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Numero do processo: 11516.000745/2006-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento. Ausente momentaneamente o conselheiro Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator. EDITADO EM: 09/10/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D’ Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento. Ausente momentaneamente o conselheiro Daniel Mariz Gudiño. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: O estabelecimento acima qualificado foi autuado pela fiscalização do IPI, conforme Auto de Infração, das fls. 885 a 891 (vol. 5), e anexos, para exigência desse imposto, no valor de R$ 41.445.582,58, acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75%, por falta de 1 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 00 74 5/ 20 06 -8 9 Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.514 recolhimento, perfazendo a exigência de R$ 89.621.658,23, na data da autuação. A descrição dos fatos, extraída do Auto de Infração e do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, das fls. 914 a 932 (vol. 5), vem resumida na seqüência. 1.1 O estabelecimento autuado fabrica, em especial, pisos e azulejos, classificados no código 6908.90.00 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), tributados, na época da fiscalização, à alíquota de 10%. 1.2 Relatam os autuantes que o interessado apurou o valor de R$ 186.424,16, a título de crédito presumido do IPI, autorizado pela Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996, para ressarcir o valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para a Seguridade Social (Cofins), incidentes na aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos exportados, crédito esse referente a 1998. O mesmo interessado compensou, no livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI) no 11, da matriz, o valor de R$ 21.645,39, no segundo decêndio de fevereiro de 1998, conforme consta na fl. 799 (vol. 4), e no livro RAIPI no 16, da filial 2, compensou o valor de R$ 186.424,16, no primeiro decêndio de novembro de 2002, segundo consta na fl. 812 (vol. 5). Portanto, houve uma compensação, a maior, de R$ 21.645,39, que foi glosada no primeiro decêndio de novembro de 2002. 1.3 O estabelecimento também apurou crédito presumido do IPI, referente aos três primeiros trimestres de 2001, no Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP), no valor de R$ 833.709,25, e compensou esse crédito, no livro RAIPI, nos valores parciais de R$ 243.564,03, no segundo decêndio de junho de 2001, segundo consta na fl. 804 (vol. 5), R$ 339.784,34, no primeiro decêndio de agosto de 2001 [fl. 805 (vol. 5)], e R$ 372.414,20, no primeiro decêndio de novembro de 2001 [fl. 806 (vol. 5)], totalizando R$ 955.762,57. Portanto, houve uma compensação, a maior de R$ 122.053,32 (R$ 955.762,57 R$ 833.709,25), que foi glosada no primeiro decêndio de novembro de 2001. 1.4 A par disso, o interessado incluiu, indevidamente, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, valores referentes à aquisição e consumo de GLP, mistura industrial (central GLP), carvão mineral moído, GLP mistura (pit stop) e gás natural industrial, utilizados como combustíveis, na fabricação de pisos e azulejos, itens que não se enquadram nos conceitos de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME). 1.5 Na seqüência, foi verificado que o estabelecimento Portobello S/A escriturou e utilizou créditos do IPI, relacionados na fl. 918 (vol. 5), em que há indicação dos Processos nos 11516.001136/200132, 13706.001900/200249, 11516.000190/2003 22 e 13706.000745/200243, no valor total de R$ 8.109.703,45. Tais créditos foram recebidos, por cessão, de Refinadora Catarinense S/A, estabelecimento interdependente, conforme instrumentos particulares, copiados nas fls. 22 a 30 (vol. 1), e Mandado de Segurança no 2001.51010063355, impetrado, pelo referido cedente, perante a 3a Vara Federal do Rio de Janeiro [fls. 31 a 127 (vol. 1)]. 2 Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.514 1.5.1 Segundo consta na Informação Fiscal reproduzida nas fls. 844 a 867 (vol. 5), o estabelecimento Refinadora Catarinense S/A protocolizou quatro pedidos de ressarcimento de créditos do IPI, que deram origem ao Processo no 13706.000745/2002 43, no valor total de R$ 161.080.723,10, com fundamento no art. 5o do Decretolei no 491, de 5 de março de 1969, ou seja, créditos relativos a aquisições de MP, PI e ME, aplicados em produtos exportados. O primeiro pedido, no valor de R$ 50.550.495,35, referente ao período de fevereiro de 1991 a dezembro de 2000, diz respeito a aquisições de insumos tributados pelo IPI. O segundo pedido, no valor de R$ 49.508.483,67, referente ao período de maio de 1994 a dezembro de 2000, diz respeito a aquisições de insumos tributados pelo IPI, mas sem lançamento desse imposto, pelo grau de polarização do produto, ou por força de mandado de segurança impetrado com sucesso, pelo fornecedor. O terceiro pedido, no valor de R$ 53.439.289,71, referente ao período de janeiro de 1994 a dezembro de 2000, diz respeito a aquisições de insumos, beneficiados com suspensão do IPI, pelo regime especial “drawback verde e amarelo”. Por último, o quarto pedido de ressarcimento, no valor de R$ 7.582.454,37, referente ao período de janeiro de 1991 a dezembro de 2000, diz respeito a aquisições de produtos intermediários, combustíveis e lubrificantes, do comércio e da indústria, tributados, nãotributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero do IPI. 1.5.2 Na petição inicial do citado Mandado de Segurança no 2001.51010063355, reproduzida nas fls. 31 a 63 (vol. 1), o estabelecimento Refinadora Catarinense S/A afirma que detém créditos do IPI, concedidos pelos arts. 1o e 5o do Decretolei no 491, de 1969, e que tem o direito de utilizar esses créditos, relativos às operações promovidas nos últimos dez anos, segundo a Instrução Normativa SRF no 21, de 10 de março de 1997, e alterações das Instruções Normativas SRF nos 37, de 29 de abril de 1997, e 73, de 15 de setembro de 1997. Argumenta que o exportador pode manter os créditos do IPI, relativos às aquisições de MP, PI e ME empregados em produtos exportados, mesmo que os referidos insumos não sejam tributados pelo IPI, sejam isentos desse imposto ou sejam tributados à alíquota zero. Diz também que a Secretaria da Receita Federal (SRF) não reconhece a legitimidade do créditoprêmio do IPI, de que trata o art. 1o do Decretolei no 491, de 1969, com base no Ato Declaratório SRF no 31, de 30 de março de 1999, e não admite a compensação com créditos de terceiros, com base na Instrução Normativa SRF no 41, de 7 de abril de 2000. Por considerar ilegais essas restrições, o impetrante postulou a concessão de segurança, inclusive por medida liminar, para que o Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro se abstivesse, por si ou por seus agentes, de empreender ação fiscal, tendente a exigir o estorno dos créditos de que se julga titular, bem como o decorrente saldo devedor do IPI, ressalvando, àquela autoridade, contudo, o legítimo exercício do poder de fiscalização. 1.5.3 Em 16 de maio de 2001, segundo consta nas fls. 64 a 67 (vol. 1), a meritíssima Juíza Federal Substituta da 3a Vara Federal do Rio de Janeiro entendeu ser plausível a tese do impetrante 3 Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.514 do Mandado de Segurança no 2001.51010063355, Refinadora Catarinense S/A, no sentido de que a IN SRF no 41, de 2000, o AD SRF no 31, de 1999, ou qualquer norma infralegal não pode impedir a utilização do créditoprêmio do IPI, motivo pelo qual deferiu a medida liminar, para que prevalecessem, em relação ao impetrante, e até o julgamento final da ação, os efeitos jurídicos dos arts. 1o e 5o do Decretolei no 491, de 1969, reconhecendo o direito ao crédito do IPI apurado por tal sistemática e a sua utilização conforme as INs SRF nos 21, 37 e 73, de 1997, e o § 1o do art. 39 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, com proibição de a autoridade fiscal promover qualquer ato coativo ou impeditivo do direito do impetrante. Na seqüência, em 21 de agosto de 2001, segundo consta nas fls. 68 a 83 (vol. 1), a Juíza Federal titular da 3a Vara Federal do Rio de Janeiro proferiu sentença, que confirmou integralmente a liminar e julgou procedente o pedido, para conceder a segurança, reconhecendo ao impetrante o direito aos créditos do IPI, amparados pelos arts. 1o e 5o do Decretolei no 491, de 1969, relativo às operações promovidas no período indicado, com base na legislação de regência, com os expurgos inflacionários havidos no período, pacificamente reconhecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e acrescido de juros Selic, nos termos dos arts. 3o, I, e 5o da IN SRF 21, de 1997, sendo assegurada a utilização do crédito, de acordo e nas hipóteses prescritas nas INs SRF nos 21, 37 e 73, de 1997, amparadas pelos arts. 1o e 5o do Decretolei no 491, de 1969. 1.5.4 A Fazenda Nacional apelou da sentença proferida no Mandado de Segurança no 2001.51010063355, segundo consta nas fls. 100 a 124 (vol. 1), recurso que, sob o no 2002.02.01.0066577, aguardava, na época da ação fiscal, apreciação do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2a Região, sediado no Rio de Janeiro/RJ, conforme documentos das fls. 125 a 127 (vol. 1). No item 6, adiante neste relatório, constam informações atualizadas sobre o julgamento da referida apelação. 1.5.5 A par da tramitação do Mandado de Segurança no 2001.51010063355, foram analisados os pedidos de ressarcimento formalizados por Refinadora Catarinense S/A, nos Processos nos 13706.000714/200110, referente a créditoprêmio do IPI (art. 1o do Decretolei no 491, de 1969), e 13706.000745/200243, referente a créditos do IPI, gerados na aquisição de MP, PI e ME empregados em produtos exportados (art. 5o do Decretolei no 491, de 1969). 1.5.6 A fiscalização verificou que os créditos recebidos de Refinadora Catarinense S/A, objeto do Processo no 13706.000714/200110, foram suficientes para compensar os débitos apurados pelo interessado, ao passo que os créditos recebidos de Refinadora Catarinense S/A, objeto do Processo no 13706.000745/200243, foram suficientes para compensar, além de débitos de outros tributos, os débitos do IPI, apurados no livro RAIPI do estabelecimento Portobello S/A, mas apenas até o terceiro decêndio de abril de 2002. Com respeito às compensações com débitos do IPI, 4 Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.514 efetuadas até o terceiro decêndio de abril de 2002, foi efetuado o lançamento de ofício do citado imposto, acrescido de juros de mora, no Processo no 11516.000744/200634, com exigibilidade suspensa, tendo em vista as decisões até então favoráveis ao estabelecimento Refinadora Catarinense S/A, no Mandado de Segurança no 2001.51010063355. 1.5.7 Considerando que não havia mais saldo de créditos recebidos de Refinadora Catarinense S/A, objeto do Processo no 13706.000745/200243, para compensação com débitos do IPI, do primeiro decêndio de maio de 2002 até o segundo decêndio de janeiro de 2003, os créditos indevidamente compensados foram glosados, neste processo, sendo os remanescentes saldos devedores do IPI lançados de ofício. 1.5.8 Além disso, os pedidos de compensação de débitos do IPI, apurados do primeiro decêndio de junho de 2002 até o segundo decêndio de janeiro de 2003, foram protocolados após 1o de outubro de 2002, data em que passou a surtir efeitos o art. 49 da Medida Provisória no 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que, ao dar nova redação ao art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, desautoriza compensações de débitos do sujeito passivo, com créditos de terceiros, o que tornou, nesse particular, prejudicadas as decisões judiciais favoráveis ao estabelecimento Refinadora Catarinense S/A, no Mandado de Segurança no 2001.51010063355, legitimando, também por essa razão, a glosa dos créditos e o correspondente lançamento de ofício dos saldos devedores do IPI. 1.6 Por último, foi verificado que o interessado escriturou e utilizou os créditos do IPI relacionados nas fls. 922 e 923 (vol. 5), no valor total de R$ 32.628.364,95, com alusão ao “Processo Judicial no 1998.34.0290224, 6VDF”. Tais créditos foram recebidos, por cessão, de Refinadora Catarinense S/A, conforme instrumentos particulares, das fls. 160 a 162 (vol. 1), e Ação Declaratória (AD), cumulada com Ação Ordinária, no I286/84 (ou V286/84), renumerada para 84.00201205, e Ação de Execução no 1998.34.00.0290224, da 6a Vara Federal do Distrito Federal (DF), relativas ao período de dezembro de 1979 a março de 1981, todas propostas pela citada Refinadora Catarinense S/A [fls. 163 a 199 (vol. 1) e 202 a 345 (vol. 2)]. 1.6.1 Conforme cópia da Sentença no 376/85, de 30 de setembro de 1985, do Juízo Federal da Sexta Vara do DF, nas fls. 209 a 218 (vol. 2), a Ação Declaratória no V286/84 (84.00201205) foi julgada procedente, para, sobretudo, declarar o direito do estabelecimento Refinadora Catarinense S/A de receber o crédito prêmio do IPI, no período de 7 de dezembro de 1979 a 31 de março de 1981, exclusivamente nos termos do art. 1o do Decretolei no 491, de 1969, com o acréscimo de correção monetária e juros de mora, afastando, assim, a suspensão do benefício, que havia sido determinada pela Portaria MF no 960, de 7 de dezembro de 1979. 5 Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.514 1.6.2 Contra a mencionada sentença, foi interposta apelação, pela Fazenda Nacional, e recurso adesivo, por Refinadora Catarinense S/A, tendo sido negado provimento à primeira e dado provimento parcial ao segundo, no que diz respeito ao cálculo da correção monetária e dos juros, conforme cópia do acórdão respectivo, do TRF da 1a Região, sediado em Brasília/DF, nas fls. 219 a 227 (vol. 2). 1.6.3 Na seqüência, foram opostos embargos de declaração, por Refinadora Catarinense S/A, os quais foram rejeitados, segundo consta nas fls. 231 a 237 (vol. 2). 1.6.4 Conforme documentos das fls. 238 a 241 (vol. 2), em 3 de julho de 1995 transitaram em julgado os despachos que inadmitiram os recursos especial e extraordinário, interpostos por Refinadora Catarinense S/A. 1.6.5 Por força de determinação judicial, decorrente da Carta Precatória no 209/92, da fl. 323 (vol. 2), a Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC elaborou, em novembro de 1992, os cálculos do créditoprêmio do IPI, obtido, em juízo, por Refinadora Catarinense S/A, na Ação Declaratória no 84.00201205, apurando o total equivalente a 7.180.842,55 Bônus do Tesouro Nacional (BTNs), correspondentes a 6.950.191,50 Unidades Fiscais de Referência (Ufirs). Em 1992 e 1993, os valores do créditoprêmio foram, em parte, escriturados e utilizados por Refinadora Catarinense S/A e, em parte, foram transferidos para o estabelecimento interdependente, Cerâmica Portobello S/A, conforme cópias das notas fiscais respectivas, nas fls. 363, 369, 374, 379, 383, 386, 387, 390, 395 e 399 (vol. 2) e 405, 409, 412, 415, 419, 423 e 426 (vol. 3). 1.6.6 Os valores compensados ou transferidos, citados no item precedente, foram controlados no Processo no 10983.009084/9267, reproduzido nas fls. 319 (vol. 2) a 429 (vol. 3), tendo sido apurado, pela fiscalização, que o créditoprêmio do IPI, reconhecido em juízo, na Ação Declaratória no 84.00201205, referente ao período de dezembro de 1979 a março de 1981, foi integralmente utilizado em compensações. 1.6.7 Em seguida, cumpre relatar que, depois de terem sido inadmitidos os recursos especial e extraordinário, referentes ao julgamento da Ação Declaratória no 84.00201205, o estabelecimento Refinadora Catarinense S/A requereu a execução da sentença, por simples cálculos aritméticos, apresentando memória de cálculo, no valor correspondente a 54.677.662,69 Ufirs, segundo consta nas fls. 242 a 244 (vol. 2), sem mencionar, ao juízo requerido, as compensações e transferências do créditoprêmio, antes ocorridas. A execução foi julgada nula, em 13 de maio de 1997, conforme sentença reproduzida nas fls. 267 a 269 (vol. 2), porque o Juízo Federal da 6a Vara do DF acolheu embargos da Fazenda Nacional, que sustentou a necessidade de a execução se dar por artigos, decisão essa mantida pelo TRF da 1a Região, conforme consta nas fls. 280 a 284 (vol. 2). 6 Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.514 1.6.8 Posteriormente, o estabelecimento Refinadora Catarinense S/A propôs a Ação de Execução no 1998.34.00.0290224, segundo consta nas fls. 291 a 295 (vol. 2), apurando valor corrigido e acrescido de juros, que atingiu R$ 154.282.566,15, sem deduzir os valores já utilizados ou transferidos em 1992 e 1993. A Fazenda Nacional contestou o pedido, tendo sido solucionado o litígio, pela Sentença no 584/2001, reproduzida nas fls. 296 a 310 (vol. 2), que julgou parcialmente procedente a liquidação, considerando provadas as exportações de que tratam os documentos que indica, e determinando a elaboração de novos cálculos, em substituição aos realizados pelo autor, após o trânsito em julgado da mencionada sentença. Tanto o contribuinte, quanto a Fazenda Nacional, interpuseram apelações, que aguardam julgamento no TRF da 1a Região, segundo apuraram os autuantes, situação que perdura até hoje, conforme extrato juntado na fl. 1215 (vol. 7), por este relator. 1.6.9 Em seguida, o estabelecimento Refinadora Catarinense S/A requereu em juízo, em 14 de agosto de 2002, a sua substituição no pólo ativo da Ação Declaratória no 84.00201205, em face da cessão de direitos em favor de Portobello S/A, medida que foi contestada pela Fazenda Nacional, mas que foi deferida pelo Juízo da 6a Vara Federal do DF, conforme despacho reproduzido na fl. 316 (vol. 2). 1.6.10 Do exposto, concluiu a fiscalização que o créditoprêmio do IPI, reconhecido em favor do estabelecimento Refinadora Catarinense S/A, relativo ao período de dezembro de 1979 a março de 1981, foi integralmente compensado, inexistindo qualquer saldo passível de utilização. Além disso, caso houvesse algum saldo, esse seria ilíquido, contrariando o art. 170 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), tendo em vista que pendem de julgamento as apelações apresentadas nos autos da Ação de Execução no 1998.34.00.0290224, como referido anteriormente. Tudo isso justificou a glosa integral do créditoprêmio do IPI, recebido por cessão e utilizado por Portobello S/A, no valor de R$ 32.628.364,95. 2. Na seqüência, foi reconstituída a escrita fiscal do estabelecimento Portobello S/A, conforme demonstrativo das fls. 909 a 913 (vol. 5), da qual emergiram saldos devedores (ou redução dos saldos credores), seguindose o lançamento de ofício, mencionado no começo deste relatório. 3. As infrações foram enquadradas nos seguintes dispositivos: a) no caso do crédito presumido escriturado a maior ou indevido (itens 1.2, 1.3 e 1.4, supra): arts. 32, II, 109, 114, 165, 166, § 1o, 167, 183, IV, e 185, III, do Decreto no 2.637, de 25 de junho de 1998, Regulamento do IPI (RIPI), de 1998; art. 3o, § 16, da Portaria MF no 38, de 27 de fevereiro de 1997; e Parecer Normativo CST no 65, de 30 de outubro de 1979 [Diário Oficial da União (DOU) de 6 de novembro de 1979]; e 7 Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.514 b) créditos recebidos por cessão, do estabelecimento Refinadora Catarinense S/A, indevidos (itens 1.5 e 1.6, supra): arts. 32, II, 109, 114, 183, IV, e 185, III, do RIPI, de 1998; arts. 34, II, 122, 127, 200, IV, e 202, III, do Decreto nº 4.544, de 27 de dezembro de 2002 (RIPI, de 2002); art. 49 da Medida Provisória no 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; art. 586 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (CPC); e art. 170 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). 4. Esse enquadramento sujeitou o interessado à multa de ofício de 75%, por falta de recolhimento, de acordo com o art. 80, I, da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e a juros de mora, previstos no art. 61, § 3o, da Lei no 9.430, de 1996. 5. Cientificado da autuação em 10 de março de 2006, segundo consta nas fls. 885 e 886 (vol. 5), o contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, em 10 de abril de 2006, por meio do arrazoado das fls. 936 a 989 (vol. 5), firmado por seu procurador, com mandato na fl. 991 (vol. 5), e instruído com os documentos das fls. 992 a 1000 (vol. 5), das fls. 1003 a 1185 (vol. 6) e das fls. 1189 a 1203 (vol. 7), alegando, em síntese, o que vem relatado na seqüência. 5.1 Preliminarmente, alega decadência, quanto aos fatos geradores ocorridos entre 1o de janeiro de 2000 e 10 de março de 2001, citando o art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional e excerto de doutrina. 5.2 Passando ao mérito, afirma que não houve compensação a maior do crédito presumido do IPI, no valor de R$ 21.645,39, no primeiro decêndio de novembro de 2002, e no valor de R$ 122.053,32, no primeiro decêndio de novembro de 2001, porque a compensação se deu no exato limite do crédito apurado. 5.3 Quanto à importância de R$ 21.645,39, diz o impugnante que apurou crédito presumido do IPI, em 1998, no valor total de R$ 186.424,16, compensando, no período 202/1998, os referidos R$ 21.645,39, e, no período 111/2002, R$ 164.778,77, o que totalizou os citados R$ 186.424,16. Ocorre, apenas, que houve um registro equivocado no livro RAIPI, no período 111/2002, no valor de R$ 186.424,16, quando o correto seria lançar apenas R$ 164.778,77. 5.4 Sobre o valor de R$ 122.053,32, argumenta o interessado que apurou crédito presumido do IPI, nos três primeiros trimestres de 2001, no valor total de R$ 833.709,25, compensando, no período 206/2001, R$ 243.564,03, no período 108/2001, R$ 339.784,34, e, no período 111/2001, R$ 250.360,88, o que totalizou os citados R$ 833.709,25. Acontece, apenas, que houve um registro equivocado no livro RAIPI, no período 111/2002, pois foi lançada, por engano, a expressão “crédito presumido 3o trim 2001 cfe planilha”, quando o correto seria constar “valor parcial de crédito 8 Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.514 presumido 2000/2001 cfe planilha”. Elaborou demonstrativos nas fls. 940 a 942 (vol. 5). 5.5 Com respeito à glosa, no cálculo do crédito presumido do IPI, de custos com itens que não foram aceitos como MP, PI nem ME, alega o estabelecimento que o objetivo da Lei no 9.363, de 1996, é incentivar as exportações, pela redução da carga tributária. Nesse contexto, argumenta que a inclusão, no cálculo do crédito presumido, dos custos com gás, quando utilizado como fonte de energia, na cadeia de produção, embora não seja admitida pelo Parecer Normativo CST no 65, de 1979, é aceita pelo art. 147, I, do RIPI, de 1998, norma de hierarquia superior, que, por essa razão, deve prevalecer. Cita e transcreve ementas de acórdãos do Segundo Conselho de Contribuintes, em apoio à sua tese. 5.6 Quanto à glosa de créditos recebidos, por cessão, de terceiros, referentes a insumos aplicados em produtos exportados, créditos esses apurados no Processo no 13706.000745/200243, de Refinadora Catarinense S/A, reclama o interessado, inicialmente, que a fiscalização não explicitou que está suspensa a exigibilidade do crédito tributário correspondente, constituído com o propósito de prevenir a decadência, requisito indispensável, segundo a jurisprudência do Segundo Conselho de Contribuintes, que cita e transcreve. 5.7 A par disso, argumenta que a glosa é insustentável, porque nega cumprimento à sentença válida e eficaz, que lhe garante o direito de compensar seus débitos, com créditos adquiridos de terceiros, na forma da IN SRF no 21, de 1997. 5.8 Sob outra perspectiva, a glosa seria contraditória, porque a própria administração, pela Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro, já havia reconhecido a validade das compensações, ao expedir os competentes Documentos Comprobatórios de Compensação (DCCs) e Declarações de Compensação (DCOMPs), nos Processos nos 13706.000714/200110 e 13706.001900/200249, compensações que extinguiram o crédito tributário, na forma do art. 156, II, do CTN, e não podem ser desfeitas, pela autuação impugnada, a menos que houvesse a revogação da sentença que amparou a emissão dos DCCs/DCOMPs, conforme trecho de acórdão do Segundo Conselho de Contribuintes, que cita e transcreve. 5.9 Acrescenta que a glosa viola preceitos que regem a administração pública, instituídos pelo art. 37 da Constituição e pelo art. 2o da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 5.10 Ressalta que a sentença judicial proferida no Mandado de Segurança no 2001.51.01.0063355, em favor de Refinadora Catarinense S/A, além de reconhecer o direito de utilização dos créditos de que tratam os arts. 1o e 5o do DecretoLei no 491, de 1969, para fins de compensação de débitos de quaisquer tributos administrados pela SRF, também assegurou o direito de cessão desse crédito a terceiros, como previsto na IN SRF no 21, de 1997. 9 Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.514 5.11 O requerente alega que foi alvo de duas autuações fiscais, ambas para prevenção da decadência, sendo que, na primeira, foi observada a suspensão da exigibilidade e, na segunda, isso não ocorreu, motivo pelo qual requer a referida suspensão, também quanto à segunda autuação, objeto deste processo, sob pena de nulidade do lançamento. 5.12 Sustenta a inaplicabilidade, ao caso, do art. 49 da Lei no 10.637, de 2002, da IN SRF no 41, de 2000, e do art. 30 da Instrução Normativa SRF no 210, de 30 de setembro de 2002, no que diz respeito à impossibilidade de compensação de seus débitos, com créditos recebidos de terceiros, pelo fato de estar amparado por sentença judicial, citando doutrina a respeito. 5.13 Mudando de assunto, o requerente discorre, em nove laudas, sobre o direito, segundo ele, amplamente reconhecido pelo que denomina de sufocante entendimento majoritário dos tribunais pátrios e das cortes administrativas, à utilização dos incentivos fiscais instituídos pelos arts. 1o e 5o do Decretolei no 491, de 1969, em especial, o créditoprêmio do IPI, autorizado no Mandado de Segurança no 2001.51.01.0063355, em favor de Refinadora Catarinense S/A. Cita e transcreve excertos doutrinários e jurisprudenciais. 5.14 Sobre a glosa do créditoprêmio do IPI, referente à Ação de Execução no 1998.34.0290224, da 6a Vara do Distrito Federal, o interessado afirma que são contraditórias e antagônicas as conclusões dos autuantes, no sentido de que os valores do referido crédito já teriam sido compensados integralmente, ou que seriam ilíquidos, por infração ao disposto no art. 170 do CTN. O requerente não aceita cálculos relativos ao créditoprêmio, elaborados pela fiscalização, que não tenham sido homologados pelo Poder Judiciário. Argumenta que o fato de a empresa Refinadora Catarinense S/A ter compensado o créditoprêmio, com débitos próprios, não autoriza a conclusão de que essa compensação teria esgotado o total do crédito de que era titular, o qual, segundo os próprios fiscais, atingiria R$ 154.282.566,15. Aduz, ainda, que o requisito de liquidez e certeza é desnecessário, para a compensação, que pode ser realizada, inclusive, independentemente de autorização administrativa, conforme jurisprudência que cita e transcreve. 5.15 Na seqüência, valendose de quase dez laudas, alega inconstitucionalidade, por violação a diversos princípios da Carta Magna, e ilegalidade da multa de ofício, de 75%, a qual considera possuir caráter confiscatório, citando e transcrevendo jurisprudência. 5.16 Nas considerações finais, solicita a produção de prova pericial, para a exata apuração dos valores do débito tributário, em face dos créditos outrora compensados, lastreados em sentença judicial transitada em julgado, se é que há valores porventura não recolhidos ou compensados, tendo formulado os quesitos correspondentes, com a indicação de seu perito, devidamente qualificado. Também protesta pela juntada posterior dos documentos 10 Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.514 relacionados à Ação de Execução no 1998.34.00.0290224, cujos autos se encontram no gabinete da Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, no TRF da 1a Região. 5.17 Por último, pede a improcedência da autuação e, subsidiariamente, a interpretação mais benigna, prevista no art. 112 do CTN, diante da falta de clareza quanto à infração que lhe é imputada. 6. Nas fls. 1207 a 1213 (vol. 7), este relator juntou cópia do acórdão proferido em 4 de julho de 2006, pela 3a Turma Especializada do TRF da 2a Região, na Apelação em Mandado de Segurança no 2002.02.01.0066577, referente ao Mandado de Segurança no 2001.51.01.0063355, acórdão que, por maioria, deu provimento ao recurso da Fazenda Nacional e à remessa necessária, conforme ementa abaixo transcrita (a cópia do acórdão foi obtida na Internet): “TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRÊMIO. IPI. PRECEDENTE STJ. I. O DecretoLei no 1.658∕79 em seu artigo 1o determinou a extinção do IPI em 30 de junho de 1983. II. Nas manifestações do Supremo Tribunal Federal, acerca da errônea extrapolação da delegação implementada pelos DecretosLeis nos 1.722∕79, 1.724∕79 e 1.894∕81, não se vislumbra qualquer pronunciamento afeito à subsistência ou não do créditoprêmio. III. Deduzse que a inconstitucionalidade de tais normas, na parte referente à delegação anteriormente citada, não teve o condão de restaurar o teor do DecretoLei no 491∕69 na sua formulação original, visto que a declaração referida não maculou, em nenhum momento, o teor do DecretoLei no 1.658∕79, permanecendo hígida a regra de extinção do créditoprêmio. IV. A previsão do artigo 41 do ADCT revogou todos os incentivos que não tivessem sido confirmados após dois anos de vigência da Constituição de 1988, sendo certo que inexiste qualquer norma superveniente positivadora do incentivo em exame, o que sepultaria definitivamente a pretensão ao mencionado crédito. V. Não procede a alegação de que o créditoprêmio teria sido restaurado pela Lei no 8.402∕92, uma vez que, embora tenha feito menção expressa ao DecretoLei no 1.894∕81, a Lei em comento apenas se referiu ao benefício previsto no inciso I do art. 1o daquele diploma legal, não se voltando ao incentivo previsto no inciso II do mesmo DecretoLei no 1.894∕81. VI. Apelação e remessa necessária, tida como interposta, providas.” 6.1 A decisão mencionada ainda não transitou em julgado, conforme extrato da fl. 1214 (vol. 7). 11 Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.514 Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS manteve o lançamento, conforme Decisão DRJ/POA n.º 10.063, de 11/10/2006: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2004 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de inconstitucionalidade e de ilegalidade da multa de ofício. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. É descabida a alegação de decadência, na hipótese de ter sido reconstituída a escrita fiscal do IPI, abrangendo períodos de apuração encerrados há menos de cinco anos da data da ciência do lançamento impugnado. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. I COMPENSAÇÃO A MAIOR. É correta a glosa de valores escriturados a maior e compensados, a título de crédito presumido do IPI. II INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO DO BENEFÍCIO. GLP, mistura industrial (central GLP), carvão mineral moído, GLP mistura (pit stop) e gás natural industrial, utilizados como combustíveis, na fabricação de pisos e azulejos, ainda que sejam consumidos pelo estabelecimento industrial, não revestem a condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, únicos insumos admitidos na legislação, não podendo ser computados, no cálculo do crédito presumido do IPI, os gastos com esses itens. GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI, RECEBIDOS DE TERCEIROS, POR CESSÃO, EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. I CRÉDITOS COMPENSADOS, EM VALOR SUPERIOR AO QUE FOI RECONHECIDO EM JUÍZO. É correta a glosa de valores compensados a título de créditoprêmio do IPI e de créditos incentivados do mesmo imposto, recebidos de terceiros, por cessão, em decorrência de decisão judicial, quando a referida compensação extrapolou o valor efetivamente reconhecido em juízo. II DISPOSIÇÃO LEGAL IMPEDITIVA DE COMPENSAÇÕES COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. Desde 1o de outubro de 2002, por força da Lei no 10.637, de 2002, não é admitida a compensação de débitos do sujeito passivo, com créditos 12 Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.514 de terceiros: ficam prejudicadas, a partir daquela data, as decisões judiciais que haviam admitido a compensação da espécie, contrariamente à proibição da IN SRF no 41, de 2000. III COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL, EM FASE DE EXECUÇÃO. É descabida a compensação com crédito decorrente de decisão judicial, sem que o requerente comprove a desistência da execução em curso, perante o Poder Judiciário, e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. Lançamento Procedente. Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese nestes autos diversos temas, como o direito à créditos de IPI e utilização de créditos decorrentes de decisão judicial. Ocorre que às fls. 1480 a recorrente efetua desistência parcial do recurso, em face de parcelamento realizado. Nesta desistência, entretanto, constam apenas código, período de apuração e valor do débito, não sendo possível a este Conselheiro saber se aquela se refere integralmente a algum direito debatido no recurso voluntário ou não. Assim, não há como julgar o feito, pois podese debater um tema que tenha sido desistido pela recorrente. Diante do exposto, voto por baixar este processo em diligência para que a recorrente seja intimada a, no prazo de trinta dias, informar se a desistência de fls. 1480/1481 impacta na desistência de algum direito debatido no recurso voluntário ou, se mesmo com aquela, o recurso interposto se mantém com os mesmos temas lá debatidos. Caso haja alguma desistência de direito debatido, deve ser informado de qual se trata, bem como ratificado quais os temas que se mantém aptos para fins de julgamento nesta Corte. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para julgamento. Sala de sessões, 26 de setembro de 2013. 13 Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.514 Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator 14 Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
score : 1.0
Numero do processo: 10070.001305/95-30
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1990, 1991, 1992
IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTOS. CRITÉRIO.
Existindo simultaneamente dois ou mais débitos tributários vencidos do mesmo sujeito passivo para com a União, relativos ao mesmo tributo, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento deve determinar a respectiva imputação na ordem crescente dos prazos de prescrição.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.298
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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CRITÉRIO. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos tributários vencidos do mesmo sujeito passivo para com a União, relativos ao mesmo tributo, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento deve determinar a respectiva imputação na ordem crescente dos prazos de prescrição. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 13 05 /9 5- 30 Fl. 599DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.001305/9530 Acórdão n.º 1801001.298 S1TE01 Fl. 499 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Inicialmente cabe historiar que contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de 530.836.768,58 UFIR relativamente aos exercícios de 1990, 1991 e 1992 formalizado no processo nº 10580.006731/9483, fls. 4165. Nos presentes autos, originalmente este crédito foi parcelado em 30 meses e rescindido em 14.03.1996, fl. 112. O valor já pago de R$106.399,53 em 23.08.1995, fls. 112, foi totalmente aproveitado na imputação, fls. 113122, para fins de consolidação dos débitos fiscais, fls. 123 135, para o novo parcelamento em 60 meses controlado também no presente processo, fls. 139 140, de IRPJ com vencimento em 30.04.1992, fl. 120. Ainda nos presente autos, a Recorrente apresentou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 24.10.1997, fls. 145146, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior do período de 29.04.1994, fls. 6674, a 05.09.1997, fl. 184207, atinente à fração exigida a título da Taxa Referencial Diária (TRD), como juros de mora no período compreendido entre 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991 (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). No Despacho à fl. 182 está expresso Proponho encaminhamento à DISAR/DRF/RJ para que possa decompor os DARF’s recolhidos a partir 10.09.1997, data da publicação da IN 32/97, com fito de identificar naqueles recolhimentos de valores da TRD do período de 04/02/1991 a 29/07/91 para fins de reconhecimento de direito creditório. Restou esclarecido no Despacho à fl. 208 Em atenção ao despacho de fl. 182, informo que não procede a exclusão da TRD pleiteada pelo contribuinte e de "certa forma" reconhecido pela DISIT, pelos motivos elencados abaixo: 1 A TRD é expurgada dos acréscimos legais que incidem sobre o valor da receita, ou seja: incidem sobre o valor do débito. Assim sendo não há que se decompor os valores pagos pelo contribuinte em multa, juros e receita com a finalidade de expurgar a TRD de tais pagamentos. 2 Com o objetivo de se determinar o valor da TRD a ser expurgado. Os pagamentos, efetuados a partir de 10/04/97 foram desalocados. O processo de parcelamento que encontravase liquidado passou a apresentar saldo devedor e um total amortizado de R$94.743,84, conforme extrato de fl. 202. O valor amortizado, que corresponde as parcelas pagas anteriores a edição da IN 32/97, foi alocado aos débitos cadastrado no PROFISC, resultando num saldo devedor de 134.316,13 UFIR, com vencimento em 30/04/92, de acordo com extrato a fls. 203/205; ou seja: os valores pagos a título de parcelamento anteriores a edição da IN 32/97, quando Fl. 600DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.001305/9530 Acórdão n.º 1801001.298 S1TE01 Fl. 500 3 era devida TRD, foram suficientes para quitar os débitos concernentes ao exercícios de 1990 e 1991. 3 Concluise dos procedimentos para determinação do saldo devedor, após a desalocação dos pagamentos efetuados a partir 10/04/97, que restou apenas débito concernente ao exercício de 1992, não incidindo TRD, não há o que expurgar. Em face do exposto nos itens anteriores encaminho o presente processo a DISIT/DRFRJ, para conhecimento desta informação e após a CAC/CATETE, para ciência do contribuinte e arquivamento. [...] Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 210211, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. De início, vale notar que os débitos parcelados em tela se referem ao imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) dos exercícios de 1990, 1991 e 1992, representando respectivamente, aproximadamente, 1,7%, 44% e 54%, do valor total dos mesmos. Ora, em sendo assim, resta concluir que na data da publicação da invocada INSRF n° 32/97 os débitos referentes aos exercícios de 1990 e1991 já tinham sido quitados, não tendo, por conseguinte, havido pagamento indevido ou a maior a título de TRD relativamente aos mesmos, uma vez que tal ato normativo somente produziu efeitos exnunc, ou seja, apenas cancelou a cobrança do encargo em tela a partir de sua publicação, não dispondo sobre os valores pagos anteriormente. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fl. 213216, argumentando O pedido de restituição está fundamentado na impossibilidade legal de cobrança da TRD no período de 04.02.91 a 29.07.91 , prescrita no artigo 30 da Lei n° 8.218 de 29.09.91, resultante da conversão da Medida Provisória n° 298, de 29.07.91, porquanto configuraria a retroatividade de uma norma mais onerosa que os encargos vigentes naquele período, fato aliás, reconhecido posteriormente pelas autoridades fiscais através da edição da IN n° 32, de 09.04.97, em seu artigo 1°, parágrafo 1º. Pelo fato de a cobrança de TRD, naquele período, ter sido reconhecida como indevida pelas autoridades fiscais, entende a impugnada que tal ato normativo produz efeito "extunc", isto é, desde a instituição da TRD , e não "exnunc " como entendeu o eminente julgador. A impugnante contesta, também , o critério de cálculo da SRF, considerando multa integral.(150% em 1989/90 e 300% em 1991) , constante das folhas 202 a 206 do referido processo, vez que, o recolhimento foi efetuado com o beneficio de redução de 50% das multas. Assim sendo, entende a impugnante que a multa integral só seria aplicável sobre a diferença apurada na imputação do imposto. Conclui Por todo o exposto, requer seja a presente processada regularmente e ao final julgada procedente a restituição dos valores pagos a título de quotas do parcelamento, nos termos do artigo 964 Código Civil. Termos em que, Fl. 601DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.001305/9530 Acórdão n.º 1801001.298 S1TE01 Fl. 501 4 P. deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da DRJ/RJO I/RJ nº 1.423, de 17.07.2002, fls. 228235:“Solicitação Indeferida”. Está registrado no Voto condutor do Acórdão 22 . A fl. 75, constou a informação de que os créditos, incluídos no presente processo e que se encontravam originalmente no Processo n° 10580.006731/9483, eram os demonstrados a seguir e que também constaram do demonstrativo de imputação de fl. 80: Descrição Imposto Multa Exercício 1990: Valor Inicial (BTNF) 124.485,00 186.727,50 (150%) Exercício 1991: Valor Inicial (Cr$) 617.675.759,36 926.513.639,04 (150%) Exercício 1992: Valor Inicial (UFIR) 2.513.741,03 7.541.223,09 (300%) 23. O deferimento dos pedidos de parcelamento, em trinta vezes, inicialmente, constou demonstrado a fl. 84, com os valores consolidados a seguir, demonstrados a fls. 94 a 97: Tributo/Encargo Valor Consolidado (R$) Valor da 1ª Prestação (R$) Tributo[...] 280.518,90 9.350,63 Multa 362.739,90 12.091,33 Juros 48.365,10 1.842,71 Total 691.624,31 23.284,67 24. A fl. 112, foi juntado o cálculo correto da exclusão do encargo adicional e dos juros, a fim de apurar valores a serem considerados como pagos, na data do deferimento, de acordo com o Boletim Central n° 158, item 9, de 25 de outubro de 1995, devendo ser considerado para fins de imputação o valor de R$106.399,53. 25. Foi efetuada a alocação dos valores pagos (fls. 113 a 119), imputação (fls. 121 e 122) e consolidação de débitos fiscais (fls. 123 e 124), bem como a relação de prestações de fl. 125 a 135. 26. O deferimento dos pedidos de parcelamento, desta vez em sessenta parcelas, constou demonstrado a fl. 139, com os valores consolidados a seguir e, e seu total, do Termo de Confissão de Divida e Parcelamento de fl. 140: Tributo/Encargo Valor Consolidado (R$) Valor da 1ª Prestação (R$) Tributo[...] 105.977,40 1.766,29 Multa 317.932,80 5.298,88 Juros 49.809,00 909,10 Fl. 602DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.001305/9530 Acórdão n.º 1801001.298 S1TE01 Fl. 502 5 Total 473.720,20 7.974,27 27. Concluise que, no caso em tela, em razão da imputação, minuciosamente explicada a fls. 208 a 211 e, ainda, no presente Voto, não há que se falar em subtrair a TRD no período compreendido entre 4 de fevereiro e 29 de julho de 1991. Restou ementado [...] PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRD. Em face da correta imputação, efetuada nos termos do art. 163, III do CTN, verificase não existirem valores a restituir quanto à aplicação da TRD como juros em período de 4 de fevereiro a 31 de julho de 1991, em razão da Instrução Normativa SRF n° 32, de 1997. MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte, segundo dispõe o Art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a nova redação dada pelo artigo 10 da Lei n° 8.748, de 1993 e pelos art. 67 e 80 da Lei n° 9.532, de 1997. Notificada em 26.08.2002, fl. 237, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 23.09.2002, fl. 238245, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, suscitando que não pode se conformar com esta situação, razão pela qual se serve do presente recurso para reiterar seu pedido de exclusão da TRD do cálculo das prestações do parcelamento celebrado, no que diz respeito aos débitos consolidados entre 04 de fevereiro e 29 de julho de 1991. Continua a fim de comprovar o reconhecimento deste entendimento, pela própria Secretaria da Receita Federal, basta destacar o artigo 10 da já referida IN 32/97 que, ao prever expressamente a nãoincidência da TRD sobre valores devidos pelo contribuinte entre 04 de fevereiro e 29 de julho de 2001, não deixou dúvidas quanto ao posicionamento da Secretaria da Receita Federal a respeito do início da incidência da mesma taxa apenas após a publicação da referida MP 298, posteriormente convertida na Lei n. 8.218. [...] Como se vê, o dispositivo normativo acima transcrito determinou expressamente a exclusão, do cálculo do débito tributário do contribuinte, do valor correspondente à TRD inicialmente aplicada entre 04 de fevereiro e 29 de julho de 1991. A mesma IN também foi expressa ao prever que a exclusão da TRD, prevista em seu artigo 1º, é igualmente aplicável caso a mesma taxa tenha sido indevidamente computada no cálculo de valores objeto de termo de parcelamento, que compreenda débitos tributários em atraso relativos aos mesmos períodos acima mencionados. [...] Conforme já mencionado nos fatos acima narrados, a Recorrente pagou integralmente os valores do IRPJ sobre os quais a mesma TRD foi calculada e Fl. 603DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.001305/9530 Acórdão n.º 1801001.298 S1TE01 Fl. 503 6 parcelou exclusivamente aqueles referentes à mesma taxa (doc.3). É por esta razão que não há se deve falar aqui em imputação do pagamento as prestações do parcelamento ou aos valores devidos em auto de infração anteriormente lavrado, na medida que todo o parcelamento celebrado pela Recorrente referiase exclusivamente nãoincidência da TRD entre 04 de fevereiro e 29 de julho de 1991 (doc.3). [...] Devese considerar ademais que o deferimento do parcelamento implica a renovação do prazo para pagamento de débito tributário em atraso e, neste sentido, o pagamento de cada parcela implica pura e simplesmente a quitação daquela parcela, sem a ocorrência da imputação a débitos cronologicamente anteriores, nos termos previstos pelo artigo 163, inciso III, do Código Tributário Nacional. [...] Desta forma, se a celebração do parcelamento implica a renovação dos prazos de vencimento dos débitos tributários atrasados, a quitação de suas parcelas não pode acarretar a imputação do pagamento a débitos cronologicamente anteriores, dentro do mesmo parcelamento. Em outras palavras, ao se referir à existência de dois ou mais débitos do mesmo contribuinte, aos quais um único pagamento deve ser imputado, o artigo 163 do Código Tributário Nacional não quer tratar da existência de débitos consolidados em um acordo de parcelamento, mas a débitos independentes, em uma situação na qual não se saiba qual deles está sendo pago. Neste sentido, a r. decisão administrativa ora recorrida somente poderia ser considerada caso os débitos detidos pela Recorrente em 1991, 1992 e 1993, sobre os quais foi indevidamente aplicada a TRD, não houvessem sido pagos e nem sequer consolidados em um acordo de parcelamento, que renovou seus prazos de vencimento e condições de pagamento. Neste sentido, apenas no caso em que tais débitos não houvessem sido consolidados, seria possível afirmar que os pagamentos efetuados pela Recorrente deveriam ser imputados àqueles cronologicamente anteriores. Como não é esta a situação concreta verificada, não há que se falar em imputação do pagamento e, portanto, todos os valores indevidamente pagos pela Recorrente a título da TRD indevidamente aplicada entre 04 de fevereiro e 29 de julho de 1991, objeto de termo de parcelamento regularmente celebrado, devem lhe ser restituídos. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo o exposto, servese a Recorrente da presente para requerer o integral provimento do presente recurso, a fim de que seja garantido seu direito à restituição dos valores objeto do Termo de Parcelamento do qual decorreu o presente auto de infração, os quais se referiam exclusivamente à nãoincidência da Taxa Referencial Diária — TRD, entre 04 de fevereiro e 29 de julho de 1991. Requer ainda a Recorrente que a restituição ora pleiteada seja efetuada mediante a garantia de seu direito à compensação dos mesmos valores, com outros débitos de tributos e contribuições administrados por esta Secretaria da Receita Fl. 604DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.001305/9530 Acórdão n.º 1801001.298 S1TE01 Fl. 504 7 Federal, nos termos instituídos pela Lei nº 9.430/96 regulamentados pela IN nº 21/97. Termos em que, Pede deferimento. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o princípio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 6ª CÂMARA/1ª Conselho de Contribuintes nº 10601.215, de 11.06.2003, fls. 278281, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente demonstre os itens abaixo: a) Valores referentes aos débitos incluídos no alegado parcelamento; b) Valores recolhidos no âmbito do mesmo parcelamento; c) Aplicação dos índices de correção monetária; Conclusão clara sobre os cálculos efetuados. Consta no Relatório Fiscal, fl. 460: Em atendimento a Resolução nº 10601.215 de fls. 278/281 informo abaixo: A) Os valores referentes aos débitos incluídos no alegado parcelamento são os valores citados às fls. 232, [...] 443. B) Os valores recolhidos no âmbito do mesmo parcelamento são os de fls. 447 à fls. 459 (Citados anteriormente às fl. 94). A Recorrente foi regularmente intimada em 22.10.2009, fl. 464, e apresentou em 03.11.2009 as razões de defesa, fls. 465468, cujos excertos estão a seguir transcritos: Em que pese tenha havido nestes autos o reconhecimento da existência crédito a favor da requerente, a restituição não foi efetuada em função de supostos débitos em situação de cobrança em seu nome. No entender das autoridades competentes, o valor do direito creditório deveria servir para a compensação de oficio dos referidos débitos, conforme previsto no parágrafo 1° do artigo 49 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. [...] A requerente entende, no entanto, que a verdadeira situação fiscal na qual ela se encontra não enseja qualquer compensação de oficio, uma vez que os débitos apontados como pendentes em seu nome não lhe são exigíveis no presente momento. Dessa forma, o crédito a que a requerente tem direito deve lhe ser integralmente pago, sem que haja qualquer compensação. [...] Conforme acima mencionado, pretende a fiscalização utilizar o crédito reconhecido nestes autos para quitar supostos débitos existentes em nome da requerente, através da compensação de oficio. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.001305/9530 Acórdão n.º 1801001.298 S1TE01 Fl. 505 8 Ocorre que a compensação de oficio é medida que não se impõe no caso da requerente, já que ela não possui qualquer débito em aberto que justifique tal procedimento. [...] Por outro lado, não podem ser objeto da compensação de oficio os débitos que, por alguma razão, não possam ser exigidos do contribuinte. No caso dos presentes autos, todos os débitos apontados como pendentes estão nesta situação. Com efeito, em conformidade com a intimação recebida, os débitos a serem compensados de oficio encontramse descritos nas fls. 462 e seguintes deste processo. Tal lista indica a existência de cinco débitos "em cobrança" no SIEF e outros onze inscritos em divida ativa da União. No tocante aos débitos inscritos em divida ativa, o próprio extrato da Receita Federal do Brasil mostra que aqueles referentes aos processos nºs 11080.506496/200436, 11080.506494/200447, 11080.506492/200458, 15374.000618/200864 e 15374.721713/200803 encontramse com a sua exigibilidade suspensa por força de decisão judicial. Os débitos inscritos em divida ativa relativos aos processos n.s 103800.509899/200651, 11080.519189/200687 e 1180.519191/200656, por sua vez, embasam execuções fiscais devidamente garantidas em que a requerente apresentou defesa contra as cobranças. Dessa forma, é imperioso o reconhecimento de que todos os débitos inscritos em díivida ativa e que são objeto dos processos acima mencionados são inexigíveis, seja por conta da suspensão da exigibilidade por decisão judicial, seja por estarem em discussão em execuções fiscais devidamente garantidas. A respeito dos cinco débitos constantes do extrato do SIEF, a requerente esclarece que aqueles que deram azo aos processos nºs 15374.956974/200915 e 15374.956975/200960 estão com a sua exigibilidade suspensa, na forma do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, em decorrência da apresentação de manifestação de inconformidade, de forma que, atualmente, não continuam em situação de cobrança nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Já os dois débitos remanescentes do SIEF, nos valores de R$12,20 e 56,26, encontramse em aberto nos sistemas da Receita Federal do Brasil em virtude de erros cometidos pela requerente no preenchimento da DCTF do respectivo período de apuração, sendo que tal situação já foi regularizada, impedindo a realização de compensação de ofício também quanto a tais débitos. Conclui Ficando comprovado que os débitos apontados como pendentes no demonstrativo anexo à Intimação nº 2450/2009 não podem obstar o pagamento do crédito reconhecido a requerente nestes autos, requererse o processamento da restituição independentemente de qualquer compensação de oficio. Para provar o alegado, a requerente protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente a juntada de documentos e a realização de diligências que se façam necessárias. Termos em que Fl. 606DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.001305/9530 Acórdão n.º 1801001.298 S1TE01 Fl. 506 9 Pede deferimento. É o relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos legais de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. Os juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária (TRD) incidentes sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional foram instituídos a partir de 01.02.1991. Posteriormente, ou seja, em 01.01.1992 ficou autorizada a compensação do valor pago ou recolhido a título de encargo de TRD acumulada entre a data da ocorrência do fato gerador e a do vencimento dos tributos federais, pagos a partir de 04 de fevereiro de 1991. Na impossibilidade da compensação total ou parcial dos valores referentes a TRD, o saldo não compensado tem o tratamento de crédito de Imposto sobre a Renda, que poderá ser compensado com o imposto na declaração de ajuste anual da pessoa jurídica, a ser apresentada a partir do exercício financeiro de 1992. Alternativamente, o sujeito pode pleitear a restituição do valor referente a TRD mediante processo regular apresentado à RFB, observando as exigências de comprovação do valor a ser restituído2. Por seu turno, a Instrução Normativa SRF nº 32, de 09 de abril de 1997, veio determinar que fosse subtraída a parte relativa à exigência da taxa Referencial Diária – TRD, como juros de mora, no período compreendido entre 4 de fevereiro a 29 de julho de 1991. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal: art. 30 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, art. 80, art. 83 e art. 84 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.001305/9530 Acórdão n.º 1801001.298 S1TE01 Fl. 507 10 Ficou também autorizada a revisão de créditos constituídos de tributos administrados pela RFB, ainda que estivessem sendo pagos parceladamente. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) examinando a questão assim se pronunciou3 TRD RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Valores pagos a título de Taxa Referencial Diária, referentes ao período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991, podem ser restituídos ao titular do direito de reclamar a sua restituição ou compensação. (Art. 165I do CTN). Recurso especial negado. Nesse sentido, é cabível a subtração da parcela exigida a título da Taxa Referencial Diária TRD, como juros de mora no período compreendido entre 04.02.1991 a 29.07.1991, incidente inclusive sobre débitos parcelados, conforme previsto na legislação tributária de regência da matéria. Na Consolidação de Débitos Fiscais referente ao parcelamento protocolado em 10.08.1995, consta R$120.913,34 como valor da receita; R$280.518,95 como valor da receita com encargos adicionais; R$362.740,03 como valor da multa de ofício proporcional; R$48.365,33 como valor de juros de mora; R$159.605,61 como valor de encargos adicionais; e R$691.624,31 como valor total. No Despacho de fl. 98 restou evidenciado que houve o “a exclusão do encargo adicional e dos juros a fim de apurar os valores considerados como pagos na data do deferimento, [...] de acordo com o BC 158, de 25.10.95, item 9.” Em seguida foi proferido o Despacho de 06.05.1996, fl. 111, no qua a autoridade preparadora solicita que “sejam verificadas a imputação e a consolidação de fls. 102 a 105, pois não foram excluídos os encargos adicionais dos pagamentosdo 1ª parcelamento de acordo com o BC 158, de 25.10.95, item 9.” No Comunicado de Deferimento de 07.06.1996, fl. 139, está registrado que o parcelameto foi deferido em 60 (sessenta) prestações da seguinte forma R$105.977,40 como valor do tributo; R$317.932,80 como valor da multa de ofício proporcional; 3 Acórdão Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma nº 40105.673, de 11.06.2007 do Processo 10980.001303/0062. Disponível em: < http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:camara.superior.recursos.fiscais;turma.1:acordao:20070611;40105673> . Acesso em: 24 set.2012. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.001305/9530 Acórdão n.º 1801001.298 S1TE01 Fl. 508 11 R$49.809,00 como valor de juros de mora; e R$473.720,20 como valor total. Este foi o entendimento exarado no Despacho Decisório, fls. 208211, em que foi subtraída a parte relativa à exigência da taxa Referencial Diária – TRD, como juros de mora, no período compreendido entre 04.02.1991 a 29.07.1991 dos débitos de IRPJ referentes aos exercícios de 1990 e 1991. O valor já pago de R$106.399,53 em 23.08.1995, fls. 112, foi totalmente aproveitado na imputação, fls. 113122, e foi suficiente para quitação dos débitos de IRPJ referentes aos exercícios de 1990 e 1991 para fins de consolidação dos débitos fiscais, fls. 123135, para o novo parcelamento em 60 meses, fls. 139140, em que remanesceu o débito de IRPJ do exercício de 1992, vencido em 30.04.1992, fl. 120. Esta dívida foi integralmente extinta pelo pagamento antecipado em 05.09.1997, fl. 184207. Assim, restou comprovado que a parcela da TRD como juros de mora, no período compreendido entre 04.02.1991 a 29.07.1991 dos débitos de IRPJ referentes aos exercícios de 1990 e 1991 foi totalmente subtraída na revisão em que foi deferido o novo parcelamento em sessenta prestações. Assim, não há litígio nesta parte. A Recorrente discorda dos critérios em que foi efetuada a imputação de ofício, uma vez que entende que tem o direito à restituição direta do valor pago indevidamente. Temse que existindo simultaneamente dois ou mais débitos tributários vencidos do mesmo sujeito passivo para com a União, relativos ao mesmo tributo, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento deve determinar a respectiva imputação na ordem crescente dos prazos de prescrição4. Neste sentido, a autoridade fiscal da RFB que jurisdiciona a Recorrente é competente para este feito fiscal, ainda mais, tem o dever o funcional5 de proceder à revisão de ofício e a imputação de pagamentos, em conformidade com os critérios legais. No presente caso, em relação ao valor já pago de R$106.399,53 em 23.08.1995, fls. 112, este foi totalmente aproveitado na imputação, fls. 113122, para fins de consolidação dos débitos fiscais, fls. 123135, para o novo parcelamento em 60 meses controlado também no presente processo, fls. 139140, de IRPJ com vencimento em 30.04.1992, fl. 120. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. A Recorrente diz que não pode ser compelida ao pagamento dos débitos indicados na intimação fiscal. Vale ressaltar que nos termos do art. 224 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, a autoridade preparadora que jurisdiciona a Recorrente tem o dever de ofício de proceder à cobrança amigável dos débitos tributários. Por esta razão, a Intimação DERAT/RJO/DIORT/EQCAC nº 2.450, de 13.10.2009, que traz a indicação dos débitos da Recorrente que se encontram em aberto nesta data, está regular. Ademais, os débitos inscritos em Dívida Ativa da União regemse pela Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, que dispõe sobre a cobrança judicial da Fazenda Pública, ou seja, são de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Em relação aos cinco débitos constantes do extrato do SIEF, a própria Recorrente afirma que estão formalizados nos processos nºs 15374.956974/200915 e 15374.956975/200960 e não podem ser apreciados nos presentes 4 Fundamentação legal: inciso III do art. 163 do Código Tributário Nacional. 5 Fundamento legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990 e art. 142 do Código Tributário Nacional. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.001305/9530 Acórdão n.º 1801001.298 S1TE01 Fl. 509 12 autos. A ilação designada pela defendente, a despeito da matéria, não se destaca como procedente. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso6. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade7. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 6 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 7 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/01/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10880.913126/2009-88
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
O instituto da denúncia espontânea aplica-se somente nas hipóteses de extinção do crédito tributário ocorrida após o vencimento do tributo, mas antes da apresentação da declaração com efeito de confissão de dívida e de qualquer procedimento de fiscalização relacionado à infração.
PAGAMENTO EXTEMPORÂNEO. MULTA DE MORA.
Os débitos relativos a tributos da competência tributária da União não pagos nos prazos serão acrescidos, além dos juros, da multa de mora estipulada na legislação de regência.
Numero da decisão: 3803-004.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. O instituto da denúncia espontânea aplica-se somente nas hipóteses de extinção do crédito tributário ocorrida após o vencimento do tributo, mas antes da apresentação da declaração com efeito de confissão de dívida e de qualquer procedimento de fiscalização relacionado à infração. PAGAMENTO EXTEMPORÂNEO. MULTA DE MORA. Os débitos relativos a tributos da competência tributária da União não pagos nos prazos serão acrescidos, além dos juros, da multa de mora estipulada na legislação de regência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. RECURSOS REPETITIVOS. REsp 962.379. Consoante o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista no art. 543C da Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos do CARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. O instituto da denúncia espontânea aplicase somente nas hipóteses de extinção do crédito tributário ocorrida após o vencimento do tributo, mas antes da apresentação da declaração com efeito de confissão de dívida e de qualquer procedimento de fiscalização relacionado à infração. PAGAMENTO EXTEMPORÂNEO. MULTA DE MORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 31 26 /2 00 9- 88 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913126/200988 Acórdão n.º 3803004.307 S3TE03 Fl. 125 2 Os débitos relativos a tributos da competência tributária da União não pagos nos prazos serão acrescidos, além dos juros, da multa de mora estipulada na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido, em 26 de abril de 2005, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), em que pretendia compensar débito da Cofins, com vencimento em 15 de abril de 2005, com crédito no valor atualizado de R$ 266.220,67, decorrente de alegado pagamento a maior da mesma contribuição (fls. 1 a 3). Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, em razão do pelo fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte (fl. 4). Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 9 a 21) e requereu a homologação integral da compensação declarada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) apresentara DCTF retificadora, comprobatória do crédito correspondente ao valor informado no PER/DCOMP; b) não protocolizara o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo, pois a disponibilização do programa ocorrera 103 dias após esse mesmo vencimento; c) à época, não havia determinação legal para envio do PER/DCOMP na data do vencimento do tributo, o que impediria lhe fosse imputado o valor de multa e juros; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913126/200988 Acórdão n.º 3803004.307 S3TE03 Fl. 126 3 d) caso não fosse acatado tal argumento, terseia ocorrido, no presente caso, a extinção do crédito tributário, via compensação, sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco, enquadrandose a situação no art. 138 do CTN (denúncia espontânea), em razão do que se encontraria eximido do pagamento de qualquer multa, em especial a multa moratória. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias (i) documentos societários, (ii) do despacho decisório, (iii) do PER/DCOMP e (iv) da DCTF retificadora (fls. 22 a 85). A DRJ São Paulo I/SP decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, considerando que o direito creditório deveria ser demonstrado pelo sujeito passivo com base em documentação contábil idônea. Destacou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que o contribuinte apresentara DCTF retificadora, precedida de outras DCTFs retificadoras já canceladas, em que buscara desvincular parte do DARF, reduzindo o valor do tributo devido no mês ou alterando a rubrica dos créditos vinculados. No entendimento do relator, o contribuinte deveria ter comprovado não somente a base de cálculo da contribuição como a origem dos novos créditos lançados sob a rubrica “créditos vinculados”, para o que seria necessária a apresentação da escrituração contábilfiscal e das notas fiscais dentre outros documentos. No que se refere à alegação de que o PER/DCOMP não se encontrava disponível na data do vencimento do débito compensado, aduziu o relator que nenhum fundamento teria tal argumento, pois, no presente caso, tratarseia de débito vencido em abril de 2005, enquanto que o PER/DCOMP encontravase disponível desde 14 de maio de 2003. Argüiu, ainda, que, em relação aos débitos não extintos por compensação, haveria a incidência de juros e multa desde a data do vencimento até a data de sua quitação e que o instituto da denúncia espontânea não seria aplicável a este caso, por não se tratar de exigência de multa de ofício, mas de multa de mora, esta destituída de caráter punitivo. Cientificado da decisão em 17 de junho de 2011, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 19 de julho do mesmo ano e requereu a homologação da compensação declarada, assim como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional (multa de mora), repisando os mesmos argumentos de defesa da Manifestação de Inconformidade. Ressaltou o Recorrente que o débito sob discussão neste processo encontravase suspenso por medida judicial (mandado de segurança nº 2009.61.00.0103036), o que não significava concomitância de discussão da matéria nas esferas judicial e administrativa, por se tratar de pedido de suspensão da exigibilidade em razão da manifestação de inconformidade interposta, o que seria corroborado pelo silêncio da Delegacia de Julgamento quanto a essa questão. Ao final, protestou o ora Recorrente pela realização de sustentação oral no momento do julgamento do processo, nos termos do art. 58, II, da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e requereu que fosse notificado com antecedência da data, hora e local da realização do julgamento. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913126/200988 Acórdão n.º 3803004.307 S3TE03 Fl. 127 4 Junto à peça recursal, o Recorrente trouxe aos autos cópia de tela de consulta na internet da ação judicial a que fez referência. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que o Recorrente equivocouse acerca dos elementos fáticos deste processo, pois, ao alegar que não protocolizara o PER/DCOMP na data de vencimento do débito, pelo fato de que a disponibilização do programa se dera após 103 dias depois, ele não se dera conta de que, no presente caso, diferentemente de outros processos que se encontram em julgamento nesta Turma, o PER/DCOMP fora transmitido em 26 de abril de 2005 e o vencimento do débito compensado ocorrera no dia 15 do mesmo mês, conforme se verifica às fls. 1 a 3 dos presentes autos. Ainda que ele estivesse se referindo ao crédito e não ao débito, também assim nenhuma razão lhe assistiria, pois o indébito reclamado se refere à Cofins do período de apuração maio/2000, pago em 15/6/2000 (fl. 2), quando, conforme o próprio Recorrente afirma, já existia a previsão de entrega de Pedido de Compensação. Por outro lado, assiste razão ao Recorrente ao alegar que o mandado de segurança fora impetrado com o objetivo de suspender a exigibilidade do débito discutido neste processo, não se configurando concomitância de discussão da matéria nas esferas judicial e administrativa, pois, conforme se verifica da cópia da consulta processual presente às fls. 121 a 122, a ação, efetivamente, tinha o propósito afirmado pelo Recorrente. Feitas essas considerações, temse por superados os argumentos do Recorrente no que se refere a essas matérias. No que tange ao pedido do Recorrente de notificação, com antecedência, da data, hora e local de realização do julgamento, registrese que, nos termos do disposto no parágrafo único do art. 55 do Anexo II do Regimento do CARF, a pauta de julgamento será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. I. Compensação. Prova. Quanto ao pedido de homologação total da compensação declarada, há que se destacar que, conforme já havia afirmado o relator de piso, o interessado não apresentou nenhum elemento de sua escrituração contábilfiscal, nem os documentos fiscais que a embasam, que pudessem comprovar o direito alegado. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxera aos autos somente cópias de documentos societários e das declarações por ele transmitidas à Receita Federal, incluída a DCTF retificadora transmitida em 5 de setembro de 2005, anteriormente à Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913126/200988 Acórdão n.º 3803004.307 S3TE03 Fl. 128 5 ciência do despacho decisório, não apresentando quaisquer documentos que comprovassem os dados declarados. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador de primeira instância acerca da necessidade de apresentação da escrituração contábil e de documentos fiscais para se comprovar o direito creditório reclamado, ele se predispôs a instruir os autos com os elementos probatórios hábeis e idôneos, pois, junto ao recurso voluntário, nenhum outro documento foi acrescentado. Não obstante o contribuinte ter apresentado, junto à Manifestação de Inconformidade, a DCTF retificadora transmitida em 5/9/2005, anteriormente à ciência do despacho decisório (fls. 31 e 32), conforme acima apontado, há que se ressaltar que tal declaração fora desconsiderada em razão do fato de que, na data de sua apresentação, o crédito tributário do período de apuração maio/2000, pago em junho do mesmo ano, já se encontrava homologado tacitamente, por força da previsão do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Essa conclusão, por outro lado, não prejudica a apreciação do PER/DCOMP pelo fato de que este fora transmitido em 26 de abril de 2005, antes do transcurso do prazo decadencial acima referenciado e antes de cinco anos da data do pagamento, este ocorrido em 15/6/2000, nos termos disciplinados pelo art. 168, I, do mesmo Código. Passase, então, à análise do mérito, no que tange à comprovação do indébito reclamado. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913126/200988 Acórdão n.º 3803004.307 S3TE03 Fl. 129 6 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Dessa forma, por total ausência de prova da existência do crédito reclamado, não se acatam os argumentos do Recorrente quanto à homologação total da compensação declarada. II Multa de mora. Denúncia espontânea. Quanto ao pedido do Recorrente de exoneração da multa de mora com base no instituto da denúncia espontânea, há que se destacarem os seguintes pontos: 1º) conforme acima já afirmado, o PER/DCOMP fora transmitido em 26 de abril de 2005 e o débito compensado vencera no dia 15 do mesmo mês (fls. 1 a 3); 2º) em abril de 2005, a declaração de compensação já tinha caráter de confissão de dívida, nos termos do § 6ºdo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzido pela Lei nº 10.833, de 2003; 3º) referido débito fora declarado em PER/DCOMP antes de qualquer procedimento por parte da Administração tributária, situação que, de acordo com a defesa do Recorrente, reclamaria a aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Feitos esses destaques, passase à análise do pedido relativamente à exoneração da multa de mora. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento submetido ao rito do art. 543C do Código de Processo Civil (recursos repetitivos), de observância obrigatória pelos Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913126/200988 Acórdão n.º 3803004.307 S3TE03 Fl. 130 7 conselheiros do CARF2, já decidiu pela não aplicação da denúncia espontânea aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação regularmente declarados (REsp 962.379), decisão essa cujo teor consta da súmula 360/STJ. Nesse julgamento, o STJ deixou claro que o afastamento da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) somente se dá quando o tributo, sujeito ao lançamento por homologação, tiver sido recolhido em atraso, mas após a apresentação da declaração com efeito de confissão de dívida. Eis o teor de partes dessa decisão do STJ: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido.(grifei) (...) VOTO (...) 4. Importante registrar, finalmente, que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. A propósito, reportome às razões expostas em voto de relator, que foi acompanhado unanimente pela 1ª Seção, no AgRG nos EREsp 804785/PR, DJ de 16.10.2006: "(...) 4. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso. O que a jurisprudência afirma é a nãoconfiguração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese, o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é 2 Conforme preceitua o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913126/200988 Acórdão n.º 3803004.307 S3TE03 Fl. 131 8 possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. (grifei) Verificase dos excertos supra que, para se afastar a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, há necessidade de que o tributo tenha sido pago em atraso e após a sua declaração com efeito de confissão de dívida. Eis a dicção do art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. No presente caso, o sujeito passivo pleiteara a compensação do débito 11 dias após o seu vencimento, portanto, em atraso, mas no mesmo momento em que o informou em declaração que constitui o crédito tributário, situação essa que afasta a possibilidade de aplicação do entendimento do STJ, pois, uma vez não homologada a compensação, a extinção do crédito tributário pela via do pagamento que vier a se realizar darseá após a apresentação da declaração com efeitos de confissão de dívida, no caso, a Declaração de Compensação (DCOMP). Ainda que a não homologação da compensação venha a ser revertida, dado que ainda não se tem o trânsito em julgado deste processo, e considerando que a compensação é uma forma de extinção do crédito tributário, assim como o pagamento, e que uma da formas de extinção, em regra, exclui a outra, sob pena de bis in idem, até se poderia argumentar acerca da aplicação do instituto da denúncia espontânea. Contudo, nem mesmo nessa hipótese, terseia a possibilidade de aplicação do entendimento do STJ, pois para tanto, a declaração com efeito de confissão de dívida deveria ter sido apresentada posteriormente ao pagamento/compensação, o que não corresponde ao caso sob análise. A Lei nº 9.430/1996 assim dispõe sobre os acréscimos moratórios cabíveis nos casos de pagamento extemporâneo: Art.61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913126/200988 Acórdão n.º 3803004.307 S3TE03 Fl. 132 9 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Verificase que a multa de mora decorrente de pagamentos em atraso, assim como os juros de mora, encontrase prevista em lei válida e vigente, inexistindo qualquer irregularidade em sua exigência nos termos ora analisados. Nesse sentido, não se está diante de uma quitação anterior à apresentação de declaração com poder de constituição do crédito tributário, não lhe sendo estendida, por conseguinte, a regra definida no referido Recurso Especial, de observância obrigatória por parte deste Colegiado. III Conclusão. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, por ausência de prova do direito creditório pleiteado e pelo não cabimento da denúncia espontânea na hipótese de quitação de débito em atraso após a apresentação de declaração com efeito de confissão de dívida. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10384.900145/2010-89
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
REVISÃO DE ATOS ADMINISTRATIVOS.
A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT.
O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleiteados.
RecursoVoluntárioNegado
Numero da decisão: 3801-001.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário interposto.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Guilherme Déroulède e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REVISÃO DE ATOS ADMINISTRATIVOS. A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleiteados. RecursoVoluntárioNegado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REVISÃO DE ATOS ADMINISTRATIVOS. A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS “NT”. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleiteados. RecursoVoluntárioNegado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário interposto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 01 45 /2 01 0- 89 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900145/201089 Acórdão n.º 3801001.949 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Guilherme Déroulède e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900145/201089 Acórdão n.º 3801001.949 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 0124907, de 30 de maio de 2012, da 3ª. Turma da DRJ/BEL, referente ao processo administrativo n° 10384. 900143/201090, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresent ada pela contribuinte, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BEL, que assim relata: Tratase de pedido de ressarcimento e declarações de compensação cuja origem é o crédito presumido do IPI referente ao1º trimestre de 2008, objeto dos documentos de nºs 24206.801 93/250408.1.1.100315 e 42195.50047.250408.1.3.013200. 2. Segundo a DRF/Teresina/PI, inicialmente o Sistema de Controle de Créditos SCC procedeu às verificações próprias do fluxo automático e, sem ter encontrado irregularidades, homologou totalmente os documentos em epígrafe. 3. Ocorre que, ao analisar os PER/DCOMP’s do 3º trimestre de 2002 e 2º trimestre de 2008, a Unidade constatou divergências significativas entre os valores de crédito presumido solicitados e os valores que o contribuinte faz jus, efetuando a revisão de ofício dos documentos que tiveram tratamento automático. 4. Na nova análise, foi refeito o cálculo do crédito, considerando apenas a receita de exportação de produtos tributados, sendo glosadas as referentes à exportações de produtos não tributados (NT). Reconhecido o direito ao crédito de R$ 2.763,41, foi homologada parcialmente a compensação efetuada. 5. Cientificada em 10.11.2011 (AR fl. 13), a interessada apresentou, tempestivamente, em 06.12.2011 (fls. 59/61), manifestação de inconformidade (fls. 14/32) na qual preliminarmente afirma haver recebido o despacho somente no dia 15.11.2011, sendo tempestiva sua contestação. 6. No mais, em síntese, defende: a) A imutabilidade da decisão e da coisa julgada administrativa, requerendo que seja julgado improcedente o despacho decisório combatido, uma vez que a homologação integral do crédito pleiteado, dada no passado, constituiu coisa julgada administrativa, sendo que sua desconstituição fere os preceitos constitucionais de confiança e segurança jurídica; b) Seu direito à integralidade do crédito, afirmando que inexiste na Lei nº 9.363, de 1996, qualquer referência a produtos tributados, não tributados e alíquota zero. Afirma: “Ademais o crédito existe para compensar as perdas de PIS e COFINS acumulados na cadeia produtiva. De ‘IPI’ o crédito tem apenas Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900145/201089 Acórdão n.º 3801001.949 S3TE01 Fl. 5 4 o nome, que ganhou esta nomenclatura porque no início e de sua criação, só poderia ser utilizado para o tributo IPI”; c) A correção do valor a ser ressarcido com base na taxa Selic. Entendeu a DRJ/BEL por conhecer a manifestação de inconformidade apresentada, por ser tempestiva. Quanto a revisão de ato administrativo, entendeu a DRJ/BEL, que “a Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial” . Quanto ao crédito presumido de produtos NT, julgou a DRJ/BEL, que: “o direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT” . Quando a correção do valor ressarcido, entendeu a DRJ/BEL, que: “é incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes”. Assim restou ementado o Acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a31/03/2008 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS “NT”. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2011 REVISÃO DE ATOS ADMINISTRATIVOS. A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900145/201089 Acórdão n.º 3801001.949 S3TE01 Fl. 6 5 ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando a tempestividade e cabimento do recurso interposto, após fazendo breve retrospectiva dos fatos e por fim apresentando as razões de direito para a reforma da decisão de 2ª. instância. Requereu que “seja julgada improcedente a glosa realizada, por ir contra preceitos constitucionais e normativos, uma vez que desconstitui a coisa julgada administrativa”. Pugna pelo “reconhecimento integral da Perdcomp”. Requereu também que “se reconheça a atualização monetária dos créditos da requerente com base na taxa SELIC”. É o sucinto relatório. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900145/201089 Acórdão n.º 3801001.949 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, não se vislumbra razões para reforma do acórdão da DRJ de Belém/PA, conforme se verá a seguir: Revisão de ato Administrativo: Segundo a DRF/Teresina/PI, inicialmente o Sistema de Controle de Créditos SCC procedeu às verificações próprias do fluxo automático e, sem ter encontrado irregularidades, homologou totalmente os documentos. Ocorre que, ao analisar os PER/DCOMP’s do 3º trimestre de 2002 e 2º trimestre de 2008, a Unidade constatou divergências significativas entre os valores de crédito presumido solicitados e os valores que o contribuinte faz jus, efetuando a revisão de ofício dos documentos que tiveram tratamento automático. Deste modo, na nova análise, foi refeito o cálculo do crédito, considerando apenas a receita de exportação de produtos tributados, sendo glosadas as referentes à exportações de produtos não tributados (NT). Reconhecido o direito ao crédito de R$ 2.763,41, foi homologada parcialmente a compensação efetuada. É certo que a Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Bem analisou o caso a DRJ/BEL, que entendeu que a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no caput do art. 74, estabelece condições essenciais para que seja possível a efetivação da compensação por parte do contribuinte, conforme abaixo transcrito: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei no 10.637, de 30.12.2002). (...) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900145/201089 Acórdão n.º 3801001.949 S3TE01 Fl. 8 7 § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos contado da data da entrega da declaração de compensação. (...)” Portanto, conforme determinado pela Lei n° 9.430/96, a existência de crédito é condição necessária para a compensação. Com base nos créditos é que é efetuado o ajuste de contas entre o sujeito passivo e a Fazenda Nacional. Declarada a compensação pelo sujeito passivo (transmissão do PER/DCOMP), extinguese o crédito tributário, sob condição resolutória de sua homologação, findo o qual a compensação considerase tacitamente homologada. Porém, a Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, estabelece que a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, vejamos: “Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. § 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contarseá da percepção do primeiro pagamento. § 2o Considerase exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugnação à validade do ato.” A Administração Pública possui claramente o dever de autotutela, devendo anular seus atos quando eivados de vícios. As súmulas 346 e 473 do Supremo Tribunal Federal, abaixo transcritas, expressam o entendimento já consagrado pelo referido Tribunal. “Súmula 346 A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.” “Súmula 473 A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.” No caso em tela, a declaração de compensação foi homologada tendo como origem crédito proveniente de ressarcimento de IPI, o qual posteriormente foi verificado que era indevido. Tendo em vista que o crédito utilizado pelo sujeito passivo em realidade não existia, deve a autoridade que proferiu o despacho homologando a compensação, rever de Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900145/201089 Acórdão n.º 3801001.949 S3TE01 Fl. 9 8 ofício esse ato, anulandoo, mediante novo despacho decisório, e ao final não homologar a compensação. Entendo como totalmente legal e constitucional a revisão de ofício, sendo esta possível se realizada dentro do prazo de cinco anos contados da entrega da declaração de compensação, prazo esse que é o mesmo previsto para a ocorrência da homologação tácita. Não há que se falar em violação a coisa julgada administrativa, tampouco em violação aos preceitos constitucionais de confiança e segurança jurídica. Crédito Presumido. Produto NT: A Lei n.º 9.363, de 1996, estabeleceu em seu art. 1ª.A e 3º, que: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem” Conforme verificado, o conceito de produção, à luz da legislação do IPI, alcança apenas os produtos tributados, ainda que isentos ou tributados à alíquota zero. Quanto aos produtos não tributados, por se situarem fora do campo de incidência do imposto, não se inserem naquele conceito, não sendo considerados, para os efeitos do IPI, como produtos industrializados. É esta a dicção do art. 3º da Lei 4.502, de 1964, que assim dispõe: “Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto.” A Lei n.º 10.451, de 10 de maio de 2002 excluiu do campo de incidência do IPI os produtos cuja classificação corresponde à notação “NT” (não tributado), vejamos: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900145/201089 Acórdão n.º 3801001.949 S3TE01 Fl. 10 9 “Art. 6° O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação ‘NT’ (não tributado).” (grifouse) Como se constata no exame sistemático dos dispositivos colacionados, o legislador restringiu, sim, o benefício aos estabelecimentos produtores e exportadores de produtos sujeitos ao IPI, restando excluídos, portanto, os produtos não tributados, correspondentes à notação “NT”. Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça, cuja matéria foi decidida na sistemática do art. 543C do CPC, já se manifestou, conforme veremos: RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDAS NÃO TRIBUTADAS. EXCLUSÃO PARA EFEITOS DE CÁLCULO. LEGALIDADE. PRECEDENTES. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. MATÉRIA DECIDIDA NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO STJ Nº 08/2008. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. 1. A exclusão das vendas não tributadas do cálculo da receita de exportação é devida, conforme o disposto no art. 17, § 1º, da IN SRF n. 313/2003, pois "a própria lei admitiu que o conceito de receita de exportação (componente da base de cálculo do benefício fiscal) ficaria submetido a normatização inferior, podendo, inclusive, ser restringido ou ampliado, conforme a teleologia do benefício e razões de política fiscal" (REsp 982.020/PE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 3.2.2011, DJe 14.2.2011). 2. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial n.º 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. 3. É legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento. Nesse sentido o Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900145/201089 Acórdão n.º 3801001.949 S3TE01 Fl. 11 10 REsp n.º 1.035.847/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 3.8.09, julgado sob o regime do art. 543C do CPC. RECURSO ESPECIAL DE COAGEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL. PROCESSUAL CIVIL. ART. 535, II, DO CPC. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMOS INICIAL E FINAL. 4. Não se conhece do recurso especial por violação do art. 535, II, do CPC, quando genéricas as alegações de omissão no aresto recorrido. Incidência da Súmula 284/STF. 5. A prescrição, em ações que visam o recebimento de créditos de IPI a título de benefício fiscal a ser utilizado na escrita fiscal ou mediante ressarcimento, é quinquenal. Precedente representativo de controvérsia: REsp n.º 1.129.971/BA, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.2.10. 6. A recusa injustificada ao aproveitamento de crédito escritural, seja por ato administrativo ou normativo do Fisco, rende ensejo à sua correção monetária. Matéria já decidida na sistemática do art. 543C do CPC. 7. Há que se distinguirem, todavia, duas situações: a primeira, em que o óbice decorre da demora injustificada em apreciar o pedido de ressarcimento; e a segunda, quando há óbice normativo préexistente ao surgimento do próprio crédito: no primeiro caso, a simples demora na apreciação do pedido de ressarcimento coloca em mora a autoridade fiscal, autorizando a correção monetária do crédito tão logo superado o prazo legal para exame do processo administrativo; no segundo, há óbice normativo anterior ao surgimento do crédito, de modo que a mora do Fisco coincide com a data do surgimento do direito ao creditamento. 8. Assim, merece reparo o acórdão recorrido quando limitou a correção monetária ao esgotamento do prazo de 360 dias para exame do pedido administrativo de ressarcimento. Tratandose de crédito para o qual já havia restrição de aproveitamento, lastreada em ato normativo ilegítimo, estará em mora o Fisco desde o surgimento do crédito, quando poderia ter sido aproveitado, não fora o impedimento ilegal e abusivo. 9. Também descabe limitar a correção até a data do trânsito em julgado da decisão que reconhece o direito ao crédito. Mesmo após tornarse definitiva a decisão, o seu aproveitamento poderá não ser imediato, e a demora ao gozo do benefício não pode ser suportada por quem não deu causa ao retardamento. Assim, havendo impedimento normativo ilegítimo ao aproveitamento do crédito escritural, a correção monetária deverá incidir desde o Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900145/201089 Acórdão n.º 3801001.949 S3TE01 Fl. 12 11 surgimento do crédito até a data do seu efetivo aproveitamento, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. 10. Recurso especial da Fazenda Nacional provido em parte. Recurso especial de Coagel Cooperativa Agroindustrial conhecido em parte e provido também em parte. (REsp 1241856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) (grifouse). Assim, quanto a abrangência do crédito presumido de IPI as vendas Não Tributadas do conceito de "receita de exportação", necessário aplicar ao caso concreto o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, o qual entende que crédito presumido criado pela Lei 9.363/96 não abrange os produtos exportados que não sofrem a incidência do IPI (não tributados). É o que se verifica também nos seguintes precedentes: PROCESSUAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284 DO STF. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDAS NÃO TRIBUTADAS. EXCLUSÃO PARA EFEITOS DE CÁLCULO. LEGALIDADE. SÚMULA 83∕STJ. 1. O dispositivo legal em torno do qual gravitaria o dissídio pretoriano aventado não foi indicado de maneira precisa, o que impede o conhecimento do apelo nobre, inclusive pela alínea "c" do permissivo constitucional. 2. A exclusão das vendas não tributadas no cálculo da receita de exportação É devida, conforme o disposto no art. 17, § 1º, da IN SRF n. 313∕2003, pois "a própria lei admitiu que o conceito de 'receita de exportação' (componente da base de cálculo do benefício fiscal) ficaria submetido a normatização inferior, podendo, inclusive, ser restringido ou ampliado, conforme a teleologia do benefício e razões de política fiscal" (REsp 982.020∕PE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 3.2.2011, DJe 14.2.2011). 3. Agravo regimental não provido (AgRg no AREsp 250.024∕CE, minha relatoria, Segunda Turma, DJe 15.02.2013). (grifouse) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDAS NÃO TRIBUTADAS. EXCLUSÃO PARA EFEITOS DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO. ÓBICE GERADO PELO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. SÚMULA 411∕STJ. MULTA. 1. É devida a exclusão das vendas não tributadas no cálculo da receita de exportação, conforme o disposto no art. 17, § 1º, da IN SRF n. 313∕2003, uma vez que "a própria lei admitiu que o conceito de 'receita de exportação' (componente da base de cálculo do benefício fiscal) ficaria submetido a normatização inferior, podendo, inclusive, ser restringido ou ampliado, conforme a teleologia do benefício e razões de política fiscal." Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900145/201089 Acórdão n.º 3801001.949 S3TE01 Fl. 13 12 (REsp 982.020∕PE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 3.2.2011, DJe 14.2.2011). 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que o crédito presumido de IPI enseja correção monetária quando o gozo do creditamento é obstaculizado pelo Fisco. Entendimento reiterado no REsp 1.035.847∕RS, da relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao regime dos recursos repetitivos. Incidência da Súmula 411 do STJ. 3. Aplicase ao caso a multa do art. 557, § 2º, do CPC, no percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, por questionamento de matéria já decidida em recurso repetitivo. Agravo regimental de COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE LTDA. improvido. A agravo regimental da FAZENDA NACIONAL improvido, com aplicação de multa (AgRg no REsp 1.236.305∕SC, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16.05.11). TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363∕96. FORMA DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES REFERENTES A AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 993.164∕MG. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. DISPOSITIVOS LEGAIS TIDOS POR VIOLADOS QUE NÃO SUSTENTAM A PRETENSÃO RECURSAL. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284∕STF. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535. VÍCIOS DE INTEGRAÇÃO NÃO CONFIGURADOS. 1. Não se vislumbra, no acórdão recorrido, nenhum vício de integração que possa ensejar a sua anulação, uma vez que não há contradição entre a afirmação de que deve ser aplicada a correção monetária e a conclusão de que o cômputo da atualização deve ocorrer a partir da data do indeferimento do creditamento do tributo. 2. Da leitura dos artigos 1º da Lei 9.363∕96 e 39, § 4º, da Lei 9.250∕95, verificase que o seu conteúdo normativo não guarda pertinência com a pretensão recursal, a qual consiste na reforma do acórdão recorrido no tocante à fixação do termo inicial da incidência da correção monetária sobre os valores referentes ao crédito presumido tardiamente reconhecidos, o qual entende deve ser a data do protocolo do pedido. Aplicase, quanto ao ponto, a Súmula 284∕STF. 3. O STJ já se manifestou pela legalidade da limitação imposta pelas IN SRF 313∕2003 e 419∕2004, de cômputo dos valores referentes a exportação de produtos não tributados na base de cálculo do crédito presumido do IPI, na medida em que, a própria Lei 9.363∕96 admitiu a possibilidade de ampliação ou restrição do conceito de "receitas de exportação" por norma de Fl. 162DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900145/201089 Acórdão n.º 3801001.949 S3TE01 Fl. 14 13 hierarquia inferior. Precedentes: REsp 982.020∕PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 14∕02∕2011 e AgRg no REsp 1236305∕SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16∕05∕2011. 4. Agravo regimental não provido (AgRg no REsp 1.227.615∕SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 22.5.12). (grifouse) Neste sentido também, vejamos o acórdão da Primeira Turma Especial do Conselho de Contribuintes, que corrobora com o que vem sido defendido: Processo nº 13679.000168/200183 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96 condicionase a que os produtos exportados estejam dentro do campo de incidência do imposto, não sendo, por conseguinte, alcançados pelo benefício os produtos nãotributados (NT). Assim, em conformidade com o que tem sido decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, temse por legal a limitação imposta pelas IN SRF 313∕2003 e 419∕2004, que determinam a exclusão dos valores referentes à exportação de produtos não tributados da base de cálculo do crédito presumido do IPI, já que a própria Lei 9.363∕96 admitiu a possibilidade de ampliação ou restrição do conceito de "receitas de exportação" por norma de hierarquia inferior. Correção monetária do crédito presumido de IPI: O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do AgRg no REsp 1.307.674∕RS, anuiu com a correção monetária do crédito presumido de IPI não aproveitado, oportunamente, por força de óbice instituído pelas diversas instruções normativas que se sucederam. Pela clareza, vale a pena citar o seguinte julgado da Segunda Turma: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363∕96. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DESPENDIDO PELA EXPORTADORA COM O BENEFICIAMENTO DE MATÉRIAPRIMA POR TERCEIROS. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO NO REGIME DOS RECURSOS REPETITIVOS. ART. 543C DO CPC. 1. A previsão contida no artigo 1º da Lei 9.363∕1996, cuja redação determina a incidência do crédito presumido, sem discriminação, nas aquisições, no mercado interno, de matérias primas utilizadas no processo produtivo da empresa exportadora, também compreende a hipótese em que o estabelecimento comercial adquire os insumos e os repassa a terceiro para industrializar, recebendo, posteriormente, o produto já industrializado. Precedentes. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900145/201089 Acórdão n.º 3801001.949 S3TE01 Fl. 15 14 2. É legítima a atualização monetária de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade quando há oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento. Nesse sentido o REsp 1.035.847∕PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 3.8.2009, julgado sob o regime do art. 543C do CPC. 3. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no REsp 1.307.674∕RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 08.02.13). Portanto, temse por pacífico o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que, via de regra, eventual possibilidade de aproveitamento dos créditos escriturais não dá ensejo à correção monetária, exceto se tal creditamento foi injustamente obstado pela Fazenda, o que não ocorreu no caso dos autos, onde o crédito foi homologado parcialmente, sem óbice da Receita Federal do Brasil. Confirase outros julgados do E. STJ: TRIBUTÁRIO. IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA ISENTA, NÃO TRIBUTADA OU SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO. ART. 166 DO CTN. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CORREÇÃO MONETÁRIA. PRESCRIÇÃO. ART 1º DO DECRETO 20.910∕32. [...] 5. A jurisprudência do STJ e do Supremo assentou o entendimento de que é indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI relativos a operações de compra de matériasprimas e insumos empregados na fabricação de produto isento ou beneficiado com alíquota zero. Todavia é devida a correção monetária de tais créditos quando o seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude da resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. É forma de evitarse o enriquecimento sem causa e de dar integral cumprimento ao princípio da nãocumulatividade. [...] 8. Recurso especial da Fazenda Nacional e de Santa Maria Cia. ambos, conhecidos em parte não providos. (REsp 668.620∕PR, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe18.9.2008) CREDITAMENTO ESCRITURAL DE IPI. ISENÇÃO E ALÍQUOTA ZERO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA OPOSTA PELO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. I Embora tenha a jurisprudência do STJ e do STF definido que é indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI relativos a operações de matérias primas e insumos empregados na fabricação de produto isento ou beneficiado com alíquota zero, temse devida a atualização monetária quando o aproveitamento dos créditos é obstado pelo Fisco, provocando mora que dá ensejo a enriquecimento sem causa da Administração em prejuízo ao contribuinte. Precedentes: AgRg Fl. 164DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900145/201089 Acórdão n.º 3801001.949 S3TE01 Fl. 16 15 no REsp nº 863.277∕RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 7.2.2008; EREsp nº 465.538∕RS, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJ de 1.10.2007; EREsp nº 430.498∕RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 07.04.2008 e EREsp nº 530.182∕RS, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 12.09.2005. II Agravo regimental improvido. (AgRg no AgRg no REsp 995.801∕SP, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 29.5.2008) A jurisprudência foi consolidada no recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, e no enunciado n. 411, da Súmula do STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Desse modo, não havendo óbice colocado pelo Fisco ao aproveitamento dos créditos, haja vista que homologados parcialmente (no caso, R$ 2.763,41), não há que se falar em correção monetária. Nesse sentido, o §5º do art. 72 da Instrução Normativa SRF n° 900, de 30 de dezembro de 2008, prescreve expressamente que não incidirão juros compensatórios “no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos”, da mesma forma que previam anteriormente as, já revogadas, Instruções Normativas SRF n° 600, de 2005, n° 460, de 2004, e n° 210, de 2002 (art. 38, § 2º). Com todas as considerações expostas acima, verificase que as razões expostas no Recurso Voluntário da contribuinte não procedem, estando em dissonância com a legislação e com jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, inclusive as decididas sob a sistemática dos recursos repetitivos. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10280.906268/2009-58
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011).
APLICAÇAO DA SÚMULA CARF N° 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1803-001.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Maria Eliza Bruzzi Boechat e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011). APLICAÇAO DA SÚMULA CARF N° 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011). APLICAÇAO DA SÚMULA CARF N° 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 62 68 /2 00 9- 58 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.906268/200958 Acórdão n.º 1803001.660 S1TE03 Fl. 112 2 (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Maria Eliza Bruzzi Boechat e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de declaração de compensação transmitida, em 30/04/2007 pela empresa que indicou crédito de R$ 304.855,65, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 06/2006, no valor originário de R$ 304.855,65. A DRF/BelémPA, em análise constatou que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Assim, não homologou a compensação declarada. Devidamente cientificada da decisão, a empresa recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em apertada síntese, que durante o ano calendário 2005 apresentou prejuízo fiscal conforme DIPJ anocalendário 2005, inclusive o valor compensado está informado em DCTF do mês março/2007 o que vem demonstrar que o valor não foi utilizado com outros débitos e sim com o que está informado em DCTF do período. Ainda, refere que no ano de 2006 pagou indevidamente, em 31/07/2006, um DARF de IRPJ no valor de R$ 304.855,65 que está escriturado em seus registros contábil e posteriormente utilizou para pagamento de IRPJ de 03/2007 devida naquele período que também está escriturada contabilmente, restando demonstrado que o valor não foi utilizado para quitação de outros débitos e requer o cancelamento do débito. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter a cobrança do auto. Aduz que a Lei 10.637/2002 atribui à compensação efeito extintivo do crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. Já a lei 10.833/2003 fixou o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da DCOMP para a Receita Federal do Brasil homologar compensação declarada pelo contribuinte, reconhecendo a homologação tácita das compensações que, após cinco anos da data do protocolo respectivo, não tenham sido objeto de despacho decisório proferido pela autoridade competente, independentemente da existência e do montante do crédito alegado pelo sujeito passivo. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.906268/200958 Acórdão n.º 1803001.660 S1TE03 Fl. 113 3 Assim, salienta o julgador de primeira instância que com a referida mudança da sistemática, a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose antes de procedimento efetivo pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação do fisco, de forma expressa ou tácita. Atenta que no caso presente, ao efetivar sua compensação a recorrente indicou como crédito pagamento indevido ou maior efetuado mediante Documento de Arrecadação Federal DARF. Ocorre que a unidade de origem verificou que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. Observa que o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. Prossegue o julgador referindo ser condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. Esclarece que a desconstituição do crédito tributário formalizado pelo pagamento e confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTF Retificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. Em outras palavras, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário vinculado ao pagamento antecipado (lançamento por homologação), não se mostra suficiente que o contribuinte promova a redução do débito confessado em DCTF, fazendose necessário, notadamente, que demonstre, por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Assinala que a DCTF, por si só, não exprime nem materializa o indébito fiscal. Atenta para o fato de que se tratando de um pedido de restituição, a empresa recorrente figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito, com o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. Cita legislação pertinente. A empresa recorrente, devidamente cientificada da decisão de primeiro grau, apresenta suas razões de inconformidade, alegando o já disposto na inicial. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.906268/200958 Acórdão n.º 1803001.660 S1TE03 Fl. 114 4 Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de declaração de compensação transmitida, em 30/04/2007 pela empresa que indicou crédito de R$ 304.855,65, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 06/2006, no valor originário de R$ 304.855,65. A empresa recorrente contrapõese à decisão de primeira instância de forma tempestiva. De fato, entendo que a decisão proferida pela instância a quo deve ser revista, vez que levou em consideração a falta de apresentação de documentação hábil e idônea dos pagamentos e dos créditos que a empresa recorrente refere possuir. Aduz ser obrigação da empresa apresentar referidos documentos, como meio de viabilizar o seu direito de compensar. Ocorre que a empresa logrou demonstrar que recolheu efetivamente valores a mais do que o devido, fazendo jus à compensação pleiteada, tal como disciplina a Instrução Normativa 900/2008, com entendimento sintetizado na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. A empresa entende que os valores recolhidos a maior indicados como estimativa, devem ser tratados como verdadeiro crédito, tal como possibilita a IN 900 e também a Súmula CARF n°84: “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.” Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.906268/200958 Acórdão n.º 1803001.660 S1TE03 Fl. 115 5 Diante do exposto voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para que a DRF de origem aprecie o direito creditório. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 10865.721177/2011-98
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA.
A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).:
Numero da decisão: 1801-001.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).:
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1435.986/11 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, efls. 69 a 71, que decidiu julgar procedente o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 11 77 /2 01 1- 98 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração lavrado para a exigência de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF). Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “[...] Notificada do lançamento, a interessada apresentou impugnação, alegando que entregou a referida declaração espontaneamente, o que excluiria a penalidade nos termos do CTN, art. 138, e que estaria ocorrendo bis in idem, pois a multa possui a mesma capacidade punitiva da multa moratória (20%), sendo aplicada concomitante àquela. VOTO [...] O nãocumprimento de uma obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária. A entrega da declaração de rendimentos constitui obrigação acessória prevista no CTN, e a multa pelo atraso na entrega está contida na legislação tributária como sanção pelo inadimplemento tributário, aplicada pela inobservância dos deveres acessórios. Não se pode admitir a alegação de ter havido a denúncia espontânea, pois a entrega da declaração se deu fora do prazo legal, sendo a multa fixada em lei e indenizatória da impontualidade, ou seja, constitui uma sanção punitiva da negligência. Dessa forma, com fulcro no art. 113, tornase aplicável a penalidade pelo não cumprimento da obrigação acessória de apresentação da declaração, lançada de acordo com o dispositivo legal descrito no auto de infração. Interpretandose sistematicamente os dispositivos do CTN, temse que o art. 138 não se desfez da multa por atraso na entrega de declaração. [...] Também descabida a alegação de ocorrência de bis in idem. A multa ora exigida está prevista na Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7o, e sua aplicação é em função do atraso no cumprimento da obrigação, sendo independente do atraso ou não do recolhimento dos tributos declarados. São portanto multas distintas, que podem ser aplicadas concomitantemente. Ademais, não há qualquer notícia no processo de que esteja sendo exigida multa moratória sobre referidos tributos.” A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 75 a 87, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 14/12/11, efls. 74 ; Recurso – 11/01/12, efls. 75 Voto Fl. 92DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10865.721177/201198 Acórdão n.º 1801001.584 S1TE01 Fl. 3 3 Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne do litígio está em aplicarse, ou não, o instituto da denúncia espontânea preceituado no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN) à mora no cumprimento das obrigações acessórias e exonerar o agente da imposição de penalidade, in casu, multa pelo atraso na entrega de DCTF. O benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN não socorre à recorrente, neste caso. Em face a inúmeros julgados relativos a esta matéria, foi consolidada de forma mansa e pacífica a jurisprudência administrativa, resultante na edição da Súmula nº 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 93DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.911976/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.117
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras. RELATÓRIO O presente processo trata de Declaração de Compensação – DCOMP, transmitida eletronicamente, de suposto crédito de CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, no valor original de R$ 11.233,53, a ser compensada com débitos de outros tributos federais. Por bem descrever os fatos, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 06906.58601.270407.1.3.047325, transmitida eletronicamente em 27/4/2007, com base em créditos relativos à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.911976/200943 Resolução n.º 3202000.117 S3C3T2 Fl. 206 2 A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 15/2/2007 8741 11.233,53 5/3/2007 A partir das características do DARF foi identificado pelos sistemas da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado integralmente para pagamento de outro débito, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 3421281231 11.233,53 DB: cód 8741 – PA 28/2/2007 11.233,53 0,00 Assim, em 7/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 3), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 11.463,82. Cientificado, via postal, dessa decisão em 20/10/2009 (fl. 27), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 18/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que, o crédito original declarado no presente PER/Dcomp encontrase devidamente retificado na DCTF. Informa o mês de referência da DCTF, a data da entrega da declaração e o número do recibo. É o relatório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão n° 0345.478 de 20/10/2011, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.911976/200943 Resolução n.º 3202000.117 S3C3T2 Fl. 207 3 Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da autoridade julgadora administrativa a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, onde aduz em apertada síntese que: houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual o débito não foi identificado pela SRFB. Em vista desse erro, a Recorrente procedeu à retificação da DCTF e informou à autoridade administrativa (quando da manifestação da inconformidade). Entende que com esta informação, à época, já era suficiente para a solução da questão, uma vez que foi em razão da não localização do crédito no sistema que a compensação foi indeferida (pelo despacho decisório eletrônico); a decisão recorrida reconheceu que a não homologação da compensação teve como fundamento o fato de a DCTF não indicar a existência do crédito, todavia, os julgadores de primeira instância entenderam que além da declaração retificadora, a Recorrente deveria comprovar, com base em sua escrituração contábil, a ocorrência dos fatos alegados na DCTF retificadora; embora entenda desnecessária a apresentação dessas novas provas, com a intenção de solucionar o litígio juntou aos autos os documentos fiscais contábeis que deram supedâneo à retificadora da DCTF e que justificam o crédito pleiteado. E, deste modo, requer a realização de diligência caso entendase necessário ao esclarecimento acerca do crédito compensado; não há nenhum impedimento para a apresentação de DCTF retificadora, ou prazo determinado na legislação para a apresentação da retificadora, desde que respeitado o limite temporal de 5 anos, aplicável a todas obrigações acessórias; Fl. 207DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.911976/200943 Resolução n.º 3202000.117 S3C3T2 Fl. 208 4 a retificação da DCTF esvazia o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação apresentada e justifica a sua modificação, uma vez que no seu entender não resta mais dúvida acerca da existência de valores passíveis de compensação; por fim, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário apresentado para reformar o acórdão recorrido. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, relator. Compulsandose os autos verificase que o pedido de compensação da Recorrente foi indeferido, por meio de Despacho Decisório eletrônico, em decorrência da “inexistência de crédito”. A Recorrente apresentou DCTF retificadora, informando este fato quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade. No seu entender, com a apresentação da declaração retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no Despacho Decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que a interessada não apresentou qualquer elemento contábil demonstrando que teria havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, a Recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação. Portanto, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas na DCTF retificadora. A interessada, quando da apresentação do Recurso Voluntário, afirma que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, sendo que este fato foi informado à autoridade administrativa e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio (uma vez que o fundamento do Despacho Decisório seria apenas a inexistência de débito). Como o acórdão recorrido proferido pela DRJ – Brasília indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, a Recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Muito bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos aos créditos que a Recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional — CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência Fl. 208DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.911976/200943 Resolução n.º 3202000.117 S3C3T2 Fl. 209 5 desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábilfiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para a Recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da DRF – Goiânia proceda à análise da documentação apresentada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, bem como intime a interessada para apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar a existência dos supostos créditos suscetíveis de serem utilizados na compensação de tributos. Desta forma, os autos devem retornar à repartição de origem – Delegacia da Receita Federal em Goiânia para realização da diligência solicitada. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF – Goiânia deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pela Recorrente na Declaração de Compensação apresentada. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 209DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10880.933369/2008-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PROVA.
Tem-se por acertada a decisão da autoridade administrativa denegatória do direito creditório pleiteado, assim como de não homologação da compensação formulada, cujo fundamento fático encontra-se confirmado na escrituração contábil-fiscal da pessoa jurídica trazida aos autos pelo Recorrente.
Numero da decisão: 3803-004.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PROVA. Temse por acertada a decisão da autoridade administrativa denegatória do direito creditório pleiteado, assim como de não homologação da compensação formulada, cujo fundamento fático encontrase confirmado na escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica trazida aos autos pelo Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 33 69 /2 00 8- 51 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.933369/200851 Acórdão n.º 3803004.195 S3TE03 Fl. 110 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 15 de julho de 2004, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração fevereiro de 2004, no valor de R$ 4.691,50, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o cancelamento do despacho decisório, alegando que, conforme constara da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) Retificadora, apresentada em 19 de dezembro de 2006, o valor devido da contribuição no período seria de R$ 110.082,31, e não de R$ 114.573,48, valor este recolhido por meio de DARF, evidenciadose um crédito tributário de R$ 4.491,19 (sic). Segundo o então Manifestante, em 27 de outubro de 2008, após a ciência do despacho decisório, procedera à retificação da Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTF) do período sob análise, em que se corrigiu o valor do débito, em conformidade com o apurado na DIPJ retificadora. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, da DCTF retificadora e da DIPJ retificadora. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004 Ementa: DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos declarados originalmente por intermédio de DIPJ e de DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.933369/200851 Acórdão n.º 3803004.195 S3TE03 Fl. 111 3 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO. O crédito tributário ora mantido permanecerá suspenso enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no art. 151 do CTN (Lei nº 5.172/66). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ressaltou o relator a quo que a DCTF retificadora fora apresentada após o despacho decisório, em desconformidade com os termos do art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), em que se estipula que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada com créditos líquidos e certos, sendo a DCTF o instrumento hábil de confissão de dívida, suficiente à exigência do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5.º do Decretolei nº 2.124, de1984, e Instruções Normativas da Receita Federal). Destacouse, também, que, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de1972, o prazo para apresentação de provas documentais visando a esclarecer eventual equívoco ocorrido em ato da Administração finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em momento posterior. Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, repete os elementos fáticos apontados na Manifestação de Inconformidade, transcreve excertos da doutrina e da jurisprudência administrativa e requer a anulação da decisão recorrida, com o deferimento do direito creditório e a consequente homologação da compensação pleiteada, ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, como forma de se prestigiarem os princípios da oficialidade e da verdade material, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a DIPJ é meio hábil para comprovar o correto valor do débito devido, tendo em vista que a Administração tributária, por meio de simples consulta a outras declarações apresentadas eletronicamente, como o Dacon, pode aferir as informações prestadas pelo sujeito passivo; b) em face dos princípios da legalidade objetiva e da verdade material, tem direito à apresentação de documentos após a manifestação de inconformidade, pois a Constituição Federal confere aos processos administrativos a função de prevenção de conflitos de interesses que envolvam a Administração Pública, conflitos esses que podem ser levados à apreciação do Poder Judiciário, denotando a natureza não contenciosa do processo administrativo; c) o processo administrativo se diferencia do processo judicial quanto à busca da verdade, sendo objeto do primeiro a verdade material, em que o julgador pode determinar outras investigações para apurar os fatos, e do segundo a verdade formal, verdade essa colhida dos fatos trazidos aos autos pelas partes envolvidas; d) a autoridade fiscal, no cumprimento de sua função, deve sempre agir de acordo com a lei, não lhe sendo deferido discricionariedade ou faculdade para agir de acordo com outros interesses que não o interesse público, dado que se submete ao princípio da legalidade objetiva; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.933369/200851 Acórdão n.º 3803004.195 S3TE03 Fl. 112 4 e) em nenhum momento do processo, ventilouse quanto a uma possível ilegitimidade do direito creditório, controvertendose apenas quanto à suficiência da documentação carreada aos autos para comprovar o indébito, em razão do que tornase imprescindível a realização de diligência; f) no que tange aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, as obrigações acessórias (DCTF, Dacon, DIPJ etc.) são consideradas meio idôneo de prova, uma vez que são nas declarações que o contribuinte apura e informa o quanto devido. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte traz aos autos mapa de apuração da contribuição e cópias do Dacon e de partes do Diário Geral, com seus termos de abertura e de encerramento (fls. 85 a 106). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da confirmação do fato apurado pela repartição de origem, assim como por ausência de provas adicionais que pudessem comprovar as alegações do então Manifestante. Para se contrapor às referidas decisões, o Recorrente trouxe aos autos cópias da DCTF retificadora, da DIPJ retificadora e do Dacon, mapa de apuração da contribuição e cópias de partes do Diário Geral, com seus termos de abertura e de encerramento, que, em seu entendimento, seriam bastantes para demonstrar o tributo devido no período sob comento, sendo que, no caso deste Colegiado entender de forma diversa, requer que se converta o julgamento em diligência à repartição de origem para se obterem documentos e informações adicionais. De pronto, destaquese que, inobstante o fato de o Recorrente ter trazido aos autos, na segunda instãncia, cópia de parte do Diário Geral, num movimento tendente a suprir a falta de prova documental atestada pelo julgador a quo, considerando o teor do referido livro, constatase que, ao invés de corroborar a tese do Recorrente, temse a confirmação do valor da contribuição devida no período que constou da DCTF original e que serviu de base à decisão tomada no despacho decisório. Às fls. 101 e 103 dos autos, consta a provisão para a Cofins no montante de R$ 114.573,48, valor esse coincidente com o recolhido por meio de DARF, nos termos presentes no despacho decisório, não havendo, nas demais folhas da cópia parcial do Diário Geral, qualquer informação quanto a uma possível alteração ou estorno do valor da contribuição devida no período. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.933369/200851 Acórdão n.º 3803004.195 S3TE03 Fl. 113 5 Inexiste, ainda, qualquer elemento da escrituração contábilfiscal ou da documentação que a lastreia que pudesse demonstrar, ao menos, a base de cálculo da contribuição no período, sem o que não se vislumbra fundamento à contrariedade enfática externada pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, no presente caso, o elemento da escrituração trazido aos autos, conforme acima destacado, depõe contra o próprio Recorrente, sendo que as provas adicionais que porventura possam existir encontramse em seu poder, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à desconsideração das provas presentes nos autos, com a pretensa preponderância do princípio da verdade material sobre os demais elementos normativos que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, informações essas confirmadas na escrituração contábilfiscal trazida aos autos pelo interessado, não se vislumbrando a possibilidade de inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer a realização de diligência junto à repartição de origem. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.933369/200851 Acórdão n.º 3803004.195 S3TE03 Fl. 114 6 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) O contribuinte, no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, da DCTF retificadora e da DIPJ retificadora, não se referindo a qualquer elemento de sua escrituração contábilfiscal que pudesse comprovar as suas alegações relativas ao indébito reclamado. No Recurso Voluntário, quando já havia sido alertado pelo julgador de primeira instância da necessidade de comprovação dos dados declarados, o contribuinte traz aos autos planilha por ele elaborada e cópia de parte do Diário Geral, sendo que esta, muito antes de amparar suas alegações, confirma os dados que serviram de base à prolação do despacho decisório. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10140.002416/2004-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/1994 a 31/12/1996
COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre setembro de 1994 e dezembro de 1996, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicava-se o prazo decenal - tese dos 5 + 5.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-002.334
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo para afastar a prescrição do direito de o sujeito passivo restituir indébito relativo a fatos geradores ocorridos a partir de setembro de 1994, com retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para enfrentar as demais questões trazidas na manifestação de inconformidade.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ivan Allegretti e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/1994 a 31/12/1996 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre setembro de 1994 e dezembro de 1996, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicavase o prazo decenal tese dos 5 + 5. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo para afastar a prescrição do direito de o sujeito passivo restituir indébito relativo a fatos geradores ocorridos a partir de setembro de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 24 16 /2 00 4- 53 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 1994, com retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para enfrentar as demais questões trazidas na manifestação de inconformidade. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ivan Allegretti e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López. Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido. A principal matéria deste julgamento versa sobre a perda ou não por parte da Recorrente de seu direito de ver reconhecida a existência de créditos junto à Fazenda Nacional por conta de pagamentos tidos por ela como indevidos a titulo de Cofins, pagamentos estes realizados entre setembro de 1994 e janeiro de 1997, enquanto que a data em que formalizou o Pedido de Restituição se deu em 31/08/2004. Para a Recorrente o prazo seria de dez anos (cinco anos para a homologação tácita, adicionados mais cinco anos do prazo estabelecido no inciso I do artigo 168 do Código Tributário Nacional), enquanto que para a instância de piso, que, adotando a mesma linha da Unidade de origem e se apoiando no inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional, concluiu que o prazo é de apenas cinco anos. Também arguiu a Recorrente em sua peça que a DRJ não teria analisado o seu pedido, que a Administração tributária deveria seguir o entendimento dos tribunais superiores, notadamente, o STJ, que os programas de transmissão das declarações retificadoras não permitiriam aos contribuintes inserir informações com datas superiores a cinco anos, que não haveria isonomia entre os contribuintes que apresentam o pedido eletrônico e aqueles que o fazem em formulário, e, por fim, que a cobrança contra si efetuada em face da decisão da DRJ seria nula, porquanto o seu direito de defesa não teria ainda se exaurido. Decidindo o feito, o Colegiado recorrido negou provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10140.002416/200453 Acórdão n.º 9303002.334 CSRFT3 Fl. 127 3 Período de apuração: 08/09/1994 a 10/01/1997 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Observância aos princípios da estrita legalidade e da segurança jurídica. Recurso Voluntário negado. Inconformado, o sujeito passivo apresentou recurso especial, fls. 94 a 100, onde pugna pelo prazo prescricional decenal da tese dos 5 + 5, A esse recurso foi dado seguimento, nos termos do despacho de fls. 116/117. Contrarrazões vieram às fls. 119 a 130. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. Em seu especial o sujeito passivo pede a aplicação do prazo decenal (tese dos 5 + 5), enquanto a Fazenda Nacional defende a aplicação do art. 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005. Analisando os autos, verificase que o crédito pleiteado referese a fatos geradores ocorridos entre agosto de 1994 e dezembro de 1996, enquanto que o pedido de repetição de indébito foi protocolado em 30 de agosto de 2004 Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, Fl. 135DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10140.002416/200453 Acórdão n.º 9303002.334 CSRFT3 Fl. 128 5 conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 54343, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. AC0RDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621 / RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005, com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, deve todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. D outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, concluise que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame, temse que os créditos pleiteados, na data em que apresentado pedido de repetição, 30 de agosto de 2004, nenhum período fora alcançado pela prescrição, posto que o período de apuração mais remoto referese a agosto de 1994, cujo fato gerador ocorre no último dia do Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 mês, (31/08/1994), um dia antes, portanto, do exaurimento do prazo decenal da decadência. Os referentes a fatos geradores ocorridos posteriormente, por óbvio, também não prescreveram. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso do sujeito passivo para afastar a prescrição dos créditos pleiteados, e determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para que enfrente as demais questões trazidas na manifestação de inconformidade. Henrique Pinheiro Torres Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 18471.002516/2008-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FATOS GERADORES. GUIAS DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL -GFIP.
Não há motivação para adimplir obrigação acessória de apresentação de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social-GFIP nas hipóteses de não ocorrência de fatos geradores que as justifique.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Marcelo Freitas de Souza Costa .
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Ivacir Julio de Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FATOS GERADORES. GUIAS DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP. Não há motivação para adimplir obrigação acessória de apresentação de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência SocialGFIP nas hipóteses de não ocorrência de fatos geradores que as justifique. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Marcelo Freitas de Souza Costa . Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Ivacir Julio de Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 25 16 /2 00 8- 73 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Relatório A instância a quo produziu o Relatório abaixo que, li, compulsei com os autos e , com grifos de minha autoria, o transcrevi na íntegra: “Tratase de Auto de Infração, AI DEBCAD 37.158.2300, lavrado em 26/09/2008, tendo em vista infração ao disposto na Lei n° 8.212/91, art. 32, inciso IV e parágrafo 5°, acrescentado pela Lei d 9.528/97 c/c art. 225 inciso IV, parágrafo 4° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por ter a empresa apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, na competência 01 /2004. 2. A infringência sujeitou à empresa a multa capitulada no artigo 32, parágrafo 5°, da Lei n° 8.212/1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, c/c com o artigo 284, inciso II e art. 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, no valor total de R$ 1.254,89 (um mil, duzentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos). 3. A empresa deixou de informar em GFIP os pagamentos efetuados, em janeiro de 2004, aos contribuintes individuais relacionados no relatório fiscal da infração à fls. 02. 4. O cálculo da multa encontrase detalhado no relatório fiscal da multa à fls. 03. Da Impugnação 5. Inconformada com auto de infração que tomou ciência pessoal em 26/09/2008 (fls. 01), a empresa contestou o lançamento em 28/10/2008, através do instrumento de fls. 17/72, argumentando em síntese: 5.1. Esta impugnação deve ser apreciada conjuntamente com a impugnação apresentada no auto de infração DEBCAD 37.158.2288/COMPROT 18471.002514/200884, "cuja defesa é prejudicial a esta autuação ". 5.2. Os valores objeto deste auto de infração não se referem a pagamentos por prestação de serviços. 5.3. Tratase de uma competição de duplas de futevôlei e o vínculo entre atletas e a entidade organizadora de um evento esportivo não é de prestação de serviços. 5.4.0 "FutFest" distribuiu prêmios por participação e por desempenho. 5.5. "A fiscalização diferenciou os prêmios de participação dos prêmios por desempenho () e partindo do equívoco de que todos os participantes do "FutFest" receberam prêmios por Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 18471.002516/200873 Acórdão n.º 2403002.269 S2C4T3 Fl. 151 3 participação, associou este tipo de remuneração ao pagamento de uma prestação de serviço ". 5.6. Na categoria profissional, uma minoria dos atletas participantes celebrou um contrato atípico para regular sua inscrição e obter certas garantias sobre o evento. Não eram contratos comuns de prestação de serviços. 5.7. " Toda inscrição encerra um contrato. Por meio de una inscrição, o inscrito se compromete a cumprir determinadas regras e se submeter a determinado teste (pode ser um teste esportivo, de conhecimento, etc). Em contrapartida, a entidade que oferece a inscrição se compromete a determinada prestação. Essa prestação pode ser o sorteio de um bem, assegurar uma vaga em determinado estabelecimento de ensino ou o pagamento de um prêmio em dinheiro ". 5.8. O resultado do serviço não reverteu em favor do tomador (não houve retribuição de trabalho em favor da empresa) e sim em favor do próprio atleta, 'que quando participam de uma competição em busca de prêmio trabalham para si mesmos. 5.9. "Os prêmios por desempenho deveriam ser removidos da base de cálculo da contribuição previdenciária. Afinal, segundo a própria fiscalização, este tipo de pagamento não estaria mesmo vinculado à prestação de serviços em si ". Do pedido 5.10. Requer: 5.11.0 cancelamento do auto de infração. 5.12. A exclusão da quantia paga a título de premiação por desempenho. 6. É o Relatório.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.75, a 11ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Rio de Janeiro 1 (RJ) DRJ/RJ1, em 30 de agosto de 2010, exarou Acórdão de n° 1233.013 onde manteve o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 93, onde reiterou as razões de impugnação. É o Relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE O Recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade.Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Na forma do processo n° 18471.002514/200884 de minha relatoria , julgado nesta Sessão de setembro de 2013, a Ementa abaixo transcrita registra que naqueles autos a autuaçao por inadimplemento de obrigações principais que dariam origem ao compulsório cumprimento do exigido no presente não foi anuida por estta E. Turma. Deste modo, utilizandose da máxima de que o acessório segue o principal , há que se dar provimento ao Recurso Voluntário interposto para desconsiderar o crédito tributário constituído para o lançamento em comento. “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/01/2004 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. PRÊMIOS PAGOS EM TORNEIO DE FUTEVÔLEI EM COMPETIÇÃO DE ATLETAS AMADORES. Não caracteriza remuneração de prestação de serviço o pagamento de prêmios pagos em dinheiro aos atletas participantes de torneio amador. CONTRATO ATÍPICO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE.LICITUDE. Embora não disciplinados ou regulados expressamente pelos Códigos Civil, Comercial ou por qualquer lei extravagante, os contratos denominados atípicos são juridicamente admitidos desde que observem, os bons costumes , os princípios gerais de direito e a lei. A celebração de contratos atípicos decorre do Princípio da Autonomia da Vontade, e mesmo sem a devida regulamentação tem respaldo no art. 425 do Código Civil brasileiro, que dispõe ser “ lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código.” Recurso Voluntário Provido.” CONCLUSÃO Fl. 153DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 18471.002516/200873 Acórdão n.º 2403002.269 S2C4T3 Fl. 152 5 Conheço do Recurso para , NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 154DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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