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Numero do processo: 10580.732468/2012-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL.
É devida a contribuição patronal incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a segurados empregados e contribuintes individuais.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS
A empresa é obrigada a arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados empregados, descontando-as da respectiva remuneração.
CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS.
Cabe à empresa o recolhimento das contribuições destinadas a Entidades e Fundos denominados Terceiros.
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
São solidariamente obrigadas as pessoas que têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO.
A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. É devida a contribuição patronal incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a segurados empregados e contribuintes individuais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS A empresa é obrigada a arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados empregados, descontando-as da respectiva remuneração. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. Cabe à empresa o recolhimento das contribuições destinadas a Entidades e Fundos denominados Terceiros. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
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É devida a contribuição patronal incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a segurados empregados e contribuintes individuais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS A empresa é obrigada a arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados empregados, descontandoas da respectiva remuneração. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. Cabe à empresa o recolhimento das contribuições destinadas a Entidades e Fundos denominados Terceiros. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. 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Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.732468/201289, em face do acórdão nº 0645.843, julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), em sessão realizada em 20 de março de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Trata o presente processo administrativo tributário, cadastrado no COMPROT sob nº 10580.732468/201289, dos Autos de Infração (AI) abaixo relacionados, lavrados contra a empresa UNIBAHIA UNIDADE BAIANA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO LTDA., em 19/01/2013, em razão da mesma ter deixado de informar em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 11/2008 a 12/2008: Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10580.732468/201289 Acórdão n.º 2202004.451 S2C2T2 Fl. 1.846 3 AI DEBCAD Nº 37.364.0404: compreende as contribuições da empresa, inclusiva aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre remuneração de segurados empregados e de contribuintes individuais (não declarada em GFIP). Total deste AI: R$ 168.993,94 (fls. 2 a 9); AI DEBCAD n° 37.364.0412: compreende as contribuições destinadas às Entidades ou Fundos denominados Terceiros (FNDE/SalárioEducação, INCRA, SESC e SEBRAE), incidentes sobre remuneração de segurados empregados (não declarada em GFIP). Total deste AI: R$ 34.613,79 (fls. 10 a 16); AI DEBCAD nº 37 364.0420: compreende a contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais (valores descontados dos segurados – apropriação indébita), incidente sobre a remuneração percebida. Total deste AI: R$ 61.496,96 (fls. 17 a 23); AI DEBCAD Nº 37.364.0439: compreende a contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais (valores não descontados dos segurados), incidente sobre a remuneração percebida. Total deste AI: R$ 7.679,43 (fls. 24 a 32). 2. O procedimento fiscal e os lançamentos efetuados estão explicitados no Relatório Fiscal de fls. 33 a 55 e nos demais anexos (em especial: DD – DISCRIMINATIVO DO DÉBITO, RADA – RELATÓRIO DE APROPRIAÇÃO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS e FLD – FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO), que acompanham cada um dos Autos de Infração. 3. Tendo em vista a ocorrência, EM TESE, de prática de ilícito previsto na legislação previdenciária e penal, foi efetuada Representação Fiscal Para Fins Penais, conforme COMPROT nº 10580.732470/201258. 4. Por ter a empresa infringido a legislação tributária, seus representantes legais à época (sóciosadministradores), abaixo relacionados, foram considerados solidariamente responsáveis, com seus patrimônios, pelos créditos devidos neste processo: FABRÍCIO VASCONCELLOS SOARES CPF 046.989.59500 ANA MARIA DE BARROS SANTOS SOARES CPF 656.617.96820 5. Foi emitido Termo da Arrolamento de Bens e Direitos, tendo em vista que a divida da empresa ser superior a R$ 2.000.000,00 e superior a 30% do seu Ativo constante na DIPJ de 2010, anexada ao presente processo. Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 10580.732468/201289 Acórdão n.º 2202004.451 S2C2T2 Fl. 1.847 4 6. Cientificada a empresa do lançamento em 23/01/13, conforme recibo de fls. 1016 a 1019, bem como os responsáveis solidários, conforme Termos de Sujeição Passiva de fls. 1020 a 1029, foram apresentadas as impugnações a seguir relacionadas: AI DEBCAD nº 37.364.0439 Impugnação da empresa fls. 1039 a 1042. Impugnação do sócioadministrador Fabrício Vasconcelos Soares – fls. 1134 a 1138. AI DEBCAD nº 37.364.0420 Impugnação da empresa – fls. 1223 a 1226. Impugnação do sócioadministrador Fabrício Vasconcelos Soares – fls. 1321 a 1325. AI DEBCAD nº 37.364.0412 Impugnação da empresa – fls. 1412 a 1415. Impugnação do sócioadministrador Fabrício Vasconcelos Soares – fls. 1507 a 1511. AI DEBCAD nº 37.364.0404 Impugnação do sócioadministrador Fabrício Vasconcelos Soares – fls. 1596 a 1600. Impugnação da empresa – fls. 1684 a 1687. 7. Nas suas quatro impugnações, a empresa repete os mesmos argumentos, alegando, em síntese, que: a) “não poderia a Auditora Fiscal ter autuado a Impugnante por falta de declaração de GFIP do período de 11/2008 a 12/2008, tendo em vista que as contribuições previdenciárias do período correspondente não foram omitidas pela mesma, o que ocorreu foi que a empresa declarou o tributo e não realizou o pagamento do mesmo em sua totalidade”; b) “ ressaltese também que o simples ato de não recolher os tributos não contribuirá em absolutamente nada para preencher o fato descrito na hipótese normativa tributária do auto de infração em questão”; c) “a empresa Unibahia procedeu com a declaração do imposto, entretanto apenas não realizou o recolhimento em sua totalidade por estar passando por dificuldades financeiras”; d) “as alegações feitas pela auditora fiscal são insustentáveis, vez que estão totalmente em dissonância com os ditames legais,” [...] “se ‘perde’ em suas próprias fundamentações” e não “junta Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10580.732468/201289 Acórdão n.º 2202004.451 S2C2T2 Fl. 1.848 5 ao auto de infração algum documento que comprove, concretamente, o que aduz”; e) por tais motivos, “para que não restem sombras de dúvidas”, “em que pese a duvidosa constitucionalidade/legalidade da exigência contida no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72”, se mostra necessária a realização de diligências e perícias (contábil e in locu) para que a situação aventada pela Fiscal seja averiguada; f) “requer a produção de todas as provas em Direito admitidas, especialmente a juntada dos documentos em anexo, bem como outros que vierem a ser necessários”. 8. Quanto ao AI DEBCAD nº 37.364.0420, alega a empresa, ainda, que se “pode observar da análise das planilhas acostadas pela empresa que o valor pago na GPS dos períodos 11/2008 a 12/2008 correspondem aos mesmos valores constantes na planilha em anexo, no item que trata sobre ‘segurado’. [...] A partir disso, fica claro [...] que o único equívoco da Empresa foi não ter individualizado o respectivo pagamento da GPS, isso não quer dizer que a empresa Recorrente não tenha cumprido com sua obrigação de repassar os valores que foram descontados na folha de pagamento dos empregados.” 9. Nas quatro impugnações do sócioadministrador Fabrício Vasconcelos Soares também são repetidos os argumentos de defesa, sendo alegado, em síntese, que: a) “o Recorrente [...] foi autuado [...] em razão da Auditora Fiscal ter entendido que o sócio administrador é solidariamente responsável com seu patrimônio pelos créditos devido pelo sujeito passivo em casos resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, nos termos do art. 135 do CTN”; b) “mister se faz esclarecer que não poderia a Auditora Fiscal ter realizado a desconsideração da pessoa jurídica, primeiramente por lhe faltar competência para tal ato, posto que o instituto da despersonalização depende de ordem judicial autorizadora, o que não a aconteceu no caso em tela, e segundo por ter a empresa cumprido com a sua obrigação de declarar em GFIP as contribuições previdenciárias do período correspondente, não se omitindo assim da respectiva obrigação a ela imposta”; c) “a desconsideração da personalidade jurídica é instrumento afeito a situações limítrofes, nas quais a máfé, o abuso da personalidade jurídica ou confusão patrimonial deverão ser revelados, o que no caso em tela não ocorreu.” Além do que, a “Administração Pública está adstrita aos princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência”; Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 10580.732468/201289 Acórdão n.º 2202004.451 S2C2T2 Fl. 1.849 6 d) “partindo desse pressuposto, existiria a necessidade de propositura de ação própria com o objetivo específico de se obter a declaração da desconsideração da personalidade jurídica para, aí sim, promoverse a constrição sobre o patrimônio dos sócios”; e) “ ressaltese também que o simples ato de não recolher os tributos não contribuirá em absolutamente nada para preencher o fato descrito na hipótese normativa tributária, posto que para que tal ocorra deverá estar direta e pessoalmente relacionado com o sócio/gerente”; f) “as alegações feitas pela auditora fiscal são insustentáveis, vez que estão totalmente em dissonância com os ditames legais,” [...] “se ‘perde’ em suas próprias fundamentações” e não “junta ao auto de infração algum documento que comprove, concretamente, o que aduz”; g) por tais motivos, para que não restem sombras de dúvidas, “em que pese a duvidosa constitucionalidade/legalidade da exigência contida no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72”, se mostra necessária a realização de diligências e perícias (contábil e in locu) para que a situação aventada pela Fiscal seja averiguada”; 10. Diante dessas considerações, requer o Impugnante seja julgada procedente a presente defesa e declarado nulo ou insubsistente o lançamento, restando sem efeito a desconsideração da personalidade jurídica. 11. É o Relatório." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada com o resultado do julgamento, a contribuinte UNIBAHIA apresentou recurso voluntário, às fls. 1807/1812, onde reitera as alegações expostas em impugnação. Igualmente, irresignada com o Acórdão proferido, a sóciaadministradora ANA MARIA DE BARROS SANTOS SOARES interpôs recurso voluntário às fls. 1820/1825, a fim de que fosse verificada a necessidade de ação própria para desconsideração da personalidade jurídica, bem como a nulidade em razão da falta de intimação pessoal. De igual forma, o sócioadministrador FABRÍCIO VASCONCELLOS SOARES, às fls. 1831/1834, alega que cumpriu todas obrigações fiscais exigidas em relação à empresa contribuinte, assim como aduz a necessidade de ação própria para que houvesse declaração da desconsideração da personalidade jurídica para que então houvesse a constrição sobre os bens dos sócios. É o relatório Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 10580.732468/201289 Acórdão n.º 2202004.451 S2C2T2 Fl. 1.850 7 Os recursos voluntários foram apresentados dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. Preliminares. Das provas, perícia e pedido de diligência. A perícia e as diligências requeridas são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Portanto, improcedente tal pedido. Por sua vez, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Ante o exposto, rejeito as preliminares suscitadas pelas recorrentes. Do recurso da pessoa jurídica Conforme se observa nas impugnações apresentadas (vide fls. 1039, 1223, 1412 e 1684), à exceção da impugnação apresentada em face do AI DEBCAD nº 37.364.0420, no qual a empresa trata, também, da questão referente à apropriação indébita, os argumentos de defesa são os mesmos em todas as impugnações, sendo reproduzidos estes em sede recursal. Em sua defesa, alega a pessoa jurídica que “declarou o tributo e não realizou o pagamento do mesmo em sua totalidade” por dificuldades financeiras, sendo que tal situação, em seu entendimento, não preenche o fato descrito na hipótese normativa tributária do Auto de Infração em questão. Também alega que a fiscalização se perde em suas próprias fundamentações e não teria juntado ao Auto de Infração documentos que comprovassem, concretamente, o que aduz. Em que pese a defesa pretendida, não merecem guarida os argumentos da ora deduzidos. Conforme se observa no Relatório Fiscal (fls. 33 a 55) e nos documentos que o acompanham, a auditoria foi bastante clara ao detalhar os valores que compõem a base de cálculo do lançamento ora questionado. As contribuições lançadas nos AIs se referem às remunerações pagas a segurados empregados, registradas em Folha de Pagamento (fls. 167 a 667), Rais (fls. 719 a 769) e Dirf (fls. 770 a 812) e não declaradas em GFIP, cujos valores encontramse registrados nas tabelas 1, 3 e 4 (fls. 813 a 883), e no relatório Discriminativo do Débito (DD) e de Lançamentos (RL), bem como às remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (sócioadministrador), registradas em folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, cujos valores encontramse registrados na tabela 2, fls. 878 a 880, e nos relatórios DD e RL. Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 10580.732468/201289 Acórdão n.º 2202004.451 S2C2T2 Fl. 1.851 8 Nesses documentos mencionados acima, as remunerações são discriminadas por segurado e por competência. Portanto, cabia à empresa apontar inconsistências nos valores considerados pela fiscalização ou na fundamentação apresentada se elas de fato existissem, contudo, em sua defesa, a empresa limitouse, apenas, a refutar de forma genérica o lançamento, sem indicar qualquer irregularidade na base de cálculo apurada pela fiscalização. Ponderese que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpre ao contribuinte o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972), o que não ocorreu no presente caso. Quanto à defesa em relação ao AI DEBCAD nº 37.364.0420, aqui a empresa faz, novamente, uma argumentação genérica, alegando que os valores pagos nas GPSs do período de 11/2008 a 12/2008 correspondem aos mesmos valores “constantes na planilha em anexo, no item que trata sobre ‘segurado’.” Dessa forma, no entendimento da Impugnante, o único equívoco da empresa teria sido “não ter individualizado o respectivo pagamento da GPS”, e acrescenta que isso “não quer dizer que a empresa [...] não tenha cumprido com sua obrigação de repassar os valores que foram descontados na folha de pagamento dos empregados.” Primeiramente, segundo consta no Relatório Fiscal, a contribuição descontada dos segurados empregados e contribuintes individuais e não recolhida consta da folha de pagamento e não foi informada em GFIP. Vide códigos de levantamento “AI”, “AI2”, “II” e “II2” (fl. 19). Em segundo lugar, conforme se observa no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA), fl. 20, não constam GPSs suficientes a demonstrar que todas as contribuições descontadas dos segurados foram recolhidas. Portanto, diante desse quadro, concluímos pela improcedência da defesa, devendo serem mantidos os AIs ora questionados. Cumpre ressaltar, outrossim, que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cabe à contribuinte o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção, o que não ocorreu no caso presente. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. No processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Portanto, carece de razão à recorrente, devendo ser mantido o lançamento. Dos recursos dos sóciosadministradores Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 10580.732468/201289 Acórdão n.º 2202004.451 S2C2T2 Fl. 1.852 9 Alegam os recorrentes que a fiscalização não tem competência para promover a desconsideração da personalidade jurídica, pois tal desconsideração, em seu entendimento, “depende de ordem judicial autorizadora.” Os recorrentes também alegam que para a desconsideração da personalidade jurídica precisa ser revelada a gestão da empresa com “máfé, o abuso da personalidade jurídica ou confusão patrimonial” o que não teria ocorrido no presente caso. Por fim, requerem a realização de perícia para que “a situação aventada pela Fiscal seja averiguada.” Em que pese a defesa, não merecem guarida os argumentos deduzidos. Vejase, primeiramente, o que dispõe o art. 265 do Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002): Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. Conforme se observa no dispositivo colacionado acima, a solidariedade decorre de lei ou da vontade das partes. No caso em tela, a responsabilidade solidária dos sóciosadministradores da empresa está, expressamente, prevista no art. 135 da Lei nº 5.172, de 1966, (Código Tributário Nacional), sendo aplicável nos casos de obrigação tributária resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Ora, a empresa, por intermédio de seus gestores (sóciosadministradores), omitiu base de cálculo em GFIP, conforme claramente apontado pela fiscalização, e tal conduta constitui infração ao art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 10580.732468/201289 Acórdão n.º 2202004.451 S2C2T2 Fl. 1.853 10 Cabe acrescentar, inclusive, que foi lavrada Representação Fiscal Para Fins Penais (processo nº 10580.732470/201258) por terem sido configurados, em tese, ilícitos penais tipificados nos artigos 168A (apropriação indébita previdenciária) e 337A (sonegação de contribuição previdenciária) do Código Penal (DecretoLei 2848, de 1940) e no art. 1º da Lei nº 8137, de 1990 (crime contra a ordem tributária). Nos casos de constatação de responsabilidade solidária, todos os responsáveis devem estar vinculados no Auto de Infração. Essa medida visa, essencialmente, respaldar a fase de execução judicial do crédito tributário, por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional. Convém observar, ainda, que no presente momento não está sendo operada a desconsideração da personalidade jurídica, mas apenas a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária, o qual, mediante a cientificação do responsável solidário da exigência fiscal, tem como objetivo assegurar a ele o direito ao contraditório e à ampla defesa, consagrado no artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Portanto, correta a emissão dos Termos de Sujeição Passiva. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 1853DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.003195/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 01/10/2008
EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL E SIMPLES NACIONAL. SUSPENSÃO DOS LANÇAMENTOS TRIBUTÁRIOS DECORRENTES. IMPOSSIBILIDADE.
Promovida a exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal e do Simples Nacional, poderão ser lavrados autos de infração para a exigência de créditos tributários devidos, independentemente do julgamento de eventual manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão. Tal medida visa evitar que se opere a decadência. Aplicação da Súmula CARF nº 77.
MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEI NOVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449/08. ARTIGO 106 DO CTN.
São aplicáveis nos lançamentos de ofício, quando benéficas, às multas disposta na nova legislação.
Numero da decisão: 1201-002.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar que votaram para declinar da competência para a 2ª Seção de Julgamento do CARF.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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SUSPENSÃO DOS LANÇAMENTOS TRIBUTÁRIOS DECORRENTES. IMPOSSIBILIDADE. Promovida a exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal e do Simples Nacional, poderão ser lavrados autos de infração para a exigência de créditos tributários devidos, independentemente do julgamento de eventual manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão. Tal medida visa evitar que se opere a decadência. Aplicação da Súmula CARF nº 77. MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEI NOVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449/08. ARTIGO 106 DO CTN. São aplicáveis nos lançamentos de ofício, quando benéficas, às multas disposta na nova legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar que votaram para declinar da competência para a 2ª Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 31 95 /2 00 9- 51 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13971.003195/200951 Acórdão n.º 1201002.238 S1C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “DO LANÇAMENTO Por meio do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA CFL 68 (DEBCAD n° 37.241.9364), foi exigido do contribuinte acima qualificado o valor de R$ 39.875,40, consolidado em 14/08/2009, em decorrência de a interessada apresentar documento a que se refere o inciso IV, art. 32 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Consoante Relatório do Auto de Infração, anexo às folhas 13 a 14, restou identificado que a interessada “declarou, incorretamente, o campo referente à opção pelo SIMPLES nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), no período 03/2005 a 09/2006, conforme Representações Administrativas para EXCLUSÃO do SIMPLES FEDERAL e do SIMPLES NACIONAL, e correspondentes Atos Declaratórios Executivos, processos nºs 13971.003096/200979 e 13971.003092/200991, respectivamente. Tal enquadramento incorreto alterou para menor (omitiu) o valor devido à Previdência Social, uma vez que não foram declaradas as contribuições patronais devidas sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço”. Em relação à multa aplicada, foi estabelecido o valor da multa em cem porcento do valor devido relativo à contribuição não declarada, nos termos do disposto no art. 284, inciso II, do Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999, limitada aos valores previstos na tabela constante do Art. 284, inciso I do RPS. Tocante à multa aplicada, o auditor elaborou demonstrativo que se encontra às fls. 17 a 47, onde informa os dados de cada trabalhador, a base de cálculo, o total devido, o limite máximo e o valor da multa. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13971.003195/200951 Acórdão n.º 1201002.238 S1C2T1 Fl. 4 3 DA IMPUGNAÇÃO Cientificadas do Auto de Infração, a interessada, por intermédio de procurador legalmente constituído, apresentou impugnação, às folhas 57 a 65, expondo suas razões de fato e de direito, a seguir sintetizadas. I. Dos Fatos Relata que o presente Auto de Infração é resultado dos Atos Declaratórios de Exclusão do Simples Nº 97 e Simples Federal nº 99, ambos de 04 de agosto de 2009, com efeitos retroativos ao período compreendido entre 01/05/2001 a 30/06/2007 e 01/07/2007. II. Da Preliminar De Nulidade Do Auto De Infração A autuada alega que o Ato de Exclusão do Simples deveria se dar em observância à legislação relativa ao processo tributário administrativo. Aduz que a Lei n° 5.172/66, CTN, dispõe que a interposição de recurso suspende os efeitos da exclusão e, consequentemente, a exigibilidade do crédito tributário dele originário. Defende que “em sendo a exigência, objeto desta impugnação, constituída em virtude de Exclusão da Impugnante do Sistema "SIMPLES", porém na vigência dos ditames da LC 123/06, sob este novo e vigente regulamento é que deve se processar a Impugnação do ADE n° 97/2008 e darlhe efeito suspensivo”. Sustenta, ainda, que “o ADE n° 99/2009, que trata da exclusão do "SIMPLES FEDERAL", em obediência à LC 123/2006 e Resolução do GSN n° 15/2007, art. 4°, § 3°; CTN e normas legais do Processo Administrativo Fiscal, encontrase com os seus efeitos”. Ressalta que o presente Auto não poderia ser lavrado antes de decisão final e irrecorrível dos atos de exclusão, e que, portanto, deve ser declarado nulo. III. Do Mérito Ultrapassadas as preliminares arguidas, a autuada sustenta que a forma utilizada para aplicar a multa pelo não recolhimento das contribuições sociais apuradas, não encontra guarida na legislação e na jurisprudência administrativa, conforme a seguir demonstrado: a) Da imposição de multa de ofício Defende que a penalidade foi imposta de forma agravante, haja vista que não houve qualquer omissão no preenchimento das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13971.003195/200951 Acórdão n.º 1201002.238 S1C2T1 Fl. 5 4 Relata que as informações consideradas como omitidas ou errôneas surgiram, no mundo jurídico, apenas por causa da sua pretensa exclusão dos regimes de tributação do "SIMPLES" e do "SIMPLES NACIONAL". Sustenta que não há como prosperar a imposição da penalidade se, na vigência dos Regimes, as normas legais foram cumpridas. Aduz que somente estaria obrigada a apresentar os documentos retificadores quando confirmada, por decisão final e irrecorrível, a exclusão pretendida, e, ainda assim, sem qualquer punição. Diz que foi aplicada idêntica punição, por ocasião da exigência de créditos tributários, nos AI's 37.241.9348 e 37.241.9356. b) Do cálculo da multa Diz que o Auditor se equivocou no cálculo da multa, eis que, ao comparar qual das punições seria mais favorável, adicionou ao valor da multa de oficio a multa punitiva objeto do AI ora contestado, agravando a multa aplicada naqueles AI´s. Explica que “além de agravar a multa paliçada nos AI´s que constituíram créditos tributários, mais uma vez, constituiu multa, penalizando duplamente a impugnante”. Cita pronunciamento do CARF a respeito da dupla punição e conclui que a multa aplicada é inexigível, devendo o presente ser declarado insubsistente. IV. Do Pedido Por fim, à vista do amplamente exposto, requer que: “a) Seja apreciada a preliminar arguida, vendo declarado nulo o Auto de Infração ora Impugnado, eis que flagrante o efeito suspensivo dos ADE's 97/2009 e 99/2009 e conseqüente nulidade dos atos subseqüentes aos mesmos. b) Seja declarada a nulidade do Auto de Infração, nos termos arrazoados; ou c) Seja reconhecida a inaplicabilidade de multas concomitantes eis que incabível a administrativa e por tratarse de dupla penalização, nos termos expostos”. É o relatório". 2. Em sessão de 13 de dezembro de 2012, a 5ª Turma da DRJ/FSN, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0730.287 (fls. 172/178), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 01/10/2008 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13971.003195/200951 Acórdão n.º 1201002.238 S1C2T1 Fl. 6 5 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEI NOVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449/08. ARTIGO 106 DO CTN. São aplicáveis nos lançamentos de ofício, quando benéficas, às multas disposta na nova legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. 3. A DRJ/FSN não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Não há que se falar em atribuição de efeito suspensivo em razão de estar pendente de decisão final a questão relativa à exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional, pois não existe previsão normativa neste sentido no Decreto n° 70.235/72, diploma que regula o processo administrativo tributário. 3.2. O artigo 151, inciso III, do CTN prevê suspensão da exigibilidade de crédito tributário já constituído e não suspende a possibilidade da autoridade fiscal realizar lançamento decorrente da exclusão de regime tributário. 3.3. Conforme o artigo 16, da Lei nº 9.317/96, a pessoa jurídica excluída do Simples se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, e, portanto, não há no presente caso qualquer impedimento legal para a lavratura do auto de infração. 3.4. Sobre a aplicação de multa de ofício, o auditor fiscal não pode furtarse de aplicar lei vigente ao quantificar o montante do crédito tributário exigível e a penalidade cabível ao lavrar os autos de infração. 3.5. Não há que se falar em cumulação de penalidades ou nulidade do lançamento do crédito tributário, pois as multas aplicadas têm motivação e natureza jurídica distintas e a aplicação dos acréscimos às penalidades foi efetuada com perfeita subordinação à ordem jurídica e dentro dos limites por ela traçados. 4. Cientificada da decisão (AR de 11/01/2013, fls. 182/183), as Recorrentes, Indústria de Madeiras Antonio Franzói Ltda. ME e Serraria Franzói Ltda. EPP, interpuseram Recursos Voluntários (fls. 185/196 e fls. 198/212) em 08/02/2013, reiterando em parte as razões já expostas em seus instrumentos de defesa (Impugnação (fls. 57/65) e Manifestação de Inconformidade (fls. 130/152)), em especial para: (i) declarar nula a decisão da DRJ em razão da não apreciação dos instrumentos de defesa das Recorrentes; (ii) reconhecer a inaplicabilidade da multa, ante a concomitância; e (iii) determinar o recálculo da multa sem a ocorrência da retroatividade maligna. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13971.003195/200951 Acórdão n.º 1201002.238 S1C2T1 Fl. 7 6 5. A solidária Industrial Salto Pilão Ltda., embora regularmente cientificada às fls. 184, não apresentou Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 6. Os recursos são tempestivos e cumprem os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. I. Da Competência da 1ª Seção do CARF 7. Inicialmente, vale registrar que o presente processo administrativo se encontrava apenso aos processos de nºs 13971.003096/200979 (exclusão do Simples Federal), 13971.003092/200991 (exclusão do Simples Nacional), 13971.003193/200961, 113971.003194/200914, 13971.003301/200904 e 13971.003197/200940 (lançamentos de contribuições previdenciárias decorrentes das exclusões), por terem sido formalizados com base nos mesmos elementos de provas. 8. Para fins do Regimento Interno do CARF, esse processo é considerado vinculado por decorrência, nos termos do artigo 6º, § 1º, inciso II, do Anexo II do RICARF, vejase: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1.º Os processos podem ser vinculados por: I (...) II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e (...) 9. Assim sendo, considerando que o processo em questão é vinculado por decorrência aos Processos de Exclusão do Simples Federal (Processo nº 13971.003096/2009 79) e do Simples Nacional (Processo nº 13971.003092/200991) e, adicionalmente, foi formalizado com base nos mesmos elementos de prova, aplicável o teor do artigo 2º, incisos IV e V, do Anexo II do RICARF, que dispõe: "Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13971.003195/200951 Acórdão n.º 1201002.238 S1C2T1 Fl. 8 7 elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (Simples Nacional); 10. Diante do exposto, a conclusão é que o próprio RICARF trata esta matéria como assunto conexo a ser cuidado por "prevenção" para que ocorra o julgamento do processo de exclusão do Simples junto com os lançamentos decorrentes. Neste sentido, considero competente a Primeira Seção para processar e julgar o presente feito e passo a apreciar as questões aqui suscitadas. II. Exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional Lançamento dos créditos tributários decorrentes Ausência de efeito suspensivo 11. O presente Auto de Infração foi lavrado em face da apresentação de GFIP’s com incorreções ou omissões, em decorrência da exclusão do sujeito passivo do Simples e Simples Nacional, mediante os Atos Declaratórios Executivos ADE nº 97 e ADE nº 99, ambos de 04 de agosto de 2009, integrantes dos Processos nº 13971.003096/200979 e nº 13971.003092/200991, respectivamente. 12. Em seus instrumentos de defesa, as ora Recorrentes argumentam que a apresentação das manifestações de inconformidade contra os referidos atos de exclusão suspendem a exigibilidade do credito tributário em tela. 13. O Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo tributário, não trata da atribuição de efeito suspensivo à manifestação de inconformidade apresentada contra ato de exclusão, tampouco as legislações do Simples Federal e Simples Nacional1. 14. Ademais, o artigo 151, inciso III, do CTN, não se aplica à exclusão de regime tributário, haja vista tratarse de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e não da suspensão do ato declaratório de exclusão de regime tributário, com quis crer as Recorrentes. 1 Não há qualquer previsão de efeito suspensivo na legislação do Simples Federal. A previsão do artigo 39, §5º, da LC nº 123/2006, está condicionada a regulamentação pelo CGSN. Tal disciplinamento não ocorreu. "Art. 39. O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento, o indeferimento da opção ou a exclusão de ofício, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente. (...) § 5º A impugnação relativa ao indeferimento da opção ou à exclusão poderá ser decidida em órgão diverso do previsto no caput, na forma estabelecida pela respectiva administração tributária. § 6º Na hipótese prevista no § 5º, o CGSN poderá disciplinar procedimentos e prazos, bem como, no processo de exclusão, prever efeito suspensivo na hipótese de apresentação de impugnação, defesa ou recurso." Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13971.003195/200951 Acórdão n.º 1201002.238 S1C2T1 Fl. 9 8 15. Atentese ainda que, nos termos do artigo 61, da Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, aplicável, também, ao processo administrativo fiscal em caráter subsidiário, salvo disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo: “Art. 61. Salvo disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo. Parágrafo único. Havendo justo receio de prejuízo de difícil ou incerta reparação decorrente da execução, a autoridade recorrida ou a imediatamente superior poderá, de ofício ou a pedido, dar efeito suspensivo ao recurso”. 16. A própria Súmula CARF nº 77 não deixa dúvidas, verbis: "A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão". 17. Tal construção visa impedir a decadência do crédito tributário, pois a Fazenda Nacional, mesmo depois do não acatamento dos recursos do contribuinte (decisão final acerca da exclusão), poderia não mais ter tempo hábil de constituir os créditos tributários que remanesceram inadimplidos. 18. De outra parte, o direito de defesa em relação ao ato de exclusão pode ser livremente exercido no âmbito do processo especificamente destinado para tal fim. Se, posteriormente, o ato de exclusão for cancelado por meio de eventual provimento ao recurso interposto, terá a decisão efeitos concretos sobre o lançamento que ora se discute, vez que restará caracteriza, mesmo que a posteriori, a adoção de critério incorreto de apuração dos valores tributáveis. 19. Nesses termos, até que tal decisão favorável à contribuinte sobrevenha, regular é o lançamento de ofício pelas regras ordinárias de tributação, com vistas à prevenção da decadência do direito da Fazenda Nacional. 20. Não bastasse isso, a legislação do Simples Federal e do Simples Nacional (artigo 16, da Lei nº 9.317/96 e artigo 32, da LC nº 123/2006, respectivamente), preveem que a pessoa jurídica excluída se sujeita, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Dessa forma, do ponto de vista estritamente legal, temse de reconhecer que não havia qualquer impedimento à lavratura do auto de infração aqui discutido. 21. Por fim, evidencio que foi garantido às Recorrentes o exercício do direito ao contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos inerentes ao processo, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito lançado em face da interposição da presente impugnação, por força do já citado artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN). 22. Portanto, em linha com a decisão de piso, considero que inexiste previsão em lei de atribuição de efeito suspensivo a recurso/manifestação de inconformidade contra ato declaratório de exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional e, portanto, deixo de acolher a pretensão das Recorrentes. III. Da Imposição e do Cálculo da Multa de Ofício Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13971.003195/200951 Acórdão n.º 1201002.238 S1C2T1 Fl. 10 9 23. As Recorrentes alegam que a autoridade fiscal agravou a multa aplicada, eis que, ao comparar qual das punições seria mais favorável, adicionou o valor da multa punitiva ao valor da de oficio. 24. No que concerne às penalidades aplicadas, oportunizase destacar que, nos termos do art. 142 e parágrafo único do CTN, a constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Desse modo, na lavratura dos autos de infração, não é lícito ao agente público, discricionariamente, furtarse de aplicar a lei vigente ao quantificar o montante do crédito tributário exigível de ofício, inclusive no tocante à penalidade cabível. 25. Esclarecese, ainda, que a multa ou penalidade pecuniária aplicada por infração à obrigação acessória, decorre de ato ilícito (infração à legislação previdenciária), sendo distinta da multa de mora por inadimplemento de recolhimento da obrigação principal (recolhimento de contribuições). Portanto, não se pode falar em cumulação de penalidades, por se tratarem de motivações fáticas e natureza jurídica distintas. 26. Pois bem, com o advento da Medida Provisória nº 449, em vigor desde 04 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941/09, foi revogado, dentre outros dispositivos, o § 5º do artigo 32 da Lei nº 8.212/91; introduzido, neste mesmo diploma legal, os artigos 32A e 35A; e alterado a redação do seu artigo 35, para aplicar nos lançamento de ofício a multa prevista no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 27. Antes desta norma legal, a falta de pagamento de contribuição social implicava tanto no lançamento desta obrigação principal, com a multa prevista no art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212/91, quanto na lavratura do Auto de Infração pela não informação daquelas contribuições sociais em GFIP (art. 32 desta lei). 28. Agora, a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, é única, no importe de 75%, visando apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata. E, nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória (declarar todos os fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias em GFIP) ocorrer de forma isolada, sem o descumprimento da obrigação principal (pagamento das contribuições sociais previdenciárias), a multa deve ser calculada na forma estabelecida pelo artigo 32A, da Lei nº 8.212/1991. 29. Diante desta nova realidade e em cumprimento aos ditames do artigo 106 do CTN, é que se faz necessário o comparativo para aplicar a multa que melhor beneficia o contribuinte (legislação pretérita ou atual), tal como demonstrado pela autoridade fiscal. 30. Deste cotejo, pode resultar em determinadas competências ser favorável ao contribuinte a aplicação da legislação revogada ou a atual. Para os autos em questão, restou favorável a aplicação da multa de acordo com a legislação anterior nos meses de 03/2005 a 01/2006, 03/2006, 06/2006 e 09/2006, conforma planilha comparativa de multa “SAFIS – Comparação de Multas”. 31. Cumpre observar que, nessas competências não foi cobrada a multa de 75%, mas de 24% sobre o lançamento da obrigação principal. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13971.003195/200951 Acórdão n.º 1201002.238 S1C2T1 Fl. 11 10 32. Portanto, não é correta a alegação de que foi aplicada a mesma punição que originou os referidos AI´s, posto que são documentos de crédito decorrentes de fatos geradores distintos; ou seja, o cumprimento ou não da obrigação tributária principal não afasta o cumprimento da obrigação acessória, nos exatos termos do artigo 113 e §§ do CTN. 33. Além disso, a aplicação desses acréscimos foi efetuada com perfeita subordinação à ordem jurídica e dentro dos limites por ela traçados, não havendo motivo para anular o presente lançamento. Conclusão 34. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.939135/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A decadência do direito do fisco impede a prática lançamento tributário, mas não impede a instauração de procedimento fiscal e, tampouco, a glosa de créditos indevidos, ainda que tenham sido lançados na escrita fiscal há mais de cinco anos.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Nos casos em que há transmissão de PER/DCOMP retificador, o prazo de decadência para o fisco homologar ou não a compensação começa a correr da data da retificação.
GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. OBRIGATORIEDADE.
Enquanto não exaurido o prazo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, o contribuinte é obrigado a conservar os livros e documentos fiscais comprobatórios do direito de crédito, ainda que o crédito se refira a valores lançados em períodos de apuração alcançados pela decadência do fisco efetuar o lançamento de ofício.
MPF. DESVIO DE FINALIDADE.
Inexiste desvio de finalidade quando o MPF é emitido para a fiscalização de certo tributo e, deste procedimento, resulta a não homologação de compensação.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte fazer a prova dos fatos constitutivos do direito oposto à administração.
Numero da decisão: 3402-005.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A decadência do direito do fisco impede a prática lançamento tributário, mas não impede a instauração de procedimento fiscal e, tampouco, a glosa de créditos indevidos, ainda que tenham sido lançados na escrita fiscal há mais de cinco anos. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Nos casos em que há transmissão de PER/DCOMP retificador, o prazo de decadência para o fisco homologar ou não a compensação começa a correr da data da retificação. GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. OBRIGATORIEDADE. Enquanto não exaurido o prazo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, o contribuinte é obrigado a conservar os livros e documentos fiscais comprobatórios do direito de crédito, ainda que o crédito se refira a valores lançados em períodos de apuração alcançados pela decadência do fisco efetuar o lançamento de ofício. MPF. DESVIO DE FINALIDADE. Inexiste desvio de finalidade quando o MPF é emitido para a fiscalização de certo tributo e, deste procedimento, resulta a não homologação de compensação. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte fazer a prova dos fatos constitutivos do direito oposto à administração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 91 35 /2 00 9- 07 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10880.939135/200907 Acórdão n.º 3402005.340 S3C4T2 Fl. 377 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de análise de PER/DComp nº 14189.18144.270706.1.7.018791, transmitido eletronicamente em 27/07/2006, relativo a um saldo credor de IPI no valor de R$1.469.035,72, atinente ao 2º trimestre de 2000, cumulado com declaração de compensação. O referido PER/Dcomp retificou aquele transmitido em 31/03/2004 (27532.57257.310304.1.3.019152), com crédito informado no valor de R$ 11.339,12. O procedimento fiscal teve início em 01/06/2009 (fls.226 a 228), que culminou na lavratura do Relatório Fiscal (fls. 278 a 281), que fundamentou o Despacho Decisório de 20/10/2009 (fls.290), negando o direito creditório pleiteado, sob o fundamento de ausência de comprovação. O Relatório Fiscal destaca que não foram apresentados quaisquer documentos comprobatórios por parte do contribuinte, apesar das diversas intimações fiscais lavradas e cientificadas. Cientificada do Despacho Decisório que não homologou as compensações correspondentes ao PER/DCOMP n° 14189.18144.270706.1.7.018791, a ora recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade, com as seguintes alegações: nulidade do procedimento fiscal; homologação tácita da compensação; decadência; prescrição no prazo para apresentar os livros fiscais; desvio de finalidade do MPF; ausência de fundamentação probatória. Por meio do acórdão nº 1429.924, de 23 de junho de 2010, a 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto manteve o despacho que indeferiu o ressarcimento e não homologou a compensação declarada, por considerar que não teria ocorrido a homologação tácita da compensação e que caberia ao contribuinte a comprovação do direito de crédito oposto perante a administração. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. PRAZO. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10880.939135/200907 Acórdão n.º 3402005.340 S3C4T2 Fl. 378 3 O prazo qüinqüenal para a homologação por disposição legal de débitos compensados é contado a partir da data em que a declaração de compensação, original ou retificadora, tenha sido apresentada ou transmitida. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, a falta de atendimento no prazo estipulado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. PRODUÇÃO PROBATÔRIA. PRECLUSÃO TEMPORAL. PERÍCIA. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação posterior de provas, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da contestação; sendo também prescindível a realização de perícia, cujo pedido, inclusive, não cumpre os requisitos basilares. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, alegando e requerendo, em síntese: i. Ocorrência de homologação tácita da compensação, por ter transcorrido mais de 5 anos da data da transmissão do primeiro PER/Dcomp, ainda que este tenha sido posteriormente retificado; ii. Decadência do direito do fisco verificar as informações relativas ao IPI do período de janeiro de 1999 a junho de 2003, inclusive para a guarda e apresentação de qualquer documentação relacionada; iii. Desvio de finalidade do procedimento fiscal, que teria sido originalmente emitido para a fiscalização do IPI, sendo ampliado para verificações de declarações de compensações; iv. Ausência de comprovação das alegações fiscais; v. Nulidade do procedimento fiscal; vi. Requereu a produção de provas por todos os meios admitidos em direito, em especial a juntada de novos documentos e perícias; vii. Requereu que no caso de manutenção da não homologação da compensação, que fosse determinado ao fiscal que apresente todos os documentos necessários a embasar seu posicionamento, abrindose prazo para sua impugnação. viii. Requereu a apreciação de todos os pontos da manifestação de inconformidade que não foram apreciados no acórdão recorrido, em especial Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10880.939135/200907 Acórdão n.º 3402005.340 S3C4T2 Fl. 379 4 a alegação de prescrição e decadência e no tocante a não obrigatoriedade de guarda dos documentos; ix. Requereu sustentação oral. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. As preliminares de nulidade suscitadas e os requerimentos formulados se confundem com o mérito e com ele serão apreciados. Conforme relatado, tratase de PER/DComp relativo a um saldo credor de IPI do 2º trimestre de 2000, cumulado com declaração e compensação. O pedido de ressarcimento original informava um direito creditório no valor de R$11.339,12, valor este que foi substancialmente alterado pela declaração retificadora transmitida posteriormente, conforme quadro abaixo: 2ºTRIM/2000 DECLARAÇÃO ORIGINAL DECLARAÇÃO RETIFICADORA Nº PER/DCOMP 27532.57257.310304.1.3.019152 14189.18144.270706.1.7.018791 DATA TRANSM. 31/03/2004 27/07/2006 VALOR R$ 11.339,12 1.469.035,72 A autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização do IPI, glosou o crédito e, em consequência, não homologou a compensação, pela ausência de comprovação por parte do contribuinte da legitimidade do valor pleiteado a título de ressarcimento. O presente caso decorre do procedimento fiscal já referido, que culminou no indeferimento das PER/DCOMPs relativos a alegados créditos dos períodos de apuração dos trimestres dos anos de 1999, 2000 e 2001, objeto de diversos processos administrativos fiscais (para cada trimestre). Os processos relativos aos alegados créditos dos períodos de apuração 2trim/99, 3trim/99, 4trim/99, 1trim/00, 3trim/00, 4trim/00, 1trim/01 e 4trim/01, já foram objetos de julgamento na antiga 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara dessa Seção de julgamento, em 26 de janeiro de 2012, que culminou nos Acórdãos 340301.376, 340301.377, 3403 01.378, 340301.379, 340301.380, 340301.381, 340301.382 e 340301.383, da lavra do i.Conselheiro Antonio Carlos Atulim, que apreciou os mesmos fundamentos do Despacho Decisório, da decisão da DRJ e do Recurso Voluntário ora em análise, e negaram provimento ao recurso interposto, com o indeferimento do direito creditório pleiteado pela ausência de comprovação. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10880.939135/200907 Acórdão n.º 3402005.340 S3C4T2 Fl. 380 5 Portanto, como o presente caso é idêntico àqueles apreciados anteriormente, utilizarei os mesmos fundamentos das decisões anteriores, que serão a seguir reproduzidos e utilizados como razão de decidir do presente julgamento. A Recorrente alega a ocorrência de homologação tácita da compensação, considerando a data da transmissão do PER/DCOMP original (31/03/2004), ainda que este tenha sido posteriormente retificado. Como a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação ocorreu em 03/11/2009, já teria transcorrido mais de 5 (cinco) anos da transmissão da declaração, configurando a homologação tácita do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação. Segundo seu entendimento, só poderia ocorrer novo início de prazo ou suspensão do prazo para homologação tácita, se o contribuinte cancelasse o pedido inicial e transmitisse um novo pedido, retificando integralmente o pleito anterior. Como no caso concreto não houve retificação da declaração de compensação, a declaração transmitida continuou sendo a mesma, apenas houve retificação das informações nela contida. Alega, ainda, que o acórdão de primeira instância teria sido omisso quanto à decadência do direito de o fisco verificar os créditos, a teor do disposto no art. 173, I do CTN. Segundo sua argumentação, houve desvio de finalidade do MPF, que teria sido expedido não para fiscalização de PER/DCOMP, mas para fiscalização do IPI do período de janeiro de 1999 a junho de 2003, período já teria sido atingido pela decadência e prescrição, inclusive para a guarda e apresentação de qualquer documentação relacionada. Acrescentou que em face do transcurso do prazo decadencial de cinco anos, a documentação pertinente já teria sido por ela expurgada pela inexistência de obrigatoriedade de sua manutenção, razão pela qual a documentação não foi apresentada. Transcrevo excerto do voto condutor do Acórdão 340301.376 da lavra do i.Conselheiro Antonio Carlos Atulim, cujos fundamentos adoto no presente julgamento como minhas razões de decidir: “As preliminares de nulidade suscitadas e os requerimentos formulados se confundem com o mérito e com ele serão apreciados. Conforme relatado, o contribuinte, por meio de PER/Decomp, solicitou o ressarcimento do saldo credor da escrita fiscal do IPI e a compensação desta quantia com débitos próprios. Cerca de dois anos após, o pedido de ressarcimento foi retificado para aumentar o valor do crédito. Em procedimento de fiscalização do IPI, a repartição de origem glosou o crédito e, em consequência, não homologou a compensação, uma vez que o contribuinte não comprovara a legitimidade do valor pleiteado a título de ressarcimento. Alegou o contribuinte que o fisco decaíra não só do direito de rever o saldo credor relativo ao trimestre em questão, mas também do direito de não homologar a compensação. Nesse passo, a decisão de primeira instância seria nula, uma vez que segundo a defesa, não fora apreciada a questão da decadência do direito do fisco rever os créditos. A leitura do voto condutor do acórdão recorrido deixa claro que não houve a omissão alegada, pois o relator deixou bem claro às fls. 266/267, que o caso concreto versa sobre homologação de compensação e não sobre procedimento de ofício com exigência fiscal mediante lançamento, aplicandose ao caso concreto o art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10880.939135/200907 Acórdão n.º 3402005.340 S3C4T2 Fl. 381 6 Realmente, não merece reparo a decisão recorrida. Uma coisa é a decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício e outra coisa totalmente distinta é o prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação declarada pelo contribuinte. Os prazos de decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário estão previstos nos arts. 150, § 4º e 173, do CTN. Estes dispositivos legais deixam claro que a decadência fulmina o direito da administração tributária exigir tributo por meio de lançamento de ofício, não afetando de modo algum o direito de abrir fiscalização ou de rever os créditos lançados no livro de IPI. Em outras palavras, a decadência inibe o processo de positivação do direito consubstanciado no ato de lançamento tributário; mas não inibe o processo de positivação do direito do fisco declarar que o crédito, no todo ou em parte, é ilegítimo, ainda que este crédito tenha sido lançado na escrita há mais de cinco anos. No caso dos autos, a administração tributária agiu dentro dos lindes da legalidade, pois não foi expedida nenhuma norma individual e concreta por parte do fisco tendente a exigir tributo, o que existe é a exigência de crédito tributário em razão de norma individual e concreta que foi introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, consistente na declaração de compensação. No que tange ao prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação, o art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 estabelece que o prazo é de cinco anos, contados da data entrega da declaração de compensação. Nesta parte, a defesa alegou que deve prevalecer como termo inicial de contagem do prazo decadencial a data de transmissão do PER/Decomp original, pois além da alteração ter alcançado apenas o valor do crédito, a retificação posterior não consubstancia cancelamento do pedido original, mas mera retificação dos dados anteriormente informados. Acontece que a retificação das informações referida pela defesa, significa, na verdade, a inserção de nova norma individual e concreta no mundo jurídico distinta da anterior, uma vez que o elemento quantitativo atinente ao crédito sofreu alteração. Assim, a norma individual e concreta consubstanciada no documento original, que declarava o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 14.556,92 com um débito equivalente a R$ 14.362,22, foi revogada e substituída por uma nova norma individual e concreta, introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, por meio da qual declarouse o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 2.284.013,42 com o débito de R$14.362,22. A norma que declarava o direito de compensar o crédito de R$ 14.556,92 deixou de existir e foi substituída por uma nova, que passou a declarar a existência do direito de compensar um crédito cerca de cento e cinquenta vezes maior. É evidente que a mudança no elemento quantitativo, correspondente ao valor do crédito vinculado à compensação, acarreta uma alteração no mundo jurídico. E em decorrência deste fato, justificase o início do transcurso de novo prazo de decadência. A cada alteração no mundo jurídico provocada pelo contribuinte, é disparado o cronômetro do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, concedendo um novo prazo de cinco anos para que o fisco possa aferir a legitimidade do novo direito alegado. Não foi por outro motivo, que as instruções normativas da Receita Federal que regulamentaram o procedimento de compensação, com base no permissivo legal no art. 74 § 14 da Lei nº 9.430/96, sempre estabeleceram que no caso de retificação, o Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10880.939135/200907 Acórdão n.º 3402005.340 S3C4T2 Fl. 382 7 termo inicial da contagem do prazo de decadência é a data da apresentação da retificadora. Portanto, também não em razão a recorrente quando alega que a Receita Federal está dispondo sobre interrupção ou suspensão de prazos de decadência por meio de atos administrativos, pois as instruções normativas apenas explicitaram a interpretação do art. 74, da Lei nº 9.430/96. A cada norma individual e concreta introduzida pelo contribuinte, nasce um prazo de cinco anos para que o fisco exerça a competência de homologar ou não a compensação. No caso dos autos, o fisco não decaiu do direito de não homologar a compensação, pois o PER/Decomp retificador foi transmitido em 12/04/2006 e o despacho que glosou o crédito e não homologou a compensação foi notificado ao contribuinte em 03/11/2009, portanto, dentro do prazo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Outro ponto controvertido foi o prazo pelo qual os contribuintes devem manter em boa guarda a escrituração e demais documentos fiscais. Esta obrigação legal está estabelecida no art. 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, verbis: “Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.” (Grifei) Considerando que o saldo credor de IPI do trimestre em questão deve ter sido lançado no livro modelo 8 e que para transmitir o PER/Decomp é necessário estornar do livro o valor objeto do pedido, é evidente que, a teor do parágrafo único acima indicado, o contribuinte estava obrigado a manter aquele livro e os documentos fiscais que lastrearam os lançamentos até o termo final do prazo estabelecido no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, uma vez que somente após o decurso do referido prazo estaria extinto o direito da fazenda pública cobrar o crédito tributário decorrente da compensação indevida. Tendo o contribuinte informado em seu recurso que “expurgou” a referida documentação por considerarse desobrigado da sua apresentação, não têm sentido as alegações de cerceamento de defesa pelo fato da decisão a quo ter indeferido a juntada de provas posteriores, uma vez que o próprio contribuinte já informou que não tem mais o que juntar. Não procede a alegação de desvio de finalidade na emissão do MPF. O desvio de finalidade se caracteriza quando ocorre a adoção de um ato administrativo com o objetivo de atingir finalidade diversa daquela para a qual ele foi concebido. No caso concreto, foi expedido um MPF para fiscalizar o IPI e o auditorfiscal desincumbiuse do encargo, concluindo pela glosa do crédito em face do contribuinte não ter apresentado a escrituração e os documentos que lhe deram suporte. A constatação da legitimidade do crédito é questão prejudicial ao direito de compensação. Logo, é evidente que o MPF deve ser expedido para que seja verificado o crédito e apurada sua certeza e liquidez, tal como foi feito no caso concreto, e não para a “fiscalização da compensação”. Não comprovada a legitimidade do crédito, a consequência lógica é a não homologação da compensação.” Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10880.939135/200907 Acórdão n.º 3402005.340 S3C4T2 Fl. 383 8 No caso em análise, o valor original do crédito era de R$11.339,12, valor este alterado pela PER/DCOMP retificadora para R$1.469.035,72, transmitida em 27/07/2006. Quanto à alegada ausência de material probatório para embasar a glosa fiscal, o contribuinte procura inverter o ônus da prova, cuja obrigatoriedade é do próprio sujeito que alega possuir direito que requer. Como é incontroverso que o presente processo versa sobre direito de crédito declarado pelo próprio contribuinte, o ônus da prova é seu, visto que cabe ao contribuinte fazer a prova dos fatos constitutivos do direito oposto à administração. Também é incontroverso que o contribuinte ficou silente durante o procedimento fiscal, deixando de apresentar qualquer elemento probatório que lastrearia o valor do crédito alegado. Transcrevo excerto do Relatório Fiscal, com a descrição das etapas do procedimento fiscal, e da constatação do silêncio por parte do contribuinte relativo às solicitações fiscais: “Em 28/04/2009, dirigimos até o endereço: Rua Geraldo Garcia do Nascimento, 2591, Franca/SP, para dar ciência do Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação n° 01. Não encontramos nenhum responsável legal da empresa para assinatura do Termo. Havia apenas uma secretária no prédio que informou que a empresa não estava em atividade e que o gerente estava viajando e os donos ficavam na matriz em São Paulo. Encaminhamos, então, por via postal, o Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação n° 01, para o citado endereço, intimando o contribuinte a apresentar: Livros Razão, Entrada e Saída; notas fiscais de entradas, com os créditos de IPI, e saídas, Livros de IPI, memorial de descritivo dos principais produtos fabricados pelo contribuinte, referente ao período de 1º trimestre de 1999 ao 2º trimestre de 2003. Em 05/05/2009, encaminhamos via postal, o Termo de Intimação d 02, solicitando a apresentação dos livros de IPI, onde foram registrado as compensações/estornos do IPI. Ambas intimações retornaram após resultar infrutífera três tentativas de entrega pelo correio (fls. 134 a 140). Tendo em vista resultado improfícuo as intimações postais, afixamos o Edital n° 09 para cientificar o contribuinte das referidas intimações. O prazo de afixação foi de 28/05/2009 à 12/06/2009 (fl.141). Ato contínuo, encaminhamos via postal, o Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação n° 01, para a matriz localizada na Alameda Jurupis, 1005, em São Paulo/SP, que foi recebido em 01/06/2009 (fls. 142 a 144). Por falta de respostas, em 13/07/2009, reintimamos o contribuinte do Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação n° 01 (fls. 145 a 147). Em 23/07/2009, o contribuinte nos solicita a prorrogação do prazo para mais 60 dias, a partir desta data. Informou não ter recebido a primeira intimação por extravio ou por ter ficado em poder do porteiro do prédio. Apresentou cópias do Contrato Social e alterações (fls. 148 a 190). Em 27/07/2009, encaminhamos o Termo de Concessão de Prazo, que foi retirado pessoalmente na agência do correio somente em 13/08/2009, após três tentativas de entrega pelo correio em 28, 29 e 30 de julho de 2009. Neste Termo, concedemos a prorrogação do prazo por 20 dias, tendo em vista que 60 dias é muito tempo, considerando que o contribuinte deveria ter em boa ordem e guarda os documentos/livros contábeis/fiscais (fls. 191 a 193). Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10880.939135/200907 Acórdão n.º 3402005.340 S3C4T2 Fl. 384 9 Vencido o prazo, inclusive considerando os 60 dias solicitados, da reintimação do Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação W 01, até a presente data, não recebemos nenhuma resposta.” Também não consta nos autos qualquer documento que poderia comprovar o direito creditório alegado, tanto na Manifestação de Inconformidade apresentada quanto no Recurso Voluntário. Diante de seu silêncio em todas as fases processuais, não vislumbro como razoável abrir qualquer prazo adicional para apresentação de documentos ou mesmo o procedimento de diligência fiscal para nova juntada de documentos, que deveriam ser apresentados juntamente com a Manifestação de Inconformidade, conforme determina o Decreto 70.235/72. Quanto ao requerimento de sustentação oral, é suficiente a manifestação do recorrente ou seu procurador na sessão de julgamento, nos termos do art. 58, II do RICARF. Em face do exposto, considerando a absoluta ausência de documentos que poderiam comprovar o direito creditório pleiteado, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928617/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
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PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 17 /2 00 9- 10 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11080.928617/200910 Acórdão n.º 1401002.590 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de CSLL devida por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11080.928617/200910 Acórdão n.º 1401002.590 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, do período de apuração de 31/03/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11080.928617/200910 Acórdão n.º 1401002.590 S1C4T1 Fl. 5 4 Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11080.928617/200910 Acórdão n.º 1401002.590 S1C4T1 Fl. 6 5 da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.907130/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1201-002.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Barbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Barbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 71 30 /2 00 9- 83 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10840.907130/200983 Acórdão n.º 1201002.212 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior 2089 IRPJ Lucro Presumido, para a compensação de débitos. 2. O Despacho Decisório não homologou a compensação declarada porque identificou que o pagamento efetuado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. 3. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO emitiu Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: (...) DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. 4. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. 5. Alega que identificou, depois de ter entregado a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, que os valores que havia confessado e pago via DARF eram indevidos; por isso apresentou a PEr/Dcomp requerendo o crédito para fins de compensação; e que a RFB interpretou incorretamente, dado que apresentou DCTF retificadora, conforme anexa ao processo; afirma que o Despacho Decisório tomou por base a DCTF original e não considerou a retificadora. 6. Discorda que não tenha apresentado documentação comprobatória suficiente de que os recolhimentos foram indevidos; afirma anexar documentos que comprovam a alegação. 7. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10840.907130/200983 Acórdão n.º 1201002.212 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.210, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.906603/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.210): "1 Paradigma de lote. 7. A interessada informou na DIPJ, o código da atividade 85.138/01 atividades de clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios); o objeto social é "Serviços Médicos de ortopedia e traumatologia, bem como pronto socorro"; declarou o IRPJ pelo regime do Lucro Presumido, apurado mediante o percentual de 8% sobre a Receita Bruta. 8. Este processo foi distribuído à Relatora, visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos nos demais processos do lote, cuja composição consta da tabela na sequência deste voto. 9. Verificouse que tanto os despachos decisórios como os Acórdãos DRJ dos processos que compõem este lote são de teor idêntico. 10. A DRJ/RPO, explicou a necessidade de a interessada apresentar provas de que efetuou recolhimentos a maior: Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em diferentes declarações, ou entre informações prestadas em declarações originais e retificadores, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10840.907130/200983 Acórdão n.º 1201002.212 S1C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, consta do despacho decisório recorrido que o pagamento indicado pela postulante em PER/DCOMP foi integralmente exaurido por vinculação, em DCTF, a débito de igual valor, não restando qualquer saldo compensável. A interessada, por seu turno, sustenta que o valor do imposto devido seria inferior ao valor do débito (e respectivo pagamento) informado em DCTF. A diferença resultaria saldo a restituir/compensar. Ante tal situação, caberia à própria contribuinte fazer prova do suposto crédito decorrente de recolhimento a maior. Todavia, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentos hábeis à comprovação do alegado direito. Com efeito, não foram juntados aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. A ausência de tais elementos, nos autos, impossibilita exame da apuração do imposto na contabilidade da interessada; e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. 11. Os dados dos processos que compõem o lote, com os respectivos documentos são os apresentados na tabela a seguir: DIPJ retif nº processo crédito PA dta arrec Darf pago Crédito requer data ciê DD data DIPJ retif Receita Bruta IRPJ a pagar 10840.907398/200915 03/2001 30/04/2001 3.725,11 1.099,66 26/06/2009 06/07/2005 290.538,25 764,28 10840.907603/200925 3.725,11 26/06/2009 10840.907129/200959 06/2001 31/07/2001 4.013,55 337,81 26/06/2009 06/07/2005 301.734,50 857,04 10840.907399/200960 3.675,74 26/06/2009 10840.907130/200983 09/2001 31/10/2001 4.109,02 152,23 26/06/2009 06/07/2005 280.798,50 805,71 10840.907131/200928 12/2001 31/01/2002 5.291,18 1.921,13 26/06/2009 06/07/2005 274.914,51 813,00 10840.907132/200972 03/2002 30/04/2002 4.262,97 709,99 26/06/2009 06/07/2005 128.981,22 380,35 10840.907133/200917 06/2002 31/07/2002 5.026,96 829,26 26/06/2009 06/07/2005 151.694,50 434,05 10840.907409/200967 1.006,67 26/06/2006 10840.907410/200991 2.030,70 26/06/2009 10840.907411/200936 1.092,13 26/06/2009 10840.907412/200981 68,20 26/06/2009 DCTF retif A B nº processo Data IRPJ a pagar IRPJ a pagar REC Bruta IRPJ a pagar 10840.907398/200915 16/07/2009 não consta 314,50 112.211,52 314,50 10840.907603/200925 10840.907129/200959 16/07/2009 não consta 334,17 120.769,93 334,17 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10840.907130/200983 Acórdão n.º 1201002.212 S1C2T1 Fl. 6 5 10840.907399/200960 10840.907130/200983 16/07/2009 não consta 347,65 123.796,19 347,65 10840.907131/200928 16/07/2009 não consta 441,20 159.232,99 441,20 10840.907132/200972 14/07/2009 não consta 380,36 128.981,22 380,36 10840.907133/200917 14/07/2009 não consta 434,63 151.694,50 434,63 10840.907409/200967 10840.907410/200991 10840.907411/200936 10840.907412/200981 A Demonstrativo de apuração do IRPJ anexado ao Recurso Voluntário B Demonstr de IRPJ Devido/Recolh/A recuperar anexado c/ Rec Voluntário 12. Da análise dos A Demonstrativo de apuração do IRPJ anexado ao Recurso Voluntário, da DIPJ e dos dados supra, verificase: a. A interessada apresentou DIPJs dos anoscalendário 2001 e 2002, retificadoras, em 06/07/2005; os Despachos Decisórios lhe foram cientificados em 26/06/2009; a entrega da DCTF retificadora foi posterior, em 14 e 16/07/2009, não espontânea; b. Os "A Demonstrativo de apuração do IRPJ" dos trimestres do ano 2001, apresentam valores de Receita Bruta e Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF divergentes dos da DIPJ; os referentes aos 1º e 2º trim/2002, são coincidentes; c. em todos os trimestres, a apuração do IRPJ a pagar negativo resultou da dedução de IRRF; d. apesar da explicação da DRJ, da necessidade de documentos comprobatórios, o contribuinte não apresentou os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de retenção de IR na fonte, que as fontes pagadoras lhe teriam fornecido e que comprovariam os valores de IRRF deduzidos nas apurações retificadoras; e. em todos os trimestres em análise, a soma dos valores de créditos requeridos nas PER/Dcomp supera o SN de IRPJ que informou; por exemplo, tomandose o 2º trim/2002 (06/2002), temse que o Darf cód 2089 IRPJ Lucro Presumido, recolhido em 31/07/2002, totalizou R$5.026,96; o SN IRPJ constante tanto da DIPJ como dos "A Demonstrativo de apuração do IRPJ", foi R$()434,63, e a soma dos créditos requeridos nas PER/Dcomp foi R$5.026,96, ou seja, a totalidade do recolhimento. Conclusão. Voto por NEGAR PROVIMENTO, ao Recurso Voluntário." Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10840.907130/200983 Acórdão n.º 1201002.212 S1C2T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.926345/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
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RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 63 45 /2 01 1- 06 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10680.926345/201106 Acórdão n.º 1401002.445 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o despacho decisório. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente a PER/DCOMP. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CSLL, recolhido em 24/04/2001 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, alegando o que se segue: O crédito pleiteado tem como origem pagamento de CSLL, referente ao período de apuração de junho de 1997, realizado em razão da apuração por estimativa do regime de tributação pelo Lucro Real. Ao final do ano, apurou o saldo negativo e os valores recolhidos tornaramse indevidos e passíveis de compensação. Afirma que sua DIPJ foi homologada pela RFB, ficando evidente que a apuração do saldo negativo de CSLL abrangeu todos os recolhimentos por estimativa realizados. Acrescenta que a apuração de saldo negativo, por si só, gera o direito à compensação realizada, razão pela qual deve ela ser totalmente homologada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente uma vez que os recolhimentos foram efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados, não caracterizando a existência de pagamento indevido ou a maior. Inconformada apresentou Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado para o reconhecimento do seu saldo creditório de CSLL. É o relatório do essencial. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10680.926345/201106 Acórdão n.º 1401002.445 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.433, de 13/04/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.907763/201196, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, referente ao período de apuração de setembro/1997, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de junho de 1997, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.433): "O recurso é tempestivo e apresentam os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. O Acórdão DRJ entendeu que não houve, em relação ao pedido de restituição original, a homologação tácita do direito creditório nele envolvido, como sustenta a Impugnante. Isso porque não existe para o pedido de restituição nenhum prazo legal para a homologação do correspondente crédito, por parte da Fazenda Pública. O que se tem, no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação da Lei n° 10.833, de 2003), é que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ou seja, a lei prevê prazo de homologação para a compensação, e não para o crédito objeto de pedido de restituição. Vale lembrar, nesse sentido, que somente a lei é quem pode determinar prazo limite para que o interessado (seja contribuinte ou fisco) aja, por si só, no sentido de constituir o seu direito. E, como já se viu, o que há é o prazo legal para que o sujeito passivo exerça o seu direito de pleitear restituição de suposto crédito (art. 168, do CTN), mas não para que a fazenda o homologue expressamente. Entretanto, como contraponto disso, a lei impôs à Fazenda Pública o prazo de 5 (cinco) anos para homologar, ou não, expressamente a compensação declarada pelo sujeito passivo. Ocorreu, então, que o contribuinte, valendose do mesmo crédito que suponha possuir, enviou, 2007, DCOMP, para quitar débitos. Logo, o prazo de homologação dessa compensação contra a Fazenda Pública teve início em 2007; e o termo final seria em 2012. Portanto, em data posterior à do despacho decisório. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10680.926345/201106 Acórdão n.º 1401002.445 S1C4T1 Fl. 5 4 Preliminar homologação tácita. A princípio, esclareço que, no que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 30/03/2001, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologase tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Contudo, no caso em questão, os requisitos para reconhecimento da homologação tácita, não encontramse preenchidos, pois conforme descrito minuciosamente conforme relatado. Mérito. Quanto ao mérito, o acórdão DRJ restou fundamentado na inexistência de crédito recolhido indevidamente ou a maior a ser compensado. Na sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, genericamente, que o seu crédito originouse de um pagamento a maior realizado em 24/04/2001, referente à CSLL (cód. 2484), cujo período de apuração era 01/09/1997. Por sua vez, a Declaração de Compensação aqui analisada indica, como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior, discriminando DARF utilizado no recolhimento de estimativa Como se verifica, os recolhimentos foram Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10680.926345/201106 Acórdão n.º 1401002.445 S1C4T1 Fl. 6 5 efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados (o suposto crédito postulado no presente processo referese ao período de apuração 01/09/1997). Portanto, não se caracterizou a existência de pagamento indevido ou a maior. Inexiste, pois, direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte, como pagamento indevido ou maior, uma vez que o pagamento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado. Durante o recurso voluntário, afirma que encerrou o ano de 1997 com prejuízo, contudo ser oferecer maiores elementos em relação esse processo. Por isso, nego provimento ao Recurso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001956/2005-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/03/2003
REGISTRO ESPECIAL DE PAPEL IMUNE. ALTERAÇÃO CADASTRAL. COMUNICAÇÃO. FALTA OU ATRASO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A falta (ou atraso) de comunicação das alterações cadastrais após a concessão do registro especial, sujeita o contribuinte à imposição da multa.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DE COMUNICAÇÃO DE ALTERAÇÃO CADASTRAL.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009 c/c os arts. 9º e 12 da Instrução Normativa RFB nº 976/2009, a multa pela falta ou atraso na apresentação de comunicação das alterações cadastrais após a concessão do registro especial deve ser cominada em valor único, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Numero da decisão: 3201-003.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que a multa seja adequada ao que dispõe o texto da Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, c/c a Instrução Normativa - IN RFB nº 976/2009.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 24/03/2003 REGISTRO ESPECIAL DE PAPEL IMUNE. ALTERAÇÃO CADASTRAL. COMUNICAÇÃO. FALTA OU ATRASO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A falta (ou atraso) de comunicação das alterações cadastrais após a concessão do registro especial, sujeita o contribuinte à imposição da multa. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DE COMUNICAÇÃO DE ALTERAÇÃO CADASTRAL. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009 c/c os arts. 9º e 12 da Instrução Normativa RFB nº 976/2009, a multa pela falta ou atraso na apresentação de comunicação das alterações cadastrais após a concessão do registro especial deve ser cominada em valor único, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
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Recorrente SUZANO PAPEL E CELULOSE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/03/2003 REGISTRO ESPECIAL DE PAPEL IMUNE. ALTERAÇÃO CADASTRAL. COMUNICAÇÃO. FALTA OU ATRASO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A falta (ou atraso) de comunicação das alterações cadastrais após a concessão do registro especial, sujeita o contribuinte à imposição da multa. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DE COMUNICAÇÃO DE ALTERAÇÃO CADASTRAL. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009 c/c os arts. 9º e 12 da Instrução Normativa RFB nº 976/2009, a multa pela falta ou atraso na apresentação de comunicação das alterações cadastrais após a concessão do registro especial deve ser cominada em valor único, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158 35/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que a multa seja adequada ao que dispõe o texto da Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, c/c a Instrução Normativa IN RFB nº 976/2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 56 /2 00 5- 70 Fl. 291DF CARF MF Processo nº 19515.001956/200570 Acórdão n.º 3201003.935 S3C2T1 Fl. 292 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 139/141, que se prestou a constituir crédito tributário relativo à multa pela falta de comunicação de alteração cadastral, de que trata o art. 9° da Instrução Normativa SRF n° 71/2001. O montante do crédito tributário lançado correspondeu a R$ 90.000,00. A fundamentação legal da autuação, apontada pelo autuante, foi a seguinte: art. 16 da Lei n° 9.779/99; o art. 57, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art. 3° da IN SRF n° 71/2001 e art. 9° da IN SRF n° 101/2001. O procedimento fiscal, determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.90.002005006430, e as constatações dele decorrentes, estão descritos no Termo de Constatação Fiscal de fls. 136/138. Conforme lá consta relatado, a autoridade fiscal constatou que a fiscalizada, em 31/12/2004, protocolizou “pedido de retificação da base cadastral”, relativo ao processo de solicitação de inscrição no registro especial de papel imune (processo n° 10880.014190/200127), informando “que a BAHIA SUL CELULOSE S/A, sucedeu a COMPANHIA SUZANO DE PAPEL E CELULOSE, por força da aquisição dos estabelecimentos industriais, comerciais e do fundo de comércio da 'SUZANO', pela 'BAHIA SUL', alterando a razão social, para SUZANO BAHIA SUL PAPEL E CELULOSE S/A”. Referida autoridade constatou, outrossim, que também foi alterado o quadro de administradores da empresa. Tais alterações foram arquivadas nas Juntas Comerciais da Bahia e de São Paulo em 26/07/2004. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 19515.001956/200570 Acórdão n.º 3201003.935 S3C2T1 Fl. 293 3 Também relata a autoridade fiscal que, “conforme cópia da ata de reunião da diretoria de 30/12/2002, arquivada na JUCEB em sessão de 24/03/2003, sob n° 96425408, o estabelecimento com o CNPJ n° 16.404.287/003685, que era sediado a Rua Fernandes Coelho, 85, parte B do 10° andar, Jardim das Rosas, em São PauloSP, alterou o endereço para à Avenida Brigadeiro Faria Lima, n° 1.355, parte do 5° andar, em São PauloSP”. E esta alteração não foi comunicada à Receita Federal. Diante destas contestações, concluiu a autoridade fiscal que, em relação à alteração da razão social, o atraso na comunicação foi de apenas 3 meses. Com relação à alteração de endereço, o atraso foi de 18 meses. A multa aplicada foi computada considerandose o maior lapso temporal de atraso. O sujeito passivo foi cientificado do auto de infração em 29/06/2005 (fl.142), na pessoa de seu procurador fls. 133/135, tendo protocolado sua impugnação em 29/07/2005, conforme peça de fls. 145/159 (firmada por procuradores regularmente estabelecidos, fls. 162/167) e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese, que: a) é nulo o auto de infração em razão de incorreções no seu enquadramento legal. Isto porque não restou cumprido o disposto no art. 10, inc. IV, do Decreto n° 70.235/72. Em decorrência disto, não foram .respeitados os princípios do devido processo legal e da ampla defesa, 'porque não permitiu o sujeito passivo defenderse daquilo que lhe é imputado. E a própria Receita Federal, por meio do Ato Declaratório Cosit n° 002/99, determina o cancelamento de oficio dos autos de infração lavrados com vício de forma. No auto de infração em tela, o enquadramento legal contém “dispositivos legais incorretos e não aplicáveis à conduta imputada à IMPUGNANTE”. Isto porque o “art. 16 da Lei n° 9.799/99 (sic), NÃO FAZ QUALQUER REFERÊNCIA SOBRE QUAISQUER OBRIGAÇÕES OU PRINCIPAIS, CUJA COMPETÊNCIA QUANTO A REGULAMENTAÇÃO SEJA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL”. Na verdade, tal lei trata da inserção das mulheres no mercado de trabalho. Ademais, “não há art. 9° na Instrução Normativa SRF 101/01”. Referida IN apenas alterou dispositivos da IN SRF n° 71/2001; b) as disposições normativas relativas ao controle da movimentação de papel imune foram demandadas pelo próprio setor papeleiro, “visando a instituir no mercado de imunes regras de poder de polícia”. O sistema engendrado pelo referido setor, “fortemente apoiado pelas Autoridades Fazendárias é de vasos comunicantes”, sendo que as informações prestadas pelas quatro fabricantes de papel imune permitem à Receita Federal o acompanhamento, eletrônico, da movimentação desta mercadoria, por meio da entrega das DIFs Papel Imune. E “é através da DIF Papel Imune que a Receita Federal toma conhecimento das operações realizadas pelos particulares em toda a cadeia, podendo encontrar quaisquer desvios de finalidade no papel adquirido por imunidade, desde a sua Fl. 293DF CARF MF Processo nº 19515.001956/200570 Acórdão n.º 3201003.935 S3C2T1 Fl. 294 4 fabricação até a edição de um livro ou de uma revista”. E, assim sendo, “a apresentação da DIF trimestral identificando o local para onde se transferiu 0 estabelecimento consumiu a obrigação reclamada pelo fisco, inexistindo, pois, qualquer obstáculo imposto à apuração dos responsáveis pelo desvio de finalidade e pela concorrência desleal”; c) o fato de não ter efetuado a comunicação de sua alteração por meio de requerimento específico “em nada prejudicou o sistema de vasos comunicantes”. Isto porque suas vendas sempre se destinaram a pessoas jurídicas integrantes desta cadeia. “Em suma, foi preservada a finalidade da obrigação administrativa adimplida de forma diferenciada”; d) “em nenhum momento houve por parte da IMPUGNANTE qualquer tipo de ato ou omissão que tivesse por objetivo esconder, deturpar, maquiar ou simplesmente não apresentar as informações relativas às suas operações com imunes à Secretaria da Receita Federal”. E a alteração de endereço “não trouxe prejuízo de continuidade ao cruzamento das informações prestadas periodicamente à Secretaria da Receita Federal ou ao sistema de vasos comunicantes iniciado a partir da Instrução Normativa n° 71/0l”; e) as autoridades fiscais, responsáveis pela análise de quaisquer requerimentos apresentados pela empresa, sempre conseguem analisar e conferir a regularidade das suas atividades. E também é sabido que toda a alteração na estrutura administrativa ou cadastral das empresas (especialmente as de capital aberto) “deve ser objeto de análise por parte dos órgãos públicos competentes, nos três níveis: federal, estadual e municipal, partindose do registro dessas alterações nos registros do comércio competentes”. Tanto é assim que, logo após ter registrado sua alteração cadastral nas Juntas Comerciais já era possível emitir seu cartão no CNPJ pelo próprio site da Receita Federal na intemet, “com o novo endereço”. Portanto, a própria Receita Federal recebeu os documentos relativos à alteração cadastral, “disponibilizandoo, inclusive, para consultas via Intemet”. Assim sendo, não faz sentido “duplicar” o trabalho das autoridades fiscais com mais um requerimento para informação da alteração cadastral; f) no caso concreto não houve infração por inexistência de descumprimento de obrigação acessória. “A multa imposta à IMPUGNANTE consubstanciada no Auto de Infração ora impugnado, por suposto descumprimento de obrigação acessória, não encontra justificativa no parágrafo primeiro do art. 9° da Instrução Normativa n° 71, com as alterações trazidas pela Instrução Normativa n° 101, ambas editadas em 2001, tendo em vista que preservouse o atendimento da finalidade buscada pelo Normativo, como precedentemente relatado, inocorrendo desvio de finalidade”. A multa só seria aplicável se a alteração de endereço não tivesse sido atualizada no CNPJ ou por omissão na apresentação das DIFs Papel Imune. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 19515.001956/200570 Acórdão n.º 3201003.935 S3C2T1 Fl. 295 5 A impugnante conclui requerendo a declaração de nulidade do auto de infração. Sucessivamente, pede pelo cancelamento integral do auto de infração." A impugnação apresentada foi julgada improcedente, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/RPO 1422.319, de 19 de fevereiro de 2009, decisão proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, cuja ementa dispõe, verbis: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/03/2003 NULIDADE. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL.INOCORRÊNCIA. Mero equívoco na remissão de um dos dispositivos normativos que fundamentam a autuação não tem o condão de anulálo por vício formal, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nela contida e a alentada impugnação apresentada, que não ocorreu preterição do direito de defesa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/03/2003 REGISTRO ESPECIAL DE PAPEL IMUNE. ALTERAÇÃO CADASTRAL. COMUNICAÇÃO. FORMA. A atualização das informações cadastrais junto ao CNPJ, efetuada pelo sujeito passivo, ou mesmo a entrega regular das DIFs Papel Imune, não se prestam a atender o objetivo pretendido pelo art. 9° da IN SRF n° 71/2001, que demanda específico protocolo. REGISTRO ESPECIAL DE PAPEL IMUNE. ALTERAÇÃO CADASTRAL. COMUNICAÇÃO. FALTA OU ATRASO. A falta (ou atraso) de comunicação das alterações cadastrais após a concessão do registro especial, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP n° 2.158 35/2001. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/03/2003 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. Constatada a infração à legislação tributária, o lançamento da multa impõese, como atividade vinculada e obrigatória. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 19515.001956/200570 Acórdão n.º 3201003.935 S3C2T1 Fl. 296 6 Lançamento Procedente" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, em que a recorrente, em breve síntese, aduz: (i) prejuízo algum sofreu a Administração Tributária, na medida em que, admite o julgado que a Recorrente: “protocolizou pedido de retificação da base cadastral relativo ao processo de solicitação de inscrição no registro especial de papel imune (processo n° 10880.014190/200127) e comunicou as suas alterações sociais ao Fisco, por meio de atualização de seus dados cadastrais junto ao CNPJ, ou seja, jamais teria ocorrido ocultação das mesmas, tendo a empresa procedido, ademais, a regular entrega das DIFs Papel Imune aos órgãos de controle; (ii) o conteúdo da obrigação foi satisfeito, ainda que de outra forma; (iii) não se caracterizou frustração ao objetivo específico da norma de controle e de pleno conhecimento da Autoridade Tributária acerca das alterações processadas pelo contribuinte; (iv) se o legislador ordinário, em vista de uma imunidade constitucional, está proibido de instituir um tributo, com redobrada razão está proibido de regulálo, eis que não pode fazer o mais quem não pode fazer o menos; e (v) se na aplicação das Instruções Normativas 71 e 101/01, a Autoridade Administrativa se afasta da norma de controle, como antes referido, resulta evidente o desvio de finalidade, na medida em que a finalidade buscada pelo controle foi amplamente buscada e cumprida. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Com relação aos argumentos tecidos pela recorrente entendo que não lhe assiste razão. A decisão recorrida bem analisou a matéria, razão pela qual adoto seus fundamentos como razões de decidir e sua reprodução é pertinente: "Como se viu, a impugnante não contesta a acusação fiscal quanto à falta de expressa comunicação da alteração do seu endereço. Ou seja, não trouxe ela aos autos provas de que tenha efetuado protocolo de específica comunicação acerca daquela alteração. Limitouse a asseverar que tal alteração foi comunicada ao Fisco por meio de atualização dos seus dados cadastrais junto ao CNPJ e também pela regular entrega das DIFs Papel Imune. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 19515.001956/200570 Acórdão n.º 3201003.935 S3C2T1 Fl. 297 7 Ora, acatar a tese da impugnante implica em esvaziar o integral conteúdo do dispositivo infringido (art. 9° da IN SRF n° 71/2001). Isto porque a necessidade de comunicação das alterações cadastrais no CNPJ já está prescrita nas normas que tratam do referido cadastro. A este respeito, vejase o art. 20 da IN SRF n° 200/2002, que vigorou na maior parte do tempo em que as alterações sociais do sujeito passivo foram realizadas, verbís: Art. 20. É obrigatória a comunicação, pela pessoa jurídica, de toda a alteração referente aos seus dados cadastrais, bem assim de seu quadro de sócios e administradores, no prazo máximo de trinta dias, contado da alteração. Tal comando também foi inserido na IN SRF n° 568/2005 (art. 22), que revogou a IN SRF n° 2002/2002, e mantevese vigente até 01/07/2007. Da mesma forma, se a regular entrega das DIFs Papel Imune se prestasse ao desiderato pretendido pelo comando do referido art. 9° da IN SRF n° 71/2001, a prescrição nele contido seria absolutamente despicienda. Portanto, se tais normas já bastassem para atender o específico objetivo do comando estatuído no dispositivo infringido, não seria necessário têlo prescrito na norma que dispõe sobre registro especial para estabelecimentos que realizem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Aplicase aqui o princípio da hermenêutica jurídica segundo o qual as normas não contêm palavras inúteis (verba cum effectu sunt accipienda), muito menos todo um artigo. Destarte, tenho que a comunicação que a norma prescreve deve revestirse de formalidades suficientes para garantir o pleno conhecimento da Autoridade Tributária acerca das alterações processadas pelo contribuinte, enquadrado no referido registro. Neste sentido, penso que o cumprimento da obrigação em debate só se consubstancia por meio de comunicação por escrito protocolizada na repartição que jurisdiciona o contribuinte, acompanhada de cópia dos documentos que comprovam a alteração realizada, o que, como visto, não foi feito pelo sujeito passivo." E prossegue a decisão recorrida: "Na análise da infração tributária não há espaço, em regra, para considerações subjetivas acerca da eventual intenção do infrator ou mesmo da efetividade, da natureza ou da extensão dos efeitos do ato. É esse o impositivo legal contido no art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). "Assim sendo, pouco importa aqui perquirir se a conduta infratora do sujeito passivo implicou ou não prejuízo ao que a impugnante denominou de “sistema de vasos comunicantes” ou à “continuidade do cruzamento das informações prestadas periodicamente à Secretaria da Receita Federal” (efeitos do Fl. 297DF CARF MF Processo nº 19515.001956/200570 Acórdão n.º 3201003.935 S3C2T1 Fl. 298 8 ato), ou mesmo se o sujeito passivo agiu ou deixou de agir com o objetivo de “esconder, deturpar, maquiar ou simplesmente não apresentar as informações relativas às suas operações com imunes à Secretaria da Receita Federal” (intenção do agente). A responsabilidade pela infração tributária, enfim, tem natureza objetiva. Devo consignar, ademais, que não compete à autoridade administrativa cogitar sobre a efetiva finalidade da norma infringida, para o fim de concluir que aquela tenha sido eventualmente atingida por outros meios. Como é cediço, o lançamento é atividade obrigatória e vinculada à legislação que rege a matéria, sob pena de responsabilização funcional. E, assim sendo, constatada a infração à norma regente, é dever da autoridade administrativa aplicar a multa prescrita para o caso." Assim, improcedentes os argumentos da recorrente. A recorrente descumpriu com o previsto no art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 101/2001, ementado nos seguintes termos: "Art. 9º Após a concessão do registro especial, as alterações verificadas nos elementos constantes do art. 3º deverão ser comunicadas pela pessoa jurídica à DRF ou Defic do seu domicílio fiscal, no prazo de trinta dias, contado da data de sua efetivação ou, quando for o caso, do arquivamento no registro do Comércio, juntando cópia dos documentos de alteração. § 1º A falta de comunicação de que trata o caput sujeitar a empresa à penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória Nº 2.15835, de 2001." Portanto, a multa aplicada contra a recorrente pela falta (ou atraso) de comunicação das alterações cadastrais após a concessão do registro especial, sujeitava o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP n° 2.15835/2001. Ocorre que, sobreveio a Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, resultado da conversão da Medida Provisória n° 451/2008, que tratou da matéria nos seguintes termos: "Art. 1° Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1° A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da Fl. 298DF CARF MF Processo nº 19515.001956/200570 Acórdão n.º 3201003.935 S3C2T1 Fl. 299 9 responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2° O disposto no § 1° deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2° do art. 2° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2° do art. 2° e no § 15 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8° da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3° Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4° O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3° deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5° Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4° deste artigo será reduzida à metade." Ainda, sobreveio a Instrução Normativa RFB nº 976/2009 que, em seus arts. 9º e 12 assim estabeleceu: "Art. 9º Após a concessão do Registro Especial, as alterações verificadas nos elementos constantes do art. 3º deverão ser comunicadas pela pessoa jurídica à DRF ou à Defis/SP ou à Demac/RJ do seu domicílio fiscal, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de sua efetivação ou, quando for o caso, do arquivamento no registro do comércio, juntando cópia dos documentos de alteração. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1048, de 29 de junho de 2010) § 1º A falta de comunicação de que trata o caput sujeitará a empresa à penalidade prevista no art. 12." Fl. 299DF CARF MF Processo nº 19515.001956/200570 Acórdão n.º 3201003.935 S3C2T1 Fl. 300 10 " Art. 12. A nãoapresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no art. 11, sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Parágrafo único. Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade." Nestes termos, temse que a nova legislação estipulou penalidade mais benéfica ao contribuinte. O Código Tributário Nacional CTN, em seu artigo 106, inciso II, alínea c, dispõe, expressamente, que "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." O dispositivo aplicase ao caso concreto, em razão de se tratar de norma mais benigna ao contribuinte, em matéria de penalidade. Anteriormente, a multa aplicada equivalia ao número de mesescalendário em atraso, o que resultava na aplicação de multa (penalidade) por demais gravosa ao contribuinte, a depender, inclusive, da demora, por parte do Fisco, em aplicála. Com a superveniência da Lei n° 11.945/2009, a penalidade passou a ser exigida levandose em conta cada obrigação acessória isolada, e não mais a quantidade de meses em atraso. Por se tratar de penalidade, é evidente e cristalina a sua natureza de matéria de ordem pública, fato que torna possível a sua apreciação por este órgão de julgamento,sendo lícita e legítima a aplicação do novo texto legal à hipótese versada, ainda que não instada a tanto. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 19515.001956/200570 Acórdão n.º 3201003.935 S3C2T1 Fl. 301 11 No caso concreto, aplicouse a multa no valor total de R$ 90.000,00 (noventa mil reais), pela não apresentação no prazo estabelecido das alterações cadastrais da recorrente após a obtenção do registro especial. No cálculo, considerouse, por mês em atraso, a multa de R$ 5.000,00, resultando no valor de R$ 90.000,00. Com a sistemática mais benéfica, a multa única de R$ 5.000,00 prevista no inciso II, do § 4º do art. 1º da Lei nº 11945/2009 é a que deve ser aplicada. Nestes termos, por unanimidade de votos, decidiu o CARF: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/05/2004 MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE COMUNICAÇÃO DE ALTERAÇÃO NOS ELEMENTOS QUE SERVIRAM DE SUBSIDIO AO PEDIDO DE REGISTRO ESPECIAL PARA A MOVIMENTAÇÃO DE PAPEL IMUNE. MUDANÇA NA FORMA DE CÁLCULO DA PENALIDADE, RETROATIVIDADE BENIGNA APLICAÇÃO. Em vigor nova forma de apuração da multa pelo descumprimento de obrigação acessória (atraso na informação de alteração dos elementos da empresa que subsidiaram pedido de obtenção de Registro Especial, apurado antes de iniciado o procedimento de oficio), de se aplicála, a Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, §§ 4º e 5°, do art. 1º, a fato ocorrido anteriormente à sua edição, visto que presentes as condições previstas na alínea "c", do inciso II, do artigo 106 do Código Tributário Nacional (retroatividade benigna). Recurso Voluntário Provido em Parte." (Processo nº 19515.002296/200544; Acórdão 340100.789; Relator Conselheiro Odassi Guerzoni Filho; sessão de 30/06/2010) Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto, para que a multa seja adequada ao que dispõe o texto da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009 (inciso II, do § 4º do art. 1º) c/c a Instrução Normativa RFB nº 976/2009 (arts. 9º e 12), no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 301DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.003913/2010-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/19/2006 a 31/05/2008
CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
O § 10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos nos produtos ali referidos, no caso, os produtos produzidos com o insumo adquirido são produtos de origem animal.
ÔNUS DA PROVA. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do glosa é medida que se impõe.
DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA CREDITAMENTO.
A jurisprudência majoritária do CARF sustenta que o conceito de insumos, no âmbito das contribuições não-cumulativas, pressupõe a relação de pertinência entre os gastos com bens e serviços e o limite espaço-temporal do processo produtivo. Em outras palavras, não podem ser considerados insumos aqueles bens ou serviços que venham a ser consumidos antes de iniciado o processo ou depois que ele tenha se consumado. Despesas aduaneiras - tais como energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação, realocação, deslocamento e lavagem dos produtos acabados - não se subsumem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não-cumulativas, uma vez que tais gastos, inconfundíveis com os gastos com armazenagem nas operações de comercialização - para os quais, vale lembrar, há expressa previsão normativa para seu creditamento -, são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito.
Contribuição para o PIS/PASEP
CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
O § 10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos nos produtos ali referidos, no caso, os produtos produzidos com o insumo adquirido são produtos de origem animal.
ÔNUS DA PROVA. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do glosa é medida que se impõe.
DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA CREDITAMENTO.
A jurisprudência majoritária do CARF sustenta que o conceito de insumos, no âmbito das contribuições não-cumulativas, pressupõe a relação de pertinência entre os gastos com bens e serviços e o limite espaço-temporal do processo produtivo. Em outras palavras, não podem ser considerados insumos aqueles bens ou serviços que venham a ser consumidos antes de iniciado o processo ou depois que ele tenha se consumado. Despesas aduaneiras - tais como energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação, realocação, deslocamento e lavagem dos produtos acabados - não se subsumem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não-cumulativas, uma vez que tais gastos, inconfundíveis com os gastos com armazenagem nas operações de comercialização - para os quais, vale lembrar, há expressa previsão normativa para seu creditamento -, são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito.
Numero da decisão: 3302-005.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o creditamento à alíquota de 60% sobre lenha, milho, aves vivas e suínos, reverter a glosa sobre materiais de limpeza/desinfecção e a glosa sobre palete tratado para fumigação, vencidos os Conselheiro Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad que davam provimento quanto ao crédito de despesas com consumo de energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação, realocação, lavagem, deslocamento e os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Jorge Lima Abud que negavam provimento quanto ao crédito sobre paletes. Designado o Conselheiro Vinícius Guimarães para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
(assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/19/2006 a 31/05/2008 CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. O § 10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos nos produtos ali referidos, no caso, os produtos produzidos com o insumo adquirido são produtos de origem animal. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do glosa é medida que se impõe. DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA CREDITAMENTO. A jurisprudência majoritária do CARF sustenta que o conceito de insumos, no âmbito das contribuições não-cumulativas, pressupõe a relação de pertinência entre os gastos com bens e serviços e o limite espaço-temporal do processo produtivo. Em outras palavras, não podem ser considerados insumos aqueles bens ou serviços que venham a ser consumidos antes de iniciado o processo ou depois que ele tenha se consumado. Despesas aduaneiras - tais como energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação, realocação, deslocamento e lavagem dos produtos acabados - não se subsumem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não-cumulativas, uma vez que tais gastos, inconfundíveis com os gastos com armazenagem nas operações de comercialização - para os quais, vale lembrar, há expressa previsão normativa para seu creditamento -, são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito. Contribuição para o PIS/PASEP CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. O § 10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos nos produtos ali referidos, no caso, os produtos produzidos com o insumo adquirido são produtos de origem animal. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do glosa é medida que se impõe. DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA CREDITAMENTO. A jurisprudência majoritária do CARF sustenta que o conceito de insumos, no âmbito das contribuições não-cumulativas, pressupõe a relação de pertinência entre os gastos com bens e serviços e o limite espaço-temporal do processo produtivo. Em outras palavras, não podem ser considerados insumos aqueles bens ou serviços que venham a ser consumidos antes de iniciado o processo ou depois que ele tenha se consumado. Despesas aduaneiras - tais como energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação, realocação, deslocamento e lavagem dos produtos acabados - não se subsumem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não-cumulativas, uma vez que tais gastos, inconfundíveis com os gastos com armazenagem nas operações de comercialização - para os quais, vale lembrar, há expressa previsão normativa para seu creditamento -, são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito.
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ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. O § 10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos nos produtos ali referidos, no caso, os produtos produzidos com o insumo adquirido são produtos de origem animal. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do glosa é medida que se impõe. DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA CREDITAMENTO. A jurisprudência majoritária do CARF sustenta que o conceito de insumos, no âmbito das contribuições nãocumulativas, pressupõe a relação de pertinência entre os gastos com bens e serviços e o limite espaçotemporal do processo produtivo. Em outras palavras, não podem ser considerados insumos aqueles bens ou serviços que venham a ser consumidos antes de iniciado o processo ou depois que ele tenha se consumado. Despesas aduaneiras tais como energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação, realocação, deslocamento e lavagem dos produtos acabados não se subsumem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições nãocumulativas, uma vez que tais gastos, inconfundíveis com os gastos com armazenagem nas operações de comercialização para os quais, vale lembrar, há expressa previsão normativa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 39 13 /2 01 0- 46 Fl. 883DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 884 2 para seu creditamento , são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. O § 10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos nos produtos ali referidos, no caso, os produtos produzidos com o insumo adquirido são produtos de origem animal. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do glosa é medida que se impõe. DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA CREDITAMENTO. A jurisprudência majoritária do CARF sustenta que o conceito de insumos, no âmbito das contribuições nãocumulativas, pressupõe a relação de pertinência entre os gastos com bens e serviços e o limite espaçotemporal do processo produtivo. Em outras palavras, não podem ser considerados insumos aqueles bens ou serviços que venham a ser consumidos antes de iniciado o processo ou depois que ele tenha se consumado. Despesas aduaneiras tais como energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação, realocação, deslocamento e lavagem dos produtos acabados não se subsumem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições nãocumulativas, uma vez que tais gastos, inconfundíveis com os gastos com armazenagem nas operações de comercialização para os quais, vale lembrar, há expressa previsão normativa para seu creditamento , são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o creditamento à alíquota de 60% sobre lenha, milho, aves vivas e suínos, reverter a glosa sobre materiais de limpeza/desinfecção e a glosa sobre palete tratado para fumigação, vencidos os Conselheiro Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad que davam provimento quanto ao crédito de despesas com consumo de energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação, realocação, lavagem, deslocamento e os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Jorge Lima Abud que negavam provimento quanto ao crédito sobre paletes. Designado o Conselheiro Vinícius Guimarães para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 885 3 (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bem retratar e descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso nº 10055.766 de fls. 784800: Esse processo teve início para verificação de pedidos de ressarcimento de créditos da nãocumulatividade de PIS e de Cofins por parte do contribuinte. Inclusive, ele ingressou com Mandado de Segurança para que os mesmos fossem analisados no prazo máximo de 30 dias da data da ciência da decisão liminar. Em tal análise teria se constatado que para alguns períodos existiriam saldos devedores após as glosas efetuadas. Dessa verificação foram lavrados Autos de Infração de Cofins (R$ 1.907.499,07) e de PIS (R$ 372.717,51) totalizando um crédito tributário total com multa e juros de R$ 2.280.216,58 (fls. 2 a 22 1), referentes aos períodos de apuração entre setembro de 2006 a maio de 2008 (especificamente setembro e outubro de 2006, janeiro a setembro de 2007 e janeiro a maio de 2008, sendo que para a Cofins também se constatou saldo devedor para o mês de novembro de 2006). O contribuinte tem sua atividade voltada para a cadeia produtiva de produção de carne de aves. Durante o procedimento fiscalizatório foram solicitados ao impugnante: arquivos digitais e contábeis; memórias de cálculo; justificativas para as retificações dos DACONs; livros de apuração do IPI; decisões judiciais; notas fiscais de saída e de entrada; arquivos de importação e exportação; códigos (CFOP) das operações que geraram créditos; relação de vendas realizadas com suspensão; cópias dos contratos de parceria; relação dos bens utilizados na fabricação; justificativa para inclusão de aquisições em contas de estoque no ativo circulante em detrimento do ativo permanente; planilha eletrônica de bens incluídos na apuração de crédito referente às depreciações; justificar diferenças entre os créditos das memórias de cálculo apresentados para com os DACONs; contratos de prestação de serviço de fretes marítimos; esclarecimentos sobre conhecimentos de transporte; entre outros. Foram feitas circularizações de informações também com outras empresas. Estão juntados aos autos: recibos de entrega de arquivos digitais (fls. 160 a 178, 191 a 196, 378 a 385, 389 a 394, 611 a 613, 618, 625); justificativa da empresa Fl. 885DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 886 4 para alteração do percentual do crédito presumido (fls. 179 a 185); relação com código, descrição e fornecedor do produto (fls. 197 a 198); planilha de matérias primas, materiais intermediários, materiais de embalagens, materiais de manutenção, materiais de segurança e materiais de consumo (fls. 199 a 243); relação com data, número de nota fiscal e fornecedor (fl. 244); notas fiscais (fls. 245 a 370); justificativas para algumas questões levantadas pela fiscalização (fls. 376 a 377); planilhas das exportações com cópias dos Bill of Lading, correspondentes recibos e notas fiscais (fls. 398 a 602); entre outros. Da análise dos documentos e dos esclarecimentos prestados pelo interessado constatou a fiscalização irregularidades na apuração de créditos e nas bases de cálculo das contribuições devidas. São citadas como irregularidades constatadas no procedimento fiscalizatório: crédito presumido calculado no percentual incorreto; glosa de créditos de bens que não se enquadravam como insumo; glosa de créditos de bens adquiridos com alíquota zero; glosa de créditos na revenda de bens sujeitos à alíquota zero e de incidência monofásica; glosa de créditos de serviços que não se enquadram como insumo; e glosa de créditos vinculados às despesas de armazenagem e frete na operação de venda por não se enquadrarem nas disposições da legislação. O Relatório de Verificação Fiscal se encontra às fls. 23 a 35. Junto a esse relatório temos vários demonstrativos (Mapas e Anexos) detalhando a apuração da Cofins e do PIS dos períodos de apuração em questão, assim como a relação de bens diversos, bens sujeitos à alíquota zero, bens de revenda de produtos com alíquota zero e monofásicos, serviços utilizados como insumos, fretes internacionais e despesas aduaneiras (fls. 36 a 85). De se dizer também que constam juntados a esses autos outros Relatórios de Verificação Fiscal relativos a apuração de créditos da nãocumulatividade de PIS e de Cofins para o 3º trimestre de 2006, 3º trimestre de 2007 e 4º trimestre de 2007 (fls. 87 a 143). Dada ciência ao contribuinte em 29/12/2010 (fls. 11 e 21), o mesmo apresentou duas impugnações em 27/01/2011, a primeira referente à Cofins nas fls. 693 a 717 e a segunda referente ao PIS nas fls. 729 a 753. Ambas impugnações tem grande parte de seus argumentos praticamente iguais, portanto, analisaremos essas conjuntamente, obviamente observando também os pontos distintos de cada uma, caso esses existam. Em síntese são feitas as seguintes alegações: QUE não concorda com a aplicação do percentual de 35% sobre as aquisições de bens adquiridos de pessoas físicas. Argumenta que a Lei nº 10.925/04, reduziu o percentual de crédito presumido das normas anteriores para 60%, 50% e 35%, mas teria aumentado o número de insumos alcançados, conforme exposição de motivos dessa norma legal. Todavia, as Instruções Normativas de nºs 636/2006 e 660/2006 levaram à Autoridade Fiscal a interpretar de forma diferente, pois a expressão “produtos de origem animal” (art. 8º, §3º, inciso I, da Lei 10.925/04) para a aplicação da alíquota do crédito presumido foi alterada pela expressão “insumo de origem animal” (art. 8º, §1º, inciso I, alínea “a” da IN SRF nº 660/2006). Isso veio a distorcer a aplicação da lei, pois insumo é o início do processo produtivo, enquanto produto é o final do processo produtivo. Por isso, a correta interpretação, segundo seu entendimento, seria de que o percentual de Crédito Presumido para as empresas de Avicultura que produzem produtos de origem animal (carnes) classificados no capitulo 2 da NCM, nas suas aquisições de quaisquer insumos, sujeitos a não incidência (pessoa física) ou suspensão (artigo 9° da Lei 10.925/04), sejam de Fl. 886DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 887 5 origem animal ou vegetal, é de 60% (sessenta) por cento da alíquota para as contribuições previstas para o PIS e para a COFINS. QUE não aceita a glosa de créditos de bens que não se enquadram como insumo. Em primeiro, argumenta que os medicamentos e vacinas são necessários ao processo produtivo, para a sanidade das aves, devendo ser aceitos como insumos. Em segundo, os materiais de limpeza fazem parte do processo de higienização, decorrente de legislação própria, sendo necessários ao processo produtivo. Em terceiro, alega que as embalagens (paletes) servem para transportar os produtos, mas não são retornáveis, não sendo imobilizadas, devendo, por isso, serem consideradas como insumos. Em quarto e quinto lugar, defende que os combustíveis e a manutenção de prédios e de veículos, assim como outros materiais de consumo, devem ser aceitos como insumos, pois se todas as receitas fazem parte da base de cálculo, todos os custos e despesas necessárias à produção devem ser dedutíveis, conforme definição do Imposto de Renda (arts. 290 e 299) e da IN SRF 404/2004. QUE manifesta sua discordância contra as glosas de serviços. Alega que os fretes sobre aquisição de bens são insumos, conforme solução de consultas citadas, sendo que mesmo os fretes sobre aquisição de produtos não tributados devem ser permitidos, pois não há restrição do aproveitamento desses na legislação. Nem o serviço prestado de transporte é isento ou não tributado para não permitir o creditamento (art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/202 e 10.833/2003). Inclui nesse tópico os serviços prestados pela empresa AFFARE que realizaria a atividade de limpeza (assepsia) das instalações. QUE contesta as glosas pertinentes às despesas de armazenagem e frete de exportação. O contribuinte alega que as despesas com "consumo de energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação, realocação, lavagem, deslocamento entre outros" se enquadram dentro do conceito de armazenagem, visto que é um processo complexo, não um ato isolado. Por conseguinte, armazenagem seria um conjunto de atividades com o fim de garantir e manter o produto em condições até o momento do embarque, sendo que a individualização de cada gasto teria fins de controle e não poderia servir de pretexto para não aceitálo como insumo. Assim todas essas atividades estariam sujeitas ao PIS e à Cofins (inspeção, pesagem, etc.). QUE no caso dos fretes marítimos de exportação glosados, argumenta que a lei determina que haja crédito quando o frete é suportado pelo vendedor e o pagamento seja feito a pessoa jurídica domiciliada no país, não havendo outra condição. Por isso, os valores pagos para pessoa jurídica (agente) no país devem ser aceitos, pois a transferência do valor pago do agente para o armador (no exterior) é em momento posterior, não podendo alterar o ato perfeito realizado no país. Tal direito de crédito não poderia deixar de existir, pois o agente também paga PIS/COFINS e a não aceitação iria contrariar a lógica da tributação sobre o valor agregado contida nas contribuições não cumulativas. QUE no tópico glosa de créditos na revenda de bens sujeitos à alíquota zero e de incidência monofásica houve concordância com a fiscalização. QUE seu entendimento sobre o mérito do litígio, que apresentou para cada item glosado a justificativa para o seu acertado procedimento envolvendo as glosas efetuadas pela Autoridade Fiscal, afirma que a legislação apresenta dificuldades de interpretação, mas que, no entanto, não pode ser prejudicado por interpretações pessoais, haja vista que entende que adotou a classificação correta de seus gastos, comentando que a atividade de fiscalização, além do mero objetivo de arrecadar, serve também para educar o contribuinte. Fl. 887DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 888 6 POR FIM, tanto na contestação referente à Cofins, como na relativa ao PIS, requer o recebimento, o conhecimento e o provimento de suas impugnações, com a conseqüente anulação dos Autos de Infração de Cofins (relativa ao 3º trimestre de 2006 ao 1º trimestre de 2009) e de PIS (4º trimestre de 2005 ao 1º trimestre de 2009), pelo reconhecimento dos procedimentos de apuração utilizados pelo contribuinte e pela correção dos créditos por ela adjudicados. O processo foi então encaminhado para julgamento. A 2ª Turma da DRJ/POA através do Despacho nº 126, de 08/12/2012, encaminhou esse processo em diligência, conforme relatado pelo julgador à época, José Paulo Puiatti. Eis os termos da diligência solicitada (fls. 766 a 768): Verificando os autos, observase que nos demais documentos/demonstrativos que compõe o Relatório de Procedimento Fiscal, de fls.23/35, contam planilhas, denominadas “MAPA 1” até “MAPA 6”, contendo os valores apurados pela Autoridade Fiscal, de forma a demonstrar os valores glosados e os valores lançados de ofício, de fls.36/41, bem como o detalhamento de cada item glosado, com seus componentes, denominados “ANEXO I” até “ANEXO V”. Todavia, embora haja lançamento de Cofins dos meses de setembro, outubro e novembro de 2006 e PIS dos meses de setembro e outubro de 2006, estando explicitado na planilha denominada “ MAPA 1 – Apuração COFINS SETNOV 2006” e “MAPA 2 – Apuração PIS SETNOV 2006”, de fls.36/37, não consta o detalhamento dos meses de setembro, outubro e parte de novembro de 2006 do ANEXO I – BENS DIVERSOS, de fls.42/50. Tal fato dificulta o entendimento sobre os valores glosados de “BENS DIVERSOS” destes meses, especialmente se a contribuinte tiver procedência em sua alegação sobre este itens que compõem a glosa e geraram o lançamento em apreço. Por isso, diante dos fatos e da necessidade de informações claras e precisas para a resolução do litígio, bem como do princípio da verdade material, é necessário, com fulcro no art.18 e 29 do Decreto 70.235/1972, e alterações posteriores, que a DRF de origem junte aos autos o detalhamento dos meses de setembro, outubro e de novembro de 2006, do ANEXO I – BENS DIVERSOS, como ocorre nos períodos posteriores deste detalhamento, que estão contido nos autos. Em resposta à diligência, a DRF jurisdicionante juntou aos autos o detalhamento solicitado de acordo com a planilha denominada “Anexo I – Bens Diversos” (fls. 770 a 772) – contendo ano, mês, linha, número, data, CNPJ, descrição, base de cálculo, contribuição devida e grupo contábil. Frisese que foi reaberto o prazo de 30 dias para que o contribuinte se manifestasse, caso entendesse necessário, sobre a diligência realizada. No entanto, ele não se pronunciou sobre a mesma. Em 08 de outubro de 2015, a impugnação foi julgada procedente em parte, no sentido de reverter as glosas de medicamentos e de vacinas, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2006 a 31/05/2008 DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem Fl. 888DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 889 7 ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade. BASE DE CÁLCULO. RECEITA, E NÃO O LUCRO. A base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente é a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar arguições de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídicoadministrativo, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. FRETES. INSUMO NÃO TRIBUTADOS. As aquisições de bens ou de serviços não sujeitos ao pagamento do PIS e da Cofins não geram direito a crédito. Da mesma forma, os fretes referentes a essas aquisições também não geram, pois integram o custo de aquisição e não podem ser considerados de forma isolada. FRETE INTERNACIONAL. CRÉDITO. Não podem ser descontados créditos no regime de apuração nãocumulativo em relação a fretes internacionais (marítimos) onde o transportador for pessoa jurídica domiciliada no exterior, mesmo que representado no país por intermediário como agente marítimo ou equivalente. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2006 a 31/05/2008 DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade. BASE DE CÁLCULO. RECEITA, E NÃO O LUCRO. A base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente é a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar arguições de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídicoadministrativo, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. FRETES. INSUMO NÃO TRIBUTADOS. As aquisições de bens ou de serviços não sujeitos ao pagamento do PIS e da Cofins não geram direito a crédito. Da mesma forma, os fretes referentes a essas aquisições também não geram, pois integram o custo de aquisição e não podem ser considerados de forma isolada. FRETE INTERNACIONAL. CRÉDITO. Não podem ser descontados créditos no regime de apuração nãocumulativo em relação a fretes internacionais (marítimos) onde o transportador for pessoa jurídica domiciliada no exterior, mesmo que representado no país por intermediário como agente marítimo ou equivalente. Fl. 889DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 890 8 Cientificada da decisão em 05.05.2016 (fls.815), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 06.06.2016 (fls.820836), pleiteando (i) o reconhecimento do crédito presumido da agroindústria à alíquota de 60%; (ii) reversão da glosas em relação a a materiais de limpeza/desinfecção, embalagens para transporte (Paletes), combustíveis, manutenção de prédios e veículos, armazenagem, frete; (iii) diligência; e (iv) impossibilidade de sucessão de multas e juros. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 05.05.2016 (fls.815) e protocolou Recurso Voluntário em 06.06.2016 (fls.820836) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de mérito II.1 Conceito de Insumos para Fins de Creditamento Antes de enfrentar a questão tratada neste tópico, mister tecer alguns comentários legislativos do PIS e da COFINS no regime nãocumulativo. Em 29 de agosto de 2002, por meio da Medida Provisória nº 66, houve uma significativa modificação no modo de tributação do PIS quer, de acordo com referida norma, tornouse nãocumulativo. A MP 66 foi, posteriormente, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a qual vem disciplinando o regime da nãocumulatividade do PIS/COFINS. Já em 30 de outubro de 2003, foi editada a Medida Provisória nº 135, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, constituindo o texto básico do regime não cumulativo para a COFINS. No mesmo exercício de 2003, temos o advento da Emenda Constitucional nº 42, de 9 dezembro de 2003, a qual alterou o artigo 195, da Constituição Federal, para incluir, dentre outros, o parágrafo 12, o qual dispõe que "a lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b e ; e IV do caput, serão nãocumulativos." No que concerne ao sistema de créditos, o aproveitamento se encontra disposto nos artigos 3º, das Leis nº s 10.637/2002 e 10.833/2003, prevendo que os custos e 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 891 9 despesas auferidas pela pessoa jurídica em seu processo produtivo serão passíveis de créditos, senão vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) É de se ver, que a legislação infraconstitucional permitiu os créditos de insumos, sem impor qualquer restrição, ou seja, adquirindo bens ou serviços que sejam Fl. 891DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 892 10 utilizados (direta ou indiretamente) na prestação de serviços ou produção e fabricação de bens ou produtos, é possível, computar créditos para o abatimentos das contribuições. Ressaltase, por oportuno, que eventual restrição ao aproveitamento de créditos de insumos surgiu com o advento da Lei nº 10.865/2004, que trouxe a vedação de créditos no valor pago pela mão de obra de pessoa física, bem como na hipótese de bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados. Posto isto, é necessário perquirir o conceito de insumo para fins de verificar se as despesas glosadas pela fiscalização dão direito a crédito Como se vê na decisão de piso, foi adotado pela autoridade fiscal como critério para definição de insumos as Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, podendose concluir que a Receita Federal do Brasil aplicou a definição de insumo da legislação do IPI, o que já me adianto pela total discordância deste critério, pois entendo que se tratam de tributos de materialidades completamente distintas. Referidas IN´s, mitigaram a nãocumulativa da contribuição ao PIS e da COFINS, porquanto criaram diversos óbices e restrições na apuração dos créditos instituídos pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Notadamente no que se refere ao conceito de insumos, não se pode deixar de mencionar os ensinamentos de Natanael Martins2, a saber: "o conceito de insumo, contemplado na sistemática nãocumulativa do PIS/COFINS está relacionado ao fato de determinado bem ou serviço ter sido utilizado, ainda que de forma indireta, na atividade de fabricação do produto ou com a finalidade de prestar determinado serviço. Assim sendo, a toda evidência, o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto que necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo". Com efeito, insumo3 é a complexidade de bens e serviços aplicados na produção ou fabricação de bens, sem os quais não seria possível a obtenção do produto final e acabado com características próprias, divididos entre insumos diretos e insumos indiretos, conforme expõe a Solução de Divergência COSIT nº 12, de 24.10.2007: É de se notar, que o termo "insumo" não poder ser utilizado de maneira restrita, como fez a fiscalização no caso em comento, considerando que tal procedimento vai de encontro com o princípio da nãocumulatividade. 2 O conceito de insumos na Sistemática NãoCumulativa do PIS e da COFINS. IN PISCOFINS Questões Polêmicas. São Paulo: Quartier, 2005, p 2007. 3 INSUMO. Economia Política. 1. Despesas e investimentos que contribuem para um resultado ou para obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final. 2. É tudo aquilo que entre (input), em contraposição ao produto (output), que é o que sai. 3. Tratase de combinação de fatores de produção, diretos (matériaprima) e indiretos (mãodeobra, energia, tributos), que entrem na elaboração de certa quantidade de bens e serviços”. DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico. v.2. Saraiva: São Paulo, 1998, p.870. Fl. 892DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 893 11 Destarte, os dispêndios direitos ou indiretos incorridos na produção ou prestação de serviços devem ser considerados como insumos e, consequentemente, serem computados na determinação dos créditos de PIS/COFINS. Nesse sentido, vale destacar o atual posicionamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de não adotar, para fins de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS, a interpretação restrita veiculada pelas IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, conforme denotase da ementa do v. acórdão nº 3403002.656: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e necessários ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Fl. 893DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 894 12 Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (...) Feito estas considerações, na qual manifesto entendimento contrário aos critérios adotados pela autoridade fiscal, passo agora analisar os argumentos expressamente contestadas no recurso voluntário que dizem respeito a: (i) o reconhecimento do crédito presumido da agroindústria à alíquota de 60%; (ii) reversão da glosas em relação a a materiais de limpeza/desinfecção, embalagens para transporte (Paletes), combustíveis, manutenção de prédios e veículos, armazenagem, frete; (iii) diligência; e (iv) impossibilidade de sucessão de multas e juros. III.1.a Crédito Presumido da Agroindústria Nos termos do relatório fiscal (fls. 89), a fiscalização alega que a alíquota a ser aplicada sobre os insumos comprados para a agroindústria, prevista pela Lei nº 10.925, de 2004 é de 35% sobre as aquisições de lenha, aves vivas, suínos e milho, ou seja, não estavam incluídos dentre aqueles produtos cujas aquisições poderiam ser creditados pela alíquota de 60% . Por sua vez, a Recorrente argumenta que o percentual para os créditos presumidos seria de 60%, para os produtos por ela adquiridos, nos termos da Lei nº 10.925/04. Requer, ainda, seja aplicado o artigo 106, do CTN, considerando a alteração promovida pela Lei nº 12.865/2013, que acrescentou o §10º ao artigo 8º, da Lei nº 10.935/2004. Pois bem. Dispõe o artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004, com as alterações promovidas pela Lei nº 12.865/2013: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: Fl. 894DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 895 13 I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) IV 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo na forma do art. 9oA; (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) V 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada perante o Poder Executivo na forma do art. 9oA. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Fl. 895DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 896 14 § 5o Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 6o (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 7o (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 8o (Vide Medida Provisória nº 552, de 2011) (Vide Decreto Legislativo nº 247, de 2012) § 9o (Vide Medida Provisória nº 556, de 2011) (Produção de efeito) Sem eficácia § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) Nos termos do inciso I, do §3º, do artigo 8, da Lei nº 10.925/20045, verifica se que a alíquota de 60% está prevista para a aquisição de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4 (cap. 2 Carnes e miudezas, comestíveis; cap. 3 Peixes e crustáceos; cap. 4 Leite e laticínios) e 16 (Preparações de carne, de peixes), e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, que são as aves vivas e os suínos adquiridos pelo contribuinte previstos nos capítulos 2, 4 e 16. Já o § 10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos utilizados nos produtos ali referidos, ou seja, os insumos adquiridos pela Recorrente devem ser considerados à alíquota de 60%. No presente caso, o milho utilizado como ração para alimentação das aves deve ser considerado insumo utilizado no produto e, por consequência ser aplicado à alíquota de 60%. O mesmo entendimento se diga em relação a lenha, utilizada como insumo na produção de seu produto, devendo, assim, ser aplicado à alíquota de 60%. Ademais, razão assiste à Recorrente quanto a aplicação do artigo 106, do CTN. Isto porque, conforme preceitua o §10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, "para efeito de interpretação", logo, se trata de uma lei interpretativa, ela deve retroagir. Em resumo, deve indicir a aliquota de 60% para os produtos milho, aves vivas, suínos e lenhas adquiridos pela Recorrente, III.1.b Materiais de Limpeza/Desinfecção A Recorrente alega que "Os dispêndios de materiais de limpeza e desinfecção ora tratados relacionamse ao processo ativo que ocorre no ambiente de produção, onde a assepsia dos caminhos que o produto percorre é condição à própria existência, inclusive por regulação legal do Ministério da Agricultura". Neste ponto, a fiscalização aplicou as IN´s SRF nº 247/2002 e 404/2004 para afastar o crédito apurado pela Recorrente. Fl. 896DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 897 15 Analisando as planilhas dos produtos carreadas as fls. 4249, denominada "Bens Diversos", verificase que os materiais de limpeza adquiridos pela Recorrente dizem respeito aos seguintes produtos: (i) Desinfetante AMQ 50; (ii) Alcool Isopropilico; (iii) Desinfetante Omnicide; (iv) Desinfetante Obanol; (v) Desinfetante Ucarsan; e (vi) Desinfetante CB80TA;, produtos estes utilizados na desinfecção e assepsia da área de produção, que visam evitar contaminações nos alimentos produzidos pela Recorrente. Neste cenário, considerando que referidos produtos são absolutamente necessários ao processo que resulta na atividade econômica desenvolvida pela Recorrente, entendo que a glosa deve ser totalmente revertida. III.1.c Embalagens (Paletes) Aqui a fiscalização aplicou as INs SRF nº 247/2002 e 404/2004 para afastar o crédito apurado pela Recorrente em relação aos paletes utilizados para acondicionamento de produtos em transporte. Segundo a Recorrente: A) o produto em questão cumpre os requisitos para a tomada de créditos pois, além de estar vinculado à atividade, não cumpre os requisitos necessários à imobilização, quais sejam (i) durabilidade, (ii) valor relevante, (iii) possibilidade de identificação e (iv) controle. B) estes paletes, usualmente, não retornam dos clientes da Recorrente por motivos diversos, quais sejam (i) custo de frete de caminhão vazio para retorno (ii) estocagem direta nas câmaras frias utilizando o palete recebido no transporte, (iii) avaria constante, etc. Analisando novamente a planilha carreadas as fls. 4249, verificase que a Recorrente registrou o bem com as seguintes denominações "PALETES PBR RETORNÁVEL" e "PALETES (TRATADOS P/FUMIGAÇÃO)", dando conta que o primeiro retorna após entrega do produto. Em relação ao crédito apurado sobre o bem denominado palete, este relator entende que sua utilização no acondicionamento de produtos alimentícios, principalmente para evitar contato com o solo é necessário à atividade da empresa e, desde que não retornável, é passível de creditamento. Isto porque, o palete retornável deve ser registrado no ativo imobilizado da Recorrente, não compondo o custo do produto e, não sendo passível de creditamento das contribuições aqui tratadas. Deste modo, entendo que a glosa deve ser revertida somente em relação ao bem registrado como "Palete (tratato p/fumigação). III.1.d Combustíveis A fiscalização afastou o crédito apurado pela Recorrente com base nos seguintes argumentos: "Todos bens e respectivos valores não aceitos pela fiscalização estão dispostos na forma do Anexo I deste relatório, sendo que o grupo em que o bem foi Fl. 897DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 898 16 classificado está em conformidade com a segregação informada pela própria contribuinte em resposta à intimação fiscal de 21/12/2009, mediante entrega do arquivo digital MEDICAMENTOS.xls. Também estão incluídas neste anexo as aquisições de gasolina, visto que adquiridas junto a postos de combustíveis e em quantidade/valores compatíveis com abastecimento de veículos leves, os quais não fazem parte do processo de produção da empresa." A Recorrente se defende alegando que (i) nas operações desenvolvidas pela Recorrente há a necessidade de constante acompanhamento e assistência aos animais colocados para crescimento no campo; (ii) o dispêndio com combustível utilizado para estes deslocamentos é parte do montante dos gastos necessários a colocar o animal em condições de abate na plataforma do frigorífico; e (iii) independente da forma como este combustível é adquirido, é item que compõe o processo produtivo e deve ser considerado para fins de creditamento das contribuições. O direito ao crédito sobre combustíveis está previsto no inciso II, do artigo 3º, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 (com a mesma redação), a saber: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Não obstante o direito ao crédito sob análise esteja expresso em lei, fato é que a Recorrente não conseguiu infirmar as alegações de fiscalização e demonstrar de forma contundente que o combustível foi utilizado em veículos (carros ou caminhões) para transporte de animais. Neste ponto, entendo que a Recorrente deveria ter comprovado a condição de propriedade dos veículos utilizados em seu processo produtivo, bem como demonstrar efetivamente como é feito o acompanhamento e transporte de animais. Vale ressaltar, que o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC4). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 898DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 899 17 aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)5 Neste cenário, entendo correta glosa realizada pela fiscalização. III.1.e Manutenção de Prédios e Veículos A fiscalização aplicou as INs SRF nº 247/2002 e 404/2004 para afastar o crédito apurado pela Recorrente em relação a manutenção de prédios e de veículos. A Recorrente, por sua vez, apresenta a seguinte alegação: "Em seu processo produtivo a Recorrente incorre em gastos com manutenção de prédios e veículos, essenciais aos seu processo produtivo". Com todo respeito a Recorrente, entendo que suas alegações são genéricas e desprovidas de fundamento apto à infirmar as glosas realizadas pela fiscalização. Com efeito, a Recorrente não demonstrou, tampouco informou se a manutenção foi realizada nos prédios industriais; qual a finalidade da manutenção realizada nos prédios etc... A lista de produtos carreada as fls. 235236 demonstra que houve aquisição de produtos destinados a manutenção de prédios, contudo, não há como perquirir se referidos produtos foram utilizados em áreas industriais e qual a sua finalidade, sendo de rigor a manutenção da glosa sobre os gastos com a "manutenção de prédios". 5 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 899DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 900 18 Pelo mesmo motivo, entendo que a glosa deve ser mantida em relação a manutenção de veículos. III.1.f Armazenagem A Recorrente entende que as despesas com consumo de energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação, realocação, lavagem, deslocamento entre outros se enquadram dentro do conceito de armazenagem, razão pela qual apurou crédito de PIS/COFINS. Alega, ainda, que "Ao chegarem à área de armazenagem portuária, os containers são obrigatoriamente ligados à energia elétrica para manutenção da temperatura, condição esta que precisa ser monitorada constantemente, sob pena de comprometimento da mercadoria. Surgem, então, as outras atividades ligadas ao processo, tais como inspeção, pesagem, etc., todas sujeitas a incidência das contribuições ora tratadas". A fiscalização glosou o crédito apurado pela Recorrente com base nas seguintes alegações: “Em relação ao primeiro item, despesas aduaneiras, creditadas pelo contribuinte, conforme memória de cálculo apresentada, não encontram suporte nenhum na legislação de regência das contribuições, uma vez que a mesma permite apenas o creditamento referente a "despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor", consoante inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003. Entre estas despesas indevidas a contribuinte incluiu: consumo de energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, lavagem, deslocamentos, taxa de selagem de contéineres, capatazia, taxa de liberação de BL, entre outros”. Em relação a este tema, este Relator já se posicionou favoravelmente ao direito do contribuinte nos seguintes termos6: Considerando a operação realizada pela Recorrente, e pelo fato dela ter especificado os dispêndios com referidos serviços, entendo que estes são absolutamente necessários ao processo que resulta na atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte, não podendo, a pessoa jurídica prescindir desses serviços, não sendo eles opcionais, nem atividademeio e tampouco despesa administrativa. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nas hipóteses relativas aos gastos com estes serviços tem entendido que integram o custo dos bens, e o direito do crédito é assegurado no art. 3º da lei 10.833/03, senão vejamos: (cfr. Processo nº 15586.001201/201048, Recurso nº Voluntário, Acórdão nº 3301002.061, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de setembro de 2013: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 DILIGÊNCIA. Rejeitase o pedido de diligência que o julgador considerar prescindível ao deslinde do litígio. 6 Acórdão: 3302003.199 Processo 11624.720020/201311 Sessão 17 de maio de 2016. Fl. 900DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 901 19 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2008 CUSTOS DE PRODUÇÃO. CRÉDITOS. Os custos incorridos com serviços de desestiva/produção (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matériasprimas no armazém alfandengado), geram créditos dedutíveis da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou passíveis de ressarcimento. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. SALDO TRIMESTRAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. De acordo com o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, o crédito de um determinado mês pode ser utilizado nos meses subsequentes, e o fato da Lei nº 11.116/2005, autorizar o ressarcimento do saldo de créditos somente no término do trimestre, não quer dizer que não poderão ser aproveitados créditos apurados em outros trimestres. Recurso Voluntário Provido (Processo nº 15586.001201/201048, Recurso nº Voluntário, Acórdão nº 3301002.061, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de setembro de 2013) Por este motivo, entendo que há de ser reconhecido o direito da Recorrente ao crédito de PIS/COFINS incidente nesta operação. Neste cenário, entendo que a glosa deve ser totalmente revertida. III.1.g Frete A fiscalização glosou os créditos apurados sobre os fretes marítimos nos seguintes termos: "Para poder proceder ao creditamento de valores referentes aos fretes marítimos, o contribuinte deve atender aos requisitos normativos e legais, em especial que as despesas sejam pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no Pais (art 3°, § 3°, II — Lei 10.833, de 2003 e Lei 10.637, de 2002) e de que o ônus seja suportado pelo vendedor (art 3°, IX — Lei 10.833, de 2003). Assim, no caso em concreto constatouse que o ônus é suportado pelo contribuinte, porém, muito embora os recursos sejam destinados a empresas localizadas no território nacional, inscritas no CNPJ, tais empresas não são as que efetivamente prestam o serviço de transporte, uma vez que se tratam de agentes de armadores estrangeiros, pratica esta usual nos procedimentos de exportação." Em sede de impugnação, a Recorrente alegou, em síntese, que a lei determina que haja crédito quando o frete é suportado pelo vendedor e o pagamento seja feito a pessoa jurídica domiciliadas no país, não havendo outra condição. Por isso, os valores pagos para pessoa jurídica (agente) no país devem ser aceitos, pois a transferência do valor pago do agente para o armador (no exterior) é em momento posterior, não podendo alterar o ato perfeito realizado no país. Tal direito de crédito não poderia deixar de existir, pois o agente também paga PIS/COFINS e a não aceitação iria contrariar a lógica da tributação sobre o valor agregado contida nas contribuições nãocumulativas. Em relação a essa questão, entendo que a decisão de piso não merece reparos, razão pela qual adoto como razão de decidir para manter a glosa sobre as despesas de frete marítimos, a saber: Fl. 901DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 902 20 O crédito relacionado a fretes marítimos deve atender aos requisitos normativos e legais, em especial que as despesas sejam pagas ou creditadas à pessoa jurídica domiciliada no país. Assim dispõe a legislação: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: ... II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. (gn) Dos autos se verifica que quem presta o serviço de transporte não são empresas localizadas no território nacional, mas sim estrangeiras. O fato de a mercadoria ser enviada para um agente marítimo que não presta o serviço, nem recebe o pagamento pelo mesmo, não enquadra essa situação dentro do citado inciso II, como quer o contribuinte. Como consta no Relatório Fiscal o agente marítimo é mero preposto do armador estrangeiro. Essa verificação do responsável pelos serviços de transporte foi esmiuçada nos autos através dos contratos de prestação de serviço dos fretes marítimos, com os respectivos documentos comprobatórios da relação jurídica existente entre o impugnante e os prestadores do serviço de transporte. Estão juntados aos autos cópias dos Bill of Lading e dos correspondentes recibos de quitação dos fretes. Com base em tais elementos probatórios foi possível apurar que os mesmos são emitidos por armadores estrangeiros. Os agentes daqui seriam meramente representantes desses armadores (ver fls. 398 a 602). Ocorreram circularizações com os agenciadores, devidamente juntadas a esses autos, confirmando que estariam na condição de meros representantes dos responsáveis pelos fretes, ou seja, dos armadores estrangeiros: “Em resposta, todos os diligenciados informam que apenas realizam o agenciamento de transporte marítimo, sendo apenas representantes e/ou agentes de armadores estrangeiros. Além disso, informam que a entrega de recursos, quando ocorre em conta corrente dos agentes é posteriormente remetida ao armador via Banco Central.” (gn) A jurisprudência administrativa de tal questão aponta que não podem ser descontados créditos nessa situação verificada nos autos: Solução de Consulta DISIT09 Nº 113, de 2012 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins FRETE INTERNACIONAL. DIREITO A CRÉDITO SOMENTE SE TRANSPORTADOR COM DOMICÍLIO NO BRASIL. Não podem ser descontados créditos no regime de apuração não cumulativa da Cofins em relação a frete internacional se o transportador for pessoa jurídica domiciliada no exterior, mesmo que ele seja representado no País por pessoa jurídica aqui domiciliada ou que a contratação tenha sido feita por meio de intermediário como agente marítimo, agente intermediário de transporte ou empresa de assessoria aduaneira. (gn) Fl. 902DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 903 21 IV. Pedido de Diligência A Recorrente requereu em sede recursal a realização de diligência e/ou perícia para elucidar as questões por ela suscitadas. Tal pedido, além de genérico, foi realizado em total desatenção ao inciso IV, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, devendo, assim, ser totalmente rejeitado. V. Da impossibilidade de sucessão de multas e juros. A Recorrente pleiteia o afastamento das penalidades e dos acréscimos legais com fundamento no artigo 1327, do Código Tributário Nacional, sob o fundamento de que apenas o tributo seria por ela devido. Referida matéria é nova ao processo, sendo arguida apenas em sede recursal, motivo pelo qual não será apreciada por este recolher por total infringência ao artigo 17, do Decreto n° 70.235/72. V. Conclusão Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para (i) dar direito ao crédito presumido à alíquota de 60% sobre lenha, milho, aves vivas e suínos; (ii) reverter a glosa dos materiais de limpeza/desinfecção; (iii) reverter a glosa do Palete (tratato p/fumigação); e (iv) despesas com consumo de energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação, realocação, lavagem, deslocamento. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo 7 Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Fl. 903DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 904 22 Voto Vencedor Conselheiro Vinícius Guimarães, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à possibilidade de creditamento de PIS/COFINS, no regime não cumulativo, com relação às despesas aduaneiras diversas, entre as quais, energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação, realocação, deslocamento e lavagem dos produtos acabados da recorrente. Em seu voto, o i. relator assinala que os referidos dispêndios seriam necessários ao processo produtivo atinente à atividade econômica da recorrente, afigurandose como passíveis de creditamento das contribuições nãocumulativas. Distanciome de tal entendimento pelas razões a seguir expostas. Inicialmente, importa recordar que, no tocante ao conceito de insumos aplicável às contribuições nãocumulativas, a jurisprudência recente do CARF tem afastado a interpretação restritiva consolidada no âmbito do IPI e rejeitado a aplicação do amplo conceito de insumos consagrado na legislação do Imposto sobre a Renda. Nesse contexto, afastando as correntes doutrinárias tradicionais, a jurisprudência majoritária do CARF tem assentado, de forma acertada, que o conceito de insumos, no âmbito do PIS/COFINS nãocumulativos, pressupõe que os bens ou serviços sejam consumidos durante o processo produtivo (ou de prestação de serviços) e dentro de seu espaço, salvo expressas disposições legais, como é o caso das despesas com frete e armazenagem nas operações de comercialização, as quais se dão após o término do processo produtivo, mas geram direito a crédito de PIS/COFINS por inequívoca previsão normativa: art. 3º, inciso IX, e art. 15, inciso II, ambos da Lei 10.833/03. A jurisprudência atual do CARF se orienta, portanto, no sentido de vincular, de forma estrita, o conceito de insumos à relação de pertinência da despesa incorrida com o limite espaçotemporal do processo produtivo (ou de prestação de serviços). Na esteira de tal entendimento, os excertos da ementa e do voto vencedor do Acórdão nº 9303002.659, Processo nº 13204.000070/200455, sessão de 14/11/2013, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, transcritos abaixo, sublinham a necessidade de pertinência entre o gasto ao qual se busca aplicar o conceito de insumos e a duração do processo produtivo (grifei algumas partes): EMENTA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 Fl. 904DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 905 23 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS nãocumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. VOTO CONDUTOR (...) Para uma primeira corrente, que se formou concomitantemente à que a Fazenda mais uma vez pretende seja aplicada, e em antítese a ela, a demarcação deviase buscar nas normas atinentes ao imposto sobre a renda, equiparandose, assim, a expressão a tudo que fosse despendido, de forma necessária, seja como custo ou despesa. Essa posição também já se encontra superada, entendendo a maioria que nem tudo que é despendido, ainda que contabilmente até possa ser registrado como custo ou despesa, é verdadeiramente consumido no processo. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastamse, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. E por esse mesmo critério também têm de ser rejeitados aqueles dispêndios em bens e serviços que produzirão efeito ao longo de diversos ciclos produtivos. Tais desembolsos ocorrem, no mais das vezes, em obras ou bens permanentes, hipótese em que devem, pela própria contabilidade, ser ativados. Deles apenas as correspondentes despesas de depreciação ou amortização podem ser deduzidas como créditos, mas apenas nas restritivas condições demarcadas pela própria norma legal específica. (...) Fl. 905DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 906 24 Vale, por fim, o registro de que a própria lei expressamente autorizou o direito de crédito com relação a algumas despesas que ocorrem após o fim do processo (frete do produto final, armazenagem) ou relativas a gastos que beneficiam mais de um ciclo produtivo (depreciações e amortizações). Sua inclusão explícita confirma que em tais casos de insumos propriamente não se trata, sendo imprescindível a expressa referência no texto legal. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastamse, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. Pela leitura dos excertos, podese observar que o conceito de insumos exige o consumo de bens ou serviços durante o processo produtivo, excluindose, de tal conceito, as despesas incorridas antes ou depois do processo produtivo salvo exceções legais explícitas. Ou seja, os bens ou serviços consumidos enquanto perdurar o processo produtivo são considerados insumos, enquanto que os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado o processo produtivo, "por mais que possam ser necessários à produção", não se enquadram no conceito de insumos. Filiome ao conceito de insumos acima esposado. Não basta que a despesa seja necessária ao processo produtivo: é fundamental que ela seja incorrida dentro do limite espaçotemporal do processo produtivo (ou de prestação de serviços). Tendo em vista tal conceito de insumos e voltando ao caso concreto, há que se concluir que gastos aduaneiros diversos, como é o caso de energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação, realocação, deslocamento e lavagem de produtos acabados da recorrente, ainda que, eventualmente, possam se mostrar necessários à atividade econômica da pessoa jurídica, como bem pontuou o i. relator, não podem ser considerados insumos, uma vez que constituem despesas incorridas após o processo produtivo. De fato, os referidos dispêndios ocorrem após o período de duração do processo produtivo, não guardando a fundamental e necessária relação de pertinência com a produção, razão pela qual não se aplica a eles o conceito de insumos para fins de creditamento de PIS/COFINS nãocumulativos. Há que se ressaltar, por fim, que os citados gastos aduaneiros não podem ser confundidos com os gastos com armazenagem, uma vez que correspondem, evidentemente, a categorias ontologicamente distintas, resultando daí tratamentos jurídicos distintos no que concerne à possibilidade de crédito de PIS/COFINS: enquanto despesas com armazenagem podem, sob certas condições, gerar direito ao crédito de PIS/COFINS, por expressa previsão legal, os gastos com energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação, realocação, deslocamento e lavagem dos produtos acabados não dão direito a crédito, uma vez que 1) não representam insumos e 2) não há norma tributária prevendo seu creditamento. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 11020.003913/201046 Acórdão n.º 3302005.596 S3C3T2 Fl. 907 25 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento à pretensão da recorrente quanto à possibilidade de creditamento das despesas com energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação, realocação, deslocamento e lavagem dos produtos acabados. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 907DF CARF MF
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Numero do processo: 13558.001241/2009-68
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA.
Questões não suscitadas em sede de impugnação constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA DIMOF. INCIDÊNCIA.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
Numero da decisão: 1002-000.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer dos temas denúncia espontânea; interpretação mais benéfica ao infrator em matéria de multa; e anistia e, no mérito, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-23T13:54:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.7; xmp:CreatorTool: PDF Architect 5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-23T13:54:08Z; Last-Modified: 2018-07-23T13:54:08Z; dcterms:modified: 2018-07-23T13:54:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.7; Last-Save-Date: 2018-07-23T13:54:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDF Architect 5; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-23T13:54:08Z; meta:save-date: 2018-07-23T13:54:08Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-23T13:54:08Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-23T13:54:08Z; created: 2018-07-23T13:54:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2018-07-23T13:54:08Z; pdf:charsPerPage: 1385; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-23T13:54:08Z | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13558.001241/200968 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.260 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO Recorrente COOPERATIVA CREDITO RURAL ITABUNA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA. Questões não suscitadas em sede de impugnação constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA DIMOF. INCIDÊNCIA. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer dos temas denúncia espontânea; interpretação mais benéfica ao infrator em matéria de multa; e anistia e, no mérito, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 12 41 /2 00 9- 68 Fl. 94DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 64 à 67) interposto contra o Acórdão n° 0355.327, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (efls. 55 à 62), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DIMOF.OBRIGATORIEDADE. É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira DIMOF na forma em que foi consignada no lançamento de ofício. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa prevista legalmente no caso de transmissão intempestiva, não merecendo prosperar as alegações de motivos subjetivos que implicaram a transmissão dessa declaração fora do prazo. CERTIFICADO DIGITAL. É obrigação do sujeito passivo a manutenção de certificado digital válido, ou procuração eletrônica, que possibilite a entrega tempestiva de suas declarações/demonstrativos. ERRO DURANTE A TRANSMISSÃO. Uma vez que o preenchimento da declaração/demonstrativo e a sua transmissão é de responsabilidade exclusiva dos contribuintes, a ocorrência de erro durante a sua transmissão, impedindo o envio de dados à Receita Federal do Brasil, não configura a entrega da declaração e não possibilita o cancelamento da multa por atraso. Por bem expressar os fatos ocorridos até o momento processual anterior ao julgamento da peça impugnatória, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BSB: Trata o presente processo da exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira DIMOF do 2º Semestre de 2008, mediante o qual é exigido da interessada supra identificada o crédito tributário no valor total de R$ 25.000,00. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, a impossibilidade da apresentação devido a não Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13558.001241/200968 Acórdão n.º 1002000.260 S1C0T2 Fl. 3 3 liberação do certificado digital/ procuração eletrônica para validação da até o prazo da entrega da declaração. Acrescenta que, desde 10 de março de 2004, a SICOOB CENTRAL BAHIA, cooperativa a qual estava filiada, descredenciou a CREDICOFABA, atual ITACRED, tirandoa do sistema de compensação de cheques e outros papéis. Desde então, por sua falta de liquidez, encontrase impossibilitada de realizar quaisquer operações financeiras descritas no art. 5º da LC n 105/2001, exceto para cobrir saldo devedor em conta corrente e para receber pagamento de empréstimos, o que não justifica a cobrança da referida multa. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário, do qual são destacados os pontos que seguem (grifos do original). Alega que "A Declaração DIMOF foi apresentada fora do prazo, em virtude de necessitar de Certificação Digital para envio do documento e a pessoa responsável perante a Receita Federal do Brasil foi substituída, não tendo condições de realizar alteração em tempo hábil com a empresa certificadora, uma vez que na cidade não existe empresa autorizada, precisando ter que se deslocar até SalvadorBa., para proceder a certificação." Afirma que "O Código Tributário Nacional define em seu art. 138: 'a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhadas, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do deposito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa da apuração'." Pontua que "O Código Tributário Nacional define em seu art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação." Diz que "o art. 182 do Código Tributário Nacional define, que: Art. 182. A anistia, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com a qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei para sua concessão." Fl. 96DF CARF MF 4 Ao final requer "o cancelamento total da multa de R$ 25.000,00, por não ter condições financeiras para cumprir tal exigência, ciente da mesma não está operando financeiramente, face seu descredenciamento do Sistema Financeiro de Operação e Custodia de Cheques e Outros Papéis, além de esta em processo de Liquidação." É o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Apesar de tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, conheço parcialmente do presente Recurso Voluntário, eis que contém matérias novas, não suscitadas em sede de impugnação relativas à: denúncia espontânea; interpretação mais benéfica ao infrator em matéria de multa; e anistia, constantes, respectivamente, dos artigos 138, 112 e 182 do Código Tributário Nacional CTN. Tais matérias não podem ser analisadas por este colegiado por falta de prequestionamento, em razão de não terem sido apresentadas no momento processual oportuno, caracterizandose como matéria preclusa, a teor do disposto no artigo art.16, III e 17 do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: I (...) (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (...) Assim, considerando que os referidos fundamentos são totalmente novos em relação aos apresentados pelo Recorrente em sede de impugnação, o Recurso Voluntário não será conhecido nessa parte, eis que não cabe a esta instância recursal o reexame de matéria não julgada pela DRJ, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório. Quanto ao mérito, observo inicialmente que o atraso na entrega da DIMOF é fato ostensivo e incontroverso, eis que o Recorrente não o contesta. Os argumentos do Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, baseiamse, essencialmente, na alegação de ocorrência de problemas com seu certificado digital, o que teria levado ao atraso na entrega da DIMOF. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13558.001241/200968 Acórdão n.º 1002000.260 S1C0T2 Fl. 4 5 Não vejo como acolher o pleito do Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos, desde já, como razões de decidir, ancorado no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e no §3º do art. 57, do RICARF: "(...) De acordo com os autos, verificase que o contribuinte apresentou a Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira DIMOF, do 2º Semestre de 2008, em 16/07/2009, após o prazo fixado pela Receita Federal, de 27/02/2009. A multa em análise esta prevista na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, in verbis: Art. 30. A falta de prestação das informações a que se refere o art. 5º da Lei Complementar no 105, de 10 de janeiro de 2001, ou sua apresentação de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I R$ 50,00 (cinqüenta reais) por grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas; II R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso I, na hipótese de atraso na entrega da declaração que venha a ser instituída para o fim de apresentação das informações. § 1o O disposto no inciso II do caput aplicase também à declaração que não atenda às especificações que forem estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, inclusive quando exigida em meio digital. § 2o As multas de que trata este artigo serão: I apuradas considerando o período compreendido entre o dia seguinte ao término do prazo fixado para a entrega da declaração até a data da efetiva entrega; II majoradas em 100% (cem por cento), na hipótese de lavratura de auto de infração. § 3o Na hipótese de lavratura de auto de infração, caso a pessoa jurídica não apresente a declaração, serão lavrados autos de infração complementares até a sua efetiva entrega. Art. 31. A falta de apresentação dos elementos a que se refere o art. 6o da Lei Complementar no 105, de 10 de janeiro de 2001, ou sua apresentação de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica à multa equivalente a 2% (dois por cento) do valor das operações objeto da requisição, apurado por meio de procedimento fiscal junto à própria pessoa jurídica ou ao titular da conta de depósito ou da aplicação financeira, bem como a terceiros, por mêscalendário ou fração de atraso, limitada a Fl. 98DF CARF MF 6 10% (dez por cento), observado o valor mínimo de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais). Parágrafo único. À multa de que trata este artigo aplicase o disposto nos §§ 2o e 3o do art. 30. A Instrução Normativa RFB nº 811, de 28 de janeiro de 2008, assim dispõe sobre a obrigatoriedade da apresentação da DIMOF, à época: (...) Cabe esclarecer que a entrega da Declaração fora do prazo fixado pela norma tributária é considerado como sendo o descumprimento de uma obrigação acessória por parte da empresa. Como regra, é conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem tampouco com as multas decorrentes por tal procedimento. A declaração somente pode ser considerada entregue, de fato, após a completa transmissão dos dados à Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio de programa específico, onde é gerado automaticamente o Recibo de Entrega da Declaração. No que se refere aos problemas encontrados no envio da declaração via internet, não há como eximir a exigência imposta ao Impugnante, uma vez que a responsabilidade pelo preenchimento dos dados e envio é do contribuinte. Ressaltase que, tratandose de legislação tributária, abstraise a intenção do agente e a efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado, na definição de responsabilidade objetiva trazida pelo art. 136 do mesmo CTN. (...) Ponderase que, consoante o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não podem os servidores, seja o lançador, seja o arrecadador, seja o julgador, agregar a seus atos funcionais suas convicções pessoais ou seus estados anímicos subjetivos se estes colidirem com as normas veiculadas pelos textos legais. Assim, considero acertada a decisão da DRJ/BSB, não havendo reparos a fazer por parte deste colegiado. Diante do exposto, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem acolhimento, razão pela conheço parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão de origem. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 13637.720495/2016-28
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. MULTA E JUROS.
A declaração retificadora constitui nova situação jurídica e a sua inconsistência autoriza a Receita a aplicação de multa e juros.
Numero da decisão: 2002-000.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. MULTA E JUROS. A declaração retificadora constitui nova situação jurídica e a sua inconsistência autoriza a Receita a aplicação de multa e juros.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1212; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13637.720495/201628 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.199 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria IRPF Recorrente TATSUMI NISHIYAMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. MULTA E JUROS. A declaração retificadora constitui nova situação jurídica e a sua inconsistência autoriza a Receita a aplicação de multa e juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 72 04 95 /2 01 6- 28 Fl. 68DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário protocolado em 20/04/2017 (fl.47) contra decisão de primeira instância (fls.31/36), que negou provimento a impugnação do sujeito passivo. Foi lavrado o auto de infração por Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, tendo como fonte pagadora a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais EMATER/MG nesta infração o contribuinte concorda com a mesma. Em relação a outra fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social INSS, o contribuinte contesta alegando ter direito a isenção. Inconformado com o auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, requerendo a nulidade desta segunda infração, alegando que se trata de proventos de aposentadoria, e que o mesmo é portador de doença grave, atestado por fonte oficial. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento pela procedência em parte, para reduzir valores, cobrando o imposto, acrescido de multa de ofício 75% e juros de mora, no que pertine a segunda infração, a que teve como fonte pagadora o INSS; quanto a primeira infração, a r. decisão primeira assim determina: "Deverá a DRF de origem providenciar a transferência do crédito tributário correspondente a parte não impugnada"(fl.36). Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, combatendo apenas o lançamento da multa de ofício/juros mora, isto porque o mesmo alega que pagou o principal de forma espontânea, antes de qualquer procedimento de ofício pelo Fisco, e junta documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário, aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O AR foi recebido em 27/03/2017 (fl.41) e a defesa protocolada em 20/04/2017, fl.42 dos autos. O contribuinte ataca o lançamento da multa de ofício e os juros de mora, alegando que pagou de forma espontânea o tributo, antes de qualquer procedimento de ofício pelo Fisco, juntando os documentos (fls.45/48). Não é sincera a alegação do recorrente, e se diz isso porque o imposto pago decorreu da declaração original, sendo que a ação fiscal decorre de nova declaração (retificadora), que estabelece nova situação jurídica, proposta pelo próprio contribuinte, dado que o IR é imposto de autodeclaração. Assim, considerada inconsistente a nova declaração (retificadora), a multa e juros é mero corolário legal e lógico da ação fiscal. Eventual imposto pago pelo contribuinte poderá ser objeto de compensação, em procedimento próprio. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13637.720495/201628 Acórdão n.º 2002000.199 S2C0T2 Fl. 3 3 Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito nego provimento, mantendo a ação fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 70DF CARF MF
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