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Numero do processo: 10630.005512/2007-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007
ARQUIVOS DIGITAIS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados de apresentar ao fisco informações em arquivos digitais.
PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA. NÃO ATENDIMENTO AOS PRESSUPOSTOS. INDEFERIMENTO.
A multa não será relevada se a correção da falta não for demonstrada no prazo para apresentação de impugnação, nos termos do que dispunha o artigo 291, § 1º do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social - RPS).
Numero da decisão: 2401-004.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 ARQUIVOS DIGITAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados de apresentar ao fisco informações em arquivos digitais. PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA. NÃO ATENDIMENTO AOS PRESSUPOSTOS. INDEFERIMENTO. A multa não será relevada se a correção da falta não for demonstrada no prazo para apresentação de impugnação, nos termos do que dispunha o artigo 291, § 1º do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social - RPS).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados de apresentar ao fisco informações em arquivos digitais. PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA. NÃO ATENDIMENTO AOS PRESSUPOSTOS. INDEFERIMENTO. A multa não será relevada se a correção da falta não for demonstrada no prazo para apresentação de impugnação, nos termos do que dispunha o artigo 291, § 1º do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social RPS). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 55 12 /2 00 7- 84 Fl. 134DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10630.005512/200784 Acórdão n.º 2401004.867 S2C4T1 Fl. 134 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 103/109) interposto em face do Acórdão nº. 0222.271, cuja ementa restou assim redigida: ARQUIVOS DIGITAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados de apresentar ao fisco informações em arquivos digitais. PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA. NÃO ATENDIMENTO AOS PRESSUPOSTOS. INDEFERIMENTO. A multa não será relevada se a correção da falta não for demonstrada no prazo para apresentação de impugnação. Tratase de auto de infração lavrado com fundamento no art. 32, III, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 8º da Lei nº. 10.666/03 e art. 225, III e § 22 do Decreto 3.048/99, pelo fato da empresa autuada não ter apresentado à fiscalização informações em meio digital, na forma das instruções vigentes, solicitadas através do Termo de Ação Fiscal TIAF de 21/08/2007. Informa a Autoridade Fiscal, por meio do relatório de fls. 16 que não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes e nem a atenuante, previstas respectivamente nos artigos 290 e 291 do Decreto 3.048/99. O Auto de Infração foi lavrado em 29/11/2007 e a recorrente cientificada em 11/12/2007, conforme comprovante de fls. 19. Em 08/01/2008 a autuada apresentou petição na qual informa que, em anexo, apresenta cópia em CD contendo informações em meio digital e solicita o cancelamento do Auto de INfração por estar atendendo a solicitação em tempo hábil. Em 25/01/2008 é protocolada nova petição em que a autuada declara estar apresentando oito CDs contendo informações em meio digital no formato do arquivo MANAD, com as devidas correções, complementando o requerimento protocolado em 08/01/2008, quando apresentou CD contendo arquivos em meio digital da parte contábil. A turma julgadora da DRJ de Belo Horizonte converteu o julgamento em diligência para que fosse analisada a correção ou não da infração. Às fls. 82 foi prestada a informação solicitada, nos seguintes termos: As informações contidas no CD Manad Contabilidade 2006, anexo às fls. 25 do processo, estão de acordo com as instruções; Os arquivos CD Manad 2002 (fl. 43), 2003 (fl. 48), 2004 (fl. 53), 2005 (fl. 58), 2006 (fl. 64) e 2007 (fl. 68), não estão no padrão Manad, não sendo possível a análise dos mesmos pelos programas Audig e SVA. Fl. 136DF CARF MF 4 Conclui, assim, que as informações das folhas de pagamento em meio digital CDR , entregues pelo contribuinte e anexados ao processo, estão fora do formato estabelecido nas instruções vigentes. A empresa tomou ciência do resultado da diligência sobre a qual ofertou nova petição informando que está apresentando em anexo folhas de pagamento em meio digital no leiaute do MANAD anos 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, visando a possibilidade da análise dos mesmos pelos programas Audig e SVA. Julgada improcedente a impugnação, nos termos do acórdão acima reproduzido, a recorrente foi intimada em 03/07/2009 do mesmo, apresentando tempestivamente em 04/08/2009 seu recurso voluntário de fls. 103/109, onde alega, em síntese: a) a necessidade de relevação da multa, posto que os equívocos na apresentação dos arquivos foram todos cumpridos dentro do prazo; b) é equivocado o entendimento de que somente os arquivos do ano de 2006 foram entregues dentro do prazo de impugnação, posto que para os demais arquivos também foram entregues no prazo, ante a solicitação de dilação de prazo, na data de 08 de janeiro de 2008, e o consequente protocolo dos mesmos em 25 de janeiro de 2008, conforme documentos acostados às fls. 113. c) se não considerados os arquivos protocolados em 25/01/2008, que seja realizada perícia nos mesmos, para verificação se os mesmos encontramse ou não dentro dos padrões exigidos. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10630.005512/200784 Acórdão n.º 2401004.867 S2C4T1 Fl. 135 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Do pedido de relevação da multa Para a recorrente fazer jus ao benefício do artigo 291, § 1º do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social RPS), deveria atender os seguintes requisitos: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. § 1o A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. Assim, dois são os requisitos: a) corrigir a falta; b) formulação do pedido de relevação (com a correção da falta) dentro do prazo de impugnação. Na Diligência realizada a requerimento da DRJ/BHE, ficou constatado que (fl. 82): As informações contidas no CD Manad Contabilidade 2006, anexo às fls. 25 do processo, estão de acordo com as instruções; Os arquivos CD Manad 2002 (fl. 43), 2003 (fl. 48), 2004 (fl. 53), 2005 (fl. 58), 2006 (fl. 64) e 2007 (fl. 68), não estão no padrão Manad, não sendo possível a análise dos mesmos pelos programas Audig e SVA. Conclui, assim, que as informações das folhas de pagamento em meio digital CDR , entregues pelo contribuinte e anexados ao processo, estão fora do formato estabelecido nas instruções vigentes. Bastam as informações apresentadas na referida diligência para verificar que a recorrente não atendeu um dos requisitos exigidos, qual seja, a correção da falta, já que os arquivos Manad 2002 (fl. 43), 2003 (fl. 48), 2004 (fl. 53), 2005 (fl. 58), 2006 (fl. 64) e 2007 (fl. 68), não se encontravam no padrão "Manad" e, portanto, não era passível a análise dos mesmos. Fl. 138DF CARF MF 6 Ante a ausência de cumprimento do referido requisito, não há como se admitir a relevação da multa pleiteada pela recorrente, razão pela qual nego provimento ao referido pleito. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.016663/2010-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. LEI 9.430, ART. 44, II. LEI 4.502, ART. 71.
É restabelecida multa qualificada de 150% na hipótese de identificação do dolo na conduta do contribuinte, especialmente verificada em 4 anos-calendário expressiva diferença entre os valores declarados em DIPJ e os apurados em DIRFs das fontes pagadoras.
Numero da decisão: 9101-002.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. LEI 9.430, ART. 44, II. LEI 4.502, ART. 71. É restabelecida multa qualificada de 150% na hipótese de identificação do dolo na conduta do contribuinte, especialmente verificada em 4 anos-calendário expressiva diferença entre os valores declarados em DIPJ e os apurados em DIRFs das fontes pagadoras.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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EPP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. LEI 9.430, ART. 44, II. LEI 4.502, ART. 71. É restabelecida multa qualificada de 150% na hipótese de identificação do dolo na conduta do contribuinte, especialmente verificada em 4 anos calendário expressiva diferença entre os valores declarados em DIPJ e os apurados em DIRFs das fontes pagadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 66 63 /2 01 0- 15 Fl. 2312DF CARF MF 2 Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ e CSLL, sendo apuradas duas infrações (i) omissão de receita considerandose o confronto entre as DIPJs e das DIRFs entregues pelas fontes pagadoras, com fatos geradores entre 31/03/2005 e 31/12/2008 (apuração trimestral); (ii) omissão de receita apurada por depósitos bancários de origem não comprovada quanto ao mesmo período de apuração. A fiscalização aplicou multa qualificada no percentual de 150% quanto a ambas as infrações. Consta do Termo de Verificação Fiscal: 36. Em razão da prática reiterada de omissão de receitas, no que se refere ao IRPJ e a CSLL e da falta de inclusão desta receita na base mensal do PIS e da COFINS, nos anoscalendário de 2005, 2006, 2007 e 2008, será aplicada multa qualificada, nos termos do Art. 44 da Lei 9.430/96. 37. Oportuno se faz a transcrição do art. 44 da Lei nº 9.430/96 e dos artigos nela mencionados da Lei nº 4.502/64 (...) Lei 4.502/64 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. 38. Ocorre, porém, que nos tipos penais acima transcritos há necessariamente um componente doloso, sem o qual não é possível a caracterização do ilícito. Em outras palavras, para a ocorrência do crime é necessário que a ação perpetrada tenha como finalidade prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre um fato juridicamente relevante. 39. Portanto, para a configuração do crime é preciso restar caracterizado que o contribuinte agiu com a intenção de impedir ou retardar o conhecimento, pela Fazenda Pública, do IRPJ e reflexos devidos no período sob ação fiscal. 40. Quando se pratica uma determinada conduta delitiva, de forma não reiterada, até poderíamos considerála um erro escusável, dependendo, é claro, de uma análise do conjunto dos Fl. 2313DF CARF MF Processo nº 10830.016663/201015 Acórdão n.º 9101002.821 CSRFT1 Fl. 2.313 3 fatos. Mas quando se pratica uma mesma conduta delitiva consecutivamente por vários anos, não se pode aceitar que tal evento seja meramente um erro escusável. O intuito doloso foi caracterizado pela prática reiterada de uma mesma infração: Omissão de Receitas da Atividade culminando com a não declaração do IRPJ e reflexos comprovadamente devidos, conforme acima demonstrado. O TVF ainda identifica os valores que serão sintetizados em planilha a seguir, embora o auditor fiscal da Receita Federal não tenha mencionado tais significativas diferenças como causa para a qualificação da multa de ofício: Ano calendário DIPJ (R$) DIRFs (R$) Mov. financeira 2005 267.022,50 3.141.902,87 10.138.794,09 2006 403.380,76 3.847.147,51 22.248.361,92 2007 609.384,76 2.301.359,69 24.095.827,89 2008 640.480,20 2.231.045,96 26.599.710,90 A contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas pela manutenção integral dos lançamentos, conforme acórdão ementado da forma seguinte (2.187/2.205): (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 Omissão de Receitas. Confronto DIRF X DIPJ. Não havendo prova em contrário trazida pela contribuinte, correto é o lançamento do imposto em razão de rendimentos omitidos apurados através de informações da DIRF. Omissão de Receitas. Depósitos Bancários. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Multa de Lançamento de Ofício Qualificada Se as provas carreadas aos autos pelo Fisco, evidenciam a intenção dolosa de evitar a ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar expressivas receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. Fl. 2314DF CARF MF 4 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Tributação Reflexa. CSLL. PIS. COFINS Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN, devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem. Destacase do voto do relator, acompanhado pela Turma da DRJ em Campinas: No mérito, a omissão de receita da atividade foi apreendida do confronto entre as informações da DIPJ e da DIRF. (...) Evidentemente, as informações prestadas em DIRF pelas fontes pagadoras podem ser utilizadas para confronto com os pagamentos efetuados e/ou com os dados consignados em outras declarações da própria fonte pagadora e/ou de terceiros. Em regra, as DIRF entregues pelas fontes pagadoras são provas suficientes da prestação de serviços e, conseqüentemente, das receitas auferidas pelos prestadores, pois são apresentadas em cumprimento de obrigações legais e não haveria motivo para indicação a maior ou a menor dos pagamentos e das retenções efetuados. Nesse sentido, as DIRF constituem verdadeiras provas diretas, possuindo peso idêntico a comprovantes de pagamentos ou a Notas Fiscais, identificando não só a quantia recebida pela beneficiária, como também a natureza da operação. Assim, as DIRF contêm informações sobre as receitas próprias dos beneficiários e da respectiva retenção do imposto correspondente, de modo que a autuação está fundamentada em elementos probatórios concretos. Já a omissão de receita decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada se origina da análise da movimentação financeira da contribuinte. Referida hipótese é tratada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e tem como princípio, justamente, o fato de que a manutenção de escrituração regular e da documentação que a acoberta leva à comprovação da origem de todo o crédito em conta corrente bancária da contribuinte, cumprindo ao Fisco, nesse caso, apenas verificar o devido oferecimento à tributação dos ingressos decorrentes da atividade da pessoa jurídica. Ausente documentação hábil e idônea a comprovar a origem dos depósitos bancários estarseia à frente de ingressos à margem da escrituração, hipótese indicativa de omissão de receitas, sendo referida parcela distinta daquela eventualmente objeto de identificação na escrituração e/ou nos documentos mantidos pela pessoa jurídica. (...) Fl. 2315DF CARF MF Processo nº 10830.016663/201015 Acórdão n.º 9101002.821 CSRFT1 Fl. 2.314 5 Cumpre ao Fisco, em tais circunstâncias, tão só provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas, mantidas à margem da escrituração regular ou em poder dos sócios. E não logrando a contribuinte provar em contrário, subsiste a presunção de a movimentação de origem não comprovada corresponder ao que, em regra, ocorre nas empresas comerciais e industriais: o recebimento de valores pelas vendas realizadas ou por serviços prestados, ou seja, receita operacional da pessoa jurídica. A interessada argumenta em sua defesa que a sua movimentação financeira reflete receitas de terceiros, dada a característica das operações de corretagem de seguro. E afirma que as apólices de seguro comprovam a diferença entre os depósitos bancários e os valores apurados nas DIRF das companhias seguradoras. Cumpre reconhecer, primeiramente, que a afirmação supra vem corroborar a conclusão fiscal de a DIRF revelar a receita da atividade da contribuinte, até porque a interessada deixou de apresentar prova em contrário. E por referida receita não ter sido totalmente declarada na respectiva DIPJ, válido é o lançamento para a formalização da diferença que deixou de ser oferecida à tributação, dado que os valores confessados em DCTF correspondem àqueles informados a menor na citada DIPJ, consoante consultas das referidas declarações, por ora anexadas aos autos. De fato, a Lei nº 9.430, de 1996, prescreveu, em seu art. 44, o lançamento do tributo ou da contribuição, acrescido da multa de ofício, em decorrência de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, assim considerada, perante a Administração, a falta de informação de débito a ser prestada em instrumento o qual configure confissão de dívida (DCTF). (...) Passando aos depósitos bancários, a interessada deixou de apresentar qualquer apólice de seguro ou FCA, bem como de comprovar, efetivamente, as condições de sua contratação. (...) Conforme já decidiu o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, no acórdão nº 10225.272/90 (DOU de 06/05/91), nos casos de receitas percebidas por representantes comerciais a título de comissões sobre vendas realizadas, a apropriação dos valores correspondentes deve ser lançada no exercício de crédito e/ou recebimento efetivo, quando em razão de cláusula contratual o referido crédito está vinculado ao pagamento da venda efetuada. (...) Fl. 2316DF CARF MF 6 Como já enfatizado neste voto, a presunção legal de omissão de receita inverte o ônus da prova, atribuindo ao sujeito passivo o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Por tal razão, subsiste a imputação de omissão de receita decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. (...) Como visto do dispositivo transcrito, para a aplicação da multa no patamar de 75% basta a constatação, em procedimento de ofício, de infração à legislação tributária, da qual resulte falta de recolhimento do tributo ou contribuição, por parte da contribuinte. A necessidade da comprovação in concreto do dolo, fraude ou simulação, conforme previsto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, fazse necessária apenas para a qualificação da penalidade, a ser aplicada em percentual duplicado (150%), sendo esta a hipótese dos presentes autos, tratada nas infrações nas quais se apurou omissão de receita (omissão de receita da atividade, verificada no confronto da DIRF e da DIPJ, e omissão de receita decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada), conforme os agravantes abaixo explicitados. (...) O fundamento utilizado pela fiscalização para caracterizar o dolo e a conduta fraudulenta a ensejar a qualificação da penalidade nas infrações nas quais se apurou omissão de receita consiste na verificação da conduta reiterada e dos expressivos valores omitidos, para o que não se admite a hipótese de erro escusável. (...) Nesse contexto, correta é a aplicação da penalidade qualificada. A contribuinte apresentou recurso voluntário, que foi parcialmente provido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deste Conselho, apenas para reduzir a multa ao percentual de 75% (fls. 2.261/2.268): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 LUCRO PRESUMIDO. CORRETORAS DE SEGURO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. As corretoras de seguro optantes pelo lucro presumido submetemse ao coeficiente de presunção de 32%. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N. 25. A demonstração de omissão de receita em decorrência de identificação de movimentações financeiras de origem não comprovada, justificam o lançamento do crédito tributário baseado em presunção, contudo, de forma isolada, não serve Fl. 2317DF CARF MF Processo nº 10830.016663/201015 Acórdão n.º 9101002.821 CSRFT1 Fl. 2.315 7 como fundamento para aplicação da multa qualificada que exige a demonstração inequívoca do dolo do contribuinte. Aplicação da Súmula CARF n. 25. Consta do voto vencedor, de lavra do Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado: Tenho firme convicção que para a aplicação da multa qualificada, é necessário que a fiscalização apresente claras evidências de que o contribuinte agiu com dolo, o que não ocorreu no presente caso, tendo sido demonstrada, sem duvida, a ocorrência de omissão de receita, o que levou à tributação por presunção, contudo, não existem elementos suficientes que permitam concluir pelo dolo da Recorrente de forma justificar a aplicação de multa qualificada. Mesmo que tenham sido demonstradas as movimentações financeiras sem origem comprovada, tal situação, por si só, não apresenta evidências e muito menos comprova o dolo da Recorrente. Para aplicação da multa qualificada, deve ser provada a existência de sonegação ou de fraude que configuram, segundo os arts. 71 e 72 da Lei n. 4.502/64, ao atos omissivos ou comissivos que visam impedir ou retardar a constituição do crédito tributário ou respectiva satisfação. Os dispositivos acima mencionados trazem previsão expressa no sentido de que para aplicação da multa qualificada, é condição indispensável a existência do elemento subjetivo que é o dolo, de forma que reste caracterizado o intuito (dolo direto) ou risco assumido (dolo indireto) para cometimento de fraude ou sonegação. O fundamento utilizado para a autuação ora em questão foi a ausência de comprovação da origem dos recursos que ingressaram nas contas bancárias do Recorrente, somente isso. Tal situação permitiu ao Fisco presumir a omissão de receita e aplicar a conseqüente tributação, contudo, não justifica a aplicação do percentual de 150%, conforme disposto na Súmula CARF n. 25: (...) Em 22/09/2015, a Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada quanto ao acórdão (fls. 2270), interpondo recurso especial em 24/09/2015 (fls. 2.271/2.278) divergência na interpretação da lei tributária, quanto: (i) imposição de multa qualificada diante da omissão de parcela significativa das receitas, indicando como paradigma o (i.a) acórdão nº 10196.668 (processo nº 19647.000259/200768), no qual teria sido decidido que "o comportamento consistente do contribuinte de deixar de escriturar parcela significativa dos seus rendimentos, torna notório o intuito de retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, das circunstâncias materiais da obrigação tributária, justificando a aplicação da multa majorada " e (i.b) acórdão nº 10196.757 (processo nº 13971.000968/2007 85), constando desta decisão que "De acordo com as planilhas de fls. 1761 e Fl. 2318DF CARF MF 8 1762, os valores contabilizados não chegam a 10% dos valores movimentados em instituições financeiras de titularidade da contribuinte, caracterizando, dessa maneira, a intenção fraudulenta da contribuinte (...) Dessa maneira, caracterizada a conduta dolosa da contribuinte, o prazo decadencial deve ser contado em conformidade com o art. 173, I, do CTN" (ii) a exigência de multa qualificada diante da ocorrência de prática reiterada da infração, apontando como paradigmas os acórdãos: (ii.a) nº 10709.267 (processo nº 10930.004494/200577), constando deste acórdão que "O fato de ter omitido receitas reiteradamente em todos os meses do período, inclusive em valor significativamente superior ao valor declarado, revela a intenção do dolo. Assim, cabível a multa qualificada" e (ii.b) nº 9101001.002, no qual se decidiu "Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando a retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracterizase a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada". A Procuradoria ainda identifica em suas razões (fls. 2278) outro acórdão do CARF que fundamentaria suas razões, sem que tenha identificado este acórdão como paradigma (acórdão nº 20309.098), no qual se decidiu que "A omissão de expressiva e vultosa quantia de rendimentos não oferecidos à tributação demonstra a manifesta intenção dolosa do agente, tipificando a infração tributária como sonegação fiscal. E, em havendo infração, cabível a imposição de caráter punitivo, pelo que, pertinente a infligência da penalidade inscrita no art. 44, II, da Lei n° 9.430. ". O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas (fls. 2.281): Observando o §11º do art. 67 do Anexo II do RICARF, apresentou paradigmas, para comprovar divergências quanto à demonstração do dolo e consequente qualificação da multa de ofício relativamente a: a) significância da omissão, os acórdãos nº 10196.668, da Primeira Câmara do Extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (1ºCC), e nº 10196.757, do mesmo colegiado; e b) conduta reiterada, os acórdãos nº 10709.267, da Sétima Câmara do 1º CC, e nº 9101001.002, da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A partir da leitura das ementas e de trechos dos votos vencedores dos paradigmas citados, as decisões dizem respeito à mesma questão: os elementos integrantes do dolo que implica na qualificação da multa de ofício. Os acórdãos paradigmas julgaram que a significância da omissão e a conduta reiterada demonstram o dolo (resultando no não enquadramento à súmula CARF nº 25) que leva à qualificação da multa de ofício, enquanto o acórdão atacado julgou no sentido da insuficiência desses elementos. Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, concluise pela caracterização de divergências de interpretação da legislação Fl. 2319DF CARF MF Processo nº 10830.016663/201015 Acórdão n.º 9101002.821 CSRFT1 Fl. 2.316 9 tributária. Logo, é forçoso admitir o Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. A contribuinte foi intimada em 05/02/2016, sextafeira (fls. 2.297), apresentando suas contrarrazões em 22/02/2016, segundafeira (fls. 2300/2307), requerendo seja negado seguimento ao recurso especial, ou, sucessivamente, negado provimento a este recurso, pelas seguintes razões: (i) não deveria ser conhecido o recurso quanto a 3 (três) paradigmas indicados, considerando a restrição regimental ao conhecimento de divergência quanto a apenas 2 paradigmas (art. 67, §§6º e 7º, do RICARF); (ii) os fatos tratados pelo primeiro e segundo paradigma seriam distintos daqueles tratados nestes autos, eis que aqueles acórdãos tratariam de "omissão de receita não operacional"; (iii) não haveria omissão ou descumprimento de obrigações acessórias, pois a fiscalização confrontou DIRFs entregues por companhias seguradoras e DIPJs entregues pela contribuinte e em Livros Caixa; (iv) não há evidência fática de atos que justificassem a aplicação de multa "agravada", na forma do artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, e a Recorrida jamais teria agido "com dolo de fraude"; (v) a multa "isolada" não teria cabimento quando o contribuinte entrega "elementos necessários para a formação do crédito tributário"; (vi) a Súmula 25, do CARF, impediria o restabelecimento da multa qualificada. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Inicialmente, deixo de conhecer o recurso especial quanto aos acórdãos paradigmas nº 10709.267 e 9101001.002, nos termos do artigo 67, §5º, do atual Regimento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015), considerando que estes tratam da mesma matéria relacionada aos 2 anteriores indicados pela Recorrente, qual seja, a qualificação da multa de ofício. Também deixo de tomar conhecimento quanto ao acórdão nº 20309.098, tendo em vista que este acórdão não foi apontado como paradigma em razões recursais e, ainda, trata da mesma matéria, sendo defeso seu conhecimento por força do artigo 67, §5º, do RICARF/2015. Superado tal ponto, reconheço a tempestividade do recurso especial, passando à análise da divergência na interpretação da lei tributária quanto aos dois primeiros acórdãos paradigmas indicados (10196.668 e 10196.757, para juízo sobre o seu conhecimento. Fl. 2320DF CARF MF 10 O acórdão recorrido desqualificou a multa de ofício por força da Súmula CARF 25, como se observa do trecho da ementa a seguir: A demonstração de omissão de receita em decorrência de identificação de movimentações financeiras de origem não comprovada, justificam o lançamento do crédito tributário baseado em presunção, contudo, de forma isolada, não serve como fundamento para aplicação da multa qualificada que exige a demonstração inequívoca do dolo do contribuinte. Aplicação da Súmula CARF n. 25 Vale reproduzir novamente trecho do Termo de Verificação Fiscal, no qual explicitada a causa de qualificação da multa de ofício nos presentes autos, ocasião em que foi mencionado pelo ilustre auditor fiscal da Receita Federal a existência de dolo na conduta do contribuinte: 36. Em razão da prática reiterada de omissão de receitas, no que se refere ao IRPJ e a CSLL e da falta de inclusão desta receita na base mensal do PIS e da COFINS, nos anoscalendário de 2005, 2006, 2007 e 2008, será aplicada multa qualificada, nos termos do Art. 44 da Lei 9.430/96. (...) 40. Quando se pratica uma determinada conduta delitiva, de forma não reiterada, até poderíamos considerála um erro escusável, dependendo, é claro, de uma análise do conjunto dos fatos. Mas quando se pratica uma mesma conduta delitiva consecutivamente por vários anos, não se pode aceitar que tal evento seja meramente um erro escusável. O intuito doloso foi caracterizado pela prática reiterada de uma mesma infração: Omissão de Receitas da Atividade culminando com a não declaração do IRPJ e reflexos comprovadamente devidos, conforme acima demonstrado. A DRJ menciona que as razões da fiscalização para caracterizar o dolo consistiria na existência "da conduta reiterada e dos expressivos valores omitidos, para o que não se admite a hipótese de erro escusável " (trecho extraído do acórdão, reproduzido no relatório supra). No entanto, a única causa para qualificação da multa, segundo o TVF, é a prática reiterada da infração, como apontado em trechos acima citados. Pois bem. O primeiro acórdão paradigma conhecido (10196.668) enfrentou o tema da qualificação da multa de ofício da forma seguinte: A empresa foi acusada de ter omitido receitas em 2001, representadas por receitas declaradas pelas companhias seguradoras em suas DIRF e que não foram registradas em sua contabilidade nem justificadas. Além disso, constatou a fiscalização que, em relação às receitas escrituradas, o valor devido do IRPJ, após a compensação dos prejuízos fiscais conforme LALUR não foram declarados em DCTF nem recolhidos. (...) Como se vê, não se confirma a alegação da Recorrente de que as divergências são insignificantes e que apenas uma pequena parcela das receitas não foi escriturada. Em apenas três meses a omissão representou cerca de 5% das receitas, sendo que a Fl. 2321DF CARF MF Processo nº 10830.016663/201015 Acórdão n.º 9101002.821 CSRFT1 Fl. 2.317 11 média de receitas omitidas no ano foi de um terço (33%), tendo, em alguns meses, superado 50%. A jurisprudência recente deste Conselho consagrouse no sentido de que o comportamento consistente do contribuinte de deixar de escriturar parcela significativa dos seus rendimentos, toma notório o intuito de retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, das circunstâncias materiais da obrigação tributária, justificando a aplicação da multa majorada (...). O segundo acórdão paradigma (10196.757), da mesma forma, trata da relevância quantitativa da omissão de receita em face da receita declarada, verbis: Com base nas informações prestadas pelas instituições financeiras à SRFB, a fiscalização verificou a existência de depósitos bancários não contabilizados. A movimentação financeira escriturada pela fiscalizada correspondia a menos de 10% dos valores movimentados em instituições financeiras. Considerando que a fiscalizada possui diversas atividades, e é optante pelo lucro presumido, diante da impossibilidade de se determinar a natureza dos créditos a descoberto, os respectivos valores foram considerados como correspondentes ao percentual mais elevado. (...) Para que seja aplicada a multa qualificada de 150% é necessário que se caracterize o evidente intuito de fraude, como determina o art. 44, II, da Lei 9430/97. A Lei n° 4.502, de 1964, estabelece o seguinte: (...) O lançamento efetuouse com base na presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta corrente, estabelecida pelo art. 42 da Lei 9430/96. No presente caso, observase que a pessoa jurídica fiscalizada sequer registrou a existência das contas bancárias sob exame, deixando à margem da contabilidade depósitos bancários em montante superior a R$ 20.052.558,71, nos anos de 2002 a 2004. A própria contribuinte, em petição de fls. 1660/1664, admite que as contas bancárias estavam à margem da contabilidade. De acordo com as planilhas de fls. 1761 e 1762, os valores contabilizados não chegam a 10% dos valores movimentados em instituições financeiras de titularidade da contribuinte,caracterizando, dessa maneira, a intenção fraudulenta da contribuinte. Dessa maneira, caracterizada a conduta dolosa da contribuinte, o prazo decadencial deve ser contado em conformidade com o art. 173, Ido CTN (...) Os acórdãos paradigmas guardam similitude com o TVF constante dos autos, afinal, no lançamento dos presentes autos é demonstrada expressividade da receita omitida em comparação com valores escriturados pela contribuinte. Fl. 2322DF CARF MF 12 Assim conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional quanto aos paradigmas acima referidos. Passo a analisar o mérito do recurso. A qualificação da multa no caso teve fundamento no artigo 44, II, da Lei nº 9.430/1996, que tinha a seguinte redação ao tempo dos fatos em discussão (anocalendário de 1998): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) Este dispositivo legal foi combinado com os artigos 71, da Lei nº 4.502/1964, no lançamento tributário, constando do citado artigo: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. O elemento doloso na conduta do agente é fundamental na identificação da sonegação na forma do artigo 71, para justificar a qualificação da multa de ofício. No processo em análise, o agente autuante menciona que "o intuito doloso foi caracterizado pela prática reiterada de uma mesma infração". O mesmo agente fiscal autuante ainda demonstra a expressividade dos valores omitidos, quando compara a diferença entre os valores declarados em DIPJ e aqueles identificados em DIRFs de fontes pagadoras à contribuinte e, em valor muito superior, quando trata dos valores movimentados em conta corrente da contribuinte. A Turma Ordinária afastou a qualificação da multa entendendo aplicável a Súmula CARF 25, que dispõe: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. No caso dos autos, no entanto, não ocorreu a mera presunção de omissão de receita. Afinal, o agente fiscal autuante claramente identifica a existência de dolo na conduta da contribuinte, conforme trechos de TVF reproduzidos anteriormente. Fl. 2323DF CARF MF Processo nº 10830.016663/201015 Acórdão n.º 9101002.821 CSRFT1 Fl. 2.318 13 Assim, ao caso dos autos não é aplicável a Súmula CARF 25, tendo sido comprovada o dolo na conduta da contribuinte, que reiteradamente omitiu rendimentos de valor bastante superior aos declarados em DIPJ. Diante disso, dou provimento ao recurso especial da Procuradoria, restabelecendo a multa de 150% e reformando o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 2324DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.903371/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.012
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 71 /2 01 1- 03 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13839.903371/201103 Acórdão n.º 3302004.012 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.539. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.903371/201103 Acórdão n.º 3302004.012 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.903371/201103 Acórdão n.º 3302004.012 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13839.903371/201103 Acórdão n.º 3302004.012 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.903371/201103 Acórdão n.º 3302004.012 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.000620/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 07/07/2008 a 20/03/2009
LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA.
A presunção legal relativa autoriza a que se infira, a partir de um fato-base, a ocorrência do fato-presumido, o qual, então, desencadeia seus efeitos próprios, exceto se o contribuinte provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
A presunção legal não gera seus efeitos próprios se a autoridade fiscal não comprovar a ocorrência da hipótese sobre a qual se sustenta a referida presunção.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. INSUFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO.
Não merece prosperar o lançamento que caracteriza a interposição fraudulenta fundamentada no fato de que os recursos financeiros utilizados em declarações de importação consideradas regulares foram originados de operações comerciais anteriores, em cujo período houve a constatação da infração tributária de ocultação da real adquirente das mercadorias comercializadas. Não se pode penalizar indefinidamente a contribuinte que tornou regulares as suas atividades de importação.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3301-003.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. O conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho declarou-se impedido.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 07/07/2008 a 20/03/2009 LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. A presunção legal relativa autoriza a que se infira, a partir de um fato-base, a ocorrência do fato-presumido, o qual, então, desencadeia seus efeitos próprios, exceto se o contribuinte provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. A presunção legal não gera seus efeitos próprios se a autoridade fiscal não comprovar a ocorrência da hipótese sobre a qual se sustenta a referida presunção. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. INSUFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Não merece prosperar o lançamento que caracteriza a interposição fraudulenta fundamentada no fato de que os recursos financeiros utilizados em declarações de importação consideradas regulares foram originados de operações comerciais anteriores, em cujo período houve a constatação da infração tributária de ocultação da real adquirente das mercadorias comercializadas. Não se pode penalizar indefinidamente a contribuinte que tornou regulares as suas atividades de importação. Recurso de Ofício Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. O conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho declarou-se impedido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 12.513 1 12.512 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10074.000620/201019 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3301003.859 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria Multa IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PLENA COMERCIAL ATACADISTA LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 07/07/2008 a 20/03/2009 LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. A presunção legal relativa autoriza a que se infira, a partir de um fatobase, a ocorrência do fatopresumido, o qual, então, desencadeia seus efeitos próprios, exceto se o contribuinte provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. A presunção legal não gera seus efeitos próprios se a autoridade fiscal não comprovar a ocorrência da hipótese sobre a qual se sustenta a referida presunção. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. INSUFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Não merece prosperar o lançamento que caracteriza a interposição fraudulenta fundamentada no fato de que os recursos financeiros utilizados em declarações de importação consideradas regulares foram originados de operações comerciais anteriores, em cujo período houve a constatação da infração tributária de ocultação da real adquirente das mercadorias comercializadas. Não se pode penalizar indefinidamente a contribuinte que tornou regulares as suas atividades de importação. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 06 20 /2 01 0- 19 Fl. 12513DF CARF MF Processo nº 10074.000620/201019 Acórdão n.º 3301003.859 S3C3T1 Fl. 12.514 2 Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. O conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho declarouse impedido. Fl. 12514DF CARF MF Processo nº 10074.000620/201019 Acórdão n.º 3301003.859 S3C3T1 Fl. 12.515 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório contido na decisão de primeira instância: "Trata o presente processo do Auto de Infração, de fls. 04/08, por meio do qual é feita a exigência de R$ 4.202.037,00, relativa à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas de que trata o art. 23, inciso V e §3º do DecretoLei nº 1.455, de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 2002, regulamentado pelo inciso XXII, do art. 618 do Decreto n° 4.543/02 (artigo 689 do atual Regulamento Aduaneiro, Decreto 6.759/2009). Às fls. 19/130, a fiscalização relata que ocorreu a constatação de importações com a utilização de recursos cuja origem lícita não foi comprovada, realizadas a partirde 2006 pela fiscalizada, na condição de importadora direta ou adquirente declarada. Esta conclusão deuse a partir do relatório do auto de infração constante do processo 10074.000579/200947, no qual ficou demonstrada a ocorrência de fatos que evidenciaram a ocultação da pessoa jurídica fiscalizada nas operações de importação de produtos da marca SHARP, realizadas por interpostas pessoas jurídicas, no período compreendido entre 22/07/2004 e 30/09/2006. Ou seja, relata que a fiscalizada, entre 2004, ano de sua constituição, e 2006, ano em que foi habilitada no SISCOMEX, amealhou recursos advindos de operações fraudulentas, passando a operar como importadora ou adquirente declarada somente a partir de 2006, porém, com os recursos de origem ilícita obtidos através das referidas operações irregulares. Cientificada da exigência (fls. 140/143), a autuada apresentou, tempestivamente conforme despacho de fls. 1143, a impugnação de fls. 2072/2079, na qual, em síntese: Alega que houve cerceamento ao seu direito de defesa porque não houve a tradução juramentada dos documentos acostados aos autos pela auditoria fiscal. Aduz a decadência de o fisco analisar informações ocorridas em julho de 2004, quando da constituição da sociedade. Argumenta a respeito da impossibilidade de presumir uma conduta fraudulenta e da inexistência de provas contra si no período objeto do lançamento. E as informações relativas ao período anterior a julho de 2008 não tem relevância para o presente feito. Ademais, em momento algum a auditoria solicitou esclarecimentos para que a impugnante prestasse informações sobre os recursos utilizados no período de julho de 2008 até agosto de 2009 e que, ao invés de intimála a esclarecer a origem dos recursos utilizados nessas operações, a fiscalização optou por presumir a sua origem. Alega que detinha capacidade financeira para realizar as operações de importação em tela, através de empréstimos contraídos com instituições financeiras nacionais R$ 4.850.000,00, conforme quadro demonstrativo. Outra fonte de recursos é a própria prestação de serviços, que gerou receita para pagamento das importações, conforme o quadro apresentado. E as próprias atividades comerciais, decorrente das vendas dos produtos importados, também geraram recursos utilizados Fl. 12515DF CARF MF Processo nº 10074.000620/201019 Acórdão n.º 3301003.859 S3C3T1 Fl. 12.516 4 para pagamento das importações. A DIPJ referente ao anocalendário de 2008 demonstra um lucro bruto de R$ 5.664.287,50, antes das despesas operacionais. No ano de 2007, igualmente apresentou lucro bruto positivo, no montante de R$ 3.254.595,81. Informa que foi tributada pela Receita Federal do Brasil nos autos do processo administrativo 18471.002363/200864, que glosou as amortizações de ágio apropriadas pela impugnante nos montantes de R$ 4.599.999,99 (em 2004) e R$ 18.399.999,98 (em 2005), o que resultou no lançamento de tributos a demonstrar que houve receita e lucro, que também deve ser considerado como origem para a prática das operações mercantis da Impugnante. Aduz que inexistiu qualquer prejuízo ao Erário, pois todos os tributos devidos nas importações realizadas foram devidamente recolhidos. Argumenta que a multa imposta (de 100% do valor aduaneiro das mercadorias) deve ser, no mínimo, reduzida, tendo em vista que ela possui patente feição confiscatória. Considera um total absurdo considerar que, por ter eventualmente ocorrido alguma irregularidade no nascedouro da empresa, todas as operações praticadas pela Impugnante serão sempre irregulares, implicando punila indefinida e independentemente de ter praticado algum ilícito. Requer seja julgada procedente a presente impugnação administrativa, para os fins de anular integralmente o auto de infração ora impugnado. Protesta pela juntada posterior de documentos e alegações. Requer, por fim, que todas as intimações referentes ao presente feito sejam direcionadas ao endereço indicado." Importante acrescentar que o contribuinte juntou petição ao processo (fls. 12.444 a 12.454), antes da prolação da decisão de primeira instância, por meio da qual noticia que o Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Habeas Corpus 142.045/PR, decidiu que, no âmbito da Operação Dilúvio, eram ilícitas todas as provas colhidas a partir de escutas telefônicas não autorizadas. E que todas as provas constantes dos autos foram obtidas a partir de provas decretadas ilícitas. Em sessão do dia 08/04/2015, por unanimidade de votos, A DRJ em Florianópolis julgou procedente a impugnação e o Acórdão n° 0736.985 foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 07/07/2008 a 20/03/2009 LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. A presunção legal relativa autoriza a que se infira, a partir de um fatobase, a ocorrência do fatopresumido, o qual, então, desencadeia seus efeitos próprios, exceto se o contribuinte provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. A presunção legal não gera seus efeitos próprios se a autoridade fiscal não comprovar a ocorrência da hipótese sobre a qual se sustenta a referida presunção. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. INSUFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Fl. 12516DF CARF MF Processo nº 10074.000620/201019 Acórdão n.º 3301003.859 S3C3T1 Fl. 12.517 5 Não merece prosperar o lançamento que caracteriza a interposição fraudulenta fundamentada no fato de que os recursos financeiros utilizados, em declarações de importação consideradas regulares, foram originados de operações comerciais anteriores, em cujo período houve a constatação da infração tributária de ocultação da real adquirente das mercadorias comercializadas. Não se pode penalizar indefinidamente a contribuinte que tornou regulares as suas atividades de importação. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado" Houve recurso de ofício. É o relatório. Fl. 12517DF CARF MF Processo nº 10074.000620/201019 Acórdão n.º 3301003.859 S3C3T1 Fl. 12.518 6 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso de ofício preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Foi lavrado auto de infração, para cobrança da multa administrativa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, prevista nos §§ 1° e 3° c/c o inciso V do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76. No período de 07/07/2008 a 20/03/2009, teriam sido realizadas importações de produtos da marca SHARP com ocultação da real adquirente, no caso, a autuada, e recursos cuja origem não foi comprovada. A fiscalização presumiu que tais importações teriam sido suportadas por recursos obtidos por meio de importações fraudulentas, realizadas no período de 22/07/2004 a 04/04/2007. Estas operações foram objetos de autuação, a qual deu origem ao processo n° 10074.000579/200947, cujo material probatório foi colhido no âmbito da denominada "Operação Dilúvio" e utilizado nesta e na presente contenda. Com efeito, citado processo já chegou ao CARF, para julgamento do recurso voluntário. Pautado, o julgamento foi convertido em diligência, para que a recorrente trouxesse aos autos cópias das ações judiciais correlatas e a fiscalização verificasse se havia provas nos autos que não tivessem sido consideradas como ilícitas pelo Poder Judiciário e pudessem suportar o lançamento. No momento, aguarda a realização da diligência. O contribuinte contestou o auto de infração e a DRJ em Florianópolis (SC) julgou procedente a impugnação. Ratifico a decisão da DRJ, proferida por unanimidade de votos. O colegiado não encontrou nos autos provas das acusações fiscais formuladas contra o contribuinte. Ao contrário do que aduziu a fiscalização, em todas as operações autuadas o acusado figurou como importador direto ou real adquirente. Ademais, não teria o Fisco intimado o contribuinte a comprovar a origem dos fundos utilizados para financiar as importações. Na verdade, contradizendose, consignou que tinha conhecimento de que eram recursos obtidos em operações ilícitas realizadas no passado. Contudo, ainda que comprovado, tal fato não constituiria fundamentação fática para a acusão fiscal. Extraio excertos do voto condutor da decisão recorrida, dos quais faço minha razão de decidir, nos termos do § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: " (. . .) Fl. 12518DF CARF MF Processo nº 10074.000620/201019 Acórdão n.º 3301003.859 S3C3T1 Fl. 12.519 7 O presente auto de infração foi lavrado para a exigência decorrente de infração considerada como dano ao Erário, capitulada no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, in verbis: DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976 Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Como se percebe, a legislação apenou com o perdimento a mercadoria de origem estrangeira, ou com a multa correspondente ao seu valor aduaneiro, caso não for localizada, for consumida ou revendida, quando constatada a ocorrência de: OCULTAÇÃO do sujeito passivo, na condição de real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS, para a qual a lei trouxe a presunção decorrente da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em uma operação de comércio exterior. (. . .) No presente caso, nas operações de comércio exterior realizadas no período objeto deste lançamento 07/07/2008 a 20/03/2009 , era a própria autuada que figurava ora como importadora direta, ora como real adquirente declarada. Portanto, não houve a infração de ocultação de sujeito passivo, visto que a auditora nada relatou, no tocante a este período, a respeito de não ser esta Fl. 12519DF CARF MF Processo nº 10074.000620/201019 Acórdão n.º 3301003.859 S3C3T1 Fl. 12.520 8 contribuinte a real adquirente das mercadorias importadas por si própria ou por sua conta e ordem. De fato, o relatório fiscal informa que, em período anterior, compreendido entre 22/07/2004 e 04/04/2007, é que ocorreram importações irregulares, utilizando se de interpostas pessoas que serviram como importadoras (tradings), sem que esta autuada estivesse declarada como real adquirente. E as provas coligidas aos autos, apreendidos na "Operação Dilúvio", conforme foi especificado antes, dizem respeito somente ao citado período anterior, relativas aos anos de 2005 e 2006, cujo lançamento é objeto de outro processo administrativo (nº 10074.000579/200947). Já quanto à presunção legal da interposição fraudulenta, conforme o § 2º do art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, ficaria esta configurada pela simples nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. Ressalvo, porém, que a presunção legal autoriza a que se infira, a partir de um fatobase, a ocorrência do fatopresumido, o qual, então, desencadeia seus efeitos próprios. E sendo relativa a presunção, poderá ser refutada pelo contribuinte, mediante a apresentação de contraprova. Vejase, porém, que a norma que estabelece a presunção relativa não desincumbe a Fazenda, na sua função fiscalizadora, de demonstrar a ocorrência do fatobase, que, no presente caso, é o próprio procedimento fiscalizatório a demonstrar que, não obstante seus esforços para tentar descobrir a verdade dos fatos, mediante intimações para prestar esclarecimentos e apresentar documentos, por exemplo, a contribuinte não conseguiu comprovar a origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Verificase que, especificamente para a ação fiscal que culminou com a lavratura deste lançamento, em 10/05/2010, e que se refere ao período de 07/07/2008 a 20/03/2009, houve somente a expedição do Termo de Intimação nº 07/2010 (fls. 134/140), datado de 08/03/2010, no qual foi solicitada a apresentação dos Livros Diário e Razão (07/2008 a 08/2009) e o esclarecimento de qual foi o destino dado às mercadorias importadas entre 07/2008 e 08/2009. O resultado desta intimação consta do seguinte parágrafo, à fl. 124 do Relatório Fiscal, pelo qual se depreende que o objetivo principal da auditoria era formalizar a não localização das mercadorias, sem outra explicação quanto aos livros solicitados: "Não tendo sido possível a intimação da pessoa jurídica por via postal, nem mesmo de seu administrador, doc. fls. 133/134, foi publicado o edital de fls.136, o qual não foi atendido, restando caracterizada a impossibilidade de localização das mercadorias." Ou seja, o fisco não fez nenhuma intimação específica para que a autuada se manifestasse sobre a origem dos recursos financeiros utilizados para as importações que constituem os fatos geradores deste processo, tampouco o fundamentou pelo não atendimento quanto à apresentação de documentos. Fl. 12520DF CARF MF Processo nº 10074.000620/201019 Acórdão n.º 3301003.859 S3C3T1 Fl. 12.521 9 Portanto, não se pode afirmar que a origem dos recursos empregados nas operações de importação ora em análise restou nãocomprovada pelo contribuinte, situação fática que caberia ao fisco demonstrar. Ademais, sequer foi este o caminho que pretendeu trilhar a auditoria, pois, de fato, a fiscalização reconhece que tais recursos são conhecidos, pois são advindos das operações comerciais decorrentes das importações do período anterior a este lançamento. Entretanto, não encontra respaldo legal, com o intuito de tipificar a infração, a fundamentação fática, utilizada pela auditoria fiscal, de que as operações subsequentes também são irregulares, pelo único motivo de que foram realizadas com recursos financeiros advindos de operações anteriores tidas como fraudulentas em decorrência da constatação de interposição e a utilização de recursos cuja origem não fora comprovada no nascedouro da sociedade. Argumenta, ainda, a auditoria que “desconsiderar as mencionadas operações afigurarseia verdadeira afronta ao objetivo maior que o novo complexo normativo pretendeu alcançar, o combate à lavagem de dinheiro.” Ora, segundo a Lei nº 9.613, de 3 março de 1998, o crime de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores, é assim definido: "Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)" Ou seja, são operações comerciais ou financeiras que têm por finalidade dissimular ou esconder a origem ilícita de determinados ativos financeiros ou bens patrimoniais, de forma a que tais ativos sejam incorporados na economia local com a aparência de uma origem lícita. É dar fachada de dignidade a dinheiro de origem ilegal. Embora a Lei nº 12.683, de 2012, tenha extinguido o rol taxativo de crimes antecedentes, isto deve ser entendido como a admissão de que, a partir de julho de 2012, aceitase como crime antecedente da lavagem de dinheiro qualquer infração penal. Ou seja, a inovação de 2012 não foi no sentido de se admitir que também as infrações tributárias e administrativas pudessem dar azo à caracterização do crime antecedente para a lavagem de dinheiro. Só para se ter uma ideia, conforme a redação anterior da Lei nº 9.613/1998, a origem ilícita do dinheiro poderia ser dos crimes antecedentes de tráfico ilícito de drogas, de terrorismo e seu financiamento, de contrabando ou tráfico de armas, de extorsão mediante sequestro, de corrupção ou favorecimento ilícito, dentre mais alguns. Portanto, até a entrada em vigor da Lei nº 12.683/2012, não eram todos os crimes que autorizavam a existência do delito subsequente de lavagem de dinheiro. Atualmente, portanto, qualquer infração penal que trouxer benefício econômico a quem o praticou, poderá figurar como delito antecedente ao crime de lavagem de dinheiro, incluindose aí o crime de sonegação fiscal. Todavia, ao presente caso, além de os fatos geradores serem anteriores a nova redação da Lei nº 9.613/1998 e, portanto, por ela não alcançada, não consta dos autos que tenha havido a prática de sonegação fiscal, tampouco no citado processo administrativo nº 10074.000579/200947. Fl. 12521DF CARF MF Processo nº 10074.000620/201019 Acórdão n.º 3301003.859 S3C3T1 Fl. 12.522 10 Ainda assim, há que se lembrar da Súmula Vinculante 24 do STF, que dispõe que: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”. De qualquer maneira, não é da competência deste colegiado apreciar tal imputação, afeta ao julgamento pelo Poder Judiciário, após a devida instauração do inquérito judicial mediante a lavratura da Representação Fiscal para Fins Penais. O que pretendo deixar bem claro é que as infrações administrativas, tributárias ou aduaneiras, dentre elas, a ocultação de interveniente e a interposição fraudulenta nas importações, por si só, não se caracterizam como crimes antecedentes passíveis de gerar o crime de lavagem de dinheiro. Ademais, pelos argumentos já explicitados, não se admite, na esfera administrativa e tributária, a extensão interpretativa que pretendeu a auditoria fiscal dar ao presente caso, no sentido que “a lei não determina exclusivamente a perda do bem diretamente ligado ao fato delituoso, mas também daqueles que, segundo nexo causal verificado, dele tenham se originado indiretamente”, com relação à aplicabilidade do art. 91, inciso II, alínea "b" do Código Penal que estabelece, in verbis: Art. 91 São efeitos da condenação: (...) II a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boafé: (...) b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso. Assim, diferentemente do que propõe a auditoria, não se pode concluir que o fato de a empresa ter cometido supostos ilícitos tributários e aduaneiros, em período anterior, para os quais já sofreu a devida penalização, tenha como conseqüência a caracterização de interposição fraudulenta somente porque contou “com os recursos de origem ilícita obtidos através das referidas operações irregulares”. Pensar assim, da maneira posta nos autos, seria penalizar indefinidamente a contribuinte sem permitir que, algum dia, viesse a se tornar regular em suas atividades. De outra parte, conforme consta dos autos, esta autuada passou, a partir de 2006, a declararse, devidamente, como importadora ou real adquirente das mercadorias importadas. Conclusão: Diante de todo o exposto, voto no sentido de julgar procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário apurado." Com base no acima exposto, nego provimento ao recurso de ofício. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 12522DF CARF MF Processo nº 10074.000620/201019 Acórdão n.º 3301003.859 S3C3T1 Fl. 12.523 11 Fl. 12523DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15224.722678/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1561; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 474 1 473 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15224.722678/201231 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.027 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 28 de junho de 2017 Assunto Diligência Recorrente PLAY SOUND INDUSTRIA COMERCIO IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza que decidiu, conforme ementa abaixo transcrita, no sentido de: I julgar não conhecida a impugnação, em virtude da ilegitimidade passiva do impugnante, mantendo o crédito tributário exigido; II declarar a revelia da Play Sound Indústria Comércio Importação e Exportação Ltda., em razão da não apresentação de impugnação. Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/07/2007 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 52 24 .7 22 67 8/ 20 12 -3 1 Fl. 474DF CARF MF Processo nº 15224.722678/201231 Resolução nº 3402001.027 S3C4T2 Fl. 475 2 ILEGITIMIDADE PASSIVA. É requisito de admissibilidade da impugnação a sua interposição por parte legítima, nos termos dos arts. 3º e 6º do CPC, não podendo esta ser conhecida quando apresentada por terceiro não inserido na relação jurídicotributária originada da obrigação tributária. REVELIA. OCORRÊNCIA. É revel o sujeito passivo que não apresentou tempestivamente impugnação ao auto de infração lavrado contra si. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Versa o processo sobre a exigência de multa pela cessão do nome da pessoa jurídica para a realização de operações de comércio exterior, prevista pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários, no valor mínimo de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). A fiscalização apurou que a empresa Play Sound – Indústria Comércio e Importação e Exportação Ltda, CNPJ nº 03.474.391/000174, ao promover a importação de mercadorias por intermédio da DI 12/13955183, acobertou a real beneficiária, a pessoa jurídica 4 Pandas Comércio Varejista de Produtos de Informática e Eletroeletrônico Ltda., CNPJ nº 11.839.438/000160, vez que essa operação caracterizouse materialmente como uma importação por conta e ordem de terceiros, mas sem o cumprimento das formalidades exigidas pela legislação. A Play Sound Industria e Comércio de Importação e Exportação Ltda. foi cientificada do lançamento em 30/11/2012, mas não apresentou impugnação. Em 28/12/2012 a empresa 4 Pandas Comércio Varejista de Produtos de Informática Ltda. apresentou impugnação à autuação. Em 7 de fevereiro de 2013 foram juntados aos autos documentos relativos à ação ordinária proposta pela Play Sound Indústria Comércio Importação Ltda, entre eles a petição inicial e a decisão acerca da tutela antecipada exarado pela 4ª Vara Seção Judiciária do Distrito Federal. A decisão recorrida não conheceu da impugnação apresentada por ilegitimidade passiva, nos seguintes termos: (...) A pessoa jurídica que interpôs a defesa, qual seja, a 4 Pandas Comércio Varejista de Produtos de Informática não tem legitimidade para tal, já que não é o sujeito passivo da penalidade cobrada, e nem representante legal da Play Sound Indústria Comercio Importação e Exportação LTDA., que figura, exclusivamente, como sujeito passivo da obrigação tributária discutida nos autos do processo em tela. Esta, por sua vez, não apresentou impugnação ao lançamento, de forma que operase a revelia, não havendo controvérsia a ser apreciada e devendo, portanto, a cobrança do crédito tributário seguir seu curso normal, uma vez que não há medida suspensiva da sua exigibilidade. Em relação a isto, importa frisar que o processo judicial que tramita pela 4ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, cujos documentos Fl. 475DF CARF MF Processo nº 15224.722678/201231 Resolução nº 3402001.027 S3C4T2 Fl. 476 3 foram inseridos nos autos deste processo, não tratam do objeto central deste PAF, mas sim, e unicamente, da pena de perdimento tratada no processo administrativo fiscal de número 15224.722666/201215, razão pela qual não há identidade de matérias, nem qualquer fator que suspenda a exigibilidade do crédito ora apreciado. Conclusão Ante o exposto voto no sentido de julgar não conhecida a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. (...) A empresa Play Sound Industria e Comércio de Importação e Exportação Ltda. foi cientificada da decisão recorrida por edital afixado em 29/10/2013 depois de resultar infrutífera sua ciência pela via postal, tendo apresentado recurso voluntário em 11/11/2013, alegando e requerendo, em síntese: Em que pese a DRJ ter declarado sua revelia, apresentou impugnação tempestiva (doc. 01). Ainda que, só por argumentar, a recorrente não tivesse apresentado impugnação, o crédito tributário estaria suspenso em face da impugnação do sujeito passivo solidário (4 PANDAS). Assim, requer que o CARF anule o Acórdão de primeira instância por violação ao direito de defesa, determinando o retorno dos autos à autoridade a quo para a apreciação de sua impugnação. A empresa 4 Pandas Comércio Varejista de Produtos de Informática Ltda. foi cientificada da decisão recorrida em 11/10/2013 e apresentou seu recurso voluntário em 11/11/2013, alegando e requerendo, em síntese, que: A decisão recorrida viola frontalmente a jurisprudência consolidada do CARF e o Verbete Sumular nº 71: "Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade". A decisão recorrida ignora solenemente o teor do auto de infração, eis que este foi formalmente lançado em face da recorrente e não apenas da empresa PLAY SOUND. A recorrente foi qualificada no polo passivo do auto de infração e foi intimada a recolher o valor da multa ou apresentar impugnação. Portanto, na condição de devedora solidária, possui legitimidade para impugnar o auto de infração, o que fez, inclusive, em face daquilo que foi intimada a fazer. Assim, requer o conhecimento e provimento do recurso para anular a decisão recorrida, determinando o retorno dos autos ao julgador de primeira instância, a fim de que a impugnação seja apreciada e novo Acórdão seja proferido, nos termos do art. 59, II do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 71. É o relatório. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 15224.722678/201231 Resolução nº 3402001.027 S3C4T2 Fl. 477 4 VOTO Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos recursos voluntários. Consta na fl. 159, conforme extrato abaixo, que a Play Sound Industria e Comércio de Importação e Exportação Ltda. foi cientificada do auto de infração pessoalmente, por intermédio do seu representante legal, conforme instrumento público de procuração das fls. 40/41: Alega essa empresa que, não obstante o julgador de primeira instância tenha declarado sua revelia, apresentou impugnação tempestiva, conforme protocolo abaixo: Verificase que não constava nos autos a petição mencionada por esta recorrente. Assim, considerando que eventual impugnação apresentada pela Play Sound Industria e Comércio de Importação e Exportação Ltda. em 27/12/2012 seria tempestiva e, desde que atendidos aos demais requisitos de admissibilidade, poderia, em tese, ter sido conhecida pelo julgador de primeira instância, entendo que o julgamento perante este CARF deve ser convertido em diligência para que a Alfândega RFB do Aeroporto de Manaus adote as seguintes providências: i) confirme se, efetivamente, recebeu, em 27/12/2012, a petição cuja cópia consta nas fls. 433/443 e, em caso afirmativo, informe qual o encaminhamento que deu ao referido expediente; Fl. 477DF CARF MF Processo nº 15224.722678/201231 Resolução nº 3402001.027 S3C4T2 Fl. 478 5 iii) anexe aos autos cópias dos documentos de que disponha para esclarecer a questão, em especial, se for o caso, a via original da impugnação e eventuais documentos que lhe instruíram; iv) cientifique a Play Sound Industria e Comércio de Importação e Exportação Ltda. do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e v) devolva os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento após decorrido prazo de manifestação da interessada. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 478DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.902738/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário:2005
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.322
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente CIAASA MERCANTIL DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2005 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 38 /2 01 1- 61 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10120.902738/201161 Acórdão n.º 3301003.322 S3C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS NãoCumulativa – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de COFINS nãocumulativa, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 03050.594. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10120.902738/201161 Acórdão n.º 3301003.322 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10120.902738/201161 Acórdão n.º 3301003.322 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10120.902738/201161 Acórdão n.º 3301003.322 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10120.902738/201161 Acórdão n.º 3301003.322 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000232/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.974
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente SONNERVIG AUTOMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 32 /2 01 1- 84 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 12585.000232/201184 Acórdão n.º 3302003.974 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.232. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 163DF CARF MF Processo nº 12585.000232/201184 Acórdão n.º 3302003.974 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 12585.000232/201184 Acórdão n.º 3302003.974 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 165DF CARF MF Processo nº 12585.000232/201184 Acórdão n.º 3302003.974 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 166DF CARF MF Processo nº 12585.000232/201184 Acórdão n.º 3302003.974 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.902297/2011-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.816
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 22 97 /2 01 1- 60 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10140.902297/201160 Acórdão n.º 3302003.816 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.247. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.902297/201160 Acórdão n.º 3302003.816 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.902297/201160 Acórdão n.º 3302003.816 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902297/201160 Acórdão n.º 3302003.816 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10140.902297/201160 Acórdão n.º 3302003.816 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.902401/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-003.547
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.902401/201318 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401003.547 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OUA MAIOR COFINS Recorrente GRG COMERCIO IMPORTADORA E EXPORTADORA DE EQUIPAMENTOS REPROGRAFICOS EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 24 01 /2 01 3- 18 Fl. 96DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP, cujo crédito teria origem em recolhimento da Cofins efetuado a maior. Conforme despacho decisório, a compensação declarada não foi homologada, pelos seguintes motivos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou seja, como a contribuinte declarou dever o exato montante do valor do DARF pago, o despacho decisório não identificou qualquer pagamento a maior ou indevido a justificar o direito de crédito alegado, indeferindo o pedido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), por decisão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo”. Intimada dessa decisão, a ora Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão recorrida, pois estaria impondo condições ao direito de compensar da Recorrente e por utilizar fundamento para nãohomologação que não encontraria amparo na Lei; (ii) haveria falta de amparo legal e regulamentar no fundamento utilizado para a nãohomologação da compensação, pois não haveria obrigação de retificar a DCTF do período em que se verificou o crédito; (iii) não haveria como se reconhecer válida a emissão de despacho decisório eletrônico; (iv) o crédito seria legítimo; e (v) não teria ocorrido preclusão na produção de provas. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10830.902401/201318 Acórdão n.º 3401003.547 S3C4T1 Fl. 3 3 Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.542, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.902391/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.542): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401 003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 98DF CARF MF 4 Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação da DCTF pela Recorrente, o que implicou uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de COFINS. Assim, não identificou a Administração Tributária qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o seguinte: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlo. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10830.902401/201318 Acórdão n.º 3401003.547 S3C4T1 Fl. 4 5 aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Como se verifica, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a tese jurídica que ampararia o seu direito de crédito, a Recorrente parece estar se referindo à declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão constitucional nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG. Sem adentrar na ausência de exposição pela Recorrente do fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, a possibilitar a apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que nem toda declaração de inconstitucionalidade pelo STF permitirá a compensação tributária (artigo 43, parágrafo 3º, alínea f, da Instrução Normativa nº 900/2008), percebese que a Recorrente não se preocupa em conferir liquidez e certeza ao direito de crédito alegado. Ainda que se admita que o fundamento do direito de crédito seja a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 e que tal fundamento seja aplicável à Recorrente, essa alegação, por si só, não justifica o direito de crédito. A Recorrente deveria demonstrar que efetivamente realizou o recolhimento de COFINS a maior, sobre uma receita que não poderia se sujeitar à tributação, pela apresentação de demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação das receitas que foram incluídas indevidamente, com o suporte contábil e documentação fiscal correspondente. Contudo, nada disso foi apresentado, nem o valor que foi pago a maior e outros elementos, ainda que incompletos, que pudessem servir de princípio de prova. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente procura desenvolver aquilo que havia afirmado na Manifestação de Inconformidade, dessa vez, citando o dispositivo declarado inconstitucional e identificando os precedentes, e inova, em contrariedade ao que antes havia informado sobre a origem do crédito. O direito de crédito não mais seria em razão da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei nº 9.718/1998, mas também em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, argumento que já nem poderia ser conhecido, em razão dos efeitos da preclusão (artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972). Fl. 100DF CARF MF 6 De qualquer maneira, novamente, a Recorrente se limita a indicar a tese jurídica de forma geral, sem expor, no seu caso concreto, a origem do crédito, que operações realizou, em que valor, o que foi indevidamente incluído na base de cálculo, e também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar suporte ao direito de crédito alegado. Portanto, a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode prosperar, estando correta a decisão recorrida na manutenção da nãohomologação, em perfeita harmonia com o disposto nos artigos 170 do CTN, e 74 da Lei nº 9.430/1996, que prevêem como requisito para a compensação tributária a existência de crédito líquido e certo. Por fim, quanto à questão prejudicial levantada pela Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve ser rejeitada. A Recorrente alega que sua fundamentação não seria adequada e não permitiria conhecer os motivos da não homologação. Porém, apesar de o despacho ser objetivo, o mesmo permite a compreensão dos motivos para a não homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o presente processo, devidamente enfrentada a questão essencial para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito, e não sendo as demais alegações levantadas pela Recorrente capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a afastar a decisão que manteve a nãohomologação da compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720665/2013-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS. BASE DE CÁLCULO.
No caso de autuação com fundamento em depósitos bancários de origem não comprovada, a presunção legal de omissão de receitas faz inversão do ônus da prova e não depende da demonstração de que o beneficiário tenha obtido acréscimo patrimonial. A própria disponibilidade dos recursos financeiros em conta bancária faz presumir a obtenção de rendimentos não declarados como omitidos da tributação.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESNECESSIDADE DE O FISCO COMPROVAR RENDA CONSUMIDA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo.
ATIVIDADE RURAL. LIVRO CAIXA. ESCRITURAÇÃO DEFICIENTE. DESCONSIDERAÇÃO. ARBITRAMENTO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. LIMITE LEGAL DE 20% DA RECEITA BRUTA.
Uma vez fundamentado o lançamento com a demonstração de que a escrituração contábil não retrata o movimento econômico-financeiro real, a apuração da base de cálculo do imposto por omissão de rendimentos provenientes da atividade rural se dá por arbitramento no percentual de 20% da receita bruta.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos de Ofício e Voluntário, negando-lhes provimento, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS. BASE DE CÁLCULO. No caso de autuação com fundamento em depósitos bancários de origem não comprovada, a presunção legal de omissão de receitas faz inversão do ônus da prova e não depende da demonstração de que o beneficiário tenha obtido acréscimo patrimonial. A própria disponibilidade dos recursos financeiros em conta bancária faz presumir a obtenção de rendimentos não declarados como omitidos da tributação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESNECESSIDADE DE O FISCO COMPROVAR RENDA CONSUMIDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo. ATIVIDADE RURAL. LIVRO CAIXA. ESCRITURAÇÃO DEFICIENTE. DESCONSIDERAÇÃO. ARBITRAMENTO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. LIMITE LEGAL DE 20% DA RECEITA BRUTA. Uma vez fundamentado o lançamento com a demonstração de que a escrituração contábil não retrata o movimento econômico-financeiro real, a apuração da base de cálculo do imposto por omissão de rendimentos provenientes da atividade rural se dá por arbitramento no percentual de 20% da receita bruta. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado
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PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS. BASE DE CÁLCULO. No caso de autuação com fundamento em depósitos bancários de origem não comprovada, a presunção legal de omissão de receitas faz inversão do ônus da prova e não depende da demonstração de que o beneficiário tenha obtido acréscimo patrimonial. A própria disponibilidade dos recursos financeiros em conta bancária faz presumir a obtenção de rendimentos não declarados como omitidos da tributação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESNECESSIDADE DE O FISCO COMPROVAR RENDA CONSUMIDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo. ATIVIDADE RURAL. LIVRO CAIXA. ESCRITURAÇÃO DEFICIENTE. DESCONSIDERAÇÃO. ARBITRAMENTO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. LIMITE LEGAL DE 20% DA RECEITA BRUTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 06 65 /2 01 3- 08 Fl. 749DF CARF MF 2 Uma vez fundamentado o lançamento com a demonstração de que a escrituração contábil não retrata o movimento econômicofinanceiro real, a apuração da base de cálculo do imposto por omissão de rendimentos provenientes da atividade rural se dá por arbitramento no percentual de 20% da receita bruta. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos de Ofício e Voluntário, negandolhes provimento, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo PresidenteSubstituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 15586.720665/201308 Acórdão n.º 2301004.969 S2C3T1 Fl. 750 3 Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício interposto contra decisão de primeira instância que manteve em parte o lançamento do IRPF originada pela constatação de omissão de rendimentos provenientes de atividade rural e identificados através de depósitos bancários de origem não comprovada. A fiscalização aplicou multa agravada de 150%, sendo reduzida pela decisão recorrida para 75%, que também reduziu o crédito tributário ao arbitrar a base de cálculo do imposto em 20% dos rendimentos brutos da atividade rural. Seguem transcrições do relatório fiscal e da decisão recorrida: Primeiramente é importante destacar que toda a documentação apresentada pelo contribuinte e pelo diligenciado, tais como livro caixa, notas fiscais e respostas aos Termos de Intimação Fiscal 021533/2012 e 031533/2013 de fls. 250 a 472 e os Termos de Diligência Fiscal 0100179/2013 0200179/2013 de fls. 578 a 582, afirmando que a movimentação financeira sob análise é oriunda “única e exclusivamente da atividade rural (pecuária)” e que “a atividade desempenhada não só no ano de 2008 bem como anteriores e posteriores são única e exclusivamente da atividade rural (pecuária)” levaram a presente fiscalização ao convencimento de que a sua principal fonte de rendimentos, e que justifica e comprova a origem dos depósitos levantados na presente auditoria, é a atividade rural. ... Dessa forma, diante das observações postas no presente item, verificase que há divergências de valores e de informações entre as notas fiscais, os livroscaixa e a DIRPF apresentados pelo contribuinte. Reputandose o fato de que o fiscalizado já ofereceu à tributação uma receita de atividade rural no valor de R$1.217.753,00 e que comprovou a maior parte das despesas escrituradas (exceção feita à despesa de R$290.420,00 explicada no subitem 3.2.3), procederemos ao cômputo da diferença entre os créditos listados nas tabelas 1 a 5 e a receita declarada. ... O fiscalizado optou, em sua DIRPF do anocalendário 2008, pela apuração do resultado tributável da atividade rural através da subtração das despesas de custeio da receita bruta total, sem optar pelo arbitramento sobre a receita bruta. Alertese para o fato de que além de haver um aumento na receita bruta da atividade rural no valor de R$1.559.579,38 houve também uma redução nas despesas de custeio e investimento para R$876.722,00. ... DA MULTA QUALIFICADA Fl. 751DF CARF MF 4 ... Pelos fatos descritos no presente relatório e ponderandose ter ficado manifesta a intenção fraudulenta do contribuinte em se eximir do IRPF devido, mediante omissão de rendimentos oriundos de atividade rural, sua principal fonte de renda, com a não informação desses rendimentos nem no livro caixa nem na Declaração de Ajuste Anual, denotando o intuito de não pagar imposto de renda, aplicouse a multa de ofício de 150% (cento e cinquenta por cento), sobre o quinhão do tributo apurado proporcional aos rendimentos omitidos no anocalendário de 2008. Na presente situação a conduta irregular do contribuinte descrita neste relatório é inconcebível sem a intenção direcionada do agente, e implica, necessariamente, a supressão ou a redução do tributo devido. O dolo, isto é, a intenção de praticar a conduta, com o subseqüente resultado, é o elemento dos tipos penais de que tratam os anteriormente reproduzidos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64. De feito, o fiscalizado, deliberadamente, prestou informações falsas, ao omitir os rendimentos da atividade rural compatíveis com sua movimentação financeira (créditos) em sua declaração de imposto de renda no anocalendário de 2008. Importante salientar que, a DIRPF do anocalendário sob fiscalização só foi apresentada em setembro de 2011 e o livro caixa apresentado foi confeccionado, para apresentação à presente fiscalização que se iniciou em outubro de 2011, em período próximo à entrega da DIRPF. Restou comprovado que o contribuinte agiu motivado pelo desejo de diminuir indevidamente o imposto que seria devido, para obter, como conseqüência, a redução do imposto a pagar, o que ficou evidenciado no curso da presente fiscalização. Assim, constatouse que o fiscalizado, livre e conscientemente, omitiu rendimentos oriundos da atividade rural. Por essa razão e pela convicção formada quanto à intenção do contribuinte em se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei, qualificou se a multa de ofício para 150% (cento e cinqüenta por cento). Impõese assim a aplicação da multa de ofício em virtude da apuração de imposto devido, relativo à omissão de rendimentos. ... ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL ARBITRAMENTO. Ocorrendo irregularidades na escrituração do livro caixa, quando obrigatória à atividade rural, o imposto devido deve ser apurado por meio de arbitramento em 20% sobre o valor da Fl. 752DF CARF MF Processo nº 15586.720665/201308 Acórdão n.º 2301004.969 S2C3T1 Fl. 751 5 receita bruta, independentemente de esse valor ser menor ou maior do que a opção feita pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. Por expressa determinação legal, a multa de ofício de 75% é aplicável em casos de omissão de rendimentos, devendo a multa ser qualificada somente quando constatado que o contribuinte agiu com intuito doloso de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência de fato gerador do IRPF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS/PERÍCIAS. A realização de diligências/perícias tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Ainda que solicitada pela defesa, não existe motivo para nulidade do procedimento fiscal caso a autoridade fiscal entenda não ser necessária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... DA AUTUAÇÃO O lançamento, consubstanciado em Auto de Infração teve origem na constatação de omissão de rendimentos da atividade rural, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal integrante do Auto de Infração. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário alegando em síntese as razões trazidas na impugnação: Preliminares. Acredita que a descrição dos fatos (“... apuração da infração de omissão de rendimentos da atividade rural – Fato Gerador 31/12/2008 – Valor Apurado (R$) 1.849.999,38”) não condiz com o enquadramento legal previsto no art. 1º inciso II e parágrafo Único da Lei nº 11.482/2007, que trata do imposto de renda incidente sobre os rendimentos de pessoas físicas em geral, e não para atividades rurais, cujo cálculo deve atender ao disposto no artigo 60, § 2º, do RIR/99. Sustenta que o Auto de Infração está incorreto, devendo ser declarado nulo. ... Mérito Movimentação Bancária Afirma ter informado (fl.252) que os depósitos em moeda deveriam ter sido desconsiderados uma vez que se referem a Fl. 753DF CARF MF 6 retornos de numerário relativos a compras de gado não concretizadas, uma vez que é usual que as operações sejam feitas em dinheiro para evitar cheques sem fundo. Estas transações totalizariam R$669.962,96 e não seriam tributáveis. Teria informado, ainda (fl.564), que os créditos feitos na conta 34322, do Banco do Nordeste do Brasil SA, constituiriam transferências entre contas do mesmo titular, de maneira que o montante de R$344.869,50, deveria ter sido excluído da base de cálculo. Transcreve trecho do relatório fiscal e explica ter encontrado incoerência nas explicações da fiscalização para considerar transferências entre contas do mesmo titular como tributáveis. A soma das transações acima descritas totalizariam R$1.014.832,46 e já teriam sido objeto de tributação por parte do contribuinte, entretanto, a fiscalização teria preferido desconsiderar as declarações do contribuinte e inverter o ônus da prova, exigindo a comprovação das alegações por meio de documentos hábeis, que neste caso (saques em dinheiro e posterior depósitos em dinheiro), seria impossível. Da Renda Apurada Acredita que os autuantes teriam ultrapassado os limites constitucionais de incidência do imposto, isto porque o imposto de renda deve incidir sobre acréscimos patrimoniais, conforme reiterado pelo artigo 43, do CTN, e a incidência do imposto sobre receitas supostamente omitidas, levando em consideração apenas os custos lançados na DIRPF, não pode ocorrer, pois contraria o conceito de renda como acréscimo patrimonial. Acrescenta que não é o mais fantástico comerciante do mundo para conseguir fazer transações com lucro de cem por cento. Transcreve trechos de julgados com base na súmula 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos, que não admite como legítimos lançamentos com base, exclusivamente, em extratos bancários. Sustenta que a Auditora autuante usou, como base de cálculo, a soma da receita omitida e o valor da receita informada na Declaração de imposto de Renda, o que teria onerado o valor do imposto em R$12.959,42. Ilegalidade na Aplicação da Multa Afiança não ter cometido nenhuma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, sendo indevido o lançamento da multa de 150%. Por outro lado, pondera que as multas previstas no artigo 44, da Lei nº 9.430/96, só são aplicáveis nos casos de lançamento de ofício e neste caso, a multa de 150% foi aplicada sobre a suposta omissão de rendimentos e sobre a receita declarada, implicando em acréscimo adicional no valor do crédito tributário. Entende que o lançamento é nulo, mas caso haja entendimento diverso, requer produção de prova pericial e documental para Fl. 754DF CARF MF Processo nº 15586.720665/201308 Acórdão n.º 2301004.969 S2C3T1 Fl. 752 7 demonstrar que não houve omissão de receita, solicitando que as provas juntadas sejam analisadas novamente e nomeia como perito o Sr. João Seidel, contador técnico, com CPF 364.267.50778, CRC 3820/ES, com endereço na Av. Getúlio Vargas, nº 532, 1º andar, Centro, Colatina/ES, CEP 29.700010, fone (27) 37215606, para responder aos seguintes quesitos: • Informe o Sr. Perito qual o objeto da Perícia? • Verifique nos extratos bancários anexos aos autos, as origens dos créditos e débitos, descrevendo cada operação bancária. • Informar se houve omissão de receita. • Em caso positivo, qual o valor da omissão. • Calcular o valor do imposto devido com base na legislação aplicável à atividade rural. Acrescenta que a decisão recorrida inovou ao alterar a apuração do imposto, caracterizando, nos termos do artigo 142 do CTN, novo lançamento, inclusive improcedente pelo transcurso do prazo decadencial. É o relatório. Fl. 755DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Formalização do lançamento Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 756DF CARF MF Processo nº 15586.720665/201308 Acórdão n.º 2301004.969 S2C3T1 Fl. 753 9 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade. Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Preliminar de nulidade por indicação de dispositivo legal Alega o recorrente vício insanável do lançamento, o fundamento legal indicado teria sido equivocado: houve indicação do artigo 1º, inciso II e Parágrafo único da Lei nº 11.482/2007 que não condiz com a descrição dos fatos "omissão de rendimentos de atividade rural". Equivocase. A descrição do fato e os fundamentos legais devem ser identificados em todos os relatórios que fazem parte do lançamento, não se esgotam em uma única passagem do documento. Como exemplo, indicamse os trechos dos documentos que compõem o lançamento: "Descrição dos fatos e enquadramento legal", fls. 621, "Demonstrativo de apuração detalhado", fls. 624, "Relatório de encerramento de ação fiscal", fls. 594, 595 e 596. Está evidenciado nos autos que se trata de omissão de rendimentos provenientes de atividade rural e identificados através de depósitos bancários de origem não comprovada; portanto, não houve prejuízo a defesa que demonstrou conhecer perfeitamente os fatos apontados pela fiscalização. Assim, rejeito a preliminar. Preliminares de inovação do lançamento e decadência Entende a recorrente se tratar de novo lançamento a parte da decisão recorrida que reduziu o tributo devido ao aplicar o limite de 20% na apuração da renda proveniente de atividade rural previsto no artigo 60, §2º do RIR. Fl. 757DF CARF MF 10 Não lhe assiste razão. Primeiro que não se pode considerar novo lançamento uma redução do tributo e segundo porque a decisão recorrida não trouxe novos critérios de apuração do tributo. Tão somente entendeu que a fiscalização se equivocou ao realizar o lançamento apenas com fundamento no caput do artigo 60 do RIR, ignorando que a escrituração deficiente do livro Caixa, com incorreções e omissões, equiparase à falta de escrituração e, portanto deveria ser observado o arbitramento previsto no §2º do mesmo artigo 60, §2º do RIR. De fato, a fiscalização indicou detalhadamente várias omissões no livro Caixa: 4) As notas fiscais de produtor, modelo 4, de n.º 66 e 69 a 83 da Fazenda Anita (documento de fls. 269 a 472) e que perfazem um total de R$201.688,00, não encontramse escrituradas no livro caixa em seu nome nem no em nome de Carlos Fernando Martins Brotas Segundo apresentado pelo contribuinte; 5) A nota fiscal de produtor, modelo, 4, de n.º 252 da Fazenda São Judas Tadeu é no valor de R$20.920,00, mas foi escriturada no livro caixa em nome do fiscalizado por R$26.920,00; 6) A nota fiscal de produtor, modelo, 4, de n.º 298 da Fazenda São Judas Tadeu é no valor de R$35.700,00 mas foi escriturada no livro caixa em nome do fiscalizado por R$31.700,00; 7) No livrocaixa em nome do fiscalizado estão contabilizadas as notas fiscais de n.º 0051 recebida de Odilon Jacy Milagres Fontes no valor de R$22.400,00, a n.º 0052 recebida de Comercial de Alimentos Ltda no valor de R$18.240,00 e a n.º 0053 recebida de Comercial de Alimentos Ltda no valor de R$18.290,00, que não constam dos blocos de notas fiscais apresentados por ele; Dessa forma, considerando que a escrituração não retrata o movimento real da atividade rural, não se trata de uma prerrogativa da fiscalização fazer opção pela apuração através das receitas e despesas, em especial pelo fato de que após a inclusão de receitas omitidas e glosa de despesas o valor da base de cálculo seja muito maior do que aquele a ser apurado de acordo com o dispositivo legal. Assim, entendo que não se trata de novo lançamento, mas apenas a imposição de um limite legal não observado pela fiscalização. Concluo, portanto que não assiste razão ao recorrente, conseqüentemente, não se tratando de novo lançamento não se cogita do exame da decadência. Por fim, pelos mesmos fundamentos, nego provimento ao recurso de ofício. Prova pericial No processo administrativo o contribuinte também tem direito a solicitar com meio de produção de provas a realização de perícia que é analisada pelo julgador. Caso a perícia seja idônea para trazer novos elementos capazes de elucidar os fatos ela será deferida; do contrário, sendo prescindível, somente retardando a tramitação do processo, não está obrigada a administração tributária realizála. É o que dispõem os artigos 16 e 18 do Decreto nº 70.,235/72: Decreto n.º 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: ... Fl. 758DF CARF MF Processo nº 15586.720665/201308 Acórdão n.º 2301004.969 S2C3T1 Fl. 754 11 IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, endereço e qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. ... Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’. Desse modo, no presente caso a perícia é desnecessária. Os quesitos indicados somente trarão informações que já estão nos autos: • Informe o Sr. Perito qual o objeto da Perícia? • Verifique nos extratos bancários anexos aos autos, as origens dos créditos e débitos, descrevendo cada operação bancária. • Informar se houve omissão de receita. • Em caso positivo, qual o valor da omissão. • Calcular o valor do imposto devido com base na legislação aplicável à atividade rural. Rejeito o pedido de perícia. Movimentação bancária Uma vez intimado para comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada, conforme assentado na jurisprudência desse conselho e disposto no §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. É um caso de inversão do ônus da prova. A falta de comprovação, de responsabilidade do beneficiário dos depósitos, é considerada uma presunção legal de receitas. No caso, ao invés do recorrente trazer comprovações da origem dos depósitos apenas traz alegações quanto a saques seguidos de depósitos por não realização da transação comercial. Conforme assentou a decisão recorrida: A defesa não apresenta provas das alegações de que os depósitos em dinheiro efetuados nas contas correntes decorrem de saques efetuados para adquirir gado pagando em espécie, mas que os negócios não teriam se concretizado, implicando em retorno dos valores sacados para as contas correntes. Fl. 759DF CARF MF 12 E também traz a tese de que somente se considera como omissão de renda o depósito de origem não comprovada que resulte em acréscimo patrimonial ao beneficiário. Equivocase. Existem presunções de renda tanto quando se desconhece a origem dos ingressos positivos de numerários, que é o caso em exame, quanto se desconhece a origem dos numerários para a aquisições de bens e direitos. Nesse último caso, temse o acréscimo patrimonial a descoberto. Com efeito, também se apura omissão de rendimentos através do arbitramento com base no acréscimo patrimonial a descoberto, artigos 2° e 3º da Lei nº 7.713/1988 e art. 55, inciso XIII do RIR/1999: Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9o a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidas em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. ... Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°, § 4°, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2°, inciso IV, e 70, § 3°, inciso I): (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Mas não houve constatação nesse sentido, nem comprovação da origem dos depósitos, apenas que eram provenientes de atividade rural, o que resultou uma redução da base de cálculo. E essa questão alegada pelo recorrente já foi analisada pelo CARF, do que resultou a Súmula nº 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Recurso de ofício Foram objetos do recurso necessário tanto a imposição do limite de 20% para apuração dos rendimentos tributáveis provenientes da atividade rural quanto a redução da multa de ofício para 75%. A primeira questão foi examinada na parte do recurso voluntário que alega inovação do lançamento. Passo a examinar a multa agravada. Multa qualificada Fl. 760DF CARF MF Processo nº 15586.720665/201308 Acórdão n.º 2301004.969 S2C3T1 Fl. 755 13 A autoridade lançadora entendeu que se está diante de caso de multa qualificada de 150%, prevista, ao tempo do auto de infração, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II – 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Segundo tal norma, os casos de evidente intuito de fraude estão previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, os quais determinam que: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ressalto que no caso sob exame a qualificação da multa teve por fundamento a omissão intencional dos rendimentos provenientes de atividade rural. Contudo, não ficou demonstrada nenhuma conduta fraudulenta. A falta intencional de adimplemento do tributo ou a omissão de rendimentos não necessariamente é precedida de fraude, que se caracteriza pelo emprego de meio ardil, no caso, seria com finalidade de sonegação. Sob minha ótica, as circunstâncias dos autos não justificam a exasperação da penalidade. Nesse sentido o Enunciado de Súmula nº 14 do CARF que pacificou o entendimento de que a simples apuração de omissão de receita por si só não autoriza a qualificação da multa de ofício: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Fl. 761DF CARF MF 14 Também o Enunciado de Súmula nº 25 do CARF, mais específico para depósitos bancários de origem não comprovada, que é o caso dos autos: “Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.” Por tudo, entendo que não está demonstrada nos autos fraude com finalidade de reduzir tributo. Assim, entendo que a decisão recorrida deve ser mantida. Em razão do exposto voto por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. É como voto. Fl. 762DF CARF MF
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