresentou a seguinte situação, tomando como exemplo o projeto Rodoanel: “2.7. A Fim de ilustrar a constatação acima relatada, tomemos como exemplo o caso do contrato referente à obra do “RODOANEL CEI 3494000029/78”, em que, tendo apresentado resultado positivo, ensejou a participação de funcionários no referido resultado, conforme se verifica, por amostragem, no “sistema de participação nos lucros – conta corrente do funcionário Alfredo de Hollanda Lima Neto” (DOC. 3 fotocópia). Tal documento nos informa que o trabalhador recebeu, sob este título e relativamente ao contrato do "RODOANEL", valores nos meses de 02/2001 (ref. exercício de 2000), 08/2001 (ref. exercício 2001) e 02/2002 (ref. exercício 2001). Já, o funcionário Raimundo Mauro Gomes, servente, embora houvesse trabalhado no "RODOANEL" no mesmo período de apuração dos resultados dos quais participou o funcionário Alfredo de Hollanda, engenheiro (de 05/2000 a 08/2002), não teve, por sua vez, qualquer participação no resultado (vide ficha financeira dos funcionários DOC. 4). O mesmo ocorrendo para os seguintes funcionários: Gilmar Martins Ferreira, carpinteiro (03/2001 a 02/2002); Francisco A. do Livramento, auxiliar de topógrafo (03/2001 a 06/2002); e Washington L. D. de Oliveira, pedreiro (03/2001 a 07/2002). Em situação idêntica ao Sr. Raimundo Mauro Gomes, este pessoal prestou serviços no período de apuração dos resultados sem que deles, contudo, houvesse também participado, conforme demonstrados em suas fichas financeiras. 2.8. O contrato do "RODOANEL" vigorou de 09/1999 a 08/2002. Neste período, inúmeros empregados da Construtora Queiroz Galvão S/A lá estiveram prestando serviços, conforme se verifica por meio do “sistema gestão de pessoal – obra: 70370002 RODOANEL" (DOC. 5). Tal documento nos informa que, em todo o período de vigência do contrato, 1.229 empregados colaboraram com a sua execução. Porém, apenas uma pequena parcela deste pessoal participou dos seus resultados, ou, mais precisamente, 68 funcionários, conforme nos demonstra a folha de pagamentos da empresa.” Em face de tal discrepância, a Contribuinte apresentou a Defesa Administrativa de fls. 555 a 578, limitandose a alegar, quanto ao PLR, a preliminar no sentido de que a Fiscalização não teria competência para adentrar aos critérios intrínsecos do acordo, devendo restringirse às verificações formais. Confirase trecho às fls. 566: “Ora, se a própria Justiça Obreira, por meio de sua mais alta Corte, reconhece ser incompetente para perquirir acerca da regularidade dos critérios intrínsecos do pacto firmado livremente e com respaldo constitucional entre as partes, acerca do PLR, há que se reconhecer não caber ao fisco previdenciário, da mesma forma, intrometerse em tais critérios, como o fez no âmbito desta NFLD. Uma questão é o aspecto formal e legal do pacto/PLR, e, a outra questão, envolve os critérios intrínsecos contemplados entre as partes.” Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 12 21 Como se pode constatar da leitura da Defesa Administrativa, não houve qualquer esclarecimento, por parte da Contribuinte, relativamente às questões específicas da PLR, apontadas na autuação, limitandose a defesa a arguir, repitase, a impossibilidade de a Fiscalização imiscuirse no conteúdo do acordo, devendo limitar a sua atuação ao aspecto formal do pacto. A DN – Decisão Notificação (fls. 973 a 975), relativamente à PLR, enfrentou a preliminar e ultrapassoua, adentrando às questões levantadas na autuação, concluindo: “13. Ao contrário do entendimento da impugnante, o art. 7º, inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos resultados desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. O Pretório Excelso, ao julgar o Mandado de Injunção n.° 426, estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória n° 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração e, consequentemente de salário de contribuição, para os fins de incidência da exação previdenciária. (...) 18. Nesse contexto, os documentos que perfazem o ‘Sistema de Remuneração Variável – Bases do Plano de Participação na Superação de Resultados’ (fls. 144 a 153) não contemplam regras claras e objetivas. Não há definição prévia do percentual a que fazem jus coletivamente os empregados, bem como inexiste qualquer qualquer critério objetivo para determinar a participação individual de cada um. Além disso, a aferição da metas igualmente peca pela obscuridade. 19. O subjetivismo que envolve os critérios adotados de pelo sujeito passivo resulta, inevitavelmente, em distorções e privilégios como a exclusão, sem nenhuma explicação pela impugnante, da participação nos resultados de vários funcionários , tal como evidenciado nos subitens 2.7 e 2.8 do relatório fiscal. Aliás, é marcante o fato de que, para a obra do RODOANEL — 70370002, 1.229 empregados colaboraram com a sua execução, porém apenas 68 funcionários auferiram o direito a participação nos resultados. 20. Ao estipular a obrigatoriedade de regras claras e objetivas para a participação nos resultados, a lei não abre exceções. E certamente é possível estabelecer parâmetros claros para a participação nos resultados sem, necessariamente, expor as estratégias de mercado ou dados sigilosos da empresa. O que não é possível é contrariar o interesse público subjacente ao regramento constitucional em função de interesses particulares. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 22 21. Inaceitável é o primarismo do raciocínio desenvolvido pela impugnaste, que tenta a todo custo legitimar o seu comportamento, defendendo a incompetência da fiscalização para avaliar o cumprimento do parâmetro em exame, olvidando, por outro lado, as graves inconsistências, distorções e obscuridades de seu programa de participação nos resultados. 22. O fato é que tal situação enseja, senão a supressão de salários, o escamoteamento das remunerações pagas, subtraindoas à tributação. 23. Em resumo, temse que a empresa não cumpriu os requisitos estabelecidos na norma regulamentadora, sendo base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de participação nos resultados, uma vez que a Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, alínea condicionou a exclusão da parcela à estrita observância da lei específica.” Assim, a decisão de Primeira Instância vazou o entendimento no sentido de que, ao contrário do que arguira a Contribuinte, a Fiscalização teria competência para verificar aspectos intrínsecos dos acordos para pagamento de PLR. Nesse passo, reiterou os argumentos da autuação, registrando que a Contribuinte nada esclarecera acerca das inconsistências nela apontadas. Em face da decisão de Primeira Instância, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 1.014 a 1.037, limitandose, no que tange à PLR, a reiterar os argumentos da defesa, sem ao menos transcrevêlos (fls. 1.014/1.015). Assim, em mais uma oportunidade de apresentação de defesa, a Contribuinte nada esclareceu sobre as inconsistências apontadas na autuação, acerca da PLR. Em sede de Recurso Voluntário, foi proferido o acórdão ora recorrido, cujo voto vencedor trata unicamente do mérito da PLR, o que leva a concluir que também teria rejeitado a preliminar de incompetência do Fisco para tratar dos aspectos intrínsecos do acordo. Registrese que dito acórdão, embora legitime o acordo que trata da PLR, não logrou esclarecer as discrepâncias desde o início apontadas pela Fiscalização, conforme será demonstrado. Importa registrar que, admitido o Recurso Especial da Fazenda Nacional, nem mesmo em sede de ContraRazões foi a Contribuinte capaz de trazer qualquer esclarecimento acerca das questões suscitadas na autuação, limitandose a questionar a admissibilidade do apelo da Fazenda Nacional. Assim, nada mais resta a esta Conselheira, senão enfrentar as razões que, embora tenham balizado a decisão recorrida, não integraram o conteúdo de nenhuma das peças de defesa apresentadas pela Contribuinte que, repitase, limitouse a suscitar questões preliminares. De plano, esclareçase que a Fiscalização nunca defendeu a necessidade de que todos os empregados fossem agraciados pela PLR, eis que a lei de regência efetivamente não contém tal exigência. O que restou claramente questionado na autuação foi a ausência de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos empregados à participação nos resultados, bem como em relação aos percentuais a que cada trabalhador teria direito, e também a falta de clareza quanto aos mecanismos de aferição do cumprimento das metas. Nesse passo, o que a Fiscalização questionou foi a ausência de justificativa, extraída das regras Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 13 23 do acordo, que pudesse explicar o fato de que, atendidas as condições objetivas, alguns empregados foram contemplados no PLR, e a maioria deles não. Quanto à suposta falta de pronunciamento, por parte da Fiscalização, acerca do atendimento às condições objetivas impostas para que os empregados tivessem direito à PLR – mais de doze meses na empresa e participação no período de 6 meses de apuração – constatase que a amostra analisada na autuação levou em conta estas duas variáveis. Com efeito, é citado o exemplo do empregado Raimundo Mauro Gomes (fls. 172/181), admitido em 02/05/2000, tendo permanecido na empresa até 21/08/2002, sempre vinculado à obra do Rodoanel. Na mesma situação estão os demais empregados relacionados no levantamento, o que evidencia que permaneceram mais de 12 meses na empresa; e mais de 6 meses vinculados ao contrato do Rodoanel, no entanto, conforme suas fichas financeiras, nunca fizeram jus à PLR. Confirase o Auto de Infração: 2.7. A Fim de ilustrar a constatação acima relatada, tomemos como exemplo o caso do contrato referente à obra do “RODOANEL CEI 3494000029/78”, em que, tendo apresentado resultado positivo, ensejou a participação de funcionários no referido resultado, conforme se verifica, por amostragem, no “sistema de participação nos lucros – conta corrente do funcionário Alfredo de Hollanda Lima Neto” (DOC. 3 fotocópia). Tal documento nos informa que o trabalhador recebeu, sob este título e relativamente ao contrato do "RODOANEL", valores nos meses de 02/2001 (ref. exercício de 2000), 08/2001 (ref. exercício 2001) e 02/2002 (ref. exercício 2001). Já, o funcionário Raimundo Mauro Gomes, servente, embora houvesse trabalhado no "RODOANEL" no mesmo período de apuração dos resultados dos quais participou o funcionário Alfredo de Hollanda, engenheiro (de 05/2000 a 08/2002), não teve, por sua vez, qualquer participação no resultado (vide ficha financeira dos funcionários DOC. 4). O mesmo ocorrendo para os seguintes funcionários: Gilmar Martins Ferreira, carpinteiro (03/2001 a 02/2002); Francisco A. do Livramento, auxiliar de topógrafo (03/2001 a 06/2002); e Washington L. D. de Oliveira, pedreiro (03/2001 a 07/2002). Em situação idêntica ao Sr. Raimundo Mauro Gomes, este pessoal prestou serviços no período de apuração dos resultados sem que deles, contudo, houvesse também participado, conforme demonstrados em suas fichas financeiras. 2.8. O contrato do "RODOANEL" vigorou de 09/1999 a 08/2002. Neste período, inúmeros empregados da Construtora Queiroz Galvão S/A lá estiveram prestando serviços, conforme se verifica por meio do “sistema gestão de pessoal – obra: 70370002 RODOANEL" (DOC. 5). Tal documento nos informa que, em todo o período de vigência do contrato, 1.229 empregados colaboraram com a sua execução. Porém, apenas uma pequena parcela deste pessoal participou dos seus resultados, ou, mais precisamente, 68 funcionários, conforme nos demonstra a folha de pagamentos da empresa.” Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 24 Nesse ponto, reiterase que a Contribuinte teve várias oportunidades de esclarecer tal contradição, porém não o fez, ou seja, tais afirmações por parte da Fiscalização nunca foram contraditadas pela Contribuinte. A decisão recorrida, por sua vez, questiona genericamente a verificação do cumprimento dos dois requisitos objetivos, porém em momento algum contradiz a Fiscalização, concretamente, mediante a demonstração de que a autuação estaria equivocada. Relativamente ao argumento constante da decisão recorrida, no sentido de que a legislação não exige a fixação prévia de percentuais ou valores a serem distribuídos a título de PLR para cada trabalhador, ressaltese que nem a Fiscalização, tampouco o Recurso Especial, defenderam tal exigência. Entretanto, a legislação exige clareza e objetividade na fixação dos direitos substantivos da participação, e o principal direito substantivo que decorre da PLR, sem qualquer dúvida, é o abono financeiro que pode advir, quando do atendimento de metas, objetivos, índices de produtividade e lucratividade, etc. Com efeito, não seria razoável a exigência de fixação individual prévia (de valores ou de percentuais), porém em nome da clareza e objetividade, o acordo coletivo deve estabelecer os critérios norteadores da distribuição dos resultados, com base nas regras adjetivas estabelecidas, e tal definição não pode ficar a exclusivo juízo da empresa. No presente caso, em que a participação nos resultados é definida por contrato, o problema aparece mais acentuadamente na ausência de definição sobre a forma como a PLR apurada para determinado contrato será distribuída entre os empregados que nele atuaram, e tal omissão é incompatível com a exigência de clareza e objetividade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.101, de 2000. Assim, ainda que não se fixe previamente quanto cada funcionário receberá, uma vez definida a parcela a ser distribuída, os critérios pelos quais se chegará ao valor final devido a cada trabalhador, devem ser claros e prévios, sob pena de ofensa à lei de regência. Quanto à ausência de clareza das regras adjetivas, o projeto do Rodoanel bem ilustra essa questão, já que foram superados os índices estipulados pela empresa, o que ensejou a distribuição de parte do resultado obtido entre alguns empregados, sendo que outros trabalhadores que também atuaram no projeto nada receberam a título de PLR. Assim, resta patente a ofensa ao artigo 2º, § 1º, da Lei nº 10.101, de 2000, perpetrada no programa de participação nos lucros da autuada, evidenciandose que do instrumento negociado não constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação, tampouco quanto às regras adjetivas. Ademais, como bem registra a Fazenda Nacional em seu recurso, a atuação da empresa violou também o próprio acordo coletivo assinado, tendo em vista que este era expresso em determinar que todos os colaboradores participariam do resultado apurado, satisfeitos os requisitos mínimos (item III.3 do acordo). Entretanto, como restou demonstrado – e não contraditado pela Contribuinte – tal premissa não foi respeitada. Cabe registrar também que as regras adjetivas não dizem respeito unicamente à existência de comissão paritária, ou possibilidade de reclamação por parte do empregado, no caso de dúvidas ou divergências relativas ao cumprimento do acordo, mormente no caso em apreço, em que os representantes dos empregados são indicados pela própria empresa, além do que o Acordo não prevê garantia de emprego para os membros da Comissão. Confirase a cláusula III.4 (fls. 151): Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 14 25 “(...) Tanto os representantes da empresa, quanto os dos empregados não terão direito à estabilidade de emprego. Os representantes da Empresa serão indicados pela Diretoria Executiva e os representantes dos Empregados serão indicados pelos líderes de cada Contrato, Diretoria Regional e Matriz.” Claro está que não há restrição a que os membros da comissão, representantes dos empregados, sejam indicados pela empresa (e não pelo sindicato), tampouco se exige que tenham garantia de emprego, porém não se pode negar que tais circunstâncias restringem a atuação desses empregados, mormente na atividade de construção civil, marcada pela rotatividade. Assim, como bem esclareceu o voto vencido, as regras adjetivas devem garantir os mecanismos de aferição, prevendo inclusive formulários internos de avaliação, sobretudo do desempenho do empregado, esclarecendo como este será avaliado. Com efeito, o objetivo da lei foi possibilitar ao empregado o conhecimento prévio do que precisa fazer e do quanto receberá de participação nos resultados, até mesmo para que possa vir a reclamar, caso os valores eventualmente recebidos não atendam aos critérios fixados. Finalmente, cabe trazer à discussão, para avaliação do Colegiado, questão não tratada no acórdão recorrido, por isso mesmo não abordada no Recurso Especial, tampouco arguida pelo Contribuinte em sede de Contrarrazões. Tal questão diz respeito à decadência, que no presente caso adquire os seguintes contornos: tratase de exigência relativa aos períodos de apuração de 02/2000 a 08/2005 e a Contribuinte foi intimada da NFLD em 14/07/2006 (fls. 1), portanto a decadência já se teria operado, no que tange às competências de 02/2000 a 06/2001, considerandose aplicável o art. 150. § 4º, do CTN, tendo em vista a existência de pagamento (TEAF de fls. 128); a questão é objeto da Súmula CARF nº 99, aprovada em 09/12/2013, com o seguinte texto: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. a Contribuinte apresentou este pleito na Impugnação, o que foi rechaçado pela decisão de Primeira Instância, que considerou aplicável o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1990; ainda que de forma genérica e sem transcrição, os argumentos da Impugnação foram reiterados no Recurso Voluntário, porém o acórdão recorrido não tratou da Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 26 decadência, não foram opostos Embargos de Declaração pela Contribuinte, tampouco foi feita qualquer menção ao tema, em sede de Contrarrazões. Assim, tratase de decisão de Primeira Instância, transitada em julgado, mantendo a aplicação de dispositivo legal julgado inconstitucional e objeto de Súmula do STF. O presente Recurso Especial foi recebido na modalidade “contrariedade à lei ou à evidência de prova”, o que no entender desta Conselheira comporta cognição plena, podendo o efeito translativo alcançar matéria diversa, de ordem pública, como é o caso da decadência, desde que não se opere reformatio in pejus. Ressaltese que tal conclusão não é válida para Recurso Especial de Divergência, remédio de cognição restrita aos pressupostos regimentais, que devem ser observados em relação a cada uma das matérias eventualmente suscitadas. Assim, na tarefa de rever a eventual contrariedade à lei, salta aos olhos a não aplicação da decadência parcial, no presente caso. Diante do exposto, reconheço a decadência, relativamente às competências de janeiro de 2000 a junho de 2001 e, no mérito, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 15 27 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito à nobre R, concordo com seu voto em relação à regra decadencial aplicada, mas discordo em relação ao mérito, motivo de negar provimento ao recurso da excelsa Procuradoria, nos termos abaixo. Primeiramente – só para constar, já que a parte, PGFN, poderia e não apresentou embargos sobre esse ponto – discordo que o mérito da questão (incidência ou não, de contribuição sobre os pagamentos feitos a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR)) não foram objeto de impugnação e recurso. Em sua impugnação, fls. 0555, o sujeito passivo ataca os fundamentos contidos no Relatório Fiscal, fls. 0565, item II.b, da defesa. “II.b do reconhecimento administrativo acerca da não caracterização de fatos geradores de obrigações previdenciárias, pelos subjetivos motivos relacionados no RF/NFLD, decorrentes de pagamentos efetuados aos empregados a título de PLR” Com a decisão administrativa de primeira instância, que lhe deu razão em parte e analisou a questão sobre a incidência ou não no pagamento de PLR, o sujeito passivo, novamente, em seu recurso, ataca os fundamentos da autuação, fls. 01015. Portanto – só para constar, já que a parte, PGFN, poderia e não apresentou embargos sobre esse ponto – discordo, com todo respeito, da informação quanto à suposta ausência de alegação sobre o mérito da questão, na defesa e no recurso. Quanto ao mérito da questão, em seu recurso especial, a nobre PGFN, como determina a legislação, apontou os dispositivos que teriam, em tese, sido contrariados na decisão, em que foi dado provimento por maioria, com um voto contrário, de oito integrantes no colegiado de então: artigo 2º, § 1º, da Lei 10.101/2000. Lei 10.101/2000: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: ... § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 28 mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. A recorrente define seu pleito em sua conclusão: “Com efeito, afronta o artigo 2º, § 4º, da Lei 10.101/2000 ao conferir validade, nos termos dessa Lei, ao programa de participação nos lucros da autuada, quando resta evidente que do instrumento negociado não constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e bem como das regras adjetivas. Pelo contrário, o instrumento é omisso e obscuro em diversos aspectos fundamentais à compreensão do conteúdo destes direitos e regras. Pois bem, cabe agora verificar se há, no acordo firmado entre o Sindicato e o sujeito passivo, regras claras e objetivas quanto: 1. Fixação dos direitos substantivos (valor do prêmio isento pela obtenção de um lucro ou resultado); e 2. Fixação das regras adjetivas (o que fazer para a obtenção desse prêmio isento, chamado de PLR). Antes de analisarmos a questão, cabe esclarecer que a PLR em questão analisa e busca resultados por contrato, forma não vedada na legislação, mas diferente de todos processos que já analisei. Outro ponto interessante e relevante é que o pagamento ocorre por resultados e não por lucro, o que, também, não é vedado pela legislação, existindo no acordo, inclusive, previsão de pagamentos em caso de “redução do prejuízo previsto”. Na análise dos autos, encontramos o regramento para a obtenção dos benefícios, pois as empresas são beneficiadas (alcance de resultados e pagamento sem tributação), segurados são beneficiados (aumento de sua remuneração) e o Estado é beneficiado (melhoria dos índices sociais pela melhoria de renda dos cidadãos vinculados ao trabalho e melhoria da produtividade das empresas que atuam no país). Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 16 29 Nesse regramento há: 1. Pressupostos básicos; 2. Premissas para definições; 3. Critérios para apuração; 4. Período de apuração; 5. Do Direito (de receber); 6. Comissão paritária (criação e composição de comissão para acompanhar a implantação, execução, pagamentos da PLR); Quanto à fixação dos direitos substantivos, encontramos regra para sua definição: “II. PREMISSAS a) PARA A DEFINIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO POTENCIAL • Conquistado o Contrato, o Diretor da Área de Negócios responsável, envolvendo os profissionais/áreas que julgar pertinente (DIREG/SUCON/RECON/etc.) analisa as condições específicas aplicáveis, e propõe o percentual a ser considerado para efeito de participação. • Consensado o percentual, o Diretor da Área de Negócios o submeterá à apreciação da Diretoria Corporativa Colegiada que o homologará, sob coordenação da DIGEX. • A determinação do percentual deverá ser feita a partir da avaliação e formalização das conclusões, com base nos seguintes quesitos: COMPLEXIDADE NEGOCIAL COMPLEXIDADE OPERACIONAL RESULTADO ECONÔMICOFINANCEIRO DESEJADO Como Complexidade Negocial entendese o grau de dificuldade a ser enfrentado na gestão do Contrato , em razão de fatores tais como: Quem é o Cliente e qual o nível de relacionamento com o GQG, Envolvimento de parceiros; Variáveis legais específicas ao tipo de Contrato; Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 30 Situação econômicofinanceira do Cliente; Perspectiva de problemas de garantia de recursos e pagamentos; Bases contratadas; Perspectiva de ampliação dos resultados do Contrato Etc.... • A Complexidade Operacional abrange a análise do potencial de dificuldades inerentes à realização do trabalho quando da execução dos serviços contratados , o que engloba, entre outros fatores: Porte; Desafios vinculados a prazo contrátual; Localização e logística; Grau de domínio da tecnologia pelo GQG; Deficiências de projetos; Custos e margens operacionais; CuItura local de relações trabalhistas; Cronograma de Obras; Etc.... * A definição do Resultado Econômico Financeiro Desejado, envolve a análise dos desafios potenciais previstos quanto a: Margem operacional assegurada na conquista do Negócio (Preço x Custos Orçados); Riscos assumidos pelo Grupo em termos de estratégia empresarial; Possibilidades de melhoria dos resultados (redução de custos via mudança de projetos, melhoria de produtividade/ampliação da receita via melhoria de condições contratuais ou ampliação de serviços dentro do Contrato); Etc.... O percentual definido passa a ser, a partir daí, o referencial básico a ser aplicado sobre o resultado econômico financeiro efetivamente alcançado pela equipe do Contrato, independente se positivo ou negativo , podendo, no entanto, ser reduzido caso os resultados qualitativos estabelecidos no Plano de Ação não sejam atingidos. • Esse referencial básico , de principio, deve permanecer válido para toda a extensão do Contrato. Considerando, no entanto, as peculiaridades inerentes ao nosso segmento de atuação, alterações imprevistas que interfiram significativamente nas premissas estabelecidas , dentro dos Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 17 31 mesmos passos de consenso e homologação utilizados inicialmente , o que pode, inclusive, acarretar mudanças no percentual definido. • A distribuição do percentual relativo ao Contrato será feita a partir da avaliação do Plano de Ação, conforme bases acordados pelo RECON com sua equipe. • No caso de Contratos para os quais o Grupo tenha , a priori, assumido a possibilidade de resultado econômicofinanceiro negativo , o percentual será fixado com base no desafio de REDUÇÃO DO PREJUIZO PREVISTO. Nessa situação, será determinado um patamar de RESULTADO NEGATIVO ESPERADO, a partir do qual será fixado um percentual a ser aplicado sobre a melhoria efetivamente obtida. Aqui também a ocorrência de resultados aquém do desejado (aumento do prejuízo previsto ), gerará débito em conta corrente para a equipe, na mesma proporção. ... CRITÉRIOS II.1 APURAÇÃO a) Do Resultado da Empresa O resultado para efeito de participação, será calculado com base no critério financeiro, ou seja, os recebimentos das faturas dos serviços executados menos os pagamentos de despesas e custos. Portanto, para apuração do resultado da empresa deve ser considerado: al O recebimento das faturas provenientes de medições de serviços realizados nos contratos a2 A remessa de numerários feita aos contratos para pagamento de despesas e custos a3 A depreciação dos equipamentos lotados nos contratos a4 As despesas ou custos transferidos de outros contratos ou Matriz a5 As despesas dos Escritórios Regionais a6 As despesas da Matriz, exceto as despesas tributárias. Observações: 1. Para apuração dos Escritórios Regionais não serão consideradas as despesas da Matriz. Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 32 2. Para a apuração dos contratos, além das despesas da Matriz, também não serão consideradas as despesas dos Escritórios Regionais. 3. A emissão de fatura sem o respectivo recebimento não caracterizará expectativa de direitos para o empregado. Da leitura acima, encontramos: 1. Fixação dos direitos substantivos: “Conquistado o Contrato, o Diretor da Área de Negócios responsável, envolvendo os profissionais/áreas que julgar pertinente (DIREG/SUCON/RECON/etc.) analisa as condições específicas aplicáveis, e propõe o percentual a ser considerado para efeito de participação. Consensado o percentual, o Diretor da Área de Negócios submeterá à apreciação da Diretoria Corporativa Colegiada, que o homologará, sob coordenação da DIGEX.; 2. Fixação dos direitos substantivos: “O resultado para efeito de participação, será calculado com base no critério financeiro, ou seja, os recebimentos das faturas dos serviços executados menos os pagamentos de despesas e custos.”; 3. Fixação dos direitos substantivos: A distribuição do percentual de cada contrato será feita a partir da avaliação do Plano de Ação, conforme bases acordadas pelo RECON (responsável pelo contrato) com sua equipe; 4. Fixação das regras adjetivas: as metas a serem alcançadas estão dispostas, nos componentes que definem os cálculo do critério financeiro, pois a definição de que o valor a receber depende da relação entre recebimentos, despesas e custos traz, em seu cerne, a busca de esforços dos segurados para elevação de itens e redução de outros itens. Importante ressaltar que no acordo há a previsão/determinação de criação de comissão permanente, paritária, de representantes da empresa e dos segurados, com doze integrantes, com o objetivo de aprovar as regras, , acompanhar a apuração dos resultados, , verificar os pagamentos realizados, , fazer as ajustagens e melhoramentos no sistema de remuneração que forem necessárias. Portanto, havia um órgão/centro, com representantes dos segurados, para fiscalização, acompanhamento de metas e pagamentos, proposição de melhorias. Somase a esse fato que o Sindicato de categoria, Construção Ciivil, participou, concordou e chancelou as regras dispostas. Estes dois organismos (Comissão Permanente e Sindicato) servem para, principalmente, resguardar os direitos dos segurados. Eles possuem a missão de fiscalizar e defender os segurados, por isso a participação e chancela dos sindicatos é de fundamental importância. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 35301.001201/200707 Acórdão n.º 9202003.258 CSRFT2 Fl. 18 33 Por fim, a fiscalização acusa os acordos de possuírem privilégios, pois engenheiro recebeu em obra do RODOANEL (não há informação se é por contrato, já que em uma obra como essa devem existir vários contratos) e servente de pedreiro não recebeu. Quanto à possibilidade de ocorrência de privilégios, na análise de cálculo do valor lançado, encontramos cerca de 13.500 pagamentos, por segurado, fls. 0263. Nesses pagamentos encontramos valores pagos a diretores, engenheiros, auditores, funções com poder de direção na empresa, mas também, encontramos valores pagos a Operadores de Máquina Copiadora, Varredor de rua, Auxiliar de serviços Gerais, Mestres de Obras, etc. Portanto, não há como descaracterizar o acordo sobre a pecha, mesmo que feita de forma indireta, de que ele era ferramenta de privilégios para segurados com poder no sujeito passivo. O Fisco informa que a empresa não respondeu questionamento sobre os motivos que alguns segurados não receberam os valores, apesar de que o regramento para pagamento de PLR determinava que todos deveriam receber, nos seguintes termos: “2.11. Como conseqüência, observase, a exemplo do "RODOANEL", contratos cujos resultados ficaram adstritos somente a uma parcela dos funcionários envolvidos, não restando evidenciados os critérios, ou melhor, quaisquer justificativas para tal situação. 2.12. Intimada, então, por meio do termo lavrado em 28/04/2006 (DOC. 6), a manifestarse sobre os critérios adotados para fixação dos direitos à participação dos funcionários, a empresa limitouse a informar que os mesmos estariam "estabelecidos nas bases do plano de participação na superação de resultados remuneração variável (item III critérios)" (DOC. 6A).” Ora, o Fisco não fez esse questionamento. O questionamento feito pelo Fisco, anexado por ele, consta dos autos, anexados na autuação, fls. 0257: “Tendo em vista a participação de trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, esta Auditoria Fiscal solicita, por impresso, esclarecimentos quanto aos seguintes questionamentos: 1) Quais os critérios adotados para fixação dos direitos à participação nos lucros, apontandose, inclusive, os mecanismos de aferição, tais como: índices de produtividade, programas de metas, resultados e prazos pactuados, etc...? 2) As regras e condições acordadas encontramse definidas em convenção, acordo coletivo ou decorreram de deliberações de comissões constituídas para tal finalidade? Qual o período de vigência e prazos para revisão do acordo?’ Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 34 A empresa respondeu aos questionamentos, fls. 0258, informando, em síntese, que havia acordo e que os critérios constam do item III. Portanto não há razão nessa alegação, mesmo que indireta, de existência de privilégios, pois diretores receberam, varredores de rua receberam e o Fisco deveria ter investigado os motivos de que certo segurado não recebeu, inclusive informandoo, para que buscasse seu direito, caso tenha sido prejudicado. Depois de vários anos analisando a matéria de pagamento de PLR, e sua conseqüente isenção, chegamos à conclusão, em síntese, que um regramento para estar de acordo com a legislação deve possuir alguns requisitos básicos, que são: 1. Participação e chancela de Sindicato (a fim de defender, fiscalizar, exigir os direitos dos segurados, seus filiados); 2. Integração entre capital e trabalho (melhoria de resultados empresariais atrelados a ganhos de remuneração dos segurados); 3. Celebração do acordo em data anterior a obtenção do resultado a ser atingido, por lógica, não há como alcançar algo que já se realizou; 4. Previsibilidade de regras sobre metas a serem alcançadas; 5. Previsibilidade de regras sobre ganho na remuneração se metas forem atingidas. Nesse sentido, em meu entender, todos esses requisitos estão presentes no regramento para pagamento de PLR em questão. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acompanho o voto vencido quanto à decadências, e, no m´perito, voto em negar provimento ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10314.009746/2010-89
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/08/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR
As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 3803-006.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/08/2010 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/08/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 97 46 /2 01 0- 89 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009746/201089 Acórdão n.º 3803006.629 S3TE03 Fl. 306 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 06/08/2010 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 17/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 01/11/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009746/201089 Acórdão n.º 3803006.629 S3TE03 Fl. 307 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009746/201089 Acórdão n.º 3803006.629 S3TE03 Fl. 308 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009746/201089 Acórdão n.º 3803006.629 S3TE03 Fl. 309 9 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10830.012695/2010-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
PROGRAMA DE INCENTIVO. PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA
Constitui infração ao disposto no art. 30, inciso I, alínea a da Lei n. 8.212/91, deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço.
É assente na jurisprudência deste Conselho que as verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a ausência de recolhimento de tributo sobre tais verbas.
MULTA CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe a este Conselho afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, par determinar o recálculo de multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. PROGRAMA DE INCENTIVO. PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA Constitui infração ao disposto no art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei n. 8.212/91, deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço. É assente na jurisprudência deste Conselho que as verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a ausência de recolhimento de tributo sobre tais verbas. MULTA CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe a este Conselho afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 26 95 /2 01 0- 33 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 2 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, par determinar o recálculo de multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 10830.012695/201033 Acórdão n.º 2403002.760 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 0533.486, fls. 350/361 do Processo Principal nº 10830.012696/201088, o qual julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito previdenciário consubstanciado no Auto de Infração DEBCAD nº 37.286.5542, consolidado em 16/09/2010 e notificado ao contribuinte em 29/09/2010, lavrado no importe de R$ 54.916,09 (cinquenta e quatro mil novecentos e dezesseis reais e nove centavos). O Relatório Fiscal, fls. 24/31, consigna que a autuação almeja o recolhimento de contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas com base nos valores constantes dos lançamentos contábeis e/ou dados fornecidos pela interposta empresa de incentivo Infiniti Marketing de Incentivo e Fidelização Ltda., não incluídas em Folhas de Pagamento e também nas GFIP’s relativas ao período de 01/2006 a 06/2007. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação por meio de instrumento de fls. 239/267 do Processo Principal mencionado. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Campinas, DRJ/CPS, prolatou o Acórdão n° 0533.486, fls. 350/361 do Processo Principal, a qual julgou improcedente a impugnação, mantendo em sua integralidade o crédito tributário Segue ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 PREVIDENCIÁRIO. PRÊMIOS. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. INTEGRAÇÃO. Os valores despendidos pela empresa, ainda que por meio de pessoa jurídica interposta, a título de pagamento de prêmios aos trabalhadores a seu serivço integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias dos próprios segurados e do empregador. CONTRIBUIÇÕES EM ATRASO. MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. O recolhimento de contribuições previdenciárias feito em atraso sujeitase à incidência de multa de mora ou de ofício – prevalecendo a mais benéfica para o sujeito passivo , ambas de caráter irrelevável. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 4 CERCEAMENTO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA DO PROCEDIMENTO FISCAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não caracteriza cerceamento de defesa eventual deficiência ocorrida na fase inquisitória do procedimento fiscal, quando não se tinha ainda processo, mas mero procedimento de verificação da situação do contribuinte no tocante às suas obrigações para com a previdência social culminando com o lançamento do crédito tributário. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal regularmente posto e em vigor, vez que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 21/39, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Ausência de descrição e precisão das infrações, violando o princípio da ampla defesa; 2. Impossibilidade de tributação de reembolso de despesas, denominados de premiação; 3. Caráter confiscatório da multa aplicada, violando o art. 150, VI, da Constituição Federal. DAS RESOLUÇÕES E DILIGÊNCIA FISCAL Considerando que nos arquivos disponíveis no eprocesso, constava apenas a capa do Volume I dos autos, fl. 01 e termos de apensamento, foi proferida a Resolução nº 2403000.191, fls. 03/05, para realização de diligência para fins de localização dos documentos físicos que o instruem, seguida da digitalização e posterior indicação para julgamento. Cumprida a diligência requerida, retornaram os autos a este Conselho para apreciação da peça recursal, entretanto, ainda permaneceu ausente os documentos nos autos do processo nº 10830.012697/201022, conexo ao presente, de modo que foi proferida nova Resolução, nº 2403000.241, a fim de que após a juntada dos referidos documentos pudesse ser procedido o julgamento conjunto dos processos. Após a realização da diligência, os autos retornarão ao CARF, para apreciação dos recursos voluntários. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 10830.012695/201033 Acórdão n.º 2403002.760 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documentos de fl. 55 do Processo Principal nº 10830.012696/201088, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A mera análise da autuação evidencia expressa menção aos dispositivos legais infringidos, assim como os fatos que culminaram no lançamento, constantes no Relatório Fiscal, fls. 24/31, bem como em tópico autônomo intitulado “Fundamentos Legais do Débito”, fls. 19/20, onde exaustivamente é elencado todos os dispositivos que autorizam a lavratura do processo fiscal em epígrafe. Desde modo, não merece acolhida a alegação de cerceamento do direito de defesa por ausência de clareza dos fatos ou os dispositivos legais infringidos. DO PRÊMIO DE INCENTIVO, LEGITIMIDADE PASSIVA E COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL A base de cálculo das contribuições previdenciárias está contida no art. 28, da Lei n. 8.212/91, ou seja, o salário de contribuição, verbis: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa” Observase que a definição de salário de contribuição tanto para o empregado quanto para o contribuinte individual é ampla, não importando, via de regra, a forma e a que título foi paga, devida ou creditada, se de maneira direta ou indireta, pelo empregador ou terceiro interessado no pagamento ou não, a titulo de premiação/bonificação ou não. No entanto há exceções contidas no §9, do mesmo artigo. Elas compreendem quatro grupos principais: a) pagamentos com caráter indenizatório; b) ressarcimentos de despesas; c) ferramentas de trabalho; e d) retribuições provenientes de terceiros. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 6 A parcela a título de prêmio, da forma pela qual foi paga in casu, não se encaixa em qualquer das modalidades de exceção elencadas na norma supracitada. Ao contrário do que alega a Recorrente, não há como enquadrar os valores pagos pela empresa especializada em marketing de incentivo aos funcionários como desembolso de despesas eis que não foram acostados quaisquer documentos probatórios suficientes a provar o alegado. A fiscalização se utilizou de documentos que o ampararam na pretensão fazendária perseguida, munido do contrato de prestação de serviços, relação nominal discriminando nome e valor dos beneficiários dos prêmios, além das folhas de pagamentos e GFIP’s, razão pela qual é imprescindível a apresentação de prova em sentido contrário por parte da Recorrente, o que não ocorreu no caso em tela. Isso porque, mesmo em matéria tributária, cabe a ambos, ao Fisco e ao contribuinte, não só alegar, como, precipuamente, produzir provas que ofereçam condições de convicção favoráveis à sua pretensão. Por oportuno, transcrevese as palavras de Marcos Vinícius Neder, quando afirma que “Ino processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o contribuinte aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes” (NEDER, Marcos Vinícius; SANTI, Eurico Marcos Diniz de; FERRAGUT, Maria Rita (coord.). A prova no Processo Tributário. São Paulo: Dialética, 2010. p. 19). Tais considerações acerca do ônus da prova também se aplicam em relação ao argumento de que a auditoria fiscal ignorou dispositivos legais ao aplicar a alíquota de 11%, eis que caberia à Recorrente afastar os valores em relação ao limite máximo do salário de contribuição. Afora isso, a matéria já foi objeto de diversos julgamentos anteriores por este conselho, conforme se verifica dos acórdãos: 230101.625 — 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, 19 de agosto de 2010, 280300.163 — 3ª Turma Especial, 09 de julho de 2010, 230101.878 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 15 de março de 2011, 2401001.796 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 14 de abril de 2011 e 230102.065 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 12 de maio de 2011. Segue abaixo um dos arestos informados para ilustrar o entendimento do colegiado: REMUNERAÇÃO INDIRETA. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CARTÃO PRÊMIO. Valores pagos indiretamente a empregados e contribuintes individuais por intermédio de prêmio/plano de incentivo são considerados salários de contribuições para a Previdência Social, nos termos do art. 28, incisos I e III, da Lei n " 8,212/91. O pagamento de prêmio/plano de incentivo ao empregado por empresas que não se revistam da qualidade de empregador, mas com o consentimento deste, aproveitando a relação de emprego e as oportunidades dai advindas, integra o salário de contribuição. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 10830.012695/201033 Acórdão n.º 2403002.760 S2C4T3 Fl. 5 7 CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEGALMENTE CONSTITUÍDO. ART. 142 DO CTN. Crédito tributário deve estar revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts, 97 e 114, todos do CIN. A declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido. (Acórdão 280300.163 — 3ª Turma Especial, 09 de julho de 2010) Quanto à alegação de que a parcela não é destinada à contraprestação ao trabalho, também não merece guarida uma vez que se trata de remuneração indireta pois sabendo o funcionário de que caso alcance aquela meta que faz parte de suas atividades laborativas, será credor daquela parcela. O objeto já foi discutido inclusive pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme: PET 6243/SP, Eliana Calmon, REsp 863.244/SP, Min Luiz Fux e REsp 735.866/PE, Min. Teori Albino Zavascki. Portanto, não subsistem razões para afastar a incidência da contribuição previdenciária, razão pela qual deve ser mantido o crédito previdenciário. DA INCONSTITUCIONALIDADE ALEGADA Em relação ao argumento de confiscatoriedade da multa aplicada, temse que tal imputação está diretamente relacionado ao princípio constitucional de vedação ao confisco, de modo que a sua análise implicaria na verificação ou não de inconstitucionalidade acerca dos dispositivos legais que fundamentaram a imputação em epígrafe. Ocorre, entretanto, que ao contrário do que pretende a Recorrente, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Mister destacar que os incisos I e II do Parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, contudo, não sem aplicam ao caso em tela, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 8 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por esses motivos, este julgador não irá se pronunciar acerca das alegações que inconstitucionalidades se não estiverem nas exceções acima, portanto, percebendo que o recorrente não traz qualquer argumento ou comprovante que possa infirmar as imputações do fiscal autuante, há de se manter a exação. DA MULTA APLICADA No que se refere às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz proceder a algumas considerações. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 10830.012695/201033 Acórdão n.º 2403002.760 S2C4T3 Fl. 6 9 da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 10 ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I
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Numero do processo: 16327.002245/2003-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998
DECADÊNCIA. ARTS. 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE Nº 08. RECOLHIMENTO A MENOR. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º, DO CTN.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo sobressair as disposição do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Gabriel Troianelli, OAB/SP nº. 180.317.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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Recorrente PATENTE PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998 DECADÊNCIA. ARTS. 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE Nº 08. RECOLHIMENTO A MENOR. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º, DO CTN. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo sobressair as disposição do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Gabriel Troianelli, OAB/SP nº. 180.317. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 22 45 /2 00 3- 80 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase o presente processo de auto de infração relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS formalizando crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 47.280,25 (quarenta e sete mil, duzentos e oitenta reais e vinte e cinco centavos) acrescido de juros de mora, totalizando R$ 100.013,23 (cem mil e treze reais e vinte e três centavos) referente ao período de 31/07/1997 a 28/02/1998 (fls. 02/03). Inconformada, a empresa apresentou impugnação, no devido prazo, na tentativa de ver afastada as cobranças do referido imposto, em virtude da suposta ocorrência da decadência do direito de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores de julho/1997 a fevereiro/1998, pois teria ultrapassado o prazo de 5 (cinco) anos previsto no §4, do art. 150, do CTN, além de que considera inadequado a aplicação da taxa SELIC como índice para efeito do computo do juros de mora. Apreciando o pleito da contribuinte, a DRJ julgou improcedente a impugnação, conforme resume a ementa abaixo transcrita (fl. 112 e ss): PIS. DECADÊNCIA. O direito da Administração de constituir o crédito tributário relativamente às Contribuições para o Programa de Integração Social PIS decai em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme determina a legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SEL1C. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo Cientificada do acórdão, acima destacado, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 127 e ss), alegando que, ao contrário do que consignou a DRJ, estaria decaído o direito do Fisco cobrar o crédito tributário nos períodos de julho a dezembro de 1997 e janeiro e fevereiro de 1998, por ter passado mais de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, com base no §4º do art. 150 do CTN, e que os juros de mora não poderia ter sido calculado com base na taxa SELIC acumulada mensalmente. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 16327.002245/200380 Acórdão n.º 3202001.302 S3C2T2 Fl. 149 3 Com efeito, a matéria ora convertida diz respeito ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para o Fisco apurar e constituir o crédito tributário de PIS, pago a menor, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Ocorre que o Egrégio Supremo Tribunal Federal já dirimiu definitivamente a controvérsia, inclusive através da edição da Súmula Vinculante nº 08, cujo teor é o seguinte: SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. À luz do art. 62A do RICARF, “As decisões definitiva de mérito, proferidas pelo STF e STJ, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. No presente caso, exação diz respeito diferença de recolhimento de tributo, alusivo aos fatos geradores ocorridos entre 31/07/1997 e 28/02/1998. Como a ciência do auto de infração se deu no dia 07/07/2003 (fls. 2), verificase que os fatos geradores anteriores a 07/07/1998, nos termos do §4º art. 150 do CTN, estão fulminados pela decadência. Por conseguinte, em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 13858.000509/2003-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1993 a 31/10/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULAÇÃO VIA PAPEL. POSSIBILIDADE.
O Pedido de Restituição poderá ser feito por meio de formulário (via física), quando o Contribuinte estiver impossibilitado de solicitar pelo sistema PER/DCOMP devido à ausência de previsão de hipótese de restituição.
PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DOS TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos termos da decisão do STF o termo inicial do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 10 anos para os pedidos protocolizados antes de 9 de junho de 2005 e de 5 anos se o pedido foi apresentado a partir dessa data.
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI N.º 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos n.ºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
INCONSTITUCIONALIDADE. PIS DECRETOS.
Declarada a inconstitucionalidade dos Decretos-leis n.º 2.445 e 2.449, de 1988 declarada pelo STF através do RE 148.754-2 e retirados do mundo jurídico por conta da Resolução n.º 49/95 do Senado Federal é de se prover o direito de restituir-se o valor pago a maior.
QUESTÕES CONSTITUCIONAIS.
Nos termos da Súmula n.º 2 do CARF o Conselho não é competente para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de Leis.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martínez López, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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PIS e COFINS. Recorrente COLORADO VEICULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1993 a 31/10/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULAÇÃO VIA PAPEL. POSSIBILIDADE. O Pedido de Restituição poderá ser feito por meio de formulário (via física), quando o Contribuinte estiver impossibilitado de solicitar pelo sistema PER/DCOMP devido à ausência de previsão de hipótese de restituição. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DOS TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos termos da decisão do STF o termo inicial do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 10 anos para os pedidos protocolizados antes de 9 de junho de 2005 e de 5 anos se o pedido foi apresentado a partir dessa data. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI N.º 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos n.ºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. INCONSTITUCIONALIDADE. PIS DECRETOS. Declarada a inconstitucionalidade dos Decretosleis n.º 2.445 e 2.449, de 1988 declarada pelo STF através do RE 148.7542 e retirados do mundo jurídico por conta da Resolução n.º 49/95 do Senado Federal é de se prover o direito de restituirse o valor pago a maior. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 8. 00 05 09 /2 00 3- 74 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13858.000509/200374 Acórdão n.º 3301002.515 S3C3T1 Fl. 542 2 Nos termos da Súmula n.º 2 do CARF o Conselho não é competente para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de Leis. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martínez López, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13858.000509/200374 Acórdão n.º 3301002.515 S3C3T1 Fl. 543 3 Relatório Tratase de pedido de restituição das contribuições sociais ao PIS e a COFINS, recolhidas entre o período de setembro de 1993 a outubro de 2002, no montante de R$ 2.379.635,93 (dois milhões, trezentos e setenta e nove mil, seiscentos e trinta e cinco reais e noventa e três centavos), valor este atualizado pela própria requerente até junho de 2003. O pedido foi formulado em 03.11.2003, através de requerimento escrito em razão da aplicação do disposto na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n.º 210, de 30.09.2002, diante do fato de constar tributos a serem repetidos de período superior a 05 anos, não havendo condições técnicas de remessa do pedido através de formulário eletrônico pela internet. Em síntese utiliza como fundamentos que durante o período abarcado pelo pedido de restituição ocorreram vícios na legislação que tratava das contribuições, especialmente os Decretosleis n.ºs 2.445/88 e 2.449, Medida Provisória n.º 1.212/95, Ato Declaratório SRF n.º 56/2000. Afirma que a partir de novembro de 2002 as contribuições ao PIS e a COFINS passaram a ser não cumulativas. Que até a edição da Medida Provisória n.º 66/2002 recolheu a contribuição ao PIS sobre o total do faturamento, incluindo vendas de veículos novos adquiridos do fabricante. Com relação a COFINS, menciona a Lei Complementar n.º 70/61, Lei n.º 9.718/98, Medida Provisória n.º 2.15835 e Lei n.º 10.485/2002 e traz argumentação análoga a utilizada para a contribuição ao PIS. Após relatar o histórico das alterações legislativas pertinentes, invoca o princípio da isonomia, alega fazer jus ao mesmo tratamento dado a empresas que se dedicam a outros ramos de atividades (instituições financeiras, cooperativas e revendedoras de veículos usados), qual seja o recolhimento das contribuições com base no “lucro bruto” diante das possibilidade de deduções e exclusões previstas nas legislações, e não com base no faturamento, correspondente à receita bruta, considerada como a totalidade das receitas auferidas, sem possibilidade de deduções e exclusões. Para fundamentar seu direito invoca ainda os princípios constitucionais da capacidade contributiva, do não confisco, da legalidade. Afirma, ainda, que por se dedicar à revenda de veículos repassa valores ao fabricante do veículo e que tais valores não integram seu faturamento e, portanto, devem ser excluídos da base de cálculo. Por fim, tece comentários acerca da prescrição, do direito a correção monetária dos valores a serem restituídos e do próprio direito a restituição. Após análise do pedido de restituição foi proferido despacho decisório indeferindo a restituição pleiteada. A decisão restou assim ementada: Assunto: Pedido de Restituição. PIS e COFINS. Período de apuração: janeiro de 1993 a outubro de 2002. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13858.000509/200374 Acórdão n.º 3301002.515 S3C3T1 Fl. 544 4 Ementa : Decadência. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 anos contados da extinção do crédito tributário conforme artigo 168 do CTN e artigo 3º da Lei Complementar n° 118/2005. Pedido não formulado. Pela não observância do disposto no artigo 3º da IN n° 323/2003, considerase o pedido não formulado em relação aos períodos não atingidos pela decadência. Solicitação Indeferida. Em face deste despacho decisório foi apresentada Manifestação de Inconformidade em 08.06.2008, alegando em síntese que a preliminar de ineficácia do meio escolhido para o ressarcimento não poderia prevalecer, pois a forma não está contrária á Lei, sendo que a Instrução Normativa n.º 323/2003 não pode se sobrepor à Lei Ordinária Federal. Alega que em alguns tópicos as questões de mérito foram parcialmente analisadas, logo, a preliminar não pode ser obstáculo ao conhecimento e análise de todo o mérito. Igualmente, afirmam que não poderia prevalecer a preliminar de indeferimento dos pedidos referentes a períodos superiores a cinco anos, pois os tributos em questão estão sujeitos ao lançamento por homologação, sendo a homologação tácita ocorrida após 5 anos de seu vencimento, e somente a partir daí é que deve ser contado o período de prescrição de 5 anos. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, os membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO, por unanimidade, julgaram improcedente a Manifestação de Inconformidade, em relação aos períodos de apuração de 01.01.1993 a 31.09.1998, por decadência e não conheceram a Manifestação em relação aos períodos de apuração de 31.10.1998 a 31.10.2002. A Ementa de mencionado Acórdão segue abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/11/1998 PIS. RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/1998 a 31/10/2002 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de manifestação de inconformidade que se insurge contra decisão que considerou como não formulado o pedido de restituição apresentado em desobediência às normas legais. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13858.000509/200374 Acórdão n.º 3301002.515 S3C3T1 Fl. 545 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a r. decisão, foi interposto Recurso Voluntário reiterando os argumentos do pedido de restituição e da Manifestação de Inconformidade, confirmando a legalidade e correção da formulação do pedido de restituição em papel, bem como da não ocorrência da prescrição do período de 01.09.1993 a 30.09.1998. É o que importa relatar. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13858.000509/200374 Acórdão n.º 3301002.515 S3C3T1 Fl. 546 6 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. São três os pontos a serem analisados no presente recurso: o um, o prazo decadencial para a contribuinte pedir a restituição de tributos; o dois, a possibilidade ou não da Recorrente formulado o pedido mediante formulário em papel; e, o três, a existência do direito da mesma em restituir os valores que pleiteia. Quanto ao prazo para a contribuinte pleitear a restituição de tributos, consoante decisão do Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621 (transitado em julgado em 27/02/2012), submetido a sistemática da repercussão geral, pacificouse o entendimento de que o prazo estabelecido na Lei Complementar n.º 118/05 somente se aplica para os processos ajuizados a partir 09 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação era de dez anos contados de seu fato gerador, como no presente caso o pedido é de 03/11/2003 e serve para restituir tributos pagos entre 1998 e 2002 tem razão a contribuinte. Com relação ao nãoconhecimento parcial da Manifestação de Inconformidade pela DRJ, em virtude do pedido de Restituição ter sido considerado não formulado por ter sido feito por meio de formulário (via física) não tendo sido observado o disposto no artigo 3º da Instrução Normativa 323/2003, em relação aos períodos não atingidos pela decadência, este entendimento também não merece prosperar. Não há razão para considerar o pedido da ora Recorrente como não formulado. Os artigos 2º e 3º da Instrução Normativa n.º 210, de 30.09.2002 dispunham que (os destaques são nossos): Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I – cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; II – erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III – reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13858.000509/200374 Acórdão n.º 3301002.515 S3C3T1 Fl. 547 7 Parágrafo único. A SRF poderá promover a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. Art. 3º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I – a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição"; II – mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou III – de ofício, em decorrência de representação do servidor que constatar o indébito tributário. § 1º A representação a que se refere o inciso III deverá ser encaminhada à autoridade da SRF competente para decidir sobre o direito creditório do sujeito passivo, acompanhada de comprovante do recolhimento e de demonstrativo no qual fique evidenciado o valor do indébito. § 2º Na hipótese de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o requerente deverá encaminhar à SRF procuração conferida por instrumento público ou por instrumento particular com firma reconhecida ou, quando for o caso, decisão judicial que o autorize a requerer a quantia. § 3º A restituição do imposto de renda apurado na DIRPF reger seá pelos atos normativos da SRF que tratam especificamente da matéria, ressalvado o disposto nos arts. 9º e 10 desta Instrução Normativa. É certo que a Instrução Normativa SRF n.º 323, de 24.04.2003, em seu artigo 3º determinava que (os destaques são nossos): Art. 3º Os formulários a que se refere o art. 44 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002 , somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional, embora admitida pela legislação federal, não possa ser requerido ou declarada à SRF mediante utilização do programa PER/DCOMP, aprovado pela Instrução Normativa SRF nº 320, de 11 de abril de 2003 . Parágrafo único. Na hipótese de descumprimento do disposto no caput, considerarseá não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação. Ou seja, este dispositivo prevê a hipótese de impossibilidade de utilização do sistema eletrônico. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13858.000509/200374 Acórdão n.º 3301002.515 S3C3T1 Fl. 548 8 Da combinação dos dispositivos mencionados, concluíse que o Pedido de Restituição poderá ser feito por meio de formulário (via física), quando o Contribuinte estiver impossibilitado de solicitar pelo sistema PER/DCOMP devido à ausência de previsão de hipótese de restituição. Ora, no formulário do Pedido de Restituição apresentado pela empresa, no campo 4. “Outras informações” (fls. 01), consta a seguinte justificativa: “Pedido formulado através de requerimento escrito em razão da aplicação do disposto na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n.º 210, de 30.09.2002, diante do fato de constar tributos a serem repetidos de período superior a 05 anos, não havendo condições técnicas de remessa do pedido através de formulário eletrônico pela internet.” Como se verifica, o requisito formal foi devidamente cumprido pela Recorrente ao justificar a utilização do formulário. Quanto à justificativa, a Recorrente realmente não poderia utilizar o sistema PER/DCOMP, uma vez que o programa não permite a restituição de crédito na forma pleiteada pela contribuinte. Por outro lado, é absolutamente ilógico conhecer parte do pedido de restituição feito por meio de formulário em papel (mesmo que tenha sido negado por qualquer motivo) e não conhecer da outra parte do mesmo pedido por ter sido feito por meio de formulário em papel. Assim, o pedido de restituição da Recorrente deve ser considerado formulado e deve ser analisado. Afastadas essas questões as demais questões apontadas, apesar de não analisadas na instância anterior, devem ser examinadas, primeiro porque as questões ou são objeto de decisões definitivas do STF ou estão simuladas por esse Conselho e também com base no princípio da eficiência, afinal, processo é meio; não é fim em si mesmo. O princípio da eficiência exige que: a) o processo chegue a uma decisão; b) que a decisão seja proferida no menor tempo possível; e, c) que os meios despendidos no processo sejam os necessários e suficientes para a decisão colimada. Vários são os dispositivos da Lei n.º 9.784/99 que dão concretude e detalhamento ao princípio da eficiência. Vários artigos fixam prazos decisórios (artigos 41, 42, 44, 59 e 66); outros tantos predicam a utilização de meios expeditos (artigos 35, 37 e 39). O artigo 48 consigna o dever de decidir. E os artigos 49 e 59, § 1º, impõem que a decisão seja célere e pronta. Assim, considerando que no princípio da eficiência encontrase também o princípio da economia processual, passo ao exame das demais questões apontadas. A ora Recorrente fundamenta seu direito nas diversas alterações que a legislação do PIS e da COFINS sofreram ao longo do tempo, bem como no suposto direito de efetuar reduções e exclusões de sua base de cálculo como ocorre com as instituições financeiras, cooperativas e revendedoras de veículos usados tendo em vista o princípio da isonomia. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13858.000509/200374 Acórdão n.º 3301002.515 S3C3T1 Fl. 549 9 Um dos fundamento do pedido da Recorrente é a inconstitucionalidade dos Decretosleis n.º 2.445 e 2.449, de 1988 declarada pelo STF através do RE 148.7542 e retirados do mundo jurídico por conta da Resolução n.º 49/95 do Senado Federal. Com isso, firmouse a jurisprudência no sentido de que os lançamentos feitos com base em tais decretosleis são insubsistentes. Destarte, é incontestável o bom direito da Recorrente, visto que a presente lide tem como objeto a compensação da contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade dos citados DecretosLeis. Nesse sentido, Com relação aos valores decorrentes da indevida ampliação da base de cálculo das contribuições em comento pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/1998, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3o, § 1o, DA LEI No 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL No 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1o DO ARTIGO 3o DA LEI No 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional no 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei 9.718/98 e Fl. 549DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13858.000509/200374 Acórdão n.º 3301002.515 S3C3T1 Fl. 550 10 negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A1 da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 2010, Regimento Interno do CARF, devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998 e . Por último, a Recorrente invoca o princípio da isonomia, alega fazer jus ao mesmo tratamento dado a empresas que se dedicam a outros ramos de atividades (instituições financeiras, cooperativas e revendedoras de veículos usados), qual seja o recolhimento das contribuições com base no “lucro bruto” diante das possibilidade de deduções e exclusões previstas nas legislações, e não com base no faturamento, correspondente à receita bruta, considerada como a totalidade das receitas auferidas, sem possibilidade de deduções e exclusões. Para fundamentar seu direito invoca ainda os princípios constitucionais da capacidade contributiva, do não confisco, da legalidade. Afirma que atualmente deveria recolher as contribuições com base na sistemática monofásica, mas que as respectivas alíquotas foram reduzidas a zero, razão pela qual, desde novembro de 2002, não está obrigada ao recolhimento das contribuições. Tal situação lhe garante o direito a restituição dos valores indevidamente recolhidos tendo em vista que o tempo para compensar os valores aqui pleiteados será demasiadamente longo. Ocorre que, ainda que de forma indireta, a Recorrente está questionando a constitucionalidade das leis que estabelecem a base de cálculo do PIS e da COFINS para a sua atividade quando comparadas a outras atividades, tendo em vista o princípio constitucional da isonomia. Tenho que não é possível a esse Conselho examinar a matéria, pois a inconstitucionalidade de lei tributária não é questão de debate da competência do CARF nos termos da Súmula n.º 2, que assim dispõe: “Súmula CARF n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 550DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13858.000509/200374 Acórdão n.º 3301002.515 S3C3T1 Fl. 551 11 A atividade administrativa é vinculada. Cabe a autoridade fiscal prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, ainda que sob argumento de inconstitucionalidade, por suposta violação aos princípios da legalidade, capacidade contributiva, vedação ao confisco. É o que dispõe o artigo 26A do Decreto 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Por todo o exposto, preliminarmente, afasto a decadência e considero formulado o pedido de compensação apresentado; no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, não reconhecendo o pedido de isonomia formulado e reconhecendo o direito à restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição ao PIS e COFINS em virtude da inconstitucionalidade do Decretosleis n.ºs 2.445 e 2.449, de 1988 declarada pelo STF e retirados do mundo jurídico por conta da Resolução n.º 49/95 do Senado Federal para os quais deverá ser aplicada a semestralidade nos termos da Súmula CARF n.º 15, e decorrente da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, valores esses que deverão ser apurados pela DRF. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 551DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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