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Numero do processo: 10875.000666/2002-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1997
DCTF. REVISÃO INTERNA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACUSAÇÃO FISCAL DESTITUÍDA DE SUPORTE FÁTICO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
O lançamento cuja motivação é a inexistência de comprovação de processo judicial informado na DCTF como suporte da compensação procedida, deve ser cancelado quando o sujeito comprovar a existência do processo judicial.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3402-001.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACUSAÇÃO FISCAL DESTITUÍDA DE SUPORTE FÁTICO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. O lançamento cuja motivação é a inexistência de comprovação de processo judicial informado na DCTF como suporte da compensação procedida, deve ser cancelado quando o sujeito comprovar a existência do processo judicial. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 06 66 /2 00 2- 01 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10875.000666/200201 Acórdão n.º 3402001.818 S3C4T2 Fl. 268 3 Relatório Versam estes autos de Auto de Infração, mediante o qual o exigese do contribuinte o valor de R$148.150,28, (Cento e quarenta e oito mil, cento e cinquenta reais e vinte e oito centavos), relativos à Contribuição para o PIS do ano calendário de 1997. Segundo o despacho eletrônico emitido pela autoridade fiscal, não houve comprovação do processo judicial apontado pelo contribuinte indicando a suspensão da exigibilidade dos débitos de Janeiro à Dezembro de 1997, bem como não foi localizado o pagamento do débito de maio de 1997. DA IMPUGNAÇÃO Divergindo da exigência e tomando ciência do Auto de Infração em 13/12/2001, o contribuinte apresentou impugnação em 10/01/2002, contrapondose aos lançamentos, argumentando em síntese que: Distribuiu medida cautelar e ação declaratória visando a exclusão de incidência de Contribuição ao PIS sobre o ICMS, e efetuou depósitos judiciais que na autuação, foram cobrados incontroversamente (além da parcela depositada judicialmente o valor de R$ 20.720,00 – recolhido DARF); Enfatiza o fato de que, caso haja decisão contrária a seu entendimento, os depósitos judiciais serão convertidos à União – razão em que alega “não haver sentido prático na autuação”. Utilizase de doutrina sobre pedidos de diligência e perícias ao solicitála para levantamento de informações e documentos bem como feitura de exame pericial contábil na resolução da presente autuação. Solicita que as intimações sejam direcionadas à Diretoria da Contribuinte no endereço constante do preâmbulo. Em análise prévia, a autoridade revisou de ofício sua decisão, mantendo em julgamento os débitos de Janeiro a Dezembro nas parcelas objetos de processo judicial e acolhendo os argumentos do contribuinte quanto ao mês de maio/1997. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, proferiu o Acórdão de nº. 0533.566, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 269DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. LANÇAMENTO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, ainda que restasse confirmada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não obstaculiza a formalização do lançamento. Apenas que, se confirmada a suspensão da exigibilidade, antes do início do procedimento fiscal e vigente à época do lançamento, incabível seria a aplicação de multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de suspensão de exigibilidade não confirmada, apurada em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n ° 11.196/2005. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Preliminarmente, discorre sobre o Decreto n° 70.235/72, e alterações posteriores, o qual, a respeito dos temas "prova", "diligências e perícias" e "juntada de documentos", dispõe que a autoridade pode determinar diligências para deslinde da matéria quando entender necessária, mas que cabe aos sujeitos ativo e passivo da relação tributária a demonstração probatória. Cita ainda que em função de economia processual, é necessária exposição de motivos por parte do contribuinte. Salienta que quando a prova é de fácil produção, inexiste motivo plausível para nova diligência, indeferindo por fim o pedido do contribuinte, por falta de atendimento dos requisitos legais. Ainda, nas palavras do julgador de primeira instância: “Somente se admite a dilação do prazo para formação de prova documental quando: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos”. Superada a questão da diligência, a autoridade julgadora resume em um quadro os valores referentes ao débito de PIS de Janeiro à Dezembro/97, refutando os argumentos do contribuinte quanto a Ação Cautelar e Declaratória, onde o menciona que o sujeito passivo i) Não apresenta cópia das mesmas, mas somente acompanhamento processual; ii) No tocante à medida cautelar, no âmbito do TRF, foram julgadas prejudicadas, em face do julgamento da ação principal. Apesar de tal discussão judicial e devidos depósitos confirmados, não há impedimentos à formalização do crédito tributário conforme Art. 142 CTN, consolidando seu parecer com jurisprudências na esfera administrativa e federal. Então, afasta a multa de ofício em razão das disposições contidas no art. 63 da Lei 9.430/96, e ainda da retroatividade benigna da legislação superveniente. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10875.000666/200201 Acórdão n.º 3402001.818 S3C4T2 Fl. 269 5 Diante do exposto, acolhe em parte a impugnação, negando pedido de perícia, mantendo os valores principais relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS remanescentes, excluindo a multa de ofício sobre eles aplicada, sendo necessária a verificação em conta dos depósitos ou sua conversão de renda para União. DO RECURSO Ciente em 11/05/2011 e não concordando com a decisão proferida pela 5a Turma de Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, o contribuinte apresentou em 10/06/2011 Recurso Voluntário a este Conselho. Inicialmente, solicita que seja intimada a eleita representante legal na pessoa de Cristiane Romano (OAB/SP n° 123.771), com endereço em Brasília/DF. Após fazer uma síntese dos fatos ocorridos até a data da apresentação do Recurso Voluntário, o sujeito passivo alega, em uma apertada síntese que: A autuação necessita de reforma quanto aos lançamentos de débitos de PIS para os meses de Janeiro à Dezembro do ano de 1997, ao ressalvar já haver sentença transitada em julgado sobre a discussão – mencionando o acórdão favorável ao sujeito passivo proferido pela autoridade fiscal, cabendo então apenas verificar quais valores deverão ser convertidos em renda para a União e quais serão levantados pelo contribuinte. Supera a questão de prevenção de decadência alegada pelo fisco, ao mencionar o instituto da coisa julgada (Art. 467 e 468 do CPC) Protesta pela juntada de documentos que se façam necessários, pela produção de provas em direito admitidas, tais como: estatuto social, procuração e substabelecimento a fim de regularizar sua representação processual. Após todo o exposto, solicita o cancelamento integral do auto de infração como forma de restaurar a ordem jurídica e o respeito à coisa julgada. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerados até a folha 220 (duzentos e vinte), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 Voto O recurso é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Analisando o mérito da questão tratada nestes autos, percebese que a compensação pretendida pelo contribuinte foi indeferida ante a suposta inexistência do processo judicial que ampara as compensações de débitos confessados nas DCTF. Diante dessa situação, devemos nos reportar às fls. 19 a 25 destes autos, onde o contribuinte comprova a existência do processo judicial que embasou as suas compensações pretendidas, juntando, inclusive, certidão narratória (fls. 28) da Apelação Cível em trâmite perante do TRF/3ªR. Tratase do Ação Declaratória nº 9032894 – Distribuída na 8ª Vara Federal de São Paulo, em 18/08/86, que objetivava provimento jurisdicional para declarar a inexistência do então autor a recolher a contribuição para o PIS, com inclusão de parcela relativa ao ICM (hoje ICMS) e também com a inclusão de parcela sobre eventual venda de bens do ativo fixo e devoluções de mercadorias. Diante disto, temos que o processo judicial que se tinha como inexistente, existe de fato, fazendo com que a autuação realizada contra o contribuinte tornese carecedora de suporte fático ao fundamento do ato administrativo. Vemos que a única razão para que as compensações pretendidas fossem negadas era a inexistência do processo judicial indicado, de forma que, se comprovada a existência de dito processo judicial, devase declarar a improcedência do lançamento fiscal. Contrariando esta lógica, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP decidiu por considerar correto o lançamento, pois que entende que ainda que haja concomitância com ação judicial acerca da matéria o lançamento pode ser formalizando, devendose apenas excluir a multa aplicada, em razão de existirem comprovados depósitos judiciais nos autos. Neste tocante, friso que a DRJ ao assim proferir seu entendimento, comprova o reconhecimento de ação judicial nos autos, sem, no entanto, confrontála com o fundamento do lançamento. Ora, se a própria DRJ reconheceu a existência de processo judicial com mérito idêntico ao tratado nestes autos, por óbvio que todo o suporte fático para o indeferimento das compensações pretendidas foi devidamente contraditado, restando superada a motivação do Ato Administrativo de lançamento, constatandose que na verdade a DRJ está modificando os fundamentos constantes no inicial ato fiscal. Assim, havendo comprovação de que os autos indicados na DCTF efetivamente existem, há de se decidir pelo indeferimento do lançamento fiscal, por desrespeito ao comando contido no artigo 10 do Decreto 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, e as atividades vinculadas da Administração Pública, pois que não se admite alteração do motivo determinante do ato administrativo no curso do processo administrativo fiscal. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10875.000666/200201 Acórdão n.º 3402001.818 S3C4T2 Fl. 270 7 Neste sentido, em respeito ao comando legal acima citado, tenho que ausente o motivo determinante do lançamento, qual seja, aquele indicado nos demonstrativos que acompanham a autuação como “processo judicial não comprovado”, estáse diante da afronta ao princípio da legalidade a que está estritamente vinculada a atividade da Autoridade Administrativa em questão, tudo conforme comanda também a Constituição Federal, em seu artigo 37. Suportando o entendimento até aqui expressado, temos o trecho da declaração de voto proferida pelo julgador Jorge Frederico Cardoso de Menezes, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR, nos autos do processo n: 10930.003517/200283: [...] O auto de infração foi lavrado em virtude de não ter sido comprovada a existência da ação judicial informada pelo contribuinte na DCTF, relativamente a débito de COFINS de dezembro de 1997. Ante a incomprovação da existência do processo judicial, o Fisco, ao proceder o lançamento em causa, sequer tomou conhecimento de aspectos que só foram carreados para os autos após a impugnação e que não corroboram, pois, bem ao contrário, até evidenciam a inexatidão do motivo que ensejou a autuação em exame, eis que, em razão da existência da ação judicial que reconheceu haver direito creditório devido ao contribuinte, outros passaram a ser os pressupostos que, em tese, autorizariam a lavratura do feito, além do que, na mesma esteira, a autoridade lançadora tampouco cientificou o contribuinte desses novos pressupostos. No caso dos autos, além de a ação judicial em apreço ter transitado em julgado com sentença favorável ao contribuinte, a meu juízo, afigurase equivocada a tese segundo a qual, ao ingressar com uma ação judicial colimando a convalidação de um determinado critério jurídico, relativo ao procedimento compensatório, o contribuinte teria, em função disso, renunciado à própria faculdade de proceder à compensação espontânea sob sua própria conta e risco, na forma como já lhe havia sido conferida pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991. Além de a referida tese carecer do necessário suporte legal e, de certa forma, inobservar a garantia constitucional incutida no inciso XXXV do art. 5º da Carta da República, é forte na doutrina e na jurisprudência a exegese no sentido de que a compensação efetuada pelo próprio contribuinte nos termos do precitado diploma constitui modalidade diferenciada de extinção do crédito tributário, que não se afeiçoa à compensação prevista pelo art. 170 do CTN, mas sim a uma forma de pagamento antecipado que, em regra, só extingue definitivamente o crédito tributário quando o procedimento é homologado pelo Fisco, ocasião em que a autoridade administrativa deve verificar a liquidez e a certeza do crédito contraposto ao débito que o contribuinte pretendeu compensar. [...] O procedimento in casu é totalmente eletrônico e não obstante a sua validade, visto que autorizado por autoridade competente, Fl. 273DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 8 fundamentase apenas no estreito limite desse cruzamento de informações. A descrição do fato, requisito de validade do auto de infração e elemento essencial ao exercício do direito à ampla defesa do sujeito passivo, encontrase no âmbito de competência da autoridade lançadora, descabendo à autoridade julgadora suprilo, ao argumento de que a exigência seria válida sob o prisma da “falta de recolhimento”. Ora, a falta de recolhimento é, em sentido amplo e via de regra, a razão de qualquer lançamento de ofício efetuado de modo a constituir o crédito tributário. Vale dizer, em linguagem mais simples, que o Fisco não pode, durante o procedimento, atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora, já no âmbito do processo, fazêlo acertar no que não viu, subtraindo ao impugnante o direito de opor contrarazões, quaisquer que sejam, sem que isto, pelo menos a meu juízo, resulte na preterição do direito de defesa do contribuinte autuado. É dizer, em uma frase – não se pode autuar primeiro para só fiscalizar depois. [...]. Merece ainda ser citada ainda a seguinte decisão proferida nos autos do Recurso Voluntário nº 10875.000661/200277, apreciado por esta mesma Turma julgadora, de relatoria do Conselheiro Julio César Alves Ramos, que teve como voto vencedor o da Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, do qual extraímos o seguinte trecho: [...] Portanto, traduzindo a acusação fiscal, o suporte fático da autuação seria a não comprovação da existência do processo judicial indicado na DCTF para vincular aos débitos confessados do IPI. Ora, por ocasião da impugnação, a contribuinte logrou comprovar que o processo informado na DCTF, com efeito, existe e, conforme cópia da petição inicial trazida aos autos pela então impugnante, o referido processo tem por objeto a exclusão da multa de mora exigida em processos de parcelamento de débitos do IPI e a compensação dos valores dessa multa indevidamente pagos com débitos do mesmo tributo. À vista da impugnação e dos documentos que a acompanharam, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário (Secai) da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em GuarulhosSP verificou que não havia, no processo judicial, decisão favorável à pretensão nele deduzida e que, portanto, o débito confessado do IPI não se encontrava com a exigibilidade suspensa, conforme informado pela contribuinte nas DCTF. Foi então proferido, na unidade preparadora dos autos, o despacho de fl. 65, no qual informouse a inexistência da suspensão de exigibilidade afirmada na DCTF e encaminhouse este processo para julgamento da impugnação apresentada, sem, contudo, cientificar a contribuinte das verificações realizadas após a protocolização da peça impugnatória que culminaram no referido despacho. Diante disso, entendo que a acusação fiscal foi inovada, pois, no auto de infração, essa acusação é que não ficou comprovada a existência do processo judicial informado e, após ter a contribuinte comprovado essa existência, a acusação passou a ser que a o débito confessado na DCTF não estava com a exigibilidade suspensa. Ora, uma vez que a contribuinte não foi cientificada dessa nova acusação fiscal, a acusação que permaneceu para ser examinada na apreciação da impugnação e do recurso é a que afirma a inexistência do processo judicial Fl. 274DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10875.000666/200201 Acórdão n.º 3402001.818 S3C4T2 Fl. 271 9 informado na DCTF e, com essa acusação a peça fiscal é improcedente, visto que a contribuinte, na fase impugnatória, comprovou essa existência. Destarte, estando demonstrada a inexistência do suporte fático da autuação, impõese a decretação da improcedência do lançamento e não a alteração do seu suporte fático, como o fez a instância recorrida, ao manter o lançamento sob o argumento de que o processo judicial não ampara a suspensão da exigibilidade declarada pela contribuinte. E nestes autos deuse de maneira similar, não tendo havido nova intimação para que houvesse defesa contra o novo motivo que passou a sustentar a autuação, de modo que o que está em julgamento, é o lançamento lastreado no despacho eletrônico, cuja motivação é “processo judicial não comprovado”, mas que acabou sendo comprovado com a impugnação. Diante do exposto, à vista de restar pelo contribuinte, nestes autos, comprovada a ausência de motivação que deu azo ao lançamento fiscal aqui discutido, considero extinto o motivo do lançamento efetuado pela Administração Pública, pelo que o mesmo merece ser cancelamento, em atenção ao princípio da legalidade a que está vinculada a atividade administrativa do lançamento. Assim sendo, voto no sentido de dar provimento do recurso. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11060.903941/2009-55
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
DCTF RETIFICADORA. REDUÇÃO DO DÉBITO.
Acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação).
Numero da decisão: 3802-001.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. DCTF RETIFICADORA. REDUÇÃO DO DÉBITO. Acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 39 41 /2 00 9- 55 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1528.615, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – DRJ/SDR, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem explicitar os atos e fatos ocorridos nos presentes autos até o momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, tomase de empréstimo o relatório formulado pelo julgador a quo: “A interessada transmitiu em 12/12/2006 PER/DCOMP eletrônico visando utilizar crédito no valor original de R$3.449,98 do DARF da Cofins relativo a janeiro de 2004, no valor total de R$11.614,59, na compensação de débito declarado. A DRF/Santa Maria emitiu Despacho Decisório não homologando a compensação sob o argumento de que o pagamento estava alocado ao débito da Cofins do PA 31/01/2004. Irresignada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade informando a retificação da DCTF em 09/07/2009, por ter sido preenchida incorretamente, conforme DIPJ/2005, também entregue na mesma data.” Ante as alegações do sujeito passivo e da documentação carreada aos autos, a autoridade julgadora de 1ª instância achou por bem negar provimento à pretensão da contribuinte, sintetizando suas razões na forma da ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 12/12/2006 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SOLICITAÇÃO DE ALTERAÇÃO IMOTIVADA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifiquem a alteração dos valores registrados em DCTF. DCTF RETIFICADORA POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. NÃO ADMISSÃO. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11060.903941/200955 Acórdão n.º 3802001.709 S3TE02 Fl. 112 3 Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. COMPENSAÇÃO. Deixase de homologar a compensação quando não comprovado o crédito objeto do PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Para a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – DRJ/SDR, as modificações efetuadas pela contribuinte na DCTF retificadora, quanto às informações antes prestadas, não tem o condão de tornar irregular a decisão administrativa que se pretende ver reformada. Ademais, além da apresentação da DCTF retificadora após o Despacho Decisório, verificase que inexistem nos autos provas do crédito indicado no PER/DCOMP. Não se conformando com a decisão em comento, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual alega que “os referidos autos de infrações foram lançados de ofício, não dando a oportunidade para a Empresa justificar junto ao Órgão competente ou até mesmo proceder à retificação das informações registradas incorretamente nas DCTF´s, referentes ao exercício de 2004”. Acrescenta ainda que “na análise da decisão que enseja o presente recurso, podemos evidenciar que tal fato não é relevado pelos julgadores, deixando de declarar o direito do contribuinte em poder, no mínimo, retificar as informações eventualmente lançadas como incorretas na DCTF´s. Não disponibilizar a presente possibilidade de retificação bem como lançar de ofício os autos de infrações cerceia o direito do contribuinte em reparar eventual equívoco previsto legalmente, haja vista entender ser ato arbitrário do órgão administrativo”. Finaliza sua defesa afirmando que “não prospera a alegação de que a DCTF retificadora não está cercada de legalidade e dentro do procedimento correto por ter sido transmitida após despacho decisório. Assim sendo, não está eivada de nenhum vício.”. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Inicialmente, é forçoso mencionar que, ao contrário das afirmações tecidas pela Recorrente, a glosa de compensação efetuada nos presentes autos não tem o condão de constituir o crédito tributário correlato. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 O Despacho Decisório que denega a declaração de compensação não se presta para constituição do crédito tributário, o que se dá por meio de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, conforme disposto nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, não se confundindo um procedimento com o outro. Dito isto, importante esclarecer que o crédito alegado pela recorrente teria origem no suposto pagamento a maior de Cofins ocorrido em 13/02/2004 no valor de R$11.614,59, sendo R$6.825,02 deste total, indevidos. A Recorrente pretendeu se utilizar de R$3.449,98 da parcela supostamente recolhida indevidamente para compensação com débito declarado. Isto porque, de acordo com a informação veiculada pela interessada através de DCTF retificadora, o montante devido a título de Cofins seria de R$4.629,71 e não de R$11.614,59, como originalmente declarado. Ocorre que, além de ter enviado a DCTF retificadora após a ciência do Despacho Decisório, a Recorrente não trouxe aos autos qualquer documentação que comprovasse o pagamento a maior ou sequer demonstrou as razões de direito para a redução do débito. Releva notar que a DIPJ é declaração de caráter meramente informativo, não se prestando para que o contribuinte confesse a dívida detida para com o Fisco de forma a constituir o crédito tributário, natureza jurídica esta reservada à DCTF. Ou seja, para fins de constituição do crédito tributário exigível, o que valem são as informações transmitidas através da DCTF. Assim, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificála antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN. Em que pese a referência do dispositivo legal citado à declaração de prestação de informações indispensáveis ao lançamento, admitese, por analogia, sua aplicação quanto à retificação de débitos apurados pelo sujeito passivo e confessados em DCTF, como assevera LEANDRO PAULSEN, que assim leciona: “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendose em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitam se a lançamento por homologação vinculados a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147, tem sido bastante invocado e aplicado para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata e. a contratrio sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações” (...) (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 12ª edição, Livraria do Advogado, ESMARFE, Porto Alegre, 2010, p. 1026) Fl. 53DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11060.903941/200955 Acórdão n.º 3802001.709 S3TE02 Fl. 113 5 Resta claro, portanto, que acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já reiteradamente por esta Eg. Turma Especial, em consonância com todo o CARF. Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. Insta salientar que a simples transmissão de declaração retificadora com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é bastante para legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor da Cofins era efetivamente o devido. Tal se dá pelo simples fato de que o processo administrativo de revisão da compensação não faz – como não o poderia – as vezes de mero retificador de DCTF após o prazo ordinário. A retificação da DCTF pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que isso aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade. Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Neste espeque, repisese que a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve erro na composição da base de cálculo da Cofins declarada na DCTF originária. Por consequência, tampouco restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que supostamente decorrente do engano cometido na apuração do tributo. Assim sendo, não há fundamentos para a homologação da compensação promovida pela Recorrente. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 54DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721019/2011-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALIMENTAÇÃO - CONCESSÃO DE CESTAS BÁSICAS - ALIMENTAÇÃO IN NATURA - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - POSICIONAMENTO DA PGFN NO ATO DECLARATÓRIO 03/2011 - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
Conforme o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011, a PGFN, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
Desta forma, como o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 se amolda ao disposto no art. 62, parágrafo único, inciso II, alínea a do Anexo II do Regimento Interno do CARF, tem-se então que a concessão de alimentação in natura aos segurados a título de vale-alimentação não implica em incidência de contribuição previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para: (i) reconhecer a decadência até a competência 04/2006, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN - em relação aos AIOP nº. 37.329.547-2; AIOP nº. 37.329.547-2; AIOP nº. 37.329.549-9, AIOA nº. 37.303.127-0; (ii) Excluir dos AIOP e AIOA a tributação incidente em relação ao Código de Levantamento CESTA BÁSICA e ao Código de levantamento REFEIÇÃO; (iii) Em relação aos AIOP nº. 37.329.547-2; AIOP nº. 37.329.547-2; AIOP nº. 37.329.549-9: determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte; e (iv) Em relação ao AIOA nº. 37.303.127-0: se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para: (i) reconhecer a decadência até a competência 04/2006, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN - em relação aos AIOP nº. 37.329.547-2; AIOP nº. 37.329.547-2; AIOP nº. 37.329.549-9, AIOA nº. 37.303.127-0; (ii) Excluir dos AIOP e AIOA a tributação incidente em relação ao Código de Levantamento CESTA BÁSICA e ao Código de levantamento REFEIÇÃO; (iii) Em relação aos AIOP nº. 37.329.547-2; AIOP nº. 37.329.547-2; AIOP nº. 37.329.549-9: determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte; e (iv) Em relação ao AIOA nº. 37.303.127-0: se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALIMENTAÇÃO - CONCESSÃO DE CESTAS BÁSICAS - ALIMENTAÇÃO IN NATURA - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - POSICIONAMENTO DA PGFN NO ATO DECLARATÓRIO 03/2011 - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Conforme o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011, a PGFN, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Desta forma, como o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 se amolda ao disposto no art. 62, parágrafo único, inciso II, alínea a do Anexo II do Regimento Interno do CARF, tem-se então que a concessão de alimentação in natura aos segurados a título de vale-alimentação não implica em incidência de contribuição previdenciária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 19 /2 01 1- 35 Fl. 684DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALIMENTAÇÃO CONCESSÃO DE CESTAS BÁSICAS ALIMENTAÇÃO IN NATURA EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT POSICIONAMENTO DA PGFN NO ATO DECLARATÓRIO 03/2011 NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Conforme o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011, a PGFN, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Desta forma, como o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 se amolda ao disposto no art. 62, parágrafo único, inciso II, alínea a do Anexo II do Regimento Interno do CARF, temse então que a concessão de alimentação in natura aos segurados a título de valealimentação não implica em incidência de contribuição previdenciária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.721019/201135 Acórdão n.º 2403002.030 S2C4T3 Fl. 238 3 Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para: (i) reconhecer a decadência até a competência 04/2006, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN em relação aos AIOP nº. 37.329.5472; AIOP nº. 37.329.5472; AIOP nº. 37.329.5499, AIOA nº. 37.303.1270; (ii) Excluir dos AIOP e AIOA a tributação incidente em relação ao Código de Levantamento CESTA BÁSICA e ao Código de levantamento REFEIÇÃO; (iii) Em relação aos AIOP nº. 37.329.5472; AIOP nº. 37.329.5472; AIOP nº. 37.329.5499: determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte; e (iv) Em relação ao AIOA nº. 37.303.1270: se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Fl. 686DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.721019/201135 Acórdão n.º 2403002.030 S2C4T3 Fl. 239 5 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – DRESSER RAND DO BRASIL LTDA contra Acórdão nº 0535.768 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas – SP que julgou procedente as autuações: (i) Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.329.5472, contribuição empresa + RAT, com valor consolidado de R$ 733.394,29; (ii) Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.329.5472, contribuição de segurados, com valor consolidado de R$ 733.394,29; (iii) Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.329.5499, contribuição a Terceiros com valor consolidado de R$ 85.685,09; (iv) Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – CFL 30 nº. 37.329.5502, com valor consolidado de R$ 1.523,57. (v) Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – CFL 34 nº. 37.329.5510, com valor consolidado de R$ 15.235,55. (vi) Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – CFL 35 nº. 37.329.5529, com valor consolidado de R$ 15.235,55. (vii) Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – CFL 68 nº. 37.303.1270, com valor consolidado de R$ 17.753,86. A Autuação referese às obrigações principais e acessórias que têm por objeto a exigência das contribuições de segurados, das destinadas ao Fundo de Previdência e Assistência Social – FPAS, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa do trabalho – GILRAT e a outras entidades – FNDE, SESI, SENAI, INCRA e SEBRAE, além de descumprimento de obrigação acessória. Em relação às obrigações principais, segue trechos do Relatório Fiscal transcritos no Relatório da decisão de primeira instância: 6 Constituem fatos geradores das contribuições ora lançadas: 6.1 Divergências entre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores empregados, constante das Folhas de Pagamento e a remuneração efetivamente declarada em GFIP, no período abrangido pelas competências 04/2006 a 07/2006, 11/2007 e 12/2007, lançadas sob código de levantamento "FP1" e discriminadas, por trabalhador, no ANEXO I; 6.2 Rubricas constantes das Folhas de Pagamento, sem incidência de contribuição previdenciária, nas competências 04/2006, 12/2006, 02/2007, 04/2007, 05/2007 e 08/2007, quais sejam: código 3350 Bônus; código 3559 Prêmio e Fl. 688DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 código 3974 Cesta (paga em dinheiro). Valores lançados sob código de levantamento "FR1" e discriminados, por trabalhador, no ANEXO II; 6.3 Remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores Contribuintes Individuais, no período abrangido pelas competências 01/2006 a 02/2007 e de 05/2007 a 12/2007, apuradas com base nos lançamentos contábeis e documentos comprobatórios apresentados pela empresa, lançadas sob códigos de levantamento "PF" e "PF1" e discriminadas no ANEXO III. Ressaltese que, vários dos contribuintes individuais relacionados no Anexo III foram, indevidamente, considerados pelo sujeito passivo como "Empresário Individual" Pessoa jurídica, pelo simples fato de possuírem inscrição no CNPJ. Tratase, no entanto de prestadores de serviço pessoa física, sem inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis, que pudesse enquadrálos no conceito de "Empresários", conforme definido no Código Civil Lei 10.406, de 10/01/2002, artigos 966 e 967, a saber: (...). 6.4 Valores pagos, devidos ou creditados aos trabalhadores empregados, através de CARTÕES DE PREMIAÇÃO, no período abrangido pelas competências 02/2006, 06/2006, 10/2006, 01/2007 e 06/2007, apuradas com base nas Notas Fiscais emitidas pela empresa "INCENTIVE HOUSE S.A.", inscrita no CNPJ sob n° 00.416.126/000141 e respectivas planilhas com a relação dos trabalhadores beneficiados, fornecidas pelo contribuinte, sendo lançados sob código de levantamento "CP" e "CP1" e discriminados no ANEXO IV; 6.5 Valores "in natura", sob a forma de CESTA BÁSICA oferecida aos trabalhadores empregados no período abrangido pelas competências 06/2006, 12/2006 e de 01/2007 a 12/2007, apurados com base nos lançamentos contábeis e planilha, com a relação dos trabalhadores beneficiados, fornecida pelo contribuinte. Os citados valores foram considerados como complemento salarial, uma vez a empresa não comprovar a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, no período da apuração, sendo lançados sob código de levantamento "CB" e discriminados no ANEXO V; 6.6 Valores "in natura", sob a forma de REFEIÇÃO oferecida aos trabalhadores empregados no período abrangido pelas competências 01/2006 a 12/2007, apurados com base nos lançamentos contábeis e planilha fornecida pelo sujeito passivo, contendo: competência, fornecedor e número de trabalhadores beneficiados. Os citados valores foram considerados como complemento salarial, uma vez a empresa não comprovar a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, no período da apuração, sendo lançados sob código de levantamento "AL" e discriminados no ANEXO VI; 6.7 Retenções previstas na Lei 9.711/98, presumidas como retidas pelo contribuinte, na qualidade de empresa tomadora de serviços mediante cessão de mão de obra, relativamente à prestação de serviço das seguintes empresas: • ABB Ltda CNPJ 61.074.829/000808 período abrangido pelas competências 03/2007, 06/2007 e 10/2007, lançado sob o código Fl. 689DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.721019/201135 Acórdão n.º 2403002.030 S2C4T3 Fl. 240 7 de levantamento "RA"; • Empresa Brasileira de Segurança e Vigilância Ltda CNPJ 57.574.154/000295 período abrangido pelas competências: 01/2006 a 05/2006, 07/2006 a 12/2006, lançado sob código de levantamento "RE". • RH Poli Serviços de Processamento de Dados Ltda – CNPJ 74.535.915/000138 período abrangido pelas competências 08/2007 a 12/2007, lançado sob código de levantamento "RR"; 6.7.1 Relativamente à prestadora de serviços ABB LTDA, temos a esclarecer que, com base na documentação apresentada, à fiscalização (Proposta Técnico Comercial n° 482447C e Notas Fiscais/Faturas de serviço), juntamente com os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, restou caracterizado tratarse de prestação de serviços de manutenção de máquinas, mediante cessão de mão de obra, em dependência de terceiros, serviço previsto no inciso XIV, artigo 146 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03 de 14/07/2005 (vigente até 16/11/2009) e, atualmente no artigo 118 da Instrução Normativa 971 de 13/11/2009, como sujeito à retenção. (...). 6.7.2 Ainda, com relação à empresa ABB Ltda, cabe ressaltar que, não constam discriminados, nas Notas Fiscais/Faturas, quaisquer valores, seja de materiais ou de equipamentos, que possam ensejar a redução da base de cálculo da retenção. 6.7.3 Relativamente à prestadora de serviços Empresa Brasileira de Segurança e Vigilância Ltda, cabe salientar que, em resposta ao Termo de Intimação n° 06, o sujeito passivo apresentou o Mandado de Segurança processo n° 1999.61.00.0479806, no qual a prestadora pleiteia determinação judicial no sentido de que as empresas tomadoras de seu serviço não sejam obrigadas a proceder a retenção a que se refere a Lei 9.711/98. Em Decisão, datada de 08/11/1999, a Medida Liminar foi deferida, EM PARTE, sendo relacionados os tomadores de serviço que poderão absterse da retenção. Outrossim, o sujeito passivo ora fiscalizado não consta da referida relação, razão pela qual os valores devidos estão sendo incluídos no presente Auto de Infração; 6.7.4 A composição do presente crédito encontrase discriminada no ANEXO VII. Em relação às obrigações acessórias, segue trechos do Relatório Fiscal transcritos no Relatório da decisão de primeira instância: A empresa descumpriu vários dispositivos legais, que resultou na lavratura dos seguintes Autos de Infração: DEBCAD 37.329.5502 Infração ao inciso I, artigo 32 da Lei 8.212/91, combinado com o parágrafo 9º, inciso I, artigo 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, isto é, as Folhas de Pagamento de Salários apresentadas pela empresa, relativas ao período de Fl. 690DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 01/2006 a 12/2007, não especificam as remunerações pagas aos contribuintes individuais que lhes prestaram serviços. Tais pagamentos estão discriminados no Anexo III. DEBCAD 37.329.5510 Infração ao inciso II, artigo 32 da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 225, Inciso III e §§ 13 a 17 do RPS/1999. O sujeito passivo deixou de lançar, mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, exemplificados na planilha que consta no item 12.2, do Relatório Fiscal. DEBCAD 37.329.5529 Lavrado pelo descumprimento da obrigação prevista no inciso III, artigo 32 da Lei n° 8.212/91, na Lei 10.666, de 08/05/2003, artigo 8º, combinado com o artigo 225, Inciso III e § 22 do RPS/1999. A DRESSER deixou de apresentar a relação dos trabalhadores beneficiados com Cesta Básica nas competências 06/2006, 12/2006, 01/2007 e 02/2007 e a planilha discriminativa dos valores relativos a Alimentação, no período de 01/2006 a 12/2007, contendo: competência, Nome do Trabalhador, NIT e valor. A Auditora informa, ainda, que o não atendimento destas solicitações, por parte da Empresa, implicou no lançamento dos valores totais, por competência, sem a discriminação dos trabalhadores, conforme demonstrado nos Anexos V e VI, bem como na aferição dos valores relativos à contribuição dos trabalhadores empregados. DEBCAD 37.329.1270 A empresa, ora autuada, apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no inciso IV e parágrafo 5º artigo 32, Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9528, de 10.12.97, combinado com o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do RPS/1999. Não foram declarados na GFIP: 14.2.1 Remuneração e/ou parte da remuneração dos trabalhadores contribuintes individuais a seu serviço, no período abrangido pelas competências 01/2006 a 12/2006, 01/2007, 02/2007, 05/2007 a 10/2007 e 12/2007; 14.2.2 Parte da remuneração de trabalhadores empregados (já especificadas no item 6.1), no período abrangido pelas competências 04/2006 a 07/2006 e 12/2006; 14.2.3 Rubricas sem incidência em folha de pagamento (conforme item 6.2), no período abrangido pelas competências 04/2006, 12/2006, 02/2007, 04/2007, 05/2007 e 08/2007; 14.2.4 Valores relativos a cartões de premiação (conforme especificado no item 6.4), no período abrangido pelas competências 02/2006, 06/2006, 10/2006, 01/2007 e 06/2007; 14.2.5 Valores relativos a Cesta Básica (conforme especificado no item 6.5), no período abrangido pelas competências 06/2006, 12/2006, 01/2007 a 12/2007 e valores relativos a Refeição (conforme item 6.6), no período de 01/2006 a 12/2007. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.721019/201135 Acórdão n.º 2403002.030 S2C4T3 Fl. 241 9 O relatório Fiscal informa que foi elaborada uma comparação das multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e as impostas pela legislação superveniente, tendo sido aplicadas as penalidades menos severas para o contribuinte, conforme demonstrado no relatório "SAFIS COMPARAÇÃO DE MULTAS", sendo incluídas neste Al as competências 03/2007 e 06/2007. A Recorrente teve ciência do AIOP e do AIOA em 03.05.2011, conforme fls.01. O período objeto dos AIOP e AIOA é de 01/2006 a 12/2007. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o relatório da decisão de primeira instância: A impugnação apresentada referese exclusivamente aos fatos geradores indicados nos itens 6.5 e 6.6 do Relatório Fiscal – CESTA BÁSICA e REFEIÇÃO. Contesta a exigência das contribuições incidentes sobre as verbas despendidas com alimentação a seus funcionários, quer seja sob a forma de Cestas Básicas, quer seja Refeição, apenas por não estar inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador– PAT. Reclama que um simples formalismo não pode transformar um benefício in natura em salário de contribuição previdenciário. Informa que o levantamento ficou restrito ao período anterior à sua inscrição no PAT, o que reforça o apego ao formalismo. Em longo texto, cita doutrina e jurisprudência para fazer prevalecer sua tese de não incidência da contribuição social sobre as verbas pagas a título de Alimentação. Alega que: Em nenhum momento as Leis n° 6.321/76 (instituidora do PAT) e n° 8.212/91 (custeio da Previdência Social) mencionam que os valores despendidos por empresas não inscritas no PAT com a alimentação de seus funcionários constituirão salário de contribuição. Requer que, demonstrada a insubsistência dos itens 6.5 e 6.6 do relatório fiscal referente aos Autos de Infração n° 37.303.1270, 37.329.5472, 37.329.5480, 37.329.5499, 37.329.5502, 3.7329.5510 e 37.329.5529, sejam eles julgados improcedentes, cancelandose as exigências fiscais neles contidas. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0535.768 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Fl. 692DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. Incidem contribuições previdenciárias e as destinadas a outras entidade e fundos sobre a alimentação fornecida aos segurados empregados quando a empresa não estiver inscrita no PAT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, em desacordo com as normas estabelecidas; Deixar de lançar, mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições; Deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras, contábeis, de interesse da Secretaria da Receita Federal do Brasil; e Deixar a empresa de informar mensalmente ao INSS, através de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, os dados correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Constituem infrações puníveis na forma da Lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar IMPROCEDENTE a impugnação apresentada e MANTER O CRÉDITO TRIBUTÁRIO ora exigido, por meio dos Autos de Infração nº 32.329.5472, 37.329.5480, 37.329.5499, 37.329.5502, 37.329.5510, 37.329.5529 e 37.303.1270, conforme voto da relatora. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. À DRF jurisdicionante, para dar ciência deste acórdão ao sujeito passivo e demais providências. Sala de Sessões, em 04 de outubro de 2011. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário para as autuações AIOP e AIOA, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Ao verificar as infrações apontadas pelos Agentes Fiscais, a recorrente concluiu que, realmente, a maioria dos valores cobrados eram, de fato, devidos e, assim, decidiu fazer o Fl. 693DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.721019/201135 Acórdão n.º 2403002.030 S2C4T3 Fl. 242 11 correspondente recolhimento com o benefício da redução da multa, conforme guias de pagamento juntadas com a Defesa; (ii) Recorre apenas dos tributos incidentes sobre valores in natura pagos sob a forma de cestas básicas e sob a forma de refeição. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 675. É o Relatório. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 675. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. (A.1) Em relação às obrigações principais AIOP A Autuação referese às obrigações principais e acessórias que têm por objeto a exigência das contribuições de segurados, das destinadas ao Fundo de Previdência e Assistência Social – FPAS, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa do trabalho – GILRAT e a outras entidades – FNDE, SESI, SENAI, INCRA e SEBRAE, além de descumprimento de obrigação acessória. Em relação às obrigações principais, segue trechos do Relatório Fiscal transcritos no Relatório da decisão de primeira instância: 6 Constituem fatos geradores das contribuições ora lançadas: 6.1 Divergências entre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores empregados, constante das Folhas de Pagamento e a remuneração efetivamente declarada em GFIP, no período abrangido pelas competências 04/2006 a 07/2006, 11/2007 e 12/2007, lançadas sob código de levantamento "FP1" e discriminadas, por trabalhador, no ANEXO I; 6.2 Rubricas constantes das Folhas de Pagamento, sem incidência de contribuição previdenciária, nas competências 04/2006, 12/2006, 02/2007, 04/2007, 05/2007 e 08/2007, quais sejam: código 3350 Bônus; código 3559 Prêmio e código 3974 Cesta (paga em dinheiro). Valores lançados sob código de levantamento "FR1" e discriminados, por trabalhador, no ANEXO II; 6.3 Remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores Contribuintes Individuais, no período abrangido pelas competências 01/2006 a 02/2007 e de 05/2007 a 12/2007, apuradas com base nos lançamentos Fl. 695DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.721019/201135 Acórdão n.º 2403002.030 S2C4T3 Fl. 243 13 contábeis e documentos comprobatórios apresentados pela empresa, lançadas sob códigos de levantamento "PF" e "PF1" e discriminadas no ANEXO III. Ressaltese que, vários dos contribuintes individuais relacionados no Anexo III foram, indevidamente, considerados pelo sujeito passivo como "Empresário Individual" Pessoa jurídica, pelo simples fato de possuírem inscrição no CNPJ. Tratase, no entanto de prestadores de serviço pessoa física, sem inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis, que pudesse enquadrálos no conceito de "Empresários", conforme definido no Código Civil Lei 10.406, de 10/01/2002, artigos 966 e 967, a saber: (...). 6.4 Valores pagos, devidos ou creditados aos trabalhadores empregados, através de CARTÕES DE PREMIAÇÃO, no período abrangido pelas competências 02/2006, 06/2006, 10/2006, 01/2007 e 06/2007, apuradas com base nas Notas Fiscais emitidas pela empresa "INCENTIVE HOUSE S.A.", inscrita no CNPJ sob n° 00.416.126/000141 e respectivas planilhas com a relação dos trabalhadores beneficiados, fornecidas pelo contribuinte, sendo lançados sob código de levantamento "CP" e "CP1" e discriminados no ANEXO IV; 6.5 Valores "in natura", sob a forma de CESTA BÁSICA oferecida aos trabalhadores empregados no período abrangido pelas competências 06/2006, 12/2006 e de 01/2007 a 12/2007, apurados com base nos lançamentos contábeis e planilha, com a relação dos trabalhadores beneficiados, fornecida pelo contribuinte. Os citados valores foram considerados como complemento salarial, uma vez a empresa não comprovar a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, no período da apuração, sendo lançados sob código de levantamento "CB" e discriminados no ANEXO V; 6.6 Valores "in natura", sob a forma de REFEIÇÃO oferecida aos trabalhadores empregados no período abrangido pelas competências 01/2006 a 12/2007, apurados com base nos lançamentos contábeis e planilha fornecida pelo sujeito passivo, contendo: competência, fornecedor e número de trabalhadores beneficiados. Os citados valores foram considerados como complemento salarial, uma vez a empresa não comprovar a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, no período da apuração, sendo lançados sob código de levantamento "AL" e discriminados no ANEXO VI; 6.7 Retenções previstas na Lei 9.711/98, presumidas como retidas pelo contribuinte, na qualidade de empresa tomadora de serviços mediante cessão de mão de obra, relativamente à prestação de serviço das seguintes empresas: • ABB Ltda CNPJ 61.074.829/000808 período abrangido pelas competências 03/2007, 06/2007 e 10/2007, lançado sob o código de levantamento "RA"; • Empresa Brasileira de Segurança e Vigilância Ltda CNPJ 57.574.154/000295 período abrangido Fl. 696DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 pelas competências: 01/2006 a 05/2006, 07/2006 a 12/2006, lançado sob código de levantamento "RE". • RH Poli Serviços de Processamento de Dados Ltda – CNPJ 74.535.915/000138 período abrangido pelas competências 08/2007 a 12/2007, lançado sob código de levantamento "RR"; 6.7.1 Relativamente à prestadora de serviços ABB LTDA, temos a esclarecer que, com base na documentação apresentada, à fiscalização (Proposta Técnico Comercial n° 482447C e Notas Fiscais/Faturas de serviço), juntamente com os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, restou caracterizado tratarse de prestação de serviços de manutenção de máquinas, mediante cessão de mão de obra, em dependência de terceiros, serviço previsto no inciso XIV, artigo 146 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03 de 14/07/2005 (vigente até 16/11/2009) e, atualmente no artigo 118 da Instrução Normativa 971 de 13/11/2009, como sujeito à retenção. (...). 6.7.2 Ainda, com relação à empresa ABB Ltda, cabe ressaltar que, não constam discriminados, nas Notas Fiscais/Faturas, quaisquer valores, seja de materiais ou de equipamentos, que possam ensejar a redução da base de cálculo da retenção. 6.7.3 Relativamente à prestadora de serviços Empresa Brasileira de Segurança e Vigilância Ltda, cabe salientar que, em resposta ao Termo de Intimação n° 06, o sujeito passivo apresentou o Mandado de Segurança processo n° 1999.61.00.0479806, no qual a prestadora pleiteia determinação judicial no sentido de que as empresas tomadoras de seu serviço não sejam obrigadas a proceder a retenção a que se refere a Lei 9.711/98. Em Decisão, datada de 08/11/1999, a Medida Liminar foi deferida, EM PARTE, sendo relacionados os tomadores de serviço que poderão absterse da retenção. Outrossim, o sujeito passivo ora fiscalizado não consta da referida relação, razão pela qual os valores devidos estão sendo incluídos no presente Auto de Infração; 6.7.4 A composição do presente crédito encontrase discriminada no ANEXO VII. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 50.006.0657 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura dos AIOP) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.721019/201135 Acórdão n.º 2403002.030 S2C4T3 Fl. 244 15 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); lk. REFISC – Relatório Fiscal. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 50.006.0657, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (A.2) Em relação às obrigações acessórias AIOA Em relação às obrigações acessórias, segue trechos do Relatório Fiscal transcritos no Relatório da decisão de primeira instância: A empresa descumpriu vários dispositivos legais, que resultou na lavratura dos seguintes Autos de Infração: DEBCAD 37.329.5502 Infração ao inciso I, artigo 32 da Lei 8.212/91, combinado com o parágrafo 9º, inciso I, artigo 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, isto é, as Folhas de Pagamento de Salários apresentadas pela empresa, relativas ao período de 01/2006 a 12/2007, não especificam as remunerações pagas aos contribuintes individuais que lhes prestaram serviços. Tais pagamentos estão discriminados no Anexo III. DEBCAD 37.329.5510 Infração ao inciso II, artigo 32 da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 225, Inciso III e §§ 13 a 17 do RPS/1999. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.721019/201135 Acórdão n.º 2403002.030 S2C4T3 Fl. 245 17 O sujeito passivo deixou de lançar, mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, exemplificados na planilha que consta no item 12.2, do Relatório Fiscal. DEBCAD 37.329.5529 Lavrado pelo descumprimento da obrigação prevista no inciso III, artigo 32 da Lei n° 8.212/91, na Lei 10.666, de 08/05/2003, artigo 8º, combinado com o artigo 225, Inciso III e § 22 do RPS/1999. A DRESSER deixou de apresentar a relação dos trabalhadores beneficiados com Cesta Básica nas competências 06/2006, 12/2006, 01/2007 e 02/2007 e a planilha discriminativa dos valores relativos a Alimentação, no período de 01/2006 a 12/2007, contendo: competência, Nome do Trabalhador, NIT e valor. A Auditora informa, ainda, que o não atendimento destas solicitações, por parte da Empresa, implicou no lançamento dos valores totais, por competência, sem a discriminação dos trabalhadores, conforme demonstrado nos Anexos V e VI, bem como na aferição dos valores relativos à contribuição dos trabalhadores empregados. DEBCAD 37.329.1270 A empresa, ora autuada, apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no inciso IV e parágrafo 5º artigo 32, Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9528, de 10.12.97, combinado com o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do RPS/1999. Não foram declarados na GFIP: 14.2.1 Remuneração e/ou parte da remuneração dos trabalhadores contribuintes individuais a seu serviço, no período abrangido pelas competências 01/2006 a 12/2006, 01/2007, 02/2007, 05/2007 a 10/2007 e 12/2007; 14.2.2 Parte da remuneração de trabalhadores empregados (já especificadas no item 6.1), no período abrangido pelas competências 04/2006 a 07/2006 e 12/2006; 14.2.3 Rubricas sem incidência em folha de pagamento (conforme item 6.2), no período abrangido pelas competências 04/2006, 12/2006, 02/2007, 04/2007, 05/2007 e 08/2007; 14.2.4 Valores relativos a cartões de premiação (conforme especificado no item 6.4), no período abrangido pelas competências 02/2006, 06/2006, 10/2006, 01/2007 e 06/2007; 14.2.5 Valores relativos a Cesta Básica (conforme especificado no item 6.5), no período abrangido pelas competências 06/2006, 12/2006, 01/2007 a 12/2007 e valores relativos a Refeição (conforme item 6.6), no período de 01/2006 a 12/2007. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 50.006.0665que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o Fl. 700DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.721019/201135 Acórdão n.º 2403002.030 S2C4T3 Fl. 246 19 O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos Fl. 703DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.721019/201135 Acórdão n.º 2403002.030 S2C4T3 Fl. 247 21 geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (B) Da decadência. Analisemos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser Fl. 704DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 705DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.721019/201135 Acórdão n.º 2403002.030 S2C4T3 Fl. 248 23 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.721019/201135 Acórdão n.º 2403002.030 S2C4T3 Fl. 249 25 Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência exposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese presente dos autos verificase que houve recolhimentos feitos pelo Recorrente a partir de 01/2006, conforme verificase, por exemplo, nos levantamentos referentes a cartão de premiação os quais se referem a diferenças, conforme expresso no Relatório ANEXO IV AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS DEBCAD 37.329.5472; 5480 e 5499 às fls. 78, onde se reconhece que houve recolhimentos feitos pelo Recorrente na coluna Contr.INSS: Valor da Contribuição do trabalhador, conforme Folha de Pagamento e GFIP. Então, considerandose que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte e aplicandose o entendimento desta Colenda Turma em congruência com o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, entendo que exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN em relação aos AIOP nº. 37.329.5472; AIOP nº. 37.329.5472; AIOP nº. 37.329.5499. Outrossim, em relação ao AIOA nº. 37.303.1270 – CFL 68, há de se salientar que a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trouxe nova disciplina para as punições pelo descumprimento das obrigações acessórias, ao revogar os parágrafos do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e ao criar o art. 32A como nova sistemática de aplicação de multas. Ademais, o art. 32, § 11, da Lei 8.212/1991, correlaciona o arquivamento dos documentos comprobatórios das obrigações tributárias à prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (gn) Temse que na atual disciplina trazida pela Lei 11.941/2009, conforme o art. 32, § 11, Lei 8.212/1991, a avaliação da decadência da penalidade pecuniária por declaração que não contempla todos os fatos geradores darseia nos autos do processo em que tivesse sido realizado o lançamento das contribuições não recolhidas. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 Desta forma, com fundamento no art. 32, § 11, da Lei 8.212/1991, aplicase o mesmo critério de aferição da decadência do processo principal para a conexa obrigação acessória veiculada no AIOA nº. 37.303.1270 – CFL 68, qual seja, o do art. 150, § 4º, CTN. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação dos AIOPs e do AIOA nº. 37.303.1270 pela Recorrente, às fls. 01, se deu em 03.05.2011 e o débito se refere ao seguinte período: 01/2006 a 12/2007. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 04/2006, inclusive, para os AIOP nº. 37.329.5472; AIOP nº. 37.329.5472; AIOP nº. 37.329.5499, bem como para o AIOA nº. 37.303.1270. (i) Ao verificar as infrações apontadas pelos Agentes Fiscais, a recorrente concluiu que, realmente, a maioria dos valores cobrados eram, de fato, devidos e, assim, decidiu fazer o correspondente recolhimento com o benefício da redução da multa, conforme guias de pagamento juntadas com a Defesa; Analisemos. Em relação ao fato da Recorrente ter feito recolhimentos em GPS, tais recolhimentos devem ser verificados e apropriados pela Unidade de Jurisdição da RFB no momento da execução do presente julgado. (ii) Recorre apenas dos tributos incidentes sobre valores in natura pagos sob a forma de cestas básicas e sob a forma de refeição. Analisemos. A questão central é se determinar se o fornecimento de alimentação in natura, via cestas básicas, sofre ou não a incidência de contribuição social previdenciária. De plano, devemos observar o Regimento Interno do CARF em seu art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 709DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.721019/201135 Acórdão n.º 2403002.030 S2C4T3 Fl. 250 27 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (grifo nosso) Conforme o constatado no Relatório Fiscal, tópicos 6.5 e 6.6, a Recorrente fornece alimentação aos empregados, por meio de cestas básicas e de refeições, sem estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT): 6.5 Valores "in natura", sob a forma de CESTA BÁSICA oferecida aos trabalhadores empregados no período abrangido pelas competências 06/2006, 12/2006 e de 01/2007 a 12/2007, apurados com base nos lançamentos contábeis e planilha, com a relação dos trabalhadores beneficiados, fornecida pelo contribuinte. Os citados valores foram considerados como complemento salarial, uma vez a empresa não comprovar a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, no período da apuração, sendo lançados sob código de levantamento "CB" e discriminados no ANEXO V; 6.6 Valores "in natura", sob a forma de REFEIÇÃO oferecida aos trabalhadores empregados no período abrangido pelas competências 01/2006 a 12/2007, apurados com base nos lançamentos contábeis e planilha fornecida pelo sujeito passivo, contendo: competência, fornecedor e número de trabalhadores beneficiados. Os citados valores foram considerados como complemento salarial, uma vez a empresa não comprovar a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, no período da apuração, sendo lançados sob código de levantamento "AL" e discriminados no ANEXO VI; 6.7 Retenções previstas na Lei 9.711/98, presumidas como retidas pelo contribuinte, na qualidade de empresa tomadora de serviços mediante cessão de mão de obra, relativamente à prestação de serviço das seguintes empresas: Outrossim, conforme o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011, a PGFN, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Então, como o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 se amolda ao disposto no art. 62, parágrafo único, inciso II, alínea a do Anexo II do Regimento Interno do CARF, temse Fl. 710DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 então que a concessão de alimentação in natura aos segurados a título de valealimentação não implica em incidência de contribuição previdenciária. Desta forma, prospera a argumentação da Recorrente em se afastar a incidência de contribuição previdenciária na parcela "in natura", via concessão de cestas básicas e de refeições aos empregados. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DA MULTA DE MORA. Analisemos. Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.721019/201135 Acórdão n.º 2403002.030 S2C4T3 Fl. 251 29 Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – AIOA – CFL 68 nº. 37.303.1270 – DA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; Fl. 712DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.309.1834, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.721019/201135 Acórdão n.º 2403002.030 S2C4T3 Fl. 252 31 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso para: (i) Se reconhecer a decadência até a competência 04/2006, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN – em relação aos AIOP nº. 37.329.5472; AIOP nº. 37.329.5472; AIOP nº. 37.329.5499, AIOA nº. 37.303.1270; (ii) Excluir dos AIOP e AIOA a tributação incidente em relação ao Código de Levantamento CESTA BÁSICA e ao Código de levantamento REFEIÇÃO; (iii) Em relação em aos AIOP nº. 37.329.5472; AIOP nº. 37.329.5472; AIOP nº. 37.329.5499: determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte; e (iv) Em relação ao AIOA nº. 37.303.1270: se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009; É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 714DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10580.727051/2009-07
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR INADEQUAÇÃO DO PRECEDENTE JUDICIAL INVOCADO, O REsp REPETITIVO n° 1.227.133, E A DESCONSIDERAÇÃO DE OUTROS PRECEDENTES JUDICIAIS QUE TRAZ À COLAÇÃO.
Conhecimento do recurso em parte, apenas no que diz respeito a alegação de inadequação do precedente judicial invocado a título de fundamentação da decisão recorrida e da desconsideração de precedentes judiciais já existentes por ocasião do julgamento do recurso voluntário, não se conhecendo do recurso em relação a precedentes judiciais surgidos após o julgamento.
EXTENSÃO DO REsp REPETITIVO n° 1.227.133, ESPECIALMENTE APÓS OS JULGAMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO REFERIDO RECURSO, PARA RECONHECER A NÃO INCIDÊNCIA DO IR SOBRE JUROS DE MORA APLICADOS SOBRE VALORES RECEBIDOS EM RAZÃO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. INADEQUAÇÃO DO PRECEDENTE À HIPÓTESE DOS AUTOS. EFEITOS INFRINGENTES DOS EMBARGOS.
Assiste razão ao embargante quando aponta que o REsp Repetitivo n. 1.227.133, especialmente após as retificações nele introduzidas no julgamento dos embargos de declaração julgados pelo STJ, somente reconhece a não incidência do IR sobre juros moratórios decorrentes de pagamento de verbas relativas a rescisão de contrato de trabalho, não sendo esta a hipótese dos autos, razão pela qual se atribuem efeitos infringentes aos presentes embargos.
Embargos acolhidos com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2802-002.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de voto ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, atribuindo-lhes efeitos infringentes, para modificar a decisão recorrida no sentido de dar provimento ao recurso voluntário tão somente para o fim de excluir a multa de ofício, mantendo-se a tributação das parcelas recebidas a título de juros moratórios, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello (relator).
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR INADEQUAÇÃO DO PRECEDENTE JUDICIAL INVOCADO, O REsp REPETITIVO n° 1.227.133, E A DESCONSIDERAÇÃO DE OUTROS PRECEDENTES JUDICIAIS QUE TRAZ À COLAÇÃO. Conhecimento do recurso em parte, apenas no que diz respeito a alegação de inadequação do precedente judicial invocado a título de fundamentação da decisão recorrida e da desconsideração de precedentes judiciais já existentes por ocasião do julgamento do recurso voluntário, não se conhecendo do recurso em relação a precedentes judiciais surgidos após o julgamento. EXTENSÃO DO REsp REPETITIVO n° 1.227.133, ESPECIALMENTE APÓS OS JULGAMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO REFERIDO RECURSO, PARA RECONHECER A NÃO INCIDÊNCIA DO IR SOBRE JUROS DE MORA APLICADOS SOBRE VALORES RECEBIDOS EM RAZÃO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. INADEQUAÇÃO DO PRECEDENTE À HIPÓTESE DOS AUTOS. EFEITOS INFRINGENTES DOS EMBARGOS. Assiste razão ao embargante quando aponta que o REsp Repetitivo n. 1.227.133, especialmente após as retificações nele introduzidas no julgamento dos embargos de declaração julgados pelo STJ, somente reconhece a não incidência do IR sobre juros moratórios decorrentes de pagamento de verbas relativas a rescisão de contrato de trabalho, não sendo esta a hipótese dos autos, razão pela qual se atribuem efeitos infringentes aos presentes embargos. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 70 51 /2 00 9- 07 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de voto ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, atribuindolhes efeitos infringentes, para modificar a decisão recorrida no sentido de dar provimento ao recurso voluntário tão somente para o fim de excluir a multa de ofício, mantendose a tributação das parcelas recebidas a título de juros moratórios, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello (relator). Relatório Trata a presente hipótese de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, nos quais alega a Embargante a existência de omissão e obscuridade, nos termos em que se segue (fls. 143): “Com a devida vênia, o v. acórdão embargado incide em omissão e obscuridade ao afastar a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora com amparo em precedente do STJ que não se aplica à espécie. Primeiramente, é preciso esclarecer, que a verba em discussão nestes autos – URV – não foi paga em razão de sentença judicial, mas sim em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. A autuada recebeu os valores ao longo de 36 (trinta e seis) meses, durante os anos de 2004, 2005 e 2006, por força da referida norma. Portanto, a validade da incidência do IRPF deve levar em consideração que os valores foram espontaneamente pelo Estado da Bahia, não se tratando de verba decorrente de condenação judicial. É relevante também mencionar que a verba recebida pela autuada não decorre de despedida ou rescisão de contrato de trabalho. Por isso, não se aplica à hipótese o Recurso Repetitivo/STJ nº 1.227.133, no qual a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.727051/200907 Acórdão n.º 2802002.372 S2TE02 Fl. 149 3 Aliás, é preciso levar em consideração que o próprio o STJ esclareceu recentemente que o precedente em questão somente se aplica à hipótese em que a verba principal (trabalhista), sobre a qual incidiram os juros moratórios, tiver natureza indenizatória. Ou seja, só não incidirá imposto de renda sobre os juros moratórios quando a verba principal (trabalhista) tiver natureza indenizatória. Com efeito, a Primeira Seção do STJ, em julgamento proferido no dia 14.03.2012, nos autos do RESP 1.163.490/SC, esclareceu, a bom termo, o teor do precedente firmado em sede de recurso repetitivo acerca da incidência do IRPF sobre os juros de mora (RESP 1.227.133/RS). (...) No mesmo sentido, ao julgar o REsp n.º 1089720, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) definiu entendimento sobre tema repetidamente submetido aos tribunais: o Imposto de Renda, em regra, incide sobre os juros de mora, inclusive aqueles pagos em reclamação trabalhista. Os juros só são isentos da tributação nas situações em que o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora do campo de incidência do IR (regra do acessório segue o principal). Em seu voto, o relator, ministro Mauro Campbell Marques, destacou que a regra geral – prevista no artigo 16, caput e parágrafo único, da Lei 4.506/64 – é a incidência do IR sobre os juros de mora, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória. Entretanto, segundo o ministro, há duas exceções: são isentos de IR os juros de mora pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não; e quando incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (regra do acessório segue o principal). No caso de perda do emprego, segundo o ministro, o objetivo da isenção é “proteger o trabalhador em uma situação socioeconômica desfavorável”, razão pela qual incide a previsão do artigo 6º, V, da Lei 7.713/88. Nessas situações, os juros de mora incidentes sobre as verbas pagas ao trabalhador em decorrência da perda do emprego são isentos de IR, independentemente da natureza jurídica da verba principal (remuneratória ou indenizatória) e mesmo que essa verba principal não seja isenta. O ministro disse que, para garantir a isenção em reclamatória trabalhista, é preciso que esta se refira às verbas decorrentes da perda do emprego, conforme já decidiu o STJ no julgamento do Resp 1.227.133. Eis a ementa: (...) Desse modo, ao contrário do que consta do v. acórdão embargado, a tese verdadeiramente firmada no Recurso Repetitivo 1.227.133/RS foi no sentido de que o imposto de renda Fl. 154DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 somente não incide sobre os juros quando a verba trabalhista tiver natureza indenizatória; a contrario senso, em sendo remuneratória, tornase obrigatória a incidência desse tributo. Na hipótese em análise, a verba principal recebida pela autuada não tem natureza trabalhista e/ou indenizatória nem foi recebida em virtude de sentença judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, o que leva à conclusão de que não se aplicam a ela os fundamentos adotados pelo STJ para afastar a incidência do IRPF sobre os juros moratórios no julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS.” É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Preliminarmente, apesar de tempestivos os embargos, é necessário examinar sua admissibilidade em face de cada um dos fundamentos apresentados pelo recorrente e indicados no relatório supra. De logo deve se pontuar que o Acórdão proferido no REsp n° 1.089.720 não existia na época do julgamento do recurso voluntário destes autos, eis que publicado no DJe de 28 de novembro de 2012, pelo que entendo não incorrer em omissão a decisão que deixa de apreciar documento que inexistia quando da respectiva sessão de julgamento, razão pela qual não conheço dos presentes embargos a este fundamento. Todavia, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no Resp n° 1.163.490 foi sim veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, e realmente trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, como o Acórdão embargado foi proferido na sessão de julho de 2012, entendo que cabe o exame do alcance no decidido pelo REsp nº 1.163.490 quanto aos juros de mora exonerados da base de cálculo do lançamento de ofício, razão pela qual conheço dos embargos a este fundamento, como também quanto ao não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. Tenho que assiste razão ao embargante. De fato, ao apreciar o Resp n° 1.227.133 deixeime impressionar pelo voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha, que reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. De fato, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministro que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.727051/200907 Acórdão n.º 2802002.372 S2TE02 Fl. 150 5 Isto posto, sendo tal fundamento suficiente para o acolhimento do recurso interposto pela Fazenda, tenho por despiciendo o exame do REsp nº 1.163.490, sobretudo, quando não tramitou no regime de recursos repetitivos. Sendo assim, reconhecendo a correta extensão do julgado no Resp n° 1.227.133, acolho os embargos, atribuindolhe efeitos infringentes, para modificar a decisão recorrida no sentido de dar provimento ao recurso voluntário tão somente para o fim de excluir a multa de ofício, mantendose a tributação das parcelas recebidas a título de juros moratórios. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas De Mello. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10680.933018/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO
Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza.
DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL.
Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente HOSPITAL MATER DEI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 18 /2 00 9- 88 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “O interessado transmitiu o Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (Per/Dcomp) visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 31/07/2003. A Delegacia da Receita Federal (DRF) em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou, em 19/11/2009, manifestação de inconformidade de fls. 1 a 4, a seguir resumida. Alega que a compensação realizada não contempla as situações impeditivas previstas no art.74 parágrafo 3o da Lei n° 9.430, de 1996, e que tem o direito de retificar as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e demais obrigações acessórias. Requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade.” A DRJBelo Horizonte/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 24/26), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2003 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer prova que demonstre a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si só, a DCTF retificadora como sendo instrumento hábil, capaz de conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 30/51), alegando, em síntese: que promoveu a compensação de tributos federais com crédito decorrente de pagamento a maior referente a COFINS e PIS; Fl. 69DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10680.933018/200988 Acórdão n.º 3202000.865 S3C2T2 Fl. 69 3 que possui direito ao crédito pleiteado, pois incluiu erroneamente, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o valor de medicamentos sujeitos à alíquota zero, recolhendo, indevidamente, as referidas contribuições às alíquotas de 3% e 0,65%, respectivamente; que a DCTF retificadora não foi conhecida sumariamente pela DRJ, para os fins da comprovação pretendida, ao fundamento principal de que teria sido apresentada após o prazo de 05 anos; afirma que o procedimento de compensação de que trata o art. 74 da Lei nº. 9.430/96 não exige a retificação da DCTF, mas que, mesmo assim, anos depois de efetuada a copensação, procedeu a devida retificação da DCTF para evitar o desencontro de informações; que seguiu as regras legais, não sendo possível o indeferimento da compensação pretendida simplesmente pelo fato de que a DCTF foi entregue após o prazo de 5 anos, vez que o art. 11 da IN 900/2008, ato normativo vigente à época da formalização e transmissão da DCTF retificadora, não prevê que a mencionada declaração, enviada após p prazo de cinco não, não terá qualquer validade. Ao contrário, a referida norma complementar dispoõe expressamente, sem impor qualquer limite temporal, que a DCTF retificadora terá os mesmo efeitos da DCTF retificada; que a única conseqüência que se poderia aceitar pelo envio extemporâneo da DCTF retificadora seria eventual imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória; que se, da DCTF retificadora, adviesse aumento do valor dos débitos do contribuinte e não houvesse o correspondente pagamento da diferença, acrescido de juros e multa, certamente tal declaração teria validade e, como forma de confissão de dívida, serviria para a Receita Federal exigir, diretamente e sem qualquer processo administrativo prévio, o valor do crédito extemporaneamente declarado. Assim, se tal declaração é válida para amparar o procedimento de cobrança pelo Fisco, também é legítima para fundamentar o pedido de compensação; que aos julgadores administrativos é conferido o livre convencimento na apreciação da prova e que, uma vez que o fim da instrução do processo é a busca da verdade material, quando os elementos do PAF mostram dúvida irredutível quanto à existência de determinado fato, é cabível a realização de diligência com o intuito de esclarecer esse fato. Deste modo, deveria ter sido, no mínimo, realizado diligência para apurar a existência do pagamento a maior realizado, pois, além de não ter sido homologada a compensação efetuada, houve o lançamento de ofício de crédito tributário. que mesmo que a DCTF retificadora não sirva para comprovar o crédito alegado pelo contribuinte, ela promove uma alteração na declaração anterior que não pode ser sumariamente rejeitada e tratada como se não existisse. Dessa forma, não é válida a cobrança do crédito tributário lançado, pois o seu valor está em confronto com a nova declaração – que faz prova a favor e contra o contribuinte; que a origem dos créditos utilizados na compensação referese à revisão contábil feita pelo contribuinte de recomposição das bases de cálculos dos períodos de 2002 e 2003, em razão da necessária exclusão dos medicamentos submetidos à alíquota zero; e Fl. 70DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 que a Lei nº. 10.147/2000 criou o regime de tributação monofásico do PIS e da COFINS, no qual a incidência das contribuições sobre a circulação de uma grande quantidade de medicamentos ocorre uma única vez, justamente na fase de industrialização ou na importação (início da cadeia de circulação do produto). Faz longo arrazoado para demonstrar que tem direito à alíquota zero e que efetuou pagamento a maior. Informa que existem outros 24 processos administrativos em que se discute idêntica matéria, razão pela qual requer que os 25 processos sejam vinculados e distribuídos a um único relator, para que sejam julgados conjuntamente. Requer, ao final, o provimento do recurso voluntário, para que seja reconhecida a DCTF retificadora para fins de validar o procedimento de compensação e, com isso, sejalhe reconhecido o direito creditório e homologada a compensação realizada. Sucessivamente, requer a nulidade da decisão de primeira instância, para que a DRFBelo Horizonte/MG efetue diligência para verificação da existência do crédito alegado. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Tratase de PER/DCOMP apresentada pela contribuinte, a qual alega possuir crédito relativo à Cofins, referente a fato gerador ocorrido em 31/07/2003, decorrente de pagamento a maior que teria efetuado em razão incluir, na base de cálculo da Cofins, o valor de medicamentos que seriam sujeitos à alíquota zero. Tal recolhimento a maior geraria crédito de Cofins para utilização na compensação pleiteada. Nos termos do art. 170 do CTN, para fins de compensação, é certo que o ônus da prova da existência do crédito alegado cabe exclusivamente à contribuinte, que deve demonstrar ser possuidora de crédito tributário líquido e certo contra a Fazenda Nacional, a fim de que tal crédito possa ser utilizado em compensação. No caso em questão, pretende a recorrente seja aceita como prova do crédito que alega possuir, referente a fato gerador da Cofins ocorrido em 31/07/2003, as informações constantes de DCTF retificadora enviada em 11/11/2009, há mais de cinco anos, portanto, da ocorrência do fato gerador. As informações constantes da DCTF, que é instrumento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, têm efeito de confissão de dívida, constituindose tal Declaração em instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nele declarado, conforme dispõe o art. 5º do Decretolei nº. 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10680.933018/200988 Acórdão n.º 3202000.865 S3C2T2 Fl. 70 5 § 1. O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2°. Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2° do artigo 70 do Decretolei n°2.065, de 26 de outubro 1983. § 3°. Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2°, 3° e 4° do artigo 11 do Decretolei n°1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei n°2.065 de 26 de outubro de 1983. (grifo não constante do original) Enganase a recorrente ao afirmar que, no caso, o único efeito da entrega extemporânea da DCTF seria a imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória. Tal multa, de fato, existe, mas não se adequa ao caso, vez que a contribuinte não deixou de apresentar a DCTF no prazo legal, antes pelo contrário, apresentoua, e, a partir daquele momento, as informações ali constantes passaram a constituirse em confissão de dívida. É claro que as informações prestadas na DCTF podem ser alteradas e, com isso, alterarse a dívida confessada naquele instrumento. Acontece, porém, que, da mesma forma como existe prazo limite de cinco anos para a Fazenda Pública constituir crédito tributário contra o contribuinte, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação (§4º art. 150 do CTN), também há de se obedecer o mesmo prazo qüinqüenal para que o contribuinte possa exigir da Fazenda qualquer crédito tributário que porventura detenha. A segurança jurídica é via de mão dupla, tanto para o contribuinte quanto para a Fazenda Pública. Quanto a esta matéria, adoto, ainda, como razões de decidir, o voto condutor do Acórdão nº. 140200.170, proferido nos autos do processo nº 10825.900563/200815, de lavra do i. Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, cujo teor transcrevo abaixo excertos: “........................................................................................................................... Nos termos do artigo 147 e seguintes do, Código Tributário Nacional, o lançamento pode darse por a) declaração; b) homologação e c) de ofício. No caso, interessanos o lançamento por homologação que à luz do artigo 150, do CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de identificar a matéria tributável, apurar o quanto devido e realizar o pagamento, cabendo à autoridade administrativa homologar a atividade praticada pelo sujeito passivo ou, em discordando, efetuar o lançamento de ofício. Quando o sujeito passivo, no lançamento por homologação, identifica a matéria tributável, apura a base de cálculo e calcula o valor do tributo devido, informandoo à Administração Tributária por meio de DCTF, temse a constituição Fl. 72DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 de um crédito em favor do Fisco. Neste caso é o sujeito passivo que apura o valor que reconhece devido ao sujeito ativo. Por outro lado, quando o Fisco, em lançamento por declaração ou de ofício, apura o valor do imposto devido e notifica ao sujeito passivo, tem o credor o prazo de cinco anos para exigir o respectivo tributo, sob pena de prescrição. Pelo que se depreende do artigo 149, parágrafo único, do CTN, este lapso temporal de 5 (cinco) anos também se verifica nos casos em que o sujeito passivo, nos lançamentos por homologação, comete erros na constituição do crédito. Por hipótese, se constituiu crédito tributário considerando base de cálculo além da devida, lhe é assegurado o prazo de cinco anos para retificar o ato de constituição do débito, no caso a DCTF. O prazo quinquenal de que trata o artigo 150, [§4º] do CTN, é prazo aplicável tanto em favor do Fisco quanto do contribuinte para retificarem o lançamento, nas hipóteses admitidas em lei. Decorrido tal prazo não é lícito o fisco fazer exigência em face do contribuinte e, tampouco, este pode retificar DCTF para diminuir o valor anteriormente constituído. O que o contribuinte precisa entender é que ao entregar a DCTF constitui crédito em favor do Fisco, podendo retificála no prazo de 5 (cinco) anos. Decorrido tal prazo extinguese o direito da parte em retificar a DCTF.” (negrito não constante do original) Desta forma, a despeito do extremo inconformismo demonstrado pela contribuinte em relação à não aceitação da DCTF retificadora para fins de comprovação do crédito que alega possuir, nada há nos autos que possa socorrer a pretensão da autora. Por se tratar de crédito tributário definitivamente constituído contra a contribuinte, também se mostra inócua a diligência requerida pela querelante, vez que, qualquer que seja a conclusão a que se chegue por conta da diligência, os valores informados na DCTF originária não mais podem ser alterados. De outro giro, entendo também inexistente qualquer nulidade na decisão recorrida, vez que não se trata de nenhum dos casos previstos no art. 59 do Decreto nº. 70.235/72. Demais disso, como afirmado pela própria recorrente em seu recurso voluntário, temse que a autoridade julgadora é livre na formação de sua convicção e na análise das provas constantes dos autos, não lhe sendo obrigado requerer diligência em razão de a recorrente entendêla necessária. Por fim, não há no Regimento Interno do CARF qualquer dispositivo que impeça julgamentos diversos, proferidos por diferentes Câmaras e/ou Turmas, em processos administrativos distintos que versem sobre idêntica matéria e refiramse ao mesmo contribuinte, de forma que não há suporte à pretensão da recorrente quanto ao pedido de julgamento único dos 25 processos que alega tramitarem no CARF . Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres] Fl. 73DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10680.933018/200988 Acórdão n.º 3202000.865 S3C2T2 Fl. 71 7 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10680.013276/2006-01
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos, para retificar o Acórdão n. 2801-002.998, da sessão de 17/04/2013, e converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos, para retificar o Acórdão n. 2801002.998, da sessão de 17/04/2013, e converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2003, por meio da qual se exigiu do contribuinte o credito tributário de R$ 19.171,35. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do acórdão recorrido: “• Foram enviadas as cópias dos recibos de despesas deduzidas na declaração de 2003/2002; • A Receita Federal deveria fazer primeiro, averiguações nas declarações de rendimentos dos emitentes dos respectivos recibos, para RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 13 27 6/ 20 06 -0 1 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.013276/200601 Resolução nº 2801000.255 S2TE01 Fl. 83 2 que se verificasse se os mesmo foram declarados; fato que tem certeza de ter ocorrido; • Não é obrigado por legislação nenhuma do pais a efetuar pagamento com cheques; havendo muito ou quase todos órgãos, principalmente do Governo Federal que não se pode pagar absolutamente nenhum compromisso com cheques, somente recebem dinheiro; • Está apresentando cópia de extratos bancários que provam saques com recolhimento da CPMF que foram destinados a pagamentos diversos, inclusive As despesas médicas, com valores sacados que atingiram mais de duas vezes os recibos; • 0 rendimento auferido oferecido A tributação foi de R$122.000,00.” A 5ª Turma da DRJ/BHE/MG julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 44/48, que restou assim ementado: DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis quando comprovada a efetiva prestação dos serviços médicos e a vinculação do pagamento ao serviço prestado. Regularmente cientificado daquele acórdão em 23/03/2011 (fl. 55), o interessado, representado por seu advogado (fl. 52), interpôs recurso voluntário de fls. 57/58, em 20/04/2011. Em sua defesa, suscitou a ocorrência da prescrição, pretendendo fosse reformada a decisão recorrida para convalidar as despesas médicas, conforme documentos e justificativas apresentados desde o início do procedimento fiscal. Em 17/04/2013, esta Turma proferiu o Acórdão de nº 2801002.998, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso. Ocorre que, ao formalizar o voto vencedor, o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida constatou que, além dos documentos faltantes apontados no voto vencido, também não constavam dos autos os recibos médicos supostamente apresentados pelo contribuinte. Por restar evidenciada uma contradição entre a motivação do voto vencedor e a parte dispositiva do acórdão, considerando que a fundamentação utilizada para dar provimento ao recurso teve duas premissas: a ausência do termo de intimação para a comprovação do efetivo pagamento e a presença dos recibos das despesas realizadas, o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida interpôs, às fls. 78/79, Embargos de Declaração, atribuindoselhes, excepcionalmente, caráter infringente para sanar a contradição acima apontada, mediante a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de origem junte ao processo todas as folhas do Auto de Infração, o termo de intimação para comprovação do efetivo pagamento, o comprovante de ciência do contribuinte e os recibos médicos apresentados pelo Interessado. Os embargos foram admitidos por meio do Despacho de fls. 82/83. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.013276/200601 Resolução nº 2801000.255 S2TE01 Fl. 84 3 Os embargos são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecido. Segundo a decisão recorrida, que se pautou nas telas de fls. 45/47, o litígio cingese à glosa da dedução de despesas médicas, que foi motivada pela falta de comprovação do efetivo pagamento. Compulsando os autos, não se encontra o auto de infração completo (fl. 21), os recibos médicos apresentados pelo Interessado, nem a intimação que solicitou ao contribuinte a comprovação do efetivo pagamento e/ou da efetiva prestação dos serviços referentes às despesas médicas declaradas. Portanto, face o acima exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, voto pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem para que se junte ao processo todas as folhas do Auto de Infração, o termo de intimação para comprovação do efetivo pagamento, o comprovante de ciência do contribuinte e os recibos médicos apresentados pelo Interessado. Após tais providências e ciência ao contribuinte, devem os autos retornar a este colegiado para que se prossiga no julgamento do recurso voluntário. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 15197.000207/2008-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2003
RISCOS AMBIENTAIS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração a empresa emitir documento de comprovação de exposição em desacordo com o laudo.
Numero da decisão: 2403-002.147
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2003 RISCOS AMBIENTAIS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração a empresa emitir documento de comprovação de exposição em desacordo com o laudo. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 19 7. 00 02 07 /2 00 8- 67 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15197.000207/200867 Acórdão n.º 2403002.147 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária em Belo Horizonte, Decisão Notificação – DN 11.401 4/0141/2005, que julgou a autuação procedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório da decisão acórdão recorrida: DA AUTUAÇÃO: Tratase de autuação por infringência ao disposto no § 3 ° do art. 58 da Lei n 08.213/91, acrescentado pela Lei n ° 9.528/97, c/c o art. 68, § 4 ° do RPS, ter a empresa emitido o formulário DSS — 8030, documento próprio para prestar informações sobre atividades exercidas em condições especiais, com fins de concessão de aposentadoria especial, em desacordo com os LTCAT — Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho, em relação a diversos segurados. 2. De acordo com os relatórios fiscais de fls 03/04, a empresa regularmente intimada, através dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD de fls 08/13, apresentou à Fiscalização o formulário DSS — 8030, com índices de exposição a agentes nocivos acima dos limites de tolerância normativos, gerando direito â aposentadoria especial aos segurados. Porém, as informações contidas no LTCAT — Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho, documento que serve de base para a elaboração dos DSS — 8030, não caracterizam a exposição dos trabalhadores acima do limite de tolerância. Em conseqüência das informações do LTCAT, a empresa não estaria obrigada â contribuição do adicional de alíquota para fins de aposentadoria especial exigida a partir de 04/1999. 3. Pela infração imputada à autuada, foi cominada a penalidade no valor de R$ 10.359,14 (dez mil trezentos e cinqüenta e nove reais e quatorze centavos), nos termos do art. 133 e 134 da Lei n ° 8.213/91, c/c a alínea "n" do inciso II do art. 283 do RPS, atualizada pela Portaria do MPS n ° 479 de 07/05/2004, tendo em vista a não constatação de circunstâncias agravantes previstas no art. 290 e nem da circunstância atenuante prevista no art. 291, ambos do RPS. DA IMPUGNAÇÃO: Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 4. A empresa foi cientificada do presente auto, via postal, em 30/06/2004, conforme Aviso de Recebimento — AR, fls. 18, apresentado defesa tempestiva em 14/07/2004, protocolizada sob o n ° 36918.001346/200471, conforme instrumento e anexos acostados às fls. 20/130. 5. Inconformada com a autuação a defendente alega sucintamente, em sua defesa, o que se segue: 5.1. Pede o sobrestamento do processo, pois a matéria discutida na NFLD n ° 35.525.1205 e nos Al n ° 35.525.1221, 35.525.1248, 35.525.1264 e 35.525.1280 estão relacionados e foram integralmente questionados em outras impugnações. 0 cabimento da presente autuação depende da procedência dos Al mencionados. 5.2. 0 cumprimento de obrigação acessória está ligado a confirmação da procedência da NFLD e dos Al, não podendo prosseguir em separado, conforme previsão infralegal, para evitar julgamentos incompatíveis. Impõese que sejam todos reunidos para decisão conjunta das impugnações. Salienta que as atividades da Fiscalização recaem sobre o aspecto formal e meritório da autuação. 5.3. Entendeu a Fiscalização que o DSS 8030 foi apresentado em desacordo com as informações constantes do LTCAT. No entanto, observese que as informações do LTCAT podem ser complementadas por outros documentos, quais sejam: laudos técnico periciais emitidos por determinação da Justiça do Trabalho; laudos emitidos pela FUNDACENTRO; laudos emitidos pelo Ministério do Trabalho ou, ainda, pelas DRT; laudos individuais; laudos emitidos por peritos particulares, desde que solicitados pela empresa, não se admitindo laudos particulares solicitados pelo próprio segurado. 5.4. Reproduz os art. 155 e 177 da Instrução Normativa IN n ° 95 de 07/10/2003, com redação alterada pela IN n ° 99 de 10/12/2003. A defendente apresenta os laudos técnico periciais emitidos por determinação da Justiça do Trabalho, em ações trabalhistas, nos quais constam as discriminações e análises pormenorizadas das condições ambientais de trabalho, inclusive sobre a utilização e fornecimento dos Equipamentos de Proteção Individual — EPI. 5.5. Argumenta que os Formulários DSS 8030 devem ser analisados, conjuntamente, com todos os documentos apresentados na Fiscalização e com os laudos anexados defesa, emitidos por determinação da Justiça do Trabalho, os quais atestam as condições ambientais de trabalho dos empregados. 5.6. Apesar de a legislação anterior à IN n ° 99/2003 não dispor expressamente sobre complementar informações do LTCAT com os PPRA e laudos técnicopericiais, deve ser aplicada a legislação superveniente (IN n ° 99/2003), deixando de definir como infração o ato praticado pela notificada. 5.7. A lavratura do Al é arbitraria, uma vez que o PPRA e demais documentos apresentados suprem a eventual Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15197.000207/200867 Acórdão n.º 2403002.147 S2C4T3 Fl. 4 5 divergência entre os DSS 8030 e o LTCAT, por serem hábeis a demonstrar as condições ambientais do trabalho. 5.8. Quanto a atualização anual do LTCAT, o art. 236 da IN 70/2002 determina que o LTCAT pode ser atualizado uma vez ao ano ou sempre que ocorrer qualquer alteração no ambiente de trabalho, considerando atualizado o LTCAT que corresponde as condições atuais do ambiente, no momento da auditoria fiscal. 5.9. Afirma que o Al não está amparado pela legislação previdenciária, não justificando a aplicação da multa. 5.10. Que a Fiscalização da Previdência Social não possui, em tese, conhecimentos específicos relativos à Segurança e Medicina do Trabalho capazes de invalidar o LTCAT e o DSS 8030, bem como contestar as informações contidas nesses documentos. 5.11. Não há que admitir que a notificada tenha dado causa à concessão indevida de aposentadoria especial (pág. 25 do Relatório Fiscal da NFLD n ° 35,525.1205), pois nenhum termo incorreto ou impreciso foi empregado em documento de sua responsabilidade. Caso tenha ocorrido aposentadoria indevida, essa medida deve ser imputada a equivoco de interpretação dos agentes do INSS, não da notificada. 6. Por todo o exposto, entende a defendente que restou comprovado que o Al não pode subsistir, por observar as Normas Regulamentadoras e legislação previdenciária. 6.1. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos. Requer o sobrestamento da autuação para julgamento conjunto com a NFLD n ° 35.525.1205, em face de sustentar a inexistência da obrigação principal. 6.2. Que seja totalmente acolhida a defesa, para que seja decretada a insubsistência do Auto de Infração, com o cancelamento da multa. 6.3. Por fim, requer que todas as comunicações/notificações sejam feitas em nome do advogado José Roberto Pisani, com endereço na Rua Boa Vista, n ° 254 — 9 ° andar— São Paulo/SP, Telefone (11)32478400. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário \o CRPS, onde alega, em síntese, que: · Sobrestamento do processo matéria discutida na NFLD n° 35.525.1205 (deixou de efetuar o pagamento de adicional das contribuições previdenciárias supostamente devidas em complementação Aquelas pagas a titulo de SAT) e nos AI n°s Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 35.525.1221 (divergência entre Formulários DSS 8030 e o LTCAT), 35.525.1248 (deixou de incluir todas as contribuições e valores exigidos na referida NFLD em GFIP), 35.525.1264 (apresentou documentos relacionados ao tema em descumprimento com as normas vigentes); e 35.525.1280 (emitiu documentação imprópria, relativamente à concessão de aposentadoria especial). · A comprovação efetiva do tempo de trabalho do empregado sujeito aos agentes nocivos, é feita através de documento próprio, denominado "Formulário Informações sobre Atividades com Exposição a Agentes Agressivos DSS 8030" ("Formulário DSS 8030"), elaborado, primordinalmente, com base nas informações do laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança, contratado nos termos da legislação trabalhista (Normas Regulamentadoras aprovadas pela Portaria n.° 3.214, de 8.6.1978). · Ainda que fosse identificada qualquer divergência entre os formulários DSS 8030 e o LTCAT, estas poderiam ser dirimidas com as informações constantes em outros documentos apresentados pela Recorrente, quais sejam: (i) laudos técnicopericiais emitidos por determinação da Justiça do Trabalho, em ações trabalhistas, acordos ou dissídios coletivos; (ii) laudos emitidos pela FUNDACENTRO; (iii) laudos emitidos pelo Ministério do Trabalho ou, ainda, pelas DRT; (iv) laudos individuais; (v) laudos emitidos por peritos particulares, desde que solicitados pela empresa, não se admitindo laudos particulares solicitados pelo próprio segurado. · Na hipótese de identificação de divergência entre os Formulários DSS 8030 e o LTCAT, o que se admite como argumentação, todos os demais documentos apresentados pela Recorrente no momento da Fiscalização e em suas alegações dc defesa devem ser analisados conjuntamente. · A Recorrente apresentou no momento da Fiscalização e juntamente às suas razões de Impugnação, diversos documentos que substituem e/ou complementam o LTCAT · Verificase, portanto, a arbitrariedade da lavratura do AI em tela, urna vez que os demais documentos aqui apresentados suprem a eventual divergência entre os DSS 8030 e o LTCAT, por de serem hábeis a demonstrar as condições ambientais de trabalho, as avaliações quantitativas e qualitativas dos riscos ocupacionais, e a existência de proteção que neutraliza a exposição dos empregados aos agentes nocivos. · Fiscais da Previdência Social, no exercício legal de suas profissões de fiscalização dos contribuintes quando ao cumprimento das obrigações relacionadas ao recolhimento das contribuições e demais deveres instrumentais, não possuem, em tese, conhecimentos específicos relativos à Segurança e Medicina do Trabalho capazes de invalidar o LTCAT e o DSS 8030. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15197.000207/200867 Acórdão n.º 2403002.147 S2C4T3 Fl. 5 7 · Não há porque se admitir que a Recorrente tenha dado causa â. concessão indevida de aposentadoria especial (pg. 25 do Relatório Fiscal da NFLD no 35.525.1205), já que nenhum termo incorreto ou impreciso foi empregado em documento de sua responsabilidade. Caso tenha ocorrido concessão indevida de aposentadoria pelo INSS, essa medida deve ser imputada a equivoco de interpretação de seus agentes, jamais da Recorrente. O CRPS baixou o processo em diligência, determinando a realização de perícia. Antes de adentrar no mérito do recurso, entendo necessário o esclarecimento de pontos fundamentais para o deslinde da controvérsia em apreço. Ante a alegação da recorrente de que seus empregados não estão sujeitos aos riscos ocupacionais apontados pela fiscalização, bem como, em face da documentação anexa a estes autos, entendo que esta em dúvida o lançamento realizado. Assim, entendo cabível a conversão do julgamento em diligência para a realização de perícia. ... De antemão, apresento os quesitos desta Câmara a serem respondidos, nos termos do art. 426, inciso II do CPC, tanto pelo perito da recorrente, como pelo do Governo: 1º. Ha documento de comprovação de exposição emitidos em desacordo com o corespondente Laudo Técnico de condições ambientais do trabalho, a partir dos documentos juntados pela SRP aos autos (formulário DSS 8030 e LTCAT)? 2°. Se sim, em que consiste a desconformidade entre o DSS 8030 emitido e o LTCAT, objetivamente? 3°. As desconformidade, acaso existentes, correspondem à que foi informada no Relatório Fiscal de fl. 3.? Observo que na mesma sessão de julgamento, foi determinada diligência/perícia para os processos relativos aos Debcads 35.25.1205, 35.525.1221, 35.525.1264 e 35.525.1248. É o relatório Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Segundo a fiscalização, a autuação se deu em razão de a empresa ter apresentado formulários DSS8030 emitidos para prestar informações sobre atividades exercidas em condições especiais, para fins de instrução de processos de solicitação de aposentadoria especial, em desacordo com os LTCAT — Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho apresentados e elaborados por grupo de exposição homogêneo "cargo/função”, em relação a diversos segurados. A emissão de documento de comprovação de exposição (DSS8030) em desacordo com LTCAT caracteriza infração ao disposto no § 3º do art. 58 da Lei 8.213/91, com redação dada pela Lei 9.528/97, que estabelece o seguinte: Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) § 1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista.(Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo.(Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei.(Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15197.000207/200867 Acórdão n.º 2403002.147 S2C4T3 Fl. 6 9 § 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento.(Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) O parágrafo 2º, acima apresentado é textual ao estabelecer que o laudo técnico deverá conter informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. Às folhas 177 a 188, são apresentados laudos periciais e declarações da empresa (DSS 8030) informando que os níveis de ruído são considerados prejudiciais à saúde ou integridade física do trabalhador e nada mencionam acerca de Equipamentos de Proteção Individual – EPI. DSS 8030 CONCLUSÃO DO LAUDO : Os níveis de ruído nos valores citados são considerados prejudiciais a saúde ou integridade física do trabalhador, segundo a Portaria 3214 do Ministério do Trabalho. Este laudo não considera aspectos da sensibilidade individual do segurado, nem a concomitância ou concorrência de agentes de sua comunidade. Tem o objetivo exclusivo de propiciar informações à Previdência Social para avaliação e eventual concessão de aposentadoria especial ao segurando, na forma das exigências administrativas do INSS. Às folhas 196, 216, 219 e 230 são apresentados Laudos Técnicos que apresentam na conclusão que “O ruído excedente no (s) posto (s) de trabalho avaliado (s) foi devidamente neutralizado com o uso efetivo de protetores auriculares aprovados pelo Ministério do Trabalho”. 4) PARECER TÉCNICO / LEGAL 4.1) . 0 nível equivalente de ruído (LEQ) foi superior ao limite de tolerância estabelecido pelo Anexo 01 NR. 15, Portaria 3214/78, caracterizando desse modo a insalubridade em grau médio. 4.2) A NR. 15 item 15.4 subitem 15.4.1 alínea "b" / Portaria 3214/78 MTb estabelece que a neutralização da insalubridade através do uso efetivo e obrigatório do protetor auricular, cessa se o pagamento do adicional correspondente. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 5) CONCLUSÃO O ruído excedente no (s) posto (s) de trabalho avaliado (s) foi devidamente neutralizado com o uso efetivo de protetores auriculares aprovados pelo Ministério do Trabalho. A Perícia Médica do INSS informou que há histórico de concessão de aposentadorias especiais aos segurados da notificada e que tais aposentadorias são decorrentes de “altos valores de exposição ao ruído ( até 105dB(A)) e à temperatura elevada ( IBUTG: >29,5° ) e considerando a inexistência de informação sobre a existência de EPC ( a partir de 14/10/1996) e EPI (a partir de 14/12/1998) nos laudos técnicos emitidos pela Notificada”. Também o Relatório Fiscal da obrigação principal informa que houve a conversão do tempo especial em tempo comum e que não foi considerado qualquer atenuante pelo uso de EPI. De posse dos referidos Laudos e dos DSS/DIRBEN8030 a fiscalização pesquisou junto ao Setor de Beneficio do INSS e pode comprovar que com esses documentos, em relação aos empregados que requereram aposentadoria por tempo de contribuição, tiveram eles seu tempo de serviço considerado como especial convertido em normal pelo agente nocivo ruído acima de 80 dB(A) até 05/03/97 e 90 dB(A),a partir de 06/03/97, não sendo considerada atenuante pelo uso do EPI, uma vez que a conclusão da empresa no DSS/D1RBEN8030, não deixa dúvida sobre as condições prejudiciais á saúde e a integridade. Física que o empregado esteve exposto durante o período de trabalho considerado no documento. Entendo comprovado que a empresa emitiu o formulário DSS — 8030, documento próprio para prestar informações sobre atividades exercidas em condições especiais, com fins de concessão de aposentadoria especial, em desacordo com os LTCAT — Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15197.000207/200867 Acórdão n.º 2403002.147 S2C4T3 Fl. 7 11 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000917/2009-10
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício:2005,2006,2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
A omissão e a contradição entre a decisão e os seus fundamentos restando comprovadas em parte, os embargos de declaração interpostos devem acolhidos em parte para fins de supri-las.
Numero da decisão: 1801-001.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolher em parte para re-ratificar o Acórdão nº 1801-001.008, proferido na sessão realizada em 09 de maio de 2012, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolher em parte para reratificar o Acórdão nº 1801 001.008, proferido na sessão realizada em 09 de maio de 2012, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 09 17 /2 00 9- 10 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000917/200910 Acórdão n.º 1801001.562 S1TE01 Fl. 353 2 Tratase de embargos de declaração interpostos pela Recorrente, Seta Incorporações Ltda, em face do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180101.008, de 09.05.2012, com fundamento no que dispõe o artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do CSRF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. Contra a Recorrente acima identificada, Seta Incorporações Ltda, foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0211, com a exigência do crédito tributário no valor de R$737.862,99, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. O lançamento se fundamenta na aplicação incorreta do coeficiente de determinação do lucro presumido de 8% (oito por cento) ao invés de 32% (trinta e dois por cento), tendo em vista que no período exerceu exclusivamente a atividade de prestação de serviços de administração e operação de plano de saúde. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 518 e art. 519 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído ainda nesse processo o Auto de Infração às fls. 1220 com a exigência do crédito tributário no valor de R$221.358,89 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Cientificada em 27.05.2009, fls. 03 e 13, a Recorrente apresentou a impugnação em 25.06.2009, fls. 158170, com as alegações abaixo sintetizadas. Aduz que se dedica a atividade de administração e operação de plano de saúde devidamente autorizada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Suscita que no período objeto do lançamento o Hospital SP Ltda, CNPJ 03.444.492/000105, sofreu intervenção da Prefeitura do Município de Lagoa Vermelha, ocasião em que ficaram resguardados os direitos dos participantes do plano de saúde. Como é pessoa ligada ao mencionado hospital, passou a proceder aos registros deste dentro da sua escrituração contábil. Defende que há incorreções no lançamento, explicando que a apuração da receita bruta representa o somatório de todos os ingressos financeiros utilizados para remunerar os prestadores de serviços e pagar as demais despesas incorridas. Procura demonstrar que calculou os coeficientes erroneamente para apuração do lucro presumido referentes ao IRPJ e CSLL, quais sejam, 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), respectivamente. Indica os valores que entende corretos. Alega que não foram excluídos da base de cálculo os valores dos ingressos compulsoriamente determinados pela ANS para formação de reservas técnicas. Destaca argumentos em relação ao PIS e a Cofins. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000917/200910 Acórdão n.º 1801001.562 S1TE01 Fl. 354 3 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que os Autos de Infração devem ser cancelados. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1030.917, de 21.06.2011, fls. 294300: “Impugnação Improcedente”. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 SUJEITO PASSIVO. IDENTIFICAÇÃO. O sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa que praticou os atos e auferiu a receita deles decorrente. LUCRO PRESUMIDO. PLANOS DE SAÚDE. RECEITA BRUTA. Na apuração do lucro presumido, as empresas que atuam como plano de assistência médica não podem abater da receita bruta as quantias gastas para pagar os prestadores de serviços (médicos, clinicas, laboratórios etc). LUCRO PRESUMIDO. PLANOS DE SAÚDE. RECEITA BRUTA. O valor das provisões técnicas obrigatórias não pode ser deduzido da receita bruta para determinação do lucro presumido das empresas que atuam como plano de assistência médica CSLL. DECORRÊNCIA. Estendemse ao lançamento decorrente as conclusões da decisão prolatada no lançamento principal. Notificada em 17.08.2011, fl. 308, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09.09.2011, fls. 309326, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180101.008, de 09.05.2012, fls. 329334: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.”. Restou ementado Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício:2005,2006,2007 SUJEITO PASSIVO O contribuinte do IRPJ é o titular da disponibilidade econômica ou jurídica de renda. FALTA DE RECOLHIMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Para fins de apuração do lucro presumido, a pessoa jurídica prestadora de serviços deve aplicar o coeficiente de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta na determinação da base de cálculo do IRPJ. Somente podem ser excluídos da Fl. 354DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000917/200910 Acórdão n.º 1801001.562 S1TE01 Fl. 355 4 receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Notificada em 27.06.2012, fl. 338, a Recorrente interpôs embargos de declaração em 02.07.2012, fls. 339343 com as alegações a seguir resumidas. Suscita que há omissão e contradição na decisão embargada. Defende as teses de que (a) os valores repassados à pessoa jurídica que administra plano de assistência médica para pagamento aos prestadores de serviços médicos não podem integrar sua receita bruta; (b) na apuração do lucro real a pessoa jurídica administra plano de assistência médica tem direito de deduzir o valor das garantias financeiras; (c) os lançamentos de ofício relativos ao IRPJ e à CSLL não guardam coerência com os critérios de quantificação das bases de cálculo do PIS e da Cofins; (d) mostrase ilegítima a incidência do ISS sobre o total das mensalidades pagas pelo titular do plano de saúde à pessoa jurídica que administra plano de assistência médica. Em relação à omissão que por conseqüência gera contradição, argui que na decisão embargada não foram analisados os argumentos referentes: (a) à aplicação das deduções previstas para ba base de cálculo do PIS e da Cofins; (b) à possibilidade de exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL dos valores relativos às remunerações aos prestadores de serviços, às demais despesas incorridas e aos ingressos compulsoriamente determinados pela ANS para formação de reservas técnicas; (c) do efeito vinculante dos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados; (d) à adoção do regime de tributação com base no lucro real; e Fl. 355DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000917/200910 Acórdão n.º 1801001.562 S1TE01 Fl. 356 5 (e) da ilegitimidade da incidência do ISS sobre o total das mensalidades pagas pelo titular do plano de saúde. Conclui Diante do exposto, requer a esse Colegiado que profira nova decisão, eliminado as omissões e contradições, e examinado efetivamente os argumentos da Recorrente. Como consequência, requer a atribuição de efeitos infringentes para estes embargos de declaração, com o reconhecimento da improcedência dos lançamentos. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os embargos de declaração apresentados pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente defende a tese de que os valores repassados à pessoa jurídica que administra plano de assistência médica para pagamento aos prestadores de serviços médicos não podem integrar sua receita bruta. O regime de tributação pelo lucro presumido trimestral é uma escolha da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. (art. 13 da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995). Assim, não há permissivo legal para que os valores repassados à pessoa jurídica que administra plano de assistência médica para pagamento aos prestadores de serviços médicos não podem integrar sua receita bruta. A Recorrente procura demonstrar que a pessoa jurídica administra plano de assistência médica deve excluir o valor das garantias financeiras na apuração do lucro real. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000917/200910 Acórdão n.º 1801001.562 S1TE01 Fl. 357 6 No presente caso houve opção expressa pela apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro presumido, que deve ser adotado para todos os anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Esse regime jurídico de tributação é definitivo em relação a todo o anocalendário (art. 13 da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998). Tendo em vista a incompatibilidade, no período em que vigorar a opção, a pessoa jurídica fica impedida de utilizar o regime de tributação do lucro real, que traduzse pelo lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por lei. O lucro real tem regras normativas próprias, especificas e diferenciadas do lucro presumido e por essa razão são regras tributação excludentes para um mesmo período. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. A Recorrente destaca que os lançamentos de ofício relativos ao IRPJ e à CSLL não guardam coerência com os critérios de quantificação das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Os presentes autos se referem tãosomente ao IRPJ e à CSLL que foram determinados de ofício com base no lucro presumido, que é a forma de tributação adotada pela Recorrente, como se verifica pela análise das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006 espontaneamente apresentadas à RFB, fls. 2885. Vale ressaltar que as normas tributárias próprias do regime de tributação com base no lucro real, não se aplicam concomitantemente ao regime de tributação com base no lucro presumido de modo que não podem ser excluídas parcelas senão aquelas indicadas expressamente na legislação de regência. Assim, por falta de permissivo legal expresso, a apuração da base de cálculo de IRPJ e de CSLL pelo lucro presumido não guardam coerência com os critérios de quantificação das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Por estas razões, não podem ser deduzidos os valores relativos às remunerações aos prestadores de serviços, as demais despesas incorridas e aos ingressos compulsoriamente determinados pela ANS para formação de reservas técnicas, da base de cálculos dos tributos constituídos nos presentes autos. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente destaca a ilegitimidade da incidência do ISS sobre o total das mensalidades pagas pelo titular do plano de saúde como justificativa para anulação dos Autos de Infração de IRPJ e de CSLL. Não compete à União instituir o ISS, que é imposto próprio dos municípios, em conformidade com as limitações do poder de tributar previstas no Sistema Tributário Nacional, nos termos dos arts. 145 a 162 da Constituição Federal. Nesse sentido os vários aspectos da hipótese de incidência tributária do ISS não podem ser opostos à Fazenda Nacional, uma vez que os critérios de partilha de competência tributária são matérias tratadas por normas materialmente constitucionais, as quais os agentes públicos estão vinculados, pelo princípio da legalidade (art. 37 da Constituição Federal). Nesse sentido, cabe a cada ente federativo instituir os tributos dentro de sua competência constitucional estabelecendo todos os aspectos da hipótese de incidência. Inferese, portanto, que não tem cabimento a adoção de argumentos de defesa eqüitativos com a finalidade de justificar a nulidade de lançamentos de oficio relativamente a tributos de competência distintamente entre União e Municípios. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000917/200910 Acórdão n.º 1801001.562 S1TE01 Fl. 358 7 A Recorrente procura demonstrar que os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais por ela invocados em sua defesa devem ser considerados como vinculativos para fins de afastar a exigência de IRPJ e de CSLL. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na pela de defesa, cabe esclarecer que podem ser acatados pela Administração Pública desde logo, pois são carecedores de lei atribua eficácia normativa. No âmbito do processo administrativo fiscal o servidor deve atuar conforme a lei e o Direito e fica proibido de afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, bem como está obrigado a aplicar: (a) tratado, acordo internacional, lei ou decreto; (b) súmula da Advocacia Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; (c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; (d) normas declaradas inconstitucionais e constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF); e (e) súmulas vinculantes do STF a partir de sua publicação na imprensa oficial (art. 37 e art. 103A da CF, art. 26A do Decreto nº 60.235, de 1972, art. 28 da Lei nº 9.868, de 1999 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999)1. A asseveração citada pela defendente, assim, não é devida. Sobre todas essas questões tem cabimento esclarecer que a Administração Pública deve obedecer ao princípio da legalidade, que estabelece os limites da atuação administrativa e tem por objeto o exercício de direitos individuais em benefício da coletividade, hipótese em que a vontade decorre tãosomente da lei, de modo que apenas pode fazer o que a lei permite. Vale lembrar que por esse motivo, o servidor não pode por um simples ato administrativo conceder direitos, criar obrigações ou impor proibições aos sujeitos passivos sem previsão legal, de modo que no que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso. Registrese, ademais, que os embargos de declaração são recursos de saneamento. Pela análise dos autos se infere que na apreciação da prova, a autoridade judicante formou livremente sua convicção fundamentada aplicando o princípio da persuasão racional em relação aos elementos comprobatórios ali produzidos (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, foram observadas as formalidades essenciais processuais próprias do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões e a garantia dos direitos dos administrados foram regularmente cumpridos de acordo com o que está prescrito na legislação de regência (incisos LIV e LV do art. 5º e art. 93 da Constituição Federal e art. 2 º e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Portanto, a omissão e a contradição entre a decisão e os seus fundamentos estão supridas com os exaustivos fundamentos jurídicos explicitados. Em assim sucedendo, voto por conhecer os embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo e, no mérito acolhêlos em parte para reratificar o inteiro teor do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180101.008, de 09.05.2012. 1 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000917/200910 Acórdão n.º 1801001.562 S1TE01 Fl. 359 8 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 359DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19515.002039/2010-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de prestar à auditoria fiscal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei 11.941/09, o Relatório de Representantes Legais - REPLEG tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de prestar à auditoria fiscal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei 11.941/09, o “Relatório de Representantes Legais REPLEG” tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 39 /2 01 0- 70 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.002039/201070 Acórdão n.º 2402003.775 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso III, da Lei 8.212/1991, c/c os art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, em razão da empresa não ter prestado ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme exposto no Relatório Fiscal da Infração de fl. 17, para as competências 01/2005 a 12/2005. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 05/07), a autuada – apesar de devidamente intimada, conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) – deixou de apresentar ao Fisco esclarecimentos e informações no tocante aos documentos/recibos, lançados em seus Livros Diários referentes a pagamentos a contribuintes individuais (cooperados), solicitados através do Termos de Intimação e Reintimação para Apresentação de Documentos de 12/03/10, 24/03/10, 16/04/10, 12/05/2010 e 14/06/10, bem como a relação individualizada dos segurados (Nome, CPF, PIS, Valor pago, Valor retido do INSS),conforme pedido feito em 27/05/10 e 14/06/10. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 07) informa que a multa aplicada teve como fundamento os artigos 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, bem como os artigos 283, incisos II, alínea “b”, e 373, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 12/07/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 37/98), alegando, em síntese, que: 1. Dos Fatos. A Fazenda Pública exigiu uma série de documentos da Cooperativa/Impugnante, conforme os termos de intimação relacionados no relatório. Salienta em seu favor que entregou os documentos solicitados, com exceção dos que decorrem da relação de emprego (CLT), tendo em vista a natureza jurídica distinta da Cooperativa, bem como imóveis e veículos, por não existirem no ativo imobilizado da Impugnante, conforme pode ser verificado no documento anexo recebido pelo Sr. Antonio Betto, em 06/04/2010. Assim, a multa aplicada é totalmente infundada, já que a Impugnante atendeu a solicitação da fiscalização; 2. Da ausência de responsabilidade das pessoas citadas no Relatório de Vínculo. A responsabilidade seja ela solidária ou subsidiária, imputada aos sócios só ocorrem em alguns casos restritos, previstos nos arts. 134 e 135, ambos do Código Tributário Nacional. Salienta, que no presente caso, quando se analisa a possibilidade de se enquadrar os sócios como responsáveis tributários devese observar, Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 atentamente, a hipótese remetida no inciso VII do art.134 do CTN. Portanto, os sócios da sociedade de pessoas, se responsabilizam nos atos que intervierem ou se omitirem, o que não ficou demonstrado, gerando uma insubsistência na infração. Quando se analisa o caput do artigo 135 do Código Tributário Nacional, percebese que o referido dispositivo legal remetese em casos em que há atos praticados com excesso de poderes ou infrações de lei, contrato social ou estatutos; 3. DO PEDIDO. Diante do exposto, requer seja recebida e provida a presente impugnação, com reconhecimento da nulidade do auto. Requer, ainda, a exclusão de quaisquer responsabilidade dos sócios e contadores elencados no relatório de vínculos. Por fim, solicita que todas as publicações sejam realizadas em nome de Alvaro Trevisioli, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Secção São Paulo, sob o n° 108.491, com escritório na Avenida Paulista n° 352, conjunto 55, Bairro Bela Vista, na Capital do Estado de São Paulo, Cep: 01310905. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo/SP1 – por meio do Acórdão 1636.161 da 14a Turma da DRJ/SP1 (fls. 88/95) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em São Paulo/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.002039/201070 Acórdão n.º 2402003.775 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente manifesta inconformismo a respeito do relatório dos corresponsáveis, pois entende que estaria sendo imputada responsabilidade aos sócios da empresa. Quanto à essa alegação da indevida responsabilização dos sócios (diretores), cabe esclarecer que os corresponsáveis mencionados pela fiscalização não figuram no polo passivo do presente lançamento fiscal. A relação de corresponsáveis anexada pela fiscalização tem como finalidades identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis ou estatuto, conforme determina o Código Tributário Nacional e permitir que se cumpra o estabelecido no art. 2º, inciso I, § 5º, da Lei 6.830/1980, que dispõe: Art. 2º. Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. (...) § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros (g.n.); Além disso, verificase que o artigo 79, inciso VII, da Lei 11.941/2009 revogou o artigo 13 da Lei 8.620/1993. Com isso, após essa revogação do artigo 13, o denominado “Relatório de Representantes Legais REPLEG” (fls. 87/88), acompanhado do Relatório de Vínculos, não pode mais ostentar em seu título qualquer expressão que venha mesma a apenas insinuar uma corresponsabilidade das pessoas nela relacionadas. Segue transcrição: Lei 8.620/1993: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. A relação de “Representantes Legais REPLEG” apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no polo passivo da obrigação tributária. O Relatório “REPLEG” serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional (CTN). Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo Fisco. É da analise dos contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores da empresa, dessa relação a PFN poderá indicar eventuais corresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Portanto, não acato essa preliminar, eis que a finalidade do “Relatório de Representantes Legais REPLEG” é apenas identificar os sócios e diretores da empresa, com seu respectivo período de gestão. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória. Verificase que a Recorrente, para as competências 01/2005 a 12/2005, deixou de apresentar à auditoria fiscal os esclarecimentos e informações no tocante aos seguintes documentos: 1. documentos/recibos, lançados em seus Livros Diários referentes a pagamentos a contribuintes individuais (cooperados), solicitados através do Termos de Intimação e Reintimação para Apresentação de Fl. 127DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.002039/201070 Acórdão n.º 2402003.775 S2C4T2 Fl. 5 7 Documentos de 12/03/10, 24/03/10, 16/04/10, 12/05/2010 e 14/06/10; e 2. a relação individualizada dos segurados (Nome, CPF, PIS, Valor pago, Valor retido do INSS),conforme pedido feito em 27/05/10 e 14/06/10. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso III, da Lei 8.212/1991, que dispõe: Art. 32 A empresa é também obrigada a: (...) III prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009) (g.n.) Por sua vez, o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999 – diploma que regulamentou a lei orgânica da Seguridade Social –, dispôs: Das Obrigações Acessórias Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à.fiscalização; (...) § 22 A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Incluído pelo Decreto n° 4.729, de 2003) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, percebe se, então, que a Recorrente estava obrigada a apresentar os esclarecimentos e informações necessários ao procedimento de auditoria fiscal – solicitados por força do art. 32, inciso III, da Lei 8.212/1991 –, visando comprovar a fidedignidade da escrituração contábil e de todos os outros documentos fornecidos pela Recorrente ao Fisco. Da mesma forma, enganase a Recorrente ao alegar a não observação ao princípio da tipicidade, uma vez que a Lei 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e remete ao regulamento a fixação do mesmo: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, determina: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente, referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência. Posteriormente – conforme dispôs a Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102, e o Regulamento da Previdência Social (RPS), artigos 283 e 373, todos susomencionados – a Portaria MPS/MF n° 333, publicada em 29/06/2010, reajustou o valor da multa para R$14.317,78, (quatorze mil, trezentos e dezessete reais e setenta e oito centavos). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das Fl. 129DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.002039/201070 Acórdão n.º 2402003.775 S2C4T2 Fl. 6 9 formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15586.720591/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ.
Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil.
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.744
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 91 /2 01 2- 11 Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720591/201211 Acórdão n.º 2302002.744 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 05/07/2012, referese à glosa de compensação efetuada nas competências de 01/2008 a 12/2008 O relatório fiscal de fls. 11/33, diz que a autuada promoveu compensações de contribuições previdenciárias relativas a valores recolhidos indevidamente sobre os subsídios dos agentes políticos durante o período compreendido entre 01/1998 a 08/2004.Aduz que o Município ajuizou ação 2007.50.01.011.8459, em 21/09/2007, para compensar os recolhimentos indevidos dos agentes políticos entre 1998 e 2004, que está em sede de Recurso Especial no STF. Que também ajuizou outra ação 2010.50.01.0059790, para se eximir do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre 1/3 férias, auxílio transporte, função comissionada, diárias menores que 50%, licença prêmio em pecúnia e os primeiros quinze dias de saláriodoença.Esta ação também está em andamento e não faz parte do presente auto de infração. O relatório diz, ainda, que a glosa foi efetuada porque a autuada não comprovou documentalmente o seu direito à compensação, não foram cumpridos os requisitos da Instrução Normativa n.º 15/2006 para se implementar a compensação e não há decisão definitiva para que se possa proceder a compensação. Sobre os valores indevidamente compensados foi aplicada a multa de 0,33% ao dia, limitado ao percentual de 20%. Após a impugnação, Acórdão de fls. 1300/1320, pugnou pela procedência da autuação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) que juntou documentos para provar a compensação, mas há diferenças entre os valores que apresenta e aqueles apurados pelo Fisco, o que deve ser decidido através de perícia; b) que os débitos mesmo já liquidados devem ser subtraídos do presente levantamento; c) que as matérias discutidas, cujos recolhimentos são indevidos já foram exaustivamente tratadas pelos tribunais, não havendo dúvida quanto a não incidência da contribuição previdenciária; d) que ação judicial autorizou a compensação de 01/2008 a 11/2009, não havendo que se falar em glosa; Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 e) que o Fisco está agindo com abuso de poder, pois deveria conferir os dados constantes de seus sistemas, a exigir documentos da recorrente; f) que não cabe, neste caso, a Representação Fiscal para Fins Penais; g) que é necessária perícia porque pagou dois autos de infração e isto não foi considerado, sendo mister que os valores sejam apurados por meio de prova pericial, para o que nomeia seu perito e propõe quesitos. Por fim, diz que possui direito a compensar reconhecido em ação judicial e a autuação não logrou demonstrar a ausência de recolhimentos e a compensação indevida, requerendo assim, o efeito suspensivo do recurso e a revisão do julgamento para deferir a prova pericial e que seja julgada improcedente a autuação e cancelado o auto de infração. É o relatório. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720591/201211 Acórdão n.º 2302002.744 S2C3T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, motivo pelo qual o conheço e passo ao seu exame. Da Preliminar A recorrente requer o efeito suspensivo do recurso, e com efeito, em obediência ao artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. É oportuno esclarecer, entretanto, que não há que se confundir “suspensão da exigibilidade do crédito tributário” com a impossibilidade de lançamento. A “suspensão” referese tão somente a exigibilidade do crédito previdenciário por via de execução, ou seja, do adimplemento forçado em juízo, impedindo que sejam praticados, contra o sujeito passivo, atos de natureza constritiva, expropriatórios ou assemelhados. Quanto à solicitação de perícia, entendo que ser prescindível para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA RFB N.º10.875/20074 Art. 11. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 15. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 7º. O pedido de perícia não se constitui em direito subjetivo do autuado e a recorrente não apresentou a documentação capaz de provar a pertinência das compensações efetuadas, de forma que a prova independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, que não fez durante todo o procedimento administrativo. Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 As assertivas expostas na peça recursal quanto ao dever do Fisco de examinar os dados informados em GFIP através dos seus sistemas informatizados para comprovar a lisura das compensações efetuadas , são totalmente inócuas e improcedentes, uma vez que é dever do contribuinte apresentar e comprovar a existência de recolhimentos indevidos ou a maior que suscitem a compensação de tais valores. Do Mérito Compulsando os autos é de se ver que foi efetuada glosa de compensações efetuadas pela Município frente à falta de comprovação dos valores compensados e a inexistência de decisão judicial definitiva que lhe assegurasse o direito à compensação. De acordo com o relatório fiscal de fls.11/33, o contribuinte foi formalmente intimado, durante o período da auditoria fiscal, a apresentar os documentos que comprovassem o seu direito à compensação de valores supostamente recolhidos a título de contribuição previdenciária sobre a remuneração de agentes políticos, mas não fez. Em reiteradas solicitações, a recorrente respondeu que não podia apresentar os documentos comprobatórios, porque faziam parte dos processos judiciais e estavam nos tribunais. Os Atos Administrativos tem a presunção da veracidade e quanto ao dever legal de provar a existência do fato gerador, o lançamento fiscal goza de presunção de legitimidade, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Todavia, o Fisco não atua discricionariamente, haja visto que o lançamento é precedido de regular procedimento de fiscalização, com a análise de documentação, que tem por finalidade a busca da verdade material, que é um dos pilares e uma decorrência do princípio da legalidade. Assim, o Fisco solicitou os documentos que comprovassem o que estava sendo compensado pela autuada , mas não foi atendido, sendo glosados os valores compensados sem comprovação e sem decisão judicial definitiva. Quanto à existência de ação judicial, me reporto ao trazido pela decisão recorrida que a seguir transcrevo: Em 21/09/2007, o Município da Serra/ES, através do representante da empresa URBIS, o advogado Sr. Antônio Luiz Castelo Fonseca, ajuizou ação ordinária na 2ª Vara Federal Civil de Vitória – ES (2007.50.01.0118459) em face do Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS, objetivando que fosse declarado o direito de compensar os recolhimentos indevidos a título de contribuição previdenciária incidente sobre os subsídios dos detentores de mandatos eletivos municipais no período compreendido entre 1998 e 2004, com parcelas vincendas da mesma exação, sem os limites preconizados pelas Leis nº 9.032/95 e 9.129/95, ainda afastados os ditames da Lei Complementar nº 118/05. 2.3. O sujeito passivo foi intimado através do Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF e do Termo de Intimação Fiscal – TIF03 a apresentar cópia da Petição Inicial e da sentença do processo judicial referente à compensação de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos exercentes de cargos eletivos. Entretanto, atendendo ao solicitado, informa por escrito, através do ofício SEFI nº 056/2012, de 31/05/2012, que não foi possível extrair as informações do processo judicial, tendo em vista que o mesmo se encontra no Superior Tribunal de Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720591/201211 Acórdão n.º 2302002.744 S2C3T2 Fl. 5 7 Justiça, ou seja, no momento da ação fiscal a prefeitura não apresentou nem a petição inicial e nem a sentença. 2.4. A síntese da sentença publicada em 16/04/2008, verificada através da apelação/reexame necessário, no Tribunal Regional Federal da 2ª Região foi que o juízo julgou procedentes os pedidos contidos na inicial, reconhecendo o direito do autor à compensação das quantias recolhidas indevidamente, a título de contribuição previdenciária incidente sobre subsídios percebidos por detentores de mandato eletivo, tão somente no período de 01/98 a 08/04, devidamente atualizadas, nos moldes demonstrados no corpo da sentença. 2.5. Na referida sentença, o juízo afastou expressamente a exigência do artigo 170A da Lei 5.172/66, CTN, sendo viável a compensação antes do trânsito em julgado, mas apenas a partir do momento em que não subsistirem recursos dotados de efeito suspensivo. Afastou as limitações percentuais das Leis nº 9.032/95 e 9.129/95. Salientou, por fim, que esta sentença não representa qualquer homologação de cálculos, sendo certo que a autoridade fiscal competente conserva o poder/dever de fiscalizar a regularidade da compensação, inclusive o seu quantum. 2.6. Inconformada, a União Federal apelou, alegando que a referida sentença deveria ser reformada in totum reconhecendo se a ausência do interesse processual do autor; para acolher a aplicabilidade do prazo prescricional de 5 anos; que seja determinada a limitação da compensação aos moldes preconizados pelas Leis nº 9.032/95 e 9.129/95, somente após o trânsito em julgado, conforme o art. 107A do CTN, tendo sido a referida apelação recebida nos efeitos devolutivo e suspensivo. 2.7. No entanto, através do acórdão emanado da Colenda Terceira Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, foi dado parcial provimento à apelação da União Federal/Fazenda Nacional, reformando a sentença no que tange a aplicação do prazo prescricional, já que o juízo na sentença considerou como sendo decenal o prazo da prescrição, quando o certo seria o prazo qüinqüenal, reconhecendo a prescrição das parcelas anteriores a 21 de setembro de 2002, uma vez que a ação foi ajuizada em 21/09/07, na vigência da Lei Complementar nº 118/05, razão pela qual é aplicável a prescrição qüinqüenal, mantidos os demais termos. 2.8. O Município interpôs Recurso Especial sob o nº 1.201.835 – ES (2010/01192742) contra o Acórdão do TRF2. O relator, Ministro César Asfor Rocha, em 24/05/2011, deu provimento ao REsp para restabelecer a sentença, com relação ao prazo para repetição do indébito, que é de 10 anos a contar do fato gerador. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 2.9. O Processo encontrase sem decisão definitiva no Supremo Tribunal Federal. Pelo exposto, restou demonstrado que o contribuinte ingressou com uma ação ordinária nº 2007.50.01.0118459, que tramitou perante a 2ª Vara Federal Cível de Vitória/ES pleiteando a restituição dos valores indevidamente recolhidos com esteio no art. 12, inciso I, alínea 'h', da Lei nº 8.212/91. Julgado procedente o pedido em 1º grau, a sentença foi submetida através da apelação/reexame necessário, ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região e confirmada. A União Federal recorreu e acórdão emanado da Colenda Terceira Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, deu parcial provimento à apelação da União Federal/Fazenda Nacional, reformando a sentença no que tange a aplicação do prazo prescricional, já que o juízo na sentença considerou como sendo decenal o prazo da prescrição, quando o certo seria o prazo qüinqüenal, reconhecendo a prescrição das parcelas anteriores a 21 de setembro de 2002, uma vez que a ação foi ajuizada em 21/09/07, na vigência da Lei Complementar nº 118/05, razão pela qual é aplicável a prescrição qüinqüenal, mantidos os demais termos. O Município interpôs Recurso Especial sob o nº 1.201.835 – ES (2010/01192742) contra o Acórdão do TRF2. O relator, Ministro César Asfor Rocha, em 24/05/2011, deu provimento ao REsp para restabelecer a sentença, com relação ao prazo para repetição do indébito, que é de 10 anos a contar do fato gerador. E atualmente o processo encontrase sem decisão definitiva no Supremo Tribunal Federal. Ou seja, a decisão ainda não transitou em julgado. Portanto, ainda que a recorrente tivesse efetivamente comprovado através da apresentação de documentos hábeis os valores compensáveis, a glosa efetuada seria legítima, tendo em vista o comando contido no artigo 170A do CTN, que veda "a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". A vedação também aplicase às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039/DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1.167.039/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) Conforme o art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720591/201211 Acórdão n.º 2302002.744 S2C3T2 Fl. 6 9 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por derradeiro, quanto à representação fiscal para fins penais, o auditor fiscal, em virtude de exercer atividade vinculada, sem poder discricionário, deve formalizar tal documento, na mesma data da lavratura do auto de infração, quando no curso da ação fiscal apurar fatos que, em tese, constituem crime de sonegação previdenciária, conforme artigo 337 A, incisos I,II e III do Código Penal aprovado pelo Decretolei n.º 2.848, de 07/12/1940, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 9.983, de 14/07/2000. A disposição para o encaminhamento ao Ministério Público da representação fiscal para fins penais está disciplinada pelo artigo 83, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168A e 337A do DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) Ademais, não cabe a este Colegiado apreciar a matéria em função da Súmula n.º 28, do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais’. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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